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FACULDADE DE PSICOLOGIA DA UNIVERSIDADE

DE LISBOA
 

 
Relatório de estágio
Mestrado Integrado em Psicologia

Núcleo de Psicologia da Educação e Orientação

João Nuno Oliveira Nº20922

Local: GAPsi - Gabinete de Apoio Psicopedagógico da Faculdade de Ciências

Sob a supervisão de: Professor Doutor António M. Duarte

Orientado por: Doutor Cláudio Pina Fernandes

Ano Lectivo 2020/2021


Índice

Caracterização do local

O GAPsi

População

A posição do estagiário educacional

Projeto de estágio

As actividades do estágio propostas pelo local para o ano 2020/2021

Saúde e bem estar

Orientação vocacional e de carreira

Aprendizagem

Outros

Experiência de estágio, projectos e actividades

Apoio Psicológico nas universidades em tempos Covid-19

Adaptação, integração e dia-a-dia

Orientação Vocacional e de Carreira

Acompanhamento individualizado

Caso T.M.

Caso B.G.

Caso D.S.

Caso P.V.

Caso P.C.

Caso J.C.

Caso D.C.

Programa aprender melhor

Textos de autoajuda

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Workshop de saúde, bem-estar, e criactividade

Workshop de Expressão Oral

Investigação “Estudar em tempos de Covid-19”

Actividades não realizadas

Resumo das actividades

Conclusão

Referências bibliográficas

Anexos

Anexo 1 - Texto “Focar a atenção”

Anexo 2 - Adaptação do programa “Aprender Melhor”

Anexo 3 - Relatório da investigação “Estudar em tempos de Covid-19”

Caracterização do local

GAPsi

O GAPsi é o gabinete de apoio psicopedagógico da Faculdade de Ciências da Universidade

de Lisboa (FCUL). O gabinete serve toda a população da FCUL, alunos de licenciatura,

mestrado e doutoramento, investigadores, pessoal docente e não docente. O gabinete tem uma

ampla panóplia de funções. Estas são: prestar apoio psicológico individual, nas vertentes

clínica, educacional e de orientação de carreira; dinamizar formação em competências

transversais; actuação em situações de emergência psicológica; prestação de apoio a

estudantes com necessidades educativas especiais (NEE); prestação de apoio psicológico em

grupos; publicação de material de auto-ajuda para a população; coordenação de um programa

de mentorado - Programa de Adaptação à Faculdade (PAF); e por fim tem responsabilidades

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científicas de observar, compreender e reportar qualquer fenómeno relacionado com a

psicologia, numa faculdade orientada maioritariamente para as ciências físicas e da vida.

População

Como referido anteriormente a população da FCUL que caí sob a alçada do GAPsi é

constituída por todos os alunos, investigadores, funcionários docentes e não docentes. A

população que acaba por recorrer mais ao serviço são os alunos, que também estão em maior

número na faculdade. De qualquer modo, o trabalho desenvolvido no GAPsi está orientado

para uma população de jovens adultos e adultos.

A posição do estagiário educacional

O GAPsi é um serviço com uma grande componente clínica. O que faz com que o estagiário

vindo do mestrado de psicologia da educação e orientação esteja em minoria. Isto é uma boa

oportunidade, já que permite um grande envolvimento em todas as atividades da área da

psicologia da educação e orientação vocacional. Algumas das tarefas esperadas do estagiário

educacional incluem: apoio psicológico individualizado na forma de apoio psicopedagógico e

aconselhamento vocacional e de carreira; dinamização de programas e workshops na áreas

educacional e vocacional; construção de materiais (p.e. textos de auto-ajuda); pequena

investigação relevante ao gabinete; apoio ao serviço. Apesar da existência destas linhas

orientadoras esta posição goza de uma grande liberdade, toldada apenas pelos limites da

praticabilidade e relevância para o estagiário. O estágio como é desenhado nesta parceria

entre GAPsi e Faculdade de Psicologia, tem como pilares três grandes áreas: a aprendizagem,

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a orientação vocacional e de carreira e a saúde e bem-estar. O estagiário deve estar envolvido

em actividades que incidam sobre cada uma destas áreas.

Projecto de estágio

De acordo com as necessidades do serviço e parâmetros da posição de estagiário foi esboçado

o seguinte projecto de estágio.

O presente ano lectivo funcionará com algumas restrições, devido ao esforço de contenção do

surto de Covid19. O serviço terá limitação do pessoal presente e o contacto com as pessoas

está sempre condicionado. No entanto, a vida não para e o GAPsi também não. Farei dois

meios dias por semana: terça das 13h às 17h e sexta das 9h às 13h, totalizando 8 horas

semanais de trabalho presencial.

As actividades do estágio propostas pelo local para este ano foram:

Atendimento: Aconselhamento vocacional e psicoeducacional;

Adaptação e aplicação de um programa de promoção de métodos de estudo;

Elaboração de um estudo relativo ao serviço;

Elaboração de um texto de auto ajuda sobre um tema pertinente à psicologia para vigorar na

área com o mesmo nome na página do GAPsi;

Gestão administrativa do serviço;

Possibilidade de dinamizar palestras ou workshops.

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Os três pilares do estágio são as áreas de: saúde e bem-estar; orientação vocacional e de

carreira; aprendizagem.

Saúde e bem-estar

Texto de auto ajuda para o site:

O local exige a composição de um texto de auto-ajuda, orientado para os estudantes, para

exibir na página do gabinete. O texto deve complementar a panóplia já existente, incidindo

em tópicos ainda por abordar.

Programa “Natureza e bem-estar”:

Entre exigências académicas e a vida social de um jovem, a experiência de ser estudante

universitário pode ser desgastante. Existe assim uma necessidade de oferecer aos estudantes

auxílio na área da saúde mental. Assim, proponho uma ponte entre o GAPsi e a horta

comunitária da Fcul. Esta ponte deve basear-se numa teoria de fatores terapêuticos de estilo

de vida (Walsh, 2011). Estipula-se assim a criação de um programa, um conjunto de

actividades ligadas à horticultura, que promovam a saúde e bem-estar dos alunos.

Estudo sobre o programa:

O GAPsi apresenta a necessidade de realizar um estudo, relacionado com o gabinete, que

melhore de futuro o seu funcionamento. Neste sentido, planeio explorar esta ponte com outro

serviço da Faculdade de Ciências, a horta comunitária. O objectivo deve ser compreender a

utilidade terapêutica do trabalho numa horta comunitária e os seus efeitos na saúde e bem-

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estar geral da população universitária. Dependendo dos resultados do estudo, existe depois a

possibilidade de fazer uma comunicação ou workshop neste tópico.

Orientação vocacional e de carreira

Aconselhamento Vocacional:

A perspectiva de atendimento pode estar em risco em prol das circunstâncias actuais

derivadas da pandemia Covid-19. O orientador no local deixou em aberto tanto os parâmetros

das sessões como a data de início das mesmas. O início do atendimento em anos anteriores é

feito através da observação de sessões de outro psicólogo, através de um espelho falso. Este

ano isso pode não ser possível, por causa das restrições, passando as sessões a um formato

online.

Aprendizagem

Aconselhamento psicoeducacional:

À semelhança do aconselhamento vocacional, o aconselhamento psicoeducacional também

ocorrerá em parâmetros condicionados pela pandemia Covid-19.

Programa de métodos de estudo:

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O local requer que seja atualizado e implementado um programa de métodos de estudo. Este

programa, baseado no programa Aprender Melhor (D.S., 2012), já foi aplicado em anos de

estágio anteriores, mas deve ser adaptado às circunstâncias actuais, possivelmente para uma

aplicação online. Assim este objectivo está dividido em duas fases, a actualização do

programa e a sua implementação.

Os objectivos do programa são alterar perspectivas e abordagens face à aprendizagem, criar

estratégias e aumentar a motivação para a aprendizagem. O programa deve ser aplicado em

grupo, ao longo de várias sessões.

Outros

Gestão administrativa do serviço:

É tarefa do estagiário também ajudar com a gestão administrativa do serviço. Atendimento de

primeiros contactos, encaminhamento de pedidos, agendamento de consultas, são algumas

das actividades de secretariado que irei desempenhar para obter também maior familiaridade

com o gabinete e respectiva gestão.

Experiência de estágio, projectos e actividades

Apoio psicológico nas universidades em tempos de COVID-19

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Foi um ano atípico para todos e como não poderia deixar de ser, isso refletiu-se nos estágios

curriculares. Apesar das universidades terem já uma boa infraestrutura virtual montada,

comparando com outros locais (p.e. escolas), existiram alterações significativas ao trabalho

no GAPsi. Com as restrições de lotação só era possível a permanência a 2 pessoas de cada

vez no serviço, até este fechar e passar completamente para o regime online. O atendimento

individual foi feito via online através da plataforma Zoom. As reuniões bi-semanais foram

desde o início através do Zoom, assim como qualquer contacto entre os membros da equipa.

As actividades tiveram de ser adaptadas e planeadas para funcionar em regime online.

Palestras, formações, o atendimento individual, todas as actividades passaram a ser feitas

através da internet. Frente a uma situação sem precedentes a adaptação foi feita por tentativa

e erro. Muito pouca investigação existia sobre o assunto.

O estabelecimento da relação terapêutica é algo que encontra um grande desafio no

atendimento online.

O trabalho com grupos, quer seja em formações ou em qualquer outro tipo de dinâmicas,

também sofre grandes alterações passando para o regime online.

As próprias necessidades dos estudantes sofrem alterações devido às extraordinárias

circunstâncias.

Em suma

Adaptação, integração e dia-a-dia

Como referido anteriormente, tanto a adaptação como o dia-a-dia de trabalho foram muito

marcados pelas circunstâncias de pandemia. O contacto com a equipa, especialmente numa

fase inicial foi diminuto, o que pode ter aumentado um pouco o período de adaptação e

integração. Mas a equipa demonstrou-se sempre muito acolhedora o que permitiu um meio

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fértil para a assimilação perfeita do estagiário. A equipa estava junta bi-semanalmente via

online nas reuniões de supervisão e em actividades de teambuilding, especialmente a partir do

aligeirar das restrições à circulação em Maio. O ambiente entre colegas e supervisores era de

partilha e entreajuda. Isto facilitou a integração e a evolução ao longo do estágio.

O trabalho semanal consistia de duas reuniões de supervisão, as sessões de apoio

individualizado, dinamização de grupos ou formações, se fosse caso disso, e trabalho

independente nas actividades ou projectos em progresso a cada momento. No primeiro mês e

meio de estágio as sextas feiras eram passadas no serviço em trabalho independente,

observação de sessões e apoio administrativo ao serviço. Mas em Janeiro, devido às

restrições, tal deixou de acontecer. O teletrabalho trouxe grande autonomia também ao

trabalho do estagiário. O serviço não impunha, fora as atividades marcadas, um horário fixo a

nenhum dos membros. Assim, fui eu próprio a criar o meu horário de trabalho de acordo com

as necessidades.

Orientação Vocacional e de Carreira

Compreendo que este tópico merece especial atenção por ter sido a principal componente, ou

pelo menos a que mais tempo consumiu, durante o estágio.

A orientação vocacional e de carreira teve a supervisão da Dr. Andreia Santos, psicóloga no

GAPsi. Tive oportunidade de acompanhar 7 casos com pelo menos uma componente

vocacional, sendo que o primeiro foi conduzido pela Dr. Andreia e apenas observado por

mim. O principal suporte teórico para esta tarefa foi a teoria de design de vida e narrativas de

carreira, de Mark L. Savickas (2015). É necessário ainda fazer uma referencia ao livro

“Tornar-se pessoa” de Carl Rogers(1961), pela grande influência que teve na minha postura

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em acompanhamento individual e não só. Uma perspetiva humanista Complementarmente,

foram também utilizados os seguintes testes psicométricos:

 Bateria de Aptidões Mentais Primárias, de Thurstone (PMA);

 Entrevista de Temas de Carreira, de Savickas;

 Inventário de Interesses Vocacionais, de Jackson (JVIS);

 Inventário Multiaxial Clínico, de Millon (MCMI);

 Inventário de Sintomas Psicopatológicos(BSI);

 Questionário de busca autodirigida, de Holland (SDS).

Acompanhamento Individual

Caso T.M.

O acompanhamento deste primeiro caso foi conduzido pela Dr. Andreia Santos, que também

elaborou o relatório vocacional. O meu papel foi de observação e apoio à cotação e

interpretação dos testes.

Dados de Identificação

Idade: 20 anos 

Habilitações: 12º ano 

Curso que frequenta na Faculdade de Ciências ULisboa: Eng. Geoespacial, 1º ano

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Motivo do pedido

O T.M. gostaria de mudar de curso, tendo já como opção o curso de Psicologia. Na

sequência desta situação, solicitou a realização de testes vocacionais para que pudesse ter

acesso a informações mais concretas, por forma a corroborar ou não a sua opção. 

Procedimento

A avaliação de orientação vocacional foi efetuada com base nos seguintes

procedimentos: 

 Entrevista Estrutura de M. Savickas baseada na Teoria de Construção de Carreira 

 Bateria de Aptidões Mentais Primárias de Thurstone (PMA). Avalia 5 aptidões

(Compreensão Verbal, Aptidão Espacial, Aptidão Numérica, Raciocínio Lógico e

Fluência Verbal)

 Inventário de Interesses Vocacionais de Jackson (JVIS) 

Avaliação de aptidões cognitivas

Na avaliação cognitiva realizada através da Bateria de Aptidões Mentais Primárias,

os resultados do T.M. quando comparados com os resultados obtidos pelo seu grupo de

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referência, são tendencialmente heterogéneos, variando entre valores de referência abaixo da

média e de nível elevado. 

Na prova Factor V (Compreensão Verbal) obteve um resultado médio baixo (PC30).

Compreensão Verbal - Avalia a capacidade para captar ideias expressas através da

linguagem, tanto em forma escrita como oral. Esta capacidade é particularmente indicada

para indivíduos cujas funções estejam predominantemente centradas em tarefas

administrativas e áreas profissionais como direito ou de gestão, línguas e literatura, psicologia

organizacional e escolar, serviço social, jornalismo e comunicação social, marketing e

publicidade, medicina e ainda, para todas as profissões em que as capacidades de

compreensão e de expressão verbal sejam importantes.

Na prova Factor E (Aptidão Espacial) obteve um resultado dentro da média (PC50).

Aptidão Espacial – Avalia a capacidade para imaginar e conceber estruturas espaciais

e compará-las entre si. Aptidão necessária à interpretação e ao reconhecimento de objetos que

mudam de posição no espaço, mantendo, no entanto, a sua estrutura interna. Esta aptidão é

necessária à aprendizagem de, por exemplo, geometria, de desenho mecânico, de trabalhos

manuais, de física. É, também essencial em atividades profissionais como, por exemplo,

desenhador, eletricista, mecânico, engenheiro ou arquiteto. É uma aptidão requerida em

atividades que exigem uma boa capacidade para focar e localizar, com rigor, objetos no

espaço. 

Na prova Factor R (Raciocínio Lógico) obteve um resultado de nível muito elevado

(PC99).

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Raciocínio Lógico – Avalia a capacidade para seguir um processo discursivo,

descobrindo a relação causal que existe entre diversos factos ou ideias. Este tipo de raciocínio

implica duas capacidades distintas, uma indutiva, como a capacidade para inferir a partir de

casos particulares a norma geral, e outra dedutiva, como a capacidade para extrair de

premissas a conclusão lógica. Esta aptidão é necessária a todas as atividades que requerem

previsão, organização, e planeamento, como por exemplo, medicina, ensino, a magistratura, a

gestão, trabalho científico. 

Na prova de raciocínio N (Aptidão Numérica), obteve um resultado inferior à média

(PC15). 

Aptidão Numérica – Avalia a capacidade para manejar números e para resolver,

rápida e acertadamente, problemas quantitativos simples. A aptidão numérica é útil em

atividades escolares como a aritmética, a estatística, a contabilidade e em todas as disciplinas

em que o cálculo matemático surge como principal componente. Essencial para profissões

nas áreas da informática, gestão, engenharia, logística, enfermagem, matemática, banca,

seguros, economia, contabilidade, estatística, banca, cozinha/chefe de cozinha e

administração de empresas, entre muitas outras.

Por último, na prova F (Fluência Verbal), obteve um de nível médio baixo (PC35). 

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Fluência Verbal – Avalia a capacidade para expressar com facilidade e com

desenvoltura as próprias ideias, ordenando-as devidamente e expondo-as de modo

convincente. Esta capacidade é tanto mais exigida quanto mais uso da linguagem se faça no

exercício da profissão. Profissões que requerem bons resultados nesta capacidade são, por

exemplo, ator, comerciante, jornalista, agente de publicidade entre outras. 

Escolha Vocacional

No Inventário de Interesses – JVIS, os tipos e estilos de trabalho que se destacam a

um nível muito elevado são: Matemáticas (PC95), Ciências Físicas (PC95), Ciências da

Vida (PC95), Ciências Sociais (PC95) e Serviços Médicos (PC90). 

Interesses elevados em Matemáticas, denotam gosto em usar fórmulas matemáticas e

conceitos quantitativos; interesse em efetuar cálculos, em planear e em aplicar métodos

matemáticos na resolução de problemas. 

As Ciências Físicas estão relacionadas com um interesse na investigação sistemática dos

vários aspetos da matéria não viva. 

As Ciências da Vida revelam interesse na investigação dos vários aspetos dos seres vivos.

As Ciências Sociais estão relacionadas com um interesse na investigação e aprendizagem dos

vários aspetos da organização da sociedade, do comportamento humano e interação social. 

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Os Serviços Médicos revelam interesse no trabalho de prevenção e tratamento das doenças

dos indivíduos. 

De entre os valores mais baixos do perfil de interesses, destacam-se as áreas relacionadas

com Finanças (PC10) e Negócios (PC5) e atividades escritas, tais como: Escritor Jornalista

(PC5) e Escrita Técnica (PC5). 

Tendo em conta o interesse do T.M. pela área da Psicologia, foram verificados dois

tipos/estilos representadas no perfil que podem estar relacionadas com a mesma; o tipo

Serviço Social e Gestão de Relações Humanas. O resultado obtido em Serviço Social foi de

nível médio (PC50) e de Gestão de Relações Humanas a um nível muito inferior (PC5). 

O tipo Serviço Social denota um desejo de ajudar pessoas com problemas a enfrentar os

mesmos. O tipo Gestão de Relações Humanas manifesta um gosto em atuar como a “pessoa

do meio” entre pessoas em conflito, em resolver situações interpessoais, incluindo aquelas

que são difíceis ou com peso emocional. 

No que respeita a estilos de trabalho, o T.M. tem uma preferência por atividades que

envolvam situações novas e pouco habituais, trabalho ao ar livre e sobre as quais se sinta

desafiado. 

Discussão dos Resultados

No domínio das aptidões cognitivas, destaca-se de uma forma muito evidente, o

Raciocínio Lógico. Esta aptidão pode ser bastante útil nas áreas de investigação e ligação

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entre teorias no diagnóstico e intervenção nas áreas da Psicologia. Por outro lado, as aptidões

Compreensão Verbal e Fluência Verbal, bastante úteis e importantes na área da Psicologia,

situam-se a um nível médio baixo. 

          Relativamente ao perfil de interesses vocacionais, de um modo geral, pode afirmar-se

que o T.M. demonstra uma preferência clara por áreas/atividades que envolvam o

conhecimento científico, seja este na área das ciências físicas/matemáticas seja na área do

comportamento humano e interação social. 

         Face à opção de mudar para o curso de Psicologia, esta parece uma opção viável.

Contudo o perfil de interesses e aptidões indica um percurso vocacionado para a área

académica/investigação mais do que para um perfil social. Isto é, há um interesse mais ao

nível do conhecimento e do saber do que, na prestação de apoio e ajuda às pessoas, por

exemplo em aspetos educacionais e terapêuticos na solução de problemas.

Caso B.G.

Dados de Identificação

Sexo: Feminino

Idade: 19 anos

Habilitações: 12º ano

Curso que frequenta na Faculdade de Ciências ULisboa: Eng. Física, 1º ano

Motivo do pedido:

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A B.G. pondera neste momento se deve ou não mudar de curso. Entrou na 5ª opção no acesso

ao ensino superior, a primeira opção era engenharia Biomédica. Não tem a certeza em relação

a se está no curso certo e queria explorar os seus interesses.

Procedimento

• Entrevista Estrutura de M. Savickas baseada na Teoria de Construção de Carreira;

• Inventário de Auto-Exploração dos Interesses de J. Holland e A. Powell (SDS);

• Inventário de Interesses Vocacionais de Jackson (JVIS).

Escolha Vocacional

No Inventário de Auto-Exploração dos Interesses – SDS, os resultados do são expressos em

seis tipos de interesses: Realista, Investigativo, Artístico, Social, Empreendedor e

Convencional (RIASEC). A configuração ordenada do resultado do teste foi: 1º Investigativo;

2º Social; 3º Artístico/Empreendedor.

GRUPO I – Interesses por Investigação

Quando as pessoas gostam de utilizar a mente, diz-se que são do tipo investigador. Tendem a

ser curiosas, estudiosas, independentes, intelectuais, introspectivas. Gostam de desenvolver

competências em áreas como a matemática, as ciências físico-químicas .Gostam de refletir

sobre os problemas e confiam na sua capacidade de raciocínio para o fazer. Admiram a lógica

e gostam de desafios intelectuais. As pessoas tendem a resolver os problemas pensando.

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GRUPO S – Interesses Sociais

As pessoas com interesses sociais vivem através dos sentimentos. Apreciam o trabalho com

pessoas. Tendem a ser prestáveis, amigáveis, empáticas, genuínas, apoiantes. Gostam de estar

perto das pessoas, partilhar problemas. Gostam de atividades com treinar, ensinar,

compreender e ajudar pessoas

As pessoas tendem a resolver os problemas “usando sentimentos”.

GRUPO E – Interesses Empreendedores

As pessoas com interesses empreendedores gostam de projetos. Gostam de liderar e

influenciar pessoas. São ambiciosas, enérgicas, auto-confiantes, independentes, entusiastas,

sensitivas e lógicas. Gostam de desenvolver competências de liderança, de motivação e de

persuasão. Gostam da organização, da gestão, do estatuto, do poder e do dinheiro.

As pessoas tendem a resolver os problemas “arriscando”.

GRUPO A – Interesses Artísticos

Quando as pessoas têm interesses artísticos, gostam de estar fora das rotinas; de desenvolver

competências na área das artes plásticas, música, dança, teatro e escrita. Apreciam a beleza e

as atividades não estruturadas, a variedade e a diferença. Tendem a ser criativas, talentosas,

não conformistas, sensitivas, independentes, introspectivas, expressivas.

As pessoas tendem a resolver os problemas “sendo criativas”.

No Inventário de Interesses – JVIS, os tipos e estilos de trabalho que se

destacam a um nível muito elevado são: Ciências Físicas (PC 95) e Planeamento (PC 95).

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As Ciências Físicas definem-se como o interesse na investigação sistemática dos vários

aspectos da matéria não viva.

O Planeamento corresponde a um estilo que privilegia a organização nos hábitos de trabalho

e preferência por trabalhar num meio onde as atividades ocorrem numa sequência previsível.

Os resultados que se destacaram por serem de valor inferior, são: Negócios (PC 5) e

Consultoria (PC 10).

A ideia de carreira que a B.G. trouxe para o acompanhamento, uma carreira de investigação

laboratorial na área da química, física ou bioquímica é coerente com o resultado dos testes.

Quer pela configuração de ênfase no interesse pela Investigação no SDS, como pelas escalas

de Ciências Físicas e Planeamento no JVIS.

Discussão dos resultados

Os testes validam o percurso de carreira actual da B.G. O curso de física encaixa no perfil de

interesses, particularmente pela escala das Ciências Físicas, elevada no JVIS. O estilo de

Investigação no SDS e a escala de Planeamento no SDS encaixam também positivamente na

ideia de carreira de investigação em laboratório.

Existem outros interesses da B.G. congruentes com os resultados, que se materializam em

alternativas ao curso atual, nomeadamente a hipótese de engenharia química. Admite ter

ainda dúvidas acerca de se está no curso certo ou se deveria mudar. A B.G. ponderou bastante

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em relação à mudança de curso e à logística envolvida nessa transição. Tomou a decisão de

continuar no curso de Engenharia Física e explorar as perspectivas de futuro que daí advêm.

Posteriormente ao processo de orientação vocacional, o caso B.G. a pessoa revelou a

necessidade de algum apoio à aprendizagem.

Motivo do pedido:

O problema inicial dava conta de um desfasamento entre aquilo que eram as expectativas e os

resultados académicos da B.G.

Procedimento:

O procedimento neste caso começou pela discussão de expectativas. As elevadas expectativas

de B.G. prendiam-se com a sua exigente pretensão de perseguir uma carreira em

investigação.

Passámos depois para a organização do estudo. Foi pedido à B.G. que descrevêsse a sua

metodologia de estudo, que elaborá-se um horário e que ao longo de duas semanas, até a

próxima sessão, registasse um diário de estudo. As tarefas foram acatadas com animo pela

cliente.

Na sessão seguinte foram discutidos os materiais recolhidos. Existia uma clara sobrecarga no

estudo da B.G. , algo que a própria admitia. O método de estudo não mostrou indícios de ter

grandes deficiências ao nível da eficácia, mas era excessivo na sua distribuição temporal e

especialmente tendo em conta o contraste com os momentos de pausa e lazer. Procedeu-se

então à criação de um horário de estudo que contemplasse as interrupções para descanso e

atividades lúdicas.

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No seguimento desta sessão a B.G. disse que não era capaz de reduzir o tempo de estudo,

mesmo perante a recomendação minha e do oftalmologista. O processo foi então

interrompido por iniciativa da cliente, por ter esta entendido que o acompanhamento já tinha

cumprido o seu propósito.

Discussão

A B.G. sofria muito com ansiedade académica. Por isso lhe era tão difícil interromper o

estudo, não conseguia manter a paz interior se não estivesse a estudar, mesmo que o estudo já

não estivesse a ser produtivo. A sobrecarga no estudo podia mesmo estar a prejudicar o seu

desempenho, uma vez que admitiu ter melhores resultados em períodos em que estudava

menos. Foi sugerido a B.G. na última sessão que recorresse ao serviço de psicologia clínica

do GAPsi, para abordar de forma mais profunda as questões da ansiedade.

Caso D.S.

Dados de Identificação

Sexo: Masculino

Idade: 23 anos

Habilitações: Licenciatura em Física

Curso que frequenta na Faculdade de Ciências ULisboa: Mestrado em Física, ramo da

Astrofísica, 4ºAno

Motivo do pedido:

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O D.S. recorreu ao GAPsi, pedindo acompanhamento vocacional, por estar num momento de

grande incerteza em relação ao seu futuro, pondo em causa o seu percurso e escolhas

vocacionais.

Procedimento

A avaliação de orientação vocacional foi efetuada com base nos seguintes

procedimentos:

 Entrevista Estrutura de M. Savickas baseada na Teoria de Construção de Carreira

 Inventário de Interesses Vocacionais de Jackson (JVIS)

Escolha Vocacional

No Inventário de Interesses – JVIS, os tipos e estilos de trabalho que se

destacam a um nível muito elevado são: Perseverança (PC 90), Ensino (PC 90) e Confiança

Interpessoal (PC 90).

Ao nível de interesses por áreas profissionais mais específicas, os que se destacam são: Artes

Criativas (PC 80), Ciências Físicas (PC 80) e Escritor Jornalista (PC 80).

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Os resultados que se destacaram por serem de valor inferior, são: Direito (PC 5) e Aventura-

Risco (PC 5).

Perseverança corresponde a um estilo de trabalho de fazer face a dificuldades, apresentar boa-

vontade (prontidão) para trabalhar numa tarefa por muitas horas sem intervalo.

Confiança interpessoal é relativa a preferir ambientes em que é exigência prioritária a

autoconfiança na relação com os outros: não recear encontrar-se com desconhecidos nem

falar sobre assuntos variados. Acreditar que pode realizar tarefas com alto nível de

responsabilidade.

O Ensino, o gosto de ensinar disciplinas específicas

As Artes Criativas é o interesse por organizar materiais de maneira artística e agradável;

sentir prazer em ser criativo e original.

As Ciências Físicas definem-se como o interesse na investigação sistemática dos vários

aspectos da matéria não viva.

Escritor Jornalista é aqui definido como o gosto em ser criativo e original na escrita; prazer

em escrever para as pessoas em geral.

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A ideia de carreira que o D.S. trouxe para o acompanhamento, uma carreira de investigação e

docência na área da Física é confirmada pelos resultados, pela escala do Ensino (PC 90) e

Ciências Físicas (PC 80).

Os resultados em Perseverança (PC 90) e Confiança Inter-pessoal (PC 90) são referentes a

estilos de trabalho e encaixam aqui também no plano de futuro como necessidades

compatíveis com uma carreira científica. 

Os resultados em algumas das escalas mais artísticas também são relevantes, nomeadamente

as Artes Criativas (PC 80) e Escritor Jornalista (PC 80). Estes manifestam um interesse que o

D.S. tem pela arte, especialmente pela escrita de histórias.

Discussão dos resultados

Os interesses do D.S. estão alinhados com o percurso vocacional em que se encontra. Isto é

aparente tanto no resultado do teste de interesses, como na entrevista de temas de carreira,

que demonstrou uma preferência há muito enraizada pelo estudo da física.

O interesse pela arte e escrita são também relevantes, e o D.S. explora essas atividades nos

seus tempos livres, não expressando desejo de priorizar essas áreas numa carreira

profissional.

Assim se conclui o reforço da opção vocacional do D.S. pela área da física. Permanecem

dúvidas relativamente ao futuro profissional que levaram inicialmente o D.S. a procurar apoio

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vocacional.  No entanto, entende-se que entram no domínio do acompanhamento

psicoterapêutico e é recomendado que sejam avaliadas e abordadas como tal.

Caso P.V.

Dados de Identificação:

Sexo: Feminino

Idade:21

Habilitações: 12º Ano

Curso que frequenta na FCUL: Biologia 3ºAno

Motivo do pedido:

A P.V. recorreu ao GAPsi no final da licenciatura em Biologia. Sempre teve uma ideia

concreta do seu futuro académico e profissional. Ingressou em biologia na FCUL para poder

depois candidatar-se a um mestrado de biologia forense no Porto e tarbalhar como Cientista

forense no Instituito de medicina legal. Agora no fim da licenciatura confronta-se com uma

insuficiência no valor da sua média de curso, não tendo nota mínima para ingressar no

mestrado que desejava. Pediu apoio vocacional, procurando alternativas.

Discussão:

A P.V. interrompeu o processo depois da segunda sessão, sob o pretexto de falta de tempo

para participar nas sessões.

O trabalho feito com a P.V. foi de orientação da exploração de alternativas. Na primeira

sessão estava um pouco abalada com a sua situação e comtemplava a possibilidade de escolha

de uma carreira alternativa. Rápido concordámos que o procedimento mais acertado seria

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primeiro descartar todas as hipóteses de chegar ao objetivo principal de trabalhar em ciência

forense, antes de procurar uma nova opção de carreira. Foram designadas à P.V. uma série de

tarefas de exploração autónoma de alternativas formativas ao mestrado no Porto. As tarefas

foram cumpridas apenas parcialmente da primeira para a segunda sessão. Confrontada com

isso, P.V. alegou estar sobrecarregada com tarefas académicas. O processo ficou incompleto.

Caso P.C.

Dados de identificação

Sexo: Masculino

Idade: 21 anos

Habilitações: 12º Ano

Curso que frequenta na FCUL: Biologia, 3ºAno

Motivo do Pedido:

O P.C. está no 3º Ano do curso de Biologia, a finalizar a licenciatura. Têm dúvidas em

relação ao seu futuro académico e profissional. Pediu ajuda ao GAPsi para tentar obter

alguma orientação.

Discussão:

O P.C. foi apenas a uma primeira sessão de aconselhamento. No fim da da sessão afirmou

que precisava apenas de exteriorizar as suas questões e que isso o tinha ajudado bastante.

27
O P.C. quer definir o problema em que vai focar a sua atenção profissional e

academicamente. O problema geral que o preocupa é o da sobre-população e especificamente

a escassez de recursos a que leva. Manifesta o interesse por criar um projecto empresarial

com as preocupações ambientais. Foi-lhe sugerido que faça uma pesquisa autónoma por

projectos e oportunidades de estágio na área do empreendedorismo social e ambiental. Foi

sugerida também o recurso ao Gabinete de Empregabilidade da FCUL, que têm um registo

actualizado de oportunidades académicas e profissionais para alunos e ex-alunos em início de

carreira.

Caso J.C.

Dados de Identificação

Sexo: Feminino

Idade:22 anos

Habilitações: 12º ano

Curso que frequenta na Faculdade de Ciências ULisboa: Matemática Aplicada, 3º ano

Motivo do pedido:

A J.C. pondera neste momento, o fim da licenciatura, se deve ir para mestrado ou ter alguma

experiência através de um estágio numa empresa. O mestrado é algo que deseja fazer, mas

não sabe se o vai fazer este ano, ou se o fará no próximo ano depois de ter alguma

experiência profissional. Ainda não sabe qual o mestrado que quer tirar e essa parece ser a

questão central do pedido.

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Procedimento

• Entrevista Estrutura de M. Savickas baseada na Teoria de Construção de Carreira;

• Inventário de Interesses Vocacionais de Jackson (JVIS).

Escolha Vocacional

No Inventário de Interesses – JVIS, os tipos e estilos de trabalho que se

destacam a um nível muito elevado são: Engenharias (PC 95), Ciências Sociais (PC 95),

Gestão de Relações Humanas (PC 90) e Segurança (PC 90).

A escala das Engenharias corresponde ao gosto por planear, supervisionar e coordenar a

transformação das matérias primas para uso prático; interesse na escolha, experimentação e

manufactura de uma grande variedade de produtos.

A escala das Ciências Sociais descreve o interesse na investigação e aprendizagem dos vários

aspectos da organização da sociedade, do comportamento humano e interacção social.

A escala de Gestão de Relações Humanas, gosto de atuar como "a pessoa no meio" entre

pessoas em conflito, gosto em resolver situações interpessoais, incluindo as que são difíceis

ou emocionais.

29
A escala de Segurança assinala uma preferência por um trabalho com futuro definido e

previsível, preocupação em evitar riscos sociais e económicos no trabalho.

Os resultados do teste de interesses estão alinhados com a ideia vocacional da J.C. de uma

carreira em projetos de empreendedorismo com uma vertente social. 

A escala de engenharias atesta o sentido prático do trabalho em projectos com manifestações

concretas no mundo e a escala das ciências sociais a vontade de intervir em diversas causas

sociais com o trabalho. A escala de gestão de relações humanas manifesta um interesse de

criar pontes entre pessoas, por exemplo, em projetos multidisciplinares. 

A escala da segurança pode indicar preocupação com a obtenção de alguma estabilidade com

o trabalho que se pode reflectir numa independência económica. No entanto, o global dos

resultados do teste não foi previsível e pareceu em parte contraditório com as expectativas.

Discussão dos resultados

Os resultados do teste, não invalidando o percurso vocacional da J.C., indicam que não está

satisfeita com a sua formação até ao momento. Existe um desejo de explorar áreas que não

foram até agora exploradas na sua educação formal. Nomeadamente o empreendedorismo em

áreas sociais, humanas e do ambiente.

O teste de interesses opôs-se em algumas partes à percepção subjectiva da J.C. sobre o que

são os seus interesses vocacionais. Isto pode estar associado à existência de um conflito

interno e dúvidas próprias da aproximação ao término de um ciclo de estudos.

30
A J.C. têm consciência deste conflito e está orientada para procurar uma solução. Decorre

deste facto o ter procurado acompanhamento vocacional e inscrever-se num programa de

estágios da faculdade. É aparente uma grande ambição futura de impacto social, ao mesmo

tempo que existe também uma vontade de obter independência económica. Para isso, a J.C.

está motivada para procurar soluções que lhe pareçam adequadas aos seus interesses.

Tendo em conta a informação acima descrita, recomenda-se que a J.C. continue a exploração

dos seus interesses, quer seja através da experiência profissional ou outro tipo de exploração

autónoma. O Núcleo de Empregabilidade da FCUL pode ser um serviço útil a recorrer para o

conhecimento de alternativas de formação e trabalho em diferentes áreas.

Caso D.C.

Dados de Identificação

Sexo: Masculino

Idade:20 anos

Habilitações: 12º ano

Curso que frequenta na Faculdade de Ciências ULisboa: Geologia, 2º ano

Motivo do pedido:

O D.C. procurou o GAPsi por ter dúvidas em relação ao seu percurso académico actual,

especificamente à decisão de ingresso em Geologia.

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Procedimento

• Entrevista Estrutura de M. Savickas baseada na Teoria de Construção de Carreira;

• Inventário de Interesses Vocacionais de Jackson (JVIS).

Discussão

O processo foi interrompido após a realização dos testes. Não houve oportunidade de discutir

os resultados com o cliente, de modo que a interpretação dos mesmos ficou incompleta.

O JVIS revelou resultados muito pouco conclusivos, na medida em que existiam muitas

escalas elevadas. Na entrevista de temas de carreira existiram várias referencias a imagética

de transição e dualidade. Uma possível conclusão é que o D.C. se encontrava num momento

de transição a nível pessoal e vocacional.

Textos de autoajuda

Foi construído um texto de autoajuda para a população incidindo na temática da atenção. O

texto (Anexo 1), intitulado “Focar a atenção” aborda as dificuldades de concentração

enfrentadas por estudantes e trabalhadores no sec. XXI. Baseia-se para tal no trabalho da

Lucy J. Paladino (2006), Find Your Focus Zone.

Programa aprender melhor

32
A proposta para este programa é todos os anos adaptar o material existente para a situação

actual, bem como atribuir-lhe um cunho pessoal do estagiário. Estando o programa

desenhado para ser dinamizado presencialmente, escusado será dizer que neste ano as

alterações feitas foram bastantes. O programa foi preparado para realização em regime

online. Um aspecto central que teve de ser ultrapassado foi a ampla utilização de suporte de

papel para os exercícios. Para tal foram utilizadas ferramentas como o chat da plataforma

Zoom entre outras, assim como bastante partilha oral entre participantes. O programa teve um

número de inscrições positivo, à volta de 15, tendo existido poucas desistências ao longo das

sessões. Foram desenvolvidos exercícios ao longo de 6 sessões de 1h30, seguindo de perto o

programa “Aprender Melhor” do professor António D.S., assim como alguma bibliografia

complementar, indicada com o desenho do programa, que se encontra em anexo(Anexo 2).

Alguns pontos de foco específicos da presente adaptação do programa foram os processos

cognitivos complexos (Hoy, 2010) e a atenção (Paladino, 2011).

Workshops saúde, bem-estar e criatividade

O “Ciclo de workshops: Saúde, bem-estar e criatividade” foi uma proposta do serviço para

fazer frente às necessidades do súbito confinamento rígido de fins de Janeiro. A pertinência

da sua execução prende-se com os problemas emergentes da falta de estimulação, rotinas

cerradas, ansiedade e em especial, o isolamento. A proposta consistiu na dinamização de

quatro workshops online em semanas consecutivas, nos referidos domínios, com as seguintes

temáticas: “Expressão Socio-emocional”; “Técnicas de relaxamento”; “Desenho do não-

consigo”; e “Horticultura e saúde mental”. Para além de ter prestado apoio a todas as

oficinas, tomei a responsabilidade de dinamizar autonomamente os workshops de expressão

socio-emocional e horticultura.

33
O primeiro tinha o objetivo de devolver algum sentido de espontaneidade aos participantes,

numa época de rotinas abúlicas e repetitivas. Para além disso estimular as competências de

comunicação verbal e não verbal, quando a comunicação interpessoal enfrentava grandes

restrições. A oficina, com inspiração em exercícios teatrais, era constituída por três partes:

uma parte inicial de expressão corporal, uma segunda de trabalho de voz, e uma última de

improvisação. Na primeira parte, foram feitos alguns exercícios de movimento para soltar o

corpo e transmitir estados internos a partir de gestos. Na segunda foi feito um trabalho de

voz, com aquecimento, modelações de intensidade, velocidade e timbre, e também aqui

transmissão de estados emocionais através da voz sem palavras. Na parte final foi feito um

exercício de improvisação semi livre. O objectivo deste ultimo exercício, para além de criar

comunidade e estimular a criatividade, é trabalhar a empatia. O exercício consiste primeiro

na partilha de uma história quotidiana de conflito com um desconhecido. Quando toda a

gente tiver partilhado é pedido que tomem como personagem o desconhecido com o qual

entraram em conflito. Em seguida o grupo vai interrogar o desconhecido que se tem de

justificar pelo que fez na história partilhada inicialmente. Acaba quando toda a gente tiver

sido interrogada. Todos os exercícios correram muito bem e em discussão final recebemos

um feedback muito positivo da parte dos participantes.

O último workshop, de horticultura, tinha como objetivo dar uma introdução à horticultura

domiciliária e relacionar as práticas hortícolas com o bem-estar psicológico. Nesta segunda

oficina foram apresentados vários benefícios da criação de um projecto de horticultura em

casa. Após uma parte inicial mais instrutória seguiu-se uma segunda parte prática de

construção de composição de solo e construção de sementeiras para servir de início a

pequenas hortas em casa. Apesar de nem todos os participantes terem levado o material

necessário para realizar as actividades o feedback foi também muito positivo no final, mesmo

da parte dos participantes que não puderam participar integralmente. O workshop seguiu de

34
perto o trabalho do projeto HortasLx, uma página de instagram dedicada à criação e

orientação de hortas urbanas.

Workshop de expressão oral

Esta atividade, também ela surgida para abordar problemáticas emergentes da população, foi

delineada no último terço do estágio. Uma das fobias mais comuns no meio universitário é o

medo da exposição publica. Assim surgiu a proposta de fazer algum tipo de formação no

sentido de promover as competências de oratória e combater o medo da exposição oral na

população da FCUL. O plano inicial acertou a criação de um curto programa, com três

sessões, para, com auxílio de técnicas teatrais, encarar a problemática o medo da exposição

oral. Na fase em que foi proposta a atividade as restrições governamentais tinham já

amenizado, pelo que foi possível planear esta atividade para o regime presencial. Ainda

assim, por sugestão da direção da faculdade, a atividade foi marcada para ser realizada num

dos pátios exteriores do campus. O espaço em questão tinha as características mais

importantes à realização da actividade, atendendo nomeadamente à privacidade e mobilidade

requeridas neste tipo de actividades. As três sessões deveriam incidir, numa progressão

incremental de dificuldade, em tarefas de expressão verbal e não verbal, leitura, exposição de

memória, improvisação, assim como alguns exercícios de aquecimento e promoção da coesão

grupal. O número de inscrições foi um pouco abaixo do ideal mas ainda assim perfeitamente

indicado para os exercícios. No entanto, significativas desistências de ultima hora e faltas de

comparência levaram a uma necessidade de adaptação da actividade, devido à dependência

dos exercícios de um número mínimo de 5 participantes. O número total de participantes nas

duas sessões foi de quatro, sendo que na primeira apenas estiveram dois. A oficina foi

encurtada para duas sessões e os exercícios convertidos para serem viáveis com menos

participantes, recorrendo por exemplo a mais momentos de partilha das dificuldades entre

35
participantes. Por fim o feedback foi à mesma positivo e ficou o desejo da parte dos

participantes de voltar a participar em atividades desta espécie.

Investigação “Estudar em tempos de Covid-19”

A investigação “Estudar em tempos de Covid-19” foi um esforço inter universidades, em que

cada gabinete de apoio psicológico avaliou o bem-estar psicológico da sua comunidade

académica em várias fases da pandemia. Esta investigação contou, entre outras, com a

participação da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e com a FCUL. A minha

participação nesta investigação consistiu no apoio ao tratamento e interpretação dos dados,

bem como ligação com a Faculdade de Psicologia. Em anexo o relatório da investigação do

GAPsi acerca da população da sua instituição (*).

Actividades não realizadas

Como frequentemente acontece com projectos ambiciosos, nem tudo o que foi planeado para

o estágio foi cumprido. Salta á vista em primeiro lugar o programa “Natureza e bem-estar”.

Este programa dependia muito da possibilidade de trabalhar em regime presencial com, pelo

menos, um pequeno grupo. Esta opção ficou fora de questão logo em Janeiro quando a

faculdade, seguindo as normas da DGS, interditou todas e quaisquer atividades presenciais no

seu recinto. Quando voltou a existir a possibilidade de actividades no campus a pertinência

do programa estava ultrapassada, já que foi planeada para ser distribuída ao longo de várias

semanas. O workshop de horticultura apareceu como uma muito breve substituição deste

programa, cuja descrição se encontra no projecto de estágio.

Resumo das actividades

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Actividade Domínio de Resultado Observações

intervenção

Texto de auto-ajuda Criação de materiais Cumprido

“Focar a atenção”

Adaptação e Aprendizagem Cumprido

implementação do

programa “Aprender

Melhor”

Programa “Natureza Saúde e bem-estar Não cumprido Impedimentos

e bem-estar” devido às restrições

Covid

Workshop de Saúde e bem-estar Cumprido

expressão sócio-

emocional

Workshop de Saúde e bem-estar Cumprido

horticultura e saúde

mental

Oficina de expressão Aprendizagem/ Cumprido A oficina teve de ser

oral Desenvolvimento de parcialmente adaptada devido a

competências escassez de quorum

transversais

Investigação Saúde e bem estar/ Cumprido

“Estudar em tempos Investigação

de Covid-19”

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Acompanhamento individual

Caso T.M. Orientação Terminado

Vocacional/

Observação

Caso B.G. Orientação Terminado

Vocacional/Apoio

Psicoeducacional

Caso D.S. Orientação Terminado/

Vocacional Encaminhado para

clínica

Caso P.V. Orientação Interrompido Alegada falta de

Vocacional tempo para as

sessões e T.P.C.’s

Caso P.C. Orientação Terminado Apenas uma sessão

Vocacional

Caso J.C. Orientação Terminado

Vocacional

Caso D.C. Orientação Interrompido Falta de comparência

Vocacional

Conclusão

O presente local de estágio não foi a minha primeira opção. Estava comprometido com o

Projecto Barra, opção de estágio que tomei a iniciativa de criar em conjunto com a professora

Dulce. No entanto na divisão entre colegas das vagas para estágio tive por força das

38
circunstancias de tomar a minha segunda opção, o GAPsi. Em retrospectiva, julgo que fiquei

na melhor de todas as opções de estágio e dou graças por não ter ficado na minha primeira

opção. Desde a equipa fantástica, passando pela supervisão consistente e acabando na política

de liberdade e autonomia, sinto que dificilmente outro local me potenciaria o

desenvolvimento em quanto psicólogo como este. Mudou completamente o meu

posicionamento em relação à psicologia, deu-me ferramentas para enfrentar qualquer desafio

e abriu-me novas portas para a próxima fase de desenvolvimento profissional. Não poderia

estar mais grato a toda a equipa e em especial aos meus supervisores no local, Claúdio Pina e

Andreia Santos, pelo apoio e confiança!

Referêncas bibliográficas

 Duarte, A. M. (2010). Aprender Melhor. Lisboa: Escolar Editora.

 Hoy, A. W. (2010). Educational psychology. Toronto, ON: Pearson Canada

 Palladino, L. J. (2011). Find your focus zone: An effective new plan to defeat distraction and overload.

New York: Free Press.

 Rogers, C. R. (1961). On becoming a person: A therapists view of psychotherapy. Boston: Houghton

Mifflin.

Anexos

Anexo 1 – Texto de autoajuda “Focar a atenção”

Focar a atenção

Está aí a época de exames, mas em casa parece sempre mais fácil contar os pingos da chuva,

ou ver gatinhos trapalhões a fazer disparates, do que ficar focado a estudar. Veremos algumas

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dicas simples, para melhorar a nossa capacidade de manter a atenção no estudo, em tempos

de pandemia.

A atenção é um recurso psicológico que nos permite privilegiar certos estímulos em

detrimento de outros, seleção que pode ser voluntária ou involuntária. Uma aula aborrecida

testa ao limite a nossa capacidade de mantermos a atenção, enquanto que os gatinhos

trapalhões ou uma conversa acesa, nos absorvem por completo. A atenção que utilizamos

para planear, iniciar e monitorizar o nosso estudo é a atenção voluntária. Este tipo de atenção

requer preparação e treino, uma vez que não nos sai automaticamente e sem esforço. 

Gerir as distrações

 Em cada ecrã há um potencial ilimitado para a distração, pelo que o ambiente de

estudo deve ter o mínimo indispensável, de dispositivos tecnológicos e de outros

possíveis distratores.

 As famílias fazem barulho, é uma característica normal e salutar. Portanto se um

quarto bem isolado não é uma opção, talvez uns fones e música (clássica é o clássico),

de preferência sem letra, ajudem a manter o barulho lá fora.

 O telemóvel merece uma menção especial, porque é todas as distrações do mundo

condensadas num paralipipedo tecnológico. Quanto mais obstáculos entre nós e o

telemóvel, menos influência terá sobre nós, quer isto signifique desligá-lo apenas ou

até pedir a alguém para guardar a bateria durante o estudo.

 A maior parte das distrações vêm de dentro. A fadiga, as preocupações ou a falta de

motivação são os suspeitos do costume, que nos fazem procurar a diversão fácil.

Nunca é escusado perder algum tempo a pôr as prioridades em dia, organizar as ideias

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ou simplesmente descansar. (Extra: O exercício físico dissipa alguma da energia que

alimenta a ansiedade.)

Manter a organização

 É fundamental mantermos um ambiente de estudo limpo, organizado e marcar as

horas de estudo no horário, para aproveitar ao máximo a atenção durante o tempo de

estudo em si

 A utilização de checklists é muito útil para verificar os tópicos da matéria já

abordados e os que faltam estudar. 

 Esquematizar de antemão a estrutura das unidades curriculares e da respectiva matéria

ajuda a dar forma e conceptualizar os vários objectivos para mais facilmente os abater

um a um. 

 É penoso trabalhar sem um objectivo, por isso é sempre pertinente perder algum

tempo para nos lembrarmos o que é que estamos a fazer nesta fase da vida, porque é

que o estamos a fazer, e o que é que significa, este curso ou projecto, para nós.

Técnica do Pomodoro

Por fim e porque muitas vezes o mais difícil é mesmo começar, fica uma técnica criada para

garantir a ação. A técnica do pomodoro, consiste na utilização de um temporizador (na sua

origem em forma de tomate), para dedicar durante uma determinada duração, toda a nossa

atenção a uma simples tarefa. Esta pode ser ler um livro, fazer exercícios, escrever para um

trabalho ou para a tese, ouvir uma aula, etc. A ideia original é fazer 4 ciclos de 25 minutos,

separados entre si por pausas de 5 minutos e com uma pausa maior, de até 35 minutos, no

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final. Esta prática pode ajudar a dar este difícil passo, que é tomar a iniciativa e monitorizar o

estudo, garantindo períodos de alta produtividade e concentração. Há um bónus de atenção

para quem não usa como temporizador o telemóvel. Porque a força de vontade de que tanto

se fala, não chega e se nos ajudarmos um bocadinho chegaremos mais longe. Nem que sejam

25 minutos de cada vez.

Anexo 2 – Programa Aprender Melhor

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