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1

Azul

2
dedico estas humildes linhas
ao Único Fiel e Verdadeiro

3
Introdução ...................................................... 5
A LIBERTAR ................................................ 8
Pois os céus são os céus do Senhor .................9
Cantiga de ninar.............................................10
A Blindagem Azul ......................................... 11
Aguilhão quebrado ....................................... 20
Madrugada ..................................................... 21
3 GirassÓis ................................................... 25
Big Riders ......................................................28
Diretrizes ...................................................... 30
Sobre o Homem que é uma Ponte e é uma
Porta.............................................................. 32
Semi-Parábola dos com-Deus e dos sem-Deus
......................................................................35
Atômica ....................................................... 37
Antropo-Cristocêntrico ............................... 39
Paz Verde .................................................... 41
Brado ........................................................... 42
No dia do arrebatamento ............................. 43
Bairro do Areal ............................................. 45
O Arsenal...................................................... 46
Entropia ....................................................... 48
Índios ............................................................ 50
A Ciência Última .......................................... 53
O primeiro, o último louco ...........................54
Fugir de Cristo é buscar a Cristo ..................55
Naveg@r ...................................................... 58
Composição em Ah menor ...........................59
Sobre o autor ................................................ 60

4
AZUL: Cor maravilhosa, escolhida por Deus para pigmentar
as maiores extensões dadas ao nosso humano vislumbre: Os céus e
mares.
Se fosse feita uma pesquisa (e com toda certeza já o foi, eu é
que não lhe conheço os números), verificar-se-ia que é o azul a cor
preferida pela grande maioria das pessoas.
Antes de minha conversão ao Evangelho de Cristo, quando eu
ainda era um poeta anarquista e meio ateu, cheguei mesmo a
escrever o pequenino poema “Divino Pigmento”:

As miríades que abarcas, filho, eu não sei


Mas vai e domina:
Pois Azul é o nome que eu lhe dei

Hoje sei que das ‘miríades’ que o azul abarca, Aquele que o criou
as conhece, cada milímetro.
Mas enfim: escrevo esta introdução pois o leitor perceberá que o
signo do azul perpassa boa parte deste livro (como uma leve onda), e
não apenas o poema que dá título a esta obra. Mas de que falam
estes versos? De um futuro onde tudo é azul? Sim, e ao mesmo
tempo não. Pois não é o caso de eu crer literalmente que o futuro
Universo será todo azul. Vou tecendo versos e imagens poéticas
usando o signo (do) Azul como símbolo do magnífico, e mesmo
como uma super-metáfora (pan-metáfora, meta-metáfora?) para a
ampla maravilha do que está por vir, quando dos novos céus e nova
terra, que serão livres de toda forma de corrupção, e os quais Deus
de antemão planejou, preparou e prometeu aos que o amam. E
também como a cor simbólica do amor maior (não o eros ou o
philos, mas), o ágape, o amor de Deus.

5
Se uso aqui desta licença poética, faço apenas considerações para-
teológicas, não querendo nunca e de forma alguma ultrapassar o
texto bíblico. Afinal, como a Bíblia mesma afirma, homem algum
sabe como realmente serão tais grandezas (“As coisas que o olho
não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem,
são as que Deus preparou para os que o amam.” - 1Coríntios 2.9).
E creio então que imaginar tal futuro (tarefa impossível? talvez) fica
a cargo de cada coração em particular. Uma coisa me parece certa:
pelo texto bíblico, concluímos que a maravilha estará sempre acima
(seja por um centímetro, ou um ou um milhão de anos-luz) de
qualquer imaginação e/ou verbalização (colorização?) que
possamos alcançar, do lado de cá do véu.
Pois façamos então poesia com o possível, da forma possível,
perseverando na fé – a chave que possibilita abrir o impossível
sempre sonhado – e ardentemente aguardando a Poesia Maior, a
‘explosão azul’ do amor ágape, que do Senhor nos virá.
O Grande dia da Completa Restituição de tudo aquilo que Adão -
tãobarato – vendeu.

6
“E vi um novo céu e uma nova
terra.
Porque já o primeiro céu e a
primeira terra passaram, e o
mar já não existe.”
Apocalipse 21.1

“As coisas que o olho não viu, e


o ouvido não ouviu, e não
subiram ao coração do homem,
são as que Deus preparou para
os que o amam.”
1Coríntios 2.9

7
A LIBERTAR

“Foi para isso que o Filho do homem se manifestou,


Para destruir as obras do diabo.” 1Jo 3:8

Há homens que vivem


Em cima do muro

Há homens que vivem


De um dos lados do muro

Há homens que sobem


E descem do muro
E mudam de lado

Há homens que destroem o muro.

Venham para Jesus, amigos meus! Vamos viver


a derrubar os muros!

8
Pois os céus são os céus do Senhor
deito-me do alto da serpente,
qual quem tange a cítara do sol
dedilho as sensações
da queda

entôo salmos, em alumbramento


finco minhas mãos
à Mão da Rocha

caio célere olhos destros centrados


nos sinistros e furibundos olhos da sErpeNtE
que os atém ao alto, amaldiçoando
em língua bífida
o milagre que me permite
à morte em seu dorso

debandar

olha o céu que a esmigalha por dentro


odiosa desta sutil estranha maravilha
que me faz cair para cima

ao longe vejo O Calcanhar


ainda pisar-lhe a cabeça,
eu municiado com o sorriso em
lâminas de luzes
que Cristo plantou em meu rosto,

rosa voltaica que a horroriza.

9
Cantiga de ninar
Há uma ciranda de crianças e luz;
E a luz é dessas crianças,
E as crianças são dessa luz.

Tudo em derredor tudo canta


E um Rei que é uma Rocha rege
O coro de todas as coisas.

Há provisão
De sorriso e perdão.

Não há precisão
Do sol ou das estrelas,
Dos planetas ou do luar:
Um que é a Rocha
Ilumina o lugar,
E o lugar que ilumina
Tem o nome de TUDO.

E o amor de Deus é aqui


Um tão grande estrondo
Que ensurdeceu para sempre
Tudo que era vazio.

10
A Blindagem Azul

“Vós também, como pedras vivas, sois edificados


casa espiritual e sacerdócio santo, para
oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis
a Deus, por Jesus Cristo.” 1Pe 2.5

I
Meu toque recambiado
É o da pedra viva
Que ensina o Caminho ao errante,
Pega o ladrão pela mão,
Dá-lhe perdão e mapa
Amor e direção.
Meu toque,
É o toque vulcanicorrosivo
De rochas igneovertidas e pulsantes,
Que rompe muros e fronteiras,
E cria ilhas de Amor, onde antes havia o nada.

Rocha de vida lançada à Vida


Ululante em seu vôo
Ofereço-me
Como preceptor para o que tropeça
Como Azul Blindagem
Ao que é perseguido de morte,
Como estalagem sempre azul
Para todo aquele do azul desabrigado.

11
II
Nosso olhar percebe o céu, mas incapaz
Deixa passar o principal, que
Tudo o que voa é azul.

E a cor, o fato, o evento do azul


É em tudo um poema gigantesco e universal,
Um documento...
O azul é como uma profecia
Que firme, mas ternamente,
Fala do que há de vir, do ad-
Vento que varrerá
O Universo, e fará algo
Novo, maior, pacífico,
Eterno
E livre de todo o mal.

O azul grita
(aos meus olhos de poeta, sequer)
Do melhor de Deus
Que está por vir.

12
III
(de) Um dia (em que)
Não haverá mais escuridão:
Dia e noite serão
Azuis
Como e mais que o mar das Caraíbas,
Os olhos da melhor princesa

13
IV
E eu quero ir à praia do mar mais azul
E encontrar um surfista local e ouvi-lo
Falar das grandes ondas que já bateram
Naquela costa e me aproximar dele
E com alegria citar-lhe os versículos
3 e 4 do 93° Salmo,
“Os rios levantam, ó Senhor, os rios levantam
O seu ruído, os rios levantam as suas ondas.
Mas o Senhor nas alturas é mais poderoso
Do que o ruído das grandes águas e do que
As grandes ondas do mar.”,
E com eufórico amor contar-lhe a maior
Boa-nova, a história da Grande Onda
Que um dia bateu neste planeta
– Jesus –
A Tsunami Reversa, pois de águas vivas,
Que veio afogar a morte e o inferno...
O Ondulante Poder de Vida e Liberdade!
E dir-lhe-ei ainda que o azul que amamos
Será amplificado, pois este mesmo Jesus
Subiu ao céu e está a nos preparar
Um melhor azul onde habitar,
Um inaudito e indiviso novo tom,
Cor jamais vista
ou surfada:
O Azul-mais-que-perfeito.

E escreverei na maior das pedras


Daquela praia, para todos aqueles
Que a buscam (a ela, a onda, mas sem saber
O buscam),
Para que o sábio e o símplice entendam:

14
Não bata cabeça noutras praias:
Jesus é a Onda Perfeita!

15
V
Não, do mar não haverá saudade:
A plenitude do amor ágape
(como a tudo o mais que ficar para trás)
Com incalculável vantagem
O substituirá.

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VI
Foi isso o que a fé fez,
A fé me levou a dar
Um passo ao centro
Do azul de Deus.

O mundo nigrocrômico deixado para trás


Desembainhou garras & lâminas & lembranças
E, claro, argumentos
Para me impedir, prenhe de morte
E (oh mundo perigoso, oh mundo parvo)
Não o pôde

Pois o azul profético, este o outro, profundo e lindo


O azul de Deus
Ele
Me deu um beijo

17
VII
(Você já surfou alguma vez? Mesmo numa prancha
De bodyboard? Eu venho tentando verbalizar
A sensação que se experimenta, mas parece sempre
Que sequer me aproximo, qual náufrago a
Morrer na areia da praia. É algo maravilhoso.
A sensação de descer e ao mesmo tempo
Avançar numa onda, mar à frente &
Onda abaixo, os respingos de frescor do mar
Em choque, gotículas duma azul energia,
Biológica?, Telúrica?, as duas coisas, + a velocidade
(sim, e o fim desta equação é = Felicidade),
Caleidoscópio incandescente de matizes do anil,
Uma energia simbionte que celebra a vida
Unida à adrenalina que o cérebro libera
E que também (por que não?) à vida celebra.
O toque do corpo na matéria líquida,
Ah... Perceba: o mais perfeito e macio dos abraços.
É algo esplendorosamente doce.

Então
Imagine o Deus que criou o mar azul
E seus paraísos
Tuvalu, Maldivas, Nauru,
Samoa e aquela praia
Que você um dia viu numa foto
Um Deus que criou a lua e estabeleceu a lei da gravidade,
Que manipula o mover das marés,
A engendrar ondas ininterruptas em seu pulsar,
Segundo a segundo, século sobre século,
Ciente já que o homem
(ser animoso) inventaria de
Surfá-las...

18
Imagine os atóis praias recifes bancos de corais
Bernardos-eremitas:
E aí
“Nas novas terras não haverá mais mares.”

Se o mar, que pode ser terrível


(sim, também já o sofri)
Mas que em muito Deus o fez maravilhoso
E maravilhosamente habitado
Não mais existirá
Imagine então
Tente imaginar
Além das miloutras coisas, o que então
Em lugar do mar, sim,
O QUE DE AINDA MAIS MARAVILHOSO
HAVERÁ?
Tente tal concepção, mas saiba estar sob o signo
Duma sutil impossibilidade, pois
“nem os olhos viram, nem o coração .... ”

Sim,
“Nas novas terras não haverá mais mares”.

Mas para quê, afinal?

O mergulho então será infinito,


Pois
Sobre ÁGUAS VIVAS.

Um surf sem pranchas sobre Águas dum azul


inconcebível, que a ninguém afogam, Águas que só
sabem fazer ressuscitar.)

19
Aguilhão quebrado

Nietzsche disse que


“Quando você olha dentro do abismo,
O abismo olha dentro de você.”
Ontem aqui no quintal eu olhei
Lá dentro do abismo e

Ele me mostrou um enorme girassol:

“Onde está, ó morte, o teu aguilhão?


Onde está, ó inferno, a tua vitória?” *

* 1 Coríntios 15:55

20
Madrugada
A placidez está a um passo dos teus gritos: Basta dar este passo.

Pode crer, amigo:


Os filmes da madrugada não foram mesmo feitos
Para remediar angústias.
Nesta noite (e em todas as noites?) você nem se dá conta,
Mas a sua dor e sua variada programação têm um
Interruptor:Acionando o controle remoto, você viaja...
E em um dos canais,
Alguém fala de Cristo,
E seu poder trans-formador.
Hoje você está meio louco, pára um pouco,
Resolve ouvi-lo.
E o cara de fala firme
Que de Cristo fala
Fala-lhe de algo:
Cristo te oferece uma mão
Mas uma MÃO
Que formou todas as mãos estrelas hipopótamos riachos anjos
Paisagens elementos periódicos pessoas e veio aqui
Nesta terra que gira
Morrer por você.
Isso, se admitido, muda muita coisa,
Muda o termo de tudo: o máximo fez-se mínimo
(manjedoura – andanças – cruz)
Por nós, que satanás quer fazer crer
Que viemos do nada.

Você repara no homem que de Cristo fala,


Desconfia de seu terno,
“mais um papa-dinheiros”.

21
Pena que (e não conheço esse
que agora lhe fala) o homem
Que de Cristo fala não prioriza relatar
A sua (dele) vida:
Será sempre a história de um heróico resgate.
Pois as ações de Deus principiam por uma salvação.
E o pregador, loquaz, lhe fala de Paz,
paz paz paz paz paz paz paz
Mas não a paz das passeatas, não a paz dos acordos,
Paz de hominídeos: Mas da Paz de Deus,
Além da tua imaginação.

E Você quer ver mas algo como que lhe manda mudar mas
Tu (ainda assim e exaustivamente) sabes,
Quanto aos outros canais, seus
Filmes da madrugada são reprises de velhos filmes
Reprisados à exaustão no diurno plantão,
No diuturno mundo.
Mas uma voz de amargura diz a madrugada
Tem sempre histórias mal contadas
(Como a querer dizer que você
talvez não esteja entendendo o
que está começando a entender),
E você acaba adormecendo,
Em meio a ela,
Em meio aos filmes que Hollywood ou os monsieurs
Não fizeram mesmo para calar angústias,
Em meio à própria insônia.

Mas contra este sono incipiente


A tua angústia velha e rabugenta
Discursa hoje como um De Gaule,
Um Fidel, um qualquer que a razão humana
Cegou. Ela discursa, ela relembra detalhes
De dor. Tua dor.

22
Detalhes que te cansam, e permanecem.

O homem da TV chama um vídeo-clip,


Uma mulher que você acha cabeluda, mas de voz arrasadora
Canta, canta como você nunca ouviu
(Palavras doces, que cortam)
E chega num verso assim:
“Ajoelhe-se e clame...”
E de repente,
Entre tudo isso que a madrugada amontoa,
Entre gritos por dentro e barulhos desertos,
Entre filmes mudos sobre vaidades,
Algo improvável para quem está do lado
De fora da tua casa ocorre,
Algo vulcânico, inadiável, algo que fala,
Que grita em voz tenórica sobre rupturas e resgates...
Lágrimas, lágrimas hiper-retro-retidas explodem,
Você derrete do sofá ao chão,
E abre a sua boca e asas e coração...
E sabe entre seus soluços
Que agora pertences ao Cristo.

E agora (e este é o AGORA por quem todos os outros


agoras existiram)
Tu estás nEle, e Ele em você.
E você não vê
Mas as trevas da noite lá fora
Como que se incendeiam,
E a filmografia holiudiana passa a ser
Apenas filmografia,
E as vaidades passam a ser
Só vaidades,
E a angústia passa a ser só mais um
Dos palácios do inferno,

23
Que só teus vizinhos o sabem, só o mundo
Sem Cristo...
E a dor é enterrada nos morros de Hollywood,
Nas literaturas da França,
No peito de satanás:
E você está livre.
E a vida
- olha que coisa mais inesperada, mais inesperável –
Passa a fazer SENTIDO.
E você vê que teus avós erraram,
Cristo é muito mais que catedrais estátuas
Rezas decoradas:

Cristo é Vida, Cura e Liberdade.

24
3 GirassÓis
3 poemas inspirados na obra missionária

SUDÃO
Abrem-se de par em par
as portas da Igreja-Casa-Coração:
Descalços sobre os seixos,
os 12 sudaneses adentram
ao porto de Cristo,
que é seu e é aquecido.

Contradizente, estático e célere,


o deserto lhes circunda:
Morra doravante o deserto,
deles (hoje, para S E M P R E)
fluem “rios de águas vivas”. *

*João 7:38

25
JAPÃO
Nada de espadas. A Tokarev*
Sim sim sim ainda atira
ela há de atirar
As crianças a dívida
E ele já a empunhava, alisava
SUSPEITO DE ALTA TRAIÇÃO
cabeçalho dos jornais as crianças
O dedo bicava o gatilho ele já vencia o medo
Morrer morrer só me resta morrer a
discussão os gritos de Yukio o stress
Mas então uma lembrança (de onde vinda?),
Os acionistas o ministro todos esperam que eu me mate
mas então uma equação: O bolso + a mão + o toque = um
reles(?) papel
O folheto que aquele canadense lhe dera:

“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida.


Quem crê em mim, ainda que esteja morto,
Viverá; e todo aquele que vive e crê em mim
Nunca morrerá. Crês tu isto?” **

(Um insight, uma arma deposta um libertar)

(pois) Ele creu.

* Pistola russa
**João 11:25,26

26
AFEGANISTÃO

O injil*
(tão raro por aqui, tão impossível) o injil
seu pai queimou o injil
na sexta seus parentes se reuniram
seu irmão lhe denunciou
o livro, o livro, ele tinha o livro!
O muezim** decidiu pelo castigo a vila o povo
o povo cego surdo mudo o muezim
decidiu o muezim decide o muezim cego guiando
cego

O cortejo cego segue, dá à porta da casa


preparam-se para linchá-lo.
E você se angustia e eu me angustio mas ele...
Com um sorriso de ave e de anjo
(tão raro por aqui, tão impossível),
Mohammad Bem Ali lança-se para fora:

“Eu venci o mundo.” ***

*O Novo Testamento
**Chefe religioso local, no Islã
***João 16:33

27
Big Raiders
“JEOVÁ, o Senhor, é minha força, e fará os meus pés como os das
cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas.” Hc 3.19

Vivo o hoje, e combato, e basta-nos


cada dia com o seu mal.
Mas, ainda que o bom combate
pelo Evangelho me arroje
a mil anos no futuro,
estarei preparado.
Não importa o que o futuro traga:
Eu sigo o Amém
e o amor de Cristo
me salvaguarda a surfar
sobre qualquer superfície...

Tanto faz a que altura do Amanhã:


Com uma prancha de plasma
lançar-me-ei do cimo
das Cibertorres do Azul
rumo a toda escuridão
onde os homens perecem.
E, sob os baluartes do Plantio e da Ceifa,
o Evangelho de Cristo irá comigo

28
por onde eu for.

E irá além.

(E se tal Palavra se propaga tão maravilhosamente


por meio de nós, reles vasos de barro,
é porque não é de reles barro, ó amigos vasos,
a Mão Invencível que nos sustém.)

29
Diretrizes
Importa
que as palavras lúgubres fiquem
no front, onde é feita a morte,
do suor rubro das artérias e veias

Importa
que sejam despedaçadas as agruras
- os grilhões da timidez e do medo -

Importa
saber que o Deus que põe a rapina
no coração da águia
é o mesmo que põe o Amor
no coração do justo

Importa ainda
suportar esta verdade:
Se há homens mais miseráveis que nós,
há miseráveis mais homens do que nós;
Vaidade das vaidades,
TUDO É VAIDADE.

Importa, urge
soterrar os precipícios
inaugurar a cada dia
mil novas pontes, mil
novas naves
entre Deus e os homens
- sempre a estreitar pela Única Porta -
e morrer por alcançar
aquele que ainda morre

30
fora de nosso raio de alcance.

No mais,
“De tudo o que se tem ouvido, o fim é:
Teme a Deus e guarda os seus mandamentos;
porque este é o dever de todo homem.
Porque Deus há de trazer a juízo
toda obra e até tudo o que está encoberto,
quer seja bom, quer seja mau.” *

* Eclesiastes 12.13-14

31
Sobre o Homem que é uma Ponte e é uma Porta

Já fui poeta libertário:


Arranquei poesia das lamas por onde marchei,
Das estórias de meus amigos,
Das pauladas que leve(de)i.
Buscava na lama sentidos:
Não conhecia(ceitava) reis ou o Rei.
Que Rei?, anarquizava, mesmo cônscio
(moleque ainda!) dos mil e um buracos
No barco da anarquia. Mas ela me parecia
O barco menos furado (e quem é contra a ‘liberdade’?).
Mas a liberdade só é boa, só é Sentido, se não
Houver outro sentido. Mas há Sentido, há um Rei,
Um Cara, sim, um Cara com C maiúsculo,
Que um dia pôs-se à entrada dum sepulcro e disse:
“Lázaro, saia!”
Um Homem que com palavras
Venceu aquilo que nem você, nem eu nem
Leonardo da Vinci Van Gogh Veermer Stravinsky Rachmaninoff
Freud Jung Keynes Marx Máximo Górki Rutherford Einstein seu
Antônio da padaria da esquina pudemos, podemos ou poderemos
(se sós) vencer:
A morte.
Não amigo, não imagine ainda roupas sacras, votos e
Calos nos joelhos, cânticos ou celebrações ou missas
Ou cultos:
Imagine um Homem que venceu a MORTE e o INFERNO,
Armado de AMOR até os dentes!
É dEsse Rei radical que falo,
Dessa intervenção total no destino da humanidade, que
Rachou o tempo em dois, dessa totalidade salvífica,
Dessa fusão de Deus e homem, que andou
Por esta terra valendo-se dum corpo de carne como este,

32
De que você agora se vale.
DEUS num corpo de carne, que veio ensinar O Caminho,
E o principal: Sacrificar-se por
V O C Ê.
Radical, santo, infinito, sem medo.
O Homem-Porta, o Homem-Ponte, o Senhor da História.
Não, não imagine elucubrações complicadas,
Roupas longas e quentes, quinhentas leis:
Imagine e aceite agora a este Rei de amor,
O Herói que arcou com a dívida que não suportaríamos;
Atente ao que Ele falou e ainda fala
Pelo Seu Espírito Santo,
Que Ele envia para consolar e fortalecer todo
Aquele que nEle crer.
Já pensou ouvir a voz dEsse Rei dentro de você?
Ver problemas impossíveis solucionados,
E uma Paz indizível aqui, agora e para sempre?!
Ver suas angústias existenciais destruídas, cremadas,
Desintegradas!
E tudo isso, de graça!
É deste Cristo VIVO que falo, é Este o Rei que é sobre mim.
Você já ouviu, já leu as palavras de tantos homens,
Como eu já li e ouvi: E elas no máximo conferiram novas
Dimensões à sua angústia, novos nomes...
Pois eu, Sammis Reachers, ex-anarquista,
Ex-leitor e ex-apologista de Nietzsche, Voltaire,
Bakunin,e centenas de outros homens que infelizmente
Foram vencidos pela morte
Lhe convido hoje a ouvir as palavras dEste vencedor da morte,
dEsta intervenção mestra,
dEsta Bandeira capaz de apatriar com salvação
Todo aquele que simplesmente a aceitar.

PALAVRAS VIVAS: É disso que falo.


Ouça-as:

33
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos
aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou
manso e humilde de coração. Porque o meu jugo é suave, e o meu
fardo é leve.” Mateus 11.28-30

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas
terá a luz da vida.” João 8.12

“Na verdade, na verdade vos digo que, quem ouve a minha palavra,
e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em
condenação, mas passou da morte para a vida.” João 5.24

“E o que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora.” João


6.37

“Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas


nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e
pelas suas pisaduras fomos sarados.” Isaías 53.5

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus


é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor.” Romanos 6.23

34
Semi-Parábola dos com-Deus e dos sem-Deus

Em águas de Maio
Atlântico Sul
uma linha rasga
o lençol de azul

Fragata que
langorosamente
aderna
livre de seus
(alb)atrozes

Trabalha feliz
feliz no seu mar, liberta
das palavras prisioneiras

Em concretos e asfaltos do mesmo Maio


no centro vicinal da cidade de Agnostic City,
Bloco L, 18° andar, sala 1820,
Guichê 12-A
do prédio que abriga o Ministério
das Desconstruções Existenciais Humanas,
uma Turba Civilizatória de Psico-Estruturas Estatais
(TCPEE)*
de Homens em Ternos Cinza
realiza uma auditoria,
averigua o proceder dos
seus quase pares, os
Homens de Ternos em Amarelo.
Cabeças hão de rolar
Cabeças
(já) todas roladas

35
Quilômetros além
no mar Oceano
Maio
langorosamente
flui
e o sol é farol a mais
aos que navegam com o Cristo.

* ??? Não me pergunte o que é, pois não sei. Os mortos que


expliquem seus mortos.

36
Atômica

Afora o “Haja luz” de Deus


que honra o segundo lugar,
a frase mais poderosa, suprema,
arrasadora
dita em toda a História de dor deste
Universo que nos contém
foi o

“Está consumado” de Cristo.

Palavras, duas delas


e a terra escureceu
e trepidou
e, no inferno,
tal trecho
caiu como uma pancada
de 100.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000²
GIGATONS
todo espírito imundo
em cada quadrante do Universo
que estava ilusoriamente em pé
caiu por terra, treva, vácuo
esbofeteado
pisado
pisado
pisado

duas palavras
racharam a cara

37
de quantos anjos suicidados há
duas palavras
e um ato
único - central - magnífico
(oh quão magnífico!)
o clímax do Universo
a materialização do divino e ágape
Amor,
naquele perfeito
S A C R I F Í C I O.

(Gênesis 1.3 e João 19.30)

38
Antropo-Cristocêntrico
“Torrentes de águas derramaram os meus
olhos, por causa da destruição da
filha do meu povo.” Lamentações 3.48

Minhas lágrimas estarão


onde eu (puder) derribá-las,
na terceira de tuas esquinas,
cidade malina,
na curvatura do hall,
no portão do presídio no banheiro
do colégio

(em cada uma de tuas cápsulas, tuas celas-de-solidão:


onde dor houver, arrombarei & entrarei)
Em qualquer lugar
onde os homens habitam
Onde os homens houverem
sido erradicados:
Minhas lágrimas serão o (seu) mar.
Para que amanhã os mares
(que são, da Criação, como a
Cisterna Geral das Lágrimas)
iridescentemente
inexistam.

(Quando não cria, achava que o homem


se auto-aniquilaria.
Mas agora que creio em Cristo
sei que por intermédio dEle
e para glória dEle

39
o Homem
- que não é um mamífero,
mas um pássaro-que-pensa -,
o homem nunca cessará.

Só as lágrimas é que sim.)

40
Paz Verde

Criança amiga do sol,


sozinha no mato,
feita soldado do verde
sob as insígnias dos girassóis...

Corre, vigia, ri,


exulta
(seu corpo é
nau anil alada
por 7.000 asas)
nos campos criados por Cristo.

Sua avó lhe instruiu em todo o Evangelho


e sua imaginação hoje voa, só porque o pastor lhe disse:
“O melhor de Deus ainda está por vir.”

Seu sorriso e inocência são uma afronta,


eles bradam ao mundo e seu Satã,
num silêncio de supereloquências:
“Consumam vocês suas ba(le)las e logros.
EU NÃO ESTOU SOB O JUGO DO TEU JOGO.”

Corre, criança verde de sol.

41
Brado

há uma
Cruz que
desfere
um chamado;
brada,
apregoa,
suscita
homens que a ouçam,
portem
personifiquem

mas há os que a odeiam, os que a untam


com seu desprezo:
o que o mal lhes inspira
é a busca da morte,
célere, a sanha do abrupto
para caírem sem sequer clamar,
para que neles não se cumpra o resgate:
“Todo aquele que invocar o nome
do Senhor será salvo.”

cabe a nós
(nós os nós da Cruz)
lançarmos-nos em seu socorro,
se preciso ofertarmos-nos ao fogo
para dele arrebatá-los.

pois não nos constrange o olor da fornalha:


sabemos e temos
ao Quarto homem.

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No dia do arrebatamento

Eu, caminhante, vinha passando. E vi um ajuntamento.


E parei.
...e o teólogo explanava suas idéias e dizia
que quando do arrebatamento o Tempo
para os arrebatados se quebraria,
e uma inimaginável dimensão seria adentrada.
- Por onde começará a transformação de nossos
corpos?, um crente indagou-lhe.
Ele disse que a explosão que se dará (sim, se dará),
será aqui na glândula pineal em nossos
cérebros, e aquilo que se pode chamar
de ‘momento’ ou ‘instante’ cairá em frangalhos
pelas bordas dos nossos olhos,
incalculável, desvinculado e acima
de qualquer morfologia e sintaxe.
Então estaremos prontos,
no tempo-sem-tempo de Deus,
no tempo-azul-sem-fim
dos remidos pelo Cordeiro,
os golpeados num relance pelo
aderente Som da Trombeta,
que fará de nossos corpos
de morte e pó, corpos de glória e
imortalidade, puro amor e poder.
O teólogo o dizia, quando lá passei.
E (como falei) passei.
Mas aquelas palavras não me abandonavam
e lá na frente pensei:
Até pode ser e pode não ser mas
Oh

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Se houvessem menos teólogos mais missionários no mundo
Mas mais pensei:
E quem sou eu para assim pensar?
E passei.

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Bairro do Areal

Daquele lado já há
casas
onde havia nada
doutroladanada
onde havia casas
mas e daí?
Transcendi os paisagismos da
matéria
telúrica
oceânica
ou
sidérea:

Com Jesus no coração


levo meus prados pronde eu for

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O Arsenal

Ela é um Arsenal numa única arma,


Sagrada & Célica Espada para as duas mãos
Que em muito excede katanas, floretes,
Espadins, claymores,
Cimitarras e sabres...
Espada Flamejante e Vivificante
- A Palavra de Deus -
Que se renova a cada alvorecer,
Tendo a cada dia nova feição,
Novas direções de corte...

Desembainho, abro hoje a minha Bíblia


E Ela está suave como o mármore
Azul de Carrara,
Um azul-bebê-amorável...
É o Senhor quem me dá
Uma Palavra de Paz
E perfeita consolação.

Avanço em seu estudo,


Vou a outro livro
Desta biblioteca infinita
(ah, Borges, se tu realmente a conhecesses!)
Onde fala o Amor
Vasculho as cromias de seu espectro,
E elas são como inflorescências do ciano
Que recendem, e evoluem a um azul-marinho,
Como num desfile loquaz de turquesas...

Ah! Espada de dois (mil) gumes,


Máquina Perfeita de Combate,
Lâmina audaz e lancinante

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Contra toda forma de mal...
Seu segredo é ser
Aço temperado em Amor Ágape;
Arma ofensiva, porém plenamente poderosa
Em minha defesa,
Pleno e lírico Arsenal...
Pois és a um tempo espada e escudo e couraça,
E é sua a blindagem azul
Do amor de Cristo,
A quem nada atravessa,
Uma malha de kevlar um manto
De misericórdias

(E que se queimem as invenções e tradições dos homens,


Suas espadas de falso fútil ferro e apetrechos e complicações
Que pretendem impor à simplicidade
E gratuidade do Evangelho de Cristo.

Pois sei que a mim e a você,


servo fiel, que é
ou que almeja ser
um guerreiro hábil
basta - e sobeja -
a Espada Invencível
que Deus nos deu.)

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Entropia
(3 textos e um poemeto-paráfrase)

Entropia:
“Substantivo feminino
1. FÍSICA (termodinâmica) função que define o estado de
desordem de um sistema;
2. valor que permite avaliar esse estado de desordem e que vai
aumentando à medida que este evolui para um estado de
equilíbrio;
3. medida de perda de informação numa mensagem ou sinal
transmitido;
(Do gr. entropé, «mudança; volta», pelo fr. entropie,
«entropia»).”
De um dicionário

“Uma das Leis da Física, a Segunda Lei da Termodinâmica,


observa o fato de que a energia utilizável no universo está se
tornando cada vez menor. No final não haverá energia disponível.
A partir deste fato nós achamos que o estado mais provável para
qualquer sistema natural é um estado de desordem. Todos os
sistemas naturais se degeneram quando deixados por conta
própria.”
De uma revista

‘‘O Universo todo espera com muita impaciência o momento em


que Deus vai revelar o que os seus filhos realmente são. Pois o
Universo se tornou inútil, não pela sua própria vontade, mas
porque Deus quis que fosse assim. Porém existe uma esperança:
Um dia o próprio Universo ficará livre do poder destruidor que o
mantém escravo e tomará parte na gloriosa liberdade dos filhos

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de Deus .Pois sabemos que até agora o Universo todo geme e
sofre como uma mulher que está em trabalho de parto.’’
Da Carta do Apóstolo Paulo aos Romanos, capítulo 8, versículos
19 a 22

A derrota é sombra que cerceia


o HOMEM e a vária
pluralidade do entorno,
fulgurante, pero sutilmente lenta...

A REALIDADE, num
concorde uníssono,
entoa a ária da
d e s f r a g m e n t a ç ã o...

TUDO baila num mover entrópico:


Tendemos para a auto-multi-aniquilação.

Sem Cristo na parada, meu chapa,


nada paralisa o vil processo.

- Um Universo, a ReAliDadE inteira envenenada, e um único


Homem, o Antídoto. –

Nota: Já escrevi um poema explorando o mesmo tema, um Universo inteiro


‘corrompido/contaminado' pelo pecado, tendo por causa dele perdido sua
perfeição inicial, tendendo então (lentamente) à aniquilação. O poema, sem
título, consta do livro anterior, ‘Uma Abertura na Noite', e é iniciado pelo
texto de Romanos, publicado acima.

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Índios

Quanto ao homem que estava verde


(O Homem [que era] Verde),
O Homem Branco o fez pular a boa etapa,
O forçou a saltar do verdecer ao apodrecer
Sem maturar
Por isso o homem índio se mata
Hoje ele sabe -Tupã não existe, e daí?
Seu passo
Está em escombros
Selva, coração, selva-coração
Em escombros

Ah Mão Suprema
O poupasse dessa queda

Muitos indígenas que não sabem de Cristo


Só sabem as mazelas e lepras do homem branco
Que usa GPS e depende da Gillette
– e os índios se suicidam –
Pois Tupã inexiste e o branco é força maior
E violentamente voraz

Muitos indígenas que precisam de Cristo


Duma migalha sequer
O branco ceifa barrancos, com ouro diamante
Manganês pulsando nas pupilas

Cegas

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Desbasta & mói
Árvores centenárias, dum quase milênio
O índio observa da reserva
Invadida
Grita paralisado pelo não saber
O que fazer
Aonde ir
– e se suicida –
Todos os dias
A morte lhe acena, cena maldita
Ah se alguém lhe contar
Sobre o Senhor da Vida
Ah se ele souber
Da Porta
Não haverá Nero madeireiro garimpeiro
Grileiro funaieiro que o demova
Expulse desfaça desbaste humilhe
– não arregará –
Se o mau branco lhe quiser apontar
Um dos var(i)ados malditos caminhos tortos
Dos brancos,
Ele aporá a tal o Caminho do Céu, ensinado
Pelo homem de Nazaré
Aporá
Na cara pálida morta do branco
“e o que fazer,
aonde ir,
se só Ele tem
as Palavras de Vida Eterna?”*
E essa palavra bordoará
Qual tacape de sílex
No peito do apóstata-berloque-de-Baal-e-do-capital,
E o homem branco arrogante amargará,
“Quem é este pagão & selvagem

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Que se propõe a verdecer meu coração necrosado?”

E o índio ainda poderá lhe dizer


Que qualquer que dEle ouve
Não importa a que tempo
Tem num repente
A revolucionária opção
De suicidar com o leprosário
Que se traz no coração

*João 6.68

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A Ciência Última

Você estorva tuas capacidades cognitivas


para calcular a pluralidade
das estrelas anãs da galáxia de Andrômeda
e a abrangência do cinturão de Órion
Se desdobra em centenas de cismares,
a efetuar um juízo de valor
sobre o mapeamento e a duplicação genética
Força, funde, ferra tua cuca
tentando apreender
a Teoria das Supercordas e a do Campo Unificado...

Quando o segredo central do Universo


(a partícula menor e a maior,
a primeira e a última,
o plano piloto,
o Elo,
o amor ágape*)
está no fundo dos olhos de qualquer criança.

E tua filinha tem só sete anos.

* 1 Coríntios 13:1-3; 1 João 4:7-21.

53
O primeiro, o último louco

Foi como se ELE dissesse,


“O conhecimento do bem e do mal
pode vir a ser a PÁ com que tu cavarás
tua própria cova
e a de tudo o mais que sair de ti.”

E o pai Adão,
com os seus
(incólumes & resplendentes & alvacentos &) próprios

dentes

a empunhou.

54
Fugir de Cristo é buscar a Cristo

Há um país chamado Polônia


Não, não. Errei. Vamos de novo:
Há um continente chamado Europa onde há um país chamado
Polônia onde há uma cidade chamada Gdansk que já foi Dantzig e
nesta cidade há um
Porto
Que eu nunca conhecera.
E estranho (sempre) fora:
Eu nunca vira nenhuma foto ou filmagem, nunca ouvira
Sequer falar deste porto e seu nome.
Nunca me deparara com ele num mapa, nada lera...
E estranho (sempre) era:
Todos os dias uma melancolia pontual me assaltava,
Como que por eu não conhecer esse porto,
Como por eu não sabê-lo.
Eu pensava nesse porto e esse porto não se abria à minha vista,
Não se entregava...
Eu não lhe via a disposição dos barcos, o teor do calçamento,
O tom de cinza do mar.
E nesse porto uma jovem de olhos azuis ou cinzentos (pois como
saberia?)
Vendia as mais belas tulipas do leste europeu, ou quiçá rosas,
E, sim, um violino nas mãos de um artista popular soltava notas
perfeitas
Sem quem as pegasse, sem que eu as ouvisse...
E o langor de um oboé, quem sabe?, talvez o acompanhasse.
E cogitei argumentações alheias e minhas,
Embrenhei-me em literaturas de duro pensar,

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Busquei-o com toda a força de que o homem se fez forte:
Para nada.
Mas num belo dia, num belo e duro dia,
O porto que a filosofia, a ciência, meus sentidos me negavam
Se abriu.
A Bíblia diz que “em Cristo estão escondidos todos os tesouros da
ciência e da sabedoria.”*
Por quantos anos fugi dEle, daquilo que eu mais buscava?!!!!!
E tu, há quanto tempo tu foges???
Fugir de Cristo é ainda buscar a Cristo. O pecado nos afastou de
Deus, e deitou-nos náufragos
Num oceano sem outras terras, sem outras ilhas.
Há um único destino seguro, uma única forma de voltar para casa,
Acessível por um Único Porto ou Porta.
A breve história da minha vida (e a tua tem sido assim?)
Foi a da busca insciente deste algo-porto que eu não sabia o que era,
E só sabia de meu querer encontrá-lo, da ardência que pulsava no
peito,
Essa angústia que eu não sabia afinal de onde por que como para
que vinha
Mas que todo dia vinha, e que (hoje sei) era por estar dEle separado.
Rogo licença para repetir:
A busca pelo que calará tua angústia só terá fim no Único Porto
Deste universo sem atracadouros.
Em Cristo.
Não importa como nomeie a tua angústia existencial, a tua
Busca existencial – um porto em Gdansk, uma ‘reencarnação’ num
Melhor plano ou corpo, um aniquilar-se para sempre, um tornar-se
Um deus, ou qualquer das demais & ilusórias
Etecetttttttttttttttttttttttttttttttttttttttttteras que o mundo oferta –
Só Ele tem e é o Sentido, só Ele tem as Palavras de vida eterna.

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Quando buscas o Sentido fora dEle, é ainda como se o buscasse, só
que na direção errada: Pois só Ele é o Alfa e o Ômega, o Início e o
Fim.
Do labirinto, a Porta de escape.
E Ele grita na tua face, como gritou na minha, como gritou à porta
do sepulcro onde Lázaro jazia morto:

“Venha para fora.”**

* Colossences 2.2,3
** João 11.43

57
Naveg@r

Um Galeão vivo
apenas feito
de ramos entrelaçados
de orquídeas
aéreas e azuis,

um Sonho-ao-mar...

e canhões e espadins
lançados ao fundo

para somente
as Palavras de Vida
(t r a n s) p o r t a r...

58
Composição em Ah menor
“Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo
aborrece a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna.” Jo 12.25

Há que se morrer
para que se viva;
se matamos a ilusão
se nos abrem as portas à eternidade.

Dou meu peito às flechas,


a face aos falsos beijos:
o que quer que me mata,
mata lentamente.

Deus me compõe lentamente.

59
Sammis Reachers tem 29 anos (09/05/1978), e reside no município
de São Gonçalo – RJ.
É autor de ‘Uma Abertura na Noite’ (poesia evangélica), e
organizador das antologias: ‘3 Irmãos’ (um pouco do melhor da
poesia evangélica em língua portuguesa, com poemas de Gióia
Júnior, Joanyr de Oliveira e J. T. Parreira); e a ‘Antologia de Poesia
Cristã em Língua Portuguesa’, reunindo poemas de mais de 80
autores lusófonos (portugueses, brasileiros e africanos), da era
camoniana aos dias atuais (todas essas obras encontram-se
disponíveis para download gratuito, ver links abaixo).
É também mantenedor do blog Poesia Evangélica
(www.poesiaevanglica.blogspot.com), onde divulga a poesia
evangélica de ontem e de hoje, além de artigos sobre o tema e e-
books gratuitos; e colabora no portal-blog Letras Santas
(www.letrassantas.blogspot.com), que publica literatura evangélica
em geral (e-books variados, peças de teatro, textos edificantes,
notícias evangélicas e muitos outros recursos).

e-mail: sreachers@gmail.com

Todos os textos deste livro podem ser livremente


usados, divulgados e republicados, sem a necessidade
de autorização prévia do autor, desde que não seja
com objetivos de lucro financeiro. Da mesma forma,

60
este e-book pode ser igual e livremente republicado ou
‘linkado’, se não houver objetivo de lucro financeiro.

Abaixo, os links para download direto dos livros


supracitados:
Uma Abertura na Noite –
https://drive.google.com/file/d/1XCrmu3AKHaGT5RQfvOkTR9nYWOloGu59/view

3 Irmãos Antologia –
http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/antologiaevangelica.pdf

Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa -


https://drive.google.com/file/d/0B0F-wUwMTQUDVFBBeGlsd04tWk0/view?resourcekey=0-
jJ5X3PxdDBAa3J7FOhRx7g

Ou no blog Poesia Evangélica.

Ano de 2007

“Olhai para mim, e sereis salvos,


vós, todos os termos da terra; porque
eu sou Deus, e não há outro.”
Isaías 45.22

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