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Nova Lei de Licitação e as compras compartilhadas

Luciano Sena da Silva

Em abril de 2021 foi promulgada a Lei 14.133 com uma ampla revisão e consolidação das regras
relativas à licitação e contratos administrativos, gerando impacto em outros diplomas legais
como Lei de Concessões, Lei das Parcerias Público-Privadas, Lei das Estatais etc.

Com ponto de partida tomamos as regras de transição que estão alocadas entre os artigos 181
a 192, sendo importante observar que a lei não revogou imediatamente a Lei 8.666/93 entre
outras, na verdade ela explicita que ambas as normas licitatórias estão valendo e que poderão
ser aplicadas, desde que não se faça a mescla de regras. Assim, o administrador público pode
escolher se quer aplicar a nova lei ou a anterior. Esta possibilidade será válida até a data de 1 de
abril de 2023, após esta data a Lei 14.133/21 passa a ser obrigatória.

Em razão desta vigência dupla teremos regras que dão segurança jurídica aos contratos firmados
no intervalo de tempo, até 1/4/2023, com as regras anteriores, ou seja, os contratos serão
regidos pela Lei 8.666/93 se foram licitados com ela, o mesmo para o pregão etc.

Além de uma longa disposição de definições que auxiliam na sua aplicação, a Lei 14.133/21
apresenta a figura dos agentes públicos responsáveis por compras, como uma função a ser
desempenhada, preferencialmente, por servidores efetivos ou empregados públicos, dando
formação compatível. Seu papel ganha relevância e regulação mais detalhada no capítulo V da
referida lei.

Outro ponto que merece destaque é a atenção que a nova lei dá para todas as fases que envolve
a tarefa de aquisição de bens e serviços, especialmente à fase preparatória que está bem
detalhada, com ênfase no planejamento das necessidades e do processo, que devem ser
observados internamente, antes da publicação do edital. O mesmo cuidado verificamos nas
demais fases: a externa com a publicação do edital até a assinatura do contrato e a de
acompanhamento da execução do contrato firmado.

As modalidades de licitação sofreram modificações sendo que deixaram de existir a tomada de


preço e o convite. Essas modalidades foram reorganizadas entres outras como o pregão e a
concorrência. Desaparecem os limites internos para a aplicação de uma modalidade ou outra e
foi acrescentada uma nova modalidade chamada de diálogo competitivo, cuja aplicação é bem
restrita para casos do artigo 32.

Os critérios de julgamento, antigo tipo de licitação, também foram modificados de forma a ficar
mais claro quais serão adotados em relação à modalidade escolhida. Neste caso teremos: menor

Luciano Sena da Silva. Texto preparado como suporte à palestra realizada nos Seminários
Regionais Fortalecimento da Cooperação Estado-Municípios. São Paulo, 2021.
preço, maior desconto, melhor técnica ou conteúdo artístico, técnica e preço, maior lance para
o leilão, maior retorno econômico. Todos os critérios e como devem ser aplicados estão
explicados de maneira mais clara, em comparação à lei anterior.

Na esteira da consolidação e da regulamentação promovida pela nova lei, diversos instrumentos


existentes e aplicados em várias situações cotidianas foram reunidos no capítulo X com o nome
de Instrumentos Auxiliares e consistem em: credenciamento, pré-qualificação, procedimento de
manifestação de interesses, sistema de registro de preços e registro cadastral. Todos eles foram
revistos para aumentar a aplicabilidade e dar mais uniformidade na execução.

Essas modificações mencionadas abrem um leque de possibilidades para aumentar o controle e


a eficiência das licitações e da gestão de contratos, por parte do administrado. Observe que a
nova lei dispõe de mecanismos específicos de gestão e controle dos contratos e procedimentos
licitatórios.

Seguindo esse espírito, no artigo 181 e parágrafo único, a nova lei de licitação aponta para a
criação de área centralizada de compras para municípios acima de 10.000 (dez mil) habitantes
e, para os menores, a utilização de consórcio público para compras. Em ambos os casos,
associados ao planejamento das necessidades, à aplicação de instrumentos de transparência e
à exigência de critérios de sustentabilidade para bens e serviços, buscando a obtenção da
melhor contratação para a administração e também para o particular.

Diversos municípios e Estados estão trabalhando para regulamentar a aplicação da Lei


14.133/21, bem como aplicando as novas regras em certames vindouros como é o caso de
Salvador, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo etc..

Para os casos de compras compartilhadas podemos verificar bons exemplos no Consórcio de


Municípios de Pernambuco – COMUPE, Consórcio interfederativo Santa Catarina –
CINCATARINA e com a Bolsa de Compras Eletrônicas de São Paulo – BEC.

Os desafios serão vários no período de transição, mas certamente teremos procedimentos de


aquisição melhores, mais confiáveis e modernos para as contratações.

Referências Bibliograficas:

ALVES, Felipe Dalenogare A execução da nova lei de licitações e contratos pelos pequenos
municípios: centralização e atuação cooperativa à racionalização da atividade administrativa.

Luciano Sena da Silva. Texto preparado como suporte à palestra realizada nos Seminários
Regionais Fortalecimento da Cooperação Estado-Municípios. São Paulo, 2021.
2021. https://www.migalhas.com.br/depeso/347733/a-execucao-da-lei-de-licitacoes-e-
contratos-pelos-pequenos-municipios. Acessado em 12/10/2021.

BRASIL. Lei 14.133 de 01 de abril de 2021. Lei de Licitações e Contratos Administrativos.

______. Lei 8.987 de 13 de fevereiro de 1995. Dispões sobre o regime de concessãoe permissão
de prestação de serviços públicos.

______ Lei 11.079 de 30 de dezembro de 2004. Institui normas gerais para licitação e
contratação de parceria público-privada no âmbito da administração pública.

______ Lei 13.303 de 30 de junho de 2015. Dispõe sobre o estatuto jurídico da empresa pública,
da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, no âmbito da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios.

SANTOS, Gilmara. Governo se antecipam e passam a adotar a nova Lei de Licitações. Jornal Valor
Econômico, 16/09/2021.

Luciano Sena da Silva. Texto preparado como suporte à palestra realizada nos Seminários
Regionais Fortalecimento da Cooperação Estado-Municípios. São Paulo, 2021.

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