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Universidade de Brasília

Instituto de Ciências Humanas

Departamento de História

História da América 1

Professor Jaime de Almeida

Bárbara Burjack Cruz 10/0007996

Fichamento do texto “Conquista do México ou queda de México-Tenochtitlan?


Guerras e alianças entre castelhanos e altepeme mesoamericanos na primeira
metade do século XVI” de Eduardo Natalino dos Santos.

O autor divide os objetivos de seu texto em três: “mostrar que a queda de


México-Tenochtitlan e a conquista dos territórios da Nova Espanha relacionam-se, mas
não se equivalem”. O segundo objetivo é mostrar que houve “convergências de
interesses político-militares entre castelhanos e determinados grupos indígenas”. E o
terceiro objetivo é procurar esclarecer que a confusão feita entre a conquista “do
México” e a “queda de México” foi provocada pela história oficial mexicana do século
XIX construída por aqueles que buscavam uma ideologia nacionalista mexicana. Essa
ideologia procurou colocar os índios mexicas como sendo o passado nacional dos
mexicanos; a partir da chegada dos espanhóis iniciava o cativeiro deste povo que só
seria liberto com a independência do México, com sua independência das elites
espanholas.

Ao longo do texto, duas fontes de origem nahua que tratam da queda de México-
Tenochtitlan são analisadas para detalhar a participação dos indígenas nos episódios
da conquista e do domínio dos espanhóis. Estas fontes são Lienzo de Tlaxcala e o
Códice Vaticano A.

Para situar melhor o leitor nos fatos mostrados por suas fontes, o autor divide o
processo de conquista de México-Tenochtitlan pelos castelhanos e aliados indígenas
em quatro fases: Contatos e alianças pré-entrada em México-Tenochtitlan;
“Convidados” em México-Tenochtitlan; Recomposição das tropas e ampliação das
alianças; Sítio a México-Tenochtitlan.

Depois deste resumo de fatos, o autor argumenta que, através deles, é possível
observar que o processo de conquista e domínio não “polarizou castelhanos e
indígenas, mas [foi um processo que rearranjou a] ordem político-militar e tributária da
região, no qual, sem dúvida, os castelhanos eram os novos e um dos mais importantes
participantes”. Este rearranjo, segundo o autor, não proporcionou “o fim do poderio dos
altepeme ou das elites que os controlavam”.

A primeira fonte analisada, o Lienzo de Tlaxcala mostra “como os principais


aliados dos castelhanos [os tlaxcaltecas] participaram e entenderam o processo de
conquista”. O autor analisa uma imagem contida neste manuscrito dizendo que “a
presença das autoridades castelhanas em tal cena reflete um rearranjo político que não
desestrutura ou elimina as antigas composições de poder locais. Ao contrário,
acrescenta-lhes elementos novos e centrais, isto é, o grupo castelhano e a conversão
formal ao cristianismo”. O autor diz que esta obra demonstra que a ideia de que todos
os povos da região, após a queda de México-Tenochtitlan, terem aceitado e não
participado nem da conquista, nem da estruturação das organizações políticas, é falsa.

A segunda fonte analisada, o Códice Vaticano A, “contém um exemplo de


reconstrução histórica nahua que incorpora as novidades”, que são os espanhóis. Este
manuscrito apresenta “alianças e inimizades prévias à chegada dos castelhanos” e
permite concluir “que seus produtores não explicaram a queda de México-Tenochtitlan
ou as conquistas subsequentes como resultados de guerras que opuseram
binariamente europeus e indígenas”. O Códice Vaticano A não aborda somente a
história nahua até a conquista espanhola, ele continua sua abordagem para além deste
evento, falando sobre o “estabelecimento das autoridades castelhanas – religiosas e
leigas – e dos processos de conversão ao cristianismo, bem como da sucessão das
autoridades indígenas em México-Tenochtitlan, das epidemias e das lutas de
castelhanos e indígenas aliados contra indígenas inimigos”.
Em sua conclusão, o autor nos adverte da importância de compreendermos que
“a participação das elites locais foi indispensável ao funcionamento das estruturas
sociopolíticas e tributárias estabelecidas pelos castelhanos no século XVI”. Ele analisa
ainda que os espanhóis haviam nomeados indígenas da linhagem de Moctezuma como
governadores a fim de garantir “a legitimidade das novas instituições e da ordem
política aos olhos da população local”. Ou seja, ao contrário do que nos parece, o
domínio dos castelhanos sobre a população de México-Tenochtitlan não alienou estes
nativos de todo o processo que estava se desenrolando, nem foi um processo que
atingiu violentamente, por completo, estas sociedades, tanto que esta linhagem
colocada no poder obteve privilégios da coroa de Castela.

O autor, por fim, salienta a importância desta revisão histórica para a


compreensão de toda a complexidade da relação hispânicos-indígenas, observando “os
povos indígenas como grupos identitariamente distintos, com divisões e hierarquias
sociais internas, com instituições próprias e como sujeitos de escolhas e alianças
políticas”.

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