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A DANÇA NA ESCOLA

RESUMO

A dança é o meio de comunicação mais antigo do homem, ela é incentivada por seus pais
para alegrar a família ou simplesmente pelo prazer que ela proporciona. Com o tempo ela é deixada
de lado por inúmeros motivos, perdendo assim o desejo pela dança. Comprova-se que a dança
aparece na vida do ser humano muito cedo, trazendo enormes benefícios, mas infelizmente essa
prática é retirada da vida da pessoa por vergonha ou falta. Muitos profissionais da área de educação
física retiram essa modalidade do cronograma por acharem ser um tema complicado de ser
trabalhado. O presente trabalho tem por objetivo mostrar que a dança deve ser aplicada, pois trás
qualidade as aulas e principalmente favorece o aluno em sua saúde e comportamento. O método
aplicado nesse trabalho é a pesquisa bibliográfica, onde os conteúdos foram retirados nos mais
variados meios, trazendo fundamentações sólidas para a construção do mesmo, demonstrando que a
dança é um conteúdo fundamental nas aulas de educação física. Justifica-se a elaboração dessa
pesquisa, pois a dança vem sendo tratada de forma banal dentro das aulas de educação física,
trazendo prejuízo para o sistema educacional. O método aplicado nesse trabalho é a pesquisa
bibliográfica, onde os conteúdos foram retirados nos mais variados meios, trazendo fundamentações
sólidas para a construção do mesmo, mostrando que a dança é um título que tem aspectos próprios,
que favorecem o aprendizado no espaço escolar, fortalecendo a integração e o desenvolvimento na
vida dos alunos. A conscientização é o maior resultado para esse trabalho, o tema é uma
possibilidade para o corpo docente entenda que a dança é uma ferramenta de aprendizagem. O
problema da dança nas aulas de educação física necessita ser revisto, para que a inclusão imediata
dessa ferramenta seja efetivada satisfatoriamente, colaborando para a construção de uma educação
de qualidade.

PALAVRAS-CHAVE: Dança, Escola, Movimento.


1. INTRODUÇÃO

O movimento faz parte da vida de todo ser humano, onde há movimento há


vida, a dança contribui para trabalhar as capacidades físicas como: coordenação,
equilíbrio, ritmo, estresse, postura, socialização e faz com que os alunos explorem o
espaço e manipulam os gestos e seus movimentos, facilitando a integração entre os
participantes e a convivência e o respeito ás diferenças (Vaz, 2009).
A dança é conteúdo obrigatório nas aulas de educação física, incluída no
bloco de conteúdos dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física. É
uma disciplina relacionada ao movimento, e seu bloco está alicerçado no corpo,
esportes, jogos, lutas e ginásticas atividades rítmicas e expressivas. A modalidade
da dança é conteúdo fundamental nas escolas é a pratica mais adequada e divertida
para ensinar todo o potencial de expressão do corpo (Brasil, 1997).
A dança é a expressão corporal do ser humano, seja em um momento de
felicidade ou tristeza, trazendo com isso sentimentos e emoções suaves ou
agressivos. A dança é composta de corpo e alma, não pode ser considerada apenas
como uma técnica banal, não pode ser verbalizada, pois a dança é sensorial é
psíquica, consegue alcançar o impossível, ato que é possível ser alcançada por
todos, pois ela é inerente à vida humana. Está presente na vida da criança, do
adulto, num simples caminhar, num movimento qualquer a dança se faz presente,
trazendo consigo a identidade de seu executor.
Incentivar a dança no ambiente escolar é necessário, ela trás para a escola
criatividade e comunicação, colaborando para que a criança tenha um crescimento
saudável. Por outro lado, a dança também pode trazer bons resultados para a vida
do jovem, desenvolvendo habilidades e sensações antes esquecidas, pois o
movimento consegue alcançar a pessoa fazendo com que ela tenha sensações de
alegria ou trazendo seu humor no presente momento.
Com a dança pode-se desenvolver a autoconfiança, incentivando sentimentos
e proporcionando o aprender cognitivo como resultado dessa prática, o movimento é
libertador e criativo, faz o jovem pensar, arquitetar passos, e presumir finalizações,
favorecendo o pensar, estimulando as atividades cerebrais e físicas.
A escola pode ganhar muito com a implementação da dança, pois o corpo em
si é uma área não cognitiva, que por sua fez favorece o ato de aprender. Como a
dança não é um aprendizado cognitivo, ela trás em sua essência o domínio
psicomotor, trazendo um enorme aprendizado nas áreas não discursivas do aluno.
O ambiente escolar é o melhor local para se apresentar a dança, que por sua
vez a escola é responsável em oferecer essa modalidade de expressão e de
desenvolvimento ao aluno, oportunizando assim essa prática motora e como
modalidade esportiva, pois o movimento bem aplicado é um ótimo meio para
desenvolver as potencialidades educacionais e sociais dos alunos.
A aplicação desse processo pelo professor é benéfica a toda a escola, pois a
dança trás consigo a disciplina e o respeito, dando ao aluno experiências e vivencias
que servirão para o resto de sua vida.
Esse ato trás as aulas de educação física, possibilidades de inclusão cultural,
podendo ser trabalhados vários ritmos, trazendo um conhecimento teórico das
culturas de origens desses ritmos, uma ampliação do conhecimento do aluno e
possibilitando a ele novas verdades. Com isso há um aumento significativo dos
fatores cognitivos, afetivos, motores e socioculturais.
A dança trás religiosidade e cultura, pois cada povo se expressa de uma
forma, desse modo ela proporciona ao aluno um aprendizado histórico, trazendo
para dentro da escola o mundo e suas diferenças, colaborando para a construção da
cidadania e da democracia. Infelizmente, mesmo com tantos benefícios, muitos
professores e direção como um todo, ainda descartam a dança da realidade
educacional, quando a dança é aplicada somente para cumprir um calendário, ela
perde sua potencialidade, não conseguindo alcançar seu papel transformador
religião/corpo/HOMEM/social/cultural.
Ensinar a dançar é ensinar a viver, a dança tem essa peculiaridade, causa
uma normalidade nas expressões corporais, construindo assim adultos não
reprimidos.
O trabalho apresentado tem por objetivo demonstrar que a dança é um
conteúdo fundamental nas aulas de Educação Física escolar, que a dança colabora
na formação da expressão individual de pensamentos e sentimentos, que
influenciam os fatores intelectuais, afetivos e culturais dos alunos, sendo dividido em
quatro partes distintas para facilitar sua compreensão.
A introdução relata de forma básica o que se pretende aborda no corpo do
trabalho ora apresentado, seguido pelo segundo argumento que apresenta os
aspectos que compõem a dança, o terceiro título discorre sobre a dança no espaço
escolar, que trás a dança como forma de integração e expressão individual e
coletiva e finalmente finalizando com a conclusão onde explana que a dança é um
desenvolvimento ímpar na vida do aluno.
Nesse trabalho é aplicado a pesquisa bibliográfica como metodologia,
garantido a ele uma diversidade de autores ligados ao tema, com isso trás um
confronto de informações, garantido a construção de um pensamento verdadeiro
sobre a dança no espaço escolar.

2. DANÇA E SEUS SIGNIFICADOS

A dança é a junção de movimento, ritmo e música, é uma expressão corporal,


representando inúmeros aspectos do cotidiano do homem. Ela é usada como uma
linguagem que permite a manifestação e socialização de todos.
[...] dança com certeza é movimento, mas movimento não é
necessariamente dança. A dança difere do movimento cotidiano por
uma transposição a um nível mais “poético” de ações corporais [...]
(NEVES, 1987, p. 7 apud GALLARDO e SBORQUIA, 2006, p. 27).
Os povos primitivos dançavam como forma de agradecimento aos deuses,
pelo inicio da colheita, da caçada, comemorações de casamento, nascimento, na
despedida de um ente querido, em homenagens a Mãe Terra, na passagem do
jovem para a fase adulta, (Maribel, 1989), enfim a dança sempre esteve em todos os
momentos da vida humana.
As danças, em todas as épocas da história e/ou espaço geográfico,
para todos os povos é representação de suas manifestações, de seus
estados de espírito', permeios de emoções, de expressão e
comunicação do ser e de suas características culturais. (NANNI,
2003, p.7).
Dançar vai além de uma simples expressão artística, pois ela é uma arte
completa, envolve a música, o teatro, a pintura, conseguindo abranger todos os
sentimentos que permeiam o complexo viver humano. É um ótimo meio de aquisição
de conhecimento, como lazer beneficia o desenvolvimento da criatividade, podendo
expressar seu real estado psicológico, podendo demostrar como se encontra no
momento.
[...] Não nos importa o movimento pelo movimento, o gesto apenas
por objetivos físicos. Nos importa o movimento integrado com a
participação da alma: um corpo liberto, expresso em gestos,
desenhando emoções no espaço, esculpindo o ar de prazer.
(ANCHIETA, 1995, p. 20).
Assim como toda área humana evolui e se desenvolve para trazer novidades,
a dança também teve inúmeras mudanças em seu desenvolvimento, é altamente
influenciada pela realidade social de um país, é uma fonte de propagação de cultura,
proporcionando ao todos os envolvidos e os expectadores a diversidade e
peculiaridade de diferentes povos.
Fahlubusch (1990) descrevem bem a dança na história do homem. Segundo
ele, os primeiros documentos são as pinturas e gravuras nas cavernas, que são
datadas da pré-história, caracterizando que o homem não falava ainda, usando os
gestos e suas expressões para a comunicação, confirmando que a dança sempre foi
o meio mais primitivo de comunicação. A dança surgiu da necessidade dessa
comunicação, pois esses gestos traziam um ritmo e sem perceber o ato de dançar já
estava constituído.
[...] a dança está envolvida em praticamente toda experiência
importante da vida, tanto dos indivíduos, quanto do coletivo social.
Existem danças de nascimento, de morte, de passagem para a
maioridade, de corte e casamento, de fertilidade, de guerra [...]
(MARTIN, 2007, apud STRAZZACAPPA, 2007, p.19).
Ossana (1988) pontuado que a dança primitiva, sempre esteve ligada a algum
ato de necessidade cotidiana do homem, trazendo movimentos primitivos que
expressavam algumas dessas necessidades. A dança se caracterizava por essas
necessidades básicas, a dança da chuva, do sol, da lua, ajudando na estiagem na
colheitas, na gravidez das mulheres, a dança da passagem que ajudava o jovem a
se tornar adulto. Cada situação requeria uma dança específica, a dança está
inserida na vivencia do homem, até os que não são adeptos da dança, não resistem
e logo estão batendo o pé inconscientemente ao som de alguma música.
O homem tem a habilidade de criar dança para expressar sua vontade, por
consegue expressar essa vontade por meio dos movimentos. A dança pode ser
entendida como a interação homem/dança/mundo, deixando claro que o processo
da dança passa por todas as etapas da vida do ser humano.

2.1. MÚSICA

Em grego música é mousikē e seu significado é “arte das musas”, logo


música é definida o ato de definir e organizar os sons e os silêncios. (Candé, 2001).
Para Verderi (2000) a música é fenômeno que acompanha o homem desde o
ventre, com isso a criança já está em contato com o universo sonoro.
A música tem grande influência na vida de todos em especial da criança,
percebe que ao suave som já está alerta e corresponde aos sons. A música
favorece a dança, que por sua vez favorece o desenvolvimento da criança. O
homem primitivo já utilizava a música para facilitar o ato de dançar, utilizava
instrumentos rudimentares confeccionados por ele mesmo, para emitir sons e cantar.
[...] a música na escola só traz vantagens para a vida das crianças;
uma maior consciência de si, o respeito e a compreensão do outro e
visões críticas das dimensões da vida; isto, sem falar na divulgação e
valorização da área como campo profissional e da ação estimuladora
e criativa para o conhecimento da música. (SOUZA, 1992, p.3)
No Brasil colônia a música brasileira seguia os padrões da música europeia,
por causa do euro centrismo. Com as mudanças políticas e sócias conquistadas
pelo Brasil a música regional começou a emergir e se solidificar, com isso a música
nacional conquistou seu espaço, trazendo ritmos africanos, europeus e ameríndias.
Com isso é difícil conceituar a música nacional, pois ele varia de cultura para cultura,
pois casa povo tem suas tendências e formas de manifestações. (Giffoni, 1973).
A música sempre foi vista por diferentes ângulos, ora sendo vista como uma
expressão espiritual em diversos momentos da existência humana. (Felícitas, 1988).

2.2. RITMO

Ritmo é a sucessão regular dos tempos forte e fracos, vem do grego


rhythmos, definindo o valor de cada nota musical, conforme a intensidade e o tempo.
(Dicionário do Aurélio de Português).
O ritmo faz parte de todo o universo, pois tudo caminha em um determinado
ritmo, é um impulso que impulsiona a vida. Está presente na natureza, no cotidiano
humano, na vida dos animais e das plantas. O ritmo possibilita formas infinitas,
possuindo diferentes combinações e durações, nessas infinitas formas o silêncio
também faz parte do ritmo. Na música o ritmo é determinado pelo compasso, se é
lento, moderado ou acelerado, caracterizando a melodia dessa forma. (Weigel,
1988).
Na dança, a música funciona como elemento de união e integração
entre os dançarinos, que trabalharem em grupo precisa estar
sincronizado. O estimulo sonoro normalmente determina o ritmo e a
mudança nas sequências de movimentos de uma dança”.
(TAVARES, 2006, p. 49).

Logo o movimento traduz o intervalo de tempo, que desenvolve o espaço


temporal, que determina a rítmica de cada indivíduo, como por exemplo o ato de
cantar, necessita saber compreender as variações rítmicas. (Verderi, 2000).

2.3. MOVIMENTO

O universo está em constante movimento, na verdade tudo que tem vida está
em movimento, pois o movimento é o resumo da vida, logo não há vida sem
movimento. Os seres vivos necessitam de movimento, ele é o que determina toda
ação corporal. Pelo movimento o homem consegue comunicar-se em seu meio, el é
uma característica inerente a vida, seja ela animal ou vegetal, com o movimento
pode-se expressar o ritmo e por consequência a dança. O movimento é a
materialização do corpo, é tornar tangível o pensar e o falar.
É através dele que a criança se realiza, e por consequência o seu
desenvolvimento perceptivo-sensório-motor. (Verderi, 2000).
Alguns requisitos são básicos para o movimento, tempo/espaço/fluência/peso.
O tempo aparece numa sequência de movimentos, é o resultado da combinação
desses requisitos.
Ligar a música e o movimento, utilizando a dança ou a expressão
corporal, pode contribuir para que algumas crianças, em situação
difícil na escola, possam se adaptar (inibição psicomotora, debilidade
psicomotora, instabilidade psicomotora, etc.). Por isso é tão
importante a escola se tornar um ambiente alegre, favorável ao
desenvolvimento. (BARRETO, 2000, p.45).
A dança proporciona liberdade, trazendo espontaneidade e o lúdico ao
indivíduo, dando a ele autoconfiança, pois há uma modificação do contexto espacial.

3. A DANÇA NO ESPAÇO ESCOLAR

Desde a antiguidade o movimento serviu como forma de comunicação do ser


humano. Como tudo no decorrer da história humana sofre algum aperfeiçoamento, o
movimento também foi evoluindo a medida que esse homem ia se descobrindo e se
atualizando, passando um simples movimento para algo mais complexo, dessa
forma os estudos trouxeram para a dança uma melhor qualidade e diversas
variações. O ensino da Educação Física é para proporcionar o desenvolvimento do
aluno, ajudar em sua formação cultural, cognitiva e motora. Com isso a garantia da
formação de um cidadão “aluno” completo, garantindo seu direito educacional.
Conforme a PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais), a dança está entre os
conteúdos na disciplina de Educação Física.
A dança é uma forma de integração e expressão tanto individual
quanto coletiva, em que o aluno exercita a atenção, a percepção, a
colaboração e a solidariedade. A dança é também uma fonte de
comunicação e de criação informada nas culturas. Como a atividade
lúdica a dança permite a experimentação e a criação, no exercício da
espontaneidade. Contribui também para o desenvolvimento da
criança no que se refere à consciência e à construção de sua imagem
corporal, aspectos que são fundamentais para seu crescimento
individual e sua consciência social (PCN, 1997).
A aula de educação física bem aplicada trás ao aluno enormes benefícios
cognitivos e motores, logo a dança se desenvolvida de uma forma consciente pode
trazer enormes benefícios para toda a comunidade escolar, sempre respeitando as
diferenças e limitações, garantindo a individualização de cada um, pois não há
separação de corpo e mente.
Giffoni, (1973) relata que a prática da dança na disciplina de Educação Física,
trás um processo de equilíbrio, ajudando na aprendizagem, colaborando para o
crescimento geral do ser humano.
Como pontua Santos, (2005) a dança ajuda na construção do jovem colabora
na formação das crianças, jovens, adultos e idosos, tendo eles ou não uma
deficiência. Trazendo ao aluno um aprendizado diferenciado e continuo por isso a
dança deve ser trabalha concretamente nas escolas. Por meio da dança pode-se
trabalhar inúmeros conteúdos em sala de aula e nas quadras: gêneros, domínio
corporal e diversidade cultural.
Assim Gardner, (1995) relata que meninos e meninas são diferentes e tem
comportamentos diferentes pois meninos e meninas são diferente e na dança isso
pode ser facilmente notado e trabalhado. O domínio corporal e a ritmicidade é outro
tema importante para o desenvolvimento do aluno, a dança trás um domínio
espaço/tempo, assim dominar o ritmo é dominar a si mesmo, colaborando para
ações do cotidiano e auxiliando nas atividades do dia a dia. A diversidade cultural e
os variados estilos de dança variam de região para região, pois na cultura brasileira
há inúmeros estilos, trazendo formas de aprender, pois a dança é um meio ilimitado
de aprendizagem, por isso a dança necessita ser trabalhada nas escolas.
Para Camargo e Finck (2010) a dança possibilita o conhecimento de si e do
outro, trazendo uma maior relação dor/prazer, fazendo com que ele conheça seus
limites. Cunha (1992) pontua que a dança deve ter uma maior atenção nas aulas de
educação física, colaborando assim com as atividades de ginástica. Claro (1988)
relata que a dança bem aplicada nas aulas de educação física, é uma forma de
fundir a modalidade da dança com a de ginástica, uma vez que uma necessita da
outra, a disciplina de educação física necessita da dança para se completa, pois a
dança trás a disciplina o conhecimento necessário do corpo.
O profissional de educação necessita receber capacitação, para que possa
dominar todos os métodos e conhecimentos inerentes à dança, para assim poder
desenvolver e formar os alunos nessa modalidade. A dança é uma ferramenta, que
quando usada de forma consciente e com estímulos apropriados, facilitará o
processo ensino/aprendizagem, proporcionando o desenvolvimento de suas
capacidades cognitivas e corporais, trazendo sua cidadania, dessa forma a dança e
um instrumento útil na aprendizagem.
[...] os conteúdos específicos da dança são: aspectos e estruturas do
aprendizado do movimento (aspectos da coreologia1, educação
somática e técnica), disciplinas que contextualizem a dança (história,
estética, apreciação e crítica, sociologia, antropologia, música, assim
como saberes de anatomia, fisiologia e cinesiologia) e possibilidades
de vivenciar a dança em si (repertórios, improvisação e composição
coreográfica). (MARQUES 2003, p.31).
A dança é um conteúdo impar, pois pode alcançar inúmeras áreas do saber, é
rico e diversificado, mas não há uma receita pronta, há possibilidades inexploradas,
para acrescentar qualidade no processo ensino/aprendizagem, trazendo
reorganização a pluralidade cultural nacional.
[...] a dança é um conteúdo fundamental a ser trabalhado na escola:
com ela, pode-se levar os alunos a conhecerem a si próprios e/com
os outros; a explorarem o mundo da emoção e da imaginação; a
criarem; a explorarem novos sentidos, movimentos livres [...]. Verifica-
se assim, as infinitas possibilidades de trabalho do/ para o aluno com
sua corporeidade por meio dessa atividade”. (PEREIRA, 2001, p. 45).
A escola como meio de propagação do conhecimento e da cidadania, deve
estar atenta para que os conteúdos sejam trabalhados dentro de um contexto social,
dentro de um olhar crítico, para saber o que realmente a sociedade representa e os
saberes que ela dissemina, pois a dança que chega às escolas precisam ser relidas
pelo professor, mas deixando livre o aluno para incorporar suas experiências, que é
o papel da verdadeira papel da dança na escola.
A dança trás mais que simples movimentos a uma sociedade, ela engloba
mais que simples passos decorados, gestos ou coreografias, ela é uma postura
educacional, trazendo valores culturais e sociais, modificando realidades e
pensamentos, é o elo que liga uma sociedade ao respeito. Ignorar a dança é ignorar
o próprio ser humano, ignorar sua história e sua evolução.
[...] devemos buscar argumentos outros que legitimem a prática de
atividades físicas, que reconheçam que o ser humano é mais que ter
um corpo, é ser um corpo. Temos que superar o discurso de que toda
criança que recebe estímulos para atingir um pleno desenvolvimento
motor, automaticamente também está recebendo estímulos para um
bom desenvolvimento cognitivo. (PORTO, 1992, p. 38-40)

Para Ferreira (2005), a dança é complexa, e ela bem aplicada dentro da aulas
de educação física, aliada a outros esportes, trás um crescimento significativo das
conexões dos neurônios, potencializando a memória, que por sua vez favorece o
processo de aprendizagem. Segundo o autor, a dança está ligada diretamente a
criatividade e o movimento, essa relação fortalece a inter-relação
corpo/sociedade/aprendizagem, garantindo o desenvolvimento consciente do
individuo.
O conhecimento da história da dança, portanto, também fornece
parâmetros para que a criação dos alunos em sala de aula não seja
etnocêntrica, racista e/ou sexista. [Assim] o aluno poderá perceber a
multiplicidade de concepções de corpo, tempo e espaço dos diversos
movimentos artísticos, trabalhando-as e articulando-as as suas
criações (MARQUES, 2003, p.47).
A utilização da dança como ferramenta de inclusão, de aprendizagem, de
lazer ou qualquer outra forma de aplicação, contribui para o desenvolvimento
curricular escolar e no desenvolvimento pessoal do aluno, modificando sua forma de
pensar e de se expressar dentro e fora da escola. A dança na escola possibilita ao
educando uma formação satisfatória e uma ampliação de suas capacidades sociais
e afetivas, contribuindo para o seu desenvolvimento cognitivo. Sendo assim o
professor deve trabalhar os movimentos sempre aliados aos conceitos, para fundir o
corpo e mente, trazendo subsídios para que o aluno consiga compreender que a
dança também é conhecimento.
Logo a dança nas aulas de educação física só vem a confirmar que o ensino
deve estar em todas as disciplinas e que uma aula de qualidade, potencializa a
disciplina e auxilia o desenvolvimento dos alunos, mostrando o quanto a dança é
importante no contexto escolar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

As aulas de educação física trazem ao aluno um aprendizado que vai além


das técnicas esportivas, por isso todas as oportunidades devem ser oferecidas ao
aluno para que seu desenvolvimento seja pleno. As aulas devem ser bem
planejadas prevendo formação cognitiva e motora, não podendo mais separar essas
modalidades educacionais trazendo vantagens ao desenvolvimento. A dança traz ao
aluno enormes vantagens sobre aquele que não a praticam, pois com a dança todas
as oportunidades são dadas ao aluno, trazendo desenvolvimentos de suas
habilidades em ginástica, jogos, a própria dança e esportes. A educação física tem
por obrigação fazer com que o discente conheça seu corpo, desmistificando assim o
movimento, salientando a relação corpo/mente/movimento.
A dança é movimento, é a linguagem do corpo, é a forma como o corpo se
comunica com o mundo e com ele mesmo, com isso a dança se torna um conteúdo
estruturante dentro da disciplina. A educação física é responsável pela formação do
aluno, cria vínculos, interações e reflexões dentro da vida dos mesmos.
A dança foi inserida na formação do professor de educação física no final do
século XX, com o passar do tempo à disciplina se modificou, as aulas de educação
física não estão apenas alicerçadas nas atividades esportivas, com essa evolução
ela passa a ser tratada como uma disciplina cognitiva, passando a ter caráter
educacional, colaborando muito para a formação do conhecimento. Dessa forma a
dança deve ser incentivada, deve ser debatido, conversado que a dança não são
movimentos desconexos, mas sim ações intencionais, sendo inerente ao professor
incentivar a criatividade e autonomia dos alunos.
A realidade educacional é muito precária no Brasil, os preconceitos que a
dança carrega fazem com que muitos não tenham interesse em pratica-la, no
ambiente escolar esse preconceito se potencializa, causando uma enorme perca
para todos, pois a dança fica limita somente a estar no papel em sala de aula.
A educação física necessita libertar-se do estereótipo de esporte e assumir
seu verdadeiro papel de transmissor de conhecimento. Necessita uma readaptação
na grade dos cursos de formação, dar condições para que o profissional possa
incluir a dança como ferramenta de inclusão e trazendo a mudança a todos. Esses
direcionamentos fazem com que as práticas pedagógicas passem a ter a qualidade
esperada, proporcionando o desenvolvimento das habilidades e construindo uma
personalidade crítica, valorizando o respeito e a construção de uma transformação
social.
Essas reflexões podem levar a transformações de pensamentos acerca da
aplicação concreta da dança nas aulas de educação física, visando à autonomia e a
melhora da formação universitária dos profissionais, trazendo o respeito ao
professor, ao aluno e a disciplina, garantindo um avanço considerável ao processo
educacional, cultural e social.
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