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AULA 4

DEFICIÊNCIA VISUAL

Prof. Amaury Dudcoschi Junior


CONVERSA INICIAL

Olá, amigos e amigas. Sejam bem-vindos a mais uma aula da disciplina


Deficiência Visual!
Na aula anterior, vimos que a educação da criança com deficiência visual
necessita de estímulos sensoriais, auditivos e motores, pois é por meio desses
sentidos que ela aprende a interagir com o meio e se apropriar do conhecimento.
Na aula de hoje, vamos nos aprofundar um pouco mais sobre a utilização
de materiais que têm como público-alvo, primordialmente, as pessoas com
deficiência visual, e recursos de acessibilidade ao computador.

 tecnologia assistiva;
 tiflotecnologia;
 recursos para a pessoa com baixa visão;
 recursos facilitadores por meio da audição;
 recursos táteis – a visão na ponta dos dedos.

CONTEXTUALIZANDO

Nas últimas décadas os estudos das ciências e da tecnologia tornaram


possíveis avanços significativos na produção do conhecimento, principalmente
após o surgimento do computador e da modelagem computacional.
O acesso a novas formas de acessibilidade, oportunizando a qualificação
da pessoa com deficiência visual, tem como fundamento a educação básica, a
qualificação e a profissionalização dessa pessoa como cidadão produtivo e
tecnológico (Martin; Bueno, 2003).
Recursos criados e desenvolvidos especificamente com o objetivo de
permitir que a pessoa com deficiência visual tenha acesso à educação são todas
as formas que proporcionam o desenvolvimento da capacidade de solucionar
problemas, formar conceitos, e construir conhecimento.
No processo de aprendizagem e construção de conhecimentos, alunos
com deficiência visual recorrem aos canais alternativas (audição, tato, olfato,
gustação) ou ao resíduo visual (baixa visão). Nesse contexto, a inclusão de
deficientes visuais, utilizando recursos diferenciados, deve ser uma opção viável
para o acesso à informação e ao conhecimento, independentemente de hardware,
software, infraestrutura, idioma, cultura e limitações.

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Identificar as necessidades do aluno com deficiência visual em diferentes
situações e selecionar os recursos adequados, que atendam a suas expectativas,
são desafios para os professores que trabalham com esses alunos.
Dessa forma, é preciso colocar à disposição do aluno com deficiência visual
recursos que atendam, ao mesmo tempo, às diversas condições visuais e à
estimulação desses sentidos, tais como: sistema braille, fontes ampliadas,
recursos tecnológicos e de outras alternativas, pois a deficiência visual não
compromete o desenvolvimento da capacidade intelectual e cognitiva, quando em
condições favoráveis e recursos adequados.
O papel da educação não deve se resumir ao treinamento de pessoas com
deficiência visual para o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação,
mas propor a formação de sujeitos capazes de aprender a aprender, que possam
se tornar pessoas aptas para intervir criativa e criticamente na constante
transformação nas bases da sociedade.

TEMA 1 – TECNOLOGIA ASSISTIVA

Com a evolução tecnológica surgem a cada dia diversos recursos para


facilitar a execução de tarefas, das mais simples às mais complexas. Na área de
auxílio à pessoa com deficiência, esses recursos visam atender às diversas áreas
de necessidade pessoal da pessoa deficiente, tais como: comunicação,
alimentação, mobilidade, transporte, educação, lazer, esporte, trabalho e outras.
Nesse sentido, ao nos referirmos a esses recursos voltados para auxiliar a
pessoa com deficiência, estamos falando de tecnologia assistiva.
Bersch (2017) traz a definição dada pelo Comitê de Ajudas Técnicas (CAT),
em 2007.

Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica


interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias,
estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a
funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de pessoas com
deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua
autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social (Brasil –
SDHPR. – Comitê de Ajudas Técnicas – ATA VII, citado em Bersch,
2017, p.4).

Para a concretização do conceito brasileiro sobre a Tecnologia Assistiva,


sua primeira denominação era o de “ajudas técnicas”, conforme o Decreto n.
3.298/199. No artigo 19, os elementos para a sua composição deveriam permitir
a compensação das limitações sensoriais, motoras ou mentais, tendo o intuito de
romper as barreiras de comunicação, mobilidade e possibilitar inclusão social.

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Além disso, no Decreto n. 5.296/2004, o artigo 61 considera “ajudas
técnicas” como sendo constituída de produtos, instrumentos, equipamentos ou
tecnologias, adaptados para pessoas com deficiência, especialmente
direcionados para a autonomia pessoal, total ou assistida destes (Brasil, 2004).
A consolidação da expressão tecnologia assistiva transversalmente a
ajudas técnicas ocorreu na tradução da Convenção sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência da ONU em 1996. De acordo com Lugli et al. (2016):

[...] a obra de Romeu Sassaki, tradutor oficial da Convenção sobre os


Direitos das Pessoas com Deficiência, introduziu a expressão
“Tecnologia Assistiva” (TA) no Brasil, pela primeira vez, em 1996. A partir
desse momento, o Comitê de Ajudas Técnicas (CAT, 2007), apesar de
manter este nome, decidiu padronizar a terminologia adotada por
Sassaki por considerá-la uma tendência nacional já firmada no meio
acadêmico, em organizações de pessoas com deficiência, em setores
governamentais, em institutos de pesquisa e no mercado de produtos”
(Lugli et al., 2016, p. 45).

Dessa forma, a tecnologia assistiva deixou de ser uma propensão no meio


acadêmico e firmou-se como expressão a ser utilizada em referência a produtos
e serviços para os estudos sobre a melhoria da qualidade de vida e inclusão social
de pessoas com deficiência.
A ideia central da tecnologia assistiva é ampliar as habilidades cognitivas,
sensoriais e físicas, de pessoas com limitações e ajudá-las a agir com
independência em ambientes que ignoram suas necessidades, diminuindo, assim,
barreiras físicas e atitudinais, utilizando o arsenal de recursos e serviços
tecnológicos para a melhoria de sua qualidade de vida, autonomia e inclusão
social (Cook, 1995; Ulbricht, 2008; Sartoretto; Bersch, 2014).
De acordo com Sartoretto e Bersch (2014), a tecnologia assistiva é uma
área de conhecimento interdisciplinar dividida em 11 categorias, sendo elas:

 auxílios para a vida diária;


 CAA (CSA) comunicação aumentativa (suplementar) e alternativa;
 sistemas de controle de ambiente;
 projetos arquitetônicos para acessibilidade;
 órteses e próteses;
 auxílios para surdos ou com déficit auditivo;
 adaptações em veículos
 adequação postural;
 auxílios de mobilidade;
 auxílios para cegos ou com visão subnormal;
 recursos de acessibilidade ao computador.

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Vale lembrar que para uma efetiva interação da pessoa com deficiência,
com recursos da tecnologia assistiva, em especial o computador, é preciso
conhecer suas necessidades, interesses e expectativa, estudando e analisando
quais as tecnologias mais adequadas para cada situação.
Monteiro e Gomes afirmam que “[...] embora as tecnologias não configurem
uma solução, sem dúvida sua utilização permite mais integração e inclusão, pelo
modo com que se alinham a possibilidades de inclusão, cidadania e acesso ao
conhecimento” (Monteiro; Gomes, 2014).
Portanto, as tecnologias não são uma solução em si, para todas as
dificuldades de acessibilidade, mas, certamente, são facilitadoras do processo de
inclusão, a qual está diretamente ligada a acessibilidade.

TEMA 2 – TIFLOTECNOLOGIA

O conceito de tecnologia de acesso ou tiflotecnologia é semelhante à


definição de tecnologia assistiva, porém são recursos destinados,
especificamente, ao atendimento do deficiente visual. Caparrós (1994) apresenta
esse conceito como “[...] o conjunto de técnicas, conhecimentos e recursos
destinados a procurar para os cegos ou deficientes visuais os meios capazes para
uma correta utilização da tecnologia, com o fim de favorecer a autonomia pessoal
e plena integração social, laboral e educativa” (Caparrós,1994, p. 307).
Na área da deficiência visual, a tecnologia vem proporcionando, cada vez
mais, possibilidades de educação, reabilitação e profissionalização ao deficiente
visual, por meio de adaptações tiflotécnicas que incluem: adequação mecânica,
eletrônica ou informática de todas as ferramentas utilizadas favorecer a autonomia
da pessoa com deficiência visual (Martin; Bueno, 2003)
Essas adaptações tiflotécnicas são divididas em dois grupos, embora
alguns desses recursos sejam usados pelos dois grupos:

1 – Adaptações tiflotécnicas para cegos, alguns exemplos:

 Sintetizador de voz ou leitor de tela: são softwares específicos de


interação entre o deficiente visual e o computador, possibilitando ao
usuário ouvir o conteúdo apresentado na tela do computador.
 Linha braille: trata-se de um equipamento eletrônico que conectado ao
computador, que possui uma linha régua de células braille, com pinos
que se movimentam para cima e para baixo, transcrevendo, em braille,
o texto da tela do computador, linha por linha (Figura 1).

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Figura 1 – Linha braille

Fonte: https://www.insurancejournal.com/magazines/features/

 Braille falado: pequeno aparelho dotado de um teclado braille e saída


por meio de voz sintetizada, oferecendo: editor de textos, agenda,
cronômetro, calendário e calculadora, podendo ser conectado ao
computador (Figura 2).

Figura 2 – Braille falado

Fonte: Riera, 2010.

 Braille-N-Print: equipamento que permite a impressão em tinta do texto


datilografado na máquina de escrever em braille.

 Outras adaptações: calculadoras falantes, livro digital e outros.

2 – Adaptações tiflotécnicas para deficientes visuais:

 Programas de ampliação de tela: softwares que possibilitam ampliar o


conteúdo da tela do computador, imagem, texto, permitindo ao deficiente
visual a percepção dos detalhes do que está sendo exibido.

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 Tele lupa: equipamento que utiliza um monitor ou TV, como saída, para
ampliar material impresso. Também chamado lupa eletrônica manual
(Figura 3).

Figura 3 – Telelupa ou lupa eletrônica

Fonte: IORJ, 2018.

 Auxílios ópticos: óculos especiais com lentes de aumento, lupas


manuais, lupas de mesa e de apoio.

Além dos recursos e das adaptações listados, as estratégias de


aprendizagem, os procedimentos empregados, os meios de acesso ao
conhecimento e à informação também podem ser considerados tiflotecnologias
quando adequados às necessidades do deficiente visual, possibilitando a inclusão
e a autonomia.

TEMA 3 – RECURSOS PARA A PESSOA COM BAIXA VISÃO

Como já sabemos, a pessoa com visão subnormal ou baixa visão conserva


resíduos de visão, porém é incapaz de distinguir com nitidez objetos a uma
distância de 3 metros, à luz do dia, distingue apenas vultos, claridade, ou objetos
a pouca distância.
Sá, Campos e Silva (2007) fornecem a seguinte explicação sobre baixa
visão:

A baixa visão traduz-se numa redução do rol de informações que o


indivíduo recebe do ambiente, restringindo a grande quantidade de
dados que este oferece e que são importantes para a construção do
conhecimento sobre o mundo exterior. Em outras palavras, o indivíduo

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pode ter um conhecimento restrito do que o rodeia (Sá; Campos; Silva,
2007, p. 17).

Atualmente, existem diversos recursos que possibilitam a pessoa com


baixa visão o acesso à educação, lazer e trabalho, desde os mais simples, como
uma iluminação adequada até os mais modernos recursos de hardware e software
que a tecnologia pode oferecer. Esses recursos/auxílios são divididos em ópticos
e não ópticos (Figura 4).

Figura 4 – Auxílios ópticos

Fonte: Visão, 2018.

Conforme, Campos e Silva (2007), “Recursos ou auxílios ópticos são lentes


de uso especial ou dispositivo formado por um conjunto de lentes, geralmente de
alto poder, com o objetivo de magnificar a imagem da retina. Esses recursos são
utilizados mediante prescrição e orientação oftalmológica” (Sá; Campos; Silva,
2007, p. 19).
De acordo com sua utilização, esses auxiliares ópticos podem ser para
longe – telescópio, telelupas e lunetas; para perto – óculos especiais (bifocais,
esferoprismáticas, monofocais esféricas, telemicroscópio; e lupas manuais ou
de mesa. Cabe lembrar que o campo de visão alcançado com auxilio óptico tende
a ser menor quanto maior for a ampliação do objeto.
Conforme Domingues (2010), auxiliares não ópticos englobam uma
variedade de recursos

Os auxílios não ópticos referem-se às mudanças relacionadas ao


ambiente, ao mobiliário, à iluminação e aos recursos para leitura e para
escrita, como contrastes e ampliações, usados de modo complementar
ou não aos auxílios ópticos, com a finalidade de melhorar o
funcionamento visual. Incluem, também, auxílios de ampliação
eletrônica e de informática (Domingues, 2010, p. 12)

A iluminação e o contraste são dois recursos fundamentais para uma boa


visibilidade e devem estar adequados à necessidade da pessoa com baixa visão,

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uma boa iluminação deve estar direcionada ao material impresso, evitando que
produza reflexos nos olhos, enquanto um bom contraste potencializa a iluminação.
Em relação à iluminação adequada, Martin e Bueno (2003) afirmam “A
qualidade/quantidade de luz é o auxílio não óptico mais importante para as
pessoas com baixa visão. Quando a luz natural não é apropriada para o deficiente
visual por sua escassez, é preciso que seja proporcionada artificialmente” (Martin;
Bueno, 2003, p. 294).
A correta combinação de cores proporciona o contraste adequado para
cada situação de leitura e escrita. Outros materiais como marcadores negros,
papel de filtro amarelo, tiposcópio (pedaço de cartão negro com uma fresta),
caderno especialmente pautado (de linha simples, dupla ou quadriculada), são
complementos que contribuem para o bom aproveitamento visual do aluno com
baixa visão (Martin; Bueno, 2003).
A ampliação é outro recurso que auxilia o deficiente com baixa visão,
podendo ser aplicada em textos, jogos, agendas, entre outros. Para garantir um
desempenho visual eficiente, é preciso analisar o tipo de letra, o espaçamento
entre as letras e as linhas, o tamanho das margens, o tipo de papel, a cor e o
brilho (Domingues, 2010).
Outras opções disponíveis são a máquina de escrever com tipos
ampliados, a projeção de slides, ampliação por fotocópia e os recursos
tecnológicos (Martin; Bueno, 2003).
Em relação aos recursos tecnológicos, existem programas específicos para
computador que permitem a ampliação, ajuste de contraste, luminosidade, edição
de texto entre outros. O ambiente do sistema operacional Windows oferece
recursos de acessibilidade por intermédio do mouse, teclado e vídeo para
deficientes visuais com baixa visão.
A escolha do melhor recurso, a preparação e adaptação para atender aos
diversos níveis de deficiência visual são os primeiros passos para extrair o máximo
de possibilidades que esses recursos podem fornecer.

TEMA 4 – RECURSOS FACILITADORES POR MEIO DA AUDIÇÃO

De acordo com Escarce e Martins (2014), a acessibilidade nos meios


digitais é um tema que está em pauta no mundo todo, possibilitando a promoção
da diversidade por meio da descrição de todas as obras visuais, além de permitir
o acesso a obras distintas do entretenimento.

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Para isso, são utilizados recursos tecnológicos como a áudio-descrição,
ou livro falado, para pessoas cegas ou com baixa visão, permite o acesso ao
conteúdo audiovisual ou visual, proporcionando a compreensão da obra por meio
de palavras oralizadas (Vanzin Nunes; Fontana, 2011).
Pelo fato de ser um trabalho técnico, é formado por uma equipe, composta
por um áudio-descritor roteirista, que prepara o material em formato de texto a ser
narrado; um áudio-descritor narrador, que o coloca o ritmo e a entonação exigidos
pela obra, de maneira clara e discreta; um técnico de áudio, responsável pela
gravação, edição e mixagem da áudio-descrição; e um revisor áudio-descritor,
sendo este uma pessoa com deficiência visual para validar a confiabilidade do
produto final.
Dessa forma, a áudio-descrição proporciona para uma parcela da
população, compreendida pelos deficientes visuais, o acesso a produtos culturais,
estabelecendo um patamar de igualdade em relação a diversidade e valorização
do ser humano.
Outros recursos que proporcionam o acesso por meio da audição são: os
seguintes.
Braille-Falado, que consiste em um sistema portátil de armazenamento e
processo de informação que permite a edição de textos e a gestão de atividades
do tipo agenda eletrônica (relógio, calculadora, calendário, terminal de
comunicações etc.). A entrada de dados se realiza por meio de um teclado braille
de seis pontos e espaçador, e a saída é efetuada por meio de um sintetizador de
voz. É possível enviar textos diretamente para uma impressora.
Calculadoras científicas falantes: são utilizadas como instrumentos
manuais individuais ou como software para PC. As mais usadas são: Audiocal
EC-9056-AF e o programa de cálculo Multical.
Os sintetizadores de voz e/ou leitores de tela são programas que
permitem a interação do usuário com deficiência visual e o computador por meio
de áudio. Esses programas informam ao usuário os eventos ocorridos por meio
da leitura de informações. Entre os mais utilizados estão o DOSVOX, VIRTUAL
VISION, Jaws, NVDA20 E Orca (Sonza et al., 2013)
Essas inovações tecnológicas facilitam e melhoram a acessibilidade digital
de usuários com deficiência visual, pois são focadas em melhorar a qualidade de
vida de pessoas que não possuem condições sociais, ou físicas.

TEMA 5 – RECURSOS TÁTEIS – A VISÃO NA PONTA DOS DEDOS

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O tato é o principal sentido de percepção que pessoas com deficiência
visual utilizam para compreender e interagir com o mundo. Por meio de recursos
táteis, como os jogos adaptados, maquetes, livro de texturas, jogos de encaixe,
elas desenvolvem a sensibilidade, a coordenação motora e aprendem a elaborar
conceitos.
Materiais para desenho como moldes de desenho positivo, figuras em
papel (papiroflexia); pranchas para desenhos em relevo: retângulo de eucatex
recoberto com tela de náilon de proteção para produção de desenhos com lápis-
cera ou recoberto com couro para desenhos com carretilhas, são, também,
recursos para o acesso a informação e conhecimento (Martin; Bueno, 2003).
O principal recurso que possibilita a leitura e a escrita é o sistema braille,
criado por Louis Braille, em 1825, e adotado mundialmente como sistema oficial
para leitura e escrita de deficientes visuais.
O sistema braille, como vimos anteriormente, é composto pelo alfabeto
braille que consiste em uma combinação de seis pontos dispostos em uma cela,
permitindo a escrita de 64 caracteres que inclui o alfabeto, números e sinais
gráficos, grafados em relevo, em papel de gramatura superior ao papel comum.
Para a escrita manual, no sistema braille, são utilizados instrumentos específicos
como a raglete, a pauta e a punção. Também, a máquina de escrever em braille
é outro recurso para a escrita em braille que permite maior rapidez na escrita e
melhor assimilação na aprendizagem do alfabeto.
Há, ainda, instrumentos que permitem a interação do deficiente visual com
a informação, com a apoio de recursos tecnológicos como a linha braille, explicado
anteriormente, que reproduz o texto da tela do computador em uma superfície
acoplada ao teclado, por meio de impulsos, lida de forma equivalente a leitura em
relevo no papel (Sonza et al., 2013).
Seguindo o mesmo conceito das impressoras comuns, as impressoras
braille, conectadas ao computador, possibilitam a impressão em braille, e algumas
imprimem desenhos, e já estão disponíveis modelos que imprimem
simultaneamente em braille e comum.
O domínio da leitura e escrita pelo sistema braille é fundamental para a
pessoa com deficiência visual, pois possibilita não apenas ler e escrever, mas ter
liberdade para desempenhar tarefas e atividades diárias com independência, por
exemplo, encontrar um determinado produto na prateleira de um supermercado,
ler um cardápio, identificar o medicamento corretamente, realizar operações em
terminais bancários, sem que para isso necessite de auxílio.

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Existem inúmeras atividades que se tornaram possíveis em virtude de o
braille estar grafado juntamente com a informação impressa em tinta, o que
constitui um fator indispensável para a pessoa com deficiência visual.

FINALIZANDO

Nesta aula, aprendemos um pouco mais sobre a utilização de materiais e


os recursos que possibilitam a acessibilidade à informação para pessoas com
deficiência visual.
Pudemos observar que, nos últimos anos, os avanços tecnológicos, na
área de acessibilidade, diversificaram e ampliaram as formas de interação com a
tecnologia, chamada assistiva, proporcionando ao deficiente visual opções de
acesso que favorecem as várias formas de percepção: tátil, auditiva e visual para
pessoas com baixa visão.
Analisamos a contribuição da tecnologia assistiva no processo de inclusão
de pessoas com deficiência visuais, e pudemos constatar que, atualmente, há
uma extensa quantidade de recursos à disposição do deficiente visual capaz de
reduzir as dificuldades de formação e de inserção social.
Também aprendemos sobre tiflotecnologia, que de forma bem resumida é
o que a tecnologia assistiva oferece voltada especificamente para a pessoa com
deficiência visual.
Cabe lembrar que o sucesso na interação de pessoas com deficiência, com
tecnologias assistivas, em especial o computador, pressupõe um estudo de suas
necessidades, interesses e expectativa, pesquisando e analisando quais as
tecnologias mais adequadas devem ser trabalhadas.

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LEITURA OBRIGATÓRIA

DOSVOX – Informática para deficiente visual ou cego(a). Divulgação do software.


Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=ShU20a7ONgI>. Acesso em
23 maio 2018.

O multiplano pedagógico
MELO, L. M. de. O ensino de trigonometria para deficientes visuais através
do multiplano pedagógico. 98 f. Mestrado Profissional em Matemática em Rede
Nacional – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014.

Tiflotecnologia
CAPARRÓS, J. A. E. Tiflotecnologia. In MARTIN, M. B.; BUENO, S. T. (Coord.).
Deficiência visual – aspectos psicoevolutivos e educativos. São Paulo: Livraria
Santos Editora, 2003.

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REFERÊNCIAS

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Brasília, DF, 3 dez. 2004. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5296.htm>.
Acesso em: 23 maio 2018.

CAPARRÓS, J. A. E. Tiflotecnologia. In: MARTIN M. B.; BUENO, S. T. (Coord.).


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