Você está na página 1de 370

Capa 4, Espiral_Layout 1 31/08/10 17:13 Page 1

Plano de Desenvolvimento
Sustentável do Norte e Noroeste
do Estado do Rio de Janeiro

Cenários e Estratégia

Setembro 2010
Capa 4, Espiral_Layout 1 31/08/10 16:54 Page 3

Av. do Contorno, 8000- Sl. 1701- SAnto Agostinho


30.110-056 - Belo Horizonte
Minas Gerais | Brasil
Tel.: + 55 31  3291 7833
echoice@energychoice.com.br
enery@energychoice.com.br

Coordenador geral | Eduardo Nery


Gestor | Ricardo Carvalho

Projeto:
Plano de Desenvolvimento
Sustentável do Norte e Noroeste do
Estado do Rio de Janeiro

Coordenador do Módulo Cenários


Prospectivos e a Visão de Futuro | Eduardo Nery 

Coordenadores dos Módulos da Estratégia de


Desenvolvimento Regional
Histórico-Etnográfico | Elisiana Alves
Meio Ambiente Natural | Luciano Cota
Meio Ambiente Modificado
e Sistema Físico e
Infraestrutura | Milton Casério
Saneamento Ambiental
e Habitação | Antônio Gontijo
Economia | Nildred Martins
Social | Karen Menezes e
Samantha Nery
Político Administrativo | Eduardo Nery
Institucional-Legal | Rogério Coutinho
Sistema de Informação | Rosângela Milagres
Cartografia | Miguel Felippe

Aquarelas | Elisiana Alves

Área Urbana (Cambuci)


Atafona (São João da Barra)
A Pedra do Elefante (Aperibe - (Vista de))
Caminhada da Amizade (Porciúncula)
Matriz (Bom Jesus de Itabapoana)
Casarão (Varre-Sai)
Capela (Italva)
APRESENTAÇÃO

Os vultosos investimentos que estão sendo e serão realizados na Região Norte Fluminense
associados à Bacia de Campos constituem um forte elemento indutor do seu desenvolvi-
mento, se adequadamente geridos segundo os preceitos da sustentabilidade econômica
social e ambiental. Neste sentido, a elaboração de um plano de desenvolvimento sustentá-
vel, de longo prazo, certamente trará, depois de concluído, um diferencial estratégico com-
petitivo para os gestores públicos, empreendedores privados e do terceiro setor e, igualmen-
te, para toda a sociedade que vive nessa Região e na Noroeste, sua vizinha integrada.
Assim, o projeto do Planejamento Estratégico do Norte e Noroeste Fluminense representa,
portanto, o refinamento de um olhar focalizado no desenvolvimento continuado, baseando-
se no fato de que a sua implementação, como resultado dos esforços dos diversos agentes
socioeconômicos regionais e do Estado do Rio de Janeiro, entre outros, representa um con-
junto de ações e programas coordenados, devidamente priorizados, comprometidos com a
criação e crescimento de um estado de bem estar para sua sociedade. O seu escopo princi-
pal abrange inclusive a identificação de outras potencialidades dessas Regiões, além das já
conhecidas, qual sejam o pólo petrolífero, o pólo de extração mineral e os tradicionais pólos
de agricultura. O desenvolvimento sustentável será produzido de forma conseqüente, sobre
o conhecimento e a exploração dos fatores diferenciais que caracterizam e que as suas lo-
calidades e populações podem promover.
A metodologia utilizada no projeto, conforme a especificação consistente de seu termo de
referência, foi testada e amadurecida, com sucesso, em outros estados da federação, e os
seus resultados responderão as seguintes indagações:
onde estamos em relação ao restante da sociedade? e, onde queremos chegar numa visão
de futuro, dos próximos 25 anos?
Como produto, ao final de sua realização, estará disponível uma carteira de projetos estrutu-
rantes e articulados de curto, médio e longo prazos, capazes de induzir e promover o pro-
cesso de desenvolvimento regional. Essa carteira será incorporada ao Sistema de informa-
ção de Gestão Estratégica do Estado do Rio de Janeiro, SIGE- RIO, onde tornar-se-á aces-
sível, via Internet, para os interessados em sua implementação,
Para sua viabilização, a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão se articulou com a
Petrobras, por meio da unidade de Negócio de Exploração e Produção da Bacia de Campos
(UM-BC), a qual vem desenvolvendo um conjunto de ações regionais relevantes através do
seu Programa de Desenvolvimento Social de Macaé e Região, PRODESMAR, especifica-
mente constituído com o objetivo de aprimorar o planejamento e as ações de desenvolvi-
mento, em bases sustentáveis, para as Regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Ja-
neiro, afetadas direta e indiretamente pelas atividades do setor petrolífero. Desse entendi-
mento, como uma decisão de responsabilidade social da empresa, a Petrobrás assumiu a
responsabilidade pelo aporte financeiro para a execução desse projeto, cuja gestão está a
cargo da SEPLAG, Rio de Janeiro, em um prazo de dez meses, conclusão programada para
setembro de 2010, em quatro etapas, sequenciadas, que também produzirão resultados,
parciais, da maior significação, para os processos de tomada de decisão sobre o desenvol-
vimento do Norte e Noroeste Fluminense e os seus reflexos na economia do Estado do Rio
de Janeiro.

Francisco Antônio Caldas Andrade Pinto


Subsecretário Geral
Rio de Janeiro, março de 2010

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Governo do Estado do Rio de Janeiro

Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão - SEPLAG


Sérgio Ruy Barbosa Guerra Martins
Secretário de Estado

Subsecretário Geral de Planejamento e Gestão - SUBGEP


Francisco Antonio Caldas Andrade Pinto

Av. Erasmo Braga, 118 - Centro


20.020-000 - Rio de Janeiro/RJ
Brasil

Edição Final

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


EXPLICAÇÃO INICIAL

O Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


foi desenvolvido em quatro etapas consecutivas, num total de dez meses.
A Etapa 1, denominada Análise Situacional, foi realizada em quatro meses e teve como pro-
dutos, os seguintes relatórios:
• Análise Situacional da Região Norte do Estado do Rio de Janeiro, Volume 1, em 2 to-
mos, o qual está estruturado em nove capítulos com os seguintes conteúdos história,
etnografia, meio ambiente natural, meio ambiente modificado, economia(1), sistema so-
cial(1), rede social, sistema físico e infraestrutura, sistema político-administrativo muni-
cipal e regional(1), nos quais os capítulos sinalizados com (1) são individualizados por
Região Norte ou Noroeste, os demais sendo comuns a ambas as Regiões;
• Análise Situacional da Região Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, Volume 2, em 2
tomos, estruturado de maneira análoga ao anterior;
• Relatório Análise da Relação Situacional de Mercados que trata especificamente dos
da inclusão da população no sistema socioeconômico regional, tendo como temas cen-
trais a estrutura social, o trabalho, a renda e a democracia econômica, designado Vo-
lume 3; e
• Cenários Prospectivos, designado como Volume 4.
Os trabalhos, que se referem à situação existente anterior, estão referenciados a menos
quinze anos, ou seja, cobrem o período 1994 a 2009, exceção à história e cultura que re-
montam às origens do processo civilizatório regional, nos idos de 1532. As evoluções futu-
ras consideram o horizonte 2035, às vezes 2040, com períodos menores intermediários,
sempre que tal condição mostre significado e agregue valor.
Para a execução da Etapa 1, foram adotados diferentes modos de participação da socieda-
de fluminense e regional, dependendo do momento em que ocorreram, a saber:
Primeiro Momento
• levantamento e compilação de dados secundários de fontes oficiais ou reconhecidas;
• conjunto de entrevistas com formadores de opinião líderes empresariais, municipais e
associações de classe e população;
• visitas técnicas e levantamentos de campo nas regiões norte e noroeste fluminense
com a realização de um novo conjunto de entrevistas e conversas com representantes
da sociedade local e regional, incluindo prefeitos municipais.
Segundo Momento
• implantação da rede social regional e realização de oficinas de trabalho regulares em
Campos dos Goytacazes e Itaperuna com os participantes que se filiaram;
• os resultados escritos pelos grupos, nessas oficinas, foram considerados como contri-
buições passando a constar do conteúdo dos relatórios;

Terceiro Momento
• distribuição de pesquisas sistemáticas, sob a forma de questionários, para resposta
por representantes das secretarias municipais das duas Regiões;
• nova interação direta para esclarecimento e complementação de informações para a
elaboração da análise situacional.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


A Etapa 2, denominada Estratégia de Desenvolvimento Regional, produziu um único relató-
rio com o mesmo nome, possuindo um conjunto de Macroprogramas de Desenvolvimento –
com seus Objetivos, Metas, Programas, Empreendimentos ou Iniciativas correspondentes -,
associados a cada um dos assuntos que configuram as realidades regionais. A partir desta
plataforma foram constituídas a Visão, os Eixos de Desenvolvimento Estratégicos e os Pro-
gramas Estruturantes que geram, na Etapa 3, o Programa de Desenvolvimento Sustentável
do Norte e Noroeste Fluminense, entre outros produtos. Para a realização desta Etapa 2,
houve duas baterias de reuniões e oficinas e um questionário que apresentaram ampla pos-
sibilidade de participação para representantes regionais (e membros da Rede Social) e re-
presentantes do Governo Estadual e PETROBRÁS, tendo sido obtidas contribuições impor-
tantes que alimentaram o relatório correspondente.
A Etapa 3 compreende a Carteira de Projetos Iniciais correspondendo ao Programa de De-
senvolvimento Regional, um relatório reunindo tudo o que se identificou deve ser feito, já
classificado e priorizado tecnicamente pelos especialistas, assim como os relatórios do mo-
delo de Regulação e Regulamentação Institucional-Legal, os Modelos de Governança e
Gestão, “Funding” e a Metodologia de Acompanhamento e Desempenho a ser usada na
implementação. Para a sua realização, duas novas oficinas nas duas Regiões, produziram
idéias e propostas muito profícuas, que foram desenvolvidas e incorporadas aos conteúdos
dos relatórios mencionados.
Do Programa de Desenvolvimento Regional, citado, foram extraídos e especificados 52 Ma-
croprojetos que serão priorizados para execução gradual. Estes Macroprojetos constituem o
Relatório Carteira de Projetos, objeto da Etapa 4.
As operações da Rede Social, passarão a operar em um Portal específico, desenvolvido
especificamente para permitir o acompanhamento da implementação deste Plano de De-
senvolvimento Sustentável Norte-Noroeste, sob a supervisão da SEPLAG. A este Portal
está igualmente conectado o Sistema de Informação de Acompanhamento, SIGEP, estru-
turado com as bases de dados e informações usadas para o desenvolvimento deste Plano,
bem como o módulo instrumental de gerenciamento da Carteira de Projetos, nos moldes
especificados pela SEPLAG.
Finalmente, mas da maior importância, cumpre lembrar que os relatórios deste Plano rece-
beram, desde sua divulgação inicial, inúmeras sugestões, comentários e ajustes, que foram
devidamente considerados em uma revisão completa de todo o material produzido, que foi ,
por conseguinte, integralmente reeditado, nesta sua versão final.

Coordenação Geral
Setembro de 2010

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


SUMÁRIO

Cenários Prospectivos e a Visão de Futuro .............................................................. 11

Estratégia de Desenvolvimento Regional ................................................................. 63

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


miolo 4.agosto_Layout 1 30/08/10 19:41 Page 1
miolo 4.agosto_Layout 1 30/08/10 19:41 Page 2

Cenários Prospectivos e
a visão de Futuro
Autor:
Eduardo Nery

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11
2. VARIÁVEIS CRÍTICAS........................................................................................... 11
3. METODOLOGIA E FERRAMENTA........................................................................ 16
4. CONSIDERAÇÕES SOBRE AMOSTRA DE INCERTEZAS CRÍTICAS ................. 17
4.1 Projeção do Crescimento da Demografia .............................................................. 17
4.2 Grandes Empreendimentos................................................................................... 19
4.3 Economia (Evolução do PIB)................................................................................. 21
4.4 Petróleo................................................................................................................. 23
4.5 Internalização de Cadeias Produtivas ................................................................... 24
5. DESCRIÇÃO DOS MACRO-CENÁRIOS ............................................................... 24
5.1 Cenário I: Emergência (“Emancipação regional sustentável”) ............................... 24
5.2 Cenário II: Conciliação na Divergência (“Composição de interesses”)................... 35
5.3 Cenário III: Repetência em História (“Um novo ciclo que não se aproveita”) ......... 41
5.4 Cenário IV: Desenvolvimento Perdido (“Oportunidades não aproveitadas”) .......... 45
5.5 Cenários: A Visão do Conjunto.............................................................................. 49
6. REFERÊNCIAS...................................................................................................... 50

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


LISTAS

FIGURAS
Figura 1 - Região Norte e Noroeste Fluminense, Variáveis Incertezas Críticas 2010 - 2035 13
Figura 2 – Brasil e o Norte-Noroeste Fluminense, Fluxograma das Incertezas .................... 15
Figura 3 – Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Estruturação dos Cenários Prospectivos,
2010 - 2035 ......................................................................................................................... 17
Figura 4 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Cenário I Emergência, 2010 - 2035 ....... 25
Figura 5 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Cenário II Conciliação na Divergência,
2010 -2035 .......................................................................................................................... 36
Figura 6 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Cenário III Repetência em História, 2010 -
2035 .................................................................................................................................... 42
Figura 7 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Cenário IV Desenvolvimento Perdido,
2010 - 2035 ......................................................................................................................... 46
Figura 8 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Cenários Prospectivos I a IV, 2010 - 2035
............................................................................................................................................ 49

GRÁFICOS

Gráfico 1 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Evolução da População, 2005 - 2035 ... 19
Gráfico 2 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Alternativa A, Evolução PIB, 2005 - 2035
............................................................................................................................................ 21
Gráfico 3 - – Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Alternativa B-HM, PIB, 2005-2035.... 21
Gráfico 4 – Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Alternativa B-HA, PIB, 2005 - 2035...... 22
Gráfico 5 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Alternativa B-HB, PIB, 2005 - 2035 ...... 22
Gráfico 6 - Bacia de Campos, Produção de Petróleo, 2005 - 2035 ...................................... 23

TABELAS

Tabela 1 - Região Norte Fluminense, Evolução da População, 2005-2035.......................... 18


Tabela 2 - Região Noroeste Fluminense, Evolução da População, 2005-2035.................... 18
Tabela 3 – Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Investimentos Programados, 2008 - 2012
............................................................................................................................................ 20

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


1. INTRODUÇÃO
Cenários estruturam e transformam informações de significação e interesse estratégico em
perspectivas de futuro de médio e longo prazo, associadas às incertezas e riscos corres-
pondentes, reunindo as relações que regulam os contextos de cada uma das regiões, que
alimentam processos de planejamento do desenvolvimento de regiões geográficas.
Para cumprir com este objetivo, os cenários envolvem múltiplas variáveis ou dimensões tais
como as evoluções sociocultural, da produção e da oferta, da tecnologia e do conhecimento,
os mercados com suas demandas, os sistemas de comércio e trocas/transferências, a con-
corrência e a competitividade, a regulação e legislação, as políticas e interesses, entre ou-
tras. Para a sua elaboração, torna-se parte essencial do processo o desenvolvimento de
percepções, tanto ex-ante, no discernir e selecionar variáveis que co-constroem e diferenci-
am as realidades regionais e sua interação com os ambientes externos, quanto a posteriori,
na busca incessante de descobertas, antecipações e “insights” que suportem os processos
de decisão.
Os cenários constituem, portanto, narrativas de construções sociais que orientam planos,
programas e ações na medida em que deles constam as vias de desenvolvimento que pro-
movem as conexões com as realidades e condições atuais.

2. VARIÁVEIS CRÍTICAS
Os estudos da situação das Regiões Noroeste e Norte Fluminense, no que diz respeito ao
seu plano de desenvolvimento sustentável, revelam que a economia do petróleo em escala
expressiva é recente, do ano 2003 em diante, desde que no período anterior, até os primór-
dios dos anos setenta, os níveis de exploração se mantiveram pequenos em relação aos
níveis sucedâneos. No entanto, em qualquer um desses períodos, mais de 40 anos do início
da exploração, no primeiro caso, ou 7 anos da sua mudança de patamar, no segundo, as
iniciativas de utilizar este ciclo de crescimento para a promoção do desenvolvimento regio-
nal foram poucas, quando existentes. Não se constata uma internalização efetiva da cadeia
petróleo, nem se desenvolveu a logística regional, nem as cadeias colaterais ou a geração
do conhecimento na Região, de modo sustentável.
O aumento das receitas, predominantemente de “royalties” não se traduziu nem por inver-
sões de seus resultados no desenvolvimento planejado da economia regional, nem pela
melhoria da distribuição da renda e das oportunidades, o que corresponderia a uma inser-
ção planejada e efetiva dos empreendimentos.
Observa-se um processo de crescimento explosivo em duas áreas urbanas, Campos dos
Goytacazes e Macaé, com certo desenvolvimento, muito concentrado no setor serviços. A
tônica dominante é a produção e exploração do petróleo na plataforma continental.
Há exceções importantes, neste contexto. Particularmente destaca-se o desenvolvimento da
plataforma universitária regional, também localizada nos dois municípios, um núcleo que
pode se tornar gerador de conhecimento e suportar mudanças de segunda ordem, em mé-
dio prazo, nas Regiões de sua influência. Outra exceção da maior significação consiste na
constituição dos fundos de desenvolvimento municipais, o FUMDECAM e o FUMDEC, que
rompem com a dependência histórica das instituições de financiamento externas, criam uma
iniciativa de formação de poupança regional capaz de orientar os programas e projetos de
desenvolvimento de seu interesse, prioritários.
Uma terceira iniciativa, mais disseminada, se detém na indução pelas Municipalidades da
produção econômica cultural e artesanal associativa, ligada ou não ao turismo, que já mos-
tra resultados muito positivos em alguns de seus programas. No entanto, estes exemplos

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 11


não alcançam uma escala, sequer expressiva, diante dos montantes da economia do petró-
leo em operação.
E como há outros projetos vultosos de investimentos programados para implantação, dando
prosseguimento ao processo original, mas nele introduzindo uma diversificação de escopo
muito expressiva e importante – conquanto mantendo a concentração espacial pela questão
da grandeza das escalas - mais a descoberta e potencial exploração do pré-sal, é certo que
o crescimento econômico regional persistirá com alto grau de intensidade nas próximas dé-
cadas.
Assim sendo, procedeu-se à investigação das variáveis ou condicionantes, cuja combinação
e evolução determinam o que acontecerá com a Região N-NO. Neste sentido, as incertezas
associadas à evolução destas variáveis no tempo, seguinte, são críticas para a construção
do futuro regional, razão pela qual são designadas, habitualmente, como incertezas críticas.
O conjunto das variáveis ou incertezas críticas, endógenas e exógenas, cujo comportamento
especifica o comportamento evolutivo das Regiões Norte e Noroeste Fluminense, coincidiu
com a seleção feita pelos líderes e representantes comunitários regionais nas oficinas de
trabalho da Rede Social, implantada para subsidiar este processo de planejamento.
As incertezas críticas para o Norte-Noroeste Fluminenses são constituídas pela(o):
• Cultura: desenvolvimento de cultura regional hegemônica, empreendedora e i-
novadora, capital social e recursos para investimento;
• Economia: desenvolvimento da economia regional diversificada e com encade-
amentos na sua inserção global;
• Regulação: regulação econômica e legislações específicas voltadas para viabili-
zar desenvolvimento;
• Conhecimento: produção do conhecimento na região com sua pesquisa e de-
senvolvimento aplicado e educação – empreendedorismo, melhoria da qualida-
de, aumento da escolaridade média e formação profissionalizante;
• Infra-estrutura: expansão e modernização da infraestrutura e da logística, esta
inclusive como negócio;
• Meio Ambiente: reabilitação e utilização sustentável dos ativos ambientais da re-
gião;
• Petróleo: manutenção e expansão da economia do petróleo com a inclusão das
cadeias produtivas direta e associadas;
• Sistema Social: distributividade regional, das oportunidades, inclusão e acesso
social (eliminação da exclusão) e melhoria do bem estar social.
Estas variáveis ou dimensões, no seu papel de contribuir e participar na co-construção do
projeto de futuro regional, possuem uma criticalidade variável e na medida em que elas inte-
ragem e modificam os comportamentos umas das outras (Figura seguinte), as incertezas de
cada uma delas quanto ao modo como evolui, se modificam no tempo, independente do que
aconteceu no passado – que se manifesta pela condição atual -, ou seja, as incertezas e a
sua criticalidade podem ser e normalmente são alteradas no curso dos acontecimentos.
Neste contexto, há duas, em que as incertezas combinadas definem o modo de evolução
regional que são a cultura e a economia, o que as coloca como delineadoras das condições
constituintes dos cenários prospectivos das Regiões Noroeste e Norte Fluminense.

12 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Figura 1 - Região Norte e Noroeste Fluminense, Variáveis Incertezas Críticas 2010 - 2035

SISTEMA LEGISLAÇ
LEGISLAÇÃO
MEIO AMBIENTE
SOCIAL E REGULAÇ
REGULAÇ ÃO

CULTURA PETRÓ
PETRÓLEO

CONHECIMENTO

INFRA
ESTRUTURA
E LOGISTICA

ECONOMIA

É importante lembrar que estas a incerteza destas variáveis decorre da sua existência tanto
no ambiente regional quanto no nacional e internacional, de suas influências mútuas e das
próprias condições de desenvolvimento de cada uma delas o que lhe atribui uma incerteza
maior ou menor. O objetivo então, ao considerá-las é identificar os padrões possíveis da
socioeconomia das Regiões Norte e Noroeste, à luz da socioeconomia brasileira e global.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 13


É evidente que as que as variáveis específicas que irão especificar a dinâmica evolutiva da
socioeconomia nacional, de natureza eminentemente estrutural, interferem tanto na socioe-
conomia fluminense quanto no desenvolvimento regional. Dada a sua dimensão estratégico-
estrutural de país, estas variáveis se mantem relativamente estáveis, no longo prazo, e for-
mam um conjunto que vem sendo usado sistematicamente.

No caso particular das Regiões Norte e Noroeste Fluminense, é indiscutível a importância


da relação de variáveis da Figura seguinte, conquanto deva-se ressaltar que, qualquer que
venha a ser o cenário futuro da economia nacional, seja ele de crescimento sustentado, o
mais provável, ou variável, com taxas maiores ou menores, a atividade petróleo da bacia de
Campos, subsequentemente incorporando o pré-sal, irá persistir enquanto durarem as suas
reservas. No limite, em condições absolutamente críticas, tais reservas se exaurem no hori-
zonte deste planejamento. O mais provável, no entanto, numa condição, a mais desfavorá-
vel, é de haver um declínio eventual: o simples reconhecimento e a visibilidade desta possi-
bilidade já constituem fato essencial que reforça a indispensabilidade de se investir na eco-
nomia de substituição para as Regiões Norte e Noroeste, prioritária e imediatamente.

O desempenho maior ou menor da economia brasileira, no período, irá consumir mais ou


menos combustíveis fósseis, mas sem probabilidades de atingir valores inferiores aos atuais
níveis de produção da bacia de Campos. Além disto, ainda há o mercado externo e a ne-
cessidade do Brasil de gerar saldos na sua balança comercial, para os quais o petróleo da
bacia de Campos será sempre a mais atrativa opção do país.

Isto quer dizer que os cenários evolutivos para o Norte e Noroeste Fluminense se desenvol-
vem sobre uma situação excepcional, de baixa dependência em relação à evolução da eco-
nomia nacional e, também, quase independente da economia internacional.

No entanto, há que se considerar a limitação atual das reservas conhecidas, 12 bilhões de


barris, que podem representar uma restrição da exploração se não houver outras descober-
tas (recentemente a Petrobrás comunicou oficialmente a descoberta de óleo no pré-sal da
Bacia de Campos, no campo de Albacora, e a OGX informou a descoberta de óleo em duas
de suas áreas concedidas para prospecção).

Há outros condicionantes ou variáveis com incerteza que podem vir a impactar muito o de-
senvolvimento regional, mesmo mantendo-se os níveis atuais da economia do petróleo. En-
tre eles, a legislação a ser aprovada quanto à destinação dos “royalties” do pré-sal e/ou a
reforma tributária nacional e/ou ainda, um deslocamento estratégico da produção de petró-
leo no médio/longo prazo para a Bacia de Santos, com a redução da produção da Bacia de
Campos, para citar apenas três deles.

No caso particular dos “royalties”, o projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional re-
duz drasticamente os seus montantes para todos os municípios produtores, incluídos os do
Norte Fluminense, o que impacta diretamente as receitas de suas Municipalidades, com
uma perda de algo um pouco inferior a 30% da receita regional total do Norte e Noroeste
Fluminense.

De fato, configura-se uma ruptura da condição vigente desde o início do processo, nos anos
70, que, se aprovada, definirá um novo patamar de receita para as Municipalidades, muito
inferior ao anterior, o que representará qualquer que seja o Cenário, um afastamento subs-
tantivo das receitas Regionais em relação à evolução de seus PIBs, o que se traduz pelo
aparecimento de um hiato em relação às possibilidades de atendimento das necessidades
da administração e investimentos públicos, pelas Municipalidades atingidas por esta medida.

14 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Figura 2 – Brasil e o Norte-Noroeste Fluminense, Fluxograma das Incertezas

REFORMAS
ESTRUTURAIS REGULAÇ
REGULAÇÃO
(TRIBUT ÁRIA,
NACIONAL DO
PREVIDENCIÁ
PREVIDENCIÁRIA, PRÉ
PRÉ-SAL
TRABALHISTA, POLÍ
POLÍTICA)

EFICÁ
EFICÁCIA DAS POLÍ
POLÍTICAS
PÚBLICAS REGIONALIZAÇ
REGIONALIZAÇÃO
(MONET ÁRIA, INDUSTRIAL, (DISTRIBUIÇ
(DISTRIBUIÇÃO DO
AGRÍ
AGRÍCOLA, EDUCAÇ
EDUCAÇÃO, DESENVOLVIMENTO
CIÊNCIAS, TECNOLOGICA E ECONÔMICO ESTADUAL E
INOVAÇ
INOVAÇÃO, COMÉ
COMÉRCIO NACIONAL)
EXTERIOR, MEIO AMBIENTE)

EVOLUÇ
EVOLUÇÃO DA TAXA DE
INVESTIMENTO FUNDOS DE
(FORMAÇ
(FORMAÇÃO DA POUPANÇ
POUPANÇ A INVESTIMENTO
INTERNA E ATRATIVIDADE (ESTRUTURAÇ
(ESTRUTURAÇÃO E
PARA OS CAPITAIS OPERACIONALIZAÇ
OPERACIONALIZAÇÃO
NACIONAIS E NACIONAL E REGIONAL)
INTERNACIONAIS)

EXPANSÃO DA INFRA
INCLUSÃO SOCIAL E ESTRUTURA
ELEVAÇ
ELEVAÇÃO DE NÍ
NÍVEIS DE
BEM ESTAR (LOGÍ
(LOGÍSTICA, SANEAMENTO
AMBIENTAL, HABITAÇ
HABITAÇÃO)

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 15


3. METODOLOGIA E FERRAMENTA
Tendo como horizonte, o período 2010 a 2035, a metodologia adotada para se desenvolver
este exercício de cenários para o N-NO, assume as seguintes premissas e explicações:
• as análises e a avaliação situacional das Regiões Noroeste e Norte Fluminense,
abrangendo as características e comportamentos de suas realidades existentes,
nas suas dimensões essenciais - história e etnografia, sistemas e redes sociais,
economia, meio ambiente natural e modificado, infraestrutura e serviços, sistema
político-administrativo, propiciam uma leitura extensiva de suas atualidades;
• as Regiões Noroeste e Norte Fluminense, ou simplesmente N-NO, serão consi-
deradas integradas, naturalmente respeitando-se as complementaridades e he-
terogeneidades que subsistem nas suas identidades próprias, lembrando-se que
durante séculos elas constituíram e atuaram em conjunto, como uma unidade
singular, compartilhando experiências e alternando ciclos de sucessos e fracas-
sos, o que recomenda capitalizar o seu aprendizado - com alto poder de rever-
são e alavancagem -, com o intuito de evitar e prevenir uma nova repetição dos
erros incorridos no passado;
• as duas variáveis, que constituem as incertezas críticas síntese para o desenvol-
vimento sustentável do N-NO Fluminense, se convertem nos eixos ortogonais
de um sistema bidimensional que proporciona a criação de quatro cenários. Ca-
da cenário corresponde, então, às lógicas das relações estabelecidas entre os
elementos do sistema que determinam os comportamentos das variáveis críti-
cas, ou seja, a um dos quadrantes do diagrama que reproduz o sistema;
• na ordenada, comparece a economia regional tendo no seu vértice sul, o cresci-
mento econômico regional conduzido por grandes empresas e conglomerados,
voltadas para atender aos mercados externos, nacional e internacional, particu-
larmente atuando nas atividades da indústria extrativa; na extremidade oposta,
norte, a condição dominante se define como o desenvolvimento econômico,
constituído pela parceria e alianças dos agentes anteriores com os agentes e lí-
deres regionais, internalizando e agregando valor às cadeias de produções mais
diversificadas. A incerteza crítica que os cenários irão responder é “qual será a
evolução da economia da Região N-NO, se de crescimento ou de desenvolvi-
mento, no período 2010-2035?”
• Na abscissa, está o desenvolvimento da cultura e da gestão regional, tendo na
sua extremidade direita, a condição dominante de uma cultura direcionada para
a autonomia participativa e a governança regional, criação de um ambiente de
produção e guarda do conhecimento e da tecnologia vinculados, participação no
“funding” com a reinversão de saldos em resultados em investimentos rentáveis,
da cultura do empreendedorismo, criação e inovação, e da efetiva inclusão so-
cioeconômica sem tréguas; na outra extremidade, se apresenta a cultura con-
servadora, conformista e complacente, que dirige de fora ou aceita que isto a-
conteça, que se importa e se preocupa com a maximização de resultados no cur-
to prazo, que consome ou despende os seus lucros ou os transfere para o exte-
rior, que tenta conviver com a exclusão (Figura 2, seguinte). Nesta dimensão crí-
tica a pergunta que os cenários terão que responder diz respeito à capacidade
de reestruturação do modo de pensar e agir da sociedade norte fluminense, ou
seja, “como evoluirá a cultura regional para fazer frente ao seu processo de de-
senvolvimento, no período considerado 2010-2035?”
• naturalmente que, entre as posições das extremidades, há um sem número de
posições intermediárias, que refletem as variações ou combinações das circuns-

16 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


tâncias que definem a associação das condições da variável de cada eixo, o que
determina o universo de possibilidades.
• cabe mencionar que, além das duas variáveis de incerteza críticas, as narrativas
dos cenários conterão todo o elenco de variáveis críticas que, não obstante não
estarem representadas graficamente, comparecem em todos os cenários, em re-
lacionamentos associados às duas mais críticas e determinantes, economia e
cultura, e entre elas, o que representa o tecido e a complexidade de cada um de-
les;
• esta metodologia permite monitorar e acompanhar os movimentos que acontece-
rão com os sistemas socioeconômicos da Região N-NO, como conseqüência de
suas dinâmicas, no contexto de sua inserção como um nódulo da economia na-
cional e internacional, uma vez que é possível reconhecer, a cada momento, a
posição em que ele está ou ocupa e qual o cenário dominante, o que possibilita
orientar e promover intervenções que sejam julgadas estratégicas.
Figura 3 – Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Estruturação dos Cenários Prospectivos,
2010 - 2035
DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA
(INTERNALIZAÇ
(INTERNALIZAÇÃO CADEIAS PRODUTIVAS)

IV I
CULTURA DA ACEITAÇ
ACEITAÇÃO CULTURA HEGEMÔNICA
(IMPORTAÇ
(IMPORTAÇÃO DO (BASES DE CONHECIMENTO,
III II
CONHECIMENTO, INCLUSÃO SOCIAL,
EXCLUSÃO SOCIAL, AUTO SUFICIÊNCIA)
CONFORMISMO)

CRESCIMENTO DA ECONOMIA
(PRODUÇ
(PRODUÇÃO – EXPORTAÇ
EXPORTAÇÃO)

4. CONSIDERAÇÕES SOBRE AMOSTRA DE INCERTEZAS CRÍTICAS


4.1 Projeção do Crescimento da Demografia
Os estudos da demografia das Regiões Norte e Noroeste Fluminense, revelam taxas de
crescimentos moderadas para baixas, acumulando no período 2005-2035, 30,38% no Norte
e 27,87% na Noroeste. Evidentemente que tais números não contemplam os fluxos migrató-
rios exógenos, que acontecerão em função do apelo e atração dos grandes empreendimen-
tos. A sua inclusão deve alterar os valores e taxas para mais, nos locais que abrigam ou
onde serão implantados tais empreendimentos.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 17


Tabela 1 - Região Norte Fluminense, Evolução da População, 2005-2035
Região Norte Fluminense, Projeção da População - 2005 a 2035
Municípios 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035
Campos dos Goytacazes 425.283 441.349 456.125 469.599 482.041 493.298 502.932
Carapebus 9.270 9.805 10.296 10.744 11.158 11.533 11.853
Cardoso Moreira 13.498 14.276 14.992 15.645 16.247 16.793 17.259
Conceição de Macabu 20.106 21.265 22.331 23.304 24.201 25.014 25.709
Macaé 156.817 178.232 197.928 215.890 232.475 247.481 260.323
Quissamã 14.615 15.458 16.233 16.940 17.592 18.183 18.688
São Fidélis 39.397 41.668 43.757 45.663 47.422 49.013 50.376
São Francisco de Itabapoana 44.062 46.602 48.939 51.070 53.037 54.817 56.341
São João da Barra 29.583 31.288 32.857 34.288 35.609 36.804 37.827
Total da Região 752.631 799.943 843.458 883.143 919.782 952.936 981.308
Fonte: Projeção da População dos Municípios Brasileiros entre 2000 e 2050, Março 2005. IGC-UFMG

Tabela 2 - Região Noroeste Fluminense, Evolução da População, 2005-2035


Região Noroeste Fluminense, Projeção da População - 2005 a 2035
Municípios 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035
Aperibé 8.572 9.066 9.521 9.935 10.318 10.665 10.961
Bom Jesus do Itabapoana 36.021 38.098 40.008 41.750 43.359 44.814 46.060
Cambuci 15.722 16.628 17.462 18.222 18.924 19.559 20.103
Italva 13.525 14.305 15.022 15.676 16.280 16.826 17.294
Itaocara 24.647 26.068 27.375 28.567 29.668 30.663 31.516
Itaperuna 92.828 98.181 103.104 107.593 111.738 115.488 118.698
Laje do Muriaé 8.470 8.958 9.407 9.817 10.195 10.537 10.830
Miracema 28.979 30.649 32.186 33.588 34.882 36.052 37.054
Natividade 16.202 17.136 17.995 18.778 19.502 20.156 20.717
Porciúncula 17.078 18.063 18.968 19.794 20.557 21.247 21.837
Santo Antônio de Pádua 41.400 43.787 45.983 47.985 49.834 51.506 52.938
São José de Ubá 6.868 7.264 7.628 7.960 8.267 8.544 8.782
Varre-Sai 8.408 8.893 9.339 9.745 10.121 10.460 10.751
Total da Região 318.720 337.096 353.998 369.410 383.645 396.517 407.541
Fonte: Projeção da População dos Municípios Brasileiros entre 2000 e 2050, Março 2005. IGC-UFMG

Também ocorrerão fluxos endógenos, que deslocam parcelas da população economicamen-


te ativa, a PEA, mantendo o mesmo total regional, com valor muito próximo ao da soma dos
municípios, conforme constam das Tabelas.

No Gráfico seguinte, as curvas de crescimento projetadas podem ser visualizadas. Elas se


mostram muito bem comportadas na sua evolução, com inclinações bastante suaves, o que
significa que, do ponto de vista da demografia, não se esperam nem crescimentos muito
acentuados, nem descontinuidades.

Está claro que estas projeções devem incluir os crescimentos adicionais, associados aos
grandes empreendimentos, como mencionado anteriormente, os quais dependem de outras
perspectivas e outros pressupostos, sendo portadores de uma aleatoriedade relativamente
alta. Isto porque tais fluxos de pessoas tanto dependem das condições de oferta de postos
de trabalho local/regional, quanto da situação do país em todo o seu território, ou seja, sem-
pre haverá uma ou mais áreas, em que as pessoas estarão buscando e irão se deslocar
para tentar se empregar, quando de um grande empreendimento, como os que já existem
e/ou estão/estarão em implantação ou expansão nas Regiões Norte e Noroeste Fluminense.

18 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Gráfico 1 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Evolução da População, 2005 - 2035

Projeção da População
habitantes

1.000.000
900.000
800.000
700.000
600.000
500.000
400.000
300.000
200.000
100.000
-
2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035 2040 ano

Região Norte Fluminense Região Noroeste Fluminense

Fonte: Projeção da População dos Municípios Brasileiros entre 2000 e 2050, Março 2005. IGC-UFMG

4.2 Grandes Empreendimentos


Alguns projetos de grande porte e/ou envergadura se localizam no Norte Fluminense, Tabe-
la seguinte, havendo implantados, caso da exploração do petróleo pela Petrobras, com suas
bases de operações e logística gravitando em torno da área urbana de Macaé, com expan-
sões já programadas, e o de usinas sucroalcooleiras. Em fase de implantação, o Porto de
Açu, no municio de São João da Barra. Prevista para ser iniciada em breve, a obra do Com-
plexo Portuário da Barra do Furado, situada entre os municípios de Campos dos Goytaca-
zes e Quissamã. Nestes três vetores, há dezenas de empreendimentos como desdobramen-
tos. Este conjunto se concentra nas atividades do petróleo, logística, minério de ferro, ener-
gia (termoelétricas, álcool), siderurgia, montadora de veículos, etc. uma variedade de indús-
trias de base e transformação, com pouca agregação de valor, mas operando grandes vo-
lumes ou quantitativos. Trata-se de um conjunto voltado para o mercado externo, exporta-
ção, que maximiza os seus benefícios, por exemplo, com a carga de retorno e as termoelé-
tricas, a transformação na siderúrgica que pode alimentar uma montadora, quando então,
observar-se-á um encadeamento com significativa agregação de valor. Os montantes de
investimento alcançam cifras muito elevadas, bilhões de dólares, e devem promover altera-
ções de grande impacto, nos três municípios em que estarão localizados. Cabe ressaltar
que o cronograma de sua realização, mesmo com atrasos, não ultrapassa o próximo qüin-
qüênio, admitindo-se que haverá uma continuidade, ainda que ainda não se disponham de
informações sobre o que sucederá. Em nenhum dos três, há internalizações ou verticaliza-
ções explícitas ou declaradas das cadeias produtivas, tanto no ambiente mesmo do empre-
endimento e seu entorno mais próximo, quanto, distribuídos, envolvendo outros municípios
das Regiões Norte e Noroeste Fluminense. Das cadeias produtivas regionais, não há inves-
timentos de vulto nem em pedras decorativas, nem em cerâmicas ou argilas. Apenas a cana
de açúcar possui grandes projetos, em mais uma tentativa de se resgatá-la, com projetos
esparsos, não integrados a uma política de sustentabilidade regional e setorial. Nenhuma
menção à indústria de logística e nem à utilização da infraestutura aeroportuária para o es-
coamento e aumento da competitividade da produção regional. Esses empreendimentos
estão sendo planejados para operarem de modo auto-suficiente, como sistemas quase fe-
chados.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 19


Tabela 3 – Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Investimentos Programados, 2008 - 2012
Investimentos Programados - Região Norte Fluminense
Investimento Descrição Ano de Operação Valor (BR$)
Investimento em Campos dos Goytacazes, setor energé-tico.
Extração de petróleo em águas profundas no Campo de início das operações
Chevron 5,8
Frade, ao Norte da Bacia de Campos. Área ocupada de em 2009
1,53km². Pico de produção de 90.000 bpd, em 2 anos.

Investimento em São João da Barra, setor energético. Projeto início das operações no
Usina Termelétrica
da MPX Mineração e Energia, visando principal-mente o segundo semestre de 8,5
Porto do Açu
atendimento ao submercado elétrico-energético do Sudeste. 2012

Usina Termelétrica Criação de mais uma usina termelétrica no Porto de Açu 2012 8,5
Siderúrgica Criação de uma Usina Siderúrgica no Porto de Açu 2013 11
Implantação de uma Montadora de veículos asiática no Porto
Montadora 2012 9
de Açu
Investimento em São João da Barra, setor de Transpor-
te/Logística. Prevê a construção de um terminal portuário em
São João da Barra, de uma usina de pelotização, píeres
Complexo Portuário do conclusão: final de
offshore, com acesso por meio de um canal com 21 m. de 3,6
Açu 2012
profundidade e capacidade para receber navios de grande
porte com berços de atracação especializados e dedicados às
diferentes famílias de produtos.
Investimento na Bacia de Campos, setor de Energia. Per-
OGX - Exploração de furação de 27 poços exploratórios com o objetivo de com-
2
Petróleo provar e delinear reservas de petróleo, e no desenvolvimen-to
da produção das acumulações a serem descobertas

Investimento em Campos dos Goytacazes, setor de


Transporte/Logística. Construção de um aeroporto particular
em ponto estratégico para atender às plataformas em alto-mar
Aeroporto Farol de
pela Petrobrás. Trata-se de uma grande pista a beira-mar, 0,35
São Tomé
com pátio para helicópteros e um terminal de porte médio.
Objetivo de atender a demanda que crescerá devido às
descobertas do pré-sal
Centro Logístico de início das operações no
0,11
Barra do Furado princípio de 2008
Investimento em Campos dos Goytacazes e Quissamã,
infraestrutura. Aumento da profundidade do Canal das Flexas
de 2m para 7m, permitindo passagem de navios que operam
Dragagem do Canal na Bacia de Campos. Implantação da tecnologia australiana
0,14
das Flexas chamada “by-pass”, que transpassa mecânica e
continuamente a areia de um lado para o outro, por meio de
um sistema de tubos e bombas, dando estabilidade às
instalações e ao ambiente.
Investimento em Campos dos Goytacazes, segmento:
Agronegócios. instalação da Usina Elcana. Na primeira fase
serão utilizados 600 ha de viveiro primário com nove
variedades de cana para seleção da que melhor se adapte à
região. Nesta fase serão abertos 100 postos de trabalho para
o plantio das mudas e mais 60 na ocasião do corte. Na
Usina Elcana segunda fase, as mudas selecionadas serão transplan-tadas início das operações
0,18
Agroenergética para uma área de 4.000ha, onde estarão prontas para a em março de 2008
colheita, quando for iniciada a operação da destilaria da usina.
O Grupo pretende, na última fase de instalação do projeto,
produzir 1 MMt/ano de cana. Toda a estrutura dos viveiros e
das lavouras terá irrigação total e a estimativa média de
produtividade, no período de cinco anos, é de 75 t/ha de
cana.
Investimento em Campos dos Goytacazes, segmento:
Alcana Agroenergética Agronegócios. investimento destinado à implantação de uma conclusão: 2011 0,3
usina de álcool e ao plantio de cana-de-açúcar.
Total Região Norte Fluminense 2008-2012 49,48

Investimentos Programados - Região Noroeste Fluminense


Investimento Descrição Ano de Conclusão Valor (MMR$)
Setor energético. Construção de uma usina hidrelétrica com
Light S.A. - Itaocara capacidade instalada de 195 MW no Rio Paraíba do Sul, 2012 740
entre os municípios de Itaocara e Aperibé
Investimento em Bom Jesus do Itabapoana, segmento:
Agroindústria Bom
Agronegócios. implantação de uma usina de álcool com início das operações no
Jesus do Itabapoana 250
previsão de produção de 160 milhões de litros de álcool por final de 2008
S.A. (ABISA)
safra e receita de R$ 120 milhões no primeiro ano.
Total Região Noroeste Fluminense 2008-2012 990
Fonte: FIRJAN 2009
20 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
4.3 Economia (Evolução do PIB)
Foram feitos vários exercícios sobre hipóteses de crescimento para o valor adicionado da
economia das Regiões, PIB, entre os quais foram escolhidos dois deles para ilustrar o cam-
po das possibilidades de sua evolução. Na primeira alternativa, A, assumiu-se que as eco-
nomias regionais crescem na hipótese média para o Brasil, ou seja, uma taxa constante de
4,5% a.a., o que pode ser visualizado no Gráfico seguinte.
Gráfico 2 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Alternativa A, Evolução PIB, 2005 - 2035

Projeção do PIB Total à Taxa de Crescimento Constante de 4,5% a.a.

PIB (MR$)
120.000.000

100.000.000

80.000.000

60.000.000

40.000.000

20.000.000

0
2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035 2040 Ano

Região Norte Fluminense Região Noroeste Fluminense

A outra alternativa de evolução do PIB que se apresenta, B, assume que as economias vão
crescer com a mesma taxa média do último qüinqüênio, Gráficos a seguir.

Gráfico 3 - – Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Alternativa B-HM, PIB, 2005-2035

HM: Projeção do PIB Total à Taxa de Crescimento Média de 6,62% para a


Região Norte Fluminense e 3,11% para a Região Noroeste Fluminense

PIB (MMR$)
300.000

250.000

200.000

150.000

100.000

50.000

-
2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035 2040 Ano

Região Norte Fluminense Região Noroeste Fluminense

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 21


Naturalmente esta alternativa considera que continua em ascensão cumulativa o processo
de produção de petróleo na Bacia de Campos, incluindo produção do pré-sal, e a produção
de outros agentes que estão operando, no momento nesta Bacia (com descobertas novas já
oficializadas) de modo que a hipótese mais provável (Média) está acompanhada de hipóte-
ses mais otimista (Alta) ou pessimista (Baixa) representadas por variações para mais ou
para menos em torno desta média histórica de anos recentes (que coincidem com a econo-
mia do petróleo), Gráficos a seguir.
Gráfico 4 – Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Alternativa B-HA, PIB, 2005 - 2035

HA: Projeção do PIB Total à Taxa de Crescimento Média de 7,62% para a


Região Norte Fluminense e 4,11% para a Região Noroeste Fluminense

PIB (MMR$)
300.000

250.000

200.000

150.000

100.000

50.000

-
2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035 2040 Ano

Região Norte Fluminense Região Noroeste Fluminense

Gráfico 5 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Alternativa B-HB, PIB, 2005 - 2035

HB: Projeção do PIB Total à Taxa de Crescimento Média de 5,62% para a


Região Norte Fluminense e 2,11% para a Região Noroeste Fluminense

PIB (MMR$)
300.000

250.000

200.000

150.000

100.000

50.000

-
2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035 2040 Ano

Região Norte Fluminense Região Noroeste Fluminense

22 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Fica evidente a diferença expressiva em prol da alternativa B, como era de se esperar, a
preservação de enorme diferença entre as duas Regiões que tendem a se acentuar, sendo
que essas alternativas e suas hipóteses se prestam para delinear as ordens de grandeza,
como condições de contorno potenciais do que deverá vir a acontecer com as economias, a
partir de projeções com premissas e pressupostos passados, que não se recomenda prossi-
gam.
4.4 Petróleo
No caso do petróleo que constitui o elemento decisivo da economia da Região Norte Flumi-
nense, as informações obtidas verbalmente da Petrobrás, permitiram construir duas hipóte-
ses, cuja distinção está na quantidade de novas jazidas descobertas na Bacia de Campos e
fora delas (Bacia de Santos, por exemplo) e da condição de se tornarem operacionais, o
mais cedo possível. Como o consumo do país deve crescer mais do que a capacidade de
produção estratégica em função das reservas conhecidas, os valores adicionados e sua
localização irão determinar a produção estratégica da Bacia de Campos para atendimento
do mercado brasileiro. Nas hipóteses apresentadas nos Gráficos a seguir, trabalhou-se com
uma alternativa sem a produção do pré-sal, numa posição conservadora, cujo objetivo é
explorar os limites inferiores que numa condição extrema levariam a um Cenário de Ruptura,
coincidente com a exaustão das reservas em um prazo curto ou médio, insuficiente para se
desenvolver e dispor de uma economia de substituição capaz de manter o sistema socioe-
conômico ativo.
Gráfico 6 - Bacia de Campos, Produção de Petróleo, 2005 - 2035

Produção de Petróleo
Mbpd
3,5
3
2,5
2
1,5
1
0,5
0
2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035 2040 Ano

Brasil Bacia de Campos (Hipótese Otimista)


Bacia de Campos (Hipótese Pessimista)

Fonte: Projeção de Hubbert para o Brasil


Site: http://www.portalabpg.org.br/PDPetro/3/trabalhos/IBP0257_05.pdf
Acesso em 24 de fevereiro de 2010
Nota: projeção feita antes da descoberta do pré-sal

Observa-se que quaisquer que sejam os valores, na atualidade, a produção da Bacia de


Campos determina a produção brasileira e esta situação não tem como ser alterada no curto
e médio prazo. Mesmo que as descobertas proliferem no futuro mais próximo, o uso do sis-
tema da Bacia de Campos se impõe por ser o mais viável e o mais atraente para o país, no
médio prazo, incluindo o fator tempo de respostas, além do custo e facilida-
des/conhecimento existente. Visualiza-se, então, agora, uma hipótese da possibilidade do
fim, com a exaustão, num horizonte 25 anos à frente, um período que se define como médio

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 23


prazo. No entanto, as comunicações de novas descobertas incluindo o pré-sal, ainda em
estimação e não convertidas em reservas, fazem emergir uma nova condição de oferta, que
mesmo não possuindo programas e números conhecidos, sinaliza, com propriedade, que as
projeções mostradas da produção do petróleo, como uma incerteza crítica, modelam limites
inferiores de uma situação de transição em que ainda não se contabilizou ou apreciou o que
passou a ser conhecido, que se afirma como muito maior do que o disponível. Não obstante,
os riscos se elevaram e fazem lembrar que os desafios estão colocados.
4.5 Internalização de Cadeias Produtivas
O petróleo e sua indústria correspondem a uma das mais ricas e férteis atividades existen-
tes no sistema socioeconômico, em termos das possibilidades de internalização de sua ca-
deia, verticalização, ou qualquer movimento em que se desenvolva um ou mais dos seus
segmentos para ancorar e dar sustentabilidade à Região em que ocorre. Como todo recurso
natural exaurível, como um processo extrativista, altamente concentradora, intensiva em
capital, somente o usos extensivo de sua transformação e a exploração de sua cadeia nas
suas linhas mestras, derivações e tributárias conseguem fazer com que os resultados de
sua exploração agreguem valor, se distribuam e viabilizem a constituição de uma economia
de escala e escopo talvez maiores do que a própria indústria do petróleo. Estas são experi-
ências vivenciadas, com sucesso, por alguns países do hemisfério Norte, uma vez que
grande parte deles não se preocupou e nem buscou criar alternativas de sustentabilidade
para a exaustão do seu petróleo (e para outras matérias primas estratégicas) e enfrentaram
ou enfrentam as conseqüências da descontinuidade não planejada.
No caso brasileiro, a Constituição de 1988 já deu a cobertura consentânea a tal situação e a
existência dos “royalties” decorre daí. Na prática, contudo, a idéia de se dispor de recursos
extraordinários para constituir uma alternativa para sua economia que suceda ao petróleo,
quando de sua extinção, não foi suficiente e nem resultou em iniciativas e programas efeti-
vos que representem a consecução do seu objeto. No caso da Bacia de Campos que está
em funcionamento desde meados dos anos 70, a exaustão do petróleo constitui uma condi-
ção catastrófica, na atualidade. Observando-se a economia regional, a economia do petró-
leo se concentra na minoria de municípios, e o que se constata de oportunidade é o setor
serviços, muito pouco havendo no que diz respeito à produção encadeada, tanto a montante
quanto a jusante. Nem serviços de maior complexidade comparecem na Região. Todos os
grandes empreendimentos programados, quando referidos a petróleo, tratam de sua produ-
ção, nada se refere à cadeia, seja ela a própria, sejam elas as tributárias. Nem programas
de qualificação de fornecedores, produtos, foram identificados. A Região importa quase tudo
do hardware, não exporta nada do petróleo, de um sem número de transformações possí-
veis, e mais grave, não há o seu conhecimento ativo e participante nas poucas bases regio-
nais.

5. DESCRIÇÃO DOS MACRO-CENÁRIOS


5.1 Cenário I: Emergência (“Emancipação regional sustentável”)
A conjugação de um crescimento econômico orientado para o desenvolvimento e a susten-
tabilidade se associa à emergência de uma disposição da sociedade norte fluminense de
assumir posições e ações em prol de sua participação e gerenciamento efetivo, ágil e pró-
ativo, integradas com os agentes comunitários e de mercado, do seu processo de desenvol-
vimento, num movimento articulado de negociação, parceirização e formação de alianças
com o setor produtivo empresarial, para a constituição de um sistema regional auto-
regulado, emergente.
Naturalmente, a economia regional cresce, acompanhando o crescimento das economias
nacional e internacional nos segmentos estratégicos em que apresenta diferenciais - petró-
leo, logística, energia, agronegócios; madeira - moveleira, aglomerados e painéis, madeira-
24 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
me para construção civil, naval, etc., cerâmica, logística e, particularmente na geração de
conhecimentos e na disponibilidades de pessoas empreendedoras, altamente qualificadas
nos processos e serviços de seu portfólio de agregação de valor.
Figura 4 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Cenário I Emergência, 2010 - 2035

DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA
(INTERNALIZAÇ
(INTERNALIZAÇÃO CADEIAS PRODUTIVAS)

Emergência

I
CULTURA HEGEMÔNICA
(BASES DE CONHECIMENTO,
INCLUSÃO SOCIAL,
AUTO SUFICIÊNCIA)

Neste Cenário, a economia brasileira pode crescer em qualquer das taxas projetadas de
longo prazo que não haverá influência no desenvolvimento da economia regional que opera
com uma governança capaz de sustentar as posições de mercado da oferta produtiva regio-
nal. No entanto, as taxas de crescimento das economias nacional e estadual interferem na
disponibilidade de recursos orçamentários para os programas e projetos de infraestrutura e
desenvolvimento social, que continuam sob sua competência. De maneira análoga, uma
contração muito severa da economia nacional pode comprometer a poupança nacional e
eventualmente os recursos para investimento na execução do projeto de exploração do pré-
sal, o que pode ser contornado com a intervenção habitual do BNDES, a exemplo do que
ocorreu na recente crise financeira internacional. Na mesma linha lógica, um desenvolvi-
mento nacional nos cenários de crescimentos contidos, eleva o desequilíbrio social, com
todas as conseqüências decorrentes, o que se propaga e dissemina por toda a sociedade
gravando, por conseguinte, a situação do N-NO Fluminense.
A coincidência de movimentos positivos da Região N-NO e do país e do Estado, contribuem
para um clima de credibilidade e confiança que, num contexto de estabilidade econômica e
monetária, permitira a atração de investimentos diretos e a expansão das bases de negó-
cios, um estímulo e realimentação positiva para as cadeias produtivas de alto desempenho
da Região.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 25


Na medida em que se instala um sistema de governança regional, a melhoria da administra-
ção pública das Municipalidades deve acontecer, mandatoriamente, com a racionalização
das despesas e a agregação contínua de valor aos investimentos públicos, provisão e me-
lhoria da infra-estrutura e, particular e principalmente, a mudança de qualidade e uma refor-
mulação completa do sistema de educação pública e formação profissionalizante incorpo-
rando sua reestruturação, sistemas de aprendizagem com tecnologias avançadas, desen-
volvimento de projetos, as disciplinas de empreendedorismo, criação e inovação como par-
tes integrantes permanentes e os programas de geração de trabalho e renda para a inclusão
socioeconômica da população e oferta de condições que ampliem as oportunidades de seu
bem estar.
Dois dos aspectos mais relevantes, presentes neste Cenário, constituem a existência e a
operação de sistemas de “funding” e geração de conhecimento regionais, no sentido de lhe
conferir a condição de co-construir o que pretende para o seu desenvolvimento.
Dimensão Cultura
Verifica-se uma coalizão das forças representativas da sociedade norte fluminense, reunin-
do o setor público, empresarial, educacional e universitário, associações e organizações não
governamentais, demais membros da sociedade estruturada, que se organizam para exerci-
tar programas e ações co-operativas, representativas, negociais, institucionais, de cidadani-
a, entre outras. No ambiente público, estruturam-se as instituições no sentido de ganharem
eficiência, e os organismos para ganharem eficácia por meio dos instrumentos de regulação.
A atuação da sociedade mostra resultados na transformação e expansão do sistema eco-
nômico, sistema social e sistema ambiental, adquire visibilidade pública e introduz a recursi-
vidade e a sustentabilidade nos processos de desenvolvimento da Região. As suas ações e
programas estarão suportados pelos fundos de investimento municipais e regionais N-NO,
capitalizados com a maior parcela dos montantes de royalties anuais recebidos e parcelas
dos valores adicionados incrementais, que comporão e/ou complementarão com os proveni-
entes do BNDES e de outros bancos estatais e privados, nacionais e internacionais, a oferta
de recursos para investimentos produtivos, que se regerão por um arcabouço institucional
legal personalizado para as condições regionais, oferecendo ampla estabilidade de regras e
condições consentâneas com os interesses da sociedade e a atratividade do mercado de
capitais. Em igualdade de condições, haverá uma cadeia completa de incentivo e sustenta-
ção à produção em e à aplicação orientada do conhecimento e tecnologia, como uma conti-
nuidade e desdobramento do sistema de educação regional. Fundos de exaustão protege-
rão as áreas de lavra ou a elas vinculadas, assegurando os recursos para a reintegração
dos ativos ambientais mobilizados temporariamente pela indústria extrativa. A Região exer-
citará programas de empreendedorismo, criatividade e inovação tanto na formação de jo-
vens e da população economicamente ativa, quanto no desenvolvimento da classe empre-
sarial, particularmente estimulando instrumentalização e normalização avançada, operacio-
nalização de redes, de grupos de exportação, as micro, pequenas e médias empresas, mul-
tiplicando iniciativas de incubadoras e viveiros de empresas, e das redes de co-operação e
desenvolvimento compartilhado ou associativo nas cadeias produtivas selecionadas. A Re-
gião opera com uma ou mais redes sociais e uma permanente mobilização social de sua
população que participa ativamente da implementação dos projetos constantes de seu pla-
nejamento de longo prazo e do processo distributivo e de priorização de oportunidades. E,
finalmente, a Região converte a sua cultura e os constituintes de sua etnografia em empre-
endimentos/negócios que multiplicam, preservam e cultivam e realimentam o seu sistema de
valores, de mitos e crenças, o seu imaginário e o seu universo analítico-simbólico, estabele-
cendo os elementos necessários à emergência de novas linhas de produtos ligadas ao co-
nhecimento, à inteligência e inovação ou criação, à agregação de valor, capazes de se re-
novar e manter indefinidamente a sua existência.

26 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Naturalmente, nesta combinação de desenvolvimento entre cultura e economia, a população
se torna informada e comprometida através da informação alimentada sistematicamente,
permeando todos os seus estratos, construída sobre os projetos em implantação e sobre as
condições para dele participarem direta e, tão ou mais importante, indiretamente, ampliando
os fatores de multiplicação pela atuação conjunta para valores superiores a 8 (oito) num
primeiro momento, reduzindo-se gradativamente após a alavancagem inicial, do primeiro
qüinqüênio, pelo menos.
Economia
Neste Cenário, a economia se estrutura sobre a seleção de alternativas associadas à explo-
ração dos seus recursos naturais agregando-se-lhes:
• constituição e adensamento de cadeias produtivas, sob a forma de clusterização,
arranjos produtivos de base no conhecimento, internalização, distribuição e qua-
lificação de fornecedores regionais, comercialização a montante e a jusante, lo-
calização estratégica de fornecedores geograficamente ocupando o território da
Região,
• estrutura de “funding” adequadas e capital, o que pode representar uma ou mais
instituições especializadas regionais e/ou a presença direta da Investe-Rio, com
uma coordenação de operações na Região;
• organização e suporte às plataformas de pesquisa, desenvolvimento e inovação
para a produção do conhecimento e da tecnologia e dos modus vivendi e ope-
randi necessários a suprir e sustentar o parque produtivo regional atual e futuro;
• gestão da dinâmica de educação de sua população para participar do trabalho
na Região, mediante o contínuo alinhamento da estrutura educacional existente
e a adição de novos programas ao sistema de educação e formação de pessoal
para o trabalho regional incluindo a especialização, a pós-graduação e a gestão
avançada numa visão global;
• desenvolvimento junto com os grandes empreendimentos ou redes de pequenos
e médios, da internalização de suas cadeias produtivas no que se mostrar mais
atraente e competitivo com a diretriz da regionalização por complementaridade,
especialização até nichos, substituição, internacionalização ou exportação, ou
outra orientação dominante que se aplique;
• diversificação seletiva da cadeia produtiva e dos mercados, prevenindo os mo-
nopsônios e outras vulnerabilidades de risco elevado;
• constituição gradativa de novas linhas de produtos de alta tecnologia baseados
em intangíveis que venham a substituir gradualmente os sistemas de base física,
a partir e utilizando, por ação direta de indução, a sua emergência e sustenta-
ção, o que pode envolver a formação de parcerias externas, no país ou no exte-
rior;
• direcionar parcela contínua de valores, mediante disposições da regulação eco-
nômica, para a formação da infra-estrutura regional, integrando os programas
das Municipalidades, principal e essencialmente aqueles de modo comum, de
modo a se tecer uma malha que opere de modo integrado dadas as distâncias
relativamente curtas entre os municípios, as suas interdependências hídricas e a
logística e transporte como uma das prioridades regionais;
• constituir, de imediato, os mecanismos indispensáveis à internacionalização de
sua economia tais como “porto seco” (rede de estações aduaneiras de interior),
aeródromo internacional, sistema de câmbio regional, rede de formação em idi-
omas dos parceiros nos empreendimentos regionais, linhas regulares de trans-
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 27
porte para conexões com os centros nacionais, na hierarquia das cidades brasi-
leiras, câmaras de comércio e arbitragem, tribunais especiais, entre outras;
• formação da rede regional de cidades, planejando uma hierarquia inicial, que
discipline e sistematize a aplicação dos recursos sem que impeça qualquer re-
conhecimento de emergências não planejadas;
• manter, por disposição de regulação, taxas de investimentos mínimas das Muni-
cipalidades, num processo distributivo do projeto de co-construção de uma Regi-
ão com autonomia.
Para que a economia regional se desenvolva como descrito, torna-se imprescindível que ela
esteja dotada da capacidade e habilidade de criar, inovar, produzir conhecimento, tecnologia
e promova uma reformulação de sua cultura que assuma uma postura eminentemente ativa
e pró-ativa e de competitividade em relação ao seu projeto de futuro, conhecido desde que
planejado.
Isto implica em se insistir com as cadeias produtivas dos grandes empreendimentos existen-
tes ou se instalando, para alocar e dar acesso à transferência de suas tecnologias para os
núcleos genéticos regionais, na medida em que, no primeiro momento do período conside-
rado, não há massa crítica de pessoas e instalações disponível para que sejam assimiladas
extensivamente. Para esta tarefa deve-se aprovar e estimular a importação de inteligência,
sempre que isto se mostrar necessário, desde que ela venha a ser inserida, tornando-se
parte integrante da rede educacional e das plataformas de desenvolvimento regionais.
Mesmo que haja, em curso, um programa de investimento notável para a Região, de vulto-
sos valores, que já demonstraram com as taxas de crescimento do PIB verificadas o tama-
nho de seu impacto, e que manterão ou, muito provavelmente, ampliarão a condição desse
impacto anterior (pela superposição, não linearidade e ampliação do espectro e dos agen-
tes, instalando-se a concorrência numa posição até então monopolística, no mercado regio-
nal), este Cenário somente sucede se houver uma ação programada e sistemática de atra-
ção de novos investidores, tanto partindo da iniciativa dos líderes regionais, como resultan-
tes de negociações com os grandes empreendimentos já decididos, numa grande e vasta
negociação, quanto num pacto entre as Municipalidades para compartilharem o processo de
desenvolvimento.
Conquanto o horizonte atual dos empreendimentos seja o próximo quinquênio, como sói
acontecer em todos os países, a propensão é de que aconteçam novos investimentos ou
expansões nos qüinqüênios subsequentes, o que requer ações imediatas para orientar e
conduzir o processo de desenvolvimento com o foco regional e a participação crescente de
empreendimentos intensivos em conhecimento e tecnologia (consequentemente P&D&I) na
formação do valor adicionado regional. Neste momento, a atração e a promoção de novos
empreendimentos se fazem passíveis de indução, em associação com a ordenação impres-
cindível do território para recebê-las, prevenindo-se os efeitos da saturação, estrangulamen-
tos, degradações ou deteriorações, ou seja, de tudo o que puder comprometer a qualidade
de vida e o meio ambiente regionais. Uma questão que estará exigindo atenção constante é
a da oferta de pessoal qualificado em termos do perfil e quantidade e pelos tempos exigidos
para a sua formação, uma restrição severa que exigirá mão-de-obra externa selecionada e
um grande esforço para conter fluxos migratórios indesejados ou predadores.
Certamente, deve-se reconhecer que este descompasso ou descontinuidade entre o que
acontece e o tempo que se necessita para fazer acontecer como desejado, representa um
dos maiores, senão o maior risco, da situação representada pelo desenvolvimento da eco-
nomia regional, segundo este Cenário.
Regulação e Legislação

28 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Não obstante as limitações constitucionais quanto à possibilidade de se atuar na regulação
regional, tanto o Estado do Rio de Janeiro, quanto apropria Região N-NO podem desenvol-
ver alguma regulação institucional que se aplique especificamente para viabilizar ou reforçar
os direcionamentos de seu processo planejado de desenvolvimento, respeitadas as disposi-
ções supervenientes da legislação federal. De um modo geral, o marco regulatório estadual
estará sendo aperfeiçoado, com uma ênfase expressiva na política de resultados e de signi-
ficados para a sociedade. Particularmente, a ação integrada da Região, numa posição con-
solidada das Municipalidades, representando o setor público e os setores privado e das or-
ganizações não governamentais, deve resultar, neste Cenário, tanto na edição de instru-
mentos legais específicos, com uma equalização de tratamento que possa estabelecer dife-
renças ou compensações para a formação de um sistema regional multicamadas, com re-
des orientadas para alimentar, de modo integrado, a socioeconomia e o meio ambiente. Es-
ta regulação pode estabelecer inclusive distinções fiscais e tributárias que criem diferencia-
ções localizadas, em função das vantagens locacionais, existentes ou estabelecidas pelo
planejamento, pela distribuição dos elementos nas cadeias produtivas, sistema de educação
e formação de pessoas e ainda disposições e instrumentos que facilitem deslocamentos,
transbordamentos, concentrações de externalidade tecnológica, mudanças de ordem lógica
ou outras modalidades de desenvolvimento de empreendimentos, decididas estrategicamen-
te.
O disciplinamento de todas as possibilidades de alianças e parcerias e associações públi-
cas, privadas e com o terceiro setor, no ambiente regional e municipal regulará matéria das
mais relevantes para sustentar as operações de desenvolvimento.
Neste Cenário, são eliminadas as distinções intra-Região que estabeleçam diferenciais
competitivos não planejados ou que ensejem as chamadas “guerras intermunicipais.” Um
dos pontos centrais da regulação regional constitui a fixação das condições mandatórias,
uma vez consensadas, de utilização dos recursos das Municipalidades provenientes da ex-
ploração do petróleo, sob a forma de “royalties”, e da indústria extrativa, sob a forma da
CFEM, reguladas para viabilizar o desenvolvimento sustentável regional. O outro aspecto da
maior importância consiste no estabelecimento de um fundo na modalidade de compensa-
ções, de gestão comunitária, integralizado pelos Municípios e Governo Estadual para fazer
com que a capilaridade do desenvolvimento se estenda às regiões de baixo dinamismo,
onde subsistem o hiato da renda per capita e a pobreza, com múltiplos programas com bai-
xos custos de investimento (ação indutora de despertar e catalizar, de cunho pulverizado ou
varejista).
Conhecimento
A existência das plataformas e da rede regional de produção e a manutenção do conheci-
mento nas áreas do desenvolvimento regional fazem parte do núcleo deste Cenário. Isto
pressupõe integrar as universidades e instituições de ensino superior e profissionalizante em
uma rede regional que oriente as suas bases de pesquisas para o trabalho em co-operação
sobre plataformas de pesquisa, desenvolvimento e inovação, constituídas nos assuntos que
sustentam os empreendimentos produtivos atuais e projetados. Esta condição implica em
um amplo trabalho conjunto com os investidores, no sentido de que eles aloquem projetos,
estabeleçam os resultados e desafios a serem alcançados na generalidade de seus empre-
endimentos, financiem e transfiram os conhecimentos até os estágios em que se encontram
ou a partir dos quais se desenvolverão as intervenções. Indo além, há plataformas que po-
dem assumir o papel de depositárias dos conhecimentos de tecnologias em uso e/ou que
necessitam de equacionamentos de problemas contumazes ou específicos, de desenvolvi-
mentos contínuos ou de sua internalização no país. A aliança e a participação diferenciada
da FAPERJ existirá com intensidade e regularidade, inclusive para a intermediação neces-
sária com o Ministério de Ciência e Tecnologia, a FINEP e os acordos de cooperação inter-
nacionais. É possível que algumas das Municipalidades constituam suas áreas para o ge-

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 29


renciamento das atividades de conhecimento e tecnologia, de interesse maior de suas so-
cioeconomia e meio ambiente. Dada a universalidade das cadeias produtivas e dos merca-
dos a que estas atendem, o sistema regional de conhecimento e tecnologia da Região N-NO
estará estruturado e integrado à rede internacional de ciência e tecnologia, nos domínios de
conhecimento que constituirão a sua carteira de projetos e clientes. De maneira análoga
este sistema terá uma dinâmica própria de alinhamento e antecipação de suas atividades às
demandas do mercado regional, inclusive em questões de base como é o caso da formação
de idiomas e a preparação de pessoas para atuar no mercado de negócios nacional e inter-
nacional, nos segmentos que constituem a pauta da economia regional. Outra contribuição
essencial da educação universitária, no processo de desenvolvimento deste Cenário, decor-
re da sua atuação e compromisso com o capital humano, na educação, formação, qualifica-
ção, especialização e atualização, com assistência continuada dos professores/educadores
e administradores educacionais da rede pública das Municipalidades e unidades educacio-
nais da Região.
O conhecimento e a tecnologia, segundo esta perspectiva, determinarão a competitividade
da Região, tanto no campo, quanto industrial e no setor serviços, e a sua capacidade de
gerar uma economia de substituição ao petróleo.
Infraestrutura e Logística
A eficiência no desenvolvimento da economia está associada a avanços muito significativos
na infraestrutura e logística regional. De fato, neste Cenário, a Região N-NO recupera o seu
sistema de logística que se encontrava bastante limitado e completamente desatualizado,
ainda restando particularmente no primeiro qüinqüênio, algum passivo acumulado anterior e
no período para ser equacionado no segundo quinquênio: salienta-se que o aumento em
degraus das demandas associadas a grandes empreendimentos exige um esforço de atua-
lidade muito grande. A participação da iniciativa privada se faz presente em vários sistemas
concedidos contra resultados e agilidade nas respostas ao mercado. Transporte ganha um
plano multimodal integrado, reunindo as opções rodoviário, ferroviário, hidroviário/marítimo,
aeroviário, acopladas a um plano de logística compatível e em consonância com os fluxos
da socioeconomia regional, numa perspectiva de médio/longo prazo. Os sistemas de trans-
porte marítimo e aéreo ganham importância com a expansão programada do sistema portu-
ário de Açu, Barra do Furado e Imbetiba, a recuperação e operacionalização do canal Cam-
pos-Macaé, da modernização dos aeródromos existentes Campos dos Goytacazes e Macaé
e da introdução de, pelo menos, dois adicionais em Santo Antônio de Pádua e Itaperuna
(possivelmente Bom Jesus do Itabapoana). Ainda quanto aos aeródromos, a expansão dos
heliportos em Farol de São Tomé, Macaé se estende aos demais aeródromos, institucionali-
zando o transporte por helicóptero. A malha ferroviária se moderniza e amplia a capacidade
de transporte de carga e a sua integração com o restante do Estado do Rio de Janeiro, em
primeiro lugar, e com o Espírito Santo, em seguida. O sistema troncal rodoviário se constitui
do eixo e corredor de transporte Rio de Janeiro-Campos dos Goytacazes-Vitória com uma
derivação para Itaperuna e Zona da Mata Mineira, além das conexões com os três parques
de grandes empreendimentos regionais em Açu, Macaé e Lagoa Feia/Barra do Furado. O
sistema de Transporte e Logística assume uma estruturação de corredores de desenvolvi-
mento (anteriormente transporte), irradiando a sua influência em uma estratégia de mão
dupla, convergência com a atuação de forças centrífugas nas ações de exportação e diver-
gência com uma atuação de forças centrípetas, na alimentação das cadeias produtivas du-
pla, dos grandes empreendimentos e movimentos de distribuição e concentração alternados
ou em paralelo. Na logística comparecem igualmente o sistema de dutos ou polidutos com
expansões continuadas, as áreas de estocagem ou armazenamento e depósitos, as esta-
ções – de serviços, aduaneira, etc. – sistemas de apoio e de serviços, integrados com o sis-
tema viário e urbano.

30 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


O segundo aspecto da infraestrutura se refere ao saneamento ambiental abrangendo abas-
tecimento de água potável, bem equacionado, em expansão, proteção dos mananciais; es-
gotamento sanitário com expansão e com várias estações de tratamento de esgoto em
construção, outras tantas programadas, incluindo biodigestores no ambiente rural. Não há
registros de doenças infecto-contagiosas hidrotransmissíveis. Os problemas de controle de
cheias persistem particularmente no primeiro qüinqüênio, com as soluções de longo prazo
sendo executadas com prazos mais longos por envolver outros agentes e estados.
O setor de energia diversifica e se expande com excedentes exportáveis, mas enfrenta al-
gumas restrições quanto à mitigação de impactos ambientais. O sistema de comunicação
promove a cobertura de todo o território, inclusive por rede de fibras óticas.
O sistema habitacional evolui bem por meio de políticas articuladas e programas específicos
atuando na redução do déficit habitacional e dos assentamentos precários, com a constru-
ção de novas unidades e núcleos distribuídos (contando também com as iniciativas dos go-
vernos federal e estadual), maior acesso ao crédito habitacional, alta eficácia dos programas
de melhorias das condições das habitações existentes, em parceria com a CEF, eficácia
relativa na realocação de habitações comprometidas devido ao seu elevado número e à
complexidade de sua retirada, particularmente nas margens dos grandes rios nas áreas ur-
banas, qualidade maior das habitações com o uso de técnicas e tecnologias e soluções ino-
vadoras, e eliminação e recuperação parciais das áreas de exclusão e segmentação sócio-
espacial. Ainda persiste, portanto, certo desequilíbrio em relação ao número e qualidade das
habitações, também pela pressão do crescimento desordenado e fluxos migratórios das po-
pulações em função da atração exercida pelos grandes empreendimentos, estando a situa-
ção sob controle parcial. Observa-se igualmente um avanço na aplicação e uso dos disposi-
tivos do Estatuto das Cidades e de planos diretores de desenvolvimento municipal sustentá-
vel, no que diz respeito à ocupação do solo urbano, com adensamento urbano controlado, e
nas áreas rurais lindeiras, particularmente nas zonas de restinga e aluvião, e nas encostas
dos vales encaixados.
Meio Ambiente
O contexto de desenvolvimento assumindo a sua participação no acentuado crescimento
econômico que deve promover uma ou mais mudanças de patamar da economia regional,
resultará num desafio constante de se manter e resgatar as características originais do meio
ambiente diante de crescentes pressões antrópicas, assegurando a sua biodiversidade.
Neste sentido assume particular importância o projeto de recomposição da cobertura vegetal
nativa representada pela Mata Atlântica, admitindo-se a floresta plantada comercial em á-
reas degradadas ou sem utilização agrícola, convivendo em uma estrutura de corredores
ecológicos, disseminação de reservas na modalidade das RPPNs e de unidades de conser-
vação, expansão das unidades de proteção integral, recomposição das matas ciliares nas
bacias dos grandes rios e no baixo Paraíba do Sul assim como o funcionamento da Estação
Ciência do Bioma Mata Atlântica-Planícies Aluvionares/Restingas/Manguezais do N-NO
Fluminense, ou seja, um conjunto integrado de ações que concilia a preservação e reabilita-
ção ambiental com atividades econômicas sustentáveis, com a pesquisa e desenvolvimento
e com uma plataforma de coordenação das ações e programas ambientais regional mantida
pelos grandes empreendimentos.
Outros aspectos deste Cenário constituem o aprimoramento do uso e aplicação de agrotóxi-
cos tanto no que se refere ao seu impacto na saúde dos agricultores quanto nos processos
de contaminação do seu entorno e dos cursos d’água, o tratamento dos esgotos, o equacio-
namento com soluções adequadas dos resíduos sólidos urbanos e rurais – envolvendo a
formação de associações ou consórcios e a aplicação de tecnologias e processos adequa-
dos incluindo as usinas de reciclagem, compostagem, energia – e a disseminação de pro-
gramas de educação ambiental como parte do desenvolvimento da cidadania regional, uma
das manifestações de valorização no reposicionamento cultural.
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 31
Assim como na área pública e da ordenação do uso do território, a partir da iniciativa do zo-
neamento econômico-ecológico dinâmico, o setor privado compreende as oportunidades
oferecidas pela conservação e uso ambiental e, de maneira análoga, promove avanços ex-
pressivos nos processos dos seus grandes empreendimentos, replicando ou utilizando-se
de soluções mais avançadas do que as dos agentes de Governo, ou atuando em conjunto
na busca das melhores e mais exeqüíveis soluções, caso, por exemplo, da contaminação
marinha ligada à exploração do petróleo, ou das termoelétricas (no momento em que o he-
misfério norte pactua reduções dramáticas das emissões relacionadas ao efeito estufa e
emissões e o Brasil se posiciona como o quarto maior contribuinte de efeitos lesivos à at-
mosfera do planeta), ou dos resíduos industriais, entre outros.

Uma das oportunidades que se desenvolve e cresce neste Cenário é a do ecoturismo e o


aproveitamento dos Caminhos, uma alternativa econômica de largo espectro que se contra-
põe às atividades empresariais estressantes e que pode estabelecer dobradinhas com o
turismo de praia e de eventos, predominantes no Estado do Rio de Janeiro e vizinhanças.

A questão agrária, uso do solo se desenvolve sobre bases de conhecimento voltadas para
as culturas regionais, e.g. a unidade de Bom Jesus de Itabapoana, que suportam o aumento
da produtividade, o ajustamento das questões fundiárias e o aproveitamento e reaproveita-
mento racionais do solo e produtos regionais com o conhecimento indicado.

Uma das condições essenciais do equilíbrio da qualidade ambiental diz respeito ao exercício
pelas Municipalidades da gestão pública do uso e ocupação dos solos urbanos, da obser-
vância rigorosa do código de obras e das inúmeras intervenções necessárias a se corrigir
situações anômalas, irregulares e de risco existentes, que se constituíram ao longo da histó-
ria das aglomerações urbanas. Vale lembrar que no caso das explosões demográficas as-
sociadas aos grandes empreendimentos, constata-se a ocupação de áreas de restinga ou
encostas, dependendo da localização, áreas tipicamente rurais para as quais não há legisla-
ção senão a do INCRA que não se aplica a esta destinação específica, o que no caso deste
Cenário implicou no desenvolvimento de regulação complementar que preserva a expansão
imobiliária e o crescimento urbano ordenado e harmônico, sobre bases técnico-legais co-
nhecidas.

Petróleo

O petróleo e gás extraídos, em 2010, na Bacia de Campos, respondem pela maior parte do
consumo nacional e as suas reservas definem a condição de auto-suficiência do país. Na
medida em que ocorram novas descobertas, se elas forem nesta Bacia, mantém-se o nível
de produção, ou se acontecer em outra bacia ocorrerá um deslocamento. Neste caso, a
produção de Campos deve ser reduzida para estender a sua vida útil, inclusive para se dar
tempo para sua expansão sem que se comprometam integralmente as reservas conhecidas
e dimensionadas (40 bilhões de barris). Já a novas descoberta anunciadas tanto na plata-
forma continental, por investidores privados, quanto da Petrobrás, no pré-sal.

Este Cenário assume a hipótese de novas descobertas mantendo-se a produção em nível


praticamente constante nos próximos 25 anos, com um pequeno decréscimo nos primeiros
anos e uma ascensão pequena em anos subseqüentes. Consequentemente, não se baseia
numa condição otimista de uma explosão de novas descobertas que implicam numa eleva-
ção substantiva das receitas e rendas, royalties etc. A posição de afluência se constrói sobre
uma evolução normal, média, das reservas e disponibilidades do petróleo, bem como da
maximização dos fatores de reaproveitamento, o que determina o alongamento da vida útil
de poços em vias de exaustão.

32 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Cria-se e capitaliza-se um ou mais fundos de exaustão para se preservar uma parcela dos
rendimentos para realizar os investimentos necessários quando da desativação, no sentido
de manter os ativos rentáveis para os investidores e acionistas, sustentando o nível da ativi-
dade econômica e da renda regional.

Uma iniciativa diferencial deste Cenário consiste na internalização da cadeia do petróleo, ou


seja, de se implantar na Região Norte e Noroeste Fluminense, um parque produtivo de fa-
bricantes e prestadores de serviço, de desenvolvimento e de conhecimento, qualificado para
atender às demandas da produção do petróleo localmente e no país (ou o mercado exter-
no), distribuída regionalmente. Neste processo, priorizam-se igualmente as compras na Re-
gião, internalizando-se igualmente a cadeia de fornecimento. Este processo abrande então
uma parceria com as lideranças regionais que resulte na habilitação em todo o espectro de
fornecedores que a Região possa disponibilizar para atender a cadeia e o negócio de petró-
leo e associados (logística, industria naval, informática de processos, controle ambiental,
etc.). Dada a proximidade do Pólo Petroquímico de Itaboraí, torna-se também viável direcio-
nar uma parcela da competência regional para atender ao suprimento e a desdobramentos
deste Pólo, mediante um sistema de logística que integre esses dois espaços de produção
vizinhos.

Naturalmente que este processo de internalização amplo cobre as tecnologias e produtos do


pré-sal no médio longo prazo e as tecnologias de águas continentais, no curto e médio pra-
zo. Pela afinidade e contribuição decisiva, os aspectos associados da indústria naval e de
helicópteros (transportes), da logística - tanto física quanto em serviços, da eletrônica em-
barcada, de infraestrutura aeroportuária para plataformas produtivas móveis sobre embar-
cações (e.g. a moveleira), fundições (dada a disponibilidade do minério de ferro e da side-
rurgia), entre outras, tornam-se oportunidades relevantes a serem induzidas e multiplicadas.

Outra iniciativa deste Cenário envolve constituição de uma rede estratégica de polidutos
regionais, capazes de estimular um parque produtivo em alguns tipos de segmentos produti-
vos de alto valor agregado e intensivos em energia, particularmente o gás natural, viabili-
zando, por exemplo, o Pólo de Cerâmicas Avançadas, do eixo Campos dos Goytacazes -
Farol de São Tomé, ou um parque de indústrias base vidro, entre outras possibilidades.

Naturalmente, a indústria do petróleo, considerada como a indústria da energia, pode se


associar com a indústria do álcool, numa parceria que eleve a competitividade da cadeia da
cana de açúcar da Baixada Campista.

Uma condição essencial deste Cenário é a regulação da utilização dos “royalties” do petró-
leo, destinando-os aos fundos de desenvolvimento sustentável, seja no âmbito municipal,
seja no ambiente das Municipalidades, com os recursos sendo usados mandatoriamente
para a promoção de investimentos que criem desde agora as bases e o desenvolvimento de
uma economia sucedânea ao petróleo, convivendo e dele usufruindo tudo o que puder, en-
quanto ele persistir (certamente atribuindo-lhe uma sobrevida).
Sistema Social
A coordenação entre os agentes públicos, privados e do terceiro setor na Região N-NO, no
período até 2035, crescente no tempo, promoverá uma distribuição de oportunidades de
desenvolvimento no seu território, baseada numa combinação de critérios técnico e políticos
e gerenciais, de modo que sejam rigorosamente respeitadas:

• as vantagens técnicas regionais que comprometam a viabilidade e a competitivi-


dade do processos e possibilitam ganhos de produtividade contínuos;

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 33


• a política de ocupação do território com atividades produtivas, oferta de trabalho
e renda, num esforço contínuo para distribuir a produção e os serviços, a força
de trabalho e a inteligência e a gestão;

• as complementaridades e colateralidades ou centralidades, as sinergias, com e-


liminação de barreiras e gargalos;

• a otimização (ou subotimização) de fluxo e eliminação de perdas desperdícios;a


adoção, com a maior amplitude possível da cultura do empreendedorismo e da
realização/execução sobre resultados e significados.

As Municipalidades, individual ou em grupo, disporão de programas prioritários de curto e


médio prazo para a inclusão socioeconômica de sua população (melhoria subseqüente do
GINI), associados à elevação da escolaridade e do conhecimento, que determinem a mu-
dança de sua condição de acesso. Para que isto aconteça, todas elas contarão com pro-
gramas de empreendedorismo, de estímulo à inovação e criatividade, de educação ambien-
tal regular, de nutrição e vida saudável, para todos os alunos das redes educacionais públi-
cas e privadas, inclusive as profissionalizantes, de melhoria constante da qualidade da edu-
cação e da saúde-saneamento, entre outros aspectos constituintes. Há uma melhoria ex-
pressiva da condição da habitação em programas de conversão de tributos em requalifica-
ção das moradias conduzidos pelos agentes sociais em programas induzidos pelas Munici-
palidades, da Região. O alvo/meta perseguido(a) é eliminar as situações díspares, assime-
trias, reduzir os desequilíbrios existentes, equalizando as diferenças entre estratos e muni-
cípios e aumentando, com programação e gestão continuada, o bem estar e cidadania da
população regional. Esta modificação nos ambientes urbanos, recuperando-se de degrada-
ções anteriores que comprometiam a segurança pública, integrando áreas sócio-espaciais e
comunidades de risco, extinguindo os núcleos de indigência e miséria, os espaços discrimi-
natórios extremos e as zonas de marginalidade, reconstituindo-os, reabilitando-os e substitu-
indo-os por espaços aprazíveis e comunitários. Esta condição promove a ruptura dos ciclos
de pobreza e miséria intergeracionais e determina a alteração da criminalidade e violência
urbana.
A essência deste conjunto de iniciativas reside na qualidade, no foco e orientação para o
objetivo e na gestão das ações e dos programas da governança pública e privada coorde-
nada, na proposta de universalização regional, e, muito pouco, do seu aspecto quantitativo.
Eleva-se, portanto, a eficiência alocativa, a homogeneidade escalar, a qualidade mensurada
dos serviços sociais prestados para a população que contribuem para especificar as trans-
formações estruturais na sociedade. Vale ressaltar que esta estratégia, vencedora, potencia-
liza outras mudanças, co-construindo-se no ambiente da Região, um padrão sucedâneo de
novo sistema social.

Este Cenário caracteriza-se, portanto, pela presença de uma Cultura Regional desenvolvi-
mentista que direciona o crescimento de sua economia aquiescência dos investidores para
um projeto de desenvolvimento, sustentável, tornando-a um exemplo de economia emergen-
te, que aprende a se auto-regular, que cria e implanta mecanismos próprios para o seu de-
senvolvimento, aplica os fundamentos de seu modo de pensar para constituir o modus ope-
randi de sua sociedade, privilegia as atividades da inteligência, da ciência e tecnologia, do
conhecimento e da educação, para a transformação de sua população atribuindo-lhe capa-
cidade para que ela participe e assuma papel crescente na condução da via de desenvolvi-
mento sustentável escolhida para a Região, em que o petróleo convive em harmonia com o
restante das atividades econômicas e a ela transfere parcela de seus resultados, como fun-
dos de investimento a partir dos “royalties”. A distributividade proporciona a dispersão e a
ascensão social das populações dos municípios, que passam a realizar regular e sistemati-
camente ações e programas coordenados. O macrossistema se realimenta positivamente e
34 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
capitaliza os benefícios do petróleo, em toda a sua existência, para a constituição de outro
padrão cultural e econômico para a sua população e para mover as suas relações como
nódulo da rede da economia global.
Observa-se um aumento expressivo do número de novas empresas no mercado da Região,
algumas atuando em áreas ocupadas tradicionalmente somente por grandes grupos empre-
sariais: orientações se voltam para prazos curtos, tecnologias e conhecimento em rede, efe-
tividade no núcleo das instituições e empreendimentos, com parcerias e negociações fre-
qüentes que atribuem novas lógicas e complexidade muito maior ao sistema N-NO.

5.2 Cenário II: Conciliação na Divergência (“Composição de interesses”)

Este Cenário surge da associação de uma consciência das lideranças direcionada para
constituir uma governança regional com autonomia para co-participar da decisão de cons-
trução de seu futuro e um crescimento econômico determinado por grandes grupos corpora-
tivos voltados para mercados com demanda externa, global ou nacional. Nesta circunstân-
cia, os interesses empresariais partem de centros externos à própria Região e não contem-
plam senão os pontos de vista dos investidores que desenvolvem uma ação eminentemente
extrativista e de comercialização de “commodities” e produtos primários. Como tal, os em-
preendimentos negociam posições que interessam à viabilização de sua realização regional,
exclusivamente para atender aos seus compromissos de mercado, que está e se mantém
fora e é regido pela competitividade internacional. Esta situação tende para uma dicotomia,
na qual se aprofunda a propensão para constituir uma polarização, com os grupos políticos,
empresariais e comunitários exercendo um força centrífuga, no sentido de promover a cons-
tituição de um sistema produtivo regional de alta efetividade que incorpore a existência dos
grandes empreendimentos usufruindo de suas sinergias e encadeamentos e, do outro lado,
os grandes grupos de fora, atuando centripetamente, buscando maximizar seus ganhos,
com o mínimo de responsabilidade social exigido, dialogando somente quando necessário,
com uma postura de que as suas contribuições para a sociedade regional, onde está tempo-
rariamente exercendo os seus negócios – seja porque ali estão os seus insumos ou as plan-
tas produtivas ou outra condição que lhe conferem condições competitivas vantajosas, seja
porque explora bens naturais, exauríveis, que ali existem por certo tempo, seja por uma ou-
tra razão qualquer, se concentram no pagamento dos impostos, tributos e encargos. Nesta
perspectiva, os grandes empreendimentos se encerram em si mesmos, como ilhas, que
promovem conexões com o ambiente regional principalmente através dos prestadores de
serviço locais, aqueles que não podem ser contratados ou exercerem suas atividades remo-
tamente, ou externamente à Região. Sempre que isto for possível, está será a opção esco-
lhida pelos grandes empreendimentos.
Em contrapartida, os grupos regionais se propõem a promover a constituição de um sistema
produtivo para a Região, que possa ter uma expressão socioeconômica, que expanda a
oferta de mão-de-obra, melhore o requisito e atendimento do acesso, utilize as vantagens
diferenciais existentes, e se alinhe à distributividade e sustentabilidade. Não se configura
ambiente para uma aliança entre os atores principais da economia regional e os represen-
tantes dos grandes empreendimentos, somente subsiste um estado de convivência adminis-
trando disputas e divergências. Os custos sociais e a adequação da infraestrutura para a-
tender aos empreendimentos, uma vez que integralmente alocados ao governo, em qual-
quer de suas esferas, se defronta frequentemente com a falta de recursos ou dotações, a-
trasos e deteriorações mais acentuadas pelas superposição de efeitos ou sobrecargas que
lhe são impostas, em geral provocam uma descapitalização acelerada. Se se somam a tais
demandas, as inerentes aos empreendimentos menores induzidos ou atraídos pela ação e
programas coordenados regionais, a situação se agrava ou os tempos se reduzem ainda
mais.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 35


Figura 5 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Cenário II Conciliação na Divergência, 2010 -
2035

CULTURA HEGEMÔNICA
II (BASES DE CONHECIMENTO,
INCLUSÃO SOCIAL,
AUTO SUFICIÊNCIA)

Conciliaç
Conciliação
na Divergência

CRESCIMENTO DA ECONOMIA
(PRODUÇ
(PRODUÇÃO – EXPORTAÇ
EXPORTAÇÃO)

Entre tais processos específicos, um dos principais, diz respeito ao pessoal, que não exis-
tindo na quantidade e qualidade desejada, ensejam o estímulo à migração e importação de
pessoas. Esta solução, quase sempre, é a causa de grandes fluxos migratórios indesejá-
veis, da favelização, da formação de desequilíbrios estruturais que podem ser amenizados
pelas iniciativas regionais sendo, no entanto, praticamente impossível, preveni-los e/ou evi-
tá-los. Em outra abordagem dessa questão, os grandes empreendimentos, tendo em vista a
sua força de mercado, se comportam como referenciando na sua área de influência regio-
nal, fixam como condições vigentes o seu padrão de pessoal. Trata-se de uma condição que
resulta num contingenciamento do mercado de trabalho regional, pelo qual, por exemplo,
assume-se o plano de cargos e salários do conglomerado (e não o da Região), com o qual
absorve-se a parcela mais preparada e a remunera bem acima dos níveis praticados local e
regionalmente. Este procedimento dificulta ou, às vezes, impede a execução de movimentos
independentes paralelos que requerem operar em outras bases. Situação análoga se cons-
tata também no segmento compras e fornecedores, na qual se soma o poder de mercado do
empreendimento, em que resultam com freqüência situações de regime monopsônico.
Naturalmente, conhecimento e tecnologia vem de fora, compras de onde oferecerem menor
custo, ou seja, não há uma orientação para internalização salvo condições excepcionais e
raras.
No entanto, a maior influência dos grandes empreendimentos é exercida sobre as Municipa-
lidades dos municípios em que se localizam. Na medida em que estes grandes empreendi-
mentos contribuem com parcela, a mais substantiva para a receita orçamentária e/ou extra-
orçamentária, a relação de dependência se faz presente e observa-se, regra geral, uma
propensão à monopolização, não havendo ou progredindo as iniciativas de constituição de
alternativas próprias, sustentáveis, simultâneas. Indo além, do montante recebido pelas Mu-
36 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
nicipalidades parcela significativa dos recursos retorna para atender aos projetos sociais
decorrentes das necessidades criadas pelo grande empreendimento que lhe deu origem.
Cultura
A Cultura Regional se desenvolve na linha descrita para o Cenário anterior. No entanto, no
Cenário Desafio da Conciliação de Interesses, atual, os líderes regionais que despertaram e
se posicionaram para conduzir o seu futuro, se defrontam com os interesses dos grandes
empreendimentos, de investidores exógenos, grandes corporações, conglomerados ou as-
sociações, que coincidem no que se refere às propostas de crescimento econômico de que
são portadores, mas conflitam em fazê-las parte de um projeto maior, qual seja, o do desen-
volvimento sustentável da Região. Assim, a trajetória torna-se muito mais difícil, há um sem
número de condições conflitantes, pouca ou nenhuma co-operação no que se refere ao de-
senvolvimento que não se alinha ao grande empreendimento, resistência permanente à in-
ternalizações, salvo exceções menores, distanciamento do processo de decisão, ausência
de desenvolvimento do conhecimento que se restringe ao periférico, ao que está fora do
“core business”, com uma participação nos termos do que se lhe são exigidos pela respon-
sabilidade social pelos padrões de referência mínimos dos mercados de capitais ou bolsas
de valores. Essa situação que pode variar de uma baixa colaboração e participação a uma
posição de alta resistência ou mesmo de participação hostil, introduz uma dificuldade per-
manente, tanto na gestão situacional, quanto na alocação dos recursos gerados pelos gran-
des empreendimentos, cujas decisões se tornam mais complexas e questionáveis.
Em função da tradição de conformismo, as Regiões N-NO enfrentam dificuldades e os tem-
pos são mais longos para se produzir os resultados em direção à autonomia regional produ-
tiva e de sustentação almejada.
Para que o setor empresarial adote tal postura, as economias dos ambientes nacional e in-
ternacional crescem menos e, certamente, com mais dificuldades, o que acirra a concorrên-
cia, eleva o custo do dinheiro (financeiro), o que faz com que os novos empreendimentos,
particularmente os intensivos em capital, tenham que mostrar alto poder de competitividade
de mercado, exigindo estratégias de concentração que não lhe facultam qualquer desvio ou
concessão diante de margens menores e riscos mais acentuados. Num ambiente como es-
te, a incerteza aumenta e a tomada de decisão está sempre procurando fazer mais por me-
nos, com o mesmo ou menor risco.
Neste quadro, os tempos se alongam, os ajustes se tornam mais lentos e menos viabilizá-
veis, as disparidades e desequilíbrios persistem ou, às vezes se acentuam, entre outras
condições desfavoráveis que podem e estarão sendo contrabalançadas com posturas oti-
mistas de um empreendedorismo e regionalismo forte que tende ao acirramento, podendo
chegar a um estado de guerra. Para que isto ocorra, o aparato de ciência, tecnologia e ino-
vação é muito ampliado e priorizado pela ação empresarial e política regional, e haverá,
quase que inevitavelmente, uma propensão para priorizar o desenvolvimento regional volta-
do para a exportação, passando gradativamente, para as demais cadeias produtivas.
Economia
A economia da Região cresce e a sua intensidade depende muito mais do mercado externo
– internacional (principalmente, pela pauta de produtos dos grandes empreendimentos) e
nacional. Dada a sua dimensão e os tempos mais longos para a emergência do parque pro-
dutivo próprio, regional, e de seu porte, menor, a sua implantação se faz de maneira muito
mais seletiva, menos intensa, com o crescimento da sua contribuição mais lento. As dificul-
dades de captação de “funding” no mercado enfrentam burocracias maiores e concorrência
maior, limitações de crédito, com prioridades que não estão vinculadas aos grandes empre-
endimentos existentes, por conseguinte, menores. A atração de investidores privados se
intensifica em programas proativos de convencimento.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 37


Uma variável difícil de ser monitorada neste Cenário da Economia do N-NO, é a relativa ao
prosseguimento dos grandes investimentos, ou seja, nas quatro etapas previstas para o
período 2015-2035, que estão fortemente dependentes das taxas de crescimento da eco-
nomia internacional, o que acontece na Região? Taxas menores significam menor consumo
de “commodities” e estabilização maior nos preços do petróleo, taxas maiores representam
movimentos idênticos, em sentido contrário.
A ação indutora de novos empreendimentos, no programa de diversificação da estrutura da
economia da Região, amplia a ênfase para a prestação de serviços avançados, de alta
complexidade, o que reduz a eficácia do processo distributivo, com uma propensão para o
desenvolvimento das áreas urbanas mais qualificadas. Esta estratégia se justifica pela ne-
cessidade de se manter o sistema regional de inovação com uma carga de trabalho alta,
produzindo resultados que se revertam prontamente para a economia e a sustentabilidade
regional. Além de serviços, outro direcionamento prioritário, de significado econômico, diz
respeito ao aumento da produtividade e a diversificação produtiva das cadeias e produtos
existentes ou em desenvolvimento ou que estão sendo reabilitados/recuperados, atribuindo-
se-lhes agregação de valor e inserção de mercados.
As Municipalidades ampliam seu papel de grandes unidades compradoras para fortalecer as
unidades produtivas regionais, conferindo-lhe apoio para a sua alavancagem inicial e sus-
tentação de seu desenvolvimento.
A probabilidade de continuação de algumas sub-regiões com baixo dinamismo intra-território
aumentam e requerem uma agenda mais elaborada e de maior complexidade de programas
e ações específicas de ativação, polarização e catalização localizadas, com o intuito de
romper com a inércia, conformidade e complacência, dificuldades e amarras de seus subsis-
temas socioeconômicos, prevenindo-se o agravamento do hiato de sua renda per capita em
relação ao restante do território regional.
Regulação e Legislação
Repete-se o que se descreveu para o Cenário anterior, acrescentando-se uma atenção e
foco especial à interação dos grandes empreendimentos com todos os aspectos do viver da
Região N-NO, no sentido de especificar as condições de sua atuação sem que transfiram
quaisquer impactos para a vizinhança ou meios externos, sejam eles naturais, modificados
ou antrópicos, regulando igualmente suas relações. Outro aspecto específico, para este Ce-
nário, consiste em se tornar mais rigorosa a Regulação referente à aplicação das receitas
dos “royalties”, compensações e receitas destinando-as mandatoriamente para prover e ali-
mentar as bases da produção e a implementação do parque produtivo regional, lastreados
pelas e vinculados às bases de conhecimento regionais, que lhes garantem a sustentabili-
dade produtiva, de gestão e de mercado, o contraponto aos grandes empreendimentos.
Na medida em que o esforço de investimento se sustenta na ação empresarial e política da
cultura regional empreendedora, disposta a gerir o processo de seu desenvolvimento, e que
as oportunidades para o atendimento do mercado de exportação se configuram maiores
e/ou melhores, no bojo deste período, a regulação regional se detém nas condições especi-
ais para a atração de investidores externos (com condicionantes da internalização do co-
nhecimento e da tecnologia em instituições depositárias regionais) nos setores produtivos
que se mostrem com vantagens competitivas para o mercado internacional os quais, afortu-
nadamente, há vários para serem explorados na Região. Neste sentido, a regulação deve
atuar com a Economia sob a inspiração da Cultura, no sentido de estabelecer relações que
viabilizem, em simultaneidade, a implantação de unidades de produção de bens primários e
unidades de transformação, adotando-se uma estratégia preferencial para promover a verti-
calização e os desdobramentos/transbordamentos onde a competitividade for evidente.
A sustentabilidade da utilização de ativos ambientais para ativar a dinâmica e adensamento
da economia, exemplo florestas comerciais e pedras decorativas, é obtida por uma Regula-
38 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
ção específica, qualificada para as realidades regionais, observados os zoneamentos eco-
nômico-ecológicos atualizados sistematicamente.
A Regulação e a Legislação, complementar e regional, se mantem como instrumentos de
apoio permanente à preservação da dinâmica socioeconômica, defendendo e ajustando as
condições da Região às ações e reações de competitividade alterada por vieses do mercado
externo.
Conhecimento
Observando uma orientação semelhante à do Cenário anterior, os sistemas de Conhecimen-
to, abrangendo a ciência, tecnologia, inovação e criatividade, assumem um papel preponde-
rante, pois estarão operando desvinculados dos grandes empreendimentos. Dado que as
respostas devem ser cada vez mais rápidas, a operação em rede com parcerias e alianças
se impõe para a eficácia ampliada. Concomitantemente, o número de bases de conhecimen-
to cresce, adotando-se a distribuição das responsabilidades de projetos em plataformas mul-
tiacessáveis por participantes de quaisquer locais, abrindo-se o processo cooperativo para a
constituição de massas críticas de capital humano, adensamento e aceleração da produção
de resultados.
Para que o sistema de Conhecimento se sustente, a educação recebe mais investimentos
para a sua informatização, instrumental didático e pedagógico com altas tecnologias, labora-
tórios e oficinas, realização de projetos, cultura e artes, certificação de gestores e professo-
res, autonomia escolar associada a desempenho, entre muitos outros elementos de aperfei-
çoamento de ponta.
Dadas limitações de recursos próprios, que se originam exclusivamente das receitas públi-
cas regionais próprias – baixa participação da iniciativa privada -, além de se explorar as co-
operações e captações externas, particularmente da FAPERJ e Ministérios pertinentes, as
co-operações internacionais, as instituições regionais e as plataformas atuam coordenada-
mente, desenvolvendo os projetos e a produção de resultados com a observância de uma
rigorosa hierarquia de prioridades em conformidade com os critérios de distributividade geo-
gráfica e agregação de valor e viabilidade de mercado/negocial.
Infraestrutura e Logística
Neste Cenário, a atualização e modernização da Infraestrutura e Logística recebe menos
recursos, o que contingência a execução de programas e prazos. No sentido de fazer frente
a tal situação, adota-se a orientação de incluir na implementação dos grandes empreendi-
mentos, a maior parte de obras e sistemas, cuja necessidade se verifica no interior das suas
áreas de impacto indireto, tanto por meio da regulação quanto através de ações negociais.
Uma das opções usadas é a do Estatuto das Cidades, com o uso dos seus dispositivos que
especificam os meios de desenvolvimento da ocupação do solo urbano e do território, parti-
cularmente em co-participação com as Municipalidades. Outra medida consiste numa parce-
ria dessas Municipalidades com o Governo Estadual tendo como objeto uma ampliação
congruente de serviços públicos concedidos, especificamente nas questões de empreendi-
mentos de logística e transporte. No caso particular da Infraestrutura associada às bacias
hidrográficas, o funcionamento regular dos Comitês produz resultados complementares que
contribuem para ua menor necessidade de recursos externos.
O planejamento de logística e transporte, revisto para atender a um sistema produtivo pró-
prio, com os canais de escoamento coordenados para a estrutura portuária (aérea e maríti-
ma) otimiza vias, traçados e áreas de armazenamento e estocagem, estações de transbor-
do, etc. de uso coletivo público e/ou integrado.
No segmento saneamento e habitacional, o crescimento menor da economia nacional con-
tingencia os recursos e os investimentos, os prazos para sua execução, com acréscimo nas
demandas.
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 39
Uma estratégia que se impõe neste caso, é a da hierarquização da Rede de Cidades da
Região, uma nucleação que sem limitar o dinamismo introduz uma priorização distributiva da
infraestrutura e dos serviços, reduzindo os montantes de investimentos na Infraestrutura.

Meio Ambiente

Se há crescimento condicionado, com um movimento de desenvolvimento de reação, obser-


va-se um crescimento das pressões antrópicas que se resolvem pela negociação intermedi-
ada entre as instituições públicas, agentes privados e entidades não governamentais, medi-
ante utilização e aplicação dos instrumentos de regulação que incorporam mecanismos e
equacionamentos tecnológicos os mais atualizados e de uma legislação de concepção a-
vançada, não permissiva enquanto viabilizante, disponíveis sobre o Meio Ambiente. Tais
estruturas, personalizadas para a Região Norte e Noroeste Fluminense, tem como depositá-
rias e estão suportadas pelas plataformas (trabalhos e equipes e laboratórios) da rede regi-
onal de ciência, tecnologia e inovação que se mantém à disposição e pronta para intervir
sempre que necessário, para a manutenção da sustentabilidade dos ativos ambientais regi-
onais.

Para equilibrar este tipo de crescimento competitivo, promove-se, pelos projetos de desen-
volvimento planejados e implantados, suportados pelas plataformas de conhecimento, o uso
sustentável e rentável da biodiversidade que reúne energia limpa, ecoturismo, uso racional
dos defensivos e agrotóxicos, a recomposição da cobertura vegetal, entre outras, em uma
vertente, o desenvolvimento da educação e responsabilidade social e ambiental, em outra, e
a aplicação intensiva em tecnologia, coleta, armazenamento, tratamento, reutilização e reci-
clagem dos resíduos e esgotamento urbanos e industriais, em quantitativos crescentes na
cobertura de todo o território, na terceira via.

Petróleo

Neste Cenário, o acirramento do processo de concorrência internacional estimula os agen-


tes a disputarem mercado. A competitividade, para produtos de mesma estrutura e defini-
ção, se estabelece no preço. A atratividade de poços existentes e novos ou a perfurar se
altera um pouco e, em algumas situações, muda a lógica de exploração. Enquanto persistir
tal situação, há oscilações de produção e receita, o que afeta diretamente a riqueza produ-
zida regional do N-NO Fluminense e de suas Municipalidades, modificando a condição de
sua Economia. Trata-se, de fato, da interferência de sinais nas funções que programam a
produção e as condições de atendimento do mercado. A história registra tais oscilações co-
mo uma superposição de efeitos, as quais tiveram durações transitórias, salvo nos anos
críticos – 1974 e 1979, por exemplo, mas com fenômeno de natureza completamente distin-
ta.

Independente da conjuntura econômica internacional e nacional, os investimentos na ex-


pansão da produção da Bacia de Campos prosseguem, não obstante as pressões para o
seu deslocamento gradual para a Bacia de Santos. Como a produção do pré-sal representa
o ativo mais valioso que o país dispõe neste período, a sua exploração que constitui uma
decisão estrutural de país e que pressupõe um conjunto de ações de largo espectro e pro-
fundidade para se tornar comercial, deve prosseguir continuadamente, podendo variar quan-
to ao seu ritmo e aos montantes investidos e/ou priorização de cronogramas.

Sistema Social

De uma maneira geral, neste Cenário, o comportamento do Sistema Social segue as linhas
do anterior com o aumento, no entanto, das dificuldades para realização de suas ações e
programas, o que afeta principalmente os tempos para se completar a inclusão social elimi-
40 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
nando-se a dependência de estratos da população - indigentes e miseráveis - dos progra-
mas de transferência de renda, com o aumento e aceitação/preenchimento de postos de
trabalho e de reeducação da expansão da oferta por ação integrada das Municipalidades e
Governo estadual e Federal, em todas as áreas do território, o que levará à substituição do
assistencialismo. O efeito colateral positivo desta condição diz respeito à contenção relativa
dos fluxos migratórios, não obstante o apelo, às vezes irresistível dos grandes empreendi-
mentos.

Continua e se ampliam os programas de capacitação, qualificação e requalificação profis-


sional, em decorrência da implementação do parque produtivo e de serviços regional – mi-
cro até média empresas, muitas delas intensivas em mão-de-obra.

As pressões de deslocamento para as áreas urbanas persistem, mesmo com a distributivi-


dade geográfica e física dos empreendimentos não grandes induzidos ou atraídos ou des-
dobrados, ou outra modalidade similar. O esforço dos programas habitacionais justifica
transformá-lo em uma oportunidade econômica que se soma às alternativas já explicitadas.

5.3 Cenário III: Repetência em História (“Um novo ciclo que não se aproveita”)
Neste Cenário, a Economia anteriormente caracterizada persiste e se apresenta associada
à preservação e aprofundamento da Cultura regional conservadora, com os empresários
voltados para os interesses individualizados, os políticos para os mandatos, os gestores
para a transitoriedade dos termos ou a sua dependência dos mandatários, os moradores
mais educados e informados transitam frequentemente para a capital do Estado e do país,
para as tomadas de decisão mais estratégicas, os excedentes de renda e a poupanças se
aplicam em bancos exógenos, os cultivares típicos regionais, reduzidos a ua amostra, lutam
para sobreviver, os problemas sociais se multiplicam com a violência alcançando posições
de liderança nacional, o que define um estado de desequilíbrio estrutural crônico, entre as
Regiões Norte e Noroeste Fluminense.
Numa súmula retrospectiva, a Região N-NO integrada, em 2010, revela desequilíbrios soci-
ais acentuados, grandes fluxos migratórios para as áreas urbanas onde se localizam os
grandes empreendimentos, baixo grau de escolaridade e falta de condição de acesso da
população economicamente ativa, entre vários outros aspectos. Diante desta situação, so-
mente no primeiro qüinqüênio do horizonte futuro, há um programa com alguns empreendi-
mentos, concentrados geograficamente, com um montante vultoso de investimentos, superi-
or a 50 bilhões de dólares, algo difícil de acomodar na compreensão. O PIB Regional deu
um salto a partir de 2003/2004, devido à exploração do petróleo, sendo que nos quase 30
anos anteriores gerou receitas moderadas ou pequenas. O crescimento da área urbana de
Macaé, exploração do petróleo, explodiu e programa-se algo maior para São João da Barra,
complexo portuário em Açu. Campos dos Goytacazes, com antecedentes longínquos, já é
uma das maiores cidades do interior brasileiro, com uma centralidade limitada geografica-
mente. As atividades agrícolas típicas da economia regional passam por dificuldades se não
estão desativadas. Pedras decorativas em Santo Antônio de Pádua em crescimento, como
indústria extrativa simplesmente. Exceções de êxito também acontecem o FUMDECAM,
com alguns projetos implantados, o Pólo de Confecções de Itaperuna, os conjuntos de pro-
gramas associativos econômico-culturais de São João da Barra e Quissamã, estrutura uni-
versitária de Campos dos Goytacazes. Sem internalizações na cadeia de petróleo e associ-
adas. Praticamente sem bases de conhecimento em ciência, tecnologia e inovação. As ci-
dades afluentes possuem receitas altas, proporcionadas pelos “royalties” da produção de
petróleo.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 41


Figura 6 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Cenário III Repetência em História, 2010 -
2035

CULTURA DA ACEITAÇ
ACEITAÇÃO
(IMPORTAÇ
(IMPORTAÇÃO DO III
CONHECIMENTO,
EXCLUSÃO SOCIAL,
CONFORMISMO)

Repetência
em Histó
História

CRESCIMENTO DA ECONOMIA
(PRODUÇ
(PRODUÇÃO – EXPORTAÇ
EXPORTAÇÃO)

Num ambiente regional em que predomina uma Cultura de baixa efetividade, sem compro-
metimento, mais imediatista, sem estruturas regionais que planejem e decidam sobre a in-
ternalização da riqueza para que ela se multiplique – isto acontece agora, como mais de
uma vez no passado, fora do território da Região - instala-se um processo de estagnação e
empobrecimento de um lado, com uma extraordinária afluência, ou uma pseudo-riqueza, do
outro, tendo como duração o ciclo de extração do petróleo, na Bacia de Campos, e o do
minério de ferro, em Conceição do Mato Dentro, por exemplo. No primeiro caso, as novas
descobertas devem manter e ampliar os níveis de produção, sem uma previsão atual, mas
certamente em tempos superiores a 2035, no segundo a duração são 28 anos. A título de
avaliação de limites, sem novas descobertas, no horizonte 2035, a produção de petróleo na
Bacia de Campos estará exaurida e em 2040, o mineroduto não terá o minério do eixo Con-
ceição – Alvorada de Minas (naturalmente esta menção, como um exercício, somente se
presta a revelar a transitoriedade da indústria extrativa que, muitas vezes, é assumida como
perpetuidade, levando a graves erros, a maioria deles, a história mostra, destrutivos). Sem
Cultura de desenvolvimento, a Região passa a abrigar os grandes empreendimentos de
investidores exógenos que nela se implantam para usufruir de condições diferenciais para a
sua realização negocial, enquanto elas se mantiverem e lhes assegurarem a competitivida-
de de mercado necessária. O que acontece com a Região, em conformidade com este Ce-
nário, a eles interessa na medida em que interfira ou possa representar algum risco para o
empreendimento. Assim sendo, mesmo que as lideranças não se articulem para uma ação
integrada regional, nos dias de hoje e amanhã certamente, o compromisso e responsabili-
dade social das empresas que ali estão ou estarão, exigido pelo sistema de mercado a que
pertencem e estão filiadas, e o aumento da marginalidade e criminalidade decorrentes das
assimetrias em que se transformam os desequilíbrios socioeconômicos da Região N-NO

42 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Fluminense, ambas determinam ações mitigadoras ou de prevenção que os grandes em-
preendimentos tomarão, independentes da governança regional, qualquer que seja ela. Ca-
be lembrar que os efeitos das assimetrias podem causar danos e desvios de condutas e, por
conseguinte, perdas de qualidade de vida quase irreversíveis, se persistirem por tempos
mais longos (não há o conhecimento específico sobre como antecipar tais limites de dura-
ção, apenas são conhecidos os casos que exemplificam, a posteriori, a sua ocorrência e a
extensão de suas consequências).
Cultura
Os líderes analisam as oportunidades que a economia se lhes oferece e somente as acei-
tam e aproveitam se os resultados forem individualizados para si. Não há uma preocupação
de fixar o processo e as condições do desenvolvimento, antes uma busca para aumentar os
resultados próprios. Os grandes empreendimentos vem de fora ou surgem de adaptações
internas provocadas por iniciativas de decisores exógenos, para garantir investidores exó-
genos. Eventualmente há respostas endógenas, pontuais e descontínuas. Instala-se uma
Cultura imediatista que consome resultados e significados e o futuro, quando existente está
fora ou lá está situado o decisor ou gestor do que será feito ou acontecerá. O pressuposto é
de que a geração de riquezas que se observa não tem fim, o que leva a eliminar reservas ou
poupanças, acreditando-se que se pode ganhar ou reganhar facilmente, repetidas vezes.
Líderes, gestores e comunidades ou populações não sabem e nem se perguntam sobre os
limites, sobre as durações. Não avaliam a ausência e, por conseguinte, não respondem ao
que teria ou deveria estar sendo feito para prevenir o indesejável que, neste caso, se refere
à morte do sistema. Mais interessante, no caso do N-NO, uma situação como a descrita, já
ocorreu antes na sua história, mais de uma vez.
A burocracia aumenta e torna o sistema altamente ineficiente e desfocado. A condição do
capital físico e pessoal/intelectual, tangível e intangível se degrada, perde substância e qua-
lidade. O diálogo público-privado torna-se difícil e pouco freqüente, não há a conversão de
orientações e diretrizes em regulação, o que gera um clima de pouca confiança, sem regras,
de descrença que permeia a sociedade. Os investidores se afastam.
No passado, uma situação Cultural de uma sociedade como esta estabeleceria as bases
indispensáveis para uma ruptura ou revolução. Na atualidade, a comunicação e a mídia, e
iniciativas isoladas de restabelecimento ou construção de alternativas inovadoras, entre ou-
tras, atenuam os efeitos dos problemas que ficam cada vez mais graves e crônicos.
Importa-se mão-de-obra e a miscigenação cultural cria identidades distintas, localizadas,
modificando a homogeneidade anterior que vale mencionar, usualmente, é mais pobre. No
domínio dessa Cultura bipolar, as patologias proliferam.
Economia
A Economia cresce como descreve o Cenário anterior, vinculada aos grandes empreendi-
mentos, inseridos nos mercados externos, particularmente internacionais. Este crescimento
rebate-se internamente privilegiando alguns poucos municípios, sem a participação da maio-
ria que constitui a Região. No que se refere à geração interna de riqueza, ocorre o afasta-
mento do PIB potencial do PIB real da Região N-NO, mesmo que o PIB real apresente um cresci-
mento muito elevado. Na verdade, a ilusão procede e não é percebida, pois não há o acom-
panhamento e nem a mensuração do PIB potencial e do PIB efetivo continuamente: o sistema
consome reservas sem reposições/restituições e descapitaliza-se silenciosamente. A indús-
tria extrativa é um sistema essencialmente mecânico-operacional que não produz conheci-
mento senão o do como extrair (daí a origem do conceito dos “royalties” e da sua destina-
ção). Os fundos de investimento municipais e o regional perdem substância, são deixados
em hibernação ou são desativados (e.g. o FUMDECAM não opera há longo tempo). Con-
somem-se os montantes de “royalties” e das receitas sem que sejam feitos investimentos
produtivos, geradores de receita e renda. Vive-se a euforia do ciclo do petróleo e da logística
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 43
de exportação e retorno, com a total ausência de compromissos com resultados regionais
duradouros.
Regulação e Legislação
Na medida em que os líderes assumem uma posição eminentemente passiva, intervindo
apenas quando forem afetados nos seus negócios/empresas, não há iniciativas de regula-
ção da economia regional e as legislações ocorrem eventualmente, para dar cobertura a
situações muito periféricas ou eventuais. Prevalecem, portanto, as regulações Estadual e a
Federal, aceitando-se as suas disposições gerais, quando existentes. Espera-se o endure-
cimento da legislação penal, no âmbito federal, para fazer face ao recrudescimento da mar-
ginalidade que ameaça a estabilidade das estruturas sociais e produtivas do país.
Conhecimento
As estruturas regionais de Conhecimento continuam existindo sem que participem ou sejam
parte integrante do processos de desenvolvimento da economia e particularmente do siste-
ma de produção. Eventualmente, podem ser chamadas ou convocadas para algum trabalho,
o que não observa nenhuma intencionalidade ou um programa de atuação planejados como
intervenções de modo regulado. As atividades de investigação partem e são, na maior parte
delas, das instituições universitárias e não há uma estrutura de plataformas de inovação e
produção de tecnologia implementada, capaz de aportar respostas às questões que afligem
a socioeconomia e o meio ambiente da Região. Os grandes empreendimentos contratam e
consomem tecnologia de fontes exógenas, ainda que se destinem ao uso exclusivo na Bacia
de Campos ou da Barra do Furado ou Porto de Açu, entre outros grandes projetos. De ma-
neira análoga, há pouca aproximação entre as Municipalidades e as instituições de ciência,
tecnologia e inovação, tanto em termos de se desenvolver projetos de interesse, quanto no
sentido de avaliar propostas de convênios como instituições depositárias, ou outra forma de
co-operação bilateral ou coletiva.
Infraestutura e Logística
Não havendo o empenho de uma atuação da iniciativa privada em coordenação com a
pública e os organismos do terceiro setor, a atualização e aprimoramento da Infraestutura e
da Logística da Região decorre de intervenções esporádicas dos governos estadual e fede-
ral, ou das Municipalidades. A propensão a congestionamentos, o déficit habitacional, os
problemas urbanos e de saneamento, a universalização de acessos a serviços essenciais e
outros tendem a se agravar ou a acumular situações não resolvidas ou mal resolvidas.
Constata-se uma fragilização cumulativa das condições constituintes das áreas urbanas e
dos municípios, em função da desarticulação entre as representações regionais e intergo-
vernamentais e da deterioração do desempenho das gestões das Municipalidades tendo
como resultado a perda da qualidade de vida. O conceito da Rede de Cidades fica compro-
metido, pelo agravamento dos problemas urbanos em todo o território, os municípios não
conseguem sustentar posições de dinamismo e nem dispõem dos meios ou vias que fariam
a integração produtiva regional segundo uma orientação preestabelecida.
Meio Ambiente
As pressões antrópicas crescentes, mesclando oportunismo e defesa de interesses especí-
ficos, sem compromissos com a sustentabilidade, aproveitando-se de um sistema de rela-
ções regionais fragilizado pela falta de uma interação e integração congruente e sólida, ine-
ficiência operacional, falta de uma regulação regional personalizada, entre outras, leva a
desentendimentos e conflitos no processo de decisão com uma degradação ambiental no
território, com perda da biodiversidade, uso predatório de remanescentes florestais nativos,
inatividade de unidades de conservação, descontinuidade dos programas de educação am-
biental, entre outros. Os indicadores de saneamento ambiental incluindo a disposição de

44 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


resíduos urbanos e industriais entram em um processo de retrocesso ou num imobilismo
geral, acumulando passivos expressivos que repercutem na perda da qualidade de vida.
Petróleo
Neste Cenário repetem-se as condições anteriores desde que a produção de petróleo se
orienta para atender ao mercado nacional e internacional gerando divisa e contribuindo para
o equilíbrio da balança comercial brasileira, independente da situação de falta de autonomia
da governança regional. A prioridade de prospecção do pré-sal se desloca para a Bacia de
Santos, reduzindo a vida útil das reservas disponíveis e os níveis de produção do sistema
produtivo existente na Bacia de Campos. No médio/ longo prazo, constata-se a redução das
receitas geradas pela exploração do petróleo, o que impacta diretamente as receitas dos
municípios, sem alternativas de sua substituição pelas Municipalidades.
Sistema Social
A conjugação de condições desfavoráveis e as adversidades contribuem para o empobreci-
mento e a concentração da renda na Região, havendo de modo inequívoco uma propensão
continuada para elevar e ampliar o quadro de desigualdades e as deteriorações sociais,
regionais, ambientais, entre outras, que realimentam negativamente a Cultura. Observa-se
um aumento substantivo da ineficiência e ineficácia da governança regional, que redunda na
degradação dos serviços públicos, o que influi e limita a ocorrência de novos empreendi-
mentos. O desemprego e o subemprego crescem, assim como expande o assistencialismo,
para dar cobertura aos estratos comprometidos. A criminalidade, os desvios de conduta, a
corrupção se instalam. A sua alta reincidência e o descontrole do sistema propagam o medo
da vitimização e consagram a violência como uma referência do padrão regional, contami-
nando a imagem da identidade visível que é percebida pela sociedade externa, inclusive
investidores, empreendedores e profissionais altamente qualificados e especializados, cuja
presença e participação se revelam essenciais ao seu processo de desenvolvimento. As
políticas sociais passam a depender fortemente do governo federal e há o contingenciamen-
to da justiça regional pela multiplicação de intervenções e processos que lhe são solicitadas
e encaminhados. O desempenho social cai em relação a muitos de seus componentes com
o retorno do processo de perda de substância e perda da qualificação do capital humano e
intelectual da Região N-NO Fluminense.
5.4 Cenário IV: Desenvolvimento Perdido (“Oportunidades não aproveitadas”)
No momento em que os grandes empreendimentos e o setor produtivo existente da Região
Norte e Noroeste Fluminense e o externo compreendem e decidem abrir os seus sistemas
para soluções integradoras tais como os encadeamentos ou cadeias produtivas, a clusteri-
zação, os arranjos produtivos, as redes, ou seja, modalidades de produção em aliança e
parcerização, ou em modos de associação compartilhado, qualquer que seja o seu arranjo,
as lideranças se posicionam em estado de apatia ou letargia, corporativistas e/ou egocêntri-
cos e/ou com alta aversão ao risco, conservadores e com baixo compromisso de operar em
grupo de interesses congruentes, com uma visão limitada do mercado e as oportunidades
que estão sendo oferecidas, produzindo com ineficiência (baixa produtividade), convivendo
numa passividade que aceita a exclusão como um episódio normal e habitual, preocupação
mínima com o meio ambiente. Os movimentos das duas variáveis de decisão divergem con-
tinuamente, com as ações empresariais locais se orientando para negócios exógenos ou o
controle exógeno de negócios endógeno. As iniciativas de desenvolvimento de empreendi-
mentos regionais não encontram ressonância e nem respostas e ou, os próprios grupos em-
presariais interessados promovem a sua realização, enfrentando suas limitações, ou bus-
cam ou empreendem fora do território da Região N- NO, associado a outro em outras locali-
dades e regiões (mais frequente, esvaziando a carteira de oportunidades). Os resultados do
desenvolvimento da Região, no período, são positivos, com crescimento, mas muito aquém
do que poderiam ter conquistado.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 45


Figura 7 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Cenário IV Desenvolvimento Perdido, 2010 -
2035
DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA
(INTERNALIZAÇ
(INTERNALIZAÇÃO CADEIAS PRODUTIVAS)

Desenvolvimento
Perdido

IV
CULTURA DA ACEITAÇ
ACEITAÇÃO
(IMPORTAÇ
(IMPORTAÇÃO DO
CONHECIMENTO,
EXCLUSÃO SOCIAL,
CONFORMISMO)

Cultura
O setor empresarial e as lideranças regionais se omitem e quando participam em negócios
escolhem os exógenos ou os ali tratados e decididos. Caracteriza-se a sua ausência ou a
sua falta de protagonismo ou, ainda, participações discretas, essencialmente capitalistas
(inclusive especulativas), em relação a uma abundância de oportunidades constituídas na
economia regional pelos setores produtivos, principalmente as originadas dos grandes em-
preendimentos. O ambiente regional e o seu capital humano regridem no tempo, fecham-se,
não compreendem ou rejeitam o novo papel, cultivando preconceitos e miopias. O individua-
lismo, presença sem comprometimento, ocupação orientada de fora, as pessoas do território
assistem ao que se passa. A burocracia reina como instrumento de garantia da imobilidade
do status quo, sob a alegação da falta de condições regionais, de apoio e recursos, risco de
dominação ou outra desculpa similar. Com o passar do tempo, a sociedade reconhece a
bipolaridade, que é descrita como proveniente da diferença entre nativos e forastei-
ros/estrangeiros (os que vieram ou vem de fora), enquanto os habitantes aumentam o con-
sumo e despendem sua riqueza. Emergem ilhas ou núcleos produtivos de alta densidade e
concentração desequilibrando ainda mais o processo distributivo no território. A participação
exógena se amplia nessas ilhas que, para manter sua unidade, evitam ou minimizam as
trocas com a sua circunvizinhança. Inúmeras oportunidades são transferidas para fora e
áreas/regiões contíguas se beneficiam e capturam estas transferências, que emulam trans-
bordamentos sem que sejam, de fato. Conhecimento e educação internos se mantém dis-
tantes do que se passa, voltados para outras linhas de atuação, perdendo a sua oportunida-
de melhor. A governança ou a não governança, neste Cenário, se mostra altamente crítica,
passível de ser acometida por patologias várias, na medida em que ignora e/ou rejeita a
orientação para o desenvolvimento que o sistema produtivo conduz. No limite, asfixiado,
este sistema produtivo regional em expansão se detém, redireciona suas estratégias e pro-
gramas, mantendo o essencial no território em que não se faz compreender e do qual não
recebe acolhida estimulante.
46 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Economia
A Economia que crescia, luta para prosseguir e se desenvolver. Sem o aval da Cultura regi-
onal, a sua alternativa é importar pessoas e assentá-las quando vantajoso ou imprescindí-
vel, ou distribuir oportunidades para outras áreas, exógenas. Naturalmente que subsistem
grupos dissidentes culturalmente, na Região, exceções que se associam e se aliam, o que
atribui viabilização à construção de alguns encadeamentos importantes. Dada a reação cul-
tural, a estratégia defensiva da produção os localiza nas grandes áreas dos grandes empre-
endimentos que assumem uma feição de aglomerações ou zonas de processamento produ-
tivo, sem uma inserção geofísica efetiva, distribuída, no Norte e Noroeste Fluminense. A
postura Cultural limita o desenvolvimento da Economia e o seu dinamismo, mas não impede
que aconteça. No entanto, a constituição de cadeias típicas regionais não ocorre, salvo em
algum caso raro. A administração pública, das Municipalidades, cede à pressão para manter
grandes quadros, perde receita e se torna cada vez mais ineficiente, os serviços e acesso
são limitados, inexistem parcerias e concessões, contínua perda de qualidade, vácuo de
resultados, o equilíbrio fiscal só encontra sua alternativa via aumento da carga tributária, ou
seja, arrecadar mais. A disparidade desta condição absolutamente vulnerável diante da efi-
ciência da administração federal, por exemplo, amplia a influência do poder exógeno no
quotidiano do viver das Municipalidades e a sua visibilidade percebida pelos seus muníci-
pes, torna a intervenção desejável pela população. Em segmento tradicionais, típicos, a e-
conomia da Região perde posições diante da concorrência nacional.
Regulação e Legislação
A postura conservadora e reativa não propõe e nem impõe regras, o sistema se move pelo
que regula o Estado do Rio de Janeiro e o país. Não há iniciativas de Regulação regional,
permitindo-se que o crescimento ocorra sem acompanhamento, com ineficácia crescente e,
por conseguinte, desprovido da orientações específicas requeridas para que possuam a
capacidade de disciplinar e ordenar em conformidade com as realidades e modos de pensar
da Região N-NO na sua busca pela sustentabilidade. As diferenças entre as condições apli-
cadas aos diversos empreendimentos criam um “imbróglio”, de equalização quase impossí-
vel. Os tratamentos desiguais geram conflitos que exigem ações de ajustamento. As legisla-
ções municipais, pouco adequadas assim continuam e não se antecipam mecanismos que
ampliem a viabilidade do processo de desenvolvimento em curso, com perdas constantes de
oportunidades.
Conhecimento
O notável ingresso de recursos externos na Região Norte e Noroeste Fluminense, no perío-
do, não resulta numa mudança de nível lógico e na melhora no desempenho do parque pro-
dutivo regional. Sem uma governança regional proativa e gestora determinada e com restri-
ção nos aportes de recursos internos, a educação, produção do conhecimento (ciência, tec-
nologia e inovação) ficam a mercê dos setores empresariais externos que direcionam suas
atenções e contratos/convênios para outras bases e plataformas que os atendem a longo
tempo, exógenas. A convocação da base de conhecimento regional, eventual, na permite às
instituições do conhecimento integrar e assumir qualquer papel executivo e definitivo – longo
prazo, depositárias – em relação ao parque produtivo regional. Os setores típicos e os inten-
sivos em conhecimento perdem produtividade e declinam ainda mais. Também não se con-
figura uma operação do desenvolvimento da inovação em Rede e, consequentemente, o
acesso ao conhecimento mais avançado se faz difícil quando possível, não se constata a
participação em trabalhos e projetos atualizados para co-experienciar desenvolvimentos.
Neste contexto, acentuam-se as disparidades do N-NO com outras regiões do Estado e do
país.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 47


Infraestrutura e Logística
Na medida em que não há posição da governança regional planejada e direcionada, em que
os recursos das Municipalidades não acompanham as taxas de crescimento da economia,
em que persiste a desarticulação política, verifica-se o comprometimento da expansão e
atualização da Infraestutura, com a saturação e esgotamento de sistemas e unidades des-
ses sistemas, principalmente nas proximidades e nos eixos de alimentação aos grandes
empreendimentos. O conteúdo tecnológico não apresenta as soluções de ponta e o setor de
serviços perde qualidade e complexidade, perdendo valor como negócio e para a sociedade.
Há uma participação de investidores privados em alguns empreendimentos de Infraestrutura
ligados aos seus empreendimentos, em complementaridade ou substituição (menor número)
aos públicos. Contingenciados os investimentos, as centralidades urbanas absorvem a mai-
or parte dos recursos, uma realimentação de reforço para preservar a sua polarização ou
influência, que acentua os desequilíbrios. Com isto, a Rede de Cidades se fortalece com
sobrecargas aparecendo pela concentração excessiva em poucos pólos urbanos. A transi-
ção para o desenvolvimento, ainda que sujeita a importantes restrições, produz certa aloca-
ção distributiva, associada ao aumento da necessidade de Infraestutura e Logística, seja
requalificando o existente, seja em novas unidades incrementais.
Meio Ambiente
O crescimento, associado a um processo de desenvolvimento econômico e à capacidade de
gestão pouco eficaz e ineficiente, leva a uma degradação distribuída que se mantem dentro
de limites razoáveis em função da atuação do IBAMA e da legislação federal para o caso
dos grandes empreendimentos. No entanto, a reabilitação dos biomas e o resgate da biodi-
versidade ficam comprometidos devido à contenção dos recursos públicos, particularmente
das Municipalidades. A alternativa do programa de recomposição e da silvicultura atenua de
modo substantivo as limitações existentes, com a prática de taxas menores, no entanto.
Como a propensão para concentrações maiores, ocupando maiores áreas, os requisitos de
saneamento ambiental e resíduos se incorporam aos empreendimentos, minimizando a a-
ção da esfera pública (própria ou concedida). Já o aumento da urbanização introduz um
aumento dos quantitativos que enfrentam as restrições de recursos financeiros e, de crono-
gramas, por via de consequência. A questão da água potável e sua disponibilidade (taxas de
reposição anuais) surge como desafio a ser equacionado. Dada a pouca efetividade do sis-
tema regulador regional e do próprio sistema de Comitês de Gerenciamento de Bacia, não
se observam intervenções para a redução do desperdício, reciclagem armazenamento da
água de precipitações, etc. As limitações, também no que concerne à habitação, aumentam
a dependência de soluções do governo federal e estadual, com o aprofundamento da ques-
tão fundiária, seja pela expansão urbana em áreas rurais ou suburbanas que não possuem
legislação específica, seja pela maior urbanização e a necessidade de adensamento maior e
mais aprimorado, seja pela expansão da ocupação desordenada de áreas de risco e de pre-
servação, ou outra condição equivalente (em razão da falta/deficiência na fiscalização).
Petróleo
A indústria do petróleo segue a sua trajetória de exploração, novas e graduais descobertas,
enfrentando a concorrência política da Bacia de Santos, em disputa pelos investimentos
vultosos, necessários à sua operação comercial. No entanto, os investimentos privados em
lotes já concedidos compensam, de certa forma, a redução dos aportes pela companhia
estatal. O grande acontecimento deste Cenário na questão Petróleo é o seu desdobramento
e a internalização de parcela de sua cadeia produtiva na Região Norte e Noroeste Flumi-
nense. Este programa defronta-se repetidas vezes com a limitação da oferta de mão-de-
obra qualificada (oferta com profissionalização contida), na Região. Utilizando o conceito
negocial mais amplo, qual seja o de energia, a produção da Bacia de Campos se mantém
com a recuperação das reservas pela adição de novos poços, atendendo a um perfil de
consumo estável.
48 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Sistema Social
A situação se revela análoga à descrita para o Cenário anterior, pois os indicadores e de-
sempenhos interdependem do modelo de gestão, que é idêntico nos dois. Pela evolução da
economia em direção à realização de um programa de desenvolvimento, há melhorias me-
nores, mais distribuídas, ainda que no cômputo global, permanecem mazelas anteriores
como os ciclos crônicos intergeracionais de indigência e pobreza, a baixa escolaridade mé-
dia da população, os baixos níveis de renda para a maior parte da população economica-
mente ativa, a retomada dos fluxos migratórios, prosseguem a violência urbana e a crimina-
lidade, entre outros.
5.5 Cenários: A Visão do Conjunto
Os Cenários descritos são todos eles plausíveis e pode acontecer em função das evoluções
das variáveis críticas ou incertezas e de suas combinações. De fato, o sistema de dois eixos
constitui efetivamente uma grade ou matriz em que cada sistema ocupa uma interseção dos
dois eixos, num dado momento. É possível determinar-se o ponto inicial e estabelecer mo-
vimentações estratégicas que o desloquem para o ponto desejado. Este representa efetiva-
mente o jogo estratégico permitido pelo acompanhamento das incertezas críticas e do que
se lhes contrapõe. Assim, o que se expôs transcende a uma representação estática e cons-
titui um instrumento executivo de gestão dinâmica frente aos Cenários prospectivos. No ca-
so da Região Norte – Noroeste Fluminense, trata-se de um caso particular, em que as influ-
ências do Estado e do Governo Federal se fazem menores e menos decisivas, na medida
em que a economia do petróleo, concentrada na Bacia de Campos hoje e amanhã também
estabelecem uma condição persistente, qualquer que venham a ser, as posições políticas –
não há como prescindir do que se faz e continuará fazendo. Assim, a atenção se concentrou
mais na variável mais crítica interna e afeta ao capital humano, sobre o qual se constitui a
decisão estratégica de futuro, qual seja, a Cultura como fonte geradora da capacidade e
condição da autonomia da governança regional. O mais interessante é que há dois séculos,
os Cenários seriam muito parecidos e a ação estratégica poderia ter prevenido ou evitado a
ocorrência daquele que, certamente, não era o desejado. Como uma nova oportunidade,
mais valiosa das que lhe antecederam, as duas Regiões tem como promover a estratégia
que lhes interessa.
Figura 8 - Regiões Norte e Noroeste Fluminense, Cenários Prospectivos I a IV, 2010 - 2035
DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA
(INTERNALIZAÇ
(INTERNALIZAÇÃO CADEIAS PRODUTIVAS)
PRODUT IVAS)

Desenvolvimento
Emergência
Perdido

IV I
CULTURA DA ACEITAÇ
ACEITAÇÃO CULTURA HEGEMÔNICA
(IMPORTAÇ
(IMPORTAÇÃO DO (BASES DE CONHECIMENTO,
III II
CONHECIMENTO, INCLUSÃO SOCIAL,
EXCLUSÃO SOCIAL, AUTO SUFICIÊNCIA)
CONFORMISMO)

Repetência Conciliaç
Conciliação
em Histó
História na Divergência

CRESCIMENTO DA ECONOMIA
(PRODUÇ
(PRODUÇÃO – EXPORTAÇ
EXPORTAÇÃO)

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 49


6. REFERÊNCIAS

FIRJAN, SESI-SENAI-RJ. Mapa do Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro, 2006-


2015, Rio de Janeiro, Agosto de 2006.

Governo do Rio de Janeiro. Plano Estratégico do Governo do Rio de Janeiro, 2007-2010.

Macroplan. Plano de Desenvolvimento Espírito Santo 2025. Cenários Exploratórios para o


Espírito Santo no Horizonte 2006-2025, Agosto de 2006.

Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. Cenários Ex-


ploratórios de Minas Gerais 2007-2023, Fevereiro, 2007.

URANI, André. Trilhas para o Rio. Do Reconhecimento da Queda à Reinvenção do Futu-


ro, Campus-Elsiever, Rio de Janeiro, 2008.

SCHWARTZ, Peter. Cenários As Surpresas Inevitáveis. Editora Campus. 2003.

SCHWARTZ, Peter. A Arte da Visão de Longo Prazo. Editora Best Seller, São Paulo,
2000.

BALDOCK, Robert. Destination Z The History of the Future. John Wiley & SonsEngland,
1998.

POLÈSE, Mario.The Wealth and Poverty of Regions. The University of Chicago Press.
Chicago, 2009.

BOISIER, Sergio. Planning a System of Regions. Economic Commission for Latin America
(CEPAL), Santiago de Chile, 1981.

PIKKE, Andy et alii. Local and Regional Development. Routledge, London, 2006.

SACHS, Ignacy. Desenvolvimento includente, sustentável, sustentado. SSBRAE, Ga-


ramond Universitária, Rio de KJaneiro 2004.

FUERTES, Ana María y GATICA, Leonardo. De la economia global al desarrollo local,


PUV, Universitat de València, 2008.

MÉRENNE-SHOUMAKER, Bernadette. La localizsation dês industries. Nathan Université,


Liège, 1996.

PEARSON, Ian. The MacMillan Atlas of the Future, New York, 1998.

50 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


“ A sociedade que não é capaz de produzir uma utopia para o mundo
e de sacrificar-se por ele está ameaçada de esclerose e ruína.
A sabedoria, para a qual não existem quaisquer fascinações,
aconselha-nos uma felicidade e é justamente o rejeitar tal proposta
que faz de cada um de nós, uma personagem histórica, ou seja,
um partidário da felicidade “imaginada.”

in Histoire et Utopie
Cioran

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


miolo 4.agosto_Layout 1 30/08/10 19:41 Page 3
miolo 4.agosto_Layout 1 30/08/10 19:41 Page 4

Estratégia de
Desenvolvimento Regional
“Empreender se constitui pelo educar
para o sentido crítico, fazendo com
que os jovens descubram sua individualidade,
a desenvolvam ao máximo e che-
guem à liberdade de conduzir-se a si mesmos.”

Bernabé Tierno J. Valores Humanos, 1996.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


SUMÁRIO

1. DIGRESSÃO INTRODUTÓRIA.................................................................... 63
2. PRINCÍPIOS ................................................................................................ 67
3. METODOLOGIA .......................................................................................... 73
4. VISÃO DO NORTE E NOROESTE FLUMINENSE ...................................... 78
5. VETORES E ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO............................. 82
6. EIXOS DE DESENVOLVIMENTO.............................................................. 348
7. PROGRAMAS ESTRUTURANTES............................................................ 352
8. REFERÊNCIAS.......................................................................................... 356
ANEXO ....................................................................................................... 363
ANEXO I - METAS DO MILÊNIO, PNUD, ONU........................................... 364

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


LISTAS

FIGURAS

Figura 1 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Condução do Ciclo de Crescimento . 64


Figura 2 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Modelo de Crescimento Regional..... 65
Figura 3 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Bases e Riscos das Estratégias de
Desenvolvimento Regional ........................................................................................ 66
Figura 4 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Cenários do Entorno ........................ 71
Figura 5 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Crescimento Territorial Exógeno ...... 72
Figura 6 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Desenvolvimento Territorial Endógeno
.................................................................................................................................. 73
Figura 7 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metodologia Estratégica ................... 75
Figura 8 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Desenvolvimento Endógeno............. 90
Figura 9 – Expansão da Rede Ferroviária (FCA) e Rodoviária (DNIT / DER-RJ)
Regional .................................................................................................................. 141
Figura 10 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Assentamentos Precários, 2007... 160
Figuras 11 e 12 - Campos dos Goytacazes, Assentamentos Precários, 2007 ......... 161
Figura 13 - Macaé, Assentamentos Precários e Habitações Subnormais, 2007 ...... 162
Figura 14 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Divisão Regional da Saúde, 2009 219

FOTOS

Foto 1 – São João da Barra, Núcleo de Inclusão Digital .......................................... 215


Foto 2 - Campos dos Goytacazes, Condições de Vida Precárias na Periferia ......... 249
Foto 3 – São João da Barra, Telefone Público Adaptado para Cadeirantes............. 260
Foto 4 – Macaé, Ocupações Distintas do Espaço Urbano ....................................... 268
Foto 5 – Campos dos Goytacazes, Áreas Urbanas Desocupadas ........................... 269
Fotos 6 e 7 – Campos dos Goytacazes, Condições Habitacionais Precárias........... 272
Fotos 8 e 9 – Cardoso Moreira e Campos dos Goytacazes, Vista ........................... 274
Fotos 10 e 11 – Aperibé e Natividade, Vista ............................................................ 274
Fotos 12 e 13 – Italva e Laje do Muriaé, Vista ......................................................... 275
Foto 14 – Aperibé e Cambuci, Vista......................................................................... 275
Foto 15 – São João da Barra ................................................................................... 276

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Fotos 16 e 17 - Serviços Públicos Essenciais: Transporte, Comércio e Limpeza Urbana
................................................................................................................................ 276
Fotos 18 e 19 – Itaperuna, Prática de Esportes ....................................................... 293
Foto 20 – São João da Barra, Implantação do Complexo Portuário de Açu............. 296
Fotos 21 e 22 - Empresas de Macaé e Comércio Local em Campos dos Goytacazes
................................................................................................................................ 297

GRÁFICOS

Gráficos 1 e 2 – Região Norte-Noroeste Fluminense, IDC - Legislação Cultural e


Tombamento, 2009.................................................................................................... 94
Gráfico 3 – Região Norte-Noroeste Fluminense, IDC – Participação da Sociedade,
2009 ........................................................................................................................ 101
Gráfico 4 - Região Norte-Noroeste Fluminense, IDC – Calendário Cultural, 2009 ... 105
Gráfico 5 - Região Norte-Noroeste Fluminense, IDC – Instalações Específicas, 2009
................................................................................................................................ 105
Gráfico 6 - Região Norte-Noroeste Fluminense, IDC – Infraestrutura Turística, 2009109
Gráfico 7 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas de Recuperação Vegetal,
2020, 2035............................................................................................................... 117
Gráfico 8 - Região Norte-Noroeste Fluminese, Metas de Ampliação de Áreas
Protegidas, 2020, 2035......................................................................................... 120
Gráfico 9 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas de Implantação de RPPNs,
2020, 2035............................................................................................................... 121
Gráfico 10 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Superação do
Analfabetismo, 2020, 2035 ...................................................................................... 206
Gráfico 11 – Região Norte-Noroeste Fluminense Metas para Elevação da Frequência
Escolar dos Jovens, 2020- 2035.............................................................................. 208
Gráfico 12 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Elevação da
Escolaridade Média, 2020, 2035.............................................................................. 210
Gráfico 13 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Média dos Resultados do
IDEB, 2020 - 2035 ................................................................................................... 213
Gráfico 14 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Atenção Básica, 2020-
2035 ........................................................................................................................ 225
Gráfico 15 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Leitos do SUS, 2020 –
2035 ........................................................................................................................ 227
Gráfico 16 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Mortalidade, 2020 – 2035
................................................................................................................................ 230
Gráfico 17 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para a Mortalidade Infantil,
2020 - 2035 ............................................................................................................. 232
Gráfico 18 - Região Norte Fluminense, Percentual de Mães de 10 a 14 Anos e de 10 a
19 Anos - 2006 ........................................................................................................ 235

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Gráfico 19 - Região Noroeste Fluminense, Percentual de Mães de 10 a 14 Anos e de
10 a 19 Anos – 2006................................................................................................ 236
Gráfico 20 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para o Percentual de Mães
de 10 a 19 Anos – 2020 – 2035 .............................................................................. 238
Gráfico 21 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para o Percentual de Cesáreas
– 2020 - 2035................................................................................................. 238
Gráfico 22 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Diminuição do Índice
GINI – 2020 - 2035 .................................................................................................. 246
Gráfico 23 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Índice de Gini – 2003 – 2035 .... 247
Gráfico 24 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Diminuição da Pobreza –
2020 – 2035............................................................................................................. 253
Gráfico 25 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Diminuição da Indigência
– 2020 – 2035.......................................................................................................... 255
Gráfico 26 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Diminuição das Famílias
Beneficiárias do Bolsa Família – 2020 – 2035 ......................................................... 256
Gráfico 27 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Aumento do IDHM -
2020, 2035............................................................................................................... 264
Gráfico 28 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Aumento do IFDM –
2020 - 2035 ............................................................................................................. 264
Gráfico 29 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Homicídio População
Total, 2020 - 2035................................................................................................ 281
Gráfico 30 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Homicídio População
Jovem, 2020, 2035 .................................................................................................. 285
Gráfico 31 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Óbitos por Acidente de
Transporte, 2020 - 2035 .......................................................................................... 287
Gráfico 32 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Ocorrências AISPs 2009 - Metas 289
Gráfico 33 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Taxa de Desemprego e Metas
2020 - 2035 ............................................................................................................. 298
Gráfico 34 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Taxa de Participação e Metas
2020 - 2035 ............................................................................................................. 299
Gráfico 35 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Meta para a Elevação da Taxa de
Formalidade, 2020 - 2035........................................................................................ 301
Gráfico 36 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Grau de Precariedade e Metas,
2020 - 2035 ............................................................................................................. 302
Gráfico 37 - Região Norte Fluminense, Evolução na Posição dos Municípios Segundo
IQM, 1998 - 2005.................................................................................................... 303
Gráfico 38 - Região Noroeste Fluminense, Evolução na Posição dos Municípios
Segundo IQM, 1998 – 2005 ..................................................................................... 304
Gráfico 39 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Variação das Posições do IQM por
Grupo de Indicadores, 1998 - 2005......................................................................... 305

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


MAPAS

Mapa 1 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Regiões Hidrográficas .................... 125


Mapa 2 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Proposta de Ligação Viária............. 142
Mapas 3 e 4 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Contaminação das Águas Fluviais
................................................................................................................................ 153
Mapa 5 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Bacias Hidrográficas........................ 154
Mapa 6 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Bacias ............................................. 155
Mapa 7 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Número de Instituições de Ensino
Técnico, 2009 .......................................................................................................... 166
Mapa 8 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Taxa de Analfabetismo – 2000 – 2035
................................................................................................................................ 207
Mapa 9 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Frequência Escolar dos Jovens – 2000
- 2035 ...................................................................................................................... 209
Mapa 10 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Escolaridade Média – 2000 – 2035
................................................................................................................................ 211
Mapa 11 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Cobertura do Programa Saúde da
Família, 2008........................................................................................................... 224
Mapa 12 – Região Norte-Noroeste Fluminense - Cobertura do Programa Saúde da
Família, 2007 - 2035................................................................................................ 226
Mapa 13 – Região Norte-Noroeste Fluminense – Leitos do SUS, 2007- 2035......... 228
Mapa 14 – Região Norte-Noroeste Fluminense – Número de Óbitos, 2006 - 2035.. 231
Mapa 15 – Região Norte-Noroeste Fluminenses - Mortalidade Infantil, 2006 - 2035 233
Mapa 16 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Mães entre 19 – 25 anos, 2006 - 2035
................................................................................................................................ 237
Mapa 17 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Partos Cesáreos, 2006- 2035 ...... 239
Mapa 18 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Cobertura da Saúde Bucal, 2008. 241
Mapa 19 - Rio de Janeiro – Taxa de Pobreza – 2007 .............................................. 251
Mapa 20 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Proporção de Pobres - 2000 - 2035
................................................................................................................................ 252
Mapa 21 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Índice de Indigência – 2000 – 2035
................................................................................................................................ 254
Mapa 22 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Famílias Beneficiárias do Bolsa
Família – 2009 – 2035 ............................................................................................. 257
Mapa 23 - Região Norte-Noroeste Fluminense – IDHM, 2000 - 2035 ...................... 263
Mapa 24 - Região Norte-Noroeste Fluminense – IFDM, 2006 – 2035...................... 265
Mapa 25 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Homicídio População Total - 2000 -
2035 ........................................................................................................................ 282
Mapa 26 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Homicídio População Jovem – 2000 –
2035 ........................................................................................................................ 284

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Mapa 27 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Óbitos por Acidente de Transporte –
2000 - 2035 ............................................................................................................. 286
Mapa 28 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Identificação das AISPs ................ 288
Mapa 29 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Valores do IQM, 2005 - 2035......... 306

TABELAS

Tabela 1 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Remanescentes Florestais nos Seus


Municípios em Porcentagem, 2008.......................................................................... 114
Tabela 2 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Áreas Protegidas, 2008 ................. 119
Tabela 3 - Arrecadação Financeira nas Regiões Hidrográficas em 2009 ................. 126
Tabela 4 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Nível de Serviço Rodoviário Estimado
................................................................................................................................ 140
Tabela 5 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Concessionários ............................ 148
Tabela 6 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Concessionários Públicos do Serviço
de Água, 2009 ......................................................................................................... 149
Tabela 7 - Regiões Norte-Noroeste Fluminense, Abastecimento de Água Potável por
Municípios, 2008...................................................................................................... 149
Tabela 8 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Agentes Públicos dos Serviços de
Esgoto, 2009 ........................................................................................................... 150
Tabela 9 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Esgotamento Sanitário por Municípios,
2008 ........................................................................................................................ 151
Tabela 10 - Regiões Norte-Noroeste Fluminense, Resíduos Sólidos por Municípios,
2008 ........................................................................................................................ 157
Tabela 11 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Déficit Habitacional, 2009 (1) ....... 159
Tabela 12 – Estado do Rio de Janeiro, Número de Instituições Ofertantes e Número de
Curso Superior por Região ...................................................................................... 165
Tabela 13 - Estatísticas do Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq no Censo 2008
................................................................................................................................ 168
Tabela 14 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Artigos Científicos Indexados no ISI
com Autores de Instituições aí Localizadas, Publicados em 2009............................ 169
Tabela 15 - Produção dos Grupos de Pesquisa do CNPq no Censo 2008............... 170
Tabela 16 - Depósitos de Patentes no INPI no Período 1990-2005, por Região, no Rio
de Janeiro, por Tipo de Patente e Natureza Jurídica do Titular................................ 171
Tabela 17 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Indicadores das Condições de
Capacitação, Tecnologia, Financiamento e Assistência Técnica da Atividade
Agropecuária, 2006 ................................................................................................. 176
Tabela 18 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Indicadores e Metas para as
Condições de Capacitação, Tecnologia, Financiamento e Assistência Técnica da
Atividade Agropecuária, 2006 -2035 ....................................................................... 178

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Tabela 19 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Quantidade Produzida, Área
Plantada, e Produtividade da Lavoura de Café, 1995 e 2008 .................................. 179
Tabela 20 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Quantidade Produzida, Área
Plantada, e Produtividade da Lavoura de Arroz, 1995 e 2008 ................................. 180
Tabela 21 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Porcentagem da Renda Apropriada
por Extratos da População , 1991- 2000 .................................................................. 248
Tabela 22 – Região Norte-Noroeste Fluminense – Metas das Porcentagens da Renda
Apropriada por Extratos da População – 2020 - 2035.............................................. 248
Tabela 23 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Elevação da Renda Per
Capita Média - 2000 – 2035..................................................................................... 250
Tabela 24 – Região Norte-Noroeste Fluminense, AISPs, Total de Ocorrências Janeiro
a Outubro 2009........................................................................................................ 289
Tabela 25 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Estabelecimentos Esportivos, 2007
................................................................................................................................ 292
Tabela 26 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Taxa de Desemprego,
2020 - 2035 ............................................................................................................. 298
Tabela 27 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Indicadores de Ocupação, 2000 . 299
Tabela 28 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Formalidade Ocupacional - 2000 -
2007 ........................................................................................................................ 300
Tabela 29 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Informalidade e Precariedade e
Remuneração Média dos Setores Formal e Informal - 2000 .................................... 301
Tabela 30 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Confecção e Implantação
dos Planos Diretores Municipais e Regionais .......................................................... 327
Tabela 31 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Confecção e Implantação
do Arcabouço Institucional-legal Municipal e Regional com Interfaces e a Recorrência
Entre Instâncias ....................................................................................................... 328

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


indagação chave:

“quais são as condições que devem reunir as pessoas, as organizações, para


distinguir a informação útil do que nada significa, dotar-la do sentido intencio-
nal, convertê-la em competência , implantá-la nas pessoas e difundi-la ao longo
de toda a Região e, por fim, utilizá-la funcionalmente nas condições mais exigen-
tes requeridas pelo novo ambiente?”

resposta construída sobre a noção de que as pessoas devem estar permanentemente


disponíveis, ou:

"a idéia de "desaprender" enquanto uma tarefa coletiva implica o estabelecimen-


to de novos consensos, a aceitação de novas convenções,
a interiorização de novos valores, a assunção de novas perspectivas
em um marco social caracterizado pela complexidade,
a ambiguidade e a "não ordem"
e revaloriza as habilidades sociais e emocionais das pessoas,
as outras inteligências, enquanto são
as que possibilitam a criação do conhecimento."

Maturana, Humberto in
“ A sociedade em rede como sujeito
inteligente que desaprende”, 2002.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


1. DIGRESSÃO INTRODUTÓRIA
A Etapa 2, do Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado
do Rio de Janeiro, constitui a formulação da estratégia considerando o estudo retros-
pectivo correspondente à Análise Situacional, cobrindo quinze anos anteriores, e o
estudo prospectivo, correspondente aos Cenários, uma leitura dos próximos trinta e
cinco anos. O produto desta Etapa 2, o Plano Estratégico compreende então, os prin-
cípios do desenvolvimento regional, os vetores que promovem este desenvolvimento
conduzindo-os aos resultados e significados que estão reunidos nos eixos de desen-
volvimento, enquanto as estratégias orientam e atribuem viabilidade para que os veto-
res implementem o planejado, de modo a se chegar aos programas estruturantes re-
gionais, aqueles que configuram a linha mestra, central e motora, do processo de de-
senvolvimento sustentável para a Região Norte-Noroeste.

Estratégias de Desenvolvimento Regional

As regiões Norte e Noroeste Fluminense vem experimentando processos de cresci-


mento de suas socioeconomias desiguais, tanto entre elas, quanto no interior de cada
uma delas e ainda nos contextos territoriais urbanos, desde que provocados e até re-
centemente, conduzidos pela concentração produtiva que se organiza em torno do seu
espaço de exploração e operação, seja nos segmentos de bens naturais, extração ou
cultivo , seja em estruturas induzidas ou planejadas, pólos ou semelhantes. Tais pro-
cessos são cumulativos e se não houver uma instância que intervenha em sua orde-
nação, os desequilíbrios entre locais que constituem o território em que estão localiza-
das, como unidades ou grupamentos de unidades produtivas, tendem a se acentuar
com o passar dos tempos. Um aspecto essencial desta fenomenologia diz respeito à
duração das atividades econômicas que ensejam tal situação, uma vez que se vincu-
lada à atividade extrativa, esta terá uma duração limitada que, em geral se tornam
menores, se a sua exploração se reger exclusivamente pelas regras do mercado, ou
se constroem sobre alto risco no caso de “commodities”, particularmente as agrícolas,
em função dos processos concorrenciais globais. Naturalmente que, em ambos os
casos, há medidas cautelares e mitigadoras que diminuem ou controlam os riscos
sem, contudo, trazê-lo para limites toleráveis, isoladamente, no longo prazo. Observa-
se então, uma propensão a se introduzir nestes sistemas socioeconômicos uma nova
perspectiva voltada ao conhecimento, tecnologia e inovação que se sustenta pela e-
ducação, aprendizado continuado e empreendedorismo ou o cultivo da cidadania, ou
seja, assume-se intencionalmente a agregação da inteligência nas pessoas e proces-
sos, dotando-os das condições necessárias a que administrem a sustentabilidade do
que existe ou de qualquer outra forma de subsistência que eles tem competência para
determinar. Esta condição eventualmente se confunde com uma expressão bastante
comum, que resume a idéia com propriedade estrita, qual seja, a criação de economi-
as substitutas que se sucederiam preenchendo os vazios das atividades preponderan-
tes quando estas entrarem em trajetórias de declínio. Estas estratégias que já experi-
mentaram diversas modalidades e aplicações dependem essencialmente do nível e
distribuição do conhecimento das comunidades ou populações locais ou regionais, das
visões dos gestores públicos e da cultura de desenvolvimento que cada sociedade
possui. No mundo atual, o imediatismo ainda é majoritário em qualquer hemisfério,
conquanto movimentos importantes estejam despontando e obtendo resultados que
começam a introduzir novas orientações, algumas já com metas sendo pactuadas.
Outro fato que se destaca nos microcosmos dos municípios diante destes processos
de crescimentos em degraus, consiste na condição de elevação de suas receitas de

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 63


maneira extraordinária, as quais passam a ser destinadas a suprir demandas causa-
das pelo próprio crescimento cujas demandas voltam a acontecer acompanhadas de
externalidades crescentes, o sistema se realimenta e entra em circularidade. O siste-
ma se autoconsome na duração do ciclo por que passa. Não há futuro distinto daquele
que impõe o crescimento em curso. As estratégias que se desenvolveram para o Pla-
no de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste procuram sobrepassar tais
condições, enquanto modelam e habilitam a Região para assumir a partir de algumas
das iniciativas já efetivadas ou em curso e outras mais, um modo estruturado da ges-
tão de seu processo de longo prazo conduzido por suas lideranças apoiadas por suas
populações. Na medida em que o processo de crescimento continua e deve aumentar
muito, pelo que já existe programado, o primeiro desafio estratégico é ordená-lo e di-
recioná-lo segundo princípios fundamentais da distributividade ou redistributividade, na
ocupação do território regional, na oferta de trabalho e renda, na seleção e encami-
nhamento das prioridades do desenvolvimento econômico que contemplem e multipli-
quem os efeitos dos grandes empreendimentos, produções regionais típicas, produ-
ções em emergência ou potenciais já mapeadas ou a especificar, criando um mosaico
que se constitui do Plano, cuja implementação é sua montagem feita coordenada e co-
operativamente. A Figura a seguir ilustra o processo de crescimento com sequencia-
mento planejado, atendendo a experiências anteriores e ajustado ao Norte-Noroeste.
Figura 1 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Condução do Ciclo de Crescimento

CRESCIMENTO REGIONAL ACUMULATIVO

IMPULSO INICIAL

PLANO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

ATRAÇ
ATRAÇ ÃO DE NOVAS
EMPRESAS OU EXPANSÃO
DAS EMPRESAS EXISTENTES

CRESCE A ECONOMIA DA
CRESCEM TRABALHO E
AGLOMERAÇ
AGLOMERAÇ ÃO
POPULAÇ
POPULAÇÃO
REGIONAL, POLARIZAÇ
POLARIZAÇ ÃO

CRESCE O MERCADO DE MELHORA O SISTEMA DE


TRABALHO E DE INFRAESTRUTURA
PARTICIPAÇ
PARTICIPAÇ ÃO REGIONAL

AMPLIA A BASE
CRESCEM AS DEMANDAS FINANCEIRA LOCAL E
POR BENS E SERVIÇ
SERVIÇOS REGIONAL E O PODER DE
DESPENDER

AMPLIAM-
AMPLIAM-SE AS BASES DE
EXPANDE O SETOR DE
SUPRIMENTO LOCAL E
SERVIÇ
SERVIÇOS E TECNOLOGIA
REGIONAL

Fonte: Chisholm, M; Unwin Hyman.

É absolutamente importante ressaltar que o mosaico do desenvolvimento regional é


dinâmico e pode alterar o seu resultado no decurso de sua implementação, em função
de incertezas e modificações de comportamento das variáveis do Cenário, mas tam-
bém das decisões do sistema de governança regional, que estará à frente deste pro-
cesso.

64 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Considerando que a economia regional se baseia na exportação, predominantemente
de “commodities, cuja diversidade deve aumentar, procurou-se um modelo que expli-
casse o modus operandi das variáveis que definem as condições de competitividade
regional mesmo que no seu portfólio compareçam negócios monopolistas ou oligopo-
listas. A Figura a seguir ilustra o comportamento do processo de uma economia regio-
nal em crescimento em que se constata que a produtividade está associada aos resul-
tados dos exportados ou exportáveis, ou seja, crescimentos positivos da produtividade
ou das exportações reforçam-se mutuamente. O crescimento está também vinculado a
um efeito cumulativo causação, em particular as conexões das grandes empresas
propulsoras em relação à sua capacidade de geração induzida de crescimento através
das suas empresas supridoras, tanto a montante quanto a jusante da sua cadeia pro-
dutiva, em relação ao crescimento localizado na região de indústrias, serviços e co-
nhecimento. Pólos ou equivalentes podem emergir em razão da aglomeração da eco-
nomia, impulsionando o crescimento ou o desenvolvimento regional. Este paradigma
pode acontecer igualmente por indução exógena, se a região for reconhecida como
capaz de gerar os resultados pretendidos, ou uma oportunidade, em uma relação de
interdependência negociada, completamente distinta de uma relação centro-periferia,
entre a Região e os sistemas ou agentes exógenos desenvolvidos e altamente capita-
lizados.

Figura 2 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Modelo de Crescimento Regional

MODELO DE CRESCIMENTO REGIONAL


(Dixon – Thirlwall)

CAPITAL
RELATIVO AOS
CUSTOS DE
TRABALHO CRESCIMENTO MUDANÇAS CRESCIMENTO
CAPACITAÇÃO CUSTOS DA
MÃO-DE-OBRA SOCIAIS POPULAÇÃO

CRESCIMENTO
DA RELAÇÃO
CAPITAL E
TRABALHO

MUDANÇAS NOS
RESULTADO DO CRESCIMENTO DA CRESCIMENTO
PREÇOS DAS
CRESCIMENTO PRODUTIVIDADE EXPORTAÇÕES
EXPORTAÇÕES
REGIONAL DO TRABALHO REGIONAIS
REGIONAIS

TAXA DE
MUDANÇA
TECNOLÓGICA

MUDANÇAS
PREÇOS PRODUTOS
DISPÊNDIOS EM SUBSTITUTOS
P&D&I

Fonte: Armstrong, H. and Taylor, J. Blackwell.

Um processo de desenvolvimento regional, ainda que em um ambiente favorável de


crescimento, particularmente quando este se estrutura em grandes empreendimentos,
investimentos vultosos, commodities (mercados de exportação), entre outros, caso do
Norte-Noroeste Fluminense, possui uma alta complexidade, estando associados a
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 65
grandes riscos desde que nele subsistem escalas, competições de mercado e políti-
cas, disputas tecnológicas e espaciais/territoriais, jogos e apostas de negócios e inte-
resses, diacronias, entre outras condições, que exigem uma governança regional mui-
to qualificada, estruturada e realimentada de informações continuadamente. Certa-
mente que se reconhece como estratégico que este desenvolvimento deve permear
todo o território regional abrangendo a todos os grupos e organizações, que a descen-
tralização do poder é que viabiliza a existência da Região mediante a verticalização da
cooperação entre os níveis lógicos de governo e a cooperação horizontal entre organi-
zações públicas, privadas e do terceiro setor, que uma abordagem sistematicamente
territorial orienta a utilização dos potenciais de cada área para elevar as condições
dessas economias locais ao patamar de atividades da economia regional, que a provi-
são das condições chave para a instalação do desenvolvimento econômico substitui
com vantagens medidas assistenciais clássicas tais como incentivos, doações, finan-
ciamentos e similares.

Figura 3 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Bases e Riscos das Estratégias de


Desenvolvimento Regional
DEPENDÊNCIA
EXÓ
EXÓGENA

RISCO FUNDOS RISCO


FUNDOSCAPITAL
CAPITAL
INVESTIMENTO
DIRETO
PRÓ
PRÓPRIO
HARMONIZANDO INVESTIMENTO
HARMONIZANDO INVESTIMENTO
E EMPRESAS LOCAIS
E CONHECIMENTO E TRABALHO

GIRANDO CONHECIMENTO
EMPRESAS GIRANDOAA CONHECIMENTO
&& FLUIR DA
REGULAÇ
REGULAÇÃO DO EMPRESAS ATIVIDADE
INCENTIVO LOCAIS/GLOBAIS
LOCAIS/GLOBAIS
ATIVIDADE CAPACITAÇ
CAPACITA ÇÃO
CAPACITAÇÃO INTELIGÊNCIA
ECONÔMICA
ECONÔMICA PROFISSIONAL
PROFISSIONAL

HARMONIZANDO
EMPRESAS E INFRAESTRUTURA
HARMONIZANDO HABILIDADES,
TRABALHO E INFRAESTRUTURA

INFRAESTRUTURA
INFRAESTRUTURA
&&
SERVIÇ
SERVI ÇOS
SERVIÇOS
RISCO RISCO

ACESSO PELOS
CONCORRENTES

Fonte: Rodríguez-Pose, A. et alii.


Há, no entanto, outras estratégias de desenvolvimento regional generalizadas, que
produzem benefícios sociais e vantagens comparativas pouco percebidas. Na medida
em que as pessoas da Região Norte-Nordeste que tiveram limitado controle sobre a
atividade econômica que ocorria em seu território, tomar conhecimento do que se pla-
neja e assumir a sua co-construção, utilizando dos vetores e estratégias de desenvol-
vimento regionais, elas começarão a desenvolver um grau de autonomia e a adotar
posturas e instâncias proativas, formação de coalizões relativas à sustentação do de-
senvolvimento e do futuro de sua economia, sistema social e políticas. A transparência
e a comunicação do processo induzem o desenvolvimento da sociedade civil das vá-
rias localidades que compõem a Região. A inserção da economia no território, tornan-
do-o co-responsável especificamente pelos seus resultados, assim como assegura o
66 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
desenvolvimento e o emprego, atribui às empresas capacidade de enfrentar as mu-
danças do ambiente da economia global. O envolvimento dos formadores de opinião e
acionistas regionais e o enraizamento das atividades produtivas no território viabilizam
o desenvolvimento dos capitais intangíveis, com a melhoria da qualificação, elevação
da renda e movimentação do sistema socioeconômico regional. Em contrapartida, há
condições de risco, desfavoráveis, sejam elas negativas e antagônicas, entre as quais
se constatam como de maior probabilidade, longos tempos de resposta, perda de efi-
cácia por decisões mal balanceadas, populistas ou voltadas para o curto prazo, pres-
sões de grupos de interesse endógenos e exógenos, inflação de preços, entre outras
possibilidades.
2. PRINCÍPIOS
“Only cultural regions have the capacity to develop
“from within” because only they have a collective
sense of who they are and because they know
their presence in the world makes a difference.”

John Friedmann
As sociedades tradicionais se constituíram principalmente como sociedades territoriais
que possuíam certa autonomia. Neste tipo de sociedade, se conferia às pessoas a sua
identidade, ou seja, as pessoas eram de alguma parte. Em consonância com esta li-
nha do pensar, não obstante não persistir mais a atribuição estrita da identidade, cada
território continua a operar como um sistema relativamente fechado, que busca em si
mesmo as suas fontes de autoprodução ou a sua autopoiesis. Para tal, necessitam de
uma regulação horizontal que não se aplica e nem responde à multifuncionalidade
introduzida pelos movimentos estruturais da produção associada às tecnologias e os
que lhe sucederam. Diante deste quadro, emergiu a regulação vertical e os conflitos
decorrentes da contraposição das relações de proximidade, típicas das sociedades
antecedentes à revolução industrial e o advento das gerações consecutivas de energi-
as e tecnologias a elas vinculadas, quando apareceram como predominantes as rela-
ções de racionalidades das lógicas que regem os ambientes empresariais complexos
da atualidade. O desenvolvimento regional foi a forma usual da reprodução social dos
tempos anteriores e voltou há algumas décadas, como uma proposta e resposta ao
crescimento desmesurado da complexidade dos estados, que não conseguiram mo-
dos e mecanismos de promover a distributividade da autoprodução social nos seus
territórios, nem da sociedade que não produziu flexibilidade e adaptabilidade capazes
de constituir soluções próprias para sua inserção e participação nos processo e de-
senvolvimentos nacionais. Assim, surgiram conceitos e formulações bastante elabora-
dos do que constitui o desenvolvimento regional no sentido de orientar os resultados
desejados pelas sociedades. Um dos mais simples e objetivo, de autoria de Sérgio
Buarque, diz que o desenvolvimento regional é um processo endógeno que se obser-
va em territórios delimitados e com agrupamentos humanos capazes de promover o
dinamismo de sua economia e a melhoria da qualidade de vida de sua população.
Apesar de constituir um movimento de forte conteúdo interno, o desenvolvimento regi-
onal sempre está inserido em uma realidade mais ampla e complexa, com a qual inte-
rage e da qual recebe influências e pressões positivas e negativas.” E este autor am-
plia e complementa o conceito ao afirmar que “o desenvolvimento regional, dentro da
globalização, é um resultante direta da capacidade dos agentes e da sociedade regio-
nais se estruturarem e se mobilizarem, com base nas suas potencialidades e na sua
matriz cultural, para definir e explorar suas prioridades e especificidades, buscando a
competitividade num contexto de rápidas e profundas transformações.”
De fato, o desenvolvimento regional consiste no desafio ou resposta às oportunidades
que se apresentam para os territórios regionais que assumem a sua condição de cen-
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 67
tro de inovação e de comércio em escala internacional, de centro de gestão do global
no sistema técnico econômico da atualidade em três aspectos: a produtividade e a
competitividade, a integração sócio-cultural e a representação e articulações políticas.
Os exercícios de desenvolvimento regional que se destacaram apontaram alguns fato-
res de sucesso comuns, quais foram o talento empresarial, a flexibilidade da organiza-
ção da produção e de integrar os recursos das empresas e do território, núcleos de
produção industrial distribuídos espacialmente no território e a existência de um agen-
te individual ou coletivo capaz de atuar como coordenador/catalizador para mobilizar e
direcionar os potenciais autônomos. Em decorrência da globalização, o crescimento
de uma região, na medida em que o seu recorte territorial se torna cada vez menor em
relação à matriz de agentes que controla os fatores de crescimento da sua economia
(acumulação de capital, acumulação do conhecimento, capital humano, macro políti-
cas econômicas e mercado externo), que se torna cada vez mais exógena, ocorre o
distanciamento cada vez maior do crescimento em relação à matriz social regional.
Com isto, o desenvolvimento endógeno se legitima ainda mais, devido à sua estreita
inter-relação com a cultura regional e com o marco de valores que dela emana. Fica
claro que o desenvolvimento endógeno se produz, portanto, como resultado de um
processo estruturado de articulação dos agentes regionais e das formas variadas de
capital intangível, em uma condição preferencial de um projeto político coletivo de de-
senvolvimento do território.
Com relação ao processo de desenvolvimento regional há dois aspectos complemen-
tares a se considerar: a descentralização e o modo ascensional de realização do de-
senvolvimento habitualmente conhecido como “de baixo para cima”, ou seja, constituí-
do a partir do envolvimento das pessoas que constituem as comunidades ou os grupos
representativos da população regional. Descentralizar sempre implica em uma redis-
tribuição do poder e em se ter instituições que o compartilham com o Estado ou com a
União, portadora de personalidade jurídica própria e independente, com recursos e
orçamentos próprios que sustentam as suas funções próprias. A descentralização a-
brange as dimensões funcional, territorial e política. A funcional leva à emergência de
organizações regionais com competências restritas, enquanto a territorial vale para
cada âmbito geográfico preestabelecido. Nos casos da descentralização política, no
entanto, emerge a figura de uma entidade de gestão regional, de sua governança, que
se estabelece vinculada a um processo democrático de eleição pública entre os pares,
para administrar com representatividade e legitimidade. A descentralização aumenta a
complexidade da Região e expande a condição de existência de um processo de de-
senvolvimento sustentável regional, na medida em que permite a tomada de decisões
quanto às opções de seu desenvolvimento, apropriando-se de parcelas dos exceden-
tes de sua economia, ou captando poupança exógena a fim de realimentar o que de-
seja vir a se implementar como via(s) de seu desenvolvimento.
Já o movimento de desenvolvimento de baixo para cima e para dentro (“bottom up in”)
se realiza diretamente junto aos ambientes histórico-culturais, socioambientais e /ou
institucionais, de modo que o desenvolvimento ocorra baseado na mobilização integral
das pessoas, dos recursos naturais e institucionais, e há diversas estratégias de equa-
lização efetiva e de desenvolvimento da consciência grupal reconhecidas para fazer
com esta integração dê resultados muito positivos.
Entre elas figuram:
• acesso regulado e planejado à terra e aos recursos naturais para alavancar o
primeiro estágio de desenvolvimento regional sustentável;
• regularização fundiária e da propriedade para a participação apreciada do territó-
rio no processo de desenvolvimento;

68 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


• melhoria no transporte e comunicação rural-cidade e rural-rural no sentido de
regular os fluxos, assegurar a mobilidade e os deslocamentos e incluir, em igual-
dade de condições, as populações urbanas e rurais;
• introdução de modos de decisão comunitários conferindo equanimidade aos es-
tratos sociais para a formação de uma consciência coletiva regional;
• geração de excedentes exportáveis de produção nas unidades microrregionais,
desde que tal condição não deteriore a qualidade de vida das pessoas destas a-
glomerações;
• ajuda externa para projetos ambientais que compensem danos anteriores, cau-
sados ao longo dos tempos;
• incorporação de tecnologias que aumentem a produtividade regional enquanto
estendem a vida útil de seus recursos naturais, o que leva ao aumento da razão
resultado/trabalho regional, numa perspectiva de longo prazo.
Na verdade, tais considerações não modificam a condição de que os processos de
crescimento não aparecem simultaneamente em todas as p[artes de um território, ao
contrário, eles se manifestam de maneira esparsa no que se convencionou chamar
pólos ou arranjos produtivos ou “clusters”, com intensidades e tempos variáveis e se
desdobram de diversas maneiras, permeando por diversos meios no território com
resultados diferenciados para o conjunto da economia. Tanto a descentralização quan-
to os processos de baixo para cima ou de cima para baixo, em casos de economias de
planejamento centralizado, contribuem para se constituir uma governança regional que
proporcione o desenvolvimento com o crescimento. Uma outra observação empírica
relevante diz respeito à fenomenologia dos processos de crescimento recentes de
regiões e países emergentes, nos quais constituiu fator decisivo à efetivação da lógica
funcional do seu crescimento, ou seja, a presença de empresas, ou grandes empresas
em determinados estágios de seu processo, particularmente concentradas em áreas
urbanas ou espaços dedicados (vilas, parques ou distritos industriais, de empresas, de
produção ou denominação similar). No entanto, esta mesma observação, além de dis-
tinguir os processos de crescimento do de desenvolvimento, explica a condição pela
qual o desenvolvimento ocorre e se sustenta com base na existência de fatores que
levam à produção e acumulação de intangíveis, os quais se encontram agrupados em
nove classes em que se inclui uma a mais, habitualmente designada como humana,
que corresponde, de fato, às sinergias que surgem e se multiplicam pela existência
dos outros capitais que compõem tais intangíveis. Os estudos evidenciam também, o
que é da maior importância, que os capitais intangíveis e particularmente as sinergias
se desenvolvem com muito mais facilidade e fertilidade em espaços territoriais meno-
res, em que os efeitos de proximidade fazem com que as pessoas e grupos constitu-
am espaços de convivências persistentes, unidos pela mesma etnografia ou cultura.
Esta a explicação da estratégia bem sucedida de centenas de iniciativas de desenvol-
vimento com êxito obtidas da nucleação dos territórios em todos os países do mundo,
tanto ocidentais quanto orientais, que adotaram a criação de zonas, pólos, rotas, ..., de
desenvolvimento, inseridos esparsamente nos grandes territórios. Assim, a Região
Norte Fluminense constitui-se como um território menor no Estado do Rio de Janeiro,
no Brasil e no contexto das províncias produtoras de “commodities” internacionais. De
maneira análoga, os eixos ou aglomerações Macaé – Campos dos Goytacazes (pro-
dutos fósseis), Itaocara-Santo Antônio de Pádua-Itaperuna (calcário, rochas e pedras
decorativas), Laje do Muriaé-Itaperuna-Campos dos Goytacazes-São João da Barra-
Quissamã-Macaé (logística), os municípios da Baixada Campista (etanol, açúcar e
derivados), os da Região Noroeste de Altitude (café) ou de Vale (olericultura), ou o
Norte-Noroeste de terras devolutas e improdutivas (silvicultura), ou Aperibé e Itaperu-
na (a fundição e metal-mecânica), Santo Antônio de Pádua-Itaperuna-Campos dos
Goytacazes-São João da Barra-Quissamã-Macaé (negócios de exportação), ou ambas
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 69
as Regiões (produção de alimentos in natura e beneficiados e fornecimento de pesso-
as educadas e formadas ou qualificadas), entre outras configurações e sem citar todos
os municípios que integram cada um deles, constituem subterritórios, pólos ou arran-
jos, perfeitamente capazes de prover um desenvolvimento sustentável nos seus espa-
ços territoriais e no território do Norte Fluminense.
Reitera-se, portanto, que o desenvolvimento regional constitui-se como um processo
endógeno que adquire a qualidade da descentralização, que pode operar com cresci-
mentos definidos tanto de baixo para cima quanto de cima para baixo, em geral sobre
os dois movimentos, o que lhe atribui permeabilidade e capilaridade. A nucleação ge-
ográfica faz parte da essência do processo de desenvolvimento (e do crescimento,
igualmente), o que determina um arranjo, por exemplo, tipo mosaico ou rede em hiper-
texto. Esta condição introduz o conflito entre território e função, resolvido pela interme-
diação das regulações horizontal e vertical.

Questões técnicas, abrangendo o crescimento da complexidade e das escalas na e-


conomia do Norte Fluminense, podem representar severas restrições à instalação do
processo de desenvolvimento regional, mantendo um estado ou regime de crescimen-
to sem desenvolvimento, em função da diacronia entre as condições mercantis exigi-
das pelos mercados e a situacional característica do sistema social da Região, que
depende da evolução e acumulação dos capitais intangíveis, que demandam tempos
longos, regra geral, para se ajustar às mercantis. Esta situação, crítica, exige que se
trabalhe qualitativamente, monitorando com rigor e proximidade, as leis da variedade
que estabelecem, entre outras, que “níveis distintos de complexidade requerem esca-
las distintas e homólogas de intervenção”. Vale lembrar que a complexidade “é a in-
formação que falta para poder compreender e descrever completamente o seu entorno
ou a si próprio e que somente a complexidade pode reduzir (ou absorver) a complexi-
dade” (Luhmann). Nesta linha de raciocínio, é muito importante a compreensão de que
o desenvolvimento da Região Norte tanto ocorre pela inserção de sua socioeconomia
na economia fluminense e mundial quanto, no Norte, está inserida a socioeconomia
estadual e global. Este modo de interação sobre complexidades realça as recursivida-
des endógenas e exógenas que estão presentes nas articulações e transformações
que viabilizam o desenvolvimento.

Para o entendimento de como esta interação acontece, estão apresentados na Figura


a seguir, os cenários do entorno ou que prevalecem no meio ambiente exógeno à Re-
gião Norte Fluminense, que explicam os modos de seu relacionamento que justificam,
com propriedade, as opções concretas que dispõe a Região para se orientar em dire-
ção ao Cenário Emergência, considerado como a referência onde ela pretende chegar
e permanecer. Na Figura, os três cenários do entorno ou circunvizinhança cobrem os
aspectos contextual, estratégico e político. No que diz respeito à situação contextual,
esta se define como a interseção entre dois processos contemporâneos, o primeiro de
natureza econômica, a abertura para o mercado externo – que para ela já existe há
séculos -, e o segundo de natureza política, correspondendo à abertura interna, com a
descentralização do poder político dos estados – que ela ainda não experimentou.
Enquanto a abertura comercial faz parte do processo multidimensional da globalização
recente, como expressão funcional e geográfica da emergência do movimento do capi-
talismo tecnológico, constituído pelos países industrializados, que pressionou pela
descentralização dos governos na medida em que nos mercados a que deu origem,
mais do que nos anteriores, não se consegue competitividade com estruturas de deci-
são centralizadas, salvo em condições de monopólio. No ambiente estratégico, ade-
rente à situação contextual caracterizada, há novas modalidades de operação territori-
al que se estruturam sobre uma geografia política que se organiza de acordo com a
lógica das economias de cada território, utilizando modus virtuais e associativos que
70 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
propiciem a condição de sua governança e operação competitivas, enquanto no plano
da gestão se assumem critérios avançados da política para modificar as condições de
dependência e dominação, concomitantes com critérios empresariais de ponta, para
elevar a efetividade dos governos. No âmbito da política, a modernização do Estado
deve ser entendida como a sua capacidade de exercer tanto a condução da política
(clássica) quanto a condução territorial (recente) de um lado e, do outro, em contrapar-
tida, deve reinventar os modos de governança territorial com competências para as-
sumir essas suas novas funções regionais como gestor político e animador social.
Figura 4 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Cenários do Entorno

Novo Entorno de Desenvolvimento Regional

ABERTURA EXTERNA GLOBALIZAÇ


GLOBALIZAÇÃO

CENÁ
CENÁRIO
SITUACIONAL
ABERTURA INTERNA DESCENTRALIZAÇ
DESCENTRALIZAÇÃO

NOVA ORGANIZAÇ
ORGANIZAÇ ÃO REGIÕES--PÓLO
REGIÕES
TERRITORIAL ASSOCIATIVAS VIRTUAIS
CENÁ
CENÁRIO
ESTRATÉ
ESTRATÉGICO
NOVA GESTÃO QUASE ESTADOS
TERRITORIAL QUASE EMPRESAS

ESTADO
SOCIAL E TERRITORIALIDADE
MODERNO ATUAL
CENÁ
CENÁRIO
POLÍ
POLÍ TICO
GESTÃO DA INCLUSÃO, INDUÇ
INDUÇÃO
NOVAS FUN
FUNÇ
ÇÕES ECONOMIA, PARCERIZAÇ
PARCERIZAÇÃO,
GOVERNO & REGULAÇ
REGULAÇ ÃO DISTRIBUTIVIDADE, COMPARTILHAR

Fonte: adaptado de Boisier, S. et alii

O processo de crescimento da economia de uma região, Figura a seguir, possui uma


racionalidade que está associada ao conjunto de vetores que se identificam com o seu
crescimento, ou seja, os capitais financeiro, o conhecimento e a tecnologia e o capital
humano, incluindo a sua condição de gerar sinergias e, em uma outra dimensão, com
os vetores que correspondem à ordenação política, cultural e econômico que abran-
gem o projeto de país que ordena e atribui papéis e/ou contribuições às diferentes
regiões ou sub-regiões de seu território, as políticas nacional e regional que adotam
orientações coincidentes ou divergentes em relação a cada uma das economias res-
pectivas e, finalmente, o atendimento dos mercados ou demandas externas (exporta-
ções incluídas). Como conseqüência da globalização, a matriz de agentes decisores
que opera atrás destes seis vetores tende a se afastar e separar-se da matriz dos de-
cisores regionais. Com isto, a região se distancia da possibilidade de gerir o seu pró-
prio crescimento, o que a obriga a se mobilizar e organizar para potencializar sua ca-
pacidade de influir nas decisões pertinentes, entre elas, o fluxo de ingresso de capitais
externos e a sua destinação, o desenho e a aplicação de instrumentos de política e
regulação econômica, a escolha dos mercados preferenciais para seus produtos, a
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 71
internalização e geração interna parcial do conhecimento e da tecnologia que lhe ga-
rantam uma posição de decisão, alternativas de localização estratégica dos empreen-
dimentos em seu território atendendo, por exemplo, a um processo endógeno de dis-
tributividade, entre outras. Essa capacidade de participar e decidir na co-construção de
seus processos de crescimento e de buscar promover o maior número e volumes de
capitalizações regionais envolve negociações e verdadeira transformação cultural de
como a Região se posiciona frente a processos com os seus fatores mais importantes
controlados exogenamente.
Figura 5 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Crescimento Territorial Exógeno

Crescimento Territorial Exó


Exógeno

VETORES
ORDEM POLÍ
POLÍTICA ECONÔMICA MERCADOS
PROJETO NACIONAL &
POLÍ
POLÍTICA &
ORDENAMENTO NACIONAL & REGIONAL
CULTURAL DEMANDAS EXTERNAS
POLÍ
POLÍTICO-
TICO-TERRITORIAL
ECONÔMICA

GERENCIAMENTO
COM
TRANSFORMAÇ
TRANSFORMAÇÕES
PROATIVAS

VETORES CAPITAL
CONSTITUIÇ CAPITAL CAPITAL
CONSTITUIÇÃO CONHECIMENTO
RIQUEZA FINANCEIRO HUMANO
& TECNOLOGIA

Fonte: adaptado de Boisier, S. et alii


Ao se levar e conta o processo de desenvolvimento da Região Norte o conceito de
desenvolvimento endógeno constitui a conquista de um contexto ou de um momentum
que proporciona capitalizar o potencial dos seres humanos para transformá-los em
pessoas, integrantes sociais de comunidades, na sua dimensão múltipla biológica e
espiritual. Trata-se, com efeito, de se considerar desenvolvimento como um marco
construtivista, axiológico, humanista, que depende para o seu existir da autoconfiança
coletiva na sua capacidade para “inventar” e aplicar recursos, mobilizar e bem utilizar
os já existentes e atuar de forma cooperativa e solidária, desde o próprio território,
realimentando o processo para garantir a sua continuidade.
Enquanto processo e resultado intangíveis, o desenvolvimento resulta de uma matriz
de fatores causais igualmente intangíveis, cuja identificação, em grupos, propicia uma
taxionomia constituída pelo que se convencionou chamar capitais intangíveis, quais
são: cognitivo, histórico-etnográfico ou cultural, simbólico, cívico, institucional, social,
psicossocial, humano e lingüístico. Neste conjunto comparece ainda, como elemento
de aglutinação e interação promovidas pela presença humana, o capital sinergético
que integra os demais capitais em uma unidade ou conjunto, promovendo a ampliação
das quantidades e dos significados resultantes.
72 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
A Figura seguinte expõe o inter-relacionamento destas variáveis, cabendo mencionar
que o grau de endogeneidade corresponde ao quanto a governança regional conse-
gue constituir em termos de seu poder de decisão da Região quanto à sua intervenção
ou participação nos processos estruturais de crescimento e desenvolvimento, distintos
mas não independentes, sejam eles exógenos ou próprios.
Figura 6 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Desenvolvimento Territorial Endógeno

Desenvolvimento Territorial Endó


Endógeno

cognitivo, simbó
simbólico, cultural, social,
cívico, etnográ
etnográfico, psicossocial,
humano, linguí
linguístico,
stico, institucional

ESTOQUE DE
GRAU DE
CAPITAIS
ENDOGENEIDADE
INTANGIVEIS

DESENVOLVIMENTO DO
SISTEMA TERRITORIAL
COM SINERGIAS

POTENCIAL DE ATITUDE MENTAL


CRESCIMENTO COLETIVA POSITIVA

capacidade para inventar/criar,


mobilizar intangí
intangíveis

Fonte: adaptado de Boisier, S. et alii


3. METODOLOGIA
O Plano Estratégico, que integra o Plano de Desenvolvimento Sustentável das Regi-
ões Norte e Noroeste do Estado do Rio e Janeiro, reúne o conjunto das grandes e
melhores escolhas que orientarão a construção do futuro integrado destas duas regi-
ões, no horizonte 2035.
Partindo dos trabalhos que estabeleceram a análise da situação antecedente até a
atualidade, representada pelo ano de 2009, exposta nos conteúdos da Análise Situa-
cional e da Avaliação da Relação Situacional dos Mercados e as alternativas do que
pode vir a acontecer nas décadas subsequentes, retratadas nos conteúdos dos Cená-
rios Prospectivos, o conhecimento abrangente da situação em que se encontram as
duas regiões na trajetória da evolução histórica de cada uma delas, assim como a lei-
tura das oportunidades e riscos associados às incertezas da história projetada, permiti-
ram estruturar uma metodologia específica para se formular a estratégia do desenvol-
vimento regional do Norte e Noroeste fluminense.
Esta formulação inter e multidisciplinar se realizou em co-construção pelo grupo de
especialistas da Equipe de Projeto, quanto através de oficinas da Rede Social com
lideranças regionais, entrevistas e questionários e sessões especiais de trabalho, que
também incorporaram uma grande variedade de proposições e observações da primei-
ra etapa deste planejamento. Esta sucessão de procedimentos funcionou como ins-
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 73
tâncias de validação, em que se constatou uma convergência e aceitação generaliza-
da quanto aos aspectos mais importantes da estratégia de desenvolvimento para a
Região integrada.
A metodologia concentrou-se nas seguintes etapas, mais importantes:
• identificação dos vetores de desenvolvimento regional que constituem os condu-
tores ou motores do processo de desenvolvimento das regiões integradas;
• construção da matriz de desenvolvimento com as inter-relações entre vetores e
áreas especializadas de desenvolvimento, no caso os nove domínios de conhe-
cimento e atuação selecionados para a Etapa 1, quais são histórico-etnográfico,
político-administrativo, institucional-legal e regulação (acrescentada), economia,
sistema social (incluindo a democracia social e a rede social regional), infraestru-
tura e serviços públicos, meio ambiente natural e meio ambiente modificado;
• caracterização das interseções múltiplas para a composição futura dos integran-
tes dos programas de desenvolvimento;
• identificação e formulação dos eixos estratégicos que constituem onde se pre-
tende chegar em cada grupo de vetores representando a acumulação desejada
de um ou de uma combinação de capitais intangíveis;
• caracterização e explicação da situação atual e da evolução provável ou possí-
vel para cada vetor de desenvolvimento, no horizonte prospectivo, com a fixação
de metas viáveis, mensuráveis sempre que possível;
• ajustes e compatibilizações das condições preestabelecidas nos eixos de desen-
volvimento em função da evolução dos vetores que nele comparecem ou inter-
vem;
• formulação das estratégias para cada vetor de desenvolvimento em relação a
cada um e todos os eixos de desenvolvimento, observando-se que as estratégias
reúnem como devem ser as iniciativas para fazer com que cada um e todos os
vetores contribuam para a consecução de cada eixo de desenvolvimento;
• estabelecimento dos programas estruturantes que constituem a integração de
mais de um vetor para a realização de um conjunto de ações que permitirá à Re-
gião incorporar os eixos de desenvolvimento às suas realidades quotidianas.
Em todo este trabalho, assumiram-se três pressupostos essenciais:
• a integração das duas regiões Norte e Noroeste, considerando que é altamente
recomendável que operem juntas, compartilhando os benefícios e complementa-
ridades e escalas e outros aspectos, segundo princípios de participação isonômi-
cos, sem transferências e cessões, mas com polarização e fertilização cruzadas
respeitando-se a unidade cultural de séculos de coexistência e convivência con-
junta;
• a busca do deslocamento das regiões, na sua atuação integrada, para se dire-
cionar, qualificar e ocupar posição no Cenário Emergência, ou seja, no primeiro
quadrante, aquele que se apresenta como o mais desejável e que produzirá o
melhor acervo de resultados e significados com sustentabilidade para sua popu-
lação. Recorde-se, portanto, que as estratégias visam conduzir o sistema para
exercer essa sua condição de agente na construção de seu futuro desejado nes-
te cenário, podendo eventualmente ocorrer o Cenário Conciliação de Divergên-
cias, ou seja, quarto quadrante, em função do posicionamento do sistema eco-
nômico regional na sua condição de inserção global;
• as visões de futuro desejada por sua população para a Região, construídas ao
longo deste desenvolvimento e, particular e especificamente, nas oficinas e ma-
nifestações recebidas de seus representantes (constam do Capítulo seguinte).
74 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Em consonância com o exposto, este Plano Estratégico tem por objetivo e propicia:
• antecipar e sinalizar ações e iniciativas para promover o desenvolvimento das
Regiões Norte e Noroeste Fluminense, segundo planejamento estruturado, no
qual o seu sistema de governança se qualifique para administrar esse processo,
capitalizar, constituir e multiplicar oportunidades, minimizar ou isolar riscos, pro-
duzindo os resultados esperados para a sua sociedade e a sociedade brasileira;
• priorizar o desenvolvimento persistente dos intangíveis regionais e dos proces-
sos de transformação socioeconômicos e ambientais regionais que produzam
qualidade de vida e equidade sustentáveis para a sua população, vizinhanças e
para o Estado do Rio de Janeiro;
• manter a aderência e a sua contribuição esperada em relação aos programas
estruturantes ou equivalentes do Estado do Rio de Janeiro e do país, antecipan-
do-se ao atendimento de suas necessidades naquilo que constitui os seus dife-
renciais;
• constituir os instrumentos e meios que proporcionem a autonomia e sustentação
do seu processo de desenvolvimento e da governança regionais, em particular e
especialmente a sua capacidade de financiar investimentos, a sua capacidade de
produzir e administrar conhecimento e a sua capacidade de empreender;
• implementar e disseminar, em todo o seu território, a cultura do desenvolvimento.

A Figura a seguir apresenta uma representação esquemática das atividades principais


da metodologia, ajustada em sua constituição para atender à situação do planejamen-
to das Regiões Norte e Noroeste Fluminense, na qual a linha tracejada corresponde a
uma interação múltipla quase simultânea e as linhas pontilhadas traduzem contribui-
ções de assuntos em desenvolvimento que constarão do programa de desenvolvimen-
to, objeto da Etapa 3, subsequente.
Figura 7 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metodologia Estratégica

METODOLOGIA FORMULAÇ
FORMULAÇÃO ESTRATÉ
ESTRATÉGICA

AVALIAÇ
AVALIAÇÃO
SITUACIONAL

VETORES & EIXOS


ESTRATÉ
ESTRATÉGIAS

PROGRAMAS
ESTRUTURANTES

GOVERNANÇ
GOVERNANÇA

“FUNDING”
FUNDING” REGULAÇ
REGULAÇÃO

PLANO
ESTRATÉ
ESTRATÉGICO

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 75


miolo 4.agosto_Layout 1 30/08/10 19:41 Page 5
miolo 4.agosto_Layout 1 30/08/10 19:41 Page 6

Visão do Norte e
Noroeste Fluminense
miolo 4.agosto_Layout 1 30/08/10 19:41 Page 7

4. VISÃO DO NORTE E NOROESTE FLUMINENSE

2010

Norte e Noroeste Fluminense, integração regional inteligente, comprometida com a pro-


moção do seu desenvolvimento com equidade, qualidade de vida e sustentabilidade para
sua população.
miolo 4.agosto_Layout 1 30/08/10 19:41 Page 8

2025

Norte e Noroeste Fluminense desenvolvimento sustentável em todo o território com


qualidade de vida e todos os seus cidadãos incluídos.

2035

Norte e Noroeste Fluminense a melhor região para se viver, trabalhar e investir, que aproveita
suas condições diferenciais entre as quais o maior acervo de capitais intangíveis do país,
para constituir e manter a mais diversificada economia regional sustentável brasileira, sem
exclusão social.
“...as organizações sociais, no transcorrer do século XXI, estão substituindo os seus fundamen-
tos da territorialidade, da presença e da proximidade entre as pessoas e o novo espaço social,
pelas inter-relações humanas reticulares, representacionais e que se produzem à distância.
Assim, sobrepassam as fronteiras geográficas e políticas constituindo um espaço social dester-
ritorializado, uma metástase do ego, que se caracteriza pela heterogeneidade, transnacionali-
dade, interdependência e consumo pelo entorno exógeno, que se sobrepõe aos povos e às
cidades, sem destruí-los fisicamente, na medida em que passam a operar nas sociedades do
conhecimento, como cidadãos do mundo .”

Sáez Vaca et alii,


Temas básicos de innovación tecnológica em las empresas.
ETS Ingenieros, Madrid, 2003.

Edgar Morin,
Introdução ao Pensamento Complexo.
Barcelona, 2004.

80 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


miolo 4.agosto_Layout 1 30/08/10 19:41 Page 9

Vetores e Estratégias
de Desenvolvimento
5. VETORES E ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO
A) MÓDULOS HISTÓRICO E ETNOGRÁFICO
Autora Coordenadora:
Elisiana Alves
1. INTRODUÇÃO

Foi o mundo da cultura que primeiro aceitou o desafio de mudar, de criar um outro Brasil;
sem pobreza e sem a arrogância dos ricos. Sem miséria definitivamente.
É pela brecha da cultura que poderemos dar o salto do reencontro do país com sua cara.
Um Brasil totalmente simples, mas radicalmente humano.
O que importa é alimentar gente, educar gente, empregar gente.
E descobrir e reinventar gente - é a grande obra da cultura.

Herbert de Souza
A leitura da história e da etnografia das Regiões Norte e Noroeste Fluminense, consi-
derado integradas como uma unidade revela uma história da ocorrência, ao longo dos
últimos séculos, de consecutivos ciclos econômicos baseados na produção de “com-
modities” agrícolas, num primeiro momento, e energéticas, no segundo, caracterizan-
do uma condição persistente de interdependência com os mercados e bolsas de mer-
cadorias internacionais e com as condições de sustentação da economia nacional, na
medida em que os volumes ali produzidos constituíram, cada um à sua época, partici-
pações majoritárias no atendimento às demandas internas do país, em simultaneidade
com as exportações. Levando-se em conta a situação geográfica, a Região está inse-
rida no Estado da Federação que, em quase todo o período considerado, abrigou a
capital do Império e da República, metrópole que concentrou o poder político e de de-
cisão nacionais. Há acentuadas diferenças escalares entre a sua socioeconomia, mui-
to pequena, em relação à da Região Metropolitana da cidade do Rio de Janeiro. Dian-
te destas e outras condições, o Norte-Noroeste vem convivendo com uma condição
político-cultural na qual as manifestações e intervenções exógenas tem predominado e
influenciado diretamente o sucesso e/ou insucesso de sua economia e a sua susten-
tabilidade e/ou provocado descontinuidades. Este estado, que perdura desde os idos
da Colônia, criou uma cultura regional com uma diversidade muito rica, mas que ainda
não produziu a sua emancipação, ou seja, ainda não há um sistema ativo e efetivo de
governança regional conduzindo programas e proposições quanto ao seu desenvolvi-
mento integrado. A análise inter e multidisciplinar da situação atual evidencia, então,
cinco vetores principais do domínio histórico-etnográfico, indispensáveis para a imple-
mentação do seu plano regional de desenvolvimento sustentável, no horizonte 2010-
2035, quais são: Cultura do Desenvolvimento; Cultura do Conhecimento e da Tecno-
logia; Valores Culturais, Capitais Intangíveis e Tangíveis; Binômio Cultura e Turismo.

2. VETORES PARA O DESENVOLVIMENTO CULTURAL DAS REGIÔES NORTE


E NOROESTE FLUMINENSE

Da riqueza não vem a cultura, mas da cultura vem toda a riqueza.


Sócrates.
2.1 Cultura do Desenvolvimento

A cultura de um povo expressa a qualidade de seu desenvolvimento. O desenvolvimento re-


quer invenção e se constitui em ação cultural. Todas as inovações são elementos culturais.
A chave da economia contemporânea é cultural.
Celso Furtado
82 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Todos os ciclos econômicos da Região Norte Fluminense – abrangendo o Norte e No-
roeste, até 1975 –, com base em produção de “commodities”, percorreram a trajetória
completa que vai desde a sua emergência até o declínio, passando por um apogeu,
em que a geração de receitas alcançou um ápice e uma posição de destaque na clas-
sificação (“ranking”) nacional, por tempo expressivo. Provavelmente, o que aconteceu
se deveu ao processo histórico, verificado nos primeiros períodos da Colônia, denomi-
nado dominação Asseca, em que o poder esteve localizado na cidade do Rio de Janei-
ro e para ali remeteu todos os ganhos de capital exercendo uma governança autocrá-
tica, de força e imposição, destrutiva por princípio. As lideranças locais/regionais, que
passaram mais de um século acuadas e pressionadas, assumiram uma posição cultu-
ral mais defensiva, de aceitação e de fechamento em relação ao meio externo, ainda
que para ali enviassem os seus filhos para estudar, os capitais para serem aplicados e
as mercadorias para serem vendidas.
Uma região, enquanto um território socialmente organizado constitui uma estrutura de
natureza sistêmica, aberta e complexa, à qual se associam um conhecimento próprio e
um conhecimento capaz de explicar a forma pela qual o sistema se articula com seu
entorno, como ele modela os seus processos de mudança próprios e especificados
pelo ambiente externo ou entorno. No caso do sistema do Norte Fluminense, enquan-
to, por um lado, o seu sistema de produção e mercado se manteve aberto por uma
questão de sobrevivência e da natureza dos bens produzidos, essenciais ao país e ao
mundo, o poder local fechou o sistema e não internalizou nenhum dos fatores de for-
mação e diversificação da sua economia e de fixação das formas de conhecimento
estrutural e funcional associados às demandas atendidas, as fontes de capital incluin-
do a sua capitalização pela reinversão dos resultados dos negócios bem sucedidos
dos ciclos regionais consecutivos ou concomitantes, as plataformas políticas e de de-
cisão, a diversificação pela internalização da cadeia de fornecedores e prestadores de
serviços, entre outras. Paradoxalmente, este voltar para dentro, uma visão que tam-
bém coincide com o viver sem qualquer antecipação de uma dimensão de futuro e do
que teria que ter sido feito para constituí-la ou manter o status quo mínimo existente,
diante das mudanças que viriam a ocorrer e que ocorreram, coincide com a abertura
do seu sistema socioeconômico, pequeno diante do universo em que estava e está
inserido, efetivamente universal pela natureza de suas transações. Desse modo, a
abertura levou o sistema Norte, muito pequeno em relação ao meio externo com o
qual interagia (sistema global), a dissipar parte maior de sua energia, sem que tenha
havido a contrapartida de assimilação da complexidade externa, aumentando a sua
habilidade de captar, interpretar e armazenar a informação em níveis cada vez maio-
res de complexidade estrutural interna, que o dotassem da capacidade e da inteligên-
cia para interagir e atuar proativamente em relação ao meio exógeno como se impu-
nha necessário. Mais ainda, a grande abertura sistêmica da Região, que ocorreu, teve
como conseqüência transformar em exógeno ao seu território seu crescimento eco-
nômico, do ponto de vista de seu processo decisório. E, em nenhum momento, esta
perda de graus de liberdade que reduziu o seu autocontrole endógeno, uma condição
típica deste processo inevitável de abertura, se deparou com uma condição de gover-
nança regional efetiva. Esta não incorporação dos modus de complexidade exógeno
decorreu do fechamento das oligarquias que, não acompanhando o evoluir externo –
ou a dinâmica do evoluir de sua complexidade – perderam a condição de administrar,
pelo aprendizado, as condições de seu sistema produtivo ajustando-se às novas reali-
dades que se apresentavam e persistiram desde então, com mudanças sucessivas.
Além disto, ao se fechar, tomaram decisões que não se mostravam absolutamente
válidas para o que se impunha fazer e absolutamente antagônicas ao que deveriam
promover para se ajustar ao desenvolvimento em curso. Os ciclos econômicos, então,
caracterizam-se como tipicamente de crescimento voltados para produzir para o mer-
cado externo, aquilo que a este interessava e por este decidido, com quase nada de
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 83
desenvolvimento endógeno, e com crescimento endógeno direcionado exclusivamente
para o atendimento externo temporário, enquanto se promovia a satisfação imediata
das oligarquias. Tal condição levou a Região a consecutivos declínios e decadências.
A título de exemplo dessas contradições, a divisão da terra por parcelamento ou des-
dobramento do território fez com que surgissem mais de cinco mil propriedades na
Baixada Campista, coincidente com o inicio da implantação da industrialização, com
máquinas e processos que exigiam grandes escalas produtivas, com a substituição
progressiva da mão-de-obra e a concentração dos processos de transformação pelo
advento de novas tecnologias aplicadas. A escravidão, já abolida na maioria dos ou-
tros países, tinha os seus dias contados, o que não só não foi considerado, como não
se tomou conhecimento de que a política do movimento abolicionista foi predominan-
temente de lideranças urbanas com motivações economicosociais que transcenderam
à condição da liberdade das pessoas. Em simultaneidade, não se encontram registros
de manifestações mais incisivas de iniciativas de internalização no território regional
da educação e do conhecimento, das estruturas de financiamento e de mercados, de
uma condição logística própria, da diversificação (verticalização) da economia, inclusi-
ve e principalmente em relação a condições de produção local diferenciadas e da que
se mantiveram hibernando. As insurreições somente subsistiram no período Asseca,
não havendo qualquer manifestação de rebeldia e revolta importante subsequente.
O que se constata é que pouco se investiu no desenvolvimento dos capitais que cons-
tituem o conjunto de intangíveis que constituem o patrimônio da Região Norte, os
quais possibilitariam a emergência de um mínimo de autogovernança sobre o que foi e
continua a ser o seu diferencial de participação na formação do país e participação no
mercado internacional. Num balanço sucinto exportaram-se “commodities” e importa-
ram-se os intangíveis necessários para produzi-las, numa relação de interdependência
cultural consentida, durante séculos. Esta situação se repetiu nos vários ciclos, desde
os de grande duração como o da pecuária, cana de açúcar e café, como os de menor
porte e menor duração, como é o caso do arroz, da madeira, entre outros. A situação
do petróleo ou da energia se faz análoga e já dura 35 anos. E o mesmo acontece,
mais recentemente, com o segmento de pedras decorativas.
Na história dos ciclos econômicos, quanto mais as lideranças do sistema Norte se fe-
charam, maior foi o crescimento da entropia de seu sistema. Os fluxos de intercâmbios
para fora de riquezas apresentam uma diferença notável, de valor enorme em relação
ao que se capturou e fixou internamente, com o que, grande parte ou a maioria das
operações que se iniciaram e finalizaram dentro do território, tem a sua finalização ou
seu início fora dele. Esta constitui uma das justificativas para se estar trabalhando com
insistência no novo paradigma sistema-entorno, em relação ao que se usou por longo
tempo, ultrapassado, todo-partes. Neste paradigma, a complexidade diz respeito tanto
ao fenômeno quantitativo das interações e interferências entre número crescente de
unidades, como também aos fenômenos aleatórios, associados às incertezas crescen-
tes relacionadas ao sistema da Região Norte. No mundo globalizado, toda região, i-
mersa em um processo de desenvolvimento, busca aumentar a sua complexidade em
relação à complexidade sempre maior de seu entorno. Na prática, complexidade se
constitui mediante a introdução da diversidade, de mais sistemas e subsistemas intra
região, mais organizações e mais atividades, níveis maiores de autonomia, (descentra-
lização), mais e melhores alças e circuitos de realimentação, novas modalidades de
configuração territorial com governança territorial, reinventando o modus de gestão
com componentes virtuais definidos pela animação das lógicas dos sistemas políticos
e sociais, novas modalidades de gestão territorial com critérios políticos para modificar
as relações de autonomia/interdependência, e critérios empresariais para aumentar a
efetividade do governo regional, entre outros. A complexidade da Região Norte Flumi-
nense, assim como em outras regiões, se forma da tensão contínua entre ordem e

84 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


caos e resulta da sua condição autopoiética, pela qual o sistema da Região se auto-
produz para conservar a sua existência, cultura e identidade. O sistema se torna adap-
tativo na medida em que aprende a aprender, enquanto se autoorganiza ou autorregu-
la, como conseqüência da existência de uma cultura comprometida com o desenvol-
vimento deste sistema. Este aprendizado constitui o que chama sinergia cognitiva, ou
seja, a capacidade cultural coletiva das lideranças desta região de realizar ações de
modo comum sobre uma mesma leitura da realidade e sobre um mesmo entendimento
de suas possibilidades de mudança. A maneira mais indicada de se produzir sinergias
cognitivas consiste na instalação das conversações sociais estruturadas na rede social
regional de sua proposta cultural. Neste sentido, o desenvolvimento sustentável consti-
tui o resultado da interatividade do sistema da Região Norte Fluminense com seu en-
torno, um produto da adaptação contínua de sua complexidade à complexidade exó-
gena. É importante mencionar que, por entorno, tanto pode ser entendido o meio am-
biente exógeno, quanto o endógeno, neste caso o físico e biótico. E também, que o
desenvolvimento se torna sustentável se o sistema regional, na sua condição de dissi-
pativo, adquire e pratica a capacidade de transformar a energia e informação do en-
torno em formas mais elaboradas de estruturação endógena, particularmente apropri-
ando-as na capitalização dos intangíveis, enquanto transporta caos e desorganização
interna para o seu entorno. A capitalização dos intangíveis aumenta a probabilidade de
constituição da sinergia cognitiva e de se distinguir os valores universais e os valores
singulares que determinam a identidade cultural regional. A identidade faz do território
uma referência na cooperação e solidariedade interna que estabelece as conexões
entre os integrantes de sua população, evidenciando que quanto mais há e são usa-
dos os intangíveis, mais aumenta a sua quantidade e qualidade disponibilizável para a
sociedade.
Cabe ressaltar que sem valores e cultura não há nem região, nem desenvolvimento,
assim como, na atualidade, não há como uma região se tornar competitiva com estru-
turas de decisão centralizadas.
Considerando o acoplamento ou interação entre a Região Norte Fluminense e o seu
entorno, no contexto da forte globalização do mercado de “commodities”, há três estra-
tégias passíveis para se obter uma regulação adequada entre ambos qual sejam, a
primeira, reduzir a variedade do entorno no domínio próprio da Região Norte, por meio
do uso de redutores tais como leis e regulamentações, normas e especificações, valo-
res, costumes, procedimentos e pautas de responsabilidade cultural, entre outras. A
segunda estratégia, reversa, consiste em ampliar a variedade ou complexidade do
sistema da Região Norte, o que se obtem a partir de um processo de desenvolvimento
sustentável construído sobre os seus intangíveis. Finalmente, há uma terceira estraté-
gia, que se baseia em absorver a variedade exógena internamente na Região, o que
corresponde, de fato, em assumir e praticar, em simultaneidade, as duas estratégias
anteriores. Assim, o aumento da complexidade endógena com governança própria
imbuída de uma consciência cultural regional do desenvolvimento e sua socioecono-
mia ou sistema social e econômico da Região Norte constitui, por conseguinte, uma
estratégia chave para o seu desenvolvimento sustentável. Ressalte-se que no sistema
econômico-cultural da Região Norte, como uma integração geográfica dos territórios
do Noroeste e Norte, comparecem os subsistemas que são os municípios e, do outro
lado, o Estado do Rio de Janeiro, o país e o mundo globalizado, como meta sistemas
em que o Norte está inserido, o conjunto constituindo uma estrutura lógica multiníveis.
Para uma compreensão da condição de sobrevivência cultural da economia do Norte
como um sistema, torna-se essencial conhecer as leis que regulam o existir de um
sistema como tal, que são:
Lei da viabilidade pela qual o valor que a sua organização entrega ao meio ambiente
endógeno deve ser capaz de produzir tudo o que este meio espera dela receber;
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 85
Lei da complexidade pela qual se reconhece que na medida em que a organização
amplia a sua especialização, maior será a sua complexidade o que introduz mais in-
certezas;
Lei da hierarquia da autoridade pela qual a governabilidade se encontra no equilíbrio
entre a especialização, que amplia a variedade pela diferenciação, e a hierarquia que
reduz a variedade pela integração. Uma conseqüência prática de tal condição consiste
em que somente aprofundando-se a descentralização se consegue atribuir um sentido
político a uma governança regional, fazendo-a transcender a um papel meramente
administrativo.
Lei do conflito pela qual se reconhece uma situação conflitual entre os subsistemas de
uma organização regional uma vez que todas elas procurarão obter a maximização
dos benefícios de sua área de atuação e competência, quando subsiste uma forte in-
terdependência entre elas, desde que integrantes de um sistema;
Lei da desmaximização pela qual a otimização do sistema somente se viabiliza pela
subotimização de alguns de seus subsistemas, sendo impossível otimizar todos em
simultaneidade, mesmo porque há sinergias entre eles que modificam substancialmen-
te as condições de cada um, individualizado.
Naturalmente que a observância dessas leis propicia o entendimento de como deve se
constituir a governança regional do Norte-Noroeste Fluminense e de sua relação ne-
gociada e pactuada com a governança do Estado do Rio de Janeiro, numa primeira
instância, com as esferas de poder central, federal, numa segunda, bem com os níveis
da hierarquia internacional, nas redes em hipertexto que constituem os mercados de
“commodities” e associados, em que os produtos regionais comparecem, competindo.
Observando-se os cenários prospectivos e a orientação de conduzir a Região Norte
para uma posição no primeiro quadrante, passando a vivenciar a condição de um sis-
tema emergente, para que isto venha a suceder, deve-se promover a implementação
de uma cultura de governança regional que abrange inúmeras ações, algumas delas já
contando com uma situação muito favorável, caso da educação universitária e profis-
sionalizante, por exemplo, outras em modo de construção, a descentralização adminis-
trativa estadual de organismos que constituem as secretarias e entidades estaduais
(desenvolvimento econômico, pela SEDEIS, pesquisa e desenvolvimento agrário, pela
PESAGRO, financiamentos de pesquisa, desenvolvimento e inovação pela FAPERJ,
fomento pela INVEST Rio, entre outros), por exemplo, outros ainda a serem implanta-
dos em uma escala sustentável, conselhos e fundos municipais, por exemplo, além
dos organismos de integração efetiva e executiva regionais, ampliando o espectro da
OMPETRO, por exemplo. Ressalte-se ainda a forte atuação de organismos de classe,
como é o caso da FIRJAN e do SEBRAE, dos sindicatos nos setores de pesca, petró-
leo e confecções entre outros, assim como dos Arranjos Produtivos Locais, APLs, em
fase de início de operações ou vida útil, caso do das rochas, pedras ornamentais e
revestimentos e o das cerâmicas, entre outros.
No horizonte de longo prazo, 2040, as perspectivas de evolução são absolutamente
viáveis e mais do que isto, mandatórias diante da expansão que ocorrerá inevitavel-
mente pelo crescimento notável e acelerado de sua economia. Para que a cultura do
desenvolvimento se instale em caráter persistente na Região Norte, as pessoas e co-
munidades, assumindo o seu papel na condução negociada das trajetórias ou vias de
desenvolvimento por elas planejado e projetado, devem focar sua atenção prioritária
na estruturação do desenvolvimento dos intangíveis regionais alinhados com a reali-
zação do que dispõem os eixos de desenvolvimento para o Norte-Noroeste, num pri-
meiro momento e na realização dos Programas Estruturantes, imediatamente a seguir.
A estratégia central consiste no utilizar os grandes empreendimentos, em implementa-

86 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


ção ou a serem implementados, para multiplicar e distribuir no território os seus bene-
fícios e de suas cadeias produtivas e linhas de alimentação e consumo, de maneira
sustentável.
A meta de desenvolvimento da implantação de governança regional deve ser alcança-
da predominantemente no primeiro qüinqüênio, até 2015, e preferencialmente no pri-
meiro biênio, em um percentual que supere os 60% do total. A partir daí, a sua taxa de
evolução acompanhará a evolução do crescimento da economia regional, devendo,
provavelmente, adicionar algo em torno de 10% a cada decênio, por meio da formação
e a multiplicação de líderes, gestores e empreendedores e da contextualização nacio-
nal e globalizante da Região. Para se conquistar este posicionamento, há estratégias
em todos os domínios de atuação da sociedade, desde a própria histórico-etnográfica
ou cultural, simplesmente, até algumas em meio ambiente natural e modificado. A títu-
lo de exemplo, programa de empreendedorismo permanente, em educação, planeja-
mento regional como um instituto legal, do domínio institucional-legal, fundos munici-
pais e regionais, fundos comerciais e de capital de risco operando rotineiramente co-
mo apoio às atividades empresariais e comerciais (de mercado: “brokers, traders, dea-
lers”, agentes/operadores de bolsas de mercadorias, etc.; de logística: despachantes,
transportadores e distribuidores, armazenadores, e.commerce, armadores, adminis-
tradores de portos secos, etc., de seguros: vistoriadores, avaliadores e fiscais, bancos
e seguradoras, etc.), na Região, em desenvolvimento da economia, profissionalização
extensiva e implantação distribuída de pequenos e médios empreendimentos associa-
dos a cadeias regionais ou em APLs ou equivalentes, no desenvolvimento social e
como resultado de política de investimento prioritário produtivos pelas Municipalidades
da Região, no domínio político-administrativo e assim por diante.
No que se refere às estratégias inerentes ao domínio cultural ou expandido, histórico-
etnográfico, destacam-se:
• a articulação e formação de entidade de governança e dos fundos e programas
regionais, desde agora, procurando reunir a maior representatividade possível;
• as associações regionais e associações municipais, tanto na esfera pública como
privada e do terceiro setor;
• a assunção crescente da descentralização estadual e federal com o aumento
crescente da autonomia e da decisão regional;
• o acompanhamento regular e a gestão continuada do planejamento regional,
integrando os esforços dos municípios e agentes da socioeconomia regional para
a realização dos programas e cronogramas e das condições nele estipulados e
recomendados, incluindo a sua permanente atualidade;
• o desenvolvimento crescente de programas regionais nas diversas áreas das
atividades regulares das comunidades e de programas especiais temáticos, reu-
nindo os interesses de modo comum;
• o resgate e registro da cultura e dos valores etnográficos regionais preservando
a sua diversidade atual e futura;
• o investimento prioritário e majoritário na formação e capitalização dos ativos
intangíveis da Região Norte Fluminense;
• a disseminação do marco de valores e o reconhecimento da responsabilidade
social voltado ao fortalecimento da cultura do desenvolvimento na e para a Regi-
ão;
• a adoção de sistema analítico-simbólico das marcas da Região para a sua divul-
gação exógena e a propagação da visibilidade de sua identidade, particular e
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 87
principalmente nos dois eventos internacionais representados pela Copa do
Mundo e pelas Olímpiadas, no Estado do Rio de Janeiro;
• a educação maciça dos agentes de atendimento público, orientando-os para a
cultura de tratamento a terceiros que a Região se propõe assumir;
• a utilização intensiva da cultura como elemento de inclusão social dos estratos
menos favorecidos ou de menor renda da sociedade regional, seja por progra-
mas múltiplos que ampliem o acesso social a jovens e grupos específicos, seja
por programas de atividades econômicas de base cultural;
• o estudo e o planejamento dos processos de inclusão de outras culturas, de par-
ceiros e aliados dos grandes empreendimentos ou nas atividades empresariais
produtivas da Região, criando as condições para a evolução natural da cultura
regional contemplando a miscigenação e a integração de povos, respeitando-se
e mantendo-se a diversidade como princípio fundamental;
• o desenvolvimento e disseminação dos processos participativos e de mobilização
comunitárias da Região Norte, como plataforma e exercício do desenvolvimento
dos micro-sistemas auto-regulados;
• o incentivo à implementação do sistema mediático regional incluindo unidades de
televisão educativa e os jornais televisivos regionais diários;
• a manutenção do desenvolvimento sustentável da cultura regional, com o acom-
panhamento do Índice de Desenvolvimento Cultural por toda a população e seus
agentes socioeconômicos e ambientais;
• a inclusão da educação dos trabalhadores (integrantes da PEA) como primeiro
programa da responsabilidade social das organizações empresariais regionais,
em uma ampla parceria com o Estado e com as organizações não governamen-
tais.

2.2 Cultura do Conhecimento e da Tecnologia

“A perspectiva econômica nos dá a dimensão quantitativa do desenvolvimento


e a perspectiva cultural, a dimensão qualitativa”.
1
Joaquim Falcão

Cultura e tecnologia possuem dois lados bem definidos sobre uma mesma plataforma.
Um lado que estabelece uma relação de força e trabalho, acreditando no desenvolvi-
mento humano e social pela e na tecnologia, identificando-a como novo ambiente de
emancipação político-cultural e de manifestação da vontade popular. E, de outro, en-
contra-se uma posição crítica voltada aos problemas que a sociedade dos “mass me-
dia” causa no âmbito social, cultural, econômico e político.
Na base deste processo, encontra-se uma enorme profusão de culturas que buscam
uma identidade em um mundo sem identidade definida. Como diria Vattimo (1992,
p.15) “[...] o mundo da comunicação generalizada explode como uma multiplicidade de
racionalidades ‘locais’ – minorias étnicas, sexuais, religiosas, culturais ou estéticas –
que tomam a palavra, finalmente já não silenciadas e reprimidas [...].” O indivíduo (in-
divíduo coletivo) na sociedade atual vive um turbilhão de sensações que se traduzem
em sensação nenhuma. Parafraseando Nietzsche, Vattimo (1992, p.13) diz que “[...]
no fim, o mundo verdadeiro transforma-se em fábula”.

1
Mestre em Direito pela Universidade Harvard
88 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
A experiência comprovada de processos de desenvolvimento regional mostra a super-
posição das orientações institucionais e socioeconômicas com os modos do conheci-
mento, tecnologia, inovação e aprendizagem para enfatizar a importância da participa-
ção intensa e proativa das instituições regionais na sua produção e no seu desenvol-
vimento, promovendo o ajuste e adequação das capacidades regionais às demandas
e mercados internos e, na medida do necessário e do possível, global. Estas institui-
ções, tanto formais como é o caso as universidades, centros educacionais e de pes-
quisa e inovação, escolas profissionalizantes e empresas, quanto informais, caso das
redes que proliferam como integrações de trabalhos usando sistemas virtuais, dis-
põem da condição de mobilização dos potenciais existentes, de reconhecer as condi-
ções que formatam as necessidades, individualizando-as na generalização, de integrar
agentes e recursos endógenos e exógenos, de estabelecer parcerias e alianças, ou
seja, contam com as melhores condições para oferecer as melhores respostas para a
sociedade regional. Além disto, pela proximidade e por terem as suas plataformas na
Região podem orientar suas iniciativas para as prioridades regionais no sentido de se
transformarem em depositárias dos conhecimentos associados aos sistemas produti-
vos atuais e futuros. Naturalmente que esta atuação tem suas limitações, ressaltando-
se que ela não concorre com os grandes centros e núcleos de alta especialização e-
xógenos que intervém e se fazem presentes nos processos regionais de tecnologia
avançada existentes nas regiões Norte e Noroeste Fluminense. Nestas situações, ob-
serva-se a complementaridade, ou a constituição de nichos ou as parcerias em rede
ou outra modalidade de convivência inclusiva. Diante do “Cenário Emergência” em que
se antecipam investimentos vultosos na Região, abrangendo um espectro diversificado
de bases de conhecimento e tecnologias que se estendem a atividades agrárias secu-
lares, o encorajamento dos experimentos, com uma interação mais próxima e sistemá-
tica entre os agentes econômicos em trabalhos – programas e projetos – comuns, em
parceria, internalizando a desenvolvendo a capacidade endógena de prover e compar-
tilhar soluções para os problemas regionais em toda a sua gama de existência, dos
mais simples aos mais desafiantes. As intervenções destas instituições de desenvol-
vimento cobrem a abordagem microeconômica focando-se no lado da demanda, dos
serviços e da infra-estrutura, assim como na atração de projetos coletivos de criação
do conhecimento, tecnologia aplicada e, também, particularmente, nos processos de
educação e aprendizagem, disseminação e atualização do conhecimento para os con-
tingentes de profissionais dos quadros especializados regionais. Para que isto aconte-
ça, esclarecendo que se trata de uma perspectiva relativamente recente ainda não
difundida no país, há que se estabelecer políticas regionais que viabilizem e incenti-
vem as participações efetivas das instituições. Uma das mais eficazes consiste na
identificação e estruturação das atividades produtivas regionais, reunindo os grupos
em arranjos, clusters, cadeias, pólos, ou equivalentes, o que cria massas críticas de
aglomerações econômicas e de promoção de externalidades que precisam se apropri-
ar do conhecimento, da tecnologia e da inovação para apresentarem desempenhos
capazes de sustentar posições nos mercados com efetividade, com o desenvolvimento
internalizado do conhecimento, a Região Norte-Noroeste estarão aumentando signifi-
cativamente sua complexidade, compensando as limitações de suas dimensões desde
que estará ampliando significativamente sua capacidade de assimilar a complexidade
exógena. Esta é uma condição que se desenvolveu em várias partes do planeta, trans-
formando regiões sem nenhum diferencial nem expressão particular, em referências
mundiais. Ressalta-se que para o Norte-Noroeste que dispõe de riquezas próprias
notáveis e que reunirá um montante de investimentos vultoso nos próximos a-
nos/décadas, existem, portanto, fatores favoráveis extraordinários, difíceis de serem
encontrados com tamanha intensidade e qualidade, o que faz da emergência de plata-
formas de conhecimento, tecnologia e inovação regionais uma condição que tem que

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 89


se tornar mandatória pela governança do processo de desenvolvimento sustentável
desta Região Fluminense.
Assumindo-se o crescimento projetado regional, a existência e a sustentabilidade de
um processo de desenvolvimento concomitante dependem fortemente da capacidade
de produção e gestão do conhecimento nativa, enraizada, comprometida e sensível às
relações entre a economia, o sistema social e o meio ambiente numa visão de longo
prazo. De uma maneira geral, instrumentos tais como regulação regional, padroniza-
ção, redes regionais de comercialização, tributação e penalização de transgressões,
conquanto necessárias, se revelam como fracas como políticas regionais de interven-
ção. Em contrapartida, mostram-se fortes as intervenções políticas que conduzem a
escalas menores, incentivos e benefícios fiscais, sistemas de ajuda mútua incluindo o
conhecimento e a tecnologia, formas descentralizadas de organizações sociais, em-
preendedorismo, criação dos mercados regionais (secundários), instituições de “fun-
ding” na Região, e a multiplicação de novos negócios e empresas na Região. O de-
senvolvimento endógeno constitui fator crítico para o desenvolvimento regional, inclu-
indo o capital humano, o conhecimento e a tecnologia e a inovação, as externalidades
internas às funções de produção. Uma das formas mais praticadas de se promover tal
desenvolvimento é fazer uso do transbordamento, aumentando a mobilidade tecnoló-
gica nos ambientes inter-regional e internacional, fazendo uso da alavancagem das
escalas internas à sua geografia - caso típico do Norte e Noroeste fluminense - consi-
derando os elevados volumes de investimento, a alta taxa de diversificação nos novos
empreendimentos programados, o crescimento da economia regional em degraus, as
oportunidades de demandas dos eventos esportivos no Rio de Janeiro, a extensão e
uso de suas plataformas regionais para escoar produções e áreas congestionadas ou
ilhadas do país, ou para prover custos mais atraentes de logística em negócios em
que este fator se mostra como diferencial competitivo, a internacionalização da eco-
nomia regional, entre várias outras oportunidades. Neste sentido, a formação e acu-
mulação dos fatores intangíveis estão associadas ao fluxo regional do trabalho e à sua
produtividade, o qual reúne condições múltiplas sequenciadas, conforme mostrado na
Figura a seguir.
Figura 8 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Desenvolvimento Endógeno

CADEIA DA PRODUTIVIDADE

INVESTIMENTO
CAPITAL PÚBLICO E PRIVADO
HUMANO NA EXECUÇÃO DE
EMPREENDORISMO

AVANÇO REDES SOCIAIS


CRIAÇÃO E
TECNOLÓGICO E ECONÔMICAS
APLICAÇÃO
ENDÓGENO LOCAIS E
INOVAÇÃO
P&D&I REGIONAIS

TECNOLOGIA
NOVO CAPITAL
RAZÃO EMBUTIDA NO POUPANÇA
DE
RECEITA/TRABALHO ESTOQUE DE REGIONAL
INVESTIMENTO
CAPITAL

RAZÃO
CAPITAL/ TRABLHO

Fonte: Armstrong and Taylor.


90 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Este encadeamento permite compreender porque o desenvolvimento é visto como a
ampliação da habilidade regional em produzir, assimilar e utilizar a inovação e o co-
nhecimento através de processos de aprendizado. A inovação passa a ser produzida
em processos interativos, em substituição aos lineares, anteriores, na medida em que
a proximidade, seja física ou uma conexão de comunicação, faz com que os que pro-
duzem interajam diretamente com os usuários do conhecimento, no ambiente regional.
Tanto maior o dinamismo econômico regional, maior a sua capacidade de produzir e
adaptar inovações. Assim sendo, a Região Norte-Noroeste Fluminense, a partir de sua
estrutura educacional existente, unidades públicas (municipais, estaduais e federais) e
privadas, deve se organizar para operar em rede de co-operação, com a distribuição
de papéis entre os campi, orientados para atender a uma ou mais cadeias produtivas
existentes ou em implantação, constituindo habitats de conhecimento, tecnologia e
inovação, como bases ou plataformas de produção, incluindo utilização e transmissão,
desenvolvimento, substituição de importações e depositárias de grupos empresariais.
A cada um destes habitats estarão vinculados multiplicadores que vão desde as em-
presas juniores, passando pelas incubadoras, incubadoras de base de conhecimento,
indo até as vilas ou parques de empresas. Naturalmente que esta iniciativa é voluntá-
ria mediante adesões e, desde o seu início, conexões com parcerias externas especi-
almente constituídas nos domínios de conhecimento preestabelecidos, devem ser ob-
jeto de atenção preferencial. Às limitações respondem piorizações e cronogramas.
Negociações com os agentes econômicos para a inclusão de acordos de tecnologia
nos novos empreendimentos, formados como “joint ventures”, constituem instrumentos
de alavancagem da rede de conhecimento regional do Norte fluminense.

A perspectiva de longo prazo é a de que o desenvolvimento econômico regional “ é um


processo que se movimentará de uma base de ativos de produtos primários, operada
por pessoas com baixa qualificação, para um conjunto de ativos com base no conhe-
cimento, operado por pessoas qualificadas.

No contexto que acontece e deve continuar a subsistir, a capacidade de aprendizagem


do regionalismo Norte-Noroeste revela-se crítica para o processo de inovação e es-
sencial para o desenvolvimento e manutenção de vantagens competitivas regionais
sustentáveis, estas sim, renováveis ou recriáveis. Para que isto venha a ocorrer, aten-
ção especial deve ser dada às chamadas relações não mercadológicas ou interdepen-
dências, tipicamente de governança, entre as instituições responsáveis pelos sistemas
de conhecimento, tecnologia e inovação e entre elas e as instituições líderes respon-
dendo pelo desenvolvimento regional. Altos níveis de confiança, conhecimento tácito
ou não codificado, comportamentos regulares regem as suas coordenações de coor-
denações de ações e relações na busca contínua do aprender a aprender e a defen-
der as posições de seu desenvolvimento no ambiente concorrencial globalizado. Os
estudos de casos sugerem, com evidências, que os períodos de desenvolvimento re-
gional rápidos precedem e não sucedem os investimentos na formação de capital fixo.
Isto significa que o desenvolvimento do conhecimento e dos intangíveis, em geral,
resulta de escolhas e ações deliberadas muito mais do que um efeito coincidente com
o crescimento econômico.

Considerando as bases educacionais já existentes em Campos dos Goytacazes, Ita-


peruna, Macaé e Santo Antônio de Pádua, os centros de pesquisa da PESAGRO em
Itaocara, Miracema, Campos dos Goytacazes e Macaé, a Estação Experimental de
Aqüicultura da FIPERJ, em Campos dos Goytacazes, entre outras, dos recursos pro-
venientes da alíquota do ICMS, entre outros, bem como do apoio da FAPERJ, INEA,

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 91


entre outros organismos estaduais, além dos federais e não governamentais e as con-
tribuições das instituições privadas regionais, é absolutamente viável, assumir-se que,
até 2015, se estruturem pelo menos cinco plataformas de conhecimento, tecnologia e
inovação independentes e em domínios diferenciados, na Região Norte-Noroeste Flu-
minense.

Este número deve se elevar para pelo menos 10, até 2020, e 15 até 2025, alcançando
20 unidades, pelo menos, muito bem qualificadas e produzindo conhecimento endo-
genamente, até 2035. Estas unidades estarão alinhadas com a diversidade de ativida-
des de produção da economia regional e os mercados que ela atende, operando em
rede intra-região, por sua vez conectada à rede global como um dos seus nódulos.

Em simultaneidade, a Região também receberá, sempre que necessário e convenien-


te, aportes de tecnologia e inovação exogenamente produzidos e incorporados aos
seus sistemas produtivos, com o acompanhamento e participação das instituições re-
gionais competentes.

Desde o primeiro qüinqüênio, as plataformas estarão compondo a rede de conheci-


mento regional, a ser implantada imediatamente, integrando todos os agentes envolvi-
dos na sua produção e criação, da sua aplicação e utilização, no seu desenvolvimento,
na sua guarda e manutenção e na sua disseminação e transmissão às pessoas a que
ele se destina.

Complementarmente, esta rede intra-região estará conectada a outras redes e institui-


ções aliadas ou parceiras, externas, e à rede mundial. Naturalmente, para cada plata-
forma deve se implementar ou desenvolver pelo menos um habitat de conhecimento
como um viveiro no qual ele será processado, transformando-se em novas gerações
de produtos e soluções necessárias à sustentabilidade do desenvolvimento regional.
Estes habitats também estarão incorporados à rede. E, não menos importante, revela-
se o inter-relacionamento destas iniciativas com os programas de empreendedorismo
e gestão e com a compatibilização das estruturas curriculares universitárias e profis-
sionalizantes aos segmentos prioritários de produção e mercados selecionados e e-
xercidos pela Região.

2.3 Valores Culturais- Capitais Intangíveis e Tangíveis

“Será preciso voltar aos fundamentos


dos valores humanos, subordinando a técnica à ética numa nova
lógica, capaz de entender o homem e o resto da natureza como parte
de um todo e de redefinir os conceitos de liberdade e de igualdade
nestes tempos das grandes e independentes máquinas que substituem
o trabalho humano e destroem o meio ambiente. Será preciso,
sobretudo, imaginação para inventar um novo conceito de riqueza
sem as amarras da economia, usando esta última apenas como um
instrumento. Essa conversão do homem para uma lógica, que não
a do capital, precisa se impor.”
Cristovam Buarque

92 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Antes, uma reflexão.2
Dia e noite, masculino e feminino, racional e emocional, tangível e intangível, a lista de
dualidades que nos caracteriza é imensa. Talvez, assim como as duas pernas com as
quais caminhamos, o que nos mobiliza é justamente a busca de equilíbrio e rearranjos
entre estas dualidades.

Nada nos atrai tanto quanto o desejo de mudança, transformação, que faz com que
inovemos e reinventamos maneiras de ser e de fazer. Nada nos assusta tanto quanto
mudanças e transformações, que fazem com que nos apeguemos a padrões que po-
dem não fazer mais sentido. Mudar é difícil. Perceber que as coisas inexoravelmente
não são mais as mesmas, que é preciso criar novos padrões de pensar e fazer.

(...) A centralidade da vida estava organizada em torno do material, tangível e portan-


to, finito para uma época onde o intangível desempenha papel cada vez mais central.
Talvez porque sobreviver (que depende de recursos tangíveis) já não é a única ques-
tão central que ocupa nosso cotidiano e vamos poder nos dedicar aos “comos” do vi-
ver (cuja qualidade depende mais de intangíveis). Talvez porque, um momento de
crise de recursos reforce a percepção e potencial que o intangível oferece: conheci-
mento, cultura e criatividade. Não apenas não se esgotam, como são os únicos recur-
sos que se renovam e multiplicam com o uso. São infinitos, elásticos. Divido com você
uma maçã, temos metade cada. Divido com você meu conhecimento e temos o triplo:
o seu, o meu e o que resultou da interação.

O tangível/material é finito, limitado, portanto gera disputa por sua posse, conduzindo
à competição como elemento central na política, economia e na vida cotidiana. Já o
intangível é ilimitado, e pode ser o caminho para novos modelos baseados em coope-
ração. Quando somado às tecnologias digitais (e bits também são infinitos) temos uma
infinitude de opções colaborativas e surge um novo termo: “economia da abundância”
que pode originar modelos mais solidários de viver...

Os bens culturais são formados por elementos tangíveis e intangíveis que não podem
ser separados. Uma escultura é um objeto físico e, como tal, é tangível. Mas o valor da
escultura depende da parte intangível.

A parte intangível é composta de valores, sentimentos e símbolos que, apesar de não


serem mensuráveis, são essenciais para dar o valor ao bem tangível.

A combinação de todos os elementos tangíveis e intangíveis forma o capital cultural da


sociedade. Aqui entram a educação e as várias formas de expressão cultural – o fol-
clore e as artes plásticas, o teatro e o cinema, o circo e a música, o livro e o patrimônio
histórico e assim por diante.

O que se consegue medir é o lado tangível do capital cultural. Mais especificamente, o


que se consegue medir é a produção cultural – as obras de arte, os espetáculos, os
livros, etc. Pesquisas recentes indicam que na formação do capital cultural do mundo,
os Estados Unidos respondem por 55% da produção; a União Européia, 25%; o Japão
e a Ásia, 15%; e a América Latina, somente 5%. 3

Extrato do artigo Economia Criativa e a reinvenção da economia de Lala Deheinzelin Disponível em


<http://www.culturaemercado.com.br/ideias/economia-criativa-e-a-reinvencao-da-economia/> Acesso em
06/05/2010.
3
Fórum sobre Investimento Social Privado em Cultura, Federação das Indústrias do Estado do Rio
Grande do Sul, Gramado RS, 2008.
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 93
Gráficos 1 e 2 – Região Norte-Noroeste Fluminense, IDC - Legislação Cultural e
Tombamento, 2009

Legislação Patrimônio (%)


100

80

60
Região Norte
40
Região Noroeste
20

0
2009 2015 2020 2025 2030 2035 2040

As variáveis econômicas não são suficientes para promover o desenvolvimento eco-


nômico socialmente justo. O desenvolvimento, acima de tudo, envolve fatores econô-
micos, sociais, culturais, políticos e ecológicos.
Um dos objetos do desenvolvimento local é a mobilização do potencial endógeno lo-
cal. Esse potencial se revela por meio dos recursos tangíveis e intangíveis do território.
A existência de uma legislação municipal e a aplicação de uma de sua ações mais
imediatas, o tombamento, institucionalizam o processo de reconhecimento histórico-
etnográfico nos ambientes municipais. A situação nas Regiões Norte-Noroeste Flumi-
nense, Gráficos anteriores, mostra a atualidade e as projeções de sua evolução viável,
no horizonte 2035. A partir desta disposição inicial, o território pode ser também o re-
sultado de um processo engendrado por estratégias dos atores e dos fenômenos de
aprendizagem coletiva, entre as quais se incluem:

94 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


• Estabelecer uma rede pública integrada regional de centros culturais multiuso de
gestão municipal ou comunitária, dotados de espaços e de dispositivos técnicos
adequados para a produção e o intercâmbio de produções artísticas e culturais.
• Garantir as condições materiais e socioambientais, além das bases institucionais
e técnicas, necessárias à produção, reprodução e transmissão de bens culturais
de natureza imaterial.
• Garantir que todos os espaços culturais ofereçam infra-estrutura e equipamentos
adequados ao acesso e à fruição cultural de pessoas com deficiências.
• Integrar as políticas culturais destinadas ao idoso no âmbito da administração
pública local, sobretudo, no que diz respeito ao transporte, à acessibilidade em
edifícios e demais locais de eventos culturais.
• Incentivar a formação de uma rede de espaços públicos culturais dedicados às
crianças e aos jovens, que aliem atividades lúdicas e criativas ao conhecimento e
à fruição das artes e das expressões culturais, como meio imprescindível de for-
mação para a cidadania.
• Fomentar a apropriação dos instrumentos de pesquisa, documentação e difusão
das manifestações culturais populares por parte das comunidades que as abri-
gam, estimulando a auto-gestão de sua memória.
• Realizar o mapeamento histórico e geográfico das artes e divulgá-lo na forma de
registros, documentos, obras e projetos relacionados aos contextos culturais da
região.
• Elaborar programas e ações culturais, assim como projetos de formação profis-
sional e de público, que levem em conta as demandas e as características espe-
cíficas de diferentes faixas etárias (infância, juventude e terceira idade).
• Incentivar o estudo e a preservação das culturas de imigrantes, tão importantes
na formação cultural das regiões Norte e noroeste.
• Estimular, com suporte técnico-pedagógico, as oficinas de iniciação literária,
dramaturgia, dança, circo, cinema, vídeo, artes visuais, arte digital, design, arte-
sanato, música e demais linguagens artísticas e ciências.
• Incentivar e fomentar a realização de festivais, feiras, festas, mostras, semanas,
apresentações, encontros e programas itinerantes de produção artística e cultu-
ral. Estimular a difusão de conteúdos relacionados a esses eventos nas emisso-
ras de radiodifusão e na indústria editorial.
• Fomentar os circuitos artísticos e culturais de rua, com destaque para o teatro e
as danças. Promover mostras municipais e regionais dessa produção, assegu-
rando espaço para os grupos e coletivos estudantis e amadores.
• Mapear e restaurar os acervos da cultura afro-brasileira, valorizando tanto suas
expressões escritas quanto sua tradição oral nos idiomas e dialetos de origem a-
fricana e na língua portuguesa.

Desenvolver a diversidade cultural


“Se a cultura é a matriz que cria e recria a identidade de uma sociedade, desenvolvimento é o
nome dado a este processo de criar e recriar”
Lala Deheinzelin, 2002

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 95


A diversidade cultural constitui-se como um conjunto heterogêneo e dinâmico de con-
cepções e atitudes relativas às diferenças sejam elas de origem étnica, de gênero, de
orientação sexual, religiosa, de pertencimento a contextos sócio-culturais, etc. Trata-
se, portanto, de realidade complexa resultante das formas de interação entre as dife-
renças e, consequentemente, seus sujeitos. É, pois, para além de um direito, assegu-
rado constitucionalmente no Brasil, e reafirmado normativamente no contexto interna-
cional pela Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões
Culturais da UNESCO, um processo de educação, formação cultural e construção polí-
tica. Educar para a diversidade significa reconhecer que não somos diversos natural-
mente, mas que podemos aprender a ser, através de processos, experiências e regu-
lações políticas e institucionais.
Os trabalhos da Comissão Mundial para a Cultura e o Desenvolvimento (UNESCO),
convocada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, resultaram no relatório deno-
minado Nossa Diversidade Criadora. Esse documento trouxe à tona estudos que con-
cluíram que cultura e desenvolvimento são sinônimos e que, ao mesmo tempo em que
as atividades culturais promovem o desenvolvimento econômico, as políticas de de-
senvolvimento devem ter uma face humana que leve em conta a própria cultura.
O tema vem sendo discutido no mundo inteiro, vejamos as ações em favor deste:
1998 - Em Estocolmo, a Conferência Intergovernamental sobre Políticas Culturais para
o Desenvolvimento (UNESCO) permitiu transformar essas idéias em políticas e práti-
cas de desenvolvimento humano.
2000 - A adoção sobre eventual acordo internacional começou a ganhar força na a-
genda internacional quando o assunto apareceu de forma explícita nos documentos
finais da reunião ministerial anual Rede Internacional sobre Política Cultural (RIPC),
rede liderada pelo Canadá, atualmente formada por 70 ministros da Cultura do mundo.
2001 - No âmbito da UNESCO, a 31ª Conferência Geral da organização, adotou a
Declaração Universal sobre Diversidade Cultural, que além de afirmar a diversidade
cultural como um "patrimônio comum da humanidade", reitera o papel da Unesco co-
mo "ponto de referência e fórum no qual os estados, as organizações governamentais
e não–governamentais, a sociedade civil e o setor privado podem unir-se para elabo-
rar conceitos, objetivos e políticas em favor da diversidade cultural" e define linhas
gerais de um plano de ação que inclui a consideração de oportunidade de um instru-
mento legal internacional sobre a diversidade cultural.
2002 - A UNESCO organizou, em parceria com o IPEA - Instituto de Pesquisa Econô-
mica Aplicada, um Seminário com o objetivo de enfatizar a importância da inserção da
cultura no processo de desenvolvimento, propondo uma agenda de compromissos que
visasse à criação de um sistema brasileiro de informações sobre a Cultura, envolven-
do também o IBGE, os Ministérios da Cultura e do Desenvolvimento, Indústria e Co-
mércio, assim como universidades, ONGs e o setor privado. Como resultado imediato,
foi publicado o livro Políticas Culturais para o Desenvolvimento, disponível para down-
load na página de publicações da UNESCO. Com Gilberto Gil, o Brasil passou a parti-
cipar mais ativamente das negociações internacionais para aprovação da Convenção.
2003 - Ocorreram três reuniões do Grupo de Trabalho Diversidade Cultural e Globali-
zação da RIPC; O Grupo de Trabalho Diversidade Cultural e Globalização da RIPC
divulgou o Borrador da Convenção Internacional sobre Diversidade Cultural, para a
sua apresentação na reunião dos Ministros da Cultura, em Opatije (Croácia), entre 16
e 18 de outubro. Também em outubro, a 32ª Conferência Geral da UNESCO aprovou
a Resolução 32C/34 que incitava seu Diretor Geral a apresentar na 33ª Reunião, em
dois anos, um informe preliminar e um anteprojeto de uma Convenção Internacional
sobre a Proteção da Diversidade dos Conteúdos Culturais e das Expressões Artísti-
96 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
cas. Ocorreram, também, três reuniões de experts independentes convocados pelo
Diretor Geral da UNESCO para elaborar o informe preliminar e o anteprojeto mencio-
nados. Nesse ano, a Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável enfatizou os
vínculos entre a diversidade cultural, a diversidade biológica e o desenvolvimento.
2004/5 - Houve três reuniões intergovernamentais de peritos na UNESCO que elabo-
raram o texto da Convenção.
2005 - A UNESCO adotou a Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade
das Expressões Culturais, (ratificada pelo Brasil em 2007) que guia o trabalho da Or-
ganização na elaboração conceitos, metas e políticas em favor da diversidade cultural,
com ênfase no pluralismo e no diálogo entre as culturas e os diversos credos e nas
políticas de desenvolvimento.
2006 - A Convenção da UNESCO sobre Promoção e Proteção da Diversidade das
Expressões Culturais foi aprovada pelo Senado brasileiro, menos de um mês após sua
aprovação na Câmara Federal.
2007 - Atualmente, 45 Estados-Membros da UNESCO já são partidários da Conven-
ção, através do depósito de seus instrumentos de ratificação, aceitação, aprovação ou
adesão. A legitimação da Convenção será diretamente proporcional ao número de
países que manifeste sua opção – o conjunto de países já pronunciados inclui, além
do Brasil, Panamá, Uruguai, Noruega, Grécia, Irlanda, África do Sul, Canadá, Espa-
nha. França, Suécia, Dinamarca, Índia, Peru, Equador, Croácia, Bolívia e México, den-
tre outros.
A Agenda 21 de Cultura
A construção da Agenda 21 das Cidades para a Cultura foi proposta por Porto Alegre
e Barcelona durante a realização da I Reunião Pública Mundial da Cultura, realizada
em setembro de 2002, na capital gaúcha. Ela é resultante da constatação de que as
práticas culturais que uniformizam as ações dos mercados e a indústria cultural, que
veem a cultura ou como instrumento de novos lucros, de controle e dominação ou co-
mo privilégio de poucos, são uma ameaça em todos os lugares do mundo à sobrevi-
vência da diversidade cultural planetária, tão importante para o futuro das civilizações
quanto a sobrevivência dos ecossistemas naturais.
Princípios da Agenda 21 de Cultura
A diversidade cultural é o principal patrimônio da humanidade. É o produto de milhares
de anos de história, fruto da contribuição coletiva de todos os povos, através das suas
línguas, imaginários, tecnologias, práticas e criações. A cultura adota formas distintas,
que sempre respondem a modelos dinâmicos de relação entre sociedades e territórios.
A diversidade cultural contribui para uma “existência intelectual, afetiva, moral e espiri-
tual satisfatória” (Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural, arti-
go 3), e constitui um dos elementos essenciais de transformação da realidade urbana
e social.
Existem claras analogias políticas entre as questões culturais e ecológicas. Tanto a
cultura como o meio ambiente são bens comuns da humanidade. A preocupação eco-
lógica nasce da constatação de um modelo de desenvolvimento econômico excessi-
vamente predador dos recursos naturais e dos bens comuns da humanidade. Rio de
Janeiro 1992, Aalborg 1994 e Johanesburgo 2002 constituíram os principais marcos
de um processo que tenta dar resposta a um dos desafios mais importantes da huma-
nidade: a sustentabilidade ecológica. A situação atual apresenta evidências suficientes
de que a diversidade cultural no mundo se encontra em perigo devido a uma mundiali-
zação padronizadora e excluídora. A UNESCO afirma: “Fonte de intercâmbios, de ino-
vação e de criatividade, a diversidade cultural é, para o gênero humano, tão necessá-
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 97
ria como a diversidade biológica para a natureza” (Declaração Universal da UNESCO
sobre a Diversidade Cultural, artigo 1).
Os governos locais reconhecem que os direitos culturais fazem parte indissociável dos
direitos humanos e tomam como referência básica a Declaração Universal dos Direitos
Humanos (1948), o Pacto Internacional Relativo aos Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais (1966) e a Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural
(2001). Nesse sentido, ratifica-se que a liberdade cultural dos indivíduos e das comu-
nidades é condição essencial da democracia. Nenhuma pessoa pode invocar a diver-
sidade cultural para atentar contra os direitos humanos garantidos pelo direito interna-
cional nem para limitar o seu alcance.
Os governos locais constituem-se como agentes mundiais de primeira ordem, enquan-
to defensores e promotores do avanço dos direitos humanos. Além disso, são porta-
vozes da cidadania mundial e manifestam-se a favor de sistemas e instituições inter-
nacionais democráticos. Os governos locais trabalham conjuntamente, em rede, tro-
cando práticas, experiências e coordenando as suas ações.
O desenvolvimento cultural apóia-se na multiplicidade dos agentes sociais. Os princí-
pios de um bom governo incluem a transparência informativa e a participação cidadã
na concepção das políticas culturais, nos processos de tomada de decisões e na ava-
liação de programas e projetos.
A indispensável necessidade de criar as condições para a paz deve caminhar junta-
mente com as estratégias de desenvolvimento cultural. A guerra, o terrorismo, a o-
pressão e a discriminação são expressões de intolerância que devem ser condenadas
e erradicadas.
As cidades e os espaços locais são ambientes privilegiados da elaboração cultural em
constante evolução e constituem os âmbitos da diversidade criativa, onde a perspecti-
va do encontro de tudo aquilo que é diferente e distinto (procedências, visões, idades,
gêneros, etnias e classes sociais) torna possível o desenvolvimento humano integral.
O diálogo entre identidade e diversidade, indivíduo e coletividade, revela se como a
ferramenta necessária para garantir tanto uma cidadania cultural planetária, como a
sobrevivência da diversidade lingüística e o desenvolvimento das culturas.
A convivência, nas cidades, implica um acordo de responsabilidade conjunta entre
cidadania, sociedade civil e governos locais. O ordenamento jurídico resulta funda-
mental, mas não pode ser a única forma de regulação da convivência nas cidades.
Como afirma a Declaração Universal dos Direitos Humanos (artigo 29): “O indivíduo
tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno de-
senvolvimento da sua personalidade”.
O patrimônio cultural, tangível e intangível, é o testemunho da criatividade humana e o
substrato da identidade dos povos. A vida cultural contém, simultaneamente, a riqueza
de poder apreciar e acumular tradições dos povos com a oportunidade de permitir a
criação e a inovação das suas próprias formas. Esta característica descarta qualquer
modalidade de imposição de padrões culturais rígidos.
A afirmação das culturas, assim como o conjunto das políticas que foram postas em
prática para o seu reconhecimento e viabilidade, constitui um fator essencial no de-
senvolvimento sustentável das cidades e territórios no plano humano, econômico, polí-
tico e social. O caráter central das políticas públicas de cultura é uma exigência das
sociedades no mundo contemporâneo. A qualidade do desenvolvimento local requer a
imbricamento entre as políticas culturais e as outras políticas públicas e sociais, eco-
nômicas, educativas, ambientais e urbanísticas.

98 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


As políticas culturais devem encontrar um ponto de equilíbrio entre interesse público e
privado, vocação pública e institucionalização da cultura. Uma excessiva institucionali-
zação, ou a excessiva prevalência do mercado como único distribuidor de recursos
culturais, comporta riscos e levanta obstáculos ao desenvolvimento dinâmico dos sis-
temas culturais. A iniciativa autônoma dos cidadãos, individualmente ou reunidos em
entidades e movimentos sociais, é a base da liberdade cultural.
A adequada valoração econômica da criação e difusão dos bens culturais –,de caráter
amador ou profissional, artesanal ou industrial, individual e coletivo– converte-se, no
mundo contemporâneo, num fator decisivo de emancipação, de garantia da diversida-
de e, portanto, numa conquista do direito democrático dos povos a afirmar as suas
identidades nas relações entre as culturas. Os bens e serviços culturais, tal como afir-
ma a Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural (artigo 8), “na
medida em que são portadores de identidade, de valores e sentido, não devem ser
considerados como mercadorias ou bens de consumo como os demais”. É necessário
destacar a importância da cultura como fator de geração de riqueza e desenvolvimento
econômico.
Em janeiro de 2003, no III Fórum das Autoridades Locais pela Inclusão Social, parte
do III Fórum Social Mundial, também em Porto Alegre, essa proposta avançou e foi
aprovada por 150 prefeitos e cerca de mil representantes de cidades presentes ao
encontro. O processo teve continuidade em vários encontros regionais - Barcelona,
Montevidéu, Pisa, Helsinki, Roma, Praga, Porto Alegre, Sevilha, Bolívia, Nova Igua-
çu - durante 2003 e início de 2004. Finalmente em Barcelona, entre os dias 7 e 8 de
maio de 2004, o documento foi aprovado na abertura do Fórum Universal das Cultu-
ras, com a participação de representantes de mais de 750 governos locais dos cinco
continentes, todos comprometidos com a inclusão social, os direitos humanos, a diver-
sidade cultural, a sustentabilidade, a democracia participativa e a criação de condições
para a paz.
A experiência democrática das expressões culturais representa atualmente um ele-
mento imprescindível ao enriquecimento das trocas entre residentes e visitantes, além
de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico e a continuidade das manifesta-
ções que caracterizam as identidades locais. Cada pessoa é um universo cultural for-
mado por experiências únicas de vida. A diversidade cultural e a autonomia das pes-
soas são o maior potencial de toda e qualquer coletividade humana.
Deve-se assegurar, sobretudo:
• O acesso ao universo cultural e simbólico em todos os momentos da vida, desde
a infância à velhice, constitui um elemento fundamental de formação da sensibili-
dade, da expressividade, da convivência e da construção de cidadania. A identi-
dade cultural de todo indivíduo é dinâmica.
• A apropriação da informação e a sua transformação em conhecimento por parte
dos cidadãos é um ato cultural. Portanto, o acesso sem distinções aos meios de
expressão, tecnológicos e de comunicação e a constituição de redes horizontais
fortalece e alimenta a dinâmica das culturas locais e enriquece o acervo coletivo
de uma sociedade que se baseia no conhecimento.
• O trabalho é um dos principais âmbitos da criatividade humana. A sua dimensão
cultural deve ser reconhecida e desenvolvida. A organização do trabalho e a im-
plicação das empresas na cidade ou no território devem respeitar esta dimensão
como um dos elementos fundamentais da dignidade humana e do desenvolvi-
mento sustentável.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 99


• Os espaços públicos são bens coletivos que pertencem a todos os cidadãos.
Nenhum indivíduo ou grupo pode ver-se privado da sua livre utilização, dentro do
respeito pelas normas adotadas em cada cidade.
• Estimular a realização de projetos e estudos que visem a pesquisa sobre a diver-
sidade e memória cultural, por meio da concessão de prêmios, linhas de financi-
amento e bolsas de estudo.
• O fortalecimento da educação patrimonial pode se tornar um fator de incremento
ao turismo interno nessas regiões.
• Fomentar, em diferentes mídias, a difusão da diversidade cultural e ampliar o
reconhecimento das produções artísticas e culturais não-inseridas na indústria
cultural, como as linguagens experimentais e as expressões populares e tradi-
cionais.

Reconhecer a Inovação Científica e Tecnológica como Valor Estratégico para a


Cultura
É necessário buscar a convergência de ações e a exploração adequada dos saberes e
práticas culturais. Nesse esforço, devem-se adotar medidas que promovam a inovação
tecnológica e o fortalecimento das formas estéticas contemporâneas, das tradições e
da diversidade regional, reiterando de forma permanente a premissa de desenvolvi-
mento integrado com a pluralidade de conhecimentos, técnicas e valores culturais.
Deve-se ainda assumir como estratégico:
• Incentivar e apoiar a inovação e a pesquisa tecnológica no campo artístico e cul-
tural, promovendo parcerias entre universidades, institutos, organismos culturais
e empresas para o desenvolvimento e o aprimoramento de materiais, técnicas e
processos.
• Assegurar o amplo acesso à população a arquivos públicos de conteúdos multi-
mídia, conectados em rede.
• Criar e ampliar programas de difusão e democratização do conhecimento cientí-
fico e das tecnologias para apropriação cultural.
• Incentivar programas de extensão que facilitem o diálogo entre os centros de
estudos, comunidades artísticas e movimentos culturais.
• Incentivar a criação de rádios comunitárias como forma de induzir questionamen-
tos e manifestações das comunidades locais.

Ampliar a Capacidade de Gestão Pública e Garantir a Participação da Sociedade


Civil nos Processos
Trabalhar o desenvolvimento de territórios a partir da cultura e de forma participativa
ajuda a valorizar a região, integra cidadãos, identifica protagonistas, facilita a preser-
vação, o fortalecimento da identidade, a geração de renda e o emprego.
Ao poder público cabe o papel de indutor dos processos culturais reconhecendo a di-
versidade cultural, garantindo o pluralismo de gêneros, estilos, tecnologias e modali-
dades. Às instituições governamentais cabe formular diretrizes, planejar, implementar,
acompanhar, avaliar e monitorar ações e programas culturais, em permanente diálogo
com a sociedade. As políticas públicas devem ampliar o acesso dos cidadãos aos di-
reitos culturais, incluindo o fomento à produção cultural, o estímulo à difusão de bens e
serviços culturais e a proteção do patrimônio cultural, material e imaterial, de nossas
100 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
sociedades, prescreve a Carta de São Paulo. Ela estatui ainda: os países devem pro-
mover espaços culturais diversos, de inclusão cultural e social, nos quais circulem i-
déias inovadoras e se compartilhem as inquietudes artísticas e intelectuais.
Gráfico 3 – Região Norte-Noroeste Fluminense, IDC – Participação da Sociedade, 2009

Na Região Norte-Noroeste Fluminense, 17% dos municípios possuem, na atualidade,


representações com participação na política cultural. A expectativa é de que essa re-
presentação possa alcançar em 2015 a marca dos 35% e em 2035, toda a sociedade
possa formular as estratégias para as políticas culturais dos seus municípios e da sua
Região.
É preciso que o poder público esteja dotado da infraestrutura e conte com recursos
humanos, legais e organizacionais qualificados, que viabilizem a execução articulada
de programas orçamentários, parcerias público-privadas utilizando os instrumentos
das políticas estadual e federal de incentivo à cultura.
Neste contexto, torna-se imprescindível convocar, valorizar e estimular as iniciativas e
mobilizações da sociedade, fortalecendo a noção de cultura como cidadania e estraté-
gia de desenvolvimento por meio de consulta, validação, implementação, gestão e
avaliação social de programas, projetos e ações.
Para tanto, são fundamentais, entre outros, os espaços dos conselhos, fóruns, confe-
rências, comissões e câmaras setoriais, intersetoriais e temáticas que reúnam instân-
cias do poder público e representantes dos diversos segmentos sociais. Para configu-
rar um ambiente favorável ao diálogo e ao empreendimento de ações estratégicas
sustentáveis, deve-se:
• Estimular a criação e o aprimoramento gerencial dos fundos de cultura dos muni-
cípios.
• Criar os conselhos municipais de cultura e de proteção do patrimônio cultural.
• Criar consórcios intermunicipais de cultura.
Dotar os municípios de legislação especifica para promoção da cultura, como leis mu-
nicipais de incentivo, dotação orçamentária não inferior a 2% (dois por cento) da recei-
ta total municipal destinada à execução de políticas culturais, associadas ao incremen-
to do turismo e ao desenvolvimento econômico e social.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 101


Intensificar a Relação do Sistema Formal de Educação e a Cultura
A Educação é a principal ferramenta para alavancar o desenvolvimento
humano e fazer frente às antigas e novas formas de exclusão social.
Edgard Morin (2003)

Desde os anos 1960, a arte (cultura)-educação foi incluída como atividade curricular
nas escolas brasileiras, mas avançou-se pouco nesta senda. É preciso que ela se es-
tenda para além de um serviço trivial de atendimento e mediação cultural. É necessá-
rio que ela penetre nas salas de aulas remodelando currículos, ao mesmo tempo em
que os institutos, teatros, museus, bibliotecas e equipamentos culturais tenham espa-
ços para um aprendizado consistente, que garanta a continuidade das descobertas e
das conquistas culturais em níveis cada vez mais complexos.
A educação formal brasileira ainda não proporciona aos usuários dos equipamentos
de ensino, o acesso de cada cidadão à diversidade cultural, à cultura universal e à
aquela que é singular de sua comunidade, de sua Região, Estado ou país. A ausência
da cultura como uma das dimensões estruturantes da educação prejudica os objetivos
de uma política educacional de qualidade e realmente transformadora dos modos e
das condições de existência.
Para que os indivíduos conheçam e se reconheçam em sua cultura local, e vejam nela
a possibilidade de acesso mais genuíno à cultura regional, nacional e universal, é pre-
ciso que o patrimônio cultural comum seja objeto de uma memória corrente, que cida-
des, espaços e ambientes passem a ter seus lugares de cultivo de tradições, saberes
e fantasias. È necessário que se estabeleça uma relação, por sob os arranjos institu-
cionais, entre saberes “fora da escola” e o ensino de modo geral, desde o ensino bási-
co até as universidades. A repercussão dos saberes culturais no sistema de saber
formal é uma novidade que pode repercutir imensamente na atratividade da escola, na
sua qualidade em produzir cidadãos conscientes da realidade local e universal. Pode
também dar instrumentos de poder às populações cujos conhecimentos tradicionais
são transmitidos apenas por seu próprio esforço informal.
A formação de profissionais e cidadãos mais inspirados e abertos à inovação criativa
deve ser uma idéia que não se reduza à qualificação da força de trabalho e à recicla-
gem de capacidades instrumentais. Deve-se pensar em homens e mulheres mais res-
peitosos e articulados com o patrimônio cultural e cognitivo e que só será possível
através dessa incorporação plena da cultura e das artes no processo educacional,
afirmação delas como atividades decisivas na formação de cada pessoa, de cada indi-
víduo e cidadão, para iluminar os processos educacionais com uma lucidez contempo-
rânea. Para isso, entende-se então que torna-se estratégico:
• Fomentar, por meio de editais públicos e parcerias com órgãos de educação e
pesquisa, a consolidação das atividades de grupos de estudos acadêmicos, ex-
perimentais e oriundos da sociedade civil organizada.
• Capacitar, por meio de projetos de educação à distância, educadores, bibliotecá-
rios e agentes do setor público e da sociedade civil para a atuação como media-
dores de leitura e reflexão cultural em escolas, bibliotecas, centros culturais e
espaços comunitários.
• Fomentar especialmente a reflexão e o debate público sobre questões de cida-
dania, pluralidade simbólica, economia da cultura e cultura do desenvolvimento.
• Reconhecer e divulgar ações bem-sucedidas de desenvolvimento e qualificação
dos hábitos de leitura.

102 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


• Fomentar programas voltados à realização de seminários, à publicação de livros
e revistas e uso da mídia, à internet e outros canais de comunicação para a pro-
dução e a difusão da crítica artística e cultural.
• Realizar o inventário das línguas faladas ou que estarão sendo faladas na Regi-
ão, em parceria com universidades e centros de pesquisa. Realizar o estudo da
influência língua indígena, africana e demais variantes regionais do português.
• Estabelecer programa contínuo de premiações para pesquisas e publicações
editoriais que estimulem o trabalho na área de crítica, teoria e história da etno-
grafia e projetos experimentais.
• Incentivar projetos editoriais que estimulem a produção e a circulação de pesqui-
sas sobre o patrimônio cultural/etnográfico.
• Realizar projetos de inserção dos estudantes em espaços comunitários para
promover o diálogo entre imaginário e as tradições locais com as formas de difu-
são tecnológica do conhecimento e das manifestações simbólicas de outros luga-
res e partes do mundo.
• Promover a integração entre espaços educacionais, de lazer e culturais, com o
objetivo de aprimoramento das políticas de formação de público.
• Estimular a participação de artistas e produtores em programas educativos e de
acesso à produção artística e cultural.
• Promover a inclusão de mestres dos saberes das culturas populares nas rotinas
de educação escolar.
• Promover a multiplicação de bibliotecas/midiotecas volantes, círculos de leitores,
cineclubes e midiaclubes.
• Expandir e diversificar a rede de bibliotecas municipais e escolares e abastecê-
las com os acervos mínimos recomendados pela UNESCO, transformando-as
em midiotecas num prazo máximo de 5 anos, ou seja 2015. Estabelecer progra-
mas de incentivo à leitura nesses espaços e ações para convertê-los em centros
culturais integrados às artes, ao audiovisual e às expressões culturais das comu-
nidades.
• Incentivar a criação, manutenção e expansão dos laboratórios de criação de arte
e arte digital nas escolas, despertando o sentimento de valor e o interesse pela
própria cultura e por bens e manifestações que necessitam ser resgatados, regis-
trados e preservados;
• Estimular a preservação da integridade dos aspectos históricos, arquitetônicos,
artísticos, paisagísticos e simbólicos das regiões estimulando a produção histori-
ográfica local e regional.

2.4 Binômio Cultura e Turismo

"(...) é justamente a diversidade de lugares, regiões, paisagens, territórios, em sua dinâmica,


impulsionada pelas demandas sociais, que proporciona uma realidade global fragmentada e
articulada, pulverizada de particularismos e singularidades em conexão com o geral"
(LUCHIARI, 1998: 16).

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 103


A pluralidade da cultura brasileira tem sido aclamada pelos governos e pela sociedade
como uma das principais características do patrimônio do país, ao lado dos recursos
naturais, o que pode significar para o turismo a possibilidade de estruturação de novos
produtos diferenciados, com o conseqüente aumento do fluxo de turistas. O grande
mérito desta possibilidade é fazer do turismo uma atividade capaz de promover e pre-
servar a nossa cultura. Nesse caso, cultura e turismo configuram, em suas diversas
combinações, um segmento denominado Turismo Cultural – que se materializa quan-
do o turista é motivado a se deslocar especialmente com a finalidade de vivenciar as-
pectos e situações que podem ser considerados particularidades da cultura.
Diante da abrangência dos termos turismo e cultura, o Ministério do Turismo, em par-
ceria com o Ministério da Cultura e o IPHAN, e com base na representatividade da
Câmara Temática de Segmentação do Conselho Nacional de Turismo, estabeleceu
um recorte nesse universo e dimensionou o segmento na seguinte definição:
“Turismo Cultural compreende as atividades turísticas relacionadas à vivência do con-
junto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos cultu-
rais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura.”
Quanto aos estudos específicos sobre a relação turismo e cultura, pode-se afirmar que
foram iniciadas a partir dos anos 60, pelos antropólogos. Nessa década e na seguinte,
o turismo passou a ser apontado como alternativa para o desenvolvimento mundial,
inclusive no Brasil, embora de forma incipiente. No entanto, o modo como a atividade
turística foi implementada em muitos lugares revelou-se danosa ao patrimônio cultural
ou ineficaz como estratégia de promoção, quer pela falta de recursos humanos espe-
cializados, pela visitação descontrolada, pelo desrespeito em relação à identidade cul-
tural local, pela imposição de novos padrões culturais, especialmente em pequenas
comunidades, quer pelo despreparo do próprio turista para a experiência turística cul-
tural. È também verdade que algumas iniciativas de realização de políticas públicas de
turismo têm despertado o sentimento de orgulho nas comunidades em relação à sua
identidade cultural. Práticas culturais, antes esquecidas, vêm sendo resgatadas e o
patrimônio preservado, mesmo face às influências da globalização e da tendência à
padronização de expressões, bens e serviços culturais e turísticos.
O Código Mundial de Ética do Turismo em seu artigo 4, Turismo , fator de aproveita-
mento e enriquecimento do Patrimônio Cultural da Humanidade, reafirma que "A ativi-
dade turística deve ser concebida de forma a permitir a sobrevivência e o desenvolvi-
mento de produções culturais e artesanais tradicionais, bem como do folclore, e que
não provoque a sua padronização e empobrecimento". 4
A definição de Turismo Cultural está relacionada à motivação do turista, especifica-
mente a de vivenciar o patrimônio histórico e cultural e determinados eventos culturais,
de modo a experienciá-los e preservar a sua integridade. Vivenciar implica, essencial-
mente, em duas formas de relação do turista com a cultura ou algum aspecto cultural:
a primeira refere-se ao conhecimento, aqui entendido como a busca em aprender e
entender o objeto da visitação; a segunda corresponde a experiências participativas,
contemplativas e de entretenimento, que ocorrem em função do objeto de visitação. O
patrimônio cultural, mais do que atrativo turístico, é fator de identidade cultural e de
memória das comunidades, fonte que as remete a uma cultura partilhada, a experiên-
cias vividas, a sua identidade cultural e, como tal, deve ter seu sentido respeitado.
A cultura e seus diversos desdobramentos constituem insumos básicos do Turismo
Cultural. Pintura, escultura, teatro, dança, música, gastronomia, artesanato, literatura,
arquitetura, história, festas, folclore, entre outros, formam uma combinação que permi-

4
BRASIL. Sustentabilidade sociocultural: princípio fundamental. MTur: Brasil, 2006
104 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
te a vivência da diversidade cultural. Disponibilizá-las como uma oferta regular, contí-
nua e sistematizada para a população local, regional e visitantes (turismo) é absoluta-
mente estratégico para o seu processo de desenvolvimento sustentável.
Gráfico 4 - Região Norte-Noroeste Fluminense, IDC – Calendário Cultural, 2009

Na Região Norte, 21% dos municípios possuem um calendário cultural permanente,


com eventos que se consolidam. Na região Noroeste, 35% dos municípios possuem
seus calendários fixados. Espera-se que, em 2025, todos os municípios tenham suas
manifestações organizadas num calendário que possa ser considerado na elaboração
de circuitos regionais. Outro aspecto a ser considerado no desenvolvimento sob o pon-
to de vista da promoção da cultura são as instalações específicas que vão desde es-
paços para promover o artesanato até cinemas, teatros, galpões e oficinas destinadas
à produção.
Gráfico 5 - Região Norte-Noroeste Fluminense, IDC – Instalações Específicas, 2009

Circuitos Turísticos Fluminenses


O Estado do Rio de Janeiro caracteriza-se por apresentar uma enorme diversidade de
situações topográficas e climáticas, bem como grande variedade de condições históri-
co-culturais.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 105


O elemento topográfico confere ao Estado do Rio de Janeiro uma série de nuances
num recorte espacial de pequena grandeza, se comparado as dimensões territoriais
de outros Estados. É possível apreciar o ar das montanhas da Região Noroeste e a
brisa das várzeas do Norte fluminense, pode-se ainda passear nas fazendas dos cafe-
zais e canaviais ou curtir uma bela praia.
Sob o elemento histórico podemos analisar a ocupação do atual Estado do Rio de Ja-
neiro pelos portugueses a partir do século XVI.
O século XVII foi marcado pelas experiências agrícolas vinculadas à produção de ca-
na-de-açúcar e seus engenhos no Norte Fluminense ou mesmo nos arredores da capi-
tal. Esta atividade marca a paisagem dessa região até os dias atuais, encontrando- se
fazendas dos antigos barões do açúcar e usinas.
No século XVIII, com a descoberta das reservas auríferas das Minas Gerais, a organi-
zação do povoamento fluminense vai ser profundamente alterada. A exploração do
ouro influencia indiretamente na ocupação do território. Concomitante à exploração
aurífera nas Minas Gerais, nos primeiros anos desse século, a cana-deaçúcar atinge
definitivamente a baixada campista, na porção norte do Estado.
O início do século XIX foi marcado, primeiramente, pela extinção do ouro das Minas
Gerais (decadência da mineração), enquanto a cana-de-açúcar volta a concentrar,
mas por pouco tempo, todas as atenções. O café, no Médio Paraíba Fluminense, teve
seu plantio expandido para várias direções, sendo cultivado na sua parte norte em
Entre Rios (atual município de Três Rios), seguindo para Nova Friburgo e Cantagalo,
na Região Serrana, terminando sua expansão em Itaocara e São Fidélis, seguindo a
direção da Zona da Mata Mineira e do Espírito Santo. As encostas foram ocupadas
com cafezais e o fundo dos vales com as sedes das fazendas e instalações de benefi-
ciamento do produto.
Os elementos históricos na paisagem, muitos deles, fruto das atividades econômicas
desenvolvidas em território fluminense, representam importantes marcos no processo
de ocupação, e que hoje podem ser resgatados como elementos culturais e da memó-
ria de um povo, constituindo-se em vetores das diferentes modalidades de turismo.
Segundo a Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro, TurisRio, empresa
estatal de economia mista, vinculada à Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer, que
tem, entre outras atribuições, a de gestora da política de turismo do governo, em con-
sonância com o Plano Diretor de Turismo, foi constituído um novo mapa dos circuitos
Turísticos para o Estado, tendo sido o mesmo referendado pelo Fórum Estadual de
Secretários Municipais de Turismo.
O Estado do Rio de Janeiro apresenta 13 regiões turísticas sendo que os municípios
das Regiões Norte e Noroeste do Estado estão distribuídos em alguns destes circuitos
turísticos conforme configuração a seguir (os textos se referem exclusivamente aos
circuitos em que comparecem municípios das Regiões Norte e Noroeste).
Região Turística 01 – Costa Verde: (5 municípios): Angra dos Reis, Paraty, Manga-
ratiba, Itaguaí, Rio Claro
Região Turística 02 – Agulhas Negras: (4 municípios): Itatiaia, Resende, Quatis, Por-
to Real
Região Turística 03 – Vale do Paraíba: (3 municípios): Barra Mansa, Volta Redonda,
Pinheiral
Região Turística 04 – Ciclo do Café: (10 municípios): Barra do Piraí, Piraí, Valença,
Rio das Flores, Vassouras, Mendes, Paracambi, Engº Paulo de Frontin, Miguel Perei-
ra, Paty do Alferes
106 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Região Turística 05 – Metropolitana Rio-Niterói: (2 municípios): Rio de Janeiro, Nite-
rói
Região Turística 06 – Baixada Fluminense: (10 municípios): Seropédica, Japeri,
Queimados, Nova Iguaçu, Belford Roxo, Mesquita, São João de Meriti, Nilópolis, Du-
que de Caxias, Magé
Região Turística 07 – Serra Tropical: (6 municípios): Paraíba do Sul, Comendador
Levy Gasparian, Três Rios, Areal, São José do Vale do Rio Preto, Sapucaia
Região Turística 08 – Serra Imperial: (5 municípios): Petrópolis, Teresópolis, Nova
Friburgo, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu
Região Turística 09 – Serra Norte: (11 municípios): Sumidouro, Carmo, Duas Barras,
Bom Jardim, Cordeiro, Macuco, Cantagalo, São Sebastião do Alto, Trajano de Morais,
Santa Maria Madalena, Conceição de Macabu
A Região Turística, com 5.118,8 km² e 170.627 habitantes, apresenta um grupo de
municípios inseridos em um ambiente montanhoso de expressiva beleza natural, enri-
quecido pela presença de remanescentes da Mata Atlântica tombada, incluindo o Par-
que Estadual do Desengano, em grande parte situado no município de Santa Maria
Madalena. O perfil predominantemente rural da maioria dos seus municípios e a tran-
qüilidade de pequenas cidades interioranas propicia o desenvolvimento do turismo
rural e do ecoturismo, com destaque também para o turismo de compras (moda ínti-
ma). Merecem destaque ainda, conjuntos de arquitetura típica, ainda bem preservados
na maioria dos municípios.
Região Turística 10 – Rota do Sol: (5 municípios): São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá, Rio
Bonito, Silva Jardim
Região Turística 11 – Região dos Lagos- Costa do Sol: (13 municípios): Maricá, Sa-
quarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Cabo Frio,
Armação dos Búzios, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras, Macaé, Carapebus, Quis-
samã
A Região com 5.295,2 km² e 672.598 habitantes, possui um litoral de rara beleza e
grande diversidade, com praias procuradas para a prática do surf e do mergulho, e
com lagoas de grande apelo paisagístico e grande potencial para as atividades náuti-
cas e balneárias.Observa-se também, como fator importante de atração turística, a
proximidade da cidade do Rio de Janeiro e o clima estável durante todo o ano, com
pouca variação de temperatura e baixo índice pluviométrico. Estes são os principais
motivos dos fluxos espetaculares de veranistas que acorrem à Região por ocasião dos
feriados prolongados e durante o verão, e que se constitui na motivação principal da
grande expansão urbana das suas cidades. A Região também registra como grande
apelo turístico, o patrimônio histórico e cultural com exemplares arquitetônicos retra-
tando a história local, artesanato, artes plásticas, vestuário e gastronomia. Os recursos
naturais dos municípios litorâneos são um grande apelo para o turismo ecológico. A
importância do acervo ambiental da Região foi recentemente reconhecida com a insti-
tuição do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, abrangendo o litoral de Macaé,
Carapebus e Quissamã. A composição desse trecho de região litorânea se caracteriza
por praias de grandes extensões, pequenas lagoas e, a noroeste, pela restinga de
Jurubatiba, que se estende até o limite com Campos, delineada pela Lagoa Feia, mai-
or lagoa do Estado. Nas áreas rurais encontram-se sedes de fazendas de grande im-
portância histórica e arquitetônica, remanescentes dos séculos XVIII e XIX, que mar-
caram o apogeu do ciclo da cana de açúcar na Região. O município de Macaé desta-
ca-se no contexto regional pela sua posição estratégica para o turismo de negócios,

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 107


nacional e internacional, estruturado em torno da atividade de exploração de petróleo
na bacia de Campos.
Região Turística 12 – Norte-Costa Doce: (5 municípios): Campos dos Goytacazes,
São João da Barra, São Francisco de Itabapoana, São Fidélis e Cardoso Moreira
A Região da Costa Doce possui 5.617,3 km² e 525.200 habitantes. Apresenta um
grande potencial para desenvolver o turismo de veraneio, tendo como demanda o inte-
rior do Estado do Rio de Janeiro e os municípios vizinhos dos Estados de Minas Ge-
rais e Espírito Santo.Também se registra como apelo turístico regional o Parque do
Desengano, situado no município de Campos dos Goytacazes, e as Lagoas Feia e de
Cima, procuradas por praticantes de esportes náuticos. A foz do rio Paraíba do Sul se
destaca como um recurso de grande expressão natural. As praias localizadas no mu-
nicípio de São João da Barra e São Francisco do Itabapoana recebem, em sua maiori-
a, visitantes veranistas provenientes do Estado de Minas Gerais, apresentando um
elevado percentual de residências de uso ocasional. Neste cenário de belezas naturais
estão inseridos núcleos urbanos e fazendas que testemunham a história e constituem
o patrimônio cultural e histórico regional. A Região comporta diverso exemplar de sola-
res urbanos e de fazendas remanescentes do ciclo da cana de açúcar (século XIX). O
município de Campos dos Goytacazes concentra a maior oferta de equipamentos e de
serviços turísticos, tendo o turismo de negócios como referencial, devido à grande
movimentação de profissionais vinculados à atividade de exploração petrolífera e ao
comércio de uma maneira geral.
Região Turística 13 – Noroeste-Águas do Noroeste Fluminense (13 municípios): Itao-
cara, Aperibé, Santo Antônio de Pádua, Miracema, Laje do Muriaé, Itaperuna, Nativi-
dade, Porciúncula, Varre-Sai, Bom Jesus do Itabapoana, Italva, Cambuci, São José de
Ubá
A Região possui 5.373,5 km² e população de 297.696 habitantes. O rio Paraíba do Sul
atravessa a Região, formando em seu curso grande quantidade de ilhas. Apresentan-
do potencialidades centradas no ecoturismo, no turismo rural, no turismo religioso e na
prática da pesca esportiva nos rios da Região. Além disso, as estâncias hidrominerais
de Raposo e Santo Antônio de Pádua oferecem águas raras e de grandes proprieda-
des terapêuticas.
Em 2005, atendendo a orientação do Ministério do Turismo, foram apontadas as regi-
ões consideradas estratégicas para o desenvolvimento do turismo no Estado, sob a
perspectiva do curto prazo. As seis regiões indicadas como estratégicas apresentam
produtos e roteiros já consolidados ou com potencial de rápida consolidação, com vis-
tas à comercialização. São elas: Metropolitana, Costa do Sol-Região dos Lagos, Costa
Verde, Serra Verde Imperial, Agulhas Negras, Vale do Café.
Sob a orientação do Ministério do Turismo e com o referendo do Fórum Estadual de
Secretários Municipais de Turismo, foram selecionados 3 roteiros considerados de
padrão internacional a serem trabalhados prioritariamente, em que somente um deles
inclui municípios do Norte Fluminense (não há a participação de nenhum dos municí-
pios do Noroeste e mesmo no Norte, faltam municípios praianos):
Maravilhas do Rio e Niterói (Rio de Janeiro e Niterói);
Rio Roteiro Serra e Mar: Sol, Gastronomia e Cultura (Petrópolis, Teresópolis, Guapimi-
rim, Cachoeiras de Macacu, Nova Friburgo, Casimiro de Abreu, São João da Barra,
Quissamã, Macaé, Rio das Ostras, Armação dos Búzios, Cabo Frio e Arraial do Cabo)
Rio Roteiro Floresta e Mar: História, Natureza e Aventura (Paraty, Angra dos Reis /
Ilha Grande, Mangaratiba, Rio Claro, Itatiaia / Parque Nacional do Itatiaia e Penedo,

108 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Resende / Visconde de Mauá, Porto Real, Volta Redonda, Barra Mansa, Valença /
Conservatória, Barra do Piraí, Vassouras e Rio das Flores).
Atendendo a orientação do Ministério do Turismo, foram apontadas as regiões consi-
deradas estratégicas para o desenvolvimento do turismo no Estado, sob a perspectiva
do curto prazo. As 6 regiões indicadas como estratégicas apresentam produtos e rotei-
ros já consolidados ou com potencial de rápida consolidação, com vistas à comerciali-
zação. São elas: Metropolitana, Costa do Sol – Região dos Lagos, Costa Verde, Serra
Verde Imperial, Agulhas Negras, Vale do Café.
De acordo com a TurisRio, as demais regiões turísticas continuarão a merecer a a-
tenção do Estado sob a perspectiva de desenvolvimento em médio prazo, levando-se
em conta todo o seu potencial e diversidade, tendo sido contempladas com diversas
ações da TurisRio, inclusive no que diz respeito ao Programa de Regionalização.
Gráfico 6 - Região Norte-Noroeste Fluminense, IDC – Infraestrutura Turística, 2009

A Região Norte-Noroeste Fluminense forma um mosaico da diversidade podendo o


turismo ser trabalhado em todas as suas faces; cultural, histórico, cívico, religioso, de
lazer, eco turismo, de negócios e etc.
Todo esse mix de opções coloca a Região como grande potencial na exploração da
atividade turística. Todo o arcabouço étnico-cultural produziu elementos singulares em
cada um dos seus municípios, compondo dessa forma o grande e variado “mosaico”
cultural, para cujo desenvolvimento se aplicam as seguintes estratégias:
• Fortalecer as instâncias de governança por meio da articulação entre os orga-
nismos oficiais de turismo e os diversos parceiros institucionais, priorizando a
participação comunitária no processo de desenvolvimento; incentivando a reali-
zação de fori municipais e regionais de turismo e/ou cultura e turismo;
• Implementar ações conjuntas, planejadas e geridas entre as áreas de turismo e
de cultura;
• Garantir a participação da comunidade na gestão do turismo incentivando a for-
mação de conselhos municipais e regionais de turismo;
• Conciliar-se aos objetivos de manutenção do patrimônio, do uso cotidiano dos
bens culturais e da valorização das identidades culturais locais.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 109


• Atuar no sentido do fortalecimento das culturas. A atividade turística deve ser
incentivada como estratégia de preservação do patrimônio, em função da promo-
ção de seu valor econômico.
• Contribuir para a proteção do patrimônio natural e cultural, em sua manutenção e
conservação, incentivando sua exploração sustentável e, promovendo sua valo-
rização e a construção de uma consciência ambientalista através do desenvolvi-
mento de segmentos chave para a sustentabilidade do turismo nestas regiões;
• Propiciar aos visitantes uma experiência vivencial educativa, por meio da inter-
pretação do patrimônio e da interação sociocultural harmônica, bem como sua
satisfação pelos serviços consumidos, disponibilizando para isso pessoal alta-
mente capacitados, como guias de turismo e os demais prestadores de serviço
envolvidos na cadeia do turismo.
• Trabalhar no sentido de construir uma imagem destas regiões no mercado turís-
tico, através do marketing responsável, fomentando a atividade e, realçando seu
diferencial de atrativos como imagem prioritária a ser difundida, desenvolvendo
inclusive, parcerias com agências de viagens;
• Promover o uso sustentável dos atrativos, através do estudo e monitoramento de
impactos ambientais;
• Considerar os sistemas e vias de acesso como um fator importante na atividade
turística;
• Realizar o inventário turístico-cultural de cada município;
• Realizar o inventário turístico-cultural Regional;
• Desenvolver os consórcios intermunicipais de turismo e ou turístico-cultural;

Deve-se compreender o turismo como um grande intercâmbio de pessoas, destacando-se a


necessidade de serem planejados os níveis de satisfação humana, e não apenas as necessi-
dades econômicas. Buscar equilíbrio entre a mercantilização e a conservação. Não apenas
inserindo o patrimônio no sistema comercial, com um produto a mais, mas tido de tal forma que
não perca seu significado para os nativos, sem se descontextualizar ou estereotipar, e que
sirva realmente de encontro entre culturas, fazendo partícipes a ambas as partes, turistas e
anfitriãs, de uma visão resgatada das culturas.
VILLA, 2006.

2.4.1 Gastronomia, o Grande “Alimentador” do Turismo

Toda a existência humana decorre do binômio estômago e sexo. A fome e o amor governam o
mundo, afirmava Schiller.(...) O sexo pode ser adiado, transferido, sublimado noutras atividades
absorventes e compensadoras. O estômago não. É dominador, imperioso, inadiável. (...) A
fome faz cessar o amor, diziam os gregos. (Cascudo, 1983, p. 21).

Os distintos hábitos alimentares das regiões brasileiras expõem o poder da diversida-


de gastronômica que um país é capaz de oferecer aos seus visitantes. Isso faz da gas-
tronomia uma atividade que conecta a sociedade com os seus elementos culturais
para fortificar as tradições da elaboração e das formas de preparos de alimentos e
bebidas, tornando-os “pratos e bebidas típicas”, que se configuram como fortes atrati-
vos turístico-culturais os quais motivam à visitação dos “curiosos” – pelo fato de serem
bebidas e pratos diferenciados dos que são comumente consumidos no dia-a-dia.

110 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Dutra (1991, p.17), comenta que “a culinária atua como um dos referenciais do senti-
mento de identidade: é por sua característica deportable [...] que ela pode se tornar
referencial em terras estranhas”.
Escrevendo sobre a alimentação enquanto prática sócio-cultural, BONIN e ROLIM
(1997, p.76) argumentam que “os hábitos alimentares se traduzem na forma de sele-
ção, preparo e ingestão de alimentos, que não são o espelho, mas se constitui na pró-
pria imagem da sociedade”, salientando a íntima relação que se estabelece entre a
alimentação e a cultura de uma sociedade. A partir desta contribuição, pode-se obser-
var que a própria idéia de gosto alimentar já vem permeada pela fusão do biológico
com o cultural. SANTOS (1997, p.160) pontua que, mais do que produto dos órgãos
de sentido, o gosto alimentar: é determinado não apenas pelas contingências ambien-
tais e econômicas, mas também pelas mentalidades, pelos ritos, pelo valor das men-
sagens que se trocam quando se consome um alimento em companhia, pelos valores
éticos e religiosos, pela transmissão inter-geração (de uma geração à outra) e intra-
geração (a transmissão vem de fora, passando pela cultura no que diz respeito às tra-
dições e reprodução de condutas) e pela psicologia individual e coletiva que acaba por
influir na determinação de todos estes.
Uma iguaria gastronômica tradicionalmente preparada e degustada em uma região,
que possui ligação com a história do grupo que a degusta e integra um panorama cul-
tural que extrapola o prato em si. Esta iguaria, por reforçar a identidade de uma locali-
dade e de seu povo, se torna muitas vezes uma espécie de insígnia local, fato que
ganha importância dentro do contexto turístico.
“(...) A experiência gastronômica transcende à experiência estética, tendo em vista que
a degustação de uma iguaria típica pode constituir uma forma de consumo simbólico,
de aproximação com a realidade visitada, tornando esta realidade também passível de
uma “degustação”. (MINTZ 2001, p.34).
De acordo com (DA MATTA, p.56) “Comida não é apenas uma substância alimentar,
mas também um modo, um estilo e um jeito de alimentar-se. E o jeito de comer define
não só aquilo que é ingerido como também aquele que ingere”.
O interesse de várias áreas do conhecimento pelo tema alimentação se deve em muito
ao fato deste fenômeno possuir interfaces variadas, extrapolando a mera satisfação
fisiológica e cumprindo uma série de funções e expressões que transcendem à fome
biológica e se traduzem em costumes, rituais e demais comportamentos.
O interesse dos visitantes pela comida do outro – do visitado – é uma constante, e
pode também ser justificado pelas palavras de MINTZ (2001, p. 31), que ressalta: o
comportamento relativo à comida liga-se diretamente ao sentido de nós mesmos e à
nossa identidade social, e isso parece valer para todos os seres humanos. Reagimos
aos hábitos alimentares de outras pessoas, quem quer que sejam elas, da mesma
forma que elas reagem aos nossos.
Segundo (Leal, p.71) “os portugueses trouxeram em suas bagagens, os primeiros
bois, vacas, ovelhas, cabras, porcos, galinhas, patos que criavam nos quintais de suas
casas ou fazendas. Plantaram variedades de frutas, legumes, cereais, temperos e
trouxeram as festas de Carnaval, Quaresma, Ciclo junino e Natal com suas danças,
músicas e comidas típicas. ’
A cozinha da atualidade é globalizada com tendência a ser cosmopolita, porque as
receitas correm o mundo através dos meios de informação, mas a culinária regional
continua sendo pesquisada para resgate e valoração de receitas exclusivas que inte-
ressam aos apreciadores de cultura e principalmente ao turismo cultural e gastronômi-
co.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 111


As Regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro podem vir a ser referenciais
de excelência na arte de receber e de servir. São dotadas de um aporte cultural de
grande valor. Sua culinária recebe inúmeras contribuições; indígenas, africanas, por-
tuguesas, italianas, alemãs, árabes entre outras. Toda essa miscigenação garante à
Região um legado gastronômico imensurável que ainda é pouco explorado. Entretan-
to, alguns exemplos de exploração dessa riqueza podem ser citados, são eles: o co-
nhaque de alcatrão de São João da Barra; bebida reconhecida no país, os doces de
algumas frutas – goiaba, banana, manga, abacaxi, etc. - que se produzem em vários
municípios, o calambau e outros peixes resultantes da presença do Paraíba do Sul,
sua bacia e as lagoas, os doces típicos de Campos dos Goytacazes e a gastronomia
de origem africana que está sendo resgatada em Quissamã, entre diversas outras
mais.
Dentro de uma política de utilização da gastronomia como um dos “alimentadores”
desse arranjo cultural a que essas regiões pertencem, deve-se buscar prioritariamente
como vetor de desenvolvimento: a construção de Identidade Cultural Gastronômica da
Região, tendo como suas principais estratégias:
• Reconhecimento e tipificação da culinária regional e dos seguimentos alvo a se-
rem atendidos;
• Realização de concursos e festivais gastronômicos, publicações;
• Desenvolver programas educacionais envolvendo a gastronomia de cada muni-
cípio;
• Investir na gastronomia como vetor de desenvolvimento econômico:
• Estratégias:
• Investir na produção artesanal como diferencial;
• Investir na Industrialização da culinária regional;
• Incentivar programas de associativismo;
• Investir em pesquisas laboratoriais para desenvolver produtos diferenciais;
• Introduzir a cozinha experimental;
• Incentivar a produção de orgânicos;
• Investir em programa de certificação de origem e rastreabilidade);
• Buscar o alinhamento recíproco entre a gastronomia e a produção agrícola regi-
onal;
• Fazer o mapeamento e classificação e profissionalização do Sistema Gastronô-
mico Regional, o que, por sua vez, compreende as seguintes estratégias:
• Quantificar e qualificar os estabelecimentos, bares, restaurantes, etc.
• Instalação de Programa de Capacitação, qualificação e premiação de pro-
fissionais;
• Instalação de cursos de formação inclusive de chefes de cozinha, especia-
lização e desenvolvimento da culinária regional;
• Instalação de cursos de hotelaria;
• Marketing e mobilização social para a promoção da gastronomia regional;
• Estratégias:
• Desenvolvimento do selo de gastronomia regional;
• Premiar os estabelecimentos que trabalham exclusivamente com cardápio
regional;
112 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
B) MÓDULO MEIO AMBIENTE NATURAL
Autor Coordenador:
Luciano Cota
Apresentação
Os vetores de desenvolvimento apresentados a seguir foram selecionados para com-
por o Meio Ambiente Natural, contemplando as principais fragilidades ambientais a
serem mitigadas, as potencialidades a serem alavancadas e os programas e projetos
a serem fortalecidos ou implementados, de acordo com a Análise Situacional realiza-
da.
Estes Vetores de Desenvolvimento são:
• Recuperação da cobertura vegetal;
• Implantação e fortalecimento de Unidades de Conservação;
• Fortalecimento institucional das entidades gestoras de recursos hídricos;
• Recuperação dos canais da Baixada Campista.
Cada Vetor foi descrito justificando a necessidade de seus resultados e a sua impor-
tância para o desenvolvimento sustentável das Regiões Norte e Noroeste do Estado
do Rio de Janeiro. Em seguida são apresentados os objetivos específicos de cada
Vetor com suas respectivas metas. Por fim, são indicadas as estratégias que desen-
cadearão em ações a serem implementadas durante a execução do Plano de Desen-
volvimento Sustentável.
Os Vetores de Desenvolvimento idnificados estão vinculados ao Eixo de Desenvolvi-
mento –Resgate ambiental com a utilização regulada e múltipla do território como ha-
bitat de pessoas, culturas e criações agrárias, atividades produtivas industriais, comer-
ciais e logísticas, garantindo a conservação e recuperação dos recursos naturais. De-
senvolvimento de ações voltadas a reabilitação da cobertura vegetal natural, regulação
e otimização das atividades extrativas e de transformação básica, multiplicação de
unidades de conservação, gestão eficaz e moderna dos recursos hídricos. Estabele-
cimento de uma relação formal dos órgãos ambientais no sentido de viabilizar a gestão
operacional dos sistemas de dados ambientais conjuntamente com o Estado e municí-
pios integrantes das Regiões Norte e Noroeste Fluminense, consolidando as entidades
com fontes oficiais desses dados no Estado e nos municípios, numa escala compatível
e comparável internamente.
Recuperação da Cobertura Vegetal
A recuperação da cobertura vegetal está diretamente ligada à conservação dos recur-
sos naturais, essenciais à sobrevivência do ser humano. A vegetação está ligada ao
ciclo hidrológico através da transpiração das plantas e da maior susceptibilidade de
infiltração da água no solo. A conservação da biodiversidade também é regulada pela
presença de formações florestais sendo estas o habitat natural de diversas espécies,
que dependem das condições específicas ali existentes. A conservação do solo tam-
bém é garantida pela presença da vegetação, que protege a camada superficial do
impacto direto com as gotas de chuva, além de atuar na contenção mecânica do solo
e manter sua umidade.
Originalmente as Regiões Norte e Noroeste Fluminense eram totalmente cobertas por
formações vegetais associadas à Mata Atlântica.
Atualmente estas Regiões encontram-se altamente antropizadas, tendo as pastagens
como uso e cobertura do solo predominante. Segundo INPE/SOS Mata Atlântica

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 113


(2009), o índice de remanescentes florestais nas Regiões Norte e Noroeste é de
8,95%.
Tabela 1 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Remanescentes Florestais nos Seus
Municípios em Porcentagem, 2008
Área Total
Mata Restinga Mangue do Remanescente
Município
(ha). (ha). (ha) Município (%)
(ha)
Aperibé 31,76 0 0 9.585 0
Bom Jesus do Itabapoana 2.007,32 0 0 59.844 3
Cambuci 4.210,4 0 0 56.154 7
Campos dos Goytacazes 24.313,64 876,36 0 403.774 6
Carapebus 281,56 6.281,6 0 30.696 21
Cardoso Moreira 2.103,64 0 0 51.625 4
Conceição de Macabu 6.144,92 0 0 34.783 18
Italva 507,52 0 0 29.665 2
Itaocara 820,76 0 0 42.924 2
Itaperuna 3.819,6 0 0 110.812 3
Laje do Muriaé 2.371,84 0 0 24.978 10
Macaé 30.100,44 242,28 81,52 121.712 25
Miracema 2.741,28 0 0 30.460 9
Natividade 1.847,48 0 0 38.671 5
Porciúncula 2.047,88 0 0 30.360 7
Quissamã 924,64 12.761,56 0 71.820 19
Santo Antônio de Pádua 1.994,32 0 0 60.461 3
São Fidélis 4.583,2 0 0 102.960 4
São Francisco de Itabapoana 2.237,48 3.090,52 0 11.557 5
São João da Barra 0 7.432,84 0 46.126 16
São José de Ubá 905,16 0 0 25.094 4
Varre-Sai 1.752,72 0 0 18.941 9
Total 95.748 30.685 82 1.413.002 8,95
Fonte: INPE/SOS Mata Atlântica (2009)
A falta de cobertura vegetal é uma das principais variáveis responsáveis pela diminui-
ção do regime de precipitação da Região nos últimos 40 anos, fator que vem alterando
o seu clima. Além disso, a falta de cobertura vegetal diminui a capacidade de infiltra-
ção da água no solo, aumenta o escoamento superficial da água e, conseqüentemen-
te, o carreamento de sedimentos para os cursos d’água. Os principais resultados des-
se desmatamento são a inibição da recarga natural dos aquíferos, o assoreamento
dos cursos d’água e o agravamento das enchentes.
Dessa forma, tem-se um quadro de contrastes na Região, influenciado pelo desmata-
mento exacerbado ocorrido ao longo dos anos. Nas épocas chuvosas, ocorrem en-
chentes que assolam diversos municípios e nas épocas de seca há escassez hídrica
em várias localidades.
Com a recuperação da cobertura vegetal da Região, com espécies nativas da Mata
Atlântica, pretende-se garantir a manutenção da qualidade e quantidade de água, a
regulação climática e a conservação da biodiversidade.

114 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


A Análise Situacional realizada revelou grande fragmentação dos remanescentes flo-
restais das Regiões. Como a grande maioria desses remanescentes encontra-se em
propriedades privadas há um grande desafio de conscientizar e incentivar os proprietá-
rios rurais na conservação, restauração e conexão desses fragmentos.
Deve ser ressaltada a importância de utilizar as microbacias hidrográficas como uni-
dades de planejamento para a recuperação da cobertura vegetal. Segundo Lima
(1996) apud Attanasio (2006) a microbacia hidrográfica é a unidade básica para carac-
terização, quantificação, análise e gerenciamento dos recursos e processos naturais,
onde a água representa o componente unificador de integração no manejo devido sua
estreita relação com os outros recursos ambientais.

Objetivos Específicos
• Reduzir a Fragmentação Florestal
A fragmentação florestal resultante das atividades antrópicas nas Regiões Norte e
Noroeste Fluminense implica em diversos efeitos sobre a fauna e a flora local. Estudos
indicam que várias espécies são sensíveis à fragmentação e que muitos processos
biológicos são alterados, sendo atribuído na maioria dos casos aos efeitos de borda.
Alguns dos efeitos de borda mais importantes são um aumento nos níveis de luz, tem-
peratura, umidade e vento. Uma vez que as espécies de plantas e de animais são fre-
quentemente adaptadas de forma precisa à certa temperatura, umidade e níveis de
luz, essas mudanças eliminarão muitas espécies dos fragmentos de floresta (Primack
et. al., 2001).
Os fragmentos florestais devem ser considerados estratégicos no planejamento de
conservação ambiental por desempenharem papel fundamental na manutenção da
biodiversidade local.
Como grande parte da vegetação remanescente, na área sob estudo, encontra-se em
fragmentos isolados, dificultando a reprodução e a sobrevivência das plantas e ani-
mais aí presentes, pretende-se estabelecer corredores ecológicos que interliguem es-
sas áreas isoladas, favorecendo o trânsito de animais e sementes, as trocas gênicas e
consequentemente a perpetuação dessas espécies.
Na Região Noroeste, as áreas onde predomina o relevo montanhoso, nos municípios
de Natividade, Porciúncula, Varre-Sai, Laje do Muriaé, Miracema e Cambuci, possuem
maior propensão à conectividade ecológica devido ao melhor estado de conservação e
maior proximidade entre os fragmentos.
Na Região Norte, os fragmentos situados em Macaé e Conceição do Macabu repre-
sentam a região com menor fragmentação florestal. A proteção desses fragmentos é
de grande importância na conservação regional, pois a conexão com outros remanes-
centes auxiliará ainda mais a redução da fragmentação florestal da Região.
Outra região com alto potencial para conexão está localizada no entorno do Parque
Estadual do Desengano. Como a fragmentação é reduzida e a distância entre os re-
manescentes pequena, a criação de corredores ecológicos nessa região é fundamen-
tal para a expansão da cobertura vegetal do Corredor da Serra do Mar e imediações.
• Regularização Ambiental das Propriedades Rurais
O desmatamento promovido por produtores rurais para implantação de pastagens,
plantações de cana, plantações de café, dentre outros, não poupou as áreas de pre-
servação permanente, protegidas desde a década de 60. A destinação de áreas de

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 115


reserva legal também foi ignorada, muitas vezes por falta de ciência dos proprietários
que desconheciam a legislação e pela fiscalização praticamente inexistente do Estado.
A adequação ambiental das propriedades rurais corresponde basicamente no estabe-
lecimento de ações que resultam na conservação, manejo e restauração das Áreas de
Preservação Permanente e Reserva Legal das propriedades das Regiões Norte e No-
roeste Fluminense, conforme as exigências da legislação vigente.
As áreas de preservação permanente, em especial as matas ciliares, apresentam im-
portante função ecológica, atuando na contenção de enxurradas, na infiltração do es-
coamento superficial, na retenção de sedimentos e na absorção do excesso de nutri-
entes.
A conservação da Reserva Legal na propriedade contribui para o ecossistema por
proporcionar o abrigo; acasalamento e alimentos para polinizadores e outras espécies
silvestres; a proteção do solo contra a erosão e a perda de nutrientes e a manutenção
da capacidade de água dos lençóis freáticos, havendo a necessidade de conhecimen-
to para manejá-la na paisagem rural (Castagnara et. al., 2007).
Além disso, a recuperação e conservação dessas áreas podem desempenhar uma
função importante na formação dos corredores ecológicos, interligando os fragmentos
florestais existentes nas duas Regiões.
Deve ser ressaltado que as áreas de Reserva Legal são passíveis de aproveitamento
econômico e dessa forma podem ser exploradas de forma sustentável por seus pro-
prietários. Os procedimentos técnicos para a utilização da vegetação da Reserva Le-
gal sob regime de manejo florestal sustentável são regidos pela Instrução Normativa
n° 4, de 8 de setembro de 2009, do Ministério do Me io Ambiente.
Sendo assim, o produtor rural deve ser estimulado, conscientizado e subsidiado na
recupe-ração de suas áreas de preservação permanente, além da averbação e mane-
jo da reserva legal.
• Recuperação de Áreas Degradadas com Baixa Aptidão Agrícola
A recuperação de áreas degradadas com baixa aptidão agrícola representa uma im-
portante alternativa ao incremento de cobertura vegetal nas regiões estudadas.
A Região Norte Fluminense apresenta algumas áreas de solos frágeis, com baixa ap-
tidão agrícola e alto potencial para recuperação. Segundo Bergallo et. al. (2009) há a
presença de solos frágeis no município de São João da Barra, no delta do rio Paraíba
do Sul assim como na zona litorânea de Campos dos Goytacazes e Quissamã. Na
porção central do município de Macaé, e nas proximidades da Lagoa Feia em Campos
dos Goytacazes também há a presença de solos frágeis recomendados para recupe-
ração.
A Região Noroeste apresenta diversas áreas com alto grau de degradação que apre-
sentam-se inaptas para atividades agrícolas. A análise situacional realizada apontou a
presença de extensas áreas de pastagem inutilizadas por estarem situadas em encos-
tas de acentuada declividade e topos de morro.
As propostas de recuperação não devem se ater a apenas aumentar a cobertura vege-
tal nas Regiões.
É necessário buscar alternativas para melhorar as condições socioeconômicas locais.
Desse modo, a restauração deve ocorrer visando o aproveitamento econômico através
da produção de madeira, de frutíferas nativas, de medicinais e da produção de mel,
usando espécies nativas. Esse é, inclusive, o modelo proposto pelo Pacto pela Res-

116 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


tauração da Mata Atlântica, assinado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, em
conjunto com outros governos, organizações e universidades.
Em muitos casos, as áreas de baixa aptidão agrícola podem ser utilizadas para côm-
puto da reserva legal.
Como a legislação ambiental brasileira permite a compensação do déficit de reserva
legal de uma dada propriedade, em outra propriedade da mesma bacia, as áreas de
baixa aptidão agrícola identificadas podem ser adquiridas por proprietários que tenham
100% de terras produtivas em uma determinada propriedade.
Para que este objetivo seja alcançado é essencial que haja um mapeamento detalha-
do das áreas de baixa aptidão agrícola nas Regiões Norte e Noroeste Fluminense.
Metas
A meta do Plano de Desenvolvimento Sustentável da Recuperação Vegetal é viabilizar
a restauração da cobertura vegetal de 100.000 ha até o ano de 2035.
Gráfico 7 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas de Recuperação Vegetal,
2020, 2035

Metas de Recuperação da Cobertura Vegetal


Porcentagem de
cobertura vegetal
rem anescente

25
19,6
20
16
15 N e NO RJ
11,5

10 8,95

0 Ano
2008 2020 2035

Objetivos x Metas
Objetivos Metas
Reduzir a fragmentação florestal
Viabilizar a restauração da
Regularização ambiental das propriedades rurais cobertura vegetal de 100.000
ha até o ano de 2035.
Recuperação de áreas degradadas com baixa aptidão agrícola;

Estratégias
• Implantação de corredores ecológicos;
• Mapeamento das áreas com baixa aptidão agrícola;
• Elaboração de Parcerias Público-Privadas envolvendo proprietários rurais, orga-
nizações não-governamentais, empresas privadas, prefeituras municipais e go-
verno estadual;

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 117


• Restauração ambiental com vistas ao aproveitamento econômico em áreas de
baixa aptidão agrícola e reservas legais;
• Pagamento pela prestação de serviços ambientais;
• Fortalecimento do Programa Rio Rural;
• Promoção da educação ambiental nas comunidades rurais.

Implantação e Fortalecimento de Unidades de Conservação


A criação de áreas protegidas vem sendo considerada uma das estratégias mais efici-
entes na conservação da diversidade biológica, dos recursos naturais e dos valores
culturais.
No Brasil, as áreas protegidas, denominadas Unidades de Conservação, são regula-
das pela Lei n° 9.985 de 18 de julho de 2000, divid idas basicamente em dois grupos:
Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. As Unidades de Con-
servação (UCs) são legalmente instituídas pelo poder público nas esferas municipal,
estadual e federal.
Conforme a Análise Situacional realizada, relatou-se que as Regiões Norte e Noroeste
do Estado do Rio de Janeiro apresentam baixa concentração de Unidades de Conser-
vação, UCs em seu território. Na Região Noroeste, há apenas duas RPPNs e nenhu-
ma UC. No Norte, há quatro UCs de âmbito federal e estadual implantadas, alem de
outras três RPPNs.
A Região como um todo apresenta áreas com potencial para criação de novas unida-
des de conservação, de acordo com estudos contratados pelo INEA.
A implantação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) vem sendo
uma das estratégias do INEA para ampliar as áreas ambientalmente protegidas. Entre-
tanto, além de estimular a criação de novas áreas protegidas, é necessário que sejam
fomentados projetos que promovam atividades nas Unidades de Conservação de mo-
do a agregar valores econômicos, sociais e ambientais à localidade e a quem as con-
templa. O desenvolvimento da pesquisa científica, valorizando econômica e social-
mente a diversidade biológica, a promoção da educação ambiental e o estímulo ao
turismo ecológico são atividades fundamentais no processo de fortalecimento das uni-
dades de conservação.
Portanto, esse vetor de desenvolvimento tem o objetivo de ampliar as áreas ambien-
talmente protegidas garantindo a conservação dos recursos naturais, além de estimu-
lar atividades que promovam o desenvolvimento social, econômico e ambiental das
comunidades de entorno das unidades de conservação.

Objetivos Específicos
• Aumentar a Extensão de Áreas Protegidas
Atualmente, as Regiões Norte e Noroeste apresentam, somadas, 44.882 ha de áreas
ocupadas por unidades de conservação distribuídas por 1.413.000 ha, que represen-
tam aproximadamente 3,2% do território da Região integrada.
A título de comparação, o Estado do Rio de Janeiro possui segundo Bergallo et. al.
(2009) 270 unidades de conservação perfazendo uma área de 735.432,5 ha. Conside-
rando que o território do Estado abrange 4.386.430 ha, o índice estadual de ocupação
territorial das unidades de conservação é de 16,7%.

118 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Tais números revelam que é necessário que as áreas protegidas na Região Norte-
Noroeste sejam substancialmente aumentadas, com o intuito de garantir a conserva-
ção dos recursos naturais regionais.

Tabela 2 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Áreas Protegidas, 2008


Área na
Área Total
Unidade de Conservação Município Região
(ha)
N-NO
Parque Nacional da Restinga
Quissamã, Carapebus e Macaé 14.480 14.480
de Jurubatiba
Parque Estadual do São Fidélis, Santa Maria Madalena
22.400 15.000
Desengano e Campos dos Goytacazes
Estação Ecológica de
São Francisco de Itabapoana 3.260 3.260
Guaxindiba
Rio das Ostras, Casimiro de Abreu
Reserva Biológica da União 3.126 10
e Macaé
RPPN Fazenda Barra do
Macaé 162,40 162,40
Sana

RPPN Sítio Shangrilá Macaé 86,00 86,00


RPPN Reserva Florestal Eng°
Natividade 75,50 75,50
João Furtado de Mendonça

RPPN Boa Vista e Pharol Santo Antônio de Pádua 8,00 8,00

APA do Sana Macaé 11.800,00 11.800,00

Total Regiões Norte e Noroeste 44.882

Há estudos já realizados que justificam a implantação de UCs na Serra do Monte Ver-


de (6.000 ha) e no Domínio das Ilhas Fluviais do rio Paraíba do Sul (indefinido) e a-
pontam a ampliação do Parque Estadual do Desengano (10.000 ha).

Atualmente, a implantação do Parque Estadual de Gruçaí encontra-se em estágio a-


vançado, segundo o INEA. Esse será o maior parque de restinga do mundo com cerca
de 19.000 ha de extensão.

Além das unidades de conservação de âmbito federal e estadual é imprescindível que


sejam implantadas unidades de conservação na esfera municipal. Tais áreas protegi-
das podem contribuir para a arrecadação de ICMS Ecológico das Municipalidades a-
lém de compor o mosaico necessário para a implantação de corredores ecológicos.

Dessa forma, é necessário que o Estado tenha uma política pública voltada para a
implantação de novas unidades de conservação nessas Regiões, de forma a perpetu-
ar a biodiversidade local.
Meta
Implantar 125.000 ha de áreas protegidas até o ano de 2035.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 119


Gráfico 8 - Região Norte-Noroeste Fluminese, Metas de Ampliação de Áreas Protegidas,
2020, 2035

Unidades de Conservação nas Regiões Norte e Noroeste Flum inense


Í ndic e de o c upa ç ã o
t e rrit o ria l da s UC 's
18,0% 16,7%
16,0%
14,0%
12%
12,0%
N e NO RJ
10,0%
8,0% 7%

6,0%
4,0% 3,2%

2,0%
0,0% A no
2010 2020 2035

• Aumentar o Conhecimento sobre a Fauna e a Flora Local


A fauna e a flora das Regiões Norte e Noroeste são extremamente desconhecidas.
Relatos de pesquisadores que estiveram estudando fragmentos da Região Noroeste
evidenciam grande biodiversidade e presença de espécies endêmicas.
Segundo Bergallo et. al. (2009), a Região Noroeste é a menos conhecida no Estado
do Rio de Janeiro quanto à ocorrência de espécies de anfíbios endêmicos e ameaça-
dos. Da mesma forma há pouco conhecimento relativo aos répteis, aves, mamíferos,
organismos aquáticos invertebrados e aracnídeos. Os conhecimentos relativos à flora
também são muito restritos.
Quanto à Região Norte, o conhecimento se estende às áreas litorâneas devido às di-
versas pesquisas realizadas no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, local on-
de está situada a base do Núcleo de Pesquisas Ecológicas de Macaé, da UFRJ (NU-
PEM/UFRJ), uma unidade de pesquisa, ensino e extensão do Instituto de Biologia des-
ta Universidade. Nas regiões serranas há alguns estudos realizados, principalmente
no Parque Estadual do Desengano e Reserva Biológica da União, entretanto, estes
são esporádicos, havendo lacunas a serem preenchidas.
Portanto, é necessário que a pesquisa científica seja estimulada nas unidades de con-
servação através de convênios firmados com universidades regionais, de forma que o
conhecimento referente à fauna e flora local seja aprimorado auxiliando na conserva-
ção das espécies e revertendo as informações obtidas em benefício ao desenvolvi-
mento econômico e social da população local.
Meta
Implantar pelo menos cinco núcleos de pesquisa em unidades de conservação, sendo
um na Restinga Norte, três no Noroeste e um na região serrana de Macaé e Campos
dos Goytacazes, até o ano de 2035.
• Incentivar a Implantação de RPPNs
O Estado do Rio de Janeiro possui um Decreto específico para a criação de Reserva
Particular do Patrimônio Natural - RPPN. Após a sanção desse Decreto em 2007, foi

120 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


criado um Núcleo de RPPN no INEA, responsável pelo auxílio aos proprietários que se
interessem em transformar sua propriedade ou parte dela em uma RPPN.
O Programa Estadual de RPPN vem recebendo a adesão de alguns proprietários nas
Regiões Norte e Noroeste, principalmente no Noroeste Fluminense onde uma RPPN
foi implantada e outras sete estão em processo de implantação.
O processo de criação dessas unidades de conservação não apresenta grandes en-
traves, o que contribui para uma rápida ampliação das áreas protegidas, e possibilita a
participação da iniciativa privada no esforço da conservação da biodiversidade.
Além disso, a implantação de unidades de conservação nos municípios aumenta a
arrecadação de ICMS Ecológico, fator que vem incentivando prefeituras municipais a
subsidiar a criação de RPPNs em seu território.
Dessa forma, é necessário que o Programa Estadual de RPPNs seja fortalecido, de
maneira que diversas unidades de conservação sejam criadas, proporcionando maior
viabilidade à construção de mosaicos ou corredores, conectando os remanescentes
florestais.
Uma das principais estratégias a serem utilizadas no incremento de RPPNs na Região
é o subsídio aos proprietários rurais na etapa de levantamento topográfico e georrefe-
renciamento.
Meta
Implantar 10.000 ha de RPPN até o ano de 2035.
Gráfico 9 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas de Implantação de RPPNs,
2020, 2035

Metas de Im plantação de RPPN's


Hectares

12000
10000
10000

8000 Hectares de RPPN


implantados
6000
4000
4000

2000
332
0 Ano
2010 2020 2035

• Promover a Educação Ambiental nas Unidades de Conservação


As premissas mais modernas de promoção da educação ambiental em unidades de
conservação associam a educação à gestão ambiental.
Segundo o IBAMA (2002), quando pensamos em educação no processo de gestão
ambiental estamos desejando o controle social na elaboração e execução de políticas
públicas, por meio da participação permanente dos cidadãos, principalmente, de forma
coletiva, na gestão do uso dos recursos ambientais e nas decisões que afetam à qua-
lidade do meio ambiente.
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 121
A partir dessa premissa, os atores da sociedade civil, residentes das áreas de entorno
das UCs, cientistas, técnicos, professores do ensino médio e fundamental passam a
ser o alvo dos programas de educação ambiental em UCs.
Dessa forma promove-se a gestão ambiental participativa, na qual são repassadas as
responsabilidades sobre os recursos naturais para indivíduos estratégicos na socieda-
de, além de obter melhorias no planejamento e gestão das unidades de conservação.
Temos então, a evolução do capital ambiental e do capital humano, com indivíduos
mais capacitados e informados trabalhando pela conservação dos recursos naturais.
A participação de professores do ensino médio e fundamental nesse processo é es-
sencial para que os conhecimentos possam ser disseminados para os alunos e para
que possa ser criado um vínculo entre a unidade de conservação e as escolas locais.
Sendo assim, a criação de um Programa de Educação Ambiental voltado às Unidades
de Conservação é estratégico no envolvimento da sociedade com o tema da conser-
vação ambiental, além de auxiliar na gestão das unidades de conservação.
Meta
Implantar a educação ambiental associada à gestão ambiental em 80% das unidades
de conservação da Região Norte-Noroeste até o ano de 2035.
• Atrair Visitantes para as Unidades de Conservação
As Unidades de Conservação não representam um atrativo turístico às Regiões Norte
e Noroeste Fluminense. O Parque Estadual do Desengano e o Parque Nacional da
Restinga de Jurubatiba destacam-se na Região pelas belezas naturais e biodiversida-
de, entretanto, recebem baixo contingente de visitantes ao longo do ano.
O desenvolvimento do turismo pode trazer diversos benefícios à unidade de conserva-
ção e sua área de entorno.
O turismo, ao mesmo tempo em que fortalece a apropriação das Unidades de Conser-
vação pela sociedade, incrementa a economia e promove a geração de emprego e
renda para as populações locais (BRASIL, 2006).
Entretanto, o turismo nas unidades de conservação deve ser devidamente planejado
para que os impactos ambientais advindos da atividade sejam os menores possíveis.
Sendo assim, as potencialidades turísticas das unidades de conservação da Região
devem ser estudadas, seguido de um planejamento para exploração de tal potencial.
Metas
Desenvolver estudos de potencial turístico em unidades de conservação (implantadas
e a serem implantadas) e fomentar atividades atrativas até o ano de 2020. Criar infra-
estrutura necessária para visitação e desenvolvimento das atividades previstas, a par-
tir dos estudos e programas elaborados, até o ano de 2035.
Objetivos x Metas
Objetivos Metas

Implantar 125.000 ha de áreas protegidas até o


Aumentar a extensão de áreas protegidas
ano de 2035.
Implantar pelo menos cinco núcleos de pesquisa
Aumentar o conhecimento sobre a fauna e a em Unidades de Conservação, sendo um na
flora local restinga Norte, três no Noroeste e um na região
serrana de Macaé e Campos até o ano de 2035.

122 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


(continuação)
Objetivos Metas

Incentivar a implantação de RPPNs Implantar 10.000 ha de RPPN até o ano de 2035.


Implantar educação ambiental associada à ges-
Promover a educação ambiental nas unidades
tão ambiental em 80% das unidades de conser-
de conservação
vação das Regiões até o ano de 2035.
Desenvolver estudos de potencial turístico em
unidades de conservação (implantadas e a serem
implantadas) e fomentar atividades atrativas até o
Atrair visitantes às unidades de conservação ano de 2020. Criar infra-estrutura necessária
para visitação e desenvolvimento das atividades
previstas, a partir dos estudos elaborados, até o
ano de 2035.

Estratégias

• Desenvolver estudos sob a orientação e/ou coordenação do INEA, para definição


de novas áreas prioritárias para implantação de Unidades de Conservação;

• Garantir a implantação das Unidades de Conservação já propostas;

• Desenvolver um Plano com programas de aproveitamento das potencialidades


turísticas das UCs (tanto nas já existentes quanto nas que forem propostas);

• Desenvolver programa de educação ambiental voltado às Unidades de Conser-


vação;

• Firmar convênios entre universidades regionais e unidades de conservação, es-


timulando a realização de pesquisas científicas, com as Municipalidades e com
empresas privadas que estejam atuando na Região;

• Fortalecimento do Programa de Incentivo à RPPNs;

• Subsídios na implantação de RPPNs.

Fortalecimento Institucional das Entidades Gestoras de Recursos Hídricos

As Regiões Norte e Noroeste Fluminense apresentam diversos problemas relativos


aos recursos hídricos como: enchentes, conflitos pelo uso da água, escassez hídrica e
lançamentos de esgoto doméstico sem tratamento. A gestão moderna e eficaz dos
recursos hídricos será um fator preponderante no desenvolvimento sustentável dessas
Regiões.

Os Comitês de Bacias Hidrográficas tem importância fundamental na gestão das á-


guas, incorporando ao processo de tomada de decisão atores tradicionalmente excluí-
dos (municípios, usuários e organizações civis). Dessa forma, os Comitês de Bacia
são considerados os “parlamentos das águas”, possuindo funções como: arbitrar con-
flitos de usos e usuários em primeira instância; debater a integração das políticas pú-
blicas que têm nos usos das águas forte interlocução; definir o plano de usos e o esta-
belecimento de estratégias para sua conservação, recuperação e regulação consoli-
dadas em um Plano de Recursos Hídricos; o estabelecimento de critérios para a regu-

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 123


lação e a cobrança pelo uso da água; e a definição das ações que devem ser fomen-
tadas com os recursos financeiros arrecadados na bacia para o cumprimento do plano
de investimentos necessários ou indutores da recuperação dos corpos d’água.

As Municipalidades desempenham um papel importante na gestão dos recursos hídri-


cos participando dos Comitês de Bacia e desenvolvendo projetos com o objetivo de
auxiliar na melhoria da qualidade das águas, nas condições de abastecimento de água
e diminuir os impactos das enchentes.

Atualmente, alguns dos principais Comitês de Bacia das Regiões encontram-se incipi-
entes, em processo de implantação ou recentemente instalados, com pouca represen-
tatividade (o Comitê de Bacia do Paraíba do Sul constitui uma exceção, e vem avan-
çando de modo significativo ainda que bastante recente). As Municipalidades apresen-
tam corpos técnicos reduzidos nas áreas de saneamento e meio ambiente, o que difi-
culta a elaboração de projetos qualificados que venham a melhorar as condições am-
bientais desses municípios. A participação comunitária se mostra pequena e com fre-
qüência pouco regular, regra geral.

O fortalecimento institucional das entidades gestoras de recursos hídricos é de extre-


ma importância, considerando a complexidade do tema no âmbito regional e a impor-
tância de organismos locais ativos que venham fomentar, discutir e tomar decisões em
questões referentes aos recursos hídricos.

Objetivos Específicos

• Fortalecer os Comitês de Bacia

Internamente à Região foram identificados três Comitês de Bacia já formados: o Comi-


tê do Baixo Paraíba do Sul, abrangendo todos os municípios das duas Regiões, com
exceção de Macaé, Itaocara e Bom Jesus do Itabapoana; o Comitê do Rio Dois Rios,
abrangendo Itaocara e São Fidélis na área de alcance deste Plano de Desenvolvimen-
to Sustentável; e o Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Macaé e das Ostras,
que compreende o município de Macaé. O Comitê da Bacia Hidrográfica do rio Itaba-
poana está em processo de implantação.

O Comitê da Bacia da Região Hidrográfica do Baixo Paraíba do Sul – CBH Paraíba do


Sul é o que apresenta maior relevância para a Região por abranger quase todos os
municípios. Esse Comitê foi instalado em junho de 2009 e vem trabalhando integra-
damente com os outros Comitês do rio Paraíba do Sul, esperando começar a produzir
resultados a partir de agora.

Por apresentar Comitês de Bacia iniciantes ou incipientes, como o Comitê do Baixo


Paraíba do Sul e o Comitê do rio Itabapoana, é necessário que sejam promovidos es-
forços para fortalecer tais Comitês e, consequentemente, garantir uma gestão eficiente
dos recursos hídricos. Ações de mobilização social que estimulem a participação e a
gestão participativa do Comitê são o primeiro passo para esse fortalecimento. O au-
mento da arrecadação financeira dos Comitês, a criação de câmaras técnicas com
representantes qualificados, a capacitação dos representantes municipais do Comitê e
o desenvolvimento dos instrumentos de gestão dos recursos hídricos são outras medi-
das que contribuem para fortalecer esses organismos.

124 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Mapa 1 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Regiões Hidrográficas

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 125


Metas
Realizar ações de mobilização social incentivando a participação representativa quali-
ficada e contínua e a gestão participativa; implementar câmaras técnicas totalmente
formadas, com representantes capacitados; e instituir as ferramentas de gestão dos
comitês até o ano de 2020.
• Aumento da Arrecadação Financeira dos Comitês de Bacia
Atualmente, a arrecadação dos Comitês de Bacia no Estado do Rio de Janeiro é pro-
veniente da cobrança pelo uso da água em rios estaduais e da compensação financei-
ra por utilização dos recursos hídricos. A cobrança é efetuada pelo Estado que repas-
sa o dinheiro às contas de cada região hidrográfica no Fundo Estadual de Recursos
Hídricos do Estado do Rio de Janeiro – FUNDRHI.
A arrecadação nas regiões hidrográficas situadas nas regiões Norte e Noroeste é a-
presentada na Tabela a seguir.
Tabela 3 - Arrecadação Financeira nas Regiões Hidrográficas em 2009

Cobrança Valor Líquido


Região Hidrográfica INEA (10%)
Bruta 2009 RH (90%)

RH - VII: Rio Dois Rios 609.751,05 548.775,95 60.975,11


RH - VIII: Macaé e das Ostras 851.072,05 765.964,85 85.107,21
RH - IX: Baixo Paraíba do Sul 124.413,73 111.972,36 12.441,37
RH - X: Itabapoana 53.529,60 48.176,64 5.352,96
Fonte: INEA (2010)
Percebe-se que as regiões hidrográficas do Baixo Paraíba do Sul e do Itabapoana
recebem quantias muito baixas, principalmente porque seus principais rios são fede-
rais e a arrecadação deve ser promovida pela ANA - Agência Nacional das Águas. No
caso do rio Paraíba do Sul, o recurso é repassado para a AGEVAP - Agência da Bacia
do Paraíba do Sul. No rio Itabapoana a cobrança ainda não foi implementada.
Em função da baixa arrecadação nessas regiões hidrográficas, iniciativas formando
parcerias entre os Comitês de Bacia e empresas privadas aparecem como uma solu-
ção factível, pois é possível aumentar a renda dos Comitês e associar a imagem de
grandes empresas à conservação ambiental.
Como a Região apresenta um volume enorme de investimentos previstos, com a im-
plantação de grandes empreendimentos, tais parcerias podem ser firmadas alcançan-
do grandes resultados.
Ressalta-se que para a firmação de tais parcerias é necessário que se tenha um Co-
mitê de Bacia forte e atuante, com lastro e qualificação para receber e aplicar devida-
mente os recursos recebidos.

Metas
Aumentar a arrecadação dos Comitês do Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana (porção
Fluminense da bacia), a partir de parcerias e convênios, em 400% até 2020 e 1000%
até 2035, com as devidas correções monetárias.
• Fortalecer o Corpo Técnico das Áreas de Saneamento e Meio Ambiente das
Municipalidades (Prefeituras Municipais)

126 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


O crescimento da economia brasileira e a crescente conscientização ambiental da
sociedade têm aumentado o aporte de recursos financeiros do poder público em sa-
neamento e meio ambiente, áreas anteriormente ignoradas no planejamento orçamen-
tário.
Na atualidade, para obtenção de recursos é necessário que sejam apresentados proje-
tos qualificados e consistentes, com real viabilidade de execução.
Segundo técnicos do INEA, este tem sido um dos principais problemas encontrados no
Estado na obtenção de recursos financeiros do governo federal para as áreas de sa-
neamento e meio ambiente devido à incapacidade das Municipalidades em elaborar
projetos com potencial para aprovação nos órgãos financiadores. Nas Regiões Norte e
Noroeste há municípios que sequer tem uma secretaria de meio ambiente e, na maio-
ria dos casos, quando existente, o corpo técnico é bastante reduzido.
Sendo assim, o fortalecimento dos corpos técnicos municipais nas áreas de sanea-
mento e meio ambiente, a partir da contratação e capacitação de profissionais qualifi-
cados e bem remunerados é indispensável para o fortalecimento da gestão ambiental
dos municípios.
Além da contratação dos funcionários, é necessário que o Estado dê suporte às Muni-
cipalidades, para a formação acelerada e a atualização desses profissionais, realizan-
do seminários e palestras a fim de capacitar os técnicos e orientar procedimentos ne-
cessários e oportunidades para arrecadação de recursos nas áreas de saneamento e
meio ambiente. A capacitação oferecendo cursos de pós-graduação, uma atividade
típica das universidades da Região, também é fundamental para aumentar o conhe-
cimento desses profissionais e dinamizar a gestão ambiental nos municípios.
Essa é uma medida que indiretamente fortalece também os Comitês de Bacia da Re-
gião, pois a participação de representantes capacitados e engajados das Municipali-
dades irá repercutir em discussões e desenvolvimento de ações mais representativas
e congruentes com o interesse coletivo, no âmbito de cada bacia hidrográfica.
Metas
Instituir secretarias de meio ambiente em todos os municípios, com pelo menos um
cargo para profissional de nível superior, capacitado para análise, contratação, fiscali-
zação e elaboração de projetos na área de saneamento e recursos hídricos até o ano
de 2020. Capacitação dos profissionais de saneamento e meio ambiente das prefeitu-
ras, atingindo um índice de 80% de profissionais pós-graduados nessas áreas até
2035.

Objetivos x Metas
Objetivos Metas

Realizar ações de mobilização social incentivando a gestão


participativa; implemen-tar câmaras técnicas totalmente for-
Fortalecer os Comitês de Bacia
madas, com representantes capacitados; e instituir as ferra-
mentas de gestão do comitê até o ano de 2020.

Aumentar a arrecadação dos Comitês do Baixo Paraíba do


Aumento da arrecadação finan- Sul e Itabapoana (porção fluminen-se da bacia) a partir de
ceira dos comitês de bacia parcerias e convênios, em 400% até 2020 e 1000% até
2035, com as devidas correções monetárias.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 127


(continuação)
Objetivos Metas

Instituir secretarias de meio ambiente em todos os municí-


pios, com pelo menos um cargo para profissional de nível
Fortalecer o corpo técnico das superior, capacitado para análise, contratação, fiscalização e
áreas de sane-amento e meio elaboração de projetos na área de saneamento e recursos
ambiente das prefeituras muni- hídricos até o ano de 2020. Capacitação dos profissionais de
cipais saneamento e meio ambiente das Municipalidades, atingindo
um índice de 80% de profissionais pós-graduados nessas
áreas até 2035.

Estratégias
• Mobilização social para a gestão participativa por intermédio da comunicação
social, mobilização participativa, capacitação em gestão de recursos hídricos,
etc.;
• Desenvolvimento de instrumentos de gestão da bacia;
• Atrair recursos financeiros provenientes da iniciativa privada para aplicação em
projetos da bacia;
• Contratação e capacitação do corpo técnico das áreas de saneamento e meio
ambiente das Municipalidades da Região;
Recuperação dos Canais da Baixada Campista
O Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), com o objetivo de drenar
as áreas da baixada, construiu um sistema de canais interligados, de aproximadamen-
te 1.300 km de extensão. A partir do final da década de 1970, intensificaram-se os
usos dos canais para a irrigação das lavouras de cana-de-açúcar. Esta intrincada rede
de canais se constitui num complexo e frágil sistema hidráulico, devido às grandes
dimensões dos canais e baixas declividades (Mendonça et. al., 2007), e seu controle e
manutenção ficaram comprometidos desde a extinção do DNOS, em 1990.
A gestão inadequada desse sistema hídrico causa sérios transtornos à população rural
e urbana da região. Segundo Oliveira et. al. (2007), segmentos sociais ligados ao setor
agroindustrial emitiram uma nota à imprensa apresentando os danos causados pelas
enchentes no setor agrícola de Campos nos últimos anos. No ano agrícola 2000/2001,
as perdas estimadas alcançaram entre 40% e 45% na produção dos setores da agro-
indústria canavieira e pecuária leiteira, respectivamente. Em 2005, foram esmagadas
5.478.440 t. de cana-de-açúcar. Com a enchente de janeiro de 2007, a região, com
cerca 100.000 ha de cana-de-açúcar plantada, teve pelo menos 50% desta área atin-
gida.
Além de problemas relacionados a inundações, o abandono do sistema de canais gera
conflitos por uso da água na região.
A COPPE/UFRJ foi contratada pelo INEA e elaborou um projeto apresentando solu-
ções estruturais definitivas para a recuperação do sistema de canais da Baixada Cam-
pista e solucionar os problemas relacionados às enchentes. O projeto da COPPE con-
templa os três subsistemas existentes na baixada, sendo estes: subsistema Vigário,
subsistema São Bento e subsistema Campos dos Goytacazes-Macaé.
As obras do sub-sistema São Bento foram iniciadas em 2010. Entretanto, ainda não há
previsão para o início das obras nos outros sub-sistemas.

128 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Com o objetivo de permitir a adequada operação do sistema de canais ao longo de
todo o ano, recentemente a COPPE/UFRJ foi contratada para elaborar um projeto con-
templando um conjunto complementar de obras e ações para tratar os problemas ad-
vindos da estiagem.
A recuperação dos canais da Baixada Campista é essencial para a dinamização da
agricultura na região, de forma que as propriedades tenham disponibilidade hídrica
nas épocas de seca e não ocorram perdas na produção devido à inundação das plan-
tações nas épocas chuvosas. Além disso, a gestão adequada do sistema é fundamen-
tal para a resolução dos diversos conflitos pelo uso da água identificados na região.
Objetivos Específicos
• Eliminar os Conflitos pelo Uso da Água na Baixada Campista
Os principais conflitos por uso da água nas Regiões Norte e Noroeste do Estado do
Rio de Janeiro ocorrem na Baixada Campista.
A falta de manutenção dos canais e estruturas hidráulicas associada à inexistência de
um manejo do complexo sistema de comportas resulta em intervenções individuais por
parte de proprietários rurais e usinas sucroalcooleiras.
Nos períodos de seca, o baixo nível d’água do rio Paraíba do Sul impossibilita a adu-
ção de água para os canais, comprometendo o abastecimento das propriedades rurais
e provocando quedas na produção de alimentos e pecuária. Dessa forma, proprietá-
rios rurais e usinas sucroalcooleiras constroem pequenos diques ou promovem o ma-
nejo privado das comportas para elevar o nível da água. Tais intervenções prejudicam
usuários a jusante, disseminando conflitos pelo uso da água entre pescadores, agricul-
tores e usineiros da região.
O manejo adequado das comportas, além da adequada manutenção e operação dos
canais e estruturas hidráulicas são fundamentais para que esses conflitos sejam elimi-
nados.
Como citado anteriormente, a COPPE/UFRJ foi contratada para desenvolver os proje-
tos para operação do sistema hidráulico nas épocas de estiagem. Portanto, os esfor-
ços para solução dos conflitos estão em andamento. Num próximo momento, torna-se
necessário mobilizar recursos para realização das obras e definir os responsáveis pela
operação e gestão dos recursos hídricos da Baixada Campista.
• Reduzir a Ocorrência de Enchentes na Baixada Campista
As intervenções individuais realizadas no sistema de canais da Baixada Campista são
um dos principais fatores que contribuem para o agravamento de enchentes nessa
região.
Nas épocas de chuvas intensas, a elevação do nível das águas determina a necessi-
dade de um eficiente manejo das comportas de adução e controle, a fim de regular o
nível dos canais e evitar represamentos e inundações. Como em muitos casos as
comportas são controladas por proprietários rurais ou usineiros, frequentemente ocor-
rem inundações devido ao manejo inadequado de tais estruturas hidráulicas.
A construção de diques irregulares por parte dos proprietários rurais também contribui
para o agravamento das enchentes, pois estas estruturas dificultam o escoamento da
água nos canais.
A falta de manutenção dos canais é outro agravante das enchentes. É necessário que
haja controle das cotas de fundo, da vegetação aquática e dos taludes marginais para
que o sistema funcione adequadamente. Entretanto a manutenção exige equipamen-
tos específicos e mão-de-obra treinada para execução.
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 129
O projeto elaborado pela COPPE/UFRJ definiu soluções para a macrodrenagem da
Baixada, com vistas a resolver o problema de cheias na região. Entretanto, não foram
alocados recursos para a realização das obras nos três subsistemas e apenas o sub-
sistema São Bento teve suas intervenções iniciadas. Portanto, deve ser priorizada a
mobilização de recursos de forma que os subsistemas Vigário e Campos dos Goyta-
cazes-Macaé também sejam contemplados.
Uma alternativa recomendada é se constituir uma Parceria Público-Privada para a
implantação das obras e operação nos outros subsistemas. Naturalmente, segundo a
concepção de uma PPP, esta mesma parceira será a responsável pela operação e
gestão dos recursos hídricos no sistema de canais.
Metas
Recuperar e estabelecer um sistema de gestão dos três subsistemas, eliminando pro-
blemas de enchentes e conflitos por usos da água até o ano de 2020.
Objetivos x Metas
Objetivos Metas
Eliminar os conflitos pelo uso da água na Bai-
Recuperar e estabelecer um sistema de ges-
xada Campista
tão dos três subsistemas, eliminando pro-
blemas de enchentes e conflitos por usos da
Reduzir a ocorrência de enchentes na Baixa-
água até o ano de 2020.
da Campista

Estratégias
• Realização de uma operação de Parceria Público-Privada para execução, manu-
tenção e operação nos três subsistemas segundo os estudos e projetos desen-
volvidos pela COPPE.

C) MÓDULO MEIO AMBIENTE MODIFICADO


Autor Coordenador:
Milton Casério

Vetor de Desenvolvimento: Criação e Implementação das Políticas Ambientais


Regionais – Regulamentação e Fiscalização Regional para o Desenvolvimento
Sustentável
A política ambiental no Estado Rio de Janeiro passa por reformulações recentes. Com
a entrada em vigor de duas novas leis em 2007 - que determinaram a criação do Insti-
tuto Estadual do Ambiente (INEA) e do ICMS Verde, praticamente todo o Estado se
orienta e se empenha por alcançar as suas melhores condições ambientais. O INEA
deve se estruturar, em até um ano, como união de três organismos:
• Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA);
• Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (SERLA);
• Instituto Estadual de Florestas (IEF).
A lei do ICMS Verde estabelece novas regras para o repasse do ICMS aos municípios,
determinando o aumento de arrecadação para cidades que investirem na recuperação
ambiental.

130 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Neste contexto, cabe promover a sistematização das informações e dados das redes
de monitoramento ambientais da Região Norte-Noroeste Fluminense integrada, exis-
tentes nos órgãos ambientais supra-citados, com o objetivo de disponibilizar tais in-
formações ambientais de atividades passíveis de regulamentação ambiental, visando
a maior eficácia dos sistemas de coordenação, regulamentação e fiscalização ambien-
tal, bem como propiciar um maior controle sobre os potenciais riscos ambientais.

Objetivos, Metas e Estratégias:


Objetivos Estratégias e Metas para 2035
Constituição do Sistema • Discussão imediata sobre o formato, conteúdos e a estrutura
Digital de Dados Ambien- do Sistema.
tais (CIDE / INEA), objeti- • Contratar em até 6 meses, o projeto executivo do sistema.
vando a gestão efetiva do • Implementar o sistema de dados ambientais até 18 meses
Meio Ambiente das Regiões após a contratação.
Norte e Noroeste. • Contratar a conversão dos dados analógicos existentes para
o formato do banco de dados digitais do sistema, em até 12
meses, após a definição do sistema.
• Capacitar os profissionais técnicos do Estado do Rio de Ja-
neiro para utilização do sistema, imediatamente após a con-
versão dos dados e constituição do novo Sistema.
Sistematização das Redes • Em um ano, estabelecer a tipologia de parâmetros ambien-
de Monitoramento Ambien- tais do Estado do Rio de Janeiro, conforme legislação perti-
tal nente.
• Contratar o projeto das redes de monitoramento em até 6
meses.
• Sistematizar e padronizar as redes de monitoramento e auto-
monitoramento do estado, em até 6 meses após a contrata-
ção.
• Adquirir os equipamentos necessários, em até um ano após
a padronização das redes.
• Instalar as redes de monitoramento, até 6 meses após a
aquisição dos equipamentos.
• Qualificação dos técnicos do estado para operar a rede e
receber e processar os dados do monitoramento, imediata-
mente após a instalação dos equipamentos.
Controle e fiscalização de • Criação imediata de um fundo para subsidiar os trabalhos de
riscos ambientais ligados à recuperação e reparação de danos ambientais, decorrentes
operação dos grandes em- de incidentes diversos.
preendimentos previstos ou • Criar meios para a vinculação imediata dos novos empreen-
em fase de instalação. dimentos a esse Fundo, de modo a garantir sua capitaliza-
ção num prazo máximo de 10 anos.
• Estabelecer como contribuição mínima para o Fundo, 0,5%
do ICMS gerado adicionalmente em cada município em que
se encontram esses grandes empreendimentos.
• Discutir com o Legislativo e com a sociedade civil organizada
a aplicação do instrumento previsto no Zoneamento Econô-
Operacionalizar a imple- mico-Ecológico, como complemento ao procedimento admi-
mentação do Zoneamento nistrativo de licenciamento ambiental, num período de 12
Econômico-Ecológico, como meses;
instrumento norteador da • Divulgar entre os empreendedores e empresários interessa-
Ordenação Ambiental. dos em investir no norte e noroeste fluminense as novas re-
gras e facilidades advindas da utilização do Zoneamento E-
conômico-Ecológico.
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 131
(continuação)
Objetivos Estratégias e Metas para 2035
• Efetivar mudanças na estrutura do licenciamento que facili-
tem e agilizem o processo de licenciamento ambiental das
empresas, num prazo máximo de 24 meses após a promul-
gação legal da medida.

• Implantação do Programa de Sistematização de Dados Ambientais (CIDE /


INEA), Objetivando a Gestão Eficiente do Meio Ambiente na Região Norte -
Noroeste
Criação e implantação do programa institucional de geração, atualização e manuten-
ção de bases de dados ambientais oficiais, para o suporte da decisão, para formula-
ção de políticas e programas ambientais, para o desenvolvimento tecnológico e para a
qualificação de técnicos e profissionais intra e trans setoriais.
Esse Programa servirá como referência para a elaboração de estudos, bases de da-
dos, cartografia ou análises temáticas regionais, devendo utilizar intensamente o geo-
processamento, diagnósticos etc., tornando mais eficazes as ações reguladoras do
Estado do Rio de Janeiro e os projetos e empreendimentos dos investidores, na Regi-
ão.

• Sistematização das Redes de Monitoramento Ambiental


Dotar o Estado do Rio de Janeiro, no que diz respeito aos municípios e sistemas inte-
grantes da Região Norte-Noroeste Fluminense de uma rede de monitoramento e gera-
ção de dados ambientais em tempo real, para atender às múltiplas demandas da soci-
edade.
Esta rede com informações qualificadas constituintes do sistema regional se justifica
pela necessidade de integrar e disponibilizar em uma base única e comparável, os
dados atualmente gerados de forma individualizada e aleatória, pela condição tempo-
ral da aquisição dos dados, por alimentar sistemas de decisão relevantes para os ci-
dadãos incluindo a defesa civil, por permitir estudos e avaliações associadas ao meio
ambiente regional.
Essa base de dados servirá de referência para um conjunto de ações, desde a execu-
ção de projetos até a fiscalização, pela penalização de transgressões segundo a sua
gravidade, pelo monitoramento antecipado de condições que podem resultar em ca-
tástrofes ou situações muito adversas, orientando o envolvimento e ó acompanhamen-
to do(s) órgão(s) responsável(eis), entre outras.

• Controle e Fiscalização de Riscos Ambientais Ligados à Operação dos


Grandes Empreendimentos: Previstos ou em Fase de Instalação
Tendo em vista o crescimento regional resultante dos grandes empreendimentos e os
possíveis riscos ambientais a eles associados, que poderão acarretar incidentes de
grande magnitude em ecossistemas, tanto terrestres, aéreos quanto oceânicos, pro-
põe-se a criação de um Fundo de Recuperação Ambiental, com fins específicos de
promover essa recuperação ambiental, no caso de acidentes.
Esse Fundo se destina a prover ações para situações emergenciais, com base em
Plano de Ações de Emergências dos potenciais riscos ambientais no Norte-Noroeste

132 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Fluminense, atuando de forma imediata na contenção e minimização dos efeitos pos-
síveis desses grandes ou danosos acidentes ambientais.
Esta medida estratégica assegura o comprometimento e o cumprimento pelas empre-
sas de sua responsabilidade social, integralmente, desonera o Estado da obrigação de
restabelecer a qualidade ambiental por eventos alheios à sua atuação e proporciona
meios de reabilitação imediatos e desburocratizados desde que passíveis de serem
delegados a um agente responsável qualificado.
Ressalta-se ainda que o causador do incidente deverá ressarcir o Fundo pelas despe-
sas incorridas, em um processo simultâneo ao da intervenção de contensão e recupe-
ração ambiental.

• Operacionalizar a Implementação do Zoneamento Econômico-Ecológico,


como Instrumento Norteador da Ordenação Ambiental
Regulamentar e aplicar, utilizando os estudos e propostas já desenvolvidos e aprecia-
dos, o reconhecimento e a utilização do zoneamento econômico-ecológico do Estado
do Rio de Janeiro, pelo menos no que se refere à Região Norte-Noroeste, visando
orientar os processos de utilização do território, reduzindo o tempo necessário e dire-
cionando, com presteza, os processos de implantação e licenciamento ambiental de
empreendimentos, particularmente os produtivos e os ligados à expansão da infraes-
trutura pública, em consonância como desenvolvimento regional .

D) MÓDULO FÍSICO E INFRAESTRUTURA


Autor Coordenador:
Milton Casério

Vetor de Desenvolvimento: Plano e Implementação da Infraestrutura Regional


para o Desenvolvimento

Para o desenvolvimento do Sistema Físico - Infraestrutura e Serviços, Logística e Sis-


tema de Transporte -, os investimentos em expansão e sua modernização são de vital
importância para o desenvolvimento econômico e social da Região Norte-Noroeste
Fluminense, tendo em vista a situação cumulativa deficitária destes sistemas, assim
como os grandes empreendimentos e grupos de empresas instalados, a serem insta-
lados e incorporados a estas regiões.
Conforme Mapa de Desenvolvimento do Rio de Janeiro 2006 – 2015 elaborado pela
FIRJAN pode-se afirmar que:
“O aumento da mobilidade das empresas e a eliminação gradual de
barreiras ao fluxo de capital estrangeiro têm intensificado a competi-
ção entre os governos pela atração de investimentos diretos, com
freqüência, através da concessão de incentivos fiscais. Porém, pes-
quisa publicada em 2003 pela Foreign Investment Advisory Service –
FIAS, uma associação entre o International Finance Corporation, IFC,
e o Banco Mundial, apontou que aspectos como infra-estrutura bási-
ca, estabilidade política, disponibilidade e custo de mão-de-obra são
fatores de decisão mais importantes na atração de investimentos, do
que os incentivos fiscais oferecidos.”

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 133


“Estes estudos confirmaram que tais incentivos não bastam para
compensar os fatores negativos presentes no ambiente de negócios
de um determinado país. Mais ainda, os dados apontam que o au-
mento de 1% do estoque de infra-estrutura corresponde a 1% de au-
mento do PIB.”

A implementação de uma infraestrutura regional, que propicie a alavancagem de seto-


res econômicos e sociais é um elemento diferenciador e estratégico para os seus mu-
nicípios e para a Região, repercutindo diretamente no desempenho individual e no
desempenho coletivo das empresas e instituições aí situadas e, em decorrência, no
desempenho do próprio Estado.
Nessa perspectiva, entende-se que este Vetor de Desenvolvimento exige políticas e
programas públicos e privados bem planejados, que orientem com efetividade para a
transformação priorizada da infraestrutura regional, enquanto propicia o incremento da
capacidade logística regional e do Estado.
A partir da Análise Situacional realizada nas regiões Norte e Noroeste Fluminense, na
área da Infraestrutura foram observados as principais deficiências e gargalos para o
seu processo de desenvolvimento e crescimento, associado a grandes empreendi-
mentos em expansão e a serem instalados na Região bem como o desenvolvimento
e/ou ativação de Arranjos Produtivos Locais – APLs, existentes e novos. De tal manei-
ra, alguns objetivos e metas foram traçados neste vetor de desenvolvimento, com des-
taque para algumas questões centrais.

Objetivos, Metas e Estratégias

Objetivos Estratégias e Metas para 2035

Erradicação dos lixões e • Adequação dos vazadouros na razão de 5% ao ano, erra-


deposição inadequada dos dicando as instalações inadequadas em até 25 anos.
resíduos sólidos em todos os
municípios da Região Norte • Disposição final adequada de 100% dos resíduos sólidos
e Noroeste do Estado urbanos gerados em sistemas tecnicamente adequados,
devidamente licenciados pelo INEA em 2035.
• Implantação de coleta seletiva dos resíduos sólidos urba-
nos gerados em todos os municípios na proporção de 50%
nos primeiros 5 anos, 50% nos próximos 10 anos.

Criação de uma autarquia ou • Definição imediata dos atores competentes.


equivalente com competên-
cia para gerenciamento de • Elaboração e apresentação do Projeto de Lei na Assem-
infraestruturas no nível regi- bléia Legislativa em até 12 meses.
onal (abordagem submetro-
• Aprovação do Projeto de Lei em até 6 meses após a apre-
politana).
sentação à Assembléia Legislativa.
• Sanção imediata pelo Governador após aprovação do Pro-
jeto de Lei na Assembléia Legislativa.
• Implantação da Autarquia em 24 meses.

Adequação do sistema viário • Implantação imediata dos arcos viários de Macaé.


regional • Implantação imediata do anel viário de Campos dos Goy-
tacazes e Itaperuna.
134 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
(continuação)
Objetivos Estratégias e Metas para 2035

Adequação do sistema viário • Implantação de alças viárias em Bom Jesus do Itabapoa-


regional na, incluindo o trecho no território de Bom Jesus do Norte,
no Estado do Espírito Santo, nos próximos 6 anos.
• Implantação do corredor logístico multimodal de acesso
aos Complexos Portuários de Açu e Barra do Furado, an-
tes do início da operação do Complexo Industrial.
• Transformação da Via da Cerâmica, ligando Campos dos
Goytacazes ao Farol em um corredor de desenvolvimento
integrado, produção-fluxos-sistema social, em um prazo de
3 anos, com sua integração subsequente a Barra do Fura-
do, nos próximos 3 anos.
• Implantação do ramal ferroviário Complexo do Porto de
Açu à rede da FCA, com extensão de 45 km, antes do iní-
cio da operação do Complexo Industrial.
• Conclusão da duplicação da BR101 nos próximos 3 anos e
duplicação da RJ216, nos próximos 6 anos.
• Duplicação e melhorias no traçado da BR356, nos próxi-
mos 6 anos. Rodovias de três pistas nos próximos 8 anos
em suas derivações para atendimento dos municípios do
Noroeste Fluminense.
• Duplicação do trecho viário entre o Distrito Sede de Quis-
samã até Barra do Furado, observando o planos do Muni-
cípio de Quissamã.
• Modernização e adequação dos pontos críticos das de-
mais vias estaduais das Regiões Norte e Noroeste em
50% nos próximos 10 anos e de 50% nos 15 anos subse-
qüentes.
• Implementação do segmento da RJ146 entre os entron-
camentos com a RJ-116 em Cambiasca, e a RJ-182 em
Santa Maria Madalena com pista dupla, com extensão de
44 Km nos próximos 10 anos.
• Realizar estudos para adequação das RJ 106, 178 e 196,
na foram de rodovia com pista dupla, canteiro central, três
pistas de rolamento, otimizando a integração entre Macaé
e Barra do Furado e para a interligação entre os Portos de
Barra do Furado e Açu.
• Promover a adequação do trecho Macaé – Barra do Fura-
do e a criação do trecho Barrado Furado – Porto do Açu.
Elaboração de estudos de • Discussão do estudo de viabilidade num período de 12
implantação e viabilidade do meses.
sistema de metro de superfí- • Contratação de estudos e projetos básicos e alternativas
cie ou Veículo Leve sbre locacionais em até 24 meses.
Trilhos, VLT, ligando o Com-
plexo do Porto de Açu e o • Abertura de oportunidade para manifestação de interesse
Complexo Industrial da Barra em Parcerias Público-Privadas, pelo prazo de 12 meses,
do Furado aos centros de visando a seleção de parceiros concessionários para a im-
Campos do Goytacazes, plantação e operação do sistema.
Macaé (via Quissamã) e São • Implantação total e início da operação do sistema em
João da Barra 2020.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 135


(continuação)
Objetivos Estratégias e Metas para 2035

Reabilitação do leito das


• Reabilitação de 60% do leito e plataformas de operações
antigas ferrovias da Zona da
das antigas ferrovias da Zona da Mata Mineira e Região
Mata Mineira e Norte / Noro-
Norte-Noroeste Fluminense, reativando-as até 2020 e os
este Fluminense
40% restante incluindo novos ramais até 2035.

Ampliação da rede logística • Implementação imediata de retroáreas remotas de arma-


do Porto de Imbetiba zenamento do Porto de Imbetiba, visando adequação do
mesmo, tendo em vista que a operação do mesmo encon-
tra-se saturada.
• Definição da solução com viabilidade para implantação de
uma rede multimodal para escoamento de cargas do Porto
de Imbetiba, em 12 meses.
• Implantação da rede multimodal de escoamento de cargas
em até 8 anos.

Expansão e modernização • Complementação do Aeródromo de Itaperuna na categoria


da rede de aeródromos sub- regional turismo, nos próximos 3 anos.
regionais em Campos dos
Goytacazes, Macaé e Itape- • Transformação do Aeródromo de Campos dos Goytacazes
runa e Farol de São Tomé para a modalidade Aeroporto Indústria, nos próximos 6
anos.
• Implantação de Estação Aduaneira de Interior nos aeró-
dromos de Macaé, Campos dos Goytacazes e no Porto de
Açu, nos próximos 3 anos.

Revisão da matriz energética • Realizar estudos imediatos sobre a comparação entre as


regional visando avaliar a matrizes de geração de energia termelétrica, segundo o
implantação das Termoelé- combustível utilizado: carvão mineral, bagaço de cana e
tricas de Açu e atender a madeira, gás natural, nuclear.
demanda de energia a ser
criada pela implantação dos • Realizar estudo imediato sobre a demanda regional futura
grandes empreendimentos de energia para todos os usos previstos, determinando a
neste local sua condição ótima de atendimento em função da matriz
energética regional.

• Erradicação dos Lixões e Deposição Inadequada dos Resíduos Sólidos em


Todos os Municípios da Região Norte e Noroeste do Estado do Rio de Ja-
neiro

A erradicação dos vazadouros torna-se uma condição necessária ao desenvolvimento


econômico regional na medida em que a solução do problema alcança metas sociais,
econômicas, ambientais e políticas importantes.

Controlar a destinação inadequada de resíduos implica em criar as condições adminis-


trativas e ambientais necessárias e resulta em benefícios amplos nas áreas de saúde
pública (com controle e erradicação de vetores diversos, controle de doenças relacio-
nadas ao lixo etc.), redução da contaminação de aqüíferos, contribuindo para a mini-
mização de doenças de veiculação hídrica, eliminação de famílias vivendo da coleta
de resíduos, em situação de risco e vulnerabilidade social etc.

136 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


O principal objetivo deste programa é proporcionar meios para a redução, reutilização
e a reciclagem de resíduos sólidos urbanos, ampliar a cobertura e aumentar a eficiên-
cia e a eficácia dos serviços de limpeza pública, de coleta, de tratamento e de disposi-
ção final, na perspectiva da universalização dos serviços e da sustentabilidade dos
empreendimentos, com ênfase na eliminação de lixões, na erradicação do trabalho
infantil e juvenil nos lixões e nas ruas, bem como promover a inserção social de cata-
dores em plataformas de usinas que tratem os materiais recicláveis.

• Criação de uma Autarquia com Competência para Gerenciamento de Infra-


estruturas no Nível Regional (Abordagem Regional ou Submetropolitana)

Com o inicio da operação dos grandes empreendimentos nas regiões Norte e Noroes-
te Fluminense tem-se a previsão inicial de um fluxo de cerca de 50 mil pessoas traba-
lhando direta ou indiretamente no Complexo Industrial do Porto de Açu – Barra do Fu-
rado em complementação ao Complexo do Porto de Imbetiba. De maneira análoga
outros grandes empreendimentos terão desempenho equivalente ainda que com nú-
meros menores mas, não menos impactantes em função dos locais onde ocorrerão.

Junte-se a isso, os números decorrentes do trabalho indireto, incluindo os fluxos de


veículos de carga e outros modais e serviços associados em geral, além dos desloca-
mentos cotidianos do cidadão comum.

Tais situações podem acarretar demandas pontuais e regionais relativas à infraestrutu-


ra de transporte, bem como demais serviços envolvidos neste tipo de operação.

Faz-se, assim, indicada a criação de um organismo regional capaz de coordenar e


integrar a operação e o despacho de cargas intermunicipal do sistema de trânsito e
tráfego e logística na Região em estudo.

• Adequação do Sistema Viário Regional

O Plano Nacional de Logística de Transportes, para efeito de análise das demandas


de infraestruturas de transportes segundo as necessidades da economia brasileira,
estruturou base em dois grandes segmentos:

• As atividades produtivas que demandam recursos naturais, basicamente o


agronegócio e a indústria extrativa ou mineração, seja in natura ou proces-
sados, e que se distribuem, preponderantemente, pelo “hinterland” regional
e brasileiro. Estes tipos de atividades requerem infra-estruturas de transpor-
tes, em geral, extensas, alcançando o interior brasileiro, e para modais com
grandes volumes, tendo vocação predominante para as ferrovias, hidrovias
e dutovias, como fator de viabilização e atratividade de custos de transpor-
tes. Os custos mais baixos e os melhores desempenhos ocorrem quando
esses modais atingem e interligam os centros processadores, os pontos de
consumidores e os portos para exportação;

• As atividades produtivas que se desenvolvem em meio urbano, basicamen-


te as indústrias de transformação (não incluindo as agroindústrias), os ser-
viços, comércio, construção civil e a administração pública, que também re-
quisitam transportes, porém em condições diversas, constituindo-se em re-
des rodoviárias com grandes capacidades, internas e no entorno dos cen-
tros urbanos e áreas metropolitanas. Esta dinâmica é crescente, atendendo
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 137
às estratégias industriais recentes de produções “just in time”, que exigem
distribuição ágil de cargas de menores volumes e mais dispersas nos terri-
tórios, ampliando a movimentação de cargas, especialmente rodoviárias.

Para evitar choques de movimentações entre esses dois tipos de fluxos, os contornos
ou anéis rodo ferroviários são requisitados nos grandes centros urbanos, permitindo
escoamentos diretos de cargas para os portos próximos.

O cenário econômico brasileiro traçado nesse Plano até 2023 aponta que os valores
de produção do agronegócio e da mineração (VBP) praticamente dobram no período,
registrando taxas de crescimento de, respectivamente, 2,76% a.a. e 3,51% a.a., fa-
zendo supor a duplicação de volumes transportados. As taxas de crescimento desses
setores “in natura”, que exigem transporte de grandes volumes, são altas, especial-
mente nos minérios, com cerca de 8% a.a. Também a exportação “in natura” amplia
sua participação tanto no agronegócio – de 6,9% para 8,6% - como na mineração – de
57,0% para 61,4%.

A região Sudeste amplia a participação do setor de mineração de 7,6% para 8,4%,


também mais que duplicando o VBP deste segmento. Ou seja, os pólos minerais de
Carajás e Minas Gerais persistem e ampliam suas produções e exportações que, no
último caso, representam 25% do VBP da mineração.

Frente a esse quadro da produção brasileira, há necessidade de o sistema de trans-


portes adequar-se:

• à logística do agronegócio e mineração, disseminado no “hinterland” brasileiro,


com modais de alta capacidade, sejam ferroviários, hidroviários ou dutoviários,
no acesso a mercados internos e portos de exportação, que requerem também
áreas específicas de terminais. A logística do segmento de mineração no País já
detém sistemas ferroviários eficientes de acesso a mercados e exportações, exi-
gindo adequações ou ampliações;

• à logística das indústrias de transformação, com modais rodoviários de grande


capacidade nos entornos urbanos, cuja movimentação de acesso a mercados e
sistemas de exportação-importação não conflite com a do agronegócio e minério,
por meio de anéis e contornos nos principais centros, que separem esses distin-
tos fluxos, assim como acessos rápidos a portos e terminais.

A partir da análise da situação das regiões Norte e Noroeste Fluminense, verifica-se a


necessidade de eliminação de suas limitações e dos gargalos do Sistema de Trans-
porte e Logística regional, que apresenta capacidade esgotada nos eixos arteriais
principais e, em quase toda a malha viária, precariedade de pavimentação, acosta-
mentos, sinalização e manutenção.

Um dos principais aspectos a serem equacionados na Região consiste em se resolver


as questões de acesso aos grandes empreendimentos em especial ao Porto de Açu, a
Barra do Furado, ao Porto de Imbetiba, às conurbações urbanas, a limitação de esco-
amento dos fluxos produtivos de pedras ornamentais, calcário, alimentos, entre outros
arranjos, através das rodovias federais e estaduais existentes.

Diante deste cenário, uma das metas estabelecidas para este vetor é a implantação
dos arcos viários de Campos dos Goytacazes e Macaé e Itaperuna, do corredor mul-
timodal Porto de Açu a BR101, bem como a duplicação das BR101, BR356 e RJ216,
entre outras, e a implantação do ramal ferroviário do Porto de Açu à Ferrovia Centro
138 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Atlântica, FCA, em Campos dos Goytacazes, num primeiro momento, todas elas priori-
tárias para ao atendimento de projetos em execução com datas para operação pro-
gramadas.

Outro ponto importante a destacar é a implantação do segmento entre a RJ-146 entre


os entroncamentos com a RJ-116 em Cambiasca, e a RJ-182 em Santa Maria Mada-
lena com pista dupla, com extensão de 44 Km, tendo vista melhorar o fluxo logístico
da região em especial aos municípios de Itaocara com foco na extração de calcário,
Santo Antônio de Pádua com foco na extração de rochas ornamentais e Aperibé que
apresenta grande número de pequenas fundições de peças e suprimentos metálicos
para a Petrobrás em Macaé.

Recomenda-se a implementação do segmento citado anteriormente com três faixas de


cada lado e canteiro central.

Uma questão central que certamente emergirá da nova dinâmica econômica regional é
a dificuldade de interligação entre os três portos: Imbetiba, Barra do Furado e Açu.
Assim, propõe-se a realização de estudos visando a adequação das RJ 106, 178 e
196, na forma de rodovias de grande capacidade de carga, organizada em pista dupla,
canteiro central, três pistas de rolamento, otimizando a integração entre Macaé e Barra
do Furado e para a interligação entre os Portos de Barra do Furado e Açu.

Considerando-se a existência de interligação entre os Portos de Imbetiba e Barra do


Furado, por rodovias estaduais, que deverão ser adequadas à nova demanda de trá-
fego, passa-se à necessidade de criação e adequação do acesso no trecho Barrado
Furado – Porto do Açu o qual, atualmente, é feito através de estrada de terra.

• Elaboração de Estudos de Implantação e Viabilidade do Sistema de Metrô


ou VLT Ligando o Complexo do Porto de Açu e o Complexo Industrial da
Barra do Furado aos Centros de Campos do Goytacazes, Macaé e São João
da Barra

Tendo em vista a operação dos grandes empreendimentos será necessário o plane-


jamento, implantação e operação de serviços de transporte público local e intermunici-
pal para atender instalações, estabelecimentos e assentamentos residenciais que ve-
nham a ser desenvolver em função dos mesmos, o que deverá ser coordenado com o
planejamento urbano / regional geral e do sistema viário.

Tendo uma previsão inicial de um fluxo de dezenas de milhares de pessoas trabalhan-


do direta ou indiretamente no Complexo Industrial do Porto de Açu – Barra do Furado,
gerando um fluxo diário estimado de 1.000 ônibus ou cerca de 40 mil veículos, totali-
zando cerca de 80 mil viagens diárias (ida e volta). Some-se a este movimento, o fluxo
de veículos de carga e outros serviços em geral, além do deslocamento cotidiano do
cidadão comum e clientes ou visitantes.

Tais situações determinam demandas localizadas e regionais relativas à infraestrutura


de transporte, planejadas e a serem implantadas.

Faz-se, assim, necessária a criação de um organismo capaz de gerenciar a operação


intermunicipal do sistema de trânsito e tráfego e logística na Região.

Diante deste cenário, uma das metas estabelecidas para este vetor é a implantação de
um sistema metrô ou Veículos Leves sobre Trilho, VLT, a fim de reduzir o fluxo de veí-
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 139
culos no sistema viário, a redução do custo de deslocamento, bem como reduzir a
emissão de gases causadores do efeito estufa, além de distribuir as populações fixan-
do-as nos locais que possuem capacidade para abrigá-las em estratos e não de modo
concentrado.

Tabela 4 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Nível de Serviço Rodoviário Estimado

Ano RJ 238 RJ 216 Pres. Kennedy BR 356


2007 A D C C
2035 C E E E

Fonte: Estudos de Tráfego UTE - EBX - 2007 (Nível E - Nível Crítico de Saturação Viária)

• Reabilitação do Leito das Antigas Ferrovias da Zona da Mata Mineira e Nor-


te / Noroeste Fluminense

A atual de dinâmica de instalação de grandes empreendimentos no Norte do Rio do


Janeiro já estabeleceu um fluxo migratório para aqueles municípios. A tendência é da
acentuação desse fluxo demográfico que está associada à questão crítica da mobili-
dade de trabalhadores nas diversas atividades direta ou indiretamente ligadas aos
projetos regionais existentes, em implantação ou a serem implementados.

Daí a necessidade de criar meios eficientes de transporte de passageiros intra e inter-


regionais, compatibilizados com a grande movimentação de cargas inerente aos em-
preendimentos, seja no transporte de rochas ornamentais, calcário, peças e compo-
nentes, confecções, madeira e derivados, etanol e fruticultura para exportação, bem
como da internalização de produtos importados usando a rede logística como carga de
retorno.

Além disto, cabe ressaltar a demanda brasileira por instalações portuárias competen-
tes para promover o comercio internacional, particularmente as exportações, conside-
rando que as existentes encontram-se esgotada e com baixa produtividade e altos
custos, o que faz com que novas instalações portuárias se habilitem a prover tais ser-
viços ao restante do país, particularmente as regiões circunvizinhas ou que possam
estabelecer conexões para acesso em condições competitivas. Isto torna a malha fer-
roviária de acesso aos portos do Norte Fluminense particularmente significativo para
permitir a sua integração ao sistema de escoamento de fluxos produtivos interestadual
e nacional

• Ampliação da Rede Logística do Porto de Imbetiba

Há um intenso tráfego marítimo no litoral Norte Fluminense e na Bacia de Campos,


relacionado às atividades petrolíferas e pesqueiras, além de embarcações turísticas e
de lazer.

Em Imbetiba, a operação logística da US-TA compreende transportar convés (carga


de equipamento, alimento, resíduos, etc.); fluidos (água, fluidos especiais para explo-
ração e produção de petróleo e óleo diesel) e granéis (produtos químicos em forma de
grãos) que contabilizam, aproximadamente, 230 t/mês. Atualmente, este Porto atua
com 165 embarcações de apoio logístico às plataformas marítimas.

140 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


O Porto dispõe de três píeres de 90 m. de comprimento para o movimento de sua car-
ga mensal. O Porto de Imbetiba, atualmente está operando na sua capacidade máxi-
ma. O terminal é gerido pelo setor de Operações Portuárias da Unidade de Serviços
de Transporte e Armazenamento (OPRT/US-TA) da E&P Serviços. Por ele, são em-
barcados equipamentos, suprimentos e outros materiais com destino às plataformas,
assim como também são descarregadas embarcações de apoio que vêm das unida-
des de produção.

O terminal de Imbetiba conta também com um Centro de Distribuição de Cargas situa-


do cerca de 13 km do Píer, sendo que o mesmo dispõe de uma área de armazena-
mento aberta de 180.000 m² e de uma área coberta de 21.600 m². O material desem-
barcado fica estocado em uma área conhecida como retroporto que, além de realizar
operações para a PETROBRÁS, também pode ser utilizado por suas contratadas. Es-
tas empresas têm um prazo de 24 horas para retirar o material que estiver armazena-
do neste retroporto.

Tendo em vista a existência de severas limitações aos fluxos associados às operações


logísticas do Porto de Imbetiba em de seu Retroporto, a qual se encontra inserida na
malha urbana de Macaé, acarretando congestionamentos e saturação no sistema de
tráfego, deve-se desenvolver um plano, imediato, para melhorar os fluxos de carga
entre o referido Porto e sua retroárea e outras futuras retroáreas, além da introdução
de um sistema de transporte ferroviário. Os projetos podem ser desenvolvidos com a
parceria entre entidades privadas e organismos governamentais.

Figura 9 – Expansão da Rede Ferroviária (FCA) e Rodoviária (DNIT / DER-RJ) Regional

Porto do Açu

Barra do Furado

Porto de Imbetiba

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 141


Mapa 2 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Proposta de Ligação Viária

142 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


• Expansão e Modernização da Rede de Aeródromos Sub-regionais em Cam-
pos dos Goytacazes, Macaé e Itaperuna e Farol de São Tomé
Além das expansões programadas no sistema de transporte aéreo regional, especifi-
camente as bases de operação de helicópteros em Macaé e em São Tomé, há que se
considerar a complementação preferencial do aeródromo de Itaperuna para operação
comercial e a instalação do novo aeródromo de Santo Antônio de Pádua, ambos vol-
tados para a aviação civil e comercial.
Numa outra vertente, a transformação do aeródromo de Campos dois Goytacazes em
Aeroporto Indústria, se torna necessária se avançarem os entendimentos para a loca-
lização de uma plataforma de produção de equipamentos em tecnologia de informação
na Região, para atender ao mercado industrial e à indústria de petróleo e gás, logística
e naval (off shore).
Em simultaneidade, as estações aduaneiras de interior ou portos secos se impõem
como necessárias, numa configuração estratégica e destinações ou aplicações espe-
cíficas correspondentes aos mercados e demandas dos setores produtivos regionais.

• Atualização Contínua da Matriz Energética Regional Visando Constituição e


Gestão do Negócio Regional Energia, pela Implantação dos Grandes Em-
preendimentos neste Setor
Avaliar estrategicamente, a condição de instalação de usinas termelétricas no Norte e
Noroeste Fluminense frente às alternativas de combustíveis disponíveis, como opção
para geração de energia necessária aos novos empreendimentos, bem como os seus
impactos ambientais e respectivos custos e risco. De maneira similar deve ser feita a
avaliação pelo lado da demanda, avaliando-se a competitividade regional e a possibili-
dade de se começar a operar projetos de “smart grids” regionalmente, no sentido de
se obter, progressivamente, maior racionalidade e menores consumos e perdas, sem
afetar a substância e qualidade.
Confrontar as estratégias de opções da geração regional com a oferta energética na-
cional, principalmente, no que se refere aos custos, margens e condições ambientais
para a geração e transmissão de energia elétrica no Norte Fluminense.
Acompanhar as condições de fornecimento regional de energia a curto e médio pra-
zos, em relação à oferta e demanda, no contexto da instalação dos novos empreendi-
mentos e da rápida expansão do consumo urbano.

Interseções do Meio Ambiente com Outras Áreas de Conhecimento


• Sistema Social
Aparentemente utópico, à primeira vista, a meta de se incluir todos os estratos das
populações do norte e noroeste fluminense nos próximos 20 (vinte) anos e melhoria da
qualidade de vida da população é sustentada por um objetivo claro e justo que é pro-
mover o desenvolvimento pleno do Norte e Noroeste Fluminense.
Será difícil pensar num plano de desenvolvimento regional que sustente um amplo
crescimento econômico e que, porém, não traga como retorno, pelo menos um cres-
cimento moderado da população total da região integrada norte e noroeste.
A Região deve se preparar e criar meios para assegurar a reposição eventual da po-
pulação ativa, no caso de um crescimento natural pequeno, frente às melhorias socio-

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 143


econômicas e as facilidades de saúde e educação, advindas do desenvolvimento eco-
nômico e da vida citadina num contexto regional ou submetropolitano.
Por outro lado, os governos locais e regional deverão se preparar para a necessidade
de uma eventual contenção do crescimento urbano e dos fluxos migratórios internos,
fixação das comunidades rurais, reestruturação e regulação fundiária rural e urbana e
serviços públicos e infraestrutura de qualidade, especifica e prioritariamente, sanea-
mento ambiental.

Vetor de Desenvolvimento: Implementação Governança Regional – Plano Diretor


Regional
Pode-se, no âmbito deste programa, assumir que uma base econômica sustentável
para os municípios do norte e noroeste fluminense seja baseada em um amplo parque
industrial, instalado na área.
Não obstante a projeção inicial de uma grande concentração em quatro ou cinco mu-
nicípios espera-se que os benefícios decorrentes dessa concentração alcancem os
limites regionais e extrarregionais.
Uma razão clara para essa interpretação decorre do fato de boa parte dos projetos em
fase de instalação ou concepção estarem desvinculados da cadeia produtiva do petró-
leo.
Neste contexto, será razoável projetar uma grande expansão urbana nos municípios
em epígrafe, ainda que a maioria deles não seja beneficiada com a presença de um
grande projeto capitalista.
A disciplina do uso e ocupação do solo urbano, em caráter preventivo, será um dos
mais importantes instrumentos de gestão do território no norte e noroeste fluminense,
haja vista a complexidade que se edifica em torno dos setores produtivos regionais,
bem como a expectativa de um avanço desordenado da população em direção a es-
sas cidades.
Resguardar as condições de vida da população e assegurar a eficiência dos sistemas
de infraestruturas urbanas e regionais são premissas que possibilitarão o sucesso e-
conômico regional, diante das novas possibilidades.
A construção de um Marco Regulatório através de um Plano Diretor Regional deverá
estar embasada em práticas de boa governança, assimilando a legislação nacional e
estadual e trazendo-as para uma personalização no ambiente regional do Norte –
Noroeste do estado do Rio de Janeiro.
Objetivos, Metas e Estratégias
Objetivos Estratégias e Metas para 2035
Elaboração e Implementa- • Articulação política intermunicipal, num prazo de 2 anos,
ção do Plano Diretor Regio- objetivando construir as diretrizes para elaboração setorial e
nal individual de cada documento.
• Desenvolvimento e consolidação do Plano Diretor, num pra-
zo de 18 meses.
• Consolidação dos documentos e aprovação junto às Câma-
ras Municipais, num prazo de 18 meses.
Elaboração e/ou Revisão e • Implementação de fiscalização rígida e imediata em relação
Implementação dos Planos às ocupações irregulares e construções desconformes as
Diretores Municipais com leis de uso e ocupação dos municípios integrantes das Regi-
base Plano Diretor Regional ões Norte e Noroeste Fluminense

144 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


• Elaboração e Implementação do Plano Diretor Regional

A ordem de grandeza do suporte governamental requerido – especialmente dos go-


vernos federal e estadual – é proporcional à magnitude das populações que os muni-
cípios diretamente afetados pelos grandes empreendimentos assumirão ao longo dos
próximos 25 anos, além da própria importância que a região representa para o cresci-
mento e desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro.

Ao longo do processo de implementação dos empreendimentos, até o ano de 2035


tomado como limite referencial, São João da Barra alcançará o porte de uma cidade
média com cerca de 250 mil habitantes, enquanto Campos dos Goytacazes deverá
aumentar o tamanho de sua população para 730 mil habitantes, amplitudes essas ex-
tremamente consideráveis, em particular para São João da Barra, com cerca de 29 mil
habitantes em 2008 no Cenário Referencial.

As implicações dessa mudança de patamar populacional em ao longo de cerca de 25


anos, implicam a necessidade de investimentos tempestivos para fazer frente às am-
pliações de necessidades de infra-estrutura econômica e social.

É certo que, mesmo contando com arrecadações de royalties e das futuras receitas de
tributos derivadas da concretização dos grandes empreendimentos, bem como de su-
as implicações para os orçamentos municipais, que as colocam em situação melhor
que a maioria das prefeituras do país, as municipalidades não terão condições de ar-
car sozinhas com os encargos que a magnitude dos problemas deverão exigir.

Ressalta-se assim a necessidade de negociações com os governos federal e estadual,


com base na ordem de grandeza das transformações previstas, e que deverão ser
melhor precisados em um Plano Diretor Regional, visando investimentos dessas esfe-
ras de governo para atender a mudança de patamar de demandas de bens e serviços
públicos e infra-estrutura.

• Elaboração e/ou Revisão e Implementação dos Planos Diretores Municipais


com Base no Plano Diretor Regional

O crescimento desordenado e sem planejamento das regiões metropolitanas, que o-


casiona uma série de conseqüências negativas sobre a qualidade de vida da popula-
ção, teve como uma de suas causas principais o forte movimento de migração do
campo para a cidade.

Promover o uso e a ocupação organizada do espaço urbano em consonância com um


Plano Diretor Municipal e Regional é, portanto, um desafio de extrema relevância, fun-
damental para garantir o processo de desenvolvimento das Regiões Norte e Noroeste
Fluminense.

Portanto é imperativa a reversão do processo de expansão das favelas nestes municí-


pios, bem como evitar a ocupação dos zoneamentos industriais que praticamente não
são respeitados acarretando inúmeros ilhamentos de empresas, cercadas por áreas
sem segurança pública adequada, onde se vêem ameaçadas.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 145


Os Planos Diretores Municipais devem buscar planejar o crescimento, prever áreas de
moradia e fornecer transporte urbano, habitação e vias de acesso para esta população
que vive em comunidades ainda não suficientemente atendidas pela infra-estrutura
oficial de serviços públicos.

• Sistema Político-Administrativo

Utilizar o poder de alavancagem dos fundos regionais de investimento e da indústria


(petróleo, logística, etc.) para transformar o eixo Campos dos Goytacazes-Macaé em
um centro financeiro regional, capaz de suportar o desenvolvimento de uma economia
de produtos e serviços de última geração.

Criar e implantar um marco administrativo e legal norteador do desenvolvimento de um


sistema regional planejado. Esse marco deverá ser baseado no uso comum dos recur-
sos estratégicos de cada município, no âmbito de uma proposta maior que resulte,
sempre, em benefícios para a maioria dos integrantes do consórcio.

Os segmentos de infraestrutura e serviços, logística e transporte, deverão ser pensa-


dos e formatados de modo a integrar com a máxima viabilidade, novos empreendi-
mentos que, porventura, venham ser instalados em cada município.

A relação cooperativa e a integração em rede, com múltiplos níveis de atuação, consti-


tuir-se-ão na condição a ser satisfeita para se alcançar o desenvolvimento regional
planejado e sustentável, dentro de marcos objetivos e metas claras e factíveis.

• Meio Ambiente Natural

Foco na eficácia da gestão dos recursos hídricos como fator indispensável para o al-
cance do desenvolvimento sustentável, a partir do fortalecimento institucional das enti-
dades gestoras, garantindo a qualidade e quantidade de água, a prevenção contra
inundações e a eliminação de conflitos por uso da água.

Implantação de um programa permanente de gestão ambiental, baseado em instru-


mentos de comando e controle, como zoneamento econômico-ecológico, rede monito-
ramento e auto-monitoramento, licenciamento e fiscalização ambiental etc., que garan-
ta a sustentabilidade dos usos diversificados dos meios físico, biótico e antrópico de
cada uma e de todas as partes integrantes do território em termos da qualidade ambi-
ental.

Em complementaridade, regulação dos meios ambientes modificados, particularmente


as aglomerações urbanas (saneamento ambiental) e os empreendimentos agrícolas e
industriais, no sentido de assegurar a observância do uso adequado e da manutenção
da sustentabilidade ambiental, suportados e acompanhados por unidades de pesquisa
e investigação ambientais regionais.

146 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


E) MÓDULO SANEAMENTO AMBIENTAL E HABITAÇÃO
Autor Coordenador:
Antônio Gontijo
Introdução
O aumento da urbanização associado a um processo de desenvolvimento econômico
nas Regiões Norte e Noroeste Fluminense fez com que as demandas referentes ao
saneamento ambiental - abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto sanitá-
rio, coleta e destino final dos resíduos sólidos urbanos e finalmente a drenagem pluvial
- recebesse fortes impactos que se mostram negativos ou deficitários devido às restri-
ções de investimentos nas expansões e adequações correspondentes.
No sentido de atender e conter tais impactos considerando-se, em simultaneidade
uma situação de degradação cumulativa do meio ambiente regional, que vem ocorren-
do a séculos, afetando a sustentabilidade das ofertas de bens naturais ou a sua regu-
laridade, foram e continuam sendo tomadas medidas que reduzem ou mitigam os pro-
blemas identificados ou sua extensão para a população, por agentes públicos e priva-
dos.
A situação atual, antecipa-se, deve tornar-se mais crítica diante da programação de
implantação de grandes empreendimentos na Região, o que recomenda a execução
de estudos e planos contemplando os vários aspectos do saneamento e da habitação,
de maneira integrada, numa perspectiva de longo prazo, assumindo-se o horizonte
2035.

Objetivos Metas
Abastecimento de Água Potável e • Elaboração de plano diretor de abastecimento de
Disponibilidade Hídrica água regional, com a finalidade de oferecer as alter-
nativas que garantam o fornecimento de água potá-
vel para uso residencial, comercial e industrial na
Região Norte-Noroeste, visando o atendimento da
demanda atual e futura programadas para até o ano
de 2014 e planejadas para 2035.
• Elaboração de estudo de disponibilidade hídrica na
Região Norte-Noroeste até o ano de 2035.
• Garantir o abastecimento de água em quantidade e
qualidade para 100 % da população até ano de 2020.
Esgotamento Sanitário • Elaboração de plano diretor de esgotamento sanitário
regional, com a finalidade de traçar as diretrizes e
opções para a coleta e o tratamento de esgoto nas
Regiões até o ano de 2035.
• Garantir a coleta e tratamento de esgoto para 60 %
da população até ano de 2020.
• Garantir a coleta e tratamento de esgoto para 80 %
da população até ano de 2035.
Coleta e Destinação Final de Resí- • Elaboração de plano diretor de gestão integrada de
duos Sólidos resíduos sólidos regional, com a finalidade de propi-
ciar melhorias no sistema de coleta e alternativas pa-
ra o tratamento dos resíduos sólidos, urbanos e in-
dustriais, com a opção de implantação de consórcios
intermunicipais para o tratamento destes resíduos,
nas Regiões até o ano 2014.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 147


(continuação)
Objetivos Metas
Coleta e Destinação Final de Resí- • Garantir a coleta e destino final dos resíduos sólidos
duos Sólidos para 80 % da população até o ano 2020.
• Erradicar todos os lixões, biorremediando-os até
2020.
• Garantir a coleta e destino final dos resíduos sólidos
para 90 % da população até o ano 2035.
Sistema de Drenagem Pluvial • Elaboração de estudos e simulações hidrológicas e
e Controle de Cheias elaboração do plano diretor de gestão hídrica do Nor-
te-Noroeste Fluminense, incluindo a drenagem pluvi-
al, até o ano 2014
• Implantação de sistema de monitoramento de en-
chentes na Região Norte-Noroeste até o ano 2015.
• Garantir a execução de obras estruturantes, confor-
me diretrizes do plano diretor de gestão hídricaregio-
nal, até o ano 2035.
Sistema Habitacional • Atualização e/ou desenvolvimento dos planos direto-
o
res de desenvolvimento municipal conforme a Lei n.
10.257, Estatuto da Cidade, em conjunto com o plano
diretor de gestão hídrica, ou seja, até 2014.
• Casa Construção de 25.000 unidades habitacionais
pelo Programa “Minha Casa, Minha Vida”, até o ano
2015.
• Construção de 10.000 unidades habitacionais pelo
Programa FNHIS, até o ano 2020.
• Construção de 50.000 unidades habitacionais pelos
programas de financiamento e assistenciais do Go-
verno Federal, até o ano 2035.

Objetivo 1 – Abastecimento de Água e Utilização Sustentável dos Recursos Hí-


dricos
O abastecimento de água é o fator essencial de qualquer desenvolvimento humano,
em quantidade e qualidade adequadas para todos os públicos de consumo, inclusive o
destinado à atividades produtivas. A situação do abastecimento de água da Região,
conforme publicação do Anuário Estatístico do Estado do Rio de Janeiro, Tabela se-
guinte.
Tabela 5 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Concessionários

Vazão Distribuída Capacidade de População Atual (hab.)


Região
l/s Atendimento (hab.) (2010)
Norte 1.732 686.851 796.386
Noroeste 1.055 342.352 311.171
Total 2.787 1.029.203 1.107.557

Pelas informações nela constantes, o balanço da condição do fornecimento de água


para a população mostra, neste momento, uma diferença para menos, ou déficit, de
7%, em relação ao atendimento da demanda técnica, além de deixar claro que o sis-
tema atual está no limite de sua capacidade, não comportando, na média, qualquer

148 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


acréscimo de consumo. Conhecendo-se o crescimento que deve ocorrer pela implan-
tação dos grandes empreendimentos concentrados ou distribuídos, há um grande de-
safio em se determinar como serão feitos os atendimentos necessários.
A Tabela seguinte mostra distribuição dos agentes operadores concessionários do
abastecimento de água dos municípios da Região em que se observa imediatamente a
presença majoritária da empresa de águas e saneamento estadual.
Tabela 6 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Concessionários Públicos do Serviço de
Água, 2009

Região Noroeste Fluminense Água Região Norte Fluminense Água


5
Aperibé CEDAE Campos dos Goytacazes Privado
Bom Jesus do Itabapoana CEDAE Carapebus CEDAE
Cambuci CEDAE Cardoso Moreira CEDAE
Italva CEDAE Conceição de Macabu Municipal
Itaocara CEDAE Macaé CEDAE
Itaperuna CEDAE Quissamã CEDAE
Laje do Muriaé CEDAE São Fidélis CEDAE
Miracema Municipal São Francisco de Itabapoana CEDAE
Natividade CEDAE São João da Barra CEDAE
Porciúncula CEDAE
Santo Antônio de Pádua Municipal
São José de Ubá CEDAE
Varre-Sai CEDAE

A Tabela a seguir apresenta as condições de atendimento à população do sistema de


abastecimento de água, inclusive com as perdas estimadas através de dados coleta-
dos em medições.
Tabela 7 - Regiões Norte-Noroeste Fluminense, Abastecimento de Água Potável por
Municípios, 2008

População Atendida % Atendimento Perda


Município População Abastecimento de Abastecimento do
Água de Água Sistema

Aperibé 9.420 9.416 99.96% 27.62


Bom Jesus de Itabapoana 35.178 27.482 78.12% 45.23
Cambuci 14.772 11.594 78.49% 25.20
Campos dos Goytacazes 431.839 395.000 91.47% 27.99
Carapebus 11.671 4.349 37.26% 15.36
Cardoso Moreira 12.502 7.894 63.14% 41.05

5
A CEDAE, Companhia Estadual de Saneamento do Estado do Rio de Janeiro tem feito obras de melho-
5
rias operacionais nos sistemas de abastecimento de água operados pela mesma, com intervenções nas
ares de captação, adução, tratamento, rede de distribuição e ligações domiciliares, o que de certa forma
contribui para uma melhoria relativa do quadro geral.
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 149
(continuação)

População Atendida % Atendimento Perda


Município População Abastecimento de Abastecimento do
Água de Água Sistema

Conceição do Macabu 20.505 19.000 92.66% s/i


Italva 14.496 9.120 62.91% 46.05
Itaocara 22.522 20.691 91.87% 56.39
Itaperuna 98.347 84.453 85.87% 50.04
Laje do Muriaé 7.996 6.213 77.70% 26.74
Macaé 188.787 133.090 70.50% 34.08
Miracema 26.868 24.217 90.13% 33.70
Natividade 15.392 12.706 82.55% 50.08
Porciúncula 18.227 14.343 78.69% 50.84
Quissamã 19.315 13.453 69.65% 32.86
Santo Antônio de Pádua 42.093 40.000 95.03% s/i
São Fidelis 30.057 27.299 90.82% 51.15
São Francisco de Itabapoana 47.247 19.870 42.06% 55.24
São João da Barra 30.348 22.318 73.54% 54.89
São José de Ubá 7.220 3.066 42.47% 28.57
Varre Sai 8.766 3.100 35.36% 22.09

Constata-se que além do esgotamento da capacidade dos sistemas de abastecimento,


ainda coexistem dois problemas a serem equacionados no planejamento, qual sejam a
universalização destes serviços, estendendo-os a todas as populações e as perdas,
muito elevadas, em grande parte dos municípios, o que sinaliza para redes com restri-
ções de dimensionamento, obsolescência e manutenção.
A recuperação de perdas, ressalte-se, em muitos casos, permite dispor de água (mas
não rede e subsistemas) adicional suficiente para suprir todo o mercado não atendido

Esgotamento Sanitário
Na Região Norte e Noroeste, os sistemas de esgotamento sanitário estão sob a res-
ponsabilidade majoritária das Municipalidades conforme a Tabela seguinte.
Tabela 8 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Agentes Públicos dos Serviços de Esgoto,
2009

Região Noroeste Fluminense Esgoto Região Norte Fluminense Esgoto


Aperibé Municipal Campos dos Goytacazes Privado
Bom Jesus do Itabapoana Municipal Carapebus Municipal
Cambuci Municipal Cardoso Moreira Municipal
Italva Municipal Conceição de Macabu Municipal
Itaocara Municipal Macaé Municipal
Itaperuna Municipal Quissamã Municipal

150 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


(continuação)
Região Noroeste Fluminense Esgoto Região Norte Fluminense Esgoto
Laje do Muriaé Municipal São Fidélis Municipal
Miracema Municipal São Francisco de Itabapoana Municipal
Natividade Municipal São João da Barra Municipal
Porciúncula Municipal
Santo Antônio de Pádua Municipal
São José de Ubá Municipal
Varre-Sai Municipal

Os sistemas de coleta e tratamento de esgoto como se observa estão sob a respon-


sabilidade das Municipalidades, muitos delas de pequeno porte e sem condições téc-
nicas e financeiras para arcar com todos os custos da adequação de soluções exten-
sivas com tratamento adequado. A condição de atendimento pode ser vista na Tabela
seguinte.
Tabela 9 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Esgotamento Sanitário por Municípios,
2008
Percentual
da Tratamento
População Projeto de após IrTE
Cidade População Urbana Ampliação
Atendida por do STES Ampliação Municipal
Tratamento do SES
de Esgoto
Aperibé 9.420 0.00% 0.0000000
Bom Jesus de Itabapoana 35.178 0.00% 0.0000000
Cambuci 14.772 0.00% 0.0000000
Campos dos Goytacazes 431.839 42.00% 2011 85% 0.0525554
Carapebus 11.671 0.00% 0.0000000
Cardoso Moreira 12.502 0.00% 0.0000000
Conceição do Macabu 20.505 23.74% 0.0104094
Italva 14.496 36.21% 0.0158766
Itaocara 22.522 0.00% 0.0000000
Itaperuna 98.347 0.00% 2011 50% 0.0000000
Laje do Muriaé 7.996 0.00% 0.0000000
Macaé 188.787 60.00% 0.0034233
Miracema 26.868 0.00% 0.0000000
Natividade 15.392 31.12% 0.0136447
Porciúncula 18.227 8.41% 0.0036873
Quissamã 19.315 0.00% 0.0000000
Santo Antônio de Pádua 42.093 0.00% 0.0000000
São Fidelis 30.057 0.00% 0.0000000
São Francisco de Itabapoana 47.247 0.00% 0.0000000
São João da Barra 30.348 24.26% 2011 100% 0.0212678
São José de Ubá 7220 0.00% 0.0000000
Varre-Sai 8766 0.00% 0.0000000
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 151
Fica clara a gravidade da situação grave do esgotamento sanitário, o qual, além do
não atender a toda a população, apresenta um percentual mínimo de tratamento
(28,60%), o que corresponde a um processo de lançamento e contaminação contínuo
dos cursos d’água da Região. Os projetos de ETEs, em curso, são muito poucos e
dois deles com capacidade menor do que o requisito total do município.

A título de exemplo, caso de Campos dos Goytacazes, o maior município da Região,


este tem o seu serviço de esgotamento sanitário privatizado, com mais de 78 % já
tratados esperando-se a inauguração da quarta estação de tratamento de esgoto, no
Parque Imperial, em 2009, e a execução da quinta Estação de Tratamento de Esgoto
(ETE - Paraíba do Sul) e da sexta ETE, em Ururaí, com previsão de funcionamento em
2.011.

Com estas inclusões Campos dos Goytacazes terá uma significativa melhoria no de-
sempenho de seu esgotamento sanitário, estimando-se que de 85 % do esgoto produ-
zido no Município será tratado.

No entanto, este esgotamento sanitário, hoje, somente cobre 45% dos usuários de sua
aglomeração urbana.

Com relação ao esgoto originado na zona rural, o Estado do Rio de Janeiro, através
da Secretaria Estadual de Agricultura está implantando o programa Rio Rural, que
envolve a construção de um número expressivo de unidades de tratamento de esgoto
doméstico, na modalidade fossa séptica.

O sistema sanitário pode representar uma restrição severa ao grande crescimento


programado para a Região nos próximos anos, com o aumento considerável na pro-
dução de esgoto sanitário e industrial, ambos exigindo tratamento adequado.

A elaboração do plano diretor de esgotamento sanitário em abrangência regional se


impõe, com a finalidade de traçar as diretrizes e opções para a coleta e tratamento de
esgoto na Região. Este plano permitirá garantir as metas de coleta e tratamento de
esgoto de 60 % da população até ano de 2.020, e de 80 % da população até ano de
2.035.

Como estimativa para a solução do problema do tratamento de esgoto nas Regiões


Norte e Noroeste Fluminense, assumindo-se atender a 80 % da população, conforme
meta estabelecida, será necessário tratar o esgoto para uma população de 570.000
habitantes, neste momento, com estações de tratamento, redes coletora e intercepto-
ras, elevatórias e demais partes de um sistema. O custo estimado deste projeto está
na casa de R$ 285.000.000 (duzentos e oitenta e cinco milhões de reais), uma alta
relação benefício/custo (R$362,87/hab.) em função do seu impacto positivo na saúde
da população e na recuperação do meio ambiente.

Diante de uma situação como esta, a contaminação das águas dos rios na Região
ainda é elevada, acrescendo-se aos contaminantes recebidos a jusante ou pelos
grandes rios afluentes, conforme indicam os estudos de demanda bioquímica de oxi-
gênio, dbo, e contaminação por coliformes fecais, com resultados que constantes nos
Mapas a seguir.

152 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Mapas 3 e 4 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Contaminação das Águas Fluviais

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 153


Utilização Sustentável de Recursos Hídricos
Com relação à disponibilidade de recursos hídricos, a maior parte dos municípios da
Região Norte-Noroeste do Estado Rio de Janeiro está localizada na bacia hidrográfica
do Baixo Paraíba do Sul, que é efluente de uma área densamente povoada e urbani-
zada nos estados de São Paulo, Minas Gerais e do próprio Rio de Janeiro. As suas
águas tem uso múltiplo, destinando-se ao abastecimento, irrigação, energia, pesca,
praticamente sem uso para a navegação. O consumo de água para irrigação é mais
representativo no Norte Fluminense, no cultivo da cana-de-açúcar, existindo, no entan-
to, de forma pulverizada, em toda a bacia. Situação similar persiste nas bacias do Ma-
caé e Itabapoana.
O CEIVAP, Comitê para Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul – vem
atuando de maneira muito intensa e estruturada na sua gestão, com diversas ações
voltadas para o uso sustentável de suas águas. Por outro lado, a SERLA – Fundação
Superintendência Estadual de Rios e Lagos, do Rio de Janeiro, já tem implementado
todos os instrumentos previstos nas leis estaduais 3.239/99 e 4.247/03, como a homo-
logação de comitês de bacias, a instalação do Conselho Estadual e a arrecadação de
recursos acumulados no FUNDRIH (Fundo de Recursos Hídricos), com a cobrança
pelos usos outorgáveis de água”, sendo que estes recursos já começam a ser desti-
nados a intervenções importantes nas bacias hidrográficas, como o monitoramento de
qualidade das águas, reforma e ampliação da rede hidrometeorológica, digitalização
de dados históricos, entre outras.
Recentemente, a Agência Nacional de Águas, ANA, aprovou contratação de estudos
relevantes para alguns dos tributários do Paraíba do Sul no Noroeste, particularmente
o controle de cheias pelo monitoramento em tempo real de suas vazões, entre outros
aspectos.
Mapa 5 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Bacias Hidrográficas

154 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Sistema de Drenagem Pluvial
O Norte e Noroeste Fluminense constituem numa vasta depressão interplanáltica, al-
ternada com alinhamentos serranos escalonados e delimitada, ao sul, pelo planalto da
Região Serrana e, ao norte pelo planalto sul Capixaba e estende-se a oeste pela zona
da mata Mineira. A leste, este domínio é encerrado pela Baixada Campista. Esta regi-
ão abrange principalmente a porção fluminense das bacias dos rios Paraíba do Sul,
Pomba, Muriaé e Itabapoana e Macaé. Estas planícies fluviais precisam de uma re-
composição da mata ciliar, tendo em vista a mitigação de enchentes que assolam pe-
riodicamente várias cidades do Norte-Noroeste Fluminense, tais como Itaperuna, Ital-
va, Cardoso Moreira e Santo Antônio de Pádua. Um agravante dessa situação é o
intenso desmatamento das bacias dos rios Pomba e Muriaé, tanto em território flumi-
nense, quanto em território mineiro, acelerando, assim, o escoamento superficial e
aumentando os picos de vazão destes rios
Também o rio Macaé, que é a vertente sul da região, passa por processo de assorea-
mento, destruição da vegetação de Mata Atlântica e contaminação da água, por lixo e
esgoto. Ao longo de seus 138 km, a bacia hidrográfica do rio corta os municípios de
Casimiro de Abreu, Rio das Ostras, Conceição de Macabu, Carapebus, Nova Friburgo
e Macaé, onde se encontram 82% da sua extensão. A degradação ambiental é causa-
da, em grande parte, pela ocupação irregular das margens, uma das conseqüências
do crescimento desordenado do território resultante da expansão da ocupação decor-
rente da exploração do petróleo na Bacia de Campos.
A maior magnitude de escoamento superficial ocorre no Norte Fluminense, em direção
à Lagoa Feia, e para o oceano, na Bacia de Campos. Nesta mesma região ocorre uma
concentração de sedimentos na faixa litorânea em direção ao oceano, identificada em
imagens de satélite, relacionada talvez com o potencial de escoamento hídrico do con-
tinente. A moderada magnitude de escoamento superficial ocorre nos cordões areno-
sos, no Delta do Paraíba do Sul, na saída para o manguezal de Guapimirim, ainda
preservado, que serve como um dissipador de energia, depositando sedimentos antes
de atingir a Baía de Guanabara.
Mapa 6 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Bacias

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 155


As intervenções sobre o sistema de drenagem das regiões Noroeste e Norte Flumi-
nense começaram no século XIX, mas se intensificaram a partir de 1933, quando o
governo de Getúlio Vargas criou a Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense.
Em cinco anos, ela fez um trabalho tão drástico de drenagem que deu origem ao De-
partamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS). Este tipo de intervenção não
seria hoje feito, tanto do ponto de vista legal, quanto ambiental, desde que tais obras
extinguiram ecossistemas importantes, total ou parcialmente, eliminaram nichos eco-
lógicos, empobreceram a biodiversidade e desequilibraram o regime hídrico.
No caso das intervenções individuais, elas foram realizadas no sistema de canais da
Baixada Campista, um dos principais fatores que contribuem para o agravamento de
enchentes nessa região. Nas épocas de chuvas intensas, a elevação do nível das á-
guas determina a necessidade de um eficiente manejo das comportas de adução e
controle, a fim de regular o nível dos canais e evitar represamentos e inundações.
Como em muitos casos as comportas são controladas por proprietários rurais ou usi-
neiros, frequentemente ocorrem inundações devido ao manejo inadequado de tais
estruturas hidráulicas. Também a construção de diques irregulares por parte dos pro-
prietários rurais o que também contribui para o agravamento das enchentes, pois es-
tas estruturas dificultam o escoamento da água nos canais. A falta de manutenção dos
canais não havendo controle das cotas de fundo, da vegetação aquática e dos taludes
marginais indispensáveis para que o sistema funcione adequadamente.
Constituem estratégias para a condução de soluções para os problemas existentes:
• elaboração de estudos e modelos hidrológicos com a finalidade de controlar as
cheias;
• elaboração de plano diretor de drenagem pluvial, regionalizado, visando identifi-
car as causas dos problemas e medidas mitigadoras correspondentes;
• implantação de sistema de monitoramento e alerta de enchentes nas regiões;
• garantia para a execução de obras estruturantes, conforme diretrizes do plano
diretor de drenagem pluvial.

Coleta e Destinação Final dos Resíduos Sólidos


Os resíduos coletados na Região Norte-Noroeste Fluminense tem sido depositados
em locais bem simples, lixões (ou vazadouros a céu aberto), até sistemas muito bem
estruturados, incluindo usinas de compostagem e beneficiamento.
Conforme o Anuário Estatístico do Estado do Rio de Janeiro, edição 2009, com dados
coletados em 2007, as cidades de Carapebus, Cardoso Moreira, Conceição de Maca-
bu, Macaé e Quissamã tem o destino final dos resíduos coletados em aterros sanitá-
rios, Miracema, Natividade e Porciúncula com aterros controlados, oferecem destino
adequado. Não constando deste anuário, a cidade de Campos dos Goytacazes im-
plantou usina municipal, acabando com o lixão da Codin.
Itaocara, Italva, Cambuci, Aperibé, São Fidélis e Santo Antônio de Pádua, os resíduos
sólidos serão tratados em um aterro sanitário a ser construído através de consórcio
intermunicipal, através de iniciativa do Estado, o qual estará localizado no município
de São Fidelis, beneficiando 110.000 habitantes.

A Tabela, a seguir, revela a situação da Gestão de Resíduos Sólidos, na atualidade,


nos municípios das duas Regiões.

156 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Tabela 10 - Regiões Norte-Noroeste Fluminense, Resíduos Sólidos por Municípios, 2008
Tratamento dos Projeto de Destino Final dos
Município População Resíduos Ampliação Resíduos Sólidos
Sólidos do STRS Não Tratados
Aperibé 9.420 não sim
Bom Jesus de Itabapoana 35.178 não sim
Cambuci 14.772 não sim
Campos dos Goytacazes 431.839 sim sim Aterro Controlado
Carapebus 11.671 sim Aterro Sanitário
Cardoso Moreira 12.502 sim Aterro Sanitário
Conceição do Macabu 20.505 sim Aterro Sanitário
Italva 14.496 não sim
Itaocara 22.522 não sim
Itaperuna 98.347 sim Aterro Sanitário
Laje do Muriaé 7.996 não não
Macaé 188.787 sim Aterro Sanitário
Miracema 26.868 sim Aterro Controlado
Natividade 15.392 sim Aterro Controlado
Porciúncula 18.227 sim Aterro Controlado
Quissamã 19.315 sim Aterro Sanitário
Santo Antônio de Pádua 42.093 não sim
São Fidelis 30.057 não sim
São Francisco de Itabapoana 47.247 não não
São João da Barra 30.348 não sim
São José de Ubá 7.220 não não
Varre Sai 8.766 não não

Analisando estes dados, verifica-se que a situação do tratamento dos resíduos sólidos
coletados avança para soluções com qualificação substantiva, o que se deve princi-
palmente à atuação do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), que tem mobilizado os
municípios para a resolução deste problema sanitário e ambiental na Região
Uma questão, ainda não equacionada, diz respeito à biorremediação dos lixões anti-
gos existentes até então (vazadouros a céu aberto) na Região, cujo passivo ambiental
é muito grande.
ICMS Ecológico
O Governo do Estado do Rio de Janeiro estabeleceu um importante instrumento de
incentivo às ações de saneamento ambiental, através do ICMS Ecológico, sendo que
o Índice Final de Conservação Ambiental (IFCA), que indica o percentual do ICMS
Ecológico que cabe a cada município, é composto por 6 subíndices temáticos com
pesos diferenciados:
• Tratamento de Esgoto (ITE): 20%
• Destinação de Lixo (IDL): 20%
• Remediação de Vazadouros (IRV): 5%
• Mananciais de Abastecimento (IrMA): 10%
• Áreas Protegidas - todas as UC (IAP): 36%
• Áreas Protegidas Municipais - apenas as UCs Municipais (IAPM): 9%
Cada subíndice temático possui fórmula que pondera e/ou soma indicadores. Após o
cálculo do valor individualizado, o subíndice temático do município é comparado ao
dos demais municípios, sendo transformado em subíndice temático relativo através da
divisão do valor encontrado para o município pela soma dos índices de todos os muni-
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 157
cípios do Estado, à exceção do índice de mananciais de abastecimento, cuja fórmula
já indica o valor relativo.
Após a obtenção dos subíndices temáticos relativos ao município, estes são inseridos
na fórmula seguinte, gerando o Índice Final de Conservação Ambiental do Município,
que indica o percentual do ICMS Ecológico que cabe ao município:
IFCA (%) = (10 x IrMA) + (20 x IrTE) + (20 x IrDL) + (5 x IrRV) + (36 x IrAP) + (9 x
IrAPM)
O Quadro que se segue, do ICMS Ecológico do Estado do Rio de Janeiro, mostra a
pontuação obtida pelos municípios da Região Norte e Noroeste, sendo que o Índice
Final de Conservação Ambiental (IFCA), que indica o percentual do ICMS Ecológico
que cabe ao município, no caso, ficou em zero, em 2009, para dez dos municípios da
Região, a saber, Bom Jesus de Itabapoana, Italva, Laje do Muriaé, Varre Sai, Aperibé,
Cambuci, Itaocara, Santo Antônio de Pádua, São José de Ubá e São João da Barra.
Quadro 1 – Rio de Janeiro, ICMS Ecológico e IPM

158 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Sistema Habitacional

Na Região Norte- Noroeste Fluminense aconteceu um forte êxodo rural, com as pes-
soas migrando primeiramente para cidades como Itaperuna, Santo Antônio de Pádua,
Macaé, Campos e, mais recentemente também, Bom Jesus do Itabapoana. Nestas
cidades, parcela delas ocupou áreas de risco na expectativa de que um dia consigam
um posto de trabalho para, então, se posicionarem com moradia adequada.

(1)
Tabela 11 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Déficit Habitacional, 2009

Estimativa Déficit
Déficit Habitacional Habitacional:
FJP: Municípios Municípios com
Nome da Microrregião Acima de 20 mil População Abaixo de
Município
Geográfica Habitantes em Área 20 mil Habitantes em
Urbana Área Urbana
(ano base: IBGE, (ano base: FJP/ IBGE,
2000) 2000)*
Aperibé Santo Antônio de Pádua 250
Bom Jesus do Itabapoana Itaperuna 580 -
Cambuci Santo Antônio de Pádua 407
Campos dos Goytacazes Campos dos Goytacazes 11.822 -
Carapebus Macaé 217
Cardoso Moreira Campos dos Goytacazes 257
Conceição de Macabu Macaé 396
Italva Itaperuna 315
Itaocara Santo Antônio de Pádua 625
Itaperuna Itaperuna 1.879 -
Laje do Muriaé Itaperuna 180
Macaé Macaé 2.932 -
Miracema Santo Antônio de Pádua 942 -
Natividade Itaperuna 345
Porciúncula Itaperuna 397
Quissamã Macaé 353
Santo Antônio de Pádua Santo Antônio de Pádua 971 -
São Fidélis Campos dos Goytacazes 789
São Francisco de Itabapoana Campos dos Goytacazes 938
São João da Barra Campos dos Goytacazes 608
São José de Ubá Santo Antônio de Pádua 193
Varre-Sai Itaperuna 192
Região Norte-Noroeste 22 municípios 19.126 6.462
(1)
valores corrigidos e publicados em 10 de agosto de 2009.
Fonte: Ministério das Cidades, Brasília.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 159


Macaé exemplifica com propriedade o que aconteceu e prossegue acontecendo: basta
olhar para as comunidades das Malvinas, de Nova Holanda, Nova Esperança e Lago-
mar. Constata-se que este Município é o primeiro Estado em processo de favelização
e já é o quarto mais favelado, e somente 2% de macaenses habitam tais comunida-
des. Este é o desequilíbrio demográfico entre campo (área rural) e cidade (área urba-
na) que, como podemos ver, traz consequências gravosas à ecologia, ao social e à
economia para a Região como um todo. Dentro dessa questão, explicitada, os Planos
Diretores das cidades do Norte e do Noroeste Fluminense podem se tornar um ponto
de partida institucional para que se expressem todas as forças que efetivamente co-
constroem as aglomerações urbanas. Desse modo, o Plano se transforma em uma
oportunidade na qual a população passa a melhor conhecer o seu território e poder
conquistar legitimamente os seus interesses. Para torná-los efetivos devem se orientar
estrategicamente para disposições necessárias ao emprego dos instrumentos urbanís-
ticos em especial àqueles pertinentes à delimitação das Zonas de Especial Interesse
Social (ZEIS) e ao Parcelamento, Edificação ou à Utilização Compulsórios (PEUC),
assim como de Operações Urbanas Especiais e outras.

Assentamentos Precários
A Região padece de um grave problema que são os assentamentos precários, con-
forme o relatório de “Assentamentos Precários do Brasil”, elaborado e publicado pelo
Ministério das Cidades em dezembro de 2007, que fez um amplo diagnóstico da situa-
ção, com as áreas mais preocupantes retratadas em vermelho no extrato da Figura
seguinte.
Figura 10 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Assentamentos Precários, 2007

Fonte: Ministério das Cidades

Tomando o conjunto dos municípios localizados no Norte e Noroeste do Estado do Rio


de Janeiro, esta é uma das regiões que, em termos absolutos, apresentou estimativas
de assentamentos precários menores que as do resto do país e da maioria das regi-
ões estudadas não obstante revelar uma clara demanda potencial por políticas e inter-
venções imediatas, no sentido de conter alguns processos crescentes que estão ocor-
rendo.
Estes processos se manifestam mais intensamente nos municípios de Campos dos
Goytacazes e Macaé, que sofrem diretamente com o êxodo rural e migrações urbanas
de outras regiões.
O município de Campos dos Goytacazes apresentou uma estimativa de pessoas e
domicílios em assentamentos precários que representa cerca de 8%, o que equivalia,

160 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


na época, a algo em torno de 8 mil domicílios em assentamentos precários com um
contingente populacional estimado de cerca de 30 mil pessoas.
A maior parte das ocupações dos setores classificados como precários se encontra no
entorno da área urbana mais adensada e em ocupações precárias a longo do rio Para-
íba e de eixos rodoviários.
Dentre os grandes setores precários nos limites da área urbana, o localizado a leste se
encontra na verdade, em grande parte, desocupado e o, a oeste, se localiza junto ao
rio Paraíba do Sul, em área bastante densa, mas que também inclui região pouco
densa mais a leste, conforme distribuição espacial dos setores censitários com locali-
zação abaixo.
Figuras 11 e 12 - Campos dos Goytacazes, Assentamentos Precários, 2007

Fonte: Ministério das Cidades.


Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 161
O município de Macaé apresenta, além dos setores subnormais identificados pelo IB-
GE, outros setores precários no núcleo central da mancha urbana, relativamente pró-
ximos à orla marítima. Esses setores tendiam a ser contíguos aos classificados como
subnormais.

No interior do distrito sede, outros setores classificados como precários dizem respeito
a núcleos urbanos isolados, junto a unidades fabris.

Vale destacar que, em Macaé, existe a ocupação irregular da região denominada No-
va Esperança, com cerca de 10.000 famílias em ocupação irregular.

Figura 13 - Macaé, Assentamentos Precários e Habitações Subnormais, 2007

Numa visão geral, a situação das Regiões Norte e Noroeste Fluminense tende a se
agravar com o forte crescimento programado para os próximos anos. Torna-se, então,
estratégico para mitigar e disciplinar as questões e desvios mencionados, que se ob-
serve o que se indica a seguir.

• Para frear o crescimento dos assentamentos precários e da produção ilegal da


cidade é necessário ampliar o acesso da população de menor renda ao mercado
formal de habitação. Para produzir habitação social é indispensável ampliar o
acesso à terra urbanizada, isto é, atendida por infraestrutura e serviços urbanos.
A ampliação do acesso da população de menor renda das regiões Norte e Noro-

162 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


este do Estado do Rio de Janeiro ao mercado residencial legal impõe a necessi-
dade de mudar o rumo da política urbana na direção de incorporar, na prática, a
função social da propriedade.

• Para promover a regularização fundiária, os municípios têm como instrumento, a


concessão do direito real de uso, e instrumentos de usucapião especial de imó-
vel urbano, previsto no art. 183 da Constituição Federal e trazido pelo Estatuto
da Cidade, a concessão de uso especial para fins de moradia (CUEM) e o direito
de superfície.

• As áreas vazias e ocupadas no espaço urbano podem ser delimitadas como


ZEIS. A recomendação para os municípios do Norte e Noroeste Fluminense é
que os assentamentos precários do tipo favelas, loteamentos irregulares e corti-
ços, sejam delimitados como ZEIS para promover a sua regularização fundiária.
Desse modo, nos assentamentos precários delimitados como ZEIS, serão permi-
tidos a adoção de padrões urbanísticos especiais e procedimentos específicos
de licenciamento, além de contribuir para o reconhecimento da posse de seus
ocupantes.

• Com a Lei n.o 10.257, Estatuto da Cidade, de 10 de julho de 2001, foram regula-
mentados os artigos 182 e 183 da Constituição federal, estabelecendo alguns
instrumentos potencialmente capazes de dar ao poder público melhores condi-
ções para regular a produção e apropriação do espaço urbano com critérios so-
cialmente mais justos e introduziu o princípio da chamada “função social da pro-
priedade urbana”. A utilização desses instrumentos permite aos municípios ad-
ministrar e intervir nos espaços urbanos no sentido de estabelecer o seu orde-
namento e a correção de comportamentos inadequados incorridos.

F) MÓDULO ECONOMIA
Autora Coordenadora:
Nildred Martins
Vetor: Economia do Conhecimento
O desenvolvimento de uma região está diretamente ligado às vantagens comparativas
apresentadas por esta, em relação às demais regiões. Tais vantagens podem ser de
natureza estática ou ricardiana, baseada em recursos naturais, ou de natureza cons-
truída e criada, baseada na capacidade diferenciada de cada região gerar, permanen-
temente, conhecimento e inovação.
Na era da sociedade do conhecimento, marcada pelas tecnologias de informação e
comunicação, o desenvolvimento está ligado às condições locais, e a capacidade local
de gerar novo conhecimento constitui o elemento central no processo de produção,
competição e crescimento.
As informações apresentadas na Avaliação Situacional (Etapa 1) sugerem que as Re-
giões Noroeste e Norte Fluminense possuem um sistema de inovação imaturo com
uma infraestrutura científica e tecnológica bastante limitada. Desta forma, estas Regi-
ões apresentam grande fragilidade e pouca possibilidade para responder a desafios
econômicos e sociais que demandem mais intensamente a geração e emprego de
conhecimento científico e tecnológico.
Além disso, este cenário torna tais Regiões menos habilitadas a receber atividades
que exigem um conteúdo cientifico e tecnológico maior, capazes de gerar maior valor
agregado e concorrer em mercados mais competitivos.
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 163
A análise da estrutura científica e tecnológica das regiões passa pela observação de
cinco pontos principais: a) capacidade para formação de recursos humanos de nível
superior; b) capacidade de formar e fixar pesquisadores; c) produção e diversificação
do conhecimento gerado; d) geração de tecnologia; e) setores envolvidos na geração
de tecnologia.
Neste sentido, a implantação e disseminacão de universidades, faculdades, institutos
de pesquisa, incubadoras, dentre outros, estrategicamente localizados, alinhados com
o sistema produtivo em resposta às demandas regionais, e a disseminação de uma
cultura apropriada ao processo de desenvolvimento, com apoio do governo lo-
cal/regional como interação entre os diversos agentes, constitui-se em um ótimo cami-
nho para se conduzir o sistema ao cenário emergência regional.
Para tanto, devemos considerar que está se partindo de uma situação ainda bastante
incipiente, o que dificulta o estabelecimento de metas mais focais, neste momento,
uma vez que qualquer aumento pode representar um crescimento infinito.
Assim, as metas passam a ser uma função da capacidade de investimento e dos tem-
pos mínimos de resposta. Como se trata de uma realidade extremamente complexa, é
preciso acompanhar qual a capacidade de resposta das Regiões (ou seus munícipios)
aos investimentos, em cada dimensão, para, em seguida, fixar e ajustar metas.
Objetivos e Metas
Objetivos Metas
Formação de recursos humanos de • Escolas técnicas, faculdades e univer-sidades
nível técnico e superior nas áreas defi- formando profissionais para atuarem nos setores
nidas conforme vocação e oportunida- definidos como vocação regional.
des regionais. • Ter, pelo menos, 50% da PEA regional, cursando
ou tendo concluído o ensino técnico e/ou superior
em 2035.
Constituição e Implementação do • Acompanhar os melhores padrões nacionais na
Sistema de Conhecimento e Inovação formação e fixação de pesquisadores nas áreas
Regional definidas conforme direcionamento necessários e
as oportunidades regionais;
• Interação entre universidades/institutos de pes-
quisas e empresas;
• Pelo menos 10 centros de pesquisa e pós-
graduação, disseminados pelo espaço regional
Norte e Noroeste, direcionados às engenharias e
às agrociências.
Disseminação do Conhecimento e da • Formar redes entre escolas técnicas, faculdades,
Tecnologia Gerados para a População universidades, incubadoras, centros de pesquisa
e Sistema Empresarial e empresas.
• Aderir imediata e irrestritamente ao Plano Nacio-
nal de Banda Larga (PNBL), com resultados aci-
ma da média nacional;
• Ter 50% da população com acesso a banda larga
mínima de 1MB até 2012;
• Ter uma taxa de crescimento de acesso à banda
larga de pelo menos 10% ao ano;
• Ter 100% da população atendida com banda
larga mínima de acordo com o PNBL até 2020;
• Ter 50% da população com acesso a banda larga
de pelo menos o dobro da mínima determinada
no PNBL até 2035.

164 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Objetivo 1

Formação de Quadros de Pessoal de Nível Técnico e Superior nas Áreas Defini-


das Conforme Vocação Preferencial e Oportunidades Regionais
Considerando que a principal vantagem construída de uma região está associada à
sua capacidade de aprendizado, geração de conhecimento e inovação, a existência de
pessoas (principalmente locais e regionais) capacitadas para atuarem nos segmentos
e atividades definidas como o diferencial regional é uma pré-condição para o sucesso
produtivo e comercial de tais atividades e para o desenvolvimento desta região.
A capacitação desses quadros de pessoas está diretamente ligada à infra-estrutura
educacional da Região e, especialmente, à capacidade de oferta de cursos profissio-
nalizantes, técnicos e universitários em áreas determinadas pelas demandas atuais e
antecipadas do mercado regional de trabalho.
De acordo com informações contidas na Análise Situacional realizada na primeira eta-
pa deste trabalho, as Regiöes Noroeste e Norte do Estado do Rio de Janeiro possuem
uma estrutura de oferta de cursos técnicos e superiores predominantemente concen-
trada em alguns municípios. Segundo o Ministério da Educação, a Região Noroeste
possui instituições de ensino superior apenas em quatro municípios dos treze que
compõem a Região. Constituem um total de 12 instituições que oferecem 70 cursos, o
que representa apenas 5,8% e 2,2% do total do Estado, respectivamente. No caso da
Região Norte as instituições de ensino superior estão em apenas três dos nove muni-
cípios constituintes. Por sua vez, estes três municípios somam 24 instituições e 239
cursos, correspondendo, respectivamente, a 11,6% e 7,7% do Estado.
Tabela 12 – Estado do Rio de Janeiro, Número de Instituições Ofertantes e Número de
Curso Superior por Região

População Cursos por


Região Município Instituições Cursos
2009 Mil Habitantes
Campos dos Goytacazes 13 176 434.008 0,41
Macaé 8 56 194.413 0,29
Norte
Quissamã 3 7 19.878 0,35
Total 24 239 648.299 0,37
Itaperuna 6 55 99.454 0,55
Santo Antônio de Pádua 3 9 42.405 0,21
Noroeste Bom Jesus do Itabapoana 2 5 35.303 0,14
Miracema 1 1 26.824 0,04
Total 12 70 203.986 0,34
Capital Rio de Janeiro 80 1.572 6.186.710 0,25
Outros Outros 90 1.193 - -
Total 206 3.074 - -
Fonte: MEC, 2010
Destes dados, é importante ressaltar que, tanto para a Região Noroeste quanto para a
Região Norte, a ponderação do número de cursos de nível superior ofertados pela
população é superior a verificada para a capital do Estado. Isto indica uma possibilida-
de de que a estrutura para graduação nestas Regiões esteja minimamente adequada
ao peso relativo de sua população. Esta relação seria melhor medida a partir da com-
paração com oferta do número de vagas ao invés de número de cursos. Contudo, es-
tas informações não estão disponíveis no âmbito municipal/mesorregional.
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 165
Mapa 7 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Número de Instituições de Ensino Técnico, 2009

Fontes: Ministério da Educação e Sistema Integrado de Informação da Educação Superior, 2009.

166 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


A formação de nível técnico também contribui, em grande escala, com a qualificação e
a profissionalização da população regional, localizando-se também de forma pouco
equitativa e distributiva entre os municípios.
O sistema educacional das Regiões contempla em maior escala as formações técni-
cas e superiores nas áreas tecnológicas e industriais, além das áreas de saúde, edu-
cação e políticas sociais, meio ambiente (entre outras).
No entanto, a oferta ainda é insuficiente para atender às demandas do mercado e as
necessidades de mão de obra local. Não está determinado, se a causa para a baixa
qualificação da mão de obra ocorre devido a uma baixa oferta de cursos e dificuldades
de acesso para moradores de municípios, nos quais não há oferta, e/ou porque os
gargalos educacionais existentes, especialmente no Ensino Médio das Regiões Norte
e Noroeste inviabilizam a conclusão da Etapa Básica Educacional e, por conseguinte,
a possibilidade dos habitantes cursarem cursos técnicos e superiores. Pelas observa-
ções feitas, ambas ocorrem e, no que diz respeito à oferta, há um descasamento entre
a gama de cursos e vagas oferecidos e aquilo que efetivamente se mostra necessário,
o que revela uma perda uma vez que estão sendo formados profissionais para atender
a mercados que não existem na Região e estão sendo deixados de formar jovens para
mercados que existem na Região.
Há também a hipótese da falta de renda para que muito levem à frente a sua formação
profissional assim como também ocorre a falta de interesse e valorização da educa-
ção, que decorre frequentemente da baixa qualificação dos pais e das gerações ante-
riores, que não veem na educação um valor significativo para elevar as condições de
vida, criando-se um ciclo de realimentação negativa que leva a baixos índices de esco-
laridade, particularmente a profissionalizante e superior.
A falta de dados (o Censo Demográfico de 2010 pode resolver parcialmente este pro-
blema) sinaliza para a necessidade de se realizar um mapeamento das condições de
oferta e demanda do mercado de trabalho existente e potencial para que as metas
sejam definidas de forma mais objetiva. De qualquer maneira, o mercado é dinâmico,
podendo ser alterado por condições conjunturais, macroeconômicas, tecnológicas, de
demanda, entre outras, o que conduzirá, inevitavelmente, à necessidade de ajusta-
mento das metas.
Em outra perspectiva, além do aumento da oferta de cursos técnicos e superiores,
deve-se atentar para o aumento da qualidade do ensino técnico e superior com uma
proposta de sua generalização na Região. Dessa maneira, foram estabelecidas as
seguintes metas para o alcance deste objetivo.

Metas
• Estruturar uma rede regional de escolas técnicas, faculdades e universidades,
disseminadas pelo espaço do território, participando de modo co-operativo da
formação de profissionais para atuarem nos setores definidos como vocação ou
diferencial e/ou potencialidades regionais.
• Contar com 50% da PEA regional, cursando ou tendo concluído o ensino técnico
e/ou superior em 2035.

Objetivo 2 - Desenvolvimento do Sistema de Inovação Regional

O desenvolvimento de um sistema de inovação requer, além da formação e capacita-


ção de pessoas em quantidade e regularidade continuada, principalmente de nível

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 167


universitário, o desenvolvimento e a disseminação das atividades de pesquisa, a pro-
dução e diversificação do conhecimento gerado e a geração de tecnologia. Desse mo-
do, deve-se direcionar a capacidade da estrutura de graduação para alimentar e sus-
tentar as atividades de pesquisa e geração de conhecimento na Região Norte-
Noroeste, e para a interação entre faculdades, universidades e empresas no processo
de geração de conhecimento e tecnologia, por meio de uma operação em rede regio-
nal.

A partir de dados do Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq no ano de 2008, ob-
serva-se a ausência de grupos de pesquisa localizados na Região Noroeste e cadas-
trados na base de dados do CNPq. Desta forma, entende-se que, pelo menos no que
este indicador é capaz de captar, as atividades de pesquisa nesta Região são bastan-
te limitadas, chegando praticamente a ausência.

A situação mostra-se, ao menos em parte, diferente para a Região Norte. Neste caso,
existem 117 gurpos cadastrados junto ao CNPq, porém, concentrados em apenas três
instituições.

Além disso, estes grupos contam com 872 pesquisadores, 983 estudantes e 235 téc-
nicos atuando em 490 linhas de pesquisa diferentes. Chama atenção o número de
estudantes (de graduação ou pós-graduação) envolvidos em pesquisa. Isto sugere
certa capacidade da Região em dar continuidade à formação de pessoal orientado
para a geração de conhecimento.

Estes dados conferem à Região Norte uma condição melhor para sustentar uma infra-
estrutura científica em comparação à Região Noroeste, embora tal estrutura seja bas-
tante pequena em comparação com a capital, Rio de Janeiro.
Tabela 13 - Estatísticas do Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq no Censo 2008

Linhas de
Região Cidade Instituição Grupos Pesquisadores Estudantes Técnicos
Pesquisa

Campos dos
Região Goytacazes 2 98 434 757 922 216
Norte Macaé 1 19 56 115 61 19
Total 3 117 490 872 983 235
Rio de Janeiro 47 2.178 8.291 15.185 15.143 2.960
Niterói 2 398 1.477 2.487 2.631 254
Petrópolis 1 46 95 136 221 37
Nova Iguaçu 2 37 137 231 158 12
Maricá 1 28 76 158 100 5
Outras
Vassouras 1 28 76 158 100 5
Duque de
Caxias 1 19 56 115 61 19
Volta Redonda 1 8 33 130 248 5
Arraial do Cabo 1 6 26 20 5 12
Total Geral 60 2.865 10.757 19.492 19.650 3.544

Fonte: CNPq, 2010

168 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Ainda utilizando dados do Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq, é possível ava-
liar a produção de conhecimento e sua diversidade, em particular na Região Norte
Fluminense, uma vez que não há pesquisadores localizados na Região Noroeste nes-
ta base de dados, para o ano de 2008.

Desta forma, a Tabela na página seguinte, traz a produção dos Grupos de Pesquisa
do CNPq por tipo de produção e por área do conhecimento. Dois pontos são importan-
tes destacar para a Região Norte, em Campos dos Goytacazes em Macaé. Primeiro é
a presença de produção científica em todas as grandes áreas do conhecimento, o que
evidencia a diversidade das pesquisas e do conhecimento produzido. Em segundo,
vale observar a concentração desta produção em ciências agrárias (em primeiro lugar)
e em ciências biológicas (na sequência), em geral, pouco relacionadas à especializa-
ção produtiva da região.

Não obstante esta concentração, deve-se apontar a pesquisa em produção nas ciên-
cias da terra e engenharias, estas sim, mais próximas às características industriais
presentes na região. Vale lembrar, neste caso, na atualidade, a superioridade do mu-
nicípio de Campos dos Goytacazes em relação à baixa produção de Macaé.

Para complementar estas informações, Tabela a seguir contabiliza o total de artigos


científicos indexados no Institute for Scientific Information em que pelo menos um au-
tor localiza-se nas regiões do Norte ou Noroeste Fluminense e que tenha sido publica-
do no ano de 2009.

Percebe-se que, embora não seja captado pela base de dados do CNPq, existe na
Região Noroeste alguma estrutura capaz de gerar conhecimento.

Os municípios de Campos dos Goytacazes e Macaé são os representantes da Região


Norte, o que comprova a estrutura científica percebida.

Por sua vez, a ocorrência de uma produção científica de nível internacional nos muni-
cípios de Itaperuna e Miracema é muito importante como constatação da existência de
alguma estrutura científica e de pesquisa na Região Noroeste.

Tabela 14 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Artigos Científicos Indexados no ISI com


Autores de Instituições aí Localizadas, Publicados em 2009

Região Município Artigos Científicos


Campos dos Goytacazes 264
Região Norte Macaé 15
Total 279
Itaperuna 3
Região Noroeste Miracema 1
Total 4
Outras Regiões Outros municípios 7.395

Fonte: ISI, 2010

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 169


Tabela 15 - Produção dos Grupos de Pesquisa do CNPq no Censo 2008

Campos dos Goytacazes Macaé Outras Regiões Total Rio de Janeiro


Grande Área do
Produção Produção Produção Produção Produção Produção Produção Produção
Conhecimento Autores Autores Autores Autores
Bibliográfica Técnica Bibliográfica Técnica Bibliográfica Técnica Bibliográfica Técnica
Ciências Agrárias 320 8.903 2.094 - - - 999 25.524 7.730 1.319 34.427 9.824
Ciências Biológicas 270 4.518 1.237 12 145 53 3.832 72.892 23.408 4.090 77.265 24.592
Ciências da Saúde 23 581 187 25 717 242 3.766 80.762 40.725 3.764 80.626 40.670
Ciências Exatas e da Terra 133 3.003 574 - - - 2.495 45.293 14.038 2.628 48.296 14.612
Ciências Humanas 108 1.775 899 4 12 53 3.796 59.350 54.346 3.900 61.113 55.192
Ciências Sociais Aplicadas 24 320 158 29 389 337 1.884 28.924 24.406 1.879 28.855 24.227
Engenharias 140 3.075 1.025 3 49 12 3.215 52.619 20.450 3.352 55.645 21.463
Linguística, Letras e Artes - - - 16 304 301 1.273 19.243 18.419 1.257 18.939 18.118
Total geral 1.018 22.175 6.174 89 1.616 998 21.260 384.607 203.522 22.189 405.166 208.698

Fonte: CNPq, 2010

170 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


De acordo com a Análise Situacional realizada, as informações sobre a base científica
do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro revelaram a existência de uma infra-
estrutura minimamente mensurável nestas Regiões. Contudo, esta estrutura mostra-se
bastante acanhada, sobretudo para a Região Noroeste, tanto em termos da formação
de pessoal de nível superior e pesquisadores, quanto na condução de pesquisas e na
produção de conhecimento, principalmente quando comparados ao conjunto das de-
mais regiões e do Estado.

Do ponto de vista da estrutura tecnológica, a análise foi feita em termos da capacidade


das empresas da região em gerar tecnologia razoavelmente mensurável. Desta forma,
a Tabela a seguir apresenta a produção tecnológica, medida por depósitos de paten-
tes junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no período de 1990 a
2005, por região, tipo de patente e natureza jurídica do titular.

Tabela 16 - Depósitos de Patentes no INPI no Período 1990-2005, por Região, no Rio de


Janeiro, por Tipo de Patente e Natureza Jurídica do Titular

Tipo PF PJ NA Total
Modelo de Utilidade – Região N 2 2 1 5
Patente de Invenção – Região N 2 3 2 7
Modelo de Utilidade – Região NO 2 0 0 2
Patente de Invenção – Região NO 1 1 1 3
Modelo de Utilidade - Estado RJ 269 255 245 769
Patente de Invenção – Estado RJ 272 1.096 316 1.684
Modelo de Utilidade – Estado RJ 273 257 246 776
Patente de Invenção – Estado RJ 275 1.100 319 1.694

Fonte: INPI, 2007 (Base de dados cedida diretamente ao Cedeplar/UFMG)

Os dados revelaram um sistema local de inovação bastante limitado e imaturo, tanto


para a Região Norte, mas, sobretudo, para a Região Noroeste. Isto fica claro ao ob-
servar-se a baixa atividade patentária, o predomínio dos modelos de utilidade (consi-
derados patentes com menor conteúdo tecnológico) e de indivíduos como titulares
(representa uma fragilidade do sistema de inovação, o que revela uma limitada capa-
cidade de criar e sustentar um ambiente mais propício a geração de novas tecnologias
e da inovação), considerando o extenso período apurado.
Foi constatada uma pequena diversidade de setores com atividade patentária. Para a
Região Noroeste observa-se apenas um pedido de patente originado pelo setor de
peças e acessórios para o sistema de freios, enquanto para a Região Norte vale res-
saltar o setor de edificações. De modo geral, estes dados evidenciam uma descone-
xão entre as atividades tecnológicas e as especializações produtivas atuais dessas
Regiões.
Desse modo, a formação de pesquisadores para atuarem nas áreas identificadas co-
mo áreas regionais diferenciadas e oportunidades da atividade produtiva regional e a
criação de centros de pesquisa e pós-graduação, juntamente com a promoção da inte-
ração universidade / centros de pesquisa / empresas, torna-se imperativa para a cons-
tituição e o desenvolvimento do sistema de inovação regional.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 171


Metas
• Acompanhar os melhores padrões nacionais na formação e fixação de pesquisa-
dores e profissionais voltados para a investigação nas áreas de atividades dife-
renciais da Região assim como nas oportunidades que se lhe apresentam;
• Promover a interação entre universidades / institutos e unidades de pesquisas e
empresas constituindo a rede regional de inovação;
• Constituir e consolidar pelo menos 10 centros ou unidades equivalentes de pes-
quisa e pós-graduação e gestão avançada, disseminados pelo espaço territorial
regional, direcionados e distribuídos cobrindo as engenharias e as agrociências e
a gestão de atividades produtivas e de negócios em mercados globais.

Objetivo 3: Disseminação do Conhecimento e da Tecnologia Geradas

A disseminação e aplicação do conhecimento e das tecnologias geradas completam o


processo dinâmico de aprendizagem por que passam as sociedades envolvidas, e
determinam a real capacidade de geração permanente de conhecimento e inovação
regional.
Dessa maneira, o desenvolvimento de um sistema eficiente de interação entre os di-
versos agentes envolvidos no processo de geração, produção, aplicação e transfor-
mação do conhecimento gerado, assume papel determinante para o sucesso desse
processo de desenvolvimento.
Atualmente, como visto na Análise Situacional, as bases para a geração do conheci-
mento são ainda bastante incipientes regionalmente. Contudo, a cultura e as estrutu-
ras institucionais para a transmissão do conhecimento gerado devem ser implantadas
desde já. Para tanto, foram identificadas as seguintes metas e estratégias.

Metas
• Formar as redes entre escolas técnicas, faculdades, universidades, incubadoras,
centros de pesquisa e empresas;
• Implantar um centro de tecnologia para cada APL regional em adição a outros
centros não vinculados;
• Aderir imediata e irrestritamente ao Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), com
resultados acima da média nacional;
• Prover 50% da população com acesso à banda larga mínima de 1MB até 2012;
• Crescer a uma taxa de pelo menos 10% ao ano no que se refere ao acesso à
banda larga;
• Atender a 100% da população com banda larga mínima de acordo com o PNBL
até 2020;
• Prover 50% da população com acesso à banda larga com, pelo menos, o dobro
da mínima determinada no PNBL, até 2035.

Estratégias
• Definição das áreas a serem desenvolvidas conforme vocação e oportunidades
regionais;
172 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
• Implantação e direcionamento de cursos técnicos e universitários para as áreas
de desenvolvimento escolhidas;
• Implantação de centros de pesquisa e desenvolvimento voltados para as áreas
escolhidas;
• Criação de centros de transferência tecnológica (facilitar o processo de transfe-
rência de tecnologia para pequenas e médias empresas);
• Centros de incubação em número suficiente para fazer a ponte entre universida-
des e empresas;
• Criação de agência de fomento a inovação tecnológica junto às universidades
(transferência, pesquisas de produção, captação de recursos);
• Apoio à ampliação das universidades e ofertas de cursos superiores e técnicos
(especialmente no Noroeste), aumentando as possibilidades de qualificação da
população, a partir de estudos das demandas não atendidas dos mercados regi-
onais;
• Implantação do Consórcio intermunicipal/interregional de Educação Superior,
consolidando entre outras ações, o Programa Auxílio Universitário com a distribu-
ição de bolsas de estudo para a graduação superior em faculdades e universida-
des regionais, e linhas de transporte interregional, facilitando as condições de es-
tudo de alunos, principalmente daqueles residentes em municípios desprovidos
de instituições de Ensino Superior;
• Parcerias público/privado empresas para implantação de Centros de Pesquisas
em diferentes áreas do conhecimento, voltadas principalmente para os investi-
mentos tecnológicos, o desenvolvimento da tecnologia social e o reconhecimento
do contexto Regional;
• Convênios entre poder público /universidades para qualificação profissional, a-
poio às incubadoras e fomento à empresas jovens;
• Desenvolvimento / investimento em tecnologia social que compreende produtos,
técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comu-
nidade e que representem efetivas soluções de transformação social;
• Realização de pesquisas voltadas para a compreensão de inúmeras questões
regionais, especialmente do Noroeste Fluminense;
• Mapeamento das principais demandas do mercado produtivo em termos de ca-
pacitação, bem como as principais ofertas de capacitação já existentes, para a-
dequação demanda-oferta de profissionalização;
• Implementação de uma cultura empreendedora desde a Educação Básica até o
Ensino Superior e também para os empresários e dirigentes públicos e demais
integrantes da liderança regional;
• Formação de convênios e redes entre as instituições de ensino e pesquisa tecno-
lógicas com o setor empresarial/industrial e o poder público;
• Convênios poder público /universidades para qualificação profissional e efetiva-
ção de pesquisas e trabalhos junto às Administrações Municipais.
• Concessão de bolsas de estudo, para o ensino técnico e superior, para os estra-
tos sociais que não tem capacidade de pagamento, condicionados a uma classi-
ficação de mérito com mecanismos de investimento e/ou financiamento para os
alunos dependendo de sua renda familiar, condicionados ao desempenho esco-
lar.
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 173
Vetor: Ajustamento Estrutural da Atividade Agropecuária
Este vetor tem como objetivo principal a promoção do desenvolvimento do setor agro-
pecuário, da silvicultura e da atividade pesqueira, com ênfase na inclusão competitiva
do pequeno produtor rural e na consolidação destas atividades como vocações regio-
nais capazes de gerar trabalho e renda para a população local.
De uma maneira geral, a atividade agropecuária e a agroindústria nas Regiões Norte e
Noroeste Fluminense são atividades produtivas caracterizadas pelo predomínio de
pequenas propriedade e pequenos estabelecimentos, onde se desenvolvem atividades
ainda bastante artesanais, em sua maioria de caráter informal e que utilizam a mão-
de-obra familiar.
Obtêm baixos rendimentos, são ainda pouco profissionalizadas e bastante instáveis.
São pouco competitivas no mercado e os principais problemas enfrentados relacio-
nam-se a: tamanho, baixa capacidade gerencial, assistência técnica insuficiente, difi-
culdades de acesso ao crédito, comercialização e localização – especialmente as a-
groindústrias rurais. O problema da localização reflete-se, essencialmente, na restrição
ao tipo e quantidade de produto comercializado e ao difícil acesso à informação, finan-
ciamento e apoio institucional.
O fraco desempenho do setor associado às melhores condições de trabalho e infra-
estrutura social nas cidades têm incentivado o êxodo rural, principalmente dos mais
jovens.
Sob pena de se excluir cada vez mais produtores da atividade agropecuária, faz-se
necessário a implantação de um programa de ajustamento estrutural da atividade a-
gropecuária, que incorpore a adoção de novas tecnologias ao processo produtivo.
Na era da informação, da tecnologia e do conhecimento torna-se imperativo a adoção
de práticas de cultivo, administrativas e gerenciais compatíveis com as exigências do
mercado, avançadas tecnologicamente e capazes de aumentar a produtividade, redu-
zir os custos e elevar a competitividade dos estabelecimentos rurais.
Associada a esta política de mudança estrutural, deve-se considerar um programa de
agregação de valor à produção, com o desenvolvimento da atividade agroindustrial
(verticalização). E também a criação de um programa de comercialização da produção
(na modalidade do Programa de Aquisição de Alimentos, PAA, plataformas móveis
tipo das usadas nos CEASAs, ou equivalente), visto que este tem se revelado como
um dos principais desafios para o pequeno produtor rural.
E por fim, como a Análise Situacional mostrou que ambas as Regiões são caracteriza-
das pelo predomínio dos pequenos estabelecimentos rurais, o que torna necessário a
adoção do associativismo e do cooperativismo como aparato institucional capaz de
introduzir as mudanças estruturais necessárias para garantir o crescimento e desen-
volvimento das atividades produtivas de pequeno e médio porte com estabilidade e
sustentabilidade. Além das vantagens da economia de escala para compra de insu-
mos e comercialização do produto final, as associações e cooperativas devem ser
capazes de promover capacitação, profissionalização e integração produtiva de seus
associados e cooperados, viabilizar novos sistemas de comercialização, acesso a no-
vos mercados e incentivar o aprimoramento e diferenciação constante dos produtos,
através da implantação de um rígido sistema de certificação de origem.
Com vistas a melhor suportar o processo de planejamento do desenvolvimento susten-
tável do setor agropecuário das regiões Norte e Noroeste Fluminenses, foi realizada
na etapa da análise uma avaliação macro ambiental, na qual se enumeram as oportu-
nidades, ameaças, fortalezas e fraquezas do setor as quais foram consideradas para
fins da formulação estratégica da economia regional
174 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Assim sendo, são propostos os seguintes objetivos, metas e estratégias para que se
construa um caminho do Norte–Noroeste para o desenvolvimento sustentável integra-
do regional.

Objetivos e Metas
Objetivos Metas
Adoção de práticas de produção • Proprietários e trabalhadores rurais capacitados para
tecnicamente compatíveis com as atuarem de forma competitiva tanto no processo pro-
exigências do mercado. dutivo, como no gerenciamento de suas atividades;
• Patrulha rural disponível para todos os produtores
rurais;
• Tanques de resfriamento do leite em número e quanti-
dade suficiente para atender aos produtores locais;
• 100% dos produtores rurais com acesso à crédito e
financiamento;
• Assistência técnica e extensão rural para todas as
propriedades rurais.
Desenvolvimento, fortalecimento e • Implantar centros de pesquisa para atender às cadeias
consolidação das cadeias produti- produtivas do café, arroz, cana-de-açúcar, fruticultura,
vas reveladas como vocação regi- agricultura orgânica, bovinocultura leiteira, silvicultura
onal. e pesca fluvial e marítima;
• Aumentar a produtividade dos produtos das cadeias
produtivas selecionadas para níveis acima da média
nacional até 2020 e para níveis de referência nacional
até 2035.
• Implantar, no mínimo, uma unidade de processamen-
to e agregação de valor para cada cadeia produtiva
selecionada, com exceção da agricultura orgânica.
• Reaproveitar com florestas comerciais plantadas, di-
versificadas com pelo menos três diferentes espécies
direcionadas para viabilizar três diferentes cadeias
produtivas, pelo menos 50% do total de terras impro-
dutivas ou devolutas de acordo com o zoneamento
econômico-ecológico (CIDE), até 2025 e 70% até
2035, reservando pelo menos 25% dos montantes adi-
cionalmente para a recomposição florestal nativa e a
formação de corredores.
Sistema de comercialização da • Pelo menos uma central de comercialização da produ-
produção que atenda as necessi- ção agropecuária e agroindustrial local em cada muni-
dades do pequeno produtor rural e cípio ou consórcio de municípios;
da expansão das cadeias produti- • Pelo menos duas plataformas de comercialização e
vas regionais distribuição da produção regional com vistas ao mer-
cado interno e externo;
• Adesão de todos os municípios ao Programa de Aqui-
sição de Alimentos (PAA) do Governo Federal.

Objetivo 1 - Adoção de Práticas de Produção Tecnicamente Compatíveis com as


Exigências do Mercado
Como revelou a Análise Situacional, a prática da atividade agropecuária nas Regiões
Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, apesar de ser uma vocação produtiva,
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 175
tradicional e disseminada pelo espaço regional, ainda se utiliza técnicas bastante arte-
sanais e pouco competitivas no mercado. Este fato está contribuindo para a perda de
importância que o Setor vem apresentando na geração da riqueza, do emprego e da
renda do trabalho nas Regiões em análise.
As variáveis apresentadas na Tabela a seguir foram selecionadas como proxys para
medir, ainda que de maneira “ilustrativa”, a situação atual destas Regiões em relação
à capacidade competitiva destas no mercado, tendo como “guia” de análise, a capaci-
dade gerencial, mecanização da produção, financiamento e assistência técnica.
Como pode se observar, em 2006, aproximadamente 50% dos dirigentes dos estabe-
lecimentos rurais possuíam ensino fundamental incompleto, 6,08% - Noroeste e 8,41%
- Norte, não sabiam ler e escrever e menos de 1% possuíam curso superior em área
relacionada à atividade agropecuária.
Estes dados sinalizam para uma baixa capacidade de administração e gerenciamento
dos estabelecimentos agropecuários, por parte de seus dirigentes.
Já, em relação ao processo produtivo e à mecanização da produção, nota-se que esta
é pouco utilizada nos estabelecimentos rurais.
Como pode se observar, apenas 5,29% e 6,81% dos estabelecimentos possuíam tra-
tor nas Regiões Noroeste e Norte, respectivamente.
Quando se considera a existência de tanques de resfriamento de leite nos estabeleci-
mentos dedicados à pecuária, as estatísticas são ainda piores, apenas 4,84% e 1,78%
possuíam tanques no Noroeste e Norte Fluminenses, respectivamente.

Tabela 17 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Indicadores das Condições de Capacita-


ção, Tecnologia, Financiamento e Assistência Técnica da Atividade Agropecuária, 2006

Variável Noroeste Norte

Possuíam ensino fundamen- 47,57% dos dirigentes dos 48,84% dos dirigentes dos
tal incompleto estabelecimentos rurais estabelecimentos rurais

Não sabiam ler e escrever 6,08% dos dirigentes dos 8,41% dos dirigentes dos
estabelecimentos rurais estabelecimentos rurais

Possuíam curso superior em 0,66% dos dirigentes dos 0,36% dos dirigentes dos
área relacionada estabelecimentos rurais estabelecimentos rurais

Possuíam trator 5,29% dos estabelecimentos 6,81% dos estabelecimentos


rurais rurais

Possuíam tanque de resfria- 4,84% dos estabelecimentos 1,78% dos estabelecimentos


mento de leite rurais dedicados à prática da rurais dedicados à prática da
pecuária pecuária
Receberam financiamento 9,86% dos estabelecimentos 3,81% dos estabelecimentos
rurais rurais

Receberam assistência técni- 35% dos estabelecimentos 20,75% dos estabelecimen-


ca rurais tos rurais
Fonte: IBGE – Censo Agropecuário, 2006
A falta de capitalização dos produtores e as dificuldades de acesso ao crédito e de se
conseguir financiamento para a modernização do processo produtivo são apontadas
como as principais causas desta “estagnação tecnológica”.

176 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Em 2006, apenas 9,86% dos estabelecimentos rurais receberam financiamento no
Noroeste e apenas 3,81% no Norte.
No entanto, cabe destacar que, conforme descrito na Análise Situacional, a grande
maioria dos produtores declarou não precisar de financiamento. Este fato pode ser
uma constatação de que os produtores ainda se encontram bastante resistentes à
adoção de técnicas de produção mais modernas, sinalizando para a necessidade de
desenvolvimento de um programa de conscientização e mudança cultural, sob pena
de serem excluídos do mercado.
Outro fator importante que de certa forma explica a resistência dos produtores à ado-
ção de novas técnicas de produção, é a insuficiência da assistência técnica que rece-
beram.
Em 2006, apenas 35% dos estabelecimentos do Noroeste e 20,75% dos estabeleci-
mentos do Norte receberam algum tipo de assistência técnica. De fato, a falta de in-
formação, de conhecimento e de orientação inviabiliza o avanço e o desenvolvimento
de qualquer atividade produtiva.
Com base nestes indicadores, propõem-se as seguintes metas, a serem alcançadas
no horizonte de 2035.

Metas

• Desenvolver a capacitação dos proprietários e trabalhadores rurais para atuarem


de forma profissional e competitiva tanto no processo produtivo, como no geren-
ciamento de suas atividades:

• Capacitar tecnicamente para o processo de produção, pelo menos uma pessoa


atuando em cada estabelecimento rural, direta ou indiretamente (consultor, por
exemplo) com curso técnico ou superior em área relacionada à (s) atividade (s)
praticada (s) neste estabelecimento.

• Capacitar tecnicamente para gerenciamento do estabelecimento rural, pelo me-


nos uma pessoa atuando em cada estabelecimento rural, direta ou indiretamente
(consultor, por exemplo) com curso técnico ou superior em administração ou á-
reas afins.

• Constituir patrulhas rurais, estrategicamente localizadas e estruturadas, implan-


tadas e administradas pelas Municipalidades e parceiros, disponibilizando-as pa-
ra todos os produtores rurais de cada município ou micro/meso regiões do Norte-
Noroeste Fluminense.

• Promover a multiplicação da instalação de tanques de resfriamento do leite em


número e quantidade suficiente para atender aos produtores locais, em atendi-
mento ao que dispõe a regulamentação pertinente.

• Promover a expansão da assistência técnica e extensão rural para pelo menos


90% das propriedades rurais da Região

• 100% dos produtores rurais com acesso ao crédito e ao financiamento em condi-


ções acessíveis e que viabilizem os programas de modernização e consolidação
produtiva.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 177


Tabela 18 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Indicadores e Metas para as Condições
de Capacitação, Tecnologia, Financiamento e Assistência Técnica da Atividade
Agropecuária, 2006 -2035

Variável Noroeste 2006 Norte 2006 Meta 2035


Possuíam ensino 47,57% dos dirigentes 48,84% dos dirigentes Pelo menos uma
fundamental incom- dos estabelecimentos dos estabelecimentos pessoa atuando
pleto rurais. rurais. em cada estabe-
lecimento rural,
Não sabiam ler e 6,08% dos dirigentes 8,41% dos dirigentes
direta ou indire-
escrever dos estabelecimentos dos estabelecimentos tamente (consul-
rurais. rurais tor, por exemplo)
Possuíam curso su- 0,66% dos dirigentes 0,36% dos dirigentes com curso técni-
perior em área rela- dos estabelecimentos dos estabelecimentos co ou superior
cionada rurais. rurais. nas áreas rela-
cionadas.
Possuíam trator 5,29% dos estabeleci- 6,81% dos estabeleci- Patrulha rural
mentos rurais. mentos rurais. disponível para
todos os produto-
res rurais.
Possuíam tanque de 4,84% dos estabeleci- 1,78% dos estabeleci- Tanques de res-
resfriamento de leite mentos rurais dedica- mentos rurais dedica- friamento do leite
dos à prática da pecuá- dos à prática da pecuá- em número e
ria. ria. quantidade sufi-
ciente para aten-
der aos produto-
res locais.
Receberam financia- 9,86% dos estabeleci- 3,81% dos estabeleci- 100% dos produ-
mento mentos rurais. mentos rurais. tores rurais com
acesso à crédito
e financiamento.
Receberam assistên- 35% dos estabeleci- 20,75% dos estabele- Assistência técni-
cia técnica mentos rurais. cimentos rurais. ca e extensão
rural para todas
as propriedades
rurais.

Objetivo 2: Desenvolvimento, Fortalecimento e Consolidação das Cadeias Pro-


dutivas Agropecuárias Reveladas como Vocação e Potencialidades Regionais
A Análise Situacional revelou que a prática da atividade agropecuária é bastante di-
versificada e disseminada pelo território regional, no entanto, pouco produtiva e com-
petitiva no mercado. Revelando assim a necessidade da adoção de práticas produti-
vas que promovam o aumento da produtividade, com redução de custos e elevação da
rentabilidade das culturas praticadas.
Esse objetivo tem como principal meta, o aumento da produtividade da atividade agro-
pecuária e o desenvolvimento da agroindústria, com vistas à agregação de valor à
produção.
Diante da relativa diversidade de culturas, este planejamento optou por selecionar al-
gumas cadeias produtivas como foco das ações de desenvolvimento, tendo como
principais critérios de seleção: as potencialidades regionais, a tradição no cultivo e a
disseminação pelo território regional.

178 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Dessa maneira foram selecionadas as cadeias produtivas do café, do arroz, da cana-
de-açúcar, da fruticultura, da agricultura orgânica, da pecuária leiteira, da silvicultura,
da olericultura, do coco, do tomate e da pesca fluvial e marítima.
A cultura do café se destaca na Região Noroeste Fluminense, onde é cultivado, princi-
palmente, na atualidade, nos municípios localizados na parte mais alta da Região e
constitui-se numa das principais fontes de trabalho e renda para a população local.
Com expansão de aproximadamente de 113% da área plantada entre os anos de 1995
e 2008, a quantidade produzida cresceu 95%, simultaneamente com uma queda da
produtividade de 1,2 t/ha para 1,1 t/ha, enquanto a brasileira foi de 1,2 t/ha. O café é o
produto que mais contribui com a geração de riqueza (PIB) nos municípios onde é
produzido na Região Noroeste. No entanto, parte da produção é escoada via Minas
Gerais e Espírito Santo, não entrando nos cômputos das estatísticas locais. Destaca-
se a produção dos municípios de Varre-Sai e Porciúncula, seguidos por Bom Jesus de
Itabapoana, e em menor escala Itaperuna, Natividade, Cambuci, Laje do Muriaé e Mi-
racema.
Já na Região Norte Fluminense, a lavoura de café, foi apontada por MANZATTO
(2003), como a menos produtiva do Estado do Rio de Janeiro. Entre 1995 e 2008, a
área plantada de café passou de 273 ha para 97 ha, enquanto a quantidade produzida
reduziu de 221 toneladas para 70 toneladas. Neste período a produtividade da lavoura
de café passou de 0,81 t/ha para 0,72 t/ha. Os principais produtores de café no Norte
Fluminense são Campos dos Goytacases e São Fidélis.
Tabela 19 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Quantidade Produzida, Área Plantada, e
Produtividade da Lavoura de Café, 1995 e 2008

Café (em grão)


Região Área Plantada (ha) Quantidade Produzida (t.) Produtividade (t/ha)
1995 2008 1995 2008 1995 2008
Noroeste Fluminense 4.759 10.162 5.869 11.514 1,20 1,10
Norte Fluminense 273 97 221 70 0,81 0,72

Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal, 1995 e 2008


De acordo com o Censo Agropecuário de 2006, apenas 6 produtores no Norte e 3 no
Noroeste, informaram fazer algum tipo de beneficiamento (torrar e moer) no café para
comercializá-lo. A grande maioria da produção é comercializada sem qualquer tipo de
beneficiamento.
O cultivo do arroz, no Noroeste, é um dos destaques da produção agrícola regional, no
entanto, apresentou queda expressiva da área plantada (passou de 7.733 ha em 1995
para 1.827 ha em 2008) e da quantidade produzida (23.906 toneladas, em 1995, para
6.420 toneladas, em 2008). Em 2008, a produtividade do arroz em casca foi de 3,5
t/ha, enquanto a brasileira foi de 4,2 t/ha. O arroz é cultivado na Região em pequenas
áreas de várzea, e apesar de ter uma produtividade razoável, perdeu competitividade
devido à falta de mecanização e a utilização de máquinas de beneficiamento ainda
arcaicas. Cultivado em todos os municípios da região, em alguns deles, como Mirace-
ma, há tentativas de implantação de programas de melhoria da mecanização e benefi-
ciamento da produção.
No Norte, apesar da tradição no cultivo, a lavoura de arroz apresentou queda conside-
rável na área plantada e também na quantidade produzida. Entre 1995 e 2008, a área
plantada reduziu de 3.090 ha para 392 ha, e quantidade produzida caiu de 9.789 tone-
ladas pra 1.296 toneladas. Já a produtividade aumentou de 3,17 t/ha para 3,31 t/ha.
Em 2008, o arroz foi produzido em Macaé (210 ha), Campos dos Goytacazes (92 ha),
Cardoso Moreira (70 ha) e São Fidélis (20 ha).
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 179
Tabela 20 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Quantidade Produzida, Área Plantada, e
Produtividade da Lavoura de Arroz, 1995 e 2008

Arroz (em casca)


Região Área Plantada (ha) Quantidade Produzida (t) Produtividade
1995 2008 1995 2008 1995 2008
Noroeste Fluminense 7.733 1.827 23.906 6.420 3,1 3,5
Norte Fluminense 3.090 392 9.789 1.296 3,17 3,31
Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal, 1995 e 2008
De acordo com o Censo Agropecuário de 2006, apenas 5 produtores no Norte e 3 no
Noroeste, informaram fazer algum tipo de beneficiamento (arroz em grão) no arroz
para comercializá-lo. A grande maioria da produção é comercializada sem qualquer
tipo de beneficiamento.
A cana-de-açúcar é a cultura de maior importância econômica no Estado do Rio de
Janeiro, quando considerados a área plantada e a quantidade produzida. De acordo
com os dados do IBGE - Produção Agrícola Municipal, em 2008, foram plantados
137.407 ha, com uma produção de 6.582.623 t., no Estado. Deste total, a região Norte
foi responsável pela plantação de 121.105 ha (88,14% do total estadual) e pela produ-
ção de 5.826.365 t. (88,51% do total estadual). E dentro da Região Norte, o Município
de Campos dos Goytacazes respondeu por aproximadamente 60% da área plantada e
da quantidade produzida de cana-de-açúcar.
No Noroeste, a lavoura de cana-de-açúcar ocupou uma área plantada de 5.040 ha
(3.67% do total estadual) e produziu, em 2008, 315.850 t. (4,8% do total estadual).
Com exceção de São José do Ubá, os demais municípios da Região cultivam a cana-
de-açúcar.
De acordo com a Análise Situacional, o setor canavieiro, tradicional na Região, vem
perdendo dinamismo desde a década de 1980, processo este que foi intensificado na
década de 1990. A baixa produtividade da lavoura, dentre outros fatores, tem sido a-
pontada como a principal causa da perda deste dinamismo e da baixa competitividade
da produção regional diante de outras regiões produtoras. De acordo com VEIGA
(2006), a agroindústria da cana-de-açúcar do Estado do Rio de Janeiro apresenta ní-
veis de produtividade muito aquém dos obtidos nos Estados de São Paulo e do Para-
ná, por exemplo. Segundo o autor, nestes estados obtém-se 71,24% a mais de açúcar
por hectare que no Rio de Janeiro.
A prática da fruticultura irrigada foi identificada como uma potencialidade das Regiões
Norte e Noroeste Fluminense por um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas, en-
comendado pelo Sistema FIRJAN, em parceria com o SEBRAE-RJ, em 1997.
Desde então foi criado o Pólo de Fruticultura Irrigada nestas Regiões, com o incentivo
do Projeto Frutificar de iniciativa do Governo do Estado, da FIRJAN e do SEBRAE-RJ.
Além de financiamento para investimento e custeio de lavouras com fruticultura irriga-
da, o projeto também fornece orientação técnica através de técnicos do programa, da
EMATER-RJ, das prefeituras conveniadas e também de empresas de pesquisa e uni-
versidades.
Com relativa diversificação, as principais frutas cultivadas são: abacaxi, coco, goiaba,
manga e maracujá. Atualmente, o mercado tem sido considerado o principal desafio
para o desenvolvimento deste Pólo, dado que a tecnologia de produção é relativamen-
te bem conhecida.
A agricultura orgânica, ainda pouco praticada nas Regiões Norte e Noroeste, vem se
revelando como uma oportunidade a ser considerada. A crescente demanda por estes
180 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
produtos e a maior necessidade de mão-de-obra no processo produtivo constituem
uma alternativa potencial de geração de renda e fixação da população no campo.
A pecuária é a atividade mais disseminada entre os municípios das regiões Noroeste
e Norte Fluminense. Em 2006, de acordo com os dados censitários, foi praticada em
aproximadamente 65% dos estabelecimentos agropecuários do Noroeste e 54,33% do
Norte e ocupou cerca de 80% da área correspondente no Noroeste e 62% no Norte.
Em ambas as Regiões, a prática da pecuária bovina predomina entre as demais. São
praticadas a pecuária leiteira e de corte, ambas consideradas pouco produtivas. Pre-
valece a pecuária leiteira, com baixa produtividade (1/4 das médias de referência) pra-
ticada pelos pequenos produtores familiares. O leite produzido é vendido para laticí-
nios e cooperativas
A bovinocultura leiteira, assim como a grande maioria das culturas praticadas nas Re-
giões Norte e Noroeste Fluminense, é uma atividade bastante tradicional, o que tem
dificultado a sua modernização, visto que o tradicionalismo se reflete na forma de pro-
duzir e revela certa resistência na utilização de técnicas modernas. Além deste tradi-
cionalismo, em geral, a baixa capitalização dos produtores constitui a maior barreira à
adoção das inovações necessárias ao aumento da qualidade e da escala de produção.
O reflexo maior deste padrão de produção é a baixa produtividade do rebanho e a
perda de competitividade do pequeno produtor rural.
A maior parte do leite produzido na Região é vendida para as cooperativas e para
grandes empresas de laticínios, e apenas uma pequena parcela da produção se desti-
nada à agroindústria local. As cooperativas têm um papel destacado na comercializa-
ção do leite, muitas vezes funcionando como intermediárias entre o pequeno produtor
e as grandes empresas de laticínios. Neste sentido, podem ser consideradas como
importantes atores na condução do processo de fortalecimento e de melhoria do de-
sempenho do setor na Região. Especialmente, se além da comercialização, passarem
a internalizar os vários elos da cadeia produtiva do leite, agregando valor à produção e
assim tornando a atividade e os produtores menos vulneráveis às constantes oscila-
ções de preço e às novas tendências observadas no mercado.
Diante de tais problemas, regionalmente, as cooperativas, de um lado, e as grandes
indústrias de laticínios, de outro, são os agentes primordiais da transformação do se-
tor. Assumir este papel significa que a busca de soluções coletivas deve se sobrepor
às de cunho individual. Mas para que isto ocorra é necessário que sejam criados me-
canismos de coordenação, regulação e de financiamento capazes de permitir a socia-
lização dos riscos e custos envolvidos na transformação e que incluam explicitamente
um compromisso das grandes empresas de laticínio que captam leite na Região.
A silvicultura é ainda pouco praticada no Norte e Noroeste Fluminense, embora consi-
derada como uma potencialidade regional. Trata-se de uma iniciativa que associa a
recomposição da cobertura vegetal com aspectos comerciais, assumindo-se que sem-
pre haverá uma parcela destinada à recuperação gradual da Mata Atlântica. A floresta
plantada comercial, desde que múltipla em variedade, com escalas para atender às
cadeias produtivas, em segmentos que se mostram atraentes para o mercado, repre-
senta uma opção importante para o desenvolvimento do agronegócio, desde que utili-
ze terras devolutas ou que não se prestem para atividades mais nobres, mediante uma
regulação que internalize parcela desta floresta para a sustentabilidade local (há al-
gumas possibilidades interessantes).
De acordo com estudo sobre a silvicultura no Estado do Rio de Janeiro, publicado pela
FIRJAN em dezembro de 2009, foi realizada uma pesquisa pelo Departamento de Sil-
vicultura do Instituto de Florestas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
(UFRRJ) intitulado “Estimativa da Área Ocupada por Reflorestamentos no Estado do
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 181
Rio de Janeiro”, onde foram identificados 63 polígonos, com área total de 525 hectares
na Região Noroeste Fluminense, decorrentes, em sua grande maioria, de contratos de
fomento com a empresa Aracruz Celulose (atual Fibria); e 54 polígonos, com área total
de 593 hectares na Região Norte Fluminense.
O estudo acima citado considera que estes plantios, ainda em pequena escala, têm
potencial de expansão pela grande disponibilidade de terras e interesse demonstrado
pelos produtores. Assim como nas demais partes do Estado, as regiões Noroeste e
Norte Fluminenses possuem diversas áreas passíveis de reflorestamento, inclusive
áreas originalmente ocupadas pela Mata Atlântica. A concretização desse potencial
depende fundamentalmente da presença de empresas âncora que realizem contratos
de fomento florestal, contribuindo com tecnologia, assistência técnica e outros recur-
sos. (FIRJAN, 2009)
Entre os fatores limitadores ao reflorestamento e à recuperação de áreas degradadas
estão os custos do projeto, a falta de estrutura suficiente de órgãos de fiscalização,
além de empecilhos ligados à legislação ambiental e a pressão de produtores e em-
presários.
E por fim a pesca fluvial praticada, principalmente, no Noroeste (especialmente nas
Ilhas Fluviais do Curso Médio Inferior do Rio Paraíba do Sul) e a pesca marítima, pra-
ticada no Norte Fluminense. Apesar de disseminadas e de constituírem uma importan-
te fonte de renda para os pescadores, é ainda praticada de forma artesanal e descon-
trolada. São caracterizadas por baixos índices de produtividade pesqueira, pela explo-
ração excessiva de determinadas espécies de valor comercial, pela extinção de espé-
cies e pela degradação ambiental.

Metas
• Implantar programas de modernização das cadeias produtivas com o suporte de
centros de pesquisa regionais para atender às cadeias produtivas do café, arroz,
cana-de-açúcar, fruticultura, agricultura orgânica, bovinocultura leiteira, silvicultu-
ra e pesca fluvial e marítima;
• Aumentar a produtividade dos produtos das cadeias produtivas selecionadas
para níveis acima da média nacional até 2020 e para níveis de referência nacio-
nal até 2035.
• Implantar, no mínimo, uma unidade de processamento e agregação de valor para
cada cadeia produtiva selecionada, exceção da agricultura orgânica que deve es-
tar disseminada em todo o território.
• Implantar projeto de florestas plantadas comerciais para pelo menos três cadeias
produtivas de grande extensão abrangendo as áreas identificadas como indica-
das ao reaproveitamento comercial, mantendo a biodiversidade e a preservação
e resgate da mata original com a constituição de conectividades no horizonte
2025, usando dos mecanismos de desenvolvimento limpo, ou créditos de carbo-
no, como integrante da viabilidade econômico-financeira e ambiental. Para 2035,
estas atividades adquirem os níveis de maturidade e expansão projetados de
maior agregação de valor de suas cadeias incluindo potenciais diversificações
mais elaboradas.

Objetivo 3: Sistema de Comercialização da Produção que Atenda as Necessida-


des do Pequeno Produtor Rural e a Expansão das Cadeias Produtivas Regionais

182 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


A comercialização da produção tem se revelado como um dos principais gargalos para
o desenvolvimento da agricultura familiar e dos pequenos estabelecimentos rurais. O
estabelecimento de um processo de comercialização eficiente tem sido considerado
por muitos analistas, como mais importante para a permanência do agricultor familiar
no mercado, do que a busca pela redução de custos.
O processo de comercialização dos produtos da agricultura familiar das Regiões Norte
e Noroeste Fluminense, acompanhando uma tendência nacional, apresenta falhas que
comprometem o desempenho da atividade.
Considerando que o conceito de comercialização incorpora, além da venda do produ-
to, o caminho a ser percorrido por este nas várias etapas do processo produtivo, pode-
se dizer que os gargalos da comercialização estão presentes em várias etapas desse
processo.
Inicialmente, a sazonalidade da produção agrícola (safra e entressafra) e a suscetibili-
dade às intempéries metereológicas e também biológicas tornam variável a oferta e
provocam uma grande oscilação de preços, deixando o pequeno produtor em uma
situação muito vulnerável em relação ao mercado.
Outro fator, é que o pequeno produtor sozinho tem baixo potencial de negociação,
pequena escala de produção, dificuldades de manter uma oferta regular, entre outros,
o que aumenta a sua vulnerabilidade, já que atua em um mercado bastante competiti-
vo, com consumidores exigentes e onde os preços são dados.
Os produtores de frutas, por exemplo, precisam garantir uma escala mínima de produ-
ção e manter a qualidade e regularidade da oferta para conquistar o consumidor. No
entanto, ainda que cumpram com estes requisitos, dependem de um sistema eficiente
de comercialização que faça com que a produção chegue ao consumidor final. De a-
cordo com informações locais, este tem sido um dos problemas enfrentados pelo Pólo
de Fruticultura. O produtor de frutas pode destinar sua produção para a agroindústria,
para o mercado de frutas de mesa e para a indústria de alimentos e bebidas. No caso
das Regiões Norte e Noroeste, a comercialização das frutas se divide entre dois mer-
cados: o das frutas frescas e o fornecimento para as agroindústrias, especialmente as
localizadas na Região Norte Fluminense. Atualmente, as agroindústrias têm sido os
principais compradores, apesar de limitarem o poder de negociação de preços pelos
pequenos produtores. Como trabalham com margens pequenas, estas agroindústrias
pagam preços relativamente menores que o mercado de frutas frescas.
A exemplo dos produtores de frutas, os demais produtores enfrentam os mesmos pro-
blemas e limitações quanto à sua atuação no mercado.
Uma vez mais, a constituição de instituições associativas e cooperativas, atribui viabi-
lidade e competitividade e escala aos produtores agrícolas e a potenciais verticaliza-
ções no agronegócio, uma condição essencial para despontarem e manterem posi-
ções nos mercados endógeno e exógenos. Devido à cultura individualista e algumas
experiência mal sucedidas de cooperativas, as resistências existem e requerem um
programa de esclarecimento e informação em relação às necessidades e aos benefí-
cios da atuação conjunta e os mecanismos de estabilização, regularização e garantias
a serem adotados para prevenir conjunturas e intervenções indesejadas, já conheci-
das e assimiladas.
Em paralelo, torna-se imperativo para o desenvolvimento do setor agropecuário regio-
nal, o estabelecimento de um sistema de comercialização que atenda às necessidades
do pequeno produtor rural e que garanta o desenvolvimento das cadeias produtivas
regionais.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 183


Metas
• Constituir pelo menos uma central de comercialização da produção agropecuária
e agroindustrial local em cada município;
• Implemantar pelo menos duas plataformas de comercialização e distribuição da
produção regional com vistas ao mercado interno e externo;
• Promover a adesão de todos os municípios ao Programa de Aquisição de Ali-
mentos (PAA) do Governo Federal.
Estratégias:
• Criação de um programa de modernização tecnológica e administrativa das pe-
quenas propriedades agrícolas.
• Implantação de centros de pesquisa multidisciplinar, disseminados pelo espaço
regional, para o desenvolvimento dos produtos agrícolas regionais;
• Criação de um programa de incentivo ao desenvolvimento do agronegócio em
pequenas propriedades;
• Implantação de programas de criação e qualificação de cooperativas agrícolas e
agropecuárias;
• Criação de programas regionalizados estimulando a cooperação entre pequenas
propriedades;
• Criação programas de estímulo e dinamização das exportações de produtos a-
grícolas;
• Implantação programas que dão acesso a alimentos aos mais pobres;
• Implantar programas de apoio à pesquisa pública e privada e à extensão rural;
• Dotação das regiões de infraestrutura física e social que suporte o desenvolvi-
mento da atividade rural no campo;
• Desenvolvimento e integração das associações e cooperativas de produtores
rurais;
• Implantação do mercado institucional (escolas, creches, abrigos) para a absor-
ção da produção dos agricultores familiares, nos moldes utilizados pelo Progra-
ma de Aquisição de Alimentos (PAA), executados pela CONAB e pelo MDS;
• Desenvolvimento e implantação do programa de melhoria da qualidade genética
dos rebanhos bovinos, particularmente na pecuária leiteira;
• Desenvolvimento e implantação dos programas de incentivo à adoção de práti-
cas de manejo mais avançadas tecnologicamente e em conformidade com as
normas da vigilância sanitária;
• Desenvolvimento dos processos de certificação e da diferenciação de produtos
típicos regionais pela atribuição de selos, associado ao tombamento cultural dos
produtos típicos e à rastreabilidade das cadeias mais significativas, visando uma
atuação diferenciada voltada para nichos de mercado;
• Implantação, na área cultural, os centros e programas de gastronomia e culinária
local apoiando e em conexão com a produção de alimentos regional, para atra-
ção de turistas e exportação, além de criar uma cadeia de trabalho e renda.
• Melhoria e expansão do acesso ao crédito agrícola através da orientação para
acesso a linhas de crédito;
184 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
• Incentivo à regularização fundiária documental através do incentivo e apoio para
a confecção de documentos pessoais e regularização dos títulos de posse das
propriedades familiares;
• Apoio aos grupos organizados / associações de produtores para a busca de so-
luções em conjunto através de cursos de capacitação;
• Apoio ao desenvolvimento da agricultura alternativa (orgânica, agroecológica,
hidropônica), através da divulgação de informações, capacitação, assistência
técnica e disponibilidade de crédito;
• Implantação de um programa de geração de trabalho e renda visando a ocupa-
ção da mão-de-obra jovem e feminina. Este programa deve priorizar a implanta-
ção de Centros de Produção Comunitária – CPC, incentivando o desenvolvimen-
to da agroindústria, do artesanato e de atividades produtivas que estejam em
consonância com as vocações locais e regionais. Devem se constituir em ofici-
nas onde, com o apoio das autoridades publicas locais e de outras instituições,
desenvolvam-se produtos de qualidade, competitivos e que sigam um padrão de
produção e gerenciamento, de forma a homogeneizar a capacidade técnica. De-
vem ser priorizados a coesão social e o compartilhamento de informações.
• Criação e/ou revitalização de mercados/feiras municipais e de feiras itinerantes,
intra e intermunicipais (aquisição de barracas padronizadas, criação de uma es-
tratégia de transporte das mercadorias, capacitação dos feirantes, padronização
de mercadorias e embalagens). Feiras como espaço de sociabilidade com apre-
sentações culturais, artesanato, produtos agrícolas e praça de alimentação;
• Implantação de ambiente de comercialização para os pequenos produtores, ob-
servadas as características de cada grupo de atividades homogêneas, por e-
xemplo, um mercado de atacado para os pequenos agricultores, uma plataforma
de comercialização permanente para os artesãos, pontos vendas associados aos
centros de produção comunitária, entre outros.
• Implantação de programa constante de manutenção e adequação das estradas
rurais, de forma a viabilizar o escoamento da produção rural. Importante destacar
que o desenvolvimento da agropecuária só se viabiliza se as estradas vicinais
apresentarem boas condições de utilização.
• Reativação da Escola de Formação Agrícola na Região Noroeste e sua integra-
ção com as instituições de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Região
Norte-Noroeste, e universidades e cursos profissionalizantes parceiros.

Vetor: Diversificação Econômica e Adensamento das Cadeias Produtivas


Este Vetor tem como principal objetivo, apoiar a implantação e expansão de micro e
pequenas empresas com vistas à diversificação da base produtiva regional, priorizan-
do os setores revelados como vocações e potencialidades regionais e incentivar o
desenvolvimento das cadeias produtivas locais.
A situação atual das Regiões Norte e Noroeste Fluminense são bem diferenciadas em
relação à estrutura produtiva e às possibilidades de crescimento e desenvolvimento.
De uma maneira geral, a estrutura produtiva e industrial do Noroeste Fluminense en-
contra-se bastante limitada. Apesar da relativa diversificação, caracteriza-se pelo pre-
domínio de pequenos estabelecimentos e pela baixa conexão com as cadeias produti-
vas do Estado, além de ter baixa participação na geração da riqueza regional.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 185


A Análise Situacional mostrou a necessidade de estabelecer um plano ou programa
diferenciado para o seu desenvolvimento. Neste sentido, é preciso destacar a neces-
sidade de formação de mão-de-obra especializada e dedicada à pesquisa. Em especi-
al, deve-se considerar o fomento em atividades científicas voltadas aos setores agríco-
la e de agronegócio, alimentos e relacionados. Tal desenvolvimento é importante na
medida em que permite agregar valor tanto aos processos produtivos relacionados a
esta cadeia, quanto aos produtos resultantes. Não obstante, é fundamental estruturar
a base científica na Região com características e em condições para a interação com
o setor produtivo e direcionada para ele.
Por tratar-se de uma estrutura econômica, em sua maioria, baseada em estabeleci-
mentos de porte pequeno e médio, deve-se considerar o incentivo à constituição de
APLs com forte governança, apoio de instituições de pesquisa e desenvolvimento,
para a provisão e transferência de tecnologia, buscando complementaridades dos pon-
tos de vista intra e inter-regional.
Os investimentos anunciados para o período 2010-2012 dão conta da expectativa de
crescimento acelerado para as regiões Norte e Leste do Estado. Desta forma, deve-se
buscar promover atividades que permitam à Região Noroeste se beneficiar com este
crescimento, oferecendo serviços e produtos de forma competitiva. Um efeito impor-
tante de ações deste tipo é evitar a migração de pessoal para as regiões de maior
crescimento a partir do aumento da renda e do emprego interno.
Faz-se necessário o fortalecimento da base industrial na Região. Desta forma, é preci-
so criar mecanismos, diretos ou indiretos, para atração de novos empreendimentos
industriais. Os investimentos na industrialização das cadeias já identificadas podem
ser a base para este movimento. Contudo, será necessário um esforço de planejamen-
to público para coordenar as ações e, principalmente, aportar recursos e apresentar os
incentivos necessários a atração dos empreendimentos.
Por outro lado, o Norte Fluminense apresenta uma estrutura produtiva fortemente es-
pecializada, com predomínio de estabelecimentos maiores. Além da previsão de um
crescimento acelerado no curto prazo, devido à implantação de grandes empreendi-
mentos em seu território. Destacam-se entre estes empreendimentos a expansão da
exploração de petróleo incluindo o pré-sal, a implantação do Complexo Industrial da
Barra do Furado, em Quissamã e Campos dos Goytacazes, e a implantação do Com-
plexo Industrial e Portuário do Açu, em São João da Barra.
Esta forte especialização da Região Norte Fluminense constitui, ao mesmo tempo,
uma grande vantagem, mas também uma perigosa ameaça em prazo mais longo. No
momento em que se descortina uma mudança estrutural na economia brasileira, que
visualiza nestes anos mais recentes a sua passagem de país importador de petróleo
para um potencial exportador, proprietário de uma das maiores reservas mundiais,
percebe-se também as oportunidades que se abrem para o crescimento da Região,
cuja especialização (historicamente verificada) encontra-se justamente no centro desta
mudança. Qualquer que seja o ritmo de exploração das novas grandes reservas de
petróleo inclusive e sobretudo o pré-sal, no curto prazo, isso refletirá em forte propul-
sor do crescimento do Norte Fluminense.
No entanto, é no médio e longo prazos que residem as ameaças ao desenvolvimento,
não apenas econômico-industrial, mas também humano da Região. Não obstante tal
preocupação, vale lembrar que as medidas para se contornar os possíveis fatores ad-
versos da abundância de recursos naturais (neste caso a maldição do petróleo é uma
possibilidade), requerem tempo para começar a apresentar resultados positivos (tal
como os investimentos em recursos humanos, educação, ciência, tecnologia e inova-

186 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


ção e em infraestrutura de logística e transporte, adensamento da cadeia produtiva
etc.) e, portanto, devem ser iniciadas o quanto antes, sob pena de reação tardia.
Para melhor suportar a escolha dos objetivos e metas para o desenvolvimento do se-
tor, foi realizada uma análise SWOT da estrutura produtiva das Regiões Noroeste e
Norte do Estado do Rio de Janeiro, separadamente, conforme descrita abaixo.
Região Noroeste
Fortalezas:
• Diversificação da base com indicativo de especialização em várias atividades
industriais revelando menor dependência de poucos setores;
• Especialização em agricultura e pecuária;
• Presença de Arranjos Produtivos Locais revelando capacidade de organização e
coordenação econômica;
Fraquezas:
• Vulnerabilidade da base industrial, com poucas especializações mais representa-
tivas do que para o Estado;
• Ausência de especialização relacionada à cadeia produtiva do petróleo e gás
representando baixa relação com uma base significativa da indústria fluminense;
• Base para a formação de pessoal de nível superior ainda incipiente;
• Infraestrutura insuficiente e pouco pessoal aplicado à pesquisa e inovação;
Oportunidades:
• Investimentos em energia, desenvolvimento urbano e alimentos;
• Dada a relativa diversificação, o próprio crescimento da economia tende a favo-
recer a Região;
Ameaças:
• Desconexão entre a estrutura industrial da Região e a do Estado, sem evidência
de complementaridades;
• Crescimento mais acelerado de outras regiões em função de maior volume de
investimentos gerando fuga de mão de obra e mais concentração de novos in-
vestimentos para outras regiões;
• Sistema de inovação ainda rudimentar, com inexpressiva produção tecnológica.

Região Norte
Oportunidades:
• Todo volume de investimentos derivados do pré-sal que podem levar à diversifi-
cação da indústria, internalização e adensamento da cadeia produtiva, desenvol-
vimento científico e tecnológico;
• Volume de empreendimentos previstos em energia, transporte (naval, em parti-
cular) e logística com igualdade de oportunidades em relação à cadeia do petró-
leo e gás, representada por sua internalização e adensamento;
• Desenvolvimento social a partir do projeto de desenvolvimento dos setores in-
dustriais que constituirão plataformas de alta complexidade na Região;
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 187
Ameaças:
• Aprofundamento da especialização produtiva na extração e produção de petróleo
e gás natural em função de:
 Ritmo inadequado de investimento e exploração do petróleo/pré-sal;
 Inadequação do marco regulatório para o petróleo/pré-sal retirando a capa-
cidade de planejamento e controle da União sobre os rumos do setor e os
recursos das Municipalidades efetivamente afetadas pelo processo de ex-
ploração produtiva;
• Insuficiência dos investimentos em logística e transporte, em quantidade e tem-
po, para atender ao crescimento da demanda da produção atual e em expansão;
• Crescimento lento da base científica, tecnológica e da formação de mão de obra
altamente especializada levando ao não atendimento da demanda crescente e
das oportunidades abertas;
• Possibilidade de sofrer da “maldição do petróleo, caso não encontre um caminho
coordenado para o desenvolvimento da sua estrutura produtiva”alternativa e de
substituição, de forma planejada e cadenciada;
Fortalezas:
• Estrutura produtiva (industrial) especializada em setores de crescimento mais
rápido;
• Especialização na cadeia de petróleo e gás, configurando vantagens para o novo
período de expansão do setor no Brasil;
• Predominância de unidades produtivas de grande porte, o que confere maiores
possibilidades de gerar encadeamentos por toda base produtiva;
Fraquezas:
• Base produtiva (industrial) com pouca diversificação;
• Infraestrutura científica e tecnológica não consegue transpor os seus limites e
assumir como depositária das bases de conhecimento e tecnologia do parque
produtivo regional;
• Concentração da especialização produtiva em parcela no centro da cadeia de
petróleo e gás, caracterizando lacunas importantes em elos anteriores e posterio-
res;

Objetivos e Metas
Objetivos Metas
Criação de um organismo – instituto ou comitê • Montagem de equipe multidisciplinar enxu-
ou fundação - dedicado à gestão e acompa- ta em 2010;
nhamento do planejamento do desenvolvi- • Montar a estrutura de governança em
mento sustentável da Região Norte-Noroeste 2010;
integrada.
• Ampliar a equipe para trabalhar já em
2011;
• Montagem de infraestrutura central e de
representações locais em 2010.

188 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


(continuação)
Objetivos Metas
Fortalecer a estrutura produtiva: Atração de • Manter uma taxa de investimentos, visan-
grandes e médias empresas de setores com do o fortalecimento das cadeias produtivas
forte encadeamento a jusante e a montante regionais, acima da média do Estado;
• Internalizar nas regiões a oferta de servi-
ços, de insumos e intermediários para es-
tes empreendimentos em pelo menos 80%
até 2035;
• Ter pelo menos 50% desta oferta de bens
e serviços intermediários proveniente de
micro e pequenas empresas;
• Aumentar a participação das micro, pe-
quenas e médias empresas na geração da
riqueza e do emprego regional;
• Atrair empresas com produção de alto
valor agregado.
Diversificar a estrutura produtiva Aumentar o conjunto de atividades produ-
tivas (bens e serviços) acima da diversida-
de estadual até 2035 (ou seja, a participa-
ção relativa de atividades com um percen-
tual significativo):
• APL de Rochas e Pedras Ornamentais
Norte-Noroeste Fluminense;
• APL de Cerâmica Norte Fluminense;
• APL de Confecções e Têxtil Noroeste
Fluminense;
• APL de Fruticultura Norte-Noroeste Flumi-
nense;
• Exploração Mineral: Calcário e Cimento
Norte-Noroeste Fluminense;
• APL Petróleo e Gás Norte e Noroeste
Fluminense;
• Desenvolvimento Setor Mínero-Metalúr-
gico-Metálico e Logístico Norte e Noroeste
Fluminense;
• Indústria Naval Norte-Noroeste Fluminen-
se;
• APL da Silvicultura e Indústria Derivada
Norte-Noroeste;
• Centros de Negócios em Campos dos
Goytacazes, Macaé e São João da Barra;
• APL da Cultura e Turismo Norte-Noroeste
Fluminense.

Objetivo 1- Criação de um Organismo Dedicado à Gestão do Desenvolvimento,


Acompanhamento do Planejamento, Implementação Produtiva da Região Norte-
Noroeste Integrada

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 189


Diante das diversidades dos processos e das oportunidades de crescimento pelos
quais vem passando a Região Norte- Noroeste Fluminense, considera-se que o princi-
pal objetivo, e o mais necessário e primordial neste momento, seja a criação de um
organismo na modalidade de instituto, comitê ou fundação pública para promover e
direcionar a implantação das estratégias específicas para cada objetivo e fazer a ges-
tão da sua execução e obtenção das metas preconizadas e pactuadas.
Trabalhar com o horizonte de 2035 é pensar no longo prazo. Desta forma, é preciso
existir este “agente” que faça a coordenação de todas as ações, que gerencie as me-
tas de curto e médio prazo e que faça a correção de caminhos e de estratégias sem-
pre que necessário. E será necessário. Por exemplo, até 2035 teremos cerca de seis
eleições presidenciais, incluindo a deste ano, igualmente teremos as estaduais e mu-
nicipais, e isso pode mudar quaisquer estratégias e metas preestabelecidas.
A implantação deste organismo deverá se basear na cooperação e na adoção de prá-
ticas de planejamento e gestão participativa do desenvolvimento regional, em parceria
com o setor produtivo, com as associações de classe e representativas da sociedade,
com o setor público e o terceiro setor, com as agências de fomento e “funding”, com os
representantes comunitários e a população, com a comunidade acadêmica e com os
centros de ciência e tecnologia locais, visando o fortalecimento da base econômica,
respeitando a regulação especializada da econômica até a ambiental e as diretrizes e
orientações políticas.
Dada a importância estratégica da implantação deste organismo neste momento de
grandes mudanças na estrutura produtiva regional, este objetivo deverá ser alcançado
no curtíssimo prazo. Dessa maneira, as metas foram estabelecidas para os anos de
2010 e 2011.
• Montagem de equipe multidisciplinar reduzida, elaboração da documentação
institucional e regulamentar, formalização de pactos e convênios em 2010;
• Montar a estrutura de governança em 2010;
• Montagem de infraestrutura central e de representações locais em fins de 2010;
• Iniciar os trabalhos da equipe em 2011.

Objetivo 2 - Atração de Grandes e Médias Empresas de Setores com Forte Enca-


deamento a Jusante e a Montante
O crescimento e desenvolvimento de uma Região, atrelado a sua base produtiva, de-
vem privilegiar o estabelecimento de complexos industriais caracterizados por fortes
elos na cadeia produtiva, em que o estabelecimento de grandes empresas no centro
desta cadeia possibilitaria o desenvolvimento de pequenas e médias empresas para
suprir os encadeamentos a jusante e a montante, localmente ou regionalmente. Dessa
maneira, aumentam-se as chances de internalização local dos efeitos de interdepen-
dência para frente e para trás, as chances de se reduzirem os vazamentos de renda
no fluxo de circulação de bens e serviços, de se criarem economias externas favorá-
veis à atração de outras atividades econômicas e de se obterem valores mais eleva-
dos para os multiplicadores regionais de emprego e de renda, principalmente quando
os produtos e serviços que compõem este complexo apresentam alta elasticidade ren-
da da demanda. Internalizam-se externalidades, receitas tributárias e intensifica-se a
multiplicação e aceleração da economia intra-Região.
A Análise Situacional revelou realidades econômicas distintas para o Noroeste e o
Norte Fluminense. O Noroeste apresentou relativa diversidade produtiva, com predo-
mínio de pequenas e médias empresas e pouca ligação com a base produtiva da Re-
190 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
gião Norte e do Estado do Rio de Janeiro como um todo. Já o Norte Fluminense apre-
sentou uma estrutura produtiva fortemente especializada, com predomínio de médias
e grandes empresas, no entanto com cadeias produtivas ainda fracas, que apresenta-
ram poucos encadeamentos.
Diante desta realidade, a atração de empresas maiores e com fortes possibilidades de
encadeamento a jusante e a montante, apresenta-se como um objetivo necessário
para o fortalecimento e consolidação da base produtiva regional. Além disso, faz-se
necessário a implantação de uma política de incentivo para a criação e o desenvolvi-
mento de micro e pequenas empresas ligadas a estes estabelecimentos maiores, para
que se fortaleça a cadeia produtiva localmente e para que os benefícios sejam interna-
lizados.
A definição de quais empresas e de quais setores devem ser atraídos está vinculada
às oportunidades reveladas pelo mercado. Atualmente o setor de petróleo e gás, a
indústria naval, o setor mínero-metálico-siderúrgico, energia, cimento e os serviços de
logística e intermediação de negócios e finanças, apresentam-se como as grandes
oportunidades da Região Norte Fluminense. A atração e o incentivo à implantação de
micro e pequenas empresas ligadas a estes setores constituem-se em uma importante
oportunidade de fortalecimento da estrutura produtiva e de internalização dos benefí-
cios proporcionados pelo desenvolvimento de tais setores regionalmente, tanto para o
Norte quanto para o Noroeste Fluminense.
Em uma outra perspectiva, existem nas duas Regiões vários setores que se revelaram
como vocações regionais, mas que ainda se encontram pouco desenvolvidos. Carac-
terizados pelo predomínio de pequenas empresas, ainda pouco capacitadas para a-
proveitar e desenvolver todo o potencial existente, estes setores carecem de empre-
sas maiores, ou empresas âncoras, ou de uma estrutura de governança mais estrutu-
rada e capacitada para alavancar o seu desenvolvimento. Destacam-se os segmentos
de rochas e pedras ornamentais nas Regiões Norte e Noroeste, cerâmica no Norte,
confecções e têxtil no Noroeste, fruticultura no Norte e Noroeste, metalurgia e fundi-
ção, e calcário no Noroeste, cultura e turismo no Norte e Noroeste .
Sendo assim, é preciso que à medida que apareçam, ou sejam criadas as oportunida-
des para atrair tais empresas, as condições para elas se implantarem e operarem
estejam disponíveis para que as oportunidades sejam capitalizadas sem quaisquer
perdas.

Metas
• Manter uma taxa de investimentos, visando o fortalecimento das cadeias produti-
vas regionais, acima da média do Estado, sempre tendo como patamar mínimo
11% da receita e uma poupança regional mínima de 15% do PIB;
• Internalizar nas Regiões a oferta de serviços, de insumos e intermediários para
estes empreendimentos em pelo menos 80% dos montantes totais consumidos,
até 2035;
• Estimular as inversões e reinversões privadas na Região mediante programa de
incentivos associados a oferta de condições diferenciadas diferenciadas, preve-
nindo-se quaisquer renúncias fiscais, doações e equivalentes, e sempre vincu-
lando as vantagens e benefícios a resultados e tempos que assegurem a susten-
tabilidade;
• Ter pelo menos 50% desta oferta de bens e serviços intermediários proveniente
de micro e pequenas empresas;

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 191


• Aumentar a participação das micro, pequenas e médias empresas na geração da
riqueza e do emprego regional;
• Atrair empresas com produção de alto valor agregado;
• Implantar todos os APLs, clusters ou cadeias produtivas da Região Norte-
Noroeste, no horizonte 2025, distribuindo as empresas e indústrias numa estrté-
gia de ocupação de todo o território, observada as otimzações e sinergias possí-
veis, introduzindo-se compensações quando necessário, mediante regulação es-
pecífica.

Objetivo 3 - Diversificar a Estrutura Produtiva


A diversificação da estrutura produtiva, certamente, representa a possibilidade e a
garantia da sustentabilidade do desenvolvimento regional de longo prazo. Constitui-se
numa forma eficiente de sustentabilidade econômica, pois confere às regiões a indis-
pensável regulação e estabilidade, à medida que se mitigam ou amortecem os efeitos
das oscilações de mercado em setores específicos (o que é muito importante tendo
em vista o peso do setor petrolífero no Estado do Rio de Janeiro) e passam a ter mais
opções para enfrentar crises, enquanto diminuem a vulnerabilidade, nas condições em
regime de economias monopolistas ou oligopolistas quando não monopsônicas. . Além
disso, promovem uma maior integração com a economia estadual e nacional (e mes-
mo internacional). Isso gera, entre outras coisas, maiores possibilidades de circulação
da renda e de efeitos multiplicadores, possibilita maiores oportunidades de emprego
na medida em que amplia as oportunidades para os trabalhadores, além da maior mo-
bilidade setorial.
Para avaliar as especializações produtivas da Região Norte-Noroeste, na fase analíti-
ca, foi calculado o quociente locacional – QL, o qual se constitui na razão entre a parti-
cipação de um setor específico no total do emprego de uma determinada região e a
participação relativa deste mesmo setor no total do emprego do país. Desta forma, QL
com valor superior à unidade denota alguma especialização da região naquele setor
específico.
Cabe destacar que, ao mesmo tempo em que indica a especialização das regiões, o
QL também aponta para a dependência da estrutura produtiva destas regiões por de-
terminados setores. Neste sentido, a Região Norte aparece com maior dependência
da cadeia de petróleo e gás tornando a Região mais sensível tanto ao crescimento
quanto às crises desta cadeia produtiva. De outra forma, a especialização menos de-
pendente da Região Noroeste (possui QLs em geral mais baixos e mais bem distribuí-
dos) a torna mais sensível às variações de caráter mais geral na economia, com al-
guma concentração no setor agrícola.
Desse modo, a implantação de políticas de incentivo à diversificação da base econô-
mica (principalmente no Norte), juntamente com políticas de fortalecimento das cadei-
as produtivas (Norte e Noroeste), tornam-se imperativos para o desenvolvimento eco-
nômico sustentado da Região, o que deve constituir-se como uma estratégia prioritária
do modo de regulação regional.
Partindo desse ponto de vista, a meta para 2035 é de aumentar o conjunto de ativida-
des produtivas (bens e serviços) acima da diversidade estadual.
Neste processo, devem ser considerados prioritários o desenvolvimento e fortaleci-
mento das cadeias produtivas citadas entre outras que certamente surgirão no trans-
correr do desenvolvimento dos processos de diversificação produtiva regional.

192 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Estratégias
• Definição de políticas claras no modo de regulação voltado para a atração de
investimentos;
• Aumento da capacidade de inovação tecnológica regional;
• Atração e diversificação de segmentos de serviços complexos e avançados, par-
ticularmente agentes de mercado e logística, fontes renováveis de energia e in-
dústrias exportadoras;
• Ampliação da presença regional (cobertura espacial) dos bancos e agentes de
crédito para investimento, capitais de risco e semente, créditos de carbono, se-
guradoras, alfandegários, além das instituições financeiras públicas e a dissemi-
nação do sistema de microcrédito ou banco do povo em uma parceria com a IN-
VEST-Rio e BNDES;
• Formação e qualificação profissional estendida e intensiva;
• Desenvolvimento ativo de fornecedores de todas as cadeias internas;
• Criação de programa de adensamento das cadeias produtivas identificadas, a
partir da articulação com atores relevantes;
• Fomento da competitividade das micro, pequenas e médias empresas, através
de um programa de qualificação e capacitação, e de empreendedorismo para os
empresários, dirigentes e integrantes das altas administrações;
• Instrumentalização das cadeias produtivas primárias no processo de agregação
de valor;
• Incentivo à implantação e disseminação de incubadoras ligadas às principais
cadeias produtivas, num primeiro momento e de parques tecnológicos num se-
gundo mento cada um deles com 10 anos de duração, sequenciados;
• Incentivo à implantação de cooperativas, associações cooperativas e outras
formas de atuação coletiva ou grupal empresariais para a realização de negó-
cios, a aquisição de informação e tecnologia, a participação nos mercados exó-
genos nacional e internacional, entre outras atividades ganha-ganha;
• Desenvolvimento de políticas e implantação de programas de incentivo à expor-
tação para mercados diversos;
• Apoio ao desenvolvimento de empreendimentos vinculados a tecnologias emer-
gentes e aos serviços avançados;
• Desenvolvimento de mecanismos para que se crie um ambiente social estável,
através da criação de uma identidade coletiva, de forma a promover a coopera-
ção entre os agentes envolvidos em atividades comuns, porém dispersos em di-
ferentes localidades;
• Priorização das políticas voltadas para o processo produtivo, buscando-se me-
lhorias estruturais, através do esforço contínuo de progressão tecnológica dos di-
ferentes pólos;
• Fornecimento de cursos de capacitação e profissionalização (formação, qualifi-
cação e requalificação) da mão-de-obra, em seus diversos níveis, de forma per-
manente e contínua, nas áreas relacionadas com os setores a serem desenvol-
vidos;

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 193


• Atuação, junto aos agentes financiadores, especialmente estaduais e federais,
para que sejam abertas linhas de crédito especificas para os setores em desen-
volvimento;
• Oferecer financiamento subsidiado às micro e pequenas empresas vinculados a
indicadores de desempenho produtivo, mercadológico e inovativo (ou seja, ga-
nhar mercado regional, nacional e externo e inovar);
• Inserção do conteúdo do cooperativismo e empreendedorismo nas escolas públi-
cas e privadas regionais;
• Oferecer treinamento para cooperativismo e empreendedorismos sistemática e
continuadamente, sem ônus;
• Ampliação do “agribusiness” baseado no cooperativismo;
• Fomento das atividades de reciclagem e reaproveitamento em todos os setores e
atividades;
• Atração de empresas ofertantes de bens e serviços de base tecnológica e meca-
nismos de desenvolvimento limpo;
• Fomento à interação das empresas locais com as universidades e institutos de
pesquisas regionais ou já existentes no país e principalmente com os que serão
criados, no sentido deles assumirem o papel de depositários do conhecimento e
desenvolvedores da tecnologia e inovação necessárias a sustentar a competitivi-
dade do parque produtivo regional;
• Fomentar a cooperação entre as empresas para projetos de inovação tecnológi-
ca, em operações cooperativas.
• Implantação de um centro regional em gestão, dos centros de desenvolvimento
de tecnologias e outras instituições que estruturem e respondam pela base de
conhecimento regional.

Vetor: Desenvolvimento do Turismo Sustentável


Este Vetor tem como objetivo principal desenvolver o turismo sustentável (ambiental,
sociocultural, executivo e de lazer/entretenimento) na Região Norte- Noroeste com o
objetivo de tornar esta atividade uma alternativa real trabalho e renda e receita para a
população local e suas Municipalidades.
O turismo é umas das maiores atividades econômicas do planeta. Entende-se como
uma atividade de fundamental importância para a sociedade e um dos principais fato-
res de interação humana e de integração política, cultural e econômica num mundo
cada vez mais globalizado em todos os aspectos. Tem características peculiares em
relação aos demais setores da economia: possui alto poder de irradiação de seus be-
nefícios e tem uma lógica original de implantação. A atividade turística é considerada
como uma das esperanças para regiões economicamente pouco desenvolvidas.
A atividade não se faz somente com belas paisagens. Um conjunto de ingredientes é
vital para fazer com que a atividade dinamize a geração de emprego e renda: boa in-
fra-estrutura de transporte, hospedagens, saneamento, comunicação e segurança;
divulgação adequada; e, tão importante quanto os demais, o comprometimento com a
educação, em especial a qualificação permanente dos profissionais do setor. Os inves-
timentos são significativos, mas justificam diante do grande retorno social da atividade.
A sustentabilidade do turismo é apontada como uma possibilidade poderosa para
promover inclusão social, com fortalecimento da cidadania e da identidade cultural. O
194 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
turismo deve ser planejado e considerado com um sistema aberto e inter-relacionado
aos subsistemas sociocultural, ambiental, econômico e político-institucional.
Os produtos turísticos sustentáveis são desenvolvidos em harmonia com o meio ambi-
ente, com as comunidades e culturas locais, de forma que estas se convertam em
permanentes beneficiários e deixem de ser espectadoras de todo o processo de de-
senvolvimento.
O efeito multiplicador é o conceito econômico mais utilizado para se estimar o efeito
total do turismo sobre a geração de renda.
O turismo é capaz de gerar um número expressivo de repercussões nas localidades e
regiões onde a atividade é introduzida ou ampliada. Um grande número de impactos
positivos pode ser gerado com o desenvolvimento da atividade turística:
• Geração de novas ocupações permanentes e/ou temporárias;
• Ampliação na arrecadação de tributos locais;
• Geração e aumento da renda local;
• Implantação de infra-estrutura de apoio ao turismo;
• Geração e aumento das compras locais;
• Melhorias dos padrões de conservação.
Para que o turismo tenha sucesso é necessário uma interação entre a iniciativa priva-
da, o poder público e a comunidade local. O poder público criando infraestrutura ne-
cessária para que a iniciativa privada faça os investimentos e a comunidade seja inse-
rida na cadeia produtiva do turismo gerando ocupação e renda com preocupações
ambientais onde o meio ambiente é explorado de forma harmoniosa e inteligente, ge-
rando renda, riqueza e qualidade de vida e preservando cada vez mais para gerações
futuras.
Um fator importante no desenvolvimento do turismo é a sustentabilidade político-
institucional que podemos entender como a continuidade de gestão das políticas de
desenvolvimento turístico em horizontes temporais que superem o curto prazo dos
mandatos políticos.
Regionalizar o turismo significa ter um olhar mais abrangente, uma visão global das
potencialidades, dos riscos, limites e tendências da atividade turística na região. É
transformar uma ação centrada num município em uma política pública mobilizadora,
capaz de transformar mudanças, sistematizar o atendimento e coordenar o processo
de desenvolvimento local, regional, estadual e nacional de forma articulada e comparti-
lhada. É um processo de planejamento de ações conjuntas que integram o poder pú-
blico, a iniciativa privada, o terceiro setor, as lideranças locais e as comunidades lo-
cais, de modo a organizar a atividade turística. Regionalizar o turismo é fazer um pla-
nejamento coordenado e participativo para se ter mais rendas e oportunidades.

Descrição do momento atual:


A Região Norte do Estado do Rio de Janeiro está num processo mais avançado no
que diz respeito à atividade turística. Os municípios de Campos dos Goytacazes, Ma-
caé, Quissamã já possuem uma infraestrutura turística mais visível, número de esta-
belecimentos hoteleiros e de serviços turísticos e atrações , respectivamente.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 195


A Região possui vocações turísticas relevantes, tais como: turismo de negócios, turis-
mo de lazer como o de sol e mar, ecoturismo, turismo rural, turismo de aventuras e o
turismo cultural.
Em 2007, o número de empregos gerados pela atividade econômica do turismo
(transportes rodoviários e aéreos, hotelaria, restaurantes, agências de viagens e loca-
ção de meios de transportes) foi de 9.498 postos de trabalho.
Alguns problemas podem afetar o desenvolvimento da atividade turística na região.
Fatores como a violência urbana, a falta de saneamento básico, a migração da mão-
de-obra para o setor petrolífero, sinalização turística deficiente, falta de banco de da-
dos para o planejamento turístico, falta de instâncias de governanças regionais e ine-
xistência de políticas públicas voltadas para o setor são alguns itens que podem atra-
sar o desenvolvimento do turismo regional.
Já a Região Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, apesar da atividade turística já
estar sendo iniciada em alguns municípios, precisa de uma atenção maior para o de-
senvolvimento do setor. Atualmente, destacam-se os municípios de Natividade e San-
to Antônio de Pádua e Itaperuna (Raposos), com o religioso, turismo rural e o turismo
águas minerais/saúde.
A vocação turística na Região é para o turismo executivo e cultural, rural-ecológico e
agroturismo, turismo de aventuras, turismo de saúde e turismo religioso.
O número de empregos gerados pela atividade econômica do turismo (transportes
rodoviários e aéreos, hotelaria, restaurantes, agências de viagens e locação de meios
de transportes) ainda é muito baixo, em 2007, foram registrados 1.468 postos de tra-
balho.
O êxodo rural, os graves problemas ambientais, a falta de infraestrutura turística, sa-
neamento básico deficiente, a migração da mão-de-obra local para outras atividades, a
inexistência de políticas públicas e a falta de conscientização e mobilização da popu-
lação para o desenvolvimento do turismo são alguns fatores que podem afetar o de-
senvolvimento da atividade.

Objetivos e Metas
Objetivos Metas para 2035
Criação e fortalecimentos de Polí-
• 100% dos municípios das Regiões Norte e Noroeste
ticas Públicas voltadas para o de-
com estrutura institucional local voltada para o turis-
senvolvimento do Turismo nas
mo.
Regiões Norte e Noroeste
Ampliação dos investimentos do • 90% dos municípios das Regiões Norte e Noroeste
setor público em infraestrutura com infraestrutura básica e de apoio ao turismo (ae-
básica e de apoio ao turismo ródromos, autoestradas troncais, ferrovias, sanea-
mento, etc.).
Melhoria e qualificação dos servi- • Pelo menos 30% da população das Região Norte-
ços turísticos Noroes-te qualificada e mobilizada em relação à im-
portância do turismo local e regional, constituição de
um número adicional de atrações maior do que 50%
do que existe na atualidade na Região.
Promoção e comercialização dos • 80% dos municípios da Região Norte-Noroeste com
produtos turísticos instrumentos de divulgação e comercialização do tu-
rismo local.

196 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


(continuação)
Objetivos Metas para 2035
Gestão sustentável dos atrativos • 70% dos atrativos naturais ordenados e sustentáveis
naturais e seu entorno na Região Norte-Noroeste.
• 100% dos municípios da Região com base de dados
Criação de base de dados munici- da atividade turística (inventários turísticos e planos
pais como instrumento de gestão de manejo e circuitos internos, calendário de eventos
quinquenal).
Formação de Redes de Parcerias • 80% dos municípios das Regiões Norte e Noroeste
e Serviços com redes de parcerias e serviços formadas
Sensibilização e mobilização da • 65% da população local da Região Norte-Noroeste
população local para a importância mobilizadas e sensibilizadas para a importância do
do desenvolvimento do turismo desenvolvimento do turismo.
Inclusão da Região Norte-
Noroeste na Programação da Co- • Habilitar a Região para atuar como satélite da Copa
pa do Mundo de 2014 e das Olim- do Mundo e Olímpiadas.
píadas de 2016

Objetivo 1 - Criação e Fortalecimento de Políticas Públicas Voltadas para o De-


senvolvimento do Turismo na Região Norte-Noroeste
Para alcançar os objetivos esperados é necessário a criação ou fortalecimento de uma
estrutura de gestão no âmbito da administração municipal: secretaria municipal, depar-
tamento situado em um organismo de promoção do desenvolvimento, uma agência ou
uma empresa municipal de turismo ou pelo menos uma assessoria vinculada, prefe-
rencialmente, ao gabinete do prefeito.
A estrutura de gestão prioriza ações de fomento e consolidação da atividade turística e
opera com base na articulação dos atores locais.
Independente da configuração adotada pela instância municipal é fundamental que
seja vinculada a um colegiado local (fórum, comitê, conselho, etc.) que agrupe, em
uma rede de colaboração, um conjunto de atores, sendo, gestores públicos, lideranças
comunitárias, agentes da economia privada do comércio e serviços voltados ao turis-
mo, representante dos artesãos, representantes de grupos locais de interesse cultural,
etc. Esse colegiado deve apresentar ao organismo municipal de turismo as principais
decisões sobre os rumos do desenvolvimento do turismo sustentável na localidade.
Cabe a este organismo promover o funcionamento do colegiado e acompanhar, de
perto, suas discussões e propostas.
A ativação de Circuitos Turísticos (e ativação dos Caminhos) para as regiões constitui
ação de fortalecimento para o desenvolvimento do turismo. Esses Circuitos normal-
mente são administrados por uma entidade sem fins lucrativos, com autonomia admi-
nistrativa e financeira, regida por um estatuto, formada por membros da sociedade civil
e do poder público e por um gestor para executar as ações necessárias. Essas asso-
ciações abrigam um conjunto de municípios de uma mesma região, com afinidades
culturais, sociais e econômicas que se unem para organizar e desenvolver a atividade
turística regional de forma sustentável, consolidando uma identidade regional. Um co-
legiado local que pode ser destacado é o Conselho Municipal de Turismo de Quissa-
mã. São realizadas reuniões itinerantes com o objetivo de atrair a maior participação
da comunidade. O Conselho é ativo e funciona como um ponto de união e parceria
entre a iniciativa privada e o setor público.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 197


Objetivo 2 - Ampliação dos Investimentos do Setor Público em Infraestrutura
Básica e de Apoio ao Turismo
A infraestrutura básica de um município/região embora não esteja diretamente ligada
às atividades turísticas, formam a base que estas atividades necessitam. Inserem-se
no conjunto de obras de estrutura física e serviços, que proporcionam boas condições
de vida para a comunidade e formam o fundamento para o desenvolvimento da ativi-
dade turística. Investimentos em equipamentos e serviços, tais como, saúde, transpor-
tes, comunicação, energia elétrica, segurança pública, limpeza urbana, entre outros,
são imprescindíveis para o desenvolvimento do turismo de uma região.

Objetivo 3 - Melhoria e Qualificação dos Serviços Turísticos


Melhoria dos serviços de atendimento direto ao turista em todas as suas formas. O
bom atendimento ao turista é um diferencial, pois o turista bem tratado, manifesta o
desejo de retornar ao destino.
A capacitação continuada dos profissionais que atuam nas áreas de meios de hospe-
dagem e de alimentação, nas agências de viagem e locadoras em geral, nas prestado-
ras de serviços especializados ao turista, na organização de eventos, feiras e con-
gressos, nos serviços de guia de turismo, etc. e de gestores públicos e agentes res-
ponsáveis pela fiscalização da atividade turística é de extrema importância para o su-
cesso da atividade.
Parcerias com o SEBRAE-RJ e o Sistema “S” no que diz respeito à capacitação conti-
nuada dos profissionais que atuam no turismo já são identificadas em alguns municí-
pios da Região Norte-Noroeste, podendo ser disseminada para os restantes.

Objetivo 4 - Promoção e Comercialização dos Produtos Turísticos


Um dos fatores essenciais para promover o crescimento do turismo nas regiões turísti-
cas é o trabalho de promoção e marketing dos produtos turísticos oferecidos. É neces-
sário um forte investimento na promoção e na comercialização dos produtos já exis-
tentes no mercado e nos novos produtos resultantes da criação de novos roteiros.
A importância da promoção e da comercialização é tão grande para o desenvolvimen-
to do turismo que são essas ações que possibilitaram que os roteiros sejam mais
competitivos no mercado.
Nos municípios da Região Norte-Noroeste foi identificado que 80% deles não possuem
nos sites das gestões municipais, informações completas sobre o turismo.
Um dos portais que podemos destacar é o do município de Rio das Ostras com infor-
mações completas de seus atrativos e serviços turísticos.
Os municípios da Região Norte-Noroeste participam freqüentemente de eventos regi-
onais, estaduais e nacionais ligados ao turismo e ao artesanato com o objetivo de di-
vulgar as potencialidades turísticas da Região.

Objetivo 5 - Gestão Sustentável dos Atrativos Naturais e Seu Entorno


A proteção e a conservação do meio ambiente são de extrema importância para o de-
senvolvimento do turismo ordenado e sustentável, principalmente, tendo em vista o
ecoturismo, o turismo rural e o turismo de aventura.

198 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Para o desenvolvimento do turismo sustentável é necessário a preocupação com a
recuperação das áreas degradadas, no que se refere ao solo, à água e a vegetação, o
controle de poluentes sólidos, líquidos e gasosos e a gestão dos atrativos naturais.
Como exemplo, o Projeto Jurubatiba Sustentável tem por objetivo contribuir para a
construção de um modelo de turismo sustentável de base comunitária, a partir do for-
talecimento do fórum de gestão local, de forma a gerar trabalho e renda entre outros
benefícios diretos à população local, no sentido de auxiliar na consolidação do Parque
Nacional da Restinga de Jurubatiba, localizado no trecho do litoral entre os municípios
de Macaé e Quissamã.

Objetivo 6 - Criação de Base de Dados Municipais como Instrumento de Gestão


O inventário da oferta turista é uma ação inicial e imprescindível. É um processo que
registra, ordenadamente, o conjunto dos atrativos, produtos, equipamentos e serviços
turísticos e da infraestrutura de apoio ao turismo existente no município. O objetivo
desse processo é resgatar, coletar, ordenar e sistematizar dados e informações sobre
as potencialidades dos atrativos turísticos e da oferta turística local e regional.
Os dados armazenados e atualizados subsidiarão o planejamento das políticas de
atuação e das ações de qualificação. Eles serão utilizados, sobretudo, para dimensio-
nar, a partir de parâmetros da realidade local, quais são os investimentos necessários
ao desenvolvimento do turismo na região, de modo a evitar desperdícios.
De acordo com a TurisRio, o inventário da oferta turística foi aplicado no Estado do Rio
de Janeiro inicialmente na década de 80 pelos seus técnicos, em parceria com os mu-
nicípios. Atualmente, o Ministério do Turismo disponibilizou formulários padrão e apoio
aos estados interessados na confecção/atualização dessa importante ferramenta de
gestão.

Objetivo 7 - Formação de Redes de Parcerias e Serviços


Uma das estratégias de mobilização é formação de redes de parcerias e serviços. A
própria consolidação das políticas públicas no caso da regionalização do turismo está
ligada entre o trabalho em rede que promove dinâmicas de expansão e fortalecimento
da região turística. A rede integra pessoas ou instituições na busca desse objetivo e
requer dos participantes, tão somente cooperação. Além de facilitar a troca de infor-
mação, a rede ainda possibilita outras vantagens: aumento da produtividade, redução
de custos, acesso à inovações tecnológicas e aos novos mercados e maior poder de
negociação.
As redes de parcerias e serviços são espaços democráticos de participação. A dinâmi-
ca de funcionamento é um enorme somatório de ações simultâneas e diferenciadas.
Muitos participam, empreendem e colaboram com autonomia por um objetivo comum.
Alguns municípios das Regiões Norte e Noroeste já possuem algumas redes de parce-
rias, principalmente, no que diz respeito ao artesanato. A ANARTE – Associação Nati-
vidadense de Artesãos, fundada em agosto de 2001, é um exemplo dessa parceria. A
entidade tem como objetivo divulgar a arte popular do Noroeste Fluminense e manter
a região como referência artística no Estado do Rio de Janeiro.

Objetivo 8 - Sensibilização e Mobilização da População Local Para a Importância


do Desenvolvimento do Turismo

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 199


Sensibilizar e mobilizar a população são ações fundamentais e permanentes para o
desenvolvimento sustentável das atividades dos municípios das regiões turísticas.
Identificar os atores locais é o ponto de partida, ou seja, instituições representativas da
sociedade e parceiros. No caso particular das regiões Norte e Noroeste torna-se da
maior importância o desenvolvimento de um programa de cooperações inter-
Municipalidades que especifique uma os esforços sobre o desenvolvimento do turis-
mo, através das práticas comuns, integradas com facilitadores que atuem como multi-
plicadores em coordenação de coordenações de ações. Os grandes projetos previstos
para 2013, 2014 e 2016 devem prover os elementos de alavancagem desta mobiliza-
ção regional de integração e sensibilização inicial, desde que terá programas, objetos
e resultados diretos.

Objetivo 9 – Inserção do Norte-Noroeste nos Eventos Copa do Mundo e Olimpía-


das
O Estado do Rio de Janeiro estará compartilhando as atividades da Copa do Mundo
de futebol de 2014 (Copa das Confederações, um ano antes) e sediará os Jogos O-
límpicos de 2016, Trata-se dos dois maiores eventos esportivos internacionais da a-
tualidade e, certamente, a Região tem e deve participar destes importantes eventos
tanto do ponto de vista de supridora de produtos e serviços, quanto através de se ha-
bilitar e se converter numa satélite com uma ou mais de suas cidades abrigando uma
das delegações estrangeiras que jogará no Maracanã, e um conjunto de delegações e
algumas disputas em modalidades esportivas em que oferece condições particular-
mente vantajosas nas Olimpíadas. Esta participação múltipla revela-se uma oportuni-
dade singular, única na história, para a alavancagem e modernização da infraestrutura
e organização em rede do turismo regional.

Estratégias de Desenvolvimento
• Criação de estruturas de gestão voltadas para o turismo nos municípios das Re-
giões Norte e Noroeste;
• Inclusão do turismo no sistema de governança regional;
• Fortalecimento de colegiados nos municípios e constituição do Conselho Regio-
nal de Turismo da Região Norte-Noroeste Fluminense que tenha por objetivo o
desenvolvimento do turismo regional e local e a participação na Copa e Olimpía-
das;
• Desenvolvimento dos Planos Diretores Regional e Municipais de Desenvolvimen-
to do Turismo;
• Elaboração e administração do Inventário da oferta turística em todos os municí-
pios da Região Norte-Noroeste;
• Criação da coleta seletiva em todos os municípios da Região, até 2014;
• Melhoria nas vias de acessos dos municípios aos seus distritos e aos sítios e
locais turísticos;
• Saneamento básico em todos os municípios da Região Norte-Noroeste;
• Construção/ampliação de hospitais e serviços qualificados para o turismo em
municípios chave;
• Instalação de sinalização turística oficial nos atrativos turísticos de toda a Região;

200 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


• Criação de Centros de Atendimento ao Turista na Região (receptivos nos aces-
sos e pontos de concentração principais, portais, etc., cobrindo o território turísti-
co);
• Parcerias com instituições de ensino e com o Sistema “S” para a capacitação e
qualificação dos atores envolvidos no turismo;
• Criação de portais contendo informações turísticas de vários municípios com o
objetivo de divulgação das regiões turísticas, em múltiplos idiomas;
• Inserção de links com informações turísticas completas nos sites das Municipali-
dades;
• Promoção do turismo regional em eventos nacionais e internacionais ligados ao
turismo;
• Elaboração de roteiros/circuitos internos turísticos da Região;
• Melhoria na infraestrutura regional e turística;
• Monitoramento dos impactos ambientais da Região;
• Estudo da capacidade de carga e redimensionamento dos atrativos turísticos
naturais, para atender às demandas do mercado;
• Gestão dos atrativos naturais com a parceria das entidades de meio ambiente;
• Constituir as redes de parcerias e serviços ligadas ao turismo e sua cadeia pro-
dutiva e à promoção conjunta de eventos e programas;
• Criação de Calendário de Eventos Regional quinquenal.
• Inclusão da Região nos eventos Copa do Mundo e Olimpíadas, compartilhando
delegações e atividade esportiva a ser disputada oficialmente.

G) MÓDULO SOCIAL
Autoras Coordenadoras:
Karen Menezes e
Samantha Nery

Introdução

“A grande generosidade está em lutar para que, cada vez mais,


essas mãos, sejam de homens ou de povos, se estendam menos
em gestos de súplica. Súplica de humildes a poderosos. E se
vão fazendo, cada vez mais, mãos humanas, que trabalhem e
transformem o mundo”
Paulo Freire

No contexto das Regiões Norte e Noroeste Fluminense, com baixos índices de desen-
volvimento humano e grande parte da população vivendo em um cenário social desfa-
vorecido em diversos aspectos, o desenvolvimento das políticas sociais devem ser
integradas, construindo um sistema que priorize as ações de proteção e promoção das

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 201


famílias e comunidades mais pobres, e que também promovam cada vez mais espa-
ços democráticos de participação social, estimulando a capacidade e o protagonismo
dos próprios indivíduos para transformarem a realidade na qual vivem.
Nesta perspectiva, embora as propostas para o desenvolvimento da área social das
Regiões estudadas estejam apresentadas a seguir, em separado, por vetores de de-
senvolvimentos e metas específicas a serem alcançadas em cada um deles, entende-
se a necessidade da articulação entre as políticas e do trabalho conjunto, na busca de
potencializar resultados a partir da promoção de um atendimento mais efetivo para a
população, em suas diferentes demandas e fragilidades. Isto significa que uma mesma
ação pode exercer múltiplos efeitos no alcance dos objetivos de um ou mais vetores
de desenvolvimento.
O desafio se amplia quando se almeja, além da integração das políticas sociais, pro-
mover o desenvolvimento regional integrado, que é muito mais potente do que o de-
senvolvimento de um município isolado, fazendo com que este entrelaçamento traga
benefícios ao quadro de recursos existentes, além de que, o que ocorre em um Muni-
cípio também afeta os seus vizinhos e vice versa.
Assim, as estratégias de promoção do desenvolvimento sustentável das regiões Norte
e Noroeste Fluminense visam à ordenação e sustentabilidade de cada um de seus
municípios e de suas comunidades, à articulação planejada entre elas e a cooperação
com os municípios circunvizinhos, integrando as iniciativas públicas, privadas, não
governamentais e comunitárias, em prol do compartilhamento de oportunidades e inte-
resses e na formação de uma comunidade local-regional.
Esta integração regional contribuirá para o pleno desenvolvimento dos municípios,
seja pelos fluxos econômicos, seja pelos fluxos e intercâmbios sociais e de capital
intelectual, ou na exploração de complementaridades, viabilização de programas, pro-
jetos e empreendimentos conjuntos ou encadeados, incluindo a conservação e gestão
dos recursos ambientais, na formação de redes de alianças, capazes de fortalecer o
desenvolvimento e a representatividade das Regiões em sua integridade.
Considerando-se os processos de transformação nos quais as Regiões estão inseri-
das,o presente documento apresenta diretrizes e estratégias que devem orientar a
esfera pública e os agentes representativos da sociedade no estabelecimento de pla-
nos, programas e ações de desenvolvimento, contribuindo com a viabilidade e a reali-
zação de sua governança em uma perspectiva de médio e longo prazo.
Outra questão relevante foi considerar o impacto nos quatro municípios que recebe-
ram grandes investimentos – Campos, Macaé, Quissamã e São João da Barra - que
tenderão a criar comportamentos completamente distintos dos outros 18 municípios
das regiões, podendo ainda promover processos e movimentos que influenciem signi-
ficativamente o Norte e o Noroeste Fluminense, tanto positiva como negativamente,
conforme apontado no relatório diagnóstico.
Se por um lado os grandes empreendimentos geram perspectivas de desenvolvimento
econômico para os habitantes e para o país, em termos de aumento de recursos, ino-
vações tecnológicas e novos fatores produtivos, por outro lado, isto freqüentemente
aumenta a desigualdade e acentua os problemas sociais já enfrentados, porque não
existem interrelações sólidas com a base social local.
Portanto, não é suficiente realizar-se apenas as metas previstas, é preciso de um
“plus” expressivo em termos de planejamento local, integrado regionalmente, de me-
lhorias das políticas públicas, de metas de desenvolvimento estabelecidas, de capaci-
tação das populações, etc.

202 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Isto embasou um dos objetivos na área social, qual seja, manter a população em seus
municípios, com especial destaque para a população rural, processo este que se torna
um reflexo de todo o movimento sócio-econômico das regiões, uma vez que Irão influir
sobre as migrações uma série de questões/vetores da Formulação Estratégica.
São questões como o aumento da geração de trabalho e renda, a manutenção de um
nível de educação e profissionalização satisfatórios, políticas públicas eficazes, o or-
denamento territorial e sua respectiva fiscalização, etc. Todos estes, juntos, serão ca-
pazes de manter os habitantes em seus territórios, o que é visto como um ganho pois
mantém os habitantes dentro de sua cultura e suas redes sociais, mantém-se o saber-
fazer naquele espaço e proporciona possibilidades de vida melhor do que se eles se
mudassem, sem recursos suficientes, para um novo território.
Entre 1991-2009 a média da taxa de crescimento anual do Estado foi de 1,39 % ao
ano, o do Brasil foi de 1,69%, o do Norte de 1,81% ano e o do Noroeste de 1,02% ao
ano.
Assim, Norte está na “contramão” da tendência histórica de diminuição das taxas de
crescimento. Considera-se, todavia, que seus processos econômicos também são
ímpares e portanto, o planejamento deve ser, ambicioso mas ponderado, no sentido
de pensar-se longe mas com os “pés no chão”, de realizar as ações necessárias con-
tinuamente, considerando-se as interações recíprocas entre os contextos locais-
regional.
Os vetores do desenvolvimento social, especificamente, foram concebidos a partir da
análise realizado na primeira etapa do trabalho e cada vetor possui um conjunto de
metas que devem, em sua totalidade, propiciar condições para produzir mudanças e
transformações até os objetivos almejados.
Buscou-se o estabelecimento de metas factíveis, ainda que, em alguns casos, ambi-
ciosas, em especial quando há distancias grandes entre as realidades atuais e o que
deve passar a existir comprioridade. Na maioria dos casos as metas para 2020 foram
iguais para as Regiões Norte e Noroeste, à exceção de questões que apresentavam
discrepâncias muito grandes e impossibilitavam o alcance de metas iguais no mesmo
período de tempo.
Já as metas para 2035 foram iguais, porque considerou-se que 25 anos é um período
suficiente para, desde que adequadamente conduzidos os processos, os problemas
sejam solucionados e superados. Considerou-se ainda que as Regiões Norte e Noro-
este Fluminense, além de possuir recursos em diversas áreas, estão inseridas atual-
mente em um contexto econômico favorável para o alcance do cenário de desenvolvi-
mento de Emergência, vislumbrado como o ideal para o desenvolvimento regional sus-
tentável, o que engloba o desenvolvimento econômico, a internalizarão das cadeias
produtivas, a formação da base de conhecimento, acompanhando as ações e progra-
mas da trajetória da inclusão social.
Ressalta-se que o processo de mudanças foi concebido de maneira sistêmica, enfati-
zando a interconexão dos diferentes vetores e suas influências uns sobre os outros,
buscando-se crer em uma transformação global, ou seja, que acontece a partir de vá-
rias áreas de atuação, impulsionando assim a criação e/ou motivação de ciclos de
desenvolvimento positivos.
Diversas metas foram projetadas tomando-se como parâmetro, indicadores de países
que se encontram em condições favoráveis naquele tópico, além de bases de compa-
ração nacionais e dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, do Programa de De-
senvolvimento das Nações Unidas, PNUD, envolvendo 191 países que até 2015 pre-
tendem:

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 203


• Erradicar a extrema pobreza e a fome, atingir o Ensino Básico Fundamental,
promover a igualdade entre os sexos e a autonomia entre as mulheres, reduzir a mor-
talidade na infância, melhorar a saúde maternal, combater o HIV/Aids, a malaria e ou-
tras doenças, garantir a sustentabilidade ambiental e estabelecer uma Parceria Mun-
dial para o Desenvolvimento (ver detalhamento no Anexo I).
O Plano Estratégico do Rio de Janeiro (2007, p.58,59), também apontou algumas so-
luções inspiradoras, consideradas no trabalho: Promover a ocupação social em regi-
ões de concentração de pobreza, por meio de ações integradas nas áreas de: segu-
rança alimentar e nutricional, direitos humanos, segurança pública, emprego, formação
profissional, infra-estrutura, habitação, saúde, educação e lazer; Desenvolver ações
sociais específicas que atuem em complementaridade aos investimentos estruturantes
previstos no Plano de Aceleração do Crescimento do Governo Federal; Reduzir o défi-
cit habitacional com ênfase na promoção do acesso de famílias de baixa renda a mo-
radia adequada e regularizada; Estimular o planejamento familiar e a prevenção à gra-
videz precoce; Promover a inclusão produtiva da população jovem e seu acesso ao
mercado de trabalho por meio da qualificação profissional; Implantar e consolidar o
Sistema Único de Assistência Social — SUAS nos 92 municípios do estado; Fomentar
a inclusão digital.
Por fim, já foi comentado que falta às Regiões um direcionamento que integre as inici-
ativas locais para a melhoria de qualificação de mão de obra, a contenção e/ou prepa-
ração estrutural para os fluxos migratórios, o desenvolvimento de novos negócios,
dentro dos potenciais locais que já se configuram. Volta-se a enfatizar o imperativo de
uma equiparação entre as vontades políticas, empresariais e dos habitantes para al-
cançar-se uma situação de mais igualdade, de bem viver.
Entende-se que os objetivos e metas propostos, audaciosos, devam se enraizar nos
espaços de governança e nas comunidades locais, permeando os desejos e as alian-
ças políticas, na busca por uma sociedade mais justa e por um desenvolvimento mais
equânime no horizonte de 25/30 anos.

Educação

Vetor de Desenvolvimento: Desenvolvimento do Capital Humano - Educação,


Formação, Capacitação e Empreendedorismo

Objetivos Metas para 2035


Superação do analfabetis-
• Diminuir a taxa de analfabetismo para 5%
mo
• Alcançar a média de anos de estudo para 12;
Elevação da Escolaridade
Média • Aumentar a freqüência escolar dos jovens de 15-17 anos
para 100%;
• Superar as metas estabelecidas pelo Índice de Desenvolvi-
Melhoria do Atendimento mento da Educação Básica, IDEB, nos anos iniciais e finais
aos Alunos e da Qualidade dos Ensino Fundamental alcançando notas entre 8 e 9;
do Ensino • Institucionalizar e disseminar o empreendedorismo em 80%
dos estabelecimentos educacionais da Educação Básica
Ampliação da capacitação • 80% da população em idade produtiva qualificada para o
técnica e profissionalizante trabalho

204 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


(continuação)
Objetivos Metas para 2035
• Firmar Convênios entre poder público /Instituições de Ensi-
no Superior / Setor empresarial para qualificação profissio-
Ampliação da Integração nal, realização de pesquisas e outras atividades integra-
entre Administração Pública / das;
Empresas / Universidades /
População • Implantar o Consórcio Intermunicipal / Interregional de
Educação Superior até 2020, com atividades integradas
em execução.
• Implantar pelo menos 10 centros de Pesquisas;
• Gerar novas pesquisas sobre as regiões Norte e Noroeste
Ampliação da Produção do Fluminense e pesquisas voltadas para conhecimentos ci-
Conhecimento Científico entífico-tecnológicos;
• Apoiar às incubadoras e fomentar à empresas jovens;
• Atrair novas universidades para o Noroeste.

Para o desenvolvimento do capital humano, a Educação é o elemento primordial e


permanente; é um dos vieses centrais para a diminuição da inequidade social e eco-
nômica, pois proporciona condições para que os indivíduos adquiram novos conheci-
mentos, sejam capacitados para o trabalho e se insiram no contexto social e econômi-
co com melhores condições, em concordância com o Cenário da Emergência.
Além disso, a Educação é o elemento diferenciador e estratégico de um Município, um
Região e/ou de um Estado/Nação, repercutindo diretamente no desempenho individual
e no desempenho coletivo das instituições e, em decorrência, no desempenho do pró-
prio Estado. De tal forma, os processos de reconhecimento e produção do conheci-
mento, de empreendedorismo e inovação são decisivos em processos de desenvolvi-
mento, imprescindíveis na construção da sustentabilidade social regional, conforme
apontado no trabalho da Análise Situacional.
Consequentemente, este Vetor de Desenvolvimento exige políticas bem planejadas,
contextuais e de qualidade que, para contribuir efetivamente com uma transformação
social, inclui desde a Educação Infantil e a assistência às crianças (creches), até a
Educação de jovens e adultos, incluindo cursos técnicos, profissionalizantes e o Ensi-
no Superior mantendo-se, preferencialmente, uma forte correlação com as demandas
do mercado.
Deve incluir também, o desenvolvimento de uma visão empreendedora desde a Edu-
cação Básica, fornecendo ferramentas e conhecimentos que capacitem os indivíduos
para atuar em diferentes contextos. Esta mudança na Educação a partir da visão em-
preendedora representa uma transformação na cultura da população, na dimensão
cultural que engloba os valores e representações da sociedade e que atualmente se
encontra pouco empreendedora, sendo mais familiar e tradicional, pouco profissionali-
zada.
O empreendedorismo proposto é uma maneira das pessoas aprenderem a acreditar
em seus sonhos pessoais e coletivos e se preparem, através de estudos e experiên-
cias práticas de cidadania, para a construção de seus caminhos desde a infância.
Suas metas não se conectam apenas com o desenvolvimento econômico, pois possu-
em uma abordagem mais abrangente, que se baseia na criatividade dos habitantes e
em seus desejos de mudança e/ou na continuidade de processo de construção já ini-
ciados.
A partir da análise realizada para as regiões Norte e Noroeste Fluminense, na área da
Educação existem algumas deficiências que repercutem negativamente na vida de
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 205
seus habitantes, como a baixa qualificação para o trabalho, que diminui as oportunida-
des em uma sociedade que se faz crescentemente competitiva. De tal maneira, alguns
objetivos e metas foram traçados neste vetor de desenvolvimento, com destaque para
algumas questões de maior relevância.
Entendendo que o alcance da justiça social só será possível mediante a disseminação
do ensino de qualidade, a elevação da escolaridade da população e a superação do
analfabetismo, é imprescindível que os programas municipais e regionais assumam a
elevação prioritária do nível de investimento social e, quando for o caso, financeiro em
Educação, privilegiando emergencialmente as comunidades de baixa renda das perife-
rias urbanas e as regiões de baixa densidade populacional. Almeja-se também a con-
solidação do processo de alfabetização de jovens e adultos, favorecendo a continui-
dade dos estudos no Ensino Fundamental, bem como a articulação deste com as pro-
postas locais de qualificação profissional.
Reconhece-se ainda a necessidade continuada em se estabelecer uma sólida rede de
alianças e de formação das instituições de ensino de todos os níveis educacionais
com as comunidades, constituindo uma rede de conhecimentos aberta à participação
de quaisquer instituições educacionais, integrando-as, interna e externamente em um
espaço de convivência cooperativo, coeso, de qualidade superior e efetividade nos
resultados.
Objetivo: Superação do Analfabetismo
Conforme a Avaliação Situacional, no Estado do Rio, em 2000, 7,6% da população
adulta era analfabeta, enquanto os índices de analfabetismo do Norte e Noroeste eram
mais alarmantes.
Macaé e Campos apresentaram os menores índices de analfabetismo, 9% e 11,6%,
respectivamente, em 2000. Supõe-se que seus índices foram os menores da região
porque ambos são considerados pólos educacionais e possuem vários grupos de pro-
fissionais qualificados, devido à existência de inúmeras atividades produtivas que de-
mandam maior qualificação.
Os municípios que apareceram em posições mais desprivilegiadas foram São Francis-
co de Itabapoana, com 29,6% de analfabetos, seguido por Cardoso Moreira com
23,5%, Laje do Muriaé, 22,4% e Cambuci 21%.
Diante deste cenário, uma das metas estabelecidas para este vetor é a diminuição da
taxa de analfabetismo, para 10% em 2020 e para 5% em 2035, similar aos índices de
países como o Chile e a Grécia, em 2009.
Gráfico 10 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Superação do
Analfabetismo, 2020, 2035

Fontes: Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, PNUD, 2003


206 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Mapa 8 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Taxa de Analfabetismo – 2000 – 2035

Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, PNUD, 2003

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 207


Os dados do analfabetismo apresentados em 2000 demonstraram que a maior parte
dos municípios das mesorregiões Norte e Noroeste Fluminense apresentaram taxas
acima de 16,1%. Tendo sido estabelecida a meta de diminuição do analfabetismo para
5% em 2035, no Mapa anterior foram apresentados os municípios e suas respectivas
posições com relação à meta. Eles foram classificados pelo método estatístico de
quebra natural, que mostra a distância do analfabetismo de cada município em 2000
para o alcance do resultado, dividindo-os em três grupos: próximo, intermediário e
distante. Apenas dois municípios já se encontram próximos deste objetivo em 2000,
Campos e Macaé. A grande maioria foi enquadrada na classe de proximidade inter-
mediária à meta. Destacam-se, porém, seis municípios que estão longe do proposto,
em que os esforços para atingi-lo devem ser maiores: São José de Ubá, Varre-Sai,
Laje do Muriaé, Cambuci, Cardoso Moreira e São Francisco de Itabapoana.

Objetivo: Elevação da Escolaridade Média


Deficiências significativas foram encontradas no Ensino Médio, com proporção de fre-
qüência escolar dos jovens bem inferior àquela do Ensino Fundamental e problemas
na qualidade do ensino.
Para o Ensino Médio o Rio de Janeiro apresentou, em 2000, 81,5% dos jovens fre-
qüentando a escola, enquanto no Norte e no Noroeste a média foi um pouco menor,
73,9% e 74,1% respectivamente.
Ressalta-se ainda que este indicador apresentou grandes discrepâncias entre os Mu-
nicípios neste ano, variando entre 86,8% em Cardoso Moreira e 54,1% em São Fran-
cisco de Itabapoana no Norte. No Noroeste esta variação foi similar, 65,8% em Varre-
Sai e 81,3% em Itaocara.
O cenário indica que grande parte da população abandona os estudos muito antes de
sua conclusão, sendo portanto, alto o índice de evasão escolar.
Ressalta-se que, quanto mais “velha” se torna a população, maiores se tornam as ta-
xas de analfabetismo e a baixa escolaridade, sendo necessária a implementação de
políticas públicas específicas para a reversão do problema.
As metas neste caso consistem na elevação da freqüência escolar no Ensino Médio
para 100%, considerando que a continuidade dos estudos e a conclusão do Ensino
Básico é de fundamental importância para capacitar os indivíduos e ampliar suas
chances de ingresso no mercado de trabalho.
Gráfico 11 – Região Norte-Noroeste Fluminense Metas para Elevação da Frequência
Escolar dos Jovens, 2020- 2035

Fonte: Estudo Socioeconômico de São Fidelis, 2004


208 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Mapa 9 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Frequência Escolar dos Jovens – 2000 - 2035

Fonte: Estudo Socioeconômico de São Fidelis, 2004

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 209


Dos 22 municípios regionais, 9 estavam próximos do alcance da meta já em 2000 e
outros 8 encontravam-se em uma posição intermediária. Contudo, Varre-Sai, São José
de Ubá, São João da Barra e São Francisco do Itabapoana encontravam-se bem dis-
tantes, com o percentual de freqüência escolar dos jovens inferior a 60%.

Além disto, o nível de escolaridade da população estadual e da Região Norte e Noro-


este é bastante baixo, à exceção da Educação Infantil.

Constatou-se que, em 2000, quase a metade da população de 18 a 24 anos e prati-


camente mais da metade da população adulta não havia completado o Ensino Fun-
damental.

Interregionalmente também ocorreram grandes desigualdades entre o nível educacio-


nal das populações.

Em 2000, a média de anos de estudo no Norte variou entre 6,2 em Campos e 3,3 em
São Francisco do Itabapoana, ambas abaixo da média estadual de 7,2.

No Noroeste também não se verificaram bons resultados, com a média de anos estu-
dados variando entre 3,8, em São José de Ubá, e 6,2, em Miracema.

Portanto, outra meta importante estabelecida para este Vetor é a elevação da escola-
ridade média, passando de 5 para 9 anos de estudo em 2020, o que é um pouco aci-
ma dos anos despendidos no Ensino Fundamental, e 12 anos em 2035, correspon-
dendo a conclusão do Ensino Médio.

Gráfico 12 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Elevação da Escolaridade


Média, 2020, 2035

Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, PNUD, 2003

Observa-se no Mapa a seguir que, mais uma vez, quatro municípios se encontravam
bem distantes desta meta: São José de Ubá, Cardoso Moreira, Varre-Sai e São Fran-
cisco de Itabapoana, apresentando em 2000, média de menos de 4 anos de estudo.

210 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Mapa 10 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Escolaridade Média – 2000 – 2035

Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, PNUD, 2003

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 211


Objetivo: Melhoria da Qualidade do Ensino
A qualidade do Ensino Fundamental, avaliada pelo Índice de Desenvolvimento de E-
ducação Básica, IDEB, em sua maioria se encontrava, em 2007, aquém das metas
estabelecidas para este indicador, nas Escolas Municipais e Estaduais do Norte e No-
roeste.
Conforme já apresentado no Diagnóstico, os resultados do IDEB refletem a combina-
ção das informações sobre a taxa de rendimento escolar, ou seja, aprovação, evasão
e repetência dos estudantes em cada etapa do ensino, obtida a partir do Censo Esco-
lar anual e as médias de desempenho, ou seja, a média da pontuação dos estudantes
obtida em exames padronizados (Prova Brasil) aplicados pelo Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais, INEP, ao final da etapa correspondente.
Nos exames, são aplicadas provas de Língua Portuguesa, com foco em leitura e Ma-
temática, com questões curriculares de todas as unidades da Federação, consideran-
do-se ainda as recomendações dos Parâmetros Curriculares Nacionais.
O IDEB também fornece projeções das expectativas de evolução dos valores da edu-
cação, desde o ano presente até o ano 2021, ou seja, avalia os resultados previstos se
as condições atuais forem mantidas, estabelecendo-se comparações entre as proje-
ções do Rio de Janeiro e do Brasil e definindo metas para incrementar-se a qualidade
da educação.
De forma geral, na Região Norte, praticamente todos os municípios evoluíram e me-
lhoraram seus resultados dos anos iniciais do Ensino Fundamental em proporções
diferentes, muitos superando a meta estabelecida para 2007.
Os resultados da Rede Estadual em 2007 variaram entre 3,4, sendo este o menor va-
lor alcançado em Campos dos Goytacazes e o melhor resultado foi de 4,6, alcançado
em Conceição de Macabu. Apenas São João da Barra e São Fidélis diminuíram pouco
seus resultados, de 2005 para 2007. Campos dos Goytacazes e Macaé mantiveram
seus resultados inalterados, 3,4 e 3,8, respectivamente e quase alcançaram a meta
estabelecida para 2007.
Os resultados da Rede Municipal, nos anos iniciais, variaram entre 3,2, de Cardoso
Moreira e São Francisco de Itabapoana e 4,8, com o melhor resultado apresentado
novamente em Conceição de Macabu. Os dados de Carapebus e Quissamã não se
apresentaram de forma completa.
Para os anos finais, no Ensino Fundamental, constatou-se que, entre 2005 e 2007 os
resultados foram um pouco piores em alguns municípios, tanto da Rede Estadual
quanto da Rede Municipal, afastando-se das metas.
Na Rede Estadual, o pior indicador de 2007 foi verificado em Macaé, 2,8 e o melhor
ficou com São Fidélis, 3,9. Ambos pioraram entre 2005-2007 e ficaram abaixo da meta
estabelecida. São Francisco de Itabapoana foi o único que melhorou seu resultado na
Rede Estadual, passando de 2,6 para 3,1, em 2007.
Na Rede Municipal, os anos finais tiveram melhoras em São João da Barra, Carape-
bus, Macaé e Campos, sendo que todos estes ultrapassaram a meta de 2007. Os de-
mais municípios revelaram piora nos seus resultados, variando de 2,7 em Conceição
de Macabu a 4,0 em São Fidélis.
Os resultados do IDEB apresentados pelos Municípios do Noroeste foram bem superi-
ores aos resultados da Região Norte, superando inclusive os resultados do Estado e
do Brasil, destacando-se os anos iniciais do Ensino Fundamental.
De 2005 para 2007, praticamente todos os municípios melhoraram os resultados al-
cançados nos anos iniciais do Ensino Fundamental em proporções diferentes, muitos
212 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
superando a meta proposta. O contrário ocorreu nos anos finais, cujos resultados tive-
ram quedas tanto na Rede Estadual quanto na Rede Municipal, em sua maioria.
Em 2007, os resultados da Rede Municipal nos anos iniciais variaram de 3,6 em Italva
e 5,8, em Aperibé. Já na Rede Estadual, 4,6 foi o pior resultado regional, de Nativida-
de, e 5,7 o melhor resultado, em Santo Antônio de Pádua.
Os anos finais da Rede Municipal apresentaram melhoras em alguns municípios, co-
mo em Santo Antônio de Pádua, Itaocara e Italva, sendo que todos estes ultrapassa-
ram a meta de 2007. Os demais municípios revelaram piora nos seus resultados, vari-
ando 3,0 em Varre-Sai e 4,3 em Itaperuna, sendo este o melhor resultado regional nos
anos finais do Ensino Fundamental da Rede Municipal.
Já a Rede Estadual apresentou melhora dos resultados apenas em Aperibé, para 4 e
São José de Ubá, para 3,2, sendo esta a pior avaliação regional da Rede Estadual nos
anos finais. A melhor avaliação se deu em Itaocara, 4,3.
Os resultados da avaliação do IDEB apresentados nestes municípios refletem, dentre
outras questões, a necessidade de formação continuada e valorização dos docentes,
melhorando as capacidades e condições de trabalhos dos transmissores do saber; a
necessidade de melhoria da infra-estrutura das escolas e a incorporação de novas
tecnologias educacionais e ainda o desenvolvimento da cultura empreendedora
disseminada nas práticas educativas.
Espera-se que nos próximos anos ocorra uma melhora gradativa na qualidade do
Ensino Básico, refletindo-se na superação dos resultados do IDEB em todos os
municípios e, consequentemente, elevando-se as médias regionais, podendo variar
entre 7 e 8, em 2035.
Gráfico 13 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Média dos Resultados do
IDEB, 2020 - 2035

* As médias foram calculadas levando-se em consideração os anos iniciais e finais do Ensino


Fundamental das redes Municipais e Estaduais. Correspondem a intervalos, podendo os resul-
tados da avaliação variar em 2020 entre 6 e 7 e em 2035 entre 7 e 8.
Fonte: Ministério da Educação - Indicadores Demográficos e Educacionais, 2009.

Objetivo: Ampliação da Capacitação Técnica e Profissionalizante


A superação do analfabetismo, a elevação do nível de escolaridade e a melhoria da
qualidade do ensino são questões que estão entrelaçadas e que acabam por refletir na

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 213


possibilidade efetiva de ampliação da inserção da população no mercado de trabalho,
uma vez que, sem escolaridade básica, se torna mais difícil a qualificação profissional.
Observou-se, nas regiões, a insuficiência de mão de obra qualificada em diversas á-
reas, resultando em taxas de desemprego e de informalidade do trabalho.
O trabalho e a renda são essenciais para a qualidade de vida da população. No entan-
to, em um mercado competitivo e exigente, quanto mais qualificada a população, mai-
ores suas chances de empregabilidade, de prestação de serviços e de produção em
diversas áreas.
Aumentam também as possibilidades dos empreendimentos previstos absorverem a
mão de obra local, minimizando os processos migratórios e excludentes e promoven-
do-se o desenvolvimento econômico local.
Neste sentido, o fomento à formação técnica, profissional e de Ensino Superior deve
complementar as iniciativas de melhorias educacionais comentadas anteriormente.
Para que estas iniciativas de qualificação da população potencializem a empregabili-
dade é necessária uma forte coesão entre as ofertas de formação e as necessidades
regionais.
Considerando o potencial econômico que emerge nas Regiões e as transformações
econômicas previstas para o futuro, espera-se que, nos próximos 30 anos, além de
devidamente escolarizada, 80% da população em idade produtiva das regiões estejam
capacitadas para a ocupação dos postos de trabalho e serviços de diferentes níveis e
naturezas, o que será especificamente discutido no Vetor de Desenvolvimento Gera-
ção de Trabalho e Renda.
Este objetivo poderá ser em parte verificado pelo aumento da proporção de estudantes
matriculados em cursos técnicos e superiores em relação ao total de estudantes matri-
culados no Ensino Médio, o que reflete uma continuidade no processo educacional,
dos jovens que freqüentam à escola e dão continuidade em sua qualificação para o
trabalho.

Objetivo: Ampliação da Integração entre Administração Pública / Privado / Popu-


lação / Universidades
Outra lacuna identificada na Análise Situacional dessas Regiões foi a baixa integração
entre as instituições universitárias, a gestão pública, o setor privado e as comunidades
locais. A comunidade acadêmica tem realizado inúmeras pesquisas, de qualidade ele-
vada, e freqüentemente relevantes para o desenvolvimento local faltando, todavia, um
canal de troca de conhecimentos entre os diferentes grupos e a efetivação dos sabe-
res em ações práticas e efetivas em beneficio regional.
O objetivo de ampliar a integração entre estes atores sociais corresponde à necessi-
dade de potencializar as produções acadêmicas que sejam relevantes no contexto
local, bem como ampliar o apoio das empresas e setor público às Universidades, além
de incluir a população no processo, efetivando suas competências em resultados mais
sinérgicos para as regiões.
Para tanto, aposta-se na implantação de convênios das instituições de Ensino Superi-
or e poder público e com o setor empresarial e ampliação das atividades oferecidas à
população, promovendo a co-responsabilização dos setores nos processos de trans-
formação social, abrangendo ações de qualificação profissional, realização de pesqui-
sas e outras atividades integradas.

214 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Outra meta é que até 2020 tenham sido implementados e consolidados os Consórcios
Intermunicipais e Interregionais de Educação Superior, para potencializar os recursos
educativos dos municípios em prol da formação da população.
Os Consórcios deverão gerar ações que favoreçam e facilitem a inserção dos alunos
nas universidades, faculdades e cursos técnicos entre os municípios, especialmente
para os residentes em municípios desprovidos destas ofertas, seja por meio de bolsas
auxilio, transporte intermunicipal, pré-vestibulares ou outros benefícios que facilitem a
entrada e a permanência dos estudantes até sua formação.

Objetivo: Ampliação da Produção de Conhecimento Científico


A produção de conhecimento científico-tecnológico é outro viés fundamental para o
desenvolvimento do capital humano das Regiões e para alcançar-se o Cenário da
Emergência, o que será analisado e descrito no Vetor de Desenvolvimento Economia
do Conhecimento.
Foto 1 – São João da Barra, Núcleo de Inclusão Digital

Fonte: Fotos das autoras.


Estratégias de Desenvolvimento
• Constituir os Sistemas Municipais de Creche, em parceria com as Secretarias
Municipais de Assistência Social, para o atendimento de toda a demanda apre-
sentada, especialmente de crianças de 0 a 3 anos;
• Introduzir uma disciplina nos currículos da Educação Básica voltada para o de-
senvolvimento do empreendedorismo e da cidadania dos jovens, despertando-os
para ações em grupos cooperativas, para o conhecimento das realidades circun-
dantes, para o exercício de práticas cidadãs, conhecimento regional, entre mui-
tas outras matérias congêneres;
• Implantar Programa de Resgate e Valorização cultural, fortalecendo a relação de
identidade e pertencimento do aluno com os municípios e suas respectivas regi-
ões;
• Investir na criação de novas vagas para o Ensino Médio, elaborando propostas
conjuntas entre as escolas municipais e estaduais, identificando e implantando
ações que visem erradicar os problemas de reprovação escolar, evasão e repe-
tência;
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 215
• Preparar os alunos do Ensino Médio para sua aprovação em provas, concursos e
para seu ingresso no Ensino Superior, ampliando suas oportunidades de cursa-
rem o terceiro grau;
• Promover processos de recuperação educacional paralela nos sistemas munici-
pais e estaduais de educação, garantindo o processo de aprendizagem dos alu-
nos, especialmente aqueles carentes e/ou com dificuldades de aprendizagem;
• Ampliar a oferta do EJA - e do transporte para o seu atendimento, especialmente
no horário noturno - procurando superar os problemas inerentes a adolescentes
e adultos que não tiveram acesso ao ensino na idade própria, incluindo parcerias
de cursos de alfabetização em empresas locais para seus funcionários, visando
erradicar o índice de analfabetismo nos Municípios;
• Acompanhar e melhorar os Projetos Político-Pedagógicos das escolas das Regi-
ões, incentivando uma atualização constante, valorizando não apenas com a
formação acadêmica, no sentido de constituir a formação do ser humano ético,
crítico e dotado de valores humanitários;
• Estruturar um Programa de censos escolares dos educandos, com o objetivo de
subsidiar a elaboração e avaliações dos Planos Municipais de Educação e dos
Projetos Político Pedagógicos das escolas, gerando subsídios para desenvolver
as alternativas educacionais mais indicadas a cada contexto;
• Implantar Programas Municipais de Qualidade do Ensino, com a qualificação e
requalificação contínua do quadro docente com relação às propostas político-
pedagógicas e outras questões relacionadas à formação do aluno;
• Capacitar a equipe técnica, inclusive nível médio, das Secretarias Municipais de
Educação para atualização continuada referente à gestão do sistema;
• Implantar o Plano de Cargos e Carreiras da Educação em todos os municípios
que não o possua, valorizando os profissionais de ensino através de processos
de reconhecimento do mérito, do desempenho e dedicação, remuneração con-
digna e ingresso e progressão exclusivamente por sistemas públicos e transpa-
rentes de avaliação da qualificação;
• Implantar o Programa de Aperfeiçoamento da Educação – ampliação e melhoria
da infra-estrutura disponíveis nas unidades escolares aquisição de novos labora-
tórios de pesquisa, bibliotecas, equipamentos, inclusive para a informatização e o
aprimoramento tecnológico-cultural do Sistema Educacional;
• Ofertar ensino específico para os portadores de necessidades especiais e outros
grupos especiais, em escolas ou instituição de Educação, assegurando-lhes pro-
fissionais capacitados, material e equipamentos adequados, além das facilidades
que lhes permitam e lhes facilitem a freqüência;
• Requisitar, junto ao Ministério das Comunicações, a implantação de redes de
comunicação que disponibilize Internet gratuita em todas as unidades escolares
das Regiões;
• Implantar Telecentros comunitários nos municípios, criando cursos e programas
específicos de inclusão digital, que atendam as demandas das distintas faixas
etárias;
• Implantar Programa “Escola Comunitária”, para desenvolver e manter atividades
que promovam a integração entre as escolas e entre as escolas e as comunida-

216 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


des, realizando eventos educacionais, de proteção ambiental, de saúde, de es-
porte e lazer, eventos em datas comemorativas e outros;
• Implantar o “Programa de Saúde Bucal e Ocular” em todas as unidades escola-
res municipais, realizando ações corretivas e principalmente preventivas para os
alunos;
• Potencializar a qualidade das merendas escolares, abrangendo a segurança
alimentar e nutricional; a saúde sanitária e tecnológica dos alimentos, bem como
seu aproveitamento/reaproveitamento, os cuidados com o meio ambiente e ou-
tros, visando a promoção da saúde – incluindo a qualificação das cantineiras pa-
ra este trabalho;
• Implantar políticas públicas e estratégias sustentáveis e participativas de produ-
ção, comercialização e consumo de alimentos, como base para a implantação de
hortas comunitárias nas escolas e comunidades, feiras de circulação dos produ-
tos locais, utilização destes na composição da merenda escolar;
• Estabelecer um Programa de Coleta Seletiva de Lixo e Reciclagem nas escolas;
• Otimizar o sistema de transporte escolar a partir da revisão das rotas percorridas
diariamente, mantendo seu funcionamento adequado e com qualidade;
• Mapear as demandas técnicas e profissionais não atendidas nos mercados regi-
onais, buscando uma adequação demanda-oferta;
• Implantar gradualmente cursos profissionalizantes em parceria com instituições
especializadas, direcionados especialmente para jovens, em atividades relacio-
nadas às economias e vocações municipais e regionais existentes e a serem im-
plementadas, de modo a permitir a fixação de parcela significativa da população
em seu território, inclusive através de parcerias com instituições como SESC,
SESI, SENAI, SENAC, SEBRAE, com instituições não governamentais e outros
órgãos;
• Apoiar à ampliação das universidades/centros de pesquisas e ofertas de cursos
superiores e técnicos - especialmente na Região Noroeste, aumentando as pos-
sibilidades de qualificação da população;
• Implantar Consórcio Intermunicipal/Interregional de Educação Superior consoli-
dando, entre outras ações, o Programa Auxílio Universitário, com a distribuição
de bolsas de estudo para a graduação superior em faculdades e universidades
regionais e linhas de transporte interregionais, facilitando as condições de estudo
dos alunos, principalmente daqueles residentes em municípios desprovidos de
instituições de Ensino Superior;
• Estabelecer parcerias público/privado/empresas a para implantação de Centros
de Pesquisas em diferentes áreas do conhecimento, voltadas principalmente pa-
ra os investimentos produtivos locais, o desenvolvimento da tecnologia social,
reconhecendo-se o contexto;
• Firmar convênios entre poder público e universidades para qualificação profissio-
nal, com o apoio às incubadoras e fomento à empresas jovens.

Saúde
Vetor de Desenvolvimento: Melhoria da Qualidade e do Atendimento na Saúde

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 217


Objetivos Metas para 2035
Ampliação da cobertura do • Aumentar o acesso da população à Atenção Básica, com a
sistema de saúde ofertado à cobertura do PSF para 100% da população;
população • Aumentar o número de leitos do SUS para 7/1.000 habitan-
tes;
Aumento da qualidade dos • Diminuir o índice de óbitos para 5/1.000 habitantes e a mor-
serviços de saúde ofertados talidade infantil para 5/1.000 habitantes;
• Incluir programas preventivos da saúde em todos os muni-
cípios como melhorias da alimentação, atividades físicas,
programas de controle de enfermidades em todos os muni-
cípios;
• Ampliar os Programas de Planejamento Familiar e da Saúde
da Mulher para 100% da população, diminuindo o percentu-
al de mães de 10-19 anos para 5% e o percentual de parto
cesáreo para 20%;
Melhoria dos serviços de • Ampliar a acuracidade coleta e transmissão de dados em
informação em saúde todos os municípios;
Reativação e fortalecimento • Incluir todos os municípios no sistema dos Consórcios e
dos Consórcios Intermunici- garantir o funcionamento integrado e de qualidade entre os
pais de Saúde em ambas as serviços de saúde das regiões;
regiões
Implantação e/ou ampliação • Implementar e/ou melhorar os Programas de Vigilância Sa-
dos sistemas de Vigilância nitária para 100% dos municípios;
Sanitária e Epidemiologia • Cobertura do Programa de Epidemiologia para 100% dos
municípios;
Ampliação do atendimento • Ampliar o atendimento odontológico para 100% da popula-
odontológico ção;
Ampliação da oferta de sa- • Ampliar o abastecimento de água potável e o esgotamento
neamento e abastecimento sanitário gradualmente atingindo a totalidade da população
de água de todos os municípios do Norte-Noroeste até 2035.

A Saúde é uma das áreas essenciais para o bem estar dos habitantes e possui abor-
dagens curativas e preventivas, ambas muito importantes e complementares.
A Constituição de 1988 assegurou o acesso universal e equânime a serviços e ações
de promoção, proteção e recuperação da saúde. Destacam-se na viabilização plena
deste direito as Leis Orgânicas da Saúde, nº 8.080/90 e nº 8.142/90 e as Normas Ope-
racionais Básicas – NOB.
O Sistema Único de Saúde – SUS opera nas esferas federal, estadual e municipal. Em
fevereiro de 2002, foi publicada a Norma Operacional da Assistência à Saúde - NOAS-
SUS 01/2002, que ampliou as responsabilidades dos municípios na Atenção Básica,
estabeleceu o processo de regionalização como estratégia de hierarquização dos ser-
viços de saúde e de busca de maior eqüidade, criou mecanismos para o fortalecimen-
to da capacidade de gestão do Sistema Único de Saúde e procede à atualização dos
critérios de habilitação de estados e municípios.
Recentemente, o Ministério e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde desen-
cadearam diversas atividades de planejamento e adequação de seus modelos assis-
tenciais e de gestão, ponderando avanços e desafios que estas novas diretrizes orga-
nizacionais trouxeram à sua realidade.
Visando reverter o panorama geral de desigualdades regionais existente no Estado do
Rio de Janeiro e facilitar o acesso dos habitantes aos serviços do SUS, inclusive os de
maior complexidade, algumas estratégias e instrumentos foram concebidos e executa-
218 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
dos: a plena adoção da Programação Pactuada e Integrada - PPI da assistência am-
bulatorial e hospitalar, via implantação de centrais de regulação para ordenar a oferta
de serviços e agilizar o atendimento aos pacientes; assessoria às pactuações intermu-
nicipais de serviços referenciados, por intermédio de apoio direto aos gestores munici-
pais e apoio à consolidação de fóruns regionais permanentes de negociação.
Para contemplar a perspectiva de redistribuição geográfica de recursos tecnológicos e
humanos, foi elaborado o Plano Diretor de Regionalização que, no Estado do Rio de
Janeiro dividiu o Território da Saúde em 10 regiões, em alguns casos diferentes da
divisão administrativa. A diferença encontrada no Norte e Noroeste Fluminense é que
o município de Cardoso Moreira, ao invés de ser integrante da Norte, faz parte da re-
gião Noroeste.
Figura 14 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Divisão Regional da Saúde, 2009

Fonte: Caderno de Informação da Saúde, 2009


Dentre estas mudanças, foi avaliado no Estado, o Plano Estadual de Saúde, PES,
exercício 2001-2004, resultando na construção de uma nova Agenda Estadual de Sa-
úde, contendo os eixos orientadores para o novo PES.
Concomitantemente, foi elaborada uma matriz de indicadores para apoio ao processo
de diagnóstico, priorização e tomada de decisão, a partir da qual foi definida a metodo-
logia para as oficinas regionais de planejamento.
Este processo, conduzido pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro
(SES-RJ) resultou em um novo Plano Estadual de Saúde. Buscou-se também integrar
os planejamentos setoriais da SES-RJ, de forma a reduzir a fragmentação institucional
e aproximar o processo de planejamento das ações concretas de gestão. Isto implicou
uma repactuação no interior da própria Secretaria de Estado, com o objetivo de inte-
grar as ações que envolvem a gestão plena do Sistema Estadual de Saúde na estrutu-
ra mais ampla deste novo Pacto de Gestão.
O enfoque estratégico do planejamento privilegia a dimensão regional no processo de
reorientação do modelo assistencial. Neste sentido, as oficinas de planejamento, reali-
zadas nas nove Regiões de Saúde do Estado, desempenham um papel fundamental,
incluindo a participação de atores dos segmentos técnicos, de gestão e de controle
social para a definição das prioridades e pactuação das metas de saúde, bem como
das ações necessárias para atingi-las.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 219


Assim, os diversos produtos gerados ao longo do processo de planejamento tem sido
incorporados progressivamente ao PES e divulgados para os setores envolvidos e
para o público em geral, buscando dar mais transparência ao planejamento e torná-lo
mais participativo.
Em janeiro de 2009, iniciou-se a etapa de realização de Oficinas de Regionalização
para a construção dos Planos Diretores para a Saúde, sendo concluídos em meados
do mesmo ano.
Cada um dos municípios, eles podem estar habilitados à condição de: Gestão Plena
da Atenção Básica ou Gestão Plena do Sistema Municipal.
• Gestão Plena da Atenção Básica
Na primeira forma o município é responsável pela Gestão e execução da assistência
ambulatorial básica, das ações básicas de vigilância sanitária, de epidemiologia e con-
trole de doenças, gerência de todas as unidades ambulatoriais estatais (municipal/
estadual/ federal) ou privadas, autorização de internações hospitalares e procedimen-
tos ambulatoriais especializados, operação do Sistema de Informações Ambulatoriais
do SUS, Controle e avaliação da assistência básica.
A Atenção Básica é o conjunto de ações prestadas às pessoas e à comunidade, com
vistas à promoção da saúde e à prevenção de agravos, bem como seu tratamento e
reabilitação no primeiro nível de atenção dos sistemas locais de saúde.
A já citada NOAS-SUS 01/2002 criou a Gestão Plena da Atenção Básica Ampliada
como uma das condições de gestão dos sistemas municipais de saúde. Como resulta-
do, foram agregadas às atividades acima o controle da tuberculose, a eliminação da
hanseníase, o controle da hipertensão arterial, o controle da diabetes mellitus, a saúde
da criança, a saúde da mulher e a saúde bucal, com indicadores definidos anualmente
pela União.
• Gestão Plena do Sistema Municipal
Na Gestão Plena do Sistema Municipal o município é responsável pela gestão e exe-
cução de todas as ações e serviços de saúde no município, gerência de todas as uni-
dades ambulatoriais, hospitalares e de serviços de saúde estatais ou privadas, admi-
nistração da oferta de procedimentos de alto custo e complexidade, execução das
ações básicas, de média e de alta complexidade de vigilância sanitária, de epidemio-
logia e de controle de doenças, controle, avaliação e auditoria dos serviços no municí-
pio, operação do Sistema de Informações Hospitalares e do Sistema de Informações
Ambulatoriais do SUS.
Assim, neste tipo de Gestão, o Município precisa estar melhor qualificado tanto em
termos de planificação como de oferta de serviços do sistema, necessitando de uma
organização bem mais complexa. A Gestão Plena Estadual ocorre naqueles municí-
pios que ainda não estão aptos para assumir a gestão de seu sistema hospitalar.
O atendimento das populações do Norte e Noroeste Fluminense, na área da saúde,
tem tido muitos resultados positivos, alguns dos quais mais elevados do que as mé-
dias estaduais, como é o caso do quantitativo de diversos equipamentos, mortalidade
infantil e outros, com destaque para ótimos índices no Noroeste.
Para a realização da análise, foram consultados os dados estatísticos do DATA-
SUS/2009 e do Caderno de Informações em Saúde do Estado do Rio de Janeiro, Sa-
úde na Área, Regionalização, preparado pela Secretaria Estadual de Saúde e Defesa
Civil, SESDEC, em maio de 2009, além de consultas aos sites municipais e alguns
outros documentos citados.

220 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


O Caderno de Informações em Saúde foi elaborado a partir de oficinas regionais, com
uma ampla equipe de técnicos, gestores e representantes dos Conselhos de Saúde de
todos os 92 municípios do Rio. Conforme apresentado, a análise realizada é regional e
foi utilizada para fundamentar o processo de revisão do Plano Diretor de Regionaliza-
ção, PDR, após a implantação do Pacto pela Saúde e auxiliar na atualização da Pro-
gramação Pactuada Integrada, PPI, de assistência à Saúde6.
Ressalta-se que no Estado do Rio, em maio de 2009, só 25 municípios haviam assi-
nado o Termo de Compromisso de Gestão do Pacto, sendo apenas Campos dos Goy-
tacazes, no Norte, e Itaperuna, no Noroeste. Espera-se que até 2020, todos os muni-
cípios assinem o Termo de Compromisso de Gestão do Pacto.
Assim, o “Caderno” foi distribuído nas Oficinas Regionais para orientar o processo de
monitoramento e qualificação da saúde pública e fomentar o planejamento regional.
Para tal, foram utilizados diversos indicadores diretamente vinculados à Atenção Bási-
ca de Saúde, incluindo a contagem da demanda por internações por condições sensí-
veis à Atenção Básica, ISAB, juntamente com as análises da oferta de serviços em
Média e Alta Complexidade, fluxos migratórios na Saúde e outros.
Dentro desta perspectiva, definiu-se a construção dos Colegiados de Gestão Regio-
nais, para iniciar a efetiva descentralização das ações de Atenção à Saúde. Cada co-
legiado representa sua Região de Saúde e define as prioridades regionais.
Assim, o Estado do Rio definiu para cada Região de Saúde: que cuide de suas ações
de Atenção Básica e ações básicas de Vigilância Sanitária, que cada Região deve
oferecer suficiência em ações de Média Complexidade e algumas de Alta Complexi-
dade (de acordo com critérios de oferta e acessibilidade) e que arranjos inter-regionais
devem garantir as demais ações de Alta Complexidade que, se não forem possíveis,
deverão fazer parte de propostas futuras.
Durante todo o processo um dos temas centrais foi que a Atenção Básica é uma res-
ponsabilidade da Gestão Municipal e deve ser a principal porta de entrada do SUS,
enquanto o Estado deve formular políticas e regular o sistema, viabilizando ações que
garantam a integralidade da atenção e oferecendo apoio técnico para fortalecer as
ações básicas (Caderno de Informações em Saúde, 2009, p.7).
Parte dos objetivos propostos pelo próprio Estado é incorporada aqui, ressaltando-se a
sua significância, uma vez que foram elaborados desde a esfera governamental, a
partir de embasamentos teóricos e práticos, respaldados pelas Oficinas de Saúde,
realizadas pelos profissionais que trabalham na área e estão continuamente obser-
vando as deficiências e potencialidades locais.
Isto engloba os encaminhamentos dos profissionais atuantes da área no Norte e no
Noroeste que são de cunho prático e apontam às demandas vividas no dia-a-dia sen-
do, portanto, muito significativos.
A partir da análise, foi ressaltada, no Norte, a inoperância do Consórcio Intermunicipal
de Saúde. Na Atenção Básica, as melhoras devem advir de uma melhor qualificação
profissional, do aumento expressivo da integração entre os municípios, das melhorias
nas infraestruturas das edificações utilizadas, mais laboratórios e viaturas e ainda do
aumento da acuracidade dos indicadores de AIH e SIA registrados e gestão mais efi-
ciente.

6
O Pacto pela Saúde traz como eixo principal a necessidade de instituir uma regionalização de base
cooperativa, respeitando a autonomia dos entes federados. Entre 2004 para 2009 houve no Brasil um
grande aumento de adesão municipal ao Programa, passando de 681 municípios habilitados para 2.753.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 221


Na Média Complexidade, os profissionais apontaram a melhoria na acessibilidade aos
leitos, ampliar-se o conhecimento das referências dos serviços ofertados, diminuir-se o
percentual de cesariana, aumento dos recursos existentes para a Oncologia na Regi-
ão, a necessidade de um laboratório regional de saúde pública e a adequação da con-
tagem dos equipamentos apresentados com a realidade.
No âmbito da Alta Complexidade é preciso melhorar a oferta de serviços e recursos
disponíveis, ampliar o acesso aos leitos de CTI e outras internações solicitadas pelos
municípios, definir-se claramente os hospitais de referência e ampliar a equidade de
pactuação entre municípios “pequenos”, “grandes” e o Estado.
No Noroeste, foram discutidos para a Atenção Básica a baixa cobertura da Saúde Bu-
cal, pouca resolutividade do PSF e uma cobertura aquém do que é divulgado, escas-
sez de equipamentos, alta rotatividade de profissionais, insuficiência de recursos hu-
manos para a área técnica, além do baixo custeio para ações da Atenção Básica em
relação à Alta Complexidade.
Na Média Complexidade, constatou-se a pequena cobertura de consultas, a falta de
LACEN (Laboratório de Saúde Pública) regional, consultas e procedimentos de algu-
mas especialidades abaixo do parâmetro (Proctologia, Hematologia, Oftalmologia e
Angiologia) e a necessidade de equipamentos para diagnóstico.
Com relação às dificuldades enfrentadas na atenção de Alta Complexidade, dificulda-
de de acesso em hospitais de referência no Rio de Janeiro, insuficiência de UTI Neo-
natal e UTI móvel, dificuldade de vagas de internação para gestantes de alto risco e
falta de referência em neurocirurgia e traumatologia.
As deficiências encontradas embasaram a identificação da superação de alguns obje-
tivos mais emergenciais e o estabelecimento das metas para a área da saúde regio-
nal.

Objetivo: Ampliação da Cobertura dos Serviços de Saúde Ofertados à População


Uma das metas que envolve a melhoria do acesso da população aos serviços de saú-
de, engloba primordialmente a cobertura dos serviços de atenção básica, com desta-
que para a cobertura do PACS e/ou do PSF para 100% da população. Esta meta se
relaciona também com a NOAS-SUS 01/2002 e com as próprias diretrizes do estado,
para que cada Região seja auto-suficiente na Atenção Básica.
A cobertura da Atenção Básica de Saúde foi verificada pelos indicadores de população
atendida no PACS e no PSF. Na maioria dos municípios verificou-se aumento da co-
bertura, com destaque para Carapebus, que teve toda sua população coberta pelos
Programas entre 2002 e 2007, Conceição do Macabu, que aumentou sua cobertura
de 13,4% para 99,5% e Quissamã, que também dobrou seu valor para atender a
110% de seus habitantes.
Neste mesmo período, Cardoso Moreira ampliou seu percentual para 75,6% da popu-
lação e Macaé alcançou 50,5%. Obtiveram menores aumentos São Francisco de Ita-
bapoana, que alcançou 38,6% de cobertura e São João da Barra, 58,1%. Diminuíram
os percentuais de cobertura na Atenção Básica Campos, que caiu de 47,6% para me-
nos da metade, 21,3% e São Fidélis, que passou de 32,4% para 28,3%.
Observa-se que a cobertura da Atenção Básica para Campos dos Goytacazes e Ma-
caé, considerando-se o porte de ambos os municípios era extremamente inferior ao
desejado, especialmente em Campos dos Goytacazes, que cobria apenas 21,3% da
população, um dos piores índices regionais.
222 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Entretanto, as informações do site da Prefeitura de Macaé são diferentes desta análi-
se, pois diz-se que os programas de saúde do município atingem a quase toda a popu-
lação e que, devido ao êxito do sistema a cidade foi apontada como modelo nacional
neste quesito, sendo que foram instaladas novas unidades básicas de saúde e módu-
los do PSF.
A cobertura na Atenção Básica foi verificada pelos indicadores de população atendida
no PACS e no PSF. Na maioria dos municípios, verificou-se aumento da cobertura,
com destaque para Natividade e Varre-Sai, que tiveram toda sua população coberta
pelos Programas, tanto em 2002, como em 2007, Porciúncula, que aumentou sua co-
bertura de 37,3% para 100,8% e São José de Ubá que também ofertou em 2007 de
Atenção Básica para toda a sua população.
Neste mesmo período, Cardoso Moreira ampliou seu percentual para 75,6% da popu-
lação e Macaé alcançou 50,5%. Obtiveram menores aumentos São Francisco de Ita-
bapoana, que alcançou 38,6% de cobertura e São João da Barra, 58,1%. Diminuíram
os percentuais de cobertura na Atenção Básica em Campos dos Goytacazes, que caiu
de 47,6% para menos da metade, 21,3% e São Fidélis, que passou de 32,4% para
28,3%. (Ministério da Saúde, situação no final do ano, 2009).
No Noroeste também foi freqüente o aumento de cobertura na Atenção Básica, com
destaque para Natividade e Varre-Sai, que tiveram toda sua população coberta pelos
Programas, tanto em 2002 como em 2007, Porciúncula, que aumentou sua cobertura
de 37,3% para 100,8% e São José de Ubá, que também ofertou em 2007 a Atenção
Básica para toda a sua população. Itaperuna e Pádua ofereceram a cobertura de
54,5% e 42,8% de sua população, valores inferiores aos esperados considerando-se o
porte de ambos os municípios.
Neste mesmo período, Bom Jesus do Itabapoana ampliou seu percentual para 89,5%,
Aperibé alcançou 76,8% da população e Itaocara 64,2%, Miracema dobrou seu valor
para 60,5%. Diminuíram um pouco estes percentuais de Cambuci e Italva, atingindo a
89% de sua população e Laje do Muriaé, que caiu de 52,1% para menos da metade.
Observa-se ainda que, tanto no Norte como no Noroeste, não havia informações com-
pletas sobre a cobertura dos Programas de Atenção Básica, seja pela própria desin-
formação ou pela inexistência destes nos municípios, o que diminuiu a cobertura ofer-
tada à população.
O Caderno de Informações da Saúde apresentou dados mais atualizados, de 2008.
Estes dados apontam que a Região Noroeste ainda concentrava o maior número de
municípios com as maiores coberturas do PSF, indicando uma vantagem no que se
refere à saúde preventiva em detrimento da Região Norte.
No Norte, verificaram-se melhoras significativas na cobertura do PSF entre 2000 e
2008, ficando com cobertura igual ou abaixo de 25% as populações de São Fidelis,
São Francisco de Itabapoana e Carapebus. São João da Barra ocupou uma posição
intermediária, oferecendo cobertura de até 50% de sua população. Campos dos Goy-
tacazes melhorou expressivamente sua oferta, passando a ocupar, juntamente com
Quissamã, as posições de maior cobertura do PSF na Região, variando entre 75 e
100% de população atendida, conforme representado no Mapa a seguir.
No Noroeste, Itaocara apresentou a menor cobertura regional, de 25 a 50%, seguido
de Laje do Muriaé, São José de Ubá, Italva e Cardoso Moreira, com cobertura de 50 a
75%. O restante dos Municípios oferece o PSF para mais de 75% da população.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 223


Mapa 11 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Cobertura do Programa Saúde da Família, 2008

Fonte: Caderno de Informações em Saúde, 2009

224 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Para 2035, espera-se que os municípios possam ofertar 100% de cobertura dos pro-
gramas de Atenção Básica para seus habitantes, sejam o PACS e/ou o PSF, aumen-
tando-se o caráter preventivo de atenção à saúde.
Gráfico 14 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Atenção Básica, 2020- 2035

Fonte: Ministério da Saúde, 2009

Outro indicador que reflete amplitude da cobertura dos serviços de saúde é o número
de leitos existente em cada município e na Região como um todo. No Estado, em de-
zembro de 2008 havia um total de 24.341 leitos gerais destinados ao SUS (excluídos
leitos psiquiátricos, leitos de crônicos e hospital-dia), numa razão 1,5 leitos/ 1000 hab.

No Norte, São Fidelis apresentou, em 2000, mais leitos por 1.000 habitantes, 5,5, sen-
do 4,6 destes do SUS, seguido por Campos, 4,3 leitos/1000 hab., com 3,3 destes sen-
do do SUS. Os municípios com menos oferta de leitos/1.000 hab. foram São João da
Barra com 2,2 (sendo 1,7 do SUS) e São Francisco do Itabapoana com 0,9 lei-
tos/1.000 hab. (todos do SUS).

Comparando-se com a referência estadual, na Região apenas São Francisco do Ita-


bapoana possuía o número de leitos abaixo da média de estadual 1,5 leitos/1000 hab.
com os outros municípios apresentando este indicador bem acima da média.

Entretanto, os parâmetros da Portaria GM/MS no 1.101/2002 consideram que os valo-


res satisfatórios devem ser de 2,5 a 3 leitos/1.000 hab. Com base nesta referência, em
2002 a Região apresentou um quantitativo de leitos gerais do SUS de 1.732, 2,2 lei-
tos/1.000 hab., valor este inferior aos parâmetros da Portaria que representaria entre
1.972 a 2.336 leitos para o Norte (Caderno da Saúde, 2009).

Sendo assim, apenas 3 de seus municípios atingiram o parâmetro: São Fidélis, 4,2
leitos, Conceição do Macabu, 3,5 leitos e Quissamã, 2,5 leitos/1.000 hab.

Carapebus possui atualmente convênio com Quissamã, para que seus habitantes te-
nham acesso a exames, cirurgias e intervenções no Hospital Municipal Mariana Maria
de Jesus, que tem 160 leitos, incluindo obstetrícia, ortopedia, otorrinolaringologia, of-
talmologia e exames de média e alta complexidade. Antes tinham convênio com a Ir-
mandade São João Batista, em Macaé, mas que foi cancelado pelo problema da su-
perlotação.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 225


Mapa 12 – Região Norte-Noroeste Fluminense - Cobertura do Programa Saúde da Família, 2007 - 2035

Fonte: Ministério da Saúde, 2009

226 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


No Noroeste, em 2002, Bom Jesus do Itabapoana se destacou com um número ex-
pressivo de leitos por 1.000 habitantes, 18,1, sendo 15 destes do SUS, seguido por
Italva, 10,2 leitos/1000 hab., todos estes do SUS. Itaperuna e Pádua oferecem 8,3
leitos/1000 hab. cada, sendo que no primeiro 5,2 são do SUS e no segundo, este nú-
mero representa quase a totalidade de 7,9 leitos. Seguem-se Laje do Muriaé, com 6,3
leitos/1.000 hab., Cambuci, 5,6 leitos, Itaocara com 5,2 leitos e Aperibé, 3,7 leitos.
Os municípios com menos oferta de leitos/1.000 hab. foram Porciúncula, 3,3, Nativida-
de, 3,2 e Miracema, 2,6 leitos/1.000 hab.
A distribuição de leitos foi, também, muito desproporcional entre as regiões, sendo que
a Noroeste apresentou o maior número de leitos, de 7,8/ 1.000 habitantes, valor este
elevado para cima especialmente devido aos números de leitos apresentados por Bom
Jesus de Itabapoana, e todos os municípios tiveram este indicador bem acima da mé-
dia, de 1,5 leitos/1000 hab.
De acordo com o Caderno de Informações em Saúde (2009), em 2002 a Região Noro-
este apresentou um quantitativo de leitos gerais SUS (excluídos leitos de Psiquiatria,
crônicos e hospital-dia) de 1.353 leitos, 4,1 leitos/1.000 hab., valor superior aos parâ-
metros, de 2,5 a 3 leitos/1.000 hab. Nesta perspectiva, apenas Miracema não alcan-
çou a meta (não possui unidade hospitalar).
Ponderando a capacidade de leitos do Sistema de Saúde de cada Região, estabele-
ceu-se uma meta diferenciada para o Norte e Noroeste em 2020. Para o Noroeste,
espera-se a manutenção da média de 5,8 leitos por 1000 habitantes, já alcançada em
2007, uma vez que supera os parâmetros estabelecidos pela Portaria GM/MS no
1.101/2002.
Já no Norte, com o aumento populacional expressivo previsto em alguns municípios
nos próximos anos, a meta de 2020 é elevar o número de leitos do SUS para 4/1.000
habitantes.
Todavia, para 2035, as metas propostas se igualam, subindo para a proporção de 7
leitos do SUS/1.000 habitantes, inclusive prevendo-se os aumentos populacionais.

Gráfico 15 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Leitos do SUS, 2020 – 2035

Fonte: Ministério da Saúde - IBGE/Censos Demográficos, 2009

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 227


Mapa 13 – Região Norte-Noroeste Fluminense – Leitos do SUS, 2007- 2035

Fonte: Ministério da Saúde - IBGE/Censos Demográficos, 2009.

228 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Objetivo: Aumento da Qualidade dos Serviços de Saúde Ofertados
Outro aspecto para melhorar-se a saúde é a qualidade dos serviços ofertados na área,
que vão refletir diretamente na melhoria de alguns indicadores, como no caso dos ín-
dices de mortalidade adulto e infantil.
Estas taxas de mortalidade adulto e infantil são indicadores sensíveis para avaliar-se a
qualidade dos serviços da Atenção Básica, da assistência hospitalar prestada, o con-
texto epidemiológico, entre outros fatores. Podem contribuir também para a avaliação
da disponibilidade e acesso aos serviços e recursos relacionados à saúde. No caso da
mortalidade infantil, auxiliam a avaliar a atenção ao pré-natal e ao parto, a vacinação
contra doenças infecciosas infantis, a disponibilidade de saneamento básico, entre
outros. (Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – Brasil, 2008, p. 256).
Por estar estreitamente relacionada ao rendimento familiar, ao nível da fecundidade, à
educação das mães, à nutrição e ao acesso aos serviços de saneamento, a redução
da mortalidade infantil é um dos objetivos do desenvolvimento sustentável.
As taxas de mortalidade infantil foram classificadas pela Organização Mundial da Saú-
de – OMS7 de: altas, aquelas de 50 óbitos/ mil nascidos vivos ou mais; médias, aque-
las entre 20-49/mil nascidos vivos e baixas as que totalizam óbitos menores que 20/mil
nascidos vivos.
O Brasil vem experimentando um declínio acelerado nas taxas de mortalidade infantil,
passando de 47,0% para 25,8%, entre 1990 e 2005, correspondendo a uma queda de
45%, que ocorreu, sobretudo devido à melhoria das condições de vida da população,
como melhor nível educacional, ampliação da vacinação contra doenças infecciosas
infantis e o incentivo ao aleitamento materno, reduzindo os óbitos de menores de 1 de
idade. (Indicadores de Desenvolvimento Sustentável - Brasil 2008, p. 256, 257).
No Norte, observando-se os anos de 2000 e 2006, nos quais aconteceu aumento de
população na maioria dos municípios, houve um pequeno aumento do número de óbi-
tos/1.000 hab. em Campos, Cardoso Moreira, Conceição de Macabu, e São João da
Barra. Macaé, São Fidelis, São Francisco do Itabapoana mantiveram seus valores
praticamente estáveis. Neste mesmo período, apresentaram decréscimo no número
de óbitos Carapebus e Quissamã.
Apesar das mudanças não se verificam grandes variações deste indicador no período,
no Norte, observando-se que enquanto o número de óbitos/1.000 hab. ficou entre 5 a
8/1.000 hab. na maioria nos municípios, Cardoso Moreira foi o que apresentou maior
aumento do indicador entre 2000-2006., sendo que em 2006 seu valor foi o mais ele-
vado, 10,6 óbitos/1.000 hab., quase o dobro do menor valor de Macaé, 5,7 óbi-
tos/1.000 hab.
Em 2006, o percentual de óbitos infantis no total de óbitos decresceu significativamen-
te em quase todos os seus municípios. Em Campos representou 4,2% do total, segui-
do por São João da Barra, 3,5%, Carapebus, 3,1%, Macaé e São Francisco de Itaba-
poana, ambos com taxa de 2,8%, e próximo a Conceição do Macabu, com 2,7% e São
Fidélis, 2,4%. Destaque para Quissamã, que apresentou a menor taxa de mortalidade

7
A Assembléia Geral das Nações Unidas estabeleceu as Metas do Milênio para implementar a
Declaração do Milênio, adotada por unanimidade pelos países-membros da ONU, em 2000.
Para a mortalidade infantil, os países se comprometeram a reduzir suas taxas em 2/3 até 2015,
adotando 1990 como ano de referência. (Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – Brasil,
2008, p. 256, 257), (ver anexo I).

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 229


infantil do Estado, 1,8% do total de óbitos. Ao contrário, Cardoso Moreira apresentou
em 2006 uma taxa de óbito infantil elevada de 5,5%, a maior da Região e praticamente
quintuplicou seu valor, o que demanda uma investigação sobre as causas de tamanha
piora.
No Noroeste, neste mesmo período, houve um pequeno aumento do número de óbi-
tos/1.000 hab. em Cambuci, Italva, Natividade. Itaocara, Itaperuna, Laje do Muriaé,
Porciúncula mantiveram seus valores praticamente estáveis.
As doenças cardiovasculares foram a principal causa de óbito no Norte, com valores
bem maiores do que os outros grupos de causas, seguido pelo câncer. Ressalta-se
também que em alguns municípios os homicídios e/ou acidentes de transporte foram a
terceira maior causa de mortalidade da população e não as enfermidades.
A taxa de mortalidade por homicídio/100.000 hab. foi extremamente maior em Macaé,
68,4, seguido por Carapebus, 48, Campos e Conceição de Macabu, ambos com 40.
Destacam-se São Fidélis e São João da Barra com as menores taxas de 5,2 e 7, res-
pectivamente. Com relação aos óbitos por acidentes de transporte/100.000 hab. os
índices mais elevados ocorreram em Cardoso Moreira, 64,3, seguido por Quissamã,
49,9.
As doenças cardiovasculares também foram, assim como no Norte, a principal causa
de óbito no Noroeste, com valores bem maiores do que os outros grupos de causas,
seguido pelo câncer. Ressalta-se também que na maioria dos municípios a diabetes
foi a terceira causa de óbitos/100.000 hab. e as taxas de homicídios não foram tão
elevadas, na maioria dos casos estando abaixo do percentual de mortalidade por aci-
dentes de transporte.
Os óbitos relacionados com homicídios e acidentes de transporte são discutidos no
Vetor Segurança, com metas afins.

Neste caso, as metas para o número de óbitos foi de 5/1.000 habitantes em 2035, si-
milar aos valores atuais do México e do Equador.

Gráfico 16 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Mortalidade, 2020 – 2035

Fonte: Ministério da Saúde - IBGE/Censos Demográficos

230 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Mapa 14 – Região Norte-Noroeste Fluminense – Número de Óbitos, 2006 - 2035

Fonte: Ministério da Saúde - IBGE/Censos Demográficos

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 231


Apresentaram decréscimo no número de óbitos Aperibé, Bom Jesus do Itabapoana,
Miracema, Pádua, São José de Ubá e Varre-Sai. Assim, apesar do aumento popula-
cional o número de óbitos também se manteve estável em seus municípios, variando
entre 6 a 9/1.000 hab., com destaque para o menor valor em São José de Ubá, 4,5 e o
maior valor de Italva, 9,3 óbitos/1.000 habitantes.
Destes valores, em 2006, o percentual de óbitos infantis no total foi maior em São Jo-
sé de Ubá, 4,5% seguido por Itaperuna, 4,4% do total, Varre-Sai, 3,9% e Natividade,
3,5%, representando os valores mais elevados da Região. Para os outros municípios
os percentuais foram mais baixos, entre 2 e 3%. Destaque para Porciúncula, com o
percentual de óbitos infantis no total de 1,4% e Itaocara, 1,5%, que apresentaram ta-
xas de mortalidade infantil pequenas.
Observa-se, ainda, que quase todos os municípios apresentaram decréscimo na taxa,
especialmente Varre-Sai, com queda de 13,8% para 3,9% e Natividade, que apresen-
tou queda de 9,3% de óbitos infantis do total para 3,5% em 2006. O único aumento
expressivo ocorreu em São José de Ubá, que teve aumento no percentual de 2,4%
para 10%, praticamente quintuplicando seu valor.
Desde outra perspectiva, que considerou o cálculo da taxa de mortalidade infantil por
1.000 nascidos vivos, em 2008, no Norte os índices se apresentaram extremamente
elevados em Cardoso Moreira, 38%, seguido de Campos, 19,6, com a metade do seu
percentual. Os menores valores foram os de Macaé, 8,3% e Quissamã, 6,7%. O res-
tante dos municípios apresentaram variações das taxas entre 18%, em São Fidélis e
São João da Barra e 11,5%, em São Francisco do Itabapoana.
No Noroeste esta taxa foi extremamente elevada em São José de Ubá, 31,6%, segui-
do por Itaperuna, 25,2%, ambas classificadas como taxas médias e em Natividade,
18,8%, já classificada como uma taxa baixa. Houve também um grupo de municípios
com taxas entre cerca de 9 a 17%, com os menores valores apresentados por Porci-
úncula, 9,0%, Aperibé, 9,4% e Varre-Sai, 9,5%.
As metas estabelecidas para a mortalidade infantil são de diminuição para 10/1.000
nascidos vivos em 2020 e para 5/1.000 nascidos vivos, em 2035, ambas consideradas
taxas baixas pela OMS, também comparadas com os valores de Cuba e Canadá, em
2009.
Gráfico 17 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para a Mortalidade Infantil,
2020 - 2035

Fonte: Ministério da Saúde - IBGE/Censos Demográficos

232 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Mapa 15 – Região Norte-Noroeste Fluminenses - Mortalidade Infantil, 2006 - 2035

Fonte: Ministério da Saúde - IBGE/Censos Demográficos

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 233


Outra meta deste Vetor é a inclusão de programas preventivos da saúde em todos os
municípios do Norte e Noroeste Fluminenses, trabalhando-se junto à população temas
como uma alimentação saudável, a prática de atividades físicas, programas de contro-
le de enfermidades e outros.

Faz parte deste quadro, a ampliação dos Programas de Planejamento Familiar e da


Saúde da Mulher para 100% da população porque, conforme a Análise Situacional,
foram observados altos índices de gravidez na adolescência e de parto cesáreos, além
de outros problemas, que podem ser minimizados com programas educativos para
jovens e adultos, especialmente voltados para o sexo feminino.

O Caderno da Saúde (2009) apontou que o percentual de mães de 10 -19 anos foi
bastante alto em todos os municípios, que apresentaram taxa acima de 20%, à exce-
ção de Campos e São Fidelis.

Os maiores índices foram de Cardoso Moreira e Conceição de Macabu, 27,2%.

Todos os municípios do Norte também apresentaram taxas de cesárea superior ao


esperado. Por exemplo, em Carapebus, em 2007, 74,2% dos partos foram cesáreos,
similar ao índice de 72,7% em Cardoso Moreira.

Neste ano, o menor índice foi o de São Francisco do Itabapoana, com 48,4% de cesá-
reas, ainda bastante elevado.

Segundo informações do Caderno de Informações em Saúde (2009), a oferta de servi-


ços de planejamento familiar na Região Norte, além de ser a menor de todo o Estado
sofreu uma queda de 9,1% entre 2000-2005 e ainda, a cobertura de Saúde da Família
ocupou a pior posição no “ranking” regional.

Esta conjuntura de dados aponta para a gravidez “precoce” como uma questão regio-
nal preocupante, que precisará ser melhor trabalhada nas políticas públicas de saúde.

No Noroeste estes problemas persistem, pois todos seus municípios tiveram um per-
centual de mães de 10 -19 anos elevado, com uma média de 20% de gravidez nesta
faixa etária, sendo melhor em Miracema e Natividade, ambos com 16,9% de gravidez
e maior em Varre-Sai, 25,1% e São José de Ubá, 24,2%.

Os municípios também apresentaram altas taxas de cesárea. Em 2007, em Itaocara,


93,7% dos partos foram cesáreos, com valores de 87,7% em Aperibé, 83,2% em São
José de Ubá, 82% em Varre-Sai. Neste ano, o menor índice foi o de Porciúncula,
63,1% de cesáreas. Adverte-se que as cesáreas geram um custo mais elevado devido
ao tempo de internação e aos procedimentos necessários e apresentam desvantagens
médicas se comparadas ao parto normal, salvo situações específicas.

Ressalta-se que Itaocara apresentou a menor proporção de consultas pré-natal e a


maior taxa de cesárea da Região. Cardoso Moreira, Italva, Laje do Muriaé, Miracema e
Natividade apresentaram proporção de consultas pré-natal superior à meta de 70%
estabelecida pelo Pacto pela Vida, em 2008.

Neste caso, apesar do crescimento da oferta de serviços de planejamento familiar no


Noroeste entre 2000-2005, 61,5%, a Região ainda ocupou a terceira pior posição es-
tadual quanto à disponibilidade destes serviços. (Cadernos de Informações em Saúde,
2009).

234 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Gráfico 18 - Região Norte Fluminense, Percentual de Mães de 10 a 14 Anos e de 10 a 19 Anos - 2006

Percentual de Mães de 10 a 14 Anos e de 10 a 19 Anos dos Municípios da Região Norte Fluminense- 2006
% de mães
30
27,2 27,2
24,9
25 23,9
22,5
20,7 21,3 21,5

20

14,3
15

10

5
1,0 1,1 1,3 0,6 1,3 0,8
- 0,3 -
0
Campos dos Carapebus Cardoso Moreira Conceição de Macabu Macaé Quissamã São Fidélis São Francisco de São João da Barra
Goytacazes Itabapoana
Municípios

% de Mães com 10-14 anos % de Mães com 10-19 anos

Fonte: Ministério da Saúde - IBGE/Censos Demográficos, 2009.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 235


Gráfico 19 - Região Noroeste Fluminense, Percentual de Mães de 10 a 14 Anos e de 10 a 19 Anos – 2006

Percentual de Mães com 10 a 14 Anos e com 10 a 19 Anos dos Municípios da Região Noroeste Fluminense - 2006

% de Mães
30
25,1
23,7 23,9 24,2
25
21,4 21,7
20,0 20,0 19,1
20 18,9
18,0
16,9 16,9

15

10

5
1,9 1,7
0,6 0,6 0,7 0,7 0,5 0,5 0,5 0,8 0,9
- -
0
Aperibé Bom Jesus do Cambuci Italva Itaocara Itaperuna Laje do Muriaé Miracema Natividade Porciúncula Santo Antônio São José de Varre-Sai
Itabapoana de Pádua Ubá
Municípios

% de Mães com 10-14 anos % de Mães com 10-19 anos

Fonte: Ministério da Saúde - IBGE/Censos Demográficos, 2009

236 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Mapa 16 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Mães entre 19 – 25 anos, 2006 - 2035

Fonte: Ministério da Saúde - IBGE/Censos Demográficos, 2009

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 237


Espera-se que o percentual de mães de 10 a 19 anos se reduza para 12, em 2020, e
5, em 2035, protegendo-se este grupo de população e evitando-se o aumento de
graus de pobreza referentes a um aumento de população sem condições favoráveis
de sobrevivência.

Gráfico 20 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para o Percentual de Mães de


10 a 19 Anos – 2020 – 2035

Fonte: Ministério da Saúde - IBGE/Censos Demográficos, 2009

Considerando-se o percentual de partos cesáreos, a meta é de uma redução para


45% em 2020, valor ainda elevado, mas factível de ser alcançado tendo em vista o
contexto, com queda para 20% em 2035.

Gráfico 21 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para o Percentual de Cesáreas –


2020 - 2035

Fonte: Ministério da Saúde - IBGE/Censos Demográficos, 2009

238 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Mapa 17 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Partos Cesáreos, 2006- 2035

Fonte: Ministério da Saúde - IBGE/Censos Demográficos, 2009

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 239


Objetivo: Reativação e Fortalecimento dos Consórcios Intermunicipais de Saúde
em Ambas as Regiões

O objetivo da reativação do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Norte Fluminense e


do fortalecimento deste mesmo Consórcio no Noroeste é a integração dos recursos
disponíveis na área de maneira que as Regiões sejam crescentemente auto-
suficientes nos diferentes graus de complexidade da atenção na saúde, oferecendo
maior cobertura dos procedimentos, especialidades e serviços à população.

Objetivo: Implantação e/ou Ampliação dos Sistemas de Vigilância Sanitária e


Epidemiologia
Na etapa anterior da pesquisa foi constatado que a Vigilância Sanitária e a Epidemio-
logia não estão presentes em todos os municípios das regiões e
Não possuem Vigilância Sanitária, os municípios de São Fidélis, São Francisco do
Itabapoana e São João da Barra no Norte e Cambuci, Laje do Muriaé, Miracema, Nati-
vidade, Santo Antônio de Pádua no Noroeste, deixando lacunas importantes na área
de atuação. Ressalta-se ainda que Italva e Itaocara possuem duas unidades de Vigi-
lância em Saúde cada, porém privadas.
A Vigilância Sanitária é imprescindível para a prevenção, o controle e regulamentação
dos processos que envolvem manutenção da higiene e da saúde pública em diversos
estabelecimentos como matadouros, criação de animais, hospitais, farmácias, restau-
rantes, vigilância de lotes vagos, dentre outros.
A Epidemiologia previne o controle da ocorrência de enfermidades nos municípios,
através de monitoramentos, pesquisas, elaboração de materiais informativos para a
população e controle de endemias.
A proposta é a implementação do serviço de Epidemiologia e Vigilância Sanitária em
todos os municípios deficientes, garantindo condições estruturais para sua atuação e
efetividade nos serviços prestados.

Objetivo: Ampliação do Atendimento Odontológico

A Saúde Bucal vem sendo crescentemente reconhecida como fator essencial para a
saúde global de um paciente, resultando em reforço à saúde ou agravamento de do-
enças, dependendo de sua qualidade.

Os dados de porcentagem da Saúde Bucal de 2008 apontam que os valores mais bai-
xos de cobertura a até 25% da população, ocorreram em Italva e Itaocara localizados
no Noroeste Fluminense e em Cardoso Moreira, localizado no Norte, onde os demais
municípios apontam para uma cobertura de mais de 25% de sua população. Quissamã
e Campos apresentaram as maiores coberturas da Saúde Bucal, entre 75 a 100%.

Na Região Noroeste também houve outros atendimentos com alta cobertura, entre 75
a 100%, assim como identificado anteriormente na cobertura do PSF, demonstrando
uma estrutura mais completa que a Região Norte.

A meta é que a cobertura odontológica atinja 100% da população em 2035.

240 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Mapa 18 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Cobertura da Saúde Bucal, 2008

Fonte: Caderno de Informações em Saúde, 2009

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 241


Objetivo: Ampliação da Oferta de Saneamento e Abastecimento de Água
Itens também essenciais à manutenção da saúde, o saneamento e o abastecimento
de água potável encontravam-se insuficientes em ambas as Regiões, ainda na atuali-
dade, e serão discutidos como um Vetor em separado.
Estratégias de Desenvolvimento
• Incrementar infraestruturas e equipamentos da Saúde, com destaque para novas
viaturas, laboratórios e também o número de leitos ofertados no Sistema Único
de Saúde, especialmente na Região Norte;
• Ampliar os programas preventivos, o Programa de Atenção Comunitária e o Pro-
grama de Saúde da Família nas regiões, visando o atendimento de toda a popu-
lação;
• Implantar Programas de Planejamento Familiar e de Saúde da Mulher, junto ao
acompanhamento pré-natal, visando minimizar problemas como gravidez preco-
ce, DSTs, mortalidade infantil e outros problemas;
• Criar equipamentos para atenção à gestante de baixo risco/Casas de Parto, além
de implantação da política de humanização do parto;
• Implantar e/ou ampliar os programas preventivos de saúde ofertados nos muni-
cípios, como melhorias na alimentação, atividades físicas, programas de controle
e acompanhamento de enfermidades, combate à uso de drogas, dentre outros;
• Ampliar a oferta de atendimento odontológico para todas as faixas etárias, inclu-
indo programas educativos e preventivos nas escolas;
• Aumentar a divulgação dos serviços ofertados na área, especialmente aqueles
de média e alta complexidade, a partir de um mapeamento dos equipamen-
tos/capacidade instalada, disponíveis na rede SUS dos municípios;
• Capacitar permanentemente os profissionais da saúde, incluindo os agentes co-
munitários do PSF, que são de fundamental importância na qualidade dos servi-
ços oferecidos à população, no seu papel de informá-los sobre questões signifi-
cativas e encaminhá-los para os outros serviços de saúde;
• Capacitar a equipe técnica, inclusive nível médio, das Secretarias Municipais de
Saúde para atualização continuada referente à gestão do sistema;
• Planejar e buscar mais recursos financeiros para a Atenção de Alta Complexida-
de, que tem apresentado dificuldades significativas para ofertar os atendimentos
demandados pela população;
• Ampliar o número de atendimentos disponíveis em algumas especialidades me-
dicas, que em alguns casos estão abaixo na meta estabelecida pelos parâmetros
e/ou abaixo das necessidades da população;
• Ampliar a oferta de saneamento para toda a população dos municípios, evitando
a proliferação de enfermidades;
• Melhorar o sistema de acompanhamento e avaliação dos dados, a partir do Sis-
tema do Ministério da Saúde, preocupando-se especialmente com a acuracidade
da coleta e transmissão de dados;
• Facilitar o acesso à informação dos municípios junto à SESDEC, favorecendo o
fluxo de informações de ambas as partes;

242 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


• Reativar o Consórcio de Saúde da Região Norte e fortalecer o Consórcio Inter-
municipal da Região Noroeste (CONSPNOR), revendo a integração entre os mu-
nicípios e o repasse de recursos financeiros do convênio junto a SESDEC, pos-
sibilitando inclusive a redução de custos operacionais;
• Incrementar os Consórcios Intermunicipais de Saúde, no âmbito interregional –
melhorando a comunicação entre os Secretários Municipais de Saúde - visando
a busca de soluções e propostas para problemas significativos na área e que po-
dem ser melhor equacionados com a unificação dos recursos, uma vez que al-
guns problemas alcançam frequentemente dimensões intermunicipais;
• Planejar para que Municípios melhor preparados se tornem pólo de determina-
dos serviços de saúde ofertados em sua microrregião, regulamentando procedi-
mentos que em alguns casos já ocorrem espontaneamente por parte dos pacien-
tes e devem referenciados em torno daqueles municípios que possuam as me-
lhores condições na área;
• Implementar e ou desenvolver o trabalho da VISA – Vigilância Sanitária, que tem
uma relevância enorme na regulação de temas relacionados à manutenção da
higiene e da saúde;
• Desenvolver o Serviço de Epidemiologia, prevenindo e controlando a ocorrência
de enfermidades, através de pesquisas, elaboração de material informativo para
a população e controle de endemias;
• Estruturar melhor e/ou implementar as redes de especialidades, urgência e e-
mergência em ambas as regiões;
• Pleitear, junto às instituições acadêmicas, a oferta de residências e internatos
nas regiões, priorizando as áreas com baixa oferta de profissionais;
• Reorganizar, reordenar e equipar as Centrais Regionais de Regulação, que or-
ganizam os atendimentos entre municípios e otimizam os recursos disponíveis,
verificando-se também os fluxos intermunicipais dos atendimentos realizados nos
serviços de saúde, para uma melhor resolutividade dos Sistemas;
• Garantir a implantação do Serviço de Verificação de Óbitos Regionais;
• Estabelecer nas Regiões Centros de Referência para as doenças infecto-
contagiosas, ampliando-se o potencial preventivo e educativo da saúde, além de
preparar-se para situações de risco à saúde;
• Fortalecer os Colegiados de gestão regional, dando-lhes condições para exerce-
rem seu papel como agentes de discussão e avaliação das condições do aten-
dimento de saúde pública e os Conselhos Municipais de Saúde.

Eixo de Desenvolvimento
Vetor de Desenvolvimento: Diminuição da Desigualdade Social

Objetivos Metas para 2035


Aumento da Equidade Social • Reduzir o Índice Gini para 0,35
• Diminuir a Razão de Renda entre os mais ricos e os mais
pobres para entre 8 e 12.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 243


(continuação)
Objetivos Metas para 2035
Diminuição da Pobreza e • Diminuir de índice de pobreza para 5%;
Erradicação da Indigência • Aumentar a renda per capita média para 2,5 salários mín-
mos ;
• Erradicar o índice de indigência, ou seja, 0% de indigentes;
• Diminuir o percentual de famílias que recebem o Bolsa Fa-
mília para 5% do total;
Ampliação da oferta de ser- • Ofertar educação, saúde, assistência social e outras políti-
viços públicos, com desta- cas públicas para todos aqueles que assim o necessitem;
que para a ampliação da • 100% dos grupos vulneráveis com cobertura e atendimento
cobertura e do atendimento no CRAS, CREAS e outros programas de proteção simila-
dos grupos vulneráveis res;
• Apoio aos idosos e aos portadores de necessidades especi-
ais - 100%;
• Erradicação do Trabalho Infantil, com participação continua-
da do PETI;
Melhoria dos indicadores de • Aumentar o IDH-M para 0,850;
qualidade de vida da popu-
lação • Aumentar o IFDM para 0,820;

Aumento das oportunidades • Criar novas vagas de trabalho


de trabalho e aumento da • Aumentar a renda per capita para 2,5 salários mínimos;
renda familiar
Melhoria das Condições • Diminuir o déficit habitacional para 10% e substituir todas as
Habitacionais habitações em condições precárias;
• Saneamento Básico, água tratada para 100% da população;

Um dos grandes vieses de desenvolvimento para as Regiões Norte e Noroeste do


Estado do Rio de Janeiro é a diminuição da desigualdade social e econômica, que
atinge a maioria de seus habitantes. Esta desigualdade se agrava quando provoca
exclusão social, que afasta grupos de habitantes de seus direitos básicos e os coloca
à margem dos processos sociais que promovem bem estar e condições mínimas de
vida digna.
As condições desiguais não são voltadas apenas para as diferenças econômicas, que
envolvem salários justos associados ao recebimento dos benefícios sociais condizen-
tes, mas também tratam da baixa acessibilidade dos habitantes à questões básicas
como saúde, educação, moradia, acessibilidade e inclusão social e cultural.
As questões de desigualdade envolvem um conjunto de problemas e dificuldades lo-
cais que estão interconectadas e reforçam a si mesmo, demandando múltiplas solu-
ções e o desenvolvimento de um pensamento sistêmico que reflita a sua natureza
complexa.
Além disto, o contexto de grandes diferenças entre os municípios reforça o status quo
de cada um. De um lado está o grupo daqueles que recebem os royalties e se encon-
tram, consequentemente, em posição de vantagem, devido ao grande aporte de recur-
sos financeiros; do outro lado estão os outros municípios, tanto do Norte como do No-
roeste, que não recebem valores expressivos de royalties e possuem receitas muito
inferiores, dificultando uma mudança em sua posição desigual o que, ressalta-se, não
justifica as mazelas sociais existentes.
244 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Como estudado anteriormente, a recente recuperação econômica experimentada pelo
Rio de Janeiro não se refletiu na melhoria da condição social de milhares de fluminen-
ses. As altas taxas de pobreza e indigência que o Estado apresentou em 2005, 22% e
7% respectivamente, praticamente se mantiveram ao longo dos últimos dez anos,
sendo que o Norte e o Noroeste também acompanharão, esta tendência.
Como agravante, o Rio apresenta um padrão de elevada desigualdade de renda, qua-
se sempre a maior entre os estados mais desenvolvidos do Brasil e que se manteve
praticamente constante nos últimos 30 anos, conforme descrito em Plano Estratégico
do Rio (2007).
Observa-se também que uma diminuição drástica nos graus de desigualdade social
são dificultados porque este é um problema do contexto atual, seja ele fluminense,
nacional e mundial, presente em algumas regiões de maneira mais acentuada. Isto
significa que haverá forças externas funcionando a partir de uma lógica na qual a de-
sigualdade se repete, tornando-se menos questionada.
Outro fator negativo neste panorama é a ausência de governanças regionais e mesmo
de planejamentos integrados, bem como o desconhecimento de programas e projetos
institucionais realizados nos diferentes municípios, reforçando a desintegração e per-
dendo-se força. Assim, apesar da existência de um número expressivo de instituições
e associações que apresentam bons desempenhos, este tecido é desarticulado.
O aumento progressivo de equidade social advirá de uma transformação profunda em
todos estes fatores e pressupõe a participação inclusiva dos atores sociais envolvidos,
tanto das Administrações Públicas locais, estaduais e nacionais como empresários,
gestores, a comunidade acadêmica e a população em geral.
Esta participação popular é valorizada sobremaneira, porque são os habitantes que
sofrem mais com a desigualdade, no seu cotidiano e são a eles que estas diversas
ações deverão beneficiar diretamente, alterando suas vidas para um patamar mais
satisfatório e colocando-os em posição de destaque para escolher propostas de de-
senvolvimento futuro.
Os problemas detectados nas Regiões em estudo, que acentuam as desigualdades
entre os habitantes, são as condições habitacionais precárias, o desemprego e o grau
de informalidade excessivo, diferenças acentuadas nos níveis de riqueza gerados para
diferentes extratos de população, índices elevados de pobreza e indigência, insuficiên-
cia de condições adequadas de saneamento, abastecimento de água tratada e energia
elétrica, oferta insuficiente de serviços de Assistência Social, entre outros.
Alguns destes temas foram considerados como Vetor de Desenvolvimento em separa-
do, incluindo a Geração de Trabalho e Renda, a Questão Habitacional e a Educação,
pois possuem, de per si, a necessidade de um conjunto de estratégias e ações particu-
lares. Apresentam-se a seguir os objetivos propostos neste Vetor.
Objetivo: Aumento da Equidade Social
O alcance deste objetivo envolve uma série de fatores apresentados para o Vetor, mas
possui alguns indicadores específicos.
Uma das metas para alcançar-se este objetivo é a diminuição do Índice Gini, que refle-
te o grau de desigualdade social municipal, variando de 0 a 1. A constituição deste
indicador se realiza com base nos rendimentos mensais individuais.
Conforme a Avaliação Situacional realizada, na Região Norte este índice variou entre
0,38 em Carapebus a 0,49 em Campos e entre 0,39 em São José de Ubá a 0,48 em

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 245


Santo Antônio de Pádua e Miracema no Noroeste, com dados do IBGE (2003).8
Observou-se também que, entre 1991-2000, todos os municípios do Norte e do Noro-
este apresentaram diminuições significativas no Índice Gini, apesar de alguns haverem
perdido posições no ranking estadual, o que pode ser explicado porque, no conjunto,
muitos municípios melhoraram seus valores e elevaram o ranking.
O Gráfico abaixo mostrar que, enquanto a média regional do Norte e do Noroeste foi
igual, de 0,43, o melhor índice estadual foi bem abaixo, 0,36, apesar de que no Estado
do Rio de Janeiro e no Brasil as médias foram superiores às das Regiões.

Gráfico 22 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Diminuição do Índice GINI –


2020 - 2035

Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, PNUD, 2003

Portanto, a meta é que a média do índice GINI das Regiões diminua em 2020 para
0,36 e em 2035 para 0,30, sendo que Campos, Santo Antônio de Pádua e Miracema
correspondem aos municípios que, em 2000, se encontravam mais distantes destes
resultados.

Outra meta relevante é a diminuição da razão de renda das Regiões, que foi muito
elevada.

No Estado do Rio, a Região Metropolitana foi a mais desigual, com razão de renda
superior a 28 e a menor desigualdade ocorreu no Noroeste Fluminense, o que, infe-
lizmente, tem um significado negativo, uma vez que este dado não traduz que há me-
nos desigualdade na Região Noroeste, o que é fato mas coincide em haver muito me-
nos riqueza sendo distribuída para a população, de uma maneira geral, ou seja, me-
nos riqueza está disponível para gerar uma desigualdade menor. (Caderno de Saúde,
2009, p.12).

8
As informações utilizadas para a elaboração deste indicador foram produzidas pelo IBGE,
relativas à população de 10 anos ou mais de idade e seus rendimentos mensais de todas as
fontes, oriundas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.

246 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Gráfico 23 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Índice de Gini – 2003 – 2035

Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, PNUD, 2003

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 247


No Norte, a concentração de renda foi mais acentuada em São Francisco do Itabapo-
ana, expressa em sua razão de renda de quase 30 vezes. Carapebus apresentou o
maior equilíbrio, com uma razão de renda de apenas 11 vezes e foi mais baixo seu
percentual de pobres.
Já no Noroeste, em 2000, a pior divisão entre os muito ricos e os muito pobres foi
constatada em Miracema, expressa em sua razão de renda de quase 25 vezes, en-
quanto a melhor distributividade de renda foi encontrada em Aperibé, com razão de
renda de 14 vezes maior.
Grande parte dos municípios apresentou uma razão de renda entre 16 e 19 vezes,
significando que os mais ricos destes locais detiveram, em 2000, de 16 a 19 vezes
mais riqueza produzida no município que os mais pobres.
Tabela 21 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Porcentagem da Renda Apropriada por
Extratos da População , 1991- 2000
Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População, 1991 e 2000

Média 20% Mais 40% Mais 60% Mais 80% Mais 20% Mais
Pobres Pobres Pobres Pobres Ricos
Região Norte 3,3 10,9 22,7 41,9 58,1

Região Noroeste 3,3 10,2 21,2 39,3 60,7

Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, PNUD, 2003.

Tabela 22 – Região Norte-Noroeste Fluminense – Metas das Porcentagens da Renda


Apropriada por Extratos da População – 2020 - 2035
Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População, 1991 e 2000
20% Mais 40% Mais 60% Mais 80% Mais 20% Mais
Pobres Pobres Pobres Pobres Ricos
Média
2020 2035 2020 2035 2020 2035 2020 2035 2020 2035

Região Norte 1,0 0,5 17,9 18,4 31,1 36,1 50 55 50 45


Região Noroeste 1,0 0,5 17,2 17,7 27,8 36,8 45 55 55 45

Ressalta-se que a proposta não é diminuir a riqueza produzida pelos mais ricos e sim
mantê-la e aumentar-se a riqueza produzida pelos grupos mais pobres, elevando-se a
geração de renda preferencialmente em todos os grupos, o que representa tanto um
“empoderamento” dos menos favorecidos, como a elevação do nível de riqueza geral.

Objetivo: Diminuição da Pobreza e Erradicação da Indigência


Outras duas questões que indicam mazelas sociais graves são os níveis de pobreza e
indigência encontrados em uma sociedade, demandando prioritariamente a diminuição
dos seus indicadores, o Índice de Pobreza e Indigência, com conseqüente aumento da
Renda per Capita média.
Conforme já descrito, são considerados pobres aqueles cuja renda é inferior a meio
salário mínimo. Entre os pobres, são considerados indigentes aqueles cuja renda não
é sequer suficiente para se alimentarem adequadamente. Por este critério, indigentes
são os indivíduos que ganham menos de uma quarta parte do salário mínimo.
248 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Foto 2 - Campos dos Goytacazes, Condições de Vida Precárias na Periferia

Fonte: Foto das autoras


Ambos os índices de pobreza e indigência tem relação direta com a renda per capita.
No Norte, em 2000, a renda per capita média variou entre R$ 156,00 em São Francis-
co de Itabapoana e R$ 392,94 em Macaé, a melhor renda regional, mas ainda abaixo
da renda per capita estadual, de R$ 413,90.
Os municípios com renda per capita inferior a R$ 200,00 foram Cardoso Moreira,
Quissamã e São João da Barra. Um pouco acima deste valor estavam Campos, Cara-
pebus, Conceição de Macabu e São Fidélis9.
Apesar de todos terem melhorado sua renda per capita média entre 1991-2000, a pro-
porção de pobres ainda foi em média 40%, sendo que em Conceição de Macabu e
Macaé aumentou-se o número de pobres para mais do que o dobro do valor estadual
em 2000, que era de 19,20% da população.
Nos municípios do Noroeste também houve melhorias expressivas na renda per capita
média neste mesmo período, mas seus valores ainda foram extremamente baixos.
O melhor valor foi o de Itaocara, R$ 287,50, seguido por Itaperuna, R$ 261,87 e por
quatro municípios com renda per capita próxima a R$ 240,00, Aperibé, Bom Jesus de
Itabapoana, Miracema, Natividade e Pádua.
A pior renda per capita foi encontrada em Laje do Muriaé, R$ 166,94 e em Varre-Sai,
176,02.
Também abaixo de R$ 200,00 encontravam-se São José de Ubá, Porciúncula e Cam-
buci. Ressalta-se que a maioria dos valores era menos da metade da média estadual,
de R$ 413,90, em 2000.
A situação apresentada em 2000 persiste, com base nos indicadores e nos dados dos
números da população que possui pessoas assistidas pelo Bolsa Família e por outros
programas sociais dos governos federal, estadual e municipais, que traduzidos em
famílias mostram quantidades e percentuais ainda muito significativos e elevados.
A meta para 2035 é, portanto, aumentar a renda per capta média para 2 salários mí-
nimos e meio, com valores atualizados, sendo que em 2000 a renda per capita era de
1,5 salários mínimos.

9
O salário mínimo de referência em 2000 correspondia a R$151,00 (cento e cinqüenta e um
reais)
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 249
Tabela 23 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Elevação da Renda Per
Capita Média - 2000 – 2035

Renda Per Capita Média (R$) – Metas a Preços Correntes

Renda Previsão
% do Salário
Per Capta Média de 2010 Meta
Região Média de
Mínimo em
- 1,5 Salários
Meta 2020
2035
2000
2000 (R$) Mínimos

Média da Região Norte 216,8 143,0 729,3 2,5


2 Salários
Salários
Mínimos
Média da Região Noroeste 222,1 147,0 749,7 Mínimos

Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, PNUD, 2003.

No geral, percebe-se que a proporção de pobres no Norte e no Noroeste Fluminense


atingiu cerca de 40% das populações de cada um de seus municípios, em 2000, sen-
do um pouco mais elevada no Norte, com a maior proporção de pobres encontrada em
São Francisco de Itabapoana e Conceição de Macabu, 43% e os menores índices
encontrados em Santo Antônio de Pádua e Itaocara, 31%, o que aparece como uma
disparidade, tendo em vista as altas receitas obtidas nos municípios do Norte, apon-
tando novamente para a alta iniqüidade enfrentada internamente nesta Região.

No Mapa a seguir, com dados atualizados de 2009, fica visível que a proporção de
pobres mais elevada, de cor marrom escura, predominou no Norte e no Noroeste em
comparação com as outras Regiões do Rio de Janeiro, sendo que o Noroeste apre-
senta uma situação de pobreza ainda mais acentuada, a pior de todo o Estado.

De acordo com os dados do Mapa, no Noroeste, Pádua, Aperibé e Itaperuna apresen-


taram os menores índices de pobreza, de 21,44 a 26,43%.

O grupo mais empobrecido, no intervalo entre 31,33% a 50,19% foi formado por Varre-
Sai, Porciúncula, Natividade, Laje de Muriaé, Miracema, São José de Ubá e Cambuci,
ou seja, a maioria dos municípios desta Região foi classificada com os piores níveis de
pobreza estaduais, uma situação alarmante.

Nos municípios do Norte a situação foi pouco melhor, mas não menos preocupante.

Macaé apresentou o menor índice de pobreza de ambas as Regiões, seguido por Ca-
rapebus, com o nível de pobreza entre 4,18% a 21,43%.

No outro grupo, com pobreza de 21,44% a 26,94% estão Campos dos Goytacazes e
São Fidélis. Os demais municípios se encontram no grupo com maior índice de pobre-
za, de 31,33% a 50,19%: em Cardoso Moreira, São Francisco de Itabapoana, São
João da Barra e Quissamã.

250 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Mapa 19 - Rio de Janeiro – Taxa de Pobreza – 2007

Fonte: Plano Estratégico do Rio, 2007, p.58, 59.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 251


Mapa 20 - Região Norte-Noroeste Fluminense - Proporção de Pobres - 2000 - 2035

Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, PNUD, 2003

252 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Na Região, somente Macaé apresentou uma proporção de pobres inferior à média
estadual, provavelmente em função da entrada de força de trabalho altamente qualifi-
cada, a partir dos fluxos migratórios enfrentados nas últimas décadas, devido à de-
manda por esta mão-de-obra. (Caderno de Saúde, maio 2009, p. 21).
Portanto, a meta considerada para ambas as Regiões é reduzir para uma média de
5% os índices de pobreza.
Gráfico 24 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Diminuição da Pobreza –
2020 – 2035

Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, PNUD, 2003

Apenas seis municípios, todos do Noroeste, estão próximos à meta: Cambuci, Itaoca-
ra, Aperibé, Pádua, Bom Jesus do Itabapoana e Natividade.

Os demais municípios estão em situações intermediárias ou distantes, como é o caso


de Campos dos Goytacazes, Macaé, Carapebus, Conceição do Macabú, São João da
Barra, São Francisco do Itabapoana e Miracema, cujos esforços para reversão do
quadro serão maiores.

Em relação ao Índice de Indigência, destacou-se como o mais alto aquele encontrado


no município de São Francisco de Itabapoana, 21,51%, seguido por Cardoso Moreira,
13,86%, no Norte. Em outro grupo de municípios o índice de indigência é de 12%:
Quissamã, São Fidélis e São João da Barra, Campos e Conceição de Macabu. Os
melhores percentuais foram os de Carapebus, 8,41% e Macaé, 4,93%, os únicos que
estão igual ou abaixo o percentual estadual de indigência, de 7,94% da população
total. No Noroeste, em 2000, o maior percentual de indigência foi verificado em Porci-
úncula, 15,10%, abaixo do pior percentual encontrado no Norte. Em ordem decrescen-
te, seguem Varre-Sai, Laje do Muriaé, Miracema e São José de Ubá, todos estes com
cerca de 14% de indigência e Cambuci, com 11,32% de população indigente. Os ou-
tros municípios da Região apresentaram percentuais de indigência bem menores, en-
tre 7% e 9%, em Aperibé, Bom Jesus de Itabapoana, Italva, Itaocara, Itaperuna e Pá-
dua, este último com a melhor média regional, pouco abaixo do índice estadual de
7,94. Portanto, observa-se que os índices de indigência do Noroeste foram, em sua
maioria, menores que os municípios do Norte. Todavia para ambas as Regiões pro-
põe-se a erradicação da indigência.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 253


Mapa 21 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Índice de Indigência – 2000 – 2035

Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, PNUD, 2003

254 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Considerando os indicadores de 2000, apenas os municípios de São João da Barra e
São Francisco de Itabapoana foram classificados como distantes do alcance da meta
desejada.
Gráfico 25 – Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Diminuição da Indigência –
2020 – 2035

Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, PNUD, 2003

Além disso, indiretamente, uma das maneiras de constatar-se o aumento da renda


familiar é a diminuição do recebimento de benefícios sociais que se vinculam ao nível
de renda recebida, como o Bolsa Família.
Este recebimento de benefícios sociais diversos é sinal de vulnerabilidade dos habi-
tantes, que não se encontram em condições de manter-se sozinhos, apesar de que
isto não representa uma questão, em muitos casos, pessoal e sim do sistema social
ampliado.
O Bolsa Família é um dos benefícios mais expressivos concedidos aos brasileiros.
Constitui-se como um programa de transferência direta de renda do Ministério do De-
senvolvimento Social e Combate à Fome, que beneficia famílias pobres (com renda
mensal por pessoa de R$ 60,01 a R$120,00) e extremamente pobres (com renda
mensal por pessoal de até R$ 60,00). As famílias beneficiárias recebem do programa
de R$ 18 a R$ 112/mês, de acordo com esta renda mensal e seu número de crianças,
gestantes e nutrizes.
No Norte Fluminense havia em 2009, um total de 38.756 famílias beneficiárias do Pro-
grama Bolsa Família, o que corresponde a aproximadamente 13,2% do total de famí-
lias da Região.
Considerando a população total e o número de famílias residente em cada Município,
destacam-se São Francisco do Itabapoana e Cardoso Moreira, que possuem a maior
proporção de famílias beneficiárias do PBF, cerca de 31%. Em ordem decrescente
seguem São Fidelis, 28,8%, São João da Barra, 25,7%, Conceição do Macabu, 24,6%,
Quissamã, 21,4%, Carapebus, 18,5 %, Campos dos Goytacazes, 17,53% e Macaé,
com 15,6% de famílias contempladas pelo Programa. Destas, 49,1% residem em
Campos dos Goytacazes, totalizando 19.030 famílias e outras 19,6% em Macaé, num
total de 7.614 famílias.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 255


Além disto, destaca-se que em Campos dos Goytacazes existe um benefício adicional
ao Bolsa Família oferecido pela Prefeitura Municipal, para combater a indigência local,
que atende a aproximadamente 25 mil famílias, através do repasse de R$
100,00/mês/cada. (Vidigal, 2009).
No Noroeste Fluminense, encontrava-se, em 2009, um total de 17.785 famílias benefi-
ciárias do PBF, o que correspondia a aproximadamente 21,8% do seu total de famí-
lias. Destas, 28% reside em Itaperuna totalizando 4.996 famílias e outras 10,7% em
Bom Jesus do Itabapoana, num total de 1.916.
Considerando a população total e o número de famílias residente em cada município,
destacaram-se Itaocara e Laje do Muriaé, com a maior proporção de famílias benefici-
árias do PBF, cerca de 30% cada. Em ordem decrescente seguiram Varre-Sai com
28,1%, Cambuci com 27%, Porciúncula e São José de Ubá com 26% cada, Miracema
com 24,7, Natividade e Italva com 23% e Bom Jesus do Itabapoana com 21,7%.
Aperibé e Santo Antônio de Pádua apresentam respectivamente 19,3% e 12,4%, sen-
do, portanto, os municípios cuja menor fração populacional recebeu o benefício.
Assim, os municípios mais vulneráveis – com maior percentual de recebimento de Bol-
sa Família foram Cardoso Moreira e São Francisco de Itabapoana, no Norte, e Itaoca-
ra e Laje do Muriaé, no Noroeste.
As metas calculadas para este objetivo se diferenciaram das demais, que tem sido
equivalentes para ambas as regiões em estudo. A partir da discrepância encontrada
na média de recebimento do Bolsa Família, 13,20% no Norte e 21,80% no Noroeste,
foi pensado que estabelecer metas iguais iria produzir um nivelamento indesejado,
pois enquanto o Norte teria que diminuir pouco seu percentual e possui muito mais
recursos financeiros que o Noroeste, esta última Região teria que realizar ações talvez
acima de suas possibilidades, considerando-se o prazo de 10 anos.
Portanto, neste caso foi esperado um tempo maior para que ambas as regiões igualem
suas melhorias e alcancem um percentual residual de 5% da população em situação
de pobreza, a ser posteriormente erradicada, sendo estes passíveis do recebimento
do Bolsa Família.
Gráfico 26 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Diminuição das Famílias
Beneficiárias do Bolsa Família – 2020 – 2035

Nota: *Considerando a composição familiar com uma média de 4 membros por família, foi realizado a
partir da população total, o calculo do número de famílias residentes nos municípios no ano de 2009.

Fonte: Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2009

256 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Mapa 22 - Região Norte-Noroeste Fluminense – Famílias Beneficiárias do Bolsa Família – 2009 – 2035

Fonte: Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2009

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 257


Objetivo: Ampliação da Oferta de Serviços Públicos, com Destaque para a Am-
pliação da Cobertura e do Atendimento dos Grupos Vulneráveis

Outro objetivo deste vetor ampliação da oferta dos serviços públicos à população, ob-
servando-se as demandas das diferentes faixas etárias e o próprio aumento gradativo
do grupo de população acima dos 60 anos.

As políticas públicas envolvem inúmeros planos e ações em diferentes áreas. No que


tange a Saúde, a Educação, a Habitação e outras questões de infraestrutura foram
elaborados objetivos específicos, para cada um destes vetores de desenvolvimento.

Na área da Assistência Social, há ações que podem melhorar o atendimento à popula-


ção. A Lei Orgânica da Assistência - LOAS e o Sistema Único de Assistência Social –
SUAS, definem a atuação da Assistência Social nas perspectivas do direito social,
articulando política social com política econômica. Defende-se também que os pro-
blemas sociais não se resolvem apenas com políticas focalizadoras, mas que devem
incidir em aspectos estruturais da organização social.

A Proteção Social da Assistência Social é hierarquizada em Programas de Proteção


Social Básica e Programas de Proteção Social Especial de média e alta complexida-
de.

A Proteção Social Básica tem um caráter mais preventivo e de fortalecimento dos vín-
culos familiares e sociais, destinando-se à população que vive em situação de vulne-
rabilidade social decorrente da pobreza, privação (ausência de renda, precário ou nulo
acesso aos serviços públicos, dentre outros) e/ ou fragilização de vínculos afetivos −
relacionais e de pertencimento social (discriminações etárias, étnicas, de gênero ou
por deficiências, dentre outras).

No âmbito da Proteção Social Básica já foi discutido a meta de diminuição das famílias
que necessitam receber o Bolsa Família. Outra meta é a ampliação do número de
CRAS existentes em cada município, que são os equipamentos de referência da Pro-
teção Social Básica, como unidades públicas estatais integrante do SUAS, de base
territorial, localizadas em áreas de maior vulnerabilidade e risco social. São a porta de
entrada dos usuários para os serviços e programas da Política de Proteção Básica e,
para tanto, tem como atribuições essenciais executar serviços da proteção básica e
organizar a rede prestadora de serviços sócio assistenciais do SUAS no seu território
de abrangência.

No Norte, verifica-se o total de 27 CRAS implantados, sendo que em todos os municí-


pios existem pelo menos 2 equipamentos desta natureza. Campos possui 08 CRAS.
Macaé, São Francisco do Itabapoana e São João da Barra possuem 3, supondo uma
insuficiência deste equipamento especialmente em Macaé, tendo em vista a existência
de muitas favelas e habitantes pobres em situação de vulnerabilidade. Os demais Mu-
nicípios possuem 2 CRAS cada um.

No Noroeste verifica-se o total de 25 CRAS implantados, sendo que em todos os mu-


nicípios existe pelo menos 1 equipamento desta natureza. Itaperuna possui 3 CRAS,
no entanto, visto a proporção muito superior do seu contingente populacional, não é
possível a princípio, saber se estes equipamentos abrangem todas as áreas de maior
vulnerabilidade do território, sendo prematura uma avaliação da demanda não atendi-
da do Município.

258 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Itaocara é o único município que possui apenas 1 CRAS e os demais municípios pos-
suem 2. Itaocara parece ser o Município menos privilegiado em termos de recursos do
CRAS, pois sua população total em 2009 era de 22.452 habitantes, valor bem superior
se comparado a outros Municípios da Região como Varre-Sai, São José de Ubá e Laje
de Muriaé, que apresentam população inferior a 10.000 habitantes, ou seja, menos da
metade da população de Itaocara e que, no entanto, possuem 2 CRAS instalados em
cada um dos territórios.

Embora todos os municípios disponham o equipamento, a proporção do contingente


populacional e as situações de vulnerabilidade variam bastante em cada cidade seu
contingente populacional. Além disso, desconhece-se o porte dos equipamentos im-
plantados e suas capacidades de atendimento, sendo necessária uma avaliação mais
aprofundada a respeito da cobertura dos programas e da existência de territórios vul-
neráveis não atendidos por CRAS em cada município.

De qualquer maneira, a estruturação deste equipamento e a composição do quadro


técnico é regulamentada pela Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do
SUAS (NOB-RH/SUAS), que estabelece sua implantação de acordo com o porte do
município e o número de famílias referenciadas ao CRAS, podendo ser classificado
como:
1. Pequeno Porte I – mínimo de 1 CRAS para até 2.500 famílias referenciadas;
2. Pequeno Porte II – mínimo de 1 CRAS para até 3.500 famílias referenciadas;
3. Médio Porte – mínimo de 2 CRAS, cada um para até 5.000 famílias referencia-
das;
4. Grande Porte – mínimo de 4 CRAS, cada um para até 5.000 famílias referencia-
das;
5. Metrópoles – mínimo de 8 CRAS, cada um para até 5.000 famílias referencia-
das;de pelo menos um Centro de Referência de Assistência Social – CRAS

Com base nestas orientações, a meta para as Região Norte- Noroeste inicia-se com o
levantamento adequado das demandas dos territórios de alta vulnerabilidade em cada
município e a capacidade de atendimento de cada um deles, ou seja, a porcentagem
da população de fato coberta pelos serviços. Com este subsídio, espera-se que em
cada cidade se adéqüe às orientações, implantando o número de CRAS suficiente
para o atendimento de toda a demanda territorial.

Com relação aos atendimentos individuais e coletivos para crianças e adolescentes


com deficiência em sua peculiar condição de desenvolvimento, verificou-se a existên-
cia de 10 instituições que oferecem atendimentos desta natureza no Norte. Conceição
do Macabú concentra 3 instituições, enquanto Macaé e São Fidelis 2, cada, Campos,
Cardoso Moreira e São João da Barra, possuem apenas uma instituição cada. Dos 13
municípios que compõem a Região Noroeste, 9 possuem atendimento à pessoa com
deficiência. Em Itaperuna se verifica a maior oferta, possuindo 2 instituições.

Em Carapebus, Quissamã, São Francisco do Itabapoana, Laje do Muriaé, Porciúncula,


São José de Ubá e Varre-Sai não existem registros de instituições com oferta de ser-
viços à pessoas com deficiência, indicando provavelmente a existência de demandas
não atendidas - destacando-se ainda a existência de uma única instituição dessa natu-
reza em uma cidade do porte de Campos - o que indica uma lacuna nas políticas soci-
ais nesta área. (SEASDH. Relatório Programático do FIA, 2007/2008).

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 259


Foto 3 – São João da Barra, Telefone Público Adaptado para Cadeirantes

Fonte: Foto das autoras


Com relação à Política de Atenção ao Idoso, são poucos os Municípios que oferecem
serviços específicos para este grupo. Itaperuna foi o município com mais serviços na
área, possuindo 4 instituições. Campos segue com 3 e os demais, Macaé, Bom Jesus,
Natividade, Porciúncula e Varre-Sai com apenas 1 cada. Os outros 15 Municípios que
compõe as Regiões não possuem instituições de atendimento aos idosos, demons-
trando uma lacuna significativa nas políticas assistenciais para este grupo.
Espera-se, portanto, que até 2035, as cidades desprovidas deste serviços já estejam
equipadas e que toda a população com deficiência e idosos das regiões tenha possibi-
lidade de atendimentos especializados, diminuindo o processo de exclusão social en-
frentado por esta parcela da população.
Já os serviços de Proteção Social Especial destinam-se a famílias e indivíduos cujos
direitos tenham sido violados e/ou ameaçados. São serviços que requerem encami-
nhamento e acompanhamento familiar e individual de maior flexibilidade que assegu-
rem qualidade na atenção protetiva. A Proteção Social Especial de Média Complexi-
dade é coordenada e articulada pelo Centro de Referência Especializado da Assistên-
cia Social – CREAS, equipamento público estatal que funciona como porta de entrada
para o atendimento às situações de violação de direitos,
Verifica-se que estes serviços ainda são bastante incipientes nas duas Regiões de
estudo, a tomar por base o número CREAS existentes. No Norte, apenas Campos e
Macaé possuem este equipamento, com capacidade para atendimento de 80 e 50
famílias respectivamente. São números bastante insuficientes considerando-se o ce-
nário de vulnerabilidade socioeconômica e violência emergente nas duas regiões. No
Noroeste apenas Itaperuna possui um CREAS.
Supõe-se que os serviços de Proteção Social Especial existentes nas Regiões este-
jam, em sua maioria, sendo realizados dentro do próprio CRAS ou por outras institui-
ções parceiras.
Em 2009, não foram verificadas atendimentos de crianças e adolescentes em situação
de violência doméstica (física, psicológica, negligência, abandono), abuso, exploração
sexual e comercial nas Regiões. Segundo a Secretária do Estado de Assistência So-
cial existe a previsão de abertura de um NACA (Núcleo de Atendimento a Criança e
Adolescente Vítima de Maus Tratos) em Macaé e outro em Campos. Seu objetivo é
260 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
garantir a proteção integral às crianças e adolescentes buscando, sobretudo, promo-
ver a redução dos danos aos quais foram submetidos.
Nas Regiões Norte e Noroeste constatou-se apenas 2 programas chamados Situação
de Risco, que visam retirar as crianças e adolescentes que se encontram em situação
de rua: um em Itaperuna, funcionando na Creche Menino Jesus, mantida pelo Centro
Sócio-Cultural Nossa Senhora do Rosário de Fátima. A entidade atende em medida de
abrigo, com capacidade para 25 pessoas da faixa etária de 2 a 18 anos e outro em
São João Barra encontra-se mais 1 abrigo - Educandário Santa Cecília com capacida-
de de atendimento para 13 pessoas, da faixa etária de 0 a 18 anos.
Já o Trabalho Protegido para Adolescentes (TPE), segundo o Anuário Estatístico do
CIDE em 2009, ocorreu somente em Conceição e Macabu, no Norte atendendo 150
jovens e em Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste, atendendo mais 150.
Engloba ações voltadas para a formação socioeducativa, educação profissional básica
para adolescentes de 14 a 18 anos incompletos, em situação de risco e vulnerabilida-
de socioeconômica, priorizando aqueles com direitos violados, em decorrência de a-
bandono, maus tratos, abuso e exploração sexual, uso de substâncias psicoativas,
situação de rua ou de trabalho proibido, com deficiência, e em cumprimento de medi-
das socioeducativas não restritivas de liberdade. O Programa busca oferecer oportuni-
dades de inserção qualificada no mundo do trabalho por meio de parcerias institucio-
nais.
O trabalho infantil, que vem sendo combatido pelo PETI, Programa de Erradicação do
Trabalho Infantil, se insere em um processo de resgate da cidadania e promoção de
direitos de seus usuários, bem como de inclusão social de suas famílias. Atende famí-
lias com crianças e adolescentes retirados das diversas situações de trabalho, com
idade inferior a 16 (dezesseis) anos.
Cabe ressaltar que o desafio em combater-se o trabalho infantil conta com diversos
atores estratégicos, além do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
(MDS), tais como: Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), Ministério Público do Tra-
balho (MPT), Ministério da Educação (MEC), Ministério da Saúde (MS), Ministério do
Esporte (ME), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério da Cultura,
Fórum de Erradicação do Trabalho Infantil, Organização Internacional do Trabalho
(OIT), entre outros que participam de atividades conjuntas e intersetoriais de enfren-
tamento ao trabalho infantil.
Em Entrevista realizada na Subsecretaria de Direitos Humanos do Estado o trabalho
infantil e escravo na agricultura e colheita de cana de açúcar foi apontado como um
dos principais e mais freqüentes problemas de violação de direitos de crianças e ado-
lescentes, encontrando-se nas regiões em estudo a prática do trabalho infantil são no
cultivo do café, do tomate, da cana, no comércio, engraxate, horticultura, panificação,
pesca, serviços domésticos, em Cerâmicas e Olarias, na extração de Pedras, areia e
argila bordadeira, aterros sanitários e confecção de caixas de tomates.
O trabalho infantil é uma conseqüência de um contexto social repleto de lacunas, que
não consegue satisfazer as necessidades básicas de uma família, sejam elas financei-
ras, estruturais, etc. resultando no trabalho infantil das crianças como uma maneira de
auxiliar no sustento familiar, o que reflete uma grande vulnerabilidade do sistema soci-
al.
Considerando-se este panorama, verifica-se a necessidade de maiores investimentos
para continuação e ampliação do PETI. Ressalta-se no entanto que em complemento,
outras ações já descritas para a diminuição da desigualdade social são imprescindí-
veis para a erradicação do trabalho infantil nas Regiões.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 261


Objetivo: Melhoria das Condições de Vida das Populações
Alguns dos indicadores estudados no diagnóstico das regiões apontam para a quali-
dade de vida de suas populações, como o IDH e o IFDM.

Conforme descrito no Diagnóstico, o IDH-M – Índice de Desenvolvimento Humano


Municipal, utiliza quatro indicadores agrupados em três dimensões: Longevidade (es-
perança de vida ao nascer), Educação (alfabetização e taxa de matrícula) e Renda
(PIB per capita).

O IDH varia de zero a um e classifica os países com índices considerados de baixo,


médio ou alto desenvolvimento humano, respectivamente nas faixas de 0 a 0,5; de 0,5
a 0,8; e de 0,8 a 1. Quanto mais próximo de 1 for o IDH, maior o nível de desenvolvi-
mento humano constatado, o mesmo valendo para os municípios avaliados.

Diferentemente do IDHM, o IFDM, distingue-se por ter maior periodicidade, recorte


municipal e abrangência nacional, possibilitando o acompanhamento anual do desen-
volvimento de todos os municípios brasileiros. São utilizadas estatísticas oficiais a par-
tir de dados fornecidos pelos Ministérios da Educação, da Saúde e do Trabalho, sendo
2006 o ano de sua última publicação.

O IFDM considera, com igual ponderação dados de Emprego & Renda, Educação e
Saúde, possuindo igual peso no cálculo para avaliação dos municípios brasileiros. A
leitura dos resultados – por áreas de desenvolvimento ou do índice final - varia entre 0
e 1, sendo que quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento da locali-
dade.

Neste sentido, municípios com IFDM entre 0 e 0,4 são considerados de baixo estágio
de desenvolvimento; entre 0,4 e 0,6, de desenvolvimento regular; entre 0,6 e 0,8, de
desenvolvimento moderado; e entre 0,8 e 1,0, de alto desenvolvimento. (IFDM, 2009).

Para a Região Norte, o IDH-M em 2000 foi mais elevado em Macaé, 0,790,15o estadu-
al, e Campos, 0,752, 55o estadual e mais baixo em Cardoso Moreira, 0,706, 89o esta-
dual e São João da Barra, 0,723-79o estadual.

Nestes municípios o melhor subíndice na Educação foi o de Macaé, 0,889 e o pior de


São Francisco de Itabapoana, 0,715. Para a Longevidade, o melhor valor foi o de São
João da Barra, 0,737 e o pior foi o de Campos, 0,697, enquanto na Renda destacou-se
Macaé, 0,770 e o pior foi em São Francisco de Itabapoana, 0,616.

Assim, Macaé e Campos se destacaram com os melhores índices regionais do IDH-M


e Cardoso Moreira e São João da Barra com os piores valores, sendo que Macaé se
destacou na Educação e na Renda, São João da Barra na Longevidade e os piores
valores foram encontrados em São Francisco de Itabapoana na Educação e na Renda
e na Longevidade em Campos.
Ressalta-se que passada uma década de publicação do IDH, muitos dados podem ter
sofrido alterações, aguardando-se a publicação de valores mais atualizados.

Uma das metas para este objetivo corresponde ao aumento do IDH alcançando em
2035 a média de 0,850 em ambas as Regiões.

262 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Mapa 23 - Região Norte-Noroeste Fluminense – IDHM, 2000 - 2035

Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, 2003

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 263


Gráfico 27 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Aumento do IDHM -
2020, 2035

Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, 2003


No IFDM 2006, os melhores classificados foram Macaé, 0,860, 1o lugar estadual e
Campos, 0,776, 11o estadual. Os piores valores foram mensurados em Conceição de
Macabu, 0,607, 88o estadual e Carapebus, 0,658, 66o estadual.
Comparando-se os subíndices constituintes do IFDM, o Emprego e Renda teve sua
melhor avaliação em Macaé, 0,9263 e a pior em São Fidélis, 0,3641, na Educação
também se destacou Macaé, 0,7827 e o resultado mais baixo foi de São Francisco de
Itabapoana, 0,6444 e na Saúde o melhor foi Quissamã, 0,9151 e o pior resultado cou-
be a Conceição de Macabu, 0,7991.
Sintetizando, Macaé e Campos obtiveram os melhores valores regionais do IFDM e
Macaé ocupou o 1o lugar estadual, sendo que os piores valores foram de Conceição
de Macabu e Carapebus, destacando-se Macaé no Emprego e Renda e na Educação,
com pior resultado de Emprego e Renda em São Fidélis e na Educação em São Fran-
cisco de Itabapoana e para a Saúde o resultado mais baixo ocorreu em Conceição de
Macabu.
Gráfico 28 - Região Norte-Noroeste Fluminense, Metas para Aumento do IFDM –
2020 - 2035

Fonte: Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – FIRJAN, 2006


Outra meta, portanto, consiste em se elevar o IFDM alcançando a média de 0,820.
Ressalta-se que neste caso, conforme apresentado no Mapa, o desafio é ainda maior,
visto que todos os municípios encontram-se classificados como distantes ou interme-
diários, a exceção de Macaé, cujos indicadores, já em 2006, se aproximam da meta
desejada.
264 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Mapa 24 - Região Norte-Noroeste Fluminense – IFDM, 2006 – 2035

Fonte: Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – FIRJAN, 2006

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 265


Objetivo: Aumento das Oportunidades de Trabalho e Aumento da Renda Familiar
Objetivo: Melhoria das Condições Habitacionais
O aumento das oportunidades de trabalho e a melhoria das condições habitacionais
serão discutidos em seguida, como Vetores Específicos, respectivamente na Geração
de Trabalho e Renda e na Habitação, ressaltando-se que possuem correlação direta
com a diminuição da desigualdade social entre os diferentes grupos sociais.
Ressalta-se que todas as políticas, programas e ações voltados para o desenvolvi-
mento do Sistema Educacional, em todos os níveis educativos, faz parte das estraté-
gias de desenvolvimento deste Vetor Diminuição da Desigualdade Social, bem como
as estratégias do Vetor Geração de Trabalho e Renda e do Vetor Habitação.
Estratégias de Desenvolvimento
• Mapear as potencialidades de renda local, a partir do reconhecimento de capaci-
dades produtivas existentes em grupos de população, ainda que de maneira in-
cipiente e sem profissionalização, garantido-lhes possibilidades de aperfeiçoa-
mento nestas funções e, posteriormente, incremento da renda familiar;
• Implantar Cursos Técnicos, Profissionalizantes e Programas de Geração de Tra-
balho Renda;
• Criar Programas Municipais de Diminuição do Desemprego, ofertando benefícios
fiscais e outros – como processos de capacitação subvencionados pelo Poder
Público - para Empresas e Indústrias que absorverem mão de obra local, bus-
cando-se disseminar o conceito de que quanto melhor estiver o contexto produti-
vo no qual um empreendimento se inserir melhor serão seus resultados;
• Mapear as demandas sociais mais urgentes na área da assistência social em
todos os municípios em questão;
• Ampliar / qualificar as ofertas e serviços do CRAS e CREAS – incluindo-se o a-
tendimento das demandas não atendidas, visto que ambos os Centros de Refe-
rência são a porta de entrada aos serviços de Proteção Básica e Especial e, por-
tanto, articulam os outros serviços ofertados pela assistência social;
• Trabalhar na política de assistência social de maneira preventiva, aplicando os
diversos programas de favorecimento e proteção social aqueles necessitados,
voltado para a valorização das capacidades dos seres humanos, evitando assim
o reforço do assistencialismo histórico brasileiro e reforçando o trabalho da equi-
pe na prática desta mentalidade;
• Implantar um Programa de Apoio às Famílias que ofereça palestras, cursos e
encontros em grupo sobre os principais problemas e dificuldades enfrentadas,
melhorando seu nível de informação e conhecimentos gerais sobre questões re-
levantes e realimentando-as positivamente para lidarem de forma autônoma com
suas vidas;
• Capacitar gestores e técnicos da área da assistência social, preparando-os con-
tinuamente para lidar com as demandas de seu trabalho e para serem ativos e
criativos diante da possibilidade de encontrarem alternativas novas para os pro-
blemas, incluindo-se a elaboração de projetos na área privada e/ou pública;
• Articular as instituições locais de assistência social, especialmente àquelas que
desenvolvem trabalhos afins, buscando incrementar seus recursos e estratégias
de crescimento;

266 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


• Fortalecer e apoiar às entidades civis organizadas, as associações diversas e as
ONGs dos municípios, proporcionando melhores condições para que estas am-
pliem sua capacidade de atuação ;
• Divulgar melhor o funcionamento das políticas públicas para a população em
geral, de forma que ela conheça melhor os serviços ofertados e respectivas di-
nâmicas de funcionamento;
• Ampliar e melhorar o atendimento das políticas públicas ofertadas nas diferentes
áreas, garantindo a todos condições equânimes de acessibilidade e resolutivida-
de aos serviços;
• Valorizar e divulgar melhor os Programas e Projetos Regionais e Territoriais exis-
tentes, tornando-lhes conhecidos e melhor utilizados pelas populações;
• Elaborar projetos de preparação de vias, escolas e outros locais públicos que
promovam o acesso dos portadores de necessidades especiais, garantindo-lhes
o convívio social e o exercício da cidadania;
• Elaborar um Plano Regional/Interregional de Transporte Público Coletivo, promo-
vendo a acessibilidade dos habitantes aos serviços e facilidades existentes em
municípios vizinhos, aumentando suas opções e potencializando a integração
regional;
• Ampliar os serviços e as políticas públicas ofertadas aos idosos, sejam estas
assistencialistas e/ou na área dos esportes, lazer, cultura, educação e outras, de
maneira a propiciar-lhes o convívio social, o reconhecimento dos seus saberes
construídos ao longo da vida, além de garantir-lhes uma vida digna, através dos
cuidados necessários ao seu estágio de desenvolvimento particular;
• Erradicar o Trabalho Infantil nas regiões, investindo em políticas públicas para o
aumento da renda familiar e para a inclusão educacional, que garanta a freqüên-
cia e o acompanhamento escolar, somado à implementação de um conjunto de
medidas fiscalizadoras e protetivas, primordialmente nas áreas onde o trabalho
infantil vem ocorrendo;
• Articular as empresas locais, a Educação e a Assistência Social para que alunos
portadores de necessidades especiais sejam capacitados e contratados para a
prática de estágios e/ou trabalhos;
• Articular as governanças locais em busca de uma integração ampla, que consti-
tua Associações Intermunicipais e Interregionais, que objetivem a construção de
estratégias de desenvolvimento conjuntas.
Vetor de Desenvolvimento: Reestruturação Habitacional e Coordenação da Ex-
pansão Urbana
Objetivos Metas para 2035
Melhoria das Condições • Diminuir o déficit habitacional municipal para 10%;
Habitacionais • Erradicar as habitações em condições precárias;
Ordenamento dos cresci- • Implementar um Plano de Ordenamento Territorial Munici-
mentos populacionais de- pal até 2020 para os municípios que receberão diretamente
sordenados o impacto de grandes empreendimentos e posteriormente
para outros municípios, até 2035;
• 100% dos municípios com Planos Diretores elaborados
e/ou revisados, com inclusão de parâmetros atualizados de
uso e ocupação do solo e garantias de habitação social;

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 267


(continuação)
Objetivos Metas para 2035
Ordenamento dos cresci- • Todas as Administrações Públicas com um sistema de ges-
mentos populacionais de- tão e fiscalização da ocupação territorial até 2020, com o
sordenados desenvolvimento de um trabalho posterior permanente;
Regularização Fundiária • Legalização dos documentos de propriedade de 100% dos
imóveis urbanos e rurais;
Prevenção e controle de • Implantar em todos os municípios que sofram o risco de
enchentes nas aglomera- enchentes um Plano para diminuir os impactos sociais, e-
ções conômicos e ambientais;
Acompanhamento das De- • Acompanhar todos os processos de desapropriações reali-
sapropriações zados, em decorrência dos grandes empreendimentos;
Ampliação da oferta de ser- • Serviços públicos melhorados;
viços públicos • Saneamento e abastecimento de água e coleta de lixo para
100% da população;
• Transporte, iluminação pública e outras;
A moradia digna é uma direito garantido pelo Artigo 6º da Constituição Federal de
1988, englobando programas de construção de moradias e melhoria das condições
habitacionais, cuja competência cabe à União, aos Estados e aos Municípios.
Moradia digna não é apenas a posse de uma casa, é a moradia provida de infra estru-
tura, serviços e equipamentos urbanos básicos (água, saneamento e coleta de lixo),
sendo estes componentes do padrão da habitação de qualidade.
No entanto, a sociedade brasileira como um todo sofre com uma organização espacial
deteriorada, caracterizada pela falta de planejamento urbano, zoneamento, urbaniza-
ção, rede de saneamento e outros. A crescente urbanização levou a uma forte concen-
tração populacional nas grandes cidades, sem a necessária provisão de moradias e
serviços básicos adequados, fazendo com que o déficit habitacional se tornasse um
dos grandes problemas socioambientais enfrentados atualmente.
Assim como o contexto brasileiro, as regiões Norte e Noroeste fluminenses enfrentam
os problemas de déficits habitacionais e de moradias desqualificadas, caracterizados
por situações de risco geológico, risco construtivo, precariedade dos serviços públicos
disponíveis e pela ocupação desordenada dos territórios.
As diferentes rendas definem as desigualdades habitacionais no Brasil, porque as ha-
bitações de qualidade são caras. Por outro lado, quem não tem acesso à renda é afas-
tado dos centros urbanos e passam a viver nas periferias.
Foto 4 – Macaé, Ocupações Distintas do Espaço Urbano

Fonte: Foto das autoras


268 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
As dificuldades habitacionais enfrentadas nas regiões em estudo apontam para a ur-
gência em se concretizar ações de reestruturação habitacional de assentamentos pre-
cários e coordenação da expansão urbana, especialmente naqueles municípios cujo
crescimento populacional se deu de forma mais acentuada nas últimas décadas, como
é o caso de Campos, Macaé e futuramente de São João da Barra e também Quissa-
mã, devido aos vultosos empreendimentos previstos.
Além de ações voltadas para os problemas atuais, estas localidades necessitam de
planejamentos adequados, organizando a expansão urbana, considerando a inevitável
atração de migrantes em busca de oportunidades de trabalho.
Para frear a proliferação de favelas, os assentamentos precários e a produção ilegal
das cidades é necessário ampliar o acesso da população de menor renda ao mercado
formal de habitação e ampliar o acesso à terra urbanizada, isto é, atendida por infraes-
trutura e serviços urbanos, o que impõe a necessidade de incorporar, na prática, a
função social da propriedade nas políticas públicas.
Para tanto, é essencial que os municípios do Norte e Noroeste Fluminense regulamen-
tem em caráter de urgência os instrumentos urbanísticos a serem utilizados em suas
políticas urbanas. Esta regulamentação deve fazer parte do arcabouço jurídico–
institucional e delimitar as formas de uso e ocupação do solo; possibilitar a regulariza-
ção das posses urbanas de áreas ocupadas para fins de moradia – não tituladas na
cidade – e instituir as formas de controle e participação direta do cidadão na elabora-
ção dos Planos Diretores.
O Estatuto da Cidade estabelece que os Planos Diretores e os demais instrumentos
que nele se abrigam podem ser ferramentas eficazes para a inclusão das pessoas
mais pobres no contexto do direito à cidade, definindo estratégias que contribuam para
o acesso à terra urbanizada e à moradia.
Ele é o instrumento para regulamentar como a função social da terra deve ser cumpri-
da em cada cidade,, estabelecendo mecanismos para ampliar a oferta de terra urbani-
zada, inibir a retenção de solo urbano, incidir sobre a formação do preço da terra e
reservar áreas para habitação de interesse social.
Foto 5 – Campos dos Goytacazes, Áreas Urbanas Desocupadas

Fonte: Foto das autoras


Dentro desta lógica, a elaboração e/ou revisão dos Planos Diretores devem ser um
ponto de partida institucional para que se expressem todas as forças que efetivamente
constroem a cidade.

Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 269


Para se avaliar a efetividade dos instrumentos urbanísticos previstos no Estatuto da
Cidade e positivado nos Planos Diretores, é preciso verificar se o estrutural desequilí-
brio de forças da sociedade permitirá que estes instrumentos ganhem o peso necessá-
rio para promover alguma mudança na trágica desigualdade urbana e rural das regi-
ões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, pois apenas a descrição desses
instrumentos não garante sua aplicação.
Esta aplicação depende da clara intenção de se enfrentar uma série de privilégios das
classes favorecidas, depende de um modo de olhar a cidade combinando e integrando
as dinâmicas públicas e privadas. Requer a devida articulação e vontade política além,
evidentemente, da construção coletiva de um pacto social e também da capacidade
administrativa dos Governos Municipais.
Estes instrumentos urbanísticos devem ser construídos a partir de um amplo processo
participativo, que inverta as prioridades de investimentos, baseando-se no parâmetro
da urgência e necessidade social, superando todos os requisitos das agendas político-
eleitorais que ocorrerão ao longo dos próximos 30 anos. O processo participativo, pois,
é capaz de construir pactos, reconhecendo e incorporando na construção dos instru-
mentos urbanísticos as disputas e conflitos existentes nas cidades, com especial ênfa-
se, aos habitantes historicamente excluídos do processo.
Desse modo, o Plano Diretor pode ser transformado em uma oportunidade para que a
população dispute legitimamente seus espaços, desde a fase de elaboração até a fis-
calização de sua aplicação.
Os instrumentos adequados para cada município serão escolhidos segundo a leitura
de cada território – tanto do ponto de vista técnico quanto comunitário – desta forma, o
projeto de cidade poderá ser melhor pactuado.
Existe, de fato, um longo caminho a ser percorrido, que depende de um processo pau-
latino de consolidação de uma cultura política que veja o Estado como o legítimo con-
trolador da função social das propriedades urbanas e indutor do crescimento das cida-
des segundo os interesses públicos e privados.

Objetivo: Melhoria das Condições Habitacionais


Trabalhando a partir do conceito mais amplo de necessidades habitacionais desenvol-
vida pela Fundação João Pinheiro, distinguem-se dois segmentos importantes a serem
abordados: o déficit habitacional e a inadequação de moradias.
Como déficit habitacional entende-se a noção mais imediata e intuitiva de necessidade
de construção de novas moradias para a solução lacunas habitacionais detectadas em
determinado momento, englobando aquelas sem condições de serem habitadas, devi-
do à precariedade construtiva ou em virtude do desgaste de sua estrutura física, ne-
cessitando ser repostas.
Isto inclui a necessidade de incremento do estoque, devido à coabitação familiar, que
compreende a soma das famílias conviventes secundárias que vivem junto à outra
família no mesmo domicílio e das que vivem em apenas um cômodo. Inclui-se ainda
neste conceito a moradia em imóveis e locais com fins não residenciais. O déficit habi-
tacional pode ser entendido, portanto, como “déficit por reposição do estoque” e “défi-
cit por incremento de estoque”.
Com relação ao déficit habitacional, de acordo com o Anuário Estatístico do Estado do
Rio de Janeiro (2009) em 2000, a Região Norte apresentava um déficit de 14.105 do-
micílios sendo que, 89,5% se concentrava em áreas urbanas. Campos dos Goytaca-
zes foi o município com a maior demanda habitacional, apresentando um déficit de
8.980, 63,6% de toda a demanda regional. Macaé apresentou o segundo maior déficit
270 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
habitacional, 2.402, 17% do total regional. Seguiram-se os municípios de Itabapoana,
619, São João da Barra, 599 e Conceição de Macabu, com 365 moradias necessárias.
Carapebus e Cardoso Moreira apresentaram os menores déficits, em torno de 170
cada.
Em todos os Municípios percebe-se que os déficits habitacionais nas áreas urbanas
foram mais intensos que nas áreas rurais, exceto em São Francisco do Itabapoana,
cujo déficit rural foi de 327, enquanto na área urbana correspondeu a 292, ficando a-
trás somente de Campos, com 536.
No Noroeste o déficit habitacional foi de 5.550 domicílios e se apresentou menos ele-
vado do que no Norte. Deste total, 80,5% se concentrou nas áreas urbanas. O maior
déficit foi observado em Itaperuna, 1.553, o que representou 28% de toda a demanda
regional. Pádua apresentou o segundo maior déficit habitacional, 798, seguido de Mi-
racema, 603 e Bom Jesus do Itabapoana, 535. As menores demandas habitacionais,
por sua vez, foram verificadas em São José de Ubá, 111, Varre-Sai, 118, em Italva,
133 e em Aperibé, 163.
Ressalta-se que os dados apresentados neste diagnóstico encontram-se desatualiza-
dos e defasados, pois se baseiam em informações do ano de 2000. Pressupõe-se que
passada uma década de profundas mudanças locais e mundiais, a questão habitacio-
nal das regiões se agravou. Portanto, primeiro será necessária uma atualização a par-
tir do mapeamento das condições atuais das moradias em ambas as regiões, com
estabelecimento dos déficits. Propõe-se a meta de redução do déficit existente em
50%, em 2020, chegando a 10% em 2035.
Além do déficit habitacional, existe o problema da inadequação das moradias, como os
domicílios improvisados também concentrados em sua maioria na área urbana.
De acordo com a Fundação João Pinheiro, os domicílios improvisados ou inadequados
se referem à condições indesejáveis de habitação, o que não implica, contudo, a ne-
cessidade de construção de novas unidades.
Como inadequados são classificados os domicílios com carência de infraestrutura, que
inclui todos os que não dispõem de, ao menos, um dos seguintes serviços básicos:
iluminação elétrica, rede geral de abastecimento de água com canalização interna,
rede geral de esgotamento sanitário ou fossa séptica e coleta de lixo. São inadequa-
dos ainda aqueles domicílios com adensamento excessivo de moradores, com pro-
blemas de natureza fundiária, cobertura inadequada, sem unidade sanitária domiciliar
exclusiva ou em alto grau de depreciação.
Este dimensionamento aponta para a necessidade do delineamento de políticas com-
plementares à construção de moradias, voltadas para a melhoria dos domicílios exis-
tentes. Engloba todos os locais e imóveis sem fins residenciais e lugares que servem
como moradia alternativa (imóveis comerciais, embaixo de pontes e viadutos, barcos e
outros), o que indica claramente a carência de novas unidades domiciliares.
Ainda de acordo com o Anuário Estatístico do Estado do Rio de Janeiro (2009), em
2000, identificavam-se 619 moradias improvisadas no Norte e 254 no Noroeste, totali-
zando 873.
Das 619 moradias improvisadas no Norte, a grande maioria, 79,1% se concentrava
nos grandes centros urbanos, com as maiores demandas sendo de Campos dos Goy-
tacazes e Macaé, 250 e 167, respectivamente. São João da Barra possuía 80 domicí-
lios improvisados e Itabapoana, 43. Carapebus, Cardoso Moreira e Quissamã não
possuíam domicílios improvisados.
A maior demanda do Noroeste encontrava-se em Itaperuna, com a existência de 90
domicílios improvisados, todos ele urbanos. Itaocara tinha 29, sendo apenas 5 na área
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 271
rural. Cambuci e Natividade apresentaram 25 improvisos domiciliares, sendo que no
segundo Município, 100% se concentrava em área rural. Além de Natividade, também
foram encontrados domicílios improvisados nas áreas rurais de Miracema, São José
de Ubá, Varre-Sai e Italva.
Estes valores estão na mesma situação do déficit habitacional e, assim, deverão pri-
meiro ser atualizados para depois estabelecidas metas em números absolutos. O que
se propõe, entretanto, é a redução dos domicílios habitacionais improvisados 50% em
2020 e 10% em 2035.
Fotos 6 e 7 – Campos dos Goytacazes, Condições Habitacionais Precárias

Fonte: Foto das autoras


Objetivo: Ordenamento dos Crescimentos Populacionais Desordenados
Atualmente, o Rio de Janeiro é o estado que apresenta o segundo maior percentual de
domicílios em favelas, sendo superado apenas por Alagoas. Como catalisadores deste
fenômeno estão a baixa escolaridade média da população local e a má definição e
baixa fiscalização dos direitos de propriedade de imóveis (Plano Estratégico do Estado
do Rio de Janeiro, 2007-2010, p.59). Este é um dos grandes gargalos enfrentados no
Estado e faz transparecer a baixa qualidade de vida com a qual grande parte da popu-
lação fluminense convive.
Na Região Norte este fenômeno da expansão urbana desordenada ocorreu especial-
mente em Campos e Macaé. No Censo do IBGE, de 1991 e 2000 foram identificadas
30 favelas em Campos, o que representa um aumento de mais de 100% se compara-
do aos anos 80. Este crescimento foi favorecido especialmente pelo processo de de-
semprego que atingiu o campo, promovendo o êxodo do trabalhador rural, levando-o a
procurar oportunidades nas áreas urbanas e instalar-se nas periferias da cidade.
Macaé também possui inúmeras favelas, que em 1991, totalizavam 10,50% de seus
domicílios. Em 2000, estes números elevaram-se, chegando a um percentual de
16,79% em sua sede, o que significou 15,68%, se considerado o município em sua
totalidade, ou seja, um percentual três vezes maior do que o índice regional.
A hipótese central para explicar os grandes fluxos de população desqualificada foi a
instalação das atividades petrolíferas neste município, visto a intensificação de sua
economia, podendo-se prever novos movimentos intensos de população para os pró-
ximos anos.
Ao mesmo tempo, neste mesmo período observou-se um pequeno decréscimo tanto
no número de domicílios ocupados em favelas, quanto no número de moradores des-
tes domicílios, em Campos dos Goytacazes, enquanto em Macaé houve um aumento
significativo de quase 100% do número de moradores e de domicílios nas áreas de
favelas.

272 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


No Noroeste, apesar de existirem déficits habitacionais e mesmo domicílios improvisa-
dos, não há informações sobre a existência de favelas.
Diante disto, há a necessidade de desenvolver-se um estudo aprofundado sobre as
favelas nas regiões em questão, permitindo-se traçar diretrizes para a implantação de
Programas de Urbanização de Assentamentos Precários.
A urbanização destes espaços deve se preocupar em dotá-los com infraestruturas
básicas de energia elétrica, saneamento, projetos e programas culturais, esportes,
melhoria das moradias, incluindo a prevenção de acidentes devido às moradias em
situação de risco construtivo e/ou geológico.
Além disto, considera-se de suma importância a elaboração de um planejamento rigo-
roso para a fiscalização e monitoramento das áreas potenciais de favelização e das
favelas já existentes, garantindo a aplicabilidade das legislações municipais que regem
o uso e a ocupação do solo, prevenindo a continuidade e proliferação do problema. Do
contrário, a ocupação desordenada continuará acarretando problemas emergentes
nos territórios.

Objetivo: Regularização Fundiária

Para ampliar o acesso à terra urbanizada e promover a regularização fundiária, o Esta-


tuto das Cidades prevê instrumentos que podem ser adotados pelos municípios a par-
tir de seus Planos Diretores, como a concessão do direito real de uso; o usucapião
especial de imóvel urbano; a concessão de uso especial para fins de moradia (CUEM)
e o direito de superfície.10

As áreas vazias e ocupadas no espaço urbano podem ser delimitadas como ZEIS. A
recomendação para os municípios do Norte e Noroeste Fluminense é que os assen-
tamentos precários do tipo favelas, loteamentos irregulares e cortiços sejam delimita-
dos como ZEIS, para possibilitar a sua regularização fundiária.

Deste modo, pois, nos assentamentos precários delimitados como ZEIS, são permiti-
das a adoção de padrões urbanísticos especiais e procedimentos específicos de licen-
ciamento, além de contribuir para o reconhecimento da posse de seus ocupantes.

As ZEIS em terrenos vazios ganham um caráter estratégico se forem delimitadas no


escopo do Plano Diretor, uma vez que podem contribuir com a formação do estoque
de terras para a provisão habitacional e, por conseguinte, conterem a especulação
fundiária, facilitando o acesso das famílias de baixa renda à habitação.

Deve-se destacar também que nas ZEIS vazias nem todo o terreno precisa ser reser-
vado para habitação de interesse social; parte da área pode receber habitação de
mercado e usos não residenciais diversos, o que deve funcionar como estímulo à pro-
dução de interesse social.

A outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso é outro instrumento


que os municípios do Norte e Noroeste Fluminense têm à disposição para dirigir os
recursos auferidos na execução de programas habitacionais, constituição de reserva
fundiária, regularização fundiária, ou mesmo para dotar áreas periféricas com infraes-
trutura e equipamentos.

10
Destaca-se aqui que nenhum município depende da inclusão desses instrumentos no Plano Diretor
para a sua aplicação. Constar estes instrumentos no Plano Diretor, é uma forma de reforçar o que está
presente na Constituição Federal e no Estatuto da Cidade.
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 273
Sendo adotado este instrumento, o controle social sobre os recursos são de suma
importância, uma vez que os mesmos devem ser destinados ao Fundo Municipal de
Habitação ou Fundo de Desenvolvimento Urbano, que normalmente são geridos por
conselhos plurais, democráticos.

Considerando-se a existência de vários mecanismos legais que garantam a regulação


fundiária, incluindo a melhoria dos assentamentos precários, a meta é que os municí-
pios estudem os melhores instrumentos a serem implementados e sejam legalizados
os documentos de propriedade de 100% dos imóveis urbanos e rurais, com especial
atenção para o grande número de propriedades rurais sem documentos.

Objetivo: Prevenção de Enchentes

Outro problema recorrente enfrentado na maioria destes municípios são as enchentes


e inundações freqüentes que acometem as moradias locais, porque historicamente as
aglomerações urbanas destas cidades foram se constituindo às margens dos rios Pa-
raíba do Sul, Muriaé, Pomba, Carangola, Itabapoana, Macaé, etc., a exemplo de Itape-
runa, Natividade, Santo Antônio de Pádua, Cardoso Moreira, Aperibé e outras mais.

Fotos 8 e 9 – Cardoso Moreira e Campos dos Goytacazes, Vista

Fonte: www.panoramio.com

Fotos 10 e 11 – Aperibé e Natividade, Vista

Fontes: www.aperibe.rj.gov.br - www.portalnatividade.com.br

274 Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro


Fotos 12 e 13 – Italva e Laje do Muriaé, Vista

Fonte: Google Earth


Foto 14 – Aperibé e Cambuci, Vista

Fonte: www.italva.com.br

A ocupação se deu de forma desordenada, não respeitando limites estabelecidos pre-


viamente, o que refletiu em um padrão de urbanização precário, com suas moradias
localizadas muito próximas aos rios. Considerando a inviabilidade da remoção de um
grupo muito grande de habitantes nestes locais, em áreas consideradas de risco, pro-
põe-se a implantação urgente de políticas específicas capazes de ampliar o controle e
prevenção dos acidentes naturais. Além de ações preventivas, sugere-se a prepara-
ção dos municípios para o apoio e reestruturação das famílias que, porventura, sejam
acometidas por estes desastres naturais, investindo em infra-estrutura para contenção
das águas e se necessário, realocação de moradores, buscando a prevenção e redu-
ção de danos. Neste sentido, é importante fortalecer órgãos locais de apoio, como a
Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, entidades sociais e outros.

Objetivo: Acompanhamento das Desapropriações para os Grandes Empreendi-


mentos
Considerando as habitações irregulares, inadequadas e até mesmo a instalação dos
grandes empreendimentos regionais propõe-se a elaboração e implantação de um
Programa de acompanhamento de todos os processos de desapropriação e/ou remo-
ção de habitantes, de forma a minimizar os impactos negativos inerentes a esta ação.
Plano de Desenvolvimento Sustentável do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro 275
Foto 15 – São João da Barra

Fonte: Foto das autoras

Objetivos: Ampliação da Oferta de Serviços Públicos


A solução dos problemas habitacionais das Regiões deverá sempre estar acompa-
nhada de implantação de infra-estrutura e de serviços públicos correspondentes e de
qualidade, indispensáveis ao bem viver de sua população.
Além da disponibilidade do saneamento básico e da água tratada para 100% da popu-
lação regional, as políticas de habitação devem ser capazes de garantir outros servi-
ços básic