Módulo: Conhecimentos Pedagógicos – SEC/BA 2010

O QUE É EDUCAR A palavra educar deriva da palavra latina educare, que significa "revelar o que está dentro", deixar florescer as habilidades e potencialidades, tornando explícitos os poderes inatos do homem. Faremos, por nossa conta, para fins de um melhor entendimento, uma distinção semântica do termo educação, ficando este como a instrução acadêmica e profissional passada de fora para dentro, ou seja, o conhecimento técnico transmitido pelo educador ao educando, independentemente do método pedagógico adotado. Chamaremos de educare a educação que aflora de dentro para fora, aquela que diz respeito ao ser, e não ao saber. Aquela que legará condutas morais e éticas responsáveis pelo norteamento da vida de cada um. A educação em valores humanos busca a união desses dois importantes conceitos. Educar é estabelecer uma troca com o educando. Educar não é um ato de "doação" de conhecimento, mas um processo que se realiza no contato do homem com o mundo vivenciado, o qual não é estático, mas dinâmico e em transformação contínua. A relação vertical, onde o educador é superior ao educando deve dar lugar à relação dialógica, a qual supõe troca, pois "os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo.” Para Paulo Freire, educador já não é aquele que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando, que ao ser educado, também educa (...)". O saber construído dessa forma percebe a necessidade de transformar o mundo, porque assim os homens se descobrem como seres históricos. Para Paulo Freire, educar é construir, é libertar o homem do determinismo, passando a reconhecer o papel da História e onde a questão da identidade cultural, tanto em sua dimensão individual, como em relação à classe dos educando, é essencial à prática pedagógica proposta. Sem respeitar a identidade do educando, sem levar em conta as experiências vividas pelo educando antes de chegar à escola, o educador não terá êxito na sua tarefa, e o processo será inoperante, consistirá em meras palavras despidas de significação real. É um "ensinar a pensar certo" como quem "fala com a força do testemunho". É um "ato comunicante, co-participado", de modo algum produto de uma mente "burocratizada". O educador deve incentivar a curiosidade do educando valorizando a sua liberdade e a sua capacidade de aventurar-se. RELAÇÃO EDUCANDO-EDUCADOR A relação educador-educando não deve ser uma relação de imposição, mas sim, uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento. O aluno deve ser considerado como um sujeito interativo e ativo no seu processo de construção de conhecimento. Assumindo o educador um papel fundamental nesse processo, como um indivíduo mais experiente. Por essa razão cabe ao professor considerar também, o que o aluno já sabe, sua bagagem cultural e intelectual, para a construção da aprendizagem. O professor e os colegas formam um conjunto de mediadores da cultura que possibilita progressos no desenvolvimento da criança. Nessa perspectiva, não cabe analisar somente a relação professor-aluno, mas também a relação aluno-aluno. Para Vygotsky, a construção do conhecimento se dará coletivamente, portanto, sem ignorar a ação intrapsíquica do sujeito. Assim, Vygotsky conceituou o desenvolvimento intelectual de cada pessoa em dois níveis: um real e um potencial. O real é aquele já adquirido ou formado, que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. Por exemplo, se domina a adição esse é um nível de desenvolvimento real. O potencial é quando a criança ainda não aprendeu tal assunto, mas está próximo de aprender, e isso se dará principalmente com a ajuda de outras pessoas. Por exemplo, quando ele já sabe somar, está bom próximo de fazer uma multiplicação simples, precisa apenas de um «empurrão». Vai ser na distância desses dois níveis que estará um dos principais conceitos de Vygotsky: as zonas de desenvolvimento proximal, que é definido por ele como: (..) A distância entre o nível de desenvolvimento que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinando através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou de companheiros mais capazes. (VYGOTSKY), “A formação Social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores”. São Paulo, Martins Fontes. 1989. Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é um conceito elaborado por Vygotsky, e define a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela capacidade de resolver um problema sem ajuda, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através de resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou em colaboração com outro companheiro. Esse conceito abre uma nova perspectiva a prática pedagógica colocando a busca do conhecimento e não de respostas corretas. Ao educador, restitui seu papel fundamental na aprendizagem, afinal, para o aluno construir novos conhecimentos precisa-se de alguém que os ajude, eles não o farão sozinhos. Assim, cabe ao professor ver seus alunos sob outra 1

perspectiva, bem como o trabalho conjunto entre colegas, que favorece também a ação do outro na ZDP (zona de desenvolvimento proximal). Vygotsky acreditava que a noção de ZDP já se fazia presente no bom senso do professor quando este elaborava suas aulas. O professor seria o suporte, ou “andaime”, para que a aprendizagem do educando a um conhecimento novo seja satisfatória. Para isso, o professor tem que interferir na ZDP do aluno, utilizando alguma metodologia, e para Vygotky, essa se dava através da linguagem. Baseado nisso, dois autores Newman, Griffin & Cole, desenvolveram essa idéia. Para eles era através do diálogo do professor com o aluno que a ZDP se desenvolve na sala de aula. Com um esquema I-R-F (iniciação – resposta – feedback), que o professor “dando pistas” para o aluno iniciava o processo, assim o aluno teria uma resposta e o professor dava o feedback a essa resposta (GOMES, 2002). Nessa perspectiva, a educação não fica à espera do desenvolvimento intelectual da criança. Ao contrário, sua função é levar o aluno adiante, pois quanto mais ele aprende, mais se desenvolve mentalmente. Segundo Vygotsky, essa demanda por desenvolvimento é característica das crianças. Se elas próprias fazem da brincadeira um exercício de ser o que ainda não são, o professor que se contenta com o que elas já sabem é dispensável. RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO SEGUNDO PIAGET Para Piaget a aprendizagem do estudante será significativa quando esse for um sujeito ativo. Isso se dará quando a criança receber informações relativas ao objeto de estudo para organizar suas atividades e agir sobre elas. Geralmente os professores “jogam” somente os símbolos falados e escritos para os alunos, alegando a falta de tempo. Segundo Piaget esse tempo utilizado apenas para a verbalização do professor é um tempo perdido, e se gastá-lo permitindo que os alunos usem a abordagem tentativa e erro, esse tempo gasto a mais, será na verdade um ganho. O modelo tradicional de intervenção do professor consiste em explicar como resolver os problemas e dizer “está certo” ou “está errado”. Isso está contra a teoria da psicologia genética de Piaget, que coloca a importância da observação do professor sobre o aluno. Uma observação criteriosa, para ver o momento de desenvolvimento que a criança está vivendo, assim saber que atividade cognitiva aquele aluno estará apto a investigar. O professor será o incentivador, o encorajador para a iniciativa própria do estudante. Coloca-se também a importância da espontaneidade da criança. Muitas vezes o professor se mostra tão preocupado em ensinar que não têm paciência suficiente para esperar que as crianças aprendam. Dificilmente aguardam as respostas dos educandos, e perdem a oportunidade de acompanhar a estrutura de raciocínio espontânea de seus alunos. Com a concepção das respostas “certas” e sem o incentivo para pesquisa pessoal o estudante acaba por ter sua atividade dirigida e canalizada, podendo até dizer moldada pelo método de ensino tradicional. Por isso Piaget fixa tanto essa idéia da espontaneidade do aluno; porém, essa espontaneidade muitas vezes é distorcida em sua interpretação. Se um professor deixar a criança sem planejar sua atividade, achando que essa aprenderá sozinha, erroneamente estará aplicando o que Piaget diz. Ainda a respeito da relação professor-aluno, Piaget coloca que essa relação tem que ser baseada no diálogo mais fecundo, onde os “erros” dos estudantes passam a ser vistos como integrantes do processo de aprendizagem. Isso se dá porque à medida que o aluno “erra” o professor consegue ver o que já se está sabendo e o que ainda deve ser ensinado. Segundo Emilia Ferreiro e Ana Teberosky são esses “erros construtivos” que podem diferir das respostas corretas, mas não impedem que as crianças cheguem a ela. Piaget ainda reforça que o aprender não se reduz à memorização, mas sim ao raciocínio lógico, compreensão e reflexão. Diferentemente de Vygotsky, Piaget coloca que o aprendizado é individual. Será construído na cabeça do sujeito a partir das estruturas mentais que ele possui. Voltando a relação professor-aluno, Piaget a coloca baseada na cooperação de ambos. Assim, será através do debate e discussão entre iguais que o processo do desenvolvimento cognitivo se dará; e o professor assumindo o papel apenas de instigador e provocador, mantendo o clima de cooperação. As conseqüências serão à descentralização, à socialização, à construção de um conhecimento racional e dinâmico dos alunos. Dessa forma, a produção das crianças passa a fazer parte do processo de ensino e aprendizagem, buscando compreender o significado do processo e não só o produto.

EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE 2

A política de inclusão, na rede regular de ensino, dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, não consiste somente na permanência física desses alunos na escola; mas no propósito de rever concepções e paradigmas, respeitando e valorizando a diversidade desses alunos, exigindo assim, que a escola crie espaços inclusivos. Dessa forma, a inclusão significa que não é o aluno que se molda ou se adapta à escola, mas a escola consciente de sua função que se coloca a disposição do aluno. As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas dificuldades de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, modificações organizacionais, estratégias de ensino, recursos e parcerias com a comunidade. A inclusão, na perspectiva de um ensino de qualidade para todos, exige da escola novos posicionamentos que implicam num esforço de atualização e reestruturação das condições atuais, para que o ensino se modernize e para que os professores se aperfeiçoem, adequando as ações pedagógicas à diversidade dos aprendizes. Deste modo, pode-se dizer que a escola inclusiva é aquela que acomoda todos os seus alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais ou lingüísticas. Seu principal desafio é desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, e que seja capaz de educar e incluir além dos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, aqueles que apresentam dificuldades temporárias ou permanentes na escola, os que estejam repetindo anos escolares, os que sejam forçados a trabalhar, os que vivem nas ruas, os que vivem em extrema pobreza, os que são vítimas de abusos e até mesmo os que apresentam altas habilidades como a superdotação, uma vez que a inclusão não se aplica apenas aos alunos que apresentam alguma deficiência. Para incluir a escola precisa, primeiramente, acreditar no princípio de que todas as crianças podem aprender e que todas devem ter acesso igualitário a um currículo básico, diversificado e uma educação de qualidade. As adaptações curriculares constituem as possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos e têm como objetivo subsidiar a ação dos professores. Constituem num conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos, critérios, procedimentos de avaliações, atividades e metodologias para atender as diferenças individuais dos alunos. Assim sendo, é preciso desenvolver uma rede de apoio (constituída por alunos, pais, professores, diretores, psicólogos, terapeutas, pedagogos e supervisores) para discutir e resolver problemas, trocar idéias, métodos, técnicas e atividades, com a finalidade de ajudar não somente aos alunos, mas aos professores para que possam ser bem sucedidos em seus papéis. A realização das ações pedagógicas inclusivas requer uma percepção do sistema escolar como um todo unificado, em vez de estruturas paralelas, separadas como uma para alunos regulares e outra para alunos com deficiência ou necessidades especiais. Os educadores devem estar dispostos a romper com paradigmas e manterem-se em constantes mudanças educacionais progressivas criando escolas inclusivas e de qualidades. Essas estratégias para a ação pedagógica no cotidiano escolar inclusivo são necessárias para que a escola responda não somente aos alunos que nela buscam saberes, mas aos desafios que são atribuídos no cumprimento da função formativa e de inclusão, num processo democrático, reconhecendo e valorizando a diversidade, como um elemento enriquecedor do processo de ensino e aprendizagem. Portanto, incluir e garantir uma educação de qualidade para todos os alunos é uma questão de justiça e equidade social. A inclusão implica na reformulação de políticas educacionais e de implementação de projetos educacionais inclusivo, sendo o maior desafio estender a inclusão a um maior número de escolas, facilitando incluir todos os indivíduos em uma sociedade na qual a diversidade está se tornando mais norma do que exceção. Por isso é preciso refletir sobre a formação dos educadores, uma vez que ela não é para preparar alguém para a diversidade, mas para a inclusão; porque a inclusão não traz respostas prontas, não é uma “multi” habilitação para atender a todas as dificuldades possíveis na sala de aula, mas uma formação na qual o educador olhará seu aluno de um outro modo, tendo assim acesso as peculiaridades dele, entendendo e buscando o apoio necessário. Por fim, cabe refletirmos sobre que é ser igual ou diferente? Pois, se olharmos em nossa volta, perceberemos que não existe ninguém igual, na natureza, no pensamento, nos comportamentos e/ou ações; e que as diferenças não são sinônimos de incapacidade ou doença, mas de equidade humana. EDUCAÇÃO COMO DIREITO Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO 3

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade. Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. § 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica. Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria; II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade; V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: I - cumprimento das normas gerais da educação nacional; II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. § 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. § 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir. § 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no “caput” deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213. 4

deu-se início à escola nova. e o modelo americano é instituído em nosso país. visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do Poder Público que conduzam à: I . § 4º . 214. onde o professor não se comportava como o transmissor de conhecimentos e sim um facilitador de aprendizagem.Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio. Com o governo de Getúlio Vargas. Essa escola era uma escola democrática e divulgada para todos (o cidadão democrático). Devemos ter em mente que os professores exercem um papel insubstituível no processo da transformação social. buscando todas as oportunidades em busca da criatividade. Devemos aliar forças para que isso não aconteça. científica e tecnológica do País. produzindo novos conhecimentos para a teoria e prática de ensinar. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias. Já no século XXI. tornando-o espectador e talvez um indivíduo sem estímulo para superar barreiras. A escola tradicional permaneceu por aproximadamente trezentos e oitenta e três anos. para os que demonstrarem insuficiência de recursos. e a transmissão de emoções. Com a escola tecnológica.comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade. na forma da lei. 213. sem articulação com os demais membros da sociedade. impedindo a atuação dialógica. Impediu-se a expressão dialética. O ensino nesta época era tradicional. Nessa era da 5 . V . mas. 208.formação para o trabalho. § 1º . aluno que construía e ressignificava a história. A lei estabelecerá o plano nacional de educação. O advento da escola nova foi em 1932. sem explicação dialética do dia-a-dia.As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. Os padres da Companhia de Jesus instalaram a primeira escola em 1549. recolhida pelas empresas.erradicação do analfabetismo. definidas em lei.Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art. filantrópica ou confessional. observamos que na construção do saber a tecnologia passa a dominar os espaços locais e temporais. serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários. corre-se o risco de exclusão do indivíduo no social. IV . constituiu fundamentalmente a sua atuação profissional na prática social.§ 3º . O professor do século XXI deve ser um profissional da educação que elabora com criatividade conhecimentos teóricos e críticos sobre a realidade.A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório. Art.promoção humanística. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando. pois a educação tem por intenção a humanização do homem. Com o uso inadequado da tecnologia há a individualização do ser humano. ou ao Poder Público. fechando-o em seu mundo. a instrução programada e o ensino individualizado. Na Escola Crítica havia articulação e interação entre o educador e o educando. Na escola tecnicista o social era ditado pelos militares que detinham o poder. § 5º O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação. A formação identitária do professor abrange o profissional. confessionais ou filantrópicas. na forma da lei Art. que: I . Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. sem afinidade com o social e alienado em suas relações com o global. onde o professor era o educador que orientava o contorno da aprendizagem com participação real do aluno. de duração plurianual. II .assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária.universalização do atendimento escolar. nos termos do plano nacional de educação. III . Com o tecnicismo empregado em todos os campos. Em 1983 deu-se o aparecimento da Escola Crítica. Em 1964 tem início a Escola Tecnicista. § 2º . sendo empregados todos os contornos que possibilitavam a apreensão crítica e reflexiva dos conhecimentos com enfoque na construção e reconstrução do saber. falta de opções ou porque é preciso auferir ganhos (extras). VII. pois a docência vai mais além do que somente dar aulas. onde o aluno era um ser ativo e participante e estava no centro do processo de ensino/aprendizagem. Nesta época foram instalados os recursos audiovisuais como suporte pedagógico. cidadãos com competência e habilidade na capacidade de decidir. e foram anunciados padrões e métodos educacionais com ferramentas que impressionavam e davam subsídios diferentes nas formas de ensinar. no caso de encerramento de suas atividades. a interação.melhoria da qualidade do ensino. II . A formação dos educadores não se baseia apenas na racionalidade técnica e/ou como apenas executores de decisões alheias. O PROFESSOR COMO PROFISSÃO A arte de ensinar é uma tarefa difícil demais para que alguém se envolva nela por comodismo. o aluno era impedido de criar e pensar. aluno enfatizado como cidadão.

O FRACASSO ESCOLAR PRECISA SER DERROTADO O fracasso escolar é um grave problema do nosso sistema escolar. e ressalta também os índices de escolarização no Brasil. O fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aluno já conhece. imaturidade. culturais e organizacionais que fazem parte e interferem na sua atividade docente. São tarefas principais das escolas públicas: 1. DIDÁTICA E DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO A democratização do ensino e a importância de oferecer este de qualidade e a toda sociedade é sempre uma reflexão importante. pelas opiniões tendenciosas da mídia. que aponta para um quadro onde a escola não consegue reter o aluno no sistema escolar. 3. Ética como compromisso profissional e social devem ser respondidas e solucionadas para a garantia de uma sociedade melhor. estaremos aptos a oferecer oportunidades educacionais aos nossos alunos para construir e reconstruir saberes à luz do pensamento reflexivo e crítico entre as transformações sociais e a formação humana. e continua dizendo que a escola é o meio insubstituível de contribuição para as lutas democráticas. sociais. Só assim. os professores devem ser encarados e considerados como parceiros/autores na transformação da qualidade social da escola. o ensino é sem dúvida promotora de ações indispensáveis para ocorrer a instrução. AS TAREFAS DA ESCOLA PÚBLICA DEMOCRÁTICA Todos sabem da importância do ensino de primeiro grau para formação do indivíduo. Proporcionar escola gratuita pelos primeiros oito anos de escolarização. a falta de preparo da organização escolar. Assegurar a transmissão e assimilação dos conhecimentos e habilidades. além do seu preparo para as exigências sociais que este indivíduo necessita. Somente o ingresso na escola pode oferecer um ponto de partida no processo de ensino aprendizagem. aquela que esta inserida em um contexto único. políticas e culturais. com competência do conhecimento. A participação ativa na vida social é o objetivo da escola pública. qualidade do ensino do povo. A ESCOLARIZAÇÃO E AS LUTAS DEMOCRÁTICAS A escolarização é o processo principal para oferecer a um povo sua real possibilidade de ser livre e buscar nesta mesma medida participar das lutas democráticas. dando a ele esta capacidade de poder estudar e aprender o resto da vida. mas considera. da formação de suas capacidades. mostrando a evasão escolar e a repetência como graves problemas advindos da falta de uma política pública. compreendendo os contextos históricos. deixando como resultado um enorme número de analfabetos na faixa de 5 a 14 anos. Algumas perguntas envolvendo a escolarização. usando para isso a compreensão e a proposição do real. sem deixar se seduzir pelos caminhos deslumbrantes dos anúncios publicitários. habilidades e atitudes. de igualdade nas oportunidades em educação. afirma Libâneo. com profissionalismo ético e consciência política. Libâneo (1994) "A escolarização básica constitui instrumento indispensável à construção da sociedade democrática". fracasso escolar. pela maioria da população para participar da condução de decisões políticas e sociais. A transformação da escola depende da transformação da sociedade. Isto acontece devido aos planejamentos serem feitos prevendo uma criança imaginada e não a criança concreta. complementa dizendo que o professor deve descobri-lo e basear-se nisto em seus ensinamentos.tecnologia. Democracia poderia ser entendida como um conjunto de conquistas de condições sociais. metodológica e didática de procedimentos adequados ao trabalho com as crianças pobres. 2. Oferecer um processo democrático de gestão escolar com a participação de todos os elementos envolvidos com a vida escolar. O COMPROMISSO SOCIAL E ÉTICO DOS PROFESSORES 6 . como principal. 4. São exemplos de alguns fatores que promovem o fracasso escolar: dificuldades emocionais. entre outros. falta de acompanhamento dos pais. Cabe então aos professores do século XXI a tarefa de apontar caminhos institucionais (coletivamente) para enfrentamento das novas demandas do mundo contemporâneo. Aponta muitos motivos para isto. Assegurar o desenvolvimento do pensamento crítico e independente.

2. por mais simples que pareça. Os princípios didáticos. sendo as técnicas recursos ou meios de ensino seus complementos. Sintetizando. no trabalho e na vida cultural e política. 2. a didática aparece em obra em meados do século XVII. A situação didática em sala de aula esta sujeita também a determinantes econômico-sociais e sócioculturais. estabelecendo na obra alguns princípios com: 1. isto é de acordo com suas características de idade e capacidade. O homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural. o processo didático está centrado na relação entre ensino e aprendizagem. A finalidade da educação é conduzir a felicidade eterna com Deus. 7 . Podemos definir o processo de ensino como uma seqüência de atividades do professor e dos alunos tendo em vista a assimilação de conhecimentos e habilidades. Conhecer estas condições é fator fundamental para o trabalho docente. Os métodos de ensino aprendizagem. com João Amos Comenio. afetando assim a ação didática diretamente. Conteúdos da matérias. O ensino deve seguir o curso da natureza infantil. o currículo como expressão dos conteúdos de instrução. 2. Libâneo ainda coloca que ensinar e aprender são duas facetas do mesmo processo. afirmando daí o caráter essencialmente pedagógico desta disciplina. compreender o objetivo de estudar e relacionar os principais temas da didática que são indispensáveis para o exercício profissional.O primeiro compromisso da atividade profissional de ser professor (o trabalho docente) é certamente de preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família. Destaca a importância da natureza do trabalho docente como a mediação da relação cognoscitiva entre o aluno e as matérias de ensino. DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA DIDÁTICA E TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS A didática e sua história estão ligadas ao aparecimento do ensino. A assimilação dos conhecimentos não se da de forma imediata. ao escrever a primeira obra sobre a didática "A didática Magna". Aplicação de técnicas e recursos. Ação de ensinar. Controle e avaliação da aprendizagem. social e técnica. Os conteúdos escolares. É fundamental nesta estruturação escolar. 4. OBJETIVO DE ESTUDO: O PROCESSO DE ENSINO Sem dúvida. Desde a Antigüidade clássica ou no período medieval já temos registro de formas de ação pedagógicas em escolas e mosteiros. Podemos daí determinar os elementos constitutivos da Didática: 1. por isto as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. 5. Os objetivos sócio-pedagógicos. na sua dimensão político. 7. o magistério é um ato político porque se realiza no contexto das relações sociais. a didática coloca-se para assegurar o fazer pedagógico na escola. As formas organizadas do ensino. o objetivo do estudo da didática é o processo de ensino. Entretanto. Define assim a didática como mediação escolar entre objetivos e conteúdos do ensino. a instrução como processo e o resultado da assimilação sólida de conhecimentos. 3. sendo influenciado por condições internas e externas. Libâneo afirma que. 3. os temas fundamentais da didática são: 1. 4. OS COMPONENTES DO PROCESSO DIDÁTICO O ensino. O trabalho docente visa também à mediação entre a sociedade e os alunos. DIDÁTICA: TEORIA DA INSTRUÇÃO E DO ENSINO É preciso conhecer os vínculos da didática com os fundamentos educacionais. que se realiza em torno das matérias de ensino sob a direção do professor. Ação de aprender. A DIDÁTICA COMO ATIVIDADE PEDAGÓGICA ESCOLAR Sabedores que a pedagogia investiga a natureza das finalidades da educação como processo social. 6. como toda a profissão. 3. envolve uma atividade complexa. Assim sendo. e a metodologia como conjunto dos procedimentos de investigação quanto a fundamentos e validade das diferentes ciências.

d. f. j. e. Estes autores e outros tantos formam as bases para o que chamamos modernamente de Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada. f. Orientar as tarefas do ensino para a formação da personalidade. determinando que o fim da educação é a moralidade atingida através da instrução de ensino. Já a direção do ensino e aprendizagem requer outros procedimentos do professor: a. Manter-se bem informado sobre livros e artigos ligados a sua disciplina e fatos relevantes. b. g. com regras e procedimentos padrões. baseado nas necessidades e interesses imediatos da criança. Conhecer as características sócio-culturais e individuais dos alunos. o autor levanta os principais pontos do planejamento escolar: a. centrando a atividade de ensinar no professor e usando a palavra (transmissão oral) como principal recurso pedagógico. TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO BRASIL E A DIDÁTICA Nos últimos anos. Domínio de métodos de ensino. Domínio do conteúdo e sua relação com a vida prática. Estas duas correntes têm grandes diferenças entre si. para a avaliação. Estes três teóricos influenciaram muito Johann Friedrich Herbart (1776-1841). Conhecimento dos programas oficias. c. h. ajuda o aluno a aprender. classificando as tendências pedagógicas em duas grandes correntes: as de cunho liberal e as de cunho progressivista. Dominar os meios de avaliação diagnóstica 8 . e. g. Porém. este autor não colocou suas idéias em prática. Depois. o aluno é o sujeito deste processo e o professor deve oferecer condições propícias para estimular o interesse dos alunos por esta razão os adeptos desta tendência dizem que o professor não ensina. b. c. b. Henrique Pestalozzi (1746-1827). que tornou a verdadeira inspiração para pedagogia conservadora. i. Criar condições para o desenvolvimento de capacidades e habilidades visando à autonomia na aprendizagem e independência de pensamento dos alunos. Já a didática de cunho progressivista é entendida como direção da aprendizagem. vêm sendo realizados muitos estudos sobre a história da didática no nosso país e suas lutas. Assegurar ao aluno domínio duradouro e seguro dos conhecimentos. Os principais objetivos da atuação docente são: a.Já mais adiante. Jean Jacques Rousseau (1712-1778) propôs uma nova concepção de ensino. pois a aprendizagem é um processo. É importante lembrar que as tendências progressivas só tomaram força nos anos 80. no Brasil. Conhecimento das funções didáticas Compatibilizar princípios gerais com conteúdos e métodos da disciplina Domínio dos métodos e de recursos auxiliares Habilidade de expressar idéias com clareza Tornar os conteúdos reais Saber formular perguntas e problemas Conhecimento das habilidades reais dos alunos Oferecer métodos que valorizem o trabalho intelectual independente Ter uma linha de conduta de relacionamento com os alunos Estimular o interesse pelo estudo Por parte do professor. A tradicional vê a didática como uma disciplina normativa. os procedimentos são: a. d. que trabalhava com a educação de crianças pobres. com as denominadas "teorias críticas da educação A DIDÁTICA E AS TAREFAS DO PROFESSOR O modo de fazer docente determina a linha e a qualidade do ensino. c. Estes três itens se integram entre si. cabendo mais adiante a outro pesquisador fazê-lo. Verificação continua dos objetivos alcançados e do rendimento nas atividades b. antes. Capacidade de dividir a matéria em módulos ou unidades. Compressão da relação entre educação escolar e objetivo sócio-políticos.

A motivação do docente no ensino e a sua adequada formação deve dar o direito de comunicar ou se expressar. ajudam o professor a melhorar a sua metodologia de trabalho. a fim de verificar progressos. porém. aprender e fazer. Diagnóstica .c. ela deve acompanhar todos os passos do processo de ensino e aprendizagem. A avaliação tem a função diagnostica psico-pedagógica e didática."Avaliação é um processo contínuo de pesquisas que visa a interpretar os conhecimentos. habilidades e atitudes dos alunos. IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO A importância da avaliação reside na sua função social e pedagógica. Permite um reajustamento com vista à processução dos objectivos pedagógicos pretendidos. também ajuda os alunos a desenvolverem a auto confiança na aprendizagem do aluno. experimentar. para ele. mas sim deve ser utilizada como um instrumento de coleta de dados sobre o aproveitamento dos alunos. propostas nos objetivos. A avaliação reflete sobre o nível do trabalho do professor como do aluno. determina o grau de assimilação dos conceitos. criar hábitos de trabalho independente e consciencializar o grau consecutivo dos objectivos atingidos após um período de trabalho. orientar a tomada de decisões em relação às atividades didáticas seguintes". aprofundando os seus conhecimentos no domínio da natureza e da sociedade. Também ajuda o aluno a realizar um esforço de sinetes das diferentes partes do programa do ensino. Já LIBÂNEO (1991) define "avaliação como uma componente do processo de ensino que visa. Conhecer os tipos de provas e de avaliação qualitativa Estes requisitos são necessários para o professor poder exercer sua função docente frente aos alunos e institutos em que trabalha. a avaliação é o processo de atribuir valores ou notas aos resultados obtidos na verificação da aprendizagem". NÉRICI (1985) "relaciona avaliação com a verificação de aprendizagem pois. por isso a sua realização não deve apenas culminar com atribuição de notas aos alunos. a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas de planificação do trabalho e da escola como um todo" PILETTII (1986). A avaliação insere-se não só nas funções didáticas. investigar. conforme os objetivos propostos. deve exercitar o pensamento para descobrir constantemente as relações sociais reais que envolvem sua disciplina e a sua inserção nesta sociedade globalizada. É através dela que vão sendo comparados os resultados obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos. Por isto. contribui para a avaliação para correcção de erros de conhecimentos e habilidades e o desenvolvimento de capacidades cognitivas.identifica as dificuldades do aluno e os conhecimentos prévios. 9 . daí. desconfiando do normal e olhando sempre por traz das aparências. tendo em vista mudanças esperadas no comportamento dos alunos. A avaliação é um elemento muito importante no Processo de Ensino e Aprendizagem. no ato profissional. Segundo o professor Cipriano Carlos Luckesi "a avaliação é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensino e aprendizagem que auxilia o professor a tomar decisões sobre o seu trabalho. Pedagogico-Didáctica – refere-se ao papel da avaliação no cumprimento dos objetivos gerais e específicos da educação escolar. seja do livro didático ou mesmo de ações pré-estabelecidas. assumindo-o como um dever social." Para GOLIAS (1995) a avaliação é "entendida como um processo dinâmico. porque é através dela que se consegue fazer uma análise dos conteúdos tratados nas unidades temáticas. dificuldades e orientar o trabalho para as correcções necessárias. determina o grau da assimilação dos conceitos e das técnicas/normas. através da verificação e qualificação dos resultados obtidos. continuo e sistemático que acompanha o desenrolar do ato educativo". o professor. AVALIAÇÃO A avaliação educacional é uma tarefa didática necessária e permanente no trabalho do professor. representando algo que seja para a criança se comunicar a partir do vocabulário formal a partir de uma linguagem "normalizada" determinada pela sua evolução mental. ao mesmo tempo favorece uma atitude mais responsável do aluno em relação ao estudo. a determinar a correspondência destes com os objetivos propostos e. Ajuda ao professor a constatar as falhas no seu trabalho e a decidir a passagem ou não para uma nova unidade temática. Esta. com capacidades para descobrir. mas também na própria dinâmica e estrutura do Processo de Ensino e Aprendizagem (PEA).

do ano letivo. 10 . pois a observação visa a investigar. Por exemplo. exigindo mais dos professores. o professor pode detectar algumas dificuldades dos alunos. Seleccionar as técnicas e instrumentos de avaliação. • Identifica obstáculos que estão a comprometer a aprendizagem. fazendo com que o professor se adapte aos diferentes comportamentos dos alunos. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO Existem várias técnicas e instrumentos de avaliação: • Para a avaliação diagnostica. Conhecer o aluno: Pode-se orientar e guiar o aluno no processo educativo avaliando-o. aptidões. Estabelecer os critérios e as condições para a avaliação. ao mesmo tempo fornece informações sobre o seu desempenho. O professor pode organizar um caderno para anotar a progressão dos alunos em cada período. TAREFAS DA AVALIAÇÃO São tarefas da avaliação as seguintes: 1. interesses e dificuldades. • Para avaliação Sumativa. para estimular o sucesso de todos. identificar os fatores do ensino. Com base nesses resultados deve. como observação do desempenho e entrevista. encontramos os dois instrumentos mais utilizados que são as provas objetivas e subjetivas. Também pode apontar as dificuldades no mesmo caderno. como técnica pode se utilizar o pré-teste. exercícios ou de meios auxiliares. TIPOS DE AVALIAÇÃO a) Avaliação diagnostica: Este tipo de avaliação realiza-se no início do curso. Este registo deve ser acompanhado de modo a superar as dificuldades. • Para avaliação formativa. 4. da unidade ou de um novo tema e pretende verificar o seguinte: • Identificar alunos com padrão aceitável de conhecimentos. 3. Para o caso concreto da disciplina de biologia deve-se utilizar as provas objectivas. Detectar as dificuldades de Aprendizagem: Ao avaliar. ETAPAS DA AVALIAÇÃO Durante o PEA podemos encontrar as seguintes etapas: • • • • Determinar o que vai ser avaliado. ajuda o aluno a desenvolver as capacidades cognitivas. melhorar e completar o trabalho. É através desta avaliação que se faz o acompanhamento progressivo do aluno. temos como técnicas a observação de trabalhos. Realizar a aferição dos resultados. que se apresentam com maior clareza. Permite que haja um controle contínuo e sistemático no processo de interacção professor . provas.alunos no decorrer das aulas. • Informa sobre os objetivos se estão ou não a ser atingidos pelos alunos.Função de Controle . etc. objectividade e precisão – são directas. a ficha de observação ou qualquer instrumento elaborado pelo professor para melhor controle. do semestre/ trimestre. escreve correctamente e conhece bem a Gramática. adequar o ensino de forma que a aprendizagem se torne mais fácil e eficaz. o Carlos tem "problemas na representação do afastamento ou cota de um ponto". 2. • Constata deficiências em termos de pré-requisitos. • Constata particularidades b) Avaliação formativa: Esta avaliação ocorre ao longo do ano lectivo.controla o Processo de Ensino e Aprendizagem (PEA). Verificar os ritmos de progresso do aluno: É a colecta de dados sobre o aproveitamento dos alunos através de provas. Orientar a aprendizagem: Os resultados obtidos pela avaliação devem ser utilizados para corrigir. na medida do possível. para melhor conhecer a sua personalidade. os exercícios práticos. para verificar se houve um progresso do aluno desde o ponto de partida da aprendizagem até ao momento. atitude.

OS CRITÉRIOS DA ESCOLHA DAS TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DEPENDEM: • • • • • • • • Dos objectivos de avaliação. do ano letivo. é crucial para a concretização do projecto educacional. A forma como se avalia. Deve ser eficaz na produção e mudanças no comportamento. Dos meios. È uma classificação final . Entende-se que a avaliação não pode morrer. O tipo do aluno. Número de alunos na turma. Deve ser justo e uniforme. A idade dos alunos. O mito da avaliação é decorrente de sua caminhada histórica. do curso. Deve estar ao alcance dos alunos. Tempo disponível/duração. questionar e transformar nossas acções. segundo Luckesi (2002). As conclusões finais devem ter certa validade e longo prazo. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO A avaliação deve obedecer os seguintes critérios: • • • • • • • • Tem que ser benéfico. Ela se faz necessária para que possamos reflectir. sendo que seus fantasmas ainda se apresentam como forma de controle e de autoritarismo por diversas gerações. Deve ser praticável e não deve ser incómodo e inútil. reflexão. MODELO TRADICIONAL E ADEQUADO DA AVALIAÇÃO Gadotti (1990) diz que a avaliação é essencial à educação. Deve ser global. As condições da sala de aula. COMPARAÇÃO DOS DOIS MODELOS DE AVALIAÇÃO Visão tradicional • • • • • • Acção individual e competitiva Concepção classificatória Apresenta um fim em si mesma Postura disciplinadora e directiva do professor Privilégio à memorização Pressupõe a dependência do aluno Modelo adequado • Ação coletiva e consensual • Concepção investigativa e reflexiva • Atua como mecanismo de diagnóstico da situação 11 . c) Avaliação somativa: Esta avaliação classifica os alunos no fim de um semestre/trimestre.• Localiza deficiência/dificuldades. Tem a função classificadora. É ela que sinaliza aos alunos o que o professor e a escola valorizam. Dos conteúdos/complexidade da matéria. sobre a acção. questionamento. O processo de avaliação deve ser aberto. segundo níveis de aproveitamento. inerente e indissociável enquanto concebida como problematização. Acreditar em um processo avaliativo mais eficaz é o mesmo que cumprir sua função didático-pedagógica de auxiliar e melhorar o ensino/aprendizagem.

era mostrado sempre por Estado. dos cursos e do desempenho dos estudantes. de 14 de abril de 2004. organizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educaionais Anísio Teixeira (Inep) a partir de 1997. o oculto e informal. AVALIAÇÃO DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR Novos mecanismos da aplicação do Censo Escolar e do Sistema de avaliação do Ensino Básico no Brasil (SAEB) serão implementados no início de 2005. As informações obtidas com o Sinaes são utilizadas pelas IES. tanto o Censo como o Saeb passarão a ter o foco no aluno. que deixará de ser amostral Diferente da análise qualitativa do Saeb. segundo Carlos Henrique Araújo. municipal e particular. Realizados desde a década de 90 por amostragem de alunos das redes estadual. a estrutura física de escolas na mesma cidade. CURRÍCULO A escola. Ele é proposto pelo trabalho pedagógico nas escolas. diretora de estatística da educação básica do Inep. O Sinaes avalia todos os aspectos que giram em torno desses três eixos: o ensino. A prática do currículo é geralmente acentuada na vida dos alunos estando associada às mensagens de natureza afetiva e às atitudes e valores. o explicito e o formal. para orientação da sua eficácia institucional e efetividade acadêmica e social. avaliação externa. o currículo é uma construção social. Sendo um ambiente social. a responsabilidade social. mas. por exemplo. Os processos avaliativos são coordenados e supervisionados pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes). a gestão da instituição. pelos órgãos governamentais para orientar políticas públicas e pelos estudantes. em que os estudantes respondem a questões de língua portuguesa e matemática. para orientar suas decisões quanto à realidade dos cursos e das instituições. "Na época do primeiro Censo. em 2005 toda escola e todo aluno da rede pública fará o exame. tem um duplo currículo. as escolas públicas já têm disponível no site do Inep um resumo de dados por escola. O Saeb é o instrumento nacional de avaliação do ensino básico no País e coleta. não é apenas um espaço social emancipatório ou libertador. O objetivo é informatizar tudo e disponibilizar as informações na Internet em tempo real".• Postura cooperativa entre professor e aluno • Privilégio à compreensão • Incentiva a conquista da autonomia do aluno. A operacionalização é de responsabilidade do Inep. turmas e profissionais. Os resultados das avaliações possibilitam traçar um panorama da qualidade dos cursos e instituições de educação superior no País. O resultado das provas. afirma Dirce Gomes. Ele possui uma série de instrumentos complementares: auto-avaliação. instituições acadêmicas e público em geral. que é o de apoiar as Secretarias de educação na melhoria da qualidade do ensino. Um dos focos mais importantes é o exame de múltipla escolha. obtido através do censo. realizado em 1931 no governo Getúlio Vargas.861. região e país. a extensão. diretor de avaliação da educação básica do Inep. o Censo Escolar é o instrumento do governo federal que traz um raios-X quantitativo das escolas. o resultado demorou sete anos para ser contabilizado. Dessa forma. bem como da estrutura física (número de laboratórios e bibliotecas. garante. Desde 2003. diretores e escolas. pais de alunos. "Assim eliminaremos duplicidade de matrículas e alunos fantasmas". por exemplo). cada estudante terá um cadastro pessoal que permitirá o acompanhamento de sua trajetória escolar. o corpo docente. raça e etnia. o Ministério da Educação pretende aperfeiçoar o objetivo desses diagnósticos. o desempenho dos alunos. Avaliação dos cursos de graduação e instrumentos de informação (censo e cadastro). informações sobre alunos da 4ª e 8ª série do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio. professores. as instalações e vários outros aspectos. a pesquisa. SINAES Criado pela Lei n° 10. A novidade é que ele passará a incluir os dados por aluno. nome da mãe. ou seja. à determinada sociedade e às relações com o 12 . com número de alunos. o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) é formado por três componentes principais: a avaliação das instituições. data de nascimento. que permite comparar. mas também é um cenário de socialização da mudança. na acepção de estar inteiramente vinculado a um momento histórico. desde 1990. com nome. Enade. O Currículo educativo representa a composição dos conhecimentos e valores que caracterizam um processo social. Atualmente.

reflete uma concepção de mundo. Planejar e avaliar andam de mãos dadas. em certo espaço e tempo histórico. implica relações de poder. epistemologia (define a natureza dos conhecimentos e o processo de conhecer). A visão do currículo está associada ao conjunto de atividades intencionalmente desenvolvidas para o processo formativo.conhecimento. Planejar. de sociedade e de educação. entre recursos e objetivos. prever o acompanhamento e a avaliação da própria ação. Portanto. marcados por uma forte fragmentação. pensando e prevendo necessariamente o futuro". não é imparcial. por uma perspectiva interdisciplinar e transdisciplinar. Existe uma diferença conceitual entre currículo. à estrutura social. da burguesia. em sentido amplo. visto que esta tem como características básicas: evitar a improvisação. PLANEJAMENTO É: 1. multidisciplinar e pluridisciplinar. estadual e municipal". Nesse sentido. O ato de planejar é sempre processo de reflexão. Planejar também é uma atividade que está dentro da educação. organizações grupais e outras atividades humanas. que é o conjunto de ações pedagógicas e a matriz curricular. correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional. O currículo é um instrumento político que se vincula à ideologia. Para Vasconcellos (1995). gerador de inovação. 4. mas considerando as condições do presente. a partir dos resultados das avaliações (PADILHA. As ciências nos mostram que não há desenvolvimento sustentado sem o capital social. econômico e político de quem planeja e com quem se planeja. O Currículo. com a pluralidade cultural. em prazos determinados e etapas definidas. setores de trabalho. há a mesma humanidade. Hoje existem várias formas de ensinar e aprender e umas delas é o currículo oculto. O processo de busca de equilíbrio entre meios e fins. 3. incluindo o estético). o currículo oculto é “o conjunto de atitudes. sua essência e sua defesa. e currículo é a opção realizada dentro dessa cultura. e ao respeito pelo outro. à participação cívica. é um processo que "visa a dar respostas a um problema. das elites. É previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno". mas os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam que os modelos dominantes na escola brasileira. de tomada de decisão sobre a ação. para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades da sociedade. quanto as do indivíduo. Planejamento Educacional é processo contínuo que se preocupa com o 'para onde ir' e 'quais as maneiras adequadas para chegar lá'. A cultura é o conteúdo da educação. sendo o centro da ação educativa. processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego de meios (materiais) e recursos (humanos) disponíveis. mas que são implicitamente ensinados através das relações sociais. E que a escolarização é a condição fundamental de acesso à cultura. Ao pensarmos no homem como um ser histórico. prever o futuro. pois a preocupação é com a proposta geral das experiências de aprendizagem que a escola deve oferecer ao estudante. valores e comportamentos que não fazem parte explícita do currículo. os aspectos contextuais e os pressupostos filosófico. de modo a atingir objetivos antes previstos. incorporando as políticas educacionais. das práticas e da configuração espacial e temporal da escola”. cultural. 2. as experiências do passado. Planejamento Curricular é o "processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. Para Silva. como construção de identidades locais e nacionais. 13 . em épocas diferentes a interesses. tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras. axiologia (preocupa-se com a natureza do bom e mau. "o planejamento do Sistema de Educação é o de maior abrangência (entre os níveis do planejamento na educação escolar). estabelecer caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução da ação educativa. através dos diversos componentes curriculares (VASCONCELLOS. devem ser substituídos. 2001). Há várias formas de composição curricular. As teorias críticas nos informam que a escola tem sido um lugar de subordinação e reprodução da cultura da classe dominante. também refletiremos em um currículo que atenderá. essa modalidade de planejar constitui um instrumento que orienta a ação educativa na escola. pois por trás das nossas diferenças. é social e culturalmente definido. aparece o movimento de exigência dos grupos culturais dominados que lutam para ter suas raízes culturais reconhecidas e representadas na cultura nacional. de responsabilidade e de participação cívica. visando ao melhor funcionamento de empresas. instituições. estabelecendo fins e meios que apontem para sua superação. Para elaboração de um currículo escolar devemos levar em consideração as vertentes caracterizadas pela: ontologia (trata da natureza do ser). ao reconhecimento do belo. que é a lista de disciplinas e conteúdos do currículo. ao sentido crítico. dos rituais. visando à concretização de objetivos. na medida do possível. a educação e currículo são vistos intimamente envolvidos com o processo cultural. 1995). Porém. à cultura e ao poder.

"para quem" e também com "o quê". currículo interdisciplinar não é apenas combinar algumas disciplinas em projetos. da vida e do mundo. CURRÍCULO E INTERDISCIPLINARIDADE A palavra Currículo é de origem latina e significa o caminho da vida. movimento. "É um processo de racionalização. mais especificamente. "como" e "com quê". o diálogo. organização e coordenação da ação docente. numa forma interdisciplinar sem perder de vista os objetivos fundamentais elencados para a sua disciplina. em constantes interações entre professor e alunos e entre os próprios alunos (PADILHA. Uma sugestão curricular de alcance para a sociedade contemporânea deverá agregar as tendências atuais da ciência e da tecnologia nas atividades produtivas e nas interações sociais. busca a inclusão. Citando Paulo Freire. articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social" (LIBÂNEO. Na opinião de Sant'Anna et al (1995). na situação de ensino-aprendizagem". O papel da educação como elemento de desenvolvimento social é reorientado. Currículo é o ambiente do conhecimento. 8. Nessa expectativa compete ao professor. a preocupação é responder as perguntas "o quê". centralizando-se na eficiência e na busca da manutenção do funcionamento. ou melhor. 7.5. 1992). currículo. A preocupação central é definir fins. coopera. sendo sobretudo tarefa de administradores. consentindo que cada aluno perceba o conhecimento coletivo e construa o seu de maneira individual. estimulando a vinculação e indicando uma visão contextualizada do conhecimento. educandos e o currículo. pois a idéia é modernizar o debate sobre a importância do currículo. através das diferentes disciplinas e além de toda disciplina e sua finalidade é compreender o mundo atual. 1994). no cotidiano de seu trabalho pedagógico. Currículo indica processo. humanas e artes. onde a ênfase é o presente. a transversalidade. Planejamento Escolar é o planejamento global da escola. principalmente após a ampliação do ensino fundamental para nove anos. A interdisciplinaridade pode ser compreendida como sendo a troca de reciprocidade entre as disciplinas ou ciências. A transdisciplinaridade busca a compreensão do conhecimento. quando existe correlação entre as capacidades exigidas para o exercício da cidadania e para as ações produtivas. buscar conceber visões globalizantes e de eficácia. áreas do conhecimento. Mediante as demandas contemporâneas. conhecimento e cultura. Ao buscarmos um novo olhar interdisciplinar chegaremos ao olhar transdisciplinar com mais entrosamento e fortalecimento. o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. em médio prazo e/ou longo prazo. percurso. mas para que a interdisciplinaridade aconteça é necessário a colaboração e a parceria entre as disciplinas do currículo para se chegar a um finalidade única. Planejamento Político-Social tem como preocupação fundamental responder as questões "para quê". articular teoria e prática. A transdisciplinaridade considera o que está ao mesmo tempo entre as disciplinas. O currículo deve ser entendido como componente central do procedimento da educação institucionalizada. "Tem o plano e o programa como expressão maior" (GANDIN. educadores de todo o país estão reunidos para discutir o entendimento do currículo no ensino infantil e fundamental. A transdisciplinaridade é a investigação da acepção da vida através de relações entre os diversos saberes das ciências exatas. agrega. esse nível de planejamento trata do "processo de tomada de decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do professor e do aluno. 6. o espaço de contestação das relações sociais e humanas e também o lugar da gestão. serve para situações de crise e em que a proposta é de transformação. procura parceria. assim como. O que é um currículo interdisciplinar? É o modo de viabilizar as interações e inter-relações entre as diferentes disciplinas existentes. como a etimologia da palavra recomenda. compartilha. os instrumentos. O conceito de interdisciplinaridade foi organizado propondo-se restabelecer um diálogo entre as diversas áreas dos conhecimentos científicos. Planejamento de Ensino é o processo de decisão sobre atuação concreta dos professores. de decisões sobre a organização. envolvendo as ações e situações. Como vemos. 2001). da cooperação e participação. Os estudos serão estruturados em seis eixos temáticos: currículo e desenvolvimento humano. tratando prioritariamente dos meios. No Planejamento Operacional. a rota de uma pessoa ou grupo de pessoas. constatamos que a fala desse educador nos elucida ao colocar que devemos aproximar a atitude interdisciplinar da atitude transdisciplinar: porque encontraremos nas duas o coletivo instituinte. adiciona. envolvendo o processo de reflexão. Abarca cada aspecto isoladamente e enfatiza a técnica. que é a noção da realidade. Tem sua expressão nos programas e. organização dos tempos e espaços escolares. momento de execução para solucionar problemas. o trabalho em grupo. diversidade e inclusão 14 . o sentido. nos projetos. Devemos lembrar que a exclusão proveniente da sociedade do consumo e do capitalismo poderá sofrer diminuição através da idéia de currículos que privilegiem áreas que estão em crescimento no momento atual.

multicultural seja qual for o sentido que queiramos atribuir à raiz (cultura) do termo. Ignorar a diversidade. mostra que o tema é. reforça-os no sentido da afirmação de uma concepção coerente. em particular na Sociologia da Educação. A multiculturalidade é. qualquer professor é. de modo mais ou menos implícitos. O trabalho com populações culturalmente discrepantes desse padrão. ano ou disciplina e. por inerência. Tem tido um peso significativo nas unidades curriculares da área das Ciências Sociais. quando a composição das classes for marcadamente discrepante daquela uniformidade. A formação inicial constitui a etapa estruturante de concepções coerentes e pluralistas do currículo. enquanto variável constante na construção e realização do currículo. no discurso pedagógico e social em relação à multiculturalidade que.social. É condição para uma concepção una. a existência de um currículo oficial de um certo ciclo. hoje. por outro. e o conhecimento deve ser abordado em uma perspectiva de totalidade. descontínua e pouco integrada. A análise de alguns dados sobre a multiculturalidade em alguns cursos de formação inicial de professores. os novos diplomados colocam a incidência da sua formação no elenco de competências para o trabalho com classes situadas num padrão cultural de referência. porque o ser humano é ser de múltiplas dimensões e aprendem em tempos e em ritmos diferentes. processualmente e sucessivamente. por outro. parte dessa formação mas indicia que a sua abordagem é ainda bastante avulsa. nos discursos e nas práticas escolares. nas ideologias pessoais em relação às diferenças humanas. a sua versão multicultural. a concepção e realização das melhores formas de adequar o currículo à diversidade dos seus destinatários. e sempre foi. é. cada vez mais. mais ou menos lateral ou oculta. como souberem e puderem. Embora reconhecendo teoricamente a importância da multiculturalidade na gestão do currículo. que faz sentido como um todo e cujas peças. Enquanto totalidade integrada. Contempla os conhecimentos. menos em Desenvolvimento Curricular e em algumas metodologias de ensino e é frágil na Intervenção/Prática Educativa. por inerência. de modos muito diferenciados. professor de currículos que são multiculturais. As transformações demográficas e culturais ocorridas nas duas últimas décadas. de um currículo multicultural a que alguns professores deverão recorrer. e currículo e avaliação. são consideradas relevantes tendo em conta as características da população escolar e as finalidades do sistema educativo. reforçaram o peso da diversidade e colocaram-na no centro do debate e das práticas educativas. qualquer currículo. quaisquer que sejam. una e pluralista do currículo e tornando mais óbvia a necessidade de incluir a vertente multicultural na preparação e no desempenho profissional de professores. o contributo de peças associadas à multiculturalidade. é hoje. significa ignorar muitos daqueles saberes e atitudes bem como o princípio da igualdade de oportunidades educativas. inclusiva e pluralista do currículo. Não será a crescente diversificação cultural da sociedade e das escolas que altera estes princípios. As raízes da persistência desta dicotomia encontram-se no peso das práticas monoculturais anteriores. Antes. ainda. a prevalência de uma concepção de currículo dirigido a grupos definidos por uma suposta uniformidade cultural e social para os quais todos os professores devem ser formados e.Diante da constatação de necessidades contemporâneas. CURRÍCULO E MULTICULTURALIDADE O currículo "coerente" é aquele que permanece uno. numa sociedade e num certo momento. Hoje. Dicotomias que indiciam. Ou. por um lado. uma dimensão essencial da coerência do currículo. PLANO DECENAL DE EDUCAÇÃO PARA TODOS 15 . e orienta para concepções dicotômicas do currículo. dicotomias curriculares quando entram em jogo variáveis multiculturais. acentua as diferenças e na formação de professores que. Um currículo. freqüentemente. o currículo tem. A razão de ser e grande finalidade da teoria e da prática de organização e desenvolvimento curricular. as atitudes e as competências que. por um lado. No entanto prevalecem. é entendido como uma adaptação das competências exigidas pelo trabalho com classes padrão ou por competências adicionais a usar e desenvolver face aos contextos multiculturais. estão unidas e ligadas pelo sentido da totalidade. freqüentemente. os eixos temáticos referentes aos estudos em andamento incorporam a preocupação dos educadores com a necessidade de um currículo que contemple a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. as ignora. o conhecimento deve ser construído e reconstruído.

Segundo o Plano. jovens e adultos. especialmente as necessidades do mundo do trabalho. a crianças. 2. Os objetivos do Plano Decenal de Educação para Todos são lembrados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. para que possam viver em ambientes saturados de informações e continuar aprendendo. recomendando o empenho de todos os países participantes em sua melhoria. política e cultural do país. expressam-se no Plano Decenal de Educação para Todos. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO — PDE 16 . Bangladesh. Paquistão. pela Unesco. Esse documento é considerado "um conjunto de diretrizes políticas voltado para a recuperação da escola fundamental no país". Unicef. Em seu conjunto. as oportunidades de alcançar e manter níveis apropriados de aprendizagem e desenvolvimento. na luta pela satisfação das necessidades básicas de aprendizagem para todos. juntos. conteúdos mínimos de aprendizagem que atendam a necessidades elementares da vida contemporânea". Satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem das crianças. Estabelecer canais mais amplos e qualificados de cooperação e intercâmbio educacional e cultural de caráter bilateral. Nigéria e Indonésia . O Plano Decenal de Educação para Todos foi apresentado pelo governo brasileiro em Nova Delhi. Universalizar. Fortalecer os espaços institucionais de acordos. 6. PNUD e Banco Mundial. a Conferência de Jomtien é um marco político e conceitual da educação fundamental. provendo-lhes as competências fundamentais requeridas para a participação na vida econômica. As idéias contidas no Plano Decenal. constituindo-se em um compromisso da comunidade internacional em reafirmar a necessidade de que "todos dominem os conhecimentos indispensáveis à compreensão do mundo em que vivem". O plano expressa sete objetivos gerais de desenvolvimento da educação básica: 1. que também ajudaram a elaborar a Declaração de Nova Delhi. social. o Plano Decenal marca a aceitação formal. realizada em Jomtien. possuem mais da metade da população mundial. Nesse sentido. Favorecer um ambiente adequado à aprendizagem. 3. na Tailândia. México. pelo governo federal brasileiro. Lá o documento foi aprovado pelas duas organizações internacionais. parcerias e compromisso. "os compromissos que o governo brasileiro assume. Ampliar os meios e o alcance da educação básica. multilateral e internacional. as resoluções da Conferência Mundial de Educação Para Todos. de garantir a satisfação das necessidades básicas de educação de seu povo. no período de uma década (1993 a 2003). até o ano 2003. estabelecendo posições consensuais entre os nove países participantes. Egito. com eqüidade. um corpo de conhecimentos essenciais e um conjunto mínimo de competências cognitivas. 7.que. em todas as pessoas. cujo objetivo mais amplo é assegurar. 4. Dessa forma. das teses e estratégias que estavam sendo formuladas nos foros internacionais mais significativos na área da melhoria da educação básica. em 1990. conferindo maior eficiência e eqüidade em sua distribuição e aplicação. jovens e adultos. a educação fundamental tem sido considerada um "passaporte para a vida". aprovada em 1996. Índia. 5. têm origem na preocupação da comunidade internacional com a educação. num encontro promovido pela Unicef e pelo Banco Mundial e que reuniu os nove países mais populosos do Terceiro Mundo Tailândia. devendo desenvolver. ao consolidar e ampliar o dever do poder público com a educação em geral e em particular com o ensino fundamental. Incrementar os recursos financeiros para manutenção e para investimentos na qualidade da educação básica. tendo em vista o novo cenário social advindo da sociedade da informação.Documento elaborado em 1993 pelo Ministério da Educação (MEC) destinado a cumprir. portanto. Brasil.

. . . mas vai além por incluir ações de combate a problemas sociais que inibem o ensino e o aprendizado com qualidade. no contra turno de sua atividade. . . formar novos docentes e propiciar formação continuada.Proinfância: construção.Acesso facilitado: o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) aumentará o prazo para o aluno quitar o empréstimo após a conclusão do curso. em um prazo de quinze anos.Educação Superior: duplicar as vagas nas universidades federais. os alunos do Ensino Médio terão acesso a obras literárias no local em que estudam. ampliar e abrir cursos noturnos e combater a evasão são algumas das medidas.Brasil Alfabetizado: terá dois focos: a Região Nordeste. . como Luz para todos. .Salas multifuncionais: ampliação de números de salas e equipamentos para a Educação Especial e capacitação de professores para o atendimento educacional especializado.Gosto de ler: a Olimpíada Brasileira da Língua Portuguesa será realizada em 2008 e pretende resgatar o prazer da leitura e da escrita no Ensino Fundamental. melhoria da infra-estrutura física. . por meio de um sistema nacional de ensino superior à distância.Índice de qualidade: avaliará as condições em que se encontra o ensino com o objetivo de alcançar nota seis no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). .Educação profissional: os Institutos Federais de Educação Tecnológica (IFETs) reorganizarão o modelo da educação profissional e atenderão as diferentes modalidades de ensino. Ações do PDE: . O prevê várias ações que visam identificar e solucionar os problemas que afetam diretamente a Educação brasileira. . A alfabetização de jovens e adultos será. entre outros. 17 .Transporte escolar: Caminho da Escola é o novo programa de transporte para alunos da Educação Básica que residem na zona rural. feita por professores das redes públicas.Formação: o programa Universidade Aberta do Brasil. que concentra 90% dos municípios com altos índices de analfabetismo. .Biblioteca na escola: com a criação desse programa. . visa capacitar professores da Educação Básica pública que ainda não têm graduação.O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) foi aprovado pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Ministro da Educação Fernando Haddad em 24 de abril de 2007. estados e municípios. em todas as suas etapas. do ensino profissionalizante e médio.Provinha Brasil: instrumento de aferição do desempenho escolar dos alunos de seis a oito anos. com o objetivo de melhorar a Educação no País. . As ações deverão ser desenvolvidas conjuntamente pela União. A prioridade é a Educação Básica. que vai do Ensino Infantil ao Médio.Estágio: alterações nas normas gerais da Lei do Estágio para beneficiar alunos da Educação Superior. Saúde nas escolas e Olhar Brasil. reestruturação e aquisição de equipamentos nas creches e pré-escolas. e os jovens de 15 a 29 anos. O plano Compromisso Todos Pela Educação propõe as diretrizes e estabelece as metas para as escolas das redes municipais e estaduais de ensino.Piso do magistério: definição do piso salarial nacional de 850 reais para os professores. prioritariamente.Luz para todos: programa no qual as escolas terão prioridade. .

. com o objetivo de incentivar a leitura. predominantemente. . NÍVEIS DE ENSINO 18 . O SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO Atualmente o sistema escolar brasileiro é regido pela lei nº 9394/1996. As escolas urbanas só receberão a verba se cumprirem as metas estabelecidas. após declarar que a educação abrange “os processos formativos” que se desenvolvem em todas as instâncias da vida social.Inclusão digital: todas as escolas públicas terão laboratórios de informática. os gestores conhecerão detalhes da Educação do Brasil. . por meio do ensino. em instituições próprias” (§ 1º) que “a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”.. que engloba 60 obras de mestres brasileiros e estrangeiros. e nº 7044/82 (que tornou opcional a profissionalização no 2º grau. A ação faz parte do plano de expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. será doada para as escolas e bibliotecas públicas da Educação Básica.Concurso: prevê a realização de concursos públicos para ampliação do quadro de pessoal do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da expansão da rede profissional.Pós-doutorado: jovens doutores terão apoio do governo para continuar no Brasil.Professor-equivalente: a própria universidade poderá promover concurso público para a contratação de professores nas universidades públicas federais. . Em seu artigo 1º. . revogou as leis nº 4 024/61 (que foi nossa primeira lei de diretrizes e bases da educação. . que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. que receberão óculos gratuitamente. com o objetivo de efetivar a política de acessibilidade universal. nos dispositivos que ainda vigoravam). .Dinheiro na escola: todas as escolas de Ensino Fundamental Pública Rural receberão a parcela extra de 50% do Programa Dinheiro Direto na Escola. terão mais atividades no contra turno e ampliação do espaço educativo. materiais e processos. a pesquisa e a busca pelo conhecimento. em especial. crianças e jovens de zero a dezoito anos atendidas pelo Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC). que se desenvolve.Cidades-pólo: o Brasil terá 150 novas escolas profissionais. . Os estudos que faremos sobre o sistema escolar brasileiro devem ser sempre baseados na lei nº 9 394/96. . nº 5 692/71 (que estabelecia as diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º grau). obrigatória pela lei de 1971). . .Coleção educadores: a coleção Pensadores.Mais Educação: alunos passarão mais tempo na escola. . ambientes.Saúde nas escolas: o Programa Saúde da Família atenderá alunos e professores para prevenir doenças e tratar outros males comuns à população escolar sem sair da escola.Educação Especial: monitorar a entrada e a permanência na escola de pessoas com deficiência.Guia de tecnologias: as melhores experiências tecnológicas educacionais serão um referencial de qualidade para utilização por escolas e sistemas de ensino. .Olhar Brasil: o programa identificará os estudantes com problemas de visão.Acessibilidade: as universidades terão núcleos para ampliação do acesso das pessoas com deficiência a todos os espaços. Esta lei.Censo pela Internet: com o levantamento do Educacenso. a lei nº 9 394/96 afirma destinar-se a disciplinar “a educação escolar. aprovada após oito anos de discussão comandada pelo Congresso Nacional.

32). ainda são bastante limitadas. enquanto os pobres só conseguem fazer um curso superior em escolas particulares e com muita dificuldade. 24 e 32). da cultura . articulados ou não com o ensino regular (art. por uma parte diversificada. o que pode acontecer é o seguinte: Educação infantil. Ao menos. Ensino fundamental. e em pré-escolas (de quatro a seis anos). III – de pós-graduação. em no mínimo 800 horas e 200 dias anuais de efetivo trabalho escolar (art. e da clientela”. Geografia são apenas algumas entre as muitas habilitações oferecidas. O desejável seria que a educação fosse pública e gratuita para todos. Embora. que poderiam pagar. Artes Plásticas. Em parte isso acontece porque os sistemas de ensino e os estabelecimentos escolares têm dificuldades em adaptar-se às características culturais e sociais diversificadas coexistentes em nosso país. 21) a educação escolar compõe-se da educação básica (educação infantil. e gratuito na escola pública (art. complementando a ação da família e da comunidade”. abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. Ensino Médio. principalmente nas escolas públicas e gratuitas. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. conforme o artigo 30. “a educação infantil. abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. Ao contrário da lei nº 5 692/71. Em linhas gerais. formação básica para o trabalho e a cidadania. Jornalismo. vencem aqueles que desfrutam de melhores condições socioeconômicas. 35). não pagam. abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo.35). II – de graduação. intelectual e social. seja constituído de uma “base nacional comum. primeira etapa da educação básica. a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino. As vagas para os cursos superiores. aperfeiçoamento e outros. Educação Superior. diversificando-se gradualmente até alcançar uma especialização em nível superior. em todos os níveis. 24).De acordo com a lei (art. exigida pelas características regionais e locais da sociedade. é praticamente igual para todos. Uma série de modalidades são oferecidas no ensino superior. Administração. Ensino fundamental. Deve ter a duração mínima de três anos (art. deve ter um mínimo de 800 horas anuais em 200 dias de efetivo trabalho escolar (arts. GESTÃO ESCOLAR 19 . e da lei nº 7 044/82. ensino fundamental e ensino médio) e da educação superior: Educação infantil. IV – de extensão. abrangerá os seguintes cursos e programas: I – cursos seqüenciais por campo de saber. então. sendo disputadas por muitos candidatos. da economia. Direito. Para crianças até seis anos de idade. MODALIDADES DE ENSINO O ensino oferecido pelo sistema escolar brasileiro começa por uma base comum para todos. A educação profissional será feita em cursos específicos. a ser complementada em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. compreendendo programas de mestrado e doutorado. é que os ricos. aprimoramento do educando como pessoa humana e compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos (art. em seus aspectos físico. que deixou em aberto a opção pela formação profissional nesse nível do ensino. já que dispõem de melhores meios de estudar. a lei nº 9 394/96 atribui ao ensino médio um caráter de formação geral básica: consolidação e aprofundamento de conhecimentos já adquiridos. Medicina. 26). cursos de especialização. O que acontece. Será oferecida em creches. Economia. na maioria das vezes. Geralmente. Educação. pela lei (art. Conforme o artigo 44. 40). De acordo com o artigo 29 da lei 9394/96. que sempre termina por uma especialização profissional. que instituiu a profissionalização compulsória. psicológico. Tem a duração de oito anos letivos e é obrigatório. Educação superior. História. as matérias são praticamente as mesmas em todas as escolas de ensino fundamental do país. ou entidades equivalentes (até três PDEanos de idade). de diferentes níveis de abrangência. Ensino Médio.

metas. funcionando interligadas. Essa é a primeira das leis de educação a dispensar atenção particular à gestão escolar. É auxiliado nessa tarefa pelo Coordenador Pedagógico (quando existe).é de extrema importância. Outro marco foi a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9. em função dos objetivos e do perfil da comunidade e dos alunos. mas.A Gestão Escolar. Elabora os conteúdos curriculares. Gestão Pedagógica: É o lado mais importante e significativo da gestão escolar. além disso. Define as linhas de atuação. costuma-se classificar a Gestão Escolar em 3 áreas. como detalha Vieira (2005): • A elaboração e a execução de uma proposta pedagógica são as primeiras e as principais das atribuições da escola. com efeito. e com o mesmo objetivo. outras medidas são previstas em lei com o objetivo de promover uma cultura de sucesso escolar para todas as crianças. às diferentes clientelas e necessidades do processo de aprendizagem (LDB. ainda.Suas 20 . Cuida de gerir o área educativa. e. é um termo recente. • A escola tem como tarefa especifica a gestão de seu pessoal. pois esta se relaciona aos diferentes momentos da história que varia ao longo do tempo. embora muitas de suas funções que hoje lhe são atribuídas já existissem. O conceito de Gestão Escolar . 12 da LDB). A partir dessa lei a organização escolar ganha um novo perfil. plano de curso. Acompanha e avalia o rendimento das propostas pedagógicas. por possuir um caráter mais democrático. AUTONOMIA DAS ESCOLAS É importante salientar um importante aspecto da gestão escolar que é a autonomia das escolas para prever formas de organização que permitam atender as peculiaridades regionais e locais. atividades de secretaria). oferecendo. anteriormente nomeada Administração Escolar. • Acima de qualquer outra dimensão é incumbência da escola zelar pelo ensino e a aprendizagem. agora não mais embasada nas conjeturas da administração. que é a sua razão de ser.394/96. a possibilidade de apreensão de competências e habilidades necessárias e facilitadoras da inserção social. gerais e específicos. 2. sendo dessa forma assegurada como o princípio da educação pública. na medida em que desejamos uma escola que atenda às atuais exigências da vida social: formar cidadãos. do corpo docente e da equipe escolar como um todo. Segundo Vieira (2005). nesse mesmo sentido. • Uma importante dimensão da gestão escolar é a relação com a comunidade (Art. da escola e da educação escolar. surge para assegurar o princípio da Gestão Democrática do Ensino Público. suas incumbências modificaram-se. esta se situa no âmbito da escola e diz respeito a tarefas que estão sob sua esfera de abrangência. Origem Normativa No Brasil. que vem unir forças com a Constituição de 1988. sim. A mudança de denominação não foi apenas na escrita. propriamente dita. Conseqüentemente.relativamente recente . Propõe metas a serem atingidas. A proposta pedagógica é. direitos e deveres. Estabelece objetivos para o ensino. e assume distinta configuração na política educacional. Gestão Administrativa: Cuida da parte física (o prédio e os equipamentos materiais que a escola possui) e da parte institucional (a legislação escolar. nos princípios da Gestão. Art. 23). avaliação e treinamento da equipe escolar. de seus recursos materiais e financeiros. reflete as transformações oriundas de um determinado contexto histórico. PARTICULARIDADES DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR A partir de então. dos objetivos e o cumprimento de metas. O Diretor é o grande articulador da Gestão Pedagógica e o primeiro responsável pelo seu sucesso. um marco normativo foi a Constituição Federal de 1988 que institucionalizou a “Gestão Democrática do Ensino Público”. Parte do Plano Escolar (ou Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar) também inclui elementos da gestão pedagógica: objetivos gerais e específicos.Para fim de melhor entendimento. Avalia o desempenho dos alunos. mas também de concepções teóricas a respeito dessa atividade. a escola passa a ter uma nova função social. Suas especificidades estão enunciadas no Regimento Escolar e no Projeto Pedagógico (também denominado Proposta Pedagógica) da escola. definindo caminhos e rumos que uma determinada comunidade busca para si e para aqueles que se agregam em seu torno. plano de aula. de modo integrado ou sistêmico: GESTÃO PEDAGÓGICA GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS GESTÃO ADMINISTRATIVA 1. o norte da escola.

ECA Art. Gestão de Recursos Humanos: Não menos importante que a Gestão Pedagógica. equipe escolar e comunidade) constitui a parte mais sensível de toda a gestão. tutela ou adoção.de toda formulação educacional a que se pretenda dar consecução na escola. CAPÍTULO IV . de forma a garantir a organicidade do processo educativo.direito de ser respeitado por seus educadores. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ECA – Lei 8069/90 Art. não tolhendo demais a autonomia das pessoas envolvidas com o trabalho escolar. AO ESPORTE E AO LAZER . À CULTURA.estão previstos no Regimento Escolar.DO DIREITO À EDUCAÇÃO.Quando o Regimento Escolar é elaborado de modo equilibrado.alunos. espiritual e social. Parágrafo único.gestões pedagógica. atribuições . Art. liminar ou incidentalmente. lidar com pessoas. inclusive aos pais. preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho. Parágrafo único. 2º Considera-se criança. 21 .em termos de fracasso ou sucesso . 3. explicativa. 33. e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal. 13. devem atuar integradamente. Art. a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. § 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato. 28. III . 25.de professores. Art. a gestão de recursos humanos se torna mais simples e mais justa. Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade.A criança e o adolescente têm direito à educação. nem deixando lacunas e vazios sujeitos a interpretações ambíguas. moral. 53 . isto sim. administrativa e de recursos humanos . conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros. pais e comunidades . A organização acima .igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. A guarda obriga a prestação de assistência material. a pessoa até doze anos de idade incompletos.Sem dúvida. II . todas as oportunidades e facilidades. rendendo o máximo em suas atividades. visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa. Art. deveres. podendo recorrer às instâncias escolares superiores. nos termos desta Lei. Nos casos expressos em lei. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes. assegurando-se-lhes: I .correspondem a uma formulação teórica. na realidade escolar. para os efeitos desta Lei. Art. independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente. aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. corpo técnico. mental. nos procedimentos de tutela e adoção. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. em condições de liberdade e de dignidade. contornar problemas e questões de relacionamento humano fazem da gestão de recursos humanos o fiel da balança . exceto no de adoção por estrangeiros. formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade. ou Projeto Pedagógico) e no Regimento Escolar. as três não podem ser separadas mas. assegurando-se-lhes. Art. podendo ser deferida. por lei ou por outros meios. sem prejuízo de outras providências legais. pois. alunos. moral e educacional à criança ou adolescente.Direitos.especificidades estão enunciadas no Plano Escolar (também denominado Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar. pessoal administrativo.direito de contestar critérios avaliativos. a gestão de pessoal . mantê-las trabalhando satisfeitas. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda.

Por essa razão.É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: I . segundo a capacidade de cada um. É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria.Os Municípios.Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de: I . 54 . é um dos aspectos centrais na formação do professor.oferta de ensino noturno regular. 55 . V . estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais. em razão do que traz conseqüências decisivas para a formação profissional. III .O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público ou sua oferta irregular importa responsabilidade da autoridade competente. Atualmente. adequado às condições do adolescente trabalhador. 59 . Art. § 2° . em boa parte dos cursos de licenciatura. a ênfase na prática como atividade formadora aparece. com apoio dos Estados e da União. tanto na disciplina especifica como nas disciplinas pedagógicas. 56 . didática e avaliação. 57 . em termos mais amplos.progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio. § 1° . Entretanto. Art.IV .acesso aos níveis mais elevados do ensino.Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino. 58 .O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico. II .atendimento no ensino fundamental. metodologia.maus-tratos envolvendo seus alunos.No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais. § 3° .ensino fundamental. Parágrafo Único . preferencialmente na rede regular de ensino. alimentação e assistência à saúde. Art. esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude. através de programas suplementares de material didáticoescolar. II . artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente.atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência. garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura.elevados níveis de repetência. III . ao se pensar um currículo de formação. Art. VI .acesso a escola pública e gratuita próxima de sua residência. à primeira vista. pela freqüência à escola. O caminho deve ser outro. obrigatório e gratuito. da pesquisa e da criação artística.reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar. Art. IV . serração. como 22 . currículo. esgotados os recursos escolares. transporte. fazer-lhes a chamada e zelar. Art.direito de organização e participação em entidades estudantis. bem como participar da definição das propostas educacionais. a aproximação do futuro professor à realidade escolar acontece após ele ter passado pela formação "teórica".Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental. Desde o ingresso dos alunos no curso. ao longo do curso. V . é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem problemas aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções. com vistas à inserção de crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental obrigatório. VII .atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade. como exercício formativo para o futuro professor.O Poder Público estimulará pesquisas. junto aos pais ou responsável. A profissão de professor precisa combinar sistematicamente elementos teóricos com situações práticas reais. Isso significa ter a prática. FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO As investigações recentes sobre formação de professores apontam como questão essencial o fato de que os professores desempenham uma atividade teórico-prática. experiências e novas propostas relativas a calendário.

por controle do ambiente. A aprendizagem não influencia o desenvolvimento. da capacidade chamada de assimilação recognitiva ou reconhecedora. Outra propriedade do esquema é a ampliação do campo de aplicação. os esquemas são uma necessidade interna do indivíduo. entende que o desenvolvimento acontece por causa do ambiente. Segundo Piaget. os alunos precisam conhecer o mais cedo possível os sujeitos e as situações com que irão trabalhar. Conhecer consiste em operar sobre o real e transformá-lo a fim de compreendê-lo. transmissão ou experiência social. também chamada de assimilação generalizadora (a criança não pega apenas um objeto. existe também uma relação evolutiva entre o sujeito e o seu meio. Através da discriminação progressiva dos objetos. assim como os organismos vivos podem adaptar-se geneticamente a um novo meio.Fruto de uma ciência positivista. selecionando aqueles que irá organizar em alguma forma de estrutura. articula-se com a formação inicial. Ou seja. também. segundo Piaget. Concepção interacionista . ou seja. Por um lado. A adaptação possui dois mecanismos opostos. Os esquemas cognitivos conduzem à formação da inteligência.referente direto para contrastar seus estudos e formar seus próprios conhecimentos e convicções a respeito. transformando isso em conhecimento seu. O desenvolvimento seria fruto da aprendizagem e esta aconteceria por condicionamento. passando a falar de forma compreensível. mas complementares. cai por terra aquela idéia de que o estágio é aplicação da teoria. o conhecimento é a equilibração/reequilibração entre assimilação e acomodação. Os esquemas afetivos levam à construção do caráter. entre os indivíduos e os objetos do mundo. de acordo com as relações que estabelecemos com o meio físico. pessoas. o começo do conhecimento é a ação do sujeito sobre o objeto. situação em que o cognitivo está em supremacia em relação ao social e o afetivo. que garantem o processo de desenvolvimento: a assimilação e a acomodação. Significa. na EAPE TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE JEAN PIAGET Formado em Biologia. FARIA salienta que os fatores responsáveis pelo desenvolvimento. históricos e culturais. ou seja. Somos sujeitos ativos. concluindo que. As formas de conhecer são construídas nas trocas com os objetos. Na perspectiva construtivista de Piaget. a formação inicial estaria estreitamente vinculada aos contextos de trabalho. estamos diante de modalidades de formação em que há interação entre as práticas formativas e os contextos de trabalho. o conhecimento humano se constrói na interação homem-meio. a criança identifica os objetos que pode ou não pegar. ou seja. Por outro. experiência física e lógico-matemática. é algo que se dá a partir da ação do sujeito sobre o objeto de conhecimento. que podem ou não dar algum prazer a ela. ou seja. a pode ser feita na escola a partir dos saberes e experiências dos professores adquiridos na situação de trabalho. Para ele. A adaptação ocorre através da organização. A acomodação é a modificação dos esquemas para assimilar os elementos novos. tendo a necessidade de serem repetidos (a criança pega várias vezes o mesmo objeto). pega outros que estão por perto). Piaget especializou-se nos estudos do conhecimento humano. A assimilação é a incorporação dos dados da realidade nos esquemas disponíveis no sujeito. ou seja. são modos de sentir que se adquire juntamente às ações exercidas pelo sujeito sobre pessoas ou objetos. Segundo FARIA (1998). Concepção ambientalista . é o processo pelo qual as idéias. a articulação entre formação inicial e formação continuada. são: maturação. a criança constrói sua realidade como um ser humano singular. sujeito-objeto. possibilitando pensar as disciplinas com base no que pede a prática. DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM Quais são as concepções de desenvolvimento? Concepção inatista – É inspirada nas teorias de Darwin e explica o desenvolvimento humano como resultado único de informações biológicas. sendo que o organismo discrimina entre estímulos e sensações. Fonte: aula professora Andrea Studart. Em ambos os casos. a formação continuada.o desenvolvimento humano é resultado de uma interação de fatores biológicos e ambientais. capazes de construir nossas próprias características. entendendo por ambiente os espaços sociais. social e cultural. costumes são incorporadas à atividade do sujeito. a criança reconstrói suas ações e idéias quando se relaciona com novas experiências ambientais. A criança aprende a língua e assimila tudo o que ouve. indo os professores à universidade para uma reflexão mais apurada sobre a prática. a criança que ouve e começa a balbuciar em resposta à conversa ao seu redor gradualmente acomoda os sons que emite àqueles que ouve. tendo uma melhor organização em momentos sucessivos de adaptação ao objeto. 23 . Significa tomar a prática profissional como instância permanente e sistemática na aprendizagem do futuro professor e como referência para a organização curricular. equilibração.

A aprendizagem será a aquisição que ocorre em função da experiência e que terá caráter imediato. é importante considerar o principal objetivo da educação que é autonomia. tanto intelectual como moral. fala egocêntrica para atingir o pensamento lógico. lógico-dedutivo. uma é condição para o surgimento da outra. interagindo com objetos do conhecimento cada vez mais diferentes e abstratos. Segundo Piaget. de maneira que é necessário investigar. deve passar por várias fases de desenvolvimento psicológico. A cada adaptação constituída e realizada. é necessário investigar como esses conhecimentos são adquiridos. é também possível graças à atividade do sujeito. a linguagem e a compreensão de regras sociais que não são inatas. nem resultado do simples registro de percepções e informações como comenta o empirismo. até o pensamento formal. Este questionamento é o interesse principal da epistemologia genética. O processo de desenvolvimento mental é lento. desde o estágio inicial de uma inteligência prática (período sensório-motor). Todo o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborada desde a infância. promove a reversibilidade do pensamento. comer com colher. Para que ocorra uma adaptação ao seu ambiente. Para que esta adaptação se torne abrangente. mediante experiências. e período da inteligência operatório-formal. a moral. etc. Com sucessivas aproximações. a lógica. que não são impostas de dentro para fora e sim construídas pelo sujeito ao longo do desenvolvimento. 24 . instigado. Ela poderá ser: experiência física . que Piaget destaca. procura restabelecer o equilíbrio que é sempre dinâmico. embora seja estimulado pelo objeto. valores e sentimentos. através de estágios diferentes um do outro. sejam eles do mundo físico ou cultural. A educação é um processo necessário. partindo do individual para o social. Diante de um estímulo. Piaget procurou mostrar quais as mudanças qualitativas por quais passa a criança. o esquema assimilador se torna solidificado e disponível para que a pessoa realize novas acomodações. Segundo ele. o indivíduo pode olhar como desafio. DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM PARA PIAGET Ao elaborar a teoria psicogenética. ela já tem esquemas assimilados. pois é alcançado por meio de ações físicas e também mentais. uma suposta falta no conhecimento. o desenvolvimento mental dá-se espontaneamente a partir de suas potencialidades e da sua interação com o meio. Também será mais fácil para essa criança. A criança vai usando o sistema. fica curioso. supondo a atuação do sujeito sobre o meio. através de assimilações e acomodações.comporta ações diferentes em função dos objetos e consiste no desenvolvimento de ações sobre esses objetos para descobrir as propriedades que são abstraídas deles próprios. assimilando tudo para si e ao seu próprio ponto de vista. motivado e. ocorrendo por meio de graduações sucessivas através de estágios: período da inteligência sensório-motora. Dolle (1993). o conhecimento não pode ser aceito como algo predeterminado desde o nascimento ou de acordo com a teoria inatista. sendo o egocentrismo o elo de ligação das operações lógicas da criança. período da inteligência pré-operatória. Por isso. pela sua própria estrutura mental. interesses e valores. ”A afetividade pode ser a causa de acelerações ou retardos no desenvolvimento intelectual e que ela própria não engendra estruturas cognitivas. mas terá que modificar o esquema para chupeta. período da inteligência operatória-concreta. Piaget afirma que. o indivíduo deverá equilibrar uma descoberta. Essas duas experiências estão inter-relacionadas. construindo acomodações e assimilações. A adaptação do sujeito vai ocorrendo. pois é este que se transforma para a elaboração de novos conhecimentos. A aprendizagem é sempre provocada por situações externas ao sujeito. estando o pensamento e a linguagem centrados na criança. resulta da coordenação das ações que o sujeito exerce sobre os objetos e da tomada de consciência dessa coordenação. A afetividade está correlacionada a esta inteligência e desempenha papel de uma fonte energética da qual dependeria o funcionamento da inteligência. para a criança adquirir pensamento e linguagem. O que promove este movimento é o processo de equilibração. o falante passa por pensamento autístico. Resulta das ações e interações do sujeito com o ambiente onde vive. Os objetos do conhecimento têm propriedades e particularidades que nem sempre são assimiladas pela pessoa. e experiência lógico-matemática – o sujeito age sobre os objetos de modo a descobrir propriedades e relações que são abstraídas de suas próprias ações. uma criança que já construiu o esquema de sugar. é um processo ativo de auto-regulação. O pensamento vai se tornando cada vez mais complexo e abrangente. com maior facilidade utiliza a mamadeira. é o produto das ações do sujeito sobre o objeto. uma ação com outras ações.motivação. Piaget chamou de acomodação. ou seja. No processo de egocentrismo. nem modifica as estruturas do funcionamento nas quais intervém”. completa-se o processo a que Piaget chamou de adaptação. A base do processo de equilibração está na assimilação e na acomodação. A este processo de ampliação ou modificação de um esquema de assimilação. a criança vê o mundo a partir da perspectiva pessoal. isto é. através da interação sujeito com os objetos que procura conhecer. conceito central na teoria construtivista. a partir da adolescência. Para Piaget. faz com que a pessoa se “desequilibra” intelectualmente.

contradição. Dos 3 aos 6 anos. VYGOTSKY 25 . como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos. retrocessos. no qual ficarão envolvidas em um "sincretismo subjetivo". Do estágio sensório-motor ao projetivo (1 a 3 anos). a qual constrói os significados diferenciados que a criança dá para a própria ação. Nessa fase. permanece a subordinação a um sincretismo subjetivo (a lógica da criança ainda não está presente). que darão às suas ações e movimentos formato e expressão. As emoções intermediam sua relação com o mundo. no estágio personalístico. No simulacro. a criança coloca-se em oposição ao outro num mecanismo de diferenciar-se. O autor estudou a criança contextualizada. Segundo GALVÃO (2000). A criança. uma criança ou um adulto não são capazes de se desenvolver sem conflitos. tautologia e elisão. predominando a afetividade. isto é. Antes do surgimento da linguagem falada. A cultura e a linguagem fornecem ao pensamento os elementos para evoluir. O desenvolvimento humano tem momentos de crise. a criança expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito próprio. Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. A criança começa a negociar. através da ação e interpretação do meio entre humanos. Este salto qualitativo da passagem do ato imitativo concreto e a representação é chamado de simulacro. as crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado. de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano. aparece a imitação inteligente. que é a imitação em ato. podendo voltar-se para a imitação de cenas e acontecimentos. ela vai “desprender-se” do outro. via expressões tônicas. sua compreensão das coisas dependerá dos outros. não existindo linearidade no desenvolvimento. a criança está voltada novamente para si própria. Wallon propõe estágios de desenvolvimento. suas condições de existência. Imitando. Esta redução do sincretismo e o estabelecimento da função categorial dependem do meio cultural no qual está inserida a criança. Ainda conforme GALVÃO é nesse estágio que se intensifica a realização das diferenciações necessárias à redução do sincretismo do pensamento. definido pela simbiose afetiva da criança em seu meio social. para ele. Durante esse período. Wallon identifica o sincretismo como sendo a principal característica do pensamento infantil. No estágio sensório-motor. Estes processos comunicativos-expressivos acontecem em trocas sociais como a imitação. A tarefa central é o processo de formação da personalidade. construindo suas próprias emoções. predominam as atividades de investigação. para Wallon. rupturas. a criança interage com o meio regida pela afetividade. Pela imitação. lentamente. TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE LEV S. Aos 6 anos a criança passa ao estágio categorial trazendo avanços na inteligência. tornando-se habilitada à representação da realidade. a criança desdobra. assim como Piaget. porém. que emerge da imitação motora-gestual ou motricidade emocional. é um desenvolvimento conflituoso. morais. exploração e conhecimento do mundo social e físico. cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro. No estágio da adolescência. que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. as ações da criança não mais precisarão ter origem na ação do outro. a criança voltase a questões pessoais. sofisticar.TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE HENRY WALLON A criança. Na gênese da representação. Assim como Vygotsky. conflitos. a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade.No início do desenvolvimento existe uma preponderância do biológico e após o social adquire maior força. é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um ser sóciocognitivo. Essa é a forma pela qual a criança se desloca da inteligência prática ou das situações para a inteligência verbal ou representativa. os significados próprios. mediada pela fala e pelo domínio do “meu/minha”. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e. Os fenômenos típicos do pensamento sincrético são: fabulação. forma-se uma ponte entre formas concretas de significar e representar e níveis semióticos de representação. o estágio impulsivo-emocional. Para isso. Neste estágio predominam as relações cognitivas da criança com o meio. por isso. por pelo menos três anos. sofre crises. As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico. isto é. como um movimento que tende ao crescimento De acordo com GALVÃO no primeiro ano de vida. sendo este descontínuo e. ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear. com seu mundo sócio-afetivo. faz com que as idéias atinjam o sentimento de propriedade das coisas. A parte cognitiva social é muito flexível. Wallon acredita que o social é imprescindível.

A relação entre homem e mundo é uma relação mediada. permitindo o aprimoramento da interação social e a comunicação entre os sujeitos. estas são complexas e articuladas. é na interação com outros sujeitos que formas de pensar são construídas por meio da apropriação do saber da comunidade em que está inserido o sujeito. no nível social (entre pessoas. ou seja. A internalização é relacionada ao recurso da repetição onde a criança apropria-se da fala do outro. Os sistemas simbólicos organizam os signos em estruturas. Desta maneira. a criança torna-se capaz de atuar sobre suas próprias ações por meio da fala. com função simbólica. Sendo assim. a criança tem a capacidade de resolver problemas práticos (inteligência prática). As funções psicológicas superiores aparecem. A fala interior não tem a finalidade de comunicação com outros. as formas de mediação permitem ao sujeito realizar operações cada vez mais complexas sobre os objetos. ou discurso interior. duas vezes: primeiro. Para Vygotsky. Os instrumentos são utilizados pelo trabalhador. exige-se a utilização de instrumentos para transformar a natureza e. atingindo a fala interior que é pensamento reflexivo. no desenvolvimento da criança. de fazer uso de determinados instrumentos para alcançar determinados objetivos. formação de conceitos. isto é. Nas interações cotidianas. sendo assim. o grupo cultural fornece ao indivíduo um ambiente estruturado onde os elementos são carregados de significado cultural. portanto. signos são meios que auxiliam/facilitam uma função psicológica superior (atenção voluntária. é a forma de linguagem interna. sendo capazes de transformar o funcionamento mental. que é dirigida ao sujeito e não a um interlocutor externo. Vygotsky destaca a importância da cultura. no nível interpsicológico) e. a fala da criança torna-se intelectual. e é nela que estabelece as primeiras relações com a linguagem na interação com os outros. Esse impulso é dado pela inserção da criança no meio cultural. sendo 26 . a cultura e a história do homem. sociais e históricas. depois. desenvolve a atividade coletiva. A fala interior. Essa teoria apóia-se na concepção de um sujeito interativo que elabora seus conhecimentos sobre os objetos. etc. constitui-se como uma espécie de “dialeto pessoal”. assim como os instrumentos. para ele. a fala do outro dirige a ação e a atenção da criança. Segundo Vygotsky.). ou seja. da mesma forma. na qual. Como visto. Durante esse processo. Os signos internalizados são compartilhados pelo grupo social. Signos e palavras são para as crianças um meio de contato social com outras pessoas. a mediação (necessária intervenção de outro entre duas coisas para que uma relação se estabeleça) com o adulto acontece espontaneamente no processo de utilização da linguagem. ela começa a falar para si mesma. Por volta dos 2 anos de idade. Os significados das palavras fornecem a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo. Para ele. Pensamento e linguagem associam-se devido à necessidade de intercâmbio durante a realização do trabalho. o surgimento da fala egocêntrica indica a trajetória da criança: o pensamento vai dos processos socializados para os processos internos. assim. o desenvolvimento caminha do nível social para o individual. as relações sociais e a utilização de instrumentos. se desenvolve mediante um lento acúmulo de mudanças estruturais. um objeto social. em um processo mediado pelo outro. O conhecimento tem gênese nas relações sociais. Para Vygotsky.Para Vygotsky. Esta fala interior. Os signos também auxiliam nas ações concretas e nos processos psicológicos. memória lógica. fazendo com que as estruturas de fala que a criança já domina. é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal. tornando-a sua. Segundo Vygotsky. Estes elementos de mediação são os signos e os instrumentos. ocorrem duas mudanças qualitativas no uso dos signos: o processo de internalização e a utilização de sistemas simbólicos. Porém. planejem uma solução para um problema e controlem seu comportamento. A fala egocêntrica emerge quando a criança transfere formas sociais e cooperativas de comportamento para a esfera das funções psíquicas interiores e pessoais. como diz VYGOTSKY (1987). passando pela fala egocêntrica. o pensamento e a linguagem iniciam-se pela fala social. O trabalho humano. sendo produzido na intersubjetividade e marcado por condições culturais. que é a família. sempre mediado por significados fornecidos pela linguagem. No início do desenvolvimento. exige-se o planejamento. antes dessa associação. ampliando as possibilidades de transformar a natureza. Esta vai usando a fala de forma a afetar a ação do outro. que une a natureza ao homem e cria. no contexto das situações imediatas. A capacidade humana para a linguagem faz com que as crianças providenciem instrumentos que auxiliem na solução de tarefas difíceis. no nível intrapsicológico). Vygotsky chama isto de fase pré-verbal do desenvolvimento do pensamento e uma fase pré-intelectual no desenvolvimento da linguagem. no nível individual (no interior da criança. na interação com adultos mais capazes da cultura que já dispõe da linguagem estruturada. A fala para si mesma assume a função autoreguladora e. a comunicação social. o homem se produz na e pela linguagem. generalizante. entre o homem e o mundo existem elementos que auxiliam a atividade humana. a ação coletiva. a criança nasce inserida num meio social. ao mesmo tempo que a criança passa a entender a fala do outro e a usar essa fala para regulação do outro. então. Essas duas mudanças são essenciais e evidenciam o quanto são importantes as relações sociais entre os sujeitos na construção de processos psicológicos e no desenvolvimento dos processos mentais superiores. tornem-se estruturas básicas de seu próprio pensamento. e o pensamento torna-se verbal.

É importante afirmar que não estamos falando somente de agressões físicas. que a criança se apropria das palavras.fragmentada. podem ser consideradas um desenvolvimento no sentido funcional. a aprendizagem tem um papel fundamental para o desenvolvimento do saber. abreviada. VYGOTSKY diz que o pensamento nasce através das palavras. consegue chegar à zona de desenvolvimento proximal. é fundamental que as práticas pedagógicas trabalhem no sentido de esclarecer a importância da fala no processo de interação com o outro. visuais e reais. ou seja. o professor terá condições de não só utilizar meios concretos. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam. Temos de levar em consideração que as crianças que assistem a esses episódios agressivos tendem a experimentar sensações como o medo e a ansiedade. aparece também nas escolas particulares. DESENVOLVIMENTO PROXIMAL E DESENVOLVIMENTO REAL PARA VYGOTSKY Para Vygotsky (1987). ele pode atingir maneiras através das quais a instrução será mais útil para a criança. chegar a dominá-los por si mesma (nível de desenvolvimento potencial). A referência da zona de desenvolvimento proximal implica na compreensão de outras idéias que completa a idéia central. Vygotsky colocou que “as funções mentais superiores são produto do desenvolvimento sócio-histórico da espécie. Comportamento agressivo na escola vem se tornando um dos vários fatores que atrapalham a aprendizagem atualmente. fazer uso de recursos que se reportem ao pensamento abstrato. através da assistência e auxílio do adulto. quando apresentado por crianças. já que não são somente as crianças que praticam ou sofrem agressões que se prejudicam nesse caso. mas. com maior propriedade. Todo e qualquer processo de aprendizagem é ensino-aprendizagem. Do mesmo modo que não se vê diferença entre as escolas da área rural e urbana nesse aspecto. do conhecimento. a criança o fazia com colaboração de um adulto ou um companheiro. c) Segundo Vygotsky (1987). Quando o professor. tais como: a) O que a criança consegue hoje com a colaboração de uma pessoa mais especializada. Não se pode ignorar o papel desempenhado pelas crianças ao se relacionarem e interagirem com outras pessoas. A mediação é a forma de conceber o percurso transcorrido pela pessoa no seu processo de aprender. são sempre palavras do outro. um “espaço dinâmico” entre os problemas que uma criança pode resolver sozinha (nível de desenvolvimento real) e os que deverá resolver com a ajuda de outro sujeito mais capaz no momento. formando desta forma uma construção dinâmica entre aprendizagem e desenvolvimento. Esse comportamento. mais tarde poderá realizar sozinha. ajudando à criança a superar suas capacidades. pais e outras crianças mais velhas e mais experientes. A preocupação fica ainda maior quando nos remete o fato de que a escola é um local onde as crianças estão para aprender regras e valores. AGRESIVIDADE E APRENDIZAGEM O crescente aparecimento de comportamentos agressivos nas escolas tem cada vez mais preocupado pais e principalmente professores. É apenas pela relação da criança com a fala do outro em situações de interlocução. estamos tratando também de falas e atitudes hostis. para com os colegas ou até mesmo com os professores. Desta forma. em si mesmas. ou por outra criança mais velha. sendo que a linguagem funciona como mediador”. onde a criança era apta a resolver um problema sozinha. inclusive na escola. que sejam professores. no início. aquele que ensina e a relação entre eles. a agressividade não aparece só em escolas públicas. pois tal atitude penderia para fazer da criança delatora 27 . Segundo VYGOTSKY (1989). e o nível de desenvolvimento potencial. b) A criança consegue autonomia na resolução do problema. por isso que a sua teoria ficou conhecida como sócio-interacionista. Esse processo passa por transformações que. aquele momento. E uma vez o comportamento aprendido. Lima (1990). se utilizando a mediação. Os estudantes podem ter em casa um modelo de solucionar problemas de forma agressiva ou explosiva. Ele explica esta conexão entre desenvolvimento e aprendizagem através da zona de desenvolvimento proximal (distância entre os níveis de desenvolvimento potencial e nível de desenvolvimento real). através dos “porquês” e dos “como”. ele poderá ser reproduzido em todo lugar. costuma estar relacionado a problemas familiares. a aprendizagem acelera processos superiores internos que são capazes de atuar quando a criança encontra interagida com o meio ambiente e com outras pessoas. A relação entre pensamento e palavra acontece em forma de processo. Por isso. a zona de desenvolvimento proximal representa o espaço entre o nível de desenvolvimento real. constituindo-se em um movimento contínuo de vaivém do pensamento para a palavra e vice-versa. incluindo aquele que aprende. que. O autor ressalta a importância de que esses processos sejam internalizados pela criança. para em seguida. Causa ansiedade nas crianças expectadoras por nada poderem fazer para ajudar o colega agredido.

interesse manifestado por todos os alunos. mas também em suas atitudes. Para que a escola possa orientar os pais sobre como o comportamento da criança na escola pode ser reflexo do comportamento da família em casa. Sendo assim. precisam da ajuda do professor para uma interação com a escola e com outras crianças. buscamos seu êxito e não seu fracasso. Para que seu trabalho seja realizado com amor. amor e afeto que o aluno terá sucesso na aprendizagem cognitiva. não implica diminuir a autonomia docente em sala de aula.]” Quando o professor interage com os alunos de maneira afetiva.). Pelo contrário. cada uma com maneiras diferentes de perceber. mais precisamente a sua sintaxe e a sua prosódia. nível intelectual. é preciso que este profissional esteja se identificando e se sinta realizado em sua profissão. o seu gosto estético. etc. antecedentes familiares e condições socioeconômicas. quando as crianças chegam à escola. em alguns casos é viável fazer um trabalho psicológico com o aluno agressivo. transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (FREIRE 1999). As crianças. mais do que ninguém. É no respeito às diferenças das crianças e na condução adequada de formas de tratamento a todos com igualdade. Vive-se em relação com as outras pessoas nas diversas esferas da vida. podem influenciar notavelmente não só no aprendizado dos conteúdos ou habilidades dos alunos. comprometimento e muito amor pelo que faz. ao estudo. a aprendizagem se torna intencionalmente significativa. de interpretar o que está ao seu redor. relaciono-me com os alunos apenas fora da classe [. a sua linguagem. da amizade e do respeito dos outros”. carinho. assim. Essas sensações descritas não são adequadas para um ambiente de aprendizado. Além disso. Segundo Tisatto e Simadon (2002). que manda que ‘ele se ponha no seu lugar (. Por outro lado. sociabilidade. Conforme o professor se apresenta e ministra suas aulas. tais como constituição física. Para Werneck (2002): É preciso que ele ame o que faz e o espaço físico em que trabalha. Para solucionar ou amenizar o problema.. paciência. formas imaginárias. os métodos utilizados na sala de aula.lo sem medo de ser ignorado e/ou contrariado pelo professor. e ao trabalho. Saber lidar com elas é uma arte necessária ao sucesso de qualquer atividade humana. descartar a frase: “na sala de aula. eu me limito a ensinar. mas somente se estiver pautada na realidade concreta e iluminada pela esperança de 28 . Muitas vezes. toda a turma sai prejudicada por essas circunstâncias. agir e refletir. a sua inquietude. assim como a respeito de si mesmos (MORALES. o professor que ironiza o aluno que o minimiza. e a qualidade de nossa relação com os alunos podem ser determinantes para conseguir nosso objetivo profissional. sem perder sua autonomia. e de como eles podem agir para reverter à situação. Cabe ao educador respeitar e despertar a curiosidade dos seus educandos. as práticas. as características diferenciadas englobam alguns fatores.o próximo alvo. execução e avaliação das matérias escolares. ensinar e aprender. precisam ser recebidos com amor. auxiliando-o a lidar com os problemas em casa e dessa forma fazendo com que a agressividade diminua. Concretizar tudo isso não é fácil. os alunos terão apatia ou simpatia pela disciplina que ele leciona. Assim. AFETIVIDADE E APRENDIZAGEM Somos profissionais do ensino.. é necessária a mudança da prática educativa visando à formação do aluno e promovendo a sua participação: ver o aluno como um sujeito social com direitos e deveres. onde possam existir trocas de experiências. Uma influência específica vem da relação do professor com os alunos (disponibilidade. Em outros casos mais agravados. “todas as pessoas são merecedoras da confiança. o aluno deve manifestar livremente suas opinião e até mesmo ser estimulado a fazê . temperamento. aparência. para que desse modo todos possam compartilhar suas dificuldades e dúvidas. o professor estará respeitando o aluno. Cabe. O professor que desrespeita a curiosidade do educando. com relação à matéria. O professor precisa saber buscar. boa preparação das aulas. evidentemente. mas também características diferenciadas entende-se que as características comuns são a manifestação pelo desejo de aprender e a expectativa de que a escola possa melhorar sua vida. se faz necessário um trabalho de parceria da escola com a família. o sucesso da aprendizagem se caracteriza como resultado da afetividade por parte do professor. respeito e afeto. os exercícios. Neste sentido. oportunizando o acesso e a construção do conhecimento. construindo uma relação interativa com os alunos.. nossa tarefa é ajudar os alunos em seu aprendizado. 1999). a ênfase na emoção e na afetividade humana imprime ao professor a essência humanizadora de seu próprio ser. quer se pretenda conscientemente quer não. Se levar em consideração que os alunos possuem características comuns. porque sua realização como pessoa não poderá construir-se estando embasada em ilusões. Como se pode perceber. etc. Ser educador requer muita responsabilidade.Uma relação afetiva com os seus alunos. Isto quer dizer que o aluno tem o direito de participar das atividades de planejamento..). de maneira participativa e afetiva. E grande parte das crianças sente medo de passar por tal situação.

De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. Em geral. a ludicidade é portadora de um interesse intrínseco. pois é o espaço para expressão mais genuína do ser. estimular a construção de novo conhecimento e principalmente despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória. A escola que cria um clima de afeto. A escola deve facilitar a presença dos pais no cotidiano escolar porque uma escola não se faz de paredes. a socialização. canalizando as energias no sentido de um esforço total para consecução de seu objetivo. A ludicidade. não a percorremos sozinhos. a ludicidade aciona e ativa as funções psico-neurológicas e as operações mentais. integra percepções. vislumbrando novas possibilidades e interpretações do real. respeito mútuo e democracia. mas de pessoas e ideais compartilhados. criando um clima de entusiasmo. simpatia. seleciona idéias. uma situação de aprendizagem. ao brincar. na idade infantil e na adolescência a finalidade é essencialmente pedagógica. emocional e intelectual e sempre estiveram presentes em qualquer povo desde os mais remotos tempos. Ela reproduz muitas situações vividas em seu cotidiano. faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento e. integrando estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da personalidade. As regras e a imaginação favorecem a criança comportamento além dos habituais. é o espaço e o direito de toda a criança para o exercício da relação afetiva com o mundo. estimulando o pensamento. • As situações lúdicas mobilizam esquemas mentais. É este aspecto de envolvimento emocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional. O APRENDER ATRAVÉS DO BRINCAR O brincar e o jogar são atos indispensáveis à saúde física. A participação da família também é muito importante para o sucesso e faz parte integrante desse processo. O lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo. satisfazem uma necessidade interior. confiança em si mesmo e certeza de que a estrada é longa e que. a criança desenvolve a linguagem. vai se socializando. ou seja. Portanto. Em virtude desta atmosfera de prazer dentro da qual se desenrola. • O lúdico apresenta dois elementos que o caracterizam: o prazer e o esforço espontâneo. ao movimento espontâneo. compreensão. que através do “faz-de-conta” são reelaboradas criativamente. ou seja. o que é mais importante. É importante que o educando seja orientado e motivado para a busca efetiva da construção do conhecimento. A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas. Sendo uma atividade física e mental. o pensamento. Através deles. estabelece relações lógicas. O jogo e a brincadeira são. o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar. bem como relacioná-la as demais produções culturais e simbólicas conforme procedimentos metodológicos compatíveis a essa prática. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. um lugar onde todos compartilhem suas experiências e opiniões proporcionam o envolvimento de todos os segmentos que dela fazem parte. Assim. Caso achasse confinada a sua origem. devido a sua capacidade de absorver o indivíduo de forma intensa e total. Ele é considerado prazeroso. Através da atividade lúdica e do jogo. por si só.que é possível mudar. a iniciativa e a auto-estima. o elemento que separa um jogo pedagógico de um outro de caráter apenas lúdico é este: desenvolve-se o jogo pedagógico com a intenção de provocar aprendizagem significativa. Esta relação afetiva constitui incentivo para o desenvolvimento da aprendizagem cognitiva. a criança forma conceitos. preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor. as atividades lúdicas são excitantes. contudo. mas também requerem um esforço voluntário. capaz de gerar um estado de vibração e euforia. Várias são as razões que levam os educadores a recorrer às atividades lúdicas e a utilizá-las como um recurso no processo de ensino-aprendizagem: • As atividades lúdicas correspondem a um impulso natural da criança. e neste sentido. LUDICO E APRENDIZAGEM O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. pois o ser humano apresenta uma tendência lúdica. O Lúdico apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana. 29 . tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço que merece atenção dos pais e educadores. o desenvolvimento de uma aptidão ou capacidade cognitiva e apreciativa específica que possibilita a compreensão e a intervenção do indivíduo nos fenômenos sociais e culturais e que o ajude a construir conexões. com as pessoas e com os objetos.

há o APRENDIZADO. Através das observações e da prática em sala de aula. da imaginação. cada vez mais. do jogo. ao invés de aproveitarem como instrumento facilitador da aprendizagem. da imaginação e do simbólico. favorecendo o advento e o progresso da palavra. Segundo o dicionário Silveira Bueno. longe dos gostos das crianças. Já nas séries iniciais geralmente são utilizados os jogos educativos. psíquicos e motor. entusiasmo. O jogo é essencial para que a criança manifeste sua criatividade. A hora do recreio e a hora da saída se tornam os únicos momentos em que as crianças desnudam da responsabilidade da escola para permitir-se brincar e ser criança. corresponde a uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de extraordinária importância na educação escolar. e é uma das formas mais natural e prazerosa no processo de aprendizagem. Segundo Santos (2000): Educadores e pais necessitam ter clareza quanto aos brinquedos. Através dessas definições. pode-se constatar que estar motivado é estar animado. jogo de memória e a educação física. Os professores estão mais preocupados com o conteúdo. de maneira sozinha ou com a ajuda do educador. testar hipóteses. brincar e/ou jogar com seus próprios ritmos. amadurece e aprende ao mesmo tempo. a iniciativa individual. reflexivo e sistemático que depende do despertar das potencialidades do educando. proporcionando uma aprendizagem de qualidade. quebra-cabeça. brincadeiras e/ou jogos que são necessários para as crianças. tais como. é necessário ter motivos para se chegar a esse estado. além do tateio. o que torna o ambiente infantil artificial. O brincar se resume em ouvir histórias ou cantar algumas músicas. Estimula a observar e conhecer as pessoas e as coisas do ambiente em que se vive. O mundo da fantasia. muitas vezes é reforçada com respostas imediatas de sucesso ou encorajada tentar novamente. Pois trabalhar de forma lúdica exige mais tempo. a criança sadia possui a capacidade de agir sobre o mundo e os outros através da fantasia. com o silencio e a organização na sala de aula. animação. pois ao brincar se sente livre para criar e recriar o mundo ao seu modo. Nesta. que é a maneira privilegiada de contato com o mundo. de imaginação. contar histórias. ao contrário. uma vez que este reconhece que a aprendizagem é um processo pessoal. para autocontrolar suas atividades. nesse caso. MOTIVAÇÃO E APRENDIZAGEM Atualmente a motivação dos alunos para a aprendizagem é o centro das atenções no processo educaticional. jogos matemáticos. constatamos que os jogos e brincadeiras mais freqüentes na educação infantil são: massinha de modelar. é que o lúdico e o brincar estão mais presentes na educação infantil do que nas séries iniciais. inicialmente. rodas e cantigas. motivação quer dizer exposição de motivos ou causas. mas. as vivências da criança com os jogos. Estimula o crescimento e o desenvolvimento. O professor deve descobrir estratégias. maior será o material disponível e acessível a sua imaginação. Cabe ao educador propor atividades que promovam essa motivação. enfim. daí a necessidade do professor ampliar. utilizando suas potencialidades de maneira integral. envolvimento e dedicação e muitos não estão dispostos a sair de suas posições cômodas. se da primeira alternativa não obteve o resultado esperado. o rigor e a disciplina são mantidos em nome dos padrões institucionais. num lugar onde as crianças sintam prazer pelo ato de aprender. Além do valor inconteste do movimento interno e externo para os desenvolvimentos físicos. A impressão que tivemos. ela está livre para explorar. a sala de aula é apresentada como coisa séria. e que ela desenvolve. além de prazeroso também é um mundo onde a criança está em exercício constante. entusiasmado. Os jogos. Isso também ocorre na educação. Os educadores e pais devem estar cientes que brincar só faz bem para a criança. pintura. Educação requer Ação e como resultado dessa ação. de criatividade. não apenas nos aspectos físicos ou emocionais. Qualquer coisa que se faça na vida. é necessário primeiro a vontade de realizá-la. 2004). Para isso. Mas para que se realize a ação e esta resulte no aprendizado é necessário. a coordenação muscular. recursos para fazer com que o 30 . a vontade de aprender.Segundo Redin (2000): A criança que joga está reinventando grande parte do saber humano. Através do jogo o indivíduo pode brincar naturalmente. que envolvam os alunos e o conhecimento. No jogo. brinquedos e brincadeiras. ela se cria e se transforma. senão nada acontece. não permitindo espaço para o divertimento. do brinquedo e da brincadeira. As crianças estão sempre dispostas a jogar e brincar. Quanto mais rica for à experiência pela criança. o forma e o transforma e. A ludicidade deve permear o espaço escolar a fim de transformá-lo num espaço de descobertas. os brinquedos e as brincadeiras são atividades fundamentais nas áreas de estimulação da educação infantil e nas séries iniciais. É somente sendo criativo que a criança descobre seu próprio eu (TEZANI. brincadeiras livres com brinquedos e atividades no parquinho da escola. foi que os professores das séries iniciais afastam o lúdico da vivência dos alunos em sala de aula. as faculdades intelectuais. sabendo que eles trazem enormes contribuições ao desenvolvimento da habilidade de aprender e pensar. sobretudo no aspecto intelectual. que haja a VONTADE. pelos quais o mundo tem seus limites ultrapassados: a criança cria o mundo e a natureza. explorar toda a sua espontaneidade criativa. Mas o que pudemos observar nas realizações dos estágios. neste momento. Eles devem ter em mente que o jogo não é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos.

tentativas e erros. que se implicam mutuamente e que embora possamos analisá-los separadamente. Ao aprender o sujeito acrescenta aos conhecimentos que possui novos conhecimentos. Dessa forma a aprendizagem numa perspectiva cognitivoconstrutivista é como uma construção pessoal resultante de um processo experimental. Em outras palavras. relaciona-se com conceitos relevantes. Se conseguir fazer com que o aluno passe de um nível para outro. o processo de construção do conhecimento dá-se na diversidade e na qualidade das suas interações. de uma série de condições internas e externas ao sujeito. O processo de aprendizagem é pessoal. respeitando a sua vida social. com seus colegas e com os próprios professores. incluir temas que tenham relação. em outras palavras. familiar. mesmo que a aprendizagem ocorra na intimidade do sujeito. fazendo ligações àqueles já existentes. emocionais. Quando nos referimos a uma acumulação de teorias. podemos então olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através da qual é feita a apreensão de algo exterior à pessoa. estes são quatro categorias representativas dos estilos de aprendizagem. • Aproveitar as vivências que o aluno já tem e traz para a escola no momento de montar o currículo.aluno queira aprender. cada pessoa aprende a seu modo. Porque. fazem parte de um todo que depende. interior à pessoa e que se manifesta por uma modificação de comportamento. estável e organizada de forma adequada. então terá registrado um processo de aprendizagem. inclusive os objetivados como instituições que. Já a aprendizagem significativa. Tal processo compreende todos os comportamentos dedicados à transmissão da cultura. mas como todo produto é indissociável de um processo. No nível social podemos considerar a aprendizagem como um dos pólos do par ensino-aprendizagem. (BOCK. ou seja. a sua história de vida. deve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender. que despertem no educando motivação para interação com o objeto do conhecimento. orgânicos. • Utilizar métodos e estratégias variadas e propostas de atividades desafiadoras. De acordo com Bock o processo de organização das informações e de integração do material à estrutura cognitiva é o que os cognitivistas denominam aprendizagem. envolvendo aspectos cognitivos. estilo e ritmo. visando resultados esperados e compreendidos. Embora haja discordâncias entre os estudiosos. Como por exemplo: • Dar tratamento igual a todos os alunos. promovem a educação. específica (escola) ou secundariamente (família). descobertas. • Mostrar-se disponível para o aluno. Bock destaca que a aprendizagem mecânica refere-se à aprendizagem de novas informações com pouca ou nenhuma associação com conceitos já existentes na estrutura cognitiva. Há diversas possibilidades de aprendizagem. etc. A abordagem cognitivista diferencia a aprendizagem mecânica da aprendizagem significativa. No entanto. quer na sua natureza. claros e disponíveis na estrutura cognitiva. estejam ligados à realidade do aluno. cuja síntese constitui o processo educativo. bem como da transferência destes para novas situações. É necessário refletir que cada indivíduo apresenta um conjunto de estratégias cognitivas que mobilizam o processo de aprendizagem. psicossociais e culturais. 1999) A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo. • Procurar elevar a auto-estima do aluno. complementares e relacionados de alguma forma. há diversos fatores que nos leva a aprender um comportamento que anteriormente não apresentávamos um crescimento físico. respeitando-o e valorizando-o. Cabe aos educadores proporcionar situações de interação tais. • Ser paciente e compreensivo com o aluno. DESENVOLVIMENTO A aprendizagem está envolvida em múltiplos fatores. tendo a vantagem de poder consolidar conhecimentos novos. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos. O principal objetivo da educação é o de levar o aluno com um certo nível inicial a atingir um determinado nível final. para a Psicologia. sendo assim assimilado. idéias e conceitos o conhecimento surge como um produto resultante dessas aprendizagens. isto é. segundo a autora. ensino. processa-se quando um novo conteúdo (idéias ou informações). mostrar que ele pode contar sempre com o professor. E durante o seu trajeto educativo tem a possibilidade de adquirir uma estrutura cognitiva clara. Através dela o sujeito 31 . ou seja. Por isso a ação educativa da escola deve propiciar ao aluno oportunidades para que esse seja induzido a um esforço intencional. O conhecimento pode ainda ser aprendido como um processo ou como um produto. o conceito de aprendizagem não é tão simples assim. quer na sua qualidade. sendo resultado de construção e experiências passadas que influenciam as aprendizagens futuras.

um trabalho de atrair. Isso significa que. cita algumas sugestões de como criar interesses: 1. o pensamento verbal não é uma forma de comportamento natural e inata. A relação do individuo com o mundo está sempre medida pelo outro. que são válidas para qualquer fenômeno histórico na sociedade humana.histórico exercita. para isso é necessário “querer” fazê-lo. a aprendizagem sempre inclui relações entre as pessoas. ou seja. Essa atitude pode 32 . que o aluno “fique a fim” de aprender. Bruner é defensor desta proposta. prender a atenção. o interesse é indispensável para que o aluno tenha motivos de ação no sentido de apropriar-se do conhecimento. Não há como aprender e apreender o mundo se não tivermos o ouro. sendo que o meio influencia o processo de ensino-aprendizagem. um desejo. fabrica e reza segundo a modalidade própria de seu grupo de pertencimento. um interesse. a partir de uma relação estabelecida entre o ambiente. Para Vygotsky. Para ter bons resultados acadêmicos. intimamente ligado às relações de troca que o mesmo estabelece com o meio. Bock. desenvolver nos alunos uma atitude de investigação. os alunos necessitam de colocar tanta voluntariedade como habilidade. Segundo Vygotsky uma vez admitido o caráter histórico do pensamento verbal. portanto. uma intenção. aos conhecimentos. como modo de privilegiar seus interesses. mas também do nível de desenvolvimento alcançado. devemos considerá-lo sujeito a todas as premissas do materialismo histórico. A motivação está também incluído o ambiente que estimula o organismo e que oferece o objeto de satisfação. de querer saber sempre. relação e motivação. o que conduz à necessidade de integrar tanto os aspectos cognitivos como os motivacionais. encantar. ter a disposição. a decidir a sua prossecução e o seu termo A motivação é. Uma das grandes virtudes da motivação é melhorar a atenção e a concentração. Assim. dos erros. o processo que mobiliza o organismo para a ação. A motivação é um processo que se dá no interior do sujeito. Uma compreensão plena e verdadeira do pensamento de outrem só é possível quando entendemos sua base afetivo-volutiva. Desejar saber deve passar a ser um estilo de vida. na motivação está incluído o objeto que aparece como a possibilidade de satisfação da necessidade. o que faz referência às capacidades. Veja bem. uma atitude que garanta o desejo mais duradouro de saber. E. A motivação apresenta-se como o aspecto dinâmico da ação: é o que leva o sujeito a agir. Vygotsky diz ainda que o pensamento propriamente dito é gerado pela motivação. isto é. também. (PAÍN. A motivação é um fator que deve ser equacionado no contexto da educação. seduzir o aluno. Vygotsky defende a idéia de que não há um desenvolvimento pronto e previsto dentro de nós que vai se atualizando conforme o tempo passa ou recebemos influência externa. para aprender é imprescindível “poder” fazê-lo. para as teorias de aprendizagem e ensino. o que o leva a iniciar uma ação. Segundo a concepção de Vygoysky se a aprendizagem está em função não só da comunicação. tendo grande importância na análise do processo educativo. A preocupação do ensino tem sido a de criar condições tais. Torna-se tarefa primordial do professor identificar e aproveitar aquilo que atrai a criança. aquilo do que ela gosta. na base da motivação. por nossos desejos e necessidades. na concepção Vygotskyana. portanto. aquele que nos fornece os significados que permitem pensar o mundo a nossa volta. Motivar passa a ser. usa utensílios. a análise qualitativa das “estratégias”. nossos interesses e emoções. entretanto. ciência e tecnologia. a intenção e a motivação suficientes. Por trás de cada pensamento há uma tendência afetivo-volitiva. nessa perspectiva pode-se dizer que a motivação é a força que move o sujeito a realizar atividades. A autora Bock (1999) destaca que a motivação continua sendo um complexo tema para a Psicologia e. Com isso entende-se que o desenvolvimento do individuo é um processo que se dá de fora para dentro. do processo de generalização. Nas situações escolares. utilizando o que a criança gosta de fazer como forma de engajá-la no ensino. 2. e uma forma de criar este interesse é dar a ele a possibilidade de descobrir. uma vontade ou uma predisposição para agir. Ao sentir-se motivado o individuo tem vontade de fazer alguma coisa e se torna capaz de manter o esforço necessário durante o tempo necessário para atingir o objetivo proposto. para que deseje saber. por fim. Diante desse contexto percebe-se que a motivação deve ser considerada pelos professores de forma cuidadosa. particularmente. adquire então relevo especial – além da análise do processo de comunicação – análise do modo como o sujeito constrói os conceitos comunicados e. 1985) Assim. a orientá-la em função de certos objetivos. Pode-se afirmar que a aprendizagem acontece por um processo cognitivo imbuído de afetividade. Propiciando a descoberta. estando. O aluno deve ser desafiado. procurando mobilizar as capacidades e potencialidades dos alunos a este nível. está sempre um organismo que apresenta uma necessidade. seus professores e colegas. às estratégias e às destrezas necessárias. a necessidade e o objeto de satisfação. principalmente. mas é determinado por um processo histórico-cultural e tem propriedades e leis específicas que não podem ser encontradas nas formas naturais de pensamento e fala. Trata-se de compreender como funcionam esses mecanismos mentais que permitem a construção dos conceitos e que se modificam em função do desenvolvimento.

Ele é definido por um mau êxito. onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser aprendido. assim o professor deve fornecer sempre ao aluno o conhecimento de seus avanços. a sentir e a agir. o considerar-se culpado. torna-se comum o surgimento em todas 33 . o educador desafia-o sempre. O desejo de realização é a própria motivação. supõe-se algo que deveria ser atingido. utilizando para tal métodos adequados e um currículo bem estruturado. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos. ora todo um sistema econômico. emocionais. Tarefas muito difíceis. envolvendo aspectos cognitivos. assim um aluno está motivado quando sente necessidade de aprender o que está sendo tratado. São os conhecimentos que o aluno já possui que influenciam o comportamento do aluno em cada momento. Alicia Fernández nos lembra que “a culpa. 3.É necessário refletir sobre o que é o conhecimento e perceber que é algo de complexo que deve ser entendido como um processo de construção e não como um espelho que reflete a realidade exterior. A busca incansável e imediata pela perfeição leva à rotulação daqueles que não se encaixam nos parâmetros impostos. Ao estimular o aluno.ser desenvolvida com atividades muito simples. Aqueles que não conseguem responder às exigências da instituição podem sofrer com um problema de aprendizagem. descobrir. que não desafiam. O aluno não “fica a fim”. a família e a sociedade em geral. é necessário poder sair do lugar da culpa. Para ser responsável por seus atos. Somos sempre “ a fim” de aprender coisas que são úteis e têm sentido para nossa vida. o que ocorre muitas vezes é a busca pelos culpados de tal fracasso e. o aluno se dedica às tarefas inerentes até se sentir satisfeito. Não é difícil para o professor estar sempre retomando em suas aulas a importância e utilidade que o conhecimento tem e poderá ter para o aluno. O professor deve descobrir estratégias. só assim o processo educativo poderá acontecer e o aluno conseguirá aprender a pensar. está no nível imaginário” O contrário da culpa é a responsabilidade. considerando-o como peça resultante de muitas variáveis. O propósito é discuti-lo como um elemento resultante da integração de várias “forças” que englobam o espaço institucional (a escola). o espaço das relações (vínculos do ensinante e aprendente). proporcionam uma aula mais efetiva por parte do docente.Não há aprendizagem sem motivação. Falar ao sempre numa linguagem acessível. Conclusão: A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo. uma ruína. Mas será que existe mesmo um culpado para a nãoaprendizagem? Se a aprendizagem acontece em um vínculo. captando a atenção do aluno. Os exercícios e tarefas deverão ter um grau adequado de complexidade. . deve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender. A estrutura cognitiva do aluno tem que ser levada em conta no processo de aprendizagem. recursos para fazer com que o aluno queira aprender. político e social. em geral. se ela é um processo que ocorre entre subjetividades. uma vez que disponibiliza os recursos para a aptidão. ora uma determinada classe social. pois ensinar está relacionado à comunicação. para ele. Porém. nunca uma única pessoa pode ser culpada. Os conhecimentos que o aluno apresenta e que correspondem a um percurso de aprendizagem contínuo são fundamentais na aprendizagem de novos conhecimentos. 4. e tarefas fáceis. aprendizagem é também motivação. SUCESSO E FRACASSO ESCOLAR O fracasso escolar aparece hoje entre os problemas de nosso sistema educacional mais estudados e discutidos. É fundamental que o aluno queira dominar alguma competência. 5. de fácil compreensão. ora a família. Essas observações sistematizadas vão gerar duvidas (por que as coisas são como são?) e aí é preciso investigar. O ensino só tem sentido quando implica na aprendizagem. percebe-se um jogo onde ora se culpa a criança. Compreender a utilidade do que se está aprendendo é também fundamental. que começam pelo incentivo á observação da realidade próxima ao aluno – sua vida cotidiana . O professor deve utilizar as estratégias que permitam ao aluno integrar conhecimentos novos. A sociedade busca cada vez mais o êxito profissional. os objetos que fazem parte de seu mundo físico e social. psicossociais e culturais. a competência a qualquer custo e a escola também segue esta concepção. Assim. não esquecendo do papel fundamental que a motivação apresenta neste processo. por isso é necessário conhecer como o professor ensina e entender como o aluno aprende. Não deve expurgar a responsabilidade de um fracasso escolar.As técnicas de incentivo que buscam os motivos para o aluno se tornar motivado. orgânicos.. a partir daí. Porém mau êxito em quê? De acordo com que parâmetro? O que a nossa sociedade atual define como sucesso? Daí a necessidade de analisar o fracasso escolar de forma mais ampla. Quando se fala em fracasso. Por meio dessa necessidade. que geram fracasso. levam à perda do interesse. bem como da transferência destes para novas situações.

teatro. própria dele. é necessário conceituar aquilo que viria a ser seu oposto: a aprendizagem. analisando a história de vida do sujeito e buscando uma significação das fantasias relacionadas ao ato de aprender. Além disso. em termos de dificuldades. As discrepâncias entre o desempenho fora e dentro da escola são significativas. já que os pais são os primeiros ensinantes e as atitudes destes frente às emergências de autoria do aprendente. A partir disso. o conhecimento é considerado conteúdo. pela ação sobre ele. e que necessitam de um raciocínio matemático eles vão muito bem. muitas vezes os profissionais da educação não conseguem transpor o conhecimento ensinando para a realidade do aprendente. não ocorrendo de fato uma aprendizagem. ao valorizar a inteligência. ele passa a ser sua dificuldade. cursos. que se dá no vínculo entre ensinante e aprendente. É preciso distinguir aquilo que é próprio da criança. A aprendizagem tem um caráter subjetivo. dentro da família. daquilo que ela reflete em termos do sistema em que se insere. pois implica no inconsciente. além de tentarmos analisar os fatores que contribuem para seu surgimento. Isso pode ser exemplificado no livro: “Na vida dez. Porém. Daí a necessidade de buscar o significado do “não aprender”. pois o aprender implica em desejo que deve ser reconhecido pelo aprendente. cotidianas. irão determinar a modalidade de aprendizagem dos filhos. isolado. agressivas. a criança assume o papel que lhe foi atribuído e tende a correspondê-lo. podemos definir aprendizagem como uma construção singular que o sujeito vai fazendo a partir de seu saber e assim ele vai transformando as informações em 34 . ocorre. Ou seja. Em nosso sistema educacional. Esta última é o conhecimento objetivado que pode ser transmitido. Para aprender. conhecimento e informação. ou seja. APRENDIZAGEM X FRACASSO ESCOLAR: QUAL O LIMITE QUE OS SEPARA? Ao falarmos de fracasso escolar. porém em situações naturais. O que caracteriza estas famílias é a criação de um espaço favorável para que cada membro possa escolher e responsabilizar-se pelo escolhido. o conhecimento é o resultado de uma construção do sujeito na interação com os objetos (PIAGET) e o saber é a apropriação desses conhecimentos pelo sujeito de forma particular. de “crianças fracassadas”. por sua vez. propiciando um espaço para a autoria de pensamento. hiper-ativas. Este caráter informativo da educação se manifesta até mesmo nos livros didáticos. Desta forma. nos quais o aprendente é levado a memorizar conteúdos e não a pensá-los. Esses problemas tornam-se parte da identidade da criança. É importante lembrar que o desejar é o terreno onde se nutre a aprendizagem. Entretanto é possível a existência de facilitadores de autoria de pensamento mesmo convivendo com carências econômicas. Quando se fala em “famílias possibilitadoras de aprendizagem” tem-se uma tendência a excluir as famílias de classes baixas já que estas não podem fornecer uma qualidade de vida satisfatória. Condições estas que não são comuns em famílias produtoras de problemas de aprendizagem. Ela define como autoria “o processo e o ato de produção de sentidos e de reconhecimento de si mesmo como protagonista ou participante de tal produção”. Outra questão referente à escola é que esta. Esta situação pode estar ligada a algum acontecimento escolar.instituições educativas de “crianças problemas”. O perguntar é possível e favorecido. A família. A sociedade do êxito educa e domestica. uma alimentação adequada. o acesso a diversas formas de cultura (cinema. Claparéde diz que a escola pode provocar na criança conflitos que influenciarão seu gosto pelo aprender. Alicia Fernández cita uma pesquisa com famílias de classe baixa facilitadoras da aprendizagem. ele pode assumir. ela revela uma possibilidade de mudança. não se observa em quais circunstâncias ela apresenta tais dificuldades (ele está assim e não é assim). mitos relativos à aprendizagem muitas vezes levam muitos ao fracasso. Isso não é apenas uma diferença terminológica. se repetidas constantemente. Aprender passa pela observação do objeto. o ser humano coloca em jogo seu organismo herdado. O sujeito pode estar em dificuldades de aprendizagem por ter ligado este fato a uma situação de desprazer. ao passar pelo portão da escola. A aprendizagem é a articulação entre saber. disléxicas. Já mencionamos que a aprendizagem é um processo vincular. Na escola os alunos vão mal. “O saber em jogo”. Também contribuem para o fracasso escolar a própria instituição educativa que muitas vezes não leva em consideração a visão de mundo do aprendente. etc. Seus valores. As atividades visam à assimilação da realidade e não possibilitam o processo de autoria do pensamento tão valorizada por Alicia Fernández. Em seu livro. também é responsável pela aprendizagem da criança. uma função. na escola zero” que trata do ensino da matemática. se esquece da interferência afetiva na não aprendizagem. mas sim dentro de um contexto muito mais amplo e repleto de significados. há facilidade de aceitar as diferentes opiniões e idéias. ao conceder este rótulo à criança. seu corpo e sua inteligência construídos em interação e a dimensão inconsciente. etc). pelo desejo. portanto entre subjetividades. segundo Maud Mannoni. um sintoma não deve ser considerado de forma única. computador. uma informação a ser transmitida. Perde-se o sujeito. Assim acontece com o fracasso escolar.

distribuindo-se entre fatores ligados diretamente aos alunos e às escolas. para as próximas décadas. Quase 11% dos alunos da região mais rica (Sudeste) refazem a primeira série. tentando descobrir a função do não aprender. Relativamente às características dos alunos. 35 . O grupo de alunos. o nível socioeconômico e a escolaridade dos pais. acompanham e incentivam os seus filhos. seja por aspectos disciplinares. tenho um problema de ensinagem com ele”. Esta é motivada pelo ingresso tardio da criança na escola. Em 1990. são necessárias ações claras e racionais de alcance de metas. Para a obtenção do sucesso. mas eu.1%. Nessa etapa. tentando também engajar a família no projeto de atendimento para ampliar seu conhecimento sobre a dificuldade. Alicia Fernández diferencia fracasso escolar. é de magnitude considerável. aos resultados das interações sociais e intelectuais entre alunos. Em matemática. Os condicionantes do fracasso são diversos. O segundo conjunto refere-se ao clima escolar. acima da média nacional que é de 169. na primeira série do ensino fundamental é de 30. 1994). O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) tem produzido um volume significativo de dados sobre os desempenhos dos alunos e os seus fatores associados.aprendizado. Alicia Fernández fala de um enfoque clínico que significa preocupar-se com os processos inconscientes e não somente com a patologia. efetivando o pleno desenvolvimento de habilidades e competências em todos os componentes curriculares. os alunos que estão na idade correta auferiram nota média de 182 pontos. inclusive em tarefas do cotidiano escolar. Os dados de fluxo mostram que as chances de repetência são bem maiores no Nordeste e no Norte do país. e. Os estudantes com um ano de atraso obtiveram 166 pontos. Escolas com clima degradado. (FERNANDEZ. o grupo sem defasagem obteve média de 189 pontos. contra 177 da média nacional. ou seja. incluindo desde a administração superior até a da escola propriamente dita. na avaliação de leitura. em muitos casos são deficitárias. Os resultados do Saeb de 2003 mostram que cerca de 38% dos alunos. Uma educação bem sucedida deve conjugar um fluxo escolar regular com o progresso cognitivo dos estudantes. teve média de 158 pontos. na segunda série. É certo que o principal desafio da educação brasileira. O psicopedagogo deve buscar o que significa o aprender para esse sujeito e sua família. portanto. é fazer uma escuta particular do sujeito que possibilite não só encontrar as causas do não. monitoramento e avaliação do trabalho docente e de seus resultados junto aos alunos.aprendente. conforme a trajetória escolar. O problema de aprendizagem pode ser um sintoma de outros conflitos ou ainda uma inibição cognitiva. É preciso combater o fracasso escolar representado pela repetência. sobressaem-se o seu universo familiar. deixando sua marca como autor e vivenciando a alegria que acompanha a aprendizagem. Para ela no fracasso escolar “a criança não tem um problema de aprendizagem. As evidências mostram que familiares mais escolarizados atribuem maior valor à educação. é o da qualidade. pouco contribuem para o bom aprendizado dos estudantes. As avaliações educacionais têm constatado que são altas as taxas de repetência e baixos os níveis de aprendizado na educação básica. poderíamos pensar no papel de psicopedagogo com relação ao fracasso escolar. problema de aprendizagem e deficiência mental.conhecimento.8%. como docente. Conhecer como se dá a circulação de conhecimento na família. A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA: Considerando os fatores implicados no processo da aprendizagem. professores e funcionários escolares. Os condicionantes originados no ambiente escolar podem ser agrupados em três grandes conjuntos. revelam que as taxas decaíram. qual a modalidade de aprendizagem da criança. No Norte. O primeiro diz respeito à formação e atuação dos professores que. Conclui-se que a diferença da medida de aprendizagem. constituindo-se um sério problema para a educação. constatava-se que mais de 50% dos alunos repetiam a primeira série do ensino fundamental. de 19. e a deficiência mental tem incidência pequena na população. não perdendo de vista qual o papel da escola na construção do problema de aprendizagem apresentado. na região mais pobre (Nordeste) o número é de 43%. Este processo se difere bastante do fracasso escolar que pode evidenciar uma falha nesta relação vincular ensinante. mas também organizar metodologias para facilitar a aprendizagem e o desempenho escolar. A proporção nacional. Esses números são sinais de como as oportunidades educacionais estão distribuídas de forma não equânime. ações que maximizam as chances de sucesso. pelo abandono das salas de aula e pela reprovação ao final do ano letivo. modificando seu modo de pensar e de agir com relação à criança. estão em situação de atraso escolar. é de praticamente 48%. O terceiro refere-se à gestão da educação. recentemente divulgados. na 4ª série do ensino fundamental. São ainda elevadas. uma diferença de 23 pontos. seja por falta de coordenação do trabalho docente. Os números da educação no Brasil de 2003. com pelo menos um ano de atraso.

CRIATIVIDADE Criatividade é. É necessário abandonar a idéia de que essa é uma etapa simples do processo de escolarização. estudo de textos explorando as diferenças entre fatos e opiniões. exercícios de gramática relacionados com os textos. leitura e discussão de diversificados gêneros textuais. cujos líderes são M. É o aprender a ler. de novas possibilidades de ação. A teoria humanista de Carl Rogers enfatiza que criatividade pode ser tanto a teoria da relatividade de Einstein. até as descobertas da física e da matemática. que eram anteriormente separadas. com competência. através dos tempos. no seu ambiente. que o indivíduo 36 . para superar o fracasso evidenciado e experimentado por boa parte dos estudantes no sistema educacional brasileiro. criatividade e neurose têm a mesma fonte de origem:os conflitos do inconsciente. ela origina-se num conflito dentro do inconsciente. a fluência na leitura. composição de sinfonias musicais. Segundo Freud. como debate sobre textos de jornais e revistas. Esta habilidade modifica-se nas diferentes idades. definições operacionais. Práticas. é “insight”. Ao perder a ligação com os objetos reais das brincadeiras. mais precisamente. que o levam. Portanto. A criação é uma forma de sublimação. É o ler para aprender. Para que tais habilidades sejam desenvolvidas plenamente é importante dotar os docentes das competências para o seu ensino. tentando encontrar melhores explicações. Koffka e W. o domínio da associação entre fonema e grafema. Criatividade é uma forma de reduzir tensão. Segundo Freud. poesias. passa a fantasiar. entretanto. desenvolvendo as habilidades centrais. instrumentos de avaliação. incluir atividades desta natureza no material didático e prever a melhor forma de avaliar o progresso dos alunos. não está longe de ser um neurótico. É a tese da “catarsis criadora”. A criatividade tem sido abordada de maneiras distintas. K. na etapa de alfabetização. são algumas das medidas. o indivíduo só aparentemente desiste desta grandiosa fonte de prazer. uma nova conexão. é a gratificação do seu próprio inconsciente inacessível. Melhorar os processos de alfabetização. bem-sucedidas de aprendizado. Os professores podem e devem iniciar mudanças em suas práticas docentes cotidianas para o alcance desse objetivo. criar é o seu consolo.A ação pública no setor educacional pode combater o fracasso minimizando efeitos não desejáveis de progressão escolar sem aprendizado. O indivíduo criativo é aquele que aceita livremente as idéias que surgem do ID. Wertheimer. parte/todo. quanto uma nova receita de bolo feito por uma cozinheira. não se teria condição de fazê-lo. O pensamento criador é. à solução do problema. educadores. é amplo e muitas vezes até controvertido. Parando de brincar ao se tornar adulto.As teorias sicológicas modernas em muito contribuíram para uma melhor compreensão do complexo fenômeno da criatividade. É urgente e imprescindível buscar obsessivamente a qualidade na Educação. a consciência fonológica e fonêmica são metas incontornáveis para o sucesso dos estudantes. o oposto de imitação. Um aspecto importante é a necessidade de melhorar as condições da escolarização nas séries iniciais. Isto se dá. uma reconstrução de configurações. o desenvolvimento da capacidade dos estudantes em utilizar a linguagem escrita e ler. foge da realidade. de cópia. ou seja. O artista ou criador. chegouse a considerar a criatividade como inspiração divina – o criador como um ser divinamente inspirado – ou tém como loucura – considerando o ato de criação como proveniente de um acesso de loucura. Suas fantasias podem ser tanto desejos eróticos quanto desejos de engrandecimento. conscientemente. a percepção brusca. É necessário. Em tempos passados. Seu conceito. tais como a codificação e decodificação. de uma forma geral. Ela é crucial e irá contribuir para uma boa trajetória posterior da ampla maioria dos estudantes. provavelmente. de se atingir indiretamente algo que. para superar os problemas de fluxo educacional e de aprendizado é necessário adotar políticas de transformação da vida cotidiana das famílias e das escolas. Algumas das principais evidências do Saeb revelam que o ensino de língua portuguesa centrado na evolução da capacidade de leitura dos estudantes obtém melhores resultados. passando a elaborar desejos imaginários. O “insight” envolve a percepção ou reconhecimento súbito da associação entre duas unidades de pensamento. primariamente. filósofos ou mesmo outros profissionais. Este é um tema central de desenvolvimento da nação com impactos nas relações sociais e econômicas. pai da psicanálise. como não possui os meios de alcançar determinadas satisfações. É a reconstrução do campo perceptivo do indivíduo. A teoria gestaltista. desta forma. estabelecendo-se. textos de gêneros variados. Populares aplicam a palavra indiscriminadamente para uma série de produtos finais. quase que instantaneamente. o indivíduo cria para aliviar certos impulsos. desde a criação de trabalhos artesanais. seja entre psicólogos. Uma etapa necessária é a do letramento. porque a noção de criatividade abrange um conjunto de fronteiras incertas. Kohler. seus fatores condicionantes. considera a criatividade como a habilidade do indivíduo reverter à relação figura/fundo. Para Sigmund Freud.

que gera um tipo de pensamento divergente. É necessário. O meio ambiente pode. Central para todo tipo de atividade criativa é o que ele chama de “abertura à experiência”. Se aprendizagem for conceituada como toda nova reorganização que tem caráter de permanência e disponibilidade no tempo. inter pessoal e irracional. O fato de o indivíduo perceber ou não as categorias. apenas. primeiramente. relações. Outra importante contribuição na área da criatividade foi à análise fatorial de J. fórmulas. um fenômeno multifacetado. Wechsler (1995) comenta a esse respeito. o que vale observar é o nível de significância que pode resultar de cada uma delas. exatamente. podemos concluir que é inevitável se trabalhar com a criatividade na sala de aula”. A ação criativa é uma situação onde se produz o novo. uma pessoa é criativa na medida em que realiza suas pontencialidades como ser humano. pode-se supor que toda aprendizagem é primeiramente uma criação. segundo Rogers. O contexto sócio-histórico-cultural pode fomentar ou inibir a criatividade. de ver a vida de uma forma nova e significativa. por considerála um sistema de atitudes capaz de modificar-se e adaptar-se. transformação. emocional. em segundo plano. é que a avaliação do produto final seja feita internamente. quantas vezes seja necessário. Estimular o potencial de alunos faz parte de um tipo de prática pedagógica que envolve mudanças. Dieckert (1985 e 1984) prefere o termo criatividade pedagógica. Quando o indivíduo descobre algum fato que já foi revelado por outros. Mudança. uma aprendizagem que provoca mudança no comportamento. cores. entre o novo conteúdo e as experiências vividas ou com os conhecimentos já adquiridos. para haver criatividade. originado de múltiplas fontes: cognitiva. influi em sua habilidade de criar algo novo. Sefchovich & Waisburd (1995) e Capra (1982) assinalam que a cultura ocidental sempre valorizou o pensamento dedutivo racional. para converter cada situação em uma possibilidade de aprendizagem e ensino. Desde o ponto de vista pedagógico. Mesmo entendendo que os dois tipos de aprendizagem não ocorrem de forma pura. Este tem que. enquanto que a civilização oriental privilegia a experiência subjetiva como forma de conhecimento. Aí estariam incluídos princípios. como predeterminadas. causam estranheza e têm tendência a não serem aceitas de imediato. Guilford. assustam. que interagem para trazer a motivação e o envolvimento com a tarefa. a expressão de uma idéia. ainda. satisfazê-lo e. esclarecendo que o professor deve incentivar o aluno a encontrar suas próprias idéias. pois conteúdos factuais são melhor ensinados e aprendidos por meio de repetição e memorização. igualmente. que é. social. Outra condição importante. O que se pretende é valorizar outros tipos de aprendizagem que possibilitem o desenvolvimento do pensamento divergente e da criatividade. técnicas de movimentos esportivos. em atitudes e na personalidade. no caso da Educação Física. tem como base experiências anteriores e resulta em algo produtivo para o indivíduo ou para a sociedade. que haja liberdade psicológica e que não se faça uma avaliação do indivíduo. emocionais e sociais. Apesar da aceitação do conceito de criatividade e da proliferação dos trabalhos nesta área. de Expressar o ridículo. Ressalta. à sociedade. A educação tem sido questionada por dar ênfase à aprendizagem mecânica ou de memorização e por não estimular uma forma autônoma de pensar e de agir. Quando se oferece ao aluno oportunidade para ser criativo está se oferecendo também uma abertura para a expressão de sentimentos. o sistema educativo deveria se preocupar em oferecer experiências que promovessem o desenvolvimento da criatividade em todas as áreas de expressão. que debates de estudiosos concluem que a criatividade é um conceito muito abrangente. Encontramos na literatura vários conceitos e definições sobre criatividade que apontam para uma capacidade humana. Isso ocorre quando a aprendizagem possibilita o estabelecimento de relações e vínculos. transformar os elementos. Apoiando-nos em Ausubel e Rogers . conjugação de verbos e. o processo educativo é insuficiente para desenvolver a criatividade e a educação formal não tem oportunizado o ensino do pensamento criativo. formas. de algo concreto ou de uma forma de comportamento que seja nova para quem o fez. ainda assim representa uma realização criadora. o oposto de defesa psicológica.P. sair da rotina são experiências que causam temor. Os primeiros autores vêm à criatividade como uma forma de vida. como forma de construção de conhecimento e de aprendizagem significativa. Por aprendizagem mecânica ou repetitiva entende-se a aquisição de conhecimentos que nos possibilita memorizá-los e repeti-los literalmente quando somos questionados. gerando um estilo de criatividade estreitamente relacionado com o produto. em quantidade e qualidade. Não é o caso de se desprezar a aprendizagem mecânica. mesmo que estas já lhes sejam conhecida. 37 . que: "ao considerarmos a noção de aprendizagem como um ato onde se encontram elementos cognitivos. que o próprio indivíduo julgue o ato de criação. atitudes que muitas vezes chocam outras pessoas. entendemos a aprendizagem significativa como a aquisição de conhecimentos em que somos capazes de atribuir significado ao conteúdo aprendido. maximizar a possibilidade de emergência da criatividade.possua a habilidade de lidar com conceitos e elementos. de brincar espontaneamente com idéias. trazendo como conseqüência o aprender. um estilo de criatividade mais centrada no ser humano e no seu desenvolvimento pessoal. emoções.

a estética dos movimentos. o conceito de criatividade e o de pessoa sadia e plenamente humana talvez resultem a mesma coisa. em vários outros trabalhos. As características de aluno criativo que mais chamam a atenção de docentes de Educação Física estão ligadas ao aspecto motor. 38 . “A estimulação intelectual e a privação emocional podem produzir um gênio. curiosidade. Rogers (1985 a e b) acredita que a criatividade envolve toda uma orientação do organismo e não apenas a mente consciente. sinceros. Algumas características do comportamento de pessoas criativas são consideradas inadequadas ou negativas e acabam por rotulá-las como pessoas difíceis. mas também podem gerar pessoas frustradas e insatisfeitas. mas pobres em comodidade emocional. No entanto. às técnicas esportivas. espontaneidade não foram consideradas importantes.um dos requisitos para o desenvolvimento de habilidades de pensamento divergente . intuição. a variedade e riqueza de experiências estão em relação direta com a atividade criadora. e as práticas docentes que indicam um comportamento convergente. Antunes (1999) comenta que alunos considerados criativos comparados com figuras históricas consideradas geniais por sua criatividade. geralmente. de julgamento. Isso não significa que estejam relacionadas. Características associadas à criatividade.traços negativos do ponto de vista social. Geralmente a infância de pessoas consideradas criativas são ricas em estímulo intelectual. o que se percebe nos discursos de alguns docentes é a associação que se faz da capacidade de se “expressar bem corporalmente" com a habilidade física. estes estudantes são também originais. Estaria implícito aí o conceito de motricidade. que pode ou não incluir técnicas esportivas. trabalhadores. que valoriza a criatividade. Estudantes criativos em relação aos não criativos são instáveis. esses estudos vão contra as concepções de Maslow (1998) e Rogers (1985) em relação à criatividade como auto realização. despertando insensibilidade de amigos ou mesmo da sociedade. ao estudar indivíduos altamente criativos. Parece existir “discordância" em relação ao que se entende por técnicas no esporte e dança e vivência corporal diversificada que um indivíduo adquiriu em sua história de vida. aponta que mais de 95% dos professores gostariam que seus alunos fossem obedientes. No entanto. metodologias de ensino que estimulem formas de pensamento divergente e canalizem o agir para mudanças positivas também representam um obstáculo para o desenvolvimento do potencial criativo dos alunos. algumas características de sua conduta. obstinação. A originalidade (respostas inovadoras). e “querer saber de tudo”. espontâneos. Ser curioso. pessoas que pouco se incomodam em sacrificar o bem estar pessoal ou mesmo suas relações afetivas em troca do desenvolvimento de sua obra. aponta para uma certa inconstância entre o discurso. demonstram extrema ousadia e ambição em sua maneira de agir. fluidez (quantidade de respostas). desordenados. Possuir um bom repertório de movimentos. forma de agir ou mesmo de personalidade do indivíduo são incompatíveis com aquelas mais enfatizadas pela sociedade em geral e pelo professor em particular. a flexibilidade (riqueza das respostas). aventureiros. contrários às regras . ser questionador durante as aulas. seriam criativos. A mesma autora. Alencar (1993) ao analisar as características e comportamentos desejados e encorajados pelos professores em sala de aula.são vistas muitas vezes como condutas que atrapalham a aula. Uma delas é a determinação em fazer algo. flexíveis. a exemplo de atletas e bailarinos. estupidez. a qualidade técnica. Para o primeiro autor. São. A outra dimensão revela a tendência à conservação de traços ou aspectos menos atraentes da infância: egoísmo.atitudes que parecem facilitar a disciplina em sala de aula. populares e bem aceitos pelos colegas . o que pode gerar uma idéia errônea de que somente os indivíduos com performance corporal. CARACTERÍSTICAS DE ALUNOS CRIATIVOS Um aspecto comprovado é a tendência dos docentes em privilegiar características de indivíduos criativos que se relacionam mais ao produto que este apresenta. vivências motoras ou domínio corporal implica experiências anteriores. a depreciação dos outros e a auto promoção destes indivíduos. comenta as duas dimensões pessoais que os coloca como pessoas difíceis. artísticos . cultos. elaboração (número de detalhes). necessariamente. interesseiros.variáveis positivas no aspecto social. o que ocorre apenas em uma pessoa psicologicamente saudável. referem-se ao produto que o sujeito apresenta e nos esclarecem pouco sobre atitudes e comportamentos da pessoa criativa nos momentos de sua atuação. Algumas pesquisas sugerem que apesar de a criatividade ser considerada importante como habilidade de pensamento e como fator de desenvolvimento humano.” Gardner (1996 e 1999). Segundo Vigotski (1998). como a independência de pensamento. na capacidade que o indivíduo possui de utilizar movimentos corporais para expressar uma idéia. intolerância. descontrolados. De certa forma. que acaba por conduzi-los a tornarem-se marginalizados. egocentrismo.Em nosso entender o desconhecimento de características de personalidade e da forma de agir e se expressar. atenciosos.

Parece que para as meninas essa situação é mais comum que para os meninos. descobrimento. Aquelas velhas e tão conhecidas frases do tipo “isso não é pergunta que se faça”. especialmente nas atividades motoras. Em nossas pesquisas uma das causas alegadas pelos docentes universitários como dificuldade para identificar alunos criativos é o medo e a vergonha que os alunos têm de se expor. Mosston & Ashworth (1996). embora numerosas atividades na Educação Física reclamem um pensamento convergente e reprodutor. Os sentimentos negativos em relação ao próprio corpo geram um tipo de ansiedade que é pouco produtiva para a expressão de idéias e emoções por meio da motricidade. acabam por inibir e aparecimento de formas de expressão individuais. que nós é imposta pela sociedade acaba por intimidar nossa capacidade de criar novos movimentos. que colocam o êxito e o triunfo em evidência. associada a uma resistência ao que novo ou diferente. com os ganhos e mais com o processo. em um dos mais importantes trabalhos sobre metodologias de ensino em Educação Física. semânticos ou comportamentais. Para Maslow (1990) os exemplos de criatividade sempre fazem referência a produtos masculinos. as formas de manifestação corporal ditadas pela sociedade moderna. tentar novas formas de expressão. Cabe ao professor criar ambientes de respeito e aceitação que oportunizem as diferentes formas de expressão de criatividade do aluno. de inventar novas formas de relação com o grupo. As mulheres se comprometem menos com os produtos. que pode ter diferentes causas. não como desvio de sexualidade. Pensar de forma diferente. Esportes e Dança oferecem grandes oportunidades para desenvolver a capacidade humana de diversidade. METODOLOGIAS DE ENSINO Uma questão que é sempre presente nas discussões sobre criatividade no processo educacional versa sobre como os educadores reconhecem e cultivam uma forma de pensar divergente e autônoma de seus alunos e. Expressar a criatividade por meio da motricidade é um problema na maioria das vezes. a independência e a iniciativa como características mais exigidas para o sexo masculino e a intuição. ainda são comuns em nossa sociedade. invenção e de ir mais além do conhecido. de serem criativos. Torre (1997:9) adverte que os conteúdos não devem ser obstáculos para o desenvolvimento da criatividade. descrevem formas de trabalho ou estilos de ensino nas quais o aluno é protagonista do processo e a principal meta é sua autonomia. A inibição na utilização do corpo como linguagem de expressão. De acordo com Mackinnon (1980) pessoas criativas são as que apresentam mais indicadores de feminilidade. simbólicos. acaba por criar barreiras à expressão criativa do aluno. “menino não dança assim” ou “meninas não se comportam desta maneira”. ainda. de manusear materiais de forma inusitada . a falta de tempo e o pouco conhecimento que têm sobre a criatividade impossibilitam o reconhecimento da capacidade criativa dos alunos. Estudos comprovam que o medo aumenta com a idade e é na fase da adolescência (fase também de transformações corporais) que se pode observar melhor o temor de se expor. Concepções de ensino em que são privilegiadas e valorizadas a reprodução de conhecimento e a memorização de fatos são projetadas para que os alunos adquiram conhecimento de forma passiva. sendo o professor mediador e facilitador da construção de conhecimento do aluno. existem numerosas oportunidades para aprender de forma mais criativa. como esses educadores proporcionam aos estudantes oportunidade para canalizar sua energia criativa. 2001): estar preso a programas e conteúdos. Alencar (1993) aponta a liderança. como por exemplo o medo de ser avaliado negativamente por outros (pais. professores).MEDO DE SE EXPOR Muitas pessoas têm dificuldades e. As pesquisas sobre criatividade no Brasil têm sido realizadas principalmente com alunos e professores do ensino fundamental e médio e relatam estudos 39 . A utilização de metodologias de ensino diretivas. O receio e a vergonha de se expor em atividades motoras está relacionado ao fracasso. questionar são encaradas com receio. amigos. Isso pode ser observado já nas primeiras séries escolares e mesmo na educação não formal. Isso também foi evidenciado em nossa pesquisa realizada com docentes universitários de Faculdades de Educação Física (Tibeau. mas como maior interesse por atividades estéticas que envolvem emoção e sentimentos. medo de serem diferentes. O culto ao corpo perfeito. espontaneidade e sensibilidade. Isso exige que o professor esteja preparado para proporcionar aos alunos problemas e situações relevantes. até certo ponto. Afirmam que as áreas de Educação Física. nas quais o professor e o conteúdo a ser aprendido são o centro do processo ensino-aprendizagem. Ruiz Perez (1995) acrescenta que. as formas estereotipadas das danças transmitidas pelos meios de comunicação. aceitar e valorizar as idéias e as soluções encontradas pelos alunos. para o sexo feminino. mas sim um veículo para acrescentar a ideação através dos conteúdos figurativos.

portanto. De uma certa forma. Segundo Maria Helena Novaes (1975). Estabelecer um relacionamento criativo com uma determinada realidade é. Há uma tendência. Geralmente. a educação sem criação não é uma educação de verdade. fatores inibidores e promotores da criatividade e. quando este é encorajado a manipular objetos e idéias. Relatam também a falta de preparo dos professores. é encontrada em cada indivíduo. A criatividade.sobre avaliação da criatividade em alunos. o indivíduo utilize o seu potencial criador contribuindo. procurando tornar o indivíduo sensível aos estímulos ambientais. pois. isto funciona como um incentivo ao desenvolvimento de suas próprias idéias. como a emergência de originalidade e individualidade. conformismo. muito freqüentemente. exceto em casos patológicos. habilidade para sentir problemas. flexibilidade. para considerar que a educação formal suprime muito a criatividade natural. diante do volume e da complexidade dos problemas dos tempos atuais e da rapidez com que se processam as mudanças. divergente e de trabalhar os conteúdos de maneira questionadora e indagadora. assim. ao treinar e incentivar as atividades relacionadas com o pensamento convergente (reprodução de fatos conhecidos). as pessoas possuem. curiosidade inteletual. é necessário incrementar um tipo de ensino que combine o esforço de pensar com o de aprender. autogeradora. em graus diferentes. potencial presente em todos os indivíduos por ocasião do nascimento. de acordo com uma série de valores introjetados. habilidade para reestruturar idéias. È. inteligência ou nível sócio-econômico. dependendo do meio ambiente em que os mesmos se desenvolvam. com novas idéias e soluções. A emergência da era industrial e conseqüente modernização e automação da sociedade definiram muito as características das transformações que o processo educacional deveria incorporar. pode melhorar sua capacidade de pensamento criativo. Boa Sorte! 40 . E como bem o afirma Ostrower: “Criar é tão difícil ou tão fácil como viver. devem ser devidamente estimulados. consequentemente. entre outros. na maioria das vezes. soluções originais). a abertura à percepção. Mudanças tecnológicas e científicas que ocorrem neste final de século têm ocasionado uma crise na universidade e. na formação de profissionais da educação. Questionam também a própria forma de atuação do professor. especialmente no Brasil. destruída ou incentivada. compararem. E é do mesmo modo necessário”. independente de idade. a descobertas de outras. A FORMAÇÃO PROFISSIONAL Estudos realizados na área de formação de professores têm evidenciado a carência dos cursos de licenciatura em fornecer meios ao futuro profissional de desenvolver e aprimorar sua própria capacidade criativa e para reconhecer e valorizar esta forma de pensar e agir em seus alunos. que o indivíduo recebe. Tendências e traços da personalidade criativa. sexo. Wechsler (1995) vai mais longe e assinala o próprio despreparo do futuro profissional para entender. há uma tendência para levar os indivíduos a interpretarem fatos. fluência. para oferecer condições para o desenvolvimento de formas de pensamento crítico. a velhos problemas. Os condicionamentos agem. abandonando. a classificarem. e os métodos de ensino reformulados. assim. valorizar e lidar com sua própria criatividade. em muitos pesquisadores na área da criatividade. A psicologia admite que. tais como a auto-confiança. principalmente. com uma predisposição ao pensamento criativo. projetando-se no futuro. para ser autocrítica. julgarem. as atividades relacionadas ao pensamento divergente (fantasias. espera-se que o professor tenha sido preparado no seu curso de formação profissional para atuar de maneira crítico-reflexiva em relação aos conteúdos a serem ensinados e a valorizar a construção do conhecimento dos alunos. A velocidade das informações e dos conhecimentos enfatiza a necessidade de o Homem se adaptar continuamente a novas situações a fim de responder. portanto. idéias novas. romper com o passado e o presente. para a descoberta de melhores respostas aos obstáculos e desafios do mundo moderno. deve ser suficientemente aberta. todas as habilidades em potencial. pode ser inibida. á avaliação do pensamento produtivo. Qualquer indivíduo. no sentido de estimularem os indivíduos a elaborarem e transformarem as suas idéias. influência da criatividade no rendimento escolar. metodologias e programas para o desenvolvimento de diferentes formas de expressão da criatividade. fundamental que. A educação formal. Criatividade. autônomo. o humor.

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