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ANA ISABEL SANI

LAURA NUNES
SÓNIA CARIDADE
(COORD.)

Livro de Resumos do
II CONGRESSO INTERNACIONAL

CRIME,
JUSTIÇA E
SOCIEDADE

EDIÇÕES CRIAP 2014


Morada: Praça Dr. Francisco Sá Carneiro, 219 - 4º Esquerdo, 4200-312 Porto
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© 2014, Instituto CRIAP


Revisão: Coordenadoras/Universidade Fernando Pessoa
Design: Instituto CRIAP
ISBN: N.º 978-989-98879-1-6

Paginação, impressão e acabamento:


CRIAP SHARE

Distribuição:
Instituto CRIAP
Índice

RESUMOS COMUNICAÇÕES ORAIS

PAINEL I – VIOLÊNCIA ESTRUTURAL E VÍTIMAS DE CRIMES 11


VIOLÊNCIA DOMÉSTICA (VD): REALISMO E PATERNALISMO NA LEGISLAÇÃO PORTUGUESA 13

VITIMAÇÃO MÚLTIPLA DE MULHERES SOCIALMENTE EXCLUÍDAS: DESAFIOS E ESPECIFICIDADES


NA INTERVENÇÃO 14

PROGRAMA “UMA NOVA EMOÇÃO” – TERAPIA FOCADA NAS EMOÇÕES PARA VÍTIMAS DE
VIOLÊNCIA CONJUGAL 15

VIOLÊNCIA ENTRE CASAIS DO MESMO SEXO: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO 16

VIOLENCIA DE GÉNERO EN ESPAÑA: ESTUDIO CRIMINOLÓGICO 17

VIOLENCIA DE GÉNERO Y VICTIMIZACIÓN SECUNDARIA 18

PAINEL II - INVESTIGAÇÃO CRIMINAL E REALIZAÇÃO DA JUSTIÇA 19


ANÁLISE DA COMPREENSÃO DAS CRIANÇAS DA TERMINOLOGIA LEGAL E DOS PROCESSOS
JUDICIAIS 21

ANÁLISE DE DEPOIMENTOS DE CRIANÇAS EM TRIBUNAL: ALGUNS DADOS PRELIMINARES 22

CONSTRUÇÃO DE PROCEDIMENTOS PARA A ANÁLISE DO COMPORTAMENTO VERBAL E NÃO-


VERBAL NA SIMULAÇÃO 23

PAINEL III – EVIDÊNCIA CIENTÍFICA E PROVA FORENSE 25


POLÍCIA CIENTÍFICA - DO PROBLEMA À POSSÍVEL SOLUÇÃO 27

O JOGO ESTRATÉGICO DO GATO E DO RATO: COMO EVITAR DEIXAR PISTAS NA CENA DO CRIME 28

QUEILOSCOPIA: RELEVÂNCIA PARA A INVESTIGAÇÃO CRIMINAL 29

PENSAR DIREITO SOBRE PSICOLOGIA: A INTEGRAÇÃO DO PSICÓLOGO FORENSE NO DIAP DE


LISBOA 31

AS REPRESENTAÇÕES DOS MAGISTRADOS ACERCA DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA FORENSE NA


REGULAÇÃO DAS RESPONSABILIDADES PARENTAIS 32

É POSSÍVEL OBTER UM BOM TESTEMUNHO? ESTUDO SOBRE A EFICÁCIA DA ENTREVISTA


COGNITIVA COM UMA AMOSTRA PORTUGUESA 33

PAINEL IV – PERCURSOS CRIMINAIS 35


DIFERENÇAS DE GÉNERO NO COMPORTAMENTO DE INCENDIARISMO: PERFIS CRIMINAIS
ASSOCIADOS AO ESTUDO COMPARATIVO ENTRE UMA AMOSTRA PORTUGUESA DE MULHERES E
HOMENS INCENDIÁRIOS 37

O CRIME DE INCÊNDIO EM CONTEXTO FLORESTAL: DOS PERFIS CRIMINAIS ÀS ESTRATÉGIAS DE


PREVENÇÃO E INTERVENÇÃO 38

VIOLÊNCIA DAS CLAQUES 39


PAINEL V – PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS: OFENSOR E VÍTIMA 41
DIREITOS ABUSADOS: REFLEXÃO SOCIOLÓGICA SOBRE O ABUSO SEXUAL DE CRIANÇAS 43

INTERVENÇÃO COM AGRESSORES CONJUGAIS: DOS RESULTADOS AO PROCESSO DE MUDANÇA 44

PAINEL VI – CRIMES, PENAS E REINSERÇÃO SOCIAL 45


O PAPEL DOS FAMILIARES DE RECLUSOS NA ESFERA PENAL EM PORTUGAL 47

A RECLUSÃO VISTA POR RECLUSAS IDOSAS 48

TREINO DE COMPETÊNCIAS PESSOAIS E SOCIAIS – PROGRAMA UPGRADE 49

DOUDICES LIBERTADORAS: CAMINHOS PARA A INIMPUTABILIDADE NA INQUISIÇÃO


PORTUGUESA 50

PAINEL VII – AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO FORENSE 51


AVALIAÇÃO DE RISCO DE VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA CONJUGAL: EXPERIÊNCIA DO GIAV 53

AVALIAÇÃO DE RISCO DE AGRESSORES DE VIOLÊNCIA CONJUGAL: A EXPERIÊNCIA DO GIAV 54

AVALIAÇÃO DE RISCO EM MENORES VÍTIMAS DE MAUS-TRATOS, NEGLIGÊNCIA E/OU EXPOSIÇÃO


À VIOLÊNCIA 55

AVALIAÇÃO DE RISCO DE NEGLIGÊNCIA E MAUS TRATOS A IDOSOS 56

PERÍCIA PSICOLÓGICA: MUDAM-SE OS TEMPOS. MUDAM-SE OS PARADIGMAS? 57

INTERVENÇÃO NA CRISE EM VÍTIMAS: A EXPERIÊNCIA DO GIAV 58

PROTOCOLO DE INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA NA VIOLÊNCIA FILIOPARENTAL (VFP), COM


ADOLESCENTES EM CONTEXTO INSTITUCIONAL 59

PAINEL VIII – CRIMES, DESVIO E GÉNERO 61


OS ÚLTIMOS 7.446.967 CRIMES EM PORTUGAL 63

MULHER E CRIME NA ATUAL SOCIEDADE BRASILEIRA 64

ASPETOS ESTÁTICOS Y DINÁMICOS DE LA ASUNCIÓN DE RESPONSABILIDAD POR PARTE DEL


AGRESOR DE VIOLENCIA DE GÉNERO 65

EFETOS DE LA ASUNCIÓN DE RESPONSABILIDAD POR PARTE DEL AGRESOR DE VIOLENCIA DE


GÉNERO DURANTE EL CUMPLIMIENTO DE LA PENA PRIVATIVA DE LIBERTAD 66

PAINEL IX – PERSPETIVA JUS-FAMILIAR EM SITUAÇÕES DE PERIGO 67


VIOLÊNCIA E TRANSGRESSÃO EM FAMÍLIAS DE RISCO PSICOSSOCIAL 69

A INTERGERACIONALIDADE DA VIOLÊNCIA: A REALIDADE NO NORTE E CENTRO DE PORTUGAL 70

A PARTICIPAÇÃO DA CRIANÇA ENQUANTO TESTEMUNHA DO CRIME DE VIOLÊNCIA DOMÉSTCICA 71

DISCURSOS SOCIAIS SOBRE O CRIME VIOLENTO: ESTUDO QUALITATIVO COM CASAIS 72

PAINEL X – SEGURANÇA E INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA 74


CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE: UMA ABORDAGEM DE CRIMINOLOGIA AMBIENTAL 76

ESTUDO DA RELAÇÃO O ENTRE O CRIME E FLORA URBANA NUMA METRÓPOLE PORTUGUESA 77


O REGISTO DE OFENSORES SEXUAIS: PERCEÇÕES E ATITUDES DOS/AS AGENTES DE AUTORIDADE
POLICIAL PORTUGUESA 78

REGISTO DE AGRESSORES SEXUAIS EM PORTUGAL: O «DIABO» ESTÁ NOS DETALHES 79

PAINEL XI – CONSUMOS E DELINQUÊNCIAS 80


CRIME, VIOLÊNCIA E INSEGURANÇA NA POPULAÇÃO JOVEM E SÉNIOR. UM ESTUDO
EXPLORATÓRIO NO CONCELHO DE CABECEIRAS DE BASTO 82

SATISFAÇÃO ESCOLAR E PREVALÊNCIA DO CONSUMO DE DROGAS NUMA AMOSTRA DE JOVENS


ESTUDANTES DAS ESCOLAS PROFISSIONAIS NA ÁREA DO GRANDE PORTO 83

INQUÉRITO DE VITIMAÇÃO SOBRE DEPENDENTES DE DROGAS – APRESENTAÇÃO DE UM


QUESTIONÁRIO 84

PAINEL XII – PSICOPATOLOGIA E CRIME 86


O HOMICIDA INTRAFAMILIAR PORTUGUÊS: MODELO DE ANÁLISE 88

PADRÕES DE VINCULAÇÃO E TRAÇOS DE PSICOPATIA NA ADOLESCÊNCIA: UMA QUESTÃO EM


ABERTO 89

PSICOPATIA E RECONHECIMENTO EMOCIONAL PROSÓDICO EM INDIVÍDUOS NÃO CRIMINOSOS 90

AJUSTAMENTO PSICOLÓGICO DE AGRESSORES SEXUAIS CONDENADOS (PSYCHOLOGICAL


ADJUSTMENT OF CONVICTED SEXUAL OFFENDERS) 91

RESUMOS POSTERS 92

A PERCEÇÃO SOCIAL DA VIOLÊNCIA INTERPARENTAL 94

AMBIENTES FAMILIARES VIOLENTOS NO RELATO DE JOVENS 95

AS CONSEQUÊNCIAS DA EXPOSIÇÃO DA CRIANÇA À VIOLÊNCIA INTERPARENTAL: ANÁLISE DE


PERCEÇÕES 96

ATITUDES DOS AGENTES DE SEGURANÇA PÚBLICA SOBRE O CRIME NO FEMININO 97

CRENÇAS SOBRE A VIOLÊNCIA INTERPESSOAL: A PERSPETIVA DOS JOVENS PORTUGUESES 98

ESTUDO COMPARATIVO DAS COMPETÊNCIAS EMOCIONAIS EM MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA


CONJUGAL E MULHERES NÃO-VÍTIMAS 99

INVESTIGAÇÃO E AÇÃO PENAL: ANÁLISE DOCUMENTAL A PROCESSOS-CRIME POR VIOLÊNCIA


DOMÉSTICA 100

PRÁTICAS DE INTERVENÇÃO DOS TÉCNICOS JUNTO DE CRIANÇAS EXPOSTAS À VIOLÊNCIA


DOMÉSTICA EM CASAS DE ABRIGO 101

PRINCÍPIOS NEO-HUMANISTAS NA PRÁTICA INTERVENTIVA COM VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA


DOMÉSTICA 102

REPRESENTAÇÕES DE CRIANÇAS E MÃES SOBRE A VITIMAÇÃO INDIRETA DOS FILHOS 103

STALKING NUM CONTEXTO PORTUGUÊS: NECESSIDADE DE UMA LEGISLAÇÃO ANTI-STALKING 104


TIPOLOGIAS DE AGRESSÃO E DINÂMICAS NA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM AUTOS POLICIAIS 105

TRATAMENTO PELOS MEDIA DO TEMA DA EXPOSIÇÃO DE CRIANÇAS À VIOLÊNCIA


INTERPARENTAL 106

VALAS COMUNS 107

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: CRITÉRIOS PARA A TOMADA DE DECISÃO JUDICIAL 108

VIVÊNCIAS ÍNTIMAS JUVENIS: A PROPÓSITO DA VIOLÊNCIA 109

PREVALÊNCIA DE VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES IMIGRANTES: REVISÃO SISTEMÁTICA DA


LITERATURA 110

CRIME ORGANIZADO EM PORTUGAL (COP) – QUESTIONÁRIO 111

ALPHONSE BERTILLON E A IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL 112

LOFOSCOPIA EM INVESTIGAÇÃO CRIMINAL 113

MARCAS DE MORDIDA E ESTIMATIVA DA IDADE. A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO 114

DACTILOSCOPIA, IDENTIFICAÇÃO PELA IMPRESSÃO DIGITAL 115

FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO EM JOVENS A CUMPRIR MEDIDAS TUTELARES EDUCATIVAS NA


COMUNIDADE 116

O BIOGRAMA COMO MÉTODO BIOGRÁFICO – INTERVENÇÃO EM POPULAÇÕES DELINQUENTES:


ESTUDO DE CASO 117

PROBLEMÁTICAS SOCIAIS VS CRIME 118

AGRESSÃO SEXUAL NA PRISÃO: DA VITIMAÇÃO À INTERVENÇÃO 119

AGRESSORES CONJUGAIS E OS SEUS FILHOS: IMPACTO NA RELAÇÃO PATERNO-FILIAL 120

MEDIAÇÃO PENAL E JUSTIÇA RESTAURATIVA 121

MOBBING - ASSÉDIO NO TRABALHO: PROPOSTA DE UM PLANO DE INTERVENÇÃO 122

A LIBERDADE VIGIADA DO JOVEM DELINQUENTE NO PROCESSO DE MONITORIZAÇÃO (FOLLOW-


UP) PÓS-INTERNAMENTO 123

AVALIAÇÃO DE RISCO EM OFENSORES SEXUAIS 124

AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA FORENSE DE CRIANÇAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA INTERPARENTAL 125

EMPATIA E COMPORTAMENTO CRIMINAL 126

NÍVEL DE RISCO E DE PROTEÇÃO E REINCIDÊNCIA NUMA POPULAÇÃO FORENSE 127

IMPULSIVIDADE, PERCEÇÃO DAS PRÁTICAS EDUCATIVAS PARENTAIS, COMPORTAMENTOS


ANTISSOCIAIS E DELINQUENTES EM ADOLESCENTES: UMA AMOSTRA EM CONTEXTO ESCOLAR 128

CONFLITO INTERPARENTAL E TOMADA DE DECISÃO JUDICIAL NO EXERCÍCIO CONJUNTO DAS


RESPONSABILIDADES PARENTAIS 129

CRIANÇAS EM RISCO VERSUS CRIANÇAS EM PERIGO 130

JUSTIÇA E PROTEÇÃO DA CRIANÇA EXPOSTA À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 131


O USO DE MEDIAÇÃO EM CASOS DE ALIENAÇÃO PARENTAL 132

AVALIAÇÃO AO CONTEXTO ESCOLAR: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO 133

AVALIAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE BULLYING – QUESTIONÁRIO DIRIGIDO A PROFESSORES E A


AGENTES OPERACIONAIS 134

BULLYING – UM FENÓMENO EM ASCENSÃO NAS ESCOLAS PORTUGUESAS 135

COMUNIDADES MULTIPROBLEMÁTICAS - AVALIAÇÃO DE NECESSIDADES 136

CONSUMO E TRÁFICO DE DROGAS ENTRE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS 137

CRIMES CONTRA ANIMAIS: O PONTO DE VISTA DA CRIMINOLOGIA 138

PROGRAMA INTEGRADO DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO: A PERSPETIVA DOS PROFESSORES 139

PROPOSTA DE UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA A IMPLEMENTAR NUMA


COMUNIDADE DA REGIÃO DO PORTO 140

QUESTIONÁRIO DA PERCEÇÃO DE AGRESSÃO ENTRE PARES (QPAP) – DIRIGIDO A


ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO 141

QUESTÕES ASSOCIADAS À (IN)SEGURANÇA NAS ESCOLAS 142

A INTELIGÊNCIA E O COMPORTAMENTO CRIMINAL 143

ABUSO SEXUAL FACILITADO POR DROGAS: UMA PROPOSTA DE MONITORIZAÇÃO 144

CONSUMO ALCOÓLICO PROBLEMÁTICO: ALTERAÇÕES CEREBRAIS E VIOLÊNCIA 145

CONSUMO ALCOÓLICO, PERSONALIDADE E PRÁTICAS VIOLENTAS 146

HISTÓRIAS DE DROGA E DELITO – TRAJETÓRIAS DE CONSUMIDORES DE DROGAS COM PRÁTICAS


DELITUOSAS 147

PERCURSOS DESENVOLVIMENTAIS DE MULHERES DEPENDENTES DE DROGAS 148

A CASTRAÇÃO QUÍMICA OS EFEITOS PSICOLÓGICOS DO TRATAMENTO NOS ABUSADORES


SEXUAIS 149
RESUMOS
COMUNICAÇÕES ORAIS
PAINEL I – VIOLÊNCIA ESTRUTURAL
E VÍTIMAS DE CRIMES
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA (VD): REALISMO E PATERNALISMO NA
LEGISLAÇÃO PORTUGUESA
Sara Moreira (saramoreira@isbb.pt) &
Sónia Preto (soniapreto@fbb.pt)
Instituto Superior Bissaya Barreto

RESUMO
Introdução: O legislador laboral português consagra, desde 2009, a possibilidade de
transferir do local de trabalho o trabalhador vítima de VD, o que surge na sequência da
consagração específica do tipo “violência doméstica” e da aprovação de medidas de
proteção às respetivas vítimas, promovendo-se o alargamento da proteção destas, através
de responsabilidade criminal e/ou civil do agressor, bem como da responsabilidade do
empregador (terceiro) que se encontra legalmente obrigado a transferi-la de local de
trabalho, afastando-a, assim, do epicentro tendencial das agressões neste tipo de crime: o
domicílio da vítima. Apesar desta opção legislativa configurar um direito do trabalhador,
certo é que o legislador impôs a verificação de determinados requisitos diretos e indiretos.
Quanto aos diretos, a lei exige a apresentação da queixa-crime e a saída da casa de morada
de família no momento em que se efective a transferência. Indiretamente, é necessário
que o empregador tenha outro estabelecimento para onde possa, com efectividade,
transferir o trabalhador. Método: Recensão da literatura e análise das fontes de direito
penal e laboral. Resultados: O legislador, colhendo da realidade social dados empíricos
sobre a evolução da criminalidade, recorre a outros ramos do direito (neste caso o direito
do trabalho) como hipotética garantia de efectividade das suas medidas de política
legislativa. Conclusões: Sem prescindir da discussão sobre o mérito da opção legislativa,
será que o objetivo preconizado pelo legislador terá o impacto (prevenção geral e
especial) e os resultados a que se propôs? É a pergunta que nos desafiamos responder
com o presente trabalho, confrontando, a realidade social e jurídica portuguesa com os
dados estatísticos disponíveis sobre violência doméstica.Terá o legislador português sido
realista ou, antes, paternalista?

PALAVRAS-CHAVE: Violência doméstica; Transferência do Local de trabalho;


Agressor/Vítima; Empregador/Trabalhador.
VITIMAÇÃO MÚLTIPLA DE MULHERES SOCIALMENTE EXCLUÍDAS:
DESAFIOS E ESPECIFICIDADES NA INTERVENÇÃO
Sónia Caridade* (soniac@ufp.edu.pt)
Rita Conde** (ritacondedias@gmail.com),
Mariana Gonçalves (marianadelaide@gmail.com) ** &
Marlene Matos** (mmatos@psi.uminho.pt)
* Faculdades de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa
**Escola de Psicologia, Universidade do Minho

RESUMO
A investigação sobre a violência contra as mulheres têm vindo a aumentar de forma
exponencial, sobretudo no que diz respeito à descrição da prevalência, das dinâmicas e
impacto deste tipo de abuso. Tal possibilitou a emergência de inúmeras respostas
interventivas, embora essencialmente centradas numa forma particular e individual de
vitimação – violência doméstica perpetrada contra a mulher. Nesta comunicação oral,
propomo-nos chamar a atenção para o fenómeno da vitimação múltipla de mulheres
socialmente excluídas, procedendo a uma breve revisão da investigação neste âmbito (em
termos da prevalência, caracterização, dinâmicas e impacto do fenómeno) e destacar a
necessidade de emergirem respostas de intervenção específicas para vítimas que
acumulam a experiência de vários tipos/formas de violência. Tendo por base a evidência
científica e, principalmente, os resultados do projeto desenvolvido com mulheres vítimas
de vitimação múltipla, pela Universidade do Minho, procuraremos analisar e discutir os
principais desafios e especificidades inerentes à avaliação e intervenção com este tipo de
vítimas.

PALAVRAS-CHAVE: Vitimação Múltipla; Intervenção; Desafios; Especificidades.

14
PROGRAMA “UMA NOVA EMOÇÃO” – TERAPIA FOCADA NAS EMOÇÕES
PARA VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA CONJUGAL
João Leal (16977@ufp.edu.pt) &
Sónia Caridade (soniac@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A terapia focada nas emoções (TFE) é um modelo de intervenção em psicoterapia baseado
em evidência que promove a inteligência emocional do cliente através do processamento
emocional e narrativo. O seu êxito tem sido comprovado no tratamento da depressão e do
trauma complexo, inclusive, num recente ensaio clínico aleatório a TFE demonstrou ser
mais eficaz na redução de problemáticas interpessoais do que a terapia centrada no cliente
e a terapia cognitivo-comportamental, potenciadora de maior mudança sintomática do
que a terapia centrada no cliente e extremamente eficaz na prevenção de recaída. Uma
vez que a literatura destaca o impacto pernicioso do abuso nas relações íntimas, afetando
as competências emocionais das vítimas, com este trabalho, em formato de comunicação
livre, propomos dar a conhecer um programa de intervenção alicerçado na TFE para
mulheres em situação de vitimação conjugal cujos objetivos centrais são
promover/facilitar: a) a consciencialização e contextualização das emoções, b) a
simbolização das emoções, c) a articulação narrativa-emocional, d) a transformação
emocional e a emergência de novas narrativas, e e) a reconstrução identitária. Pretende-
se com esta proposta, contribuir para a ampliação de respostas terapêuticas ao fenómeno
de vitimação nas relações conjugais e para o aumento da flexibilidade na adaptação de
procedimentos às necessidades individuais das vítimas potenciando-se assim a eficácia
interventiva.

PALAVRAS-CHAVE: Violência doméstica; Terapia focada nas emoções;


Competências Emocionais; Intervenção com Vítimas.

15
VIOLÊNCIA ENTRE CASAIS DO MESMO SEXO: UM ESTUDO
EXPLORATÓRIO
Isabel Dias (mdias@letras.up.pt)
Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Departamento de Sociologia

RESUMO
Na presente comunicação pretende-se apresentar os resultados de uma revisão sistemática
dos estudos relacionados com a problemática da violência entre casais do mesmo sexo.
Para o efeito, foi realizada uma pesquisa em algumas das maiores bases de dados
eletrónicas usadas no campo das Ciências Sociais e Humanas e no das Ciências Médicas
a partir de diferentes conceitos utilizados no âmbito da investigação sobre esta forma de
violência. Assim, nesta comunicação dá-se conta, por um lado, da evolução deste campo
de pesquisa no âmbito da problemática mais lata que é a da violência doméstica; por
outro, fornece-se alguma informação comparativa acerca da incidência deste fenómeno
nos diferentes países europeus.

16
VIOLENCIA DE GÉNERO EN ESPAÑA: ESTUDIO CRIMINOLÓGICO
Natalia Pérez Rivas (natalia.perez@rai.usc.es)
Gumersindo Guinarte Cabada (gumersindo.guinarte@usc.es)
Fernando Vázquez-Portomeñe Seijas (fernando.portomene@usc.es)
Instituto de Criminología
Universidad de Santiago de Compostela

RESUMO
Introducción: El propósito de este trabajo es analizar algunos aspectos jurídico-penales y
criminológicos de los delitos de violencia de género. En concreto, nos centraremos en los
factores predictivos de la violencia (antecedentes violentos del autor, adicciones,
comportamientos violentos sobre los hijos), el sentido del fallo, la tipología delictiva y
las circunstancias y el contexto que rodea al delito. Método: Para la elaboración del
estudio hemos analizado los expedientes de la Fiscalía de Área de Santiago de
Compostela relativos a delitos de violencia contra la mujer. Un total de 419 expedientes
correspondientes a los años 2007 a 2011 se incluyeron en la investigación. En una
primera fase se seleccionó y recogió la información relevante, que se volcó en un archivo
EXCEL. En un segundo momento tratamos estadísticamente, con software específico,
parte de los datos recabados. Resultados: La violencia contra la mujer registrada en los
expedientes analizados es de carácter medio/leve. No debe subestimarse, sin embargo, el
impacto de estos actos en la salud integral de las víctimas, habida cuenta del “efecto
acumulativo” que presentan en gran parte de los expedientes. Las consecuencias –
principalmente físicas- de la violencia no sólo recaen sobre las mujeres, sino también, en
un número relevante de casos, sobre los menores que convivían con ellas. Las agresiones
tuvieron lugar mayoritariamente en el domicilio familiar, siendo significativo, en todo
caso, el porcentaje de actos violentos perpetrados en espacios públicos. La adicción del
autor al alcohol y/o a las drogas ha jugado un papel significativo en la dinámica de muchas
de las agresiones. Conclusiones: Los resultados de nuestro estudio evidencian la
necesidad de profundizar en el estudio de la victimización –directa e indirecta- sufrida
por los menores en casos de violencia de género y de proceder, sobre esa base, a la
implementación de programas específicos de asistencia y protección.

PALABRAS CLAVE: Violencia de Género; Tipología Delictiva; Contexto Comisivo,


Menores.

17
VIOLENCIA DE GÉNERO Y VICTIMIZACIÓN SECUNDARIA
Fernando Vázquez-Portomeñe Seijas (fernando.portomene@usc.es)
Gumersindo Guinarte Cabada (gumersindo.guinarte@usc.es)
Natalia Pérez Rivas (natalia.perez@rai.usc.es)
Instituto de Criminología, Universidad de Santiago de Compostela

RESUMO
Objetivo: El objetivo principal de este poster es analizar los diferentes aspectos de la
persecución de los delitos de violencia de género. Como parte de esta tarea, hemos
examinado la actitud de las víctimas a la hora de interponer la correspondiente denuncia
y de testificar en el juicio oral así como la importancia de los documentos médicos en el
procesamiento de estas agresiones. Método: Para la elaboración del estudio hemos
analizado los expedientes de la Fiscalía de Área de Santiago de Compostela relativos a
delitos de violencia contra la mujer. Un total de 419 expedientes correspondientes a los
años 2007 a 2011 se incluyeron en la investigación. En una primera fase se seleccionó y
recogió la información relevante, que se volcó en un archivo EXCEL. En un segundo
momento tratamos estadísticamente, con software específico, una parte de los datos
recabados. Resultados: Aunque la mayoría de los casos analizados finalizaron con una
sentencia condenatoria, el número de aquellos que resulto absolutoria fue considerable.
El testimonio de la víctima se revela como una de las más fuertes pruebas de la violencia
sufrida, no obstante, su decisión final sobre si testificar o no se haya influenciada por una
serie de factores que hemos identificado y analizado en nuestro estudio. Asimismo, se ha
prestado a los problemas de diversa índole ocasionados por el ejercicio del derecho de la
víctima a no declarar. Conclusiones: Factores personales y socio-culturales son los que
parecen hallarse detrás de la negativa de la víctima y su entorno familiar a colaborar con
el sistema penal en los casos de violencia de género. En este sentido, creemos que
deberían intensificarse las estrategias de apoyo e intervención en el colectivo de víctimas
que han decidido interponer denuncia.

PALABRAS CLAVE: Violencia de Género; Víctimas; Persecución Penal; Denuncia.

18
PAINEL II - INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
E REALIZAÇÃO DA JUSTIÇA
ANÁLISE DA COMPREENSÃO DAS CRIANÇAS DA TERMINOLOGIA
LEGAL E DOS PROCESSOS JUDICIAIS
Joana Morais (joanamorais@ufp.edu.pt)
Ana Sacau (pssacau@ufp.edu.pt)
Gloria Jólluskin (gloria@ufp.edu.pt)
Teresa Toldy (toldy@ufp.edu.pt)
Ana Oliveira (anaoliveira@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
Esta comunicação tem por objetivo apresentar o projeto de investigação intitulado “As
crianças e a justiça: análise da compreensão das crianças da terminologia legal e os
processos judiciais”, financiado pela FCT (PTDC/MHC-PAP/3646/2012) e por fundos
europeus através do programa COMPETE. O objetivo primordial deste projeto é
identificar a terminologia legal que é utilizada pelos magistrados quando entrevistam
crianças, e verificar a compreensão que as crianças de diferentes idades têm desses
termos. Pretende-se ainda criar uma ferramenta que possibilite aos juízes conhecer, quer
os termos legais que não são compreensíveis, quer as alternativas para os mesmos. O
projecto está dividido em três fases. Na primeira fase, através do método qualitativo,
realizar-se-á a transcrição de depoimentos de crianças e a identificação dos termos legais
utilizados pelos juízes. Na segunda fase, através de uma metodologia mista, serão
efetuadas entrevistas a crianças escolarizadas, e ter-se-á em conta o nível de
desenvolvimento linguístico e variáveis sociodemográficas. Por fim, na terceira fase, a
metodologia utilizada será quase-experimental com grupos independentes, em que o nível
de compreensão é a variável dependente e o tipo de linguagem é a variável independente.
Prevê-se que os resultados sejam concordantes com os estudos anteriores, que mostram
que o conhecimento que as crianças têm da terminologia legal varia em função da idade,
sendo que as crianças com idade inferior aos doze anos não compreendem a terminologia
legal comummente utilizada em tribunal. Desta forma, mostra-se pertinente a adaptação
da linguagem à idade e ao nível de compreensão das crianças, no sentido de promover
uma justiça mais amiga das crianças.

PALAVRAS-CHAVE: Crianças; Terminologia Legal; Justiça; Compreensão.

21
ANÁLISE DE DEPOIMENTOS DE CRIANÇAS EM TRIBUNAL: ALGUNS
DADOS PRELIMINARES
Ana Oliveira (anaoliveira@ufp.edu.pt)
Ana Sacau (pssacau@ufp.edu.pt)
Gloria Jólluskin (gloria@ufp.edu.pt)
Teresa Toldy (toldy@ufp.edu.pt)
Joana Morais (joanamorais@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A presente comunicação tem como objetivo apresentar alguns dados preliminares da
primeira fase do projeto intitulado “As crianças e a justiça: análise da compreensão das
crianças da terminologia legal e os processos judiciais”, financiado pela FCT
(PTDC/MHC-PAP/3646/2012) e por fundos europeus através do programa COMPETE.
O objetivo deste projeto é identificar a terminologia legal que é utilizada pelos
magistrados quando entrevistam crianças. A metodologia utilizada na primeira fase do
projeto consistiu na audição, transcrição e análise de 33 declarações prestadas por
crianças no âmbito de processos judiciais. A análise do conteúdo das entrevistas permitiu
verificar a utilização de diversos conceitos legais. Alguns destes conceitos identificados
assemelham-se àqueles que têm sido referidos noutros estudos, como é o caso de
“tribunal”, “verdade” e “testemunha”. No entanto, foram identificados outros termos
menos frequentes, como sendo “suspensão provisória do processo”, “Ministério Público”
e “declarações para memória futura”. Além do uso de terminologia pouco adaptada às
crianças, a análise preliminar dos dados permitiu ainda observar alguns procedimentos de
entrevista inapropriados, como entrevistas demasiado longas e a utilização de questões
sugestivas, múltiplas e negativas.

PALAVRAS-CHAVE: Declarações; Terminologia; Justiça; Crianças.

22
CONSTRUÇÃO DE PROCEDIMENTOS PARA A ANÁLISE DO
COMPORTAMENTO VERBAL E NÃO-VERBAL NA SIMULAÇÃO
Luísa Coelho (luisaalcobiacoelho@gmail.com)
Loes Nooren (l.nooren@gmail.com) &
Rui Paixão (rpaixao@fpce.uc.pt)
Departamento de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade de Coimbra

RESUMO
Introdução: A deteção da mentira ou engano intencional através da análise do
comportamento é um método clássico que evoca múltiplos indicadores e critérios, de
consistência variável. A grelha de Análise de Validação das Declarações (SVA) e o
método da Monitorização da Realidade (RM) são exceções a esta linha mas não incluem
os aspetos não-verbais do comportamento. Método: Em linha com estas metodologias,
assentes no pressuposto de Johnson e Raye (1981) de que as memórias relacionadas com
experiências reais contêm mais informação percetiva, afetiva e contextual, visámos neste
estudo criar um método próprio de validação de depoimentos que incluísse aspetos não-
verbais. Para tal, pedimos a 10 candidatos a uma “vaga de emprego” fictícia para
participarem numa entrevista de seleção, em que alguns foram instruídos a fornecer
informação verdadeira e outros a simular livremente aspetos pessoais de modo a causar a
melhor impressão possível. Todas as entrevistas foram gravadas em formato vídeo HD,
focando a face e o tronco dos participantes. Estes vídeos foram analisados com recurso a
uma grelha construída para o efeito, contendo uma seleção cuidada dos principais
indicadores verbais e não-verbais referidos na literatura (DePaulo et al., 2003; Vrij, 2008).
Resultados: Os critérios do procedimento utilizado revelam uma maior disparidade
comportamental nos simuladores, com “picos” de indicadores em perguntas significativas
para o sucesso da entrevista. Neste caso, a presença de indicadores verbais parece
particularmente associada à fabricação, enquanto os lapsos na fala, como “ah” ou “hum”,
foram relativamente comuns entre os dois grupos, concordante com a noção de que a
maioria das mensagens transmitidas entre pessoas ocorre ao nível não-verbal.
Conclusões: A performance dos simuladores é mais instável e apresenta uma curva de
aprendizagem positiva, sugerindo uma boa adaptação à tarefa.

PALAVRAS-CHAVE: Validação de Depoimentos; Indicadores Verbais e Não-Verbais;


Procedimentos de Validação; Simulação.

23
PAINEL III – EVIDÊNCIA CIENTÍFICA
E PROVA FORENSE
POLÍCIA CIENTÍFICA - DO PROBLEMA À POSSÍVEL SOLUÇÃO
Carlos Farinha (carlos.farinha@pj.pt)
Diretor da Polícia Científica

RESUMO
Nesta comunicação serão analisados os seguintes aspetos: conceitos de ciência forense e
de polícia científica; Importância da custódia da prova, da problemática das
contaminações e da segurança; Valor intrínseco dos vestígios e a contextualização dos
resultados; A realidade portuguesa e os padrões internacionais E.N.F.S.I, proficiência,
Interpol, Bases de Dados; O efeito CSI, expetativas e limites; Novos desafios – O
Objetivo Europeu 2020.

PALAVRAS-CHAVE: Polícia Cientifica; Prova; Vestígios; Segurança.

27
O JOGO ESTRATÉGICO DO GATO E DO RATO: COMO EVITAR DEIXAR
PISTAS NA CENA DO CRIME
Diana Miranda (dianam@ics.uminho.pt) &
Helena Machado (hmachado@ics.uminho.pt)
Centro de Investigação em Ciências Sociais, Universidade do Minho

RESUMO
A presença de vestígios físicos ou biológicos numa cena de crime permite, através de
tecnologias de identificação forense, averiguar a presença de determinado indivíduo nesse
local. Assim, além do corpo se apresentar como uma ferramenta e um recurso na execução
do crime, assume-se também como um fator de risco no que toca ao evitar ser identificado
pela prática do crime. Nesta comunicação pretende-se explorar, do ponto de vista
sociológico, os significados e as atribuições de sentido de indivíduos condenados por
crime e de inspetores da Polícia Judiciária em relação às estratégias utilizadas pelos
criminosos com vista a evitar deixar vestígios nas cenas de crime. Recorrendo a uma
perspetiva teórico-metodológica do tipo interpretativo e qualitativo e a um conjunto de
entrevistas semiestruturadas, procuraremos compreender as narrativas destes atores,
analisando as suas representações em relação ao uso de tecnologias de identificação
individual na investigação criminal e refletindo sobre a gestão do risco e as técnicas de
controlo corporal, perscrutando a ideia do criminoso enquanto perito a evitar deixar
vestígios nas cenas de crime. No discurso dos inspetores e reclusos entrevistados é
evidenciada a construção de uma hierarquia de criminosos. Os criminosos “profissionais”
e de “carreira” diferenciam-se daqueles que se distanciam do ‘mundo criminal’ e que
desvalorizam o conhecimento relativo às cenas de crime. A peritagem no controlo da cena
do crime e a cautela em evitar deixar vestígios (consciência forense - ‘forensic
awareness’), associa-se, assim, a um discurso em torno do profissionalismo do criminoso.
Na investigação criminal é desempenhado um jogo por inspetores e criminosos
“profissionais”, sendo as estratégias e aprendizagens destes últimos percepcionadas pelos
inspetores como um desafio e obstáculo ao seu trabalho. Ainda assim, os reclusos revelam
como é difícil controlar e gerir os riscos, sendo sempre impossível evitar deixar pistas.

PALAVRAS-CHAVE: Criminosos; Consciência Forense; Investigação Criminal;


Vestígios.

28
QUEILOSCOPIA: RELEVÂNCIA PARA A INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
Susana Braga (susanacarvalhobraga@gmail.com)* &
Inês Morais Caldas (icaldas@fmd.up.pt)**,***
*Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto
**
Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto
***
CENCIFOR – Centro de Ciências Forenses

RESUMO
Introdução: No decorrer de uma investigação criminal, o processo de identificação
humana reveste-se de particular importância quer na resolução da identificação das
vítimas, quer na pretensão de investigar a presença de um indivíduo numa cena de
crime.A queiloscopia, especialidade da Medicina Dentária Forense que se dedica ao
estudo, ao registo e à classificação dos sulcos labiais com valor na identificação humana,
é um importante meio de prova forense com aplicabilidade em alguns sistemas jurídicos.
O objetivo deste trabalho é apresentar uma revisão bibliográfica atualizada sobre a
queiloscopia enquanto método auxiliar na identificação humana com objetivos forenses.
Método: Pesquisa bibliográfica com recurso a bases de dados científicos - Pubmed,
Scopus, Web of Science e B-on – complementada com livros subordinados ao tema.
Resultados: As impressões labiais, à semelhança das impressões digitais, reúnem
caraterísticas que as tornam uma metodologia médico-legal credível: unicidade,
perenidade, imutabilidade, praticabilidade e classificabilidade. Assim, esta técnica tem
sido descrita como detentora de grande utilidade em contextos forenses, relacionando o
indivíduo com determinado local e/ ou objeto. Adicionalmente, investigações recentes
têm vindo a revelar que a queiloscopia, para além da sua valência na identificação por
técnicas comparativas, pode igualmente revelar-se de extrema utilidade na reconstrução
da identidade. Efetivamente, estudos recentes apontam para a possibilidade de se
determinar o sexo, a afinidade populacional e mesmo alguns estados patológicos a partir
do estudo das impressões labiais. A técnica de manipulação, a fotodocumentação, os
produtos de revelação, complementados com o estudo médico-legal com recurso a
sistemas de classificação são passos importantes na atividade pericial que envolve este
tipo de evidência. Conclusões: Embora a dactiloscopia seja de uso mais sistematizado, a
queiloscopia é uma importante técnica forense com aplicação no âmbito da Criminalística
Biológica pois dadas as caraterísticas biológicas e técnicas que reúne permite estabelecer
a identidade de um criminoso.

29
PALAVRAS-CHAVE: Criminologia; Medicina Dentária Forense; Identificação
Humana; Queiloscopia.

30
PENSAR DIREITO SOBRE PSICOLOGIA: A INTEGRAÇÃO DO PSICÓLOGO
FORENSE NO DIAP DE LISBOA
Ricardo Ventura Baúto (ricardobauto@gmail.com)
Ana Lopes, Andreia Neves, Bárbara Fernandes,
Hugo Domingues, Mariana Saramago & Iris Almeida
Gabinete de Informação e Atendimento à Vítima – Espaço Cidadania e Justiça
Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa

RESUMO
O papel da Psicologia no Sistema de Justiça, tem vindo a ganhar projeção nas últimas
décadas, surgindo da articulação entre as duas áreas de saber e permitindo que a
Psicologia Forense se desenvolvesse com abrangência suficiente para permitir a sua
especialização enquanto área de saber científico (Gonçalves 2010; Matos, Gonçalves, &
Machado, 2011). Ao nível da fase pré-sentencial, tem vindo a demonstrar-se um recurso
técnico essencial, capaz de auxiliar nos processos de intervenção associados a vítimas,
agressores, magistrados ou demais funcionários judiciais (Gonçalves, 2010). A evolução
da Legislação Penal e Processual Penal permitiu acentuar o papel desta área como uma
mais-valia em diferentes domínios da decisão judicial (Castro, Martins, Machado, &
Gonçalves, 2006; Machado, 2008) sendo que os relatórios periciais elaborados por
psicólogos forenses são na sua maioria aceites pelos magistrados (Gonçalves, 2010),
muitas vezes sustentando a argumentação para aplicação de medidas de coação e/ou de
penas. O Gabinete de Informação e Atendimento à Vítima (GIAV) do DIAP de Lisboa,
inaugurado em 2011, apresenta-se como um caso singular de articulação e integração de
uma unidade de psicologia numa secção do Ministério Público, semiespecializada na
investigação do crime de violência doméstica na área metropolitana de Lisboa. Até
Fevereiro de 2014 foram realizadas 116 avaliações psicológicas forenses (incluindo
avaliação de risco de violência conjugal, maus-tratos e negligência de menores e idosos
e tráfico de seres humanos). É ainda prestado apoio ao nível da intervenção com vítimas
em situação de crise (N=36). Esta comunicação pretende fazer uma reflexão crítica da
relevância da pluralidade de competências especializadas nestes contextos, objetivando
com recurso às estatísticas de funcionamento do GIAV, o impacto significativo oferecido
ao aparelho de justiça e à comunidade, procurando estabelecer o paralelo com a
importância da integração da psicologia forense no sistema judicial e desafios futuros.
PALAVRAS-CHAVE: Psicologia; Direito; Integração; Especialização.

31
AS REPRESENTAÇÕES DOS MAGISTRADOS ACERCA DA AVALIAÇÃO
PSICOLÓGICA FORENSE NA REGULAÇÃO DAS RESPONSABILIDADES
PARENTAIS
Maria Luís Machado (5192@ufp.edu.pt) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A investigação na área sugere que tem vindo a aumentar o número de solicitações por
parte das entidades judiciais de pareceres psicológicos forenses relativos a questões que
se prendem com o exercício da parentalidade no contexto da regulação das
responsabilidades parentais. O estudo que apresentamos teve como objetivo entender o
que é esperado por parte dos magistrados da perícia psicológica forense no âmbito do
divórcio e da regulação das responsabilidades parentais. A amostra de conveniência
incluiu cinco magistrados (4 Juízes e 1 Procurador do Ministério Público) com vasta
experiência em processos de regulação das responsabilidades parentais no contexto do
divórcio. Recolhidos os principais dados sociodemográficos dos participantes foi
realizada uma entrevista semiestruturada com cada um, a qual foi gravada em suporte
áudio para posterior análise categorial. Os dados recolhidos permitiram-nos concluir que
os fundamentos para a solicitação da perícia psicológica forense se prendem com questões
relacionadas com os contatos da criança com os progenitores, a guarda e o exercício das
responsabilidades parentais e a recusa da criança em estar com um dos progenitores. Um
dos aspetos mais valorizados na perícia é a fundamentação, a existência de elementos que
permitam obter uma resposta adequada para uma situação concreta, bem como a inclusão
de recomendações. Segundo os magistrados a avaliação deve pautar-se pelo princípio da
intervenção mínima, devendo limitar-se a intromissão na intimidade dos avaliados apenas
ao estritamente necessário e relevante para o exercício da parentalidade.

PALAVRAS-CHAVE: Divórcio; Responsabilidades Parentais; Avaliação Psicológica


Forense; Decisão Judicial.

32
É POSSÍVEL OBTER UM BOM TESTEMUNHO? ESTUDO SOBRE A
EFICÁCIA DA ENTREVISTA COGNITIVA COM UMA AMOSTRA
PORTUGUESA
Rui M. Paulo (id4299@alunos.uminho.pt)*
Pedro B. Albuquerque (pedro.b.albuquerque@psi.uminho.pt)*
Ray Bull (rhb10@leicester.ac.uk)**
*Escola de Psicologia, Universidade do Minho)
**University of Leicester e University of Portsmouth)

RESUMO

A Entrevista Cognitiva Melhorada é uma das técnicas mais utilizadas para melhorar o
relato das testemunhas e tem mostrado ser eficaz em diferentes países (e.g., EUA, UK,
Alemanha), tipos de testemunhas (e.g., crianças, adultos e idosos), tipos de episódios a
recordar (e.g., crimes, acidentes ou chamadas telefónicas) e intervalos de retenção entre
o evento a recordar e a entrevista (desde minutos até vários dias), tanto em laboratório
como em estudos de campo. O nosso estudo procurou testar a eficácia desta entrevista
com população portuguesa, comparando-a com uma entrevista estruturada. Analisámos
ainda um conjunto de variáveis importantes como a eficácia individual de cada uma das
tarefas de recuperação, ou mnemónicas, que compõem ambas as entrevistas; a relação
entre o desempenho dos participantes em testes de memória e o seu relato; a influência
das percepções de motivação das testemunhas e de empenho do entrevistador em diversas
variáveis; ou ainda a capacidade das testemunhas em prever e avaliar o seu desempenho
na entrevista. Os resultados sugerem, entre outros aspectos importantes, que a Entrevista
Cognitiva Melhorada aumenta a quantidade de informação evocada sem comprometer a
exactidão do relato da testemunha; que uma percepção positiva das testemunhas em
relação ao empenho do entrevistador aumenta a motivação, empenho e interesse para
testemunhar; e que, embora a motivação das testemunhas influencie a qualidade do seu
relato, tanto as percepções dos participantes em relação ao seu desempenho, como os
resultados obtidos por estes em testes de memória, ou ainda a extensão dos seus relatos,
não predizem a exactidão dos mesmos. Estes resultados têm implicações importantes para
a prática forense e policial pois permitem retirar importantes conclusões acerca de quais
os procedimentos mais, e menos, eficazes na condução de entrevistas policiais e forenses.
PALAVRAS-CHAVE: Entrevista Cognitiva Melhorada; Entrevista de Testemunhas;
Entrevista Policial; Entrevista Forense.

33
PAINEL IV – PERCURSOS CRIMINAIS
DIFERENÇAS DE GÉNERO NO COMPORTAMENTO DE INCENDIARISMO:
PERFIS CRIMINAIS ASSOCIADOS AO ESTUDO COMPARATIVO ENTRE
UMA AMOSTRA PORTUGUESA DE MULHERES E HOMENS
INCENDIÁRIOS
Cristina Soeiro(cristina.soeiro@pj.pt) *,** & Raquel Guerra (raquel.guerra@pj.pt)*
*
Escola de Polícia Judiciária **Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz

RESUMO
A presente comunicação tem como objetivo apresentar uma breve caracterização das
variáveis que explicam o comportamento de incendiarismo e dos fatores que definem a
tipologia do comportamento criminal de incendio florestal, tendo presente as diferenças
entre mulheres e homens com comportamentos de incendiarismo, que cometeram o crime
em contexto rural. Foram analisadas as variáveis que definem este tipo de crime e que
englobam aspetos psicológicos, sociais e comportamentais, tendo por base a análise de
duas amostras de incendiários detidos pelos departamentos da polícia judiciária, entre
2000 e 2013: uma composta por 37 mulheres incendiárias e outra por 415 homens
incendiários. A recolha e análise de dados foram efetuadas a partir da utilização da técnica
forense dos perfis criminais, através do recurso a: 1. “Questionário para a Investigação
do Perfil do Incendiário – QIPI (Soeiro, 2002) - que permite registar informações sobre o
comportamento criminal, características do agressor, local incendiado e ainda sobre o tipo
de relação agressor – proprietário/vítima e ainda comportamento do agressor durante o
interrogatório policial; 2. procedimento estatístico de análise de correspondências
múltiplas (ACM) para identificar o número de perfis que caracterizam cada uma das
amostras de casos estudadas, com o objetivo de desenvolver uma tipologia explicativa do
fenómeno de incêndio florestal. Os dados obtidos permitem identificar, em termos de
caracterização do comportamento criminal, grandes diferenças entre as duas amostras
estudadas. Assim, enquanto a amostra de mulheres incendiárias integra uma tipologia
simples composta por um perfil criminal que pode ser definido como “Expressivo/Com
Histórica Clínica”, onde se identificam quadros depressivos bem definidos e problemas
de relacionais associados, no caso da amostra masculina esta reproduz uma tipologia mais
complexa, definida por três perfis criminais: (Instrumental Retaliatório),
(Expressivo/Com Histórica Clínica) e (instrumental/benefício).
PALAVRAS-CHAVE: Psicologia Forense; Perfis Criminais; Incendiarismo; Diferenças
de Género.

37
O CRIME DE INCÊNDIO EM CONTEXTO FLORESTAL: DOS PERFIS
CRIMINAIS ÀS ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E INTERVENÇÃO
Cristina Soeiro(cristina.soeiro@pj.pt) *,** & Raquel Guerra (raquel.guerra@pj.pt)*
*
Escola de Polícia Judiciária
**Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz

RESUMO
A presente comunicação tem como objetivo apresentar uma breve caracterização das
variáveis que explicam o comportamento de incendiarismo, em geral, e dos fatores que
definem a tipologia do comportamento criminal do incendiário florestal português, em
particular. A comunicação apresenta uma análise das variáveis psicológicas, sociais e
comportamentais que explicam o comportamento de incendiarismo, tendo por base a
análise de uma amostra de 452 incendiários detidos pelos departamentos da Polícia
Judiciária, entre 2000 e 2013. A recolha e análise de dados foi efetuada a partir da
utilização da técnica forense dos perfis criminais, através do recurso a: 1. “Questionário
para a investigação do perfil do incendiário – QIPI (Soeiro, 2002) - que permite registar
informações sobre o comportamento criminal, características do agressor, local
incendiado e ainda sobre o tipo de relação agressor – proprietário/vítima e ainda
comportamento do agressor durante o interrogatório policial; 2. Procedimento estatístico
de Análise de Correspondências Múltiplas (ACM) para identificar o número de perfis que
caracterizam a amostra de casos estudada, com o objetivo de desenvolver uma tipologia
explicativa do fenómeno de incêndio florestal. Os dados obtidos permitem identificar, em
termos de caracterização do comportamento criminal, as duas dimensões: características
do espaço incendiado e motivações associadas ao comportamento criminal. O estudo da
associação entre as duas dimensões obtidas permitem definir uma tipologia caracterizada
por três perfis criminais distintos com representatividade diferenciada face à explicação
do fenómeno criminal do incêndio florestal: os perfis 1 (Instrumental Retaliatório) e 3
(Expressivo/Com Histórica Clínica), que integram a maior parte dos casos da amostra
estudada, correspondendo respetivamente 43,0 % (n=161) e 55,3 % (n=207) dos casos
em estudo, e o perfil 2 (instrumental/benefício) com uma incidência de 1,6 %. São
identificados estratégias de prevenção e intervenção para cada um dos perfis criminais
identificados.

PALAVRAS-CHAVE: Psicologia Forense; Perfis Criminais; Incendiarismo;


Comportamento Criminal.

38
VIOLÊNCIA DAS CLAQUES
Manuel Gomes (manuelgomes77@gmail.com / 19481@ufp.edu.pt)
Faculdade das Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
Desde os anos 70, têm sido desenvolvidos vários estudos em diversas áreas do saber sobre
o fenómeno da violência entre adeptos nos jogos de futebol, mas poucos relacionam este
fenómeno com a Criminologia. A conduta desordeira e comportamento destrutivo
daqueles que assistem aos jogos de futebol, especialmente na Europa, tem vindo, nos
últimos 30 anos, a receber maior atenção da parte dos órgãos de comunicação social, e
por conseguinte, merecem uma especial atenção por parte da Criminologia. Após o
sucesso do Campeonato Europeu de Futebol realizado em 2004 em Portugal, o futebol
português passou a ter uma maior visibilidade, quer a nível interno, quer externo. Com a
construção de novos estádios, e o melhoramento de outros já existentes, assistiu-se nos
anos subsequentes ao aumento do número de adeptos que assistiam aos jogos de futebol.
Os elementos pertencentes aos Grupos Organizados de Adeptos (GOA), vulgo claques,
têm contribuído para este aumento de adeptos nos recintos desportivos, apoiando o seu
clube nos jogos fora e em casa. Apesar da crescente melhoria das condições de segurança
e de infraestruturas, continuam-se a verificar situações de violência tanto entre GOA,
como entre alguns elementos destes grupos e simpatizantes de clubes adversários.
Algumas pessoas consideram os elementos que fazem parte dos GOA como indivíduos
“selvagens” e sem capacidade de julgar o que está certo ou errado. Mas a verdade é que
alguns deles são pais de família, inseridos na sociedade, pertencentes à classe média /
alta, que confessam ver no futebol uma forma de “aliviar” o stress do dia-a-dia. O
Hooliganismo, no futebol, é considerado uma atividade criminal. É, no entanto, única,
tendo em consideração a sua natureza e a sua especificidade. Ocorre quase inteiramente
nas localidades e/ou nas proximidades dos estádios onde ocorrem os jogos de futebol. É
importante explorar a necessidade de explicações criminológicas para o comportamento
dos elementos que integram os grupos de adeptos, muitas vezes conotados como
hooligans, assim como tentar descrever e interpretar a violência observada no contexto
desportivo.

PALAVRAS-CHAVE: Futebol; Hooligan; Hooliganismo; Violência.

39
PAINEL V – PROTEÇÃO DOS
DIREITOS HUMANOS:
OFENSOR E VÍTIMA
DIREITOS ABUSADOS: REFLEXÃO SOCIOLÓGICA SOBRE O ABUSO
SEXUAL DE CRIANÇAS
Natália Fernandes (natfs@ie.uminho.pt)*
Catarina Tomás (ctomas@eselx.ipl.pt)**
*Instituto de Educação, Universidade do Minho
**Escola Superior de Educação de Lisboa e CICS, Universidade do Minho

RESUMO
O abuso sexual de crianças, não se tratando de um fenómeno novo, caracteriza-se, no
entanto, pela dificuldade e demora no reconhecimento social e científico, enquanto
problemática, sendo ainda mais recente a preocupação da investigação científica em
caraterizar e compreender o abuso sexual de crianças a partir das suas vozes. Os estudos
sociológicos sobre o abuso sexual têm sido escassos. Não obstante, o facto de se tratar de
um fenómeno complexo e multidimensional, onde se acumulam diversos fatores e
consequências, potencia ainda mais a urgência para se reconhecer e estudar
sociologicamente o fenómeno, de forma a permitir uma intervenção política e social mais
adequada e eficaz. Esta comunicação desdobra-se ao longo de três dimensões de análise.
Em primeiro lugar, olhar o abuso sexual de crianças a partir do enfoque dos direitos da
criança, explicitando os esforços que têm vindo a ser desenvolvidos para proteger os
direitos das crianças. Segue-se a análise dos dados públicos sobre o abuso sexual de
crianças produzidos por três organismos: o Ministério de Administração Interna (MAI),
a Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR) e a
Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). Por fim, convocam-se as vozes de
crianças sobre o fenómeno, no sentido de atribuir à análise desta problemática uma
tessitura mais densa, reveladora daquelas que são as suas complexidades, o que na nossa
opinião, contribui com novos olhares sobre uma velha problemática.

PALAVRAS-CHAVE: Abuso Sexual; Direitos da Criança; Sociologia da Infância;


Risco(s).

43
INTERVENÇÃO COM AGRESSORES CONJUGAIS: DOS RESULTADOS AO
PROCESSO DE MUDANÇA
Olga Cunha (olgacunha27@hotmail.com) & Rui Abrunhosa Gonçalves
Escola de Psicologia, Universidade do Minho

RESUMO
O presente estudo tem como objetivos compreender e refletir sobre a experiência
subjetiva de agressores conjugais submetidos a intervenção, no sentido de compreender
a complexidade da experiência de mudança por estes vivenciada e conhecer os processos
de construção da mudança que na perspetiva do participante influenciaram as suas
mudanças. No estudo participaram 16 homens agressores conjugais que haviam
participado no Programa de Promoção e Intervenção com Agressores Conjugais
(PPRIAC). O programa em questão é constituído por 24 sessões, 6 individuais e 18 em
grupo, e visava essencialmente a redução/término da violência íntima, a promoção de
competências sociais e pessoais e a redução das crenças legitimadoras de violência em
relações de intimidade. Realizaram-se entrevistas em profundidade sobre a experiência
de participação na intervenção e as mudanças observadas após a integração no programa.
Para análise das entrevistas recorreu-se à Grounded Analysis, com recurso ao NVivo 10.
Os resultados encontrados permitiram identificar três domínios centrais: experiência em
intervenção psicoterapêutica, mudanças em intervenção psicoterapêutica e facilitadores
da mudança. De forma global, os participantes descreveram o processo de intervenção de
forma positiva, reconhecendo a sua eficácia e utilidade. Concomitantemente, os
participantes identificaram mudanças significativas em vários domínios
(comportamental, cognitivo, emocional, perceção do self), destacando-se o término da
violência em relação à parceira, a responsabilização pelo uso da violência e a
conscientização face ao impacto da violência perpetrada, bem como a aquisição de novas
competências e aptidões. Tais mudanças foram atribuídas à intervenção, assumindo os
dinamizadores/terapeutas, os outros elementos do grupo, as aprendizagens adquiridas ao
longo da intervenção e o seu envolvimento na intervenção como facilitadores de tais
mudanças. Em suma, os resultados encontrados reforçam quer a importância quer a
necessidade de intervenção com agressores conjugais e alertam para o impacto
considerável das variáveis grupais, do terapeuta e do próprio participante no processo de
mudança.
PALAVRAS-CHAVE: Violência em Relações de Intimidade; Agressores Conjugais;
Intervenção; Mudança.

44
PAINEL VI – CRIMES, PENAS E
REINSERÇÃO SOCIAL
O PAPEL DOS FAMILIARES DE RECLUSOS NA ESFERA PENAL EM
PORTUGAL
Rafaela Granja (r.granja@ics.uminho.pt)*
Manuela Ivone Cunha (micunha@ics.uminho.pt)** &
Helena Machado (hmachado@ics.uminho.pt)***
* Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS), Universidade do Minho
**CRIA-UM/FCT (Portugal), IDEMEC/CNRS (França)
*** Centro de Estudos Sociais (CES), Universidade de Coimbra

RESUMO
Nos últimos anos, os estudos sobre crime, desvio e reclusão têm vindo a conhecer
considerável expansão em Portugal. Contudo, escasseiam ainda investigações que visem
compreender as implicações extra prisionais do cumprimento de penas de prisão, em
particular as que afetam os familiares de reclusos e reclusas. Com o objetivo de ampliar
o debate sobre penas de prisão em Portugal, esta comunicação pretende abrir espaço a
este campo de pesquisa que, apesar de se encontrar em forte desenvolvimento em
contexto internacional, permanece embrionário em contexto nacional. Em primeiro lugar,
esta comunicação almeja apresentar as principais contribuições dos estudos
internacionais neste domínio, expondo, de forma geral e através de uma análise crítica,
as principais linhas de debate que atualmente (in)formam a literatura sobre familiares de
reclusos/as. As vulnerabilidades que afetam os familiares de reclusos e reclusas são
mitigadas, produzidas ou agravadas pela reclusão? Que conceito de família está
subjacente à noção de apoio familiar? Que questões levanta a crescente articulação entre
apoio familiar durante o cumprimento de penas de prisão e o processo de reinserção
social? Num segundo momento, adaptando o olhar ao contexto nacional, procura-se
discutir e problematizar o papel dos familiares de reclusos na esfera penal em Portugal.
A análise mostra que, em Portugal, este papel é gerido com base em múltiplas tensões e
contradições. Apesar dos discursos oficiais atribuírem crescente importância à
manutenção de relações familiares durante a reclusão em prol da reinserção social, as
instituições penitenciárias geralmente apresentam escassos instrumentos para facilitar o
contacto entre familiares e reclusos/as. As prisões tendem assim a reger a interface entre
o exterior e o interior da prisão através de princípios antinómicos, que, por um lado,
convidam à participação dos familiares de reclusos e reclusas, e por outro lado a
dificultam ou impedem.
PALAVRAS-CHAVE: Reclusão; Família; Reinserção Social; Contradições.

47
A RECLUSÃO VISTA POR RECLUSAS IDOSAS
Adriana Silva (adrianasilva@ics.uminho.pt)* &
Helena Machado (hmachado@ics.uminho.pt)*,**
*Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS), Universidade do Minho
**Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho; Centro de Estudos Sociais
Universidade de Coimbra

RESUMO
Portugal atravessa nos tempos de hoje um processo de envelhecimento da população. Os
Censos realizados em 2011 vieram evidenciar essa mesma realidade, uma vez que 2
milhões dos portugueses contam com mais de 65 anos. A população prisional não é imune
a este fenómeno: nas últimas duas décadas, a literatura internacional no domínio dos
estudos prisionais, mas também em áreas como a saúde pública e a administração da
justiça, tem vindo a evidenciar questões específicas relacionadas com o progressivo
aumento do encarceramento de reclusos mais velhos. Em Portugal, nos últimos tempos,
várias notícias veiculadas na Imprensa têm vindo a evidenciar de igual forma essa
realidade. Contudo, esta ainda é invisível em Portugal, sendo escassos os estudos sociais
sobre este tema e também inexistentes as políticas institucionais direcionadas para
responder às necessidades e características específicas dos reclusos idosos. Partindo de
um conjunto de entrevistas, com mulheres, realizadas no Estabelecimento Prisional
Especial de Santa Cruz do Bispo, nesta comunicação pretende-se fazer uma caraterização
sociodemográfica e jurídico-penal das mulheres detidas com mais de 50 anos nesse
mesmo estabelecimento prisional. Almeja-se também compreender os processos de
atribuição de sentido ao envelhecimento na prisão, através das narrativas construídas da
parte de reclusas idosas em torno das vivências prisionais e das expectativas de
reintegração futura na sociedade. Os resultados mostram que o cumprimento da pena é
encarado como um tempo perdido e muitas vezes irrecuperável, devido à idade que têm.
As expectativas futuras de reinserção são marcadas pelo medo de morrer na prisão e pelas
incertezas projetadas para a vida no exterior.

PALAVRAS-CHAVE: Reclusão; Envelhecimento; Vivências; Reinserção; Políticas.

48
TREINO DE COMPETÊNCIAS PESSOAIS E SOCIAIS – PROGRAMA
UPGRADE
Vera Paisana (vera.paisana@gmail.com), Cláudia Parente(c.parente@companheiro.org)
Ana Rita Rodrigues (ana_rodrigues_007@hotmal.com), Vanda Franco
(v.franco@companheiro.org) & José Brites (j.brites@companheiro.org)
O Companheiro: Associação de Fraternidade Cristã

RESUMO
A adaptação à prisão torna-se difícil podendo, muitas vezes, desenvolver hábitos de
pensar e de agir, potencialmente, disfuncionais no pós-reclusão (Haney, 2005). A
(re)socialização prevista na legislação portuguesa, iniciada na aplicação da pena de
prisão, não se verifica na sua totalidade, dificultando o processo de (re)inserção societal.
Para colmatar as lacunas dos programas de (re)inserção social existentes, surgiu a
necessidade de se desenvolver um programa para implementar em instituições de apoio à
(re)inserção de ex-reclusos. Assim, desenvolveu-se o Treino de Competências Pessoais e
Sociais - Programa UPGRADE, com bases conceptuais que assentam no modelo
cognitivo-comportamental. Tem como principal objetivo a aquisição de competências
pessoais e sociais para a atenuação dos comportamentos desviantes e desconstrução de
crenças disfuncionais. Como objetivos específicos propusemo-nos a trabalhar, sobretudo,
a motivação, o relacionamento interpessoal, as distorções cognitivas e o compromisso. O
programa está estruturado em 5 módulos sequenciais, num total de 33 sessões semanais,
de 90 minutos. Durante as sessões são trabalhadas questões de cariz cognitivo e
comportamental, agrupadas nos seguintes módulos: Módulo I – Comunicação; Módulo II
– Autoconceito, Relacionamento Interpessoal e Cooperação; Módulo III – Emoções e
Crenças; Módulo IV – Motivação e Compromisso e Módulo V – Prevenção. A aplicação
do programa-piloto decorreu n’ O Companheiro, tendo como amostra 8 participantes do
género masculino, ex-reclusos, com uma média de idades de 50 anos (DP=8,67). Os
resultados da aplicação evidenciam melhorias mais expressivas no relacionamento
interpessoal, motivação e cooperação. Conclui-se que o Programa UPGRADE alcançou
os objetivos propostos, através do reforço dos vínculos e de melhorias ao nível da
comunicação e da coesão grupal entre os participantes. Foi também possível constatar as
potencialidades e limitações do programa, permitindo assim a sua reestruturação para
aplicações futuras.
PALAVRAS-CHAVE: (Re)inserção social; Ex-reclusos; Treino de competências
pessoais e sociais.

49
DOUDICES LIBERTADORAS: CAMINHOS PARA A INIMPUTABILIDADE
NA INQUISIÇÃO PORTUGUESA
Ana Leitão (analeitao.flul@gmail.com) &
Teresa Rebelo da Silva (teresinhars@gmail.com)
Universidade de Lisboa

RESUMO
A exploração de processos existentes em vários arquivos e fundos judiciais portugueses
permite avaliar, numa perspectiva histórica, a resposta da Justiça portuguesa quando
confrontada com circunstâncias que fugiam ao seu controlo. No presente trabalho
atenderemos, em concreto, a causas em que o réu era considerado mentalmente incapaz.
Elegemos como campo de análise processos do Santo Ofício, observando as diligências
realizadas com vista à determinação das capacidades mentais dos réus, assim como as
suas consequências para a prática judicial. O arco temporal escolhido centra-se nos
séculos XVII e XVIII, de modo a avaliar o impacto do Regimento de 1640, assim como
de polémicas e divergências no debate em torno deste conceito entre duas disciplinas
maiores – a Medicina e o Direito. A nomenclatura da época era bastante variada –
sandeus, loucos, desasisados, desmemoriados, pródigos, furiosos, tontos, mentecaptos,
incapazes, fátuos de juízo, entre outros. Neste sentido, destacaremos o contributo de
trabalhos de medicina legal – em particular os de Paul Zacchias (1584-1659) – no
enquadramento tipológico das demências e na determinação das capacidades de
“entendimento” dos réus. Importa igualmente compreender os aspetos inovadores e/ou de
continuidade destes mesmos estudos e do seu impacto prático. O desvio face a um
comportamento-padrão - entendido como normal no quadro quer das interacções, da
aparência física, das capacidades de raciocínio ou até pela ponderação das reacções
observadas - era encarado com cautela e suspeição. Somente quando esgotadas todas as
estratégias para o apuramento do «verdadeiro» estado não se tratando de «fingimento», a
justiça observava não se poder dar continuidade à causa, tornando-se impossível proceder
contra o réu. A experiência alcançada em semelhantes causas contribuiu, como
destacaremos, para a formação do que, séculos depois, viria a ser conhecido como a
medicina forense, a psiquiatria e a antropologia criminal.

PALAVRAS-CHAVE: Inimputabilidade; Doença Psiquiátrica; Inquisição Portuguesa;


Época Moderna.
PAINEL VII – AVALIAÇÃO E
INTERVENÇÃO FORENSE
52
AVALIAÇÃO DE RISCO DE VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA CONJUGAL:
EXPERIÊNCIA DO GIAV
Hugo Domingues (hugo_domingues@live.com.pt)
Ana Lopes, Andreia Neves, Bárbara Fernandes, Mariana Saramago
Ricardo Baúto & Iris Almeida
Gabinete de Informação e Atendimento à Vítima – Espaço Cidadania e Justiça2,
Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa

RESUMO
O Gabinete de Informação e Atendimento à Vítima (GIAV) assume funções de assessoria
técnica no DIAP de Lisboa, tendo como principal objetivo de trabalho a realização de
avaliações de risco de violência conjugal, efetuadas tanto a vítimas como agressores. A
recolha de dados foi realizada através de entrevistas semiestruturadas, a aplicação de
instrumento de âmbito clínico e forense, à consulta processual e ainda através de fontes
colaterais. Na grande maioria, as vítimas (N=37) são do sexo feminino (91,9%), com
idades compreendidas entre os 26 e 60 anos (M=42.7; DP=10.9). Em termos de avaliação
de risco, 48,5% dos casos foi considerado de risco moderado e 27,3% de risco elevado
tendo em conta o espaço temporal de dois meses. Identificaram-se, ainda, como principais
de fatores de risco: Défices ao nível de personalidade do arguido (e.g. impulsividade),
historial de violência física perpetrada no passado, minimização ou negação extrema da
história de violência conjugal, ciúme extremo e intensificação da violência em frequência
e/ou severidade. Relatam sobretudo serem vítimas de violência psicológica (ex.: insultar,
difamar, ou fazer afirmações graves para humilhar ou ferir) e física (ex.: dar uma
bofetada), com obvias consequências no seu bem-estar psicológico e físico,
nomeadamente perturbações de ansiedade (35,5%), depressão (29,0%) e somatização
(29,0%). Relativamente à avaliação de crenças sobre violência conjugal, verificou-se que
apresentam mais crenças quanto à legitimação/banalização da pequena violência.

PALAVRAS-CHAVE: Vítimas; Violência conjugal; Avaliação de Risco; Fatores de


Risco.

53
AVALIAÇÃO DE RISCO DE AGRESSORES DE VIOLÊNCIA CONJUGAL: A
EXPERIÊNCIA DO GIAV
Andreia Neves (andreia.neves88@gmail.com)
Ana Lopes, Bárbara Fernandes, Hugo Domingues, Mariana Saramago
Ricardo Baúto & Iris Almeida)
Gabinete de Informação e Atendimento à Vítima – Espaço Cidadania e Justiça
Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa

RESUMO
O Gabinete de Informação e Atendimento à Vítima (GIAV) do DIAP de Lisboa, efetua
entrevistas a agressores de violência conjugal tendo como finalidade a elaboração de uma
avaliação de risco mais objetiva. Os dados foram recolhidos com recurso a entrevistas
semiestruturadas, à aplicação de diversos instrumentos de âmbito clínico e forense e com
recurso à consulta de dados processuais. Neste estudo participaram 46 intervenientes,
sendo que 36 eram denunciados e os restantes encontravam-se em situação de queixa-
contra-queixa. A maioria dos denunciados eram do sexo masculino com idades
compreendidas entre 26 e 80 anos (M=45; DP=11). No que concerne ao nível de risco e
de proteção, na sua globalidade, foi atribuído nível de risco entre moderado e elevado
associado a um nível de proteção geralmente baixo. Os fatores de risco mais associados
à violência conjugal são: Violência física perpetrada no passado, problemas de
relacionamento recentes, minimização extrema ou negação do historial de violência
conjugal, perturbações da personalidade do denunciado e violência severa e/ou sexual. A
grande maioria dos avaliados, demostra possuir défices de personalidade. No que
concerne a violência física, a maioria dos agressores admite ter dado bofetadas e
empurrões violentos, já no que toca à violência psicológica, estes reconhecem insultos e
difamações seguida de gritos com o intuito de intimidar a vítima. Apresentam
predominantemente crenças acerca da legitimação/banalização da pequena violência e da
legitimação da violência pela conduta da mulher.

PALAVRAS-CHAVE: Agressores, Avaliação de Risco, Violência Conjugal, Fatores de


Risco e de Proteção.

54
AVALIAÇÃO DE RISCO EM MENORES VÍTIMAS DE MAUS-TRATOS,
NEGLIGÊNCIA E/OU EXPOSIÇÃO À VIOLÊNCIA
Bárbara Fernandes (barbararofernandes@gmail.com)
Ana Isabel Lopes, Andreia Neves,
Hugo Domingues, Mariana Saramago, Ricardo Baúto & Iris Almeida
Gabinete de Informação e Atendimento à Vítima – Espaço Cidadania e Justiça,
Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa

RESUMO
O Gabinete de Informação e Atendimento à Vítima – Espaço Cidadania e Justiça (GIAV)
é um espaço integrado fisicamente no Departamento de Investigação e Ação Penal de
Lisboa. Os objetivos do gabinete prendem-se com: a avaliação de risco de violência
doméstica, através da elaboração de relatórios que permitem auxiliar a decisão judicial e
a consequente aplicação de medidas de coação, e com o atendimento e intervenção em
situações de crise, por forma a estabilizar a vítima, a auxiliar a recolha do seu testemunho
e a fornecer as informações necessárias inerentes ao processo judicial. A presente
comunicação irá explanar resultados tendo por base casos de maus-tratos e/ou exposição
à violência de menores. O GIAV interveio de uma forma global em 112 casos, entre os
quais despiste de doença mental, avaliações de risco no contexto de violência conjugal,
de tráfico de seres humanos, de maus-tratos a idosos, de maus tratos, negligência a
menores e/ou exposição à violência. Especificamente, quanto aos casos de maus-tratos,
negligência a menores e/ou exposição a violência, o Gabinete interveio em 15 casos,
através da realização de avaliações de risco que permitiram fazer um levantamento dos
fatores que sustentam o nível de risco do caso. De uma forma geral, estas avaliações
permitiram estabelecer um quadro quanto à situação de risco dos menores, bem como de
estratégias de intervenção adequadas, passado desde a sugestão de medidas de coação a
aplicar, a programas de prevenção/intervenção. Estes resultados só foram possíveis
através da criação de um protocolo de avaliação específico para este tipo de situações.

PALAVRAS-CHAVE: Avaliação de Risco; Menores Vítimas de Maus-tratos;


Negligência e/ou Exposição à Violência.

55
AVALIAÇÃO DE RISCO DE NEGLIGÊNCIA E MAUS TRATOS A IDOSOS
Ana Lopes (isabelpinheirolopes@gmail.com)
Andreia Neves, Bárbara Fernandes, Hugo Domingues, Mariana Saramago,
Ricardo Baúto & Iris Almeida
Gabinete de Informação e Atendimento à Vítima – Espaço Cidadania e Justiça
Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa

RESUMO
A investigação trata acerca da avaliação de risco de negligência e maus-tratos a idosos,
abordando os diferentes tipos de maus-tratos, como o físico, sexual, psicológico,
material/financeiro e também o abandono. Através de entrevistas semiestruturadas ao
denunciado e à vítima, consultas processuais e instrumentos de avaliação psicológica
efetuados a cinco processos-crime de maus-tratos a idosos no Gabinete de Informação e
Atendimento à Vítima, foi possível verificar fatores de vulnerabilidade das vítimas como
fatores de risco nos agressores. Entre os fatores de vulnerabilidade, salientam-se a
demência, perturbações mentais e incapacidades físicas, sendo que nos agressores
verificam-se o consumo de substâncias, hostilidade e agressividade, problemas
financeiros, entre outros. Tem-se observado um aumento das situações de risco de maus-
tratos de idosos em contexto familiar, verificando-se também uma tendência crescente do
aumento da dependência financeira dos agressores face às vítimas. Existe necessidade em
prosseguir com a investigação destas variáveis, de modo a ser possível compreender,
intervir e prevenir a problemática.

PALAVRAS-CHAVE: Idosos; Maus-tratos; Fatores de Risco; Fatores de


Vulnerabilidade.

56
PERÍCIA PSICOLÓGICA: MUDAM-SE OS TEMPOS. MUDAM-SE OS
PARADIGMAS?
Francisco Valente Gonçalves (franciscomrvg@gmail.com)*
António Pires** (apires@ispa.pt)
*Instituto CRIAP, **ISPA-IU

RESUMO
Introdução: A metodologia utilizada na perícia psicológica é condicionada pela perspetiva
teórica de cada profissional. Uma visão rígida poderá condicionar um trabalho de maior
qualidade sobre o sujeito avaliado. À parte ferramentas primordiais da avaliação
psicológica – entrevista e observação – verificamos nos estudos atuais a utilização de
instrumentos com distintas bases teóricas – psicometria; provas projetivas; técnicas
neurológicas. Perguntamo-nos, será a articulação de mais saberes que proporcionará uma
compreensão de maior qualidade sobre os fenómenos em que o sujeito simulador está
circunscrito? Método: Após a análise da literatura referente a três quadros teóricos – teoria
psicanalítica; perspetiva cognitivo-comportamental; neurociências – reviu-se os
pressupostos considerados na perícia psicológica. Objetivou-se apontar algumas lacunas
metodológicas, promovendo e juntando esforços entre profissionais, motivando a futura
interação, ainda que, com quadros teóricos distintos, mas abertos à discussão e à procura
de novas formas de pensar, uma vez que terão a mesma função, servir o Direito – o
Magistrado – através do conhecimento transmitido no relatório pericial. Discussão: As
conclusões apontam vários pontos em comum, sugerindo a necessidade de olhar e analisar
a pessoa avaliada através de diferentes perspetivas, compreendendo-a de forma bio-psico-
social, não só em quantidade de informação, como em qualidade. Parece ser necessário
amplificar as metodologias e promover a discussão entre pares ao invés da
enclausura/isolamento profissional, motivando novas formas de pensar a perícia
psicológica. Evocamos que não se pretende 'desestabilizar' a perspetiva estruturada que
cada profissional foi construíndo ao longo da sua prática. O verdadeiro desafio não será
essa desestruturação, mas sim a motivação de saber mais(!), promovendo a evolução
metodológica afim do maior rigor advindo do ato pericial psicológico.

PALAVRAS-CHAVE: Perícia; Psicológica; Metodologias.

57
INTERVENÇÃO NA CRISE EM VÍTIMAS: A EXPERIÊNCIA DO GIAV
Mariana Saramago (mariana.amaral.saramago@gmail.com)
Ana Lopes, Andreia Neves, Bárbara Fernandes, Hugo Domingues
Ricardo Ventura Baúto & Iris Almeida)
Gabinete de Informação e Atendimento à Vítima – Espaço Cidadania e Justiça,
Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa

RESUMO
O campo da intervenção na crise tem por base a existência do fenómeno de crise
psicológica, a qual ocorre quando, face à perceção de desafio ou ameaça, estando perante
um acontecimento de vida stressante, o indivíduo não tem capacidade para lidar com este
de forma eficaz. Os incidentes críticos ou traumáticos podem ocorrer após uma morte ou
ameaça desta, perante lesões graves, ou frente a algum tipo de risco que ponha em causa
a integridade física da vítima, entre outros. Os objetivos da intervenção na crise centram-
se no empowerment das vítimas e na restituição do seu controlo a nível interno e externo.
O Gabinete de Informação e Atendimento à Vítima do DIAP de Lisboa, atua no âmbito
da violência doméstica, realizando intervenções na crise com vítimas que se encontrem
psicologicamente desestabilizadas, para lá encaminhadas no ato de denúncia. As
intervenções tiveram em conta o modelo Critical Incident Stress Management, que
salienta a necessidade de uma intervenção imediata, preconizando a estabilização e o
auxílio da compreensão das vítimas, centrando-se na resolução de problemas e
encorajamento da sua autosubsistência. Os dados recolhidos têm por base a realização de
14 intervenções neste sentido, todas com recurso a entrevistas semiestruturadas, e a
consulta dos dados processuais respetivos. No geral, as vítimas eram do sexo feminino,
(79%, n=11). Constatou-se também que 79% (n=11) recorriam ao Gabinete no seio de
crises relacionadas com violência conjugal, sendo que 21% (n=3) desses já tinham
terminado a relação com os respetivos cônjuges. Paralelamente, 14% (n=2) dos
indivíduos reportavam serem vítima de maus tratos contra idosos e 7% (n=1) de maus
tratos contra menores. Dada a complexidade dos casos, após estabilização das vítimas,
em 86% (n=11) dos casos foi necessário realizar-se um encaminhamento para uma
consulta de psicologia ou psiquiatria, de forma a estes beneficiarem de um
acompanhamento mais estruturado.

PALAVRAS-CHAVE: Incidente Crítico; Intervenção na Crise; Violência Doméstica;


Vítimas.

58
PROTOCOLO DE INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA NA VIOLÊNCIA
FILIOPARENTAL (VFP), COM ADOLESCENTES EM CONTEXTO
INSTITUCIONAL
Neusa Patuleia (neusapatuleia@gmail.com) *
Associação de Amigos da Criança e da Família “Chão dos Meninos", Évora
Isabel Alberto (isammar15@gmail.com) *,**
Roberto Pereira (director@avntf-evntf.com) ***
*Faculdade de Psicologia e de Ciências de Educação da Universidade de Coimbra
**Centro de Ciências Forense – Cencifor, Coimbra
***Euskarri, Centro de Intervenção em Violência Filioparental, Bilbao

RESUMO
Introdução: A Violência FilioParental (VFP) é um problema de saúde pública em
ascensão nas sociedades atuais, encoberto pela vergonha e tentativa de manutenção do
mito da harmonia familiar. Assim, tem sido desvalorizado e normalizado pela
comunidade, profissionais e pelos próprios intervenientes, até atingir níveis elevados de
violência e sofrimento para toda a família, culminando em situações de acolhimento
institucional para os filhos. Objetivo: Pretende-se apresentar um Protocolo de Intervenção
Terapêutica na Violência Filioparental com adolescente acolhido institucionalmente com
vista a futura reunificação familiar. Preconiza-se um plano de intervenção concertado nos
diferentes níveis sócio terapêuticos, incidindo nas várias áreas de vida do adolescente, a
partir da intervenção familiar. Método: Revisão da literatura nas bases de dados
Biblioteca do Conhecimento On-Line (B-on), EBSCO Host, SciELO, ProQuest e OvidSP
com base nas palavras-chave: “parent abuse”, “child-to-parent-violence”, “adolescent
violence towards parents” e “teenager against parents; análise de caso clínico tendo como
referência o protocolo utilizado no Centro de Intervenção em VFP Euskarri. Resultados:
A VFP surge como sintoma de uma relação disfuncional entre os diferentes elementos,
com uma função homeostática, onde se verifica uma subversão da hierarquia familiar e
uma apropriação indevida de poder pelos filhos. Numa intervenção terapêutica familiar,
o problema deixa de estar centrado no adolescente violento, focando-se na dinâmica
familiar e promovendo a mudança através da meta-comunicação e da reestruturação do
sistema a nível dos limites e da hierarquia na relação entre pais-filhos. Conclusão: A VFP
assume uma posição nuclear encoberta na relação familiar, em torno da qual o sistema se
fecha, organiza e mantém. É um fenómeno complexo e multidimensional que só pode ser
compreendido e intervencionado a partir de um modelo sistémico que considere as

59
variáveis intrapessoais, as dinâmicas do funcionamento familiar e as influências culturais
e comunitárias, numa perspetiva evolutiva e contextualizada do desenvolvimento
individual e familiar.

PALAVRAS-CHAVE: Violência filioparental; Acolhimento institucional; Intervenção


terapêutica; Reunificação Familiar.

60
PAINEL VIII – CRIMES, DESVIO
E GÉNERO
OS ÚLTIMOS 7.446.967 CRIMES EM PORTUGAL
José Barra da Costa (jbarra@netcabo.pt)
Ex - Inspector-chefe da Polícia Judiciária, Professor universitário e Profiler criminal.

RESUMO
Introdução: Reflexão sobre o estado criminológico da sociedade portuguesa: reproduzir
o sistema de Justiça ou estruturar medidas para diminuir os índices de criminalidade.
Método: análise da representação numérica, após consulta, dos dados constantes dos
Relatórios Anuais de Segurança Interna publicados nos últimos 20 anos. Resultados: em
termos de criminalidade participada foram cometidos de 1993 a 2013 um total-geral de
7.446.967 crimes, à média de 372.348 crimes / ano, representando uma subida
aproximada de 5 mil crimes / ano. Conclusões: tendência para a estabilização dos crimes
contra o património; agravamento dos crimes contra as pessoas e dos crimes contra a vida
em sociedade, bem como, em taxa, dos crimes contra o Estado, o que dá a ideia da forma
como a autoridade, a ordem e a tranquilidade pública passaram a ser encaradas pelos
cidadãos. O medo aumenta conforme a solidão; a solidão potencia a insegurança; os
sentimentos de insegurança variam consoante os crimes.

PALAVRAS-CHAVE: Crime; Criminalidade; Insegurança; Justiça.

63
MULHER E CRIME NA ATUAL SOCIEDADE BRASILEIRA
Lúcia Lamounier Sena (llsena.bh65@gmail.com)
Centro de Pesquisa em Segurança Pública – CEPESP da Pontifícia Universidade
Católica de Minas Gerais – Brasil
RESUMO
O Brasil findou a primeira década dos anos 2000 apresentando mudanças significativas
nos seus indicadores socioeconómicos, sobretudo no que tange à superação de alguns dos
indicadores de pobreza. O novo milénio, também, apresentou mudanças nas conquistas
das mulheres, em termos das garantias jurídicas, da sua participação no mercado de
trabalho, nas chefias de família. No entanto, a positividade dos indicadores sociais foi
acompanhada de um aumento expressivo das taxas de criminalidade e encarceramento
feminino, sobretudo relacionado ao tráfico de drogas. Segundo dados do Ministério da
Justiça, o ano de 2011 apresentava um aumento de 34,0% em relação ao encarceramento
feminino de 2006, sendo, que o tráfico de drogas, em 2011, representava 49,7% para as
mulheres contra 22,6% dos homens. Um argumento que tem sido recorrente, mas não
necessariamente passível de ser aceito sem ressalvas, é de que a criminalidade feminina
avança à semelhança do atual cenário da sociedade brasileira marcado pela forte presença
feminina. Este artigo apresenta uma análise descritiva sobre o perfil da população
feminina carcerária do Brasil entre os anos de 2006 e 2011, e alguns dados do perfil
sociodemográfico feminino extraídos do Censo brasileiro 2010, pretendendo-se, assim,
desmistificar essa correspondência aparentemente simples. Nas considerações finais
discuto algumas direções de pesquisa que os dados apontam e que, atualmente,
constituem o objeto da minha tese de doutorado em andamento.

PALAVRAS-CHAVE: Mulheres; Crime; Tráfico de Drogas; Encarceramento.

64
ASPETOS ESTÁTICOS Y DINÁMICOS DE LA ASUNCIÓN DE
RESPONSABILIDAD POR PARTE DEL AGRESOR DE VIOLENCIA DE
GÉNERO
Beatriz Cruz Márquez (beacruz.mar@gmail.com)*
Blanca Martín Ríos (blancamr@us.es)**
* Universidade Da Coruña, España, ** Universidad Loyola Andalucía, España

RESUMEN
Introducción: La comunicación aquí presentada se enmarca en el proyecto de
investigación “El agresor de violencia de género: tipologías, estrategias y tratamiento”
(financiado por el Ministerio de Ciencia e Innovación – DER2010-16003), cuyo objetivo
principal es el análisis de las estrategias de justificación y minimización de los hechos
por parte del agresor de violencia de género, condenado y cumpliendo condena en el
momento en que se desarrolla la entrevista. Método: La fase de recogida de datos ha
tenido lugar durante los años 2012 y 2013. Su obtención se ha realizado tanto de forma
directa, en el transcurso de varias sesiones de entrevistas cerradas con los agresores que
han mostrado su consentimiento para participar en la investigación, como de forma
indirecta, por medio de la extracción de los datos relevantes del expediente del agresor
disponible en la documentación custodiada por la Administración penitenciaria. En
concreto, los instrumentos aplicados para obtener los datos primarios han sido: Hoja de
datos sociodemográficos (elaboración propia), Escala de Atribución de Responsabilidad,
IPDMyV, ASI, TMMS-24, TECA, CDE y SSDS, Escala de Autoestima de Rosenberg,
FSSQ, MSPSS y EDS. Los datos secundarios se han recabado a través de un cuestionario
de elaboración propia. Resultados: el equipo de investigación desarrolla en la actualidad
el análisis de los datos obtenidos para confirmar las siguientes hipótesis: 1) El nivel de
atribución de responsabilidad por parte del agresor de género es bajo, con independencia
de la influencia de factores de carácter estático, relativos a los hechos, tipo de pareja y de
educación parental recibida, historia toxicológica, etc. 2) El nivel de atribución de
responsabilidad, aunque bajo, está correlacionado con el apoyo social percibido, la
autoestima y el grado de dependencia emocional por parte del agresor. Conclusiones: Se
describirán tras la presentación de los resultados obtenidos.
PALABRAS CLAVE: Violencia de Género; Atribución de Responsabilidad; Programa
de Tratamiento; Aspectos Estáticos y Dinámicos.

65
EFETOS DE LA ASUNCIÓN DE RESPONSABILIDAD POR PARTE DEL
AGRESOR DE VIOLENCIA DE GÉNERO DURANTE EL CUMPLIMIENTO
DE LA PENA PRIVATIVA DE LIBERTAD
José Ángel Brandariz García (jabrandariz@yahoo.de)*
Beatriz Cruz Márquez (beacruz.mar@gmail.com)**, & Jordi Ortiz García***
*Universidade Da Coruña, España, ** Universidade Da Coruña, España
***Universidad de Extremadura (España)

RESUMEN
Introducción: La comunicación aquí presentada se enmarca en el proyecto de
investigación “El agresor de violencia de género: tipologías, estrategias y tratamiento”
(financiado por el Ministerio de Ciencia e Innovación – DER2010-16003), cuyo objetivo
principal es el análisis de las estrategias de justificación y minimización de los hechos
por parte del agresor de violencia de género, condenado y cumpliendo condena en el
momento en que se desarrolla la entrevista. Método: La fase de recogida de datos ha
tenido lugar durante los años 2012 y 2013. Su obtención se ha realizado tanto de forma
directa, en el transcurso de varias sesiones de entrevistas cerradas con los agresores que
han mostrado su consentimiento para participar en la investigación, como de forma
indirecta, por medio de la extracción de los datos relevantes del expediente del agresor
disponible en la documentación custodiada por la Administración penitenciaria. En
concreto, los instrumentos aplicados para obtener los datos primarios han sido: Hoja de
datos sociodemográficos (elaboración propia), Escala de Atribución de Responsabilidad,
IPDMyV, ASI, TMMS-24, TECA, CDE y SSDS, Escala de Autoestima de Rosenberg,
FSSQ, MSPSS y EDS. Los datos secundarios se han recabado a través de un cuestionario
de elaboración propia en que se recoge información relativa a la evolución del penado a
lo largo de la ejecución de la pena privativa de libertad. Resultados: el equipo de
investigación desarrolla en la actualidad el análisis de los datos obtenidos para confirmar
las siguientes hipótesis: 1) El nivel de atribución de responsabilidad por parte del agresor
guarda relación con su comportamiento durante el cumplimiento de la pena; 2) El nivel
de atribución de responsabilidad por parte del agresor de género es independiente del
proceso de individualización de la ejecución de la pena privativa de libertad.
Conclusiones: Se describirán tras la presentación de los resultados obtenidos.
PALABRAS CLAVE: Atribución de Responsabilidad; Programa Individualizado de
Tratamiento; Permisos de Salida; Cumplimiento en Tercer Grado.

66
PAINEL IX – PERSPETIVA
JUS-FAMILIAR EM
SITUAÇÕES DE PERIGO
VIOLÊNCIA E TRANSGRESSÃO EM FAMÍLIAS DE RISCO PSICOSSOCIAL
Paula Cristina Martins (pcmartins@psi.uminho.pt)*
Ana Cristina Vieira (Ana.Cristina.Vieira@seg-social.pt)**
Cláudia Cunha (claudia.p.r.cunha@gmail.com)**
Eduarda Claro (M.Eduarda.Claro@seg-social.pt)**
*Universidade do Minho
** Centro Distrital de Segurança Social do Porto

RESUMO
Introdução: A investigação confirma que certos grupos populacionais são especialmente
vulneráveis a situações de vitimação e de violência, sendo que as famílias pobres
conjugam fatores que as predispõem para o envolvimento nestas dinâmicas.O
reconhecimento e a caraterização nestes e por estes agregados familiares dos fatores de
risco e de proteção relativamente à violência identificados pela literatura permitem
compreender e explicar esta implicação e a sua relevância no vivido familiar. Método:
Objetivos: Caraterizar os problemas de violência/transgressão identificados pelos
inquiridos; Explorar a relevância que atribuem a estes problemas; Examinar a perceção
da eficácia de eventuais intervenções dirigidas; Analisar o nível de controlo percebido
relativamente a estes problemas. Procedimento: 20 famílias beneficiárias do RSI com
filhos sinalizados por situação de perigo, da zona do Grande Porto, inquiridas de acordo
com o protocolo de entrevista para famílias multiproblemáticas proposto por Pakman
(2005). Resultados: Os dados do estudo – em tratamento - serão apresentados no âmbito
do Congresso.

PALAVRAS-CHAVE: Violência; Transgressão; Fatores de Risco; Fatores de


Proteção.

69
A INTERGERACIONALIDADE DA VIOLÊNCIA: A REALIDADE NO NORTE
E CENTRO DE PORTUGAL
Madalena Sofia Oliveira (madalena@ufp.edu.pt) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
O estudo da violência nas relações de intimidade abarca referências relativas à violência
doméstica, violência no namoro e violência familiar, sendo estabelecida uma possível
relação entre estas três formas de violência, numa perspetiva de continuidade das
experiências ao longo da vida: a observação ou vitimação direta de comportamentos
violentos enquanto criança na família de origem poderá levar a experiências de violência
no namoro, que por sua vez poderão evoluir para situações de violência doméstica. Como
este estudo pretendemos estabelecer uma relação entre experienciar violência na família
de origem, legitimar esses comportamentos e reproduzi-los nas suas relações de
intimidade. Para tal, recorremos a uma amostra de 1476 jovens, com idades
compreendidas entre os 15 e os 20 anos, dos distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Porto,
Viana do Castelo e Vila Real e que frequentam o ensino secundário e profissional.
Utilizamos para o efeito 3 instrumentos: Inventário de Violência Conjugal (IVC-2);
Escala de Crenças da Criança sobre a Violência (ECCV) e à Escala de Sinalização do
Ambiente Natural Infantil (SANI). Em geral, os resultados vêm corroborar com a revisão
da literatura efetuada, no sentido em que comprova que a exposição à violência no
contexto familiar, pode ser considerado um preditor de violência nas relações íntimas dos
jovens. Com estes resultados podemos aceder a aspetos ligados ao contexto familiar e às
práticas abusivas nas relações íntimas dos jovens, fornecendo elementos úteis para a
criação de medidas de prevenção primária.

PALAVRAS-CHAVE: Violência; Intergeracionalidade; Vitimação; Jovens.

70
A PARTICIPAÇÃO DA CRIANÇA ENQUANTO TESTEMUNHA DO CRIME
DE VIOLÊNCIA DOMÉSTCICA
Maria João Gonçalves (mjogon@gmail.com) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A violência doméstica é um fenómeno social, amplamente estudado e quantificado,
apesar das cifras negras. As crianças são frequentemente as únicas testemunhas da
violência, maioritariamente perpetrada no contexto familiar. Porém, a participação da
criança na justiça, em particular neste assunto que muitas vezes envolve decisões
importantes sobre a sua vida, genericamente não acontece, sendo o maior dos argumentos
a consideração de que o testemunho pode ser um evento ainda mais traumático. Assim
como o objetivo de compreender as representações de profissionais com experiência na
área da infância e juventude quanto à efetivação do direito à participação em assuntos do
seu particular interesse tal como contemplado na Convenção de Direitos da Criança
realizamos um estudo qualitativo, no qual participaram 12 técnicos de diversas áreas
científicas. A recolha de dados foi efetuada através de uma entrevista semiestruturada,
gravada em áudio e posteriormente transcrita, para que os conteúdos fossem analisados
qualitativamente. Os resultados apontam para problemáticas de ordem vária quando é
chegado o momento de ouvir a criança como testemunha, bem como a sua credibilidade.
Quanto à participação da criança na justiça parece ser necessário, por um lado acautelar
a sua abordagem no sentido de minimizar os danos, mas também incentivar o seu
testemunho no sentido de dar voz às crianças, um direito que lhe assiste, contemplado
tanto na Convenção dos Direitos da Criança como na Lei de Proteção de Crianças e
Jovens em Perigo. Conclui-se que a participação da criança na justiça é assunto sensível
que não está desprendido, nem deve, do propósito central de salvaguarda do superior
interesse da criança.

PALAVRAS-CHAVE: Justiça; Proteção; Crianças; Testemunho.

71
DISCURSOS SOCIAIS SOBRE O CRIME VIOLENTO: ESTUDO
QUALITATIVO COM CASAIS
Sara Barbosa (saragomes_barbosa@hotmail.com) *
Helena Grangeia *, ** & Rita Conde*,**
*Instituto Superior da Maia, ** Universidade do Minho

RESUMO
O fenómeno da violência conjugal tem vindo a assumir contornos relevantes na sociedade
atentando contra os direitos e qualidade de vida de muitas pessoas e comunidades. As
formas de exercício de violência conjugal abrangem uma diversidade de atos e com o
decurso do tempo pode registar-se uma evolução na escalada da violência resultando em
consequências severas. Revela-se fulcral uma intervenção precoce e para isso é necessária
uma consciencialização dos intervenientes e a desconstrução de determinadas crenças que
possam dificultar esse processo. O presente estudo tem como objetivo compreender os
discursos sociais de casais, sinalizados por violência conjugal e não sinalizados, acerca
do crime violento. A partir da análise temática pretendeu-se compreender como a
violência doméstica surge discursivamente associada ou separada do crime violento,
atendendo à variabilidade ou focos de consenso nos discursos das díades de acordo com
a sua condição de sinalização. Tratando-se de um estudo de caráter qualitativo foram
efetuadas oito entrevistas semiestruturadas representando assim quatro díades de sexo
diferente. Dois casais encontravam-se sinalizados por violência doméstica, perfazendo
duas vítimas do sexo feminino e dois agressores do sexo masculino; e dois casais não
tinham qualquer tipo de sinalização. Perante os resultados aferiu-se que existem dois
temas principais: valorização do crime violento como fenómeno social e desvalorização
da violência doméstica, enquanto experiência pessoal. O primeiro tema representa a
valorização do crime violento e das dimensões consideradas pelos participantes, tanto
sinalizados como não sinalizados, nomeadamente a associação à violência física, à
identificação da violência doméstica e à generalização quer dos perpetradores
(inespecíficos), como das vítimas (grupos potenciais). O segundo tema reflete a
desvalorização, por parte das díades sinalizadas, da violência doméstica enquanto
experiência pessoal. Assim assiste-se a uma notória discrepância entre a construção da
violência doméstica como fenómeno social e a construção da mesma como problemática
experienciada a nível pessoal.
PALAVRAS-CHAVE: Discursos Sociais; Crime Violento; Violência Doméstica;
Violência Conjugal.

72
PAINEL X – SEGURANÇA E
INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA
CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE: UMA ABORDAGEM DE
CRIMINOLOGIA AMBIENTAL
Alexandra Rodrigues Gomes (21333@ufp.edu.pt) &
Maria Francisca Rebocho (mfrebocho@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A prevenção situacional do crime compreende que a redução de oportunidades é
altamente específica a cada tipo de crime, envolve a gestão do design ou manipulação
imediata do ambiente da maneira mais sistemática e permanente possível e torna o crime
menos atrativo para o ofensor, não dependendo de fatores como a detenção, a sanção ou
redução da criminalidade através de aperfeiçoamentos na sociedade (Clarke, 1997).
Clarke (1997) defende que alguma da prevenção situacional pode requerer um “serviço
mais pessoal”, isto é os proprietários têm que dar máxima importância aos acessos ao
estabelecimento (como portas e janelas), à disposição dos artigos, ao fluxo pedestre e às
melhores horas a operar para prevenir o crime. Neste estudo foi efetuado um
levantamento de dados estatísticos dos crimes contra a propriedade, em 5 freguesias do
Concelho do Porto concretamente Miragaia, Vitória, São Nicolau, Sé e Santo Ildefonso.
Este consistiu na deslocação aos estabelecimentos em questão, com vista à recolha de
informação pertinente para análise. Os dados recolhidos foram tratados e codificados nas
seguintes variáveis: tipo de estabelecimento; período de ocorrência; dia da semana;
artéria; sua caraterização; freguesia; movimento em diferentes períodos; luminosidade e
equipamentos preventivos. Para a recolha de dados utilizou-se uma check-list, a
observação e reportagem fotográfica de forma a caraterizar a artéria onde o
estabelecimento comercial se localiza, o nível se segurança do mesmo, isto é, se possui
algum tipo de proteção contra intrusos. Com este estudo concluiu-se que a maioria dos
estabelecimentos alvo são cafés, que o período de maior ocorrência é o noturno e a
freguesia mais afetada é a de Santo Ildefonso. Concluiu-se, também, que a ausência dos
métodos de prevenção situacional abordados neste estudo são um fator crucial para os
estabelecimentos serem alvos de crimes.

PALAVRAS-CHAVE: Criminologia Ambiental; Crimes Contra a Propriedade;


Estabelecimentos Comerciais; Prevenção Situacional.

76
ESTUDO DA RELAÇÃO O ENTRE O CRIME E FLORA URBANA NUMA
METRÓPOLE PORTUGUESA
Nuno Micael Alvim Coelho da Silva (24142@ufp.edu.pt)
Maria Francisca Rebocho (mfrebocho@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A relação empírica entre a flora urbana e a criminalidade é controversa e carece de
consensualidade. A revisão da literatura aponta duas linhas divergentes de pensamento,
sendo a vegetação tradicionalmente entendida como elemento criminógeno, e numa
perspectiva mais recente, fundada em vários estudos estadunidenses da última década,
enfatizada pelo seu potencial na prevenção do crime. Na esteira desses estudos, a
investigação delineada procura explorar a relação entre a vegetação e o crime num cenário
urbano português, testando a hipótese de que a vegetação contribui para a redução do
crime através de dois mecanismos, a mitigação de precursores psicológicos da violência,
e o estímulo da vigilância informal. Utilizando-se um sistema de informação geográfica,
serão contrastados índices de cobertura vegetal produzidos através de detecção remota
orbital, com os índices de criminalidade georreferenciada, derivados de estatísticas
oficiais, controlando-se por variáveis sócio-demográficas através de testes estatísticos.
Antecipa-se uma correlação inversa entre as duas variáveis, ou seja, que os níveis
elevados de vegetação são preditores de taxas de criminalidade reduzidas.

PALAVRAS-CHAVE: Vegetação Urbana; Crime; Prevenção Criminal.

77
O REGISTO DE OFENSORES SEXUAIS: PERCEÇÕES E ATITUDES DOS/AS
AGENTES DE AUTORIDADE POLICIAL PORTUGUESA
Maria João Falcão (24525@ufp.edu.pt) &
Maria Francisca Rebocho (mfrebocho@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
O Registo de Ofensores Sexuais em vigor há mais de 50 anos nos Estados Unidos foi a
primeira tentativa de combate à reincidência. Inicialmente concebido como uma
ferramenta à investigação policial, o Registo passou a permitir às autoridades
governamentais a monitorização das moradas e atividades dos ofensores sexuais
condenados. A informação compreendida no Registo encontra-se disponível ao público
através de páginas na Internet (e.g., página do FBI e do Departamento da Justiça dos
Estados Unidos). Para além do registo obrigatório, são impostas aos ofensores sexuais
restrições adicionais, relacionadas com a distância entre a sua residência e locais
frequentados por crianças ou famílias, utilização da Internet, uso de uma pulseira
eletrónica (GPS) e o estabelecimento de um compromisso civil por parte dos ofensores
que têm de se admitirem em instituições psiquiátricas caso sofram de alguma perturbação
mental e constituírem um perigo para si e para os outros. A grande maioria dos ofensores
sexuais vitimiza pessoas conhecidas, nomeadamente parentes, por contraste com os
retratos mediáticos de ofensas sexuais contra desconhecidos, frequentemente envolvendo
crimes de rapto. Apesar da publicação da localização dos ofensores sexuais condenados,
não existem evidências que o registo obrigatório tenha tornado a sociedade mais segura.
O presente estudo analisa as perceções de uma amostra de 269 agentes de autoridade
policial relativamente à utilidade, implicações e consequências da hipotética
implementação de um Registo de Ofensores Sexuais no nosso país, nomeadamente ao
nível do número e tipo de ocorrências criminais, e do seu impacto na sociedade. São ainda
objeto do estudo as perceções relativas aos diferentes tipos de ofensores sexuais, à
viabilidade da sua reintegração na comunidade e ao seu risco efetivo. Apesar de
compreenderem todas as implicações inerentes ao Registo, os resultados deste estudo
exploratório refletem a aceitação dos/as agentes de autoridade policial à hipotética
implementação deste sistema em Portugal.

PALAVRAS-CHAVE: Ofensores Sexuais; Registo Público; Impacto na Sociedade;


Agentes de Autoridade Policial.

78
REGISTO DE AGRESSORES SEXUAIS EM PORTUGAL: O «DIABO» ESTÁ
NOS DETALHES
Filipa Carrola (filipa.carrola@gmail.com)
Universidade da Beira Interior

RESUMO
Introdução: no decurso da abertura do ano judicial de 2014, a Ministra da Justiça (MJ),
anunciou a criação de um sistema de referenciação de agressores sexuais (AS),
enquadrando e justificando esta medida, mediante a explicitação da «Megan’s Law». Em
virtude de «pouco ou nada» ter sido avançado pela MJ, relativamente ao tipo de
informação que irá constar neste registo, e «quem?», «como?» e em que circunstâncias
poderá aceder ao mesmo, efectuou-se um estudo preconizando o seguinte: transmitir
conhecimento acerca da origem e dos moldes em que se prevê que esta medida seja
instaurada em Portugal, bem como sobre os seus (possíveis e prováveis) prós e contras,
através da análise dos principais resultados de investigação, realizada nos EUA, sobre o
impacto (e.g. taxas de reincidência) deste tipo de registo. Método: Análise documental
(método qualitativo); revisão de literatura acerca da «Megan’s Law». Resultados:
Concretizar a referenciação dos AS em Portugal, revela-se, para já, inconstitucional, e um
verdadeiro «assalto» a alguns dos Direitos do Homem, bem como dos Direitos
Fundamentais da União Europeia (UE). Aliás, chega-nos dos EUA a evidência de que a
aplicação deste tipo de medida não cumpre o seu principal objectivo; entenda-se, não tem
contribuído para a redução das taxas de reincidência em matéria de crimes sexuais.
Conclusões: Atenta a eventual implementação da referenciação de AS em Portugal é
imperativo que se aprenda com os «ecos americanos», que apontam para a ineficácia desta
medida ao nível da maior protecção e segurança das crianças. Assim sendo, convém não
«saltar» nenhuma alínea da Directiva 2011/92 da UE, pois a mesma já anuncia que antes
de «Os» registar há que «Os» tratar, e que antes de «Os» tratar há que «Os» avaliar quanto
ao seu risco e perigosidade. Só assim o seu registo poderá resultar em prevenção e evitar
ser «mais do mesmo», leia-se, remediar.

79
PAINEL XI – CONSUMOS E
DELINQUÊNCIAS
CRIME, VIOLÊNCIA E INSEGURANÇA NA POPULAÇÃO JOVEM E
SÉNIOR. UM ESTUDO EXPLORATÓRIO NO CONCELHO DE CABECEIRAS
DE BASTO

Emanuela de Sousa Pacheco (nela153@hotmail.com) &


Paula Cristina Martins (pcmartins@psi.uminho.pt)
Universidade do Minho
RESUMO
Introdução: A insegurança surge associada a um clima generalizado de ansiedade
relacionada com o processo de mudanças sociais que carateriza a sociedade moderna e de
que o aumento da criminalidade é uma das consequências mais visíveis (Lourenço, 2004).
Este estudo tem como principal objetivo explorar os sentimentos de insegurança e medo
gerados pelo fenómeno do crime e da violência nos indivíduos em meio rural em função
da idade. Método: Trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo, em que 40
participantes são inquiridos mediante entrevista semiestruturada. Resultados: Os
resultados alcançados permitiram perceber que em ambos os grupos o medo não é
prevalecente, uma vez que a população habita no meio rural, onde o crime e a violência
pública são praticamente inexistentes. Os inquiridos afirmam estar atentos à situação do
dia-a-dia através de conversas com amigos, familiares, vizinhos e pelos meios de
comunicação social. São os assaltos, especialmente no período da noite, o que mais
receiam. A crise económica, o domínio de valores capitalistas e a morosidade da justiça
são identificados como fatores críticos. Conclusões: Em ambientes sentidos como
seguros, o crime e a violência são percebidos de forma análoga por jovens e seniores, não
desencadeando sentimentos de especial insegurança ou medo.

PALAVRAS-CHAVE: Violência; Transgressão; Fatores de Risco; Fatores de


Proteção.

82
SATISFAÇÃO ESCOLAR E PREVALÊNCIA DO CONSUMO DE DROGAS
NUMA AMOSTRA DE JOVENS ESTUDANTES DAS ESCOLAS
PROFISSIONAIS NA ÁREA DO GRANDE PORTO
Edijane Costa (sou_jane@hotmail.com)
Universidade do Minho
RESUMO
Os jovens e as relações que estes estabelecem com a família, os pares, a escola e o
mercado de trabalho vem sendo tema de pesquisadores que objetivam compreender a
dinâmica das relações da juventude com a sociedade atual, e ainda elaborar possíveis
alternativas para minimizar os desafios com que os jovens se defrontam diariamente.
Entre as diferentes abordagens da psicologia do desenvolvimento que tratam sobre os
desafios inerentes aos jovens, a atual proposta de investigação segue os princípios do
modelo bioecológico de Bronfenbrenner (1979). Esta investigação tem por objetivo
estudar o processo de integração e o ajustamento psicossocial dos jovens nas escolas
profissionais. Especificamente pretende-se conhecer os fatores pessoais e contextuais que
poderão interferir neste processo, além de tencionar conhecer as atuações da escola face
às problemáticas que estes jovens apresentam. Para tal, a investigação recorreu ao estudo
empírico de natureza quantitativa junto de uma amostra de n= 811 jovens que frequentam
as escolas profissionais selecionadas na região do grande Porto e de uma amostra de n=
50 de professores destes mesmos alunos. Assim, o estudo foi desenvolvido através da
aplicação de instrumentos de medidas desenvolvidos para o efeito. Os dados foram
tratados através do software estatítico SPSS (Statistical Package for the Social Sciences)
versão 21. Os resultados preliminares apontam para um bom nível de satisfação escolar
entre os jovens da amostra pesquisada, bem como para uma significativa prevalência do
consumo de drogas ilícitas. Com efeito, o estudo apresenta considerações expressivas no
que concerne a identificação de fatores risco e proteção à integração e ajustamento
psicossocial dos jovens pesquisados.

PALAVRAS-CHAVE: Jovens; Drogas Ilíticas; Satisafação Escolar; Ajustamento


Psicossocial.

83
INQUÉRITO DE VITIMAÇÃO SOBRE DEPENDENTES DE DROGAS –
APRESENTAÇÃO DE UM QUESTIONÁRIO
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)

Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
Várias análises ao longo das últimas décadas têm apresentado evidências de que a
dependência de drogas está geralmente ligada a variadíssimos outros problemas, como a
prática criminosa, a exclusão social, a pobreza, a doença e a vitimação. Esta última não
tem sido suficientemente explorada sob o ponto de vista da investigação científica, não
sendo também alvo de atenção sob a perspetiva da investigação criminal. Os inquéritos
de vitimação não se revelam suficientes para apurar o papel das drogas nas ocorrências
criminais, sobretudo quando se procura auscultar esse papel na vítima eventualmente
intoxicada. Contudo, é frequente a presença de substâncias, tanto no ofensor, como na
vítima ou em ambos. Nesta comunicação será apresentado o resultado de um processo
que se iniciou com a elaboração de perguntas que acabaram por integrar um guião de
entrevista para, posteriormente, se tratarem as perguntas por forma a agrupar as mesmas
mediante categorias precisas. Assim, construiu-se um questionário que possibilite o
desenvolvimento de inquéritos de vitimação sobre a população específica dos indivíduos
dependentes de drogas. O instrumento resultante apresenta quatro partes, a primeira das
quais se refere aos dados sociodemográficos. De seguida surge a parte referente à história
/ padrão de consumos, a que se segue a parte correspondente à vitimação prévia ao
período de dependência. Por último apresenta-se a quarta parte, relativa à vitimação
sofrida durante a etapa de toxicodependência.

PALAVRAS-CHAVE: Questionário; Toxicodependência; Vitimação; Crime.

84
PAINEL XII – PSICOPATOLOGIA
E CRIME
O HOMICIDA INTRAFAMILIAR PORTUGUÊS: MODELO DE ANÁLISE
Luísa Ferreira Mascoli
Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A investigação a que nos propomos encerra como objetivo caraterizar as tipologias do (a)
homicida intrafamiliar português, entre os vários homicídios cometidos no seio da
família, entre parentes, ou entre elementos com afinidade familiar, como os homicídios
conjugais, os filicídios (neonaticídios, e os infanticídios), os parricídios (patricídios e os
matricídios), os fratricídios e aqueles que passamos a designar como homicídios entre
familiares colaterais. O nosso modelo de análise sobre este objeto de estudo ultrapassa a
revisão sistemática de literatura. Nesta etapa a importância da revisão sistemática da
literatura sobre o objeto de estudo da investigação vai nos permitir através do recurso à
metanálise como técnica estatística adequada combinar resultados provenientes de
diferentes estudos similares e assim gerar uma estimativa. Esta comunicação tem como
objetivo elencar as oportunidades e fraquezas desta abordagem.Uma revisão sistemática
consiste num conjunto de regras para identificar estudos sobre uma determinada questão
e, em seguida, selecionar quais serão incluídos ou não na metanálise. Na avaliação crítica
da revisão sistemática, é necessário que o investigador tenha em consideração a questão
a ser respondida, a estratégia de pesquisa utilizada, os critérios de inclusão e a qualidade
metodológica dos estudos incluídos, e o método de recolha dos dados. Considerando que
a recolha dos dados desta investigação é com base em evidências, recolhidos dos factos
provados em audiência de julgamento, as revisões sistemáticas de literatura em estudos
análogos serão ferramentas importantes no fornecimento de evidências para tomada de
decisão, aquando na criação de tipologias, cujo principal objetivo daquelas revisões
sistemáticas é reduzir ao mínimo o erro do tipo I, ou erro sistemático, eliminando estudos
com alto risco de enviesamento de resultados, reforçando, desta feita, os dados obtidos
da nossa investigação.

88
PADRÕES DE VINCULAÇÃO E TRAÇOS DE PSICOPATIA NA
ADOLESCÊNCIA: UMA QUESTÃO EM ABERTO
Margarida Simões (margaridas@utad.pt)*
Rui Abrunhosa Gonçalves (rabrunhosa@psi.uminho.pt) **
José Pinto Lopes (jlopes@utad.pt) ***
* Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
** Universidade do Minho
***Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

RESUMO:
Com esta investigação pretendemos defender que os padrões de vinculação estabelecidos
com os pais e amigos podem constituir-se como fatores de vulnerabilidade risco e de
vulnerabilidade protetora para o desenvolvimento de traços de psicopatia na adolescência.
O estudo foi realizado numa amostra de 500 adolescentes, dos 12 aos 18 anos de idade
que frequentavam escolas do ensino regular e profissional. As principais hipóteses
estabeleceram que a má qualidade dos padrões de vinculação (medidos através do
inventário de vinculação aos pais e amigos -IPPA3) seria preditora do desenvolvimento
de traços de psicopatia (medidos através do inventário de psicopatia para a adolescência
– o YPI). Os principais resultados indicaram que os padrões de vinculação identificados
como fatores de vulnerabilidade protetora foram os padrões comunicação mãe, confiança
pai, comunicação e atenção amigos. O padrão de vinculação identificado como fator de
vulnerabilidade risco foi o padrão de comunicação pai.
PALAVRAS-CHAVE: Psicopatia; Adolescência; Padrões de Vinculação.

89
PSICOPATIA E RECONHECIMENTO EMOCIONAL PROSÓDICO EM
INDIVÍDUOS NÃO CRIMINOSOS
Luísa Coelho (luisaalcobiacoelho@gmail.com) &
Rui Paixão (rpaixao@fpce.uc.pt)
Departamento de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade de Coimbra

RESUMO
Introdução: A psicopatia caracteriza-se por frieza afetiva, ausência de culpa e charme
superficial, mas também impulsividade e pobre controlo comportamental. Esta
conceptualização é híbrida, englobando uma dimensão primária (F1) e outra secundária
(F2), com manifestações comportamentais distintas, incluindo o funcionamento
emocional (e.g. Ferrigan, Valentiner, & Berman, 2000; Patrick, et al., 1993; Ross,
Benning, & Adams, 2007; Smith & Newman, 1990; Taylor & Lang, 2006; Walters,
2009). A investigação que liga a psicopatia aos défices afetivos desenvolveu-se
classicamente com amostras forenses embora diversos outros estudos evidenciem a
existência de sujeitos da população comum, sem registo criminal, com traços psicopáticos
significativos (Lilienfeld & Andrews, 1996). Metodologia: Neste estudo investigámos as
relações entre traços psicopáticos e a capacidade de reconhecimento prosódico de 6
emoções distintas em 284 indivíduos saudáveis, que realizaram uma tarefa de
reconhecimento emocional da voz (TRPE) (Paixão, Coelho, & Ferreira, 2011). Na
instrução, foi-lhes pedido que indicassem o tom emocional dos 40 estímulos áudio
exibidos. Os traços psicopáticos de F1 e F2 foram avaliados com a versão portuguesa do
Levenson Self-Report Psychopathy Scale (LSRP-VP) (Coelho, Tomás, & Paixão, 2011).
Resultados: As pontuações elevadas em F2 predizem significativamente os erros para o
reconhecimento vocal da Alegria. Além disso, emergiu uma diferença significativa para
pontuações extremas de F1 no reconhecimento prosódico do Medo, estendendo dados
anteriores que reportam défices no reconhecimento visual e vocal desta emoção, nos
psicopatas presos, a indivíduos não criminosos com traços psicopáticos. Conclusões:
Além de suportarem a visão bidimensional da psicopatia, os resultados são discutidos
considerando a proximidade funcional entre psicopatas criminosos e não criminosos.

PALAVRAS-CHAVE: Psicopatia; Reconhecimento Vocal; Medo; Fatores.

90
AJUSTAMENTO PSICOLÓGICO DE AGRESSORES SEXUAIS
CONDENADOS (PSYCHOLOGICAL ADJUSTMENT OF CONVICTED
SEXUAL OFFENDERS)
Vera Sigre-Leirós (vera.sigre.leiros@gmail.com)
Joana Carvalho (joana.pereira.carvalho@gmail.com) &
Pedro Nobre (pnobre5@gmail.com)
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto

ABSTRACT
Introduction: Sexual offenders are a heterogeneous population. Differences between
rapists and child molesters have been consistently reported and such differences should
be considered in the definition of effective rehabilitation programs. The present study
aimed to compare convicted rapists and convicted child molesters on features of
psychological/emotional adjustment, alongside a non-offender control group. Method:
Fifty men convicted for rape, 44 men convicted for child sexual abuse, and 37 non-
offenders answered to the Brief Symptom Inventory (BSI) and the Socially Desirable
Response Set Measure (SDRS-5). The non-offenders also completed the Sexual
Experiences Survey-Short Form Perpetration (SES-SFP). According to this evaluation,
men in this group did not report history of aggressive/coercive sexual behaviors. Results:
Results showed that, after controlling for sociodemographic variables and social
desirability, there was a significant main effect for group, Wilks’s Λ = .754, F (18, 232)
= 1.955, p < .05, partial η2 = .132. Specifically, rapists revealed significantly more
depression (p < .05) and paranoid ideation (p < .01) than non-offenders, as well as higher
levels of psychoticism compared to child molesters (p < .05) and non-offenders (p < .01).
Additionally, rapists and non-offenders presented significantly more hostility (p < .05)
than child molesters. Overall, convicted rapists presented general higher levels of
psychopathological symptoms thus showing poorer emotional adjustment. Conclusions:
These findings corroborate previous data on distinct emotional profiles of rapists and
child molesters. Given that offenders differ in their psychopathological features, rapists
and child molesters require different therapeutic strategies in order to target their specific
emotional needs. Increasing the specificity of psychological assessment and treatment of
convicted offenders may lead to an increase of success rehabilitation rates as well as a
decrease of recidivism.

KEYWORDS: Psychological Adjustment; Rapists; Child Molesters; Non-Offenders.

91
RESUMOS POSTERS
A PERCEÇÃO SOCIAL DA VIOLÊNCIA INTERPARENTAL
Diana Cardoso (dianacardoso@ufp.edu.pt) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
Muitas são as crianças expostas à violência interparental, sendo que o crescente
reconhecimento do seu impacto no ajustamento da criança tem sido cada vez mais
documentado. A literatura revela que a exposição de um menor a uma situação de
violência desta natureza, enquanto evento traumático, provoca na criança alterações nos
âmbitos emocional, comportamental, cognitivo e fisiológico. Assim, no intuito de
compreender quais a representações sociais acerca do fenómeno da e vitimação indireta
de crianças, mais especificamente das exposição à violência interparental foi realizado o
presente estudo quantitativo. Participaram na investigação 200 indivíduos, de ambos os
sexos e na faixa etária entre os 15 e 60 anos. Os dados foram recolhidos em dois formatos
(online e papel) através da Escala de Crenças sobre Violência Interparental (E.C.V.I.) de
Sani (2010), a qual foi neste estudo objeto de validação para a população portuguesa. Os
resultados do estudo mostram que em termos gerais, as representações sociais sobre a
violência interparental não são globalmente distorcidas. Existem diferenças
estatisticamente significativas (p <.001) quanto ao sexo, apresentando os homens mais
crenças distorcidas que as mulheres. Em termos de formato de recolha verificam-se
diferenças (p<.05), apresentando o preenchimento presencial níveis de dispersão
inferiores aos manifestados pelo preenchimento online, muito embora não haja diferenças
significativas ao nível da variância (F = 2.66; p = .11), assumindo-se a equivalência na
dispersão dos resultados num e noutro modo de administração da escala. Pode assim
constatar-se que não obstante o relativo reconhecimento social do problema de violência
indireta sobre a criança, a sua visibilidade é ainda algo reduzida.

PALAVRAS-CHAVE: Violência Interparental; Representações; Crianças; Crenças.

94
AMBIENTES FAMILIARES VIOLENTOS NO RELATO DE JOVENS
Madalena Sofia Oliveira (madalena@ufp.edu.pt) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A família é um microssistema onde cada membro tem o seu papel social específico, o que
reflete a sua organização estrutural e funcional. A família aparece usualmente associada
a afeto, harmonia e proteção, no entanto um desvio da sua missão poderá originar
alterações prejudiciais ao desenvolvimento das crianças. Com objetivo de conhecer as
características do ambiente familiar dos jovens quanto à presença ou não de
comportamentos de violência (tipologias, frequência) considerando os seus
intervenientes, levamos a cabo um estudo em contexto escolar com 1476 jovens entre os
15 e os 20 anos jovens. Para recolha de dados utilizamos a escala de Sinalização de
Ambiente Natural Infantil (SANI) de Sani (2003). Os dados revelam na categoria do
Abuso Físico, 17% dos jovens sinalizaram no seu contexto familiar atos como: atirar com
coisas contra uma pessoa de propósito; 14% bater ou tentar bater com alguma coisa em
alguém. Na categoria de Abuso Emocional constatámos que atos como insultar ou chamar
nomes feios a outra pessoa e o gritar muito e muito alto com alguém, revelam
percentagens de 47% e 56, respetivamente. Na categoria Coerção 13.8% e 13.9%, dos
participantes, respetivamente, afirmaram terem visto ou ouvido, no contexto familiar
“obrigar uma pessoa a fazer tudo como se fosse um criado” ou “obrigar a guardar segredo
de coisas feias ou más. No Controlo, constatamos os atos mais sinalizados referem-se a
“estar sempre a controlar tudo” 29.1%; e “não deixar uma pessoa sair de casa para alguns
sítios” 32.5%. Assim, importa referir que a vitimação no contexto familiar em resultado
da violência que sofrem ou assistem entre os progenitores, pode ter efeitos nefastos para
o desenvolvimento das crianças e jovens, pondo em causa o seu ajustamento global.

PALAVRAS-CHAVE: Violência; Família;Vitimação; Jovens.

95
AS CONSEQUÊNCIAS DA EXPOSIÇÃO DA CRIANÇA À VIOLÊNCIA
INTERPARENTAL: ANÁLISE DE PERCEÇÕES
Eva Chaves (evaxavierchaves@hotmail.com) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A exposição da criança à violência interparental é uma experiência complexa que resulta
numa grande variabilidade em termos de impacto. Um reconhecimento mais direto do
fenómeno e suas consequências através de uma abordagem centrada na criança auxiliada
pela informação proveniente dos progenitores ou cuidadores, permite-nos alcançar uma
maior fidelidade para a compreensão deste fenómeno. O presente trabalho versa sobre
uma investigação qualitativa sobre o impacto da violência interparental no
desenvolvimento da criança, assim como na sua adaptação ao meio social. O estudo
decorreu com uma amostra intencional de 8 crianças com idades compreendidas entre os
6 e 14 anos e respetivos progenitores utentes de um gabinete de apoio à vítima. A recolha
de dados foi realizada através de um guião de entrevista semiestruturado aplicado um aos
pais e outro às crianças. O tratamento de dados teve por referência a grounded analysis,
seguindo os pressupostos da Grounded Theory. Para avaliar as competências sociais e
problemas comportamentais da criança recorremos ao questionário de comportamentos
da criança (Child Behavior Checklist – CBCL). Os resultados indicam que o impacto
negativo da exposição manifesta-se em todas as crianças, independentemente do tipo de
violência, podendo alguma diferenciação ser ocasionada pela severidade do caso. No
entanto, segundo a descrição dos progenitores parece existir uma boa adaptação da
criança aos diferentes contextos. Os dados da CBCL mostram precisamente o contrário,
i. é, que os valores para o ajustamento global dividem-se entre o nível clínico e normativo,
apresentando grande parte das crianças problemas de internalização. Ao nível das
competências a grande parte das crianças apresenta boas competências, o que sugere um
bom prognóstico.

PALAVRAS-CHAVE: Criança; Impacto; Adaptação; Violência Interparental.

96
ATITUDES DOS AGENTES DE SEGURANÇA PÚBLICA SOBRE O CRIME
NO FEMININO
Helder Fernandes (6189@ufp.edu.pt), &
Sónia Caridade, (soniac@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
O crime praticado, no masculino ou no feminino, constitui inegavelmente um fenómeno
social altamente desestruturante e o qual urge combater. A Polícia de Segurança Pública
enquanto entidade constituinte do sistema de controlo formal desempenha um papel
preponderante na erradicação do crime. Atendendo a que as atitudes que os profissionais
veiculam sobre o crime têm uma influência determinante na sua atuação face ao delito,
com o presente estudo, que apresentaremos em formato de poster, pretendemos
caracterizar as atitudes que os agentes de segurança pública apresentam, especificamente
sobre o crime no feminino. A pertinência deste estudo assenta desde logo no facto de a
criminalidade feminina ser representada como sendo um fenómeno raro e de menor
gravidade, assistindo-se, por vezes, a uma certa desresponsabilização ou complacência
face à mulher agressora. Para a recolha de dados, procedeu-se à administração, online, da
escala de atitudes sobre o crime no feminino (Caridade & Nunes, no prelo) junto de uma
amostra de 100 agentes de segurança pública. Nesta apresentação, propomo-nos
apresentar alguns resultados deste estudo e, consequentemente, analisar e discutir
algumas implicações para a prática interventiva destes profissionais no combate ao crime
no feminino.

PALAVRAS-CHAVE: Criminalidade Feminina; Atitudes; Agentes de Segurança


Pública, Atuação Policial.

97
CRENÇAS SOBRE A VIOLÊNCIA INTERPESSOAL: A PERSPETIVA DOS
JOVENS PORTUGUESES
Madalena Sofia Oliveira (madalena@ufp.edu.pt) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)

Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa


RESUMO
As crenças legitimadoras do recurso à violência nas relações pode ter origem no testemunho de
violência na família, nos primeiros anos de vida. Por essa razão tem surgido o interesse científico
em se avaliar a perceção sobre a violência interparental e a sua relação com as crenças sobre a
violência interpessoal. Neste sentido procedemos à realização de um estudo quantitativo que
procurou identificar as crenças sobre a violência interpessoal, numa amostra de 1476 jovens, com
idades compreendidas entre os 15 e os 20 anos jovens estudantes portugueses a frequentar o
ensino secundário e profissional. Para tal, recorremos à utilização da Escala de Crenças da Criança
sobre a Violência (ECCV) de Sani (2003). Os resultados mostram uma maior concordância,
alguns acima dos 70%, para o uso da violência por fundamentos individuais (e.g., existência de
motivos; consumos de drogas; conduta errada). Relativamente àqueles que obtiveram menor
concordância dos jovens, salientamos os determinantes de cariz sociocultural, com expressões
atingir os 17% de concordância: a violência não pode ser controlada. Assim, este estudo revela a
necessidade de encarar as crenças legitimadas pelos jovens em toda a sua complexidade, dada a
possibilidade das mesmas comprometem as vivências dos jovens e os seus relacionamentos
futuros.

PALAVRAS-CHAVE: Crenças; Violência; Relações íntimas; Jovens.

98
ESTUDO COMPARATIVO DAS COMPETÊNCIAS EMOCIONAIS EM
MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA CONJUGAL E MULHERES NÃO-
VÍTIMAS
João Leal (16977@ufp.edu.pt),
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt) &
Sónia Caridade (soniac@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A investigação em matéria de vitimação no âmbito das relações conjugais tem vindo a
comprovar as suas consequências nefastas a diferentes níveis (e.g., económico,
psicossocial, saúde física). O abuso emocional surge, na literatura, como o mais
prevalente e aquele que provoca um maior comprometimento no funcionamento da
vítima, restringindo a sua agência pessoal e fomentando a dependência face ao agressor.
Neste trabalho, que propomos expor em formato escrito (poster), apresentaremos um
estudo empírico que teve como objetivo principal caraterizar a perceção e expressão
emocional e a capacidade para lidar com a emoção de um grupo de mulheres vítimas de
violência conjugal (n=55) em comparação com um grupo de mulheres não-vítimas
(n=55). Para tal, foram utilizados dois instrumentos: o I.V.C. (Inventário de Violência
Conjugal) e o Q.C.E. (Questionário de Competência Emocional) e mais uma questão
adicional para recolha de informação quanto à reiteração dos atos abusivos. Em termos
de resultados obtidos, verificou-se que existe uma diferença significativa entre os valores
mais baixos obtidos no primeiro grupo em função do segundo, o que nos levou a
considerar que as vítimas na conjugalidade parecem demonstrar uma maior dificuldade
ao nível das competências emocionais quando comparadas com as não-vítimas. A
capacidade para lidar com a emoção é a escala que apresentou valores mais elevados no
grupo de mulheres vítimas, sugerindo a representação do esforço da vítima na utilização
de estratégias de coping face à violência. Concluímos com este estudo que a intervenção
junto desta população poderia beneficiar da inclusão de estratégias específicas de
promoção de competências emocionais, potenciando-se assim a autonomização e
melhoria da qualidade de vida das vítimas.

PALAVRAS-CHAVE: Violência Conjugal; Vítimas; Competências Emocionais.

99
INVESTIGAÇÃO E AÇÃO PENAL: ANÁLISE DOCUMENTAL A
PROCESSOS-CRIME POR VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Alexandra Andrade (alexandrapandrade@gmail.com) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A maioria dos países atualmente considera a violência doméstica prioritária, impondo-se
a intervenção e proteção da vítima pelo Estado. Na presente investigação pretendeu-se
analisar os processos de violência doméstica instaurados num Departamento de
Investigação e Ação Penal (DIAP) entre os anos de 2008 a 2011, com o intuito de recolher
informação estatística e compreender o tipo de encaminhamento dado aos processos. Os
dados foram analisados com o auxílio do programa informático, IBM SPSS, versão 19.0.
Assim dessa análise documental constatou-se que deram entrada no DIAP no período
supracitado 4661 processos. Destes 1840 foram arquivados, 323 acusados e em 53 foi
aplicado o instituto da suspensão provisória do processo. Dos 323 acusados, 32 processos
deram origem a condenação dos agressores a pena de prisão pelos tribunais, ou seja
0.69%. Foram atribuídas medidas punitivas a 30.3% da amostra dos ofensores, que visam
a recuperação do indivíduo. Posteriormente, focalizando-nos na análise dos processos que
tinham sido acusados, tentamos percebe para onde tinham sido encaminhados (Tribunal
de Juízo Criminal e a um de Vara Criminal), as quais nos dirigimos solicitando
autorização para consultar aleatoriamente por cada ano 50% dos casos. No total foram
consultados 115 processos procedendo-se à caracterização desses mesmos processos, no
que diz respeito aos dados sociodemográficos da amostra, a caracterização da violência e
dos comportamentos do agressor, assim como a caracterização do processo-crime.
Concluímos que é necessário uma resposta ao problema da violência doméstica,
agilizando todo o trâmite processual no sentido de ser mais rápido e eficaz, contribuindo
como medida dissuasora para o agressor e protetora relativamente à vítima.

PALAVRAS-CHAVE: Violência doméstica; Vítima; Processos criminais; Tribunal.

100
PRÁTICAS DE INTERVENÇÃO DOS TÉCNICOS JUNTO DE CRIANÇAS
EXPOSTAS À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM CASAS DE ABRIGO
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt) &
Ana Lúcia Correia (18169@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
Nos últimos anos em Portugal tem vindo a estar devidamente documentado, a influência
negativa que a exposição das crianças a violência interparental tem no desenvolvimento
equilibrado dos mais jovens. As situações mais severas são geralmente reencontradas em
casas de abrigo para mulheres e crianças vítimas de violência doméstica, revelando muitas
dessas crianças acolhidas necessidades específicas de intervenção. Neste sentido
desenvolvemos um estudo qualitativo com o objetivo conhecer as práticas de intervenção
operadas por técnicos nessas casas de abrigo, sobretudo dirigidas à população infantil aí
residente. Constituímos uma amostra intencional com técnicos de ambos os sexos, idades,
formação académica e experiência de trabalho, aos quais foi solicitado que respondesse
a um conjunto de questões apresentadas num guião estruturado que lhes foi
disponibilizado eletronicamente. Os dados apontam para importância do apoio a dar às
crianças, sendo as necessidades mais evidenciadas a segurança, a vinculação afetiva, o
acompanhamento escolar, psicológico e o relacionamento com os familiares/pares.
Apesar de parca, ressalta-se o interesse da intervenção individual e/ou em grupo com as
crianças, de modo a trabalhar a nível emocional, as representações da família, os
problemas de comportamento, a aquisição de confiança, entre outros. A intervenção deve
ser multidisciplinar e contemplar além de atividades lúdicas, a avaliação das necessidades
dos agregados, a intervenção com as progenitoras, o acompanhamento a nível da saúde,
a integração em espaços ocupacionais. Concluímos que os desafios evidenciados são
vários, mas também diversas foram as soluções apontadas como a realização de parcerias,
de protocolos, a aquisição de recursos, a formação especializada dos técnicos e a proposta
de programas de intervenção.

PALAVRAS-CHAVE: Criança; Violência; Intervenção; Casa de abrigo.

101
PRINCÍPIOS NEO-HUMANISTAS NA PRÁTICA INTERVENTIVA COM
VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
João Leal (16977@ufp.edu.pt) &
Sónia Caridade (soniac@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa
RESUMO

A literatura científica tem vindo a evidenciar o sucesso da intervenção psicoterapêutica


alicerçada em princípios neo-humanistas no tratamento de diversas problemáticas como
a depressão e o trauma, e em diferentes modalidades como a terapia de casal e individual.
Estas abordagens assumem como fundamental a validação da experiência do cliente
assim como uma constante sintonia empática e aliança terapêutica facilitadoras, por si só,
do processo de mudança. Atendendo a que o contexto de apoio à vítima de violência
conjugal se caracteriza pela sua complexidade e exigência ao nível das competências
relacionais do técnico, com este trabalho escrito (poster), pretendemos explorar os
contributos do neo-humanismo para a prática com vítimas aplicáveis em diversos
contextos profissionais (e.g., jurídico, saúde, escolar). Tal fundamenta-se no facto de a
literatura comprovar que a adoção destes princípios por parte do profissional permite
promover a qualidade da relação de ajuda e neste sentido, poderá igualmente potenciar
uma maior sensibilidade para com as idiossincrasias na intervenção com vítimas de
violência.

PALAVRAS-CHAVE: Violência Doméstica; Neo-Humanismo; Competências


Relacionais; Intervenção com Vítimas.

102
REPRESENTAÇÕES DE CRIANÇAS E MÃES SOBRE A VITIMAÇÃO
INDIRETA DOS FILHOS
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt) &
Liliana Soares (liliana_soares@hotmail.com)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A investigação sobre a exposição da criança à violência interparental tem aumentado em
Portugal e verificamos que vários estudos têm sido de natureza qualitativa, permitindo a
compreensão da experiência subjetiva destas vítimas. A presente investigação pretende
compreender quais as representações que as crianças expostas à violência interparental
têm de si mesmas, do significado de violência, da mãe e respetivas práticas educativas
maternas. Paralelamente comparamos as representações das crianças com as das
respetivas mães, quanto à experiência de vitimação das suas crianças. Para tal constituiu-
se uma amostra de doze participantes (seis crianças entre os seis e os dez anos e respetivas
progenitoras), aos quais realizamos uma entrevista semiestruturada em profundidade,
cujos dados foram posteriormente examinados segundo a Grounded Analysis. Os
resultados reforçam a que a exposição à violência interparental tem um impacto negativo
no ajustamento psicossocial da criança, sendo este fortemente influenciado pelos
significados que as crianças atribuem às suas experiências de vitimação. Ainda que o
acesso ao discurso interno do sujeito e a possibilidade de triangulação das fontes se
revistam de particular relevo para a compreensão mais aprofundada do impacto da
violência interparental nas crianças, no presente estudo não se notaram diferenças
significativas entre os relatos das crianças e os relatos das progenitoras. Este trabalho
pretende reforçar a contínua investigação nesta área, no sentido de promover uma maior
consciencialização, social e científica, sobre a extensão e severidade do fenómeno em
epígrafe.

PALAVRAS-CHAVE: Criança; Violência; Experiência; Intervenção.

103
STALKING NUM CONTEXTO PORTUGUÊS: NECESSIDADE DE UMA
LEGISLAÇÃO ANTI-STALKING
Ana Miranda (ana.rp.mirand@gmail.com)
Instituto CRIAP – Psicologia e Formação Avançada
Universidade do Minho

RESUMO
O stalking tem vindo a ser estudado em diversos países desde dos anos 80, no entanto, só
no século XXI, mais precisamente em 2007, é que surge o primeiro estudo em Portugal.
Verifica-se que os portugueses carecem de consciencialização para esta nova forma de
vitimação, pelo que alguns investigadores iniciaram a realização de estudos com o
objetivo de definir e compreender este fenómeno. Compreender o stalking envolve
conhecer as motivações do stalker e o impacto que o seu comportamento provoca na
vítima. Atualmente, em Portugal ainda não existe um reconhecimento do stalking como
uma forma de vitimação, e não existe uma lei anti-staking, no entanto, alguns
comportamentos que ocorrem enquadrados em certos contextos podem ser punidos à luz
do código penal. Existem nove países em que já vigora uma legislação anti-stalking,
nomeadamente, Áustria, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Irlanda, Itália, Malta
e Reino Unido. Assim este trabalho pretende fazer uma discussão teórica sobre o
fenómeno em Portugal, caracterizando e debatendo alguns aspetos que o denunciam
claramente com o problema social, que carece de um enfrentamento mais sério e uma
resposta social urgente. Em Portugal será de todo importante que através dos estudos e
da consciencialização consequente para o problema do Stalking, possa haver um reforço
legislativo e uma maior ação interventiva junto das vítimas e do/a stalker, e de forma a
promover a sua consciencialização na sociedade.

PALAVRAS-CHAVE: Stalking; Vitimação; Legislação Anti-Stalking; Stalking em


Portugal.

104
TIPOLOGIAS DE AGRESSÃO E DINÂMICAS NA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
EM AUTOS POLICIAIS
Cristiana Carvalho (16481@ufp.edu.pt) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A análise dos autos policiais revela-se de particular interesse para o estudo da violência
doméstica participada e um ponto de partida a considerar aquando da definição de
estratégias e políticas de prevenção que combatam este problema social. Neste sentido, o
presente trabalho apresenta dados de uma investigação qualitativa que teve como objetivo
a análise de conteúdo das «descrições narrativas dos factos», presentes em 141 autos de
notícia e denúncia, reportados no ano de 2010, numa esquadra da Polícia de Segurança
Pública (PSP) do Porto. Desta análise emergiram várias categorias, entre estas a que
designámos «tipologias de violência» e a «dinâmicas da violência doméstica», nas quais
centraremos a esta apresentação. A violência referenciada nos autos inclui agressões
físicas, ameaças, humilhação pública, intimidação, isolamento, exercer pressão e formas
de controlo diversas, como económico, e violência sexual. Quanto à direção, a violência
é frequentemente bidirecional, envolve outros intervenientes além de agressor e vítima, o
poder e o controlo é exercido de várias formas. Os motivos apontados para as agressões
incluem ciúmes, dificuldades económicas e consumo de álcool e o são reportadas
situações de assédio persistente (stalking) com diversos contornos. A revelação das
situações presentes neste estudo refletem de forma clara o problema complexo por que
enfrentam estas vítimas e a dificuldade de confronto e combate ao problema, aos quais se
associam vários fatores de risco e uma dinâmica muito própria. A resposta das forças
policiais deve incorporar a avaliação desses e outros aspetos que sobressaíram da análise
dos autos da polícia.

PALAVRAS-CHAVE: Violência Doméstica; Polícia; Auto de Notícia; Auto de


Denúncia.

105
TRATAMENTO PELOS MEDIA DO TEMA DA EXPOSIÇÃO DE CRIANÇAS
À VIOLÊNCIA INTERPARENTAL
Diana Cardoso (dianacardoso@ufp.edu.pt) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
Embora haja uma evidência progressiva do fenómeno da Violência Interparental, quer
através da visibilidade criada pelos dados oficiais e estudos académicos, o facto é que a
comunicação social tradicional, em geral, não tem colocado esta temática na ordem do
dia. Por um lado, é parca a divulgação dos estudos existentes e, por outro lado, são
escassos os casos conhecidos noticiados. Quisemos por isso fazer uma pesquisa
documental relativa ao estado da divulgação deste tipo de violência, recorrendo a um
jornal diário com dimensão nacional - Jornal de Notícias - com o objetivo de avaliar o
statu quo da notícia sobre a violência interparental em Portugal. A análise pautou-se assim
por um processo de amostragem intencional, tendo-nos debruçado sobre material
publicado entre os meses de outubro de 2011 e janeiro de 2012. Os resultados mostram
que no período de tempo considerado (entre os meses de outubro de 2011 e de janeiro de
2012) foi registada apenas uma situação de violência interparental (letra P), que em
termos relativos, corresponde a uma percentagem de 0.94% do total da amostra de 106
notícias analisadas, a par de outros tipos de violência. Tal como perspetivamos, a
violência interparental não é divulgada na fonte utlizada. Não estamos convictos que seja
pela sua inexistência, mas porventura pelo seu estatuto não criminal, não obstante o
crescente reconhecimento social do fenómeno como inequívoca situação de vitimação e
risco para a criança e jovem.

PALAVRAS-CHAVE: Violência interparental; Media; Crianças; Comunicação social.

106
VALAS COMUNS
Ana Gonçalves (anagooncalves@hotmail.com)
Mafalda Barros (mafalda.sb.barros@hotmail.com)
Rafaela Silva (rafaelasofi@hotmail.com)
Instituto Ciências Biomédicas Abel Salazar

RESUMO
As valas comuns representam um local de enterramento de corpos humanos ou restos
dos mesmos, acompanhados habitualmente por solo ou artefatos, que fornecem
informações a áreas da medicina legal, como a antropologia para posterior identificação,
determinação da causa de morte e estimativa do tempo de morte. As valas surgem por
motivos políticos, guerra, genocídio e catástrofes, existindo vários episódios
reconhecidos como o Massacre de Vukovar, campos de concentração da Alemanha e
Guerra Civil Camboja, onde foram encontradas várias vítimas resultantes destes crimes.
Existem dois métodos utilizados na escavação de valas comuns, o método pedestal e
estratigráfico, sendo estes classificados de acordo com a diferente forma de remover o
solo e os cadáveres. Após analisar os métodos em contexto forense, o método pedestal
apresenta fácil acesso, afundamento da massa corporal, perda de restos mortais e maior
desarticulação dos ossos. Por outro lado, o método estratigráfico apresenta maior
segurança, menos ossos maiores desarticulados e uma exumação mais completa. Assim,
as valas comuns, classificadas de acordo com o número de indivíduos enterrados e tipo
de enterro, auxiliam na identificação e permitem a gravação do passado humano e
respetiva datação. Contudo, há a necessidade de um método de escavação que considere
tempo, dinheiro, saúde, segurança e menor destruição, sendo o método estratigráfico o
que preserva melhor os restos humanos, mantendo o seu conteúdo e segurança dos
trabalhadores.

PALAVRAS-CHAVE: Valas Comuns; Exumação; Identificação Forense;


Remanescentes de Esqueletos.

107
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: CRITÉRIOS PARA A TOMADA DE DECISÃO
JUDICIAL
Alexandra Andrade (alexandrapandrade@gmail.com) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A violência doméstica é atualmente um problema social de intervenção prioritária com
relevância política, presente pelos diversos planos nacionais de combate (atualmente no
IV) e pela legislação recente que tem surgido para reforçar o quadro interventivo dos mais
diversos órgãos e entidades que atuam na luta contra este fenómeno. A leitura da justiça,
patente naqueles que a realizam é o objeto central deste trabalho, que procurou junto de
magistrados de um Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) compreender os
critérios subjacentes à tomada de decisão. Neste sentido realizou-se um estudo
qualitativo, no qual foi utilizado um guião de entrevista semidiretivo (Andrade & Sani
2012), composto por nove questões abertas. Os dados foram recolhidos junto dos cincos
procuradores adjuntos que compõem a equipa dessa secção do DIAP responsável pelo
crime de violência doméstica. Em termos de caracterização sociodemográfica é de referir
que quatro dos participantes são do sexo feminino e um do sexo masculino, com idades
entre 37 e 47 anos, sendo a média 40.60 e o desvio padrão de 3.2. Relativamente ao estado
civil 80% são casados, sendo os restantes 20% solteiros. No que respeita a parentalidade
80% da amostra tem filhos. Os dados revelam que embora a lei de 2007 expresse que os
maus-tratos físicos ou psicológicos possam ser infligidos de modo repetido ou não, a
reiteração é um fator com peso na consideração do crime de violência doméstica, assim
como a intensidade da violência. O instituto de suspensão provisória do processo surge
como um mecanismo que corresponde às necessidades da vítima e à reabilitação do
ofensor. Conclui-se que não obstante as modificações legais, a maior consciencialização
e sensibilização dos magistrados denotam-se ainda alguns preconceitos e impressões
socialmente construídas acerca da mulher e que afetam a tomada de decisão judicial.

PALAVRAS-CHAVE: Violência Doméstica; Representações; Magistrados; Tomada de


decisão.

108
VIVÊNCIAS ÍNTIMAS JUVENIS: A PROPÓSITO DA VIOLÊNCIA
Madalena Sofia Oliveira (madalena@ufp.edu.pt) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
Na década passada começaram a surgir em Portugal vários estudos dedicados à violência
nas relações íntimas, realizados muitos destes em contexto universitário, com o objetivo
de compreender os comportamentos e atitudes desta população no âmbito das suas
relações íntimas. Procurando contribuir um melhor reconhecimento da problemática,
nomeadamente na prevalência de determinados comportamentos, levamos a cabo um
estudo com uma amostra de 1476 jovens, com idades compreendidas entre os 15 e os 20
anos e que frequentam o ensino secundário e profissional, distribuídos pela região norte
e centro de Portugal. Recorremos à utilização do Inventário de Violência Conjugal (IVC-
2) de Machado, Matos e Moreira (2003). Analisados os comportamentos mantidos por
este grupo de jovens no âmbito dos seus relacionamentos, apurou-se que 24.8% dos 693
que mantêm relacionamentos atualmente admitem ter adotado um qualquer
comportamento violento. No que respeita à vitimação, 22.4% referem já ter sofrido do(a)
seu/sua parceiro/a, de um qualquer comportamento abusivo. Os atos mais usualmente
perpetrados, denominados de comportamentos emocionais abusivos: insultar, difamar ou
fazer afirmações graves com percentagens que variam entre os 22% e os 42% quer para
a vitimação, quer para perpretação. Foram ainda descritos atos físicos abusivos e
violência física severa sendo exemplos disso: a bofetada; puxar os cabelos e apertar o
pescoço, com correlatos que se situam entre os 12% e os 20% na perpetração e vitimação.
A realidade portuguesa quanto ao estudo do fenómeno nas relações de intimidade dos
jovens é a que a violência é parte integrante das suas experiências de vida.

PALAVRAS-CHAVE: Violência; Relações Íntimas; Jovens.

109
PREVALÊNCIA DE VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES IMIGRANTES:
REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
Mariana Gonçalves (Marianadeliade@gmail.com)
Marlene Matos (mmatos@psi.uminho.pt) &
Rita Conde (ritacondedias@psi.uminho.pt; ritacondedias@gmail.com)
Escola de Psicologia, Universidade do Minho

RESUMO
A violência contra as mulheres tem sido amplamente documentada ao longo do tempo,
tendo-se assistido a um interesse crescente pelo estudo particular da vitimação junto das
mulheres imigrantes que, embora se trate de um universo heterogéneo, partilha de um
conjunto de especificidades que parece vulnerabilizar esta população para a vitimação.
Esta revisão sistemática da literatura pretende documentar as formas de vitimação
experienciadas pelas mulheres imigrantes, no país de acolhimento, e a respetiva
prevalência. Foram realizadas pesquisas em cinco bases de dados: PsycArticles, Pubmed,
Web of Science, Scopus e ScienceDirect. Foram selecionados um total de 24 estudos,
publicados entre 2003 e 2013, de design quantitativo, desenvolvidos com adultos, de
idade igual ou superior a 18 anos, que permitissem aferir o tipo de violência experienciada
e a sua prevalência. Os estudos foram realizados maioritariamente no continente
americano (67%) e na Europa (33%), com mulheres imigrantes sobretudo provenientes
da Ásia e da América Latina. A grande maioria foca o seu objeto de estudo na violência
exercida por um parceiro íntimo, apresentando valores de prevalência para a violência
física, a violência psicológica e a violência sexual, documentando prevalências mais
elevadas nos EUA. A elevada variabilidade nas prevalências encontradas nos vários
estudos estão relacionados com as questões metodológicas adotadas, nomeadamente no
que respeita ao tipo e tamanho da amostra e aos instrumentos utilizados para avaliar a
vitimação. Conclui-se sobre a necessidade de desenvolver estudos que permitam avaliar
outras formas de violência exercidas sobre mulheres imigrantes para além da violência
na intimidade, bem como documentar a coocorrência de múltiplas formas de vitimação
ao longo da vida destas mulheres.

PALAVRAS-CHAVE: Mulheres; Imigrantes; Violência; Prevalência; Vitimação


Múltipla.

110
CRIME ORGANIZADO EM PORTUGAL (COP) – QUESTIONÁRIO
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt) &
Lígia Afonso (ligiaa@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
O crime organizado tem-se revelado uma das áreas que carece de atenção por parte da
investigação científica, nomeadamente, no domínio das ciências sociais, a fim de que
melhor se percebam os seus mecanismos e a forma de atuar dos atores sociais que
integram essas organizações. Por outro lado, parece pertinente que se questionem os
profissionais que se dedicam à investigação criminal, a fim de que se capturem as
perceções desses agentes, a respeito da criminalidade organizada no contexto português.
Para tanto, desenvolveu-se um questionário que possibilite a recolha de dados, quer
quantitativos, quer qualitativos, a respeito do crime organizado percebido e interpretado
por agentes portugueses de controlo social, que se dediquem a esse tipo de investigação.
A realização do instrumento começou por uma conjunto de perguntas que, depois de
organizadas, passaram a integrar um guião de entrevista. Nesse guião, foi possível
identificar perguntas passíveis de agrupar em torno de categorias de informação e,
finalmente, foi possível converter essas perguntas em questões, abertas, dicotómicas e de
resposta múltipla. O que desse processo resultou, foi um questionário constituído por
cinco partes: a primeira referente aos dados sociodemográficos, logo seguida de uma
outra relativa à situação do profissional de polícia inquirido. A terceira parte remete o
combate ao crime organizado em Portugal, e a quarta refere-se às características do crime
organizado em território português. A última parte corresponde às questões associadas à
perceção dos agentes a respeito do futuro, em termos de criminalidade organizada.

PALAVRAS-CHAVE: Inquérito; Questionário; Crime organizado; Investigação


criminal.

111
ALPHONSE BERTILLON E A IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL
Luísa Teixeira (luisamteixeira@hotmail.com)
Instituto CRIAP

RESUMO
Comemorando-se o centenário do falecimento de Alphonse Bertillon (1853-1914), este
trabalho tem como objetivo recordar a sua importância no progresso da investigação
criminal. O criminologista francês foi um dos fundadores da técnica da perícia e
identificação criminal. Lançou o primeiro sistema científico de identificação, a
antropometria. A observação e a análise sobre a relação das diversas partes do corpo, já
era objeto de estudo desde tempos remotos, mas, foi utilizada e adaptada pela primeira
vez no campo da pesquisa criminal, por Bertillon. Aliado àquela inovação surgiram novos
métodos, que ainda hoje são fundamentais no universo da investigação, entre eles, o uso
de fotografia para documentar cenas de crime e as provas. A utilização do seu próprio
método permitiu descobrir e condenar indivíduos reincidentes no mundo do crime nos
finais do Século XIX em França. Como conclusão, podemos dizer que o seu contributo
foi deveras importante para os métodos científicos policiais. Desde, o modo de produzir
fotografias na polícia até à utilização da fotografia no inquérito judicial, foram
contribuições valiosas, no que concerne à identificação criminal.

PALAVRAS - CHAVE: Perícia; Antropometria; Fotografia; Provas.

112
LOFOSCOPIA EM INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
Andreia Pereira (andreia_s_g_afonso@hotmail.com)
Instituto CRIAP

RESUMO
A Lofoscopia é a ciência que estuda os padrões dermopapilares dos dedos, palma das
mãos e planta dos pés, resultante do contacto destes com uma superfície. Aplicada à
investigação criminal, fornece informações singulares, permitindo a identificação de
vítimas e suspeitos, e ilibar inocentes. Antes de serem recolhidos, os vestígios que se
encontram latentes têm de ser revelados, enquanto que os moldados e visíveis,
evidenciados. O método adequado de revelação depende da porosidade e da cor da
superfície, assim como a antiguidade da impressão, que influencia a sua composição.
Após revelação das impressões, é feita a sua recolha para que possam ser comparadas
com as impressões dos indivíduos envolvidos no processo. Desta escolha resultará uma
impressão que deverá ser de qualidade, fulcral para o contributo da lofoscopia. É feita
uma análise comparativa entre as impressões recolhidas e as dos indivíduos, procurando
pontos coincidentes no desenho dermopapilar. Em Portugal, é necessária a existência de
12 pontos coincidentes para que se atribua a impressão a determinado indivíduo. Desta
escolha resultará uma impressão que deverá ser de qualidade, fulcral para o contributo da
lofoscopia na investigação criminal.

PALAVRAS-CHAVE: Lofoscopia; Investigação Criminal; Vestígio.

113
MARCAS DE MORDIDA E ESTIMATIVA DA IDADE.
A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Susana Braga (susanacarvalhobraga@gmail.com)* &
Inês Morais Caldas (icaldas@fmd.up.pt) **,***
*
Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto
**
Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto
***
CENCIFOR – Centro de Ciências Forenses

RESUMO
Introdução: No panorama judicial, a interpretação das provas dentárias em situações de
crime é universalmente aceite como tendo valor probatório em tribunal. Neste sentido, o
estudo das lesões provocadas pelas marcas de mordida humana reveste-se de particular
interesse enquanto prova forense, nomeadamente no contexto de abusos infantis, com o
intuito de identificação do potencial agressor. No entanto, há casos em que os achados
físicos não se enquadram numa história de maus tratos infantis, como os resultantes de
brincadeiras ou da resolução de conflitos entre as crianças. Nesta perspetiva, o
diagnóstico médico-legal e forense, assente na análise cuidadosa de todas as evidências
possíveis, é fundamental para excluir a possibilidade de maus tratos. Neste contexto, o
estudo das marcas de mordida tem versado essencialmente a questão da identificação do
perpetrador. Todavia, circunstâncias existem em que a determinação de apenas um dos
parâmetros genéricos de identificação (em concreto, da idade) pode ser suficiente.
Método: Neste contexto, apresenta-se um caso onde se procedeu à exclusão de uma
situação de abuso infantil através da estimativa da idade do perpetrador de uma marca de
mordida. Assim, analisa-se uma perícia forense realizada na Delegação do Norte do
Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, a uma menina de 15 meses,
possivelmente mordida por um menino de 2 anos, no período da sesta, no infantário.
Resultados: O perpetrador, em concreto, não foi identificado, mas a produção da lesão foi
enquadrada num episódio decorrente da ação entre crianças, na medida em que se terá
verificado na mordedura a ocorrência de características de classe pertencentes à dentição
temporária. Conclusões: A singularidade da dentição humana é um fator de
individualização que permite discriminar um determinado indivíduo por análise
comparativa (marca de mordida). A perícia médico-legal e forense é fundamental para
determinar a idade do agressor e a sua responsabilidade criminal.
PALAVRAS-CHAVE: Medicina Dentária Forense; Identificação Humana; Marcas de
Mordida; Estimativa da idade.

114
DACTILOSCOPIA, IDENTIFICAÇÃO PELA IMPRESSÃO DIGITAL
Lúcia Lebre (luciabrancolebre@gmail.com)
Instituto CRIAP

RESUMO
O presente trabalho pretende refletir sobre a relevância da dactiloscopia, técnica das
ciências forenses que através da análise da impressão digital permite obter a identificação
dos indivíduos. A metodologia utilizada foi a pesquisa de literatura, através da qual foi
possível fazer uma revisão de conceitos, princípios, processos, evolução histórica,
dactiloscopia em Portugal. Conclui-se que a dactiloscopia é uma ciência forense que se
dedica à identificação civil e criminal das pessoas, sendo um método que envolve a
recolha, a observação e comparação dos padrões de impressões digitais da pele das mãos
e pés de um indivíduo, estabelecendo a sua identidade. A identidade sustenta-se nos
princípios da perenidade, imutabilidade, variabilidade e classificabilidade das impressões
digitais. Outros métodos de identificação surgiram nas últimas décadas, mas a
dactiloscopia, por ser o método mais simples, prático e barato, continua a estar presente
durante o processo de investigação criminal e a ser reconhecida pelos Tribunais como
meio de prova irrefutável.
PALAVRAS-CHAVE: Ciência Forense; Investigação Criminal; Dactiloscopia;
Impressão Digital.

115
FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO EM JOVENS A CUMPRIR MEDIDAS
TUTELARES EDUCATIVAS NA COMUNIDADE
Bárbara Fernandes (barbararofernandes@gmail.com) &
Cristina Neves
Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz

RESUMO
A presente investigação pretende caracterizar o fenómeno da delinquência juvenil no
contexto português, através da análise de múltiplos fatores de risco, potencialmente
preditivos da reincidência de jovens a cumprir medidas tutelares educativas em meio
livre. A investigação teve por base uma linha empírica, tendo-se recorrido essencialmente
à leitura processual dos dossiers dos jovens com acompanhamento técnico no âmbito de
uma medida tutelar educativa na comunidade. No total foram avaliados 90 jovens, 13 do
sexo feminino e 77 do sexo masculino. Além dos dados de caracterização desta população
serão ainda apresentados dados relativos a um breve período de follow-up retrospetivo.
Este estudo irá assim demonstrar quais os fatores de risco e de proteção mais evidentes,
bem como dados dos jovens relativos a um período de follow-up.

PALAVRAS-CHAVE: Delinquência; Fatores de Risco; Fatores de Proteção; Medidas


Tutelares Educativas.

116
O BIOGRAMA COMO MÉTODO BIOGRÁFICO – INTERVENÇÃO EM
POPULAÇÕES DELINQUENTES: ESTUDO DE CASO
Cristiana Carvalho (16481@ufp.edu.pt) &
Laura Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
É sabido que as populações desviantes apresentam grande resistência à intervenção.
Nomeadamente, quando se estão a referir indivíduos com condutas delinquentes, a
avaliação e a intervenção constituem processos relativamente aos quais estes sujeitos
apresentam muita resistência, acabando por, na maioria dos casos, desistir antes de se
alcançar qualquer resultado. Uma das formas de se capturar o interesse destes indivíduos
consiste em envolvê-los dinâmica e ativamente no processo, procurando analisar aspetos
que possam ser trabalháveis com os próprios e atendendo aos seus pontos de vista. Ora,
o biograma apresenta-se como um método biográfico que permite o levantamento de
informações pertinentes e relativas ao percurso existencial do indivíduo e, tratando as três
fases deste instrumento, torna-se possível uma abordagem de avaliação/intervenção. A
proposta que aqui se coloca consiste na apresentação de um poster em que se expõe um
caso de um jovem com condutas delinquentes e com o qual foi construído o biograma.
São apresentados os resultados obtidos, referindo-se a forma como o jovem perceciona a
sua vida, as suas relações e a forma como ele foi manifestando o comportamento
delituoso. Entre as conclusões, fazem-se sugestões sobre como melhor explorar o
biograma junto de indivíduos com um estilo de vida desviante.

PALAVRAS-CHAVE: Método Biográfico; Biograma; Delinquência; Desvio.

117
PROBLEMÁTICAS SOCIAIS VS CRIME
Diana Carina Nunes da Costa (diana.n.costa@gmail.com)
Instituto CRIAP

RESUMO
O crime é um fenómeno social que está presente em todas as sociedades nas mais diversas
vertentes, espelhando as fragilidades sociais. O trabalho que se apresenta é resultado de
uma pesquisa bibliográfica sobre algumas das problemáticas sociais que vivemos e a sua
relação com a criminalidade. São diversos os autores que abordam a problemática da
criminalidade relacionando-a com a pobreza, a desigualdade, o desemprego, a
precariedade, a iliteracia, as alterações/mudanças sociais negativas (crises), concluindo
que estão intrinsecamente associadas, direta ou indiretamente, ao aumento da
criminalidade. É importante referir que as alterações sociais ou mudanças de paradigma,
que têm ocorrido nas sociedades contemporâneas, em particular o aumento do apelo ao
consumo das sociedades capitalistas, alterou o modo de vida das populações, promovendo
uma necessidade desenfreada de ter, de consumir, o que pode levar a atos de
criminalidade e de vandalismo. Essa necessidade provocou alterações também ao nível
do crime praticado, pois as classes mais desfavorecidas passaram a sentir que também
elas queriam e podiam aceder aos bens materiais que pretendessem, cometendo crimes se
necessário para os obter. Já as classes mais favorecidas aproveitaram essa perceção para
obter rentabilidade, lucros exorbitantes com a venda dos bens de consumo, mão-de-obra
barata e desenvolveram um novo tipo de crime: o chamado “crime de colarinho branco”.
Outros estudos consideram ainda que mais grave que a pobreza em si, é a revolta e a
perceção da sua incapacidade e da sua impotência para alterarem as suas vidas, que impele
os indivíduos às práticas criminosas. Concluímos que o sistema económico é uma das
problemáticas sociais que mais impacto tem na criminalidade.

PALAVRAS-CHAVE: Problemáticas Sociais; Criminalidade; Crise e Comportamentos


Desviantes.

118
AGRESSÃO SEXUAL NA PRISÃO: DA VITIMAÇÃO À INTERVENÇÃO
Lúcia Côdea (luciafilipa__@hotmail.com)
Mariana Valente (m.silva.valente@gmail.com)
Samuel Neto (samuelnetopsi@gmail.com)
Telma Almeida (telma.c.almeida@gmail.com) &
João Cabelo
Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz

RESUMO
A vitimação na prisão tem merecido maior preocupação por parte dos investigadores, que
procuram identificar as características deste tipo de problemática e também a sua
incidência. Assim, este trabalho pretende focar as particularidades da vitimação sexual
aos reclusos, fazendo-se uma análise das características e dos factores individuais que
potenciam a vitimação na prisão, das características dos estabelecimentos prisionais, da
incidência deste fenómeno, das consequências da vitimação sexual e, por fim, da
credibilidade atribuída às vítimas quando estas decidem denunciar os abusos sofridos.
Para além da caracterização do fenómeno, este estudo apresenta várias estratégias de
prevenção do abuso sexual neste contexto, apresentando propostas a nível institucional,
com o intuito de extinguir ou diminuir as práticas sexuais suprarreferidas. Destaca-se
também neste contexto o papel do Psicólogo Forense na implementação de determinadas
estratégias interventivas. Uma das dificuldades na aplicação de um plano de prevenção
personalizado, assenta no facto do ambiente prisional ser um meio hostil, levando assim
a que os reclusos se comportem de acordo com o meio, adoptando, também eles, uma
postura hostil/defensiva. Não obstante, concluiu-se que é possível providenciar um
ambiente seguro, quer aos reclusos, quer aos funcionários (no exercício das suas funções).
A sensibilização das administrações prisionais e a formação contínua dos guardas
prisionais, é uma tarefa imprescindível, devido aos efeitos benéficos que poderão advir
de ações preventivas por parte desses.

PALAVRAS-CHAVE: Prisões; Vitimação; Reclusos; Prevenção.

119
AGRESSORES CONJUGAIS E OS SEUS FILHOS: IMPACTO NA RELAÇÃO
PATERNO-FILIAL
* Telma Almeida (telma.c.almeida@gmail.com)*
** Olga Cunha (olgacunha27@hotmail.com)**
** Rui Abrunhosa Gonçalves (rabrunhosa@psi.uminho.pt)** &
*** Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)***
* Instituto Superior Ciências da Saúde Egas Moniz
** Universidade do Minho
*** Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A investigação tem vindo a demonstrar que a presença de violência doméstica pode ser
um fator regulador da posição do filho perante a família, partindo da premissa de que
quanto mais negativa for a dinâmica da família nuclear, maior será o afastamento da
criança. A perceção de afinidade entre a família por parte dos filhos diminui quando
aumenta a agressão perpetrada entre os progenitores. O presente estudo visou analisar a
qualidade da relação entre pais e filhos que vivem ou viveram num ambiente de violência
na família nuclear. Para o efeito serão apresentados os resultados de dois estudos
qualitativos. O primeiro foi conduzido com 18 crianças vítimas de violência interparental
e o segundo com 16 indivíduos perpetradores de violência contra as suas parceiras e que
haviam sido submetidos a intervenção psicológica. Os resultados encontrados a partir da
análise das entrevistas às crianças revelaram que à medida que aumenta o nível de
agressividade entre os progenitores, a proximidade com o progenitor agressor diminui,
bem como o reconhecimento que este tem de semelhança com o mesmo. Assim, a
afinidade que a criança tem pelo agressor encontra-se afetada, levando a uma relação de
menor qualidade entre si. Por seu turno, os pais ofensores, de forma global, após a
intervenção mostraram-se capazes de reconhecer o impacto da exposição dos filhos a
situações de violência, em especial no que concerne ao seu bem-estar. Já no que respeita
à relação paterno-filial, embora estes tenham reconhecido melhorias significativas na
mesma após a intervenção (decorrente das suas mudanças), não percecionaram a
violência exercida contra a parceira como tendo impacto na sua relação com os filhos.
Em suma, os resultados encontrados permitem-nos corroborar o impacto negativo da
violência conjugal na relação paterno-filial e reforçam a importância e necessidade da
consciencialização dos progenitores abusivos para tal impacto.
PALAVRAS-CHAVE: Agressores; Filhos; Violência; Relação Paterno-Filial.

120
MEDIAÇÃO PENAL E JUSTIÇA RESTAURATIVA
Margarida Simões (margaridas@utad.pt)
Ana Paula dos Santos Monteiro (apmonteiro@utad.pt)
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

RESUMO
No âmbito penal, a mediação tem vindo a consolidar-se progressivamente como uma
forma alternativa às tradicionais vias judiciais. O presente trabalho tem por propósito
fundamental, analisar a mediação enquadrada no âmbito da justiça restaurativa o que
implica uma mudança de paradigma em comparação com a abordagem tradicional da
justiça retributiva. De seguida, centramo-nos nos pressupostos fundamentais da mediação
penal, as suas vantagens bem como uma visão geral do processo. Por fim, realçamos a
utilidade e eficácia deste processo em si mesmo comparativamente com outras formas de
resolução de conflitos.

PALAVRAS-CHAVE: Mediação Penal; Justiça Restaurativa; Crime.

121
MOBBING - ASSÉDIO NO TRABALHO: PROPOSTA DE UM PLANO DE
INTERVENÇÃO
Ana Custódio (magz.pnt@gmail)
Ana Santos (ana108256@gmail.com)
Cátia Pereira (catiavanessa_13@hotmail.com)
Gonçalo Bernardo (gb.ssonne@gmail.com) &
Telma Almeida (telma.c.almeida@gmail.com)
Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz

RESUMO
O mobbing é uma “atividade de grupo” que se aplica a qualquer comportamento abusivo
que ameace (de forma repetida ou sistemática) a dignidade ou integridade física/psíquica
de um indivíduo e que ocorre nos mais diversos contextos laborais. Este trabalho aborda
as causas e os fatores potenciadores desta forma de vitimação entre adultos. A literatura
tem vindo a mostrar que os indivíduos com dificuldades relacionais têm maior
probabilidade de serem vítimas de mobbing e aponta também algumas particularidades
do contexto/ambiente laboral que são mais propícias ao desenvolvimento deste
fenómeno. Os estudos têm mostrado o impacto negativo que este tipo de práticas provoca
nas vítimas, mostrando também a escassez de efetiva prevenção/intervenção
implementada nesta problemática. Nesse âmbito, este trabalho aponta algumas estratégias
interventivas no sentido de impulsionar a prática interventiva em casos de mobbing,
valorizando acima de tudo os princípios de coesão de grupo e também do apoio familiar.

PALAVRAS-CHAVE: Mobbing; Trabalho; Assédio; Intervenção.

122
A LIBERDADE VIGIADA DO JOVEM DELINQUENTE
NO PROCESSO DE MONITORIZAÇÃO (FOLLOW-UP) PÓS-
INTERNAMENTO
Pedro de Paiva-Manso Pimentel (ppimentel@fcsh.unl.pt)
Departamento de Sociologia da FCSH – Universidade Nova de Lisboa

RESUMO
Este estudo resulta de uma reflexão e análise sócio-criminológica com base numa
abordagem sistémica no contexto da Lei Tutelar Educativa (LTE) portuguesa e da Lei
Orgânica Reguladora da Responsabilidade Penal dos Menores (LORRPM), do sistema de
justiça juvenil espanhol, realizado entre 2007 e 2012 no âmbito de uma tese de
Doutoramento, sobre os processos sócio-institucionais de intervenção e participação em
trajetórias de vida de menores que praticaram factos ilícitos tipificados na Lei Penal como
crime, com objetivo de operacionalizar dispositivos de monitorização dos procedimentos
aplicados, que permitam a articulação entre os planos de internamento nos Centros
Educativos (CE) em regime fechado (RF) e o ulterior acompanhamento de reinserção.
Este objetivo apresenta evidente relevância na educação do menor para o direito e na sua
reinserção, além de proporcionar uma auto-avaliação dos resultados e auto-regulação das
instituições públicas responsáveis pela aplicação da LTE, contribuindo para o seu
contínuo aperfeiçoamento, coartando as oportunidades de reincidência no domínio da luta
contra a delinquência em meio aberto e, prevenindo a criminalidade ao garantir a proteção
da sociedade. A recolha de dados neste estudo foi feita mediante o recurso a métodos
quantitativos e qualitativos. Apesar da reincidência ainda ser preocupante, causada pela
inexistência de processos instituídos de monitorização, segundo vários Coordenadores
dos CE, foi-se destruindo o mito ao longo dos anos, de quem passa no sistema em regra
é reincidente. Por conseguinte, para se obterem melhores resultados na reinserção social
do jovem, propõe-se aplicar a Liberdade Vigiada, medida não privativa de liberdade
espanhola e seus mecanismos associados, como reforço do atual Acompanhamento
Educativo, medida tutelar educativa não institucional. Este estudo tem um contributo
científico para a sociologia dos comportamentos desviantes, do direito e da justiça do
país, logo considera-se útil legitimar a sua abordagem junto de todas as entidades oficiais
envolvidas nesta problemática.
PALAVRAS-CHAVE: Regime Fechado; Acompanhamento Educativo; Liberdade
Vigiada; Reinserção Social.

123
AVALIAÇÃO DE RISCO EM OFENSORES SEXUAIS
Rochele Kothe (rochelekothe@gmail.com)
Instituto CRIAP

RESUMO
Avaliação de risco é uma ferramenta de grande necessidade aos profissionais da área
forense. É uma metodologia que prediz os riscos de um sujeito apresentar comportamento
violento em um dado período de tempo, permitindo que sejam elaboradas estratégias de
intervenção com o intuito de evitar a reincidência de determinados comportamentos e
minimizar os riscos atribuídos. É de suma importância para a avaliação das ofensas
sexuais, que seja apurado o histórico do comportamento sexual abusivo, e a análise do
acontecimento da ofensa sexual, ou seja a ocorrência e a frequência da agressão, detalhes
acerca das vítimas, se eram conhecidas ou não do agressor, bem como idades, as
estratégias utilizadas para abordagem da vítima, as circunstâncias, o que incluí a
localização, se foi planeado ou foi de oportunidade, o padrão e se houve evolução ou
reincidência, os motivos e atribuições, as repercussões, e também as atribuições dos
significados acerca das ofensas sexuais. A previsão dos riscos de reincidência é uma
componente fundamental para que se possa fazer a gestão e o tratamento dos agressores
sexuais, e que a avaliação dos mesmos deve ser feita de forma abrangente, minuciosa e
aprofundada, para que se possa perceber quais as variáveis tiveram mais preponderância
naquele comportamento abusivo, e se essas variáveis fazem ou não parte de um padrão
recorrente de funcionamento daquele sujeito, tanto a nível emocional, cognitivo e
interpessoal, ou se evidenciaram-se de forma circunstancial, importa identificar as
características da agressão, o contexto, o padrão vitimológico e de funcionamento por
parte do ofensor, para que se possa estabelecer expectativas de tratabilidade, nunca
deixando de considerar as características da personalidade, ou distúrbios, que muitas das
vezes revelam crenças disfuncionais acerca da sexualidade.

PALAVRAS - CHAVE: Risco de Reincidência; Ofensores Sexuais.

124
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA FORENSE DE CRIANÇAS VÍTIMAS DE
VIOLÊNCIA INTERPARENTAL
Telma Catarina Almeida (telma.c.almeida@gmail.com)*
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)** &
Rui Abrunhosa Gonçalves (rabrunhosa@psi.uminho.pt)***
*Instituto Superior Ciências da Saúde Egas Moniz
**Universidade Fernando Pessoa
*** Escola de Psicologia, Universidade do Minho

RESUMO
A avaliação psicológica da exposição da criança à violência interparental tem sido
requerida pelos Tribunais em vários casos, sobretudo de separação e divórcio. Este tipo
de avaliação requer por parte do técnico, um conhecimento acerca das características da
problemática, bem como, do impacto a vários níveis, tanto na criança como no sistema
familiar. Sublinha-se ainda a importância da utilização de medidas estandardizadas que
permitam a avaliação de problemas específicos decorrentes da violência familiar. O
processo de avaliação com crianças vítimas de violência interparental, inclui o recurso a
múltiplas fontes, a várias metodologias e também a análise do problema nas suas
múltiplas vertentes. Este processo pressupõe quatro etapas de avaliação: uma avaliação
global do problema, do grau de exposição da criança à violência na família, do impacto
da violência na criança e do funcionamento familiar. O seguimento destas etapas permite
a identificação de fatores de risco e de recurso para um trabalho interventivo mais eficaz,
que vise o cessar quer a vitimação à criança, quer as consequências advindas da exposição
à violência. Este trabalho tem como objetivo dar a conhecer a importância da avaliação
psicológica de crianças vítimas de violência interparental. Far-se-á de forma estruturada
a menção às várias etapas deste processo de avaliação e a referência aos instrumentos de
avaliação adequados na avaliação desta problemática.

PALAVRAS-CHAVE: Avaliação; Vítimas; Violência Interparental.

125
EMPATIA E COMPORTAMENTO CRIMINAL
Hugo Domingues (hugo_domingues@live.com.pt) &
Ana Neves (cristinanvs@gmail.com)
Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz

RESUMO
Este trabalho visa, através de uma revisão de literatura, analisar a associação entre
empatia e comportamento criminal, demonstrando que a mesma se pode constituir como
um fator de risco para o crime em geral e em específico nos crimes sexuais. Inicialmente
é definido o conceito de empatia, onde é visível a falta de consenso em torno da sua
definição, e o conceito de crime ou comportamento criminal, onde é feita a distinção entre
crime sexual e desvio sexual. Seguidamente é abordada a relação entre a empatia e crime
no geral e posteriormente em específico na relação com o crime sexual. Em ambos os
casos existem autores que defendem e revelam nos seus estudos que existe uma relação
entre a baixa empatia e uma maior probabilidade de cometer crimes, contudo alguns
autores defendem que não existem tal relação. O suporte empírico para a existência de
relação parece ser mais robusto. Por último é abordado, de forma breve, o tratamento de
ofensores sexuais, através de programas que visam trabalhar a capacidade empática dos
ofensores.

PALAVRAS-CHAVE: Empatia; Crime; Crime sexual.

126
NÍVEL DE RISCO E DE PROTEÇÃO E REINCIDÊNCIA NUMA POPULAÇÃO
FORENSE
Hugo Domingues (hugo_domingues@live.com.pt)
Filipa Santos, Sandra Matias
Sara Martins & Ana Neves
Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz

RESUMO
Este trabalho de investigação foi desenvolvido a partir de uma amostra de 92 indivíduos
que se encontravam em liberdade condicional e em suspensão da execução da pena de
prisão, com idades compreendidas entre os 19 e 67 anos. O principal objetivo centra-se
na averiguação da relação entre a pontuação de risco e de proteção e a reincidência. Os
instrumentos utilizados no presente estudo foram o Historical, Clinical and Risk
Management Scheme (HCR-20; Webster, Douglas, Eaves & Hart, 1997; versão
portuguesa de Neves & Gonçalves, 2006) e o Structured Assessment of Protective Factor
for violence risk (SAPROF; De Vogel, De Ruiter, Bouman, & Robbé, 2009; versão
portuguesa de Neves & Soeiro, 2011). Os principais resultados mostram que quanto maior
a pontuação de risco, maior a taxa de reincidência, principalmente no sexo masculino.
Também se apurou que indivíduos que estejam em medida de suspensão de execução de
pena reincidiram mais do que aqueles que se encontravam em liberdade condicional.

PALAVRAS-CHAVE: Risco; Proteção; Reincidência.

127
IMPULSIVIDADE, PERCEÇÃO DAS PRÁTICAS EDUCATIVAS PARENTAIS,
COMPORTAMENTOS ANTISSOCIAIS E DELINQUENTES EM
ADOLESCENTES: UMA AMOSTRA EM CONTEXTO ESCOLAR
Andreia Neves (andreia.neves88@gmail.com) &
Cristina Soeiro (c.soeiro@netcabo.pt)
Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz

RESUMO
O presente estudo tem como objetivos analisar a relação entre as caraterísticas individuais
(e.g. impulsividade) e caraterísticas familiares (e.g. práticas educativas parentais e
estrutura do agregado familiar) em relação à perpetração de comportamentos antissociais
e delinquentes. Para a concretização destes objetivos foram utilizados três instrumentos:
Questionário de estilos educativos parentais – QEEP (Ducharne, Cruz, Marinho &
Grande, 2006), a Escala de Condutas Antissociais e Delitivas – CAD (Formiga, 2003;
adaptado por Sousa e Soeiro, 2009) e Escala de Impulsividade de Barrat – Bis-11-C (Cosi,
Canals & Vigil-Colet, 2008; traduzida por Neves e Soeiro, 2013). Os instrumentos foram
aplicados, em contexto escolar, na região de Lisboa. A amostra recolhida é composta por
(n=178) indivíduos, dos quais 48,9% são do sexo masculino (n=87) e 51,1% são do sexo
feminino (n=91), com idades compreendidas entre os 13 e os 17 anos. Os resultados
obtidos indicam que em relação ao género existem diferenças significativas apenas nos
comportamentos antissocial e delinquente. Quanto à associação entre estes
comportamentos e os tipos de impulsividade, verificou-se uma correlação positiva entre
a impulsividade motora e ambos os comportamentos e uma correlação negativa
relativamente à impulsividade não planeada. No que concerne à associação entre a
perceção de práticas educativas parentais e comportamentos antissociais e delinquentes,
verificou-se uma correlação negativa quanto à supervisão parental. Observa-se como
pertinente que sejam efetuados mais estudos acerca da impulsividade, sendo que a maioria
dos autores limita-se a descrever o conceito, não existindo consenso quanto aos tipos de
impulsividade. No entanto, é referido que a impulsividade motora aparece associada à
passagem ao ato, levando a comportamentos antissociais e delinquentes. No que diz
respeito às práticas educativas parentais, é sabido que desempenham um papel crucial na
abstenção deste tipo de comportamentos, tendo o presente estudo constatado a
importância da supervisão parental adequada.
PALAVRAS-CHAVE: Comportamentos Antissociais; Delinquentes; Impulsividade;
Perceção de Práticas Educativas Parentais.
128
CONFLITO INTERPARENTAL E TOMADA DE DECISÃO JUDICIAL NO
EXERCÍCIO CONJUNTO DAS RESPONSABILIDADES PARENTAIS
Maria Luís Machado (5192@ufp.edu.pt) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
Apesar de muitas vezes o divórcio surgir como solução para o conflito conjugal, a verdade
é que este continua muitas vezes, durante muito tempo após a dissolução do casamento.
O presente estudo procurou perceber de que forma a presença de conflito interparental
pode interferir na decisão judicial quanto ao exercício conjunto das responsabilidades
parentais e conhecer as estratégias/factores valorizados para a tomada de decisão judicial
nas situações marcadas por elevada conflitualidade entre progenitores. Assim realizámos
um estudo qualitativo com uma amostra intencional composta por cinco magistrados (4
Juízes e 1 Procurador do Ministério Público) com vasta experiência em processos de
regulação das responsabilidades parentais no contexto do divórcio. Para a recolha de
dados foi elaborado um questionário sociodemográfico e aplicado um guião de entrevista
semiestruturado, tendo os dados recolhidos sido gravados, posteriormente transcritos e
sujeitos análise de conteúdo. Os magistrados revelam estar conscientes do impacto nas
crianças da exposição ao conflito interparental. Embora o exercício conjunto das
responsabilidades parentais seja a regra, e, apesar de considerarem importante tentá-lo
sempre que seja possível, os magistrados consideram que deverá optar-se pelo exercício
unilateral em situações marcadas por elevada conflitualidade entre progenitores ou
quando se verifica ausência de relação afetiva entre a criança e um dos progenitores. De
entre as estratégias utilizadas pelos decisores judiciais para a tomada de decisão judicial,
no que respeita à opção pelo exercício conjunto ou unilateral nos casos supracitados,
encontramos o relacionamento da criança com cada um dos progenitores e a avaliação do
impacto da exposição ao conflito interparental.

PALAVRAS-CHAVE: Divórcio; Conflito Interparental; Responsabilidades Parentais.

129
CRIANÇAS EM RISCO VERSUS CRIANÇAS EM PERIGO
Cláudia Candeias (psi.claudiacandeias@gmail.com) &
Helga Candeias
InSauFor

RESUMO
Dado cada criança ser um indivíduo único, compreende e comporta-se segundo a sua
experiência. A própria família é um contexto próprio e individualizado que influencia de
forma determinante o desenvolvimento da(s) sua(s) criança(s), tornando-se, assim, um
factor de risco ou de protecção. Este contexto é, hoje, alvo de múltiplos estudos e
concepções com o intuito de compreender o conceito de CRIANÇA EM RISCO, sendo este
uma situação cuja linha-limite em que se pode considerar ou não a existência de risco é
extremamente ténue. Apesar de, em termos teóricos, os conceitos em análise estarem
devidamente enquadrados e conceptualizados, verifica-se que, na prática, assim não
acontece, tornando-se quase sinónimos os conceitos de “criança em risco” e “criança em
perigo”. Talvez pela, ainda, divisão entre os diferentes enquadramentos, legislativo,
social, educacional e psicológico esta confusão se tem instalado. Hoje, procura-se
ultrapassar tal dificuldade através do enquadramento legislativo dos conceitos, uma vez
que é fulcral que todos os técnicos “falem a mesma língua” (ainda que sejam de áreas
científicas diferentes). Neste sentido, quando se reflecte sobre o conceito de família
identifica-se este como um contexto seguro, todavia, infelizmente, nem sempre assim
acontece, apresentando-se como um contexto de risco que pressupõe violência. Neste
trabalho faz-se, então, uma apresentação histórica do conceito de infância ao longo do
tempo, relacionando a sua importância com alterações sociais de cada época, assim como
a perspectiva apresentada hoje em dia e que se reflecte nos conceitos de “risco” e
“perigo”. Esta viagem permite concluir, apesar dos estudos que foram (e são)
desenvolvidos que parece existir, ainda, uma grande lacuna ao nível da uniformização de
certos conceitos, e que, apesar de situações de risco não serem consideradas de perigo, é
importante desenvolver e implementar estratégias de prevenção, que permitam proteger
a criança e o seu desenvolvimento.

PALAVRAS-CHAVE: Criança em Risco; Criança em Perigo; Família; Infância.

130
JUSTIÇA E PROTEÇÃO DA CRIANÇA EXPOSTA À VIOLÊNCIA
DOMÉSTICA
Maria João Gonçalves (mjogon@gmail.com) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
O interesse pelo estudo do fenómeno da exposição de crianças à violência interparental
tem sido crescente e motivado pelo despertar da consciência social para a séria ameaça
que este problema trás para o desenvolvimento adaptativo de crianças e adolescentes.
Estas crianças vêm-se muitas vezes envolvidas com o sistema de justiça, quer em
processos de promoção e proteção quer em processos-crime dos cuidadores por violência
doméstica. No sentido de conhecer as representações de profissionais com experiência na
área da infância e juventude quanto à efetivação dos direitos e garantias contemplados na
Convenção de Direitos da Criança e a Lei de Proteção foi realizado um estudo qualitativo,
no qual participaram 12 técnicos de diversas áreas científicas. A recolha de dados foi
efetuada através de uma entrevista semiestruturada, gravada em áudio e posteriormente
transcrita, para análise de conteúdo categorial. Os resultados apontam no sentido de uma
maior sensibilidade dos intervenientes para uma atuação que considera os direitos das
crianças e jovens, que minimize os danos e previna a vitimação secundária, fundamentada
no melhor interesse da criança. Todavia existem lacunas em termos de aplicação da lei,
assim como se considera a necessidade de a rever e complementar com legislação mais
específica que atenda ao Superior Interesse da Criança. Conclui-se pela necessidade de
uma mais ativa participação comunitária num esforço conjugado para uma justa
participação da criança em processos que lhe dizem respeito, bem como uma
interdisciplinaridade funcional e bem articulada por forma a proteger o seu superior
interesse.

PALAVRAS-CHAVE: Justiça, Proteção, Crianças, Testemunho.

131
O USO DE MEDIAÇÃO EM CASOS DE ALIENAÇÃO PARENTAL
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt) &
Fernanda Molinari (fernandamolinari@uol.com.br)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A Alienação Parental tem sido uma constatação frequente no âmbito do direito de família.
Esse ramo da prática forense é aquele em que fenómenos relacionados à Psicologia
Forense adquirem grande evidência, sendo que a Alienação Parental, até há poucos anos
desconhecida, encontra-se hoje teoricamente identificada e com seus efeitos jurídicos, no
Brasil, regulados. Por outro lado, é também no direito de família que a Mediação encontra
progressiva aplicabilidade, pois propõe um contexto de cultura do diálogo, buscando
entender os sujeitos como co-construtores das suas realidades, num movimento de
múltiplas vozes. A escolha desse tema, a par da sua atualidade e da lacuna existente entre
essa aproximação, justifica-se por qualquer lado que se examine a questão. Pela via da
Mediação, porque ela vem demonstrando ser uma ferramenta hábil para minimizar os
conflitos resultantes da separação, pois existirá a preocupação de (re) criar vínculos,
estabelecendo um diálogo e transformando e prevenindo novos conflitos. Pelo lado da
Alienação Parental, porque o enfrentamento desse complexo fenômeno ainda é efetuado
apenas no plano de sua identificação, sem estudos que a relacionem com a possibilidade
da utilização da mediação como sendo uma forma resolutiva de conflitos e que poderá
minimizar seus efeitos. Neste sentido, impende sublinhar a necessidade do olhar
multidisciplinar, não apenas para uma compreensão maior e melhor da conflitualidade
que envolve adultos num processo de divórcio, mas, principalmente, para entender e
resguardar os direitos da criança, cuja proteção deve ser integral.

PALAVRAS-CHAVE: Alienação Parental, Mediação, Psicologia Forense e Proteção da


Criança.

132
AVALIAÇÃO AO CONTEXTO ESCOLAR: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)
Sónia Caridade (soniac@ufp.edu.pt) &
Ana Sani (anasani@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa / Porto

RESUMO
Vive-se em plena globalização e, também por isso, a escola deverá ser alvo de atenção
especial e cada vez mais sistemática, sobretudo por se tratar de uma instituição com
grande relevância no futuro de todos, designadamente, dos mais jovens. Assim, a escola
revela-se o palco de muitas aprendizagens, de que se podem destacar algumas menos
adequadas, como a conduta antissocial, a delinquência, o consumo de drogas, a prática de
incivilidades e outros comportamentos tão graves quanto frequentes. Por tanto quanto foi
já referido, o presente poster traduz-se na apresentação de um estudo, de desenho
exploratório, descritivo e observacional, mediante o inquérito desenvolvido com base na
técnica do questionário, com recurso ao Diagnóstico do Meio Escolar (DME) (Nunes,
Caridade & Sani, 2013), através do qual se recolheram dados quantitativos e qualitativos,
junto de uma amostra de 142 agentes educativos, com idades compreendidas entre os 22
e os 64 anos (média de 44.9 e desvio padrão de 10.6). Entre os resultados, destaca-se a
percentagem não desprezável que classificou o meio envolvente como mau ou muito mau,
com presença de comércio e indústria menos adequados às imediações de uma escola, em
que a participação dos pais foi avaliada negativamente. O absentismo escolar foi apontado
como considerável por muitos dos inquiridos, havendo também um número razoável de
participantes que reportou a existência de comportamentos problemáticos, com claro
desrespeito generalizado e prática de incivilidades. Destes e de outros resultados obtidos,
apresentam-se conclusões no sentido de se trabalharem os espaços físicos e de se
repensarem as normas disciplinares, bem como a forma de envolver alunos e profissionais
em torno de um foco de interesse comum: a escola. Assim, podem traçar-se planos em
que a participação ativa de todos terá, por si só, um efeito positivo sobre o funcionamento
global destas escolas.
PALAVRAS-CHAVE: Avaliação; Escolas; Delinquência; Incivilidades; Consumo de
Drogas.

133
AVALIAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE BULLYING – QUESTIONÁRIO
DIRIGIDO A PROFESSORES E A AGENTES OPERACIONAIS
Alfredo Bilber (bilber.alfredo@hotmail.com) &
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
Em Portugal, a temática da violência escolar tem sido alvo de uma preocupação crescente
e tem vindo a ser foco de atenção, quer por parte da comunidade científica, quer no âmbito
da comunicação social. Designadamente, o bullying tem sido investigado, muito embora
tais estudos não esgotem o tema, uma vez que se trata de um fenómeno muito presente
no meio escolar português, e com graves consequências que não raras vezes terminam em
morte. Por isso, o que se apresenta neste poster é o questionário construído para captar a
perceção de professores e de outros profissionais de ensino, a respeito do bullying e das
suas dinâmicas nos respetivos estabelecimentos de ensino. O esclarecimento sobre o
conceito de bullying é apresentado, até para que se faça uma clara distinção desta forma
de violência relativamente a outras, e seguem-se depois as questões que procuram apurar
a perceção dos possíveis inquiridos, a respeito de tais ocorrências. O instrumento já foi
submetido a um pré-teste acompanhado de reflexão falada, e inclui uma primeira parte
referente aos dados sociodemográficos, seguida da segunda parte relacionada com os
comportamentos observados em contexto escolar. Depois, apresenta-se a terceira parte
respeitante à perceção do bullying e à sua representação por parte dos profissionais.
Finalmente, a última parte do instrumento remete para as sugestões desses profissionais
a esse respeito.

PALAVRAS-CHAVE: Avaliação; Escolas; Bullying.

134
BULLYING – UM FENÓMENO EM ASCENSÃO NAS ESCOLAS
PORTUGUESAS
Luís Rossa (29564@ufp.edu.pt)
Tiago Marques &
Jorge Silva

RESUMO
O fenómeno do bullying nas escolas tem vindo, nas últimas décadas, a assumir uma
crescente visibilidade fruto de variados fatores. Na relação que se estabelece entre alunos,
o bullying tem igualmente ocupado um maior espaço de discussão pela elevada
complexidade que o carateriza e pelas diversas consequências negativas e irreversíveis
que acarreta para vítimas, agressores, famílias e escolas. Para que sejam encontradas
estratégias e soluções eficazes na abordagem ao(s) fenómeno(s), torna-se necessário
aprofundar e partilhar o(s) conhecimento(s) em torno dos fatores e das dinâmicas que
caraterizam o fenómeno e que contribuem para a sua (re)ocorrência. O predomínio e
gravidade do Bullying incitam os investigadores a estudar os riscos e os fatores de
proteção, associados com a iniciação, manutenção e interrupção deste tipo de
comportamento agressivo. Os conhecimentos adquiridos com os estudos devem ser
utilizados como fundamentação para orientar e direcionar a criação de políticas públicas
e para delinear as técnicas multidisciplinares de intervenção que possam reduzir esse
problema de forma eficaz. As instituições de educação, assim como os seus profissionais,
devem reconhecer a extensão e o impacto gerado pela prática do bullying entre estudantes
e desenvolver medidas para reduzi-la rapidamente. Aos profissionais de saúde, como
psicólogos, é recomendável que sejam competentes para prevenir, investigar, diagnosticar
e adotar as condutas adequadas diante de situações de violências que envolvam crianças
e adolescentes, tanto na figura de autor, como na de alvo ou testemunha. Com este
trabalho pretendemos fazer uma referência aos principais modelos de intervenção e
estratégias desenvolvidas nas escolas que, sabendo tratarem-se de sistemas dinâmicos e
complexos, devem ponderar sempre as características sociais, económicas e culturais da
população de cada delas.

PALAVRAS-CHAVE: Bullying; Intervenção; Escolas.

135
COMUNIDADES MULTIPROBLEMÁTICAS - AVALIAÇÃO DE
NECESSIDADES
Vera Azevedo (21518@ufp.edu.pt) &
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
Algumas comunidades apresentam uma série de problemas que afetam as famílias aí
residentes e, consequentemente, os mais jovens, de forma a que se perpetuem as
dificuldades existentes e se acrescentem novas modalidades desses problemas. Por isso,
a avaliação deve ser contextualizada em termos culturais, sociais e económicos, a ponto
de se poderem identificar as áreas a priorizar em eventuais intervenções. Este trabalho
apresenta precisamente um estudo sobre uma comunidade específica, da região do Porto,
através de uma análise de desenho exploratório, que optou pelo inquérito por questionário
para extrair os dados de uma amostra constituída por 102 indivíduos de ambos os sexos,
muito embora com um predomínio de indivíduos do sexo feminino (cerca de 87%), com
idades compreendidas entre os 16 e os 80 anos e com uma escolaridade
predominantemente baixa, em que mais de metade da amostra não passou do 4º ano. Dos
resultados encontrados, destacam-se a forte ligação à comunidade com sentimentos de
pertença em cerca de 50% dos participantes, com uma elevada taxa de ocorrência de
situações de violência doméstica, e clara necessidade de maior atenção ao problema.
Concluiu-se a favor do imperativo de se implementarem medidas que integrem estratégias
de prevenção aos seus três níveis.

PALAVRAS-CHAVE: Avaliação Comunitária; Inquérito; Questionário; Famílias


Multiproblemáticas.

136
CONSUMO E TRÁFICO DE DROGAS ENTRE ESTUDANTES
UNIVERSITÁRIOS
Sara Beça (sara_beca@live.com.pt)* &
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)**
*Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar
** Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
O tráfico de drogas tem-se revelado um flagelo que, evidentemente, está estreitamente
ligado aos consumidores e às fatias de mercado mais apetecíveis para os que tiram
dividendos desses circuitos ilegais. Sabe-se, sobretudo por estudos que se têm
desenvolvido, que a população estudantil universitária constitui um alvo muito cativante,
havendo um registo de consumos, não raras vezes problemáticos, entre esses estudantes.
Por isso, é também natural que os mecanismos e as estratégias do tráfico de drogas se
voltem para as áreas muito frequentadas por estudantes. Este poster apresenta uma breve
revisão sobre o tema do consumo e do tráfico de drogas em contexto universitário,
apresentando um projeto de um estudo a desenvolver sobre o fenómeno. Nomeadamente,
o tráfico de drogas no meio universitário revela-se um domínio não explorado
cientificamente, pelo que urge proceder a uma investigação nesse campo. O estudo
obedecerá a um desenho exploratório, qualitativo, transversal, observacional e pautado
pelas limitações inerentes ao autorrelato. Espera-se extrair resultados a respeito dos
consumos de drogas, do tráfico das mesmas e da eventual ligação entre um
comportamento e o outro, em contexto universitário.

PALAVRAS-CHAVE: Drogas Ilegais; Consumo de Drogas; Tráfico de Drogas; Meio


Universitário.

137
CRIMES CONTRA ANIMAIS: O PONTO DE VISTA DA CRIMINOLOGIA
Elisabete Lopes (27833@ufp.edu.pt) &
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
Desde há duas décadas que se tem vindo a tomar especial atenção às questões
relacionadas com o mau trato contra animais e, obviamente, aos aspetos subjacentes ao
crime praticado contra outras espécies animais. Efetivamente, há até quem estude a
questão dos maus trato atendendo aos afetos e ao abuso sob uma perspetiva "trans-
species". Por isso, este trabalho dedica-se à exploração do crime contra animais, das suas
relações com determinados padrões perturbados de desenvolvimento que, na verdade,
acabam frequentemente por se revelar como sinais antecipadores de graves distúrbios
comportamentais e, até, de personalidade. Na verdade, o abuso contra animais tem vindo
a ser relacionado com muitos dos comportamentos problemáticos dos seres humanos,
como é o caso da delinquência e, note-se, de outras condutas que contribuem para a
instalação de um registo comportamental criminoso em idade adulta. O poster que aqui
se propõe será desenvolvido pelo método de revisão da literatura, procurando-se explorar
um fenómeno que, do ponto de vista científico, não tem sido suficientemente estudado.
Procurar-se-á apresentar a forma como os comportamentos criminosos contra outras
espécies animais se inicia muitas vezes precocemente, como esse pode ser um sinal
indicador de posterior perturbação mental e, sobretudo, como tais ações podem
comprometer outras vidas, sem que haja sequer a tentativa de serem condutas vistas como
sinais de um total desrespeito por um valor universal: a vida.

PALAVRAS-CHAVE: Crime; Animais; Perturbações mentais; Violência.

138
PROGRAMA INTEGRADO DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO: A PERSPETIVA
DOS PROFESSORES
Sandra Moreira (18994@ufp.edu.pt) &
Sónia Caridade (soniac@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
O Programa Integrado de Educação e Formação (PIEF) é uma medida de exceção que
atua num plano remediativo, e a qual tem como objectivo prevenir e combater o abandono
e o insucesso escolar através do favorecimento e cumprimento da escolaridade obrigatória
e a certificação escolar e profissional de jovens. O presente estudo, que apresentaremos
em formato poster, teve como objetivo principal caracterizar o programa PIEF a partir da
perspectiva de professores que já lecionaram turmas PIEF. De forma específica,
pretendeu-se analisar as potencialidades e fragilidades desta medida, caracterizar os
alunos que dela usufruem e o contributo dos professores para a medida. Para a recolha de
dados foi elaborada uma entrevista semiestruturada, a qual foi posteriormente conduzida
junto de cinco professores com experiência profissional na medida PIEF. Em termos de
resultados, os participantes destacaram a promoção do trabalho em equipa como sendo
uma das potencialidades da medida, contribuindo assim para o sucesso dos seus
profissionais. Contudo, foram igualmente unânimes ao afirmarem que este programa tem
ainda um caminho a percorrer quanto à disponibilização atempada de verbas e na
atualização de metodologias. De igual modo, os participantes identificaram vários
problemas associados aos alunos e às suas famílias; as causas do absentismo e do
abandono escolar foram associadas a fatores individuais dos alunos e à desvalorização da
escola pela família; por fim, os professores destacaram da sua experiência com o PIEF,
os laços criados com os alunos, mas também identificaram estes mesmos alunos como
sendo a causa do lado negativo dessa mesma experiência. Concluímos, desta forma, que
a medida PIEF possui um contributo muito importante na inclusão social de jovens e no
combate ao insucesso, absentismo e abandono escolar.

PALAVRAS-CHAVE: Trabalho infantil; Absentismo; Abandono Escolar; PIEF.

139
PROPOSTA DE UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIA
DOMÉSTICA A IMPLEMENTAR NUMA COMUNIDADE DA REGIÃO DO
PORTO
Vera Azevedo (21518@ufp.edu.pt) &
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
O poster que aqui se propõe apresenta um programa de prevenção da violência doméstica,
a implementar numa comunidade problemática e em que foi identificada a alargada
presença do fenómeno. Assim, após uma avaliação à referida comunidade, através da
administração de um questionário propositadamente elaborado para o efeito, foi possível
obter informações conducentes à conclusão de que a violência doméstica seria a temática
a privilegiar no programa a desenvolver. O método utilizado foi a revisão da literatura
para, com base nos resultados alcançados no inquérito que possibilitou a avaliação prévia,
se passar à construção de um programa de prevenção. O programa, essencialmente
pensado em seis etapas, tem como principais objetivos aumentar o nível informação da
população sobre o problema; sensibilizar para o fenómeno; promover o aumento de
competências comunicacionais; promover o aumento de competências para a gestão e
resolução de conflitos; e envolver / apoiar a população local. Assim, este poster apresenta
as etapas do programa entretanto construído, começando pela fase de diagnóstico com
definição dos objetivos a alcançar para, posteriormente, apresentar as fases designadas
por mobilização, ação, avaliação e divulgação.

PALAVRAS-CHAVE: Prevenção; Violência Doméstica; Avaliação de Necessidades.

140
QUESTIONÁRIO DA PERCEÇÃO DE AGRESSÃO ENTRE PARES (QPAP) –
DIRIGIDO A ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO
Alfredo Bilber (bilber.alfredo@hotmail.com) &
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
Nas escolas contemporâneas, nomeadamente nos países ocidentais e mais
especificamente em Portugal, assiste-se a um crescendo de problemas de que faz parte a
violência e os comportamentos agressivos. Essa agressividade, tantas vezes manifestada
entre os próprios estudantes, atinge uma gama muito diversificada de idades e tem
causado graves problemas que têm vindo a ser estudados, sobretudo na última década.
Torna-se cada vez mais importante entender esses fenómenos, pelo que o ponto de vista
dos próprios pais de crianças e jovens estudantes é fundamental. Assim, o que se
apresenta aqui é um questionário que recolhe dados objetivos, não esquecendo também
os mais subjetivos, a respeito da perceção dos encarregados de educação sobre a violência
entre pares em contexto escolar. Importa conhecer os dados sociodemográficos, bem
como os indicadores e os comportamentos que os pais eventualmente observem nos seus
filhos, e que possam estar associados à presença de violência, praticada ou sofrida.
Acresce ainda a necessidade de se captar a forma como esse fenómeno é interpretado
pelas figuras parentais e conhecer aquilo que, do seu ponto de vista, pode ser feito para
atalhar o problema. Foi precisamente para saber todas essas informações que se criou o
questionário que se apresenta neste poster, onde são também deixadas sugestões para
investigações futuras.

PALAVRAS-CHAVE: Avaliação; Escolas; Violência; Figuras Parentais.

141
QUESTÕES ASSOCIADAS À (IN)SEGURANÇA NAS ESCOLAS
Vítor Silva (23289@ufp.edu.pt) &
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
A violência e as questões da in/segurança em contexto escolar constituem elementos não
tão raros quanto seria desejável, e têm sérias implicações no desenvolvimento dos jovens.
Por isso, a escola enquanto instância de socialização primária tem sido alvo de estudos
que, no entanto, não esgotam o tema e a problemática do funcionamento mais ou menos
seguro das escolas. Portanto, é importante que se estudem as questões associadas à
segurança/insegurança percecionada nas escolas frequentadas pelos nossos jovens e pelas
nossas crianças. Este trabalho apresenta os resultados de um estudo exploratório e de
avaliação de diferentes escolas, atendendo à opinião de profissionais do ensino, como
ponto de partida para a elaboração de um projeto de investigação sobre a (in)segurança
nas escolas, considerando o ponto de vista dos alunos. Trata-se, portanto, de um trabalho
que assenta na revisão da literatura mas, também, na análise reflexiva dos resultados de
um estudo realizado previamente por Caridade, Nunes e Sani (no prelo). Essencialmente,
o que se pretende é aceder a informações sobre esta problemática e sobre os seus
mecanismos dentro e fora da escola, para melhor se avaliarem os elementos que possam
contribuir para um sentimento de insegurança e, posteriormente, poder definir-se um
conjunto de medidas a adotar para eliminar/minimizar o efeito de tais elementos. São
ainda apresentadas sugestões práticas e ideias para investigação futura.

PALAVRAS-CHAVE: Insegurança; Incivilidades; Meio Escolar.

142
A INTELIGÊNCIA E O COMPORTAMENTO CRIMINAL
Ana Lopes (isabelpinheirolopes@gmail.com) &
Ana Cristina Neves
Instituto Superior de Ciências da Saúde de Egas Moniz

RESUMO
O trabalho de revisão de literatura incide sobre a temática da inteligência e a sua relação,
como fator de risco e de proteção, com o comportamento criminal. Procede-se à
conceptualização de cada um, abrangendo a diferença de quocientes de inteligência entre
delinquentes e não delinquentes, homens e mulheres, e diferenciando depois entre tipos
de delinquentes. Observam-se também as diferenças de comportamento criminal relativas
ao tipo de Q. I., verbal e de realização, nível elevado e deficiência mental, especificando-
se depois o Q. I. e ofensas sexuais. Apesar da divergência de resultados relativamente a
este tema, foi possível verificar um maior número de estudos que conclui que os
delinquentes possuem um Q. I. geralmente mais baixo do que os não delinquentes, tal
como delinquentes crónicos e não crónicos, tanto no sexo feminino como no masculino,
sendo que a inteligência verbal também é geralmente inferior à de realização.

PALAVRAS-CHAVE: Inteligência; Comportamento Criminal; Fator de Risco; Fator de


Proteção.

143
ABUSO SEXUAL FACILITADO POR DROGAS: UMA PROPOSTA DE
MONITORIZAÇÃO
Rafael Valente (27476@ufp.edu.pt) &
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
As características farmacológicas da maioria as drogas usadas em contextos recreativos,
designadamente as design drugs, assim apelidadas na década de 60 por Gary Henderson,
conduzem a estados de alteração de consciência e a mudanças comportamentais diversas,
muitas vezes inesperadas e sempre perigosas. Entre as condutas potenciadas por algumas
dessas substâncias, encontra-se a prática de abuso sexual. Os principais circuitos dos
mercados ilegais dessas drogas passam por espaços recreativos noturnos, que se afiguram,
não raras vezes, como palcos de comportamentos antissociais e até criminosos. Entre tais
comportamentos, destaque para o crime sexual que, frequentemente, ocorre na sequência
da ingestão dessas substâncias ilícitas, consumidas propositada ou inadvertidamente,
nesses espaços de festa e convívio entre jovens. Assim, as drogas recreativas tornam-se
mais do que simples facilitadores de diversão, e assumem muitas vezes o papel
potenciador de certas práticas, sendo mesmo designadas como as “drogas da violação” e
configurando-se como um instrumento ao serviço de predadores sexuais. Por isso, o
presente poster tem como objetivo principal aprofundar conhecimentos e sensibilizar para
o fenómeno, através do método da revisão da literatura. Da análise feita às características
das substâncias mais identificadas com essas condutas criminosas, passando pela sua
classificação e revendo os efeitos de tais drogas e as consequências das mesmas, propõe-
se um programa que possibilite a monitorização de espaços, a fim de que se tenha o
conhecimento necessário para se criar um programa preventivo.

PALAVRAS-CHAVE: Drogas Recreativas; Violação; Crime Sexual; Monitorização.

144
CONSUMO ALCOÓLICO PROBLEMÁTICO: ALTERAÇÕES CEREBRAIS E
VIOLÊNCIA
Filipa Sousa (28166@ufp.edu.pt) &
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
O consumo problemático alcoólico constitui um dos mais graves problemas, ocorrendo
cada vez mais, em indivíduos mais jovens que, muitas vezes, juntam ao álcool outras
substâncias. No entanto, a verdade é que o problema se mantém, assumindo novas e mais
diversificadas configurações, pelo que se trata de um fenómeno longe de estar esgotado.
Por isso, este trabalho versa sobre a dependência alcoólica, a síndrome de abstinência e o
seu efeito sobre o cérebro, com consequente manifestação de comportamentos violentos
e, por vezes, até mesmo criminosos. O estudo do álcool e da sua relação com a violência
têm vindo a ser estudados ao longo de décadas por diversos autores, tal como a análise à
influência do consumo dessa substância sobre o sistema nervoso central e, obviamente,
sobre o comportamento. O que se pretende neste poster é apresentar uma leitura
integradora do que mais se tem salientado nessas investigações, seguindo o método da
revisão da literatura, e perseguindo os objetivos de sensibilizar para o fenómeno, para
além de se procurar alertar para as novas modalidades de consumo alcoólico e para as
consequências, em termos de funcionamento cerebral e de comportamento. As conclusões
apresentam um plano de abordagem teórica ao problema, bem como sugestões para uma
abordagem mais prática, nomeadamente, ao nível da avaliação destes sujeitos em
contexto forense.

PALAVRAS-CHAVE: Alcoolismo; Abstinência; Cérebro; Violência.

145
CONSUMO ALCOÓLICO, PERSONALIDADE E PRÁTICAS VIOLENTAS
Luciana Pinheiro (27161@ufp.edu.pt) &
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
O álcool consiste numa substância que provoca alterações comportamentais, bem como
mudanças em termos de personalidade que, sobretudo quando o consumo alcoólico é
acompanhado do de outras drogas, pode levar a tão drásticas alterações que conduzam o
sujeito à prática de ações delituosas e frequentemente violentas. É sobejamente conhecida
a relação entre o álcool e o comportamento violento, sendo igualmente explorada a
associação entre o abuso alcoólico e a conduta antissocial. Pode ainda acrescentar-se que
o abuso de álcool, sobretudo quando associado a consumos de certos estimulantes, como
a cocaína, está fortemente ligado à presença de perturbações da personalidade. De acordo
com a literatura a respeito do abuso de álcool, é possível diferenciar certos traços e
algumas dimensões da personalidade, mais presentes em dependentes alcoólicos, com ou
sem consumo de outras substâncias. Efetivamente, as dependências químicas em geral, e
o alcoolismo em particular, estão fortemente associados a quadros graves de perturbações
de personalidade, a que não escapa a própria psicopatia. Este poster apresenta uma súmula
de elementos que, extraídos de uma revisão da literatura, contribuem para clarificar essa
associação entre álcool, perturbação de personalidade e conduta violenta. Apresentam-se
ainda algumas sugestões para, no quadro forense, se avaliar o ofensor de forma integrada
e que inclua a consideração do eventual abuso de substâncias.

PALAVRAS-CHAVE: Álcool; Personalidade; Violência; Antissocial.

146
HISTÓRIAS DE DROGA E DELITO – TRAJETÓRIAS DE CONSUMIDORES
DE DROGAS COM PRÁTICAS DELITUOSAS
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
O consumo problemático de drogas e a prática delituosa coocorrem muito
frequentemente, instalando-se o modo de funcionamento típico dos que se inscrevem no
registo comportamental da relação droga-crime. O poster que aqui se propõe explora este
fenómeno mediante um estudo qualitativo e centrado no método biográfico. O estudo
segue um desenho observacional, exploratório, descritivo, pautado pelas limitações de
uma pesquisa transversal e retrospetiva, emergente e indutiva, baseada na observação e
no autorrelato, com recurso à entrevista semiestruturada e conduzida de forma
semidiretiva. A questão central que se coloca passa pela averiguação da eventual
existência de aspetos comuns ao longo do percurso de vida dos indivíduos, que possam
ter contribuído para um padrão de funcionamento que permita compreender a adoção de
condutas adictivas e delinquentes. Entre os objetivos da análise, considere-se o de melhor
compreender o funcionamento destes sujeitos. Mais especificamente, procurou-se
identificar regularidades biográficas implicadas, de forma mais ou menos direta, no
fenómeno. A amostra constituiu-se de 53 indivíduos com história de consumo de
substâncias e comportamentos delinquentes, com uma média de idades de cerca de 36
anos (desvio padrão de 8.24). Os dados obtidos através da entrevista foram sujeitos a um
processo de análise de conteúdo, criando-se um sistema de categorias temáticas mediante
o procedimento de categorização “por caixas”. Identificaram-se regularidades biográficas
entre os participantes no estudo. Os sujeitos revelaram a presença de similaridades ao
nível das relações precocemente estabelecidas, em termos do estilo educativo a que
estiveram expostos e relativamente à forma como traçaram a sua trajetória até à adultez.
Os sujeitos terão passado por um desenvolvimento perturbado que pode ter potenciado
um funcionamento favorecedor do seu ingresso progressivo e exponencialmente
crescente no mundo da droga e do delito, sendo que a convergência e interação desses
comportamentos terão intensificado tal modo de funcionamento.

PALAVRAS-CHAVE: Toxicodependência; Delinquência; Análise Biográfica; Relação


Droga-Crime.

147
PERCURSOS DESENVOLVIMENTAIS DE MULHERES DEPENDENTES DE
DROGAS
Paulina Moreira (18055@ufp.edu.pt) &
Laura M. Nunes (lnunes@ufp.edu.pt)
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa

RESUMO
O presente trabalho debruça-se sobre a problemática da toxicodependência no género
feminino, mais especificamente sobre as trajetórias definidas ao longo do
desenvolvimento de mulheres dependentes de drogas. Para isso, questionou-se a eventual
existência de particularidades biográficas frequentes entre consumidoras de substâncias,
nomeadamente, nas principais etapas do seu desenvolvimento, até à idade adulta.
Averiguou-se também se mulheres com história de abuso de drogas apresentam
similaridades relativamente ao seu percurso desviante. Adotou-se um desenho de estudo
exploratório, descritivo, retrospetivo, transversal, observacional, baseado no método do
inquérito e suportado pela técnica da entrevista, enquadrado nas análises qualitativas que
se socorrem de um método biográfico para auscultarem certos fenómenos sociais. As
dados assim recolhidos foram submetidos a um processo de tratamento em que se apelou
à análise de conteúdo como técnica de tratamento de informação. Os resultados obtidos
numa amostra de 11 mulheres com história de consumo de substâncias, com uma média
de 43 anos de idade (desvio padrão de 10.5), conduziram à conclusão de que as
participantes apresentam efetivamente regularidades ao nível do percurso biográfico,
tendo-se desenvolvido num seio familiar problemático. A predominância de relações
negativas, bem como a ausência de relações afetivas pode ter sido potenciadora da entrada
no percurso desviante do consumo de substâncias. Destes resultados foi possível perceber
claramente que há especificidades que se prendem com a questão do género no âmbito
das toxicodependências, especificamente no percurso desviante das participantes neste
estudo. Trata-se de uma área a estudar futuramente.

PALAVRAS-CHAVE: Toxicodependência; Género; Percurso Desviante; Trajetória.

148
A CASTRAÇÃO QUÍMICA
OS EFEITOS PSICOLÓGICOS DO TRATAMENTO NOS ABUSADORES
SEXUAIS
Anabela Medina (anabelasantosmedina@gmail.com)
Instituto CRIAP

RESUMO
De acordo com a revisão da literatura, pretendemos mostrar que existem motivos
suficientes que justifiquem o debruçar desta temática – A Castração Química, os efeitos
dos tratamentos nos abusadores sexuais. Segundo vários autores, a avaliação dos
ofensores sexuais assume cada vez maior premência na prática Forense, resultante de um
conjunto de fatores que vão desde o impacto nas vítimas às taxas de reincidência,
passando pela elaboração de intervenções diferenciadas, até à identificação do risco e a
reinserção dos sujeitos na comunidade. Desta forma, é importante uma avaliação
cuidadosa para melhor intervir delinear estratégias preventivas que possibilitem um
tratamento psicológico de forma a reduzir o risco de reincidência, e as distorções
cognitivas. Dado que a maioria dos agressores sexuais é suscetivel de mudança e de
reintegração na sociedade. A investigação neste domínio é escassa e diminuta, não
existindo programas de intervenção para os agressores sexuais nas prisões, embora tenha
sido construído um Estabelecimento Prisional para albergar este tipo de reclusos
(Estabelecimento Prisional da Carregueira). Atendendo à crescente e atual questão da
criminalidade sexual (redes de pedofilia, pornografia e prostituição infantil), torna-se
urgente refletir e atuar, tendo em linha de conta as investigações entretanto desenvolvidas.

PALAVRAS-CHAVE: Intervenção; Agressores Sexuais; Personalidade Antissocial e


Psicopatia.

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