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MANDEL, Ernest. O lugar do marxismo na História. São Paulo: Xamã, 2001.

Apresentação:
- Para aprender o marxismo é preciso antes de tudo situá-lo em seu contexto histórico...
É preciso, em outras palavras, a plicar a interpretação materialista histórica ao próprio
marxismo ao invés de considerar seu aparecimento como natural [...];

1 – Contexto histórico geral;


- Produto do surgimento do modo de produção capitalista a partir dos séculos XV e XVI
em algumas regiões da Europa ocidental;
- O modo de produção capitalista funda-se sobre a apropriação privada dos grandes
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meios de produção e de subsistência;
- Os capitalistas usam parte do capital para comprar a força de trabalho de outra classe
social, o proletariado;
- 2ª metade do século XVIII: capitalismo industrial trouxe a esperança do progresso e
otimismo social, sob a direção da burguesia;
- Fruto do Iluminismo: fé na razão e emancipação humana; luzes;
- O capitalismo não é apenas um acúmulo de conhecimentos, riquezas e direitos.
Também é misérias, injustiças, opressões e negação de direitos humanos elementares;
- O 4º Estado emerge progressivamente do 3º;
- Os socialismos projetavam o retorno há uma sociedade sem classes;
- O marxismo se situa, sem dúvida nenhuma, na continuação dessa antiga e venerável
tradição de sonho e de combates emancipação dos pobres, explorados e oprimidos; 16

2 – As características fundamentais do marxismo.


- O marxismo faz uma síntese: das Ciências humanas e sociais; do movimento político
de emancipação; do movimento operário sem qualquer teoria filosófica ou sociológica; do
socialismo pré-marxista por uma sociedade melhor;
- Marx e Engels partem do que já existe;
- Das ciências sociais criticam: a filosofia clássica alemã; a economia política inglesa e a
historiografia sociológica francesa;

3 – A transformação das Ciências sociais pelo marxismo.


- A fusão da dialética materialista com as principais descobertas da historiografia
francesa, alimentada pelas conquistas da economia política inglesa, permitiu que Marx e
Engels elaborassem sua teoria de devir social da humanidade: o materialismo histórico;

a) A transformação da filosofia clássica alemã;


- Da dialética de Hegel (que remonta a Heráclito e Spinoza): A concepção de toda
realidade como estado em contínua mudança; o movimento como resultado de
contradições internas; O conhecimento como apreensão do real, da interação entre
sujeito e objeto;
- Transformam a dialética idealista de Hegel em dialética materialista;
- O movimento de emancipação real ase realiza progressivamente ao longo da história;

b) A transformação da historiografia sociológica francesa.


- As grandes revoluções burguesas (XVI e XVIII) levaram a historiografia francesa criar o
conceito de classes sociais e de seus conflitos: lutas de classes, como instrumentos para
compreender a marcha da história;
- As classes sociais não são eternas, têm seu início historicizado. Passam e passarão por
diversos estágios sucessivos: da sociedade primitiva sem classes a diferentes formas da
sociedade de classes até a sociedade futura (comunista) sem classes;
- (1ª tese do materialismo histórico): O conjunto das relações de produção determina,
em última instância, o conjunto das relações sociais e, assim a própria estrutura da
sociedade;
- Os vários modos de produção: comunismo primitivo; escravista; asiático/tributário;
feudal; capitalista; (socialista) comunista;
- Modo de produção é estrutura, só pode ser derrubado com revolução;
- Um novo modo de produção requer um impulso maior ao desenvolvimento das forças
produtivas, ou seja, deve permitir que a sociedade economize trabalho, que reduza
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esforço físico;
- As classes dominantes utilizam este tempo vago para lazer e cultura;
- A luta de classes é sempre uma luta em conjunto, independentemente da consciência
que tenham;
- A ideologia determinam as relações sociais de produção, que determinam a
superestrutura social. Isso determina a ciência, a religião, as artes etc, o pensamento de
cada época;
- (2ª tese do materialismo histórico): É a existência social que condiciona a consciência
social;
- A ideologia da classe dominante, é a ideologia dominante da época (mas não é a única
existente);
- (3ª tese do materialismo histórico): O Estado é um produto da divisão da sociedade em
classes, um instrumento de consolidação, de manutenção e de reprodução da dominação
de uma determinada classe;
- A ditadura do proletariado fará com que os antigos exploradores saiam do poder, da
organização da economia e da sociedade.

c) A transformação da economia política inglesa.


- O valor das mercadorias no centro das explicações: funda-se sobre a equivalência
(uma comparação) das quantidades de trabalho contidas nas mercadorias;
- O trabalho é a essência do valor;
- O proletário não vende trabalho, vende força de trabalho, capacidade de produção;
- A burguesia transforma a força de trabalho em mercadoria;
- Mais-valia é a diferença entre o valor produzido pela força de trabalho e o valor próprio
dessa força de trabalho;
- Os salários flutuam, por um lado, segundo o tamanho do exército de reserva, por
outro, pelas relações de força entre as classes;
- A luta de classes torna-se uma determinante parcialmente autônoma do devir do modo
de produção capitalista;
- O Capital considera:
- Que há uma tendência a se revolucionar constantemente as técnicas de produção e
organização do trabalho;
- Há uma tendência de se investir na busca de lucros suplementares. O capital tem
sede de mais-valia;
- A acumulação de capital é o objetivo dos mecanismos econômicos capitalistas;
- Do capital acumulado, uma parte maior sempre é investida em compra de máquinas,
matéria-prima etc (capital constante), uma menor é consagrada à compra da força de
trabalho (capital variável);
- Tendência de se equalizar a taxa de lucro à média de lucro;
- A taxa média de lucro tende a diminuir com o aumento da composição orgânica do
capital;
- Dessa baixa resultam as crises periódicas de superprodução e superacumulação de
capitais (crise, estagnação, retomada econômica, prosperidade, superaquecimento e
crise);
- As crises econômicas são inevitáveis no capitalismo;
- As respostas a essas crises é a mobilização revolucionária do proletariado;

4 – A superação do socialismo utópico.


- O socialismo utópico é marcado por diversas contradições, as quais Marx e Engels
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tiveram de superar;
- A concepção dialética e não-linear do progresso histórico estão na base do
pensamento;

5 – A transformação proletária da ação e organização revolucionárias.


- A concepção da organização e ação proletária;
- A ação política revolucionária é de grande massa, dos proletariados;
- O proletário enquanto partido político independente da burguesia e da democracia
pequeno-burguesa é essencial para vitória revolucionária;
- A auto-organização do proletariado deve ser prioritário;
- A emancipação política é combinada com a emancipação econômica e social;

6 – A fusão do movimento operário real e do socialismo científico.


- A organização de massa dos trabalhadores nasce na Inglaterra, berço da Revolução
Industrial;
- Os luddistas não eram inimigos das máquinas, mas as quebravam para garantir o
movimento paredista 100%, contra os fura greves;
- As lutas não eram contra as máquinas, e sim contra as misérias;
- A quebra de máquinas virou crime de pena de morte;
- Partido Cartista – primeiro partido operário de massa;
- O movimento operário moderno é produto direto da exploração e da miséria sofrida
pelos operários em razão do regime capitalista, produto imediato da sociedade burguesa;
- Defender seus próprios interesses é o primeiro nível da consciência de classes;
- A unificação de massa através da educação e da propaganda;

7 – O itinerário pessoal de Marx e Engels.


- O marxismo é um produto de sua época;
- Marx e Engels não eram proletários. Os problemas financeiros de Marx foram apenas
durante as décadas de 1850/60; Engels vinha de uma família de industriais ingleses;
- Os encontros com a miséria do proletariado; a experiência na Revolução de 1848/50;
na organização da Liga dos Comunistas de Londres; o encontro com as Ciências naturais
e os escritos de Darwin; o encontro com a Comuna de Paris. Todos esses encontros os
influenciaram;
- As rupturas ou os conflitos com os contemplativos e fundamentalistas liberais “jovens
hegelianos”; com o socialismo utópico de Proudhon e o comunismo insuficientemente
amadurecido de Weitling; com os principais representantes da economia inglesa pós-
ricardiana;
- Acusados de eurocentrismo e particularismo alemão; foram racistas com os eslavos e
com os mexicanos;

8 – recepção e difusão do marxismo pelo mundo.


- As doutrinas valem pelo impacto sobre a história real; a teoria torna-se uma força real
quando empolgam as massas;
- Houve um atraso na publicação das principais obras de Marx e Engels;
- Por 80 anos, três gerações de pensadores não tiveram acesso às obras;
- Foi preciso esperar o fim da 1ª GM, a vitória da Revolução Russa, o avanço do
movimento operário europeu, do comunismo na China, a crise dos anos 1930 para que a
situação mudasse;
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- Em outros lugares, só depois da 2ª GM.

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