Você está na página 1de 5

A produção da exclusão na educação brasileira

Com base no documentário “Pro dia nascer feliz” em conjunto com os textos
debatidos em aula, irei aqui discorrer a respeito das carências e dificuldades atuais (ou
nem tanto atuais) da educação brasileira.
Para entendermos a atual situação escolar no Brasil e procurarmos medidas
eficazes para a melhoria desta, necessitamos fazer uma análise reflexiva e crítica desta
realidade fundamentadas aqui na Psicologia Histórico-Cultural, não se atentando
apenas a dimensão restrita escolar, mas também estender aos aspectos sociais
oriundos do sistema capitalista.
O descaso para com a educação é visível em vários aspectos no nosso país,
desde o transporte dos alunos à escola até o preparo dos professores em ministrar as
aulas. Antes de focar nesta questão mais interna, existem alguns fatores sociais que
contribuem para o impedimento da classe mais pobre ter acesso a escola, e o que
observamos é que essa classe tem conhecimento das dificuldades de acesso, porém
não possuem recursos para reverter esta situação. Fica claro então que existe uma
hierarquia implementada e, se formos analisar a fundo esta questão, é na ideologia
liberal que encontramos as raízes deste problema, uma vez que a escolarização está
fusionada com uma possível ascensão social, possível pois para que esta ascensão
ocorra necessita-se uma reestruturação produtiva e um projeto sócio-político-
econômico em todas as esferas.
No documentário podemos ver claramente os aspectos negativos que
contribuem para a exclusão escolar, a vontade de uma criança em ir à aula porém
impedida pela falta de transporte, chegando no período de duas semanas conseguir ir
à escola somente duas vezes. Esta frustração causada por esse impedimento é
altamente prejudicial para a vida destas crianças, assim como para os professores que
muitas vezes não têm para quem dar aulas, como mostrado em um depoimento.
Muitas vezes a violência presente na escola é decorrente da falta de estímulo
aos alunos, pois sem vontade de aprender acabam se envolvendo em “rixas” internas
que podem se agravar como visto no documentário, no qual uma menina é morta por
uma aluna do mesmo colégio. Esta violência não está somente presente entre os
estudantes, mas também entre estes e os educadores; ao mesmo tempo em que existe
um descaso dos alunos com os professores, talvez pela metodologia utilizada ou se
formos mais fundo com motivos até relacionados a própria família dos quais ainda
vou citar, existe ainda um autoritarismo dos educadores, pois não dando voz aos
estudantes estes acabam se revoltando contra a instituição escolar.
A falta de estrutura é outro ponto que devemos nos atentar, pois um ambiente
adequado é essencial para um pleno aproveitamento do que a escola deve oferecer,
não somente quanto a estrutura das classes, mas também se deve haver espaços de
estudo e reflexão, biblioteca, salas decentes para os docentes se reunirem e
planejarem um método em conjunto, muitas vezes tentando unir suas disciplinas para
um maior interesse dos alunos e uma área de lazer na qual os estudantes possam
liberar suas energias de forma saudável, sem comprometer desta forma suas
atividades intra-classe e ainda esquecer, pelo menos por um tempo, os problemas
dentro de suas famílias, pois estas possivelmente possuem um baixo nível de
escolarização e isso defasa a comunicação entre os familiares, ou seja, um efeito
dominó se instala.
Falando dos fatores internos podemos citar ainda a precária formação de
alguns profissionais que não estão aptos a ministrar aulas, e muitas vezes estes ditos
professores acabam culpabilizando os alunos pelo péssimo ensino, e mais uma vez
deixando-os sem voz ativa. Um exemplo disso é o caso de uma aluna do ensino
público mostrado no documentário, que sentia prazer pela leitura e escrevia poesias,
porém não era valorizada em sua escola chegando ao ponto dos professores não
acreditarem que era ela a autora dos textos.
Outro aspecto delicado que influencia claramente a qualidade do ensino nas
escolas nacionais são os baixos salários aos profissionais da educação, o que acaba
desestimulando-os e, sem incentivo pois não sãos visto como figuras importantes em
seus papéis, acabam se tornando desleixados e isso certamente refletirá nos alunos,
aumentando o número de evasão e consequentemente a violência.
O contraste das escolas públicas e das particulares retratada no documentário
nos faz refletir sobre o motivo pelos quais os alunos frequentam as escolas. Existe
uma diferença básica entre eles, no caso dos estudantes das escolas públicas, a
maioria deles não estão preocupados em passar de ano e continuar um estudo adiante,
vão para a escola como uma obrigação ou muitas vezes para fugir da realidade
encontrada em suas casas, muitas vezes violenta. No caso dos estudantes das escolas
particulares podemos observar a grande preocupação e passar de ano, muitas vezes
pela pressão exercida pelos pais; o que presenciamos nestas escolas são alunos
“mecanizados” e que muitas vezes adoecem por não entenderem ainda a real
importância da educação. Estão cientes do quanto são privilegiados como podemos
ver no depoimento dos alunos no documentário, mas sentem-se perdidos.
O problema desta realidade é que a atual democracia está defasada,
precisamos olhar a educação em nosso país como algo primordial, fazendo com que o
orçamento destinado à ela seja suficiente para reverter este caos implantado, criar
políticas públicas que abranjam toda essa demanda e estruturar projetos eficazes que
contribuam para a verdadeira função da escola; se não formos por esse caminho, o
Brasil continuará analfabeto.
Universidade Estadual Paulista “Júlio de
Mesquita Filho”

Resenha Unidade I

Disciplina: Psicologia Escolar I


Profª Drª Marisa Eugênia Melillo Meira

Aluno:

Rafael Piccolo Feliciano RA:


1026437
Março/2011