Você está na página 1de 2

Faculdade de Engenharia

FISIOLOGIA VEGETAL

Trabalho prático 5 - Pigmentos Hidrossolúveis e Lipossolúveis em Tecidos Vegetais

Introdução

Os vegetais possuem o equipamento bioquímico necessário para transformar substâncias pouco energéticas (CO2 e H2O)
em moléculas ricas em energia (C6H12O6). Na fotossíntese a energia luminosa absorvida pelos pigmentos é transformada em energia
química. Os pigmentos absorvem determinados comprimentos de onda, refletindo outros, o que depende da estrutura química do
pigmento.
Além das clorofilas e dos carotenóides, que são lipossolúveis, as plantas contêm outros pigmentos, como os flavonóides,
que constituem uma série de compostos relacionados, solúveis em água, tendo como estrutura básica um esqueleto C 15 de flavona.
Os flavonóides são pigmentos hidrossolúveis presentes nos vacúolos das células das plantas e representam o maior grupo de
compostos fenólicos dos vegetais. Esses pigmentos se acumulam especialmente nas flores, conferindo-lhes as cores características,
podendo variar do vermelho até púrpuro e o azul. Desses pigmentos, os mais conhecidos são as antocianinas, cada qual com uma
cor distinta, que varia conforme o pH, ainda que algumas sejam incolores. Embora também acumulem em grandes quantidades
nas folhas de algumas espécies, os flavonóides (antocianinas e betalaínas) não participam diretamente da fotossíntese. Sua ação
tem sido comumente associada à proteção do aparelho fotossintético contra os danos provocados pela radiação ultravioleta.
As antocianinas ocorrem na forma de glicosídeos, ligados comumente a uma ou duas unidades de glicose ou de galactose.
A parte molecular sem açúcar ainda mantém a sua coloração característica e é denominada antocianidina. O acúmulo de
antocianinas em caules, folhas ou frutos é estimulado por níveis elevados de luz, por deficiência de certos nutrientes como
nitrogénio, fósforo e enxofre e por temperaturas baixas. Além de sua importância como atrativo para insetos polinizadores, os
flavonóides também afetam a interação das plantas com outros organismos, como, por exemplo, com as bactérias envolvidas na
fixação biológica do nitrogénio e, também, com microrganismos fitopatogénicos. Além disso, os flavonóides têm sido utilizados
como marcadores na quimiotaxonomia.

Objetivos
Observar a separação de pigmentos lipossolúveis e hidrossolúveis, por meio de sua partição em solventes imiscíveis. Acompanhar
as variações nas propriedades de alguns desses pigmentos, em função das variações do pH do meio ou de sua hidrólise parcial.

Materiais
• Folhas coloridas de Iresine herbstii (Amarantaceae, coração-de-maria) que acumulam betalaína, e de Codiaeum
variegatum (Euphorbiaceae, cróton) que acumulam antocianinas
• Homogenizador ou liquidificador
• Tubos de ensaio (2.5 x 12.5 cm), funil de vidro e pipetas
• Funil de separação
• Acetona 50% (v/v) e éter etílico
• Gaze e papel filtro
• NaOH 0.1 N e HCl 0.1 N
• KOH 3 N
Procedimentos

Caso sejam utilizadas folhas de cróton, pode ser necessário adicionar 2-3 gotas de HCl concentrado (6N) para manter a coloração
vermelha durante a extração dos pigmentos. As antocianinas provenientes de folhas de cróton permitem melhores resultados em
relação à variação de coloração em resposta ao pH do que as antocianinas provenientes da Iresine. Todavia, os pigmentos verdes
da Iresine são mais vistosos do que os do cróton, que ficam, na maioria das vezes, com uma tonalidade amarelada.
Homogenize 15 g de folhas coloridas da espécie sugerida em 100 mL de acetona 50% (v/v). Filtre o homogenato através de gaze e
depois através de duas camadas de papel-filtro. Coloque 10 mL do filtrado num funil separador e adicione, escorrendo pelas
paredes, igual quantidade de água. Execute movimentos leves de rotação no funil separador e observe os resultados. Em seguida,
adicione lentamente 10 mL de éter etílico. Execute movimentos leves de rotação no funil separador e observe os resultados.
Recolha em tubos de ensaio a maior parte da camada inferior, descartando a interface. Recolha, num outro tubo de ensaio a
camada superior obtida durante a separação.
Adicione num tubo de ensaio cerca de 5 mL da fração correspondente à camada inferior e dilua com igual volume de água destilada.
Observe o resultado. Proceda da mesma forma com 2 tubos contendo material proveniente da camada superior, observando as
diferenças.
Adicione a tubos de ensaio cerca de 5 mL da fração correspondente à camada inferior e acrescente a cada um tubos uma quantidade
diferente de gotas de NaOH 0.1 N. Observe os resultados. Em seguida, adicione aos respetivos tubos a mesma quantidade de HCl
0.1 N, observando o que acontece.
A um dos dois tubos de ensaio, contendo a mistura proveniente da camada superior, acrescente algumas gotas de KOH 3 N. Agite
ambos e observe o que acontece em cada um deles.
Explique todos os resultados obtidos.

Questionário

1. Considerando as propriedades gerais de solubilidade dos pigmentos dos cloroplastos das fanerógamas, seria provável a sua
presença nos vacúolos de folhas fotossintetizantes? Em algum outro grupo vegetal isso é conhecido?

2. Quais são os pigmentos lipossolúveis das plantas verdes? Onde eles se localizam nas células?

3. Quais são os pigmentos hidrossolúveis das plantas verdes e em que parte das células eles se encontram?

4. O que é possível concluir com a quebra da ligação entre o tetrapirrol e a cauda fitol das moléculas de clorofilas pelo KOH 3N?

5. Por que podemos afirmar, com certeza, que as antocianinas não participam da fotossíntese?

6. Quais são as funções dos flavonóides (antocianinas e betalaínas) nos tecidos vegetais?

7. Por que certos frutos ficam mais vermelhos quando exposto à luz solar?

8. Se você fizesse um extrato de pétalas de uma flor vermelha, que tipo de pigmento seria encontrado ao fazer sua separação
por partição em solventes? O que aconteceria se você alterasse o pH das soluções?

9. Considerando os efeitos do pH sobre as antocianinas, você acredita que diferenças no pH dos tecidos possam contribuir para
a variação nas cores das pétalas das flores? Explique.

Você também pode gostar