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Cavaleiro da Serpente de Bronze - Grau 25°

O Grau 25 tem a sua origem em dois fatos históricos religiosos: um de origem


judaica, quando Moisés ergueu uma serpente de bronze para curar as mordidas de uma
praga de serpentes surgida durante a fuga do Egito; a segunda, por ocasião da 1ª cruzada,
quando os católicos pretenderam libertar a Terra Santa do poder dos muçulmanos.
Os acontecimentos que envolvem Moisés preponderam, contudo, e se pode afirmar
que o Cavaleiro da Serpente de Bronze, no desenvolvimento do Ritual, é profundamente,
inspirado na história do povo israelita.
A evocação da 1ª Cruzada é de ordem Templária, dando ao Grau um aspecto
místico-militar.
Dentro do fato histórico, porém, surgiu a personagem lendária mercê o exagero do
escritor Torquato Tasso, com seu poema: "Jerusalém Libertada" fazendo de Godofredo de
Bulhão (Godefroy de Bouillon) uma personagem de feitos históricos.
Em fins do século XI, os conquistadores turcos apoderaram-se de Jerusalém,
passando a perseguir todo romeiro cristão que visitava os lugares santos; antes do domínio
turco, os muçulmanos toleravam as peregrinações religiosas porque significavam uma
substanciosa fonte de renda.
Pedro, o Eremita, porém, entendeu tornar conhecidas aquelas perseguições e
percorrendo toda a Europa incitou os católicos a pegar em armas e expulsarem os hereges
dos lugares santos.
O papa Urbano II, entusiasmado com a sugestão, convocou um grande Concilio em
Clermont Ferrand, na França onde acorreram verdadeiras multidões e sob o lema "Deus o
quer' formou-se um improvisado exército que partiu para a Palestina chefiado por Pedro, o
Eremita, proclamando-o chefe.
O exército, despreparado, com escassos alimentos e armas foi facilmente dizimado.
Essa primeira "arrancada" não pode ser considerada uma Cruzada, tanto que
somente, no ano 1096 é que foi organizado o primeiro exército, partindo da França e da
Itália, quatro grupos de homens armados que se uniram em Constantinopla, dirigindo-se,
em seguida para Jerusalém.
Os fiéis passaram a ser conhecidos com o nome de Cruzados, por terem inserida em
suas vestes, uma Cruz.
O exército era composto de toda classe de homens, tanto plebeus como nobres.
Comandados por Godofredo de Bulhão, o exército tomou de assalto em 1099 a
cidade de Jerusalém.
Triunfante, retornou o exército, recusando Godofredo o título de Rei de Jerusalém,
alegando não desejar ostentar uma coroa de ouro, ali onde o Rei dos reis carregara um
coroa de espinhos.
Preferiu o título de Barão do Santo Sepulcro. Embora o nome Cavaleiros da
Serpente de Bronze tenha se originado dos feitos de Godofredo de Bulhão, o Ritual dos
Trabalhos de Iniciação restringe-se a evocar o feito de Moisés. A Câmara onde se
desenvolvem os trabalhos denomina-se de Corte do Sinai, relembrando o Monte de Sinai,
onde Moisés recebeu o Decálogo. Enfim, o Grau 25 preocupa-se com a administração da
Justiça e com o cântico da Liberdade. O relato bíblico em torno da "Serpente de Bronze" o
encontramos no Livro de Números, capítulo 12:4-9.
A Loja recebe o nome de Corte do Sinai; o Monte Sinai situa-se na península
montanhosa da Arábia, entre os golfos de Suez e Akaba.
A decoração é feita com tapeçaria vermelha; sobre o Trono, vê-se um
"transparente", representando uma sarça ardente e na parte superior o nome de Jeová.
No centro da Loja arma-se uma montanha com a forma de um cone truncado, com
um metro e meio de altura, colocando-se em seu cimo, uma Cruz em forma de "T",
enroscando-se nela uma serpente.
Uma só tocha ilumina a Câmara que é colocada por detrás do "transparente”.
O Presidente representa Moisés com o título de Poderosíssimo Grão-mestre; os
Vigilantes denominam-se de Ministros, representando o primeiro Finces, filho de Eleazar e
o segundo, Josué.
O Orador recebe o título de Pontífice e o Secretário o de Grande Cinzelador. Os
Obreiros intitulam-se Cavaleiros.
O Presidente empunha uma Espada e os trabalhos iniciam-se batendo com o seu
punho.
O traje é de passeio, em negro, com luvas brancas.
Avental branco debruado em negro com estrelas bordadas no centro. Há um
Triângulo irradiado no meio. No verso, o pano é negro semeado de estrelas brancas.
A Faixa carmesim contendo as palavras bordadas: "Virtude e Coragem”.
Hora da abertura dos trabalhos: uma hora; de encerramento, às quatro horas, após
realizadas as conquistas.
Para a Iniciação, os Candidatos são introduzidos inopinadamente na Câmara,
envoltos em correntes.
O Presidente pergunta ao Experto Introdutor de que se trata e este responde que
conduz à Câmara alguns espias egípcios, pois dada a eles, na noite anterior, hospitalidade
por intitularem-se peregrinos, não cessam de perguntar sobre a vida, usos é costumes do
povo hebreu.
Presos, foram acorrentados para serem submetidos a julgamento e executados.
Diz o Presidente que a Justiça compete aos juizes escolhidos por sorteio entre os
membros das Doze Tribos, que somente eles decidirão o que fazer.
Manifesta o Experto que os prisioneiros estão satisfeitos pela decisão sendo
Príncipes do Tabernáculo iniciados no Egito.
O Juiz mais antigo, presente, exige dos prisioneiros que informem a respeito dos
Sinais dos Graus 19 ao 24.
Os Candidatos prestam as informações e o Juiz proclama: "Absolvidos!55
A seguir, o Presidente ordena aos Candidatos que subam ao Monte, porém esses,
apesar dos esforços feitos, não o conseguem face às cadeias que os envolvem.
Fala o Presidente: "Como pretendeis vencer os obstáculos que se vos apresentam,
assim acorrentados?"
Ordena que os Candidatos peçam ao Guia as folhas de eufórbio para que com elas
enferrujem as cadeias e se rompam e assim recobrada a Liberdade, poderem escalar o
Monte.
O Experto passa as folhas de eufórbio nas correntes e conduz os Candidatos ao
Altar do Presidente que lhes tira todas as cadeias, libertando-os.
"Já sois livres”, diz o Presidente; "olhai sobre o Monte e contemplai o Tau onde se
enrosca o místico réptil dos grandes mistérios da índia e que constitui o Emblema de nosso
Grau.53
Passa, após, a interrogar os Candidatos.
O interrogatório, envolve os atos de julgar; o aperfeiçoamento da Justiça,
historiando a evolução do Direito e orientando sobre a ação do magistrado que deve julgar
com isenção de ânimo e com imparcialidade.
Tece críticas aos tribunais antigos quando a política os pressionava e quando o
homem era uma frágil vítima em suas mãos poderosas e implacáveis; evoca os tribunais da
Inquisição; enaltece o instituto do habeas-corpus, e finalmente, dá as diretrizes de como um
Governo pode ter uma Justiça sadia, rápida e eficiente, prestando culto aos direitos da
criatura humana e sobretudo o da Liberdade.
Prestado o Juramento, os trabalhos são encerrados na forma convencional.

** *
A serpente é um símbolo encontrado na mitologia de todos os povos.
Nenhum outro ser tem sido empregado tão freqüentemente como a serpente. Todas
as grandes idéias do homem nos primórdios da civilização foram representadas pela
serpente: o Sol, o Universo, Deus, o Mundo, a Eternidade.
Era a imagem da Trimurti e da Trindade entre os hindus; da prudência e da
medicina entre os etruscos e romanos.
No Grau 25 representa a Sabedoria que investiga, profundamente, as causas
geradoras do mal para extingui-las.
E a luta entre a Luz e as Trevas personificadas em Piton, anagrama de Tifon e
Apoio. Tifon derivado de Tupul, árvore que produz maças, com Eva e equivale a Vida ou
Serpente; a forma circular que a Serpente toma, mordendo-se a cauda.
A serpente enrascada no Tau é o símbolo dado ao Grau 25, indica a memória do
passado, a inteligência do presente e a providência do futuro para que impere a Razão em
todo o planeta.
O Ritual revela que o Maçom nada poderá fazer nem em proveito próprio de seus
semelhantes, senão desfrutar do precioso dom da Liberdade, que para ser conquistada
necessita da Serpente de Bronze, que tinha a propriedade de purificar o ar e curar os
enfermos, inspirando-lhe fé e confiança; do eufórbio para a destruição das cadeias, ou seja,
da virtude, valor e audácia, indispensáveis para romper as correntes do despotismo.
A serpente sempre foi o símbolo da Inteligência.
Sua raiz diz de perto com o nome de Serafim, na sua grafia antiga Seraphim;
eliminando-se as vogais teremos: Srpham que nos conduz à Serpente.
O Cavaleiro da Serpente de Bronze é o intrépido Maçom que luta para a
manutenção da Liberdade.
O conceito moderno Liberdade, difere muito do convencional, pois, não se trata,
apenas, da livre locomoção de ir e vir sem embaraços.
Hoje, dentro das metrópoles, onde o ar está poluído, o homem aparentemente livre,
torna-se escravo do ar viciado que o vai matando lentamente.
A Carta dos Direitos Humanos das Nações Unidas já se encontra incompleta, pois
surgiram na última década novidades violentas, como as radiações químicas, os gases
venenosos que escapam de estabelecimentos fabris, enfim, do pouco caso que se dá à vida
humana.
Com a destruição da flora e da fauna e da camada de ozônio, o homem fica sem a
necessária proteção. A ecologia necessita defesa urgente porque interessa, seriamente, ao
homem.
A Maçonaria deve voltar o seu interesse para essas outras liberdades, que não
envolvem conceitos políticos ou ideológicos, mas que derivam da ganância que o homem
tem em enriquecer à custa da Liberdade de seu semelhante.
Por isto que nem sempre a "tradição” maçônica constitui fator relevante e que se
convertida em dogma, faz cegar os olhos para os novos problemas que surgem.
Não se confunda "hábito”, às vezes "maus hábitos”, com "tradição”. A Tradição
Maçônica será, sempre, o interesse do Maçom em busca da proteção ampla, incessante,
infinita do ser humano cuja Liberdade é direito natural e protegido pelo Criador.
** *
O Livro Sagrado abre-se em Números, capítulo 21,8-10: "E disse o Senhor a
Moisés: Faze uma Serpente Ardente, e põe-na sobre uma haste, e será que viverá todo o
mordido que olhar para ela”.

Cavaleiro da Serpente de Bronze


É um Grau Bíblico-Templário transmitido por Iniciação. O Grau foi buscar a sua base em
dois fatos históricos e religiosos: o primeiro evoca a história relatada em Números 21-6,19; o
segundo evoca a primeira Cruzada. Vamos analisar resumidamente os dois fatos.
Em fins do século XI os turcos haviam tomado a Cidade Santa de Jerusalém, criando
empecilhos para os romeiros que peregrinavam à Terra Santa. Um homem conhecido como Pedro, o
Eremita, percorre a Europa incitando e pregando que os cristãos deveriam pegar as armas para
libertar a Terra Santa. Convencido, o papa Urbano II reuniu uma multidão, formando um exército
chefiado por Pedro, o Eremita, que, mais entusiasmado que preparado, foi derrotado.
Mas o exército de Pedro, o Eremita, passou a ser o núcleo central da idéia da criação das
Cruzadas, que, com o mesmo fim, partiriam da França e da Itália. O nome Cruzada tem origem no
fato de que os fiéis utilizavam nas suas vestes uma cruz. Os exércitos cruzados foram comandados
pelo Legendário Godofredo de Bulhão, cuja lenda informa que ele alentava os companheiros
desanimados e vencidos, orientando-os nos combates, dando-lhes ânimo e entusiasmo e
transformando-os em vencedores.
Os Cavaleiros que continuaram a obra de Godofredo de Bulhão fundaram uma sociedade
com o título distintivo de Cavaleiros da Serpente de Bronze, que se dedicava à defesa, recepção,
assistência e proteção aos peregrinos que visitavam a Terra Santa.
A parte bíblica do Grau de Cavaleiro da Serpente de Bronze tem origem no relato exposto
no Livro de Números, Capítulo 21.
Num determinado momento da saída do Egito com destino à Terra Prometida, o povo
judeu, em face das dificuldades passadas nos 40 anos em que peregrinou pelo deserto, mais de uma
vez revoltou-se contra Moisés e o próprio Deus. Numa dessas revoltas, Deus resolveu mandar um
castigo em forma de serpentes cujas picadas eram mortais. Com este tormento o povo mais uma vez
arrependeu-se e orou. Deus deu então a Moisés instruções para que colocasse numa cruz, em forma
de tau, uma serpente de bronze, num local alto e visível e todos os picados pelas serpentes, se
olhassem para a cruz, ficariam imediatamente curados.
A serpente é o símbolo da arte de curar. É o símbolo da ciência médica e de toda arte
paramédica, como farmácia, odontologia, bioquímica, etc.
A Loja de Cavaleiro da Serpente de Bronze recebe o nome de Corte do Sinai e é decorada
em vermelho. Sobre o Trono vê-se um transparente com uma Sarça Ardente e na parte de cima o
nome Jeová. No centro da Loja ergue-se uma montanha, tendo em seu cume a cruz em forma de tau
com a serpente enroscada.
A câmara recebe iluminação de uma lâmpada colocada por trás do transparente com a
sarça. O Presidente, que representa Moisés, não usa Malhete, mas sim Espada, cuja pancada com o
punho dá início aos Trabalhos.
Os candidatos ao Grau são repentinamente introduzidos acorrentados na Câmara dos
Trabalhos. O Presidente interroga os candidatos nos Graus anteriores, sendo eles absolvidos. Depois
são mandados subir no Monte, tarefa que não podem cumprir, pois as correntes atrapalham.
Então o Presidente ordena que esfreguem as correntes com ramos de eufórbio, pára que,
enferrujando, quebrem-se. O eufórbio é um vegetal que curava as picadas das serpentes. Após a
libertação das correntes, o Presidente passa a interrogar os candidatos a respeito do aperfeiçoamento
da justiça e do ato de julgar.
Na seqüência os Neófitos prestam juramento e os Trabalhos são encerrados.

1 - Ornamentação da Loja do Cavaleiro da Serpente de


Bronze
O Templo é decorado de vermelho e representa a Corte do Sinai. No Ocidente ergue-se uma
montanha com uma Cruz em forma de tau e com uma serpente enroscada. No Oriente há um
transparente, iluminado por trás, tendo desenhado uma Sarça Ardente e sobre ela o nome Jeová.
Apenas a luz deste transparente ilumina o Templo.

2 -Mistérios do Grau do Cavaleiro da Serpente de Bronze


PALAVRAS
-SAGRADA -Moisés.
-PASSE -I.N.R.I.
- COBERTA - Johanes Ralp (nome do fundador da Ordem).

SINAIS
- DE ORDEM - Inclinar a cabeça e com o indicador da mão direita apontar um objeto na
terra.
- RECONHECIMENTO - Fazer com a mão direita o traçado do sinal-da-cruz sobre o
peito.

TOQUE - Colocar-se à direita do interlocutor e tomar-lhe o punho esquerdo com a


mão direita.
Em resposta, o interlocutor toma o punho direito do primeiro com a mão direita.

BATERIA - Nove pancadas, dadas por cinco lentas, três rápidas e uma isolada (! !!!!!!!!).

TRABALHO - A corte abre à uma hora e fecha às quatro.

3 - Insígnias do Grau do Cavaleiro da Serpente de Bronze


Avental - Os autores divergem também com relação ao uso de Avental neste Grau.
Uns informam que não há Avental. Outros informam que existe um Avental de cetim branco
forrado e debruado de vermelho.
Fita - Alguns autores preconizam o uso de uma fita vermelha sobre a qual está bordada a
divisa: Virtude e Valor. Outros autores dizem que não se usa fita, mas sim um colar com igual
descrição. De um ou de outro pende a Jóia do Grau.

Jóia - Uma serpente enroscada sobre uma Cruz em forma de T.

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