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EXMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) FEDERAL DO

JUIZADO ESPECIAL FEDERAL

xxxxxxxxxx, brasileira, convivente em união


estável, agricultora, portador do RG xxxxx, inscrito no CPF de Nº xxxxx,
residente e domiciliado, na XXXXXXX, bairro XXXXX, CCCC, informa
que não utiliza endereço eletrônico, por meio de seu procurador com
mandato procuratório em anexo (com endereço na rua xxxxx, nº xxxxx,
xxxxx, xxxxx para correspondência), vem, respeitosamente à presença de
Vossa Excelência, propor, AÇÃO DE CONCESSÃO DE BENEFÍCIO
SALÁRIO MATERNIDADE, em face de INSTITUTO NACIONAL
DO SEGURO SOCIAL, autarquia federal, com endereço na xxxxxxxxxx,
xxx, xxxxxxxxx, pelos fatos a seguir alinhados:
DA JUSTIÇA GRATUITA

A requerente não possui condições financeiras


para arcar com as custas processuais e honorários advocatícios, sem
prejuízo do seu sustento e de sua família.

Nesse sentido, junta-se declaração de


hipossuficiência (Doc. X), cópia da Carteira de Trabalho da requerente
(Doc. X) e certidão de nascimento dos filhos (Doc. X), além de recibo de
aluguel, contas de energia elétrica bem como de consumo de água.

Por tais razões, requer seja deferido os benefícios


da Justiça Gratuita, assegurados pela Constituição Federal, artigo 5º,
LXXIV e pela Lei 13.105/2015 (CPC), artigo 98 e seguintes.

DOS FATOS

A REQUERENTE é devidamente filiada ao


Regime Geral da Previdência Social, inscrita sob o nº..., tendo como último
recolhimento o mês XXXXX, na modalidade empregada, tendo sido
demitida em XXXXXXX, tendo descoberto a gravidez apenas em
XXXXX.

Em XXXXX A REQUERENTE deu à luz uma


criança, conforme faz prova o documento em anexo, e assim compareceu à
APS do INSS pleiteando a concessão do Salário Maternidade.
Tal concessão lhe foi negada sob a infundada
alegação de perda da qualidade de segurada

Não havendo possibilidade de solucionar


amigavelmente o conflito, não restou à REQUERENTE alternativa que não
a propositura da presente Ação, buscando a tão costumeira Justiça.

DA QUALIDADE DE SEGURADA

Após a cessação de contribuições, o segurado


mantém a qualidade de segurado por um período de 12 meses, período este
que é acrescido de mais 12 meses na hipótese de desemprego, nos termos
do artigo 15 da lei 8213/1991 que assim dispõe:

Art. 15. Mantém a qualidade de segurado,


independentemente de contribuições:

...

II - até 12 (doze) meses após a cessação das


contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada
abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem
remuneração;

...

§ 1º O prazo do inciso II será prorrogado para até


24 (vinte e quatro) meses se o segurado já tiver pago mais de 120 (cento e
vinte) contribuições mensais sem interrupção que acarrete a perda da
qualidade de segurado.

Quanto à maternidade, restou comprovado o


nascimento do filho da requerente em XXXXX, através da certidão de
nascimento acostada aos autos.

Quanto à qualidade de segurada, conforme consta


na CTPS a autora manteve seu último vínculo até XXXXX, quando foi
despedida sem justa causa.

Assim, a autora manteve sua qualidade de


segurada até 12 (doze) meses após a data de rescisão do vínculo. Portanto,
a qualidade de segurada somente cessou em XXXXXX

Cumpre esclarecer, que se trata do chamado


período de graça previsto no já mencionado artigo 15 da Lei 8.213/91, no
qual a parte autora se encontrava no momento do parto. Não havendo que
se exigir relação de emprego.

Desse modo, deve ser procedente a ação para


conceder o Benefício XXXXXXX, pelo período de 120 dias.

DA TUTELA DE URGÊNCIA

O artigo 300 do Novo Código de Processo Civil,


estatui:
“A tutela de urgência será concedida quando
houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de
dano ou o risco ao resultado útil do processo:

§ 2º A tutela de urgência pode ser concedida


liminarmente ou após justificação previa.”

A probabilidade do direito resta demonstrada com


a farta documentação juntada.

O fundado perigo de dano se sustenta na medida


em que o salário maternidade tem natureza salarial, substituindo a renda da
segurada no período de 120 dias. Assim, sem o benefício a requerente fica
completamente desprotegida, não tendo meios de sequer prover
alimentação nesse período.

Encontra-se a requerente em total desamparo,


sem assistência da Previdência Social e sem dela receber o numerário
referente ao benefício suspenso de modo unilateral.

Verificada a presença dos requisitos para a


satisfação antecipada do direito pleiteado pelo requerente, demonstrando o
dano real que ainda sofre o Autor, torna-se imperativo o deferimento da
antecipação de tutela para que este juízo determine a concessão do salário-
maternidade.

A medida antecipatória, objeto de liminar na


própria ação principal, representa providências de natureza emergencial,
executiva e sumária, adotadas em caráter provisório, eis que a requerente
não possui outros rendimentos, estando assim totalmente desamparada e
dependente da percepção do benefício para sua sobrevivência durante o
período que está afastada do trabalho.
Assim, requer a Concessão da tutela de Urgência
pleiteada, determinando ao INSS a implantação do benefício XXXXXXX
do prazo de XX dias sob pena de multa diária.

DO DIREITO

O salário-maternidade é o benefício
previdenciário pago à segurada gestante durante o período de afastamento
de suas atividades, no prazo de vinte e oito dias antes e noventa e um dias
após o parto.

A Lei n. 9.876, de 26.11.99, estendeu o salário-


maternidade a todas as seguradas da Previdência Social, criando regras
próprias em relação ao valor e ao prazo de carência para a segurada
contribuinte individual e especial (posteriormente alterada pela Lei nº
10.710, de 5.8.2003).

A partir da edição da Lei n. 10.421, de


15.04.2002, que estende à mãe adotiva o direito à licença-maternidade e ao
salário-maternidade, alterando a Consolidação das Leis do Trabalho e a Lei
n.8.213/91, o benefício passou a ser devido nas hipóteses de adoção de
crianças até oito anos de idade.

A concessão do salário-maternidade independe do


número de contribuições pagas pela segurada empregada, trabalhadora
avulsa e empregada doméstica.
Para as seguradas contribuintes individuais,
segura da especial (enquanto contribuinte individual) e segurada
facultativa, o prazo de carência é de dez contribuições mensais.

A Lei n. 9.876/99, ao criar o prazo de carência


para a concessão do salário-maternidade, estabeleceu que no caso de parto
antecipado o período de dez meses será reduzido em número de
contribuições equivalentes ao número de meses em que o parto foi
antecipado. Destarte, a segurada que iria conceber dez meses após a sua
filiação ao RGPS e teve parto antecipado involuntariamente mantém o
direito ao benefício.

O salário-maternidade consistirá numa renda igual


a remuneração integral da segurada empregada e da trabalhadora avulsa.
Para as demais seguradas consistirá:

- em um valor correspondente ao do seu último


salário de contribuição, para a segurada empregada doméstica;

- em um doze avos do valor sobre o qual incidiu


sua última contribuição anual, para a segurada especial;
- em um doze avos da soma dos doze últimos
salários de contribuição, apurado em período não superior a quinze meses,
para as demais seguradas.

Em qualquer caso, é garantido o pagamento do


salário-maternidade no valor de um salário mínimo.

O pagamento do salário-maternidade cessa após o


período de cento e vinte dias ou pelo falecimento da segurada.

Assim também entende a jurisprudência:

PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO-
MATERNIDADE. SEGURADA
URBANA. PERÍODO DE GRAÇA.
MANUTENÇÃO DA QUALIDADE
DE SEGURADA. REMESSA
NECESSÁRIA. HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS. CONSECTÁRIOS
LEGAIS. 1. É devido o salário-
maternidade à segurada da Previdência
Social que fizer prova do nascimento de
filho e da qualidade de segurada na data
do parto. 2. Comprovada a
manutenção da condição de segurada,
porquanto demonstrado que a parte
autora estivera empregada e, na data
do parto, se encontrava no período de
graça previsto no art. 15 da Lei n.
8.213/91. 3. Pressupostos para a
concessão do benefício preenchidos. 4.
Honorários advocatícios majorados, de
ofício. 5. Consectários legais fixados
nos termos do decidido pelo STF (Tema
810) e pelo STJ (Tema 905).(TRF-4 -
APL: 50099187120174049999
5009918-71.2017.4.04.9999, Relator:
LUIZ FERNANDO WOWK
PENTEADO, Data de Julgamento:
21/09/2018, TURMA REGIONAL
SUPLEMENTAR DO PR) (grifo da
autora).

DO PEDIDO

1-A concessão dos benefícios da justiça gratuita,


nos termos da fundamentação.

2. A concessão da antecipação de tutela de


Urgência pleiteada para condenar o INSS a conceder liminarmente o
benefício de salário-maternidade a Autora;

3. A condenação da Autarquia Ré a conceder à


Requerente o benefício de salário-maternidade pelo período determinado
na legislação previdenciária, desde a data do parto até 120 dias.
4. A condenação da Autarquia Ré ao pagamento
das parcelas vencidas e vincendas, monetariamente corrigidas desde o
respectivo vencimento e acrescidas de juros de mora, incidentes até a data
do efetivo pagamento;

5. A condenação da Autarquia Ré ao pagamento


das custas processuais, despesas emergentes, correção monetária e juros de
mora sobre o total da condenação;

6. Fixação dos honorários Advocatícios a serem


arbitrados na porcentagem que melhor entender este Douto Juízo;

Requer provar o alegado por todos os meios de


provas em direito admitidos, oitiva de testemunhas, perícias, vistorias,
juntada de novos documentos e demais provas que se fizeram necessárias.

A parte autora manifesta expressamente a


renúncia ao valor que exceder a sessenta salários mínimos no momento da
propositura da ação.

Valor da causa

Dar-se a causa o valor de R$

Nesses termos, pede deferimento

Local data

Advogado

Oab nº

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