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JUÍZO DA VARA ....

DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL

Processo nº

FULANO DE TAL, devidamente qualificado nos


autos supra, por sua procuradora ora signatária, devidamente na OAB xxxx,
endereço xxxxxxxx onde recebe intimações, notificações e citações, vem,
respeitosamente, perante Vossa Excelência, com base no artigo art.º42 da
Lei n.º 9.099/1995 e no artigo art.º 5 da Lei n.º 10.259/2001, interpor
RECURSO INOMINADO contra a r. sentença proferida em evento às fl.
que julgou improcedente os pedidos contidos na petição inicial,
requerendo o recebimento e processamento no efeito devolutivo, pelos
fatos e fundamentos jurídicos anexos, com a consequente remessa ao
Colegiado Recursal competente.

Outrossim, informa a parte recorrente que deixa


de efetuar o preparo do presente recurso por ser beneficiária da
Assistência Judiciária Gratuita (fls. )

Nestes termos,
Pede deferimento.
OAB.
TURMA RECURSAL DO

Processo: XXXX
Recorrente: XXXXX

Recorrido: XXXXX

EMÉRITOS JULGADORES

A parte autora ajuizou a presente ação


previdenciária para concessão de aposentadoria por tempo de contribuição;
mediante o reconhecimento da especialidade do período de xXXXXXXX a
XXXXXX, com aplicação do fator 1.4, para que seja determinada a
condenação do INSS a conceder à parte demandante o benefício de
aposentadoria por tempo de contribuição, desde DER, conforme se extrai
da petição inicial.

Às fls. foi proferida sentença de improcedência,


conforme verifica-se do dispositivo que segue transcrito:
“Julgo improcedentes os pedidos, com fundamento no
art. 487, I, do NCPC, em especial em relação ao
pedido de reconhecimento da especialidade no período
de XXXXXXXX a XXXXXXX, bem como de concessão
do benefício de aposentadoria por tempo de
contribuição desde a DER (XXXXXXXX). Defiro à
parte autora os benefícios da assistência judiciária,
nos termos dos arts. 98 e seguintes do NCPC.Sem
custas e honorários, nos termos do art. 55 da Lei
9.099/95.Sentença publicada e registrada
eletronicamente.Intimem-se..”.

Data vênia, verifica-se que a r. sentença a quo


merece reforma no ponto que deixou de reconhecer a especialidade do
período de XXXXX a XXXXXX, com aplicação do fator 1.4.

Destarte, conforme fundamentos fático-jurídicos


adiante delineados, por intermédio do presente recurso, devolve-se a
matéria a essa Colenda Corte, onde se espera seja o decisum parcialmente
reformado.

RAZÕES RECURSAIS

Da especialidade do período XXXXXX a


XXXXXX

A r. sentença de fls. XX analisou a especialidade


do período de XXXXXX a XXXXX sob o seguinte prisma:
“De acordo com o PPP, no período em questão o
autor trabalhou na empresa "xxxxxxxx" como
XXXXXXXXX.
Consta no PPP que o autor ficava exposto a ruído
entre 80 dB (A) e 83 dB (A), abaixo do limite de
tolerância para a época. O autor também ficava
exposto a agentes químicos como corantes, essências
industriais e parafina.Há indicação de que eram
fornecidos EPI's como luva de segurança (CA 6544),
óculos de segurança (CA 11268), creme protetor (CA
4114), botina (CA 17010).
Às fls. XX foi proferida decisão determinando a
intimação da empresa XXXXX para que apresentasse
os certificados de entrega de EPI, determinação que
foi cumprida às fls.XX. O autor se insurgiu ante o não
fornecimento de máscara de proteção facial em
relação à parafina.O uso de máscaras faciais não é
exigido em todo e qualquer labor, mas somente
naqueles em que presentes no ar gases, poeiras, fumos
ou partículas insalubres e inaláveis em concentrações
nocivas à saúde humana.
O autor foi intimado para que fundamentasse a
necessidade do uso de máscara facial. Em resposta às
fls. XX limitou-se a dizer que tinha contato com a
parafina e que tal substância está prevista na NR 15
como insalubre e que a atividade deve ser considera
especial pelo contato com tal substância.
De modo geral, com exceção do ruído e dos agentes
biológicos (vírus, bactérias, etc.), após 02.06.1998 é
possível elidir a especialidade da atividade caso o
trabalhador tenha ficado exposto a um agente de
risco, mas tenha sido fornecido EPI eficaz, como é o
caso dos autos. No laudo técnico elaborado pela
empresa não há indicação da necessidade de uso de
máscaras de proteção facial, a indicar que tal EPI não
seria necessário para conferir segurança ao labor.
Ademais, quando apresentou a petição de fls XX, o
autor não comprovou a necessidade do uso de
máscara facial, nem indicou o fundamento legal e as
razões pelas quais fez tal alegação.
Assim, não tendo o autor comprovado que ficou
exposto a agentes de risco sem o uso de EPI eficaz, a
atividade não deve ser enquadrada como especial.”.

No entanto, equivoca-se a magistrada a quo, não


podendo prevalecer o entendimento, merecendo a reforma, como passa a
demonstrar.

No período de XXXXX a XXXXX, o autor


trabalhou junto à empresa XXXXXXX e de acordo com o formulário PPP
que consta em fls.XX, desenvolveu a função de XXXXXXXX:

O PPP indica que no exercício das atividades


listadas o autor esteve exposto aos seguintes fatores de risco:
Destaca-se que as informações prestadas no PPP
foram corroboradas pelo LTCAT (do ano de 2014) da empresa
XXXXXXXX anexado ao Processo Administrativo de fls.XX

Ademais, ainda que não conste a exposição aos


agentes nocivos químicos na especificação de riscos do trecho do laudo
técnico de 2016, documento de fls. XX, da leitura das atividades exercidas
na função de XXXXXXXX, descritas no referido laudo, verifica-se que no
exercício da função existe contato com os seguintes agentes
químicos:XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX.

Desta forma, resta comprovado que o autor esteve


exposto ao fator de risco químico PARAFINA (HIDROCARBONETO
PARAFÍNICO) previsto como insalubre no anexo 13 da NR-15 da
Portaria nº 3.214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego: “Manipulação
de alcatrão, breu, betume, antraceno, óleos minerais, óleo queimado,
parafina ou outras substâncias cancerígenas afins”.

Em análise de caso similar, a 2ª Turma Recursal


do Rio Grande do Sul, na data de 14/12/2016, decidiu que:

“Em relação aos períodos de


03/12/1998 a 03/05/1999 e de 13/05/1999 a
07/05/2003, a sentença destacou que, embora a
documentação juntada apontasse a sujeição a agentes
químicos, o registro acerca do fornecimento de EPI
eficaz descaracterizava a especialidade do labor, o
que contraria o entendimento adotado por esta Turma
Recursal.Perfilho o entendimento no sentido de que a
utilização de equipamento de proteção individual -
EPI ou de proteção coletiva - EPC, em relação a
exposição a agentes químicos, somente descaracteriza
a especialidade do tempo de serviço se comprovado,
por laudo técnico, a sua real efetividade, bem como a
intensidade da proteção propiciada ao trabalhador
(TRU, IUJEF 2007.72.95.001463-2/SC, D.E.
17/09/2008), o que, entretanto, não ocorreu no caso
concreto.
Aliás, convém salientar que a
mera informação a respeito de sua existência não tem
o condão de fazer presumir o afastamento total do
agente agressor. São necessárias provas concretas da
qualidade técnica do equipamento, descrição de seu
funcionamento, efetiva medição do quantum que o
aparelho pode elidir, se realmente pode neutralizar
por completo o agente agressivo e, sobretudo, se era
permanentemente utilizado pelo empregado.
Ressalte-se que, ao julgar o
ARE 664335 (julgado pelo Plenário em 04/12/2014,
Rel. Min. Luiz Fux), o Supremo Tribunal Federal
assentou o entendimento de que o Equipamento de
Proteção Individual só afasta o direito à especialidade
se for realmente capaz de neutralizar a nocividade,
mantendo a orientação de que o EPI não a elide em
caso de ruído, consoante se extrai da ementa:
RECURSO
EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. DIREITO
CONSTITUCIONAL PREVIDENCIÁRIO.
APOSENTADORIA ESPECIAL. ART. 201, § 1º, DA
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. REQUISITOS DE
CARACTERIZAÇÃO. TEMPO DE SERVIÇO
PRESTADO SOB CONDIÇÕES NOCIVAS.
FORNECIMENTO DE EQUIPAMENTO DE
PROTEÇÃO INDIVIDUAL - EPI. TEMA COM
REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO
PLENÁRIO VIRTUAL. EFETIVA EXPOSIÇÃO A
AGENTES NOCIVOS À SAÚDE. NEUTRALIZAÇÃO
DA RELAÇÃO NOCIVA ENTRE O AGENTE
INSALUBRE E O TRABALHADOR. COMPROVAÇÃO
NO PERFIL PROFISSIOGRÁFICO
PREVIDENCIÁRIO PPP OU SIMILAR. NÃO
CARACTERIZAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS HÁBEIS
À CONCESSÃO DE APOSENTADORIA ESPECIAL.
CASO CONCRETO. AGENTE NOCIVO RUÍDO.
UTILIZAÇÃO DE EPI. EFICÁCIA. REDUÇÃO DA
NOCIVIDADE. CENÁRIO ATUAL.
IMPOSSIBILIDADE DE NEUTRALIZAÇÃO. NÃO
DESCARACTERIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES
PREJUDICIAIS. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO
DEVIDO. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR
PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
(...) 10. Consectariamente, a primeira tese objetiva que
se firma é: o direito à aposentadoria especial
pressupõe a efetiva exposição do trabalhador a agente
nocivo à sua saúde, de modo que, se o EPI for
realmente capaz de neutralizar a nocividade não
haverá respaldo constitucional à aposentadoria
especial. 11. A Administração poderá, no exercício da
fiscalização, aferir as informações prestadas pela
empresa, sem prejuízo do inafastável judicial review.
Em caso de divergência ou dúvida sobre a real
eficácia do Equipamento de Proteção Individual, a
premissa a nortear a Administração e o Judiciário é
pelo reconhecimento do direito ao benefício da
aposentadoria especial. Isto porque o uso de EPI, no
caso concreto, pode não se afigurar suficiente para
descaracterizar completamente a relação nociva a que
o empregado se submete. 12. In casu, tratando-se
especificamente do agente nocivo ruído, desde que em
limites acima do limite legal, constata-se que, apesar
do uso de Equipamento de Proteção Individual
(protetor auricular) reduzir a agressividade do ruído a
um nível tolerável, até no mesmo patamar da
normalidade, a potência do som em tais ambientes
causa danos ao organismo que vão muito além
daqueles relacionados à perda das funções auditivas.
O benefício previsto neste artigo será financiado com
os recursos provenientes da contribuição de que trata
o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de
1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove
ou seis pontos percentuais, conforme a atividade
exercida pelo segurado a serviço da empresa permita
a concessão de aposentadoria especial após quinze,
vinte ou vinte e cinco anos de contribuição,
respectivamente. O benefício previsto neste artigo será
financiado com os recursos provenientes da
contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei
no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas
serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos
percentuais, conforme a atividade exercida pelo
segurado a serviço da empresa permita a concessão de
aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e
cinco anos de contribuição, respectivamente. 13.
Ainda que se pudesse aceitar que o problema causado
pela exposição ao ruído relacionasse apenas à perda
das funções auditivas, o que indubitavelmente não é o
caso, é certo que não se pode garantir uma eficácia
real na eliminação dos efeitos do agente nocivo ruído
com a simples utilização de EPI, pois são inúmeros os
fatores que influenciam na sua efetividade, dentro dos
quais muitos são impassíveis de um controle efetivo,
tanto pelas empresas, quanto pelos trabalhadores. 14.
Desse modo, a segunda tese fixada neste Recurso
Extraordinário é a seguinte: na hipótese de exposição
do trabalhador a ruído acima dos limites legais de
tolerância, a declaração do empregador, no âmbito do
Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), no
sentido da eficácia do Equipamento de Proteção
Individual - EPI, não descaracteriza o tempo de
serviço especial para aposentadoria. 15. Agravo
conhecido para negar provimento ao Recurso
Extraordinário.
(ARE 664335, Relator(a):
Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em
04/12/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-029
DIVULG 11-02-2015 PUBLIC 12-02-2015)
Assim, passo a examinar a
possibilidade de enquadrar como especial os
interregnos controvertidos, sob o prisma da exposição
a agentes químicos.
De acordo com os PPPs
juntados ao feito (Evento 1 - PPP5/Evento 23 - PPP2),
o autor, no exercício do cargo de mecânico manteve
contato com hidrocarbonetos aromáticos e outros
compostos de carbono (óleo e graxa mineral).
Neste ponto, cumpre tecer
algumas considerações acerca da necessidade da
prova do nível de exposição aos agentes nocivos
constantes no formulário PPP e/ou laudo técnico
acima dos limites da NR-15, emitida pelo Ministério
do Trabalho e do Emprego, para o reconhecimento de
trabalhos sob condições especiais.
A exigência de superação de
nível de tolerância disposto na Norma
Regulamentadora nº 15 (NR-15) como pressuposto
caracterizador de atividade especial deve ser
verificada apenas para atividades desempenhadas a
partir de 03/12/1998, quando essa disposição
trabalhista foi internalizada no direito previdenciário,
com a edição da MP 1.729, convertida na Lei nº
9.732/98, que alterou o § 1º do art. 58 da Lei nº
8.213/91. A partir da MP 1.729, publicada em
03/12/1998 (convertida na Lei nº 9.732/1998), as
disposições trabalhistas concernentes à caracterização
de atividade ou operações insalubres (NR-15) - com os
respectivos conceitos de "limites de tolerância",
"concentração", "natureza" e "tempo de exposição ao
agente" - passam a influir na natureza de uma
atividade (se especial ou comum).
Desse modo, a exigência de
superação de nível de tolerância disposto na NR-15,
como pressuposto caracterizador de atividade
especial, apenas tem sentido para atividades
desempenhadas a partir de 03/12/1998, quando essa
disposição trabalhista foi internalizada no direito
previdenciário. Nesse sentido:
Efetiva exposição.
Caracterização. Níveis de tolerância. Legislação
trabalhista: A exigência de superação de nível de
tolerância disposto na Norma Regulamentadora nº 15
(NR-15) como pressuposto caracterizador de atividade
especial deve ser verificada apenas para atividades
desempenhadas a partir de 03.12.1998, quando essa
disposição trabalhista foi internalizada no direito
previdenciário, com a edição da MP 1.729, convertida
na Lei 9.732/98, que alterou o § 1º do artigo 58 da Lei
8.213/91. A partir da MP 1.729, publicada em
03.12.1998 (convertida na Lei 9.732/199, as
disposições trabalhistas concernentes à caracterização
de atividade ou operações insalubres (NR-15) - com os
respectivos conceitos de "limites de tolerância",
"concentração", "natureza" e "tempo de exposição ao
agente" passam a influir na caracterização da
natureza de uma atividade (se especial ou comum).
Assim, a exigência de superação de nível de tolerância
disposto na NR 15 como pressuposto caracterizador
de atividade especial apenas tem sentido para
atividades desempenhadas a partir de 03.12.1998,
quando essa disposição trabalhista foi internalizada
no direito previdenciário. (IUJEF 0000844-
24.2010.404.7251)

A NR-15, em seu anexo 13,


refere expressamente a insalubridade das atividades
em contato com hidrocarbonetos aromáticos,
solventes, óleos minerais, PARAFINA ou outras
substâncias cancerígenas, nos seguintes termos:
NR 15 - ATIVIDADES E
OPERAÇÕES INSALUBRES
ANEXO Nº 13
AGENTES QUÍMICOS
1. Relação das atividades e
operações envolvendo agentes químicos, consideradas,
insalubres em decorrência de inspeção realizada no
local de trabalho. Excluam-se desta relação as
atividades ou operações com os agentes químicos
constantes dos Anexos 11 e 12.
HIDROCARBONETOS E
OUTROS COMPOSTOS DE CARBONO
Insalubridade de grau
máximo
Destilação do alcatrão da
hulha.
Destilação do petróleo.
Manipulação de alcatrão,
breu, betume, antraceno, óleos minerais, óleo
queimado, parafina ou outras substâncias
cancerígenas afins.
Fabricação de fenóis,
cresóis, naftóis, nitroderivados, aminoderivados,
derivados halogenados e outras substâncias tóxicas
derivadas de hidrocarbonetos cíclicos.
Pintura a pistola com
esmaltes, tintas, vernizes e solventes contendo
hidrocarbonetos aromáticos.
Insalubridade de grau médio
Emprego de defensivos
organoclorados: DDT (diclorodifeniltricloretano)
DDD (diclorodifenildicloretano), metoxicloro
(dimetoxidifeniltricloretano), BHC (hexacloreto de
benzeno) e seus compostos e isômeros.
Emprego de defensivos
derivados do ácido carbônico.
Emprego de aminoderivados
de hidrocarbonetos aromáticos (homólogos da
anilina).
Emprego de cresol, naftaleno
e derivados tóxicos.
Emprego de isocianatos na
formação de poliuretanas (lacas de desmoldagem,
lacas de dupla composição, lacas
protetoras de madeira e
metais, adesivos especiais e outros produtos à base de
poliisocianetos e poliuretanas).
Emprego de produtos
contendo hidrocarbonetos aromáticos como solventes
ou em limpeza de peças.
Fabricação de artigos de
borracha, de produtos para impermeabilização e de
tecidos impermeáveis à base de hidrocarbonetos.
Fabricação de linóleos,
celulóides, lacas, tintas, esmaltes, vernizes, solventes,
colas, artefatos de ebonite, gutapercha, chapéus de
palha e outros à base de hidrocarbonetos.
Limpeza de peças ou motores
com óleo diesel aplicado sob pressão (nebulização).
Pintura a pincel com
esmaltes, tintas e vernizes em solvente contendo
hidrocarbonetos aromáticos.

A exposição a tais
substâncias é considerada nociva à saúde do
trabalhador por sua ação cancerígena, sendo
necessário apenas o contato físico com tais agentes.
Assim, a norma deixa de exigir a medição
quantitativa, JÁ QUE SE TRATA DE AVALIAÇÃO
QUALITATIVA.
Em razão disso, a NR-15
sequer refere qual o nível máximo de exposição
permitida para os agentes do anexo 13, seja por ppm
(partes de vapor ou gás por milhão de partes de ar
contaminado) ou por mg/m³ (miligramas por metro
cúbico de ar), expressões contidas no anexo 11 que se
referem à absorção por via respiratória.”. (RECURSO
CÍVEL Nº 5048593-75.2014.404.7100/RS -

Destaca-se que no caso concreto, em despacho de


de fls.xxx foi determinada a intimação da empresa XXXXXXXXX para:
apresentar ao feito toda a documentação que possuir em relação aos EPI's
fornecidos ao autor (ex. comprovante de entrega), bem como para que
indique se era fornecida máscara de proteção respiratória (juntando os
comprovantes de entrega).

Em resposta, a referida empresa apresentou ao


feito “Ficha de Recebimento de Equipamentos de Proteção Individual”,
da qual se extraíram os trechos que seguem transcrito:

Desta feita, resta comprovado que no período de


XXXXXX a XXXXXXX, o autor trabalhou na empresa XXXXXXX e de
acordo com o formulário PPP que consta à fls.XX , desenvolveu a função
de XXXXXXX exposto ao fator de risco do químico PARAFINA
(HIDROCARBONETO PARAFÍNICO) previsto como insalubre no
anex 13 da NR-15 da Portaria nº 3.214/78 do Ministério do Trabalho e
Emprego) sem uso de EPI, eis que não recebeu protetor respiratório, muito
menos luvas e cremes protetores.

Contudo, em r. sentença não foi reconhecida a


especialidade do período em comento sob a fundamentação de que: “No
laudo técnico elaborado pela empresa não há indicação da necessidade
de uso de máscaras de proteção facial, a indicar que tal EPI não seria
necessário para conferir segurança ao labor. Ademais, quando
apresentou a petição de flsXX, o autor não comprovou a necessidade do
uso de máscara facial, nem indicou o fundamento legal e as razões pelas
quais fez tal alegação.”.

Ocorre que o laudo citado em r. sentença sequer


menciona no campo “Fatores de risco” exposição a hidrocarbonetos, razão
pela qual não elenca os EPIS que deveriam ser utilizados para elidir a
insalubridade decorrente do contato com agentes químicos.

Desta feita, resta evidente que a r. sentença a


quo merece reforma.

Ante o exposto, a parte autora requer que seja


julgada totalmente procedente a ação para que seja reconhecida a
especialidade do período de XXXXXX a XXXXXXX, com aplicação do
fator 1.4, para que seja determinada a condenação do INSS a conceder à
parte demandante o benefício de aposentadoria por tempo de contribuição,
desde DER.

De forma sucessiva, a parte autora requer que seja


determinada a conversão do feito em diligência para que seja designada
produção de prova testemunhal e pericial com o fito de confirmar que o
segurado não fez uso de EPI eficaz para elidir a insalubridade de seu
contato diário com agentes químicos.
Grifa-se, não pode ser imputada ao segurado a
pena pela divergência ou ausência das informações, ante sua
hipossuficiência técnica e inacessibilidade à documentação da empresa,
vide ementa que segue transcrita:

MEIO AMBIENTE DO
TRABALHO. DEVER DE DOCUMENTAÇÃO
AMBIENTAL DO EMPREGADOR. DIREITO DE
INFORMAÇÃO DO TRABALHADOR. PRESUNÇÃO
DE NEXO ENTRE O AGRAVO À SAÚDE DO
TRABALHADOR E O SERVIÇO PRESTADO. 1. A
documentação da existência ou não de condições
ambientais nocivas e de risco à saúde e à segurança
do empregado incumbe ao empregador. Estas
obrigações ambientais desdobram-se, em sede
processual, no dever do empregador de demonstrar,
nos autos, de forma cabal, o correto cumprimento das
medidas preventivas e compensatórias adotadas no
ambiente de trabalho, para evitar danos aos
trabalhadores. 2. Obrigatoriedade de fornecimento do
PPP - perfil profissiográfico previdenciário pelas
empresas, documento no qual devem constar todas as
informações relativas ao empregado, a atividade que
exerce, o agente nocivo ao qual está exposto, a
intensidade e a concentração do agente, exames
médicos clínicos, além de dados referentes à empresa.
Inteligência do art. 157 da CLT, c/c art. 19, §1º, e art.
58, §4º, da Lei 8213/91, e NR 09, do MTE. (...)
(PROCESSO: 0001122-68.2013.5.04.0030 RO, 2ª
Turma, Rel. Des. Marcelo José Ferlin D'Ambroso, j.
27/08/2015)

Neste sentido, é o teor da questão de ordem n.º 20


da TNU: “Se a Turma Nacional decidir que o incidente de uniformização
deva ser conhecido e provido no que toca a matéria de direito e se tal
conclusão importar na necessidade de exame de provas sobre matéria de
fato, que foram requeridas e não produzidas, ou foram produzidas e não
apreciadas pelas instâncias inferiores, a sentença ou acórdão da Turma
Recursal deverá ser anulado para que tais provas sejam produzidas ou
apreciadas, ficando o juiz de 1º grau e a respectiva Turma Recursal
vinculados ao entendimento da Turma Nacional sobre a matéria de direito.
(Aprovada na 6ª Sessão Ordinária da Turma Nacional de Uniformização,
do dia 14.08.2006)”.

Desta feita, a parte autora requer que seja


determinada a conversão do feito em diligência para que seja designada a
produção de prova pericial com o fito de comprovar a natureza das
atividades que o autor desenvolveu no período de 01/04/1999 a
08/06/2015.

DA REAFIRMAÇAO DA DER

Excelência, considerando que na data do


requerimento administrativo ou, ainda, na data do ajuizamento da presente
ação a parte autora permanecia vinculada a empregadora
xxxxxxxexercendo atividades nitidamente insalubres, mister se faz, com
amparo no art.° 690, “caput” c/c parágrafo único da IN 77/2015 –
INSSPRES, incluir na presente ação o pedido de REAFIRMAÇÃO DA
DER para que o segurado, caso não consiga alcançar tempo suficiente a
aposentadoria na DER originária, possa computar a seu favor as
contribuições vertidas após essa data. O pedido ora posto encontra suporte
na regra disposta no art.° 690, “caput” C/C parágrafo único da IN77/2015 –
INSSPRES que, em seu texto literal assim dispõe:

Se durante a análise do
requerimento for verificado que na DER o segurado
não satisfazia os requisitos para o reconhecimento do
direito, mas que os implementou em momento
posterior, deverá o servidor informar ao interessado
sobre a possibilidade de reafirmação da DER,
exigindo-se para sua efetivação a expressa
concordância por escrito.

Parágrafo único. O disposto


no caput aplica-se a todas as situações que resultem
em benefício mais vantajoso ao interessado.

A reafirmação da DER trata-se da possibilidade


de o segurado que não satisfizer os requisitos para aposentadoria na data
em que formular o requerimento administrativo poder alterá-la para o dia
no qual implementar todos os requisitos necessários a benesse pretendida,
ainda que seja, tão somente, para alcançar o melhor benefício possível.

A regra da concessão do melhor benefício deve,


inclusive, ser observada pelo servidor público no momento da análise dos
documentos apresentados pelo segurado por força do que dispõe o art.° 687
da IN 77/2015 – INSSPRES, cujo texto segue abaixo, in verbis:

O INSS deve conceder o


melhor benefício a que o segurado fizer jus, cabendo
ao servidor orientar nesse sentido.

Pois bem. Em relação as disposições atinentes a


essa matéria, o e. TRF4 já pacificou entendimento favorável a reafirmação
da DER para fins de concessão do melhor benefício ao segurado. Vejam-se
as ementas que seguem:

PREVIDENCIÁRIO.
SEGURADO ESPECIAL. TRABALHADOR BOIA-
FRIA. APOSENTADORIA POR TEMPO DE
CONTRIBUIÇÃO. REAFIRMAÇÃO DA DER.
TUTELA ESPECÍFICA. 1. [...]. 3. Esta Corte tem
admitido excepcionalmente a contagem de tempo
posterior à data do requerimento na via
administrativa para completar o tempo de
contribuição necessário, desde que devidamente
registrado no CNIS a continuidade do vínculo que
mantinha na DER, o que possibilita sua
reafirmação, caso em que a data de início do
benefício será a data do ajuizamento do feito, com o
tempo de contribuição contado até esse momento,
sendo devida, desse modo, a Aposentadoria por
Tempo de Contribuição. 4. [...].   (TRF4, REOAC
0019968-86.2013.404.9999, Sexta Turma, Relator João
Batista Pinto Silveira, D.E. 15/07/2015)

Ademais, a TNU por meio do voto elucidativo


proferido pelo Juiz Federal José Antônio Savaris nos autos de nº PEDILEF
0000474-53.2009.404.7195, trouxe à luz a tese da “primazia do
acertamento da relação jurídica de proteção social sobre a estrita
legalidade”, em cujo voto ficou assim explicitado, in verbis:

PEDIDO DE
UNIFORMIZAÇÃO REGIONAL.
PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR
TEMPO DE SERVIÇO/CONTRIBUIÇÃO. TEMPO
DE SERVIÇO POSTERIOR AO REQUERIMENTO
ADMINISTRATIVO. FATO SUPERVENIENTE.
ART. 462 DO CPC. RECONHECIMENTO
POSTERIOR À SENTENÇA. POSSIBILIDADE.
PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DO ACERTAMENTO.
INTIMAÇÃO DO INSS PARA EVENTUAL
IMPUGNAÇÃO DOS DADOS DO CNIS. PARCIAL
PROVIMENTO.

1. O princípio processual
previdenciário da primazia do acertamento da relação
jurídica de proteção social sobre a estrita legalidade do
ato administrativo orienta que a atividade jurisdicional
destinasse primordialmente à definição da relação
jurídica entre o particular e a Administração
Previdenciária e, por tal razão, deve outorgar a
proteção previdenciária nos termos em que a pessoa a
ela faz jus, independentemente de como tenha se
desenvolvido o processo administrativo
correspondente. Em outras palavras, a análise judicial
deve voltarse, com prioridade, para a existência ou não
do direito material reivindicado. 2. É possível o
cômputo de tempo superveniente ao processo
administrativo para a solução judicial. A lógica
assumida pela regra do art. 462 do CPC, ao consagrar
exceção ao princípio da estabilidade da demanda, tem
pertinência também em segundo grau de jurisdição.
Precedentes: STJ, EDREsp 1.138.559, 4º Turma, Rel.
Min. Luis Felipe Salomão, DJ 01.07.2011; STJ, REsp
688.151, 3ª Turma, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJ
08.08.2005; STJ, REsp 12.673, 4ª Turma, Rel. Min.
Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJ 21.09.1992; TRF4,
AC 000063874.2011.404.9999, 6ª Turma, Rel. Celso
Kipper, DE 16.06.2011. 3. As informações constantes
do CNIS gozam de presunção juris tantum, de modo
que, em respeito ao contraditório, o magistrado deve
abrir espaço para manifestação das partes sobre tal
elemento de prova. 4. Pedido de Uniformização
Regional conhecido e parcialmente provido,
determinando-se. (IUJEF 0000474-53.2009.404.7195 –
Turma Regional de Uniformização da 4ª Região – Rel.
p/ Acórdão José Antonio Savaris - D.E. 09.09.2011)
Por essas razões, caso o autor não preencha todos
os requisitos necessários para concessão de aposentadoria por tempo de
contribuição na DER, requer-se, desde já, seja esta reafirmada/relativizada
para a data na qual o autor implementou todos os requisitos indispensáveis
à concessão do benefício de aposentadoria especial ou aposentadoria por
tempo de contribuição; ou, ainda, para a data do ajuizamento da ação, da
citação do réu, ou da prolação da sentença, inclusive com apreciação das
atividades especiais desempenhadas até então, se for o caso, devendo ser-
lhe oportunizada a escolha pelo benefício que lhe for mais vantajoso.
Atentando-se para que o período reconhecido como especial seja
convertido pelo fator 1,4 e o acréscimo resultante dessa conversão deverá
ser averbado a contagem final.

DO PEDIDO

Ante o exposto:

Requer que o presente recurso seja conhecido e


provido, a fim de reformar a r. sentença a quo no ponto que deixou de
reconhecer a especialidade do período de xxxx a xxxxx, com aplicação do
fator 1.4, em razão da exposição do segurado a agentes químicos insalubres
sem uso eficaz de EPI no exercício de suas atividades laborais, com o fito
de que seja concedido em favor do autor o benefício previdenciário
aposentadoria por tempo de contribuição em sua forma mais vantajosa
desde a DER (originária ou relativizada).

De forma sucessiva, a parte autora requer que seja


determinada a conversão do feito em diligência para que:
1- Seja designada produção de prova testemunhal
e prova pericial junto à empresa EmpresaQuímica LTDA com o fito de
comprovar que no período de 01/04/1999 a 08/06/2015 o autor
desenvolveu suas atividades laborais exposto a agentes insalubres sem uso
de EPI eficaz.

Reitere- se que a manutenção do decisum


importará em afronta direta aos artigos 5º, LIV e LV, LXXVIII; art. 7º,
XXIII; art. 93, IX; e art. 201, §1º da Constituição Federal e aos artigos 57,
§§3º, 4º e 5º e 58, §§1º, 2º, 3º e 4º da Lei n. 8.213/91, artigos 332, 480 do
CPC, bem como às Súmulas n. 26 e 68 da TNU, e ainda a Jurisprudência,
na medida em que não houve deferimento de produção de prova pericial.

2- Ademais, a parte recorrente requer que o INSS


seja condenado a pagar honorários sucumbenciais fixado em 20% do valor
da condenação ou sobre valor atualizado da causa.

3- Todavia, se o presente recurso restar improvido


a parte recorrente requer que sejam prequestionados todos os dispositivos
legais utilizados na fundamentação, a fim de oportunizar ao recorrente o
acesso as instâncias superiores.

Nestes termos,
Pede deferimento.
Local
Oab

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