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O papel do Controle Interno na Administração Pública.

O planejamento e a execução da gestão pública são atos vinculados à lei (em


sentido geral), praticados por agentes públicos, muitos deles investidos pela via do
mandato eletivo. Tais autoridades, por vezes, desconhecem todos os regramentos
exigíveis, necessitando de mecanismos que assegurem o seu cumprimento para a
correta aplicação dos recursos e com vistas ao atendimento dos princípios nortea-
dores da administração pública, evitando-se o abuso de poder.

Esse acompanhamento é chamado de controle, o qual, segundo o mestre admi-


nistrativista Hely Lopes Meireles, é a faculdade de vigilância, orientação e correção
que um poder, órgão ou autoridade exerce sobre a conduta funcional de outro.
Existem diversas formas de controle, mas ode que aqui se trata é o controle interno,
ou seja, aquele praticado dentro da própria administração sobre seus serviços e
agentes.

O controle interno encontra-se previsto nos artigos 70 e 74 da Constituição e, pa-


ra os municípios, especificamente, no artigo 31, fundamentalmente. O fortalecimen-
to do controle interno, no entanto, se deu com o advento da Lei Complementar Fe-
deral n2 101/2000 — a Lei de Responsabilidade Fiscal. Referida legislação, ao
passo que trouxe uma série de impositivos aos administradores públicos, exigindo
uma ação planejada e transparente, criou para o controle interno a obrigação de
fiscalizar o cumprimento de suas disposições, dando a este maior importância e re-
levância dentro das instituições públicas.

Pode-se conceituar o controle interno como as mais diversas formas de fiscaliza-


ção (abrangendo metodologia, recursos, procedimentos, etc.) existentes dentro de
cada organização, atuando de maneira integrada e sob a coordenação de um órgão
central específico, com o objetivo de preservar o interesse público e orientar o ad-
ministrador nas tomadas de decisão.

Com um controle interno bem estruturado é possível evitar-se erros que ocorrem
até por desconhecimento do gestor, bem como desvios e fraudes. E, mesmo que
não seja totalmente possível prevenir a ocorrência destes, eles podem ser detecta-
dos, e a devida correção encaminhada.

Esses diversos controles mantidos em todos os setores organizacionais devem


funcionar integrados, em forma de sistema, e subordinados, como dito, a um órgão
central de coordenação, orientados para o desempenho das respectivas atribui-
ções. Esse órgão poderá ser instituído como unidade central de controle interno ou
como controladoria, conforme venha regrado em cada nível de governo. No caso do
Estado do Rio Grande do Sul, essa fiscalização interna é executada pela Cage
(Contadoria e Auditoria Geral do Estado).
As atividades do controle interno somam-se às do controle externo exercido pe-
lo Poder Legislativo, com o auxílio do Tribunal de Contas, e às do controle social
desempenhado pela cidadania, constituindo-se todos nos verdadeiros pilares de
urna boa administração pública, no processo da fiscalização contábil, financeira,
orçamentária, operacional e patrimonial.

Compara-se a um grande guarda-chuva, que abarca todas as atividades, fazen-


do o acompanhamento desde o planejamento de sua atuação, ou seja, desde a
elaboração das peças orçamentárias, até o mais simples ato de gestão, envolvendo
tanto bens materiais quanto recursos humanos utilizados para o funcionamento da
máquina pública.

Mesmo sendo um instituto nada novo, a atuação do controle interno está longe
de alcançar a plenitude das atribuições previstas na Constituição. Dos 496 municí-
pios gaúchos, a maioria já estruturou formalmente a sua unidade central de controle
interno. Contudo, quanto ao desempenho do seu papel, ainda temos muito a avan-
çar, embora tenhamos exemplos positivos que mereçam ser destacados.

Estruturar e dotar o controle interno de servidores efetivos e com atribuições ex-


clusivas é um caminho sem volta. O futuro nos remete, sem dúvida, à criação de
cargos efetivos específicos para esse fim, com o respectivo provimento mediante
concurso. Essa a maneira mais eficiente de se materializar o agir independente por
parte dos servidores, possibilitando-lhes o pleno exercício das atribuições de seus
cargos. Dessa forma, as controladorias exercerão efetivamente sua finalidade pre-
cípua, ou seja, proteger o patrimônio público, bem como apoiar e auxiliar o gestor
no exercício das suas funções governamentais.

Ione Maria Carvalho dos Santos


Auditora Pública Externa do TCE-RS

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