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AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.

772 DISTRITO FEDERAL

RELATOR ORIGINÁRIO : MIN. CARLOS BRITTO


RELATOR PARA O : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI
ACÓRDÃO
REQTE.(S) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA
REQDO.(A/S) : PRESIDENTE DA REPÚBLICA
ADV. (A/S) : ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO
REQDO.(A/S) : CONGRESSO NACIONAL
INTDO.(A/S) : SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO
PÚBLICA NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO -
SINDIUPES
ADV.(A/S) : ALEXANDRE ZAMPROGNO E OUTROS
INTDO.(A/S) : CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM
EDUCAÇÃO - CNTE
ADV.(A/S) : PAULO LEMGRUBER E OUTROS
INTDO.(A/S) : ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INSTITUIÇÕES DE
PREVIDÊNCIA ESTADUAIS E MUNICIPAIS - ABIPEM
ADV. (A/S) : AMAURI GAVIÃO ALMEIDA MARQUES DA SILVA
INTDO.(A/S) : SINDICATO DOS ESPECIALISTAS DE EDUCAÇÃO DO
ENSINO PÚBLICO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO -
SINESP
ADV.(A/S) : HORÁCIO LUIZ AUGUSTO DA FONSECA
INTDO. (A/S) : CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM
ESTABELECIMENTOS DE EDUCAÇÃO E CULTURA -
CNTEEC
ADV.(A/S) : FERNANDO PIRES ABRÃO E OUTRO
INTDO.(A/S) : SINDICATO DOS SERVIDORES DO MAGISTÉRIO
MUNICIPAL DE CURITIBA - SISMMAC
ADV.(A/S) : LUDIMAR RAFANHIM
ADV.(A/S) : CLÁUDIA MARIA LIMA SCHEIDWEILER
INTDO.(A/S) : SINDICATO DOS PROFESSORES DO ESTADO DO RIO
GRANDE DO SUL - SINPRO/RS
ADV.(A/S) : MEBEL WOLFF SALVADOR E OUTROS
INTDO.(A/S) : CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM
ESTABELECIMENTOS DE ENSINO - CONTEE
ADV.(A/S) : DELAÍDE ALVES MIRANDA ARANTES E OUTROS
INTDO.(A/S) : ASSOCIAÇÃO DOS SUPERVISORES DE EDUCAÇÃO DO
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - ASSERS
ADV.(A/S) : PATRÍCIA COLLAT BENTO FEIJÓ
INTDO.(A/S) : SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO DE
GOIÁS - SINTEGO
ADV.(A/S) : REGINA CLÁUDIA DA FONSECA E OUTROS
INTDO.(A/S) : SINDICATO DOS PROFISSIONAIS DO ENSINO
PÚBLICO MUNICIPAL DE SÃO LUÍS - SINDEDUCAÇÃO
ADV.(A/S) : ANTÔNIO CARLOS ARAÚJO FERREIRA
INTDO.(A/S) : SINDICATO DOS PROFISSIONAIS EM EDUCAÇÃO NO
ENSINO MUNICIPAL DE SÃO PAULO - SINPEEM
ADV. (A/S) : ANTONIA DELFINA NATH
INTDO.(A/S) : CENTRO DO PROFESSORADO PAULISTA - CPP
ADV.(A/S) : VERA LÚCIA PINHEIRO CARDOSO DIAS E OUTROS
INTDO.(A/S) : UDEMO - SINDICATO DE ESPECIALISTAS DE
EDUCAÇÃO DO MAGISTÉRIO OFICIAL DO ESTADO DE
SÃO PAULO
ADV. (A/S) MARLAN CARLOS DE MELO
INTDO.(A/S) : SINDICATO DOS PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS
MUNICIPAIS DE SÃO PAULO - APROFEM
ADV. (A/S) : ANA CRISTINA DE MOURA ACOSTA E OUTRO
INTDO.(A/S) : DISTRITO FEDERAL
ADV. (A/S) : PGDF - TÚLIO MÁRCIO CUNHA E CRUZ ARANTES

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE MANEJADA


CONTRA O ART. 1º DA LEI FEDERAL 11.301/2006, QUE ACRESCENTOU O §
2º AO ART. 67 DA LEI 9.394/1996. CARREIRA DE MAGISTÉRIO.
APOSENTADORIA ESPECIAL PARA OS EXERCENTES DE FUNÇÕES DE DIREÇÃO,
COORDENAÇÃO E ASSESSORAMENTO PEDAGÓGICO. ALEGADA OFENSA AOS ARTS.
40, § 5º, E 201, § 8º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INOCORRÊNCIA. AÇÃO
JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE, COM INTERPRETAÇÃO CONFORME.
I - A função de magistério não se circunscreve apenas ao
trabalho em sala de aula, abrangendo também a preparação de aulas,
a correção de provas, o atendimento aos pais e alunos, a
coordenação e o assessoramento pedagógico e, ainda, a direção de
unidade escolar.
II - As funções de direção, coordenação e assessoramento
pedagógico integram a carreira do magistério, desde que exercidos,
em estabelecimentos de ensino básico, por professores de carreira,
excluídos os especialistas em educação, fazendo jus aqueles que as
desempenham ao regime especial de aposentadoria estabelecido nos
arts. 40, § 5º, e 201, § 8º, da Constituição Federal.
III - Ação direta julgada parcialmente procedente, com
interpretação conforme, nos termos supra.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os


Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a
Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso (Vice-Presidente), na
conformidade da ata de julgamentos e das notas taquigráficas, por
maioria, julgar parcialmente procedente a ação, com interpretação
conforme para excluir a aposentadoria especial apenas aos
especialistas em educação, nos termos do voto do Senhor Ministro
Ricardo Lewandowski, contra os votos dos Senhores Ministros Carlos
Britto (Relator), Cármen Lúcia e Joaquim Barbosa, que julgavam
procedente a ação, e da Senhora Ministra Ellen Gracie, que a
julgava de todo improcedente. Votou o Presidente, Ministro Cezar
Peluso (Vice-Presidente). Ausentes, justificadamente, porque em
representação do Tribunal no exterior, o Senhor Ministro Gilmar
Mendes (Presidente) e, neste julgamento, o Senhor Ministro Menezes
Direito.

Brasília, 29 de outubro de 2008.

RICARDO LEWANDOWSKI - REDATOR P/ O ACÓRDÃO


AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.772-2 DISTRITO FEDERAL

RELATOR ORIGINÁRIO : MIN. CARLOS BRITTO


RELATOR PARA O : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI
ACÓRDÃO
REQUERENTE(S) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA
REQUERIDO(A/S) : PRESIDENTE DA REPÚBLICA
ADVOGADO(A/S) : ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO
REQUERIDO(A/S) : CONGRESSO NACIONAL
INTERESSADO(A/S) : SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO
PÚBLICA NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO -
SINDIUPES
ADVOGADO(A/S) : ALEXANDRE ZAMPROGNO E OUTROS
INTERESSADO(A/S) : CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES
EM EDUCAÇÃO - CNTE
ADVOGADO(A/S) : PAULO LEMGRUBER E OUTROS
INTERESSADO(A/S) : ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INSTITUIÇÕES DE
PREVIDÊNCIA ESTADUAIS E MUNICIPAIS -
ABIPEM
ADVOGADO(A/S) : AMAURI GAVIÃO ALMEIDA MARQUES DA SILVA
INTERESSADO(A/S) : SINDICATO DOS ESPECIALISTAS DE EDUCAÇÃO
DO ENSINO PÚBLICO DO MUNICÍPIO DE SÃO
PAULO - SINESP
ADVOGADO(A/S) : HORÁCIO LUIZ AUGUSTO DA FONSECA
INTERESSADO(A/S) : CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES
EM ESTABELECIMENTOS DE EDUCAÇÃO E CULTURA
- CNTEEC
ADVOGADO(A/S) : FERNANDO PIRES ABRÃO E OUTRO
INTERESSADO(A/S) : SINDICATO DOS SERVIDORES DO MAGISTÉRIO
MUNICIPAL DE CURITIBA - SISMMAC
ADVOGADO(A/S) : LUDIMAR RAFANHIM
ADVOGADO(A/S) : CLÁUDIA MARIA LIMA SCHEIDWEILER
INTERESSADO(A/S) : SINDICATO DOS PROFESSORES DO ESTADO DO
RIO GRANDE DO SUL - SINPRO/RS
ADVOGADO(A/S) : MEBEL WOLFF SALVADOR E OUTROS
INTERESSADO(A/S) : CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES
EM ESTABELECIMENTOS DE ENSINO - CONTEE
ADVOGADO(A/S) : DELAÍDE ALVES MIRANDA ARANTES E OUTROS
INTERESSADO(A/S) : ASSOCIAÇÃO DOS SUPERVISORES DE EDUCAÇÃO
DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - ASSERS
ADVOGADO(A/S) : PATRÍCIA COLLAT BENTO FEIJÓ
INTERESSADO(A/S) : SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO
DE GOIÁS - SINTEGO
ADVOGADO(A/S) : REGINA CLÁUDIA DA FONSECA E OUTROS
INTERESSADO(A/S) : SINDICATO DOS PROFISSIONAIS DO ENSINO
PÚBLICO MUNICIPAL DE SÃO LUÍS -
SINDEDUCAÇÃO
ADVOGADO(A/S) : ANTÔNIO CARLOS ARAÚJO FERREIRA
INTERESSADO(A/S) : SINDICATO DOS PROFISSIONAIS EM EDUCAÇÃO
NO ENSINO MUNICIPAL DE SÃO PAULO -
SINPEEM
ADVOGADO(A/S) : ANTONIA DELFINA NATH
INTERESSADO(A/S) : CENTRO DO PROFESSORADO PAULISTA - CPP
ADVOGADO(A/S) : VERA LÚCIA PINHEIRO CARDOSO DIAS E
OUTROS
INTERESSADO(A/S) : UDEMO - SINDICATO DE ESPECIALISTAS DE
EDUCAÇÃO DO MAGISTÉRIO OFICIAL DO ESTADO
DE SÃO PAULO
ADVOGADO(A/S) : MARLAN CARLOS DE MELO
INTERESSADO(A/S) : SINDICATO DOS PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS
MUNICIPAIS DE SÃO PAULO - APROFEM
ADVOGADO(A/S) : ANA CRISTINA DE MOURA ACOSTA E OUTRO
INTERESSADO(A/S) : DISTRITO FEDERAL
ADVOGADO(A/S) : PGDF - TÚLIO MÁRCIO CUNHA E CRUZ ARANTES

RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO (Relator)

Trata-se de Ação Direta de Inconstitucionalidade,

ajuizada pela Procuradoria-Geral da República. Ação que tem por alvo

o artigo 1º da Lei Federal nº 11.301/2006, assim redigido:

"Art. 1º - O art. 67 da Lei nº 9.394, de 20 de


dezembro de 1.996, passa a vigorar acrescido do seguinte
§ 2º, renumerando-se o atual parágrafo único para o § lº:

Art. 67 (...)
§ 2º - Para efeitos do disposto no § 5º do art.
40 e no § 8º do art. 201 da Constituição Federal, são
consideradas funções de magistério as exercidas por
professores e especialistas em educação no desempenho de
atividades educativas, guando exercidas em
estabelecimentos de educação básica e seus diversos
níveis e modalidades, incluídas, além do exercício da
docência, as de direção de unidade escolar e as de
coordenação e assessoramento pedagógico.
Art. 2º - Esta Lei entra em vigor na data de
sua publicação".

2. O autor alegou, em suma, que as funções de magistério,

referidas pela Constituição Federal no § 5º do art. 40 e no § 8º do

art. 201, são apenas aquelas pertinentes à docência. Docência,

entenda-se, como atividade de ministração de aulas. Concluiu, por

isso, que a Lei nº 11.301/2006 contrariou a Constituição Federal,

pois alargou o conceito da expressão "funções de magistério" para

abranger as funções de direção, coordenação e assessoramento

pedagógico.

3. Ainda segundo o autor, a Lei ordinária também se põe

em rota de colisão com o entendimento deste Supremo Tribunal

Federal, perfilhado na ADI 2.253.

4. Havendo adotado o rito do artigo 12 da Lei nº

9.868/99, colhi as informações dos órgãos requeridos, tanto quanto a


manifestação do Advogado-Geral da União e o parecer do Procurador-

Geral da República.

5. Muito bem. Em seu pronunciamento, o Presidente da

República expôs que "a atividade própria de professor abrange

logicamente a orientação pedagógica e seguidas vezes a de direção

escolar" (fl. 27). Já o Advogado-Geral da União, este invocou o

precedente da ADI 2.253 para assentar sua não-imperatividade perante

o próprio Supremo Tribunal Federal, que poderá decidir por modo

diferente quanto à constitucionalidade da lei agora impugnada. No

mérito, sustentou que "a Lei Maior utiliza a expressão funções

(plural) de magistério, demonstrando que a norma merece receber uma

interpretação ampliativa, no sentido de abranger todas aquelas

tarefas prestadas pelos docentes que tenham pertinência com a missão

de educar no ambiente escolar, e não apenas a função (singular) de

ministrar aulas".

6. De sua parte, o Presidente do Congresso Nacional

sustentou a constitucionalidade da Lei, sob o fundamento de que a

expressão "funções do magistério", utilizada pela Carta Magna, seria

uma referência ao professor e a outros profissionais do ensino. Daí

o seguinte arremate: "se o legislador constitucional desejasse

considerar, para fins de aposentadoria especial, apenas e unicamente


a atividade de ministrar aulas em sala, então não haveria sentido em

utilizar o plural nos artigos supracitados".

7. Quanto ao Procurador-Geral da República, Sua

Excelência reafirmou a inconstitucionalidade da Lei. Aportou

alegações em proveito da pretendida declaração de

inconstitucionalidade, aduzindo que hão de ser interpretados

restritivamente os dispositivos que favorecem os professores em tema

de aposentadoria voluntária.

8. Foi além o Chefe do Ministério Público da União para

contestar o argumento de que as funções de direção escolar,

coordenação, supervisão e assessoramento pedagógicos seriam tão

estafantes quanto as do professor em sala de aula, fato que

justificaria a equiparação desses profissionais para fim de

aposentadoria espontânea. E mesmo que assim não fosse - ponderou o

Ministério Público -, a submissão de outros profissionais, que não o

professor, a um regime especial de aposentação é de se dar através

de lei da espécie complementar, tudo conforme o § 4º do art. 40 e §

1º do art. 201, ambos da Constituição Federal.

9. Por fim, invocou o Procurador-Geral da República o

precedente da ADI 2.253, pela qual este Supremo Tribunal Federal


assentou que as funções de magistério, referidas pela Carta Magna,

são unicamente as da própria atividade-fim do professor; isto é, à

docência como atividade ínsita à sala de aula. Donde o Enunciado 726

da Súmula de Jurisprudência desta nossa Corte, segundo o qual "para

efeito de aposentadoria especial de professor, não se computa o

tempo de serviço prestado fora de sala de aula".

10. Prossigo na tarefa de historiar o feito para informar

que admiti, na condição de amici curiae, as seguintes entidades: o

Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Estado do

Espírito Santo, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em

Educação, o Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino

Público Municipal, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em

Estabelecimentos de Educação e Cultura, o Sindicato dos Servidores

do Magistério Municipal de Curitiba, o Sindicato dos Professores do

Estado do Rio Grande do Sul, a Confederação Nacional dos

Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino, a Associação dos

Supervisores de Educação do Estado do Rio Grande do Sul, o Sindicato

dos Trabalhadores em Educação de Goiás, o Centro do Professorado

Paulista e Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério

Oficial do Estado de São Paulo, quase todas elas manifestando-se

pela improcedência da ação direta de inconstitucionalidade. A única

exceção ficou por conta da Associação Brasileira de Instituições de


Previdência Estaduais e Municipais e do Distrito Federal, que pugnou

pela procedência do pedido.

11. É o relatório.
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.772-2 DISTRITO FEDERAL

VOTO

O SENHOR MINISTRO CARLOS AYRES BRITTO (Relator)

Conforme visto, a presente ação direta de

inconstitucionalidade tem por objeto o artigo 1º da Lei Federal nº

11.301/2006. Dispositivo legal que, invocando o § 5º do art. 40 e

mais o § 8º do art. 201 da C.F., estabeleceu que professores e

especialistas em educação têm direito à mesma aposentadoria

especial; ou seja, aposentadoria com idade e tempo de contribuição

paritariamente reduzidos, se se dedicarem a atividades de docência,

direção de unidade escolar, coordenação e assessoramento pedagógico.

Sendo que a causa de pedir da peça inicial do processo é esta: a

aposentadoria especial foi conferida pela Constituição Federal tão-

somente ao professor que desempenhe atividade de docência, entendida

como tal a que se passa em sala de aula, no desempenho do específico

mister de ensino regular ou habitual.

13. Transcrevo os dispositivos indicados como parâmetro

para a aferição da constitucionalidade da lei ora combatida.

Primeiramente, o § 5º do artigo 40 da Carta Magna, assim redigido:


"Os requisitos de idade e de tempo de
contribuição serão reduzidos em cinco anos, em relação ao
disposto no § 1°, III, "a", para o professor que comprove
exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de
magistério na educação infantil e no ensino fundamental e
médio".

14. Em seqüência, reproduzo o § 8º do art. 201 da CF:

"Os requisitos a que se refere o inciso I do


parágrafo anterior serão reduzidos em cinco anos, para o
professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo
exercício das funções de magistério na educação infantil
e no ensino fundamental e médio".

15. Vê-se, então, que os dois dispositivos

constitucionais instituíram uma disciplina especial de aposentadoria

para o professor, tanto no "regime próprio" quanto no regime de

previdência social geral. Noutros termos, o problema é saber,

primeiro, se tal disciplina especial comporta extensão para os

especialistas em educação, e, depois, para estes e mais os

professores que se deslocam da sala de aula para desempenhar

atividades de direção, coordenação e assessoramento pedagógico.

16. Pois bem, não tenho como procedente nenhum dos

fundamentos em que se louvou a defesa da constitucionalidade do

texto normativo posto em causa. Isso porque a Lei Maior Federal me


parece deferir uma aposentação favorecida apenas ao professor e a

mais nenhum outro profissional (donde o advérbio "exclusivamente"),

ali no âmbito da educação infantil e do ensino dito fundamental e

médio. É ler o § 5º do artigo 40 e o § 8º do artigo 201, que deferem

a ele, professor, o direito a uma diminuição de idade e tempo de

contribuição para aposentar-se. Mas em ambas as passagens

normativas, o advérbio "exclusivamente" consubstancia uma

prerrogativa e, nessa medida, não alcança uma série aberta de

pessoas, porém uma série fechada de beneficiários: os docentes. A

exigir, como sucede com toda prerrogativa (superdireito que é) uma

interpretação estrita ou não ampliativa.

17. Ora bem, especialista em educação não é professor.

Não é um puro profissional do ensino. Um perito em sala de aula. Um

íntimo das quatro paredes, em cujo interior o lente forma com seus

alunos uma só realidade humana, um só coração pulsante. Uma só

realidade anímica. Os nomes, aqui, designam profissionais com

funções e responsabilidades diferentes. Sem desconhecer, óbvio, que

a Lei adversada não cuidou de definir o "especialista em educação",

mas, só por alinhá-lo ao lado do "professor", evidenciou que são

profissionais distintos. Vocacionalmente distintos,

metodologicamente distintos, funcionalmente distintos,


psicologicamente distintos no trato com o alunado dessa ou daquela

unidade de ensino.

18. Sendo verdadeira esta premissa (é a minha convicção),

não há como validar lei que, em tema de aposentadoria, trate da

mesma forma professor e especialista em educação. A Constituição

Federal não garantiu aposentadoria especial ao profissional da

educação "lato sensu", mas, unicamente, ao professor que exerça as

funções que lhe são próprias: as de docência. As de magistério.

Professor, portanto, e não especialista em educação, que já é

profissional voltado para as atividades de direção escolar,

coordenação e orientação da própria docência. Profissional do

suporte institucional e administrativo, profissional até mesmo do

suporte pedagógico, mas não profissional desse misto de ciência e

arte que é o tudo procurar saber para tudo transmitir na mais leve e

atraente embalagem científica, intelectual ou artística.

19. Tenho, portanto, que, em tema de aposentadoria, a Lei

Federativo-republicana tratou diferentemente o professor e os demais

profissionais da educação. Isso não significa, porém, que a nossa

Constituição haja se descuidado destes últimos. Ao contrário, a eles

a Constituição se referiu, por explicitude, estabelecendo como um


dos princípios da política educacional sua englobada valorização,

conforme consta do inciso V do art. 206, a saber:

"Art. 206 - O ensino será ministrado com base


nos seguintes princípios:
(...)

V - valorização dos profissionais da educação


escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira,
com ingresso exclusivamente por concurso público de
provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)".

20. Disto concluo que a Constituição Federal impõe ao

Poder Público valorizar os profissionais da educação, todos eles:

professores, especialistas, pedagogos, diretores de estabelecimento

escolar, etc. Mas apenas ao professor é que ela confere

aposentadoria especial, e o faz utilizando no § 5º do art. 40 e no §

8º do art. 201 o substantivo restrito a expressão "professor", e não

o fraseado aberto "profissionais da educação".

21. Observe-se que o § 4º do artigo 40 e o § lº do artigo

201 da Carta Magna proíbem, no regime próprio e no regime geral de

previdência, a adoção de requisitos diferenciados para a

aposentadoria. A regra, pois, é a vedação de requisitos diferentes,

mas com algumas exceções de logo explicitadas. Uma delas,

precisamente, é a da aposentadoria do professor com tempo de efetivo


exercício em funções de magistério, que lhe foi conferida em razão

das peculiaridades do seu labor, pois focadamente voltado para o

"pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da

cidadania e sua qualificação para o trabalho", como explicitado pelo

artigo 205 da Constituição Federal.

22. Já as outras exceções constitucionais, todas são

veiculadas em norma de eficácia limitada, como a aposentadoria dos

portadores de deficiência e a dos que exercem atividade de risco ou

sob condições prejudiciais à saúde ou à integridade física.

Hipóteses à espera de lei complementar, mas que não se amoldam às

funções de especialista em educação.

23. Convém insistir na tessitura da idéia. A Constituição

Federal, realmente, prevê aposentadoria para o professor que

"comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de

magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio".

Duas palavras, aí utilizadas, são emblemáticas: o advérbio

"exclusivamente", pondo à margem quaisquer outras atividades que não

as de magistério, e o adjetivo "efetivo", este a caracterizar o

exercício real da docência, e não simplesmente ficto ou presumido. É

que as funções de magistério, na Constituição Federal, significam

mesmo docência; isto é, a atividade de ministrar aulas e todas


aquelas que lhe são conaturais. Refiro-me às atividades de argüição

em classe, preparo e correção de provas, pesquisas de campo, visitas

a bibliotecas e instituições e atendimento pessoal aos alunos,

ilustrativamente.

24. Há uma lógica para esse tratamento favorecido ao

professor. Dentro e fora da escola, o professor ocupa o seu tempo -

um tempo que verdadeiramente não tem fim - com leituras, pesquisas,

preparo de provas, freqüência a cursos, seminários e bibliotecas,

consultas de alunos e respectivos pais, reuniões, anotações de

textos, confecção de material didático (slides, retroprojeção,

cartolinas, cartazes), de maneira a exercitar intuições e tecer

reflexões que já se alocam no entrelaçado campo do ensino, da

pesquisa e da extensão. Tudo imbricadamente, portanto. É dizer, a

Constituição reconheceu que o professor está o tempo inteiro e em

toda parte a cuidar de sua profissão e dos seus alunos, formando com

o alunado um vínculo psicológico-afetivo-profissional que perdura

por toda a vida. O professor não se descarta da sala de aula como

quem se despoja de uma vestimenta usada ou tranca atrás de si uma

porta de trabalho. E foi precisamente por assim reconhecer as

entranhadas peculiaridades do labor docente que a Magna Carta

Federal tratou de conferir aos professores regras tutelares em

apartado para a respectiva aposentação. Esta a razão de ser de um


tratamento normativo em separado, pois a Constituição assim não

distinguiria as coisas sem fundamento na ontologia mesma da

docência. Não faria cortesia com o chapéu do contribuinte, pois

magistério é docência e docência é arrebatada vocação, repise-se. A

incendida vocação de fazer da sala de aula o seu "habitat". Do

contato pessoal com o alunado o mágico espaço de sua realização

profissional e até da própria razão de viver. Numa frase, a relação

mestre/discípulo se passa na intimidade de um processo de

aprendizagem que somente abarca ambas as categorias. Como se dava

com Sócrates e seus encantados discípulos, metodologicamente

enlaçados pela maiêutica, tanto quanto com Aristóteles, a fazer da

sua Escola peripatética o mais refinado locus de transmissão do

pensamento filosófico da antiguidade grega.

25. Verdade que os defensores da constitucionalidade da

Lei nº 11.301/2006 sustentam que o termo "funções" foi usado no

plural para traduzir atividades de magistério, mais a direção de

escola, a coordenação e o assessoramento pedagógico. Por outras

palavras, a Lei combatida mais não teria feito que pôr, ao lado da

atividade de docência, a de direção, coordenação e assessoramento

pedagógico. Essas, conjuntamente, ou em sua totalidade, seriam as

funções do magistério.
26. Penso, entretanto, que o argumento não resiste a u'a

mais detida análise. Se fossem essas as funções próprias do

magistério, não faria sentido a Carta Magna haver exigido que o

professor se dedicasse exclusivamente a elas para ter direito à

aposentadoria especial. Além delas, nada mais haveria a ser feito

pelo professor, e, por conseguinte, desnecessária a exigência de

dedicação exclusiva. A compreensão correta da linguagem

constitucional me parece apontar para solução diversa, pois o que se

dá é justamente o contrário. Vale dizer: exatamente porque a

Constituição somente contemplou as atividades de magistério (isto é,

de docência) como razão de ser da aposentadoria especial, foi que se

valeu do advérbio "exclusivamente", afastando todas as outras a que

o professor pudesse eventualmente se dedicar, tais como direção,

coordenação e assessoramento pedagógico. Óbvio, pois não há como

confundir ministração de aula com administração de estabelecimento

escolar, ou qualquer atividade de assessoramento e suporte

pedagógico.

27. Há uma outra explicação para o uso da palavra

"funções", assim no plural. É que, como se sabe, os professores,

satisfeito o requisito da compatibilidade de horários, têm a

prerrogativa de acumular dois cargos da espécie (art. 37, XVI, da

CF/88). A cada cargo correspondendo uma função, ou seja, tarefas e


atribuições constitutivas do fazer que é típico da docência.

Insisto: "funções de magistério", à luz do § 5º do art. 40, são

aquelas inerentes aos dois acumuláveis cargos de professor.

28. Não por outro motivo - quero crer - que esta Suprema

Corte, apreciando a constitucionalidade de lei estadual que concedia

aposentadoria especial a diretor e coordenador de unidade escolar,

assentou que "funções de magistério" são aquelas exercidas em sala

de aula. Eis a ementa do julgado na ADI 2253:

"EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.


ARTIGO 2º DA LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL 156/99.
APOSENTADORIA ESPECIAL. REDUÇÃO NA CONTAGEM DE TEMPO DE
SERVIÇO. FUNÇÕES DE DIRETOR E COORDENADOR ESCOLAR.
INCONSTITUCIONALIDADE. 1. O § 5º do artigo 40 da Carta
Federal prevê exceção à regra constitucional prevista no
artigo 40, § 1º, inciso III, alíneas "a" e "b", tendo em
vista que reduz em cinco anos os requisitos de idade e de
tempo de contribuição para "o professor que comprove
exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de
magistério na educação infantil e no ensino fundamental e
médio". 2. Funções de magistério. Desempenho das funções
exercidas em sala de aula. Não abrangência da atividade-
meio relacionada com a pedagogia, mas apenas da
atividade-fim do ensino. Dessa forma, os beneficiários
são aqueles que lecionam na área de educação infantil e
de ensino fundamental e médio, não se incluindo quem
ocupa cargos administrativos, como o de diretor ou
coordenador escolar, ainda que privativos de professor.
3. Lei complementar estadual 156/99. Estende a
servidores, ainda que integrantes da carreira de
magistério, o benefício da aposentadoria especial
mediante redução na contagem de tempo de serviço no
exercício de atividades administrativas.
Inconstitucionalidade material. Ação direta de
inconstitucionalidade julgada procedente".

29. Nesse sentido, também o enunciado 726 da Súmula de

jurisprudência deste Supremo Tribunal, a saber:

"Para efeito de aposentadoria especial de


professores, não se computa o tempo de serviço prestado
fora da sala de aula".

30. Por todo o exposto, Senhor Presidente, não tenho como

deixar de votar pela procedência da ação.

É como voto.
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.772-2 DISTRITO FEDERAL

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Senhor Presidente,

também acompanho o eminente Relator. Louvo o belíssimo voto, com a

mesma sentimentalidade que domina tantas vezes quando o Ministro

Carlos Britto fala especialmente de algumas pessoas, como o

professor, porque é sempre alguém muito caro a todos nós.

Guimarães Rosa, Ministro-Relator, dizia que mestre é

quem de repente aprende. Eu diria que, para os efeitos da

Constituição, mestre é quem de repente ensina. Vale, aqui, para mim

também, aquele que ensina, que exerce as funções específicas de

magistério, portanto, a docência.

E tenho para mim que há um outro dado: quando a

Constituição fala em funções de magistério, além de se poder

exercer mais de um cargo, de se acumularem cargos, há algumas

funções que são do professor. Por exemplo, o professor corrige

provas, orienta monografias, segue pesquisas. São funções do

magistério, do professor que está exercendo efetiva e

exclusivamente o cargo de professor.

Também chamo a atenção para a circunstância de que,

evidentemente, a direção de unidade escolar e de coordenação é

função administrativa e não função de atividade-fim, com todos os

contornos que dá a Constituição, no seu art. 205, para também ter


um tratamento muito especial. Mas isso não se confunde com o que é

posto nem no art. 40, § 5o, nem no art. 201, § 8o, os quais tratam

do professor.

Também me chama a atenção a circunstância de que a norma

questionada, no § 2o, diz:

"Art. 67...
§ 2° Para os efeitos do disposto no § 5o do art. 40
e no § 8° do art. 201 da Constituição Federal, são
consideradas funções de magistério as exercidas por
professores e especialistas (...)"

E a Constituição diz que é o professor e não outro

profissional. Ora, se aqui eu tenho uma conjunção aditiva,

significa dizer que eu tenho, além de professor, o especialista, e

este especialista não é professor. E a Constituição se atém à

figura do professor.

Foi dito da tribuna, muito bem ocupada, conforme lembrou

o Ministro Carlos Britto, que haveria quebra do principio da

igualdade. Parece-me que ocorre exatamente o oposto. Haveria quebra

do principio da igualdade, tratamento de iguais entre iguais, se se

tivesse, além do professor que exerce efetiva e exclusivamente o

cargo de magistério - a função de magistério inerente ao cargo -,

para outros cargos que não têm essa função senão administrativa, o

mesmo cuidado com relação aos direitos à aposentação especial e que

neste caso é diferenciada favoravelmente.


Quanto à Síndrome de Burnout - mencionada também pelo

amicus curiae -, devo lembrar que, na Constituinte, foi debatida a

questão da aposentadoria especial do professor em 87/88. E chegou-

se à conclusão - esses debates constam dos anais - que era para o

professor - tal como havia acolhido o Supremo Tribunal Federal -,

porque ele vai para casa e continua exercendo atividades de

trabalho, de pesquisa, de correção etc. Portanto, ele tem uma

jornada adicional que não pode ser computada. Dai por que se fixou

a diminuição de um lustro, mesmo que haja outras tantas profissões

igualmente estressantes, se não para esses efeitos, tal como foi

discutido na Constituinte.

Finalmente, eu lembraria, apenas como uma achega, que a

condição de professor é a enfatizada em todo texto da Constituição,

tal como lembrou Vossa Excelência. Pode-se ter o professor que

exerça até outra atividade, mas, para os efeitos dessa contagem, o

que se terá é o efetivo tempo de serviço na condição de quem é

mestre, de quem ensina, de quem pratica essa atividade e que não

termina - e todos os professores sabem - na sala de aula.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Ministra Cármen Lúcia,

Vossa Excelência me permite apenas um aparte, considerada a própria

razão de ser do preceito?

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Sim.


O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Vossa Excelência

admite que, no caso, o assessoramento pedagógico, a direção da

própria unidade, a coordenação em si, sejam exercidos - e são

exercidos na prática - por professores? Não seria o caso de partir-

se para uma interpretação conforme, assentando a necessidade de se

ter, nesses cargos mencionados, nessas funções mencionadas, que, a

meu ver, estão no grande âmbito "magistério", professores? Porque,

veja, já houve a época em que se imaginava que a redução do tempo

para a aposentadoria seria uma decorrência da utilização do giz.

Hoje em dia, já não se tem mais o giz, o quadro- negro. Então,

penso que não se pode chegar ao ponto, por exemplo, de se excluir a

contagem especial relativamente a um professor que é deslocado para

função até mesmo, para mim, de maior responsabilidade, que é a da

direção da unidade escolar, a do assessoramento pedagógico,

implementado, inclusive, em relação aos próprios professores.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO - E mais, a levar às

últimas consequências esse raciocínio, nenhum professor deve

aceitar o cargo de diretor.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Não aceitará mais.


O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO - Nenhum deverá aceitar o

cargo de diretor, o cargo de maior responsabilidade, porque, se o

aceita, perde o beneficio; assume mais responsabilidade e perde o

benefício!

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Na prática,

acontece o seguinte: o verdadeiro professor pode se deslocar para a

direção, mas não deixa a sala de aula; ele dá um jeito de dar aula.

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Ele, normalmente, não

deixa a sala de aula. E, quando deixa, não pode contar esse tempo.

O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Com o salário

que recebe, data venia, não acredito.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - O melhor

salário é de diretor; é o de dirigir.

O SR. MINISTRO JOAQUIM BARBOSA - Eu acho que temos de

levar em consideração que, em alguns Estados, o cargo de diretor é

extremamente politizado: eles são nomeados diretamente pelos

governadores.
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Mas, não podemos

raciocinar com o extravagante, com o extraordinário, com o

teratológico.

O SR. MINISTRO JOAQUIM BARBOSA - Não é teratológico.

Essa é a realidade brasileira.

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Eu nem vou levar em

consideração a circunstância de poder ser professor ou não, porque

ele pode não ser. E, hoje, Ministro, há, inclusive, uma tendência,

iniciada no Brasil no sentido de que haja administradores de

escola. Há cursos para formar administradores de escola, e não para

a específica função de ministrar as aulas. Nós já temos isso em

outros setores da saúde, e temos essa tendência para efeitos de

escola.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Mas, Ministra,

evitamos que venha a gozar do benefício constitucional pessoa

estranha à função de magistério, dando a interpretação conforme, ou

seja, colando a necessidade de qualquer ocupante, ou qualquer

pessoa que desenvolva essas atividades, ser, profissionalmente, sob

o ângulo da qualificação, professor.


O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - E do ingresso na

carreira.

Estou aqui, sobre a minha tela, com a Lei Complementar

n° 958/04 do Estado de São Paulo que regula a carreira do

magistério. E ela prevê exatamente isso: que o professor pode, em

tendo cursos de especialização ou de pós-graduação, qualificar-se

para assumir um cargo de direção numa escola. Portanto, quem

assume, em São Paulo, de acordo com essa Lei Complementar - e isso

desde há muito tempo -, um cargo de diretor de escola, faz parte da

carreira do magistério.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Mas, se o fizer, no

caso, com a declaração de inconstitucionalidade, será apenado. Não

terá, naquele período do exercício, o benefício previsto

constitucionalmente, em que pese o esforço maior. O deslocamento

implicará perda e não vantagem considerada a maior

responsabilidade.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Quando se

desloca, será melhor remunerado. Então, não vai ser apenado. Ele

faz uma opção. Para ter uma remuneração melhor, terá de sair da

sala de aula. Agora, não ganhará as duas coisas.


O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Mas perderá a

aposentadoria especial.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Vossa Excelência vê

o benefício como decorrência dos baixos salários dos professores.

Seria uma compensação espúria.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO - Ele sai da carreira

e não pode contar o tempo.

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Ministro, garanto a

Vossa Excelência, o professor que fica em sala de aula, o que

realmente ensina, tem um ônus enorme quanto ao estado físico, ao

estado psicológico; tanto é que, todas as vezes que o professor tem

a possibilidade de ir para uma secretaria, para a biblioteca, em

geral, ele vai, porque a sala de aula é pesada, é uma função que

envolve - como lembrou bem o Ministro-Relator - todos os seus

sentidos, durante todo aquele período.

A Constituição determina - e nem vou tentar, aqui,

saber o que passou pela cabeça do constituinte, conforme lembrado

da tribuna pelo Ministro Aliomar Baleeiro, quando disse, neste

Plenário, que Ministro do Supremo não é psiquiatra para saber o que

passou pela cabeça do constituinte - que, para o professor que


estiver efetiva e exclusivamente na docência, conta-se o período de

maneira especial. Atenho-me a isso.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Ministra, citei

expressão que revela o gênero - funções de magistério.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Mas é o que

diz a Súmula n° 726.

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Sim, porque, além de

dar aula, há todas as outras funções.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO - Nós vamos mudá-la.

Vamos dar interpretação para ela. Nós não participamos de nenhum

dos precedentes que fundaram essa Súmula.

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Eu acompanho o voto do

Relator.
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.772-2 DISTRITO FEDERAL

VOTO

O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Senhor

Presidente, vou pedir vênia ao eminente Relator e também à

Ministra Cármen Lúcia para julgar improcedente esta ADI, ou

talvez, na sugestão que já foi formulada pelos colegas, dar uma

interpretação conforme.

Primeiro: eu entendo, e todos aqueles que já

participaram - e todos nós aqui, sem dúvida nenhuma, o fizemos -

de atividades docentes sabem perfeitamente que a atividade docente

não se limita à sala de aula, mas à preparação das aulas, correção

de provas, atendimento de alunos, preparação de material.

A SRA. MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Eu acabei de dizer,

Ministro. Por isso eu disse que as funções são plúrimas.

O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Inclusive, em

muitos Estados, como no Estado de São Paulo, a carreira de

magistério compreende a ascensão aos cargos de direção das

escolas. A pessoa ingressa na carreira de professor e pode, em se


qualificando, atingir o grau máximo da carreira, que é exatamente

a de diretor de escola.

O SR. MINISTRO GILMAR MENDES (PRESIDENTE) - Ministro

Lewandowski, o cargo de diretor, portanto, compõe a carreira?

O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Compõe.

O SR. MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Compõe a

carreira de magistério.

O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Tenho aqui a

Lei Complementar 9.958 de 2004, que rege o assunto.

O SR. MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Quando a

Constituição fala que os cargos do magistério serão estruturados

em carreira, seguramente está excluindo os de direção. Os cargos

serão estruturados em carreira, carreira de docência.

O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Sim, mas aí

seria uma pessoa estranha à carreira e viria de fora para assumir?


O SR. MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Porque uma

coisa é ministração, outra é administração.

A SRA. MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - As carreiras são de

professor nível I, II e III.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO - Eu não consigo

entender como a Constituição privilegiaria o secundário em dano do

principal. Uma carreira do magistério sem direção é anarquia, é

impossibilidade de exercício. Aquele que dá condições de

efetividade ou irregularidade no exercício não é contemplado.

O SR. MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Mas é outro

cargo.

O SR. MINISTRO JOAQUIM BARBOSA - Ministro Cezar Peluso,

muitas vezes ele não pertence à carreira; é por isso.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO - O problema não é esse,

Ministro. O problema é de valorização da atividade. Nós estamos

partindo do pressuposto - e parece que isso fica subjacente,

inconscientemente subjacente - de que a Constituição atribui aos

professores um benefício particular quanto à aposentadoria, porque


- e talvez seja essa a explicação de usarem guarda-pó - trabalham

de sol a sol, com enxada na mão!... Os trabalhadores rurais, do

ponto de vista de desgaste físico, sofrem muito mais do que

qualquer professor. E por que esses profissionais não recebem da

Constituição o mesmo tipo de benefício? Porque não se trata de

valorizar o desgaste físico e psicológico, mas de valorizar uma

função importante, como diz o art. 205, de uma atividade que faz

parte da dignidade humana, porque é condição necessária para o

desenvolvimento das virtualidades da pessoa. Isto é, uma pessoa

que não receba educação, não se desenvolve como pessoa e,

portanto, não adquire toda a dignidade a que tem direito, e a

educação, portanto, é, nesse nível, tão importante, que quem se

dedique a ela como professor recebe do ordenamento jurídico um

benefício correspondente.

O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Aliás, há um

comando expresso do art. 206, V, que diz o seguinte:

"Art. 206. O ensino será ministrado com base


nos seguintes princípios:
V - valorização dos profissionais do
ensino..."

O SR. MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Eu citei esse.


A SRA. MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - O Ministro-Relator

citou.

O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Temos que dar

uma interpretação ampliativa.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO - Mas, Ministro, leia o

art. 205, caput: "... desenvolvimento da pessoa, seu preparo para

o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

O SR. MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Ministro Cezar

Peluso, no processo educacional, o professor é mais importante do

que o diretor. Professor é atividade-fim; diretor é atividade-

meio. É que, no Brasil, por distorção, paga-se melhor a atividade-

meio do que a atividade-fim. O grande protagonista do processo

educacional não é o diretor, é o professor. A razão de ser da

Constituição é essa.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO - Ministro, é que não se

pode cindir. E mais: se não fosse a circunstância de os textos

constitucionais fazerem referência expressa a professor, a minha

tendência seria ampliar o catálogo dos beneficiários dessa

aposentadoria especial. De certo modo, até me sinto incomodado em


ter de dar interpretação que se poderia dizer literal aos termos

"professor", tanto no art. 40, como no art. 201, pois estou por

ora me atendo à idéia de que, talvez, a melhor solução seja uma

interpretação conforme, nesse sentido. Mas, com base na pré-

compreensão de que, situando o problema no campo da educação como

atividade essencial do Estado e fundamental para a dignidade da

pessoa humana, eu até tenderia a ampliar essa interpretação. E,

portanto, não posso cindir atividades indispensáveis, porque não é

possível conceber uma escola, onde haja mais de um professor -

onde há um só professor não há problema nenhum -, sem a

necessidade de uma direção, de uma organização.

O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Senhor

Presidente, por esses motivos que expus e com todo o respeito

pelos eminentes colegas que têm uma visão divergente - e louvo o

brilhante voto do eminente Ministro Carlos Britto e da nossa

Ministra Cármen Lúcia, ambos ilustres professores e preocupados

com a questão do ensino -, eu me encaminharia para dar uma

interpretação conforme de modo a que esse dispositivo, para fins

de aposentadoria, alcance apenas os professores que tenham

exercido, ou estejam exercendo, os cargos de direção de unidade

escolar, coordenação e assessoramento pedagógico. Seria uma forma

de limitar. Mas, de qualquer maneira, também, eu me confesso,


desde logo, sensibilizado pelo último argumento do eminente

Ministro Cezar Peluso, no sentido de que, se a Constituição, no

seu art. 206, inciso V, obriga, comanda, exige que se valorize os

profissionais do ensino de forma ampla, os especialistas em

educação, igualmente, enquadram-se nesse dispositivo.

Para evitarmos que outras categorias eventualmente se

beneficiem dessa aposentadoria especial, sobretudo porque o art.

40, § 5º, e o art. 201, § 8º, falam especificamente,

taxativamente, de professores, e não de especialistas,

encaminharia meu voto para dar uma interpretação conforme no

sentido a que eu me referi.

O SR. MINISTRO GILMAR MENDES (PRESIDENTE) - No sentido

de deixar claro que seriam professores no exercício, também, da

atividade de direção de unidade, de coordenação e assessoramento

pedagógico. Portanto, Vossa Excelência propõe uma procedência

parcial, dando uma interpretação conforme.

O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Exatamente.


EXTRATO DE ATA

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.772-2


PROCED.: DISTRITO FEDERAL
RELATOR : MIN. CARLOS BRITTO
REQTE.(S): PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA
REQDO.(A/S): PRESIDENTE DA REPÚBLICA
ADV.(A/S): ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO
REQDO.(A/S): CONGRESSO NACIONAL
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO PÚBLICA NO
ESTADO DO ESPÍRITO SANTO - SINDIUPES
ADV.(A/S): ALEXANDRE ZAMPROGNO E OUTROS
INTDO.(A/S): CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO -
CNTE
ADV.(A/S): PAULO LEMGRUBER E OUTROS
INTDO.(A/S): ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA
ESTADUAIS E MUNICIPAIS - ABIPEM
ADV.(A/S): AMAURI GAVIÃO ALMEIDA MARQUES DA SILVA
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS ESPECIALISTAS DE EDUCAÇÃO DO ENSINO
PÚBLICO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO - SINESP
ADV.(A/S): HORÁCIO LUIZ AUGUSTO DA FONSECA
INTDO.(A/S): CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM
ESTABELECIMENTOS DE EDUCAÇÃO E CULTURA - CNTEEC
ADV.(A/S): FERNANDO PIRES ABRÃO E OUTRO
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS SERVIDORES DO MAGISTÉRIO MUNICIPAL DE
CURITIBA - SISMMAC
ADV.(A/S): LUDIMAR RAFANHIM
ADV.(A/S): CLÁUDIA MARIA LIMA SCHEIDWEILER
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS PROFESSORES DO ESTADO DO RIO GRANDE DO
SUL - SINPRO/RS
ADV.(A/S): MEBEL WOLFF SALVADOR E OUTROS
INTDO.(A/S): CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM
ESTABELECIMENTOS DE ENSINO - CONTEE
ADV.(A/S): DELAÍDE ALVES MIRANDA ARANTES E OUTROS
INTDO.(A/S): ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DO RIO
GRANDE DO SUL - ASSERS
ADV.(A/S): PATRÍCIA COLLAT BENTO FEIJÓ
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO DE GOIÁS -
SINTEGO
ADV.(A/S): REGINA CLÁUDIA DA FONSECA E OUTROS
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS PROFISSIONAIS DO ENSINO PÚBLICO
MUNICIPAL DE SÃO LUÍS - SINDEDUCAÇÃO
ADV.(A/S): ANTÔNIO CARLOS ARAÚJO FERREIRA
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS PROFISSIONAIS EM EDUCAÇÃO NO ENSINO
MUNICIPAL DE SÃO PAULO - SINPEEM
ADV.(A/S): ANTONIA DELFINA NATH
INTDO.(A/S): CENTRO DO PROFESSORADO PAULISTA - CPP
ADV.(A/S): VERA LÚCIA PINHEIRO CARDOSO DIAS E OUTROS
INTDO.(A/S): UDEMO - SINDICATO DE ESPECIALISTAS DE EDUCAÇÃO DO
MAGISTÉRIO OFICIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
ADV.(A/S): MARLAN CARLOS DE MELO
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS MUNICIPAIS DE
SÃO PAULO - APROFEM
ADV.(A/S): ANA CRISTINA DE MOURA ACOSTA E OUTRO
INTDO.(A/S): DISTRITO FEDERAL
ADV.(A/S): PGDF - TÚLIO MÁRCIO CUNHA E CRUZ ARANTES

Decisão: Após os votos do Senhor Ministro Carlos


Britto (relator) e da Senhora Ministra Cármen Lúcia, que julgavam
procedente a ação, e o voto do Senhor Ministro Ricardo Lewandowski,
que a julgava parcialmente procedente, propondo uma interpretação
conforme, que assentava que as atividades mencionadas de exercício
de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento
pedagógico também gozariam do benefício, desde que exercidas por
professores, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau.
Falaram: pela Advocacia-Geral da União, o Ministro José Antônio Dias
Toffoli; pela amicus curiae, Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Educação - CNTE, o Dr. Roberto de Figueiredo Caldas; e, pelos
amici curiae, Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino
Público Município de São Paulo - SINESP e Sindicato de Especialistas
de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo - UDEMO, o
Dr. Horácio Luiz Augusto da Fonseca. Ausentes, justificadamente, a
Senhora Ministra Ellen Gracie (Presidente) e os Senhores Ministros
Celso de Mello e Menezes Direito. Presidência do Senhor Ministro
Gilmar Mendes (Vice-Presidente). Plenário, 17.04.2008.

Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes (Vice-


Presidente). Presentes à sessão os Senhores Ministros Marco Aurélio,
Cezar Peluso, Carlos Britto, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski,
Eros Grau e Cármen Lúcia.

Vice-Procurador-Geral da República, Dr. Roberto


Monteiro Gurgel Santos.

Luiz Tomimatsu
Secretário
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.772-2 DISTRITO FEDERAL

VOTO VISTA

O SENHOR MINISTRO Eros Grau: O § 5º do artigo 40

da Constituição do Brasil (redação da EC n. 20/98), dispondo

sobre o tema da aposentadoria dos servidores públicos,

estabelece que os requisitos de idade e de tempo de

contribuição serão reduzidos em cinco anos, em relação ao

disposto no § lº, III, "a", para o "professor que comprove

exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de

magistério na educação infantil e no ensino fundamental e

médio".

02. A ADI versa sobre o texto do § 2º do artigo 67 da

Lei n. 9.394/961, que considera como funções de magistério,

para os efeitos do § 5º do artigo 40 da Constituição do

Brasil, "as exercidas por professores e especialistas em

educação no desempenho de atividades educativas, quando

exercidas em estabelecimentos de educação básica e seus

diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício

da docência, as de direção de unidade escolar e as de

coordenação e assessoramento pedagógico".

03. O Procurador-Geral da República sustenta que "a

aposentadoria especial concedida aos professores não se


estende aos diretores de unidade escolar, coordenadores

pedagógicos e supervisores de ensino". O preceito

constitucional, diz ele, "não abrange aqueles que não

estejam no exercício de atividade em salas de aula, como os

especialistas em educação que não exercem a função de

professores".

04. O relator, Ministro Carlos Britto, afirmou a

inconstitucionalidade do § 2º do artigo 67 da Lei n.

9.394/96, na redação que lhe foi atribuída pelo artigo 1º da

Lei n. 11.301/06. Votou pela procedência da ação.

05. Os "professores que se deslocam da sala de aula

para desempenhar atividades de direção, coordenação e

assessoramento pedagógico" não devem, segundo o relator, ser

beneficiados pelo regime de aposentadoria especial. S.

Excia. diz que a Constituição exige que o professor se

dedique exclusivamente às funções de magistério para ter

direito à aposentadoria especial. E, mais, durante os

debates S. Excia. reafirmou o entendimento de que o

deslocamento do professor para a direção de unidade escolar,

coordenação pedagógica ou supervisão de ensino acarreta a

perda do benefício da aposentadoria; essa perda não

corresponderia a uma pena; isso porque ao sair da sala de

aula o professor obterá, enquanto diretor de unidade

escolar, remuneração maior; em contrapartida, perderá o


direito à aposentadoria especial; não poderá ganhar duas

vezes; terá de optar entre a remuneração maior e o direito

afirmado pelo § 5º do artigo 40 da Constituição do Brasil.

06. O voto do relator está ancorado em interpretação

restritiva do texto do § 5º do artigo 40 da Constituição do

Brasil, interpretação essencialmente gramatical. O vocábulo

exclusivamente é lido, no preceito constitucional, como

expressivo de exigência de que o professor, para que possa

desfrutar do direito à aposentadoria especial, comprove

tempo de efetivo exercício exclusivamente nas funções de

magistério na educação infantil e no ensino fundamental e

médio.

07. Vale dizer: o professor não terá direito à

aposentadoria especial se, além de exercer funções de

magistério na educação infantil e no ensino fundamental e

médio, exercer funções de direção de unidade escolar e/ou de

coordenação e assessoramento pedagógico. Não bastaria ser

professor. Para desfrutar do direito à aposentadoria

especial, o professor não poderia exercer senão funções de

magistério, jamais as de direção de unidade escolar e/ou de

coordenação e assessoramento pedagógico.

08. Lê-se destarte, na Constituição --- permissa venia

--- o que nela não está escrito.


09. O que o preceito constitucional afirma é a

necessidade de, para fazer jus à aposentadoria especial, o

professor comprovar tempo de efetivo exercício nas funções

de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e

médio, não em qualquer outra. Não que ele não poderá exercer

outras funções, além das de magistério, inclusive as de

direção de unidade escolar e/ou de coordenação e

assessoramento pedagógico. Exige que o professor, para

desfrutar daquele direito, não compute tempo de exercício em

funções outras que não a do magistério. Não --- repito ---

que ele não possa exercer, além das funções de magistério,

as de direção de unidade escolar e/ou de coordenação e

assessoramento pedagógico.

10. Daí porque estou convencido, permissa venia, de

que a interpretação gramatical é perversa. Visto que

anteriormente foi feita alusão a Sócrates e a Aristóteles,

no voto do Ministro relator, sinto-me autorizado a lembrar

Hesíodo, citado por Platão2: "suave é o caminho que conduz à

perversidade (...) percorrê-lo dispensa qualquer suor". Isso

porque o caminho da perversidade é "extremamente curto".

11. A interpretação gramatical é perversa porque

desvaloriza, sim, a atividade do professor, cindindo o que

não se pode cindir. Reporto-me, neste passo, a observação do


Ministro Cezar Peluso, durante os debates travados na sessão

anterior a esta: "E, portanto, não posso cindir atividades

indispensáveis, porque não é possível conceber uma escola,

onde haja mais de um professor---onde há um só professor

não há problema nenhum --- , sem a necessidade de uma

direção, de uma organização".

12. Ademais de cindir o incindível, a interpretação

que conduz à procedência da ação impede que a escola seja

dirigida por qualquer membro do seu corpo docente. Atribui a

orientação pedagógica de cada escola [= coordenação e

assessoramento] a estranho ao seu corpo docente. Ora, ao

contrário do que determina o artigo 206, V, da Constituição

do Brasil --- os profissionais da educação escolar hão de

ser valorizados --- a interpretação gramatical os apequena,

perversamente.

13. É certo que a Súmula 726 deste Tribunal diz que

"para efeito de aposentadoria especial de professores não se

computa o tempo de serviço prestado fora da sala de aula".

Sucede que aí estamos diante de texto a ser objeto de

interpretação, não de uma norma. E, quanto a mim, interpreto

esse texto de modo a afirmar que o tempo de serviço prestado

pelo professor no exercício de função de direção de unidade

escolar e de coordenação e assessoramento pedagógico não


pode ser concebido como "tempo de serviço prestado fora da

sala de aula".

14. Seja lá como for, quanto a este ponto lembro outra

consideração do Ministro Cezar Peluso quanto a essa súmula:

"Nós vamos mudá-la. Vamos dar interpretação para ela. Nós

não participamos de nenhum dos precedentes que fundaram essa

Súmula".

15. O texto impugnado na ADI efetivamente desbordaria

dos limites instalados pela Constituição quando se viéssemos

a entender como funções de magistério, para os efeitos do §

5º do artigo 40 da Constituição do Brasil, as de direção de

unidade escolar e as de coordenação e assessoramento

pedagógico ainda quando exercidas por quem não seja

professor.

16. Daí parecer-me expressiva da mais autêntica

prudência a proposta de que a ação seja julgada parcialmente

procedente, para que se dê interpretação conforme ao

preceito, proposta enunciada já pelos Ministros Marco

Aurélio e Ricardo Lewandowski. Afirme-se então que nenhuma

pessoa estranha à função do magistério---isto é, que não

seja professor --- poderá gozar do benefício constitucional

da aposentadoria especial. Mas dele gozará o professor,


ainda que no desempenho de direção de unidade escolar e/ou

de coordenação e assessoramento pedagógico.

Voto nesse mesmo sentido.

1 Na redação que lhe foi atribuída pelo artigo lº da Lei n.


11.301/06.
As Leis, trad. Edson Bini, Edipro, São Paulo, 1999, Livro
²
IV, pág.192.
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.772-2 DISTRITO FEDERAL

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Senhor

Presidente, depois de ouvir o bem-elaborado voto do Ministro Eros

Grau, perfilhando também duas consistentes propostas dos Ministros

Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio, permito-me fazer o que penso

sejam breves considerações.

Quando fiz esse voto no sentido da afirmação da

inconstitucionalidade do dispositivo legal adversado na presente

ADI, louvei-me muito nos precedentes da Casa, não só na

interpretação direta seca do texto constitucional.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Em relação aos quais

sempre guardei reserva.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - É, Vossa

Excelência, sim, tem toda razão.

Na ADI 2.253-9, do Espírito Santo, Relator Ministro

Maurício Corrêa, o Supremo Tribunal Federal decidiu pela

inconstitucionalidade dessa acumulação de vantagens que se pretende

fazer com o presente voto do Ministro Eros Grau.

Eis a ementa - Relator o Ministro Maurício Corrêa:


"AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 2º DA
LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL 156/99. APOSENTADORIA
ESPECIAL. REDUÇÃO NA CONTAGEM DE TEMPO DE SERVIÇO" -
Ela é aposentadoria especial, porque reduz em cinco
anos o tempo de contribuição, o tempo dos professores,
docentes, lentes, exercentes de magistério propriamente
dito, que se dá em sala de aula, e reduz também em
cinco anos a idade cronológica, a idade de nascimento.
Por isso é que é aposentadoria especial). "FUNÇÕES DE
DIRETOR E COORDENADOR ESCOLAR. INCONSTITUCIONALIDADE.

E vamos aos fundamentos dessa decisão plenária:

"1. O § 5º do artigo 40 da Carta Federal prevê


exceção" - isso é importante. Esse § 5º consubstancia
uma exceção, porque foge da regra geral e o Supremo já
qualificou esse § 5º do art. 40 como excepcional) "à
regra constitucional prevista no artigo 40, § 1º,
inciso III, alíneas "a" e "b", tendo em vista que reduz
em cinco anos os requisitos de idade e de tempo de
contribuição para 'o professor que comprove
exclusivamente tempo de efetivo exercício" - o advérbio
"exclusivamente" vem acompanhado do adjetivo efetivo;
ou seja, o efetivo, aqui, é o não ficto, é o não
presumido) "das funções de magistério na educação
infantil e no ensino fundamental e médio".

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) - Para

evitar a contagem daqueles tempos fictícios; não exercia atividade

nenhuma ligada ao magistério e era computada como tal. Por isso que

se exige "efetivo". É como serviço militar, por exemplo.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Perfeito.

Mas se o professor está desempenhando atividade que não é de

professor e ainda assim ... Vou bem explicar isso. Vou dizer por que
não é de professor; é de direção, é de especialista, é de

assessoramento.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Mas daí a ressalva

do ministro Eros Grau. Ele afasta, do alcance da norma, em

interpretação conforme à Constituição Federal, aqueles que não

tenham a qualificação de professor. Ele afasta a denominada

administração profissionalizada, estranha ao magistério, à

potencialidade de ministrar aulas.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Sim. Mas a

nossa decisão enfrentou isso também.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Agora, tem-se o

envolvimento de categoria profissional, ministro Carlos Ayres

Britto, tão sacrificada nesse imenso Brasil que precisa de cultura,

precisa de educação. Vamos adotar entendimento estimulante ou ponto

de vista que acabe por restringir o preceito constitucional?

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - O acerto

da afirmativa de Vossa Excelência me parece aparente. Vou explicar

também por quê, data venia.


O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Vossa Excelência

entende que a educação está a galope no Brasil?

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Claro que

não estou dizendo isso, Excelência.

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - O que foi dito pelo

Ministro Carlos Britto foi exatamente que nós precisamos de

professor em sala de aula, dando aula.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR)

Exatamente, e sendo prestigiado por isso.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - A "lei do giz" está

abolida há muito tempo. Não se tem mais sequer o giz em sala de

aula.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) - Mas de

diretores que sejam professores também.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Permitam-

me terminar o raciocínio.

Disse a nossa decisão:


"...em cinco anos os requisitos de idade e de tempo
de contribuição para 'o professor que comprove
exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções
de magistério na educação infantil e no ensino
fundamental e médio'".
2. Funções de magistério. Desempenho das funções
exercidas em sala de aula. Não abrangência da
atividade-meio...".

Ou seja, a atividade de magistério é atividade-fim.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Nos preceitos

constitucionais, o local não é referido.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Um

momento, Excelência. O próprio Supremo Tribunal Federal qualificou a

atividade do magistério como atividade-fim e todas as demais como

atividade-meio.

"...relacionada com a pedagogia, mas apenas da


atividade-fim do ensino. Dessa forma, os beneficiários
são aqueles que lecionam na área de educação infantil e
de ensino fundamental e médio, não se incluindo quem
ocupa cargos administrativos, como o de diretor ou
coordenador escolar...” - e veio o arremate - "...,
ainda que privativos de professor".

Ou seja, ainda que o professor esteja deslocado para

desempenhar essas outras atividades de suporte institucional ou

pedagógico.
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - O que é isso? Um

precedente, Excelência?

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) -

"3. Lei complementar estadual 156/99. Estende a


servidores, ainda que integrantes da carreira de
magistério, o benefício da aposentadoria especial
mediante redução na contagem de tempo de serviço no
exercício de atividades administrativas.
Inconstitucionalidade material".

Muito bem. Qual é o núcleo da minha tese, do meu voto?

O núcleo é o seguinte:

O que a Constituição pretendeu objetivamente foi

distinguir entre professor e quem não é professor, embora ambos

sendo educadores, ambas as categorias. Por exemplo, assessor

pedagógico, coordenador pedagógico, o diretor de estabelecimento

escolar. Claro que todos fazem parte da categoria mais abrangente

dos educadores. O professor é uma espécie de educador. A educação é

um gênero; o professor é uma espécie. Mas a Constituição quis

beneficiar com exclusividade a espécie fazendo uma distinção entre

ministração de aula e administração escolar. Ministrar não é

administrar. Administrar é atividade de quem é gerente; ministrar é

atividade de quem é lente, de quem efetivamente leciona. Caso se


permita que o professor deslocado de sua sala de aula para ocupar

cargo de assessor, de coordenador, de dirigente escolar ou

pedagógico reduza seu tempo de contribuição e de seu tempo

cronológico e sua idade em cinco anos para receber o benefício, a

meu ver estaríamos desestimulando a atividade em sala de aula,

estaríamos desprestigiando o professor que é professor. Ou seja,

aquele íntimo com as quatro paredes; aquele que faz da sua sala de

aula ...

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE)

Desprestigiando, por quê? Nós não estamos retirando dele a

aposentadoria especial.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Um

momento. Ele fica estimulado a buscar maior vencimento, maior

contribuição pecuniária em atividade que não é de professor. Vai ser

uma corrida, uma disputa entre os docentes para ver quem sai da sala

de aula; não para ver quem fica, porque os cargos em comissão ...

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Que tem cargos

limitados, limitadíssimos, Excelência.


O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) - Mas,

Ministro, nós temos de ter professores em número suficiente para dar

aula na classe e para ser diretor.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Mas

diretor é uma profissão diferente da de professor. Professor é outra

coisa.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Assume o ônus e

ainda tem um prejuízo.

O SENHOR MINISTRO EROS GRAU: - E mais: a escola não

pode ser dirigida por um professor da própria escola; tem de ser

dirigida por um estranho.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Não, O

professor pode. Ele opta: eu quero ser diretor. Muito bem. Vai

ganhar mais como diretor, mas não vai acumular os benefícios da

aposentadoria especial com esse ganho maior. O benefício da

aposentadoria reduzida ele ganha se permanece na sala de aula; mas,

se sai,deixa a sala de aula, seduzido - digamos - por uma

remuneração maior num cargo de direção, muito bem, ele vai ganhar

mais como diretor.


O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Vossa Excelência

está sendo muito materialista!

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Não, que

materialista, Excelência.

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Ele está sendo

realista, Ministro, muito realista.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Eu estou

sendo realista e não quero é esvaziar as salas de aula. Eu quero que

os professores se realizem na sua verdadeira vocação.

Agora, ainda que assim não fosse, ainda que a lei não

padecesse de inconstitucionalidade material, ela padeceria de uma

inconstitucionalidade formal. Por quê? Porque, para fugir da regra

geral da aposentação e fazer jus a uma aposentadoria especial, o

professor só pode ser contemplado por uma lei complementar. E a lei

agora adversada não é complementar.

Lerei para os senhores o § 4º do artigo 40 da

Constituição Federal:
§ 4º - É vedada a adoção de requisitos e critérios
diferenciados para a concessão de aposentadoria aos
abrangidos pelo regime de que trata este artigo,
ressalvados, nos termos definidos em leis
complementares, os casos de servidores:
I- portadores de deficiência;
II - que exerçam atividades de risco;
III - cujas atividades sejam exercidas sob
condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física."

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Mas, Ministro, a

própria Constituição estabeleceu a exceção, porque é expressa quanto

ao professor, ao dispor que a redução é de cinco anos.

O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: As ressalvas, em tal

matéria, ou decorrem de lei complementar, conforme expressa

permissão da Constituição, ou derivam do próprio texto da Lei

Fundamental.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Para outros casos.

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Mas, aí, Ministro,

nós teríamos a possibilidade de o legislador estabelecer outras

formas que não as previstas na Constituição. É exatamente o que

estamos admitindo.
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Mas a premissa dos

que sustentam que também os dirigentes e os técnicos pedagógicos,

professores - com a qualificação de professor -, têm direito a essa

redução é única: ela já está contemplada expressamente no texto

constitucional.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) - No § 5º.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Também no artigo

201, § 8º, quanto à previdência em geral.

A SRA. MINISTRA ELLEN GRACIE - E, a contrario sensu,

Ministro Carlos Britto, se Vossa Excelência me permite, a

Constituição não exige lei complementar para que se retire de

determinados professores a qualificação de professores; professores

que estão exercendo atividades de direção.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - É porque o

direito realmente é como, o mais das vezes, legislado.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Sua Excelência está

adoentado.
O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO - (RELATOR) - Não. É

que o Direito legislado confirma a genialidade de Hans Kelsen: é

quase sempre uma moldura aberta. Ele se vaza - o direito legislado -

numa estrutura de linguagem, que carrega consigo significados, e

Vossas Excelências estão entendendo que há um significado veiculado

pelo § 5º que eu não consigo enxergar. Eu acho que o § 5º do artigo

40 da Constituição Federal é completamente diferente. O que a

Constituição - para mim - quis contemplar, prestigiar, foi o

professor que é professor; não o que é administrador; não o que é

gerente; não o que é gestor.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) - Mas não

é administrador de qualquer coisa, Ministro. Esse é que é o grande

problema. Ele não é administrador de qualquer coisa; se ele fosse

administrador de outro tipo de atividade, tudo bem. Ele é

administrador da carreira típica de professor.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Não. Não é

professor.

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Ele é administrador

da escola. O professor, tal como tinha sido interpretado pelo

próprio Supremo, é sala de aula.


O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - É de

administração escolar. Professor é uma coisa; administração escolar

é outra.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) - E a

escola, o que é?

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - De

administração escolar; professor é uma coisa; administração escolar.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) - Sim, mas

é uma função absolutamente essencial. Noutras palavras, dá-se a quem

é dirigido um benefício, e a quem dirige não se dá.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Mas se dão

outros benefícios até maiores.

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Tanto, Ministro,

que, enquanto vigente essa súmula do Supremo, não tenha dúvida, a

corrida para ser diretor não será pequena. Ninguém se engane.


O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Não é

pequena; é enorme. Nós sabemos disso, porque fomos dirigentes.

Esvaziamos a sala de aula.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE)

Ministro, nós não esvaziamos. Essa é que me parece a questão

fundamental. Nós temos de ter professores em número suficiente para

exercer ambas as atividades ligadas ao magistério. Ambas. Nós temos

de ter professores suficientes para dar aulas; e temos de ter

professores suficientes para exercer a direção das escolas.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Bem, eu

respeito os pontos de vista contrários ao meu, mas permaneço fiel ao

voto que proferi no sentido de julgar procedente a Adin, tanto

material, quanto formalmente. Ou seja, há vício material na lei

adversada, como há vício formal.


AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.772-2 DISTRITO FEDERAL

VOTO

(CONFIRMAÇÃO)

O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Já votei, senhor

Presidente, mas gostaria de insistir no meu voto, data venia,

entendendo que, nas atividades de magistério, compreende-se uma

série de outras atividades e não apenas o trabalho em classe, mas

o preparo das aulas, o atendimento de alunos, o atendimento de

pais, o assessoramento, a coordenação de comissões, mesmo os

cargos de direção.

Se excluirmos aqueles que exercem cargos de direção,

coordenação ou assessoramento, em razão do interesse público,

estaríamos punindo, na verdade, os professores que, em razão do

interesse público, estão assumindo essas funções.

Julgamos em São Paulo, no Tribunal de Justiça, centenas

e centenas de casos em que admitíamos que um professor de carreira

deslocado temporariamente para a Secretaria de Educação, por

exemplo, para ocupar um cargo em comissão pudesse se beneficiar da

aposentadoria especial, tal como estabelece a Constituição.


No Estado de São Paulo, o professor de carreira assume

efetivamente os cargos de direção das escolas públicas; portanto,

não sai da carreira.

É por isso que eu, com o apoio de outros colegas, propus

uma interpretação conforme para assentar que as atividades de

direção de unidade escolar, coordenação e assessoramento

pedagógico também gozam do benefício - na mesma linha do assentado

pelo Ministro Eros Grau -, desde que exercidas por professores.

Essa foi a minha proposta.

A SRA. MINISTRA ELLEN GRACIE - São consideradas as

funções de magistério as exercidas por professores. Já está na

letra do artigo.

O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Mas havia uma

dúvida na interpretação porque se entendeu, na época da discussão,

que eram carreiras de professor.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - É que Vossas

Excelências acham que as funções de magistério vão além da sala de

aula, vão além da ministração de aula. Eu entendo que não.

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Em São Paulo, Ministro

Ricardo Lewandowski, algumas escolas têm os cargos específicos de

diretor exercidos por pedagogos. Naquelas em que há o maior número

de salas de aulas, há inclusive a designação específica do cargo

de diretor.
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.772-2 DISTRITO FEDERAL

VOTO

O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA - Senhor Presidente,

vou acompanhar o Relator e me manter fiel ao precedente da

Corte.
ACÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.772-2 DISTRITO
FEDERAL

VOTO

A Sra. Ministra Ellen Gracie - Sr. Presidente, peço vênia ao


eminente Relator, Ministro Carlos Britto, e aos que o acompanharam para
julgar a ação totalmente improcedente.

Pondero ao Ministro Ricardo Lewandowski, que propôs a


interpretação conforme, que só não acompanho Sua Excelência porque vejo
expresso na letra do artigo ora questionado as funções, funções
inegavelmente de magistério, ou seja, direção de unidade escolar,
coordenação e assessoramento pedagógico:
“Art.67.....................................
(...)
§ 2o... são consideradas funções de
magistério as exercidas por professores... ”

O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski - Vossa


Excelência me permite?

A Sra. Ministra Ellen Gracie - Sim

O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski - Guardei comigo


as anotações que fiz quando julgamos essa questão na assentada anterior,
mas, salvo engano, o § 2o do artigo 67 inclui também “e especialistas em
educação”. Por isso que surgiu uma certa perplexidade.

O Senhor Ministro Cezar Peluso (Presidente) - Fizemos


uma restrição para não compreender os especialistas em educação.
O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski - Exatamente.
Apenas os professores.

O Senhor Ministro Cezar Peluso (Presidente) - Só para


reconhecer a aposentadoria especial aos diretores que sejam professores.

A Sra. Ministra Ellen Gracie - Que sejam professores.


Na realidade, Vossa Excelência estaria extirpando a
expressão “especialistas em educação”?

O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski - Justamente.

A Sra. Ministra Ellen Gracie - Vai ser difícil encontrar um


especialista em educação que não seja professor

O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski - É, estamos


excluindo aqui os especialistas em educação.

O Senhor Ministro Carlos Britto (Relator) - Há especialistas


que nunca entraram em uma sala de aula.

O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski - Pois é. Estamos


excluindo. Por isso que a minha proposta é no sentido da procedência
parcial.

A Sra. Ministra Ellen Gracie - Julgo improcedente a ação.


AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.772-2 DISTRITO FEDERAL

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Senhor Presidente,

fisiologicamente sou míope, mas enxergo a necessidade de conferir à

Constituição Federal a maior concretude possível.

Não posso estabelecer distinção onde o texto

constitucional não distingue. Não posso partir para a exigência de

um instrumental próprio, a normatização, como é a lei complementar,

quando o próprio texto cogita dos fatores indispensáveis a chegar-se

ao exercício do Direito. Há alusão, na Constituição Federal, à

redução do tempo do serviço quanto àqueles que, sendo professores,

exerçam atividade ligada ao magistério. Essa é a premissa do meu

voto. Tem-se o estabelecimento, na própria Carta, da diminuição.

No Brasil, precisamos - e algum dia acordaremos para

essa necessidade - dar ênfase maior à educação. Não podemos, por

isso mesmo, interpretar de forma tímida os preceitos constitucionais

que estão voltados a assegurar aos profissionais do ensino, aos

professores, tratamento diferenciado.

Disse que já não há mais no cenário o que antes se

denominava "Lei do Giz", ou seja, a exigência, para alcançar-se

certo benefício, de ter-se o desenvolvimento da atividade em sala de

aula, no quadro negro.

No caso, os preceitos constitucionais - refiro-me ao §

5º do artigo 40 e ao § 8º do artigo 201 - aludem a atividade de


magistério. E aquele que é deslocado da sala de aula - realmente o

é, mas não há exigência constitucional quanto ao local geográfico da

prestação de serviço - para um cargo de direção ou para uma função

de orientação pedagógica passa a ser verdadeiro coordenador dos

professores. Passa a ter, até mesmo, atividade mais penosa em termos

de desgaste. Por isso não se pode adotar interpretação que acabe por

inibir a aceitação do próprio cargo, já que é sabença geral que os

valores auferidos não são muito diferentes daqueles satisfeitos pelo

fato de se ministrar aulas.

Peço vênia ao relator para reafirmar o que sempre

sustentei neste Plenário sobre a matéria: é preciso avançar; é

preciso dar eficácia aos preceitos constitucionais no que voltados

ao que me referi como tratamento diferenciado - até mesmo

republicano - àqueles que desenvolvem atividades em situação

desgastante.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Só não

aceito o "avançado". Para mim é retrocesso; deixa de prestigiar o

professor que é professor. No mais, tudo bem.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Ministro, aquele que

é deslocado para a orientação pedagógica continua professor, só que

o trabalho desenvolvido é, sob o meu modo de ver, de envergadura

maior do que o trabalho em sala de aula.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR)- Não

continua. Não há envergadura maior do que trabalho em sala de aula,


Excelência. É este o espírito da Constituição: estar em sala de aula

é o máximo.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Como simples

professor, agradeço o elogio que Vossa Excelência me faz!

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE)

Ministro, hoje estamos dando aula a distância, por televisão. Não há

mais sala de aula. Hoje se dá aula pela televisão.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Mas a

pessoa está sentada, falando para um público ouvinte, embora

virtual. É sala de aula virtual.

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Presidente, em

síntese: o que importa é a natureza do serviço, tomado como gênero e

não como espécie, e a qualificação daquele que o desenvolva.

Por isso, peço vênia para acompanhar a divergência.

Assim o faço na interpretação conforme, porque a alusão a

"especialistas em educação" pode viabilizar a inserção de pessoas

diversas, que passariam a ter jus à aposentadoria especial. Hão de

ser, também, professores.


AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.772-2 DISTRITO
FEDERAL

VOTO

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) - Na

verdade, o que a Corte acaba de fazer, se não me engano, é

abrir uma ressalva à Sumula nº 726, que estabelece:

"Para efeito de aposentadoria especial de


professores, não se computa o tempo de serviço
prestado fora da sala de aula, salvo o de
diretor".

Isto é, o professor que exercer o cargo de

diretor terá seu tempo computado.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Tem

que ampliar: salvo o de diretor, coordenador, assessor...

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) - É

só o de diretor, não é?

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Vai

ser restritiva?

O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Não, porque

nós estamos também considerando os coordenadores pedagógicos

e os assessores pedagógicos.
O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) -

Desde que sejam professores?

O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Desde que

sejam professores.

O SENHOR MINISTRO MARCOAURÉLIO - Que tenham

essa qualificação.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) -

Salvo o dediretor, assessor pedagógico e coordenador

pedagógico.

O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Salvo os

professores exercentes de funções de direção de unidade

escolar e de coordenação e de assessoramento pedagógico.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) - Os

professores já estão no início do enunciado da Súmula.

O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Sim.


EXTRATO DE ATA

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.772-2


PROCED.: DISTRITO FEDERAL
RELATOR ORIGINÁRIO : MIN. CARLOS BRITTO
RELATOR PARA O ACÓRDÃO : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI
REQTE.(S): PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA
REQDO.(A/S): PRESIDENTE DA REPÚBLICA
ADV.(A/S): ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO
REQDO.(A/S): CONGRESSO NACIONAL
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO PÚBLICA
NO
ESTADO DO ESPÍRITO SANTO - SINDIUPES
ADV.(A/S): ALEXANDRE ZAMPROGNO E OUTROS
INTDO.(A/S): CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM
EDUCAÇÃO -
CNTE
ADV.(A/S): PAULO LEMGRUBER E OUTROS
INTDO.(A/S): ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INSTITUIÇÕES DE
PREVIDÊNCIA
ESTADUAIS E MUNICIPAIS - ABIPEM
ADV.(A/S): AMAURI GAVIÃO ALMEIDA MARQUES DA SILVA
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS ESPECIALISTAS DE EDUCAÇÃO DO
ENSINO
PÚBLICO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO - SINESP
ADV.(A/S): HORÁCIO LUIZ AUGUSTO DA FONSECA
INTDO.(A/S): CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM
ESTABELECIMENTOS DE EDUCAÇÃO E CULTURA - CNTEEC
ADV.(A/S): FERNANDO PIRES ABRÃO E OUTRO
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS SERVIDORES DO MAGISTÉRIO MUNICIPAL
DE
CURITIBA - SISMMAC
ADV.(A/S): LUDIMAR RAFANHIM
ADV.(A/S): CLÁUDIA MARIA LIMA SCHEIDWEILER
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS PROFESSORES DO ESTADO DO RIO
GRANDE DO
SUL - SINPRO/RS
ADV.(A/S): MEBEL WOLFF SALVADOR E OUTROS
INTDO.(A/S): CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM
ESTABELECIMENTOS DE ENSINO - CONTEE
ADV.(A/S): DELAÍDE ALVES MIRANDA ARANTES E OUTROS
INTDO.(A/S): ASSOCIAÇÃO DOS SUPERVISORES DE EDUCAÇÃO DO
ESTADO DO
RIO GRANDE DO SUL - ASSERS
ADV.(A/S): PATRÍCIA COLLAT BENTO FEIJÓ
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO DE GOIÁS

SINTEGO
ADV.(A/S): REGINA CLÁUDIA DA FONSECA E OUTROS
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS PROFISSIONAIS DO ENSINO PÚBLICO
MUNICIPAL DE SÃO LUÍS - SINDEDUCAÇÃO
ADV.(A/S): ANTÔNIO CARLOS ARAÚJO FERREIRA
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS PROFISSIONAIS EM EDUCAÇÃO NO
ENSINO
MUNICIPAL DE SÃO PAULO - SINPEEM
ADV.(A/S): ANTONIA DELFINA NATH
INTDO.(A/S): CENTRO DO PROFESSORADO PAULISTA - CPP
ADV.(A/S): VERA LÚCIA PINHEIRO CARDOSO DIAS E OUTROS
INTDO.(A/S): UDEMO - SINDICATO DE ESPECIALISTAS DE EDUCAÇÃO
DO
MAGISTÉRIO OFICIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
ADV.(A/S): MARLAN CARLOS DE MELO
INTDO.(A/S): SINDICATO DOS PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS
MUNICIPAIS DE
SÃO PAULO - APROFEM
ADV.(A/S): ANA CRISTINA DE MOURA ACOSTA E OUTRO
INTDO.(A/S): DISTRITO FEDERAL
ADV.(A/S): PGDF - TÚLIO MÁRCIO CUNHA E CRUZ ARANTES
Decisão: Apósos votos do Senhor Ministro
Carlos Britto (relator) e da Senhora Ministra Cármen Lúcia,
que julgavam procedente a ação, e o voto do Senhor Ministro
Ricardo Lewandowski, que a julgava parcialmente procedente,
propondo uma interpretação conforme, que assentava que as
atividades mencionadas de exercício de direção de unidade
escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico
também gozariam do benefício, desde que exercidas por
professores, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros
Grau. Falaram: pela Advocacia-Geral da União, o Ministro José
Antônio Dias Toffoli; pela amicus curiae, Confederação
Nacional dosTrabalhadores em Educação - CNTE, o Dr. Roberto
de Figueiredo Caldas; e, pelos amici curiae, Sindicato dos
Especialistas de Educação do Ensino Público Município de São
Paulo - SINESP e Sindicato de Especialistas de Educação do
Magistério Oficial do Estado de São Paulo - UDEMO, o Dr.
Horácio Luiz Augusto da Fonseca. Ausentes, justificadamente,
a Senhora Ministra Ellen Gracie (Presidente) e os Senhores
Ministros Celso de Mello e Menezes Direito. Presidência do
Senhor Ministro Gilmar Mendes (Vice-Presidente). Plenário,
17.04.2008.

Decisão: O Tribunal, por maioria, julgou


parcialmente procedente a ação, com interpretação conforme
para excluir a aposentadoria especial apenas aos
especialistas em educação, nos termos do voto do Senhor
Ministro Ricardo Lewandowski, que redigirá o acórdão, contra
os votos dos Senhores Ministros Carlos Britto (Relator),
Cármen Lúcia e Joaquim Barbosa, que julgavam procedente a
ação, e da Senhora Ministra Ellen Gracie, que a julgava de
todo improcedente. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso
(Vice-Presidente). Ausentes, justificadamente, porque em
representação do Tribunal no exterior, o Senhor Ministro
Gilmar Mendes (Presidente) e, neste julgamento, o Senhor
Ministro Menezes Direito. Plenário, 29.10.2008.

Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso


(Vice-Presidente). Presentes à sessão os Senhores Ministros
Celso de Mello, Marco Aurélio, Ellen Gracie, Carlos Britto,
Joaquim Barbosa, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia
e Menezes Direito.

Subprocurador-Geral da República, Dr.


Francisco Xavier Pinheiro Filho.

Luiz Tomimatsu
Secretário

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