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FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS


DA ALFABETIZAÇÃO
1

MARÍLIA CARVALHO TELES

FUNDAMENTOS TEÓRICO-
METODOLÓGICOS DA
ALFABETIZAÇÃO

Fonte: https://www.intensivacursos.com.br/cursos/drm-curso-de-fundamentos-teoricos-e-
metodologicos-da-alfabetizacao/

ÁGUA BRANCA-PI
2020
2

Diretor Geral
LeviEdesio
Francisco de Sousa Lima
Carlos Soares

Secretária Acadêmica
Ivânia Pires de
Joselina Sousa
da Silva Oliveira
Costa

Ficha Catalográfica

TELES, Marília Carvalho.

Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização. 1ª ed. Água


Branca; FAS – Cursos de Graduação. 57p.

Bibliografia

1. Pedagogia 2. Educação 3. Título.

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3

Apresentação do curso .....................................................................


05 06
Apresentação da disciplina.................................................06
09
10
UNIDADE 01
08
12
APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA NA ÓTICA 13
PSICO-SOCIOLINGUÍSTICA PARA O PROCESSO 13
16
DE ALFABETIZAÇÃO ESCOLAR
1. Leitura e escrita como relevantes no processo de alfabetização............... 09
ATIVIDADE...........................................................................................................
17
FÓRUM................................................................................................................
17
18
. 19
19
26

UNIDADE 02 28
29

18 MÉTODOS E EXPERIÊNCIAS INOVADORAS PARA O PROCESSO


DE ALFABETIZAÇÃO
35

2. Métodos para Alfabetização.........................................................................19


2.1 As principais metodologias........................................................................20
ATIVIDADE......................................................................................................26 37
FÓRUM........................................................................................................... 26
38
39
42
44
46
48
50
52
54
61
4

UNIDADE 03

27 PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA


ESCRITA NA ALFABETIZAÇÃO
3. Problemas de aprendizagem no processo da aquisição da leitura e
da escrita................................................................................................... 28
ATIVIDADE............................................................................................... 46
FÓRUM..................................................................................................... 46

UNIDADE 04
47 MATERIAIS DIDÁTICOS E SUAS RELEVÂNCIAS PARA O
PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO ESCOLAR
4. Materiais didáticos para a realização do processo de
Alfabetizaçãoescolar......................................................................................48
ATIVIDADE.............................................................................................. 53
FÓRUM.................................................................................................... 53
REFERÊNCIAS....................................................................................... 54
5

A concretização de um curso superior em Pedagogia na modalidade à


distância tem como meta o atendimento às necessidades de toda comunidade
quanto ao acesso e atendimento ao um ensino superior de qualidade. Desse modo,
propõe-se a importância para o curso de Pedagogia numa perspectiva histórico-
cultural, tendo como eixo articulador a interdisciplinaridade e a busca da construção
de um currículo integrador.
As disciplinas pedagógicas que formulam o currículo foram moldadas para
uma sociedade cujo princípio da qualidade torna-se prioridade a partir da relação
teoria-prática de um trabalho docente de qualidade que procure satisfazer as
necessidades de aprendizagem, enriquecendo as experiências do educando no
processo educativo.
É dentro desta ideia que o curso de Pedagogia da FAS na modalidade à
distância constitui-se de uma base comum formada pelos conhecimentos de
ciências humanas aliadas a tecnologia, de uma parte diversificada com uma
ampliação dos fundamentos na leitura do fazer pedagógico dentro da escola e da
sociedade e uma parte complementar com o objetivo de trabalhar os problemas
educativos da realidade educacional em vista a qualificação do professor com novas
formas de intervenções como aplicações de ferramentas metodológicas.
A FAS tem como recurso didático-educacional o uso de materiais como
apostilas/livros, plataformas virtuais, internet, vídeos e principalmente um excelente
sistema de acompanhamento à distância através de tutores e monitores. É válido
salutar que este curso otimiza sempre seus resultados pelas experiências existentes
e atendem a ampla procura de profissionais da área educacional.
Os profissionais da área da educação serão orientados a sempre desenvolver
a capacidade de intervenção científica e técnica assegurando a reflexão critica
permanente sobre sua prática e realidade educacional historicamente
contextualizada. O que espera deste docente é sua capacidade de (re) construir seu
projeto pessoal e profissional a partir da compreensão da realidade histórica e
profissional diante das políticas que direcionam as práticas educativas na sociedade.
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A disciplina de Fundamentos teórico-metodológicos da Alfabrtização destina-


se a estudantes da área da licenciatura sendo fundamental para o mecanismo que
orienta e acompanha o processo educativo, tornando-se inevitável a reflexão sobre a
o processo de alfabetização e letramento escolar dos educandos.
Assim, observemos todas as óticas aglutinadas neste campo tão complexo
que é o da educação quando dirigimos as orientações teóricas e metodológicas que
servirão como base para conduzi-lo ao conhecimento acerca das questões e
debates que envolvem esta língua, não esquecendo de problematizar o tema e
possibilitar uma visão ampla dos diversos aspectos relacionados ao processo de
ensino-aprendizagem desta.
O processo de letramento e também de alfabetização deve ser peculiar
quando se trata do quão relevante é ensinar e fazer a aprendizagem acontecer, ou
seja, é dinâmico usar toda uma didática para a construção desse processo sob ótica
de todos àqueles envolvidos na arte de ensinar.
Assim, desejo-lhes bons estudos!

Marília Carvalho Teles


Licenciada em Pedagogia
Mestre em Ciências da Educação
Especialista em Docência do Ensino Superior,
Psicopedagogia, AEE, Libras, Supervisão escolar.
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UNIDADE 01
Aprendizagem da leitura e
da escrita na ótica psico-
sociolinguística para o
processo de Alfabetização
Escolar

Fonte http://www.alfaletrar.org.br/aprendizagem-inicial-da-escrita
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
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1. Leitura e escrita como relevantes no processo de alfabetização

A leitura está presente em nosso cotidiano. As letras e palavras estão


presentes em embalagens de alimentos que consumimos, placas de trânsito, nas
fachadas de lojas etc. Vivemos em um mundo letrado. Entretanto, por ser rodeada
de distintas representações no que tange as técnicas presentes na escrita, à
alfabetização nesta óptica configura-se como um desafio que assombra muitos
educadores. (AUGUSTO, 2011).
A leitura e a escrita são as formas de linguagem mais avaliadas pela escola.
Elas são o fundamento para a avaliação escolar. Ambas implicam em um duplo
sistema simbólico, pois permitem transcrever um equivalente visual em um
equivalente auditivo, ou o contrário. A leitura envolve uma síntese; surge como um
sistema simbólico secundário alicerçado em um primeiro sistema simbólico, a
linguagem falada, que por sua vez depende da linguagem interior. A relação entre a
palavra escrita e o sistema simbólico de significação é uma operação cognitiva que
envolve processos específicos como a codificação, decodificação, percepção,
memória, transdução, atribuição de significado. (ZUCULOTO, 2001, p. 22).
Alfabetização e letramento são processos distintos que se complementam,
antes de aprender a escrever é necessário aprender a ler. Sendo assim, é ambos
são importantes para o processo de ensino-aprendizagem da leitura e escrita. A
alfabetização na perspectiva do letramento inclui uma segunda dimensão, a da
inserção do aprendiz nas práticas de leitura e escrita. Tal dimensão é que pode
garantir que as crianças, os jovens e os adultos do campo consigam fazer uso real
da leitura e da escrita, em seu cotidiano, nas diferentes situações políticas e sociais.
No decorrer do processo de alfabetização é imprescindível que as crianças
entrem em contato, manipulem, utilizem e criem diferentes textos, que circulem em
sua comunidade de maneira não simulada e que tenham sentido para elas. É
importante que compreendam os objetivos dos diferentes gêneros textuais e suas
características particulares. Ao realizar atividades que envolvam a reflexão sobre
estes aspectos, possibilitamos que as crianças elevem seu nível de letramento e
possam fazer o uso efetivo da língua escrita em diferentes contextos sociais.
(BRASIL, 2012b, p.21).
Devemos considerar a leitura como um importante processo pelo qual
compreendemos a linguagem escrita. Quando lemos desenvolvemos nossa
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
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capacidade de decodificar, interpretar e refletir sobre o que estamos lendo, tirando


dúvidas e elaborando conclusões.

Fonte: http://www.redesagradosul.com.br/noticias/ler-e-viajar-so-com-os-
olhos-e-a-imaginacao

O ato de ler é um processo abrangente e complexo; é um processo de


compreensão, de intelecção de mundo que envolve uma característica essencial e
singular ao homem: a sua capacidade simbólica e de interação com o outro pela
mediação da palavra. Da palavra enquanto signo, variável e flexível, marcado pela
mobilidade que lhe confere o contexto. Contexto entendido não só no sentido mais
restrito de situação imediata de produção do discurso, mas naquele sentido que
enraíza histórica e socialmente o homem. (BRANDÂO e MICHELETTI, 2007, p.17)
Ferreiro (1995, p.10) revela que “a escrita pode ser considerada como
uma representação da linguagem ou como um código de transcrição gráfica das
unidades sonoras”. A função social da escrita era muito mais restrita e a informação
muito menos acessível, por outros meios que não a escola. Atualmente, os
portadores de texto são diversificados e sua compreensão exige capacidades de
pensamento com outros enfoques. (SCHWARTZ, 2008, p.3).
A escrita faz parte do cotidiano e pode ser percebida de várias maneiras, por
exemplo, letreiros de ônibus, placas de transito, fachadas de lojas e etc. O fato de
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
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não saber ler em algumas situações pode ser comparado à falta do sentido d visão,
isto é, quem não sabe ler é como se fosse um cego.
A escrita é muito essencial em nossa vida. Podemos observar que na cidade
ou no campo a escrita muda à vida dos indivíduos, e ela encontra-se não só em
atividades escolares, mas também em outras como, por exemplo, lista de compras,
assinatura de documentos etc.
Pereira & Calsa (2007, p. 1602) dizem que:

A escrita exige o desenvolvimento de habilidades específicas e um esforço


intelectual proporcionalmente superior às aprendizagens anteriores da
criança. Na escrita ocorre à comunicação por meio de códigos que variam
de acordo com a cultura, e sua aprendizagem se dá pela realização da
cópia, do ditado e na escrita espontânea.

Ao escrever a criança precisa ter noção de espacialidade para representar as


letras no papel, para adequá-las em tamanho e forma ao espaço de que se dispõe,
por isso destaca-se que é fundamental a escola oferecer a criança subsídios
indispensável para que ela vivencie situações que estimulem o desenvolvimento dos
conceitos psicomotores.
São muitos os desafios que vivenciamos nos últimos anos na busca da
garantia de uma escola democrática, em que todos os alunos tenham acesso a uma
educação de qualidade. Aprender a ler e escrever é um direito de todos, que precisa
ser garantido por meio de uma prática educativa baseada em princípios relacionados
a uma escola inclusiva. (BRASIL, 2012, p. 05).
Alfabetização e letramento são processos distintos e definir claramente esses
termos é extremamente relevante. A compreensão destes termos depende dos
resultados de alfabetização obtidos em sala de aula, pois somente isso permitirá ao
professor avaliar qual a melhor metodologia de ensino que lhe ajudará a alcançar os
objetivos almejados. (MENDONÇA, 2011).
Ribeiro (2005, p. 73) destaca que: “As crianças com dificuldades de leitura e
de escrita encontram-se frequentemente em desvantagem em todas as áreas
curriculares, o que por vezes leva à existência de repercussões intransponíveis. ”
Para Lerner (2002) ensinar a ler e escrever configura-se como um vasto
dilema que ultrapassa amplamente a alfabetização em sentido estrito. A escrita
conforme a autora é uma herança cultural, porém o ato de ler e escrever na escola
não são uma atividade apreciada pelos alunos.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
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Entretanto, fazer o que é necessário em relação ao ensino da leitura e escrita


na escola é um desafio a ser superado. Alfabetizar crianças, jovens ou adultos é
uma tarefa complexa, mas pode, e esperamos que seja, prazerosa. É possível, sim,
aprender a escrever e ler por meio de brincadeiras, por meio de reflexão, por meio
de um trabalho solidário. Há que se perceber, no entanto, que isso não significa
dizer que as aprendizagens são simples ou que são fáceis, ou que não exigem
esforço do aprendiz. (BRASIL, 2012a, p.13).

Fonte: https://blog.dentrodahistoria.com.br/educacao/alfabetizacao-e-leitura/8-formas-ensinar-o-
alfabeto-de-forma-ludica/

Lerner (2002) relata que é necessário à escola possibilitar aos alunos a


apropriação da escrita e de suas práticas sociais para assim, poder incorporá-los a
comunidade de leitores e escritores. A escrita não é um produto escolar, mas sim um
objeto cultural, resultado do esforço coletivo da humanidade. (...). Imersa em um
mundo onde há a presença de sistemas simbólicos socialmente elaborados, a
criança procura compreender a natureza destas marcas especiais. (FERREIRO,
1995, p.43).
Deve-se ater ao fato de que as dificuldades de ensinar a ler e escrever existe,
porém tem-se que burlar tais empecilhos para oferecer ao educando uma
aprendizagem condizente com suas necessidades e que o permita usar a leitura e a
escrita em seu cotidiano.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
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O letramento como nos explica Kleiman (2005) não é um método pedagógico,


mas ele auxilia a imersão do aluno no mundo da escrita, a autora nos alerta também
que a definição de letramento causa confusões e interpretações equivocadas. De
fato, o letramento ocorre não somente na escola, mas também se encontra fora
dela, além disso, os objetivos se diferem, na escola o letramento visa o
desenvolvimento de competências e habilidades que podem ser ou não relevantes
para os alunos, fora da escola o letramento tem objetivos sociais relevantes para
aqueles que participam do processo.
É importante destacar também que a participação da família no processo de
alfabetização da criança desempenha um importante papel, pois essa participação
estimula o desenvolvimento cognitivo das crianças. Em sala de aula há uma grande
diversidade cultural e social entre os alunos e isso exige dos professores estratégias
diferentes de ensino de forma a tornar a prática eficiente para todos os alunos.
(MEDINA-PAPST & MARQUES, 2010).
Nesse sentido pode-se perceber que quanto maior o número de experiências
da criança nos diferentes níveis melhor é a capacidade da mesma para aprender e
se adaptar aos programas escolares. A aprendizagem depende da experiência e dos
estímulos que cerca a criança, por isso deve-se levar em conta que a participação
da família é importante para os alunos que estão em processo de letramento.
Em relação ao letramento escolar Kleiman (2005) nos explica que é um
conjunto de atividades que visam o desenvolvimento de estratégias de leitura e
escrita. Todos os recursos que podem ser utilizados para ensinar decodificação
podem ser considerados como práticas de letramento. No que diz respeito ao ensino
da língua escrita todo método utilizado pelo professor desde que seja adequado
pode ser um instrumento importante no processo de letramento.
Não há como negar que na prática docente todo professor precisa ter um
método de ensino, porém não é necessário como alega Kleiman (2005) transformar
toda novidade cientifica em método, pois o professor tem que acreditar em seu
próprio potencial e conhecimento.
Letramento e alfabetização estão associados e há maneiras distintas de
compreender essa relação. Sobre a questão da prática alfabetizadora é papel do
professor elaborar atividades de alfabetização e é dever dos alunos com a
orientação do professor realizar as atividades que lhe foi proposta.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
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O objetivo da alfabetização é promover nas crianças a aprendizagem do


sistema da língua escrita. Em outras práticas de letramento é possível aprender
apenas observando os outros fazendo, já na prática de alfabetização é necessário à
mediação do professor.
As estratégias de leitura dependem do contexto e das situações envolvidas,
Kleiman (2005) alega que há diversas formas de ler e interpretar textos ou uma
anotação qualquer isso vai depender do contexto em que a leitura está inserida. Ao
fazer uma anotação o leitor destaca apenas o que ele considera importante, a autora
nos mostra o exemplo de um casal formado por uma dentista que lê jornal para se
informar e um professor de língua portuguesa que lê jornal para fins didáticos.
Assim como a leitura, a escrita também tem funções distintas que também
depende da situação. No ensino da leitura e da escrita os métodos utilizados devem
ser adequados. Kleiman (2005) também nos chama atenção em relação à leitura de
jornal que de acordo com ela, o deve-se supor que o leitor já seja alfabetizado, pois
para ler jornal é preciso ter alguns conhecimentos prévios, como por exemplo, o que
é e qual é a função da manchete.
Conforme Weisz (2002) as crianças provenientes de camadas populares por
não terem geralmente acesso a um ambiente letrado apresentam desvantagens em
relação ao aprendizado da leitura e escrita ao contrário daquelas que por
conviverem em um ambiente rico de estímulos relacionados à alfabetização e o
letramento tem mais facilidade de aprender a ler e escrever.
Todavia é preciso levar em conta que alfabetizar exige uma responsabilidade
por parte do alfabetizador que deve lançar mão de métodos eficientes nos quais
contribuam efetivamente com o processo de aprendizagem de seus alfabetizandos.
(MENDONÇA, 2009). Além de saber expressar-se por meio da escrita é necessário
dar oportunidade para o aluno expressar-se oralmente.
Falar e pensar são práticas centrais para aprendizagem do
letramento/literacia, como ler e escrever. Contrariando o desenvolvimento natural, a
criança precisa do suporte e mediação do adulto, que é coparticipante do processo
do letramento/literacia.( KISHIMOTO, 2010, p. 26).
Em relação à produção textual em sala de aula Mendonça (2009) afirma que
a produção de texto deve iniciar-se junto com o processo de alfabetização e tudo
que a criança produzir nesse período deve ser elogiado, fazendo com que ela sinta-
se valorizada e tenha vontade de escrever sempre mais.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
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A leitura e a produção de diferentes textos são tarefas imprescindíveis para a


formação de pessoas letradas. No entanto, é importante que, na escola, os
contextos de leitura e produção levem em consideração os usos e funções do
gênero em questão. É preciso ler e produzir textos diferentes para atender a
finalidades diferenciadas, a fim de que superemos o ler e a escrever para apenas
aprender a ler e a escrever. (ALBUQUERQUE, 2007, p. 20).
O ensino da leitura e escrita está ligado à alfabetização. Compreende-se o
ensino de alfabetização como um processo complexo e árduo que exige uma
metodologia eficaz e que contribua com o processo de aprendizagem dos alunos.
Neste sentido, o uso do método sociolinguístico justifica-se pelo fato de que essa
metodologia ao focar a escrita e o conhecimento de mundo trabalha com a realidade
do aluno permitindo com que ele por meio da codificação e da descodificação
desenvolva sua consciência crítica. (MENDONÇA, 2009).
É de extrema relevância ressaltar que ao levar em conta que codificação e a
descodificação exercem um papel importante no processo de alfabetização do aluno
o professor proporciona-os o desenvolvimento do senso crítico e da oralidade,
contribuindo para sua socialização.
O aluno que tem a oportunidade de aprender a codificar e descodificar é
capaz de agir com autonomia, confiança e segurança. Sobre a oralidade é
importante destacar que quando se trabalha com a oralidade em sala de aula o
professor possibilita ao seu aluno a internalizarão dos conteúdos estudados por
meio da fala.
Nesta perspectiva entende-se que a alfabetização deve ser minuciosamente
planejada com o objetivo de proporcionar ao alfabetizando uma aprendizagem
significativa que o faça refletir criticamente sobre sua realidade. Deste modo, o
alfabetizador deve ter explicitamente claro quais são os conteúdos que almeja que o
aluno aprenda para ter capacidade de organizar suas estratégias com a finalidade
de contribuir com o processo de aprendizagem dos seus alunos. (MENDONÇA,
2011).
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
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O método sociolinguístico além de valorizar o desenvolvimento da


consciência crítica e de conhecimento de mundo, enfatizando a valorização do
diálogo em sala de aula. De acordo com esse método o diálogo permite a interação
entre professor/aluno e aluno/aluno. É por meio dessa interação que ocorre a
aquisição de conhecimentos.

DICA DE VÍDEO: Método Sociolinguístico de


Alfabetização. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=BsrGTdTW
EDY

É relevante destacar que o letramento ocorre não somente na escola, mas


também se encontra fora dela, além disso, os objetivos se diferem, na escola o
letramento visa o desenvolvimento de competências e habilidades que podem ser ou
não relevantes para os alunos, fora da escola o letramento tem objetivos sociais
relevantes para aqueles que participam do processo. Também é importante destacar
que a participação da família no processo de alfabetização da criança desempenha
um importante papel, pois essa participação estimula o desenvolvimento cognitivo
das crianças.
Desse modo, a partir do presente exposto percebe-se que o ensino e o
aprendizado da leitura e escrita são processos indissociáveis e complexos,
entretanto, a modernidade juntamente com os avanços tecnológicos nos mostra que
aprender a ler e escrever representa um marco importantíssimo na história da
humanidade. Neste sentido, vivemos numa cultura cada vez mais letrada e
dependente do uso da leitura e escrita. Infelizmente, alguns usuários das redes
sociais, por exemplo, não percebem que estes atos desempenham um papel
significativo em suas vidas.
Em suma, ensinar/ aprender a ler e escrever como já foi mencionado
anteriormente são processos complexos e que necessita indiscutivelmente da
participação de todos os envolvidos com a educação. Assim como, os professores,
os pais também podem contribuir de alguma forma com este feito, ainda que não
seja alfabetizado o apoio e o incentivo dos pais é primordial para que as crianças
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
17

possam sentir-se motivadas a aprender os elementos presentes no mundo da leitura


e escrita.

1. Descreva a importância de o docente compreender a diferença entre alfabetizar e


letrar.

Deve ser considerado que os desafios são muitos para a


escola e seus colaboradores, mas os resultados obtidos com
o esforço garantem a todos os envolvidos a sensação de um
trabalho demorado, mas bem feito. Relate como a equipe
escolar, bem como os docentes podem estar melhor
engajados no processo de alfabetização, não deixando de
lado a preocupação com a qualidade no ensino.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
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UNIDADE 02
Métodos e experiências
inovadoras para o
processo de
Alfabetização

Fonte: https://novosalunos.com.br/a-importancia-da-inovacao-no-ensino-e-aprendizagem-
dos-alunos/
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
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2. Métodos para Alfabetização

O mundo em que vivemos se transforma em uma velocidade muito superior à


do sistema de educação tradicional. Por essa razão, o desafio de propor formas de
aprendizado efetivas para as próximas gerações aumenta mais e mais a cada dia.
Já que não sabemos exatamente o que o amanhã nos reserva, como preparar os
jovens para os desafios do desconhecido?
Na prática, o entendimento é de que modelos de educação mais flexíveis têm
mais condições de assimilar mudanças quando comparados a formatos rígidos.
Afinal, como verificamos ao longo da história da humanidade, a capacidade de
adaptação e de superação de adversidades garantem a continuidade da nossa
existência.
É frente a essa realidade que cabe a nós questionar: qual é a tarefa da escola
hoje? Pensando nisso, reunimos aqui algumas iniciativas que buscam repensar o
papel dessa instituição, considerada o alicerce de qualquer sociedade, assim como
os processos de inovação no ensino. Nesse caso, ao contrário do que acontece nos
modelos educacionais conservadores, os alunos são agentes ativos em sua própria
formação.
Por definição, a inovação é o processo que busca tornar nossas vidas
melhores. Ela cria recursos que nos afetam nos mais diversos aspectos, alterando a
maneira como nos comunicamos, aprendemos e pensamos. E isso,
consequentemente, modifica nossa visão sobre o mundo.
Muitas escolas acreditam que apenas levar computadores e outros
dispositivos eletrônicos para a sala de aula já está de bom tamanho em matéria de
inovação. Contudo, muito além de simplesmente incluir a tecnologia no dia a dia dos
estudantes, é preciso inovar nos recursos pedagógicos, de maneira a fazer com que
se dê, de fato, um passo à frente na educação dos alunos.
Uma série de dispositivos e serviços impulsionados pela tecnologia estão
revendo os limites de quem consegue aproveitá-los. Segundo James Flynn, filósofo
e pesquisador da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, os índices de QI
(Quociente de Inteligência) nunca foram tão altos mundo afora. Para o estudioso,
isso está diretamente relacionado aos inegáveis avanços na educação. Apesar
disso, ainda não somos capazes de solucionar aqueles que continuam sendo os
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
20

grandes desafios do século XXI, como a desigualdade, a inacessibilidade à água


potável e as mudanças climáticas.
A revolução para a qual devemos trabalhar, antes de mais nada, é a social.
Nisso está fundada a necessidade de uma educação que amplie o entendimento dos
estudantes sobre o mundo, dialogando com a tecnologia e os avanços na ciência.
Tudo isso sem deixar de investir na humanização e na ampliação individual da
consciência.
Considerando um futuro cenário de economia compartilhada, os estudantes
devem aprender a ser mais proativos e persistentes, além de cada vez mais aptos a
abraçar riscos. Afinal, as carreiras mais promissoras serão aquelas criadas pelas
pessoas e para as pessoas. Uma educação inovadora deve promover o diálogo
entre as necessidades da sociedade que nos cerca e as possibilidades tecnológicas
para resolver problemas.

2.1 As principais metodologias

Alguns métodos que já se consolidaram em escolas de Pedagogia em todo o


mundo têm atingido resultados satisfatórios para uma educação mais inovadora em
nosso país. Vamos conhecer brevemente alguns deles?

 Método Pestalozzi
No método Pestalozzi, acredita-se que, no lugar de dar as respostas prontas
para os alunos, é preciso encorajá-los a descobri-las por si mesmos. Isso
ajuda os estudantes a aprenderem a observar, imaginar, julgar e raciocinar de
forma autônoma.

 Método Montessoriano
Criado por Maria Montessori, o método entende que é a curiosidade natural
da criança que a leva a aprender, desde que ela esteja em um ambiente
satisfatoriamente instigante. Por isso, o espaço é preparado de forma que a
criança tenha fácil acesso a livros, brinquedos e outras ferramentas
pedagógicas, a fim de também incentivá-la a preservar a ordem.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
21

Essa prática, que é um dos pilares do método, tem por objetivo colocar em
exercício a autonomia do ser em formação, razão por que também aposta na
realização de trabalhos manuais e privilegia experiências de contato concreto
com a realidade aos conceitos abstratos.

 Método Harkness
O método Harkness transforma a sala de aula em um espaço de conferência,
proporcionando a interação. Os estudantes se sentam em volta de uma mesa
circular, configuração que desperta neles a responsabilidade e o gosto por
compartilhar suas descobertas com os colegas. Trata-se de uma alternativa
às cadeiras enfileiradas, estimulando o pensamento crítico e o senso de
coletividade.

 A inovação na prática
Quais são os desafios impostos pelas novas gerações para as salas de aula?
Continuamos a ouvir o eco dessa pergunta, não é mesmo? No Brasil,
algumas escolas já propõem respostas ideais para remodelar a educação,
fornecendo ferramentas para que os estudantes integrem processos
inovadores e adaptem seu modo de agir em um futuro repleto de desafios.

 Redefinição das regras


A ideia é confiar no senso de responsabilidade das crianças, para assim
cuidarem de si mesmas e aprenderem com os próprios erros. O experimento,
conduzido por universidades locais, deu certo! Foram registrados menos
acidentes, menos casos de vandalismo e bullying. Isso sem contar que a
concentração das crianças nas aulas aumentou, bem como a vontade de irem
à escola.

 Reorganização dos espaços


Na escola, os estudantes recebem apostilas com roteiros de pesquisa e cada
um escolhe a ordem que deseja seguir. Até o final do ano, todas as atividades
que constam no roteiro devem ser cumpridas. Os alunos podem fazer
pesquisas na biblioteca, na sala de informática ou nos livros didáticos
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
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distribuídos pelo salão. Assim, mesmo que estejam em um mesmo grupo, não
estão necessariamente no mesmo roteiro de pesquisa. De toda forma, com
essa disposição, eles aprendem a trabalhar em equipe, desenvolvendo assim
o espírito de colaboração.

 Aprendizado dentro e fora de sala


Os grandes pensadores da educação seguem nos ensinando que aprender é
um processo em que a sala de aula é o mundo! Nesse sentido, o
conhecimento teórico deve servir como base para conceber e desenvolver
soluções práticas para problemas que fazem parte do cotidiano.
Especialmente hoje, em que dispositivos que cabem em nossas mãos abrem
janelas para um universo múltiplo, a concepção de que a figura do professor
(e, por extensão, a da escola) centraliza o saber está completamente
superada.
 A arte também assume um papel relevante na formação dos alunos da
escola, sendo exercida em oficinas de sapateado, música, escultura, pintura,
circo e teatro. As humanidades são trabalhadas em oficinas de leitura e
escrita, abordando atualidades e projetos de conhecimento para desenvolver
a autonomia do aluno. Por fim, o cuidado com o corpo também é tratado
como essencial, fazendo com que os alunos aprendam a ter uma vida mais
saudável em aulas de judô, culinária, xadrez e futebol.

 Os passos para chegar lá


Em comparação aos novos e híbridos métodos de aprendizagem, fica difícil
ignorar a ineficácia da tradicional equação quadro de giz + aulas expositivas,
que persistiu por centenas e centenas de anos. Como vimos nas experiências
de várias instituições, o relacionamento interpessoal vem crescendo em
importância no processo educativo, os limites da autoridade estão sendo
flexibilizados e o lúdico deixou de ser visto como sinônimo de perda de
tempo, indisciplina ou anarquia. Com base nesses e outros exemplos, quais
ferramentas, condutas e processos podem ser usados para inovar no ensino?
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
23

 Flexibilidade de horários
Horários flexíveis permitem que o ensino seja organizado de forma mais
dinâmica, respeitando os diferentes relógios biológicos dos alunos. Assim, a
escola pode oferecer a cada ao estudante o direito de escolher em que
horário quer iniciar sua jornada de estudo, conforme seu tipo de rendimento,
por exemplo.

 Aprendizado e observação
O que os modelos de educação consolidados defendem é que o professor
conduza as lições sem dar espaço para que os estudantes emitam suas
opiniões, imprimam seu ritmo de aprendizado e desenvolvam suas próprias
habilidades. Já vimos que, nesse aspecto, o método Montessoriano investe
em um espaço para que as crianças tenham todas as condições para
protagonizar seu aprendizado, enquanto o professor observa o progresso.

 Personalização da grade
É comum que os blocos convencionais de disciplinas não funcionem para
certos tipos de aluno, especialmente quando apresentam dificuldade na
matéria. Às sextas-feiras flexíveis, instituídas em algumas escolas dos
Estados Unidos, permitem que uma disciplina seja abordada durante todo o
dia.
 Nesses dias, os professores ajudam os estudantes a estudar e identificar
suas dificuldades, desenvolvendo o foco. Muitos professores acreditam ser
mais fácil ensinar certos conteúdos por meio de uma abordagem mais
personalizada. Em algumas unidades de ensino, os estudantes chegam a
passar uma semana inteira em uma só disciplina, o que pode otimizar sua
curva de aprendizado e aumentar seu grau de familiaridade com determinado
conteúdo.

 Documentários e vídeos educativos


Os usos de vídeos educacionais durante as lições têm transformado o nível
de engajamento dos estudantes, criando uma experiência de aprendizado
muito melhor ao deixarem os estudantes mais concentrados e motivados. Isso
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
24

acontece porque existem conexões entre as habilidades de retenção de


informações, o conhecimento armazenado na memória e os conteúdos
visuais. Além disso, os alunos são transportados para o universo do tópico
discutido, o que estimula os insights e a conexão com conhecimentos prévios
que podem contribuir para a discussão em grupo.

 Investimento em pesquisa
Aplicar questões abertas ajuda os estudantes a agirem como verdadeiros
repórteres, investigando em busca de novos conhecimentos, que originam
novas perguntas. Motivá-los a explorar a realidade em que vivem faz com que
se sintam menos intimidados diante dos desafios reais. Uma excelente
estratégia é usar dados reais, que façam diretamente parte da realidade do
aluno, em detrimento de inventar exemplos a serem resolvidos. Além disso, é
importante transformar os estudantes em sujeitos ativos, criadores, que
possam se envolver na geração de novos conhecimentos e soluções.

 Foco em um projeto por vez


Nos métodos educacionais tradicionais, o aprendizado depende de lições
individuais e múltiplos projetos. Contudo, focar em um único projeto possibilita
que o estudante reúna conhecimentos na forma de questões direcionadas e
avaliações do problema.

 Elos entre os conhecimentos


No currículo tradicional, os estudantes vão de um conteúdo ao outro muitas
vezes sem estabelecer conexões com as habilidades e os conhecimentos
previamente adquiridos — inclusive, os de outras áreas. Uma proposta para
tornar esse processo mais natural e espontâneo é ajudá-los a construir
pontes entre os saberes, ressaltando as relações entre eles. Dessa forma, o
aluno é provocado a desenvolver uma perspectiva mais ampla sobre o que
aprende, e, logo, pensar de forma mais crítica.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
25

 Valorização do trabalho em grupo


No lugar de priorizar o trabalho individual, propor um problema que todos os
alunos possam resolver em conjunto é uma ação inovadora em educação.
Assim, o conhecimento individual contribui para a resolução colaborativa.

 Reposicionamento do professor
O professor deve deixar seu papel de especialista onisciente para abraçar o
de facilitador. Assim, deve ajudar a trazer novos conhecimentos, de forma
que os alunos possam construir o saber em conjunto. Ele é responsável pelo
método que aplica e deve se preocupar em criar técnicas e explorar recursos
diferentes para ensinar. Em outras palavras: se o professor é a ponte até o
conhecimento, só o aluno é quem pode percorrê-la.

 Crescimento com os erros


Ao invés de um ambiente rígido, em que erros são penalizados com dureza, a
sala de aula deve ser um espaço aberto para a experimentação. O desafio do
marshmallow é, hoje, uma das atividades mais aplicadas em cursos e oficinas
de empreendedorismo. Ele mostra a importância de se construir protótipos
para aprender com os erros no início do projeto.
 A inovação no ensino se alinha às capacidades extraordinárias que as
crianças têm de inovar. São habilidades que, na maioria das vezes, são
desestimuladas em escolas rígidas, que desencorajam os alunos a se
relacionarem com seus contextos e a pensarem em soluções para os
problemas que vivem. Os caminhos para a inovação, como vimos, são vários.
É necessário que as escolas abram suas portas e mentes à comunidade para
uma gestão colaborativa, propondo-se à reinvenção constante.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
26

1. Significado de inovar tem propriedades curiosas e importantes para se


alcançar determinados objetivos. Quando se trata de processo de ensino e
aprendizagem, como podemos defini-lo?

Enfatize pontos que qualificam o ensino sob a ótica de autores


mencionados neste capítulo.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
27

UNIDADE 03
Problemas de
aprendizagem da leitura
e da escrita na
Alfabetização

Fonte: https://www.trabalhosescolares.net/dificuldade-de-aprendizagem-na-leitura-e-na-
escrita/
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
28

3. Problemas de aprendizagem no processo da aquisição da leitura


e da escrita

As dificuldades de aprendizagem é um assunto que tem sido discutido, pois a


escola não tem dado conta de umas das suas funções primordiais que é a acesso
ao conhecimento científico, no caso dessa pesquisa, da leitura e da escrita. Apesar
de as legislações (Constituição Federal, ECA, LDB 9394/96, dentre outras)
apararem o ingresso e a permanência de todos na escola, o que se constata é que,
muitos alunos não foram excluídos fisicamente das escolas, todavia são excluídos
do conhecimento que a escola oferece.
Dessa forma a escola não tem cumprido a tarefa de transmitir os conteúdos
historicamente produzidos e socialmente necessários aos seus alunos. O fracasso
escolar tem sido estudado sob diferentes enfoques. Houve período em que suas
causas foram atribuídas especialmente aos fatores extra-escolares. A família e as
condições de vida material dos alunos eram apontadas como a causa.
Posteriormente, atribuíram-se as causas do fracasso às questões biológicas (fome,
desnutrição) e culturais.
Acreditava-se que o indivíduo oriundo de meio pobre, sem acesso a uma boa
alimentação e aos bens culturais fracassariam na escola. Moisés e Colares (1996)
apresentam teses em que desmistificam a nutrição como fator de fracasso escolar.
Corroboramos com a ideia de que várias causas interferem na aprendizagem dos
alunos. Destacamos os fatores extraescolares e extraescolares, tais como o ensino
inadequado feito por meio de currículos obsoletos, falta de motivação e fatores
socioeconômicos e culturais. Outros fatores são os biológicos e psicológicos, isto é,
causas relacionadas ao desenvolvimento biológico e psicológico, tais como a falta
de percepção, atenção, memória ou requisitos básicos para a elaboração do
conhecimento escolar.
O fracasso escolar, ou insucesso escolar, mais especificamente a dificuldade
na elaboração da leitura e da escrita tem preocupado os educadores, pesquisadores
e pais. Apesar das inúmeras discussões, constatamos, por meio de pesquisas que
grande parte dos alunos que estudam na segunda e terceira séries do ensino básico
não elaboraram a leitura e a escrita. Muitos desses alunos são encaminhados para a
sala de recursos, apesar de não terem qualquer deficiência ou distúrbio de
aprendizagem (SHIMAZAKI, 2007).
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
29

Fonte: https://educandonovasgeracoes.wordpress.com/2015/08/18/fracasso-
escolar-ou-problemas-de-aprendizagem-reflexao-com-os-seres-da-nova-era/

De acordo com as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na


Educação Básica, a sala de recursos é um serviço de apoio pedagógico
especializado, que o sistema educacional oferece para assegurar a educação aos
alunos com necessidades educacionais especiais, no ensino regular e realiza
atendimento complementar às necessidades especiais em sala de recursos, provida
de material e equipamentos adequados na própria escola ou, em outra escola, sob
orientação de professor especializado.
Para Freire (1980) alfabetização é o desenvolvimento de consciência crítica e
um dos instrumentos primordiais para a emancipação do homem. É um processo
que se faz por meio de uma prática social, intencional e planejada. Luria (1988, p.
84) afirma que a escrita da criança começa muito antes da primeira vez que o
professor coloca um lápis em sua mão, e é preciso que o professor considere tais
habilidades, pois “se formos estabelecer a pré-história da escrita, teremos adquirido
um importante instrumento para os professores: o conhecimento daquilo que a
criança era capaz de fazer antes de entrar na escola. ” Os rabiscos podem mostrar
algo mais que simples garatujas. As posições de um rabisco, a sua posição e a
relação com outros rabiscos permitem a criança recordar o que havia registrado.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
30

Luria (1988) verificou que os atributos quantidade, tamanho e cor, quando


utilizados em sentenças ditadas às crianças, conduzem à pictografia e tem efeito de
traços de verdadeira escrita. O desenho antecede à escrita propriamente dita, pois
esse é o limite entre a pictografia e a escrita por signos. Ensina-se a desenhar letras
e construir palavras com ela, mas não se ensina a linguagem escrita. Enfatiza-se a
mecânica de ler o que está escrito. A compreensão da linguagem escrita é efetuada,
primeiramente, por meio da linguagem falada; mas essa via é reduzida, abreviada, e
a linguagem falada desaparece como elo intermediário. A linguagem escrita adquire
o caráter de simbolismo direto, passando a ser percebida da mesma maneira que a
linguagem falada. A linguagem escrita e a capacidade de ler, transformam o
desenvolvimento cultural do homem, por meio delas podemos tomar ciência de tudo
que os gênios da humanidade criarem no universo da escrita.
A escrita deve ter significado para a criança. Deve ser despertada nela e ser
incorporada a uma tarefa necessária e relevante à vida, como uma forma nova e
complexa de linguagem. O escrever pode ser “cultivado” e não ser “imposto”. Com o
referencial diferente dos estudos de Luria, Ferreiro e Teberosky (1986), realizaram
investigações científicas e constataram que a criança é capaz de reconstruir o
código linguístico e refletir sobre a escrita.
Desenvolveram os trabalhos sobre as hipóteses de pensamento que a
criança pode apresentar a respeito da linguagem escrita. Essas pesquisas não
propõem uma “nova pedagogia” ou um “novo método”, deixam claro que o que leva
o aprendiz à reconstrução do código linguístico, não é o cumprimento de uma série
de tarefas ou o conhecimento das letras e das sílabas, mas uma compreensão do
funcionamento do código escrito. Ferreiro e Teberosky (1986), que se fundamentam
na história da escrita, afirmavam que, para construir a escrita o indivíduo passava
por níveis que são denominados de denominavam de pré-silábico, silábico, silábico-
alfabético e alfabético. O primeiro nível é quando o pensamento faz as passagens
pelas fases icônica, de grafismo primitivo, uso de letra, onde estabelece a
quantidade mínima ou máxima, sem diferenciação de uma palavra para outra.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
31

Fonte: http://jottaclub.com/tag/pre-silabico-silabico-silabico-alfabetico-e-alfabetico/

No nível silábico, ao escrever, o indivíduo coloca uma letra para cada sílaba e
não uma letra para cada fonema. Na fase silábico-alfabética, passa a escrever ora
silabicamente, ora alfabeticamente. Na fase alfabética, as letras componentes das
sílabas passam a corresponder à base alfabética dos sistemas fonológico e gráfico
da língua, na qual o indivíduo se alfabetiza (SHIMAZAKI, 2006). Embora o
construtivismo não proponha uma prática pedagógica, sua contribuição é essencial
para que o educador repense todo o processo de ensino e aprendizagem da
linguagem e o funcionamento do código.
Conhecendo os diversos níveis conceituais linguísticos da criança, é possível
criar as atividades para que ela possa desestruturar a sua concepção e construir o
conhecimento da base alfabética da escrita. A teoria histórico e cultural vem sendo
desenvolvida a partir dos estudos de Vygotsky e seus seguidores. As pesquisas de
Vygotsky (1986) e alguns percussores sobre aquisição de linguagem como fator
histórico e social, enfatizam a importância da interação e da informação linguística
para a construção do conhecimento.
O centro do trabalho passa a ser, então, o uso e a funcionalidade da
linguagem, o discurso e as condições de produção. O papel do professor é o de
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
32

mediador, e facilitador, que interage com os alunos através da linguagem num


processo dialógico. Vygotsky (1989) buscava uma solução científica para os
problemas do ensino inicial da língua escrita e, neste sentido, deixou algumas
recomendações. Acreditava ser necessário que as letras se convertessem em
elementos da vida das crianças tal como o é a linguagem, ressaltando que do
mesmo modo que as crianças aprendem a falar, devem aprender a ler e a escrever.
Em suas conclusões práticas, o autor entende que para levar o aluno a uma
compreensão interna da língua escrita, é preciso organizar um plano.
Assim, ao expressar-se pelo desenho, a criança pode chegar a perceber num
determinado momento que este não lhe é suficiente. A alfabetização pressupõe o
aprendizado do código e a sua utilização social, portanto, não é somente um
processo de aquisição de habilidade de forma mecânica, mas alfabetizar é
compreender, criticar, interpretar e produzir conhecimento. A leitura e a escrita em
um indivíduo ajuda na promoção social, possibilitando a construção de novos
conhecimentos e acesso aos bens materiais e culturais que a sociedade tem
acumulado.
Corroboramos com as ideias de Freire que a alfabetização é um fator
propulsor do exercício consciente da cidadania e do desenvolvimento da sociedade
como um todo. Portanto, é preciso pensar em letramento. Letramento para Soares
(2001) é o resultado da ação de ensinar e aprender, as práticas sociais da leitura e
escrita; o estado ou condição que adquire um grupo social ou um indivíduo; como
consequência de deter-se apropriado da escrita e de suas práticas sociais.
Concordamos com as ideias de Scribner e Cole (1984) de que letramento é
um conjunto de práticas socialmente organizado que usa um sistema de símbolos e
tecnologia para a sua produção e reprodução. Não se refere somente ao saber ler e
escrever, mas aplicar o conhecimento de leitura e escrita para um fim específico e
em um contexto específico de uso. Portanto, a alfabetização é uma das formas de
letramento. Castillo (1999) aponta que para que a criança faça uso da leitura e
escrita é necessário que se desenvolva algumas habilidades, tais como:
discriminação visual; discriminação auditiva; memória visual e auditiva; coordenação
motora; coordenação motora fina; conhecimento do esquema corporal; orientação
espacial; atenção seletiva; domínio da linguagem oral; diferenciação entre letras e
outros símbolos; cópia de modelos e memorização de relatos curtos, canções
infantis, versos de rima fácil.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
33

Ao constatar a necessidade de aprofundarmos nos temas, leitura e escrita,


mais especificamente as suas dificuldades propomo-nos o desenvolvimento da
presente pesquisa que objetiva estudar em alunos apontados como com dificuldade
na leitura e escrita, as suas causas.
Quando se reflete sobre dificuldade de aprendizagem, refere-se sobre
algumas questões de a pessoa realizar determinadas atividades. Acredita-se que
quando o aluno está em fase de alfabetização, é preciso ele conhecer a estrutura da
escrita, sua organização e seus princípios que contém a relação da escrita e
oralidade para que assim possa aprender e desenvolver sua aprendizagem.
Contudo, existem professores que ainda não estão aptos para receber esses
alunos e compreender algumas dificuldades e assim trabalham de uma forma
tradicional que não proporciona nenhum interesse para eles.
Para que os nossos alunos tenham um bom desenvolvimento em seu
processo de aprendizagem é de suma importância que o educador oportunize os
mesmos a estarem envolvidas nas mais variadas atividades que precisam ser
realizadas. Muitas vezes, o educador utiliza muito material em suas aulas, mas deixa
os alunos utilizando-os sem dar nenhuma explicação. É preciso que ele esteja
sempre o orientando e desta forma, haverá um progresso na aprendizagem dessas
crianças.
Inúmeras vezes encontramos crianças que falam bem, compreendem
múltiplas combinações simbólicas, mas apresenta dificuldades para entender, ou
mesmo produzir símbolos escritos. Muitos são inteligentes, capazes, criativos e
excelentes em se comunicar, mas, possuem mentes dispersas e impulsos para não
permanecerem parados em um só lugar e quase sempre deixam uma brincadeira no
meio ou não concluem as lições que tão bem começaram. Outras se destacam com
uma inteligência superior em muitas coisas, mas, parece não ter sucesso. Todos
esses alunos possuem em comum dificuldade de aprendizagem, isto é, problemas
neurológicos que afetam a capacidade do cérebro de entender, recordar,
desenvolver as habilidades de ler e escrever. Por isso, este artigo visa contribuir e
aprofundar os conhecimentos teóricos sobre o tema dificuldade de aprendizagem no
processo de alfabetização.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
34

Fonte: http://pedagogiasimples.blogspot.com/2011/03/dificuldades-
de-aprendizagem-no.html

Quando observamos essas dificuldades, percebemos o quanto elas


interferem com o mundo natural e social da criança, fazendo com que as mesmas
percam o interesse pela escola, desenvolvendo a insegurança e o senso de baixa
autoestima. É nesse momento que o educador precisa saber como trabalhar com
cada dificuldade de aprendizagem que ele encontra em sua trajetória profissional,
buscando diversas estratégias, usando dinâmicas interessantes que possam garantir
um avanço no desenvolvimento dessas crianças.
Quando o aluno apresenta uma dificuldade na aprendizagem é preciso que
ele seja encaminhado para o profissional adequado para que ele trabalhe em cima
desse problema, porque se o aluno não ter um acompanhamento correto,
consequentemente, não terá rendimento algum. O aluno com dificuldade em
aprender, precisa estudar numa turma normal e ser bem acolhido.
A metodologia do professor com os alunos também trará grandes avanços na
aprendizagem à medida que ele se dedica pela causa a qual assumiu, tendo sempre
compromisso e amor e os belos frutos serão colhidos. A alfabetização é um
processo de construção de significado do mundo e que está interligado ao
letramento, isto é, podemos ensinar as crianças a ler, a conhecer os sons que as
letras representam e, ao mesmo tempo, incentivá-los a participarem da aventura do
conhecimento implícita no ato de ler.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
35

De acordo com Ferreiro, Teberosky (1999), “as crianças se apropriam da


leitura e da escrita mesmo quando ainda não as fazem convencionalmente”. Nessa
perspectiva, as crianças aprendem naturalmente no meio em que vivem, através de
estímulos visuais, sonoros. A leitura está presente na vida cotidiana sempre
buscando compreensão e significados para o mundo. Para Paulo Freire (2000, p.5),
“leitura boa é a leitura que nos empurra para a vida, que nos leva para dentro do
mundo, que nos interessa a viver”.
Para que a criança desperte sua curiosidade pela leitura é preciso que o
educador faça sempre leituras interessantes e atividades que favoreçam a
participação das mesmas, possibilitando-as uma compreensão sobre o significado
das palavras. Isso só ocorrerá realmente por intermédio das práticas de
alfabetização que estimulam a leitura e a escrita, levando-os ao prazer de estarem
sempre lendo e desta forma aprender a escrever com autonomia.
Segundo o Referencial curricular nacional para educação infantil (1998, p.
151):
Diz-se que um ambiente é alfabetizador quando promove um conjunto de
situações de usos reais de leitura e escrita nas quais as crianças tem a
oportunidade de participar. Se os adultos com quem as crianças convivem
utilizam a escrita no seu cotidiano e oferecem a elas a oportunidade de
presenciar e participar de diversos atos de leitura e de escrita, elas podem,
desde cedo, pensar sobre a língua e seus usos, construindo ideias sobre
como se lê e como se escreve.

Portanto, o processo de alfabetização só ocorrerá quando o aluno souber ler,


escrever, interpretar e elaborar produções de textos simples ou complexos com
eficiência e qualidade. Esse processo tem início na alfabetização e estende-se por
toda vida. E para que esse processo realmente aconteça os alunos necessitam de
mediadores que venham contribuir através de um trabalho interativo, contextualizado
e bem planejado. Não basta apenas a criança apropriar-se do código escrito, mas
fazer uso da leitura e da escrita no cotidiano, apropriando-se da função social
dessas duas práticas.
Sabe-se que muitas vezes a criança não está conseguindo dominar as
habilidades de leitura e escrita e culpa-se a família e/ou a falta de interesse dos
mesmos, mas, é preciso que o professor quando perceber que determinados alunos
não estão avançando na aprendizagem, buscar subsídios para que estes problemas
sejam solucionados. Também, torna-se relevante o educador se autoavaliar,
examinado sua prática pedagógica, pois muitas vezes o aluno é rotulado como
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
36

alguém que não “aprende nunca”, causando sérios constrangimentos e traumas em


sua vida.
As crianças que apresentam realmente dificuldades em aprender, precisam
ser acompanhadas pelo profissional responsável nessa área que é o
psicopedagogo, pois, através do diagnóstico que ele fará, dependendo do problema
observado, ele saberá o melhor caminho a percorrer para que essas crianças
possam avançar em suas aprendizagens.
Sobre dificuldades de aprendizagem, o conceito de dificuldades de
aprendizagem remete-se também as necessidades educacionais especiais, mas
também aos maiores recursos educacionais necessários para atender essas
necessidades e evitar maiores complicações. Ao falar de dificuldade de
aprendizagem e evitar a terminologia da deficiência a ênfase situa-se na escola, na
resposta educacional.
De acordo com Grigorenko; Ternemberg (2003 p.29):

Dificuldade de aprendizagem significa um distúrbio em um ou mais


processos psicológicos básicos envolvidos no entendimento ou no uso da
linguagem, falada ou escrita, que pode se manifestar em uma aptidão
imperfeita para ouvir, pensar, falar, ler, escrever, soletrar ou realizar cálculos
matemáticos.

Frequentemente são identificadas crianças dentre as que frequentam a


escola, aquelas que, por alguma razão, não conseguem cumprir de modo
satisfatório as expectativas da escola e dos pais. Habitualmente, os familiares ou
responsáveis por estas crianças são orientadas no sentido de procurar um
profissional a fim de que este possa diagnosticar o “problema da criança” com o
objetivo de corrigir ou sanar as dificuldades presentes, pois, se essas crianças não
tiverem um acompanhamento adequado não terão rendimento escolar satisfatório.
Muitas vezes a criança apresenta alguma dificuldade na aprendizagem e a
família não mostra nenhum interesse em ajudá-la, deixando que a escola se
encarregue de encontrar a solução. Sabemos que é de grande importância que a
escola receba esses alunos, mas é também preciso que a família colabore no
sentido de ajudá-los em relação a formação da criança, bem como é responsável
por modelar e programar o comportamento e a identidade do indivíduo.
É preciso que a família acompanhe de perto a vida escolar dos filhos. Os pais
não podem pensar que todos os problemas de aprendizagem dos filhos é obrigação
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
37

somente da escola resolvê-los. É papel dos pais, estarem sempre acompanhando


todo processo de formação de seus filhos, dedicando-se ao máximo, propiciando
momentos de cumplicidade, amor e atenção. O vínculo afetivo da família
desempenha um papel importante no desenvolvimento da criança.
Observamos que diversas vezes, os próprios pais cometem erros gravíssimos
quando se referem aos filhos que apresentam alguma deficiência na aprendizagem,
dizendo: “ele não tem jeito, não aprende nunca”. Isso muitas vezes é a causa das
crianças não aprenderem mesmo, devido os traumas causados dentro da própria
casa.

Fonte: https://www.infancia.com.br/blogs/news/124324483-erros-cometidos-
pelos-pais-na-educacao-de-seus-filhos

Não existe criança que não aprenda. Ela sempre aprenderá alguma coisa,
umas de modo mais rápido, outras mais lentamente, mais a aprendizagem
certamente se processará, independentemente da via neurológica usada, mas
utilizando-se associações infalíveis, baseada em uma vertente básica: ambiente
adequado + estímulo + motivação. Talvez seja a chave que procuramos para
encaminhar os distúrbios de aprendizagem e as dificuldades de escolaridade.
(CIASCA, 2004).
Nessa perspectiva, entende-se que toda criança tem a capacidade de
aprender, mesmo que tenha problemas neurológicos, dependendo da maneira como
ela receber as informações, algo com certeza vão ficar registrados em sua mente.
Em relação a essa abordagem, torna-se de grande relevância o papel do professor
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
38

que precisa estar se capacitando constantemente, tanto em prol de sua formação


como em saber atuar frente aos desafios de sua profissão.
Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses fazeres se
encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino, continuo buscando,
reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago.
Pesquiso para constatar, constatando, intervindo, intervindo educo e me educo.
Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a
novidade. (FREIRE, 2004, p.29).
O professor tem um papel importante no desenvolvimento do educando,
cabendo a ele, perceber as dificuldades dos alunos, ajudando e incentivando para
que eles não se sintam fracassados, achando que nunca vão conseguir aprender.
Algumas crianças por diversas razões, não chegam a desenvolver habilidades
comunicativas por meio da fala, como, por exemplo, crianças com deficiência
auditiva, algumas portadoras de paralisia cerebral, autistas etc. Nesses casos, a
inclusão dessas crianças nas atividades regulares favorece o desenvolvimento de
várias capacidades, como a sociabilidade, a comunicação, entre outras. Convém
salientar que existem certos procedimentos que favorecem a aquisição de sistemas
alternativos de linguagem, como a que é feita por meio de sinais, por exemplo, mas
que requerem um conhecimento especializado.
Cabe ao professor uma ação no cotidiano, visando à integração de todas as
crianças no grupo. As crianças com problemas auditivos criam recursos variados
para se fazerem entender. O professor, deve também buscar diferentes
possibilidades para entender e falar com elas, valorizando várias formas de
expressão. Além da inclusão em classes regulares, as crianças portadoras de
necessidades especiais deverão ter paralelamente um atendimento especializado.
Ensinar e aprender são processos lentos, individuais e estruturados. Quando
esses processos não se completam, por alguma falha ou falta, interna ou externa,
surgem os distúrbios e as dificuldades de aprendizagem que levam a criança não só
à desmotivação, mas ao desgaste e à reprovação social. A criança se transforma
num rótulo dentro da escola, perturba pais e professores que passam a buscar, a
partir daí, todo e qualquer tipo de solução na tentativa de descobrir causas,
classificá-las e, se possível, entender de forma objetiva um quadro que, apesar de
não se mostrar claro, sugere uma perturbação, e implica em prejuízo contínuo em
uma fase da vida extremamente importante, o início da escolarização.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
39

Sobre as caudas das dificuldades de aprendizagem, é notável que os fatores


sociais sejam determinantes na manutenção dos problemas de aprendizagem, e
entre eles o ambiente escolar e o contexto familiar são os principais componentes
desses fatores. Quanto ao ambiente escolar, é necessário verificar a motivação e a
capacitação da equipe de educadores, a qualidade da relação professor-aluno-
família, a proposta pedagógica, e o grau de exigência da escola, que, muitas vezes,
está preocupada com a competitividade e põe de lado a criatividade de seus alunos.
Em relação ao ambiente familiar, famílias com alto nível sociocultural podem
negar a existência de dificuldades escolares da criança. Há também casos em que a
família apresenta um nível de exigência muito alto, com a visão voltada para os
resultados obtidos, podendo desenvolver na criança um grau de ansiedade que não
permite uma evolução no processo de aprendizagem.

Fonte: https://neurosaber.com.br/o-que-sao-transtornos-de-aprendizagem/

A real etiologia dos transtornos de aprendizagem ainda não foi esclarecida


pelos cientistas, embora existam algumas hipóteses sobre suas causas. Sabe-se
que sua etiologia é multifatorial, porém, ainda são necessárias pesquisas para
melhor identificar e elucidar essa questão. O desenvolvimento cerebral do feto é um
fator importante que contribui para o processo de aquisição, conexão e atribuição de
significado às informações, ou seja, da aprendizagem. Dessa forma, qualquer fator
que possa alterar o desenvolvimento cerebral do feto, facilita o surgimento de um
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
40

quadro de transtorno de aprendizagem, que possivelmente só será identificado


quando acriança necessita expressar suas habilidades intelectuais na fase escolar.
Com relação aos transtornos de aprendizagem, pesquisas científicas sobre
distúrbios de aprendizagem são relativamente recentes e ganharam relevância a
partir dos anos 1980. Ainda existem testes padronizados mundialmente para
diagnosticá-los embora haja referências importantes. Com isso, é difícil encontrar
crianças com diagnóstico fechado de outros transtornos, além dos mais conhecidos
como dislexia e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).
Tanto o CID-10, como o DSM-IV apresentam basicamente três tipos de
transtornos específicos: o transtorno da leitura, o transtorno da matemática, e o
transtorno da expressão escrita. A caracterização geral destes transtornos não difere
muito entre os dois manuais.

Distúrbio de leitura e de escrita: é uma nomenclatura genérica, utilizada para


definir as alterações que impedem ou dificultam a aquisição e continuidade do
processo de leitura e escrita, variando segundo a etiologia e sintomatologia
podem apresentar-se de muitas formas como:

“Distúrbio da escrita: são distúrbios neurológicos que afetam especificamente


a produção da escrita e podem aparecer de maneira isolada ou combinados a outras
patologias, como dislexia” (JARDIM, 2003, P. 28)
Essa dificuldade ocorre no processo de leitura, escrita, soletração e ortografia.
Isso não significa que todos os problemas da fala, leitura e escrita possam ser
associados à dislexia. A dislexia independe de causas intelectuais, emocionais e
culturais. “Há uma discrepância inesperada entre seu potencial para aprender e seu
desempenho escolar”. (JARDIM, 2003, p. 36). Isso quer dizer que, apesar de
condições adequadas para a aprendizagem, capacidade cognitiva apropriada e
oportunidade sociocultural a criança disléxica falha no processo da linguagem.
A língua alfabética é fundamentada na relação grafema/fonema. Os
disléxicos, ao exibirem representações fonológicas mal especificadas, adotam um
modelo diferente de decodificar ou representar os atributos falados das palavras.
“Portanto, essa falta de sensibilidade fonológica inibe a aprendizagem dos padrões
de codificação alfabética subjacentes ao reconhecimento fluente de palavras”.
(FRANÇA,2006, p. 169). Isso quer dizer que a criança reconhece a letra, mas não
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
41

consegue associar ao som. Desta forma, a leitura fica prejudicada e,


paulatinamente, ocorrem outros problemas na realização de tarefas que exigem
memória fonológica.
A dislexia normalmente é hereditária. Estudos mostram que dislexos possuem
pelo menos um familiar próximo com dificuldade na aprendizagem da leitura e
escrita. Esse transtorno envolve percepção, memória e análise visual.
O dislexo geralmente demonstra insegurança e baixa autoestima, sentindo-se
triste e culpado. Muitos se recusam a realizar atividades com medo de mostrar os
erros e repetir o fracasso. Com isso criam um vínculo negativo com a aprendizagem,
podendo apresentar atitude agressiva com professores e colegas.

Distúrbio da matemática: O distúrbio da matemática é conhecido como


discalculia. Esse distúrbio não afeta as habilidades básicas da matemática como
contagem, e sim, as atividades que exigem raciocínio. Esse distúrbio vem sempre
em junção com outros, como o da leitura e da escrita.

O distúrbio na matemática caracteriza-se da seguinte forma (Sanchez, 2004,


p.177): “A capacidade matemática para a realização de operações aritméticas,
cálculo e raciocínio matemático, capacidade intelectual e nível de escolaridade do
indivíduo não atinja a média esperada para sua idade cronológica”.
As dificuldades da capacidade matemática apresentada pelo indivíduo trazem
prejuízos significativos em tarefas da vida diária que exigem tal habilidade. Em caso
de presença de algum déficit sensorial, as dificuldades matemáticas ultrapassem
aquelas que geralmente está associada.
Diversas habilidades podem estar prejudicadas nesse transtorno, como as
habilidades linguísticas (compreensão e nomeação de termos, operações ou
conceitos matemáticos e transposição de problemas escritos ou aritméticos, ou
agrupamentos de objetos em conjuntos), de atenção (copiar números ou cifras,
observar sinais de operação) e matemáticas (dar sequência a etapas matemáticas,
contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação).
Observa-se, pelo exposto, que as dificuldades de aprendizagem em
matemática podem ser diversas e que não existe uma forma única de solucioná-las
em função de suas peculiaridades. Todavia, conhecer essas dificuldades
possibilitará aos profissionais da educação, condições de melhor analisar o
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
42

desempenho de seus alunos a fim de propor alternativas para conduzir o trabalho


pedagógico com eles.
O Transtorno da expressão escrita não se trata apenas de uma dificuldade na
caligrafia ou ortografia, ao contrário trata-se de um transtorno que engloba desde a
competência de elaborar um texto até a ausência de uma boa escrita e de tudo que
está ligado a mesma. Este transtorno de escrita é algo que ainda não há um
tratamento específico, pois, sabe-se pouco sobre o tratamento. No entanto, há
alguns critérios que podem evidenciar o transtorno e que podem auxiliar no
diagnóstico. Uma criança com esse transtorno possui habilidades na escrita inferior
às outras crianças de sua série ou faixa etária, tal dificuldade influencia em
atividade.
Dentro da escola, a participação do psicopedagogo com suas experiências de
intervenção junto ao professor, num processo de parceria, possibilita uma
aprendizagem muito importante e enriquecedora, principalmente se os professores
forem especialistas na área. Não só a sua intervenção junto ao professor é positiva,
também com a participação efetiva dos pais nas reuniões, esclarecendo o
desenvolvimento de seus filhos na escola, bem como acompanhando e sugerindo
atividades, buscando estratégias e apoio necessário para cada criança com
dificuldade.
Segundo Bossa (1994, p.23), (...) “cabe ao psicopedagogo perceber eventuais
perturbações no processo aprendizagem, participar da dinâmica da comunidade
educativa, favorecendo a integração, promovendo orientações metodológicas de
acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo, realizando
processos de orientação”.
A intervenção psicopedagógica possibilita o acompanhamento do trabalho
junto aos professores, visando à solução de problemas de aprendizagem. É preciso
que ele faça um diagnóstico, ou seja, um processo que se realiza numa atitude
investigadora, até a intervenção. É importante que essa investigação prossiga
durante todo o trabalho com o objetivo de observação ou acompanhamento da
evolução do sujeito. No diagnóstico psicopedagógico “as perturbações na leitura e
escrita expressam uma mensagem” (FERNANDES, 1991 p.43). Para a autora as
dificuldades na leitura e escrita requerem uma atenção rebuscada pelo fato do não
aprender desencadear omissões, negações, desinteresse e até mesmo aversão pela
escola. Segundo Weiss (2001, p.97):
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
43

É preciso resgatar, desde o diagnóstico, o hábito de ler com satisfação e


compreensão daquilo que se propõe a ler abrangendo capacidades
desenvolvidas no processo de alfabetização que habilita o aluno a
participação ativa nas práticas sociais e na contribuição da sua
aprendizagem.

Quando diagnosticada, a criança passa primeiramente por um longo caminho


de busca, que começa em postos de saúde e chega à rede terciária de atendimento
ou a consultórios particulares, sempre procurando um substrato que justifique o fato
de não aprender. Nesses serviços, as crianças são submetidas a uma série de
exames clínicos, psicológicos, oftalmológicos, neurológicos e pediátricos, entre
outros, cuja conclusão em sua grande maioria, é pela a não constatação de
anormalidades que justifiquem o problema escolar.
Tendo a escola um papel fundamental na vida de cada estudante, é preciso
perceber tais dificuldades na aprendizagem. Ficou constatado através desse estudo,
que trabalhar com dificuldades de aprendizagem constitui um verdadeiro desafio que
a cada passo mostra outros tantos a serem desenvolvido, tal foi à abrangência e a
complexidade de desenvolver este tema através das contribuições de vários
teóricos.
Grande parte da dificuldade em definir, conceituar e avaliar os problemas de
aprendizagem surge basicamente da necessidade de diferenciar aquilo que é
considerado como distúrbio de aprendizagem. As dificuldades ocorrem por diversos
fatores, por utilização de metodologia não adequada e não atualizadas, muitas
vezes devido à prática do educador que se prendem a métodos tradicionais,
ensinando por meio de repetição e cópias de palavras que não tem nenhum
significado para o aprendiz.
Muitas vezes, as dificuldades de aprendizagem são de origem intelectual,
emocional, incluindo-se dificuldade de relacionamento professor e aluno, no qual o
papel do mesmo é fundamental para que ocorra a aprendizagem. Geralmente,
quando o aluno tem um bom relacionamento com o professor, o aprendizado ocorre
com facilidade. Cabe ao professor, ter um olhar observador para detectar quando
um aluno não aprende, recorrendo a novas metodologias, procurando dar maior
atenção para que o mesmo consiga atingir os objetivos propostos.
Após a tentativa de utilizar vários recursos para reverter o problema e, ainda
assim, o aluno apresentar dificuldades, deverá ser acompanhado para uma
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
44

avaliação do psicopedagogo que deverá promover o diagnóstico e descobrir se a


causa é de ordem metodológica ou se é caso de distúrbio de aprendizagem, que são
de ordens neurológicas, psicológicas ou fonoaudiológicas, sendo assim, esse aluno
deverá receber um tratamento com profissional específico.
Verificou-se também que a participação do psicopedagogo nesse processo é
de grande relevância, pois, o mesmo realiza um papel fundamental na escola,
ajudando as crianças em seu processo de desenvolvimento intelectual, fazendo o
diagnóstico psicopedagógico. A atuação do psicopedagogo compreende então, os
processos de desenvolvimento e os caminhos da aprendizagem. Compreende o
aluno de maneira interdisciplinar, buscando apoio em várias áreas do conhecimento
e analisando a aprendizagem no contexto escolar, familiar e no aspecto afetivo,
cognitivo e biológico fazendo as intervenções necessárias para a evolução de
aprendizagem das mesmas.

Fonte: https://neurosaber.com.br/atuacao-psicopedagogo-no-disturbio-de-
aprendizagem/
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
45

Desse modo, o problema na aprendizagem pode ser enquadrado como um


sintoma e não como um quadro permanente. Há várias hipóteses para justificar o
não-aprender, dependendo do significado que tem para cada um. Para uns, a
aprendizagem é gratificada com o carinho dos pais, para outros, este mesmo
carinho só vem se a criança não aprende. As dificuldades de aprendizagem podem
ocorrer em determinadas áreas do conhecimento. Há alunos com verdadeiro talento
na arte, na dança, na música, no esporte ou em outra habilidade e apresentam
dificuldades na leitura, escrita ou nos cálculos. Cada ser humano é singular e
apresenta características diferenciadas.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
46

1. Conceitue transtorno e distúrbio de aprendizagem, observando suas diferenças e


semelhanças.

Que relevância um professor pode ter em reabilitar seu perfil,


uma vez que o mesmo deva se preocupar em atender alunos
com dificuldades plurais?
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
47

UNIDADE 04
Materiais didáticos e
suas relevâncias para o
processo de
alfabetização escolar

Fonte: http://oficinasdealfabetizacao.blogspot.com/2017/02/pesquisa-sobre-jogos-e-
materiais.html
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
48

4. Materiais didáticos para a realização do processo de


alfabetização escolar

O processo de ensino e aprendizagem e os materiais didáticos O presente


trabalho se insere no contexto de estudos realizados numa perspectiva de que o
profissional professor é de extrema importância para o futuro da nossa sociedade.
Desta forma, depende de sua formação didática o modo ou modelo operativo que
utilizará na construção de sua prática nos processos que utiliza para a organização
das situações de aprendizagem dos alunos, percebendo-se assim, a importância da
Didática.
Consideramos em primeiro lugar, que o processo de ensino – objeto de
estudo da Didática – não pode ser tratado como atividade restrita ao espaço de sala
de aula. O trabalho docente é uma das modalidades específicas da prática educativa
mais ampla que ocorre na sociedade. Para compreendermos a importância do
ensino na formação humana, é preciso considerá-lo no conjunto das tarefas
educativas exigidas pela vida em sociedade. A ciência que investiga a teoria e
prática da educação nos seus vínculos com a prática social global é a Pedagogia.
Sendo a Didática uma disciplina que estuda os objetivos, os conteúdos, os meios e
as condições do processo de ensino tendo em vista finalidades educacionais, que
são sempre sociais, ela se fundamenta na Pedagogia; é, assim, uma disciplina
pedagógica (LIBÂNEO, 1994, p.15-16).
De maneira geral, a didática é uma área de aplicação da pedagogia cujo
objetivo fundamental é ocupar-se, conforme Perrenoud (2000, p.14), do estudo da
organização e direção de situações de aprendizagem. Isso implica no estudo de
estratégias de ensino, questões relativas a metodologias de ensino situado em um
espaço educativo complexo. Assim, conforme Anastasiou e Alves (2004) surgiu o
termo ensinagem, que indica a superação da visão fragmentada do processo de
ensino e aprendizagem, pois essa é uma “prática social complexa efetivada entre os
sujeitos, professor e aluno, englobando tanto a ação de ensinar quanto a de
aprender em um processo contratual de parceria deliberada e consciente para o
enfrentamento na construção do conhecimento escolar, decorrente de ações
efetivadas na sala de aula e fora dela”.
Pode-se dizer que ela funciona como elemento transformador da teoria na
prática. A didática se correlaciona com um certo número de variáveis que são a sua
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
49

moldura (sistematicamente compreendida) a posição relacional dos sujeitos em


didática, os saberes, as características dos destinatários, a eficácia dos
instrumentos, bem como todas as ulteriores variáveis das modalidades relacionais e
comunicativas (IORI, 2004, p. 28).
Segundo Candau (1984), na atualidade a perspectiva fundamental da didática
é assumir a multifuncionalidade do processo de ensino-aprendizagem e articular
suas três dimensões: técnica, humana e político-social no centro configurador de
sua temática. O papel da Didática na formação de professores foi também estudado
por Cipriano Luckesi (1991), e alguns conceitos que seguem são um resumo de seu
pensamento sobre o tema.
A didática, para assumir um papel significativo na formação do educador, não
poderá reduzir e dedicar-se somente ao ensino de meios e mecanismos pelos quais
desenvolve um processo de ensino-aprendizagem. E sim, deverá ser um modo
crítico de desenvolver uma prática educativa forjadora de um projeto histórico, que
não será feito tão somente pelo educador, mas, por ele conjuntamente com o
educando e outros membros dos diversos setores da sociedade.
A didática deve servir como mecanismo de tradução prática, no exercício
educativo, de decisões filosóficas, políticas e epistemológicas de um projeto histórico
de desenvolvimento do povo. Ao exercer seu papel específico estará apresentando-
se como o mecanismo tradutor de posturas teóricas em práticas educativas. Assim,
segundo Candau (1984), a didática ao longo da história foi desenvolvida de modo
linear em suas dimensões técnica, humanista e político social. Para ingressar no
paradigma da didática fundamental ela deve reafirmar essas suas três dimensões
tendo como possibilidade de desenvolver-se em sentido dialético e conjunto entre
suas dimensões constitutivas. Desta forma, não se trata de negar a dimensão
técnica, mas aliar está à dimensão humana e político-social.
Segundo Garcia (1994), no desenvolvimento profissional de professores
deve-se considerar que estes são também pessoas. Assim, nesta pesquisa,
considera-se como elemento importante a dimensão da subjetividade, pois, não
basta considerar a existência ou inexistência de princípios teóricos e práticos da
ação docente, bem como os contextos históricos nos quais se configuraram e se
desenvolvem. Precisa-se considerar que os professores possuem condições de
desenvolverem seus próprios significados a respeito dos processos de
desenvolvimento profissional. Além disso, compreende-se que o foco dos processos
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
50

de organização, planejamento e desenvolvimento de materiais didáticos devem estar


pautados sobre a compreensão da aprendizagem humana. Esta é um fenômeno que
decorre de como o sujeito apreende o mundo que o cerca. Por isso, a aprendizagem
é humana e social, mas se processa nos indivíduos de modo diferente em virtude
dos modos pelos quais as experiências humanas são vividas nos contextos
educacionais (PAIN, 1985).
Para essa autora, a aprendizagem humana se processa por meio de códigos,
sinais. Ou seja, os professores, no processo de organização das aprendizagens
para os alunos são mediadores de sinais, de símbolos, de códigos, por isso, os
materiais didáticos seriam os portadores de códigos ou ainda os facilitares dos
códigos a serem apropriados pelos alunos. Desta forma, não são os professores que
transmitem conhecimentos, mas por meio de toda a estruturação didática facilitam a
apreensão dos códigos e, para isso, devem se utilizar de métodos que possibilitam a
apreensão do conhecimento pelos alunos.
Para desenvolver esse processo de facilitação dos códigos do universo do
saber humano é preciso que o professor conheça como funcionam os códigos,
assim como os modos de serem apreendidos pelos estudantes. Ou seja, é preciso
que o professor domine não apenas o universo dos símbolos que compõe o saber
de sua área, mas também como se pode facilitar o acesso e a apreensão dos
códigos.
Além disso, precisa
conhecer como se
processa a apreensão do
conhecimento pelo ser
humano, isto é,
compreender como uma
pessoa apreende, como
funcionam os processos
de aquisição do
conhecimento e que Fonte: https://blog.etiquetaseadesivos.com.br/jogos-de-
variáveis interferem neste alfabetizacao/

apreender. Esse repertório de saberes pedagógicos devem ser partes constitutivas


dos saberes profissionais docentes.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
51

As aprendizagens dizem respeito a uma forma de apropriação específica


relativa a cada sujeito. Cada aluno faz a apreensão do conhecimento, não é possível
o outro apreender pelo aprendiz, a aprendizagem requer a premissa da sujeição, isto
é, de estar em abertura, em humildade em situação intencional e voluntária de
apreender. O processo de sujeição significa que é o sujeito que se põem como
protagonista histórico da ação que exerce sobre si mesmo. Ele se coloca no lugar de
apreender, na condição de encontrar uma novidade que irá ser internalizada e que
transformará sua interioridade. Autores como Masseto (apud VASCONCELOS,
2000) entendem que a aprendizagem é pessoal, diz respeito à pessoa e envolve a
pessoa em sua totalidade de aprendiz. Pain (1985) diz que para a aprendizagem
ocorrer ela está relacionada às estruturas do sujeito.
Ela se dá em um lugar, que é o sujeito e esse constituído por suas estruturas
têm a possibilidade de apreender. Por isso, considerar esses mecanismos, que
compõe as estruturas do sujeito, são fundamentais para a compreensão dos códigos
por meio dos mediadores de aprendizagem.
Toda aprendizagem decorre de um processo de internalização de sinais que
devem ser processados pelos indivíduos. Esse processo interior de “elaboração” de
um saber, para um saber próprio requer aquisição, armazenamento, organização,
utilização em situações gerais e especificas. Além disso, nesse processo entra em
jogo o todo da pessoa, isso significa que estão em jogo os mecanismos conscientes
e inconscientes.
A educação, ao longo da história, vem sofrendo diversas transformações que
atingem todos os indivíduos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem.
Pode-se analisá-la pelas tendências pedagógicas, as quais possuem suas
características próprias. Observa-se que nenhuma dessas correntes esgotou-se,
uma vez que todas fazem parte do cotidiano escolar e que de algum modo estão
incorporadas nas práticas pedagógicas.
Libâneo diz que “evidentemente tais tendências se manifestam,
concretamente, nas práticas escolares e no ideário pedagógico de muitos
professores, ainda que estes não se deem conta dessa influência (2006, p. 21)”.
Muitas vezes os docentes alegam não seguir tal tendência, julgando-a errônea, mas
observa-se que tais colocações são equivocadas, já que em várias situações do
cotidiano escolar estas correntes compõe o seu fazer profissional.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
52

Sendo assim, aprofundou-se o tema dos materiais didáticos na ação do


docente, ou seja, na apreensão pelo aluno de conhecimentos e na reconstrução
destes. Visto que, muitas vezes, os professores acreditam não possuir capacidade
de fabricar seus próprios instrumentos de aprendizagem, salientou-se que depende
dele a criatividade utilizada na fabricação, já que, ao criar ele coloca em prática
aquilo que o aluno possui dificuldade, ou seja, o que o discente precisa para
desenvolver-se de forma mais significativa. Sabe-se que os materiais didáticos são
mediadores de aprendizagem, contudo, dentro desse contexto devem ser
construídos de modo reflexivo e provocativo, propiciando aprendizagens múltiplas.
Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização
53

1. Que relação tem a didática do docente com o uso de materiais em sala?

Pesquise quais metodologias um docente pode adotar para


realizar aulas dinâmicas e com qualidade de ensino.
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