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UNIDADE CURRICULAR: ÉTICA e EUCAÇÃO

CÓDIGO: 11017
DOCENTES: António Teixeira e Maria João Ramalheiro
A preencher pelo estudante
NOME: Sérgio Reis
N.º DE ESTUDANTE: 2102305
CURSO: Curso de Profissionalização em Serviço
DATA DE ENTREGA: 07 de novembro de 2021

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TRABALHO / REFLEXÃO:

O presente trabalho enquadra-se na UC de Ética e Educação e pretende refletir sobre a


definição do objeto da Ética na Escola.

A Ética é o território da Filosofia que estuda a ação humana, a atuação do indivíduo


olhando para os princípios e valores considerados adequados, ou nobres, na comunidade
em que aquele está inserido. Como refere Barros Dias (2004, p.3), “A Ética é a teoria do
comportamento dos seres humanos em sociedade. Ela é, pois, o saber de uma forma
específica de comportamento humano.” Neste sentido, a escola, a comunidade educativa
num sentido mais lato, são veículos de valores.

A Moral é um “... conjunto de normas ou regras adquiridas por hábito...”, “...O


comportamento moral (...) adquirido ou conquistado pelo ser humano, no que há nele de
pura natureza, dá-nos, simultaneamente, a dignidade do humano, nas suas
singularidades e aspirações.” (Barros Dias, 2004, p. 9). Portanto, considera-se a Moral
como o agir de forma justa, honesta e integra, conforme os valores de uma determinada
sociedade, nomeadamente a escola.

A centralidade da Ética no contexto escolar é consagrada e reconhecida, legalmente, no


Estatuto do Aluno e Ética Escolar, o qual “... pressupõe a responsabilidade de todos os
membros da comunidade educativa...” pela garantia de sucesso do aluno, zelando pelo
“...direito à educação e à igualdade de oportunidades no acesso à escola”. O texto
também incentiva aspetos que se configuram como promotores de normas e valores, isto
é, Ética e Moral (Lei n.º 51/2012 de 5 de setembro, Estatuto do Aluno e Ética Escolar).

Seiça (2003) evidencia a importância da reflexão sobre as questões morais e éticas que
devem orientar o papel do educador e como estas organizam as suas ações e influenciam
o desenvolvimento do aluno:

“A vida quotidiana das escolas com os seus conflitos


relacionais, as suas dinâmicas de poder e os seus dilemas
(espelho que reflecte a sociedade em geral) é prova disto, ao
apelar constantemente para critérios de deliberação e acção.
Nem sempre conscientes, mas sempre valorativos. Ora este
apelo a critérios – do bom, do útil, do justo, por exemplo – e as
regras de acção por ele justificadas fazem da actividade
docente, genericamente axiológica, uma actividade
especificamente ética e dos seus agentes – os professores –
sujeitos éticos.” (Seiça, 2003, p. 31)

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Nesta perspetiva e considerando que, pertence à Ética teorizar ou explicar o
comportamento humano, ou Moral, na sua totalidade diversidade e variedade (Barros
Dias, 2004, p. 27), julga-se necessário pensar na Ética aplicada à escola e à sua
comunidade.

Bastos (2017, p.3) refere que “Tanto a ética quanto a moral são assuntos que devem ser
trabalhados no ambiente escolar com o intuito de nortear o comportamento dos
indivíduos na sociedade em que vivem.” Com efeito, na escola todos os seus agentes
ensaiam o viver na sociedade e os consequentes dilemas, quando se observam
comportamentos eticamente duvidosos, como, por exemplo “copiar num teste” ou
quando o adulto tem de mediar ou reparar problemas relacionais decorrentes do
quotidiano. Assume-se, assim que Escola não é apenas um lugar onde se transmitem
conhecimentos científicos das várias disciplinas, mas também o local onde se formam
cidadãos. Pertence à escola, e todos os seus agente, o papel de orientar a conduta ética e
moral dos seus alunos (Bastos, 2017).

Neste contexto, se pensarmos no professor como o veículo mais próximo do aluno, este
deve ter assim um papel tanto de exemplo como norteador. Caetano e Silva (2009)
evidenciam que a Ética se prende a princípios de valores, dirigindo a ação para o bem
dos alunos, devendo o professor ser um exemplo de conduta em toda a sua atuação.

Consideram-se as visões anteriores como teórico-ética. No entanto, o aluno, com


liberdade e responsabilidade, também irá deparar-se com problemas de prática moral,
ou Moral efetiva, que posteriormente transforma em teoria moral, ou Moral reflexa. Por
outras palavras, o individuo é ativo na construção da Moral, com refletindo sobre o seu
comportamento com o auxílio da norma (Barros Dias 2004, p. 17). Neste contexto, os
agentes educativos, nomeadamente os docentes, podem, e devem, ter um papel
mediador nestes processos e noutros, como, por exemplo, a colocação de dilemas.

Ao longo desta reflexão procurou-se pensar sobre o objeto da Ética no contexto escolar,
salientando-se a importância do papel do adulto, membro da comunidade educativa,
para mediar dilemas, modelar comportamentos e fazer nascer resoluções para os
problemas, morais ou não, vivenciados pelos alunos. Sendo certo que o papel do adulto
estará sempre presente em toda a vida escolar dos discentes, poderá afigurar-se como
fórum/espaço particularmente importante para desenvolvimento Moral e Ético na
formação cívica, a qual deverá ser preocupação transversal à educação das crianças e
jovens.

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Referências Bibliográficas:

BARROS DIAS, J.M. (2004). Ética e Educação. Lisboa: Universidade Aberta.

BASTOS, Manoel de Jesus. A Importância da Ética na Educação. Revista Científica


Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 05. Ano 02, Vol. 01. pp 264-276,
Julho de 2017 https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/etica-na-
educacao.

CAETANO, A.P. & SILVA, M. L. (2009). Ética profissional e formação de

professores. Sísifo. Revista de Ciências da Educação, n.º 08.

Lei n.º 51/2012 de 5 de setembro (Estatuto do Aluno e Ética Escolar). Diário da


República, n.º 172/12 – Iª série.

SEIÇA, A. (2003). A docência como praxis ética e deontológica: um estudo empírico.


Lisboa: Ministério da Educação.

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