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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(ÍZA) DE DIREITO DA 1ª VARA

CRIMINAL DA COMARCA DE PORTO ALEGRE/RS

Autos de Inquérito Policial nº XXX

Narjana Amorim, brasileira, solteira, estudante, titular do RG sob nº XXXXXXXXXX,


CPF nº XXX.XXX.XXX-XX, residente e domiciliada na rua Getúlio Vargas, nº 22, em Porto
Alegre/RS, por sua advogada signatária, conforme procuração em anexo, nos termos do artigo
30 do Código de Processo Penal, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência,
propor

QUEIXA CRIME
(Ação Penal Privada Subsidiária da Pública)

em face de Paulina de Castro, brasileira, solteira, médica, titular do RG sob nº,


XXXXXXXXXX, CPF nº XXX.XXX.XXX-XX, residente e domiciliada na rua Dona Eugênia, nº 44,
em Porto Alegre/RS, com fundamento nos artigos: art. 5º, LIX da Constituição Federal, art. 100,
§3º do Código Penal, nos termos do artigo 41 do Código de Processo Penal, baseada nas
provas colhidas no Inquérito Policial que segue com esta, ante a inércia do Ministério Público em
propor ação penal, pelos seguintes motivos:

DOS FATOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS

Consta nos autos que, no dia XX de XX de XX, nesta cidade, a Paulina de Castro,
já qualificada, agindo consciente e voluntariamente, efetuou disparos de arma de fogo, em
direção ao Juiz Fulano de Tal, seu pai, os quais ocasionaram a morte da vítima na mesma data e
local, conforme descrito em laudo pericial.

Verte dos autos de Inquérito Policial que a querelante, Narjana Amorim, namorada
da vítima, o Juiz Fulano de Tal, recebeu uma mensagem do mesmo em seu celular, enquanto
estava na faculdade, dizendo que precisava vê-la. Narjana, então, deslocou-se até o local do fato
e encontrou-o falecido e chamou a polícia.
Após o fato ocorrido, a querelada Paulina de Castro, filha da vítima, proferiu
acusações nas redes sociais contra Narjana Amorim, alegando que a mesma teria instigada seu
pai ao suicídio com fim de interesse econômico, uma vez que os dois possuíam um
relacionamento amoroso de conhecimento geral e possuíam a intenção de se casar e constituir
família em breve.

No local do fato encontrou-se um revólver calibre 38, que estava com a vítima; um
celular; cigarros apagados no cinzeiro sobre a mesinha do escritório e um copo quebrado.

Após o recolhimento das provas, foi realizada Perícia que apurou que o revólver
encontrado com o Juiz era pertencente ao mesmo, que o guardava na última gaveta de sua
mesa de trabalho, local onde apenas sua filha e o caseiro sabiam que ficava escondido.

O celular da querelante também passou por perícia, que comprovou que a


mensagem foi enviada do celular do Juiz as 21h13, horário em que a mesma estaria na
faculdade.

Com a ajuda de cotonetes, foi recolhida a saliva da vítima Fulano de Tal, da


quarelante, Narjana Amorim, do caseira e, posteriormente, da querelada Paulina de Castro, de
onde foi retirado o DNA para comparação com as amostras recolhidas na cena do crime.

Fora realizado exame de DNA nos dois cigarros encontrados sobre a mesinha,
sendo que, em um deles, haviam marcas de batom. A respeito disso, cabe ressaltar que Narjana
informou que a vítima havia sido fumante por uma vida inteira, mas que havia parado de fumar.

No chão, haviam cacos de vidro de um copo de uísque quebrado, sendo suspeitado


pelo perito de que isso poderia indicar uma discussão. O perito também levou para análise uma
garrafa de uísque e migalhas de pão encontradas perto do corpo.

O pijama do Juiz, além de uma pequena mancha de sangue, tinha outra mais
claras, que o perito não conseguiu reconhecer.

Ainda, a autópsia apontou que: a perfuração de bala no tórax tem pelos ao redor e
pouca quantidade de pólvora, o que mostra que o tiro não foi disparado à queima roupa e, sim,
disparado entre 0,8 e 2 metros da vítima. O projétil entrou no corpo de cima para baixo, no corpo
sentado, resvalou numa costela e desceu para o intestino, onde se alojou. Sinais de hemorragia
no pulmão mostram que o Juiz morreu de insuficiência respiratória, típica de envenenamentos.
Esta hemorragia no pulmão e o pouco sangue no buraco da bala indicam que o tiro foi disparado
quando a vítima já estava morta – por isso o sangramento reduzido. Não foram encontrados
sinais de arranhões ou lesões na cabeça, típicas de luta corporal. De mesmo modo, não foi
encontrado nas mãos da vítima qualquer sinal de pólvora – apenas manchas de tinta preta na
mão direita. Colaboração do cadáver, comida no estômago e concentração de potássio no globo
ocular indicam com precisão: a morte ocorreu entre 19h e 20h.

O resultado de exames laboratoriais e análises de DNA mostraram que um dos


cigarros encontrados ao lado do corpo tinha DNA do Juiz morto e, o outro, da querelada, Paulina
de Castro. Ainda, a vítima levou um tiro quando já estava morta. O exame toxicológico acusou
uma concentração sanguínea de nicotina suficiente para matar o Juiz por envenenamento. Não
foram encontrados sinais de pólvora nas mãos da vítima, do caseiro ou da querelante namorada
da vítima, Narjana Amorim, mas na mão direita de Paulina de Castro, querelada e filha da vítima,
havia sinais de pólvora. O copo quebrado continha apenas saliva da vítima. Por fim, as câmeras
da faculdade de Narjana Amorim confirmaram que ela estava lá até as 21h41m.

Desse modo, identificou-se Paulina de Castro, filha da vítima, como principal


suspeita do crime.

Em verdade, valeu-se a querelada de meio insidioso, à traição, agindo de forma


ardilosa, por motivo torpe, visando seu locupletamento futuro.

Cabe ressaltar que, há muito, findou-se o prazo legal previsto no art. 46 do Código
de Processo Penal para o oferecimento da Denúncia por parte do Ministério Público, que se
quedou inerte desde XX de XXXX de XXXX. Assim, em cumprimento ao que lhe é facultado pelo
disposto nos arts. 29 e 46 do Código de Processo Penal, a querelante, parte legítima, vem
propor Ação Penal Privada Subsidiária da Pública, a fim de ver a querelada processada pelo
crime de homicídio qualificado, conforme os fundamentos abaixo.

Depreende-se da investigação que a querelada praticou conduta tipificada no art.


121, §2º, incisos I, III e IV do Código Penal, pois consciente, voluntaria e ardilosamente praticou
disparos de arma de fogo, assumindo o risco de causar a morte da vítima, visando beneficiar-se
financeiramente.
DOS PEDIDOS

Pelo exposto, requer-se, após a manifestação do Ministério Público, nos termos do


art. 29 do Código de Processo Penal, seja recebida e autuada esta Queixa-Crime e citada a
querelada para que compareça perante este MM. Juízo e responda nos termos da presente ação
penal, sob pena de revelia, para que, ao final, seja Pronunciada e, após Plenário do Júri,
condenada pelo crime previsto no art. 121, §2º do Código Penal.

Igualmente, requer-se a intimação das testemunhas do rol abaixo para depor em


Juízo, em dia e hora a serem designados, sob as penas da lei.

Nesses termos, pede deferimento.

Porto Alegre, 13 de junho de 2019.

________________________
Advogada
OAB/XX nº XX.XXX

Rol de Testemunhas

1. Nome, qualificação, endereço


2. Nome, qualificação, endereço
3. Nome, qualificação, endereço
4. Nome, qualificação, endereço
5. Nome, qualificação, endereço
6. Nome, qualificação, endereço
7. Nome, qualificação, endereço
8. Nome, qualificação, endereço

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