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II – São Paulo, 121 (85) Diário Oficial Poder Executivo - Seção I sábado, 7 de maio de 2011

Geraldo Alckmin - Governador

Volume 121 • Número 85 • São Paulo, sábado, 7 de maio de 2011 www.imprensaoficial.com.br

ALÍVIO A JATO
C
ortes pequenos, pouca dor e recu-
FOTOS: PAULO CESAR DA SILVA

peração rápida. Esse é o novo


método de uma cirurgia minima-
mente invasiva que pode devolver
a qualidade de vida a pessoas com
problema de hérnia de disco. A téc-
nica está sendo testada por uma
equipe do Hospital das Clínicas.

Nova técnica de cirurgia


de hérnia de disco com
jatos de água devolve a
mobilidade ao paciente
em três minutos
Luiza Aparecida Demarchi, 54
anos, que há cinco não via espe-
ranças de aliviar as fortes dores
na perna direita, causada pela hér-
nia de disco, passou pela cirur-
gia que retirou o tecido defeituo-
so em apenas três minutos. Ela e
outros pacientes participam no HC
de uma pesquisa coordenada pelo
médico ortopedista e cirurgião de A cirurgia: a paciente recebe apenas anestesia local e tudo dura apenas três minutos
coluna Alexandre Fogaça, que ava-
lia a eficiência desse procedimento. dios e fisioterapias – todos aparentemente
Enquanto a equipe do dr. inúteis – ela admitia uma certa descrença O que é a hérnia
Fogaça se preparava para realizar a respeito dos resultados. “Não existe pior A coluna vertebral é composta por
a operação no centro cirúrgico do sensação do que a dor. Passei todos esses vértebras, em cujo interior existe um
Hospital Abreu Sodré (AACD – anos sem esperança, atrás de uma solução canal por onde passa a medula espinhal
São Paulo), Luiza aguardava numa para tudo isso. E a dor sempre volta”. ou nervosa. Entre as vértebras cervicais,
sala ao lado. Depois de passar por Segundo o dr. Fogaça, a dor é apenas torácicas e lombares, estão os discos
intervertebrais, estruturas em forma de
diversos tratamentos com remé- uma das complicações da hérnia de disco:
anel, constituídas por tecido cartilagino-
“O paciente nessa situação fica com a mobi- Dr. Fogaça e a cânula usada na cirurgia
so e elástico cuja função é evitar o atrito
lidade reduzida, deixa de praticar atividade
Material importado física, ganha peso e, em muitos casos, entra
entre uma vértebra e outra e amortecer
americano Mitchell Hardenbrook, inte-
o impacto. Os discos desgastam-se com
As cânulas utilizadas para sugar o em um quadro clínico de depressão”. Ainda o tempo e o uso repetitivo, o que facilita grante da equipe do dr. Phil Son Choi,
tecido que compõe a hérnia ainda não de acordo com o médico, apenas cerca de a formação de hérnias. O problema é que realiza estudos coordenados sobre
são fabricados no Brasil. Precisam ser 10% dos pacientes com hérnia de disco mais frequente nas regiões lombar e cer- cirurgias minimamente invasivas.
importadas dos Estados Unidos e cus- necessitam de intervenção cirúrgica. Mas vical, por serem áreas mais expostas ao Após a rápida operação (são exatos 3
tam cerca de 15 mil reais cada uma. E a nova técnica permite que os pacientes movimento e que suportam mais carga. minutos, descontado o tempo de prepara-
têm vida útil de três anos. tenham uma recuperação mais rápida, para ção), Luiza deixa a sala com um largo sor-
poderem voltar às atividades normais. Voltando a sorrir – A técnica con- riso no rosto. Ela é conduzida numa maca,
siste na aspiração do material que se acu- mas até poderia sair andando e só não faz
mula entre as vértebras, com a utilização isso por conta da precaução dos médicos.
de equipamentos de última geração. Faz- “Foi tudo tão rápido! Nem acredito que
se um pequeno corte de 0,5 centímetro na posso voltar a movimentar minha perna
coluna do paciente e por ali é introduzida sem sentir aquela dor terrível”, diz, enquan-
uma minúscula cânula (tubo de metal) que to agradece aos médicos.
dispara jatos de água a 700 quilômetros por Também por precaução permanecerá
hora. Pelo mesmo tubo, enquanto são dis- no hospital até o dia seguinte, quando já
parados jatos de soro fisiológico, é retirado poderá caminhar normalmente. Aí vai fazer
o tecido gelatinoso que consiste na hérnia e o que mais gosta: brincar com os seus quatro
provoca as dores. Monitores e equipamen- cães. “Quando sair daqui, pretendo voltar à
tos de raios-X oferecem à equipe medica a minha rotina de trabalho, diversão e fazer
visualização do campo cirúrgico. O pacien- algum esporte. Mas minha vida vai ser outra”,
te recebe apenas anestesia local e permane- comemora.
ce acordado durante todo o processo.
Para realização da cirurgia, o dr. Anderson Moriel Mattos
A paciente Luiza, ao lado do dr. Hardenbrook, após a cirurgia: alívio imediato Fogaça contou com o apoio do médico Da Agência Imprensa Oficial