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DICAS SOBRE RADIOPROTEÇÃO

Como um profissional totalmente responsável pelas próprias ações, a responsabilidade da proteção radiológica tanto do paciente quanto dos companheiros de trabalho é particularmente importante para os Técnicos e Tecnólogos em Radiologia. Um estudo completo e a compreensão da proteção radiológica é essencial para todos, os Técnicos e Tecnólogos em Radiologia, mas está além do escopo deste texto sobre anatomia e posicionamento. Entretanto, a aplicação ou os princípios de proteção radiológica são partes essenciais de um curso de anatomia e posicionamento radiológico, porque é responsabilidade de todos os profissionais sempre certificar-se de que a dose de radiação recebida tanto pelo paciente seja a mínima possível.

Proteção dos Técnicos e Tecnólogos em Radiologia

Os Técnicos e Tecnólogos em Radiologia devem sempre lembrar que pela própria natureza de seu trabalho sofrem exposição ocupacional à radiação e, portanto, devem seguir todas as práticas de segurança possíveis para limitar a exposição. De acordo com a Lei 8.080, de 19 de Outubro de 1990 Portaria nº 453 de 01 de Junho de 1998, que regulamenta as diretrizes básicas de proteção radiológica em radiodiagnóstico médico e odontológico em todo o território nacional , os padrões federais permitem que os profissionais recebam até 5 rem por ano, uma dose máxima permissível (DMP) que é dez vezes maior que a dose-limite para a população geral. Entretanto, devido ao pequeno risco dos efeitos à longo prazo de baixos níveis de radiação, é importante que os profissionais limitem ao máximo possível a sua exposição. Há um princípio de proteção denominado ALARA que vai muito além da proteção do trabalhador que o nível da DMP. Este princípio afirma que a exposição ocupacional deve ser mantida "As Low As Reasonably Achievable" (no menor nível possível). Este é um importante princípio pelo qual todos os, profissionais da radiologia devem se esforçar. A seguir é fornecido um resumo de quatro formas importantes para aumentar a higiene radiológica no setor:

1. Sempre usar um dosímetro ou outro dispositivo de monitorização. Embora o dosímetro não diminua a exposição do usuário, a existência de registros precisos à longo prazo ajuda na avaliação de um programa de segurança radiológica.

2. Se for necessário conter os pacientes, a pessoa que auxilia na contenção NUNCA deve ficar na frente do feixe primário ou útil e deve, SEMPRE usar aventais e luvas de proteção. Utilizar aparelhos ou faixas de contenção sempre que possível, e apenas como último recurso deve alguém permanecer na sala para conter os pacientes, esta pessoa nunca deve pertencer à equipe de radiologia.

3.

Em exames no leito ou de pacientes traumatizados, pacientes odontológicos e

em procedimentos de fluoroscopia, SEMPRE usar aventais de chumbo e permanecer o mais distante possível (principio da lei do inverso do quadrado) da fonte de raios X para proteção contra exposição à radiação difusa (ou também conhecida como radiação espalhada/ efeito Compton).

4. Praticar o uso da colimação, filtração do feixe primário, técnicas de maior

kVp, écrans de alta velocidade, e mínima repetição de exames. A exposição do radiologista é devida basicamente à radiação dispersa do paciente. Portanto, a redução da exposição do paciente resulta em redução da exposição do

radiologista também.

Proteção do Paciente

Todo profissional , Técnicos e Tecnólogos em Radiologia estão sujeitos a um código de ética que inclui responsabilidade pelo controle e limitação da exposição à radiação dos pacientes sob seus cuidados. Esta é uma responsabilidade séria e cada uma das seis formas específicas, fornecidas a seguir, para reduzir a exposição do paciente deve ser compreendida e posta em prática conforme descrito nas páginas subsequentes. Estas são:

1. Repetição mínima de radiografias;

2. Filtração correta;

3. Colimação precisa;

4. Proteção de área específica (proteção das gônadas);

5. Proteção para gestantes;

6. Uso de fatores de exposição ótimos e combinações écran-filme de alta velocidade.

1. Repetição Mínima de Radiografias

A primeira e mais básica forma de evitar radiação desnecessária é evitar a repetição desnecessária de radiografias. Uma das causas de repetição de radiografias é a má comunicação entre os profissionais e o paciente. Instruções confusas e não compreendidas sobre a respiração são uma das causas mais comuns de movimento e da necessidade de repetição das radiografias. Quando os procedimentos não são claramente explicados, o paciente pode apresentar maior ansiedade e nervosismo devido ao medo do desconhecido. Esta tensão decorrente da incerteza e do medo frequentemente aumenta o estado de confusão mental do paciente e compromete sua capacidade de cooperar totalmente. Para evitar isso, os Técnicos e Tecnólogos em Radiologia devem levar o tempo necessário, mesmo com pouco tempo e escalas de trabalho apertadas, para explicar cuidadosa e completamente as instruções respiratórias,

bem como o procedimento em geral em termos simples que o paciente possa compreender.

Os pacientes devem ser avisados antecipadamente de quaisquer movimentos ou ruídos estranhos do equipamento durante a exposição. Também qualquer sensação de queimação ou outros possíveis efeitos de injeções durante exposições devem ser explicados ao paciente. O descuido no posicionamento ou a seleção de fatores de exposição incorretos também são causas comuns de repetições e devem ser evitados. O posicionamento correto e preciso requer um bom conhecimento e compreensão de anatomia porque estes permitem aos Técnicos e Tecnólogos em Radiologia visualizarem o tamanho, formatos e localizações das estruturas radiografadas. Esta é a razão para se combinar a anatomia ao posicionamento para minimizar os efeitos biológicos provocados pelas radiações ionizantes.

2. Filtração Correta

A filtração do feixe primário de raios -X reduz a exposição do paciente pela absorção da maioria daqueles raios -X "inúteis" de menor energia que expõem basicamente a pele e o tecido superficial do paciente. O efeito final da filtração é um endurecimento" do feixe de raios -X, resultando em um aumento da energia efetiva ou da penetrabilidade do feixe de raios-X. A filtração é descrita de duas formas. A primeira é a filtração inerente ou integrante das estruturas que constituem o próprio tubo de raios- X. Para a maioria dos tubos de raios X esta equivale aproximadamente a 0,5 mm de alumínio (Al ). A segunda, e a mais importante para os , Técnicos e Tecnólogos em Radiologia , é a filtração adicional, que é o grau de filtração acrescentado entre o tubo de raios -X e o colimador. O alumínio (Al ) é o metal mais comumente usado para filtros em radiologia diagnóstica, sendo o molibdênio (Mo) frequentemente usado em mamografias. O grau de filtração adicional necessária, estabelecido por leis federais, depende da faixa de kVp operante do equipamento. Os fabricantes do equipamento de raios X devem atender a estes padrões. A filtração do equipamento é avaliada anualmente (e após um grande reparo do equipamento, tal como a substituição do tubo ou do colimador) por pessoal qualificado, tal como um físico . A responsabilidade dos, Técnicos e Tecnólogos em Radiologia é verificar se o filtro é apropriado, para cada tubo, e se o mesmo está no lugar.

3. Colimação

A colimação precisa é outra forma importante de reduzir a exposição do paciente por limitação do tamanho e do formato do feixe de raios X apenas à área de interesse clínico, ou àquela área que deve ser visualizada no filme ou em outro receptor de imagem. A colimação cuidadosa precisa é fundamental para a higiene radiológica. O colimador retangular variável é comumente usado em equipamento radiográfico diagnóstico para fins gerais. O campo iluminado define cuidadosamente o campo do feixe de raios X em equipamentos precisamente calibrados e podem ser usados de forma eficaz para determinar a região irradiada. O conceito de divergência do feixe de raios X deve ser considerado na colimação precisa. Portanto, o tamanho do campo iluminado que aparece na superfície cutânea do paciente apresentar-se-a menor que o

tamanho verdadeiro da área anatômica que está colimando. Isto é mais evidente em um exame lateral da coluna torácica ou lombar, no qual há considerável distância entre a superfície cutânea do campo iluminado até o filme na bandeja de Bucky. Nestes casos, o campo iluminado, quando colimado corretamente na área de interesse, parecerá muito pequeno, exceto se for considerada a divergência do feixe de raios X. Colimação Manual: os Técnicos e Tecnólogos em Radiologia podem reduzir ou aumentar manualmente o tamanho do campo de colimação. Isso deve ser realizado para todos os exames onde o tamanho do filme é maior que a área crítica que está sendo radiografada. Também é necessária a colimação para exames dos membros superiores e inferiores realizados no tampo da mesa. Nosso propósito é fornecer todas as orientações necessárias para a realização da colimação do exame proporcionando máxima proteção do paciente. Esta prática de fechar a colimação apenas à área de interesse reduz a exposição do paciente de duas formas. Em primeiro lugar, reduz o volume de tecido irradiado diretamente, e também reduz a radiação dispersa associada. Esta radiação dispersa resultante da ausência de colimação precisa ou de outra proteção não apenas causa aumento desnecessário da exposição do paciente, mas também resulta em uma redução da qualidade da imagem pelo efeito de "velamento". (Isto é particularmente verdadeiro em áreas de grande volume de tecido, tal como o abdome ou tórax.) Razões para a colimação de quatro lados, se possível: além de reduzir a exposição do paciente e de melhorar a qualidade da imagem, outra razão para esta regra geral de pelo menos alguma colimação visível em todos os quatro lados é um sistema de verificação que assegura que houve colimação máxima. Se não houver borda de colimação visível na radiografia em qualquer um ou mais dos lados em exames feitos no tampo da mesa, então obviamente não há evidências de que o feixe primário foi totalmente restrito naquela porção. Outro benefício de pelo menos alguma colimação em todos os quatro lados, se possível, é permitir verificar na radiografia final a localização correta do raio central. Isso é realizado colocando- se um grande X imaginário unindo os quatro ângulos do campo de colimação conforme observado na radiografia resultante. O centro exato deste X indica onde estava localizado o RC. A prática da colimação à área de interesse clínico resulta em uma significativa diminuição da exposição do paciente e aumenta a qualidade da imagem através de diminuição da dispersão. Regra de Colimação:

Uma regra geral indica que os limites da colimação devem ser visíveis no filme em todos os quatro lados, se o tamanho do filme for suficientemente grande para permitir isto, sem "cortar" a anatomia essencial. Para algumas partes do corpo, tal como um grande abdome de adulto, pode não ser possível colimação lateral visível na radiografia. Entretanto, na maioria dos exames, tal como dos membros superiores e inferiores, coluna vertebral e crânio, a colimação dos quatro lados visível na radiografia é possível sem cortar a anatomia essencial.

4. Proteção de Áreas Específicas

A proteção de área específica e necessária quando tecido ou órgãos particularmente sensíveis, tais como o cristalino, mamas e gônadas, estão dentro ou próximas do feixe útil. Exemplos deste tipo de proteção da área são os protetores da mama e gônadas que podem ser usados sobre mamas e gônadas juvenis para de terminados exames, tal como a seriografia da coluna na

escoliose. Outro exemplo é um tipo de protetor ocular que pode ser usado ao radiografar partes do crânio se não encobrir a anatomia essencial.

A proteção de área mais comum é a proteção gonadal, usada para proteger os órgãos reprodutivos da irradiação quando estão dentro ou próximo do feixe primário. Há dois tipos gerais de proteção de área específica disponíveis:

1. Escudos de Sombra: Como indica o nome, escudos de sombra, são fixados ao tubo, são dispositivos colocados entre o tubo de raios X e o paciente, assim lançando uma sombra do escudo sobre as áreas específicas protegidas. Outro tipo mais moderno é determinado escudo radiopaco para mama e gônadas os mesmos são fixados com ímãs diretamente na base do colimador. Estes são frequentemente associados a filtros de compensação de chumbo usados para produzir uma exposição mais uniforme das partes do corpo que não possuem espessura ou densidade uniformes, tal como aqueles usados na radiografia de escoliose da coluna torácica e lombar.

2. Escudos de Contato Planos: Os escudos gonadais de contato planos são usados mais comumente em pacientes em decúbito. Os escudos de contato podem ser escudos de chumbo, maiores, recobertos por vinil colocados sobre a região das gônadas em geral. Os escudos planos geralmente são compostos dos mesmos materiais vinílicos impregnados por chumbo utilizados nos aventais de chumbo, com espessura suficiente para deter a radiação primária. Escudos de contato especificamente para gônadas, como para os testículos no homem ou para os ovários nas mulheres, podem ser menores, de chumbo recoberto por vinil, com espessura apropriada do chumbo, cortados em vários tamanhos para serem colocados diretamente sobre os órgãos reprodutores. Os escudos gonadais para homens devem ser colocados distalmente à margem inferior da sínfise púbica, cobrindo a área dos testículos ou escroto. É um pouco mais difícil determinar a proteção gonadal em mulheres para cobrir a área dos ovários, trompas de Falópio e útero. Uma regra geral para mulheres adultas é cobrir uma área 8-10 cm acima da sínfise púbica e 4-5 cm para cada lado da linha média pélvica. Podem ser usados vários formatos de escudo, tais como oval, redondo, em forma de coração, em forma de V ou U e triangular. A área protegida seria proporcionalmente menor em jovens. Uma menina de 1 ano exigiria um escudo oval com apenas cerca de 2,5 cm de largura e 4 cm de comprimento colocado diretamente acima da sínfise púbica. Para mulheres estes escudos de contato planos colocados corretamente sobre as gônadas podem reduzir a exposição em cerca de 50%. A redução da exposição das gônadas em pacientes do sexo masculino é maior, de até 90-95% quando escudos de contato são usados corretamente.

Regras para Proteção de Áreas Específicas

O uso consistente e correto da proteção de áreas específicas é um desafio para todos os Técnicos e Tecnólogos em Radiologia devido ao maior tempo e equipamento necessários. Entretanto, a importância de se protegerem órgãos radiossensíveis de crianças e adultos em idade reprodutiva da exposição

desnecessária à radiação deve ser motivação suficiente para a prática consistente destas três regras:

1. Deve ser usada em todos os pacientes potencialmente reprodutores. Uma

política departamental comum é incluir proteção de áreas específicas para todas

as crianças e para aqueles adultos em idade reprodutiva;

2. Deve ser usado quando áreas radiossensíveis estão dentro ou próximas (5 cm)

do feixe primário, exceto se a proteção encobrir informações essenciais para o

diagnóstico;

3. A colimação precisa do feixe e o posicionamento cuidadoso deve acompanhar

o uso desta proteção. A proteção de áreas específicas é importante, mas esta

deve ser sempre uma medida de proteção secundária e não um substituto da colimação precisa.

5. Proteção nas Gestações

As gestações e possíveis gestações exigem consideração especial para todas as mulheres em idade de procriação em virtude da evidência de que o embrião em desenvolvimento é particularmente sensível à radiação. Esta preocupação é particularmente crítica durante os dois primeiros meses de gravidez quando o feto é mais sensível à exposição à radiação, e a mãe geralmente não está ciente da gravidez. Portanto, devido à preocupação com possíveis gestações de mulheres em idade fértil, a regra dos dez dias foi recomendada pela CIRP (Comissão Internacional de Rádio-Proteção). Regra dos Dez Dias: Esta regra afirma que todos os exames radiológicos da pelve e da parte inferior do abdome devem ser marcados durante os primeiros dez dias após o início da menstruação. Este é o período em que se tem maior certeza de não haver gravidez. A exceção a esta regra seria se o médico considera que é melhor que a paciente seja submetida a este exame mesmo após este período de dez dias, com os possíveis riscos. Em grandes departamentos não é prático, ou é mesmo impossível, certificar-se de que todos os exames sejam marcados seguindo esta regra dos dez dias. Entretanto, cartazes ou letreiros devem ser colocados nas salas de exame e de espera, lembrando à paciente que deve informar alguém sobre sua certeza ou possibilidade de gravidez. Se a regra dos dez dias não pode ser sempre seguida para possíveis gestações, é importante utilizar todas aquelas práticas de proteção radiológica, principalmente a colimação cuidadosa e a proteção das gônadas. Nas gestações conhecidas, os exames a seguir resultam em maiores doses para o feto e podem exigir confirmação do médico solicitante e do radiologista quanto à indicação do exame:

· Coluna lombar

· Pelve

· Sacro e cóccix

· Fêmur proximal e quadril

· Urografia intravenosa (UIV)

· Vesícula biliar

· Procedimentos fluoroscópicos (abdome)

· Tomografia computadorizada (abdome)

6. Fatores de Exposição Ótimos e Combinações Filme-Écran de Alta Velocidade

Outra prática importante de proteção radiológica envolve o uso daqueles fatores de exposição ótimos e de combinações filme-écran de alta velocidade, que reduzem a exposição do paciente. A seleção de fatores de exposição ótimos não deve apenas resultar na maior qualidade possível da radiografia fornecendo o máximo de informações diagnósticas, mas também deve resultar na menor dose possível para o paciente. O uso de técnicas de elevada kVp com menor mAs reduz significativamente a dose para o paciente. Essa nova teoria esta sendo amplamente discutida nos meios acadêmicos devido à minimização de dose e o aumento do kV por exame. Fatores esses que resultam em alterações de qualidade da imagem, resultando em alterações no contraste e na densidade do plano radiográfico. Como regra geral afirmamos que o correto é o emprego de doses que maximizem o kVp e minimizem o mAs empregado no exame , resultando em radiografias de excelente padrão de imagem. O uso de combinações filme-écran ideais também reduz fortemente a dose recebida pelo paciente. Para écrans de velocidade média, cerca de 95% da exposição radiográfica resultam da luz emitida pelos écrans intensificadores e apenas 5%dos raios primários. Esta percentagem é ainda maior com écrans de alta velocidade comumente usados hoje, tal como écrans de terras raras, assim reduzindo ainda mais a dose recebida pelo paciente. Determinados filmes com emulsão mais espessa ou com diferentes sais químicos são mais rápidos ou mais sensíveis, reduzindo, assim, o grau de exposição necessário. Entretanto, o uso

de filmes e écrans de maior velocidade reduz a definição da imagem ou a nitidez

dos detalhes. Portanto, é prática comum utilizar écrans de detalhe em exames

no tampo da mesa, tal como dos membros superiores e inferiores, quando não

se usa uma grade. Uma regra geral semelhante à regra da kVp-mAs afirma "Use

a combinação filme-écran de maior velocidade que resulte em imagens

aceitáveis para diagnóstico".

Texto revisado por: Téc. André Luiz Silva de Jesus

Acessado em 21/04/2011