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CURSO DE ENGENHARIA HIDRÁULICA

Disciplina: Planificação e Gestão de Recursos Hídricos

Docente: Rosaque Guale (MSc.)


Assistente: Moisés Macambaco (MSc.)
1. ASPECTOS GERAIS
 CIÊNCIA HIDROLÓGICA: hidrologia científica está
dentro do contexto do desenvolvimento clássico do
conhecimento científico (DOOGE, 1988).

 HIDROLOGIA APLICADA: está voltada para os


diferentes problemas que envolvem :

1) a utilização dos recursos hídricos,


2) preservação do meio ambiente e
3) ocupação da bacia hidrográfica.

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1. ASPECTOS GERAIS
 1). Utilização dos recursos hídricos

 Estão envolvidos os aspectos de disponibilidade


hídrica, regularização de vazão (caudal),
planejamento, operação e gerenciamento dos recursos
hídricos.

 Dentro dessa visão os principais projetos que


normalmente são desenvolvidos com a participação
significativa do hidrólogo são: aproveitamentos
hidrelétricos, abastecimento de água, irrigação e
regularização para navegação.
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1.ASPECTOS GERAIS
 2). Preservação do meio ambiente

 Modificações do uso do solo,


 regularização para controle de qualidade da água,
 impacto das obras hidráulicas sobre o meio ambiente
aquático e terrestre,
 são exemplos de problemas que envolvem aspectos
multidisciplinares em que a hidrologia tem uma
parcela importante.

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1. ASPECTOS GERAIS
 3). Ocupação da bacia hidrográfica

A ocupação da bacia pela população gera duas


preocupações distintas:

 o impacto do meio sobre a população através de


enchentes e;
 o impacto do homem sobre a bacia, mencionado na
preservação do meio ambiente.

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1.1. O CICLO DE ÁGUA
O ciclo anual da água, desde a chuva até ao escoamento é
um sistema complexo com vários processos :
 precipitação,
 escoamento superficial,
 infiltração,
 recarga ou percolação,
 re-infiltração,
 reciclagem de umidade.
Esses processos são interconectados e interdependentes
E a direção do escoamento é ajusante.

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1.1. O CICLO DE ÁGUA

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1.1. O CICLO DE ÁGUA
 Nosso uso de água está incorporado no sistema
hidrológico, por isso é importante considera-lo.
 Fonte de água → sistema hidrológico.
 ciclo da água → renova a água
 O sistema hidrológico gera a água para as nossas
necessidades:
 básicas (berer, higiene, etec)
 económicas (irrigação, geração de energia, etc)
 ambientais, etc.

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1.1. O CICLO DE ÁGUA
 O sistema hidrológico recebe fluxos de retorno do uso de
água humana (muitas vezes não é reconhecida), a saber:
 vapor de água da transpiração de culturas e
 evaporação de lagos naturais e artificiais (o chamado
feedback de umidade).

 Também recebe os fluxos de retorno "cinza" (são mais


visíveis), como a água de esgoto de cidades e indústrias que
retornam aos rios.
 Tais fluxos também podem se percolar em aquíferos, muitas
vezes transportando com ele poluentes (por exemplo, de
irrigação).
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1.1. O CICLO DE ÁGUA
 O uso de água influencia o regime de escoamento e tem
impactos a jusante, tanto em termos de quantidade e
qualidade da água.
 O meu uso de água sempre implica → avaliar a
disponibilidade de água → avaliar possíveis efeitos de
terceiros da minha atividade

upstream My water use downstream

A maioria está
preocupada com a A maioria das
segurança do pessoas se
suprimento de esquece
água
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2.1. Três CARACTERÍSTICAS QUE
TORNAM A ÁGUA ESPECIAL
A água possui pelo menos três atributos importantes
com influência na gestão:

 A água doce é vital para sustentar a vida, para a qual


não há substituto. Isso significa que a água tem um
(alto) valor para seus usuários.

 A água è uma substãncia finita, embora ela seja um


recurso renovável.

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2.1. Três CARACTERÍSTICAS QUE
TORNAM A ÁGUA ESPECIAL
 A água é um recurso fugitivo:
É difícil avaliar o estoque (variações) e o fluxo do
recurso, e definir os limites do recurso.
Isso complica o planejamento e monitoramento de
retiradas, bem como a exclusão daqueles que não têm
direito a água abstrata.
Sua natureza fugitiva torna também mais oneroso o
aproveitamento, exigindo a construção de
reservatórios, por exemplo.

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2. 2.IMPORTÂNCIA DA ÁGUA
 A água (H2O) é uma substância com características
incomuns.
 A água é a única substância na Terra → líquida, sólida
e gasosa.
 Todas as formas de vida necessitam da água para
sobreviver.
 O corpo humano → mais ou menos 70%.
 Um tomate → mais de 90% de água, assim como
muitos outros alimentos.

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2. 2.IMPORTÂNCIA DA ÁGUA
É a substância mais presente do globo.
30% do planeta = Terra
70% do planeta = Água

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2. 2.IMPORTÂNCIA DA ÁGUA
 É importante para as formações hídricas atmosféricas,
influenciando o clima das regiões.

 Infelizmente, este recurso natural encontra-se cada vez


mais limitado e está sendo exaurido pelas ações
impactantes nas bacias hidrográficas (ações do
homem), degradando a sua qualidade e prejudicando
os ecossistemas.

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3. O USO E O VALOR DA ÁGUA
 Abastecimento público
 Irrigação
 Geração de energia elétrica
 Uso industrial
 Navegação
 Dessedentação de animais
 Suprimento industrial
 Crescimento de culturas agrícolas
 Conservação da flora e da fauna
 Recreação e lazer
 O ambiente (vida selvagem, conservação da natureza,
etc.)
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3. O USO E O VALOR DA ÁGUA
O valor da água
 Os vários usos da água nos diferentes setores de uma
economia agregam valor a esses setores.
 Alguns setores podem usar pouca água, mas
contribuem significativamente para o produto nacional
bruto (PNB) de uma economia.
 Outros setores podem usar muita água, mas
contribuem relativamente pouco para a economia.
 O valor agregado de alguns usos da água é difícil, senão
impossível de medir.
 Considere, por exemplo, o uso doméstico da água: como
quantificar o valor de um abastecimento de água
adequado para este setor? E qual é o valor da água
deixada nos rios para satisfazer os requisitos de água
ambiental?
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3. O USO E O VALOR DA ÁGUA
O valor da água
O dano a uma economia pela escassez de água pode ser
imenso.
Embora seja parte de um e mesmo ciclo hidrológico, o
valor da água difere, dependendo de quando (época
seca ou chuvosa) e como ocorre. Considerando que a
precipitação é geralmente considerada como uma
mercadoria gratuita, de todos os tipos de água tem o
maior valor.
Isso ocorre porque a precipitação representa o ponto de
partida de um longo caminho através do ciclo
hidrológico (infiltração, recarga de águas subterrâneas,
transpiração, reciclagem de umidade, escoamento
superficial, filtragem, re-infiltração)
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3. O USO E O VALOR DA ÁGUA
O valor da água
 A chuva, portanto, tem muitas oportunidades de uso e
reutilização: na agricultura de irrigação, irrigação, para
uso urbano e industrial, serviços ambientais, etc.
 A água que flui nos rios tem um valor menor do que a
precipitação.
 Mas também tem valores diferentes, dependendo da
época em que ocorre.
 A água que flui durante a estação seca tem um valor
relativamente alto, porque é um recurso bastante
confiável apenas quando a demanda é mais alta.

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3. O USO E O VALOR DA ÁGUA
O valor da água

 Em contraste, os fluxos máximos durante a estação


chuvosa têm um valor menor,
embora estes picos ofereçam muitos serviços
importantes, como recarregar aquíferos, pulsos de água
essenciais para ecossistemas e enchimento de
reservatórios para uso posterior.
 Os fluxos máximos mais altos ocorrem como
inundações destrutivas e têm um valor negativo.

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4.GESTÃO INTEGRADA DOS RECURSOS
HÍDRICOS (GIRH)
Há uma crescente consciência de que a gestão dos recursos
hídricos é necessária, porque:
 recursos de água doce são limitados;
 os recursos de água doce limitados estão se tornando
cada vez mais poluídos, tornando-se impróprios para
consumo humano e incapaz de sustentar o ecossistema
passado;
 os limitados recursos de água doce tem que ser dividido
entre as necessidades concorrentes e demandas de uma
sociedade;
 muitos cidadãos ainda não têm acesso a recursos de água
doce suficiente e seguro
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4.GESTÃO INTEGRADA DOS RECURSOS
HÍDRICOS (GIRH)
 cada vez mais percebemos que há um enorme potencial
para aumentar a produção agrícola e segurança
alimentar através de uma utilização mais eficiente da
precipitação, de uma melhor conservação da água e
técnicas de solo e colheita;
 as estruturas de controle de água (tais como barragens e
diques) muitas vezes podem ter consequências no
ambiente indesejável;
 existe um relacionamento íntimo entre as águas
subterrâneas e águas de superfície, água costeira e água
doce, etc. Regulando um sistema e não os outros não
podem alcançar os resultados desejados.
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4.GESTÃO INTEGRADA DOS RECURSOS
HÍDRICOS (GIRH)
 Assim, os aspectos técnicos, econômicos, sociais,
ecológicos e legais precisam ser considerados, bem como
aspectos quantitativos e qualitativos, oferta e demanda.
 Além disso, também o “ciclo de gestão” (planeamento,
monitorização, operação e manutenção, etc.) deve ser
consistente.

 A GIRH, então, procura gerir os recursos hídricos de uma


forma abrangente e holística. Por isso, tem que considerar
os recursos de água a partir de um número de diferentes
perspectivas ou dimensões.

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4.GESTÃO INTEGRADA DOS RECURSOS
HÍDRICOS (GIRH)
 Uma vez consideradas as várias dimensões, podem ser
feitas decisões e arranjos apropriados.

 Quatro dimensões da GIRH, tendo em conta:

1.os recursos hídricos, considera o ciclo hidrológico inteiro,


incluindo estoque e fluxos, assim como a quantidade e
qualidade da água; distinguindo, por exemplo, chuva,
humidade do solo, da água em rios, lagos, e aquíferos, etc.

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4.GESTÃO INTEGRADA DOS RECURSOS
HÍDRICOS (GIRH)
2.os usuários de água, todos os interesses sectoriais e
intervenientes.

3. a dimensão espacial, incluindo


 a distribuição espacial dos recursos hídricos e usos (por
exemplo, bacias e planícies áridas bem irrigadas a
montante e a jusante)
 as diversas escalas espaciais em que a água está a ser
gerida, ou seja, de utilizador individual, grupos de
utilizadores, bacia hidrogáfica e de captação, bacia
(internacional); e
 os arranjos institucionais que existem em várias escalas.
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4.GESTÃO INTEGRADA DOS RECURSOS
HÍDRICOS (GIRH)
4. a dimensão temporal tendo em conta
 a variação temporal da disponibilidade e demanda de
recursos hídricos,
 mas também as estruturas físicas que foram construídas
para compensar variações e para melhor atender a
demanda com a oferta.

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4.GESTÃO INTEGRADA DOS RECURSOS
HÍDRICOS (GIRH)

Three of the four dimensions of Integrated Water Resources Management


(Savenije, 2000) 27
4.GESTÃO INTEGRADA DOS RECURSOS
HÍDRICOS (GIRH)
 Uma definição alternativa de GIRH, que é amplamente
citada, é aquela proposta pela Global Water Partnership:

A GIRH é um processo que promove o desenvolvimento e


gerenciamento coordenado de água, terrestre e recursos
relacionados, a fim de maximizar o bem-estar econômico
e social resultante de forma equitativa sem comprometer
a sustentabilidade dos ecossistemas vitais (GWP, 2000).

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4.GESTÃO INTEGRADA DOS RECURSOS
HÍDRICOS (GIRH)

• Para realizar a GIRH, são necessários arranjos legais,


institucionais e financeiros adequados que reconheçam
as quatro dimensões da GIRH.

• Para que uma sociedade obtenha os arranjos adequados,


requer uma política sólida sobre a água.

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5. PRINCÍPIOS E POLÍTICAS NA GRH
 Para que um país mude sua gestão da água para um
sistema de gestão mais holístico e integrado, será
necessário rever sua política de água.
 Uma política de água geralmente começa com a definição
de um pequeno número de princípios e objetivos básicos,
como a necessidade de desenvolvimento sustentável e o
desenvolvimento socioeconômico desejável.

 Três princípios de política chave são conhecidos como os


três 'E's como definidos por Postel (1992):

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5. PRINCÍPIOS E POLÍTICAS NA GRH
a) Equidade: a água é uma necessidade básica.
 Nenhum ser humano pode viver sem um volume básico
de água doce de qualidade suficiente.
 Os seres humanos têm um direito humano básico de
acesso aos recursos hídricos (Gleick, 1999).

Este princípio de política está relacionado ao fato de que a


água é muitas vezes considerada um bem público.
A água é um requisito básico para a vida e sobrevivência
humana, e a sociedade tem de defender o uso dos
recursos hídricos em interesse público.
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5. PRINCÍPIOS E POLÍTICAS NA GRH
A partir daqui, uma série de outras questões podem ser
derivadas, como segurança (proteção contra inundações,
secas, fome e outros perigos).

b) Integridade ecológica: os recursos hídricos só podem


persistir em um ambiente natural capaz de regenerar
água (fresca) de qualidade suficiente.
• Somente o uso sustentável da água pode ser permitido, de
modo que as futuras gerações possam usá-lo de maneira
similar à geração atual.

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5. PRINCÍPIOS E POLÍTICAS NA GRH
 c) Eficiência: a água é um recurso escasso.

 Deve ser usado de forma eficiente; portanto, os arranjos


institucionais devem ser tais que a recuperação de custos dos
serviços de água deve ser alcançada.

 Isso garantirá a sustentabilidade das infra-estruturas e das


instituições, mas não deve comprometer o princípio da
equidade.

 Aqui vem a questão do preço da água, e se a água deve ou não


ser comercializada de acordo com seu valor econômico.
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5. PRINCÍPIOS E POLÍTICAS NA GRH
 A GRH procura encontrar compromissos adequados
entre esses princípios políticos que às vezes são
conflitantes entre si e com os diferentes aspectos
(dimensões) da GIRH (Savenije e Van der Zaag, 2002).

 Para enfatizar a consistência das políticas, apesar das


contradições que inevitavelmente surgirão, as declarações
de políticas são muitas vezes resumidas em uma
declaração de "visão" que define o futuro desejado para o
qual a política contribui.

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5. PRINCÍPIOS E POLÍTICAS NA GRH

Exemplo: Visão da África Austral para a Água, formulada


como um futuro desejado que é caracterizado por:

 Utilização equitativa e sustentável da água para a justiça


social, ambiental, integração regional e benefício
econômico para as gerações presentes e futuras.

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5. PRINCÍPIOS E POLÍTICAS NA GRH
Um público mais amplo é mais provável de se identificar e
lembrar das declarações de visão simples e curtas.

Exemplo: a política sul-africana da água, que foi resumida


no Livro Branco da África do Sul sobre os recursos
hídricos da seguinte forma:

 "Alguma (água) para todos para sempre".

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5. PRINCÍPIOS E POLÍTICAS NA GRH
Ambos os exemplos da África Austral demonstram
claramente que existem duas questões primordiais que
atravessam a GIRH, porém o último é entendido, a saber:
a sustentabilidade e o interesse público.

Relacionada com sustentabilidade são:


 manutenção da qualidade ambiental (incluindo a
qualidade da água),
 a sustentabilidade financeira (recuperação de custos),
 a boa governanção e a capacidade institucional
(capacitação, recursos humanos, instrumentos de gestão,
políticas adequadas e quadros jurídicos) ).

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5. PRINCÍPIOS E POLÍTICAS NA GRH
Relacionados ao interesse público são:
 equidade (o direito básico de acesso das pessoas aos
recursos hídricos),
 alívio da pobreza (responsabilidade da sociedade para
nutrir os interesses dos menos favorecidos),
 gênero (o papel central das mulheres na gestão da água a
nível local e além),
 segurança (proteção contra inundações, secas e perigos),
 segurança e saúde alimentar e,
 a nível regional, boa vizinhança e paz regional.

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6. PLANEAMENTO E SUSTENTABILIDADE
DOS RECURSOS HÍDRICOS
Desde a aparição do relatório Brundtland "Nosso Futuro
Comum" (WCED, 1987), o desenvolvimento sustentável
foi adotado como a filosofia de liderança que, por um
lado, permitiria ao mundo desenvolver seus recursos e,
por outro lado, preservar os recursos não renováveis ​e
finitos e, garantir condições de vida adequadas para as
gerações futuras.

A Brundtland definiu o desenvolvimento sustentável como


"Desenvolvimento que atende às necessidades da geração
atual, sem comprometer a capacidade das gerações
futuras de atender às suas próprias necessidades".
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6. PLANEAMENTO E SUSTENTABILIDADE
DOS RECURSOS HÍDRICOS
 O desenvolvimento de recursos hídricos que não é
sustentável é mal planejado.
 A Sociedade Americana de Engenheiros Civis reconheceu
a importância da sustentabilidade e deu a seguinte
definição ampla de sistemas de recursos hídricos
sustentáveis ​(ASCE, 1998):

Os sistemas de recursos hídricos sustentáveis ​são aqueles


projetados e gerenciados para contribuir plenamente para
os objetivos da sociedade, agora e no futuro, mantendo
sua integridade ecológica, ambiental e hidrológica.
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6. PLANEAMENTO E SUSTENTABILIDADE
DOS RECURSOS HÍDRICOS
TIPOS DE SUSTENTABILIDADE:
 físico, econômico e institucional.

Sustentabilidade física

A sustentabilidade física significa fechar os ciclos de recursos e


considerar os ciclos em sua integridade (ciclos de água e
nutrientes).

Na agricultura, isso implica principalmente fechar ou encurtar


ciclos de água e nutrientes, de modo a evitar a acumulação ou
depleção (esgotamento ou diminuição) da terra e recursos
hídricos:
 o esgotamento da água resulta na desertificação.
 Acumulação de água na extração de água.
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6. PLANEAMENTO E SUSTENTABILIDADE
DOS RECURSOS HÍDRICOS
Sustentabilidade física
 A depleção de nutrientes leva à perda de fertilidade,
perda de capacidade de retenção de água e, em geral,
redução da capacidade de carga.
 A acumulação de nutrientes resulta em eutrofização e
poluição.
 Perda dos resultados do solo superior na erosão,
degradação da terra e sedimentação em outros lugares.
 A questão da sustentabilidade tem a ver com o
fechamento dos ciclos dentro de uma dimensão humana.

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6. PLANEAMENTO E SUSTENTABILIDADE
DOS RECURSOS HÍDRICOS
Sustentabilidade econômica
 A sustentabilidade econômica relaciona-se com a
eficiência do sistema.
 Se todos os custos e benefícios da sociedade forem
devidamente contabilizados e os ciclos são fechados, a
sustentabilidade econômica implica numa redução de
escala ao cortar os ciclos.
 A eficiência determina que os ciclos devem ser mantidos
o mais curto possível.

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6. PLANEAMENTO E SUSTENTABILIDADE
DOS RECURSOS HÍDRICOS
Sustentabilidade econômica

Exemplos de ciclos curtos são:

 conservação da água, fazendo o melhor uso da chuva


onde ela cai (e não drená-la e capturá-la para jusante e
bombeá-la novamente);

 Reciclagem de água no local em vez de drená-la para uma


estação de tratamento, após o qual é transportado ou
bombeado para trás em distâncias consideráveis ​etc.

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6. PLANEAMENTO E SUSTENTABILIDADE
DOS RECURSOS HÍDRICOS
Sustentabilidade econômica

O fechamento dos ciclos deve ser realizado em diferentes escalas


espaciais:

 A escala rural, que implica conservação da água, conservação


de nutrientes e solo, prevenção da super-drenagem e
reciclagem de nutrientes e resíduos orgânicos.
 A escala urbana, tanto nas cidades como nas mega-cidades,
que implica a reciclagem de água, nutrientes e resíduos.

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6. PLANEAMENTO E SUSTENTABILIDADE
DOS RECURSOS HÍDRICOS
 Sustentabilidade econômica

 A escala da bacia hidrográfica, que implica: conservação


do solo e da água na bacia hidrográfica, prevenção do
escoamento e drenagem desnecessária e aumento da
infiltração e recarga, retenção de inundações, controle de
poluição e uso sábio das zonas húmidas.

 A escala global, onde os ciclos de água, nutrientes e


recursos básicos são integrados e fechados.

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6. PLANEAMENTO E SUSTENTABILIDADE
DOS RECURSOS HÍDRICOS
Sustentabilidade institucional
 Para garantir a sustentabilidade, as decisões certas devem
ser tomadas.
 Isso exige que as instituições relevantes estejam em vigor,
o que pode facilitar os processos de decisão apropriados.
 Além disso, as instituições precisam responder
adequadamente aos requisitos em mudança e a um
ambiente em mudança no qual eles operam.
 Eles devem ter a capacidade de se adaptar às
circunstâncias emergentes.

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6. PLANEAMENTO E SUSTENTABILIDADE
DOS RECURSOS HÍDRICOS
 Sustentabilidade institucional

 Suas capacidades adaptativas indicam se elas se


mostrarão como instituições sustentáveis.

 Um sistema sustentável é ativo e capaz de manter sua


estrutura (organização), função (vigor) e autonomia ao
longo do tempo e é resiliente no estresse.

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6. PLANEAMENTO E SUSTENTABILIDADE
DOS RECURSOS HÍDRICOS

 A GIRH requer instituições fortes;


 As instituições sustentáveis exigem boa governança
 As instituições que são governadas com sabedoria
provavelmente manterão sua resiliência e serão
sustentadas ao longo do tempo.
 Assim, parece que as instituições sustentáveis e a boa
governança vão de mãos dadas. Eles precisam e
pressupõem cada um.

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7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH
 A consciência internacional da importância dos
problemas de gerenciamento de recursos hídricos está
crescendo.
 Originalmente, a abordagem era tipicamente sub-
setorial, principalmente em relação ao abastecimento de
água, saneamento, irrigação e energia (hidrelétrica).
 Os engenheiros preveriam a demanda por água e a
necessidade de projetos e, posteriormente, forneceriam
essas necessidades.
 Muitas vezes, faltava coordenação entre setores e as
necessidades do meio ambiente foram ignoradas.
 Recentemente, no entanto, há um consenso crescente
sobre a necessidade de abordagens integradas.
50
7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH
 Tony Allan (2003) descreveu a evolução da gestão de
recursos hídricos de acordo com cinco paradigmas de
gerenciamento de água:
 (1) pré-moderno
 (2) paradigma industrial com sua "missão hidráulica" de
construção da barragem,
 (3) "verde “paradigma que reconheceu a necessidade de
respeitar o meio ambiente,
 (4) paradigma "econômico“ que enfatizou o valor de
escassez da água e o papel dos instrumentos econômicos
na resolução de alguns dos desafios,
 (5) paradigma da GIRH que tenta ter uma perspectiva
holística.
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7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH
 A Conferência Internacional sobre Água e Meio
Ambiente (ICWE) em Dublin (1992), conduziu aos
Princípios de Dublin.
 Os Princípios de Dublin formaram-se em importantes
contribuições para o Rio de 1992, que culminaram com a
adoção do Capítulo de Água Fresca (Capítulo 18) da
Agenda 21 (ONU, 1992).
 O Capítulo 18 ("Proteção da qualidade e oferta de
recursos de água doce: aplicação de abordagens
integradas ao desenvolvimento, gerenciamento e uso de
recursos hídricos") da Agenda 21 enfatizou a necessidade
de uma abordagem integrada para a gestão dos recursos
hídricos:
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7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH
 "18.3. A escassez generalizada, a destruição gradual e a
poluição agravada dos recursos de água doce em muitas
regiões do mundo, juntamente com a invasão progressiva
de atividades incompatíveis, exigem o planejamento e
gerenciamento de recursos hídricos integrados. Essa
integração deve abranger todos os tipos de corpos de água
doce inter-relacionados, incluindo água de superfície e
subterrâneas, e considerar devidamente a quantidade e
qualidade de água. A natureza multissetorial do
desenvolvimento dos recursos hídricos no contexto do
desenvolvimento socioeconômico deve ser reconhecida,
bem como a utilização de múltiplos interesses dos
recursos hídricos ... "
53
7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH
 O Capítulo 18, de fato, deu a primeira definição de GIRH.

 Depois de Dublin, com o apelo à gestão integrada, o alto


grau de fragmentação do setor de água na comunidade
internacional, e em particular a família da ONU, tornou-
se fortemente sentida.
 O interesse da água está fragmentado em muitas
organizações diferentes, como a OMM, a OMS, a FAO, a
UNESCO, o PNUD, o PNUMA e a UNICEF.

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7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH
 As etapas importantes para uma maior coordenação
foram a formação da Global Water Partnership (GWP) e
do World Water Council (WWC), que têm como objetivo
coordenar a implementação dos princípios e práticas da
GIRH em todo o mundo.
 Embora haja, sem dúvida, alguma sobreposição entre as
duas organizações;
 o WWC concentra-se na conscientização em níveis
políticos;
 o GWP visa a implementação de conceitos da GIRH no
nível operacional.
 Juntos, têm sido a força motriz do segundo, terceiro e
quarto fóruns mundiais da água. 55
7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH
 Na Conferência do Milênio das NU (setembro de 2000),
os líderes mundiais colocaram o desenvolvimento no
centro da agenda global.
 Adotaram oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
(ODM), que estabelecem metas claras para reduzir a
pobreza, a fome, a doença, o analfabetismo, a degradação
ambiental e a discriminação contra Mulheres até 2015.

 Os oito ODM constituem uma agenda ambiciosa para


melhorar significativamente a condição humana até 2015.

56
7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH

 Pelo menos cinco dos oito ODM requerem uma boa


gestão da água; Eles não podem ser alcançados sem ela:

 o uso melhorado das chuvas e da água de irrigação


aumentará o rendimento das culturas e ajudará a
erradicar a fome (Objectivo 1 Alvo 2); e o aumento do
acesso a água produtiva também reduzirá a pobreza
(Objetivo 1 Alvo 1);

57
7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH
 Pelo menos cinco dos oito ODM requerem uma boa
gestão da água; Eles não podem ser alcançados sem ela:

 melhoria da operação e manutenção dos sistemas


existentes de abastecimento de água e infra-estrutura de
saneamento e esgoto, e a construção de novas instalações
aumentará significativamente o acesso (Objetivo 7 Alvos
10 e 11) e, assim, reduzir a mortalidade infantil (Objetivo 4
Alvo 5) e a incidência de malária e outras doenças
transmitidas pela água (Objetivo 6 Alvo 8) e terão um
efeito positivo na saúde materna (Objetivo 5 Alvo 6); e

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7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH
 o reconhecimento do meio ambiente como um usuário
legítimo da água; A melhoria da gestão da qualidade da
água e o gerenciamento de bacias hidrográficas e a
reciclagem de nutrientes contribuirão para reverter a
tendência atual de degradação dos recursos ambientais
(Objetivo 7 Alvo 9).

Considerando que existem muitos campos que têm o


potencial de contribuir para alcançar os Objetivos, os três
seguintes teriam, em nosso entender, prioridade:

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7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH

 1. Fazendo os sistemas de produção de molho de frutos


secos mais produtivos (duplicação dos rendimentos das
safras) e mais resilientes aos choques climáticos e, assim,
contribuem para a segurança alimentar, por meio de
técnicas inovadoras de conservação de água e solo e
conservação de água e gerenciamento de nutrientes.

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7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH

 2. Aumentar o acesso a água potável e saneamento nas


áreas periurbanas das grandes cidades através de:

 (a) aumentar a eficiência dos sistemas de abastecimento de


água urbana e gestão da demanda de água,
 (b) desenvolver e implementar novas formas sustentáveis ​de
saneamento, e
 (C) acordos de financiamento inovadores.

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7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH

 3. Tornar as organizações de captação mais eficazes na


alocação de água, na mediação de conflitos e na busca de
um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a
sustentabilidade ambiental, através do aprimoramento dos
arranjos locais de gestão da água e através do uso de novas
tecnologias de informação.
 Isso pode preencher o vazio institucional entre a bacia
hidrográfica local e as escalas da bacia hidrográfica.

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7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH

 Durante o 2º Fórum Mundial da Água, realizado em Haia


(março de 2000), as delegações de 113 países se reuniram
na conferência ministerial paralela e adotaram por
unanimidade o conceito de GIRH.
 Um número significativo de especialistas que
participaram do Fórum em Haia queria o acesso à água
para ser declarado um direito humano.
 Isso não se materializou.

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7. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: PARA A GIRH
 No entanto, dois anos depois, o Comitê de Direitos
Econômicos, Sociais e Culturais da ONU definiu o direito
à água no Comentário da Assembléia Geral Nº 15 (2002)
como o direito de todos "a água suficiente, segura,
aceitável, fisicamente acessível e acessível para uso
pessoal e doméstico ".
 A principal responsabilidade pela implementação do
direito à água recai sobre os Estados e seus governos
nacionais.

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8. PROBLEMAS E DEBATES PENDENTES
 Os desenvolvimentos desde o Rio demonstram a
crescente preocupação da comunidade global com a água.
 Pode-se também discernir uma crescente convergência
sobre a maioria dos conceitos subjacentes à GIRH.
 Não há quem estivesse em desacordo com os três
primeiros princípios de Dublin:

 A gestão da água requer uma abordagem integrada e


participativa e que as mulheres devem desempenhar um
papel fundamental em todos os aspectos da gestão da
água.

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8. PROBLEMAS E DEBATES PENDENTES
 Existe também um consenso emergente de que, em
termos de alocação de água, as necessidades humanas
básicas devem ser prioritárias;
 E que outros usos devem ser priorizados de acordo com as
necessidades da sociedade e os critérios socioeconômicos.
 A bacia hidrográfica é aceita como a unidade lógica para a
gestão de recursos hídricos.

No entanto, uma série de questões importantes ainda não


foram resolvidas:

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8. PROBLEMAS E DEBATES PENDENTES
 O que significa a água ser considerada um bem
econômico?
 Existe escassez de água?
 Por que é tão difícil fornecer acesso a água
suficientemente segura e serviços de saneamento
adequados a toda a população global?
 Como podemos garantir que o setor privado desempenhe
sua parte (positiva) no setor de água, sem as possíveis
consequências negativas?
 Devemos visar a auto-suficiência alimentar ou a
segurança alimentar?

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8. PROBLEMAS E DEBATES PENDENTES
 Podemos melhorar o uso eficiente das chuvas para
aumentar a produção de alimentos?
 Que arranjos institucionais são necessários para
implementar GIRH? O que significa se dissermos que
precisamos de boa governança da água?
 As instituições de captação devem ter funções executivas
ou deveriam ser apenas plataformas de coordenação, e as
instituições de linha implementam decisões?
 A crescente pressão sobre os recursos hídricos levará
inevitavelmente a um aumento dos conflitos sobre a
água, localmente e entre países ribeirinhos?

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8. PROBLEMAS E DEBATES PENDENTES

 Quanta água o meio ambiente requer? Qual prioridade


deve ter a água ambiental?
 Precisamos de mais barragens?
 Quais podem ser as implicações das mudanças climáticas
para o gerenciamento de recursos hídricos?

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8. PROBLEMAS E DEBATES PENDENTES
Há muitos pontos de crítica no conceito de GIRH, mas os três
seguintes destacam-se:

1. GIRH como um conceito é mal definido, e significa coisas


diferentes para diferentes pessoas e públicos.
Por isso, não possui clareza analítica.
Para piorar as coisas, o conceito geralmente é usado com uma
certa conotação "normativa": a GIRH é vista como "boa".
As pessoas são, portanto, tentadas a (ab) usá-lo e re-
enquadram as coisas que costumam fazer de novas maneiras,
mas sem mudar fundamentalmente sua abordagem (por
exemplo, a barragem, irrigação, água potável, etc.).

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8. PROBLEMAS E DEBATES PENDENTES
2. A GIRH é a encarnação de uma tendência para o setor de
água reivindicar a singularidade e, portanto, um espaço
institucional especial.
Isso, no entanto, criou um problema de "ajuste institucional"
com outros setores e instituições, e também pode ter uma
maior concorrência em relação aos escassos recursos
institucionais.
Em tudo isto pode ter diminuído a capacidade de uma
abordagem integrada da água e do desenvolvimento
relacionado (pense no planejamento espacial).

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8. PROBLEMAS E DEBATES PENDENTES
 3. Muitos países de desenvolvimento apontam para o fato
de que o que eles precisam é o desenvolvimento de recursos
hídricos antes que eles possam se concentrar no
gerenciamento de recursos hídricos - sem hardware, não há
maneira de gerenciar adequadamente os recursos hídricos.
Considerando que, em nossa leitura, o conceito GIRH
engloba tanto o hardware quanto o software, muitos
doadores realmente tendem a favorecer o suporte para
medidas macias (por exemplo, desenvolvimento
institucional) em comparação com medidas difíceis (por
exemplo, desenvolvimento de infra-estrutura).

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