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COLÉGIO ESTADUAL SAGRADA FAMÍLIA – ENSINO FUNDAMENTAL,

MÉDIO, NORMAL E PROFISSIONAL.


Relatório Final de Pesquisa de Iniciação Científica

SONHOS, FREUD E OS ALUNOS DO CESF

CAMPO LARGO
2019
EMANUELA FERNANDA LUSTOSA PRATES – 09
JULIA INÊS CAVALLI POLETO – 18

SONHOS, FREUD E OS ALUNOS DO CESF

CAMPO LARGO
2019
SONHOS, FREUD E OS ALUNOS DO CESF

1. INTRODUÇÃO
No fim do século XIX, Sigmund Freud contesta a concepção da neurofisiologia
sobre os sonhos, se negando a crer que esse fenômeno não apresentava nenhum
significado. Este fato o levou a escrever o livro A Interpretação dos Sonhos, em que
apresenta uma técnica para análise e compreensão dos sonhos, além de expor
determinados fatores que estimulam a atividade onírica. Vale ressaltar que, Freud
considera os sonhos como realizações de desejos oprimidos.
Considerando os estudos feitos para o desenvolvimento do livro (FREUD,
1900), este relatório terá um foco especial nos sonhos considerados mais comuns,
descritos e interpretados por Freud, sendo realizada uma pesquisa nas turmas de 3°
anos E.M e 4° anos da Formação de Docentes para analisar se esses sonhos se
aplicam a realidade dos alunos.

2. PROBLEMA DE PESQUISA
Os sonhos classificados como mais recorrentes por Freud aplicam-se aos
alunos dos 3° anos E.M. e 4° anos da Formação de Docentes do Colégio Estadual
Sagrada Família?

3. OBJETIVOS
Geral
● Compreender a teoria de Freud sobre os sonhos e fazer um levantamento
dos sonhos mais frequentes citados por ele junto aos alunos dos 3° anos E.M.
e 4° anos da Formação de Docentes do CESF.

Específicos
● Identificar o que influencia na formação do sonho;
● Apontar os sonhos mais frequentes e seus significados, segundo Freud;
● Fazer um levantamento da quantidade de pessoas dos 3° anos E.M. e 4°
anos da Formação de Docentes do CESF que tiveram os sonhos citados
como mais frequentes dentro da teoria de Freud.

4. METODOLOGIA
Ao elaborar este relatório, foi necessário um processo de organização para o
aprofundamento do tema de pesquisa, que relaciona as teorias de Freud sobre os
sonhos, classificando os mais comuns, com a realidade dos alunos dos 3° anos do
E.M. e dos 4° anos da Formação de Docentes do CESF.
O desenvolvimento teórico resultou de pesquisas bibliográficas em artigos
científicos publicados na base Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e nos
livros A Interpretação dos Sonhos Parte 1 e Parte 2, escritos por Sigmund Freud.
Além disso, houve uma pesquisa de campo com a produção de um
questionário, que foi distribuído nas turmas dos 3° anos A, D e E, e nos 4° anos A e
B do CESF, com o intuito de comprovar se os sonhos, descritos como mais
frequentes por Freud, aplicaram-se ou não a realidade dos estudantes.

5. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

5.1. O QUE SÃO SONHOS


Freud (1900, p. 91), em seu livro A Interpretação dos Sonhos (Parte 1), define
os sonhos como "fenômenos psíquicos de inteira validade", podendo ser inseridos
no conjunto de práticas mentais precisas de vigília.
Segundo os autores Masiero, Oliveira, Ragnoli e Gozzoli (2006, p. 64), a partir
de suas observações dos estados psicopatológicos, Freud perseguia o princípio de
que todos os sonhos, sem exceção, sustentavam seu próprio sentido, sendo quase
sempre desconhecido, disfarçado por uma série de ações inconscientes e
diretamente vinculado à vivência cotidiana ou remota do sonhador.
Além disso, ao analisar os sonhos recolhidos dele mesmo, dos seus pacientes
e de alguns de seus amigos, Freud (1900, p. 95) consegue mostrar que os sonhos
poderiam ser compreendidos apenas “como realizações de desejos e que trazem
seu sentido estampado no rosto” e se encontram sob as mais comuns e diversas
circunstâncias.

5.2. INFLUÊNCIAS NA FORMAÇÃO DOS SONHOS


Freud (1900, p. 26) diz que os sonhos são o resultado de uma perturbação do
sono, ou seja, o sonho seria uma reação a uma perturbação. Portanto, não ocorreria
um sonho sem que houvesse algo perturbador acontecendo no sono.
Os estudos dos estímulos dos sonhos começaram a ser discutidos depois que
o tema se tornou um interesse de pesquisas biológicas, pois a ciência começou a
ser confrontada para determinar se o estímulo para o sonho era apenas um ou se
haveriam outros; uma vez que os povos mais antigos acreditavam que os sonhos
eram um fenômeno mítico inspirado pelos deuses.
Segundo Masiero, Oliveira, Ragnoli e Gozzoli (2006, p. 65), Freud aponta
quatro fontes de estímulos dos sonhos, resumidamente, são eles:
● Estímulos sensoriais externos: quando levemente adormecidos, os
órgãos dos sentidos humanos conseguem captar estímulos exteriores
como sons, luzes e sensações táteis, e, a partir daí, elaborar um sonho.
● Estímulos internos subjetivos: como nas alucinações ou ilusões, a
atividade cerebral cria imagens, sons ou sensações enquanto estamos
adormecidos; essas sensações se organizam na forma de sonhos.
● Estímulos somáticos orgânicos internos: se dormirmos privados de
alguma necessidade fisiológica, tentaremos compensar a falta através
do sonho. Se tivermos fome, sonharemos com alguma comida, com
sede, sonharemos com água, e assim por diante.
● Estímulos por fontes psíquicas: são sonhos cujas fontes
estimuladoras não passariam pelo somático, ou seja, não decorrem da
vida mental.

5.3. SONHOS TÍPICOS


Sigmund Freud (1900, p. 165) destaca que cada pessoa tem liberdade de
construir seu mundo onírico segundo suas individualidades e assim torná-lo
ininteligível para outras pessoas. Porém, existem sonhos que quase todas as
pessoas têm da mesma forma e presume-se que tenham o mesmo sentido para
todos. Além disso, há um interesse especial ligado a esses sonhos típicos, pois,
possivelmente decorrem das mesmas fontes em todos os casos.
Em seu livro, Freud tenta aplicar sua técnica de interpretação de sonhos aos
sonhos típicos, dizendo que ao tentar interpretar um desses sonhos, geralmente o
sonhador não produz certas associações que contribuíram para sua compreensão,
ou suas associações são obscuras e insuficientes, sendo impossível resolver o
problema.
Alguns dos sonhos típicos citados por Sigmund Freud (1900, p. 166-188 e
1900-1901, p. 33-41) são: sonhos embaraçosos por estar despido; sonho sobre a
morte de pessoas queridas; estar voando; estar caindo; sonhos com exames
(provas); perda de trem; sonhos com estímulos dentais; estar flutuando; nadando;
passando por ruas estreitas; sonhos com fogo; sonhos eróticos; sonhos com
ladrões; sendo perseguido por animais selvagens/touros/cavalos; sendo ameaçado
com facas/punhais/lanças; sonhos com a necessidade de urinar/defecar e também
sonhos com fantasmas.

6. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foi realizada uma pesquisa de campo com algumas turmas de 3° ano E.M. (A,
D e E), e os 4° anos (A e B) da Formação de Docentes, com o intuito de relacionar
os sonhos típicos apresentados por Freud, em A Interpretação dos Sonhos, com as
experiências dos alunos.
Essa pesquisa foi feita com 103 pessoas e apenas uma informou não ter tido
nenhum dos sonhos apresentados no questionário, portanto totalizando 102
pessoas.
Questão: Com qual/quais das opções abaixo você já sonhou?
SONHOS
01 Estar despido

02 Morte de pessoas queridas


03 Voar
04 Cair
05 Sobre exames (provas)
06 Perda de trem (transporte usado)
07 Estímulos dentais
08 Flutuar
09 Nadar
10 Com fogo
11 Eróticos
12 Passar por ruas estreitas
13 Com ladrões
14 Ser perseguido por animais selvagens/touros/cavalos
15 Ameaçado (a) por facas/punhais/lanças
16 Necessidade de urinar/defecar
17 Com fantasmas

Gráfico: porcentagem por sonho.

Fonte: o autor.
Das 102 pessoas, 81 já sonharam que estavam caindo, 69 com a morte de
pessoas queridas, 53 com ladrões, 45 que estavam sendo perseguidos por animais
selvagens/touros/cavalos, 44 com ameaças por facas/punhais/lanças, 39 com
fantasmas, 36 com a necessidade de urinar/defecar, 35 tiveram sonhos com exames
ou provas, 32 sonhos eróticos, 30 sonharam estar voando, 30 com fogo, 22
sonharam estar nadando, 20 flutuando, 19 passando por ruas estreitas, 15
sonharam estar despidos, 13 sonharam estar perdendo o trem (transporte usado) e
12 sonharam com estímulos dentais.
Considerando o número de entrevistados, a pesquisa possibilitou observar que o
sonho mais frequente entre os alunos é o de estar caindo, com um total de 81
pessoas (78%).
Sigmund Freud (1900, p. 38-39), em A Interpretação dos Sonhos, identifica que
os sonhos com a queda de grandes alturas possuem estímulos somáticos orgânicos
que, como já mencionados, têm a função de compensar alguma falta do sonhador.
Quanto à formação dos sonhos de queda, Freud explica:

Os sonhos de cair são geralmente caracterizados pelo sentimento de angústia.


Para Freud (1900-1901, p. 40), sua interpretação não oferece nenhuma dificuldade
no caso das mulheres, que quase sempre aceitam o uso simbólico da queda como
um modo de descrever a rendição a uma tentação erótica.
Freud relata que nunca teve nenhuma experiência com esse tipo de sonho, mas
acredita que os mesmos apresentam impressões da infância que traziam o
sentimento de prazer, se relacionando com alguma brincadeira ou jogo envolvendo
movimento ou susto – por exemplo, um adulto que simula deixar a criança cair, mas
logo assegura – que, depois de anos se repetem na forma de sonho, porém dessa
vez, sem obter nenhum apoio ou sustento.
Segundo Freud (1900, p. 185-186), essas brincadeiras da infância são o que se
repete nos sonhos de voar, cair, sentir tonturas e assim por diante, enquanto as
sensações prazerosas ligadas a essas experiências são transformadas em angústia.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por não concordar com o pensamento neurofisiológico, que afirmava que os
sonhos não apresentavam significados, Sigmund Freud escreveu o livro A
Interpretação dos Sonhos, no qual os define como "fenômenos psíquicos de inteira
validade", que podem ser entendidos como realizações de desejos ocultos.
Em seu livro, Freud aponta quatro fontes de estímulos para a formação dos
sonhos, que passaram a ser estudados depois que a ciência foi confrontada para
especificar quais eram e se existiam mais de um.
Existem alguns sonhos que quase todas as pessoas têm e, provavelmente,
possuem os mesmos significados em todos os casos. Mas, nos chamados sonhos
típicos, geralmente o sonhador não produzirá associações que poderiam colaborar
para seu entendimento.
A teoria dos sonhos típicos pode se aplicar à realidade de uma parcela dos
alunos do CESF, visto que durante a pesquisa realizada, grande parte das pessoas
entrevistadas já tiveram pelo menos um dos sonhos listados.

8. REFERÊNCIAS
MASIERO, A. L., OLIVEIRA, A. L. M., RAGNOLI, F. A. & GOZZOLI, L. C. A Crítica
Freudiana ao Reducionismo Biológico. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v.
26, n. 1, p. 58-69, mar. 2006.

FREUD, S. A Interpretação dos Sonhos I. [S.I.]: Imago Editora, 1900.

FREUD, S. A Interpretação dos Sonhos II e Sobre os Sonhos. [S.I]: Imago


Editora, 1900-1901.

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