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Sumário

1 Instalações de Água Potável, 1


1. I Introdução, 1
1.2 Abasteciinent? de Água aos Prédios, 1
1.3 Consumo de Agua nos Prédios, I6
1.4 Reservatórios, 2 1
1.5 Determinação das Perdas de Carga, 25
1.6 Elevação Mecânica da Agua - Bombeamento, 35
1.7 Dimensionamento dos Encanamentos, 68
1.8 Instalação Hidropneumática, 102
1.9 Instalações de Distribuição com Bombeamento Direto, 120
1.10 Captação de Agua de Poços, 126
1.11 Recebimento de Instalaçóes Prediais de Água Fria, 134
Referências, 134

2 Esgotos Sanitários, 136


2.1 Introdução, 136
2.2 Sistemas Públicos dc Esgotos, 136
2.3 Terminologia, 137
2.4 Simbologia. 161
2.5 Pei;as, Dispositivos, Aparelhos Sanitários e de Descarga Empregados nas Instalações de
Esgotos, 161
2.6 Elementos Básicos para o Projeto de Instalação de Esgotos Sanitários, 188
2.7 Tratamento de Esgotos, 219
2.8 Projeto de uma Instalação de Esgotos, 271
Referências, 279

3 Águas Pluviais, 281


3.1 Consideraçdes Gerais, 28 1
3.2 Esgotamento de Aguas Pluviais de Pequenas Áreas, 282
3.3 Esgotamento dr Aguas Pluviais de Areas de Mtdia Extensào, 293
Referências, 323

4 Instalações de Proteção e Combate a Incêndio, 324


4.1 Generalidades, 324
4.2 Classes de Incêndio, 325
4.3 Natureza da Instalação de Combate a Incêndio Relativamente ao Material Incendiado, 325
4.4 Classificação das Edificações, 330
4.5 Instalações de Combate a Incêndio com Água. Caracterizapio dos Sistemas Empregados. 330
4.6 Instalação no Sistema sob Comando com Hidrantes, 336
4.7 Casos Especiais de Instalação, 342
4.8 Indicações sobre o Emprego de Mangueiras, 346
4.9 Bomba para Combate a Incêndio, 349
X lnstalaçòes Hidráulicas

4.10 Especificações dc Bombas contra Incêndios, 352


4.11 Especificaçáo dos Materiais da Rede de Incêndio, 357
4.12 Sistema de Chuveiros Automáticos, 357
4.13 Extintores Poriáieia e sohre Rodas. 38 1
4.14 Projetos de Instalação de Combate a Incêndio em Edifícios, 3x3
4.15 Instalação de Combate a Incêndio com Espuma, 383
4.16 Nebulizadores para Resfriamento de Tanques, 398
4.17 Sistema de Alarme contra Incêndio, 398
Referências, 401

5 Instalações de Água Gelada, 403


5.1 Introdução, 403
5.2 Noções sobre o Processo de Refrigerac;ão, 403
5.3 Diagrama Entrópicu, 405
5.4 Equipamento para Produção de Água Gelada, 407
5.5 Dados para Elaboração do P ~ j e t ode Instalação para Água Gelada Potável. 408
5.6 Refrigeração Iiidividu?l da Agua, 409
5.7 Instalação Central de Agua Gelada Potável, 41 0
5.8 Instalações Compactas, 419
Referências, 419

6 Resfriamento da Água, 420


6.1 Generalidades, 420
6.2 Torres de Resfriamento ou de Arrefecimento, 420
6.3 Escolha de unia Torre de Resfriamento, 423
6.4 Instalaçáo com Torres de Resfriamento. 429
6.5 Controle do Sistema, 429
6.6 Torres de Resfriamento em InstalaçOes de Água Gelada Industrial, 432
Referências, 432

7 Instalações de Água Quente, 433


7.1 Generalidades, 433
7.2 Modalidades de Instalação de Aquecimento de Água, 433
7.3 Consumo de Agua Quente, 433
7.4 Vxzão das Peças de Utilização, 434
7.5 Funcionamento das Peqas de Utilização, 434
7.6 Pressões Mínimas de Serviço, 435
7.7 Pressão Estática Máxima' 435
7.8 Velocidade Máxinia de Escoamento da Água, 435
7.9 Perdas de Carga, 435
7.10 Diâmetro Mínimo dos Sub-ramais, 435
7.1 1 Produção de Agua Quente, 435
7.12 Aquecimento Elétrico, 437
7.13 Aquecimento com Gás,, 444
7.14 Instalação Ccntral de Agua Quente, 445
7.15 Produçáo de Agua Quente nas Instalações Centrais, 448
7.16 Cálculo das Instalayóes de Agua Quente, 454
7.1 7 Ohservaçoes Quanio à 1nstalac;àode Agua Quente. 461
7.1K Aquecedores com Energia Solar' 464
Referências. 469

8 Tratamento da Água, 471


8.1 Considerações Gerais, 471
8.2 Condições de Potabilidade da Água, 471
8.3 Grandezas Características das Condições da Água, 472
8.4 Tratamento da qgua para Torná-la Potável. 474
8.5 Tratamento da Agua para Fins Industriais, 482
Referências. 489

9 Instalações de Vapor, 490


9.1 Considcraçõcs Preliminares, 490
9.2 Fornias de Vapor. 49 1
9.3 Calor Sensível e Calor Latente, 49 1
9.4 Condensação de Vapor, 492
9.5 Constituição Essencial de um Sistema de Produção e Distribuição de Vapor, 492
9.6 Tubulações de Vapor, 493
9.7 Captação e Remoção do Condensado, 498
9.8 Tubulação de Retorno do Condensado, 507
9.9 Redução de Pressão do Vapor, 5 15
9.10 Eliminação do Ar nas Linhas de Vapor, 5 17
9.1 1 Vapor de Reevaporaçào, 5 18
9.12 Dilataqáo Térmica das Tubular;úes, 5 19
9.13 Distância entre Guias de Tubulações. 522
9.14 Esforços nos Apoios Fixos, 523
9.15 Flexibilidade das Tubulações, 523
9.16 Isolamento Térmico das Tubulações, 524
9.17 Suportes para Tubulações, 524
9.18 Casa de Caldeiras, 525
9.19 Caldeiras Elétricas, 528
9.20 Portana do Ministério do Trabalho sobre Caldeiras Estacionárias a Vapor, 530
Referências. 53 1

10 Ar Comprimido, 532
10.1 Importância do Emprego do Ar Comprimido, 532
10.2 Produção do Ar Comprimido, 533
10.3 Características dos Vários Tipos de Compressores, 533
10.4 Consumo Específico, 542
10.5 Descarga Livre Padrão (DLP) ou Descarga Livre Efetiva (DLE), 544
10.6 Fatores a Considerar na Escolha do Compressor, 545
10.7 Fundamentos de Termodinâmica Aplicáveis aos Compressores e as Instalações de
Ar Comprimido, 545
10.8 Instalação de Ar Comprimido, 559
10.9 Secagem Total de Ar Comprimido. 587
Referências. 590

11 Instalação de Gás Combustível, 591


1 1.1Generalidades, 59 1
11.2 Terminologia, 592
11.3 Ramais, 593
1 1.4Localiza$ão de Medidores, 594
1 1.5Instrução Técnica n." TT-l da CEC
Capacidades Nominais dos Aparelhos de Utilização ou Consuinos a serem Empregados nos
Dimensionamentos, 604
11.6 Coniprirnentos, Tabelas, Regras e Modelos de Folhas de Cálculos a serem Empregados no
Dimcnsionamenro, 604
11.7 Casos em que se Pode Deixar de Construir Instalações de Gás para Aquecimento de Água,
609
11.8 Instruções para Utiliza~ãodas Tabelas 11.4: 1 1.4a; 1 1.5; 1 1 .5a: 1 1.7; 11.7a; 11.8; 11.8a, 620
xii Instalações Hidráulicas

11.9 Condições Gerais para Execução da Instalaçjo das Tuhulaqòes para Gás de Rua, 620
11.10 Aparelhos de Utilização e Sua Adequação aos Ambientes, 621
1 1 . 1 1 Chaminés, 623
11.12 Projeto de Instalagões de Gás, 634
11.13 Execuqão das Instalacões. 639
I I. 14 Da Aceitação. 639
1 1.15 Sensor Hard Gass GC- I O, 639
1 1.16 Sensores de Gás, 640
Referências, 640

12 Gás Liquefeito de Petróleo, GLP, 641


12. I Generalidades, 64 1
12.2 Distribuição do GLP, 641
12.3 Pressão de Utilização, 642
12.4 Modalidades de Instalações de GLP, 642
12.5 Dimensionamento das Tubulaqões para GLP, 645
12.6 Propriedades Físicas do GLP, 65 1
12.7 Transferência de GLP em Estado Líquido, 652
12.8 Instalações de Vaporizacão do GLP, 653
12.9 Exigências Quanto às Instalações de GI.P, 654
12.10 Extinção de Incêndio em Cabine de Cilindros de GLP. h55
Referências, 655

13 Fluido Térmico, 656


13.1 Considerações Gerais, 656
13.2 Sistemas de Aquecimento com Fluido Térmico, 657
13.3 Dados Complementares, 660
13.4 Emprego do Sistema de Fluido Térmico. 661
13.5 "Vaporizadorcs" para Fluidos Térmicos. 662
Referências, 662

14 Instalação de Oxigênio, 663


14.1 Considerações Gerais, 663
14.2 Aplicações do Oxigênio. 663
14.3 Instalação de Suprimento de Oxigênio, 663
14.4 Dados para o Projeto. 664
14.5 Material Empregado, 665
14.6 Dimensionemento das Tubulações de Oxigênio. 665
14.7 Tanques para Armazenamento de Oxigênio Líquido, 667
14.8 Vaporização do Oxigênio Líquido, 668
14.9 Esquema Básico do Sistcma de Armazenagem de Oxigênio Líquido, 668
14.10 Proteção das Tuhulaçõcs para Oxigênio, h70
14.1 1 Instalação Hospitalar Típica, 670
Referências, 672

15 Materiais Empregados em Instalações, 673


15.1 Consideraç&s Gerais, 673
15.2 Tubos, 673
15.3 Conexões ou Acess6rios (Fiftinxs), 683
15.4 Válvulas, 693
15.5 Tubos e Conexões Diversas, 701
Referências. 702
16 Orçamento, 704

17 Biodigestores e Biogás, 706


17.1 Iiitrodupio, 706
17.2 Biomassas, 706
17.3 O Biogis, 708
17.4 Dosageni da Bicimassa para Emprego iio Biodigestor, 7 10
17.5 Condiçks para o Bom Funcionamento do Biodigestor, 7 10
17.6 Biofertilizantes. 710
17.7 Biodigcstores, 7 11
17.8 Emprego do Biogás, 71 1
17.9 Produção do Biogás. 712
17.10 Definições de Termos Usados no Processo de Biodigcstão, 7 12
17.11 Dimensionamento dos Biodigestorcs, 712
Referências, 720

18 Tabelas Úteis, 722

Índice Alfabético, 729


Instalações de Água Potável

A importância do conhecimento do tema deste capítulo é de evidência imediata. O uso de água fria potável nos pré-
dios constitui condição indispensável para o atendimento das mais elementares condições de habitabilidade, higiene e
conforto. Apesar de essa realidade não ser negaaa por ninguém, na prática às vezes ela se apresenta de modo diverso. O
abastecimento público de água pode apresentar-se de modo deficiente ou insuficiente. Há quem procure reduzir o custo da
conitruyáo de um prédio sacrificando as instalações. seja com o inadequado emprego de ccrtos materiais, seja com o
subdimensionaniento diis encanamentos, peças e equipamentos. O desconforto. os prejuízos e as questões que decorrem
do descaso para com o projcto, as especificaqões e a execução das ins(alac;óes, infelizmente, são realidades que ninguém
ignora e que muitos cxperiiueiitam pessoalmente.
As entidades iriunicipais ou estaduais, cuja inissio é abastecer de igua as cidades, procurando agir eni defesa dos
interesses do consumidor, em muitos casos estabelecem normas, regulamentos e exigências referentes à elaboração dos
projetos, ficando a ligação do ramal de abastecimento de água ao prédio dependendo da prévia aprovaqão desses projetos.
Em novembro de 1982 foi aprovada a Norma NBR-5626 da Associação Brasileira de Normas Técnicas, que substi-
tuiu a NB-92, de 1980. Essa norma representa. sem dúvida, valiosa contribuição para a melhoria do nível técnico dos projetos
c das i?stalações prediais de água fria.
E escusado diaer que. no desenvolvimento deste capítulo, devrremos ater-nos à NBR-5626182 comoum roteiro, que,
segundo mcnciona a própria noma. fixa cxigências tlcnica.r mínimas, quanto a higiene, segurança, economia e coníiirto
dos usuários.
Os estudantes, projetistas e profissionais quc lidam coiu instalações hidráulicas não podem prescindir da consulta e
utiliraqão da NBR-5626182 e de outras normas inencionadus na bibliografia, as quais devem fazer parte de suas bihliote-
cas. Devem também procurar ter ciência de alteraçòei que venham a ser introduzidas nas normas e de novas normas que
tenham relação coni instalaçòes.

As redes de ab?stecimento de água potável das cidades compreendem as adutorus, as linhas alimrntudor~~s e as li-
nhas disiribuidi)rus. As primeiras é reservado o papel de aduzir a água dos mananciais as estações de tratamento e dessas
aos reservatórios principais, estabelecendo a intercomunicação entre eles. As linhas alimentadoras servem para o abaste-
cimento de reservatórios secundários e das linhas distribuidoras. Unicamente a essas últimas cabe o encargo de fornecer
igua i s derivações para o abastecimento de cada prédio.
A inexistência de uma linha alimenradora no local onde vai ser constmído um prédio pode exigir o recurso à capta-
$ao de igua de poços. Certas indústrias, para as quais a falta de água representaria prejuízos muito graves. possuem insta-
lações de poços para atendimento a situações de eiiiergência. Por essa razão. abordaremos mais adiante algumas indica-
ç k s sobre captagão de poyos.
Excepcional e casualmente pode exisiir um riacho, córrego ou n o de onde a água pode ser retirada, tratada ou não.
conforme suas propriedades e condiçòes de potabilidade, constituindo-se numa forma de abastecimento ou suprimento
particular de extraordinário valor.
2 Instalaçõ~sHidráulicas Predinis e Industriais

1.2.1 Ramal de abastecimento


O abastecimento de água aos prédios é feito a partir do encanamento distribuidor público por meio de um ramal
predial, o qual compreende:
- Ramalpredialpropriamente dito, ou ramal externo. É o trecho do encanamento compreendido entre o distribui-
dor público de água e a instalação predial caracterizada pelo aparelho medidor ou limitador de descarga, o qual é conside-
rado como parte integrante do ramal externo.
- Alimentadorpredial ou ramal interno de alimenrafüo. É o trecho de encanamento que se estende a partir do
aparelho medidor ou limitador de consumo, isto é, do ramal predial at6 a primeira desivação, ou até a válvula de flutuador
(torneira de bóia) à entrada de um reservatório.

1.2.1.1 Ramal predial


Quando o assentamento do distribuidor público se fizer após a constmçáo do prédio, isto é, tratar-se de "rede nova",
a ligaçio pode ser feita com a colocação de um T na própria rede. Isto acontece quando se instala um ramal novo ou de
maior capacidade, após haver sido construido o prddio ou em decorrência da ampliação de suas instalaçóes.

Fig. 1.1Máquina da Mueller Co. para ahnr e rosquear furo e colocar registro de derivação com a rede pública.

Fig. 1.2 Registro de derivagão.


~nstníaçõesdr Agun Potável 3

Se o distribuidor público já estiver pronto quando o prédio for construido, haverá várias soluções para a inserção d o
ramal externo:
ls Fechar os registros do distribuidor, isolando assim o trecho onde será executado o ramal; fazer um furo no dis-
tribuidor, abrindo rosca e m seguida. Atarraxar depois o chamado registro de derivação. Este, se fechado, possi-
bilita a reabertura dos registros d o disüibuidor enquanto se completa a ligação do encanamento do ramal predi-
al.
2' Com o encanamento distribuidor em carga, pode-se usar uma máquina como a d a Mueller Co., que fura, abre
rosca e adapta o registro de derivação. É necessário que o encanamento distribuidor esteja em bom estado para
possibilitar o rosqueamento. Pode-se fazer derivações, isto é, ramais com até 2 112" (60 mm) d e diâmetro.
A Fig. 1 .I mostra a máquina Mueller R-2 adaptada a um encanamento; e a Fig. 1.2, um registro de derivação d o
mesmo fabricante. A Fig. 1.3 mostra os vários estágios da operação usando a referida máquina.
3 V o m o encanamento em carga, porém sem nele abrir rosca para inserir o registro de deriva~ão.

Fig. 1.3 Ligação de ramal com linha em carga usando máquina da Mueller Co.
I. A parte inferior da máquina contendo o mecanismo da válvula C adaptado à rede. A broca e o macho são colocados na pane superior
da máquina, no dispositivo de fixação da broca.
2. A parte superior da máquina. já com a bmca adaptada, é presa na se$ão inferior. A válvula foi aberta para que a broca descesse à
posi~áode furar.
3. A broca penetrou a parede do encanamento. A pressão da água faz com que penetre na câmara da máquina.
4. A broca com o macho penetra, à medida que vai sendo aberta a rosca no cano.
5. O mandril com a broca foram erguidos acima da câmara inferior. A vhlvula de retenção se fecha, impedindo a saída da igua. O dis-
positivo superior pode ser retirado sem perda de água.
- se adapta uma luva com o registro
6. O sistema de mandril, broca e macho foi retirado. Em seu lugar - de derivação.
7. O dispositivo superior, com oregistro de derivação atarraxado. é novamente adaptado à parte inferior do equipamento.
8. Girando-se a alavanca, a haste desce. adaptando o registro ao furo que havia sido feito. O registro vai sendo atarraxado no furo ros-
queado.
9. A ligação está terminada. A máquina pode ser removida e feita a ligação do ramal com o registro fechado. Terminada a ligação, abre-
se o mesmo
4 Instuluções H~drnulicasPrediais e lndustrinis

Utiliza-se, então, o colar de tomada, também chamado bridge ou colar de luneta. Este dispositivo permite fazer a
colocação do regiswo de derivação também sem necessitar interromper o abastecimento de água na rede pública. Usa-se
em distribuidores públicos, em geral com até 30 cm de diâmetro. O colar de luneta é uma espécie de calha ou braçadeira,
com furo rosqueado para adaptaçâo do registro de denvaçâo, que é apertada de encontro ao tubo por meio de outra calha,
utilizando parafusos e porcas, ou então uma ou duas braçadeiras rosqueadas para efetuar o aperto por meio de porcas. Entre
o encanamento e o colar coloca-se uma placa ou lâmina de chumbo. de amianto ou neoprene (que é colada no local), para
se obter a estanqueidade necessária.
A operação consiste na adaptação do colar e do registro de derivação ao colar. Aberto o registro, com uma máquina
de furar elétrica perfura-se o encanamento público, introduzindo, para isso, a broca no interior do registro. Ao ser furado
o encanamento, a água sai, mas retira-se rapidamente a máquina, fechando-se então o registro de macho de derivaçâo. Em
seguida se executa o ramal de derivação. Quando este estiver pronto, abrir-se-á definitivamente o registro de derivação.
A Fig. 1.4 é um colar de luneta tipo braçadeira.

Fig. 1.4 Colar de luneta tipo braçadeira

Do registro de derivação, também chamadoferrule, parte o ramal predial externo. Para diâmetros até 2" o ramal
pode ser executado em chumbo reforçado tipo água, em cobre ou PVC. Para diâmetros acima de 2", o ramal é executado
em ferro fundido, obrigando a inserção de um T e um registro de gaveta.

Fig. 1.5 Colar de tomada de PVC com travas, Tigre. Fig. 1.6 Colar de tomada de PVC com parafusos, Tigre.
Fig. 1.7 Ramal predial com colar de tomada de PVC

BlTOIAS
D I
rnrn ref

Fig. 1.8 Colar de tomada de ferro fundido para tubo Vinilfer (de PVC com conexões de feno fundido, F$J.

Nas ligaçks de chumbo, cobre e PVC, a saída do registro de derivação, dá-se uma curvatura ao tubo, ou usa-se peça
pronta chamadapescoqo de ganso. Essa pesa evita que o ramal se rompa. mesmo com a txepidação devida ao tráfego e i
acomodaqâo d o terreno, o que poderia ocorrer se o tubo estivesse esticado.
A Fig. 1.9mostra esquematicamente um ramal de abastecimento de água, podendo-se observar as peças constitutivas
do ramal externo e do ramal interno. A Cia. Hansen Industrial fabrica colar de tomada especial para derivação de ramal
predial em PVC.
6 1iisfalaçóesHidráulicas Predidinis e lndushiais

L I M I T E DA PROPRIEDAOE

1.so.
I RAMAL EXTERNO OU
uÁx1uo
PREDIAL
i L RAMAL INTERNO OU
A L I M E N T A D ( ~ ~ PREDIAL

L- DISTRIBUIDOR IENCINAMENTO DA REDE P ~ B L I C A I

Fig. 1.9 Esquema de um ramal de abastecimento d'dgua (sistema usual).

Registro de fecho
Em algumas municipalidades é adaptado ao ramal externo no trecho sob o passeio um tipo de registro de fecho de-
nominado depasseio, o qual é colocado numa caixade dimensões tais que a manobra do registro só pode ser realizada com
uma chave de boca com haste longa e cruzeta naextremidade. A finalidade do registro é possibilitar à repartição compe-
tente desligar a água sem penetrar na propriedade particular. Algumas municipalidades aboliram o emprego do registro de
passeio. Optaram por recorrer à cobrança judicial em caso de não pagamento da taxa de água (ou saneamento), em vez de
sumariamente cortarem o fornecimento da água.

1.2.1.2 Medição de consumo de água


O ramal externo termina no hidrômetro. isto é, no aparelho medidor do consumo de água. Na caixa onde é colocado
o hidrômetro existe um registro de pressão (de macho) ou de gaveta no ramal externo e um registro de pressão ou de ga-
veta no ramal interno. Pode ser exigido, ainda, um filtro antes do hidrômetro, provido de tela facilmente removível para
realização da limpeza. Note-se que todo o material do ramal externo, inclusive o hidrômetro. é fornecido pelo órgão públi-
co competente, o qual, evidentemente, o inclui no orçamento de ligação do ramal.
A instalação do hidrômetro é requisito para uma cobrança de valor justo para a água consumida, além de ser fator
importante de economia no gasto.
Têm sido utilizados como solução provisória, devido à falta ocasional de hidrômetros ou de aparelhamento fiscal
paraefetuaras medições mensais, os limitadores de vazão, conhecidos também comopenas d'água e suplementos. Apena
d'água é um tubo de pequeno comprimento com um estrangulamento tal que pela perda de carga oferecida ao escoamento
reduz a descarga que entra no ramal interno a valor prefixado. Nada pode medir. evidentemente: apenas limita o consumo,
numa tentativa de evitardesperdícios. O suplemento tem a mesma função: é um tubo de bronze ou de ferro fundido ao qual
se pode adaptar um disco ou pastilha com um orifício central de diâmetro compatível com a descarga que o úrgáo público
pretende proporcionar ao consumidor. A dimensão longitudinal do suplemento é a mesma da do hidrômetro padronizado
que está provisoriamente substituindo, seja pela falta de hidrômetro, seja pela sua eventual retirada para reparo, aferição
ou revisão.
A Fig. 1.10 mostra um tipo de suplemento, e a Fig. 1.11, a instalação tal como se apresenta.

Fig. 1.10 Suplemento ou limitador de consumo.


Insfalaçõts de Agua Potável 7

Fig. 1.11 Instalação de um suplemento lacrado.

Fig. 1.12 Cavalete de tubo de cobre para hidrômetro, proposto pela MBCO e adotado pela Cedae, do Estado do Rio de Janeiro.

Cada municipalidade adota uma modalidade de cavalete para a instalação de hidrômetro ou suplemento. Vemos, por
exemplo, na Fig. 1.12 o modelo de cavalete de cobre proposto pela NIBCO para a CEDAE no Rio de Janeiro; e na Fig.
1.13, o esquema correspondente a tubo de ferro galvanizado adotado pelo Saneago - Saneamento de Goiás S.A.
A Hansen Indystrial propõe uma solução prática para a instalação do hidrômetro ou do limitador de vazão até que
esse seja instalado. E o denominado Kit Cavalete Tigre. Na Fig. 1.14, vemos duas variantes desse cavalete com o emprego
do mesmo número de peças, e na Fig. 1.15, o hiddmetro nele instalado.
E fácil perceber que, sendo variáveis as condições da linha piezométrica da rede pública, penas ou suplementos com
o mesmo diâmetro de orifício permitirão descargas diferentes, conforme a maior ou menor pressão no ponto de ligação do
ramal a rede.
O hidrbmetro é instalado em uma caixa de alvenaria ou de concreto, que pode eventualmente ser enterrada, desde
que dotada de tampa hermética ou localizada onde não ocorra entrada de água pluvial. Em geral, o órgão público a quem
o fornecimento de água está afeto estabelece as medidas mínimas para as caixas de hidrômetros, em função do tipo, marca
e capacidade dos mesmos e dos acessórios (filtro, registros etc.) que exige.

Fig. 1.13 Cavalete para montagem de hidrômetro de 3 c 5 m3ihadotado pela Saneago-Saneamento de Goiás.
8 lnsialaçõ~sHidriulicas Predinis r Industriars

I P ~ / AQUANTIDADE / DISCRIMINA~AO
I
Tubo PVC ngido 1 2 w 3 4 x 70mm
7 2 Tubi PVC iigdo i 2 w 3 4 x 2mmm

6 1 Tubi PVC nyido 1 2 x 2mmm ou 3 4 x 290 mm

1 1 1 2 1 Tubo aleiado R8 12. ou 5 4 1

Fig. 1.14 Kit Cavalete Tigre para hidrômetro e limitador de consumo

Tipos de hidrômeiros
São dois os tipos empregados em instalações prediais:
- Hidrômetros volumétricos. Usados geralmente para pequenas descargas. Baseiam-se na medição direta do nú-
mero de vezes que uma câmara de volume conhecido é enchida e esvaziada pela ação de um êmbolo dotado de
movimento alternativo, ou de um disco rotativo de forma especial. ou. ainda, um disco oscilante. Exigem água
sem detritos ou substâncias estranhas, o que constitui um óbice para sua utiliza$ão sem o emprego de filtros.

Fig. 1.15 Kit Cavalete Tigre com


hidrgmetro instalado.
Instalações de A p a Potável 9

Fig. 1.16 Hidrômetro Schlumberger.

- Hidrômetros taquimétricos (de velocidade). Baseiam-se na dependência que existe entre a descarga e a veloci-
dade de rotação do eixo de um rotor dotado de palhetas, ou de um molinete (hélice axial) colocado numa câmara
de distribuição. Essa dependência é traduzida por-um coeficiente obtido experimentalmente. Geralmente, são
mais simples, de construção mais fácil, menorcusfo que os volumétricos, e, por isso mesmo, mais empregados.

Grandezaspróprias dos hidrômeiros


Chama-se descarga característica, ou vazão de plena carga de um hidrômetro, a descarga horária em escoamento
uniforme expressa em metros cúbicos, sob a carga de 10 m de coluna de água (100 kPa) e que indica, portanto, a capaci-
dade do hidrômetro. Os hidrômetros para instalações prediais possuem as seguintes descargas características (DC):3,5,7,
10.20 e 30 m3/h.
Início defuncionamento é a vazão horária apartir da qual o hidrômetro comqa a funcionar, fornecendo, de maneira
contínua, indicaçües do consumo.
Limite de sensibilidade é a descarga (vazão horária) especificada, sob a qual o hidrômetro entra em funcionamento.
Limite inferior de exatidão é a descarga a partir da qual o hidrômetro começa a dar indicações de consumo exatas,
melhor dizendo, com erros insignificantes dentro das tolerâncias de e m preestabelecidas.
Os hidrômetros volumémcos, quando novos, possuem maior sensibilidade e menor limite inferior de exatidóo que
os taquimétricos.
Existe uma certa descontinuidade no consumo de água da linha de distribuição e mesmo no próprio suprimento de
água, de modo que a pressão com a qual a água penetra no prédio, vinda pelo ramal, também varia, o que afeta o valor da
descarga real ou efetiva, uma vez que a pressão atuante seriadiferente daquela prevista na calibragem do hidrômetro e que
proporcionava a descarga característica (DC). Por isso, para se obter a descarga efetiva, multiplica-se a DC por um fator
denominadofator de carga, que pode ser encontrado em tabelas utilizadas pelas entidades públicas, às quais compete o
fornecimento de água.
Existem hidrômetros de mostrador seco e hidrômetros de mostrador submerso ou molhado. Devido aos problemas
que surgem nos do segundo tipo quando a água não é muito limpa, preferem-se os de mostrador seco na maioria dos casos.
A escolha do tipo de hidrômetro e de suas caractensticas é da competência do órgão público, sob cuja responsabili-
dade se acha o abastecimento de água da localidade. Náo cabe ao instalador proceder à sua escolha, mas entender-se com
a entidade em questão para dimensionar sem surpresas o ramal interno e a caixa do hidrômetro.
Quando as descargas a serem medidas forem muito grandes, empregam-se medidores baseados na utilização do pnn-
cípio hidráulico do tubo Venturi.

1.2.2 Sistemas de abastecimento e distribuição

Conforme a existência ou não de uma separação perfeitamente definida entre a rede pública e a rede interna do pré-
dio, classificam-se os sistemas de abastecimento em sistema direto, sistema indireto e sistema misto.

1.2.2.1 Sistema direto de distribuição


A alimentação da rede interna de distribuição é feita diretamente pelo alimentador ou ramal predial.
Esta modalidade requer abastecimento público com continuidade, abundância e pressão suficiente, pois não existe
qualquer reservatório no prédio. A rede interna é, por assim dizer, uma extensão da rede pública, e a distribuição interna é
ascendente.
O sistema direto tem sido adotado em muitas cidades européias por apresentar economia com a dispensa dos reser-
vatórios. Embora referido na NBR-5626182,não é usado em nossas cidades, por faltarem os requisitos que viabilizam sua
adoção, ou, então. por tratar-se de "arranha-céus" - que exigiriam uma pressão a que a rede pública não tem condições
de atender.

1.2.2.2. Sistema indireto de distribuição


Adotam-se reservatórios para fazer frente à intermitência ou irregularidade no abastecimento de água e às variações
de pressáo na rede pública decorrentes das varia~õeshorárias de consumo. Este sistema permite que a rede pública em vez
10 Insfalaf6es Hidráulicas Prediais e Industriais

de ser dimensionada para a descarga máxima (que pode atingir quase três vezes a descarga média) seja projetada para
atender à descarga média.
Dois casos podem apresentar-se:
a) A pressão da rede pública é suficiente para abastecer um reservatório de acumulação, que 6 colocado na parte
mais elevada do prédio. A distribuição interna é feita paitindo deste reservatório (Fig. 1.17).
b) A pressão da rede pública é insuficiente para abastecer um reservatório elevado. Emprega-se um reservatório em
cota reduzida, até mesmo abaixo do nível do meio-fio, de onde a água é recalcada por bombas que, conforme o tipo de
instalação, abastecerão:
- um reservatório elevado, do qual partirá a rede de distribuição interna por gravidade;
- um reservatório metálico, onde? água ficará pressurizada, e alimentará, por meio de uma rede de encanamen-
tos, os aparelhos de consumo. E a chamada instalação de água pressurizada, ou sistema hidropneumático, de
que trataremos mais adiante.
Vejamos os esquemas básicos destas instalações, em nível de esboço e não ainda de projeto.

Fig. 1.17 Sistema indireto. Fornecimento intermitente, com pressão

1 T a s o : Um reservatório elevado. E o que mostra a Fig. 1.18.

Fig. 1.18 Sistema indireto. Fornecimento intermitente e sem pressão. Um reservat6rio superior dividido em duas seçóes

ZQCaso:Mais de um reservatório elevado. Se o número de pavimentos conduzir a uma pressão máxima na coluna,
superior a 40 mca (400 kPa), pode-se optar pela solução indicada esquematicamente na Fig. 1.19, de se constmir dois re-
servatórios elevados (ou mais, conforme a altura do edifício) de modo que cada um atenda att um total de 12 a 13 pavi-
mentos.
Insfalaçiies de Agua Potável 11

Fig. 1.19 Sistema indireto. Fornecimento intermitente e sem pressão. Mais de um reservatório elevado

A dificuldade de realizar um banilete intermediário para distribuição da água pelo reservatório correspondente tem
levado os projetistas a preverem apenas reservatório superior e a empregarem válvulm de redução depressão, em vez do
reservatório intermediário, não obstante a necessidade de a válvula ser de excelente qualidade e o inconveniente de exigir
ocasionais regulagens.
A Fig. 1.20 mostra dois esquemas propostos pela Niagara S/A, conceituado fabricante de válvulas, para a instalação
de estaçõed de válvulas de redução de pressão, podendo-se ver na Fig. 1.20B a solução de colocar a válvula ao pé da
coluna para evitar que, havendo necessidade de uma regulagem na válvula, se tenha que incomodar morador ou ocupante
de andar intermediário.
Nos detalhes A e B, acham-se indicados:
I. Válvula automática de redução de pressão, sempre instalada em posição vertical (tubulação horizontal).
2. Manòmetro para ajustagem da pressão de saída.
3. Válvula de gaveta ou de globo para drenagem da linha.
4. Uniáes, para permitir a desmontagem das peças.
S. Desvios (by-pass), para evitar a intenupção do suprimento de água à coluna durante a manutenção ou reparos.
6. Válvulas de gaveta, normalmente abertas.
7. Válvula de gaveta. normalmente fechada.
3QCaso: Sistema hidropneumático ou de pressurização de ógua. A instalação correspondente a um sistema hidro-
pneumitico consiste essencialmente em um reservatório de aço; uma instalação de bombeamento do reservatório inferior
para o reservatório de pressurização referido; uma rede de distribuição de água pressurizada; um dispositivo para repor no
reservatório o ar que aos poucos for se dissolvendo na água; pressostatos ou sensores de pressão (ou eletrodos indicadores
de nível); manômetro e todo o equipamento elétrico necessário ao acionarnento, proteção e controle do motor da bomba.
O funcionamento B simples. Quando, em conseqüência do consumo, o nível da água baixa no reservatório cilíndrico
de pressurização,uma válvula, ou pressostato, ou. ainda, um sensor elétrico. fecha um circuito eléFco, atuando num contator,
o que faz a bomba funcionar, enchendo o reservatório com a água do reservatório inferior. A medida que a água sobe,
aumenta a pressão interna no reservatório e o colchão de ar superior se comprime, funcionando como um amortecedor e
armazenando energia. Quando a água atinge certo nível que comesponde B maior pressão de serviço, um pressostato ou
12 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

DETALHE 6

DETALHE A

Fig. 1.20 Estações de vilvulas de redução de pressão

sensor eléhico desliga o circuito, e a bomba cessa de funcionar. Ao atingir um nível superior prefixado, um sensor permite
à corrente elétrica acionar o motor de um compressor de ar.
Instalações de certo porte exigem a instalação do compressor de ar, o qual em instalações para pequenas vazões pode
ser substituído por um carregador de ar.
A Fig. 1.21 mostra a instala@o do equipamento para pressurização da água, e a Fig. 1.22 indica uma solução empre-
gando dois sistemas hidropneumáticos num mesmo edifício, cada um para atender h faixa de pressão correspondente a um
certo número de pavimentos. Em vez de se colocar um dos barriletes na cobertura, como indicado na Fig. 1.22, se o projeto

Fig. 1.21 Resemat6rio hidropneumático e instalação de bombeamento.


BIiMILCTE SUPERIOR
x x I r
I

Fig. 1.22 Instalação de dois sistemas hidropneumáticos em um edifíciocom grande número de pavimentos

arquitetonico o permitir, faz-se esse barrilete alimentando as colunas de baixo para cima. Isto, parém, é quase sempre in-
viável. pois os registros das colunas teriam de ficar em área de uso privativo. Entretanto, eventualmente, os registi-os po-
derão ficar no teto do subsolo.
Uma instalação hidropneumática supõe c!idados de manutençoo e não deve ser considerada como uma alternativa
normal da instalação com reservatório superior. E, porém, muito utilizadaem instalações industriais para dispensar a cons-
truçáo de castelos d'água (reservatórios sobre torres ou estruturas) por demais elevados; em residências cujo projeto
arquitetônico não admite um reservatório na cobertura; em edifícios cujas limitações de área, gabarito, estrutura ou con-
cepção arquitetônica não tomem possível ou aconselhável o emprego dos reservatórios elevados.

Fig. 1.23 Sistema misto de distribuiçáo.


14 Instnlnçòes Hidráiriicns Prediais e Otdirsfrinis

CASTELO d d 0 u A

-ALIMENTADOR

7 L 2 BOMBAS

~ i o e stçbrr
~ r s r n v ~ r d COM
~ O U A PARA L I M P E L I OU USO
INDUSTRIAL

Fig. 1.24 Sistema misto de abastecimento de uma fábrica.

4 T a s o : Sistema misto de distribuição. Tal como é entendido pela NBR-5626182. trata-se de uma combinação de
dois dos sistemas mencionados, por exemplo, o direto e indireto, isto é, uma parte da instalação é ligada diretamente à rede
pública, enquanto a outra, ao reservatório predial.
A Fig. 1.23 mostra um prédio de dois pavimentos, com sistema misto. Duas torneiras de limpeza (TL) no jardim
recebem a água diretamente da rede pública. As demais peças são alimentadas pelo reservatório no forro, o qual, por sua
vez, é alimentado pelo ramal interno.
Na Fig. 1.24 acha-se representada uma instalação de distribuição de água para uma indústria, que pode ser conside-
rada também como mista. A água potável é bombeada para um castelo d'água, de onde, por gravidade, alimenta os pontos
de consumo. Uma instalação de bombeamento de poço fornece água para limpeza ou uso industrial. A água de poço, de-
vidamente tratada, pode servir como reforço da água potável. Dependendo de suas características, mesmo sendo para uso
indusmal, a água do poço deverá ser submetida a um tratamento.
5"aso: Sistema de distribuiçüo com bombeamento direto. Embora não previsto na NBR-5626, achamos conveni-
ente fazer uma referência ao sistema supracitado, já empregado no Brasil, em hotéis estrangeiros e nacionais; e nos Esta-
dos Unidos, em prédios de escritórios, apartamentos, hotéis, hospitais e fábricas.
Trata-se de um sistema de distribuição interna de água fria, sob pressão constante graças à ação de bomba e à atua-
ção de váivulas automáticas de pressão constante, sem o emprego de reservatório superior e sem utilização do reservatório
hidropneumático.
O sistema consiste no bombeamento da água de um reservatório inferior diretamente em um barrilete, do qual saem
as colunas ou ramais de alimentação, que distribuem a água sob pressão constante, independentemente do consumo dos
aparelhos da rede interna.
Existem duas soluções para se conseguir o resultado desejado:
1 9 0 l y ã o : Emprego de duas, três ou mais bombas em paralelo, que automaticamente vão sendo ligadas ou desliga-
das em resposta ao sensor comandado or um aparelho medidor de descarga ligado ao bmilete, ao mesmo tempo em que
l
opera a válvula de pressão constante. o sistema proposto pela Federal Pump Corporation e pela Chicago Pump. concei-
tuados fabricantes de bombas nos Estados Unidos.
Z~01uçüo:Utilização de bombas de rotação variável que automaticamente, sob a a ~ ã de o transdutores e de sistema
eletrônico, passam a girar com o número de rotações necessário para proporcionar a descarga demandada pela rede inter-
na, sem variação apreciável na pressão de suprimento. E o sistema APCO-MATIC da Aurora Pump, empresa do Gmpo
General Signal Corporation, também norte-americana.
Ao final deste capítulo, daremos maiores esclarecimentos sobre esses sistemas.

1.2.3 Ramal intemo e reservatório de acumulaqão

O ramal intemo começa a partir do hidrômetro e se estende até a torneira de bóia ou válvula de flutuador colocada na
caixa piezométrica.
A caixa piezomktrica é uma caixa reguladora do nível piezométrico, com entrada da água a 3 m acima do meio-fio.
Em geral é uma caixa de 200 a 300 1, de cimento-amianto (fibrocimento).
Fig. 1.25 Alimentaçáo de 1esewat6no inferior, com tomeira de b6ia a 50 cm, no mínimo, acima do nível do meio-fio

O uso da caixa piezométrica corresponde a uma tentativa do Órgão público de proporcionar uma distribuição com
pressão igual, tanto quanto possível, para todos os consumidores. Que não atinge plenamente o objetivo é desnecessário
dizer. Por isso, mesmo em municípios onde seu uso é previsto, os pedidos de ligação, uma vez analisados pelo órgão com-
petente, em muitos casos são deferidos sem a exigência da instalação da citada caixa.
No caso de ramais para atendimento a grandes consumidores, normalmente é dispensada a caixa piezométrica.
Em vez da caixa piezoméuica, aNBR-5626 deteminaque, "quando o reservatório for construído abaixo do nível do
meio-fio, seja instalada uma coluna piezomdtrica no ramal predial, em forma de sifão, dotado de dispositivo quebra-vá-
cuo, até 2,50 m, no mínimo, acima da cota do meio-fio", a fim de evitar contaminação do distribuidor público com água do
reservatório, eventualmente infectada, caso se forme vácuo na rede pública.,
Algumas municipalidades aboliram a caixa piezombuica, adotando as seguintes soluções:
Colocar a torneira de bóia a pelo menos 50 cm acima do nível do meio-fio. Neste caso, a entrada para a caixa
deverá ter uma gola. a fim de impedir que alguma eventual inundação venha a poluir o reservatório. O reservató-
rio deverá ter tampa, com gaxetas de vedação ou caixilho de neoprene e sobretampa (Fig. 1.25).
Instalar uma coluna piezométrica, dotada de uma ventosa que impeça a formação de vácuo no ramal de alimen-
iação (Fig. 1.26).

T U I O f'0'- 00 IULL

JOELHO F e GP
s 00 R 1 W 1 L

Fig. 1 2 6 Coluna piezombtnca usada em substituiçáo ?I caixa piezoméhica.


16 1nstaiaçõ~sHidráulicas Prediais e Industriais

Conforme veremos pormenorizadamenteno item 1.6, a água é elevada mecanicamente para o reservatório superior
por meio de bombas cenhífugas acionadas por motores elétricos.
Deve-se prever sempre duas bombas, de modo que se possa fazê-las funcionar alternadamente. Quando ocorrer um
defeito em uma, a outra a substituirá enquanto se processa o conserto da primeira.
Em geral só se usa uma única tubulação de recalque, ? qual
i se ligam pequenos trechos das tubulações de recalque
das duas bombas. Deverá haver um reglsh'o no recalque para cada bomba, podendo-se em instalações de pequeno porte
colocar apenas uma válvula de retenção.
Na aspiração, para que seja possivel funcionar com qualquer das duas bombas utilizando um ou outro lado do reser-
vatório, é necesshio interligar as tubulações de aspiraçáo das duas bombas, havendo necessidade de se instalar quatro
registros para as bombas (Fig. 1.27).

-REOI¶TRO DE U V E T A

enuw MOTOR-iomin

VEM -
DA REDE
PbBLICPi

-- R ~ S E R V A T ~ R I OINFERIOR
-

Fig. 127 Esquema do sistema de acumulaçáo inferior

1.3 CONSUMO DE ÁGUA NOS PRÉDIOS


1.3.1 Critério para previsão
O valor do consumo de água depende naturalmente da destinaçáo ou finalidade do prédio cuja necessidade de abas-
tecimento se está procurando determinar. Edifícios residenciais, comerciais, industriais, hospitalares, hoteleiros, escolares
etc., cada qual apresenta condições peculiares que devem ser levadas em consideração no projeto das instalações de abas-
tecimento e distribuição de água.
A previsão, que é feita no dimensionamento das linhas abastecedoras públicas, leva em conta o consumo global de
cada habitante, muito embora esse consumo se realize em vários locais, como na residência, na escola ou no local de tra-
balho, restaurante, teabo, cinema etc.
Em geral, o consumo médio de água, compreendendo os serviços particulares, públicos e industriais, cresce com a
importância do núcleo de população e varia com o clima, o grau de civilizaçãoe os costumes locais.
Alguns autores apresentam como um primeiro critério para dimensionamento da rede pública distribuidora os se-
guintes valores:

Meio mral .......................................................... 50 Vhab.ldia


Pequena cidade .................................................. 50 a 100 Vhab./dia
Cidade média .................................................100 a 200 hab./dia
Grande cidade .......................................... 200 a 300 iihab./dia

Projetos recentes têm adotado previsão de 400 Yhab./dia para cidades densamente povoadas, clima quente e consi-
derável índice de conforto.
Ao se estimar o consumo em 200 Vhab./dia, para uma cidade média, costuma-se supor a seguinte distribuição:
instalações de Agua Potável 17

..........Uso
......domkstico
............... 100 I
Uso no local de trabalho ................................................ 50 1
Usos diversos (restaurantes, locais d e diversão) .............. 25 1
Perdas ............................................................................ 25 1

Total .......................................................................... 200 1 / hab.1 dia

A parcela de uso dom6stico assim se distribui:

Asseio pessoal .......................................................................... 50 1


Bebida, cozinha ....................................................................... 15 1
.
W.C. ...................................... ................................................ 20 1
Lavagem de casa e de roupa ....................... . ............ . . . 15 1

A CEDAE considera um consumo residencial de 250 Vmorador e uma média de dois ocupantes por dormitório.
Para fins de dimensionamento dos reservatórios pode-se utilizar a Tab. 1.1,que fornece uma estimativa para cálculo
de consumo diário de água conforme a natureza d o serviço a que a mesma se destina.
A estimativa d o número de ocupantes, que possibilita calcular o consumo utilizando a Tab. 1.1, pode ser obtida pela
Tab. 1.2, que dá a taxa de ocupação de acordo com a natureza do local.

Tabela 1.1 Estimativa de c o n s u m o diário de água


I I I I
Tipo d o prédio Unidade Consumo Vdia
1. Serviço doméstico
Apartamentos per capita 200
Apartamentos de luxo por dormitório 300a400
por qto. de empregada
Residência de luxo per capita
Residência de médio valor per capita
Residências populares per capita
Alojamentos provisónos de obra per capita
Apartamento de zelador
2. Serviço público
Edificios de escritórios por ocupante efetivo
Escolas, internatos per capita
Escolas, externatos por aluno
Escolas, semi-internato por aluno
Hospitais e casas de saúde por leito
Hotéis com coz. e lavanderia por h6spede
Hotéis sem coz. e lavanderia por h6spede
Lavanderias por kg de roupa seca
Quartéis por soldado
Cavalariças por cavalo
Restaurantes por refeif ão
Mercados por m2de área
Garagens e postos de serviços para por automóvel
automóveis por caminhão
Rega de jardins por m h e área
Cinemas. teairos por lugar
Igrejas por lugar
Ambulatórios per capita
Creches per capita
3. Serviso industrial
Fábricas (uso pessoal) por operáno
Fabrica com restaurante por operáno
Usinas de leite por litm de leite
Matadoums por animal abatido
(de grande porte)
Matadouros idem de pequeno porte
?iscinas (domiciliares)-lâmina de água de 2 cm. por dia
18 Instalnçóes Hidráulicas Prediais e lnduçtriniç

Tabela 1.2 Taxa de ocupagão de acordo com a natureza do local

Nahireza do local Taxa de ocupagão


Prédio de apartamentos Duas pessoas por dormitório e 200
a 250 Upessoaldia
Prkdio de escritórios de
-uma s6 entidade locadora Uma pessoa por 7 mZde área
-mais de uma entidade locadora Uma pessoa por 5 m2de área
- Segundo o Código de Obras do R.J. 6 litros por m2 de área útil
Restaurantes Uma pessoa por 1.50 m2de área
Teatros e cinemas Uma cadeira para cada 0.70 m2de área
Lojas (pavimento tk-reo) Uma pessoa por 2,s mZde área
Lojas (pavimentos superiores) Uma pessoa por 5.0 m2de área
Supermercados Uma pessoa por 2,5 m2de área
Shopping centers Uma pessoa por 5,O m2de área
Salóes de hoteis Uma pessoa por 5.5 m2de área
Museus Uma pessoa por 5,5 m2de área

Os prédios de escritórios devem ter companimentos de sanitários separados para cada sexo, com entradas indepen-
dentes.
Um critério bastante usado na determinação do número de aparelhos sanitários consiste em considerar as instalações
sanitárias mínimas nos escritórios, na proporção de um vaso, um lavatório e um mictório para cada 10 salas para os ho-
mens, e de um vaso e um lavatório para cada 10 salas para as mulheres.
Se os andares do prédio de escritórios forem de salões comdos, sem divisórias, para se adotar esse critério toma-se
por base a área de 15 m2por sala.

1.3.2 Número mínimo de aparelhos para diversas serventias


Uma vez determinado o número de ocupantes do prédio, é necessário saber quantos aparelhos sanitários deverão ser
previstos, e isso interessa não apenas ao projeto de instalações, mas também ao de arquitetura com o qual se entrosa.
Tem sido usada, em projetos no Brasil, uma tabela publicada no Uniform Plumbing Code de 1955, do United States
Department of Commerce. A Tab. 1.3 anteriormente referida permite, assim, determinar o número mínimo de aparelhos
para diversas serventias. É conveniente, sempre. consultar o Código de Obras da Municipalidade, para verificar se faz
alguma restrição a respeito ou se tem determinações próprias.
Com referência à Tab. 1.3 convém fazer algumas observações.
a) Nas escolas tem havido exigência de serem instalados, no mínimo:
- um lavatório para cada 30 alunos nas escolas primárias;
- um lavatório para cada 50 alunos nas escolas secundárias;
- um vaso para cada 50 alunos tanto nas escolas primárias quanto nas secundárias.
b) Em laboratórios, indústrias e locais onde possa haver contaminação da pele com materiais cáusticos, irritantes ou
substâncias portadoras de germes patogênicos, é necessário ter junto a o s locais de maiores riscos um lavatório
para cada cinco pessoas, e até mesmo chuveiros de emergência.
C) Nas instalações provisórias de canteiros de obras, deve-se prever pelo menos um vaso sanitário e um mictório
para cada 30 operários.

1.3.3 Vazão a ser considerada no dimensionamento do alimentador predial


Temos duas hipóteses a considerar:
a) O sistema de distribuição é direto,sem reservatório. O cálculo é feito tal como no caso de um banilete de distri-
buicão de um reservatório superior, o que veremos no item "Vazão de dimensionamento do banilete e colunas".
b) O sistema de distribuiqãoé indireto, com reservatórios. Admite-se para cálculo que o abastecimento da
rede seja contínuo e que a vazão que abastece o reservatório seja suficiente para atender ao consumo diário no
período de 24 horas, embora, evidentemente, o consumo nos aparelhos varie bastante ao longo desse tempo.
Chamando de C, o consumo diário, em litros, a descarga mínima em litros por segundo Qmln será evidentemente

86.400 = número de segundos em 24 horas


I
Tabela 1.3 Número mínimo de aparelhos para diversas sementias

Bebedoums
instalados
fora dos com-
Tipo de edifício Banheiras ou partimentos
I ou ocupa$io Lavatórios chuveiros sanitários Vasos sanitários Mict6rios

Residência ou 1 para cada residEncia ou 1 para cada resi- - 1 para cada resid&nciaou apar- -
apartamentos apartamento d&nciaou apar- tamento e um para serviço
tamento e chu-
veiro para
serviço

Escolas I para cada 60 pessoas I para cada 20 Meninos: 1 para cada 100
primárias alunos (caso Meninas: 1 para cada 25
haja EducaçHo 1 para cada 75 1 para cada 30 meninos
Escolas 1 para cada 100 pessoas Física) alunos Meninos: 1 para cada I00
secundárias Meninas: I para cada 45

Número de Número de Número de Número de


pessoas aparelhos pessoas aparelhos
-
Escritórios ou 1-15 1 1 para cada 75 1-15 1 Quando há mictórios. ins-
edifícios 16-35 2 pessoas 16-35 2 talar I vaso sanitário
públicos 36-60 3 36-55 3 para cada mictório, con-
61-90 4 56-80 4 tanto que o número de
I 91-125 5 81-110 5 vasos não seja reduzido a
Acima de 125, adicionar 111-150 6 menos de 213 do especi-
1 aparelho para cada ficado
45 pessoas a mais Acima de 150, adicionar 1 apa-
relho para cada 40 pessoas
a mais

Número de
pessoas
Número de
aparelhos
Número de
pessoas
Número de
aparelhos .-.
2
Estabeleci- 1-1M) 1 para cada I chuveiro para I para cada 75 1-9 1 Mesma especificaçãofeita
a
r.
4
mentos industriais 10 pessoas cada 15 pessoas pessoas 2 para os escritórios ou 1 O'

I I
rn
dedicadas a ativi- para cada 50 operários
Mais de 1para cada dades continuas ou 50-74
3
b
100 15 pessoas expostas a calor 75-100 DI
excessivo ou conta- Acima de 100, adicionar 1 apa- s
minação da pele b
relho para cada 30 empregados O
com substâncias a*
C:
venenosas, infecciosas 2
ou irritantes

Ci
\D
20 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

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1.4.1 Capacidade
Já mencionamos que, no sistema indireto por gravidade, existe um reservatório inferior e um superior, que recebe a
água bombeada do primeiro e a distribui aos aparelhos de consumo.
A NBR-5626 estabelece que - "a reservação total, a ser acumulada nos reservatórios inferiores e superiores, nóo
pode ser inferior a o consumo diário", recomendando-se que não ultrapasse a três vezes o mesmo.
A capacidade do reservatório superior deve ser tal que, recebendo a água bombeada com vazão constante durante
certos penodos. possa atender ao consumo das peças, consumo este que ocorre de uma forma vaiável. O reservatório superior
funciona como um regulador de distribuição.
Ainda é a NBR-5626 que diz:
- "As vazões a serem consideradas no dimensionamento do reservatório são as seguintes:
a) Vazões de ulimentaçüo: iguais as vazões de dimensionamento das instalaçóes elevatórias, ou seja,
vazão horária = 15% do consumo diário;
h) Vuzóes de distribuiçüo: iguais às vazões de dimensionamento do barrilete e colunas, ou seja,

A significação dessas grandezas c e P seri vista no item 1.7.4.


E ainda na NBR-5626:
"A parte da reservação a ser feita nos reservatórios inferiores será obtida por diferenga entre a resemação total
e a necessária para os reservatórios superiores."
Sugere-se que, quando for conveniente reservação maior que o consumo diário, esta reserva a mais seja feita nos
reservatórios inferiores.
- "Recomenda a referida norma para os casos comuns a seguinte distribuição:
Reservatório inferior: 315 do total
Reservatório superior: 215 do total."
E necessário prever uma reserva nos reservatórios, para combate a incêndio, cuja determinação veremos no Cap. 4.
Essa reserva deve ser acrescida à capacidade que estamos considerando, para termos a capacidade total dos reservatúrios.
Acirna do nível máximo da água deve-se ter um espaço livre até a laje de cobertura do reservatório de, no mínimo, 30 cm,
e. no caso de o acesso à caixa ser lateral, de cerca de 80 cm, para que sc possa entrar na mesma.
Acabamos de ver que a NBR-5626, referindo-se à capacidade mínima dos reservatórios, diz que essa rzâo pode ser
inferior uo consumo diário
Acontece que pode haver intempções no abastccimento de água por rompiniento em adutoras e distribuidoras, re-
paros, ampliações na rede, ou defeitos nas elevatórias, seja por falta de fornecimento de energia, seja por necessidade de
rcparos e manutenção.
A experiência tem mostrado que esses fatos acontecem e que as interrupções podem exceder, de muito, as previsões
teóricas otimistas. Por essa razào, muitas posturas municipais obrigam e, independentemente de qualquer obrigação, mui-
tos arquitetos prevêem os reservatórios nas seguintes condições, as quais recomendamos adotar sempre que possível como
valores mínimos:
Reservatório superior: capacidade para atender ao consumo diário.
Reservatório inferior: uma vez e meia a capacidade do reservat6rio superior.

1.4.2 Prescrições quanto aos reservatórios dos prédios


- Os reservatórios devem ser instalados em local de fácil acesso à inspeyio, não podendo ser colocados no interior

de cozinhas ou compartimentos destinados às instalações de esgotos.


- Os reservatórios de capacidade superior a 4.000 1 devem ser divididos em dois compartimentos iguais,
comunicantes atrav4.~de um "barrilete" provido de registros de manobra, tipo gaveta, para facilidade de limpeza, ou con-
serto de qualquer dos compartimentos, ficando o outro em uso. Esta exigência, feita em várias municipalidades, não consta
da NBR-5626.
- Cada coinpartimento do reservatório inferior deve conter uma canaliza$ão de sucção para água limpa. O crivo
da canalização de sucção deve ficar pelo menos a 10 cm d o fundo, evitando, assim, que a sucção revolva os lodos deposi-
tados.
- Os reservatórios deverão possuir obrigatoriamente válvulas de tlutuador (torneiras de bóia), na canalização de
entrada de água quando alimentados por gravidade.
- Os reservatórios superiores devem fica com o fundo no mínimo a 0,80 m acima do piso do compartimento,

sobre o qual estejam situados para facilidade de acesso aos barriletes e encanamentos de limpeza.
- Quando houver aparelhos sanitários na cobertura, como ocorre nos apartamentos do zelador do edifício, pode-
se utilizar um reservat6rio adicional sobre os superiores. A água recalcada pelas bombas endie primeiramente este reser-
22 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

A d i p t a d l i longa som f1in.q.s

Luva m.1 0 3/4*


R ""i'0

- I / Adoptmdoi longo com f l o n j i i ' Admptodor ~.gi,)ro 6.


gov.ta 0 i"

Fig. 1.28 Caixa d'água Brasilit.

Fig. 1.29 Ligação de duas caixas de fibrocimentoBrasilit.

vatório auxiliar, e, do exuavasor deste, abastece os reservatónos superiores dos prédios. Devem-se usar dois automáticos
de Mia superiores, que façam operar a bomba quando o nível é atingido: um no reservatório auxiliar que faz ligar a bomba
e outro no reservatório superior abastecedor do prédio. Isto porque o reservatório pequeno pode esvaziar-se antes do mai-
or, sendo necessário comandar a bomba para abastecê-lo.
- As canalizações de esgotos devem ficar afastadas dos reservatórios enterrados e ser de ferro fundido (em vez de
manilhas) para evitar fugas das respectivas águas; as tampas dos reservatórios devem ficar elevadas pelo menos 0,20 m
acima do solo, e de qualquer modo inacessíveis às infiltrações ou mesmo As inundações por águas pluviais.
- Nenhuma canalização de esgoto sanitário poderá passar pelo interior dos reservatórios de água potAvel ou se-
quer sobre a laje de cobertura dos mesmos.
- Se o reservatório inferior enterrado tiver de ser consuuído em recintos ou áreas internas fechadas, nos quais
existam canalizações e dispositivos de esgotos sanitários, deverão ser instalados nessas áreas, obrigatoriamente, ralos e
canalizações de águas pluviais, capazes de escoarem qualquer refluxo eventual de despejos sanitários e preservarem, por-
tanto, a potabilidade da água do reservatório.

T u b PVC Luva galvanizada


Torneira de boa
Entrada

GuarncLo

Flange PVC
Tubo PVC L
Fig. 1.30 Montagem das tubulações de entrada e saída de água com tubos e conexóes de PVC.
Instniações de Agua Potável 23

Fig. 131Saídas de bgua em reservatório de concreto.

- Nenhum depósito de lixo domiciliar poderá ficar sobre qualquer reservatório de água.
A NBR-5626182não menciona reservatório inferior enterrado, como é usual consúuir-se. Vejamos o que estabelece
a respeito:
- "Nos reservatórios inferiores deve haver uma folga mínima de 0.60m entre as suas paredes e qualquer obstaculo
lateral, e entre o fundo e o terreno onde se apóia, para permitir a inspeção. Caso sejam consúuídos dentro de um m o , este
deve ser drenado mecanicamente, de forma permanente."
Isto significa, praticamente, construir-se o reservatório de água dentro de uma câmara subterrânea. O que representa,
sob o ponto de vista consirutivo, complexidade e encarecimento, não é necesskio enfatizar.
"O reservatório deve ser construído de tal forma que a tubulação de alimentação, onde é instalada a torneira de Mia,
fique no m'nimo 0,50m acima da cota do meio-fio, onde cruza o ramal predial ou sobre seu prolongamento." (NBR-56261
82.)

1.4.3 Extravasor
Extravasor é uma canalização destinada a escoar eventuais excessos de água dos r e k a t ó r i o s e das caixas de des-
carga.
- O diâmetro do extravasor ("ladrão") deverá ser igual, no mínimo, ao da bitola comercial imediatamente superior
ao do diâmetro do encanamento de enirada do reservatório e nunca inferior a 25 mm (1").
- Os extravasares dos reservatórios inferiores e os reguladores de nível piezoméirico devem escoar livremente no
espaço em lugar visível, de modo a poder servir de advertência, e nunca em caixas de areia, ralos, calhas, ou condutores de
águas pluviais.
- Os reservatórios deverão ter o extravasor disposto de maneira que a exiremidade superior do tubo do reservató-
rio fique, pelomenos, a 0,50m acima da extremidade livre inferior da descarga do mesmo tubo.
- A extremidade livre de saída deverá ser dotada de um crivo de tela de.latão com 0,5mm, no máximo, de malha,
com área total superior a seis vezes à da seção reta do extravasor.
- O extravasor não poderá escoar água em galeria de águas pluviais, esgoto, e sim livremente no terreno, ou sar-
jeta do logradouro, com a interposição de um sifio, sendo ainda obrigatório, como medida de segurança, que o extravasor
seja dotado de válvula de retenção que impeça a circulaç%ode degua de fora para deniro do reservatório.

_IfL_
Fig. 1.32 Extravaior de um resewat6rio.
Dimensionamento do extravasor
Para atender a boa priítica, deveremos ter o extravasor constituído por um tubo horizontal, um joelho, um tubo ver-
tical com cerca de 50 cm, tendo na extremidade uma tela de proteção contra insetos. Como a tela produz certa redução na
seção de saída da água, pode-se usar uma luva de redução para compensar a obshição devida a tela com o aumento do
diâmetro do tubo.
E comum recomendar-se, para o exvavasor do reservatório superior, o uso de um tubo com um diâmetro, uma bitola
acima da do tubo de recalque da bomba. E preciso observar que esta regra não deve ser adotada sem considerar a altura h
na lâmina de água necessária para imprimlr velocidade a água no tubo do extravasor e vencer as perdas de carga no mes-
mo.
Se a velocidade de escoamento e, portanto, a descarga no recalque da bomba forem elevadas, maior será a altura h,
podendo haver transbordamento do reservatório, se este não comportar a elevação de nível h.
Podernoa escrever que a condição ppad que haja o escoamento da descarga Q é que h > [(soma das perdas de carga
v2
entre A e E) + -1.
2,
Para a resolução do exemplo que se segue, poderão ser usados os elementos que são apresentados no item 1.5.
Exemplo: A descarga pela bomba no reservatório é de 4,35 1 . S.'. O tubo de recalque da bomba é de 2" (50 mm). Deter-
minar o diâmetro do extravasor e a altura h de água no reservatório acima do mesmo.
Admitamos que toda a água bombeada saia pelo exuavasor.
Consideremos primeiramente o d i h e t r o do extravasor d uma bitola comercial de tubo acima da do tubo de recalque

A área da seção de escoamento será

e a velocidade de escoamento u

v2
Calculemos - e as perdas de carga
28

b) Perda de carga
Comprimentos equivalentes
- Entrada no tubo de 2 112" ................................................. 0,900 m
- Joelho 2 112" ......................................................................... 2,M)O
- Tubo 2 112" .......................................................................... 0,500
- Alargamento 2 112 X 3" ...................................................... 1,400
-
No ábaco Fair-Whipple-Hsiao, indicado no item 1.5.1, obtemos para d = 2 112" e Q = 4.35 1 . s-', para perda I, =
0,MR mim.
Para 4,800 m teremos para a perda de carga:

J = 0,068 mlm X 4,800 = 0,326 rn

Teremos necessidade de colocar o extravasor a cerca de 33 cm abaixo do nível da água, isto é, a uma altura maior
que 0.099 + 0,326 = 0,325 m.
Se quisermos reduzir essa altura, poderíamos usar o tubo de 3".
Teríamos no caso

b) Perdas de carga
Comprimentos equivalentes
- Entrada notubo de 3" .............................................................. 1,lOm
- Joelho 3" ........................................................................... 2.50
,,
- Tubo3 ............................................................................. 1.50
- Alargamento 3" X 4" ............................................................. 1.50

Pelo Abaco de F.W.S., temos

J. = 0,024 mlm e u = 1 m s-' .


J = 0,024 x 5.65 = 0,135 m

A altura da lâmina d'água acima da entrada do extravasor fica reduzida para 13,5 cm.

1.5 DETERMINAÇÃODAS PERDAS DE CARGA


Conforme veremos a seguir, no projeto de uma instalação de bombeamento e da rede de distribuição de água de um
prédio, é imprescindível calcular-se a energia que o líquido irá despender para escoar no encanamento, isto é, a perda de
carga no encanamento.
Esta grandeza 6 fundamental no cálculo da potência de uma bomba e em todas as questões relacionadas com o esco-
amento de líquidos em encanamentos.
A perda de carga, ou de energia, resulta do atrito interno do líquido, isto é, de sua viscosidade, da resistrncia ofere-
cida pelas paredes em virtude de sua rugosidade e das alterações nas trajetórias das partículas líquidas impostas pelas pe-
ças e dispositivos intercalados no encanamento.
Darcy e Weisbacb chegaram à expressão geral da perda de carga válida para qualquer líquido, a qual é empregada nu
chamado método moderno ou racional, e que pode ser escrito sob a forma

Nesta expressão, vê-se que a perda de carga J vaia:


- diretamente com o comprimento 1 do encanamento e o quadrado da velocidade de escoamento v;
- inversamente com as dimensóes da s g ã o de escoamento e, portanto, com o diâmetro d.
Varia diretamente também com um fatorf chamadofator de resistência ou coq7ciente de atrito.
O regime de escoamento no hombeamento e distribuição de água é do tipo denominado "regime turbulento", com
distribuição das velocidades de escoamento de modo relativamente uniforme ao longo de cada seção transversal de esco-
amento. Demonstra-se que nesse regime de escoamento o fator f de perda de carga depende:
E
- da mgosidade relativa das paredes do encanamento, isto é. de - , sendo E a rugosidade absoluta das paredes e d
d
o diâmetro interno do encanamento. Esses valores encontram-se nos livros de Hidráulica e são tabelados em
função da natureza do material do encanamento, de seu diâmetro e do tempo de uso;
- do número de Reynolds R,, o qual 6 dado por
26 Instalaç~iesHidráulicas Prediais e Industriais

onde,

u = velocidade mkdia na seção onde se escolheu a dimensão d(m SI); .


d = dimensáo linear, característica do dispositivo onde se processa o escoamento, por exemplo, o diâmetro interno
de um tubo (m);
v = coeficiente de viscosidade cinemática, grandeza que caracteriza a viscosidade, ou seja, o atrito intemiolecular do
líquido.
Para a água a 15C, v = 0,000001127 m2 . s-' correspondente a 1,12 Centistokes, e na temperatura de ZíPC v =
0,000001007, correspondente a 1.00 Centistokes.
No regime turbulento, R, > 4.000.
Existem dois conhecidos diagramas que permitem obter o fator de resistência ou de atritof, e que se baseiam nos
ensaios de Blasius, Nikuradse, Colebrook e White e nas análises matemáticas de Prandtl e Kárrnán.
E
a) Diagrama de Moody (Fig. 1.33). Entrando-se com o valor do número de Reynolds e a mgosidade relativa -,
d
obtém-se imediatamente o valor do coeficiente de perda de cargaf:
d
b) Diagrama de Hunter-Rouse (Fig. 1.34). com os valores do número de Reynolds e as curvas correspondentes a -
P-
(inverso da mgosidade relativa) acham-se os valores de$
Achado o valor def; calcula-se a perda de carga J pela mencionada fórmula.

Esses diagramas, que nenhum livro de Hidráulica dispensa, são universais, isto é, prestam-se a líquidos de qualquer
viscosidade e qualquer regime de escoamento, seja ele laminar (R, < 2.000); de transição (R, e n m 2.000 e 4.000) e turbu-
lento (R, > 4.000). podendo ser utilizados para encanamentos, quaisquer que sejam suas rugosidades.
Fica assim evidenciada a utilidade do emprego desses gráficos, notadamente em instalações industriais, onde o es-
coamento de líquidos de elevada viscosidade se realiza muitas vezes em regime laminar.

Fig. 1.33 Diagrama de Moody para determinaçáo do coeficientef de perda de carga.


Instalações de Água Potázrel 27

Fig. 1.34 Diagrama de Rouse para determinação do coeficientef de perda de carga

Para as condições normais da água fria potável, podemos adotar para a mgosidade E e o coeficiente de atrito f os
valores na Tab. 1.4 indicados, correspondendo os menores valores de f aos tubos de maior diâmetro.
Na prática corrente de instalações de abastecimento e distribuição de água e nas instalações prediais, recorre-se qua-
se sempre a fórmulas empíricas aplicáveis cada qual a um determinado tipo de material de encanamento.
Podemos neste caso dividi o cálculo da perda de carga em duas partes:
- Perda de carga normal, ou seja, ao longo de um encanamento retilíneo, com diâmetro constante.
- Perda de carga devido i s conexks, peças especiais, válvulas, entrada e saída de reservatórios. São as perdas de
cargas acidentais ou localizadas.

Vejamos como calcular essas perdas.

Tabela 1.4

Rugosidade e Coeficiente
Material do tubo (mm) de atrito f

Aço galvanizado novo


-com costura 0.15 a 0 2 0 0,012 a 0.06
- sem costura 0,06 a 0.15 0,009 a 0,012
Ferro fundido
-revestido com asfalto 0.3 a 0,9 0,014 a0.10
-revestido com cimento 0,05 a 0,15 0,012 a 0,06
-usado (sem revesumento) 0,40 a 12.0 0,02 a 1,5
Cimento - amianto
- novo O,05 a 0,10 0,009 a 0,058
- usado 0.60 0,10a0,15
PVC e cobre 0,015 0,009 a 0,050
28 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

1.5.1 Perda de carga normal


Existem várias fórmulas e ábacos correspondentesque traduzem a dependência entre as grandezas Q, d, u e J, inm-
duzindo coeficientes ou fatores empíricos que levam em conta a qualidade do material, a mgosidade do encanamento.
portanto a idade do mesmo. e o tipo de revestimento interno.
A NBR-5626 recomenda o emprego das fórmulas de Flamant e de Fair-Whipple-Hsiao para cálculo das perdas de
carga no dimensionamento de encanamentos.
A fórmula de Flamant (1892) para tubos de paredes lisas 6

Fig. 1.35 Ábaco da Companhia Hansen Industrial, para cálculo de perdas de carga em encanamento de PVC rígido, para instalações
prediais. série A.
onde

b = 0,00023 para tubos de aço e ferro fundido em uso


b = 0,000185 para os mesmos tubos, novos.
Pode-se utilizar o ábaco da Fig. 1.35, apresentado no catálogo da Companhia Hansen Industrial, quando se iratar do
cálculo de perdas de carga em tubos de PVC rígido.

Exemplo:
Entrando-se no ibaco com Q = 4,Sl . s-' e diâmetro de 50 mm, obtém-se, para tubo de PVC rígido:

Asfórmulas de Fair- Whipple-Hsiao (1930) são usadas para tubos de pequenos diâmetros, até 4" (100 mm). Temos:
- tubo de ferro galvanizado
Q = 27.1 13 .p."2.@.5% (1.4)

- tubo de cobre e latão conduzindo água fria

- tubo de cobre e latão conduzindo água quente

Os ábacos de autoria do ilustre engenheiro M u d o S. Pinho, referentes às fórmulas de Fair-Whipple-Hsiao, são de


uso corrente. Entrando-se no ábaco de pontos alinhados com duas grandezas e ligando-as por uma reta, obtêm-se as outras
duas. Assim, no caso do tubo de ferro galvanizado, se entrarmos, por exemplo, com a descarga com um valor Q = 4.51 . s-' e
diâmetro d = 50 mm, ligando os pontos nos eixos verticais respectivos por uma reta, obteremos na Fig. 1.36 as grandezas

Se o tubo for de cobre. ou de PVC rígido, teremos, na Fig. 1.37,

Para diâmewos acima de 50 mm (2"), o F'rof. J.M. de Azevedo Netto recomenda a fórmula de Hazen-Williams (1903-
1920)
30 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

OU

onde

C = 125 - aço galvanizado com costura


C = 130 - aço soldado, novo
C = 110 - aço soldado, com 10 anos de uso
C = 90 - aço soldadocom 20anos deuso
C = 75 - aço soldadocom 30anos deuso
C = 130 - aço soldado com revestimento especial
C = 130 - cobre e latão
C = 120-130 - f e m fundido com revestimento de cimento ou epáxi
C = 100 - ferro fundido após 15 a 20 anos
C = 90 - ferro fundido, usado
C = 125 - PVC até 50 mrn de diâmetro
C = 135 - PVCde75e 100mm
C = 140 - PVC com mais de 100 mm de diâmetro
C = 130 - cimento-amianto

J V Q DN
(mh) (m/*) (I/*) (mm) LRcf)
100 -- ( 4 )
EIO
--
-
-
01

7 5 --(SI
-
-
6 0 --12V2)

10 - - ( 2 )

-1 40 - 4 1 1RI
-
-
-
-
32 --iI1H)

-
2 5 --i11

2 0 --(SAI

-a1

15 - - ( I / * )

~ R Y U L ADE F I I R - WWIPPLE- H S I I O i O . 2 1 , 1 1 3 . ~ ~ ~D" ~~ " " 1

Fig. 1.36 Ábacu de Fair-Whipple-Hsiau pua tubula<;òes de a$o galvanirado e terro fundido
Instalações de AXua Potável

Fig 137 Ábaco de Fair-Whipple-Hsiao para tubulações de cobre e plhstico.

Usa-se também calcular a perda de carga J pela f6mula de Hazen-Williarns, sob a forma:

Q - " , 3 . ~ l

d - m
J - m/m

A equivalência entre #J e C 6 a seguinte:


32 instalações Hidráulicas Prediais e Indirsfrinis

1 FUNDIDO REVESTIDO
DE CIMENTO

Fii. 1.38 Abaco baseado na fórmula de Williams-Hazen, para C = 100, de autoria do Rof. Jose Augusto Martins. da Escola Politécnica
da Universidade de SP. Para C # 100, multiplicar a perda de carga pelo valor de K correspondente.

.
Exemplo: Para uma descarga de 100 1 S.', tubo de 45 cm de diâmetro, no 6baco da Fig. 1.39. encontramos a velocidade de
70 cm . s-', e admitindo o coeficiente C = 103, achamos 175 cmlkm para a perda de carga, ou seja, 1.75 ml1.000 m

1.5.2 Perdas de carga localizadas

Além da perda de energia ocomda ao longo do encanamento, as peças especiais, conexões, válvulas etc. também são
responsáveis por perdas de energia, por causarem turbulência, alterarem a velocidade. mudarem a direção dos filetes, au-
mentarem o atrito e provocarem choques das partículas líquidas.
Essas perdas, localizadas onde existem as peças mencionadas. são, por isso, chamadas locais, localizaadas ou aci-
dentais.
Fig. 1.39 hbaco para o cálculo das tubulaçóes pela fórmula de Williams-Hazen.

Ao ser calculada a perda de carga de um encanamento, deve-se, portanto, adicionar à perda de carga normal, isto é.
ocorrida ao longo do encanamento, as perdas de carga correspondentes a cada uma dessas peças, conexões e válvulas.
Há vários métodos para se calcular essas perdas:
l Q Utilização da fónnula geral das perdas localizadas e de tabelas onde se encontram valores do coeficiente K de
perdas localizadas, para vánas peças e conexóes. A perda de carga localizada correspondente a uma peça, cujo
coeficiente de perda de carga tem o valor K, é calculada por

Esta perda será expressa, por exemplo, em metros de coluna de água, de óleo etc., conforme o líquido.
34 Instalacões Hidráulicas Prediais e Industriais

ZQ Métodos dos comprimentos equivalentes ou viriuais


O mdtodo baseia-se no seguinte: cada peça especial ou conexão acarreta uma perda de carga igual ti que produ-
ziria um certo comprimento de encanamento com o mesmo diâmetro. Este comprimento de encanamento equi-
vaie virtualmente, sob o ponto de vista de perda de carga, ao que produz a peça considerada.
Assim, um registro de gaveta de 3" (75mm), todo aberto, dá a mesma perda de carga que 0,5m de tubo de aço
galvanizadode 3". Dizemos então que o comprimento equivalente ao registro de 3" todo aberto B de 0,sm. Adicionando-
se os comprimentos virtuais ou equivalentes de todas as was ao comprimento real, teremos um comprimento total, final,
que será usado como se houvesse apenas encanamento reto sem peças especiais e outras singulmidades. O problema daí
em diante é tratado como acabamos de ver para os encanamentos.
Como este segundo método é muito prático e é recomendado na NBR-5626,limitar-nos-emos a ele, para não nos
estendemos demais sobre o assunto.
Para a determinação dos comprimentos equivalentes podemos utilizar:
a) O ábaco da Crane Corporation (Fig. 1.40).
Ligando-se por uma reta o ponto do eixo A, correspondente h peça em questão, ao diâmetro indicado no eixo B,
obtém-se no eixo C o comprimento equivalente em metros.
Exemplo: Válvula de gaveta de 3" (75mm)toda aberta.
Ligando os pontos a e b, obtemos em c o valor 0.52 m. Portanto, a perda de carga na válvula de gaveta de 3" equi-
vale que se verificaria em 0.52 m de encanamento de 3".

Fig. 1.40 Perdas de carga localizadas. (Gráfico da Crane Co.)


Instalaçües de Água Potável 35

b) A tabela de comprimentos equivalentes.


Pode-se usar a tabela da Fig. 1.41 apresentada parcialmente na NBR-5626 e retirada de publicação da Crane
Corporation.
Eremplo: Para o registro de gaveta 3': o comprimento equivalente é de 0.5 m. valor praticamente igual ao encontra-
do pelo ábaco da Crane.
Observaçüo: Para cada peça que se considera, vimos que a perda de carga que nela ocorre pode ser expressa em
unidades de comprimento de tubo de igual diâmetro. Dividindo esse comprimento pelo diâmetro em questão teremos o
número de diâmetros que somados dão o comprimento equivalente,

L
isto é, - = nQde diâmetros.
D
L
Existem tabelas que dão os valores - n
para várias peças, como a Tab. 1.5. Multiplicando-se o valor do número de
"
diâmetros pelo valor do diâmetro, obtém-se o comprimento equivalente. Este processo é usado em programação para com-
putadores.

Tabela 1.5

Tipo de peça Nlmem de diameira

Cotovelo 90' 45
Cotovelo 45' 20
Curva longa 90" 30
Curva longa 45" 15
Alargamento gradual 12
Entrada em tubo 17
Redução gradual 0.6
Registro de gaveta aberto 8
Registro de globo aberto 350
Salda da tubulação 35
Tê saida lateral 65
Tê passagem direita 20
Válvula de retenção IDO
Válvula de pé com crivo 250

L
Assim, por exemplo, um registro de gaveta de D = 40" (0.10 m) tem um - = 8 diâmetros.
D
Portanto, o comprimento equivalente 6 L = 8 X D = 8 X 0,10 = 0.8 m.

Chama-se bombeamento B operação pela qual, em virtude da energia comunicada por uma bomba a um líquido, este
se desloca, escoando entre duas posições.
A bomba C, assim, uma máquina geratriz hidr4ulica. que transforma o trabalho mecânico que recebe de um motor
em energia hidráulica, sob as formas que o líquido é capaz de absorver, isto é, energia potencial de pressão e energia cinética.
A importância das questões de bombeamento, não apenas rio que se refere às instalações de água fria potável, mas
também a toda a sorte de instalações tkcnicas, entre as quais as de esgotos sanitários, incêndio. água quente, água gelada,
Aguas pluviais, óleo térmico, as de líquidos os mais variados, as de centrais de vapor etc., justifica que sejam aqui recorda-
das algumas noções e apresentadas certas informações que, à primeira vista, poderiam parecer supérfluas. Entretanto. as
exigências cada vez mais rigorosas impostas aos projetistas nas suas memórias de cálculo para serem atendidas supõem
uma sólida base de conhecimentos relacionados com o assunto. Procuraremos apresentar resumidamente tais indicações,
que são amplamente desenvolvidas nos livros sobre bombas.

1.6.1 Equação da conservação de energia


Suponhamos um trecho de tubo situado acima de um plano qualquer de referência (PR), por onde escoa, de "O" até
"I", um líquido de peso específico y.
36 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais
lnstalaçò~sde Agua Potável 37
Tabela 1.6 Comprimentos equivalentes em metros de canalização de aço galvanizado
Conexóes Tupy - Classe 10
40 Irzstoili(.ùcs Hidráiriicns Prediais P Iridii~triais

Chamemos de h, e h,, as cotas ou alturas representativas das posições dos pontos "0" e "I" (centros de gravidade
das seções S, e S,).
A diferença (h, - h , ) é o desnível topográfico entre os dois pontos.
Daniel Bernouilli demonstrou que, quando um peso P = y . Q de líquido escoa num tempo t entre as seções S, e S,.
el? efetua um trabalho, ou por outral cede uma Energia .r para vencer as resistências que se oferecem ao seu escoamento.
Essa Energia .r é dada pelo produto do Peso P escoado no tempo r, por uma grandeza que designaremos pela letra H,
e que é calculada pela diferença entre dois tnnômios, cujas parcelas têm o significado que daremos a seguir. Assim:

onde

e. portantri,

H é chamado genericamente de queda hidráulica ou energia especij'ica, isto é, energia da unidade de peso de líqui-
do.
P v'
Os termos - e - são homogêneos a comprimentos, como as equações dimensionais logo provariam, e se cha-
Y 2.
mam, respectivamente, de altura representativa dapressão (ou cotapiezomérrica, piezocarga, energia especij'ica depres-
são) e altura representativa da velocidade (ou altura de pressão dinâmica, energia atual ou taquicarga), no ponto médio
da seção considerada.
O produto do peso P pelos termos das parcelas representa:

P .h - energia de posição ou energia potencial de posição


P
P .- - energia potencial de pressão
Y
2
P .E - energia cinética ou de velocidade
2,
' 2
Se marcarmos na Fig. 1.43 as alturas &,L!, e estaremns em condições de obter graficamente a grandeza
Y Y 2, 2,
H.

A mnla [
h, + - + - :e2]
-.
fornece o nível energético total ou o plano de carga total em "O". Graças a essa energia,

a unidade de pe.ro de líquido se desloca até "I", cedendo a energia H em seu percurso de " O a "I", e ao chegar a "I",
dispõe de uma energia total em relaçáo ao plano de referhcia, representado pela soma

Se determinássemos os valores dos termos do trinõmio para alguns pontos entre "0" e "I", podenamos traçar as duas
linhas seguintes:

I:
a) Linha correspondente aos valorei de h + - , acima do plano P.R. É a linha piezométrica, também chamada
gradierite de pressa0 ou linha de carga efetivu.
p v:
bj Linha correspondente aos valores de h + - + - acima do plano P.R. É a linha energética ou gradiente de
Y 2.
energia ou, ainda. a linha de rarga total.
É preciso Fempre ter presente que a diferença entre os trinomios do termo H fornece o "balanço energético" entre os
dois ponros dc uma ieia liquida, para a unidade do peso de líquido, pois, quando o peso P 6 igual à unidade, a energia é
medida pelo mesmo número que mede H.
Instalafões de Agira Potável 41

Plono anarq6tico em "O"


*
1
H: J o Perdo de coiqa

Tubo ou veio liquida

c Plano de r a t r r è n c i o ( h = o )
i...

Fig. 1.43 Balanço energético entre dois pontos "0" e "1" de uma veia liquida.

Sendo o peso P, tem-se apenas que multiplicar o valor de H pelo peso P, para se obter a energia despendida pelo
líquido para escoar-se.
Com relação ao termo H -energia cedida pelo líquido entre os pontos "0" e "1" - há que distinguir:
a) A energia H decorre da necessidade do Iíquido de vencer as resistências que o encanamento, seus acessórios e
peças oferecem ao escoamento, além do atrito interno do próprio líquido. Representa uma energia perdida ou
dissipada. e como energia é também chamada de carga, em Hidráulica, H tem a designação de perda de carga
entre " O e "1" e se representa pela letra J, e, no caso com os índices que estamos considerando, seria J',.
b) A energia H pode ser constituída de duas parcelas:
- Perdas de carga entre 'r)" e "1".
- Energia utilizável no acionamento de uma máquina motriz (turbina, por exemplo) intercalada no encana-
mento.
No caso de uma adutora w qualquer linha alimentadora ou distribuidora, H é representado apenas pelas perdas de
carga J ao longo de seu percurso. Tratando-se de uma usina hidrelétrica, a parcela de H correspondente à energia útil
aproveitável pela turbina é muito maior que a parcela das perdas, o que parece evidente.
No caso do bombeamento, o líquido para escoar de "1" até "O" (de baixo para cima no caso) necessita receber ener-
gia de uma máquina geratriz, que é a bomba, de tal modo que adquira:
- Energia de pressão para escoar entre as cotas "1" e " O e para atender às perdas de carga entre "L" e " O .
- Energia cindtica para que o escoamento se efetue de modo que, ao chegar em "O", a velocidade seja v,. com
sentido obviamente inverso daquele do primeiro caso.
No estudo de uma instalação de bombeamento, deveremos determinar a perda de carga entre os pontos de captaçáo
e de abandono ou despejo. Como vimos no item Perdas de Carga, essas perdas costumam ser classificadas em normais -
ocomdas ao longo do encanamento retilíneo, em virtude de sua rugosidade -e acidentais ou localizadas, ocomdas nas
conexões, peças, válvulas etc. Foram apresentados fórmulas, tabelas e ábacos para cálculo dessas perdas.
Dissemos que a operação de bombeamento consiste em fornecer energia ao líquido para que possa executar o traba-
lho representado pelo deslocamento de seu peso entre duas posiçcks que se considere. vencendo as resistências que se
apresentarem em seu percurso.
Essa energia Hque a bomba fornece ao Iíquido tem o nome genérico de altura de elevação. Mas essa grandeza pos-
sui designaçóes específicas próprias conforme as condições e limites entre os quais se considere esse fornecimento de energia.
O termo altura deve ser entendido sempre como energia cedida à unidade do peso de Iíquido e não apenas como desnível
topográfico.
Vejamos as alturas principais:
Altura útil. Energia cedida pela bomba ao líquido. ou, em outras palavras, ganho de energia pelo Iíquido em sua
passagem pela bomba desde a boca de entrada até a de saída. É com essa energia que o Iíquido terá condi~õesde escoar
nos encanamentos. E a grandeza H., que em literatura norte-americana é designada como Total Head ou Dynamic Head.
Seu valor se obtém calculando-se a diferença entre os üinômios de Bernouilli aplicados à saída e à entrada da bomba. A
essa altura útil ou trabalho $i1 corresponde apotência útil ou hidráulica da bomba.
Altura manom6trica. E a parcela da altura útil correspondente ao ganho de pressão do líquido em sua passagem pela
bomba. É a diferença entre as alturas representativas das pressões à saída e à entrada da bomba. Será doravante represen-
tada pela letra H. A altura útil é igual a altura manométrica acrescida do ganho de energia cinética do líquido em sua pas-
sagem pela bomba.
Altura motriz de elevapio. H,, é a grandeza que traduz o trabalho exterior fornecido por um motor, para que, dedu-
lidas as perdas mecânicas nos mancais e as perdas hidráulicas no interior da própria bomba, o Iíquido receba a energia útil
H,. A essa altura motriz corresponde a potência motriz, também chamada consumo de energia da bomba, ou potência
mecânica, que é a potência do motor que aciona o eixo da bomba (Brake Horse-Power, BHP).
Rendimentu rotul de uma bomba, designado pela letra q, é a relar;ão entre a potência útil e a potência momz, isto é,
entre a potência aproveitável pelo líquido para escoar no encanamento e a potência do motor que aciona a bomba

Em geral os fabricantes medem em seus ensaios os valores de H e não os de H. , e adotam no cálculo da potência útil
o valor de H. Coni o valor do rendimento obtido através desses ensaios, fazem seus gráficos e tabelas. Assim, na fórmula
da potência motriz, onde deveriam aparecer os valores de H, e q, tais como os definimos, aparecem H e q. sendo o valor
de q calculado em função de H.
A potência motriz expressa em cv é dada pela fórmula

,
V,,., =
r y - I , y [111'~- 8 '1
H [iii]
Y [kgf m:']

O rendimento varia conforme o tipo de bomba, e para uma mesma bomba varia com a descarga, a altura manométn-
ca e o núniero de rotações. Seu valor deve ser obtido dos catálogos dos fabricantes em função das referidas grandezas.
Apenas como uma indicação preliminar para uma estimativa do valor da potência motriz, pode-se adotar de 40 a 60% para
o rendimento de bombas pequenas, e 70 a 75% para bombas médias. O valor do rendimento pode cair a menos de 40%se
a bomba não operar nas condições favoráveis previstas para os rendimentos citados. Bombas de potência bastante pequena
podem ter rendimento máximo de cerca de 40%.

1.6.2 Determinação da altura manométrica

Consideremos o caso de uma instalação de bomba centrífuga, por ser a mais comumente usada e a empregada em
instalações prediais de água fria.
Estabeleçamos, inicialmente. uma convenção que permita indicar a situação de cada uma das grandezas que teremos
de considerar no cstudo das parcelas, segundo as quais podemos supor dividida a energia cedida ao Iíquido pela bomba.
Adotemos. para isso, nos símbolos representativos dessas grandezas, índices que assinalem sua localização na massa 1í-
quida. Estes índices são:
O - para os pontos da seção de entrada da bomba ou, então, para o ponto onde o filete médio da veia Iíquida atra-
vessa a seção de entrada da bomba;
3 - para os pontos da seção de saída da bomba, ou, então, para o ponto onde o filete médio da veia líquida atra-
vessa a seção de saída da bomba;
4 - para o ponto médio da seção de saída do encanamento de recalque.
Os índices 1 e 2, que não utilizaremos nesta exposição, referem-se, respectivamente, aos pontos situados na super-
fície gerada pela rotação do bordo de entrada da pá do rotor e aos pontos da superfície gerada pela rotação do bordo de
saída das pás do rotor.
Na Fig. 1.44, acha-se representada esquematicamente uma instalação típica de bomba centrífuga, destinada a levar
n Iíquido de um reservatório inferior a uma cota mais elevada, utilizando uma tubulação.
Em muitas hombas, a hoca de entrada fica bem em frente e bastante próxima da entrada do rotor , o que pemiite
considerar, sem erro sensível, o tubo de aspiração como terminando no plano horizontal que passa pelo centro do rotor. A
seção de saída da bomba muitas vezes fica localizada acima do citado plano horizontal e a uma distância vertical que de-
signaremos de i (Fig. 1.45). Há bombas, porém, em que as se<;<iesde entrada e de saída estão no mesmo nível (i = O) e, em
outras. o nível da boca de saída fica abaixo do nível de aspiração (Fig. 1.46).
Para simplicidade das fórmulas que vamos deduzir, consideraremos o início do tubo de recalque como se estivesse
localizado no mesmo plano horizontal em que termina o tubo de aspiração, e, para isto, admitiremos que a pressão nessa
seção convencionada como sendo de saída da bomba seja expressa por
sendo p, a pressão absoluta na saída real da bomba (pressão lida no manômetro + pressão atmosférica).
Na instalação de bombeamento há alturas estáticas, ou desníveis topográficos e alturas dinâmicas, ou representati-
vas da soma das energias de posição, pressão e cinética. Vejamos as mais importantes.

Alturas estáticas, ou topográficas


Altura estática de aspiração. Representada por h. ,é a diferença de cotas entre o nível do centro da bomba e o da
superfície livre do reservatório de captação.
Altura estática de recalque. Representada por h , . é a diferença de cotas entre os níveis onde o líquido é abandonado
ao sair do tubo de recalque no meio ambiente (ou outro) e o do centro da bomba.

b
FLAWSES
V ~ L V U L I DE PE
, ou K POSO
CRIVO REDUTOR

V ~ L V U4
DETALHE E Pk

CRIVO

Flg. 1.44 Instalação típica de bomba centrifuga

Fig. 1.45 Indicação da pressão h saida da bomba Fig. 1.46 Indicação da pressão i saída da bomba, quando a boca
referida ao centro da mesma. de recalque fica abaixo do centro da mesma.
44 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Fig. 1.47 Bomba centrífuga, constmção Monobloc com flange, da Dancor

Altura estática de elevação. Representada por h , , é a diferença de cotas entre os níveis em que o liquido é abando-
nado no meio ambiente (ou outro) pelo tubo de recalque e o nível liwe no reservatório de captação.

I h,. = h . + h , I (1.18)

Alturas totais, dinâmicas ou energéticas


Altura total de aspirafão ou manométrica de aspiração. É a diferença entre as alturas representativas da pressão
atmosférica local (H, ) e da pressão reinante na entrada da bomba, isto é,

Aplicando a equação da conservação da energia entre a superfície livre no reservatório inferior, onde supomos ser
nula a velocidade do líquido, e a seção de entrada da bomba, podemos escrever

sendo J. a perda de carga no encanamento de aspiração, isto é, a parcela de energia que deverá ser fornecida a cada kgf de
Iíquido para que ele vença as resistências passivas encontradas no encanamento de aspiração (no caso quem fornece essa
energia é a pressão atmosférica que atua na superfície livre do Iíquido).
Comparando (1.19) e (1.20). podemos escrever

A altura total de aspiração representa, pois, a energia que cada kgf de Iíquido deve receber para que, partindo do
reservatório inferior, atinja a entrada da bomba, vencendo a altura h, e a .resistências passivas J,,adquirindo a energia cinética
2
"o

2,
Altura total de recalque ou altura manométrica de recalque. Representada por H, - é a diferença entre as alturas
re~resentativasda oressão na saída (convencionada)da bombae a atmosf6rica (que supusemos fosse a reinante na saída da
tubulação de recalque).
Temos então:

Dois casos devem ser considerados:


a) a tubulação de rec'dque abandona livremente o líquido na atmosfera;
b) o Iíquido é conduzido pela tubulação a um reservatóriosuperior de tal modo que acima da boca do tubo de recalque
haja uma camada de Iíquido capaz de absorver toda a energia cinética devido à velocidade v', com que sai do
tubo.
No primeiro caso. aplicando a equação da energia entre a boca de saída (convencionada) da bomba e a sesão de saída
da tubulação de recalque, temos:

Isto é:
Perda de carga no recalque = (energia à saída da bomba) - (energia à saída do tubo).
Se a tubulação tiver seção constante, igual à da boca de saída da bomba, v, será igual a v, e poderemos escrever,
comparando as equações (1.22) e (1.231,

No segundo caso, aplicando a mesma equação entre a seção (convencionada) de saída da bomba e o nível livre do
Iíquido no reservatório superior onde supomos ser nula a velocidade e reinar a pressão atmosférica H,, temos:

Isto é:
Perda de carga = (energia a saída da bomba) -(energia no nível d'água no recalque superior)
As equações (1.22) e (1.25) permitem-nos escrever:
I',,.
H, = /zr + .I,' - L- (1.26)
2 h'
Nos dois casos vemos que a altura manométnca de recalque representa a energia que a bomba deve fornecer a cada
kgf de líquido, para que este, panindo da saída da bomba, atinja a boca de saída da tubulafão de recalque ou a superfície
livre no reservatório superior, vencendo o desnível estático h,e as perdas dc carga na tubulai;ão.
O valor dessa grandezaé obtido pela leitura de um munbmerro, instrumento que fornece a pressão relativa (diferença
entre a pressão absoluta e a pressão atmosférica).
Altura munométrica de elevação ou simplesmente altura munométrica. Representada por H -é a diferença entrr as
alturas representativas das pressões na saída (convencionada) e na entrada da bomha. Temos:

H, I]
H,, - 2
Somando as equações ( I . 19) =
Y

e (1.22) H, = (!L + i ) - L!!!


Y Y

resulta

Isto é

A altura manométrica é, pois, a soma das alturas totaia de aspiração e de recalque


Em face das equações ( I .2), (1.5) e (1.8). temos:
ou, finalmente, a fórmula de uso corrente

ou ainda

1.6.3 Previsão da descarga a ser bombeada

Depois de haver calculado o consumo diário de água e a capacidade dos reservatórios superiores, deve-se calcular a
descarga com que a bomba deverá funcionar, sendo necessário para isso que se façam hipóteses sobre o modo como o
consumo de água se processa no decorrer das 24 horas diárias e o tempo durante o qual a bomba irá funcionar nesse perí-
odo. Vi-se, portanto, que o problema é indetenninado, mas a prática aliada à observação do comportamento de instalaçks
executadas fornece valiosos subsídios para o equacionamento do problema em bases técnicas válidas.
Vejamos primeiramente o que a NBR-5626182 estabelece com relação à "vazão de dimensionamento da instalação
elevatória":
"- A vazão de dimensionamento da instalação elevatória deve ser constante. A sua determinação deverá ser feita
num estudo conjunto com a determinação da capacidade do reservatório destinado a alimentar a rede de distri-
buição (reservatório superior) em função das vazões de distribuição.
- A vazão mínima a ser admitida para a instalação elevatóna será aquela que exija o funcionamento do conjunto
elevatório durante 6,66 horas por dia, ou seja, a vazão horária mínima deverá ser igual a 15% do consumo di-
ário.''
Como se observa, a norma estabelece apenas a vazâo mínima, mas deixa em aberto a maneira de compatibilizar a
vazáo da hoinba com a capacidade do reservatório e as varões de distribuição. Essas Últimas dependem da destinação do
edifício, doa horários e hábitos e até mesmo dos dias da semana, condições climáticas e estações do ano.
Como a norma fixa condições técnicas mínimas, permitimo-nos, com base na experiência de muitas instalações
executadas. indicar, alkm do que foi dito sobre a capacidade dos reservathios, as sugestões que se seguem:
a) Adotar como base os seguintes tempos de funcionamento para a bomba em cada 24 horas:
Prédios de apartamentos e hotéis: três períodos de I hora e 30 minutos cada.
Prédios de escritórios: dois períodos de 2 horas cada.
Hospitais: três períodos de 2 horas cada.
Indústrias: dois períodos de 2 horas cada.
O estudo do tempo mais conveniente depende de um conhecimento mais profundo do regime de funcionamento da
instalação no decurso das 24 horas, o que não é fácil de estabelecer em certos casos. Em prédios de apartamentos. hotéis e
hospitais, a experiência mostra ser recomendável, desde que se adote para o reservatório superior a capacidade do consu-
mo diário. que se faça a bomba atuar todas as vezes que o nível no reservatório superior atinja cerca de 213 da capacidade
útil do mesmo. Isto equivale a dizer que a bomba funcionará três períodos a cada 24 horas.
No caso de prédios de escritórios e indústrias, geralmente com um turno de trabalho, pode-se admitir como sendo
dois os períodos de funcionamento, e, assim, a bomba deverá ser acionada logo que o nível da água atinja um pouco mais
da metade da capacidade útil do reservatório.
A razão de se procurar cstar sempre com o reservatório supenor com bastante água se fundamenta no fato de não ser
incoinum a interrupção do fornecimento da energia por parte da empresa concessionária de energia elétrica. Isto é feito
com o fim de procederem à execução de serviqos na rede pública, o que pode demorar vánas horas. Nessas condições, se
se tiver aguardado o esvaziamento do reservatório superior para só então ser ligada a bomba, esta não poderá atender à
solicitação do automático da bbia, por falta de corrente elétrica. Embora o problema da falta de energia possa ser contor-
nado com a instalação de grupos diesel-elétricos de emergência. persiste a possibilidade de eventual interrupqão no abas-
tecimento de água. Neste caso, quanto mais Agua houver acumulada no reservatório supenor, maior será a margem de
segurança da distribuição no prédio. A Fig. 1.48 dá uma indicação sobre o modo como a descarga, isto é. o consumo, se
processa nas 24 horas. para um prédio de apanamentos. Observa-se que. enquanto a bomba está funcionando, ocorre si-
multaneamente um certo consumo. de modo que o valor da descarga, que deverá ser atribuído à bomba, é da ordem de 20%
superior ao valor achado. A bomba é supostd funcionando duas vezes, em períodos de I hora e 30 minutos cada uma e um
período de I hora e 15 minutos que se verifica por volta de meia-noite, quando se pode considerar bem reduzido o consu-
mo. Nesse horário, a bomba enche mais depressa o reservatório. O batente na haste do comando do flutuador, ou a gradu-
ação do flutuador, ficará um pouco acima do terço supenor, conforme esclarece a figura.
48 irrstnlnções Hidriulicas Prediais r Industriais

A Fig. 1.49 mostra como obter o funcionamento da bomba em dois períodos, no caso de um prédio de escritórios.
TambCm neste caso, a capacidade a ser atribuída à bomba deve ser tomada como cerca de 15% superior ao valor encontra-
do, considerando os dois períodos de funcionamento.

1.6.4 Exemplo
Um prédio de apartamentos tem 48 apartamentos, de sala, três quartos, um quarto de empregada, apartamento de
zelador e 48 vagas de garagem. Quais as capacidades dos reservatórios e a vazão a considerar para a bomba?

1.6.4.1 Consumo diário do prédio


- 48 apts. X [(3 qt. X 2 pessoas) + (1 qt. emp. X 1 pes.)] X 200 Vdia = 67.200 1
- Apartamento do zelador = 1.0001
- Lavagem de carros [48 cmos X 50 Ucmo] = 2.400 1
Consumo diário total 70.600 1

1.6.4.2 Capacidade dos reservatórios


Segundo a NBR-5626/82
Para o consumo diário de 70.600 1, as capacidades úteis mínimas serão:
3
Reservatório inferior: - X 70.600 = 42.360 1
5
2
Reservatório superior: - X 70.600 = 28.240 1
5

A essa capacidade útil deverá ser adicionada a reserva para combate a incêndio, que em muitas municipalidades é
igual a 20% do consumo diário.
Assim. as capacidades mínimas reais (excluídos o espaço entre o nível superior e a tampa da caixa, com altura míni-
ma de 30 cm) serãc

Reservatório superior = 28.240 + (0.20 X 28.240)= 33.888 I


Reservatório inferior = 42.360 + (0.20 X 42.360)= 50.832 1
TOTAL 84.720 1

Capacidades calculados segundo o uso corrente:

Capacidade úiü
Reservatório inferior: 1,s X 70.600 1 = 105.900 1
Reservatório superior: 1 X 70.600 1 = 70.600 1
Capacidade incluindo a reserva para combate a incêndio:
Reservatório inferior: 105.900 + (0.20 X 105.900) = 127.080 1
Reservatório superior: 70.600 + (0,20 X 70.600) = 84.720 1

1.6.4.3 Capacidade da bomba (descarga)

Segundo a NBR-5626182
A descarga da bomba será igual a 15% do consumo diário, ou seja,

Segundo o critério que expusemos, teremos aproximadamenie três penodos de 1 hora e 30 minutos, ou seja, 4 horas
e 30 minutos de operafio. A vazão será:
50 Instalafões Hidráulicas Prediais e Industriais

1.6.5 Sistemas de comando da bomba


A instalação elétrica de bombeamento deverá permitir o funcionamento autom6tico da bomba e, eventualmente, a
operaqão de comando manual direto.
O comando automático é realizado com dispositivos conhecidos por chaves de bóia, ou automdticos de bóia, ou,
ainda, por controles automáricos de nível.
Um dos sistemas mais empregados, par permitir o comando da bomba conforme a exigência do reservatório superi-
o r e a disponibilidade de água no reservatório inferior, utiliza o deslocamento de uma haste de latão, vertical, ao longo da
qual desliza um flutuador em função do nível no reservatório. Existem dois esbarros fixados por parafusos à haste nas

RESERVA P/ INCI?NDIO

UI
COWNA DE-
1
DISTRIIUICAO

ENERGIA ül!
C~N~ES~UJN~RIA

RESERVATORIOS INFERIORES

Fig. 1.50 Esquema de instalação de bombas para um pr6dio com reservatório inferior e reservatório elevado
P CASO: 29 CASO :
AMBOS os R E S E R V A T ~ R I O SESTÁO o R E I E R V A T ~ R I OS U P E R I O R ESTA
CHEIOS. VAZIO E O INFERIOR C H E I O

39 CASO: 49 CASO:
AMBOS OS R E S E R V A T ~ R ~ OESTÁO
~ O R E S E R V A T ~ R I OSUPERIOR E S T ~
VAZIOS. CHEIO E O INFERIOR V A Z I O .

Fig. 1 . 5 1 Esquema
~ de funcionamento dos automAticos de bóia.

posiçks extremas, entre os quais se permite que o nível varie. Quando o nível atinge sua posição mais elevada, o flutuador
empurra0 esbarro e a haste para cima, movimentando um interruptor de tipo especial. Ao atingir o nível inferior, a bóia ou
flutuador pressiona para baixo a haste, o que faz o interruptor atuar no sentido inverso da hipótese anterior.
Instala-se um automático de bóia superior e um inferior, se o reservatório tiver apenas uma seção, e dois automáti-
cos, se forem duas as seções do reservatório.
Normalmente, havendo água suficiente no reservatório inferior, a bomba será comandada pelo automático do reser-
vatório superior (Figs. 1.50 e 1.5 Ia). Caso o nível no reservatório inferior atinja uma situação abaixo da qual possa vir a
ficar comprometida a aspiração. pela entrada de ar no tubo de aspiração, o automático inferior deverá desligar a bomba,
muito embora não tenha ainda sido atingido o nível desejado no reservatório superior.
O ressalto ou esbarro na haste do flutuador do reservatório inferior deverá ficar pelo menos a 10 cm acima da ligação
da válvula de pé com o tubo de aspiração, para que mesmo com o vórtice que se forma não haja o risco de entrada de ar na
aspiração da bomba.
A Fig. 1.5 1b mostra a instalação do reguladorde nível Flygt, modelo ENH-10, cuja função é a mesma do automático
de bóia.
No interior de um invólucro de polipropileno com formato de pêra, é colocado um intemptor de mercúrio. O invó-
lucro é suspenso pelo próprio cabo elétrico. Quando o nível do líquido sobe até o regulador, este se inclina fazendo o inter-
ruptor de mercúrio fechar ou abrir o circuito, ligando ou desligando a bomba, ou, então, fazendo funcionar um dispositivo
de alarme.
O regulador de nível é ligado por um transformador à rede de baixa tensão. Utilizam-se dois reguladores: um para
52 Instalayões Hidráiilicas Prediais e Industrinis

I
b.
corrents

i='

----------- -
-.-- -.

.-- PARTIDA

B = bateria Ml,M2.M3: b bomba 1 = vermelho 2 = preto 3 = branco

Fig. 1.51h Regulador de nível FLYGT ENH-10.

dar panida e outro para desligar a bomba. Pode-se instalar um terceiro regulador, quando se desejar acionar um dispositivo
de alarme que será ligado quando o Iíquido atingir determinado nível.
Para esvaziar o reservatório: ligam-se os fios vermelho (1) e preto (2). e isola-se o fio branco (3).
Para encher o reservatório: ligam-se os fios vermelho ( I ) e branco (3). Isola-se o tio preto (2).
Para dar alarme: ligam-se os fios vemelho e preto no caso de se desejar alarme quando for atingido um nível eleva-
do. Ligam-se os fios vermelho e branco no caso de se desejar funcionamento do alarme com nível baixo.

1.6.6 Classificação sumária das bombas


O modo pelo qual é feita a transformação do trabalho mecânico em energia hidráulica, assim como o modo de cedê-
Ia ao Iíquido aumentando sua pressão e (ou) sua velocidade, permite classificar as bombas em:
- bombas de deslocamento positivo;
- turbobombas, chamadas também hidrodinãmicas, rotodinâmicas ou bombas de fluxo;
- bombas especiais.
1.6.6.1 Bombas de deslocamento positivo
Possuem uma ou mais câmaras em cujo interior o movimento de um órgão propulsor comunica energia de pressão
ao Iíquido, provocando seu escoamento. Proporciona então as condições para que se realize o escoamento na tubulação de
aspiração até a bomba, e na tubulação de recalque até o ponto de utilização.
A característica principal desta classe de bombas é que uma partícula líquida em contato com o órgão que comunica
a energia tem aproximadamente a mesma trajetória que a do ponto do órgão com o qual está em contato.

Fig. 1.52 Representação de uma bomba alternativa


Assim, por exemplo, na bomba de êmbolo aspirante-premente, representada na Fig. 1.52, a partícula Iíquida a tem a
mesma trajetória retilínea do ponto b do pistão, exceto nos trechos de concordância inicial o-a' e final a'-].
Na bomba de engrenagem (Fig. 1.53). a partícula líquida a tem aproximadamente a mesma trajetória que a do ponto
b do dente da engrenagem, exceto nos trechos de concordância.
As bombas de deslocamento positivo podem ser:

[ Símplex Acionada por


'Duplo efeito ( Dúplex
Alternativas Pistão ou embolo
Simples efeito

IDuplo efeito
Símplex
Dúplex
Tnplex I Acionada por
motores de
combustão interna

I( Diafragma Símplex
Multíplex
Iou elétricos

(operada por fluido ou ação mecânica


(DUplex

Palhetas

Elemento flexível
Parafuso
Rorarivas

I Múltiplos rotores
Engrenagem
'Obos
Pistões oscilatórios
Parafusos

1.6.6.2 Turbobombas
Órgãos essenciais
As turbobombas, também chamadas bombas rotodinãmicas ou de fluxo, são caracterizadas por possuírem um órgâo
rotatório dotado de pás, chamado rotor, que exerce sobre o liquido forças que resultam da aceleração que lhe imprime.
Essa aceleração, ao contrário do que se verifica nas bombas de deslocamento positivo, não possui a mesma direção e o
mesmo sentido do movimento do líquido em contato com as pás. As forças geradas são as de inércia e as que decorrem do
escoamento de uma massa m na unidade de tempo, com uma velocidade de escoamento v.
A finalidade do rotor, também chamado impulsor ou impelidor, é comunicar aceleraçáo à massa Iíquida, para que
adquira energia cinética e de pressão e se realize assim a transformação da energia mecânica de que está dotado. f; em
essência um disco ou uma pkça de formato cônico munida de pás. O rotor pode ser:
- fechado, quando além do disco onde se tixam as pás existe uma coroa circular também presa às pás. Pela aber-
tura dessa coroa, o líquido penetra no rotor. Usa-se para líquidos sem substâncias em suspensão e nas condiçóes
que veremos adiante.
54 lristalr~çõcsHidráulicas Prediais Industriais

Fig. 1.54 Bomba centrífuga com caixa em caracol.

- aberto, quando não existe esta coroa circular anterior. Usa-se pata líquidos contendo pastas, lamas, areias, esgo-
tos sanitários etc.
As turbobombas necessitam de um ouuo órgão, o difisor, também chamado recuperador, onde é feita a transfonna-
ção da maior parte da elevada energia cinética com que o Iíquido sai do rotor, em energia de pressão. Desse modo, ao
atingir a boca de saída da bomba, o Iíquido é capaz de escoar com velocidade razoável, equilibrando a pressão que se opõe
ao seu escoamento. Esta transformação é operada de acordo com o teorema de Bernouilli, pois o difusor, sendo de seção
gradativamente crescente, realiza uma contínua e progressiva diminuição da velocidade do líquido que por ele se escoa,
com o simultâneo aumento da pressão, de modo que esta tenha valor elevado e a velocidade seja reduzida na ligação da
bomba ao encanamento de recalque.
Dependendo do tipo de turbobomba, o difusor pode ser:
- de tubo reto tronc8nico. nas bombas axiais;

Fig. 1.55 Bomba centrífuga com caixa em caracol e pás guias.


- de caixa com forma de caracol ou voluta. nos demais tipos de bomba, chamado neste caso simplesmente de
coletor.
Entre a saída do rotor e o caracol, em certas bombas, colocam-se palhetas devidamente orientadas, as pás guias, para
que o líquido que sai do rotor seja conduzido ao coletor com velocidade, direção e sentido tais que a transformação da
energia cinética em energia potencial de pressão se processe com um mínimo de perdas por atrito ou turbulências. Nas
bombas de múltiplos estágios usadas para elevadas pressks, as pás guias ou diretrizes são necessánai.

1.6.7 Dimensionamento dos encanamentos de aspiração e de recalque das


bombas
Com a finalidade de reduzir as perdas de carga nas linhas de aspiração e de recalque, e, nestas últimas, o efeito do
golpe de aríete, devem-se adotar valores relativamente reduzidos para as velocidades de escoamento do liquido. Isto sig-
nifica que os diâmetros podem vir a ser superiores aos das bocas de aspiração e de recalque das bombas, sendo necessário
intercalar peças de redução, Ligando o encanamento ? bomba.
i
A NBR-5626182 recomenda o emprego da fórmula de Forchheimmer para escolha do diâmetro do encanamento de
recalque:

D, = diâmetro nominal do encanamento de recalque em metros


Q = descarga da bomba, em m3 . s-'
h = número de horas de funcionamento no período de 24 horas.
X =-
h
24 horas

A norma fixa como o máximo de 6,66 h124 horas para h, mas podemos fazer a escolha conforme vimos no item
1.6.3.
A fórmula de Forchheimmer foi traduzida em um ábaco reproduzido na antiga P-NB-92.

Fig. 1.56 Gráfico de Forchheirnrner pdra deterrninaçk do diirnetro do encaniiiiienfu de recalque


56 lnsfalncócs Hidráulicas Prediais e Industriais

Fig. 167 Gráfico da Sulzer,para escolha dos diâmetros dos encanamentos de aspiraçáo e de recalque.

O diâmetro do encanamento de aspiraçâo é escolhido adotando-se no mínimo uma bitola comercial de tubo, imedi-
atamente acima do de recalque. Assim, para o tubo de recalque de 2". o de aspiração será de 2 112"; para recalque de 3".

-
o de aspiração seria de 4", e assim por diante.
Convém notar que no gráfico aparece o número h de horas de funcionamento cada 24 horas e não o valor de X que
é (h 24).
A Sulzer aconselha para o bombeamento de água os valores de velocidades que se podem obter com o pnif~coda
Fig. 1.57, onde apareceni duas linhas com números indicando as velocidades: uma referente à tubulação de aspiração e
outra, a de recalque.
Comparemos os resultados que se obtêm com os dois métodos, fazendo um exercício:

1.6.7.1 Exercício
Com o valor da descarga da bombaencontrado no item referente i capacidade da bomba, de 15.688yh, dimensionar
os encanamentos de recalque e de aspiração.

I *Método: Fórmula de Forchheimmer


Diámetro de recalque:

Poderíamos usar o tubo de 2" = 0,050 m


Diâmetro de aspiração: uma bitola comercial acima, ou seja, Da= 2 112"
Diâmetro interno = 0,0625 m
Pelo gráfico de Forchheimmer teríamos imediatamente, entrando com h = 4.5 horas e Q 15.7 m' . h-'. um diâmetro
compreendido entre 2" e 2 112".

2"Método: Gráfico da Sulzer


Com Q = 4.35 1 . s ~ 'achamos
, no gráfico:
.
- Diâmetro interno de recalque D, = 60 mm e V, = 1.4 m s-I. Usaríamos tubo de ferro galvanizado com diâmetro
nominal 2 112" (60 mm) -Norma DIN 2440.
- Diâmetro interno de aspiração Da= 65 mm e v, = 1.2 m . s~'.
Como não há tubo com diâmetro interno de 65 mm,podenamos usar o tubo de diâmetro nominal de 3"(0,075 m).
Em encanamentos de recalque relativamentepequenos, o gráfico da Sulzer fornece diâmetros relativamente grandes
comparados com os obtidos pelo IP método. Se, com os diâmetros encontrados pela f6mula de Forchheimmer. ao calcu-
larmos as perdas de carga J. estas forem inferiores a 15% do valor da altura manométrica H, poderemos adotar os diâme:
tros obtidos no citado gráfico.
Velocidade no recalque

V, = 14 \a V [ m s '1
V,,,,, = 2.5 m s I D lml

1.6.8 Escolha da bomba para uma instalação predial


Consideremos a Fig. 1.58, que representa uma instalação de bombeamento em um prédio onde se supõe que o con-
sumo de água, capacidade dos reservatórios e diâmetros dos encanamentos de aspiração e recalque têm os valores encon-
irados nos itens 1.6.4.1, 1.6.4.2e 1.6.7.1.
Trata-se, pois, de escolher a bomba capaz de fornecer a descarga de 15.688 üh, isto é, o tipo de bomba e a potência
do motor.
Quanto ao tipo de bomba, já sabemos que será uma bomba centrifuga, consagrada para instalações prediais de Agua
potável. Deveremos determinara potência Ndo motor que a aciona. Para isso, precisaremos calcular a altura manométrico
correspondente à instalação.

Fig. 1.58 Representação isométrica de uma instalação de bombeamento de um prédio.


58 Instalaçõ~sHidráulicas Prediais e Industriais

A primeira coisa a fazer é esboçar a instalação numa representação isométrica, indicando diferenças de cotas, com-
primentos de encanamento entre curvas, conexões, registros e vAlvulas. É o que foi feito na Fig. 1.58, para o caso que
estamos considerando.
Vamos seguir o dimensionamento segundo a NBR-5626182.
Os diâmetros adotados serão os encontrados no item 1.6.7.1 (1' método)
Para o recalque: D, = 2" (50 mm) (nominal)
Para a aspiração: D,= 2 112" (60 mm) (nominal)
A descarga, como vimos, é: Q = 4,351 . S.'

1.6.8.1 Altura manoméhica


A altura manométrica é calculada pela expressão (I ,301

Gmpemos as grandezas referentes à aspiraçáo separadamente das que se referem ao recalque, porque os diâmetros
sáo diferentes.
No desenho vê-se que

Calculemos os termos

i,, I,, J,,


,. ?

?I:

1 *Altura total de aspiração H,

m mca

a) h. - Altura estática de aspiração 2.30


b) Comprimentos
-Comprimento real do encanamento com diâmetro de 2 112"
1. = 2,40 + 0.80 + 1.20 + 0.80 5,20
- Comprimentos equivalentes aos virtuais conforme
tahela da Fig. 1.41
1 válvula de pé com crivo 17,OO
1 joelho de 90" 2,00
2 registros de gaveta (2 X 0,401 0,80
2 tês de saida lateral (2 X 4,301 8,60
1, = Comprimento total (real + equivalente) 33.60
-
No ábaco de Fair-Whipple-Hsiao, entrando com
Q = 4 3 5 1 . s-' e D. = 2 112", obtém-se a perda de carga
unitária J , = 0,056 m/m e a velocidade v, = 1,4 m . s ~ '

C) Perda de carga na aspiração J ,


J , = J . X 1, = 0,056 X 33,60 188

d) Altura representativa da velocidade


L'; - - 0 . 0 9 9 ~0.10 0.10
213 2 X 9.81

Altura total de aspiração H. 4.28


2QAlturatotal de recalque H,

m mca

a) h, - Altura estática de recalque 43.90


b) Comprimentos
-Comprimento real do encanamento de recalque
com diâmetro de 2"
1,=0,50+ 1,40+ 1,10+5,50+ 1,30+39,40+
+ 10.80 + 3,75 + 1,60 + 0.40 65,75
- Comprimentos equivalentes ou virtuais conforme
tabela da Fig. 1.41
1 registro de gaveta 2" 0,40
I válvula de retenção 2" vertical h,40
7 joelhos 2" de 90" 7 X 1.70 11.90
1joelho 2" de 45" 0.80
1 tê de saída lateral 2" X 2"
1, = Comprimento total (real + equivalente)
- 3,50
88,75
No áhaco de Fair-Whipple-Hsiao, entrando com
Q = 4,35 1 . s-' e D, = 2", obtém-se a perda de carga
unit&a J,' = 0.16 núm e v , = 2,2 m . s ~ '
C) Perda de carga no recalque J,
J , = '.J X 1, = 0.16 X 88,75 14,20

Altura total de recalque H, 58.10

A altura manométrica H será:


H = H. + H,=4,28+58,10=62,38m
1.6.8.2 Cálculo da potência motriz N
Se não tivermos à mão catálogos de fabricantes para uma escolha criteriosa. podemos calcular a potência de forma
apenas aproximada, uma vez que iremos arbitrar um valor para o rendimento total 17, o qual varia numa mesma bomba,
com a descarga, a altura manom6trica e o número de rotações.
Assim, supondo um rendimento II = 0,50, a potência do motor que acionará a bomba ser&:

Teremos de usar uma bomba com motor de 7.5 cv.


A relação entre as perdas de carga e a altura manométrica é

Tabela 1.7

Velocidade máxima Vazão máxima


60 Instulacõc~sHidrálilicas Prediais e Indusirinis

valor acima de 0.20, e que se poderia considerar elevado. Todavia, os valores da velocidade e da descarga estão bem abai-
xo dos valores geralmente aceitos e que são os da tabela.
Velocidades e vazões máximas nos encanamentos:

1.6.8.3 Escolha da bomba utilizando os catálogos dos fabricantes


Uma vez determinados os valores da descarga Q e da altura manométrica H, a maneira usual de se proceder à esco-
lha da bomba é recorrer aos catálogos dos fabricantes.
Realizando ensaios de laboratório com suas bombas, os fabricantes organizam tabelas e traçam curvas que represen-
tam a variação de uma grandeza em função de outra, mantendo uma terceira grandeza fixa.
Assim, são usuais as curvas traçadas para um certo número de rotaçóes (n fixo), e traduzindo as dependências entre:
- Altura manométrica e descarga H = f (Q)
- Potência e descarga N = q(Q)
- Curvas de igual rendimento q =constante

Fig. 1.59 Bomba Worthington D-lOi I -curvas características Rotor fechado 1 112 x 1 x 8.
Fig. 1.60 Bombas Worthington - Modelo D-1000- grafico para escolha prkvia da bomba.

Para uma mesma bomba e um mesmo número n de rotações por minuto, alguns catálogos mostram as curvas H =
ftQ) pya a bomba com o rotor intacto, e para o rotor cortado, isto é, torneado, de modo a ter seu diâmetro reduzido.
E o que se vê no gráfico daFig. 1.59 referente h bomba Worthington D-1011 1 l/2 X 1 X 8, onde são trqadas cinco
curvas representando a dependênciaentre H e Q para n = 3.530 rpm. A curva superior se refere a bomba com o rotor intac-
to. com 8". e as demais, ao mesmo rotor, cortado nos diâmetros de 7,70", 7,40", 7.10" e 6,80".
Na designação 1 lf2 X 1 X 8, 1 112 se refere ao diâmetro de aspiraçâio de 1 112"; 1 ao de recalque, de I "; 8 ao
diâmetro de projeto do rotor, igual a 8".
A Fig. 1.61 representa curvas análogas para a bomba ETA-32-20 da KSB do Brasil.
Nem sempre se dispõe dos gráficos sob a forma acima citada. O fabricante apresenta, em seus catálogos, um gráfico
constituído de quadrículas que permite, entrando com os valores de Q e H, enquadrar a bomba num tipo padronizado pelo
fabricante.
Após o enquadramento da bomba deve-se recorrer hs curvas correspondentes B mesma. É o que mostram a Fig. 1.60
para as bombas modelo 1000 da Worthington e a Ftg. 1.62 para as bombas Standard AZ-AZF da Sulzer.
O gráfico da Fig. 1.59 mostra-nos que a bomba Worthington modelo D-1011, para os valores Q = 15.7 m3h e H =
62.4 m terá rotor de 7,30" e motor de 7,5 HP. Se se tratasse de uma bomba para operação industrial, durante longos perí-
odos, conviria usar o motor de 10 HP. Observa-se no gráfico que o rendimento é superior a 46%.
Além dos gráficos, alguns fabricantes também apresentam tabelas para escolha da bomba em função de Q e H.

1.6.9 Noção sobre o fenômeno de cavitaqão


No deslocamento de pistões de bombas alternativas em certas condições; nos venturi.~(bocais convergentes-diver-
gentes); no deslocamento de superfícies constituídas por pás nas turbo-máquinas e nas hélices de propulsão, ocorrem ine-
vitavelmente rarefações no líquido, isto é, pressóes reduzidas devidas à própria natureza do escoamento ou ao movimento
que as peças imprimem ao líquido.
Se a pressão absoluta baixar at6 atingir o valor da pressão de vapor (ou tensão de vapor) do líquido na temperatura
em que este se encontra, inicia-se um processo de vaporização do mesmo. Inicialmente, nas regibes mais rarefeitas, for-
mam-se bolsas, bolhas ou cavidades (daí o nome de cavita~ão)no interior das quais o líquido se vapori7.a. Em seguida,
conduzidas pela própria corrente líquida ou pelo movimento do órgão propulsor e com grande velocidade atingem regiões
de elevada pressão, processando-se o colapso das bolhas, com a condensação do vapor e o retorno ao estado líquido.
As partículas líquidas formadas pela condensação chocam-se muito rapidamente umas de encontro às outras e de
encontro às superfícies que se anteponham ao seu deslocamento. As superfícies metálicas onde se chocam as diminutas
partículas resultantes da condensação são assim submetidas a uma atuação de forças complexas oriundas da energia dessas
partículas e que produzem percussões. desagregando elementos de material de menor coesão, formando então pequenas
62 Instalações Hidriulicas Prediais e Industriais

CURVA no 2 1 0 / 2 60 Hz

R o t o r D O d w m dwa: Y = 1 N , R*&
ambx. I0 m;n. I largura I nP modelo Recalcular iempre w 7 moa. m& r pm
p m t w de oplica$4o
205 1 175 1 4 1 41999 para a rato& efeiivo 0,0174 10 atm. 3'500

I K S B DO B R A S I L - SÃO PAULO

Fig. 1.61 Bomba ETA-32-20. Curvas características.


10 10 ao 40 w

40 60 IY) 100

2 4 6 6 10 20 «D X)(I
O(mah)

Fig. 1.62 Bomba Sulzer Standard AZ-AZF - gráfico de quadrículas para escolha da bomba
64 instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Nomenclatura
Carca~a
Tampa de gaxeta
Tampa de gareta
Tampa de gaxeta
Anel interrnedairio
R~tor.S'"pOlte3
Rotor-Suporte 2
Porca para roto,
ElxO
E8i0
suporte
PeCaintermediaria
Anel contragotejo
Roainento
Rolamento
Bucha de fundo
Bucha de distincia
Bucha de distanca
Sobreposta
Sobreposti
Tamoa de manca1
~ n edie selagem
Guarnçaio
Guarnicio
Gaxeta
ESt0,O
Porca sexiavada
Anel e a e t i c u
Anel el2stico
Arruela de pressaio
Arr:iea dz p r e ~ s ã o
Anel

0-1

AZF
Fig. 1.63 Bomba Sulzer Tipos AZ e AZF - peças da bomba.

cavidades, que, com o prosseguimento do fenômeno, dão B superfície um aspecto esponjoso, rendilhado e corroído. I? a
erosão por cavitação.
Os efeitos da cavitação são visíveis, mensuráveis e até audíveis, parecendo o crepitar de lenha seca ao fogo ou um
martelamento com freqüência elevada.
Além de provocar corrosão, desgastando e at6 mesmo destmindo pedaços dos rotores e dos tubos de aspiração junto
h entrada da bomba, a cavitação se apresenta. produzindo:
- queda de rendimento da bomba:
- marcha irregular, trepidaçáo e vibração da máquina pelo desbalanceamento que provoca;
- ruído provocado pelo fenômeno de implosõo, pelo qual o Iíquido se precipita nos vacúolos quando a pressão
circundante é superior B pressão interna dos mesmos.
O princípio mesmo de funcionamento de uma bomba centrífuga supõe a existência de regiões rarefeitas (dorso das
pás, entrada do rotor, entrada da bomba), de modo que é de temer a ocorrência da cavitação no rotor e na região de aspira-
ção da bomba, se cuidados especiais não forem levados em consideração.
Os cuidados a observar são decorrentes das explicaçks que se seguem.

NPSH
A fim de caracterizar as condições para que ocorra boa aspiração do líquido nas bombas, foi introduzida na temi-
nologia das instalações de bombeamento a noção de NPSH, que é necessário conhecer para que o projeto dessas instala-
çõesseja elaborado em bases modernas e de boa técnica.
Ao analisarmos as parcelas de energia numa instalação de bombeamento convencional, vimos que a equação da
conservação da energia aplicada entre a superfície livre do Iíquido na captação e na entrada da bomba (suposta na altura do
centro da bomba), nos fornecia:

0 +.H,, + o = (h,, + + e)
(. i

R
+ J,,
Isto significa dizer que a energia atuante sobre a superfície do Iíquido (por hipótese, a atmosférica), menos o desní-
vel e as perdas de carga, fornece o valor da energia residual disponível com que o líquido penetra na bomba, e que é o

! +
termo L d composto de uma parcela referente à energia de pressão -,Pa e outra parcela referente à energia cinética
y 2, Y
v,?
-.
28
Os autores e as normas norte-americanas designaram pela sigla NPSH (Ner Posirive Sucrion Head) o valor da dife-

rença entre a energia total absoluta

que está sendo bombeado.


I:;
[?-+- à entrada da bomba e a pressão de vapor h, do Iíquido, na temperatura em

Lembramos que a tensão ou pressão de vapor de um Iíquido a uma dada temperatura é a pressào reinante sohre o
líquido, abaixo da qual o mesmo se vaporiza. A pressão de vapor da água a 100°C é a pressão atmosférica dc 10,33 mca ao
nível médio do mar. Os livros de Física e Química fornecem tabelas com os valores de h,,de diversos líquidos e em várias
temperaturas.
O NPSH tem sido traduzido em português-
por Altura Positiva Líquida de Aspiração (APLS) e por Altura de Succáo
-

Absoluta e de outras formas.


O importante é saber que esse conceito se refere a disponibilidade de energia do líquido ao entrar na boiiiba, a qual
depende da maneira como foi projetada a instalação. Por isso, o NPSH é denominado NPSH uiuiluhlr. isto é, iii.~ponii.~ul
porparte du instuluç5r1. Seu valor é. portanto, dado por

Uma bomba para operar sem os riscos da cavitação necessita que o Iíquido possua uma energia residual mínima.
Essa energia requerida, demandada, ou melhor, exigida pela bomba, chama-se NPSH,,,,,,, ou simplesniente o NPSH da
bomba, como costumam chamar os fabricantes. A bomba deve ter seu NPSH inferior ao NPSH,j,,,h,, pela instalaçáo. para
que opere em condições favoráveis de aspiração, isto é,

NPSH,, < NPSH,,,,

O NPSH da bomba é calculável e determinável em ensaios de laboratório. Os fabricantes em seus catálogos apresen-
tam as curvas do NPSH das bombas de sua procedência e por eles ensaiadas.
Na Fig. 1.59 referente à bomba D-1011 da Worthington (1 112 X L X 8). vê-se, por exemplo, que para a vazão de
15.6 m3h,o valor do NPSH é de 3,5 m.
Vejamos se o NPSHdi,,, no caso da Fig. 1.58, atende a essa exigência de NPSH, = 3,5 m.
Calculemos o NPShi,
NPSH,., = H b- (h, + J, + h, )
Mas, no problema ao qual a Fig. 1.58 se refere, temos
H, = 10,33 m
h, = 2,30 m
J, = 1,XSm
h, = 0,236 m a 20°C

Logo

Como o NPSH disponível é de 5,914 m e o NPSH,, de 3,500 m, a chamada segurança da instalaçáo a cavitação é
representada pelo saldo 5,914 - 3,500 = 2,414 m.
Conclui-se não ser de temer a ocorrência da cavita~ãona bomba com essa instala~ão.
66 Instala~ò~s
Hidráiríicas Pr~diaisP Iridustrinis

1.6.10 Fator de cavitação


Nem sempre se dispóe da curva do NPSH da bomba em função da descarga. Para se achar o valor máximo da altura
estática de aspiração da instalação, isto é, o desnível do centro da bomba à superfície livre do líquido no resematório, pode-
se seguir a orientação que damos abaixo.
O pesquisador Dieter Thoma chegou à conclusão de que a relação entre o NPSH da bomba e a altura manomémca é
uma constante designada pelas letras o o u 8, que chamou de númem cumcreri~ticoadimensional para cavitação, grande-
za que ficou sendo conhecida como fator de Thuma ou fator de cavitaçáo.

Mostrou também que

Se for conhecido o valor de m, poderemos calcular o maior valor a adotar para a altura estática de aspiração h, , pois

Como para calcular H é necessário conhecer h, , e vice-versa, o problema é resolvido por aproximações sucessivas.
Arbitra-se um valor para h, e se calcula H, e daí novamente h, pela equação acima. Se o valor encontrado for menor que o
arbitrado, a questão está resolvida. Caso contrário, tem-se que adotar h, menor e refazer a operação.
Resta saber como obter o valor do fator de Thoma.
O mesmo Dieter Thoma mostrou que odepende de uma grandeza empregada no estudo das turbobombas para esco-
lher o tipo de rotor (e da bomba) que deve ser usado, quando se fixam a priori a descarga Q, a altura manométrica H e o
número de rpm n. Essa grandeza designada por n, chama-se velocidade específica, ou mais apropriadamente, número es-
pecgco de rotações por minuto da bomba.
Calculando-se n, pela fórmula

ri, = 3.65 -

pode-se usar uma fórmula empírica para obter o e m funçáo de n, ou um dos gráficos como os propostos por A.J. Stepanof,
H. Cardinal Von Widdern. George F. Wislicenus, Mario Medice e outros.
A Fig. 1.65 apresenta as curvas baseadas nas equações de V. Widdern e F. Wislicenus.

Exercício
Suponhamos o mesmo exercício da Fig. 1.58 e calculemos o maior valor para h,, supondo uma bomba de 3.530 rpm.
1. Velocidade especgca n,

11, = 3.05
11 vc -
3.65 x 1531) ~ ' 0 3 i Z l T_ 837.49
= 38.19 rpm
-----
(!p $m -
21.93

n, = 38.19 (corresponderia a uma bomba centrífuga radial)

2. Fator de Thoma
Com esse valor de n, z 38 obtemos na curva de Wislicenus
NPSH NPSH
disponirrl disponiv*l

1
N P S H : Hb - ( h , + J,+
Fig. 1.64 Indicação da determinação do NPSH disponível.

3. Altura estática de aspiração máxima

Substituindo pelos valores do exercício que vimos fazendo:

Fig. 1.65 Gráfico para obtenção do fator de cavitação a e m função da velocidade específica n,.
68 rnsfala@s Hidrduiicas Prediais e Industriais

Fig. 1.66 Esquema de uma instalação de bomba afogada.

Como no problema adotamos h, = 2.30 m, estamos a seguro da cavitação.


Suponhamos agora que a instalação bombeasse água à temperatura de 70°C. A tensão de vapor da água a 70T é h,
= 3.17 mca.
O valor de h. passaria a ser de

Se o valor encontrado para h, for negativo, isto significa que o nível da água deverá estar acima do centro da bomba
desse valor. Quando isto acontece, se diz que a bomba deverá ser instalada afogada (Fig. 1.66).
Independentemente das considerações feitas acima, sempre que possível se deve instalar a bomba de modo tal que o
nível mínimo da água no reservatório de aspiração fique alguns centímetros acima da parte mais elevada da bomba, a fim
de possibilitar a escorva da bomba diretamente, dispensando o uso da válvula de pé. Necessita-se apenas de um registro
para isolar o reservatório quando for necessário fazer algum reparo na bomba.

1.7 DIMENSIONAMENTO DOS ENCANAMENTOS


A distribuição de água para um prAdio, partindo de um reservatório superior de acumulaçio, é feita por meio de um
sistema de encanamentos que compreende:
a) Barrilete de distribuição. Trata-se de um encanamento que liga entre si as duas seções do reservatório superior,
ou dois reservatórios superiores, e do qual partem ramificações para as colunas de distribuição. Com isso se evita
fazer a ligação de uma quantidade grande de encanamentos diretamente ao reservatório, o que é inconveniente.
b) Colunas de alimentação ou prumodas de alimentação. Derivam do banilete e, ap6s um certo trecho na cobertu-
ra, descem verticalmente para alimentar os diversos pavimentos.
c) Ramais. São tubulaçóes derivadas da coluna de alimentação e que servem a conjuntos de aparelhos.
d) Sub-ramais. São tubulações que ligam os ramais as peças de utilização ou aos aparelhos sanitários. Portanto, um
ramal pode alimentar vários sub-ramais.
O dimensionamento de uma rede de distribuição que compreende sub-ramais, ramais, colunas de alimentação e
banilete segue esta ordem.
No caso de um castelo d'água para uma indústria, ligam-se as duas seções do mesmo por um hamilete, e se desce
com uma ou poucas linhas alimentadoras, as quais irão dando derivações de ramais para as várias unidades fabris ou uni-
dades de processo.

Cada sub-ramal serve -comodissemos -a uma peça de utilização ou aparelho sanitário apenas, e é dimensionado
segundo tabelas que foram elaboradas através de resultados obtidos em ensaios realizados com os mesmos.
Em geral, os fabricantes dos aparelhos fornecem em seus catálogos os diâmetros que recomendam para os sub-ra-
mais. Essas informaçóes são importantes, principalmente no caso de equipamentos especiais como os de cozinhas, lavan-
derias, laboratórios, instalaçóes hospitalares e industriais.
Pode-se utilizar a Tab. 1.8 para a escolha do diâmetro de um sub-ramal. Os valores apresentados são os mínimos
~nstnlnçõesde Águo ~ o t t " c ~ c I 69

Tabela 1.8 Diâmetros mínimos d o s sub-ramais em tubos d e aço galvanizado

Diâmetro nominal
Pecas de utilizaçáo
DN (diâmetro
nominal) (Referência)

(mm) ('7

Aquecedor de baixa pressão 20 314


Aquecedor de alta pressão 15 112
Bacia sanitária com caixa de descarga 15 (112)
Bacia sanitária com válvula de descarga de DN 20 mm (314) 32 (1 1/41
Bacia sanitária com válvula de descarga de DN 25 mm (1) 32 (I 114)
Bacia saniiária com válvula de descarga de DN 32 mm (1 114) 40 (1 IR)
Bacia sanitária com válvula de descarga de DN 38 mm ( I 112) 40 ( 1 1/2)
Banheira 15-20 (112)-(314)
Bebedouro 15 <ln>
Bid& 15 (ln)
Chuveiro 20 (314)
Filtro de pressáo 15 (1n)
Lavatório 15 ( 1 ~ )
Máquina de lavar pratos 20 (314)
Máquina de lavar roupa 20 (314)
Mictório de descarga contínua por m ou aparelho 15 (112)
Mictório auto-aspirante 20 (314)
Pia de cozinha 20 (314)
Pia de despejo 20 (314)
Tanque de lavar roupa 20 (314)

aconselháveis. Convém notar que, tratando-se de tubo de aço galvanizado, muitos projetistas usam como diâmetro míni-
mo o de 20mm (3/4"),para atender a redução da seção de escoamento por efeito da corrosão. tuberculinização e incmsta-
ções, e fazem a redução para a ligqão final com tubo de cobre no caso de lavatórios, bidês e mictórios.

1.7.2 Ramais de alimentação


O dimensionamento de um ramal poderá ser levado a efeito, conforme se faça uma das suposições seguintes:
a) admitir que há consumo simultâneo de todos os aparelhos.
b) considerar o consumo simultâneo máximo provável dos aparelhos.
Vejamos as duas hipóteses e as implicações no dimensionamento, que delas decorrem.

1.7.2.1 Primeira hipótese: consumo simultâneo máximo possível


Admite-se aue os diversos aparelhos servidos pelo ramal sejam utilizados simultaneamente, de modo que a descarga
total no início do iamal será a soma das descargas em cada um dos sub-ramais.
Esta hipótese ocorre em geral em instalações de estabelecimentos onde há horários rigorosos para a utilização da
água, principalmente de chuveiros e lavatórios, como é o caso de fábricas, estabelecimentos de ensino e quartéis. Aplica-
se a uma tas? em cuja cobertura ou forro corre um só ramal que desce alimentando as peças nos banheiros, cozinha e área
de serviço. E possível que, no caso, funcionem ao mesmo tempo a descarga do vaso, a pia da cozinha e o tanque de lavar
roupa, por exemplo.
Para fácil escolha dos diâmetros, toma-se como base ou unidade o tubo de 15 mm (112") ao qual se referem os diâ-
metros dos demais trechos, de tal modo que a seção do ramal em cada trecho seja equivalente, sob o ponto de vista de
escoamento hidráulico, h soma das seções dos sub-ramais por ele alimentados.
A Tab. 1.9 dá, para os diversos diâmetros, o número de encanamentos de 15 mm (ln")que seriam necessários para
permitir a mesma descarga.

Exemplo:
Dimensionar um ramal alimentando cinco chuveiros e cinco lavatórios de um coltgio interno.
Já sabemos que, neste caso, o consumo nos aparelhos será simultâneo.
Representemos o ramal na Fig. 1.67.
Usando a Tab. 1.8 dos diâmetros de sub-ramais, acha-se para os lavatórios o diâmetro de 112" e para os chuveiros.
o de 314".
70 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Tabela 1.9 Correspondência de tubos d e diversos difimetros


com o d e 1 5 mm (112")

Diâmetro do encanamento Númem de encanamentos


de 15mm W2") com a
mm Polegadas mesma capacidade

15 112 1
20 314 2,9
25 I 62
32 1 114 10,9
40 I in 17.4
50 2 37,8
60 2 1/2 65,s
75 3 1 10.5
100 4 189.0
150 6 527.0
200 8 1.200,o

R A M A L

k J 5 LAVAT~RIOS
5 CHUVEIROS

Fig. 1.67 Ramal de alimentação de chuveiros e lavatórios,

Pela Tab. 1.9 verifica-se que a seçáo do encanamento de 314" 6 equivalente a 2,9 vezes a do de 112"; que a de 1" é
equivalente a 6,2 vezes a do encanamento de 1/2", e assim por diante.

Trechos Equivalência Dilmetros (3


JI I 112
IH 2 314
HG 3 314
GF 4 1
FE 5 1
ED 7,9 1 114
DC 10,8 1 114
CB 13,7 1 112
BA 16.6 1 112
AO 19,s 2

1.7.2.2 Segunda hipótese: consumo simultâneo máximo provável


Baseia-se esta hipótese no fato de ser pouco provável o funcionamento simultâneo dos aparelhos de um mesmo ra-
mal (salvo os casos previstos na l e hipótese) e na probabilidade de o funcionamento simultâneo diminuir com o aumento
do ?úmero de aparelhos. Com base no cálculo das probabilidades e em condições recomendadas pela prática e o b s e ~ a d a s
em grande número de instalações em perfeito funcionamento,pode-se estabelecer um fator de utilizaçãopara o ramal, pelo
qual, multiplicando-se o valor do consumo &imo possivel. se possa obter o consumo máximo provável dos aparelhos
funcionando simultaneamente.
Evidentemente ter-se-ão menores diâmetros que no caso anterior, pois a seção hidráulica do ramal será inferior à
soma dos correspondentes aos sub-ramais.
A dificuldade na aplicação deste método reside na falta de informações seguras sobre a máxima provável utilização
dos aparelhos para certos tipos de prédios, como é o caso de prédios de escritórios, de apartamentos, fábricas, hotéis etc.,
onde a probabilidade de consumo varia conforme o tipo de aparelho, os agrupamentos de aparelhos num compartimento,
os horários de funcionamento, e até mesmo com o clima, a localização dos edificios e a época do ano. Deve-se. pois, ter
cuidado ao usar certos ábacos, curvas e tabelas estabelecidos para países de hábitos, clima e outras condições diversas das
nossas, pois o uso dos mesmos daria uma ilusória impressão de rigor de cálculo e em certos casos nem teria sentido.
Vejamos os dois processos que se poderiam utilizar.

I *Processo-Baseado no ccllculo das probabilidades


A determinação da porcentagem de utilização dos aparelhos é feita, neste caso. por cCllculos matemáticos de proba-
bilidades, que estabelecem uma f6rmula aproximada da porcentagem do número de aparelhos que se deve considerar fun-
cionando simultaneamente, em função do número total dos que o ramal serve.
Assim, suponhamos que em um ramal hajam aparelhos. Por meio do cálculo das probabilidades, pode-se obter o
número n de aparelhos. os quais, num intervalo de tempo T, funcionam no máximo uma vez durante um tempo de utiliza-
ção t, ocorrido no período de tempo P de demanda máxima dos aparelhos.
Vê-se, pois, que as hipóteses que se fizerem para a fixação dessas grandezas determinarão valores diversos para a
porcentagem de utilização. Compreende-se assim que. para países de costumes, climas. hábitos e horános diversos, se
encontram publicações onde se observam discrepâncias grandes, devendo-se adotar as indicações que melhor se enqua-
dram dentro das condições de nossas cidades.
A primeira aplicação do método das probabilidades ao cálculo das descargas hidráulicas nos encanamentos prediais
parece ter sido feita por Roy B. Hunter do National Bureau of Standards (1924). Outros autores seguiram esta orientação,
introduzindo cenas considerações visando aperfeiçoar0 método, como se observa no método de Wise e Croft, do Building
Resemh Station na Inglaterra; no método de Dawson e Bawman da Universidade de Wisconsin, EUA; no método de Dawson
e Kalinske, além de trabalhos de diversos autores de várias nacionalidades. Como afirma o-National Plumbing Code Hand-
book - "qualquer que seja a variante do método das probabilidades, uma coisa é certa: o método s6 deve ser aplicado a
sistemas contendo elevado número de aparelhos, sujeitos a utilização com freqüência grande, pois para condições normais
conduzirá a diâmetros exagerados". De fato, observa-seque a aplicaçào decertas tabelas, comoa do U.S. Dept. of Commerce
Building Code, conduz a valores um tanto exagerados face aos elementos que se obtêm, calculando para hipóteses que
mais se pareçam com a nossa realidade.
Vejamos como se pode traçar as curvas de probabilidade de uso simultâneo, admitindo que do total m de aparelhos,
apenas n aparelhos poderão entrar em funcionamento simultâneo uma vez ao dia. Chamemos de:
T - a duração média em minutos do intervalo entre cada duas utilizaçks de um aparelho, no período P de máxima
demanda diária.
P - número de horas de duração do período de demanda máxima.
t - duração média em minutos, de saída da água, cada vez que usar o aparelho.
Como primeira tentativa, podemos usar a tabela seguinte:

Tabela 1.10

P T t

Apartamentos e hotéis 2 horas


I. I lavatbrios, bid&se vasos sanitários
com caixa 20 minutos 2 minutos
1.2 vaso comjiush-volve 20 minutos 2 segundos
1.3 banheira 1 hora 10 minutos

Escritbrios c fábricas 7 a 8 horas


lavatórios. fátnicas
(I para cada 10 pessoas) 20 minutos I minuto
Lavatbrios, escritórios
(1 para cada 20 pessoas) 10 minutos I minuto
Vaso comjiush-volve 20 minutos 2 minutos
Vaso com caixa 20 minutos 8 segundos

O cálculo das probabilidades chega ao estabelecimento da expressão abaixo, conforme deduzem Angelo Gallizio
(Instalacion~sSanitarias) e Mariano Rodrigues Avial (Fontanería y Saneamento).
72 lnstaiações Hidráulicas Predrais e Industriais

Esta expressão permite achar o número n de aparelhos que provavelmente funcionarão no máximo uma vez ao dia.
Uma vez fixados T, t e P poderemos determinar o valor de n; conhecida a descarga dos aparelhos e a pressáo dispo-
nível, pode-se dimensionar o encanamento.
Exemplo:
Suponhamos uma fábrica com instalações dotadas de m = 40 vasos sanit6rios com válvulas de descarga.
O intervalo entre duas utilizaçóes do vaso é T = 20 minutos, como mostra a Tab. 1.10. O tempo de descarga da vál-
vula em cada operação é r = 8 segundos.
O número de horas de duração do período de demanda máxima, comspondente Bjornada de trabalho, é P = 8 horas.

Temos:

1 (+)''-I - I .3X = Ig C,"'

Podemos organizar uma tabela e traçar a curva de utilização simultânea dos n aparelhos em relaçáo i totalidade m.
Nesta curva achamos (arredondando) param = 40, o valor n = 4 e a probabilidade de uso simultâneo de cerca de 10%.

n 1s c.. m % de funcionamento
simultâneo

3 4,352 1,380 2,972 18.8 16


4 6,528 1,380 5,148 45 8,9
5 8,704 1,380 7,324 78.5 6.4
6 10,880 1,380 9,500 119.5 5
8 15.233 1,380 13,853 a05 3,9
10 19.585 1,380 18.205 300 335
20 41.346 1,380 39.966 850 240

Assim como fizemos para esse caso, podemos, baseados no cálculo das probabilidades, traçar gráficos como os que
se acham representados na Fig. 1.68, onde encontramos as curvas representativas da probabilidade de uso simultâneo para
várias hipóteses.

Curva I Banheiras apenas (T= 1hora; t = 10 minutos).


Curva I1 Aparelhos diversos (lavat6rios. bidês, chuveiros, pias, vasos com caixa de descarga), em prédios de aparta-
mentos ( T = 20 minutos; r = 2 minutos).
Curva 111 Vaso sanitário com válvula em apartamentos (T = 1 hora; r = 8 segundos).
Curva lV Lavatórios em escnt6rios e fábricas.
Curva V Vaso sanitsrio com válvula em escritórios e fábricas (T= 20 minutos; t = 8 segundos).
Além das curvas acima, acham-se representadas mais duas curvas:
Curva VI Aparelhos diversos, exceto vaso com válvula, conforme o U.S. Dept. Commerce Building Code.
Curva VI1 Aparelhos diversos e vaso sanitário com caixa de descarga, segundo a norma francesa P-41.102.
Vejamos como se aplica o método do consumo máximo provável, usando as curvas da Fig. 1.68.
I* Determina-se o número total de aparelhos servidos pelo ramal.
ZQ De acordo com a Tab. I. 1 I , acha-se o consumo dos aparelhos servidos pelo ramal, isto é, a descarga em litros
por minuto.
3P Pela curva de probabilidade aplicável no caso, determina-se a porcentagem de utilização dos aparelhos, e, por-
tanto, a descarga Q.
Instaiafões de Agua Potáuei 73

Fig. 1.68 Curvas de probabilidade de uso simultâneo de aparelhos sanitários.

T a b e l a 1.11Consumo e pressão nas peças e aparelhos sanitários

Diâmetm d o Pressáo mínima


Aparelho ou peça sub-ramal Descarga em d e serviso nos
(~01.1 Umin aparelhos (m)

Lavat6rio 112 12 1
Bidê 112 16 1
Banheira 314 18 1
Aquecedor alta pressão 1 1/2 I8 I
Aquecedor baixa pressão I 18 0.5
Chuveiro de 100 mm 112 12 0,s
Chuveiro de 200 mm 314 18 0.5
Pia de despejo 314 18 0.5
Mictário com descarga contl- 112 4,s 0.5
nua (por m ou aparelho)
Mictório de caixa automitica 112 9 0-5
Pia de cozinha 112 15 0,s
Pia de despejo 314 18 1.90
Tanque de lavar 112 18 1.80
Máquina de lavar prato 314 18 3
Bebedouro 112 3 2
Vaso sanitário clcaixade 112 9 0.5
descarga
Clváivula de descarga I 114 20
Uválvula de descarga 1 114 114 8
Clválvula de descarga 1 1/2 114 3.5
Clválvula de baixa pressão 1 112 114 2 a 2.5
Máquina de lavar roupa 314 18 0.5
74 Instalapões Hidráuiica~Prediais e Industriais

4P Conhecendo-se as pressões sob as quais deverão funcionar os aparelhos [escolhe-se o que funcione com a pres-
são mais desfavorável. ou seja, o vasn comflush-valve (váivula de descarga), o aquecedor ou o chuveiro, con-
forme o caso] e o desnível mínimo entre a água no resewat6rio e o aparelho; subtraindo-se deste desnível a
altura da coluna d'água com que o aparelho deve funcionar, ter-se-á o mClximo valor possível para as perdas de
carga J no encanamento até a primeira derivação do ramal.
5Q Sendo L o comprimento do encanamento, e admitindo que as perdas de carga nas conexões e registms sejam as
mesmas que as que se iriam verificar em um encanamento do mesmo diâmetro e que tivesse 25% do compri-
mento do encanamento real, podemos escrever que a perda de carga percentual ser&

Estamos admitindo que a perda de carga nas conexões e registros equivale a 25% da perda de carga normal no
encanamento, porque, como ainda não conhecemos o diâmetro, essas perdas somente podem ser estimadas.
6P Achada a perda de carga percentual J, e conhecida a descarga Q,acha-se pelo ábaco de Fair-Whipple-Hsiao.
por exemplo, o diâmetro do encanamento e o valor da velocidade.
7' Com o diâmetro obtido, estamos em condições de calcular com maior rigor as perdas, e proceder a um novo
cálculo do diâmetro, já numa segunda aproximação. Em geral, este rigor não se justifica.

Exemplo:
Seja calcular o ramal do último pavimento de um edifício de escritórios, no qual foi construído um restaurante, cuja
instalação sanitária compreende trêsflush-valves, três lavatórios, quatro mictórios com descarga continua e um chuveiro,
e que é alimentado diretamente pelo barrilete. O ramal, a partir do bardete. tem 18 m até. a primeira válvula em A.

Cdlculo do ramal:
lP Número total de aparelhos
3flush-valves (válvulas de descarga)
4 mictórios de descarga automática
3 lavatórios
1 chuveiro
2Q Consumo total dos aparelhos (v .Tab. 1.11)
3push-volves - 3 X 114 Vmin = 342 Umin
4 ~mictórios
~ - -
~ ~ -4 X 9 Vmin = 36 Umin
3 lavatórios -3 X 12 Vmin = 36 Umin
I chuveiro - I X 12 Umin = 12 Umin
84 Umin
3Q Probabilidade de uso simultâneo
Número de aparelhos semflush-volves = 8
Número deflush-valves = 3

Fig. 1.69 Instalação de aparelhos num ramal do pavimento superior de um prédio


Robabilidade de uso de 8 aparelhos sempush-volves (curva 11) = 42%
Temos assim:
aparelhos comuns 84 Vmin X 0,42 = 35.3 Vmin
Até 3push-valves (curva 111) admitem-se 65% em funcionamento, de modo que teremos: 0.65 X 342 = 222.3 Vmin
Q total = 35,3 + 222,3 = 257.6 Vmin
4* A diferença de cotas enwe o reSe~at6ri0superior e opush-valve é de 4,00 m. Como supusemos utilizar válvulas
que funcionam bem com 2.5 m de pressão, temos, para atender is perdas de carga, um valor igual a 4.00 2.5 -
= 1.5 m. Sendo de 18 m o comprimento do encanamento e admitindo que as perdas atinjam a 25% das perdas
normais nos encanamentos, a perda de w g a em metros de altura de água por metro de encanamento será de:

5* Com este valor de J, = 0,066 m/m encontrado. e a descarga Q = 257.6 Vmin, ou 4,9 Vs, entramos no ábaco de
Fair-Whipple-Hsiao (Fig. 1.36) e achamos um diâmetro de 2 112'' e velocidade para a água igual a 1.6 m/s. o
que é satisfatório. No caso de se empregar tubo de cobre e conexões de latão, usar-se-ia o ábaco da Fig. 1.37.

Colunas ou prumadas de alimenraçõo pelo 1.'processo


O método das probabilidades que acabamos de estudar para os ramais pode ser aplicado para o cálculo das colunas
de distribuição.
Deste modo procedem diversos autores, entre os quais Gay e Fawcett (Mechanical and Elecrrical Equipmenr for
Buildings). Entretanto; é muito empregado o método conhecido por método de Hunter, apresentado por Roy B. Hunter
como Method of Estimating Loads in Plumbing Sysrems, no Repon B.M. 665, do National Bureau of Standards.
Verificou o autor que uma coluna serve a aparelhos os mais diversos, os quais podem estar gnipados por tipos, ou
formando conjuntos variados (como nos banheiros), de modo que proceder ao cálculo das probabilidades somando as vazões
dos gmpos de cada tipo de aparelho, para depois somar os resultados, não é corresponder com a realidade, pois deveria ser
considerada a probabilidade de ocorrência simultânea dos diferentes tipos -um evento novo a considerar -, o que. embora
pudesse ser calculado, é complicado e pouco prático nas aplicações.
Por conseguinte, Hunter achou prático atribuir umpeso a cada tipo de aparelho e estabeleceu a dependência entre as
descargas nos aparelhos e a soma total dos pesos de todos os aparelhos. Esses pesos são estabelecidos por comparação dos
efeitos relativos produzidos por diferentes tipos de aparelhos, sendo inversamente proporcionais ao número de aparelhos
produzindo um mesmo e determinado efeito. No estabelecimento dospesos, ele também considerou as seguintes circuns-
tâncias:
a) o consumo do aparelho;
b) se a instalação é um edifício de uso privado (isto é, com aparelhos g ~ p a d o scomo
, nos banheiros de apartamen-
tos, hotéis etc.), ou de usopúblico (isto é, com aparelhos, individualmente acessíveis ao uso, como nos escritó-
nos. fábricas, repaitições públicas, clubes etc.);
c) se os aparelhos contêm válvula automática (F.V.) ou não,
Tabela 1.12

Aparelhos ou Natureza de Peso plaparelho


giupos d e aparefios ocupasão Tipo d e abastecimento ou g ~ p o

Vara saniúúio Pública C/válvula de pressão


Vaso sanitário Pública Slv6lvula de pressáo
Mictório tipo pedestal Pública Uválvula de pressão
Mictório tipo parede Pública Clváivula de pressão
Mictório tipo parede Pública Slválvula de pressão
Lavatbrio ou bid€ Pública Total
Lavatário Pública S6 fria ou quente
Banheira Pública Total
Banheira Pública S6 fria ou quente
Chuveiro Pública Total
Chuveiro Pública S6 fria ou quente
Pia de cozinha Privada Total
Pia de cozinha Privada S6 fria ou quente
Quarto de banho Privada Uválvula de pressáo (Total)
Quarto de banho Privada Slválvula de pressão (Total)
Quarto de banho Privada Uv6lvula de pressão (S6 fria)
Quarto de banho Privada SIv6lvula de pressão (S6 fria)
Quarto de banho Privada S6 água quente
Tanque Privada Total
76 Instalnçõrs H ~ d r á u l ~ c aPredia~s
s e Industriais

Tabela 1.13

Consumo em litros por Consumo em litros por


minuto, para conjuntos minuto, para conjuntos
Número de unidades em que predominem em que não predominem
ou peso total válvulas de pressáo válvulas de pressão

10 116 32
20 140 56
30 168 R0
40 190 100
50 206 116
60 220 130
70 236 142
80 248 154
90 260 166
100 272 178
110 284 190
120 296 200
130 306 210
140 316 220
150 326 228
160 336 236
170 346 244
180 356 252
190 362 260
200 370 268
210 378 274
220 386 280
230 392 284
240 398 288
250 404 360
300 440 292
400 508 432
500 568 472
600 640 580
700 680 M O
800 740 720
900 780 764
1.I00 840 840

d) se os aparelhos estão gmpados em compartimentosou neles localizados isoladamente;


e) se h&água fria ou quente, e se podem ser utilizadas simultaneamente (caso de cozinhas).
A Tab. 1.12 indica os pesos por aparelho, ou por grupo de aparelhos, e a Tab. 1.13, a dependência entre os valores
dos pesos e os consumos.
O cálculo da coluna pode ser dividido em duas partes:
- trecho da coluna, desde o reservatório superior até a primeira derivação, no pavimento mais elevado;
- trecho da coluna, abaixo da primeira derivação no pavimento mais elevado.
Vejamos como se procede pralicamente:
1"elacionam-se os aparelhos que serão abastecidos pela coluna em questão. Em cada pavimento, examinam-se
os aparelhos que podem funcionar simultaneamente. fazendo-se desde logo uma certa seleção.
Por exemplo, se se trata de um banheiro, escolhem-se o vaso sanitário e a banheira. Se se trata de um andar
de escritório, com vasos e lavatórios, acreditamos ser razoável uma seleção no número dos que poderiam funci-
onar simultaneamente, baseados no critério estabelecido para as curvas propostas no cálculo dos ramais.
2Q Cálculo dos pesos dos aparelhos. Por meio da Tab. 1.1 I, determinam-se os pesos para cada aparelho ou gmpos
de aparelhos, obtendo-se, assim, para cada pavimento, o número de unidades.
3"esos acumulados dos vários pavimentos. Uma vez determinado opeso de cada pavimento, calculam-seos pesos
acumulados, começando a soma dos andares de baixo para os de cima.
4* Consumo acumulado dos pavimentos. De acordo com o número de pesos acumulados, por pavimento, calcula-
se a descarga em litros por minuto, pela Tab. 1.13. A distinção entre conjuntos em que predominam válvulas de
pressão e em que não predominam válvulas de pressão é vaga na obra de Hunter, dando origem a grandes dife-
renças conforme a interpretaçáo que se adote.
5Q Determina-se a perda de carga máxima admissivel J desde o reservatório até a primeira derivaçáo do pavimento
mais elevado, verificando-se em primeiro lugar a diferença de cotas h entre a primeira derivação e o nível míni-
mo de água no reservatório superior.
No último pavimento, devem ser utilizadas válvulas automáticas e aquecedores de baixa pressão, pois, caso
contrário, é pouco provável que se consiga alcançar a pressáo desejável nos aparelhos, em vista da altura do reservatório,
cujo nível médio se acha entre 3,80 m e 4.80 m acima da válvula de descarga (v. tabela de consumo e pressão nas peças e
aparelhos sanitários).
A diferença entre h e a pressão desejável no aparelho (digamos h, = 2 m para oflush-valve) dará a perda de
carga Jmáxima aceitável em metros de altura de água (em geral de 1.80 a 2,80 m).
Deve-se reservar uma parcela do desnível para o atendimento das perdas no bamlete até o ponto B da liga-
ção da coluna nQ1, representada na Fig. 1.73.
Pode-se adotar para as perdas:
- no bardete: 0,20 (h - h,);
- na coluna, até a primeira derivaçáo no ponto C: O,8O (h - h,).
6Q Cálculo da perda de carga percentual J, . Medindo-se o comprimento do encanamento L em metros desde o
bmilete até a primeira derivação C no último pavimento, tem-se a perda de carga percentual

100 x J
J , = -
-

L,,,,,

em metros de altura de água por 100 m de canalização. É conveniente aumentar L de 25% no seu valor. para
atender Bs perdas de carga de água na canalização, nos registros e conexões, de modo que se tem
100 x J
J,, =
/L + 0.25 L)

Tendo-se J, e a descarga Q na coluna, procede-se como foi visto para o caso dos ramais.
7* Dimensionamento do restante dacoluna. O cálculo pode ser feito pela Tab. 1.1321.Convém ser utilizada até para
14 pavimentos. No caso de um maior número de pavimentos, deve-se colocar um ou mais reservatórios inter-
mediários no prédio ou válvulas de quebra-pressão, de modo que a pressüo máxima seja inferior a 40 m.
A Tab. 1.13~1 foi calculada admitindo-se as seguintes perdas de carga:
No último pavimento: 8 m de altura de coluna d'água por 100 m de extensão de canalização, isto é, J = 0.08 m/m
No penúltimo pavimento: 48 m por 100 m J = 0.48 d m
Nos pavimentos restantes: (antepenúltimo para baixo): 70 m por 100 m J = 0.70 núm
Se o pé direito do edifício é de 3,15 m, a perda de carga calculada do 18* pavimento para baixo é igual a

3,15 m X 0,70 = 2,205 m para cada pavimento

Mas. como o pé direito é de 3.15 m por pavimento, a pressão aumenta em cada andar de:

Tabela 1.13a. Dimensionamento de colunas verticais alimentadas p o r caixas elevadas,


s e g u n d o o método de H u n t e r
Consumo máximo
Perda de carga possível em llmin
Pavimento em metros
p1100 m 20 40 60 80 100

Último pavimento 8 % 1 I% 1% I%
Penúltimo pavimento 48 % X I I I
Antepenúltimo pavimento
para baixo 70 X % X 1 I

Consumo máximo possível em Ilmin

120 160 200 240 280 320 360 400 500 600 XOO i m

lY, 2 2 2 2K 2X 3 3 3 3 4
I 1% 1% 1% 1% 22Y , 2 2 2 2 3% 3
I 1% 1% I L: IX 1K 2 2 2 2 3X 2K
78 Instalafaes Hidráulicas Prediais e Industriais

Fig. 1.70 Alimentagão de uma coluna contendo sub-ramais para vasos sanitários

Exemplo:
Seja dimensionar a coluna A.F.1 que alimenta os vasos sanitários de 12 banheiros, conforme apresentado na Fig.
1.70.
l P Relação dos aparelhos
1 vaso com válvula de descarga do 12.' ao 1.' pavimento.
ZP Cálculo dos pesos dos aparelhos
Podemos adotar o peso correspondente ao vaso sanitário com válvula de pressão, igual a 6.
3Q Pesos acumulados e consumos acumulados dos pavimentos:

Pvtos. Pesos Pesos acumulados Consumo Umin

1' 6 6 70
2' 6 12 120
3" 6 I8 135
6 24 151
SP 6 30 168
6" 6 36 181
7" 6 42 193
8' 6 48 202
9Q 6 54 212
10Q 6 60 220
11" 6 66 230
12" 6 72 238

49 Perda de carga máxima admissivel J


Chamemos de:
h = a diferença de nível entre o reservatório e a primeira viilvula = 3,80 m
h, = altura da coluna d'água para fazer funcionar a válvula = 2,00 m
J = perda de carga admissivel na canalização.

No barrilete, a perda é de 0.20 X 1 3 0 = 0,36 m


e, entre B e C na coluna, C de 0.80 X 1,80 = 1.44 m
5Q Perda de carga percentual J,
O comprimento da canalização desde o reservatório até a primeira derivação no último pavimento é de 15 m. A perda
de carga percentual será assim:

J, = 7,68 = 7.7 m de altura d'água por 100 m de canalização, isto é.


J. = 0,077 mim
Instala~óesde Agtrn Potável 79

6P Com o valor J, = 0,077 e Q*. = 238 Ymin = 3.96 1 - s-' entra-se no ábaco de Fair-Whipple-Hsiao para tubo de
f m o galvanizado e acha-se o diâmetro de 2 lL2" e a velocidade de l,6 mls.
7Q Cálculo do restante da coluna:
Consultando aTab. 1.13a, acham-se os valores que estão indicados na terceira coluna da tabela abaixo:

Consumo Diameiros pela Diâmetros comumente


Pavimentos Umin tabela de Hunter usados na prática

12' 238 2% 2X-


1IP 230 l Y,. 2
10Q 220 1%- 2
gp 212 1%- 1ii-
EQ 202 1%. 1L;-
7Q 193 1%- 1%-
6e 181 1%- 1%-
Se 168 I Y,- I %-
4Q 151 1%- I %-
3Q 135 1%- I%.
2Q 120 I" 1Y,.
10 70 I" 1"

Indicamos na última coluna os diâmetros que são de prática comum. Ve-se que muito se assemelham aos que se
obtêm pelo método de Huuter, sendo adotados para o diâmetro dos pavimentos superiores valores com uma bitola superior
aos obtidos pelo método de Hunter.

2QProcesso: Cálculo dos ramais e colunas de alimentaçáo segundo a NBR-5626/82


Procurando uma solução de fácil aplicação para o dimensionamento dos ramais e colunas de alimentação para os
pddios, a NBR-5626 adota um mktodo baseado na probabilidade de uso simultâneo dos aparelhos e peGas, onde não faz
distin~ãoquanto A natureza do prédio, tipo de ocupação e regime de horário.
O método semelhante ao chamado mitodo alemão consiste no seguinte:
- Atribuem-se "pesos" às várias peças de utilização para definir suas demandas, como se pode ver na Tab. 1.14.
- Somam-se os pesos das diversas peças de utilização: Z P
- Calcula-se a raiz quadrada da soma dos pesos fi
- Multiplica-se o valor de por um coeficiente de descarga C, sendo C = 0,301 . s-I, para se ter a descarga em
us.

- Uma vez obtida a descarga, procede-se como nos exemplos anteriores para dimensionar o encanamento.

Tabela 1.14

Pesos
P q a s de utilização -
P

Bacia sanitária com caixa de descarga 0-3


Bacia sanitária com válvula de descarga 40.0
Banheira 1,O
Bebedoum 0.1
Bid6 O. 1
Chuveiro 0.5
Lavatório 0,s
Máquina de lavar pratos IO
,
Máquina de lavar roupa 1.O
Mictório de descarga continua. por metm ou por aparelho 0.3
Mictório de descarga descontinua 0,3
Pia de despejo I,O
Pia de cozinha 0.7
Tanque de lavar 1,o
80 Instalações Hidráulicas Prediais e Indushiais

Fig. 1.71 Diâmetros e vazões em função da soms dos pesos.

- Pode-se usar o gráfico da Fig. 1.71para obter diretamente a descarga e o digmetro em função da soma dos pesos
(W.
Assim, por exemplo:
P = 40 corresponde a 1.9 1 . s-'
P = 100 corresponde a 3.0 1 . s-'
P = 400 corresponde a 6,O 1 . s-'
e assim por diante
Observações:
- O peso 6 função apenas da demanda. Não sáo levados em consideração os tempos e os intervalos de funciona-
mento dos aparelhos ao estabelecê-lo.
- Pelo processo da norma nunca se somam vazões (1 . s-'), mas sim apenaspesos pam todos os trechos da rede de
disiribuição. Somente depois de determinado opeso correspondente a um dado trecho é que se passa ao cálculo
da vazão correspondente.
- Os aparelhos sanitários, bem como suas instalações e canais internos, devem ser de tal forma que não provoquem
retrossifo~gem (refluxo de bguas servidas, poluídas ou contaminadas, para o sistema de consumo, em decorrência de
pressões negativas).
VASO ENTUPIDO

BARRILETE 4

q1
V.S.

FORMA-SE O VÁCUO EM A A ÁGUA DO V.S


SE ENCAMINHA PARA A , SE A VA'LVULA V,
NXO A D E T I V E R , IMPED1NDD 4 RETROSSIFONAOEM.

A ) USAR V ~ L V U L A QUE IMPEÇA A RETROSSIFONAOEM

d PARA APARELHOS
SUJEITOS A RETROSSI
FONAOEM
- -
DEMLIS

EMPREGO DE VÁLVULAS QUE IMPEÇAM


A RETROSSIFDNAGEM

Fig. 1.72 Esboços indicando como pode ocorrer a retrossifonagem e solugóes para impedir que a mesma ocorra.
82 Hidráulicas Pr~dinise Indcrstriars
Ii~stalaçü~s

- Se, entretanto, houver aparelhos que possam provocar retrossifonagem, pode-se adotar uma das seguintes solu-
ções:
a) instalar esses aparelhos em coluna, banilete e reservatório independentes, previstos com finalidade exclusiva de
abastecê-los;
b) instalar os referidos aparelhos em coluna. barrilete e reservatório comuns a outros aparelhos ou peças, desde que
seu sub-ramal esteja protegido por dispositivo quebrador de vácuo;
C) instalar os citados aparelhos em coluna, banilete e reservatório comuns a outros aparelhos ou peças, desde que a
coluna logo abaixo do registro correspondente em sua parte superior seja dotada de tubulação de ventilqão, exe-
cutada com as características seguintes:
- ter diâmetro igual ou superior ao da coluna de onde deriva;
- ser ligada à coluna, a jusante do registro de passagem que a serve;
- haver uma para cada coluna que serve a aparelho passível de provocar retrossifonagem;
- ter sua extremidade livre acima do nível máximo admissível do reservatório superior.
Os fabricantes de váivulas de descarga modernas cujo êmbolo fecha tanto a favor quanto contra o fluxo da água,
afirmam não haver qualquer risco de retrossifonagem com o emprego das mesmas, o que, comprovado, dispensa quais-
quer das providências anteriores, recomendadas pela norma para "aparelhos que possam provocar retrossifonagem".
Quando se fecha o registro no início de uma colunae se d á descarga a um ou mais vasos. a água, ao esvaziar o trecho
superior da coluna. provoca uma rarefação (vácuo), de modo que, se não houver válvula adequada, a água poderá sair do
vaso e seguir para acoluna de alimentação, onde se formou o vácuo. A solução c, de custo insignificante, permite a entrada
de ar na coluna, mesmo com o registro fechado, e impede a formação de vácuo. Havendo dúvida sobre a eficiência da
válvula contra a retrossifonagem, convém seja adotada.
A Norma 5626 apresenta como sugestão umaplanilha de cálculo de instalafõesprediais de águafria, e a marcha a
seguir para preenchê-la poderá ser a seguinte:
1. Marca-se o número de cada coluna de água.
2. Indicam-se os trechos compreendidos entre cada dois ramais para os vasos. a partir da primeira derivação, que é
a do barrilete: assim, temos: BC; CD; DE etc. na Fig. 1.73.
3. Somam-se os pesos em cada pavimento. No caso, trata-se apenas do vaso, cujo peso é 40.
4. Calculam-se os pesos acumulados, contados de baixo para cima, 40, 80, ... até 480.
5. Calculam-se as vazões correspondentes aos pesos acumulados, usando o gráfico (Fig. 1.71) ou calculando pela
fórmula

e assim por diante.


6. Com os valores das varões, recorre-se ao ábaco de Fair-Whipple-Hsiao para a escolha dos diâmetros e verifica-
ção das perdas de carga unitana. J. . Para isso. procura-se manter as velocidades abaixo dos limites da Tab. 1.7
e apresentada no item 1.6.8.
A cada pavimento corresponde um desnível de 3,10 a 3,15 m, o qual supera largamente a perda de carga entre os dois
pavimentos, quando se adotam valores razoáveis paraos diâmetros. Se seguíssemos o método de Hunter, usando uma perda
de 48% no penúltimo andar, e 70% nos andares daí para baixo, obteríamos diâmetros menores que os obtidos segundo a
norma, portanto com velocidades bastante grandes.
Acreditamos ser preferível manter a velocidade em tomo de 2 a 2,5 m . s-' e, nessa faixa, dimensionaro encanamen-
to. Haverá, de pavimento para pavimento, um acrescimo de pressão devido ao desnível, apesar da perda de carga entre
cada dois pavimentos. O bom funcionamento das peças de utilização aconselha pressão de serviço máxima de 40 rnca (40
Wa) .
A Tab. 1.15 da norma indica o que designa por pressão dinâmica para várias peças de utilizaqão, e que nos livros de
Hidráulica se chama pressão efetiva, isto é, pressão no ponto considerado, obtida deduzindo do desnível topográfico entre
o nível superior da água e o ponto, a altura representativa das perdas de carga e a altura representativa da velocidade de
entrada no tubo.
A norma propôs uma tabela para as pressões estáticas nas peças de utilização. Usando a terminologia usual em Hi-
dráulica, elas representariam o desnível da água no reservatório superior em relação à cota onde se acha a peça considera-
da.
A Tab. 1.16 fornece os valores das pressões dinâmicas. ou seja. apressão efetiva ou carga efetiva, correspondente
à cota da linha piczométrica ou gradiente de pressão correspondente a posição da peça considerada como foi esclarecido.
Observação:
Com relação às válvulas de descarga, existem tipos para funcionar com uma só bitola de sub-ramal de alimentação
e que podem ser reguladas para pressões desde 1.40 até 40.0 m.
B BARRILETE
COL.NQ L
COL.NQ2

E
'3 1OQ PAV.

F
*t SQ PAV.

0 ..
IQPAV.

H
9 79 PAV.

r
9 IQPAV.

J ,,
1 50 PAV.

K
"i 49 PAV.

1
' , 30 PAV.

1
L
, 29 PAV.

1Q PAV.

Fig. 1.73 Coluna alimentando 12 vasos sanitários.

Tabela 1.15 Pressões estáticas nas peças de utilização

Mín. Máx.

Aquecedor elétrico de alia pressão


Aquecedor elétrico de baixa pressão
Válvula de descarga DN 20 mrn (314)
Válvula de descarga DN 25 mrn (L)
Válvula de descarga DN 32 mm (L 114)
Válvula de descarga DN 38 mm (L 112) 2
84 Instalações Hidráulicas Predlais e Industriais

Tabela 1.16 Pressões dinâmicas nas peças de utilizaqão

Pressão
Diâmetro dinâmica de
nominal serviço
Pontos de utilização para
DN Ref.
mm ( ")

Aquecedor a gás Função da vazão Depende das ca-


de dimensiona- racterísticas do
mento aparelho
Aquecedor elthico Funçan da vazão
Alta pressão de dimensiona-
Baixa pressão mento
I
Bebedouro
I
15 II (ln)
I I
Chuveiro 15 <ln> 2.0 40.0
20 (314) 1,O 40.0

Torneira

Válvula de flutuador de caixa de descarga (torneira de bóia)

Válvula de flutuador de caixa de água (torneira de Mia)


I I
I
Função de vazão
, de funciona-
:E; ( :
0.5
1 "I
40.0

mento

Observação: I mca = 10 kPa = 0.1 kgf. cm-2

Exemplo I:
Consideremos a coluna nQ1 da Fig. 1.73, correspondente a um prédio de 12 pavimentos, com 12 vasos providos de
válvula de descarga e passemos a dimensioná-la segundo a NBR-5626182.
.
No ábaco de F-W-S. numa primeira. tentativa, vemos que para a vazão de 6,55 1 s-I no trecho BC, se u s m o s tubo
de 2 112". a velocidade ser4 2,2 m . s-' e a perda unitária de 0,14 mim, o que daria uma perda total muito elevada neste
primeiro trecho (ou seja, 0,14 X 15 m = 2,10 m), no qual só dispomos de um desnível de 3,80 m e precisamos de 2.00 m
para a válvula no ramal em C.
Então. no trecho BC, admitamos o diâmetro de 3".
Comprimento real de B a C: I, = 15.00 m
Comprimentos equivalentes:
1 registro 3" 0.50 m
1 tê saída lateral 3" 5,20 m
1 tê passagem direta 3" 1.60 m 7.30
Comprimento total L,, -
- 22,30 m
Anotemos, a seguir, esses comprimentos na planilha.
No ábaco, com Q = 6.55 e D = 75, achamos 3. = 0,045 mim
Logo J,, = 0.045 m/m X 22.30 = 1,00 m
A pressão disponível para funcionar a válvula será o desnível do reservatório até o ramal em C, menos as perdas, isto
é, 3.80 - 1.00 = 2.80 m.
A pressáo a jusante de C a marcar na planilha é de 2,80 m. O valor na realidade é um pouco menor. porque no banilete
iremos perder cerca de 0,20 mca. o que no entanto desprezaremos, pois a pressão necessária no vaso é 2.00 e temos 2-80
m.
No trecho CD vamos admitir velocidade entre 2.00 e 2,50 mis.

Com Q = 6,30 1 . s-' D = 60 mm, achamos


v = 2.2 m . s ~ ' J, = O. 14 mlm

Comprimento real 1, = 3,15 m


Comprimentos equivalentes
1 tê de passagem direta 60 mm = 1.30 m
Comprimento total L,, = 4,45 m

J,, = 0,14 X 4,45 = 0,62 mca


Pressão a jusante de D
-Pressão em C = 230
-Desnível de C a D = - 3.15
5,95
Menos perdas J = -0,62
Pressão em D = 5,33 mca
Trecho DE
Com Q = 6.00 1 . s ' D = 60 mm, achamos
v = 2,1 m . s-' JU=0,12mim

Se usássemos D = 50, a velocidade seria excessiva 3.0 m . s-I


L,,"" real = 3.15 m
-
L - 1,30
Comp. total L,, = 4,45 m
Calculemos como iizemos no trecho DE

J,, = O,12 X 4.45 = 0.53 mca

Pressão a jusante de E
- Pressão em D = 5,33
- Desnível entre D e E = -
3,15

- Menos perdas JD, = -0.53


- Pressão em E = 7.95 mca

Trecho EF
Com Q = 5.65 I . s ~ ' D = 60 mm, achamos
v = 2.0 J.=0,11
Se usássemos D = 50 mni. a velocidade sena 2.80 m . s',portanto acima do limite de 2.50 m . s ' que foi estabele-
cido.

L, real = 3.15 m
-
L~~cquid. - 1.30
-
LEF = 4,45 m
J,, = 0.10 X 4.45 = 0,445 mca

Pressão a jusante de F
- Pressão em E = 7,95 mca
- Desnível entre E e F = 3,15
11,100
- Menos perda^ J = -0,445
- Pressão em F = 10.655 mca
86 Irrstaln~óesHidráulicns Prediais r, Industriais

Já temos pressão bastante para usar até válvulas que funcionam com 8 mca. Podemos experimentar agora reduzir o
diâmetro para 2".

Trecho F G
.
Q = 5.26 I s ~ ' D=50mm
v = 2.5 m . s ~ ' J, = 0,23 m/m

L,, real = 3,15 mca


L + 1 tê 2" = 1.10
LpG= 4,25 mca

J,, = 0,23 X 4,25 = 0,977 mca


Pressão a jusante
- Pressão em F = 10,65 mca
- Desnível entre F e G = 3.15
13.80
- Menos perdas J , = -0.98
- Pressão em G = 12.82 mca

Trecho G H
Q =5.001.s1 D = 5 0 m m
v = 2,s m . s-' J. = 0,22 mlm

J,, = 0.22 X 4,25 = 0,93 m

Pressão a jusante
- Pressão em G = 1232 mca
- Desnível entre G e H = 3.15
15.97
- Menos perdas = -0,93
- Pressão em H = 15.04 mca

Trecho H1
Q = 4,65 I . S.' D =50mm
v = 2.3 m . s-' J , = 0,192 d m

Pressüu a jusante
- Pressão em H = l5,04 mca
- Desnível entre H e I = 3.15
18.19
- Menos perdas = -0,82
- Pressão em I = 17,37 mca

Trecho IJ
Q = 4.25 D=50
v = 2,2 J. =O.lS

- Pressão em I = 17,38 mca


- Desnível em I e J = 3,15
20.52
- Menos perdas = -0.64
- Pressão em J = 19.88 mca
Trecho JK
Q = 3.75 D = 50
v = 1.8 J, = 0.12

= 0,12 X 4,25 = 0.51

- Pressão em J = 1938 mca


- Desnível entre J e K = 3.15
23.03
- Menos perdas = -0.51
- Pressão em K = 22.52 mca
Trecho KL
Q = 3,26 D = 40
v = 2,5 J. = 0,29
I,, real = 3,15
i,,., 1 tê 40 mm = 0.90
-
4,05

- Pressáo em K = 2252
-Desnível entre K e L = +3.15
25.67
- Menos perdas = -0.13
- Pressão em L = 25.54 mca

Trecho LM
Q = 2,68 D = 40
v = 2.1 J. =0,19

J , = 0.19 X 4,05 = 0,77

- Pressão em L = 2,54 mca


- Desnível entre L e M = 3,15
28,69
- Menos perdas = -0,77
- Pressão em M = 27,92 mca

Trecho MN
Q = 1 , 9 0 1 . s ~ 'D = 3 2 m m
v = 2,4 m . s-' J, = 0.33

Comprimento real L,, = 3,15


Comp. equid. 1 joelho 32 mm = 1.10
-
4,25

- Pressão em M = 27.92 mca


- Desnível entre M e N = 3.15
3 1,O7
- Menos perdas = -1,40
- Pressão em N = 29,67 mca

Com os valores acima obtidos, podemos completar o Quadro Q.1


Quadm Q.1
Perda de
Comprimentos carga
Pressão Pressão a
Pesos Vazão Diâm. Veloc. Real Equi. Total disponível Unit Total jusante Obsewagões

Uni- Acumu-
Us mm pol. m/s m m m mca mcalm mca mca kPa
Coluna Trecho tinos lados

40 480 655 75 3 1.4 15.00 7.30 22.30 3,80 0,045 1.00 2.80 28.0 Pressãodispo-
1 BC nível na pri-
40 440 6.30 60 2 112 2,2 3.15 1.30 4.45 2.80 0.14 0.62 5,33 53.3
CD 7.95 79.5 meira denva-
DE 40 400 6.00 60 2 112 2,l 3.1.5 1.30 4.45 5.33 0.12 0.53
40 360 5,65 60 2 112 2.0 3.15 1.30 4.45 7.95 0.10 0,44 10.65 106.5 ção para a
EF
40 320 5.26 50 2 2.5 3.15 1.10 4.25 10.65 0,23 0,98 12.82 128.2 vdvula
FG
40 280 50 2 2.45 3,15 1,lO 4.25 12.82 0.22 0.93 15.04 150.4
GH 5,00
H1 40 240 4.65 50 2 2.3 3,15 1.10 4,25 15.04 0.19 031 17.37 173.7
40 200 4,25 50 2 2.2 3.15 1,lO 4,25 17.37 0.15 O,@ 19.88 198,8 Pressão na
1J
40 160 3,78 50 2 1.8 3,15 1.10 4,25 19,88 0,12 0,51 22.52 225.2 derivação
JK
KL 40 120 3.26 40 1 112 2.5 3,15 0,90 4,05 22,52 0.29 0.13 25,54 254,4 para a
80 2.68 40 1 IR 2.1 3.15 0.90 4.05 25,54 0.19 0,77 27,92 279,2 última
LM 40
MN 40 40 30 1 114 2,4 3,15 1.10 425 27.92 0.33 1,40 29,67 2%,7 vitlvula
1.90
8,76 29,67 2%,7

Dssdvel do rscrvatóno h última derivação: 3.80 + (L1 pav. X 3,15) = 38,44 m.


Rcss;lo residual + perdas = 2967 + 8.76 = 38.43 m.
O b x q ã o : A difereqa de 0.01 m se deve Bs apmximaçks de cálculo.
Inslalaçües de Agua Potável 89

Exemplo 2:
Dimensionar, segundo a NBR-5626, uma coluna de alimentaçáo de um banheiro completo com caixa de descarga,
para um edifício de apartamentos com 12 pavimentos (Fig. 1.74).

4.2Om
0,s 0.1 0.5 1.0 0.1
I P :28,8 I 114" Ch. -o,Mm CX. D E I C A R Q A
LAV. 84. BtL

L
P~SO 7.~.t~n
C .i 1 2,Wn

ZP=21,4

D
11/4"

i--
D
P
a .. 2,4
0,51..-1
3/4*

Fig. 1.74 Coluna alimentando 12 banheiros


Comprimento do encanamento entre B e C = 16,27 m
a) Consumo em cada banheiro
Os pesos a considerar são:
I chuveiro 0,s
1 lavat6rio 0.5
1 bidê O,1
1 caixa de descarga 0,3
I banheira 1,O
-
2,4

O chuveiro se acha 2,00 acima do piso do banheiro e necessita de pressão igual a 0,s mca.
Pela Fig. 1.74 vemos que, entre o nível inferior do reservatório e o chuveiro, o desnível é de (4.20 + 0,40) - 2.00 =
2,60 m.
Para atender às perdas, teremos 2,60 - 0,SO = 2,10 mca.
A soma total dos pesos no ponto B é igual a 12 pav. X 2,4 = 2 8 8
A descarga será

No ábaco de Fair-Whipple-Hsiao, com esse valor da descarga e velocidade de 1.4 m . s ~ 'obtém-se


, tubo de 1 112",
e a perda de carga unitária é de J. = 0,073 núm.
O comprimento real 1, entre B e C 16.27 m
Comprimentos equivalentes ou virtuais i,
1 registro de gaveta de 1 112'' 0,30
1 té saída lateral 1 112" 2.80
1 tê de passagem direta 1 112" 0,90
2 ioelhos de 90" 1 112'' (2 X 1.3) 2.60
Comprimento total I,. = I, + I , =

A perda de carga para essa extensão de encanamento será

Temos que considerar a pressão necessana para permitir o funcionamento do chuveiro no 12Qpavimento, o qual,
como vimos, necessita de uma pressão de 0,50 mca.
O desnível estático é de 2.60 m. Subtraindo desse valor as perdas JC, = 1,67,teremos 0,93 m, o que dará para atender
à pressão de 0,50 m exigida para o chuveiro e as perdas que ocorrerem no trecho entre o ponto C e o chuveiro.
Como a perda no ramal de 314" com a descarga de 0.47 1 . s-' é de 0,20 núm, e temos uma disponibilidade de 0.93
mca, essa disponibilidade daria para uma extensão de encanamento igual a

Esse comprimento dará para ligar o chuveiro à coluna.


No Quadro Q.2 acham-se calculadas as grandezas de modo análogo ao que foi feito anteriormente para a coluna com
vasos com válvula de descarga.

1.7.3 Barrilete ou colar de distribuicão (Manifold)


A ligaçâo da extremidade superior das colunas de alimentação, diretamente ao reservatório na cobertura, ofereceria
sérios inconvenientes. pois haveria casos em que o reservatório teria dezenas dessas inserções, de estanqueidade proble-
mática. O hurrilete ou colur de disrribuição é a solução que se adota para se limitarem as ligações ao reservatório. Trata-
se de uma tubulaqão ligando as duas seções do reservatórin superior, e da qual partem as derivações correspondentes às
diversas colunas de alimentação.
São duas as opções no projeto do banilete.
- usar o sistema unificado ou central;
- usar o sistema ramificado.
Vejamos como se apresentam essas duas modalidades.
Quadro 4.2

Perda d e
Comptimentos
carga
Pressão Pressão a
Pesos Vazão Diâm. Veloc. Real Equiv. Total disponível Unit. Total jusante Observações

Uni- Acumu-
Coluna Trecho tários lados Us mm pol. m/s m m m mca mcalm mca mca kPa

2 BC 2.4 28.8 1,61 40 1 112 1.40 16,27 6.60 22,87 4.20 0,10 2.28 1.92 19.2 Pressáo
CD 2.4 26.4 1.51 30 1 114 1,90 3.15 0,70 3.85 1.92 0,20 0.77 4,30 43.0 disponível no
DE 2.4 24,O 1,47 30 1 114 1.80 3,15 0,70 3,85 4.30 0.19 0.73 6.72 67.2 pnmerro
EF 2.4 21,6 1,39 30 1 114 1.75 3.15 0.70 3.85 6.72 0.18 0,69 9,18 91.8 ramaldo
FG 2.4 19.2 1.32 30 1 114 1.70 3,15 0,70 3,85 9.18 0,17 0.65 11.68 116.8 banheiro
GH 2.4 16.8 1.22 30 1 114 1.50 3,15 0.70 3.85 11,29 0,14 0.54 14,29 142.9
H1 2.4 14.4 1.15 30 1 114 1,40 3,15 0.70 335 14.29 0.12 0.46 16.98 169.8 Pressáo na
U 2,4 12.0 1.04 25 1 2-00 3.15 0,50 3.65 16,98 0,29 1,06 19.07 190.7 derivação
JK 2.4 9.6 0,94 25 I 1.00 3.15 0.50 3,65 19,07 0.25 0,91 21,31 213,l parao
KL 2,4 7.2 0.81 25 1 I ,h0 3.15 0.50 3,65 21.31 0.18 0,65 23.81 238.1 úlumo
LM 2,4 4.8 0.66 25 1 1.40 3.15 0.50 3.65 23.61 0,12 0,44 26,52 265.2 ramal do
MN 2.4 2.4 0.47 20 314 1,50 3,)s 0.40 3,55 26,52 0.25 0.88 28.79 287,9 banheiro

10.06 28.79 287.9

Desnível do mserva16no última derivação: 4.20 + (1 1 X 3.15) = 38.85 m.


h s ã o residual + perdas = 28.79 rn + 10.06 = 38.85 m.
92 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Sistema unificado (Fig. 1.75)


Do banilete ligando as duas seções do reservatório partem diretamente todas as ramificações, correspondendo cada
qual a uma coluna de alimentação. Colocam-se dois registros que permitem isolar uma ou outra seção do reservatório.
Cada ramificação para a coluna correspondente tem seu registro próprio. Desse modo, o controle e a manobra de abaste-
cimento, bem como o isolamento das diversas colunas, são feitos num único local da cobertura. Se o número de colunas
for muito grande, prolonga-se o banilete além dos pontos de inserção no reservatório (Fig. 1.75b).

r r- I
BARRILETE

i b )

Fig. 1.75 Baniletes unificados.

Sistema ramificado
Do banilete, tal como foi visto acima, saem os ramais, os quais por sua vez dão origem a derivações secundárias
para as colunas de alimentação. Ainda nesse caso, na parte superior da coluna, ou no ramal do banilete próximo à descida
da coluna, coloca-se um registro.
Esse sistema, usado por razões de economia de encanamento, dispensa os pontos de controle por registros, e quando
se trata de terraço obriga a construir caixas na camada de isolamento térmico da laje, para colocar os registros. Tecnica-
mente, não é considerado tão bom quanto o primeiro.

Fig. 1.76 Barrilete ramificado.

Caso de castelo d'iígua


Até aqui havemos feito referência a baniletes para distribuição de água fria potável para uso comum em prédios
convencionais com reservatórios na cobertura.
Em instalaçóes industriais pode haver um castelo d'água, sendo preferível localizar o banilete próximo ao nivel do
terreno (acima do terreno ou subterrâneo), de modo a tomá-lo mais econômico e funcional. Na Fig. 1.77, acha-se repre-
sentado esquematicamente um castelo d'água dividido em duas seções, com um banilete operável na casa de bombas
colocada na base do castelo.
Instalaçfies ddr Agua Potável 93

Fig. 1.nBanilete de um custeio d'água.

Não foram representadas as demais tubulações (recalque, extravasar e limpeza).


Nos castelos d'águade grandes dimensões, o acesso ao reservatório 6 feito por escada helicoidal de concreto em vez
das perigosas escadas de marinheiro. Abaixo do fundo do reservatório existe uma plataforma para manobra e acesso ao
mesmo. Para isso, projeta-se o reservatório com um núcleo central vazio, par onde o pessoal de manutenção possa ter
acesso ao interior do reservatório (Fig. 1.78).

Fig. 1.78 Castelo d'igua com acesso por escada em caracol


94 Inçfnlações Hidrauiicas Prediais e Industriais

A maioria dos castelos d'água existentes não possui duas seções, de modo que existe uma descida única, que, na
base dos castelos, dá as ramificações necessárias.
Se o reservatório se destinar apenas aágua para incêndio e uso industrial, havendo outro para água para higienee uso
geral, o do primeiro caso não precisará ser dividido em duas câmaras.
Em instalações industriais, o sistema de bamilete (manifold)é muito usado na distribuição de água, óleo, solventes
e produtos químicos, partindo o banilete de um reservatório pressurizado ou não.

Cálculo do barrilete

1 PCaso: Bmnlete unifiado


Consideremos um banilete que alimenta quatro colunas de um prédio de escritórios, com 22 pavimentos, servindo
duas delas a dois vasos sanitários com válvula de descarga em cada pavimento e as outras duas colunas a 1 vaso sanitário
também com válvula de descarga em cada pavimento.
Podemos dispor os elementos que iremos calcular em um quadro. Para os diâmetros iniciais das colunas, usamos o
gnGco publicado no Dirigente Consrrutor, vol. 3-nP2, (Fig. 1.71).

Fig, 1.79 Bamlete uniticado coiii quatro derivafões.

Supõe-se que o cálculo dessas colunas tenha sido feito como vimos anteriormente, no item "Dimensionamento das
colunas".

N.'de Peso Q Diâmetro inicial


Coluna VS dFV P (1 . S.') da coluna
-
1 44 1760 12.58 3'
2 22 880 839 2 IR"
3 22 8x0 8.89 2 in"
4 44 1760 12.58 3"

IP 5280

A descarga correspondente ao peso total será

Considera-se que cada seção do reservatório fornece a metade dessa descarga. Ocasionalmenle, durante a limpeza
do reservatório, poderá funcionar apenas uma seçã-O,quando então as condições de funcionamento deixa60 de ser as ide-
ais.
A descarga a considerar será, pois:
instalações de Agua Potdvei 95

A perda de carga que em geral se admite é a adotada por Hunter. isto 6,J, = 8 d100 m.
.
Entrando com os valores q = 10,91 s-' e J, = 0.08,no 6baco de Fair-Whipple-Hsiao, obteremos, arredondando "para
mais", uma vez que não hh diâmetro comercial de tubo com cerca de 3 112".

A perda de carga com esse diâmetro, mantida a mesma descarga, reduzir-se-6 a 3 mil00 m.
Obsewaçtão: Alguns projetistas dimensionam o bmilete de modo tal que a descarga total possa ser suprida por qualquer
uma das seções do reservatório.

Quadro 4 . 3
I I I I I 1 I
Compariimentos Diametro
Descarga
e Peças Pesos Trecho (1) mm pol.
Coluna

1 Banheiro d cx.
descarga:
(banheira + lav.
+ c. desc. C
bidê + chuv.) I-A 1.73 32 1 114
2 Cozinha (2 pias
+ tanque) 2-A 1.80 32 1 114

Banh. emprega-
daemáq.de
lavar (I chuv.
+ 1lav. e l cx.

Banheiro c/ cx.

Banheiro c1 cx.

Cozinha

69.6 H-G 2.50 40 1 112

Banh. emprega-
da e máq.de
lavar = 33.6 7-G 1.68 32 1 114

103.2 G-E 3.03 40 1 112

Banheiro d cx.
descarga 33.6 8-F 1,50 32 1 114

136,8 E-F 3.48 50 2

Banilete KDFL 120.0 D-K 3.48 50 2


120.0 F-L 3,48 50 2
120.0 D-F 3,48 50 2
96 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

2*Caso: Barriiete mmmado


A Fig. 1.76 representa um banilete ramificado de um edifício de 12 pavimentos com dois apartamentos por andar,
cada um com dois banheiros completos, banheiro de empregada, cozinha com duas pias, kea de serviço com tanque e
máquina de lavar roupa.
No Quadro Q.3, acham-se indicados os compartimentos e as peças neles instaladas. A coluna da cozinha serve tam-
bém a um tanque e a do banheiro de empregada, à máquina de lavar roupa.
Usando o nomograma da Fig. 1.7 1, determinamos os diâmetros de cada coluna e de cada trecho. Assim, por exem-
plo, para acharmos o diâmetro do trecho AB, somamos os pesos das colunas 1 e 2. Para acharmos o do trecho CD, soma-
mos os pesos das colunas 1.2.3 e 4.
Admitimos que, pela simetria na distribuiçio, a descarga no barrilete é fornecida metade por KD e metade p LF,
portanto o trecho DF tem o mesmo diâmetro que os dois citados trechos veriicais.
No caso de se desejar prever que toda a descarga possa ser fornecida por apenas uma das seções do reservatório,
.
tenamos que considerarpara os trechos KD e LF a descarga de 4.65 1 s'correspondente à soma de pesos 120 + 120 = 240.
O diâmetro, conforme se pode verificar usando o da Fig. 1.71, d ainda de 2", neste caso.

1.7.4 Distribuição às peças de utilização

A distribuição realiza-se pelos ramais e sub-ramais, cuja altura acima ou abaixo do piso irá depender: do tipo de
aparelho; de haver piso rebaixado ou teto falso abaixo da laje e das razões de ordem prática que orientam o projetista.
Consideremos alguns casos de uso frequente e vejamos as alturas acima dos ramais e dos pontos dos suh-ramais,
onde se efetua a ligação ao aparelho.
Essa ligação pede ser direta, como no caso de um chuveim e um aquecedor, ou pode ser feita com pequeno trecho de
tubo de cobre ou latão, como nos lavatórios, bidês e mictórios.

I *Caso: Ligaçúo de válvula de descarga


As Figs. 1.79 e 1.80 mostram, respectivamente, a altura do sub-ramal para as válvulas de descarga de botão e de
alavanca, supondo que as válvulas sejam i3 prova de retrossifonagem.
A válvula de botão dispensa o registro no sub-ramal, pois já contém um, combinado com a própria válvula.
Caso a válvula seja passível de sofrer retrossifonagem do vaso, a altura do sub-ramal acima da borda de transborda-
mento do vaso é no mínimo de 40 cm.

2PCaso: Diversas peças no banheiro (Fig. 1.82)


Observação:
Os registros de pressão (R.P.)da banheira também podem ser colocados a 15 cm acima da borda da banheira.

Fig. 1.80 VBlvula de botão. Medidas piua instalaçáo. Fig. 1.81 VBlvula de alavanca. Medidas para instala$áo.
AQUECEDOR
CAIXA DE
DESCARBA
COLUNA DE

II

Fig. 1.82 Altura dos pontos de utilização dos aparelhos e peças.


98 lnstala~óesHidráulicas Prediais e Industriais

3 g c ~ 0iigdçáo
: de caira de descarga embutida
Pode ser feita com o sub-ramal a 20 ou 30 cm acima do piso ou acima da caixa. A Fig. 1.83 mostra o primeiro caso
citado.

4PCaso: Cozinha
Observações:
Havendo água fria e água quente, a torneira de água fria 6 colocada 2i direita de quem a utiliza. O ramal da cozinha
e o registro 2,s vezes sáo instalados a 1,40 m do piso e não a 0,40 m.

Fig., 1.83 Instalação de vaso sanitário com caixa de descarga. Detalhe de ligação de registro de pressáo.

Fig. 1.U Instal~áode água iria em uma cozinha.


5' Caso: Área de S~?W&O
Vemos na Fig. 1.85 a instalação de um tanque de lavar roupa e de uma máquina de lavar roupa.

6*Caso: Mictório de parede (Fig. 1.86)

I
Tanqua

Máquina de L a v a r Roupa

Fig. 1.85 Instala~1~1


de igua Iria para ianquç ç máquina de lavar roupa.
100 Insfalaçõcs Hidráirlicas Prediais e Industriais

Mictdrie

Fig. 1.86 Instalação de miçtó"os de parede

Fig. 1.W Curva w'A -C90PBPA DN 50 e 63; B -C90BRPA DN 40.50 e 63.

Prumados de água em ferrofundido


A companhia ~ e t a l ú r ~ i Barbará
ca fabrica a linha PA de tubos e conexões para pmmadas prediais de água.
Os tubos DN 40 mm não têm bolsa, e os de DN 50 e 63 têm ponta e bolsa para uso de anel de borracha.
As conexões tém bolsa e ponta, bolsa e ponta rosqueada para adaptar PVC-ou Ferrogalo e bolsa e bolsa.
A Fig. 1.88 mostra as peças e conexões que são empregadas na gambiarra de um chuveiro com água fria e Agua
quente.
O ramal derivado de uma coluna de distribuição acha-se representado na Fig. 1.89, com o registro de gaveta e as
diversas conexões.
Para a montagem do misturador de Agua fria e quente para chuveiro ou banheiro, pode-se adotar o arranjo represen-
tado na Fig. 1.90.
Fig. 1.89 Ramal de uma coluna.
tAF
Fig. 1.88 Gambiarra (misturador para chuveiro).

Pig. 1.90 Misturador para chuveiro ou banheira (alternativa)

As tubulações devem ser adaptadas aos reservatórios, empregando-se flanges tanto interna quanto externamente, tal
como indica a Fig. 1.91.

Fig. 1.91 Reservatório (detalhe).


102 Instalaçc7es Hidráulicas Prediais e Industriais

Abrw. TPBRPA

-
Fig. 1.92 Algumas conexões de linha PA da Barbará. A -Curva 90' C90BBPA DN 40,B Tê Ponta Bolsa Rosca 50 X 1 114", 50
X 1 1iZ. 50 X 2" e 63 X 2 112". C -Curva45' Ponta e Bolsa; DN 50 e 63; D -Luva Bolsa e Rosca, DN 40.50.63.

1.7.5 Projeto da instalacão de água fria potável

Para ilustrar as explicaçõesdadas neste capítulo, acha-se representada a instalação de água fria de um edifício de 12
pavimentos, com subsolo, tendo dois apartamentos por pavimento e um na cobertura para o zelador, além de duas loias e
garagem (representada parcialmente).
A Fig. 1.93 mostra o esquema vertical de figua fria, podendo-se ver os resematórios e o sistema de elevação de água,
o banilete e as coluna verticais de distribuição. Foram previstas válvulas à prova de retrossifonagem,nas quais o êmbolo
fecha tanto a favor quanto contra o fluxo (refluxo) da água.
As Figs. 1.94 a 1.97 mostram a distribuição nos pavimentos e na cobertura. enquanto as de números 1.98 e 1.99
mostram, além das plantas baixas de distribuição na cozinha e nos banheiros, as representaçóes isométncas e esquemas
para indicação das alturas dos ramais e das "saídas" para as peças de utilização.

1.8 INSTALAÇÃO HIDROPNEUMÁTICA(Sistema de fornecimento de água


pressurizada)
Instalação hidropneumitica é uma instalação na qual, no início da tubulação de recalque de uma bomba ou de um
sistema de bombas, se intercala um reservatório metálico. em cujo interior o líquido comprime uma camada de ar durante
o funcionamento do sistema. O volume de ar se comprime proporcionalmente à pressão manométrica da instalaçio, per-
mitindo um escoamento sujeito a pulsaçóes de reduzidas amplitudes.
Há dois tipos a consjderar, conforme o referido reservatório funcione, como:
I V â m r a de ar. E o caso das instalações de bombas alternativas com tubulaç&s de recalque longas e dos amor-
tecedores de golpe de aríere em certas instalações de turbobombas.
2P Como reservarório ou autoclave. Ocorre nas instalaçoes hidropneumáticas ou de pressurização propriamente
ditas.
Trataremos apenas deste último caso.

1.8.1 Reservatório hidropneumático


O reservatório hidropneumático é empregado em certas instalações prediais, geralmente de edifícios com muitos
pavimentos, ou poucos pavimentos com áreas muito extensas; em últimos pavimentos de edifícios, em estabelecimentos
Instalações de Agua Potável 103

C" o'doun cop. 5OOOOL

Fig. 1.93 Esquema vertical de água fria.


CAP 3e 000 L

CAP. 30 O 0 0 C
MEDIDORES

G A R A G E

Sobe - RAMPA

Fig. 1.94 Instalação de igua e gis (subsolo).


Instalações de Agua Potável 105
Instala~óesHidráulicas Prediais e Industriais
Instalações de Á,?na Potrivrl 107
108 Instalafües Hidráulicas Prediais e Industriais
110 I ~ i s t n l n ~ Hidráulicas
õ~s Prediais e Indirstriais

C,HAVES
ELETRICAS

Fig. 1.100 Casa de bombas. Representação isomktrica.

industriais, estações subterrâneas do metra, galerias de minera~ão,navios, instalações de combate a incêndio, em máqui-
nas de lavar, em duchas etc. Sua finalidade é substituir os resemat6rios elevados que normalmente abastecem os pontos de
consumo, mas que nos casos citados, por razões próprias a cada um, não podem ou não convêm ser construídos.
Para se conseguir a pressão desejada, bombeia-se a água no interior de um reservatório geralmente cilíndrico e de
eixo vertical, a qual comprime um certo volume de ar que, pela sua compressibilidade funcionará como acumulador de
energia e amortecedor das oscilaçóes de descarga nas peças de consumo. O reservatório armazena um certo volume de
água, que é enviado à rede caso ocorra umademanda. Não é, a rigor, um reservatório de acumulação de águano sentido em
que se costuma designá-lo, pois, quando o consumo se prolonga. a água se esgota e a bomba se encarrega de abastecer o
reservatório, enquanto persiste a demanda e o reservatório vai alimentando a rede interna.
Uma instalação ou estação hidropneumática contém uma ou mais bombas centrífugas, um ou mais reservatórios
formando baterias, e controles para manter uma relaçlio adequada entre água e ar para a pressão desejada, alem de equipa-
mento para enviar ar sob pressão ao reservatório.
Podem-se classiiicar as instalações ou sistemas hidropneumáticos em:
- De baixa pressão, quando a pressão máxima de operação for da ordem de 80 psi.
- De alta pressão. para pressões de trabalho acima de 80 psi.
A descarga básica, segundo a qual o sistema é calculado, é o consumo ~ i m o p r o v á v e lEm
. instalações prediais de
água fria, o cálculo do consumo máximo provável 6 feito segundo o critério apresentado na NBR-5626, já visto anterior-
mente.
A pressão que a bomba deve fornecer com essa descarga é a altura manométrica da instalação H. Apressão no reser-
vatório é a altura total de recalque H,, que já vimos como se calcula. A experiência mostra que, quanto maior a pressão no
reservatório, tanto melhor funciona o sistema. porém a limitação da pressão de utilização nos aparelhos reduz a pressão
máxima para valor compatível com a pressão de utilização dos aparelhos e a altura em que estes se encontram em relação
ao reservatório hidropneumático. Assim, um prédio de 36 pavimentos terá três instalações independentes de pressurização,
cada qual atendendo a 12 pavimentos: É claro que para fornecer água aos aparelhos do 36"avimento, a uma altura de
cerca de 115 m acima da instalação hidropneumática, esta deverá comportar pressão muito maior que a instalação para
atendimento aos primeiros 12 pavimentos.
Em instalações de grande porte, sujeitas avariações muito grandes de descarga, em vez de uma só bomba capaz de
atender à descarga máxima provável, mas que teria de ser ligada e desligada com muita freqüência. têm sido usadas duas.
três e até quatro bombas, além de uma de reserva. As bombas, que podem funcionar em paralelo neste tipo de instalação,
recalcam a água para um reservatório auxiliar, o qual vai ter ar comprimido armazenado em reservatórios separados. O ar
é pré-comprimido na pressão desejada, independentemente das bombas, e serve para manter a pressão na rede quando as
bombas estiverem paradas, ou, então, para absorver as diferenças entre o consumo dos aparelhos e a descarga das bombas
quando estas estiverem funcionando.
Quando se emprega este sistema com diversas bombas, a fim de evitar paradas e panidas muito frequentes das mes-
mas, faz-se com que a primeira ou as duas primeiras bombas a funcionarem tenham a metade da capacidade da outra ou
das outras duas, se forem quatro ao todo. O comando se faz com sensores ou controladores de nível d'água colocados no
r,eservatório auxiliar e, à medida que o nível for baixando, as bombas vão sendo. uma após outra, ligadas automaticamente.
A medida que o consumo for diminuindo, inversamente, as bombas vão sendo desligadas automaticamente. à medida que
o nível da água vai alcançando os sensores. Estes podem ser d o tipo usado para acionamento de bombas cm instalaçUes de
alimentação de caldeiras de vapor.
No caso da instalação que chamaremos de convencional, com um reservatório e uma bomba (e naturalmente uma de
reserva), não apenas se deve prever que em curtos períodos possa ocorrer eventualmente uma demanda que scja a m á ~ i m a
possível, como também, para atender a essa situação, considerar uma reserva de segurança de água acima da boca dc saída
do recalque do reservatório, a qual é da ordem de 2010 do volume total do reservatório. Isto evita que a boca de recalque
fique exposta ao ar comprimido, que iria para o encanamento. com sérios inconvenientes para um funcionamento regular.
O reservatório é dimensionado para um consumo de V, litros entre duas ligações sucessivas da bornba. isto é, por
ciclo de operação, de modo que a bomba funcione de seis a 20 vezes por hora. Notemos que a NBR-5626 limita a 6 o
número de ligações horárias da bomba, embora apresente um gráfico no qual esse número vuia de 3 a 30.
Para instalações hidráulicas de uso industrial, o número de ligações por hora 6 normalmente maior que 6. Os fibri-
cantes de conjuntos hidropneumáticos apresentam em seus catálogos os reservatórios diinensionados pdra 8, 10 e ate 16
ligaçües por hora, conforme se trate de instalações de grande. médio e pequeno porte rcspcctivamente.
Há duas maneiras de dimensionar o reservatório:
- A primeira supõe que a bomba recalque a água no reservatórin onde n ar se acha na pressáo atmosférica, coiii-
primindo-o até atingir o volume correspondente à pressão desejada.
- A segunda prevê um compressor de ar ou dispositivo adequado que introduza ar no reservatório, ou na água ao
ser bombeada, e proporcione uma pressão interna que corresponda à pressão inicial da bomba. A vantagem. no
caso, é a redução nas dimensões do reservatório.
Após um certo tempo de operação, o ar no interior do reservatório acaba se dissolvendo na água, diriiiriuiiido. por-
tanto, o volume do colchão de ar, caso não seja injetado ar comprimido. Em condições normais de temperatura e pressão.
a água pode absorver 1,8% de seu volume em ar. Uma vez operando em regime. o comprebsor deverá funcionar automa-
ticamente, repondo o ar perdido pela dissoluçào na água. Alguns projetistas recorrem a pressostatos no reservatório p,xa
ligação do relay da chave magnética do motor do compressor, enquanto outros preferem um sensor de nível d'água ou
eletrodo especial que faz a mesma operaçào, quando a água atinge o nível para o qual já se faz necessário recorrer à nova
injeção de ar.

1.8.2 Dimensionamento do reservatório hidropneumático


O principio básico de funcionamento de um reservatório hidropneumático é a Lei de Boyle e Mariotte, que se pode
enunciar assim:
- "Mantendo-se constante a temperatura. os volumes ocupados por um gás variam inversamente com as pressões
a que estão submetidos."
Isto é:

P , V , = P, V, = constante

Chamemos de:
Q = Descarga da bomba ou consumo máximo provável em litros por minuto. Deve ser tomada como igual à descarga
correspondente ao consumo máximo provável da instalaçào servida pelo sistema, multiplicada por uin fator de segu-
rança igual a 1,15 a 1,25. Pode-se, na falta de elementos mais precisos. adotar para Q 20 a 30% do consumo total
diário. Como a freqüência máxima de ligações ocorre quando há um sistema de consumo constante e igual à mciade
da capacidade da bomba, alguns projetistas adotam como capacidade da bomha o dobro do consumo máximo horá-
rio.
N = Número de ligaçües da bomba a cada hora.
P, = Pressão absoluta de partida da bomba (atmosferas); 6 igual à pressão manométnca pn , acrescida de uma atmosfera.
P, = Pressão absoluta de parada da bomba (atmosferas); é igual à pressão manométrica pm , acrescida de uma atmosfera.
V, = Volume total do reservatório hidropneumático (m3).
V,= Volume mono ou residual. É o volume de segurança compreendido entre o iiivcl de água correspondente a P , c- o
fundo do reservatório. Devem ser adotados. para este volume. 20% do volume total, i*to é, V, = 0.2C . V,
V, = Volume de ar correspondente h pressão máxima P, .
V,, = Volume de ar correspondente à pressáo mínima P. .
V, = Volume útil de água no reservatório, compreendido entre os níveis correspondentes a P , e P, . É o volume de água
introduzido no reservatório durante o tempo em que a pressão do ar interior aumenta de P, a P, , ou seja, entre a
ligação e o desligamento da bomba. Funciona como uma reserva para suprimento quando a rede demandar e a bom-
ba ainda estiver parada ou durante pequenos intervalos de tempo.
112 Inslalações Hidráulicas Predinis i. I~idtrsirinis

Fig. 1.101 Reservatório hidropneumAtico. Grandezas a considerar.

h, = Altura correspondente ao limite de segurança de utilização do líquido do reservatório para evitar que entre ar na
linha de recalque. Corresponde A altura do volume morto V, residual. Deve ser maior que duas e meia vezes o diâme-
wo do tubo de recalque d.

Apliquemos a Lei de Boyle-Maiiotte à expansão do ar do volume V, a V,

pm x v,. = + V.)
p,, (V,,, = P. . V.
v,, = (y)
P x v
- V,"

Daí leremos para o volume útil V,

(1.39)

p. e p. são as pressbes manométricas ou relativas em atmosferas, diferenças entre as pressões absolutas e a pressáo
atmosférica.
Considerando o volume morto V, como igual a 0,20 V, segue-se que

I V,, = 0.8 .V, ]


e teremos

CBlculo do volume total do reservatório V,


Há indicações práticas e fórmulas empíricas ou estabelecidas em função de estudos aprofundados que permitem
calcular o volume V,. Citemos algumas:
a) Numa primeira aproximação, com bastante folga, o volume V, expresso em galões 6 obtido multiplicando-se por
10 a descarga da bomba para o consumo máximo provável expresso em galóesporminuto. É o que propõe Harold
Nickelspom na revista Power Engineering.

Exemplo:
.
Seja a descarga da bomba 2.5 1 . s-' = 0.55 gal s-' = 33 gallmin. A capacidade do resenlatório será:

V, = 10 X 33 = 330 galões ou 330 X 4.546 = 1.400 1

b) Pela f6rmula deduzida por Angelo Gallizin (ImtaEaciones Sanitá&s. Editora Ulrico Hoepli), adotada por Mariano
Rodriguez-Avia1 (Fontanería y Saneamento. Editora Dossat).
A expressão 6 aplicável à instalação com compressor

onde
Q - Uminuto
N - Númem de ligações da bomba a cada período de uma hora

Pode-seadotar para h?
6 para instalações onde for aplicável a NBR-5626182.
6 a 10 para água destinada a instalações indusiiiais.

Exemplo:
Consideremos a mesma descarga Q = 2,5 Us = 150 Vmin.
Adotemos:
p, - pressão relativa, de desligamento = 4 atm
p, -
pressão relativa de ligação = 2 atm

Adotemos N = 8 ligações por hora.


a) Volume total do reservatório será

b) Volume útil será

C)Relação

d) Volume morto ou residual, ou de segurança, será:

V, = 0.2 . V , = 0.2 x 1.40h= 281 I


e) Volume do reservatório ocupado pelo ar
-ao desligar a bomba

ao ligar a bomba

I v,, = 0.8 - v, 1
C,, + V, = I, ,,u
V, - 1.115 + 2x1 = 1.4M I

Adotando-se um reservatório cilíndrico e fixando-se o valor da altura h compatível com o pé direito do local da ins-
talaçáo, calcula-se o diâmetro D.

Adotando h = 1,80 m. teremos

A altura h , da camada de água correspondente ao volume útil mais a reserva será:

4 x 1 V,, I Vr1 4 x 0.73 I


I!, = ~ - p
-~
-
-. = 0.950 imi
o 1)' 3. I 4 x (O.YY)?

f) Emprego da Tabela da Jacuzzi, para tanques de pressão, usando carregador de arjet chargerem vez de compres-
sor de ar.
Neste caso temos que procurar enquadrar os elementos de projeto as especificações e padrões do fabricante citado.
Continuemos admitindo para a descarga o valor

Para prebsões de ligaçâo e desligamento. adotaremos os valorcs da Tab. 1.17 que mais se aproximam dos que admi-
timos, ou seja,

p m= 4,2 kgf . cm-I


p. = 2.8 kgf . cm-'

A Tab. 1.17 considera 15 ligações por hora para essa faixa de pressões.
Com os valores acima, acha-se para a capacidade da bomba o valor de 9,s m3/h, que mais se aproxima da descarga
desejada, que é de 9 m3/h, e para o volume do reservatório, V, = 1 .I92 1.
A diferen~aentre o valor de V, encontrado pelo método de Gallizio e o adotado pela Jacuzzi se deve aque no primei-
ro caso se admitiu menor número de ligações e se empregou compressor, enquanto, no segundo, se previu o uso de um
çarrçgador de arjet charger. Para o tanque de 1.192 1, e as pressões acima referidas, o jet charger Jacuzzi seria o de modelo
225 C (v. Tab. 1.18).

g) Método da NBR-5626432
A Norma Brasileira utiliza um ábaco publicado no manual Pumpen e que o ilustre engenheiro Hélio Creder teve o
mérito de divulgar em seu livro Insfalaçóes hidráulicas r sa~iirdrias,em 1972.
No ábaco que reproduzimos (Fig. 1.102), entrando-se com o número N de ligações horárias e com os valores das
pressões relativas de partidap, e de paradap, ,obtém-se a relação entre a descarga horária Q (que é conhecida) e o volume
total V, do reservatório e, portanto. se calcula o valor de V, .
Tabela 1.17 Dimensões de tanques de pressão Jacuzzi com jet charger

Máxima capacidade da bomba em m'hora a pressão média


galões litros

42 159 2,49 2.95 2.49 2.04 2,49 1.81 2.27 25

82 3 10 3,86 4.54 3.86 3,40 3,85 2.95 3.40 20

Tabela 1.18 Tabela para escolha do jet charger Jacuzzi


116 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

24

22

20

18
N

Número 1 6
de
LlqaqSer 14
Por
Hora
12

10

9
8
7
6
5
4

14 13 12
10 11
9 10
8 9
8
7
7
6
pn 6 Pm
Pressáo 5 Prarsão
da
4 d.
Partido
3 '@portida
3
Er
-2 P
1 I
-o I I I
(atmi (atml

Fig.1.1M Volume total do reservat6rio hidropneurnático(V, ) em função da vazão (Q)


Acha-se em seguida, na tabela, a relação entre V, e V, em função dos valores das pressões de partida e de parada. Daí
se calcula V, .

Exemplo:
Sejam: Q = 2,5 1 . s-' = 9 m3h
N = 8 ligações horárias
pm=4atm
p. = 2 atm

Entrando com os valores p, = 4 ep, = 2 na parte inferior do gráfico e do ponto de encontro, subindo até a reta incli-
Q = 10.
nada correspondente a N = 8 ligações por hora, acha-se, à direita, -
i:
Portanto,

O valor encontrado é consideravelmente menor que o calculado pelo método de Galizzio


Se fizermos N = 6 ligações por hora, mantendo os demais valores, obteremos

v, para diferentes valores da pressão de partida @, mín.) e paraa pressão de parada @, máx.) é dada
A relação entre -
v,
naTab. 1.19.

Tabela 1.19
Pressão de
parada Pressáo de partida (atm)
(atm) (máx.) Pm
Pm 1 ,O 1.5 2,O 2.5 3,0 3,s 4,O
2 0.27 0,13
3 0,40 0,30 0,20 0,lO
4 0,40 0,32 0,24 0,16 0.08
5 0.40 0.33 0,26 0.20 0.13
6 0.40 0,34 0.29 0.23

Alimentação d e ar
O ar pode ser introduzido no reservatório para formar o colchão pressurizador e amortecedor proveniente de diver-
sas fontes:
a) Compressor.
h) Aeroejemr. É o caso do jet charger da Jacuzzi, dos carregodores de ar dos sistemas de pressáo da Barbará, da
Hidráulica Magalhães, da CEP e de vários outros fabricantes.
c) Utilizando ar comprimido de instalação existente numa indústria.
Vejamos algumas informações sobre o emprego do compressor.

Compressor de ar
O compressor de ar deve ter capacidade tal que possa elevar a pressão do volume V, do reservatdrio acima dos tubos
de entrada e saída da água, no máximo em 2 horas. da pressão atmosférica, até a pressão de serviço na operação de carre-
gamento inicial. A rigor. dever-se-ia considerar o volume V, . No exemplo que temos acompanhado, podemos considerar

Como a pressão absoluta é


118 lnstalacõrs Hidráulicas Prediais e Industriais

o volume efetivo de ar introduzido no reservatório ser&

V, X 3 = 1.406 X 3 = 4.218 1
em 2 horas, ponanto, 2.109 I de ar por hora.
Aumenta-se de 30% esse valor para atender As perdas e fugas, de modo que a capacidade do compressor será de

2.10s + (0,30 x 2.109) = 2.742 Yh = 45,7 Umin


ou seja, 1,6 pés'lmin.
-
Pode-se usar. por exemplo, o compressor Wayne, modelo W-7170-LI-3 CV 600 rpm 2 cilindros, escoihido da Tab.
1.20.

Tabela 1.20
Compressores Wayne de dois estágios - 7 kgf . ~ m(100
- ~psi)

Modelo Unidade
pédtmin Umin sobre base compressora Cilindros V''' cv

Da13 0 a 367 W-7170-L 700 2 600 3


13 a 18 367 a 509 W-7240-L 700 2 850 5
18a30 509 a 849 W-8400-L 8M) 3 710 7,s
30 a 45 849 a 1273 W-9600-L 900 5 710 10
45a54 1273 a 1528 W-9720-L 900 5 850 12

.
A letra ''L indica tratar-se de compressor de baixa pressão (atb 100 I b / p ~ l=. ~7 kgf cm~l).
A letra "I" especifica que o compressor será equipado com disjuntor automático para serviço intermitente.
Uma vez efetuado o carregamento de ar, o compressor voltará a funcionar para repor o ar que for se dissolvendo na
água e, por conseguinte, arrastado para fora do reservatório. O comando é feito por um pressostato que atuará de modo que
o motor do compressor religue, quando a pressão p,,, se tomar cerca de 10% superior ao valor máximo que se estabeleceu.
O uso do ar comprimido reduz a dimensão do reservatório, pois, sem ele, a própria água bombeada no interior do
reservatório é que irá criar a pressão, comprimindo o ar que 14 se encontrar.
Na fase de carregamento inicial de ar, deve-se fechar o registro de saída do reservatório, para evitar que o ar vá para
os encanamentos. Liga-se depois a bomba com o compressor funcionando, e, quando o nível atingir h,, abre-se o registro
com a bomba ligada.

Fig. 1.103 Reservatório hidropneumáticocom bomba comandada por eletrodos de controle de nível.
Insfalizçõ~sde Agira Potáuel 119

Na Fig. 1.103, acha-se indicado um r e s e ~ a t 6 n 0hidropneumático com comando do motor da bomba por meio de
eletrodos que controlam os níveis de ligar e desligar. Um pressostato liga ou desliga o compressor. Acham-se representa-
das as alternativas com utilização do ar comprimido de instala5ão geral de uma fábrica, ou de um compressor instalado
especialmente para essa finalidade. Uma válvula solenóide acionada pela energia el6trica fornecida sob o estímulo do
pressostato permite a regulagem da admissão de ar no reservatório quando o ar vier da rede geral da fabrica.
A Fig. 1.104 indica uma chave elétrica acionada por um flutuador (bóia) para desligar a bomba quando o nível é
máximo e não estiver havendo consumo de água. Existem dois pressostatos: um para ligar e desligar a bomba e outro para
ligar e desligar o compressor.

PIESSOBTATO LI @ A O
COMPR sca O ~ A N D OA
!?E
.%
. 6 ULTRIPAISADA

6 RCBBOsTATO
UOA E OESUOA
A BOMBA

V E M M)
COMPREISOO

CONTATO,
DESLIOA A BOMBA

Fig. 1.104 Reservatório hidropneumitico com sistema de pressostatos e chave de contato comandada por flutuador.

Usa-se uma válvula de segurança calibrada para 5 psi acima do limite de pressão de operaçãop, .
A Fig. 1.105 fornece indicações sobre o equipamento de pressurização da FMC-Filsan
Pressão mínima de trabalho: 6 kg/cm2
Pressão máxima: 8 kg/cmZ
Sistemas similares são fabricados pela FILTRAL-RIO, pela Aquecedores Cumulus SA., pela Babará S.A.. pela Jacuzzi
do Brasil e outras empresas.

1.8.3 Vantagens do sistema hidropneumático


- Apresenta menor custo inicial, quando comparado às instalações com castelos d'água.
- Espaço ocupado, reduzido.
- Pode ser instalado em qualquer área.
- Permite uma modulação no sistema, proporcionando um aumento de produção no abastecimento, de acordo com
o aumento da demanda, podendo-se acrescentar novas unidades h instalação.

1.8.4 Sistema de distribuição hidropneumática


Os aparelhos passíveis de provocar retrossifonagem só podem ser instalados com o seu sub-ramal protegido por um
quebrador de vácuo.
A tomada d'água do sub-ramal que alimenta aparelhos passíveis de sofrer retmssifonagem deve ser feita em um
ponto da coluna no mínimo 0,40 m acima da borda de transbordamento do aparelho servido.
120 instalações Hidriulicas Prediais e Industriais

D'ir.xnsíxr aproximadas

'OI dador de vaza0 referem-se 1 ecom altura m o m é t n c a igual a 80 m a

Fig. 1.105 Equipamento de instalaçãio hidropneumfitica do FMC-Filsan.

1.9 INSTALAÇÕESDE DISTRIBUIÇÁOCOM BOMBEAMENTO DIRETO


1.9.1 Descricão geral do sistema
Em edifícios comerciais, apartamentos, hotéis, hospitais, fábricas e em navios, tem sido muito empregada nos Esta-
dos Unidos e no Brasil a instalação de abastecimento interno, de água fria com pressão constante, sem emprego do reser-
vatório superior e sem utilização do reservatório hidropneumático. Tal como na instalação hidropneumática. com o siste-
ma a seguir descrito economiza-se espaço e diminui-se o custo de constnição do reservatório superior e da estrutura.
O sistema consiste no bombeamento diretamente em um bmilete (Fig. 1.106), do qual saem as colunas de alimen-
tação, e que distribui a água com pressão constante, independentemente do consumo dos aparelhos da rede interna do edifício.
A rotação da bomba C constante, podendo, portanto, ser usados os motores convencionais de indução, em geral de 1.750 e
3.500 rpm.
São usados os seguintes sistemas:
a) Com duas bombas, chamado também dúplex.
b) Com uês bombas. ou uíplex.
1.9.2 Sistema dúplex
Uma bomba, designada por bomba principal, operaem regime contínuo a velocidade constante e atende ao consumo
do sistema até um certo valor.
Quando a demanda excede essa capacidade. uma segunda bomba entra automaticamente em ação, graças à ligação
de uma chave elétrica comandada por uma válvula automática de pressão, e opera em paralelo com a bomba principal, até
que a demanda do sistema volte a baixar.
Quando o consumo cai para um novo valor prefixado para a descarga, inferior ao ponto de funcionamentoda bomba
principal. a segunda bomba é automaticamenteparada pela atuação de uma chave comandada por um mtâmeuo. O rotâmetm
6 ligado aos dois lados de uma placa de onfcio, na linha de recalque, no começo do bmilete. Durante a variação da des-
carga, a pressão na linha permanece constante graças à válvula de pressão constante de tipo especial.
O sistema é projetado de tal forma que as duas bombas descarregam num barrilete de recalque único, passando a
água pela válvulaespecial mencionada, reunindo as características de válvula de redução de pressão e de vhlvula de reten-
ção com amonecedor de choque C dou D. O segredo do bom funcionamentodo sistema reside nas características constru-
tivas das válvulas e do rotâmetro.
Como se observa nas Figs. 1.106 e 1.107, existe uma válvula principal C, que é calibrada para a pressão desejada
para o sistema; e uma auxiliar, D, semelhante à primeira. também calibrada mas para 0,15 kgf . ~ macima
- ~ da pressão do
sistema. Quandoadescarga cai a um valor prefixado, a válvula principal C fechae a auxiliar D permanece aberta, atenden-
do à demanda do sistema. A existência das duas válvulaspermite boa regulagemdentro deuma largavariação de descarga,
sem variação na pressão.
O sistema auxiliar de válvula-piloto inerente L válvula contém também um controle que permite o fechamento ins-
tantâneo caso ocorra o desligamento da bomba, mas que restringe e retarda a abertura da válvula, de modo a evitar vibra-
ção da válvula para descargas muito reduzidas.
Uma instalação típica dúplex terá uma bomba em operação permanente, fornecendo água na entrada das válvulas C
elou D, a uma pressão que varia de acordo com as curvas características da bomba e do encanamento.
As v6lvulas C e D são fabricadas e reguladas de modo tal que, sua saída, a pressão se mantenha constante e no
valor desejado, independentemente da descarga que passa, isto é, que é consumida com a utilização dos aparelhos.
Desse modo, a pressão na boca de recalque da bomba pode variar sem afetar a pressão desejada para o sistema.
Analogamente, a descarga demandada pela rede pode variar de um máximo até zero, dentro dos limites das caracte-
rísticas da bomba, praticamente sem afetar a pressão do sistema.
Pode acontecer que ocorram situações anormais em que a descarga demandada seja nula e, então, a bomba principal,
funcionando sem consumo, ficaria aquecida pela água, impossibilitada de sair do caracol da bomba. Como medida de se-
gurança, emprega-se então um sensor, no caso um termostato F, que é adaptado ao caracol da bomba, de modo que, quan-
do a temperatura da água atinge certo valor, atue por um sistema de comando elétrico sobre uma válvula solenóide de
alívio E, que permitirá o escoamento da água aquecida para um dreno ou para o próprio reservatório inferior. A experièn-

Fig. 1.106 Duas bombas. Sistema unipres.%ureda Chicago Pump Co


vdwu~araar
L I C I P E DO A I
(&:~~'@15~:~~~#~0) LI-
-'?

- --
EARRILETE SUPERIOR

-.-m
+

- - a

-+I
I -

Fig. 1.107 Diagrama de uma instalação com bombeamento direto à rede.

cia mostra que esta válvula E raramente funciona, porque, desde que passe pequena descarga, a bomba não aquece exces-
sivamente.
Se houver uma queda de pressão no lado da bomba relativamente às válvulas C e D, devido ao desligamento ou a
uma queda de tensão na rede elétrica, o dispositivo de retenção dessas válvulas entrará em funcionamento, impedindo o
refluxo da água para o reservatório inferior.
Em geral, os fabricantes fornecem um rotlmetro para verificação a qualquer momento do consumo de água.
Quando houver paralisação no consumo por penodos longos (como ocorre em escolas, prédios comerciais, certos
processamentos industriais), um disjuntor automático comandado por um sensor de afão com descarga nula desliga as
bombas. Quando recomeça a utilização da água, ao se abrir, por exemplo, uma torneira. um sensorde redução na pressão
automaticamente atua, ligando novamente a bomba para que a pressão volte a ficar constante.
A válvula de controle permite que a pressão no sistema atinja até 0.35 kgf . c m 2acima de sua pressão prevista, o que
acontecerá quando a descarga no sistema for interrompida. Então, graças à atuação dos sensores, a bomba é desligada.
Quando se encontra desligada e se abrem torneiras em outros dispositivos de consumo, tão Logo a pressão caia 0,3 kgf .
cm-' abaixo da pressão estática reinante com a bomba parada, os sensores de pressão atuam ligando a bomba.
Deve haver uma chave de reversão manual ou automática para alternar as bombas, fazendo com que ora uma, ora
outra seja a bomba principal.
Pode-se usar um time-switch para ligar e desligar a bomba nas horas desejadas.
Inconvenienres do sistema. O funcionamento fica na dependência do fornecimento de energia elétrica pela rede e de
um bom serviço de manutenção. Além disso, obriga o emprego de um grupo gerador de emergência a 61eo diesel, o qual
também por outras razões é necessário instalar.
IiistnlnçO~sdr, AXiin PolBr~el 123

Tabela 1.21 Consumo dos a p a r e l h o s e m u n i d a d e s d e descarga

Unidades d e descarga

Item Aparelho Utilização Tipo Público e Privado


comercial

1 Vaso sanitário Flush-valve i0 6


Caixa de
descarga 5 3
2 Lavatório 2 I
3 Chuveim Srandard 4 2
Ducha 8 4
4 Banheira 4 2
5 Mictório Pedestal Flush-valve 10
Caixa de
descarga 5
6 Banheiro W.C.; lav.; Flush-valve 8
completa chuv.; Caixa de
banh. descarga 6
7 Pia Cozinha dupla 4 2
Simples 3
Bar 3
Laboratório 2
8 Lavadar de
pratos 6 2
9 Máq. de lavar
roupa 4
.PIblico c Comercial wmpmcndc hottis, hospitais. escolas. fibncas. lojas. Dams. restaurantes.
**Pnvodo compreende residências. pddim de apariarnmios e escritfnim.

Informaçõespara cálculo de um sistema dúplex


Para prédios com demandamáxima de até 20 1 . s", pode-se utilizar apenas uma bomba, ficando a outra em stund-hy.
Se o consumo for maior que este valor, a segunda bomba 6 prevista para entrar em ação em paralelo com a primeira.
A descarga máxima para esse cálculo, conforme recomendação dos fabricantes, pode ser determinada somando-se
os pesos atribuídos aos consumos dos diversos aparelhos, segundo tabela por eles preparada, e passando-se ao valor da
'
descarga em 1 . s com o emprego da Tab. 1.21, também elaborada pelos fabricantes.
Com o valor da descarga se verifica a necessidade de duas bombas (além de uma de reserva), e se procede ao c8lculo
da altura manométrica, como já vimos.

1.9.3 Sistema tríplex


Contém três bombas operando em paralelo. sendo uma principal, e entrando as outras duas sucessivamente em ope-
ração quando a descargada rede deconsumo atingir valores prefixados. Este sistema é usado em hotéis, onde a variação de
consumo é grande.

Tabela 1.22 U n i d a d e s d e descarga

Total de unidades Descarga (1. 9.') na Total d e unidades Descarga (1 . s-'i na


d e descarga demanda máxima d e descarga demanda máxima

150 5,2 2.650 26.0


250 6,s 3.000 28,6
370 7.8 3.400 31.2
500 9,l 3.800 33.8
630 10,4 4.250 36.4
775 11,7 4.7W 39.0
920 13.0 5.100 41.6
1.070 14.3 5.600 44.2
1.225 15.6 6.050 46.8
1.550 18.2 6.550 49.4
1.900 20.8 7.050 52.0
2.250 23.4
É usado ainda quando o sistema de bombas atende também à rede de combate a incêndio com sprinkler, em locais
onde a legislaçio sobre sistemas de combate a incêndio o permite. Alguns projetistas usam a terceira bomba como reserva
das duas primeiras.
As indicações apresentadas a seguir são recomendadas pela Federal Pump Corporation, pela Pacific Pumping Com:
pany e pela Chicago Pump, conceituados fabricantes de bombas nos Estados Unidos.
Além dessas companhias. existem outras nos Estados Unidos que fabricam as válvulas automáticas de pressão cons-
tante, entre as quais a Golden Anderson Valve Specialty Company -Pittsburgh. No Brasil, obedecendo a elevados indi-
ces de qualidade e confiabilidade, iá sáo fabricadas válvulas similares.

Criterio para previsão da demanda total, segundo recomendação dos fabricantes - apartamentos -edifícios de
escritórios -hotéis
Para a escolha da bomba e dimensionamento do encanamento e escolha da válvula, temos:

a) Se a soma dos pesos indicar descarga igual ou inferior a 10 1 . s~',adotar 100% do consumo.

Exemplo:
500 unidades de descarga = 9.1 1 . s ' .
Adotar 100% de 9,l 1 . para demanda do prédio.

b) Se a soma dos pesos indicar descarga compreendida entre 10 1 . s-' e 16 1 . s~', usar 10 1 . s'como demanda do
prédio.

Exemplo:
775 unidades de descarga = 1 1,7 1 . s'.
Adotar apenas 10 1 . s-'

. .
c) Se a descarga calculada pela soma dos pesos for superior a 16 1 s-'. adotar 60% do total, como demanda do
prédio.

Exemplo:
4.700 unidades de descarga = 30.0 1 . s ~ '
0,60 X 39,0 = 23,4 1 . s-' para demanda do prédio
.
No caso de escolas. hosoitais. fábricas. estádios
a) até 10 1 . s-' - adotar 100%para demanda;
b)de101.s1a141~s~'-adotarl0l.s';
c) acima de 14 1 - s-' - adotar 70%.

Perdas de carga
A válvula cspecial de prcssio constante provoca uma perda de carga da ordem de 3 mca. As perdas de carga no
encanamento e nus p q a s especiais aão calculadas confomc indicado cm 1.5.

Barrilele
Pode-se usar um barrilete apenas, no teto do subsolo. ou um barrilete superior que receba a água recalcadae a distr-
hua para as diversas colunas dc alimcntação.
Uma terceira soluçio é reunir as colunas de alimentaçáo num bmilete superior, no qual se colocam válvulas de alí-
vio para permitir a expulsão do ar no encanamento.
Há fabricantes que aconselham o seguinte critério para fixação do número de bomhas:

a) Duas bombas idênticas, cada qual dimensionada para 55% da demanda máxima do sistema. Recomendado para
instalações em que o consumo varia pouco.

Operução
A bomba principal opera continuamente, ficando a segunda de reserva. Quando a demanda excede a capacidade
da bomba principal, a segunda entra automaticamente em funcionamento e ambas continuam a operar até que a
demanda decres~aaté a capacidade da bomba principal.

b) Duas bambas idênricas e uma piloto


Usadas em prédios de escritórios, shopping centers, apartamentos onde há piques de consumo elevados e lon-
gos períodos de pequena demanda.

Operação
Uma bomba piloto de pequena capacidade opera continuamente durante os longos períodos de pequena de-
manda. Quando a demanda excede a capacidade da bomba piloto, uma das bombas principais liga automatica-
mente e a bomba piloto pára. Se a demanda ultrapassar a capacidade da primeira bomba principal, a segunda
bomba principal parte automaticamente e as duas trabalham em paralelo. Quando a demanda baixa, desliga pri-
meiro uma, depois a segunda, e a bomba piloto liga logo que o consumo atinge sua possibilidade de atendimento.

c) Três bombas idênticas e uma piloto


São usadas em prédios comerciais muito complexos e em grandes hotéis. A operação é semelhante ao caso b).

1.9.4 Instalações com bombas de rotação variável


Vimos, ao estudar as bombas, que as grandezas características do funcionamento de uma turbobomba variam com o
número de rotações. A necessidade de obter uma pressão constante independentemente do consumo, em instalações pre-
diais, de manter um nível constante em instalações de esgoto, de manter constante a temperatura em sistemas de aqueci-
mento ou de resfriamento de líquidos e de manter uma descarga constante em sistemas de processamento com recirculação,
levou os fabricantes de bombas a projetar bombas com motor de rotação variável. Antes da existência desse tipo de bom-
ba, os recursos empregados compreendiam apenas variadores mecânicos ou fluidodinâmicos, além de embreagens e
acoplamentos eletromagnéticos, cuja atuação não correspondia plenamente ao ideal pretendido.
A empresa norte-americana Aurora Pump (do grupo General Signal Corporation), para variar a velocidade durante
a operação da bomba de sua fabricação na medida da demanda, faz variar a tensão aplicada a um motor de corrente alter-
nativa NEMA "D"que aciona a bomba. O sistema conhecido como Apco-Matic Variable Speed Pumping System consti-
tui-se essencialmente de um transdutor de pressão na linha de recalque que sensoriza um sistema de pressão, o qual envia
sinais elétricos a um centro de controle sempre que se inicia uma variação de pressão provocada por variação da descarga.
O centro de controle então faz com que a velocidade do motor da bomba varie de modo que a pressão se conserve a mes-
ma, apesar da variação da descarga.
A finalidade do transdutor e sensor é transformar transientes hidráulicos em sinais ou estímulos elétricos capazes de
determinar, no equipamento eletrônico do centro de controle, respostas que definirão a varia~ãona rotação do motor.
Neste centro de controle, os retificadores estáticos de silício SCR reagem ao sinal enviado pelo sensor e modificam
a onda senoidal da corrente alternativa que alimenta o motor da bomba. Assim, por exemplo, se for necessária apenas
metade do número e rotações, somente metade da onda senoidal poderá passar através do SCR ao motor. Este responde
operando na rotação exatamente necessária para atender à solicitação do sistema. As mudanças de velocidade se proces-
sam suavemente, sem ruído, em atendimento à demanda verificada a cada momento.
O fabricante fornece o centro de controle do motor, projetado para atender à aplicação desejada.

Fig. 1.108 Equipamento elirrico dr ciintrole. Sistema Apco-matic com duas hornbas de velocidade variável
126 Instalafiius Hidráulicas Prediais e Industriais

Faremos referência a dois sistemas básicos deste tipo de instalação segundo as indicaçües de Aurora Pumps:

Tipo " E Compreende duas bombas cujos motores são operados por um único centro de controle.
Em operação, a velocidade da bomba líder é regulada pelo SCR até que alcance a velocidade máxima compa-
tível com as características da bomba. Automaticamente fica ligada na linha para essa rotação e a segunda
bomba é dernarrada através do SCR para a velocidade mínima. A velocidade da segunda bomba vai aumen-
tando na medida da necessidade, tal como ocorreu com a primeira bomba.
Tipo " D Compreende uma, duas, três ou quatro bombas, cada qual com seu equipamento SCR de controle, individual.
Deste modo, é possível, a qualquer tempo, expandir uma instalação original dotada de uma ou duas bombas,
acrescendo-a até o total de quatro bombas.
Como foi dito, cada bomba tem seu limite de controle. Quando a primeira bomba atinge o máximo de sua
capacidade, o centro de controle da segunda bomba dá partida h mesma. As outras duas bombas numa instala-
ção com quatro bombas vão sendo sucessivamente acionadas pelos centros de controle respectivos.

1.10 CAPTAÇÃO DE AGUA DE POÇOS


Em localidades onde não existe rede pública de abastecimento de água, ou quando se pretende reforçar o volume de
água de abastecimento, usa-se retirar a água do I e n ~ osubterrlneo
l por meio de bombeamento da água de poços. As insta-
lações de captação de poços vão desde as modestas instalações para residências isoladas, até as grandes instalações que
servem a indústrias, quartéis, hotéis, colégios e comunidades habitacionais.
A água que se infiltra no solo. atravessando a camada de húmus, a faixa de transição e afranja de capilaridade,
atingindo a chamada zona de saturação, constitui um lenfolfreático, também chamado aquqero livre. Com a escavação
ou perfuração de poços e a utilização de recursos apropriados, esta água pode ser retirada e utilizada.
Quando a camada permeável encharcada se encontra entre duas camadas de rochas impermeáveis, ela se denomina
lençol artesiano ou aquífero confinado.
Conforme as condições de pressão do aquífero artesiano, uma vez aberto o poço, a água pode jorrar livremente, dis-
pensando qualquer bombeamento. Trata-se dos poços surgentes. Se o nível piezométrico do aquífero se situar abaixo da
superfície do solo, dever-se-á bombear a água. Este é o caso mais comum.
Ao se perfurar um poço, após um certo tempo, a águavem a enchê-lo até uma cota que corresponde ao nívelestático
do lençoi. Quando se procede ao bombeamento, a água vai baixando até que se estabeleça0 equilíbrio entre a água retirada
e a que se infiltra para o interior do poço. Então, o nível se estabiliza e se denomina nível dinâmico do poço.
Em geral o nível dinâmico do poço. mesmo no caso dos lençóis freáticos, que são em geral menos profundos, é bas-
tante profundo para impedir o uso de uma bomba colocada na superfície do terreno; pois, como vimos, a máxima altura
estática de aspiração, pelos condicionamentos que analisamos, não pode ser em geral superior a 6 ou 7 m. Toma-se neces-
sáno recorrer a modalidades especiais de instalação.
Entre essas modalidades, faremos breve referência Bs instalações que empregam:
- ar comprimido, chamadas bombas de emulsão de ar;
- bombas e ejetores;
- bombas de poço profundo.

1.10.1 Bombas de emulsão de ar


Esse sistema, conhecido como air-liji, não é propriamente uma instalação de bomba, mas um sistema misto de bom-
beamento a ar.
Utiliza ar comprimido conduzido em um tubo que permite injetar o ar em um tubo maior, até uma profundidade
considerável. O tubo de ar comprimido pode ser colocado externa ou internamente ao tubo por onde se elevará a água.
O ar, saindo do tubo por um aspersor (tubo com grande número de orifícios), ao penetrar no tubo de aspiração (tubo
adutor), mistura-se com a água. e esta mistura ou emulsão água-ar, possuindo menor peso específico que o da água, é recalcada
pela pr6pria água do poço, em virtude da diferença de pressões hidrostáticas fora e dentro d o tubo
Numa instalação de poço,. qualquer
. . que . seja seu tipo, é usual a seguinte
. nomenclatura. que pode ser aplicada ao poço
representado na ~ i g 1.16:
.

S = Submergência estática
C = Altura de elevação ou desnível topográfico
A = Submergência dinâmica
D = Rebaixamento do lençol
A
- = Submersão
B
A
- = Submergência relativa
C
instnlnçrirs de d,pirn Potável 127

--

Fig. 1.109 Instalação típica de eleva@~da igua pelo sistema air-I@.

A descarga retirada do p q o é tanto maior quanto maior for a submergência dinâmica A em relação à altura R, isto é.
a submersão AIB.
A experiência mostra que os melhores resultados com o sistema air-li@são obtidos para uma submergência A/B da
ordem de 65%. Excepcionalmente se atinge a 75% e se desce a 33%.
A Tab. 1.23fornece paradiversos valores da submergência e dos diâmetros dos tubos de água e de ar a descarga que
se obtém.

Vantagens e inconvenientes do sistema air-lgt


Em instalações provisórias. ou quando a água contém substância^ abrasivas capazes de danificar as bombas, este
sistemaé muito usado, principalmente quandojá existir instalação de ar comprimido, devido a extrema facilidadede insta-
lação e segurança de funcionamento.
O rendimento referido à potência do compressor é baixo, da ordem de 0,25 a 0,50.

Tabela 1.23

A
Submergência -
B
Diimetm
dos tubos
(mm) 33% 43% 50% 55% 60% 66%
Agua Ar Descarga elevada em litros por minuto
38 13 40 52 58 60 68 71
50 19 65 95 I I3 140 150 162
63 25 120 160 200 210 225 243
75 25 230 350 380 390 396 404
88 25 320 425 490 500 512 530
100 30 430 550 600 650 655 662
125 38 720 9M) 1100 1.140 1170 1.205
150 38 940 1.3M) 1.500 1.550 1600 1.670
128 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Pressão de a r
A pressão de ar necessária para a partida corresponde à submergência estática S, isto 6. ao comprimento do tubo
imerso, quando o compressor começa a funcionar.
A pressão de serviço corresponde à submergência dinâmica A, h qual deve ser acrescida uma margem de segurança
aliás pequena.

Compressores
Costumam ser usados os compressoresde 105 cfm (178 m31hora).A pressão máximausual desses compressores6 de
120psi (8,4 kgf . ~ m - ~o )que
, faz funcionar um poço com submergênciaestática de 82,8 m. Para poços de pequena profun-
didade, o compressor de 100 psi (7 kgf . cm-') pode ser usado.

Peça injetora ou difusor


Para que o ar penetre no tubo de água formando bolhas de minúsculas dimensões. a extremidade do tubo pode term-
nar em uma peça onde se faz grande número de orificios -o difusor. Em instalações mais simples, os furos são feitos no
própno tubo de injeção de ar.
A distsncia 1 entre os orifícios e o fundo do tubo de água varia de

A
0.50 rn para - = 0.75
B
A
e 2.00 para - = 0.25
B
Filtro
Na extremidade inferior do tubo de água, pode-se usar com vantagem filtro apropriado.

1.10.2 Ejetores ou trompas d'água


Em poços com lençol freático pouco profundo, emprega-se muito o ejetor na instalação de bombeamento com bom-
ba centrífuga comum ou acoplado diretamente à própria bomba.
Os ejetores, também chamados trompas ou edutores, funcionam segundo uma aplicação imediata do princípio de

Al

UIDO A S P I R A W

Fig. 1.110 Ejetor. Cone longitudinal


Bemouilli e são dispositivos que constam essencialmente de um bocal convergente, alimentando um bocal convergente-
divergente.
A hgua motriz (a que vai produzir a elevação desejada) vem da bomba e atravessa o bocal convergente e, em segui-
da, o bocal divergente. Na passagem do bocal convergente para o divergente, na seção estrangulada, a velocidade é máxi-
ma e, por conseguinte, a pressão é baixa. A depressão que se forma no ejetor, aliada i velocidade considerável da veia
líquida, produz o arraste do ar existente no encanamento e, em seguida, do pr6prio liquido que deve ser aspirado. seguindo
ambos pelo ~ b deo recalque.
Chamemos de
H, - a pressão da água ? entrada
i do ejetor;
H , -a pressão da água bombeada à entrada do ejetor:
H,,- a pressão do líquido à saída do ejetor.

onde A, e A, são as áreas indicadas na Fig. 1.110.


Para valores de R de 0,25 a 0,625, o rendimento do ejetor é dado por

" kH&.
f, z
=
e da ordem
' ( H L- H,,,
é de 35%.

A descarga que sai do ejetor é dada pela equação

M = -Q =
I descarga aspirada
Q, descarga da boinba

É evidente que Q = Q, + Q,

C6 um coeficienteexperimental que depende das caractensticas do ejetor (v. A.J. Stepanof -Cenfrifugaland axial
Jlow pumps).
A Jacuzzi do Brasil fabrica bombas especialmenteadaptadas i instalação de ejetores denominadas bombas injetaras
para poço profundo, série VJ, fabricadas para potências de 113 a 15 cv. Podem atender a profundidade de 100 m, altura
manométrica de 200 m e descargas até 26m3íhora,constituindo-se em verdadeiras bombas de poço profundo.
A Tab. 1.24 fornece as grandezas para as bombas Jacuzzi série VJ para motores de 113 a 2 cv.
-
Bombas inietoras são também fabricadas oela emriresa Bombas Esco S.A.. Hidráulica Magalhães e outras mais.
Na instalação para retirada de água de poços freáticos com bomba e ejetor, pode-se adotar a disposi~ãoindicada na
Fia. 1.1 11. Um pequeno reservatório(500a 1.0001) serve paraescorvara bomba e deixar sedimentar as impurezas trazidas
peia água recalcadã, principalmente areia fina que desgasiat+arapidamente a bomba. Para esse fim, colocãm-se divisórias
ou chicanas no reservatório.
No inicio do funcionamento, o registro 2 está aberto e o 1 fechado. A água circula do reservatório para a bomba e
volta ao reservatório. Aos poucos, vai-se abrindo o registro 1 e fechando o 2. A água atua no ejetor e produz a depressão
própria a permitir a aspiração.
Uma parte da água bombeada sai pelo encanamento A até seu destino, enquanto outra parte é enviada ao ejetor. Às

PLANTA

briont. do reservatório com t o d o s


os chiconos a t é o fundo

Fig. 1.111Instalação de bombeamento com ejetor, com reservatório auxiliar de decantação


Tabela 1.24 Bombas injetaras Jacuzzi para poços profundos, de um estágio 2.450 rpm - 60 hertz
Instaiafijes de Agua Po!áuei 131

IEIERVAT~RI'O A U X I L I A R
PARA "ESCORVA"

(-8 = I T ~ T I C O DO LENGOL

--I
-. /.-

?T'
.&i DINIIYICO
(BOMBA FUNCIONANDO^

Flg. 1.112 Instalaqáo de bombeamento com ejrior. com reservatório auxiliar para esrorva

vezes, executa-se a instalaqão simplificada, semresematóriodecantadorde areia (Fig. 1.112).Neste caso, depois de escorvar
a bomba, fecham-se os registros 1 e 3 e abre-se o registro 2. Uma vez posta a bomba a funcionar, a água estabelece um
circuito fechado do poço h bomba e de novo ao poço. Vai-se abrindo lentamente o registro I ao mesmo tempo em que se
vai fechando um pouco o registro 2. Assim, parte da água segue pelo tubo de recalque, enquanto outra parte desce para
atuar no ejetor.
No início do tubo de recalque, coloca-se uma válvula de retenção.

1.10.3 Poços profundos


Quando o lençol freático ou artesiano 6 profundo e se pretende executar uma instalação em caráter permanente com
o emprego de bombas, usa-se a instalação das bombas para poços profundos, também designadas por bombas submersas.
As bombas são instaladas no interior de um poço de diâmetro relativamente pequeno, cujas paredes são constituídas
por tubos cravados, enquanto é feita a perfuração do poço, perfuração essa que se baseia em métodos cuja exposição pode
ser encontrada nas obras mencionadas nas referências ao final deste capítulo.
Há dois sistemas de bombeamento de poços profundos:
a) Com bombas de eixo prolongado
O motor fica ? superfície
i do terreno, e o eixo, apoiado lateralmente em mancais dispostos ao longo do tubo, aci-
ona a bomba, cujos rotores ficam imersos na água do lençol subterrâneo. Geralmente são bombas de múltiplos
estágios e são empregadasem paços com até mais de 300 m. São chamadas de bombas turbinas. designação que
deixa a desejar, se bem que seja tradução literal do nome usado nos Estados Unidos.
b) Com bombas de motor imerso ou submerso
O motor elétrico, de forma alongada, acha-se ligado diretamente ao conjunto da bomba, ficando imerso no poço.
Nesta categoria. existem dois tipos, ambos normalmente de múltiplos estágios.
- Bombas com motor seco, protegido por um encamisamento, em volta do qual a água passa refrigerando-o.
- Bombas com motormolhado. A água pode atingir os enrolamentos, os quais recebem um isolamento especi-
al. São indicadas para poços de grande profundidade.
A Fig. 1 .I 13 representa uma bomba de eixo prolongado conhecida como bomba turbina de eixo vertical de fabrica-
ção de Bombas Esco S.A.. achando-se indicadas as partes principais da bomba e as especificações dos materiais emprega-
dos.
A Fig. 1.114 é de uma bomba submersa Haupt-Pleuger modelo N62 com vários estágios (2 até 40). Acham-se repre-
sentadas as curvas da dependência entre a altura manométrica expressa em metros e a descarga expressa em litros por
minuto, conforme o número de estágios, além das curvas de rendimento e da potência em função também da descarga. O
diâmem D do grupo, incluindo o cabo el&trico,é de 143 mm,podendo ser colocado em p ç o de 6".
132 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Nomenclahira de p g a s empregadas na construção stnndnrd


N.O Nome Material
1 Tubo da coluna Aço carbono ou nodular
2 Selo mecânico O-Rings e retentores "U"
3 Estágio de saída F.OF.O ASTM-A48-30
4 Eixo da bomba Inoxy - AISI-410
5 Estágio intermediário F.OF.O ASTM-A48-30
6 Rotor F0 P-
Ductil-inóxi-Bronze
7 Estágio de entrada F.OF.O ASTM-A48-30
8 Tampão F.OF.O ASTM-A48-30
9 Boca de sino F.OF.O ASTM-A48-30
10 Mancal da bomba Borracha ou bronze
11 Bucha cônica Aço SAE-1045
12 Porca do rotor Bronze ou aço
13 Eixo da coluna Aço SAE-1045
14 Luva do eixo Aço SAE-1045
15 Suporte do manca1 Ferro nodular
16 Luva da coluna Ferro nodular
17 Manca1 encapsulado Borracha ou neoprene
18 Mancal - união Bronze ASTM-B144-3A
19 Tubo protetor Schedule 80 extraforte
20 Crivo cesta Aço Inox. AISI-304
21 Arandela estabilizadora Nodular com coxim

22 Flange da coluna Ferro nodular


23 Bucha Bronze
24 Flange cabeçote Ferro nodular
25 Eixo de regulagem Aço SAE-I045 - cromado
26 Tubo curto Aço ou nodular
27 Luva acoplamento Ferro fundido
28 Cavalete F.OF.O ou aço
29 Caixa de rolamentos F.OF.O ou aço
30 Cabeçote descarga F.OF.O ou aço
31 Prensa gaxeta Diversos

Fig. 1.113 A. Bomba centrífuga tipo turbina, vertical ESC0 para poço profundo. B. Cabeçote com motor.
Instalações de Agua Potável 133

r- 0 7
n=
NJrneros da estágios

np[b] .Rendimento da bomba


Pp = P o t l n c i a r e q u e r i d a
P a r a 1 estigio [CV]

Fig. 1.114 Bombas submersas Haupt-Pleuger, modelo N 62


134 Instalaçíies Hidráulicas Prediais e Industriais

A Especificaçio EB-829 da ABNT, de 1975, estabelece as condjçóes mínimas exigíveis para o recebimento de ins-
talações prediais de água fria. Determina que seja obedecida a norma de instalaçóes em vigor e que qualquer alteração no
projeto seja justificada pelo executor das instalaçEes, que, após o término das mesmas, deverá atualizar os desenhos face
às modificações introduzidas. Esses desenhos, que retratam a instalação tal como foi feita (as buili), servirão de cadastro
para a operação e manutenção das instalaçües.
A EB-829 apresenta os critérios de amostragem que representam elementos para julgamento da aceitabilidade da
instalação. Indica, outrossim, os ensaios que devem ser feitos para testar:
- A estanqueidadeà pressão interna. Todas as tubulações devem ser ensaiadas à estanqueidade por pressão interna
de água, 50%sukrior A pmssão estática mhxima na instalação. não devendo descer em ponto algum datubulação a menos
de 1 kgf
- . ~ mpelo- ~Projeto de Método Brasileiro P-MB-1128.
- As condições de funcionamento dos pontos de hgua. Os pontos de água selecionados na amostragem devem ser
postos a funcionar com a peça de utilização correspondente. determinando-se a subpressão na abertura rápida, as condi-
ções de vaziio e a sobrepressão & fechamento rápido, pelo P-MB-I 129.
- As condições de funcionamento das elevatórias dou instalações hidropneumhticas de acordo com as normas es-
pecíficas.
As tubulaçóes ensaiadas h estanqueidade por pressão interna, tal como mencionado acima, não devem apresentar
vazamentos ou exsudação em seis horas de ensaio.
A pressão estática em qualquer ponto não deverá exceder 4 kgf . cm".
A EB-829 apresenta, ainda, em detalhes, as condições de aceitação e rejeiçáo da instalação.
Assim, por exemplo, na verificação da estanqueidade à pressão interna, caso o número de ocorrências, quer de vaza-
mentos, quer de exsudação, seja maior que 10, na amostra, a instalação deverá ser rejeitada: se esse número não for supe-
rior a 10, a instalação deverá ser aceita após todos os reparos e com a repetição do ensaio. A amostra mencionada corres-
ponde a , no mínimo, três de cada conjunto de 100 pontos de água ou fração, excetuando-se válvulas e caixas de descargas,
que terão verificação especial.

. ..
....-
NU-J2'19RIl.Nnma Brarilcin de I n s i a l a ~ k sRnlhsi. de i g u a Fna
EB-829. Espcifica;;~ Brasilcirk p x a Rrccbimsnin de In\lilaçirs Yrediiir de Água Fna
~~~-5626/,982.
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hlORAhL). Eugenio Corncnibnu~Tdcnico5 sobre a NB-92~751 0 Congre~soBrainlriro dr Engcnhana SaniiBna c Ambienta1

cawogos
Esteves. Equipamentos e serviços hidr6ulicos. Piscina.
Gmndfas. Bomba submmívcl de aço inoxidúvcl. Riblicqão da Cia. T. Janér Comercio e Indiishia
ÁFiia subterrinea. Riblicqão da Cia. T. Jan& Com. e Indúshia.
Eleuobombas submcrsas. Ribliução de OMEL S.A. Ind. e Comhcia.
Hauot-Pleuaa. Bombas subme- - Hauot SXo Paulo S.A.
Jac&i do Brasil Ltda. Catáiogos de tanques de pressáo: bombas injetaras para pgo profundo; bombas submmlveis, camgadores autodticos de ar.
Hidraulica Magalhaes. Bombas para mo. Tanques de pressão.
Bombas ESC0 S.A.
Omcl S.A. IndúsVia e Comercio (bombas).
Hero S.A. Equipamentos industriais (bombar).
FMC-FLSAN. Sistema de fomccimnito de Agua pressurizada
Deca. Duratex SIA.
Sanpress. Comercial de Tubos s Conerne~1.tda.
Fabnrnar,
Tigre, Companhia Hiinren 1ndu:Uial.
Filual. Filtros e Tramentu d'Agua Lida. - Tanques hidropneumáticns para sistemas de alta e de baixa pressão
Cumulus. Asuecedares Cumulor S.A. Tanque de pressão'%umulus".
Barbará ~ . ~ . ' ~ o n j u de
n tpresaao
o Modelo ÓH-01:
Bambas Bemet S.A.
KSB da Brasil. Boriihas.
Wonhington S.A. (twmbas).
Sulzer (bombas).
Dancor S.A (bombas).
Bombas Albriui P e q SIA.
Indsteel S.A. Ind. e Com. (bombas).
Mataruro S.A. Prudutoi temaplBsticos.

Confir6nciaspmnunciodns nos Seminários de Inslnlo$8e~Prediais de Agua Fria. promovidos pela ABES, em Süo Paulo (11 e 12M4L77)e no Rio de
Janeiro (14 e IJMfl7) e publicadas na reviala Engenharia Sonirdrio. V. 16. N' 2:178-IR@abr./jun. 1977.
GUARDIA, Airton Casuo. UtilizaçZc de válvulas de descarga em instalações prediais de 4gua fria.
PASSETO, Wilson. Problemas de sobrepressão em instalações prediais de 6gua fria.
MANFREDI, Marco. Novos tipos de váiwlas de descarga e aperieiçoamentos (Assessor da DOCOL Ind. e Com. Ltda).
ROBRISON, Brian A.M. Novos tipos de vavulas de dercarga e aperfeiçoamentos (Fabrimar S.A. Ind. e Com.).
PUIG, Joaquim. Utilização de caixas de descarga em instalações prediais de Bgua fria.
CREDER. Hilio. Os projetista? e executores de instalações prediais no Brasil (I).
VIEIRA. Calos. Os projetistas c execulores de instalações prediais no Brasil (11).
RABELO FILHO, Fausto de Marcos e MORAIS, Dilson Joaquim. Aprovação de projetos de instalaçòes hidráulico-sanitárias prediais.
Esgotos Sanitários

As prescrições relativas às instalações prediais de esgotos sanitários variam em nosso país conforme as municipalidades.
Todas, porém, seguem fundamentalmente a Norma Brasileira NB-19/83, registrada no INMETRO sob o nWBR-8160/
1983, que fixa as condições técnicas exigíveis para o projeto e a execução das referidas instalações.
Alguns regulamentos acrescentam valiosos subsídios, indicando casos e circunstâncias não previstos na Norma, alar-
gando o campo das definições e das especificações dos materiais, estabelecendo minuciosas explicaç8es sobre a execução
dos serviços e ensaios para recebimento das instalações.
Outros adotam simplesmente a Norma e explicitam os aspectos mais dietamente ligados à sistemática de aprovação
dos projetos, ao registro de firmas instaladoras e ao licenciamento e aprovação das obras, além, naturalmente, das ohriga-
ções e penalidades.
Na exposição deste capítulo, procuramos seguira NBR-8160183 (NB-19). acrescentando alguns subsídios para auxiliar
o esclarecimento de certos pontos que, dada a indispensável concisão da No,ma, foram abordados sumariamente.
Procuramos, também, seguir o Regulamento da Companhia Estadual de Aguas e Esgotos -CEDAE -do Estado do
Rio de Janeiro. fazendo observações quando há divergências dignas de menção, com relação aos regulamentos das princi-
pais capitais do país.
Para uma explicação mais rápida e direta da Norma e do citado Regulamento, não obstante a clareza de ambos, na ela-
boração dos projetos, apresentamos considerável número de desenhos ilustrativos das principais exigências neles conti-
das.
As condições de esgotamento de alguns conjuntos habitacionais e de complexos industriais sugeriram certa atenção
para os projetos dos coletores e do tratamento dos esgotos. Sem a pretensão de entramos no terreno do projeto das redes
urbanas de esgotos sanitários e de tratamento dos esgotos, acreditamos que os elementos apresentados auxiliem o pmjetis-
ta, o instalador e o construtor nos casos em que os referidos problemas devam ser por eles solucionados e não pela
municipalidade.
Isso acontece em locais onde não há rede pública de esgotos sanitários ou quando a execução dos coletores de um ar-
mamento habitacional ou industrial é de atribuição dos interessados.

Os esgotos prediais são, ou deveriam ser, lançados na rede de esgotos da cidade.


Esta rede, que toda cidade possui ou almeja possuir, pode ser realizada segundo um dos seguintes sistemas:
a) Sistema unitário: no qual as águas pluviais e as águas residuánas e de infiltração são conduzidas numa mesmacana-
lização ou galeria. É conhecido sob a denominação francesa tout-à l'egout.
b) Sistema separador absoluto: no qual há duas redes públicas inteiramente independentes: uma para águas pluviais e
outra somente para as águas residuánas (e de infiltração). No Brasil é o sistema adotado, devido às vantagens que apresen-
ta em relação ao sistema unitário, entre as quais a exigência de menor diâmetro das canalizações e menor custo de eleva-
tórias e estações de tratamento.
c) Sistema misto ou separador combinado: no qual as águas de esgoto têm canalizações próprias, mas estes condutos
estão instalados dentro das galerias de águas pluviais. Também se designa com o nome de sistema misto, sistema parcial
ou inglês, aquele em que a rede de esgotos recebe uma paite das águas pluviais: as que caem nos telhados e phtios. No
Brasil não é empregado.
Esgotos Sanitdrios 137

2.3 TERMINOLOGIA
Seguiremos a terminologia adotada na NBR-8 160183 em ordem alfabética e acrescentaremosas explicações necessari-
as.
Altura de fecho hidrico (H). É a profundidade da camada líquida, medida entre o nível de saída do desconector e o
ponto mais baixo da parede ou colo inferior que separa os compartimentos ou ramos de entrada e saida do aparelho @gs.
2.1 e 2.2).
Águas residuárias. São os líquidos residuais ou efluentes de esgotos, que compreendem as águas residuárias domésti-
cas, as águas residuárias industriais e as águas de infiltração.
Aguas residuárias domésticas ou despejos domésticos. Sáo os despejos líquidos das habitações, prédios ou estabeleci-
mentos comerciais, indústrias, hospitais, hotéis e outros edifícios. Podem ser divididas em águas imundas ou negras e
águas servidas.
Águas imundas são águas residuárias contendo dejetos (matéria fecal), elevada quantidade de matéria orgânica instá-
vel, utrescível, com grande quantidade de microrganismos e eventualmente vermes, parasitos e seus ovos.
&uas servidos sáo as resultantes de opera~õesde lavagem e limpeza de cozinhas. banheiros e tanques.
Águas de infiltração são representadas pela parcela das águas do subsolo que penetra nas canalizações de esgotos na
falta de estanqueidade das juntas das mesmas. E da ordem de 0,0002 a 0,0008 Vs por metro de coletor.
Águas residuárias industriais podem ser:
- orgânicas;
-tóxicas ou agressivas;
-inertes.
Aparelho sanitário (AS). Aparelho ligado B instalação predial e destinado ao uso da água para fins higiênicos ou a re-
ceber dejetos e águas servidas.
Exemplo: vaso sanitario, lavatório, bidê, banheira etc.
Bujão (B). Peça de inspeção ou visita adaptável h exnemidade de canalização ou conexão metálica (Fig. 2.3). É cha-
mado de plug se colocado externamente ao tubo. e de cap, se internamente ao tubo.

LCURYA
90'WYIOITA

BUJAO OU CUP

Fig. 2.1 Indicação da altura de fecho Fig. 2.2 Indicação da altura dr Icho Fig. 2.3 Colocação de bujão na
hídrico em um sitão. hídrico em um vaso sanilário. extremidade de uma mbulaçáo.

Caixa de areia (CA). É a caixa detentora de areias. Náo é empregada em redes de esgotos. É usada em instalações de
águas pluviais, principalmente na base de uma coluna de águas pluviais. Nas linhas de águas pluviais, em armamentos,
não são autorizadas em alsumas municipalidades por permitirem a estagnação da água na pane inferior (Fig. 2.4).
Caixa coletora (CC). E a caixa onde se reúnem despejos cujo esgotamento exige elevação mecânica.
Caixa detentora (CD). É a caixadestinada a reter substâncias prejudiciais ao bom funcionamento dos coletores sanita-
nos. É o caso da caixa detentora de cabelos, de gesso em salas de ortopedia e em muitas instalações industriais (Fig. 2.5).
E também chamada caixa retentora.
Caixa de derivafão ((CDE)ou de junção (C.J). Recebe efluentes de dois ou três coletores e permite que escoem em um
coletor único. Pode receber, por exemplo, o efluente tratado de duas ou três fossas séoticas oara lancá-10 em vaias de fil-
tração (Fig. 2.6).
Caixa diluidora (CD,). É acaixa destinada a reduzir a concentração da acidez ou alcalinidade dos despejos, pela adição
de água. Usa-se em Iíiboratórios e em instalações industriais (Fig. 2.7).
Caixas dedistribuição ((CDS)(Fig. 2.8).Estas caixas aplicam-se Bcolocação de fossas sépticas em baterias. A caixade
disuibuiçãodivide o despejo primário entre duas ou três fossas e acaixa de junção reúne o efluente tratado das fossas. São
usadas também na distribui~áopelas valas de filtraçáo, do efluente tratado de uma fossa.
. . -
Caixa de nordura (CGJ.É a caixadestinada a mrmitir a seoaracão das eorduras daáeua. Pode ser de concreto. alvena-
ria de tijolo,?erro fundido, fibrocimento e PVC. '
138 instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

o
n M P ~ ODE INSPE ÃO DE FECHAMENTO H E R M ~ T I C O
3
o rT A(NORMALMENTE SE FERRO F u N m o o ~

PLANTA

S~MBOLO
CAIXA DE AREIA

FLg. 2.4 Caixa de areia.


Esgotos Sanitários 139

- CHAPA DE C I M E N T O - A M I A N T O COM
FUROS DE 9 m m e 0.63Oi0,S00~0,010m
CORTE A A /
PLACA DE CONCRETO
P R < - MOLDADO
MEDIDAS E M METROS

Fig. 2 5 Caixa detentora de materia súlida.

Os tipos principais acham-se indicados nas Figs. 2.9a. 2.9b. 2 . 9 ~e 2.9d. As caixas de gordura terão sempre um fecho
hídnco não-sifonável e deverão ser fechadas hermeticamente, com tampa removível.
A caixa de gordura (como aliás qualquer caixa sifonada) é dividida em duas câmaras (receptora e vertedora), que se
comunicam somente na parte inferior, a 20 cm no mínimo abaixo da superfície livre do líquido. Não são permitidas caixas
com septos removíveis, que possam vir a dar passagem aos gases dos esgotos.
Caixa interceptara -decantndora. Como o nome indica, intercepta e provoca a deposição de substâncias em suspen-
são nos esgotos que não coqtenham materia fecal (Fig. 2.10).
Caixa de inspefão (CI).E a caixa destinada a permitir a inspeção, limpeza e desobstnição das canalizações, a junção de
coletores e mudança de declividade. Pode ser de seção circular, com 0,60 m de diâmetro, ou quadrada, com 0,60 m de
lado, no mínimo (Fig. 2.11).
Pode ser de anéis de concreto armado pré-moldados, com fundo do mesmo material, ou de alvenaria de tijolo maciço,
ou blocos de concreto, com paredes no mínimo de 0,20 m, feitas no local. A profundidade máxima 6 de 1 m. Excepcional-
mente são permitidas C1 com forma retangular em dimensões internas de 60 cm no lado menor.
Caixa de passagem (CP).Destina-se,a permitir a inspeção, limpeza e desobstnição das canalizações de esgotos, cole-
tores, subcoletores e ramais de esgoto. E uma caixa dehspeção com apenas uma entrada e uma saída para o esgoto (Fig.
2.12a).
140 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

1O FUNDO i CONCRE-
CORTE AB TADO NO LOCAL

(-tq ENTRADA

C.D.E.

-e-
Fig. 2.6 Caixa de derivação.
o,oa , , 0 1 . ~ 0 ~ , .o,o8
1 1 1 1
CORTE A A MEDIDAS EM METROS

"'
CORTE BB

Fig. 2.7 Caixa diluidora (C.Di)


142 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

CORTE A 8

D I M E N S ~ E SEM mm

PLANTA

Fig. 2.8 Caixa de distribuiçáo.


Esgotos sanitários 143

GORDURA

CORTE 0 0 ANEL

G.I.

~ ~ l c u do
l o volume de r e l e n ~ â ono caixo da gordura indivi-
dual (CGI.)
7 1 . ~H ~. Fecho hidrico: 2 0 0 mrn
3 , 1 4 1 1 5 ~ 216 18,369 t
C o i a o da gordura i n d i v i d u a l I C G l I , tombam chomodo
c o i x a de g o r d u r a pequeno I C G P ) de concreto
U s a d a p a r a 1 cozinha

Fig. 2.9a Caixade gordura individual (C. G. I.), também chamada caixadegordura,pequena (C. G . P.) deconcreto. Usada para uma pia.
(Modelo Sano S.A. Indiístria e Comércio.)
144 Instalaçaes Hidráulicas Prediais e Industriais

CORTE A.A

S~MBOLO DIMENS~ES EM mm
Cálculo do volume de retengbo da c a i x a de gordura
simples (C.G.S. 1.
H . R? H Fecho hidrico: 2 0 0 m m
3,14 x 2 0 ' 2 5 :3 1 , 4 t
C a i x a de g o r d u r a s i m p l e s (C.G.S.) de c o n c r e t o
ou caixa Sifonodo s i m p l e s .
Usada paro 2 c o z i n h a s .

Fig. 2.9b Caixa de gordura simples (C. G. S.) de concreto (Modelo Sano S.A. Indústriae ComLrcio) ou caixa sifonada simples. Usada
para uma ou duas cozinhas.
Esgotos Sanitários 145

DIMENSÒES EM mm CORTE ,

Cblcula do volume de i e t e n ~ ã ono Coiro de g o r d u r o


dupla ( C G D 1
TT R 2 n Fecho hidrico 350mrn
3.14 1 3 0 Z r 4 2 . 4 : 120 f
co!zo de g o r d u r a d u p l o f C G D I
Poro mais de d u a s ( 2 ) c o z i n h o r a t a o mdxirno
d e d o z e I121

Fig. 2 . 9 ~Caixa de gordura dupla (C. G. D.)tipo Sano S.A. para mais de duas cozinhas ai6 o mixirno de 12.
146 InstalaçGes Hidráulicas Prediais e Industriais

n
CORTE

D I M E N S ~ E ÇEM m m I PLANTA

P L A N T A DA TAMPA DE FERRO

Cdiculo do volume de retençõo do c o i r o de gordura


espsciol ( C G . E )
lT R 2 H Fecho hidiico : 4 W m m
Coixo do g o r d u r a e s p r c i o l ( C t E )
poro 4 0 0 , 7 5 0 , 1 0 W s 1 5 0 0 r e l a i ~ õ a r d i i i i o r

Fig. 2.9d Caixa de gordura especial (C. G . E) tipo Sano para 400, 750, 1.000 e 1.500 refeições diárias.
Esgotos Sanitários 147

T A M P A DE CONCRETO U DE CHAPA DE A O 0
raupãa, T P i N r A D A cou i i n r n S ~ ó x i c a

1.00"
I 4-
CORTE BB

*+ IOOrn
3
CORTE A A

Fig. 2.10 Caixa interceptadora - decantadura.

Existem caixas de passagem modelo popular, nas quais aespessura dos anéis é de 4 cm e a tampa éde ferro fundido tipo
leve ou de concreto com tampinha de ferro fundido de 0,420 m 9.
Existe, também, um tipo pequeno de caixa de passagem com grelha ou tampa cega, denominado ralo de passagem.
Destina-se a receber água de lavagem de pisos dou efluentes da canalização secundaiia de uma mesma economia (Fig.
2.13). Pela NBR-8 160 o diâmetro mínimo deve ser de 150 mm.
Caixa separadora de óleos (CO). É a caixa destinada a reter óleos ou graxas, impedindo que tenham acesso aos cole-
tores prediais (Fig. 2.14):
Caixa sifmada (CS).E a caixa datada de fecho hídrico e de tampa, destinada a receber efluentes de aparelhos sanitár-
os. exclusive os de vasos sanitários.
Tem as mesmas caractensticas das caixas de gordura, isto é:
-formato circular ou retangular;
- fecho hídrico de 20 cm;
-diâmetro interno mínimo de 40 cm ou mínimo de 40 cm X 40 cm, se forem quadradas;
- fechadas hermeticamente com tampa de ferro fundido facilmente removível;
-orifício de saída com diâmetro mínimo de 75 mm.
Calha. E o trecho do coletor situado no interior de uma caixa de inspeção ou poço de visita. É uma meia-cana entre
maciços de concreto magr?, de enchimento, chamados almofadas (Fig. 2.12b).
Canalizaçãoprimária. E a canalização onde têm acesso gases provenientes do coletor público ou de canalizações onde
escoa matéria fecal.
Canalização secundária. É a canalização protegida por desconector contra o acesso de gases provenientes do coletor
público ou canalizações onde escoa matéria fecal.
Cup. Peça de inspeção adaptada externamente à extremidade de uma canalização de esgoto (Fig. 2.39).
148 Instalaçóes Hidrdulicas Prediais e Industriais

, PLANTA

TAMPA DE F E R R O
FUNDIDO P E S A W
CORTE
O I M E N S ~ E SEM mm

PLANTA

-,
PLANTA S~MBOLO

Fig. 2.11 Caixa de inspeçáo.

Coletorpredial. É a canalização de esgotos de propriedade particular que conduz o esgoto de um ou mais edifícios até
a rede coletora pública; Em certos municípios, o diâmetro mínimo permitido é de 150 mm.
Coletor de esgoto. E a canalização que, funcionando como conduto livre, recebe contribuição de esgoto em qualquer
ponto ao longo de seu comprimento.
Coletor tronco. E um coletor de esgotos que recebe, altm dos esgotos provenientes dos coletores prediais, a contribui-
ção de vários coletores de esgotps.
Coluna de ventilação (CV). E a canalização vettical destinada A ventilação dos desconectores situados em pavimentos
superpostos. Desenvolve-se através de um ou mais andares, e sua extremidade superior é aberta à atmosfera, ou ligada ao
tubo ventilador primário ou ao banilete de ventilação.
Contribuinte. 6 o agente produtor de esgotos.
Desconector (D). E o dispositivo hidráulico ligado a uma canalização primária e destinado a vedar a passagem de gases
das canalizações de esgotos para o interior do recinto. Exemplos: sifões sanitários, ralos sifonados e caixas sifonadas.
Despejos. São refugos líquidos dos prédios, excluídas as águas pluviais.
Emissário. Conduto final de um sistema público de esgotos sanitários, destinado ao afastamento do efluente da rede
para o ponto de lançamento da descarga, sem receber contribuiçóes no caminho.
Esgotos sanitários comuns ou domésticos. São as águas residuárias já definidas.
Fecho hídrico. É a camada líquida que, em um desconector, veda a passagem de gases (Fig. 2.1).
Instalação de esgoto primário. E o conjunto de canalizações e dispositivos a que têm acesso gases provenientes do
coletor público e de canalizaçóes onde escoam matérias orgânicas que possam produzi-los.
Peça de inspeção (PI). Dispositivo para inspeção e limpeza e desobsuuqão de um encanamento. Pode apresentar-se
como uma conexão sob a forma de tubo (tubo operculado), curva ou junção com visita ou tampa (Figs. 2.17a, b, c; 2.18a.
b).
Poço de visita (PV).É uma caixa de inspeção com mais de um metro de profundidade. Permite o acesso às canalizações
e à realização de operações de limpeza e desobstmção (Fig. 2.19). Facilita a junção de coletores, as mudanças de declivi-
dade, de cota, de material ou de seção das canalizações. Em instalações prediais, a maior distãncia entre poços de visita ou
caixas de inspeçáo é de 25 m (segundo a NBR-8160183).
Esgotos Sanitários 149

CORTE AA

PLANTA BAIXA

símeo~o D I M E N S ~ E SEM mim

Fig. 2.1221 Caixa de passagem (ou inspeçáo).

Fig..Z.lZb Base com calha para tubas com diâmetros de 150, 200 e 250 mm.
150 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

CORTE A B

185

- *

'iq
PLANTA
DIMENSÓES EM mm

GRELHA DE ERRO FUWOIW OU METAL

Fig. 2.13 Caixa de passagem com grelha. também chamada ralo de passagem de concreto pré-moldado. (Modelo Sano S.A.)
Esgotos Sanitários 151

7 TAMPA DE FERRO FUNDIDO

D I M E N S ~ E SEM mm

Fig. 2.14 Caixa separadora de 61eo (C.O.). (Modelo Sano S.A.)


152 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

PAS DE FERRO FUNDIDO

C A I X A DE INSPEÇÃO

C A I X A "8"
"50+ -600 $+50

C A I X A "A"

BOXES DE LAVAGEM 83XES DE LAVAGEiiI

r9;LO.-i
\
\
\

\\
\
\
\

'
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! I
I
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I

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I

'
I
/
/I
/
I
I

CAIXA "A" C A I X A "A.

ti 4 boxes de lavagem - u m conjunto d e c a i x o t ~ e " B "


Para 6 boxes de lavagem - duas caix9s"A"e urna c a i x a " 8 "
Para 8 boxes de lovagern - dois conjuntos de c a i x a s " ~ " e"8"

Fig. 2.15 Conjunto separador de 6leo para postos de lub~ificação.(Sugestão Sano S.A.)
Esgotos Sanitários 153

CAIXA RECEPTORA C A I X A S E P A R A D O R A DE ÓLEO


LATERAL S A D A P/ LOCAIS C/ OU S/ T R Â N S I T O

I CORTE 0 0 '
I
I CORTE A A '

IA Fecho h i d r i c o - 3 0 0 m m

Fig. 2.16 Caixa separadora de 61eo com caixa receptara lateral. (Modelo Sano S.A.)

Joelho 87"30'
Flg. 2.17b Curva raio longo 90" Fig. 2.1Sa Tubo radial com inspeção e saída
Fig. 2.17a Linha Predial Barbará. (Linha Predial Barbará). de emergência (Linha Predial Barbará).

Fig. 2.1% Sitão com


Fig. t 1 8 b Curva raio longo 90" com inspeção e saida de
inspeçEo e saída de emergência emergência (Linha
(Linha Predial Barbari!). Predial Barbari).
154 Instalaçfies Hidráulicas Prediais e Industriais

Tom da Tubo

Fig. 2.18d Curva raio longo com inspeçáo e saída de emergência (Linha W i a l Barbari).

CORTE A - 8
, IPEDRA B R l T A D b N Q 4 COBERTA
COM P E D R O BRITbDA NP 2

MEDIDAS EM mm
I

PLANTA
til
Fig. 219 Poço de visita com anéis de concreto
armado pré-moldados.
Erxotos Sanitários 155

Nos loteamentos ou conjuntos com vários edifícios comportando armamentos, as distâncias entre os PV têm sido ado-
tadas pelos seguintes valores indicados pelo Prof. Antonio de Siqueira:
Coletores de 150 mm e 200 mm ........................60 a 70 m
Coletores de 250 mm .......................................
70 a 80 m
Coletores de 3W mm a 450 mm....................... 90 a 100 m
Os MOS de visita são fechados por tampões de ferro fundido de seção circular. Podem ser do tipo leve, para caixas em
passeios onde não possam estacionar veículos (Fig. 2.20). ou de tipo pesado, de rua (Fig. 2.21). onde possam estacionar
veículos.
Os poços de visita, como aliás as caixas de inspeção, podem ser dos seguintes tipos:
a) Poços de alvenaria de tijolo maciço, ou blocos de concreto, com espessura mínima de 20 cm, revestidos interna-
mente de argamassa de cimento e areia (Fig. 2.22).
b) Poços de concreto armado pré-moldado, como os da Fig. 2.19.
c) Poços de concreto annado moldado no local, empregados apenas no caso de emissários, interceptares e outros ca-
sos especiais.
Os PV deverão ter seção circular com um diâmetro mínimo de 1,10 m, ou quadrada com lado no mínimo igual a 1.10
m. Quando tem mais de 1.50 m de profundidade, o poço de visita consta de duas partes: a câmara inferior e o poço de
acesso (chaminei. O poço de acesso deverá ter no mínimo 0,60 m de diâmetro.
Quando o desnível entre os coletores de entrada e de saída no poço não permitir a execução de umacalha entre ambos,
usa-se instdar um tubo de queda tal como indicado na Fig. 2.23. Nesta figura, vê-se também um outro coletor que não
necessita de tubo de queda.
Rolo (R). Caixa dotada de grelha na parte superior e destinada a receber águas de lavagem de piso ou de chuveiro. E

T - 27 T - 27 AR
SIMPLES ARTICULADO
555

35 Y i
I
U m \ 735

820

Fig. 2.20 Tampão para caixa de inspeçáo sanitária em calçada. Carga máxima de 1.500 kgf.

T - 120 T - 120 AR
SIMPLES ARTICULADO

Fig. 2.21 Tampão para caixa de inspeção sanitária na ma. Carga máxima de 4.200 kgf
156 Instaiaçóes Hidráulicos Prediais e Industriais

T
i L v y a n i r DELPEDRII
IB ~ ~ T A D AN P ~ ~ ~
PILYOFIDA COBERTA COM PEDRA BRIT.DA N Q Z
SOCADA

DIMENSÕES EM METROS
Fig. 2.22 Poço de visita em alvenaria

também conhecido como ralo seco ou ralo comum (Figs. 2.24a, 2.24b e 2.24~).Pode ser de cobre, latão, concreto, cerâmi-
ca vitrificada, chumbo, ferro fundido e PVC. Quando de cobre ou latão, em geral os ralos são estampados e fabricados
com diâmetros de 10, 15 e 20 cm. Sobre o ralo adapta-se um caixilho com grelha de metal niquelado. Havendo necessida-
de de colocar o ralo com profundidade maior para atender à declividade, usa-se um colarinho adaptado ao caixilho, sol-
dando-o ao ralo. O ralo faz parte d o esgoto secundário e, portanto, não tem sifâo. A altura mínima do ralo deve ser de 10
cm.
Os ralos depassagem, também chamados caixas de passagem, deverão ter o diâmetro mínimo de I5 cm, e, quando de
forma poligonal, deveráo permitir a inscrição de um circulo de 15 cm de diâmetro.
Ralo sifomdo (RS). Caixa sifonada, de grelha ou de tampa, destinada a receber água de lavagem do piso e efluentes da
instalação de esgoto secundário de um mesmo pavimento. Faz parte da instalação de esgoto primário. E fabricado em la-
tão, cobre, ferro fundido, PVC, chumbo, concreto e cerâmica vitrificada (Figs. 2.25a. 2.25b e 2.25d e fibrocimento Fig.
2.250.
Os ralos sifonados também permitem a adaptação de um colarinho ao caixilho, de modo que possam ter sua entrada e
saída em cotas adequadas.
Os ralos sifonados deverão ter as seguintes características:
a) Fecho hídrico com altura mínima de 50 mm.
h) Orifício de saída com diâmetro mínimo de 75 mm.
C) Quando receberem efluentes de aparelhos sanitários até o limite de 15 unidades Hunter de contribuição, os de seção
horizontal circular deverão ter o diâmetro de 150 mm. e, quando poligonal. deverão permitir a inscri~ãode um círculo de
diâmetro mínimo de 150 mm.
d) Conforme o fim a que se destinarem, os ralos sifonados poderão possuir grelha ou serem providos de tampa que os
feche hermeticamente (quando receberem efluentes de mictórios). Estagrelha ou tampadeverá ser de ferro fundido, cobre,
bronze, latão ou outro material igualmente resistente.
Ramal de descarga (RD). É a canalização que recebe diretamente efluentes de um aparelho sanitário.
Esgotos Sanitários 157

TAMPA DE INSPEÇÃO DE F. F
TIPO LEVE OU P E S A D A

LPEDRA
B ~ ~ T A Dti?
A
N?
4
COM P E D R A QUITADA
COBERTA
2 SOCADA.
O
D

CORTE A - 8 D I M E N S ~ E S EM mm

PLANTA

Fig. 2.23 Poço de visita com perda de altura, tipo Sano S.A.

Altura de instalaç8o regulbvel por meio


de prolongamento [tubo de PVC. 0 40 mm.
cortado na medida desejada1
Grelha de 0 100 mm, removível. branca ou
cromada
Saida de 0 40 rnm (Bolsa)

Fig. 2.24a Ralo seco quadrado com grelha. Fig. 2.24b Ralo seco de PVC
Saída: 40 mm nQ 1 e 2 (PVCTigre). (Linha sanitária Brasilit).
158 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

h.. ."o com


Ciui,ho ,m. l0Dm."
r

Peso do ralo: 1.5 kpf 1

Fig. 2.24 Ralo seco de cobre, Briant, com caixilho e grelha. Fig. 2 . 2 4 Ralo seco (Linha Predial Barbari).

Grelha
Porta-grelha
-\__/-

Anel de fixação E -

Caixa sifonada

Entradas

Fig. 2.25a Ralo sifonado, da Brasilit.

Fig. 2.25b Ralos sifonados de PVC,da Brasilit, #IJ 150 mm.

Refluxo ou retrossifonagem. É o retomo da água pela tubulação contra o sentido de fluxo normal, causado por subpressões
momentâneas.
Ramal de esgoto (RE). É a canalização que recebe efluentes de ramais de descarga.
Ramal de ventilação (RV). E o tubo ventilador interligando o desconector ou ramal de descarga ou de esgoto de um ou
mais aparelhqs sanitários a uma coluna de ventilação ou a um ventilador primário.
Sifão (S). E o desconector destinado a receber águas de lavagem de pisos e efluentes da instalação de esgoto secundá-
rio. E parte integrante das instalações de esgotos primários. Deve ter o diâmetro mínimo de 75 mm, fecho hídrico com
altura mínima de 5 cm e ser munido de bujões na parte inferior, para a necessária limpeza. Pode ser de cerâmica vidrada,
ferro fundido ou chumbo (Fig. 2.1).
Esgotos Sanitários 159

1. 20.3 L
'L~L tss rf!,

caixa sifonada caixa sifonada


monobloco com saida monobloco com salda
50 mm com grelha 75 mm com grelha
redonda e porta-grelha quadrada e poria-grelha
n.Os 102, 104. 106 e 108 n."S111, 113, 115e 117

CORTE A- A
D I M E N S ~ E SEM mm

caixa sifonada
monobloco com salda
75 mm com grelha
redonda e porta-grelha
mos 112, 114. 116e118

Fig. 2 . 2 5 ~Caixas sifonadas monobloco Tigre em W C .


DETALHE OAS GRELHAS DE FERRO FUNDI00
A Dadad0,O grelho superior poder6
( a r n e c d o de meto1 ciomodo

Fig. 2.25d Ralo sifonado com 4 150 mm, Sano S.A

Immm 4
C

55 m

Fig. 2.2% Ralo seco e grelha para boxe. com saída horizontal
A b m . RSHHL Abm. GRlWFHL em ferro fundido (Linha Predial Barbad).
160 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

-
Raio Sifonado para Banheiro
de Serviço DN ,mI-'
R:- Raio Sifonado para Banheiro Social

~&.=+&,"24 m*:0rasrVmlh.d
*um Tini m oisao

Fig. 2.25f Raios sifonados para banheiros (Linha Predial Babara).

b0.P . bocal prim6rio


bc.9 - bocal .ecundarlo

CORTE X - X
Fig. 2.258 Ralo sifonado de
cobre (tipo Briant). Fig. 2.25h Ralo sifonado Motta
Subcoletor (SC). É a canalizaçtío que recebe efluentes de um ou mais tubos de queda ou ramais de esgotos.
Tampão. Conjunto de peças de ferro fundido para cobertura de caixa de inspeção ou poço de visita. Consta de um cai-
xilho fixo e de uma tampa. Existem dois tipos: o pesado, usado nas caixas das mas, e o médio, usado nos passeios. O
tampãopesdo tem um peso mínimo de 250 kgf e o médio, de 130 kgf.
Tanqueflusivel (TF). E o dispositivo que se destina a lavagem automática dos coletores de esgotos sanitários.
Tubo operculado (TO). É a peça de inspeção, em forma de tubo, provida de janela com tampa (Fig. 2.17b).
Tubo de queda (TQ). I? a canalização vertical que recebe efluentes de subcoletores, ramais de esgoto e ramais de des-
carga.
Tubo ventilador (TV). É a canalização ascendente destinada a permitir o acesso do ar atmosférico ao interior das cana-
lizações de esgotos e a saída degases dessas canalizações. bem como impedir a ruptura de fecho hídnco dos desconectores.
Tubo ventilador de alívio. E o tubo ventilador secundário ligando o tubo de queda ou ramal de esgoto ou de descarga a
coluna de ventilação.
Tubo ventilador de circuito (VC). É o tubo ventilador secundário ligado a um ramal de esgoto e servindo a um grupo de
aparelhos sem ventilaçào individual {Figs. 2.32 e 2.33).
Tubo ventilador individual (VI). E o tubo ventilador secundário ligado ao desconector ou ao ramal de descarga de um
aparelho sanitário (Fig. 2.31).
Tubo ventilador invertido (Vln). É o nibo ventilador individual em formade cajado, que liga o orifício existente no colo
alto do descouector do vaso sanitári,~ao respectivo ramal de descarga (Fig. 2.30).
Tubo ventiladorprimário (VP).E o tubo ventilador em prolongamento do tubo de queda acima do ramal mais alto a ele
ligado, tendo uma extremidade abería.,situada acima da cobertura do prédio (Fig. 2.3 1).
Tubo ventilador secundário (VSe).E o tubo ventilador tendo a extremidade superior ligada a um tubo ventilador primá-
rio, a uma coluna de ventilação ou a out;o tubo ventilador secundário. E todo ventilador que não é primário.
Tubo ventilador suplementar (VSu).E acanalização vertical ligando um ramal de esgoto ao tubo ventilador de circuito
correspondente (Figs. 2.32 e 2.33).
Unidade Hunter de contribuição (UHC).É um fator probabilístico numérico que representa a freqüência habitual de
utilização associada à vazão típica de cada uma das diferentes peças de um conjunto de aparelhos heterogêneos em funci-
onamento simultâneo em hora de contribuição máxima no hidrograma diáno.
Vazão cririca. E a major descarga que pode escoar, através de uma dada seção de coletor. com o mínimo de energia.
Vaso suniiário (VS). E o aparelho sanitário destinado a receber, exclusivamente, dejetos humanos.

2.4 SIMBOLOGIA
A Norma Brasileira NBR-8160183 adota a simbologia para dispositivos, aparelhos, canalizações e colunas que indica-
mos nas Figs. 2.26.2.27 e 2.28.

2.5 PECAS, DISPOSITIVOS, APARELHOS SANITÁRIOS E DE


DESCARGA EMPREGADOS NAS INSTALAÇÓES DE ESGOTOS
Além das pecas e dispositivos mencionados no item 2.3 (Terminologia), acrescentaremos mais algumas de importância
fundamental.

2.5.1 Tubos e conexões


Na instalação predial de esgotos sanitários têm sido empregados tubos e conexões de ferro fundido, chumbo, cerâmica
vidrada, cimento amianto e PVC.
Algumas especificações estrangeiras mencionam também o ferro galvanizado, o que no Brasil nâo é usado.

2.5.1.1 Ferro fundido


O ferro fundido é um produto sidenirgico resultante da associação do ferro e do carbono.
O carbono pode se apresentar sob a forma de Iamelas (ferro fundido cinzento) ou de nódulos (ferro nodular); dúctil ou
de grafita esferoidal.
Nas instalações prediais de esgotos e águas pluviais emprega-$e o ferro cinzento, contendo de 3,8 a 4.2% de carbono,
além de pequenas quantidades de silício, enxofre e fósforo. A Companhia Metalúrgica Barbará fabrica tubos e conexões
de ferro cinzento na chamada Linha Predial, e em ferro dúctil na Linha de Pressão para água, recalque de bombas, irriga-
ção, esgotos urbanos. adutoras e suhadutoras, rede de incêndio nas indústrias etc.
Os tubos da Linha Predial Barbará são revestidos interiormente com tinta epóxi beturninosa com dois componentes
(resina epóxi e alcatrão de hulha) com espessura média de 100 micra, e exteriormente com uma pintura antifemiginosa.
Os tubos podemser do tipo ponta-ponra, usando-se luvas bipartidas para ligá-las, ou do tipo ponta-bolsa. quando se usa
o contraflange para maior segurança da junta.
162 Instalaç8es Hidrdulicas Prediais e Industriais

S~MBOLOSGRAFICOS

SIFÃO ( S I
R A L O DE 1 0 x 1 0 c m

R A L O SIFONADO DE 15r15cm

CAIXA SIFONADA 1CS)

C A I X A DE GORDURA I N D I V I D U A L ( C G I )

C A I X A DE GORDURA S I M P L E S ( C G S )

C A I X A D E GORDURA DUPLA (CGD)

CAIXA DE DISTRIBUIÇAO (CDS)

C A I X A DE GORDURA E S P E C I A L ( C G )

CAIXA DETENTORA ( C D I

C A I X A DE R E S F R I A M E N T O ( C R I

CAIXA DILUIDORA ( C D i )

CAIXA COLETORA ( C C )

CAIXA DE A R E I A ( C A )

CAIXA NEUTRALIZADORA ( C Na I

POÇO DE V I S I T A S ( P V )

Fig. 2.26 ConvençBo grsfica dos principais dispositivos sanitários,


Esgotos Sanitários 163

APARELHOS

TUBO OPERCULADO

A DE DESPEJO

LAVADOR DE C O M A D R E S

PIA DE COZINHA

BANHEIRA

Fig. 2.27 Ciinvençáo gráfica dos principais aparelhos sanitários.


164 insfala~õesHidráulicas Prediais r I~idustriais

CANALIZA ÇÓES

ESGOTO PRIMÁRIO EP

----- ESGOTO SECUNDÁRIO ES

m............ V E N T I L A ÇÃo v

-.-.- ÁGUAS PLUVIAIS AP

C O L U N A S

TUBO QUE SOBE

TUBO QUE DESCE


número - 1, 2,3 i t c .
material i d l â m i r r o - FF 71. P V C 76. F C 7 5 .to

TUBO DE Q U E D A DE G O R D U R A

número de vaso. - 2 0 VS ite.

TUBO OE Q U E D A PRIMA'RIO

TUBO DE Q U E D A SECUNDA'RIO

TUBO VENTILADOR P R I M Á R 10

COLUNA DE VENTILACXO
Fig. 2.28 Convenções gráficas dr canalizaçóes e colunas
Esgotos Sanitários 165

..:..:
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7.

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..V. T1.0

VI"111.001
,".O DE OUrm
PILOTIS

SYISOiD

v l ~ v u r . oc m r ~ < ~ ~ i o

Fig. 2.29 Diagrama vertical de instalação de esgotos.

São empregadas juntas elásticas para união entre tubos e conexões ou entre conexões, para atender a esforfos térmicos
e mecânicos.
O ferro fundido da Linha Predial da Barbará obedece as exigências da norma NBR-9651 da ABNT- 'Tubos e Cone-
xões de Ferro Fundido para Esgoto".
Em redes públicas de esgotos e mesmo em redes particulares sujeitas a tráfego pesado ou condições desfavorávek d o
temno, estão sendo muito empregados os tubos de textura nodular de juntas elásticas com anéis de elastômero especial.
Esses ~ b o s com
, 3, 6 e 7 m de comprimento, são revestidos internamente com cimento, o que Ihes assegura menor
mgosidade e maior durabilidade e externamente com pintura betuminosa. São fabricados em diâmetros de 50 até 1.200 mm.

Juntas Eiásticas
Para se obter uma grande resistência aos esforços térmicos e mecânicos nos tubos de ferro fundido da Linha Predial da
Barbará empregam-se Juntas Elásticas de borracha fabncadas segundo a Norma EB-362 da ABNT.
T U W DE OUE

M L U W A DE VERTIL
(VEM W Y S D L O I A M A L DE ESBOTD

RAMAL DE DESCARBA
R I U A L DE ESGOTO
RAMAL DE DESCARBA SUBCOLETOI

-
o
9
2
3
L
I
*
O
u
.,
"
o

PAVIMENTO TÉRREO

Fig. 2.30 Pavimento temo. Instalação de esgotos.


Esgotos Sanitdrios 167

TERRACO
1

Fig. 2.31 Tipos de ligaçáo ao tubo de queda e ventilação.

2.5.1.2 Aço galvanizado


Os tubos e conexões de aço galvanizado poderão substituir os tubos de ferro fundido coltarizado ou galvanizado, exce-
to em canalizaçks que conduzirem efluentes de vasos sanitários ou mictórios. Embora permitido, é usado raramente, e
quando o é, exige-se proteção interna e externa de tintas epóxicas ou de borracha clorada. A falta de conexões adequadas
a esgotos já é um fator irnpeditivo de seu emprego.

2.5.1.3 Chumbo
Os tubos de chumbo são usados na instalação de esgoto secundário, em tubos ventiladores e em ramais de descarga de
ralos sifonados, sendo vedado, no entanto, seu emprego em tubos de queda. A utilização desse material exigirá, porém, os
seguintes cuidados:
- deverá ser perfeitamente desamassado;
- nas emendas não deverá subsistir saliência interna;
- quando embutido ou em rebaixos de banheiro deverá ser protegido contra o ataque dos materiais de constmsão,
mediante revestimento adequado (tinta betuminosa. tinta à base de borrachaclorada,resinas ep6xi etc.). Nos rebaixos
168 Instalações Hidrdulicns Prediais e Industriais

vp: :VP
:
I ... : COBERTURA

TUBO
-
2
:
-1
..
VENTI A W R
P R I M ~ ~ O
...... $
-
TUBO VENTILADOR
........-.......;.-..,........... DE C I R C U I T O

j CV
t . .
t. .. , E ,, t ,.
RAMAL DE DESCIROA

B U J ~ O
1
i ta ,

T U B O VENTILLDOR
vsu SUPLEMENTAR
T U 0 0 DE
.. ..
I At.
. *,aBUJZO 1
a : e V.S.---(
!
: VC

........c
. ....................
T BO N I ADOR
JUPLEWENI~
..
L *I . *c*,
S. LGA L v.T
s 8

Fig. 2 3 2 Ventilação em circuito (vasos auto-sifonados)

de banheiro, algumas especificações exigem pintura asfáltica; envolvimento de tubo com pano de aniagem e uma
segunda demão de tinta asfáltica;
- não é aconselhável colocar-se em locais onde se irá lançar concreto, pelo risco que oferece de ser amassado.
O cano de chumbo usado é do chamado tipo gás, embora seja usado somente para esgoto.
O uso do PVC e do ferro fundido, praticamente, fizeram o chumbo cair em desuso em instalaç0es de esgoto predial.
Os valores dos pesos da Tab. 2.1 variam um pouco conforme o fabricante.

Tabela 2.1 Cano de chumbo tipo g6s (usual)

Diâmetro interno Peso do Pesa do Metms


rolo no
kgf rolo
Esgotos Sanitários 169

V E N T I L A Ç Ã O E M CIRCUITO
IVASOS AUTO-SIPONAOOSI

I .
i COBERTURA
I
TUBO VENTILAWR PRIMÁRIO
7
vP: TUBO VENTILADOR
DE U R C U I T O 7 ,
~p

Fig. 233 Ventilação em circuito (vasos autwsifonados). Vafiante.

2.5.1.4 Cerâmica vidrada (grês cerâmica)


Os tubos e conexões de cerâmica vidrada s6 poderão ser usados em terrenos de boa resistência a compressão, sendo
vedada a sua aplicação nos seguintes casos:
- nas canalizações que se desenvolvem acima do solo;
- nas canalizações sujeitas a choques ou perfurações;
- nos terrenos de aterro ou onde possa ocorrer recalque:
- quando a canalização ficar a menos de 2.00 m de distância de um reservatório d'água subterrâneo;
- nas canalizações cujo recobnmento for inferior a 0.50 m;
- nas canalizações sob consmçóes de mais de um pavimento.
Para resíduos ácidos ou alcalinos de laboratóriosou indústrias, deve ser usada cerâmica ácido-resistenterejuntada com
argamassa ácido-resistente a base de silicatos de sódio ou potássio, ou massa epóxica.

Tabela 2.2 Manilhas de cerâmica vidrada

Dibmeim Comprimento Espessura Espessura Folga entre


nominal útil do tubo da bolsa a ponta e
(pn) a bolsa (cm)
r
10 4 60 1,5 No mlnimo 1,3
15
20
6
8
..
60ou 100 1.8
2.0
igual a
314 da
1.3
1.3
25 10 7,
2.4 espessura 13
30 12 9,
2.5 do tubo 1.3
170 Instala~õesHidráulicas Prediais e Industriais

As conexões padronizadas de cerâmica vidrada (ou vitrificada, como também é chamada) são as curvas de raio longo
e de raio curto; a junção a 45" e o Tê de 90". todas de ponta e bolsa.
As juntas são em geral feitas com argamassa de cimento e areia no traço 1:3. É aceitável fazer-se a junta com piche
misturado com areia. Neste caso. coloca-se primeiramente estopa para em seguida se aplicar0 piche misturado com areia.
A empresa Ancobras -Anticurrosivos do Brasil Ltda. fabrica argamassas e tintas Keranol para rejuntamentos, capa-
zes de resistir a toda sorte de agentes agressivos, aplicáveis em instalações industriais químicas e laboratórios, nas mani-
lhas, caixas, canaletas e pisos. O mesmo ocorre com a SIKA S.A. Produtos Químicos para construção.

2.5.1.5 Cimento-amianto
Os tubos e conexões de cimento-amianto são empregados nas colunas de ventilação, nos tubos ventiladores primários
e no prolongamento do tubo de queda, no trecho situado acima da laje da cobertura do último pavimento.
Podem ser empregados em coletores, havendo certa preferência pelos mesmos em relação às manilhas, em virtude de
algumas vantagens que oferecem, tais como:
- serem mais compridos que as manilhas de grês cerâmica, o que reduz o número de juntas e proporciona maior
facilidade de alinhamento e economia de mão-de-obra na colocação;
- as juntas podem ser feitas com anel de borracha sintética (neoprene), o que aumenta a rapidez da execução do
serviço.

Recomendaçõespam a execuçúo de juntas de tubos e conexões de cimento-amianto


lgCaso. Canalização de esgoto e ventilação.
Acompanhamos as fases da operação observando a Fig. 2.37.
a) Introduz-se a ponta do tubo na bolsa do tubo anterior (Fig. 2.37a), encostando-a bem no fundo.
b) Faz-se uma marcação a lápis no tubo na altura da extremidade da bolsa.
c) Colocam-se na parte inferior da bolsa duas ou três voltas de corda alcatroada, soca-se acorda e, ao mesmo tempo, levan-
ta-se o tubo até que a marcação tenha subido de 5 a 6 mm (Fig. 2.37b).
d) Soca-se bem a corda apertando-a. Enche-se orestante da bolsa com asfalto preparado com areia fina. O asfalto deve ser
de ponto de fusão bastante elevado (Fig. 2.37~).
e) Nas instalações horizontais, recomenda-se ainda cobrir em seguida com chumbo derretido, sem bater, para evitar que o
asfalto possa escorrer.

Tubo
P n t a e ponta ! a

Tubo 1
ponta e bolsa

Tubo Ponta e Ponta I Tubo Ponta e Bolsa

DNIDEIeI L
I
I
Massa
do c o m
I
I

L
I
Massas

Fig. 2.34 Tubos Linha Predial Barbara.


Esgotos Sanitários 171

Dimensões d a s bolsas aas conexões


Somente no
DNA 50

DI DE
--

Anel de Borracha

Adaptador
de Borracha

A D A P T A D O R DE
BORRACHA
A N E L DE BORRACHA
A B HL A HL

( poro l i g a r b a n h e i r a , lovató-
r i o e b i d ê com a tubulação
secundário de esgoto )

Fig. 2.34a Bolsa, adaptador e anel de borracha para tubo de ferro fundido cinzento
172 Instala@es Hidráulicas Prediais e Industriais

Fig. 2.34b Conexóes simples da Linha Predial Barbará


Esgotos Sanitários 173

I Joelho com Visita 8730' Junção Dupla 45'

I Junçáo 45' Tê Sanitário 8P30'

I Té de Inspeçáo Curto 87'30' Bucha de Redução

Fig. 234c Conexbes com derivação dou redução (Linha Predial Barbari)

Fig. 235 Detalhe de ligação de ramal de descarga de lavatório. bidê ou banheira, em PVC. a
conexão da Barbari, usando adaptador de borracha.
174 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

L--- -->-

Cuwi d i 4C Curva d i Raio G r d a

Luri

LDN-l

-.-~-DN-i im--
Jung~ade 45' Inrenida Chipiu Tim E
...

Fig. 2.36 Tubos e conexões de cimento-amianto da Brasilit.

2QCaso. Descidas de águas pluviais.


A junta deve ser executada conforme indicado no caso anterior, podendo-se todavia utilizar, em substituição ao asfalto,
argamassa de cimento e areia 1:3. Neste caso, antes da coloca$ão da argamassa, deve-se umedecer as superfícies a serem
justapostas.

Recomendafões de carótergemlpam a instaloção dos hrbos de cimento-amianto


a) Para permitir adilatação dos tubos, é imprescindível deixar-se um intervalo de 5 a 6 mm entre a ponta do tubo e o fundo
da bolsa do tubo seguinte.
b) Em canalizações de descarga, as bolsas devem ser sempre voltadas para cima. Em caso de instalação horizontal, as
bolsas são orientadas para o ponto mais alto.
Espotos Sanitários 175

MarcaqBo
Marcação
;smm

Corda
Encostado alcatroada

a) b)
C)

Fig. 2.37 Ligação da ponta a uma bolsa de tubo ou conexão de cimento-amianto.

Colocação dos tubos de cimento-amianto


Os fabricantes apresentam indicaçóes para a colocação dos tubos, as quais devem ser seguidas a fim de evitar proble-
mas. Vejamos algumas dessas indicações.
a) Caso de canalizações enterradas
A vala deve ter profundidade de acordo como diâmetro do tubo e as condições de emprego; o fundo da mesma deve ser
devidamente preparado para permitir o bom assentamento do tubo em todo o seu comprimento e guarnecido com areia
ou terra mole.
Caso o tubo deva suportar cargas móveis de veículos, é necessiúio protegê-lo por uma laje de concreto adequada.
b) Caso de canalizações externas
Os tubos devem ser fixados por meio de braçadeiras. Coloca-se uma braçadeira embaixo da bolsa de cada tubo e, em
caso de tubo de comprimento superior a 3 m e diâmetro maior que 150 mm, uma outra no meio do tubo, tomando-se o
cuidado de não apertá-la demais, para permitir a dilatação do tubo.

2.5.1.6 PVC
O PVC, que é o cloreto de polivinila ou polivinil clorado, é um composto vinilico termopl8stic0, rígido ou flexível,
resistente a impactos. abrasão e a inúmeros produtos químicos. Os tubos fabricados com PVC por extmsão oferecem ain-
da as vantagens de possuírem baixo peso e reduzido coeficiente de perda de carga, serem flexíveis, atóxicos, incombustí-
veis e de fácil e rápida instalação. Contudo, existem restrições que o projetista não deve ignorar sob pena de sénos proble-
mas. Essas limitações correspondem:
- ao alto coeficiente de dilatação do PVC, cerca de seis vezes superior ao do aço. Isso obriga a utilizar os tubos com
líquidos em temperatura no máximo até cerca de 60" C.

Fig. 23th Curva de pi de coluna em PVC strie R Tigre, reforçada.


176 Jnsfalaç&s Hidráulicas Prediais e Industriais

- à baixa resistência mecânica. Quando usados em instalação de água potável, podem não oferecer adequada resis-
t&nciaao golpe de a.ríete. Náo devem ficar embutidos em estrutura de concreto. Enterrados, devem receber um
recobrime~tOadequado.
- à incapacidadede suportarem temperaturas elevadas, seja do líquido em escoamento, seja do meio ambiente, o que
especialmente em instalações industriais deve ser levado em conta.
Os tubos de PVC e de polietileno para esgotos são fabricados nos tipos de ponta e bolsa nos diâmetros de 50 (2"). 75
(3") e 100 mm (4").em comprimentos de 1.2 e 3 m, e no tipo de pontas Lisas (sem bolsas) com comprimento de 6 m.
Égrande onúmero de fabricantes de tubos de PVC no Brasil. entre outros, a Cia. Hansen Industrial S.A., fabricante dos
tubos TIGRE: a Tubos Brasilit; a Ameropa Indústrias Plásticos Ltda. e a Plastar S.A.; a Matarazzo S.A. Produtos
~~ ~ ~

Termopl4sticos.
-
As Fies. 2.38b, 2.39 e 2.40 representam os tubos e conexões de W C mais comumente empregados nas instalqões de
esgotos primários. secundários e-ventilação.
A Linha VINILFER de PVC rígido, da marca Tigre, possui dimensões que permitem adaptar tubos e conexões a simila-
res de ferro fundido.

Redução
Junção dupla 45" Esse excêntrica

~ " b oradial
c/inspeçáo,
Tubo radial operculado.
c/inspeção tipo City

Ligação PVC Ligação PVC


a manilha ou sanitário - Ferro
cimento - amianto Tampão Fundido

Fig. 238b Conexões de PVC da Brasilit.


Esgotos Sanitários 177

Esgoto Primário

Diâmetro b e Peso aprox.


rnrn mm kpflm

rBi
#gx$$rr~~
50 2 43 I.3 0,265
75
1W 43 45
48 1,8
1,6 0,705
0,470

D Observ&óss:
Os tubos aiofornecidas embarra8 de 1 , 2 e 3 m de comprimentoútil,nacorbranca.
Outras medidas, sob encomenda.
Tubo de ponta e bolsa c/virola

Conexões -Junta Soldada ou Elástica

Bolsa Luva Cotovelo 90" Cotovelo 90"


com visita

Curva Curva Tê
Junção simples 45" raio curto 90" raio longo 90" sanitário curto

Curva Curva Tê
raio curto 45" raio longo 45d Cruzeta sanitária sanitário longo

Fig. 2.39 Tubos e conexóes de PVC da Brasilit.


178 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Esgoto Secundário

T u b o c / p o n t a e bolsa Outras medidas. aob encomenda

Conexões - Junta soldada


Cuwa Cotovelo
raio curto 90° Cotovelo 90° Curva 45O a d a p t a d o r 90°

'"1

LL-i

Cotovelo 90°
ponta e bolsa T& Luva Junção simples 45O

Flg. 2.40 Tubos e conexões de PVC da Brasilit.

A nova linha série R da Tigre, nos diâmetros de 100 e 150 mm, apresenta tubos e conexões reforçados adequados a
tubos de queda, subcoletores, coletores e colunas de ventilação.

2.5.1.7 Outros materiais


O esgotamento de certos produtos ou resíduos em indústrias e laboratórios pode exigir tubulações e peças fabricadas
com materiais capazes de oferecer a necessária resistência i ação agressiva de tais substâncias. Altm dos materiais já
mencionados, também encontram aplicaçio:
- Tubos Polyatm.
- Vidro, usado em geral em laboratórios e como revestimento interno de tubos, conexões e válvulas, como o
GLASTEEL, da Pfaulder Equipamentos Industriais Ltda.
- Porcelana, constituindo tubos e peqas, ou usada como esmalte e aplicada em vários metais.
- Grês.
- Materiais plásticos.
- Esmaltes à base de silício.
- PVC rígido. revestido externamente com fibra de vidro e resina poliéster
Vejamos algumas informações sobre certos aspectos desses materiais.

Tubos Polyom
São tubos flexíveis, fabricados de resina termoestável poliéster, fibra de vidro e areia silicosa, em diâmetros de 100 a
1.200 mm. Oferecem nótavel resistência à corrosão por ácidos, álcalis, soluções salinas e substâncias orgânicas. Resistem
a temperaturas elevadas. Apresentam pequena mgosidade e são muito leves. Um tubo de 100 mm pesa apenas 3 kgflm. e
um de 150 mm,7,00 kgflm. São do tipo ponta e bolsa e empregam anel de borracha sintética para emenda. São fornecidos
também nos tipos flangeados para instalaçóes não-enterradas e para soldagem. A instalaçáo exige cuidados acerca dos
quais o fabricante insiste no Guiu puru Instaluçüo.
Não se trata, propriamente, de um material alternativo para os casos usuais de esgotos, mas sua aplicação em esgotos
especiais ou de produtos químicos pode ser considerada valiosa. por ser resistente a inúmeros agentes químicos.
Existem conexões tais como curvas. tês, cruzetas, reduções, extremidades e ligações, luva, cap e plug. Os lês, cmzetas
e junções, estando submetidos a pressões superiores a 10 mca, possuem uma camisa metálica envolvente, com tratamento
auticorrosivo adequado, efetuado nas superfícies externa e interna da camisa.

Plásticos
Em razão das muitas aplicações dos plásticos em instalações, seja como material de tubos, conexões e peças. seja como
revestimento e colas de tubos, peças, caixas etc., para resistirem a esgotos agressivos, indicaremos alguns elementos acer-
ca dos mesmos.
Os pl6sticos se dividem em termoplásticos, termoestáveis e elastômeros.
Os materiais temoplásticos são produtos que amolecem quando aquecidos (geralmente sob pequena pressão). Para
serem moldados necessitam ser resfriados nos moldes. Não perdem com isso suas propriedades, podendo ser rearnoler.id,>.s
se forem reaquecidos.
Fazem parte dos termoplásticos (TP) os seguintes produtos:
- Cloreto de polivinil ou policloreto de vinila (PVC). Usado em tubos e conexões conforme já vimos. Resiste bem
a temperaturas até 5 4 T .
- Compostos de polietileno (CA). Usados na fabricação de tubos, peças moldadas, válvulas, sifóes, ralos etc. Resis-
tem bem a temperaturas até 56°C e a ácidos e bases (álcalis). São flexíveis e dispensam o uso de plastificantes em
sua fabricação. São também vendidos em chapas ou em lençol em rolos.
- Náilon. Muito resistente à tração e à flexão. Usado em forma de tecido com outros plásticos, como em mangueiras
de combate a incêndio.
- Polestireno. Material rígido. Resiste a temperaturas até 100°C. Usado em isolamento em placas ou lençol e na fa-
bricação de peças.
- Nitrocelulose (celulóide). Possibilita o fabrico de peças as mais diversas.
- Acetato de celulose. Em placas, lençol - tubos, peças moldadas e conexões.
- Metacrilato de polimetila (plexiglás e lucite).
- Poliacnlicos e acrílicos. Usados em luminárias. painéis. domos.
- Polipropileno (moplen). Usado em lençol, chapas, tubos, conexões, capacetes, fixações etc. Alguns o consideram
como rermoesrável.
- Poliuretano. Material duro e resistente. Usado como revestimento protetor e isolante térmico e acústico e como
núcleo de painéis.
Os chamados plásticos termoestáveis exigem para sua moldagem calor e pressão, o que provoca uma reação química
irreversível entre as suas moléculas. Aquecidos excessivamente, endurecem, ficam quebradiços e acabam queimando. São
duros, resistentes e resistem a temperaturas elevadas. Pertencem a esse grupo:
- Fenol-formaldeídos (resinas fenólicas como a baquelite).
- Poliésteres (usados em luminárias, coberturas translúcidas e tubos e revestimentos).

- Epóxis, usados em pinturas anticorrosivas e como ligante. adesivo, revestimento c selante. Resistem a grande nú-
mero de agentes químicos. Constituem também elemento de plásticos reforçados.
- Melanina, usada em superfícies Iaminadas e como adesivo.
O terceiro gmpo de plásticos, também muito importante, B o dos elastômeros, caracterizados por possuírem grande
elasticidade. Sáo conhecidos como borrachas. Entre estas, destacam-se:
- Polisopreno natural, que é a própria borracha natural.
- Polisopreno sintético, a chamada borracha sintética.
- Estireno-butadieno (BUNA-S e N; SBR - usada em pneumáticos, gaxetas, discos de vedação, correias).
- Isobutileno-isopreno (borracha BUTIL - usada em pneumáticos e revestimentos de reservatórios).
- Policloropreno (neoprene). Sob certos aspectos é superior à borracha natural. Usado nos anéis das juntas elásticas
de tubos de ponta e bolsas, juntas de dilatação, na impermeabilização de caixas. E usado também na fabricação de
reservatórios e tubos.
- Nitrila butadieno (NBR). outro tipo de borracha sintética.
180 instalaqfies Hidráulicas Prediais e Industriais

- Polietileno clorossulfonado (hypalon). Resiste bem aos álcalis e é usado em revestimentos protetores em tanques
de indústrias químicas.
- Hidrocarbonetos fluorados (reflon e viton). Resistem bem a praticamente todos os produtos químicos, com exce-
ção do ácido fluorídrico.
- Polisiloxano (silicone). Borrachas de silicone, resistem a temperaturas baixas -50°C, e elevadas - até 2 W C .
Resistem aos óleos. São empregadas em tintas que devam resistir a temperaturas elevadas.
A Indústria de Tubulações de Resina PoliBster - INTREP Ltda. - e a ITALBRACH - Comércio e Confecção de
Produtos Fiberglass Ltda. - fabricam tubos e conexões desse material reforçados com fibra de vidro (F.R.P. Fiber
Reinforced Plasric). Este material resiste à corrosão e a temperaturas vizinhas de 1OOT.
A Mercantil e Industrial AFLON- Artefatos Plisticos e Metálicos Ltda. -fabrica tubos e conexões de aço revestido
com o produto designado
- por Além disso, faz tubos de PTFE à base de flúor, associado àresina poliéster FRP. São
altamente resistentes a corrosão.
A Companhia Hansen Indushial fabrica tubos e conexões Tigrefibra em PVC associado à fibra de vidro e resina poli-
éster. Para redes de esgotos fabrica o tubo Tigrefibra de RPVC (PVC reforçado) com junta elástica, possuindo uma estru-
tura
. monolítica.
. -
~ ~ .
.comoosta
~ de um~ núcleo
~ de ~ PVC reforcado
~ ~ externamente
~ ~ com ~ fios ~ ~ de vidro e resina ooliéster. à
contínuos
qual é incorporada carga de alumina hiidratada e recebendo externamente um tratamento de vermiculita expandida.
A lutacontra acorrosão de tubulações e equipamentos tem alcançado excelentes resultados com pinturas de tintas epúxicas
e, principalmente com projeção eletrostática sobre o material a proteger, de resinas plásticas em pó. Com esse processo
pode-se conseguir excelente proteção de epóxi, náilon. PVC e polietileno. É o processo empregado pela Pulvitec Indústria
e Comércio Ltda.
Para coletores públicos e prediais de esgoto, a Tigre apresenta a Série Vinilfort. indicada na Fig. 2.126b.

2.5.2 Aparelhos sanitários


Aparelhos sanitários são aparelhos conectados à instalação predial e destinados ao uso da água para fins higiênicos, ou
a receber dejetos e águas servidas. Consideraremos neste capítulo apenas os que se enquadram neste Último caso, isto é, os
vasos sanitanos e os mictórios.
Os aparelhos sanitários deverão ser feitos de material cerâmico-vitrificado, ferro fundido esmaltado (quase em desuso)
e satisfazer as exigências das especificaçóes próprias da ABNT para cada tipo de aparelho.

2.5.2.1 Vasos sanitários


Os vasos sanitários ou bacias sanitárias, constituindo peças inteiriças, deverão ser do tipo washdown, de desconector
externo ou interno, com 5 cm de altura de fecho hídrico, no mínimo, providos ou não de orifícios de ventilação no colo do
desconector. Deverão ser lavados integralmente com uma descarga de 10 a 12 litros.
Os vasos sanitários podem ser de dois tipos:
a) Comuns ou não-aspiranres. Que se caracterizam por obter o arrastamento dos despejos somente pela ação da água
de lavagem. Podem ser de sifão externo e de sifão interno (Figs. 2.41a. 2.41b e 2.42).
b) Auro-aspirantes ou sifonados. Nos quais o arrastamento dos despejos, alem de ser provocado pelas descargas da
água de'lavagem. é. refoqado por uma aspiração'ocasionadapeladis~osiçãodos canais internos ao vaso ( ~ i ~ . 2 . 4 3 ) .
Para uso coletivo, em quartéis, escolas, indústrias, poderão ser usados vasos sanitários chamados do tipo turco, para
uso em pé, e que deverão,"este caso, ser de ferro fundido esmaltado.
Os vasos sifonados são também chamados vasos auto-sifonados ou bacias sifonadas. Podem ser encontrados em dois
tipos: com canal dianteiro e com canal traseiro. A Fig. 2.44 mostra basicamente como funcionam os vasos auto-sifonados
desses tipos.
Vemos em cada um dos vasos representados:

Fig. 2.41a Vaso sanitário comum com sitão externo


Esgotos Sanitários

Fig. 2.41b Vaso sanitário comum com siião interno tipa Rio.

r 440

Fig. 2.42 Vaso sanitário comum, si60 externo tipo S. Catarina. também chamado bacia de arraste.

Fig. 2.43 Vaso sanitário auto-sifonado.

a) pane ascendente do sifáo;


b) parte descendente;
C) parte horizontal.
Ao acionar-se a descarga, a água 6 injetada neste canal de maneira aexpulsar totalmente o ar que ali se encontra quando
o vaso não está sendo utilizado. Como o volume da água contida nas partes descendentes e horizontal é maior do que
aquele da parte ascendente, ao escoar-se. exerce uma ação sifônica, ou seja, produz uma rarefação que possibilita a entrada
da água contida no p g o do vaso, pela ação da pressão atmosférica. Isto, somado ao impulso da água injetada no poço.
produz um fone fluxo, que permite uma remoção rápida e vigorosa do conteúdo da bacia. Estes vasos têm um fecho hídri-
co mais profundo do que o das bacias de arrasto, dispensando a ventilação (externa), e por isso se dizem auto-sifouados.
182 Instaiacões Hidráulicas Prediais e Industriais

Nos vasos sanitários sifonados de arraste, a água é injetada ao interior do vaso na área "a" provocando um impulso que
arrasta o conteúdo através do canal interno e por sobre a barreira em "b" (Fig. 2.44).
Estes vasos são de construção simples, com passagens internas mais amplas, reduzindo apossibilidade de bloqueio, no
caso de uso inadequado.
A Fig. 2.46 representa a instalação de um vaso auto-sifonado indicando o material empregado na instalação de esgoto
do mesmo.
Material para assentamento de um vaso sanitário
Lençol de chumbo de 1116 de espessura 30 X 30 cm
Massa de vidraceiro com zarcão 200 g
Solda de chumbo e estanho 1:3 100 g
Estearina 50 g
Corda alcatrizada 200 g
ou
1 anel de borracha (neoprene) para ligar ao joelho de 100 mm
1 anel de borracha para Ligar o tubo de água ao vaso
Parahsos de latão, cabeça chata de 2 112" X 12 cm 4 Peças
Buchas de madeira embebida em cola betuminosa 4 peças

2.5.2.2 Mictórios
Os mictórios podem ser de duas categorias:
- Para uso individual. Neste caso existe o tipo de parede, que pode ser de louça (Fig. 1.67), ferro esmaltado ou aço
inoxidável, e o tipo de pedestal de louça. E claro que se pode constituir uma bateria de mictórios individuais como
é usual nas casas de espetáculos, aeroportos, estações de passageiros, colégios, fábricas, restaurantes etc.
- Para uso coletivo. São calhas feitas de aço inoxidável ou canaletas de alvenaria revestidas com material resistente
à urina, como a cerâmica de grês vitrificada ou azulejos. A argamassa de rejuntamento, que é o ponto fraco, está
sendo substituída por massas epóxicas apropriadas. Esse tipo de mictório é instalado em fábricas, restaurantes de
categoria discutível e em outras instalações modestas.

Voso a u t o - s i t o n a d o , canal dianteiro ( l d e a l - s t o n d a r d )

CAIXA DE DESCARGA
SILENCIOSA. ACOPLADA

Fig. 2.44 Vaso autosifonado, canal posterior (tipo de luxo) (Ideal-Standard)

Fig. 2.45 Vaso sifonado de arraste (Ideal-Standard).


Esgotos Sanitários 183

Fig. 2.46 Instala$ão típica de vaso autosifonado.

u,n,q ."O U S O OL "*IC*PA 06 0 " L


IOISTINCIAU,NU* ( 1 0

Fig. 247 Vasos sanitários com válvulas de descarga externa Silent Flux. e de embutir VDE da Fabrimar Indústria e Comércio.
184 Instalacóes Hidráulicas Prediais e Industriais

Os mictórios deverão necessariamente ser protegidos pelo fecho hídrico, proporcionado pela maneira como 6 disposto
o canal de saída do esgoto, ou então devem receber um siião desconector.
O esgoto do mictório é conduzido a um ralo sifonado ou caixa sifonada de chumbo, ferro fundido ou grês cerâmica
vitrifícada. O ramal de esgoto desse ralo sifonado deve ser ventilado e a tampa, cega.
Existem mictórios fabricados com dispositivo de auto-aspiração ou sifonados.
A alimentação de água nos mictórios individuais 6 proporcionada por caixa de descarga provocada ou acionada auto-
maticamente, colocada a 2.20 mdopiso ou por válvulade descarga. Quando usados em gnipos, para uso coletivo, deverão
ser lavados por aparelhos de descarga automáticos. Esta obrigatoriedade tem sido interpretada para o caso apenas dos
mictórios coletivos.

2.5.3 Aparelhos de descarga


Os aparelhos de descarga para os vasos sanitários podem ser dos seguintes tipos:
a) caixas de descarga suspensas;
b) caixas embutidas na parede;
C) caixas silencio>.isacopladas no vaso sanitário;
d) válvulas de descarga de fluxo ou pressão, também chamadas válvulas fluxíveis push-valves).

2.5.3.1 Caixa de descarga


Poderá ser de ferro fundido, pintada ou esmaltada, porcelana vitrificada, ou cimento-amianto plástico reforçado, e de-
verá ter dispositivo sifônico, para intensificaçio da descarga, ou ligação direta pelo fundo ao tubo que leva a água ao vaso
sanitário (Fig. 2.48).
Deverá ter uma capacidade de 10 a 12 litros no mínimo, e ser colocada a 2.20 m do piso. Existem caixas de descarga de
formato achatado, de amianto-cimento, que se adaptam h parede, com o fundo a uma altura acima do piso igual a 1,25 ou
até 1.65 m.
O princípio de funcionamento é semelhante ao da Fig. 2.48. Apenas na saída A é colocado um tubo de PVC de 1/2"que
mergulha na água, reduzindo o mido daágua ao encher a caixa. E o caso das caixas Precisaexterna. da S.A. Tubos Brasilit.

2.5.3.2 Caixa embutida


É uma caixa de espessura tal que possa ser colocada no interior da alvenaria (I 10 mm). É fabricadaem amianto-cimen-
to e o sistema de alimentação, também embutido, é semelhante ao que acabamos de nos referir. A descarga é acionada por
meio de um botão, que, apertado, desloca uma alavanca, a qual eleva um obturador que veda a saída de 6gua ao vaso,
permitindo que essa se escoe.
A caixa écolocada com sua parte inferior apelo menos 0.75 m do piso. A tubula$ão da descarga deve ser de 40 mm (1
112")e costuma ser de PVC.
A Fig. 2.49 mostra a caixa Precisa de embutir da Brasilit, acionada por um botão, e aFig. 2.50, o dispositivo de admis-
são e o fechamento da entrada de água na caixa. A capacidade da caixa 6 de 14 litros.

TUBO DE 1 0 ou P V C
3Omm M~NIMO

Fig. 2.48 Caixa de descarga.


Esgotos Sanitários 185

Mín.:lO mm Tampa de Inspetão


~ á x . :25 mm
Torneira de b6ia

------- ~ o t l ode comando Bois

Tubo oilencledor
Espelho
Tubo ladráo e haste
Tampe de inspeçla do obturadai

Obturador
Gatilho
Sede do obturador 1%'

Ladrão e hasta do Unho


obturador em uma 86 peça

Vedador em borracha
indefomkvel cujo formato
permite total vedatão
peso da caixa: 8 kgf
Capacidade. 13.5 L
Gula rlplda que mant6m Dimensões do espelho:
o obturador sempre na
250 x 148 mm
p ~ ~ i exata
~ a o

Fig. 2.49 Caixa Precisa de embutir.

, Porca sextnvada

Borracha de vadação

Tubo allenclador

'31/i,

I
40mm111/2"l

Fig. 2.50 Dispositivo de admissão e fechamento da caixa Precisa. Fig. 2.51 Caixa de descarga silenciosa.

2.5.3.3 Caixa silenciosa


É uma caixa externa à parede. adaptada ao vaso sanitário no mínimo ?I altura do bordo superior do vaso, ou à parede,
cerca de 50 crn acima do piso (Fig. 2.52). Seu emprego obriga a um afastamento maior do vaso em relação à parede. A
capacidade mínima 6 de 15 litros. Pode ser de porcelana vitridcada ou de cimento-amianto.
Para reduzir o mído da água ao entrar na caixa, o tubo G de alimentaçáo da caixa mergulha na água.
O desempenho e os ensaios de protótipos de caixas de descarga são regidos pelo P-NB-5 1011975e P-MB- 1050 a 1053/
1975.

2.5.3.4 Válvula de descarga


É uma válvula de acionamento por botão, placa ou alavanca, de fechamento automático, instalada no sub-ramal de ali-
mentaçxo de bacias sanitárias ou de mictórios, destinada a permitir a utilização da água para limpeza dessas peças. (Ver
detalhes nas P-MB-1129/1975; P-MB-57311975 e P-MB-1134 e 113911975 da ABNT.)
A válvula de descarga ou de fluxo Vush-volve)deverá ser de bronze ou de metal não-ferroso, com acabamento nique-
lado ou cromado, de alavanca ou de botão, e a instalação de modo que seja alimentada por uma coluna d'água que garanta
a pressão indispens8vel ao seu bom funcionamento (Fig. 2.53).
186 Instalafót?~Hidráulicas Prediais e Industriais

Fig. 2.52 Vaso sanitário com caixa silenciosa CP-17Vogue, da DECA.

Corpo da V(ilvula
Fundida em bronze.

Inietor AutomltlcO .
D i ~ p o s k i v oAcústico e
Antigolpe
Assegura um funcionamento muita
mais sden~~oso e evita o
desagradável e pie)udioal Vedagão por AnMa O'Rlng
golpe de aríete

Registro Integrado
Permite o fechamento da par BotUo de Aeionamento
de água sendo acionado por
simples chave de fenda w ob)
semelhante O registro integrado
funciona tambhm como regulador
de vaza0 Mecanismo de Acionamanto

Sede de VedaçUo Substituluel


Pode ser tiocada em caso de
necessidade, sem que seia preciso
retirar a uhlvula da parede.

Fig. 2.53 Válvula Hydra Master, da Deca.


I 112" para pressóes de 2 a 10 mca.
1 114" para pressóes de 6 a 40 mca e até 60 rnca

Funcionamento de uma válvuia dejiuxo (flush-valve) ( A título de exemplo, considere a válvula representada na
Fig. 2.54a)
A água penetra pelo encanamento (1) e sai pelo (2). De (1) passa pelo orifício (3) e pela passagem (4) até a câmara (5)
e cornpnme para baixo a válvula (6) que fecha a passagem entre ( I ) e (2). Ao apertar o botão (7), abre-se a válvula (8).
passando a água da câmara (5) ao tubo (2) através dele (9). Com isso, diminui a pressão que a água de (5) exercia sobre a
válvula (6), e esta se eleva em virtude da pressão da água de (I) e abre a comunicação entre (1) e (2), produzindo-se a
descarga. Enquanto se dá a descarga, a água vai entrando novamente na câmara (5) e comprime a válvula que desce e
fecha de novo a saída, interrompendo a descarga.
Alguns fabricantes apresentam os seguintes valores para a pressão estática (em metros de coluna d'água) na válvula em
função da dimensão do diâmetro de entrada da válvula.

Pressáo estática Diâmetro nominal


Desnível menos as perdas da válvula
de carga (mca) (de entrada da água)

1.80 a 8.00 1 112


8,00a 25,OC) 1 114
25,00 a 50,W 1"
Esgotos Sanitários 187

PARAFUSO0EREQ)LAGEM PARANSO DE REGULAGEM

~ M ~ DE
R ACOMPRESS~O

V ~ L V U L ADE ~ H A I I E N T D ~ B DEEHTRAOI
O
T U 8 0 DE DESCARGA

Fig. 2.540 Cone esquemAtico de válvula de descarga de botão.

A Mar Comércio e Indústria S.A. indica como pressão mínima para funcionamento da vavyla Super-Mar com descar-
ga de 2 1 . s-' a pressão estática de 1,60 mca.
A Docol Indústria e Comércio Ltda. fabrica um modelo únicode vhlvularegulhvel para pressões desde 1,50 até40 mca.
Apresenta a vantagem de provocar pequena sobrepressão de 2 até o máximo de 8 mca sobre o valor da pressão estática,
sob a qual funciona, isto é, toma desprezível o golpe de aríete.
Indicações semelhantes são aplichveis as v6lvulas Silent-Flux da Fabrimar S.A., que fabrica válvulas com alavanca em
1 114" para toda a faixa de pressões previstas pela Norma, e de botão, embutida.

Fig. 2.54b Golpe de aríete com o fechamentode válvulas fluxlveis


188 Instalaçóes Hidráulicas Prediais e Industriais

Caixas de descarga
Além das indicações apresentadas no item 2.5.3.1. as caixas de descarga devem:
a) Suportar uma pressão de serviço contínuo no sub-ramal de alimentação de. no mínimo, 4,O kgflcm2,e ter funciona-
mento adequado dos controles.
b) Ter volume útil de descarga, compatível com n tipo de bacia sanitária escolhida.
c) Ter capacidade de vazão e desempenho tais que provoquem uma descarga eficiente na bacia sanitária no que diz
respeito à remoção dos detritos e reposição do fecho hídnco.
As caixas de descarga, com torneirade bóia, que possuam tubo de alimentação dotado de dispositivo silenciador, devem
ser protegidas por dispositivos quebradores de vácuo ou ter uma abertura atmosf6nca situada no mínimo a 10 mm acima
do nível operacional. Caso contrário, devem ser adotadas as medidas indicadas para as válvulas de descarga que não evi-
tam a retrossifonagem (Fig. 1.54).

Válvulas de descarga
A NBR-5626182 eliminou uma série de restrições que a P-NB-9211975 fazia quanto ao emprego das válvulas de des-
carga e que vinham criando dificuldades na elaboração e aprovação dos projetos. Segundo o texto da norma aprovada,
compete ao projetista escolher o equipamento mais adequado para a alimentação das bacias sanitárias e mictórios, tendo
em vista as indicações a seguir e aquilo que a respeito de retrossifonagem foi visto no Cap. 1.
As válvulas de descarga podem ser de ferro maleável, bronze, latão, ferro fundido, pl6stico ou de outras materiais, desde
que satisfaçam as seguintes condições:
a) As pressões de serviço (estática e dinâmica) para cada diâmetro nominal obedeçam às tabelas apresentadas no Cap.
1.
b) Tenham volume útil de descarga, compatível com o tipo de bacia sanitária escolhida.
C) Tenham capacidade de vazão e desempenho tais que provoquem uma descarga eficiente na bacia sanitária no que
diz respeito h r e m g ã o dos detritos e reposição de fecho hídrico.
d) Tenham funcionamento hidráulico adequado de tal forma que, mesmo quando desreguladas, nas manobras de aber-
tura, não provoquem queda de pressão (subpressáo) tal que a pressão instantânea no ponto critico da instalação
fique inferior a 0,5 mca (5 k Pa), e nas manobras de fechamento não provoquem sobrepressão, em qualquer ponto
da instalação que supere em mais de 20 mca (200 k Pa) a pressão estática neste mesmo ponto.
e) Tenham especificação para recebimento e método de ensaio.

Fig. 2.54cCâmara de ar com válvulas,para absorver o golpe de aríete devido &operaçãode válvulas de descarga de fechamento rápido.

2.6.1 Disposigões preliminares de caráter geral


As instalações prediais de esgotos sanitários devem ser projetadas e construídas de modo a:
- permitir rápido escoamento dos despejos e fáceis desobstmções;
- vedar a passagem de gases e animais das canalizaç&s para o interior dos prédios;
- não permitir vazamentos, escapamento de gases ou formação de depósitos no interior das canalizações:
- impedir a contaminação da água potável.
Havsndo rede de eqgotos da municipalidade no local onde exista um prédio, ou onde será consiruído um. o coletor
predial do mesmo deverá ser ligado ao coletor da referida rede.

2.6.2 Esgotos primários e esgotos secundários


Sistema dual
A instalação predial de esgotos sanitários segundo o sisrema dualt dividida em duas seqões, perfeitamente caracteriza-
das. que são:
a) lrzsralafáo de esgota primúrio. É a seção conectada ao coletor público, compreendendo as canalizações, dispositi-
vos e aparelhos sanitários que contêm gases provenientes desse coletor (ou de uma fossa), tais como: coletor predi-
al, subcoletores, ramais de esgotos, ramais de descarga, tubos de queda, tubos ventiladores primários. coluna de
ventilação e tubos ventiladores, caixas de inspeção, caixas retentoras, caixas sifonadas, sifaes, vasos sanitários e
demais desconectores.
h) lrzstulação de esgoto secundário. É a seqão desconectada do coletor público (ou de uma fossa), compreendendo as
canalizações, dispositivos e aparelhos sanitários que não contêm gases provenientes desse coletor. As descargas
desta seção vão ter às caixas retentoras, caixas sifonadas, ralos sifonados, sifóes e demais desconectores.

Sistema uno
A instalação é constituída apenas de canalizações primárias de esgoto. Todos os aparelhos sanitários têm em sua saída
desconectores devidamente ventilados. É usado nos EUA. No Brasil não é empregado.
Todo prédio esgotado possui um conjunto de canalizaçòcs e aparelhos sanitários formando unia instalação essencial.
cujos elementos constitutivos são os seguintes: coletor predial, caixa de inspeção, subcoletor, ramal de descarga, tubo de
queda (quando o prédio tiver mais de um pavimento), tubo ventilador primário, vaso(s) sanitáno(s), aparelho(s) de descar-
ga, ralo(s) sifonado(s) e caixa de gordura (se houver despejos gordurosos).

Condiçóes de esgotamento dos prédios


A instalação predial de esgoto de cada prédio deve ser inteiramente independente da de qualquer outro prédio, ficando
cada um com a sua canalização primária de esgotos, derivada do coletor existente na via pública ou particular para o qual
der sua testada, excetuando o caso a seguir.
Quando um edifício ficar nos fundos de outro, em lote interior, legalmente desmembrado, o coletor predial do prédio da
frente pode ser prolongado para esgotar o dos fundos, desde que não haja contra-indicação técnica, e que o proprietário do
lote interior requeira essa ligação ao órgão público competente, e ohtenha autorizaçáo do proprietário do prédio da frente
para esse fim, concedida mediante a prévia assinatura de um termo eiperial, no referido órgão público, no qual constará
que esta autorização é dada também pelos herdeiros e sucessores do proprietário acordante.
Em geral cada prédio é esgotado por um só coletor predial de esgotos, mas, em casos especiais como os de grandes
edifícios, conjuntos industriais, hospitalares e hoteleiros. ou de prédios construidos nas esquinas. poderá haver mais de um
coletor predial.
Se a disposição das instalações de um prédio, mesmo residencial e de um só pavimento, obrigar ao excessivo desenvol-
vimento de um único coletor predial de esgoto, prejudicando as boas condições de funcionamento, inspeção e segurança
do mesmo, deve ser consuuído outro coletor predial, se disto resultar a melhoria das mesmas condições.
Todo prtdio em que a instalação sanitária, ou qualquer dispositivo de esgoto, estiver situada abaixo do nível do rrspçc-
tivo logradouro público terá seus dejetos elevados mecanicamente por meio de hombas centrífugas ou ejetores a ar com-
primido, a fim de serem descarregados no coletor do retendo logradouro, sempre que seja impossível esgotá-la por gravi-
dade por meio de uma canalizqáo constmída através de terrenos vizinhos, para um coletor público de perfil mais baixo.
Se o prédio tiver apenas parte de sua instalação abaixo do nível do logradouro, somente esta deverá ser elevada me-
canicamente, desde que a outra parte possa ser esgotada por gravidade.
Se a extensão do coletor for muito grande, não havendo possibilidade de se obter a declividade necessária para o lança-
mento no coletor público, deve ser constniída uma elevatória capaz de elevar o esgoto a uma caixa de inspecào, de onde
possa escoar por gravidade ao coletor público.
O coletor a ser construido em terrenos particulares deverá ser instalado, de preferência, em áreas não-edificadas, a fim
de que sua integridade e as melnores condições para sua limpeza e conscrvaçáo fiquem completamente asseguradas.

2.6.3 Sistema de coleta dos despejos


A instalação predial de esgotos sanitários, como parte integrante do sistema separador absoluto, não receberá, em hipó-
tese alguma, águas pluviais, provenham elas de telhados, terraços, áreas ou pátios calçados, nem substâncias estranhas em
suas canalizações.
Para coletar os despejos de lavatórios, bidês e banheiras, chuveiros e tanques de lavagem, colocados em andar ttrreo,
assim como as águas servidas provenientes de lavagem de pisos cobertos ou lixeiras deste pavimento. serão instalados, em
190 Instulaç&s Hidráulicas Prediais e Industriais

I I 7 C A N I L E T A C/ GRELHA

PAVT~. TÉRREO
í alternativo com calxa rifonade )
( b )

Fig. 2.55 Ligações de ralos a caixas sifonadas e a caixas de inspeção no pavimento l6rren

posiçóes adequadas, ralos sifonados com grelha, ligados, sempre que possível, diretamente a uma caixa de inspeção, ou,
então, em junção com uma canalização primána.
Os ralos sifonados com grelha s6 poderão ser usados para receber as águas de lavagem dos pisos de banheiros, copas e
cozinhas, bem como o efluente de banheiros. chuveiros, bebedouros. bidês, lavatórios, tanques de Lavagem e depósitos de
lixo residenciais (Fig. 2.55).
Para coletar as águas de chuveiros e de lavagem de pisos, também poderão ser usados os ralos simples, os quais deverão
ser ligados diretamente aos ralos sifonados ou aos sifões, ou caixas sifonadas.
Os ralos sifonados ou caixas sifonadas devem ser instalados em locais que permitam fácil inspeção.
Não será permitido canalizar aparelhos sanitários de um pavimento para ralos de ou. pavimento. Sempre que possível
os despejos de andares superpostos deverão ser conduzidos para ralos sifonados ou sifões colocados nos respectivos anda-
~ s g o t o sSanitários 191

res, ou, então, ser descarregados em tubo de queda independente que, por sua vez, será ligado h caixa sifonada, instalada
no andar térreo.
Nos pavimentos superpostos, acima do andar térreo, ou andares dos edifícios, os ralos sifonados poderão ser de ferro
fundido, cobre, latão PVC ou chumbo, e diretamente ligados a tubos de queda ou a ramais de descarga, em junções apro-
priadas.

Emprego do sifsio
O ralo sifonado com grelha poderá ser substituído por sifão (Fig. 2.1) quando a instalação deste dispositivo preencher
as seguintes condiçóes:
a) permitir sua fácil e imediata limpeza ou desobstmção, sem auxílio de andaimes ou ouiros meios especiais;
b) permitir o acesso ao bujão de limpeza pela própria economia em que ele esteja instalado.
No andar térreo, o efluente dos mictórios deverá ser coletado em um sitão de barro vidrado; nos andares superpostos
deverá ser usado ralo sifonado, com tampa hermética ou, então, sifão de chumbo, desde que a instalação deste último pre-
encha as condições já mencionadas.
Será obrigatório o emprego de ralo com grelha no piso dos banheiros para receber a água de lavagem além do ralo do
boxe de chuveiros. O mencionado ralo de água do piso será sifonado e receberá o efluente do outro.
Nenhuma canalização de esgoto poderá passar pelo interior de reservatórios de água potável. ou sequer passar sobre a
laje da cobertura dos mesmos.
Não é permitida a ligação de extravasores de reservatórios de água diretamente aos esgotos sanitários. mesmo que se
interponha qualquer desconector na ligação.
Os aparelhos sanitários de uma economia não poderão ser descarregados em ralos sifonados ou sifões instalados em
outra economia.

2.6.4 Esgotos de gordura


Os despejos domésticos que contiverem resíduos gordurosos, provenientes das pias de copas e cozinhas, serão condu-
zidos para caixas de gordura, instaladas nas áreas descobertas d o andar térreo, internas ou externas, nas garagens dos edi-
fícios ou, excepcionalmente, nas passagens ou recuo do prédio.
Nos casos de andares superpostos, as pias de cozinhas deverão descarregar em tubo de quedade ferro fundido revestido
internamente de tinta de base epóxica, o qual conduzirá os despejos para caixas de gordura.
Não 6 permitida, em hipótese alguma, a instalação de caixas de gordura, para coleta de despejos de andares superpostos.
dentro dos recintos de lojas. Nos edifícios em que estas ocupem toda a área construída no andar térreo, sem possibilidade
de instalação das caixas de gordura nos locais especificados, poderá ser colocada a caixa de gordura individual para cada
pia de copa ou cozinha, nos respectivos andares, consultada a repartição competente.
A instalação de caixas de gordura nas próprias cozinhas dos apartamentos é, entretanto, desaconselhável (e em alguns
. . -
municíoios nroibida)...> oelos oroblemas de falta de hieiene aue
a . .
normalmente Drovoca. De oualouer modo. somente deverá
ser usada quando não houver possibilidade de adotara primeira solução. A NBR-8160183, aliás, não pennite essa solução.
No sistema dual, as pias de copa e de cozinha deverão ser dotadas de desconectores e a caixa de gordura individual sob
a pia é ligada a um tubo de queda (Fig. 2.56). Como já mencionado, a Norma Brasileira não permite seu uso, embora em
alguns países seja permitido.
Onde seja permitida a solução duol, as caixas de gordura individuais deverão preferivelmente ser ligadas a um tubo de
queda especialmente instalado para coletar todas as caixas de uma mesma pmmada de andares superpostos, ou ligados a
um tubo de queda próximo, que receba os despejos de aparelhos sanitários, como foi dito antes.
O ramal de descarga da caixa de gordura individual, a que se refere o parágrafo precedente, bem como o da caixa de
gordura simples, deverá ter o diâmetro de 75 mm, e o da caixa de gordura dupla, o diâmetro de 100 mm.
Para coletar despejos gordurosos e provenientes de uma ou duas cozinhas deverá. no mínimo, ser usada a caixa de gordura
simples; acima de duas e até o limite de 12, deverá ser usudu, no mínimo, a caixa de gordura dupla (Art. 4.8.4da NBR-
8160).

PIA
I T O ou TS ( d e golduro)
FF 100

Oorduro

COZINHA

Fig. 2.56 Caixa de gordura sob uma pia de cozinha (solução desaconselhada e até mesmo proibida)
192 Inçtalaç0rs Hidráulicas Prediais e Industriais

Para coletar despejos gordurosos de mais de 12 cozinhas, ou ainda para cozinhas de restaurantes, escolas, hospitais,
quartéis etc., deverão ser usadas caixas de gordura especiais, cujo volume será fixado pela fórmula:

V = 20 litros + (NX 2 litros)


sendo N o número de pessoas servidas pelas cozinhas que conhibuem para a caixa de gordura (Fig. 2.9~).
As caixas de gordura coletivas devem poder reter a água que entra durante cerca de 3 minutos.
A NBR-8160 no An. 4.8.5 permite que para apenas u m pia de cozinha seja usada a caixa de gordura pequena ou
individual.

2.6.5 Despejos não permitidos


Não deverão ser esgotadas para a rede de esgotos sanitanos as águas provenientes de piscinas. sempre que as mesmas
tenham outro meio de escoamento permitido.
Não se admitirão também na rede de esgotos da municipalidade despejos industriais que contenham:
a) gases tóxicos ou substâncias capazes de produzi-los;
b) substâncias inflamáveis ou que produzam gases inflamáveis;
C) resíduos e corpos capazes de produzir obstruções (trapos, lã, estopa etc.);
d) substâncias que, por seus produtos de decomposição, ou combinação, possam produzir obstruções ou incrusiaç6es
nas canalizações;
e) resíduos provenientes da depuração de despejos industriais;
í) substâncias que por sua natureza interfiram nos processos de depuração da estação de mtamento de esgotos.

2.6.6 Coletores prediais, subcoletores, ramais de esgotos, ramais de


descarga e tubos de queda
Indicações de caráter geral
O coletor predial e o subcoletor serão construídos sempre que possível na parte não-edificada do terreno. Quando for
inevitável a sua conslrução em áreaedificada, as caixas de inspeção deverão ser localizadas de preferência em áreas livres.
O traçado das canalizações deverá ser, de preferência, retilíneo. tanto em planta como em perfil. sendo obrigatória nas
deflexões impostas pela configuraçãodo temeno ou do prédio a colocação de caixas de inspeção (CI)para limpeza e desobs-
tmção dos trechos adjacentes (Fig. 2.57).
Entre os dois pontos de inspeção, entretanto, será per.nitida curva de raio grande, com ângulo central não superior a
90", desde que não seja possível a colocação de uma caixa de inspeção (Fig. 2.58).
Nas mudanças de direção horizontal para vertical só será permitido o emprego de curvas de raio grande.
A inserção de um ramal de descarga ou de esgoto no coletor predial, subcoletor, ou outro ramal de esgoto, dever6 ser
feita de preferência mediante caixa de inspeção, ou então com junção simples de ângulo não superior a 45", devendo neste
último caso ser o mesmo ramal provido de peça de inspeção ((Figs. 2.59 e 2.60).
As canalizações externas de esgotos sanitários são, em regra, construídas de manilhas de cergmica vidrada, de ferro
fundido coltarizado, cimento-amianto, ou PVC, não podendo, em hipótese alguma, ficar solidárias com a estrutura de
concreto armado do prédio.
Existem mastiques e outros materiais com propriedadeselásticas, como o Sikafiex-1A, que podem ser utilizados envol-
vendo o tubo na passagem pela parede externa de concreto do subsolo.
Nas passagens em lajes ou outras peças estruturais, deve ser deixada abertura durante a concretagem, para posterior

PLANTA BAIXA

"
Fig. 2.57 Tubos de queda ligados a caixas de inspqão no pavimento ikrreo.
Esgotos Sanitdrios 193

curvo r. raio iongo ( nOo for poisi.*l


coiocoruna C.I. ou uno curvo de 4.')
c . I . n Q d i vasos 4 s ...
0

PLANTA BAIXA
0 : ...
-
Fig. 2.58 Subcoletor ligado a caixas de inspeção

PLANTA B A I X A
C 1. nq d. "osol

u
0
Ramal de i s q o t o

Fig. 2.59 Inserção de ramal de esgoto e subcoletor num coletor predial.

instalação do tubo. Se de todo for impossível deixar de colocar o tubo antes da concretagem (caso ran'ssimo), o tubo deve-
rá ser tipo água,classe K9. e nunca do tipo esgoto. O mesmo com respeito a conexões.
Quando a canalização estiver enterrada a profundidade insuficiente para absorver choques e vibrações provocadas por
veículos, serão empregados os tubos de ferro fundido, com revestimento adequado, sendo. entretanto, permitido o uso de
manilhas de cerâmica vidrada, desde que sejam envolvidas em camadas de concreto, suficientemente espessas, para ga-
rantir sua eficaz proteção.

Fig. 260 Ligação de tubos de queda a subcoletor no teto de um subsolo.


194 Instalações Hidrdulicas Prediais e Industriais

Se num subsolo a tubulação atravessar vigas, convém revestir o trecho do tubo que fica no concreto com uma camada
externa de Sikaflex-IA. para evitar que esforços da esuumra se transmitam A tubulação.
Quando acanalização em ferm fundido de esgotos passar por baixo ou através dos alicerces, estes deverão ser dotados
de arcos ou vigas com abemuas tais que não se exerça nenhum esforço direto ou indireto sobre a canalização.
Em laboratórios ou instalaçks industriais, as canalizaçóes que conduzirem despejos ácidos ou outros deverão ser de
cerâmica vidrada, ou de material inatacável pelos ácidos, conhecido como material ácido-resistente, como é o caso dos
tubos de material plástico já mencionados. O rejuntamento é feito com argamassa constituída por silicatos, no caso de
manilhas, ou massa epóxica. Os despejos ácidos de pavimentos superpostos conforme seu grau de concentração deverão
ser neutralizados e/ou diluídos, antes de serem lançados em canalização metálica e nos coletores prediais.
Tratando-se de despejos industriais de características especiais, não bastam as caixas neutralizadoras e diluidoras. É
necessário estudar-se um tratamento específico para cada caso.
O coletorpredial terá início no fundo de uma caixa de inspeção, situada no ponto mais conveniente para reunir os
subcoletores que provêm dos locais mais afastados da testada do terreno, e dirigir-se-á para o coletor da ma, ao qual se
Ligaráem inserção superior, por intermédio de peça radial e junção ou selimem Y, envolvido, este último, em embasamen-
to de concreto.
Quando o coletor da rua estiver muito abaixo da chegada do coletor predial, poderá ser instalada a peça radial sobre
uma chaminé de manilhas de cerâmica vidrada montadas sobre a junção Tê, ou como indica a Fig. 2.23.
Não será permitida no coletor predial ou subcoletor a inserção tanto de sifões nas caixas de inspeção de cota inferior i3
do perfil do coletor predial ou subcoletor quanto de bolsas de canalização dentro das caixas de inspeção.
O coletor predial e o subcoletor terão o diâmetro mínimo de 100 mm, oqual seráaumentado se a declividade disponível
ou o volume de despejos a esgotar assim o exigirem.
As declividades mínimas adotadas para coletores prediais, subcoletores, ramais de esgotos e ramais de descarga são as
seguintes, segundo a NB-19/80 (Tab. 2.3), alteradas pela NBR-8 160, conforme a Tab. 2.7.

Tabela 2.3 Declividades para canalizagão


Canalizaç6es Declividade mínima
diâmetro (mm) d m O*/

A declividade de coletores e subcoletores entre duas C1 ou PV deve se manter uniforme.


Autores como Mariano R. Avia1 (Fontaneria e saneamiento) e Angelo Gallizio (Instalaciones sanitarias) admitem
declividade de 1% para subcoletores e ramais de descarga e de esgotos que não conduzam esgotos de vasos sanitários;
portanto, para diâmetros de 50 e 75 mm.
Quando, em condições excepcionais, a declividade adotada for insuficiente para assegurar, com os despejos normais, a
necessária limpeza do coletor predial ou subcoletor em toda a sua extensão, será estabelecido na cabeceira do mesmo um
tanquefluxivel, cuja capacidade e regime de funcionamento serão fixados pela municipalidade (quando esta permitir seu
emprego).
Nas mudanças de direção das canalizações, no sentido horizontal ou vertical, em que não for possível intercalar caixas
de inspeção. poderão ser usadas curvas de ângulo central miximo igual a 90°, de raio grande, ou junções em Y ou TY de
45". desde que se usem peças de inspeção, limpeza e desobstrução dos trechos adjacentes (Fig. 2.60).
Ligações em tubos de queda deverão ser feitas com junções de 45" ou então em Tê sanitário ou TY (Fig. 2.61).

Fig. 2.61 Modalidades de ligação ao T.Q. de ramal de esgoto


Esgotos Sanitários 195

A Fig. 2.62 mostra a ligação de um sub-ramal de vaso sanitário a um tubo de queda.


Os tubos operculados (tubos radiais com inspeção) deverão ser instalados junto às curvas de queda (curvas de 90" de
raio grande), na base dos tubos de queda, todas as vezes que elas forem inatingíveis pelas varas ou elementos de limpeza
introduzidos pelas caixas de inspeção ou por outras peças de inspeção existentes na instalação (Fig. 2.63).

+r TS 87

TOCO DE TUBO

Linho HL - ~orborÓ
Fig. 2.62 Ligação de um sub-ramal de vaso sanitário a um tubo de queda, com o emprego do material da Linha Predial Barbari.

Fig. 2.63 Tubo operculado (T.O.) na base de tubo de queda.

As ligações em trechos horizontais deverão ser feitas com junções de 45" e não com Tê ou duplo Tê, paraevitar a ocor-
rênciade entupimentos (Fig. 2.64). As curvas podem ser constituídas pelaassociação de conexões conforme mostra a Eig.
2.35~.
A ligação das peças de um banheiro situado no I R pavimento a uma caixa de inspeção pode ser feita como indicado na
Fig. 2.65, onde se observa que o vaso sanitário 6 ligado diretamente à C1, enquanto as demais pesas lançam suas descargas
em um ralo sifonado (RS)o qual é ligado à CI.

Juntas
As juntas entre a ponta e a bolsa das manilhas de cerâmica vidrada e canos de cimento-amianto deverão ser tomadas
com argamassa de cimento Portland e areia fina, traço 1:3, ou cimento Portland e tabatinga, traço 1: 1. A argamassa da
junta deverá ser respaldada externamente, com uma inclinação de 45' sobre a superfície do tubo.
Todas as juntas em tubos de feno fundido coltarizado, ou aço galvanizado, serão feitas com chumbo bem rebatido, na
profundidade mínima de 25 mm, depois de calafetado o fundo do espaço anular com corda alcatroada.
Quando empregada junta com anel de neoprene, devem ser seguidas as prescriçiKs dos fabricantes.
196 Instalaç&s Hidráulicas Prediais e Industriais

JOELHO 90-

PLANTA
J U N Ç Ã O EM 4 5 O
~ioacáoH O R I Z O N T A L ("ao cnaro"1

JOELHO 4 5 4
- 100nn

Fig. 2.64 Ligação vertical de bateria de vasos a um ramal de esgotos no teto de um subsolo

Fig. 2.65 Ligação das peças de um banheiro no primeiro pavimento a uma caixa de inspeqão

2.6.7 Dimensionamento das tubulações de esgoto


O dimensionamento dos tubos de queda, coletores prediais. subcoletores. ramais de esgotos e ramais de descarga é
estabelecido em função das Unidades Hunter de Contribuifão (UHC) atribuídas aos aparelhos sanitanos contribuintes. A
NBR-8160183 fixa os valores dessas unidades para os aparelhos mais comumente usados.
Os dados da coluna central da Tab. 2.4, baseados na descarga de um lavatório como unidade, igual a 28 litros por mi-
nuto, representam o número de unidades Hunter de contribuição correspondente a cada aparelho sanitário.
Quando se emprega tubo de PVC,o diâmetro mínimo é de 40 mm, e se o material for de ferro fundido. 6 de 50 mm.
É importante notar que as municipalidades tem regulamentos próprios, que complementam e em certos casos divergem
da NBR-8160183.
No tocante aos ramais horizontais de descarga e de esgoto, por exemplo, em Recife, é utilizada a Tab. 2.5, que permite
a escolha do diâmetro em função do número máximo de unidades de descarga e da declividade.
No caso dos tubos de queda, a municipalidade de Recife adota valores diversos de unidades de descarga, conforme a
inserçáo do ramal de descarga ou de esgoto no tubo de queda se faça com ligação em Té sanitário ou em Y (Tab. 2.6).
Esgotos Sanitários 197

Tabela 2.4 Númem de unidades Hunter de coniribuigáo dos aparelhos sanitsrios e diâmetro
nominal dos ramais de descarga

Númem de unidades Dihetro mfnimo do ramal


Aparelho Hunter de conhibuisáo de descarga (mm)

Banheira
de residencia 3 40 (1 1W)
de uso gerai 4 40 (1 ln")
hidroteripica-fluxocontínuo 6 75 ( 3 )
Bebedouro 0,5 30 (1 114)
Bide 2 30 (1 114)
Chuveiro
de residência 2 40 (L 112")
de uso gerai (coletivo) 4 40 (1 112")
Lavatório
de residência 1 30 (I 114")
de uso geral 2 40 (L 112")
Mictório
com vtílvula de descarga 6 75 (3")
com descarga automitica 2 40 (1 112")
de calha, por meuo 2 50 (2")
com caixa de descarga 5 50 (2")
Pia
de residência 3 40 (1 112")
de grandes cozinhas (indóstrias, hotéis) 4 50 (2")
de despejos 5 75 (3")
Ralo de piso 1 30 (1 114")
Tanque de lavar roupa
grande 3 40 (1 1n")
Vaso saniiário 6 I00 (4")
Miquina de lavar roupa at6 30 kgf 10 75 (3")
Maquina de lavar roupa de 30 a 60 kgf 12 100 ( 4 )

Tabela 2.5 Diâmetro em funçSo das unidades de descarga ou


de declividade

Númem máximo de unidades


de descarga Diameim
Declividade
1% 2% 4% mm pol.
- 1 1 30 1 114
- 2 3 40 1 1/2
- 6 8 50 2
- 13 18 60 2 1/2
- 24 36 75 3
- 96 114 100'~ 4
180 234 280 125 5
230 440 580 150 6
870 1.150 1.680 200 8
1.740 2.500 3.MX) 250 10
3.000 4.200 6.500 3W 12
6.000 8.500 13.500 400 15
198 Ins!alações Hidráulicas Prediais e Industriais

Tabela 2.6 Unidades d e descarga conforme o tipo de liga@o do ramal


de esgoto ao tubo d e q u e d a

Ligação em Tê saniiário LigacSo em Y Comprimento Diâmetm


- máximo
inclusive o
mínimo
Em todo Em todo trecho como
Em um o tubo Em um o tubo tubo ventilador
pavimento de queda pavimento de queda primário (m) mm pol.

1 1 I I 15 30 1 114
2 8 4 12 20 40 lln
9 16 15 36 26 50 2
24 48 45 72 64 75 3
144 256 240 384 90 100 4
324 680 540 1.020 117 125 5
672 1.380 1.122 2.070 153 150 6
2.088 3.600 3.480 5.400 225 200 8

Tabela 2.7 Subcoletores e coletores prediais

Nhmem mlximo de unidades Hunter de contribui(áo

Diâmetro Dedividades mínimas (%)


nominal do
tubo DN 0,s 1 2 4

100 - 180 216 250


150 - 700 840 1.000
200 1 ,400 1.600 1.920 2.300
250 2.500 2.900 3.500 4.200
300 3.900 4.600 5.600 6.700
4W 7.000 8.300 10.000 12.000

A NBR-8160 apresenta a Tab. 2.5a para dimensionamento de,ramais de esgoto.


Para os coletores prediais, é adotada pela NBR-8160183 a Tah. 2.7 para se obter o diâmetro do coletor em função do
número de unidades Hunter de contribuição e da declividade.
O tubo de queda deverá ter diâmetro uniforme e, sèmpre que possível, ser instalado em um único alinhamento reto.
Quando não for possível evitar mudanças de direção, estas devem ser feitas com curvas de ângulo central superior a 90" e
raio grande. Em todas estas mudanças de alinhamento reto deverão ser instaladas peças de inspeção. (Tubo operculado,
tubo radial com inspeção, placa cega HL dou bujão).
Para determinar o diâmetro de um tubo de queda, uma vez somadas as unidades de descarga que afluem ao mesmo, por
pavimento ou em todo o tubo de queda, bastará compulsar os dados da Tah. 2.8.
A Tab. 2.8 está sujeita as seguintes restrições:
a) Nenhum vaso sanitário poderá descarregar em um tubo de queda de diâmetro inferior a 100 mm.
b) Nenhum mbo de queda poderá ter diâmetro inferior ao da maior canalização a ele ligada.
c) Nenhum tubo de queda que receba descarga de pias de copa e de cozinha, ou pias de despejo, deverá ter o diâmetro
inferior a 75 mm, excetuando o caso de tubos de queda que recebam até seis unidades Hunter de contribuição em
prédios de até dois pavimentos, quando pode então ser usado o diâmetro nominal DN 50.
Em um mesmo edifício, quando banheiros com vasos sanitatios ou outros aparelhos estiverem situados nus lados opos-
to: de uma parede divisória ou forem adjacentes, tais aparelhos poderão ser ligados a um tubo de queda comum, respeita-
dos, porém, os limites de unidades de descarga para cada diâmetro de tubo de queda, constantes da Tab. 2.8.
Nenhum tubo de queda poderá ser assente ao longo da face externa de um prédio, exceto no caso daqueles que s6 tem
dois pavimentos.
Não deve ser usado o mesmo tubo de queda para prédios distintos (geminados).
Deverão ser adotados para coletores prediais e snbcoletores os diâmetros mínimos constantes da Tab. 2.7.
Os ramais de descarga que receberem efluentes de mictórios não poderão ser ligados a ralos sifonados com grelha.
Deverão ser conduzidos até ralo sifonado de material apropriado com tampa hermética.
Esgotos Sanitários 199

Tabela 2.8 T u b o s de queda (NBR-8160183)(Diâmetros mínimos)

Dilmeim Número máximo d e unidades Hunter de contribuição


nominal
do tubo Prédio de Prédio com mais de 3 pavimentos
DN ate 3
ímm) pavimentos em 1pavimento em todo o prédio

30 2 1 2
40 4 2 8
50 10 6 24
75 30 16 70
100 240 90 500
150 960 350 1.900
200 2.200 600 3.600
250 3.800 1.o00 5.600
300 6.000 1.500 8.403
Observn@o: A Tab. 2.8 não Icvni em canta que os fabricantes de tubas para esgoto sanithio pndial s6 os fabricam ate o diâ-
metro de 150 mm
Nodimcnsiowinen~odos colrrons e subcolerores,deve scr consideradoapenns o npanlho de nuiior drscorgo de cada banhei-
ro de prédio nsidencid, para cgmputodo número de unidades Hunier de contribuição. Nos demais casos. devem ser considera-
dos todos os aparelhos contribuintcs para o cáicula de unidades Hunter de contribibuigb.

Tabela 2.9 Declividades de ramais d e descarga e d e


esgoto horizontais, segundo a NBR-8160183

Diâmetro nominal Declividade mínima


O/o

Os ramais de descarga de lavatórios. banheiras, bidês, ralos e tanques de lavagem, lixeiras e ralos de lavagem de pisos
deverão ser ligados, por meio de ramais independentes, a caixas sifonadas, ralos sifonados ou sifões, podendo, se neces-
sário, passar antes da ligação por uma caixa de inspeção.
Podem ser ligados a um mesmo ramal de esgoto:
a) Os conjuntos de lavatórios ou mictórios instalados em bateria nos sanitários coletivos. desde que o ramal de esgoto
que reúne os ramais de descarga seja facilmente inspecionável (bujão na extremidade) (Fig. 2.55d).
b) Os lavatórios e pias de cozinha com duas cubas (Fig. 2.29).
Nas interligaçües de tubulações horizontais com verticais, devem ser empregadas junções a45" simples ou duplas ou
rês sanitários, sendo vedado o uso de cruzetas sanitárias.
Os ramais de descarga de pias de copa e cozinha, e de pias de despejo de cozinha, deverão ser ligados a caixas de gor-
dura ou a tubos de queda que descarreguem nas referidas caixas.
Os ramais de descarga de vasos sanitários, caixas ou ralos sifonados, caixas detentoras e sifões deverão ser ligados,
sempre que possível, diretamente aumacaixa de inspeção ou. então, aoutra canalização primária (Fig. 2.65), perfeitamen-
te inspecionável.
Os ramais de descarga, ou de esgoto, de aparelhos sanitárjos, caixas ou ralos sifonados, caixas detentoras e sifões só
poderão ser ligados a desvios horizonzais (balanços) de tubos de queda que recebem efluentes sanitários de att quatro
pavimentos superpostos (Fig. 2.66). sendo a declividade mínima de 1%.
Os vasos sanitanos, quando ligados em série ou baterias a um mesmo ramal de esgoto, deverão ter essas ligações em
junção de 45" colocadas ao chato, com curvas ou joelhos 90" tipo longo, ou verticalmente com joelhos de 45O (Fig. 2.64).
As variações de diâmetro das canalizações deverão ser feitas mediante o emprego de caixas de inspgão ou de peças
~ -~amnliacãn.
- r...-. . de
esneciaia ~~~~~

r---..--.
Os diimetri>\ mínimos d o i ramais de deicarga. correspondentes a cada aparelho sanitáno. constam da\ Tabs. 2.4 e 2.9,
e a declividade mínima de trecho5 horizonlaii \cri de 0.02 para diâmetrus inferiores ou iguais a 7.5mm, conforme indica
a Tab. 2.9.
Os esgotos de aparelhos sanitários (exceto vasos sanitários e pias de cozinha) de um ou mais pavimentos podem ser
conduzidos a tubos de queda secundários ligados a caixas sifonadas.
200 Instalações Hidráulicas Prediais e industriais

C O B E R T U R A

v 0 :
: V.$.

Fig. 2.66 Vasos sanitários ligados a um desvio de tubo de queda. M i o com até quatro pavimentos.

Quando apresentarem desvios da vertical, os tubos de queda devem ser dimensionados da seguinte forma:
a) Quando o desvio formar ângulo não maior que 45" com a vertical, o tubo de queda é dimensionado pela Tab. 2.8;
b) Quando o desvio formar ângulo maior que 45" com a vertical, deve-se dimensionar:
- a parte do tubo de queda acima do desvio, como um tubo de queda independente, com base no número de uni-
dades Hunter de contribuição, de acordo com a Tab. 2.8;
- a parte horizontal do desvio, de acordo com a Tab. 2.7;
- a parte do tubo de queda abaixo do desvio, com base no número de unidades Hunter de contribuição de todos
os aparelhos que descarregam no tubo de queda, de acordo com a Tab. 2.8, não podendo o diâmetro adotado ser
menor que o da parte horizontal.

2.6.8 Desconectores
É obrigatória a colocação de dispositivos desconectores, destinados à proteção do ambiente interno contra a ação dos
gases emanados das canalizações. Fazem parte dos esgotos primários.
São usados três tipos de desconectores:
- Sifnes: de chumbo ou PVC, com um bujão na parte inferior para limpeza ou desobstmçáo. Diâmetro mínimo: 75
mm.
Fecho hídrico: 50 mm, mínimo.
- Ralos sifonados: fecho hídrico > 50 mm (ou caixas sifonadas).
Diâmetro de saída mínima: 75 mm.
Até seis unidades Hunter de contribuição, diâmetro de 100 mm.
Até 10 UHC, diâmetro de 125 mm.
Até I 5 UHC, diâmeho de 150 mm.
- Caixas sifonadas grandes: podem ser de concreto ou alvenaria, circulares ou retangulares.
Fecho hídrico mínimo: 200 mm.
Diâmetro interno maior que 40 cm.
Diãmeho do tubo de saída mínimo: 75 mm.
Tampa, de ferro fundido.
Esses dispositivos, para cumprirem a sua finalidade, não deverão funcionar como sifões físicos. isto é, deverão ficar
isentos dos fenômenos de sifonagem, pois, pela sua forma, dimensões e precauções adotadas, cumpre-lhes garantir a per-
manencia dos fechos hídricos que são interceptores de gases.
Esgotos Sanitdrios 201

: COBERTURA

vpi

D E S V I O 00 T. O.

P ~ VTIRREO
.
L".

NOTA : NÃO SE A C H A R E P R E S E N T A D A A "VENTILAÇÃO"


(a)

Fig. 2.67 Vasos sanitanos ligados a um tubo de queda. M i o com mais de quatro pavimentos

Todos os aparelhos da instalação predial do esgoto sanitário serão ligados à seção conectada pela interposição de
desconectores. colocados o mais próximo possível desses aparelhos.
Serão excetuados apenas os que já trazem um dispositivo desconector como parte integrante de sua estrutura, como
alguns tipos de vasos sanitários (vasos sifonados), bem como os que sáo protegidos em grupos por um s6 sigo, caixa ou
ralo sifonado.
A NBR-8160 considera ralo sifonado como sendo uma caixa sifonada dotada de grelha.
As pias de cozinha e copa devem ser dotadas de sifões mesmo quando foretq ligadas a caixas retentoras de gordura.

2.6.9 Ventilação sanitária

2.6.9.1 Prescrições fundamentais


É obrigatória a ventilação das instalaçóes prediais de esgotos primários a fim de que os gases emanados dos coletores
sejam encaminhados convenientementepara a atmosfera, acima das coberturas, sem a menor possibilidade de entrarem no
ambiente interno dos edifícios, e também para evitar a ruptura do fecho hídrico dos desconectores,por aspiração ou com-
pressão.
A ventilação da insialação predial de esgotos primtirios 6 feita, de modo geral. da seguinte maneira:
a) Em prddio de w n só pavimento, pelo menos por um tubo ventilador primário de 100 mm ligado diretamente B caixa
de inspeção, ou em junção ao coletor predial, subcoletor ou ramal de descarga de um vaso sanitário e prolongado
acima da cobertura desse prédio (Fig. 2.68).
202 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

o, o i s n CM PRE'DIO RESIDCNCIAL cou ATEI 3v.s


o, 100n 1106 OEMAIS CASOS

1. oo iornol de d e s c o r g a de um r o l o i o n i t a i i o
2. oo iornol de e s g o t o
3. o urna c o i s a de i n s p e ç ã o
4. o um c o l e t o r p r e d i o l

Fig. 2.68 Alternativas para ligaçio do tubo ventilador de um pavimento: 1. ao ramal de descarga de um vaso sanitário; 2. ao ramal de
esgoto; 3. a uma caixa de inspeção; 4. a um coletor predial.

Fig. 2.69 Caso de vasos sifonados e sifões ligados a tubos de queda. Ventilação sanitária
Esgotos Sariitários 203

Se o prédio de um pavimento, a que se refere o item a. for residcncial, e tiver, no máximo, três vasos sanitários, o tubo
ventilador primário poderá ter o diâmetro de 75 mm.
b) Em prédio de dois ou mais pavimentos, os tubos de queda serão prolongados até acima da cobertura, e todos os
vasos sanitários sifonados, sifões e ralos sifonados serão providos de ventiladores individuais ligados i coluna de
ventilação (Figs. 2.31, 2.69 e 2.70).
Toda canalização de ventilação deverá ser instalada de modo que qualquer líquido que, porventura. nele venha a ter
ingresso possa escoar-se completamente por gravidade. para dentro do tubo de queda, ramal de descarga ou desconector
em que o ventilador tenha origem.
Toda coluna de ventilação devera ter:
a) Diâmetro uniforme.
h) A extremidade inferior ligada a um subcoletor (Fig. 2.72) ou a um tubo de queda, em ponto situado abaixo da liga-
çáo do pnmeim ramal de esgoto ou de descarga (Fig. 2.70) ou neste ramal de esgoto ou de descarga (Fig. 2.73).
c) A extremidade superior situada acima da cobertura do edifício, nas mesmas condições que os tubos ventiladores
primários, ou ligada ao prolongamento de um tubo de queda a 0,15 m, no mínimo. acima do nível máximo da água
no mais alto dos aparelhos servidos (Figs. 2.29 e 2.31).
Nos desvios de tubo de queda que formem ângulo maior que 45" com a vertical, deve ser prevista ventilação de acordo
com uma das alternativas seguintes (ver Fig. 2.71), conforme o item 4.6.27 da NBR-8160t83:

Fig. 2.70 Ventilação de vasos sifonados em prédio de três pavimentos

Fi& 2.71 Desvio de tubo de queda.


204 Insfalafões Hidráulicas Prediais e Indusfriais

a9 PAV. I
I
I
cv
29 PAV. I
I
I
I
I
I

SUBCOLETOR

Fig. 2.72 Liga~ãoda CV a um subcoletor.


Ng.2.73 Ligaçáo da CV ao
ramal de descarga.

5 9 PAV.

39 PAV.
DISPENSADO O PROLONGAMENTO
AT6 A COBERTURA.OUAND0 h<-
p TO.
4

29 PAV.

DE 36 U N I D . DE DESCARGA.

TO C. I.
1P PAV.
L L

Fig. 2.74 Ligação do tubo de queda ao ventilador primário.

a) Considerar o tubo de queda como dois tubos de queda separados. um acima e outro abaixo do desvio (Fig. 2.71a).
b) Fazer com que a coluna de ventilação acompanhe o desvio do tubo de queda, conectando o tubo de queda h coluna
de ventilação, através de tubos ventiladores de alívio. acima e abaixo d o desvio.
Desde que os diâmetros dos ramais de esgoto que descarregam no tubo de queda acima e abaixo do desvio sejam maio-
res ou iguais a DN 75, é permitida a ligação dos tubos ventiladores de alívio aos ramais de esgoto, em vez de ligá-los no
próprio tubo de queda. como fixado na alternativa (b) citada. É o que mostra a Fig. 2.71b.
Esgotos Sanitários 205

m TUBO VENTILADOR
NA V E R T I C A L

YC A N A L I Z ~ E ~ or
~O Escoro Fig. 2.75 Ligação do ventilador primário i canalizaçáo de esgoto,

Fig. 2.76 Inserção de tubo ventilador a ramal de esgoto de um tuho de queda.

Em edifícios cuja instalação de esgoto sanitano já possua pelo menos um tubo ventilador primário de 100 mm, será
dispensado o prolongamentoaté acimada coberturade todo tubo dequedaque preencha as seguintes condições (Fig. 2.74):
a) O comprimento h náo exceda a 114 da altura total do prédio, medida na vertical do referido tubo.
b) Não receba mais de 36 unidades Hunter de contribuiçáo.
C) Tenha a coluna de ventilação prolongada até acima da cobertura ou em conexão com outra existente, respeitados os
limites da Tab. 2.12.
Todo desconector deverá ser ventilado. A distância de um desconector à ligação do tubo ventilador que o serve não
deverá exceder os limites indicados na Tab. 2.10 e Figs. 2.80,2.81 e 2.82.
A ligaçáo de um tubo ventilador a uma canalização horizontal deverá ser feita acima do eixo da tubulação (Fig. 2.75),
elevando-se o tubo ventilador, sempre que possível, verticalmente. ou então com o desvio máximo de 45" da vertical, até
15 cm acima do nível de transbordamento da água no mais alto dos aparelhos servidos, antes de desenvolver-se horizon-
talmente ou de ligar-se a outro tubo ventilador (Fig. 2.76).
O tubo ventilador primário e a coluna de ventilação serão verticais, e, sempre que possível, instalados em um Único
alinhamento reto; quando for impossível evitar mudanças de direção, estas deverão ser feitas mediante curvas de ângulo
central com menos de 90' (Fig. 2.77).

Tabela 2.10 Distância máxima L de um desconector à


ligacão de tubo ventilador do ramal de descarga

Diâmetro mínimo do ramal Distancia máxima (L)


de descarga (mm) (m)
30 (1 114") 0.70
40 ( I 112") 1,00
50 (2") 1.20
75 (3") 1,80
100 (4") 2,40
206 Instalaçóes Hidráulicas Prediais e Industriais

Tabela 2.11 Ramais d e ventilaqão

Gmpo de aparelhos sem Gmpo de aparelhos com


vasos sanitários vasos sanitários

Diâmetro Diâmetro
Número de nominal do Número de nominal do
unidades ramal da unidades ramal da
Hunter de ventilasão Hunter de ventilação
conhibuiçáo DN conhibuiçlio DN

atC 2 30 ate 17 50
3a12 40 18 a60 75
13 a 18 50 - -
19 a 36 75 - -

: DESVIODA C.V. NA
VERTICAL

Fig. 277 Desvio de coluna de ventilação no plano vertical.

O trecho de um tubo ventilador primário, situado acima da cobertura do edifício, deverá mediu no mínimo 30 cm, no
caso de telhado, ou de simples laje de cobertura, e 2,00 m no caso de laje utilizada para outros fins além da cobertura,
devendo ser, neste Último caso, devidamente protegido contra choques ou acidentes que possam danificá-lo (Fig. 2.78).
A extremidade aberta de um tubo ventilador primário situadoa menos de 4.00 m de distância de qualquerjanela, mezanino
ou porta, deverá elevar-se pelo menos 1.00 m da respectiva verga (Fig. 2.79).
Serão adotadas as seguintes normas para a fixação do diâmetro dos tubos ventiladores.
a) Tubos ventiladores individuais: diâmetro não inferior a 30 mm nem a metade do diâmetro do ramal de descarga a
que estiver ligado.
b) Ramal de ventilação: diâmetro não inferior aos limites determinados pela Tab. 2.1 1.
c) Tubos ventiladores de circuito: diâmetro não inferior aos limites determinados pela Tab. 2.12.
d) Tubos ventiladores suplementares: diâmetro não inferior à metade do diâmetro do ramal de esgoto a que estiver
ligado.
e) Colunas de ventilação: diâmetro de acordo com as indicações da Tab. 2.12.
Serão considerados devidamente ventilados os desconectores de pias, lavatórios e tanques (ralos sifonados ou sifaes)
quando ligados a um tubo de queda que não receba efluentes de vasos sanitários e mictórios, observadas as distâncias
indicadas na Tab. 2.10. É o caso das colunas de esgoto dos tanques.
Serão considerados adequadamente ventilados os desconectores instalados no último pavimento de um prédio, quando
se verificarem as seguintes condições:
a) O número de unidades Hunter de contribuição for menor ou igual a 15; é o caso de um banheiro completo (Fig.
2.84).
b) A distância entre o desconector e a ligação do respectivo mmal de descarga a umacanaliza$ão ventiladanão exce-
der os limites fixados na Tab. 2.10.
E ~ g o f oSanitários
s 207

LAJE
,
TELHADO

Fig. 2.78 Extremidade do ventilador primário.


Casos de telhado. laje e terra~o.

Tabela 2.12 Colunas e barrilete de ventilaçáo (NBR-8160183)


I I I
Diâmetro
nominal
do tubo Número de
1 Diâmetm nominal do tubo de ventilação 1
de queda ou unidades
ramal de esgoto
-DN
Hunter de
contribuisão 1 Comprimento máximo permitido (m) I

Noro: Inclui-se nocomprimentoda colunade ventilaqão o trecho du ventilador primário entre o ponto dc inseqão da colunae a extremidade
aberta do ventilador.
Obrrmn~áo:Por esta tabela pode-se c h e ~ a rar 7,600 UHC para o tubo de queda. ao paiw que pela Tab. 2.9 só se podem considerar 3h00
UHC,
208 Instalações Hidriiuiicas Prediais e Industriais

Fig. 2.79 Afastamento de ventilador primário de pddio vizinho.

Fig. 2.80 Ventilador individual ou ramal de ventilafáo de ramal de descarga de ralo sifonado.

Serão considerados adequadamente ventilados o ramal de descarga das caixas retentoms, as caixas sifonadas e os ralos
sifonados, quando instalados em pavimento térreo ligados diretamente a um subcoletor devidamente ventilado, ou nas
condições indicadas nas Figs. 2.83 e 2.88.

Observafão: A Barbará sugere que se empregue um TQ somente para os VS e um TS recebendo os esgotos secundários
das demais peças. O TS 6 ligado em sua base a uma caixa sifonada, não havendo necessidade de ralos sifonados nos ba-
nheiros. O ramal de descarga de cada VS é ligado por um ramal de ventilação à CV (coluna de ventilação).
Esgotos Sanitários 209

BANHEIRA

Ng. 2.81 Ventilação do ramal de esgoto de um ralo sifonado de banheiro completo

Plenfo

Fig. 2.82 Ligaçâo de ralo sifonado a uma canalização ventilada

A COLETOU OU SUBCOLETOR

Fig. 2.83Pavimento térreo único. Considera-se ventilado a C.S.,R.S. ou caixa detentora. desde que o número de unidades Hunter seja
inferior a 36 e o ramal tenha menos de 8 m.
210 Instalaç6es Hidráulicas Prediais e Industriais

COBERTURA
..
a
i
a
a
VP

Fig. 2.84 Caso de ventilação no último pavimento

Pav. ~ é r r e o
Fig. 2.85 Considera-se ventilada a C.S., RS. ou C.D., usando-se tubo ventilador de 50 mm, se o número de UH for menor que 36 e a
distância L for menor que 8 m.

As extremidades superiores dos tubos ventiladores individuais (ramais de ventilaçáo) poderão ser ligadas a um tubo
ventilador primário, a uma coluna de ventilação ou a um ramal de ventilação, sempre a 15 cm pelo menos. acima do nível
de transbordamento da água no aparelho sanitário mais alto (Fig. 2.31); a extremidade inferior deve ser ligada ao orifício
de ventilação do desconector, a uma distância da soleira do vertedor de descarga do mesmo não inferior ao dobro do seu
diâmetro (Fig. 2.86).
Podem tamb6m ser ligadas a um bamlete, cujas extremidades se elevam 2 m acima da cobertura. Com isso se evita a
instalação de elevado número de tubulações de ventilaçáo no terraço (Fig. 2.87).
O diâmetro nominal de cada trecho do banilete segue a Tab. 2.12. O número de unidades Hunter de contribuição de
cada trecho é a soma das unidades de todos os tubos de queda senidos pelo trecho. e o comprimento a considerar 6 o mais
extenso, desde a base da coluna de ventilação mais afastada da extremidade aberta do banilete até essa extremidade.
O tas0 sanitário proiido de orifício para venlilaçãu. qucr o de decconecror ehterno. qucr o de deiconector interno, de-
verá per ventilado individualmente. de modo que uma ponta do tubo ventilador individual se ligue ao orificio, e a outra, 3
coluna de ventilaçiio, tubo primário ou ramal de ventilação mais próximo (Fig. 2.69)
Esgi~tosSanitários 211

Fig. 2.86 Ligaçáo do ventilador individual ou ramal de ventilação ao ramal de esgota de um ralo sifonado

Fig.2.87 Bmilete deventilaçáo. Diâmetro uniformee não inferior a 0,150m. ligado aum tubo ventilador primário do mesmo diimetro.

O vaso sanitário chamado auto-sifonado, como não tem orifício para ventilação, deverá ter o respectivo ramal de des-
carga ventilado individualmente (Figs. 2.80 e 2.81).
O vaso sanitário auto-sifonado, no pavimento térreo, deverá ficar no máximo a 2,40 m da ligação do ventilador indivi-
dual do respectivo ramal de descarga, ou de uma caixa de inspeção, instalada num coletor predial ou subcoletor (Fig. 2.88).
Será dispensada a ventilação do ramal de descarga do vaso sanitário auto-sifonado, quando houver qualquer desconector
ventilado com tubo ventilador individual de 50 mm no mínimo, ligado a esse ramal a 2,40 m no máximo do vaso sanitário
(Fig. 2.89).
Dispensa-se a ventilação do ramal de descarga de um vaso sanitário ligado diretamente a um TQ, a uma distância má-
xima de 2,40 m, desde que esse TQ receba efluentes de instalações sanitárias situadas no mesmo pavimento e adequada-
mente ventilados (Figs. 2.90 e 2.91a).
Em casos especiais, ajuízo da repartição competente, pode-se usar o tubo ventilador invertido em vaso sanitário insta-
lado no pavimento térreo, desde que sua instalação satisfaça As seguintes condições:
a) esteja ligado diretamente a um coletor predial ou subcoletor devidamente ventilado e a uma distância não superior
a 8,M) m destas canalizaçóes (Fig. 2.92a).
b) não seja superior a 2,50 m a diferença de nível entre o colo alto do desconector do vaso sanitário e o coletor predial
ou subcoletor a que ele estiver ligado (Fig. 2.92b).
212 Insiaiações Hrdráulicas Prediars r Indusfriais

N ã o h6 necesridode de ventilor o R 0 do VS quando LS2,40m

E' necessário ventilar o R 0 ou o C I auondo L > 2 . 4 0 m

Fig. 2.88 Ventilação de C1 e ramal de ecgotos no pavimento térreo

Ob~wafOes:
1. E dispensada a ventilação do ramal de descarga de um vaso sanitário auto-sifonado ligado através de ramal exclusivo a
um tubo de queda a uma distância máxima de 2,40 m, desde que esse tubo de queda receba, no mesmo pavimento. imedi-
atamente abaixo, outros ramais de esgoto ou descarga devidamente ventilados (Fig. 2.91b).
2. Quando nso for possível ventilar o ramal de descarga do vaso sanitário auto-sifonado diretamente ao tubo de queda e
não existirem as condições previstas no item anterior, o tubo de queda deve ser ventilado imediatamente abaixo da ligação
do ramal do vaso sanitário e executado de acordo com a (Fig. 2.91~).

2.6.9.2 Ventilação de vasos sanitários em série


No caso dos vasos sanitários providos de orifícios para ventilação instalados em série ou bateria, isto é. ligados a um
mesmo ramal de esgotos, os tubos ventiladores individuais de cadaum deles deverão ser ligados verticalmente a um mes-
mo ramal de ventilação, o qual deverá elevar-se a partir d o último aparelho, no mínimo 15 cm acima do nível da borda do
mesmo, até o ponto de ligação com a coluna de ventilação mais próxima.

Fig. 2.89 Ventilação do ramal de descarga volvido de A até B, menor que 2,40 m e
do RS. Pavimentos superpostos. ramal do RS ventilado.
Esgotos Sanitários 213

Fig. 291a

Fig. 291b VentilqBo sanitária das peças de um banheiro completo. Fig. 2 . 9 1 ~

VeniüaçnO em circuito
No caso de os vasos sanitários instalados em série ou bateria. nas condiçóes a que se refere o parágrafo anterior, serem
do tipo auto-sifonndo, será adotada a ventilação em circuito (VC), devendo para isso ser ventilado o ramal de descarga
entre os dois aparelhos sanitários mais afastados do tubo de queda (Fig. 2.32).
Na ventilação em circuito a que nos referimos, um tubo ventilador só poderá servir no máximo a um grupo de três vasos
sanitários. Os vasos sanitários que excederem de três e até oito. em bateria no mesmo ramal de esgoto, deverão ser dota-
dos, al6m do tubo ventilador de circuito, de um tubo ventilador suplementar, instalado nas condiçóes estabelecidas no
parágrafo seguinte.
Na ventilação em circuito, quando o ramal de esgoto servir a mais de três vasos, será indispensável a instalação de um
rubo ventilador suplementar (VSuJ, desde que, em pavimentos superpostos ao que se considere, exista vaso sanitário liga-
do ao mesmo tubo de queda. A extremidade inferior do tubo ventilador suplementar deverA ser ligada ao ramal de esgoto,
entre o tubo de queda e o aparelho mais próximo, e a extremidade superior ligada ao tubo ventilador decircuito (Fig. 2.32).
Para cada bateria de oito vasos contados a partir do mais próximo ao tubo de queda, é exigido um VSu.
As colunas de ventilação poderão ser feitas com tubos de ferro fundido coltarizado, ou galvanizado, aço galvanizado,
cimento-amianto e PVC.
As ligaçóes de tubos ventiladores individuais ou secundários As colunas de ventilaçáo de ferro fundido coltarizado ou
galvanizado deverão ser feitas com junções invertidas desse mesmo material.
214 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

V ln. (Tuba Ventilador Invertida) "em cajado"

Fig. 2.92b Altura do ventilador invertido


Fiz. 2.92a Vaso sanilário com tubo ventilador invertido. acima do subcoletor.

No caso de colunas de ventilação de cimento-amianto, em lugar de junções invertidas desse material. também poderão
ser usados anéis de chumbo em lençol, devidamente ajustados às mesmas nos pontos em que elas devem receber os tubos
ventiladores. e rejuntados os respectivos bordos com massa de zarcão.

Emprego do ventilador de alívio


Os tubos de queda que recebam descargas em mais de 10 andares devem ser ligados à coluna de ventilação por meio de
tubo ventilador de alívio, a cada 10 pavimentos, contados a partir do andar mais alto (Fig. 2.93b). A extremidade inferior
do tubo ventilador de alívio deve ser ligada ao tubo de queda mediante junção de 45" em ponto imediatamente abaixo d o
ramal de descarga ou de esgoto. A extremidade superior deve ser ligada à coluna de ventilação por meio de junção a 45"
colocada a 15 cm, ou mais, acima d o nível de transbordamento do aparelho mais alto servido pelo ramal de esgoto ou de
descarga.

2.6.10 Elementos de inspeção


Toda instalação predial de esgotos sanitários será executada tendo-se em vista as possíveis e futuras operações de ins-
peção e desobstrução, quer nas canalizações-internas, caixas de inspeção de gordura e sifonadas, quer nos coletores e
subcoletores prediais.
As canalizações internas embutidas, ou não, serão acessíveis por intermédio das caixas de inspeção oupeças especiais
de inspeçáo. como tubos operculados e bujões.
Esgotos Sanitários 215

Fig. 233b Emprego do ventilador de alívio a cada


10 pavimentos.

Desconectores instalados num rebaixo e sobre um teto falso.


Fig. 2.93~1

Em edifício de apartamentos ou escritórios, todos os banheiros deverão possuir a laje de piso rebaixada de 30 cm no
mínimo. em relação ao nível do piso do respectivo pavimento, a fim de permitir qualquer inspeção ou reparo de suas ca-
nalizações pela própria economia a que pertencem (Fig. 2.93).
Na área rebaixada dos banheiros não deverá haver vigas invertidas que dificultem o assentamento das respectivascana-
lizaçóes de esgotos sanitários.
Alguns municípios permitem o uso do sitão e. em vez de laje rebaixada, empregam o forro ou teto falso (Fig. 2.93a).
A preferência de muitos arquitetos e construtores pelo teto falso fundamenta-se na vantagem que advém da rápidacons-
tatação de um vazamento e da possibilidade de mais facilmente se localizar e determinar a causa. O reparo normalmente
6 feito com maior facilidade e com menos despesa cortando-se o teto falso do que se abrindo o rebaixo de um banheiro,
que eventualmente pode ter um piso de mármore difícil de repor. O aspecto injusto do transtorno causado ao vizinho de
baixo que não tem culpa do ocorrido fica atenuado pela sinistra possibilidade de que fato semelhante venha a ocorrer com
esse mesmo vizinho, o que viria a incomodar aoutro... As convençóes de condomínio deveriam atentar para a aplicação de
um justo critério no ressarcimentode prejuízos dessa natureza, ocasionados na maioria das vezes mais pela má especifica-
ção dos materiais ou má execução da instalação do que pela sua má utilização.
Como a desobsuução do sitão, no caso do teto falso. incomodando o vizinho, é uma aberrante injustiça, pode-se con-
tornar o problema usando ralo sifonado apoiado na laje de concreto em vez do siião. Nesse caso, o ralo deve ter um cola-
rinho soldado, para poder ficar mais baixo em relação ao piso.
A distância entre caixas de inspeção e poços de visita não deverl ser superior a 25.00 m (Figs. 2.30 e 2.94).
A distância entre a ligação do coletor predial com o coletor público e a caixa de inspeção, poço de visita, ou pe$a de
inspeção, mais próximo, não deverá ser superior a 15,00 m (Fig. 2.30).
Os comprimentos dos ramais de descarga e de esgotos de vasos sanitários, caixas detentoras, caixas sifonadas e ralos
sifonados medidos entre os mesmos e as caixas de inspeção, poços de visita. ou peças de inspeção, instalados sobre esses
mesmos ramais, não deverão ser maiores que 10,OO m (Fig. 2.94).
As caixas de inspeção, os poços de visita e as caixas detentoras situados em passeios, garagens, ou locais sujeitos a
tráfego de veículos, deverão ser providos de tampas de ferro fundido reforçadas.
Não deverão ser colocadas C1 ou PV nos recintos das lojas.
Em prédios com mais de cincopavimentos, as caixas de inspeção não deverão ser assentes a menos de 2,00 m de dis-
tância dos tubos de queda que contribuírem para as mesmas (Fig. 2.94).
Quando a C1 ou PV for de junção ou reunião de subcoletores prediais de esgotos, estes deverão penetrar até sua face
216 Instabçr3es Hidráulicas Prediais e Industriais

Fig. 2.94 Distâncias maximas dos vasos sanitanos e caixas sifonadas hs C1 e PV,

interna e terminar a uma altura mínima de 5 cm acima do nível mínimo do fundo da caixa, aesta sendo encaminhadas suas
contribuições no sentido do fluxo e isoladas por divisores de água. A alara de 5 cm deverá ser computada em relação h
calha ~ n n c i ~ asendo
l , as contribuições dos subcoletores isoladas umas das outras por divisores de águas (Figs. 2.1 1.2.12
e 2-19). .
Nas caixas de inspeção circulares, de concreto armado pré-moldado, são dispensados os divisores de 6guas (formando
as calhas) a que se refere esta exigência, desde que o fundo da caixa sejacôncavo e possibilite o completo escoamento dos
despejos que a ele afluírem (Fig. 2.11).

2.6.11 Tubo de queda de tanques e máquinas de lavar roupa


Nos prédios de dois ou mais pavimentos, nas instalações que recebem detergentes que provoquem a formação de espu-
ma é necessário evitar a ligação de aparelhos ou tubos ventiladores nos andares inferiores, em trechos da instalação con-
siderados zonas de pressão de espuma.
Esses trechos são os seguintes:

:@-Ofol1 DESVIO HORIZONTAL

i TUBO D E OUEDA

Fig. 2.95Zonas de pressão de espuma.


~sgotosSanitários 217

qRELiiA DE I.F. 1.W


AQUAS
. 0 , z O m P/
P L U V I A I S DA RAMPA.

PLANTA

CORTE A-A

Fig. 2.96 Instalaçâo típica de esgotos em subsolo.

a) O trecho do tubo de queda de comprimento igual a 40 diâmetros imediatamente a montante de desvio para a hori-
zontal (a), o trecho horizontal de comprimento igual a 10 diâmetros imediatamente a jusante do mesmo desvio (bj
e o trecho horizontal igual a 40 diâmetros imediatamente a montante do próximo desvio (c).
b) O trecho do tubo de queda de comprimento igual a 40 diâmetros imediatamente a montante da base do tubo de
queda (d)e o trecho do coletor ou subcoletor de comprimento igual a 10diãmetms imediatamente a jusante damesma
base (e).
C) OS trechos a montante (f) e a jusante (gj da primeira curva do coletor ou subcoletor, respectivamente com 40 e 10
diãmetros de comprimento.
d) O trecho da coluna de ventilação com comprimento igual a 40 diâmetros, a partir da ligação da base da coluna com
o mbo de queda ou ramal de esgoto (h).
Consegue-se solução satisfatória usando-se colunas independentes para máquinas de lavar roupa e para tanques.
Próximo ao pé da coluna, coloca-se uma caixa sifonada de dimensões grandes ou uma C1 antes da caixa sifonada. Essa
C1 ou CS deve ser ventilada, de modo que a espuma que suba pelo tubo, ao sair pela extremidade superior, não caia em
local indesejável.
218 1nslalayõrs Hidráulicas Prediais e Industriais

2.6.12 Instalações sanitárias em nível inferior ao da via pública


O efluente de aparelhos sanitários e dispositivos instalados em nível inferior ao da via pública deverá ser reunido em
uma caixa coletora, colocada de modo a receber esses despejos por gravidade; dessa caixa, os despejos serão recalcados
para o coletor predial por meio de bombas centrífugas ou ejetores (Fig. 2.97).
Nenhum aparelho sanitário, caixa sifonada, ralo sifonado, caixa detentora etc., deverá descarregar diretamente na caixa
coletora, e sim em uma ou mais caixas de inspeção, as quais serão ligadas à caixa coletora (Fig. 2.96).
A ventilação da instalação sanitária, situada em nível inferior ao da via pública, poderá ser ligada à ventilação da insta-
lação situada acima do nível do mesmo logradouro.
A caixa coletora, que funcionará como poço para bombeamento, deverá ter sua capacidade calculada de modo a evitar
a freqüência exagerada de partidas e paradas das bombas, bem como a ocorrência de estado séptico.
Deverá também ter a profundidade mínima de 90 cm, a contar do nível da canalização afluente mais baixa, e o fundo
deverá ser suficientemente inclinado para impedir a deposiçáo de materias s6lidas, quando a caixa for esvaziada comple-
tamente. Além disso, deverá ser perfeitamente impermeabilizada e provida de tampa impermeável aos gases e de disposi-
tivos adequados para inspeção e limpeza. Também deverá ser ventilada por um tubo ventilador primário que vai até acima
da cobertura do prédio e é independente de qualquer outra ventilação da instalação de esgoto sanitário do prédio, cujo
diâmetro não poderá ser inferior ao da tubulação de recalque. (Art. 4.11.7 da NBR-8160.)

CORTE

I I I
criapn DE I ~ O

Fig. 2.97 Bombas de esgoto, roior imerso numa caixa coletora


Será obrigatória a instalação de. pelo menos, dois grupos de bombas, para funcionamento alternado.
As bombas deverão ser de baixa rotação, de rotor imeno e de constmção especial com poucas pás, à prova de entupi-
mento, para águas servidas, massas e líquidos viscosns. O motor fica colocado acima da caixa coletora. O eixo vertical
aciona o mtor colocado em caixa em forma de caracol, com abertura de aspiração sem crivo ou qualquer dispositivo que
dificulte a entrada do material contido no esgoto.
No caso de instalação que inclua vasos sanitários, as bombas deverão permitir a passagem de esferas de 60 mm (2 l i * )
de diâmetro, e o diâmetro mínimo da canalização de rzcalque deverá ser de 75 mm (3").sendo. porém, aconselhado usar
tubo de 100 mm.
As bocas de aspiração deverão ser independentes, isto é, uma para cada bomba, assim como possuir diâmetros nunca
inferiores ao das canalizações de recalque.
O funcionamento das biimhas deverá ser automático, comandado por chaves magnéticas. conjugadas com chaves de
bóia.
As instalações deverão ser equipadas com um dispositivo de alarme que poderá ser comandado pela própria haste, sen-
do posto a funcionar sempre que as bombas falharem no operar.
A canalizaçáo de recalque deverá atingir um nível superior ao do logradouro e nela deverão ser inslalados registro e
válvula de retenção.
Quando não houver vasos sanitários, não há necessidade de caixa de inspeçáo, e as boiiibas deveráo permitir a passa-
gem de esferas de apenas I8 min de diâmetro. e o diâmetro nominal mínimo da tubula$áo de recalque deve ser DN 30.
Em vez de bombas, podem-se empregar ejetores quc funcionam com ar comprimido. São particularmente recomenda-
dos nas pequenas instalações, bem como nas instalações de hospitais, ambulatórios etc., onde a presença de certos mate-
riais nos esgotos possa comprometer o bom funcionamento das bombas de esgoto dos tipos mais comuns. Existem, porém,
tipos de bombas de esgoto capazes de atender a condições excepcionalmente adversas.
A instalação de ejetores dispensará as caixas coletoras, devendo a canalização de tomada partir de uma caixa de inspe-
ção ou poço de visita, aonde irão ter as canalizaçóes de esgotos.
O ejetor para esgotos não se assemelha aos ejetores para água limpa que funcionani com água como agente energético.
Trata-se de um reservatório metálico ao qual têm acesso os esgotos sanitános. Estes acumulam-se até certo nível quando.
pela ação de um pressostato - indicador de nível ou outro tipo de sensor -. se abre a válvula de admissão de ar coinpri-
mido. Ao entrar o ar sob pressão na câmara, fecha-se uma válvula de admissão e abre-se a válvula de retenção na linha dc
recalque. A ação do ar, dada a forma apropriada do ejetor, arrasta os esgotos pela tubulação de recalque. Uma vez escoado
o conteúdo da caixa, a válvula de admissão se fecha.
As canalizações de tomada e recalque deverão ter o diâmetro mínimo dc 100 mni (4").
A instalação compressora deverá ser equipada com um reservatório de ar comprimido de capacidade para três ou mais
descargas completas do ejetor.
As bombas, os motores, ou compressores, e os ejetores e demais equipamentos deverão ficar instalados em local de
acesso imediato e de modo a permitir fácil reparo ou substituição.
A Fig. 2.97 representa uma instalação dc duas bombas de poço para matérias fecais.
A chapa de aço que cobre a caixa coletora e que suporta o motor eiktrico, além das aberturas que possibilitam a passa-
gem da bomba e da haste dos automáticos da bóia, pode ter outras aberturas que permitam a inspeção da caixa seni a ne-
cessidade de desmontar a bomba.

2.7 TRATAMENTO DE ESGOTOS

2.7.1 Natureza da questão


Nas instalações de esgotos sanitários prediais que temos considerado, supusçmos que o coletor predial pudesse ligar-se
a um coletor público no interior do qual os esgotos teriam a destinação imposta pela municipalidade. Assim, conforme a . ~
circunstâncias, o esgoto seria conduzido a uma estação de tratamento, ou lançado diretamente num rio, lagoa ou mar.
Não cabe aqui uma análise dos sistemas de esgotos sanitários para o atendimento de grandes comunidades. O assunto
e tratado em profundidade em excelentes trabalhos que serão mencionados na bibliografia, ao final deste capítulo.
Consideraremos, então, o caso de n b haver coletor público para coleia dos esgotos prediais, tomando-se necessário
proceder a uma depuração ou tratamento, de modo a ser possível lançar o efluente tratado numa galeria de águas pluviais,
em valas de drenagem, rios, riachos ou lagoas. Veremos também a conveniência de se procurar a absorção no terreno do
efluente traiado previamente, empregando-se valas de infiltru$&o ou, preferencialmente, r~ulusdefiltra(-60, a partir das
quais, sem risco, o etluente possa ser lançado num rio ou galeria de águas pluviais.
Ao projetista de instalações cabe solucionar os problemas de uma destinação adequada dos esgotos. seja para residên-
cias isoladas, seja para edifícios comerciais, residências, indústrias. conjuntos habitacionais e complexos industriais, quando
se verifica ainexistência do coletor público. ou quando há esgotos industriais que exigem tratamento antes de sua destinação
final.
Conforme veremos, nem todos os sistemas de depuração de esgotos domésticos aconselham o lançamento do efluente
tratado em valas abertas, sarjetas ou galerias de águas pluviais, uma vez que solucionam apenas parcialmente o problema
da eliminaçâo dos agentes patogênicos, microrganismos existentes nos esgotos.
2.7.2 Esgotos a serem tratados

Os esgotos que se objetiva tratar são os despejos domésticos. isto é. águas residuárias domésticas. Os esgotos industn-
ais, pela sua enorme diversificação, devem ser submetidos a tratamentos específicos para cada caso de resíduo industrial
e evidentemente demandarão estudos especializados e. em certos casos. bastante complexos.
O esgoto sanitário fresco contém cerca de 99% de água e possui certa quantidade de matéria sólida em suspensão, além
do oxigênio contido no ar dissolvido. Com o decorrer do tempo, o esgoto vai adquirindo um aspecto mais homogêneo, a
coloração passa de cinza a preta: a taxa de oxigênio reduz-se e há intensa exalação de odores desagradáveis decorrentes da
ação anaeróbia que se processa.
Constata-se que a elevada quantidade de sabão lançada nos esgotos, devido aos banhos, abluções, lavagem de roupa e
cozinha, confere-lhes uma certa alcalinidade, se bem que existam esgotos com pH na faixa ácida.
Como se sabe, os esgotos sanitários contêm enorme quantidade de bactérias. As bactérias coliformes, sempre existen-
tes em grande
. número, em si não oferecem maior risco, do ponto de vista sanitário, mas quando do tipo encerobactérias
nomlalmente apresentam-se associadas a microrganismos patogênicos existentes nas fezes ou na urina provenientes de
pessoas doentes ou portadoras de doenças infecciosas. Assim, representam um indicador da possibilidade da presençadesses
microrganismos.
Pelo esgoto, portanto, podem ser transmitidas graves enfermidades, como a cólera, a hepatite infecciosa, a tuberculose,
a poliomielite, a febre tifóide, a gastroenterite e muitas doenças mais.
As bactérias encontradas nos esgotos podem ser de um dos seguintes tipos:
Bactério aeróhias. S ã o as quc retiram 11 oxigênio contido n r ~ar, sejadiretamente da atmosfera, seja do ar dissolvido na
água. Essa ação bacteriana é chamada oxidação ou decomposiçüo aeróbia. A matéria orgânica sob a ação dessas bactérias
é transformada em alimento para as mesmas, processando-se ações bioquímicas com a formação de produtos estáveis.
Bactérias anaerobias. Retiram o oxigênio de que necessitam, não do ar, mas através de ações sobre compostos orgâni-
cos ou inorgânicos que contêm oxigênio. os quais perdem, portanto, o oxigênio de suas moléculas. O processo que assim
se desenvolve é a putrefação ou decomposição anaeróbia.
Bacrériu,sfacuitutivas. Podem viver tanto em meios dos quais possam retirar o oxigênio, como retirar este oxigênio de
substâncias que o contêm.
As bactérias aeróhias. como vimos, necessitam, para sobrevivere realizar sua prodigiosa multiplicação, poder transfor-
mar a matéria orgânica em alimento, oxidando os compostos nitrogenados e carbonados, dando lugar a compostos está-
veis.
Sem oxigênio não há condição para a estabilização da matéria orgânica existente no esgoto. Essa avidez de oxigênio
para atcndcr ao metabolismo das bactkrias e a transforma~ãoda matéria orgânica chama-se Demanda Bioquímica de Oxi-
gênio (DBO) ou Biochemicul O.xygen Demand (BOD).
A DBO é, assim. um índice de concentração de matéria orgânica presente num voluine de água e, por conseqüência, um
indicativo dos beus efeitos na poluição. Portanto, quanto maior a poluição por esgotos, maiqr a quantidade de matéria or-
gânica presente e maior será a demanda de oxigênio para estabilizar essa matéria orgânica. A medida que ocorre a estabi-
lização da matéria orgânica, diminui evidentemente a DBO. Sua determinação se realiza medindo-se a quantidade de oxi-
gênio consumida em uma amostra do liquido a 20" C, durante cinco dias, que simbolicamente se representa por DBO,,,.

DBO,,:. = 320 mgilitro ou 320 ppm (partes por milhão)

Significa dizer que os esgotos considerados na temperatura de 20°C retiram 320 mg de oxigênio por litro.
Nos esgotos domésticos. a DBOS varia de 100 a 300 mgilitro e, quando o tratamento é eficiente, a redução pode situar
a DBO, entre 20 e 30 mgllitro.
O grau de tralamento. ou eficiência de tratamento, é a relação expressa em porcentagem entre a redução dos valores dos
parâmetros característicos de esgoto, tais como a matéria em suspensão (MS) e a demanda bioquímica de oxigênio (DBO)
após o tratamento, e os valores dessas mesmas grandezas para o esgoto bmto, isto é, não-tratado.
Quando não se tem meios de realizar a determinação direta da DBO, admite-se para essa grandeza o valor de 54 glhabl
dia na elaboração do projeto de uma estação de tratamento de esgotos.

2.7.3 Processos de tratamento


Numa insta1ac;ãoconvencional de tratamento de esgotos, realiza-se um processo biológico, isto é, um processo onde se
manifesta a ação de microrganismos existentes. nos esgotos. São dois os principais processos:
- Digestão do lodo (açio aeróbia e anaeróbia ocorre nas fossas sépticas)
- 0.riduçÜo bioldgica (filtros biológicos. lodos ativados, valos de oxidaçüo, lagoas de estabilização etc.).
Conforme o grau de reduç5o dos sólidos em suspensão e da DBO. os tratamentos podem se classificar em:
Tratamentos primhrios
Removem as impurezas sedimentares, sólidos em suspensão e cerca de 40% da demanda hioquímiça de oxigênio. Es-
ses tratamentos realizam-se nas chamadas estações depuradoras de esgotos, e compreendem:
- tratamentos preliminares, tais como o emprego de grades, caixas de areia e desarenadores;
- decantação primária:
- digestão do lodo, anaeróbia ou aeróbia;

- secagem;
- remoção e destinação do iodo.
Esse tipo de tratamento se realiza (pelo menos em parte) também em:
- sistemas compactos do tipo decantação e digestão:
- fossas sépticas.

Tratamentos secundários ou biológicos


São complemeniares aos tratamentos anteriores. e da maior importância. Compreendem aremoção de matéria orgánica
por atividade biológica através de:
- processo biológico acróbio -oxidação;
- processo de lodos ativados - P-NB-570;
- decantação secundária ou final;
- valos de oxidação;
- lagoas de estabilização;
- discos rotativos.

Consegue-se. com esses tratamentos, uma redução na taxa de coliformes de até 96%.e na taxa da DBO entre 30 e 95%,
conforme as características do projeto da estação de tratamento ou do sistema empregado.
Os processos biológicos baseiam-se na ação hacteriológiça sobre a matéria orgânica dos esgotos sanitários, que leva à
sua estabilização e formação de lodos imputrecíveis, eventualmente utilizáveis como adubos, após tratamento adicional.

Tratamentos terciários
Sào realizados coni:
- desinfecçiio com cloro;
- remoção de complexos orgânicos.
Os processos biológicos utilirddos nos tratamentos secundários são das duas naturezas já citadas, isto é:
- Aeróhia, com a participação das bactérias aeróbias e. portanto. na presença do ar atmosférico, com um teor de
oxigênio livre superior a 1.5 mgll.
São mais conhecidos e empregados:
A filtração biológica (P-NB-570)
Os lodos ativados (P-NB-570)
As lagoaa de estabilização
Os valos de oxidação
As lagoas aeradas
Sistema Bio Disc (GEOSAN SIA)
Sistema de aeraçào prolongada (FMC-FILSAN)
Sistema de aeração profunda (DALGAS-ECOLTEC. Ecologia Técnica LLda).
- Anaeróbiu. realizada fora do contato com o ar nos lanques digestores, com a atuação de bactirias anaeróbias e
facultativas, que desdobram e estabili~amas substâi~ciasorgânicas complexas. Ocorre em:
Fossas sépticas (NB-41) e
Lagoas anaeróhias (P-NB-570).

Conforme já esclarecido no início deste capítulo, cogitaremos somente das instalações de tratamento de esgotos para
pequenos grupos habitacionais. conjuntos habitacionais, indústrias, quartéis, hotéis, hospitais construidos em locais isola-
dos. não servidos por rede pública de esgotos. Nesses casos, pode-se empregar uma das seguinles solutóes:
a) Fossas slpticas.
b) Insfaiaçóes compnctas, que podem ser baseadas:
- no processo de a r r u ~ ã prolongada,
o como ocorre no sistema da FMC-FILSAN:
- no procr.s.so Bio Disc, onde. em uma unidade fechada provida de discos giratórios, se realiza o tratamento, na su-
cessão de fenômenos físicos, químicos e biológicos que se processam numa zona de decantação primána e numa
Lona biológica.
Vejamos algumas inforniaç~ssobrcesses processos.
2.7.4 Fossas sépticas
2.7.4.1 Principio de funcionamento
São unidades de tratamento primário de esgotos domésticos que detêm os despejos por um penodo que permita a de-
cantaqão dos sólidos e a retenção do material graxo, transformando-os em compostos estáveis.
Constam essencialmente de uma câmara ou unidade de decanrac60, ou srdimenração, e uma de digestão, na qual o
líquido cloacal passa pelo fenõmeno bioquímico de digeslüo, que. em resumo. consiste no seguinte:
Os microrganismos, no caso as bactérias aeróbias e anaeróbias, que se encontram sempre nos esgotos cloacais, como já
vimos, retiram o oxigênio do ar ou das suhstincias orgânicas existentes nos esgotos e decompõem a matéria orgânicanuma
ação de oxidação.
Nessa ação, o nitrogênio existente no esgoto fresco, nas proteínas e na uréia combina-se com o hidrogênio, formando
amônia e compostos amoniacais.
Esses compostos amuniacais dão origem aos ácidos nitroso e nítrico, que se combinam com os sais dissolvidos ou em
suspensão, formando então nitritos e nitratos, sais minerais, portanto imputrecíveis e em si inócuos (fenômeno de
nitrificação). A matéria resultante apresenta-se soh a forma de Iodo ou lama, no fundo da fossa. Fenômeno análogo ocorre
com relação ao carbono, ao enxofre e ao fósforo, com a formaqào de carbonatos, sulfetos, sulfatos e fosfalos.
Uma outra parte constituída de substâncias graxas leves, mas insolúveis. adquire a forma de uma escuma ou crosta que
flutua sobre o líquido cloacal na fossa.
Uma terceira parcela é constituída de hidrogênio, o qual é libertado dos ácidos graxos e. se ainda sob a ação dos micror-
ganismos, combina com o oxigênio formando água. Ocorre também no processo a formação de metano (CH" e anidrido
carbônico (CO').
A finalidade da fossa é proporcionar condições favoráveis à ação rápida das bactérias aeróbias e principalmente das
anaeróhias, e uma fossa será tanto mais perfeita e eficaz quanto mais depressa e integralmente realizar a uansformac;ão da
matéria cloacal do afluente em sedimentos ou lamas imputrecíveis e inócuas. permitindo, assim, que o efluente possa, sem
riscos de contaniinação e o inconveniente do mau odor, ser lançado num sumidouro, numa vala de infiltração, ou filtração,
ou, ainda, num curso d'água.
Deve-se observar que « emprego de fussas por particulares deve ser encarado como uma solu$ão incompleta do proble-
ma de tratamento, aplicável, evidentemente, quando não existe rede pública de coleta de esgotos, e até que esta exista.
Compreende-se que, não sendo uma estação de tratamento completa, as fossas não possuem grades, caixas de areia, ou
outros detentores de material não-susceptível de sofrer a ação microbiológica.
Por isso, não devem, por exemplo. ser encaminhadas a fossa substâncias gordurosas (que devem ser retidas em caixas
de gordura) nem óleos minerais (a serem retidos nas caixas de óleo). Uma excessiva quantidade de detergentes e sabiio
pode prejudicar a aqào das bactérias ou destmi-Ias em maior ou menor escala. Por essa razão, alguns projetisias preferem
não lançar os esgotos dos tanques de lavar roupa diretamente na fossa, mas numa caixa de inspeção e dali ao sumidouro.
Se a fossa for bem dimensionada, esse tipo de esgoto secundário pode ser lançado na fossa. Apesar dessa permissão, é
muito comum lanyar na fossa apenas o esgoto dos vasos sanitários, coletando-se os esgotos secundários numa caixa de
inspeção, à qual irá ter o efluente da fossa.
Mesmo quando a fossa é bem projetada e operada, o efluente ainda tem odor característico devido ao gás sulfidrico e
outros gases, e também tem aspecto escuro, contendo bactérias em grande quantidade.
Numa instalação dc fossa bem projetada e constmída pode-se conseguir os seguinte? resultados:

Remoção de sólidos em suspensão .......................................... 50 a 70%


Redução de bacilos coliformcs ................................................. 40 a 60%
Redução da DBO ................................................................... 30 a 60%
Remoção de graxas e gorduras ............................................ 70 a 90%

Como se vê, a reduqão no número de coliformes (e de germes patogênicos, outros bacilos e vírus) é bem menor que o
desejável. Por isso, o efluente da fossa deve receber uma destinação na qual não possa ocorrer contaminação de águas de
poços. plantações de verduras etc.
As condições técnicas mínimas re!ativas à constnição e instalação de fossas sépticas e à disposição do efluente seguem
a Norma NB-41 da Associação Brasileira de Normas TCcnicas.
Indicaremos algumas dentre as recomendações contidas na citada Norma NB-41, introduzindo algumas observações
esclart.cedoras e dados dos catálogos da Sano S.A. Indústria e Comércio, empresa delentora de extraordinirio know-how
em todas as questões relativa3 ao tratamento de esgotos e pioneira no ramo.

Desinfecçüo do ejluente d i ~fossus


s
As condições do terreno, tais como suas dimensões reduzidas e solo impermeável, podem tornar inviável o lançamento
do efluente da fossa em sumidouros, valas de infiltração ou de filtração, de modo que se terá de lançar o efluente num
riacho. galeria de águas pluviais ou sarjeta. Seria recomendável, pelo menos em instalações de certo porte, que se fizesse
uma desinfecção do eiiuente da fossa com cloro, numa dosagem da ordem de I0 g de cloro por m' de efluente. Se se tratar
de uma instalação de traramento com lamu ativada. basta I g de cloro por m' para se obter a esterilização do efluente.
Com a cloração dos esgotos tratados biologicamente, a redução das bactérias pode chegar a 98 e ate 99%.
2.7.4.2 Terminologia
Adota-se a seguinte terminologia para os elementos de uma instalação de esgotos por meio de fossa séptica:
- Câmara de decantuçüo. Compatiimento da fossa séptica onde se processa o fenômeno de decantação da matéria
em suspenção nos despejos.
- Câmara de digestão. Espaço da fossa séptica destinado à acumulação e digestão das matérias decantadas.
- Câmara de escumu. Espaço da fossa séptica destinado a acumulac;ão e digestão das matérias sobrenadantes nos
despejos.
- Dispositivos de entrada e saída. Peças instaladas no interior da fossa séptica, à entrada e à saída dos despejos,
destinadas a garantir a dislribuição uniforme do líquido e a impedir a saída da escuma.
- Escurna. Massa constituída por graxas, sólidos em mistura com gases, que ocupa a superfície livre do líquido no
interior da fossa séptica.
- h d o . Sólidos acumulados c separados da água residuária durante um processo de tratamento, ou depositados no
fundo de rios, lagos ou outros corpos de água.
- Lado ritivadu (ou ativo). Floco de lodo produzido em água residuária h ~ t ou a sedimentada, formado pelo cresci-
mento de bactérias do tipo zoogléia e outros organismos na presença de oxigênio dissolvido. O lodo é mantido em
concentração suficiente pela recirculação de flocos previamente formados.
- Lodo bruto. Lodo depositado e removido dos tanques de sedimentação antes que a decomposiçãoesteja adiantada.
É também chamado lodo não-digerido.
- Lodo recirculado. Lodo ativado, sedimentado num decantador final. que retoma ao início do tratamento, ou para
o início da fase biológica de tratamento, com a finalidade de manter uma concentração suficiente de flocos nos
tanques de aeração.
- Lndo séptico. Lodo de um tanque, ou lodo parcialmente digerido de um tanque Imhoff ou digestor.
- Lodo digerido. Massa semilíquida resultante da ação aeróbia ou anaeróbia de digestão das matérias decantadas na
fossa séptica.
- Lodo fresco. Massa semilíquida constituída pelas matérias retidas no interior da fossa séptica, antes de se inanifes-

tarem os fenômenos de digestdo.


- Oxigênio con.~umido(OC).Medida da capacidade de uma água em consumir oxigênio para oxidar a matéria orgi-
nica e inorgânica nela presentes. em teste especifico.
- Período de armazenamerito. Intervalo de tempo entre duas operaçõescousecutivas de remocão do lodo digerido
da fossa séptica, excluído o tempo de digestão.
- Período de detenção dos despejos. Intervalo de tempo em que se verifica a passagem dos despejos através da fossa
séptica.
- Período de digestão. Tempo necessário a digestgo do lodo fresco.
- Profundidade útil da fossa. Distância venical entre o nível do líquido e o fundo da fossa.
- Sumidouro. Poço destinado a receber o efluente &a fossa séptica e a permitir sua infiltração subterrânea.
- Processo de lodo ativado. Processo de tratamento biológico de água residuária, no qual uma mistura de água
residuána e de lodo ativado é agitada e aerada. O lodo ativado é çm seguida separado das águas residuánas, tratado
por sedimentação e. depois, recirculado para o processo, ou entâo removido, conforme seja necessário.
- Tubo de limpeza. Tubo convenientemente instalado na fossa séptica, com a finalidade de permitir o fácil acesso do

mangote de sucção da bomba para a remoção do lodo digerido.


- Tubulação de d e s c a r ~ ude lodo. Dispositivo hidráulico, convenientemente constniído e instalado na fossa séptica,
para descarga de Indo digerido, por pressão hidrostática.
- Valas defiltruclio. Valas pn~vidasde material filtrante e tubulações convenientemente instaladas destinadas a fil-
trar o efluente da fossa séptica, antes do seu lançamento em águas de superfície.
- Valas de infiltra~ão.Valas destinadas a receber o efluente da fossa séptica, através de tubulação convenientemen-
te instabada, e a permitir sua infiltraçáo em camadas subsuperficiais do terreno.
- Volume útil. É a capacidade da fossa calculada pela fórmula indicada mais adiante.

2.7.4.3 Princípios gerais


Os despejos domésticos devem ser tratados e afastados de maneira que as seguintes condiçóes sejam atendidas:
a) Nenhum manancial destinado ao abastecimento domiciliar coma perigo de poluição.
h) Não sejam prejudicadas as condi<;õespróprias a vida nas águas receptoras.
c) Nio sejam prejudicadas as condiçües de balneabilidade de praias e outros locais de recreio e esporte.
d) Não haja perigo de poluição de águas subterrâneas.
e) Não haja perigo de poluição de águas localizadas ou que atravessem núcleos de população ou daquelas utilizadas
na dessendentação de rebanhos e na horticultura.
f, Não venham a ser observados odores desagradáveis, presença de insetos e outros inconvenientes.
g) Não haja poluição do solo capaz de afetar direta ou indiretamente pessoas e animais.
Limites de emprego da N u m NB-41:
a) Não será admissível o emprego de fossas sépticas para edificações desprovidas da instalação predial de água.
h) A Norma se aplica a instalações que recebem despejos de um ou mais prédios, até 75.000 litros por dia.
224 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

C) A Norma não se aplica a balneários nem a despejos industriais, mesmo que em mistura com despejos domésticos.
d) Não será admissivel o encaminhamentode águas pluviais às fossas sépticas.
ej Os despejos que apresentarem condiçóes pre&dicLs ao bom funcionamentodas fossas sépticas ou elevado índice
de contaminação deverão ser objeto de estudo especial a ser submetido à autoridade competente.

2.7.4.4 Tipos de fossas. Disposição do efluente


A Norma prevê o emprego dos seguintes tipos de fossas sépticas:
a) De ~âmarassobrepostas.
b) De câmara única e de câmaras em série.
Fossas sépticas de cbmnras sobrepostas são aquelas em que os despejos e o lodo digerido são separados em câmaras
distintas, nas quais se processam, independentemente, os fenômenos de decantação e digestão.

I C O R T E - A B I C O R T E - C O

OISPOSITIVC

ENTRADO21100

OBS:
Nas fossas com canacidade s u h a 6 . W I. o fundo deverá ser
inclinado 3:1 na d;re$%odo~ b dco limpeza
Sempre que dfor > 2 000.a fossa le\arS nominimo 2 chanuntr
de a&s$. uma sobre o dispositivo & entrad;. e ww sobrc o dc
P L A N T A saida.
Todas as medidas são indicadas cm milimcaw (m)
Fig. 2.98 Fossas dpticas de c&marassobrepostas, imersas -Tipo A.
Esgotos Snnitários 225

Fig. 2.99 Fossa séptica cilíndrica de câmara única (Sano)


226 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Fossas sépticas de câmara única são as constiiuídas de um s6 compartimento,no qual se processam, conjuntamente, os
fenômenos de decantação e digestão.
Fossas s6pticas de câmarns em série são as constituídas de dois ou mais compartimentos interligados, nos quais se
processam, conjuntamente. os fenômenos de decantação e digestão.

Disposição do efluente
O efluente de fossas sépticas poderá ser assim disposto:
a) No solo: por irrigação subsupeficial, através de valos de infiltração (Fig. 2.104).
b) No solo: por infiltração subterrânea, auavés de sumidouros (Fig. 2.105).
c) Diretamente em águas de superfície. E o processo de diluição.
d) Em valas defiltrafão, antes do lançamento em águas de superfície (Fig. 2.106).
A irrigação subsupeficial (Fig. 2.107), feita através de valas de infiltração, constitui melhor forma de disposição quando:
a) Se dispuser de áreas adequadas.
b) O solo for suficientemente permeável.

CORTE - A0 CORTE - CD

', L
I I

C O N T R I B U ~ Ç ~ O D I M E N S ~ E S INTERNAS Im )
OBS:
Sempre que L for > 2.000 mm. a fossa levará no mínima duas chaminbs de
N C ( litror/dia ) Comprimento Largura Alturo acesso. uma sobre o diswsitivo de entrada e outra sobre a de saída.
Nm fossas com capacidade superior a 6.000 I. o fundo dever6 ser inclinado
75O 1,60 0.80 1.00 3:l na direçao do nibo de limpeza.
1 500 2.30 1.10 1,OO
2 250 2,45 1,lO 1,40
3 O00 3.00 1,30 1,30
4 500 3,15 1.50 1.60
6 O00 3,20 1.50 2,lO
Fig. 2.100 Fossa séptica de cgmara única (prismaticaretangular).
Esgotos Sanitários 227

-T A H P ~ E SOE FECHDMENTO H E R M ~ T I C O
I

1 CORTE - AB -1 CORTE - C0

PLANTA

OBS:
Sempre que d for > 2 . W mm. a fossa levari no minimo duas chamings de acesso. uma sobre o dispositivo de entrada e outra sobre a de saida.
Nas fossas com capacidade rupcrior a 6.W1. o fundo dever6 ser inclinado 3:1 na dire~áodo tuba de limpeza.
Todas as medidas s2io indicadas em milímetros (mm).

Fig. 2.161 Fossa séptica de c h a r a única (cilíndrica).


228 Instalações Hidráulicas Prediais e Indusfriais

PLANTA

OBS:
Sempre que L for > 2.000 mm, a fossa levar6 no mínimoduas chaminds de acesso. uma sobre o dispositivo de enuadae outra sobre.o de saida
Nas fossas com capacidade superior a 6.W 1, o fundo deverá ser inclinado 3: 1 na direção do tubo de limpeza.

Fig. 2.102 Fossa séptica de câmaras em série (prismt51ica retangular de três compartimentos).
Esgotos Sanitários 229

1 CORTE - AB 1 CORTE - CD

PLANTA

OBS:
Sempreque dfor > 2.000 mm. a fossa levar6 no minimo duaschaminds de acesso. uma sobre o dispositivo de entrada e outra sobre o de saída.
Nas fossas com capacidade superior a 6.OCüL, o fundo dever6 Fer Inclinado 3:1 na direfão do tuba de limpeza.
Toda aí medidas são indicadas em milimems (mm).

Fig. 2.103 Fossa séptica de cãmaras e m série (cilíndrica de dois compartimentos)


230 Irrsta!qües Hidrúulicns Prediais e Industriais

4 1 -.
3 0-0 W
i--- -

CI

PLANTA
I

CORTE TRANSVERSAL CORTE LONGITUDINAL 0fi7


PAPEL ALCATROAOO

LEGENDA DETALHE 00 DRENO

FOSSA

OBS:
Observada a redugão de capacidade de absorção das valas de infilúsção. novas unidades deverão ser consmidas para recuperação da capacidade perdi-
da.
Todas as medidas $20 indicadas em milimemr (mm).

Fig. 2.104 Disposição d o efluente n o t e r r e n o - valas de infilwaqão.


Esgotos Sanitários 231

I TAMPÕE DE INSPECI~O
DE FECHAMENTO HERMÉTICO 0 600,

SUMIDOURO SEM ENCHIMENTO SUMIDOURO COM ENCHIMENTO

PLANTA 1 PLANTA

FOSSA
D- DEVE SER MAIOR QUE 3 VEZES
O 0 DOS SUMIDOUROS E NUN.
CA MENOR QUE S.WOmm.

OBS:
Sempre que possível devem ser constniídos dois sumidouros para usa alternado.
Os sumidouros serão dimensionados em fun~ãoda capacidade de a k o q ã o do solo. Ohiervada a redqão de capacidade de absor~ãodos sumidouros,
novas unidades deverão ser connmiídas oara recuoeracão da caoacidade oerdida.

Todas as medidas d o indicadas em milímetros (rnm).

Fig. 2.105 D i s p o s i ç ã o do efluente no terreno -sumidouro


232 Instalacües Hidráulicas Prediais e Industriais

no ou
JETA

OBS:
Observando a redução na capac~dadede Filtração destas valas. as mesmas deverão ser desmanchadas uma de cada ver e a sua areia dpve ser bem lavada
ou substituída, ap6s a que a vala de f i l m ~ ã o d e v eser novamente posta a funcionar.
A rala de filtra~loterá uma extens5.n mínima de 6.W mm por pcssoa cquiualente.
Cada fossa deverá ter pelo menos duas valas de filtração.
Todas as medidas são indicadas em milímetros (mm).

Fig. 2.106 Disposi~ãodo efluente em águas de superfície - valas de filtração


Esxotos Sanitários 233

MPO DE NITRIFICACXO

LEGENDA DETALHE DO DRENO

FOSSA SANO

OBS:
- Observada a redução da capacidade de absoqão das valas de infiltrqão, novas unidades deverão ser constni<daspara recuperacão da capacidade
perdida.
- Todas as medidas são indicadas em milímetros (mm).

Fig. 2.107 Valas de infiltração com irrigação subsuperiicial


234 irisfnlncõ~s
Hidráulicas P r ~ d i a i se Industriais

Fig. 2.108 Gráfico para escolha do sistema de disposiçáo do efluente de fossa séptica.

2.7.4.5 Determinação da capacidade de absorção d e um solo


Para saber qual a melhor solu$ão a adotar para disposição do efluente de uma fossa séptica, é necessário conhecer as
condifões de pemeabilidade do solo. Para a realização de ensaio sumário, o P-NB-41 propõe que se faça o seguinte:
"Em seis pontos do terreno que vai ser utilizado para disposição do efluente da fossa séptica:
1") Proceder a abertura de uma vala, cujo fundo deverá coincidir com o plano útil de absorção.
2") No fundo de cada vala abrir um buraco de seção quadrada de 3M) mm de lado e 300 rnm de profundidade. Raspar
o fundo e os lados do buraco com a ponta de uma faca ou outro objeto perfurante para que fiquem bem ásperas.
Retirar do fundo do buraco qualquer terra solta e encher o fundo do mesmocom umacamada de 50 mm de bnta n"
1 bem limpa. Em seguida, manter o buraco cheio com água durante quatro horas. Adicionar mais água à proporção
que ela vai se infiltrando no terreno. Este procedimento farácom que as condições do terreno nos buracos se apro-
ximem dos apresentados em épocas de grandes chuvas.
3") No dia seguinte, encher cada buraco com água, aguardando que a mesma se escoe completamente.
4P) Encher novamente os buracos com r i p a até a altura de 150 mm, marcando o intervalo de tempo em que o nível da
mesma baixe 10 mm. Em terrenos arenosos ou muito absorventes. onde a água nos buracos infiltra os 150 mm em
menos de 30 minutos, deve-se em cada buraco fazer seis testes de absorção com espaço de 10 minutos entre cada
teste. O intervalo marcado para o último teste deve então ser anotado como o verdadeiro.
Com os tempos determinados na quarta operação, poderá ser obtida na curva do gráfico acima a capacidade de absor-
ção do terreno em lim2idia.Adotar sempre o menor coeficiente de infiltração.
Para sumidouros, fazer a prova em seis profundidades e adotar para efeito de cálculo o menor coeficiente de infiltra-
ção."
Exemplo:
Ao se realizar o ensaio de campo, verificou-se na quarta operação, já referida, que o intervalo de tempo durante o qual
o nível da água baixou 10 mm foi de 12 minutos.
Entrando-se com esse valor no gráfico da Fig. 2.108, encontra-se a curva num ponto situado na faixa indicada para usar
vala de infiltração e ao mesmo tempo se obtém o volume de água capaz de ser absorvida pelo terreno, ou seja, cerca de 32
Vm2/dia.

2.7.4.6 Projeto de uma instalação de fossa séptica


Contriburcáo. No cálculo da contribuição de despejos, deverá ser observado o seguinte:
a) O número de pessoas a serem atendidas, nunca inferior a cinco.
b) O consumo local de água, podendo-se adotar, na falta deste dado, os valores mínimos constantes da Tab. 2.13.
C) NOSprédios em que houver, ao mesmo tempo, ocupantes permanentes e temporários, o volume total da fossa será
Esgotos Sanitários 235

Tabela 2.13
I

Prédio Unidade Contibuição/dia (litros)


Despejo (C) Lodo fresco (Lf)

Ocupantes permanentes
Hospitais leito 250 1,o0
Apartamentos pessoa 200 1.o0
Residências pessoa 150 1,o0
Escolas - Internatos pessoa 150 wJ'
Quart6is pessoa 150 1,o0
Casas populares-mais pessoa 120 1,o0
Hotéis (sem cozinha e lavanderia) pessoa 120 1,00
Alojamentos provisórios pessoa 80 1,O0
Ocupantes temporários
Fábricas em geral (s6 os despejos
dom8sticos) operário 70 0.30
Escolas - Externatos pessoa 50 0.20
Edifícios públicos ou comerciais pessoa 50 0.20
Escritórios pessoa 50 0.20
Restaurantes e similares refeiçáo 25 0.10
Cinemas, teatros e templos lugar 2 0,02

a soma dos volumes correspondentes a cada um desses casos, sendo o período de detenção usado para ambos os
casos o correspondente h contribuição total.
Período de contribuição de despejos. Deverão ser considerados os seguintes períodos:
- Prédios residenciais, hotéis, hospitais e quartéis: 24 horas.
- Outros tipos de prédios: os regimes próprios de funcionamento.
Contribuiçáo de lodofresco. Na ausência de dados locais, deveráo ser considerados os valores mínimos em litros por
dia constantes da Tab. 2.13.
Período de deteyüo dos despejos. As fossas sépticas deverão ser projetadas considerando-se os seguintes períodos
mínimos de detenção de despejos:
a) Fossas de câmara única ou de câmara em série, de acordo com a Tab. 2.14.
b) Fossas sépticas de câmaras sobrepostas: 2 horas ou 1112 do dia, para efeito de c~lculo.
A cdmara de decantaçüo, nas fossas sépticas de câmaras so~repustas,deverá ter. no mínimo, volume de 500 litros.
Período de armazenamento de lodo. As fossas septicas deverão ter capacidade para armazenamento de lodo pelo perí-
odo mínimo de 10 meses.
Período de digestão do lodo. Para efeito de c4lculo,50 dias.

Tabela 2.14

Contribuição em litros por dia (C,) Período de detenqão


(Cx númem de pessoas) Em horas Em dias ('i

6.000 a 7.000
7.000 a 8.000
8.000 a 9.000
9.000 a 10.000

cima de 14.000
C e r i e n t e de redupTo de voiumr d r lodo. Considerando a redução de volume de lodo fresco, decorrente do fenómeno
de digestão. deverão ser adotados os seguintes coeficientes para o cálculo do volume de lodo a ser admitido:

Lodo digerido R, = 0.25

Lodo em digestão R? = 0.50

Forma. Recomendam-se as formas cilíndricas e prismáticas retungulares


Dimrnsionamrnro dasfossas sépticus de câmaras sobrepostas.
No dimensionamenlo deverão ser considerados:
a) Volume decorrente do período de detenção dos despejos (V,):

b) Volunie decorrente do penodo de armazenamento d o lodo (V,):

c) Voluine correspondente ao lodo em digestão (V,):

d ) Volume útil de fossas sépticas: V = V, + V2 + V3


Onde:
N = n q e contribuintes
C = contribuição de despejos em litroslpessoaldia (Tah. 2.13)
C, = contribuição de despejos em litrosldia (Tab. 2.14)
T = período de detenção em dias
V , = volume decorrente do período de detenção de despejos
V: = volume de lodo digerido
V , = volume de lodo em digestão
T , = período de armazenamento de lodo, em dias
T, = período de digestão, em dias
L, = contribuição de lodos frescos em litros/pessoa/dia
O volume útil mínimo admissivel será de 1.250 1

e) Para as fossac sépticai de forma cilíndrica:

r~~ ~
, , .
O diâmetro ( d )não deverá ser superior a duas vezes a profundidade útil ( h )
f) Para as fossas sCpticas de forma prismática retangular:
largura iiiterna mínima (b): 0,70 m
relação entre comprimento (L) e largura ( h )

profundidade útil (h)


mínima: 1.10 m
máxima: 2.50 m

A largura da fossa não poderá ultrapassar duas vezes a sua profundidade.


g) Detalhes constmtivos de acordo com as 12igs. 2.99. 2.100 e 2.101.
Remopio de lodo digerido. A remoção deverá ser feitade forma rápida, sem contato do operador, devendo para isso ser
previsto, na conslrução da fossa, o seguinte:
a) Remoção por homhas. Recomenda-se a instalação de um tubo de limpeza vertical, de ferro fundido pintado com
epóxi ou de cimento-amianto, tipo esgoto, refo~çado,com 16 rnm de espessura. Este tubo, com diâmetro mínimo de
Esgotos Sanitários 237

0.15 m, ficará com a extremidade inferior situada a 0,20 m do fundo, e a superior a 0,10 m abaixo da tampa de
inspeção da fossa, devidamente protegida por bujão, por onde será introduzido o mangote de sucção da bomba (Fig.
7 1121
b) Remoção por pressão hidrostática. Quando as condições locais o permitirem, poderá ser instalado, em substituição
ao previsto na alínea anterior. um si& hidráulico com a carga hidrostática mínima de 1.20 m, construído com tubo
de diâmetro mínimo de 0,10 m de ferro fundido, ou de cimento-amianto, tipo esgoto, reforçado, com 16 nim de
espessura (Fig. 2.1 12).
c, Nas fossas sépticas com capacidade para atendimento de descargas superiores a 6.000 litros, 3 inclinação do fundo
deverá ser. no mínimo, de 1:3 para o ponto onde se localizar a tuhulação de descarga, tubo ou abertura de limpcza.
Tampiies de inspeçáo. Para fins de inspeçãoe eventual remoção do lodo digerido, as fossas sépticiis deverão possuir, na
laje de ccbertura, entradas dotadas de tampões de fechamento hermético, cuja menor dimensão em secão será de 0.60 in,
devendo ser observado o seguinte:
a) Nas fossas sépticas do tipo A (Fig. 2.98), as aberturas de inspeção deverão estar localizadas de fonna a permitir
inspeção também da câmara de decantação.
h) As aberturas de inspeção deverão ficar no nível do terreno quando a laje de cobertura da fossa estiver abaixo deste
nível; deverão ser construídas chaminés de acesso, com diâmetro mínimo de 0,60 m. As fossas com diâmetro ou
comprimento superior a 0,200 m deverão ter, pelo menos, duas aberturas.
c) A extremidade superior da tubulação de descarga, ou do tubo de limpeza de lodo, deverá ficar em posição coinci-
dente com a abertura de inspeção.

Dimensionamento dos eiementos de disposiqio do efluente de fossus sépticas, por irrigujüu subsuperjicial
Essa forma de disposi$ão consiste em distribuir o efluente da fossa séptica no terreno através de tubula$iio adequada e
convenientemente instalada. conforme mostra a Fig. 2.107, devendo ser observado o seguinte:
a) Em valas escavadas no terreno, com profundidade entre 0,40 e 0.90 m. com largura mínima dc 0,50 m, serão assen-
tes tubos de diâmetro mínimo de O, I0 m, preferencialmente do tipo furado, com juntas livres. espaçadas dç O. I O m.
reçobertas na parte superior com papel alcatroado. h l h a de neoprene ou similar.
h) A tubulação mencionada acima será envolvida em camada de pedra britada, pedregulho ou escória de coque, sobre
a qual deverá ser colocado papel alcatroado, folha de neoprene ou similar antes de ser efetuado o enchimento res-
tante da vala com terra.
c) A declividade da tubulação deverá ser de 1:300 a 1:500; quando a tubulação das valas de infiltração for aliiiientada
intermitentemente, o que poderá ser feito pela intercalação de tanque fluxível na tubulação do cfluente. os tubos de
distribuição poderão ser assentes horirontalmente.
d) Deverá haver, pelo menos. duas valas de infiltruqio para disposição do efluente de uma fossa séptica.
e) O comprimento máximo de cada vala de infiltração deverá ser de 30.00 m.
f) O espaçamento mínimo entre duas valas de infiltração deverá ser de I.00.m.
g) A tubulação do efluente entre a fossa séptica e os tubos instalados nas valas de infiltrqáci terá juntas tomadas.
h) O comprimento total das valas de infiltração será determinadg em'função da capacidade de absor<;áodo terreno.
calculado segundo as indicações constantes da Fig. 2.108, devendo ser considerada como superfície útil de absor-
ção a do fundo da vala.

Dimenswnamento dos elementos de disposição do efiuente de fossas slpticus em cántaras suhierrdnras


Essa forma de disposição consiste em distribuir o efluente da fossa séptica no terreno, através de sirmidourr~s.devendo
em sua construção ser observado o seguinte (Fig. 2.105):
a) Os sumidour»s deverão ter as paredes revestidas de alvenaria de tijolos, asentes com juntas livres. ou de anéis pré-
moldados de concreto convenientemente furados. podendo ter ou não enchimento de cascalho. pedra britada. coque.
com recobrimento de areia grossa.
h) As lajes de cobertura dos sumidouros deverão ficar ao nível do terreno: serão de concreto armadoe dotadas de abertura
de inspeção com tampão de fechamento hermético, cuja menor dimensão ein seção será de 0.60 m.
c) As dimensões dos sumidouros serão determinadas em função da capacidade de absorção do terreno, calculada se-
gundo as indicaçoes constantes da Fig. 2.108, devendo ser considerada como superfície útil de absorção a do fundo
e das paredes laterais até o nível de entrada do efluente da fossa.
d) Os sumidouros não deverão atingir o lençol freático.
Valus dejilrração. A disposição do efluente de fossas sépticas só poderá ser feita em águas de superfície, diretamente
ou após tratamento complementar em valas de filtração, ajuízo da autoridade sanitária. A vala de filtração consta de (Fig.
2.106):
a) Vala de 1,20 a 1,50 m de profundidade, com 0,50 m de largura na soleira.
b) Tubulação receptora com diâmetro de 0,10 m. preferencialmente do tipo furado, assente no fundo da vala com as
juntas livres e recobertas na parte superior com papel alcatroado ou similar.
c) Uma camada de areia grossa, constituindo a massa filtrante, que recobrirá a canalização receptora.
d) Tubulação de distribuiçiáo do efluente da fossa sdptica. com diâmetro de 0,10 m, preferencialmente do tipo furado,
assente sobre a camada de areia, com juntas livres e recobertas na parte superior com papel alcatroado ou similar.
e) Uma camada de cascalho, pedra britada ou escória de coque, colocada sobre a tubulação de distribuição, recoberta
em toda a extensão da vala com papel alcatroado ou similar.
0 Uma camada de terra, que completará o enchimento da vala.
Nos terminais das valas defiltração deverão ser instaladas caixus de inspeção.
O efluente da fossa séptica deverá ser conduzido às valas de filtração através de tubulação, com diâmetro mínimo de
0.10 m, assente com juntas tomadas e dotada de caixas de inspeção nas deflexóes.
A declividade das t u b u l a ç h deverá ser de 1:300 a 1:500; se a alimentação das valas de filtração for intermitente, o que
poderá ser feito pela intercalação de tanque fluxível na tubulação do efluente, as de distribuição poderão ser assentes ho-
rizontalmente.
O efluente da fossa séptica deverá ser distribuído eqüitativamente pelas valas de filtração.
As valas de lilrraçào deverão ter a extensáo mínima de 6.00 m por pessoa ou equivalente, não sendo admi~sívelmenos
de duas valas para o atendimento de uma fossa séptica.
A infilrração subterrânea, através de sumidouro, poderá ser feita quando:
a) O solo for suficientemente permeável.
h) As águas subterrâneas, que possam constituir manancial de água potável, estiverem em profundidade conveniente,
de modo a não haver perigo de poluição.
Sempre que possivel, será recomendada a construção de dois sumidouros para funcionamento alternado.
A dispo-ição do efluente de fossas sépticas diretamente em águas de superfície somente poderá ser feita ajuízo da
autoridade sanitária competente.
A juizo da autoridade sanitária competente, as valas de filtração deverão ser utilizadas para melhorar as condiçoes do
efluente de fossas sépticas, antes de sua disposição em liguas de superfície.
Materiul. As fossas sépticas deverão ser constituídas de concreto, alvenaria. cimento-amianto ou outro material que
atenda as condiçòes de seguranp. durabilidade, estanqueidade e resistência a agressóes químicas dos despejos, observa-
das as normas de cálculos e execução a eles concernentes. É o caso das fossas de fibra de vidro e PVC recentemente lan-
çadas no mercado.
As tubulaçóes deverão ser preferencialmente de material cerâmico-vidrado, cimento-amianto, ferro fundido, concreto
ou outro material que atenda às çondiçües estabelecidas anteriormente.
A areia. pedra britada. escória de coque e o cascalho, utilizados no enchimento das valas de infiltração e filtração, de-
verão ser limpos e isentos de matérias estranhas.
Execução. A localizaçáo das fossas sépticas e dos elementos destinados a disposição do efluente deverá ser de forma a
atender as seguintes condições:
a) Possibilidade de fácil ligação do coletor predial ao futuro coletor público.
b) Facilidade de acesso, tendo em vista a necessidade de remoção periódica do lodo digerido.
c ) Afastamento mínimo de 20.0 m de qualquer manancial.
d) Não-comprometimento dos mananciais e da estabilidade de prédios e terrenos próximos.
Dos rnemonais e plantas de constmção ou reforma de edifícios localizados em zonas desprovidas de rede pública de
epgotns sanitários. submetidos à aprovação da autoridade competente, deverá constar o projeto de instalação para trata-
mento e disposição dos despejos, devidamente justificado.
Fossrr.~pré-.fabriradas. Vimos como se pode, com facilidade e seguindo a NB-41, dimensionar e projetar uma fossa
séptica e construi-la. Motivns de ordem econômica e prática poderão indicar a conveniência da aquisição da fossa pré-
fabricada.
A Sano S.A. Ind. e Comércio propôs fossas segundo dois sistemas básicos muito conhecidos:
As fossas com câmara Imhoff e as fossas com câmara de decantação submersa, sistema OMS (Otto Mohr System).
Nas fossas imhujjP(nome de seu inventor, Karl Imhoff) ocorrem simultaneamente a sedimentação e a digestão dos lodos
sedimentares. O esgoto penetra na fossa pela abertura de entrada, saindo o efluente depurado pela abertura oposta. Na
câmara de decantação, a água se separa dos materiais sólidos. Destes, os mais pesados passam pela abertura inferior da
cbmara e vão-se acumula na câmara de fermentação ou digestão, onde sofrem a ação anaeróbia das bactérias, ao passo
que os mais leves ficam flutuando como escuma, na câmara de decantaçào. Existem câmaras Imhoff nas quais os gases da
digcstiíu siío liberados p u a a atmosfera. e outros em que, por ser a fossa estanque, ficam retidos na câmara. A mistura de
gases acumulada, entre os quais se acha o metano, é explosiva, o que deve ser lembrado ao pessoal de m ~ u t e n ç ã o .
A Fig. 2.109 mnstra uma fossa cilíndrica com câmara Imhoff. A Tab. 2.15 fornece as dimensóes das fossas Sano com
câmara de decantação submersa com capacidades desde cinco até 500 contribuintes.
Na Fig. 2.11 1 vê-se a fossa OMS e na Tab. 2.15 são apresentadas as dimensks da fossa Imhoff conforme o número de
contribuintes.
As fossas com câmara de decantaçáo submena sistema OMS funcionam da seguinte maneira:
O afluente entra na fossa pela abertura A - passando diretamente para a câmara de decantacão submersa B, onde o
proccss~~ sc realiza em cerca de uma hora e meia. As matérias orgânicas mais leves passam pela abertura superior, sobem
até a superfície C da água, onde sofrem a aqâo de bactérias aeróbias, e se transformam em escuma que flutua na superfície
da água.
As partes pesadas decantam, passando pela abertura inferior até a câmara de digestão, onde então se verifica a ação das
bactérias anaeróbias que leva à produção de resíduos mineralizados nitrogenados, que se depositam lentamente no fundo D.
Esgotos Sanitários 239

._.-_,''
-.--'
CORTE C-D

OB S:
Todas as medidas são indicadas em milímeuos (mm).

TUBO DE LIMPEZA

VI - VOLUME DA C ~ N A R I DE D E C A N T A F ~ O
V2 - VOLUME DE LODO D I B E R I D D
a V3 - VOLUNE DE LODO EM DIBLSTÁO

Fig. 2.109 Fossa cilíndrica com câmara Imhoff de acordo com a NB-41 da ABNT.

Remoção do lodo ou lama. A remoção da lama mineralizada é feita periodicamente, havendo para isso um tubo de
limpeza dentro do qual se introduz o mangote de sucção da bomba.
A NB-41 indica um sistema de remoção do lodo por pressão hidrostática, sem necessidade de bomba. Para isso, utiliza
um poço auxiliar ao lado da fossa. Como se pode ver na Fig. 2.1 12, a energia de posiçáo é maior na superfície da água na
fossa que na saída do tubo no poço auxiliar; quando se abre o registro. a água da fossa desloca-se pelo interior d o tubo até
a boca de saída e pode ser recolhida num tambor. O tubo, estando imerso no lodo no fundo da fossa, conduzirá o lodo até
despejá-lo no tambor.
Sempre que d for > 2.000 mm, a fossa levará no mínimo duas chaminés de acesso, sendo aconselhável, no entanto, a
utilização de três assim distribuídas: uma sobre o dispositivo de entrada, outra sobre o de saída e a terceira dando acesso
ao tubo de limpeza ou à tubulação de descarga.
Deve-se afastar a fossa 15 m de nascente d'água ou de poço de água doméstica; 12 m de sarjeta ou córrego e 6 m de
construçáo ou limites de terrenos. Nas fossas com capacidade de atendimento de contribuição superior a 6.000 Vdia, o
fundo deverá ser inclinado 3: 1 na direção dotubo de limpeza ou tubulação de descarga. Quando as fossas forem colocadas
em locais sujeitos a trânsito de veículos, suas tampas devem ser reforçadas com vigas sob as mesmas. Antes de colocar a
fossa em funcionamento, enche-se a mesma com água doce e limpa e, se possível, despejam-se no seu interior 50 a 100
Tabela 2.15 Dimensionamento de fossas Sano cilíndricas com câmara Imhoff
-
baseado na contribuição de ISOLIPES dia de acordo com O P-NB-41 da ABNT

üEC V I - VOLUME DA CÂMAR~ DE DECANTA~ÃO


V P - VOLUME DE LODO DIGERIDO
L----l VI-VOL@JME DE LODO EM D I G E S T ~ O
V4-VOLUME CORRESPONDENTE i LONA NEUTRA
V5-VOLUME CORRESPONDENTE h ZONA DE ESCUMA
Esgotos Sanitários 241

<
242 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Fig. 2.110 Representação esquemitica de uma fossa para visualizaçáo de


seus elementos constitutivos.

CORTE A-8

OBS:
Todas as medidas são indicadas em milimems (rnm).

C O N V E N Ç ~ O:

v, - VOLUME DA C ~ M A R ADE D E C A N T O ~ ~ D

- Vp VOLUME DE LODO DIWER100

CI] v, - VOLUME DE LODO EM D I O E S T ~ D

Fig. 2.111 Fossa Sano com câmara de decangHo submersa, de acordo com a P-NB-41 da ABNT.
Esgotos Sanitdrios 243
244 Instnlaçõcs Hidráulicas Prediais e Industriais
Esqotos Sanitários 245

REMOCIO
POR PRESSÃO HIDROST~TICI ATRAVES DE REMOFPO PO. BOMBA ~TRAVÉSDE
TUBULICAO DE DESCARGI DO LODO TUBO DE LIMPEZA
rnapões DE FECHLMENTO ~ERMÉTICO

CORTE A.8

FOSSA SEPTICA

OBS:
As extremidadessuperiores da tubulqáo de descarga ou dos tubos de limpeza dcuem sempre situar-se dentro de uma das chamints de acesso à forra.
Nas fossas com capacidade superior a 6.000 1, o fundo deverá ser inclinado 3: 1 na d i n ç ã o do tubo de limpeza ou da tubula~ãode descarga.
Todas as medidas são indicadas em milimetraq(mm). ,

Fig. 2.112 D e s c a r g a ou l i m p e z a d e lodo digerido das fossas d p t i c a s .


246 1nslalações Hidrdulicas Prediais e Induslriais

litros de lodo em digestão, proveniente de outra fossa. Esta última providencia acelerará o funcionamento da fossa. O in-
tervalo máximo entre duas limpezas ou remoções de lodo desta fossa é de 10 meses.
Sempre que as edificações possuírem triturador de Lixo, e esse lixo for adicionado ao afluente das fossas, a capacidade
das mesmas deve ser aumentada em 50%.
Observação: Alguns sanitaristas recomendam que a distância das fossas e sumidouros a qualquer fonte, ou poço de
6gua potável, seja de 20 a 40 m, de acordo com a constituição do terreno e a velocidade de filtração do lençol d'água (que
não deve ser superior a 1,20 m por dia).
Quando o terreno apresentar dificuldades para a instalação de uma fossa de grande capacidade e profundidade conside-
rável, pode-se associar fossas menores de capacidade total equivalente, em bateria, devendo-se proceder como indica a
Fig. 2.1 14, instalando-se caixas de entrada, caixas de derivação e de junção.

I
I 8
i1
O A
P
2 1
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91
O
0
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- - - -- - - - - - - - - -
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I
C1 C1 C1 C1

C3 I 0
I
I
I
Fig. 2.113 Instalagáo de fossas sdpticas
Esgotos Sanitários 247

BATERIA DE
2 FOSSAS
BATERIA DE 11
ENTRADA

Fig. 2.114 Instala$âo & fossas sépticas em baterio.

2.7.5 Estagões compactas de tratamento de esgotos (sistemas conjugados


de tratamento)
A insuficiênciade espaço e razões de ordem econamica para que se tome possível constmir uma estação de tratamento
convencional em ciclo completo com recirculação do lodo ativado, levam os projetistas. quando se trata de instalações de
porte pequeno e médio, a optar por uma das chamadas estações de tratamento compactas.
Estas estações reúnem, num mesmo conjunto, o tanque de aeração e o de decantação final, podendo haver, ainda, um
segundo tanque para digestão aeróbia.
Algumas são construídas em concreto armado, e outras em chapa de aço. Proporcionam elevado grau de remoção de
limpezas do Iíquidocloacal, superior aoque se alcançacom as fossas; são simples de operare, naturalmente, como o nome
está indicando, ocupam pouco espaço.
Embora se possa considerar o valo de oxidação como uma estação de tratamento compacta, faremos referência apenas
a dois tipos de estações compactas, muitwem uso, e que se baseiam na eficaz ação aeróbia verificada com uma prolongada
aeração dos esgotos.

IQProcesso:Aerafão prolongada ou oxidafão total do FMC-Filsan. Equipamentos para Saneamento SIA


O projeto básico inclui um sistema de aeração, com um tempo de detenção de 24 horas, e um tanque de decantação
final, com um tempo efetivo de 4 horas de detenção. Uma grade de limpeza manual e um triturador permitem a separação
dos sólidos bmtos antes da entrada no tanque de aeraçáo.
Introduz-se ar (vindo de um compressor) com difusores num tanque de aeração, onde as bactérias aeróbias, em presen-
ça do oxigênio do ar insuflado. agem segundo a ação bioquímica, a que já nos referimos.
A separação dos sólidos desenvolvida no tanque de aeração 6 efetuada no compartimento de decantação através de
sedimentação, e as matérias sólidas são daí bombeadas de volta ao sistema de aeração elou ao tanque de acumulação de
lodo.
O efluente clarificado é descarregado por uma canaleta que sai do topo do tanque de decantação.
Seguindo esse esquema básico, a FMC-Filsan fabrica diversos tipos para atender a vazões desde 30 m3/diaaté 2.000
m3/dia,para atendimento a um número de pessoas igual a 190 e até 12.800respectivamente.
A Fig. 2.1 15 mostra esquematicamentecomo se realiza o tratamedto no sistema de aeração prolongada da Filsan. e a
Tab. 2.17 fornece os dados para a escolha do modelo, em função da vazão ou do número de pessoas atendidas. O número
de pessoas atendidas foi calculado com base numa couhibuição per capita diiria de 50 mg de DBO,.
248 lt~stnlaqõesHidráulicas Prediais e Industriaiç

Iiig. 2.1 15 Esquema básico do sistema de aeração prolongada de FMC-FILSAN para tratamento de esgotos

Os modelos Stepaire e Completaire conferem ao sistema de aeração as vantagens do emprego do sistema de lodos ati-
vado~.
A Fig. 2.1 16 mostra uma unidade compacta 801.23.00 executada em chapa de aço. Esse modelo, como se observa pela
Tab. 2.17, emprega o processo de aeração prolongada, com vazões que atingem de 30 a 60 m3/dia. A unidade tem seus
tanques e compartimentos conjugados e pode ser transportada já equipada e eventualmente poderá ser reutilizada em ou-
tros locais, quando se tratar de instalações provisórias, ou quando a rede pública já estiver construida no local onde fora
instalada.

2"Processo: Estação compacta de tratamento Bio Disc


O Bio Disc é um processo de filtração biológica fabricado no Brasil pela GEOSAN - Equipamentos e Engenharia
Ltda., com patentes registradas em mais de 50 países, que proporciona um efluente dentro dos parâmetros estabelecidos
pela Royal Comission Standards da Inglaterra.
O processo Bio Disc baseia-se na ação de seus discos de material plástico girando com movimento contínuo, em baixa
rotação, passando alternadamente através do esgoto (A) e da atmosfera (B) (Fig. 2.117).
A s bactérias aeróbias presentes no esgoto são repetidamente expostas ao ar, que Ihes fornece o oxigênio para a realiza-
ção de sua ação bioquímica nos esgotos.
Esses microrganismos digerem a matéria orgânica formando uma substância gelatinosa semelhante à que se produz nos
filtros biológicos e que adere à superfície dos discos, criando películas biologicamente ativas.

Fig. 2.116 Unidade compacta FMC-FILSAN. Modelo 801-23.00,para tratamento de esgotos.


-
Tabela 2.17 Modelos d e estações compactas de tratamento d e esgotos da FMC FILSAN

DBO, DBO Redugo


de Area máx. de Potência DimensBes básicas
Vazão projeto ocupada influente Pessoas instalada em melros
DBO, aten- .
Modelo m31dia kgldia mZ P P ~ didas* cv. Compr. Altura Larg. Processo Descrisio
801.20.01 30 9.6 40 320 85 190 2 8.9 3 .O 4.5
801.20.02 40 12.8 49 320 85 250 3 11.0 3.0 4.5 Aeracão Tanques retangulares
8OI.20.03 60 19.2 M) 320 85 380 3 12.5 3.3 4.8 prolongada de concreto
801.20.04 80 25.6 68 320 85 500 4 13,3 3.6 5.1
801.2I.01 120 38.4 IM1 320 85 760 4 12,O 3.6 9.0
801.21.02 160 51.2 126 320 R5 1000 6 12.6 3.9 10.0 Aeraçáo
ROI.21.03 Tanques retangulares
200 64.0 150 320 85 1.260 7.5 15.0 3.9 10.0 prolongada de concreto
801.21.04 240 76.8 163 320 85 1.520 7.5 15.0 4.0 10.9
801.22.01 400 I28 212 320 85 2.5 60 12 17.7 12.0
3.7
XO1.22.02 h00 192 263 320 85 3.840 I5 21.9 4.0 12.0
R01.?>.O3 800 256 286 320 85 5.120 25 23.8 4.6 12.0 Aeração Tanques retangulares
801.22.04 1.000 320 409 320 85 6.400 30 22.7 4.3 18.0 prolongada de concreto
801.22.05 I.2IKJ 3x4 439 320 85 7.MO 40 24.4 4.6 18.0
801.22.06 1.600 512 575 320 85 10.240 50 24.0 24.0
4-6
801.22.07 2.tnici MO 750 320 8s 12.~00 60 25.0 4.6 30.0
801.23.01 30 9.6 21 320 85 I90 3 6.2 3.0 3.0 Tanques retangulares
XO1.23.02 36 11.5 25 320 85 230 3 7.3 3 .o 3,O Aeraçáo de chapa de a ~ o
ROI 2 3 0 3 48 15.4 30 320 85 300 3 9.2 3.0 3.0 prolongada unidos
801 .23.04 60 19.2 35 320 85 380 4 10.7 3.0 3 .O

Tanque de aeraçáo
801.2401 80 25.6 4I 320 R5 510 5 14 3.0 3.0 Aeraçáo retangular cltanque
801.24.02 100 32.0 48 320 R5 6
MO 16 3 ,o 3.0 prolongada de decantqao
801 24.03 120 38.4 56 320 85 760 7.5 19 3.0 3.0 circular separado de
801 24.04 150 48.0 67 320 85 960 10 23 3.0 3 .O chapa de aco
803.20.01 400 80 101 200 90 1.600 1O 12.0 3.5 12.0 Aeraçáo Tanques circulares
803.20.02 600 120 101 200 90 2.400 20 12.0 12.0 escalonada de chapa de asa
5 .O
803.20.03 800 160 169 200 90 3.200 25 15,O 15.0
4,0 Estabilização STEPAIRE
803.20.04 1.000 2W 169 200 90 4.000 40 15.0 15.0 por contato
5.0
803.20.05 1.200 240 203 200 90 4.800 40 16.0 16.0
803.2006 5.0 AeraGo
1.600 320 27 1 200 90 6.400 50 19.0 5.0 19.0 prolongada
803.20.07 2.000 400 327 200 90 R.mI 80 21.0 5.0 21.0
802.20.0 1 60 16.8 12.5 280 90 330 3 4.2 2.4 3.0
802.20.02 80 22.4 16.3 280 90 440 4 5,4 2.4 38
802.20.03 100 28.0 20.0 280 90 560 5 6.7 Mistura Tanques retangulares
802.20.04 2.4 3.0
I20 33.6 25.1 2x0 90 670 6 8.4 completa de chapa de
802.20.05 2,4 3.0
160 44.8 32.6 280 90 XW 6 11.0 2.4 3.0 aqo unidos
802.20.06 200 50 35.2 250 90 I. l W 8 12.0 3.0 3.0 COMPLETAIRE
802.2007 240 60 42.4 250 90 1.200 9 14.0
802.20.08 38 3.0
300 75 52.7 250 90 1.500 1O 18.0 3 .O 3.0
250 Instalafões Hidráulicas Predinis e Industriais

Fig. 2117 Sistema Bio Disc. Esquema básico do princípio de funcionamento.

A carga poluente é assim reduzida progressivamente, disco por disco, num ciclo inintempto de purificação.
O acionamento do eixo onde se fixam os discos é feito com motor elétrico acoplado a um duplo redutor de velocidade
com engrenagens de sem-fim e coma, que imprime ao eixo de discos um movimento de 0,5rpm.
Nas Figs. 2.119 a 2.125acham-se representadas as várias fases que ocorrem no tratamento com o Bio Disc.
A unidade fechada é dividida em quatro zonas (Fig. 2.1 18):

Fig. 2.118 Unidade Bio Disc. Partes constitutivas.

a) Zona de decantaçáo primária.


b) Zona biológica.
C) Depósito de lodo.
d) Zona de decantação final.
Inicialmente, os esgotos entram na unidade. atingindo a zona de decantação primária (Fig. 2.119). Vejamos o que se
passa nas diversas zonas da estação.
a) Zona d e decantaçáoprimária (Fig. 2.119). Nelaos sólidos mais pesados se precipitam. O esgoto, agora composto
por matéria mais leve em suspensão, passa para a segunda etapa, a zona biológica.

Fii. 2.119 Unidade Bio Disc. Zona de decantação primária.


Esgotos Sanitários 251

Fig. 2.120 Unidade Bio Disc. Zona biolúgica.

b) Zona biológica (Fig. 2.120). Na zona biológica existe uma caiha dividida porchicanas transversais em cinco comparti-
mentos. Aberturas alternadas à direita e à esquerda nas chicanas imprimem ao esgoto afluente um movimento de
serpentina, conduzindo-o de compartimento em compartimento. A medida que os discos giram nestes comparti-
mentos em contato alternado com o esgoto e a atmosfera, a carga poluente C reduzida progressivamente, disco por
disco, até atingir a zona de decantação final, onde a quase totalidade dos sólidos restantes se deposita (Figs. 2.121
e 2.122).

Flg.2.121 Unidade Bio Disc. Zona de decantação final.

C) Depósito de lodo (Fig. 2.123). Durante o tratamento ocorre o espessamente das películas que se formam na super-
fície dos discos, sendo normal que se desprendam fragmentos por açHo da gravidade. Os dois primeiros comparti-
mentos têm aberturas no fundo da calha. que permitem a passagem destes fragmentos para o depósito de lodo, cor-
tando desta forma a obsuução da calha.
d) Zona de decantaçãofinnl.Somente os dois primeiros compartimentos têm aberturas no fundo. A carga poluente de
lodo é progressivamente reduzida e nos três compartimentos seguintes 6 mantida em suspensão por palhetas colo-
cadas rentes aos discos (Fig. 2.124).
Os fragmentos passam para a zona de decantaqáo final antes de o efluente ser descarregado (Fig. 2.124).
A limpeza do equipamento normalmente é realizada duas vezes por ano, podendo-se retirar o lodo por qualquer equi-
pamento de sucção (Fig. 2.125). A remoção das tampas laterais permite fácil acesso para a operação de limpeza (Fig. 2.125).

Fig. 2.122 Unidade Bio Disc. Açáo dos discos na zona de decantação final.
252 instnlaç8es Hidrdulicas Prediais e Industriais

Fig. 2.123 Unidade Bio Disc. Depósito de lodo

Fig. 2.124 Unidade Bio Disc. Ação das palhetas sobre a carga poluente nos compattimentos de decantação final.

Fig. 2.125 Unidade Bio Disc. Limpeza do equipamento.

Método pam dimensionameiito do unidode Bio Disc modelo MKII


Pode-se seguir a sequênciade operações indicadas na Tab. 2.18. Na falta de dados mais precisos, adotam-se, como taxa
de ocupasão média. cinco habitantes, por unidade residencial, d e porte médio. Calculados os valores totais e ef, utiliza-se
o diagrama de seleção para se obter o tamanho da unidade Bio Disc.
Esgotos Snniiários 253

Tabela 2.18 Vazão de projeto e carga orgânica de projeto em funçáo do número de contribuintes

e restaurante

cantinas) 0.045-0.68 0,018

Bares 0.009 0,0045


1
Quadras de
esporte 0,045 0,014

90

(01 vezao
m4dis
(1) Carga
org&niea
MODELO

DIAGRAMA DE SELEÇÁO
254 instala@es Hidráulicas Prediais e Industriais

Eventualmente, os totais e e f poderão indicar unidades de tamanhos diferentes. Como regra geral, 6 mais importante
que a carga orgânica esteja dentro do limite da capacidade da unidade selecionada. Se a vazão for substancialmente infe-
rior à recomendada, poderá ser preciso adicionar ggua para obter a diluição necessária ao perfeito desenvolvimento do
processo.
Esse diagrama indica as cargas recomendadas para cada unidade Bio Disc em função de um efluente final com até 20
mgil de DBO, e até 30 mgil de sólidos em suspensão (padrão da British Royal Commission Standard).
A GEOSAN iniciou recentemente a fabricação das unidades Bio Disc Modelo MKII, especialmente projetadas para
instalação em tanques de concreto armado substituindo os tanques pré-fabricados em aço, cuja produção foi descontinua-
da
Na Tab. 2.19, de dados dimensionais, foram indicados apenas os dados referentes aos modelos 200,350 e 500 de linha
normal de fabricação.

Tabela 2.19 Dados dimensionais

Entretanto, os modelos menores continuam disponíveis, sob encomenda especial, e qualquer modelo pode ser fomeci-
do com tanque de aço opcional.

Exemplo:
Suponhamos uma fábrica com 500 empregados, com restaurante para 500 refeições.
De acordo com a Tab. 2.18, temos:
(a) (b) (c) (4 (e) = (b) X (C) u> = (b) x (4
Fábrica 500 0,068 0.018 34,00 9,00
Restaurante 500 0,013 0,014 6,50 7,00
Total (e) =m u> = 16,OO
De acordo com o diagrama de seleção com os valores acima de (e) e (f) o tamanho da Unidade Bio Disc será o Modelo
- 350.

2.7.6 Tratamento de Esgotos Industriais


O tratamento dos esgotos industriais, istoé, sua depuração, de modo apennitir o lançamento nos coletores públicos, ou
em águas de superfície. pode constituir-se em problema de certa complexidade, tais sejam a natureza e o volume dos resi-
duosindustriais.
A poluição causada a rios. lagoas e ao mar pelos despejos de certas indústrias pode constituir-se em grave risco para a
Ecologia e para a própria vida humana. A conscientização da gravidade das conseqüências do indiscriminado lançamento
de resíduos industriais in narura, ou mesmo nos coletores públicos, tem levado B criação de entidades públicas que legis-
lam sobre o assunto e fiscalizam o cumprimento daquilo que posturas, regulamentos, normas e leis estabelecem.
Podemos resumidamente classificar as substâncias ou produtos que causam a contaminação industrial em:
a) Elementos insolúveis, possíveis de se-m separados por processosfísicos:
Esgotos Sanitários 255

- Sólidos em suspensáo, como areias, óxidos, precipitados químicos.


- Pastas, msíduos de tinta de impressão (podem exigir também processos químicos).
- Materiais flutuantes como gorduras, h'idrocarbonetos não-solúveis e graxas.
b) Elementos solúveis, podm possíveis de serem separados por processosfísicos:
- Materiais absowíveis como certos corantes, detergentes etc.
- Sais separáveis por operação de osmose ou de troca de ions.
c) Elementos que necessitam apenas de uma neutralização:
Acidos e bases, minerais ou orgânicos, cujos sais são solúveis até certo grau de concentração e não-tóxicos em si
mesmos. É um dos casos mais comuns em indústrias químicas.
d) Elementos que necessitam uma operação de oxidaçáo-redução:
São, por exemplo, os oxidantes ou redutores suficientemente solúveis, como os sulfatos. cianatos e cromatos.
e) Elementos separáveis por precipitação:
E o caso dos metais, que podem ser precipitados sob a forma de hidróxidos insolúveis dentro de certa faixa de
valores do pH (cobre, ferro, zinco, cromo, alumínio) ou sulfatos. fluoretos e alguns ácidos minerais e orgânicos.
f) Elementos separáveis porjloculqáo, decantação ouflotação:
Ocorre w m substâncias coloidais e produtos emulsionados, como elast8meros, colas, hidrocarbonetos etc.
g) Elementos separáveis por desgasificação:
Apresentam-se. por exemplo, nos produtos sulfurosos e fenólicos concentrados.
h) Elementos que necessitam de tratamento biológico, às vezes complementado com recursos especiais.
Neste caso se encontram os chamados compostos biodegraddveis, como são os açúcares, os fen6is. as proteínas
e uma grande variedade de substâncias das indústrias alimentícias (leite, fmtas, cerveja, açúcar, couro. iilcool etc.).
Como se pode observar, o método de tratamento, a natureza das substâncias a utilizaie sua dosagem supóem o conhe-
cimento das propriedades físicas e quimicas dos produtos a serem tratados, o tempo durante o qual são produzidos e o
volume produzido.
A tecnologia do tratamento utiliza desde os processos mais simples da decantação, filtração, neutralização, diluição.
até os mais complexos e sofisticados tratamentos que certos resíduos industriais requerem.
Pode-se dizer que, a rigor, cada tipode indústria exigeestudo especial, pois utiliza processos apropriados e específicos.
Em certos casos, combinam-se diversos recursos ou operaçóes para que as taxas e índices fixados pelas normas sejam
alcançados.

k MOTOR

CONCRETO O U A L V E N I I I C

CORTE B- E

CORTE A-P

Fig. 2.1263 Caixa mutralizadora decantadora.


256 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Já fizemos menção de dispositivos simples utilizáveis em instalações prediais comuns. Esses dispositivos, tais como
foram vistos, ou com a introdução de certas adaptações, podem ser também usados na remgáo de resíduos industriais. E
o caso das caixas de gordura. caixas detentoras ou interceptadoras, caixas sepaiadoras de óleo, caixas resfriadoras, caixas
neutralizadoras e caixas diluidoras.
As caixas diluidoras deverão ter seu volume calculado em função do grau de concentração do produto químico a ser
esgotado. Deverá ser prevista instalação de água que permita a diluição necessária e para isso pode vir a ser necessário
válvula automática para admissão do volume de água requerido.
Certos resíduos industriais, para serem removidos e. portanto, para não entrarem nos subcoletores e coletores, devem
passar por processos às vezes complexos, onde o conhecimento de Química e Física Industrial C imprescindívelpara uma
correta solução dos problemas e das operações mencionadas.
Na Fig. 2.126a acha-se esboçada uma caixa neutralizadora-decantadorade tipo simples e muito empregada.
Pode ser consuuída em concreto ou alvenaria revestidacom argamassaou pintada com tinta capazes de resistir aolíqui-
do a ser neutralizado.

L B ~ < I 4

TUBO DE PVC RIGIDO VINILFORT


JUNTA ELÁSTICA E B ~ 6 4 411982)
CURVA 45" VINILFORT PB CURVA 900 VINILFORT - PB

150 160 a0 94 366 3W 2.625


2W 200 510 106 4M 450 4.500
250 250 630 110 490 MO 8.871

Fig. 2.12ób Tubos e conexões Vinilforida Tigre para coletores de esgoto.

BITOLAS DIMENSÕES MASSA


mm mm m m m m ",r mm
ZW L50 200 160 414 186 106 44 33m
250 150 250 160 460 206 140 94 S4W
3W 150 315 160 565 286 155 M 9?M

SELIM 45" SOLDÁVEL - VINILFOR?

Fig. 2.32óc Tubos e conex&s Vinilfon da Tigre para coletores de esgoto.


Esgotos Sanitários 257

A neutralização pode ser no sentido de comigir a acidez e, então, em muitos casos se emprega a agua com cal colocada
num misturador, ou calcário dolomítico na caixa neutralizadora. Pode-se ter de corrigir a excessiva alcalinidade proceden-
do-se de forma análoga, usando-se um ácido. Em qualquer caso, a dosagem da substância neutralizadora deve ser calcula-
da em função do grau de acidez ou alcalinidade.Em instalaçóes de cena responsabilidade, acal com água (ou a substância
apropriada ao caso) passa por dosadores ou bombas dosadoras antes de ser lançada na caixa neutralizadora.
A câmara decantadora, ou decantador, possibilita a deposiçgo do resíduo e dela sai o líquido em condições aceitáveis.

2.7.7 Dimensionamento de pequenas redes de esgotos sanitários


Em loteamentos, conjuntos habitacionais, complexos industriais, hotéis, colégios, quartéis e mesmo casas afastadas do
coletor público ou do local de tratamento particular e do destino dos esgotos, têm-se que dimensionar os subcoletores e
coletores.

2.7.7.1 Dimensionamento de acordo com a NBR-8160183


Tratando-se de instalaçóes prediais, o dimensionamento deve seguir as recomendaç&s da Norma NBR-8160183, que
dá os diâmetros dos ramais de descarga em função do número de unidades Hunter e estabelece que os subcoletores e co-
letores devem ser dimensionados utilizando-se a Tab. 2.7.
O número máximo de unidades de descarga a que o subcoletor ou o coletor deve atender, segundo aTab. 2.7, depende
do diâmetro e da declividade dos mesmos.
A referida Tab. 2.7 fixa os diâmetros mínimos que se devem usar, ate o diâmetro máximo de 400 mm. A Tab. 2.5 for-
nece as declividades mínimas permitidas. Certas municipalidades permitem coletores prediais com diâmetros de 200 mm
(8") e até de 250 mm (10").
Coletores de diâmetro acima de 150 mmpodem oferecer dificuldade de inserção no coletor público, não sendo por isso
permitidos em muitas municipalidades.
Vejamos com um exemplo como dimensionar um coletor predial segundo a Norma. Vamos supor que tenhamos de
dimensionar o coletor de um edifício de apartamentos com 16 pavimentos, seis apartamentos por andar, tendo cada apar-
tamento as seguintes peças:
2 banheiros sociais com 1 vs., 1 lav., 1 chuv. e 1 bidê
1 banheiro de empregada com 1 vs. e 1 lav.
1 cozinha com 1 pia
1 área de serviço com 1 tanque de lavar roupa
Teremos a considerar as seguintes unidades de descarga:

Nos banheiros: 16 pav. X 6 apts. X 2 banh. (considerando 1 vs.,


porque é o aparelho de maior descarga) X 6 UH = 1.152UH
Nas cozinhas: 16 pav. X 6 apts. X 1 coz. X 1 pia X 3 UH = 288
Nas áreas de serviço: 16 pav. X 6 apts. X 1 área X 1 tanque X 3 UH = 288
No apto. do zelador: 1 banh. (com 1 vs.) 6
Total 1.734 UH

Pela Tab. 2.7 vemos que teríamos de usar um coletor de 2M) mm (8") de diâmetro e com declividade de 2% (0.02).
Devemos examinar a possibilidade de projetar coletores com diâmetro ate 150 mm (6"). Para isso, teremos que usa
mais de um coletor.
De fato, usando coletores prediais de pequeno diâmetro, pode-se fazer a inserção no coletor público com mais facilida-
de.
A própria disposiçao dos tubos de queda no edifício a que estamos nos referindo poderia recomendar. por exemplo, o
emprego de dois coletores prediais de 150 mm atendendo cada um a 840 UH, dando um total de 1.680 UH. A declkidade
a adotar para o tubo de 150 mm deverá ser, no caso, de 2%. conforme determina a Tab. 2.7.
Convém lembrar que a Norma, no dimensionamento de subcoletores e coletores, considera apenas o aparelho de maior
descarga em cada banheiro. quando se trata de prédio residencial, para o cômputo de número de unidades Hunter de con-
tribuição. Portanto, em cada banheiro, temos apenas 6 UH.
Se fosse prédio de escritórios, teríamos que considerar os vasos e demais peças.

2.7.7.2 Cálculo expedito de subcoletores e coletores


Existem casos em que se poder6 calcular subcoletores e coletores utilizando-se as fórmulas clássicas de descarga em
canalizações de esgotos. Isto ocorre, por exemplo, em complexos industriais. Nestes, existe um horário rígido e de curta
duração para o banho de chuveiro dos empregados, alem da possibilidade da ocorrência simultânea de algum lançamento
de descarga considerável na rede predial.
Observemos, preliminarmente, que no caso das canalizações de esgotos deveremos ter a água trabalhando a seção par-
cial, isto é, como canal, de modo que existacamada suficiente de ar que assegure condições para a manutenção da aerobiose.
258 Insialações Hidráulicas Prediais e Industriais

Além disso, é necessário uma velocidade mínima de escoamento que possibilite a autolimpeza dos coletores.
Para casos de coletores como os que estamos admitindo, supõe-se que o escoamento é processado em regime perma-
nente e uniforme, o que, dentro da ordem da precisão que se pode obter com as hipóteses de vazão dos prédios, é perfei-
tamente aceitável.
Mencionaremos duas maneiras ou metodos simples de proceder no dimensionamento dos coletores prediais.

I Método
Utilizando as equações clássicas de hidráulica de canais.
São duas as equações fundamentais que se empregam:
A equação de continuidade: Q = S . V, e a equação de Chezy V = C &,sendo:
V- a velocidade média da água no canal;
R - o raio hidráulico, igual à razão entre a área S ocupada pela água na seção transversal do canal (encanamento), e
o perímetro molhado P.

h
I - a declividade = - :
L'
h - a diferença de cotas entre os pontos considerados;
L - a extensão do canal;
C- o coeficiente de Bazin, função da forma, natureza do material do encanamento e da rugosidade das paredes,
expresso por y.

Portanto,

Para coletores de esgoto com os materiais comumente usados, adota-se y = 0.16.


Para uma declividade I = 1:1.000, teremos

Na Tab. 2.20, acham-se representados, para diversos diâmetros de encanamento, valores da velocidade e da descarga,
para as situações de canal a plena seção, canal com 314 da seção e com meia sqão, considerando a declividade de 1: 1.000.
Para outro valor qualquer I da declividade, podem-se calcular os valores da velocidade e de descarga multiplicando-se
os valores tabèlados pela raiz quadrada da declividade. Assim. os valores V'e Q' para uma declividade I são:
v.= i.;,:,.,, x Ji
Q*= ai:i.miX J7
Convem notar que a declividade nas f6rmulas é dada em "tantas unidades de comprimento por mil". Por exemplo, para
a declividade de 0,3% = 0,003, usa-se na fórmula I = 3.

Exemplo:
Suponhamos que a descarga a atender seja de 6,8 1.s~'e a declividade igual a 0.7% com a canalização a meia seção.
Para I = 0,7% = 0,007 mlm = 7 metros por mil melros, teremos:
Esgotos Sanitários 259

Tabela 2.20 Diâmetro d o coletor da área transversa d e escoamento

Dilmeiros Plena sefáo Seção a 314. D Meia s q á o 112. D

VI:,, Q,z:zm~ V(r:lmJ Qn:rm, V ~ : , , Q<i:tm,


mm " d s Us ds Us d s Us

100 4 0.22 1.70 0.24 1,54 0,22 035

125 5 0.26 3.13 0.29 2.83 0,26 1.56

150 6 0.29 5.16 0.33 4.66 0,29 2.58


200 8 0.37 11.03 0.41 10.36 0,35 5,51

250 10 0,42 20.50 0,47 18.60 ' 0.42 10,25

300 12 0,48 33.60 0.53 30.40 0.48 16,80

Como a declividade na tabela é de 1: 1.000, a descarga Q que se deverá considerar para entrar na tabela.será

Para esse valor de Q, acha-se para V o valor 0,29 m . s-'.


A velocidade real com a declividade de 0,7% será V"= 0.29 f i = 0,77 m scl. .
Para o valor da descarga de 2,58 i/s, o diâmeho correspondente encontrado na Tab. 2.20 B de 150 mm (6").
Podemos usar também a Tab. 2.21 baseada na fórmula de Bazin. com o coeficiente de mgosidade igual a 0.16. para o
cálculo direto do escoamento a meia sepio.
Para assegurar a existência de uma camada suficiente de ar no coletor, a altura da Iâmina líquida poderá ficar compre-
endida entre 20 e 75% do diâmetro do tubo. O valor da altura da Iâmina líquida percentual mínima de 20% corresponde à
vazão máxima no início de funcionamentode uma rede, escoando-se com velocidades de 0,50 a 0,60 mis. O valor de 75%
corresponde à vazão máxima prevista para a instalação com o desenvolvimento completado. Alguns projetistas adotam
como valor inicial 30% em vez de 20%. o que nos parece preferível.
Em cálculos expeditos, 6 aceitável adotar o coletor trabalhando a meia seção, se não houver indicações sobre aumento
no volume dos esgotos.
Existem várias outras fórmulas muito empregadas no dimensionamento de coletores públicos, entre as quais a de
Ganguillet-Kutter, Manning (usual nos Estados Unidos), Prandtl-Colebrook e outras.

Tabela 2.21 Escoamento a meia seção. Fórmula d e Bazin

Declividade 150 mm 200 mm 250 mm 3Oü mm


(6") (8") (10") (12")
o/o mlkm V Q V Q V Q V Q
mls Ys d s 11s d s 11s d s Us

0,l 1 0,29 2,6 0,36 5.7 0,42 10,3 0.48 17,O


0.2 2 0,41 36 0.5 1 8.0 0.50 143 0.67 23.8
03 3 0,5 1 4s 0,62 9-7 0,73 17.8 0.82 29,l
04 4 0.58 5,1 0,72 11.3 0,84 20,6 0.95 33,6
0.5 5 0.65 53 0.80 12.6 0.94 23.0 1,o6 37,6
0,6 6 0.72 6.4 0,88 13.8 1.O3 25.2 1.17 41.2
0.7 7 0,77 6.8 0.95 14.9 1.11 27,2 1,26 44.5
0.8 8 033 7.3 1.01 15.9 1.19 29.2 1.85 47.5
0.9 9 0,88 7.8 ],O8 17,O 1,26 30.9 1,43 50.4
1,O I0 0,92 8.1 1,13 17.8 1.33 32.6 1,50 53.2
1.5 L5 1.13 10,O 1,39 21.8 1.62 39.8 1,84 65.1
2.0 20 1.31 11.6 1,60 25,l 1.87 45.9 2,14 7x5
3.0 30 I@ 14.2 1.96 30.8 2,30 56.6 2.61 92,l
260 lnstalaç6ts Hidráulicas Prediais e Industriais

2 *Método
Utilizando o Projeto de Norma Brasileira ~ - ~ ~ - (Elaboração
5 6 7 do Projeto de Redes de Esgotos Sanitários).
A Norma supõe conhecidas a descarga máxima atual Q, e a descarga máxima futura Q,.Pode bem aplicar-se a lotea-
mentos, conjuntos habitacionais, complexos industriais, muito embora seja destinada a redes públicas de esgotos.
Adotam-se para altura da lâmina d'água h valores que correspondem a

h, = 0,30 para Q, (máxima atual)


[dI
--
h2 - 0,75 para Q,(máxima futura)
[dl

Com esses valores entra-se no ábaco da Fig. 2.127 e, escolhendo-se o diâmetro do tubo, seacha na escala à esquerda o

Fig. 2127 Ábaco para cálculo de tubulação pela fórmula de Manning com N = 0,013.
Esgotos Sanitários 261

valor de Q l a . Daí se calcula a declividade I e se verifica pelo gráfico da Fig. 2.128 se, para a descarga dada, o valor se
acha entre os limites máximo e mínimo compreendidos entre as duas retas inclinadas.Verifica-se tamMm se a cota do
coletor público ou do PV público possibilita executar o coletor com tal declividade.
Na prática. conhecem-se a descarga e declividade possível em face do terreno e do nível inferior do coletor público ou
do poço de visita da municipalidade. Calcula-se então Q I - h , e no ábaco da Fig. 2.127. com os valores de hld e ~ l f i ,
determina-se o diâmetro d do coletor. Escolhido o oâmetro do coletor que mais se aproxima do valor obtido com as coor-
denadas Wd e Ql*, considera-se o valor de Q l d I e vai-se obter o valor corrigido de hld.

Exemplo:
Admitamos conhecidos:
- Descarga máxima atual: Q , = 6,97 Vs = 0,007 m3 . s-'
- Descarga máxima futura: Q, = 10,67 Vs = 0.01 1 m3 . s-'
- Declividade máxima possível devida à profundidade do coletor público: I = 0,004
Quais deverão ser o diâmetro do coletor e as percentagens de altura da lâmina d'água?
Calculemos primeiramente:

Com Q 1 l J Í = 0,11 e adotando W[dl = 0,40, se obtém no ábaco da Fig. 2.127 tubo de d = 0.20 m de diâmetro.
Com Q J J ~= 0.17. agora com d = 0,20 m, obtém-se hld = 0,52.
No ábaco da Fig. 2.128, vê-se que a declividade I = 0,004 correspondente aos valores Q , = 7 1 . s-' e Q, = 10.7 1 . s - I ,
se situa na faixa entre as retas inclinadas que dão os valores máximo e mínimo de I para se obter velocidade aceitável.
Para calculara velocidade. podemos na Tab. 2.20 entrar com I = 0,001 e d = 200 mm e obter para o tubo a seçãoplena,
,:,
e,:,.,= 11,031 . s - ' e V = 0 , 3 5 m . s - ' .
Para 1 2 0,004, teremos:

Q t = Q,, X 4% = 11,03 X 2=22,061.s-'


V = V,:,., X 4% j
4 0,337 X 2 = 0,74 m . s-I

Poderíamos fazer o cálculo, utilizando o grafico do Prof. José Augusto Martins (Fig. 2.129). Com o valor Wd = 0.4,
acha-se a relação entre Q' e Q plena seção. A descarga Q ,' será:

Para

V', será 0.87 x V' = 0.87 x 0.74 = 0.64 m , s - '

e para

Os valores se aproximam bastante dos obtidos anteriormente


262 Instalagõeõcs Hidrdulicas ?rediais e Industriais
Esgotos Sanitdrios 263

Fig. 2129 Elementos hidrfiulicos da.%çãocircular- organizado pelo Pmf. Jose Augusto Martins.

2.7.8 Cálculo da vazão e m coletores, segundo o P-NB-567 (Elaboração de


projeto de redes de esgotos sanitários)
A Norma adota a seguinte terminologia:
P, = População;
P. = População do início de funcionamento do sistema:
P, = População de alcance do projeto (quando realizadas as ampliações previstas):
q, = quota per capita;
q, = quota de início de funcionamento do sistema;
qf = quota no alcance do projeto;
C = relqão entre o volume de esgotos sanitários recebido na rede de esgotos e o volume de água
fornecido população. A Norma adota C = 0,80;
k, = coeficiente do dia de maior contribuição de esgotos;
k, = coeficienteda hora de maior contribuição;
k3 = relação entre a vazão mínima e a média anual.
O P-NB-567 recomenda adotar-se:
k, = 1,2
k, = 1,2
5 = 0.5
As expressóes a adotar são as seguintes:

a) Vazão media anual Q =C . 8PJ


6.4.0
(71
0
b) Vazão média no dia de maior contribuição
264 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

c) Vazão máxima no dia e hora de maior contribuição

d) Vazão mínima anual

Exemplo:
umconjunto habitacionai tem 320 apartamentos de saiae dois quartos e poderá ser ampliado para 420. Quais os valo-
res das vazóes?
Podemos considerar cinco moradores por apartamento, de modo que a população do conjunto é de

Atualmente: 5 X 320 = 1.600 hahitantes = P,


Futuramente: 5 X 420 = 2.100 hahitantes = P.

Adotemos C = 0,80 e consideremos o consumoper capita de 200 iihabitantetdia. (Em São Paulo é exigido que se con-
sidere 300hahldia.)
a) Vazão média anual

atual:

futura::

b) Vazão média no dia de maior contribuição

atual:

futura:

C) Vazão máxima no dia e hora de maior contribuição


atual:
futura:
d) Vazão mínima anual

atual:

C' , AS . P, . rl, = n,c x 2.100-x -?no -


futura: Vi.,.,.
= I , s-,
86.400 86.400

Observação: Em cálculos aproximados pode-se adotar como vazão nos coletores valor correspondente a 75% da água
distribuída, considerando-se separadamente a água de infiltração (O,MX)2a 0,0008 Us por metro de coletor),
e supor o coletor trabalhando a meia seção.
O Departamento de Obras Sanitárias de São Paulo manda calcular a rede de modo a atender à vazão da
hora e do dia de maior distribuição no fim do plano. Calcula-se esta contribuição como 75% de água distri-
buída (calculando-se a água de infiltração em separado). Considera-se a lâmina líquida a meia seção no fim
do plano e velocidade mínima de 0,75 mls.

Vazão a considerar
Vimos como a Norma Brasileira NB-19 fixa vaiares representativos para a descarga das diversas %as sanitárias, expres-
sos em unidades de descarga, a fim de se dimensionar os coletores.
O ilustre Engenheiro Eugenio Silveira de Macedo realizou estudos para determinar os valores das vazões de esgotos
em bacias de drenagem residencial e bacias de drenagem industrial e comercial e apresentou, no I Congresso da Associa-
Esgotos Sanitários 265

ção Brasileira de Engenharia Sanitária, uma fórmula empírica derivada da f 6 m ~ l de


a Manning para cálculo da descarga
em coletores.
Com os valores obtidos em numerosas medições na cidade do Rio de Janeiro, estabeleceu a dependência entre o valor
da descarga máxima Q,, e o valor da área editicada E. Assim, exprimindo Qd, em litros por segundo e E em metros
quadrados, apresentou as seguintes fórmulas empíricas:
a) Para áreas de ocupação residencial

b) Para áreas de ocupação comercial

c) Para áreas industriais

Q, = 0,000179 . E (I . s-')

Observação: O P-NB-567 adota para área 100% residencial Q,,, = 0,00025 Vs . m'e para as bacias 100% comerciais ou
industriais Q,, = 0,00016 Us . m'
Exemplo:
Um complexo industrial tem 18.400 m2de área industrial constmída e prédio de escritórios com 2.200 m2.
A descarga atual a considerar no coletor seria dada por:
Area industrial: 18.400 X '0,000179 = 3,29 I . S.'
Area de escrit6no: 2.200 X 0,000164 = 0.36
Descarga total = 3,65 I . s-'

A vazão futura serácalculadado mesmomodo, considerando os novos valores da área edificada E. previstos quando da
realização de toda a ampliação prevista para a indústria.

2.7.9 Representação gráfica dos coletores e poços de visita


Suponhamos um conjunto habitacional no qual a disposição dos edifícios, as mas e suas declividades indicaram a con-
veniência de se ter,vários subcoletores ligados a um coletor, o qual lança os esgotos em um PV da municipalidade. Trace-
mos em primeiro lugar, em escala, o coletor com os PV onde se inserem os subcoletores (Fig. 2.130).
Numeremos, na Fig. 2.130, os poços de visita da seguinte maneira: caracterizemos por uma letra (no caso, a letra A) a
área servida pelo coletor. O poço de visita a jusante, e que estamos supondo pertencer à municipalidade, será designado
A-l
por A-1. O primeiro PV a montante, onde começa o coletor, será designado por --. e os seguintes. de montante para
I
A-l A-1 A-i
jusante, por - - -.
2 ' 3 ' 4
Marquemos as distâncias entre os PV.
Indiquemos os trechos de coletores entre os PV.: trecho 1-1; trecho 1-2: trecho 1-3; trecho 1-4.
Marquemos o sentido do escoamento, com setas.
Organizemos uma planilha para cálculo das declividades, níveis dos PV, diâmetro do coletor e velocidade de escoa-
mento.
O cálculo pode se desenvolver começando naturalmente pelo PV no inicio do coletor, com o trecho I- I.

Trecho 1-1

A vazão que nele penetra, vinda dos prédios, admitamos que seja Q = 3 1 . s ' . Experimentemos adotar o diâmetro d =
150 mm e declividade I = 0,007, e vejamos a altura da lâmina d'água no coletor acima da geratriz inferior, que é denomi-
nado tirante d'lgiia.
Calculemos

Utilizando o gráfico da Fig. 2.127 com esse valor de Q/ $7 = 0,036 e com a curva correspondente ao diâmetro de 150
266 Instalações Hidráulicos Prediais e Industriais

d C "?
0
'C)
B
8 V?
"i d C s
'C)

8
m
VI.
d 2 'C).
0
Esgotos Sanitários 267

K
2W K r.
i1
O
C
Y
E
Y
O J .J
U
m
3
Om Um
U>
"3 1.5 t /r 3
"
COLETOR 1

- 1- TRECHO 1
P V. DA
MUNICIPALIDADE
-1.4
A-1
4
--
1-3

0,007 l50mm
,
C/
A- 1
S
- 1-2 2 1-1
L

V
1

-
3.0 1 /.

4,340
1,976
15Omm
4,360 t
4.360 (TERRENO1 loPv
4.365
2,860
t 2.076

1,s 118 1.5 C/,


2.734 1 FUNDO W
COLETOROURV.1

Fig. 2.130 Coletor 1. Planta baixa.

mm,achamos no eixo das abscissas a grandeza h/d = 0.33 do valor percenhlal da lâmina d'água relativamente ao diâme-
tro.
Este valor é aceitável, pois no ibaco do P-NB-567(Fig. 2.128) vemos que, para Q = 3 1,s-' e I = 0.007, obtemos um
ponto situado enm as retas inclinadas que delimitam o campo de emprego para valores aceitáveis da velocidade de esco-
amento.

Trecho 1-2
Este trecho recebe a contribuição de 3.0 1,s-' do trecho 1-1 e mais 1.5 1.s-' de um subcoletor, de modo que Q = 4,5
1.s-'.
Com

Procedendo de forma análoga à que fizemos acima, acharemos:

Trecho 1-3
Neste trecho, a vazáo será de Q = 7.5 1%'. pois, além do esgoto do coletor 1-2, recebe a contribuiçãode dois subcoletores
com 1.5 1.s.' cada um.
Com

Trecho 1-4
Neste Último trecho do coletor, Q = 10,5 1,s-I.
Adotemos:
268 lnstaiaçües Hidráulicas Prediais e Industriais

Podemos aumentar um pouco a declividade para trabalharmos a meia seção.


Entrando com hld e a curva d = 0.15, obtemos no eixo das coordenadas

A-1
Na distância de 50 m entre os poços de visita -e A-I, o desnível no coletor ser8 de 50 X 0.02 m/m = 1,O m, o que
4
6 um desnível considerável.
O poço de visita A-I, que supomos ser o da municipalidade. não permite a entrada nessa profundidade devido às con-
dições de traçado do coletor público, cujo PV se acha na cota 1,976 m.
P-1 2,076 - I, 976
A declividade de que dispomos entre os poços -4
e A-1 será dada por
50
= 0,002.

Para essa declividade, deveremos empregar um coletor de maior diâmetro e obteremos uma lâmina d'água reduzida.
Assim, fazendo

Com esse valor e d = 0.20, achamos hld = 0,43, valor aceitável, como sabemos, pois se acha compreendido entre 0,30
e 0,75.
Para verificmnos os valores da velocidade, podemos usar a Tab. 2.20. considerandoo escoamento primeiramentecomo
se o tubo trabalhasse a plena seção e com I = 1: 1.000.
Depois, comgiremos a velocidade e a descarga para o caso da declividade adotada (no nosso caso, é 0,007 entre os
A-1
p o ç o s e
1
A-l
- .
e 0,002 entre
4
A-l
-
e A-I).
4
Com o~gráficodo Pmf. Jose ~ u g u s t o ~ a r t i(Fig.
n s 2.129), entrando no eixo das ordenadas com o valor da lâmina líqui-
da hld e seguindo horizontalmente até as curvas da velocidade e da vazão, obteremos no eixo das abscissas os valores de
QlQ,,, e VIVD,e,.Daí, acharemos Q e Vpara lâmina d'Agua já obtida.
No exemplo que estamos analisando, teremos:
A-1 A-1
a) Trecho entre - e-
1 2
Dados: d = 150 mm I = 0,007
V,.,,
Plçni
= 0,29 m . s-I

h
Com - = 0,33 obtemos
d
Esgotos Sanitários 269

A - l A-1
b) Trecho entre -e -
2 3
Dados: d = 150 mm I = 0,007

V, = 0,77m.s-'eQ , , = 13,62

A-1 e A - l
C) Trecho entre - -
3 4
Dados: d = 150 mm I = 0,007

Vo,, = 0,77 m .s-I e Q , , = 13,62

A-l A
d) Trecho entre -e -
4 1

Dados: d = 200 mrn I = 0,002

V,,:,., = 035 Q,,:l.m, = 1L03


dena plena

V, = 0,35 X 1,41 = 0.49 m . s-'

Q,, = 11,03 X 1,41 = 15,55 1 . SC'

h
Com - = 0.67, achamos
d

Observaçóo: Poderíamos manter a velocidade constante ao longo do coletor, variando a declividade. Num caso como este
não se justificana esse cuidado.
Com os valores calculados, temos condição de preencher a planilha. A Fig. 2.131 representa o perfil do terreno e a
posição dos PVs. A Fig. 2.132 indica as cotas de fundo dos coletores e PVs e as profundidades dos PVs.

2.7.10 Elaboração do projeto de esgotos prediais


A elaboração do projeto de instalaçãopredial de esgotos sanitários para efeito de aprovação no órgão municipal compe-
tente depende das exigências, que variam de um município para outro. Embora basicamente o projeto se fundamente na
270 lnstalaç6es Hidrdulicas Prediais e Industriais

Fig. 2.131 Coletor L. Perfil do terreno e localizapáo dos P.V.

Fig. 2132 Perfil do coleior com m o s de visita.

Norma, as dimensões dos desenhos, as escalas, a apresentação de plantas baixas, os diagramas, os detalhes, o selo ou r6-
tu10 para as anotações de identificação da obra, o nome do proprietário, o nome do autor do projeto de instalações e do
instalador responsável pela execução variam. Por essa razão se recomenda, como providência preliminar, obter na repar-
tição ou órgão a que as instalaçóesde esgotos estiverem afetas o regulamento ou as exigências normativas para elaboração
do projeto, e o processamento de aprovação do mesmo e das instalações após terem sido executadas.
Resumindo e reunindo as exigências básicas para apresentqêo dos projetos nos órgãos competentes de algumas capi-
tais estaduais, podemos indicar o seguinte:
a) O projeto deve ser desenhado em plantas de arquitetura na escala 1:50 dos pavimentos que contiverem instalações de
esgotos sanitários (cobertura: último pavimento; pavimento tipo; pilotis ou primeiro pavimento; subsolo (se houver)
e pavimentos especiais (garagem. playground, mezaninos). Tratandwse de plantas baixas com área muito grande, o
desenho pode ser feito na escala de 1:100. Deverão ser apresentados também:
-esquema vertical;
- planta da situação do prédio (ou prkdios) na escala mínima de l:500.
Esgotos sanitários 271

b) No projeto deverão ser representados:


-todos os tubos de queda (TQ) com a respectiva numeração e, no diagrama, a quantidade de vasos e pias ligados a
cada um;
-a instalação primária de esgotos, ventilação primária e tubos de queda da instalação secundária,com as numera-
ções respectivas;
-detalhes das caixas especiais, quando for o caso, em escala de 1:2D;
-esgotos pluviais na planta baixa do primeiro pavimento.

Nota: Embora algumas entidades municipais ligadas ao saneamento não exijam que sejam apresentados para aprovaçáo os
desenhos das plantas dos pavimentos, a não ser dos que contenham subcoletores e coletores prediais. tais desenhos
deverão de qualquer forma ser feitos para uso do instalador que irá executar o projeto.
No caso de haver instalações sanitátias em nível inferior ao da via pública, cujo efluente deve ser elevado mecanica-
mente, deverá constar do projeto desenho detalhado, na escala mínima de 1:20, da construção da caixa coletora e da ins-
talação do equipamento elevatório, bem como dados sobre as características deste equipamento.
O projeto deverá conter todas as indicações relativas ao material e dispositivos a serem empregados, aos diâmetros das
canalizações, bem como o esquema vertical da instalação.
Deverá ser assinalada no projeto a localização do reservatório d'água subterrâneo e de poços que aproveitam águas do
lençol freático.

Convenções
No projeto devem ser adotadas as convenções da NBR-8160/83 para diferenciar as várias instalações, isto é:
a) instalaçóes de esgoto primário: mço preto cheio, grosso;
b) ventilação; ponteado;
C) instalação de esgoto secundátio: tracejado, preto;
d) instalação de esgoto pluvial: linha preta, de traço e ponto.

Dimensões das pranchas


Geralmente as dimensões das pranchas obedecem (ou deveriam obedecer) ao que recomendam as Normas Brasileiras
NB-811970 e P-NB-4311960.
Tamanho mínimo de cada prancha:
- largura -370 mm (já incluída margem de 10 mm)
- altura - 297 mm (já incluída margem de 10 mm)
Tamanho máximo de cada prancha:
- largura - 1,295 mm
- altura - 891 mm
Deve ser reservado um espaço de 185 mm X 297 mm, na parte inferior direita da prancha, para as anotações das refe-
rências necessárias a identificação da obra, seus responsáveis, as indicações e esclarecimentos técnicos para melhor inter-
pretação.

2.8 PROJETO DE UMA INSTALAÇÃO DE ESGOTOS


As fipuras de 2.133 a 2.139 representam as instalações de esgotos sanitários e águas pluviais de um predio no Rio de
~aneiro,Com12 pavimentos, possuindo lojas, dois ap&amentospor andar, garagem e apartamentos de zelador. O projeto
prevê a execução da instalação dos esgotos primários em tubos e conexões de ferro fundido; esgotos secundários. em PVC,
e as colunas de ventilação em fihmcimento.
A Cia. Siderúrgica Barbará S.A. apresenta em um de seus catálogos uma solução para a instalação de esgotos em um
banheiro eliminando o ralo sifonado e propondo uma coluna secundária para todos os aparelhos, com exceção do vaso
sanitário, que esgotará num tubo de queda independente. (Figs. 2.140 a. b e c).
As tubulações de água e esgoto ficarão num shaji, em forma de coluna, construido de placas removíveis.
O conjunto funcionajunto à parede completamente independente dos apartamentos vizinhos.
SALA SALP

Fig. 2.133 Instalações de esgotos -pavimento tipo 2' ao 12Qpavimento.


~ ç g o t o çSanitários 273
274 Instalações Hidráulicas Prediais e Indrrstriais
~sgotosSanitários 275
276 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais
Esgotos Sanitários 277
g2.
o
O,
9

COZINHA 2
h 9
2~
5
a
7
as-
i;'
*
s
a
H2.
-.
w

DETALHE DE ESGOTO
COZINHA c A. SERVIÇü

Fig. 2.139 Instalaçóes de esgotos -cozinha e área de serviço.


Esgotos Sanitirios 279

Fig. 2.140a Instalação usual. Fig. 2.140b Solução proposta pela Barbará.

Fig. 2.140~Materiais empregados nas instalaqões dos banheiros conforme sugestão da Barbará.

Normos BmsileVns
NB-281 - Execução de redes coletoras enterradas de esgotos com tubos e conexões rígidas de PVC de seção circular.
NBR-8160183 - Instalação predial de esgoto sanitário.
NB- 19 - Instalqões prediais de esgotos sanitários (substituída pela NBR-8160).
P-NB-570 - Elaboração de projetos hidriulico-sanitáriosde sistemas de tratamento de esgotos sanitários (1975).
P-NB-568 - Elaboração de projetos de interceptares de esgotos sanitários (1975).
P-NB-566 - Elaboração de relatório preliminar de sistemas á espotos sanitários (1975).
NB-265-75 - Rede de esgotos por gravidade.
NB-37-61 -Coletores de esgotos sanit&os.
NB-41-63 - Norma para construção de fossas septicas.
P-NB-589 - Elaboração de projetos de elevatórias e emissários de esgotos sanitários (1975).
P-NR-567 - Elaboração de projetos de redes de esgotos sanitários (1975).
NBR-7229 -Construção e instalação de fossas sépticas e disposiçáo dos efluentes finai bcedimento.
280 Inçtolnções Hidráulicas Prediais e Industriais

L l v m c publicsçk
GONDIN, José Cleanto C. Valos de oxidiição oplicodos o cgoros domésticos. Conv&niosBNWABES e ABESICETESB 1976.
JORDÁO, Eduardo Pacheco. A exprri8ncin do rrotomenro biolhgico no indústria químico eperroquímico.'2 Seminario dc utilidades. IBP. Nov. 1977.
GOMEZ, Elihon Thomd. Orienta$ãoãopara o dimensionomrnro de redes coleroras com auxílio de computodores IOP Congresso Brasiieim de Engenha-
ria Sanitária e Ambiental. ~ a i a u sJaneiro
. 1979.
N E T O , José M. de Arevedo e outros. Sistemos de esgotos sonirários. SP. CETESB-BNH-ABES, 1977.
CREDER. Hblio. 1n.croiacões hidráulicos e sanitárias. LTC - Livms Técnicos e Científicos Editora S.A. 2' ediczo.
GARCEZ; Lucas ~ a ~ u c iElemenros
k. de engenharia hidráulica e sonitdrio. Edit. Edgard Bliieher Lida. 1976. '
HAMMER, Mark J. Sistemos de ahtecimento dedguo e esgotos. LTC - Livms Técnicos e Científicos Editora S.A.. 1979.
JORDÃO. Eduardo Pacheco e PESSOA, Consunrino Amda. Tratamento de esgotos domésricos. SP. CETESB-BNH-ABES, 1975.
DACACH. Nelson Gsndur. Saneamento básico. LTC - Livros Tecnicos e Cientificos Editora S.A.. 1979.
MACINTYRE. Archibald Jaseph. Insraia~Cee~ técnicas. IBVolume, 1961.
PAES LEME, Francilio. Planejamento e projeto dos sistemas urbanos de esgornr snnirários. Convênios ABESIBNH e ABESICETESB. 1977.
BRAILE. Pedm MArcioe CAVALCANTI. Jose Eduardo W . A. Manualde rraromentode águas residuárias industriais. Convênios ABESIBNH e ABESI
CETESB. 1979.

Catilogos
AVIQUEI - Acumuladores Hidráulicos.
ComoanhiaMctalúreica Barba&S.A.
companhia ~ansenyndustrialTubos e Conexões Tigre.
Sano S:A. Indústria e Comércio.
Bmilit S.A. - Rodutos de PVC e Cimento-amianto.
Docol - Ind. c Corn6rcio S.A. (Válvulas de descarga).
Fabnmar S.A. (V&lvulasSiltnt-flux).
Metalúrgica Oriente S.A. (Váivulas Oriente Super).
Meialúrgica Mar S.A. (Válvulas Hydra e Super-Mar).
Fundi~ãoVit6ria - P c p s potencial de ff para esgotos.
P o l y m S.A. Ind. c Comércio -Tubos e conexães.
-
Metalúnica Briant.
~~

Miiniana. I~ndúrtriac C o m h i o .
Raulder Equipamcnw, Induruiais Ltda.
kdbiarh. C'oitiCrtio c Fabficqàn dc Produtos Fikrglass Llda.
Tigrefibra Industrial S.A.
Pulvitec Indbst5a ecomercio Lida.
FMC - Filran Equipamentos para Saneamento.
Moita, Indústria e Com6rcio (Ralos).
ATAG -Tratamento de Agua e Saneamento Ltda.
GEOSAN -Equipamentos e Engenharia dc Saneamento Ltda.
Dalgas -E m l m --EagiaTécnica Ltda. Tratamento de esgotos.
Ancobras - Anticmsivos do Brasil Ltda. Cimentos sint6ticos Keranol.
SIKA S.A. Reduto% químicos para consm~ç%o.
DECA -Duratex S.A.
Águas Pluviais

3.1 CONSIDERAÇÕESGERAIS

O estudo da precipitação pluvial visa obter dados para o projeto de meios de coleta e condução das águas de chuva
o mais rapidamente possível aos cursos d'água, lagos ou oceano, com o objetivo de evitar inundações em edifica-
ções. logradouros públicos ou outras áreas. Constitui um capítulo da Hidrotécnica, também chamada Engenharia de
Recursos Hídricos. O esgotamento pluvial é objeto específico da Hidrotécnica Urbana ou, como modemamente se diz,
da Engenharia de Drenagem Superficial. Esse ramo da adrotécnica evidentemente abrange uma ampla faixa de aplica-
ção de estudos hidrológicos e hidrotécnicos, que vão desde a obtenção de dados pluviom&icos, o estabelecimento da equa-
ção de previsão das chuvas e o estudo das bacias contribuintes até o dimensionamento e projeto das redes de escoamen-
to de águas pluviais (coletores e galerias) e das estruturas hidrániicas singulares (bueiros, pontilhões, bocas-de-lobo
etc.).
A abordagem da questáo sob essa ampla e profunda visáo não é, evidentemente, o escopo do esgotamento de águas
pluviais, encarado sob a perspectiva de instalações hidráulicas no sentido em que esta geralmente é tomada e que aqui
adotamos.
Aos interessados em ampliar e desenvolver estudos desse impnrtante campo da Hidrotécnica, recomendamos o exce-
lente tratado Engenharia de Drenagem Supe@cial(l978), de autoria do ilustreh o f . Paulo SampaioWilken, nome conhe-
cido por quantos se interessam pela Engenharia Hidráulica e Saneamento Ambiental.
No presente capítulo, consideraremos dois casos que se enquadram dentro do âmbito das atribuições de quem elabora
projetos de instalações.
a) Esgotamento de águas pluviais de áreas relativamente pequenas e de certo modo isoladas e independentes, como
telhados, terraços, pátios, áreas de estacionamento etc.
b) Drenagem superfiial de áreas maiores, de m6dia extensão, como loteamentos, conjuntos hab'itacionais, complexos
fabrise industriais,onde existem armamentos patticulares ligados ou incorporadosao sistema viário da municipalidade.
Como já tivemos oportunidade de assinalar quando do estudo do esgotamento sanitário das consmções, a maioria
das cidades brasileiras possui o sistema separador absoluto em sua rede pública e, como conseqüência, também o
esgotamento separado para as águas servidas e pluviais, no interior das edificações.
Neste sistema, que é o mais aconselhável e obrigatório por normas e regulamentos, embora em alguns casos menos
econômico, existem redes independentes para os esgotamentos sanitários e pluviais, disso decorrendo duas vantagens prin-
cipais decisivas:
1 9 Evitar que, por ocasião das chuvas fortes, os condutores, trabalhando a plena seção, determinem o sifonamento
dos desconectores e, como conseqüência, permitam o acesso dos gases do sistema primário ao interior das habita-
ções.
22) Evitar a diminuição da seção de vazão do coletor, com sua eventual obsuuçáopelaformação de depósitos e incms-
tações nas paredes do coletor. De Fato, no sistema unitário, se os coletores de esgotos sanitários tiverem que ser
projetados e dimensionados, prevendo o esgotamento de chuvas fortes, deverão ter sua seção transversal muito
aumentada. Por ocasião das épocas mais secas, esta ampla seção servirá apenas para o escoamento de esgotos sa-
nitários com baixa velocidade, permitindo a decantação das matkrias pesadas e a formação de depósitos aderentes
nas paredes dos coletores.
282 Instalaçaes Hidráulicas Prediais e Industriais

regido pelo Rojeto NB-611fl9 da ABNT: Instalações Prediais de Aguas Pluviais.


A instalação de esgotamento de bguas pluviais em prédios de qualquer porte, pátios e áreas limitadas pode abranger
dois casos:
- Os elementos que constituem a rede de esgotos pluviais em questão acham-se acima da galeria do logradouro pú-
blico ou da sarjeta, e, nesse caso, por gravidade, as bguas são conduzidas até esses locais.
- Os elementos referidos encontram-se em cota inferior h do coletor ou do poço de visita pública. Toma-se necessi-
rio construir um poço de águas pluviais e bombear a água até uma caixa de passagem, de onde, por gravidade, possa
escoar ate a galeria pública.
Consideraremos o primeiro caso.
As águas de telhados, terraços. áreas e terrenos são conduzidas por escoamento natural para o coletor da via pública,
caso este exista, para a sarjeta ou, ainda, para alguma vala, canal ou curso d'água que passe próximo do local a esgotar.
A Fig. 3.1 mostra como se executa. em muitos casos, o esgotamento das águas pluviais de um prédio cujo alinhamento
da fachada se acha no passeio. No caso. vemos dois condutores AP-1 e AP-2 trazendo a água.de uma coberiura e pennitin-
do seu despejo nas caixas de areia CA-1 e CA-2, de onde é feito o lançamento numa caixa de ralo na sarjeta.
A NB-611 se refere apenas a águas pluviais em coberturas e demais áreas associadas do edifício, tais como terraços,
pátios, quintais e similares.
Não se aplica a casos onde as vazões de projeto e as características da área exijam a utilização de bocasde-lobo e ga-
lerias.

CONDUTOR OE
i(b"A* PLUVIAIS

AFASTADA 00 6 U N H M I I I O

COLETOR DE s3OUAI PLUVIAI3

C A I X A DE I A L O
CORTE

Fig. 3.1 Esquema de ligação de coletores prediais de Bguas pluviais,


Aguas Pluviais 283

3.2.1 Estimativa da precipitação pluvial


No caso que estamos considerando, procura-se simplificar a questão do estabelecimento da intensidade da chuva, que
deverá ser prevista para o dimensionamento de calhas e condutores. Para áreas maiores como as de loteamentos, devem
ser feitas consideraçóes que conduzam a uma maior exatidão no projeto, o que faremos oportunamente.
Com base em dados pluviométncos locais, procura-se conhecer as chamadas chuvas cn'ticca, isto é, as de pequena duração
mas de grande intensidade.
A experiência tem mostrado que, normalmente, as chuvas de curta duração são de grande intensidade e, aocontr8n0, as
chuvas prolongadas sáo de menor intensidade. Como ralos, calhas e condutores recebem essa precipitaçáo, devem ser di-
mensionados para as chuvas intensas, de modo que, integralmente e em espaço de tempo muito pequeno, as águas sejam
drenadas, evitando que ocorram alagamentos, mnsbordamentos e infiltraçóes.
A precipitapio é expressa por sua intensidade, a qual é medida em milímetros de altura d'águapor hora.
No caso de grandes áreas, como veremos mais adiante, alem de se considerar a infiltração de paite da água pelo solo
nãopavimentado, há que se levar em conta que decorre certo tempo para que as águas cheguem aos ralos e bocas-de-lobo.
Costuma-se considerar como chuva crítica, para esse gênero de estimativa pnidente, a chuva de 150 mmh.
É evidente que, para achar a vazão aesgotar, temos apenas que multiplicar a área sobre a qual cai a chuva por esse valor
de intensidade da mesma.
.
Chamando de S a área (ml), p a precipitaçáo (mmh),para a vazão Q em 1 s-I, teremos:

Q=- vazão de projeto


3.m

Para 1 m2de área de telhado ou terraço no caso d e p = 150 mmh

*= 3-60"
= 0,042 Vs por melm quadrado
= 2,52 Vmin por metro quadrado

Essa taxa 6 geralmente a que se considera, pelo menos para áreas de até 100 m2. Para locais em que os índices pluvio-
métricos são extraordinariamente elevados para chuvas de curta duração, tem-se adotado 170 mm/h, e onde a extrema
segurança é necessária, como no caso dos acessos estações subterrâneas do meírô, adota-se no cálculo de drenagem 3.6
Vminlm2,o que corresponde a 216 m d .

3.2.2 Calhas e canaletas


Nos telhados empregam-se calhas que, conforme o detalhe arquitetônico, podem ser de cobre, cimento-amianto, PVC
rígido, chapa galvanizada, fiberglass e concreto. Em áreas e pátios, recorre-se, As vezes, a canaletas abertas ou recobertas
com grelhas, tampas de concreto armado ou feno fundido.
As calhas de cobre são usadas mais em residências com telhados cujo estilo recusa outro tipo de material. As curvas.
derivações, bocais, esquadros e luvas são fabricados geralmente no próprio local da obra, por funileiro. A fixação é feita
com braçadeiras de ferro ou "cambotas" de madeira.
Calhas de chapa de ferro galvanizado são desaconselhadas por serem rapidamente destmidas em locais de ar salitrado.
Em instalaçóes indushiais são largamente usadas as de cimento-amianto.
Encontram muita aceitaçlo as calhas de PVC rígido e de fiberglass, pelas conhecidas propriedades que esses materiais
possuem e pelo bom aspecto estético que oferecem. E o caso da calha Tigre, da Cia. Hansen Industrial. que fabrica, em
PVC de cor cinza, calhas, frisos, bocal para ligar o condutor, suporte e uma série de peças de concordância; e da calha
Durana, de fiberglass. A Hansen também fabrica a linha Aquapluv Beiral, com toda a variedade de conexóes para calhas
e condutores.

3.2.2.1 Dimensionamento das calhas


Podemos calcular as calhas por meio de fórmulas da hidráulica de canais, ou usar tabelas e ábacos que, evidentemente,
foram calculados por fórmulas a partir de hipóteses quanto à precipitação pluvial.

Emprego das equações clássicas de hidráuika dc canais


O cálculo pode ser realizado tal como vimos no item 2.7.7.2 do capitulo Esgotos SanitBnos, w m as equações de conti-
nuidade Q = S. V e de Chezy V = C f i ou então com a da Manning-Strickler
284 Instalacóes Hidráulicas Prediais e Industriais

onde
V = velocidade de escoamento, em m . s-'.
R = raio hidráulico ou raio médio = razão entre a área transversal de escoamento molhada e o perímetro molhado.
I = declividade, em m/km ou mm/m = altura disponível.
compnmento da calha
n =coeficiente de mgosidade, considerado como igual a 0,012 para calhas de material liso.
K = 60.000
S = seção molhada (m2)
Calhas ou canoleras de seção semicircular. Considerando a calha semicircular de raio r trabalhando a plena seção, o raio
hidráulico R d dado por

Com o valor de r se calcula o raio hidrhulico R. Tendo-se r e conhecendo-se o coeficiente de mgosidade n e a declivi-
dade I, determina-se a velocidade V.
Pela equação de continuidade Q = S.Vse obtém a descarga Q.
Dividindo Q (mL S.') pela precipitação expressa em Us/m2,acha-se a área de cobertura ou terreno drenada pela calha.

Exemplo:
Qual a área que poderá ser esgotada por uma calha semicircular de cimento-amiantode 15 cm de diâmetro, sendo a
declividade da calha de 1%. o coeficiente de mgosidade igual a 0,013 e a precipitação de 0,042 Yslm2?
Temos:
r = 0,150 m + 2 = 0,075 m
i = 1%=0,01
n = 0,013
Q= 0.042 Vs/m2= 0.000042 m31dm2

Raio hidráulico: R = i = 0,0385 m


2

Velocidade:

3.14 x 0.075' x 0.569


Descarga: Q = S . V = ( & li) .r ) V = = 11.0050 iri' . s'
2

Área drenada:

A Tab. 3.1 foi calculada pela f6mula de Manning, tal como fizemos para a calha de 6" de diâmetro. É aplicável a
calhas de cimento-amianto. O coeficiente de mgosidade n adotado foi um pouco menor que o adotado no exemplo
anterior.
Observação: Para calhas de beiral ou platibanda, 6 conveniente aumentar a vazão estimada de projeto, de 15 a 20%.
para levar em conta as mudanças de dire@o do condutor vertical ligado à calha e a localização de sua inserfão na calha.

Calhas ou canoleias de seção retnngulor


As calhas de concreto fundidas no local em geral são de seção retangular, por serem de execução mais simples.
Da Fig. 3.2, podemos escrever:

Perimetro molhado

Raio hidráulico

Exemplo:
Sejam b = 200 mm i = 1% Q = 0,042 Yslml
a = 145 mm n = 0.02
Aguar Pluviais 285

Tabela 3.1 Dimensões de calhas semicirculares


h a Declividade da caiha semicircular
drenada, -
superfície 02% 02% 0,5% 1% 15% 2%
projetada -
em (m2) s D s D I S D I s D I S D s D
20 50 0,12 45 11 40 0.11 30 9 25 8 22 8
30 70 0,14 60 13 50 0.12 40 10 35 9 30 9
40 80 0.16 70 14 60 0.13 50 12 40 10 35 9
50 95 0.16 85 14 70 0,14 55 12 50 I2 45 11
60 110 0.18 95 16 80 0,14 60 12 55 12 50 12
70 120 0.19 105 16 9fJ 0.15 70 I4 60 12 55 12
80 135 0,19 115 17 100 0.16 75 14 65 13 60 12
90 145 0,19 125 18 105 0.16 85 15 70 14 65 13
100 155 0,20 135 19 115 0,17 90 15 80 14 70 14
110 170 031 145 19 120 0.18 95 16 85 15 75 14
120 180 0.22 155 20 130 0.18 100 16 90 15 80 14
130 190 0.22 165 21 135 0.19 105 17 95 16 85 15
140 200 0.23 I70 21 145 0.19 115 17 100 16 90 15
150 210 0.23 180 22 150 0,20 120 I8 105 17 95 16
I60 220 0,24 I90 22 160 0.20 125 18 110 17 100 16
170 230 0.24 200 23 165 0,2l 130 18 115 17 100 16
180 240 0.25 205 23 I70 0.21 135 19 120 18 105 17
200 255 O26 220 24 L85 0.22 145 19 125 18 115 17
250 300 0.28 260 26 215 0.24 170 21 145 20 135 L9
300 340 0,30 295 27 245 0.25 I 195 23 165 21 150 20
350 380 0,31 330 29 275 0.27 215 24 185 22 170 21
400 420 0,33 365 31 305 0.28 1 235 25 205 23 185 22
450 460 0,34 395 32 330 0.29 255 26 225 24 200 W
MO 490 0,36 425 33 355 0,30 280 27 240 25 215 24
6M) 560 0.38 485 35 405 0,32 I 315 29 275 27 245 25
S = Seção dc escoamento em cenilmcms quadrsdos D = DiheIo da calha em cm

Fig. 3 2 Calha de sqáo retangular.

O perímetro molhado é:
p = 0,200 (2 x 0,145) = 0,490 m
Raio hidráulico:

Velocidade calculada pela f6mula de Manning

A descarga 6 :

Q = S.V= a.b.v = 0,200 X 0,145 X .


0.76 = 0,022 m3 c'= 1322 Umin

Área drenada:
286 Instalaç& Hidráulicas Prediais e Industriais

Se, em vez de i = 1%. tivéssemos uma declividade de 0.5%. obteríamos

Q = 0,200 X 0,145 X 0.53 = 0,015 m3/s= 900 Vmin

Deve-se, portanto, tomar cuidado ao usar tabelas onde não est8 indicada a declividade das calhas, pois, como se sabe e
se vê pelo exemplo anterior, as descargas e as áreas drenadas variam com a declividade.
Demonstra-se que a seção retangular mais favorável ao escoamento ocorre quando a base é o dobro da altura da água no
canal, isto é, para b = 2a.
Quando se usa cobertura de cimento-amianto sobre laje de terraço em edifícios, é usual constmírem-se calhas junto ao
parapeito, as quais, além de sua função de coletar e escoar a água da chuva, funcionam como passarela, razão por que
Dossuem largura
" muito maior do aue seria necessário vara fins de escoamento apenas. Recomenda-se a maior declividade
possível para a calha, e uma impermeabilizaçãoadequada usando-se argamassa de cimento e areia com SIKA, por exem-
plo.

3.2.3 Condutores de águas pluviais


Costuma-se designar por condutores os tubos que conduzem as águas pluviais dos telhados, terraços e áreas abertas às
caixas de areia, a partir de onde as águas são conduzidas ao local de lançamento por coletores. Esses coletores, quando de
diâmetro pequeno, são chamados condutores de águas pluviais. O local de lançamento pode ser um coletor público, uma
galeria de águas pluviais. uma caixa de ralo na via pública, um canal ou rio.

Condutores verticais
O condutor vertical pode ser ligado, na sua extremidade superior, diretamente a umacalha (caso de telhados), ou rece-
ber um ralo quando se trata de terraços ou calhas largas, onde se receia a obstmção do condutor por folhas, papéis, trapos
e detritos diversos.
O condutor normalmente não é nem deve ser calculado como um encanamento a plena seção, e o formato dos ralos e
suas grelhas determinam uma perda de carga de entrada que s6 experimentalmentepode ser determinada. Por essa razão se
justificam o emprego de tabelas consagradas pelo uso e os bons resultados obtidos em função dos diâmetros dos conduto-
res verticais, já levando em conta as conseqüências da obstrução da grelha dos ralos.
Pode-se usar a Tab. 3.2, que permite o dimensionamento dos condutores verticais, com caixa de ralo de boca afunilada
e baseada numa precipitação pluvial de 150 mm/h, ou seja, 2.52 Vmin e por m2 de áreh sobre a qual cai a chuva.

ARGAMASSA D E
C I M E N T O 0 A R E I A C/ 81KA

Fig 33 Calha para telhado.


Aguas Pluviais 287

Tabela 3.2 Condutores verticais d e Aguas pluviais

Diâmetm do condutor Area máxima de cobertura (ml)


Uso corrente Considerando Recommdagão
no Rio de 1cm2por mt de norte-
(pol) cm Janeiro área a esgotar americana

Alguns projetistas, adotando o critério de supor, arbitrariamente, que a velocidade de escoamento no condutor vertical
é a mesma que a do coletar horizontal a plena seção e com velocidade da ordem de 0.5 m s-', adotam 1 c m q e seção de
condutor para cada metro quadrado de área drenada, o que conduz a diâmetros exagerados.
Certas especificaçõesnorte-americanas prevêem 0.50 cm2de condutor por m2deárea drenada, considerando chuvas de
200 mm/h. A Tab. 3.2 mostra a enorme discrepância entre os valores das áreas drenadas pelos condutores segundo os três
critérios.
Os valores de uso corrente no Rio de Janeiro correspondem praticamente aos do escoamento de tubo circular a plena
seç50 com declividade de 4%. como se comprova cotejando as Tabs. 3.2. e 3.3.
O dimensionamento rigoroso deveria levar em conta a altura da lâmina d'água acima do ralo e os desvios da coluna ate
a caixa de areia.

Condutores horizontais
Os condutores de terfqos, áreas abertas, pzítios etc. são denominados horizontais, quando sua declividade é pequena.
Em geral, são dimensionados para trabalhar a plena seção, com a declividade necessária e suficiente para escoar com ve-
locidade aconselhável, vencendo a perda de carga.
A Tah. 3.3 permite determinar a área drenada para vários diâmetros de condutor e diversas declividades, supondo uma
precipitação de 150 mmlh e trabalhando a plena seção.
Podemos calcular a área máxima drenada pelo condutor considerando a plena seçáo e usando o método que vimos no
item 2.7.7.2 no estudo dos esgotos sanitários.
Suponhamos, por exemplo, o condutor de 4". uma declividade de 1% e n = 0.02, plena seção e 0,042 Ys/m2de precipi-
tação.

O raio hidráulico é R = ni. + 2 rr r = r/2 = 0.025

Na Tah. 2.20 do item 2.7.7.2obtemos, para a declividade de 1:1.000, (um por mil) os valores:

Tabela 3 3
h a minma em m2de cobemira esgotada por um
Diâmetro condutor de águas pluviais
do
condutor Dedividade
em pol.
0,546 1% 2% 4%
288 Insfalacões Hidráulicas Prediaij e Industriais

Para a declividade de 1W temos I = 10:1.000

A hea drenada poderá ser de:

Para a declividade de 2% teríamos:

A área drenada poderá ser de:

Como se observa, os valores encontrados são um pouco inferiores aos da Tab. 3.3.
Façamos o cálculo considerando a declividade de 1% e usando a f6rmula de Basin

onde y, coeficiente de mgosidade das paredes, tem os seguintes valores:


-0,16 para manilhas de cerâmica e tubos de concreto em bom estado
-0,11 para superfícies lisas de cimento
- 0.14 para condutos metálicos
Adotando y = 0.16, resulta

O valor é igual ao encontrado com a f6rmula anterior.


É interessante observar que a vazão com o coletor com Bgua a uma a l N a igual a 0,80 . D é praticamente a mesma que
a verificada com o coletor a plena seção. A velocidade máxima ocorre quando o coletor está parcialmente cheio e com a
altura de água h = 0,81 D. A descarga máxima ocorre quando h = 0.95 .D e não quando o coletor está a plena seção.
A Tab. 3.12 dá valores para cálculo da vazão pela fórmula de Manning-Suickler (ver 3.3.5.3).

3.2.4 Ralos
Nos locais onde se pretende esgotar bguas pluviais usam-se ralos que coletam a água de áreas cobertas ou de calhas,
canaletas e sarjetas, permitindo sua entrada em condutores e coletores.
O ralo compreende duas partes:
a) caixa e
b) grelha, que é o ralo propriamente dito.
Aguas Pluviais 289

ALVENARIA OE TIJOLO
MbCIÇO DE 1 VEZ
MEIO-FIO

4
J PLANTA

CORTE A - A
OU ASFALTO

L .,SE w,Lonoa '-CCWCRETO L.3:6


CORTE 0 . 8

Fig. 3A Caixa de ralo para águas pluviais.

Caixa do ralo
Para terraços e calhas de telhados usa-se, geralmente, caixa de ferro fundido contendo duas partes: uma que se liga ao
tubo da coluna de queda de águas pluviais e outra que se sobrepúe e se ajusta i primeira, intercalando-se entre ambas,
conforme o tipo de impermeabilização: camadas de feltro de amianto em base asfáltica ou lençol de chumbo ou de neopre-
ne. A ligação das duas peças se dá segundo uma superfície cônica que, alémde facilitar o encaixe, permite um escoamento
melhor para a água que eventualmente venha a infiltrar-se entre o ralo e a impermeabilização do terraço. Quando se trata
de esgotamento de água de áreas de estacionamento ou grandes pátios, a caixa de ralo é de alvenaria de tijolo maciço re-
vestido de argamassa de traço forte.
A Fig. 3.4 mostra uma caixa de ralo para via pública ou rua particular com ralo de f e m fundido do tipo pesado. Vê-se
que a caixa não possibilita a coleta de areia e evita que a água possa acumular-se, dando lugar a inconvenientes de ordem
sanitária. Em algumas municipalidades, porém, e em zonas altamente urbanizadas, 6 usada a caixa de ralo também como
caixa de areia, e, portanto, a saída do coletor se faz 60 cm acima do fundo da caixa, como mostra a Fig. 3.5. No tipo indi-
cado existe uma boca-de-lobo, que é uma abertura no meio-fio por onde a água, vindo pela sarjeta, escoa diretamente na
caixa. Na Fig. 3.5 a caixa não contém ralo, mas tampão de ferro fundido.
É mais comum fazer-se boca-de-lobo com um ralo colocado na sarjeta (Fig. 3.6) ou no passeio, debaixo de uma tampa
que pode ser de concreto (Fig. 3.7) ou de ferro fundido (Fig. 3.6). Quando se usam boca-de-lobo e ralo, as dimensões da
'aixa sào maiores e esta se estende sob o passeio.
Em alguns tiposde boca-de-lobo.o chanfro no meio-fio e substituído por uma placade ferro fundido na altura do meio-
fio (Fig. 3.6).
A Fig. 3.7 mostra um tipo de boca-de-lobo com grelha e tampa de concreto. A entrada da água faz-se por uma abertura
no meio-fio ou no anel de apoio da tampa.
O projetista da infra-estmtura de um loteamento deverá levarem conta que a declividade mínima dos logradouros deve
ser de 3% (três por mil). São aceitáveis logradoums com trechos em patamar, sendo obrigatório, nestes trechos, que as
sarjetas sejam projetadas com 60 cm de largura e lançadas com greide ondulante, com a "gola"(espe1ho) do meio-fio va-
290 Instalafdes Hidrdulicas Prediais e Industriais

Fig. 3.5 Caixa de ralo como caixa de areia.

Fig. 3.6 Grelha para boca-&-lobo, de fem fundido.


Aguas Pluviais 291

L 1010 L
1

- I x

qzpl
CORTE E F

P L A N T A DA TAMPA

C O R T E GH
CORTE A B

CORTE IJ

PLANTA DO ANEL DE APMO DA TAMPA

Fig. 3.7 Boca-de-lobo com greiha e tampa de concreto.

riando, em cada 15,OO m de extensão, de 0,12 m para 0.17 m. Nos pontos baixos das sarjetas (pontos com 0,17 m de "gola"),
devem ser projetados ralos com bocas-de-lobo (Fig. 3.8).

Grelhas
As grelhas sobrepõem-se à caixa e visam impedir o acesso de corpos estranhos ao condutor.
Existem dois tipos: as grelhas planas e as hemisféricas.
292 Instnlações Hidráulicas Prediais e lndustriaiç

OCA-DE-LOBO

WIVEL DA R U A
EY PATAMAR

C A I X A DE RALO

Flg. 3.8 Caixa de ralo com bocade-lobo.

Fig. 3.9 Ralo 90x 30 T-95 e T-135


para bueiro Barbará.

Tabela 3.4 Ralos Barbará de 90 x 30 referentes A Fia. 3.9


Tipo leve Tipo pesado
A (mm) 870 870
B 290 290
C 980 1050
D 120 120
Peso 95 kgf 135 kgf
Carga máxima no centro 1 6700 kgf 9000 kgf

Grelhas planas
São usadas em sarjetas, áreas de estacionamentode veículos e terraços. onde possa haver movimentação de pessoas.
As grelhas de caixa de ralo ou para bueiro, quando nas sarjetas de ruas, são de ferro fundido pesado, usando-se também
as de concreto.
Para drenagem de pequenas áreas. empregam-se grelhas de feno fundido de 10 cm X 10cm, 15 cm X 15 cm, 20 cm x
20 cm, 30 cm X 30 cm, 40 cm X 40 cm etc., podendo-se encomendar às fundições grelhas em outras dimensões.

Grelhas hemisféncas
As grelhas hemisféncas, também chamadas "cogumelo" ou "abacaxi"(pelo que suas formas sugerem), são usadas de
preferência nos terraços, nas calhas de concreto de telhados e áreas abertas de edifícios, por proporcionarem maior seção
de escoamento e reterem papéis, trapos e detritos sem ficarem totalmente recobertas, obstaindo a passagem da água.
A Fig. 3.10 mostra vários tipos de ralos "abacaxi", além de alguns tipos de ralos planos.
Costuma-se fazer a caixa de ralo com dimensóes tais que a grelha tenha uma área de orifícios igual, pelo menos uma
vez e meia, à área do condutor ao qual o ralo serve.
Axus Pluviais 293

Fig. 3.10 Vários tipos de ralos.

3.2.5 Poços de visita (PV)


Os poços de visita devem estar localizados nas seguintes partes da rede de águas pluviais:
-nas cabeceiras dos coletores;
- nas mudanças de direção:
- nas mudanças de declividades;
- nas mudanças de seção;
- na confluência de coletores;
-nos alinhamentos retos em intervalos não superiores a 60 m.
A Fig. 3.1 1 mostra um p q o de visita de alvenaria e a Fig. 3.12, um poço de visita de anéis de concreto pre-moldados.

Como já dissemos, um projeto de drenagem de águas pluviais, dentro dos limites das atribuiçks das instalações, pode
abranger áreas com grupamentos de edificações ou loleamentos. Nesses casos, é obrigatória a apresentação do projeto e da
planilha de cálculo hidráulico dos coletores ao órgão competente da municipalidade. Compreende-se que a drenagem de
uma pequena cidade já é da competência do saneamento básico urbano, se bem que, fundamentalmente,o que adiante será
exposto. encontre também aplicação em projetos de certa amplitude.
Podemos dividir a apreciação deste tema em cinco panes. que são:
a) Chuva a considerar no projeto de drenagem.
b) Escoamento da chuva no terreno.
c) Cálculo hidráulico dos coletores.
d) Preparo da plauilha.
e) Elaboração do projeto de drenagem.
Vejamos esses diversos aspectos da questão.
294 instalações Hidráulicas Prediais e Industriais
296 Iwstala~õrsHidráiili~.asPrediais e Industriais

3.3.1 Chuva a considerar no projeto de drenagem


E sabido que a precipitação das chuvas ocorre de um modo aleatório. sendo de tal modo diversas as vatiáveis que a
influenciam -pois as variáveis dependem também de outras que se podem admitir como aleatórias - que não há outro
recurso seuâo apelar para o método estatístico para se procedes ao seu estudo.
Consideremos alguns conceitos fundamentais a que nos referiremos ao longo dessa exposição.
lQ Alturupluviométrica é a medida vertical, geralmente em milímetros, da chuva precipitada num tempo que se con-
sidere (minuto, hora, dia, mês, ano), em um recipiente cilíndrico de eixo vertical. Pode ser expressa em volume de
água precipitada por unidade de área horizontal.
2* Intensidade ou "velocidade de precipitação" é a altura precipitada na unidade de tempo, isto 6, o quociente entre a
altura pluviométrica e a duração considerada. E expressa em milímetros por hora. Efetuando as necessárias trans-
formações, alguns a exprimem em Vslha. Exprime-se também como o quociente entre a altura pluviométrica num
intervalo de tempo e este intervalo.
3' Freqüência n 6 a indicação do número de vezes que uma chuva de mesma intensidade ocorre num certo tempo (por
exemplo, em um ano). Sua determinação resulta da análise das estatísticas de chuvas.
Os pluviômetros ii~staladosnuma localidade fornecem dados que mostram que chuvas com determinadas catactensti-
cas têm freqüências específicas de ocorrência.
Admitamos, para efeito de raciocínio, que numa certa localidade foram realizadas medições durante 50 anos, as quais
permitiram organizar a Tab. 3.5. Nesta se acha indicado, na primeira coluna, o número de vezes que a intensidade de chu-
va, apontada na segunda coluna, ocorreu com uma duração de 10 minutos.

Tabela 3.5
Node vezes Intensidade (n)Freqüência: n." de
em 50 anos (m) (d) vezes cada ano
1 162.0 0.02
2 148,5 0.04
3 127,2 0.06
4 121.6 0.08
5 118,4 0.10

Se considerarmos agora o intervalo médio de tempo que poderá decorrer entre duas chuvas de intensidade iguai ou
maior que a considerada, teremos o que se denomina tempo de recorrência ( T ) ou tempo de repetição. Como se vê, o
tempo de recorrência é o inverso da freqüência. No caso que estamos considerando, os tempos de recorrência T foram,
respectivamente, de:

50 t 1 = 50 anos
50 i 2 = 25 anos
50 + 3 = 16,7 anos
50 c 4 = 12,5 anos
50+5=10anos

Assim, por exemplo, no período de 50 anos de observação de chuvas, considerando que a precipitação de 148,5 mm/h
não deva ser excedida mais que duas vezes, temos:

2
m = 2 . A freqüência é n = - = 0,04 e
50

50
o tempo de recorrência T = - = 25 anos
2

Podemos resumir as considerações acima frisando que se num dado local, no futuro. se mantiverem as condições me-
teorológicas que nele existiram durante o período de observação. a precipitação de duração considerada e de tempo de
recorrência T terá a probabilidade mixima de ser igualada ou excedida f l v e z e s em n anos.
Como observa o saudoso professor Diocles 1. Rondon de Souza: "frequência, probabilidade ou tempo de recorrência
definem características médias; em outras palavras, uma chuva com tempo de recorrência de 25 anos poderá, num interva-
lo total de 50 anos, ocorrer duas vezes nos primeiros cinco anos e depois ficar 45 anos sem acontecer". (Hidrotécnica
Continental.)
O tempo de recorrência também se denomina temno de retorno e se usa definir como o número médio de anos em aue.
para a mesma duração de precipitação, uma determinada intensidade pluviométrica será igualada ou ultrapassada apenas
.
uma vez.

Cálculo da precipitaçáo
Usava-se, até há alguns anos, a fórmula empírica decenal baseada em dados e elementos então disponíveis:

Assim, para a duração da chuva t = 5 min, a intensidade de precipitação seria i = 350 + & = 156 mm.
Para r = 10 minutos, teríamos i = 1 10 mm. e assim por diante.
Estudos de Hidrologia, com base em dados estatísticos e no Cálculo das Probabilidades, permitiram o estabelecimen-
to de uma equação geral das chuvas intensas ou fórmulas de intensidadelfrequência-duruçdo,que é

ET I1 + h)'
Nesta equação temos:
i =intensidade de precipitação, expressa em milímetros por hora
T = penodo de recorrència ou intervalo, expresso em anos.
r = duração da precipitação. expressa em minutos.

K, o, b, c são parâmetros relativos às unidades empregadas e próprias do regime pluviométrico local.


A maneira de determinar esses quatro parâmetros é apresentada em trabalhos especializados, alguns dos quais
mencionados na bibliografia deste capítulo. -.
Para as condições que se verificam, por exemplo, na área metropolitana de São Paulo, o Prof Paulo Wilken determi-
nou os parâmetros. e a fórmula aplicável é:

Outra fórmula muito usada é

Para as chuvas do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, a equação das chuvas é:

Para áreas de temaços, telhados e pátios, pode-se adotar a duração da chuva intensa, r = 5 minutos.
O EngWtto Pfafstetter publicou um trabalho sob o título Chuvas Intensas no Brasil, no qual, com base em dados plu-
viométricos em 98 postos espalhados no Brasil e utilizando o Cálculo de Probabilidades que conduz à equação geral que
foi mencionada. elaborou gráficos onde são representadas, para as 98 localidades, curvas da dependência entre a precipi-
tação (mm) e o tempo de recorrência (anos) para chuvas de 5,15,20 minutos e 1 e 2 horas, como mostra, a título de exem-
plo, a Fig. 3.13.
Consultando o gráfico da Fig.3.13, reterente ao bairro do Jardim Botânico no Rio de Janeiro. verifica-se que, para um
tempo de recorrência de 10 anos e uma duração de 5 minutos, a precipitação é de 15,5 mm e, portanto, a intensidade é de
15,s X 601.5 = 186 mmlh.
No Rio de Janeiro, a Superintendência de Rios e Lagoas fornece, para diversas regiões do Estado, a localização dos
pòstos pluviométricos e as curvas de chuva de projeto.
No caso do Jardim Botânico, a chuva de projeto para duração de 5 minutos deverá ser de 165 mm, como se pode obser-
var no gráiico da Fig. 3.14, para o qual T = 5 anos, e a precipitaçáo é de 13.8 mm:
298 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

JARDIM BOTÂNICO - Rio d e J a n e i r o

20- #

DLRAÇ L0 V
/#
-

I I I I I I 1111 I I I I I I I I IIII I 1 I I I I IIIII

I I 1 I I I I I I I I I I I I I I I I I I ! ! ! ! ! I ! ! I11
I I I , , , I I I I I I I I I I 1 1 I I I I
7
I I I I I I I I I I

201 I I i I I i 1 I IIII

Fig. 3.13 Precipitação em funçáo do tempo de recodncia para várias duraqões de precipitação.

Para calcular a vazão Q(1 .s-I) após um tempo de precipitação de t (minutos), numa área A (m2) com precipita$ão de
intensidade i (mmh), considerando um tempo de recorrência T(anos) e um coeficiente de permeabilidade C= 0.75.pode-
mos usar a fórmula 3.9.
Fig. 3.14 Chuva de projeto. Pluviógrafo do Jardim Botânico - RI.
T = 1 ano: Anas pavimentadas onde podem ser toleradas poças.
T = 5 anos: Coberturas e terraços.
T = 25 anos: Coberturas e áreas onde empoçamentos e extravasamentos não possam ser tolerados.

Exemplo:

Para C = 0,75 i=155mm/i1 A=1.000m2

T = 25 anos t= 10 minutos
temos
300 Instalaçõps Hidráulicas Prediais e Industriais

3.3.2 Escoamento da chuva no terreno


Nem toda a água de precipitação se escoa pela superfície do terreno até os ralos. Uma parte é absorvida pelo terreno em
função de sua permeabilidade, reduzindo, assim, o deflúvio que escoa para jusante. Despreza-se, em cfilculos simplifica-
dos dessa natureza, o efeito da evaporação, e considera-se apenas o efeito da infiltração sobre a descarga que escoa (deflú-
vio).
Conforme o terrenoe o projeto deurhanização, pode-se classificar a impermeabilidade das áreas drenadas atribuindo às
mesmas um coeficiente de impermeabilização r, equivalente ao coeficiente C da fórmula 3.9.
Assim, temos para o coeficiente de impermeabilizaçáo ou impermeabilidade:
-Zona de loteamentos e de complexos industriais com pavimentação: r = 0.80.
-Zonade lotea-ntos com edifícios e casas com terrenos e fábricas com grandes áreas de terra ou gramadas: r = 0,60.
Para calcular a chuvaescoada. em primeiro lugar determina-se a área a ser esgotada, subdividindo-a em áreas contribu-
intes que serão drenadas em cada trecho por um coletor que irá servir à área em questão.
Na Fig. 3.15, o coletor recebe águas pluviais das áreas A, B, C e D, lançando-as num rio.
Temos quatro poços de visita no coletor e ralos a ele ligados, afastados um do outro no máximo 30 m. Ao PV-1 somente
vão ter as águas da área A. Na E , considera-se a soma das áreas A e B para descarga no coletor no PV-2. Na &a C, a bgua
drenada 6 a que cai em A, B e C e assim por diante.
Se o coletor tiver 80 cm de diâmetro ou menos, a ligação do coletor da caixa de ralo deve ser feita num poço de visita
(Fig. 3.19).
Para coletor com mais de 80 cm de diâmetro, a inserção de um coletor em outro ou numa galeria pode ser feita direta-
mente, sem PV (Fig. 3.20).

RIO

Fig. 3.15 Divisão de um terreno em área de contribuição.

Deteminacão do coeficiente de distribuição n das chuvas


Se a área drenada for inferior a 1 ha, adota-se n = 1.
Para áreas niaiores, n é igual ao inverso da área expressa em ha, elevado ao expoente 0,15, isto é.

Os valores de n podem ser tirados do gráfico da Fig. 3.16, de autoria do Eng" Ulisses M. de Alcântara, tendo sido cal-
culados pela f61mula acima.
Aguas Pluviais 301

ÁREA E M HECTARES

Fig. 3.16 Coeficientede dishibuigo (n =A415).

Exemplo:

Tempo de concentraçáo - t, -é o tempo que decorre desde o início da chuva, até que toda a bacia passe a contribuir
para uma s q ã o de uma determinada galeria. Pode-se considerar como formado de duas parcelas:
a) Tempo de escoamento supe>7icial,ou tempo de entrada, é o tempo gasto pelas chuvas caídas nos pontos mais distan-
tes para atingirem o primeiro ralo. E representado por tz.É tambem definido como "o tempo, em minutos, que leva uma
gota d'água teórica para ir do ponto mais afastado da bacia até o ponto de concentração, que, no caso, é o primeiro ralo de
montante".
~~~~~-~~~~

b) Tempo de percurso -t, -é o tempo de escoamento dentro das galerias, desde o primeiro ralo até a seção do coletar
que se considera. No nosso cálculo, não será levado em conta, de modo que, em vez de t, = tj - tP , tem-se apenas tc = t,..
Em certos casos, quando se leva em conta o tempo de concentração t, até o primeiro PV e a captqão se faz por meio de
raios, soma-se ao t, o tempo de entrada, que, para simplificar, às vezes t adotado como igual a 5 minutos = t,.
É preferível, entretanto, procurar em tabelas ou calcular o tempo de concentração.
Para kea wbanizada nu urbanizável, com divisor de águas a uma distância máxima de 60 m, pode-se usar a Tab. 3.6
para uma primeira idtia do tempo de concentração.

Tabela 3.6 Tempo de concentração t, (minutos)


Dedividade da sarjeta
Naiuteza da área
menor que 3% maior que 3%
I Areas densamente constnildas 10 minutos 7 minutos
2 &as nsidenciais 12 minutos 10 minutos

3 Parques, jardins, campos 15 minutos 12 mùiutos


302 Instalaçr3es Hidráulicas Prediais e Industriais

Quando, a montante do primeiro poço, houver pequena bacia a drenar, convém calcular o tempo de concentração pelo
chamado método racional empregando a f6rmula

de autoria do EngQGeorge Ribeiro.


Nesta f6rmula
r, = tempo de concentração em minutos.
L, =caminho percomdo por uma hipotética gota d'bgua de chuva expresso em km,ao longo do talvegue. isto 6, da linha
que une os pontos mais baixos de um vale.
p = porcentagem, em decimal, da área da bacia coberta de vegetação.
S = declividade m6dia do caminho L,, desprezando as pequenas quedas a prumo em meios-fios e outros.

Exemplo:

Suponhamos
L, = 4130 m = 0.40 h.
p = 0.25 (vinte e cinco por cento da área wberia de vegetação).
S = 0.03 declividade média
Temos para o tempo de concentração:

O tempo de concentração será, pois, de aproximadamente 7 minutos.

Intensidade média das chova9 para a freqüência de 10 anos


Considerando um tempo de recorrência de 10 anos, como 6 usual fazer-se, e utilizando a curva intensidade-duraçâo-
frequgncia para o posto pluviométrico do Jardim Botânico. teremos:

onde, como vimos,


t =duração da chuva, considerada como igual ao tempo de concentração, igual a 7 minutos.
. i = intensidade média.
No exemplo que estamos seguindo, fazendo r = 7 minutos, obteremos

Escolha do coeficiente de runoff ou de "escoamento superficial", também chamado "coeficiente de deflúvio"


Essa grandeza, que representaremos pela letra f, depende da natureza e caractensticas da bacia a drenar e pode ser en-
contrada na Tab. 3.7, ou pela fórmula de Fantoli, que apresentaremos adiante.

Tabela 3.7 Valores usuais d e coeficiente de runofff


I Natureza da bacia I Coef. de deflúvio ou de runoff f I
Telhados
Supesfícies asfaltadas
Superfíciespavimentadas e paraielepipadas
Estradas macadamizadas
Estradas n%o pavimentadas
Terrenos descampados
Parques. jardins. campinas
Aguaç Pluviais 303

Em São Paulo se usa geralmente o valor f = 0,60 para zonas urbanas e suburbanas.

Cálculo do defldvw local Q


O deflúvio, isto é, a água escoada, é calculado pela expressão:

onde
2.78 é um fator numérico de wnversão de unidades
A -área da bacia em hectares
f - coeficiente de deflúvio
i, - intensidade média das chuvas ( d )
n - coeficiente de distribuição (Fig. 3.16)
Q - descargaem l/s

Exemplo:
Suponhamos que a área a drenar seja de 2 ha, o terreno wnstituído de áreas destampadas, e a intensidade média das
chuvas seja de 150 m d h .
Vejamos qual a descarga ou deflúvio Q.
Temos:

A =2ha
f = 0.20 (Tab. 3.7)
i, = 1 5 0 d
n = 0.90 (Fig. 3.16)
Q = 2,78 X 2 X 0.20 X 150 X 0,90 = 150 11s
Cálculo do coefiiente de dejiúviopelo critério de Fantoli
O coeficiente de deflúviof,já mencionado, pode ser calculado pela fónnula de Fantoli:.

f = rn . (i, - t,)lI3

Sendo
t, - o tempo de concentração em minutos
i - a intensidade pluviombtrica m6dia ( d )
m - fator que depende dos coeficientesde impermeabitidade r. cujos valores podem ser adotados como sendo:
r = 0.80, para áreas de mnas cenbais das cidades, loteamentos e complexos industriais
= 0.60, para zona residencial, urbana, ou loteamentos com grandes áreas de terra ou grama
= 0,40, para zona suburbana
= 0,25, para zona mral

Para r = 0.80, temos m = 0,058


r = 0.60 m = 0,043
r = 0,40, m = 0,029
r = 0.25, m = 0,018

Pode-se usar o grgf~coda Fig. 3.17 para obter o valor def.Entra-se com o valor do produto (i, te)até a reta r e se obem
na escala ?A esquerda o coeficiente de deflúviof:

Por exemplo, para


i,,,= 150 m m h
r = 0,60 (zona residencial urbana, loteamentos)
t, = tempo de concentração = 5 minutos
i. X t, = 150 X 5 = 750

Obtém-se no gráficof = 0,39


Aplicando a fórmulaf = m(i, .r,)'", teríamos evidentemente:
f = 0,043 X (150 X 5)'" = 0.3898 -. 0.39
304 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Y
0

0
i
m
4
Y
g 1.m
$ 0.90
E 0.80
# 0.70

'+ r 0.60

2
, E 0.30

-
--
.3
J ~ 0 ~ 4 0
L,-
0 mn
,s rn 0.30
L.
W C
5"
=-
%
E 0.20

",
,L
z
o 2
o ,2
-
rn
a

4 0.10

PRODUTO i.. 1,
( inlsniidode pluviométrico 0m mm/h - duroçÕo do chuva em m i n u t o s )

Fig. 3.17 Coeficiente de deflúvio pelo aitério de Fantoli (f=rn (ir)'").

DeBúvin a escoar
Para o priqeiro poço de visita a montante, o deflúvio a escoar é o próprio deflúvio local,isto é, o da bacia cuja água é
lançada no poço. A partir daí, soma-se o deflúvio local com o deflúvio a escoar vindo do trecho anterior.

3.3.3 Cálculo hidráulico dos coletores


O levantamento topográfico e o projeto de urbanização fornecem os grades, isto é, as declividades dos armamentos e
das áreas a drenar, elementos indispensáveis para o projeto da drenagem de águas pluviais.
Para se ter uma primeira idéia da declividade a dar ao coletor, deve-se considerar que acima dele deve haver uma cama-
da de proteção, isto é, de recobrimento, o que limita a profundidade do coletor no terreno. Em seguida. vê-se a cota do
ponto onde o coletor irá desaguar: nível d'água no rio. canal e, eventualmente, um PV. Mede-se o comprimento L.
Imagina-se, por exemplo, que o primeiro trecho do coletor tenha 40 cm de diâmetro e que o coletor irá recebendo con-
tribuições de ralos (ou de outros coletores), de modo que, ao chegar no final, terá, digamos, 80 cm (ao ser calculado. esse
diâmetro poderá ser alterado). Seria conveniente que a geratriz inferior do coletor no lançamento ficasse acima do nível da
água a jusante, o que nem sempre é possível, pois é necessário dar ao coletor uma declividade suficiente. A declividade
d
média a considerar numa primeira aproximação será i = -, sendo d o desnível (Fig. 3.18).
L

COTA DO T E R R E N O
7

t
L
RECOBRIYENTO
COTA DO G E R A T R I Z S U P E R I O R DO COLETOR
7

Fig. 3.18 DetemúnaçXo da declividade de un coletor.


No projeto devem-se levar em conta o recobrimento do coletor como também o dos pcqos de visita.
Chama-se recobrimento de umpoço de visita a distância vertical entre o grade do terreno no centro do PV e a geratriz
superior interna do coletor prolongada, vinualmente, at6 ao referido centro, desprezando-se a espessura do tubo no reco-
brimento (Fig. 3.19).
O EngQPaulo Sampaio Wilken, em sua obra Drenagem Superjicial, menciona, entre outros, os seguintes princípios a
serem obedecidos no projeto de galeria de águas pluviais:
-"Numa galeria de águas pluviais temos as condições de escoamento como conduto livre, em regime permanente e
uniforme.
-As dimensões da galeria não devem decrescer na direção de jusante, mesmo que, com o aumento da declividade, um
conduto de menores dimensões tenha capacidade adequada.

LENCHIYENTO
Fig. 320 Liga~ãode coletores de.
Fig. 3.19 Ligação de coletor a pqo de visita. #diâmetrosdiferentes.

-A declividade da galeria, tanto quanto possível, deve ser igual à do terreno, para que se tenha menos escavação.
Muitas vezes é convenienteusar galeria de menor dimensão empregando declividade maior que a do terreno, por ser mais
econômico, a despeito da escavação.
-Na junção de galerias de dimensks diferentes, as geraúizes superiores deverão ter a mesma cota. (Fig. 3.20)
Quando um PV serve como elemento para mudança de diâmetro de dois coletores, por haver alteração na declividade
(Fig. 3.21), as cotas das geratrizes superiores dos coletores deverão ser as mesmas. Assim, se D, = 0.50 m e D, = 0,70 m,
a cota de fundo do coletor de diâmetro D, será CF, - CF,, portanto, 0.20 m abaixo da cota CF,.

Recobrimento ntinimo
Adotam-se:
a) Tubos de concreto simples: 0.80 m
b) Tubos & concreto armado: para 0.40 m de diâmetro -0.60 m.
Para cada 10 cm de acréscimo no diâmetro, aumenta-se o recobrimento em 5 cm.
Por exemplo: tubo de 1 m terá recobrimento de 0.60 + (1.00 - 0.40) X 0,05 = 0.90 m

3.3.3.1 Cálculo do diâmetro do coletor


Temos que fazer uma avaliação preliminar do diâmetro D do coletor.
A altura da lâmina d'água ou tirante, y no coletor, pode. em primeira aproximação. ser admitida como sendo igual a
0.7
.,. .-D.
.
Pelo gráfico da Fig. 2.129, do Cap. 2, vemos que a vazão com o coletor com esse tirante é igual a 85% da vazão do
coletor a seção plena. Podemos, então, supor a vazão real aumentada para (Q + 0,85); dimensionar o diâmetro consideran-
do o coletor como se estivesse a plena seção e utilizar uma das muitas fórmulas, ábacos ou gráíicos a elas referentes. Um
gráfico muito usado 6 o da Fig. 3.22, representativo da fórmula de Forchheimer:
306 lnstalaç~esHidráulicas Prediais e Industriais

I Fig. 331 Poço de visita com entrada de dois coleto

Fig. 3.22 Abaco para coletores de águas pluviais. Descarga e velocidade a plena seção
Aguas Pluviais 307

Tirante crítico ou profindidade crítica y, é a altura da 6gua num coletor medida acima de sua geratriz inferior, para a
qual a água escoa com o menor dispêndio de energia, isto 6,para o menor valor da soma das parcelas da energia de posição

h e da energia cinética
(i:).
-

Para se calcular o valor do tirante crítico. deve-se antes determinar o valor do módulo crítico M definido por

e que, no caso do Rio de Janeiro, assume o valor

~ividiudo-seM por LYn vab. 3.81, obtém-se o coeficiente que designaremos por C, e que utilizaremos mais adiante.

Na Fig. 3.23 temos o ábaco da f6mula de Bazin, de autoria do EngQMaurlcio Amoroso Teixeira de Castro, para tubos
de concreto até 1.20 m de diâmetro. e, na Fig. 3.24, o ábaw da f6mula de Ganguillet-Kutter para dimensionamento &
coletores até 24" (60 cm).

Tueos M CONCRETO DE S E F ~ O C I R C U L A R
O' A.C. 4Fi 87
c=-
ltf
Fig. 3.23 F h d a n o v a & Bazin. (Abaco do Eng* Maurlcio Amoroso Teixeira de Castro.)
308 Instalaçües HHiáulicas Prediais e Industriais

SECAO PLENA m/m


Fig. 3.24 Fórmula de Ganguillet-Kutter para coletores de Bguas pluviais c plcna se$ão.

Exemplo:
A vazáo 6 492 1 . s-I e a declividade é 0,032 d m .
Qual o diâmetro do coletor?
Aumentemos a vazão proporcionalmente e obteremos

Com esse valor e 1= 0,032 no ábaco da Fig. 3.23,achamos um diâmetro pouco abaixo de 0,50 m e uma velocidade igual
a 2,s m . S.'. Valores praticamente iguais encontram-se no ábaco da fórmula de Ganguillet-Kutter.
3.3.3.2 Verificação do regime de escoamento
Trata-se de determinar se o escoamento é lento, crítico ou rápido. Para isso. um dos processos que se usa consiste em
calcular o tirante crítico correspondente ao deflúvio local Q. Primeiramente, lembremo-nos de que o tirante ou flecha y é
a altura de água no coletor, medida acima de sua geratnz inferior (Fig. 3.25).

Tabela 3.8 Dados numéricos para o cilculo do escoamento em galerias


circulares parcialmente cheias
Diâmeh D2 P

im) ím)' o'=


0.40 0,1600 0,1012
0.45 0,2025 0,1358
0,50 0,2500 0,1768
0,60 0,3600 0,2789
0.80 0,6400 0,5724
0,90 0,8100 0.7684
1,00 1.0000 1,0000
1.10 1.2321 1,2691
1,20 1,4400 1,5774

Fig. 3.25 Indicação do tirante d'dgua.

Y e, no caso, 2
Com o valor, C,, vê-se na Tab. 3.9 qual o valor de -, Y que lhe corresponde. Este valor
D D D

6 o enchimento crítico,
Para termos aprofundidode critica ou tirante crítico y,, correspondente à vazão Q, multiplica-se o enchimento critico

(%)pelo diâmetro D.
lol
O enchimento normal - deve estar compreendidoentre os valores 0,20 e 0.85, segundo as prescngões váiidas para
.-,
o Estado do Rio de Janeiro, isto 6,0,20 .D < y c 0.85 . D.É usual fixar-se o valor em tomo de 0,70 . D.
Achado o tirante crítico y,, conforme a altura d'água y que adotarmos, isto C, conforme o tirante normal, poderemos ter
um dos três casos seguintes:
a) y > y,, nesse caso o regime C subcn'tico, chamado tambem lento, tranqüilo oufluvial.
b) y = y,, e o regime é crítico.
C) y < yc, e o regime é supercrírico, rápido ou torrencial.

Deve-se pmcurar ter, no escoamento dos condutores de águas pluviais, regime rápido, não convindo que o valor de y
seja muito próximo do valor de y,.
Procede-se ao trqado do coletor com o conhecimento da declividade, do diâmetro, do recobrimento e do tirante y. Ao
se proceder ao cálculo para os coletores a jusante, pode-se constatar que é necessário alterar os valores previamente ado-
tados ou encontrados para os de montante.
Ccfleuhdcrs veloeidadcs '
A velocidade de escoamento V 6 obtida, como se sabe, dividindo-se a vazão a pela área a da seção molhada do coletor.
Y por D2
Para calcular a, basta multiplicar o valor C, (Tab. 3.9), correspondente ao valor -,
D
310 Instalações Hidráulicas Prediais r Industriais

Tabela 3.9 Dados numéticos para o cáiculo do escoamento em galerias


circulares parcialmente cheias

1 0,92 0,888
Aguas Pluviais 311

.
A velocidade mínima aconselhável nos coletores é de 1 m. s-', e a máxima é 4 m s-'. Velocidades muito baixas permi-
tem a deposição de sedimentos. Se o valor encontrado para v for inadequado, altera-se o diâmetm do coletor.

Caimento C
É o desnível vertical entre as geratrizes superiores do coletor no PV de montante e no PV que se está considerando. Seu
valor é obtido multiplicando a distância L entre os dois poços pela declividade i.

O caimento é C = 42 X 0,0065 = 0,27 m


Cota do fundo do PV
Já vimos como determinar o diâmetro d, o recobrimento e a cota do terreno no poço de visita.
Tratando-se do primeiro poço a montante. Fig. 3.26, a cota do fundo do poço é dada por:

Flg. 326 Indicaçáo do recobrimento em um PV.

Não se iratando do primeiro poço (Fig. 3.27). temos:

p V...I,">,

Fig. 3.27 Medida do caimento entre dois PV

Nível d'dgua no poço de visita


A cota do nível d'água no PV se obtém somando-se à cota de fundo o tirante normal y
312 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Distdncias entre poços de visita e representação em planta


Numeram-se os PV começando de montante para jusante, indicando a sua situação (nome ou número da rua e a
estaca que o identifica).
Ex: PV-3 -Rua B - Estaca 5 1 12,00 m
Em planta de drenagem pluvical são marcadas as distâncias L entre os PV, as declividades e os diâmetros da seguinte
maneira:

D"
Tabela 3.10 Valores de n

1" caso: Determinação das grandezas att? o primeiro PV (PV-I)


-Diâmetro D do coletor no trecho PV-I- PV-2, expresso em centímetros.
P: ex: D .40.
-Deèlividade, expressa em décimos de mil6simos. O valor é colocado h esquerda do diâmetro.
P. ex: i = 0,0065 representa-se por 65.
- Comprimento ou distância entre PV-1 e PV-2. representado em meuos e abaixo da reta acima da qual foram marca-
das as grandezas anteriormente citadas.
Na Fig. 3.28, temos um trecho de cdetor com 45 m de comprimento, declividade de 0,0065 e diâmetro de 40 cm entre
os dois poços de visita PV-1 e PV-2.

Fig. 338 Representação das grandezas entre dois PV.

2@caso: Determinação das grandezas a partir do segundo PV


Para tomar mais simplificada a explicação, vamos considerar a planilha que a Superintendência de Rios e Lagoas do
Rio de Janeiro - SERLA -adotou. Numeramos as colunas tal como indicado na planilha apresentada no excelente tra-
balho do EngWlisses M.A. de Alcântm, cuja orientação estamos seguindo, suprimindo, porém, para simplificar, algu-
mas colunas e alterando a ordem das mesmas. Na planilha que deve ser apresentada ao Órgão Público, no entanto, não há
necessidade de numerar as colunas. O trabalho citado intitula-se Roteiro para o Projeto de Galerias Pluviais de Seção
Circular e aborda não apenas o escoamento das galerias em regime uniforme, mas também considera o estudo do escoa-
mento em regime variado, quando ocorrem remansos devidos às junções de coletores nos poços de visita.

- ~~~~

r~ ~~~z~ ~ ~

O tempo de percurso T, expresso em minutos. de uma hipotética pardcula de água entre dois poços de visita, é
calculado dividindo-se o comprimento do trecho entre os dois PV pela velocidade v de escoamento (m . s-') e por 60.
Aguas Pluviaiç 313

(3.20)

3.3.4 Preparo da planilha


Seguiremos o modelo estabelecido pela SERLA, embora em outras municipalidades seja aceita planilha mais
simples ainda.

Na planta do amamento, contendo curvas de nível, delimita-se a bacia que escoará em cada rua. Caso haja algum
morro. deve ser marcado o divisor de águas para se poder determinar as bacias que as encostas estabelecem.
Numera-se cada bacia com algarismos romanos ou letras maiúsculas. A cada bacia irá corresponder um coletor
com o mesmo número. Essa numeração é representada no mdapé da planilha (por exemplo. coletor i).
Projetadas as ruas, conhecem-se os seus grades, isto e, suas declividades. Na planta, são marcados, com setas, o
sentido de caimento das t e a s e das sarjetas e também os pontos altos nos logradouros. bem como as mudanças
acentuadas de rampas.
Marcam-se as caixas de ralo nas sarjetas, lembrando que devem estar distanciadas umas das outras no máximo 30 m
e que não devem ficar nas esquinas em locais previsíveis para travessia de pedestres.
Traça-se a rede de coletores ou galerias atendendo à declividade das mas. A rede normalmente passará pelo eixo
da rua de modo a coletar, quase que simetricamente, a água das caixas de ralo dos dois lados da rua.
Marca-se a posição dos poços de visita obedecendo ao afastamento máximo de 60 m. Devem ser colocados poços
de visita:
- nas mudanças de direção;
- na ligação dos coletores de caixas de ralo, caso a galeria tenha menos de 80 cm de diâmetro;
-no entroncamento de vários coletores.
Numeram-se os poços de visita dos coletores principais adotando-se numeração seguida de montante para jusante.
Numeram-se também os poços de visita dos coletores secundános de montante para jusante, da seguinte maneira:
Usam-se dois números, separados por um ponto. O primeiro representa o PV, onde o coletor secundário irá se li-
gar; o segundo, a numeração do PV do coletor secundário, contada de montante para jusante. Assim, na Fig. 3.29,
a'representação de um PV por 5.4 significa que se trata do quarto PV do coletor secundário, que irá lançar a água
no quinto PV do coletor principal. isto é, no PV-5. Se a um mesmo PVafluírem dois coletores secundános laterais,
a designação dos PV desses coletores deverá ser feita acrescentando à designação, que acabamos de mencionar, as
letras E ou D, conforme o coletor ficar à esquerda ou B direita do coletor principal no sentido de escoamento. A
título de exemplo, vamos considerar a área representada na Fig. 3.30, onde foram feitas as anotações mencionadas
nos itens anteriores. Acompanhemos a seqüência de cálculos com a planilha da Fig. 3.31.
Marca-se no projeto a estaca de locação, correspondentea cada poço de visitae à cota do terreno n, no PV (coluna

. 4).
Marcam-se as distâncias, centro a centro. dos poços (coluna 23).

5.4.E

L +
RIO
PV.1 PV-2 PV.3 PV.4- PV-5 PV-6 PV-7

Fig. 3.29 Representação dos poços de visita.


314 Instalaçdes Hidráulicas Prediais e Industriais

I PV-Exilt.
R U A '"C"

COLETOR I

Fig. 3.30 Coletor 1. Elementos para o cálculo.

. Faz-se o mosaico, isto 6. divide-se a área de cada bacia em áreas contribuintes dos diversos poços de visita. Se as
áreas do mosaico forem pequena?, podem-se agrupar diversas áreas para simplificar o trabalho de cálculo. Dos
coletores, por exemplo, na Fig. 3.30, em vez de considerar isoladamente as áreas A, B e C, poderíamos agrupá-las

. numa área única (A + B + C) e D, E e F numa área única (D + E + F).


Calculam-se as áreas parciais, verificando se sua soma coincide com a Area total da bacia calculada de um modo

. global.
Classifica-se a impermeabilidade das áreas locais colocando na coluna (9) o valor do coeficiente r . No caso, supo-

. nhamos tratar-se de zona residencial urbana, e então r = 0,60.


Colocam-se na planilha os dados referentes ao primeiro poço do coletor principal mais a montante, isto é:
coluna I - número do PV, isto 6, PV- I

. colunas 2 e 3 - situação (ma e estaca). As vezes esta é dispensada. como no exemplo que estamos fazendo.
Deflúvios a escoar para jusantc
O B S E R V D Ç ~ E S : VIDE ANEXO
ENG. RESP.
CD'LCULO DO TEMPO EM PV-I
COLETOR -I FIRMA:
N9 FOLHA DDTA

PLDNILHD DE CÁLCULO

FLg. 331 Planilha de cáinilo de um coleto*de bguas pluviais.


316 Instalaçries Hidrdulicas Prediais e Industriais

-Marcam-se os valores das bacias locais na coluna 8, agmpando-as como indicamos nu item 3.3.4.10:
I Q bacia: 4,605 ha (escoa a água para PV-L)
2"acia: 1.085 ha (recebe a água das áreas A, B e C)
3"acia: 1,520 ha (recebe a água das áreas D, E e F)
-Área total (coluna I O)
I-rea total = 4,605 ha
2"rea total = 4,605 + 1,085 = 5,690 ha
3Qrea total = 5,690 + 1,520 = 7,210 ha
-Coeficiente de distribuição n (coluna 1 I )
Usa-se o ábaco (Fig. 3.16). Com a área em hectares, acha-se o valor de n =A-o.'5, ou se calcula diretamente.
Para a 1"ára: 4.605 ha n = 0.79
Para a 2"ea: 5,690 ha n = 0.77
Para a 3"ea: 7,210 ha n = 0,74
- Tempo de concentração t, (coluna 12)
A distância entre o ponto mais afastado da primeira bacia e o PV, é, suponhamos. L, = 370 m

L, = 0,37 km
p = 0.50 (porcentagem, em decimal, da área da bacia coberta de vegetação)

.s=--35 - - 0.05 13, declividade média do caminho L,


370
Tempo de concentração

16 X 0,37
I, = 5,43 min
(1.05 - 0,2 X 0.50) (5,13)"~

-Intensidadepluviométrica mkdia numa freqüência de I 0 anos (coluna 13)


Considerando para o PV, o tempo de concentração calculado r,, com o tempo de duração de chuva em
minutos e usando o gráfico da SERLA (Fig. 3.32)
i, = 128 mmhora
- Coeficiente de dqflúvio (coluna 14)
No grsfico de Fantoli (Pig. 3.17). w m
i = 128mmni
f = 5,43 min
temos: i X t = 128 X 5.43 = 695
Com r = 0.60
acha-sef = 0.38
-Deflúvio local (coluna 15)

-Defúvio a escoar (coluna 16)


Para o PV-1, é o mesmo valor que o deflúvio local, isto é, 492 11s.

Galeria de jusante
-Declividade
A distância entre os poços PV-I e PV-2 é de 21,M) m e a declividade da rua. isto é. o greide, é de

Podemos adotar, para.declividade do coletor, esse valor ou outro ligeiramente maior, digamos, 0,032 mim.
Marcamos este valor na coluna 17.
-Diâmetro do coletor (coluna 18)
Numa primeira estimativa do valor do diâmetro do coletor, podemos utilizar o grifico da Fig. 3.22 da fór-
Aguas Pluviais 317

DURACÃO minutos)

Fig. 332 Chuva de projeto. Pluviógrafo de h j B 3-D.R.

mula de Forschheimer, ou os das Figs. 3.23 e 3.24, entrando com os valores da declividade e da descarga.
Para o trecho entre PV- I e PV-2 temos:

i = 0.032
Q = 492 Ils
e obtemos D = 0,47 m. Usaremos coletor de 50 cm de diâmetro
- Tirante d'água
- Tirante crítico y,
Cálculo do módulo crítico M

No trecho P,P,, a descarga é Q = 0,492 m1 . s-'

Para D = 0.50
Na Tab. 3.8 acha-se P = 0,1768
318 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Com o valor de C,, entrando na Tab. 3.10 acha-se o valor de = 0,92 (supondo y = y,). Daí,
D
y, = 0.92 X D = 0.92 X 0.50 = 0.46 m

Calculemos a altura de água no coletor para as condiçóes que temos (Q = 492 1 .s-'; 1= 0.32 d m ; D = 0.50 m), que vem
vem a ser o tirante normal y, a fim de verificarmos se seu valor é inferior ao y,, isto é, se o regime é torrencial. Caso y seja
maior do que y,, deveremos aumentar o diâmetro do coletor.
Calculemos o fator K como indicado por Ulisses M. A. de Alcântara.

onde a descarga Q é expressa em litros por segundo e I, em décimos de milésimos.


No caso, Q = 492 1 . s-'

1= 0,032 mim ou 32 milésimos ou 320 décimos de milésimos.

Portanto,

Calculemos o coeficiente C, para entrarmos na Tab. 3.9

D8/3
O termo - acha-se na Tab. 3.10. Assim, entrando com D = 0,50 e para n = 0,013. o valor obtido é 12,077.
n

Com C, = 0,227, entrando na Tab. 3.10 se obtém

Donde, o tirante y

y < y, trata-se, portanto, de regime torrencial, que é o que convém.

Calculemos a velocidade v (coluna 22).


Primeiramente, calculemos a seção de escoamento

C, se acha naTab. 3.9 em fun~áode 2 = 0,63


D
Aguas Pluviais 319

Tempo de percurso (coluna 25) entre PV- 1 e PV-2

No caso, L =Ll = 21 m
v = v, = 3,78 m. s-I

O restante da planilha 6 elaborado seguindo a mesma marcha que acaba de ser seguida para o trecho entre W-1 e PV-2.
Completada a planilha, têm-se os elementos para desenhar o perf~ldo coletor, tal wmo indicado na Fig. 3.33.

O b s e ~ a Ç sobre
k a pianilha
Na coluna 6, na linha do PV-3, vemos dois números: o de cima, 12.95 m, 6 a wta de entrada do tubo de 50 cm no PV-3.
Corresponde à diferença (0,lO - 0.50) com um acréscimo de 0.03 m.
-
Entre PV-3 e o PV existente, temos uma extensãode 264 m e o desnível de terreno 6 de 14,37 11,30m = 3.07 m, o que
corresponde a uma declividade média de 3.07 + 264 = 0,0116.
Se adotarmos uma declividadede 0.01, o desnível será de 2 6 4 m, havendo uma diminuição no rewbrimento do coletor
igual a 3.07 - 2,64 = 0,43 m.
Para compensar essa diferença de modo que o coletor ao final. no PV existente, fique com o mesmo recobnmento que
em PV-3, deveremos distribuir essa diferença de 0.43 m pelos PVs situados entre PV-3 e o PV existente. Alguns projetis-
tas dividem a diferença pelo número de PVs intermediários, fazendo com que em cada PV haja uma cota de saída mais
baixa que a de entrada. Pode-se, porem, descontar esse desnivel em alguns PVs apenas.
No caso. a diferença de 0.43 m foi dividida da seguinte maneira:
0,10 m no PV-5 i.e.: diferença (11.65 m - 11.55 m)
-
0.33 m no PV-8 i.e.: diferença (10.58 m 10.25 m)

Tabela 3.11 Planilha aimplificada


I I

Sistema de drenagem pluvial


k i p i t a @ o pluvioméhica: 170 m d h
Coeficiente de escoamento: 0,8
1

1 'e
Desenho nP Vazão: 0,04 Udm' Daia Folha

Cotas do coletor
Cota do
terreno Distância O
Trecho pareia1 acumulada ícm)
D -
(mlI (I r') (mm) % D h (mm) (4;)(m. r') Montante Jusante Obs.:
225.00 100 13.0 9,O 200 72 144 0,l 0.38 30 29
321.00 100 11.0 3,&1 UKI 72 144 0.1 0.38 30 29
100 7.0 21,72 200 75 150 0.5 0.85 27 23
1.492,00 100 15.0 59,68 300 80 240 0,4 1,00 21 15
1.773,00 100 5 70.92 300 100 300 0.5 1.00 13 10
1.773,00 100 5 7092 300 100 300 0,5 1.00 08 O
320 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais
Aguas Pluviais 321

Assim, no PV-5 temos:

cota de entrada C.E. = 11,65


cota de saída C.S. = 11,55
e no PV-8 0mK
cota de entrada C.E. = 10,58
cota de saída C.S. = 10.25
m
Embora se possa representar o coletor com declividade da esquerda para a direi& (Fig. 3.341, algumas nomas exigem
a representação tal como a da Fig. 3.33, isto 6,da dinita para a esquerda.
Em alguns municípios t pemiitida a utilização de planilhas bem mais simples que a apresentada, notadamente se se
trata de um conjunto industrial com armamentos f m a n d o quadras não muito grandes e terreno plano. A planilha a seguir
6. bastante simples e suficiente para resolver tecnicamente o problema da drenagem de áreas pequenas. Vê-se que foram
.
admitidos até coletor a plena seção e velocidades abaixo de 1 m s-'. Trata-se, no caso, de armamentos entre blocos de
uma indústria.

3.3.5 Projeto
O projeto exigido pela municipalidade é constituído dos seguintes elementos:
a. Memória descritiva.
b. Desenhos.

3.3.5.1 Memória descritiva


Da memória descritiva constam:
a) Chuva prevista no cálculo. Determinação da vazão a exoar.
b) Cálculo hidráulico dos coletores e ramais.
c) Planilhas de cálculo.

3.3.5.2 Desenhos de projeto


Do projeto constam os ~eguintesdesenhos:
a) Planta da bacia esgotada.
b) Planta de situação da rede.
c) Perfis.
d) h.ieto de obras especiais e 6rgãos acess6rios da rede.

CE. PV-3.13.91 - 0,92 : 12.95 C.E. PV-4'12.72 -0,53 C.E. PV-5;12.18 - 0,53
D i v i d o Ò mudonpo de diâmetro:
-
12.95 0.20: 12.75
deanivel no pago -2
C.E. 12.18 C.€. : 11,65

C.S. PV-3=12.72m C.S. = 12. 18 rn C.S. = 11,íBm

Fig. 334 Representação grbf~ca


do p d l de um coletor.
322 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

PLuJa da bacril esgotcuio


a) Escala = 1:5.000
b) Curvas de nível espaçadas, no máximo, de 4 em 4 m. Tratando-se de regiões de topografia pouco acidentada, para
um melhor conhecimento do relevo. convem um menor espaçamento das curvas de m'vel.
C) O desenho é. executado em papel vegetal liso, 80-85 a nanquim. escrito a nomógrafo, nos tamanhos padrões da
ABNT.

Dessa planta constam:


a) Pontos críticos e áreas afetadas pelas inundações e deposição de matéria sólida.
b) Obras de cabeceiras para a contenção de matéria sólida.
c) Delimitação de áreas do terreno de acordo com seu uso e permeabilidade.

Segue os seguintes padróes:


a ) ~scala:1 : l . W
b) O desenho é executado em p w l vegetal liso, 80-85 g. a nanquim, escrito a nonnúgrafo. nos tamanhos padroniza-
dos pela ABNT, obedecendo às convenções da Fig. 3.34.
c) O traçado da rede 6 projetado até o wrpo receptor existente, com respectivos diamenos e sentido de escoamento
até esse corpo

pe*
Atendem aos seguintes padrões:
a) Escala vertical: 1:100
b) Escala horizontal: 1:1.000
C) Executado em papel vegetal liso, 80-85 g, a nanquim, escrito a normógrafo. com os tamanhos padrões da ABNT.

Desse desenho constam:


a) Perfil natural do terreno.
b) Grade, projetado para o logradouro w m respectivos elementos.
C) Fundo e teto das galerias projetadas.
d) Poços de visita.
e) Cota de fundo em todos os poços de visita, referidas a R N (referências de nível) oficial, devidamente identificado.
f) A marcação das estacas de locação das galerias ser6 em ordem crescente da esquerda para a direita, e começando
sempre de jusante.
g) Elementos finais de cálculo hidráulico. para cada trecho entre poços de visita, como sgam:

Tabela 3.12 Area (ma)esgotada por tubos d e vários materiais

I Diâm. I W C -.
.cobre. alumínio.
fibmirnento n = 0,011
I Fem fundido. concreto
alisado n = 0,012
1 Cerâmica 6swra: concreto
mal-alisa'do n = 0,013
1
interno
D
(mm) 0,590 1% 2% 4% 0,556 1% 2% 4% 0,596 1% 2% 4%
-declividade,
-descarga real;
-velocidade real;
-tirante real;
-comprimento do m h o .

3.3.5.3 Vazões com condutores horizontais (Umin) circulares com altura da lamina d'água igual
213 do diâmetro.
Fórmula de Manning-Strickler:

Q -Umin
K - 60.000
S-m2
n - coef. de mgosidade
R -raio hidráulico -m
I -declividade, mlm

3.3.5.4 Areas de contribuição para cálculo de vazão em calhas, coletores e condutores verticais.

Fig. 335 &as de contribuição.

WILKEN. Paulo Sampaio. Engenhorio de drenagem supeflcial. Convênio BNH - ABES - CETESB. 1978.
PFAFSTE'ITER, Ono. Chuva intensas no Brasil. Depammcnto Nacional de Obras de Saneamento, 1957.
GARCEZ, Lucas Nogueira. Hidrologia. Editora Edgard Blucher. 1967.
ARMCO. Manwl da idcnico de burims e drenw.
DURANA. Técnica em plástico. Calha de fiberglass. SHo Paulo.
MICHELIN, Renato G. Drenagem supeqicial e subterrânea de csrmdos. Edit. Multibn., Pono Alegre. 1975.
OLIVEIRA, Erancisca Maia de. Drenagem de eshodns.
ALCÂNTARA. Ulisscs M.A. de. Roteim para o projeto de galeria pluviais de se480 circular. Engenhoria sunitdria. ADIS. Rio dc lancim. junho de
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AZEVEDO NETTO, J.M. de. M m u l de hidrdulico. Editora E d ~ a r dBIUchcr, 6' cdiçáo, 1973.
SURSAN - N o m s pira projetos de esgotamento pluvial. 1976.
RONDON DE SOUZA, Dioclcs. Hidmtécuica continex~lai.Hidmlogia. novimbro de 1914.T m d e l i y ~ t D m h c i a .
LINSLEY, R.K., KOHLER. M.S. e PAUUNE, J.L.H. Hyd>ologyfor rnginerrs. McGraw- Hill Book Company, NY,1958.

ClidbgoJ
Companhia Mwlúrgica B d -fampacs. n i b s .
S i S.A. Wum Qulmicos vara C n i s ~ a ~ .
Tigre - tubos e conexões. ~ q u a p l u v~ e i r á l

- Insrallyõo Preduis & hguas Plu\iai~- NB-61 l f l 9 da ABNT.


-Tubos de PVC rlpido para inrinlaçõcs de 4guas pluriais 88.753
Instalações de Proteção e
Combate a Incêndio

4.1 GENERALIDADES
As instalaçòes de água potável, de esgotos sanitários e de águas pluviais, quando projetadas ou executadas inadequada-
mente, podem acarretar prejuízos de ordem material considerável, infligir danos à saúde das pessoas e comprometer até
mesmo suas vidas. Uma instalação de proteção e combate a incêndio, entretanto, apresenw-se de uma forma mais direta e
evidente como a salvaguarda de bens e de vidas humanas, que, na catástrofe de um incêndio, lamentavelmente podem ser
desinúdos. Enquanto os efeitos negativos de instalações inadequadas se processam geralmente de forma lenta, as consequên-
cias de um incêndio não debelado prontamente são imediatas e sinistras.
O valor de uma vida humana justifica por si as despesas, mesmo elevadas, que se façam, visando a resguardá-la das
conseqüências da inupção de um incêndio, as quais vão desde o pânico, asfixia por fumaça e queimaduras, numa escalada
que pode terminar com a carbonização do corpo.
Tratando-se de uma instalação à qual se espera nunca ser necessário recorrer e que, felizmente, quase sempre fica ape-
nas aguardando a eventualidade de um temível evento, existe uma tendência a se desprezar a possibilidade do sinistro, o
que, conscientemente ou não, tem por efeito procurar justificar a economia com a execução de instalações inadequadas e
o não-atendimento a exigências de ordem arquitetônica e constmtiva, cuja importância é primordial.
A Engenharia de Prevenção contra Acidentes consagra especial importância ao estudo da chamadaprorefão contra
fogo. Esta proteção visa a salvaguardar vidas e bens, prevenindo contra a possibilidade de um incêndio, e a proporcionar
meios de debelá-lo, caso ocorra. Para conseguir esses objetivos devem ser adotadas:

4.1.1 Medidas de prevençáo de incêndios


Devem ser consideradas desde o momento em que se inicia um projeto arquitetõnico e se elaboram as especificações
dos materiais de construção. O confinamento do incêndio pelo isolamento das áreas com portas corta-fogo: o uso, sempre
que possível, de materiais incombustíveis; a previsão de uaídas de emergência; instalações elétricas que venham a funcio-
nar sem sxçesso de carga e com os dispositivos de segurança necessáxios, são alguns dos pontos a merecer consideração.
(Ver, p. ex., as EB da ABNT sobre portas corta-fogo, 920, 132.)

4.1.2 Instalaqões contra incêndio


Compreendem as que objetivam detectar, informar onde se iniciou o incêndio e debelá-lo com presteza tão logo irrompa,
evitando que se propague e. portanto, restringindo o montante dos prejuízos e impedindo que as pessoas venham a sofrer
algum dano.
Cuidaremos. neste livro. apenas das instalações contra incêndio, ficando as medidas de prevenção para serem consul-
tadas em obras e legislação sobre higiene e segurança do trabalho, códigos de obras e em livros de arquitetura.
As instalacões contra incêndio no Brasil obedecem as normas das seguintes entidades:
- ~ e ~ a r & e n t oNacional de Seguros Privados e Capitalização, DNSPC
- National Fire Protection Association, NPFA.
- Associação Brasileira de Normaí Técnicas - ABNT.
- Instituto de Resseguros do Brasil, Portaria n.' 21 de 5 de maio de 1976 e Circular n.' 19 de 6 de março de 1978.
- No Rio de Janeiro, o Decreto 897 de 21 de setembro de 1976 - Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico
(COSCIP), que regulamentou o Decreto-Lei n." 247, de 21-07-75.
- NormaRegulamentadora NR-23 da Portarian." 3214de 08-06-78 que regulamenta a Lei n." 6514 de 22-12-1978 da
Consolidação das Leis do Trabalho.
Ao se iniciar um projeto de instalação contra incêndio, deve-se ter sempre em vista que a principal condição para o
êxito na extinção do fogo é a rapidez com que a instalação entra em funcionamento. Isso pressupóe, evidentemente, que
a instalação tenha sido bem projetada e executada, permitindo fácil e efetivo funcionamento. Os primeiros minutos são
decisivos no controle do fogo.
Não sendo combatido prontamente, é pouco provável que o socorro do Corpo de Bombeiros evite danos consideráveis.
apesar da presteza com que atende. A instalação deve ser feita de tal modo que possa tembém auxiliar a ação dos bombei-
ros. logo que estes intervenham.

4.2 CLASSES DE INCÊNDIO


O Código de Segurança contra Incêndio e Pânico do Rio de Janeiro (COSCIP), em seu artigo 82, e a NR-23 da Portaria
n." 3214 do Ministério do Trabalho dão a seguinte classificação para os incêndios, conforme a natureza do material a pro-
teger:
I. Classe A. Fogo em materiais comuns de fácil combustão com a propriedade de queimarem em sua superfície e
profundidade, deixando resíduos. É o caso da madeira, tecidos, lixo comum, papel, fibras, forragem etc. A estes
poderíamos acrescentar alguns outros mencionados no Federal Fire Council, tais como o carvão, coque, filmes e
material fotográfico.
U. Classe B.Fogo em inflamáveis que queimam somente em sua superfície, não deixando resíduos, como óleos, gra-
xas, vernizes, tintas, gasolina, querosene, solventes, borracha, óleos vegetais e animais.
111. Classe C. Fogo em equipamentos elétricos energizados (motores, geradores, transformadores, reatores, aparelhos
de ar condicionado, televisores, rádios, quadros de distribuição etc.).
IV. Classe D. Fogo em metais pirbfoms e suas ligas (magnésio, sódio, pothsio, alumínio, zircônio. titânio e outros).
Inflamam-se em contato com o ar ou produzem centelhas e até explosões. quando pulverizados e atritados.

4.3 NATUREZA DA INSTALAÇAO DE COMBATE A INCÊNDIO


RELATIVAMENTE AO MATERIAL INCENDIADO
A escolha da substância com a qual se irá apagar o incêndio, o tipo de instalação e o modo de executá-la dependem da
natureza do material cujo incêndio se cogita debelar.
Há materiais combustíveis cujo incêndio pode ser apagado com diversas substâncias. como é o caso da madeira, papel
e tecidos, mas há outros cujo incêndio só pode ser contido e apagado com produtos especiais, como ocorre com o álcool.
solventes, gás liquefeito e muitos outros.
No caso de óleos, querosenes e solventes minerais, a escolha do produto extintor e do sistema depende do ponto de
fulgor dos mesmos. O ponlo de fulgor ouflash-poinl. indicador da presença de elementos voláteis no produto, é a tempe-
ratura em que, ao se passar uma chama com formato especial sobre a superfície do óleo, no rebordo do recipiente que o
contém, se observa uin fulgor na chama. Os pontos de fulgor e de combustão dos derivados de petróleo sk>importantes
para um projeto de combate a incêndio nas instalações que os armazenam.
A Tab. 4.1, apresentada em Catálogo da Bucka, Spiero Comércio, Indústria e Importação S.A., fornece elementos para
a escolha dos meios de combate a incêndio em funsão dos produtos cujo incêndio deve ser extinto.
Vejamos algumas indicações sobre os sistemas e materiais utilizados nocombate a incêndioque serão esclarecidas com
maiores detalhes no desenvolvimento do assunto ao longo deste capítulo.

Por ser abundante, de baixo cusco e por sua grande capacidade de absorver calor, o que a toma uma substância muito
eficaz para resfriar os materiais e apagar o incêndio, a água é a substância que mais se emprega no combate ao fogo.
É utilizada sob as seguintes formas:
a) Jato (chamado geralmente de jato sólido ou ;alo denso). Usam-se bocais, com ponteiras chamadas requintes, liga-
dos a mangueiras que, por sua vez, recebem a água escoada em encanamentos que constituem as redes de incêndio.
As mangueiras são ligadas a hidrantes adaptados as redes. Em instalações ao ar livre, usa-se também um dispositivo
denominado canhão, para lançamento de consideráveis descargas de água a grandes distâncias.
b) Asperslio. Empregam-se aspersores especiais, de funcionamento automático, chamados sprinklers. A água pulveri-
zada forma um chuveiro sobre o local onde irrompeu o incêndio, e o vapor d'água formado com a água espargida
constitui, por si, uma barreira 2 penetração do oxigênio, elemento que, por ser comburente, alimenta a combustão.
326 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Tabela 4.1 Meios d e combate a incêndio e m funcão d o s produtos cujo incêndio deve s e r extinto
Meios de Agua em jato Espuma Neblina
combate a denso. d e água (CO,). (DyChemical
incêndio e sua Extintores Extintores e Powder).
classificação com carga instalações Exintores.
soda-ácido fixas Instalações
ou Jíauido fixas
A -Materiais
sólidas, fibras Sim Sim* 1 sim*
têxteis, madeira,
pawl etc.
B - Liqdidos
inflamiveis, Sim 1 sim
derivados
de petróleo
C - Maquinaria
elétrica, Não Não Sim** Sim Sim
motores,
geradores,
transformadores
D -Gases
inflamáveis, Não Não Não*** N&~*** Sim
sob pressão
'Indicado somente para princípios de incèndio e incèndios de pequena extensàa,
** Indicado somente após estudo previa.
***Embora nãoindieado.existempossibilidadesdeemprego,após préviuestudo econsulta aocorpode Bombeiros e ai> Depanamcntu Nuci,>nal
de Sepuran~ae Higiene do Trabalho do Minist6rio do Trabalho.

Existem também aspersores para operação não-automática.


C) EmulsiJicaç6o com água. O sistema Mulsifire de emulsificação com água foi proposto e desenvolvido por Mather &
Platt Ltda., representado no Brasil pela Resmat Ltda. Existe um sistema similar da Walther & Cie. de Koln, repre-
sentada no Brasil pela Delta - Incêndio Eng. Ltda. A Wormald Resmat os fabrica para várias capacidades.
Os óleos-combustíveis, lubrificantes e de transformadores; as tintas, vernizes e alguns líquidos inflamáveis tomam-se
incombustíveis por meio da formaçlo de uma emulsão temporária com água sobre sua superfície.
Para conseguir isso, o sistema Mulsifire utiliza bgua sob pressão sobre a superfície do 61e0, através de bicos especial-
mente desenhados, denominadosprojetores (Fig. 4.1). A água sai do projetor na forma de um cone emexpansão, em gotas
finasmuito dispersas, com alta velocidade e distribuídas uniformemente sobre a área visada pelo projetor. É o impacto da
Agua sob essa forma atomizada, na superfície, que cria a emulsáo.
O acionamento do sistema Mulsifire se faz automaticamente por meio de detectares de fogo. Há diversos casos a con-
siderar:
1) A área coberta pela proteção dos aspersores 6 reduzida, de modo que se podem empregar simplesmente empolas
Quartzoid. Pelo aquecimento, o gás contido na empola se expande, rompendo-a, deixando livre a passagem da água,
que, atingindo os projetores Mulsifire, se espalha em goticulas sobre o local (Fig. 4.2a).
2) Sendo ampla a área a proteger deve ser previsto considerável número de projetores Mulsifire atuando ao mesmo

Fig. 4.1 h j e t o r Mulsifire


Instalações de Proteção e Combate a Incèndio 327

Ng.4.2a Controles automáticos e projetores Mulsifire.

bar

Fig. 42b Curva de vazão do projetor de alta velocidade. Sistema Water Spray -tipo HV-17, da Wormald Resmat Ltda

tempo. Neste caso, instalam-se as empolas Quartzoid numa rede de ar comprimido, a qual se comunica com o dia-
fragma de uma válvula de controle. Quando pelo calor a empola se rompe devido à expansão do gás nela contido, o
ar comprimido escapa. A diminuição de pressão faz com que o diafragma de uma válvula Dilúvio se desloque, dei-
xando passar a água sob pressão até o conjunto dos aspersores que aspergem simultaneamente a água nebulizada
sobre o local a ser protegido (Fig. 4.3).Estainstalação com ar comprimido para comandar a válvula é usada quando
existe perigo de congelamento de água no inverno. As tubulações ficam, portanto, normalmente secas.
3) Há várias zonas independentes a proteger. Cada região possui uma válvula que atua simultaneamente com uma vál-
vula Dilúvio quando o incêndio ocorre na área por ela protegida.
4) Pulverização ou nebulização. É o caso. por exemplo, do sistema protectospray, da Resmat. É recomendado para

Fig. 4.3 Váivula automitica Dildvio e detector de empola Quartu>id.


328 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Fig. 4.4 Extinção de fogo em um transformador, com nebulizaçáo (warer-sprayflooding-system, da Buckau-Walther & Cie.
Aktiengesellschaft. Delta Incêndio Eng. Ltda.). Vê-se a gaiola, que é uma annaçao de tubulações envolvendo o transformador e onde
são colocados os difusores de modo a espargir a neblina sobre as superfícies externas dos transformadores.

proteção contra incêndio em gases liquefeitos derivados do petróleo, como os empregados em indústrias e de uso
doméstico, tais como o propano, o propileno e o butano.
A pulverização deve ocorrer ao iniciar-se um vazamento de gás liquefeito, para evitar que se incendeie. Caso
ocorra a ignição de gases que estejam escapando, a aplicação de água pulverizada sobre a superfície do tanque pode
evitar um perigoso aumento da temperatura e pressão dentro do tanque, reduzindo o risco de ruptura do mesmo.
A nebulização, ou pulverização com neblina, também é usada para extinção de incêndio em bancos de transfor-
madores e de incêndio de combustiveis e óleos. Pode-se usar o canhão com um esguicho de formato especial para
lançamento de neblina (esguichos tipos BSC e Akron Fog-Hog, da Bucka, Spiero, por exemplo).
A ação da pulverização com neblina ocorre por ação de:
- resfriamenro, pela facilidade de as partículas multiplicarem a eficácia da água na troca de calor;
- abafamento, pela diminuição da taxa de oxigênio pelo vapor d'água que se produz;
- emulsificação, pela ação das partículas da água com alta velocidade sobre o combustível, reduzindo sua inflamabi-
lidade.

4.3.2 Espuma
O sistema denominado espuma mecânica é aconselhado para líquidos inflamáveis, derivados de petróleo e solventes, e
consiste no lançamento, sobre o local do incêndio, de considerável quantidade de espuma.
A espuma é obtida pela mistura com água de um agente formador de espuma, o extrato ou concentrado, que é um pro-
duto de base proteínica, fazendo-se incidir sobre a mistura um jato de ar com o auxílio de um ejetor especial conhecido
comoformador de espuma. O lançamento da espuma é realizado com dispositivos especiais, de que trataremos mais adi-
ante, e também por canhões ou esguichos dotados de produtor de espuma.
Instalaróes de Profeçdo 1, Combate a Incêndio 329

4.3.3 Freon 1301 - Sistema Sphreonix


O freon 1301 (bromo-trifluometano) é usado com excelentes resultados no combate a incêndio de madeira, papel,
algodão, tecidos. líquidos inflamáveis, gasolina, gases inflamáveis, centrais telefônicas, computadores etc.
Esse gás, inibidor da reação de combustão, é armazenado em recipiente de forma esférica, de dimensões reduzidas. o
qual é colocadono teto sobre o local a proteger. Um dispositivo com fusível, semelhante ao adotado no sistemade sprinkler.7,
permite, pela ruptura do fusível, a inundação do local com o gás, que não é venenoso. Pode ser empregado também em
unidades portáteis manuais, em unidades portáteis automáticas e em sistemas fixos para saturação total, manuais ou auto-
máticos.

4.3.4 Hallon 1301


Gás com as mesmas propriedades que o freon 1301, sendo utilizado das mesmas formas, pois se trata d o
bromotrifiuormetano.
É fabricado pela Wormald Resmat Ltda.

4.3.5 Gás carbônico (bióxido de carbono)


O g& carbônico (CO,) B um gás inodoro e incolor, 1,5 vez mais pesado do que o ar, mau condutor de eletricidade, que
não é tóxico nem corrosivo. Entretanto, pode causar a morte por asfixia, cegar (se lançado nos olhos) e produzir queima-
duras na pele pelo frio.
O efeito produzido pelo CO, na extinção dos incêndios decorre do fato de que ele substitui rapidamente o oxigênio do
ar,Eazendo com que o teor de oxigênio baixe a um valor com o qual a combustão não pode prosseguir. Ao ser liberado no
ar, seu volume pode expandir-se 450 vezes.
É armazenado em garrafões cilíndricos de aqo sob alta pressão que podem ser agrupados em baterias em instalaçóes
centralizadas. A atuqáo dos dispositivos automáticos de lançamento de CO, pode ser feita por sistemas elétricos, mecâni-
cos ou pneumáticos acionados por detectores de f u m a ~ oua calor. OCO, é lançado sob as formas de gás, de neve ou de
neblina, conforme o tipo de espargidor empregado.
Recomenda-se seu emprego em:
- Cenuos de processamento de dados, instalação de computadores.
- Tranformadores a óleo - geradores elétricos -equipamentos elétricos energizados.
- Indústrias químicas.
- Cabines de pintura.
- Centrais térmicas; geradores diesel elétricos.

- Turbogeradores.
- Tipografias, filmotecas, arquivos.

- Bibliotecas, museus e caixas fones.

- Navios, nas centrais de controle.


A instalação de CO, emprega boquilhas de aspersão que se assemelham as usadas nos sprinklers de água. Em recintos
com portas efou janelas, paraque a concentração de CO, atinja níveis com os quais o incêndio possa ser apagado, é neces-
sário que, ao se iniciar o lançamento do gás, as aberturas s e ~ u m
fechadas. O chamado método de inundação total consiste
no lançamento de CO, em recinto fechado, reduzindo o teor de oxigênio, abafando e extinguindo o fogo.
OCO, pode ser usado em aplicação local sobre o material em combustão ou em descarga prolongada, como ocorre no
caso de motores e geradores elétricos em combustão.
A tubulação usada em instalações centralizadas de CO, e que conduz o gás em estado líquido até os difusores deve ser
de tubos ASTM A-53 ou ASTM-120, galvanizados, e as conexões deverão ser forjadas, galvanizadas e para pressão de
trabalho de 14 kgf.cm-l.
O lançamento do CO, sob a forma gasosa, sem que ocorra congelamento com a descompressão, é feito por meio de
difusores especiais, com orifícios calibrados, de modo que possa ser obtida a concentração de CO, no tempo prescrito pela
norma aplicável ao caso.
A instala$ão central de CO, deve funcionar automaticamente. Para isso, existem detectores que atuam sob a açáo do
calor ou da fumaça e que fecham um circuito elétrico, o qual aciona as cabeças de comando. Estas peças são colocadas
lateralmente na válvula de pelo menos dois dos cilindros de CO, de cada instalação, os quais são designados por cilindros
pilotos. Abrem a passagem auxiliar da válvula do respectivo cilindro por meio de um êmbolo que nela penetra ao ser aci-
onada. Quando a concentração de CO, atinge 40%, o teor de oxigênio no ar pode ficar reduzido a 12.5%. sendo impossível
a vida.

4.3.6 Pó químico seco


O pó químico é fornecido em extintores portáteis com mangueiras de até 10 m, os quais nos tipos de maior capacidade
podem ser colocados em carrinhos com rodas de borracha. E empregado no combate a incêndio em indústrias. refinarias.
fábricas de produtos químicos, aeroportos etc.
330 lnstalafõrs Hidráulicas Prediais e Industriais

O produto químico básico é o bicarbonato de sódio micropulverizado, tratado de modo a não absorver umidade, ou o
sulfato de potássio, substâncias não tóxicas que podem ser armazenadas por tempo indeterminado. Obedece à Especifica-
ção P-EB-148 da ABNT.
Alguns tipos empregam um cilindro com o pó e outro com CO,, ou mesmo ar, que funciona como propelente do pó.
Quando se abre a válvula, o CO, passa para o compartimento contendo o p6 químico, que, assim pressurizado, é lançado
sob a forma de uma nuvem, quando se aciona um gatilho na pistola de lançamento.
Existem outros tipos, nos quais o p6 fica numa câmara com nitrogênio pressurizado e pronto para uso imediato.
Com essa operação, a pressão do gás se transmite a uma peça chamada cabeça do descarga, ou de comando, que força
a abertura da passagem principal da válvula, dando início à descarga e transmitindo a pressão aos demais cilindros do
sistema.

4.4 CLASSIFICAÇÃODAS EDIFICAÇÕES


Segundo o código de Segurança contra Incêndio e Pânico para o Rio de Janeiro (Decreto no 897, de 21-09-76).
Para efeito de determinação de medidas de segurança contra incêndio e pânico, as edificações são assim classificadas:
a) Residencial.
- Privativa (unifamiliar e multifamiliar).
- Coletiva (pensionatos, asilos, internatos e congêneres).
- Transitória (hottis, motéis e congêneres).
b) Comercial (mercantil e escritório).
c) Industrial
d) Mista (residencial e comercial).
e) Pública (quartéis, ministérios, embaixadas, tribunais. consulados e congêneres).
f) Escolas.
g) Hospitalar e laboratoriai.
h) Garagem (edifícios, galpões e terminais rodoviários).
i) De reunião do público (cinemas, teatros, igrejas, auditórios, s a l k s de exposição, estádios, boates, clubes, circos,
centros de convenções, restaurantes e congêneres).
j) De usos especiais diversos (depósitos de explosivos).
k) De munições, inflamáveis, arquivos, museus e similares.

4.5 INSTALAÇÕES DE COMBATE A INCÊNDIO COM ÁGUA.


CARACTERIZAÇÃODOS SISTEMAS EMPREGADOS
A instalação de combate a incêndio com o emprego de água pode ser realizada por um dos seguintes sistemas de funci-
onamento:

4.5.1 Sistema sob comando (regido pela NB-24/57)


É assim chamado o sistema em que o afluxo de água ao local do incêndio é obtido mediante manobra de registros loca-
lizados em abrigos e caixas de incêndio. Os registros abrem e fecham os hidrantes, também chamados tomadas de incên-
dio, e permitem a utilização das mangueiras com seus respectivos esguichos e requintes. Em estabelecimentos fabris com
amamentos e em conjuntos habitacionais, a rede de abastecimento de água deve alimentar hidrantes de coluna nos pas-
seios, distanciados de 90 em 90 m. de modo a permitir o combate direto ao incêndio com a adaptação de mangueiras (se a
pressão for suficiente), ou a ligação à bomba do carro-pipa do Corpo de Bombeiros (CB).

4.5.1.1 Hidrante ou tomada de incêndio


É o ponto de tomada d'água provido de registro de manobra e união tipo engate rápido. No interior dos prédios. é co-
locado na caixa de incêndio, juntamente com a mangueira e o esguicho.
As caixas de incêndio são colocadas na pmmada da tubulação de incêndio em quantidade e locais tais que assegurem a
possibilidade de combater o incêndio em qualquer ponto do pavimento onde se encontram, usando mangueiras de até 30
m de comprimento, isto é, usando dois lances de 15 m engatados (Fig. 4.6).
Na determinação da faixa coberta pela ação do jato de uma mangueira, pode-se considerar ainda mais 7 m correspon-
dentes ao alcance dojato. Cada hidrante em instalação de risco médio consta de:
- Um regise0 de gaveta de 21%".
- Uma junta Storz de 2M" que permite a adaptação da mangueira do CB (Fig. 4.7).
- Uma redução de 2M" para 1%" para permitir a adaptação da mangueira colocada na caixa de incêndio, e que t
operada pelos mradores.
- Mangueira de I%", com junta, esguicho (Fig. 4.8) e requinte (bico) de 'h".
Instalações de Proteção e Combate a Incêndio 331

Fig. 4.5 Corte esquemtítico simplificado de uma edificação, representando a canalizaçáo preventiva c o abastecimentode Agua.

Idmploslo 2 Ma
irosca *i. i t o i i l
R.dup60 1I / ~ P / I Vem
I .toir p/i..torzI

VISTA DE FRENTE
Ii VISTA LATERAL

VISTA SUPERIOR

~ 6 ~ P0R ~ ~
T I C0
O PARA ENROLAR MANeUElRAS

Fig. 4.6 Caixa de incêndio com hidrante.


332 Instalacões Hidráulicas Prediais e Industriais

CONEXAO PARA MANGUEIRA DE INCENDIO


MATERIAL: LATA0 DE ALTA RESISTENCIA
TIPO STORZ - CONFORME DIN (NORMAS ALEMASI
ENGATE RAPIDO - PRESSA0 OU VACUO
EMPATAMENTO EXTERNO
Dimensóes I 1 112" 1

Fig. 4.7 Conexão para mangueira de incêndio.

Esguicho jato sólido 1. 112"


Diâm.
Artigo Requinte
Storz
330-A Fixo
i . 112" Fig. 4.8 Esguicho cônico com adaptação Storz. Material: tubo
331 Desmont. 335
de latão de alta resistência, da N.L.F. Hidroválvula Ltda.

4.5.1.2 Hidrante de passeio (hidrante de recalque) (Fig.4.10)


Ê um dispositivo instalado na canalização preventiva de incêndio, destinado à ligação da mangueira da bomba do carro
do CB, que permitirá o recalque da água da canalização pública para dentro do prédio, de modo que os soldados do CB
possam ligar suas mangueiras nos hidrantes das caixas de incêndio. O registro é protegido por um tampão Storz (Fig. 4.9).

TAMPAO COM CORRENTE


MAT.: LATAO DE ALTA REÇISTENCIA COM
ARRUELADEBORRACHA

I STORZ

1 112'
2 1/2'
4' I Fig. 4.9 Tampão com corrente.
Instalações de Proteção e Combate a Incêndio 333

a VISTA SUPERIOR

VISTA LATERAL

Fig. 4.10 Hidrante de passeio.

4.5.1.3 Hidrante urbano ou de coluna (Fig. 4.11)


É um hidrante de coluna, ligado B rede de abastecimento da municipalidade (Fig. 4.1 1). Permite a ligação direta das
mangueiras do CB ou do mangote de aspiração da bomba do carm do CB. Sua instalação é atribuição d o órgão competente
do municfpio, encarregado do abastecimento de água.
Deverá haver um hidrante de coluna no máximo a 90 m de distância útil d o eixo da fachada de cada edificação ou d o
eixo do lote (h. 21-COSCIP).
É exigido o hidrante de coluna nos casos de loieamento~.agrupamentos de edificaç&r unifamiliares com mais de seis
casas ou lotes. agrupamentos residenciais multifamiliares e de grundes e~rahelerimenro~.

Flg. 4.11 Hidrante de coluna.


334 Instalaçóes Hidráulicas Prediais e Industriais

cnsrpn

BOCbS EXPULSORIS

REGISTRO OLOBO 2 L/?,"


eABEGA 4"iP 1/2"a21/2" r.C

100 c n III 2 LR" F E M L A


LADAprAçb
z 2 L/P"JiORi

Fig. 4.12 Instalação de hidrante de coluna

Os hidrantes de coluna são localizados no passeio junto ao meio-fio.


Nos armamentos de instalações industriais, são colocados hidrantes de coluna com duas, tr&sou quatro bocas. para
adaptação de mangueiras de 2%" (Figs. 4.12 e 4.13). Adapta-se uma válvula em esquadro (9D0 ou 45") em cada boca, com
junta Storz para ligação da mangueira (Fig. 4.14) ou derivantes simples (Fig. 4.15). Os hidrantes são colocados do lado
esquerdo dos abrigos das mangueiras.

4.5.1.4 Mangueiras de incêndio


O comprimento das linhas de mangueira e o diâmetro dos requintes podem ser determinados de acordo com a seguinte
tabela:

Tabela 4.2
Linhas de mangueiras Requintes
Comprimento mAximo Diâmetro Diimetro
28 mm ( I 112") 13 mm(112")
63 mm (2 112") 19 mm (314")

As linhas de mangueira. a criiério do Corpo de Bombeiros. podem ser dotadas de esguicho de jato regulável tipo Elkan
para jato denso ou pmdução de neblina em substituição ao esguicho tronc6nico (Fig. 4.8) com requinte comum. O requinte
adaptado extremidade do esguicho destina-se a dar forma cilíndrica ao jato de Bgua.
C O L U N A DE
HIDRANTE DE 3 " OU A",
FABRICADA EM TURO MANNESMANN
ENTRADA FLANGEAOA
E 2 SAIDAS DE 2 1/2-
TESTADA A 200 KG/CMS. (3WO LIBRAS)

Fig. 4.13 Coluna de hidrante de 3" ou 4" fabricada em tubo Mannesmann, entrada flangeada e duas saídas de 2 M"testada a 200 kg/cm2
( 3 . W libras).

VALVULA E M
ESCIUADRO 9W P/ M O N T A G E M
ALTA
~ ~~ ~ ~

MAT.: LATAO DE RESISTENCIA


ENTRADA ROSCA 2 1/2',
ROSCA GAS
SAIDA 2 112. ROSCA MACHO OU
ADAPTAVEL COM STORZ
TESTADO A 400 LIBRAS

Fig. 4.14 Válvula em esquadro 90" plmontagem. Material: latâo de alta resistência. Entrada rosca 2 'h",rosca gis, e saída 2 M", rosca
macho ou adaptável com Storz testado a 400 libras.

DERIVANTE SIMPLES
MATERIAL: ALUMINIO SILUMIN
O U LATA0 D E P L T A RESISTENCIA
ENTRADA FEMEA DE 2 112..
2 O U 3 SAIDAS MACHOS
DE 1 112". 2' O U 2 112".
ROSCA OU ADAPTAVEL COM
ENGATE RAPIDO STORZ

Fig. 4.15 Derivante simples. Material: alumínio Silumin ou latão de alta resistência. Entrada fêmea de 2 !h", 2 ou 3 saídas machos de I 'h",
2" ou 2 M", rosca ou adaptsvel com agente rápido Storz.
Existem esguichos que possuem uma alavanca que, convenientemente manobrada, provoca a produção de neblina de
baixa velocidade, lançada por um orifício localizado na parte interior do mesmo.
As mangueiras e outros apetrechos devem ser guardados em abrigos, junto ao respectivo hidrante, de modo a facilitar
o seu uso imediato. Em cada abrigo são colocados dois lances de mangueira de 15 m de comprimento, com juntas Storz,
enroladas como mostra a Fig. 4.6.
Em instalações de conjuntos de edificações fabris, em bases de transferência de combustíveis e em instalaçòes industri-
ais com anuameutos, as mangueiras podem ficar guardadas em armários geralmente de chapa de aço, junto dos hidrantes
de coluna.
As mangueiras de combate obedecem à Norma Brasileira NB-24, as determinaçòes da COSCIP e do Corpo de Bombei-
ros Estadual ESP-CB-002A; são de 38 8 (('h'*) ou de 63 mm (2%") de diâmetro interno, flexíveis. de fibra resistente a
umidade, revestidas internamente de borracha, capazes de suportar a pressão mínima de teste de 20 kgf:cm-', dotadas de
junta Storz e em lances de 15 m de comprimento. E o caso das mangueiras Parsch Super da Bucka, Spiero - fabricadas de
fibra longa de algodão, com revestimento interno de borracha. A pressão de ruptura se situa acima de 28 kgf/cm2.
Para pressões maiores, o referido fabricante produz outros tipos, como o Mundialtlex, Sintex e Sintex Plast, com fibra
de rami, fibra sintética pura (pliéster) e revesti~nentode borracha ou plástico.

4.5.2 Sistema automático


O sistema é dito automdtico quando o atluxo de água, ao ponto de combate ao inctndio, se faz independentemente de
qualquer intervenção de um operador, pela simples entrada em ação de dispositivos especiais. Conforme o tipo a que per-
tencem, os dispositivos atuam ao ser atingido determinado nível de temperatura ou de comprimento de onda de radia~ões
térmicas ou luminosas. ou pela presença de fumara no ambiente. Os sprinklurs ou aspersores automáticos de água, tam-
bém conhecidos como chuveiros automáticos; os pulverizadores. emulsionadores -nebulizadorcs e os sistemas de inun-
daçr7o são acionados por dispositivos automáticos próprios a cada tipo.
Simultaneamente com o lançamento da água sobre 11 local onde se iniciou o incêndio, deve ocorrer automaticamente o
acionamento de um alarme sonoro e luminoso. indicando em certos casos, num painel' o ponto onde o misrni>está se ve-
rificando. Veremos mais adiante alguns dados sobre esse sistema de alarme e localização do ponto de incêndio.

4.6 INÇTALAÇÃONO SISTEMA SOB COMANDO COM HIDRANTES


4.6.1 Características gerais
Consideremos primeiramente o caso de um edifício cuja instalação de combate a incêndio prevê caixas com hidrantes
nos pavimentos (Fig. 4.16).
Observemos primeiramente. como vimos no Cap. I, que nos edifícios existem dois reservatórios: um inferior, de acu-
mulação de água vinda da rede pública; outro na cobertura, para alimentação das colunas de distribuirão dos aparelhos
sanitários dos andares. Esses reservatórios são geralmente divididos em duas seções. e o cálculo da capacidade dos mes-
mos foi indicado no item 1.4.
Um sistema de bombas A e D recalca a água do reservatório inferior para o superior. Neste, segundo alguns códigos.
deve ser mantida uma reserva de água para um primeiro combate ao incêndio, capaz de garantir o suprimento de água no
mínimo durante meia hora, alimentando dois hidratantes que trabalhem simultaneamente em locais onde a pressão for
mínima.
Essa reserva para incêndio é fixada pela legislação estadual e dependo do tipo de prédio. do núniero de pavimentos e do
sistema segundo o qual são alimentadas as caixas de incêndio com hidrantes.
O b a i l e t e de distribuição com a extremidade do tubo acima do fundo do reservatório assegura a citada reserva de água
para incêndio e alimenta as colunas de descida da água, das quais derivam os ramais e sub-ramais que vão ter As peças de
consumo (lavatórios, vasos sanitários etc.).
Uma tubulação, saindo do fundo de cada seção do reservatório superior, alimenta as colunus de incêndio que, em cada
pavimento, servem as caixas de incêndio. Estas colunas, ao atingirem o teto do subsolo ou o pavimento térreo. se não exis-
tir subsolo, se ligam a uma tubulação que segue até o passeio em frente ao prédio, onde é colocada uma caixa com um
registro chamado hidrante de passeio ou de recalque, ao qual já nos referimos.
Na extremidade superior da coluna de incêndio existe uma válvula de retenfão que impede a entrada da água no reser-
vatório superior, quando o Corpo de Bombeiros liga a mangueiradabomba do carro-tanque ao hidrante de passeio, recalcando
a água até as caixas de incêndio nos andares. Abaixo da válvula de retenção, o Código de Segurança contra Incêndio no
Estado do Rio de Janeiro manda que seja colocado um registro de gaveta, o que em outros códigos não é permitido.
O emprego de uma bomba de incêndio de funcionamento automático decorre da conveniência e mesmo da necessidade
de:
a) Consuuir-se um reservatório superior de menor capacidade, cuja reserva para incêndio seja de apenas 50% do total
de água necessária ao funcionamento de dois hidrantes simultaneamente. Este reservatório deve ter no mínimo 10.000
litros de reserva para incêndio, segundo a NB-24 da ABNT (An.6.5.1. I). Mesmo usando a bomba, o reservatório
inferior devera ter capacidade total de no mínimo 120.000 litros, segundo a NB-24 (An. 6.5.2). O Código de Segu-
Instalaçdes de Pmteçdo e Combate n Incgndio 337

Ng.4.16 Diagrama de instalação de combate a incêndio


338 Instaiações Hidráulicas Prediais e Industriais

rança contra Indndio no Estado do Rio de Janeiro estabelece reservas técnicas para atender aos hidrantes em fun-
ção da natureza, finalidade e características do prédio, isto é, conforme a classe de risco, como pode ser visto na
Tab. 4.3, que, para certos casos, conduz a uma previsão de reserva de água inferior ao valor acimacitado (Tabs. 4.7
e 4.8).
b) Obter-se pressão mínima de 1kgf.cmZ2e máxima de 4 k g f . ~ m -nos ~ hidrantes (Art. 27 do Dec. 897 de 21-09-76 do
Estado do Rio de Janeiro). Dependendo do caso, a pressão mínima poderá ser fixada em 4 k g f a r 2 (instalações
industriais, pátios de atmazenamento etc.). Ver a Tab. 4.7.
A pressão efetiva de 1 k g f a r 2 (10 mca) não será possível de se obter nos três últimos pavimentos superiores com o
desnível existente entre o reservat6rio superior e as caixas de incêndio. Portanto, torna-se necessária uma bomba de incên-
dio (B) recalcando a água do reservatório inferior napr6pria tubulação de incêndio a que estamos nos referindo (Fig. 4.16).
de modo a se obter a pressão necessária ao jato, inclusive nos três pavimentos superiores. Uma válvula de retenção (R)
impede que a água bombeada alcance o hidrante de passeio. A bomba atender6 as caixas desde o último pavimento até o
subsolo, se este existir. Uma solução permitida consiste em instalar-se, na cobertura, uma bomba para pressurizar a água.
de modo que, nos três últimos pavimentos servidos por uma tubulação independente. seja possível contar com a pressão
exigida. É preciso que a alimentação da energia elétrica das bombas se faça por derivação antes da caixa secciouadora.
Quando na impção de um incêndio for possível o uso de caixas de incêndio abaixo do antepenúltimo pavimento, pode-
se contar com a pressão proporcionada pela reserva de água na caixa superior. Esgotada esta, ligar-se-á abomba de incêo-
dio. Costuma-se, entretanto, quando existe bomba, executar a instalação de acionamento de modo que a mesma, pela atu-
ação de uma válvula automática de controle, entre em ação logo que ocorra a abertura de um hidrante em qualquer dos
andares, e então a água para o combate ao incêndio será proporcionada pelo reservatório inferior. A reserva superior pra-
ticamente servirá para manter a escorva da bonibae o lançamento da água durante o pequeno espaço de tempo que a bom-
ba leva para entrar em regime após a ligação automática do motor.
As bombas a serem empregadas nas instalações para combate a incêndio são centrlfugas com um, dois ou mais estági-
os, havendo certa preferência para as bombas de carcaça bipartida horizontalmente para descargas consideráveis. São aci-
onadas por motores elétricos tnfásicos. A alimentação de energia para esses motores não deverá passar pela caixa
seccionadora, onde há fusíveis, ou pelo disjuntor automático geral do prédio, mas derivar do alimentador do prédio, antes
desses elementos de proteção, de modo que o corte da energia elétrica, na ocorrência do incêndio, não impeça as bombas
de funcionarem.
A partida das bombas deve se fazer automaticamente, com um relé e disjuntor acionado por pressostato, sensor ou vál-
vula automática de controle que, por sua ação, seja capaz de ligar a chave do motor elétrico ao ser aberto qualquer hidrante
em virtude da queda de pressão pelo escoamento que se estabelece. Para maior segurança, nos casos que serão menciona-
dos na Tab. 4.7, deve-se instalar uma outra bomba movida por motor de combustão interna, geralmente diesel, ou empre-
gar um gmpo diesel-elétrico de emergência, capaz de suprir de energia os motores das bombas no caso de falha no forne-
cimento de energia da rede pública. A partida do motor diesel deverá efetuar-se automaticamente. Convém notar que se
instala apenas uma bomba acionada por motor elétrico e outra pelo motor diesel. Não se instala bomba de reserva neste
caso. Quando ainstalaçáo for de grande porte, usa-se uma bomba Jockey de pequena capacidade. e apenas parapressurizar
a rede de combate a incêndio.
A Fig. 4.17a representa um fluxograma típico de instalação contra incêndio, em uma casa de bombas. A Fig. 4.17b

ALARME LUYIIIOSO E SONORO

I A E X P L O S ~ OE E L ~ -
M O ~ R
I TRICO

MBA '"JOEKEI" P&RA


ESSURIZAR A LINHA
%cargo 2 . 1 )/S.
60 6 0 moli
r 4 0 HP $0, 1 0 HP

Fig. 4.170 Fluxograma de combate a incêndio (Exemplo).


Instalações de Proteçbo e Combate a Incêndio 339

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COBERTURA I I
+
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5

Fig. 4.17b Instalaçáo de combate a incêndio com equipamento na cobertura,usando o reservatório superior para suprimento de igua i S
bombas.

mostra uma solução permitida no Rio de Janeiro, desde que a alimentação dos motores das bombas se faça antes da caixa
seccionadora.
O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro admite, dependendo de consulta, a dispensa do grupo bomba-motor-diesel.
desde que a alimentação dos motores das bombas de incêndio fique assegurada. mesmo após o desligamento da energia
para uso do prédio.
Na Fig. 4.18 temos uma bomba de incêndio acionada diretamente por um motor eléhico, o qual pode tamb4m ser ali-
mentado pela energia fornecida por um gnipo motor-gerador (diesel-elétrico).
A segunda hipótese, Fig. 4.19, supõe dois gmpos independentes recalcando numa mesma linha. Um é constituído por
um grupo bomba motor-eléhico, e ouao, por um grupo bomba-motor de combustão interna, não funcionando simultane-
amente.
Recomenda-se que as bombas sejam instaladas, sempre que possível, afogadas. Quando isto não for possível, 6 neces-
sário adotar dispositivos de escorva rápida e segura.
A escava, na realidade, está sendo permanentemente feita pela igua do reservatório superior, que graças à reserva pre-
vista no Código manter8 a bomba sempre cheia de tígua.
No início da tubulação de recalque deve ser instalado um by-pass, ligado ao reservatório inferior, para permitir que as
bombas possam ser testadas periodicamente. O funcionamentodesse by-pass pode ser acusado por um sinal de alarme, se
desejado.

4.6.2 Estimativa da descarga no sistema de hidrantes


Para a determinaçãoda descarga da bomba, que alimenta de igua os hidrantes, 6 preciso considerar a natureza da ocu-
pação do prédio e o risco de incêndio que deve ser previsto. De acordo com a NB-24 da ABNT, temos a seguinte classifi-
cação:
Classe A W i o s cuja classe de ocupação na tarifa de Seguros Incêndio do Brasil sejam 1 e 2 (escolas, residências.
escrit6rios).
340 Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais

Fig. 4.18 Bomba para incêndio com motor alimentado pela rede de energia e gerador acionado por motor de combustão intema.

Fig. 4.19 Bomba acionada por energia da rede e bomba de emergência acionada por motor de combuslão intema

Classe B Prédios, cuja classe de ocupação sejam 3,4,5 e 6, bem como os depósitos ae classe de ocupação 1 e 2 (ofi-
cinas, fábricas, annazkns, depósitos etc.).
Classe C Prédios cuja classe de ocupação na tarifa sejam 7, 8,9, 10, 11, 12 e 13 (depósitos de combustíveis inflamá-
veis. refinarias, estações subterrâneas de metrô, paióis de munição etc.).
A descarga em litros por minuto em cada ponto de tomada d'ftgua, ou seja, em cada hidrante, é determinada pela Tab.
4.3.

Tabela 4.3 Previsão de descarga dos hidrantes


I Classe de risco I Descarga (Umin) I
A (resid., escritórios)
B
C I 250
500
900
Instolaçáes de Profqão e Combate a Inrrndro 341

A descarga em cada hidrante para se obter a proteção desejável depende da natureza da ocupação do prédio e do risco
que lhe é atribuído.
Algumas municipalidades adotam a Tab. 4.4 para indicação da descarga.

T a b e- l a- 4.4
~~~ ~ ~

1 2 3 4 5
Apartamentos Casas Armazéns Indústria Diversos
e hotéis comerciais e e
escritórios depósitos
Pequeno (a) 250 120 360 250 Considerar
Médio (b) 250 250 500 500 cada caso
Grande (c) 250 500 900 900 em separado
Valores da descarga em litros por minuto.

4.6.3 Escolha da mangueira


A Norma Brasileira de Proteção contra Incêndio recomenda a escolha das mangueiras conforme as Tabs. 4.5 e 4.6.

Tabela 4.5
I Diâmetro da mangueira Grupos de ocupa(ão e riscos 1
I 38 mm(1 'h")
63 mm (2 'h")
Ia-Ib-Ic-2a-2h-4a
?c-3a-3b-4b-4c3c

Tabela 4.6

I Classes de prédios e riscos.


Observação: No Estado do Rio de Janeiro, o comprimento único previsto 6 de 30 m para as mangueiras, podendo ser
constituídas de duas seções de 15 m, ligados por juntas Storz.

4.6.4 Canalização preventiva e rede preventiva


No sistema sob comando com bidrantes, é necessário observar a distinção que o Código faz entre canalizaçãopreven-
tiva e rede preventiva contra incêndio.
Canalizaçdo preventiva é a que corresponde a instalação hidriulica predial de combate a incêndio, para ser operada
pelos ocupantes das edificações, até u chegada do Corpo de Bombeiros. É empregada em prédios de apartamentos, ho-
téis, hospitais e conjuntos habitacionais.
Rede preventiva e o sistema de canalizações destinadas a atender As descargas e pressões exigidas pelo Corpo de Bom-
beiros em edificaçóes sujeitas a riscos consideráveis e maiores dificuldades na extinção do fogo, como ocorre nas fábricas,
edificações mistas, públicas, comerciais, industriais, escolares, g a l p k s grandes, edifícios-garagem e outros mais.
As Tabs. 4.7 e 4.8 resumem o que o Código de Segurança contra Incêndio e Pânico para o Rio de Janeiro prescreve
relativamente aos itens ligados aos sistemas e às questões de armazenamento, bombeamento da Agua e equipamentos.
Vejamos alguns casos especiais, cuja importância justifica alguns esclarecimentos.
342 Instalafões Hidrduiicas Prediais e Industriais

T a b e l a 4.7
Sistema preoentivofixo com hidrantes
Item Descrição C o m canalização preventiva C o m rede preventiva
I Resewuriirir>s
Superior e inferior Sim (ambos) Sim, mas de modo que as bombas do CB
Reserva para incêndio no reserv. superior Ar6 4 hidrantes: 6.000 1 possam usar a água do reservatório
6.000 I, acrescidos de 500 1 iiiferior facilmente. em substituição
por hidrante excedente a 4 à do reservatório superior (Art. 33)
Quando náo houber rcscrv. superior. por se 6.000 1. acrescidos de 500 1 Mínimo 30.000 1 no resrrv. quperior
usar sistcma hidropneumático ou por hidrante excedente dc 4 ou inferior.
bombeamento direto. o reserv. Deve atender ao funcionamento
inferior terá reserva téciiica de: simuliâneu de 2 hidrantcs. coiii
vazio total de 1.000 Ilinin durante
30 minutos. i pressàn de 4 kgf-cm
(Artigos 38 e 39. Cap. Vil),

2 Conrilirriçüo
2. I . Prrshãi, mínima 18 kgfxin-? 18 k g f ~ n i i ?
2 2 Diâmetro mínimo 63 iiim (2 I/? " ) 75 mni 13" )
2.3. Pressão míniina em qualquer hidrante I kgf.cm-?(lO m-cal.águn) 4 kgf.cm ' obtido com b o m b a (Art. 39)
2.4. Pressão mBxirna 4 kgf.cm~'
2.5. Material Ferro galvanizado Fcrro fuiidido ou avo galvanizado
3 Bombas de funcionamcnto automático Duas com niotor elitricu Lma com motor el61rico c outra com
para atcndcr a 2 hidrantes diesel para atender a 2 hidrantes
simultaneamente. cada himultancamente.
uma (COSCIP exige unia) Dotadas de dispoiiti\o de alarmc
(ver itetii 4.6. I I
4 Mangueiras
4.1. Diâmetro 38 iiini (1 112") fibra rcvcst. h3 iiirn ( 2 112" 1 uu 38 i I li?" I conforme
interiiaiiiente de borracha exigido
4.2. Comprimcnuto máximo Seções de 15 m ligadas por Seções de 15 m ligadas porjuntas Storr
juritas "Sturz" de 2 112" ou I 112"
4.3. Pressão mínima de teste 20 kgf,cm 2U kgf,cin ?
5 Keqninre (ponto de esg~iichol 13 mm (li?") ou esguicho 19 rnrn (314"). ou esguicho de jato
de jato regulável regulivel conforme exigência do CB
6 Distância d p roda hidranfe no ponfo mais 30 m 30 m. Qualquer pantu do risco deusri
afastado a proteger ser simultaneamente alcançado por duas
linhas de mangueira de hidraritei distintos.
7 Abrigos para hidrante 70 X 50 X 25 cm. Vidro de
3 mm
Junta Storz de 2 112" niin
retlilc;ãu para I 112" para
iigagão da mangueira
8 Número dc hidrantcs Tal que a distância sem
ohstáculus entre cada caixa
c o s respectivos poiilos maia
distantes a proteger seja n i i
máximo igual a 30 m

4.7 CASOS ESPECIAIS DE INSTALAÇÃO

4.7.1 Agrupamentos de edificações residenciais multifamiliares


{Conjuntos habitacionais de prédios de apartamentos.)

Conforme se pode observar n a Fig. 4.20, onde temos u m conjunto de seis edifícios de apartamentos:
- Usa-se canalização preventiva.
- Pode-se eliminar o s reservatórios e m cada prtdio, substituindo-os por u m costeio d'água q u e alimentará a canali-
zação preventiva. Capacidade do castelo d'água: a reserva tkcnica de incêndio é de 6.W I acrescida de 200 1 por
hidrante exigido para todo o conjunto, além, naturalmente, d o volume para a água de uso geral, calculado conforme
indicado n o Cap. 1.
Tabela 4.8
7 Sistema de instalação prcventivo fixo

1
-I
Com canaliza(ão
Item Finalidade das edificacões preventiva (CP) Com rede preventiva (RP)
Aprirromenror
até 3 pav. e 900 m: de area constriiida Dispensados
até 3 pav. r mais de 900 m' Prever C P
4 pav. ou mais Prever CP e ponas ciirta-fogo
com mais de 30 m de altura Prever CP: usar tamh4m
s p r i t ~ k l e nas
r ~ panes dc uso
comum, subsnlo e áreas de
estacionariiento. c portas
corta-fogrr
Hor4ix, hospiroi.í
até 2 pav, e 900 m' Dispensado
até 2 pav. e mais de 900 ni' Prever C P
mais de 2 pav.. altura até 12 m Prcver C P r portas corta-fogo
mais dc 12 m de altura Prever CP: usar também
ryrink1r1-s. sisteiiia elétrico de
emergtncia e portas curta-fogo
Prever CP coiiforiiie item I
alem de hidrantcs nas ruas
EdiJ;i.a~órsnrictas. púhii<us,
coniewiriis. itidusrriai~r ~scoliirer
ati. 2 pav. e 900 m: dc área construída - -
4 pav. e até altura de 30 m Prever CP Prever RP. Consultar o C 6
niais dr 30 rn de altura até 2 pav. - Prever RP: usar tambim prinkleri
e mais de 900 m? e os de 3 pav. Prc\.er CP Consultar i>CB
G < ~ l p õcom
1.500 m'
f ~ área igual o u superior a Prcver RP

Prrvcr RP: consultar C. Bombeiros


I
sobre instalasão de .rprinl;lers
Golpriii-gnr<?genie rur»iinni< rodoi~iBri<is
até 1.500 111'
mais de 1.500 n? Prever RP: e sistema de rprintlers e
detecsão