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A FAMÍLIA E A FAMÍLIA E
DESENVOLVIMENTO
DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL
INDIVIDUAL
Natasha Maués

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Olhares sobre a docencia 2014 reposit orio


Let icia Pereira

A Volt a do Filho Pródigo


elias Junior

ENERGIA E ESPÍRIT O JOSÉ LACERDA DE AZEVEDO


Larissa Reis
Donald W. Winnicott

A FAMÍLIA E
DESENVOLVIMENTO
INDIVIDUAL
PREFÁCIO

Este livro é uma coletânea de palestras proferidas ao longo dos últimos dez anos, dirigidas em sua maioria a
grupos de assistentes sociais. Seu tema central é a família e o desenvolvimento de grupos sociais a partir desse
primeiro grupo natural. Repetidas vezes procurei afirmar e reafirmar a teoria do crescimento emocional da
criança, crendo que a estrutura familiar deriva em grande parte das tendências para a organizaço presentes na
personalidade individual.

! família possui lugar claramente definido naquele ponto em que a criança em desenvolvimento trava contato
com as forças que operam na sociedade. " prot#tipo desta interaço é encontrado na relaço srcinal entre
criança e me, relaço essa em que, por vias e$tremamente comple$as, o mundo representado pela me pode vir a
au$iliar ou impedir a tendência inata da criança ao crescimento. Esta é a idéia central desenvolvida no decorrer
desta coletânea de artigos, muito em%ora estes ten&am sido ela%orados independente mente, com o intuito
primeiro de atender 's necessidades específicas dos grupos para os quais foram proferidos.
AGRADECIMENTOS
(ostaria de agradecer novamente ' min&a secret)ria, sra. *o+ce oles, por seu tra%al&o paciente e cuidadoso.

(rato estou ao sr. -. -asud &an, por seus consel&os.


/ela permisso de repu%licar artigos 0) uma vez su%metidos ao prelo, recon&eço tam%ém min&a gratido para
com os seguintes editores e instituiç1es2 o editor de 3e4 Era in 5ome and Sc&ool6 o editor de 3ursing 7i,nes6 o
editor de 3e4 Societ+6 o editor do 8ritis& *ournal of /s+c&iatric Social 9or:6 o editor da -edical /ress6 o editor
de 5uman Relations6 o editor do anadian -edical !ssociation *ournal6 a Editora 8utter4ort& ; o. <td.6 a 8ri
tis& 8roadcasting orporation.
=ornece>se a seguir uma lista das fontes srcinais.
D. W. WINNICOTT, F.R.C.P.
?. /u%licado na -edical /ress, março de ?@AB.
C. /alestra proferida ' !ssociation of 9or:ers for -alad0usted &il dren, a%ril de ?@D Freescrita em ?@DGH.
I. /rograma de r)dio da 88, março de ?@D.
G. /rograma de r)dio da 88, 0un&o de ?@DC.
A. /alestra proferida no (oldsmit&Js oilege, outu%ro de ?@AK6 ' !s sociation of &ild (are "fficers, maio de
?@AB6 e na Lniversidade -c(ill, outu%ro de ?@D6 su%seqMentemente pu%licada no anadian -edical
!ssociation *ournal, a%ril de ?@D?.
NO ! =!-P<O! E " QESE3"<O-E37" O3QOOQL!<
D. /alestra proferida durante o =amil+ Service l*nits ase4or:ersJ Stud+ 9ee:end, outu%ro de ?@AB.
K. /alestra proferida ' !ssociation of &ild (are "fficers, fevereiro de ?@D.
B. /alestra ' !ssociation of /s+c&iatric Social 9or:ers, novem%ro de
?@A@6 su%seqMentemente pu%licada no 8ritis& *ournalof/s+c&iatric /!R7E ?
Social 9or:, vol. D, n ?, ?@D?.
@. 8aseado numa palestra proferida ao /essoal (raduado do <ondon (ount+ ouncil (&ildrenJs Qepartment,
fevereiro de ?@D?6 su%seqMentemente pu%licada em 3e4 Era in 5ome and Sc&ool, outu%ro de ?@DC6 e, de forma
alterada e so% o título de Struggling t&roug& t&e QoldrumsT F7ranspondo a Uona de almariasTH, em 3e4 So
ciet+, CA de a%ril de ?@DI.
?. /alestra ' Societ+ for /s+c&osomatic Researc&, novem%ro de ?@D.
??. /arte do apítulo ?G de -odern 7rends in /aediatrics FSecond Se riesH, editado por !. 5oizel ei. /. -. 7izard
F<ondres2 8utter4ort&,
?@ABH.
?C. /alestra proferida num curso organizado pela !ssociation of Super visors of -id4ives6 su%seqMentemente

pu%licada em 3ursing 7imes,


?K e CG de maio de ?@AK.
?I. /alestra proferida num curso para o%stetras organizado pelo Ro+al (oliege of -id4ives, novem%ro de ?@AK.
?G. /alestra ' !ssociation of <ondon ount+ (ouncil &ild 9elfare "f ficers, outu%ro de ?@A@.
?A. /alestra ' 3urser+ Sc&ool !ssociation, 0ul&o de ?@A.
?D. /alestra ' !ssociation of 9or:ers for -ald0usted (&ildren, a%ril de ?@AA.
?K. /u%licado em 5uman Relations, vol. I, nV C, 0un&o de ?@A.

CAPITULO 1 - O PRIMEIRO ANO DE VIDA

Concepçõe Mo!e"n# !o Deen$o%$&'en(o E'oc&on#%

In("o!)ç*o

-uita coisa acontece no primeiro ano de vida da criança2 o desenvolvimento emocional tem lugar desde o
princípio6 num estudo da evoluço da personalidade e do car)ter é impossível ignorar as ocorrências dos
primeiros dias e &oras de vida Fe mesmo do último est)gio da vida pré>natal, no caso de crianças p#s> maturasH6 e
até a e$periência do nascimento pode ser significativa.
" mundo no parou de girar a despeito de nossa ignorânci a no que toca a estes assuntos, pois &) algo na me de
um %e%ê que a torna particularmente qualificada para proteger seu fil&o nesta fase de vulnera%ilidade, e que a
torna capaz de contri%uir positivamente com as claras necessidades da criança. ! me é capaz de desempen&ar
esse papel se se sentir segura6 se se sentir ama da em sua relaço com o pai da criança e com a pr#pria família6 e
ao sentir>se aceita nos círculos cada vez mais amplos que circundam a família e constituem a sociedade.
Se quisermos, podemos continuar a dei$ar o cuidado das crianças por conta das mes, cu0a capacidade no se
%aseia no con&ecimento formal, mas provém de uma atitude sensível adquirida na medida em que a gravidez
avança, e depois perdida ' proporço que a criança se desenvolve e se afasta. 5), porém,
uma série de raz1es para que empreendamos um estudo do que ocorre nos primeiros est)gios de desenvolvimento
da personalidade da criança. /or e$emplo2 enquanto médicos ou enfermeiras, podemos nos ver forçados a
interferir no relacionamento entre me e criança para lidar com certas anormalidades físicas da criança, e
devemos con&ecer a realidade na qual estamos interferindo. !demais, o estudo físico da infância tem
proporcionado su%stanciais recompensas no decorrer dos últimos cinqMenta anos, e é possível que um interesse
an)logo pelo desenvolvimento emocional produza resultado s ainda mais ricos. omo terceira razo, poder>se>ia
evocar o fato de que uma %oa proporço de mes e país, em virtude de doenças sociais, familiares e pessoais, no
consegue fornecer ' criança condiç1es suficientemente %oas ' época de seu nascimento6 nesses casos, espera>se
de médicos e enfermeiras que ten&am a capacidade de entender, tratar ou mesmo prevenir esses distúr%ios, assim
como freqMentemente o fazem em casos de enfermidades físicas. ada vez mais dever) o pediatra ter uma
formaço to %oa no tocante ao aspecto emocional quanto a que &o0e possui relativa ao aspecto físico do
crescimento da criança.
5) ainda uma quarta razo que 0ustifica o estudo do desenvolvimento emocional em suas primeiras fases2 é
muitas vezes possível detectar e diagnosticar distúr%ios emocionais ainda na infância, até mesmo durante o
primeiro ano de vida. W evidente que a época certa para o tratamento de um tal distúr%io é a época mesma de seu

início, ou um momento to pr#$imo desta quanto possível. -as, por &ora, no insistirei mais so%re este aspecto
da questo.
7ampouco farei referência 's deficiências de saúde ou anormalidades físicas, %em como ao crescimento mental
considerado em termos de uma tendência de desenvolvimento afetada por fatores &eredit)rios. 3este artigo, para
todos os efeitos, podem os supor que a criança se0a sadia de corpo e potencialmente sadia na mente6 o que dese0o
discutir é o significado mesmo desta potencialidade. Xual é o potencial e$istente no nascimentoV Qeste, o que
c&ega a realizar>se em ato ao final do primeiro ano de vidaV
pressupon&o, tam%ém, a e$istência de uma me que se0a sadia suficiente para comportar>se naturalmente como

me. Qevido ' e$trema dependência emocional da criança, seu desenvolvimento ou sua vida no podem ser
estudados ' parte da consideraço do cuidado que l&e é fornecido.
! seguir, e$pon&o e desenvolvo %revemente uma série de pro posiç1es. W possível que estas o%servaç1es
condensadas ven&am a demonstrar, para aqueles envolvidos com o cuidado de crianças, o fato de que o
desenvolvimento emocional do primeiro ano de vida lança as fundaç1es mesmas da saúde mental do indivíduo
&umano.
Ten!+nc&# INATA AO DESENVOLVIMENTO
3o universo psicol#gico, &) uma tendência ao desenvolvi mento que é inata e que corresponde ao crescimento do

corpo e ao desenvolvimento gradual de certas funç1es. !ssim como o %e%ê geralmente senta por volta dos cinco
ou seis meses e d) os primeiros passos na época de seu primeiro anivers)rio, quando talvez 0) ter) aprendido a
usar umas duas ou três palavras, assim tam%ém &) um processo evolutivo no desenvolvimento emocional.
7odavia, esse crescimento natural no se constata na ausência de condiç1es suficientemente %oas, e nossa
dificuldade consiste em
parte em esta%elecer quais so essas condiç1es. 3os par)grafos seguintes darei por con&ecidas a natureza do
processo ontogenético e as %ases do comportamento.
Depen!+nc&#

! grande mudança que se testemun&a no primeiro ano de vida refere>se ' aquisiço de independência. !
independência é algo que se realiza a partir da dependência, mas é necess)rio acrescentar que a dependência
realiza>se a partir de algo a que se poderia c&amar dupla dependência. 3os prim#rdios &) uma dependência
a%soluta em relaço ao am%iente físico e emocional. 3o primeiríssimo est)gio no &) vestígios de uma
consciência da de pendência, e por isto esta é a%soluta. (radualmente, a dependência torna>se em certa medida
con&ecida pela criança, que, por conseqMência , adquire a capacidade de fazer sa%er ao am%iente quando
necessita de atenço. Qo ponto de vista clínico, constata>se um progresso muito gradual em direço '
independência, sempre marcado por recorrências da dependência e até da dupla de pendência. 3este e noutros
aspectos, a me é capaz de adaptar> se 's necessidades vari)veis Y e crescentes Y da criança. om um ano de
idade, a criança 0) é capaz de manter viva a idéia da me e tam%ém do tipo de cuidado que se acostumou a
rece%er6 é capaz de manter viva esta idéia por certa e$tenso de tempo, talvez dez minutos, talvez uma &ora,
talvez mais.
7odavia, o panorama ap#s um ano de vida varia muito, no s# de uma criança para outra como tam%ém em se
tratando de uma mesma criança. -uito normalmente, um certo grau de in dependência pode ser diversas vezes
conquistado, perdido e novamente conquistado6 é %astante freqMente que uma criança retorne ' dependência,
tendo 0) sido deveras independente com um ano.
Esta progresso da dupla dependência ' dependência, e desta ' independência, no é apenas e$presso da
tendência inata da criança a crescer6 este crescimento s# pode ocorrer se se pro cessar numa outra pessoa uma
adaptaço muito sensível 's necessidades da criança. W a me da criança que costuma ser a pessoa mais
qualificada a desempen&ar esta tarefa sumamente deli cada e constante6 é a pessoa mais adequada pois é ela que,
com maior pro%a%ilidade, entregar>se>) de modo mais natural e deli%erado ' causa da criaço do fil&o.
INTEGRAO
Qesde o início é possível a um o%servador perce%er que a criança 0) é um ser &umano, uma unidade. om um
ano, a maioria das crianças 0) adquiriu de fato o status de indivíduo. Em outras palavras, a personalidade tornou>
se integrada. W claro que is to nem sempre é verdade, mas pode>se dizer que, em certos momentos, ao longo de

certos períodos e em certas relaç1es, a criança de um ano é uma pessoa inteira, -as a integraço no é algo
autom)tico, é algo que deve desenvolver>se pouco a pouco em cada criança individua l. . 3o é mera questo de
neurofisiologia, pois, para que seu processo se desenrole, &) a necessidade da presença de cer tas condiç1es
am%ientais, a sa%er2 aquelas cu0o mel&or provisor é a pr#pria me da criança.
! integraço manifesta>se gradualmente a partir de um est) gio prim)rio no>integrado. 3o princípio, a criança se
comp1e de uma série de fases de mo%ilidade e percepç1es sensoriais. W fato quase certo que, para a criança, o
repouso identifica>se ' volta a um estado no>integrado. ! volta ' no>integraço no é necessariamente fonte de
medo para a criança, devido a um senso de segurança propiciado pela me. Zs vezes, segurança significa simples
mente ser adequadamente seguro no colo. 7anto em nível físico como em níveis mais sutis, a me ou o am%iente
conservam a criança como que unida a si mesma, e a no>integraço e reintegraço podem processar>se sem
ocasionar ansiedade.
! integraço parece estar ligada 's e$periências emocionais ou afetivas de car)ter mais definido, como a raiva ou
a e$citaço pelo oferecimento de comida. !os poucos, na medida em que a integraç o afirma>se como um fato
esta%elecido e a criança torna>se cada vez mais constituída uma s# unidade, o processo de desconstruço dessa
estrutura adquirida passa a identificar>se mais ' desintegraço que ' no>integraço. ! desintegraço é dolorosa.
! um ano de idade, o grau de integraço que pode ter sido atingido é %astante vari)vel algumas crianças dessa
idade 0) esto de posse de uma personalidade forte, um e% [ cu0as características pessoais so e$ageradas6
outras, no e$tremo oposto, no adquirem ao ca%o de um ano uma personalidade to definida, e continuam
%astante dependentes de um cuidado contínuo.

*Conceito psicanalítico que inclui o eu (ego) e o não-eu. É a totalidade da própria pessoa. Inclu i também o
corpo com todas as suas partes, a estrutura psíquica com todas as suas partes, o ínculo com os ob!etos internos
e e"ternos e o su!eito como oposto ao mundo dos ob!etos. C#. $eon %rinberg e &ebeca %rinberg. Ident idad'
Cambio. aidós, uenos ires, +. (/.&.0.)

PERSONALI/AO
! criança de um ano vive firmemente esta%elecida no corpo. ! psique e o soma 0) aprenderam a conviver. "
neurologista diria que o t\nus corporal é satisfat#rio e que a criança tem %oa coordenaço motora. Este estado de
coisas, no qual psique e soma esto em intima relaço, desenvolve>se a partir da série de estados iniciais em que a
psique imatura Fem%ora %aseada no funcionamento corporalH no se encontra estreitamente ligada ao corpo e '
vida do corpo. ! e$istência de um grau razo)vel de adaptaço das necessidades da criança é o que mel&or
possi%ilita o r)pido esta%elecimento de uma relaço forte entre psique e soma. 5avendo fal&as nessa adaptaço,
surge uma tendência de a psi que desenvolver uma e$istência fracamente relacionada ' e$periência corporal,
acarretando como resultado que as frustraç1es físicas no se0am sentidas em toda a sua intensidade.
-esmo gozando de %oa saúde, a criança de um ano nem sempre est) firmemente enraizada em seu corpo. !
psique de uma criança pode normalmente perder contato com o corpo, e pode &aver fases em que no é f)cil para
a criança retornar de sú%ito para o corpo2 no caso, por e$emplo, de acordar de um sono pro fundo]!s mes sa%em
disso e, antes de pegar no colo uma criança adormecida, acordam>na gradualmente, de modo a no provocar o
tremendo %erreiro de pânico que pode advir de uma mu dança de posiço corporal num momento em que a
psique encontra>se ausente. Qo ponto de vista clínico, esta ausência da psique pode vir de par com fases de
palidez, suor, diminuiço da temperatura e v\mitos. 3este ponto, é possível que a me imagine que seu fil&o est)

morrendo6 quando o médico c&egar, porém, a criança 0) ter) retornado a um estado to normal que ele no
entender) os motivos da ansiedade da me. 3aturalmente, o clínico geral tem mais con&ecimento desta síndrome
do que o especialista.

MENTE E PSI0UE-SOMA

om um ano, a criança 0) ter ) desenvolvido de modo %astante perc eptível os rudimentos de uma mente.2 !
mente é algo muito distinto da psique. ! psique est) ligada ao soma e ao funcionamento corporal, ao passo que a
mente depende da e$istência e do funcionamento daquelas partes do cére%ro que se desenvolvem depois Fna
filogêneseH das partes relacionadas ' psique primitiva.,.^ a mente a respons)vel pela gradual aquisiço, pela
criança, da capacidade de esperar a comida ficar pronta, enquanto ouve os %arul&os que indicam a pro$imidade
da &ora de alimentaço. Este é um e$emplo grosseiro do uso da mente.
/ode>se dizer que, de início, a me deve adaptar>se de modo quase e$ato 's necessidad es de seu fil&o para que a
personalidade infantil desenvolva>se sem distorç1es. ontudo, d)>se ' me cada vez mais a possi%ilidade de ser
malsucedida nessa adaptaço e isso ocorre porque a mente e os processos intelectuais da criança tornam>se
capazes de levar em conta e logo permitir cer tas fal&as de adaptaço. 3esse sentido, a mente alia>se ' me e a
alivia de parte de suas funç1es. 3a criaço de um fil&o, a me é dependente dos processos intelectuais deste, e

so eles que aos poucos e tornam apta a readquirir sua vida pr#pria.
5), sem dúvida, outras maneiras pelas quais a mente se desenvolve. W funço da mente catalogar eventos,
acumular mem#rias e classific)>las. /ela mente, a criança é capaz de usar o tempo como forma de medida e
tam%ém medir o espaço. ! mente tam%ém relaciona causa e efeito.
Seria %astante instrutivo comparar os condicionamentos li gados ' mente e ' psique6 um tal estudo poderia lançar
luz so%re as diferenças e$istentes entre os dois fen\menos, tantas vezes confundidos um com o outro.
! capacidade de a mente infantil a0udar a me em suas tarefas varia muito, é claro, de criança para criança. !

maioria das mes é capaz de adaptar>se ' %oa ou m) capacidade mental de seus fil&os, e progredir no mesmo
ritmo da criança. Entretanto, facilmente uma me sagaz entra em descompasso com algum de seus fil&os dotado
de capacidade intelectual relativamente limitada6 do mesmo modo, a criança esperta est) su0eita a perder contato
com uma me lenta.
! partir de determinada idade a criança torna>se capaz de aceitar certas características da me, conquistando
alguma independência em relaço ' incapacidade materna de adaptar>se 's necessidades filiais6 isso, porém,
raramente ocorre antes do primeiro anivers)rio.

F#n(#&# e I'#&n#ç*o2
7ípica da criança é a fantasia, que pode ser definida como uma ela%oraço imaginativa das funç1es físicas. !
fantasia logo torna>se infinitamente comple$a, mas é possível que de início se0a restrita em termos de quantidade
o%servaço direta no possi%ilita ter acesso 's fantasias de uma criança pequena, mas todo tipo de %rincadeira
indica a e$istência de fantasia.
Ser) conveniente acompan&ar o desenvolvimento da fantasia por meio de uma classificaço artificial2
FiH Simples ela%oraço de funço.
FiiH Qistinço entre2 antecipaço, e$periência e mem#ria.
FiiiH E$periência em termos da mem#ria da e$periência.
FivH <ocalizaço da fantasia dentro ou fora do self, com intercâm%ios e constante enriquecimento entre am%os.
FvH onstruço de um mundo interno, ou pessoal, com um sentido de responsa%ilidade pelo que e$iste e ocorre l)
dentro.
FviH Separaço entre consciência e inconsciente, " inconsciente inclui aspectos da psique que, de to primitivos,
nunca se tornam conscientes, e tam%ém certos aspectos da psique ou do funcionamento mental que se tornam
inacessíveis ' consciência a título de defesa contra a ansiedade Fao que se c&ama o inconsciente reprimidoH.
]! fantasia evolui consideravelmente no decorrer do primeiro ano de vida]W importante reafirmar que, em%ora
isso Fcomo todo crescimento H ocorra como manifesta ço da tendência natural ao desenvolvim ento, a evoluço é
certamente tol&ida ou distorcida na ausência de certas condiç1es. ! natureza destas condiç1es pode ser estudada
e até determinada.

REALIDADE PESSOAL 3INTERNA4

" mundo interno do indivíduo 0) tem uma organizaço definida ao final do primeiro ano de vida.J Elementos
positivos so derivados de uma interpretaço pr#pria dos padr1es da e$periência pessoal, especialmente a de
nível instintivo, e %aseiam> se em última instância nas características &eredit)rias inatas ao indivíduo Fna medida
em que estas 0) possam ter>se manifesta doH. Esse e$trato do mundo, interno ' criança, vai>se organizando de
acordo com mecanismos comple$os que têm por o%0etivo2
FiH a preservaço do que se sente ser %omT Y isto é, aceit)vel e revigorante para o self FegoH6
FiiH o isolamento do que se sente ser mauT Y isto é, inaceit)vel, persecut#rio ou imposto pela realidade e$terna
sem aceitaço FtraumaH6
FiiiH a preservaço de um espaço, na realidade psíquica pessoal, em que o%0etos ten&am relacionamentos vivos
entre si Y de afeto, mas tam%ém de arre%atamento e agresso.
!o final do primeiro ano c&egam a manifestar>se até mesmo os primeiros traços de defesas secund)rias que
atendem ' ruptura da organizaço prim)ria6 por e$emplo, um amortecimento generalizado de toda a vida interior,
que se manifesta clinicamente como depresso6 ou uma pro0eço intensa de elementos do mundo interno so%re a
realidade e$terna, manifestando>se clinicamente numa atitude em relaço ao mundo marcada pela paran#ia. Lma
manifestaço clínica muito comum deste último caso so os capric&os relativos ' comida Y como, por e$emplo,
as implicâncias com a nata no leite.
]! viso que a criança tem do mundo e$terior ao self %aseia>se em grande medida no padro da realidade pessoal
interna6 cumpre fazer notar que o comportamento real do am%iente em relaço a uma criança é até certo ponto
afetado pelas e$pectativas positivas e negativas da pr#pria criança.

VIDA INSTINTIVA
! princípio, a vida instintiva da criança %aseia>se no funcionamento alimentar. "s interesses ligados 's mos e '
%oca predominam, mas as funç1es e$cretoras aos poucos vo acrescentando sua contri%uiço. ! começar de certa
idade, talvez aos cinco meses, a criança torna>se capaz de relacionar a e$creço ' alimentaço, e vincular fezes e
urina ao consumo oral.]Qe par com isso tem início o desenvolvimento do mundo pessoal interno, que,
conseqMentenente tende a ser localizado na %arriga. "riginando>se deste padro simples, a e$periência do psique>
soma se alastra até a%arcar o todo do funcionamento corporal.
! respiraço associa>se ao que estiver predominando no mo mento, de modo que pode ser vinculada ora '
a%sorço, ora ' e$creço. W característica importante da respiraço que, e$ceto durante o c&oro, ela dei$a sempre
patente a continuidade entre interior e e$terior, configurando assim uma fal&a nas defesas.
7odas as funç1es tendem a ter uma qualidade org)st ica, na medida em que todas, cada uma a seu modo, contêm
uma fase de preparaço e estímulo local, um clíma$ em que o corpo inteiro est) envolvido, e um período de p#s>
satisfaço.

! funço anal vai adquirindo com o tempo mais e mais importância, a ponto de poder vir a predominar so%re a
funço oral.
" orgasmo anal é normalmente um orgasmo e$cret#rio mas, em certas circunstâncias, o ânus pode tornar>se um
#rgo passivo, tomando para si parte da importância da funço oral e ser a%sorvente. 3aturalmente, as
manipulaç1es anais aumentam a pro%a%ilidade de ocorrência de tal complicaço.
7anto para meninos como para meninas, a e$creço urin) ria pode ser org)stica e, na mesma proporço, e$citante
e satisfat#ria. ontudo, a satisfaço org)stica depende, em %oa parte, da escol&a do momento adequado. Esforços
no sentido de ensinar a criança desde muito cedo a controlar seus processos e$cret#rios, se %em>sucedidos,

podem priv)>la das satisfaç1es físicas que pertencem propriamente ' infância6 as conseqMências de um trein
precoce so imensas, e no raro desastrosas.
! e$citaço genital no tem grande importância no primeiro ano de vida. 3o o%stante, os meninos podem
apresentar ereço e as meninas atividades vaginais, ocorrendo am%os so%retudo em associaço com a alimentaço
e$citada ou com a idéia de alimentaço. !s atividades vaginais podem ser estimuladas pela manipulaço anal. 3o
primeiro ano de vida, a ereço f)lica começa a adquirir uma importância pr#pria, o mesmo acontecendo com a
estimulaço do clit#ris. -as no é comum que, ' época do primeiro anivers)rio, a menina 0) ten&a começado a
apresentar inve0a do #rgo genital do menino, #rgo este que, comparado com o clit#ris ou a vulva, é %astante
evidente quando adormecido e ainda mais quando estimulado. Essa discrepância tender) a ocasionar ostentaço e
inve0a no decorrer de um ou dois anos seguintes. F! funço e as fantasias genitais s# passam a ter predominância
so%re as funç1es ingestivas e e$cretoras em algum momento do período compreendido, grosso modo, entre as
idades de dois e cinco anos.H
Qurante o primeiro ano de vida as e$periências instintivas so as portadoras da crescente capacidade que a
criança tem de relacionar>se com o%0etos, capacidade essa que culmina num relacionamento amoroso entre duas
pessoas inteiras, me e fil&o. " relacionamento triangular, com sua riqueza e complicaç1es específicas, vai
aparecendo como fator novo na vida da criança por
volta da época de seu primeiro anivers)rio, mas s# atinge sua plena e$tenso quando a criança 0) começou a
andar, e quando o aspecto genital adquire predominância so%re as diversas modalidades de funcionamento
alimentar instintivo e de fantasias.
" leitor recon&ecer) facilmente em meio a esta e$posiço a teoria freudiana da se$ualidade infantil, que foi a
primeira contri%uiço da psican)lise ao entendimento da vida emocional das crianças. ! idéia mesma da
e$istência de uma vida instintiva na infância provocou fortes reaç1es no ânimo pú%lico6 &o0e, porém, recon&ece>
se claramente que esta teoria é o tema central da psicologia da infância normal, %em como do estudo das raízes da
psiconeurose.

RELA5ES O67ETAIS
! criança de um ano por vezes é uma pessoa inteira que se relaciona com outras pessoas inteiras. Osto é uma
aquisiço que se desenvolve gradualmente, e s# vem ' e$istência de fato quando as condiç1es so
suficientemente %oas.
" primeiro estado caracteriza>se pela relaço com o%0etos parciais Y como no caso do %e%ê que se relaciona com
o seio, no &avendo consciência da figura da me, em%ora o %e%ê possa con&ecerT a me em momentos de
contato afetuoso. W a gradual integraço da personalidade da criança que faz com que o o%0eto parcial Fseio, etc.H
possa ser entendido como pertencente a uma pessoa inteira. Esse aspecto do desenvolvimento acarreta ansiedades

específicas, de que trataremos mais adiante Fver ! /!OQ!QE QE SE /RE"L/!R[H.


Qe par com o recon&ecimento do o%0eto inteiro surge o germe de um sentido de dependência, e, por conseguinte,
o germe da necessidade de independência. 7am%ém a percepço da com

* No srcinal: capacity of concern. Concern tem o sentido de se preocupar e de estar implicado. (N.R.T.)

fia%ilidade da me torna possível a e$istência da qualidade de confia%ilidade na criança.


3um est)gio primeiro, antes de a criança começar a operar como uma unidade, as relaç1es o%0etais têm a
natureza de uma Lnio de parte com parte. Em qualquer est)gio de que se trate, constata>se um grau e$tremo de
varia%ilidade no que toca ' e$istência de um self total capaz de viver e$periências e reter a me m#ria destas.

ESPONTANEIDADE

" impulso instintivo cria uma situaço que pode evoluir, por um lado, para a satisfaço, ou se diluir numa
insatisfaço difusa ou num desconforto general izado da psique e do soma. 5) &ora certa para a satisfaço de um
impulso, &) um clíma$ interno que deve vir 0unto com a e$periência de fato. !s satisfaç1es têm e$ trema
importância para a criança no decorrer de seu primeiro ano de vida, e a capacidade de esperar s# pode ser

adquirida de mo do gradual. " que se pede, evidentemente, é que a criança sacrifique sua espontaneidade em
favor das necessidades daqueles que dela cuidam. -uitas vezes e$igimos das crianças mais do que de n#s
mesmos
]! espontaneidade, assim, é ameaçada por dois con0untos de fatores2
FiH pelo dese0o da me de li%ertar>se das cadeias da maternidade6 a isso pode so%repor>se a falsa idéia de que uma
me deve educar seu fil&o desde muito cedo a fim de produzir um %omT fil&o6
FiiH pelo desenvolvimento de comple$os mecanismos de reinserço da espontaneidade no interior da pr#pria
criança esta%elecimento de um superegoH.
W este desenvolvimento do controle interno que proporciona na a única %ase verdadeira da moralidade, e a
moralidade tem
início 0) no primeiro ano de vida da criança. Ela surge como conseqMência de rudes medos de retaliaço, e
prolonga>se na su0eiço da vida instintiva da criança Fque começa a esta%elecer>se como uma pessoa dotada de
sentido de preocupaçoH6 ela protege os o%0etos de amor da e$ploso desmedid a do amor primordial, sendo esse
implac)vel e tendo por fim apenas a satisfaço dos impulsos instintivos.
Qe início, a mecânica do autocontrole é to rude quanto os pr#prios impulsos, e a severidade da me a0uda por ser
menos %rutal e mais &umana6 pois uma me pode sempre ser desafiada, mais] a ini%iço interna de um impulso é
passível de ter efeito to tal. ! severidade das mes, portanto, tem um significado inesperado2 leva, de modo
gradual e gentil, ' complacência, e salva a criança da ferocidade do autocontrole. /or uma evoluço natural
Fsupondo>se que as condiç1es e$teriores permaneçam favor)veisH, a criança esta%elece uma severidade interna de
car)ter &umanoT, adquirindo seu autocontrole sem perder demais daquela espontaneidade que, s# ela, faz a vida
valer a pena.

CAPACIDADE CRIATIVA

" tema da espontaneidade naturalmente nos leva a considerar o impulso criativo, o qual Fso%re todo o maisH d) '
criança a prova de que est) viva.
" impulso criativo inato desaparece a menos que se0a cor respondido pela realidade e$terna Frealizad oTH. 7oda
criança tem que recriar o mundo, mas isso s# é possível se, pouco a pouco, o mundo for se apresentando nos
momentos de atividade criativa da criança. ! criança procura algo e encontra o seio, e criou>se o seio, " sucesso
dessa operaço depende da sensi%ilidade da adaptaço da me 's necessidades da criança, so%retudo no começo.
! partir disso &) uma progresso natural no sentido da criaço por parte da criança do con0unto de toda a
realidade e$terior, e da criatividade contínua que, de início, necessita de uma
audiência e que, por fim, aca%a por criar até mesmo esta. "s dolorosos primeiros est)gios desse processo vitalício
desenrolam>se na primeira infância, e dependem da capacidade da me de apre sentar o fragmento de realidade
no momento mais ou menos e$ato. Ela é capaz de fazê>lo porque, temporariam ente, encontra>se identificada em
grau e$tremo com sua criança.
MOTILIDADE 8 AGRESSO

! mo%ilidade é uma característica do feto vivo, e os movimentos de um %e%ê prematuro numa incu%adora nos
do uma presumível idéia do que se0a o feto no útero pouco antes de nas cer. ! mo%ilidade é precursora da
agresso, termo esse que vai gan&ando seu significado ' medida que a criança cresce. So casos particulares de
agresso o ato de agarrar com as mos e a atividade de sugar, que depois transforma>se em morder 3a criança

sadia, grande parte do potencial de agresso funde>se 's e$periências instintivas e ao padro dos relacionamentos
do pequeno indivíduo. /ara que esse desenvolvimento ocorra so necess)rias certas condiç1es am%ientais
suficientemente %oas.
Em casos de enfermidade, s# uma pequena proporço do potencial de agressivi dade vem a fundir>se com a vida
er#tica, e a criança passa a ser atormentada por certos impulsos que carecem de sentido. Esses, ao final, levam '
destrutividade na relaço com o%0etos ou, o que é pior, constituem as %ases de uma atividade inteiramente sem
sentido, de que seriam e$emplos as convuls1es. E possível que essa agresso no se manifeste nas for mas de
uma e$pectativa ou de um ataque. Essa é uma das patologias do desenvolvimento emocional que se evidencia
desde muito cedo, e ao final manifesta>se como um distúr%io psiqui)trico. 7al distúr%io, o%viamente, pode
apresentar traços de paran#ia.
" potencial de agresso é e$tremamente vari)vel, pois de pende no s# de fatores inatos como tam%ém dos
acidentes am%ientais6 certas dificuldades de parto, por e$emplo, podem afetar profundamente " estado da criança
recém>nascida6 mesmo um
parto normal pode apresentar características traum)ticas para a psique imatura da criança, que no con&ece outra
defesa a no ser reagir, dei$ando temporariamente de e$istir no seu pr#prio movimento.

CAPACIDADE DE SE PREOCUPAR
Em algum momento da segunda metade do primeiro ano de vida da criança normal, essa começa a demonstrar
certa capacidade de se preocupar, certa &a%ilidade de ter sentimento de culpa. 7rata>se aqui de um estado de
coisas altamente comple$o que depende da integraço da personalidade infantil numa unidade e est) vinculado '
aceitaço, por parte da criança, da responsa%ilidade por toda a fantasia so%re o que pertence ao momento
instintivo. ! presença contínua da me Fou sua su%stitutaH é pre condiço necess)ria a essa realizaço altamente
sofisticada, e a atitude da me deve comportar um elemento de estar atenta a ver e aceitar os esforços imaturos
feitos pela criança no sentido de contri%uir, isto é, ca%e ' me reparar, amar construtivamente. Esse importante
est)gio do desenvolvimento emocional foi detal&adamente estudado por -elanie lein em sua ampliaço da
teoria psicanalítica FfreudianaH que englo%a as srcens do sentimento de culpa pessoal, a ânsia de agir de forma
construtiva e de dar. !ssim, a potência Fe a aceitaço da potênciaH tem uma de suas raízes no desenvolvimento
emocional que ocorre antes F%em co mo depoisH do primeiro anivers)rio.

POSSES

Z idade de um ano, a maioria das crianças 0) adotou um ou mais o%0etos macios, ursin& os, %onecas de pano etc.,
que l&es so importantes. F!lguns meninos preferem o%0etos duros.H 7ais o%0etos o%viamente desempen&am o
papel de o%0etos parciais, re presentando so%retudo o seio, e é s# aos poucos que vo passando a representar
%e%ês, papai ou mame.
W muito interessante estudar o uso que a criança faz do primeiro o%0eto adotado, que talvez se0a uma ponta do
co%ertor, uma fralda ou um lenço de seda. Esse o%0eto pode adquirir impo rtância vital, e pode ter o valor de um
o%0eto intermedi)rio entre o self e o mundo e$terior. 7ipica mente, pode>se ver uma criança ir dormir agarrada a
um tal o%0eto Fque c&amo de o%0eto transicionalTH, ao mesmo tempo que suga o polegar ou dois outros dedos e
talvez coce o nariz ou o l)%io superior. " padro é pr#prio de cada criança6 esse padro, que se manifesta ' &ora
de dormir ou em momentos de solido, tristeza ou ansiedade, pode persistir até o fim da infância ou mesmo na

vida adulta. 7udo isso faz parte do desenvolvimento emocional normal.


Esses fen\menos Fa que c&amo transicionaisH parecem constituir a %ase de toda a vida cultural do ser &umano
adulto.
Lma privaço severa pode acarretar uma pedra da capacidade de fazer LS" da técnica costumeira, causando
inquietaço e ins\nia. laramente,o polegar na %oca e a %oneca de pano na mo sim%olizam a um s# tempo uma
parte do self e uma parte do am%iente.
Eis aqui uma oportunidade de o o%servador estudar as srcens do comportamento afetivo. Esse estudo é
importante Fse no por outras raz1esH porque a perda da capacidade de ser afetivo é uma das características da

criança carenteT, mais vel&a, a qual, do ponto de vista clínico, demonstra uma tendência anti> social e é
potencial candidata ' delinqMência.

AMOR

Z medida que a criança cresce, o significado do termo amorT vai se alterando, ou enriquecendo>se com novos
elementos2
FiH !mor significa e$istir, respirar6 estar vivo identifica>se a ser amado.

FOOH !mor significa apetite. !qui no &) preocupaço apenas a necessidade de satisfaço.
FiiiH !mor significa o contato afetuoso com a me.
FivH !mor significa a integraço Fpor parte da criançaH do o%0eto da e$periência instintiva com a me integral do
contato afetivo6 o dar passa a relacionar>se ao rece%er, etc.
FvH !mor significa afirmar os pr#prios direitos ' me, ser compulsivamente voraz, forçar a me a compensar as
Finevit)veisH privaç1es por que ela é respons)vel.
FviH !mar significa cuidar da me Fou do o%0eto su%stitutoH como ela cuidou da criança Y uma prefiguraço da
atitude de responsa%ilidade adulta.

CONCLUSO

7odos estes desenvolvimentos Fao lado de muitos outrosH podem ser o%servados nos primeiros anos de vida,
em%ora nada es te0a esta%elecido ' época do primeiro anivers)rio, e quase todas as aquisiç1es podem ser perdidas
frente a uma posterior ruptura das condiç1es mínimas am%ientais ou mesmo pela aço de cer tas ansiedades
inerentes ao amadurecimento emocional.
W %em possível que o pediatra ven&a a sentir>se perdido e consternado quando tentar compreender a psicologia da
criança, de que fizemos aqui %reve es%oço. !pesar disso, ele no deve desesperar, pois normalmente poder)
dei$ar tudo a cargo da criança, da me e do pai. -as, se uma interferência na relaço me> criança porventura se
fizer imprescindível que o profissional sai%a ento o que est) fazendo, e procure a%ster>se de toda interferência
desnecess)ria.

CAP9TULO : - O RELACIONAMENTO INICIAL ENTRE UMA ME E SEU 6E6;


A PARCERIA ENTRE ME E 6E6;

3um e$ame do relacionamento e$istente entre uma me e seu fil&o, é necess)rio distinguir aquilo que pertence '
me daquilo que 0) começa a desenvolver>se na criança. Esto em 0ogo dois tipos distintos de identificaço2 a
identificaço da me com seu fil&o e o estado de identificaço do fil&o com a me. ! me introduz na situaço
uma capacidade amadurecida, ao passo que a criança se encontra nesse estado porque é assim que as coisas
começam.
onstatamos na me gr)vida uma identificaço cada vez maior com seu fil&o. ! criança ) associada pela me '
idéia de um o%0eto internoT, um o%0eto imaginado para ser instalado dentro e aí mantido apesar de todos os
elementos persecut#rios que tam%ém têm lugar na situaço. " %e%ê tem outros signif icados na fantasia
inconsciente da me, mas é possível que o traço predominante nesta se0a uma vontade e uma capacidade de
desviar o interesse do seu pr#prio self para o %e%ê. *) denominei esse aspecto da atitude da me como
preocupaço materna prim)riaT.
! meu ver, é isso que confere ' me uma capacida de especial de fazer a coisa certa. Ela sa%e como o %e%ê pode
estar se sentindo. 3inguém mai s sa%e. "s médicos e enfermeiras talvez sai%am muit o a respeito de psicologia, e
certamente con&ecem tudo so%re a saúde e a doença do corpo. -as no sa%em como o %e%ê est) se sentindo a
cada minuto, pois esto fora dessa )rea de e$periência.
Essa realidade pode ser afetada por dois tipos de distúr%ios maternos. 3um e$tremo, temos a me cu0os interesses
pr#prios têm car)ter to compulsivo que no podem ser a%andonados e ela é incapaz de mergul&ar nessa
e$traordin)ria condiço que quase se assemel&a a uma doença, em%ora, na verdade, se0a %astante indicativo de
%oa saúde. 3o outro e$tremo temos a me que tende a estar sempre preocupada, e nesse caso o %e%ê torna>se sua
preocupaço patol#gica. Essa me pode ter uma capacidade especial de a%dicar do pr#prio self em favor da
criança, mas qual o resultado final disso V W normal que a me v) recuperando seus interes ses pr#prios ' medida
que a criança l&e permite fazê>lo. ! me patologicamente preocupada no s# permanece identificada a seu %e%ê
por um tempo longo demais, como tam%ém a%andona de sú%ito a preocupaço com a criança, su%stituindo>a pela
preocupaço que tin&a antes do nascimento desta.
Xuando a me normal vai dei$ando de preocupar>se com seu fil&o, o que ocorre é uma espécie de desmame. "
primeiro tipo de me no consegue desmamar o fil&o porque este nunca a teve de fato para si, de modo que o
desmame dei$a de ter sentido6 a outra me doente é incapaz de desmamar, ou tende a fazê>lo su%itamente, sem
dar atenço ' crescente necessidade da pr#pria criança de ser desmamada.
Encontramos fatos an)logos a todos estes quando consideramos nossa pr#pria atividade terapêutica com crianças.
!s crianças colocadas so% nosso cuidado, na medida em que precisam de terapia, atravessam fases em que
regridem e revivem Fou, conos co, vivem pela primeira vezH os relacionamentos primeiros que no foram
satisfat#rios em seu passado. Somos capazes de nos identificar com elas assim como a me identifica>se com seu
fi l&o, tempor)ria mas plenamente.
!o pensarmos nesse tipo de coisa que ocorre aos pais, estamos pisando num terreno seguro, mas quando
pensamos num instinto maternal nossa teoria se confunde, e terminamos por perder F...H numa desordenada
mistura de seres &umanos e animais. Qe fato, a maioria dos animais cumpre %astante %em essa primeira funço
materna, e nos primeiros est)gios do processo evolutivo os refle$os e respostas instintivas simples eram
suficientes para que tal se desse. -as, de um modo ou de outro, as mes e %e%ês &umanos possuem certas
qualidades &umanas que devem ser respeitadas. 7am%ém possuem refle$os e instintos grosseiros, mas no é
possível descrever satisfatoriamente o ser &umano em termos daquilo que ele compartil&a com os animais.
W importante, em%ora #%vio, notar que, estando a me no estado que descrevi, ela se torna uma pessoa muito
vulner)vel. 3em sempre isso se nota, devido ao fato de em geral &aver algum tipo de proteço estendida em torno

da me, proteço esta organizada talvez por seu marido. Esses fen\menos secund)rios podem produzir>se
naturalmente no decorrer de uma gravidez, assim como produz>se o estado especial da me em relaço ' criança.
W no caso de uma ruptura das forças protetoras naturais que se constata o quo vulner)vel é a me. 7ocamos aqui
num as sunto vasto, que se vincula ' questo dos c&amados distúr%ios mentais puerperais a que as mul&eres
podem estar su0eitas. 3o s# o desenvolvimento da preocupaço materna prim)ria é difícil de alcançar para certas
mul&eres mas tam%ém o processo de re co%rar uma atitude normal em relaço ' vida e ao self pode pro duzir
enfermidades clínicas. 7ais enfermidades podem ser ocasionadas, em certa medida, por um colapso da co%ertura
protetora, um colapso daquilo que permite ' me estar voltada para dentro e esquecer todos os perigos e$ternos
enquanto dure sua preocupaço materna.
A IDENTIFICAO DO 6E6; COM SUA ME

!o tratar do estado de 0 do %e%ê, refiro>me ' criança a ponto de nascer, ' criança recém>nascida e ' criança de
poucas semanas ou meses. " %e%ê de seis meses 0) est) saindo do estado que ora considero.
A FAM9LIA E O DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL

" pro%lema é to delicado e to comple$o que no podemos esperar o%ter quaisquer resultados de nossas
refle$1es se no pressupusermos que a criança em questo este0a sendo cuidada por uma me suficientemente
%oa. S# na presença dessa me suficientemente %oa pode a criança iniciar um processo de desenvolvimento
pessoal e real. Se a maternagem no for %oa o sufi ciente, a criança torna>se um acumulado de reaç1es ' violaço6

o self verdadeiro da criança no consegue formar >se, ou permanece oculto por tr)s de um falso self que a um s#
tempo quer evitar e compactuar com as %ofetadas do mundo.
Ognoremos esta complicaço, e consideremos apenas aquela criança que, tendo uma me %oa o suficiente, pode
começar seu desenvolvimento. !cerca dessa criança, eu afirmaria2 seu ego é simultaneamente fraco e forte. 7udo
depende da capacidade da me de dar apoio ao ego, " ego da me est) em &armonia com o ego do fil&o, e ela s#
é capaz de dar apoio se for capaz de orientar>se para a criança, segundo o processo que 0) descrevi em parte.
Xuando o par me>fil&o funciona %em, o ego da criança é de fato muito forte, pois é apoiado em todos os
aspectos, " ego reforçado Fe, portanto, forteH da criança é desde muito cedo capaz de organizar defesas e
desenvolver padr1es pessoais fortemente marcados por tendências &eredit)rias.
Essa imagem do ego fraco e forte aplica>se tam%ém ao caso dos pacientes Fcrianças e adultosH que esto
regredidos e dependentes na situaço terapêutica concentrar>me>ei, porém, na descriço da criança. W esta
criança, cu0o ego é forte devido ao apoio do ego da me, que cedo torna>se verdadeiramente ele mesmo ou ela
mesma. Se o apoio do ego da me no e$iste, ou é fraco, ou intermitente, a criança no consegue desenvol ver>se
numa tril&a pessoal6 o desenvolvimento passa ento, como 0) disse, a estar mais relacionado com uma sucesso
de reaç1es a colapsos am%ientais que com as urgências internas e fatores genéticos, "s %e%ês %em cuidados
rapidamente esta%elecem>se como pessoas, cada um deles diferente de todos os outros que 0) e$istiram ou e$is
tiro, ao passo que os %e%ês que rece%em apoio egoico inadequado ou patol#gico tendem a apresentar padr1es de
comportamento semel&antes Finquietude, estran&amento, apatia, ini%iço, complacênciaH. 3a situaço de terapia
infantil, o profissional é no raro recompensado pelo surgimento de uma criança que, pela primeira vez, é um
indivíduo.
Este tanto de teoria é necess)rio se se quiser compreender esta estran&a realidade em que vivem as crianças2
realidade esta em que nada ainda distinguiu>se como no>eu, de modo que ainda no e$iste um EL. !
identificaço é aqui aquilo com que a criança começa. 3o significa que a criança se identifica com a me, mas
que no &) con&ecimento da me ou de qualquer o%0eto e$terno ao self6 e mesmo essa afirmaço no pode ser
considerada correta, pois no e$iste ainda um self. /oder>se>ia dizer que, neste est)gio, o self da criança é apenas
potencial. Retornando a este estado, o indivíduo torna>se fundido com o seif da me. " self de cada criança ainda
no se formou, e logo no pode ser visto como estando fundido, mas as mem#rias e e$pectativas podem agora
começar a acumular>se e formar>se. Qevemos lem%rar que estas coisas s# ocorrem quando o ego da criança é
forte, por ser reforçado.
!o considerarmos esse estado da criança, devemos retroceder um est)gio além do que costumamos fazer. /or
e$emplo2 sa%emos o que é a desintegraço, e isso nos conduz facilment e ' idéia de integraço. -as no presente
conte$to, para e$pressar o que queremos dizer, precisamos de uma palavra como no> integraço. Qo mesmo
modo, con&ecemos a despersonalizaço, o que facilmente nos leva a intuir a e$istência de um processo de
construço da pessoa, um processo de esta%elecimento de uma unio ou vínculo entre o corpo, ou as funç1es
corporais, e a psi que Findependente do que isso possa significarH. -as, ao considerarmos o crescimento
primordial, temos que conce%er que um tal pro%lema ainda nem sequer c&egou a colocar>se para a criança, cu0a
psique est) apenas começando a ela%orar>se em torno do funcionamento corporal.
"u ainda2 temos con&ecimento das relaç1es o%0etais, e daí facilmente c&egamos ' idéia de um processo pelo qual
se esta%eleça a capacidade de relacionar>se com o%0etos. -as é necess)rio conce%ermos um estado anterior ao
momento em que a noço de o%0eto passa a ter sentido para a criança, muito em%ora a criança se satisfaça
relacionando>se com algo que vemos como sendo um o%0eto, ou a que poderíamos c&amar o%0eto parcial.

Essas quest1es muit o primitivas começam quando a me, identificando>se com seu fil&o, é capaz e tem vontade
de dar apoio no momento em que for necess)rio.
A FUNO MATERNA

om %ase nessas consideraç1es, torna>se possível categorizar a funço da me suficientemente %oa nesses
primeiros est)gios. 7ais funç1es podem reduzir>se a2
FiH 5olding[. FiiH -anipular.
FiiiH !presentar o%0etos.

FiH " <o%!&n tem muita relaço com a capacidade da me de identificar>se com seu %e%ê. Lm &olding
satisfat#rio é uma
[ " &olding é descrito por 9innicott como uma fase em que a me ou su%stituta2
Y /rotege da agresso fisiol#gica.
Y <eva em conta a sensi%ilidade cutânea do lactente.., e a falta de con&ecimento por parte deste da e$istência de
qualquer coisa que no se0a ele mesmo.
Y Onclui a rotina completa do cuidado dia e noite adequada a cada %e%ê.
Y Segue tam%ém as mudanças instantâneas do dia>a>dia que fazem parte do crescimento e do desenvolvimento
do lactente, tanto físico quanto psicol#gico.
" &olding FsegurarH inclui especialmente o &olding físico do lactente...T
f. Q. 9. 9innicott, " am%iente e os processos de maturaço, Ed. !rtes -édicas, /orto !legre, ?@BI. F3.R.7H
porço %)sica de cuidado, s# e$perimentada nas reaç1es a um &olding deficiente. " &olding deficiente produz
e$trema afliço na criança, sendo fonte2 da sensaço de despedaçamento, da sensaço de estar caindo num poço
sem fundo, de um sentimento de que a realidade e$terior no pode ser usada para o reconforto interno, e de outras
ansiedades que so geralmente classificadas co mo psic#ticasT.
FiiH ! manipulaço facilita a formaço de uma parceria psicossom)tica na criança. Osso contri%ui para a formaço
do senti do do realT, por oposiço a irrealT. ! manipulaço deficiente tra%al&a contra o desenvolvimento do
t\nus muscular e da c&amada coordenaç oT, e tam%ém contra a capacidade de a criança gozar a e$periência do
funcionamento corporal, e de SER.
FiiiH ! apresentaço de o%0etos ou realizaçoT Fisto é, o tornar real o impulso criativo da criançaH d) início '
capacidade do %e%ê de relacionar>se com o%0etos. !s fal&as nesse cuidado %loqueiam ainda mais o
desenvolvimento da capacidade da criança de sentir> se real em sua relaço como mundo dos o%0etos e dos
fen\menos.
" desenvolvimento, em poucas palavras, é uma funço da &erança de um processo de maturaço, e da
acumulaço de e$periências de vida6 mas esse desenvolvimento s# pode ocorrer num am%iente propiciador. !
importância deste am%ient e propiciador é a%soluta no início, e a seguir relativa6 o processo de desenvolvi mento
pode ser descrito em termos de dependência a%soluta, de pendência relativa e um camin&ar rumo '
independência.
SUMÁRIO
/rocurei, portanto, descrever aqui a relaço me>criança vista pelo lado da criança. ! rigor, o que encontramos
no pode de modo algum ser c&amado identificaço. 7rata>se de algo que, partindo de uma no>organizaço, vai>
se organizando so% condiç1es altamente especializadas, e aos poucos separando>se da matriz que propicia tais
condiç1es. W isso que se forma no útero e aos poucos evolui para tornar>se um ser &umano. -as trata>se de algo
que nunca poderia ocorrer num tu%o de ensaio, nem mesmo num tu%o %astante grande. 3#s testemun&amos,
mesmo sem en$ergar, a evoluço da e$periência imatura dessa parceria entre me e fil&o em que a me, por meio
de certo tipo de identificaço, vai ao encontro do estado srcinal de no>diferenciaço da criança. 3a ausência
deste estado especial da me, a que 0) me referi, a criança no consegue emergir verdadeiramente do estado
srcinal. 3a mel&or das &ip#teses, pode desenvolver um falso self que esconde todo vestíg io que possa &aver do
seu verdadeiro.
Em nossa atividade terapêutica, reiteradamente nos envolvemos com pacientes6 atravessamos uma fase em que
ficamos vulner)veis Fcomo a meH por causa de nosso envolvimento6 identificamo>nos com a criança, que por
algum tempo permanece de pendente de n#s a um grau e$tremo6 assistimos ' queda do falso self ou dos falsos
selfs da criança6 assistimos ao novo nascimento de um self verdadeiro, dotado de um ego que é forte porque n#s,
assim como a me a seu fil&o, fomos capazes de dar>l&e apoio. Se tudo corre %em, constatamos ao final o
surgimento de uma criança cu0o ego pode organizar as pr#prias defesas contra as ansiedades decorrentes dos
impulsos e e$periências do id. Qevido ' nossa aço, nasce um novoT ser, um ser &umano verdadeiro, capaz de
viver uma vida independente. -in&a tese é que, na te rapia, tentamos imitar o processo natural que caracteriza o
com portamento de qualquer me em relaço ' sua criança. Se a tese estiver correta deduz>se que é o par me>
criança que pode nos ensinar os princípios %)sicos so%re os quais deve fundar>se nosso tra%al&o terapêutico,

quando estivermos tratando de crianças cu0a primeira relaço com a me no foi %oa o suficienteT, ou foi
interrompida.
CAP9TULO = - CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO NA FASE IMATURA

" leitor deve sa%er que sou um fruto da escola psicanalítica, ou freudiana. Osso no significa que eu tome como
correto tudo o que =reud disse ou escreveu6 isso seria em todo caso a% surdo, visto que =reud continuou
desenvolvendo suas teorias Y isto é, modificando>as Fde modo ordenado, como qualquer cientistaH Y até o
momento de sua morte, em ?@I@.
3a verdade, &) certas coisas em que =reud veio a acreditar que nos parecem, a mim e a muitos outros analistas,
no serem de modo algum corretas Y mas isso no importa. " fato é que =reud criou um método de a%ordagem
científica ao pro%lema do desenvolvimento &umano6 desafiou a relutância em se falar a%ertamente de se$o e
especialmente da se$ualidade infantil, e considerou os instintos como realidades %)sicas e dignas de estudo6
legou>nos um método a ser utilizado e desenvolvido, pelo qual poderíamos conferir as o%servaç1es de outros e
fazer as nossas pr#prias6 demonstrou a e$istência do inconsciente reprimido e lançou luz so%re as operaç1es do
conflito inconsciente6 insistiu no pleno recon&ecimento da realidade psíquica Fo que é real no in divíduo, e no
apenas o realizado em atoH6 procurou, intrep idamente, formular teorias relativas aos processos mentais, algumas
das quais tornaram>se geralmente aceitas.

Qe tudo o que foi dito, &) algo que nos interessa especial mente aqui. ada indivíduo surge, desenvolve>se e
torna>se ma duro6 no se pode considerar a maturidade adulta como algo se parado do desenvolvimento anterior.
Este desenvolvimento é e$tremamente comple$o, e ocorre de contínuo desde o nascimento, ou desde antes, até a
vel&ice, passando pela idade adulta. 3o podemos pensar em relegar nada a segundo plano Y nem as ocorrências
da infância, e nem mesmo as da primeiríssima infância.
3este momento devemos fazer uma pausa e pensar nas me tas que nos colocamos em nosso tra%al&o. 3ossa
preocupaço é a de proporcionar um am%iente adequado 's crianças de colo, 's que esto começando a andar e 's
mais vel&as Y am%iente es te que dar) a cada indivíduo a oportunidade de, aos poucos e a seu modo, tornar>se
uma pessoa que tem um lugar na comunidade sem por isso perder sua individualidade. 3o queremos que as
crianças so% nosso cuidado constituam>se em mem%ros de uma entre duas categorias e$tremas2 de um lado
aqueles que, em%ora tendo seus interesses direcionados ' comunidade, têm vida pessoal to insatisfat#ria que no
c&egam a possuir um verdadeiro sentido do self6 de outro, aqueles que s# o%têm sua satisfaço pessoal ' custa de
negligenciar suas relaç1es com a sociedade, ou talvez so% pena de tornarem>se anti>sociais ou loucos. /ois
sa%emos que as pessoas enquadradas em qualquer desses dois e$tremos so infelizes, e sofrem. !lguns s#
encontram sua e$presso pessoal no ato de suicídio. !lguém os decepcionou, algo maio> grou em seu am%iente
circundante em um ou mais dos primeiros est)gios de desenvolvimento6 é difícil consertar as coisas numa data
to posterior.
-as, voltando 's crianças pequenas2 quando proporcionamos 's crianças um certo tipo de am%iente saud)vel,
temos em vista determi nado o%0etivo Y a sa%er, o de tornar possível o cresciment o de cada criança até o estado
adulto, o qual, no coletivo, c&ama>se democ racia. Sa%emos, contudo, o quo importante é no situar as crianças
pequenas numa posiço demasiado avançada para elas. !demais, sa%emos o quo fútil é a idéia de ensinarT
democracia como algo distinto de dar aos indivíduos as condiç1es de crescer, amadurecer e tornar>se o pr#prio
material de que a democracia é feitaJ.
(ostaria de mencionar aqui alguns equivalentes prim)rios do que mais tarde pode>se tornar, dadas as
circunstâncias favor)veis, a %ase material da democracia. 3o levarei em conta o que se refere a crianças mais
vel&as, que devem participar de clu%es e outras instituiç1es adequadas ' sua idade. 3um est)gio anterior, porém,

pode>se constituir decerto o germe disto permitindo 's crianças assumir temporariamente certas funç1es
comunit)rias. 3o devemos esperar que lo%in&os e fadin&as diri0am seus pr#prios grupos, mas sa%emos que &)
momentos em que um lo%in&o ou uma fadin&a gostaria de %rincar de comandante. E a %rincadeira tem um car)ter
to sério quanto divertido.
5) certos casos em que uma irm mais vel&a, ainda criança, tem que assumir o papel e todas as responsa%ilidades
de me, e n#s sa%emos como esta tarefa, se %em realizada, pode contri%uir para esgotar na menina toda
espontaneidade e todo sentido dos direitos do pr#prio seu6 mas esse é o tipo de coisa que no se pode evitar.
3ormalmente, porém, toda criança gosta de sentir>se respons)vel por alguma coisa por certo período de tempo. "
mel&or é quando a idéia parte da pr#pria criança, e no de n#s. -as, pouco a pouco, as crianças tornam>se
capazes de identificar>se conosco e aceitar nossas imposiç1es razo)veis sem sofrer grande perda de seu sentido
do seu e dos direitos do self.
3o ocorre algo parecido com isso na evoluço dos desen&os da criançaV /rimeiro temos a simples manipulaço
do instrumento, depois os ra%iscos. ! criança passa ento a ra%iscar lin&as com significados que 0amais
desco%riríamos se ela no nos informasse. ! criança vê tudo, ou qualquer coisa, nas lin&as traça das. 7alvez uma
lin&a e$travase as %ordas do papel e isso equivale a fazer $i$i na cama, ou a algum acidente Fum copo de leite
derramado, por e$emploH que, quando ocorreu, foi agrad)vel para a criança, em%ora inconveniente para o adulto.
! seguir, talvez apareça uma circunferência tosca, que a criança c&ama de patoT. Ela passa assim a e$pressar
algo diferente do divertimento da e$periência instintiva. 5) aqui uma nova aquisiço2 a criança est) preparada
para a%dicar de alguns prazeres de tipo mais instintivo. 8reve, muito %reve, a criança 0) acrescenta ao círculo
%raços, pernas e ol&os, e n#s dizemos2 5umpt+ Risos gerais, e de sú%ito a e$presso direta 0) é coisa do passado,
tendo dado lugar ao desen&o propriamente dito. -as, de novo, &) aqui uma aquisiço, devido ' natureza
construtiva do que est) sendo feito Y natureza esta recon&ecida por alguém pr#$imo e queri do da criança e
devido ' desco%erta de uma nova forma de comunicaço, mais eficiente que a fala. <ogo a criança estar)
desen&ando quadros. " taman&o e a forma da p)gina determinam a colocaço dos o%0etos representados. 5) um
equilí%rio dos o%0etos e movimentos e uma relaço sutil entre todas as proporç1es. /or %reve tempo, a criança
transforma>se num artista. E, o que é mais importante, demonstra uma capacidade crescente de conservar a
espontaneidade ao mesmo tempo em que se su%mete ' forma e demais fatores de controle. Esta é a idéia
democr)tica em miniatura. Sua %ase por enquanto é relativamente pouco s# lida, pois depende da presença de
uma pessoa que se relaciona com a criança que desen&a. -ais tarde este vínculo muito pessoal é que%rado, e
deve ser que%rado e diluído6 antes de a criança transformar>se num artista ou, com mais pro%a%ilidade, num
cidado comum, ela deve ser capaz de construir inte rnamente essa pessoa em relaço a quem, no e$terior, a arte
infantil e$pressava>se de modo to rico.
7udo isso nos leva a um ponto cada vez mais recuado no tempo, que se traduz por um am%iente cada vez mais
pessoal Y o que equivale a dizer que a pessoa que se relaciona com a criança precisa ser, ' medida que
recuamos, cada vez mais confi)vel.
Recuando ainda mais, &) uma época em que a pessoa, do ponto de vista da criança, tem que ser algo mais que
confi)vel.
Sa%emos que, em se tratando de crianças pequenas, é s# o amor por aquela criança que torna a pessoa confi)vel o
suficiente. !mamos aquela criança e mantemos com ela um relacionamento ininterrupto Y eis vencida a
primeira metade da %atal&a. -as retro cedamos ainda mais um pouco. /ara descrever o conte$to, pre cisamos
empregar palavras ainda mais fortes. reio que, no to cante aos primeiros meses de vida, o termo devoçoT nos
d) a 0usta medida do que estamos considerando. 3o penso em em pregar aqui palavras como inteligenteT,
cultoT ou escola doT, em%ora no as despreze. S# uma me devotada Fou uma me su%stituta dotada do mesmo
sentimentoH pode acompan&ar as necessidades de uma criança. 3a min&a opinio, inicialmente a criança carece
de um grau de adaptaço ativa a suas necessidades que s# pode ser provida se uma pessoa devotada estiver
cuidando de tudo. W #%vio que é a pr#pria me da criança a deposit)ria natural desta devoço e, mesmo que se
possa provar que as crianças no recon&ecem suas mes até terem alguns meses de idade, contínuo pensando que
devemos admitir que a me con&ece seu fil&o.
A EDUCAO DOS PAIS

W possível que, a esta altura, eu se0a criticado. Qir) o leitor2


ocê est) tomando como ponto pacífico que as mes se0am pessoas normais, e se esquece de que muitas so
neur#ticas, e algumas quase loucas.T -uitas levam uma vida nem um pouco tranqMila, e passam suas frustraç1es
se$uais a seus fil&os através de sua irritaço ou de maneiras mais diretas.T W a%surdo falar de mes, enfermeiras
ou professores agindo naturalmente. 7odos têm de ser ensinados.T
3o posso discordar de todo6 mas devo dizer que, quando os que cuidam das crianças so neur#ticos ou quase
loucos Fe mui tos de fato o SoH, nem sequer podem ser ensinados. 7emos de depositar nossas esperanças nos
casos mais ou menos normais. Em nossas clínicas lidam os com a anormalidade, e nos orientamos nesse sentido.
-as, ao lidar com mes e crianças comuns e ao lecionar para crianças pequenas, devemo s orientar>nos resolut a>
mente em direço ao que é normal e sadio. E as mes sadias têm muito que nos ensinar.

[ /ersonagem infantil, com forma de ovo. F3.7.H


omo podemos ter tanta certeza de que os médicos e enfermeiras que &a%ilmente assistem 's mes em clínicas
pré>natais, maternidades e &ospitais pú%licos realmente permitem que a me normal e sadia desempen&e sua
funçoV !s coisas mel&oraram muito nos últimos anos. 5o0e, no é raro vermos maternidades onde os %e%ês
permanecem em %erços ao lado de suas mes. 3o necessito descrever em detal&e a &orrível alternativa a isso,
que 0) é demasiado con&ecida2 o %e%ê sozin&o no %erç)rio, trazido ao quarto na &ora de mamar e empurrado de
encontro ao seio da me perple$a e até amedrontada. Qo mesmo modo, e em grande parte devido ' o%ra de
8o4l%+ e Ro%ertson &) &o0e uma certa tendência a permitir que os pais permaneçam em contato com seus fil&os
recém>nascidos ou pequenos que por azar precisam passar algum tempo no &ospital.
" fato é que médicos e enfermeiras precisam recon&ecer serem especialistas numa )rea apenas. 3o que toca ao
esta%eleci mento de uma relaço emocional entr e a me e o %e%ê Fo que inclui o início da amament açoH, a me
normal no é somente a especialista6 ela é, na verdade, a única pessoa que sa%e o que fazer em relaço 'quele
%e%ê. E &) uma razo para isso2 sua devoço, que é, neste caso, a única motivaço efetiva.
7entando transpor estas consideraç1es para uma realidade to comple$a quanto a da escola maternal, podemos
afirmar, mesmo simplificando, que em qualquer escola maternal &) dois tipos de crianças Y e o mesmo pode>se
dizer de todas as outras escolas. 5) aquelas crianças cu0os pais foram %em>sucedidos e continuam sendo. Essas
sero as crianças recompensadoras, capazes de e$pressar e lidar com todos os tipos de sentimento. /or outro lado,
&) as crianças cu0os pais fracassaram, e devemos nos lem%rar de que esse fracasso nem sempre é imput)vel a
eles. /ode ser culpa de um médico, ou de uma enfermeira6 pode ter ocorrido como resultado da operaço do
acaso Y através de um forte ataque de coqueluc&e, por e$emplo6 talvez, pessoas ansiosas por a0udar ten&am
antes atrapal&ado. Essas crianças, com idade suficiente para freqMentar a escola maternal, carecem daquela
adaptaço ativa 's necessidades pr#prias das primeiras semanas e meses de vida. Elas talvez e$i0am essa
adaptaço de pessoas que no so seus pais de fato. Essa adaptaço ativa tardia é c&amada de mimoT, e os que
mimam uma criança so amiúde criticados. E mais2 como essa adaptaço ativa est) c&egando muito tarde, a
criança talvez no sai%a aproveit)>la devidamente ou, se sou%er, poder) requisit)>la a um grau muito elevado e
por um período muito longo, " indivíduo capaz de proporcionar isso ' criança talvez ven&a a se encontrar numa
situaço muito difícil, pois a criança pode vir a desenvolver uma dependência que ele receie romper.
-as, enfim, o fato é que todas as escolas devem ser pensa das tendo em vista um tríplice pú%lico2
FaH as crianças da primeira classe que descrevi, capazes de enriquecer>se a partir do que l&es é oferecido, e
prontas a contri%uir e tirar proveito do fato de estarem contri%uindo6
F%H as crianças que requerem dos professores aquilo que o lar no foi capaz de proporcionar e no ensino6
FeH as intermedi)rias.
A CRIANA VIVA

(ostaria agora de virar este tema pelo avesso, e descrever o %e%ê e a criança em termos do desenvolvimento da
criança viva.
Em primeiro lugar faço uma simplificaço, distinguindo o estado de e$citaço do estado de no>e$citaço. "
estado de e$ citaço o%viamente envolve a operaço dos instintos. Sa%emos que toda funço corporal tem sua
ela%oraço imaginativa e tam%ém os conflitos, que se desenvolvem em associaço com idéias, envolvem
ini%iç1es e confus1es na vida corporal6 o crescimento, nesse conte$to, no implica apenas transpor est)gios
devido ao aumento da idade, mas tam%ém a administraço de cada est)gio ' medida que surge, sem que se
sofram muitas perdas no que se refere 's %ases instintivas do sentimento. Entretanto, so e$ata mente nestes

primeiros est)gios do desenvolvimento instintivo que têm início as sérias repress1es que paralisam as vidas de
muitos indivíduos. Xuo necess)rias so, pois, para a criança que começa a andar, a esta%ilidade e a continuidade
de seu am%iente em seus aspectos físicos e emocionais_
Em%ora se0a e$atamente este o ponto em que se podero encontrar as principais forças da psicologia dinâmica,
sinto que no preciso insistir neste assunto. ! o%ra de =reud, que tratava so%retudo desses fen\menos vitais, é
&o0e %astante con&ecida, especialmente pelos que se dedicam ao estudo da psicologia infantil.
5) uma progresso natural no desenvolvimento daqueles impulsos instintivos que, com sua força, quase
dilaceram a criança. 3um primeiro momento, naturalmente, so a %oca e todos os de mais mecanismos de

a%sorço, incluindo o agarrar com as mos, que formam a %ase daquela fantasia que constitui o auge da e$
citaço. -ais tarde, so os fen\menos de e$creço e o funciona mento interno do corpo que fornecem material
para fantasias de e$citaço. om o tempo vê>se aparecer uma modalidade genital de e$citaço que domina toda a
vida do menino ou da menina de dois a cinco anos de idade.
! progresso natural dessas v)rias espécies de idéias e organizaç1es da e$citaço no c&ega a ser assim to clara
e simples, pois todos os est)gios apresentam seus conflitos pr#prios, e nem o maior cuidado seria capaz de alterar
esse fato. ! natureza do %om cuidado consiste so%retudo em oferecer a cada criança um con0unto de condiç1es
consistentes para que ela possa ela%orar o que l&e é específico.

omo é natural, as idéias associadas aos momentos de e$citaço formam a %ase das %rincadeiras e dos son&os. !
%rincadeira é marcada por um tipo especial de e$citaço, e degringola quando as necessidades instintivas diretas
e$igem predominância de atenço. !s crianças s# aos poucos aprendem a lidar com isso. Qe fato, todos os
adultos sa%em que os mel&ores prazeres da vi da podem ser estragados pela intromisso do e$citamento corporal,
e grande parte da técnica de viver consiste em encontrar mo dos de evitar os e$citamentos corporais que no têm
condiç1es de atingir seu clima$ no momento apropriado. Este controle, naturalmente, é mais f)cil de ser o%tido
por aqueles cu0a vida instintiva é satisfat#ria do que pelos que so o%rigados a tolerar um alto grau de frustraço
em seus relacionamentos se$uais.
/or sorte, enquanto as crianças vo desco%rindo esta difícil realidade, podem alcançar picos de satisfaço de uma
série de maneiras características da infância. ! comida, por e$emplo, pode ter muita importância. " sono resolve
muita coisa. " defecar e o urinar podem ser e$periências e$tremamente satisfat#rias, as sim como uma %oa %riga,
ou uma surra. 3o o%stante, toda infância apresenta uma série de sintomas que refletem claramente a condiço de
estar todo arrumado sem ter para onde irT2 e$citado, mas sem condiç1es de atingir um clima$ Fataques coléricos,
etc.H. Essas coisas no so necessariamente anormais.
5o0e, muito 0) se con&ece a respeito dessas coisas6 é possível , porém, que no se ten&a con&eciment o de alguns
dos resultados indiretos da e$periência instintiva. Refiro>me ao modo pelo qual a riqueza da personalidade vai>se
construindo através de e$periências satisfat#rias e insatisfat#rias.
3este ponto faz>se útil postular a e$istência de um primeiro est)gio implac)vel, o que nos permite c&amar a
atenço para o fato de que, no início, as idéias e$citadas e altamente destrutivas que acompan&am a e$periência
instintiva so dirigidas para o seio da me sem qualquer culpa. -as o %e%ê sadio logo perce%e que dois e dois
fazem quatro, e desco%re que o o%0eto que na fantasia é to impiedosamente atacado é o mesmo que é amado e
necessitado. " est)gio implac)vel d) lugar a um est)gio de preocupaço.
! criança, agora, é o%rigada a lidar com dois con0untos de fen\menos depois de uma e$periência e$citante
satisfat#ria. Lma coisa %oa foi atacada, ferida e estragada, e a criança foi enriquecida pela e$periência6 algo de
%om foi formado dentro dela. ! criança tem que ser capaz de agMentar a culpa. om o tempo, surge uma saída

para o pro%lema2 a criança torna>se capaz de reparar, de consertar, de dar em troca, de devolver aquilo que Fna
fantasiaH foi rou%ado. F"s leitores recon&ecero em tudo isso a teoria de -elanie leinH
/erce%e>se, portanto, que e$iste aqui uma necessidade específica que o am%iente deve prover para que a criança
possa ela%orar e crescer Ftecnicamente2 possa atingir a posiço depressivaT no desenvolvimento emocionalH. !
criança deve ser capaz de tolerar o sentime nto de culpa e alterar este estado de coisas atra vês da reparaço. /ara
que isto aconteça, a me Fou alguém que a su%stituaH deve estar l), viva e alerta, durante o período em que durar a
culpa. /ara falar grosso modo2 uma criança interna de uma instituiço pode ser muito %em cuidada por v)rias
enfermeiras6 mas, se a culpa proveniente das e$periências da man& atinge seu ponto de reparaço ' noite,
quando &) l) uma outra enfermeira, a reparaço erra o alvo. ! me que cuida de seu fil&o est) sempre mais ou
menos por perto, e recon&ece os impulsos espontâneos de construço e reparaço. Ela é capaz de esperar que
sur0am, e os recon&ece quando aparecem.
Xuando tudo vai %em, no se sente culpa6 desenvolve>se um sentido de responsa%ilidade. " sentimento de culpa
permanece latente, e s# vem ' tona quando a reparaço é insuficiente para compensar o que foi destruído.
-uito mais poder>se>ia dizer acerca de culpa e reparaço, e acerca das ansiedades infantis relativas 's riquezas
que se vo acumulando no interior. Se procur)ssemos no interior do %e%ê, encontraríamos tam%ém coisas
assustadoras, provenientes dos impulsos de raiva. -as, por ora, pretendo dei$ar um pouco de lado as
conseqMências das e$periências de e$citaço e passar a considerar uma outra coisa. Qiga>se de passagem que
dificuldades nesse campo, associadas ' represso de conflitos dolorosos, do srcem 's v)rias manifestaç1es
neur#ticas e aos distúr%ios de &umor. Estudando o material dos estados de no>e$citaço, porém, estaremos mais
pr#$imos de um estudo da psicose. "s distúr%ios que descrevo so% a denominaço geral dos estados de no>
e$citaço têm qualidade psic#tica, e no neur#tica2 so a matéria da loucura propriamente dita. 3o entanto, no
estou lidando com distúr%ios6 estou apenas descrevendo em %reves palavras as tarefas que uma criança deve
cumprir para desenvolver>se normalmente e com saúde.
O DESENVOLVIMENTO DESVINCULADO DOS ESTADOS DE E>CITAO

oltando>nos, ento, numa a%ordagem %astante esquem)tica, aos estados de no>e$citaço, o que vemosV /ara
começo, perce%emos que estamos a estudar o ego, no camin&ar do self em direço ' autonomia. Estamos a
estudar, por e$emplo, o desenvolvimento de um sentido de unidade da personalidade, uma capacidade de sentir>
se integrado F's vezes, pelo menosH. 7am%ém, e aos poucos, a criança começa a perce%er que &a%ita aquela
estrutura que n#s identificamos muito facilmen te como sendo seu pr#prio corpo. 7udo isso leva algum tempo, e
%eneficia>se muito de sensíveis e consistentes cuidados do corpo infantil, o que envolve os %an&os, e$ercícios,
etc.
!lém disso, ocorre o desenvolvimento de uma capacidade de relacionar>se com a realidade e$terna. Esta tarefa,
comple$a e difícil, que toda criança deve c&egar a realizar, necessita de finitivamente daquela atenço que s#

pode ser dada por uma me devotada. " mundo o%0etivamente perce%ido nunca é idêntico ao mundo conce%ido,
ou visto su%0etivamente. Este é um pro%lema que aflige todos os seres &umanos. -as, adaptando>se ativamente a
seu %e%ê no início, a me superp1e a realidade e$terna so%re as concepç1es da criança6 se faz isso de modo
adequado e freqMente, a criança contenta>se em esquecer o pro%lema por ora, retomando>o depois no conte$to
daquele 0ogo c&ama do filosofia.
Lma coisa mais2 se o am%iente no sofre reviravoltas, a criança tem a oportunidade de conservar um sentimento
de continuidade do ser6 isso talvez remonte, no passado, aos primeiros movimentos no interior do útero.
E$istindo essa continuidade, o in divíduo adquire uma esta%ilidade que 0amais poderia o%ter de outro modo.
Se a realidade e$terna é apresentada ' criança em pequenas doses cuidadosamen te cali%radas de acordo com sua

capacidade de compreenso, ela talvez desenvolva a possi%ilidade de adotar uma a%ordagem científica dos
fen\menos, podendo c&egar até a empregar o método científico no estudo dos assuntos &umanos. Se isto acontece
e logra %om ê$ito, parte da responsa%ilidade pode ser creditada ' me devotada que lançou as fundaç1es, e em
seguida ao tra%al&o con0unto de am%os os pais e de v)rios acompan&antes e professores6 qualquer um dos quais
poderia ter causado uma confuso e dificultado a o%tenço última, por par te do indivíduo, de uma atitude
científica. ! maioria de n#s, diga> se, somos o%rigados a dei$ar ao menos certa parte da natureza &umana fora do
domínio da investigaço científica.
A CI;NCIA E A NATURE/A ?UMANA

! principal mensagem deste artigo é a seguinte2 se aquilo que é %om, verdadeiro e natural nos seres &umanos e na
criaço dos pequenos seres &umanos deve ser resguardado da aço do rolo compressor da ciência, isso s# pode
so%revir por meio de uma e$tenso da investigaço científica a todos os aspectos da natureza &umana. !c&o que
todos rumamos na mesma direço. /ara afirm)>lo de outro modo2 todos queremos tornar possível que cada
indivíduo encontre e esta%eleça sua identidade de maneira to s# lida que, com o tempo, e a seu pr#prio modo,
ele ou ela adquira a capacidade de tornar>se mem%ro da sociedade Y um mem%ro ativo e criativo, sem perder sua
espontaneidade pessoal nem desfazer>se daquele sentido de li%erdade que, na %oa saúde, vem
AP;NDICE CL9NICO

W %astante possível que o leitor este0a, neste momento, tomado de certa perple$idade. 5) tanto a ser realizado por
cada criança, e é to grande a responsa%ilidade das mes, pais, enfermeir as e professores que a cada est)gio têm
que criar e proporcionar um am%iente o mais adequado possível Y quem poder) levar a ca%o uma tal tarefaV
7odavia, deve>se ter em mente que, toda vez que fazemos uma pausa no tra%al&o e procuramos empreender uma
avaliaço de nossos o%0etivos, como fizemos agora, criamos uma situaço artificial. !ssim, voltemos agora ' vi
da real, e concluamos nossa e$posiço com a imagem de um %e%ezin&o relativamente novo. F3o caso, um
menino, mas poderia tratar>se igualmente de uma menina.H
Este %e%ê passou por todas as fases normais2 c&upou o pun&o, c&upou o dedo, coçou a %arriga, manipulou seu
um%igo e seu pênis, desfiou a %orda do co%ertor. 7em oito meses de idade e ainda no ingressou na costumeira
fase de %rincadeiras com ursin&os e %onequin&as. -as encontrou um o%0eto macio, e o adotou. om o tempo,
este o%0eto ter) um nome. /ermanecer) por alguns anos como uma coisa muito necess)ria para a criança, e ao
final simplesmente desaparecer), como o vel&o soldado. Este o%0eto é um meio>termo entre todas as coisas. 3#s
sa%emos que foi presente de uma tia. -as, do ponto de vista da criança, ele é o a0uste perfeito. 3o faz parte nem
do self nem do mundo. -as, ainda assim, é am%os. =oi conce%ido pela criança6 ela no o podia ter produzido,
mas ele simplesmente apareceu. Seu apareci mento deu ' criança a idéia do que conce%er. 7rata>se de algo ao
mesmo tempo su%0etivo e o%0etivo. Est) na fronteira entre o dentro e o fora. W simultaneamente son&o e
realidade.
Qei$amos este %e%ê com seu o%0eto. Ele encontra paz em sua re laço com ele2 naquela misteriosa meia>luz entre
uma realidade pessoal, ou psíquica, e a realidade de fato, compartil&ada com outros.
de dentro do pr#prio indivíduo.

CAP9TULO @ - SEGURANA
Sempre que se faz uma tentativa de enumerar as necessidades %)sicas de %e%ês e crianças maiores, ouvimos que
as crianças precisam de segurançaT. Zs vezes consideramos essa opinio razo)vel, 's vezes nem tanto.
/oderíamos perguntar2 o que se quer dizer com a palavra segurançaTV W certo que pais super protetore s dei$am
seus fil&os aflitos, assim como os pais pouco confi)veis tornam as crianças confusas e amedrontadas. W evidente,
assim, que a segurança pode vir em e$cesso, e no entanto sa%emos que as crianças precisam sentir>se seguras.
omo entender a questoV
"s pais que conseguem manter o lar unido esto, na verdade, prestando a seus fil&os um serviço de inestim)vel
importância. 3aturalmente, a imploso de um lar faz vítimas entre as crianças. -as se alguém nos diz, muito
simplesmente, que as crianças precisam de segurança, sentimos que &) algo de menos nessa afirmaço. !s
crianças vêem na segurança uma espécie de desafio, que as convida a provar que podem ser livres. ! idéia de que
a segurança é uma coisa %oa identificar>se>ia, no limite, com a noço de que a priso é um %om lugar para
crescer. Osso seria a% surdo. W claro que o espírito pode ser livre em qualquer lugar, mesmo numa priso.
Escreveu o poeta <ovelace2 T Stone walis do not a prison make, Nor iron ars a cage! F/aredes de pedras no
fazem uma priso, ] 3em %arras de aço uma 0aula.TH, querendo dizer com isso que o fato de estar preso é apenas
parte da situaço. -as as pessoas precisam viver livres para viver com imaginaço. ! li%erdade é algo
fundamental, que desco%re pessoas o que elas têm de mel&or. 3o o%stante, convém admitir que alguns
indivíduos no podem viver em li%erdade, por temerem a si mesmos e ao mundo.
/ara entender essa questo, creio que devemos conside rar o %e%ê, a criança, o adolescente e o adulto, traçando a
evoluço no s# dos indivíduos, mas tam%ém daquilo que eles e$igem de seu am%iente ' medida que crescem. !s
crianças nos do sinal certo de sua %oa saúde quando começam a ser capazes de desfrutar da li%erda de que cada
vez mais l&es conferimos. " que alme0amos na educaço das criançasV Esperamos que cada uma aos poucos
adquira um sentido de segurança. W necess)rio que se edifique, no interior de cada criança, a crença em algo que
no se0a apenas %om, mas se0a tam%ém confi)vel e dur)vel, ou capaz de recuperar>se depois de se ter mac&ucado
ou mesmo perecido. " pro%lema é2 como se desenrola a construço desse sentido de segurançaV " que conduz
'quele estado satisfat#rio em que a criança tem confiança em pessoas e o%0etos que a rodeiamV " que suscita
aquela qualidade a que c&amamos de autoconfiançaV " que importa é um fator inato ou pessoal, ou a
aprendizagem moralV Qeve &aver algum e$emplo que se possa tomar como modeloV !s condiç1es am%ientais
interferem na produço do efeito dese0adoV
/oderíamos fazer aqui uma reviso dos est)gios do desenvolvimento emocional que toda criança deve atravessar
para tornar>se uma pessoa sadia e, com o tempo, adulta. 3o decorrer dessa reviso, poderíamos falar dos
processos inatos de crescimento e do modo Fforçosamente muito comple$oH pelo qual os seres &umanos tornam>
se pessoas aut\nomas. 7odavia , dese0o referir>me agora ' questo das condiç1es am%ien tais, tanto no que toca '
parte que devemos prover quanto ao papel da sociedade em relaço a n#s. W o am%iente circundante que torna
possível o crescimento de cada criança6 sem uma confia%ilidade am%iental mínima, o crescimento pessoal da
criança no pode se desenrolar, ou desenrola>se com distorç1es. !demais, por no &a ver duas crianças
rigorosamente idênticas, requer>se de n#s que nos adaptemos de modo específico 's necessidades de cada uma.
Osso significa que todo aquele que cuida de uma criança deve con&ecê>la e tra%al&ar com %ase numa relaço viva

e pessoal com o o%0eto de seus cuidados, e no aplicando mecanicamente um con&ecimento te#rico. 8asta
estarmos sempre presentes, e sermos coerentemente iguais a n#s mesmos, para proporcionarmos uma esta%ilidade
que no é rígida, mas viva e &umana, com a qual o %e%ê 0) pode sentir>se seguro. W em relaço a isso que o %e%ê
cresce, e é isso que ele a%sorve e copia.
Xuando oferecemos segurança, fazemos simultaneamente duas coisas. /or um lado, nossa a0uda livra a criança do
inesperado, de um sem>número de intrus1es indese0)veis e de um mundo que ainda no é con&ecido ou
compreendido. E, pelo outro lado, protegemos a criança de seus pr#prios impulsos e dos efeitos que estes possam
produzir. 3o é necess)rio afirmar que as crianças muito novas necessitam de um cuidado a%soluto e no
conseguem se virar sozin&as. /recisam ser em%aladas, levadas da qui para l), ser limpas e alimentadas, ser
mantidas na tempera tura correta e protegidas de correntes de ar e ruídos fortes. Seus impulsos precisam ser
correspondidos, e n#s precisamos decifrar sua espontaneidade. Esse primeiro est)gio no apresenta grandes
dificuldades, pois, na maioria dos casos, a criança tem uma me que por certo tempo ocupa>se quase que
e$clusivamente das necessidades de seu fil&o. 3este est)gio, a criança est) segura. Xuando a me o%tém ê$ito
nessa primeira fase, constata>se mui tas vezes que a criança daí por diante lidar) com dificuldades que no
relevam das imposiç1es do mundo, mas sim da vida mesma e dos conflitos que acompan&am os sentimentos
vivos. !ssim, nas circunstâncias mais satisfat#rias, isto é, na segurança de um cuidado suficientemente %om, a
criança começa a viver uma vi da pessoal e individual.

!s crianças desde %astante cedo tornam>se capazes de defender>se contra a insegurança6 nas primeiras semanas e
meses, porém, esto ainda muito fracamente esta%elecidas como pessoas, de forma que, sem apoio, têm seu
desenvolvimento distorcido pela aço de circunstâncias desfavor)veis. " %e%ê que con&eceu a segurança nesse
primeiro est)gio passa a levar consigo a e$pectativa de que no ser) decepcionadoT. !s frustraç1es Y %em, es
tas so inevit)veis6 mas ser decepcionado por uma pessoa de confiança Y isso nunca_
" pro%lema que estamos e$aminando aqui é2 o que acontece quando o sentido de segurança se instala na criançaV
Segue>se daí uma prolongada %atal&a contra a segurança, isto é, a segurança proporcionada pelo am%iente.
Qepois do período inicial de proteço, a me aos poucos vai a%rindo um espaço maior para o mundo, e o pequeno
indivíduo agarra todas as oportunidades que tem de e$pressar>se livremente e agir segundo seus impulsos. Essa
guerra contra a segurança e os controles prolonga>se por toda a infância6 mas os controles permanecem sendo
necess)rios, "s pais ainda mantêm a postos uma estrutura disciplinar, com suas paredes de pedra e %arras de aço,
mas, na medida em que con&ecem cada criança individualmente, e na proporço em que se preocupam com a
evoluço pessoal de cada um de seus fil&os, eles aceitam a atitude desafiadora dos pequenos. ontinuam no papel
de guardi1es da paz, mas aguardam a anarquia e até a revoluço. =elizmente, na maioria dos casos, pais e fil&os
so alivia dos de seus fardos pela imaginaç o, pelas %rincadeira s e pelas e$periênci as culturais. om o tempo, e
com saúde, as crianças tornam>se capazes de conservar um sentido de segurança mesmo frente ' insegurança
mais manifesta, como, por e$emplo, em casos de doença ou morte de um dos pais, no caso de um comportamento

inesperado por parte de alguém, ou quando o lar, por uma ou outra razo, se desfaz.
A NECESSIDADE DE TESTAR AS MEDIDAS DE SEGURANA

!s crianças têm sempre a necessidade de verificar se ainda podem confiar em seus pais, e essas verificaç1es
podem perpetuar>se até que as crianças 0) ten&am crescido e precisem por sua vez proporcionar condiç1es de
segurança a seus pr#prios fil&os, e até depois disso. "s adolescentes, tipicamente, tendem a testar todas as
medidas de segurança, regras e disciplinas. !ssim, é normal que as crianças encarem a segurança como um dado
%)sico. /or terem rece%ido dos pais um cuidado adequado na primeira infância, acreditam que as coisas devam
ser assim. arregam consigo um sentido de segurança que é a todo momento reforçado pelos testes que aplicam

aos pais, aos familiares, aos professores e colegas e a toda pessoa que con&ecem. 7endo encontrado to das as
fec&aduras trancadas, procedem a destranc)>las e a a%rir as portas6 e repetidamente lançam>se para fora. "u,
como alter nativa, enrodil&am>se na cama, sentindo>se fúteis e ouvindo discos de %lue 0azz.
/or que ca%e aos adolescentes especialmente empreender tais testesV ! resposta parece ser que os adolescentes
começam a encontrar em si pr#prios uma nova gama de sentimentos fortes e até amedrontadores, e dese0am
verificar se os controles e$ternos ainda esto de pé. -as, ao mesmo tempo, querem provar serem capazes de
romper esses controles e esta%elecer a si pr#prios co mo pessoas aut\nomas. !s crianças sadias necessitam de
quem l&es impon&a um certo controle6 mas os indivíduos que imp1em a disciplina devem poder ser amados e
odiados, desafiados e c&amados a a0udar6 os controles mecânicos no têm aí qualquer utilidade, e o medo no é o
instrumento mais adequado para estimular a cola%oraço. W sempre um relacionamento vivo entre duas pessoas
que a%re espaço ao crescimento. !os poucos, e com o tempo, o crescimento verdadeiro confere ' criança ou ao
adolescente um sentido adulto de responsa%ilidade, so%retudo daquela responsa%ilidade ligada ' proviso de
condiç1es adequadas de segurança 's crianças de uma geraço mais nova.
7odo esse processo pode ser o%servado no tra%al&o de artistas criativos de v)rias modalidades. "s artistas nos
proporcionam algo de particularmente valioso, pois esto constantemente enga0ados na criaço de novas formas,
que so rompidas para serem por sua vez su%stituídas por formas mais novas. "s artistas nos permitem
permanecer vivos quando as e$periências da vida ameaçam destruir nosso sentido de uma e$istência real e viva.
"s artistas, mel&or do que ninguém, lem%ram>nos de que a %atal&a travada entre nossos impulsos e nosso sentido
de segurança Fam%os vitais para n#sH é uma %atal&a eterna, que se desenrola em nosso interior por toda a e$tenso
de nossa vida.
Xuando saud)veis, pois, as crianças desenvolvem suficientemente %em uma crença em si mesmas e nos outros, o
que faz com que passem a odiar todo tipo de controle e$terno6 o contro le se muda em autocontrole. 3este, o
conflito é tra%al&ado com antecedência no interior da pr#pria pessoa. W assim, pois, que entendo a questo2 as
%oas condiç1es de cuidado num primeiro est)gio de vida geram um sentido de segurança, que por sua vez gera o
autocontrole6 e, quando o autocontrole se realiza de fato, a segurança imposta do e$terior transforma>se num
insulto.

CAP9TULO  - A CRIANA DE CINCO ANOS

!firma>se que, num tri%unal de 0ustiça, com relaço ao caso de uma criança de quase cinco anos cu0os pais se
&aviam separado, um 0uiz %astante instruído declarou2 Sa%e>se que as crianças dessa idade têm acentuada
capacidade de recuperaço.T 3o dese0o criticar a deciso do 0uiz relativa a esse caso, mas é lícito colocar a
questo2 é fato que as crianças de cinco anos têm acentuada capacidade de recuperaçoV /arece>me que essa capa
cidade s# se manifesta com o crescimento e a maturidade, e poder>se>ia sustentar a opinio de que no &)
qualquer est)gio, no desenvolvimento da criança, em que se possa dizer que esta tem grande capacidade de
recuperaço. Essa capacidade implicaria uma transigência, por parte da criança, que no colocasse em risco o
crescimento de sua personalidade ou o esta%elecimento de seu car)ter.
/ode>se mesmo susten tar que, nessa fase que rodeia os cinco anos, a criança apresenta certas caracte rísticas que
nos incitam a tomar todos os cuidados para no a%alar a confia%ilidade de seu am%iente circundante. W de tais
características que me pro pon&o a falar aqui.
"s pais vêem seus fil&os crescer e ficam assom%rados. 7udo parece ao mesmo tempo muito devagar e muito
r)pido, e é isso que o processo tem de mais singular. 5) poucas semanas, a criança era um %e%ê6 algum tempo
depois, começou a andar6 &o0e tem cinco anos, e aman& estar) na escola. Qentro de algumas sema nas, 0) ter)
praticamente começado a tra%al&ar.
5) aqui uma contradiço interessante, " tempo passou vagarosa e rapidamente. /ara dizê>lo de outro modo2
enquanto os pais sentiam as coisas do ponto de vista da criança, o tempo praticamente parou. "u, tendo
começado im#vel, entrou aos poucos em movimento. ! idéia de eternidade provém dos traços de mem#ria que
cada um tem da pr#pria infância, antes de o tempo se iniciar. -as, quando tomamos em consideraço nossas
e$periências de vida adulta, cinco anos so quase nada.
Esse fato tem um efeito curioso so%re a relaço entre as lem%ranças de pais e fil&os. "s pais lem%ram>se
claramente do que ocorreu &) um mês, e de sú%ito perce%em que seu fil&o de cinco anos no se lem%ra mais da
última visita de sua tia, ou da c&ega da do cac&orrin&o. Ele se recorda de algumas coisas, mesmo relativamente
remotas, especialmente se foram o%0eto de conversa, e aprende as sagas da família como se estas se referissem a
outra pessoa ou aos personagens de um livro. 7ornou>se mais consciente de si mesmo e do tempo presente, e com
isso começou a esquecer. /ossui agora um passado e, na mente, vagas idéias de coisas semi>esquecidas. Seu
ursin&o de pelúcia est) na gaveta do arm)rio6 a criança esqueceu>se da importância que esse o%0eto 0) teve, e s# a
recordar) no momento em que de sú%ito precisar dele novamente.
/odemos dizer que ela vai saindo de um cercado2 nas paredes começam a a%rir>se fendas, as cercas passam a
apresentar uma espessura desigual, e eis que a criança 0) est) do lado de fora. 3o é f)cil para ela voltar para
dentro ou sentir>se novamente envolvida, a menos que este0a cansada ou doente, casos em que o cercado é
novamente fec&ado para seu pr#prio %enefício.
Esse cercado era proporcionado pelos pais da criança, pela família, pela casa e pelo quintal, pelas paisagens,
c&eiros e ruí dos costumeiros. 7in&a relaço tam%ém com o pr#prio estado de imaturidade da criança, com sua
confiança nos pais e com a natureza su%0etiva do mundo infantil. Esse cercado desenvolveu>se
naturalmente a partir do a%raço da me que envolvia o %e%ê. Qe início a me adaptava>se de modo íntimo 's
necessidades de seu fil&o, e foi aos poucos desadaptando>se de acordo com o grau em que a criança começava a
gostar de defrontar>se com o novo e o inesperado. !ssim, sendo as crianças sempre %astante diferente s umas das
outras, a me perce%e por fim que aca%ou por construir um cercado diferente para cada um de seus fil&os6 e é
deste cercado que seu fil&o ou fil&a agora sai, estando pronto para vivenciar um novo grupo, um novo
cercamento, ao menos durante algumas &oras a cada dia. Em outras palavras, a criança est) pronta para ir '
escola.
9ords4ort& referiu>se a essa mudança em sua "de on t&e Ontimations of Ommortalit+T2 "ea#en lies aout
aout us in
our infancy, S$ades of t$e prison%$ ouse egin to dose &pon t$e growing oy... F" paraíso est) ' nossa volta
na infância, ] !s som%ras da pri so começam a fec&ar>se ] So%re o menino que cresce...T
!qui, sem dúvida, o poeta e$primiu a consciência adquirida pela criança de seu novo cercado, por oposiço ao

%e%ê, que no sa%e que é dependente.


W claro que os pais 0) tero mandado a criança ' escola ma ternal, dando início ao processo, se porventura e$istir
um esta%elecimento desses nas pro$imidades de sua residência. 3uma %oa escola maternal , d)>se a um pequeno
grupo de crianças a oportunidade de %rincar entre si, com %rinquedos adequados, e tal vez so%re um c&o mais
apropriado que o de casa6, &) sempre alguém por perto para supervisionar as primeiras e$periências sociais da
criança, tais como, por e$emplo, %ater com uma p) na ca%eça do compan&eiro mais pr#$imo.

A ESCOLA PRIMÁRIA AOS CINCO ANOS DE IDADE


-as a escola maternal no é to diferente do am%iente caseiro, contando ainda com uma atenço especializada. !
escola que ora consideramos é %em diversa. ! escola prim)ria pode ser %oa ou no muito %oa, mas ela no tem o
car)ter adaptativo e especializado que possui a escola maternal, e$ceto talvez nos primeiros dias. Em outras
palavras, é a criança que ter) de adaptar> se e conformar>se ao que é esperado dos alunos de uma escola prim)ria.
Se ela estiver pronta a enfrentar essa nova e$periência, podero derivar daí muitas coisas %oas.
"s pais 0) tero refletido muito so%re como lidar com essa grande mudança na vida infantil. *) tero conversado
com o fi l&o so%re a escola, a criança %rincou em escolas e estar) ansiosa para ampliar os pequenos

con&ecimentos que 0) l&e foram proporcionados pelos pais e outras pessoas.


3esse est)gio surgem algumas dificuldades, pois as mudanças de am%iente so so%repostas a mudanças que têm
lugar na criança devido ao crescimento. *) me ocupei %astante dos distúr%ios que acometem crianças desta idade,
e gostaria de dizer o seguinte2 na imensa maioria dos casos difíceis, o pro%lema no é de modo algum profundo, e
no &) qualquer enfermidade real. !s tens1es esto ligadas ao fato de uma criança ser mais r)pida, e outra mais
devagar. !lguns meses fazem muita diferença. W possível que a criança nascida em novem%ro este0a contando os
dias para o início das aulas, enquanto a que aniversaria em agosto é mandada ' escola um ou dois meses antes da
época ideal[. Qe todo modo, ao passo que uma criança lança>se voluntariamente nas )guas mais profundas, outra
permanece tremendo ' margem sem coragem de mergul&ar. Qiga>se, ali)s, de passagem, que alguns dentre os
mais cora0osos de sú%ito se acovardam depois de colocar um dedo na )gua, e voltam a suas mes, encerrando>se
novamente em seu cercado familiar por dias, semanas ou ainda mais tempo.
[ o ano letivo na Europa começa no C` semestre. F3.R.7.H
"s pais ficam con&ecendo mel&or a personalidade de seus fil&os e falam com os professores, que esto acostuma
dos com tudo isso, e apenas esperam. " importante é entender que a saída do cercado é a um s# tempo
estimulante e amedrontadora6 que, uma vez do lado de fora, é doloroso para a criança perce%er que no pode
retornar6 e que a vida é uma longa seqMência de saídas de cercados, riscos e desafios novos e estimulantes. i
crianças têm dificuldades pessoais que as impedem de desenvolver>se6 se a cura no vier com o passar do tempo,
ou se novos indícios de doença se manifestarem, os pais talvez pre cisem de a0uda.
-as, quando a criança se retrai, isso pode ser sinal de que &) algo de errado com a me que se 0ulgava perfeita.
!lgumas mes funcionam em dois níveis. 3um nível Fdevo c&am)>lo o nível de cimaVH, querem apenas uma
coisa2 que sua criança cresça, saia do cercado, v) ' escola, encontre o mundo. 3outro nível, que supon&o ser mais
profundo e no de todo consciente, no conce%em a idéia de dei$ar seu fil&o ir. 3este nível mais profundo, em
que a l#gica no tem grande papel, a me no consegue a%dicar dessa coisa to preciosa que é sua funço
materna6 é mais f)cil para ela sentir>se maternal quando seu %e%ê é dependente, do que quando, pelo crescimento,
ele 0) começa a gostar de ser separado, independente e desafiador.
" fil&o perce%e isso muito facil mente. Em%ora goste da es cola, c&ega em casa aos soluços6 a cada man&, %erra
antes de entrar em aula. 7em pena de sua me, pois sa%e que esta no suportaria perdê>lo e que, por sua natureza,
no conseguiria dei$) lo ir. ! criança sente>se mel&or quando a me d) graças ao vê>lo ir, e age do mesmo modo
ao tê>lo de volta.
-uitas pessoas, incluindo as mel&ores, esto quase sempre em leve estado de depresso. 7êm um vago
sentimento de culpa que no se sa%e a que atri%uir, e preocupam>se com suas responsa%ilidades. ! vivacidade da
criança em casa funcionara até ento como um tonificante. Seus %arul&os e %erros eram um sinal de vida, uma
confirmaço. /ois as pessoas deprimidas a todo mo mento sentem que podem ter dei$ado morrer alguma coisa
preciosa e essencial. &ega a &ora de a criança ir ' escola, e a me começa a temer o vazio que ser) dei$ado em
sua casa e em si mesma6 passa a sofrer as ameaças de um sentimento de fracasso pessoal interno, que poder)
lev)>la a adotar preocupaç1es alternativas. Se, quando a criança volta da escola, encontra instalada na me uma
nova preocupaço, no ac&ar) mais lugar para si, ou ento ter) de lutar para reconqui star seu espaço no coraço
da me. Essa %atal&a torna>se para a criança mais importante do que a escola. 3a maioria dos casos, essa criança
no se adaptar) ' escola prim)ria. -as estar) sempre com vontade de ir, e sua me adoraria vê>la seme l&ante 's
outras crianças.
/ode ser tam%ém o pai o respons)vel pela compl icaço, de modo que a criança, mesmo gostand o da escola, no

consiga entrar ou permanecer l). 5) ainda outras raz1es para a no> adaptaço ' escola, mas dei$)>las>ei de lado,
no momento.
on&eci um menino que, neste est)gio, desenvolveu uma pai$o por unir o%0etos entre si com %ar%ante. Estava
sempre amarrando as almofadas ' lareira e as cadeiras 's mesas, a ponto de no ser possível camin&ar pela casa
sem pro%lemas. Ele gostava muito de sua me, mas nunca tin&a a certeza de poder voltar a ocupar um lugar em
seu coraço, pois, quando a dei$ava, ela imediatamente se deprimia e passava a su%stituí>lo por qualquer outra
preocupaço ou dúvidaJ.
!s mes que têm essa caracterís tica talvez ten&am provei to em sa%er que isso acontece com muita gente. ! me

talvez goste de ver que a criança é sensível aos sentimentos maternos e aos de outras pessoas, mas lamenta que
sua pr#pria ansiedade inconsciente e no>e$pressa leve a criança a ter pena dela. " fil&o é in capaz de sair do
cercado.
! me pode 0) ter e$perimentado essa dificuldade da criança numa data mais recuada. ! me pode, por e$emplo,
ter tido dificuldade para desmamar a criança. 7alvez 0) recon&eça um padro na relutância do fil&o em dar
qualquer novo passo ou e$plorar o descon&ecido. Em cada um desses est)gios, a me este ve so% a ameaça de
perder a dependência do fil&o para com ela. Estava em processo de adquirir um fil&o com independência e uma
atitude pessoal em relaço ' vida e, em%ora fosse capaz de ver as vantagens que poderiam derivar desse processo,
no teve suficiente desapego de sentimento para dei$)>lo desenrolar>se. E$iste uma relaço muito pr#$ima entre
esse estado mental vagamente deprimido Y essa preocupaço com ansiedades indefinidas Y e a capacidade que
uma mul&er pode ter de dedicar ao fil&o toda a sua atenço. W impossível considerar uma dessas duas coisas sem
referir>se ' outra. Supon&o que a maioria das mul&eres viva equili%rando>se na lin&a divis#ria entre a
consideraço e a preocupaço.
!s mes vivem muitas agonias, e é %om que as crianças no ten&am de ver>se envolvi das nelas. "s pequenos 0)
têm suas pr# prias agonias e, na verdade, gostam de tê>las, assim como gostam de adquirir novas &a%ilidades,
uma viso mais a%rangente e a pr#pria felicidade.
-as o que é essa realidade a que 9ords4ort& c&amava !s Som%ras da /risoTV 3a min&a linguagem, trata>se
da mudança pela qual a criança que vivia num mundo su%0etivo passa a viver num mundo de realidade
compartil&ada. ! criança, no início Y e suposto que ten&a rece%ido um cuidado suficientemente %om Y, e$erce
um controle m)gico so%re o am%iente, a cada momento re criando o mundo e seus o%0etos, mesmo em se tratando
de sua me ou da maçaneta da porta. !os cinco anos a criança 0) é capaz de ver sua me de modo %em pr#$imo
ao que ela é de fato, 0) ad mite a e$istência de um mundo de maçanetas e outros o%0etos que 0) estavam l) antes
da sua concepço, e sa%e recon&ecer o fato da dependência no momento mesmo em que vai começando a tornar>
se verdadeiramente independente. 7udo é uma questo de fazer a coisa certa na &ora certa, e a maioria das mes
consegue desincum%ir>se de tal tarefa de modo admir)vel. Qe um 0eito ou de outro, as pessoas normalmente o
conseguem.

('ste caso ser retomado no captulo  deste li#ro)

OUTRAS COMPLICA5ES

! vida pode afetar de muitos outros modos a criança desta idade. *) me referi aqui ao ursin&o de pelúcia. W
possível que a criança se0a ligada a certo o%0eto. Este, que poderia ser um co%ertor, uma fralda, o cac&ecol da
me, uma %oneca de pano ou qualquer outra coisa, adquiriu sua importância pouco antes ou pouco depois do
primeiro anivers)rio do %e%ê, sendo usado so%retudo nos momentos de transiço, como a &ora de dormir, "
o%0eto é inestimavelmente importante6 rece%e um tratamento a%o min)vel6 c&ega mesmo a c&eirar mal. W uma

sorte que a criança faça uso desse o%0eto e no da pr#pria me ou de certas partes do corpo desta, como os
ca%elos ou o l#%ulo da orel&a.
Esse o%0eto une a criança ' realidade e$terna ou compartil&ada. =az parte tanto da criança como da me. /ara
determina da criança, o o%0eto ficar) encostado num canto durante a maior parte do dia6 outra o levar) consigo
onde quer que v). W possível que, aos cinco anos, a necessidade desse o%0eto ainda su%sista, mas muitas outras
coisas podem 0) tomar seu lugar Y a criança fol&eia &ist#rias em quadrin&os, possui grande variedade de
%rinquedos, duros e macios, e tem ' sua espera toda a vida cultural, que l&e enriquecer) as e$periências. -as
podem ocorrer pro%lemas quando a criança começa a freqMentar a escola6 o professor deve ir devagar, evitando
%anir tais o%0etos da sala 0) no primeiro dia de aula. " pro%lema quase sempre se resolve no decorrer de poucas
semanas. Eu diria que a criança est) levando ' escola um pedacin&o de seu relacionamento com a me, pedacin&o
este que remonta ' época da dependência infantil, da primeira infância, ' época em que o %e%ê apenas começava
a recon&ecer a me e o mundo como entidades separadas do pr#prio seu.
!o resolverem>se as ansiedades relativas ao ir ' escola, o me nino ser) capaz de dei$ar de levar consigo esse
o%0eto. !o invés, ter) nos %olsos um carrin&o ou camin&o, além de um pouco de %ar%ante e uma 0u0u%a6 a
menina poder) se virar torcendo seu lenço, ou talvez ten&a um %e%ezin&o secreto guardado numa cai$a de
f#sforos. 3a pior das &ip#t eses, as crianças ainda têm a opço de c&upar o dedo ou roer as un&as. 3a medida em
que gan&am confiança, geralmente dei$am essas coisas de lado. !prendemos a esperar que as crianças

demonstrem ansiedade a cada mo mento em que se afastam da me e de casa e camin&am em direço a tornarem>
se cidados deste vasto mundo. ! ansiedade pode manifestar>se como uma retomada de certos padr1es infantis de
comportamento, que continuam e$istindo para servir de conforto. Esses padr1es transformam>se numa espécie de
psicoterapia em%utida que conserva sua efic)cia devido ao fato de a me estar viva e disponível, e o tempo todo
servindo de elo de ligaço entre o presente e as e$periências da primeira infância da criança, de que so relíquias
os citados padr1es de comportamento.
PBS-ESCRITO

Lma coisa mais. !s crianças tendem a sentir>se desleais quando gostam da escola e apreciam esquecer>se de suas

mes por algumas &oras. /or isso sentem>se vagamente ansiosas quando se apro$imam de casa, ou demoram a
c&egar sem que sai%am por quê. ! me que tem motivos para zangar>se com o fil&o ou fil&a no deve escol&er o
momento da volta da escola para fazê>lo. W possível que ela tam%ém este0a insati sfeita por ter sido esqueci da, e
por isso deve ficar atenta 's pr#prias reaç1es. Seria mel&or se ela s# ficasse %rava pela tinta derramada so%re a
toal&a de pois de ter resta%elecido contato com a criança. Essas coisas no apresentam grandes dificuldades se se
sa%e o que est) ocorrendo. " crescimento no é s# flores para a criança6 para a me, é muitas vezes um camin&o
pontil&ado de espin&os.
CAP9TULO  - FATORES DE INTEGRAO E DESINTEGRAO

NA VIDA FAMILIAR

3o &averia nada de novo em afirmar que a família é um dado essencial de nossa civilizaço. " modo pelo qual
organizamos nossas famílias demonstra na pr)tica o que é a nossa cultura, assim como uma imagem do rosto é
suficiente para retratar o indivíduo. ! família nunca dei$a de ser importante, e é respons)vel por muitas de nossas
viagens. 3#s escapamos, emigramos, trocamos o sul pelo norte e o leste pelo oeste devido ' necessidade de nos
li%ertarmos6 e depois via0amos periodicamente de volta para casa para renovar o contato com a família. /assamos
%oa parte do tempo escrevendo cartas, mandando telegramas, telefonando e ouvindo &ist#rias so%re nossos
parentes6 e, em épocas de tenso, a maior parte das pessoas permanece leal 's famílias e desconfiada dos
estran&os.
-as, no o%stante todo esse con&ecimento empírico, a família é algo que pede por um estudo mais detal&ado.
omo psicanalista, estudando detal&adamente o desenvolvimento emocional, aprendi que ca%e a cada indivíduo
empreender a longa 0ornada que leva do estado de indistinço com a me ao estado de ser um indivíduo separado,

relacionado ' me, e ao pai e ' me enquanto con0unto. Qaí o camin&o segue pelo territ#rio con&ecido como
família, que tem no pai e na me suas principais características estruturais. ! família tem seu pr#prio
crescimento, e a pequena criança e$perimenta mudanças que advêm da gradual e$panso e das tri%ulaç1es
familiares. ! família protege a criança do mundo6 este, porém, aos poucos vai se introduzindo2 as tias e tios, os
vizin&os, os primeiros grupin&os de crianças, e por fim a escola. Essa introduço gradual do am%iente e$terno é a
mel&or maneira de levar uma criança a entrar em %ons termos com o mundo mais vasto, e segue de modo e$ato o
padro pelo qual a me apresenta ' criança a realidade e$terna.
Sei que nossos familiares so muitas vezes um estorvo, e que no raro gememos so% o peso de nossas relaç1es
com eles, peso esse que pode do%rar>nos até a morte. -as eles so importantes para n#s. 8asta o%servar os
pro%lemas que acometem &omens e mul&eres privados de relaç1es familiares Fcomo, por e$emplo, no caso de
certos refugiados e certos fil&os ilegítimosH para perce%er que a ausência de familiares de quem possamos
reclamar, a quem possamos amar, odiar ou temer constitui uma deficiência terrível, podendo levar a uma
tendência a desconfiar até dos vizin&os mais inofensivos.
" que encontramos quando começamos a dissecar algumas das fortes tens1es com que nos deparamos assim que
passamos a ol&ar para o que &) a%ai$o da superfícieV
TEND;NCIAS POSITIVAS NOS PAIS
!lgum tempo depois da cerim\nia de casamento, &) uma ocasio em que a c&egada de fil&os torna>se
particularmente opor tuna. "s fil&os podem no ser %em>vindos se c&egarem de imediato, pois os 0ovens pais no
tero passado ainda pelo est)gio em que significam tudo um para o outro. 7odos con&ecemos casos de fil&os
primogênitos que, ao nascer, interferiram nas relaç1es entre pai e me, tendo sofrido muito por causa disso.
Encontramos tam%ém muitas famílias sem fil&os. -as consideremos aqueles casos em que os fil&os de fato
c&egam, e vêm como conseqMência natural do relacionamento entre pai e me. Supon&amos que se tratem de
crianças saud)veis. *) se disse muitas vezes, a título de %rincadeira, e no sem um fundo de verdade, que as
crianças so um a%orrecimento6 mas, quando surgem em %oa &ora dentro de um relacionamento, pode>se dizer
que so o a%orrecimento perfeito. /arece &aver algo na natureza &umana que est) sempre ' espera de um
a%orrecimento, e é mel&or que este se0a uma criança do que uma doença ou um desastre am%iental.
! e$istência da família e a preservaço de uma atmosfera familiar resultam do relacionamento entre os pais no
quadro do conte$to social em que vivem. ! contri%uiçoT que os pais podem dar ' família que esto construindo
depende em grande medida de seu relacionamento geral com o círculo mais amplo que os envolve, ou se0a, seu
conte$to social imediato. /ode>se usar aqui a imagem de círculos concêntricos cada vez mais largos2 cada grupo
social depende, para ser o que é, de seu relacionamento com um grupo social mais vasto. W claro que os círculos
se superp1em. -uitas famílias parecem no ser mais do que um grande pro%lema, e, no entanto, no suportariam
ser arrancadas do solo onde vivem e transplantadas para outro local.
-as no se pode considerar os pais simplesmente segundo suas relaç1es com a sociedade. 5) forças muito
poderosas de criaço e conservaço da família que resultam da pr#pria relaço entre os pais e que foram
detal&adamente estudadas. Essas forças esto ligadas ' comple$a fantasia se$ual. " se$o no é apenas uma
questo de satisfaço física. (ostaria de dar ênfase so%retudo ao fato de as satisfaç1es se$uais serem uma
conquista do crescimento emocional da pessoa6 quando tais satisfaç1es advêm de relacionamentos agrad)veis
tanto para a pessoa quanto para a sociedade, elas representam um dos pontos culminantes da saúde mental. /elo
outro lado, os distúr%ios se$uais esto associa dos com todo tipo de neurose, pro%lemas psicossom)ticos e
desperdício das potencialidades do indivíduo. 3o entanto, em%ora a potência se$ual se0a de vital importância, a
satisfaço completa no é em si mesma um o%0etivo no que se refere especifica mente ' família. onvém notar a
e$istência de um grande número de famílias, consideradas %oas e dignas, que todavia no so construídas so%re
uma %ase de satisfaço física profunda por parte dos pais. W possível que os e$emplos e$tremos da satisfaço
física pertençam tipicamente ao amor romântico, que nem sempre é a mel&or %ase para a construço de um lar.
!lguns indivíduos no têm seno uma fraca capacidade de apreciar o se$o. !lguns preferem a%ertamente as
e$periências auto>er#ticas ou a &omosse$ualidade. "%viamente, porém, todos os envolvidos têm muito o que
lucrar quando o pai e a me têm facilidade de gozar da potência que deriva da maturidade emocional individual.
Sa%emos tam%ém que, so%re isso, &) outras quest1es na relaço entre os pais que tendem naturalmente ao
esta%elecimento da unidade familiar2 por e$emplo, o dese0o pro fundo dos pais de serem iguais aos pr#prios pais,
no sentido de serem adultos. /ode>se evocar tam%ém a vida de imaginaço, e coisas tais como uma so%reposiço
de interesses e o%0etivos culturais.
=açamos uma pequena pausa para dedicarmos mais atenço )quilo que c&amo fantasia se$ualT. 7en&o agora de
referir>me a certos assuntos de maneira muito franca, tal como o faz a psican)lise. Esta nos leva a nos
perguntarmos se &) outra maneira de levantar a &ist#ria correta e adequada de um caso con0ugal seno como
su%produto de um tratamento psicanalítico ou das condiç1es especiais que acompan&am o tra%al&o psiqui)trico
social. ! fantasia se$ual total, consciente e inconsciente, tem variedade quase infinita e importância vital. W
conveniente compreender, entre outras coisas, o sentido de preocupaço ou culpa que advém dos elementos
destrutivos Fmuitos deles inconscientesH que acompan&am a e$presso física do impulso amoroso. /ode>se
admitir de pronto que esse sentido de preocupaço e culpa contri%ui em grande medida para a necessidade que
cada um dos pais tem, e que am%os têm 0untos, de constituir uma família. " crescimento da família, mel&or do
que tudo o mais, neutraliza as idéias assustadoras de danos causados, de corpos destruídos, de monstros gerados.
!s ansiedades muito reais que acometem
o pai quando a me encontra>se em tra%al&o de parto refletem, to %em quanto possível, as ansiedades que
relevam da fantasia se$ual e no de uma mera preocupaço pelo estado físico da parturiente. Sem dúvida, grande
parte da alegria que o %e%ê traz ' vida dos pais advém do fato de que a criança é &umana e completa, e contém
em si um princípio de vida Y ou se0a, que pro duz vida, e no é apenas mantido vivo6 de que o %e%ê apresenta

uma tendência inata a respirar, movimentar>se e crescer. ! criança como fato real lida, por &ora, com todas as
fantasias referentes ao %em e ao mal, e a vivacidade inata de cada criança, na medida em que é recon&ecida pelos
pais, d) a estes uma grande sensaço de alívio, livrando>os de idéias que procedem de seu sentimento de culpa ou
inutilidade.
3o seria possível entender a atitude dos pais relativa a seus fil&os sem considerar o significado de cada criança
em termos da fantasia consciente e inconsciente dos pais em torno do ato que produziu a concepço. "s pais têm
sentimentos muito diferen tes, e agem de modo diferente, em relaço a cada um dos fil&os. -uito disso depende
do relacionamento dos pais na época da concepço, durante a gravidez, quando do nascimento e depois. !
gravidez pode ter efeitos v)rios so%re o marido6 em alguns casos e$tremos, este desapega>se da mul&er quando
ela fica gr)vida6 por vezes, ele se apro$ima mais dela. Em todos os casos ocorre uma alteraço no relacionamento
entre os pais, alteraço essa que, amiúde, assume a forma de um grande enriquecimento e um aprofundame to do
sentido de responsa%ilidade de um para com o outro.
-uitos 0ulgam incompreensível que os irmos se0am to diferentes entre si, quando têm os mesmos pais e foram
criados num mesmo lar. Essa concepço no leva em conta toda a ela%oraço imagi nativa da important e funço
do se$o, e no considera o mo do específico pelo qual cada criança vem se encai$ar, ou no, num certo conte$to
imaginativo e emocional, conte$to esse que nunca é duas vezes o mesmo, por mais que todo o am%iente físico
restante no sofra mudanças.
5) muitas outras variaç1es possíveis so%re este tema. !lgumas so comple$as, e outras #%vias2 o fato de a
criança ser menino ou menina, por e$emplo, pode afetar profundamente o relacionamento entre os pais. Zs vezes
am%os querem um menino6 's vezes a me sente medo de seu amor pelo meninin&o, e por isso torna>se incapaz
de permitir>se sentir o prazer da amamentaço. Zs vezes o pai quer menina e a me, menino6 ou vice>versa.
Qeve>se ter sempre em mente que a família é composta de crianças individuais cu0as diferenças no so apenas
genéticas, mas tam%ém %astante determinadas, quanto ao desenvolvimento emocional, por aquilo a que me referi
como sendo o modo pelo qual cada criança se encai$a, ou no, no conte$to da fantasia dos pais, a qual enriquece
e ela%ora a relaço física dos dois. Em todos os casos, o dado mais importante é a grande segurança que a criança
proporciona por simplesmente e$istir2 é real e, como 0) disse, encarrega>se por certo tempo de neutralizar as
fantasias e eliminar as e$pectativas de desastre.
"s casais que adotam crianças sa%em como estas so capazes de preenc&er uma lacuna nas necessidades
imaginativas que se srcinam do casamento. "s casais sem fil&os tentam de todos os modos constituir uma
família6 muitas vezes, so deles as maiores famílias em termos numéricos. -as eles teriam preferido gerar por si
os pr#prios fil&os.
" que se disse até aqui, em suma, é que os pais precisam das crianças para desenvolver seu relacionamento, e que
os impulsos positivos assim gerados so muito poderosos. 3o conte$to desta e$posiço, no é suficiente afirmar
que os pais amam seus fil&os. Eles freqMentemente c&egam a am)>los e e$perimentam uma enorme gama de
outros sentimentos. !s crianças requerem dos pais algo além do amor6 requerem algo que continue vivo mesmo
quando os fil&os so odiados, ou fazem por sê>lo.
FATORES DE DESINTEGRACO ORIUNDOS DOS PAIS

!o considerar as dificuldades dos pais, é sempre %om lem%rar que o casamento e a constituiço de uma família
nem sem pre so sinal de maturidade parental. ada mem%ro da comunidade adulta est) em processo de
crescimento, e permanecer) as sim, esperamos, ao longo de toda a sua vida. -as, para o adulto, é muito difícil
crescer sem desfazer>se dos resultados positivos o%tidos em etapas anteriores do desenvolvimento. W f)cil afirmar
que, se duas pessoas têm maturidade suficiente para casar>se e ter fi l&os, deveriam ser capazes tam%ém de
conformar>se a seu estado e contentar>se com o que 0) têm, mesmo se no estiverem satisfeitos. !pesar disso
sa%emos que, na realidade os &omens e mul&eres que se casam cedo têm ainda um longo processo de crescimento
a atravessar nas décadas que se seguem ao casamento. 3o que se refere ao esta%elecimento de uma família, a
0uventude é o mel&or momento para o matrim\nio. !s crianças se desenvolvem mel&or com pais no mais que
vinte ou trinta anos mais vel&os que elas, e ainda no muito s)%ios6 tais pais aprendem com os fil&os, e mui to se
poderia alegar em defesa disso. Qevemos preferir que &omens e mul&eres esperem até estarem ricos e
confort)veis para casarV W certo que, na maioria dos casos, &omens e mul&eres têm a necessidade de esta%elecer
uma plataforma Fcomo o casamento e a famíliaH a partir da qual possam lançar>se em direço a um ulterior

crescimento. -uitas vezes, antes de se lançar para adiante, esto prontos a aguardar por v)rios anos, durante os
quais do 's crianças o cuidado necess)rio. 5) casos, porém, em que a fase de retomada do crescimento por parte
dos pais, ou de um dos pais, é antecedida por um período de grande tenso.
W muito difícil atingir o pleno crescimento durante a adolescência. ! sociedade no aprecia a F...H entre os
adolescentes, e sempre &) muitos que dese0am das crianças que se0am %oasT. " %omT, na adolescência,
significa no enga0ar se irrefletidamente em relacionamentosT. o irrefletidoT, aqui, refere>se a gestaç1es
descuidadas e fil&os ilegítimos. -uitos 0o vens vivem sua adolescência de modo um tanto quanto ini%ido. Qentre
&omens e mul&eres imaturos que se casam, muitos encontram na família motivo para grande alegria e alívio6 mas
no nos surpreendamos se o crescimento de seus pr#prios fil&os os desa fiar a dar continuidade ao pr#prio
crescimento, que se sustara ' época da adolescência.
Onterfere aqui um fator social. (randes mudanças têm>se pro cessado ultimamente em todo o mundo. Se no
&ouver mais guerras, no &aver) mais aquele fator de canalizaço dos pro%lemas da adolescência que as guerras
proporcionavam. Qesse modo, os adolescentes de todo o mundo esto e estaro fazendo da adolescência uma fase
do desenvolvimento que precisa ser o%rigat#ria mente levada em conta pela sociedade. 7rata>se essencial mente
de uma fase de dificuldades, uma mistura de dependência e desa fio, que se esvai na medida em que o
adolescente torna>se adulto. F3o nos iludamos, porém, pois &) sempre novos adolescentes aparecendo para
manter o fogo aceso.H
Eu diria que uma %oa parte dos fatores de complicaço da vida familiar advém das atitudes que os pais tomam ao
esgotar> se sua capacidade de sacrificar tudo em favor dos fil&os. Lm ou am%os os pais começam a viver sua
adolescência tempor. Osso talvez refira>se especialmente ao pai, visto que a me no raro se desco%re nas
inesperadas ocorrências físicas e emocionais que acompan&am o estado de maternidade. -as tam%ém ela pode
vir a sentir, numa época avançada, aquela necessidade tremenda de viver um amor romântico ou apai$onado, que
ela evitara anteriormente por ter querido encontrar o pai ideal para seus fil&os.
" que acontece agora ' famíliaV Sei que, na larga maioria dos casos, os pais têm maturidade suficiente para
serem capazes de se sacrificar, como seus pais antes deles, em favor do esta%elecimento e da manutenço da
unidade familiar, de modo que as crianças no apenas nasçam no seio de uma família, mas tam%ém nesse meio

possam crescer e adolescer e, por fim, em relaço ' família, possam conquistar uma vida aut\noma, vindo tal vez
a constituir outro núcleo do mesmo gênero. -as isso nem sempre é possível.
reio que no devemos desprezar aqueles que no eram suficientemente maduros ' época do casamento e no
têm a capa cidade de esperar indefinidamente, e que, em dado momento, so o%rigados a fazer a opço entre a
tomada de novos rumos de crescimento ou a degeneraço pessoal. " casamento é su0eito a distúr%ios e, nesses
casos, as crianças devem ser capazes de adaptar>se ' desintegraço da família. Zs vezes os pais conseguem
conduzir os fil&os até um est)gio satisfat#rio de independência adulta, apesar de terem tido a necessidade de
desfazer a estrutura matrimonial ou de construir outra.

W certo que em alguns casos o casal 0ovem opta consciente> mente por no ter fil&os, sa%endo que, em%ora seu
casamento se0a %astante compens ador, é ainda inst)vel, e sa%endo que podem vir a ter, cada qual, a necessidade
de fazer novas e$periências antes de esta%elecer de fato uma família, o que pretendem fazer um dia. /retendem
fazê>lo em parte por ser uma coisa natural, e em parte porque esperam ser iguais a outros pais, socializando>se e
integrando>se na comunidade. -as uma família no é o resultado natural de um caso de amor romântico. 3os
casos mais infelizes, um estado de caos srcina>se das e$tremas dificuldades entre os pais, dificuldades que
tornam impossível a cooperaço de am%os, mesmo no que toca ao cuidado das crianças por eles amadasJ.
3essa descriço, e$cluí deli%eradamente os efeitos desintegradores da enfermidade física ou mental mas procurei
salientar a importância dos fatores integradores e desintegradores que afetam diretamente a vida familiar e
provêm do relacionamento entre um &omem e uma mul&er casados e das fantasias conscientes e inconscientes de
sua vida se$ual.
TEND;NCIAS POSITIVAS NAS CRIANAS

!o considerar a outra metade do pro%lema, isto é, os fatores de integraço e desintegraço da vida familiar
provenientes das crianças, é necess)rio ter em mente que os pais 0) foram crianças, e em certa medida ainda o
so.
?. 3a (r>8retan&a, desde o &ildren !ct de ?@GB, o Estado assume a responsa%ilidade por toda criança que se0a
privada da vida familiar, na Onglaterra, na Esc#cia e na Orlanda do 3orte6 esse serviço est) esta%elecido por todo o

país. "s Qepartamentos da Onfância procuram em primeiro lugar, assegurar a permanência de cada criança no
seio de sua pr#pria família. Xuando isso no é possível, as crianças so encamin&adas a lares adotivos6 as que
carecem de um tratamento especial so encamin&adas a unidades residenciais.
C. "s efeitos de v)rios tipos de distúr%io mental so%re a vida familiar so discutidos nos capítulos K, B e @.
3o seríamos capazes de dar suficiente ênfase ao fato de que a integraço da família deriva da tendência
integrativa de cada criança individual. ! integraço do indivíduo no é um fato que se possa tomar como dado. !
integraço pessoal é uma questo de desenvolvimento emocional. /ara atingi>la cada ser &umano parte de um
estado inicial no>integrado. Qedicaram>se 0) mui tos estudos ' questo dos primeiros est)gios do
desenvolvimento infantil, quando o self, tendo apenas começado a se esta%elecer, depende ainda de modo
a%soluto do cuidado materno para efetuar progressos pessoais. Em condiç1es favor)veis normais Fque esto
ligadas ' íntima identificaço da me com seu fil&o e, posteriormente, ao interesse com%inado de am%os os paisH,
o %e%ê &umano é capaz de manifestar uma tendência inata ' integraço, que faz parte do processo de crescimento.
Esse processo precisa desenrolar>se integralmente para cada criança. Se as condiç1es favor)veis nos primeiros
est)gios realmente estimularem a integraço da personalidade, essa integraço do indivíduo, um pro cesso ativo
que movimenta muita energia, afeta por sua vez o am%iente e$terno. ! criança que se desenvolve %em, e cu0a
personalidade foi capaz de realizar internamente sua integraço por força das capacidades inatas de crescimento
individual, e$erce um efeito integrativo so%re seu am%iente e$terno imediato. Essa criança contri%uiT para a

situaço familiar.
Essa contri%uiço por parte de cada criança corre o risco de ser esquecida até que se e$perimente o c&oque
provocado por uma criança doente, ou deficiente, e que por uma razo ou outra no possa contri%uir. /ode>se
ento o%servar como os pais e a família sofrem em conseqMência disso. Xuando a criança no contri%ui, os pais
têm de tomar so%re si uma tarefa nada natural Y devem construir e manter um lar e uma atmosfera familiar
apesar de no poderem contar com a a0uda daquela criança. 3o cumpriment o dessa tarefa, &) um limite além do
qual no se pode esperar o %om ê$ito dos pais.
! sociedade depende da integraço das unidades familiares, mas convém lem%rar que estas unidades dependem
por sua vez da integraço que ocorre como resultado do crescimento de cada um de seus mem%ros individuais.
Em outras palavras2 numa sociedade sadia, em que a democracia possa florescer, uma proporço suficiente de
indivíduos tem de &aver realizado uma integraço satisfat#ria da pr#pria personalidade. ! idéia de democracia,
%em como o modo de vida democr)tico, srcinam>se da saúde e do crescimento natural do indivíduo, e s# podem
ser conservados pela integraço das personalidades individuais, em tantos quantos se0am os indivíduos sadios ou
relativamente sadios vi ventes na comunidade. "s indivíduos sadios devem e$istir em número suficiente para
suprir as necessidades das personalidades no>integradas que no podem dar contri%uiço. aso contr)rio, a
sociedade democr)tica degenera>se e assume outra forma de organizaço.

omo corol)rio deste raciocíni o, perce%er>se>) a impossi%ilidade de tornar democr)tica uma dada comunidade6
qualquer tentativa nesse sentido 0) se configuraria como uma força aplica da so%re a comunidade a partir do
e$terior, ao passo que a força s# poderia ter efeito se viesse de dentro, gerada pela saúde de cada indivíduo.
Entretanto, uma sociedade sadia é capaz de dar carona a uma certa proporço de indivíduos incapazes6 tam%ém a
família sadia pode conter crianças dotadas de fraca capacidade de integraço.
ada criança individual, com seu crescimento emocional sadio e seu desenvolvimento pessoal satisfat#rio,
promove a família e a atmosfera familiar. "s pais, em seus esforços de constituiço da família, %eneficiam>se da
somat#ria das tendências integrativas de cada um dos fil&os. 3o se trata de sa%er meramente se o %e%ê ou a

criança é cativante e digna de amor6 deve &aver aí algo mais, pois as crianças nem sempre so %oazin&as. " %e%ê,
a criança nova e a criança mais vel&a nos lison0eiam por esperarem de n#s uma certa confia%ilidade e
disponi%ilidade, ao que respondemos talvez, em parte, devido a nossa capacidade de identificarm">nA com os
fil&os. Essa capacidade, por sua vez, depende de termos desenvolvido nossa pr#pria personalidade de modo
satisfat#rio quando tín&amos a mesma idade que ora têm os fil&os. Qesse modo, nossas pr#prias capacidades so
desco%ertas e desenvolvidas pelo que nossos fil&os esperam de n#s. /or um sem>número de modos, alguns sutis e
outros nem tanto, as crianças produzem ' sua volta uma família, e talvez o façam por que precisam de algo, algo
que proporcionamos porque temos um con&ecimento do que se0am a e$pectativa e a satisfaço. !ssistimos aos
fil&os %rincando de família, e sentimos o impulso de tornar reais os sím%olos de sua criaço.
-uitas vezes, os pais so capazes de atender 's e$pectativas de seus fil&os mel&or do que o fizeram os seus
pr#prios pais. 5) aqui um perigo, porém2 quando os pais de algum modo superam os pr#prios pais, passam
inevitavelmente a lamentar a pr#pria %ondade, e de fato tendem a interromper aquilo que esto fazendo com tanta
eficiência. /or essa razo, certos &omens e mul&eres agem mel&or com crianças de outros do que com seus
pr#prios fil&os.
FATORES DE DESINTEGRAO ADVINDOS DAS CRIANAS

/assamos a considerar agora a desintegraço familiar desencadeada pelo desenvolvimento insuficiente ou pela
doença de uma criança. ertos distúr%ios psiqui)tricos infantis so marcados por tendências de natureza

secund)ria que se manifestam numa necessidade ativa por parte da criança de que%rar ou destruir qual quer coisa
%oa, est)vel, confi)vel ou de algum modo valiosa, " e$emplo mais marcante é a tendência anti>social da criança
carente, que é e$tremamente destrutiva para a vida familiar. ! família Y se0a a família sanguínea da criança ou
uma família ou comunidade su%stituta Y é constantemente su%metida ' prova, e quando desincum%e>se dessa
tarefa com ê$ito passa a constituir o alvo preferencial dos anseios destrutivos da criança. 7ocamos aí no grande
pro%lema em que consiste o cuidado de crianças tendencialmente anti>sociais. W como se a criança estivesse pro
curando algo que valesse a pena destruir. Onconscientemente, a criança procura uma coisa %oa que foi perdida
numa data mais ou menos recuada, e que, por tê>la dei$ado, é o o%0eto de sua fúria. Osso constitui por certo um
tema ' parte, mas deve ser mencionado como um dos padr1es de desintegraço da vida familiar que provém do
desenvolvimento insuficiente ou do crescimento distorcido da criança.
DESENVOLVIMENTO ADICIONAL DOS DOIS TEMAS

-uito se poderia dizer acerca da interaço desses múltiplos fatores, fatores que concernem aos pais, em sua
relaço com a sociedade e em seu dese0o de fundar uma família, e fatores que surgem da tendência inata '
integraço que acompan&a o crescimento pessoal, mas que Y no início, ao menos Y depende da e$istência de
um am%iente suficientemente %om. 5) muitas famílias que permanecem intactas enquanto as crianças esto se
desenvolvendo %em, mas que so incapazes de suportar a presença de uma criança doente.
Xuando avaliamos as possi%ilidades de uma dada criança ser su%metida ' psicoterapia, no pensamos apenas no
diagn#stico do distúr%io e na disponi%ilidade do psicoterapeuta estimamos tam%ém a capacidade que a família
pode ter de tolerar o distúr%io ao longo daquele período durante o qual os efeitos da terapia ainda no se fazem
ver. Em muitos casos pode>se dizer que a família precisa transformar>se numa casa de repouso ou mesmo num
&ospital psiqui)trico para poder conter o distúr%io ou o tratamento de um dos fil&os6 e, ao passo que muitas
famílias so capazes de fazê>lo Y caso em que a psicoterapia transforma> se numa tarefa relativamente simples
Y, outras no o so, e a criança ento tem de ser isolada da família. ! tarefa da psicoterapia nesse caso é muito
mais comple$a6 na verdade, é e$trema mente difícil encontrar grupos adequados para a inserço de crianças
incapazes de contri%uir. omo a tendência integrativa da criança é muito pequena, ca%e ao grupo ter a &a%ilidade

de conter a criança e o distúr%io ou doença.


3o é raro que casais muito capazes de gerar e criar fil&os sadios perce%am, por raz1es pelas quais no se poderia
recrimin)>los, que têm em sua família uma criança doente, ou ansiosa, ou su0eita ' depresso ou distúr%ios
psicossom)ticos, cu0a personalidade talvez no se0a suficientemente integrada, ou que revele tendências anti>
sociais, e daí afora. W ento necess)rio pedir aos pais que cuidem dessa criança enquanto n#s tentamos a0ud)>l a,
ou, como alternativa, que desistam por completo da tarefa, fazendo>os sa%er que, se por um lado foram capazes
de esta%elecer e manter um lar com crianças normais, por outro a família que criaram no est) apta a tolerar essa
criança doente. Eles de vem ser aliviados dessa responsa%ilidade por um certo tempo. -uitas vezes os pais no
conseguem aceitar esse tipo de a0uda, em%ora tampouco consigam aceitar a &ip#tese alternativa.
Esse tipo de caso suscita pro%lemas e$tremamente comple$os6 esses assuntos s# esto sendo mencionados aqui
para su%lin&ar o tema central, que é o seguinte2 &) algo no desenvolvimento sadio de cada criança que constitui a
%ase da integraço do grupo familiar. Qo mesmo modo, e com certeza, so as famílias sadias que possi%ilitam as
maiores integraç1es, os agrupamentos mais vastos de todos os tipos, agrupamentos estes que se so%re> p1em e
so 's vezes mutuamente antag\nicos, mas que podem sempre conter o germe de um círculo social cada vez mais
largo.
W claro que a criança no pode produzir essa família num passe de m)gica Y isto é, sem os pais ou o dese0o dos
pais, que se forma a partir do relacionamento do casal. 3o o%stante, cada %e%ê e cada criança cria a família. W
certo que a geraço da família ca%e aos pais, mas eles carecem de algo que é fornecido por cada %e%ê e criança Y
algo a que c&amo a criaço de cada criança individual. Sem isso os pais desanimam, e apenas tero um enquadre
familiar desocupado. Eles podem certamente adotar uma criança, ou constituir por outros modos o equivalente de
uma família. ! força desse grupo advém do fato de ser um ponto de encontro de forças que se srcinam do
relacionamento do pai e da me e forças que derivam dos fatores inatos ligados ao crescimento de cada criança
Y fatores estes que agrupei so% a denominaço geral de tendência para a integraçoT.

CAP9TULO  - A FAM9LIA AFETADA PELA PATOLOGIA DEPRESSIVA


DE UM OU AM6OS OS PAIS

3o capítulo anterior e$aminei alguns dos fatores que, provindos de pais e fil&os, podem levar ' desintegraço da
vida familiar. /ropon&o>me a dar continuidade ao tema nos três capítulos seguintes, considerando o papel dos
distúr%ios psiqui)tricos na desintegraço da família. Xuando somos c&amados a intervir em situaç1es de
desorganizaço da dinâmica familiar, pro curamos compreender os fatores su%0acentes ao pro%lema mani festo
para que nossa a0uda possa ser a mais adequada possível. 3essas quest1es no ca%e a n#s passar 0ulgamentos
morais6 e tampouco levarei em conta, no presente conte$to, os pro%lemas de ordem econ\mica Y que, de

qualquer forma, quase nunca so a srcem e$clusiva de tenso.


3este capítulo, considerarei os efeitos da patologia depressiva de um ou am%os os pais so%re a família.
Onicialmente, porém, farei %reve referência 's características distintivas de certas formas de distúr%ios
psiqui)tricos.
CLASSIFICAO DOS DISTR6IOS PSI0UIÁTRICOS

!s patologias psiqui)tricas podem ser artificialmente divididas em dois gêneros2 psiconeurose e a psicose. Esta
última est) ligada ' presença de um elemento de loucura no interior da personalidade. ! psiconeurose deriva seus

padr1es das defesas organizadas pela personalidade individual intacta para afastar ou lidar com as ansiedades que
se srcinam dos fatos e fantasias li gados 's relaç1es interpesso ais. " distúr%io psicone ur#tico do pai ou da me
acarreta certas complicaç1es para a criança6 a psicose de um dos pais, porém, suscita perigos mais sutis para o
desenvolvimento sadio.
/elo termo psicoseT refiro >me a uma lin&a de defesa mais profunda, a mudanças operadas na personalidad e do
indivíduo por força de uma tenso que no poderia ser aliviada pelos mecanismos ordin)rios de defesa, talvez por
ter ocorrido muito cedo na vida do indivíduo. ! psicose, no limite, é o distúr%io que aflige os pacientes de
&ospitais psiqui)tricos. " surto psic#tico severo assemel&a>se %astante a uma enfermidade física, na medi da em
que pode ser facilmente recon&ecido como uma enfermidade6 os médicos sa%em o que fazer quando defrontam>se
com um distúr%io to #%vio.
! depresso, de que trato aqui, é um distúr%io afetivo, ou do &umor6 mas &) dois estados especiais a que gostaria
de me referir neste momento.
Lm deles é a personalidade psicop)tica Y estado que afeta so%retudo os pais, enquanto a depresso é mais típica
das mes. " psicopata é um adulto que so se recuperou de uma delinqMência infantil. Essa delinqMência fora,
srcinalmente Fna &ist#ria do indivíduoH, uma tendência anti>social numa criança carente. Qe início, a privaço
sofrida pela criança era algo muito real, e como tal foi perce%ida6 identificou>se ' perda de algo %om, e com isso
quero dizer que, o que quer que ten&a acontecido, as coisas depois disso 0amais foram de novo as mesmas.
!ssim, a tendência anti>social representava uma compulso, por parte da criança, de fazer a realidade e$terna
consertar o trauma srcinal, o qual foi rapidamente esquecido e, por uma inverso simples, tornou>se irrepar)vel.
3o psicopata, o que ocorre é uma continuidade dessa compulso de fazer a realidade e$terna remediar o dano
sofrido e no é raro depararmo>nos com pro%lemas sus citados pelos efeitos dessa compulso em um ou am%os os
pais.
(+s captulos  e  s-o dedicados ao eame de patologias
patologias psic/ticas
psic/ticas em pais e fil$os e seus efeitos sore a #ida
familiar.)

" outro estado é um estado particular que pode acompan&ar a depresso ou a tendência anti>social, e est)
associado ' desconfiança e a delírios de perseguiço. Essa tendência a sentir>se per seguido é uma complicaço
da depresso e, no todo, torna a de presso menos #%via como tal, pois esse elemento de loucura Fo delírio de
perseguiçoH desvia o sentimento de culpa que caracteriza os melanc#licos e deprimidos. "s que sofrem desse
tipo de distúr%io alternam entre sentir ridiculamente que so pessoas m)s, e, por outro lado, ter a louca convicço
de que so maltratados. Em am%os os casos, constatamos que nada podemos fazer em nível de cura6 temos apenas
de aceitar a condiço. 5) mais esperança nos casos em que a depresso no é complicada por desconfiança e
delírios de perseguiço, pois, nesse estado mais normal, o indivíduo apresenta alguma fle$i%ilidade, e oscila mais
facilmente do estado depressivo para um estado em que sente um o%0eto e$terno como sendo uma m) influência
ou um agente per secut#rio.
DEPRESSO NA ME OU NO PAI

Entro agora no tema da depresso, que apresenta mais interesse por estar mais estreitamente relacionado ' vida
cotidiana. /ois, em%ora &a0a de um lado um estado to severo quanto a melancolia, &) tam%ém a depresso, que é
condiço comum a todos os seres &umanos integrados. eats descreveu o mundo como um lugar onde o mero
pensar 0) nos enc&e de dor e amargo deses peroT6 entretanto, no quis dizer que ele mesmo no tin&a valor como
pessoa, nem que no estava muito %em naquele dia. Ele apenas correu o risco de sentir as coisas com
profundidade, e as sumiu sua parcela de responsa%ilidade. 3um e$tremo, pois, temos os melanc#licos, que
tomam so%re si a responsa%ilidade por to dos os males do mundo, e so%retudo por aqueles que menos têm a ver
com eles6 e, no outro, temos as pessoas verdadeiramente respons)veis, que aceitam a realidade de seu pr#prio
#dio, de sua maldade, de sua crueldade, de todas essas coisas que coe$istem com sua capacidade de amar e
construir. Zs vezes, o sentimento de sua pr#pria monstruosidade as a%ate.
Se o%servarmos a depresso por essa #ptica, veremos que ela atinge aquelas pessoas que realmente valem alguma
coisa, incluindo as mes e os pais de família. 7alvez se0a de se lamentar que eles sofram de depresso6 mas pior
do que isso seria se fossem incapazes de sentir dúvida ou desalento. E, mesmo que ten&a seu lugar nas festas
natalinas, a alegria forçada que evidencia uma negaço da depresso torna>se tediosa depois de algum tempo.
3o &) um limite preciso entre o desespero de uma me ou um pai com seu fil&o e as dúvidas gerais que eles têm
so%re a vi da e o prop#sito final desta. 3a pr)tic a o que se vê é uma constante oscil aço entre a preocupaço e o
desespero, e, 's vezes, uma pequena a0uda de um amigo ou de um médico pode ser sufi ciente para afastar por
certo tempo o desespero da vida do indivíduo. 7alvez essas refle$1es sirvam para vincular a depresso com a
e$periência ordin)ria da vida. Sei que a depresso pode assumir um car)ter maligno, necessitando de tratamento
especializa do, mas, com muito mais freqMência, ela é e$atamente isso que vez por outra sentimos. 3#s no
queremos ser arrancados ' força de nosso estado mental , mas um %om amigo é capaz de nos tolerar, dar apoio, e
esperar.
/or ter dirigido por trinta anos uma clínica num &ospital pedi)trico am%ulatorial tive muitas oportunidades de

o%servar a de presso em mes e pais. -il&ares de mes procuraram a clínica, e as crianças e$aminadas
apresentaram todos os tipos de patolo gias físicas e psíquicas. -uitas vezes a criança no est) doente, mas é me
que, naquele dia, est) preocupada6 noutro dia, talvez, ela no este0a preocupada quando deveria estar. Eu aprendi
ce do a imaginar min&a clínica como uma seço de tratamento da &ipocondria de mes e pais. F3aturalmente,
eram as mes que
na maioria das vezes traziam as crianças6 mas isso no era de modo algum uma regra a%soluta, e eu me refiro
unicamente 's mes apenas por uma questo de conveniência.H
W importante que as mes possam levar seus fil&os ao médico quando esto um pouco deprimidas. Elas poderiam
tam%ém ir a uma clínica de adultos e manifestar preocupaço com seus #rgos internos ou com alguma parte de

seu corpo que no estivesse totalmente sadia. Elas poderiam ir a um psiquiatra e reclamar a%ertamente da
depresso. Elas poderiam consultar um padre para sanar suas dúvidas acerca da pr#pria %ondade6 ou poderiam
tentar um tratamento empírico qualquer. " fato é que o sentimento de dúvida é muito pr#$imo de seu oposto, a
crença, e apro$ima>se tam%ém de uma noço de valores, e da sensaço de que &) coisas que vale a pena
preservar.
Qesse modo, quando c&amo a atenço para a depresso, no me refiro apenas a um severo distúr%io psiqui)trico,
mas tam%ém a um fen\meno quase universal entre os indivíduo s sadios, e que est) ligado de perto ' capacidade
que estes têm, quando no esto deprimidos, de agir construtivamente.

Lma das tarefas construtivas a que as pessoas se dedicam é o esta%elecimento e a manutenço das famílias. !
família, por tanto, é uma das estruturas que pode ser posta em risco pela de presso da me e do pai. Qei$e>me
dar um e$emplo2
Lm menino é trazido ' clínica por sua me, que perce%eu que ele emagrecera na semana anterior ' consulta. =ica
claro para mim que a me é portadora de uma depresso cr\nica, e eu parto da idéia de que o fato de ela estar
preocupada com seu fil&o l&e traz algum alívio, pois normalmente ela est) apenas vagamente preocupada consigo
mesma. !través de meu contato com o menino, perce%o que seu pro%lema começou quando de uma manifestaço
muito severa das re correntes %rigas entre o pai e a me, num momento em que o pai de inopino perguntou 's
duas crianças2 ocês gosta riam de viver comigo ou com sua meVT Y insinuando que am%os pensavam em
separar>se. Qe fato, o pai maltrata sua mul&er constantemente. W um indivíduo imaturo, fraco e %astante alegre.
-as estou preocupado apenas com a me e seu estado de depresso cr\nica.
omo responderei ' preocupaço dessa mul&er frente ' per da de peso do fil&oV Em min&a clínica o tratamento
no consiste em intervir psicoterapicamente com a depresso da me, mas em e$aminar a criança. (eralmente
no encontro doença alguma. Es col&i este caso porque nele, de fato, o menino estava com um princípio de
dia%etes. -eu estudo o%0etivo da condiço do garoto e o su%seqMente tratamento eram e$atamente aquilo de que a
me estava precisando. Ela continuar) sendo maltratada por seu ma rido. Ela continuar) com sua depresso
cr\nica e 's vezes pro funda. -as, dentro dos limites propostos pelo pro%lema, eu li dei com sua preocupaço. "

menino, além de rece%er o tratamento relativo ao dia%etes, foi a0udado a compreender a situaço que se
desenrolava em casa. -as eu no me surpreendo ao constatar que min&a aço no interfere ao mínimo com o
pro%lema maior, que é a depresso cr\nica da me.
A RESPONSA6ILIDADE LIMITADA DO SERVIO SOCIAL
! depresso que aflige uma me pode ser muitas vezes contorna da pelo e$ame e pelo tratamento da coisa que a
est) preocupando. Ela pode, por e$emplo, ter>se enganado nas contas da casa e contraído uma dívida, apesar de
repudiar toda desonestidade6 ou, estando seu marido desempregado, ela talvez no consiga pagar as prestaç1es da

7.
Lma outra me me traz sua fil&a, e no fica claro o porquê da consulta. /oder>se>ia mesmo dizer que os sintomas
ale gados dependeriam do especialista a que ela estivesse se dirigindo. ! me poderia ter perguntado a um
otorrinolaringologista se as amígdalas da criança estavam em %om estado. /oderia ter consultado um
oftalmologista para sa%er se a
criança estava en$ergando %em. Ela é capaz de perce%er rapidamente as e$pectativas de um médico e descrever>
l&e to dos os sintomas que parecem l&e interessar. Eu consigo que ela me faça um %om relato retrospectivo, o que
l&e propor ciona alguma viso das flutuaç1es de sua atitude para com a criança. Ela consegue perce%er que a

criança est) se desenvolvendo %em, apesar de 's vezes tornar>se o o%0eto da preocupaço da me. ! menina de
fato apresenta alguns sinto mas, entre os quais uma certa falta de apetite.
3esse caso, decido que devo dizer ' me alguma coisa nas seguintes lin&as2 ocê teve razo de trazer a criança
quando ficou preocupada6 é para isso que estamos aqui6 no momento min&a opinio é de que a criança est)
%astante saud)vel, e eu me dispon&o a refazer meu diagn#stico na sema na que vem, ou quando você quiser trazê>
la de novo.T
Esta me rece%eu o apoio de que precisava, pois e$aminei sua fil&a e levei a sério sua preocupaço. Ela tem
dificuldade de acreditar que a criança est) %em, mas é possível que no dia seguinte 0) ten&a esquecido sua
ansiedade. Qe nada adiantaria um médico dizer a esta me que ela est) fazendo uma tempestade num copo de
)gua, especialmente quando ela de fato est)_
!lém disso é importante lem%rar que, nos casos de pais com distúr%ios psiqui)tricos e que vêem em n#s um
apoio para suas dificuldades, devemos estar sempre preparados a alin&armo>nos com a família contraT qualquer
autoridade local ou agência de serviços que porventura se ten&a tornado um an)tema para a me ou o pai.
W possível que no entendamos por que pessoas tais como as que descrevi no conseguem o%ter a0uda de modo
natural, e vo acumulando sua confuso e seu desespero a ponto de ficarem paralisa das. 3um caso mais normal,
o papel que desempen&amos profissionalmente seria desempen&ado por um amigo. -as &) pessoas que mal
conseguem fazer amigos. "s indivíduos com quem tra%al&amos no raro so pessoas desconfiadas, sozin&as ou
reservadas6 alguns 0) mudaram de cidade uma, duas ou três vezes, e no têm facilidade para entrar em contato
com os novos vizin&os. !s pessoas geralmente conseguem contornar as dificuldades menores6 uma fal&a
qualquer, porém, é suficiente para ativar uma depresso latente, e a impossi%ilidade de pagar em dia uma
prestaço pode ser capaz de suscitar dúvidas so%re a vida e o sentido da vida. Qesencadeou>se algo muito mais
pro fundo que a possi%ilidade, ou no, de adquirir um aparel&o de 7.
=ique claro que nossa aço profissional no se limita a um apoio cotidiano6 esse tipo de apoio, porém, é uma das
armas que as pessoas empregam em sua luta contra a depresso. onseguir triunfar so%re a depresso de um dia é
motivo para esperança6 mas, diante de uma mínima confuso, o que se sente é a ameaça de precipitar>se num
estado ca#tico do qual no poderia &aver recuperaço.
TERAPIA NO SERVIO SOCIAL
-uitas vezes, em nosso tra%al&o profissional, agimos como psicoterapeutas, em%ora no façamos interpretaç1es
do inconsciente. <idamos com a depresso, prevenimo>la e resgatamos pessoas que nela esto imersas. Somos
enfermeiras da mente. " pro%lema das enfermeiras da mente que tra%al&am em &ospitais psiqui)tricos é a enorme
dificuldade de o%ter sucesso. 3#s, feliz mente, temos c&ances razo)veis de ê$ito. ! enfermeira da mente precisa
acostumar>se a tolerar o fracasso em que redunda %oa par te de seus esforços. ! enfermeira da mente que tra%al&a
no &ospital psiqui)tr ico deve inve0ar nossas maiores possi%il idades de o%ter ê$ito pois tra%al&amos com aquela
modalidade de depresso em que a tendência é para a autocura, e essa tendência em geral pode ser estimula da e
catalisada por pequenas aç1es nossas. -as tam%ém devemos recon&ecer que podemos nos deparar com casos
severos e ter de tolerar o fracasso, e certamente temos de aprender a esperar antes de termos certeza de ter o%tido
um %om resultado. omo psicanalista, desenvolvi muito essa pr)tica de esperar, esperar e esperar. 7am%ém &)
aqueles sucessos que, no papel, no parecem sucessos Y casos em que temos certeza de que nossa aço teve
resultados, muito em%ora o indivíduo ti vesse sido ao final mandado novamente ' priso, ou a mul&er ten&a
cometido suicídio, ou as crianças ten&am sido encamin&a das ao internato.
Xual é a diferença entre o caso de &ospital psiqui )trico, onde no &) esperança, e a depresso menos severa que
n#s freqMentemente conseguimos controlarV 3o &) diferença essencial entre as psicologias dos dois tipos de
caso. " melanc#lico interna do no &ospital, incapaz de dedicar>se a qualquer atividade por meses ou mesmo anos,
%ate no peito e diz2 !i de mim_T6 ele é incapaz de preocupar>se com qualquer coisa em particular, pois no
consegue apro$imar>se da causa verdadeira. !o invés, sente uma culpa ilimitada6 sofre, sofre e continua a sofrer,
e no fim todos sofremos com seu sofrimento. Zs vezes diz que matou uma pessoa querida, ou assume a
responsa%ilidade pelo desastre ferrovi)rio ocorrido no *apo. 3o adianta argumentarmos contra. =alaremos em
vo.
*) os casos mais esperançosos so aqueles em que a mul&er deprimida est) nesse estado devido a uma causa
particular e dotada de sentido. Ela est) angustiada por no conseguir manter a casa limpa. !qui torna>se f)cil

entender que &) uma situaço criada pelo entrelaçamento de realidade e fantasia2 a depresso a impede de levar o
tra%al&o a ca%o, e o atraso no serviço a dei$a deprimida.
5) esperança nos casos em que a depresso assume a forma de uma preocupaço com algo. Osso nos a%re uma
porta de entrada. 3o ca%e a n#s tentar a0udar a mul&er a tomar consciência da fonte real de seu sentimento de
culpa Y o que poderia ser feito num processo psicanalítico de v)rios anos. " que podemos fazer é dar uma
pequena a0uda, ao longo de certo período de tempo e s# em relaço 'quele ponto específico em que o indivíduo
parece ter fracassado6 assim fazendo, comunicamos uma esperança.
" ponto central de meu discurso é que, quando uma depresso materna se e$pressa em termos de uma
preocupaço ou confuso, n#s temos um meio de trat)>la Y podemos lidar com essa preocupaço ou confuso.
3o é normal que eliminemos a de presso por esse método6 freqMentemente, o m)$imo que podemos fazer é
que%rar um círculo vicioso em que a confuso ou uma negligência no cuidado das crianças est) realimentando e
reforçando a depresso. /ara o %em de nossa pr#pria sanidade mental, devemos sa%er que o verdadeiro pro%lema
é a depresso, e no a preocupaço manifesta. 3o raro vemos a depresso a%randar>se, e a me torna>se capaz de
dar conta dos detal&es que, por muitas semanas ou até meses, a &aviam derrotado. "u ento ela recomeça a o%ter
a a0uda de amigos.
Xuando a depresso se for, a mul&er dir) que tudo ocorreu devido a uma constipaço, que ela tratou com as ervas
recomendadas pela esposa do quitandeiro. 3o nos importamos. Sa%emos que fizemos a nossa parte, afetando
indiretamente o distúr%io dessa mul&er e reforçando sua capacidade de resolver a luta interior que, no
inconsciente, consumia grande parte de suas energias.

E>EMPLOS CL9NICOS

Lma moça me procura para um tratamento analítico. 3o vou me referir ' longa an)lise de sua propenso '
depresso. Ela aca%a de sair do &ospital psiqui)trico em que permaneceu internada por um ano, est) de novo
tra%al&ando e su0eita a cair em fases depressivas curtas e recorrentes.
/ouco tempo atr)s, procurou>me deprimida. 7ratava> se do sistema de aquecimento de seu novo apartamento.
7entara economizar din&eiro consertando o aparel&o antigo, e agora defrontava>se com a necessidade de comprar
um novo. omo poderia ela gan&ar din&eiro suficien te para viverV 3o via futuro para si Y apenas uma %atal&a
perdida e uma vida solit)ria. Soluçou durante toda a sesso.
&egando em casa, perce%eu que o pro%lema de seu aquecedor fora solucionado e que alguém l&e mandara
algum din&eiro. -as o que importa para n#s é que a depresso 0) se fora enquanto camin&ava para casa, antes de
encontrar o aquecedor e o din&eiro. *) estava c&eia de esperança quand o se deparou com os presentes , e, em%ora
nen&uma mu dança se &ouvesse processado no que toca ao lugar por ela ocupado no mundo, ela agora tin&a
poucas dúvidas de que seria capaz de se sustentar, e eu &avia compartil&ado de sua fase de desesperança.
!firmo que nosso tra%al&o torna>se inteligível e recompensador quando conservamos em mente todo o peso da
depresso que deve resolver>se no interior da pessoa deprimida, enquanto tentamos a0udar no tocante ao
pro%lema imediato apresentado, qualquer que se0a ele. 3osso tra%al&o é regulado por uma certa economia e nos
saímos %em quando conseguimos fazer a coisa certa na &ora certa6 quando tentamos o impossível, porém,
ficamos deprimidos n#s mesmos e o caso no se altera ao mínimo.
De&e-'e !#" '#& !o& ee'p%o2

Eis uma família muito %oa que me consulta em min&a clínica particular. ! família tem forte tradiço, vive numa
%ela casa e goza de todas as vantagens materiais. "s pais me trazem um dos dois fil&os &omens, pois vêem que

ele no est) se desenvolvendo apropriadamente. Sua conduta é perfeita e, de um modo ou de outro, o que ele
parece ter perdido é sua infância.
" que dese0o afirmar é o seguinte2 vi am%os os meninos diversas vezes, e aos poucos perce%i ser necess)rio que
eles fossem cuidados por outra pessoa que no a me. ! me es t) lidando com uma depresso em si pr#pria. Est)
se tratando e sem dúvida mel&orar)6 mas meu tratamento desses meninos, que até agora o%teve %astante sucesso,
tem provoca do na me um terrível sentido de ser um fracasso. ausou l&e trauma o fato de ter precisado delegar
a outrem o cuida do de seus dois fil&os. !gora, o que ela faz é preocupar>se com sua fil&a, que é uma menina
a%solutamente normal. Ela pede que eu volte min&a atenço para essa criança6 é importante que eu l&e diga, de
tempos em tempos, que e$aminei a criança so% todos os ângulos e que estou pronto a fazê>lo de novo, mas que,
no momento, tudo que ve0o é uma criança normal. Xualquer insinuaço de dúvida de min&a parte seria tomada
pela me como uma confirmaço de sua pr# pria incapacidade. Ela é sem dúvida uma pessoa muito %oa, e
construiu com seu marido uma família dur)vel, que pode r) acompan&ar as crianças até que emer0am da
adolescência para aquele estado de independência a que c&amamos vida adulta. Essa me esteve comigo mais
uma vez depois de eu ter escrito isto. Est) fazendo tratamento, e encontra>se mui to menos deprimida. Qisse>me2
! casa foi reformada e, com isso, eliminamos uma rac&adura que &avia no teto de um dos quartos. ! meninin&a
entrou no quarto e falou2 omo é %om que no ten&a mais rac&adura.JT FEla estivera aterro rizada com a
rac&adura.H Eu disse ' me2 Sua fil&a evidentemente notou sua pr#pria mel&ora.T

Lm colega meu manteve>se por muito tempo distante das quest1es psicol#gicas. Era um cirurgio6 um dia, e ac&o
que para sua pr#pria surpresa, pediu>me que desse uma ol&ada em seus fil&os, que pareciam estar c&eios de
sintomas. " que vi foi uma vida familiar sadia, com %astante tenso entre os pais mas um grau suficiente de
esta%ilidade. "s sintomas das crianças eram típicos de suas idades, e todos n#s sa%emos quantos sintomas as
crianças podem apresentar quando têm dois, três ou quatro anos. Xuase dei$o de perce%er o pro%lema central
neste caso que era a depresso que afligia o pai e vin&a assumindo a forma de uma dúvida quanto ' sua
capacidade de e$ercer apropriadamente o papel de marido e pai de família. =elizmente perce%i>o a tempo, e
disse>l&e2 Es tas crianças so o que eu considero normais.T Seu alívio foi grande e duradouro, e a família tem
crescido e prosperado. 7eria sido desastroso se, depois de constatar as dificuldades e ansiedades presentes na vida
dessas crianças e na relaço entre os pais, eu tivesse procurado solucio n)>las. -in&a tarefa era %astante limita da
e, neste caso, ac&o que fiz o que deveria ter feito6 mas era necess)rio que fosse feito rapidamente, e com uma
certeza serena. !c&o que mesmo a sugesto de um teste de inteligência, ou qualquer outra e$presso de dúvida de
min&a parte, teria transformado o caso numa situaço muito comple$a, a ser resolvida a longo prazo. Sei que a
esposa desse &omem no ficaria nem um pouco contente se eu sugerisse que as crianças fizessem psicoterapia.
!gora quero c&amar a atenço para o tanto de depresso que pode permanecer contida no indivíduo sem que
outros se0am afetados por isso. Eis um caso ilustrativo2
" caso envolve uma mul&er que é particularmente %ril&ante no campo intelectual, e que poderia certamente

e$ercer um cargo de alta responsa%ilidade na )rea de educaço. -as pre feriu casar>se e criou três fil&os, três
meninos que agora es to casados6 ela tem oito netos. /ode>se dizer que ela tem o%tido muito ê$ito na vida,
so%retudo no que se refere ao cuidado das crianças e ao esta%elecimento de uma família. =oi capaz de suportar a
morte prematura do marido sem apoiar>se em demasia so%re seus fil&os, quando, na viuvez, vê>se o%rigada a
tra%al&ar para dar vazo ' sua energia e gan&ar a vida. "ra, essa mul&er, segundo sei, sofre de uma de presso
severíssima toda man&. Osso tem sido uma característica de sua vida. Entre a &ora do despertar e o momento em
que, depois do des0e0um, ela 0) conseguiu fazer>se pare cer com alguma coisa que o mundo possa aceitar, ela
permanece na mais profunda depresso, c&orando e, 's vezes, correndo o risco de ceder a impulsos suicidas.
/oder>se>ia dizer que, entre o acordar e o des0e0um, ela é to doente quanto muitos pacientes melanc#licos de
&ospitais psiqui)tricos. Ela tem sofrido intensamente. 3o &) dúvidas de que sua família seria ainda mel&or se ela
no ti vesse esse distúr%io. 3o o%stante, nesse caso como em muitos outros, a depresso permaneceu
relativamente contida em si mesma, sentida so%retudo por sua portadora, a qual, tanto quanto possível,
conformou>se com o fato de que para ela a vida é assim mesmo. 3o restante do dia, tudo que se poderia inferir de
seu comportamento é que ela é uma pessoa muito preciosa, dotada de um senso de responsa%ilidade
perfeitamente adequado para passar 's crianças o senti mento de segurança de que precisam.
7odavia, esses indivíduos deprimidos mas relativamente normais têm amigos que os con&ecem, apreciam e
valorizam, e que portanto so capazes de dar>l&es o apoio necess)rio. -as que dizer dos indivíduos que têm
dificuldade para fazer amizades e travar contato com os vizin&osV Esse é o tipo de complicaço que torna
necess)ria nossa intervenço profissional no sentido de oferecer, de modo mais limitado, o mesmo tipo de a0uda
que seria dada por um amigo. ! mesma desconfiança que torna difícil o esta%elecimento de amizades muitas
vezes interfere com a capa cidade que a pessoa tem de aproveitar nossa intervenço profissional.
!lternativamente, perce%emos que fomos aceitos como amigos e a seguir idealizados, de modo que somos os
escol&idos para ouvir as reclamaç1es que a pessoa tem a fazer contra os outros, se0a um assistente social, a
autoridade local, o comitê de &a%itaço, os africanos que vivem no andar de %ai$o ou os sogros. Esta%elece>se um
sistema paranoide em que n#s, por aca so, nos encontramos do lado de c) da lin&a que separa o %om do ruim.
Xuando nos encontramos do lado de l), corremos o ris co de ser e$cluídos.
PSICOLOGIA DA DEPRESSO

oncluirei com um %reve resumo da psicologia da depresso. 7rata>se, sem dúvida, de um as muito comple$o6
além disso, &) v)rios tipos de depresso2
> melancolia severa6
> depresso alternando>se com mania6
> depresso manifestando>se como uma negaço da depresso Festado &ipomaníacoH6
> depresso cr\nica, com ansiedade de natureza mais ou me nos paran#ide6
> fases de depresso em indivíduos normais6
> depresso reativa, associada ao luto.
5) certas características comuns a todos esses estados clínicos. " ponto principal é que a depresso indica que o
indivíduo est) assumindo a responsa%ilidade pelos elementos agressivos e destrutivos da natureza &umana. Osso
significa que a pessoa deprimida tem a capacidade de conter em si uma certa quantidade de culpa Freferindo>se a
quest1es de ordem so%retudo inconscienteH, o que a%re camin&o para a realizaço de atividades contrutivas.

! depresso é evidência de crescimento e saúde no desenvolvimento emocional do indivíduo. Xuando os


primeiríssimos est)gios do desenvolvimento emocional no so cumpridos de mo do satisfat#rio, o indivíduo é
incapaz de c&egar a sentir>se deprimido. 7alvez o assunto fique mais claro se me referir ao desenvolvim ento de
um sentido de preocupaço. Se tudo correr %em no desenvolvimento individual Y e apenas neste caso Y, c&ega
r) um momento em que a criancin&a começar) a preocupar>se consigo mesma e com os resultados do amor. "
amor no é s# uma questo de contat o afetivo, " amor reúne em si os impulsos instintivos de raiz %iol#gica, e o
relacionamento que se desenvolve entre um %e%ê e uma me Fou um pai, ou outra pessoaH carre ga consigo idéias
de destruiço. W impossível amar de modo livre e pleno sem ter idéias destrutivas. ! aquisiço de um sentimento
de culpa com relaço a essas idéias e impulsos destrutivos que acompan&am o amor é seguida pelo impulso de
dar e reparar, e de amar de maneira mais adulta. F!marT, é claro, tem para lelo com ser amadoT.H !
oportunidade de agir construtivamente vem de par com o processo de crescimento individual, e est) intimamente
ligada ' capacidade de sentir culpa e dúvida e estar deprimido.
5) muitas coisas que permanecem inconscientes, porém, e a depresso, como estado de espírito, reflete este fato2
&) muitas coisas inconscientes. Xuando a agresso e a destrutividade, que so parte da natureza &umana, e
quando a c&amada am%ivalência nos relacionamentos Y quando essas coisas foram alcança das no
desenvolvimento pessoal, mas depois foram profundamente reprimidas e tornadas inacessíveis, a melancolia
manifesta>se como doença. 3esse estado, o agente maligno que se manifesta no sentimento de culpa no se faz
mais acessível ' consciência, a no ser ao final de um longo e profundo tratamento psicanalítico.
-as é importante lem%rar que onde &) depresso &) tam%ém saúde6 a depresso tende a curar a si mesma, e, no
raro, uma pequena a0uda vinda do e$terior faz toda a diferença e contri%ui para afastar a depresso. ! condiço
dessa a0uda é uma aceitaço da depresso, e no a ânsia de cur)>la. 3ossa oportunidade de proporcionar uma
a0uda indireta situa>se naquele ponto em que o individuo nos dei$a entrever uma situaço em que possamos
cola%orar, e devemos sempre lem%rar>nos de que nosso papel é o de uma enfermeira da mente acompan&ando e
cuidando de um caso de depresso.

CAP9TULO  - OS EFEITOS DA PSICOSE SO6RE A VIDA FAMILIAR


7alvez eu deva, em primeiro lugar, tenta r e$plicar o que a palavra psicoseT significa para mim. ! psicose é um
distúr%io de natureza psicol#gica, mas no se identifica ' psiconeurose. 7em, 's vezes, uma %ase física Fcomo a
arterioscleroseH. !feta pessoas que no so sadias o %astante para serem psiconeur#ticas. Seria mais simples se
disséssemos que a psicose é uma doença grave, e a psiconeurose uma doença %randa6 mas &) aí uma com
plicaço, pois as pessoas sadias conseguem conviver com a psi cose, enquanto nem sempre o conseguem com a
psiconeurose. ! psicose é muito mais ligada ' pr)tica e aos elementos %)sicos da personalidade e da e$istência
&umana do que a psiconeurose, e Fpara citar a mim mesmo_H po%res de n#s se nossa mente for apenas s.
" termo psicose pode ser visto como uma designaço popular para a esquizofrenia, a psicose maníaco>depressiva
e a melancolia com complicaç1es mais ou menos paran#ides. 3o &) limites rígidos entre todos esses distúr%ios,
e muitas vezes ocorre, por e$emplo, de um o%sessivo tornar>se deprimido ou confuso, voltando em seguida ' sua
o%sesso. 3esse caso, as defesas psiconeur#ticas transformam>se em psic#ticas e depois novamente em
psiconeur#ticas. ê>se tam%ém esquizofrênicos tornando>se deprimidos. ! psicose representa uma organizaço
das defesas, e por tr)s de toda defesa organi zada &) a ameaça de confuso, que consti tui na verdade uma ruptura
da integraço.
" mel&or meio de demonstrar quais podem ser os efeitos da psicose so%re a vida familiar é proceder '
apresentaço e discusso de casos reais. !queles que lidam com esses pro%lemas sa%em que muitas famílias se
desfazem devi do ' carga da psicose so%re um de seus mem%ros, e que a maior parte dessas famílias
provavelmente permaneceria unida se pudesse ser aliviada de uma carga to insuport)vel. Esse é um pro%lema
pr)tico de grande gravida de que pede instantaneamente adoço de medidas preventivas, so%retudo a nível da
implantaço de &ospitais psiqui)tricos infantis. /enso em termos de um centro residencial onde as crianças pu
dessem permanecer por um período de duraço indefinida, e de onde pudessem ser diariamente levadas a um
psicanalista, que atenderia tam%ém outros tipos de pacientes, incluindo adultos.
"s pro%lemas decorrentes da psicose fundem>se com aqueles produzidos pela deficiência mental prim)ria, por

deficiências físicas tais como a diplegia espasm#dica e moléstias afins, pelos efeitos da encefalite Ffelizmente
muito menos comum &o0e que na década de ?@CH e pelas v)rias modalidades clínicas da tendência anti> social
indicativa de carência. Entretanto, para o que nos importa aqui, a psicose propriamente dita seria indicativa de um
distúr%io nas primeiras fases do desenvolvimento emocional, permanecendo o cére%ro intacto. Em alguns casos é
forte a tendência &eredit)ria ' psicose, enquanto em outros esse dado no é significativo.
Come0arei por relatar
relatar um caso 1ue acompan$ei
acompan$ei por #rios anos sem 1ue min$a
m in$a inter#en0-o
inter#en0-o redundasse
redundasse em
1ual1uer mudan0a de situa0-o:

Lma mul&er um tanto quanto masculina gerou um fil&o, que mostrou ser uma espécie de caricatura do pai. " pai

era um &omem muito dependente da esposa, tomava poucas decis1es e assumia pouca responsa%ilidade. 3o
o%stante, gan&ava muito %em tra%al&ando numa )rea de alta especializaço. Qesde muito cedo o menino deu
mostras de ser muito inteligente
e psic#tico. -as o distúr%io no foi recon&ecido logo como tal, pois toda atitude do menino podia ser vista como
reproduço das características do pai quando criança. ! av# dizia a todo instante2 -as o pai do menino fazia
e$atamente a mesma coisa.T /or e$emplo2 o garoto, de modo caracteristicamente psic#tico, entrava na sala e
dizia ' av#2 ocê fez coc\ nas calças.T Seu pai, da mesma maneira, invertera as relaç1es quando criança.
!o passo que as especializaç1es do pai se revelaram frutíferas, as do menino no o levavam a lugar algum. Ele

foi capaz, por e$emplo, de classificar trinta e oito tipos de sem)foro na cidade de <ondres. Simplesmente no
conseguia especializar>se produtivamente. Ele de fato no sa%ia somar, pois no compreendia o significado do
número L-6 mas, com sorte, poderia ter dei$ado as somas de lado e passado direto para a matem)tica avançada,
ou ter>se tornado um prodígio do $adrez. -as no o fez, e &o0e tem trinta anos. Seus pais tiveram de canalizar
energias para os pro%lemas imediatos, e tam%ém para o futuro. Economizaram din&eiro para poder garantir a
continuidade do seu tratament o. 3o tiveram coragem de ter mais fil&os. -ais que isso2 no fosse por esse fato,
poderiam ter dado continuidade ao pr#prio crescimento e, como muitos outros casais, poderiam ter se separado na
meia>idade para talvez dar início, cada um dos dois, a um casamento mais maduro. -as a presença da psi cose
amarrou esses dois indivíduos respons)veis a uma espécie de círculo vicioso, do qual no &) escapat#ria.
3este relato, introduzi algumas opini1es pessoais acerca do casamento e da idéia de um segundo casamento. 5)
pessoas que, muito genuinamente, acreditam no crescimento6 tais indivíduos, tendo perdido sua adolescência,
tendem a reencontr) >la, se necess)rio, em algum ponto da meia>idade ! questo é2 o sofrimento acarretado pela
separaço seria suficientemente contra%alançado pelo que de %om poderia daí advirV Xuando o panorama é
dominado pela psicose ou por distúr%ios afins, é possível que no &a0a alternativa ' continuidade, e$ceto, talvez,
para os indivíduos fracos e irrespons)veis.
E& o)("o c#o !e %on# !)"#ç*o2

=ui consultado acerca de um menino de K anos e meio de idade, fil&o único, que nasceu com suspeita de um
defeito cere%ral. Z época da consulta ele era tido como deficiente, apesar de ter demonstrado muitos sinais de
esperteza. !prendeu a ler com oito anos, simplesmente porque sua enfermeira prometeu a si mesma fazê>lo
aprender. " fato de ter aprendido teve import ância, e deu certo alívio aos pais. " garoto F&o0e com vinte anos de
idadeH começou a apresentar pro%lema s desde muito cedo. Era fil&o único e provavelmente no dese0ado. reio
que seus pais nunca &aviam pensado em ter um fil&o, ou no estavam preparados. Qedicavam>se totalmente a seu
tra%al&o, seus cavalos e outras coisas2 sua idéia de vida consistia em concentrar o tra%al&o de escrit#rio em alguns
dias e noites no meio da semana, vivendo num apartamento pequeno e %em>organizado, e passar longos fins de
semana no interior da Onglaterra, numa vida rústica, entre meada de caçadas e coisas afins. ! vida para eles
acontecia nos fins de semana.
!gora 0unte>se a isso um menino psic#tico que c&ora a noite inteir a, urina na cama e no se adapta ao mínimo '
vida rural, tendo medo dos cac&orros e recusando>se a montar num cavalo. Simplesmente no &)
compati%ilidade.
Esse casal muito %om teve de fazer um a0uste %astante artificial em sua vida para dar ao menino algo que l&e
fosse adequado6 e é claro que nada se adequava a ele. Sacrificaram muitas coisas para poder dar>l&e tratame nto,
que porém no o curou, " pai morreu prematuramente, de enfarte, no auge de sua carreira, e a me ficou
desamparada, carregando toda a responsa%ilidade pelo garoto. Lma escola veio
em seu socorro e o menino permanece l), em%ora no ten&a capacidade de tornar>se maduro e assumir
responsa%ilidades. " pior é que se trata de uma pessoa muito am)vel, que ninguém poderia mac&ucar, e que
estar) sempre precisando da atenço que, se é f)cil dedicar a uma criança de cinco anos, no é to f)cil dar a
qualquer criança para sempre.
De&e-'e (o'#" #o"# )' c#o '#& p"o'&o"2

Lm menino, fil&o de pais altamente respons)veis, começou a regredir em determinado ponto de seu
desenvolvimento, que pareceu incidir com uma nova gravidez da me. Qesenvolveu>se nele uma forte psicose de
infância e, até pouco tempo atr)s, esse menino seria considerado deficiente.
-as neste caso foi possível proporcionar>l&e um trata mento psicoter)pico, que tem o%tido um certo sucesso. "s
pais fizeram todo o possível para apoiar o tratamento e esperar pelos resultados, mas no poderiam ter mantido a
unio do lar no fosse por um esquema armado pelo esmoler do &ospital2 &) dois anos, o menino tem sido
%uscado de carro v)rias vezes por semana e transportado até o &ospital e de volta para casa, numa distância de
cerca de trinta quil\metros. "s gastos têm sido enormes, mas sem dúvida têm>se 0ustificado.
3este caso particular, a família s# foi capaz de suportar o distúr%io do garoto. Qevo dizer que o ê$ito no
tratamento de uma criança pode ser traum)tico para um ou am%os os pais. ! psico se latente do adulto, que até
ento se mantivera oculta e adormecida, reaparece pela profunda transformaço positiva operada na criança, e
passa a e$igir sua quota de atenço e aceitaço. 3o caso seguinte, um internato aceitou a criança2
" fil&o de um diretor de escola pú%lica quase destruiu a carreira do pai, o que acarretaria sérias conseqMências,
visto que o &omem no tin&a aptido para fazer nada além daquilo.
" garoto, caçula de v)rios irmos Ftodos sadiosH, entrou num estado de confuso persistente, o que tornou
invi)vel sua permanência tanto na escola onde estudava como na escola onde residia ' noite. " garoto era
totalmente inquieto e imprevisível. Sua me provavelmente teria conseguido cuidar de mais um fil&o normal, mas
era 0) muito vel&a para lidar com esse menino, cu0o estado era incompatível com a tranqMilidade, " pai apegava>
se a seus estudos e ' rotina, e assistia a tudo como que ol&ando pelo lado inverso de um telesc#pio.
! me tem tremenda energia, e est) sempre procurando organizar a0uda para pais com pro%lemas semel&antes ao
seu. ! família s# se manteve unida porque certa escola aceitou o menino tal como era, sem esperar derivar
qualquer vantagem de sua presença. Ele tem &o0e vinte anos, e continua na escola.
ada vez mais os internatos querem que seus alunos estudem %em ou ento so escolas especialmente pensadas
para a educaço de crianças desa0ustadas. Esse garoto no era desa0ustado nem apresentava qualquer sinal de
tendências anti>sociais6 é muito afetuoso, e sempre espera ser amado. -as amiúde cai em estados de confuso,
quando, na mel&or das &ip#teses, vive como se fosse composto por diversas partes dissociadas. i>o diversas
vezes, mas no encontrei nen&um lugar onde pudesse dei$)>lo e mantê>lo por um período em que viesse ver>me6
ou a um colega, diariamente.
asos desse tipo no se desenvolvem %em porque no possuem aquela propriedade característica da tendência
anti>social, que age até forçar alguma autoridade a contê>la por cadeias emocionais ou físicas. " distúr%io desse
garoto vai apenas cansando cada vez mais a família, e o menino nem sequer retira prazer ou proveito de um
processo que consistiria em tentar, conseguir ou fracassar. !s outras crianças desse tipo de família afastam>se to
logo quanto possível e os pais envel&ecem preocupando>se com o que ocorrer) depois que morrerem. 3o
importa se a doença do fil&o foi causada por algo que veio dos pais. Osso muitas vezes ocorre, mas no por
vontade e$plícita ou devassido parental. Simplesmente ocorre.
Lm professor do norte do país constituíra com sua esposa uma estrutura famil iar satisfat#ria, e tudo correu %em
até que uma psicose infantil derivada de um cretinismo no detectado apareceu para pertur%)>los. "s dois
simplesmente no conseguiam conviver com a psicose de sua fil&in&a.
3esse caso tive a felicidade de poder valer>me da amizade que ten&o com um "ficial de Onfância, de modo que
logo encontrou>se para a menina um lar su%stituto numa família de classe tra%al&adora residente num distrito
rural do sul da Onglaterra. 3essa família, a criança retardada mas em desenvolvimento podia ser aceita como
convalescente de uma doença. Salvou>se por esse esquema a família do professor, o qual p\de levar adiante sua
carreira. Onteressou>me o fato de que a diferença de status social entre os pais verdadeiros e su%stitutos no
parecia ter importância, e a garota certa mente viria a %eneficiar>se do fato que, na nova família, ninguém
esperaria dela uma %ril&ante carreira acadêmica. !lém do mais, tranquilizava>me a grande distância e$istente

entre o lar verdadeiro e o adotivo.


Esse tipo de complicaço é %astante comum2 os pais sentem>se culpados pela condiço do fil&o. 3o
conseguiriam e$plicar o por quê, mas seriam incapazes de desvincular a condiço da criança de sua pr#pria
e$pectativa de retri%uiço. "s pais adotivos no têm esse tipo de pro%lema, e têm mais li%erdade para aceitar a
criança como um ser rude, diferente, retardado, incontinente e dependente.
/or mais #%vio que isso pareça ser, gostaria de reafirm)>lo mais uma vez2 no se deveria permitir a dissoluço de
nen&uma família por força da psicose num dos fil&os ou num dos pais. Qe todo modo, deveríamos ser ao menos
capazes de oferecer alívio, o que normalmente no conseguimos fazer.
3o sei por que a maioria dos casos que me vêm ' mente envolvem meninos. Seria isso fruto do acasoV "u
&averia aí um indício de que as meninas de algum modo conseguem ocultar>se mel&or, representar um papel,
ficarem sempre parecidas com a me, preservando sua identidade como um %e%ê no>nascido em seu interiorV
!c&o que &) algo de verdadeiro na teoria de que a menina, mel&or que o menino, é capaz do conviver com um
falso self que aquiesce e imita6 isto é, a menina tem mais facilidade de evitar ser levada a um psiquiatra infantil. E
mais prov)vel que o psiquiatra ven&a a atuar quando a garota desenvolver anore$ia ou colite, infernizar os pais na
adolescência ou sofrer de depresso no início da vida adulta.
Lma menina de treze anos via0ou quase duzentos quil\metros para ver>me, enviada pela autoridade de saúde
local que 0) esgotara todas as suas possi%ilidades de aço. Xuando entrei na sala de espera deparei>me com uma
menina altamente desconfiada, acompan&ada de um pai pronto a descarregar toda a sua raiva so%re mim. 7ive de
agir rapidamente, e pedi a ele que esperasse Fpo%re &omem _H enquanto atendia a garota. /ermaneci com ela uma
&ora e, desse modo, to mando seu partido, fui capaz de esta%elecer um contato muito profundo, cu0os efeitos
duraram anos e ainda su%sistem. 7ive de alin&ar>me com seus delírios paran#ides a respeito da família. 7ais
delírios vin&am envolvidos em fatos que provavelmente tin&am %ase real.
Qepois de uma &ora ela me permitiu falar com o pai, que estava no alto de seu pedestal e na defensiva. Ele era
uma personalidade importante do governo de sua localidade, e sua reputaço estava sendo arrasada pelo que a
menina vin&a revelando pu%licamente. ! estatura política do pai impedia a autoridade local de saúde de tomar as
providências necess)rias, e no parecia &aver uma soluço clara para o pro%lema.
! única coisa que pude fazer foi afirmar que essa meni na no poderia 0amais voltar para casa. !ssim, ela passou
um ou dois anos em uma instituiço so% os cuidados de uma e$cepcional enfermeira>c&efe6 l) era feliz, e assumia
uma par cela de responsa%ilidade no cuidado de crianças menores.
-as, em certo momento, a garota voltou a visitar sua casa. W prov)vel que &ouvesse entre ela e a me um vínculo
inconsciente, de am%os os lados6 cedo as pertur%aç1es recomeçaram.
"uvi dizer depois que a menina se encontrava num reformat#rio, ao lado de v)rias 0ovens prostitutas. /assou l)
um ou dois anos mas no se tornou prostituta, pois no era uma personalidade carente, marcada por uma
tendência anti> social. !s meninas que a rodeavam, compulsivamente &eterosse$uais, riam>se dela por no dar>se
' prostituiço.
-as a menina ainda sofria de uma paran#ia aguda. riou no reformat#rio situaç1es de ciúmes, e fugiu. =oi
enviada a um a%rigo para desa0ustados e tornou>se enfermeira. ostumava telefonar>me, de repente, para dizer
que es tava com pro%lemas no &ospital. !s c&efes e compan&eiras eram agrad)veis e apreciavam seu tra%al&o,
assim como os pacientes6 mas certas coisas no dei$avam de persegui>la mentiras que contara para garantir o
emprego, pagamentos que dei$ara de fazer para os v)rios fundos de desemprego e saúde Y, mas ela sa%ia que eu
nada podia fazer, e ento deslig)vamos o telefone6 algum tempo depois, noutro &ospital, repetiam>se a mesma
&ist#ria e as mesmas desesperanças. 7riste era sua vida, e a %ase de min&a relaço com ela consistia em dizer>l&e2
ocê no deve 0amais voltar para casa.T -as ninguém que morasse nas pro$imidades de sua casa l&e poderia ter
dito isso, pois esse lar, evidentemente, no tin&a nada de ruim6 e, se a menina se livrasse da paran#ia, conseguiria,
na medida do possível, ac&ar sua casa %astante toler)vel.
! patologia psic#tica num dos pais no raro é o motivo de nosso fracasso, visto que a responsa%ilidade ca%e
0ustamente ' pessoa doente. 3em sempre se aplica a m)$ima de que resta um pai para assumir a situaço2 muitas
vezes o pai sadio retira>se para resguardar a pr#pria sanida de, mesmo ' custa de su%meter os fi l&os ' psicose do
outro progenitor.
Ne(e c#o e)&n(e, o p"oH%e'# e"# !o p#&2

"s envolvidos so um menino e uma menina, separados por apenas um ano de diferença de idade. ! menina é
mais vel&a, o que, no caso, 0) foi por si s# um desastre. Eram os dois únicos fil&os de um casal de pais muito
pertur%ados. " pai tin&a %astante ê$ito nos neg#cios, e a me era uma artista que sacrificara a carreira pelo
casamento e que, ocultando uma tendência esquiz#ide, no se adequava %em a seu papel. asara>se num impulso
e teve os dois fil&os para socializar>se em seu novo círculo familiar. Seu marido tin&a personalidade maníaco>
depressiva e quase psicop)tica.
! me s# conseguiu agMentar o menino quando ele ficou limpoT6 o cuidado de %e%ês no era com ela. Qedicava
a seu fil&o um amor contínuo e violento, em%ora no e$ presso em nível físico, pelo que sei6 o garoto teve um
colapso esquizofrênico na adolescência. ! menina tin&a uma ligaço muito forte com o pai, o que proporcionou>
l&e uma segunda c&ance6 assim , esperou até os quarenta anos, ap#s a morte dos pais, para ter um colapso. 3esse
meio tempo tornou>se uma %em>sucedida mul&er de neg#cios, dando continuidade ao tra%al&o do pai ap#s sua
morte. 7in&a desprezo pelos &omens, afirmava no ver qualquer razo pela qual se possa consider)>los
superioresT e provou no seu tra%al&o que de fato no dei$ava nada a dese0ar, ao contr)rio do ir mo, a quem
faltava tudo o que um &omem precisa ter. " irmo casou>se, constituiu família, e a seguir livrou>se da es posa

para poder assumir o papel de me em relaço aos fi l&os, o que fez de modo e$celente.
Essa mul&er muito doente, e revestida de um falso self %astante %em>sucedido, procurou>me para tratamento
depois de se terem apagado todos os resquícios de seu passado. om o tempo foi capaz de sofrer um colapso e
travar contato com a pr#pria esquizofrenia, da qual vem emergindo. " médico que a enviou no se impressionou
ao mínimo quando escrevi> l&e uma carta, antes de começar o tratamento, afirmando que, se tudo corresse %em,
ela sofreria um colapso e viria a precisar de cuidados especiais. 8em, ela foi internada por doença mental mas
logo recomp\s>se, e teve alta antes de entrar na rotina dos eletroc&oques e leucotomias, que ela, com muita razo,
odiava.
!qui vê>se, portanto, uma psicose parental surtindo efeitos so%re dois fil&os muito inteligentes que têm &o0e
quase quarenta e cinco anos. 3o ten&o certeza, mas ac&o que a mul&er tem ainda algo a viver como uma pessoa
real. Fbltimas informaç1es2 tendência favor)vel.H
Se outro caso desses apresentar>se a mim, delegarei, sa%ia> mente, a outro profissional a responsa%ilidade de
a0udar o paciente a sofrer seu colapso. -as estou grato por ter podido testemun&ar o alívio que um tal colapso
pode trazer a uma pessoa cu0o falso self desenvolveu>se a um grau e$tremo.
A )e(*o J2 que podemos depreender dessa %reve descriç o de casoV " ponto central talve z se0a o fato de que
essa mul&er no p\de o%ter alívio até seus pais terem morrido e ela ter podido esta%elecer>se como uma unidade
independente. " custo de taman&a espera foi descomunal6 sentia>se fútil e irreal, a no ser quando de certas
incurs1es no mundo da música e das artes vi suais, que l&e davam um vislum%re ocasional do real.
W um fato terrível, mas verdadeiro2 's vezes os fil&os s# podem ter esperanças de mel&ora depois da morte dos
pais. ! psi cose nesse caso est) num ou em am%os os pais e constitui>se de tal modo que a única esperança da
criança passa a ser o desenvolvimento de um falso seu6 é claro que o fil&o pode morrer antes dos pais, mas, de
toda forma, seu se]f verdadeiro ter) conservado sua integridade, permanecendo oculto e resguardado da violência
e$terior.
Esses relatos de casos revelam um aspecto do inevit)vel desespero que acompan&a o tra%al&o clínico. Zs vezes,
quando confrontados com patologias severas, nada temos a fazer seno esperar que as coisas sigam seu rumo e,
talvez, a família se desfaça ante a tenso6 's vezes temos a misso de p\r fim a uma situaço familiar antes que
ela se deteriore ainda mais6 em outros casos tentamo s lidar com a confuso e$istente. om e$cessiva freqMênci a
no nos é dado ter qualquer esperança6 temos de aceitar o fato de %om grado, pois no faríamos qualquer %em em
cairmos, tam%ém n#s, na paralisia decorrente do desespero.
CAP9TULO K - CONSE0;NCIAS DA PSICOSE PARENTAL PARA O DESENVOLVIMENTO
EMOCIONAL DA CRIANA

3o capítulo anterior, discutindo os efeitos da psicose so%re a vida familiar, concentramo>nos so%retudo nos
pro%lemas criados pela patologia psic#tica da criança. !gora gostaria de e$aminar mais a fundo as conseqMências
da psicose parental para a família e o desenvolvimento emocional da criança.

/ara começar, farei referência a um %elo poema escrito por uma menina de onze anos. 3o posso reproduzir aqui
o poema, que foi pu%licado em outra parte so% a assinatura de sua autora, mas posso dizer que ele transmite, com
grande economia de palavras, uma imagem perfeita do que se0a a vida cotidiana de uma família feliz. ! sensaço
transmitida é a de uma família com crianças de diversas idades que interagem entre si, sendo o ciúme um
elemento presente mas suport)vel, e tendo todo o con0unto um car)ter pulsante e vital. !o final a noite c&ega e
entram em cena os latid os dos ces, os pios das coru0as e o mundo fora da casa. Qentro de casa tudo é silêncio e
segurança. " poe ma passa a impresso de retratar a vida da pr#pria 0ovem autora. Qe que outro modo, pensamos,
poderia alguém con&ecer to %em essas coisasV

A <&("&# !e E(e"
&amemos a autora de Ester, e perguntemos2 qual é o seu passadoV Ester é fil&a adotiva de um casal culto de
classe média, que adotaram depois mais um menino e uma menina. " pai sem pre foi>l&e muito dedicado, e
entende>a com muita sensi%ilidade. ! questo é2 qual a &ist#ria anterior dessa criança, e como p\de ela atingir a
serenidade e$pressa nesse poema, repleto da atmosfera e dos detal&es da vida familiarV
! me verdadeira de Ester parece ter sido uma mul&er muito inteligente, que dominava v)rias línguas6 mas seu
casamento se desfez, e ela passou a viver com um tipo vaga%undoT. Ester foi fil&a ilegítima dessa unio. !o

longo de seus primeiros meses de vida, sua me permaneceu totalmente sozin&a. ! me era a caçula de v)rios
irmos. Qurante a gravidez, as autoridades de saúde propuseram que ela se internasse voluntariamente para
tratamento, mas ela no aceitou a idéia. uidou sozin&a da criança desde o nascimento e, nos registros de uma
assistente social, aparece como idolatrando seu %e%ê.
Esse estado de coisas perdurou até cinco meses depois do nascimento de Ester, quando sua me passou a
apresentar um comportamento estran&o e um ol&ar furioso e distante. Qe pois de uma noite sem dormir, foi com
o %e%ê para um campo a%erto nas pro$imidades de um canal, onde um e$>policial estava a cavar. amin&ou ento
até o canal e nele atirou a criança. " e$>policial salvou de imediato o %e%ê, que estava ileso, mas a me foi detida
e internada so% diagn#stico de esquizofrenia com tendências paran#ides. Ester foi posta assim so% os cuidados da
autoridade local, e era considerada uma criança difícilT pelos encarregados do %erç)rio onde permaneceu até ser
adotada, com dois anos e meio de idade.
3os primeiros meses seguintes ' adoço, a me adotiva teve de suportar todo tipo de pro%lema, o que entendemos
como um sinal de que a criança no perdera ainda as esperanças. Entre outras coisas, a pequena costumava deitar>
se e %errar no meio da rua. om o tempo as coisas mel&oraram um pouquin&o, mas todos os sintomas
reapareceram quando, cinco meses ap#s a adoço de Ester Y isto é, tendo ela 0) quase três anos Y, um menino
de seis meses foi incorpora do ' família. Esse garoto foi adotado legalm ente, o que nunca ocorreu com Ester. !
menina no dei$ava que o garoto c&amasse a me adotiva de mameT, e tampouco permitia que alguém se
referisse ' me como mameT do garoto. 7ornou>se a princípio e$tremamente destrutiva, mas depois passou a
proteger o menino. Essa mudança so%reveio no mo mento em que a me, muito sa%iamente, permitiu que Ester se
transformasse de novo num %e%ê, tratando>a e$atamente como se tivesse seis meses de idade. ! menina usou de
for ma construtiva essa e$periência e iniciou sua nova carreira de me. Qe par com isso, a menina desenvolveu
um relacionamento muito %om e duradouro com o padrasto. -as, nessa mesma época, Ester e a me passaram a
estar mais ou me nos permanentemente em conflito, a ponto de um psiquiatra aconsel&ar, tendo Ester cinco anos
de idade, que ela passasse um período longe de casa. "l&ando em retrospecto, esse consel&o no parece ter sido
muito %om. " pai, sempre sensível 's necessidades da fil&a, foi o principal respons)vel por trazê>la de volta ao
lar. Qe acordo com suas palavras, toda a crença da menina em seu lar adotivo perecera. " pai parece ter>se
tornado a me dessa criança6 talvez se0a essa a srcem da patologia paran#ide que ele depois desenvolveu, com
um sistema delirante em que sua esposa figurava no papel de %ru$a.
!pesar da tenso sempre presente no relacionamento entre os pais adotivos, Ester tem>se desenvolvido
satisfat#ria mente. "s pais terminaram por separar>se, e e$iste entre os dois &o0e uma perpétua pendência legal.
5) tam%ém o fato de que a me sempre demonstrou a%erta preferência pelo ga roto6 este, por sua vez,
desenvolveu>se %em o suficiente para ser capaz de recompens)>la com seu amor.
Eis, em %reves lin&as, a &ist#ria triste e complicada da autora daquele poema, que, para mim, parece e$alar
segurança e con&ecimento da vida familiar. !compan&emos agora algumas das implicaç1es do caso.

3o é impossível que uma me muito pertur%ada, como a de Ester, trate e$cepcionalmente %em de seu %e%ê
recém>nascido. reio que a me de Ester ten&a>l&e proporcionado no s# uma e$periência satisfat#ria de
amamentaço, como tam%ém aquele apoio eg#ico que é to necess)rio aos %e%ês novos e que s# pode provir de
uma me identificada com seu fil&o ou fil&a. Essa me estava provavelmente fundida num grau e$tremo com seu
%e%ê. Eu diria que ela quis livrar>se daquele %e%ê com o qual estivera confundida, com o qual vin&a formando
como que uma única pessoa, porque en$ergava num futuro pr#$i mo o surgimento de uma nova fase que ela no
sa%eria administrar2 uma fase em que o %e%ê precisaria começar a separar>se dela. Ela no seria capaz de
acompan&ar as necessidades da criança nesse novo est)gio de desenvolvimento. /odia atirar a criança longe, mas
no separar> se dela. =orças muito profundas estariam em aço num tal mo mento2 quando a mul&er atirou a
criança no canal Fescol&endo uma &ora e um local que tornariam seu resgate uma quase certezaH estava tentando
lidar com um poderoso conflit o inconsciente, tal qual, por e$emplo, seu medo de ter o impulso de comer a fil&a
no momento da separaço. Se0a como for, o %e%ê de cinco meses pode ter perdido naquela &ora uma me ideal,
uma me que ainda no fora mordida, repudiada, empurrada, a%erta ao meio, rou%ada, odiada, além de
destrutivamente amada6 uma me, de fato, a ser conservada como imagem ideal.
Segue>se a isso um longo período do qual no con&ecemos os detal&es, a no ser o fato de que, no %erç)rio, Ester
era considerada difícilT, isto é, conservava ainda uma lem%rança da primeira e$periência %oa que tivera. 3o
ingressara ainda num estado de complacência, o que teria significado que a%andonara to da esperança. Xuando a
me adotiva apareceu, muita coisa 0) acontecera. 3aturalmente, ' medida que a me adotiva começava a adquirir
significado, Ester começou a us)>la para aquelas coisas que nunca teve oportunid ade de fazer2 morder, repudia r,
empurrar, a%rir ao meio, rou%ar, odiar. 3esse momento, é certo que a me adotiva precisava muito de alguém que
a esclarecesse acerca do que estava ocorrendo e do que teria de suportar6 é possível que uma tentativa ten&a sido
feita nesse sentido, mas os registros nada nos dizem. !dotara uma criança que perdera uma me ideal e vivera
uma e$periência confusa dos cinco meses aos dois anos e meio de idade, e em relaço a quem no constituíra o
vínculo fundamental que deriva dos primeiros cuidados. Qe fato, nunca c&egou a desenvolver um %om
relacionamento com Es ter, em%ora no tivesse pro%lemas com o menino menor6 e quando adotou uma terceira
criança, uma garota, dizia sem cessar a Ester2 Este é o %e%ê que eu sempre quis ter.T

=oi o pai que assumiu o papel da me %oa e idealizada na vida de Ester6 essa situaço perdurou até a separaço da
família. 7alvez ten&a sido 0ustamente isso o que desintegrou a família2 o pai via>se cada vez mais forçado a ser a
me de que a criança precisava, e a me adotiva ia sendo o%rigada a ocupar um papel mais e mais persecut#rio
em relaço ' criança. Esse pro%lema amargou a e$istência, em outros sentidos %oa, da me, que se dava %em com
as duas outras crianças.
Ester evidentemente &erdou algo da inteligência de sua me e de sua facilidade no trato com as palavras, e creio
que ninguém a qualificaria de psic#tica. 3o o%stante, sofre de uma certa carência, e apresenta, entre outros
pro%lemas, uma pro penso a rou%ar. !presenta tam%ém dificuldades escolares. ive com a me adotiva, que se

tornou e$tremamente possessiva e dificulta ao m)$imo o acesso do pai ' fil&a6 de par com isso, o pai desenvolveu
uma séria patologia psiqui)trica de natureza paran#ide e delirante.
"s pais adotivos sa%iam que a me de Ester era psic#tica, isto é, que era paciente de uma instituiço psiqui)trica6
mas no con&eciam o caso em detal&e, pois a assistente social identificava neles o medo de que Ester &erdasse a
loucura da me. W interessante que, nesses casos, a preocupaço com uma possível loucura &erdada parece
so%repor>se a uma questo muito mais séria, que se refere aos efeitos so%re a criança do período passado no
%erç)rio antes da adoço. 3o caso de Ester, sem dúvida alguma, esse período caracterizou>se como um período
de confuso, quando deveria ter sido algo muito mais direto, simples e, na verdade, pessoal.
PATOLOGIA PSICBTICA

! psicose dos pais no produz psicose nos fil&os. ! etiologia no é assim to simples. ! psicose no se transmite
direta mente, como a cor do ca%elo ou a &emofilia, nem é adquirida pela criança através do leite da me. 3o é
uma doença. /ara os psiquiatras que no se interessam tanto por pessoas quanto por doenças Y doenças da
mente, diriam Y, a vida é relativa mente simples. -as, para aqueles que tendem a ver os pacientes psiqui)tricos

no como portadores de doenças, mas como vítimas da %atal&a &umana pelo desenvolvim ento, pela adaptaço e
pela vida, a tarefa se torna infinitamente mais comple$a. Xuando vemos um paciente psic#tico, sentimos que,
no fosse pela graça de Qeus, aí estaríamos n#sT. on&ecemos em n#s o distúr%io, e o%servamo>lo so% uma
forma e$agerada.
7alvez uma classificaço sum)ria a0ude na distinço dos v) rios tipos de distúr%io. Em primeiro lugar, podemos
separar os pacientes psic#ticos em pais e mes, pois &) alguns efeitos que s# podem advir da relaço entre me e
fil&o, que é a primeira em que a criança se envolve6 se o pai tem aí alguma participaço, é apenas enquanto
desempen&a o papel de me>su%stituta. ale notar aqui que o pai tem a desempen&ar um papel muito mais
importante que esse2 ele torna &umano algo na me e retira dela o elemento que de outra forma se torna m)gico e
onipotente e pre0udica a pr#pria funço materna. "s pais têm seus pr#prios distúr%ios, cu0os efeitos so%re a
criança podem ser estudados6 mas tais distúr%ios s# atingem a criança que tem idade suficiente para perce%er o
pai como um &omem.
linicamente, eu dividiria as psicoses entre as de tendência maníaco>de pressiva e as desordens esquiz#ides, que
incluem, no grau mais alto, a pr#pria esquizofrenia. !compan&a todos esses distúr%ios um grau razo)vel de
delírios de perseguiço, se0a em alternância com a &ipocondria, se0a manifestado como uma &ipersensi%ilidade de
car)ter paran#ide.
7omemos agora a esquizofrenia, que é o mais severo de todos os distúr%ios, e tracemos o camin&o que leva dela '
saúde clínica Fsem nos determos na psiconeurose, que no nos interessa aquiH.
Se e$aminarmos os indivíduos esquiz#ides, encontraremos neles uma distinço imprecisa da fronteira que separa
a realidade interior da e$terior, as concepç1es su%0etivas das percepç1es o%0etivas. E$aminando mais,
encontraremos no paciente sentimentos de irrealidade. "s indivíduos esquiz#ides fundem>se com outras pessoas e
coisas com mais facilidade que os indivíduos normais, e têm mais dificuldade de sentirem>se separados enquanto
indivíduos. !lém disso, perce%em os uma certa fraqueza de integraço entre ego e corpo. " tra%al&o de parceria
entre psique e soma é fal&o, e os limites da psique por vezes no correspondem e$atamente aos do corpo. /or
outro lado, os processos intelectuais tendem a cor rer ' solta. "s esquizofrênicos no têm facilidade de enta%ular

relacionamentos nem de mantê>los, quando os o%0etos desses relacionamentos so e$ternos, isto é, reais no
sentido usual do termo. Esta%elecem relacionamentos segundo seus pr#prios termos, e no segundo os termos que
orientam os impulsos dos demais indivíduos.
"s pais dotados dessas características fracassam, de muitos modos, no cuidado de seus fil&os Fa no ser na
medida em que, conscientes da pr#pria deficiência, entregam>nos aos cuidados de outremH.
5) outra questo que gostaria de enfatizar2 em min&a pr)tica profissional, sempre recon&eci a e$istência de um
tipo de caso em que é essencial afastar a criança de um dos pais, especialmente se este é psic#tico ou severamente

neur#tico. /oderia dar muitos e$emplos ilustrativos6 escol&i apenas um, o de uma menina com anore$ia severa2
Essa garota tin&a oito anos quando a afastei de sua me6 as sim que isso ocorreu, constatamos que ela era %astante
normal. ! me estava em depresso, que nessa ocasio era reativa devido ' ausência do marido, convocado para
a guerra. 7oda vez que a me se deprimia, a menina ficava anoré$ica. ! me depois teve um menino que por sua
vez desenvolveu o mesmo sintoma, defendendo>se da insana necessidade que a me tin&a de provar seu valor
empanturrando as crianças de comida. Qesta feita, foi a menina que trou$e seu irmo para tratamento. 3o fui
capaz de afast)>lo da me nem mesmo por um %reve período, e ele no conseguiu esta%elecer> se como pessoa
plenamente independente da me.

3o raro temos de aceitar o fato de que a criança encontra> se irreversivelmente envolvida pela doença de um dos
pais, e que nada podemos fazer a respeito. 7emos de recon&ecer esses casos para preservarmos nossa pr#pria
saúde mental.
Essas características psic#ticas nos progenitores, e so%retudo nas mes, afetam de muitos modos o
desenvolvimento das crianças. Qevemos lem%rar, porém, que o distúr%io da criança pertence apenas ' criança,
em%ora as condiç1es am%ientais devam ser levadas em alta conta na consideraço da etiologia do pro%lema. !
criança pode encontrar meios de crescer sadia apesar dos fatores am%ientais, e pode sofrer distúr%ios no o%stante
o %om cuidado. Xuando fazemos com que uma criança se0a afastada de pais psic#ticos, temos a esperança de
poder tra%al&ar com ela6 raras so as vezes em que se constata que a criança é normal quando afastada do genitor
doente, como no caso citado.
A '*e c#(&c#
!s mes so su0eitas a um estado muito pertur%ador, que pode afetar seriamente a vida das crianças2 o estado
ca#tico, que é, na verdade, um estado de caos organizado. 7rata>se de uma defesa2 cria>se e conserva>se
permanentemente um estado de caos para ocultar uma desintegraço su%0acente, mais séria, que constitui uma
ameaça constante. !s mes que apresentam esse pro%lema so indivíduos com quem é difícil conviver. Eis um
e$emplo2
Lma paciente que completou comigo um longo processo de an)lise tin&a uma me desse tipo6 é possível que,
dentre as mes pertur%adas, estas se0am as de mais difícil convivência. " lar parecia %om6 o pai era um indivíduo
calmo e %enevolente, e &avia muitos fil&os. 7odas as crianças foram de um modo ou de outro afetadas pelo
estado psiqui)trico da me, que por sua vez era muito parecido com o da pr# pria me desta.
Este caos organizado levava a me a dedicar>se constantemente a tudo fragmentar, introduzindo uma série
infinita de distraç1es na vida das crianças. Qe v)rios modos, e so%retudo a partir da época em que as palavras
transformaram>se num c#digo inteligível, esta me confundira continua mente min&a paciente6 isso é tudo o que
ela fazia. 3o era de todo m)6 's vezes, era muito %oa como me6 mas sempre confund ia tudo com as distraç1es
que criava e com aç1es imprevisíveis e, portanto, traum)ticas. =alava com os fil&os através de rimas sem sentido,
gal&ofas, trocadil&os e meias verdades, narrativas de ficço científica e fatos travestidos de imaginaço. " efeito
disso so%re as crianças foi devasta> dor. 3en&um dos fil&os salvou>se do fracasso6 o pai nada podia fazer, e
mergul&ava em seu tra%al&o.
P#& !ep"e&$o

! depresso pode ser uma doença cr\nica, tendo %astante repercusso so%re o afeto que um pai tem disponível
para dar aos fil&os6 e pode tam%ém manifestar>se em fases agudas, que aparecem e somem mais ou menos de
sú%ito. ! depresso a que me refiro aqui no é de natureza esquiz#ide, mas sim reativa. Xuando uma criança
encontra>se num est)gio em que o cuidado ma terno é fator muito importante, pode ser muito pertur%ador ver a
me preocupada com alguma outra coisa, algo que talvez per tença apenas ' vida particular materna. Lma criança
nessa posiço sente>se caindo num %uraco sem fundo, " caso seguinte de monstra a operaço desse fator num
est)gio um pouco posterior, tendo a criança dois anos de idade2
Xuando 7on+ veio a mim, aos sete anos, estava acometido de uma forte o%sesso. Estava a ponto de tornar>se um
delinqMente com perigosas &a%ilid ades, e 0) tentara uma vez estrangular a irm. ! o%sesso desapareceu quando
sua me, seguindo um consel&o meu, conversou com ele a respeito do medo que ele tin&a de perdê>la. Este medo
resultara de diversas separaç1es anteriores. ! pior, e a mais significativa, ocorrera aos dois anos de idade do
garoto, quando a me sofreu de depresso.
Lma fase aguda da patologia depressiva da me o%struíra quase por completo seu contato com o fil&o6 nos anos
posteriores, qualquer volta da depresso materna tendia a causar em 7on+ uma retomada da o%sesso pelo
%ar%ante. " %ar%ante para ele é um último recurso, pois permite que ele 0unte o%0etos que parecem estar
separados.
=oi, portanto, uma fase melanc#lica da depresso cr\nica de uma e$celente me, num lar muito %om, que
produziu a carência que, por sua vez, ocasionou o sintoma manifesto no caso de 7on+.
3o caso de alguns pais, so as mudanças de &umor de car) ter maníaco>depressivo que mais afetam as crianças. W
impressionante ver como até as crianças mais novas aprendem a avaliar o estado de espírito dos pais. Elas fazem
isso ao início de cada dia, e 's vezes aprendem a ficar de ol&o no rosto da me ou do pai durante quase todo o
tempo. Supon&o que, ao crescer, se0am daquelas pessoas que ol&am para o céu ou ouvem a previso do tempo na
88.
omo e$emplo descreverei o caso de um garoto de quatro anos, muito sensível, de temperamento %astante
semel&ante ao do pai. Ele estava no c&o de meu consult#rio %rincando com um trenzin&o, enquanto eu e sua
me fal)vamos a seu respeito. Qe sú%ito ele disse, sem ol&ar para cima2 Qr. 9innicott, você est) cansadoVT
/erguntei>l&e o que l&e dera essa idéia, e ele respondeu2 " seu rostoT6 assim, tornou>se evidente que ele dera
uma %oa ol&ada em meu rosto quando entrou na sala. Eu de fato estava muito cansado, mas esperava tê>lo
ocultado. ! me disse que era uma característica do me nino avaliar como as pessoas se sentiam, pois seu pai Fum
pai e$celente, médico de profissoH era um &omem que precisava estar num estado de espírito muito adequado
para poder ser usado livremente como compan&eiro de %rincadeiras, " pai, de fato, vivia freqMentemente cansado
e um pouco deprimido.
!ssim, fica claro que as crianças conseguem lidar com as mu danças de &umor de seus pais o%servando>os
cuidadosamente6 é a imprevisi%ilidade de alguns pais que pode ser traum)tica. /arece> me que, uma vez tendo
atravessado os primeiros est)gios de de pendência m)$ima, as crianças conseguem conviver com quase todo tipo
de fator adverso que permaneça constante ou possa ser pre visto. omo é natural, as crianças mais inteligentes
têm uma vantagem so%re as pouco intelig entes no que toca ' capacidade de pre viso6 mas 's vezes constatamos
que a capacidade intelectual de crianças muito inteligentes foi so%re e$igida Y a inteligência foi prostituída,
concentrando>se apenas na comple$a tarefa de predi ço dos &umores e tendências paternos e maternos.
P#& !oen(e no p#pe% !e (e"#pe)(#

"s distúr%ios mentais severos no impedem os pais de procurar a0uda para seus fil&os no momento certo2
/ercival, por e$emplo, veio a mim num estado de psicose aguda aos onze anos de idade. Seu pai tivera
esquizofrenia aos vinte anos, e fora o psiquiatra do pai que me mandara o caso. " pai tin&a agora mais de
cinqMenta anos, e 0) se acostumara a seu distúr%io mental cr\nico. 7eve muita sim patia pelo fil&o quando este
tam%ém adoeceu. ! me de /ercival é ela mesma esquiz#ide, e tem muito pouco sentido de realidade6 no
o%stante, foi capaz de cuidar do fil&o ao longo da primeira fase do distúr%io, até que ele estivesse %em o
suficiente para ser cuidado fora de casa. /ercival levou três anos para recuperar>se de sua doença, que tin&a
íntima ligaço com a de seus pais.
Refiro>me a esse caso porque nele fui capaz de fazer uso de am%os os pais apesar de sua doença, ou por causa
dela, para dar assistênci a a /ercival na fase mais crítica de seu distúr%io. ! me transformou>se numa e$celent e
enfermeira da mente, e dei$ou a personalidade de /ercival fundir> se ' sua e$atamente na medida em que isso se
fazia necess)rio. Eu sa%ia, porém, que ela no se ria capaz de fazê>lo por muito tempo, e ap#s seis meses rece%i o

S"S que estivera esperando. Omediatamente afastei /ercival de sua casa, mas o mais importante 0) fora feito. !
e$periência do pai com a esquizofrenia &a%ilitou>o a tolerar a e$trema loucura do garoto, e a condiço da me fez
com que ela participasse intimamente de seu distúr%io até o momento em que ela mesma começou a necessitar de
a0uda. " menino, na medida em que mel&orava, teve de ficar sa%endo que seus pais tin&am seus pr#prios
distúr%ios, e a%sorveu esse fato aos poucos. /ercival est) agora em meio ' pu%erdade e, graças so%retudo aos seus
pais to doentes, est) com %oa saúde.
E que pensar desta outra &ist#ria, %astante diferente, que me apareceu na clínica &ospitalarV
Este pai de família no tem qualquer distúr%io psiqui)trico, mas sim câncer. !pesar disso, os médicos têm, por

milagre, conseguido mantê>lo vivo pelos últimos dez anos. omo conseqMência, sua esposa, que é me de muitos
fil&os, no tem tirado férias desde &) quinze anos, e 0) perdeu todas as esperanças. !penas contin ua e$istindo, e
est) totalmente envolvida com o cuidado do marido e a administraço da casa, que é escura, apertada e
deprimente. Enc&e>se de culpa quando qualquer coisa errada acontece ou quando mais uma das crianças
a%andona o lar. Lm dos meninos tornou>se alco#latra na adolescência, mas os outros fil&os esto se
desenvolvendo %em. ! única felicidade na vida da me vem de seu emprego, no qual ela tra%al&a das D 's B da
man&. Ela finge que o faz para gan&ar din&eiro, mas o faz para mu dar de ares, sendo esta a única recreaço a
que tem acesso. /arece>me que o câncer do pai é uma espécie de %ufo que consegue desintegrar a vida de toda a
família. 3ada pode ser feito6 o câncer permanece sentado em seu trono ' ca%e ceira do leito paterno, ostentando
um sorriso de onipotência.
Este estado de coisas é terrível6 entretanto, ac&o que é mel&or do que os casos em que um dos pais, em%ora
fisicamente saud)vel, sofre de um distúr%io psiqui)trico de car)ter psic#tico.
ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO E A PSICOSE PARENTAL

3a teoria que su%0az a essas consideraç1es, têm>se sempre em mente o est)gio de desenvolvimento em que se
encontra a criança quando da operaço de determinado fator traum)tico. ! criança pode estar numa dependência
quase completa, estando fundida com a me6 pode ter entrado num estado de dependência ordin)ria, no qual aos
poucos vai adquirindo sua independência6 ou pode 0) ter>se tornado em certa medida independente. !s psicoses
parentais devem ser consideradas em relaço a tais est)gios, e podem ser graduadas segundo a seguinte escala2
FaH /ais muito pertur%ados. 3estes casos, outros indivíduos assumem o cuidado dos %e%ês e crianças.
F%H /ais menos pertur%ados. 5) períodos em que outros entram em cena.
FcH /ais dotados de saúde suficiente para proteger os fil&os ? !Q"<ES3O!
da pr#pria patologia, pedindo a0uda. 7ranspondo a Uona das almarias
FdH /ais cu0a patologia inclui a criança, de modo que nada pode ser feito por esta sem a violaço dos direitos que
todo pai tem so%re seus fil&os.
3a min&a opinio, o poder 0udici)rio s# deve separar as crianças dos pais naqueles casos em que a crueldade ou a
negligência flagrantes despertam a consciência da sociedade. 3o o%stante, sei que &a casos que pedem pela
separaço. ada caso e$ige um e$ame muito minucioso Y em outras palavras, pede por um %om estudo de caso.

CAPITULO 1 - ADOLESC;NCIA

!tualmente, é grande em todo o mundo o interesse pela adolescência e pelos pro%lemas do adolescente. Em
quase todos os países &) grupos de adolescentes que se fazem notar de um modo ou outro. -uitos estudos dessa
fase do desenvolvimento esto sendo feitos, e vem surgindo toda uma nova literatura liga da ' questo, incluindo
romances que tratam das vidas de meninos e meninas adolescentes e auto%iografias escritas pelos pr#prios
0ovens. W>nos permitido supor a e$istência de uma cone$o entre esse desenvolvimento de nossa consciência
social e as condiç1es sociais específicas da época em que vivemos.
7odos que e$ploram esse campo da psicologia so o%rigados a recon&ecer um fato logo de saída2 o menino ou a
menina adolescentes no querem ser entendidos. "s adultos devem manter entre si aquilo que vêm a
compreender a respeito da adolescência. Seria a%surdo escrever para os adolescentes um livro so%re a

adolescência6 esta é uma fase que precisa ser efetivamente vivida, e é essencialmente uma fase de desco%erta
pessoal. ada indivíduo vê>se enga0ado numa e$periência viva, num pro%lema do e$istir.

A c)"# !# #!o%ec+nc&#

! adolescência tem cura, uma cura apenas, que porém no pode interessar ao garoto ou ' garota que esto em
pleno sofrimento. ! cura da adolescência vem do passar do tempo e do gradual desenrolar dos processos de
amadurecimento6 estes de fato conduzem, ao final, ao aparecimento da pessoa adulta. "s processos no podem
ser acelerados ou atrasados, mas podem ser invadidos e destruídos6 e podem defin&ar internamente, no caso do

distúr%io psiqui)trico.
Zs vezes precisamos lem%rar que, em%ora a adolescência se0a algo que sempre ten&amos conosco, cada
adolescente trans forma>se, com o passar de alguns anos, num adulto. "s pais têm maior consciência desse fato
do que muitos soci#logos6 a irritaço pú%lica com o fen\meno da adolescência é facilmente evoca da pelo
0ornalismo %arato e pelas declaraç1es pú%licas de indivíduos importantes6 a adolescência é tratada como um
pro%lema, e o fato de que cada adolescente est) na verdade vivendo um pro cesso ao ca%o do qual se tornar) um
adulto consciente e integra do na sociedade é dei$ado de fora da questo.
DEFINIO TEBRICA

5) razo)vel consenso, entre os que se dedicam ao estudo da psicologia dinâmica, quanto a uma definiço geral da
adolescência em termos do desenvolvimento emocional do indivíduo.
" menino e a menina dessa fai$a et)ria têm de lidar com as mudanças decorrentes da pr#pria pu%erdade. "
desenvolvimento da capacidade se$ual e as manifestaç1es se$uais secund)rias fazem>se presentes em indivíduos
dotados de uma &ist#ria pessoal, que inclui um padro pr#prio de organizaço de defesas contra ansiedades de
v)rios tipos. Em particular, e em casos sadios, cada indivíduo teve, antes do período de latência, a e$periência de
um comple$o de Wdipo plenamente desenvolvido, isto é, viveu as duas principais posiç1es do relacionamento
triangular que constituiu com os dois pais Fou pais su%stitutosH6 e, na e$periência prévia de cada adolescente,
organizaram>se modos de com %ater a tenso ou aceitar e tolerar os conflitos inerentes a tais condiç1es,
essencialmente comple$as.
7am%ém, derivadas das e$periências da infância de cada adolescente, su%sistem certas características e
tendências pessoais &erdadas e adquiridas, fi$aç1es a modalidades pré>genitais de e$periência instintiva e

resíduos da dependência e da implaca%ilidade infantis6 e, além disso, restam todos os tipos de padr1es doentios
associados a fal&as de amadureci mento em nível edípico ou pré edípico. !ssim, o menino e a menina c&egam '
pu%erdade com to dos os seus padr1es predeterminados pelas e$periências de infância6 muita coisa permanece
guardada no inconsciente, e muito no é con&ecido porque simplesmente ainda no foi e$perimentado.
5) muito espaço para variaç1es indivi duais no que toca ao grau e ao tipo de pro%lema que pode resultar de tudo
isso, mas a questo geral é a mesma2 como essa organizaço pree$i stente do ego reagir) ' nova investida do idV
omo se acomodaro as mu danças da pu%erdade ao padro de personalidade específico do me nino ou da
menina em questoV omo podero esse menino a essa menina lidar com seu novo poder de destruir ou mesmo
de matar, poder que, ento ine$istente, no complicava os sentimentos de #dio na infânciaV W como verter vin&o
novo em odres vel&os.
O #'H&en(e
" am%iente desempen& a, neste est)gio, papel de imensa importânc ia, a ponto de ser mais adequado, num relato
descritivo, supor a continuidade da e$istência e do interesse do pai, da me e da família pelo adolescente. -uitas
das dificuldades por que passam os adolescentes, e que muitas vezes requerem a intervenço de um profissional,
derivam das m)s condiç1es am%ientais6 este fato apenas serve para enfatizar a vital importância do am%iente e da
família para aquela imensa maioria de adolescentes que de fato c&ega ' maturidade adulta, mesmo se, para os
pais, o processo todo é pontil&ado de dores de ca%eça.
ReHe%!&# e !epen!+nc&#

W característica da fai$a et)ria em questo a r)pida alternância entre independência re%elde e dependência
regressiva, e mesmo a coe$istência dos dois e$tremos num mesmo momento.
O &o%#'en(o !o &n!&$Q!)o

" adolescente é essencialmente um isolado. 7odo relaciona mento entre indivíduos, e, em última instância, toda
socializaço, parte de uma posiço de isolamento. 3esse aspecto, o adolescente revive uma fase essencial da
infância, pois o %e%ê é um ser isolado ao menos até o momento em que repudia o no>eu e constitui>se como
indivíduo distinto, capaz de relacionar>se com o%0etos e$ternos ao self e ' )rea de controle onipotente. /ode>se
dizer que, antes de o princípio de prazer>dor dar lugar ao princípio de realidade, a criança é isolada pela natureza
su%0etiva de seu am%iente.
"s grupos de adolescentes 0ovens so a0untamentos de indivíduos isolados que procuram formar um agregado por
meio da identidade de gostos. So capazes de agrupar>se quando so ata cados enquanto grupo mas esta é uma
organizaço paran#ide de reaço ao ataque. essada a perseguiço, o grupo constitui>se novamente num
agregado de indívíduos isolados.

Seo #n(e !o (e'po


!s e$periências se$uais dos adolescentes mais 0ovens so mar cadas por esse fen\meno de isolamento, e tam%ém
pelo fato de que o menino ou a menina no sa%e ainda se ser) &omosse$ual, &eterosse$ual ou simplesmente
narcisista. /ara muitos, &) um longo período de incerteza quanto ) pr#pria e$istência de um impulso se$ual de
fato. ! constante atividade mastur%at#ria, nesse est)gio, pode constituir uma maneira de ver>se livre do se$o, e
no uma e$periência se$ual6 e as atividades &omosse$uais ou &eterosse$uais compulsivas podem servir ao
mesmo prop#sito ou como forma de descarregar tens1es, antes de representare m for mas de unio entre pessoas
&umanas integrais. W mais prov)vel que essa unio entre pessoas integrais se manifeste, em primeiro lugar, nos
0ogos se$uais incompletos ou no comportamento afetivo com ênfase no sentimento. Eis novamente o padro
pessoal querendo unir>se aos instintos6 enquanto isso no ocorre, porém, é necess)rio que &a0a algum tipo de
alívio para a tenso se$ual.
Se tivéssemos a oportunidade de con&ecer os fatos tal como so, poderíamos esperar constatar uma alta
incidência de mastur%aço compulsiva. FXualquer investigador que se aventurasse neste campo faria %em em
adotar o seguinte lema2 aquele que faz perguntas deve estar preparado a ouvir mentiras.H
Sem dúvida é possível estudar o adolescente em termos das reaç1es do ego 's mudanças do id, e o psicanalista
praticante deve estar preparado para enfrentar este tema central, se0a tal co mo se manifesta na vida do paciente,
se0a tal como se apresenta no material do paciente trazido ao conte$to analítico ou na fantasia consciente e
inconsciente e nas partes mais profundas da realidade psíquica, pessoal e interior do paciente. -as no pretendo
desenvolver aqui esse tipo de a%ordagem6 meu prop#sito é tratar da adolescência de outro modo, relacionando a
atual voga de te mas ligados ' adolescência a mudanças sociais ocorridas nos últimos cinquenta anos.
A ?ORA DE ADOLESCER
3o seria sinal da %oa saúde de uma sociedade o fato de que seus 0ovens so capazes de adolescer no tempo
certo, isto é, na época em que ocorre o crescimento pú%ereV "s povos primitivos disfarçam so% ta%us as
mudanças da pu%erdade, ou seno trans formam seus adolescentes em adultos no decorrer de poucas se manas ou

meses por meio de certos ritos e provas. Em nossa sociedade atual os adultos esto sendo formados por processos
na turais, sendo impulsionados na adolescência por suas tendências de crescimento. W muito prov)vel que isso
signifique que os adultos de &o0e se0am seres fortes, est)veis e maduros.
W certo que isso no se d) sem um preço a pagar. "s muitos colapsos psicol#gicos entre os adolescentes
demandam nossa tolerância e nossos cuidados6 o novo tipo de desenvolvimento igual mente e$erce uma tenso
so%re a sociedade, pois os adultos que foram privados da adolescência no gostam nada de ver meni nos e
meninas florescendo ' sua volta.
TR;S MUDANAS SOCIAIS

3a min&a opinio, três grandes mudanças sociais alteraram todo o clima que envolve os adolescentes na
adolescência2
FiH !s doenças venéreas no assustam mais, " espiroqueta e o gonococo 0) no so Fcomo certamente o eram, no
sentimento pú%lico, &) cinqMenta anosH os agentes enviados por um Qeus punitivo. 5o0e podem ser com%atidos
pela penicilina e outros anti%i#ticos
FiiH " desenvolvimento de técnicas contraceptivas deu ao adolescente a li%erdade de e$plorar. 7rata>se de uma
forma muito nova de li%erdade2 a li%erdade de investiga r a se$ualidade e a sensualidade sem qualquer dese0o de
ter fil&os e, mais, cuidando para no ter de trazer ao mundo uma criança indese0ada e sem pais. W claro que

acidentes acontecem e sempre acontecero, levando a a%ortos desastrosos e perigosos e ao nascimento de fil&os
ilegítimos. -as sugiro que, ao e$aminar o pro%lema da adolescência, aceitemos o fato de que o adolescente
moderno tem a opço de e$plorar todo o territ#rio da vida sensual sem a agonia mental acarret ada pelo medo de
uma concepço indese 0ada. Osso no é verdade de todo, pois a agonia mental associada ao receio de um acidente
permanece6 mas, no decorrer dos últimos trinta anos,
?. <em%ro>me claramente da conversa que tive com uma moça algum tempo depois da /rimeira (uerra -undial.
ontou>me que fora s# o medo das doenças venéreas que a impedira de entregar>se ' prostituiço. ausou>l&e
&orror a idéia, introduzida por mim durante a conversa, de que as doenças venéreas poderiam um dia ser
preveníveis ou cur)veis. Qisse ela que no conseguia imaginar como poderia ter atra vessado sua adolescência
Fda qual ela saíra &avia muito pouco tempoH sem esse medo, que ela usara para manter>se no camin&o certo. Ela é
&o0e a me de uma grande família , e é o tipo de pessoa a que se costuma c&amar normal6 mas teve de enfrent ar a
luta da adolescência e o desafio dos pr#prios instintos. =oi difícil. -entiu um pouco, rou%ou outro pouco, mas
conseguiu. Sempre apegando>se, porém, ' limitaço imposta pelas doenças venéreas.
o pro%lema foi alterado por esse novo fator. /erce%emos que, agora, a agonia mental provém do sentimento de
culpa inato a cada indivíduo. 3o quero dizer que todo menino ou menina possua um sentimento de culpa inato,
mas sim que, em %oas condiç1es de saúde, ele ou ela desenvolvem por meios muito compl icados um sentido do
que é certo e do que é errado, um sentimento de culpa, ideais e uma idéia do que cada um quer para o futuro.

FiiiH ! %om%a at\mica talvez este0a produzindo mudanças ainda mais profundas que as que mencionei até aqui. !
%om%a at\mica afeta o relacionamento entre a sociedade adulta e a eterna vaga de novos adolescentes. 5o0e,
precisamos acostumar>nos a viver so% a suposiço de que no &aver) mais guerras. /ode>se argumentar que &)
possi%ilidade de que uma guerra estoure a qual quer momento em qualquer lugar do mundo, mas &o0e sa%emos
que a organizaço do país para a guerra no é mais soluço para os pro%lemas sociais. !ssim, no &) mais
0ustificativa para que impon&amos 's crianças e 0ovens uma forte disciplina militar e naval, por mais conveniente
que isso se0a para n#s.
!qui entra o efeito da %om%a at\mica. Se no &) mais sentido em lidarmos com nossos adolescentes preparando>
os para lutar por seu Rei e sua /)tria, temos aí ainda outra razo para que a adolescência se transforme para n#s
num pro%lema a ser resolvido em si mesmo. !gora, temos que sacarT a adolescência.
" adolescente é pré>potente. 3a vida da imaginaço, a potência de um &omem no est) s# no aspecto ativo e
passivo das relaç1es. Onclui tam%ém a vit#ria de um &omem so%re outro &omem e a admiraço da mul&er pelo
vencedor. reio que, &o0e, tudo isso ten&a que estar contido na mística dos %arzin&os e nas ocasionais %rigas de
faca. ! adolescência, mais do que em qual quer outra época, est) &o0e sendo o%rigada a se conter6 essa realidad e
contida é em si %astante violenta Y um pouco parecida com o inconsciente reprimido do indivíduo, que no
parece to %elo quando é e$posto ao mundo.
Xuando pensamos nas not#rias atrocidades da moderna 0uventude, devemos sempre ponder)>las em relaço a
todas as mortes que adviriam da guerra que no ocorrer)6 em relaço a toda a crueldade da guerra que no
ocorrer)6 e em relaço ' livre se$ualidade que é marca de todas as guerras 0) ocorridas, e que no mais ocorrero.
!ssim, é evidente que a adolescência est) aqui ao nosso lado, e veio para ficar.
Essas três mudanças esto afetando a consciência da sociedade. Osso se manifesta claramente no modo pelo qual a
adolescência &o0e se apresenta2 como algo que no pode mais ser mantido oculto por falsas mano%ras, como a
convocaço militar.
A INACEITA6ILIDADE DA FALSA SOLUO
Lma das principais características dos adolescentes é o fato de no aceitarem falsas soluç1es. Essa moralidade
feroz, %aseada em noç1es de verdadeiro e falso, ocorre tam%ém na infância e em doenças do tipo esquizofrênico.
! cura da adolescência vem com o passar do tempo, fato esse que pouco significa para o adolescente. "
adolescente %usca uma cura imediata, mas ao mesmo tempo re0eita todas as curasT que encontra, pois detecta em
cada uma delas um ele mento falso.
Xuando o adolescente aprende a tolerar o meio>termo, pode vir a desco%rir v)rios modos pelos quais a
ine$ora%ilidade das verdades essenciais pode ser a%randada. 5), por e$emplo, uma soluço que consiste na
identificaço com a figura dos pais6 pode &aver uma maturidade se$ual prematura6 pode ocorrer um re
direcionamento do se$o para proezas físicas no atletismo, ou das funç1es corporais para as realizaç1es
intelectuais. -as os adolescentes em geral descartam esses meios au$iliares6 ao invés, vêem>se o%rigados a
transpor uma espécie de zona das calmarias, uma fase em que se sentem fúteis e ainda no se encontraram. 3osso
papel, em tudo isso, é o de espectadores. -as a ausência total de meios>termos, especialmente no que toca ao uso
de identificaç1es e ' a%sorço de e$periências al&eias, implica que cada indivíduo ten&a de começar seu camin&o
da estaca zero, ignorando tudo o que 0) foi tra%al&ado na &ist#ria anterior de nossa cultura. emos nossos
adolescentes começando tudo de novo, co mo se no &ouvesse nada que pudessem emprestar de outrem. emo>
los constituindo grupos com %ase em uniformidades de importância menor, e com %ase em um tipo de ligaço
que tem a ver so%retudo com o local e a idade. emos os 0ovens %uscando um tipo de identificaço que no os

a%andona sozin&os em sua luta2 a luta para sentir>se real, a luta para esta%elecer uma identidade pessoal, a luta
para viver o que deve ser vivido sem ter de conformar>se a um papel preesta%elecido. "s adolescentes no sa%em
no que se tornaro. 3o sa%em onde esto, e esto a esperar. 7udo est) em suspenso6 isso acarreta o sentimento
de irrealidade e a necessidade de tomar atitudes que l&es pareçam reais, e que de fato o so, na medida em que
afetam a sociedade.
5) na adolescência esta coisa muito curiosa e intrigante2 a mistura de re%eldia e dependência. !queles que
cuidam de adolescentes no raro vêem>se perple$os com o fato de que esses meninos e meninas, por vezes to
re%eldes, podem tam%ém ser ao mesmo tempo dependentes a ponto de parecerem crianças e mesmo %e%ês,
manifestando padr1es de dependência que talvez remontem aos primeiros meses de vida. !lém disso, os pais
desco%rem>se gastando din&eiro para que seus fil&os demonstrem sua re%eldia contra eles pr#prios. Esse é um
%om e$emplo do fato de que os te#ricos operam num nível muito diferente do nível em que vivem os
adolescentes e seus pais ou tutores. " que vale aqui no é a teoria, mas o impacto do adolescent e so%re os pais e
vice>versa.

NECESSIDADES DO ADOLESCENTE

!ssim, torna>se possível relacionar as necessidades manifestadas pelos adolescentes2

! necessidade de evitar a falsa soluço.


! necessidade de sentir>se real, ou de tolerar a a%soluta fal ta de sentimento.
! necessidade de ser re%elde num conte$to que, confiada> mente, acol&a tam%ém a dependência.
! necessidade de aguil&oar repetidamente a sociedade de mo do que o antagonismo desta faça>se manifesto, e
possa ser re%a tido por um contra>antagonismo.

A ADOLESC;NCIA SADIA E OS PADR5ES PATOLBGICOS

"s padr1es que se manifestam no adolescent e normal têm relaço com os que se manifestam em v)rios tipos de
distúr%io mental. /or e$emplo2
! necessidade de evitar a falsa soluço corresponde ' incapacidade de o paciente psic#tico aceitar o meio>termo6
compare> se tam%ém com a am%ivalência psiconeur#tica e com a iluso e a auto>iluso de saúde.
! necessidade de sentir>se real ou nada sentir tem relaço com a depresso psic#tica acompan&ada de
despersonalizaço.
! necessidade de desafiar corresponde ' tendência anti>social, tal como se manifesta na delinqMência.
Qisso segue>se que, num grupo de adolescentes, as v)rias pro pens1es tendem a ser representadas pelos mem%ros

mais pertur%ados do grupo. /or e$emplo2 um mem%ro de um grupo toma uma overdose de drogas, outro no sai
da cama devido ' depresso, outro vaga ' solta com o canivete. Em todos os casos, o agre gado de indivíduos
isolados se agrupa por tr)s do indivíduo doente, cu0o sintoma e$tremo tem aço efetiva so%re a sociedade. !inda
assim, a maioria dos indivíduos envolvidos no têm impulso suficiente para transformar suas tendências em
sintomas inconvenientes e que produzam uma reaço social.
A c#%'#"&#

Repetindo2 se se espera do adolescente que transpon&a essa fase por meio de um processo natural, deve>se
esperar tam%ém

a ocorrência de um fen\meno que poderíamos c&amar de calma rias da adolescência. ! sociedade deve encarar
esse fen\meno co mo um dado permanente e toler)>lo, reagir ativamente a ele, ir de fato ao seu encontro, mas
no deve cur)>lo. ! questo que se coloca é2 teria a nossa sociedade saúde suficiente para agir assimV
" que complica mais o pro%lema é o fato de que &) indivíduos demasiado pertur%ados Fpela psiconeurose,
depresso ou esquizofreniaH para atingirem o est)gio do desenvolvimento emocional a que se c&ama
adolescência, ou s# so capazes de vivê>lo de maneira muito distorcida. 3o incluí neste artigo uma descriço das
patologias psiqui)tricas severas tal como se manifestam em indivíduos dessa idade6 no o%stante, &) um tipo de
distúr%io que no pode ser dei$ado de lado em qualquer consideraço so%re a adolescência Y o fen\meno da

delinqMência.
A!o%ec+nc&# e # (en!+nc&# #n(&-oc&#%
W revelador estudar a íntima relaço e$istente entre as dificuldades normais da adolescência e o estado anormal a
que se pode c&amar tendência anti>social. ! diferença entre os dois estados no se manifesta tanto em nível do
quadro clínico de cada um, mas reside so%retudo na dinâmica, na etiologia de am%os. 3a raiz da tendência anti>
social &) sempre uma privaço ou carência. Esta pode ser simplesmente o resultado de um estado de ausência ou
de depresso da me, ocorrida num momento crítico, ou da dissoluço da família. -esmo uma privaço menos
violenta, ocorrendo num momento de dificuldades, pode acarretar resultados persistentes, so%recarregando as
defesas disponíveis. /or tr)s da tendência anti>social &) sempre uma fase de saúde seguida de uma ruptura, ap#s a
qual as coisas nunca mais foram as mesmas. ! criança anti>social %usca, de um modo ou de outro, com violência
ou sem ela, o%rigar o mundo a recon&ecer sua dívida6 ou tenta fazer com que o mundo reconstrua a estrutura
rompida. /ortanto, na raiz da tendência anti>so cial 0az esta privaço ou carência. 3o se pode dizer, porém, que
toda adolescência se0a igualmente fundada so%re uma tal privaço. -as &) uma certa semel&ança entre os dois
quadros6 esse elemento de carência, na adolescência normal, é mais %rando e difuso, e no e$ige demais das
defesas e$istentes. !ssim, no grupo com o qual o adolescente se identifica, ou no agregado de indivíduos isola
dos que constitui um grupo em reaço a uma perseguiço e$terna, so os componentes mais pertur%ados que
agem em nome de todo o grupo. 7odos os aspectos da luta da adolescência Y os rou%os, as facas, as rupturas e
encontros e tudo o mais Y têm de estar contidos na dinâmica desse grupo, se0a no ato de ouvir 0azz, se0a numa
festa. Se nada acontece, os indivíduos começa m a duvidar da realidade do pr#prio protesto6 ainda assim, a maio
ria deles no so pertur%ados a ponto de tomar efetivamente a atitude anti>social que recoloca as coisas em seus
devidos luga res. -as a e$istência no grupo de um, dois ou três indivíduos anti> sociais que se dispon&am a tomar
uma atitude concreta de pro vocaço ' sociedade cria no agregado uma coeso, cria nos outros mem%ros um
sentido de realidade, e estrutura tempor)ria mente o grupo. 3en&um dos mem%ros faltar) ' lealdade e todos daro
apoio 'quele que agir pelo grupo, em%ora nen&um deles aprovasse essa atitude em si mesma.
reio que o mesmo princípio se aplica ao uso que se faz de outros tipos de distúr%io. ! tentativa de suicídio de
um dos mem%ros é muito importante para todos os demais. 3outro caso, um dos indivíduos no consegue se
levantar6 encontra>se paralisado pela depresso e permanece ouvindo músicas tristes6 tranca>se no seu quarto e
no dei$a ninguém se apro$imar. 7odos os outros sa%em que isso est) ocorrendo6 vez por outra o indivíduo sai da
depresso e todos feste0am, virando a noite ou permanecendo 0untos por dois ou três dias. Esses acontecimentos
pertencem a todo o grupo6 este encontra>se em constante mudança, ' medida que os pr#prios in divíduos vo
trocando de grupos6 mas, de algum modo, os mem%ros individuais do grupo fazem uso dos casos e$tremos para
sentirem>se reais, lutando para transpor esse período de calmarias.
7udo se resume ' questo de como ser adolescente durante a adolescência. 7rata>se de algo muito difícil, e alguns
0ovens esto tentando realiz)>lo. Osso no significa que n#s, adultos, de vamos dizer2 e0a que coisa %onita,

pequenos adolescentes vi vendo sua adolescência6 devemos agMentar tudo e dei$ar que que%rem nossas 0anelas.T
3o é essa a questo. " fato essencial é que somos desafiados, e encarar o desafio faz parte da vida adulta. -as
devemos encarar o desafio, e no tentar curar uma coisa que é essencialmente sadia.
" maior dos desafios colocados pelos adolescentes atinge aquela parte de n#s que no viveu em verdade sua
adolescência. Essa nossa parte nos faz lamentar que os 0ovens este0am através sando sua zona de calmarias, e nos
faz querer encontrar uma soluço para seu pro%lema. 5) centenas de soluç1es falsas. 7udo o que dissermos ou
fizermos estar) errado. Qamos apoio e estamos errados6 retiramo>lo e continuamos errando. 3o temos coragem
de ser compreensivosT. -as, com o decorrer do tempo, vimos a desco%rir que esse menino e essa menina 0)
transpuseram a zona das calmarias e começam a ser capazes de identificar se com a sociedade, com os pais e com
todos os gêneros de grupos mais amplos sem sentir a ameaça iminente da perda da pr# pria identidade.

CAP9TULO 11 - FAM9LIA E MATURIDADE EMOCIONAL

! corrente psicol#gica a que me filio considera a maturidade sin\nimo de saúde. ! criança de dez anos que é
saud)vel é madura para sua idade6 o infante sadio de três anos tem a maturidade de um infante de três anos6 o
adolescente sadio é um adolescente maduro, e no um adulto precoce. " adulto sadio é maduro enquanto adulto,
o que significa que 0) transp\s todos os est)gios de imaturidade, isto é, todos os est)gios maduros anteriores. "
adulto maduro tem a seu dispor todos os estados passados de imaturidade, e pode fazer uso deles por necessidade,
por diverso, nas e$periências secretas de auto>erotismo ou nos son&os. /ara e$por em todas as suas nuanças esse
conceito de maturidade relativaT, seria necess)rio recordar aqui toda a &ist#ria do desenvolvimento emocional6
mas supon&o que meus leitores ten&am 0) algum con&ecimento de psicologia dinâmica e da teoria que em%asa os
tra%al&os psicanalíticos.
Qefinido o conceito de maturidade, passo a tomar como te ma o papel desempen&ado pela família no
esta%elecimento da saúde individual. Osso nos suscita a seguinte questo2 seria possível ao indivíduo atingir a
maturidade emocional fora do conte$to familiarV
Qividindo a psicologia dinâmica em duas partes, temos duas vias de a%ordagem do pro%lema. Em primeiro lugar
temos o desenvolvimento da vida instintiva2 as funç1es e fantasias pré> genitais transformando>se numa
se$ualidade plena Fo que ocorre, como se sa%e, antes do início do período de latênciaH. Seguindo essa lin&a de
pensamento, a idéia de adolescência surge no mo mento em que as mudanças da pu%erdade ascendem ao primeiro
plano e as defesas contra a ansiedade organizadas nos primeiros anos de vida reaparecem ou tendem a reaparecer
na psique do indivíduo. 7udo isso soa muito familiar. -as, por contraste, gostaria de seguir a outra lin&a de
a%ordagem, que vê o indivíduo como estando su0eito, no início da vida, a uma dependência quase a%soluta, que
vai aos poucos diminuindo em grau e tendendo ao esta%elecimento da autonomia.
W possível que essa segunda a%ordagem se0a mais vanta0osa que a primeira. Seguindo>a, no precisamos
preocupar>nos em demasia com a idade específica de uma criança, adolescente ou adulto, " que nos interessa é o

grau de adaptaço das condiç1es am%ientais 's necessidades do indivíduo em qualquer momento de sua vida.
7rata>se, em outras palavras, de um tema que inclui a questo do cuidado materno, o qual muda de acordo com o
crescimento da criança e vem ao encontro tanto da dependência do %e%ê quanto dos primeiros movimentos do
mesmo em direço ' independência. Essa segunda a%ordagem talvez se0a particularmente adequada ao estudo do
desenvolvimento sadio, e nosso o%0etivo, no presente momento, é estudar a saúde.
" cuidado materno transforma>se num cuidado oferecido por am%os os pais, que 0untos assumem a
responsa%ilidade por seu %e%ê e pela relaço entre todos os fil&os. !lém disso, os pais têm a funço de rece%er as
contri%uiç1esT fornecidas pelas crianças sadias da família. " cuidado proporcionado pelos pais evolui para a
família e esta palavra começa a ter seu significado ampliado e passa a incluir os av#s, primos e outros indivíduos
que adquirem o status de parentes devido ' sua grande pro$imidade ou a seu significado especial Y os padrin&os,
por e$emplo.
Xuando e$aminamos esse fen\meno evolutivo que se inicia com o cuidado materno e prolonga>se até o interesse
da família pelos fil&os adolescen tes, no podemos dei$ar de notar a necessidade &umana de ter um círculo cada
vez mais largo proporcionando cuidado ao indivíduo, %em como a necessidade que o in divíduo tem de inserir>se
num conte$to que possa, de tempos em tempos, aceitar uma contri%uiço sua nascida de um impulso de
criatividade ou generosidade. 7odos esses círculos, por largos e vastos que se0am, identificam>se ao colo, aos
%raços e aos cuida dos da me.
Em meus escritos ten&o>me referido inúmeras vezes ' deli cada adaptaço das mes 's necessidades sempre
mut)veis de seus %e%ês. Xuem, seno a me, preocupa>se em sentir e con&ecer as necessidades do %e%êV (ostaria
de ampliar um pouco esta afirmaço2 creio que a família da criança é a única entidade que possa dar continuidade
' tarefa da me Fe depois tam%ém do paiH de atender 's necessidades do indivíduo. 7ais necessidades incluem
tanto a dependênci a como o camin&ar do indivíduo em direço ' independênci a. ! tarefa consiste em fazer face
's necessidades mutantes do indivíduo que cresce, no apenas no sentido de satisfazer a impulsos instintivos, mas
tam%ém de estar presente para rece%er as contri%uiç1es que so características essenciais da vida &umana. !
tarefa consiste, ademais, em aceitar as irrupç1es de re%eldia e as recaídas na dependência que se seguem '

re%eldia.
=az>se evidente, de imediato, que as referências ' re%eldia e ' dependência colocam em questo uma atitude que
surge so%retudo na adolescência, e que pode ser %em o%servada nessa fase. 7rata>se, na verdade, de um comple$o
pro%lema de administraço2 como fazer para estar disponível quando o adolescente torna>se criançola e
dependente, e ao mesmo tempo ser capaz de a%sorver adequadamente a necessidade adolescente de re%elar>se
para esta%elecer a pr#pria identidadeV W prov)vel que a família do 0ovem se0a a estrutura mais apta a suportar
essa dupla e$igência2 a e$igência de tolerância face ' re%eldia, e a e$igência dos cuidados, do tempo e do
din&eiro dos pais. omo se sa%e, o adolescente que foge de casa no se livra de modo algum de sua necessidade
de ter um lar e uma família.
! essa altura, gostaria de fazer uma recapitulaço2 no de correr do desenvolvimento emocional o indivíduo
transita da dependência para a independência6 e o indivíduo sadio conserva a capacidade de transitar livremente
de um estado a outro. Esse pro cesso no é de f)cil aquisiço. 7orna>se mais comple$o pelas alternativas de
re%eldia e dependência. 3a re%eldia, o indivíduo rompe o círculo imediato que o envolve e d) segurança. -as
duas coisas so necess)rias para que esse rompimento se0a vanta0oso. " indivíduo precisa inserir>se num círculo
mais amplo que este0a pronto a aceit)>lo, o que equivale a dizer que ele tem necessidade de retornar ' situaço
rompida. 3a pr)tica, a criança precisa sair do colo da me, mas no daí para o espaço sideral6 esse afasta mento
deve dar>se em direço a uma )rea maior, mas ainda su0eita a controle2 algo que sim%olize o colo que a criança
a%andonou. Lma criança mais vel&a foge de casa, mas s# até a cerca do 0ardim. ! cerca sim%oliza agora aquele
aspecto de &olding mais estreito que aca%ou de ser rompido2 a casa, digamos. -ais tarde, a criança ela%ora tudo
isso quando vai ' escola e entra em relaço com grupos fora do lar. ada um desses grupos represent a uma fuga
de casa6 mas, ao mesmo tempo, todos sim%olizam esse lar que foi dei$ado para tr)s e, na fantasia, destruído.
Xuando tudo corre %em, a criança continua sendo capaz de voltar para casa apesar da re%eldia inerente ao ir
em%ora. /ode> se descrever esse fen\meno em termos da economia interna da criança, da organizaço de sua
realidade psíquica pessoal. -as o ê$ito da desco%erta de uma soluço pessoal depende em grande medida da
e$istência da família e dos cuidados dos pais. endo as coisas pelo lado inverso, é muito difícil para a criança
ela%orar os conflitos inerentes ao sair e voltar sem um apoio satisfat#rio da família. " apoio compreensivo no é

coisa to rara, pois a norma é a e$istência da família e de pais que se sentem respons)veis e apreciam essa
responsa%ilidade com que so in vestidos. 3a esmagadora maioria dos casos o lar e a família e$is tem,
permanecem intactos e proporcionam ao indivíduo a oportunidade de desenvolver>se quanto a esse importante
aspecto. Lm número surpreendentemente alto de pessoas é capaz de ol&ar para tr)s e dizer que, quaisquer que
ten&am sido as fal&as e mal> entendidos, sua família nunca os a%andonou de fato, assim como sua me no os
a%andonou no decorrer dos primeiros dias, se manas e meses de vida.
3o interior do lar, a criança %eneficia>se imensamente da presença de irmos com quem os pro%lemas possam ser
compartil&ados. Esse é outro tema %em amplo6 o que dese0o enfatizar aqui, porém, é o fato de que, quando a
família permanece intacta e &) unidade entre os irmos, cada indivíduo tem diante de si a mel&or das
oportunidades de iniciar>se na vida social. Osso ocorre so%retudo porque, no centro de tudo, reside a relaço de
todos e de cada um com o pai e a me e, por mais que isso faça os ir mos odiarem>se uns aos outros, a aço
aglutinadora é maior, e o pr#prio #dio tem a oportunidade de afluir e manifestar>se com segurança.
7udo isso passa desperce%ido nos casos em que a família é unida, e vemos crianças nascendo e apresentando
sintomas que, em%ora inc\modos e pertur%adores, so sinais de um crescimento sadio. W quando a família se
rompe, ou ameaça romper>se, que perce%em os o quo importante é a família intacta. W verdade que a ameaça de
desintegraço da estrutura familiar no de termina automaticamente o aparecimento de distúr%ios clínicos nas
crianças, pois, 's vezes, conduz a um crescimento emocional prematuro e ao esta%elecimento precoce da
independência e do sentido de responsa%ilidade6 mas isso no se identifica a nosso conceito de maturidade
relativaT, e tampouco identifica>se ' saúde, em%ora possa apresentar certos traços saud)veis.
Qei$em>me enunciar um princípio geral. /arece>me importante ter em mente que, na medida em que a família
permanece intacta, tudo na vida do indivíduo relaciona>se em última instância com seu pai e sua me. ! criança
pode ter>se afastado dos pais na vida e na fantasia consciente, e pode ter tirado proveito disso. 3o o%stante, o
inconsciente sempre retém o camin&o de volta aos pais. 3a fantasia inconsciente da criança, toda demanda
remete>se fundamentalmente ao pai e ' me. ! criança aos poucos vai e$igindo cada vez menos dos pais, mas
isso se passa em nível da fantasia consciente. 3a realidade, o afastamento s# se d) em relaço ' figura e$terna
dos pais. Esse fato constitui como que um cimento da família , pois as figuras reais da me e do pai permanecem
vivas na realidade psíquica e interior de cada um de seus mem%ros.
5) assim duas tendências. ! primeira é a tendência de o in divíduo afastar>se da me, do pai e da família,
adquirindo a cada passo maior li%erdade de pensamento e aço. ! outra tendência, que atua no sentido oposto, é a
necessidade de conservar ou reto mar o relacionamento com o pai e a me. W esta segunda tendência que permite
que a primeira constitua uma etapa do crescimento e no uma desarticulaço da personalidade do indivíduo, "
pro%lema no se resume a recon&ecer racionalmente que os círculos ampliados de relacionamento retêm
sim%olicamente a idéia do pai e da me. Refiro>me, antes, ' capacidade individual de realmente voltar aos pais e
especificamente ' me, voltar, enfim, ao centro ou ao início, no momento em que l&e convier num son&o, num

poema, num c&iste. Qevemos ter em mente que o pai e a me so a srcem de todos os deslocamentos. 7rata>se
de algo que d) lugar a v)rias aplicaç1es2 pode>se pensar, por e$emplo, no emigrante que constr#i a vida na
!ustr)lia e retorna a <ondres para certificar> se de que o /iccadill+ ircus continua igual. /or esta imagem de
se0o demonstrar que, se levarmos em conta a fantasia inconsciente Fo que no podemos dei$ar de fazerH,
c&egaremos ' concluso que os afastamentos da criança, sua constante %usca de integraço a grupos e$tra
familiares e sua destruiço re%elde de todas as formas rígidas so idênticas ' sua necessidade de conservar o
relacionamento prim)rio com os pais de fato.
Em qualquer de seus est)gios, o desenvolvimento sadio do indivíduo %aseia>se numa progresso regular, isto é,
numa série %em graduada de aç1es re%eldes e iconoclastas, cada uma das quais é compatível com a conservaço
de um vínculo inconsciente com as figuras ou a figura central Y os pais ou somente a me. /oder>se>ia constatar,
pela o%servaço das famílias, o imenso cuidado tomado pelos pais no sentido de organizar o curso natural dessas
séries de modo que a seqMência gradual que determina o crescimento do indivíduo no se0a rompida.
" desenvolvimento se$ual, tanto no que toca ao esta%elecimento da vida se$ual quanto no respeitante ao
casamento, é um caso particular desse processo. Espera>se do casamento que se0a a um s# tempo uma ruptura em
relaço aos pais e ' família e um prolongamento da idéia orientadora da estrutura familiar.
3a pr)tica, a violência desses acontecimentos é geralmente mascarada pelo processo de identificaço Y
so%retudo a identificaço do menino com o pai e da menina com a me. ! identificaço no representa, porém,
uma soluço satisfat#ria para a vi da, a no ser que o menino ou a menina ten&am c&egado a realiz ar o son&o de
uma deposiço violenta. 3o que toca a essa contínua ruptura que caracteriza o processo de crescimento dos
indivíduos, o comple$o de Wdipo apresenta>se como um alívio2 nessa situaço triangular, o menino pode
conservar o amor pela me tendo ' frente a figura do pai, e do mesmo modo a menina, com a me ' frente, pode
conservar seu dese0o pelo pai. 3a ausência de uma terceira figura, a criança s# tem duas alternativas2 ser engolida
ou afastar>se violentamente.
Xuanto mais e$aminamos essas quest1es, mais perce%emos o quo difícil seria para qualquer grupo que no a
família tomar todas as providências para que o processo se desenrole sem pro%lemas.

W desnecess)rio dizer que a relaço oposta no é de modo algum uma norma2 assim, por mais que uma família
faça tudo do mel&or por um de seus fil&os, isso no é garantia de que a criança v) desenvolver>se até atingir a
plena maturidade. ! eco nomia interna de cada indivíduo pode apresentar seus pr#prios riscos, e a meta principal
da psicoterapia individual é esclarecer essas tens1es internas. !profundar>me nessas consideraç1es equivaleria a
seguir a outra via de a%ordagem ao estudo do cresci mento individual, que indiquei no início deste capítulo.
!o considerarmos o papel da família, convém lem%rar as contri%uiç1es dadas ao tema pela psicologia social e
pela antropologia. 3o campo da psicologia social, podemos mencionar o recente estudo =amil+ and ins&ip in
East <ondon F=amília e /arentesco no <este <ondrinoH, de 9illmott e oung 3o que toca ' antropologia, tem>se
aprofundado o estudo dos modos pelos quais os v)rios aspectos da família modificam>se segundo a época e o
lugar6 sa%e>se que, 's vezes, so os tios e tias que educam a criança, e a paternidade de fato pode dei$ar
completamente o campo da consciência6 mas, mesmo em tais casos, &) sempre evidência de um con&ecimento
inconsciente da verdadeira paternidade.
oltando agora ' identificaço entre maturidade e saúde2 &) muitos indivíduos que pulam uma ou duas etapas,
atingem a maturidade antes da idade esperada e esta%elecem>se como indivíduos numa época em que deveriam
estar mais dependentes. !o estudarmos a maturidade ou imaturidade de indivíduos que cresceram afastados de
suas famílias, é necess)rio que ten&amos isso em mente. " modo de desenvolvimento de tais indivíduos pode
levar>nos, num primeiro momento, a fazer o seguinte coment) rio2 como ele ou ela é %em>esta%elecido e
independente_ omo deve ser %om ter de traçar o pr#prio camin&o cedo na vida_ -as no considero essa
afirmaço um veredito final, pois sinto no ser conveniente, com vistas ' maturidade, que os indivíduos
amadureçam muito cedo ou esta%eleçam>se como indivíduos numa idade em que deveriam ser ainda
relativamente dependentes.
"l&ando agora para tr)s e reconsiderando a questo que de início levantei, c&ego ' seguinte concluso2 se
aceitarmos como correta a identificaço entre saúde e maturidade relativa, devemos ter como certo que o
indivíduo s# possa atingir sua maturidade emocional num conte$to em que a família proporcione um camin&o de
transiço entre o cuidado dos pais Fou da meH e a vida social. E deve>se ter presente que a vida social é em

muitos aspectos uma e$tenso das funç1es da família. Se e$aminarmos os cuidados que se costumam propiciar 's
crianças menores e maiores e estudarmos as instituiç1es políticas dos adultos, constataremos semel&anças com o
lar e a família. onstatamos, por e$emplo, que se concede 's crianças que fogem de casa a oportunidade de viver
com uma outra família, da qual novamente podero fugir se e quando necess)rio. " lar e a família so s# modelos
que inspiram todo tipo de instituiço de assistência social que ten&a alguma c&ance de funcionar %em.
!ssim, a família contri%ui de dois modos Fsegundo a linguagem que escol&i usar neste capítuloH para a
maturidade emocional do indivíduo2 de um lado d)>l&e a oportunidade de voltar a ser dependente a qualquer
momento6 de outro, permite>l&e trocar os pais pela família mais ampla, sair desta em direço ao círculo social
imediato e a%andonar esta unidade por outras ainda maiores. Esses círculos cada vez mais amplos, que a certa
altura tornam>se os agrupamentos políticos, religiosos e sociais da sociedade, e talvez o pr#prio nacionalismo so
o produto final de um processo que se inicia com o cuidado materno e se prolonga na família. ! família parece
ser a estrutura especialmente pro gramada para dar continuidade ' dependência inconsciente da criança em
relaço ao pai e ' me de fato6 esta dependência inclui a necessidade que a criança tem de separar>se com
re%eldia.
Esse raciocínio identifica a maturidade adulta ' sanidade psiqui)trica. /ode>se dizer que o adulto maduro é capaz
de identificar>se a agrupamentos ou instituiç1es sociais sem perder o sentido da continuidade pessoal e sem
sacrificar em demasia seus impulsos espontâneos6 isto é uma das raízes da criatividade. Se e$amin)ssemos o
campo a%arcado pelo termo agrupamentos sociaisT, a pontuaço mais alta ca%eria ao maior segmento da
sociedade com que o indivíduo é capaz de se identificar. W muito importante que, a cada arrou%o de iconoclastia,
o indivíduo possa redes co%rir nas formas rompidas o mesmo cuidado materno e parental e a mesma esta%ilidade
familiar que em%asavam sua dependência em épocas anteriores. W funço da família constituir o ter reno so%re o
qual se desenvolve na pr)tica esse dado essencial do crescimento pessoal.
Lnem>se aqui duas frases aparentemente opostas2
?. !s coisas no so mais o que eram_
C. /or mais que ansiemos por um agrupamento de car)ter internacional, o nacionalismo deve ser necessariamente
considerado como um est)gio do desenvolvimento.
I. /lus ça c&ange, plus cJest la même c&oseT FXuanto mais as coisas mudam, mais se parecem a si mesmasH.

"s adultos amadurecidos, destruindo e recriando o vel&o, o antigo e o ortodo$o, infundem>l&e nova vitalidade.
3esse pro cesso os pais ascendem um degrau, depois descem um degrau, /!R7E OO e tornam>se av#s.

CAP9TULO 1: - DEFINIO TEBRICA DO CAMPO DA PSI0UIATRIA INFANTIL

1. O CAMPO PROFISSIONAL
S# agora começa a ficar claro que a )rea da pediatria vinc ulada ' psicologia é to e$tensa quanto a )rea que lida
com os teci dos e o efeito das doenças físicas so%re o corpo e as funç1es corporais. ! pediatria %aseia>se num
con&ecimento a priori do crescimento orgânico e das desordens que afetam o crescimento e o funcionamento
corporais. ! psiquiatria %aseia>se numa compreenso do crescimento emocional do %e%ê, da criança, do
adolescente e do adulto normais, e das mutaç1es na relaço entre o indivíduo e a realidade e$terna.
/recisamos considerar aqui o lugar que ca%e ' psicologia aca dêmica, a qual paira na lin&a divis#ria entre o
crescimento físico e o crescimento emocional. " psic#logo acadêmico estuda manifestaç1es que, em%ora
psicol#gicas, pertencem na verdade ao crescimento físico. omo e$emplo poderíamos tomar as &a%ilidades que
se desenvolvem em con0unto com o crescimento cere%ral e o desenvolvimento da coordenaço, e as &a%ilidades
que no se desenvolvem devido a les1es cere%rais. ! título de ilustraço, poder>se>ia dizer2 o psic#logo
acadêmico interessa>se pela idade em que uma criança pode começar a andar6 0) a psicologia dinâmica teria de
levar em conta o fato de que uma criança pode ser levada por ansiedade a andar mais cedo do que seria natural,
ou pode se atrasar por fatores emocionais. Raro seria o caso em que a data dos primeiros passos de uma criança
indicasse e$atamente o termo do desenvolvimento de sua capacidade fisiol#gica e anat\mica para andar.
! questo dos testes de inteligência tam%ém ilustra a preocupaço dos psic#logos acadêmicos com relaço 's
capacidades infantis derivadas da qualidade de funcionamento orgânico do cére%ro. " psic#logo acadêmico
interessa>se pelos métodos que eliminam os fatores emocionais que podem distorcer o resultado puroT de um
teste. " clínico que se vale dos resultados de um teste de inteligência deve revestir seus números com a
psicologia dinâmica que foi deli%eradamente evitada. ! entrevista psiqui) trica é essencialmente diferente da
sesso de teste, e as duas no podem de modo algum misturar>se. W difícil encontrar um indivíduo que se sinta '
vontade desempen&ando am%os os papéis Y o de psic#logo, aplicando um teste, e o de psiquiatra.
3a verdade, o psiquiatra aproveita>se e$atamente daquilo que o psic#logo procura eliminar2 a comple$idade
emocional. " o%0etivo do psiquiatra no é propor um teste, mas envolver>se no padro da vida emocional do

paciente, sentir a realidade de um tal envolvimento, e c&egar a con&ecer o paciente, mais do que sa%er algo so%re
o paciente.
" assistente social assume, quanto a esses assuntos, uma posiço idêntica ' do psiquiatra.
Z primeira vista, a psicologia acadêmica parece ser mais científica que a psicologia dinâmica. 7anto no campo da
medicina clínica como no da psiquiatria &) profissionais cu0o mel&or rendimento se d) no la%orat#rio. -as no se
pode discutir o fato de que os seres &umanos so feitos de sentimentos e padr1es de sentimento6 o con&ecimento
da forma da mente no se identifica ao con&ecimento da psique. "s pro%lemas clínicos de que trata a psiquiatria
infantil envolvem em larga medida a psique, a personalidade, a pessoa e a vida sensível interna e e$terna

(2ito isso, de#e%se insistir no fato de 1ue o autor n-o est suestimando o papel 1ue pode ser desempen$ado
pela psicologia
psicologia acad3mica.)
acad3mica.)
O 'J!&co co'o cone%<e&"o

3o raro, o médico vê>se investido de um papel que no é o seu2 sendo uma autoridade em medicina orgânica,
espera>se dele que o se0a tam%ém com relaço ' psicologia. /ode ser que ele recon&eça a e$istência de um
distúr%io emocional, e por isso trans mita o caso a um colega psiquiatra. -as quando o que est) em 0ogo é um
con&ecimento efetivo do desenvolvimento emocional normal, o mais prov)vel é que ele se ve0a em )guas mais

profundas que aquelas em que est) acostumado a nadar. " médico no foi ensinado a aconsel&ar os pais com
relaço ' criaço de um fil&o. Ele pode, sem dúvida, fazer uso de sua pr#pria e$periência como pai6 mas a
psicologia no é algo que se possa aprender pela o%servaço dos pr#prios fil&os e de si mesmo.
" estudo do desenvolvimento emocional do %e%ê, da funço dos pais e do cuidado das crianças em geral é, na
verdade, uma disciplina científica das mais comple$as, que e$ige muito de seus estudantes. 3o é uma questo de
ser %onzin&o com as criançasT6 trata>se de algo totalmente diferente. /ode>se mesmo acrescentar que, se os pais
lograram ê$ito no papel de pais, o mais prov)vel é que no ten&am consciênci a de quais foram os elementos em
sua aço que determinaram seu sucesso. 3o estaríamos muito longe da verdade se afirm)ssemos que os pais
fracassados esto mais qualificados para dar consel&os do que os pais %em> sucedidos, uma vez que o pr#prio
fracasso os pode ter levado a e$aminar o tema da criaço dos fil&os de maneira mais o%0etiva.
omo é #%vio, o pediatra e$periente no trato das quest1es orgânicas no pode resolver de sú%ito dedicar>se '
psiquiatria in fantil. W necess)rio que dispenda certo esforço na aquisiço de uma nova ciência e de uma nova
&a%ilidade que no esto incluí das no currículo das escolas de medicina. Se isso vale para o pediatra, vale
tam%ém para o professor e para o assistente social.
D&co(o'&# p&coo'(&c#

Em nen&uma atividade fica to clara a necessidade de um entendimento desses assuntos quanto no tratamento de
distúr%ios psicossom)ticos. 3a pr)tica, é muito difícil encontrar um pediatra de orientaço organicista que
coopere de %oa vontade e em igualdade de condiç1es com um psicoterapeuta de orientaço psicanalítica, de modo
que cada um con&eça o tra%al&o e ten&a confiança na integridade do outro. 3a pr)tica, a criança é dilacera da no
s# internamente, entre os fatores que tendem ' manifestaço orgânica e aqueles que tendem ' manifestaço
psicol#gica, mas tam%ém e$ternamente, pelo ca%o>de>guerra travado entre os médicos. ! criança que sofre de um
distúr%io psicossom)tico disp1e normalmente de duas possi%ilidades de internaço2 num &ospital, onde cair) so%
a responsa%ilidade de um pediatra de orientaço organicista6 ou numa instituiço tal como um &ospital para
doentes mentais ou um al%ergue para o tratamento de crianças>pro%lema, onde no &aver) um pediatra que
acompan&e os acontecimentos.
E$istem clínicas am%ulatoriais que podem atender uma criança por um longo período de tempo sem que se0a
necess)rio qualific)>la como um caso de distúr%io orgânico ou psiqui)trico. So essas as únicas instituiç1es que
possi%ilitam a pr)tica desimpedida da medicina psicossom)tica.

PEDIATRIA E PSI0UIATRIA INFANTIL

" desenvolvimento da relaço entre a pediatria e a psiquiatria infantil pode ser apresentado como se segue. "
pediatra, esperando ocupar>se apenas do estudo das doenças do corpo, prepara>se por meio de um estudo das
ciências físicas. ! pedia tria atrai aqueles que têm interesse por esse ramo das ciências. Qa pediatria pode, 's
vezes, surgir um estudo do corpo sadio. ! contri%uiço específica da pediatria relaciona>se com a questo do
crescimento. !os poucos os estudos físicos do ao pediatra uma compreenso das necessidades corporais da
criança num est)gio de plena dependência física.
5) na pediatria uma tendência de fazer mais uso do la%ora t#rio do que da clínica. ! enfermaria quase c&ega a
transformar>se num la%orat#rio. ! clínica am%ulatorial tende a equiparar>se 's condiç1es da enfermaria.
-as o estudo da criança sadia cada vez mais leva o pediatra a procurar condiç1es de estudo que se apro$imem
mais das condiç1es naturais da criança, distanciando>se dos procedimentos controlados do la%orat#rio. " clínico
no pode tra%al&ar sem um entendimento natural e uma simpatia pela criança como pessoa, e ele necessariamente
tende a envolver>se como o uso que a criança faz do am%iente durante o crescimento e com todos os pro%lemas
que envolvem a criaço. !ssim, o pediatra clínico d) uma guinada em direço ' psiquiatria e vê>se na posiço de
dar consel&os relativos ao cuidado das crianças, muito em%ora no este0a especificamente preparado a
desempen&ar um tal papel.
!o final da Segunda (uerra -undial, a pediatria na (r> 8retan&a encontrava>se francamente orientada em

direço ao aspecto físico, tendo o%tido nesse domínio muitas conquistas not)veis. omo resultado disso, a
incidência de doenças físicas 0) vin&a caindo, e esperava>se que caísse ainda mais ' medida que os serviços de
pediatria se espal&assem por todo o país.
Z mesma época, muito tra%al&o 0) fora tam%ém realizado no tocando ao estudo do desenvolvimento emocional
de %e%ês e crianças de diversas idades, %em como no campo da psicopatologia6 ademais, a formaço de
psicanalistas e analistas infantis se organizara. =reud, anos antes, demonstrara que, no tratamento de distúr%ios
neur#ticos no adulto, o analista lida constantemente com a criança ou o %e%ê presentes no interior do paciente6 as
sim, ficava implicitamente clara a possi%ilidade de realizar>se um tra%al&o preventivo diretamente com as
crianças, no campo do cuidado infantil. /rovou>se posteriormente ser tam%ém possível tratar psiquiatricamente as
crianças enquanto elas ainda encontram>se num estado de dependência. ?>l) &o0e uma tendência cada vez maior
de a pediatria referir>se tanto ao aspecto físico quanto ao aspecto emocional do desenvolvimento, que se
desenrolam em simultaneidade com o desenvolvimento da personalidade &umana e com a relaço entre a criança
e a família e o am%iente social.

PSICANÁLISE E A CRIANA

5ouve uma evoluço tam%é m na orientaço do psicanalist a em relaço ' criança. Essa evoluço talve z possa ser
descrita co mo segue. " psicanalista praticante trata todos os tipos de pacientes adultos2 os que passam por
normais, os neur#ticos, os anti> sociais e os quase psic#ticos. Em todos os casos, ao mesmo tem poque se
preocupa com os pro%lemas atuais dos pacientes, perce%e que seu principal tra%al&o apro$ima>o cada vez mais de
um estudo da infância do paciente. " pr#$imo passo em sua e$periência é começar a tratar adolescentes, crianças
maiores e menores, envolvendo>se cada vez mais com a vida emocional da criança de fato, por oposiço ' criança
no interior do adulto. " profissional faz an)lise com crianças, toma parte na administraço de casos de psiquiatria
infantil e discute com pais os pro%lemas do cuidado dos %e%ês. =azendo psicoterapia, o psicanalista situa>se numa
#tima posiço para estudar a criança como um to do. !ssim, os distúr%ios de saúde física provenientes das
pertur%aç1es emocionais passam a inserir>se naturalmente em seu campo de aço, assim como os pro%lemas
emocionais que surgem na esteira de enfermidades físicas. /ara lidar com a doença física, porém, ele se vale de
todo o con&ecimento acumulado nos últimos cem anos pelos pediatras de orientaço organicista.
" psicanalista precisa ter em mente que a saúde física, quando e$iste, deve>se em grande parte ao aspecto
preventivo da pedia tria física, e tam%ém ' o%stetrícia, que reduziu imensamente a mortalidade infantil nas
últimas décadas e tornou o nascimento um processo relativamente seguro.
-as a quem ca%e cuidar da criança inteiraV

O PACIENTE INFANTIL

ASPECTOS DO PRO6LEMA PSI0UIÁTRICO ESTUDADOS EM SE0;NCIA

onsideremos agora o pro%lema que se apresenta a todo pro fissional que se envolve com uma criança no
conte$to terapêutico. E$istem três con0untos de fen\menos, todos ligados entre si, mas que no o%stante podem
ser distinguidos para prop#sitos descritivos. F3esta descriço, a saúde física é aceita como dada.H
! normalidade, ou saúde, est) ligada ' maturidade, e no ' ine$istência de sintomas. ! criança normal de quatro

anos, por e$emplo, e$perimenta uma ansiedade muito severa devido ' simples e$istência de conflitos nas
relaç1es &umanas que derivam diretamente da vida e do viver e da drn0nistraç da vida instintiva.
/arado$almente, em certas idades Y como, por e$emplo, aos quatro anos Y, uma criança normal pode
manifestar toda uma gama de sintomas Ffranca ansiedade, acessos de fúria, fo%ias, compuls1es o%sessivas,
distúr%ios em funç1es físicas, dramatizaço, conflitos na esfera emocional, etc.H, enquanto, por outro la do, uma
criança praticamente livre de todos esses sintomas pode estar severamente pertur%ada. o psiquiatra e$periente
consegue en$ergar através dessa cortina de fumaça, mas o o%servador sem pr)tica Fentre os quais poderíamos
incluir os pediatras de orientaço orgânicaH pode considerar a criança doente como mais normal.
Em todas as idades, da infância ao estado adulto, a pessoa pode ser acometida de patologias psiqui)tricas. !s
organizaç1es defensivas contra ansiedades intoler)veis produzem sintomas que podem ser recon&ecidos,
diagnosticados e muitas vezes curados. Em alguns casos, o am%iente circundante é normal6 em outros, um fator
e$terno pode ter importância etiol#gica.
" psiquiatra aprende tam%ém a en$ergar na criança os pro%lemas potenciais que podero vir a manifestar>se
posteriormente so% tenso, tenso de um trauma, da adolescência, do estado adulto e da independência. Essa
terceira tarefa do psiquiatra infantil é muito difícil, mas no impossível. omo e$emplo, podemos to mar o
fen\meno relativamente comum que consiste na organizaço de um falso self. " falso self pode adequar>se muito
%em ao padro familiar, ou talvez a uma pertur%aço da me, e pode ser muito facilmente tomado como sinal de
saúde. 3o o%stante, implica uma insta%ilidade e uma propenso ao colapso.
Esses três aspectos dos distúr%ios psiqui)tricos da criança, em%ora se0am inter>relacionados, aparecem como
distintos em qualquer formulaço te#rica do desenvolvimento emocional do ser &umano.

SADE COMO MATURIDADE EMOCIONAL

" psiquiatra ocupa>se do desenvolvimento emocional do in divíduo. So% o ponto de vista da psiquiatria, a m)
saúde e a imaturidade so termos quase sin\nimos. " tratamento, visto so% o mesmo ângulo, o%0etiva o
esta%elecimento da maturidade, ainda que numa época posterior ' normal. " ensino da psiquiatria in fantil,
portanto, %aseia>se num estudo do desenvolvimento infantil. ! psicologia acadêmica é um importante
complemento ao es tudo geral do desenvolvimento emocional. " desenvolvimento emocional tem início numa
época %astante recuada Fpor volta da data de nascimentoH e prolonga>se até a fase de maturidade adulta. " adulto
maduro é capaz de identificar>se com seu am%iente e tomar parte no esta%elecimento, na manutenço e na
alteraço desse am%iente sem sacrificar seriamente seus impulsos pessoais.
" que precede a maturidade adultaV ! resposta a essa questo a%arca todo o campo da psiquiatria infantil.
7entarei, nas lin&as seguintes, definir %revemente a psicologia da criança por meio desse método, começando
pelo final e traçando o camin&o de volta ' primeiríssima infância.

M#()"&!#!e #!)%(#
! cidadania mundial represent a uma realizaço e$trema mente rara no desenvolvimento do indivíduo, e é muito
pouco com patível com a saúde pessoal ou com a ausência de depresso. om e$ceço de alguns e$emplos
isolados, os adultos maduros gozam da saúde enquanto mem%ros de um su%grupo do grupo total6 quanto mais
limitado o taman&o do grupo, menos apropriada é a definiço de maturidade. !ssim temos aqueles que gozam de
saúde, mas no interior de um grupo limitado6 e aqueles que, lançando>se em direço ao grupo maior, perdem a
saúde.
A!o%ec+nc&#

! adolescência, como muitas outras coisas, é caracterizada pelas e$pectativas da sociedade em relaço ao
adolescente, de quem no se espera que 0) ten&a atingido um grau pleno de socializaço. 3a verdade, damos aos
adolescentes a oportunidade de inserirem>se em grupos autolimitados espera>se que o adolescente sai%a fazer uso
das graduaç1es de e$tenso e amplitude do grupo a que devota sua lealdade. " adolescente manifesta uma mescla
de independência re%elde e de dependência. "s dois esta dos alternam>se, ou mesmo coe$istem em
simultaneidade. Qesse modo, a adolescência prop1e um parado$o. 3ota>se que cada um desses dois e$tremos
toma como dado o controle por parte dos adultos6 assim, os grupos de adolescentes devem, de algum mo do, e em
certa medida, ser providos de uma retaguarda dos adultos.
L#(+nc&#

! criança, ' idade de cinco ou seis anos, ingressa num período denominado pela psicolo gia período de latência,
no qual ocorre uma modificaço da pulso %iol#gica que su%0az ' vida instintiva. W esse o período mais receptivo
' atividade do professor, uma vez que, em %oa saúde, a criança encontra>se por certo tempo relativamente livre
do crescimento emocional e da mudança instintiva.
" período de latência apresenta certas características2 a tendência dos meninos ' adoraço de &er#is e '
associaço com outros meninos com %ase em algum tipo de %usca6 as amizades pessoais e$istem, porém, e
podem so%repor>se 's sempre mut)veis afinidades grupais. !s meninas apresentam características semel&antes,
especialmente quando elas têm Fe de fato podem ter nesse est)gioH certos interesses de menino. omo meninas,
elas têm alguma capacidade de apreciarem ser iguais ' me, em casa, no cuidado de outras crianças e nos
mistérios das compras.
P"&'e&"# '#()"&!#!e

7endo %oa saude, a criança ter) atingido antes do período de latência a plena capacidade de viver o son&o ou o
0ogo adulto, com os instintos apropriados e as ansiedades e conflitos resultantes destes. Essa capacidade s# pode
ser adquirida dentro de um conte$to familiar relativamente est)vel. 3esse período, que vai grosso modo dos dois
aos cinco anos de idade, vive>se uma quantidade imensa de vida. 7rata>se de um período curto pelos padr1es
adultos, mas é duvidoso se todo o restante da vida c&ega a ser to longo quanto esses três anos, no decorrer dos
quais a criança torna>se uma pessoa inteira vivendo em meio a outras pessoas inteiras, amando e odiando,
son&ando e %rincando.
Espera>se que, nesse período, a criança possa vir a manifestar todo tipo de sintoma, isto é, características que,
quando persistem ou aparecem de forma e$agerada, devem ser c&amadas sintomas. ! c&ave desse período Y nos
quais a neurose lança suas %ases Y é a ansiedade, ou se0a, uma e$periência muito severa, compar)vel ' dos
pesadelos. ! ansiedade vincula>se ao conflito Fem grande parte inconscienteH entre amor e #dio. "s sintomas
podem ser e$travasamentos da ansiedade ou princípios de organizaç1es visando defender contra ansiedades
intoler)veis. ! neurose é nada mais e nada menos que uma rigidez na organizaço de defesas contra a ansiedade
que nascem da vida instintiva da criança dessa idade. Osso vale para qualquer neurose, se0a qual for a idade em
que ela se manifeste.
Esse período possui uma psicologia muito comple$a, %astante compreendida &o0e em dia6 essa compreenso s# se
tornou possível quando =reud lançou as %ases da investigaço científica da vida infantil, atividade que ele
realizou so%retudo tratando de pessoas adultas. ! insistência de =reud na se$ualidade infantil Y isto é, a vida
instintiva que é capital para a criança dessa idade Y acarretou uma certa impopulari dade para a psican)lise, em
%ora possa>se dizer que, &o0e, os grandes princípios enunciados por =reud se0am aceitos. ! dificuldade agora
reside no entendi mento das forças tremendas que se p1em em aço e su%0azem tanto ' sintomatologia desse
período quanto ' saúde emocional, a qual pode ser atingida quando a criança tem cerca de cinco anos e vai
entrando no período de latência.
P"&'e&"# &nnc&#

!ntes desse est)gio a que aca%o de me referir, no qual a criança envolve>se essencia lmente em relacionamentos
triangulares, &) um est)gio em que a criança encontra>se envolvida apenas com a me, tendo essa relaço, porém,
o car)ter de encontro entre dois seres &umanos integrais. ! separaço entre esse est)gio e aquele em que a criança
se envolve em relacionamentos triangulares é um tanto artificial6 a primeira infância, porém, é um est) gio
importante, e suas ansiedades so de natureza diferente, tendo a ver com a am%ivalência, isto é, o direcionamento
de amor e #dio ao mesmo o%0eto. ! condiço psiqui)trica relativa a este est)gio manifesta>se mais
como]distúr%ios afetivos, depresso e paran#ia e menos como neurose.
P"&'e&"Q&'# &nnc&#
!inda antes disso, o %e%ê encontra>se num estado de alta dependência e enga0a>se em certas tarefas prelim inares
essenciais, como, por e$emplo, a integraço unit)ria da personalidade, a conformaço da psique ao corpo e o
esta%elecimento dos primeiros contatos com a realidade e$terna. " estado de dependência da criança é tal que
estas primeiras tarefas no podem ser realizadas na ausência de um apoio materno suficientemente %om. !s

patologias derivadas desse primeiríssimo est)gio assumem a natureza da psicose, isto é, dos distúr%ios agrupados
so% a denominaço geral de esquizofrenia.
Esse é o campo em que atualmente se concentram as pesquisas. -uita coisa ainda é incerta e encontra>se em
discusso, mas pode>se 0) afirmar que é nesse est)gio que se lançam as fundaç1es da saúde mental6 o %e%ê é
altamente dependente da capacidade de sua me ou me>su%stituta de adaptar>se 's necessidades do fil&o, e ela,
por sua vez, s# consegue fazê>lo por meio de uma identificaço com a criança que deriva diretamente de sua
atitude de devoço.
CONCLUSO

7raçando o camin&o de volta ' psicologia da criança, passamos da &a%ilidade demonstrada pelo indivíduo de
tomar parte na criaço, manutenço e modificaço de seu am%iente ao esta do de dependência a%soluta que
constitui o início. 3o decorrer do progresso desse último estado no primeiro, a criança passa por um processo
muito comple$o de desenvolvimento pessoal, o qual, apesar de sua comple$idade, pode ser &o0e delineado e até
certo ponto detal&adamente descrito.
" campo da psiquiatria infantil co%re o estado da criança inteira, %em como seu passado e seu potencial de saúde
mental e riqueza de personalidade adulta. " psiquiatra infantil guarda em mente o fato de que, no
desenvolvimento emocional da criança, esto contidos o potencial da sociedade para o %om funcionamento
familiar e para a instituiço e manutenço de agrupamentos sociais.

CAP9TULO 1= - A CONTRI6UIO DA PSICANÁLISE  O6STETR9CIA

3o podemos esquecer que o que inspira confiança nas pacientes de uma parteira é a &a%ilidade desta, %aseada
num con&ecimento científico dos fen\menos orgânicos. Sem essa &a%ilidade %)sica no aspecto orgânico, a
parteira estudar) psicologia em vo6 o insig&t psicol#gico no l&e dir) o que fazer caso uma placenta prévia
complique o processo de nasciment o. -as, se possuir o con&ecimento e a &a%ilidade requerid os, a parteira certa
mente valorizar) muito seu tra%al&o profissional ao adquirir tam%ém uma compreenso de sua paciente enquanto
ser &umano.
O LUGAR DA PSICANÁLISE

omo a psican)lise se insere no campo da o%stetríciaV Ela o faz, em primeiro lugar, por meio dos estudos
minuciosos e de tal&ados que desenvolve no decorrer do longo e tra%al&oso pro cesso de tratamento de pacientes
individuais. ! psican)lise est) começando a lançar luz so%re v)rios tipos de anormalidade, co mo a menorragia,
os a%ortos sucessivos, o en0\o matinal e a inércia uterina prim)ria6 muitos outros estados físicos podem do
mesmo modo ser causados em parte por um conflito na vida emociona_ inconsciente do paciente. -uito tem sido
escrito acerca desses distúr%ios psicossom)ticos. 7odavia, estou interessado em in dicar aqui um outro aspecto da
contri%uiço psicanalítica2 tenta rei repassar, em termos gerais, as implicaç1es das teorias psicanalíticas para o
relacionamento entre o médico, a enfermeira e o paciente, referindo>me ' situaço do parto.
! psican)lise 0) ocasionou uma grande mudança de ênfase no tra%al&o das parteiras, o que pode ser verificado se
compararmos a atividade atual dessas profissionais com o modo de ope raço que adotavam &) vinte anos. W
norma_ que, &o0e, as par teiras queiram acrescentar ' sua &a%ilidade %)sica e essencial um con&ecimento de suas
pacientes enquanto pessoas Y pessoas que nasceram, foram %e%ês, %rincaram de papai e mame, assustaram> se
com as mudanças da pu%erdade, viveram os inusitados impu_sos da adolescência, lançaram>se numa e$periência
nova, casaram FtalvezH e, por dese0o ou acidente, esto esperando um fil&o.
Se a paciente estiver no &ospital, estar) preocupada com o estado da casa para a qual voltar)6 em todo caso,
pensar) nas mudanças que o %e%ê trar) ' sua vida pessoal, seu relacionamento com o marido, com seus pais e
com os pais do marido. /ode> se tam%ém esperar complicaç1es em seu relacionamento com os outros fil&os, se os
tiver, e nas relaç1es dos fil&os entre si.
Se todos realizarmos nosso tra%al&o de forma pessoa_, o tra%al&o tornar>se>) muito mais interessante e
recompensador. 3a situaço dada, &) quatro pessoas e quatro pontos de vista a considerar. 5) em primeiro lugar
a mul&er, que se encontra num estado muito especial , em tudo semel&ante a uma doença, e$ceto pelo fato de ser
normal. " pai encontra>se, em certa medida, num estado semel&ante, e sua e$cluso acarretar) grandes perdas. !
criança ao nascer 0) é uma pessoa e, do seu ponto de vista, a %oa e a m) administraço da situaço faro toda a
diferença. E &) a parteira. E_a no é apenas uma especialista, é &umana tam%ém6 tem sentimentos, &umores,
sa%ores e dissa%ores6 talvez queira estar no lugar da me, do %e%ê, do pai, ou em todos de uma vez. " fato de ser
parteira no mais das vezes l&e traz satisfaço, mas pode tam%ém ser>l&e frustrante.
U' p"oceo eenc&#%'en(e n#()"#%

5) uma idéia geral que su%0az a tudo o que ten&o para dizer2 tudo o que se desenrola no nascimento e depois dele
tem por %ase processos naturais6 o mel&or que os médicos e enfermeiras podem fazer é respeitar e facilitar esses
processos.
-il&ares de anos se passaram até que surgissem as parteiras, cu0a primeira funço foi provavelmente a de lidar
com a superstiço. 5o0e em dia, a superstiço é controlada pela adoço de uma atitude científica, %aseada na
o%servaço o%0etiva. ! instruço moderna, fundamentada na ciência, equipa a parteira para lidar com pr)ticas
supersticiosas. E que dizer dos paisV Eles tin&am no passado uma funço %astante definid a, assumida &o0e pelos
médicos e pelo Estado assistencialista, sentiam em si mesmos parte das dores e da agonia de suas mul&eres e,
além disso, tomavam para si a tarefa de afastar todos os males e imprevistos e$ternos, permitindo que as mes se
concentrassem numa única ocupaço2 o cuidado da criança que levavam no ventre ou nos %raços.
A ')!#nç# !e #(&()!e e' "e%#ç*o  c"&#nç#

! atitude em relaço ' criança tem passado tam%ém por um processo evolutivo. /enso que os pais e mes de
todas as épocas viram em seus %e%ês uma pessoa &umana, um pequeno &omem ou pequena mul&er. ! ciência
começou por re0eitar essa noço, salientando que o %e%ê no é apenas um adulto em miniatura6 por %astante
tempo, os o%servadores o%0etivos relutaram em conferir ao %e%ê o status de pessoa &umana até que começasse a
falar. Recentemente, porém, constatou>se que os %e%ês so de fato &umanos, em%ora apropriadamente infantis. !
psican)lise tem aos poucos demonstrado que nem o processo de nascimento é vazio de significado para o %e%ê,
para quem o nascimento pode ter um car)ter normal ou anormal. W possível que todos os detal&es do nascimento
Ftal como vividos pela criançaH este0am registra dos na mente do %e%ê, o que costuma aparecer no prazer que as
pessoas têm com 0ogos e %rincadeiras que sim%olizam os v)rios fen\menos vividos pela criança virar de ca%eça
para %ai$o, cair, sensaç1es relacionadas a entrar e sair da )gua, 's mudanças de temperatura, 's mudanças no
modo de o%tenço das su%stâncias essenciais ' vida Y do fornecimento direito ' necessidade de dispender
esforços para o%ter ar e alimento.
A ME SADIA

3a atitude da parteira em relaço ' me, uma das principais dificuldades encontradas refere>se ' questo do
diagn#stico. F3o ten&o em mente o diagn#stico do estado corporal, que é da alça da do médico e da enfermeira,
e tampouco faço referência 's anomalias do corpo6 meu interesse so os estados de saúde ou per tur%aço
psiqui)tricas.H E$aminemos a princípio o caso normal.
! paciente saud)vel no é, em última instância, uma paciente, mas uma pessoa perfeitamente sadia e madura,
%astante capaz de tomar suas pr#prias decis1es em quest1es de importância e tal vez mais crescida que a pr#pria
parteira que a atende. Encontra> se temporariamente num estado de dependência devido ' sua condiço. Entrega>
se por algum tempo aos cuidados da parteira, atitude essa que 0) pressup1e uma condiço de saúde e maturidade.
3esses casos a parteira respeita a independência da me por tanto tempo quanto possível, e mesmo ao longo de
todo o tra%al&o de parto, em se tratando de um nascimento tranqMilo e normal. Qo mesmo modo, ela é capaz de
aceitar e acol&er a completa de pendência de muitas mes que s# conseguem encarar o tra%al&o de parto
delegando todo o controle ' pessoa que a assiste.
Re%#c&on#'en(o en("e '*e, 'J!&co e ene"'e&"#

!firmo que, por ser adulta e madura, a me sadia no pode delegar o controle da situaço a uma enfermeira e a
um médico que no con&eça. /recisa con&ecê>los antes, e é esta uma das importantes tarefas a serem
desempen&adas no período que antecede o parto. Qas duas uma2 ou a me confia neles, sendo capaz de perdo)>
los mesmo que cometam um engano6 ou no confia, o que pre0udica toda a sua e$periência do tra%al&o de parto.
7em receio de delegar o controle, procurando fazer tudo sozin&a, ou sente medo de sua condiço6 e imputa a
culpa por todos os erros ao médico e ' enfermeira Y que de fato merecero essa culpa se no se tiverem feito
con&ecer pela me.
!tri%uo importância primordial a essa questo do contato entre me, médico e enfermeira, contato esse que, se

possível, deve dar>se ao longo de toda a gravidez. Se isso no pode ser feito, é necess)rio que &a0a ao menos um
contato %astante definido entre a me e a pessoa que a atender) no parto. Osso deve ocorrer antes da data prevista
para o nascimento do %e%ê.
Lm dado &ospital pode ser o mais moderno, %em equipado e esterili zado do país6 mas isso de nada vale se, nele,
as mes no podem sa%er de antemo quem sero o médico e a enfermeira que a atendero no tra%al &o de parto.
W esse o tipo de fal&a que faz com que as mes prefiram ter seus fil&os em casa, assistidas pelos médicos da
família e recorrendo ao &ospital apenas em caso de emergência. /essoal mente, ac&o que as mes que optam por
isso merecem todo o apoio6 no seria nada recomend)vel que as tentativas de proporcionar um cuidado físico
ideal aca%assem por tornar impratic)vel o parto em casa.
! pessoa em quem a me deposita sua confiança deve fornecer>l&e uma e$planaço completa do processo do
parto, o que muito contri%ui para dissipar as preocupaç1es advindas de informaç1es incorretas. Osso é sumamente
necess)rio para a mul&er sadia, que aproveitar) como ninguém esse con&ecimento verdadeiro dos fatos.
3o é verdade que quando uma mul&er sadia e madura, que est) em %ons termos com o marido e com a família,
atinge o mo mento do parto, ela tem grande necessidade de toda a e$periência adquirida pela enfermeiraV Ela
necessita da presença da enfermeira e de seu poder de a0udar de maneira correta e no tempo certo se algo
porventura no correr %em. -as, ao mesmo tempo, a me est) vivendo um processo to natural e autom)tico
quanto a ingesto, a digesto e a eliminaço6 quanto maior a parte que se conceder ' natureza, mel&or ser) para a
me e o %e%ê.
Lma de min&as pacientes, me de dois fil&os, e que parece estar saindo agora de um tra%al&oso processo de
tratamento no qual ela mesma teve de começar a viver de novo Y para livrar>se das influências nocivas de sua
me pertur%ada so%re seu desenvolvimento Y, escreveu o seguinte2 ... mesmo que a mul&er se0a
emocionalmente madura, o processo de parto afeta tantos controles que a parturiente dese0a todo o cuidado, a
consideraço, o incentivo e a familiaridade da pessoa que a assiste, assim como uma criança necessita da me
para assisti>la no decorrer Fde cada umaH das e$periências novas que encontra em seu desenvolvimento.T
!pesar de tudo isso, &) uma coisa que no pode ser esqueci da no que se refere ao processo natural de
nascimento2 o %e%ê &umano é dotado de uma ca%eça a%surdamente grande.
A ME DOENTE

Em contraste com a me sadia e madura que se coloca so% os cuidados da parteira, e$ist e tam%ém a me doente,
isto é, emocionalmente imatura, ou desacostumada a desempen&ar o papel que ca%e 's mul&eres na #pera c\mica
da natureza6 ou, talvez, apenas deprimida, ansiosa, desconfiada ou simplesmente confusa. Em tais casos a
enfermeira deve ser capaz de fazer um diagn#stico, e eis aqui uma outra razo pela qual ela deve preocupar> se
em con&ecer sua paciente antes do final da gravidez. ! parteira sem dúvida necessita de uma instruço especial
relativa ao diagn#stico de adultos com pro%lemas psiqui)tricos, de modo que se sinta livre para tratar como
pessoas sadias aquelas que realmente o so. omo é natural, a me imatura ou doente requer uma a0uda especial
da pessoa encarregada de assisti>la2 se a me normal carece de instruço, a doente carece de segurança6 a me
doente pode querer testar a tolerância da enfermeira tornado>se um verdadeiro estorvo, e pode talvez precisar ser
contida se entrar num estado maníaco. -as tudo isso é so%retudo uma questo de %om senso, de fazer frente 's
necessidades com aç1es apropriadas ou uma estudada passividade.
3o caso normal, em que a me e o pai so sadios, a parteira é uma profissional contratada, e tem a satisfaço de
poder dar a a0uda que foi c&amada a dar. 3o caso da me que é de algum modo doente e incapaz de ser
plenamente adulta, a parteira é a enfermeira que au$ilia o médico no cuidado de uma paciente Y é contratada
pela agência &ospitalar. Seria terrível se essa adaptaço ' doença, ou capacidade de lidar com ela, viesse a
su%mergir um processo natural adaptado no ' doença, mas ' vida.
W claro que muitas pacientes encai$am>se entre esses dois e$tremos que apresentei para prop#sitos descritivos.
(ostaria de enfatizar que o fato de muitas mes serem &istéricas, nervosas ou autodestrutivas no deve fazer com
que as parteiras a0am como se a saúde e a maturidade emocional fossem ine$istentes6 no deve lev)>las a
classificar todas as suas pacientes como infantis, pois a maioria das mes têm plena capacidade de aço em tudo
que concerne ao nascimento, e$ceto nas quest1es que de fato ca%e ' parteira resolver. /ois as mel&ores so
sadias6 so as mul&eres sadias Y mes, esposas Fe parteirasH Y que acrescentam um ele mento de riqueza ' mera
eficiência, dando aquela contri%uiço positiva a uma rotina cu0o sucesso normalmente consiste apenas na
ausência de pro%lemas.
O CUIDADO DA ME COM SEU 6E6

onsideremos agora o cuidado dispensado ' me ap#s o par to, ao esta%elecer>se a primeira relaço entre ela e o
%e%ê. /or que ser) que, quando damos 's mes uma c&ance de e$pressarem sua opinio, ouvimos com tanta
freqMência coment)rios do seguinte gêneroV Fitarei uma descriço de caso fornecida por um colega, mas 0) ouvi
eu mesmo inúmeros relatos semel&antes.H
Seu nascimento foi normal, e seus pais o queriam. Seu re fle$o de sucço parecia %om logo ap#s o nascimento,
mas ele no foi levado ao peito até ao ca%o de trinta e seis &oras. ! essa altura ele estava man&oso e sonado, e no
decorrer dos quinze dias seguintes a situaço alimentar permaneceu altamente insatisfat#ria. ! me sentia que as
enfermeiras eram antip)ticas e no a dei$avam por tempo suficiente em contato com o %e%ê. !firma que elas
empurravam sua %oca em direço ao peito, seguravam seu quei$o para fazê>lo sugar e apertavam seu nariz para
tir)>lo de l). Xuando c&egou em casa, sentiu no ter qualquer pro%lema para esta%elecer uma amamentaço
regular e normal.T
3o sei se as enfermeiras sa%em ser esse o tipo de reclamaço que as mul&eres têm a fazer. 7alvez no ten&am
oportunidade de ouvir seus coment)rios, e é %astante improv)vel que as mes queiram reclamar contra

enfermeiras que tanto as a0udaram. !lém disso, no devo acreditar que os relatos das mul&eres forneçam me uma
imagem precisa do ocorrido. 7en&o de recon&ecer nisso tam%ém o papel da imaginaço, uma vez que no somos
apenas fei$es de fatos6 a maneira pela qual as e$periências c&egam a n#s e entrelaçam>se com nossos son&os é
parte daquele todo a que c&amamos vida e e$periência individual.

Sen&H&%&!#!e p-n#(#%

Em nossa atividade psicanalítica especializada, constatamos que a mul&er que aca%ou de dar ' luz encontra>se
num estado muito sensível e que, por uma ou duas semanas, est) muito suscetível a crer na e$istência de uma
figura feminina perseguidora, !credito que &a0a na parteira uma tendência correspondente, que a faça assumir
com muita facilidade um papel dominador. W cer to que muitas vezes as duas coisas acontecem2 a me sente>se
per seguida e a enfermeira contratada por um mês age como que mo vida pelo medo, e no pelo amor.
Esse comple$o estado de coisas é muitas vezes resolvido, em casa, pela dispensa da enfermeira, que é um
processo doloroso para todos os envolvidos. -as pior do que isso é, por assim dizer, uma vit#ria de enfermeira2 a
me resigna>se a uma complacência desesperada, no logrando esta%elecer com seu %e%ê a relaço necess)ria.
3o encontro palavras para descrever as forças que a essa altura se desencadeiam, mas posso tentar e$plicar em
parte o que ocorre. 7rata>se de uma coisa muito curiosa2 a me, que talvez este0a fisicamente e$austa, e talvez
incontinente, e que est) de pendente para muitas coisas da atenço do médico e da enfermeira, é ao mesmo tempo
a única pessoa que pode apresentar o mundo ao %e%ê de modo significativo para este. Essa &a%ilidade no resulta
da inteligência ou de qualquer instruço formal, mas do simples fato de ser ela a me natural. 7odavia, seus
instintos naturais no conseguem desenvolver>se se ela estiver amedrontada, se no vir seu %e%ê ' &ora do
nascimento, ou se s# pu der tê>lo consigo nas &oras prescritas pelas autoridades para a amamentaço. ! coisa no
funciona assim. " leite materno no desce como uma espécie de e$creço6 é uma resposta a um estímulo, que

consiste e$atamente na viso, no c&eiro e no contato com o %e%ê, %em como no som de seu c&oro, que indica uma
necessidade. 7udo isso é uma coisa s#2 o cuidado que a me d) a seu %e%ê e a alimentaço peri#dica que se
desenvolve como se fosse um meio de comunicaço entre os dois Y uma canço sem palavras.
D)# p"op"&e!#!e opo(#
7emos aqui, pois, de um lado, uma pessoa altamente dependente, a me6 e, ao mesmo tempo e na mesma pessoa,
temos a especialista no delicado processo que consiste no início da ama mentaço e em tudo o que concerne ao
cuidado do %e%ê. !lgumas enfermeiras têm dificuldade de aceitar que a me possua essas duas propriedades
opostas, e por isso tentam esta%elecer a re laço de alimentaço como se se tratasse de algo an)logo a fazer a

criança defecar quando estivesse com o intestino c&eio. Esto tentando o impossível. -uitas dificuldades
alimentares têm seu início neste momento6 mesmo quando a amamentaço por ma madeira é instituída, ela
aparece como uma coisa ' parte do pro cesso total a que c&amamos o cuidado do %e%ê. Qedico>me
constantemente em meu tra%al&o a tentar alterar esse estado de coisas, que em muitos casos foi desencadeado
logo nos primeiros dias de vida por uma enfermeira que no perce%eu que, em%ora se0a uma especialist a em sua
profisso, sua atividade no inclui o esta%elecimento de uma relaço entre o %e%ê e o seio da me.
!lém disso, como 0) disse, a parteira tem sentimentos6 tal vez ela ten&a dificuldades de permanecer de pé
assistindo a um %e%ê que perde seu tempo 0unto ao seio. Sente o impulso de enfiar o %ico do seio na %oca do
%e%ê, ou empurrar o %e%ê em direço ao seio, e a criança reage retraindo>se.
5) ainda outra questo2 na imensa maioria dos casos a me sente, com mais ou menos intensidade, que rou%ou
seu %e%ê de sua pr#pria me. Esse fato deriva de suas %rincadeiras de papai e mame e dos son&os que tin&a
quando era %em pequena e seu pai era ainda seu F...H ideal. !ssim, é muito f)cil que ela sinta, e em alguns casos
ela tem que sentir, que a enfermeira é a me vingativa que veio para levar seu %e%ê em%ora. ! enfermeira no
tem o que fazer quanto a isso, mas é muito conveniente que ela evite realmente levar o %e%ê em%ora Y privando
a me de um contato natural Y e s# apresent)>lo ' me em &oras predeterminadas, enrolado numa manta. Essa
imagem no corresponde ' pr)tica atual, mas era uma realidade até uma época muito recente.
"s son&os, a imaginaço e os 0ogos que su%0azem a esses pro%lemas permanecem até mesmo naquel es casos em
que a atuaço da enfermeira facili ta ' me a reo%tenço de um sentido de realidade, o que ocorre no decorrer de
alguns dias ou semanas. 5) alguns casos, portanto, em que a enfermeira deve esperar ser vis ta como uma figura
persecut#ria, mesmo quando no o é, e mesmo quando é e$cepcionalmente compreensiva e tolerante. 7olerar este
fato é parte de seu serviço. !o final, normalmente, a me tende a recuperar>se e a ver a enfermeira tal como
realmente é, ou se0a, como uma enfermeira que tenta agir compreensivamente mas que, sendo &umana, tem
limites para sua tolerância.
/ode ser que a me, so%retudo se for imatura ou tiver sofri do uma carência ou privaço na infância, no consiga
prescindir dos cuidados da enfermeira, e se0a incapaz de permanecer sozin&a e dar a seu %e%ê aquele tipo de
cuidado de que ela mesma est) precisando. 3esses casos, a perda do apoio dado por uma %oa enfermeira pode
ocasionar dificuldades muito sérias na fase que se segue a isso.
! psican)lise, portanto, tal como a entendo, proporciona ' o%stetrícia, %em como a toda atividade que envolva o
relaciona mento &umano, um increment o no respeito que os indivíduos sentem um para com o outro e para com
os direitos de cada um. ! sociedade carece de especialistas na )rea da medicina e da enfermagem6 mas, quando
os elementos envolvidos so pessoas e no m)quinas, o especialista precisa estudar o modo pelo qual as pessoas
vivem e imaginam, e aprender com sua pr#pria e$periência.

CAP9TULO 1@ - ACONSEL?ANDO OS PAIS


" título deste capítulo talvez se0a um pouco enganador. !o longo de toda a min&a vida profissional, sempre evitei
dar consel&os6 se o%tiver sucesso em meu intento, os profissionais que lerem este artigo no se sentiro mais
preparados para aconsel&ar os pais, mas, ao contr)rio, estaro talvez menos inclinados a fazê>lo.
Entretanto, essa atitude no deve ser levada a e$tremos. Se um médico ouve a pergunta2 Xue devo fazer com
meu fil&o, em quem foi diagnosticada uma fe%re reum)ticaVT, ele deve aconsel&ar os pais a colocarem o menino
na cama e a mantê>lo l) até que passe o perigo de o coraço ser afetado. "u, se uma enfermeira desco%rir piol&os
numa criança, ela deve dar instruç1es relativas ' eliminaço do pro%lema. Em outras palavras2 em casos de
doença física, os médicos e enfermeiras geralmente con&ecem a soluço devido ' formaço que tiveram, e é seu
dever dar as respostas a quem as pedir.
-as, apesar disso, muitas crianças que no sofrem de doenças físicas so colocadas so% nossos cuidados2 em
casos de maternidade, por e$emplo, o tra%al&o no é curativo, pois me e %e%ê so geralmente saud)veis. ! saúde
é muito mais difícil de administrar que a doença. W interessante que médicos e enfermeiras muitas vezes ficam
desorientados quando confrontados com casos que no se relacionam com doenças ou deformidades corporais6 a
formaço que têm em saúde no se compara ' que têm relativa a enfermidades.
M&n<# oHe"$#çõe # "epe&(o !o cone%<o !&$&!e'-e e' ("+ c#(eo"&#2
?. ! diferença entre tratamento de doenças e consel&o so%re a vida.
C. ! necessidade de conter o pro%lema ao invés de oferecer uma soluço.
I. ! entrevista profissional.
TRATAMENTO DE DOENAS E CONSEL?OS SO6RE A VIDA
Z medida que os médicos e enfermeiros de &o0e vo ficando mais conscientes da importância da psicologia, ou
do lado emocional da vida, é necess)rio que sai%am uma coisa2 no so especialistas em psicologia. Em outras
palavras, é necess)rio que mudem o estilo de seu relacionamento com os pacientes assim que se apro$imarem da
fronteira entre os territ#rios da doença física e dos processos da vida. Qei$e>me dar um e$emplo %em grosseiro2
Lm pediatra e$amina uma criança devido a certo pro%lema em suas amígdalas. Ele faz seu diagn#stico e o
informa ' me, e$pondo tam%ém em lin&as gerais uma proposta de trata mento. ! me e a criança gostam desse
pediatra, que é gentil, simp)tico e desenvolto no e$ame físico. " médico, es tando atualizado, d) ' me um pouco
de tempo para que fale so%re si mesma e sua casa. ! me conta que o menino no tem se sentido feliz na escola, e
tem sofrido violência de outras crianças6 ela tem pensado em mud)>lo de escola. !té aqui tudo est) %em6 mas
ento o médico, acostumado a dar consel&os relativos ' sua pr#pria especialidade, diz ' me2 Sim, ac&o que é
uma %oa idéia mud)>lo de escola.T

3esse ponto o médico saiu fora de seu domínio, mas carregou consigo sua atitude autorit)ria. ! me no sa%e,
mas ele s# aconsel&ou a mudança de escola porque &avia recent emente trocado a escola de um de seus pr#prios
fil&os, que tam%ém vin&a sofrendo violência, e a idéia estava fresca em sua mente. Lma e$periência pessoal
diversa o teria feito aconsel&)>la a no mu dar a criança de escola. 3a verdade, o médico no estava preparado
para dar um consel&o. "uvindo a &ist#ria da me, ele estava desempen&ando uma funço %enéfica sem o sa%er.
-as, ao aconsel&ar, comportou>se de maneira irrespons)vel, tomando uma atitude que inclusive nem era
necess)ria, uma vez que a me no pedira sua opinio.
Esse tipo de coisa é e$tremamente comum na pr)tica de médicos e enfermeiras, e s# poder) ser evitada quando
esses profissionais entenderem que no ca%e a eles resolver pro%lemas da vi da de seus clientes Y &omens e
mul&eres que, muitas vezes, so mais maduros que os médicos e enfermeiras que os aconsel&am.
O ee'p%o e)&n(e &%)("# )' 'J(o!o #%(e"n#(&$o2

Lm 0ovem casal consulta um médico acerca de seu segundo fil&o, de oito meses de idade. ! criança no quer
desma marT. 3o &) sinal de doença. 3o decorrer de uma &ora, ficou>se sa%endo que fora a me da me que a
enviara ao médico. 3a verdade, a av# tivera dificuldade para desma mar a me do %e%ê. 7anto a av# quanto a
me tin&am um fundo depressivo. Z medida que tudo isso ficou claro, a me surpreendeu>se ao ver>se c&orando
copiosamente.

! soluço desse pro%lema veio quando a me recon&eceu que o pro%lema estava em sua relaço com a pr#pria
me Y depois disso ela foi capaz de lidar com os pro%lemas pr)ticos que envolviam o desmame, no qual ela
precisava tam%ém ser dura com seu %e%ê, além de am)>lo. 7ratando>se de uma questo de rea0usta mento
emocional, um consel&o no a0udaria muito.
Po" con("#(e, e(e p"&'o c#o en$o%$e )'# 'en&n# )e #(en!& )#n!o (&n<# !e #no2

! menina, fil&a única, vin&a dando muita dor de ca%eça a seus pais, em%ora os amasse muito. Lm cuidadoso
levanta mento do caso mostrou que as dificuldades &aviam começa do quando a criança foi desmamada, aos oito
meses de ida de. Ela aceitou a mudança, mas depois de largar o peito nunca mais foi capaz de apreciar qualque r
alimento. !os três anos levaram>na a um médico que, infelizmente, no perce%eu que a menina precisava de
a0uda. *) naquela época ela vivia inquieta, no tin&a persistência para %rincar e era um inc\modo constante. "
médico afirmou2 nimo, me, ela logo faz quatro anos_T
No)("o c#o, )' c##% !e p#& con)%(o) )' pe!&#("# po" (e"e' !&&c)%!#!e !e !e'#'#" o &%<o2

" médico fez seu e$ame e nada encontrou de errado, e com muita razo afirmou>o aos pais. -as foi além.
!consel&ou a me a que completasse o desmame imediatamente, e ela o fez.
Esse consel&o no foi nem %om nem ruim, foi apenas inoportuno. /assou por cima do conflito inconsciente da
me acerca de desmamar a criança, que provavelmente seria seu único fi l&o Fela tin&a trinta e oito anos de

idadeH.  claro que ela seguiu o consel&o do especialista6 que mais poderia fazerV mas ele no o deveria ter dado.
Qeveria ter>se limitado a sua tarefa %)sica, e deveria ter delegado a compreenso dessa dificuldade no desmame a
um profissional capaz de a%arcar esse pro%lema muito mais amplo, ligado ' vida e aos relacionamentos.
Onfelizmente, esse tipo de ocorrência no é coisa rara6 é algo que se passa no dia>a>dia da pr)tica médica. =orneço
um outro e$emplo, um pouco mais detal&ado2
Rece%i um telefonema de uma mul&er que me disse estar envolvida com um &ospital pedi)trico, mas queria
conversar so%re sua fil&a num registro um pouco diferente. -arquei

uma consulta ' qual ela compareceu com a criança, que tin&a quase sete meses de idade. ! 0ovem me sentou>se
nu ma poltrona com a criança em seu colo, e pude facilmente esta%elecer as condiç1es de que necessito para
o%servar um %e%ê dessa idade. Xuero dizer que pude conversar com a me e ao mesmo tempo lidar com o %e%ê
sem que ela me a0udas se ou interferiss e. ! me logo me pareceu ser uma pessoa %astant e normal, dotada de um
sentimento tranqMilo para com seu %e%ê. 3o o ficava c&acoal&ando para cima e para %ai$o em seus 0oel&os nem
manifestou qualquer atitude falsa.
" nascimento da criança fora normal. ! criança nas cera sonolentaT era difícil fazê>la mamar6 ela quase no fi
cava acordada. ! me descreveu uma tentativa feita na maternidade de forçar a criança a mamar. Ela queria

amamentar a fil&a, e sentia>se capaz de fazê>lo. /or uma semana e$ traiu o leite do peito para ser dado de
mamadeira. ! enfermeira estava determinada a fazer a criança mamar, e sem cessar pun&a e tirava o %ico da
mamadeira na %oca da criança, fazia>l&e c#cegas nos pés, c&acoal&ava>a para cima e para %ai$o, em vo. "
padro persistiu a tal ponto que, muito tempo depois, a me desco%riu que qualquer gesto ativo de sua parte no
sentido de alimentar a criança tin&a o condo de fazê>la dormir. !o ca%o de uma semana tentou>se dar o peito ao
%e%ê, mas no se permitiu ' me que fizesse uso de seu entendimento intuitivo das necessidades da fil&a. 7udo
foi muito doloroso. ! seu ver, ninguém queria que a coisa desse certo. Ela tin&a de sentar>se passivamente
enquanto a enfermeira fazia tudo o que podia para induzir a criança a mamar. ! enfermeira, que normalmente era
gentil e &a%ilidosa, agarrava a ca%eça do %e%ê e a empurrava de encontro ao peito, e daí por diante. Qepois de
algumas tentativas, que s# ocasionaram um sono ainda mais profundo desisti u>se de tentar dar o peito ' criança.
Lma not)vel deterioraço seguiu>se a esse ensaio malogrado.
-ais ou menos de inopino , 's duas semanas e meia, &ouve uma mel&ora. om um mês o %e%ê pesava C quilos e
GC gramas Fno nascimento, C quilos e AI gramasH, e foi para casa com a me. Recomendou>se a esta que
alimentasse a menina com uma col&er.
! me 0) desco%rira sozin&a que era perfeitamente capaz de alimentar a fil&a, em%ora a essa altura o peito 0) ti
vesse secado. in&a alim entando o %e%ê por uma &ora e meia de cada vez, e depois prontificou>se a aliment)>l a
mais vezes, com menos leite a cada vez. -as, nessa época, um &ospital pedi)trico começara a preocupar>se com a

criança de vido a certas anormalidades físicas, e a unidade am%ulatorial do &ospital deu ' me alguns consel&os.
Estes pareciam %asear>se na suposiço de que a me estivesse farta, quando na verdade adorava alimentar o %e%ê
e no estava nem um pouco preocupada com a dificuldade da tarefa. 7eve de opor> se aos médicos que a
atenderam. FSeu coment)rio a essa altura foi2 Qefinitivamente, da pr#$ima vez no vou ter meu %e%ê no
&ospital.TH " &ospital realizou inúmeras investigaç1es a despeito dos protestos da me, que no entanto sentia que
devia dei$ar as quest1es físicas a critério dos médicos. " %e%ê tin&a o ante%raço esquerdo mais curto que o
normal e uma fenda palatina que atingia apenas os tecidos moles.
! me sentia ser necess)rio consultar o &ospital pedi)trico devido 's anormalidade físicas da criança, mas por
isso tin&a de suportar tam%ém os consel&os relativos ' alimentaço, consel&os esses que eram em geral %aseados
numa falsa compreenso de sua pr#pria atitude para com o %e%ê. !os três meses aconsel&aram>na a introduzir
alimentos s#lidos para no ter de estar a toda &ora alimentando o %e%ê. Ela tentou e no conseguiu, e por isso
dei$ou para depois a introduço dos s#lidos. ! criança, com sete meses, como resultado de sentar>se ' mesa
enquanto os pais comiam, começara a querer s#lidos. ! me l&e dava alguma coisin&a, e ela aos poucos foi
perce%endo a e$istência desse outro tipo de comida. Enquanto isso ia sendo alimentada com mingau de c&ocolate,
e 0) pesava A quilos e IA gramas.
/or que a me me procurouV Ela perce%eu que estava ' pro cura de apoio para a idéia que ela mesma fazia de sua
criança. Em primeiro lugar, o %e%ê era plenamente desenvolvido para sua idade, isto é, no manifestava qualquer
sinal de retardamento, ao passo que, no &ospital, ficara no ar uma vaga sugesto de que a criança pudesse ser
retardada. Em segundo lugar, a me estava muito preparada a aceitar a deformidade no ante%raço da meni na,
mas no se conformava ' idéia de ter de su%metê>la a múltiplas investigaç1es6 em específico, recusou que
instalassem uma tala no %racin&o. W evidente que a me perce%ia as necessidades da fil&a de maneira muito mais
sensível que qualquer médico e enfermeira podia fazer. !larmara>se, por e$emplo, quando o &ospital pediu que o
%e%ê permanecesse l) por uma noite para a simples consecuço de um e$ame de sangue. ! me no o permitiu, e
o &ospital levou as investigaç1es a ca%o no am%ulat#rio, sem ter de trazer o %e%ê para a )rea interna.
/ortanto, o pro%lema dessa me consistia em recon&ecer mui to claramente sua dependência em relaço ao

&ospital no que to cava aos aspectos físicos da questo, e ela tentava lidar com o fato de os especialistas no
conseguirem ainda perce%er que a criança 0) era um ser &umano. Xuando ela protestou contra o enfai$amento do
%raço do %e%ê em suas primeiras semanas de vida, os médicos disseram>l&e claramente que a criança ainda no
era afetada pelas coisas que l&e aconteciam, muito em%ora ela tivesse %astante certeza de que o %e%ê sofreria
conseqMências ad versas se a tala fosse colocada6 perce%ia, na verdade, que a criança seria can&ota, e a tala
em%otaria os movimentos da mo esquerda num momento de vital importância, em que o pegar e o agarrar fazem
a funço de criar o mundo para a criança.
E& )'# &'#e' !o HeH+ 3co' )#e e(e 'ee4 )#n!o !# con)%(#2

Xuando entrei na sala, a menina fi$ou>me com seus ol&os. !ssim que perce%eu que eu estava em uflia com
ela, sorriu e sentiu claramente que estava comunicando>se com uma pessoa. /eguei um l)pis sem ponta e segurei>
o ' sua frente. Sem dei$ar de ol&ar e sorrir para mim, ela tomou o l)pis com sua me direita e sem &esitar levou>o
' %oca, onde o sa%oreou. <ogo passou a usar a mo esquerda para a0udar, e depois segurou>o com a mo esquerda
em vez da direita enquanto o c&upava. ! saliva escorria. ! coisa demorou>se por cerca de cinco minutos e,
depois disso, segundo o que normalmente acontece, ela por engano dei$ou cair o l)pis. Qevolvi>o e o 0ogo
recomeçou. !o ca%o de outros tantos minutos o l)pis caiu de novo, desta vez no tanto por engano. Ela agora no
estava inteiramente ocupada em p\ lo na %oca, e a certa altura colocou>o entre as pernas. Estava vesti da, pois eu
no vira a necessidade de desvesti>la. 3a terceira vez, ela derru%ou o l)pis deli%eradamente e viu>o cair. 3a
quarta vez, apro$imou>o do seio da me e dei$ou>o cair entre a me e o %raço da poltrona.
! essa altura 0) nos apro$im)vamos do fim da consulta, que durou meia &ora. !o final da %rincadeira com o l)pis
a nené começara a resmungar, e tivemos uns poucos minutos de inc\modo enquanto o %e%ê sentia a necessidade
natural de ir em%ora e a me ainda terminava de conversar. Sem qualquer dificuldade, me e fil&a saíram da sala
plena mente satisfeitas uma com a outra.
Enquanto tudo isso acontecia eu falava com a me, e por uma única vez tive que pedir>l&e que no traduzisse o
que est)vamos dizendo em termos de movimentar o %e%ê6 por e$emplo2 quando perguntei so%re o pun&o, ela
natural mente teve o impulso de arregaçar a manga da criança.
! conversa no teve resultados, mas a me encontrou o apoio de que precisava. ! compreenso muito verdadeira
que ela tin&a de seu %e%ê precisava ser defendida contra a incapacidade dos médicos corporais de recon&ecer em
os limites de sua especialidade.
U'# c"Q(&c# ')&(o '#& e"#% J ep"e# ne(# p#%#$"#, ec"&(# po" )'# ene"'e&"#2

7ra%al&ei por muito tempo numa famosa maternidade particular. i %e%ês quase amontoados, %erço encostado a
%erço, fec&ados a noite inteira numa sala mal ventilada sem que ninguém dessa atenço a seus gritos. i %e%ês,
trazidos a suas mes para a amamentaço, enrolados com fraldas até o pescoço e tendo os %racin&os presos para
%ai$o, com uma enfermeira empurrando>os de encontro ao peito, 's vezes por uma &ora inteira, até que a me
ficasse e$austa e 's l)grimas. -uitas mes nunca &aviam visto os dedos dos pés de seus fil&os. !s mes que
tin&am suas pr#prias enfermeiras especiaisT no estavam em vantagem. !ssisti muitos casos de crueldade
e$plícita da enfermeira em relaço ao %e%ê. 3a maioria dos casos, todas as ordens dos médicos so ignoradas.
" fato é que, quando lidamos com pessoas saud)veis, nossa principal preocupaço deve ser a de acompan&armos
o tempo dos processos naturais6 a pressa e o atraso equivalem a uma interferência. !lém disso, se conseguirmo s
a0ustar>nos a esses processos naturais, podemos dei$ar a maioria dos mecanismos mais com ple$os a cargo da
pr#pria natureza, restando a n#s apenas o%servar e aprender.
CONTER O PRO6LEMA
*) introduzi este tema em meus casos ilustrativos. ! questo pode ser colocada como se segue. !queles que
tiveram formaço em medicina orgânica possuem suas &a%ilidades pr#prias. " pro%lema é2 devem eles dar um
passo além de suas &a%ilidades especiais e ingressar no campo da psicologia, isto é, da vida e do viverV Eis min&a
resposta2 sim, se eles forem capazes de guardar e conter em si mesmos os pro%lemas pessoais, familiares e sociais
com que so colocados em contato, dei$ando que a soluço apa reça por si s#. Osso implica um sofrimento. W uma
questo de suportar as preocupaç1es e agonias de uma &ist#ria de caso, de conflito individual, ini%iç1es e
frustraç1es, disc#rdia familiar ou dificuldades econ\micas. 3o é necess)rio ser estudante de psicologia para
poder ser útil. 8asta devolver ' pessoa o caso que ela contou, ap#s tê>lo devidamente contido temporariamente
em si mesmo. -as se uma pessoa, por temperamento, tende a agir, aconsel&ar, interferir ou tentar ocasionar as
mudanças que ela considera ser %oas, min&a resposta é2 no, essa pessoa no deve sair de sua especialidade, que é
a doença orgânica.
7en&o uma amiga que tra%al&a como consel&eira matrimonial. ! única instruço que teve foi como professora,
mas seu temperamento l&e permite aceitar, ao longo do tempo da consulta, o pro%lema tal como l&e é
apresentado. Ela no precisa investigar se os fatos relatados so corretos ou se o pro%lema est) sendo apresentado
de forma parcial6 apenas rece%e o que a ela vem, e o sofre internamente. Qepois disso, o cliente vai para casa
sentindo>se diferente, e muitas vezes encontra soluç1es para pro%lemas que pareciam irremedi)veis. " tra%al&o
dessa profissional é mel&or que o de muitos que rece%eram formaço especializada. Ela quase nunca d)
consel&os, pois no sa%eria que consel&os dar6 além disso, no é do tipo de pessoa que gosta de aconsel&ar.

Em outras palavras, aqueles que se vêem camin&ando fora de sua )rea de especialidade fariam %em em parar
imediatamente de dar consel&os.

A ENTREVISTA PROFISSIONAL

FhH podemos dei$ar intocadas as concepç1 es que o cliente faz do que é certo e do que é errado. ! e$presso de
um 0uízo moral destr#i de modo a%soluto e irrevog)vel a relaço profissional. " limite da entrevista profissional
e$iste a serviço do pr#prio psic#logo6 a perspectiva do fim da sesso é capaz de a%randar nosso ressentimento,
que de outro modo mesclaria>se e dificultaria a operaço de nossa preocupaço genuína.
!queles que praticam a psicologia desse modo Y aceitando limites e sofrendo as agonias do caso por períodos
limitados de tempo Y no precisam ter muito con&ecimento. -as aprendero6 sero ensinados por seus clientes.
reio que, quanto mais aprenderem por esse método, tanto mais ricos se tornaro internamente, e tanto menos
sentir>se>o inclinados a dar consel&os.
/ara que a psicologia possa ser praticada, é necess)rio que o se0a no interior de uma estrutura. ! entrevista deve
dar>se num lugar adequado e conter>se dentro de um limite específico de tempo. Qentro dessa estrutura n#s
podemos ser confi)veis, muito mais do que o somos em nossa vida pessoal. " ser confi)vel em todos os aspectos
é a principal qualidade do psic#logo. Osso no significa apenas que respeitamos a pessoa do cliente e seu direito a
nosso tempo e nossa consideraço. 7emos o nosso pr#prio sistema.
CAP9TULO 1 - ATENDIMENTO DE CASO COM CRIANAS MENTALMENTE PERTUR6ADAS -
ATENDIMENTO DE CASO E PSICOTERAPIA

/ermita>se>me começar por esclarecer o uso que fazemos do termo atendimento de casoT Fcase4or:H no
presente estado de nossa formaço em assistência social. " atendimento de caso é descrito como um processo de
soluço de pro%lemas. " termo atendimento de caso é usado para descrever a funço total de uma agência

particular no trato de um determinado pro%lema. ! psicoterapia é coisa totalmente diferente, e muitas vezes se
desenrola sem que um atendimento de caso se desenvolva em paralelo, uma vez que o paciente infantil é
apresentado por adultos que recon&ecem nele um distúr%io, e o paciente adulto é capaz de rea lizar seu pr#prio
atendimento de caso ap#s livrar>se das ini%iç1es, compuls1es, mudanças de &umor e outros sintomas que derivam
sua energia dos conflitos emocionais inconscientes.
Esses dois processos, o atendimento de caso e a psicoterapia, na pr)tica, muitas vezes coe$istem e tornam>se
mutuamente dependentes6 vale notar, porém, que o atendimento de caso no pode ser utilizado para escorar ou
remediar uma terapia fracas sada, nem pode transformar>se em psicoterapia sem acarretar uma grande confuso.

Qentre o atendimento de caso e a psicoterapia, o primeiro consiste especificamente num serviço social, isto é,
relaciona>se com uma atitude social que faz parte da vida da comunidade e do conceito atual do que se0a a
responsa%ilidade social. !lém disso, o tra%al&o do profissional que faz atendimento de caso é afetado pela
agência que l&e confere retaguar da profissional " tra%al& o feito por essa pessoa varia de acordo com o conceito
de serviço social que se cristalizou naquela agência. Osso limita o tra%al&o de atendimento de caso, mas ao mesmo
tempo determina muito do que é feito e potencializa sua efic)cia.
" profissional de atendimento de caso deve sa%er tanto quanto possível a respeito do inconsciente6 mas em seu
tra%al&o no &) lugar para a tentativa de mudar o curso dos acontecimentos por meio de uma interpretaço do
inconsciente. 3o m)$imo, o profissional ver%alizar) para o cliente v)rios fen\menos que, em %ora e$plícitos, no
so compreendidos2 ocê tem estado mui to doenteT6 ou, ocê sente que, se tivesse um quintal maior, a
agressividade de seus fil&os no l&es acarretaria tantos pro%lemasT6 ou, ocê tem medo de seus vizin&os, e no
sa%e se isso tem fundamento ou se é apenas uma impresso pessoalT6 e daí por diante. " tra%al&o do
psicoterapeuta, em contraste, %aseia> se so%retudo na interpretaço do inconsciente6 da neurose de transferência e
de uma série de e$emplos da manifestaç o do conflito pessoal do paciente, cada qual apropriado a um momento
específico do conte$to terapêutico.
-in&a atividade sempre esteve dividida entre quatro domínios. Em primeiro lugar, sou médico num &ospital
pedi)trico. 7rata>se de uma tentativa de satisfazer uma funço social num conte$to am%ulatorial6 min&a clínica,

no 5ospital /edi)trico de /addington (reen, tornou>se con&ecida como uma espécie de lan c&onete psiqui)trica.
-in&a segunda atividade se desenvolve no departamento de psicologia de /addington (reen, ao qual encamin&o
casos da lanc&onete sempre que os assistentes sociais do departamento esto com vagas para novos pacientes.
!qui, supon&o que nosso tra%al&o possa ser definido como atendimento de caso.
-eu terceiro interesse tem sido a psican)lise de crianças e a formaço de &omens e mul&eres para este tra%al&o.
/or último, sempre &ouve min&a clínica particular de psiquiatria infantil. ! pr)tica particular talvez se0a a mais
satisfat#ria, pois assumo nela toda a responsa%ilidade, a menos que decida pedir a0uda. -eus fracassos Y e so

muitos Y so definitiva mente meus, e me ol&am na cara. Em min&a clínica particular de psiquiatria infantil,
supon&o que eu faça atendimento de caso.
3a pr)tica particular a necessidade de economia é em geral evidente6 na clínica, meu lema sempre foi2 qual o
mínimo que pre cisa ser feitoV " atendimento de caso pode ser muito econ\mico. -uitas vezes, porém, ele é
demorado, preocupante e desanimador.
E>EMPLOS CL9NICOS

Qentre mil&ares de casos, tentei selec ionar uma série gradua da de e$emplos aos quais farei %reve referência . "
primeiro é o caso de Rupert2
Rupert, um menino de quinze anos, muito inteligente e seria mente deprimido, é um caso crítico de anore$ia
nervosa. eio ' procura de psican)lise, e a est) tendo. " atendimento de caso aqui se reduz ao mínimo, pois os
pais colocaram o analista no centro do caso. !s necessidades do analista so apoia das pelos quais, o que inclui o
relacionamento entre o analista e os v)rios pediatras que periodicamente envolvem>se com o caso. 5) aqui um
perigo em potencial2 se o menino ficar seriamente doente, os pais podero perder a confiança que têm no analista,
e ento sua funço de integrar os v)rios elementos do tratamento do garoto estar) perdida
Menc&ono, po" con("#(e, )' !e 'e) "#c#o, o c#o !e 7ennX2

*enn+, menina de dez anos, tin&a colite. =ora>l&e dedicada muita atenço ao longo de v)rios anos. /or um ano
tive o caso so% meu controle, e tra%al&ei com psicoterapia. " tratamento ia indo %em, e por isso os pais
depositavam em mim toda a sua confiança6 eu no tin&a con&ecimento das tremendas complicaç1es que até ento
permaneciam ocultas. Se eu tivesse sa%ido que o indivíduo pertur%ado na família era na verdade a me, e que a
doença da menina era em grande medida e$presso de um severo distúr%io psiqui)trico da me, eu teria escol&ido
fazer atendimento de caso ao lado da psicoterapia, ou em lugar dela.
-as ocorreu que o tratamento da menina foi interrompido por um reaparecimento dos sintomas associado ao re
torno da criança ' escola. Eu no fazia idéia, na época, que a me era incapaz de permitir que a menina se
sentisse %em o suficiente para ir ' escola, em%ora sou%esse que essa mesma me fora incapaz de ficar na escola

quando tin&a e$ata mente a mesma idade que a fil&a. Eu deveria ter empreendi do uma tentativa mais séria de
lidar com os pro%lemas da me, mas fiquei desanimado pelo fato de essa pessoa no ter nen&uma consciência de
seus pro%lemas pessoais, e além disso pelo fato de os sintomas de *enn+ terem desaparecido de maneira quase
m)gica ap#s o início de meu tratamento psicoterapêutico. ! recaída, porém, revelou que, quando a me no fazia
as vezes de uma força integradora, tin&a um papel e$tremamente desintegrador no caso. Qesco%ri que ela &avia
c&amado ao caso um grande número de médicos, ao mesmo tempo que continu ava me trazendo a menina. ! cer
ta altura, desisti do caso.
3o centro de tudo isso &avia uma me que, sem o sa%er, agia de modo a dispersar os agentes respons)veis, de mo
do que ninguém pudesse mante r controle so%re a questo. ! criança sa%ia que no tin&a meios de lidar com essa
tendência na me, e aos poucos adaptou>se ' sua sina, conseguindo desco%rir muitos gan&os secund)rios no fato
de estar irremediavelmente doente.
Esse estado de coisas é %em triste, e ilustra algo que sempre me vem ' mente quando considero o pro%lema do
atendimento de caso com crianças mentalmente pertur%adas. /erce%o que o desenvolvimento do tema sempre
termina por conduzir>me 's palavras integraço e desintegraço.
Z primeira vista parece &aver apenas dois processos2 a psicoterapia e o atendimento de caso. 3um e$ame mais
detido, porém, constatamos que a psicoterapia é sempre acompan&ada de um atendimento de caso. 5) sempre
algo a ser feito com os pais da criança ou, se o lar no for satisfat#rio, &) que encontrar>se alternativas. 7alvez
se0a necess)rio manter a escola informada dos fatos. Em alguns casos, o terapeuta é influenciado pelos resulta dos
de discuss1es que manteve com os pais, professores e outras pessoas que con&ecem a criança. " termo
atendimento de caso parece aplicar>se, um tanto vagamente, a todas essas aç1es que no constituem a
psicoterapia propriamente dita.
W de se perguntar o que é que, 's vezes, faz do atendimento de caso um elemento terapêutico de vital
importância. /odemos voltar>nos ao outro e$tremo, aos casos em que o am%iente do paciente se desintegra. !qui
a necessidade de administraço e$terna se torna #%via. -as penso que a idéia de atendimento de caso s# nos
c&ega quando recon&ecemos que pode &aver no caso forças desintegradoras, e que esses elementos de
desintegraço têm de ser organizados por algum tipo de processo integrativo. Qeste modo, o termo atendimento
de casoT começa a adquirir novo significado. W possível que o tra%al&o pr)tico se0a e$atamente o mesmo, mas
so% essa #ptica o atendimento de caso passa a relacionar>se com algo que l&e é dinamicamente oposto, algo que
tentei ilustrar pela citaço do caso de *enn+, cu0a me, inconscientemente, privava sua fil&a da plenitude dos
%enefícios da te rapia. " elemento desint c&ama ' vida e sustenta toda a dinâmica do atendimento de caso.
Essa questo pode ser aprofundada pelos e$emplos que se seguem.
*erem+, de oito anos, era um menino saud)vel e forte, mas no conseguia dormi r sem agarrar>se ' orel&a de sua
me. ! família era %oa. "s pais estavam decididos a continuar 0un tos, e trou$eram>nos o caso para que o

resolvêssemos.
Qeleguei toda a administraço desse caso a uma assistente social psiqui)trica. W assim que faço uso desses
profissionais6 tendo a delegar>l&es o caso temporariamente, dando>l&es completo apoio profissional, no e$igindo
anotaç1es relativas ao caso, mas simplesmente pedindo que me procurem de tempos em tempos para me darem
um panorama do andamento da questo, contando>me se esto progredindo, atolados ou liquidaram o pro%lema.
Qesta vez, a assistente social foi capaz de lidar com a falta de compreenso, por parte da me, do papel que ela
mesma desempen&ava na produço e na manutenço do sintoma do menino. 7ratava>se de um autêntico caso em
que um meni no sadio via>se envolvido numa ansiedade causada pela de presso da me. Ele era fil&o único, e
no conseguia de mo do algum desvencil&ar>se da necessidade que sua me tin&a de tê>lo por perto. !gora, esse
garoto 0) é capaz de ir ' escola, da qual gosta muito, a no ser na medida em que o preocupa o fato de sua me
sentir sua falta. -as a me est) li dando com sua enorme perda intern a, e penso que est) se voltando novamente
para o marido de um modo que no ocorria desde que o menino nasceu. Qesse modo, o pro%lema vai>se
resolvendo por si mesmo.
" atendimento de caso aqui residiu na compreenso do pro%lema por parte da assistente social, em sua discusso
do pro%lema com a me, e na manutenço do interesse pelo caso ao longo de certo período de tempo. "s pais
trou$eram> nos esse pro%lema para que fosse resolvido, e têm confiança
em mim, na assistente social e na clínica. Se perdêssemos essa confiança, eles no seriam mais capazes de
integrar as forças au$iliares representadas pela assistente social e por min&a retaguarda.
Peno, po"(#n(o, e" poQ$e% !&$&!&" noo c#o e' ("+ c%#e2

FiH !queles integrados a partir do interior.


FiiH !queles que contêm um elemento desintegrador.
FiiiH "s casos caracterizados por uma ruptura am%iental 0) consumada.
3o primeiro grupo, o tra%al&o profissional d) su%sídios a uma aço dos pais. 3o segundo, o atendimento de caso
precisa desenvolver uma dinâmica que contra%alance o elemento desintegrador. 3o terceiro, o assistente social
organiza ou reorganiza o am%iente. "%viamente, é o segundo grupo que nos apresenta os pro%lemas mais
comple$os, e muitas vezes fracassamos por no termos autoridade para fazer o que é necess)rio.
E& )'# epJc&e !e c#o )e po!e e" e#'&n#!# ne(e con(e(o2

Lma me me traz o menino *aime, de oito anos de idade, porque urina na roupa, recusa>se a aprender o que no
quer e foge das situaç1es novas, das pessoas e de toda a realidade. ! me me diz que o pai é um &omem muito
mal> &umorado, o que causou tenso no lar. Qiz>me tam%ém que o pai tendia a defender o menino contra ela toda
vez que ela ac&ara necess)rio mostrar firmeza. !profundando>me %astante no caso, constato uma situaço em
vias de resolver>se. " pai a%andonou o lar e est) ocupado esta%elecendo uma nova família6 a me tem tido
oportunidade de trazer o me nino para perto da realidade6 e o menino tem passado a usar outros &omens da
família como pais>su%stitutos. Ele apre cia muito que esses &omens ven&am em defesa da me, em vez de
defendê>lo contra a me. (osta deles, e no geral est) mais feliz e calmo do que estivera por muito tempo. Qe par
com isso, seus sintomas começam a a%randar>se.
3este caso, portanto, decido no ver o menino. ! me pareceu>me muito aliviada quando pude mostrar>l&e que
ela estava propici ando uma situaço em que o menino começava a recuperar>se de alguns dos efeitos nocivos da
atitude do pai, e que o menino parecia ter saúde suficiente para fazer isso. Onterferindo, eu teria estragado a
satisfaço da me, que l&e pertencia de direito devido ' sua capacidade de a0udar o pr#prio fil&o. Eu, por outro
lado, permaneço em segundo plano e continuo disponível a intervir se me pedirem, pois levantarei uma cuidadosa
&ist#ria do caso e 0) formei min&a opinio com relaço ' dinâmica dos acontecimentos. Se eu intervier no caso e
entrevistar o garoto, terei diante de mim duas opç1es2 fracassar ou tornar>me um importante pai> su%stituto. 3essa
última situaço, devo ser capaz de continuar sendo um su%stituto até que a funço no se0a mais necess)ria6 caso
contr)rio, estarei agindo de modo pre0udicial.
E#'&ne'o #o"# o c#o !e An(<onX2

7rata>se de um menino que apareceu pela primeira vez em min&a clínica &ospitalar com a idade de oito anos. Ele
é agora um &omem6 quero dizer, est) solto em algum lugar do mundo, no sei %em onde. 3o sei dizer se este
caso, que e$igiu todos os recursos da clínica, resultou em ê$ito. ! única coisa que teve continuidade na vida
desse garoto foi min&a clínica. 3o decorrer de sua longa &ist#ria, todo o pessoal da clínica, com e$ceço de mim
mesmo, foi su%stituído muitas vezes. " departament o tem continuado, ao longo dos anos, a integrar o am%iente
desse menino6 nada mais, durante to do o período, teve clara continuidade.
! me do menino separou>o do pai em tenra idade, mas logo começou vida nova e, tendo ele três ou quatro anos,
enviou>o de volta ao pai. Este era um &omem muito inst)vel, de temperamento maníaco>depressivo e cultivador
de uma atitude e$asper ante em relaço ' sociedade . Z época que assumi o caso ele se casara novamente e tivera
uma fil&a. !nt&on+ me foi trazido pelo pai e pela madrasta. Esta dava total apoio ao pai e ' época parecia
identificar>se totalmente com seu ponto de vista, que incluía uma curiosa mistura de antagonism o ' sociedade e
uma pretenso de que a sociedade, e no ele, assumisse a responsa%ilidade pela educaço do menino, que
o%viamente era dotado de um prodigioso intelecto. omo posteriormente confirmamos por meio de um teste, seu
XO era e$cepcionalmente alto.
7alvez a principal dificuldade deste caso ten&a sido evitar que a irritaço com os pais Fisto é, com o paiH
interferisse com nossa atitude positiva em relaço ao menino. Este era muito pouco atraente6 além de ser
estr)%ico, tin&a uma aparência miser)vel e parecia no ter em si nada de %om. Lma assistente social com quem
ele fazia psicoterapia foi a primeira pessoa a afirmar>me que o menino era na verdade uma pessoa muito %oa

quando tratado como indivíduo e contemplado com a oportunidade de e$pressar>se. Ele tin&a forte tendência a
rou%ar e mentir, e foi>me trazido pela primeira vez devido a uma compulso de %rincar com as pr#prias fezes.
Sua madrasta no podia dei$)>lo no apartamento com a fil&a6 o que complicava ainda mais o caso era o fato de
esses pais no se disporem a mudar para um apartamento maior, em%ora pudessem6 no &avia espaço para o
menino, que certamente no podia dormir no mesmo quarto que sua meia>irm.
"s pais tomavam a atitude de culpar a n#s, ou a quem quer que pudesse ouvi>los, por toda a situaço. Xueriam
que o menino fosse preparado para ingressar numa famosa es cola pú%lica, e no tin&am qualquer intenço de
desem%olsar um tosto nesse sentido. " pai nunca cessou de culpar me por mandar o menino para um al%ergue de
crianças desa0ustadas. !ntes de envi)>lo para l), porém, tivemos de arran0ar alguém que suportasse sua imunda
compulso. -uitas mudança s ocorreram, mas a clínica nunca dei$ou de manter contato com o menino e com as
pessoas que cuidavam dele. !o longo de todo esse período, o <ondon ount+ oun cii F<H custeou>l&e uma
educaço de primeira classe. -as até mesmo o <, em seus v)rios departamentos Y administrativos e outros
Y, teve de ser encora0ado por cartas enviadas pela min&a clínica sugerindo que no se deveria negar ao menino a
a0uda possível simplesmente por ser seu pai uma pessoa muito doente e irritante. ! certa altura, a madrasta
a%andonou o pai, tornando>se uma pessoa muito di ferente e sendo capaz de dar>nos uma viso mais o%0et iva da
atitude do pai e da posiço e$tremamente difícil ou impossível em que o menino estava constantemente colocado.
" menino estava determinado a tentar uma %olsa em uma das duas universidades que considerava dignas de si.
/rimeiro tentou am%ridge, e fracassou6 depois tentou "$ford e ac&o que fracassou de novo, em%ora nada ten&a
me dito. -as, para candidatar>se 's %olsas, precisou de uma a0uda de última &ora, visto que o pai era
a%solutamente incapaz de dar>l&e apoio no momento em que isso era necess)rio. 3essa ocasio, a clínica deu ao
menino ? li%ras, que l&e possi%ilitaram fazer o e$ame. reio no &aver dúvidas de que fracassou, e de que um
dia voltar) ' cena, depois de esta%elecer> se como pesquisador na )rea de física em alguma empresa comercial.
Ele certamente poderia ter se saído %em na uni versidade, mas um certo resquício da atitude do pai o fez
determinar>se a cursar apenas am%ridge ou "$ford6 essas universi dades no eram todavia as mais adequadas '
sua pessoa, tanto devido a sua &ist#ria quanto por causa de certos sintomas residuais, que incluíam uma
&omosse$ualidade reprimida e uma ligaço inconsciente com a personalidade do pai e todas as suas dificuldades.

Esse caso e$igiu %astante tra%al&o6 seus registros so %astante e$tensos, e consistem tam%ém em cartas enviadas a
todo tipo de autoridades. 7alvez tudo no ten&a passado de um grande fracasso, e o menino no ten&a se tornado
nada além de um vigarista galante. 3o sa%emos6 mas tivemos que continuar proporcionando>l&e algo que fosse
contínuo e integrado, pois de outro modo estaria certamente destinado a uma vida de crime e deliqMência. Qe
todos os e$emplos que 0) dei, este é o que mel&or ilustra o tra%al&o de atendimento de caso. " < dispendeu
grandes somas de din&eiro para pagar uma escola que estivesse ' altura das capacidades intelectuais do garoto.
3o ca%e ao atendimento de caso entrar com din&eiro6 mas, como 0) disse, demos ao menino ? li%ras, tiradas de
um fundo especial, no momento em que seu pai desapontou>o de um modo que parecia impossí vel para um pai,
mesmo to doente quanto este.
" fator desintegrador, no caso, era a atitude e$asperante do pai em relaço ' sociedade. 3o &avia uma pessoa
que ele no conseguisse irritar. 3o costumo e$altar>me quando os pais imp1em entraves, mas, neste caso, disse
ao &omem o que pensava de tal forma que ele entrou em contato com o ministro da Saúde, que, por intermédio de
seus assessores, entrou em contato com o 5ospital de Saint -ar+, que entrou em contato com o /addington
(reen, que entrou em contato comigo. Respondi ' acusaço dizendo que realmente dissera o que me acusavam de
ter dito, e enviei os registros do caso ao ministro, dando>l&e plena permisso de lê>los integralmente. 3o rece%i
mais nen&uma notificaço, e os registros me foram enviados de volta.
/ode>se perguntar se o tra%al&o que fazemos vale a pena, e a isso respondo2 no podemos dei$ar de fazê>lo. Se o
caso c&ega a n#s, é necess)rio fazer frente 's necessidades que se apre sentam e suplementar as condiç1es
am%ientais que esto em falta. 3o podemos simplesmente tra%al&ar com %ase numa estimativa do resultado. Em
muitos casos, nosso tra%al&o é interrompido por forças que escapam ao nosso controle, e supon&o ser um sinal
muito favor)vel o fato de este menino ter, até recente mente, nos mantido informados acerca do que se passava
consigo, por meio do que pudemos dar continuidade ao atendimento de caso que iniciamos &) tanto tempo. W
possível que o simples fato de termos e$istido dessa maneira ao longo de todo esse tempo faça muita diferença no
processo que pode levar o menino a tornar>se um criminoso ou um cientista.
Qevo dizer que, quando iniciamos nosso tra%al&o com o caso, o menino fez um pouco de psicoterapia. 7er>l&e>
íamos dado psicoterapia do tipo mais profundo se pudéssemos, mas no &a via alo0amentos para crianças como
ele nas vizin&anças de nosso local de tra%al&o. Esse e$emplo ilustra a gritante necessidade que temos, 's vezes,
de uma instituiço que eu descreveria como um &ospital psiqui)trico para crianças, com equipamentos
educacionais realmente %ons, situado num local pr#$imo a nossa clínica. Qeste modo, poderíamos proporcio nar
um tratamento psicanalítico imediato a crianças que precisam ser mantidas em instituiç1es para desa0ustados. *
claro que s# conseguiríamos atender a um número limitado de indivíduos, mas poderíamos ao menos estar
gan&ando e$periência. !tualmente, toda vez que se fazem necess)rios o atendimento de caso e a reconstruço do
am%iente e$terno da criança, esta tem que ser removida para regi1es onde no &) psicoterapia.
Qescrevo o caso seguinte para ilustrar o fato de &aver uma ligaço muito estreita entre as formas mais %randas da

psicose e os primeiros est)gios da tendência anti>social. 7am%ém neste caso o protagonista tin&a propenso a
rou%ar.
" caso envolve um menino, estudante de uma escola pú%lica. Z idade de dezesseis anos, foi notificado pelo
diretor que deveria dei$ar a instituiço por ter realizado alguns rou%os consider)veis. ! situaço era muito triste,
pois o menino estudava na escola em que estudara o pai, &avendo portanto raz1es para que a escola dese0asse
a0udar o rapaz. " pai era professor em outra escola. 3uma entrevista com o menino, constatei ser ele capaz de
descrever>me uma fase muito difícil que atravessara quando tin&a cinco ou seis anos de ida de, na qual seus pais
pareciam estar tratando>o com negligência. onversei com os pais a respeito, e eles me confirmaram que, sem
dúvida alguma, naquela fase o menino no fora tratado como deveria ser. "s pais demoraram certo tempo para
perce%ê>lo, e quando isso ocorreu fizeram todo o possível para remediar a situaço. 7udo isso se deu numa época
em que o menino, que fora até ento uru caçula mais ou menos mimado, tornou>se o fil&o do meio ap#s o nasci
mento de uma irm.
! família neste caso era muito %oa, e os pais sofreram muito ao perce%er que seu descaso lançara as %ases do co
lapso que atingira o garoto na escola pú%lica. /rontificaram> se a mantê>lo em casa e dar a ele tudo de si,
enquanto os dois outros fil&os permaneciam em suas respectivas escolas. "s pais agiram desse modo e deram ao
garoto um ano de férias, livrando>o de todas as responsa%ilidades. !o ca%o desse período ele teve de novo
vontade de ir ' escola6 antes disso, porém, vivera uma regresso %astante severa e tornara> se to dependente
quanto uma criança pequena Fmas no tanto quanto um %e%êH. ! certa altura começou a freqMentar um e$ternato,
mas aos poucos decidiu ingressar na escola em que seu pai era professor, permanecendo porém interno nu ma
outra casa. <ogo o fato de que 0) rou%ara foi esquecido e, na verdade, nunca mais rou%ou depois do dia em que
tive uma sesso com ele na qual lem%rou da severa depresso que acompan&ou o período de descaso que vivera
aos cinco anos de idade.
Eis um distúr%io que no é psiconeur#tico e cu0o tratamento no consistiu em psicoterapia. Supon&o que ten&a
sido uma espécie de atendimento de caso2 a forma como lidei com os pais, informando>os da possi%ilidade que
tin&am de a0udar, mantendo> me em contato com suas variadas necessidades na época em que o menino ficou
mais doente Fsem, entretanto, voltar a rou%arH e depois se recuperou. 3este caso, o atendimento foi simplifica do
pelo fato de os pais e o diretor da escola dese0arem verdadeiramente a recuperaço do garoto, de modo que no
&avia fator de desintegraço a ser contra%alançado. 3o &avia um elemento destruidor que transformasse o
atendimento de caso num pro cesso de &olding reativo.
Em alguns casos de psicose infantil, e so%retudo nos casos mais severos, e$iste uma atitude anormal dos pais que
constitui, na verdade, causa do distúr%io, e permanece depois como um fator de manutenço do mesmo. Qeste
modo, os distúr%ios de pais e fil&o interagem, acarretando grande tenso. Em situaç1es co mo essa, o atendimento
de caso o%0etiva encontrar uma morada alternativa para a criança. -as como isso é difícil_

ATENDIMENTO DE CASO E TRA6AL?O DE E0UIPE


oncluo este capítulo com algumas o%servaç1es relativas a um aspecto administrativo do atendimento de caso
com crianças mentalmente pertur%adas Y as relaç1es e$istentes entre o atendimento de caso e a equipe
empregada na clínica de orientaço infantil Fi.e., o psiquiatra, o psic#logo e o assistente social psiqui)tricoH.
Segundo penso, algum as pessoas identificam o atendiment o de caso ' rotina de orientaço infantil. -as o termo
atendimento de caso no teria por que e$istir se se aplicasse somente 's comple$idades derivadas do tra%al&o de
equipe. -eu ponto de vista é que a equipe de orientaço infantil e a rotina da clínica de mesmo nome so
adequadas so%retudo ' investigaço de casos que e$igem relat#rios para um tri%unal 0uvenil. Esse tipo de

tra%al&o, porém, no tem nada a ver com o atendimento de caso, que pode ou no ocorrer de forma paralela a
investigaç1es e relat#rios.
8oa parte do tra%al&o da clínica de orientaço infantil consiste em reintegrar os v)rios aspectos do caso que
foram separa dos pela atividade dos v)rios mem%ros da equipe. 7alvez se0a por isso que nunca empreguei a
equipe tal como é empregada na orientaço infantil. 3uma %oa clínica de orientaço infantil, o psiquiatra é capaz
de reintegrar os v)rios elementos do caso na discusso de caso6 a o%servaço do processo é, sem dúvida, muito
útil para estudantes. 3o o%stante, é possível que um caso se0a desmem%rado a reintegrado numa clínica de
orientaço infantil sem a consecuço de qualquer atendimento de caso.
Qevido a meu modo de tra%al&ar, aproveitei>me nos últimos anos da vantagem de ter como colegas assistentes
sociais psiqui)tricos e psic#logos, compartil&ando casos com eles e %eneficiando> me do princípio de que duas
ca%eças pensam mel&or do que uma. Em certo número de casos, e de acordo com a disponi%ilidade do assistente
social, tive a satisfaço de poder delegar>l&e todo o tra%al&o, se0a temporariamente, se0a por um longo período. W
como se eu passasse um caso para algum de meus colegas psiqui atras, com a diferença de que permaneço ainda
detentor da responsa%ilidade médica pelo que ocorra, de modo que espero ser informado pelo assistente social do
correr dos acontecimentos.
5) ainda outra o%servaço que creio poder ser útil. Em%ora em psicoterapia se0a muito difícil mudar o
psicoterapeuta, no atendimento de caso, deve ser a clínica, e no o indivíduo, a respons)vel pela manutenço de
uma continuidade de relaço com o caso, " assistente socia l no tem a certeza de que permanecer) para sempre
no mesmo posto. Se considerarm os as coisas ao nível da psicoterapi a de indivíduos, no é ideal que o assistente
social tra%al&e para uma agência ou uma clínica. -as as vantagens superam em muito as desvantagens, pois a
esta%ilidade da clínica e$cede enormemente a de qualquer indivíduo. Qescrevi um caso que ilustra essa questo.
W claro que no estou sugerindo que os relacionamentos entre indivíduos possam ser desprezados a ponto de
supor a total ine$istência de um trauma caso o assistente social encarregado se0a su%stituí do. 3o limite, pode>se
imaginar um conte$to em que o assistente social no se0a sequer uma pessoa, e a agência, permanente, no se0a
mais que uma m)quina de administrar. Osso nos levaria diretamente de volta ' idade som %ria de que aca%amos de
emergir. Em certo sentido, no atendi mento de caso, o elemento &umano e falível usa a m)quina administrativa
mas impede que esta use o cliente. omo é f)cil, ao considerar as coisas so% essa #ptica, perce%er que, em%ora
assistentes sociais e administradores nem sempre se dêem %em, os casos carecem necessariamente da cooperaço
de am%os.

SUMÁRIO

/rocurei resgatar a idéia de atendimento de caso da intrincada mal&a do tra%al&o de equipe.


3a vasta maioria dos casos de distúr%ios mentais infantis, o atendimento de caso no desempen&a papel

proeminente no tratamento. Em geral, os pais recon&ecem um distúr%io no fil&o e procuram uma soluço. "
atendimento de caso torna>se o ele mento principal nos casos em que, além do distúr%io da criança, &) uma
deficiência am%iental que precisa ser corrigida. &amei a atenço so%retudo para aqueles casos em que um
elemento desintegrador confere ao atendimento de caso sua funço específica.
3as situaç1es mais simples o que e$iste é uma patologia psiqui)trica em um ou am%os os pais, e o atendimento
de caso deriva sua força dinâmica e sua pr#pria integraço do fato de ser uma reaço a esse distúr%io. Este tema
pode ser desenvolvido a%ar cando uma larga variedade de casos, mas a questo central é que, de um modo ou de
outro, um processo ativo de integraço tem que se desenrolar para dar conta das necessidades do caso, contra
%alançando uma tendência desintegradora. " tra%al&o efetivo aqui no é to importante quanto a organizaço de
uma tendência ativa ' integraço, ou um &olding do material potencialmente desintegrador. Em min&a
concepço, so essas as situaç1es a que mel&or se aplica o termo atendimento de caso.
Esta idéia no é nova, mas merece uma nova ênfase6 uma distinço dessas diversas tarefas nos a0udar) a en$ergar
com mais clareza a diferença entre o atendimento de caso e a psicoterapia com crianças mentalmente pertur%adas.
Com rela0-o
rela0- o ao conceito
conceito de $olding
$olding no atendimento
atendimento de caso,
caso, #er Clare 4innic ott, C$ild Care and Social
Social
4ork (4elwyn: Codicote 5ress, 678).

CAPITULO 1 - SO6RE A CRIANA CARENTE E DE COMO ELA PODE SER COMPENSADA


PELA PERDA DA VIDA FAMILIAR
! modo de introduço ' questo dos cuidados que de vem ser dispensados 's crianças que foram privadas da vida
familiar, cumpre lem%rar o seguinte2 a comunidade deve dedica r seu principal interesse a seus mem%ros
saud)veis. ! prioridade deve recair so%re o comum dos lares, uma vez que as crianças criadas em casa so
aquelas que nos recompensam6 é o cuidado dessas crianças que nos rende dividendos.
Ace&(o ee p"&ncQp&o, e)e'-e !)# &ne"+nc&#. P"&'e&"o2

nossa atenço deve estar so%retudo voltada ' proviso, para o comum dos lares, de condiç1es %)sicas de
&a%itaço, alimento, vestu)rio, educaço, recreaço e de algo que se poderia c&amar alimento cultural. Segundo2
no devemos nunca interferir em um lar que vive em constante tri%ulaço, nem mesmo para seu pr#prio %em. "s
médicos, so%retudo, e sempre com a mel&or das intenç1es Fa prevenço da doença e a promoço da saúdeH,
tendem especialmente a intrometer>se nas relaç1es entre mes e %e%ês ou pais e fil&os6 e eles no so de modo
algum os únicos a agir assim. /or e$emplo2
Lma me divorciada pede>me que a aconsel&e quanto ' seguinte situaço. Ela tin&a uma fil&a de seis anos, e uma
organizaço religiosa ' qual o pai da garota pertencia estava querendo separar a fil&a da me e inscrevê>la num
internato Y durante as férias %em como no período letivo Y porque o div#rcio ia contra os princípios da mesma

organizaço. " fato de a menina estar muito tranqMila e segura vivendo com a me e seu novo marido seria
ignorado, e ela seria su%meti da a um estado de carência em funço de um princípio2 uma criança no deve viver
com uma me divorciada.
-uitos casos de carência infantil so criados por situaç1es como essa e a prevenço consiste em evitar o mau
encamin&a mento.
!pesar disso, ten&o de encarar o fato de que eu mesmo, co mo muitos outros, assumo conscient emente a funço
de destruidor de lares. ! todo momento estamos tirando crianças de suas casas. Em min&a clínica, toda semana

temos casos em que a re moço da criança de casa é tarefa urgente. W verdade que muito poucas dessas crianç as
têm menos de quatro anos. 7odos que tra%al&am neste campo con&ecem o tipo de caso em que, por uma razo ou
outra, a situaço se encontra num ponto tal que, a me nos que a criança se0a removida no prazo de poucos dias ou
se manas, a família se desfar) ou a criança ir) parar nos tri%unais. -uitas vezes é possível prever que a criança
sentir>se>) mel&or fora de casa, ou que o lar acomodar>se>) %em ' ausência da criança. 5) muitos casos
desesperadores que podem ser solucionados pela separaço imediata6 de qualquer modo, seria uma pena se todos
os esforços que fazemos para evitar a destruiço de %oas famílias acarretassem um enfraquecimento dos esforços
despendidos pelas autoridades respons)veis no sentido de organizar acomodaç1es de curto e longo prazo para
crianças que estou considerando.
Xuando digo que tais casos aparecem em min&a clínica to das as semanas, dei$o de mencionar aquela grande
maioria de casos em que a criança pode ser curada no lar onde vive. W esse o nosso o%0etiv o, no s# por ser mais
econ\mico, mas tam%ém porque, quando o lar é suficientemente %om, é ele o mel&or lugar para a criança se
desenvolver. ! maioria das crianças pertur%adas sofre em decorrência de fatores internos, distúr%ios do
desenvolvimento emocional do indivíduo que têm como raiz o fato de a vida ser naturalmente difícil. Essas
pertur%aç1es podem ser tratadas enquanto a criança permanece em casa.

AVALIAO DA CAR;NCIA

/ara desco%rirmos a mel&or maneira de a0udar uma criança carente, nossa primeira atitude deve ser a de
determinar qual o grau de desenvolvimento emocional normal atingido pela criança no começo devido a um
am%iente suficientemente %om FFiH a relaço entre %e%ê e me6 FiiH a relaço triangular entre pai, me e criançaH6
depois, ' luz dessa informaç o, tentar avaliar o estra go acarretado pela privaç o, no momento em que ocorreu e
nas épocas su%seqMentes. !ssim, o levantamento da &ist#ria do caso é tarefa importante.
P#"# c%#&&c#" %#"e !e&n(e"#!o, # e)&n(e e& c#(eo"&# po!e' e" Y(e&2

FaH <ar %om e normal, rompido pela morte de um ou am%os os pais.

F%H <ar rompido pela separaço dos pais, que desempen&am %em sua funço parental.
FcH <ar rompido pela separaço dos pais, que no desempen&am %em sua funço parental.
FdH <ar incompleto pela ausência do pai Ffil&o ilegítimoH. ! me é %oa6 os av#s podem assumir a funço paterna
ou a0udar em alguma medida.
FeH <ar incompleto pela ausência do pai Ffil&o ilegítimoH. ! me no é %oa.
FfH 3unca &ouve um lar.
A%J' !&o, o c#o e"*o c%#&&c#!o2

FaH de acordo com a idade da criança e a idade em que o am%iente inicial foi destruído6
F%H de acordo com o car)ter e a inteligência da criança6
FcH de acordo com o diagn#stico psiqui)trico da criança.
W necess)rio evitar fazer qualquer avaliaço do pro%lema com %ase nos sintomas da criança, em seu potencial de
estorvar e nos sentimentos que seu drama evoca em n#s. Essas consideraç1es inevitavelmente desviam>nos do
camin&o certo. -uitas vezes no é possível levantar uma &ist#ria completa do caso. 3essa situaço, que no é
incomum, a única coisa a fazer é procurar proporcion ar ' criança um am%iente suficientemente %om e ver co mo
ela é capaz de aproveit)>lo.

! esta altura, é necess)rio considerar com mais detal&e o sentido da e$presso como a criança é capaz de
aproveitar um %om am%ienteT. ! criança carente é pertur%ada, e essa pertur%aço no tem uma natureza tal que a
simples mudança am%iental possa transformar a criança num ser sadio. 3a mel&or das &ip#teses, a criança capaz
de %eneficiar>se de um %om am%iente começa a mel&orar6 na medida em que fica menos doente, torna>se tam%ém
mais capaz de reagir com fúria a seu estado de carência. 5) nela um #dio dirigido contra o mundo, e a saúde s#
so%revém quando esse #dio é sentido. Osso ocorre numa pequena porcenta gem dos casos, e pode acarretar certas
dificuldades. Entre tanto, esse resultado favor)vel s# se d) nos casos em que tudo est) mais ou menos acessível
ao self consciente da criança, o que poucas vezes acontece. "s sentimentos decorrentes da privaço am%iental
su%traem>se em larga medida ' manifestaço consciente. Xuando a carência so%revém a uma situaço inicial
satisfat#ria, &) possi%ilidade de que o #dio contra a privaço possa se e$pressar. " e$emplo seguinte ilustra esse
tipo de situaço2
7rata>se de uma menina de sete anos. Seu pai morreu quando ela tin&a três anos, mas ela administrou %em essa
dificuldade. Sua me cuidou dela muito %em, e casou>se novamente. " casamento deu certo, e o padrasto era
muito apegado ' menina. 7udo correu %em até a me ficar gr)vida, quando a atitude do padrasto em relaço '
enteada mudou radicalmente. "rientado em direço a seu fil&o, dei$ou de dedicar ' menina a afeiço costumeira.
!s coisas pioraram ap#s o nascimen to do %e%ê, e a me estava dividida. ! menina no poderia crescer numa tal
atmosfera mas, removida a um internato, eia muito provavelmente poder) desenvolver>se %em e até mesmo

entender o pro%lema que so%reveio a seu lar.


O p"&'o c#o, po" o)("o %#!o, &%)("# o ee&(o !e )'# epe"&+nc&# &n&c&#% &n#(&#("&#2
Lma me me traz seu fil&in&o de dois anos e meio. ! família é %oa, mas o menino s# se sente feliz tendo a
atenço pessoai de sua me ou de seu pai. 3o consegue sair do lado da me, no conseguindo por isso %rincar
sozin&o, e a apro$imaço de estran&os causa>l&e terror . Xual a srcem desse distúr% io, considerando que os pais
so pessoas normais e comunsV " fato é que o menino, adotado com cinco sema nas de idade, 0) era pertur%ado a
essa época. 5) evidênci as de que a enfermeira>c&e fe da instituiço em que ele nasceu dedicava a ele um carin&o
todo especial, uma vez que ela parece ter querido escondê>lo desse casal que procurava uma criança para adotar.
! transferência, 's cinco semanas de idade, teve efeito desastroso so%re o desenvolvimento emocional do
menino, cu0as conseqMências os pais s# agora es to conseguindo começar a superar Y conseqMências que eles
no esperavam encontrar, tendo adotado uma criança to nova. F3a verdade, eles &aviam tentado conseguir um
%e%ê ainda mais novo, de uma ou duas semanas, pois tin&am consciência das complicaç1es que poderiam
so%revir.H
/recisamos con&ecer o que ocorre ' criança quando um %om am%iente é destruído, ou quando esse %om am%iente
nunca c&egou a e$istir6 esse con&ecimento envolve um estudo de todo o desenvolvimento emocional do
indivíduo. !lguns fen\menos So 0) suficientemente con&ecidos2 o #dio é reprimido, ou a capacidade de amar
outras pessoas é perdida. )rias organizaç1es defensivas cristalizam>se na personalidade da criança. /ode ocorrer

uma regresso a fases iniciais do desenvolvimento emocional que tiveram car)ter mais satisfat#rio, ou
desencadear>se um estado de introverso patol#gica. om mais freqMência do que normalmente se pensa, d)>se
uma ciso da personalidade. Em sua forma mais simples, essa ciso faz com que a criança manifeste uma metade
de si que funciona como uma vitrine de lo0a, tendo como %ase a complacência, e manten&a secreta a parte
principal do seu, que contém toda a espontaneidade, e permanece o tempo inteiro envolvida em relaç1es ocultas
com o%0etos de fantasia idealizados.
Em%ora no se0a f)cil dar desses fen\menos uma descriço clara e sucinta, é necess)rio entendê>los para
podermos identificar os sinais favor)veis que se manifestam nas crianças carentes. Se no entendermos o que se
passa no interior da criança quando dos estados patol#gicos, no poderemos sa%er, por e$emplo, que a depresso
pode ser na criança carente um sinal favor)vel, especialmente quando no vem acompan&ada de fortes idéias de
perseguiço. Lma depresso simples indica, ao menos, que a criança conserva a unidade de sua personalidade e
retém um sentido de preocupaço6 ela est), na verdade, assumindo a responsa%ilidade por tudo o que deu errado.
7am%ém os atos anti> sociais, como urinar na cama e rou%ar, indicam que, no momento ao menos, pode &aver
certa esperança Y esperança de redes co%rir uma me suficientemente %oa, um lar suficientemente %om, uma
relaço entre os pais suficientemente %oa. -esmo a fúria pode ser sinal de esperança e do fato de que, no
momento, a criança est) esta%elecida como uma unidade e é capaz de sentir o em %ate entre suas concepç1es e o
que realmente e$iste na realidade compartil&ada com outros.

onsideremos o significado da atitude anti>social Y o rou%o, por e$emplo. Xuando uma criança rou%a, ela Fsua
pessoa in teira, isto é, o consciente e o inconscienteH no est) ' procura do o%0eto rou%ado6 est) ' procura da
pessoa, da me, de quem pode rou%ar, por tratar>se da me. 7odo %e%ê, numa idade recua da, pode reclamar seu
direito de rou%ar da me, pois inventou a me, pensou>a e criou>a a partir de sua capacidade inata de amar.
Estando ao lado da criança, a me aos poucos entregou> l&e a pr#pria pessoa como material a ser criado pelo
%e%ê, de mo do que, ao final, a me criada su%0etivamente fosse %astante parecida com a me que todos vêem. Qo
mesmo modo, a criança que urina na cama est) procurando o colo de sua me, so%re o qual teria podido urinar
nos primeiros est)gios de sua e$istência.
"s sintomas anti>sociais so como que uma %usca, 's apalpa delas, por um am%iente sadio, e so sinais de
esperança. 3o fracassam por serem dirigidos a um o%0eto errado, mas sim porque a criança no tem consciência
do que est) acontecendo. ! criança anti>social necessita, portanto, de um am%iente especializado e conce%ido
com fins terapêuticos, que possa proporcionar uma resposta da realidade ' esperança e$pressa pelos sintomas.
/ara funcionar como terapia, porém, esse processo precisa dar>se no decorrer de um período %astante longo, pois,
como 0) afirmei, grande parte dos sentimentos e das lem%ranças no so conscientes6 além disso, a criança
precisa gan&ar confiança no novo am%iente, em sua esta%ilidade e em sua capacidade de o%0etividade antes de
desfazer> sede suas defesas Y defesas contra uma ansiedade intoler)vel, que poderia ser novamente
desencadeada por uma nova privaço.

Sa%emos, portanto, que a criança carente é uma pessoa doente, uma pessoa que viveu uma e$periência traum)tica
em sua &ist#ria passada e que desenvolveu um modo pessoal de com%ater as ansiedades assim criadas6 sa%em os
tam%ém ser ela uma pessoa cu0a maior ou menor capacidade de recuperaço depende da intensidade da
consciência que ainda conserva de seu #dio e da capacidade prim)ria de amar. Xue medidas pr)ticas podem ser
tomadas para a0udar essa criançaV
CUIDANDO DA CRIANA CARENTE

W #%vio que alguém tem de cuidar da criança. ! comunidade no mais nega sua responsa%ili dade pelas crianças
carentes6 na verdade, prevalece &o0e a tendência diametralmente oposta. ! opinio pú%lica e$ige que se0a feito o
m)$imo pelas crianças desprovidas de família. -uitas das dificuldades que enfrentamos no presente momento
advêm dos pro%lemas pr)ticos inerentes ' aplicaço dos princípios formulados segundo essa nova atitude.
3o é formulando uma lei ou montando uma m)quina administrativa que se d) conta dos cuidados a crianças.
7ais passos so necess)rios, mas constituem apenas um primeiro, e miser)vel, passo. Em todos os casos, o
cuidado de crianças envolve seres &umanos dotados de disposiç1es particulares6 e o número de seres &umanos
assim dotados e imediatamente disponíveis tem um limite distinto. Este número pode ser %astante increment ado
se na m)quina administrativa &ouver lugar para uma classe intermedi)ria, composta por pessoas que possam
lidar, por um la do, com as altas autoridades, e, por outro, manter contato com os indivíduos envolvidos no

tra%al&o de fato, apreciando seus pontos positivos, recon&ecendo os ê$itos, criando oportunidades para que um
processo educativo dê consistência e interesse ao tra%al&o, discutindo os fracassos e seus motivos e estando
disponíveis para providenciar, até mesmo a curto prazo, a remoço de uma criança de um lar adotivo ou de um
al%ergue. " cuidado de crianças é uma atividade que e$ige atenço integ ral, dei$ando os indivíduo s que a ela se
dedicam com poucas reservas emocionais para lidar com os procedimentos administrativos ou com as grandes
quest1es sociais representadas, em certos casos, pela polícia. Onversamente, é pouco prov)vel que a pessoa capaz
de manter um ol&o firmemente voltado para a administraço ou para a polícia se0a a mais indicada para cuidar de
uma criança.
oltando>nos agora para quest1es mais específicas, é necess)rio ter em mente o diagn#stico psiqui)trico de toda
criança a ser tomada so% os cuidados do serviço pú%lico. omo 0) indiquei, esse diagn#stico s# pode ser feito
ap#s um cuidadoso levantamento dos antecedentes ou ap#s um período de o%servaço. ! questo é2 mesmo uma
criança privada da vida familiar pode ter vivido em condiç1es favor)veis na primeiríssima infância, e pode até ter
e$perimentado por um tempo a vida em família.
3um tal caso, as fundaç1es da saúde mental da criança podem ter sido devidamente lançadas, tendo a doença
so%revindo a um panorama de saúde. -as é possível que outra criança, de aparência idêntica ' primeira, no
ten&a tido uma e$periência sadia que possa ser redesco%erta e reativada por sua inserço num novo am%iente6
mais que isso, a criança pode ter sido su%metida, quando %e%ê, a situaç1es to comple$as ou ruins que c&egaram
a afetar as fundaç1es da saúde mental em termos da estrutura da personalidade ou do sentido de realidade. Em
tais casos e$tremos, o am%iente %om tem de ser criado pela primeira vez, e pode no ter qualquer efeito porque a
criança é fundamentalmente mals, além de conter, talvez, uma tendência &eredit)ria ' loucura ou ' insta%ilidade.
3os casos e$tremos a criança é louca, em%ora essa palavra no se0a usada com respeito a crianças.
W importante que se ten&a con&ecimento desse aspecto do pro%lema6 de outro modo, aqueles que verificam e
avaliam os resultados surpreender>se>o de ver que, mesmo com o mel&or dos tratamentos, sempre &) crianças
que, crescendo, tornam>se loucas ou, na mel&or das &ip#teses, anti>sociais.
Lma vez feito um diagn#stico em termos da presença ou da ausência de traços positivos no am%iente primordial
da criança e na relaço desta com esse am%iente, o pr#$imo passo a considerar é o procedimento a ser adotado.
(ostaria de enfatizar aqui Ffalando como psicanalista de criançasH que o princípio do cuidado dispensado '
criança carente no é a psicoterapia. ! psico terapia é algo que, espera>se, possa ser acrescentado em alguns
casos a outro tipo de tratamento. =alando de maneira geral, a psicoterapia no é, no momento presente, pratic)vel.
" procedi mento essencial é o fornecimento de uma alternativa ' família. Essas alternativas podem ser
classificadas como se segue2
FiH /ais adotivos que dese0em dar ' criança uma família equivalente ' que a criança poderia ter tido em sua
pr#pria casa. 7o dos so r)pidos em recon&ecer ser este o tratamento ideal, mas é necess)rio acrescentar que,
essencialmente, a criança confiada a pais adotivos deve ser uma criança capaz de responder a algo to %om. 3a

pr)tica, isso quer dizer que elas têm de ter tido, em algum momento de seu passado, uma vida familiar
suficientemente %oa e ter podido responder a isso. 3o lar adotivo elas têm a c&ance de redesco%rir algo que 0) foi
seu e foi perdido.
FiiH ! seguir vêm os pequenos asilos colocados, se possível Fmas no necessariamenteH, so% o cuidado de um
casal de diretores, e contendo, cada asilo, crianças de v)rias fai$as et)rias. 7ais asilos podem ser instalados
pr#$imos uns dos outros, com vantagens tanto do ponto de vista administrativo quanto do ponto de vista das
crianças, que adquirem primosT, por assim dizer, além de irmos. !qui, como no primeiro caso, o que se dese0a
para as crianças é o mel&or, de modo que, mais uma vez, as crianças que no possam aproveitar algo to %om no
devem ser postas so% esse sistema de cuidado. Lma única criança inconveniente pode estragar os progressos de
todo um grupo. Qeve>se lem%rar que o %om tra%al&o é emocionalmente mais difícil que o tra%al&o median o, e é
muito comum que, frente a um fracasso, os encarregados a%andonem os mel&ores métodos e adotem meios de
cuidado mais f)ceis e menos proveitosos.
FiiiH 3a terceira categoria, os grupos so maiores. " al%ergue talvez comporte dezoito crianças. "s diretores
podem manter contato pessoal com todos os internos, mas possuem tam%ém assistentes, cu0a direço é parte
importante de seu tra%al&o. 5) uma diviso de lealdades, e as crianças têm oportunidade de lançar os adultos uns
contra os outros e divertir>se com inve0as la tentes. *) estamos camin&an do em direço aos métodos menos %ons
de cuidado. /or outro lado, vamos tam%ém em direço a um tipo de administraço capaz de lidar com a criança
mais seriamente carente. "s métodos de tra%al&o so menos pessoais e mais ditatoriais, e e$ige>se menos de cada

criança. ! criança confiada a um tal al%ergue tem menos necessidade de uma %oa e$periência anterior que possa
ser revivida. 7ais al%ergues no necessitam tanto quanto os lares menores que as crianças adquiram a capacidade
de identificar>se com a instituiço sem contudo perder sua impulsividade e espontaneidade pessoal. 3esses
al%ergues 0) %asta uma situaço interm edi)ria, consistindo numa fuso de identidade com as demais crianças do
grupo. Osso envolve tanto a perda de identidade pessoal quanto a perda da identificaço com o total da instituiço.
FivH ! seguir, em nossa classificaço, surge o al%ergue de maior porte, no qual os diretores têm como principal
funço a administraço dos funcion)rios, acompan&ando apenas indiretamente o cuidado cotidiano das crianças.
! vantagem desse ti po de instituiço é poder acomodar um maior número de crianças. " maior número de
funcion)rios faz com que as oportunidades de discusso entre eles se0am tam%ém maiores6 para as crianças, &)
vantagem no fato de poder &aver times ou equipes que se enfrentem umas 's outras. /ode>se dizer, segundo
penso, que esse tipo de al%ergue é mais representativo da modalidade de cuí dado capaz de dar conta das crianças
mais doentes, isto é, aquelas que tiveram poucas e$periências %oas no início da vida. " c&efe, um tanto
impessoal, pode ficar de fundo como imagem da autoridade de que essas crianças precisam, por serem em si
mesmas incapazes de manter a um s# tempo a espontaneidade e o controle. F"u elas se identificam com a
autoridade, tornando>se %edéis em miniatura, ou sucum%em a seus impulsos, dependendo inteiramente da
autoridade e$terna para manter controleH.
FvH E$istem, por fim, as instituiç1es maiores, dirigidas a crianças que no poderiam ser tratadas de outra maneira.
7ais instituiç1es tero de e$istir por algum tempo. 7êm de ser dirigi> das por métodos ditatoriais, e o que é %om
para a criança individual tem de estar su%ordinado 's capacidades de proviso da sociedade. Eis uma %oa forma
de su%limaço para ditadores em potencial. /ode>se encontrar outras vantagens nesse indese0)vel estado de
coisas2 su%metidas a métodos ditatoriais, crianças %astante difíceis podero ser tratadas de modo a no se
envolverem em pro%lemas com a sociedade por longos períodos. !s crianças realmente doentes sentem>se
mel&or nesse tipo de instituiço que nos a%rigos menores, e tornam>se capazes de %rincar e aprender a um ponto
que espantaria o o%servador despreparado. " difícil em tais instituiç1es é recon&ecer as crianças que se tornam
ma duras o suficiente para serem su%metidas a um tipo de cuidado mais pessoal, onde sua crescente capacidade
de identificar>se ' sociedade sem perder a pr#pria individualidade possa ser levada em conta.
Te"#p+)(&c# e c)&!#!o

Xuero agora contrastar os dois e$tremos do cuidado que se pode dedicar a crianças carentes2 o lar adotivo e a
grande instituiço. 3o primeiro, como 0) disse, a meta é verdadeiramente terapêutica. Espera>se que, no decorrer
do tempo, a criança se recupere de uma privaço ou carência que, sem esse tipo de cuida do, no dei$aria nela
apenas uma cicatriz, mas sim uma verdadeira mutilaço. Se isso viesse a acontecer, a soluço ao pro%lema dessa
criança e$igiria muito mais que a proviso de um novo am%iente.
<ogo ap#s ser removida ao novo lar, a criança reage %em e todos tendem a pensar que os pro%lemas têm aí seu
fim. -as, ' medida que a criança adquire confiança, vai adquirindo tam%ém mais capacidade de sentir>se furiosa
com o colapso am%iental 0) ocorrido. W pouco prov)vel que os fatos pareçam>se e$teriormente com este processo
que estou descrevendo, uma vez que a criança no est) consciente das grandes mudanças revolucion)rias que
esto ocorrendo. "s pais adotivos perce%ero que, de tempos em tempos, eles mesmos tornam>se o alvo do #dio
da criança. 7ero de suportar esse #dio que começa a ser sentido, e que seria normalmente direcionado contra o
primeiro lar da criança. W muito importante que os pais adotivos entendam isso, para no desanimarem6 e os
oficiais de cuidado infantil devem sa%ê>lo tam%ém, para que no culpem os pais adotivos pelo ocorrido e no
acreditem nas &ist#rias contadas pelas crianças de maus tratos e m) alimentaço. "s pais adotivos podem ficar
&iper> ansiosos ao rece%erem uma visita de um oficial que vem verificar permanecer amiga e feliz, privando>a,

assim, de um dos mais importantes elementos que ela tem a seu dispor para recuperar>se.
-uitas vezes a criança far), com %astante esperteza, com que os pais adotivos c&eguem de fato a trat)>la mal,
tentando fazer com que assumam um car)ter maligno que possa ser merecedor de #dio6 o pai adotivo cruel passa
ento a ser realmente amado pela criança, devido ao alívio que esta sente pela transformaço do #dio contra
#dioT que ela tem guardado no interior, num #dio levantado contra uma manifestaço e$terna de #dio.
Onfelizmente, o pai adotivo pode ver>se a essa altura mal compreendido por seu grupo social.
5) maneiras de evitar tudo isso. !lguns pais adotivos tra%al&am so%re o princípio de resgate. onsideram que os
pais verdadeiros da criança foram pessoas totalmente m)s, e o dizem correntemente em voz alta para a criança,

tirando assim o #dio desta de cima deles mesmos. Este método pode até funcionar relativamente %em, mas ignora
a situaço de realidade, e de qual quer modo pertur%a uma característica comum das crianças carentes, que é a de
idealizar o pr#prio lar. Sem dúvida é mais saud)vel que os pais adotivos possam rece%er e so%reviver 's ondas
peri#dicas de sentimento negativo, avançando, a cada vez, em direço a uma relaço mais segura Fpor ser menos
idealizadaH com a criança.
/or contraste, a criança confiada ' grande instituiço no é cuidada com vistas a uma cura de sua pertur%aço. !s
metas so2 em primeiro lugar, proporcionar &a%itaço, alimento e vestu)rio a crianças a%andonadas6 em segundo
lugar, proporcionar um tipo de cuidado que faça com que as crianças vivam num estado de ordem e no de caos6
e, em terceiro lugar, resguardar tanto quanto possível as crianças de um em%ate com a sociedade, até o momento
em que elas ten&am mesmo que ser soltas no mundo, com a idade de dezesseis anos mais ou menos. 3o é %om
misturar as coisas e fingir que, neste e$tremo da escala, a finalidade do cuidado se0a a de criar seres &umanos
normais. W essencial nesses casos uma administraço rígida, que, se puder ser temperada com um pouco de
&umanidade, tanto mel&or ser) a e$istência de pro%lemas, e podem passar a seduzir a criança FhH.
Qeve>se ter em mente que, mesmo nas comunidades mais rígidas, é necess)rio apenas que &a0a coerência e
0ustiça para que as crianças se0am capazes de desco%rir valores &umanos entre elas mesmas, e podem c&egar até a
gostar da rigidez, por implicar esta%ilidade. 5omens e mul&eres compreensivos tra%al&and o nessas instituiç1es
podem encontrar modos de propiciar aos inter nos momentos mais &umanos. W possível, por e$emplo, selecionar
crianças para que manten&am contatos regulares com tios e tias su%stitutos no mundo e$terior. /odem>se
encontrar pessoas que escrevam cart1es no anivers)rio da criança, ou que a c&amem para tomar c&) três ou
quatro vezes por ano. Esses so apenas alguns e$emplos, mas ilustram o tipo de coisa que se pode fazer sem
pertur%ar o am%iente rígido em que as crianças vivem. Qeve>se lem%rar sempre que, se a %ase de tudo é a rigidez,
as crianças sentir>se>o pertur%adas se encontrarem no am%iente e$ceç1es e fendas de escape. Se o am%iente tem
de ser rígido, que se0a ento coerente, confi)vel e 0usto, de modo que possa apresentar tam%ém valores positivos.
!lém disso, sempre &aver) aquelas crianças que fazem pouco dos privilégios que rece%em, o que sempre aca%a
por refletir>se em outras crianças que sa%eriam aproveit) los devidamente.
3esse tipo de instituiço, e para o %em da paz e da quietude, coloca>se a ênfase no controle com vistas '

tranqMilidade social. 3o interior de uma tal estrutura, as crianças devem perder, em maior ou menor grau, sua
pr#pria individualidade, F3o ignoro o fato de que, em instituiç1es de porte intermedi)rio, e$iste espaço para o
crescimento gradual das crianças saud)veis o sufi ciente para se desenvolverem, tornando>se cada vez mais
capazes de se identificarem ' sociedade sem perder a identidade pr#pria.H
So%ram ainda aquelas crianças que, por serem aquilo que costumamos c&amar de loucas Fem%ora esta palavra
no deva ser empregada a seu respeitoH, no conseguem progredir nem mesmo so% um sistema ditatorial. /ara
tais crianças é necess)rio que e$ista uma instituiço an)loga ao &ospital psiqui)trico de adultos, e ac&o que ainda
no c&egamos a determina r o que de mel&or a sociedade pode fazer em tais casos. 7ais criança s so to doentes
que aqueles que cuidam delas recon&ecem facilmente que, quando começam a tornar>se anti>sociais, é evidência
de que es to mel&orando.
oncluirei este capítulo referindo>me a dois assuntos de grande importância na consideraço das necessidades da
criança carente.
A &'po"(nc&# !# <&("&# p##!# !# c"&#nç#
" primeiro assunto envolve em grande medida a funcion) ria dedicada ao cuidado de crianças, especialmente em
sua funço de recol&ê>la e o%servar cuidadosamente a nova situaço. Se eu fosse uma oficial de cuidado infantil,
a primeira coisa que fa ria ao rece%er uma criança seria coletar todas as partículas de in formaço que pudesse

encontrar a respeito da vida da criança até aquele momento. 7rata>se sempre de um assunto urgente, pois cada dia
distancia>nos mais do acesso aos fatos essenciais. omo era desesperador, durante a Segunda (uerra -undial,
quando tin&a>se que lidar com os fracassos do sistema de evacuaço e encontravam>se crianças so%re as quais
ninguém podia dar qual quer informaço_
7odos sa%em que, 's vezes, crianças normais, ' &ora de dormir, perguntam2 " que fiz &o0eVT, ao que a me
responde2 ocê acordou 's seis e meia, depois %rincou cantando com seu ursin&o até que n#s acord)ssemos,
depois levantou>se e foi ao 0ardim, de pois tomou café da man&, depois...T, e assim por diante, até que todo o
esquema daquele dia este0a reintegrado a partir do e$terior. ! criança sa%e tudo o que aconteceu, mas quer ser
a0udada a ter consciência do con0unto. Osso l&e d) um sentimento %om e verdadeiro, a0udando>a a distinguir a
realidade do son&o e das %rincadeiras imaginativas. ! mesma coisa ocorre, numa escala maior, quando um pai
reconta ao fil&o toda sua vida passada, incluindo tam%ém aquilo de que a criança mal se lem%ra e aquilo que no
l&e vem de modo algum ' mem#ria.
! falta desse procedimento muito simples implica grandes perdas para a criança carent e. !lguém deve
preocupar>se em reunir todo o material &ist#rico e$istente. 3os casos mais favor)veis, a oficial pode manter uma
longa conversa com a me ver dadeira da criança, dando>l&e a oportunidade de desvelar toda a &ist#ria da mesma
desde o nascimento, ou mesmo fornecendo detal&es importantes de suas e$periências durante a gravidez ou antes
da concepço, que podem, ou no, ter determinado em alguma medida suas atitudes em relaço ' criança. " mais
freqMente, porém, é que a funcion)ria ten&a que movimentar>se para cima e para %ai$o em %usca de informaço6
até mesmo o nome de um amigo que a criança teve na penúltima instituiço por que passou pode ter valor. ! isso
seguir>se>) a tarefa de organizar um contato com a pr#pria criança, que servir) para gan&ar a confiança desta.
/ode>se encontrar um meio de fazer com que a criança fique sa%endo que, em algum arquivo do escrit#rio da
assistente, encontra>se uma fic&a contendo toda a saga de sua vida até o presente momento. W possível que a
criança no queira sa%er de nada na &ora, mas o queira depois. So so%retudo os fi l&os ilegíti mos e os fil&os de
lares desfeitos que um dia sentem a necessidade de con&ecer os fatos tal como se deram6 isso ocorre na medida
em que se atinge um estado de saúde, e estou pressupondo que, ao menos no caso das crianças entregues a pais
adotivos, o o%0etivo final é de fato a plena recuperaço da saúde do indivíduo. ! criança su%metida ao outro
método e$tremo de cuidado, mantida so% a guarda de uma instituiço ditatorial, ter) provavelmente menos
necessidade de assimilar as verdades relativas a seu passado.
/or ser esse o estado das coisas, e por estarmos vivendo uma aguda escassez de assistentes sociais, devemos
começar por tratar preferencialmente as crianças mais normais. -esmo assim é prov)vel que muitos
tra%al&adores sintam isso como impossív el, por estarem so%recarregados de serviço. So% meu ponto de vista, os
assistentes sociais devem tomar a firme posiço de no aceitarem mais casos de que os que conseguem
administrar. 3o e$iste tempo parcial em se tratando do cuidado de crianças. ! soluço é lidar convenientemente
com algumas crianças, delegando o cuidado das demais 's grandes instituiç1es ditatoriais até que a sociedade
encontre um meio mel&or de tratamento. " %om tra%al&o é necessariamente pessoal6 se no o for, é torturante
tanto para a criança quanto para o assistente social, " tra%al&o s# com pensa se for pessoal, e se o tra%al&ador no
estiver so%recarregado.
Se os assistentes sociais aceitarem casos em demasia, fatal mente fracassaro6 a certa altura, aparecero
estatísticos para pro var que todo o método est) errado, e que os esquemas ditatoriais so mais eficientes para a
criaço de tra%al&adores fa%ris e empregadas domésticas.
FenZ'eno ("#n&c&on#&

" outro assunto que ten&o para tratar pode ser introduzido por um e$ame de certa característica das crianças
normais. " que faz com que a criança normal possa ver>se separada de seu lar e de tudo o que l&e é familiar sem
ficar doenteV 7odos os dias vemos crianças dando entrada no &ospital e saindo depois de algum tempo, no s#
isentas de qualquer distúr%io, como até enriquecidas pela nova e$periência. ! todo momento crianças vo passar
alguns dias com suas tias e tios, ou no mínimo saem com seus pais para ficar em lugares descon&ecidos.
Este é um tema muito comple$o, que pode se a%ordado pelo seguinte raciocínio. /ensemos numa criança que
con&ecemos %em, e perguntemo>nos o que é que a criança leva consigo ' cama para a0udar na transiço da vida
diurna para a vida dos son&os2 uma %oneca, ou v)rias6 um ursin&o6 um livro6 um retal&o do vel&o vestido da me6
uma ponta de colc&a6 um pedaço dum vel&o co%ertor6 ou um lenço que, a certa altura do desenvolvimento da
criança, veio su%stituir uma fraldin&a. Em alguns casos, pode no &aver tal o%0eto6 a criança simplesmente c&upa
o que tem ' mo, ou se0a, o pun&o, e depois talvez o polegar ou dois outros dedos6 talvez &a0a algum a atividade
genital, a que é mais f)cil c&amar mastur%aço6 a criança pode deitar>se so%re a %arriga ou fazer movimentos
rítmicos, dei$ando patente a natureza org)stica da e$periência por suar na ca%eça. Em alguns casos, a criança no
e$ige, desde os primeiros meses, mais que a presença efetiva, no quarto, de um ser &umano, provavelmente a
me. 5) uma larga gama de possi%ilidades que podem ser comumente o%servadas.
Entre as v)rias %onecas e ursin&os que pertencem a uma criança pode &aver um o%0eto particular, provavelmente
macio, que l&e foi dado aos dez, onze ou doze meses, que a criança trata da maneira mais %rutal %em como mais
amorosa, e sem o qual a criança no poderia pensar em ir para a cama6 este o%0eto certamente no poderia ser

dei$ado para tr)s se a criança tivesse que ir em %ora6 sua perda seria um desastre tanto para a criança como para
os que dela cuidam. W muito pouco prov)vel que esse o%0et o se0a dado a uma outra criança, e de qualquer modo
nen&uma o quereria6 a certa altura ele se torna su0o e mal c&eiroso, e ainda assim no ousamos lav)>lo.
&amo este o%0eto de o%0eto transicional. /rocuro, assim, entre outras coisas, mostrar que toda criança vive a
dificuldade de relacionar a realidade su%0etiva ' realidade compartil&ada que pode ser perce%ida o%0etivamente.
Qa vigília ao sono, a criança transporta>se de um mundo perce%ido para um mundo de sua pr# pria criaço. Entre
os dois mundos e$iste a necessidade de v)rios tipos de fen\menos transicionais Y territ#rio neutro. Eu
descreveria esse precioso o%0eto do seguinte modo2 &) uma convenço t)cita de que ninguém afirmar) ser esse
o%0eto uma parte do mundo, ou de que foi criado pela criança. Entende>se que am%as as coisas se0am verdadeiras2
a criança o criou, e o mundo o propiciou. 7rata >se de uma continuaço daquela tarefa que a me normal permite
que seu fil&o empreenda2 por meio de uma adaptaço muito delicada ela oferece seu seio, mil vezes se preciso, no
e$ato momento em que a criança est) pronta a criar algo semel&ante ao seio oferecido.
! maioria das crianças descrita s como desa0ustadas no c&egaram a ter um o%0eto desse tipo, ou, se o tiveram, o
perderam. Esse o%0eto precisa ser representativo de alguém Y o que vale dizer que a condiço de tais crianças
no pode ser mel&orada pelo simples ato de dar>l&es um tal o%0eto. /ode ser, porém, que a criança desenvolva tal
confiança na pessoa que est) cuidando dela que logo aparecero o%0etos que sim%olizam profundamente essa
pessoa. Osso ser) visto como %om sinal, assim como o fato de a criança conseguir lem%rar>se de um son&o, ou
son&ar com um fato realmente acontecido.

7odos esses o%0etos e fen\menos transicionais permitem que a criança suporte frustraç1es, privaç1es e a c&egada
de situaç1es novas. 7en&amos a certeza de que, em nosso cuidado de crianças carentes, sa%emos respeitar os
fen\menos transicionais 0) e$is tentes_ /enso que, se entendermos assim o uso de %rinquedos, atividades auto>
er#ticas, &ist#rias e músicas de ninar, veremos que, por meio dessas coisas, as crianças adquirem uma capacidade
de verem>se privadas em alguma medida daquilo a que esto acostumadas e até daquilo que necessitam. Lma
criança levada de uma família a outra ou de uma instituiço a outra pode suportar ou no a mudança segundo
ten&a podido ou no levar consigo um trapo ou um o%0eto macio6 ou segundo e$istam ou no músicas con&ecidas
que, cantadas ' &ora de dormir, vinculem o passado ao presente6 ou segundo as atividades auto>er#ticas ten&am
ou no sido respeitadas, toleradas ou mesmo valorizadas como meios positivos de adaptaço. 3o pode &aver
dúvida de que a importância desses fen\menos é maior para crianças ad vindas de um am%iente pertur%ado, e seu
estudo pode incrementar nossa capacidade de a0udar esses seres &umanos que 0) esto sendo 0ogados de um lado
para o outro antes mesmo de serem capazes de aceitar aquilo que n#s mesmos s# aceitamos com a maior das
dificuldades2 o fato de que o mundo nunca é semel&ante a nossas criaç1es internas, e que o mel&or que nos pode
acontecer é &aver uma coincidênc ia suficiente entre a realidade e$terna e o que podemos criar. !ceitamos como
uma iluso a idéia de uma identidade entre am%as.
!s pessoas que tiveram e$periência s am%ientais satisfat#rias podem ter alguma dificuldade para entender essas
coisas6 no o%stante, é e$atamente esse o pro%lema com que se defronta o %e%ê ou criança que est) sendo levado
de um lado para outro. Se privarmos a criança dos o%0etos transicionais e pertur%armos os fen\menos
transicionais esta%elecidos, ela s# tem uma saída2 uma ciso da personalidade, na qual uma metade permanece em
relaço com o mundo su%0etivo e a outra reage complacentemente 's imposiç1es do mundo. Xuando essa ciso se
forma e as pontes entre o su%0eti vo e o o%0etivo so destruí das Fou nunca se formaram %emH, a criança é incapaz
de operar como um ser &umano totalJ.
Em certa medida, esse estado de coisas pode sempre ser constatado na criança que cai so% nossos cuidados por ter
sido priva da da vida familiar. !s crianças que esperamos poder mandar para pais adotivos ou para os asilos de
pequeno porte apresentam em todos os casos algum grau de ciso. " mundo su%0etivo tem para a criança a
desvantagem de, em%ora podendo ser ideal, pode ser tam%ém cruel e persecut#rio. 3um primeiro momento a
criança traduzir) em tais termos tudo que l&e so%revier, e considerar) o lar adotivo maravil&oso e o lar verdadeiro
péssimo, ou vice>versa. -as ao final, se tudo correr %em, a criança ser) capaz de desenvolver fantasias acerca de
lares %ons e maus, son&ando com eles e falando a respeito, e ao mesmo tempo sa%er) perce%er o lar real que l&e é
proporcionado pelos pais adotivos, tal como é na realidade.
" lar adotivo real tem a vantagem de no oscilar violenta mente do %om para o mau e do mau para o %om.
/ermanece sem pre mais ou menos frustrante e mais ou menos tranqMilizador. "s que cuidam de crianças
carentes podem tirar proveito de sa%er que cada criança leva consigo certa capacidade de aceitar um territ#rio
neutro, localizado de algum modo na mastur%aço, no uso de uma %oneca, numa canço ou em alguma outra
coisa des se tipo. !ssim, estudando aquilo que as crianças normais apre ciam, podemos recon&ecer o que as
crianças carentes a%soluta mente necessitam.
(5ara um desen#ol#imento
desen#ol#imento mais amplo do tema, #er 9Transitio nal +ects and Transitional
Transitional 5$enomena!,
Captulo ;<=>> em Collec ted5apers de 2. 4. 4innicott (?ondres: Ta#istock 5ulications, 6@).)

CAP9TULO 1 - INFLU;NCIAS DE GRUPO E A CRIANA DESA7USTADA

O #pec(o eco%#"

-eu o%0etivo neste capítulo é estudar certos aspectos da psicologia de grupo que talvez possam contri%uir para
uma mel&or compreenso dos pro%lemas inerentes ao cuidado de grupos de crianças desa0ustadas. onsideremos
em primeiro lugar a criança normal, que vive num lar normal, tem o%0etivos, e vai ' escola querendo de fato
aprender alguma coisa6 que trava contato com seu pr#prio am%iente, e c&ega até a a0udar a conserv)>lo ou
modific)>lo. ! criança desa0ustad a, por contraste, tem necessidade de um am%iente cu0a t\nica se0a o cuidado, e
no o ensino6 este é um assunto secund)rio que pode assumir 's vezes um car) ter especializado, tendo mais a
natureza de um remédio que de uma instruço escolar. /ara a criança desa0ustada, em outras palavras, a escolaT
tem o significado de a%rigoT ou al%ergueT. /or isso, os indivíduos ligados ao cuidado de crianças anti>sociais
no so professores escolares que em certos momentos acrescenta m a seu tra%al&o um colorido de compreenso
&umana6 so antes psicoterapeutas de grupo que 's vezes aplicam>se a dar um pouco de ensino escolar. !ssim,
um con&ecimento da formaço dos grupos é elemento altamente importante para seu tra%al&o.
O ")po e # p&co%o&# !o ")po con(&()e' )' (e'# ')& (o $#(o, e e%ec&one& p#"# #p"een(#" #)&
)'# (ee p"&nc&p#%2 a concepço de que a psicologia de grupo tem sua %ase na psicologia do indivíduo, e
especialmente na integraço pessoal deste. omeçarei, portanto, com uma %reve e$planaço do que constitui essa
integraço individual.

DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL INDIVIDUAL


! partir de uma grande confuso inicial, a psicologia e$traiu a idéia, &o0e aceita, da e$istência de um processo
contínuo de desenvolvimento emocional que se inicia antes do nascimento e permanece por toda a vida, até Fcom
sorteH a morte natural. Essa teoria su%0az a todas as escolas de psicologia e constitui>se num proveitoso princípio
comum. Qivergimos violentamente quanto a este ou aquele aspecto, mas a idéia muito simples da continuidade
do desenvolvimento emocional nos une a todos. ! partir desta %ase podemos estudar o modo de ocorrência do
processo e os v)rios est)gios em que ele pode encontrar>se ameaçado por perigos internos FinstintosH ou e$ternos
Ffal&a am%ientalH.

7odos n#s aceitamos a idéia geral de que, quanto mais recuamos no e$ame desse processo de crescimento
individual, mais importância deve ser dada ao fator am%iental. Osso resume>se ' aceitaço do princípio de que a
criança parte da dependência em direço ' independência. Esperamos que o indivíduo sadio se0a capaz de
identificar>se com grupos cada vez mais amplos sem uma perda da noço do self e de sua espontaneidade. Se o
grupo é muito e$tenso, o indivíduo perde contato6 se é muito estreito, per de seu sentido de cidadania.
7omamos muito cuidado para que, proporcionando aos adolescentes clu%es e outras organizaç1es adequadas a
eles, este0amos introduzindo e$tens1es graduais ao sentido dado ' palavra grupoT, e avaliamos nosso %om ê$ito
segundo a maneira pela qual cada menino ou menina torna>s e capaz de identificar>se com cada um dos grupos a
que é apresentado sem perder em grande medida sua individualidade. /ara os pré>adolescentes, &) os es coteiros
e as %andeirantes6 para as crianças em período de latência, os lo%in&os e fadin&as. /ara a criança que vai pela
primeira vez ' escola, esta funciona como uma e$tenso ou alargamento do lar. ! escola da criança pequena deve
estar integrada ao lar e no deve dar muita ênfase ao ensino propriamente dito, pois as crianças dessa idade
necessitam mesmo é de oportunidades para %rincar organizadamente e condiç1es controladas para poder dar
início a sua vida social. Recon& ecemos que o verdadeiro grupo da criança pequena é seu pr#prio lar e, no que se
refere ao %e%ê, sa%emos ser um verdadeiro desastre a que%ra de continuidade do cuidado familiar. 3os primeiros
est)gios desse processo, o %e%ê é e$tremamente dependente do cuidado materno, da presença contínua e da
pr#pria so%revivência da me. Esta deve realizar em si uma adaptaço ativa suficientemente %oa 's necessidades

da criança, sem a qual esta no pode evitar desenvolver defesas que distorcem o processo6 o %e%ê precisa, por
e$emplo, assumir ele mesmo a funço am%iental se esta no se imp1e do e$terior, de modo que constitui>se nele
um self verdadeiro escondido e, voltado para fora, um falso self enga0ado na dupla tarefa de esconder o self
verdadeiro e ceder 's e$igências que o mundo l&e imp1e a todo momento.
3um momento ainda mais recuado, o %e%ê é seguro pela me e s# entende o amor que é e$presso em termos
físicos, isto é, pelo &olding vivo do ser &umano. ! dependência neste est)gio é a% soluta, e o colapso am%iental,
quando ocorre, s# pode ser com %atido por uma interrupço do processo de desenvolvimento e pela psicose
infantil.

E$aminemos agora o que ocorre quando o am%iente porta> se suficientemente %em, de acordo com as
necessidades específicas a cada momento do desenvolvimento. ! psican)lise preocupa> se primordialmente Fe
no poderia dei$ar de ser assimH com as necessidades instintivas Fdo ego e do idH, mas neste conte$to es tamos
mais preocupados com as condiç1es am%ientais que tornam possível todo o restante6 isto é, estamos mais
preocupados com a me segurando F&oldingH o %e%ê que com a me alimentando o %e%ê. " que constatamos, no
tocante ao processo de crescimento emocional individual, quando o &olding e todos os de mais cuidados so
suficientemente %onsV
Qe tudo o que constatamos, a que que mais nos interessa aqui é aquela parte do processo a que c&amamos
integraço. !ntes da integraço, o indivíduo é um con0unto no>organizado de fen\menos sens#rio>motores
contidos pelo am%iente e$terno. Qepois da integraço o indivíduo W, ou se0a, a criança &umana atingiu o status de
unidade, podendo 0) dizer EL S"L Fa no ser pelo fato de no ser ainda capaz de falarH. " indivíduo possui agora
uma mem%rana limitante, de forma que o que é no>eu é repudiado, é e$terno. Este eu possui agora um dentro,
onde podem reunir>se as mem#rias de e$periências e edificar>se a estrutura infinitamente comple$a que pertence
ao ser &umano.
3o interessa sa%er se este processo desenrola>se instantaneamente ou ao longo do tempo6 o fato é que e$istem
um antes e um depois, e o processo merece um nome todo pr#prio.
3o &) dúvida de que as e$periências instintivas contri%uem imensamente ao processo de integraço, mas é
necess)rio tam%ém, a todo momento, um am%iente suficientemente %om, uma pessoa que dê &olding ' criança
adaptando>se suficientemente %em 's suas necessidades mut)veis. Essa pessoa no pode agir assim a no ser que
se0a movida por aquele tipo de amor que é apropriado a esse est)gio, o amor que porta uma capacidade de
identificaço com o %e%ê e um sentimento de que a adaptaço 's suas necessidades é algo que vale a pena.
Qizemos que a me demonstra devoço a seu %e%ê, tempor)ria mas verdadeir amente. Ela gosta de preocupar>se
com a criança, até o momento em que esta passa a demonstrar menos necessidade disso.
-in&a opinio é de que o momento do EL S"L se0a um mo mento cru6 o novo indivíduo sente>se infinitamente
e$posto. Es se momento s# pode ser suportado Y ou, talvez, arriscado Y quando &) alguém envolvendo a

criança com seus %raços.


!crescento tam%ém que, nesse momento, é conveniente que a psique e o corpo ocupem o mesmo lugar no
espaço, de modo que a mem%rana limitante no se0a apenas um limite metaf#rico da psique, mas coincida
tam%ém com a pele corporal. E$postoT significa nuT.
!ntes da integraço, &) um est)gio em que o indivíduo s# e$iste aos ol&os do o%servador. /ara o %e%ê, o mundo
e$terno no est) diferenciado, assim como no e$iste mundo interno ou pessoal, e uma realidade interna. Qepois
da integraço, o %e%ê começa a ter um self. !ntes, tudo o que a me podia fazer era estar pronta a ser repudiada6
depois, o que pode fazer é proporcionar ' criança apoio, calor, cuidado amoroso e vestimentas Fe logo ela começa
a responder a necessidades instintivasH.
3este período que antecede a integraço, &) uma regio entre criança e me que pertence tanto ' criança quanto '
me. Se tudo corre %em, esse todo aos poucos divide>se em dois elementos 2 a parte que o %e%ê repudia e a parte
que reclama para si. -as devemos esperar que permaneçam vestígios dessa regio intermedi)ria. W de fato isso
mesmo que vemos, mais tarde, no primeiro o%0eto que a criança toma afetivamente como seu Y um pedaço de
tecido cortado de um co%ertor, colc&a ou camisa6 uma fralda, um lenço da me, etc. (osto de c&amar um tal
o%0eto de o%0eto transicionalT6 ele é essencial e simultaneamente uma criaço da criança e uma parte da
realidade e$terna. /or isso, os pais respeitam esse o%0eto ainda mais do que respeitam os outros %rinquedos,
%onecos e ursin&os que rapidamente aparecem. " %e%ê que perde seu o%0eto transicional perde de uma s# vez a
%oca e o seio, a mo e a pele da me, a criatividade e a percepço o%0etiva. Esse o%0eto é uma das pontes que
tornam possível um conta to entre a psique individual e a realidade e$terna.
Qo mesmo modo, é impens)vel que, sem uma me suficientemente %oa, um %e%ê possa e$istir antes da
integraço. S# ao completar>se esse processo podemos dizer que, se a me fal&ar, o %e%ê morrer) de frio, ou cair)
num a%ismo sem fundo, voar) para longe ou e$plodir) como uma %om%a de &idrogênio, destruindo num único
momento o self e o mundo.
! criança recém>integ rada participa, assim, de seu primeiro grupo. !ntes desse est)gio, s# e$iste uma formaço
prim)ria pré grupal, na qual elementos no>integrados so mantidos unidos por um am%iente do qual no se
encontram ainda diferenciados. Esse am%iente é a me que segura o fil&o.
" grupo é uma conquista do EL S"L, e é uma conquista perigosa. ! proteço é muito necess)ria nos est)gios
iniciais6 sem ela, o mundo e$terno repudiado volta>se so%re o novo fen\meno e o ataca por todos os lados e de
todos os modos possíveis e imagin)veis.
Se continu)ssemos este estudo da evoluço do indivíduo, perce%eríamos o quanto o crescimento cada vez mais
comple$o com plica o quadro do crescimento grupal. Retomemos, porém, as implicaç1es contidas em nossa
suposiço %)sica.

A FORMAO DOS GRUPOS


!tingimos assim o est)gio de uma unidade &umana integrada6 ao mesmo tempo e$iste uma me que dê co%ertura,
consciente do estado paranoide inerente ao estado de recém>integraço. /ara que min&a concepço se0a
entendida, é necess)rio que se ten&a em mente estes dois termos2 unidade individualT e co%ertura maternaT.
"s grupos podem ter sua srcem em qualquer um dos dois e$tremos implícitos nestes termos2
FiH Superposiço de unidades
FiiH o%ertura
FiH ! %ase da formaço grupal madura é a multiplicaço de unidades individuais. Qez pessoas, cada uma das
quais é pessoal> mente %em integrada, superp1em suas dez integraç1es e passam a compartil&ar, em certa medida,
de uma única mem%rana limitante. Essa mem%rana é representativa da pele de cada um dos mem%ros. !
organizaço representada pela integraço pessoal de cada um dos indivíduos tende a conservar, a partir do
interior, a entidade grupal. Osso significa que o grupo %eneficia>se da e$periência pessoal dos indivíduos, cada um
dos quais foi assistido em seu momento de integraço e rece%eu co%ertura até o momento em que se tornou capaz
de suprir sozin&o essa necessidade.
! integraço grupal implica num primeiro momento uma e$pectativa de perseguiço6 por isso, certo tipo de
perseguiço pode produzir artificialmente uma formaço grupal, desprovida, porém, de esta%ilidade.
FiiH 3o outro e$tremo, um con0unto de pessoas relativamente no>integradas pode rece%er uma co%ertura e
constituir um grupo. 3este caso, o tra%al&o de grupo no provém dos indivíduos, mas da co%ertura. "s indivíduos
passam por três est)gios2
FaH !preciam o fato de estarem sendo co%ertos, e adquirem confiança.
F%H omeçam a e$plorar a situaço, tornando>se dependentes e regredindo ' no>integraço.
FcH omeçam, cada um por si mesmo, a adquirir alguma integra ço, e, nesses momentos, valem>se da co%ertura
proporcionada pelo grupo, a qual l&es é necess)ria devido a suas e$pectativas de perseguiço. "s mecanismos de
co%ertura so su%metidos nesse ponto a grande tenso. !lguns indivíduos conseguem o%ter sua integraço
pessoal, e prestam>se assim a serem inseridos em outro tipo de grupo, no qual os indivíduos mesmos
proporcionam o funcionamento grupal. *) outros no podem ser curados pela terapia de co%ertura apenas, e
continuam precisando do cuidado de uma agência, sem porém identificarem>se com essa agência.
Em qualquer grupo que se e$amina, é possível identificar qual dos dois e$tremos é predominante. ! palavra
democraciaT é usada para descrever o agrupamento mais maduro de todos, e aplica>se apenas a um con0unto de
pessoas adultas das quais a vasta maioria 0) atingiu a integraço pessoal Falém de ser madura segundo outros
critériosH.
"s agrupamentos adolescentes so capazes, se su%metidos ' superviso, de atingir uma espécie de democracia.
3o convém, entretanto, esperar que a democracia floresça entre adolescentes, mesmo quando cada um deles é
por si maduro. om crianças sadias de menor idade é o aspecto de co%ertura grupal que deve ser posto em
evidência, dando>se, porém, ao mesmo tempo, todas as oportunidades aos indivíduos de contri%uírem para a
coeso grupal através das mesmas forças que promovem a coeso no interior das estruturas do ego. " grupo
limitado d) oportunidade ' contri%uiço individual.

TRA6AL?O DE GRUPO COM AS CRIANAS DESA7USTADAS

" estudo de formaç1es grupais compostas por adultos, adolescentes ou crianças sadias lança luz so%re o
pro%lema do cuida do de grupos formados por crianças doentes Fno sentido de serem desa0ustadasH.
Esta palavra &orrível Y desa0ustamento Y significa que, nu ma data recuada, o am%iente dei$ou de a0ustar>se 's
necessidades da criança, que foi competida assim a assumir para si o tra%al&o de co%ertura, perdendo a identidade
pessoal, ou seno a fazer>se inc\moda para a sociedade a fim de forçar alguém a dar> l&e co%ertura, e$igindo uma
nova oportunidade de lançar>se ' tarefa da integraço pessoal.
! criança anti>socia l tem duas alternativas Y aniquilar o self verdadeiro ou cutucar a sociedade até que esta l&e
ofereça co%ertura. ! e$istência dessa segunda opço pode ocasionar o reaparecimento do self verdadeiro6 é
mel&or e$istir verdadeiramente, mesmo na priso, do que aniquilar>se numa complacência sem sentido.
Em termos dos dois e$tremos que descrevi, é evidente que nen&um grupo de crianças desa0ustadas ir) aglutinar>
se devido ' integraço pessoal dos meninos e meninas. Osso se deve em par te ao fato de o grupo ser composto de
adolescentes ou crianças, que so seres &umanos imaturos6 mas a principal razo é o fato dos mem%ros serem
todos no>integrados, em diferentes graus. ada menino ou menina, portanto, tendo sido sustado em sua
integraço em algum momento da primeira infância, apresenta uma necessidade anormal de co%ertura.
Xual a maneira, pois, de cuidarmos dessas crianças, de mo do que este0amos certos de que nosso cuidado adaptar>
se>) a suas necessidades mut)veis ' medida que progridem para um estado de saúdeV 5) dois métodos

alternativos2
FíH /elo primeiro, um a%rigo cuida de um mesmo grupo de crianças até que atin0am a idade>limite,
proporcionando>l&es aqui lo de que necessitam nas v)rias etapas de seu desenvolvimento. 3o início, os
funcion)rios do>l&es co%ertura, constituindo nessa %ase o grupo. 3esse grupo>co%ertura, depois do período de
lua>de>melT, as crianças pioram muito, e com sorte atingem um m)$imo de no>integraço. 3o o fazem,
felizmente, todas ao mesmo momento, e aproveitam>se umas 's outras de modo a, nu ma dada situaço, &aver
geralmente uma criança que est) muito pior que todas as outras. FXual no é a tentaço de livrar>se dessa criança,
fracassando assim no ponto mais crítico do processo_H

(radualmente, uma por uma, as crianças começam a atingir sua integraço pessoal 6 no decorrer de cinco ou dez
anos, aquele mesmo con0unto de crianças transformou>se numa outra espécie de grupo. !s técnicas de co%ertura
podem ser a%randadas, e o grupo começa a integrar>se a partir das forças que promovem a integraço no interior
de cada indivíduo.
"s funcion)rios devem estar sempre prontos a resta%elecerem a co%ertura no momento, por e$emplo, em que
uma criança é pega rou%ando em seu primeiro emprego, ou quando demonstra outros sintomas do medo inerente
ao estado do EL S"L, ou independência relativa.
FiiH /elo segundo método, um grupo de a%rigos tra%al&a em con0unto. ada a%rigo é classificado de acordo com o

tipo de tra%al&o que realiza, e permanece sempre tra%al&ando nessa mesma )rea. /or e$emplo2
" a%rigo ! d) ? de co%ertura.
" a%rigo 8 d) @ de co%ertura.
" a%rigo  d) DA de co%ertura.
" a%rigo Q d) A de co%ertura.
" a%rigo E d) G de co%ertura.
!s crianças, através de visitas plane0adas, con&ecem todos os a%rigos do grupo, e os assistentes tam%ém so

transferidos de um para outro. Xuando uma criança do a%rigo ! atinge algum grau de integraço pessoal, ela so%e
um degrau na escala. Qesse modo, as crianças que mel&oram c&egam por fim ao a%rigo E, que se especializa em
dar co%ertura ' investida adolescente em direço ao mundo.
" pr#prio grupo de a%rigos rece%e a co%ertura, neste caso, de alguma autoridade e de um comitê de a%rigos.
! principal dificuldade desse segundo método é a possi%ilidade de os funcion)rios dos diferentes a%rigos no
conseguirem entender>se, o que s# no ocorrer) se realizarem reuni1es peri#dicas e mantiverem>se informados
dos métodos que cada a%rigo est) usando e do ê$ito ou fracasso o%tido. " a%rigo 8, que d) @ de co%ertura e
faz todo o tra%al&o su0o, ser) mal visto6 rece%er) notificaç1es e visitas de verificaço, " a%rigo ! ser) mel&or

visto, pois l) no &aver) lugar para a li%erdade individual6 todas as crianças parecero felizes e %em alimentadas,
e os visitantes o apreciaro so%re todos os outros, " diretor precisar) ser um ditador, e sem dúvida atri%uir) os
fracassos dos demais a%rigos ' falta de disciplina. -as as crianças do a%rigo ! nem sequer deram início a seu
processo. Esto preparando>se para isso.
3os a%rigos 8 e , onde as crianças permanecem caídas so%re o c&o, recusam>se a levantar, no comem, su0am
as calças, rou%am algo toda vez que sentem um impulso amoroso, torturam gatos, matam ratos e enterram>nos
para terem um cemitério aonde possam ir e c&orar, nestes a%rigos, digo, deveria &aver uma placa2 no so
permitidas visitas. "s diretores de tais a%rigos têm o perpétuo dever de dar co%ertura a almas nuas, e convivem
com tanto sofrimento quanto o que se pode ver nos &ospitais psiqui)tricos para adultos. omo é difícil conservar
um %om corpo de pessoal so% tais condiç1es_
SUMÁRIO
Qe tudo o que se pode afirmar acerca dos a%rigos enquanto grupos, escol&i tratar da relaço do tra%al&o de grupo
com a maior ou menor quantidade de integraç o pessoal de cada uma das crianças. reio ser %)sica esta relaço2
quando &) um sinal positivo, as crianças trazem consigo suas pr#prias forças integrativas6 quando &) um sinal
negativo, o a%rigo proporciona co%ertura semel&ante ' vestimenta de uma criança nua e aos %raços maternos
segurando um %e%ê recém>nascido.
=ace a uma confuso de classificaço quanto ao fator de integraço pessoal, o a%rigo no pode encontrar seu
lugar. ! per tur%aço das crianças doentes predomina, e as crianças mais normais, que poderiam estar 0)
contri%uindo para o grupo, no têm essa oportunidade, uma vez que a co%ertura tem de estar presente a todo
momento e em todo lugar.
reio que min&a super simplificaço do pro%lema pode 0ustificar>se na medida em que proporciona uma
linguagem simples para a classificaço de crianças e a%rigos. "s funcion)rios de tais a%rigos esto a todo
momento rece%endo o troco por inúmeros colapsos am%ientai s prematuros so%re os quais no tiveram nen&uma
responsa%ilidade. /ara que suportem essa terrível tenso e para que, em alguns casos, c&eguem até a corrigir os
males passados através de sua tolerância, é necess)rio que eles sai%am o que esto fazendo e o porquê de nem
sempre serem capazes de o%ter ê$ito.
CLASSIFICAO DOS CASOS

Lma vez aceitas as idéias que e$pus, torna>se possível pene trar gradualmente na comple$idade das formaç1es
grupais. oncluo com uma classificaço grosseira dos tipos de caso.
FaH !s crianças doentes no sentido de no terem c&egado a integrar>se em unidades, e que portanto no podem
contri%uir para um grupo.
F%H !s crianças que desenvolveram um falso sei_ dotado da funço de esta%elecer e manter contato com o
am%iente, e ao mesmo tempo de proteger e esconder o self verdadeiro. 3esses casos, ocorre uma integraço
ilus#ria que se desfaz assim que é aceita como real e c&amada a contri%uir.
FcH !s crianças doentes no sentido de serem retraídas. 3esses casos, a integraço é um fato consumado, e a defesa
se d) em termos de uma reorganizaço de forças malignas e %enignas. Essas crianças vivem em seu pr#prio
mundo interior, o qual, em %ora sendo artificialmente %enigno, é perigoso devido ' opera ço da magia. Seu
mundo e$terior é maligno ou persecut#rio.
FdH !s crianças que conservam sua integraço pessoal por meio de uma &iper ênfase na integraço, defendendo>se
contra a ameaça de desintegraço pelo esta%elecimento de uma personalidade forte.
FeH !s crianças que foram %em cuidadas no início da vida e que foram capazes de fazer uso de um mundo

intermedi)rio, com o%0etos que derivam sua importância do fato de representarem a um s# tempo o%0etos de valor
interno e e$terno. 3o o%stante, essas crianças sofreram uma interrupço na continuidade do cuidado que l&es era
oferecido, a ponto de no poderem mais fazer uso de seus o%0etos intermedi)rios. Estas so as comuns crianças
com comple$o de carênciaT, cu0o comportamento torna>se anti>social toda vez que elas adquirem uma nova
esperança. Rou%am e e$igem nossa atenç o, querendo que acreditemos em suas mentiras. 3o mel&or dos casos,
sofrem uma regres so generalizada ou localizada, como no caso de urinar na cama, que representa uma regresso
momentânea relacionada com um son&o. 3a pior das &ip#teses, forçam a sociedade a tolerar seus sintomas de
esperança, em%ora permanecendo elas mesmas in capazes de %eneficiar>se desses sintom as. " rou%o no l&es d)
aquilo que querem, mas, em alguns casos F&avendo alguém que tolere o seu rou%arH, podem atingir algum grau de
crença em ter um lugar no mundo. 3este grupo insere>se toda a gama de com portamentos anti>sociais.
FfH !s crianças que tiveram um começo relativamente %om, mas que sofrem os efeitos de terem pais com quem
no podem identificar>se. 5) aqui inúmeros su%grupos, alguns dos quais so2
FiH -e ca#tica.
FiiH -e deprimida.
FiiiH /ai ausente.
FivH -e ansiosa.
FvH /ai de atuaço rígida, sem porém parecer fazer 0us a essa prerrogativa.
FviH /ais em constante conflito, o que se une a apartamentos apertados, criança dormindo no quarto dos pais, etc.
FgH rianças com tendências maníaco>depressivas, dotadas ou no de um elemento &eredit)rio.
F&H rianças normais, e$ceto quando em fases depressivas.
FiH rianças com e$pectativas de perseguiço e tendência para serem tiranizadas ou tiranas. Em meninos, isso
pode constituir a %ase da pr)tica &omosse$ual.
F0H rianças &ipomaníacas, com a depresso latente ou manifesta em distúr%ios psicossom)ticos.
F:H 7odas as crianças que so suficientemente integradas e socializadas para serem capazes de sofrer Fquando
pertur%adasH das ini%iç1es, compuls1es e organizaç1es de defesas contra a ansiedade, as quais so grosso modo
classificadas so% a denominaço de psiconeurose.
F?H /or último, as crianças normais, ou se0a, aquelas que, quando confrontadas com situaç1es de perigo ou
anormalidades am%ientais, so capazes de empregar qualquer mecanismo de defesa, mas que no assumem
automaticamente um mecanismo de terminado por força de distorç1es do desenvolvimento emocional pessoal.

CAP9TULO 1 - ALGUMAS CONSIDERA5ES SO6RE O

SIGNIFICADO DA PALAVRA DEMOCRACIA


Em primeiro lugar, devo dizer que estou emitindo opini1es so%re um assunto que est) fora de min&a )rea de
especialidade. W possível que, num primeiro moment o, os soci#logos e cientistas políticos se ofendam com esta
impertinência. -esmo assim, me parece proveitoso que os especialistas atravessem suas fronteiras de tempos em
tempos, contanto que perce%am Fcomo certamente o façoH que seus coment)rios inevitavelmente parecero
ingênuos aos ol&os daqueles que con&ecem toda a literatura relevante e esto acostumados ao 0argo profissional
que o e$cursionista ignora totalmente.
! palavra democracia reveste>se de imensa importância em nossa época. W usada segundo uma ampla gama de
sentidos6 eis alguns2
FiH Lm sistema social em que o povo governa.
FiiH Lm sistema social cu0o líder é escol&ido pelo povo.
FiiiH Lm sistema social cu0o governo é escol&ido pelo povo.
FivH Lm sistema social em que o governo concede ao povo li%erdade de2
FaH pensamento e e$presso, F%H empreendimento.
FvH Lm sistema social que, atravessando uma fase de %oa for tuna, é capaz de conceder aos indivíduos li%erd ade
de aço.
Po!e-e e()!#"2

FiH ! etimologia da palavra.


FiiH ! &ist#ria das instituiç1es sociais, gregas, romanas, etc.
FiiiH " uso que é dado ' palavra pelos v)rios países e culturas do momento presente, como a (r>8retan&a, os
Estados Lnidos, a Rússia, etc.
FivH " a%uso da palavra por parte de ditadores e outros6 lograr o povo, etc.
W o%viamente de importância capital que, na discusso de um termo, c&egue>se a uma definiço apropriada ao
tipo particular da discusso.
P&co%o&# !o )o !o (e"'o

Seria possível estudar psicologicamente o uso desse termoV Estamos acostumados a deparar>nos com estudos
psicol#gios de outros termos difíceis, tais como mente normalT, personalidade sadiaT, indivíduo %em adaptado
' sociedadeT6 e o valor de tais estudos nos parece tanto maior quanto maior é o peso que eles conferem aos
fatores emocionais inconscientes. Lma das ta refas da psicologia é estudar e apresentar as idéias latentes que
su%0azem ao uso desses conceitos, sem restringir a atenço aos significados #%vios ou conscientes.
7enta>se, aqui, dar início a um estudo psicol#gico do termo democraciaT.
De&n&ç*o !e ("#H#%<o !o (e"'o

/arece>me que se pode encontrar um importante significado latente deste termo2 a sociedade democr)tica é uma
sociedade ma duraT, isto é, possui uma qualidade que vem de par com a qualidade de maturidade individual que
caracteriza seus mem%ros sadios.
! democracia é definida aqui, portanto, como a sociedade %em a0ustada a seus mem%ros individuais sadiosT.
Essa definiço concorda com a opinio e$pressa por R. E. -one+>+rle F-ental 5ealt& ongress, 8oletim de

?@GBH.
" que importa para o psic#logo é o modo pelo qual as pes soas empregam o termo. " estudo psicol#gico
0ustifica>se na medida em que est) implícito no termo o elemento de maturidade. -in&a opinio é de que, em
todos os usos que se do ao termo, pode>se encontrar implícita a idéia de maturidade ou maturidade relativa,
muito em%ora todos admitiro ser muito difícil c&egar a uma definiço adequada desses dois termos.
S#Y!e p&)&("&c#

Em termos psiqui)tricos, pode>se dizer que o indivíduo normal ou sadio é o indivíduo maduro6 de acordo com
sua idade cronol#gica e seu am%iente social &) um grau de desenvolvimento emocional apropria do. F/ressup1e>
se, nesta discusso, a maturidade física.H
!ssim, a saúde psiqui)trica é um termo sem significado fi$o. Qo mesmo modo, no é necess)rio que o termo
democr)ticoT possua significado fi$o. Empregado por uma comunidade, pode significar o car)ter mais maduro,
e no menos, na estrutura social. Espera>se, portanto, que o significado congelado do termo varie segundo se0a
usado na (r>8retan&a, nos Estados Lnidos ou na Rússia6 no o%stante, o termo conserva seu valor por implicar
um recon&ecimento da maturidade como idêntica ' saúde.
omo se pode estudar o desenvolvimento emocional da sociedadeV 7al estudo deve acompan&ar de perto o
estudo do indivíduo. "s dois estudos devem desenrolar>se simultaneamente.

ESTRUTURA DEMOCRÁTICA
Qevemos tentar enunciar as qualidades recon&eci das da estrutura democr)ti ca. Essa estrutura deve possi%ilitar a
eleiço de governantes pelo voto livre e secreto. Essa estrutura deve possi%ilitar a deposiço de governantes pelo
voto secreto. Essa estrutura deve suportar a ilogicidade da eleiço e deposiço de governantes.
! essência da estrutura democr)tica é o voto livre e secreto. Osso implica a garantia da li%erdade das pessoas
e$pressarem sentimentos profundos, desvinculados de um pensamento consciente
3o e$ercício do voto secreto, o indivíduo toma, se for sufi cientemente sadio, toda a responsa%ilidade por sua
aço. " voto e$pressa o resultado de uma luta travada em seu interior, uma vez internalizada a cena e$terna e
colocada em associaço com o 0ogo de forças que se d) em seu pr#prio mundo interno e pessoal. Osto é2 a deciso
so%re o voto e$pressa a soluço de uma %atal&a inter na. " processo parece desenrolar>se mais ou menos como
segue. ! cena e$terna, com seus múltiplos aspectos políticos e sociais, torna>se pessoal para ele no sentido de que
se identifica com todos os partidos que tomam parte na luta. Osso significa que ele perce%e a cena e$terna em
termos de sua pr#pria luta interna, e por certo tempo permite que sua %atal&a interna se0a travada em termos da
cena política e$terna. Esse processo de ida e volta envolve tempo e dedicaço6 uma das funç1es da estrutura
democr)tica deve ser a de conceder aos eleitores um período de preparaço. Lma eleiço repentina produziria no
eleitorado um sentiment o agudo de frustraço. W preciso que, por um período limitado, o mundo interno de cada
votante se0a transformado numa arena política.
Se o car)ter secreto do voto é posto em dúvida, a única coisa que o indivíduo pode fazer, por mais sadio que se0a,
é e$pressar por seu voto suas reaç1es.
I'po&ç*o !e )'# e(")()"# !e'oc"(&c#
Se fosse possível impor a uma comunidade toda a estrutura pr#pria da democracia, isso no equivaleria ' criaço
de um tal sistema. Seria preciso que alguém ainda se encarregasse de garantir o funcionamento da estrutura Fo
voto secreto, etc.H e de forçar o povo a aceitar os resultados.
?. So% este aspecto, a representaço proporcional é antidemocr)tica, mesmo quando secreta, porque interfere na

livre e$presso de sentimentos6 ela s# é adequada a certas condiç1es especiais, em que pessoas inteligentes e
educadas dese0am verificar opini1es conscientes.
TEND;NCIA DEMOCRÁTICA INATA

! democracia é uma conquista, num determinado momento do tempo, de uma sociedade limitada, isto é, uma
sociedade dotada de algum limite natural. Qe uma democracia verdadeira Fsegundo o LS" que &o0e se d) ao
termoH, pode>se afirmar2 3esta sociedade e nesta época, &) uma proporço suficiente de indivíduos que atingiu
um grau suficiente de maturidade emociona]para que e$ista uma tendência inata ' criaço, ' recriaço e '
conservaço da estrutura democr)tica.

Seria importante con&ecer a proporço de indivíduos maduros necess)ria para criar a tendência democr)tica
inata. /ara falar de outro modo2 qual a proporço de indivíduos anti>sociais que a sociedade pode conter sem
perder sua tendência inata ' democraciaV
S)po&ç*o
Se a Segunda (uerra -undial e, em particular, o esquema de evacuaço tivessem incrementado a proporço de
crianças anti> sociais na (r>8retan&a de N por cento para, digamos, AN por cento, essa mudança poderia
facilmente ter afetado o sistema educacional, de modo que a orientaço educacional oficial se direcionasse mais
para esses AN por cento de indivíduos anti>sociais do que para as ? Y AN por cento de crianças no anti>

sociais.
C. /elo termo inataT, quero dizer o seguinte2 as tendências naturais F&eredit)riasH da natureza &umana
desenvolvem>se e florescem no modo de vida democr)tico Fmaturidade socialH6 isto, porém, s# ocorre mediante o
desenvolvimento emocional sadio dos indivíduos6 apenas parte dos indivíduos que comp1em um grupo social
ter) tido a sorte de desenvolver>se até a maturidade, e é s# através deles que a tendência inata F&eredit)riaH do
grupo ' maturidade social pode ser implementada.
Lma década depois, o mesmo pro%lema seria definido de outro modo2 considerando>se que uma sociedade é
capaz de lidar com N por cento de criminosos isolando>os nas pris1es, uma pro porço de AN por cento deles
tenderia a produzir uma reorientaço geral em direço a esse grupo social.
Se, num momento qualquer de uma sociedade, &) uma quantidade N de indivíduos cu0a falta de sentido social
manifesta>se no desenvolvimento de uma tendência anti>social, &) sempre tam%ém uma quantidade U de
indivíduos que reagem ' insegurança interna por meio de uma via alternativa Y a identificaço com a autoridade.
7rata>se de uma identificaço doentia, imatura, pois no releva do autocon&ecimento. W uma moldura sem
retrato, uma forma sem espontaneidade. W uma tendência a favor da sociedade, F...H contra o indivíduo. !s
pessoas que desenvolvem essa tendência podem ser c&amadas anti>sociais ocultosT.
"s anti>sociais ocultos no so pessoas mais íntegrasT Fou inteirasTH que os anti>sociais manifestos, pois, como
estes, têm a necessidade de encontrar e controlar a força conflitante no mundo e$terno fora do self. *) a pessoa
sadia, capaz de suportar a depresso, consegue encontrar todo o conflito no interior do self, %em como vê>lo todo
tam%ém no e$terior, na realidade compartil&ada. 3o encontro de pessoas sadias, cada uma contri%ui com todo um
mundo, pois traz em si uma pessoa inteira.
"s anti>sociais ocultosT têm tendência a e$ercer um tipo de liderança sociologicamente imatura. !lém disso,
esse elemento numa sociedade aumenta enormemente o perigo que pode ad vir de seus mem%ros francamente
anti>sociais, tanto mais que as pessoas comuns permite m com tanta facilidade que esses indivíduos ansiosos por
liderar c&eguem a posiç1es de destaque. Lma vez elevados a essa condiço, tais líderes imaturos imediatamente
reúnem ' sua volta os anti>sociais manifestos, que passam a reverenci)>los Faos líderes imaturos e antiindividuaisH
como seus sen&ores naturais. FLma pseudo>soluço para a ciso da personalidade.H
O &n!e(e"'&n#!o

!s coisas, porém, no so to simples assim. " fato de &a ver FN j UH por cento de indivíduos anti>sociais numa
comunidade no significa que os restantes ? Y FNjUH se0am sociaisT. 5) indivíduos que permanecem numa
posiço indeterminada. /oder>se>ia formular a questo assim2
!nti>sociais N por cento
Ondeterminados  por cento
/r#>sociedade mas antiindivíduo U por cento
Ondivíduos sadios capazes de contri%uir para a
sociedade ? FN j  j UH por cento
7otal ? por cento

7oda a carga da democracia é carregada por aqueles ?Y FN j  j UH por cento de indivíduos que esto
amadurecendo enquanto tal, e aos poucos vo>se tornando capazes de acrescentar um sentido social ' %ase s#lida
de seu desenvolvimento pessoal.
Xual a porcentagem representada por essa f#rmula ?Y FN j  j UH na (r>8retan&a de &o0e, por e$emploV
7rata>se possivelmente de uma proporço %astante pequena, digamos I por cento. ontando I por cento de
pessoas maduras, é possível que C por cento dos indeterminados se0am influenciados pelos sadios e possam ser
contados como tal, elevando o total de pessoas maduras para A por cento do todo. Se, porém, a porcentagem de
indivíduos maduros cair para C por cento, deve>se esperar uma queda correspondente da porcentagem de
indeterminados influenciados a agir como pessoas maduras. Se I por cento de indivíduos maduros influenc iam
C por cento do total, somando A por cento, é possível que C por cento de maduros no influenciem mais que
? por cento do total, somando I por cento.
/osto que um total de A por cento de indivíduos maduros se0a suficiente para garantir na pr)tica o predomínio da
tendência inata ' democracia, o total de I por cento no %astaria para evitar a ascenso dos anti>sociais Focultos
e manifestosH e de to dos os indeterminados que, por fraqueza ou medo, a eles se associariam.
Segue>se daí uma tendência antidemocr)tica, uma tendência ' ditadura, cu0a característica inicial é uma
afirmaço fe%ril da fac&ada democr)tica Fna funço demag#gica do termoH.
Lm dos sinais dessa tendência é a instituiço corretiva, a ditadura localizada, o campo de treino para os líderes
pessoalmente imaturos que so, na verdade, anti>sociais invertidos Fpr#>sociedade mas anti>indivíduoH.
7anto a priso como o &ospital psiqui)trico da sociedade sadia apro$imam>se perigosamente desse gênero de
instituiço corretiva6 por essa razo, os médicos de presidi)rios e de loucos têm de estar em constante alerta para
no serem usados, sem o sa%erem, como agentes da tendência antidemocr)tica. 3a verdade, deve &aver sempre
uma terra de ninguém em que no &a0a distinço clara entre o tratamento corretivo do oponente político ou
ideol#gico e a terapia da pessoa insana. F!qui reside o perigo social dos métodos físicos de terapia do paciente
psiqui)trico, por comparaço ' verdadeira psicoterapia ou mesmo ' aceitaço da loucura. 3a psicoterapia, o
paciente est) ' mesma altura do médico, tendo direito de estar doente e direito de afirmar sua saúde e sua plena
responsa%ilidade por opini1es políticas ou ideol#gicas.H

A CRIAO DO FATOR DEMOCRÁTICO INATO


Se democracia é maturidade, a maturidade é saúde e a saúde é algo dese0)vel, é natural que procuremos sa%er se
podemos fazer algo para promovê>la. 7omemos como certo que a simples imposiço da estrutura democr)tica
seria perfeitamente inútil.
Qevemos voltar>nos para os ? Y FN j  j UH indivíduos. 7udo depende deles. So eles que podem incentivar
a pesquisa.
onstatamos que, em qualquer momento, tudo o que pu dermos fazer para incrementa r a quantidade desse fator

democr)tico inato nada ser) em comparaço com o que 0) poderia ter sido feito Fou noH pelos pais e pelas
famílias dos indivíduos enquanto estes foram %e%ês, crianças ou adolescentes.
-as podemos procurar evitar que o futuro se0a comprometido. /odemos evitar interferir nos lares capazes de dar
conta da educaço de suas crianças e adolescentes. 7ais lares %ons e normais so o único cen)rio que pode
acalentar a criaço do fator democr)tico inato Osso parece muito pouco em termos de contri%uiço positiva, mas a
aplicaço dessa mera no>interferência encerra em si uma comple$idade inesperada.
F#(o"e #!$e"o #o )nc&on#'en(o !o %#" Ho' e no"'#%
FiH W muito difícil fazer com que as pessoas recon&eçam que o aspecto essencial da democracia pertence ' alçada
dos &omens e mul&eres comuns e do lar comum, normal.
FiiH -esmo que uma s)%ia política governamental dê aos pais li%erdade de administrarem seus lares como %em
quiserem, isso no é garantia de que os encarregados de colocar em pr)tica a política oficial respeitaro as
posiç1es das famílias.
FiiiH "s pais %ons e normais necessitam de a0uda. 3ecessitam de tudo o que a ciência pode oferecer em termos de
saúde física e da prevenço e tratamento das enfermidades6 necessitam de instruço quanto ao cuidado das
crianças, e de apoio especializado quando tais crianças so acometidas de distúr%ios psicol#gicos ou
comportamentais. Xuem pode garantir que, ao %uscarem essa assistência, eles no sero rou%ados da

responsa%ilidade que têm so%re os pr#prios fil&osV om isso, dei$ariam de ser criadores do fator democr)tico
inato.
I. " lar %om e normal é algo que desafia todo c\mputo estatístico. 3o aparece nos 0ornais, no é espetacular e
no produz os &omens e mul&eres con&ecidos pu%licamente. 8aseado em C. estudos de casos levantados
pessoalmente ao longo de vinte e cinco anos de tra%al&o, posso afirmar que, em min&a comunidade, o lar %om e
normal é comum, costumeiro.
FivH -uitos pais no so pais %ons e normais. 7êm pro%lemas psiqui)tricos, so imaturos, so anti>sociais num
sentido amplo e socializados apenas numa medida restrita6 's vezes no so casados, têm um relacionamento

inst)vel, vivem em conflito, es to separados e daí por diante. Qevido a esses defeitos, esses pais rece%em atenço
da sociedade. Ser) a sociedade capaz de perce %er que o cuidado desses casos patol#gic os no pode interferir na
atenço que deve sempre ser dada aos lares %ons e normaisV
FvH Qe qualquer modo, a tentativa que os pais fazem de proporcionar a suas crianças um lar onde elas possam
crescer enquanto indivíduos, adquirindo aos poucos uma capacidade de identificar>se com os pais e com
agrupamentos mais amplos, esta tentativa, dizia, deve estar presente desde o início, quando a me trava contato
com seu %e%ê. " pai, aqui, tem a funço de um agente protetor que, cuidando de tudo o mais, permite que a me
se dedique inteiramente ao %e%ê.
5) muito tempo que se recon&ece a importância do lar para o desenvolvimento individual6 em tempos recentes,
os psic#logos têm desco%erto muitas coisas a respeito dos modos pelos quais um lar est)vel &a%ilita as crianças a
con&ecerem a si mesmas e aos outros, %em como a qualificarem>se para tornarem>se mem%ros da sociedade mais
ampla.
! esta altura, é necess)rio dedicar uma atenço especial ' questo da interferên cia e$terna na relaço me>%e%ê.
3ossa sociedade caracteriza>se por interferir cada vez mais nesse domínio6 o perigo é potencializado pelo fato de
&aver psic#logos defendendo a teoria de que, no início da vida, a única coisa que importa é o cuidado físico. Essa
teoria s# parece indicar que, na fantasia inconsciente das pessoas em geral, a relaço me>%e%ê vem re vestida de
idéias as mais som%rias. Essa ansiedade inconsciente manifesta>se na pr)tica2
FaH 3a so%re ênfase dada por médicos e até por psic#logos aos aspectos .físicos da saúde.
F%H 3as v)rias teorias defendendo as noç1es de que a ama mentaço é maléfica, de que o %e%ê deve começar a ser
educado assim que nasce, de que os %e%ês no devem ser cuidados pelas mes, etc.6 e Fno negativoH as de que a
amamentaço é algo a%solutamente o%rigat#rio, de que os %e%ês no devem ser educados de modo nen&um, de
que no se deve dei$)>los c&orar, etc.
FeH 3a interferência com o contato entre me e %e%ê nos primeiros dias e com o processo pelo qual a me
apresenta a realidade e$terior ao %e%ê. Esse processo representa, na realidade, a %ase da capacidade que o
indivíduo pode ter de relacionar>se com uma realidade e$terna cada vez mais ampla6 se a importantíssima
contri%uiço da me Y %aseada em sua devoço for pre0udicada ou impedida , no &aver) a menor esperança de
que o indivíduo possa integrar aquel es ? Y FN j  j UH por cento dos mem%ros da socieda de que comp1em e
geram o fator democr)tico inato.
DESENVOLVIMENTO DE SU6TEMAS2 A ELEIO DE PESSOAS
! estrutura democr)tica caracteriza>se essencialmente pelo fato de eleger pessoas. 5) diferenças profundíssimas
entre2 FiH o voto numa pessoa6 FiiH o voto num partido de tendência defini da6 FiiiH o apoio a um princípio
determinado e$presso por meio de ple%iscito.
FiH ! eleiço de uma pessoa implica que os eleitores acreditem em si mesmos como pessoas, o que l&es d) o
direito de acre ditar na pessoa em quem votam. ! pessoa eleita tem a oportunidade de agir como uma pessoa.
omo pessoa inteira FsadiaH, contém dentro de si todo o conflito, o que l&e permite formar uma opinio, ainda
que pessoal, acerca da situaço e$terna. W claro que essa pessoa pode pertencer a um partido e manifestar uma
certa tendência. 3o o%stante, ela é capaz de adaptar>se com grande meticulosidade 's mudanças de situaço6 e,
se c&egar de fato a assumir uma tendência diversa, pode su%meter>se a uma reeleiço.
FiiH ! eleiço de um partido ou tendência grupal é relativa mente menos madura. 3ela, no se requer dos eleitores
a confiança num ser &umano. -as esse é o único procedimento ade quado a eleitores imaturos, e$atamente pelo
fato de no poderem conce%er, ou dar um voto de confiança, a um indivíduo verdadeiramente maduro, " voto
num partido ou tendência, uma coisa, e no uma pessoa, esta%elece no governo um ponto de vis ta infle$ível,
incapaz de reagir delicadamente a mudanças de situaço. Essa coisa que é eleita no pode ser amada ou odiada, e
é adequada a indivíduos cu0o sentido do self é apenas parcial> mente desenvolvido. /ode>se dizer que o sistema
de voto é me nos democr)tico, por ser menos maduro Fem termos do desenvolvi mento emocional do indivíduoH,
quando o voto recai so%re um par ou princípio, e no so%re uma pessoa.
FiiiH !inda mais distanci ado dos conceitos associados ' pa lavra democraciaT é o ple%iscito versando so%re um
tema específico. " referendo tem muito pouco a ver com maturidade Fem %ora possa, em ocasi1es e$cepcionais,
encai$ar>se sem pro%lemas no conte$to de um sistema maduroH. /odemos citar, como e$emplo da inutilidade do
referendo, o caso da c&amada votaço da pazT, realizada na (r>8retan&a entre as duas guerras mundiais. !s
pessoas foram c&amadas a responder a uma questo específica Focê é a favor da paz ou da guerraVTH. -uitas
pessoas a%stiveram>se de votar por perce%erem no se tratar de uma pergunta 0usta. (rande parte dos votantes
optaram ento pela paz6 mas, quando a situaço internacional mudou, tornaram>se favor)veis ' guerra e tomaram
parte na defesa do país. " pro%lema desse tipo de consulta popular é que ela s# d) espaço ' e$presso de um
dese0o consciente. 3o &) qualquer relaço entre o voto contra a paz num tal ple%iscito e o voto dado a uma
pessoa que se sa%e ser favor)vel ' paz desde que a recusa a lutar no implique o a%andono displicente de
aspiraç1es e responsa%ilidades, as sim como a traiço de aliados.
! mesma o%0eço aplica>se igualmente 's pesquisas (ailup e a outros question)rios, muito em%ora os que os
organizem tomem muito cuidado para no cair e$atamente nesse erro. Qe qualquer modo, o ple%iscito quanto a
uma questo específica ac&a>se a grande distânci a do voto em favor de uma pessoa que, uma vez eleita, tem um
período de tempo durante o qual pode usar sua pr#pria capacidade de 0ulgamento. " ple%iscito nada tem a ver
com a democracia.

APOIO  TEND;NCIA DEMOCRÁTICA2 SUMÁRIO


?. " mel&or apoio consiste na atitude negativa de promover organizadamente a no>interferência na relaço
normal e %oa entre me e %e%ê, %em como nos lares %ons e normais.
C. /ara que mesmo esse apoio negativo possa se dar de maneira mais inteligente, é necess)ria muita pesquisa
referente ao desenvolvimento emocional de crianças de todas as idades, %em como ' psicologia da me e '
funço do pai em v)rios est)gios.
I. ! pr#pria e$istência desse estudo 0) manifesta uma crença no valor da educaço para procedimentos

democr)ticos6 é claro que essa educaço s# pode ser dada se &ouver consenso e s# pode ser útil para os
indivíduos sadios ou emocionalmente maduros.
G. "utra importante contri%uiço negativa consistiria em evitar a implantaço da estrutura democr)tica em
comunidades in teiras, implantaço essa que s# pode ter como resultado o fracasso e um recuo do verdadeiro
crescimento democr)tico. ! aço alternativa consiste em dar apoio aos indivíduos emocionalmente maduros, por
poucos que se0am, e esperar que o tempo faça sua parte.
A PESSOA 8 ?OMEM OU MUL?ER[
! questo a ser considerada é2 poder>se>ia su%st ituir a palavra pessoaT por uma das duas palavras &ome mT ou
mul&erTV
W fato que os líderes políticos da maioria dos países so &omens, em%ora as mul&eres figurem cada vez mais em
cargos de responsa%ilidade. 7alvez se0a possível admitir que &omens e mul&eres, enquanto tais, so dotados de
igual capacidade6 para co locar a mesma idéia ao inverso2 talvez no se0a possível dizer, com %ase numa
avaliaço da capacidade intelectual ou emocional, que s# os &omens têm condiç1es de ocupar os mais altos
cargos políticos. Osso, porém, no elimina o pro%lema. ! tarefa do psic#logo é c&amar a atenço para os fatores
inconscientes que, mesmo em discuss1es to sérias quanto esta, so facilmente dei$ados de lado, o o%0eto a
considerar é o sentimento popular inconscient e em relaço ao &omem ou ' mul&er elevados ' condiço de c&efe
político. Se &ouver uma diferença na fantasia segundo essa pessoa se0a um &omem ou uma mul&er, no &aver)
como ignor)>la ou desprez)>la so% o prete$to de tratar>se de uma mera fantasiaT.
3o tra%al&o psicanalítico e atividades afins, constata>se que todos os indivíduos F&omens e mul&eresH guardam
um temor oculto da mul&er Em alguns indivíduos, este medo atinge maiores proporç1es do que em outros6 pode>
se, porém, afirmar tratar>se de um fen\meno universal. Esse temor difere muito do medo que um indivíduo pode
ter de uma mul&er em particular. Esse medo da mul&er é um poderoso agente conformador da estrutura da
sociedade, e é respons)vel pelo fato de pouquíssimas sociedades
N-o A a1ui o lugar de discutir este t/pico em detal$e, mas uma aordagem
aordagem gradual permitir uma mel$or
compreens-o da idAia:

FiH -edo dos pais na primeiríssima infância.


FiiH -edo de uma figura mista, uma mul&er dotada de poderes masculinos F%ru$aH.
FiiiH -edo da me que, no início da e$istência do indivíduo, teve em suas mos o poder de proporcionar, ou no,
tudo o que &avia de essencial para o primeiro esta%elecimento do self individual.
Osso é discutido em nível mais profundo em 7&e -ot&erJs ontri %ution to Societ+T, p#s>escrito a 7&e &ild and
t&e =amil+, de Q. 9. 9iunicott F<ondres2 7avistoc: /u%lications, ?@AKH6 e na Ontroduço a 7&e &ild, t&e =ainil+
and t&e "utside 9orld, de Q. 9. 9innicott F5ar monds4ort&2 /enguin 8oo:s, ?@DGH.

investirem uma mul&er do controle político. W respons)vel tam%ém por toda a crueldade dirigida )s mul&eres
presente nos costumes aceitos por quase todas as civilizaç1es.
! raiz desse temor ' mul&er é con&ecida. Relaciona>se com o fato de, no início da &ist#ria de cada indivíduo que
se desenvolve %em e é so, estar implícita a participaço de uma mul&er Y a mul&er que se dedicou ao indivíduo
quando %e%ê, e cu0a devoço foi a%solutamente essencial ao desenvolvimento sadio desse indivíduo. Essa
dependência srcinal desaparece da mem#ria e, por isso, essa dívida no é recon&ecida6 na verdade, o temor '
mul&er representa o primeiro est)gio desse recon&ecimento.
!s fundaç1es da saúde mental de cada individuo so lança das no início de sua vida, quando a me encontra>se
simplesmente devotada a seu %e%ê e este ac&a>se num estado de dupla dependência por no ter sequer
consciência de sua dependência. *) com o pai no se esta%elece nen&uma relaço dotada dessa mesma qualidade,
de modo que um &omem colocado ' testa da organizaço política pode ser compreendido pelo grupo com muito
mais o%0etividade do que o poderia uma mul&er situada na mesma posiço.
!s mul&eres afirmam com freqMência que, fossem elas as respons)veis pela conduço dos neg#cios políti cos, as
guerras cessariam de e$istir. 5) muitos motivos para duvidar da veracidade dessa afirmaço, mas, mesmo se ela
se 0ustificasse, no adviria daí, como decorrência natural, que &omens e mul&eres passariam a tolerar a presença
de uma mul&er nos postos mais altos da &ierarquia política. F! oroa, situando>se fora, ou além, da esfera
política, no é tocada por essas consideraç1es.H
/odemos, ' margem dessas consideraç1es mais gerais, deter> nos um pouco so%re a psicologia do ditador, que se
situa no p#lo oposto a tudo o que pode significar a palavra democracia. W possível que uma das raízes da
necessidade de ser um ditador se0a uma compulso de lidar com esse temor ' mul&er a%arcando>a e agindo em
seu lugar. W possível que %rote dessa fonte o curioso &)%ito que os ditadores têm de e$igir dos súditos no s# a
o%ediência e a dependência a%solutas, mas tam%ém o amorT.
!lém disso, a tendênci a que os agrupamentos &umanos têm de aceitar ou mesmo requisitar a dominaço de fato
pode derivar de um temor ' dominaço por uma mul&er fantasiada. Esse temor leva os grupos a procurarem a
dominaço por parte de um ser &umano con&ecido, especialmente se este toma so%re si a carga de personificar e,
portanto, limitar as qualidades m)gicas da mul&er onipotente que reside na fantasia, e que é credora de to grande
dívida. " ditador pode ser derru%ado, e em todo caso um dia morrer)6 mas a figura feminina da fantasia
inconsciente primordial é dotada de e$istência e poder ilimitados.
A RELAO ENTRE PAIS E FIL?OS
! estrutura democr)tica deve garantir tam%ém um certo grau de esta%ilidade para os lideres eleitos6 enquanto
conseguirem dar continuidade a seu tra%al&o sem alienar o apoio de seus eleitores, permanecero no cargo. /or
esse meio, o povo garante uma esta%ilidade que 0amais conseguiria manter se decidisse pelo voto direto todas as

quest1es de governo Fsupondo que isso fosse possívelH. ! consideraço psicol#gica relacionada a esse fato é que,
na &ist#ria de cada indivíduo, esteve presente a relaço pai>fil&o. Em%ora presuma>se que, na vida política
democr)tica, os eleitores se0am seres &umanos maduros, no se pode ignorar a e$istência de um vestígio da
relaço entre pais e fil&os, o que, de resto, possui vantagens %astante #%vias. 3a eleiço democr)tica, o que
ocorre em certa medida é que o povo elege pais tempor)rios, o que significa que recon&ecem o fato de que, de
certo modo, eles ainda permanecem crianças. -esmo os pais tempor)rios eleitos, os líderes do governo
democr)tico, so tam%ém crianças fora de seu tra%al&o político profissional. Se, ao dirigirem seu carro, e$ cedem
o limite de velocidade, sofrem as censuras 0udici)rias comuns, pois dirigir carros no pertence ' sua funço de
liderança política. !penas enquanto líderes políticos so pais tempor)rios, e, se perdem uma eleiço, tornam a ser
crianças. W como se fosse conveniente %rincar de papais e fil&in&os, porque isso facilita as
coisas. Em outras palavras2 por &aver vantagens na relaço entre pais e fil&os, parte dela é mantida6 mas, para que
isso se0a possível, é necess)rio que uma proporço suficiente de indivíduos se0a crescida o %astante para no se
importar de assumir o papel de crianças.
Qo mesmo modo, parece ser conveniente que os indivíduos que fazem papel de pais ten&am tam%ém seus
pr#prios pais. W opinio geral que deva &aver uma segunda câmara de representantes aos quais os governantes
eleitos diretamente pelo povo de vem reportar>se. 3este país, essa funço é e$ercida pela âmara dos <ordes,
composta em parte por indivíduos portadores de títulos &eredit)rios e em parte por aqueles que adquiriram
preeminência tra%al&ando em v)rios ramos para o %em pú%lico. -ais uma vez, os paisT dos paisT so pessoas
capazes de dar contri%uiç1es positivas enquanto seres &umanos. !lém disso, dedicar amor, #dio, respeito ou
desprezo a pessoas é algo que faz sentido. 3a avaliaço de uma sociedade em termos de sua maturidade
emocional, nada su%stitui aquele ou aqueles seres &umanos que ocupam a mais alta funço.
<evando adiante este e$ame do conte$to social %ritânico, constatamos que os lordes so crianças em relaço '
oroa. !qui temos novamente uma pessoa que mantém sua posiço por &ereditariedade e tam%ém por conservar
o amor do povo por meio de sua personalidade e suas aç1es. W %astante proveitoso quando o monarca reinante d)
um passo a mais neste assunto, proclamando sua crença em Qeus. &egamos assim ao duplo tema do Qeus

-ortal e do -onarca Eterno.


O LIMITE GEOGRÁFICO DE UMA DEMOCRACIA
/ara que uma sociedade se configure como uma democracia, ou se0a, atin0a um estado de maturidade, parece ser
necess)rio que ela ten&a um limite geogr)fico natural. -uito claramente, no decorrer da &ist#ria e até mesmo nos
dias de &o0e, o fato de a (r>8retan&a ser uma il&a Fe$ceto em sua fronteira com a OrlandaH é um dos fatores que
mais têm contri%uído para a maturidade de nossa estrutura social. ! Suíça é limitada por montan&as Fo que é
menos satisfat#rioH. "s Estados Lnidos tiveram, até &) pouco, a vantagem de uma fronteira oeste que parecia
a%er ta ' e$ploraço ilimitada6 isso significa que esse país, muito em %ora unido por laços positivos, s# veio
recentemente a defrontar>se com todas as lutas internas típicas de uma comunidade fec&ada, unida apesar do
#dio, e no apenas devido ao amor.
Lm Estado sem fronteiras naturais no pode dei$ar de lado em momento algum o processo de adaptar>se
ativamente aos Estados vizin&os. Qe certo modo, o medo simplifica a situaço emocional2 muitos dos 
indeterminados e alguns dos N anti>sociais menos pertur%ados tornam>se capazes de identificar>se com o Estado
num processo de reaço coesiva a uma ameaça persecut#ria e$terna. -as essa simplificaço ocorre em
detrimento do desenvolvimento em direço ' maturidade, que é um processo muito difícil, envolvendo o pleno
recon&ecimento do conflito essencial e a renúncia ao uso de quaisquer su%terfúgios ou desvios FdefesasH.
Qe qualquer modo, a %ase de qualquer sociedade é a personalidade &umana, que possui sempre um limite. "
diagrama de um indivíduo sadio é um círculo FesferaH6 tudo o que é no>self pode ser descrito como encontrando>
se no interior ou no e$terior dessa esfera. W impossível que as pessoas realizem na sociedade o que no so
capazes de realizar em seu pr#prio desenvolvimento pessoal.
/or esses motivos, encaramos com suspeita e$press1es tais como a cidadania mundialT6 é prov)vel que se0am
pouquíssimos os indivíduos, &omens e mul&eres, que atin0am em seu pr# prio desenvolvimento um grau que l&es
permita pensar em termos to amplos.
Se nossa sociedade compreendesse o mundo inteiro, ela te ria necessariamente de passar por fases de depresso
Fassim co mo uma pessoaH, conservando a todo momento uma consciência plena de seu conflito interno. "
conceito de uma sociedade glo%al no traz consigo apenas a idéia da felicidade mundial6 com porta tam%ém a
possi%ilidade de um suicídio do mundo. /or isso, deduzimos que os protagonistas militantes da causa do Estado
-undial se0am indivíduos agindo so% a compulso maníaca de uma psicose maníaco>depressiva.
O APRENDI/ADO DO FA/ER DEMOCRÁTICO
! tendência democr)tica e$istente pode ser reforçada por um estudo da psicologia da maturidade social e
individual. "s resultados de um tal estudo devem ser divulgados em linguagem compreensível para todas as
democracias e$istentes e para os indivíduos sadios de todo lugar, para que estes possam adquirir uma
autoconsciência inteligente. Se no forem autoconscientes no sa%ero o que atacar e o que defender, e tampouco

recon&ecero as ameaças ' democracia que inevitavelmente surgiro. " preço da li%erdade é a eterna
vigilânciaT6 a quem ca%e e$ercer essa vigilânciaV Y a dois ou três dentre os ? Y FN >?>  j UH por cento de
indivíduos maduros. "s demais estaro ocupados cuidando de seus lares e repassando a seus fil&os a tarefa de
crescer e fazer crescer.
A DEMOCRACIA EM TEMPOS DE GUERRA
W necess)rio que se faça esta pergunta2 é possível que &a0a uma democracia em tempos de guerraV ! resposta no
é to simples como poderia parecer. 3a verdade, &) muitas raz1es que nos autorizam a pensar que, na guerra,
deva ser decretada uma sus penso tempor)ria do estado democr)tico.

W certo que os indivíduos saud)veis e maduros que comp1em coletivamente uma democracia devem ser capazes
de entrar em guerra, a fim de2 FiH conquista r espaço para poder crescer6 FiiH de fender os valores 0) conquista dos,
etc.6 e FiiiH lutar contra tendências antidemocr)ticas, suposto que &a0a pessoas dispostas a defender tais tendências
lutando.
3o o%stante, é prov)vel que as coisas quase nunca se ten&am desenrolado desse modo. Qe acordo com a
descriço que demos acima, a comunidade nunca é composta apenas de indivíduos maduros e saud)veis.
Xuando a guerra se avizin&a &) um rearran0o de grupos, de for ma que durante a luta no se0am apenas os
indivíduos sadios que peguem em armas. E$aminados, um a um, nossos quatro grupos2
FaH -uitos dos anti>sociais, %em como os indivíduos levemente paran#icos, sentem>se mel&or com a c&egada da
guerra, e do %oas>vindas ' ameaça real de perseguiço. ! luta ativa l&es permite encontrar uma tendência pr#>
sociedade.
F%H Qentre os indeterminados, muitos seguem a leva geral, valendo>se tal vez da amarga realidade da guerra para
crescerem como pessoas a um nível que, de outro modo, no seriam capazes de atingir.
FcH Qentre os anti>sociais ocultos, é prov)vel que alguns ten&am oportunidade de satisfazer sua ânsia de
dominaço ocupando as v)rias posiç1es de comando que a guerra cria.
FdH "s indivíduos maduros e saud)veis no aparecem, necessariamente, tanto quanto os outros. 3o têm tanta
certeza de que o inimigo se0a mau. 7êm dúvidas. 7êm mais fé na cultura do mundo, na %eleza e na amizade, e
no conseguem convencer>se facilmente de que a guerra é necess)ria. Em comparaço com os quase>paran#icos,
so lentos em apan&ar as armas e pu$ar o gatil&o. &egam até a perder o trem que os levar) ' lin&a de frente6
c&egando l), porém, so eles os soldados mais confi)veis e capazes de adaptar>se 's adversidades.
!lém disso, alguns dos indivíduos saud)veis em tempo de paz tornam>se anti>sociais quando da guerra
Fopositores de consciênciaH, no por covardia, mas por genuína dúvida pessoal6 do mesmo modo, os anti>sociais
do tempo de paz enc&em>se de coragem quando da guerra.
Xuando uma sociedade democr)tica entra em guerra, por tanto, por estas e outras raz1es, é o grupo inteiro que vai
' luta6 seria muito difícil identificar um caso de guerra conduzida pelos mesmos indivíduos que, na paz,
constituem o fator democr)tico inato da comunidade.
W possível que, quando uma guerra pertur%a uma democracia, a mel&or coisa a fazer se0a declarar nesse momento
o fim da democracia6 os indivíduos que apreciam esse modo de vida, ap#s o final do conflito e$terno, tero de
recomeçar sua luta no interior do grupo pelo resta%elecimento da estrutura democr)tica.
Este é um tema amplo, que pede pela consideraço de indivíduos de mente igualmente ampla.
SUMÁRIO

?. " uso da palavra democracia pode ser estudado psicologicamente com %ase na idéia de maturidade, implícita
no termo.
C. 3em a democracia nem a maturidade podem ser implantadas em uma sociedade.
I. ! democracia é uma conquista de uma determinada sociedade num determinado momento do tempo.
G. " fator democr)tico inato de uma comunidade deriva do funcionamento do lar %om e normal.
A. ! mel&or atitude que se pode tomar para promover a tendência democr)tica tem car)ter negativo2 evitar a
interferência no lar %om e normal. " estudo da psicologia e da educaço, a partir de %ases 0) con&ecidas, constitui
um esteio adicional.

D. ! devoço que a me %oa e normal dedica a seu %e%ê é fato dotado de especial significaço6 a capacidade de
atingir a maturidade emocional é resultado dessa mesma devoço. ! interferência massiva nesse ponto, por parte
de uma sociedade, faria diminuir r)pida e decisivamente o potencial democr)ti co dessa sociedade, e certamente
minoraria a riqueza de sua cultura.

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