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Maslow, McGregor e Herzberg – Teorias Motivação

Posted by cristianccss on março 27, 2008 · 22 Comentários

Maslow

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Pirâmide de Maslow

A hierarquia de necessidades de Maslow, é uma divisão hierárquica proposta por


Abraham Maslow, em que as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas
antes das necessidades de nível mais alto. Cada um tem de “escalar” uma hierarquia de
necessidades para atingir a sua auto-realização.
Maslow define um conjunto de cinco necessidades:

• necessidades fisiológicas (básicas), tais como a fome, a sede, o sono, o sexo, a


excreção, o abrigo;
• necessidades de segurança, que vão da simples necessidade de sentir-se seguro
dentro de uma casa a formas mais elaboradas de segurança como um emprego
estável, um plano de saúde ou um seguro de vida;
• necessidades sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos tais como os de
pertencer a um grupo ou fazer parte de um clube;
• necessidades de estima, que passam por duas vertentes, o reconhecimento das
nossas capacidades pessoais e o reconhecimento dos outros face à nossa
capacidade de adequação às funções que desempenhamos;
• necessidades de auto-realização, em que o indivíduo procura tornar-se aquilo
que ele pode ser: “What humans can be, they must be: they must be true to their
own nature!”.

É neste último patamar da pirâmide que Maslow considera que a pessoa tem que ser
coerente com aquilo que é na realidade “… temos de ser tudo o que somos capazes de
ser, desenvolver os nossos potenciais”.

Entretanto existem várias criticas a sua teoria, a principal delas é que é possivel uma
pessoa estar auto-realizada, contudo não conseguir uma total satisfação de suas
necessidade fisiológicas.
Necessidades Fisiológicas: São relacionadas às necessidades do organismo, e são a
principal prioridade do ser humano. Entre elas estão respirar e se alimentar. Sem estas
necessidades supridas, as pessoas sentirão dor e desconforto e ficarão doentes.

Necessidades de Segurança: Envolve a estabilidade básica que o ser humano deseja


ter. Por exemplo, segurança física (contra a violência), segurança de recursos
financeiros, segurança da família e de saúde.

Necessidades Sociais: Com as duas primeiras categorias supridas, passa-se a ter


necessidades relacionadas à atividade social, como amizades, aceitação social, suporte
familiar e amor.

Necessidades de Status e Estima: Todos gostam de ser respeitados e bem vistos. Este é
o passo seguinte na hierarquia de necessidades: ser reconhecido como uma pessoa
competente e respeitada. Em alguns casos leva a exageros como arrogância e complexo
de superioridade.

Necessidade de Auto Realização: É uma necessidade instintiva do ser humano. Todos


gostam de sentir que estão fazendo o melhor com suas habilidades e superando desafios.
As pessoas neste nível de necessidades gostam de resolver problemas, possuem um
senso de moralidade e gostam de ajudar aos outros. Suprir esta necessidade equivale a
atingir o mais alto potencial da pessoa.

O líder que conhece bem sua equipe saberá identificar quais são as necessidades de cada
um e poderá aplicar os meios de motivação adequados. Por exemplo, se uma pessoa está
passando por grandes dificuldades financeiras e a estabilidade de sua família está em
risco, não adianta tentar motivá-lo dizendo que seu caso de sucesso será publicado no
jornal da empresa.

Da mesma forma, um profissional que está no auge de sua carreira e em alta evidência
na organização não se entusiasmará muito com a idéia de uma pequena mudança em seu
plano de saúde que envolva alguns benefícios adicionais.

O gerente de projeto tem a responsabilidade de fazer um planejamento adequado dos


recursos humanos no projeto. Isto envolve desde identificar os que podem trazer os
melhores resultados para o projeto, conhecer a realidade de cada um e encontrar as
formas corretas de motivá-los para a obtenção de resultados.

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OS NOSSOS DESEJOS
“Um músico deve compor,
um artista deve pintar,
um poeta deve escrever,
caso pretendam deixar seu coração em paz.
O que um homem pode ser, ele deve ser.
A essa necessidade podemos dar o nome de
auto-realização.”
Abraham Harold Maslow (1908 – 1970)

É comum ouvirmos que o marketing cria desejos e necessidades nas pessoas.


Mas isso será uma verdade, ou pelo menos isso teria um fundo de verdade?

Eu vou fazer uma abordagem do assunto via a hierarquia das necessidades de


Maslow. Portanto, hoje, o artigo é sobre as nossas necessidades e desejos.

A semana que vem o assunto será sobre a possibilidade da criação de


necessidades e desejos pelo marketing.

Maslow construiu uma teoria na qual as necessidades humanas podem ser


hierarquizadas, mostrando inclusive, com essa hierarquia, no que somos
diferentes dos animais, que não teriam uma hierarquia com tantos níveis como
nós, os humanos.

Segundo a Teoria de Maslow, as necessidades humanas podem ser agrupadas


em cinco níveis:

1. Necessidades fisiológicas
Estas são as necessidades mais básicas, mais físicas (água, comida, ar, sexo,
etc.). Quando não temos estas necessidades satisfeitas ficamos mal, com
desconforto, irritação, medo, doentes. Estes sentimentos e emoções nos
conduzem à ação na tentativa de diminuí-las ou aliviá-las rapidamente para
estabelecer o nosso equilíbrio interno. Uma vez satisfeitas estas necessidades
nós abandonamos estas preocupações e passamos a nos preocupar com outras
coisas.

2. Necessidades de segurança
No mundo conturbado em que vivemos procuramos fugir dos perigos, buscamos
por abrigo, segurança, proteção, estabilidade e continuidade. A busca da religião,
de uma crença deve ser colocada neste nível da hierarquia.

3. Necessidades sociais
O ser humano precisa amar e pertencer. O ser humano tem a necessidade de ser
amado, querido por outros, de ser aceito por outros. Nós queremos nos sentir
necessários a outras pessoas ou grupos de pessoas. Esse agrupamento de
pessoas pode ser a antiga tribo, ou a tribo (grupo) atual, no seu local de
trabalho, na sua igreja, na sua família, no seu clube ou na sua torcida. Todos
estes agrupamentos fazem com que tenhamos a sensação de pertencer a um
grupo, ou a uma “tribo”. Política, religião e torcida são as tribos modernas.

4. Necessidades de “status” ou de estima


O ser humano busca ser competente, alcançar objetivos, obter aprovação e
ganhar reconhecimento. Há dois tipos de estima: a auto-estima e a hetero-
estima. A auto-estima é derivada da proficiência e competência em ser a pessoa
que se é, é gostar de si, é acreditar em si e dar valor a si próprio. Já a hetero-
estima é o reconhecimento e a atenção que se recebe das outras pessoas.

5. Necessidade de auto-realização
O ser humano busca a sua realização como pessoa, a demonstração prática da
realização permitida e alavancada pelo seu potencial único. O ser humano pode
buscar conhecimento, experiências estéticas e metafísicas, ou mesmo a busca de
Deus.

Abaixo apresentamos a representação gráfica da Hierarquia das necessidades de


Maslow:

Uma pergunta resta sem resposta:

Acima das necessidades de auto-realização há ainda as necessidades espirituais?

Podemos ainda afirmar dentro da teoria de Maslow que:

a. As necessidades fisiológicas, as necessidades de segurança e algumas das


necessidades sociais são fatores de desmotivação. A Teoria de Maslow diz que a
satisfação destas necessidades é básica; já a ausência da satisfação destas
necessidades não motiva ninguém, pelo contrário, desmotiva.b. As necessidades
sociais, as necessidades de “status” e de estima e as necessidades de auto-
realização são fortes fatores motivacionais, ou seja, na ausência dessas
necessidades satisfeitas as pessoas batalham para tê-las satisfeitas, motiva as
pessoas a alcançar a satisfação destas necessidades.
As necessidades básicas, as listadas no item “a”, são chamadas de fatores
higiênicos, já as listadas no item “b” de fatores motivacionais.Este conjunto
hierárquico de necessidades é também conhecido pelo nome de pirâmide de
Maslow, ou ainda pirâmide das necessidades de Maslow, sendo essa pirâmide
dividida em 5 partes, paralelamente à sua base. A necessidade fisiológica fica
localizada na base e a necessidade de auto-realização no cume desta pirâmide.

Um detalhe muito importante da Teoria de Maslow é que ela diz que a pessoa
tem que ter a sua necessidade do nível inferior satisfeita, ou quase integralmente
satisfeita, para sentir a necessidade do nível superior. Ou seja: a pessoa que não
tem suas necessidades de segurança satisfeitas não sente ainda necessidades
sociais. E assim por diante.

Nas palavras do próprio Maslow:

“… à medida que os aspectos básicos que formam a qualidade de vida


são preenchidos, podem deslocar seu desejo para aspirações cada vez
mais elevadas.“

Uma conseqüência desse fato, para a administração de pessoas, é que uma


pessoa com necessidades prementes de segurança, por exemplo, não é motivada
pela possibilidade de satisfação de suas necessidades de “status” ou estima.

Mas, o que isto tem a ver com o marketing?

Já para o marketing, uma aplicação é que não adianta querer vender canetas de
luxo ou automóveis para pessoas que estão tentando satisfazer suas
necessidades de segurança, ou seja, a hierarquia das necessidades de Maslow
entrega, pronta, uma segmentação psicológica baseada nas necessidades e
desejos das pessoas.

O que não é pouco, não é mesmo?

Outro exemplo dessa possível aplicação em marketing: não adianta tentar


vender produtos orgânicos – só com adubação natural – para um segmento que
está com fome. Esta necessidade de produtos orgânicos está no topo das
necessidades de segurança.

E para a sua empresa, você vê aplicações na sua administração que possam


utilizar a hierarquia das necessidades de Maslow?

E no marketing da sua empresa?

Os serviços que sua empresa fornece estão adequados ao segmento, sob o


enfoque da hierarquia das necessidades de Maslow?

E as suas necessidades e os seus desejos, onde estão situados na pirâmide de


Maslow?

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Maslow não conheceu a sociedade de consumo e isso faz toda a


diferença

Por Paulo Vieira de Castro – Consultor de Empresas. Director do Centro de Estudos


Aplicados em Marketing, Instituto Superior de Administração e Gestão (Porto –
Portugal).

Quando Maslow pensou a sua teoria não lhe foi possível imaginar o cerceado crivo da
sociedade de consumo. E isso poderá mudar tudo? Talvez o moderno comportamento
de consumo obrigue a uma reflexão em torno da hipótese de uma nova hierarquia de
necessidades humanas. Certo é que muitas das que são de ordem
psicológica/emocional se assumem cada vez mais, na actualidade, como necessidades
básicas para os mais consumistas.

Na segunda metade dos anos 50, Maslow assumiu que as necessidades humanas estão
organizadas numa hierarquia de importância, representada graficamente na forma duma
pirâmide, cuja base é preenchida pelas necessidades fisiológicas e de sobrevivência e o
topo por necessidades de status e auto-realização.

Evidencia-se deste modo a crença segundo a qual se poderá reduzir o Homem a leis
meramente racionais, quando pensamos no concretizar das suas próprias necessidades,
defendendo ainda este importante autor que poucos ou nenhuns procurarão o
reconhecimento pessoal, ou o status, se as suas necessidades básicas não estiverem
satisfeitas. Mas, será que a tão famosa pirâmide das necessidades de Maslow continuará
actual num futuro próximo?

Todos somos consumidores e não teria sido necessário aguardar a confirmação das
neurociências (neuromarketing) para imaginar um ser humano que, no que às decisões
de consumo diz respeito, usa na actualidade de um questionável nível de razoabilidade.

A cultura de consumo suportada por diligentes empresas de comunicação e meios, ainda


de PNL, de entre outras, contribui para o atingir a mente dos consumidores através de
programação dedicada ao subconsciente. É claro que qualquer necessidade continua a
ser traduzida por um processo primário, configurado em torno da tenção fisiológica e
psicológica, entre a satisfação e a frustração. O que poderá ser questionado actualmente
é a capacidade do Homem fantasiar em torno deste mesmo processo.

Mas o que é que mudou? Desde logo, o entronizar da ilusão do poder pelo consumo, ou
seja o consumo transformou-se no mais importante ideal de afirmação social, económico,
status, etc. A este propósito salientamos ainda o facto da identidade social do indivíduo,
agora massificado, já não o remeter, como outrora, para a família de referência ou para
a função (profissão) desempenhada, mas, cada vez mais, para o seu estilo de consumo.

Numa sociedade onde tudo parece ser acto de consumo, coloca-se a possibilidade de
assistimos a mudanças no ciclo motivacional, esbatendo-se o controlo sobre os impulsos
oniomaniacos, contribuindo largamente para isso a desenfreada oferta de crédito ao
consumo e a comunicação empresarial. Tal situação poderá representar a fragmentação
da teoria da motivação de Maslow, já que perante um mundo crescentemente reduzido
às relações de consumo e aos seus atributos de status, o Homem se vê agora submetido
a uma exaltada e inevitável influência psicológica / íntima, suportada por modernas
técnicas de persuasão. Afinal, se tudo mudou, porque não se adaptaria o Homem a esse
novo mundo, quando pensamos na forma de lidar com as suas necessidades?

Ao aceitarmos que a motivação se encontra no intervalo entre o estado real e o desejado,


ou seja entre as forças e os conflitos, os estados psicológicos e os desejos apreendidos,
onde o ser humano titubeia face ao impulso biológico e à estimulação social, então
como entender a mudança de que falamos? Para além do poder pelo consumo, existem
três tópicos centrais a este respeito: por um lado a Neofilia, ou seja, o efeito
encantatório provocado pela novidade (inovação como pressão no mercado); por outro,
a Oniomania, palavra grega que significa a febre das compras e por fim a explosão do
crédito ao consumo.
Se a estes juntarmos o facto de estarmos constantemente expostos a uma comunicação
empresarial (promoções, publicidade, telemarketing, directmail,etc.) cada vez mais
agressiva, então poderemos entender a razão pela qual o ciclo motivacional de Maslow
poderá vir a sofrer alterações profundas. Para tudo isto muito terá contribuído o ideal
neoliberal ao assombrar-nos com a concepção que o mundo vai por si mesmo.

O mercado torna-se, deste modo, uma entidade não controlável, afectando


irremediavelmente o comportamento do Homem moderno, transformando-se a exaltação
do consumo de tal modo presente no individuo que a Organização Mundial da Saúde se vê
forçada a atribuir à Oniomania a referência IM-10 da classificação internacional das
doenças, sendo-lhe, ainda, atribuída a menção DSM-IV na Statistical Manual of Mental
Disorder.

Mas poderá esta mudança comportamental radicar-se, unicamente, no facto das


necessidades fisiológicas referidas por Maslow estarem agora naturalmente asseguradas
na sociedade da abundância e, talvez por isso, todos os indivíduos serem motivados
pelas necessidades anímicas? Quantos de nós poderão ter isso como certo? Talvez seja
demasiado cedo para darmos uma resposta cabal em relação a tudo isto. Contudo, exige-
se que se reflicta a propósito da influência da sociedade de consumo no que diz respeito
à provável desconstrução das teorias motivacionais clássicas.

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Frederick Herzberg (Lynn, Massachusetts, EUA, 18 de Abril1923 – 19 de Janeiro de


2000, Salt Lake City, Utah) foi o autor da “Teoria dos Dois Fatores” que aborda a
situação de motivação e satisfação das pessoas. de

Nesta teoria Herzberg afirmava que:

• A satisfação no cargo é função do conteúdo ou atividades desafiadoras e


estimulantes do cargo, são os chamados “fatores motivadores”;
• A insatisfação no cargo é função do ambiente, da supervisão, dos colegas e do
contexto geral do cargo, enriquecimento do cargo (ampliar as responsabilidades)
são os chamados “fatores higiênicos”.

Herzberg, verificou e evidenciou através de muitos estudos práticos a presença de que


dois fatores distintos devem ser considerados na satisfação do cargo; são eles: os
Fatores Higiênicos e os Motivacionais.
Fatores Higiênicos

Estes fatores são aqueles que referem-se às condições que rodeiam o funcionário
enquanto trabalha, englobando as condições físicas e ambientais de trabalho, o salário,
os benefícios sociais, as políticas da empresa, o tipo de supervisão recebido, o clima de
relações entre a direção e os funcionários, os regulamentos internos, as oportunidades
existentes etc. Correspondem à perspectiva ambiental. Constituem os fatores
tradicionalmente utilizados pelas organizações para se obter motivação dos
funcionários. Herzberg, contudo, considera esses fatores higiênicos muitos limitados na
sua capacidade de influenciar poderosamente o comportamento dos empregados. Este,
escolheu a expressão “higiene” exatamente para refletir o seu caráter preventivo e
profilático e para mostrar que se destinam simplesmente a evitar fontes de insatisfação
do meio ambiente ou ameaças potenciais ao seu equilíbrio. Quando esses fatores são
ótimos, simplesmente evitam a insatisfação, uma vez que sua influência sobre o
comportamento, não consegue elevar substancial e duradouramente a satisfação. Porém,
quando são precários, provocam insatisfação.
Fatores Motivacionais

Estes fatores são aqueles que se referem ao conteúdo do cargo, às tarefas e aos deveres
relacionados com o cargo em si. São os fatores motivacionais que produzem algum
efeito duradouro de satisfação e de aumento de produtividade em níveis de excelência,
isto é, acima dos níveis normais. O termo motivação, para Herzberg, envolve
sentimentos de realização, de crescimento e de reconhecimento profissional,
manifestados por meio do exercício das tarefas e atividades que oferecem um suficiente
desafio e significado para o trabalhador. Quando os fatores motivacionais são ótimos,
elevam substancialmente a satisfação; quando são precários, provocam ausência de
satisfação.
Em suma, a teoria dos dois fatores sobre a satisfação no cargo afirma que:

• a satisfação no cargo, é a função do conteúdo ou atividades desafiadoras e


estimulantes do cargo: são os chamados Fatores Motivacionais;

• a satisfação no cargo é função do ambiente, da supervisão, dos colegas e do


contexto geral do cargo: são os chamados Fatores Higiênicos.

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A Teoria de Mc Gregor (X e Y)

Por Daniel Portillo Serrano

A teoria de Mc Gregor é na verdade um conjunto de dois extremos opostos de


suposições. Estes conjuntos foram denominados “X” e “Y”. Por esse motivo, também é
conhecida pelo nome de “Teoria X e Teoria Y”.
Para Mc Gregor, se aceitarmos a teoria “X”, e nos comportarmos de acordo com ela, as
pessoas se mostrarão preguiçosas e desmotivadas. Já se aceitarmos a teoria “Y”, as
pessoas com quem interagimos se mostrarão motivadas.
As duas teorias conforme John R. Maher:
TEORIA X
o homem médio não gosta do trabalho e o evita;
ele precisa ser forçado, controlado e dirigido;
o homem prefere ser dirigido e tem pouca ambição;
ele busca apenas a segurança.

TEORIA Y
o dispêndio de esforço no trabalho é algo natural;
o controle externo e a ameaça não são meios adequados de se obter trabalho;
o homem exercerá autocontrole e auto-direção, se suas necessidades forem satisfeitas;
a pessoa média busca a responsabilidade;
o empregado exercerá e usará sua engenhosidade, quando lhe permitirem auto-direção e
autocontrole
http://www.portaldomarketing.com.br/

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Motivação Humana e as Organizações: Uma Abordagem


Fenomenológico-Existencial
Psicóloga Bianca Alves

Resumo

O presente artigo discute o uso das teorias da motivação pelos


teóricos da administração e pretende demonstrar que o reducionismo
a que estes sujeitam o homem e a motivação tem como base o
fundamento epistemológico mesmo da ciência tradicional e a adoção
da concepção da natureza humana como sendo socialmente
determinada. O artigo está estruturado da seguinte maneira: breve
evolução do pensamento ocidental; exposição das condições em que
nasceu a Teoria da Administração e como esta tem tratado os
aspectos humanos das organizações; revisão das principais teorias da
motivação; apresentação da abordagem Fenomenológico-Existencial
e suas concepções sobre autenticidade e motivação; e conclusão,
onde sistematizamos nossos argumentos de como, ao longo da
história da civilização ocidental, o homem tem sido esquecido em
favor da ciência, da técnica, da sociedade e das organizações formais.

1. Introdução:

O presente artigo discute o uso das teorias da motivação pelos


teóricos da administração e pretende demonstrar que o reducionismo
a que estes sujeitam o homem e a motivação humana tem como
base o fundamento epistemológico mesmo da ciência tradicional e a
adoção da concepção da natureza humana como sendo socialmente
determinada. Para tanto no primeiro item é apresentado uma breve
evolução do pensamento ocidental; segue-se a exposição das
condições em que nasceu a Teoria da Administração e como esta tem
tratado os aspectos humanos das organizações; no item 4 são
revisadas as teorias da motivação mais comumente utilizadas pelos
teóricos da administração.

Como alternativa à epistemologia tradicional ocidental é apresentada


no item 5 deste trabalho a abordagem Fenomenológico-Existencial.
Contra a concepção determinística da natureza humana, são
apresentados no item 6 os argumentos da Fenomenologia Existencial,
segundo os quais o homem tem por condição de existência a
necessária liberdade de construir a si próprio. Na conclusão
sistematizamos nossos argumentos de como, ao longo da história da
civilização ocidental, o homem tem sido esquecido em favor da
ciência, da técnica, da sociedade e das organizações formais.

2. Evolução do Pensamento Ocidental:

Nos primórdios do pensamento Ocidental, este mundo pensava sob a


forma de alegoria, que é a representação de uma idéia por meio de
imagens. Nesse sentido a alegoria pode ser considerada um
simbolismo concreto, onde seus personagens são percebidos mais
como a personificação de uma idéia do que como pessoas. Platão
demonstrou-se contrário a este modo de conhecer o mundo,
retomando a teoria de seu mestre Sócrates. Esta teoria se baseia na
idéia afirmando que ela é mais que o conhecimento verdadeiro, ela é
o ser mesmo, a realidade verdadeira, absoluta e eterna, existindo
fora e além de nós, cujos objetos visíveis são apenas reflexos. A
doutrina central de Platão é a distinção de dois mundos: o mundo
visível, sensível, ou mundo dos reflexos, e o mundo invisível,
inteligível, ou o mundo das idéias. Toda a sua doutrina pode ser
interpretada como uma crítica ao dado sensível, e como uma
exortação a transformá-lo, se inspirando nas idéias, cuja ação deve
reproduzir, o mais fielmente possível, a ordem perfeita no mundo do
futuro.

Discípulo de Platão na Academia, Aristóteles o critica dizendo que a


idéia não possui uma existência separada. Só os indivíduos seriam
reais, a idéia só existiria nos seres individuais. O primado é o da
experiência. Os caminhos do conhecimento são os da vida. Esse
pensamento teve grande influência durante um milênio e teve
fundamental importância no pensamento de São Tomás de Aquino,
que o “cristianiza”. Seu papel principal foi o de organizar as verdades
da religião e de harmonizá-los com a síntese filosófica de Aristóteles.
Ele demonstra que não há nenhum ponto de conflito entre fé e razão.
Para ele, o conhecimento é uma “adequação da inteligência com a
coisa”. Ele também afirmou que a felicidade do homem não se
encontra nos bens exteriores, nem nos bens do corpo, nem nos da
alma; só se encontra na contemplação da verdade.

Três séculos mais tarde Descartes tenta conciliar a nova ciência com
as verdades do cristianismo, e se fundamenta dizendo que toda
filosofia é como uma árvore cujas raízes são a metafísica e as
ciências os ramos. Argumentando que o bom senso ( razão) é o que
existe de mais bem repartido no mundo, pois todos consideram
possuir o suficiente, defende que jamais devemos admitir alguma
coisa como verdadeira a não ser que a conheçamos evidentemente
como tal. Para conhecer faz-se necessário a criação de um método
que garanta o conhecimento como verdadeiro, uma vez que nossos
sentidos podem mentir para nós. Descartes apresenta a proposição –
penso logo existo – como a primeira e mais certa que se apresenta
àquele que conduz seus pensamentos com ordem. Na verdade ele
fundamenta o que conhecemos hoje como método cartesiano. Este
método foi usado pela nascente ciência social, que se fundamenta,
inicialmente, pelo positivismo de Augusto Comte. Nesta perspectiva a
história teria três estados básicos: o teológico, o metafísico, e o
positivo. A característica essencial do estado positivo é ter atingido a
ciência, definindo-se pela verificação e a comprovação das leis que se
originam na experiência.

No final do século XVIII este processo já estava influenciando e sendo


influenciado por todas as áreas do conhecimento, e vários campos da
vida do ser humano se tornaram foco de conhecimento. Com todos
estes acontecimentos imbricados surgiu uma nova concepção de
trabalho, baseado no auxílio da máquina, que veio modificar
completamente a estrutura social e comercial da época, provocando
profundas e rápidas mudanças de ordem econômica, política e social
– a Revolução Industrial. Com a mecanização da indústria e da
agricultura, com o desenvolvimento fabril e uma grande aceleração
dos transportes e da comunicação, cresce o papel das organizações
na sociedade, abrindo a possibilidade de um novo foco de estudo, que
são as organizações.

Este novo campo nasce no princípio do século com a proposta de


melhorar o processo de trabalho, mantendo a tradição do Ocidente,
que se fundamenta no princípio da razão. O estudo da racionalização
do trabalho foi acompanhado de uma estruturação geral da empresa
e ao tornar possível e coerente sua aplicação, abre-se a possibilidade
de um embasamento mínimo para se estruturar um novo modelo que
vai ao encontro do pensamento reinante da época, pensamento este
que se vê dominado pela idéia de ação, resultado, hierarquia,
especialização, divisão do trabalho etc. As deficiências deste modelo
fazem com que se proponha um novo foco na teoria das organizações
que é o elemento humano, e se torna possível pensar um novo
modelo que se utilizou de conceitos transportados de outras ciências
como a sociologia, a antropologia e a psicologia. Este modelo se
baseia em crenças, valores, satisfação, realização,
autodesenvovimento, responsabilidade, comportamento e liderança.

3. A Teoria da Administração e o Homem

A teoria da administração surge, no início do século, como reflexo do


crescente papel que as organizações passam a ter na sociedade e na
vida dos homens. Vem responder à necessidade de se aprofundar e
sistematizar um conhecimento que, aplicado às organizações,
garantam sua sobrevivência, as adapte às transformações em seu
contexto e as torne mais eficazes. Para isto vai buscar nas outras
ciências sociais, como a sociologia, a economia, a antropologia e a
psicologia, conhecimentos acumulados acerca da sociedade, das
organizações e dos homens, transportando para seu âmbito teorias e
conceitos retirados destas ciências.

Nascida sob a égide da ciência e da técnica, a teoria da administração


adota seus meios e seus fins. Centrada nos métodos, sua maior
preocupação tem sido buscar os meios mais eficientes para se chegar
a um determinado fim, não se ocupando do questionamento e da
escolha dos fins mesmos.

Guerreiro Ramos (1981) acusa a teoria da administração, e as


ciências sociais de que são parte, de, ao não questionarem as
práticas e valores vigentes, servirem como um instrumento de
legitimação do status quo. E acusa os administradores, ao se
ocuparem apenas com o imediatismo dos resultados, de adotarem
uma posição ingênua e irrefletida.

A teoria da administração não pode negligenciar, e tem o dever de


explicitar, que suas diferentes escolas, prescrições e técnicas,
escondem por trás uma determinada concepção da natureza humana
e um ideal de sociedade, que pressupõe uma escolha ideológica
(Aguiar, 1992). Utilizar irrefletidamente suas técnicas, apenas como
meio, é contribuir para a construção de um determinado modelo de
sociedade sem o sabê-lo.

Outra crítica de Guerreiro Ramos à teoria administrativa é a


apropriação indevida que esta faz de conceitos de outras ciências
sociais. Longe das teorias que lhe deram origem esses conceitos têm
seu significado alterado, sendo muitas vezes utilizados de forma
contrária ao sentido da teoria como um todo.

A fim de legitimar suas práticas, é comum que a administração vá


buscar na ciência teorias que as fundamente. Utilizando o poder de
verdade atribuído à ciência, naturaliza opções ideológicas e culturais
que deixam assim de serem questionadas.

Neste sentido Guerreiro Ramos critica sobretudo a Escola de Relações


Humanas que, ao procurar diminuir o conflito entre o homem e a
organização, traz em si uma determinada concepção sobre a natureza
humana e uma opção por um modelo de sociedade, e utiliza conceitos
retirados da psicologia de forma leviana.

A Escola de Relações Humanas foi a primeira escola a se ocupar mais


sistematicamente dos aspectos humanos da organização, até então
negligenciados. Foi a primeira a dar ênfase à satisfação do
empregado, a se ocupar de suas questões afetivas e pessoais, a falar
de crescimento pessoal e motivação, abrindo um caminho trilhado até
hoje pelas principais escolas que se seguiram. Desde então a teoria
da administração e as grandes organizações têm realizado estudos e
procurado desenvolver técnicas a fim de fazer com que os interesses
pessoais dos homens coincidam, ou sejam compatíveis, com os
interesses das organizações.

A idéia básica que norteou a Escola de Relações Humanas, e todas as


outras que continuaram o trabalho iniciado por ela, é que se
conseguirmos um meio de fazer com que os interesses pessoais dos
homens coincidam com os das organizações, ganham todos, homens
e organizações. Aqueles, porque alcançarão realização profissional e
satisfação pessoal com a ajuda das organizações, estas porque
contarão com empregados motivados e engajados defendendo os
interesses delas. Mas os interesses pessoais dos envolvidos com uma
organização tendem a ser tantos quantos forem os homens e não
apenas diversos, como freqüentemente divergentes. Como então
atender a interesses tão diversificados e ao mesmo tempo garantir os
interesses das organizações? A saída buscada por muitos estudiosos
das organizações foi procurar uniformizar os interesses dos homens,
em nome da sociedade, das organizações e dos próprios homens.

É preciso aqui explicitar a concepção de natureza humana e o modelo


de sociedade que subjaz atrás desta crença. Segundo esta crença, o
homem é socialmente determinado, ou seja, suas características
pessoais, seus desejos e aspirações dependem sobretudo do meio
social. Assim o homem pode ser moldado pela sociedade e, em
conseqüência, pelas organizações. Esta concepção da natureza
humana aponta para um ideal de sociedade onde os homens, ao
invés de se constituírem de uma forma livre e desordenada em que
acabarão por ter interesses muitos diversos, terão sua constituição
regulada, adquirindo interesses similares e compatíveis, mais fáceis
assim de serem satisfeitos. Uma sociedade assim pressupõe que
poucos tenham o poder de decisão e regulem a vida dos outros, que
passam a ter interesses uniformizados. Estas concepções de natureza
humana e sociedade só deixam lugar para um tipo de organização,
aquela em que o poder de decisão e reflexão encontra-se
concentrado na mão dos dirigentes.

Estas concepções de natureza humana, sociedade e organizações,


aliadas ao primado da ciência e da técnica que se atribuem a força de
verdade, a tudo pretendendo responder, favorecem o processo de
massificação.

A sociedade ocidental contemporânea, que herdou da modernidade a


primazia da técnica, tem caminhado para um crescente processo de
massificação das sociedades e dos homens. Padrões de
comportamento são transmitidos e assimilados através das
instituições de ensino, das organizações formais e informações e
principalmente da mídia. É o que Guerreiro Ramos denominou de
política cognitiva, que “consiste no uso consciente ou inconsciente de
uma linguagem distorcida, cuja finalidade é levar as pessoas a
interpretarem a realidade em termos adequados aos interesses dos
agentes diretos e/ou indiretos de tal distorção” (1981: 87). Assim, as
pessoas passam a interpretar a realidade segundo determinados
valores, e mesmo a linguagem que desenvolvem favorece uma
determinada visão de mundo.

Determinadas ideologias, legitimadas pela ciência centrada no


método, são assimiladas pelas pessoas como se naturais fossem.
Desta forma a sociedade centrada no mercado difunde os valores do
consumo, massificando as pessoas, que bombardeadas diariamente
com uma política cognitiva uniformizante desenvolvem linguagens e
representações pobres, inadequadas para refletir e comunicar
questões profundas do ser humano e da sociedade, mantendo-se na
superficialidade.

Também o ambiente de trabalho, e especificamente o modelo


burocrático de gestão, baseado na hierarquia, no estabelecimento
sistemático de regras, na divisão de tarefas e papéis, favorece a
impessoalidade, a uniformização. A sociedade centrada no mercado
“não pode funcionar de maneira eficaz a menos que o desempenho
do indivíduo, como membro dos ambientes de trabalho, tenha caráter
impessoal” (Ramos, 1981: 98).

Tema central para as teorias que focam seu estudo nos aspectos
humanos da organização é a questão da motivação. Desde que a
Escola de Relações Humanas chamou a atenção para o fato de que
empregados desmotivados têm seu rendimento diminuído, um dos
principais desafios para os teóricos da administração tem sido o de
fazer com que os empregados se sintam motivados com suas tarefas.
Para tanto vão buscar nas teorias da motivação da psicologia o
conhecimento que necessitam para aplicar às organizações. No
próximo item abordaremos as teorias da motivação mais comumente
utilizadas pelos teóricos da administração.

4. Revisando as Teorias da Motivação

O estudo da motivação no trabalho é o foco central do nosso debate


sobre a motivação humana e as organizações. As teorias da
motivação tratam das forças propulsoras do indivíduo para o trabalho
e estão normalmente associadas à produtividade e ao desempenho,
despertando o interesse de dirigentes.

Desta forma, o crescimento dos estudos da motivação para o


trabalho se dá pela possibilidade de atender o sonho dos dirigentes
de criar um motor propulsor, um combustível que mantenha o
homem trabalhando, conforme as expectativas da organização.
Executivos e chefes gostariam de ver seus funcionários motivados e
integrados com os objetivos da empresa de forma a atingir o máximo
de produtividade. Ao perder o sentido do trabalho com sua crescente
divisão, as teorias motivacionais têm se transformado em sucedâneos
na busca da motivação. A busca de teorias perde o foco no homem.
Os indivíduos se tornam um meio para a busca dos fins definidos pela
organização devido ao uso de padrões organizacionais de motivação.
O indivíduo passa a ser instrumentalizado. Para Sievers (1998:22)

“A fragmentação do trabalho nas organizações produtivas e a


alienação daí decorrente levou muitas pessoas que trabalham nas
organizações contemporâneas a aceitarem como absolutamente
normal desempenhar atividades que não fazem o menor sentido. (…)
A motivação do empregado só se tornou uma questão organizacional
porque o próprio trabalho, pela excessiva fragmentação, perdeu o
sentido. As teorias motivacionais têm procurado oferecer aos
gerentes os corantes e aromatizantes artificiais para tornar tolerável
uma atividade que já não faz sentido.”

Pode-se separar as teorias de motivação em grande correntes, que se


diferenciam quanto à visão do que seria a força propulsora para o
trabalho. Estas correntes seriam: os etologistas, que sugerem ser a
conduta instintiva de cada espécie animal e a busca por adaptação ao
meio a maior motivação para a ação, inclusive dos homens; os
behavioristas, que acreditam que a força propulsora são os estímulos
externos através do processo de aprendizagem; os cognitivistas, que
acreditam que a motivação depende da representação que os
indivíduos possuem do meio, o que inclui um conjunto complexo de
fatores como percepção, pensamento, valores, expectativas e
aprendizagem; a psicanálise, que enfatiza as motivações
inconscientes derivadas de pulsões biológicas e experiências
passadas, principalmente durante a infância; e um grupo de teóricos
que procuram compreender o ser humano na sua vivência concreta,
evitando assim os reducionismos.

No sentido de melhor compreender a relação existente entre a


motivação humana e as organizações abordaremos nesta seção as
teorias da motivação mais freqüentemente utilizadas pelos teóricos
da administração.

· Os behavioristas e a motivação

Tanto os behavioristas, quanto os cognitivistas, desenvolveram uma


teoria na qual a motivação fundamenta-se no princípio do hedonismo,
que afirma que os indivíduos buscam o prazer e afastam-se do
sofrimento. Acreditam que as pessoas se comportam de forma a
maximizar certos tipos de resultados de suas ações, ou seja, dão
ênfase à aprendizagem. Sua abordagem é histórica porque o que
motiva o comportamento são as conseqüências dos efeitos
produzidos pelo comportamento passado dos indivíduos.

O pressuposto fundamental dos behavioristas, que os diferencia dos


cognitivistas, é que a força que conduz o comportamento motivado
está fora da pessoa, nasce de fatores extrínsecos que são soberanos
a sua vontade. Desta forma, para os behavioristas existe uma ligação
necessária entre o estímulo externo e a resposta comportamental.
Trata-se de uma espécie de acomodação do organismo vivo às
modificações operadas no meio ambiente.

Assim, pelo reforço, ou recompensa, a motivação passa a ser vista


como um comportamento reativo, que leva ao movimento. Conforme
apontado por Bergamini (1990 : 26):
“a motivação passa a ser compreendida como um esquema de ligação
Estímulo-Resposta (…) e que o homem pode ser colocado em
movimento por meio de uma seqüência de hábitos que são o fruto de
um condicionamento imposto pelo poder das forças condicionantes do
meio exterior”.

A teoria behaviorista pode representar, de certa forma, um perigo ao


se chegar indevidamente à percepção de que o homem está
verdadeiramente motivado, quando na verdade está apenas
alterando seu comportamento, reagindo ao meio exterior e se
movimentando. Assim, a crença de que se pode dirigir o
comportamento das pessoas a partir de uma programação
controlada, independente de suas vontades, ameaça o sentido da
identidade pessoal definido e mantido ao longo de toda a vida.

· Os Cognitivistas e a motivação

Os cognitivistas, ao contrário dos behavioristas, acreditam que os


indivíduos possuem valores, opiniões e expectativas em relação ao
mundo que os rodeia e que assim também são direcionados em seus
comportamentos, só que desta vez, baseados nas representações
internas. Isto é, os indivíduos possuem representações internalizadas
do seu ambiente que envolvem os processos de percepção,
pensamento, e aprendizagem. De acordo com estas representações
os indivíduos formam objetivos e lutam para atingi-los. Segundo
Motta (1986 : 124):

“Os indivíduos possuem objetivos e expectativas que desejam


alcançar e agem intencionalmente, de acordo com suas percepções
da realidade. (…) As intenções dependem das crenças e atitudes que
definem a maneira de um indivíduo ver o mundo, ou seja, suas
percepções.”
Em oposição aos behavioristas, que acreditavam que é possível e
necessário aprender a motivar os outros, os cognitivistas acreditam
que ninguém jamais pode motivar quem quer que seja, uma vez que
as ações humanas são espontâneas e gratuitas, tendo como origem
suas impulsões interiores. Todavia, não podemos esquecer que os
indivíduos tendem a buscar o prazer e se afastar do sofrimento, mas
desta vez “a escolha feita em determinada situação é ocasionada
pelos motivos e cognições próprios do momento em que faz a
escolha”, conforme indica Aguiar (1992 : 256).

· A Psicanálise

A administração busca em Freud contribuições para a teoria das


motivações, uma vez que este aborda a motivação de uma forma
dinâmica que se baseia em forças internas que direcionam o
comportamento. Estas forças internas seriam os instintos (libido) que
fornecem uma fonte fixa e contínua de estímulo, sendo algumas
vezes conscientes e outras inconscientes. As pessoas em alguns
momentos estão conscientes das motivações de suas ações, só que
muitas vezes são comandadas pela necessidade de liberação e
satisfação dos instintos.

Segundo Aguiar (1992 : 257) a principal contribuição da teoria


psicanalítica está na ênfase que Freud dá à dependência que o
comportamento adulto mantém em relação às experiências da
infância.

“A ênfase no passado do indivíduo e nos instintos como forças


motivadoras realmente caracteriza a abordagem histórica e o
determinismo biológico da teoria psicanalítica.(…) O determinismo
biológico deve-se ao fato de que os instintos são herdados e
determinam o comportamento humano.”

Assim, a principal contribuição de Freud encontra-se no fato de


considerar o homem prisioneiro de sua hereditariedade, de seu
passado e de seu meio.

· Fatores Higiênicos

Herzberg divide as necessidades como sendo de satisfação no


trabalho e de motivação. A satisfação no trabalho está relacionada
com as condições em que o trabalho é realizado – supervisão,
relações interpessoais, condições físicas, salários, benefícios etc.
Estas condições podem ser chamadas de fatores higiênicos, pois
estão relacionados com a necessidade de se afastarem de condições
desagradáveis.
Já as necessidades de motivação no trabalho estão diretamente
relacionadas com a tarefa ou o trabalho, e tratam das necessidades
de desenvolvimento do potencial humano e da realização de
aspirações individuais- liberdade, criatividade e inovação. Aguiar
(1992 : 269) chega a conclusão que Herzberg transforma o indivíduo
num meio para se atingir os fins da organização.

“Herzberg toma o meio social, a organização, como a fonte


motivadora do indivíduo. Toma o indivíduo como meio e transforma
os seus desejos na necessidade da organização. A organização
através dos fatores motivacionais manipula o indivíduo, motiva-o.
Reduz a auto-realização à realização da tarefa. O indivíduo se motiva
no trabalho pelos fatores que se relacionam diretamente com o
trabalho.”

· A teoria das necessidades de Maslow

A teoria da motivação humana de Maslow é a essência de uma


hierarquia das necessidade humanas, constituída pelas necessidades
biológicas, psicológicas e sociais. Para desenvolver esta teoria Maslow
se baseou em experiências clínicas e nos fundamentos teóricos de
James e Deway, no holismo da psicologia gestáltica e no dinamismo
de Freud, Reich, Jung e Adler (Aguiar, 1992).

Assim, pode-se dizer que sua teoria considera o ser humano na sua
totalidade, ao contrário das abordagens apresentadas anteriormente,
já que inova ao mesclar diferentes fundamentos, dando ênfase à
integração dinâmica dos aspectos biológicos, psicológicos e sociais.

Maslow vê o ser humano como eternamente insatisfeito e possuidor


de uma série de necessidades, que se relacionam entre si por uma
escala hierárquica na qual uma necessidade deve estar
razoavelmente satisfeita, antes que outra se manifeste como
prioritária. Nesta hierarquia, o indivíduo procura satisfazer suas
necessidades fisiológicas, fundamentais à existência, e necessidades
de segurança, antes de procurar satisfazer as necessidades sociais,
as necessidades de estima e auto-realização.

O conceito de auto-atualização tem relevante papel na teoria de


Maslow que o definiu como o uso e a exploração plenos de talentos,
capacidades, potencialidades etc (Fadiman, 1979). Para Maslow,
auto-atualizar significa fazer de cada escolha uma opção pelo
crescimento, escolha esta que depende de o indivíduo estar
sintonizado com sua própria natureza íntima, responsabilizando-se
por seus atos, independentemente da opinião dos outros.

Seguindo a tradição do conhecimento ocidental, as teorias da


motivação tem realizado grandes reducionismos ao tentar explicar a
motivação humana. Mesmo aquelas teorias que procuram
compreender o homem de uma forma mais integrada, considerando-
o em sua totalidade, quando transportadas para o campo da
administração, têm o significado de seus conceitos alterados. São
utilizadas para legitimar práticas que visam a resultados imediatos
para as organizações muitas vezes em detrimento dos interesses dos
indivíduos que parecem defender. Como alternativa à tradição
ocidental do conhecimento e as teorias científicas da motivação,
apresentaremos a seguir as concepções de conhecimento,
autenticidade e motivação segundo a Fenomenologia Existencial.

5. A Fenomenologia Existencial e a Questão do Conhecimento

Segundo a Fenomenologia Existencial, é próprio do modo do homem


ser no mundo não pertencer, isto é, não encontrar no mundo lugar,
pessoa ou situação que o acolha por completo. O mundo é para o
homem inóspito. A total integração não é possível. A vida humana
está sempre em constante deslocamento (Critelli, 1996). É por
natureza fluida, inconstante, indeterminada. O homem jamais poderá
atingir assim a estabilidade e a segurança que tal estabilidade
poderia proporcionar-lhe.

Freqüentemente, esta incompletude e a inospitalidade do mundo são


compreendidos pelo homem como abandono. Sente-se abandonado
por ver-se lançado no mundo, em determinadas condições históricas,
sociais e familiares, sem ter escolhido por isto. Vê-se entregue a
própria sorte, tendo que conviver sempre com o desconhecido, o
mutável, a imprevisão e a ausência de respostas, o que lhe pode
causar intensa angústia.

A tradição de conhecimento do ocidente, na tentativa de por fim a


esta eterna busca e fornecer ao homem respostas que o tranqüilizem,
inaugura um novo modo de investigar e conhecer o mundo. Procura
encontrar um ponto de apoio seguro em que possa basear todo o
conhecimento e dar-lhe estabilidade, pensa encontrá-lo na razão
lógico-matemática. Apoiando o conhecimento na razão, a tradição
ocidental acredita poder torná-lo preciso, claro, estável. Sendo então
capaz de fornecer ao homem respostas definitivas, e findar com sua
angústia.

A estratégia utilizada pela tradição ocidental para conhecer o mundo


foi representá-lo, transferi-lo para o pensamento, para as
representações mentais, que obedecem às leis constantes da lógica.
Assim, através da representação, do conceito, o mundo ganha
estabilidade. Consolidando ao longo de sua história, a crença de que
somente o conhecimento científico e a razão podem fornecer as
verdades e respostas de que o homem precisa, e de que estas
respostas são únicas e encontram-se fora do homem. O
conhecimento ocidental funda não só um novo método de
conhecimento, como também um modo novo de o homem habitar o
mundo. A partir de então, por meio do conhecimento científico e da
técnica o homem procura prever e controlar o mundo, a natureza, os
fenômenos sociais, a opinião pública, o comportamento das massas e
das pessoas.

Habermas (Siebbeneichler, 1989) aponta como conseqüência que se


a sociedade ocidental está desenvolvendo normas técnicas
sofisticadas por um lado, por outro, as normas e valores éticos tem
se generalizado até a diluição. A institucionalização de normas e
valores exercidos de modo tradicional, proporcionando um
enxugamento burocrático e administrativo das relações humanas
pode representar um grande risco para a nossa sociedade.

Contra o processo de massificação e padronização do homem e a


concepção da natureza humana como sendo socialmente
determinada, apresentaremos a seguir os argumentos da
Fenomenologia Existencial, segundo os quais o homem tem por
condição de existência a liberdade de construir-se.

6. A Questão da Autenticidade e da Motivação segundo a


Fenomenologia Existencial

Lançado no mundo à própria sorte, o homem se vê sozinho, sem


indicações de que caminho seguir, sem livros que o digam o que é
certo ou errado, que rumo dar à própria vida. Mais do que isso, sabe
que a qualquer momento esta existência, que ele não participou da
decisão de iniciar, pode acabar. Diante disso o homem busca
incessantemente por um sentido para a sua vida. Mas não o encontra
pronto no mundo.

O homem está assim, para a fenomenologia existencial, condenado a


ser livre. Por não encontrar no mundo prontas as respostas de que
necessita, o homem é obrigado a fazer suas próprias escolhas,
construir-se a si próprio e dar um sentido para a sua existência, sem
nunca receber garantias e tendo sempre que se responsabilizar pelas
suas escolhas.

Além de livre o homem é, para a fenomenologia, também só. Só


porque veio para o mundo sozinho, quando morrer, estará sozinho,
só, tem que se responsabilizar por suas escolhas, e mais do que isso,
só, porque ninguém jamais o compreenderá por completo, em seus
pensamentos e emoções estará sempre sozinho.

Diante da angústia, da solidão, da possibilidade sempre presente da


morte, e da liberdade, o homem tem dois caminhos: aceitá-los
assumindo a responsabilidade por suas escolhas e guiando ele próprio
a sua vida, em uma existência autêntica; ou fugindo para o
anonimato do ser social, confundindo-se com a massa, buscando fora
de si as respostas e a determinação de sua vida, em uma existência
inautêntica.

Se a liberdade, o indeterminismo e a responsabilidade por sua própria


vida parecem ao homem opressores, ele pode então tentar abrir mão
desta liberdade, esperando que os outros façam por ele suas
escolhas. O homem passa então a justificar-se através dos
determinismos sociais, biológicos, culturais ou religiosos. Perde-se
nas preocupações cotidianas, nas pequenas mesquinharias do dia-a-
dia. Abre mão de sua individualidade, torna-se inautêntico, “mergulha
em uma espécie de anonimato que anula a singularidade de sua
existência. Perde-se no meio dos outros Dasein, buscando a
justificativa de seus atos num sujeito impessoal, exterior. (….) torna-
se massa, alheia-se de si mesmo. Com os sentimentos embotados,
incapaz de livrar-se dos hábitos e opiniões que lhe são impostos, sua
consciência é atormentada por medos e ansiedades neuróticas. (…) O
indivíduo – embora julgue que tudo lhe é acessível – já não consegue
discutir nenhum assunto com profundidade, detendo-se na
superficialidade das coisas, sem interrogar os fundamentos daquilo
que discute, tagarelando sobre banalidades, ….” ( Penha, 1982).

Na tentativa de fugir à solidão, o homem inautêntico dissolve-se nos


grupos. Se não pode sozinho se responsabilizar por suas decisões e
apoiar-se em si próprio, apóia-se nos grupos. Mas os grupos
costumam ser exigentes com seus membros e, em maior ou menor
grau, exigem uma certa padronização. Em troca de aceitação o
homem quando age inautenticamente abre mão de sua liberdade e
autonomia.

“Temporariamente ( a pessoa) esquece a solidão, embora ao preço


da renúncia à sua existência como personalidade independente.
Perde assim a única coisa que a ajudaria positivamente a vencer a
solidão a longo prazo, isto é, o desenvolvimento de seus recursos
interiores, da força e do senso de direção, para usá-los como base de
um relacionamento significativo com os outros seres humanos. (…),
gente vazia não possui a base necessária para aprender a amar”
(May, 1971: 29).

Mas perdido na massa, desconhecedor de si próprio, é freqüente que


o homem também não se sinta feliz, é tomado por uma grande
insatisfação e profundo sentimento de tédio e vazio. É comum que se
sinta ansioso ou seja acometido por variadas doenças. E novamente a
angústia, não possível de ser eliminada,por não ser doença nem
defeito, mas a própria condição do existir humano. Os
fenomenologistas acreditam que na verdade é ela o alimento da vida,
“é dentre todos os sentimentos e modos de existência humana,
aquele que pode reconduzir o homem ao encontro de sua totalidade
como ser e juntar os pedaços a que é reduzido pela imersão na
monotonia e na indiferenciação da vida cotidiana (…), até o
autoconhecimento mais profundo.” (Chauí, 1999).

Aceitando a singularidade, o eterno vir a ser, e sua condição de ser


finito, o homem se torna livre. A fluidez, a instabilidade, e mesmo a
ausência de respostas, deixam de ser opressores para ser agora a
abertura para a vida plena. Se o homem não é pronto e determinado,
ele pode se determinar. Se a vida parece absurda e sem sentido, ele
pode para ela construir um sentido. Se a vida não oferece certezas,
oferece infinitas possibilidades de ser. O homem se torna autêntico

“quando escolhe a si mesmo, quando decide encontrar-se e


conquistar-se, quando faz suas próprias escolhas, quando corre os
seus próprios riscos, quando encontra amparo e segurança em si
mesmo, quando procura conhecer-se em profundidade, quando
assume total responsabilidade pela própria existência e quando luta
pela liberdade, pela autonomia e pela autodeterminação” (Lessa,
1999).

A morte deixa de ser percebida como um implacável fim, fazendo-nos


sentir que estamos gastando a vida, a cada ano, cada dia, cada hora,
tornando assim a existência angustiante. A morte sai do futuro e vem
para o presente. Assim ela não mais nos rouba a vida, mas nos
impulsiona para que a tornemos plena. A consciência de que somos
finitos, nos faz realizar nossos projetos no presente, evitando a morte
em vida, que talvez seja a pior de suas faces.

É importante aqui enfatizar que a solidão existencial nada tem a ver


com o isolamento e sim com a singularidade. Uma vez que a pessoa
aceite esta condição, se saiba única, respeite suas diferenças, busque
conhecer profundamente a si própria, mantendo-se em contato com
suas reais necessidades, insatisfações e desejos, ela se torna capaz
de realizar trocas mais intensas, sinceras e autênticas. Ao contrário
daquele que está sempre rodeado de pessoas, mas distante de si
mesmo, e só é capaz de relacionar-se superficialmente.

Entendendo o homem desta maneira, um ser inacabado, capaz de


significar o seu próprio ser, os filósofos e psicólogos existencialistas
ou por eles influenciados, respeitadas suas diferenças, vêem
justamente na ausência de respostas definitivas e de um sentido
acabado, a principal motivação humana.

Se o homem não encontra fora de si, no mundo, um sentido pronto


para a sua vida ele precisa estar sempre construindo um sentido novo
para ela. Segundo Viktor Frankl, psicoterapeuta de influência
existencialista, “o esforço para encontrar um sentido para a vida é a
força motivacional fundamental no homem” (1962 : 97). (tradução
dos autores)

“É importante ressaltar aqui que não se está falando de um único e


genérico sentido para a vida de uma pessoa. Pois não há um sentido,
há vários deles, que vão se alterando ao longo da vida de uma
pessoa, na medida em que ela também muda. “O homem pergunta
pelo sentido de ser porque este vai embora. (Critelli, 1996: 21)”

Apresentando a logoterapia, ao mesmo tempo em que critica o modo


reducionista da ciência conhecer o homem, objetivando-o,
fragmentando-o e transformando-o em coisa entre coisas, Viktor
Frankl escreve:

“considera o homem como um ser cuja principal preocupação


consiste em preencher um significado e em atualizar potencialidades,
mais do que simplesmente em buscar por gratificação e satisfação de
necessidades e instintos, ou meramente em reconciliar as conflitantes
exigências do id, do ego, e do superego, ou na mera adaptação e
ajustamento à sociedade e ao ambiente”. (Frankl, 1962: 103)
(tradução dos autores)

A corroborar a importância central da busca por um sentido próprio


para a vida, a motivar os homens, contamos com a afirmação de
Nietzsche, considerado precursor do existencialismo, que diz: “Aquele
que tem um porquê viver, pode suportar a quase todos os comos”
(Frankl, 1962: 104). (tradução dos autores)

Outro autor existencialista que escreveu sobre motivação foi Medard


Boss, psicoterapeuta amigo e seguidor de Heidegger. Boss considera
a culpa a principal motivação humana. Culpa em alemão é schuld,
que deriva de sculd que significa aquilo que carece e falta, “e
realmente algo sempre e perpetuamente falta na vida do ser
humano” (Boss, 1977). Por mais que consigamos realizar alguns de
nossos sonhos, sempre haverá mais coisas que gostaríamos de fazer,
por mais que nos dediquemos àquilo que fazemos, sempre
acharemos que poderíamos fazer melhor, por mais que viajemos,
sempre haverá lugares que gostaríamos de conhecer, por mais que
amemos, sempre poderemos amar mais e mais. E o que diremos
daqueles que se fecham diante da vida, se negando a viver
plenamente, a realizar seus projetos, a amar e ser amado? A estes
certamente a culpa será uma carga e opressão. Mas não àqueles que
mesmo sabendo que nunca finalizarão sua busca, encontram
satisfação em cada conquista. De qualquer forma a culpa, ou falta,
estará lá, impulsionando para que todos vão atrás de seus projetos.

7. Conclusão
A civilização ocidental construiu ao longo de sua história,
principalmente na Idade Moderna, um modelo de conhecimento
centrado no método, na experimentação e na razão. É o modelo da
ciência tradicional que desloca do âmbito da vivência humana a busca
por respostas não só sobre questões mais imediatas do cotidiano,
como também sobre questões como a ética, os valores culturais, a
angústia humana diante do desconhecido e o próprio sentido da vida
de cada homem, para o âmbito do conceito, da representação.

Para conhecer, a tradição ocidental do pensamento fragmenta e


reduz. O homem deixa com isso sua condição de vir-a-ser e passa a
ser objetivizado, isto é, passa a ser tratado como objeto. Não se
espera mais compreendê-lo, mas explicá-lo. Transferido para a
representação o homem é reduzido a hormônios, instintos animais,
aprendizagens sociais, pulsões inconscientes e toda a sorte de
determinações biológicas, psicológicas, sociais ou uma soma informe
de tudo isso.

Assim, ao longo da história de nossa civilização o homem vem sendo


esquecido em favor da ciência, da técnica, dos modelos de sociedade
e das grandes organizações. Todavia, buscamos um novo referencial
que é a Fenomenologia Existencial onde a condição ontológica da
existência humana é a liberdade de construir-se a si próprio, através
das escolhas feitas ao longo da vida. Aquilo que o processo de
uniformização dos homens faz é uma violência contra eles. Cada
indivíduo, para realizar-se plenamente como pessoa, deve procurar
conhecer-se profundamente a fim de que possa, conhecendo suas
reais necessidades, desejos e insatisfações, construir e reconstruir
constantemente um sentido para a vida, assumindo os riscos por
suas escolhas. “Na realidade, o desenvolvimento pessoal e a solidão
pessoal são inseparáveis” (Guerreiro Ramos, 1981: 112)

Não estamos aqui sugerindo o fim das organizações. Sabemos e


defendemos o papel fundamental que elas desempenham na vida dos
homens, ajudando-os a alcançarem seus objetivos e a viver em
sociedade, principalmente na sociedade ocidental contemporânea que
chegou a um nível de complexidade nunca antes alcançado. Não é
possível pensar nossa sociedade sem as organizações e todo o bem
que elas podem proporcionar aos homens. As organizações são
importantes também porque o ser humano é um ser gregário, precisa
e deseja viver em grupos, cercado de pessoas. Mas é preciso apontar
para a perversa inversão que realizamos ao longo de nossa história:
as organizações não existem mais em benefício dos homens, são os
homens que agora existem em favor das organizações. O que se
propõe aqui tampouco é que se deva romper abruptamente com
modelos de sociedade e organizações, porque, mais uma vez
insistimos, não é questão de modelos, mas de voltar o foco para o
homem. É preciso que a sociedade e as organizações dêem espaço
para as diferenças e singularidades.

É preciso aceitar o caráter individual da motivação, e termos a


consciência que jamais conseguiremos estarmos completamente
satisfeitos, existirá sempre uma necessidade não atendida que
dirigirá novas condutas motivacionais. Assim, podemos perceber que
o reducionismo a que a Teoria da Administração sujeita o homem e a
motivação humana é uma conseqüência do fundamento epistemlógico
no qual a civilização ocidental se baseou. Este modelo vem sufocando
o que nós acreditamos ser afirmação da vida – a autenticidade – e
portanto nos remetemos à reflexão sobre nossas vidas e nossas
ações, e nos perguntamos se estamos em harmonia com o impulso
original da criação, de onde provém a vida, e com sua complexidade
crescente, toma consciência de si mesmo e de seu devir criador.
Assim, teremos uma perspectiva digna para este dom tão supremo
que é a vida.

8. Bibliografia

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BERGAMINI, Cecília W. Motivação: mitos crenças e mal-entendidos.
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SIEVERS, Burkard. Além do sucedâneo da motivação. Revista de
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Teorias de Motivação na Prática


• Por Leonardo José Andriolo
• Administração e Negócios

Um milionário no balcão do McDonalds


Foi noticiado, recentemente, que Luke Pittard, um morador da cidade de Cardiff, capital
do País de Gales, na Grã-Bretanha, acertou os números da loteria e ganhou 1,3 milhões
de libras (R$ 4,5 milhões). Após receber o prêmio, Luke deixou seu emprego numa
lanchonete do McDonalds e partiu para uma viagem de lua de mel nas Ilhas Canárias.
Em seguida comprou uma casa. Depois disso, começou a ficar cansado de não fazer
nada. Ao mesmo tempo, aumentava a saudade dos antigos colegas.

Tomou, então, uma inusitada decisão: voltou ao seu emprego na lanchonete. Assim, a
cidade de Cardiff provavelmente é a única no mundo em que você tem chance de ser
atendido por um milionário num McDonalds.

Como estamos acostumados a associar o trabalho ao salário recebido, a primeira


sensação que essa notícia transmite é de que esse rapaz é doido. É difícil acreditar que
alguém deixe de lado uma confortável e ociosa vida de milionário para ficar atrás de um
balcão, vendendo hambúrgueres. Mas, se refletirmos um pouco, perceberemos que Luke
apenas corroborou o que os principais teóricos da motivação no trabalho já diziam há
mais tempo.

Abraham H. Maslow, por exemplo, afirma que o homem é motivado por necessidades
que estão organizadas em uma hierarquia de valor. Na base desta pirâmide estão as
necessidades fisiológicas e as de segurança, que são satisfeitas principalmente através
do salário recebido das organizações. Em um nível superior, estão as necessidades
sociais, de estima e de auto-realização, que não estão diretamente associadas à
remuneração. Se a teoria de Maslow estiver correta, no momento em que as
necessidades fisiológicas e de segurança estiverem satisfeitas, o salário perde muito do
seu efeito motivador.
Para Frederick Herzberg, os fatores que influem na produção de satisfação profissional
são desligados e distintos dos fatores que levam à insatisfação profissional. Os fatores
causadores de insatisfação são fatores ambientais, isto é, externos à tarefa, como o tipo
de supervisão recebida no serviço, a condição do ambiente físico e o salário percebido.
Eles criam as condições básicas e necessárias para que o indivíduo possa trabalhar, mas
não são suficientes para a motivação. Já os fatores motivadores são relacionados à
própria tarefa, como o reconhecimento pelo trabalho realizado, a natureza da tarefa e a
realização pessoal. Então, de acordo com Herzberg, o salário tem pequeno efeito
motivador: ele gera insatisfação quando não está adequado, mas não causará motivação
quando for superior à expectativa.

A propósito do tema, é interessante citar a pesquisa realizada em companhias do mundo


todo pela Sirota Consulting, de Nova York, sobre satisfação de funcionários . De acordo
com a pesquisa, são os seguintes os fatores que despertam o entusiasmo nas
organizações:

1 – Eqüidade (remuneração justa, benefícios, tratamento com respeito)

2 – Realização (desafios, orgulho do trabalho e da organização, desenvolvimento)

3 – Coleguismo (sensação de que as pessoas trabalham bem em grupo)

Tratar os funcionários com respeito, desafiá-los com novas responsabilidades, elogiá-los


quando merecerem, oferecer-lhes oportunidades de desenvolvimento pessoal talvez seja
a melhor forma de contar com empregados satisfeitos e comprometidos. Se a maioria
das empresas percebesse isso, teríamos funcionários mais felizes e organizações mais
produtivas.

Mas voltemos ao nosso milionário do McDonalds. Certamente as teorias de Maslow e


Herzberg e a pesquisa da Sirota Consulting ajudam a entender porque Luke Pittard
voltou a trabalhar no McDonalds. Obviamente não foi pelo salário, já que para ele,
agora rico, isso não faria muita diferença. Provavelmente Luke retornou ao emprego
porque o ambiente de trabalho, o relacionamento entre os colegas e o reconhecimento
pelo seu trabalho fazem com que se sinta estimado, respeitado e realizado.

Em outras palavras, Luke é feliz no McDonalds, ainda que esse fato possa nos causar
estranheza.