Você está na página 1de 2

A Belle Époque foi um período da História que corresponde ao fim do século XIX até meados

de 1914. A Europa por muito tempo passou por momentos conturbados, no entanto, nesse
período em questão vivia sob um momento de paz. E foi graças a esse momento que Europa
começou a vivenciar grandes transformações tecnológicas, urbanização das cidades,
construções e pavimentações públicas. Tendo a França como grande percursora e servindo de
modelo para o continente, mas também ecoando até mesmo em terras Tupiniquins. No Brasil,
a Belle Époque chega no início do século XX e vai até 1920, numa tentativa de trazer a
modernidade para algumas cidades brasileiras.

“Apesar de Paris não ser mais vista como um exemplo máximo de


desenvolvimento e tecnologia e a evolução dos meios de transportes
propiciar a movimentação de polos culturais pela Europa, ela
continuou sendo considerada por muitos como a capital cultural do
mundo”. (CASADO LIMA, Natália Dias de).

Dessa forma, o Brasil buscou assimilar sua imagem com a cidade de Paris – europeizar. Já
que a França estava tão em alta, representando o ápice do avanço, progresso e modernidade.
No entanto, essa assimilação ocorreu de maneira “capenga”, segundo Souza (2008, p.69).

A implantação de um modelo de civilização moderna tropeçava na


carência de correspondência com uma identidade existente, em que a
nova visão de mundo tentava dar vida a um mundo desejável, porém
fora do alcance de boa parte da população brasileira.

Além de não conseguir de fato se assimilar a moda europeia a belle époque brasileira é
marcada por uma faceta sombria, o inicio da república foi marcado por crises econômicas,
inflações altas, além de um completo descaso com os escravos recém libertados. “Além dos
sofrimentos da pobreza, tiveram de enfrentar uma série de preconceitos cristalizados em
instituições e leis, feitas para estigmatizá-los como sub-cidadãos, elementos sem direito a voz
na sociedade brasileira”. Para quem a Belle époque foi bela? Para quem estava a margem da
sociedade não foi tão bela assim, para quem estava com o capital em mãos, sim.

“Nem mesmo para quem estava escondido no meio do mato a belle


époque deixou boas lembranças. Na Amazônia, observa-se, ao longo
do século XIX, o renascimento da escravidão indígena [...]. No estado
de São Paulo, em razão da expansão da fronteira oeste, registram-se,
nas proximidades de Bauru, sucessivos massacres dos caingangues, o
mesmo ocorrendo em Santa Catarina, onde os xokleng entram em
processo acelerado de extinção; fenômeno que estava longe de
representar casos isolados e que levou, nas primeiras décadas do
século XX, à quase extinção das populações indígenas brasileiras.
(DEL PRIORE, Mary. VENÂNCIO, Renato).

REFERÊNCIAS

SOUZA, F. Gralha de. A Belle Époque carioca: imagens da modernidade na obra de Augusto
Malta (1900-1920). 2008. 162 f. Dissertação (Mestrado em História) – Instituto de Ciências
Humanas e Letras, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora. 2008.

Texto de Mary Del Priore & Renato Venâncio em "Uma Breve História do Brasil", Editora
Planeta, São Paulo, 2010, excertos pp.187-194.

Você também pode gostar