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Linguagem de mídia visual: Tradução Intersemiótica

Prof. Luiz Antônio Coelho


Relatório da apresentação de seminário
Alunos: Fabíola Macêdo Ribeiro, Lucia Acar e Rodrigo Prates Campos

A TRADUÇÃO INTERSEMIÓTICA COMO


TRANSCRIAÇÃO DE FORMAS

Este relatório cobre a apresentação do seminário acerca do capítulo “A Tradução


Intersemiótica como transcriação de formas”,o terceiro do livro “Tradução
Intersemiótica”de Júlio Plaza. O seminário foi apresentado por Fabíola Ribeiro, Lúcia
Acar e Rodrigo Campos.

Em termos gerais este capítulo propõe três formas de aproximação em relação à forma
visando a transposição baseada na equivalência das diferenças. São elas: a captação da
norma na forma, como regra e lei estruturante. Segunda, a captação da interação de
sentidos ao nível do intracódigo. Terceira, a captação da forma como se nos apresenta à
percepção como qualidade sincrônica, isto é, como efeito estético entre um objeto e um
sujeito.

Durante a exposição dos exemplos de paramorfismo do legissigno o professor Luiz


Antônio propôs como reflexão o fato de a escola de pintura inglesa Pré-Rafaelita
resgatar, já no século XIX, elementos clássicos, tanto formais quanto de conteúdo. A
aluna Lúcia comentou que a busca dos pré-rafaelitas era justamente utilizar a norma
existente nas obras clássicas.

O professor Luiz Antônio acrescentou ainda que existem três modos de compreensão da
forma, sendo a primeira a forma entendida como configuração do enunciado, isto é, o
significado e o significante são indissociáveis. Em segundo teríamos a otimização
enquanto síntese, realizando a máxima supressão dos atributos, tendendo ao absoluto.
Por fim, a otimização efetuada de forma inversa, por agregação de atributos.

Durante a exposição da ordem por coordenação, onde a hierarquia das partes tende a
sumir por não haver elementos dominantes e dominados, surgiu um questionamento do
prof. Luiz Antônio se a arquitetura pós-modernista procurava pôr fim à hierarquia, ao
que a aluna Fabíola objetou que os arquitetos pós-modernos se utilizavam de elementos
construtivos simbólicos de forma subversiva, descontextualizando sua função,
organizando-se mesmo num novo sintagma. O professor reiterou então que se a lei era
subvertida, a hierarquia deixava de existir.

Gaudí também surgiu como exemplo de utilização de formas simbólicas arquitetônicas,


signos de convenção pela tradição, mas acrescentando traços individualizantes, cujas
linhas gerais apelam à memória coletiva mas cujos detalhes revelam grandes diferenças
em relação às formas originais. Gaudí transformou em uma plástica orgânica formas
tradicionalmente ‘duras’, rígidas.

Na ordem por homogeneidade existia, desde o princípio, um desacordo com relação ao


exemplo escolhido – as formas ‘blob’ – que a aluna Lúcia considerava não possuindo
uma norma e a aluna Fabíola considerava possuindo uma norma exclusivamente formal.
Os alunos todos confirmaram que as formas ‘blob’ não remetiam a significados claros,
deixando em aberto para o observador descobrir a função dos objetos desenhados com
este estilo. Nenhum dos presentes foi capaz de identificar, por exemplo, um discman
usado como ilustração das formas ‘blob’. O professor Luiz Antônio questionou se
existia uma lei, uma convenção, em um caso como esse, de não identificação do objeto.

Através de discussões, os alunos chegaram à conclusão de que a lei pressupõe um


acordo coletivo e uma compreensão idealmente próxima da unanimidade. Se um objeto
não pôde ser reconhecido, tal compreensão não existe, sendo a plástica ‘blob’, portanto,
destituída de lei, ou de norma, já que a norma é social e o exemplo do discman remete
apenas ao estilo próprio do designer, sendo uma individualização.

O professor Luiz Antônio acrescentou que essa discussão era bastante pertinente e
presente na área do design, já que o limite entre a criatividade do designer (sua vontade
de imprimir características individuais e até artísticas ao produto) e a identidade visual
que um objeto, por norma, deve apresentar, não possui uma definição clara.

O professor acrescentou ainda que a norma é feita pela prática, pela repetição, e não
pela similaridade. E que foi uma característica do design modernista a busca de uma
identidade da função, na qual a forma seria a expressão perfeita da função do objeto,
deixando expressa sua norma, o que iria, talvez, de encontro ao paradigma
epistemológico atual de que não existe o essencialismo, o que nos leva de volta à
discussão sobre a hierarquia da arquitetura pós-modernista e as quebra com a hierarquia,
uma vez que as formas não possuiriam sempre qualidades essenciais que as obrigasse a
obedecer a hierarquia tradicional.

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