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Bibliografia:

A Nova Contabilidade Social – Leda Paulani (4ª ed.) – cap. 3 (Contas nacionais e
macroeconomia: identidade e teoria). Ler apenas os tópicos: “Da contabilidade
nacional à macroeconomia: revistando Keynes”, “A determinação da Renda” e “A
teoria keynesiana e a contabilidade nacional”. (p. 78 – 84)
Macroeconomia – Blanchard (5ª ed.) – cap. 3 (O mercado de bens). Ler apenas os
tópicos: “A composição do PIB” (p. 38), “A demanda por bens” (p.40) e
“determinação do produto de equilíbrio” (p. 43).
Tópicos do edital: 2.1.1 Os conceitos de renda e produto. 2.1.2 Teorias clássica e
keynesiana de determinação da renda. 2.3.9 Consumo, investimento, poupança e gasto
do governo.
Na aula passada foi possível conhecer desde a transformação da natureza até o
desenvolvimento da renda e como esta é despendida e volta a sua origem (a produção ->
a empresa).
De um lado tem-se os ofertantes (empresas) e no outro os demandantes (famílias,
mercado de capitais, governo e setor externo).
OFERTANTES = DEMANDANTES
Empresas = Fam., M. Capitais, Governo e S. Externo
Aquilo que sai da empresa, na forma de produto (ou renda), entra para família, a família
manipula a renda e isso se transforma na demanda e volta para a empresa.
Há uma relação entre as famílias de um lado que se completa com uma relação com as
empresas. A empresa envia renda para a família, as famílias (e os outros agentes
econômicos) produzem a lógica da demanda, que retorna às empresas.
renda/produto

Famílias
Empresas
demanda

Obs.: essa renda que entra nas famílias é exatamente igual ao valor do produto, porque o
produto nada mais é que a transformação da natureza, sendo que esta só pode ser
realizada por pessoas que trabalham, por famílias, que ou empregam a mão de obra ou
assumem o risco do capital.
O valor da Produção deve englobar o esforço do proletariado (remunerado pelo
salário) e o risco assumido pelos capitalistas (remunerados pelo lucro, juros e
alugueis).
Percebe-se nessa perspectiva que a oferta (aquilo que sai da empresa e vai à família) é
dada pelo produto ou a renda (renda é sempre = a produto) e sua lógica irá se igualar à
lógica demanda (Consumo + Investimentos + Gastos Gov. + Exportações –
Importações)
Consumo das famílias, investimentos do mercado de capitais, gastos do governo
(na esfera pública) e importações e exportações do setor externo.
A importação é negativa porque é um vazamento de renda.
Dessa forma, produto = renda = demanda.
Modelo keynesiano básico:
Y=C+I+G+X–M
Esse modelo mostra todo o funcionamento da macroeconomia no curto prazo.
Keynes apresentará esse modelo e, muito embora possa tirar a conclusão nele de que a
oferta é igual à demanda, que a economia estará sempre em equilíbrio conforme os
liberais ortodoxos, Keynes, no entanto, analisará de outra forma.
Ademais, Keynes discorda da ideia de que a economia estará em um desequilíbrio
constante, segundo Karl Marx trabalha. Keynes não diz que o equilíbrio não existe,
mas que o equilíbrio econômico não é natural (diferentemente dos ortodoxos). A
economia não tende necessariamente ao equilíbrio, muitas vezes é preciso induzi-lo,
mas ele existe. O problema é como chegar ao equilíbrio, porque de uma forma natural
não é possível. É preciso compreender melhor essa relação de oferta e demanda.
É nisso que é baseado a sua Teoria Geral, em que não é estudado a igualdade
entre a oferta e a demanda no ponto de vista liberal, na realidade, é um estudo
profundo sobre o lado da demanda. Ele observa a crise de 29 e percebe que
aconteceu algo diferente do que normalmente aconteceria com as variáveis da
demanda, e isso comprometeu o equilíbrio.
Ele vai pegar essas variáveis que ele mesmo delimitou e vai estudar cada uma.
Consumo: existem duas partes fundamentais para se compreender, uma que não
depende da renda, que é um consumo de subsistência (autônomo), mesmo que você
não tem renda, você consome alguma coisa, por ex: alimento.
A Romênia, por exemplo, tem uma grande parte da economia que é de subsistência,
tudo aquilo que é produzido não é transacionado no mercado, no entanto, é um valor
geral sem uma renda. Ninguém absorve a renda a não ser a pessoa que produziu. Esse é
o consumo autônomo, é esse que não depende da renda, ele nasce exclusivamente
da subsistência.
Há outra parte que é dependente da renda, precisa de renda para consumir determinadas
coisas. Que renda é essa? Que parte da renda que se transforma em consumo? Tem que
sempre levar em consideração que existe uma parte dela que você não consegue
consumir, tendo em vista as tributações. Então, quando se fala em consumo
dependente, estamos falando da renda disponível (Yd), que é a Renda – Tributação. O
que sobra de fato é o valor da renda que não foi tributado. (Yd = Y – T)
Toda renda disponível vira 100% consumo? Depende do momento da vida, pessoas
jovens e idosos consomem mais que pessoas de meia idade (que poupam mais), por
exemplo.
Parte da renda disponível se transforme em consumo, a outra parte se transforma
em poupança. Veja:
Consumo → c ×Yd (c é a porcentagem do consumo. É a propensão marginal a
consumir)
Poupança → s ×Yd (s é a porcentagem poupada)
O consumo dependente não depende de qualquer renda, depende da renda disponível e,
além disso, percebe-se que não é 100% da renda disponível que vira consumo, é apenas
uma porcentagem da renda disponível que se torna consumo, porque a outra se torna
poupança.

Consumo Autônomo (Co) Consumo Dependente (c ×Yd) → Yd=Y −T


• Não depende renda • Depende da Renda
• Subsistência • Renda Disponível
• Porcentagem da renda disponível que se torna
consumo – Propensão marginal a consumir

Y =Co+ c . ( Y – T )+ I +G+ X −M

Y =Co+ c . Y – c .T + I +G+ X−M


Y – c .Y =Co – c .T + I +G+ X−M
Y .(1 – c )=Co – c .T + I +G+ X−M
1
Y= ×(Co – c . T + I +G+ X – M )
(1−c )

Se uma pessoa é muito rica, ela tem uma maior propensão a poupar, mesmo que ela
consuma bastante, a renda dela irá permitir consiga poupar mais em relação ao todo. Ao
contrário de uma pessoa pobre que possui uma propensão marginal a consumir muito
alta, pois daquela renda baixa que ela possui, ela irá consumir quase tudo. Quando a
pessoa é rica, ela já tem tudo o que é necessário, então qualquer renda a mais que ela
tiver, é poupança.
Keynes, portanto, permite que haja uma análise da propensão a consumir ou a poupar a
partir de uma renda disponível. Ex: tributação sobre grandes fortunas, um dos
argumentos contrários é as pessoas ricas não sejam tão tributadas, tendo em vista que,
por terem muito dinheiro, abrem empresas e gastam muito, movimentando a economia.
No ponto de vista técnico, quanto mais dinheiro ela possui, menos ela consome, menos
dinheiro circula e mais fica restrito na sua conta bancária. Ou seja, a concentração de
renda gera uma propensão a consumir menor.
Obs.: existe uma diferença do consumo absoluto e do relativo, quando se aumenta a
renda de uma pessoa, certamente ela irá consumir mais do que antes, no entanto ela irá
consumir menos proporcionalmente à renda auferida. Isso que é a propensão a
consumir, é essa porcentagem de consumo em relação à renda.

Pois bem. Observando a equação final, Keynes nota que as variáveis do lado direito
se comportam de forma não natural, de forma provocada. É possível provocar a
demanda no sistema econômico. Keynes mostra algo que indica uma maior velocidade
na circulação da renda naquele fluxo circular. O próximo passo é entender a dinâmica
da aceleração. Se ele conseguir demonstrar que a demanda é mais acelerada, ele
romperá com a Lei de Say (oferta gera a demanda).
1
Repare que na equação tem um multiplicador do lado direito → . Enquanto o lado
1−c
esquerdo é simples, o lado direito é multiplicado, ele é acelerado. Dependendo do valor
do 1/1-c, poderá potencializar a demanda. Isso significa que o produto e a renda (no
lado esquerdo, representados por Y) são, na verdade, puxados pela demanda. Como a
demanda é acelerada, tudo aquilo que aumenta a demanda é impactado de forma
muito mais intensa sobre a renda (Y).
Simplificando:
1
Se consideramos que: =A
1−c
e, (Co – c .T + I + G+ X – M ) = X
Então, Y = A.X → isso significa que quanto maior o A (multiplicador), maior o impacto
é em Y se eu mudar X.
Exemplo: A = 5
Então, Y = 5.X
Suponha que, de repente, o governo aumentou o gasto público (G) em 10. O que ocorre,
então, é que a renda não irá aumentar 10x, a renda irá aumentar em 50x.
Isso é importante na teoria keynesiana, vez que quando aumenta uma variável, por
exemplo, a exportação, a renda cresce muito mais que o aumento da exportação, tendo
1
em vista o multiplicador que o Keynes isolou na equação, que corresponde em .
1−c
Em outras palavras, o lado direito corresponde a demanda, o lado esquerdo
corresponde ao produto/renda. Dessa forma, pode, seguramente, afirmar que a
demanda é mais acelerada. É assim que Keynes prova algo que em 170 anos foi algo
impossível de provar, rompendo com os ortodoxos. Na verdade, não existe a Lei de
Say, mas sim a demanda que é acelerada e que puxa a sua oferta, é desse modo que ele
explica a Crise de 1929. O que ocorreu na época não foi uma anomalia na estrutura de
oferta, mas sim uma anomalia na estrutura da demanda, da mesma forma que esta
sobe de forma acelerada, ela cai de forma acelerada, e isso causou uma crise de
superprodução no sistema.
A solução de Keynes para a crise de 1929 é colocar o governo para funcionar. Se tiver
uma produção muito intensa, tem que colocar o governo para gastar, pois um pouquinho
que o governo gasta, ele explode a demanda do país, o que absorve o excedente
produzido na crise de 1929. Então sem governo não há possibilidade de equilíbrio,
ele que promove o equilíbrio econômico e é ele que pode, gastando ou reduzindo a
tributação, gerar maior renda disponível e construir um processo de crescimento
econômico viável na economia. O governo não está do lado da oferta, está no lado da
demanda e ele é um acelerador, ele pode injetar dinheiro e puxar a economia quando ela
precisa ser puxada. Ele não serve para desequilibrar o sistema, serve para levar a
economia ao equilíbrio, porque sozinha ela não consegue.

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