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Equação de Euler para as

Máquinas de Fluidos

turbomáquinas
Euler
A equação básica usada para relacionar a velocidade de rotação,
a vazão, geometria e incremento de energia em uma turbo
máquina é conhecida como Equação de Euler.
Relaciona a variação de momento angular experimentada pelo
Máquinas de Fluidos

líquido com o aumento de energia produzido pela máquina


considerada.
Euler
Um exemplo simples desse fenômeno é o produzido por uma
colher em uma xícara de café.
Máquinas de Fluidos

A colher, quando girada, funciona como um impelidor simples,


causando um vórtice forçado que resulta em uma superfície
curva, que está relacionada com uma menor pressão no centro e
uma maior pressão na periferia.
Euler
Transferência de energia entre o fluido e o impelidor
O ponto de partida é a aplicação da lei de movimento (equação de Newton) a um
fluido que atravessa o impelidor. Admitindo um regime permanente e as hipóteses
abaixo:
Máquinas de Fluidos

v  Fluxo de massa constante (não há acúmulo de fluido);


v  Estado termodinâmico do fluido, em cada ponto, invariável com o tempo;
v  Taxa de calor e trabalho constantes (entrando e saindo da fronteira do sistema).
Além disso:

C=
Q (1)
A

Isso é, os vetores velocidades, embora situados sobre pontos, são vistos como
representativos do escoamento total sobre uma área finita.
Na equação anterior, Q representa a vazão volumétrica (m3/s) e A a área da seção
transversal perpendicular ao escoamento (m2).
Euler
Além disso, não existem perdas por fugas e todo o fluido está no mesmo estado.
A figura abaixo representa esquematicamente o impelidor de uma turbomáquina
genérica, onde 0-0 é o eixo de rotação e ω é a velocidade angular do impelidor.
Máquinas de Fluidos

Componentes da velocidade para uma turbo máquina genérica.

O fluido entra no impelidor na posição 1, passa através do impelidor por qualquer


caminho e é descarregado na posição 2, com as direções do fluido, nesses pontos,
formando qualquer ângulo arbitrário e com qualquer raio r1 e r2.
Euler
O vetor velocidade absoluta do fluido, C, pode ser decomposto em 3 componentes
ortogonais, chamadas de:
v  Ca → componente axial (paralela ao eixo da máquina);
v  Cm → componente radial (na direção perpendicular ao eixo);
Máquinas de Fluidos

v  Cu → componente circunferencial (perpendicular às duas primeiras).

Na figura, 1 representa a
condição de entrada e 2 a
de saída.

Componentes da velocidade para uma turbo máquina genérica.


Euler
As diferenças entre os valores dessas componentes de velocidade, entre entrada e
saída do impelidor, dão origem aos seguintes efeitos dinâmicos:
v  ΔCa → empuxo axial (a ser suportado pelos mancais e rolamentos);
v  Δ Cm → empuxo radial (também suportado pelos mancais e rolamentos);
Máquinas de Fluidos

v  Δ Cu → variação da quantidade de movimento angular do fluido. Esse é o único


efeito que realmente contribui para o desempenho da máquina.

Componentes da velocidade para uma turbo máquina genérica.


Euler
Isso pode ser generalizado considerando a figura abaixo. No instante to, uma massa de
fluido abcd ocupa o impelidor. No instante seguinte, to+dt, o fluido passa a ocupar a
posição efgh.

t0
t0+dt
Máquinas de Fluidos

Deslocamento da massa de fluido dentro do impelidor.

No intervalo de tempo dt, entrou no espaço compreendido entre as duas pás, uma
massa de fluido dm, correspondente ao volume cdhg (ou abfe).
A quantidade de movimento do fluido que entrou será então:

dm × Cu1 (2)
Euler
O momento em relação ao eixo dessa quantidade de movimento, na entrada do
impelidor, é chamada de quantidade de movimento angular, dada por:

dm × Cu1 × r1 (3)
Máquinas de Fluidos

Na saída, a quantidade de movimento angular é dada de forma similar:

dm × Cu 2 × r2 (4)

A variação da quantidade de movimento angular, no tempo dt, será então:

dm × Cu1 × r1 − dm × Cu 2 × r2 (5)

A taxa de variação com o tempo da quantidade de movimento angular, em relação ao


eixo de rotação, é igual ao momento torçor (torque) das forças externas (aplicadas ao
fluido contido entre as duas pás), em relação ao mesmo eixo:

dm (6)
(Cu 2 r2 − Cu1r1 ) = τ [N.m]
dt
Euler
As forças externas, tal como mostrado na figura abaixo, que atuam sobre o fluido entre
as pás são:
Máquinas de Fluidos

v  Força devido à diferença de pressão entre o lado frontal da pá, Pf, e o lado traseiro
da pá, Pt;
v  Força devido à diferença de pressão nas seções de entrada e saída do fluido, P1 e P2;
v  Forças devido ao atrito viscoso que se opõe ao movimento do fluido.
Euler
Para todo o impelidor, a variação da massa na unidade de temo é chamada de taxa de
massa, m! .
dm ⎡kg ⎤
= ρQ = ρVA = m!
dt ⎢⎣ s ⎥⎦ (8)
Máquinas de Fluidos

onde ρ é a massa específica do fluido, em kg/m3, V sua velocidade média, em m/s e A a


área transversal ao escoamento, em m2.
Logo, o torque, τ, pode ser reescrito como:

τ = m! (Cu 2 r2 − Cu1r1 ) [N.m] (9)

A taxa de transferência de energia, por unidade de tempo, isso é, a potência, P, é dada


pelo produto do torque e a velocidade angular, ω:

P = τ × ω = ωm! (Cu 2 r2 − Cu1r1 ) [W ] (10)

onde ω está em rad/s.


Euler
Como:

ω×r =U [m s ] (11)

Sendo U a velocidade tangencial do impelidor em um raio qualquer, a expressão da


Máquinas de Fluidos

potência pode ser escrita como:

P = m! (U 2Cu 2 − U1Cu1 ) [W ] (12)

Finalmente, como a energia específica (J/kg) é igual a altura manométrica (gH),


temos:
P ⎛ U 2Cu2 −U1Cu1 ⎞
Ht = =⎜ ⎟ [m] (13)
gm! ⎝ g ⎠

Essa equação é chamada de Equação de Euler, sendo válida para todas as turbo
máquinas, sejam bombas, ventiladores, turbinas ou compressores.
Euler
A energia transferida implica na variação do momento angular do fluido e ela poderá
ser positiva ou negativa.
Adotando-se a convenção usual da termodinâmica, ou seja, trabalho positivo se
realizado pelo fluido, então o lado direito da Equação de Euler deverá ser positivo para
uma turbina, ou seja
Máquinas de Fluidos

U1Cu1 > U 2Cu 2

e negativo para uma bomba, ventilador ou compressor, onde:

U 2Cu 2 > U1Cu1

Para não trabalhar com valores negativos, inverte-se a equação para bombas.
Um ponto importante merece ser ressaltado. Enquanto U e Cu representam os valores
ideais das velocidades, H representará o valor ideal da energia transferida entre o
fluido e o impelidor. Se U e Cu forem velocidades reais, parte dessa energia pode ser
dissipada em atrito e turbulência e, nesse caso, deve-se tomar cuidado na interpretação
de H.
Triângulos de velocidades
Para facilitar o estudo das componentes das velocidades de escoamento através do
impelidor, utiliza-se um método gráfico, por meio de vetores velocidades, chamado de
Triângulo de Velocidades. Nesses triângulos:
v  C → a velocidade absoluta (ou seja, a velocidade do fluido visto por um observador
solidário com a carcaça da máquina);
Máquinas de Fluidos

v  W → a velocidade de escoamento do fluido em relação ao impelidor (paralela à


direção da pá do impelidor) e chamada de velocidade relativa;
v  U → a velocidade tangencial do impelidor (ou velocidade linear no ponto de raio r,
ou seja ωr)

Se a velocidade de rotação do impelidor for dada em rotações por minuto (rpm), a


velocidade U é calculada como:
2πrN
U= (14)
60
Modificação
Os três vetores velocidades são coplanares e então:
! ! !
C = U +W (15)

Esses vetores são representados em triângulos, tanto na entrada como na saída do


impelidor, como mostrado na figura abaixo.
Máquinas de Fluidos

C1 1
U1
W1
1
U2
2 D1
C2
W2 D2
2

α2 β2 α1 β1

C2 W1
W2 C1
Cm2 Cm1 Triângulos de velocidades na saída e na entrada.

Cu2 Cu1
U2 U1

Triângulo de velocidades na saída Triângulo de velocidades


na entrada
Triângulos de velocidades
Considerando o triângulo abaixo e utilizando a lei dos cossenos:

c 2 = a 2 + b2 − 2abcosC
(16)
Máquinas de Fluidos

Aplicando a lei dos cossenos nos triângulos de velocidades:

α2 β2 α1 β1

W22 = C22 +U 22 − 2U 2C2 cos α 2 = C22 +U 22 − 2U 2Cu2 (17)

W12 = C12 +U12 − 2U1C1 cos α1 = C12 +U12 − 2U1Cu1 (18)


Triângulos de velocidades
Então, na Eq. (22):
C22 − C12 U 22 −U12 W12 −W22
Ht = + + (22)
2g 2g 2g
!"
# # $ !#"# $ !#"# $
Altura dinâmica Altura estática em função Altura estática em função
da força centrífuga da variação da velocidade
no impelidor
Máquinas de Fluidos

•  O primeiro termo representa o ganho de energia cinética do escoamento através do


impelidor.
•  O segundo e o terceiro termos representam, conjuntamente, o aumento da pressão
do fluido através das pás do impelidor, desde a condição de entrada até a saída.

Observação:
Não tentar acho alguma relação física individualmente no segundo e terceiro termos.
No segundo termo não existe nenhuma partícula do fluido movendo-se com velocidade
tangencial U e, portanto, não representa o ganho de pressão pela força centrífuga.
No terceiro termo, também não há conversão das variação das velocidades em pressão,
uma vez a difusão não pode ser realizada em um canal curvo, estacionário ou em
movimento.
Bibliografia
Stepanoff, A.J., 1993. Centrifugal and axial flow pumps. Theory, design and application. John
Wiley.
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