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APOSTILA DE PORTUGUÊS

INSTRUMENTAL

Profa. Adriana Antony

2010

Acadêmico:
Apostila de Português Instrumental
Profa. Adriana Antony

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO............................................................................... 05

UNIDADE I – A LEITURA.................................................................. 06

1 O HÁBITO DA LEITURA.............................................................................. 07
1.1 Finalidade da leitura…………………………………………………………………………………………….. 09
1.2 Tipos de leitura…....................................………………………………………………………. 09
1.3 Elementos para realizar uma boa leitura..................................................... 10
1.4 Fases da leitura ...................................................................................... 11
1.5 Vícios na leitura...................................................................................... 12
2 Compreensão e interpretação de textos......................................................... 13
3 Análise textual .......................................................................................... 14

UNIDADE II – COMUNICAÇÃO…………………………………………………………………. 15
4 COMUNICAÇÃO.......................................................................................... 16
5 A IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM (linguagem, língua e fala)............................. 17
5.1 Níveis de linguagem................................................................................. 19
5.2 Funções da linguagem.............................................................................. 20
5.3 Vícios de linguagem................................................................................. 22
Trabalho individual: Comunicação…………………………………………………………………………….. 25
Trabalho individual: Língua e Sociedade ..……………………………………………………………….. 27
Momento Reflexivo: Inteligência Social, a arte de se comunicar bem................... 29
Momento Reflexivo: Níveis de linguagem......................................................... 33

UNIDADE III – AS PALAVRAS………………………………………………………………….. 34


6 LÉXICO, VOCÁBULO, PALAVRA .................................................................... 35
7 DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO…………………………………………………………………………………… 36
8 POLISSEMIA…………………………………………………………………………………………………………….. 36
8.1 Sinônimos e Antônimos....…...………………………………………………………………………….. 37
8.2 Homônimos.........................……………………………………………………………………………. 38
8.3 Parônimos............................................................................................. 38
EXERCÍCIOS .............................................................................................. 43
9 DÚVIDAS COMUNS NA LÍNGUA PORTUGUESA………………………………………………………. 44

UNIDADE IV – TEXTO....................................................................... 49
10 O QUE É TEXTO? ..................................................................................... 50
Apostila de Português Instrumental
Profa. Adriana Antony

10.1 Qualidades de um texto......................................................................... 50


11 O TEXTO ORAL E O TEXTO ESCRITO............................................................ 53
12 TEXTUALIDADE........................................................................................ 55
13 COESÃO TEXTUAL.................................................................................... 57
13.1 Operadores Argumentativos – Articulação sintática do texto........................ 58
13.2 As conexões do texto............................................................................. 62
14 COERÊNCIA TEXTUAL................................................................................ 64
EXERCÍCIOS DE COESÃO............................................................................... 66
Momento Reflexivo: A comunicação consigo mesmo....................................... 70
Momento Reflexivo: Atitude...................................................................... 72

UNIDADE V – O PARÁGRAFO PADRÃO.............................................. 74


15 O PARÁGRAFO PADRÃO............................................................................. 75
15.1 Qualidades de um parágrafo ................................................................... 76
15.2 O planejamento do parágrafo (o tema, a delimitação e o objetivo................. 76
15.2.1 O tema e a delimitação........................................................................ 77
15.2.2 A fixação do objetivo........................................................................... 78
15.2.3 O tópico frasal ................................................................................... 78
15.2.4 O desenvolvimento do parágrafo .......................................................... 81
15.2.5 A frase conclusiva .............................................................................. 85

UNIDADE VI – TIPOS DE TEXTO....................................................... 86


16 NARRAÇÃO ............................................................................................. 87
17 DESCRIÇÃO ............................................................................................ 91
18 DISSERTAÇÃO ........................................................................................ 92

UNIDADE VII – REVISÃO GRAMATICAL........................................... 97


19 ORTOGRAFIA .......................................................................................... 98
20 PONTUAÇÃO............................................................................................ 91
21 ACENTUAÇÃO.......................................................................................... 101
22 REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL.................................................................. 103
23 CRASE................................................................................................... 105
24 COLOCAÇÃO PRONOMINAL ....................................................................... 107
25 CONCORDÂNCIA....................................................................................... 110
25.1 CONCORDÂNCIA NOMINAL...................................................................... 110
25.2 CONCORDÂNCIA VERBAL........................................................................ 111

OBRAS CONSULTADAS...................................................................... 112


Apostila de Português Instrumental
Profa. Adriana Antony

DESIDERATA1

No meio do barulho e da agitação, caminha tranqüilamente entre a inquietude e a


pressa, pensando na paz que você pode encontrar no silêncio. Procure viver em
harmonia com as pessoas que estão ao seu redor, sem abrir mão da própria dignidade.

Fale a sua verdade clara e mansamente e ouça a verdade dos outros. Eles
também têm sua própria história. Evite as pessoas agressivas e transtornadas, elas
afligem o nosso espírito. Não se compare aos demais. Julgando-se superior ou inferior
você se tornaria presunçoso e amargo.

Viva intensamente os seus ideais e o que você já pôde realizar.


Conserve o interesse e o zelo pelo seu trabalho, por mais humilde que ele seja, ele é um
verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos.

Seja prudente em tudo o que fizer, pois o mundo está cheio de armadilhas, mas
não fique cego para o bem que sempre existe. Há muita gente lutando por nobres ideais
e em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.

Seja você mesmo e, principalmente, não simule afeição e não descreia do amor,
mesmo diante de tanta aridez e desencanto, ele é perene como a relva. Aceite com
carinho os conselhos dos mais velhos e seja compreensivo com os impulsos inovadores
da juventude. Cultive a força do espírito, que o protegerá dos infortúnios e surpresas da
sorte adversa, mas não se desespere com perigos imaginários: muitos temores
nascem do cansaço e da solidão. E ao lado de uma disciplina saudável, seja gentil para
consigo mesmo, conservando consigo uma imensa boa vontade.

Portanto, esteja em paz com Deus, como quer que você o conceba, e quaisquer
que sejam seus trabalhos e aspirações, na fatigante jornada da vida, mantenha-se em
paz com sua própria alma.

Acima das falsidades, dos desencantos e agruras, o mundo ainda é bonito, seja
prudente. Faça tudo para ser feliz. Você é filho do Universo, irmão das estrelas e
árvores, você merece estar aqui. E mesmo que você não possa perceber, a Terra e o
Universo vão seguindo o seu destino.

1
Texto encontrado em Baltimore, na antiga igreja Saint Paul em 1692.
Apostila de Português Instrumental
Profa. Adriana Antony

APRESENTAÇÃO

"Viva como se fosse morrer amanhã e aprenda como se fosse


viver para sempre".
GANDHI

Acredito sim no amanhã.

Sou realista, mas sonhadora.

Sou idealista, mas reconheço os obstáculos.

Ler, pra mim, é um sonho.

Sonhar é acreditar, é viver. Sem medos, sem receios.

Aprender é desafiar: a si mesmo e aos outros, pois há sempre quem duvide da sua
convicção.

Gandhi foi feliz em suas palavras, pois a vida é fugaz e o conhecimento é eterno e
legítimo.

Esta apostila reúne o conteúdo de Português Instrumental, disciplina básica para


alguns cursos superiores. Possui, como referência, vários autores consagrados e seus livros
dinâmicos, visando sempre esclarecer dúvidas sobre a nossa língua materna e,
principalmente, abrir espaços para a reflexão sobre o processo de aquisição do conhecimento
e sobre a vida como um todo.

Para mim, ensinar não é somente levar o aluno a aprender sobre um assunto
específico, entretanto, é trocar experiências, levar àqueles que buscam, conhecimentos
humano sobre a maravilhosa dinâmica de se aprender algo científico ou empírico. Ensinar é
refletir junto, é viver junto, é aprender junto. É poder fazer parte da vida de alguém através
de algo extremamente engrandecedor: a busca pelo conhecimento.

Adriana Antony
Apostila de Língua Portuguesa Profa. Adriana
Antony

UNIDADE I: A LEITURA

"A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas


por incrível que pareça, a quase totalidade, não
sente esta sede."
CARLOS DRUMOND DE ANDRADE
Apostila de Língua Portuguesa Profa. Adriana
Antony

11O HÁBITO DA LEITURA

Dos muitos conhecimentos adquiridos durante a vida, muitos advêm da prática de


leitura.
Ela constitui-se como habilidade desenvolvida durante o ensino formal, ou seja, é
uma técnica aprendida na escola que propicia a ampliação do conhecimento e do
vocabulário, internalização das estruturas da língua e sistematização do pensamento.
É uma prática que, como qualquer outra, precisa de técnica, pois é a
decodificação de sinais gráficos, por isso, necessita no mínimo ser realizada sempre,
continuadamente.
Por outro lado, também se entende como leitura o conhecimento adquirido
através da observação e experiência cotidiana. Essa observação leva a uma reflexão e
consequentemente a um aprendizado; é o que chamamos de “leitura de mundo”.
O homem é resultado de um processo social, ideológico, portanto, ele assimila o
exterior e reflete o resultado disso. A cultura, a moral, os valores, o conhecimento, é
passado de geração a geração, assim, com a evolução do pensamento, muitas coisas
ficam, outras são descartadas e outras se modificam. Daí a importância da leitura, pois é
através da escrita que muitos conhecimentos são perpetuados, são formalizados, são
teorizados. Todavia, torna-se mais importante ainda a reflexão, pois o que está escrito
nem sempre deve ser interpretado como lei e sim passar por um processo em que, cada
indivíduo analisa o que pode ser coerente ou não com seu acúmulo de experiências.

“Leitura é o exercício constante, reflexivo e crítico da capacidade que nos é


inerente de ouvir e entender o que nos diz a realidade que nos cerca e da
qual também somos parte integrante. É o exercício da captação através dos
mais variados símbolos, sinais e manifestações da informação, conteúdo e
mensagem que os outros nos transmitem sobre a realidade, tanto nossa
quanto deles. É o exercício do intercâmbio entre as informações recebidas. É
o exercício da capacidade de formar nossa própria visão e explicação sobre
os problemas que enfrentamos e que se constituem, para nós, em constante
provocação no sentido de lhes oferecer respostas e soluções adequadas.”
(Luckesi et al, 2007, p. 122)2

Não se deve dissociar a leitura das experiências empíricas com a leitura de um


documento escrito. Isto porque o antes e o depois da leitura escrita devem se fundir em
imagens e conteúdos condizentes com a análise individual, com a realidade de cada um,
com as necessidades e interesses intrínsecos a cada existência.
2
LUCKESI, Cipriano et al. Fazer universidade: uma proposta metodológica. 15. ed. São
Paulo: Cortez, 2007.
Apostila de Língua Portuguesa Profa. Adriana
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Neste âmbito, pode-se diferenciar a leitura, justamente porque cada interpretação


será de acordo com cada visão de mundo. Assim também serão diferenciadas as
escolhas pelas leituras. São estas escolhas que farão a diferença no conhecimento, pois
muitas nada têm a agregar.
A leitura é um processo, mas um processo não apenas formal, mas de libertação
do ser humano. É através dela que os horizontes se abrem para as oportunidades, que a
perspectiva de vida aumenta, que o progresso se dá. É pelo conhecimento que sentimos
a verdadeira liberdade, pois aumentamos o nosso poder de decisão gerada com bases
sólidas.

FOBIAS3

Não sei como se chamaria o medo de não ter o que ler. Existem as conhecidas
claustrofobia (medo de lugares fechados), agorafobia (medo de espaços abertos), acrofobia (medo
de altura), collorfobia (medo do que ele vai nos aprontar agora) e as menos conhecidas ailurofobia
(medo de gatos), iatrofobia (medo de médicos) e até treiskaidekafobia (medo do número treze),
mas o pânico de estar, por exemplo, num quarto de hotel, com insônia, sem nada para ler não sei
que nome tem. É uma das minhas neuroses. O vício que lhe dá origem é a gutembergomania, uma
dependência patológica ma palavra impressa. Na falta dela, qualquer palavra serve. Já saí de cama
de hotel, no meio da noite e entrei no banheiro para ver se as torneiras tinham “Frio” e “Quente”
escritos por extenso, para saciar minha sede de letras. Já ajeitei o travesseiro, ajustei a luz e abri a
lista telefônica, tentando me convencer que, pelo menos, no número de personagens, seria um
razoável substituto para um romance russo. Já revirei cobertores e lençóis, à procura de uma
etiqueta, qualquer coisa.
Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e deixam uma Bíblia no quarto, e ela tem
sido a minha salvação, embora não no modo pretendido. Nada como um best-seller numa hora
dessas. A Bíblia tem tudo para acompanhar uma insônia: enredo fantástico, grandes personagens,
romance, o sexo em todas as suas formas, ação, paixão, violência – e uma mensagem positiva.
Recomendo “Gênesis” pelo ímpeto narrativo, “O cântico dos cânticos” pela poesia e “Isaías” e
“João” pela força dramática, mesmo que seja difícil dormir depois do Apocalipse. Mas, e quando
não tem nem a Bíblia? Uma vez liguei para a telefonista de madrugada e pedi uma Amiga.
- Desculpe, cavalheiro, mas o hotel não fornece companhia feminina...
- Você não entendeu! Eu quero uma revista Amiga. Capricho, Vida Rotariana, qualquer
coisa.
- Infelizmente, não tenho nenhuma revista.
- Não é possível! O que você faz durante a noite?
- Tricô.
Uma esperança!
- Com manual?
- Não.
Danação.
- Você não tem nada para ler? Na bolsa, sei lá.
- Bem... Tem uma carta da mamãe.
- Manda!”

3
Luiz Fernando Veríssimo. Banquete com os deuses. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003. P.
97-8)
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FINALIDADE DA LEITURA

Dependendo do objetivo estabelecido, a leitura é selecionada. É essa intenção que


norteará o processo, indicando o tempo que se deve reservar a esta leitura, o nível de
atenção que se deve despender e o modo como se deve interagir com este texto.
Então podemos elencar algumas finalidades:
1. Manter-se informado (utilizando revistas, jornais, etc);
2. Realizar trabalhos acadêmicos (resenhas, teses, monográficas, etc.);
3. Por prazer (romances, poesias, contos, etc.);
4. Como passatempo (leituras em quadrinhos ou outras que possuem poucas
informações);
5. Para consulta (dicionários, catálogos, manuais, etc.)
6. Por caírem em nossas mãos (panfletos, propagandas, etc.);
Por obrigação (bulas, manuais, etc.).

Alguns autores (LAKATOS, MEDEIROS), citam a leitura informativa como outro


tipo de leitura, por vezes relacionada a leitura de estudo, pois também possui como
objetivo uma maior fundamentação teórica.

1.2 TIPOS DE LEITURA

A leitura deve ser realizada seguindo critérios previamente idealizados. Há


sempre um objetivo a se atingir com a leitura. A partir disso, selecionamos que tipo de
leitura queremos realizar. Podemos então destacar:
• Skimming: to skim, em inglês, significa folhear, passar a vista. Em
português, e na área que discutimos, é exatamente a mesma coisa:
realizar uma leitura superficial com o objetivo de captar a ideia geral do
texto através de elementos como título, subtítulo, índice, alguns
parágrafos, palavras-chave encontrar algo que se ajuste ao que se
procura;
• Do significado: é a leitura que traz a visão ampla do assunto. Neste
momento não se retoma ideias, nem se para para avaliar;
• De estudo: para se apreender melhor o conteúdo, esta leitura visa ler,
reler, sublinhar palavras-chave, esquematizar, resumir, buscar palavras
desconhecidas no dicionário... Resumindo: torna-se um momento de
estudo mesmo;
• Crítica: visa realizar uma análise sobre o que se lê, refletindo,
comparando, avaliando;

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• Scanning: to scan, em inglês, é examinar cuidadosamente, fazer uma


varredura, escandir. Portanto, este tipo de leitura tem o objetivo de buscar
na obra ou no texto lido algo específico: um tópico, um parágrafo, uma
frase ou uma palavra-chave.

1.3 ELEMENTOS PARA REALIZAR UMA BOA LEITURA

1.3.1. O Ambiente
Para realizarmos uma boa leitura, devemos nos atentar para um fator de extrema
importância: o ambiete. Ele será um dos principais responsáveis pelo nível de atenção,
conforto e concentração imprescindíveis a esta prática.
Precisamos observar:
 O lugar: qualquer lugar é bom, o importante é ler, certo? ERRADO:
dependendo do objetivo da sua leitura, e o nosso é especificamente
apreensão de conteúdo, encontre um lugar tranqüilo, adequado para
interagir sozinho com o texto. Um ambiente arejado, claro, silencioso,
confortável. É o primeiro passo para se conseguir o que se quer.
 A iluminação: se não estivermos atentos, poderá gerar desconfortos como:
dores de cabeça, falta de atenção e aumento do cansaço (mental e visual).
O interessante é que claro o bastante para que não necessitemos forçar a
nossa visão. Para tanto, torna-se necessário a utilização ou da luz natural
(em um ambiente bem claro) ou da luz branca (lâmpada florescente), pois
a amarela gera os desconfortos citados. Caso utilizemos a luz artificial, ela
não deve se localizar por detrás de nossa cabeça, pois fará sombra no
texto. Coloque-se então de modo que ela fique sobre você ou um pouco a
frente, clareando o objeto a sua frente;
 O barulho: se queremos pensar, refletir, necessitamos do mínimo de
adequação no ambiente. Os ruídos são um convite à desistência. Rádio,
televisão, conversas e crianças são elementos que podem atrapalhar sua
leitura. Busque um momento tranquilo, pois a concentração caminha a
favor da aprendizagem;
 O horário: planeje seu horário. Nem pense em leituras dentro de veículos,
antes de dormir, após uma jornada dura de trabalho. No primeiro você
poderá ter dores terríveis de cabeça, provocadas pelo cansaço visual; no
segundo, após uma página você dormirá como um “anjinho”; no terceiro,
você só passará os olhos em palavras, jamais assimilará absolutamente
nada. Torna-se necessário estar, o mínimos, descansado. Se a manhã,
bem cedo, é seu momento mais ativo, escolha este horário; se após o

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almoço é tranqüilo, mesmo que o tempo seja pouco, aproveite; caso o dia
não tenha sido tão cansativo, opte por estudar à noite. Só não esqueça
que o cérebro precisa estar descansado, e o corpo também. Passar horas
seguidas estudando também é uma agressão, pois após o período de
aproximadamente 2 horas, já não há tanta atividade produtiva quando no
início, então é saudável uma pequena pausa para descansar e retomar o
trabalho.

1.3.2. A postura
A postura é outro fator importante, pois age diretamente sobre o corpo. A cadeira
não deve ser muito baixa nem muito alta. Deve estar na altura dos joelhos, de forma
que as pernas fiquem paralelas, com os pés apoiados no chão. A postura, então, deve
ser ereta naturalmente. Também não se deve forçar esticando e acentuando a curva das
costas. Mãos apoiadas na mesa. A leitura em outras posições como deitada, inclinada,
em cadeiras de balanço, em pé, não gerarão a atenção necessária para a boa
assimilação do texto.

1.4 FASES DE LEITURA4

Após toda a estrutura montada para a boa leitura, tendo como base a leitura de
estudo, devemos seguir fases para a melhor apreensão do conteúdo. Podemos destacar:
1. A primeira fase – leitura de reconhecimento ou pré-leitura: deve ser realizada no
intuito de conhecer o assunto do texto. Sem se apegar a pormenores, esta leitura
é de reconhecimento. É importante apenas o conhecimento do código linguístico e
a apreensão do tema.
2. A segunda fase – leitura seletiva: neste momento, surge a necessidade de um
maior aprofundamento do código, portanto, devemos destacar palavras
desconhecidas para a busca pelo significado e selecionar prováveis informações
importantes.
3. A terceira fase – leitura crítica ou reflexiva: fase das mais importantes, pois deve
se realizar uma leitura minuciosa, atenciosa, buscando analisar, refletir e
comparar as ideias do texto. Aqui já podemos, de fato, selecionar as ideias
principais das secundárias e relacioná-las.
4. A quarta fase – leitura interpretativa: a mais trabalhosa e menos realizada, pois
dependerá dos objetivos de leitura pré-estabelecidos. Bem mais aprofundada,

4
Os autores enumeram diferentemente as fases da leitura. As fases enumeradas acima
foram sintetizadas por mim, de acordo com a realidade dos alunos observados pela
minha prática pedagógica.

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esta é uma leitura crítica. A reflexão realizada anteriormente abre as portas para
um julgamento, uma comparação, uma integração de conhecimentos.

1.5 VÍCIOS DE LEITURA

Da mesma forma que podemos apontar elementos para o bom aproveitamento da


leitura, podemos, também, enumerar comportamentos que prejudicam a sua prática.
1. Movimentar a cabeça: quando se lê, apenas os olhos devem fazer o
movimento do S, ou seja, iniciando da esquerda para a direita e descendo
novamente para iniciar a linha de baixo. Quando se movimenta a cabeça,
tende-se a ficar cansado, com dores na região do pescoço ou com tonturas.
Da mesma forma, não se deve acompanhar a sequência de palavras com lápis
ou qualquer outro objeto. As mãos devem ser utilizadas apenas para segurar o
livro e/ou virar a página.
2. Ler de forma fragmentada: alguns acreditam que lendo bem devagar e por
partes conseguirão entender melhor. Grande engano! O texto deve ser lido em
blocos, seguindo as pausas e os sinais de pontuação corretamente, pois é
desta forma que as imagens são armazenadas no cérebro. Lendo
continuamente e num mesmo ritmo, o olhar segue um curso também estável,
sem saltos que também levam ao cansaço visual.
3. Ler e reler: outra ilusão é acreditar que lendo uma frase seguidas vezes e
passando para outra, e realizando o mesmo processo, e seguindo adiante,
poderá fazê-lo memorizar o conteúdo. Esta prática só irá piorar a situação e
fazê-lo perder tempo. Da mesma forma que a leitura fragmentada, esta
prática também fraciona e linha de raciocínio.
4. Vocalização e subvocalização: são as técnicas de leitura em voz alta e leitura
silenciosa. A primeira elucida o fato de que o cérebro age mais rápido que a
fala, portanto, em alguns momentos poderá ser um problema. A segunda,
através da movimentação dos lábios ou qualquer outro som emitido pela
língua ou laringe, estabelece o seguinte processo:
texto>olhos>fala>audição>cérebro, que de forma complexa também
retardará a compreensão do texto.

O que se indica, de fato, é a leitura dinâmica. Aquela que é silenciosa e opera


dentro do processo: texto>olhos>cérebro. Para isso, torna-se necessário o
desenvolvimento de uma prática que contabilize a quantidade de palavras por minuto e
posteriormente o nível de entendimento sobre o texto.

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11COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS

A não compreensão do texto é decorrente de muitos fatores. Dentre eles,


podemos destacar:
11 A falta de conhecimento do código lingüístico: muitas pessoas não
têm a oportunidade de possuir uma adequada aprendizagem na fase básica do
ensino, portanto, não possuem o conhecimento satisfatório do código lingüístico,
ou seja, da língua. Isso se reflete na leitura mal realizada e consequentemente na
falta de compreensão do que se lê. Outro agravante neste sentido pode ser
proporcionado por palavras desconhecidas, distantes da realidade do leitor, ou
por serem vocábulos técnicos, ou por serem palavras antigas, ou por serem
expressões específicas regionais e de grupos.
11O desconhecimento de fatos da gramática da língua: a falta de
conhecimento acerca de regras da gramática também pode gerar falta de
compreensão. A pontuação inadequada, por exemplo, impede a boa leitura e por
conseguinte o não entendimento do texto;
11A dificuldade de leitura: muitas pessoas não são incentivadas a desenvolver o
hábito da leitura e quando o fazem, apresentam total desconforto gerando uma
leitura fragmentada e repleta de dúvidas (palavras pronunciadas erradas,
palavras desconhecidas, repetição de trechos)
11A falta de atenção: gerada por problemas citados acima, como ambiente e
postura, falta de um objetivo pré-determinado...
11Nível cultural: de caráter específico, este fator está relacionado com o tipo de
leitura escolhido. Obviamente, devemos escolher a leitura conforme nosso nível
intelectual, caso contrário, nada conseguiremos apreender por não possuir
conhecimentos prévios para a interação com o texto;

Mesmo diante de alguns problemas, o leitor tende a tentar buscar esta


compreensão, superando dificuldades, pedindo ajuda de outros livros e/ou pessoas, etc.
É de extrema importância o estudo sistematizado em busca da interpretação, pois o
método irá impor uma sequência lógica de atividades que facilitarão essa busca.
A interpretação do texto é o processo através do qual ficará provado se o leitor
conseguiu compreender ou não a ideia do autor. É a reprodução das ideias através da
paráfrase5.

5
A paráfrase é a reprodução de uma idéia. Palavras de um autor são modificadas por
outras sem mudança no sentido original, para tanto, deverá haver a compreensão dos
sentidos reais para que estes não sejam deturpados.

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11ANÁLISE DE TEXTOS

Adiante da interpretação, a análise de textos requer uma maior fundamentação


teórica. Torna-se necessário, então, cumprir todas as etapas de leitura, pois o leitor
precisará organizar as suas ideias a ponto de explicitar de forma reflexiva e crítica o
pensamento lido. Esta expressão é um processo criativo, já que deixará evidente o
enfoque levantado pelo analista, bem como o processo intelectual de processamento das
ideias. Dependendo do ponto de vista, das experiências adquiridas, do conhecimento
existente, a análise terá seu grau de profundidade.
Analisar, por conseguinte, é:

1. Determinar os componentes ou elementos fundamentais de alguma


coisa.
2. Decompor em seus componentes ou elementos constituintes.
3. Determinar por discernimento mental a natureza, significado e relação
das várias partes, elementos, aspectos ou qualidades daquilo que está
sendo examinado.
4. Ponderar ou estudar vários aspectos, fatores ou elementos a fim de
chegar a uma conclusão, resultado ou solução. (Michaelis)

Lakatos (2001, p. 31)6 enumera alguns tipos de análise:


• Análise textual: observando o texto com um sentido completo, o leitor deverá
fazer uma leitura global, de modo a compreender os fatos, o estilo, o
vocabulário, o autor, a estrutura. Esta é uma análise bastante realizada na
universidade.
• Análise temática: de maior compreensão textual, permite selecionar as ideias
primárias e secundárias e evidenciar a ordem lógica em que aparecem no
texto. É um esquema das ideias defendidas pelo autor.
• Análise interpretativa e crítica: relacionadas ao pensamento do autor, as
ideias de quem lê o texto imergem em um universo crítico. A emissão de um
juízo de valor sobre a obra é de grande validade nesta análise.
• Problematização: análise em grupo, a qual explicita pensamentos e opiniões
sobre a obra analisada e também realizando comparações com outras obras.

6
LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos da metodologia científica. 4.ed. São Paulo: Atlas,
2001.

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UNIDADE II: A COMUNICAÇÃO

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"Falar é uma necessidade, escutar é uma arte.”


GOETHE

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Profa. Adriana Antony

4 COMUNICAÇÃO

FIGURA 1 – TIRINHA

Vivemos em um total universo comunicativo. Esta capacidade se desenvolve


durante a vida e é uma forma de ampliar o nosso relacionamento com o mundo.
A realidade em que vivemos exige uma habilidade cada vez mais fluente e
adequada, visando a melhor interação com os acontecimentos e com os outros.
Desde que aprendemos os primeiros monossílabos, na fala holofrástica7, somos
cobrados pelos que nos rodeiam, a fim de que possamos interagir de forma
compreensível e atingindo as intenções programadas. Quando isso não acontece, somos
discriminados, pois existe um padrão que dita as regras da boa comunicação.
O ser humano possui a necessidade de externalizar suas idéias, sentimentos,
emoções... É o único que se comunica através da língua. Para que isto ocorra, outro ser
humano deve interagir neste processo. Devemos, então, atentar para os seguintes
elementos que envolvem a comunicação:

CANAL

EMISSO MENSAGEM RECEPTO


R R

CÓDIGO

REFERENT
E

7
A fala holofrástica é a fala da criança que está aprendendo a falar quando, ao
pronunciar apenas uma sílaba ou uma pequena palavra, traz significados inteiros. Ex.:
Um garotinho aponta para sua chupeta e diz: - Dá-dá. Este pequeno enunciado traz
subjacente a frase: “Eu quero a minha chupeta” ou “Dá minha chupeta!”, etc.

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1. Emissor / Fonte: É quem envia a mensagem. / Fonte da mensagem.


2. Receptor / Destino: É quem recebe a mensagem. / É(são) a(s) pessoas a quem
se dirige a mensagem.
3. Mensagem: É tudo o que é transmitido pelo emissor, podendo ser visual,
auditivo ou audiovisual.
4. Código: É o sistema de signos comuns ao emissor e ao receptor que permite o
entendimento a ambos. Pode ser verbal (utiliza a palavra escrita) e não-verbal (gestos,
sinais, expressão facial, etc.).
5. Canal: É a forma utilizada para envio da mensagem. Pode ser natural ou
tecnológico.
Natural  órgãos sensoriais
Tecnológico  espacial (leva a mensagem de um Lugar para outro: rádio,
telefone, televisão, fax...)
 temporal (leva a mensagem de uma época para outra:
textos, os livros, discos, fotografias...)
6. Referente: É o assunto da comunicação, o conteúdo da mensagem.

É importante ressaltar que, com a multiplicidade de sentidos que podemos gerar a


partir de apenas um enunciado, devemos ter cuidado ao organizarmos nosso texto oral.
Este planejamento inicia com o cuidado ao externalizar as idéias, que podem ser
adequadas em determinados contextos, mas não em outros. Da mesma forma, devemos
garantir que a mensagem seja recebida com o máximo de clareza, para que nenhuma
ambigüidade possa modificá-la, o que implicaria em um resultado negativo no processo,
por não cumprir a intenção inicial do emissor.

18
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

5. A IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM

Todo homem possui uma capacidade inata que lhe permite comunicar-se através
de uma língua. A linguagem é o meio mais eficiente que facilita essa comunicação.
O homem é um ser social, pois vive em comunidade, tem a possibilidade de trocar
conhecimentos e experiências, além de poder interagir e transformar o mundo ao seu
redor. Isso é possibilitado, principalmente, pela capacidade de se comunicar através de
gestos, expressões, símbolos e signos (lingüísticos, gráficos, etc.)
Devemos pensar também, que não é somente com palavras que nos
comunicamos. Se pensarmos em comunicação como a intenção de passar uma
mensagem, a abrangência desta afirmativa nos faz abrir mais o número de opções que
temos ao realizar esta ação, como por exemplo:
 Um bilhete para alguém;
 Um desenho,
 Uma foto;
 Uma escultura;
 Uma dança,
 Uma música...
Podemos destacar inúmeras maneiras de expressar um sentimento, um
pensamento, chamar atenção para determinada idéia. Desta forma, podemos falar em
linguagem verbal e não-verbal. A primeira necessita de palavras, ou seja, utiliza como
código, a língua oral ou escrita. A segunda utiliza outros códigos, muitos deles
destacados acima, através da forma, movimento, cor, etc.
A língua é um sistema de signos correspondente a um determinado grupo. É a
parte social, abstrata, conservadora, constante da linguagem. É um sistema fechado, por
isso não se pode modificá-la aleatoriamente.
A fala, ao contrário da língua, é um sistema aberto, apto a ser modificado através
de um ato de vontade de cada falante. É a parte individual, concreta, inovadora, variável
da linguagem. O indivíduo se utiliza do código lingüístico para expressar suas idéias, e
isto é realizado da forma que ele achar mais conveniente. Porém, é necessário que se
saiba da importância da boa comunicação. Isto quer dizer intencionar algo e, realmente,
fazer-se entender. Por conseguinte, o entendimento dos níveis de linguagem é válido
para poder adequar a linguagem utilizada em cada situação sócio-comunicativa.

19
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

5.1 Níveis de linguagem8

Os níveis de linguagem permitem se adequar a linguagem ao contexto


sociocultural.
Ao se realizar o exercício da linguagem, os níveis serão observados e devem ser
exercidos conforme a maior ou menor cerimônia exigida pela situação. Outros fatores
também são levados em conta e envolve emissor e receptor. São eles: a intimidade
entre os falantes, a condição social, a profissão, o grau de instrução, o ambiente, o
momento, a contexto geográfico, e muitos outros elementos extralingüísticos que
permeiam o processo comunicativo.
Sabe-se que existe uma grande diferença entre língua escrita e língua falada. A
primeira exige muito mais formalidade, estrutura, regras, elaboração. A segunda, por ser
livre e individual, depende, basicamente, da vontade e do contexto. Portanto, cada
falante adéqua o nível de linguagem conforme a circunstância. Em uma situação formal,
linguagem formal; em uma situação rotineira, sem cerimônias, utilizará um nível
coloquial.

Culta
Pode-se
A língua faladaestabelecer
pode ser: oColoquial
seguinte esquema:
Vulgar
Regional
Grupal (gíria ou técnica)

Língua padrão
Não-literária Coloquial
A língua escrita pode ser: Vulgar
Regional
Grupal (gíria ou técnica)
Literária

FIGURA 2 – ESQUEMA RETIRADO DO LIVRO PORTUGUÊS INSTRUMENTAL, DE DILETA


S. MARTINS E LÚBIA S. ZILBERKNOP.
LÍNGUA FALADA
Língua culta:é o nível de linguagem mais alto, expressando o grau de instrução e
nível de conhecimento do falante. É a língua de maior prestígio.
Língua coloquial: é o nível cotidiano, informal, no qual o falante abre mão de
certas regras da gramática tradicional preocupando-se apenas com a comunicação.
Língua vulgar ou inculta: é o nível próprio de pessoas sem instrução,
apresentando muitas transgressões ao nível culto da língua.

8
Texto base: Parte I do livro Português Instrumental de Dileta S. Martins e Lúbia S.
Zilberknop.

20
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Língua regional: é o nível caracterizado pelo sotaque, ou seja, pelo acento


lingüístico. Possui vocábulos que caracterizam regiões geográficas.
Língua grupal: é o nível de linguagem que pertence a determinados grupos
fechados. Divide-se em:
• Grupal/técnica: pertencente a determinadas profissões e é também utilizada
na escrita.
• Grupal/gíria: pertencente a determinados grupos como: adolescentes,
jogadores de futebol, surfistas, etc.

LÍNGUA ESCRITA
Língua literária (utilizada pelos escritores) e língua não-literária (segue as
mesmas características da língua falada).

FIGURA 3 – EXEMPLOS DE LÍNGUA GRUPAL (GÍRIA).

5.2 Funções da linguagem9

9
Assunto retirado do livro MAIA, João Domingues. Português. São Paulo: Ática, 2004.
Série Novo Ensino Médio.

21
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Os textos, orais e escritos, buscam sempre um efeito sobre o receptor: informá-


lo, dar-lhe conselhos ou ordens, convencê-lo, provocar-lhe emoções ou proporcionar-lhe
prazer.
Isso nos permite classificar os textos com base em certas características que eles
possuem e que destacam um elemento dominante na comunicação:
• O REFERENTE: partes do texto que buscam transmitir informações;
• O CÓDIGO: partes do texto que visam informar sobre o código utilizado;
• O EMISSOR: partes do texto que destacam a presença do emissor e exprimem
sua personalidade, seus julgamentos, suas opiniões e emoções;
• O RECEPTOR: partes do texto que procuram obter certo efeito sobre o
receptor;
• A MENSAGEM: partes do texto que privilegiam a forma da mensagem e jogam
com as possibilidades criativas do significante e do significado.

Conforme o efeito pretendido, um dos elementos da comunicação será sempre


mais enfatizado do que outros. Daí surgem as funções predominantes:

CANAL
F. Fática

MENSAGEM

EMISSO F.Poética RECEPTO


R ROR
F. Emotiva F. Conativa
CÓDIGO

F. Metalingüística

REFERENT
E
F. Referencial

Função Referencial
Ocorre toda vez que a mensagem faz referência a acontecimentos, fatos, pessoas,

animais ou coisas, com o objetivo de transmitir informações. Ex.: O tempo amanhã


será nublado, com melhoria no fim do período. / Ela abriu a porta, entrou,
sentou-se na poltrona e sorriu.

Função emotiva ou expressiva

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Está centrada no emissor, na 1ª pessoa (eu). Expressa os sentimentos de quem

fla em relação àquilo de que está falando. Ex.: Estou muito feliz! / Este jantar está
excelente.

Função Conativa
Está centrada na 2ª pessoa (tu)
É dirigida ao receptor com o objetivo de influenciá-lo a fazer ou a deixar de fazer

alguma coisa. Exprime-se através do vocativo e do imperativo. Ex.: Não deixe de ver
aquele filme amanhã. / Não te esqueças de enviar-me os livros.

Função fática
Ocorre quando o emissor deseja verificar se o canal de comunicação está

funcionando, ou se ele, emissor, está sendo compreendido. Ex.: Alô... / Entenderam?

Função Metalingüística
Toda mensagem que fala sobre a própria linguagem é metalingüística.
Metalinguagem é, portanto, a linguagem sobre a linguagem, a utilização da linguagem

em referência ao próprio código, para esclarecê-lo ou ensiná-lo a alguém. Ex.: Estética

s.f.1. Parte da filosofia que trata das leis e dos princípios do belo. 2.
Caráter estético; beleza. 3. (fig.) Plástica; beleza física. (LUFT, Celso Pedro.
Minidicionário Luft. 12 ed. São Paulo: Ática, 1996. P.271)

Função Poética
A função poética realça a elaboração da mensagem e caracteriza-se pela
criatividade da linguagem. Percebe-se um cuidado especial na organização da mensagem
através da exploração das figuras de linguagem, do ritmo, das sonoridades e da

polissemia da palavra (multiplicidade de significados), como nos poemas. Ex.: “O poeta


é um fingidor / finge tão completamente / que chega a fingir que é dor / a
dor que deveras sente.(...)” Fernando Pessoa

5.3 Vícios de linguagem

São palavras ou expressões utilizadas incorretamente provocando interpretações sem


sentido, erros gramaticais ou sons desagradáveis.
 Ambiguidade: duplo sentido.
1. Ex.:A mãe encontrou o filho em seu quarto. (ambiguidade provocada pelo
pronome possessivo SEU / Em que quarto a mãe encontrou o filho?)

23
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

2. Ex.: Como vai a cachorra da sua mãe?


 Cacofonia: som desagradável formado por sílabas ou duas palavras, formando
uma terceira com sentido inconveniente.
1. Ex.: A boca dela é linda!
2. Ex.: Ela se disputa pra ele.
3. Ex.: Eu amo ela demais.
 Barbarismo: pronúncia e/ou grafia incorretas de uma palavra ou expressão.
Ex.: cidadões (E) - cidadãos (c) / circuito (E) – circuito (c) / Rúbrica (E) – rubrica
(C) / Húmido (E) – úmido (C)
 Estrangeirismos: palavras, expressões ou construção estrangeira empregada no
lugar de um termo existente na língua materna (português).
Ex.: habitué – frequentador / meeting – reunião / off-side – impedimento / out –
fora / net – rede

IMPORTANTE:
Algumas palavras, de outras origens, já foram incorporadas à língua portuguesa,
como:
a. ANGLICISMOS (palavras de origem inglesa) – hot dog, play ground, shopping,
bacon
b. GALICISMOS (palavras de origem francesa) – abajur (abat-jour), carnê
(carnet), garagem (garage), menu (menu)
c. ITALIANISMOS (palavras de origem italiana) – bambino, cascata, fiasco,
caricato
 Pleonasmo Vicioso: repetição desnecessária de um termo ou expressão.
1. Ex.: Ele vai ser o protagonista principal da peça.
2. Ex.: Meninos, entrem já pra dentro!
3. Ex.: A grande maioria...
 Arcaísmo: palavras ou expressões ultrapassadas.
Ex.: Ósculo – beijo / pneumático – pneu
 Solecismo: é uma inadequação na estrutura sintática da frase com relação à
gramática normativa do idioma.
o De concordância: Ex.: Fazem três anos que não vou ao médico.

o De regência: Ex.: Ontem eu assisti um filme de época.

o De colocação: Ex.: Me empresta um lápis, por favor.


 Colisão: efeito sonoro desagradável, criado pela repetição de fonemas
consonantais idênticos.

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Ex.: O rato roeu a roupa do rei de Roma. / O que se sabe sobre os sonhos só nos
surpreende.

 Eco: seqüência de palavras com a mesma terminação (rima).


Ex.: Seu andar e seu falar faziam-nos sonhar. / A aflição e a tensão durante a
recepção causaram-lhe profunda comoção.
 Hiato: efeito sonoro desagradável provocado pelo emprego de uma seqüência de
vogais.
Ex.: A platéia homenageia o cantor com faixas cheias de palavras apaixonadas.
 Preciosismo: linguagem rebuscada, artificial, vazia de conteúdos.
1. Ex.: Seu gesto altruísta e empreendedor ensombrece a existência dos
demais mortais, que o têm como a figura máxima de nossa empresa,
baluarte de nossas vitórias.
2. Ex.: Colóquio flácido para acalentar bovinos. (conversa pra boi dormir)
3. Ex.: Evolou-se aos paramos etéreos a alma da imaculada donzela. (A moça
morreu)
 Neologismo: criação de palavras novas.
 Plebeísmo: uso de palavras ou expressões triviais, gírias.
Ex.: O cara que inventou este aparelho tava tentando melhorar a vida da
galera.

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

TRABALHO INDIVIDUAL
Assunto: Comunicação Data de Entrega: / /

Objetivo:
Refletir sobre o processo de comunicação e sua importância na vida do homem.

Comunicação

Se uma pessoa ficar isolada de seus semelhantes, com alimentação e conforto


físicos garantidos, mas privada de qualquer forma de contato com o mundo exterior,
tenderá a apresentar rapidamente sintomas de ansiedade. Uma manifestação básica
dessa ansiedade será a necessidade de falar com outros. Durante algum tempo, isso
poderá ser atenuado por um monólogo, em pensamento ou em voz alta, e mesmo pela
criação de interlocutores imaginários.
Mas, com o prolongamento da situação, a fala e o próprio pensamento deverão
ficar desconexos e a pessoa começará a perder o auto-controle. Se a situação não for
remediada a tempo, haverá uma desagregação psicológica, acompanhada de descontrole
orgânico. O modo de remediá-la é fácil e evidente: basta romper o isolamento em que a
pessoa se encontra. Com isso, ela poderá satisfazer a uma necessidade humana básica:
comunicar-se.
Se, no entanto, duas pessoas desconhecidas entre si forem deixadas no mesmo
ambiente, com ordens de não trocarem uma palavra e se ignorarem mutuamente, o
resultado será diverso. Em breve começarão a aparecer sinais de tensão entre elas e se
verificará que é praticamente impossível que uma ignore a presença da outra. Os
menores gestos passarão a ser observados atentamente, cada qual procurará interpretar
o comportamento do outro e encontrar-lhe um sentido. Não demorará muito para que
cada um comece a orientar suas atitudes em função das do outro: haverá comunicação
entre ambos, por mais que se queira evitá-la. Os gestos e o comportamento dos dois
passam a ser mensagens, mesmo involuntárias, e cada qual se converte num emissor e
receptor dessas mensagens.
De modo geral, nas situações em que há mais de duas pessoas envolvidas (isto é,
nos grupos), cada comportamento se orienta em relação ao dos demais. Nos grupos
organizados, em que seus membros ocupam posições bem definidas, existem regras que
orientam esse comportamento. O que está em jogo é novamente a comunicação, que
forma uma rede entre os membros do grupo, tanto mais complexa quanto maior e mais
organizado for o grupo. Nos menores, a comunicação direta entre as pessoas ainda é a
predominante. Na convivência de grandes massas humanas (na sociedade tomada como

26
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

um todo) predomina a comunicação indireta, através de veículos que atingem uma


multiplicidade de indivíduos, dando-lhes uma orientação cotidiana.
A partir desses exemplos pode-se concluir que a comunicação é uma necessidade
vital humana, tão importante quanto as demais; que os homens tendem a comunicar-se
mesmo quando se esforçam em sentido contrário; e que a comunicação é a base de
todas as formas de organização social.

Sobre o texto:
1. De que forma o texto demonstra que a comunicação é uma necessidade
humana básica?
2. A comunicação realiza-se exclusivamente por meio de palavras? Justifique sua
resposta com elementos do próprio texto.
3. Qual a relação entre o grau de complexidade dos grupos sociais e as formas
de comunicação?
4. De que forma o texto procura evidenciar que “a comunicação é a base de
todas as formas de organização social”?
5. Esquematize o texto lido, comentando o percurso seguido pelo autor para
atingir as conclusões apresentadas.
6. Você, que é membro de um grupo social, é um ser essencialmente
comunicante? Comente.

27
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

TRABALHO INDIVIDUAL
Assunto: Língua Data de Entrega: / /

Objetivo:
Refletir sobre o caráter social da língua e sua importância na sociedade.

Língua e sociedade10

O caráter social de uma língua já parece ter sido fartamente demonstrado.


Entendida como um sistema de signos convencionais que faculta aos membros de uma
comunidade a possibilidade de comunicação, acredita-se, hoje, que seu papel seja cada
vez mais importante nas relações humanas, razão pela qual seu estudo já envolve
modernos processos científicos de pesquisas, interligados às mais novas ciências e
técnicas, como, por exemplo, a própria cibernética.
Entre sociedade e língua, de fato, não há uma relação de mera casualidade.
Desde que nascemos um mundo de signos lingüísticos nos cerca e suas inúmeras
possibilidades comunicativas começam a tornar-se reais a partir do momento em que,
pela imitação e associação, começamos a formular nossas mensagens. E toda a nossa
vida em sociedade supõe um problema de intercâmbio e comunicação que se realiza
fundamentalmente pela língua, o meio mais comum de que dispomos para tal.
Sons, gestos, imagens, diversos e imprevistos, cercam a vida do homem
moderno, compondo mensagens de toda ordem (Henri Lefèbvre diria poeticamente que
“niágaras de mensagens caem sobre pessoas mais ou menos interessadas e
contagiadas”), transmitidas pelos mais diferentes canais, como a televisão, o cinema, a
imprensa, o rádio, o telefone, o telégrafo, os cartazes de propaganda, os desenhos, a
música e tantos outros. Em todos, a língua desempenha um papel preponderante, seja
em sua forma oral, seja através de seu código substitutivo escrito. E, através dela, o
contato com o mundo que nos cerca é permanentemente atualizado.
Nas grandes civilizações, a língua é o suporte de uma dinâmica social, que
compreende, não só as relações diárias entre os membros da comunidade, como
também uma atividade intelectual, que vai desde o fluxo informativo dos meios de
comunicação de massa, até a vida cultural, científica ou literária.
(PRETI, Dino. Sociolingüística: os níveis da fala. São Paulo: Nacional, 1074. P.7)

10
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. Curso prático de leitura e redação. São Paulo:
Scipione, 2000.

28
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

1. Aponte no primeiro parágrafo uma definição de língua.


2. Por que a relação entre sociedade e língua não é mera casualidade?
3. Releia atentamente o terceiro parágrafo e responda: qual a importância da
língua no ato de comunicação?
4. O que abrange a dinâmica social de que a língua é suporte?
5. Releia atentamente o texto e procure identificar em cada parágrafo uma
idéia principal. Monte depois um esquema em que se possa perceber a seqüência criada
pelo ator para desenvolver suas colocações.
6. Segundo o texto, língua e sociedade vínculos profundos e indissolúveis.
Reflita sobre a importância da língua portuguesa em sua vida social e dê sua opinião
sobre as idéias colocadas no texto.

29
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

MOMENTO REFLEXIVO
Assunto: Boas relações no trabalho Data de realização: / /

Objetivo:
Refletir sobre o perfil do novo profissional no mercado de trabalho.

Inteligência social, a arte de se comunicar bem11

SABER SE EXPRESSAR E CULTIVAR AS BOAS RELAÇÕES SOCIAIS É A CHAVE PARA


SUA ASCENSÃO PROFISSIONAL, garante o pensador Karl Albrecht.

Pouca gente sabe, mas a arte de se relacionar bem com as pessoas é um dos principais fatores de sucesso na
vida, sobretudo no mundo corporativo. Pois é, de nada adianta você ser um profissional competente se não
souber atuar em equipe e criar harmonia no ambiente de trabalho. Quem garante isso é Karl Albrecht, um dos
mais importantes pensadores e futuristas na área de Administração Estratégica, com enfoque em liderança. Em
seu livro Inteligência Social, a Nova Receita do Sucesso, lançado no mês passado pela editora M.Books, ele
define Inteligência Social como a habilidade de se relacionar com as outras pessoas e conquistar sua
cooperação.

As dificuldades de convivência com os colegas são responsáveis por dois terços das demissões nas empresas,
de acordo com um estudo da Harward. Isso explica por que pessoas altamente profissionais e competentes na
função acabam sendo demitidas e outras - nem tão competentes assim - permanecem, conseguindo promoções
e melhores oportunidades de carreira. Logo, podemos concluir que competência técnica não é tudo, e que
aqueles que não têm uma boa aptidão para criar relacionamentos acabam tendo menores chances de sucesso.

É aí que entra a Inteligência Social, uma combinação entre sensibilidade, necessidades e interesses alheios,
sendo chamada por vezes de radar social: uma atitude de generosidade e consideração, além de um jogo de
habilidade prática para ter êxito ao interagir com as pessoas em quaisquer circunstâncias.

No consultório da psicóloga e consultora de carreira, Rosângela Casseano, o fator interação humana é a grande
pedra no sapato da maior parte dos executivos que a procura. "Eles chegam ansiosos por uma fórmula que
promova, definitivamente, seus potenciais de estabelecer bons contatos, bem como manter relações saudáveis".

Especialistas garantem que a falta do saber lidar com o outro é fruto dos tempos modernos. "A alta
competitividade, o aumento das exigências, a disseminação da informação e a própria revolução tecnológica,
requerem do indivíduo uma postura mais voltada para si próprio, na qual ele tem que se especializar e se
capacitar para conquistar e garantir o seu espaço. Resultado: preocupado com a sua evolução, ele se esquece
de exercitar as características vitais do ser humano, que é o sentir, observar, enxergar o outro e se colocar no
lugar dele. A partir disso, se depara com a própria inabilidade social", explica a psicólogaValéria Meirelles.

11
Pesquisada em: http://www.espiritualidades.com.br/Artigos_M_R/Melo_Gilson_intelig_.htm. Fonte:
Revista Vida Executiva (setembro/2006)

30
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Pois bem, com base nos conceitos de Karl Albrecht e na experiência de profissionais da área corporativa,
listamos 8 dicas básicas para que você tenha sucesso nas relações sociais. Pratique-as e sinta a diferença!

COLOQUE-SE NO LUGAR DO OUTRO

Em todos os sentidos. Respeite os outros, não fazendo com eles o que não quer que façam com você. Isso é
empatia, a difícil arte de se colocar no lugar do interlocutor. Aqueles que desenvolvem esse potencial - a
capacidade de ver, pensar e sentir como o outro - sabe quando falar e quando calar, qual argumento é melhor,
como expor uma idéia. O crescimento da empatia é a própria raiz do sucesso nas comunicações e nas
interações da vida em geral.

Para desenvolvê-la, antes de mais nada, é preciso sair da própria casca, olhar profundamente para os outros,
perguntar. É fundamental também que experimente o novo, que faça o que os demais fazem para, assim, ter a
mesma perspectiva que eles têm. Por fim, é essencial expandir a sensibilidade, submetendo-se a experiências
de sensibilização: ver uma peça de teatro, ouvir música, ler um romance. "A empatia requer humildade, pois
temos que sair do próprio lugar e fazer este exercício de ir para o outro. É saber que existem outros indivíduos
além de nós. E por mais que a gente saiba, sempre vai ter alguém apresentando algo novo", explica a psicóloga
Valéria Meirelles.

EVITE OS JULGAMENTOS

Inevitavelmente somos levados a avaliar as pessoas, a observar seu comportamento e a identificar semelhanças
e diferenças com relação a nós mesmos. Mais que isso, temos a tendência de classificar como bom/ruim,
certo/errado, aprovo/desaprovo os comportamentos, traços, idéias alheias.

Aí é que começam os problemas. Algumas pessoas são exageradamente severas ao julgar os demais. Com
isso, tendem a isolar-se, pois involuntariamente transmitem suas reações negativas aos interlocutores,
construindo barreiras numa relação que poderia ser mais espontânea, prazerosa e verdadeira. Se o outro
apresenta uma idéia política diferente, eis um motivo para ser "fritado" ou "gelado"; se tem um ponto de vista que
difere do nosso sobre como a empresa deveria conduzir a questão x ou y, é inimigo. Ora, a que tudo isso leva?
A nada.

Segundo Newton Hernandes, consultor de recursos humanos e marketing, a sabedoria está em não julgar o
semelhante, não excluí-lo pelo que é ou pensa, não criar barreiras que de nada melhoram a vida social e a
pessoal. Está, também, em ver em que é igual a nós para, a partir dessa identidade, criar relações fortes, as
quais permitirão a expressão das diferenças sem a exclusão.

LIBERTE-SE DE PARADIGMAS

Para sociabilizar-se bem é preciso saber se comunicar. O grau de eficiência em fazê-lo pode, no entanto, variar
amplamente. Um indivíduo, por exemplo, não conseguirá ter sucesso na comunicação se não for capaz de
compreender o conceito de valor e seu impacto sobre as relações.

Todo e qualquer indivíduo necessita entender que valores nada mais são que um conjunto de informações,
conhecimentos e normas morais que se acumularam durante a sua vida, os quais ele detém e crê. Isso não
significa que seja a verdade absoluta. Aquele que não absorver esse conceito, tende a entrar em permanente
confronto com os demais, em variados graus.

31
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

E o consultor Hernandes alerta: "Seus valores não são necessariamente a verdade, mas apenas aquilo que você
acredita. A defesa intransigente dos próprios pontos de vista afasta, gera animosidades e bloqueia o
aprendizado. É essencial manter uma 'mente de aprendiz', que permitirá a percepção melhor das outras pessoas
e suas razões".

PASSE CREDIBILIDADE

Tal habilidade é uma decorrência natural de um histórico, da coerência, da firmeza, da segurança e da


previsibilidade que oferecemos aos outros. Sua reputação cria condições de aceitação e compreensão.
Precisamos, desse modo, zelar para que seja um real patrimônio. Professor de pós-graduação na área de
gestão do Instituto Nacional de Pós-Graduação (INPG) e consultor da Manager, José Antonio Rosa, diz que
cultivar a credibilidade é:

1. Ter cuidado na expressão e no comportamento;


2. Atentar para a importância da imagem - pois para os outros você é aquilo que comunica;
3. Possuir a coragem de expressar suas próprias verdades e harmonizar-se com elas;
4. Adquirir a plena honestidade - intelectual, sentimental, comportamental

APRENDA A SE EXPRESSAR

Os outros têm de saber o que queremos. Freqüentemente, esperamos que eles adivinhem. Assim, o chefe não
explica ao subordinado qual é o seu objetivo; a mãe não diz ao filho o que realmente espera dele; o amigo
insinua o que gostaria que o outro fizesse. Aqui, provavelmente, teremos problemas de comunicação. É
importante expressar com clareza e de modo direto o que desejamos.

Em geral, também não demonstramos nossos sentimentos. Necessitamos, por isso, desenvolver a coragem e a
prática da expressão plena. Para tanto, é fundamental adquirir a coragem de ser espontâneo. "Geralmente, as
pessoas são 'amarradas' verbal e fisicamente. Soltar essas amarras traz bons frutos", aconselha o professor
José Antônio Rosa.

DESENVOLVA O PODER DA ATRATIVIDADE

Há pessoas que não conseguem atrair outros. Têm nelas algo que cria barreiras, que afasta ou que impede a
aproximação. O que muita gente não sabe, no entanto, é que é possível administrar os comportamentos que
geram antipatia e simpatia. A arrogância, todas as formas de agressividade, o pessimismo, a frieza e a má
educação, com certeza vão causar um afastamento. A espontaneidade, a elegância no comportamento, a
cooperação, bem como colocar emoção em tudo o que se faz tem o poder de criar atração.

RESPEITE OUTRAS CULTURAS

A informação é e sempre será uma grande aliada para quem vislumbra o sucesso nas relações do mundo
corporativo. Se você acaba de integrar o staff de uma empresa, procure se informar sobre os seus valores
culturais. Seja ela de origem japonesa, coreana ou norte-americana, cada uma tem os seus respectivos tipos de
comportamento. "Informar-se, portanto, demonstra conhecimento e ajuda a evitar gafes desagradáveis", destaca
a psicóloga Rosângela Casseano.

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

CULTIVE O BEM

Por fim, boa comunicação é, antes de mais nada, compromisso com os outros. Ela não pode se transformar em
exercício de manipulação e controle, sob o risco de por as relações a perder.

O verdadeiro compromisso, diz José Antônio Rosa, tem de estar atrelado ao bem, ao interesse de todos, à
promoção do que é melhor. Ele pode ser expresso em 3 'Bs':

1. Boa intenção: querer o bem, o certo, o melhor para todos;

2. Boa vontade: ter a paciência que os relacionamentos exigem, fazer o esforço necessário para entender e
aceitar os outros, aprimorar as relações constantemente;

3. Boa educação: manter a elegância e a diplomacia em qualquer situação, pois isso é a base do entendimento.

GILSON MELO - RS

33
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

MOMENTO REFLEXIVO
Assunto: Níveis de linguagem Data de realização: / /

Objetivo:
Refletir sobre a adequação da linguagem, levando em conta o contexto sócio-
comunicativo.

“Seu pai não vai ter palavras para agradecer a Olivetti


portátil que você vai dar para ele.
Meu prezado filho. (Não, prezado é muito formal.)
Meu estimado filho. (Não, estimado é para amigo.)
Meu querido filho. (É... Pode ser.)
Meu adorado filho. (Bem, mas será que ele vai gostar?)
Meu venerado filho. (Não, venerado é só pra Deus.)
Meu preferido filho. (E os outros?)
Meu divino e maravilhoso filho. (De jeito nenhum. Homem
não fala essas coisas.)
Meu incrível filho. (Não, essa palavra anda muito
desgastada.)
Meu fantástico filho. (De maneira alguma, parece programa
de televisão.)
Ah! Já sei.
Meu prezado, estimado, querido, adorado, venerado,
preferido, divino e maravilhoso, incrível, sensacional, fantástico e
etc. filho.
Gostei muito da Olivetti portátil que você deu.”

Texto publicitário da Empresa Olivetti.

34
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

UNIDADE III: PALAVRAS

"A palavra não foi feita para enfeitar,


brilhar, como ouro falso; a palavra foi feita
para dizer."
GRACILIANO RAMOS

35
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

6 LÉXICO, VOCÁBULO, PALAVRA

Para podermos entender o processo de produção do pensamento, torna-se válido


distinguir o significado destes três tópicos mencionados acima.

O que é, então...

LÉXICO:

• Conjunto de palavras de que dispõe um idioma. (Michaelis)

• O repertório total de palavras existentes em uma determinada língua.


(Houaiss)

VOCÁBULO:

• Palavra considerada especialmente quanto ao seu aspecto material (pronúncia,


constituição e escrita). (Michaelis)

PALAVRA:

• Conjunto de sons articulados, de uma ou mais sílabas, com uma significação.


Considerada em seu aspecto material, tem por sinônimo vocábulo; quanto à
significação, termo. Col: dicionário, elucidário, léxico, vocabulário (dispostas
ordenadamente e explicadas). (Michaelis)

Existe também uma pequena confusão que envolve o léxico e o vocabulário.


Podemos então elucidar:
LÉXICO: termo utilizado para indicar o conjunto de palavras de uma língua,
portanto, significado real, como acima indicado.
VOCABULÁRIO: refere-se ao discurso, ou seja, palavras empregadas no ato do
discurso, na realização concreta da língua, no texto.

Após o esclarecimento de possíveis dúvidas, podemos agora repensar sobre o uso


das palavras diante de diversos contextos.
No capítulo anterior, falou-se da importância da linguagem. Desta forma, para se
ter uma boa linguagem, torna-se necessário o uso adequado das palavras, a escolha
certa do vocabulário. Isso parte desde a prática da leitura, pois surge a necessidade da
busca por palavras desconhecidas e o esclarecimento do sentido das palavras em

36
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

determinados contextos12. Esta é uma das suas vantagens, pois somos levados a
consultar o dicionário e, por conseguinte, ampliamos o nosso repertório lingüístico.
Para se produzir um texto, isso se torna ainda mais claro, pois surge a
necessidade da externalização do pensamento, e portanto as palavras expressarão a
idéia. Caso esta não seja adequada, o texto poderá ficar sem sentido, ou com sentido
ambíguo.

7 DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO

No processo comunicativo, temos que nos atentar, em cada momento, para o


elemento-chave que dará significado ao que pretendemos comunicar. Como vimos, há
funções que expressam muito bem isso. Mas existe outro fator importante que
completará o significado da mensagem: o contexto.
Cada palavra possui diversos significados que, dependendo do contexto,
interpretaremos convenientemente. Isto se pode observar ao consultarmos o dicionário,
que traz diferentes faces para o mesmo signo lingüístico.
Sendo assim, podemos dividir o sentido das palavras em dois: o denotativo e o
conotativo.
O sentido denotativo é aquele que expressa o verdadeiro sentido da palavra; o
real, o próprio, aquele encontrado nos dicionários.
Ex.: O mel de abelha é ótimo para fazer remédios caseiros.
O sentido conotativo, por sua vez, é aquele que traz um significado diferente do
real, com uma grande carga emocional, figurativa, subjetiva, portanto, dependendo das
experiências vividas por cada pessoa.
Ex.: A Iracema é a virgem dos lábios de mel.

Fazendo uma ligação com a língua literária e não-literária, podemos observar que
o sentido denotativo é mais comumente encontrado na língua escrita, científica, que
exige um maior grau de formalidade e, por conseguinte, mais clareza e objetividade. Na
linguagem literária, o sentido conotativo já se torna mais utilizado, por representar
sentimento, emoções do autor e externar uma visão subjetiva da realidade. Na
oralidade, por ser a fala individual, não podemos nos esquecer de adequar o nível de
linguagem ao momento, portanto utilizando o coloquial quando possível e o culto quando
necessário.

8 POLISSEMIA
12
Entende-se por CONTEXTO, o ambiente linguístico da palavra, que fará com que ela
signifique uma coisa ou outra. (lembrar da Polissemia).

37
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Do francês polyssémie, significa as diversas facetas de uma palavra, ou seja, diversos


significados dependendo do contexto.

Este fenômeno acontece o tempo inteiro, haja vista a natureza polissêmica da


linguagem, o caráter arbitrário do signo lingüístico.13

8.1 Sinônimos e antônimos

Antônimos são palavras de sentidos opostos.

Sinônimos são palavras de mesmo sentido ou sentidos aproximados. Podem ser


classificados em:

 Perfeitos: achar/encontrar, idoso/ancião

 Imperfeitos: bonito/lindo, adorar/amar

Eufemismo: figura de linguagem utilizada como sinônimo para minimizar o efeito ou


impacto causado por uma palavra.

Ex.: morrer  falecer

 Marque V (verdadeiro) ou F (falso):

o ( ) “Gordo” é sinônimo de “magro”.

o ( ) O antônimo representa o contrário de uma palavra.

o ( ) O antônimo classifica-se em perfeito e imperfeito.

o ( ) Casa é antônimo de lar.

o ( ) A palavra “homem” não possui antônimo.

13
Signo linguistico, assim denominado por Saussure (pai da teoria lingüística), são as
palavras que possuem duas faces: um significante (parte perceptível) e significado (parte
inteligível). Esta arbitrariedade de que se fala é o fato de que cada significante possui
inúmeros significados (cachorro, perro, dog...)

38
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

8.2 Homônimos

A homonímia é quando uma palavra possui vários significados. Na sua origem, a


homonímia permite vocábulos diferentes.

Ex.: SÃO sadio latim = “sanus”


santo latim = “sanctus”
ser (verbo) latim = “sunt”

Os homônimos podem ser:


 Homônimos perfeitos (mesmo som e grafia);
 Homófonos (mesmo som e diferente grafia);
 Homógrafos (diferente som e mesma grafia).

Homônimos perfeitos
• Venda (ação ou efeito de vender / faixa com que se cobrem os olhos / armazém)
• Sentença (condenação / frase)
• Cabo (posto militar / acidente geográfico)
• Manga (fruta / parte da roupa que cobre os braços)

Homófonos
• Acender – atear fogo • Esterno – nome de um osso
• Ascender – elevar-se • Externo – estar por fora

• Censo - recenseamento • Nós – pronome pessoal; plural de nó


• Senso - juízo • Noz – fruto da nogueira

Homógrafos
• Acordo – substantivo / verbo acordar
• Erro – substantivo / verbo errar
• Ele – pronome pessoal / letra

8.3 Parônimos

São palavras extremamente semelhantes na grafia e na pronúncia e portanto,


completamente diferentes de significado. O uso incorreto destas palavras podem

39
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

gerar mudança completa do sentido do texto, por isso o extremo cuidado na tessitura
textual.

Para ampliar o seu repertório, seria interessante se


você observasse em livros ou até mesmo na internet, listas de
parônimos.

Para que eles se tornem, de fato, parte do seu


vocabulário, você terá que incorporá-los no seu dia a dia, ou
seja, utilizá-los de fato.

Então os estude, treine-os e passe a falar bonito!!

Abaixo estão alguns homônimos e parônimos14:

Parônimos ( emprego do e ou do i )

Arrear Pôr arreios a Arriar Abaixar


Deferimento Concessão Diferimento Adiamento
Deferir Conceder Diferir Adiar
Delatar Denunciar Dilatar Retardar, estender
Descrição Representação Discrição Reserva
Descriminar Inocentar Discriminar Distinguir
Despensa Compartimento Dispensa Desobrigar
Destratar Insultar Distratar Desfazer (contrato)
Emergir Vir à tona Imergir Mergulhar
Emigrante O que sai do próprio país Imigrante O que entra em país estranho
Eminência Altura; excelência Iminência Proximidade de ocorrência
Eminente Alto; excelente Iminente Que ameaça cair ou ocorrer
Emitir Lançar fora de si Imitir Fazer entrar
Enfestar Dobrar ao meio na sua largura Infestar Assolar
Enformar Meter em fôrma, incorporar Informar Avisar
Entender Compreender Intender Exercer vigilância
Peão Que anda a pé Pião Espécie de brinquedo
Recrear Divertir Recriar Criar de novo

14
ANDRÉ, Hildebrando A. de, Gramática ilustrada. São Paulo : Moderna, 1990.

40
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Venoso Relativo a veias Vinoso Que produz vinho

Parônimos (emprego do o ou do u )

Assoar Limpar (o nariz) Assuar Vaiar


Bocal Embocadura Bucal Relativo à boca
Comprido Longo Cumprido Executado
Comprimento Extensão Cumprimento Saudação
Costear Navegar junto à costa Custear Prover as despesas de
Cutícula Película Cutícola Que vive na pele
Insolar Expor ao sol Insular Isolar
Ovular Semelhante a ovo Uvular Relativo à úvula
Pontoar Marcar com ponto Pontuar Empregar a pontuação em
Soar Dar ou produzir som; ecoar Suar Transpirar
Sortir Abastecer Surtir Originar
Torvar Tornar-se carrancudo Turvar Tornar turvo (opaco); toldar
Vultoso Volumoso Vultuoso Atacado de vultuosidade (congestão na face)

Homônimos e parônimos (emprego do grupo sc )

Acender Pôr fogo a Ascender Subir


Decente Decoroso; limpo Descente Que desce; vazante
Discente Relativo a alunos Docente Relativo a professores

Acético Relativo ao vinagre Ascético Relativo ao ascetismo Asséptico Relativo à assepsia

Homônimos e parônimos (emprego do c, ç, s e ss )

41
Apostila de Língua Portuguesa
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Acento Inflexão da voz; sinal gráfico Assento Lugar onde a gente se assenta
Acessório Que não é fundamental Assessório Relativo ao assessor
Anticé(p)tico Oposto aos céticos Antissé(p)tico Desinfetante
Apreçar Marcar ou ver o preço de Apressar Tornar rápido
Caçar Perseguir a caça Cassar Anular
Cé(p)tico Que ou quem duvida Sé(p)tico Que causa infecção
Cegar Fazer perder a vista a Segar Ceifar; cortar
Cela Aposento de religiosos Sela Arreio de cavalgadura
Celeiro Depósito de provisões Seleiro Fabricante de selas
Cenário Decoração de teatro Senário Que consta de seis unidades
Censo Recenseamento Senso Juízo claro
Censual Relativo ao censo Sensual Relativo aos sentidos
Cerração Nevoeiro espesso Serração Ato de serrar
Cerrar Fechar Serrar Cortar
Cervo Veado Servo Servente
Cessação Ato de cessar Sessação Ato de sessar
Cessar Interromper Sessar Peneirar
Ciclo Período Siclo Moeda judaica
Cilício Cinto para penitências Silício Elemento químico
Cinemático Relativo ao movimento mecânico Sinemático Relativo aos estames
Círio Vela grande de cera Sírio da Síria
Concertar Harmonizar; combinar Consertar Remendar; reparar
Corço Cabrito selvagem Corso Natural da Córsega
Decertar Lutar Dissertar Discorrer
Empoçar Formar poça Empossar Dar posse a
Incerto Duvidoso Inserto Inserido, incluído
Incipiente Principiante Insipiente Ignorante
Intenção ou tenção Propósito Intensão ou Intensidade
tensão
Intercessão Rogo, súplica Interse(c)ção Ponto em que duas linhas se cortam
Laço Laçada Lasso Cansado
Maça Clava Massa Pasta
Maçudo Indigesto; monótono Massudo Volumoso
Paço Palácio Passo Passada
Ruço Pardacento; grisalho Russo Natural da Rússia

Cessão Doação; anuência Secção ou seção Corte; divisão Sessão Reunião


Cesta Utensílio de vara, com asas Sexta Ordinal feminino de seis Sesta Hora de

42
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

descanso
Indefesso Incansável Indefeso Sem defesa Infenso Contrário

Homônimos e parônimos (emprego do s ou do z)

Asado Que tem asas Azado Oportuno


Asar Guarnecer com asas Azar Dar azo a; má sorte
Coser Costurar Cozer Cozinhar
Revezar Substituir alternadamente Revisar Rever; corrigir
Vês Forma do verbo ver Vez Ocasião

Fúsil Que se pode fundir Fuzil Carabina Fusível Resistência de fusibilidade calibrada

Homônimos (emprego do s ou do x )

Espiar Espreitar Expiar Sofrer pena ou castigo


Espirar Soprar; respirar; estar vivo Expirar Expelir (o ar); morrer
Estrato Camada sedimentar; tipo de nuvem Extrato O que foi tirado de dentro; fragmento

Esterno Osso do peito Externo Exterior Hesterno Relativo ao dia de ontem

Homônimos e parônimos (emprego do ch ou do x )

Brocha Prego curto de cabeça larga e chata Broxa Pincel


Bucho Estômago de animais Buxo Arbusto ornamental
Cachão Borbotão; fervura Caixão Caixa grande; féretro
Cachola Cabeça; bestunto Caixola Pequena caixa
Cartucho Canudo de papel Cartuxo Pertencente à ordem da Cartuxa

43
Apostila de Língua Portuguesa
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Chá Arbusto; infusão Xá Título de soberano no Oriente


Chácara Quinta Xácara Narrativa popular em verso
Chalé Casa campestre em estilo suíço Xale Cobertura para os ombros
Cheque Ordem de pagamento Xeque Incidente no jogo de xadrez; contratempo
Cocha Gamela Coxa Parte da perna
Cocho Vasilha feita com um tronco de madeira escavada Coxo Aquele que manca
Luchar Sujar Luxar Deslocar; desconjuntar
Tacha Brocha; pequeno prego Taxa Imposto; preço
Tachar Censurar; notar defeito em Taxar Estabelecer o preço ou o imposto

1 . S u bl i n h e a f o r m a c o r r e t a d e c a d a p a l av ra a s e g u i r.

1 ) d e p e d ra r – de p r e d a r 18)xipófago – xifópago
2)estupro – estrupo 1 9 ) p r e v i l é gi o – p r i v i l é g i o
3)mulçumano – muçulmano 20) mendigo – mendingo
4)bugiganga – buginganga 2 1 ) e m p e c i l h o – i m pe c i l h o
5)figadal – fidalgal 2 2 ) d e l a pi d a r – di l a p i d a r
6 ) o vo s e s t r e l a do s – o vo s e s t a l a d o s 2 3 ) d e g l a d i a r – di g l a d i a r
7)engajar – enganjar 2 4 ) m e te r e o l o g i a – m e t e o r o l o gi a
8 ) b a s c u l a n t e – va s c u l h a n t e 25) cabeleireiro – cabelereiro
9 ) d i s p ê n di o – de s p ê n di o 26) feioso – feoso
10)quesito – quisito 27) receoso – receioso
1 1 ) vo l e i bo l – vo l i b o l 28) desinteria – disenteria
12)invólucro – envólucro 2 9 ) p ra ze r o s am e n t e –
1 3 ) r e de m o i n h o – r o d a m o i n h o p ra ze i r o s a m e n t e
14)companhia – compania 30) infligir – inflingir
1 5 ) b e r r u g a – ve r r u g a 31) dignatário – dignitário
1 6 ) t a t a ra n e t o – t a t ra n e t o 3 2 ) s a m am b a i a – s am b a m b a i a
17)prescrutar – perscrutar 33) beneficiência – beneficência

2 . E s c o l h a f o r m a c o r r e t a d a p a l av ra e n t r e p a r ê n t e s e .

1) Pe di u a ve r i f i c a ç ã o do ( m a n d a t o / m an d a d o ) de b u s c a .
2) Q u e r i a ( c o s e r / c o ze r ) t o d a a r o u p a n o d o m i n g o .
3) P r e t e n d i a ( i m e r g i r / e m e r g i r ) o s u b m a r i n o l o go q u e d e i x a s s e o p o r t o .
4) A s f a n t a s i a s de C a r n a va l e s t a va m ( am o ra i s / i m o ra i s ) .
5) Tra b a l h a va n u m a ( s e s s ã o / s e ç ã o / c e s s ã o ) e s p í r i t a .
6) A c o n t e c e u u m ( a c i de n t e / i n c i d e n t e ) g ra ve c o m o c a r r o.
7) Pretendia consertar o forro do (acento/ assento)
8) T i n h a u m ( a s s e r t o / a c e r t o ) de c o n t a s c o m o j u i z .
9) Pe n s o u e m ( a r r e a r / a r r i a r ) a m al a n o c h ã o .

44
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

10) O de p u t a d o t e ve s e u m a n d a t o ( c a ç a d o / c a s s a do ) .
11) Q u e m t e m c o m ( c e n s o / s e n s o ) n ã o pe r d e t e m po .
12) O q u a r t o t i n h a de z m e t r o s de ( c o m p r i m e n t o / c u m p r i m e n t o ) .
13) C h a m o u J o s é p a ra o ( c o n c e r t o / c o n s e r t o ) d a p i a .
14) O j u i z q u e r i a ( de f e r i r / d i f e r i r ) o r e q u e r i m e n t o .
15) O a r t i s t a f o i ( d e g r e d a d o / d e g ra d a d o ) p a ra a Á f r i c a .
16) C o n t a va c o m a ( d i s c r i ç ã o / de s c r i ç ã o ) d e t o d o s p a ra e vi t a r o e s c â n d a l o .
17) O j ú r i ( d e s c r i m i n o u / d i s c r i m i n o u ) o r é u po r s e r j u de u .
18) A e m p r e g a d a g u a r d o u a s c o m p ra s n a ( d e s pe n s a / d i s p e n s a ) .
19) A g u e r ra e ra ( e m i n e n t e / i m i n e n t e ) n o O r i e n t e M é d i o .
20) Fo i p r e s o e m ( f l a g ra n t e / f ra g ra n t e ) de l i t o .
21) No último (pleito/ preito) foi eleito síndico.
22) O m é d i c o q u e r i a ( p r o s c r e ve r / p r e s c r e ve r ) a r e c e i t a ra p i d am e n t e .
23) A l e i ( r e t i f i c o u / ra t i f i c o u ) o s e r r o s d o do c u m e n t o a n t e r i o r.
24) C o m b a t e u o ( t r á f i c o / t r á f e go / t r â n s i t o ) d e d r o g a s .
25) A q u a n t i a e ra ( v u l t o s a / v u l t u o s a) .

45
Apostila de Língua Portuguesa Profa. Adriana
Antony

9. DÚVIDAS COMUNS NA LÍNGUA PORTUGUESA

ESTE / ESSE
ESTE: ESSE:
1. Indicar objetos que estão próximos 1. Indicar objetos que estão com a
2. Indicar tempo presente ou futuro pessoa com quem se fala;
Ex.: 2. Indicar tempo passado.
Este presente traduz a minha admiração Ex.:
por você. Esse seu vestido está muito chique para
Este dia representa a conquista de todos o evento.
os meus sonhos. Esse encontro não foi o que eu esperava.

EU / MIM
EU: MIM:
Acontece após a preposição para e antes Acontece após qualquer preposição.
de verbo no infinitivo. Ex.:
Ex.: Isto fica entre mim e ti.
Isto é para eu comer. Isto é para mim.
Pediram para eu ir direto ao shopping.

A / HÁ
A: HÁ:
Indica tempo futuro. Indica tempo passado.
Ex.: Ex.:
O próximo teste será daqui a 45 dias. O professor saiu da sala há 15 minutos.

ONDE / AONDE / DONDE


AONDE: Ex.: Donde vens? / Ele passou muito
bem no vestibular, donde se conclui que
Utilizado quando se usar o verbo “ir” (ou deve ter estudado bastante.
sinônimos, “encaminhar-se”, “dirigir-
se”); com verbos de movimento.
Ex.: Aonde vamos? / Aonde corres com ONDE:
tanta pressa?
Utilizado em situações estáticas. (verbos
DONDE: de quietação)
Ex.: Onde moras? / O local onde se situa
Utilizado para indicar procedência, causa a Praça da República é aprazível.
ou conclusão.
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PROIBIDO / PROIBIDA (É BOM, É


NECESSÁRIO)
Quando o substantivo vem acompanhado de artigo, estas expressões concordam com
ele; caso contrário, ficam invariáveis.
Ex.: É proibida a entrada de pessoas estranhas. / É necessário paciência. / Proibido
fumar. / A água é necessária.

A FIM / AFIM
AFIM: A FIM DE:

Semelhante. Quando indica finalidade.


Ex.: O gosto dela era afim ao da turma. Ex.: Ela não está a fim do rapaz. / Veio a
fim de conhecer os parentes.

A CERCA DE / ACERCA DE / HÁ CERCA DE


A CERCA DE: ACERCA DE:

Significa a uma distância. Significa sobre.


Ex.: Osório fica a cerca de uma hora de Ex.: Conversamos acerca de política.
automóvel da capital.

HÁ CERCA DE:

Significa que faz ou existe(m)


aproximadamente.
Ex.: Moro neste apartamento há cerca
de oito anos.

SENÃO / SE NÃO
SE NÃO: SENÃO:

Empregado quando o SE puder ser Empregado quando puder ser substituído


substituído por CASO ou NA HIPÓTESE por CASO CONTRÁRIO ou A NÃO SER.
DE QUE. Ex.: Vá de uma vez, senão você chegará
Ex.: Se não chover, viajarei amanhã. tarde. / Nada havia a fazer senão
(condição) conformar-se com a situação.

A PAR / AO PAR
A PAR:
Apostila de Língua Portuguesa Profa. Adriana
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Significa ciente, informado, prevenido. AO PAR:


Utilizado Utilizado com o verbo ESTAR.
Ex.: O diretor não estava a par deste Significa câmbio; indica título ou moeda
assunto. de valor idêntico.
Ex.: O real já esteve ao par do dólar.

MAIS / MAS
MAIS: MAS:

Indica quantidade; contrário de menos. Conjunção adversativa. Significa


Ex.: Converse menos e trabalhe mais. oposição.
Ex.: Ele pretendia apoiá-la, mas na
última hora desistiu.

MAL / MAU
MAU: Ex.: Ele se comportou mal.
Seu argumento está mal
Adjetivo antônimo de Bom. Utiliza-se estruturado.
fazendo referência a um substantivo.  Conjunção temporal (equivale a
Ex.: Escolheu um mau momento para assim que).
sair. / Era um mau aluno. Ex.: Mal chegou, saiu.
 Substantivo (quando precedido de
artigo ou de outro determinante):
MAL: Ex.: O mal não tem remédio./ Ela foi
atacada por um mal incrível.
 Advérbio de modo (antônimo de
bem):

CESSÃO / SESSÃO / SEÇÃO


CESSÃO: Ex.: Assistimos a uma sessão de cinema.
/ Reuniram-se em sessão extraordinária.
É o ato de ceder, o ato de dar.
Ex.: Ele fez a cessão dos seus direitos
autorais. / A cessão do terreno para a SEÇÃO/SECÇÃO:
construção do estádio agradou a todos
os torcedores. Significam a mesma coisa, ou seja, parte
de um todo, um segmento, uma
SESSÃO: subdivisão.
É o intervalo de tempo que dura uma Ex.: Lemos a notícia na secção (ou
reunião, um evento, etc. seção) de esportes. / Compramos os
presentes ma secção de brinquedos.

EM VEZ DE / AO INVÉS DE
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EM VEZ DE: AO INVÉS DE:

Significa EM LUGAR DE. Significa AO CONTRÁRIO DE.


Ex.: Em vez de Paulo, foi Pedro quem Ex.: Ao invés de proteger, resolveu não
trabalhou hoje. assumir. / Ao invés de curar, o remédio
piorou a situação.

TAMPOUCO / TÃO POUCO


TAMPOUCO: TÃO POUCO:

É advérbio e significa também não. Advérbio de intensidade TÃO


Ex.: Não realizou a tarefa, tampouco modificando o POUCO , que pode ser
apresentou qualquer justificativa. advérbio ou pronome indefinido.
Ex.: Tenho tão pouco entusiasmo pelo
trabalho!

MEIO / MEIA
Será um adjetivo quando estiver Quando puder ser substituído por UM
modificando um substantivo, por isso, POUCO ou MAIS OU MENOS, será
variável. advérbio, portanto invariável.
Ex.: Meia garrafa / meia-noite / meias Ex.: Meio adoentada / meio fechada /
palavras / meio copo meio escondida

MESMO / MESMA
Concorda sempre com a palavra a que Quando significar REALMENTE ou DE
se refere e pode ser trocado por próprio, FATO permanecerá invariável.
própria. Ex.: As alunas vieram mesmo. / Os
Ex.: Elas mesmas disseram isso. / Os governos recorreram mesmo ao FMI.
meninos mesmos foram os construtores
desta torre.

BASTANTE / BASTANTES
Quando adjetivo, varia. Quando advérbio, não.
Ex.: Falavam bastante e bastantes vezes.

QUITE / QUITES
Concorda em número com o nome a que se refere.
Ex.: João está quite com a Receita Federal. / Estamos quites com o serviço militar.
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OBRIGADO / OBRIGADA
Os homens dizem obrigadO e as mulheres dizem obrigadA.
Vários homens dizem obrigadOS e várias mulheres dizem obrigadAS.

INCLUSO / ANEXO/ APENSO


Concordam com o substantivo a que se referem.
Ex.: Seguirão inclusas (anexas, apensas) as notas de compra. / Chamamos sua atenção
para os documentos anexos (inclusos, apensos).
No entanto, quando estas palavras forem precedidas de EM, a expressão fica invariável.
Ex.: Seguem, em anexo (em apenso), as notas de compra.
Exceção: INCLUSO não admite a formação com EM.

NAMORANDO (COM)
O verbo NAMORAR, é transitivo direto, portanto não admite a preposição COM.
Ex.: Maria começou a namorar João no mês passado.

POR QUE / POR QUÊ / PORQUE / PORQUÊ


POR QUE: POR QUÊ:
Quando vier no fim da frase e também
• Neste caso, temos: POR =
representar preposição + pronome
preposição + QUE = pronome
interrogativo.
relativo. Pode ser substituído por
Ex.: Você faltou por quê?
PELO QUAL.
Ex.: Esta é a estrada POR QUE passo
PORQUE:
todos os dias.
Conjunção causal, podendo ser
Os motivos POR QUE não votei nele são
substituída por uma vez que, visto que.
óbvios.
Ex.: Tirou boa nota PORQUE estudou.
• Pode equivaler a POR QUAL RAZÃO,
PORQUÊ:
POR QUAL MOTIVO. Neste momento,
Agora temos um substantivo que virá
ainda temos a preposição POR +
precedido de artigo ou outro
pronome interrogativo QUE.
determinante (adjetivo, pronome ou
Ex.: Não sei POR QUE ela não veio.
numeral).
POR QUE você não compareceu a
Ex.: Me dê um PORQUÊ para me deixar.
reunião?
Não entendemos o PORQUÊ de seu
comportamento.
Apostila de Língua Portuguesa Profa. Adriana
Antony

UNIDADE IV: TEXTO

"A educação produziu uma vasta população capaz


de ler, mas incapaz de distinguir o que vale a
pena ler.
GEORGE M. TREVELYAN – Historiador, ensaísta e educador inglês
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

10 O QUE É TEXTO?

Ao se iniciar um estudo em torno do texto, torna-se importante defini-lo, bem


como evidenciar algumas de suas características.

Para Val (2004)15 o texto é uma “ocorrência lingüística falada ou escrita, de


qualquer extensão, dotada de unidade sociocomunicativa, semântica e formal”. A partir
desta definição, pode-se perceber que um texto não é somente o que está escrito, mas
também as idéias expressas através da oralidade.

Tudo o que se transmite num ato comunicativo são textos, por isso eles são a
linguagem em um contexto pragmático. É o que de mais concreto se pode ter do jogo de
interação entre os homens.

Para que sejam reconhecidos como texto, é necessário não somente estarem de
acordo com a estrutura da língua (serem gramaticais), como também serem dotados de
sentido, portanto, muitos fatores devem ser levados em conta neste processo. Podemos
destacar: a intenção do produtor, o contexto discursivo, os interlocutores, a adequação
do assunto, dentre outros.

Deve-se ter um cuidado especial ao produzir um texto, respondendo, sempre, as


seguintes perguntas:

1. O que vou escrever?

2. Para quem vou escrever?

Tendo estas duas respostas, determina-se COMO será produzido o texto,


adequando o nível de linguagem, delimitando o conhecimento, enfatizando os objetivos.

Ao final, o texto deve possuir uma unidade de sentido, deve ser compreendido
como um todo.

10.1 Qualidades de um texto16

A linguagem escrita se divide em literária e não-literária. O estilo literário dá


margens à subjetividade, a conotação, portanto, à liberdade de expressão. O estilo não-
literário, mesmo havendo a subjetividade, deve prevalecer a denotação, a objetividade,
15
VAL, Maria da Graça Costa. Redação e Textualidade. São Paulo: Martins Fontes,
2004.
16
Assunto pesquisado em MARTINS, Dileta Silveira; ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Português
Instrumental. 27.ed. São Paulo: Atlas, 2008.

52
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

a clareza, a impessoalidade, a concisão, dentre outros fatores de extrema importância


neste tipo de texto.

Dentre alguns fatores relevantes para a produção de um texto científico (não-


literário), podem ser destacados:

1. Harmonia: diz respeito à mensagem que soa bem aos ouvidos, elegante, sem
apresentar quaisquer vícios que comprometam a sonoridade da frase, como:
cacofonia, hiatismo, eco, colisão (aliteração), repetição de palavras, excesso de
“que”.

2. Clareza: todo e qualquer pensamento deve ser expresso da forma mais clara e
objetiva possível para que a sua compreensão seja realizada de forma integral,
sem ambigüidades.

Alguns possíveis problemas de clareza:

a. Eu, parece-me que o rapaz que eu fui ao escritório dele na semana passada, é
fã ardoroso do Flamengo.

(_____________________________________________________________)

b. Perdoas? Não discordo.

Perdoas? Não! Discordo.

(_____________________________________________________________)

c. Vendem-se cobertores para casal de lã.

(_____________________________________________________________)

d. Precisa-se de babá para cuidar de criança de 17 a 25 anos.

(_____________________________________________________________)

e. A ordem do ministro que veio de Brasília.

(_____________________________________________________________)

f. Ele pensava no antigo amor e julgava que a sua agressividade teria contribuído
para o término do romance.

(_____________________________________________________________)

g. O leite, que é um alimento precioso para a saúde, e esta, uma dádiva divina,
deve ser ingerido após sofrer o processo de pasteurização , que o imuniza
contra diversas infecções.

(_____________________________________________________________)

53
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

3. Concisão: é a economia lingüística que extrai o desnecessário deixando o texto


breve e completo, primando apenas pela praticidade de comunicação. Quaisquer
informações desnecessárias ao contexto torna o texto inútil e prolixo.

Alguns problemas de concisão:

Ex.: A partir deste século, o número cada vez maior e, por isso mesmo mais
alarmante de separações, flagelo irrecuperável da família moderna, tem alarmado
as autoridades governamentais, guardiãs perenes do bem-estar social,
principalmente, pelas seqüelas traumatizantes produzidas nos filhos e pela
decadência moral da sociedade, tendo em vista ser a família o esteio e a célula-
mater dessa mesma sociedade.

a. A partir deste século – expressão desnecessária por não se tratar de


historicizar o fato.

b. ...e por isso mesmo, mais alarmante... – expressão desnecessária pois logo
em seguida se discorre sobre isso.

c. ...flagelo irrecuperável da família moderna... – expressão vazia de


conteúdo, desnecessária por trazer dois vocábulos redundantes: irrecuperável
(já inserido em flagelo, sem recuperação) e moderna (já que se iniciou falando
sobre o século).

d. ...guardiãs perenes do bem-estar social... – explicação desnecessária,


chavão deselegante.

e. Principalmente pelas seqüelas – preciosismo lingüístico que só serve para


encher o texto com idéias vazias.

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

11 O TEXTO ORAL E O TEXTO ESCRITO

Ao se estudar sobre linguagem, observa-se que entre a fala e a escrita existe uma
característica predominante: o caráter normativo da escrita.

O registro escrito exige de seu produtor um conhecimento maior acerca da língua


culta, pois este necessita de maior elaboração, de uma estrutura perfeita, dentro dos
moldes formais.

Já a flexibilidade da fala exige apenas adequação de seu produtor. A liberdade de


comunicação requer do falante bom senso para distinguir o nível de linguagem a ser
utilizado em cada situação de interação verbal.

Halliday (1989 apud Oliveira,2007)17 aponta os dois registros com usos,


finalidades e funções diversas, que se expressam por significados lingüísticos
potencializando o uso da linguagem.

Há quem acredite que a linguagem escrita é apenas utilizada na veiculação de


textos formais e que a fala serve apenas para comunicar, portanto utilizada apenas em
seu caráter informal.

Deve-se ressaltar que a oralidade pode se apresentar de duas formas distintas:

1. A espontânea: aquela que se utiliza sem monitoração e/ou planejamento;


a linguagem cotidiana dentro dos padrões coloquiais;

2. A formal: aquela em que necessita de maior monitoração e planejamento;


a linguagem utilizada em palestras, pronunciamentos políticos, ou
qualquer situação que exija maior cerimônia e formalidade.

A escrita também pode ser avaliada sob dois pontos, semelhantes à oralidade:

1. A escrita espontânea: aquela que se pauta na rapidez do tempo, em algo


mais pessoal, como nas conversas em salas de bate-papo da internet,
bilhetes ou anotações pessoais.

2. A formal: aquelas bem elaboradas e que passam por um crivo maior em


termos de detalhes, estrutura e gramática normativa. São aquelas
utilizadas em trabalhos científicos, livros, discursos, textos, etc.

17
OLIVEIRA, Jorge Leite. Texto Acadêmico. Técnicas de redação e de pesquisa
científica. Petrópolis: Vozes, 2007.

55
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

É muito comum encontrar no texto escrito características da oralidade. Isto se


deve ao fato de se ter muito pouco treinamento ou prática em torno da habilidade escrita
e, principalmente, explicações quanto ao estilo e comportamento lingüístico do falante.

O reconhecimento das diferenças e níveis de linguagem, bem como a consciência


das especificidades de ambas, são o primeiro passo para se delinear essa prática.

56
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

12.TEXTUALIDADE

Textualidade, de acordo com Val (2004, p.5)18, é o “conjunto de características


que fazem com que um texto seja um texto, e não uma seqüência de frases.”

Existem alguns fatores que determinam a funcionalidade de um texto em um


processo sociocomunicativo. São eles: a coesão, a coerência, a intencionalidade, a
aceitabilidade, a situacionalidade, a informatividade e a intertextualidade.

A coesão e a coerência merecem destaque especial, portanto serão estudados em


capítulos específicos. Os outros fatores, também com importância determinante no texto,
referem-se a parte prática (contexto da situação, intenção comunicativa, características
e crenças do produtor e recebedor do texto, etc.).

A intencionalidade e a aceitabilidade estão diretamente ligados ao emissor e


receptor, principais elementos do ato comunicativo. O primeiro fator diz respeito à
intenção do emissor em apresentar um discurso coeso e coerente aos objetivos que
determina. Esta intenção ou meta pode ser de informar, convencer, impressionar,
alarmar, pedir, ofender, solicitar, dentre muitas outras orientando o texto. O segundo
concerne à aceitação do receptor acreditando ser o discurso, além de coeso e coerente,
relevante e útil. Referem-se também ao seus interesses, nível de informações obtidas e
maneira como são expostas (precisão, clareza, concisão, etc.)

Concomitante a estes dois fatores surge um fato interessante: a cooperação entre


os falantes. Esta é uma atitude assumida por eles, em que o recebedor age sempre
acreditando ser o texto coerente, portanto, buscando captar a coerência de alguma
forma, suprindo espaços vazios, fazendo deduções... Enfim, em uma postura cooperativa
buscam todo o conhecimento para obter o sentido do texto para poderem interagir.

A situcionalidade é o fator que leva em conta o contexto em que ocorre o ato


comunicativo. É importante adequar o texto à situação, de forma que haja relevância,
coerência e sentido para os receptores. Eles precisam vê-lo com naturalidade,
reconhecendo a linguagem dentro de seu contexto sociocomunicativo.

Outro ponto importante na questão textualidade é o quanto de informação se


obtém em um texto. Um bom índice de dados faz com que ele seja recebido dentro da
normalidade, pois o texto que traz muita ou o que traz pouca informação tende ao
fracasso. A informatividade é o fator que despertará o interesse do receptor. É

18
VAL, Maria da Graça Costa. Redação e Textualidade. São Paulo: Martins Fontes,
2004.

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

necessário de informações suficientes e inequívocas para que o interlocutor consiga


processá-las sozinho, da mesma forma, que estas sejam imprevisíveis, pois tudo o que é
muito claro e esperado também tende a ser desinteressante.

Há ainda um último fator: a intertextualidade. Este traz conhecimentos de


outro(s) texto(s) para adicionar ao principal. O sentido do texto depende do
conhecimento de outros discursos, com relação a conteúdo e fatores formais (tipos
textuais).

Por todos estes fatores mencionados, pode-se perceber que a produção textual
não se constrói de teorias, mas principalmente de uma prática desenvolvida com afinco.

58
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

13. COESÃO TEXTUAL

“Modo como os componentes da superfície textual – isto é, as palavras e frases


que compõem um texto – encontram-se conectadas entre si numa seqüência linear, por
meio de dependências de ordem gramatical”.(Beaugrande & Dressler, 1981 apud Koch,
2007, p.16)19

Fatores de coesão são “aqueles que dão conta da estruturação da seqüência


superficial do texto”. (Marcuschi, 1983 apud Koch, 2007, p.16)20

Todo o texto necessita estar unido semanticamente, isto é, suas idéias devem
estar interligadas através de mecanismos que garantem a unidade. São eles: os
mecanismos gramaticais e os mecanismos lexicais.21

 Mecanismos gramaticais: pronomes, advérbios, artigos, elipses, numerais e as


conjunções.

Ex.1: O colégio é um dos melhores da cidade. Seus dirigentes se preocupam


muito com a educação integral. (SEUS = ______________________)

Ex.2: O Presidente foi a Portugal. Lá, ele foi homenageado. (LÁ =


____________________, ELE = ____________________________)

Ex.3: O Presidente foi a Portugal. Lá, foi homenageado. (Quem foi homenageado?
Ele, o Presidente. ELE = ____________________________ = elipse)

Ex.4: Não podemos dizer que toda a turma esteja mal preparada. Um terço pelo
menos parece estar dominando o assunto. (Um terço =
________________________)

Ex.: 5: Estávamos todos aqui no momento do crime, porém não vimos o


assassino. (PORÉM = ______________________________)

Ex.6: Comprei dois velocípedes para as crianças. O do Roberto é o mais bonito.


(o = ________________________)

19
Idem, ibidem.
20
Idem, ibidem.
21
Exemplos retirados dos livros: VIANA, Antonio Carlos (coord.). Roteiro de Redação.
Lendo e argumentando. São Paulo: Scipione, 1998. / SOBRAL, J. Jonas Veiga. Redação.
Escrevendo com prática. 2.ed. São Paulo: Iglu, 1997. / KOCH, Ingedore Villaça. A coesão
textual. 21.ed. São Paulo: Contexto, 2007.

59
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

 Mecanismos lexicais: reiteração e associação.

o Reiteração: repetição de uma palavra através de processos como:


nominalização e substituição (sinônimos, antônimos, metonímias22, hipônimos
e hiperônimos).

Ex.1: Eles foram testemunhar sobre o caso. O juiz disse, porém, que tal
testemunho não era válido por serem parentes do assassino.
(________________________________________)

Ex.2: Ele não suportou a desfeita diante de seu próprio filho. Desfeitear um
homem de bem não era coisa para se deixar passar em branco.

( _______________________________)

Ex.3: Vimos o carro do ministro aproximar-se. Alguns minutos depois, o veículo


estacionava adiante do Palácio do Governo. ( _________________________)

Ex.4: O governo tem-se preocupado com os índices de inflação. O Planalto diz


que não aceita qualquer remarcação do tempo. (_______________________)

Ex.5: A multidão ouviu o ruído de um motor. Todos olharam para o alto e viram a
coisa se aproximando. (_____________________________)

Ex.6: São Paulo é sempre vítima das enchentes de verão. Os alagamentos


prejudicam o trânsito, provocando engarrafamentos de até 200 quilômetros.
(________________________________)

13.1 OPERADORES ARGUMENTATIVOS – Articulação sintática do texto23

Um texto coeso depende também de seu caráter sintático, o qual permite que as
frases se interliguem através de certos articuladores24. São eles:

• Articulação sintática de oposição: através da coordenação adversativa (mas,


porém, contudo, todavia, entretanto e no entanto) e da subordinação concessiva
(embora, muito embora, ainda que, conquanto, posto que, apesar de, a despeito
de, não obstante).

22
Metonímia é a substituição de uma palavra por outra semelhante, estabelecendo uma
relação lógica.
23
Baseado no livro: ABREU, Antônio Suárez. Curso de Redação. 12.ed. São Paulo: Ática,
2008.
24
O autor utiliza articuladores para abranger as locuções prepositivas e não somente os
conectivos.

60
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Coordenadas adversativas

Ex.1: A polícia conseguiu prender todos os ladrões, mas as jóias ainda não foram
recuperadas.

Ex.2: A polícia conseguiu prender todos os ladrões, entretanto as jóias ainda não foram
recuperadas.

Ex.3: A polícia conseguiu prender todos os ladrões, as jóias, entretanto, ainda não
foram recuperadas.

Ex.4: A polícia conseguiu prender todos os ladrões, as jóias ainda não foram
recuperadas, entretanto.

IMPORTANTE:

Com excessão do MAS, todos os outros conectivos podem deslizar pela frase sem
impactar no sentido ou na estrutura.

Subordinadas concessivas

Ex.5: Embora a polícia tenha conseguido prender todos os ladrões, as jóias ainda não
foram recuperadas.

Ex.6: Apesar de a polícia ter conseguido prender todos os ladrões, as jóias ainda não
foram recuperadas.

IMPORTANTE:

A oposição pode ser expressa das duas formas exemplificadas acima, mas quando
realizada pela subordinada concessiva, ganha maior destaque e realce, além de preparar
o recebedor para a conclusão contrária.

• Articulação sintática de causa: através de conjunções e locuções conjuntivas


(porque, pois, como, por isso que, já que, visto que, uma vez que) e de
preposições e locuções prepositivas ( por, por causa de, em vista de, em virtude
de, devido a, em conseqüência de, por motivo de, por razões de).

61
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Ex.1: Não fui até Roma porque estava com pressa de regressar ao Brasil.

Ex.2: Não fui até Roma em virtude de estar com pressa de regressar ao Brasil.

OBSERVAÇÃO:

Nesta articulação, a oração causal pode preceder a oração principal.

Ex.3: Porque estava com pressa de regressar ao Brasil, não fui até Roma.

Ex.4: Em virtude de estar com pressa de regressar ao Brasil, não fui até Roma.

OBSERVAÇÃO:

A conjunção COMO só tem valor de causa se utilizada precedendo a oração principal.

Ex.5: Como estava com pressa de regressar ao Brasil, não fui até Roma.

OBSERVAÇÃO:

Já no caso da conjunção POIS, não há inversão, estando sempre após a oração principal.

Ex.6: Não fui até Roma, pois estava com pressa de regressar ao Brasil.

• Articulação sintática de condição: através dos conectores se, caso, contanto


que, desde que, a menos que, a não ser que.

Ex.1: Se você viajar hoje à noite, poderá descansar mais amanhã.

Ex.2: Se você viajar hoje à noite, pode descansar mais amanhã.

Ex.3: Caso você viaje hoje à noite, poderá descansar mais amanhã.

OBSERVAÇÃO:

As locuções conjuntivas A MENOS QUE e A NÃO SER QUE formam a negativa de uma
oração condicional, evitando o uso do advérbio NÃO.

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Ex.4: Se você não prestar atenção, vai errar.

Ex.5: A menos que você preste atenção, vai errar.

Ex.6: A não ser que você preste atenção, vai errar.

• Articulação sintática de fim: através de conectores como para, a fim de, com o
propósito de, com a intenção de, com o fito de, com o intuito de, com o objetivo
de.

Ex.1: Os salários precisam subir para que haja uma recuperação do mercado
consumidor.

Ex.2: Os salários precisam subir para haver uma recuperação do mercado consumidor.

Ex.3: Ricardo promoveu Carlos, com o objetivo de angariar mais votos.

OBSERVAÇÃO:

No último exemplo, quando existir uma construção agentiva, ou seja, com sujeito
agente, os outros articuladores de finalidades são mais utilizados do que o PARA.

• Articulação sintática de conclusão: através de articuladores como logo,


portanto, então, assim, por isso, por conseguinte, pois (posposto ao verbo), de
modo que, em vista disso.

Ex.1: Sidney vendeu sua moto prateada, logo, só poderá viajar de carro.

OBSERVAÇÃO:

As conjunções LOGO e DE MODO QUE, só são empregadas antes do verbo.

A conjunção POIS, depois do verbo.

Ex.2: Agnaldo comprou um capacete, de modo que usará sua moto com maior
segurança.

Ex.3: Agnaldo comprou um capacete; usará, por isso, sua moto com maior segurança.

Ex.4: Agnaldo comprou um capacete; usará, pois, sua moto com maior segurança.

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

13.2 As conexões do texto

Os conectivos são um dos principais responsáveis pela coesão do texto,


tornando a leitura fluente. Eles são utilizados tanto no interior da frase quanto na
transição de um enunciado a outro.

Os principais conectivos são:

• Conjunções, locuções conjuntivas, preposições e locuções prepositivas:

1. Adição – e, nem, também, não só...mas também.

2. Alternância – ou...ou, quer...quer, seja...seja

3. Causa – porque, já que, visto que, graças a, em virtude de, por (+infinitivo).

4. Conclusão – logo, portanto, pois.

5. Condição – se, caso, desde que, a não ser que, a menos que.

6. Comparação – como, assim como.

7. Conformidade – conforme, segundo.

8. Conseqüência – tão...que, tanto...que, de modo que, de sorte que, de forma que,


de maneira que.

9. Explicação – pois, porque, porquanto.

10. Finalidade – para que, a fim de que; para (+infinitivo).

11. Oposição – mas, porém, entretanto; embora, mesmo que; apesar de(+infinitivo)

12. Proporção – à medida que, à proporção que, quanto mais, quanto menos.

13. Tempo – quando, logo que, assim que, toda vez que, enquanto.

• Pronomes relativos:

Variáveis
Masculino Feminino

64
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Singular Plural Singular Plural Invariáveis


O qual Os quais A qual As quais Que
Cujo Cujos Cuja Cujas Quem
Quanto Quantos Quanta Quantas Onde

As transições são as pontes que acontecem entre um pensamento e outro. Estes


termos ajudam na organização do texto, fazendo com que novas idéias sejam inseridas
mais facilmente sem perder o sentido. Deve-se, contudo, evitar o exagero, que também
prejudica o texto.

Principais termos de transição:

1. Afetividade – felizmente, queira Deus, pudera, ainda bem (que).

2. Afirmação – com certeza, indubitavelmente, por certo, certamente, de fato.

3. Conclusão – em suma, em síntese, em resumo.

4. Conseqüência – assim, consequentemente, com efeito.

5. Continuidade – além de, ainda por cima, bem como, também.

6. Dúvida – talvez, provavelmente, quiçá.

7. Ênfase – até, até mesmo, no mínimo, no máximo, só.

8. Exclusão – apenas, exceto, menos, salvo, só, somente, senão.

9. Explicação – a saber, isto é, por exemplo.

10.Inclusão – inclusive, também, mesmo, até.

11.Oposição – pelo contrário, ao contrário de.

12.Prioridade – em primeiro lugar, primeiramente, antes de tudo, acima de tudo,


inicialmente.

13.Restrição – apenas, só, somente, unicamente.

14.Retificação – aliás, isto é, ou seja.

15.Tempo – antes, depois, então, já, posteriormente.

65
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Ex.1: Da mesma forma, é alentador para quem trabalha em redação conviver com
gente atraente, em meio ao circo de horrores que consome o dia-a-dia. (indica
semelhança, comparação entre o que se diz nesse enunciado e no anterior)

Ex.2: É claro que, à parte algumas funções na televisão, a beleza não é condição
necessária e obrigatória para o exercício do jornalismo. (é claro que – anuncia uma
afirmação segura / à parte – indica exclusão)

14. COERÊNCIA TEXTUAL25

Ex.1: Holyfield venceu a luta, apesar de ser o mais forte dos lutadores.

Ex.2: Estava voltando para casa, quando vi na calçada algo que parecia um saco de lixo,
cheguei mais perto para ver o que acontecia...

Ex.3: A galinha estava grávida.

Ex.4: No rádio toca um rock. O rock é um ritmo moderno. O coração também tem ritmo.
Ele é um músculo oco composto de duas aurículas e dois ventrículos.

Nos exemplos acima, observa-se a falta de coerência de diferentes formas. No


exemplo 1, a conjunção APESAR DE está inadequada, podendo perfeitamente ser trocada
por POIS. No exemplo 2, a coerência é prejudicada pelo fato em si, totalmente sem
nexo. No exemplo 3, o elemento conhecimento de mundo praticamente se opõe à
afirmativa. No exemplo 4, apesar de ser uma seqüência coesa, não possui nenhum nexo,
por estabelecer sentidos diversos para um único texto.

25
Capítulo baseado nos livros: ABREU, Antônio Suárez. Curso de Redação. 12.ed. São
Paulo: Ática, 2008./ VAL, Maria da Graça Costa. Redação e Textualidade. São Paulo:
Martins Fontes, 2004. / SOBRAL, J. Jonas Veiga. Redação. Escrevendo com prática. 2.ed.
São Paulo: Iglu, 1997. / KOCH, Ingedore Villaça; TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A coerência
textual. 21.ed. São Paulo: Contexto, 2007.

66
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

A coerência é um fator de textualidade dos mais importantes, pois é ela que faz
do texto uma seqüência de sentido, passível de interpretações. Para que isto ocorra, as
partes devem estar interligadas, coesas.

Pontua-se alguns elementos que favorecem a coerência:

1. Elementos lingüísticos (o conhecimento de recursos léxicais e gramaticais da


língua);

2. Elementos contextualizadores (aqueles que situam o texto em determinada


situação sociocomunicativa);

3. Conhecimento de mundo (conhecimentos gerais, culturais, cognitivos, textuais);

4. Conhecimento compartilhado (conhecimento mútuo que permitirá haver interação


entre os interlocutores);

5. Inferências (relações implícitas estabelecidas pelo receptor, com base no texto);

6. Situacionalidade (estudado nos fatores de textualidade);

7. Intertextualidade (idem);

8. Informatividade (idem);

9. Intencionalidade e aceitabilidade (idem).

Fatores que se opõem à coerência:

1. Inverossimilhança – a falta de relação com o mundo real;

2. Idéias confusas – as idéias devem estar em uma seqüência, sendo


acrescentadas as novas no decorrer do texto, de forma que se note harmonia;

3. Argumentação falsa – afirmações falsas e inconsistentes no decorrer do texto.

Existe uma discussão que envolve a questão de não-textos, ou seja, a existência


de seqüências totalmente incoerentes. Alguns estudiosos (Beaugrande & Dressler,
Fávero & Kock) compartilham da idéia que sim, existem os não-textos, que são aqueles
em que não há como se obter continuidade de sentido. Outros (Charolles) afirmam que
tudo dependerá dos usuários (produtor e receptor) e da situação, portanto mesmo que a
seqüência esteja comprometida, sempre haverá quem lhe dê sentido.

Conclui-se que para se compreender um texto é necessário considerar:

67
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

1. O conhecimento que o falante tem acerca dos recursos lingüísticos;

2. O conhecimento de mundo que o recebedor compartilha com o produtor do texto;

3. O conhecimento sobre o contexto e seus componentes (incluindo usuários);

4. O conhecimento prévio que pode ser exigido em relação a outros textos.

68
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

1. Use os mecanismos de coesão textual nas frases a seguir:

a. O Presidente esteve na França ontem. O presidente disse na França que o Brasil está
controlando bem a inflação.

b. Comprei muitas frutas e coloquei as frutas na geladeira.

c. Acabamos de receber dez caixas de canetas. Estas canetas devem ser encaminhadas
para o almoxarifado.

d. As revendedoras de automóveis não estão mais equipando os seus automóveis para


vender os automóveis mais caro. O cliente vai à revendedora de automóveis com pouco
dinheiro e, se tiver que pagar mais caro o automóvel, desiste de comprar o automóvel e
as revendedoras de automóveis tem prejuízo.

e. Eu fui à escola, na escola encontrei meus amigos que há muito tempo não via, eu
convidei alguns amigos da escola para ir ao cinema.

f. O professor chegou atrasado e ele começou a ditar matérias sem parar um instante, o
professor é meio estranho, ele mal conversa com a classe, a classe não gosta muito do
professor.

g. Minha namorada estuda inglês. Minha namorada sempre gostou de inglês.

2. Ligue os períodos com auxílio de conjunções.

a. Todos participaram da festa. Alguns não gostaram muito.

b. Todos participaram da festa. Alguns gostariam de ter ficado em casa.

c. Estudamos muito para o vestibular. Conseguiremos a vaga tranqüilamente.

d. O réu não depôs. Não se sentia bem no dia.

e. É importante a contribuição de todos no revezamento de veículos. Possamos respirar


um ar saudável.

f. O tempo vai passando, vamos ficando mais experientes.

g. O fumo deveria ser proibido em locais públicos. O fumo faz muito mal a saúde.

h. Você tenha tempo, apareça aqui para tomarmos um café.

i. Ela tem bastante dinheiro. Ela viajará nas férias.

69
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

j. O professor de matemática é muito sério. O professor de redação é um figurão.

3. Redija novas versões do texto a seguir utilizando os articuladores sintáticos de


oposição (coordenada adversativa) em várias posições dentro da sentença em que
aparecem.

A esquadra paraguaia largou de Humaitá à meia-noite, mas os navios de Barroso já


estavam a caminho, preparados para o combate.

4. Utilizando o texto anterior, redija novas versões dele, desta vez com os articuladores
de oposição por subordinação concessiva.

5. Os textos abaixo necessitam de conectores para sua coesão. Empregue corretamente


os que estão entre parênteses.

a. Uma alimentação variada é fundamental seu organismo funcione de maneira


adequada. Isso significa que é obrigatório comer alimentos ricos em proteínas,
carboidratos, gorduras, vitaminas e sais minerais. Esses alimentos são essenciais. Você
esteja fazendo dieta para emagrecer, não elimine carboidratos, proteínas e gorduras de
seu cardápio. Apenas reduza as quantidades. Você emagrece sem perder saúde. (Saúde,
n.5, maio, 1993, p.63) (assim, mesmo que, para que)

b. Toda mulher responsável pelos cuidados de uma casa já teve em algum momento de
sua vida vontade de jogar tudo para o alto, quebrar os pratos sujos, mandar tudo às
favas, fechar a porta de casa e sair. Já sentiu o peso desse encargo como uma rotina
embrutecedora, que se desfaz vai sendo feito. Não é feito, nos enche de culpas e
acusações, quando concluído ninguém nota, a mulher “não faz mais nada que sua
obrigação”. (SORRENTINO, Sara. Presença da Mulher, n.16, abr/jun. 1990. P.13)
(quando, pois, à medida que)

c. O Brasil pretende sediar as Olimpíadas do ano de 2004. A idéia é interessante. O que


não podemos esquecer antes de mais nada temos que conquistar muitas medalhas nas
olimpíadas de nossa existência como uma nação digna. Alguns dos nossos velhos e
temíveis adversários a serem derrotados são a fome, a miséria, a violência, o
analfabetismo e a ignorância. O nosso principal desafio será ganhar a medalha de ouro
da modalidade, “o povo sem moral vai mal”. (Jornal da Tarde, 17 ago, 1992) (pois, até
que, afinal, é que)

6. Reúna as diversas frases num só período por meio de conjunções e pronomes


relativos. Faça as devidas alterações de estrutura.

a. O camembert é um dos queijos mais consumidos no mundo. Só se tornou popular


durante a Primeira Guerra. Conquistou os soldados nas trincheiras.
b. As moscas conseguem detectar tudo o que acontece à sua volta. Têm olhos
compostos. Seus olhos lhes dão uma visão de praticamente 360 graus.
c. Tratava-se de uma pessoa. Essa pessoa tinha consciência. Seu lugar só poderia ser
aquele. Lutaria até o fim para mantê-lo.
d. Ele ficava à cata das pessoas. Queria conversar. As pessoas não lhe davam a menor
atenção.
e. Ele era auxiliado em suas pesquisas por uma professora. Ele morava numa pensão.
Ele se casaria mais tarde com essa professora.

70
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

f. Era um cais de quase dois quilômetros de extensão. Gostávamos de caminhar ao


longo desse cais. O tempo era sempre feio e chuvoso.
g. Era um homem de frases curtas. A boca desse homem só se abria para dizer coisas
importantes. Ninguém queria falar dessas coisas.

7. Reescreva a oração em destaque segundo o modelo abaixo:(Orações


subordinadas substantivas)

Exemplo:
É indispensável que modernizamos nosso sistema de trabalho.
É indispensável modernizarmos nosso sistema de trabalho.
É indispensável a modernização do nosso sistema de trabalho.

a) É provável que exista vida em outros planetas.


b) Basta que o povo coopere.
c) A solução é, a meu ver, que devolvam a terra a seu legítimo dono.
d) É importante que adquiramos uma aparelhagem mais moderna.
e) Comenta-se, em toda parte, que ele é o responsável por tudo.
f) Convém que leiamos atentamente o texto.
g) O professor sugeriu que interpretássemos o texto.
h) É mister que se conclua com a máxima urgência o planejamento atual.
i) Não importa que o conselho aprove ou não o nosso projeto.
j) Acho bem provável que o diretor intervenha na discussão.

8. Substitua a oração em negrito por um nome de sentido equivalente. (Oração


subordinada adjetiva.)

Exemplo:
Merecem o nosso apoio todos os senadores que participaram da comissão.
Merecem o nosso apoio todos os senadores participantes da comissão.

a) Este é um projeto que a todos beneficia.


b) Jamais suportei as pessoas que mentem.
c) Nossa economia tenderá a sofrer grandes modificações no ano que vem..
d) O amor verdadeiro é um sentimento que não tem fim.
e) A Embratel implantou inúmeras estações que recebem e transmitem sinais.
f) Precisamos de homens que atuem nas comunidades em que vivem.
g) É perigoso manusear objetos que cortam.
h) Espero que sejam punidos todos os que violam a lei.
i) Este é o tipo do filme que cansa.
j) Devem ser evitadas as atitudes que ofendem à moral pública.

9. Reescreva a oração em negrito eliminando o QUE, substituindo o verbo por um


substantivo correlato: (Oração subordinada adjetiva/ Aposto.)

Exemplo:
Fleming, que descobriu a penicilina, contribuiu para o avanço da ciência.
Fleming, o descobridor da penicilina, contribuiu para o avanço da ciência.

a) Caxias, que pacificou várias províncias brasileiras, revelou grande habilidade


política.
b) Bismark, que unificou a Alemanha, foi um dos seus maiores líderes.
c) Um dos que ganharam no último teste da loteria esportiva ficou tão alegre que
causou distúrbios na cidade.
d) Os artistas que criaram a campanha publicitária do MOBRAL receberam
inúmeros elogios.

71
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

e) Os portugueses, que colonizaram o Brasil, deixaram-nos a marca de sua cultura.


f) Vasco da Gama, que descobriu o caminho marítimo para as índias, abriu novos
horizontes comerciais para os
portugueses.
g) Serão punidos todos os que invadirem os territórios indígenas.
h) Avisou-se com antecedência aos que lêem o jornal assiduamente que os preços
seriam aumentados.
i) A firma que construiu o edifício teve lucros acima do normal.
j) O pugilista que detinha o título de campeão mundial dos penas recusou-se a
colocá-lo em jogo fora do país.

10.Reescreva a sentença, substituindo a oração em destaque por outra introduzida


pelo conectivo entre parênteses:(Conectivos que indicam causa.)

Exemplos:
Poucas pessoas podiam acompanhar o orador, que usava palavras inusitadas no seu
discurso. (UMA VEZ QUE)
Poucas pessoas podiam acompanhar o orador, UMA VEZ QUE ele usava palavras
inusitadas no seu discurso.
Os alunos, que não teriam mais aulas naquele dia, foram todos dispensados.
(COMO)
COMO não teriam mais aulas naquele dia, os alunos foram dispensados.

a) O professor, que estava muito cansado naquele dia, resolveu dispensar a turma.
(VISTO QUE)
b) Os jogadores, que haviam treinado com afinco, executaram com perfeição as
jogadas ensaiadas. (EM VIRTUDE DE)
c) A loja teve de trocar a mercadoria, que estava completamente estragada. (POR)
d) A companhia, que era muito pequena para o volume cada vez maior de
negócios, adquiriu uma nova sede. (UMA VEZ
QUE)
e) Muitas pessoas compraram o novo modelo do automóvel, que era econômico e
prático. (VISTO)
f) Não gostamos de futebol, que é um esporte por demais violento. (EM
CONSEQÜÊNCIA)
g) Sempre comprei nesta loja, que tem preços bastante bons e produtos da melhor
qualidade. (POIS)
h) O serviço bancário vem lançando mão de microfilmagem que é um excelente meio
de armazenar a informação.
(PORQUE)
i) O ginasta, que havia vencido várias competições internacionais, recebeu
homenagem pelas suas vitórias. (EM VIRTUDE
DE)
j) Sempre trago meu carro a esta oficina, que tem os melhores mecânicos da
cidade. (JÁ QUE)

72
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

MOMENTO REFLEXIVO

Assunto: A comunicação consigo mesmo Data de realização: ___/___/___


OBJETIVO: Refletir sobre a importância do auto-conhecimento na vida profissional.
SITE: http://www.malima.com.br/article_read.asp?id=520

“Nem só de pão vive o homem, vive também dos sonhos e dos pensamentos puros que
trazem alento e alegrias ao seu coração.” K. Gibran
Por incrível e mais absurdo que pareça, a pessoa com quem mais convivemos está tão
próxima e tão íntima que às vezes até é esquecida e não raro, desvalorizada. Essa pessoa é você
mesmo.
Propomos que você resgate essa comunicação plena e harmoniosa com você mesmo. Um
exercício para isso é olhar-se em um espelho.
Alguns olham para ele com desdém e desaprovação, outros olham e admiram o que vêem,
outros ainda olham e mostram indiferença.
Fico impressionado pelo quão pouco as pessoas se conhecem, e do pouco que se conhecem
se depreciam, denunciando uma baixa auto-estima e pouco amor próprio.
Como exemplo, nos nossos treinamentos é comum perguntar às pessoas depois de uma
primeira gravação em vídeo: Qual foi a sensação ao se ver e se ouvir?
É comum ouvirmos:
- Não gostei.
- Do que você não gostou?
- De nada.
É claro, que do lado de fora das emoções dessa pessoa, estamos observando inúmeras
qualidade e então, para facilitar a auto-análise, segmentamos a percepção e propomos que a pessoa
faça uma análise dessas partes separadamente.
- Fale-nos sobre a sua voz. O que você percebe? Como ela é para você?
- Horrível, feia, estranha, diferente, são os comentários mais comuns .
No entanto, percebemos algumas qualidades, tais como um bom timbre, ou uma bonita
musicalidade, ou a expressão clara e congruente de uma emoção ou uma ótima dicção.
Insistimos um pouco mais:
- Fale-nos sobre seu corpo.
- É muito gordo ou magro, ou careca, ou desengonçado ou feio, são as respostas
tradicionais.
Todavia, estamos notando um estilo marcante e uma personalidade forte, um olhar firme, ou
gesticulação adequada.
Continuamos com as perguntas nessa análise fragmentada:
- E sobre as idéias, sobre como você expressa os seus pensamentos e sentimentos ? Foi
claro, objetivo e estruturou adequadamente a sua exposição, e quanto ao vocabulário e a gramática?
Ouvimos normalmente:
- Muito enrolado. Percebi vários vícios de linguagem, como “tás, nés, certos,” e outros.
- Fui muito prolixo, dei muitas voltas e cometi vários erros gramaticais.
Voltamos a perguntar:
- E de positivo, percebeu alguma coisa?
- Não, nada de positivo. É a resposta.
Numa insistência proposital, forçamos as pessoas a nos dizer algo positivo, procurando saber
do que mais gostou na sua apresentação e, para nossa surpresa é comum ouvir:
- Gostei mesmo quando terminou.

73
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Essa cena se repetiu e tem se repetido com freqüência, mas o mais importante é que ela
retrata o quão pouco as pessoas se conhecem e se valorizam.
Não se valorizam justamente porque não conhecem ou não aprenderam a valorizar as suas
habilidades e competências.
Aprender a se olhar no espelho e a conversar francamente consigo mesmo, é um bom
começo para iniciar um processo de transformação e de auto-estima.
Olhe-se nesse espelho, mesmo que imaginário e veja o ser deslumbrante e maravilhoso que
existe sobre esse planeta. Apesar das vicissitudes e dos dissabores da vida, perceba que existe algo
de mais profundo e belo para você aprender, reconheça os seus valores, no que realmente acredita,
perceba as suas virtudes, os seus erros e acertos, observe o quanto aprendeu ao longo de toda a
sua vida, desde quando era um bebê.
Olhe bem para o seu corpo, perceba a sua beleza, a profundidade do seu olhar, a sua força,
a sua capacidade de construir através dele, a sua saúde, a sua vitalidade.
Observe também os seus sentimentos, os momentos e as lembranças felizes e as negativas
também, por que não? Eles o ensinaram a superar as dificuldades e a crescer. Reconheça os seus
momentos de alegria, de felicidade, de medo, de raiva, de perdão, de tolerância, de paciência e
perseverança.
Olhe-se, converse com você mesmo e saiba valorizar tudo o que você tem e o que você é, a
sua capacidade de expressar no seu rosto o que sente no coração, o seu intelecto, o seu raciocínio, a
sua inteligência e a sua capacidade de criar, as suas emoções e sensações, que lhe permitem o
prazer de sentir o perfume, o sabor, se o tempo está quente ou frio, o prazer de ouvir uma música
que lhe toca a sensibilidade.
Reconheça, por fim, talvez o mais importante, a sua consciência, a sua ligação com o
Cosmos, com Deus e com a Natureza. Perceba que por mais insignificante e radiúnica partícula você
existe, tem uma vida e está aqui.
Abra esse canal de comunicação com você mesmo. Ele é a chave para viver uma vida plena
de realizações, de plantio e colheitas, de bom humor, de alegria, de construção e evolução. Aprenda
a valorizar-se, pois se você mesmo não se valorizar, que o valorizará?
Irradie uma energia boa, de entusiasmo e otimismo por onde passar. Reconheça em você
essa grande capacidade de amar-se e de amar o seu semelhante e, com isso tudo, viva uma vida
plena, repleta de felicidade.

74
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Profa. Adriana Antony

MOMENTO REFLEXIVO

Assunto: Atitude Data de realização: ___/___/___


OBJETIVO: Refletir sobre a importância de se ter atitude na vida.
SITE: http://www.malima.com.br/article_read.asp?id=504

“A maior descoberta da minha geração é que qualquer ser humano pode mudar de vida,
mudando de atitude”. (William James)

Um novo emprego, um novo empreendimento, um novo relacionamento. Independentemente


de qual seja seu novo projeto, apenas mediante atitudes renovadas será possível cultivar resultados
diferenciados. Afinal, se você trilhar o mesmo caminho, chegará apenas e tão somente aos mesmos
lugares.

Se você está em fase de transição – e normalmente estamos, mas não nos apercebemos
disso – aceite o convite para refletir sobre suas atitudes. E corra o risco de não apenas ter idéias
criativas e inovadoras, mas também de livrar-se das antigas.

Componentes de uma Atitude

Atitudes são constatações, favoráveis ou desfavoráveis, em relação a objetos, pessoas ou


eventos. Uma atitude é formada por três componentes: cognição, afeto e comportamento.

O plano cognitivo está relacionado ao conhecimento consciente de determinado fato. O


componente afetivo corresponde ao segmento emocional ou sentimental de uma atitude. Finalmente,
a vertente comportamental está relacionada à intenção de comportar-se de determinada maneira com
relação a alguém, alguma coisa ou evento.

Para melhor compreensão, tomemos o exemplo a seguir. O ato de fumar faz parte dos
hábitos de muitas pessoas. Uns, têm o hábito de fumar; outros, de criticar. E a pergunta que sempre
se faz aos fumantes é o motivo pelo qual não declinam desta prática mesmo estando cientes de
todos os males à saúde cientificamente comprovados.

Analisando este fato à luz dos três componentes de uma atitude podemos atinar o que
acontece. O fumante, via de regra, tem plena consciência de que seu hábito é prejudicial à sua
saúde. Ou seja, o componente cognitivo está presente em sua atitude. Porém, como ele não sente
que esta prática esteja minando seu organismo, continua a fumar. Até que um dia, uma pessoa
próxima morre vitimada por um enfisema. Ou, ainda, ele próprio, fumante, é internado com indícios
de problemas cardíacos decorrentes do fumo. Neste momento, está aberta a porta para acessar o
aspecto emocional: ele sente o mal a que está se sujeitando e decide agir, mudando seu
comportamento, deixando de fumar.

As pessoas acham que atitude é ação. Todavia, atitude é racionalizar, sentir e externar. A
atitude não é um processo exógeno. É algo interno, que deve ocorrer de dentro para fora. E entre a
conscientização e a ação, necessariamente deverá estar presente o sentimento como elo de ligação.
Ou você sente, ou não muda...

Atitudes e Coerência

Atitudes, como valores, são adquiridos a partir de algumas predisposições genéticas e muita
carga fenotípica, oriunda do meio em que vivemos. Moldamos nossas atitudes a partir daqueles com
quem convivemos, admiramos, respeitamos e até tememos. Assim, reproduzimos muitas das atitudes
de nossos pais, amigos, pessoas de nosso círculo de relacionamento. E as atitudes são bastante

75
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

voláteis, motivo pelo qual a mídia costuma influenciar, ainda que subliminarmente, as pessoas no que
tange a hábitos de consumo. Das calças boca de sino dos anos 70 aos óculos de Matrix nos dias
atuais, modas são criadas a todo instante.

As atitudes devem estar alinhadas com a coerência, ou acabam gerando novos


comportamentos. Tendemos a buscar uma coerência racional em tudo o que fazemos. É por isso que
muitas vezes mudamos o que dizemos ou buscamos argumentar até o limite para justificar uma
determinada postura adotada. É um processo intrínseco. Se não houver coerência, não haverá paz
em nossa consciência e buscaremos um estado de equilíbrio que poderá passar pelo auto-engano ou
pela dissonância cognitiva.

Iniciativa, Hesitação e Acabativa

Pessoas dotadas de uma atitude empreendedora, estejam à frente de seus negócios como
proprietários, acionistas ou colaboradores, têm por princípio uma grande capacidade de iniciativa.
Seja um problema ou uma oportunidade, tomam conhecimento dos fatos, sentem a necessidade de
uma ação e assumem um comportamento pró-ativo para solucionar o litígio ou aproveitar a condição
favorável.

Estas pessoas conseguem combater o grande vilão da hesitação, este inimigo sorrateiro que
nos faz adiar projetos, cancelar investimentos, protelar decisões. Ao combatermos a hesitação,
corremos mais riscos, podemos experimentar mais insucessos, mas jamais ficaremos fadados à
síndrome do “quase”, do benefício indelével da dúvida do que poderia ter sido “se” a atitude tomada
fosse outra.

Porém, não basta apenas vencer a hesitação e tomar a iniciativa. O verdadeiro


empreendedor sabe que sem acabativa – um neologismo cada vez mais aceito para identificar a
capacidade de levar a termo uma idéia ou projeto, próprio ou de outrem – não há sucesso. Sem
acabativa, não passamos de filósofos, teorizando, conjecturando.

Por isso, cultive a coragem. Coragem para refletir e se conscientizar. Coragem para ter o
coração e a mente abertos para internalizar o autoconhecimento adquirido. Coragem para agir e
mudar se preciso for.

76
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

UNIDADE V: O PARÁGRAFO PADRÃO

" Enquanto outras actividades nos afastam de nós


mesmos, alienando, a leitura percorre o caminho
inverso: introduz-nos, através da reflexão e da
análise, no mundo do nosso pensamento.”
MIGEUL-ANGEL MARTÍ GARCIA

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

15. O PARÁGRAFO PADRÃO26

“Se escrever fosse uma tarefa de fácil desempenho, os anos de


batente no ensino fundamental e médio seriam suficientes para
que, ao final dessa longa etapa, ninguém precisasse se preocupar
com a temível exigência da redação nos concursos vestibulares”.
(SENA, p.15)

O parágrafo, segundo Garcia (2002, p.219), é “uma unidade de composição


constituída por um ou mais de um período, em que se desenvolve determinada idéia
central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas
pelo sentido e logicamente decorrentes dela”.
A extensão de um parágrafo é variável. Tudo dependerá da idéia desenvolvida em
cada um, lembrando que, parágrafos muito grandes comprometem o seu texto. Neste
caso, os elementos de coesão, bem como a pontuação são o ponto-chave para a
coerência.
O importante é dar a atenção necessária ao uso da linguagem, não esquecendo
de somar idéias coerentes ao assunto que se deseja desenvolver, e utilizar elementos de
transição que interliguem o texto.
Escrever é uma prática. Podem-se enumerar fatores que facilitem a escrita, mas é
através de esforço próprio, dedicação e muito exercícios que nos tornamos bons
escritores.
Encontramos diversas obras (Garcia, Andrade, Soares), cujos autores tentam
extrair características comuns em parágrafos para exemplificar e facilitar a técnica
textual. Eles sugerem, sempre, um planejamento para cercear o desenvolvimento do
texto, bem como meios e formas para desenvolvê-lo por partes.
O importante é o aluno iniciar o seu estudo de produção textual aprendendo a
escrever parágrafos, até a tessitura de um texto dissertativo.
Para que tudo transcorra de maneira natural, é necessário que o escritor saiba
alguns pontos relevantes para iniciar este processo:
1. É interessante que o escritor tenha conhecimento do assunto o qual pretende
desenvolver. Não podemos falar sobre o que sequer conhecemos, portanto, é
essencial escrever assuntos de seu conhecimento;
2. Após ter em mãos o assunto, planeje, pense a respeito, enumere prováveis
idéias secundárias. O planejamento sugerido a seguir servirá como limite aos
seus devaneios;
26
SOARES, Magda Becker; CAMPOS, Edson Nascimento. Técnica de redação. RJ: Ao Livro Técnico, 2004;
ANDRADE, M. Margarida de; HENRIQUES, Antonio. Língua Portuguesa. Noções básicas para cursos
superiores. 8.ed. São Paulo: Atlas, 2007;GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. 21.ed. Rio de
Janeiro: FGV, 2002.

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

3. Quanto a prováveis transgressões à norma culta, lembre-se: é praticando que


podemos reduzir os erros, pois a única forma de trabalhar a língua padrão é
praticando-a.

15.1 Qualidades do parágrafo

Dentre inúmeras qualidades de um parágrafo, podemos destacar:


1. Unidade
Se destacarmos um tema a ser discutido em um texto, apenas uma idéia
deverá ser desenvolvida em cada parágrafo. Todas, é claro, advindas da idéia
principal.
2. Coerência
O texto deve fazer sentido, portanto, as idéias devem estar dispostas de
forma a se destacarem separadamente, sem conflito ou sem contradições.
3. Concisão
A objetividade é o principal em uma produção escrita. Muitos exemplos,
muitas falácias, tornam o texto monótono e confuso.
4. Clareza
É o item que aumenta a aceitabilidade do texto, pois a linguagem simples traz
confiança e compreensão ao leitor.

15.2 O planejamento do parágrafo (o tema, a delimitação e o objetivo)

Observe os parágrafos abaixo:


Parágrafo 1:
“Entre as manifestações folclóricas estão as festas. São celebrações dentro de uma
comunidade humana. Os homens ou celebram o dia de um santo particular ou
celebram uma colheita; ou festejam um acontecimento religioso, ou festejam para
esquecer o dia-a-dia. As festas folclóricas têm, pois, motivos diferentes que
orientam a sua organização.”

Parágrafo 2:
“Das manifestações folclóricas de São Luis, três são de maior agrado dos
visitantes: o Bumba-meu-boi, cuja representação dura uma noite inteira e cujo
enredo tem origem em lendas ligadas à atividade pastoril. A festa do Divino é
sempre no segundo domingo da Ascensão e ainda temos a dos reis e pastores, na
época natalina. No carnaval, a grande atração são os ‘Tambores da Crioula’, com
rica coreografia, e os ‘Fofões’, que são homens trajados em atraentes e coloridas
fantasias. Todas estas festas despertam a curiosidade e o encanto dos turistas”.
(Jornal de Casa, Belo Horizonte, 08/05/77)

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Pergunta-se:
1. Qual o assunto dos textos?
2. Quais as delimitações dadas a cada um?

PARÁGRAFO 1:
Assunto/Tema
Delimitação

PARÁGRAFO 2:
Assunto/Tema
Delimitação

15.2.1 O tema e a delimitação

Cabe a quem vai escrever optar por uma entre as várias possibilidades de
delimitação do assunto. Essa opção deve ser feita com base nos
conhecimentos, experiências e interesses de quem vai escrever: não se
pode escrever bem sobre um tema que não se conhece bem, de que não
se tem experiência ou pelo qual não se tem interesse. (Magda B. Soares e
Edson N. Campos. Técnica de redação. S. Paulo: Ao Livro Técnico, 1987,
p.49)

O tema é sempre algo geral, amplo. É um assunto que permite diversas


vertentes.
A delimitação do tema redefine uma visão, trazendo o conhecimento específico de
cada autor, baseado em vivências, experiências. É um segmento de interesse, que
permite segurança e eficácia no desenvolver textual.

Ex.:
Tema: Educação
Delimitação:
1. A educação no Brasil.
2. O ensino público brasileiro.
3. A falta de comprometimento do governo com o ensino público no Brasil.

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

15.2.2 A fixação do objetivo


O objetivo tem como função direcionar a produção textual.
É um procedimento que facilita a seleção de idéias, estabelece limites ao texto e
evita digressões. Isso tudo permite se concluir de forma coerente o que se escreve,
sendo objetivo e claro.
Ao se pensar sobre o que e pra quem se vai escrever, consegue-se abranger uma
gama de questões acerca do contexto, interlocutores e conhecimento envolvidos no
processo comunicativo. Um destes pontos importantes é o foco no que se quer atingir,
no propósito em mente. Este propósito é a intenção do emissor/locutor/autor. Deve-se
estabelecer este propósito a fim de que seja atingido ao fim do texto, para que também
se atinja o receptor/ interlocutor/ leitor.

Ex.:
Tema: Rio de Janeiro
Delimitação: Os parques do Rio de Janeiro
Fixação do objetivo: Descrever o estado de conservação dos parques do Rio de
Janeiro.

15.2.2 O tópico frasal

O parágrafo possui uma estrutura já conhecida pelos estudantes: a introdução


(chamada neste caso de idéia-núcleo ou tópico frasal), o desenvolvimento e a conclusão.
Estas partes são, respectivamente, de acordo com Garcia (2002):
1. Um ou dois períodos curtos, que apresentam a idéia principal do parágrafo, de
maneira concisa;
2. O desenvolvimento da idéia principal;
3. A conclusão da idéia, porém existente apenas em parágrafos mais extensos
que necessitem este desfecho.
O tópico-frasal é a apresentação da idéia-núcleo. É neste momento do parágrafo
que o leitor tem conhecimento do que será explanado em seu desenvolvimento. É a
delimitação do assunto, é o propósito do texto. É uma generalização do tema, que
externará a opinião do autor, um juízo, uma declaração... É o momento adequado para
prender ou não a atenção do leitor ao que será exposto.
VANTAGENS:
 Limitar o texto ao objetivo fixado;
 Evitar digressões;
 Garantir a objetividade e unidade textual;
 Direcionar o leitor aos seus propósitos.

81
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

TIPOS DE TÓPICO FRASAL:27


DECLARAÇÃO INICIAL
Este tipo de tópico frasal é o mais utilizado, pois consiste apenas em afirmar
ou negar alguma coisa, obviamente necessitando fundamentar e justificar o pensamento.

Ex.:
O conhecimento nasceu como uma extensão do corpo, para
ajudá-lo a viver. O corpo sentiu dor, e a dor fê-lo usar a inteligência a fim de
encontrar uma receita para por fim ‘a dor. O corpo sentiu prazer, e o prazer fê-lo
usar a inteligência a fim de encontrar uma receita para repetir a experiência de
prazer. Esse é o início do conhecimento. Foi assim que nasceu a ciência.
(Rubem Alves, Folha de S. Paulo, 1999)

DEFINIÇÃO
Esse início de parágrafo assume uma forma simples, necessitando possuir um
sentido denotativo. É utilizada mais comumente em textos dissertativos, por se tratar de
uma definição didática, científica.

Ex.:
A coesão é a manifestação lingüística da coerência. Advém da
maneira como os conceitos e relações subjacentes são expressos na superfície
textual. Responsável pela unidade formal do texto, constrói-se através de
mecanismos gramaticais e lexicais.
(COSTA VAL, M. da Graça. Redação e textualidade, 1999, p.99)

DIVISÃO
É um processo também mais científico, por se tratar de uma forma de divisão
ou discriminação de idéias. Geralmente traz, em seguida, uma definição.

Ex.:
Há no mínimo três Nelsons, segundo a classificação dada aos
textos por sábato Magaldi: o das peças psicológicas, que se ocupam do
inconsciente das personagens, o das peças míticas, que mergulham
nas sombras do inconsciente coletivo, e o das tragédias cariocas, com
as quais o dramaturgo enjeitado, mas jornalista muito lido, volta à
realidade cotidiana, nela redescobrindo as aventuras perenes de amor
e morte. A classificação procede, mas não pretende limitar as interpretações.
Há, na verdade, vários Nelsons, como os diretores, entre eles Antunes Filho,
têm sabido enxergar.

27
Os tipos de tópico frasal e de desenvolvimento foram retirados do livro: SENA,
Odenildo. A engenharia do texto. Um caminho ruma à prática da boa redação. 2.ed.
Manaus: EDUA, 2005.

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

ALUSÃO HISTÓRICA
É um estilo diferente, utilizado por profissionais de áreas específicas como
jornalistas e cronistas. Exige um conhecimento específico, uma vez que o escritor fará
alusão a fatos históricos, lendas, tradições, crendices, anedotas ou a acontecimentos os
quais tenha participado.

Ex.:
“Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para
ele, por isso o encarava [..] `Por que aperta os olhos assim? Você não é
limpo de vista?” O personagem do escritor Guimarães Rosa, menino nascido
e criado na Mata do Mutum, em Minas Gerais, não era mesmo “limpo de vista”.
Aos 8 anos equilibrou sobre o nariz, pela primeira vez, um par de óculos que lhe
deu um tropeiro amigo da família. [...] Meio século depois, o panorama é outro.
Falta de óculos ainda é questão de saúde pública, mas, no patamar da alta
especialização, a oftalmologia brasileira se consolida como uma das melhores
do mundo. [...]

OMISSÃO DE DADOS IDENTIFICADORES


É um estilo interessante e criativo, que exigirá habilidade do escritor, pois irá
mexer com a curiosidade do leitor, prendendo-lhe a atenção até expor por completo o
verdadeiro objetivo do texto.

Ex.:
Numa sauna, meia dúzia de mulheres vai aos poucos se
despindo: uma meia, uma frustração amorosa, uma camisa, um
sentimento de inutilidade. A cena é da peça Na sauna, da inglesa Nell Dunn,
adaptada para o cinema por Joseph Losey e montada no teatro Villa-Lobos, no
Rio, sob a direção de Bibi Ferreira. [...]
(Istoé senhor, 1989, p.124)

INTERROGAÇÃO
Também utilizado com a intenção de despertar curiosidade do leitor e chamar
a atenção para a leitura do texto. A pergunta inicial deverá ser respondida no decorrer
do desenvolvimento, e encobre, em muitos casos, uma declaração inicial ou uma
definição.

Ex.:
Para que servem afinal as novelas? De certa maneira, para servir de
espelho ‘a sociedade que as inspira. Mas basta aparecer uma personagem que
não esteja de acordo com a imagem que a sociedade idealiza sobre si mesma e
chovem os pedidos moralizantes para tirar a personagem do ar. [...] Novela é o
espelho da sociedade? É sim, mas com filtro moral.
(PARREIRA, Cláudio. Revista Bundas, n.59, 2000)

83
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Viana (1998) também contribui com outros tipos de tópico frasal, alguns os quais
pode-se destacar:

FRASE NOMINAL SEGUIDA DE EXPLICAÇÃO:

Ex.:
Uma tragédia. Essa é a conclusão da própria Secretaria de Avaliação e
Informação Educacional do Ministério da Educação e Cultura sobre o
desempenho dos alunos do 3º ano do 2º grau submetidos ao Saeb (Sistema de
Avaliação da Educação Básica), que ainda avaliou estudantes da 4ª série e da
8ª série do 1º grau em todas as regiões do território nacional.
(Folha de S. Paulo, 27 nov. 1996)

ADJETIVAÇÃO:

Ex.:
Equivocada e pouco racional. Esta é a verdadeira adjetivação para a
política educacional do governo.
(Anderson Sanches, Infocus, n.5, ano 1, out. 1966, p.2)

SEQÜÊNCIA DE FRASES NOMINAIS:

Ex.:
Desabamento do shopping em Osasco. Morte de velhinhos numa
clínica do Rio. Meia centena de mortes numa clínica de hemodiálise em
Caruaru. Chacina de sem-terra em Eldorado dos Carajás. Muitos meses já
se passaram e esses fatos continuam impunes.

DESCRIÇÃO DE UM FATO DE FORMA CINEMATOGRÁFICA:

Ex.:
Madrugada de 11 de agosto. Moema, bairro paulistano de classe
média. Choperia Bodega – um bar da moda, freqüentado por jovens
bem-nascidos. Um assalto. Cinco ladrões. Todos truculentos. Duas
pessoas mortas: Adriana Ciola, 23, e José Renato Tahan, 25. Ela,
estudante. Ele, dentista.

15.2.3. O desenvolvimento do parágrafo

A partir do desenvolvimento, tudo se torna mais simples, porque o texto já possui


seu planejamento e sua idéia-núcleo. Agora, basta fundamentar de forma clara e concisa
o que se intencionou no tópico frasal, ou seja, defender suas idéias.
IMPORTANTE:

84
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

 Não se esqueça de seguir o planejamento, o objetivo fixado anteriormente.


É ele que irá colocar o limite no seu desenvolvimento, por isso, siga exatamente o que
propôs;
 Interligue as frases do desenvolvimento através de elementos de coesão;
 Cuidado para não utilizar muitas vezes a mesma palavra, já que a
repetição empobrece seu texto, e isso é apenas UM PARÁGRAFO;
 Argumente de forma clara, sem rodeios para não tornar o parágrafo algo
superficial.

15.2.4 Tipos de desenvolvimento:

ENUMERAÇÃO OU DESCRIÇÃO DE DETALHES:


É um desenvolvimento comum. Traz as idéias enumeradas, de forma que se
consiga, claramente, dividi-las por partes, obtendo-se detalhes.

Ex.:
O poder das novelas globais é tão grande, que comprova a velha
afirmação de que a vida imita a ficção. A moda da rua é ditada pelos
personagens dos folhetins; lenços na cabeça ou sandálias com meias,
nada parece ridículo se usado pela mocinha da novela das seis. Mas
não é só aí que a ficção manda na realidade. Fatos tidos antes como
tabus são agora encarados com naturalidade, graças às estórias da
telinha. Nos dias de hoje, ter um filho gay não é mais problema, a mãe
prontamente se identifica com a simpática atriz da novela das oito, e
até gosta. A filha adolescente dormir com o namorado não causa mais
espanto, pois já aconteceu na novela das sete. É, a vida imita mesmo a
arte, afinal, quem nunca se matriculou na ginástica só para se sentir atuando
em “Malhação”?

CONFRONTO E CONTRASTE:
Consiste em estabelecer, no desenvolvimento, um confronto entre idéias,
seres, coisas, fatos ou fenômenos. ”Suas formas habituais são o contraste (baseado nas
dessemelhanças), e o paralelo (que se assenta nas semelhanças)”. (GARCIA, 2002,
p.231)
Caracteriza-se o confronto pelo paralelo estabelecido entre objetos ou
pessoas, buscando comparar algumas características em detrimento de outras.
O contraste traz pontos antagônicos, ou seja, caracteriza o que é diferente.

Ex.: CONFRONTO
Oração e trabalho são os recursos mais poderosos na criação moral do
homem. A oração é o íntimo sublimar-se da alma pelo contato com
Deus. O trabalho é o inteirar, o desenvolver, o apurar das energias do
corpo e do espírito, mediante a ação contínua sobre si mesmos e sobre
o mundo onde labutamos. 85
Rui Barbosa, Antologia nacional
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Ex.: CONTRASTE
Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se
relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repulsam
mutuamente. A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios
definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis. A
politicalha é a indústria do explorar a benefício de interesses pessoais.
Constitui a política uma função, ou conjunto das funções do organismo
nacional; é o exercício normal das forças de uma nação consciente e
senhora de si mesma. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento
crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de
parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente. A
política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a
malária dos povos de moralidade estragada.

COMPARAÇÃO:
A Comparação é a apresentação de características reais, sensíveis entre
objetos ou atitudes. Dá-se, geralmente, através dos conectivos de comparação: como,
quanto, do que, tal qual ou por verbos como: parecer, lembrar, assemelhar-se.

Ex.:
Os dois filmes têm muito em comum. [...] E o vento levou, de 1939, é
a maior produção da primeira metade do século. Custou 46 milhões de
dólares, faturou 863 milhões e ganhou oito Oscar. Titanic, de 1997, é a
maior produção da segunda metade do século. Custou 230 milhões de
dólares, arrecadou 1,8 bilhão e conquistou onze Oscar. [...] Como o
cinema engana [...]
(VEJA, 22.12.99, p.239)

CITAÇÃO DE EXEMPLOS:
Traduz-se em exemplos elucidando o tópico-frasal. Apresenta algumas
expressões próprias como: por exemplo, isto é...

Ex.:
A cidade de Manaus possui lugares muito bonitos para se visitar. O
Teatro Amazonas e a praia de Ponta Negra, por exemplo, não devem
deixar de estar no roteiro de visitas. O primeiro, mais sofisticado,
encanta os olhos com sua beleza rica do período áureo da borracha; o
segundo convida a um passeio informal e possui uma vista linda do Rio
Negro. Quem visita Manaus não esquece essas belezas.
(M.S. aluna do curso de Letras/UFAM, 1999)

DIVISÃO E EXPLANAÇÃO DE IDÉIAS ”EM CADEIA”:


É um modelo eficaz para exploração da imaginação. As idéias são expostas no
decorrer do texto. Uma após outra, como em uma seqüência.

86
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

O autor divide a idéia-núcleo e faz a explanação em seguida, tópico por


tópico.

Ex.:
O atual e crescente interesse pelo canto gregoriano é notável e
compreensível. Notável porque se dá numa época em que tudo o que
está na moda tem de ser barulhento e acelerado, compreensível
porque nenhuma outra música proporciona uma sensação de
tranqüilidade e paz interior tão profunda. Os cantos tranqüilizadores
conquistaram o mundo em busca de uma nova espiritualidade”
(Encarte do CD Vozes da tranqüilidade, Reader’s Digest Música)

CAUSA E CONSEQÜÊNCIA:
Este tipo de desenvolvimento é mais comumente utilizado quando se deseja
convencer, de fato, o leitor, por se tratar de um texto com alto nível argumentativo.
De acordo com sua designação, procura, realmente, encadear o aspecto de
causa e conseqüência no desenrolar textual.

Ex.:
Embora goste bastante de futebol, o torcedor amazonense não prestigia
os jogos locais. A primeira causa para esse crescente desinteresse é a
falta de incentivo por parte do governo e da mídia local, que dão mais
ênfase ao futebol do Sul e do Sudeste, deixando o daqui sem muito
atrativo. A segunda é a ausência de jogadores de expressão e de
grandes ídolos no futebol amazonense, o que faz com que o torcedor
deixe de comparecer aos estádios e prefira assistir aos jogos ‘de fora’
pela televisão. A terceira e principal causa para esse desprestígio é a
falta de uma estrutura profissional local mais eficaz dentro dos clubes,
que não dão aos seus técnicos e atletas condições favoráveis para
desempenharem um futebol de melhor qualidade. Por tais razões, o
futebol, tão apreciado pelo torcedor manauara, não se torna expressivo no

EXPLORAÇÃO DE ASPECTOS TEMPORAIS:


Informações que informam ao leitor ‘quando’ acontecem os fatos. Eles são
descritos em ordem, do mais antigo ao mais recente.
É um tipo de desenvolvimento utilizado quando se deseja explorar datas e
circunstâncias de acontecimentos.

Ex.:
Washington patrocinou dois encontros de presidentes das Américas, nos
anos 90, para discutir uma ‘estratégia de conjunto’ de combate ao narcotráfico.
O primeiro aconteceu em Cartagena, no litoral da Colômbia, em 15 de
janeiro de 1990, reunindo Estados Unidos, Bolívia, Peru e Colômbia. O
segundo, realizado em San Antonio, no Texas, em 26 e 27 de fevereiro
de 1992, reuniu Estados Unidos, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador,
México e Venezuela. Foram encontros patéticos, em que se multiplicaram os
discursos moralistas, mas tendo como pano de fundo, de um lado a arrogância
americana e, de outro, a miséria latino-americana.
87
(ARBEX JR., José. Revista Caros Amigos, set. de 1999, p.36-37)
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

EXPLORAÇÃO DE ASPECTOS ESPACIAIS:


Este tipo de desenvolvimento acontece quando se deseja dar informações
sobre o lugar onde ocorrem os fatos, posição geográfica ou posição de objetos descritos.
É necessário ordenação de idéias para que o leitor apreenda o que está sendo
exposto.

Ex.:
O quarto traduzia sua meiguice. Um quadro na porta trazia uma
fadinha encantada. Ao entrar já se sentia o perfume de lavanda que
exalava de uma vela acesa na cabeceira da cama. Sobre ela uma colcha
rosa e diversas almofadas de flores e de corações. Em uma parede
lateral um cenário de emoções: centenas de fotos traduziam momentos
de alegria. E pendurado em um canto próximo à sacada, um imenso
móbile de bichinhos de pelúcia.Este espaço na casa era lindo e alegre. A
real expressão da sua mocidade.
RESPOSTA À INTERROGAÇÃO:
Recurso simples que consiste apenas em responder ao que foi questionado no
tópico-frasal. É eficaz desde que não se abuse da simplicidade. Traz muita objetividade
ao texto, favorecendo, também, a colocação de idéias.

Ex.:
Qual o comportamento do otimista e do pessimista diante dos obstáculos? O
primeiro logo pensa: “Eu tenho capacidade de superar esses obstáculos, com esforço e
dedicação posso melhorar essa situação. Já o segundo pensa: Ai, meu Deus, e agora? Eu
não vou conseguir resolver esse problema, eu fracassarei, tudo está contra mim!”
Assim, ao analisarmos as duas reações, não é difícil descobrir quem desistiu e quem
lutou 1.5
por seu objetivo.
(A.R.V., aluna do curso de Letras/UFAM, 2001)

15.2.5 . A frase conclusiva

É o momento em que o escritor faz uma retomada do objetivo expresso no


tópico-frasal, revendo de forma sintética e emitindo um juízo, uma opinião, uma análise.
A conclusão é a amarração do texto, o que fará ele se fechar em um só sentido,
daí sua importância.
Podemos lançar 3 tipos de conclusão:
1. Síntese – resume toda a ideia trabalhada no decorrer do parágrafo;
2. Solução – apresenta uma solução para o problema mencionado;
3. Surpresa – exige criatividade pois irá lidar com o imaginário, podendo ser:
uma piada, uma ironia, uma questão, uma poesia, um fato, etc.

88
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

UNIDADE VI: TIPOS DE TEXTO

" O que importa na vida não é o


ponto de partida, mas a caminhada.
Caminhando e semeando, no fim
terás o que colher.”
CORA CORALINA

89
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

16. NARRAÇÃO28

Flagra
No escurinho do cinema
Chupando dropes de anis
Longe de qualquer problema
Perto de um final feliz

Se a Deborah Kerr que o Gregory


Peck Mae
West
Gregory Não vou bancar o santinho
Peck Minha garota é Mae West Mae
Eu sou o Sheik Valentino West

Mas de repente o filme pifou


E a turma toda logo vaiou
Acenderam as luzes, cruzes!
Que flagra!
Que flagra!
Que flagra!

(Roberto de Carvalho e Rita Lee. CD Rita Lee


Rodolfo
e Roberto de Carvalho, Som Livre, 1982.)
Valentino
Deborah
Kerr

“Narrar é contar histórias, inventar enredos, tramas, enigmas, criar personagens,


lugares, fatos, tecer os fios da vida em desenhos mágicos. Podemos narrar coisas
sonhadas ou vividas, na realidade ou na imaginação; ao narrar, tornamo-nos
construtores, produtores de uma outra realidade, de um outro mundo, criado pelo
mágico poder da linguagem.” (FERREIRA, 2006, p. 108)

A narração é um tipo de texto que nos permite distinguir alguns elementos. São
eles: os personagens, um fato, um tempo, um espaço, um enredo, um narrador.
Em nosso dia-a-dia, é comum realizarmos diferentes tipos de narrativas,
principalmente utilizando a linguagem oral. Aliás, é uma atividade realizada antes
mesmo da escrita, quando nossos antepassados passavam seus conhecimentos através
de relatos.

28
Assunto retirado do livro: FERREIRA, Marina. Redação. Palavra e arte. 2.ed. SP: Atual,
2006.

90
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Na narrativa, o modo de contar a história é de fundamental importância. Essa é,


então, a voz do NARRADOR. Ele é um mediador entre história e o leitor ou ouvinte, mas
pode aparecer dentro de 3 focos, que chamamos FOCO NARRATIVO:
• Narrador-personagem: é quando o narrador conta e participa da história.
Narrada em 1ª pessoa;
• Narrador-observador: é quando o narrador conta a história como se estivesse
observando de fora, contando apenas o que pode ver. Narrada em 3ª pessoa;
• Narrados-onisciente: é quando o narrador sabe tudo sobre a história e as
personagens. Ele sabe o que vai ocorrer, sabe e revela os sentimentos das
personagens, e até o que nem mesmo elas sabem. É narrado em 3ª pessoa,
também, mas as vezes o narrador se confunde com a voz do personagem
(discurso indireto livre).

Outro elemento da narrativa é a PERSONAGEM. Sua construção depende do seu


autor, que lhe confere desde as aparências até seus detalhes psicológicos. Podem ser
amados ou odiados, fúteis ou inesquecíveis.

“Os personagens vêm da imaginação do escritor”. De muitos lugares, isso é certo.


Da infância. Do dia-a-dia. De um encontro casual na rua. De uma foto ou notícia de
jornal. Das páginas da história. De um sonho ou de um pesadelo. De uma
associação de idéias. De um desejo de se auto-retratar. [...] Mas isso se refere à
origem mais remota. Em última análise, os personagens de ficção vêm da
imaginação do escritor. Não é a capacidade de bem retratar que faz um escritor de
ficção, mas sim a capacidade de imaginar personagens e de criar situações.
Personagens e situações é que servem de suporte para tudo o mais, inclusive para
as idéias que o escritor eventualmente vincula e que, não fossem os personagens,
transformariam sua obra em ensaio ou reportagem. A atração pelo personagem é
que faz o escritor. (Moacyr Scliar apud Ferreira, p. 124, 2006)

Tipos de discurso:

Na narrativa, a forma como o narrador conta as histórias e registra as falas das


personagens são chamadas de discursos.
Existem três formas de registrar essas falas. Chamam-se: discurso direto,
discurso indireto e discurso indireto-livre.
• Discurso direto: é a fala reproduzida tal qual ela é. A forma como a
personagem se manifesta é registrada ipsis literis29. Geralmente vem
acompanhado por verbos de elocução (dizer, afirmar, declarar, indagar,
retrucar, replicar, gritar, etc.), dois pontos e travessão.

29
Ipsis litteris é uma expressão de origem latina que significa "pelas mesmas
letras", "literalmente". Utiliza-se para indicar que um texto foi transcrito fielmente ao
original. (Wikipedia)

91
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Ex.1.:
- Eu vou jogar a areia naquele casal por causa de que eles estão se abraçando e se
beijando muito – explicou o menininho, dando oura fungada. (Stanislau Ponte Preta)

Ex.2:
- Pois não é caro, disse, está um preço bem mais razoável do que imaginei. (Monteiro Lobato)

Ex.3:
- Pai?
- Hmmm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
[...]
(Luis Fernando Veríssimo. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p.53)

Ex.4:
Ele bloqueou a porta com o corpo. É melhor pagar, disse. (Rubem Fonseca)

• Discurso indireto: neste discurso, o narrador reproduz com suas palavras a


fala das personagens.
Ex.1:
Entrei no gabinete, sentei na cadeira, o dentista botou um guardanapo de papel no meu
pescoço. Abri a boca e disse que meu dente de trás estava doendo muito. Ele olhou com
um espelhinho e perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem
naquele estado. (Rubem Fonseca, Contos reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994, p.49)

Ex.2:
Minha mãe sempre dizia pra eu estudar, mas não dava muita bola, afinal, eu teria muito
tempo pra isso.

• Discurso indireto-livre: é caracterizado pela fala do narrador em meio à


narrativa, porém de forma discreta. É como se o narrador pensasse em
voz alta, deixando-se aparecer discretamente entre as personagens.

92
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Ex.:
Sinhá Vitória tinha amanhecido nos seus azeites. Fora de propósito, dissera ao marido
umas inconveniências a respeito da cama de varas. [...]
Fazia mais de um ano que falava nisso ao marido. Fabiano a princípio concordara com
ela, mastigara cálculos, tudo errado. Tanto para o couro, tanto para a armação. [...]
Tinha de passar a vida inteira dormindo em varas? Bem no meio do catre havia um nó,
um calombo grosso de madeira. E ela se encolhia num canto, o marido no outro, não
podiam estirar-se no centro. (Graciliano Ramos. Vidas Secas.)

Os elementos básicos da narrativa são: a personagem, o espaço e o tempo,


organizados no enredo por um narrador.
ESPAÇO é onde acontece a história, é a ambientação, o lugar onde se
movimentam as personagens.
TEMPO é o quando. Pode ser cronológico (tempo real, marcado pelo relógio) e
psicológico (tempo impreciso, variável de pessoa para pessoa, podendo misturar
presente, passado e futuro, dependendo das lembranças, dos sentimentos)
ENREDO é a sucessão de fatos, a trama, a ação da narrativa. Pode ser linear
(numa sucessão contínua de fatos) ou não linear (com omissões, interrupções, cortes).
Para entendê-lo melhor, torna-se necessário estar atento ao conflito, pois é ele que
determina as suas partes. São elas:
• Apresentação: começo da história. Fatos iniciais. Apresentação das
personagens, de acontecimentos, do tempo e do espaço.
• Complicação: parte em que o conflito se desenvolve.
• Clímax: ponto culminante da história, aquele de maior tensão, ponto
máximo do conflito.
• Conclusão: é a solução final do conflito, podendo ser feliz, trágica,
inesperada, cômica, surpreendente, etc.

93
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

17. DESCRIÇÃO30

Descrever, segundo o dicionário Houaiss (2003) é expor com detalhes.


É um tipo de texto que, contrário à narração, não possui ação. É a representação
de algo; é expor minúcias, pormenores.
“É uma atividade na qual se utilizam os sentidos (visão, audição, paladar, tato e
olfato) para captar a realidade e traduzi-la num tecido verbal.” (FERREIRA, 2006, p. 138)
A realidade deverá ser interpretada e traduzida de modo a levar imagens reais do
objeto, pessoa, ou situações tais quais elas são.

Existem dois tipos de descrição:


1. A objetiva: é aquela fiel a realidade, ou seja, que passa detalhes precisos,
utilizando a linguagem denotativa;
2. A subjetiva: possui a interferência do autor, através de suas emoções.

As descrições são realizadas de acordo com o objeto. Pode-se destacar:


1. Descrição de uma paisagem: deve-se levar em conta a) Ângulo de percepção;
b) Análise: rural ou urbana, habitações, personagens, solo, vegetação, clima,
localização geográfica.
2. Descrição de uma pessoa: deve-se levar em conta: a) Ângulo de percepção. b)
Análise de: a) aspectos físicos: sexo, idade, peso, cor de pele, cabelos, olhos, estatura,
etc.; b) aspectos psicológicos: às vezes, a descrição de um aspecto físico do indivíduo
poderá revelar um traço psicológico; c) resultado;
3. Descrição de um objeto: deve-se levar em conta: a) Ângulo de percepção –
a1) A perspectiva espacial a2) A relação observador x objeto; b) Análise do objeto:
forma, cor, dimensões, peso, textura, material, utilidade, etc.

30
FERREIRA, Redação. Palavra e arte, São Paulo: Atual, 2006; MARTINS, Dileta Silveira;
ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Português Instrumental. 27.ed. São Paulo: Atlas, 2008;
ANDRADE, M. Margarida de; HENRIQUES, Antonio. Língua Portuguesa. Noções básicas
para cursos superiores. 8.ed. São Paulo: Atlas, 2007.

94
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

18. DISSERTAÇÃO31

O texto dissertativo é aquele que exige criticidade e reflexão acerca de um


determinado assunto. Mais do que isso, exige uma tomada de posição e compromisso
frente a uma idéia, que será exposta seguindo uma linha de raciocínio.

Deve-se aprofundar o assunto, portanto, é necessário, primeiramente, que o


produtor detenha conhecimento para tal. As informações precisam ser suficientes para
defender uma idéia e conseguir alcançar o objetivo previamente fixado.

O texto dissertativo desenvolve-se sempre em torno de um assunto que,


por meio da argumentação, transforma-se em tema. Os argumentos, por sua vez,
seguem uma linha de raciocínio, que culmina numa tese (idéia passível de
discussão). (FERREIRA, 2006, P.180)

A linguagem predominante é a denotativa e torna-se importante seguir todos os


princípios de uma boa produção textual, incluindo coesão, coerência, objetividade,
clareza, concisão, etc..

TIPOS DE DISSERTAÇÃO32

1. Esquema básico de dissertação:


Este esquema de dissertação visa formular argumentos e desenvolvê-los. É um
esquema simples e um dos mais utilizados.
Após se ter o tema, para encontrar o(s) argumento(s) se faz a seguinte pergunta:
POR QUÊ?

Esquema de desenvolvimento dos parágrafos:


TEMA + Argumento 1 + Argumento 2 + Argumento 3
Desenvolvimento do argumento 1
Desenvolvimento do argumento 2
Desenvolvimento do argumento 3
Expressão inicial + reafirmação do TEMA + observação final

Exemplo:

31
FERREIRA, Marina. Redação. Palavra e arte, São Paulo: Atual, 2006
32
GRANATIC, Branca. Técnicas básicas de redação. 4.ed. São Paulo: Scipione, 2000.

95
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

TEMA: Chegando ao terceiro milênio, o homem ainda não conseguiu resolver


graves problemas que preocupam a todos.
POR QUÊ?
Argumento 1: Existem populações imersas em completa miséria.
Argumento 2: A paz é interrompida frequentemente por conflitos internacionais.
Argumento 3: O meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio
ecológico.

DISSERTAÇÃO COMPLETA:

Terra: uma preocupação constante

Tema Chegando ao terceiro milênio, o homem ainda não


conseguiu resolver graves problemas que preocupam a
todos, pois (1)[existem populações imersas em completa
Argumentos
miséria], (2)[a paz é interrompida frequentemente por
conflitos internacionais] e, além do mais, (3)[o meio
ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio
ecológico].

Embora o planeta disponha de riquezas incalculáveis –


estas, mal distribuídas, quer entre Estados, quer entre

1 indivíduos – encontramos legiões de famintos em pontos


específicos da Terra. Nos países do Terceiro mundo,
sobretudo em certas regiões da África, vemos, com tristeza,
a falência da solidariedade humana e da colaboração entre
as nações.

Além disso, nestas últimas décadas, temos assistido, com


certa preocupação, aos inúmeros conflitos internacionais que se

2
sucedem. Muitos trazem na memória a triste lembrança das
guerras do Vietnã e da Coréia, as quais provocaram grande
extermínio. Em nossos dias, testemunhamos conflitos na antiga

96
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Iuguslávia, em alguns países membros da Comunidade dos Estados


Independentes, sem falar da Guerra do Golfo, que tanta apreensão
nos causou.

Outra preocupação constante é o desequilíbrio ecológico,


provocado pela ambição desmedida de alguns, que promovem
3 desmatamentos desordenados e poluem as águas dos rios. Tais
atitudes contribuem para que o meio ambiente, em virtude de
tantas agressões, acabe por se transformar em local inabitável.

Em virtude dos fatos mencionados, somos levados a


Reafirmação acreditar que o homem está muito longe de solucionar os
do
tema grandes problemas que afligem diretamente uma grande
parcela da humanidade e indiretamente a qualquer pessoa
consciente e solidária. É desejo de todos nós que algo seja feito
no sentido de conter essas forças ameaçadores, para podermos
suportar as adversidades e construir um mundo que, por ser justo
Observação
final e pacífico, será mais facilmente habitado pelas gerações
vindouras.

Elementos
pois coesivos
e, além do mais, (conjunções)

Expressão inicial –
Em virtude dos fatos mencionados elementos de transição

2. As relações de causa e conseqüência:


Esta segunda técnica possibilita, literalmente, expor uma causa e uma
conseqüência para o tema proposto.
Para tanto, é necessário fazer duas perguntas:
Uma para encontrar a causa  Por quê?
Outra para encontrar a conseqüência  O que acontece em razão disso?

Esquema de desenvolvimento dos parágrafos:


Apresentação do TEMA
Causa (com explicações adicionais)

97
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Consequência (com explicações adicionais)


Expressão inicial + reafirmação do TEMA + observação final

Exemplo:
TEMA: Constatamos que, no Brasil, existe um grande número de correntes
migratórias que se deslocam do campo para as pequenas ou grandes cidades.
CAUSA: A zona rural apresenta inúmeros problemas que dificultam a permanência
do homem no campo.
CONSEQUÊNCIA: As cidades encontram-se despreparadas para absorver esses
migrantes e oferecer-lhes condições de subsistência e de trabalho.

DISSERTAÇÃO COMPLETA:

A qualidade de vida na cidade e no campo

Todos sabemos que, em nosso país, há muito tempo,


Tema observa-se um grande número de grupos migratórios, os
quais, provenientes do campo, deslocam-se em direção às
cidades, procurando melhores condições de vida.
Ao examinarmos algumas das causas desse êxodo,

Causa verificamos que a zona rural apresenta inúmeros problemas,


os quais dificultam a permanência do homem no campo.
Podemos mencionar, por exemplo, a seca, a questão da
distribuição de terra e a falta de incentivo à atividade
agrária por parte do governo.
Em conseqüência disso, vemos, a todo instante, a chegada
desse enorme contingente de trabalhadores rurais ao meio urbano.
As cidades encontram-se despreparadas para absorver esses
Consequência
migrantes e oferecer-lhes condições de subsistência e de
trabalho. Cresce, portanto, o número de pessoas vivendo à
margem dos benefícios oferecidos por uma metrópole; por
falta de opção, dirigem-se para as zonas periféricas e
ocasionam a proliferação de favelas.
Reafirmação Por tudo isso, só nos resta admitir que a existência do êxodo
do
tema rural somente agrava os problemas do campo e da própria cidade.

Observação
98
final
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Fazem-se, portanto, necessárias algumas medidas para tentar fixar


o homem na terra. Assim, os cidadãos rurais e urbanos deste país
encontrariam, com certeza, melhores condições de vida.

3. A abordagem de temas polêmicos:


Este tipo de dissertação costuma dividir opiniões, por isso torna-se difícil
chegar a um posicionamento que agrade a todos.
Não há perguntas a serem feitas, inicialmente, para se responder durante o
texto, e sim, há a importância de uma tomada de posição para que se encontre
argumentos favoráveis e contrários à idéia.
Esquema de desenvolvimento dos parágrafos:
Apresentação do TEMA
Análise dos aspectos favoráveis
Análise dos aspectos contrários
Expressão inicial + reafirmação do TEMA + observação final

DISSERTAÇÃO COMPLETA:

A pena de morte

Tema Cogita-se, com muita freqüência, da implantação da


pena de morte no Brasil. Muitos aspectos devem ser analisados
na abordagem dessa questão.
Os defensores da pena de morte argumentam que ela
intimidaria os assassinos perigosos, impedindo-os de
Aspectos
favoráveis
cometer crimes monstruosos, dos quais costumeiramente
temos notícia. Além do mais aliviaria, em certa medida, a
superlotação dos presídios. Isso sem contar que certos
criminosos, considerados irrecuperáveis, deveriam pagar
com a morte por seus crimes bárbaros.
Outros, porém, não conseguem admitir a idéia de um ser
humano tirar a vida de um semelhante, por mais terrível que tenha
Aspectos sido o delito cometido. Há registros históricos de pessoas
Contrários
executadas injustamente, pois as provas de sua inocência
evidenciaram-se após o cumprimento da sentença. Por outro lado, a

99
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

vigência da pena de morte não é capaz de, por si, desencorajar a


prática de crimes: estes não deixaram de ocorrer nos países em que
ela é ou foi implantada.
Reafirmação Por todos esses aspectos, percebemos o quanto é difícil
do
tema nos posicionarmos categoricamente contra ou a favor da
implantação da pena de morte no Brasil. Enquanto esse

Observação problema é motivo de debates, só nos resta esperar que a lei


final
consiga atingir os infratores com justiça e eficiência,
independentemente de sua situação socioeconômica. Isso se faz
necessário para defender os direitos de cada cidadão brasileiro das
mais diversas formas de agressão das quais é hoje vítima constante.

100
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

UNIDADE VII:REVISÃO GRAMATICAL

" Há três métodos para ganhar sabedoria:


primeiro, por reflexão, que é o mais nobre;
segundo, por imitação, que é o mais fácil; e
terceiro, por experiência, que é o mais
amargo.”
CONFÚCIO

101
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

19. ORTOGRAFIA

1. Complete com S ou Z:

Ani____ extrava____ar ra____o


Abu____o re____ va____ado
co____er (costura) te____ diagno____e
pe____sar re____a acide____
consi____ão ân____ia pre____ado
gá____ redonde____a go____ar
ga____olina a____ar ape____ar
va____io cuscu____ pê____ames
despe____a gentile____a parali____ar
corte____ia vi____inhança ri____ada
re____ina tre____entos do____ar
imobili____ar va___ar pequenê____
defe___a coali____ão bali____a
atrá____ a____ia economi____ar

2. Complete com x ou ch:


en____urrada ve____ame pi____ar
en____er fle____a ____u____u
me____er bu____a ____ingar
lagarti____a bru____a salsi____a
pe____in____a fu____ico ta____a (prego)
rela____ar pi____ar ta____o
____ale ____ereta bu____o
pu____a lu____ação ca____o

3. Com E ou I:
p____râm____de pat____io d____senteria
pr____vilégio continu____ ant____projeto
cr____ação d____scriminar contribu____

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

des____quilíbrio s____lvícola cr____atura


pont____agudo um____decer corr____mão
____mpecilho d____tilar d____storcer
fem____nino camp____ão d____sânimo
irr____quieto eletr____cista ró____

4. Com O ou U:
ab____lir ent____pir m____ído
g____ela estrip____lia nód____a
táb____a cam____ndongo f____rtuito
mág____a b____lir f____rnido
b____rb____rinho m____ela f____lia
jab____ticaba c____eiro f____ssar
arr____ela b____eiro ac____stumado
eng____lir desb____tar
b____tequim ab____t____ar

5. Complete com X, SS, C, Ç, SC, G, J, CH, Z, I, E, EI, S, SC:


a____e____oria escárn____ crân____o
e____plêndido e____pontâneo band____ja
gor____eta se____enta pass____ar
e____e____ão a____olar gor____eio
fa____ina via____em (verbo) inten____ão
benefic____nte a____en____orista motri____
e____tranho ti____ela d____spensa (guarda
e____casso berin____ela alimentos)
disper____o ____afariz d____spensa
en____oval pi____ina (libertação)
he____itar alma____o inconv____niente
e____e___ese cabe____alho me____erica
e____piar (pagar) dei____ar se____ão (parte)
e____pediente en____ergar su____into (breve)
e____tender ma____estoso r____v____ndicar
acre____imo praz____rosamente (pedir)
e____tornar fa____ineiro quas____
efetu____ ob____ecado

103
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

20. PONTUAÇÃO33

Mude a vírgula de lugar, de modo a alterar o significado da frase:

a. Sofia não foi a bordo, adoeceu e mandou o marido.


b. Encontrada, a menina quis ir para casa.
c. As meninas Sarmento, acompanhadas da tia, de Eufrasinha e um cachorrinho
branco saltaram.
d. Ele comeu, o cachorro não tinha comida.

Empregue a vírgula ou o ponto-e-vírgula:

a. Ele vem hoje mas volta amanhã.


b. Mas apesar da exclamação D. Fernanda não se resolveu a sair. (Machado de
Assis, Quincas Borba)
c. Um dia porém antes de meados de 1867 não pôde resistir à necessidade de
segredar o amor a alguém ou proclamá-lo aos quatro ventos do céu. (Idem)
d. Este Quincas Borba se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias póstumas de
Brás Cubas é aquele mesmo náufrago da existência que ali aparece mendigo
herdeiro inopinado e inventor de uma filosofia. (Idem)
e. Acrescentamos outrossim para que não pairem dúvidas sobre a transação que a
referida mercadoria será enviada no mais tardar no dia 26 próximo.
f. De acordo com a proposta aprovada a reunião será na próxima quinta-feira.
g. Caso as mercadorias não atendam à necessidade queiram por gentileza
comunicar-nos.
h. Apresentamos meus senhores para avaliação criteriosa o nosso novo produto
resultado sem dúvida de longas pesquisas.

33
Pontuação e Ortografia pesquisados na obra: CHAMADOIRA, João Batista Neto;
RAMADAN, Maria Ivoneti Busnardo. Língua Portuguesa. Pensando e escrevendo.
3.ed. São Paulo: Atlas, 1998.

104
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Reorganize o texto abaixo colocando, corretamente, sinais de pontuação.

a. Você aí menino para onde vai essa estrada ela não vai nós é que vamos, nela
engraçadinho duma figa como você se chama eu não me chamo não os outros é que
me chamam Zé. (Carlos Drumond de Andrade)
b. Matamos o tempo o tempo nos enterra. (Machado de Assis)
c. Enquanto o padre pasta o burro reza.

21. ACENTUAÇÃO34

Acentue se necessário:

aparencia Fácil bone ureter


fluido Vôo insonia Rubrica
arquetipo prototipo logotipo Duplex
omega ibero levedo lampada
materia piloto palito paleto
perpetuo Jacarei vandalo juiz
juizes chapeu sovietico plagio
moida improprio refem Contribui (ele)
Apoio (verbo) moveis instancia abençoo
bilingue ziper pai Pais
onus eles tem consul armazem
Ele cre mister ideia assembleia
quota mictorio inquerito eloquencia
aquatico aliquota Recebe-lo Lava-lo
balneario quilo iniquidade Ínterim
delirio tres bussola colher

34
SOBRAL, João Jonas Veiga. Redação. Escrevendo com prática. 2.ed. São Paulo: Iglu,
1997.

105
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

Sabendo-se q u e t o d a s a s p a l a v ra s a s e g u i r s ão p a r o x í t o n a s , a c e n t u e - a s q u a n d o
c o n v i e r.

1)sotão 1 1 ) i n c r i ve l 21)facil 31)dificil


2 ) ra d i o 12)martir 22)moinho 32)hifens
3)foreis 13)serie 23)partida 33)canto
4)joquei 14)imã 24)ginasio 3 4 ) e xe r c i c i o
5)tenho 15)cola 25)historia 3 5 ) t e ve
6)agua 1 6 ) c a ra t e r 26)sedentario 36)biceps
7)orfão 17)tênue 27)patria 3 7 ) a c o n s e l h a ve l
8)linguas 1 8 ) a f a ve l 28)etapa 38)album
9)egipcio 19)familia 29)bala 39)esse
10)seguida 2 0 ) p u s e ra 30)hifen 4 0 ) t o ra x

A c e n t u e t o d a s a s p a l a v ra s p r o p a r o x í t o n a s q u e s e e n c o n t ra m e n t r e a s p al a v ra s a
s e g u i r.

1 ) A f ri c a 6) energico 11) quilometro 16) Omega


2) apostolo 7) rubrica 1 2 ) d e m o c ra c i a 17) recorde
3 ) l e m b ra va m o s 8) jubilo 13) ínterim 18) cárcere
4) maquinas 9)maquinaria 14) cagado 19) brâmane
5 ) d e po s i t o 1 0 ) l e ve d o 15) econômico 20) acrobata

S u bl i n h e a s í l a b a t ô n i c a d e c a d a u m a d a s p al a v ra s a s e g u i r.

Gibraltar Boêmia Ínterim


Xerox Maquinaria Rubrica
Nobel Fluido Hieróglifo
Recorde Lêvedo Estratégia
Transistor Gratuito Pegada
Ômega Látex Refém

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

22. REGÊNCIA

1. Assinale a alternativa em que a regência verbal este em desacordo com a norma culta:
a) A iniciativa da acusação desagradou ao cliente.
b) Os familiares da vítima aspiram a um resultado justo.
c) Uma equipe de advogados assiste ao acusado.
d) O advogado inescrupuloso visa somente seus próprios interesses.
e) O povo assistiu perplexo ao julgamento.

2. Assinale a alternativa em que a regência verbal este em desacordo com a norma culta:
a) Não o informaram de que eu viria?
b) Não lhe informaram que eu viria?
c) Não lhe informaram de que eu viria?
d) Não desobedeça ao juiz.
e) O chefe desta repartição era enérgico e ninguém lhe desobedecia.

3. As frases que seguem são comuns na língua popular. Transcreva-as, adaptando-as à norma
culta.
a) Todo político visa apenas os seus interesses.
b) Ninguém conseguiu assistir o jogo, sentado.
c) O jornal vinha informando seus leitores que as condições das estradas eram precárias.
d) Ninguém lhe avisou de nada.
e) Discurso de político não agrada ninguém.
f) À noite, em São Paulo, ninguém obedece farol vermelho.

4. A regência verbal está correta em:


a) Ele foi preso porque não pagou o advogado.
b) O julgamento a que assistimos foi emocionante.
c) Aquela vaga que você aspirava já está preenchida.
d) Não me simpatizo com pessoas que esquecem dos amigos.
e) Prefiro ler um bom livro do que ver qualquer filme.

5. Como se sabe, o verbo “avisar” tem a mesma regência que


“informar”. Com base nesse dado, leia a passagem que segue, extraída do Diário do ex-Presidente
Getúlio Vargas:
“Apareceu-me o senhor Oswaldo Aranha. Zangado, julgava-sedesconsiderado porque não lhe
avisei da inclusão, na lista, do Senhor Valadares, que alcunhava de débil mental, incapaz, sem
moralidade, etc.”

a) O verbo “avisei” está usado de acordo com a regência da norma culta escrita?
b) Caso não esteja usado corretamente, reescreva a oração em que ocorre o verbo “avisar”,
fazendo a correção.

6. Preencha os espaços com os pronomes pessoais oblíquos de terceira pessoa adequados:


a) Há profissões muito desvalorizadas no mercado: ninguém aspira...
b) Entrou em cartaz um filme que trata de um julgamento por discriminação racial: meus amigos
que ...... assistiram gostaram.
c) Não ...... agradou a forma como o advogado conduziu a defesa.
d) A polícia informou ........ de que o político não podia deixar o país.
e) Já ....... avisei que não há vagas.
f) Desisti desta vaga: visei ..... durante muitos anos.
g) O advogado está irritado: o cliente não ..... obedeceu.

7. (CESGRANRIO) Assinale a alternativa em que a lacuna não pode ser corretamente preenchida
pela preposição entre parênteses:
a) Era Isaura a escrava ....... quem Álvaro se havia referido com enorme carinho. (a)
b) Era Isaura a escrava ....... quem Álvaro havia lutado com todas as suas forças. (por)
c) Era Isaura a escrava ....... quem Álvaro havia trazido a esperança de liberdade. (para)
d) Era Isaura a escrava ....... quem Álvaro havia conversado durante toda a tarde. (com)
e) Era Isaura a escrava ....... quem Álvaro havia oferecido seus préstimos. (de)

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

8. (CESGRANRIO) A frase que não se completa adequadamente com a forma colocada entre
parênteses está na opção:
a) Trata-se de leis severas ........ convém à sociologia do direito investigar. (que)
b) Trata-se de leis severas ......... estudo só pode ser feito por esses sociólogos. (cujo)
c) Trata-se de leis severas .......... a sociologia do direito deve cuidar. (de que)
d) Trata-se de leis severas....... muitos democratas irão aspirar. (que)
e) Trata-se de leis severas ......... muitos democratas chegarão a antipatizar. (com que)

9. (FUVEST) Assinale a alternativa gramaticalmente correta:


a) Não tenham dúvidas que ele vencerá.
b) O escravo ama e obedece o seu senhor.
c) Prefiro estudar do que trabalhar.
d) O livro que te referes é célebre.
e) Se lhe disserem que não o respeito, enganam-no.

10. (MACK – SP/ ADAPTADA) Empregue corretamente o pronome relativo nestes períodos:
I – O desafio * que me refiro é tão ambicioso quanto os objetivos * você visa.
II – As promessas * ela duvidava não eram piores do que os sonhos * ela sempre se lembrava.
III – Já foi determinada a casa * ficaremos alojados, é o lugar * iremos no começo das férias.
IV – O desagradável incidente * você aludiu hoje á tarde revela-nos segredos * nunca tivemos
acesso.
V – Os alunos * notas estão aqui devem pedir perdão à professora * desobedeceram.

11. Assinale a alternativa que está em desacordo com a língua culta escrita quanto à regência
verbal:
a) Agradou a todos saber que no feriado estava previsto bom tempo.
b) Não lhe desagradou a chegada do hóspede.
c) Era preciso prevenir o povo dos riscos do novo medicamento.
d) Ninguém lhe informou de que o telefone tinha mudado.
e) Trata-se de uma carreira desprestigiada: poucos aspiram a ela.

12. A regência verbal está correta em:


a) Jerônimo não perdoará o pai.
b) Aquele cargo que você visava não existe mais.
c) Ninguém lhe avisou da tragédia.
d) Discurso de político não agrada ninguém.
e) Esqueci-me do nome do livro.

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

23. CRASE

Use, quando necessário, a crase e escrevam dentro dos parênteses, à esquerda, apalavra - SIM
(S) no caso de o "A" ser craseado e a palavra NÃO (N) no caso de o "A" não ser craseado.
01 ( ) O funcionário veio a chamado do Diretor
02 ( ) De 1970 a 1975 estiveram por conta do Governo
03 ( ) Dei a ela todo o dinheiro disponível
04 ( ) O professor foi a casa
05 ( ) Prestou significativas homenagens a Caxias
06 ( ) Remeto, anexo, a V. Exa. o relatório dos acontecimentos
07 ( ) A folha 57 verifica-se que o termo é outro
08 ( ) O diretor do DETRAN foi, ontem, a Petrópolis
09 ( ) A namorada estava em frente a janela
10 ( ) São válidas as emendas a tinta encarnada
11 ( ) As questões foram distribuídas as candidatas inscritas
12) ( )O anteprojeto foi enviado Câmara
13) ( )Agrediram o sargento a tiro
14) ( )Foi feito o pagamento a vista
15) ( )O requerimento não tem direito a remuneração
16) ( )Maria chegou a hora certa
17) ( )Comprei um motor a gasolina
18) ( )Élton tinha um romance a publicar
19) ( )A procissão foi para a igreja
20) ( )A família foi aquele sítio
Escrevam dentro do parêntesis, à esquerda, a letra "C" no caso de a crase estar certa e "E" no
caso de a crase estar errada.
21 ( ) Eis a matéria referente às provas
22 ( ) Esta história está ligada à dos Jesuítas
23 ( ) As pessoas da família foram morrendo uma à uma
24 ( ) A sua figura, Maria, me vem à lembrança
25 ( ) Os professores ofereceram livros às alunas aplicadas
26 ( ) Escreveram um belíssimo poema à Brasília
27 ( ) O funcionário será submetido à inspeção
28 ( ) O soldado foi ferido à metralhadora
29 ( ) O deputado, falou, ontem, às classes trabalhadoras
30 ( ) Refiro-me à mulher da pensão
31 ( ) O tribunal negou provimento àquele agravo
32 ( ) Vendi à casa de Pedro
33 ( ) O prêmio coube às jovens vitoriosas
34 ( ) Lápis é um objeto destinado à escrita
35 ( ) Comprei à sua casa
36 ( ) Quanto à aplicação do aviso...
37 ( ) Homenagens à gloriosa Joana D'Arc
38 ( ) Manuel e Pedro ficaram de frente à frente
39 ( ) Os livros foram remetidos às unidades militares.
40 ( ) Estes livros se destinaram às meninas pobres.

1. Em qual das alternativas o uso do acento indicativo de crase é facultativo?


a) Minhas idéias são semelhantes às suas.
b) Ele tem um estilo à Eça de Queiroz
c) Dei um presente à Mariana.
d) Fizemos alusão à mesma teoria.
e) Cortou o cabelo à Gal Costa.

2. "O pobre fica ___ meditar, ___ tarde, indiferente ___ que acontece ao seu redor".
a) à - a - aquilo
b) a - a - àquilo
c) a - à - àquilo
d) à - à - aquilo
e) à - à - àquilo

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

3. "A casa fica ___ direita de quem sobe a rua, __- duas quadras da Avenida Central".
a) à - há d) à - a
b) a - à e) à - à
c) a - há

4. "O grupo obedece ___ comando de um pernambucano, radicado ___ tempos em São Paulo, e
se exibe diariamente ___ hora do almoço".
a) o - à - a d) o - há - a
b) ao - há - à e) o - a - a
c) ao - a - a

5. "Nesta oportunidade, volto ___ referir-me ___ problemas já expostos ___ V. Sª ___ alguns
dias".
a) à - àqueles - a - há d) à - àqueles - a - a
b) a - àqueles - a - há e) a - aqueles - à - há
c) a - aqueles - à - a

6. Assinale a frase gramaticalmente correta:


a) O Papa caminhava à passo firme.
b) Dirigiu-se ao tribunal disposto à falar ao juiz.
c) Chegou à noite, precisamente as dez horas.
d) Esta é a casa à qual me referi ontem às pressas.
e) Ora aspirava a isto, ora aquilo, ora a nada.

7. O Ministro informou que iria resistir _____ pressões contrárias _____ modificações relativas
_____ aquisição da casa própria.
a) às - àquelas _ à d) às - aquelas - à
b) as - aquelas - a e) as - àquelas - à
c) às àquelas - a

8. A alusão _____ lembranças da casa materna trazia _____ tona uma vivência _____ qual já
havia renunciado.
a) às - a - a d) às - à - à
b) as - à - há e) às - a - há
c) as - a - à

9. Use a chave ao sair ou entrar __________ 20 horas.


a) após às d) após a
b) após as e) após à
c) após das

10. _____ dias não se consegue chegar _____ nenhuma das localidades _____ que os socorros se
destinam.
a) Há - à - a d) Há - a - a
b) A - a - a e) À - a - a
c) À - à - a

11. Fique _____ vontade; estou _____ seu inteiro dispor para ouvir o que tem _____ dizer.
a) a - à - a d) à - à - à
b) à - a - a e) a - a - a
c) à - à - a

110
Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

24. COLOCAÇÃO DE PRONOMES

Assinale as frases com correta colocação pronominal (próclise e ênclise):


01 – Nada [se prometeu] ao eleitor.
02 - Nada [prometeu-se] ao eleitor.
03 – Quanto [custa-nos] admitir um erro!
04 – Quanto [nos custa] admitir um erro!
05 – [Se sentiu] prejudicado pelo amigo.
06 – [Sentiu-se] prejudicado pelo amigo.
O7 – Não [vejo-o] há muito tempo.
08 – Não [o vejo] há muito tempo.
09 – Em [se tratando] desse caso, a resposta é positiva.
10 - Em [tratando-se] desse caso, a resposta é positiva.
11 – Agora, [se espera] a definição.
12 - Agora, [espera-se] a definição.
13 – Isso [me estimula] ao trabalho.
14 - Isso [estimula-me] ao trabalho.
15 – [Se trata] de questão de suma importância.
16 – [Trata-se] de questão de suma importância.
17 – Este é o funcionário que [solicitou-me] o ofício.
18 - Este é o funcionário que [me solicitou] o ofício.
19 – Poucos [se apresentaram] ao posto de inscrição.
20 - Poucos [apresentaram-se] ao posto de inscrição.
21 – Deus [o conserve] sempre saudável!
22 - Deus [conserve-o] sempre saudável!
23 – Outrora nós [mandávamos-lhe] flores.
24 - Outrora nós [lhe mandávamos] flores.
25 – Quando [procuraram-o]?
26 - Quando [o procuraram]?
27 – Era necessário [lhe mostrar] quem éramos de verdade.
28 - Era necessário [mostrar-lhe] quem éramos de verdade.
29 – Ao ouvir aquilo, saí, [deixando-os] a sós.
30 - Ao ouvir aquilo, saí, [os deixando] a sós.
31 – Esta é a pessoa a quem [refiro-me].
32 - Esta é a pessoa a quem [me refiro].
33 – Meu filho, [prepara-te], [apressa-te].
34 - Meu filho, [te prepara], [te apressa].
35 – Não só trouxe-me a encomenda, mas também [ofereceu-me] um presente.
36 - Não só [me trouxe] a encomenda, mas também [me ofereceu] um presente.
37 – O homem não [alterou-se].
38 - O homem não [se alterou].
39 - Acaso [lhe interessa] esse livro?
40 - Acaso [interessa-lhe] esse livro?
41 – [Faça-me] o favor de esperar mais um instante.
42 – [Me faça] o favor de esperar mais um instante.
43 – Não [importune-me] com futilidades.
44 - Não [me importune] com futilidades.
45 – Todos [se olharam] estupefatos.
46 - Todos [olharam-se] estupefatos.
47 – Logo que saí, [me lembrei] da que havia esquecido algo.
48 - Logo que saí, [lembrei-me] da que havia esquecido algo.
49 – Tudo [se revestia] de profundo mistério.
50 - Tudo [revestia-se] de profundo mistério.
51 – Ele pareceu [se mostrar] disposto a fazer o trabalho.
52 - Ele pareceu [mostrar-se] disposto a fazer o trabalho.
53 – Em que [lhe contribuiria] para felicidade tal atitude?
54 - Em que [contribuiria-lhe] para felicidade tal atitude?
55 – Cada vez mais [esforçamo-nos] para acompanhar seu ritmo.
56 - Cada vez mais [nos esforçamos] para acompanhar seu ritmo.

Para as perguntas de 1 a 28 você deverá assinalar com C o que estiver correto e com I os
incorretos:

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

1) ( ) O presente é a bigorna onde se forja o futuro (próclise)


2) ( ) Nossa vocação molda-se às necessidades (ênclise)
3) ( ) Se não fosse a chuva, acompanhar-te-ia (mesóclise)
4) ( ) Macacos me mordam!
5) ( ) Caro amigo, muito lhe agradeço o favor...
6) ( ) Ninguém socorreu-nos naqueles momentos difíceis
7) ( ) As informações que se obtiveram, chocavam-se entre si
8) ( ) Quem te falou a respeito do caso?
9) ( ) Não foi trabalhar porque machucara- se na véspera
10) ( ) Não só me trouxe o livro, mas também me deu presente
11) ( ) Ele chegou e perguntou-me pelo filho
12) ( ) Em se tratando de esporte, prefere futebol
13) ( ) Vamos, amigos, cheguem-se aos bons
14) ( ) O torneio iniciar-se-á no próximo Domingo
15) ( ) Amanhã dizer-te-ei todas as novidades
16) ( ) Os alunos nos surpreendem com suas tiradas espirituosas
17) ( ) Os amigos chegaram e me esperam lá fora
18) ( ) O torneio iniciará-se no próximo domingo
19) ( ) oferecida-lhes as explicações, saíram felizes
20) ( ) Convido-te a fazeres-lhes, essa gentileza
21) ( ) Para não falar- lhe, resolveu sair cedo
22) ( ) É possível que o leitor nos não creia
23) ( ) A turma quer-lhe, fazer uma surpresa
24) ( ) A turma havia convidado-o para sair
25) ( ) Ninguém podia ajudar-nos naquela hora
26) ( ) Algumas haviam-nos contado a verdade
27) ( ) Todos se estão entendendo bem
28) ( ) As meninas não tinham nos convidado para sair

29) Assinale a frase com erro de colocação pronominal:


a) Tudo se acaba com a morte, menos a saudade
b) Com muito prazer, se soubesse, explicaria-lhe tudo
c) João tem-se interessado por suas novas atividades
d) Ele estava preparando-se para o vestibular de Direito

30) Assinale a frase com erro de colocação pronominal:


a) Tudo me era completamente indiferente
b) Ela não me deixou concluir a frase
c) Este casamento não deve realizar-se
d) Ninguém havia lembrado-me de fazer as reservas

31) Assinale a frase incorreta:


a) Nunca mais encontrei o colega que me emprestou o livro
b) Retiramo-nos do salão, deixando-os sós
c) Faça boa viagem! Deus proteja-o
d) Não quero magoar-te, porém não posso deixar de te dizer a verdade

32) O funcionário que se inscreve, fará prova amanhã:

I. Ocorre próclise em função do pronome relativo.


II. Deveria ocorrer ênclise
III. A mesóclise é impraticável
IV. Tanto a ênclise quanto a próclise são aceitáveis

a) Correta apenas a 1ª afirmativa


b) Apenas a 2ª é correta
c) São corretas a 1ª e a 3ª
d) A 4ª é a única correta

33) Assinale a colocação inaceitável:


a) Maria Oliva convidou-o

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

b) Se abre a porta da caleça por dentro


c) Situar-se-ia Orfeu numa gafieira?
d) D. Pedro II o convidou

34) O pronome pessoal oblíquo átono está bem colocado em um só dos períodos. Qual?
a) Isto me não diz respeito! Respondeu-me ele, afetadamente
b) Segundo deliberou-se na sessão, espero que todos apresentem-se na hora conveniente
c) Os conselhos que dão-nos os pais, levamo-los em conta mais tarde
d) Amanhã contar-lhe-ei por que peripécias consegui não envolver-me

35) Estas conservas são para nós __________ durante o inverno.


Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna:
a) alimentarmos- nos
b) alimentar- mo- nos
c) nos alimentarmos
d) nos alimentarmo- nos

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

25. CONCORDÂNCIA

25.1. CONCORDÂNCIA NOMINAL

01 - Nós temos [bastante / bastantes] razões para impugnar sua candidatura.


02 – Estavam [bastante / bastantes] informados sobre toda a situação.
03 - Aquela decisão me custou muito [caro /cara].
04 - Acolheu-me com palavras [meio / meias] tortas.
05 - Os processos estão [incluso / inclusos / inclusas] na pasta.
06 - As folhas trinta e [duas / dois] do processo, fez o juiz uma observação.
07 - Seguem [anexo /anexos / anexa /anexas] as faturas.
08 – [É proibido / proibidas] conversas no recinto.
09 - Vocês estão [quite / quites] com a mensalidade?
10 - Hoje temos [menas / menos] lições.
11 - Água é [boa / bom] para rejuvenescer.
12 - Ela caiu e ficou [meio / meia] tonta.
13 - Elas estão [alerta / alertas].
14 - As duplicatas [anexo / anexa / anexas] já foram resgatadas.
15 - Quando cheguei à escola era meio-dia e [meia / meio].
16 - A lealdade é [necessária / necessário].
17 – Estavam [bastante / bastantes] preocupados com a situação.
18 - As meninas me disseram [obrigado / obrigada / obrigadas].
19 - A porta ficou [meia / meio] aberta.
20 – [Anexo / Anexos] estamos enviando os documentos.
21 – É [permitido / permitida] entrada franca a estudantes.
22 – [Salvo / Salvos] os doentes, os demais partiram.
23 - As camisas estão custando [caro / cara].
24 - Seu pai já está [quite / quites] com o meu?
25 - Escolhemos as cores mais vivas [possível / possíveis].
26 - É [necessário / necessária] muita fé.
27 – Não é [necessário / necessária] a ação da polícia.
28 - Maçã é [boa / bom] para os dentes.
29 – [Excetos / Exceto] os dois menores, todos foram presos.
30 - A sala tinha [bastante / bastantes] carteiras, mas era [meio / meia] escura.
31 - Eram moças [bastante / bastantes] competentes.
32 - As certidões [anexo / anexa / anexos / anexas] devem ser seladas.
33 - Suas opiniões são [bastante / bastantes] discutidas.
34 - É [proibido / proibida] a entrada neste recinto.
35 – Mãe viúva e filho moravam [junto / juntos] numa casa modesta.
36 – As matas foram [bastante / bastantes] danificadas pelo fogo.
37 – Bebida alcoólica não é [boa / bom] para o fígado
38 - Vossa Excelência está [enganada / enganado], Doutor Juiz.
39 - Está [incluso / inclusa] no total o seu percentual de comissão.
40 - Tenho uma colega que é [meia / meio] ingênua.
41 - Ela apareceu [meio / meia] nua.
42 - Manuel está [meio / meia] gripado.
43 - As crianças ficaram [meia / meio] gripadas.
44 - Nunca fui pessoa de [meio / meia] palavra.
45 - Agora todos estão [salvos / salvo], exceto o velho barqueiro.
46 - Os rapazes nos pagaram somente com muito [obrigados / obrigadas / obrigado].
47 - A casa estava [meia / meio] velha antes da reforma.
48 - Fiquem [alerta / alertas] rapazes.
49 – Esperava [menas / menos] pergunta naquela prova.
50 - A maçã é [bom / boa] para os dentes.
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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

25.2. CONCORDÂNCIA VERBAL

01 - A multidão de pedestres [desaguavam / desaguava] de todos os quadrantes.


02 - O pessoal de casa não [gostaram / gostou] da festa.
03 - Uma porção de velhas [aguardava / aguardavam] no saguão do hotel.
04 - Um bloco de foliões [animavam / animava] a festa.
05 - Um bando de cafajestes [depredou / depredaram] as casas da rua.
06 - Uma junta de bois [tirou / tiraram] o automóvel do atoleiro.
07 - A turma não [entendiam / entendia] nada do que estava ouvindo.
08 - O exército dos aliados [desembarcaram / desembarcou] no sul da Itália.
09 - Uma porção de presos [fugiu / fugiram] da penitenciária estadual ontem.
10 - Uma junta de médicos [voltou / voltaram] a estudar aquele caso.
11- A turma não [entendiam / entendia] nada do que estava ouvindo.
12 - Uma nuvem de gafanhotos [destruíram / destruiu] toda a plantação.
13 - O grupo de estudantes [gritavam / gritava] palavras de ordem.
14 - A gente não [queremos / quer] briga com ninguém.
15 - A maioria não dos alunos [compareceram / compareceu] à escola.
16 - Metade dos cubanos [pediu / pediram] asilo à embaixada norte-americana.
17 - A maioria das palavras [continuam visíveis / continua visível].
18 - Grande parte dos atores [aparece nu / aparecem nus] nessa peça.
19 - Metade das laranjas [estava podre / estavam podres].
20 - Grande número de mulheres [ficou nervosa / ficaram nervosas].
21 - A maior parte dos carros [tinham / tinha] defeitos.
22 - Grande parte dos homens [ficou preocupada / ficaram preocupados].
23 - Minas Gerais [possui / possuem] grandes jazidas de ferro.
24 - Os Estados Unidos [é / são] um país rico.
25 - Campinas [orgulha-se / orgulham-se] de ter sido o berço de Carlos Gomes.
26 - Minhas férias [é / são] sempre um período de descanso.
27 - Nesta época do ano os Andes [ficam / fica] com muita neve.
28 - Flores (cidade) até pouco tempo atrás [trazia / traziam] acento circunflexo.
29 - O Amazonas [corre / correm] majestoso para o mar.
30 - Vassouras [são /é] uma simpática cidade fluminense.
31 - Itens nuca [teve / tiveram] acento gráfico.
32 - Cravinhos [é / são] uma cidade limpa.
33 - Os Três Mosqueteiros [é /são] de Alexandre Dumas.
34 - Os Imigrantes [agradou / agradaram] a todos os telespectadores.
35 - Terras do Sem-Fim [foi / foram] quadrinizado para leitores jovens.
36 - Os Lusíadas [tornaram / tornou] Camões imortal.
37 – Vossa Excelência [agiu / agistes] com moderação.
38 – Vossa Senhoria me [entendeu / entendestes] mal.
39 - Vossa Senhoria [está / estais] melhor agora?
40 - Vossas Excelências [devem / deveis] tomar uma providência imediatamente.
41 – [Recebei / Receba] Vossa Excelência os protestos de nossa estima.
42 - Vossa Senhoria [continuais / continua] zangado comigo?
43 - Fomos nós quem [pichou / pichamos] o muro.
44 - Foste vós quem [falou / falastes].
45 - Fui eu quem [enviei / enviou].
46 – Fomos nós quem [escreveu / escrevemos] este documento.
47 - Eram eles que [mantinha / mantinham] a paz na região.
48 - Juca, fui eu quem [deu / dei] a água ao pedinte.
49 - Fui eu que [iluminei / iluminou] a tua cabeça oca.
50 – Fui eu quem [espalhei / espalhou] esses boatos.

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Apostila de Língua Portuguesa
Profa. Adriana Antony

OBRAS CONSULTADAS

ABREU, Antonio Suarez. Curso de redação. 12.ed. São Paulo: Ática, 2008.
ANDRADE, Maria Margarida; HENRIQUES, Antonio. Língua Portuguesa. Noções básicas
para cursos superiores. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
ANDRÉ, Hildebrando de. Curso de redação. São Paulo: Moderna, 1998.
_______. Gramática ilustrada. São Paulo: Moderna, 1990.
CEREJA, William Roberto; MAGALHAES, Thereza Cochar. Gramática: Texto, Reflexão e
Uso. 3.ed. São Paulo: Atual, 2008.
FERREIRA, Marina. Redação: palavra e arte. 2.ed. São Paulo: Atual, 2006.
GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. 21.ed. Rio de Janeiro: FGV
Editora, 2002.
GRANATIC, Branca. Técnicas básicas de redação. São Paulo: Scipione, 2005.
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. Curso prático de leitura e redação. São Paulo:
Scipione, 2000.
KOCK, Ingedore V. A coesão textual. 21.ed. São Paulo: Contexto, 2007.
KOCH, Ingedore; TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A coerência textual. 21.ed. São Paulo:
Contexto, 2007.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos da metodologia
científica. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2001.
LEDUR, Paulo Flávio. Português Prático. 9. Ed. Porto Alegre: AGE, 2008.
LUCKESI, Cipriano et al. Fazer Universidade: Uma proposta metodológica. 15.ed. São
Paulo: Cortez, 2007.
MAIA, João Domingues. Português. São Paulo: Ática, 2004.
MARTINS, Dileta Silveira; ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Português Instrumental. De
acordo com as atuais normas da ABNT. 27.ed. São Paulo: Atlas, 2008.
MEDEIROS. João Bosco. Redação Científica. A prática de fichamentos, resumos e
resenhas. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2004.
_______. Redação Empresarial. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2007.
NICOLA, José de; TERRA, Ernani. 1001 dúvidas de português. 15.ed. São Paulo:
Saraiva, 2003.
OLIVEIRA, Jorge Leite. Texto acadêmico. Tecnicas de redação e de pesquisa científica.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.
SENA, Odenildo. A engenharia do texto. 2.ed. Manaus: EDUA/FAPEAM, 2005.
SOBRAL, J.Jonas Veiga. Redação. Escrevendo com prática. 2.ed. São Paulo: Iglu, 2007.
SOUZA, Luiz Marques de; CARVALHO, Sérgio Waldeck de. Compreensão e produção
de textos. 13.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
VAL, Maria da Graça Costa. Redação e textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
VIANA, Antonio Carlos (coord.) Roteiro de redação. Lendo e argumentando. São
Paulo: Scipione, 1998.

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