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POTÊNCIA E ENERGIA

O conceito de potência aplica-se também quando um corpo está recebendo ou


fornecendo energia.
Suponhamos que, num certo intervalo de tempo t , um corpo receba (ou
forneça) uma energia E. A potência média recebida (ou fornecida) nesse intervalo
de tempo é:
E
Pm =
∆t

Como a unidade de energia é igual à unidade de trabalho, também nesse caso, a


unidade de potência é o watt (ou Hp ou cv).

Continua valendo também a propriedade da área. Num gráfico da potência


recebida (ou fornecida) por um corpo, em função do tempo (Fig.1) a área da figura
sombreada é numericamente igual à energia recebida (ou fornecida) pelo corpo,
no intervalo de tempo  .

A energia E pode ser uma energia mecânica mas poder também ser um outro tipo
de energia como por exemplo, a energia elétrica ou o calor.

Exemplo 3
Numa usina hidroelétrica as quedas d'água são utilizadas para movimentar
os geradores que produzirão energia elétrica. Consideremos uma queda
d'água de altura h = 20 metros e que despeja 3000 litros por segundo.
Supondo g = 10 m/s2 qual a potência máxima que poderá ser gerada?
Resolução
Vamos supor que no alto da cachoeira, a velocidade é praticamente nula.
Assim, uma dada massa m de água terá energia cinética nula no alto, mas
terá energia potencial mgh. Quando essa água chegar em baixo, terá uma
energia cinética que é igual à energia potencial que tinha em cima
(desprezado atritos). Essa energia cinética será transformada em energia
elétrica. Supondo que essa transformação seja total, a potência será:
= mgh = m
energia
P= ( ).g.h (I)
tempo
t t
Cada litro de água tem massa aproximadamente igual a 1 kg. Como a
vazão da cachoeira é 3000 litros por segundo, para t = 1s teremos m =
3000 kg. Substituindo na equação I:
m 3000
P= .g.h= . (10) (20) = 6 . 105 watts
t 1

P = 6. 105 W

As potências dos aparelhos elétricos e usinas hidroelétricas são muito


maiores do que 1 watt, como ilustra o exemplo anterior. Assim, na prática
usamos frequentemente alguns múltiplos do watt, obtidos com os prefixos
do SI:

1 kw = 1 quilowatt = 103 watts = 103 W


1 MW = 1 megawatt = 106 watts = 106 W
1 GW = 1 gigawatt = 109 watts = 109 W
Rendimento

Aparelhos elétricos como, por exemplo, um ventilador (Fig.) (ou uma batedeira de
bolo) transformam energia elétrica em energia cinética.

Ventilador Batedeira de Bolo

A energia elétrica penetra no motor do aparelho, através do fio que está ligado a
uma tomada. Dentro do motor essa energia elétrica é transformada em energia
cinética das pás do ventilador. Porém essa transformação nunca é total. Uma
parte da energia elétrica é transformada em calor. Isso pode ser percebido
colocando a mão na carcaça que envolve o motor. Ao fazermos isso,
perceberemos que o motor está quente.

Num caso como esse, a energia elétrica recebida através do fio é chamada de
energia total (Et). A energia transformada em calor é chamada de energia
dissipada (Ed) e a energia transformada em energia cinética é chamda de
energia útil (Eu) pois é a energia que será realmente utilizada.

Devemos ter: Et = Eu + Ed

Dividindo os termos dessa equação port , temos:


onde:

Pt = potência total

Pu = potência útil

Pd = potência dissipada

O rendimento   do motor é definido por:

Pu
 = ____
Pt

Exemplo 4
Um motor elétrico consome 4000 W de potência elétrica, dissipando 1000 W.
Calcule:
a) a potência útil
b) o rendimento do motor
Resolução
a) Pt = Pu + Pd
4000 = Pu + 1000
Pu = 3000 W

Pu 3000 W

b) = ______ = _______ = 0,75
P
t 4000 W
O rendimento pode também ser dado na forma de porcentagem:
75

= 0,75 = = 75%
100
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ESTADO FÍSICO DA MATÉRIA E SUAS TRANSFORMAÇÕES.

I. TEORIA CINÉTICA

I.1. Modelo Microscópico de um Gás Ideal

Todo modelo é uma construção imaginária que incorpora apenas as


características que se supõe importantes para a descrição do sistema físico em
questão, características estas selecionadas intuitivamente ou por conveniência
matemática. A validade de um modelo é determinada pela experimentação.
O modelo da Teoria Cinética para um gás ideal se baseia nas seguintes hipóteses.
1. O gás é constituído por um número muito grande de partículas
(moléculas) em movimento desordenado.
2. As forças intermoleculares são desprezíveis1, isto é, as moléculas exercem ações
apenas nas colisões mútuas e com as paredes do recipiente e o seu movimento, entre colisões
sucessivas, é retilíneo e uniforme.
3. As colisões são elásticas e de duração desprezível.
4. As dimensões das moléculas são muito menores do que a distância média entre elas e o
seu volume próprio pode ser desprezado frente ao volume do recipiente.
5. O movimento das moléculas que constituem o gás está sujeito às leis de Newton.
A característica mais importante desse modelo é que as moléculas, na maior parte do
tempo, não exercem forças umas sobre as outras, exceto quando colidem. Assim, todas as
propriedades macroscópicas óbvias de um gás são conseqüências primárias do movimento das
moléculas e é por isso que se fala em Teoria Cinética dos gases. As conseqüências mais
importantes desse modelo cinético são as relações:

PV = 32 N  21 mv 2 
1 3
e mv 2 = k B T
  2 2

onde N representa o número de moléculas e o fator entre parênteses, a energia cinética média das
moléculas. A primeira expressão relaciona a pressão e a segunda, a temperatura absoluta, à
energia cinética média de translação das moléculas. Se a pressão de um gás aumenta, a energia
cinética média de suas moléculas aumenta e também, a sua temperatura.

I.2. Energia Interna, Pressão e Temperatura

A soma de todas as energias (cinética, potencial, etc.) de todas as partículas que


constituem o sistema em questão é chamada energia interna do sistema.

1
Segundo a lei das pressões parciais de Dalton, a pressão total de uma mistura de gases é a soma
das pressões que cada gás exerceria se os demais não estivessem presentes. Isto significa que
são desprezíveis as forças entre as moléculas de um gás e as moléculas dos outros gases da
mistura. E pensando em um gás como uma mistura de dois gases idênticos, somos levados a
concluir que são desprezíveis as forças entre suas próprias moléculas.
A Teoria Cinética permite relacionar a pressão com as variáveis microscópicas do
movimento das moléculas, considerando que a pressão exercida por um gás sobre as paredes do
recipiente que o contém é devida aos choques de suas moléculas contra estas paredes. Como a
pressão é a mesma em todas as paredes do recipiente, basta considerar a pressão em uma única

delas. Assim, consideremos uma molécula de massa m que se move com velocidade v em um
recipiente cúbico (Fig.1). A distância d, percorrida no intervalo de tempo ∆ t, e ℵ , o número de
colisões da molécula contra a parede em questão durante o intervalo de tempo ∆ t, são:

d v ∆t
d = v X ∆t e ℵ= = X
2l 2l

onde v X é a componente da velocidade ao longo do eixo X


e l, o comprimento da aresta do cubo. Se ∆ t1 for o intervalo de
tempo entre duas colisões sucessivas, a força que a
parede exerce sobre a molécula em uma colisão é:

F1 = ma = m
( ( − v X ) − ( v X )) =−
2mv X
∆t1 ∆t1

com
∆t 2l
∆t1 = =
ℵ vX

Pela terceira lei de Newton, a força da molécula na parede em uma colisão é:

2mv X mv 2X
F = − F1 = =
∆t1 l

e a força total sobre a parede devido a todas as N moléculas é:

F=
m 2
l
[
v 1X + v 22 X + ... + v NX
2
=
l
]
mN 2
vX

2
onde v 2X é o valor médio de v X para todas as moléculas do gás. A pressão do gás sobre a
parede considerada, de área A = l2 é:

F mN 2 mN 2
P= = vX = vX
A Al V

onde V = l3 é o volume do recipiente. Agora, v 2 = v 2X + v 2Y + v 2Z e como existe, no recipiente, um


grande número de moléculas e estas se movem desordenadamente, v 2X = v 2Y = v 2Z , ou seja,

v 2X = 31 v 2 , e podemos escrever:

N1
P= 2
 2 mv 2 
3
V 
Aqui, mN = M é a massa do gás e v 2 é o valor médio do quadrado das velocidades
moleculares. Esta expressão relaciona a pressão com a energia cinética média de translação das
moléculas.
Este resultado continua verdadeiro mesmo levando-se em conta as colisões entre
moléculas. Nas colisões elásticas entre partículas idênticas existe a troca das velocidades. Assim,
se uma molécula é desviada de sua trajetória antes de colidir com a parede, outra toma o seu
lugar. E o resultado é, também, independente da forma do recipiente. Dado um recipiente qualquer,
podemos imaginar no seu interior uma região cúbica e, para esta, vale a demonstração dada
acima. E como a pressão é a mesma em todos os pontos do recipiente se o gás está em equilíbrio,
a pressão calculada também vale para as paredes, qualquer que seja a sua forma.
Por outro lado, sendo NA e kB, respectivamente, o número de Avogadro e a constante de
Boltzmann, e como N = nN A e k B = R / NA , temos, da expressão acima:

 1 1 
PV = 32 N( 21 mv 2 ) = nR  32  2 mv 2 
 kB  

Para que esta expressão, dada pela teoria cinética, esteja conforme a equação de
Clapeyron PV = nRT , devemos ter:

1 3
mv 2 = k B T
2 2

ou seja, a energia cinética média das moléculas de um gás ideal é diretamente proporcional à
temperatura absoluta deste gás. Costuma-se dizer que a temperatura é uma medida da energia
cinética média das moléculas ou átomos do corpo.
Conforme a lei zero da Termodinâmica, a temperatura deve estar relacionada com uma
grandeza física que caracterize o estado de um corpo e que seja igual para dois corpos quaisquer
que se encontrem em equilíbrio térmico. Assim, é a energia cinética média do movimento de
translação das partículas (átomos ou moléculas) do corpo que possui esta propriedade
excepcional. Se os valores médios desta energia cinética média são iguais para as partículas de
dois corpos, não existe, em termos médios, qualquer fluxo de energia entre eles.

I.4. Calor e Calor Específico

Calor é o processo de transferência de energia de um corpo a outro exclusivamente devido


a diferença de temperatura entre eles (Fig.2).
Com a experiência de Joule (Fig.3), na qual um certo corpo A, caindo de uma altura h, faz
girar uma hélice no interior de um líquido e, com isso, aumenta a temperatura do líquido, verifica-se
a equivalência entre o trabalho mecânico e o calor. O assim chamado equivalente mecânico do
calor é a relação 1 cal ≈ 4,2 J. Caloria é a quantidade de energia necessária para elevar a
temperatura de uma grama de água de 14,5 0C para 15,5 0C.
O quociente da quantidade
de energia (Q) fornecida na forma
de calor a um corpo pelo
correspondente acréscimo de
temperatura (∆ T) é a capacidade
térmica deste corpo:

Q
C=
∆T
Para caracterizar não o corpo, mas a substância que o constitui, define-se o calor
específico como a capacidade térmica por unidade de massa do corpo:

1 Q
c=
m ∆T

O calor específico assim definido varia grandemente de uma substância para outra mas,
tomando amostras com o mesmo número de partículas, isso não acontece. Por isso, define-se
também a capacidade térmica molar:

1 Q
C=
n ∆T

onde n é o número de mols da substância que compõe o corpo.

Calores Específicos e Capacidades Térmicas Molares

Substância c (cal g oC ) C (cal mol o


C)
Alumínio 0,215 5,82
Cobre 0,092 5,85
Prata 0,056 6,09

Evaporação e Ebulição

Por que os líquidos se evaporam?

Ponha um pouco de água num pires e deixe-a por um dia ou dois. Suas moléculas
se movem para um lado e para outro, chocando-se umas com as outras. Algumas
das moléculas se movem mais depressa que as outras e podem então vencer a
camada superficial da água e escapar.

O líquido aos poucos se evapora, isto é, transforma-se em vapor. Essas


moléculas, então, se movem livremente e rapidamente pelo ar, como moléculas de
um gás. As moléculas do álcool (ou da gasolina) se atraem umas às outras menos
fortemente que as da água, e sua camada superficial é mais fraca. Por isso o
álcool (ou a gasolina) se evapora mais ràpidamente.
Evaporação. (A) Moléculas de água passam pela camada superficial e escapam.
(B) No vaso fechado as moléculas de vapor se acumulam até que elas se
condensem com a mesma rapidez com que se evaporam. O espaço está então
saturado.

Alguns sólidos evaporam-se

As bolas de naftalina colocadas num armário, para matar traças, vão aos poucos
diminuindo de tamanho até desaparecer. O naftaleno (substância de que são
formadas essas bolas) aos poucos se vai evaporando, ou melhor, sublimando.

O gêlo sêco (bióxido de carbono congelado) evapora-se ràpidamente. Coloque


uma moeda sôbre um bloco de gêlo sêco. O vapor que se escapa do gêlo desloca
a moeda fazendo-a saltitar irregularmente. O iôdo, a cânfora e outros poucos
sólidos sublimam como o naftaleno.

As moléculas da maioria dos sólidos, no entanto, se atraem tão fortemente que


não podem escapar facilmente.

Pressão de vapor

Quando a água se evapora de um vaso aberto, algumas das moléculas do vapor


se chocam com moléculas do ar, recuam, e tornam a entrar no líquido.

O ar se comporta, portanto, como uma coberta que se opõe à evaporação e a


retarda. Se você tampa o vaso, o vapor se acumulará no espaço acima do líquido.
O número de moléculas que voltam para o líquido, isto é, que se condensam,
aumentará até que as moléculas se condensem na mesma proporção das que se
evaporem. Assim a quantidade de vapor será constante; nós dizemos que o
espaço está saturado.

Um espaço está saturado de vapor quando êle contém todo o vapor que pode
conter na temperatura existente.
Por que a pressão de vapor de um volume de ar saturado aumenta com a
temperatura?

Quando a temperatura de um líquido aumenta, suas moléculas se movem mais


depressa. Elas então se evaporam mais ràpidamente e o vapor no recipiente fica
mais denso. As moléculas do vapor se chocam mais, contra as paredes, em cada
segundo; e elas se chocam com mais fôrça. A pressão de vapor de um volume
saturado de ar aumenta com a temperatura.

A 10ºC a pressão de vapor do ar saturado com água é de cêrca de 2 centímetros


de mercúrio. A 80ºC ela é de 35 centímetros de mercúrio e a 100ºC é de 76
centímetros de mercúrio, isto é, uma atmosfera padrão.

Pressão de vapor saturado. Seus valôres a temperaturas diferentes para três


líquidos.

Que é ponto de ebulição de um líquido?

Quando se coloca uma panela com água fria no fogo, o calor que ela recebe faz
as moléculas da água se moverem mais depressa, de modo que a temperatura da
água sobe. Após algum tempo, a água começa a ferver, bolhas se formam nela e
vêm para a superfície, e a temperatura permanece constante.

Com o aumento do fogo, a água ferverá mais depressa, porém, sua temperatura
não aumentará. Após começar a ebulição nunca aumente o gás para cozinhar o
alimento mais depressa. Você desperdiçará gás.

A água em ebulição forma bolhas porque a pressão do vapor da água é igual à


pressão na superfície do líquido. Se aquela pressão fosse menor, as bolhas não
se formariam. Nós definimos o ponto de ebulição de um líquido como a
temperatura em que a pressão de vapor é igual à pressão sobre o líquido.
Líquidos que se evaporam ràpidamente à temperatura ambiente têm pontos de
ebulição baixos. À pressão atmosférica padrão, a água ferve a 100ºC, o álcool
etílico a 78,5% o ar líquido a -190º e o hélio a -269ºC, isto é, quase 4 graus acima
do zero absoluto.

FONTES:

- Grupo de Ensino de Física – Universidade Federal de Santa Maria

- Universidade Federal do Sergipe – www.física.ufs.br