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Primeira infância

e intersetorialidade

Glossário
AUTORES
Raquel Franzim
Marina Quintanilha
Vilma Justina da Silva
Camila Horta Hungria
Maria Fernanda Cury Sproesser
Graziella Mattar Buchalla
Guilherme Siqueira
Gilvani Pereira Grangeiro
GLOSSÁRIO

1. afeto: afeto é o nome dado para sentimento ou emoção que uma


pessoa tem em relação a outra. No contexto do desenvolvimento infan-
til, o afeto – como manifestação de amor ou carinho – está atrelado às
vivências positivas e pode ser entendido como um fator fundamental
para o desenvolvimento cognitivo e emocional do bebê. Por meio do afe-
to recebido dos adultos de seu convívio, a criança formará e fortalecerá
seus vínculos.

2. afetividade construtiva: o conceito de afetividade deriva da ideia


de afeto. O termo diz respeito às relações ou sentimentos permeados
de afetos. No âmbito do desenvolvimento infantil, a ideia de afetivida-
de construtiva refere-se à importância do afeto nas relações humanas
para crianças na condição de aspecto fundamental para que o indivíduo
desenvolva suas potencialidades.

3. acesso universal: o termo é usado para indicar um direito de todas


as pessoas, sem exceções de determinado território. O Sistema Único
de Saúde (SUS), por exemplo, tem como uma de suas diretrizes o acesso
universal de todos os brasileiros aos serviços de saúde.

4. acolhimento: ato de aceitação, credibilidade e aproximação, ou seja,


uma forma de cuidar. É mais que um ato, é uma atitude que abrange
mais que um momento de atenção, de zelo e desvelo.

5. arquitetura cerebral: o termo refere-se à forma como se constitui-


rão as conexões entre os neurônios no cérebro de um indivíduo. Ocorre
durante o período conhecido como primeira infância, em que o cérebro
de uma criança apresenta uma maior plasticidade neural, isto é, nessa
fase do desenvolvimento, há uma intensa configuração dos neurônios a
partir dos estímulos ambientais fornecidos.

6. alimentação complementar: diz respeito aos alimentos que serão


oferecidos a um bebê além do leite materno. Recomenda-se que o bebê
seja alimentado com o leite materno, e nada mais, nem mesmo água, até
os seis meses de idade. Após essa idade, a criança, além do leite mater-
no, cuja recomendação é de que faça parte da alimentação até os dois
anos de idade ou mais, será alimentada com outros alimentos, como
frutas e legumes, por exemplo, e devendo também consumir água.

7. ambiente afetivo: entende-se o “ambiente” como tudo o que faz


parte do dia a dia do bebê, criança, adulto ou pessoa idosa, como casa,
escola, rua como espaço físico, assim como as pessoas e as relações que

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permeiam o seu dia a dia. Um ambiente afetivo, então, seria um ambien-
te permeado de relações amorosas e acolhedoras.

8. ambiente facilitador: entende-se o “ambiente” como tudo o que faz


parte do dia a dia do bebê, da criança, do adulto ou da pessoa idosa,
como casa, escola, rua como espaço físico, assim como as pessoas e as
relações que permeiam o seu dia a dia. Um ambiente facilitador, então,
no contexto do desenvolvimento infantil, seria um ambiente que for-
necesse ao bebê ou à criança os elementos relevantes para seu pleno
desenvolvimento – como relações afetivas, alimento e segurança para
crescer.

9. antropométricos: “antropometria”. Ciência que estuda as medidas


do corpo humano, como altura, peso, etc...

10. autismo: não se trata de uma doença, mas de um transtorno de


neurodesenvolvimento de base primordialmente genética, sem cura, em
que o cérebro processa informações e sensações de uma maneira dife-
rente. O autismo pode se manifestar de diversas formas, como dificulda-
des de comunicação social e interesses restritos/movimentos repetitivos
em diferentes graus. Devido à possibilidade ampla de manifestações da
condição, é utilizado o termo Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

11. banco de leite humano: local onde há a coleta, processamento e


distribuição de leite humano a bebês prematuros e de baixo peso inter-
nados em unidades neonatais e que não podem ser amamentados por
suas próprias mães. É um local que também oferece atendimento para
mulheres que estão com dificuldades na amamentação.

12. caderneta da criança: trata-se de um documento para apoiar famí-


lias e profissionais de saúde no acompanhamento e nos cuidados com
a criança, no qual constarão informações referentes ao nascimento e
crescimento, educação e assistência social, assim como informações
sobre os cuidados básicos e o desenvolvimento da criança, como vida
escolar, benefícios sociais e informações sobre a vacinação.

13. capacidade relacional: diz respeito à capacidade de um indivíduo


de construir e viver relações com outras pessoas. No contexto do desen-
volvimento infantil, a capacidade relacional consiste em aquisição e
desenvolvimento da criança a fim de que ela cresça e seja cuidada em
um ambiente facilitador ao seu desenvolvimento.

14. criança prematura: um bebê prematuro é aquele que nasce antes


das 37 semanas de gestação, período de tempo mínimo indicado para
que o bebê desenvolva seu organismo para a vida fora da barriga. O
nascimento prematuro oferece risco de óbito maior, e pode resultar em
sequelas para a criança.

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15. competências familiares: dizem respeito ao conjunto de conhe-
cimento, práticas e habilidades necessário aos cuidados de crianças,
entendendo como cuidado, também, a construção de relacionamentos
saudáveis e permeados pelo afeto.

16. cuidar: representa uma atitude de ocupação, preocupação, e res-


ponsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.

17. cuidados integrais e integrados: promover e proteger a saúde da


criança e o aleitamento materno, mediante atenção e cuidados integrais
e integrados, da gestação aos nove anos de vida, com especial atenção
à primeira infância e às populações de maior vulnerabilidade, visando
à redução da morbimortalidade e um ambiente facilitador à vida com
condições dignas de existência e pleno desenvolvimento.

18. cuidados primários: são os cuidados básicos essenciais ao bebê


após o seu nascimento.

19. cuidador primário: entende-se como cuidador primário o indivíduo


principal encarregado dos cuidados da criança, como a mãe (podendo
ser outro indivíduo). Pode-se entender a ideia de “cuidador primário”
como uma função a ser dividida entre diferentes indivíduos.

20. cultura: palavra usada para se referir ao conjunto de valores, cren-


ças, costumes, hábitos e conhecimentos gerados e pertencentes a deter-
minada sociedade.

21. desenvolvimento humano: é todo o processo de desenvolvimento


de um indivíduo a partir do momento da concepção até o dia da morte.
Pode ser físico, cognitivo e intelectual.

22. desenvolvimento integral: diz respeito ao entendimento do indiví-


duo como ser plural e múltiplo, cujo desenvolvimento acontece seguin-
do essa característica, e que, portanto, não deve ser pensado ou consi-
derado de maneira fragmentada.

23. desenvolvimento físico: diz respeito ao desenvolvimento das estru-


turas físicas do corpo humano, como crescimento e aquisição de massa
muscular.

24. desenvolvimento cognitivo: diz respeito ao desenvolvimento das


chamadas funções cognitivas, como a capacidade de raciocínio, aprendi-
zado e memória de um indivíduo.

25. desenvolvimento social: refere-se a um processo de melhoria de


qualidade de vida das pessoas de uma sociedade, entendendo-se como
qualidade de vida um cenário de garantia de direitos humanos atrelado

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à ideia de satisfação e desenvolvimento de cada indivíduo em termos de
realização pessoal e da sociedade em seu conjunto.

26. desenvolvimento emocional: diz respeito ao desenvolvimento da


capacidade de percepção e gestão de emoções e sentimentos de um
indivíduo.

27. desenvolvimento motor: diz respeito ao desenvolvimento das capa-


cidades motoras – locomoção, coordenação de movimentos, capacidade
de fala – de uma pessoa.

28. direitos da criança: são assegurados por alguns marcos legais,


entre eles, a Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), de 1990. Por meio destes, as crianças brasileiras, sem
distinção de raça, etnia, classe social, ou qualquer forma de discrimina-
ção, passam a ser sujeitos de direitos, a quem deve ser assegurada a
prioridade absoluta na formulação de políticas públicas e destinação de
recursos aos orçamentos municipais, estaduais e federais. É dever dos
adultos garantir que esses direitos sejam assegurados. Em linhas gerais,
as crianças têm direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao
lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade
e à convivência familiar e comunitária.

29. educação básica: todo o sistema educacional do Brasil é dividido


em Educação Básica e Ensino Superior. A educação básica foi instituída
a partir Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) Nº 9.394/96, e está
estruturada em três modalidades: educação infantil, ensino fundamen-
tal e ensino médio.

30. equidade: é um conceito relacionado às ideias de igualdade, sime-


tria, imparcialidade, conformidade. No âmbito das políticas públicas,
diz respeito à garantia equivalente aos direitos e ao acesso aos serviços
públicos independentemente de raça, gênero, condição social etc.

31. fatores protetores: caracterizam-se por atributos pessoais, familia-


res ou sociais que minimizam ou neutralizam o impacto do risco. Quanto
mais atuantes, maior é o seu efeito positivo na vida das crianças e dos
adolescentes.

32. hábitos alimentares: o termo é usado para especificar os costumes


e a relação de um indivíduo com a alimentação. O hábito alimentar de
uma criança começa a ser formado na primeira infância e é influenciado
pelo hábito alimentar dos adultos com quem a criança convive.

33. homogeneizadoras: o verbo homogeneizar significa tornar um con-


junto de elementos em algo de natureza, estrutura ou função uniforme.
A palavra “homogeneizadora”, então, diz respeito à capacidade, ao obje-
tivo ou à função de algo a fim de estabelecer uma estrutura uniforme.

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34. intersetorialidade: diz respeito ao conceito de unir esforços de
diversos setores para um trabalho conjunto e integrado. No caso da
promoção de direitos e cuidados das crianças, a recomendação é que
a atuação seja construída a partir da ideia de intersetorialidade, unindo
políticas e serviços públicos com os fazeres e saberes da sociedade.

35. integralidade: está atrelada ao princípio de que um indivíduo é um


ser múltiplo e que é preciso olhar e pensar serviços públicos e políticas de
forma não fragmentada, ou seja, considerando sua totalidade. No caso de
uma criança, por exemplo, para se pensar uma política pública de saúde, é
importante, também, além dos aspectos fisiológicos e do desenvolvimen-
to dessa criança, considerar sua realidade familiar e cultural.

36. licença-paternidade: é um benefício concedido pelos emprega-


dores a seus funcionários que se tornam pais. Sancionada em 2016, o
Marco Legal da Primeira Infância aumentou a licença-paternidade de
cinco para 20 dias. É importante destacar que o benefício não atinge
todos os funcionários que se tornaram pais no Brasil, pois as mudanças
são obrigatórias para as empresas cadastradas no programa “Empresa
Cidadã” e para servidores públicos.

37. licença-maternidade: “a Constituição de 1988 garante para todas as


mulheres trabalhadoras sob o regime CLT o direito a 120 dias de licença.
Têm direito à licença-maternidade de 6 meses as mães trabalhadoras
de empresas que optarem pela Lei nº 11.770/2008 (Programa Empresa
Cidadã) e os funcionários estaduais e federais. Essa lei, publicada em
9 de setembro de 2008, estimula as empresas a ampliarem a licença-
maternidade das suas trabalhadoras para 6 meses, mediante incentivo
fiscal.”Fonte:https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_
mulher_trabalhadora_amamenta.pdf

38. marco legal: é toda legislação que rege determinado assunto, como
a Constituição, as Leis (municipais e estaduais), as Portarias etc.

39. marcos de desenvolvimento: com o objetivo de acompanhar o


desenvolvimento das crianças, foram criadas tabelas com situações de
referência (habilidades esperadas em relação a cada idade) para apoiar
profissionais de saúde na assistência. É importante lembrar que os mar-
cos de desenvolvimento são situações de referência, mas que é preciso
considerar na análise e no diagnóstico a individualidade de cada criança.

40. microcefalia: trata-se de uma malformação congênita, em que o


cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Nesse caso, os bebês
nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o esperado, que habitu-
almente é superior a 32 cm.

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41. morte súbita: “Síndrome da Morte Súbita” é o nome dado ao óbito
de bebês recém-nascidos, aparentemente saudáveis, em que não é pos-
sível identificar a causa.

42. normativa: o termo é usado em referência a um conjunto de nor-


mas plausível de ser aplicado e obrigatório na execução de procedimen-
tos de determinada atividade.

43. plasticidade (ou plasticidade cerebral): evidências científicas reve-


lam que o cérebro humano tem uma grande capacidade – principalmen-
te durante o período conhecido como primeira infância – de ser molda-
do e modificar as conexões entre neurônios. Essa capacidade é chamada
de “plasticidade”.

44. perspectiva construtivista: construtivismo é uma corrente de pen-


samento que ganhou espaço no campo das teorias pedagógicas, inspi-
rada na obra de Jean Piaget (1896-1930). Na perspectiva construtivista,
as estruturas cognitivas de um indivíduo se constituem a partir da inte-
ração com o meio. Assim, o processo de aprendizagem não aconteceria
de forma passiva, mas por meio de situações-problema que permitam o
conflito e, consequentemente, o avanço cognitivo de cada um.

45. prática pedagógica: é o nome dado a todas as ações que envolvem


o processo de construção de conhecimento em ambiente escolar.

46. prevenção: pode ser entendida como uma estratégia de promoção


da saúde, na medida em que previne e controla os agravos, por meio da
criação de condições de proteção e defesa de indivíduos e grupos que
se encontram em situações de riscos e de vulnerabilidades específicas.
Atua no campo da identificação de doenças e agravos, de diagnóstico,
tratamento e cuidados, sem prejuízo da assistência na readaptação e
reabilitação.

47. psiquismo infantil: entende-se por psiquismo o conjunto de carac-


terísticas psicológicas de um indivíduo, ou de fenômenos psíquicos e
processos da evolução mental de um indivíduo. O termo “psiquismo
infantil”, então, faz referência às características psicológicas de crianças
ou ao período da infância.

48. populações de mais vulnerabilidade: são aquelas que se encon-


tram em processo de exclusão social, comumente caracterizado pela
incapacidade, por conta desse processo de exclusão, de ter acesso a
seus direitos humanos básicos como moradia, saneamento básico e
educação.

49. puericultura: é o nome dado às consultas regulares de acompanha-


mento do crescimento e desenvolvimento da criança.

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50. rede de atenção: no contexto do desenvolvimento infantil, entende-
-se como “rede de atenção” todos aqueles profissionais – de diferentes
áreas, como saúde, educação e assistência social – com atuação voltada
aos cuidados e à garantia de direitos das crianças. A ideia de rede remete
à atuação conectada e integrada.

51. rede familiar e social de apoio: no contexto do desenvolvimento


infantil, abrange todas as pessoas envolvidas direta e indiretamente no
cuidado de crianças. Nesse sentido, os cuidados de uma criança deixam
de ser responsabilidade exclusiva de seus pais, tornando-se, também,
responsabilidade de toda a sociedade civil e dos governos.

52. responsabilidade política: o termo refere-se à responsabilidade das


diferentes instâncias do poder público, no caso da infância, para com a
garantia dos direitos das crianças.

53. resiliência: é compreendida como a capacidade de superar adversi-


dades e de lidar positivamente com situações difíceis – como a violência
– que têm alto potencial de produzir muito sofrimento. Os fatores fun-
damentais para o fortalecimento da resiliência são os vínculos afetivos
sólidos e o bom funcionamento da rede de relacionamentos, que atuam
como suporte para que a pessoa reflita sobre sua vida e encontre for-
ças para a superação, muitas vezes, desconhecidas por ela própria. Com
isso, situações difíceis e obstáculos encontrados pela vida podem forta-
lecer a pessoa, em vez de fragilizá-la.

54. síndrome de down: não é uma doença, mas sim uma condição gené-
tica que ocorre quando, em vez de um indivíduo nascer com duas cópias
do cromossomo 21, ele nasce com 3 cópias, ou seja, um cromossomo
número 21 a mais em todas as células. Essa trissomia está relacionada
ao déficit cognitivo e à hipotonia em graus variados e, em alguns casos, a
malformações cardíacas, intestinais bem como outras condições.

55. taxas de retorno do investimento: é um termo usado para calcular


uma taxa referente a determinado investimento. Para citar um exem-
plo prático, o americano James Heckman, que recebeu o Prêmio Nobel
em 2000, comprovou com sua pesquisa que programas sociais para a
primeira infância têm taxas de retorno de investimento maiores do que
aqueles dedicados a outras faixas etárias. Em outras palavras, investir na
primeira infância, em longo prazo, traz mais retornos.

56. território: a definição mais simples para o conceito de “território”


está ligada à delimitação de determinado espaço por suas fronteiras.
Contudo, há outras abordagens e concepções possíveis para esse con-
ceito, mais amplas, que fazem referência à ideia de território como uma
unidade constituída a partir de compartilhamento de crenças, valores e
outras especificidades de determinada cultura.

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57. vulnerabilidade: o conceito de vulnerabilidade enfatiza o contexto
de vida social e histórico dos grupos populacionais e está estreitamente
relacionado ao esforço de superação. Considera a chance de exposição
das pessoas ao adoecimento e a outros agravos sociais como resultan-
te de um conjunto de aspectos individuais, coletivos e programáticos.
Entende-se a criança como um ser vulnerável, por exemplo, por se tratar
de um indivíduo ainda em formação cujo intermédio de outros – sua
família e adultos de seu entorno, governo, por exemplo – é fundamental
para que seus direitos sejam assegurados.

58. vulnerabilidade biológica: está ligada à ideia de fragilidade ou pro-


cesso de exclusão relacionados a aspectos biológicos vitais à sobrevivên-
cia de um indivíduo, como acesso à água potável, por exemplo.

59. vulnerabilidade econômica: situação de indivíduos ou grupos que


se encontram em situação de fragilidade ou processo de exclusão dos
meios de produção, do mercado de trabalho e da cadeia de consumo.

60. vulnerabilidade social: situação de indivíduos ou grupos que se


encontram em processo de exclusão social, comumente caracterizado
pela incapacidade do sujeito, por conta desse processo de exclusão, de
acessar seus direitos humanos básicos, como moradia, saneamento
básico e educação.

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