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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA VARA FEDERAL DA SUBSEÇÃ O
JUDICIÁ RIA DE SUCUPIRA-SP
[ACME EMPRESAS], pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob o nº
[CNPJ], com sede [ENDEREÇO COMPLETO], neste ato representada na forma de seu
estatuto social, por seus procuradores (procuraçã o em anexo), vem, respeitosamente,
perante Vossa Excelência, propor
           AÇÃO ORDINÁRIA
  Em desfavor da UNIÃ O FEDERAL, pessoa jurídica de direito pú blico, com endereço na
Rua ...., nº ...., Bairro ...., CEP: ....., a teor dos fundamentos de fato e de direito a seguir
aduzidos:
PRELIMINARES
DA TUTELA DE EVIDÊNCIA
O NCPC trata da tutela de evidência em seu art. 311, dispondo que para a sua concessã o
deve-se verificar a evidência do direito, de forma contundente a formar um juízo de
cogniçã o sumá ria, independente do periculum in mora e do risco ao resultado ú til do
processo.
Sã o 4 (quatro) as suas hipó teses de concessã o. Veja-se:
NCPC, Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstraçã o
de perigo de dano ou de risco ao resultado ú til do processo, quando:
I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propó sito protelató rio da
parte;
II - as alegaçõ es de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese
firmada em julgamento de casos repetitivos ou em sú mula vinculante;
III - se tratar de pedido reipersecutó rio fundado em prova documental adequada do
contrato de depó sito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado,
sob cominaçã o de multa;
IV - a petiçã o inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos
do direito do autor, a que o réu nã o oponha prova capaz de gerar dú vida razoá vel.
O disposto no supracitado inciso II se amolda, perfeitamente, ao nosso caso concreto.
A tutela de evidência é constituída em verdadeira garantia que tem como base a presunçã o
legal de risco ao ressarcimento. Por isso, ela nã o exige a demonstraçã o do periculum in
mora.
Alcione Rosa Martins de Sampaio e Marina Rosa Vizzoni lecionam:
“A tutela de evidência ocorre quando nos deparamos com um direito que representa uma
verdade clara e manifesta, uma certeza imediata, uma situaçã o líquida e certa. É o direito
evidenciado em juízo, obtido por meio de provas incontestá veis, líquidas, certas, notó rias,
incontroversas, impassíveis de contestaçã o séria. O direito evidente representa uma
situaçã o que a probabilidade de certeza é quase absoluta; há nele uma verossimilhança
preponderante. Nã o é necessá rio tratar-se de uma verdade absoluta. A evidência é
demonstrá vel de imediato por meio de prova documental, por meio de fatos notó rios,
incontroversos, confessados noutro processo, produzidos antecipadamente ou, ainda,
decorrentes da decadência ou prescriçã o”.
Dessa maneira, impõ e-se o imediato estancamento das cobranças indevidas, pois sua
ocorrência, ilegalidade e inconstitucionalidade sã o comprovadas através da prova
documental em anexo. A prova pré-constituída constante nos autos é incontestá vel, líquida,
certa, notó ria, incontroversa e impassível de contestaçã o séria.
Assim, estã o presentes os requisitos para a concessã o da tutela antecipada, nos termos do
artigo 311 do Novo Có digo de Processo Civil, de modo que é imperioso:
I – reconhecer-se a inconstitucionalidade da inclusã o do ICMS destacado nas notas fiscais
na base de cá lculo do PIS e da COFINS, e declarar o direito das Empresas Associadas ao
Autor de nã o mais incluir esse ICMS na base de cá lculo para recolhimento do PIS e da
COFINS, vez que tal montante (ICMS) nã o tem natureza de faturamento ou receita pró pria,
pois sempre só esteve e estará momentaneamente e provisoriamente em poder da Autora,
nã o como receita ou faturamento pró prio, mas em razã o do encargo que legalmente lhe é
atribuído, consiste no dever de arrecadá -lo e subsequentemente repassá -lo ao Estado;
II – abstenha a Fazenda Pú blica de qualquer cobrança, bem como, que tal fato seja motivo
para se negar a expediçã o de certidã o negativa de débitos – CND
III – impedir-se a inclusã o no CADIN, entre outros atos sancionató rios.
DOS FATOS
As Empresas Acme sã o empresas de [RAMO DE ATIVIDADE].
No â mbito federal, sã o contribuintes da contribuiçã o social incidente sobre o faturamento -
COFINS, prevista no art. 195, inciso I, b, da CF/88, instituída pela Lei Complementar nº
70/1991, com as alteraçõ es promovidas pela Lei nº 9.718/1998.
Igualmente, sã o contribuintes da contribuiçã o social para o Programa de Integracao Social -
PIS, incidente sobre o faturamento, e que foi instituída, originalmente, pela Lei
Complementar nº 7/1970, e posteriormente pela Medida Provisó ria nº 1.212/1995,
convertida na Lei nº 9.715/1998 e alterada pela Lei nº. 9.718/1998.
Atualmente, as citadas contribuiçõ es sã o regidas pelas Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002,
respectivamente, as quais instituíram a sistemá tica da nã o cumulatividade.
Na condiçã o de prestadoras de serviços, as Empresas ACME ao Autor, no â mbito estadual,
sã o contribuintes do Imposto sobre Operaçõ es Relativas à Circulaçã o de Mercadorias e
sobre Prestaçã o de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de
Comunicaçã o – ICMS, conforme competência estabelecida pela Lei Complementar nº
87/1996.
Ocorre que, segundo a Uniã o Federal, os montantes recolhidos pelas Empresas ACME ao
Autor, a título de ICMS, integram o faturamento e, consequentemente, a receita da empresa,
devendo compor a base de cá lculo do PIS e da COFINS.
Todavia, esse entendimento é manifestamente inconstitucional, pois os valores recolhidos
a título de ICMS pelas Empresas ACME ao Autor, que sã o transferidos, respectivamente, aos
Estados, nã o integram faturamento das Empresas, e muito menos a sua receita.
A Uniã o sempre exigiu e continua exigindo a inclusã o do ICMS por si arrecadado e
repassado ao Estado do [NOME ESTADO] na base de cá lculo das mencionadas
contribuiçõ es. Cuja exigência, conforme em anexo, tanto na vigência da primitiva redaçã o
mencionadas das Leis nº 10.883/2003 e 10.637/2002, quando na vigência da atual redaçã o
que lhes foi atribuída pela Lei nº 12.973/014, e sob qualquer outra forma ou pretexto, foi, é
e sempre será inconstitucional.
Razã o porque promove esta açã o, que tem por objeto: 1º) ver reconhecido e declarado ser
indevida, porque ilegal e inconstitucional a exigência da inclusã o do ICMS na base de
cá lculo da COFINS e do PIS; 2º) ver reconhecido o seu direito de doravante (a partir do
trâ nsito em julgado da r. Decisã o que reconhecer o indébito) excluir o ICMS da base de
cá lculo da COFINS e do PIS e 3º) ver reconhecido o seu direito à quantificaçã o e repetiçã o
do indébito prescrito, consequente da exigência pela UNIÃ O da inclusã o do ICMS na base de
cá lculo da COFINS e do PIS , inclusive das parcelas que assim tiver exigido no desta Açã o e
até quando esta indevida exigência vier a ser suprimida, com sua consequente condenaçã o
(da UNIÃ O) no dever de restituí-lo (o indébito), com acréscimos da correçã o dos juros
legais devidos.
Dessa forma, nã o resta ao Autor outra opçã o senã o pleitear, perante o Poder Judiciá rio, o
afastamento de tal exigência, em benefício de suas Empresas ACME.
INCONSTITUCIONALIDADE DA INCLUSÃ O DO ICMS (ISSQN) NA
BASE DE CÁ LCULO DO PIS E DA COFINS
As contribuiçõ es sociais envolvidas na presente demanda encontram previsã o
constitucional no art. 195, I, b.
CF/88, Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e
indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Uniã o, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuiçõ es sociais: I - do
empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:
(Redaçã o dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) b) a receita ou o
faturamento (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998).
A legislaçã o infraconstitucional deve se ater aos limites estabelecidos na Constituiçã o
Federal, que ao tratar da contribuiçã o devida pelo empregador, empresa ou entidade a ela
equiparada, estabeleceu como base de cá lculo a receita ou o faturamento.
Com relaçã o ao PIS, veja-se a previsã o da sua base de cá lculo contida na Lei nº
10.637/2002:
Lei nº 10.637/2002, Art. 1º. A Contribuiçã o para o PIS/PASEP, com a incidência nã o
cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica,
independentemente de sua denominaçã o ou classificaçã o contá bil. (Redaçã o dada pela Lei
nº 12.973, de 2014).
Quando a COFINS, sua base de cá lculo está disciplina na Lei nº 10.833/2003:
Lei nº 10.833/2003. Art. 1º. A Contribuiçã o para o Financiamento da Seguridade Social -
COFINS, com a incidência nã o cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês
pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominaçã o ou classificaçã o contá bil.
(Redaçã o dada pela Lei nº 12.973, de 2014).
Nã o há amparo legal para que os valores recolhidos pela Impetrante a título de ICMS sejam
utilizados na sua base de cá lculo.
O ICMS nã o é faturamento ou receita da pessoa jurídica. Trata-se de valor que se agrega ao
das operaçõ es e compõ e o preço de venda dos produtos como forma de repassar seu custo
para o adquirente. Sendo tributo indireto, portanto, nã o compõ e a receita das empresas
contribuintes. A arrecadaçã o de ICMS é uma obrigaçã o legal imposta à Impetrante, que o
faz na funçã o de mera arrecadadora.
Infere-se, assim, o ICMS nã o é receita das empresas contribuintes, mas dos Estados. Por
isso, nã o deve compor a base de cá lculo do PIS/COFINS.
A argumentaçã o da Impetrante funda-se em julgamento do RE 574.706, que analisou a
inconstitucionalidade da equiparaçã o do termo"faturamento"ao conceito de receita bruta
promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. Mais que isso, em sede de repercussã o
geral (reproduçã o obrigató ria em todas as instâ ncias) o Supremo Tribunal Federal fixou a
tese de que o ICMS nã o compõ e o faturamento da empresa.
Destaca-se, a seguir, a ementa do festeja acordã o:
RECURSO EXTRAORDINÁ RIO COM REPERCUSSÃ O GERAL. EXCLUSÃ O DO ICMS NA BASE
DE CÁ LCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃ O DE FATURAMENTO. APURAÇÃ O ESCRITURAL
DO ICMS E REGIME DE NÃ O CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviá vel a apuraçã o
do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o
sistema de apuraçã o contá bil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês,
considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisiçõ es e o total de débitos gerados
nas saídas de mercadorias ou serviços: aná lise contá bil ou escritural do ICMS. 2. A aná lise
jurídica do princípio da nã o cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no
art. 155, § 2º, inc. I, da Constituiçã o da Repú blica, cumprindo-se o princípio da nã o
cumulatividade a cada operaçã o. 3. O regime da nã o cumulatividade impõ e concluir,
conquanto se tenha a escrituraçã o da parcela ainda a se compensar do ICMS, nã o se incluir
todo ele na definiçã o de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O
ICMS nã o compõ e a base de cá lculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º,
inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cá lculo daquelas contribuiçõ es sociais
o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que nã o há como se
excluir a transferência parcial decorrente do regime de nã o cumulatividade em
determinado momento da dinâ mica das operaçõ es. 4. Recurso provido para excluir o ICMS
da base de cá lculo da contribuiçã o ao PIS e da COFINS. (STF, RE 574706, Relª. Minª. Cá rmen
Lú cia, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, Acó rdã o Eletrô nico Repercussã o Geral -
Mérito DJe-223 DIVULG 29-09-2017 PUBLIC 02-10-2017)
Em seu voto a MMª. Relª. Minª. Cá rmen Lú cia assim se manifesta:
(...) o regime da nã o cumulatividade impõ e concluir, embora se tenha a escrituraçã o da
parcela ainda a se compensar do ICMS, todo ele, nã o se inclui na definiçã o de faturamento
aproveitado por este Supremo Tribunal Federal, pelo que nã o pode ele compor a base de
cá lculo para fins de incidência do PIS e da COFINS.
Enfatize-se que o ICMS incide sobre todo o valor da operaçã o, pelo que o regime de
compensaçã o importa na circunstâ ncia de, em algum momento da cadeia de operaçõ es,
somente haver saldo a pagar do tributo se a venda for realizada em montante superior ao
da aquisiçã o e na medida dessa mais valia, ou seja, é indeterminá vel até se efetivar a
operaçã o, afastando-se, pois, da composiçã o do custo, devendo ser excluído da base de
cá lculo da contribuiçã o ao PIS e da COFINS.
Contudo, é inegá vel que o ICMS respeita a todo o processo e o contribuinte nã o inclui como
receita ou faturamento o que ele haverá de repassar à Fazenda Pú blica.
10. Com esses fundamentos, concluo que o valor correspondente ao ICMS nã o pode ser
validamente incluído na base de cá lculo da contribuiçã o ao PIS e da COFINS.
O ilustre tributarista Roque Antô nio Carrazza nos ensina que
[...] ‘Faturamento ‘ nã o é um simples ‘ró tulo’. Tampouco, ‘vênia concessa’, é uma ‘caixa
vazia’, dentro da qual o legislador, o intérprete ou o aplicador podem colocar o que bem
lhes aprouver. Pelo contrá rio, ‘faturamento’, no contexto do art. 195, I, da CF (que
menciona este instituto pró prio do Direito Comercial), tem uma acepçã o técnica precisa, da
qual o Direito Tributá rio nã o pode afastar-se [...]”.
A inclusã o do ICMS na base de cá lculo de qualquer outro tributo, ou contribuiçã o, à luz do
conceito constitucional insculpido na alínea b, do inciso II, do art. 195 da CF/88, é
inconstitucional. Trata-se de inegá vel bis in idem, pois temos a incidência de contribuiçã o
ou imposto sobre imposto. Além disso, a Lei nº 9.718/1998 (e qualquer outra em igual
sentido) ao tentar incluir o ICMS na base de cá lculo do PIS/COFINS extrapola o conceito
constitucional de faturamento.
Ademais, é de se destacar que em seu voto a Minª. Relª. Cá rmen Lú cia destacou que o ICMS
a ser retirado da base de cá lculo é aquele destacado nas notas fiscais de saída, nã o apenas o
efetivamente pago. Veja-se:
(...) embora se tenha a escrituraçã o da parcela ainda a se compensar do ICMS, todo ele, nã o
se inclui na definiçã o de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal, pelo
que nã o pode ele compor a base de cá lculo para fins de incidência do PIS e da COFINS”.
Forçoso se concluir, portanto, que no caso em apreço há inconstitucionalidade no fato de a
UNIÃ O exigir da Autora a inclusã o do ICMS destacado na nota na base de cá lculo da COFINS
e do PIS.
DO DIREITO À COMPENSAÇÃ O/RESTITUIÇÃ O DOS VALORES INDEVIDAMENTE
RECOLHIDOS NOS 5 (CINCO) ANOS ANTERIORES AO AJUIZAMENTO DA AÇÃ O
A Impetrante é sujeito passivo da relaçã o jurídica tributá ria, sendo devedora do tributo.
Ao mesmo tempo, é credora da Fazenda Pú blica, pois, conforme já informado, vem
realizando o pagamento de PIS/COFINS a maior em razã o da ilegal cobrança desses
tributos sobre o ICMS. Por isso, existe direito à restituiçã o dos valores pagos
indevidamente. Essa restituiçã o poderá ser feita por meio de compensaçã o.
O Superior Tribunal de Justiça admite a eficá cia executiva da sentença declarató ria de
compensaçã o, consoante Sú mula 461:
STJ, Sú mula nº 461. O contribuinte pode optar por receber, por meio de precató rio ou por
compensaçã o, o indébito tributá rio certificado por sentença declarató ria transitada em
julgado.
Veja-se entã o: a sentença declarató ria certifica o direito de crédito do contribuinte, e assim
acaba por legitimá -lo com o título executivo para postular a restituiçã o ou realizar a
compensaçã o.
Vale dizer que os direitos à restituiçã o e compensaçã o estã o expressamente previsto no art.
165 e 170, respectivamente, do CTN, vejamos:
CTN, Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à
restituiçã o total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento,
ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:
I - cobrança ou pagamento espontâ neo de tributo indevido ou maior que o devido em face
da legislaçã o tributá ria aplicá vel, ou da natureza ou circunstâ ncias materiais do fato
gerador efetivamente ocorrido;
II - erro na edificaçã o do sujeito passivo, na determinaçã o da alíquota aplicá vel, no cá lculo
do montante do débito ou na elaboraçã o ou conferência de qualquer documento relativo ao
pagamento;
III - reforma, anulaçã o, revogaçã o ou rescisã o de decisã o condenató ria.
(...)
Art. 170. A lei pode, nas condiçõ es e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulaçã o em
cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensaçã o de créditos
tributá rios com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra
a Fazenda pú blica. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010)
Pará grafo ú nico. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará , para os
efeitos deste artigo, a apuraçã o do seu montante, nã o podendo, porém, cominar reduçã o
maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer
entre a data da compensaçã o e a do vencimento.
Também a Lei nº 8.383/1991 resguarda o direito à compensaçã o em caso de pagamento
indevido de contribuiçã o previdenciá ria. Veja-se:
Lei nº 8.383/1991, Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos,
contribuiçõ es federais, inclusive previdenciá rias, e receitas patrimoniais, mesmo quando
resultante de reforma, anulaçã o, revogaçã o ou rescisã o de decisã o condenató ria, o
contribuinte poderá efetuar a compensaçã o desse valor no recolhimento de importâ ncia
correspondente a período subsequente. (Redaçã o dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995)
Destaque-se, também, que a Lei nº. 9.430/1996, em seu art. 74, dispõ e sobre a
possibilidade de compensaçã o dos valores recolhidos indevidamente a título de PIS e de
COFINS com quaisquer tributos federais que sejam administrados pela Secretaria da
Receita Federal:
Lei nº. 9.430/1996, Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com
trâ nsito em julgado, relativo a tributo ou contribuiçã o administrado pela Secretaria da
Receita Federal, passível de restituiçã o ou de ressarcimento, poderá utilizá -lo na
compensaçã o de débitos pró prios relativos a quaisquer tributos e contribuiçõ es
administrados por aquele Ó rgã o. (Redaçã o dada pela Lei nº 10.637, de 2002)
Conclui-se, portanto, que a Impetrante possui o direito de obter a declaraçã o do direito à
compensaçã o com débitos pró prios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos
administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e/ou restituiçã o dos valores
indevidamente recolhidos nos ú ltimos 5 (cinco) anos (e eventualmente no curso da
demanda), consoante disposiçã o do art. 174 do CTN que prevê que "a açã o para a cobrança
do crédito tributá rio prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituiçã o
definitiva".
DA INCIDÊ NCIA DE CORREÇÃ O MONETÁ RIA, TAXA SELIC E JUROS DE MORA
Sobre os valores indevidamente recolhidos deve incidir correçã o monetá ria que, por se
tratar de mecanismo de recomposiçã o do valor de compra da moeda e nã o de um
acréscimo na dívida, deve ser plena, "sob pena de desafiar a proibiçã o constitucional ao
confisco, previsto no artigo 150, inciso IV, da CF"(STJ, REsp 475.917/SC, 23 Turma, Min.
Franciulli Neto, DJ de 29/03/2004). No mesmo sentido, os julgados REsp 587.052/SC, 13
Turma, Min. José Delgado, DJ de 15/03/2004 e REsp 468.395/SC, 23 Turma, Min. Eliana
Calmon, DJ de 7402/06/2003.
Assim, deve ser aplicada a UFIR, nos moldes estabelecidos pelos artigos 1º e 66, § 3º,
ambos da Lei nº 8.383/1991, bem como juros de mora de 1% (um por cento) ao mês a
partir de cada recolhimento indevido e taxa SELIC a partir de 1º de janeiro de 1996,
conforme o artigo 39, § 4º da Lei nº 9.250/1995.
Subsidiariamente, deve ser assegurado à s Empresas ACME ao Autor, por força do Princípio
Constitucional da lsonomia, a aplicaçã o dos mesmos índices de correçã o monetá ria e juros
aplicados pelo Réu quando da cobrança de seus créditos.
PREQUESTIONAMENTO
Pelas razõ es anotadas, para todos os fins jurídicos e legais, prequestiona a incidência ao
acaso do disposto nos artigos 145, § 1º, art. 150, I e art. 195, I, b, da Constituiçã o Federal e
no art. 110, do CTN.
DOS PEDIDOS
Diante da consistente e fundamentada causa de pedir acima exposta, o Autor requer e
espera, respeitosamente, que se digne V. Exa. a:
a) Determinar a citaçã o do Réu para, querendo, contestar a presente açã o, no prazo legal e
sob as penas da lei;
b) Conforme entendimento firmado pelo STF em sede de repercussã o geral, julgar
procedente o pedido, reconhecendo-se a inconstitucionalidade da inclusã o do ICMS
destacado na nota fiscal na base de cá lculo do PIS e da COFINS, e declarando o direito das
Empresas ACME ao Autor de nã o mais incluir esse ICMS (e do ISS) na base de cá lculo para
recolhimento do PIS e da COFINS, vez que tal montante (ICMS) nã o tem natureza de
faturamento ou receita pró pria, pois sempre só esteve e estará momentaneamente e
provisoriamente em poder da Autora, nã o como receita ou faturamento pró prio, mas em
razã o do encargo que legalmente lhe é atribuído, consiste no dever de arrecadá -lo e
subsequentemente repassá -lo ao Estado;
c) Declarar o direito das Empresas ACME ao Autor em efetuar a compensaçã o ou serem
restituídas dos valores indevidamente recolhidos a tais títulos nos 5 (cinco) anos
anteriores ao ajuizamento da açã o, bem como aqueles recolhidos no curso da demanda,
com débitos pró prios, vencidos ou vincendos. relativos a quaisquer tributos federais ou
contribuiçõ es administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, valendo-se dos
mesmos índices de correçã o adotados pela Fazenda Pú blica Nacional para a cobrança de
seus créditos (taxa SELIC).
d) Requer seja concedida “initio litis”, a tutela da evidência, consoante razõ es alinhadas
( art. 311, do CPC)
e) Requer que as futuras publicaçõ es sejam realizadas em nome dos advogados signatá rios,
sob pena de nulidade.
Por fim, o Autor adverte que a definiçã o da tese de que o ICMS nã o compõ e o faturamento,
no RE 574.706 pelo STF (com repercussã o geral) nã o impede o ajuizamento e o
recebimento por esse Juízo da presente açã o, notadamente em razã o da necessidade de
interrupçã o do prazo prescricional.
Dá -se à presente causa o valor de R$ 1000 (mil reais).
Nesses termos.
Pede deferimento
SUCUPIRA, 31 de FEVEREIRO DE 2020
_________________________________________
ADVOGADO
OAB

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