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ENCONTRO

PROIBIDO

CHARLOTTE BYRD
CONTENTS
COPYRIGHT
SOBRE ENCONTRO PROIBIDO
ELOGIOS A CHARLOTTE BYRD
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LIVROS POR CHARLOTTE BYRD
SOBRE CHARLOTTE BYRD
1. ELLIE
2. ELLIE
3. ELLIE
4. ELLIE
5. ELLIE
6. ELLIE
7. ELLIE
8. ELLIE
9. ELLIE
10. ELLIE
11. ELLIE
12. ELLIE
13. ELLIE
14. ELLIE
15. ELLIE
16. MR. BLACK
17. ELLIE
18. ELLIE
19. ELLIE
20. ELLIE
21. ELLIE
22. ELLIE
23. MR. BLACK
24. ELLIE
25. ELLIE
26. ELLIE
27. ELLIE
28. ELLIE
29. ELLIE
30. ELLIE
SOBRE CHARLOTTE BYRD
LIVROS POR CHARLOTTE BYRD
COPYRIGHT

C opyright © 2019 by Charlotte Byrd, LLC.


Design de Capa: Charlotte Byrd
Parte nenhuma deste livro deve ser reproduzida de qualquer forma ou por
qualquer meio eletrônico ou mecânico, incluindo sistemas de armazenamento e
resgate de informações, sem consentimento escrito da autora, exceto para o uso
de breves citações em resenhas do livro.
Este livro é uma obra de ficção. Nomes, personagens, locais e incidentes são
produtos da imaginação da autora ou são usados ficticiamente. Qualquer
semelhança a pessoas reais, vivas ou mortas, eventos, locais é pura coincidência.
A autora reconhece o status de marca registrada e proprietários das marcas dos
vários produtos referenciados nesta obra de ficção, que foram usados sem
permissão. A publicação/uso destas marcas não é autorizada, associada ou
patrocinada pelos proprietários da marca.
Visite minha página em www.charlotte-byrd.com
SOBRE ENCONTRO PROIBIDO

Eu não pertenço a este lugar.


Estou completamente confusa e insegura. Mas tenho dívidas para pagar.
Chamam meu nome. Os holofotes acendem. O leilão começa.
O Sr. Black dá o maior lance. Ele é misterioso, rico e poderoso. Ele gosta de se
aventurar, de jogar jogos.
E a única regra é: não há regras.
Mas é só por uma noite.
Qual a pior coisa que poderia acontecer?
ELOGIOS A CHARLOTTE BYRD

“Emocionante, delicioso e perigosamente viciante!” - ★★★★★


“Tão excitante que nenhum leitor conseguirá resistir. Na minha lista de
compras!” - Bobbi Koe, ★★★★★
“Cativante!” - Crystal Jones, ★★★★★
"Emocionante, intenso, sexy.” - Rock, ★★★★★
“Com uma química sexy, secreta e vibrante…” - Mrs. K, ★★★★★
“Charlotte Byrd é uma autora briliante. Li muito, ri e chorei. Ela escreve com
maestria e personagens brilhantes. Muito bom!” - ★★★★★
“Fluido, sombrio, viciante e convincente.” - ★★★★★
“Sensual, fogoso, e com um enredo maravilhoso.” - Christine Reese ★★★★★
“Meu Deus... agora sou fã de Charlotte para o resto da vida.” - JJ, ★★★★★
"A tensão e a química entre os personagens são alarmantes.” - Sharon, ★★★★★
“Viagem atraente, sexy e intrigante de Ellie e Sr. Aiden Black.” - Robin
Langelier ★★★★★
“Uau. Uau! Charlotte Byrd me deixa sem palavras… Definitivamente me
manteve sentado por muito tempo. Uma vez que você começa a ler, não vai
querer mais largar.” – ★★★★★
“Sexy, fluido e cativante!” - Charmaine, ★★★★★
“Intrigante, com pitadas de luxúria, e ótimos personagens... pelo que mais você
poderia pedir?!” - Dragonfly Lady ★★★★★
“Um livro maravilhoso. Uma leitura extremamente agradável, cativante,
interessante e sexy que eu não conseguia largar. - Kim F, ★★★★★
“A melhor história. Adorei ler e reler tudo. Um enredo tão bom que lerei de novo
e de novo!!” - Wendy Ballard ★★★★★
“A quantidade perfeita de rodeios. Criei um vínculo imetiato com a protagonista
e, claro, com o Sr. Black! O romance é sexy, I instantaneously bonded with the
heroine and of course Mr. Black. YUM. It's sexy, atrevido, é fumegante. É tudo
de bom.” - Khardine Gray, autora de bestseller ★★★★★
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Séria Encontro Proibido


Encontro Proibido
Regras Proibidas
Amarras Proibidas
Contrato Proibido
Limites Proibidos

Trilogia Casa de York


1. Casa de York
2. Coroa de York

3. Trono de York
Séria Estranho Perigoso
Estranho Perigoso
Dor Perigosa
Obsessão Perigosa
Mentiras Perigosas
Amor Perigoso
SOBRE CHARLOTTE BYRD

Charlotte Byrd é a autora best-seller de vários romances modernos. Ela vive


atualmente no sul da Califórnia com seu marido, filho e um agitado mini Pastor
Australiano. É uma amante de literatura, clima ameno e águas cristalinas.

Você pode escrever para ela por aqui:


charlotte@charlottebyrd.com
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1

ELLIE QUANDO CHEGA O CONVITE…

“A qui está! Aqui está!” Caroline, minha colega de apartamento, começa a


gritar enquanto corre em direção ao meu quarto.
Nos conhecemos durante a faculdade – fomos amigas durante todo o tempo de
Yale, e nos mudamos para Nova Iorque depois da graduação.
Apesar de parecer que eu já a conheço há um milhão de anos, ainda fico chocada
com a exuberância do seu tom de voz. É tremendamente profunda em
comparação com seu corpo pequenino.
Caroline é uma daquelas garotas super magras, que podem comer qualquer coisa
sem ganhar um quilo sequer.
Infelizmente, eu não sou assim tão talentosa. Na verdade, meu corpo parece ter o
talento contrário. Posso não comer nada além de salada por uma semana inteira
que, ao comer uma fatia de pizza, ganharei um quilo.
“O que é isso?” eu pergunto, forçando meu corpo a se sentar.
Já é meio-dia e eu ainda estou na cama.
Minha mãe acha que estou deprimida e quer me levar à sua psicóloga.
Ela pode até estar certa, mas eu não encontro forças para isso.
“O convite!” grita Caroline, pulando na cama em minha direção.
Eu olho para ela sem expressão.
De repente, me ocorre.
Deve ser o convite.
“Você quer dizer… que isso é…”
“Sim!” ela grita e me abraça, agitada.
“Meu Deus!” Ela respira fundo e se afasta rapidamente de mim.
“Eu ainda não escovei os dentes” eu digo, movendo meu rosto para longe dela.
“Bem, o que você está esperando? Vá logo escovar” ela ordena.
A contragosto, sigo para o banheiro.
Nós estivemos esperando por esse convite já há algum tempo.
E por “nós”, quero dizer Caroline.
Eu apenas fiquei fazendo de conta, fingindo me importar, não esperava que ele
realmente fosse chegar.
Sem conseguir conter o entusiasmo, Caroline adentra rapidamente o banheiro
enquanto minha boca ainda está cheia de pasta de dente.
Ela fica pulando, enquanto segura uma caixa em suas mãos.
“Espera, o que é isso?” eu resmungo e enxáguo minha boca.
“É isso aqui!” Caroline grita e me puxa para a sala antes que eu tenha a chance
de limpar minha boca com uma toalha.
“Mas é uma caixa” digo, encarando-a.
“Certo, certo” Caroline inspira profundamente como se estivesse na yoga,
soltando o ar em seguida.
Ela coloca a caixa com cuidado sobre a mesa da sala de jantar. Não tem
endereço.
Parece uma caixa de presente chique, e no meio há um monograma com a letra
C.
Seria C de Caroline?
“Chegou assim? Não tem endereço?” pergunto.
“Foi entregue pessoalmente” Caroline sussurra.
Eu prendo a respiração enquanto ela cuidadosamente remove a parte de cima,
revelando a caixa de madeira coberta de cetim e seda.
A parte de cima é banhada a ouro com giros caprichados nas bordas, e a área
espelhada é gravada com seu nome completo.
Caroline Elizabeth Kennedy Spruce.
Por baixo do nome dela está uma data, daqui a uma semana. 20h.
Ficamos olhando por alguns instantes até que ela toque no elegante botão para
abrir a caixa.
No interior, Caroline encontra na tampa um monograma personalizado feito de
folha de ouro em seda estampada.
Há também um fólio coberto de seda. Caroline abre cuidadosamente o fólio e
encontra outro monograma e, por fim, o convite.
O convite interno é de uma só camada, de um branco brilhoso e com escrita
dourada.
“É de verdade? Quantas camadas de convite tem aqui?” pergunto.
A aparência está definitivamente fazendo o seu trabalho. Nós duas estamos
devidamente impressionadas.
"Há outro botão", eu digo, apontando para o botão na frente da caixa.
Não sei como não reparamos antes.
Caroline puxa cuidadosamente este botão, revelando uma gaveta que guarda um
cartão com instruções e um cartão de resposta.
“Eu não posso ir sozinha!” Caroline resmunga, olhando para mim.
Olho vagamente para ela.
Ser convidada para essa festa é seu sonho desde que ela descobriu sobre a
existência do evento na Cicada 17, uma sociedade supersecreta de Yale.
“Olha, aqui diz que posso levar uma pessoa” ela grita, mesmo que eu esteja bem
ao seu lado.
“Provavelmente quer dizer o namorado” respondo.
“Não, uma pessoa. Preferencialmente uma amiga”, Caroline lê o cartão.
Essa parte do convite fora escrita com uma fonte muito pequena, como se uma
pessoa a tivesse grudado ali, sem a permissão expressa das demais.
“Eu não quero cair de sono” respondo.
Francamente, não quero ir. De verdade.
Esses eventos da alta sociedade sempre fazem com que eu me sinta bem
desconfortável.
“Ei, você não deveria estar no trabalho?” pergunto.
“Eu tirei o dia de folga,” Caroline responde, balançando os braços. “Eu sabia que
o convite iria chegar hoje e não conseguiria lidar com trabalho de qualquer
forma. Sabe como é.”
Eu concordo. Mais ou menos.
Caroline e eu parecemos ter vindo do mesmo mundo.
Ambas estudamos em escolas particulares, fomos para Yale, e nossos pais
frequentam o mesmo country club em Greenwich, Connecticut.
Mas não somos assim tão parecidas.
A família de Caroline tem dinheiro há gerações, desde a época dos trilhos de
trem.
Meus pais eram uma família de classe média normal de Connecticut.
Ambos eram professores e nossa ideia de férias de verão era alugar um bangalô
de um quarto perto de Clearwater, Flórida, por uma semana.
Mas então meus pais se separaram quando eu tinha 8 anos, e minha mãe
começou a dar aulas particulares para crianças para ter uma renda extra.
O pagamento era melhor em Greenwich, onde os pais das crianças pagavam
mais de 100 dólares por hora.
Foi assim que ela conheceu Mitch Willoughby, meu padrasto.
Ele era um viúvo com uma filha de 5 anos que não estava muito bem após a
morte da mãe, ainda jovem.
Embora mamãe normalmente não ensinasse crianças menores de 12 anos, ela
concordou em fazer uma reunião com Mitch e sua filha, porque 200 dólares por
hora era demais para recusar.
Três meses depois, eles estavam apaixonados e seis meses depois, ele a pediu em
casamento. Queria que se casassem no topo da Torre Eiffel.
Eles se casaram, quando eu tinha 11 anos, em uma cerimônia enorme de 450
pessoas em Nantucket.
Então, apesar de Caroline e eu estarmos nos mesmos círculos, não somos
originalmente do mesmo círculo.
Ela sabe que não tem nada a ver com ela; o problema sou eu.
Eu nem sempre sinto que pertenço.
Caroline se formou em História da Arte em Yale e agora trabalha em uma galeria
de arte contemporânea exclusiva no Soho.
O lugar é chique e minúsculo, apresentando apenas 3 peças de cada vez.
Ash, a proprietária - não tenho certeza se esse é seu primeiro ou último nome -
principalmente mantém o espaço como uma vitrine. A real especialidade da
galeria é ir às casas dos ricos e escolher sua arte para eles.
Eles são basicamente designers de interiores, mas apenas para arte.
Nenhuma das peças é vendida por menos de 200 mil dólares, mas o salário de
Caroline gira em torno de 21 mil.
Certamente, não o bastante para pagar pelo nosso apartamento de 2 quartos no
Chelsea.
Os pais dela ajudam com a sua parte do aluguel e pagam por todas suas outras
despesas.
Os meus também, claro.
Bem, Mitch me ajuda.
Eu ganho apenas cerca de 27 mil como assistente de escritora e isso obviamente
não cobre minha metade do nosso apartamento de 6 mil por mês.
Então, qual é a grande diferença entre Caroline e eu?
Eu acho que a única diferença é que me sinto mal por pegar o dinheiro.
Eu tenho um empréstimo estudantil de 150 mil da Yale que não quero que Mitch
pague.
É o meu empréstimo e eu vou pagar por conta própria, caramba.
Além disso, ao contrário de Caroline, sei que pessoas reais não vivem assim.
Ao menos pessoas reais, como meu pai, que está sendo pressionado a vender a
casa que ele e minha mãe compraram no final dos anos 80 por mais de um
milhão de dólares (o bairro subiu de preço e os professores agora precisam abrir
caminho para empreendedores de tecnologia e magnatas imobiliários).
“Como assim, você simplesmente não vai trabalhar? Você não usou todos os
seus dias de atestado viajando para a Costa Rica no mês passado?”, pergunto.
“Ah, quem se importa? Ash entende perfeitamente. Além disso, ela me deve
uma. Se não fosse por mim, ela nunca teria fechado com aquele geek milionário
que tinha tesão por mim e acabou comprando quase um milhão de dólares em
quadros para sua nova mansão.”
Caroline definitivamente tem jeito com os homens.
Ela é divertida, extrovertida e alegre.
O truque, uma vez ela me disse, é descobrir exatamente o que o cara quer ouvir.
Pois um geek milionário, que é como ela chama alguém que ganhou dinheiro
com tecnologia, não quer ouvir a mesma coisa que um jogador de futebol quer
ouvir.
E nenhum deles quer ouvir o que um playboy de mercado de ações quer ouvir.
Mas Caroline não é uma interesseira.
De jeito nenhum.
A família dela é dona de metade da Costa Leste.
E quando se trata de homens, ela só quer se divertir.
Eu olho as horas.
Apesar de ser meu dia de folga, não quero passá-lo de pijamas na cama, ouvindo
Caroline ficar obcecada com o que irá vestir.
Não, hoje é meu dia para realmente escrever alguma coisa.
Vou para o Starbucks, pego uma mesa nos fundos, perto do banheiro, e vou
terminar esse artigo no qual já estou trabalhando há quase um mês.
Ou talvez comece um novo.
Sigo para meu quarto e começo a me arrumar.
Preciso vestir algo confortável, mas não exatamente roupas de trabalho.
Odeio o fato de todas minhas roupas terem virado roupas de trabalho. É como se
elas tivessem sido contaminadas.
Elas me lembram do trabalho e não posso mais vesti-las em outras ocasiões. Não
sou apaixonada pelo meu trabalho, como você pode notar.
Caroline me segue até meu quarto e se joga na minha cama.
Eu tiro meu pijama e visto um par de leggings.
Desde que elas entraram na moda, me vejo lutando para usar jeans de novo.
Elas são tão confortáveis!
"Ok, eu cheguei a uma decisão", diz Caroline. "Você tem que vir comigo!"
"Eu tenho que ir com você?" Eu pergunto, incrédula. "Ah, não, eu acho que
não."
“Ah, vamos! Por favor! Por favorzinho! Vai ser tããão divertido!"
“Você não pode prometer isso. Você nem tem ideia de como vai ser”, eu digo,
colocando uma camisa de manga longa e um suéter com um zíper na frente.
Usar camadas é importante durante esta época do ano.
As folhas estão mudando de cor, os ventos estão soprando alto, e você nunca
sabe se vai ser um daqueles belos dias quentes e frescos de Nova Iorque que
aparecem nas comédias românticas ou um dia encharcado e escuro que só
aparece em uma cena no final, quando os dois personagens principais brigam ou
se separam (antes de voltarem a ficar juntos).
"Ok, sim, eu entendo o que você quer dizer", diz Caroline, sentando-se e
cruzando as pernas. “Mas aqui está o que sabemos. Nós sabemos que vai ser
incrível. Quero dizer, olhe para o convite. É uma caixa enorme, com gravuras e
tudo!”
Normalmente, Caroline é muito mais eloquente e melhor em se expressar.
"Ok, o convite é impressionante", eu admito.
“E como você sabe, o convite é tudo. Quero dizer, o convite realmente define o
clima para a festa. O evento! E não apenas o clima. Ele cria toda uma
expectativa. E esta caixa…”
"Sim, o convite definitivamente cria uma certa expectativa", eu concordo.
"E então?"
"Então?" Eu pergunto de volta.
“Você não quer descobrir o que é essa expectativa?”
“Não.” eu balanço a cabeça, categoricamente.
"Ok. Então, o que mais sabemos?” Caroline pergunta retoricamente enquanto eu
levo meu Mac para dentro de minha bolsa.
"Eu tenho que ir, Caroline", digo.
“Não, escute. O iate. Claro, o iate! Como eu poderia não guardar o melhor para o
final?” Ela pula para cima e para baixo com entusiasmo novamente. "Também
sei que esse evento superexclusivo será em um iate. E não um pequeno tipo 100
pés, mas um mega iate”.
Eu olho para ela sem expressão, fingindo não ficar impressionada.
Quando Caroline descobriu pela primeira vez sobre esta festa, através do seu ex-
namorado, passamos dias tentando descobrir por que esse evento seria tão
especial.
Mas, dado que nenhuma de nós já esteve em um iate antes, pelo menos não um
mega iate, não conseguimos entender direito.
"Você sabe que o iate vai ser incrível!"
"Sim, é claro", eu desisto. "Mas é por isso que tenho certeza de que você vai
passar um tempo maravilhoso sozinha. Preciso ir."
Eu pego minhas chaves e as jogo na bolsa.
"Ellie", diz Caroline.
Seu tom de voz começa a soar bem sério, quase combinando a expressão severa
em seu rosto.
“Ellie, por favor. Acho que não consigo ir sozinha.”
2

ELLIE QUANDO VOCÊ TOMA UM CAFÉ COM UM CARA QUE NÃO


DEVERIA…

E foi assim que fui forçada a ir.


Você não conhece Caroline, mas se conhecesse, a primeira coisa que você
descobriria é que ela não leva as coisas a sério.
Nada a incomoda Nada a preocupa.
Às vezes, ela é a pessoa mais iluminada da Terra; outras vezes, ela é a mais
densa.
Na maior parte do tempo, tenho inveja do fato de que ela simplesmente vive a
vida no presente.
"Então, você está indo?" meu amigo Tom pergunta.
Ele me trouxe o meu latte de abóbora, o primeiro do outono!
Fecho os olhos e inalo o aroma doce antes de beber o primeiro gole.
Mas mesmo antes do sabor maravilhoso de canela e noz moscada correr pela
minha garganta, Tom já está criticando minha decisão.
"Eu não acredito que você vai mesmo", diz ele.
"Meu Deus, agora é oficialmente outono!", eu mudo de assunto.
“Havia realmente algo parecido com outono antes do latte de abóbora? Quer
dizer, eu lembro que tínhamos folhas caindo, mudando de cor, muito jazz, mas
sem o latte... é como o Natal sem uma árvore de Natal.”
"Ellie, ontem foi Dia do Trabalho", Tom revira os olhos. "Nem é outono ainda."
Eu tomo outro gole. "Ah, eu acho que é sim."
"Pare de mudar de assunto", Tom toma um gole de seu café preto.
Como ele não fica entediado com isso, eu nunca vou saber.
Mas Tom é assim.
Ele é confiável.
Sempre na hora, nunca atrasado.
É legal. É disso que sempre gostei nele.
Ele é basicamente o oposto de Caroline em todos os sentidos.
E é isso que faz vê-lo assim, apenas como amigo, tão difícil.
"Por que você vai? Caroline não pode ir sozinha?” Tom pergunta, lançando um
olhar penetrante diretamente aos meus olhos.
Seu cabelo tem essa tendência irritante de cair em seu rosto quando ele está
concluindo um argumento - quase como uma forma de acentuar seu ponto de
vista.
Na verdade, é muito irritante, especialmente considerando o quão irresistível isso
o torna.
Seus olhos brilham sob a luz fraca dos fundos do Starbucks.
"Eu vou como a ‘acompanhante’ dela", anuncio.
Eu faço uma voz super alegre de propósito.
Como que para mostrar entusiasmo, ao invés de apreensão, que é o que
realmente sinto sobre a coisa toda.
"Ela está te forçando a ir como a ‘acompanhante’ dela", Tom anuncia, como se
fosse um fato. Ele realmente me conhece muito bem.
"Eu simplesmente não entendo, Ellie. Quero dizer, por que se incomodar? É um
super iate cheio de pessoas imundas e podres de ricas. Quero dizer, você acha
mesmo que essa festa pode ser divertida?”
"Muito ciumento?", pergunto.
"Eu não sou ciumento! Não mesmo!" Ele se recosta em sua cadeira. "Bom, se
você acha..." ele deixa suas palavras sumirem e, de repente, a conversa assume
um clima mais sério.
"Não se preocupe, eu não vou faltar sua festa de noivado", eu digo baixinho. É
no fim de semana depois que eu volto.
Ele balança a cabeça negativamente e insiste que não é com isso que ele está
preocupado.
"Eu só não entendo, Ellie", diz ele.
Você não entende?
Você não entende porque eu vou?
Eu já gosto de você há, sei lá, dois anos?
Mas nunca estivemos no momento certo.
No começo, eu estava namorando e, na noite em que terminei com meu ex, você
decidiu me beijar.
Você me pegou de surpresa.
E depois desse longo e doloroso término de namoro, eu não estava pronta para
entrar em outro relacionamento.
E você, como meu melhor amigo, não era um candidato a ser só mais uma
distração para mim.
E então, quando estava prestes a te dizer como me sentia, você dormiu com a
Carrie.
Carrie. Linda, rica, espirituosa. Carrie Warrenhouse, atual editora do BuzzPost, a
revista on-line onde trabalhamos, e filha de Edward Warrenhouse, dono do
BuzzPost.
Ah, sim, e além de tudo isso, você também começou a sair com ela e, depois,
pediu-a em casamento.
E agora vocês estão se casando no Dia dos Namorados.
E eu estou muito feliz por você.
Sério.
De verdade.
O único problema é que eu também estou apaixonada por você.
E agora eu não sei o que fazer para lidar com tudo isso além de sair de nova
Iorque.
Mesmo que seja só por alguns dias.
Mas, claro, não posso dizer nada disso.
Especialmente a última parte.
“Não foi o melhor dos verões,” eu digo, depois de alguns momentos. “E eu só
quero me divertir um pouco. Sair da cidade. Ir a uma festa. Pois é disso que se
trata, uma festa.”
“Não foi bem isso que eu ouvi dizer” diz Tom.
“O que você quer dizer com isso?”
“Desde que você me disse que iria, comecei a procurar sobre o evento. E não é
isso que os boatos estão dizendo por aí.”
Eu balanço a cabeça e reviro os olhos.
“O quê? Você não acredita em mim?” pergunta Tom, incrédulo.
Balanço a cabeça.
“Ok. O que você ouviu dizer?”
“É basicamente tipo uma festa da Playboy numa mansão com com esteroides.
Totalmente fora do controle. Tipo uma orgia enorme.”
"E porque você saberia como é uma festa da mansão da Playboy...", eu brinco.
"Estou falando sério, Ellie. Não tenho certeza se é um bom lugar para você. Quer
dizer, você não é Caroline.
"E o que diabos isso significa?" Eu pergunto.
Agora estou realmente insultada.
No começo, eu estava apenas ouvindo porque achei que ele estava sendo
protetor.
Mas agora...
"O quê? Você acha que eu não sou descolada o suficiente? Você acha que não
gosto de me divertir?”, pergunto.
"Não foi isso que eu quis dizer", retruca Tom. Eu começo a juntar minhas coisas.
"O que você está fazendo?"
"Não, na verdade," eu paro de arrumar minhas coisas. "Eu não vou embora. Você
é que vai."
"Por quê?"
“Porque eu vim aqui para escrever. Tenho trabalho a fazer. Eu arrumei essa mesa
e não vou sair até ter escrito algo. Eu pensei que você queria tomar um café
comigo. Eu pensei que éramos amigos. Eu não tinha percebido que você veio
aqui só para me criticar sobre minhas decisões.”
"Não é isso que estou fazendo", diz Tom, sem se mover de sua cadeira.
“Você tem que ir agora, Tom. Eu quero que você vá embora.”
"Eu não entendo o que aconteceu com a gente", diz ele, levantando-se
relutantemente.
Eu o encaro como se ele tivesse perdido a cabeça.
“Você não tem o direito de me dizer o que posso ou não fazer. E você não tem o
direito de contar à sua noiva. A menos que não queira que ela seja sua noiva por
muito tempo.”
"Eu não estou tentando te dizer o que fazer, Ellie. Estou apenas preocupado. Esta
festa exclusiva, em um iate enorme... isso não é sua cara. Não é algo que nós
faríamos.”
“Nós? Você só pode estar brincando,” eu balancei a cabeça. “Você se formou em
Princeton, Tom. Seu pai é advogado de um dos mais prestigiados escritórios de
advocacia de Boston. Ele apresentou casos diante da Suprema Corte. Você vai se
casar com a herdeira da fortuna Warrenhouse. Estou tão enjoada e cansada dessa
sua atitude de herói da classe média que nem consigo descrever. Sério, você vai
sair ou eu deveria?”
A decepção que eu vi nos olhos de Tom machucou minha alma.
Mas ele também tinha me machucado.
Seu noivado veio como algo totalmente inesperado.
Eu pedi a ele que me desse algum tempo depois do meu término e, após apenas
dois meses, ele começou a namorar Carrie.
E então ele a pediu em casamento.
E depois de tudo isso, ele ainda fingiu que ainda éramos amigos.
Como se nada disso tivesse acontecido.
Eu abro meu computador e encaro a metade da coluna escrita diante de mim.
Hoje cedo, antes de Caroline, antes de Tom, eu tive uma explosão de ideias.
Eu mal podia esperar para começar a trabalhar nelas.
Mas agora… duvido que eu sequer conseguisse escrever meu nome direito.
Olhar para um farol parado nunca fomenta os ânimos da escrita.
Eu fecho meu computador e olho em volta.
Ao meu redor, as pessoas estão rindo e conversando.
Leggings e Uggs voltaram à moda – apesar de os dias ainda estarem
relativamente frescos.
Não chove há quase uma semana e o bom humor generalizado parece ser nutrido
pelos intensos raios de sol do fim da tarde.
Na última primavera, eu tinha certeza de que Tom e eu passaríamos o verão
juntos e de que eu passaria o outono me apaixonando mais e mais por meu
melhor amigo.
E agora?
Agora, ele está noivo. De outra pessoa.
Não somente outra pessoa - minha chefe!
E acabamos de brigar por causa de uma festa idiota, para a qual eu sequer quero
ir.
E ele está certo, é claro.
Não faz meu estilo.
Minha família pode até ter algum dinheiro, mas não me sinto confortável nesse
mundo, com essas pessoas.
Eu sempre acabo me isolando e não será diferente nessa festa.
Mas se eu não for, depois disso, significa que estou dando ouvidos a ele.
E ele não tem o direito de me dizer o que fazer.
Então, tenho que ir.
Como tudo foi ficar tão complicado?
3

ELLIE QUANDO VOCÊ VAI ÀS COMPRAS PARA A FESTA DA SUA


VIDA…

“O que diabos você estava pensando para sair com aquele idiota?” pergunta
Caroline com desdém.
Estamos na Elle’s, uma boutique pequenininha no Soho, onde você só é atendida
com hora marcada.
Eu nem fazia ideia de que locais assim existiam até Caroline me apresentar ao
conceito.
Caroline não é muito fã de Tom.
Eles nunca se deram muito bem, pelo menos desde que ele a chamou de esnobe
em nossa festa de Natal do primeiro ano em Yale e ela retrucou chamando-o de
poser da classe média.
Nenhum dos insultos foi muito criativo, mas os insultos foram melhorando com
o passar dos anos, à medida que crescia o ódio que sentiam um pelo outro.
Sabe nos filmes, quando dois personagens se odeiam no começo e sempre
acabam se apaixonando até o final?
Bem, por algum tempo, eu realmente pensei que isso aconteceria com eles.
Se não se apaixonar, pelo menos, transar. Mas não, eles permaneceram firmes
em seu ódio.
“Esse cara se acha demais! Quero dizer, quem diabos ele é para te dizer o que
fazer? Não é como se você fosse a namorada dele", diz Caroline, colocando um
vestido repleto de contas de prata em seu corpo e jogando a perna direita para
frente.
Caroline é realmente sedutora.
1,75m e 55 quilos, com suas pernas longérrimas.
De longe, ela parecia ser feita somente de cabelos loiros e belas pernas. Nada
mais.
"Eu acho que ele só estava preocupado, considerando todas as coisas que estão
dizendo sobre essa festa."
"Ok, primeiro, você tem que parar de chamar de festa."
"Por quê? O que é, então?"
“Não é uma festa. É como chamar um casamento de festa. É uma festa? Sim.
Mas é bem maior que isso.”
“Eu não fazia ideia de que você era tão sensível à linguagem. Bem. Como você
quer que eu chame?”
"Uma experiência", ela anuncia, completamente séria.
"Você está brincando? Não mesmo. Não vou chamar de experiência.”
Nós exploramos as araras e manequins em silêncio por alguns momentos.
Alguns dos vestidos, tops e sapatos são bonitos, outros não.
Eu sou a primeira a admitir que não tenho o vocabulário ou conhecimento
necessários para apreciar um lugar como este.
Já Caroline…
"Meu Deus, estou apaixonada por todas essas peças exclusivas que você tem
aqui", ela diz para a vendedora, que imediatamente começa a irradiar orgulho.
"Precisamos ficar com essas!"
“Essas bolsas clutch e os detalhes dessas botas! É de morrer, certo?” Caroline
diz, e ambas se voltam para mim.
"Sim, totalmente", eu finjo concordar.
"E essas peças de alta costura, eu poderia usar isso todos os dias!" Caroline puxa
uma blusa de mangas curtas cor creme com uma bainha de franjas e uma
vestimenta mais solta.
Não tenho certeza do que faz com que a blusa seja uma peça-chave para o look,
mas concordo categoricamente.
Estou fora do meu habitat natural e sei disso.
"Ok, então o que devemos vestir para essa experiência, se nem mesmo sabemos
o que irá acontecer lá?"
"Não sei direito, mas definitivamente não iremos de jeans e camiseta", diz
Caroline, referindo-se ao meu traje básico. “Mas o convite também dizia para
não se preocupar. Eles têm todos os básicos, caso esqueçamos de algo.”
Enquanto continuo a procurar em meio às peças, sem objetivo, minha mente
começa a vagar.
E volta para o Tom.
Eu conheci Tom num jogo Harvard versus Yale.
Ele era o melhor amigo do colegial do namorado da minha colega de quarto e
veio visitá-lo num fim de semana.
Nos tornamos amigos imediatamente.
Um sorriso dele, mesmo por Skype, fazia todas as minhas preocupações
desaparecerem.
Ele meio que me ganhou, de um jeito que ninguém nunca conseguiu.
Após a formatura, nos candidatamos para trabalhar em um milhão de diferentes
revistas online e agências de notícias, mas o BuzzPost foi o único lugar que
conseguimos.
Não tínhamos planejado acabar no mesmo lugar, foi meio que uma coincidência.
Ele até perguntou se eu queria dividir um apartamento com ele - mas eu já tinha
concordado em ficar com Caroline.
Ele acabou num quarto andar de merda no Hell's Kitchen - um dos únicos
edifícios que ainda não foram gentrificados.
Então, o aluguel ainda era acessível. Como eu disse, Tom gosta de pensar em si
mesmo como um herói da classe média, embora sua criação esteja longe disso.
Sempre que ele vinha ao nosso apartamento, ele sempre zombava de quão caro
era o lugar, mas sempre se divertindo com isso.
Pelo menos, parecia, naquela época.
Agora?
Não tenho mais tanta certeza.
"Você acha que Tom realmente vai se casar?" pergunto a Caroline enquanto
estamos provando as roupas.
Ela abre a cortina do meu provador na frente de toda a loja.
Estou de topless, mas felizmente estou de costas para ela e a assistente está
entretida no celular.
"Merda, Caroline, o que você está fazendo?" Eu grito e puxo a cortina.
"O que você está pensando?" Ela grita de volta.
Consigo pegar uma camisa e me cobrir antes que Caroline abra novamente a
cortina.
Ela está de pé diante de mim em apenas um sutiã e uma calcinha combinando -
completamente confiante, cheia de si e sem remorso.
Acho que, no fundo, ela me representa.
“Quem liga pro Tom?” Caroline exige.
"Eu ligo" digo, humildemente.
"Bem, não deveria. Ele é um idiota e você é boa demais para ele. Eu nem
entendo o que você vê nele.”
"Ele é meu amigo" digo, como se isso explicasse tudo.
Caroline sabe há quanto tempo estou apaixonada por Tom.
Ela sabe de tudo.
Às vezes, eu gostaria de não ter sido tão aberta.
Mas, por outro lado, é bom ter alguém para conversar.
Mesmo que ela não seja exatamente compreensiva.
"Você não pode andar por aí louca por ele, Ellie. Você consegue coisa muito
melhor que ele. Você estava com o seu ex e Tom apenas ficou esperando e
esperando. Nunca te disse como se sentia. Nunca fez nenhum grande gesto.”
Caroline é, de fato, grande em gestos.
Quanto maior, melhor.
Ela assiste a muitos filmes e exige que seus encontros sigam os roteiros.
E o engraçado é que, muitas vezes, você recebe exatamente o que você pede do
mundo.
"Eu não me importo com isso", eu digo. “Estávamos no lugar errado, na hora
errada um para o outro.”
Eu tinha uma pessoa e, depois, não estava pronta para entrar em outro
relacionamento logo em seguida.
E, então... ele e Carrie ficaram juntos.
"Não existe isso de hora certa. A sua vida é você quem faz, Ellie. Você está no
controle da sua vida. Odeio o fato de você ficar agindo como se você não fosse a
personagem principal do seu próprio filme.”
"Nem sei do que você está falando", digo.
“Estou dizendo que você merece alguém que te diga como se sente. Alguém que
não tem medo de rejeição. Alguém que não tem medo de botar para fora.”
"Talvez essa pessoa seja quem você quer", eu digo.
"E não é isso que você quer?" Caroline diz, dando um passo para longe de mim.
Eu penso sobre isso por um instante.
"Bem, não, eu não diria bem assim... É quem eu quero!”, eu finalmente digo.
“Mas eu namorava naquela época, e Tom e eu éramos amigos. Eu não podia
esperar que ele…”
"Você não podia esperar que ele botasse tudo para fora? Que ele dissesse como
se sente e corresse o risco de se machucar?” Caroline me interrompe.
Eu odeio admitir, mas é exatamente o que eu queria.
Isso é exatamente o que eu queria dele na época.
Eu não queria que ele ficasse próximo sendo apenas meu amigo, fazendo-me
questionar meus sentimentos por ele.
Se ele tivesse feito isso, se ele tivesse me dito como se sentia sobre mim antes,
antes do meu péssimo término, eu teria mergulhado de cabeça.
Teria terminado imediatamente para poder ficar com ele.
“Então, o que é que eu devo fazer agora? Agora que as coisas estão meio
invertidas?”, pergunto.
"O que você quer dizer?"
“Quero dizer, agora que é ele quem está num relacionamento. Devo colocar tudo
pra fora? Dizer a ele como me sinto? Jogar as cartas na mesa?”
Caroline leva um tempo para pensar.
Acho cômico o quão pouco ela pensa dele.
"Porque não sei se consigo", acrescento.
"Talvez essa seja sua resposta, bem aí", Caroline finalmente diz. “Se você o
quisesse, se realmente quisesse tê-lo para si, então você não conseguiria ficar em
silêncio sobre o que está sentindo. Você teria que se abrir para ele.”
Volto para o meu provador e fecho a cortina.
Eis que me olho no espelho.
A garota pálida de olhos verdes e longos cabelos escuros é uma covarde.
Ela tem medo da vida.
Tem medo de viver, viver de verdade.
Será que isso vai mudar algum dia?
4

ELLIE QUANDO VOCÊ FINALMENTE DECIDE VIVER A VIDA…

“V ocê está pronta?” Caroline entra no meu quarto. “Nosso táxi já está lá
embaixo.”
Não, eu não estou pronta.
Definitivamente não.
Mas eu vou.
Dou uma última olhada no espelho e pego minha mala.
Enquanto o taxista coloca nossas malas no porta-malas, Caroline pega minha
mão, quase tonta de animação.
Animada não é exatamente como eu descreveria meu estado de espírito no
momento.
Estava mais para relutante.
Ou aterrorizada.
Quando entro no táxi, meu estômago se contorce e sinto que vou vomitar.
Mas então o sentimento passa.
"Não acredito que isso realmente está acontecendo", digo.
"Eu também! Estou tão feliz por você estar fazendo isso comigo, Ellie. De
verdade. Não sei se conseguiria ir sozinha.”
Depois de dez minutos vagando pelas complicadas ruas da Baixa Manhattan, o
táxi nos deixa em frente a um prédio de escritórios aleatório.
“A festa seria… aqui?”, pergunto.
Caroline balança a cabeça com um pequeno sorriso no rosto.
Ela sabe de algo que eu não sei.
Esse olhar travesso em seu rosto deixa isso bem claro.
"O que está acontecendo?", pergunto.
Mas ela não cede.
Ao invés disso, ela apenas me empurra para dentro, em direção ao segurança
parado na recepção.
Ela lhe entrega um cartão; ele acena com a cabeça e nos leva até o elevador.
"Último andar", diz ele.
Quando chegamos ao último andar, as portas do elevador se abrem no terraço e
uma forte rajada de vento sopra em meus cabelos.
De canto de olho, observo. Lá está ele.
Um helicóptero.
As hélices já estão em movimento, freneticamente.
Um homem se aproxima e pega nossas malas.
"O que estamos fazendo aqui?" Eu grito do fundo de meus pulmões.
Mas Caroline não me ouve.
Eu a sigo para dentro do helicóptero, abaixando a cabeça para não bater.
Alguns minutos depois, decolamos.
Nós voamos sobre o céu de Manhattan, manobrando por entre os edifícios como
se fôssemos pássaros.
Nunca antes estive em um helicóptero, e uma parte de mim gostaria que eu
tivesse tido algum tempo para processar essa experiência.
"Não te contei porque achei que você iria surtar!"
Bem, ela me conhece muito bem.
Ela pega o celular e tiramos várias selfies.
"É tão lindo aqui", eu digo, olhando pela janela.
No pôr do sol, o horizonte de Manhattan é realmente de tirar o fôlego.
O brilho vermelho amarelado transparece por trás dos edifícios de vidro e brilha
no crepúsculo.
Não sei para onde estamos indo, mas pela primeira vez em muito tempo, eu não
me importo.
Apenas respiro fundo e aprecio o momento.
Subitamente, os arranha-céus e as intermináveis pontes desaparecem, e tudo o
que permanece abaixo de nós é o brilho do mar azul profundo.
E então, de repente, à distância, vejo o iate.
No início, parece apenas uma mancha no horizonte.
Mas, conforme nos aproximamos, ele vai ficando maior e maior.
Enfim, no momento em que pousamos, ele parece ser do tamanho da própria
ilha.

U MA MULHER muito alta e bonita acena para nós enquanto descemos do


helicóptero.
Ela segura uma bandeja com taças de champanhe e acena para um homem de
smoking ao seu lado para que pegue nossas malas.
"Uau, isso sim foi uma boa recepção", Caroline diz para mim.
"Sr. Black sabe muito bem como receber seus convidados”, diz a mulher. "Meu
nome é Lizbeth e estou aqui para atendê-las."
Lizbeth nos guia através do iate e nos leva à nossa cabine.
"Haverá coquetéis esperando do lado de fora quando vocês estiverem prontas",
diz Lizbeth antes de nos deixar sozinhas.
Assim que ela saiu, Caroline me abraça enquanto gritamos e pulamos juntas
freneticamente, sem conseguir conter o entusiasmo.
"Meu Deus! Meu Deus! Você consegue acreditar nisso?” Caroline pergunta.
"Não, é incrível", eu digo, correndo para a varanda. O azul do oceano se estendia
até onde os olhos podiam alcançar.
"Você vai se trocar para os coquetéis?" Caroline pergunta, sentando-se em frente
à penteadeira. "O helicóptero embaraçou e bagunçou todo meu cabelo."
Caímos na gargalhada.
Nenhuma de nós esteve em um helicóptero antes - que dirá em um barco desse
porte.
Decido não trocar de roupas - minhas leggings Nordstrom e blusa de bolinhas
devem servir para a hora do coquetel.
Mas resolvo trocar as sapatilhas por um belo par de scarpins, para incrementar
um pouco o look.
Enquanto Caroline veste seu curtíssimo vestido preto, escovo os emaranhados do
meu cabelo e reaplico meu batom.
"Pronta?" pergunta Caroline.
5

ELLIE
QUANDO MANDAM VOCÊ SE TROCAR PELA PRIMEIRA VEZ…

P ara nossa surpresa, ao chegarmos à sala de estar no fim do corredor, não


havia ninguém a nossa espera.
Nem uma pessoa sequer. Atravesso as portas de dobradiça e sigo para o deque
do lado de fora, mas também não há ninguém lá.
“Devemos esperar aqui mesmo?” pergunta Caroline. Dou de ombros.
Depois de alguns minutos, Lizbeth reaparece com uma sacola pendurada no
ombro, a qual segura por um cabide.
"Estamos no lugar errado?", pergunto.
"Sinto muito, mas o Sr. Black quer que você use isso.”
Fico a encará-la por um momento.
Aí me ocorre: ela está falando comigo.
"O quê?"
Lizbeth literalmente repete o que acabou de dizer, sem oferecer uma única
palavra adicional como explicação.
"O que tem de errado com o que estou vestindo?", pergunto.
Uma pontada de calor percorre meu corpo.
Eu me volto para Caroline em busca de algum tipo de suporte. Mas, em vez de
oferecer apoio, ela agarra meu braço e me leva de volta à nossa cabine.
“O que está acontecendo?" Eu pergunto. "O que há de errado com o que estou
vestindo?"
Ela me olha de cima a baixo e balança a cabeça.
"Não sei. É uma roupa normal pra mim.”
Eu sei que ela está dizendo a verdade porque Caroline nunca mentiria sobre algo
tão importante quanto moda.
Ela puxa o zíper que vai do cabide ao fim da sacola, expondo seu conteúdo.
Uma parte de mim só espera que contenha duas peças.
Mas não. Só tem uma.
Um vestido, curto e transparente.
Sem alças.
"Não vou usar isso."
Uma batida forte vem da porta em nossa direção.
"Tudo bem aí?" Lizbeth pergunta atrás da porta.
"Não vou vestir isso!" Eu digo, alto o suficiente para ela ouvir.
"Ela vai, sim!", diz Caroline. "Tá tudo bem! Sairemos logo!”
Eu olho para Caroline, perplexa.
“Este vestido é maravilhoso! Numi. O material é basicamente impossível de
conseguir. Definitivamente alta costura.”
Eu cruzo meus braços. "Eu não me importo."
Caroline pega o vestido da minha mão e o pressiona contra seu corpo.
Ela se olha no espelho com uma expressão de desamparo.
“Sério, Ellie. Este vestido é demais!”
"Eu não me importo. Quem diabos é esse homem para me dizer o que vestir?
Quero dizer, que grosseria é essa? E quem diabos é esse tal de Sr. Black, afinal?”
"Não sei. Mas eu mal posso esperar para descobrir. E, para nós descobrirmos,
você tem que colocar esse vestido.”
Eu balanço minha cabeça negativamente.
Ela continua me importunando.
Minutos se passam e nenhuma de nós cede.
"Se você insiste em ser tão infantil, eu vou sair sozinha", Caroline finalmente
diz.
"Sério? Quem diabos ele pensa que é, querendo me dizer o que vestir?”
Nós continuamos discutindo inutilmente por mais alguns minutos.
Eventualmente, eu desisto.
Não quero ficar sozinha nesse quarto a noite toda.
E, claramente, não posso sair sem o tal vestido.
Por fim, decido ir ao banheiro a fim de um pouco de privacidade.
Caroline já me viu nua em outras ocasiões, mas algo sobre este vestido faz toda a
situação parecer extremamente desconfortável.
Não é como se eu estivesse vestindo minhas próprias roupas.
Começo a me despir, me livrando de minhas leggings e blusa.
Quando seguro o vestido, analiso melhor o modelo e percebo que terei de tirar
meu sutiã também.
Droga.
Deslizando o vestido cuidadosamente sobre a minha cabeça, rezo para que ele
sirva.
Minhas preces são ouvidas.
Serviu!
Fecho o zíper lateral e olho no espelho.
É curto, mas incrivelmente cai muito bem.
O tecido me abraça em todos os lugares certos, acentuando minhas curvas e
expondo minhas melhores características.
"Você está maravilhosa!" o queixo de Caroline cai quando eu saio do banheiro.
Eu concordo. Odeio ter de admitir, mas ficou muito bom.
"Eu não acredito que não me deram algo para vestir também", diz Caroline,
enquanto voltamos para a sala de estar. "Bom, da próxima vez, eu apareço
vestida em um saco de papel marrom para que eles não tenham escolha."
6

ELLIE
QUANDO VOCÊ CONHECE UM ESTRANHO…

A gora, a sala de estar estava repleta de gente.


Gente muito bonita.
Homens na casa dos vinte ou trinta e poucos anos formavam rodinhas perto do
bar.
Outros estavam sentados nas cadeiras de couro e nas poltronas e sofás.
Mulheres lindas circulavam por entre eles com coquetéis em mãos, como se
fossem as donas do local.
Vários já formavam casais - sentados próximos um ao outro com as pernas
apontando na direção de seu par.
Caroline segue direto para o bar e pede dois martinis. Fico feliz em beber um
pouco para ver se consigo relaxar. Coragem líquida, por assim dizer.
De canto de olho, observo um homem sentado sozinho.
Ele é provavelmente um dos caras mais bonitos daqui. Chama muita atenção.
Mas é o olhar sério e pensativo em seu rosto que realmente faz com que ele se
destaque.
Eu me pergunto se talvez um de seus amigos o tenha arrastado até aqui também.
Sem parar para tomar ar, bebo dois grandes goles do meu martini.
Seguindo o exemplo de Caroline, me sento em um dos bancos em frente ao bar.
Ela tem um jeito de se posicionar de tal forma que fica meio de frente para o
quarto.
Assim, ela pode falar comigo e ainda permite que qualquer eventual pessoa
interessada saiba que está tudo bem em se aproximar.
Dois caras logo mordem a isca.
Sem cantadas idiotas. Eles vêm com introduções bem diretas. Ben é o mais alto,
com cabelos dourados, cor de mel, e os olhos acinzentados. Ele é o que parece
mais interessado em mim. Já Alex mantém os olhos azuis profundos fixos em
Caroline.
Em alguns minutos de papo, descobrimos que ambos são colegas no mundo das
finanças – trabalham em Wall Street com investimentos.
Ben estudou em Brown, enquanto Alex foi para Dartmouth.
Eles descobriram sobre a festa da mesma forma que Caroline.
Alguém de alguma sociedade secreta da faculdade falou mais do que devia.
Não sei se a pessoa em questão era do Cicada 17 ou não.
“No começo, não sabíamos se era uma festa exclusiva para mulheres”, disse
Alex. “Conforme fomos descobrindo mais e mais sobre o evento, vimos que se
tratava apenas de uma festa muito maneira.”
“Nosso chefe, Logan, esteve em alguns dos eventos anteriores, mas não
importava o quanto pressionávamos, ele não nos contava nada a respeito”,
adicionou Ben. “Exceto que há um baile de máscaras.”
“Baile de máscaras?” pergunto, intrigada.
“Sim, aparentemente só alguns dos que estão aqui hoje serão convidados a
permanecer para a atração principal. Mas, honestamente, já ouvi tantos boatos
acerca desse lugar, quem diabos sabe quais são verdade, certo?” responde Ben, e
todos rimos.
Caroline é quem ri mais alto, dá pequenas gargalhadas, lançando seus cabelos
loiros de um lado para o outro.
Nem Ben nem Alex parecem tirar os olhos dela.
E então, sinto o cabelo da minha nuca se arrepiar.
Estou de frente para o bar, longe do restante da sala.
Mas não posso deixar de sentir alguém olhando para mim.
Por trás.
Lentamente, eu giro a banqueta e olho em volta.
Seus olhos escuros e penetrantes olham para mim do outro lado da sala.
Ele está vestido com um terno elegante e caro.
Parece feito sob medida, perfeito para o seu corpo alto e esguio.
Seu cabelo é espesso, da cor de chocolate amargo.
Ele está sentado em sua cadeira apeluciada bem ao fundo da sala.
Ele é o único que não se mistura ou ri. Nem mesmo sorri.
Meu olhar e o dele se encontram, mas ele não desvia.
Depois de alguns momentos, fico tão desconfortável que não consigo mais
continuar fitando-o fixamente.
Ainda assim, ele mantém sua encarada com graça e facilidade.
"Quem é esse?" Eu pergunto, me virando na direção contrária. "Não olhe agora",
acrescento, mas é tarde demais.
Ben, Alex e Caroline olham para o estranho simultaneamente.
Minhas bochechas se coram de vergonha.
"Não sei", todos eles dão de ombros e respondem, quase que simultaneamente.
Os três não parecem estar muito preocupados com o olhar sério no rosto do
estranho e logo voltam a conversar entre si.
Mas eu não consigo desviar o olhar.
Algo parece me puxar em sua direção.
Seus olhos, brilhantes e profundos, me mantêm hipnotizada.
Olho novamente, observo-o a me encarar, e me volto ao bar mais uma vez.
Seu olhar me desarma, faz com que me sinta nua e exposta, de forma que não
consigo encará-lo por muito tempo.
E, no entanto, anseio por olhá-lo novamente.
"Se você está tão interessada nesse cara, por que você simplesmente não vai falar
com ele?", diz Caroline, terminando sua bebida.
Só a ideia já me dá calafrios que percorrem todo meu corpo.
"Não posso simplesmente ir até lá... vou dizer o quê?"
"Diga a ele seu nome e pergunte como ele veio parar aqui", ela diz, com uma
encolhida casual. "Isso aqui não é como em um bar. Você tem a desculpa perfeita
para se aproximar, tudo pronto…”
"Não, eu não posso", eu balanço a cabeça e peço outro martini. Mais coragem
líquida está sendo preparada.
"Olá", uma voz profunda me assusta.
Antes mesmo que eu tenha a chance de me virar, vejo um grande sorriso largo
tomar o rosto de Caroline.
“Bem, olá, estranho. Eu sou Caroline.", diz ela, estendendo a mão em sua
direção. "Estes são Ben, Alex e Ellie."
Como é que ela consegue fazer isso?
Tão casual e tão confiante.
Será que nada a assusta?
Eu respiro fundo e me viro para, finalmente, olhar.
É ele.
O cara da cadeira apeluciada.
O estranho solitário.
Sei que é ele antes mesmo de me virar.
Quando finalmente me viro, meu olhar pousa sobre seus ombros largos e sobre o
tecido grosso de seu primoroso terno.
Meu olhar lentamente se aproxima do rosto dele.
Mandíbula quadrada e forte.
Nariz delineado.
Pele bronzeada.
Cabelo tão grosso e sedoso que praticamente pede para ser acariciado.
E aqueles olhos… aaaah!
“Me chamo Blake Garrison”, ele diz calmamente.
Meu coração palpita.
Seu lábio superior se contorce, como que num meio-sorriso.
Os lábios são carnudos e brilhantes.
Quando ele lambe os lábios, meu coração palpita novamente.
"Então, o que o traz até aqui, Blake?" Ben pergunta.
"O mesmo que você, imagino", diz Blake, e vira os olhos para mim.
"Eu queria saber se eu poderia trocar uma palavrinha com você", diz ele. "Em
particular."
Os olhos de Caroline se arregalam.
Não somos um pouco desconhecidos para ir trocar palavras no privado? Eu me
pergunto.
"Hum, claro", eu dou de ombros e o sigo para o outro canto do bar.
Não é exatamente privado, mas estamos fora do alcance dos demais convidados.
"Você não deveria estar aqui", diz Blake.
Cuidadosamente.
Meticulosamente.
Cada palavra sai com grande dificuldade.
"O quê?"
"Você não deveria estar aqui", ele se repete.
Desta vez, as palavras saem quase roboticamente.
"Eu não entendo. Por quê?"
Meus olhos procuram por uma resposta em seu rosto, em suas expressões.
O que ele queria dizer com aquilo?
De repente, noto que seus olhos estão inspecionando meu rosto da mesma
maneira, fervorosamente.
"Eu não queria te assustar", sussurra ele. "É só que… você realmente não
deveria estar aqui."
"Por quê?" Eu pergunto.
E, de repente, meu momento de medo se transforma em pura raiva.
Quem diabos ele acha que é para me dizer onde eu deveria ou não deveria estar?
"Porque você não pertence a este lugar", diz ele.
Seus olhos subitamente se tornam repletos de tristeza.
Mas para mim já chega de seus jogos enigmáticos.
“E como exatamente você sabe disso?”, pergunto.
A pergunta é retórica. Não espero uma resposta.
Ao invés disso, simplesmente me afasto.
“Ellie!” ele assobia.
Mas eu não retorno.
Ao invés disso, vou até Caroline e agarro seu braço.
“Você está bem?” ela pergunta.
Aceno que sim.
“Vamos beber mais uma rodada”, anuncio, “Por minha conta.”
“Os drinks são por conta da casa, moça”, o bartender me lembra.
Ah, é claro.
Uma versão da Ellie do passado se sentiria mal ou envergonhada pela gafe, mas
a Ellie desse momento simplesmente ignora.
O martini começa a fazer efeito e já me sinto bem mais corajosa e forte do que
antes.
Além disso, sair de perto daquele idiota grosseiro me deu mais segurança.
Um momento de empoderamento pessoal.
“Tá tudo bem mesmo?” Caroline pergunta de novo.
Eu vejo que ela sente que há algo de errado.
“O que ele te disse?”
“Ele é um esquisito.” respondo. “Disse que eu não deveria estar aqui.”
Caroline balança a cabeça.
“Sim, ele acabou de sair e disse isso em voz alta. Quero dizer, sou só eu, ou isso
é mesmo uma coisa muito rude de se dizer?”, acrescento. Caroline encolhe os
ombros.
7

ELLIE
QUANDO OUTRO ESTRANHO TE INTRIGA…

O restante do coquetel procedeu sem maiores incidentes.


Graças à Caroline, conhecemos quase todo mundo na sala de estar e ficamos
a par de suas informações básicas.
95% se formaram em universidades da Ivy League, e os 5% restantes cursaram
escolas de Arte liberais de prestígio, como Swarthmore ou Wellesley.
Muitos eram do mundo das finanças ou da tecnologia, alguns administravam
ONGs, e os demais eram empreendedores.
Todos ouviram falar da festa através de amigos de amigos, e ninguém realmente
sabia o que esperar.
E nenhum deles conhecia a identidade do misterioso Sr. Black.
Depois de me misturar pelo que pareceu uma eternidade, decido ir tomar um
pouco de ar fresco e fugir das iscas de toda aquela sociabilização.
Caroline, por outro lado, está totalmente imersa, em seu habitat natural, por
assim dizer - sorrindo, jogando os cabelos, rindo nos momentos certos.
Deixando todo mundo à vontade.
Tornando-se a melhor amiga de todos.
Mas eu acho esse tipo de coisa exaustiva.
Mesmo depois de apenas meia hora, já estou pronta para arrancar os cabelos.
"Desculpe, mas preciso ir para o banheiro feminino", e eu fujo do cara alto e
ruivo de Princeton que está em sua segunda história sobre squash (o esporte, não
o vegetal).
Eu não sabia que era possível para uma pessoa ter mais de uma história sobre
squash, mas aparentemente é.
"Ok, volte logo", ele diz, piscando para mim e lançando um sorrisinho.
Embora sua autoconfiança e seu senso de importância sejam um pouco
desconcertantes, ele é bastante hipnotizante.
Por um segundo, fico perdida em seus olhos e quase me esqueço de ir embora.
“Ellie? Você está bem?” Ele pega meu braço, como que me puxando para me
trazer de volta à realidade.
"Oh, certo, tudo bem, desculpe," eu murmuro. "Eu já volto."
Qual era o nome dele mesmo?
Dax?
Wyatt?
Delacorte?
Nunca fui boa com nomes, e a capacidade da minha memória de associar nomes
com suas respectivas faces está particularmente péssima nessa festa.
Todos são tão lindos e seus nomes parecem formar um grande borrão dentro da
minha cabeça.
Enquanto me afasto, sinto os olhos do cara de Princeton me fitando pelas costas.
Então, em vez de ir da sala principal para o deque, eu vou em direção ao
corredor com o banheiro, e depois para fora.
Quando eu finalmente saio, inalo profundamente ar fresco e salgado.
Aquela respiração é rapidamente seguida por outra, e mais outra.
De repente, todo o tédio que me infectou durante todo o tempo do coquetel
desaparece e o frio do ar exterior me infunde com uma energia nova e
revigorante.
"Bem... Olá", diz uma voz profunda.
É uma voz masculina e vem de algum lugar atrás de mim.
Ótimo, outro cara com um papo chato chegando.
Eu reviro meus olhos com desdém antes de me virar para encará-lo.
"Às vezes você só precisa sair de lá de dentro, não é mesmo?" diz o homem.
Isso desperta meu interesse de súbito. Intrigada, me viro em sua direção.
"Você não está se divertindo?", pergunto.
"É...", o homem dá de ombros casualmente, olhando para o azul do mar.
O sol está pairando no horizonte, mergulhando dentro e fora do mar, como se
não tivesse certeza se realmente quer mergulhar.
"O pôr do sol não é bonito?" O homem pergunta, sem tirar os olhos dele.
Eu me viro para encará-lo.
Ele está vestindo um terno preto impecável.
Seu colarinho engomado está desabotoado e as mangas estão enroladas até o
cotovelo.
Ele não está usando gravata.
De repente, noto.
Ele deve ser o único cara por aqui sem gravata!
"Sim", concordo, incapaz de tirar meu olhar de sua figura.
Casualmente, o homem se inclina sobre o corrimão, fitando o horizonte.
O vento brinca com seus cabelos loiros, tom de mel, sem parecer incomodá-lo
nem um pouco.
"Então, onde você estudou?" Eu pergunto.
Este tem sido o quebra-gelo para começar conversas durante todo o coquetel e,
como dizem, os maus hábitos custam a morrer.
Eu não estou realmente interessada, mas, francamente, não consigo pensar em
mais nada para perguntar.
"Ah, vamos lá", diz ele, voltando-se para mim. "Nós podemos começar melhor
do que isso."
Antes que eu tenha a chance de pensar em como responder, ele apoia as mãos no
corrimão, levantando o corpo e se sentando sobre a madeira do corrimão sem
esforço.
"Meu Deus, o que você está fazendo?", suspiro. "Você vai cair!"
O corrimão é feito de madeira grossa, reforçada por finos pedaços de metal
dispostos em ripas horizontais.
Logo acima, está a espuma branca das ondas que colidem contra o navio.
“Relaxe, não vou", diz ele com um sorriso tímido, envolvendo os pés em torno
de uma das ripas horizontais.
Ele coloca a mão sobre minha. De repente, percebo que minha mão está em sua
coxa e rapidamente a retiro.
"Pode deixar", diz ele. "É bom."
"Você vai cair", eu digo, exasperada.
Posso sentir, ele está brincando comigo.
Me deixando brava.
E está fazendo de propósito.
"Então, você não está se divertindo na festa?", ele pergunta, afastando de meu
rosto o cabelo movido pelo vento.
Dou um passo para trás assim que sinto sua mão quente em meu rosto.
"Não diria bem isso...", eu digo.
“Então, não é isso que você está fazendo aqui, no deque, sozinha? Evitando
todas aquelas pessoas?”
Ele tá mesmo falando sério?
Desde que minha mãe se casou com Mitch, eu me familiarizei com o tipo de
confiança que permeia o sangue daqueles que passam os verões nos Hamptons.
Mas esse cara, ele está levando isso para outro nível.
Depois de um momento de um silêncio meio embaraçoso, ele pula do corrimão e
se posiciona bem à minha frente.
"Me chamo Harrison. Harrison Brooks. Mas as pessoas me chamam de Brooks.”
"Oi", digo sem graça.
Estou ficando bastante cansada de como ele infringe meu espaço pessoal - tanto
vertical, quanto horizontalmente.
"E você é…?" Ele pergunta, dando um passo mais perto.
Posso sentir sua respiração no meu rosto. Apesar de estar com raiva e irritada,
acho intoxicante.
"Ellie", eu digo, com relutância, estendendo minha mão.
"Você tem um sobrenome, Ellie?" Ele pergunta, apertando minha mão.
"Sim", eu digo e viro para me afastar dele. Não que você esteja entendendo…
"Você é corajosa, Ellie", Brooks grita atrás de mim. "Gosto disso."
Enquanto ando pelo deque vazio, buscando sair dali, minha mente volta para
Brooks.
Talvez eu devesse ficar.
Talvez eu tenha sido um pouco rude.
Não, ele é que fora rude.
Sentado no corrimão.
Chegando muito perto de mim, invadindo meu espaço.
Quebrando todas as regras implícitas de conduta social e de boas maneiras.
Quem diabos ele pensa que é?
Apesar de todas essas coisas – ou, quem sabe, por causa delas –, eu não
conseguia parar de pensar nele.
Seus olhos azuis penetrantes.
Seus lábios macios.
Seu comportamento meio arrogante.
Seu cabelo, brilhante como o mel.
Alguém me pare, por favor!
Volto para a sala principal, onde o coquetel ainda deveria estar fervendo.
Para minha surpresa, não está mais.
“Para onde foi todo mundo?” pergunto a um dos garçons que está limpando uma
das mesas.
Por quanto tempo fiquei lá fora?
Paro e penso comigo mesma.
“De volta aos seus quartos, eu acho.” ele diz, dando de ombros.
8

ELLIE
QUANDO VOCÊ ACHA QUE A FESTA ACABOU, ELA ACABOU DE COMEÇAR…

A ssim que retorno para nosso quarto, me deparo com Caroline jogada sobre
sua cama, ainda em seu vestido preto.
Ela guarda um olhar preocupado no rosto enquanto cutuca as unhas recém feitas.
"O que há de errado?" Eu pergunto.
"É que...", diz ela. "Agora, na verdade, é que vamos descobrir quem vai ficar e
quem vai embora."
Não sei o que exatamente ela quer dizer com isso.
Mas ela é rápida em me explicar que, aparentemente, o coquetel foi um tipo de
evento de classificação.
Nem todos os convidados que comparecem ficam para o evento principal.
"Você quer dizer... no baile de máscaras?" Eu pergunto.
"Eu realmente não sei", ela dá de ombros. "Há tantos boatos correndo por aí."
Sento-me em frente à penteadeira e examino meu rosto de perto.
Estou tentada a tirar meus cílios, mas Caroline me interrompe antes que eu
comece.
“Não se atreva a tirar a maquiagem ou trocar de roupa. Haverá mais coisas
acontecendo hoje à noite e você não vai querer se arrumar de novo.”
Eu reviro os olhos.
De jeito nenhum eu farei mais alguma coisa hoje.
Tudo o que quero fazer agora é tirar os saltos altos, arrancar esse vestido
apertado do corpo e relaxar com um saco de salgadinhos vestindo os meus
pijamas.
Ficar bonita assim é exaustivo.
Mas se haverá mais festividades, como Caroline mencionou, eu definitivamente
não quero ter que passar de novo por todo o processo de me arrumar.
“Tudo bem, mas eu não vou esperar muito”, digo, olhando de relance para ela.
“Uma hora no máximo.”
Eu ligo a TV e começo a passar os canais.
Caroline reaplica o batom e checa se seus dentes estão livres de qualquer sujeira.
Eu pego uma água do frigobar e derramo um pouco no meu vestido ao abrir.
"Merda", eu digo, abanando o lugar para que seque mais rápido, sem muito
sucesso.
De repente, alguém bate na porta.
Caroline congela. Eu reviro os olhos e vou abrir a porta.
"Vocês duas, por favor, poderiam se juntar a mim na cabine principal em cinco
minutos?", pergunta Lizbeth.
Eu a olho de cima a baixo.
Dessa vez, ela está com uma roupa completamente diferente.
Muito arrumada, ela está usando um longo vestido preto, que aperta sua fina
cintura em um espartilho e empurra seus seios perfeitos para cima.
"Sim... Claro", eu digo.
Lizbeth lança um sorriso educado, mas desaprovador.
Assim que fecho a porta, Caroline praticamente pula em minha direção.
"Ah meu Deus! Meu Deus, Ellie!” Ela grita. "Você sabe o que isso significa?"
"Não, não faço ideia..."
“Nós causamos uma boa impressão! Eles nos querem!”
"Para quê?"
Eu a corto por um momento com a pergunta.
Ela olha para mim como se eu a tivesse pedido para multiplicar 345 por 257 de
cabeça.
"Eu não faço idéia!", ela grita, e corre para a penteadeira para checar seu cabelo
e maquiagem e se vestir novamente.
“Você acha que nós duas temos que ir?” pergunto.
“O quê?” ela se vira em minha direção, quase derrubando o vidro de perfume em
sua mão.
“Escute, o coquetel foi muito divertido e tal, mas é que estou cansada. Quero
dizer, foi um dia bem longo.”
“Ellie, você TEM que ir! Sério, você precisa ir.”
Eu balanço a cabeça.
Dado seu entusiasmo, sei que não terei escapatória.
Decido apenas engolir em seco toda a situação e seguir em frente.
Quanto antes isso tudo começar, antes acabará, de qualquer forma.
Assim que chegamos à cabine principal, há mulheres por todos os lados.
Tipo, realmente por todos os lados.
Elas estão sentadas nos sofás, no bar, nas mesas.
Todas usam vestidos impecáveis, e também estão impecáveis em seus trajes
perfeitos e saltos altos.
Algumas poucas têm cabelos curtos.
A maioria entra na categoria padrão almejada de beleza física - incrivelmente
altas, magras, fabulosas.
Algumas têm peitos grandes, outras, pequenos.
“Onde estão todos os homens?” pergunto a Caroline.
“Não faço ideia, talvez em outra cabine?”
Após Caroline e eu pegarmos nossos drinks no bar, encontramos um local e nos
posicionamos contra a parede.
Todos os assentos já foram tomados.
Lizbeth toca um sino para chamar a atenção de todas.
Ela está parada na parte da frente do iate, cercada por janelas.
Todo mundo olha para cima e se acalma quando ela bate a sineta pela segunda
vez.
"Senhoritas. Obrigada a todas por se juntarem a nós hoje. Foi realmente um
prazer servir a todas vocês.”
Essa palavra novamente.
Servir.
É impressão minha, ou é uma palavra realmente incomum de se usar?
Há tantas outras opções, como "foi um prazer hospedá-las" ou "foi um prazer tê-
las aqui". Mas servir?
“Então, deixem-me aproveitar essa oportunidade para inteirá-las sobre o que irá
acontecer daqui por diante. Eu sei, eu sei, há vários boatos circulando sobre o
que acontece nessa festa, nesse iate, e vou contar para vocês agora.”
“Meu deus, estou tão animada, acho que vou fazer xixi nas calças!” Caroline
sussurra em meu ouvido.
“Esta noite, nós temos uma apresentação muito especial planejada. Teremos um
leilão.”
Um silêncio percorre toda a cabine.
Ótimo, penso.
Não tenho um tostão sequer.
Leilões só são divertidos para pessoas que têm muito dinheiro disponível para
gastar deliberadamente.
“Mas não se trata de qualquer leilão. Nenhuma de vocês irá comprar nada. Na
verdade, é muito mais emocionante do que um leilão tradicional.”
Bem, isso é bom, penso.
Ao menos não se trata de um daqueles bailes de caridade com leilões, nos quais
é esperado que você gaste uns milhares de dólares só para participar.
Eu já estive nesses eventos algumas vezes quando a empresa do Mitch comprava
uma mesa e chamava todos os sócios para preencher os lugares com suas
esposas e crianças.
Esses leilões nunca eram tão legais quanto os organizadores gostavam de
acreditar que seriam.
“O leilão do Sr. Black é diferente de qualquer leilão em que vocês já estiveram
ou do qual tenham ouvido falar. O que o torna tão singular e especial é que, uma
vez que vocês decidam participar, vocês serão o item leiloado.”
Espere um momento. Eu olho para Caroline.
Eu ouvi direito?
“Deixem-me explicar. Os homens que vocês conheceram hoje mais cedo,
durante o coquetel, são apenas alguns dos homens que estarão participando,
vulgo dando lances no leilão. Se vocês escolherem por participar, vocês serão
apresentadas no palco e os homens darão lances por vocês. O que eles estarão
comprando, na verdade, é uma noite com vocês, na qual poderão fazer o que
quiserem. Sexualmente falando.”
“Mas que diabos…” digo para Caroline.
Mas ela está completamente hipnotizada por Lizbeth, ouvindo atenta cada
palavra.
“E, pela manhã, vocês ganharão um cheque com o lance vencedor.”
Uma moça mais à frente levanta a mão imediatamente. Lizbeth acena para que
fale.
“Então… quanto, mais ou menos, as mulheres daqui valem?”
“Ah, sim, é claro…” Lizbeth sorri. “Não sabemos exatamente como os lances
irão se suceder, portanto, não podemos prometer nada. Mas todas vocês foram
pré-selecionadas e todas são muito belas. E todos os homens que lá estarão têm
muito dinheiro. Não é incomum vermos lances de oitenta, noventa mil dólares.
Alguns chegam a cento e cinquenta mil. Uma vez, tivemos um lance que foi a
trezentos mil dólares.”
Puta merda.
Eu ouvi direito?
Todos meus débitos estudantis, dos quatro anos, somam cento e sessenta mil
dólares. Será mesmo que eu valeria um cheque de tudo isso?
Mas parece bom demais para ser verdade.
“E o que significa que o vencedor pode fazer tudo o que quiser? Sexualmente
falando?” a garota ao meu lado se apressa para perguntar.
“Significa literalmente o que você acabou de dizer. Alguns homens vão querer
conversar um pouco, depois transar. Outros vão querer um oral. Outros vão
querer tudo de que têm direito: oral; ele por cima; você por cima; anal; você
fazendo um anal, usando um strap-on... Cada um com seus fetiches.”
“E se a gente nunca tiver feito anal antes?” pergunta outra garota.
“Bem, tenho certeza de que você pode ser franca com ele e ele será muito mais
gentil. Além disso, haverá muito lubrificante disponível para vocês.”
“Você vai?” Caroline sussurra para mim.
Eu dou de ombros.
Eu odeio admitir, mas há algo realmente tentador na proposta.
Os caras do coquetel eram todos muito bonitos.
Eu não me importaria de dormir com um ou dois deles de graça.
“Tudo bem, se não tiverem mais perguntas, vou começar a distribuir os
contratos. Por favor, leiam com cuidado. Vocês estarão prestes a ser leiloadas,
então, por favor, assinem e me devolvam. O leilão começa em uma hora. Caso
alguma de vocês não esteja interessada, pode pegar o helicóptero de volta para
Manhattan. Infelizmente, se assim for, você não poderá se juntar a nós no
restante das festividades.”
Lizbeth começa então a circular pela cabine, distribuindo papéis e canetas para
todas nós.
Eu leio o contrato cuidadosamente.
“Isso aqui parece bem normal,” diz Caroline. Paro e olho para ela como se ela
estivesse louca.
“Bem normal? Não tem nada de normal nisso aqui.”
“Ah, você sabe o que eu quero dizer… Só coloca em termos jurídicos o que ela
acabou de nos falar. Além do mais, olha só essa parte. Aqui diz que assim que o
leilão acabar, antes de a noite de fato começar, eles vão te enviar o valor total
para uma conta de sua escolha ou vão te dar um cheque.”
“Você acha que eles valem a pena?”, brinco.
“Pelos caras desse iate, com certeza!”
Já conheci e andei com muita gente rica, mas só de imaginar alguém escrevendo
um cheque ou depositando oitenta, noventa mil dólares em uma conta em troca
de uma noite… parece surreal!”
“Não entendi por que antes de a noite começar.” digo, lendo o contrato.
Lizbeth escuta.
“Pois tudo que acontece é opcional. Depende de você.”
Não faz muito sentido, para dizer a verdade, mas não a questiono. Assim que ela
sai de perto, viro para Caroline.
“Acho que é porque, se não fosse assim, seria considerado prostituição. Desse
jeito, acaba sendo meio que uma forma de presente ou jogo, algo do tipo.” eu
digo.
Caroline e eu nos sentamos por alguns minutos e debatemos se realmente
devemos ir a fundo com isso.
Honestamente, eu não sei.
Por um lado, parece insano.
Um leilão.
Um leilão sexual. No século XXI.
Somos mulheres.
Deveríamos ser livres e libertas.
Podemos transar com quem bem entendemos.
Por outro lado, ser livre e liberta também significa que sou livre para escolher
participar de um leilão desse tipo, se eu assim quiser.
Certo?
Isso faria de mim uma prostituta?
Ou há algum tipo de passe livre, fazendo isso por uma só noite?
Quero dizer, já passei uma única noite com homens após um primeiro encontro
com jantar legal.
De que forma isso poderia ser diferente?
Enquanto uma parte de mim continua se questionando, outra é rápida em
arranjar uma resposta.
É diferente pois eu não fui leiloada.
Para um estranho.
Para que faça o que quiser comigo por uma noite.
Essa é a diferença, droga!
“E então, o que você acha?” pergunto.
“Eu não sei… mesmo!” Caroline se encolhe.
Confesso que fico chocada.
Caroline adora uma boa transa e qualquer coisa pomposa.
O que poderia ser mais pomposo do que um cara rico e gostoso pagar o dobro da
média salarial anual norte-americana para que ela passe a noite com ele?
“Você tá falando sério?” pergunto. “Eu podia jurar que você estaria dentro, sem
nem pensar.”
“Por quê? É porque você acha que eu sou uma vadia?”
“Não, não, é claro que não. Você sabe que não acho. Mas achei que você iria
achar divertido.”
“Eu acho divertido,” ela solta, hesitante. “Mas eu não tenho certeza. Algo sobre
tudo isso me parece estranho.”
Eu concordo com ela. Realmente. Algo soa muito estranho.
Uma garota que está ao nosso lado chama Lizbeth.
“Eu tenho mais uma perguntinha. Como é o leilão? A gente só fica lá com a
roupa que estamos usando agora e eles começam a dar lances?” ela pergunta.
"Bem, há um leiloeiro que estará supervisionando o leilão", diz Lizbeth. “Ele
fica em um pódio e você ficará no palco, perto dele. O leiloeiro organiza os
lances em incrementos padronizados de cerca de dez mil dólares, e os possíveis
compradores levantam a raquete se quiserem fazer um lance com esse
incremento específico. Quanto às roupas... você irá vestir o que está vestindo
agora. Os licitantes não têm o direito de pedir-lhe para remover qualquer roupa
ou mostrar seus seios, nem qualquer coisa do tipo. Isso é só para mais tarde.
"Uau, isso foi uma explicação bem completa", eu sussurro para Caroline.
“Certo, meninas,” Lizbeth fala bem alto. “Se vocês estiverem prontas para
participar, por favor, entreguem seus contratos assinados para mim.”
Eu olho bem para Caroline.
É agora ou nunca.
Não é como se fôssemos fazer isso juntas, mas é reconfortante ter uma amiga
para encarar uma situação assim com você.
“Não posso fazer isso,” ela diz baixinho.
“Você tem certeza? Mesmo?” pergunto.
Ela acena que sim, largando a caneta em cima do contrato.
“Então… acho que isso quer dizer que vamos para casa, né?” ela pergunta. “Que
droga.”
“Bem, na verdade, acho que vou participar.”
“O quê?!”
“Não sei”, eu me encolho. “É muito dinheiro. E os caras são lindos!”
9

ELLIE
QUANDO VOCÊ É DEIXADA SOZINHA E COMEÇA A SE ARREPENDERDE SUAS DECISÕES…

O fato de Caroline estar indo embora me faz repensar minha decisão.


Isso tudo havia sido ideia dela, em primeiro lugar, e agora era difícil
imaginar ficar aqui sem ela.
Eu a sigo de volta para nossa cabine e observo enquanto ela coloca suas coisas
de volta na mala aberta sobre a cama.
“Você tem mesmo certeza de que quer ficar?” ela pergunta.
Dou de ombros. Eu realmente não sei.
“Por que você não quer?” pergunto.
“Não sei direito”, ela também dá de ombros. “Eu achei que iria querer. Quando
ela veio e começou a falar sobre o leilão, tudo soou muito emocionante. Mas
agora, eu realmente não sei. Algo não soa bem para mim. Você não acha um
pouco esquisito?”
Eu aceno com a cabeça. “Definitivamente não é algo normal de se fazer.”
“Não me leve a mal. Os caras aqui são muito atraentes. E ricos, é claro. Mas
acho que não consigo chegar até o palco, sabe? E se o cara quiser que eu faça
algo que eu não queira?”
“Tipo o quê?” pergunto.
Não quis soar descarada, mas não conheço qualquer coisa que Caroline não faria
na cama.
Ela já participou de um ménage, já fez sexo anal, já até participou de uma orgia.
Tenho certeza de que ela já experimentou tudo que há no kama sutra, e até
mesmo algumas algemas, mordaças e chicotes.
Encaro Caroline por um instante.
Ela está olhando para o chão, pensativa, mexendo os pés.
“Não consigo fazer isso”, diz ela.
Ela parece realmente assustada, na verdade.
Então, de repente, meu receio sobre a minha própria decisão começa a aumentar.
A ansiedade só cresce.
Não sou nem de longe experiente como Caroline e, se ela não vai participar,
então talvez eu também não devesse.
A experiência, no geral, me parece muito com o que senti indo à montanha-russa
quando tinha uns 13 anos.
Fui com uma amiga na época, e ela já tinha ido a vários parques de diversão,
andado em vários brinquedos.
Aí ela amarelou. Ficou morrendo de medo.
Eu estava morrendo de medo de ir no início, e depois que ela amarelou,
questionei ainda mais minha decisão.
Daquela vez, decidi voltar para casa junto com ela, sem experimentar a
montanha-russa.
Mas, dessa vez, algo me prendia aqui. Eu estava apreensiva e incerta, mas não
conseguia voltar para casa com Caroline.
“Você tem certeza MESMO de que quer ficar?” ela pergunta, pela última vez.
Ela está segurando sua mala de mão e Lizbeth a espera na porta, para
acompanhá-la até o helicóptero.
Aceno com a cabeça.
Lizbeth lança um olhar de satisfação, junto com um sorrisinho.
Ela sabe o que está por vir e ela não vai ficar.
Abraço Caroline e digo que a verei em breve.
Na verdade, eu não sei por quanto tempo ainda permanecerei no iate.
Talvez eu volte amanhã ou, quem sabe, fique por alguns dias.
Esse lugar é tão misterioso, que temo que possa fazer alguma besteira ou algo
impróprio a qualquer momento.
Quando Caroline sai, meu corpo treme, inconscientemente.
Minhas mãos estão úmidas e sinto meu sangue descendo da cabeça.
O que foi que eu fiz? Sinto meu estômago se contorcendo e me sento na cama
para tentar me acalmar.
Eu realmente resolvi ficar aqui sozinha?
Como diabos eu vou fazer para escapar desse iate se eu resolver sair?
O contrato realmente vale alguma coisa?
E se eu assistir ao início do leilão e decidir que quero ir embora?
Um milhão de pensamentos correm pela minha cabeça com tamanha velocidade
que sequer consigo acompanhar.
Acho que vou desmaiar.
Deito-me na cama e fecho os olhos.
Uma batida na porta me acorda. Não sei por quanto tempo peguei no sono.
“Entre.”
Uma garota que estava sentada do outro lado da cabine abre a porta e entra no
quarto.
Ela é alta, magérrima, muito bonita. Parece estar tão assustada quanto eu.
Ela se apresenta. Olivia.
“Desculpa te incomodar, é que eu estava procurando outra pessoa que decidiu
participar…”
“Sério? Então só umas poucas garotas ficaram?” pergunto, “Acho que sim.
Tentei bater em outras portas antes de chegar aqui, mas ninguém mais
respondeu”, disse Olivia.
Isso não melhora as coisas para mim.
Outra batida na porta. É Lizbeth, que entra e nos avisa que o leilão começará em
breve.
“O que devemos vestir?” pergunta Olivia.
“Podem continuar com essas roupas”, diz Lizbeth, “ou podem vestir algo mais
provocativo. Depende de vocês e de como querem se apresentar.”
“Mais provocativo?” pergunto. Já estou em um vestido curtíssimo, sem alças e
com esses saltos.
“Bem, algumas moças decidem usar apenas um biquíni ou mesmo ir até lá sem
roupas.”
Meu Deus.
Meu coração dispara.
O que foi que eu fiz.
Biquíni?
Entrar completamente nua em um salão repleto de estranhos?
De repente, estou percebendo que isso está tão fora do meu alcance…
As meninas que fazem isso devem ser feitas de aço e ter a confiança de um
homem super rico.
Elas devem ser maravilhosas, com corpos perfeitos, sem uma celulite ou
imperfeição.
“Quem decide é você”, diz Lizbeth, após provavelmente notar minha hesitação.
“As garotas fazem sucesso tanto em vestidos quanto em calças e qualquer outra
peça. Você realmente só tem que ir lá e ser você mesma.”
Claro, claro, eu reluto para não revirar os olhos.
Quando Lizbeth sai, Olivia vira para mim e fala que irá apenas de lingerie.
“É como uma roupa de banho e provavelmente me garantirá lances maiores,
então, por que não?”
Balanço a cabeça.
“Não, não posso fazer isso. Você não está nervosa? Com medo?”
“Sim, muito.” ela diz, enquanto se despe.
Ela veste um sutiã push-up que faz com que seus peitos fiquem muito sensuais.
Também usa uma calcinha de renda.
É muito magra e seu abdome é quase esculpido.
“Você tem um belo corpo”, digo.
“Obrigada, você também.” Ela responde educadamente.
“É, claro…” Dou de ombros.
Tenho minhas gordurinhas e sou uns dez centímetros mais baixa do que ela.
Ela parece ser feita só de pernas, enquanto as minhas pernas não são nem longas,
nem esculpidas.
“Se você acha que vai ficar desconfortável, então deveria ficar de vestido
mesmo. Você fica linda com ele.”
Aceno com a cabeça.
É provavelmente o que irei fazer.
Encaro minha figura no espelho uma última vez, e então sigo Olivia até a cabine
principal.
10

ELLIE
QUANDO O LEILÃO COMEÇA…

L izbeth nos encontra no corredor antes de entrarmos e nos leva para outro
quarto.
O lugar é, na verdade, uma sala de espera, com alguns refrescos no fundo.
Começo a contar quantas garotas além de mim há no local, enquanto esperamos
o leilão começar.
Dez. Há dez garotas lá, em diferentes graus de nudez.
Quatro estão completamente nuas, sentadas, conversando tão naturalmente como
se estivessem de pijamas.
Há mais duas de sutiã e calcinha, duas apenas de calcinha e, por fim, mais duas
que ainda estão em seus vestidos.
Eu sou uma delas.
De repente, me sinto muito bem vestida para a ocasião, como se tivesse
aparecido em um jogo de beisebol usando um vestido de baile.
O palco fica bem à nossa frente e Lizbeth sobe no pódio.
Ela mesma será a leiloeira.
Espio com cuidado para dar uma olhada nos homens que estão na sala.
Há vários rostos conhecidos, incluindo Blake Garrison e Harrison Brooks.
Alguns são jovens como eles, mas também há muitos homens velhos.
Eu nunca fiquei com alguém com mais de trinta.
Mas esses homens em questão da platéia não são apenas velhos. Eles são muito
velhos. Acho que anos cinquenta e sessenta. Talvez até mais velhos. Cabelos
grisalhos, excesso de peso. Merda. O que eu esperava? Quer dizer, é um super
iate de luxo. Não há, de fato, muitos homens bonitões em seus vinte e poucos
anos que podem pagar por esse tipo de festa.
Lizbeth se apresenta para o público e repassa todas as regras.
Eles devem permanecer em silêncio e levantar as raquetes quando quiserem dar
um lance.
Uma vez que ela gritar um preço três vezes e ninguém der um lance mais alto,
então a garota vai para aquele licitante.
Eles devem assinar um cheque, uma ordem de pagamento ou uma transferência
bancária para a conta da garota antes de poderem levá-la à sua cabine.
Eu martelo meus dedos na mesa freneticamente esperando começar.
Após alguns minutos, finalmente começa.
Lizbeth chama o primeiro nome.
Arabella, nua, muito animada, vai correndo para o palco em seus saltos de dez
centímetros.
Fico observando e esperando pelo momento em que ela vai tropeçar, mas não,
ela parece ter nascido para isso.
Quando ela chega no início do palco, respira fundo e começa a desfilar com
muita pose e confiança.
Uma luz fluorescente atinge seu corpo enquanto o restante do salão fica escuro.
Lizbeth a apresenta, anunciando seu nome e altura, mas não diz nada além disso.
Os lances começam em dez mil.
Rapidamente, as raquetes começam a subir.
O preço começa a subir.
Quando chega em cinquenta mil, o sorriso de Arabella vai de orelha a orelha, ela
fica tímica.
Suas pernas estão separadas na distância dos ombros e sua cabeça inclina-se até
o chão numa perfeita pose de ioga.
Os lances continuam a subir. Mais e mais altos.
Logo, estão em noventa mil.
Lizbeth anuncia o valor três vezes. Noventa mil dólares.
Lizbeth então anuncia “vendida por noventa mil dólares para o cavalheiro ali ao
fundo.”
Eu não posso mais conter minha curiosidade.
Vou para o canto mais distante do palco e dou um salto para conseguir enxergar
quem a comprou.
Os homens na parte de trás cumprimentam um cara mais velho que está
claramente na casa dos sessenta.
Meu coração palpita.
Sério?
Eu realmente vou ter que dormir com um velho de sessenta anos?
Mas Arabella retorna até nós com a cabeça erguida.
Ela está completamente realizada.
“Ganhei ao todo quarenta mil no ano passado limpando quartos de hotel”, ela
anuncia para a amiga. “Noventa mil, sem impostos, por uma noite? Fala sério!”
Um homenzinho minúsculo de óculos e com uma maleta caminha até ela e a
pergunta como ela vai querer o pagamento.
Enquanto eles resolvem a papelada, Lizbeth volta para o leilão.
Agora, ela chama Olivia. Seus olhos estão arregalados e ela respira bem fundo.
“Boa sorte”, sussurro para ela.
Ela finge um sorriso no rosto e vai em direção ao palco.
Definitivamente não está animada como Arabella.
Mas ela vai até lá com a cabeça erguida.
Mais uma vez, Lizbeth anuncia que os lances começam em dez mil dólares.
Esse valor parece ser o ponto de partida. Valor mínimo de qualquer lance.
Ao contrário de Arabella, ela não faz nada a não ser ficar lá parada com as mãos
na cintura.
Ela está de lingerie, e seu sob a luz fluorescente dos holofotes, parece que seu
corpo está coberto em glitter.
Dez mil pode não ser noventa, mas ainda é um valor absurdo, asseguro para mim
mesma.
Então, mesmo que eu só saia por dez mil, tudo bem.
Mas não importa o quanto eu tente me convencer disso, eu ainda sinto que vou
vomitar só com a ideia de que logo terei de subir no palco.
Os lances para Olivia sobem até os oitenta mil e, por fim, ela é comprada por um
cara que aparenta uns quarenta anos.
Quando ela volta até nós, ela parece bem satisfeita com o valor.
Bem, eu também ficaria.
Acho que dez mil já é o suficiente para valer a pena dormir com alguém que
seja, bem, mais jovem que o homem da Arabella.
Quando o senhor baixinho com a maleta vem na direção de Olivia, ela pergunta
se pode pegar todo o dinheiro em espécie.
Ele diz que não teria toda aquela grana ali, no momento.
Ela pondera se deve pegar um cheque ou pedir uma transferência direta para sua
conta.
Ela está pensando nas deduções dos impostos.
Óbvio, em espécie seria melhor, assim ela não perderia trinta por cento para o
governo.
Mas quem quer circular por Nova Iorque com noventa mil dólares em dinheiro
vivo?
Finalmente, ela dá os dados de sua conta a ele.
Eu fico tão entretida na conversa dos dois que nem percebo que Lizbeth já
começou de novo.
E ela chamou meu nome!
“Ellie!” chama Lizbeth mais uma vez.
Olivia me dá uma cutucada.
Fui pega tão de surpresa que nem deu tempo de processar o que realmente iria
acontecer.
“Vai, ela está te chamando.” diz Olivia.
Eu concordo e me levanto.
Isso está mesmo acontecendo?
Sigo para o palco. Me sinto um zumbi caminhando até lá.
11

ELLIE
QUANDO CHEGA MINHA VEZ…

A s luzes dos holofotes pairam sobre mim e, de certa forma, me cegam.


Não consigo enxergar um palmo à minha frente.
Coloco um sorriso em meu rosto e sigo com as mãos na cintura.
Subitamente, começo a sentir o quanto esses saltos machucam meus pés.
É difícil respirar dentro desse vestido apertado, que sequer permite que minhas
pernas se movimentem direito.
“Vamos começar os lances em dez mil dólares”, anuncia Lizbeth ao microfone.
“Quem dá mais?”
“Vinte mil, trinta…”
Minha visão finalmente se acomoda ao brilho do palco.
Raquetes vão subindo à medida que as cifras ficam mais e mais altas.
“Certo, e oitenta mil?” diz Lizbeth, claramente entretida com os lances subindo.
“Alguém dá oitenta mil?”
Eu realmente valho tudo isso?
O número vaga pela minha mente como se fosse uma meta inalcançável.
Bem ao fundo do salão, consigo ver Blake Garrison e Harrison Brooks.
Eles estão sentados à frente de uma mesa levantando suas raquetes cada vez que
a cifra sobe.
Por favor, que seja um deles, digo a mim mesma.
Pelo menos, eu já os conheço. E eles têm a minha faixa etária.
Quando os lances chegam a noventa mil dólares, todos os demais desistem.
Só eles dois seguem na disputa.
E eles continuam.
Será que eu realmente chegarei a cem mil?
Tanto dinheiro assim nem parece real, mal consigo imaginar.
“Agora, só para deixar vocês que ainda estão na corrida a par de tudo, nós temos
mais um licitante, e ele é muito exclusivo. Nesse momento, ele não está aqui no
salão, mas ele fez uma procuração para um representante que está dando lances
por ele. Ele está, é claro, observando o que está acontecendo aqui e se
comunicando com seu representante”, diz Lizbeth.
Mas que diabos? Um licitante secreto? Que não está aqui no salão? Quem diabos
é essa pessoa?
“E agora, que tal cento e dez mil?”
Quando eu olho, Blake e Brooks levantam suas raquetes.
Eles estão determinados.
Continuem assim, meninos, eu oro.
“Meu licitante gostaria de oferecer cento e cinquenta mil.” anuncia o
representante do fundo, levantando-se em um pulo.
“Certo. Quem dá mais?”
Blake e Brooks ficam parados por um momento.
Por favor, deem um lance maior. Por favor, repito para mim mesma.
Nesse ponto, estou quase tentando induzi-los com o poder da minha mente.
Brooks levanta a raquete.
Mas Blake não.
É muito dinheiro.
“Duzentos e cinquenta mil”, anuncia o representante, ao fundo.
Lizbeth está em choque.
Mas ela se recompõe rapidamente.
Ela é muito profissional, afinal de contas.
“Duzentos e cinquenta mil, dou-lhe uma.”
Encaro Brooks e tento levantar sua raquete com o poder do pensamento, mas ele
balança a cabeça negativamente.
“Duzentos e cinquenta mil, dou-lhe duas.”
Por favor, Brooks. Por favor, faça isso por mim, sinto vontade de gritar. Você
não pode me deixar ser levada por esse licitante secreto.
“Ellie, vendida por duzentos e cinquenta mil dólares para o Sr. Black.”
Sr. Black.
Ele é o licitante misterioso.
Eu já ouvi esse nome antes.
Na verdade, foi citado aos montes durante o coquetel.
E agora ele me comprou.
Dentre todos esses caras.
Por duzentos e cinquenta mil.
É uma quantia bizarra de dinheiro.
O que se segue do leilão é um borrão para mim.
O homenzinho da maleta vem até mim, então eu pego minha carteira para
fornecer a ele os dados da minha conta bancária.
Aguardamos, ele transfere duzentos e cinquenta mil dólares para minha conta.
O banco liga para confirmar a transação.
Ele fala com mais alguém ao telefone.
Finalmente, o dinheiro é meu.
Confiro minha conta pelo celular e o dinheiro realmente está lá.
Duzentos e cinquenta mil.
Mas que diabos?
Isso realmente está acontecendo.
Esse dinheiro é real mesmo?
É tão difícil de acreditar.
Quando a transferência é concluída, uma mulher vem em minha direção.
Ela usa um vestido preto de látex muito apertado e saltos tão altos quanto os
meus.
“Eu irei acompanhá-la até a suíte do Sr. Black”, ela diz. “Por favor, me siga.”
Tento responder algo a ela, mas não consigo sequer abrir minha boca.
Fico entorpecida.
Eu a sigo até o fim do iate.
Os quartos parecem ficar mais e mais chiques à medida que seguimos até os
fundos daquele corredor.
Há uma biblioteca enorme em um dos cantos, repleta de livros com capa de
couro.
Sinto uma vontade tremenda de sair correndo e me trancar nessa biblioteca.
Não, Ellie, você precisa ser profissional.
Você acabou de receber mais dinheiro do que provavelmente verá em toda sua
vida.
É mais do que suficiente para pagar todo o débito estudantil, os impostos pelo
dinheiro e ainda irá sobrar bastante para se divertir.
Tento pensar na parte da diversão para seguir em frente.
Poderia voar de primeira classe para qualquer lugar do mundo e passar um mês
lá.
Ou poderia ir a vários lugares diferentes.
Poderia ir para a Europa por uns meses.
Ou passar uns tempos na América do Sul.
Isso tudo irá valer a pena, Ellie, repito para mim mesma.
Quando chegamos na última porta à esquerda, minha bela acompanhante abre e
entramos.
Eu caminho pela suíte master. É gigante.
Ao fundo, em outro cômodo, há uma cama box king enorme.
O cômodo em que entramos tem um tapete maravilhoso e macio, uma mesa de
madeira, sofá e poltronas.
Parece aquelas salas de estar dos castelos de antigamente.
Ambos os cômodos têm paredes de vidro iluminadas com luzes diferentes.
No horizonte, o céu é escuro e as estrelas brilham tanto que quase machucam os
olhos.
“O Sr. Black estará aqui em breve, mas primeiro eu preciso te arrumar.” Diz
minha acompanhante.
“Me arrumar? O que você quer dizer com isso?”
“Bem, ele é muito excêntrico. Ele quer as coisas da sua maneira.” Ela diz.
Ela abre a porta do closet.
Lá dentro, vejo um monte de ternos perfeitos pendurados em sequência e uma
camisola transparente com penas ao longo das bordas.
Ela puxa a camisola do cabide e a segura na minha frente.
"Por favor, tire o seu vestido", diz ela.
Fui pega de surpresa.
Bem, eu sei que ele pagou por uma noite comigo, mas ordenar o que devo vestir
assim soa errado de alguma forma.
Mas minha acompanhante continua esperando.
Finalmente, decido me despir.
Com dificuldade, tiro meu vestido.
Minha barriga ficou toda marcada do vestido apertando meu corpo enquanto
estive sentada.
Coloco minhas mãos na frente, como que para evitar que ela veja.
“Pode tirar também sutiã e calcinha”, diz ela.
O quê?
Isso está indo longe demais!
Mas eu vou transar com ele, de qualquer forma.
O que há de errado comigo? Eu realmente estava esperando não ter que tirar meu
sutiã e calcinha por duzentos e cinquenta mil?
Tiro o sutiã e me abaixo para tirar os sapatos.
Bem, pelo menos tem algo bom sobre tudo isso. Eu finalmente poderei me livrar
desses sapatos apertados.
“Pode ficar de salto mesmo”, ela me impede.
Droga.
Tiro também minha calcinha e a deixo na poltrona junto com meu vestido e
sutiã.
Minha acompanhante me entrega a camisola e me ajuda a vesti-la.
Não tem um lado da frente.
É tipo um robe.
É completamente transparente.
“Agora, vá deitar-se na cama.” Ela ordena.
“Por cima das cobertas?” Retruco.
Ela acena com a cabeça.
Eu encontro um lugarzinho bem no meio, me apoiando nos travesseiros.
Ela vem e abre a gaveta no gaveteiro nos fundos do quarto.
Ela tira uma cinta longa com uma algema no final.
"O que é isso?"
"O Sr. Black quer você amarrada”, explica ela.
Amarrada?
Minha mente começa a ficar acelerada.
Não, não, não, eu não posso ser amarrada.
"Não se preocupe", diz ela. “É bem sexy. Ele não vai fazer nada para te
machucar... a menos que você queira.”
"Por que eu iria querer que ele me machucasse?" Eu pergunto.
Ela ri.
“Você vai querer. Você vai suplicar para que ele te machuque.”
Eu entendo as palavras que estão saindo da sua boca mas, ao mesmo tempo, não
compreendo.
Não faço ideia do que ela está falando.
Por que eu iria querer que ele me machucasse?
Eu estendo uma mão para ela e presto atenção enquanto ela prende a algema
com detalhes em couro no meu punho.
Ela então amarra o cinto à cabeceira da cama.
Com cuidado, dando a volta na cama, ela repete o procedimento do outro lado,
com meu punho esquerdo.
Tento puxar meus punhos.
Bem, isso não é brincadeira.
Meus punhos estão amarrados à cabeceira de fato.
Minha acompanhante se curva sobre mim e ajeita a camisola.
Ela checa para que os detalhes de penas cubram meus seios e me lança um
sorriso assim que acaba.
“Certo, última coisa.” ela diz e, em seguida, puxa algo de seu bolso.
É uma máscara negra.
“Ele não quer que eu o veja?” pergunto.
Meu coração está quase saindo pela boca.
Não, não posso estar com meus olhos vendados.
Isso já está indo longe demais.
“Tenho certeza de que ele irá querer, sim, mais tarde. Ele só não quer que você o
veja imediatamente.”
Ela ajeita a máscara sobre meus olhos.
De repente, passo a ficar muito mais alerta aos demais sentidos, começo a
escutar cada som do quarto.
À distância, ouço um chiado.
Sinto minha acompanhante soltando o ar em pequenas respirações, bem rasas e
leves.
A colcha faz um farfalhar enquanto ela se inclina sobre mim.
"Ok, divirta-se", diz ela ao deixar o quarto.
12

ELLIE
QUANDO USO UMA MÁSCARA…

E u espero na cama, com a respiração acelerada. Parece levar uma eternidade.


Meus dedos se remexem de nervoso e correm ao longo da cinta de couro.
Não consigo ver a camisola que estou vestindo, mas eu sei que é a coisa mais
sexy que eu já vesti para um homem. Além disso, as penas são muito suaves e
confortáveis. É como se eu estivesse envolvida em puro luxo.
Esperar é pura tortura. Há espaço na máscara para os meus olhos se abrirem
livremente sem que meus cílios toquem o tecido, mas tudo que vejo é a
escuridão ao meu redor. Quanto tempo devo esperar assim? Meus pensamentos
ficam constantemente voltando para a quantidade de dinheiro que o misterioso
Sr. Black pagou por mim. Duzentos e cinquenta mil dólares. É muito dinheiro.
Fico me perguntando que tipo de noite ele está esperando de mim. Para dizer a
verdade, não sou a garota mais excitante na cama. Acho que sou realmente
muito chata. Por exemplo, eu não sou lá muito fã de ficar por cima. Quando fico
por cima, nunca consigo relaxar o suficiente para chegar a um orgasmo.
A porta se abre. Eu inspiro e expiro profunda e continuamente, tentando me
recompor. Meu corpo de repente fica muito gelado, e em seguida muito quente,
tudo ao mesmo tempo. Meus hormônios devem estar a mil. Eu ouço os passos se
aproximando da cama.
"Olá?" Pergunto, incapaz de suportar a antecipação por muito mais tempo.
"Boa noite", ele diz depois de uns instantes. Sua voz é suave e profunda, e soa
um pouco amadeirada. A voz faz parecer que ele não é muito velho, mas,
novamente, o que é que eu sei sobre vozes?
"Você é o Sr. Black?" Eu pergunto.
"Sim, sou eu", diz ele lentamente. "Mas você pode me chamar de senhor."
"Só senhor?" Eu pergunto.
"Sim, apenas senhor."
Não entendo bem o que ele está fazendo, mas parece que ele está caminhando
pela suíte. Em determinado momento, ouço as portas do armário se abrirem e
fecharem. E o som de seus passos muda, quase como se ele tivesse tirado os
sapatos.
Seus passos ficam mais leves, não tão pesados quanto antes. Um pouco depois,
tenho certeza de que ele está descalço ou, ao menos, só de meias. Eu mordo o
lábio inferior freneticamente, enquanto meus olhos estão fixos na escuridão que
paira dentro da máscara.
De repente, sinto algo tocar meus lábios. É suave. Demoro um minuto para
perceber que é o dedo dele. Eu ouço a frequência de suas respirações e sinto sua
presença em cima de mim. No entanto, a única coisa que ele toca são meus
lábios.
"Vai ser divertido", diz ele lentamente. Sua voz fica quase latente agora, como se
uma voz pudesse arder, mas sem chama.
“Desculpe, é um hábito para mim quando fico nervosa. Eu mordo muito meu
lábio.”
“Bem, acho que vamos ter que trabalhar nisso, não?” Ele responde, tímido.
Não consigo ver seu corpo mas, ainda assim, meu corpo está repentinamente
tendo uma reação muito forte a ele, à sua presença. Não sei se é sua voz ou seu
toque em meus lábios, mas minhas pernas de repente ficam trêmulas, com
faíscas que correm por elas. Eu estralo os dedos dos pés como uma forma de
tentar relaxar, mas o nervosismo continua. Odeio admitir, mas só me sinto assim
quando estou com muito tesão por alguém. Tanto que não consigo controlar. Só
de imaginar, todo o meu corpo se contorce por um momento.
Ele paira em algum lugar sobre mim, não estou inteiramente certa de onde, mas
eu sinto seu peso à minha direita; sinto meu corpo se encolhendo. Minhas pernas
se apertam uma contra a outra e meus braços puxam as amarras com força. Estou
me preparando. Bem, não sou uma pessoa particularmente extrovertida. Sou uma
escritora, por chorar em voz alta. E esse meu jeito tímido está tomando o melhor
de mim.
“Ah, não, não pode ser assim”, diz o Sr. Black. Sinto a calma em sua voz,
enquanto ele corre seus dedos pelos meus joelhos. Estou com as pernas
flexionadas, e assim que ele toca meus joelhos, elas se estendem de imediato na
cama, sem esforço. Me sinto derreter como manteiga perto dele. Ele corre os
dedos do alto das minhas pernas até minhas coxas. O pânico corre pelo meu
corpo. Suo frio, sinto minhas axilas ficarem gélidas. Nunca antes deixei um
homem com quem não estive envolvida, romanticamente falando, me tocar. E
agora, eu sequer sei como ele se parece fisicamente. Não posso fazer isso.
Preciso devolver seu dinheiro e me desculpar. Mas eu realmente não consigo
fazer isso.
Estou prestes a dizer essas palavras a ele, quando ele gentilmente posiciona sua
mão sobre meu pescoço. O toque da sua pele é morno e acolhedor.
“Por favor, relaxe. Não vou te machucar”, ele diz. Ele corre os dedos pela minha
clavícula e pelo meu peito, até um pouco antes de chegar em meu seio. Sinto
meu peito subir e descer enquanto a mão dele sobe e desce a cada inspiração
minha. Começo a relaxar, mas, ao mesmo tempo, me fechar. A situação é muito
intensa, e nem sequer fizemos nada ainda.
“Pode relaxar”, ele sussurra em meu ouvido. Seu hálito doce acaricia meu
pescoço. “Não vou te machucar, a menos que você queira.” Após essas palavras,
ele coloca os lábios contra minha orelha e beija suavemente.
É aquela frase, de novo. A menos que eu queira. Queria perguntar o que isso
quer dizer. Mas minha boca está mais seca que um deserto. É como se ele tivesse
sugado toda a umidade do ar. Exceto pela umidade entre as minhas pernas. Eu
esfrego minhas coxas uma contra a outra, tentando manter a umidade exatamente
onde ela está.
Ele coloca a ponta dos dedos no meu queixo, levantando meu rosto. Seu toque é
macio, mas exigente ao mesmo tempo. Transmite uma faísca para cada
centímetro do meu corpo.
“Você gostaria que eu te beijasse?” ele pergunta. Quero muito dizer que sim.
Mas minha mente está completamente turva nesse momento.
“Eu… não sei”. Não faço ideia de por que disse isso, na verdade.
“Tudo bem”, diz ele, ficando agora ao meu lado na cama. “Mas o que não está
tudo bem é você não me chamar de ‘senhor’.”
Eu aceno com a cabeça.
“Entendeu?” Ele pergunta, correndo a ponta de seus dedos pelo contorno dos
meus seios, por baixo da camisola.
Aceno novamente com a cabeça.
“Preciso que você diga. Alto.”
“Sim, eu entendi.” Respondo.
“Não, acho que você não entendeu”, ele diz, abrindo o lado direito da camisola e
expondo meu seio. Sinto meus mamilos ficando eretos. Aperto com força a
corda que me prende à cabeceira.
“Sim, eu entendi, senhor.”
“Boa menina”, diz ele. Ele continua a mover seus dedos em círculos ao redor de
meus mamilos, sem tocar nenhum deles. Esse jogo está me deixando louca.
“Tem algo de que você goste?” ele pergunta, provavelmente ao observar o olhar
desapontado em meu rosto.
“Isso é… muito bom… senhor.”
“Sim, eu sei.”
Eu abro levemente a boca, deixando um pequeno suspiro escapar da minha
garganta. Eu nunca antes fiquei tão excitada só pelo toque de alguém. Quero
dizer, ele nem está fazendo nada. De repente, sua mão deixa meus seios e viaja
de volta aos meus lábios. A ponta do seu polegar roça meu lábio inferior. Ele
está me provocando. Brincando comigo. Então ele desliza o polegar para dentro
da minha boca e sussurra: "chupe".
Eu nem preciso de comando. Meus lábios instintivamente abraçam seu polegar e
minha língua corre sobre ele.
Ele solta um grunhido leve em meu ouvido.
Minhas bochechas esquentam enquanto meus lábios se abrem e fecham em torno
de seu polegar dentro da minha boca. Eu o massageio com a língua, sinto a sua
pele e percebo que os seus dedos são suaves e leves. Este polegar não é de um
homem que trabalha com as mãos.
"Vai haver mais disso depois", diz ele, puxando o polegar da minha boca. "Mas
por ora…"
Quando ele retorna os dedos ao meu corpo, eu sorrio. Eu acho sua arrogância
extremamente sexy. Não sou avessa à arrogância - ninguém que frequenta uma
universidade da Ivy League o é. Mas, na maioria das vezes, acho meio cansativo
e entediante. Mas com o Sr. Black é diferente. É autêntico. É como se ele não
estivesse apenas fingindo ser um idiota arrogante. É como ele realmente fosse
inacreditavelmente confiante.
"Eu vou poder ver seu rosto?" Pergunto. "Senhor."
Eu sinto que ele está pensando nisso enquanto volta sua atenção para os meus
seios. As pontas dos seus dedos estão se aproximando cada vez mais dos meus
mamilos, e a espera é excruciante.
"Sim, claro. Só não agora.”
"Por que não, senhor?"
"Sabe, você faz muitas perguntas para uma garota em sua posição." Ele diz,
rindo.
"O que você quer dizer, senhor?" Eu pergunto. Até que não é assim tão estranho
dizer "senhor" no final de cada frase. Na verdade, é bem sexy.
“Bem, você está aqui, no meu iate. Acabei de pagar duzentos e cinquenta mil
para passar a noite com você. Para fazer o que quiser com você. E você está aqui
fazendo exigências.”
"Não, não mesmo, senhor", eu digo.
“É disso que eu estou falando”, ele diz. Eu ouço um farfalhar das roupas de
cama, e então algo sedoso e macio toca meus lábios.
"Nós vamos ter que vendar também essa sua boca, já que você não para de
falar", diz ele, e envolve minha boca com o que parece ser uma gravata de seda.
Eu deveria estar horrorizada, petrificada por seu tom e suas ações. Mas, em vez
disso, estou incrivelmente excitada. Fico muito molhada. Meus mamilos estão
tão eretos que parecem pequenas navalhas.
"Vamos devagar. Confie em mim, você vai realmente se divertir. Mas você
também precisará seguir minhas ordens. Você deve fazer qualquer coisa que eu
disser, qualquer coisa que eu te pedir. Imediatamente. Certo?"
Concordo com a cabeça. Minha boca novamente parece um deserto, mas isso é
porque toda a umidade do meu corpo escapou por outro lugar.
Mais uma vez, ele começa a correr os dedos em volta dos meus seios, só que
desta vez ele toca meus mamilos. É suave no início e depois seu toque vai
ficando mais áspero. Ele pressiona seus lábios e chupa um pouco, deixando meu
corpo em arrepios incontroláveis.
“Você precisa se controlar, Ellie. E sob nenhuma circunstância você pode gozar
sem minha permissão.”
O quê? Eu não preciso da permissão dele para ter um orgasmo. Preciso? Não,
claro que não. Apesar disso, esperar ele dizer que posso é incrivelmente sexy.
Enquanto seus lábios retornam aos meus mamilos, me acariciando com
chupadas, lambidas e, então, contorcendo a língua, sua mão desce pelo meu
corpo. Ele faz uma breve pausa perto do umbigo, mas rapidamente continua seu
caminho abaixo. O toque suave de suas mãos na parte interna das minhas coxas
faz com que elas se abram completamente.
"Oh não, ainda não, minha querida", ele pressiona minhas pernas de volta para
que se fechem. Estou molhada, mas a umidade que corre entre minhas pernas
não tem para onde ir agora. Eu mal consigo buscar ar para respirar. Eu gemo de
leve.

"V OCÊ FICOU DECEPCIONADA , MINHA QUERIDA ?" Ele pergunta, com meu mamilo
direito entre os dentes. Ele está brincando comigo. Me provocando. E eu gosto
disso.
Eu aceno com a cabeça e digo que sim através do tecido em minha boca.
"Bem, você vai ter que se acostumar com isso."
O pensamento de insatisfação faz com que um arrepio percorra minhas pernas e
paire em algum lugar na minha pelve. Depois de alguns minutos acariciando
meus seios, ele finalmente diz: "Ok, pode abrir as pernas agora".
Minhas pernas se abrem imediatamente, sem qualquer dificuldade. Eu me sinto
exposta e frágil, mas incrivelmente sexy ao mesmo tempo. Sinto como se
estivesse oferecendo meu corpo a ele. Esperando para que ele me tome para si.
Só a ideia de ele vindo, entrando em mim, faz com que arrepios percorram meu
corpo. Nunca me senti assim com alguém desconhecido antes. Alguém cujo
rosto eu nem mesmo vi. Mas agora, não estou raciocinando. Estou apenas
sentindo. Estou existindo inteiramente em outra dimensão - uma dimensão feita
só de sensações.
Ele passa as mãos em volta das minhas coxas e em torno do meu umbigo. Então
ele desce até as minhas coxas. Começa nos joelhos e sobe. Eu o ouço lambendo
seus lábios e sinto seus olhos fitando meu corpo. Admirando-o. Seus dedos
subitamente correm para cima e traçam um caminho lento entre meus seios,
descendo de novo até minha barriga. Eu fecho os olhos sob a máscara e gemo.
Suas mãos são tão suaves que seu toque parece pequenos beijos de uma
borboleta. Toda a experiência não é apenas sexual, é também muito sensual.
Eu relaxo os punhos nas algemas e afasto minha mente, como que em uma
fantasia. No fundo, eu o sinto dentro de mim, e minhas coxas começam a se
mover de acordo. Eu finjo para mim que nos conhecemos há muito tempo, mas
que esta é a primeira vez que estamos transando. De repente, seu toque fica mais
e mais intenso. Suas mãos envolvem minhas pernas e percebo o quão grandes
elas de fato são. Muito maiores do que pareciam quando apenas sentia o toque
de seus dedos.
Ele pega o laço da minha camisola e passa por cima do meu abdome. A metade
inferior do meu corpo geme, entra em puro êxtase, e eu fecho minhas pernas
como que para tentar empurrar um pouco disso tudo para longe.
"Oh, não, você não pode fazer isso", diz o Sr. Black, afastando novamente
minhas pernas uma da outra. Meu coração quase pula pela minha boca, começa a
bater extremamente rápido.
Então ele pega a ponta da bainha de penas da camisola e começa a passar pelo
meu clitóris. Meu corpo quase grita por mais. Ele corre as penas ao longo das
minhas coxas e depois em torno da minha vagina. Os lábios se abrem pedindo
mais, e ele ri. Então ele se ajoelha na frente das minhas coxas abertas e começa a
me chupar.
"Meu Deus", murmuro, soltando o som entre o tecido da gravata que prende
minha boca.
“Ei, lembre-se, você prometeu. Você não vai ter nenhum orgasmo sem que eu
permita, vai?”
"Não, senhor", eu murmuro. No entanto, nesse ponto, já estou chegando muito
perto. Geralmente, leva muito tempo para eu chegar a um orgasmo. Diria que
não sou naturalmente uma pessoa muito sexual. Mas há algo sobre o Sr. Black
que me deixa muito excitada. Não há outro jeito, nenhum outro jeito mais
delicado de descrever tudo isso.
Depois de colocar as penas para o lado, ele se posiciona bem na frente das
minhas coxas abertas. Meu Deus. Ele vai me beijar. Ou enfiar um dedo em mim.
Ele vai fazer algo para liberar todo esse prazer que ele fez se acumular dentro de
mim.
Mas, para minha surpresa, ao invés disso, ouço um som de vibração quase
silencioso. E então algo me toca. Meu clitóris. Um grito agudo de prazer-dor
atravessa meu corpo enquanto a sensação de vibração se espalha através de mim.
Eu me vejo intoxicada com esse novo tipo de sensação, brusca, mas deliciosa.
Minhas pernas se abrem mais e mais, enquanto o fato de meus punhos estarem
amarrados parece cair no esquecimento.
“Boa menina”, diz o Sr. Black. “Você gosta?”
“É maravilhoso.” Eu murmuro.
De repente, a sensação de vibração pára e o som desaparece.
“Ei, você lembra do que eu disse sobre me chamar de senhor? Se você não fizer
o que eu mando, você infelizmente não vai mais ter o prazer que eu estou
querendo dar a você”, diz ele.
"É maravilhoso, senhor", murmuro rapidamente. "Por favor, não pare, senhor.
Por favor... senhor."
Ele coloca o vibrador de volta em mim, só que desta vez, mais fundo na minha
vagina, e as vibrações ficam mais fortes. Elas também são mais rápidas desta
vez, fazendo-me quase engasgar com a minha própria respiração.
"Você é muito sexy, Ellie", diz o Sr. Black. "Eu acho que você merece algo a
mais só por ser tão sexy."
"Obrigado, senhor", murmuro, flutuando para longe em grandes doses de dor e
prazer.
E quando eu pensei que não poderia me sentir melhor, de repente, sinto sua
respiração no meu clitóris. Ele inala profundamente. E, então, exala. E pressiona
sua língua macia, quase líquida, em cima dele. Sinto minhas costas arquearem na
cama e meu corpo vai ainda mais em sua direção, como que para encher sua
boca ainda mais. Ele geme, aprovando, empurrando o vibrador mais fundo
dentro de mim.
“É isso, Ellie. Mostre-me do que você é capaz, linda.” ele sussurra e começa a
massagear meu clitóris com a língua, dessa vez, muito mais agressivo.
“Meu deus. Eu acho que estou chegando, senhor.” Digo, sentindo aquele calor
subindo pelas minhas pernas. Os dedos dos meus pés já estão anestesiados.
“Me diga quando você for ter um orgasmo.” ele ordena. Eu concordo.
“Agora, agora, senhor.” Eu começo a gemer e sinto que estou chegando ao
clímax do momento.
E, subitamente, tudo pára. Ele afasta sua boca de mim e desliga o vibrador.
“Não tão cedo, Ellie.” Ele diz, com uma voz meio tímida.
Espera, o quê? Não estou entendendo. Minhas pernas caem na cama de
frustração.
“Você não pode chegar lá tão cedo, querida” diz ele, correndo as mãos sobre
meu seio. “A noite é uma criança. A gente está só começando.”
Minha mente fica muito confusa. Não entendo nada do que ele está dizendo.
Leva alguns minutos para que eu volte ao normal. Minha frequência cardíaca
também vai retornando ao normal. Minha temperatura cai e começo a sentir frio
de novo. Nunca na vida senti tanto desgosto.
13

ELLIE
QUANDO A MÁSCARA CAI…

D epois que o Sr. Black pára com tudo sem me deixar gozar, sinto raiva.
Muita raiva. Quem diabos ele pensa que é? Por que diabos ele está
brincando assim comigo? Ele pode até ter pagado para passar a noite comigo,
mas isso não significa nada. Eu sou uma mulher livre e ele não tem o direito de
fazer isso comigo.
"Que porra você está fazendo?" Eu pergunto. Eu devo tê-lo pegado
desprevenido, porque ele não responde por alguns momentos. Eu queria que
meus braços não estivessem mais algemados, então eu poderia tirar essa maldita
máscara.
"O quê?", ele pergunta. O tom de sua voz muda.
"Por que você não me deixou gozar?" Eu pergunto.
"Porque... isso é apenas o começo."
"Ou talvez seja o fim", eu digo. Estou de mau humor. Aborrecida. Eu acho que
isso é o que os homens chamam de broxar, porque é o que estou sentindo agora e
é muito ruim. Minhas bochechas estão queimando de raiva.
Ele se inclina sobre mim. Eu viro o rosto para longe dele. Fique longe de mim,
seu idiota, tenho vontade de dizer. Mas, quando ele tira a gravata da minha boca
e tira a minha venda, fico feliz que fiquei de boca fechada.
As luzes da sala diminuíram, fazendo o lugar parecer iluminado pela luz das
velas e a penumbra ao fundo. Quando meus olhos se focam no Sr. Black, fico um
pouco surpresa.
Não sei o quê exatamente eu estava esperando, mas por alguma razão, achava
que ele estaria usando algo com couro.
Só o fato de eu estar amarrada não é exatamente BDSM, mas ele com certeza
gostava da coisa.
Pelo que eu já li na internet sobre o assunto, o código de vestimenta parece ser
muito importante para a comunidade de praticantes.
Mas o Sr. Black está vestido em um terno impecavelmente feito sob medida.
Não ficaria surpresa se tivesse custado alguns milhares de dólares e tivesse sido
encomendado de algum estilista famoso. É cinza escuro e as calças são ajustadas
confortavelmente, acentuando suas pernas esguias e musculosas. Ele é alto e tem
ombros largos, e eu imediatamente tento imaginá-lo nu. Com o que será que ele
se parece sem todas aquelas roupas? Meus olhos lentamente se aproximam do
rosto dele.
"Você vai me desamarrar?" Eu pergunto.
Ele sorri do canto da boca.
"Você é meio briguenta, não é?"
“Olha, eu posso ter assinado um contrato sobre fazer qualquer coisa com você na
cama, mas você claramente não queria terminar o que começou. Então acho que
essa parte acabou... por enquanto.”
Quem está dizendo isso? São mesmo minhas palavras, saindo da minha boca?
Há algo sobre ser amarrada que está me deixando incrivelmente confiante. E
arrogante, também. Normalmente, sou a garota que está encolhida no canto, mas
agora, ironicamente, sinto que sou a mulher mais poderosa do mundo.
"E então, você vai me desamarrar?" Eu pergunto novamente. Desta vez, eu uso
uma voz ainda mais forte, coerciva.
Enquanto o Sr. Black desliza para a cama - ele não caminha como os outros
homens, não, ele desliza - eu encaro seus profundos olhos azul-esverdeados. Eles
são um complemento perfeito para sua pele bronzeada, que parece que foi
beijada e acariciada pelo sol. Calafrios sobem pela minha espinha. Sr. Black
parece perigoso, e eu gosto disso. Ele vai até a cabeceira e desata minhas mãos,
ocasionalmente olhando para mim. Quando nossos olhos se encontram, é preciso
toda a minha força para não desviar o olhar. Mas estou cansada de ficar
encolhida. E ele, de ter vantagem em todo esse jogo.
Quando minhas mãos finalmente estão livres, esfrego meus pulsos e pergunto
onde fica o banheiro. Ele me aponta para a porta do outro lado da suíte. O
banheiro é todo amadeirado e tem um teto muito alto, assim como o resto da
suíte. Eu já estive em barcos a vela, mas apenas nos pequenos, com no máximo
trinta pés, com painéis de madeira velhos e cômodos bem apertados no interior.
Nunca antes estive em um barco desse tamanho. Quando paro para pensar sobre
isso, é realmente difícil acreditar que isso aqui é um barco de verdade. O iate é
tão grande que você mal consegue sentir que está em movimento. O único
indício de que se trata de fato de um barco é a vista panorâmica da imensidão
azul do mar que se tem de cada janela.
Eu me inclino sobre a penteadeira de madeira e mármore e encaro minha
imagem refletida no espelho. A camisola com os detalhes de penas até que cai
bem. As penas escondem todas as imperfeições do meu corpo e me fazem sentir
muito chique e sexy. Eu me curvo e ajeito o cabelo algumas vezes. Deitada de
costas por tanto tempo, fiz com que ele ficasse sem volume e tento brincar com
ele a fim de que ganhe um pouco de volume de volta.
Em seguida, checo a maquiagem ao redor dos olhos e nas minhas pálpebras.
Meu delineador está um pouco manchado no olho direito, dando-lhe uma
aparência de olho esfumaçado não intencional. Eu limpo um pouco e dou um
sorriso. Eu geralmente não sou tão vaidosa. Na verdade, eu pouco me importo
com maquiagem e roupas e essas coisas todas. Mas há algo sobre o Sr. Black e
este iate que me faz querer tentar.
Mas o que diabos você está fazendo, Ellie? Eu pergunto silenciosamente, me
olhando no espelho. Essa cena toda, isso não é você. Se alguém faria tudo isso,
esse alguém é Caroline, mas foi demais para ela. Então por que é que você está
aqui? Ah, claro, a resposta usual. Eu devo mais de cento e cinquenta mil dólares
em empréstimos estudantis. E enquanto eles não se pagam, Mitch e minha mãe
estão mais do que felizes em cobrir as minhas despesas. Meu Deus, eles nem
sequer queriam que eu fizesse os empréstimos. Queriam ter pagado por tudo.
Então, por que eu fui fazer? Orgulho. É esse orgulho teimoso da classe média
que eu devo ter herdado do meu pai, que também se recusa a receber dinheiro da
minha mãe. Mas pelo menos meu pai tem uma desculpa, ela é sua ex-mulher.
Ainda assim, há algo importante sobre pagar pelas suas próprias coisas. Eu sei
que não estou pagando meu próprio aluguel, mas estou pagando por todo o resto.
Eu sempre pensei que isso realmente significaria algo se ao menos eu fosse
capaz de pagar meus empréstimos por conta própria. Talvez isso significasse que
eu sou autossuficiente. Que eu sou um sucesso. Que eu consegui ser boa o
suficiente no meu trabalho, que tive sucesso como escritora.
E quando esta oportunidade surgiu... Eu não sei, apenas pareceu certo. Mas mais
que isso, foi emocionante. E além de ser teimosa, eu também não sou o tipo de
garota que faz muitas coisas emocionantes, eu diria. Por exemplo, eu nunca
fumei maconha na escola porque era muito covarde. Eu mal tomei um gole de
cerveja até os dezoito anos. Eu nunca me permiti fazer nada. Eu queria fazer
uma audição para a peça da escola no meu último ano, mas me acovardei e não
fui. Eu queria fazer um intercâmbio, estudar no exterior por um semestre, mas
novamente, eu era muito covarde. Não que eu seja velha, mas por toda a minha
vida, vivi enjaulada. E isso se deve, principalmente, às minhas próprias decisões.
Então, quando este leilão surgiu, decidi que já havia sido covarde o suficiente.
Chega de sentir medo. Chega de não se arriscar. Chega de não viver a minha
vida ao máximo.
“Tudo bem com você aí dentro?” pergunta o Sr. Black do outro lado da porta. De
repente, me dou conta de que já estou aqui no banheiro há muito tempo.
“Sim, já vou sair.”
Me olho no espelho uma última vez. Não sei o que o resto da noite guarda para
mim, mas, ao menos, estou fazendo algo inesperado. Estou vivendo a vida no
limite. Estou saltando de uma montanha sem paraquedas. O que pode ser mais
emocionante do que isso?
Eu saio do banheiro de cabeça erguida. Endireito meus ombros e mostro ao sr.
Black um sorriso travesso. Ele está em pé na frente da grande mesa circular no
meio da suíte da sala de estar com uma garrafa de champanhe em uma mão e
duas taças na outra.
"Pensei que um pouco de champanhe poderia cair bem", diz ele. Ao fazer meu
caminho até a mesa, vejo uma grande tigela de morangos vermelhos brilhantes.
"Isso parece bom."
"Sim, eles são ótimos. Orgânicos. Recém colhidos da horta de um fazendeiro.”
Eu sou um amante de frutas. E se eles são realmente da horta de um fazendeiro,
e eles parecem tão bonitos, eles devem ter custado uns dez dólares a bandeja.
Champagne, por outro lado, é algo que eu realmente não conheço muito bem.
Mas dado onde estamos e quem é o Sr. Black, duvido que seja do corredor de
desconto.
Ele abre a garrafa e enche duas taças. Então ele se senta e olha para mim.
"Por que você não senta aqui?", Pergunta ele, dando dois tapinhas em sua coxa.
Há muitos lugares para se sentar ao redor, mas eu cumpro seu pedido. Toda sua
confiança, que está quase beirando uma arrogância, é quase intoxicante.
Quando me sento em sua coxa e fico confortável, a primeira coisa que sinto é a
protuberância nas suas calças. É bem grande e fico bem satisfeita com isso. Quer
dizer, o tamanho do pênis não faz muita diferença para mim. No entanto, é bom
saber que tudo sobre o Sr. Black é proporcional, começando com seu enorme
iate, sua enorme suíte e terminando com seu rosto lindo, corpo esguio de ombros
largos e o, bem, volume generoso nas suas calças. É bom saber que todo esse
dinheiro na conta bancária não é apenas uma forma de compensar um déficit em
outro lugar.
Depois que estou no colo dele, o Sr. Black molha um morango na taça de
champanhe.
"Abra bem", ele instrui. Quando o morango, coberto de bolhas frias, passa pelo
meu lábio inferior, arrepios percorrem todo o meu corpo e uma sensação quente
começa a se formar em algum lugar entre as minhas pernas. Eu mordo o
morango e me maravilho com sua doçura enquanto ele passa pela minha
garganta.
"Huuuum", eu digo, lambendo meus lábios. Antes que eu tenha a chance de
terminar o meu morango, deixo um pouco de champanhe cair na minha
clavícula. Estou prestes a limpar com a mão, quando o Sr. Black afasta meus
dedos e, ao invés disso, pressiona os lábios contra minha pele. Depois de me
beijar levemente, ele lambe minha pele e chupa com um pouco de força. Eu
lanço minha cabeça para trás e fecho os olhos, para aproveitar o momento.
"Huuuum”, eu digo novamente. "Isso é ainda melhor."
Depois de beijar intensamente minha clavícula e pescoço, ele toma um gole de
seu champanhe.
"Então, eu queria te perguntar uma coisa", eu digo.
Ele olha para mim e aguarda a pergunta.
"Qual o seu nome?"
"Eu pensei que você soubesse o meu nome."
"Bem, eu só te chamo de Sr. Black", eu digo.
"E é assim que você pode continuar me chamando", diz ele e toma outro gole.
Ele está falando sério? Eu olho para ele, mas meus olhares não parecem
incomodá-lo nem um pouco. De repente, me sinto uma idiota completa. O que
estou fazendo aqui com um homem que nem sequer me disse seu nome
verdadeiro?
“Escute, não quero parecer rude, mas não nos conhecemos assim tão bem. Eu
quero mudar isso, na verdade. Mas, por ora, por favor, só continue me chamando
de Sr. Black.” Ele diz. Sua voz é apaziguadora e tem um tom de quem se
desculpa, mas não me deixa satisfeita.
“Ah, e mais uma coisa”, ele adiciona, dando uma piscadinha com um dos olhos.
“Não esqueça de sempre me chamar se senhor.”
Aceno com a cabeça, sem saber exatamente como responder. Ele está flertando e
exigindo de mim ao mesmo tempo. Uma parte de mim se sente insultada. Como
ele ousa falar comigo dessa maneira? Quem ele pensa que é? Mas outra parte
sabe que é apenas um jogo. Eu sou sua por essa noite e se ele quer que eu o
chame de senhor por duzentos e cinquenta mil dólares, por que não? Qual é o
grande problema?
"Aqui, eu tenho uma surpresa para você", diz ele e pega um controle remoto,
mesmo que não haja uma televisão à vista. Ele aponta para as cortinas a nossa
frente. Pressionando o botão, as cortinas se abrem.
Esperando ver o enorme oceano azul escuro e um céu estrelado, eu acabo
ficando genuinamente surpresa com o show que está acontecendo diante dos
meus olhos. Chocada, para dizer a verdade. Lá, em um palco alto, atrás de um
vidro, como se estivessem em um aquário, há três pessoas em diferentes graus de
nudez. Três pessoas, duas garotas e um cara. Eles estão fazendo sexo.
“Você gosta?” pergunta o Sr. Black.
Eu olho para o palco, depois para o Sr. Black, depois de volta ao palco. Na
verdade, não sei como responder a essa pergunta. Nunca vi nada assim antes. Eu
me levanto para ver mais de perto. Há três deles. A garota loira está vestida com
um sutiã rosa e calcinha fio dental. A morena está de quatro, beijando os seios da
loira e depois descendo sobre ela. O loiro bronzeado, musculoso, com o físico de
um deus grego, beijando a bunda da morena e inserindo o dedo nela devagar.
“O que é isso?” Pergunto.
“É um showzinho particular. Para entrarmos no clima.”
Eu não achei que precisávamos de algo assim entrar no clima. Embora, eu odeio
admitir isso, mas de repente percebo o quanto eu estava excitada.
"Eu nunca vi nada assim", eu digo.
“Sim, acho que a maioria das pessoas nunca viram. Não é exatamente como
assistir pornografia, não é mesmo?” Pergunta o Sr. Black.
Eu sacudo minha cabeça negativamente. Não, não é. É muito mais real. Há um
grau de autenticidade extremo no grupo. Quero dizer, eles estão realmente aqui.
Bem diante de nós. Fazendo coisas uns com os outros. Eu olho mais de perto
seus rostos para tentar identificar se algum deles me parece familiar.
"Você não os conheceu no coquetel", diz o Sr. Black. "Eles são atores, e não
convidados."
"Atores?" Eu pergunto.
"Sim". Ele dá de ombros despreocupadamente. “Isso é o que eles fazem da vida.
Eles são contratados por entidades privadas muito exclusivas como atores. Eles
só fazem sexo uns com os outros as cenas todas são muito bem coreografadas e
ensaiadas para que sejam sempre excitantes de se assistir.”
Atores do sexo? Além de strippers e prostitutas acompanhantes, nunca ouvi falar
desse tipo específico de profissional sexual. Uau, que mundo.
O Sr. Black encosta duas grandes poltronas macias, que parecem muito mais
confortáveis do que as que estão em volta da mesa da sala de jantar. Ele as
posiciona bem na frente da janela.
"Venha aqui", o Sr. Black bate no assento ao lado dele. "Não fique analisando
demais tudo isso. Vamos apenas aproveitar.”
Sento-me na minha cadeira e olho para o palco. A morena está de quatro com a
língua na buceta da loira. O cara está transando com ela por trás. Alguns minutos
depois, ele sai dali e vai até a loira. Ela o lambe e percorre seu corpo enquanto a
morena usa um grande vibrador nela, fazendo-a gritar de prazer.
“Você está excitada?” Pergunta o Sr. Black.
Eu aceno com a cabeça – mas isso é o eufemismo do século. Eu nunca estive tão
excitada na minha vida. Eu cruzo e descruzo minhas pernas para tentar fazer
com que o calor entre elas suma, mas isso não acontece. Ele já havia me
provocado o suficiente, me levado ao limite e agora qualquer pensamento me
leva de volta à excitação total, que dirá uma performance ao vivo, bem em frente
aos meus olhos.
De repente, eu não posso mais manter minhas mãos paradas. Começo a
massagear meus seios levemente e minhas mãos correm pelo meu corpo sem
pedir consentimento ou permissão. Quando eu toco meu clitóris e alcanço dentro
de mim, eu sei imediatamente que ele não vai demorar muito.
“Ei, ei, ei!” Sr. Black vira para mim, segurando minhas mãos. Ele lambe
cuidadosamente meus dedos, um por um, e olha profundamente em meus olhos.
“O que você acha que está fazendo?”
“Isso é muito excitante, senhor.”
“Sim, eu sei.” ele diz com um sorrisinho. “Mas você não pode ter um orgasmo
agora. Não sem a minha permissão.”
Eu olho para ele, não processando direito as palavras que saem de sua boca.
“Você quer transar, então?” Pergunto. “Senhor?”
“Ah, querida, essa noite não será assim tão simples.”
“Não estou entendendo, senhor, desculpe.”
“Você é minha pela noite toda, Ellie. E isso significa que eu digo quando você
pode gozar. Neste momento, estamos apenas nas preliminares”.
Eu sacudo minha cabeça.
"Decepcionada?" Ele pergunta, piscando para mim e sorrindo com seus dentes
brancos.
"Eu já tive as preliminares, senhor."
“Sim, eu reparei. E senti o gosto, também.”
Volto meu olhar para o palco e tento me concentrar em outra coisa. Mas é muito
difícil. Tudo que vejo diante de mim me traz de volta à realidade, ao que
aparentemente não posso fazer. A morena está deitada de costas com a loira em
cima dela, de quatro. Eles estão comendo uns aos outros enquanto o cara vai e
volta entre ganhar um boquete e comer uma e depois a outra. Meu anseio se
confunde com raiva e frustração e, francamente, não sei como lidar com isso.
Eu olho para o Sr. Black. Seus olhos estão paralisados no palco também. Eu
decido que esta é minha chance. Talvez eu possa fazer isso e ficar bem quietinha.
Eu pego minha mão esquerda, a que está mais longe dele, e deslizo lentamente
sob a minha bunda. Para minha surpresa, eu nem preciso ir muito longe. De
repente, uma sensação calorosa esmagadora invade todo o meu corpo e eu gemo
de prazer.
Quando volto à realidade, abro os olhos e vejo os olhos do Sr. Black olhando
para mim.
“Me desculpe, senhor”, eu digo baixinho. “Não pude evitar.”
O Sr. Black balança a cabeça em reprovação. Eu não o conheço bem o suficiente
para saber se, por dentro, ele está gostando disso ou não.
“Bem, então, Ellie”, ele diz devagar. “Você foi uma menina má. E você sabe o
que acontece com meninas más?”
“Não, senhor.”
“Elas são punidas.”
14

ELLIE QUANDO EU FICO DE CASTIGO…

E u não sabia exatamente o que significaria ser punida, mas confesso que ver
seu olhar de desaprovação me deixou ainda mais excitada. Algo no jeito
como ele disse que iria me punir fez com que calafrios percorressem meu corpo.
O Sr. Black então se levantou de sua cadeira e caminhou até a cama.
“Venha até aqui”, ele instruiu. O tom de sua voz deu arrepios em meu corpo. De
repente, fiquei ainda mais animada do que antes. O que diabos ele ia fazer
comigo? Eu mal podia esperar para descobrir.
"Tire essa sua camisola."
Eu hesito por um momento. Por todo esse tempo, minha camisola decorada com
penas foi minha protetora. Meu escudo. E agora, eu iria tirá-la e ficar aqui, nua,
diante dele e em toda a minha glória.
"Tire logo", diz ele. "Ou eu vou tirar para você."
Eu considero a opção. Talvez eu deva apenas forçá-lo a fazer isso. Mas no final,
eu amarelo. Eu abro o robe e o deixo cair no chão.
"Suba na cama e fique de quatro", diz ele. "De frente para a cabeceira."
Depois que eu estou posicionada, ele vem com mais cintos e algemas. Observo
enquanto ele prende algemas de couro ao redor dos meus tornozelos, antes de
amarrar os cintos pretos presos a elas nos pés da cama. Deito-me de barriga para
baixo enquanto ele faz isso, mas ele levanta minha bunda para o ar, certificando-
se de que minha bunda e minha boceta fiquem totalmente expostas. Então ele
coloca as algemas de couro ao também redor dos meus punhos e as amarra na
cabeceira da cama. Os cintos estão bem apertados, mas não tão firmemente, ao
ponto em que ainda consigo ficar de barriga para baixo sem ser completamente
esticada.
O Sr. Black caminha lentamente ao redor da cama.
"Você foi uma menina má, Ellie", ele diz. Eu concordo.
"Você foi uma menina má?"
“Sim, senhor.” Eu sussurro. Calafrios percorrem meu corpo e uma sensação de
calor repousa entre minhas coxas. O Sr. Black passa os dedos pelas minhas
costas e dá um tapa na minha bunda. Então ele caminha para o lado e segura
meus seios, passando a palma da mão por baixo deles, segurando-os. Meus
mamilos petrificados caem suavemente em suas mãos. Ele os massageia
suavemente e depois um pouco mais forte. Ele então aperta meus mamilos entre
os dedos, levando-me ao limite entre dor e prazer.
Então ele segue para as minhas coxas. Eu nunca estive nessa posição na frente
de um homem antes. Não é nem o fato de estar amarrada, mas estou tão exposta,
como se estivesse em exibição. Eu tento deixar tudo isso de lado e curtir o
momento.
O Sr. Black passa o dedo pelas minhas nádegas e pela parte interna das minhas
coxas, brincando com elas. Ele desenha grandes círculos com os dedos em
minha pele. Rapidamente, eles se tornam menores e menores. Ele está agora
focando na minha vagina e clitóris, mas não os toca. Está flertando comigo, me
provocando. Não tenho certeza de quanto mais disso posso suportar. E então, de
repente, ele coloca o dedo no meu ânus. Eu o sinto indo mais e mais fundo e a
sensação é irresistível. Ele chupa um pouco os lábios, expostos e excitados, mas
não os toca, fazendo-me querer gritar.
"Meu Deus", eu gemo mais e mais.
De repente, ele dá uma pequena lambida. Sua língua áspera corre sobre o meu
clitóris, brevemente passando para dentro de mim, enquanto seu dedo continua a
se mover no meu ânus. A sensação é tão irresistível que sinto que vou desmaiar.
Sinto meu corpo derretendo em seus lábios.
"Olhe para o palco", diz ele. Abro os olhos e viro a cabeça em direção ao palco.
A cena se parece muito com a nossa, exceto que ninguém está amarrado. A
morena também está de quatro, com o dedo do cara em seu ânus e os lábios dele
em sua vagina.
Ver o que estava sendo feito comigo ser feito em outra pessoa me enlouquece
completamente. Eu me sinto chegando ao clímax. De repente, minhas pernas
estão bambas e meu corpo começa a tremer. Não tenho controle sobre nada,
incluindo o quão alto eu grito. Quando eu chego ao clímax, o Sr. Black segue os
ritmos do meu corpo, como se fosse uma dança coordenada. Ele acelera
enquanto eu acelero, e sigo por uma longa onda de prazer até cair deitada na
cama.
"Isso foi muito bom", eu digo depois de voltar um pouco à realidade. "Eu não
sinto minhas pernas."
"Que bom", diz o Sr. Black com um sorriso e começa a me desamarrar da cama.

M R . B LACK ABRE o cardápio do serviço de quarto e me pergunta o que eu quero.


Estamos sentados à mesa da sala de jantar e a cortina da vitrine sexual está
fechada. Com o orgasmo alucinante de mais cedo, ainda estou um pouco
confusa. Eu não consigo decidir, então ele pede uma salada caesar e um salmão
grelhado para nós dois.
“Então, me conte um pouco sobre você, Ellie.” ele me diz enquanto esperamos.
Falo para ele sobre Yale e meu trabalho no BuzzPost.
“Você gosta de trabalhar lá?”
“Bem, é legal. Mas eu gostaria de escrever mais. No momento, eu estou mais
criando testes e conteúdos de comédia, mas eu realmente quero ser uma escritora
algum dia.”
“O que você escreve?”
“No momento, principalmente contos. Algumas histórias sobre minha vida,
também.”
“Você vai escrever sobre isso que aconteceu aqui?”
Ele me pega de surpresa. “O que você quer dizer com isso?”
“Bem, isso aqui é uma aventura, não é? Vir para uma festa em um iate de luxo e
ser leiloada para um cara que você nunca viu antes.”
“Se eu escrevesse sobre isso, a história iria envolver bastante sexo.”
“Sim, mas sexo vende.” diz o Sr. Black.
“Você se importaria se eu escrevesse sobre você?”
“Não, claro que não. As pessoas já escrevem e publicam um monte de besteiras e
mentiras sobre mim mesmo. Seria legal se alguém escrevesse alguma coisa que
fosse verdade uma vez na vida.”
Eu o encaro. Não sei o que ele quer dizer, de verdade.
“Você não sabe quem eu sou, sabe?” ele pergunta, lançando-me um sorriso
atravessado e bem travesso.
Dou de ombros. Realmente não sei.
“Sou o criador e CEO da Owl. Somos o maior concorrente da Amazon no
mercado.”
“Ah, eu não sabia.” Respondo.
“Tudo bem. Isso é bom, na verdade. Não é todo dia que eu conheço alguém que
já não vem com conceitos prévios sobre mim e minha reputação.”
Eu aceno como se eu entendesse o que ele quer dizer. Mas realmente não
entendo. Queria ter meu celular agora, para poder procurar ele no Google. Quem
é ele realmente? Que reputação é essa da qual ele está falando?
Uma batida na porta interrompe meu fluxo de pensamentos. Nossa comida
chegou. Eu a devoro assim que o garçom sai. Depois de uma noite com tanta
emoção e prazer, estou mora de fome.
“Então, como você começou a trabalhar nessa área?” Eu pergunto.
“Ah, eu sempre amei computadores. As garotas não gostavam muito de mim,
então eu passava todo o meu tempo no porão montando computadores e
programando. Eu também fui para Yale, mas larguei quando comecei a Owl. No
meu primeiro ano.”
Sr. Black esteve em Yale exatamente dez anos antes de mim. Eu o examino de
cima a baixo enquanto ele cuidadosamente corta seu salmão.
“Você não parece muito um cara de quem as garotas não iriam gostar.”
“Bem, você ficaria surpresa. Eu nem sempre fui assim. Eu não malhei durante
todo o ensino médio e eu era um garoto alto e magricelo que entendia muito de
video games, mas de quase mais nada.”
“Então se eu procurasse você no Google, o que é que eu iria encontrar?”
Pergunto.
“Talvez que eu estive ligado a várias modelos e atrizes nos últimos sete anos. Ou
que eu gosto de dar festas regadas à champanhe caro e que custam uma fortuna.
Talvez eu só esteja tentando compensar o fato de que eu não saí com nenhuma
garota durante o ensino médio e não fui à formatura porque não tinha um par.”
Eu realmente gosto da forma como ele é, autêntico. Ele é tão aberto sobre si
mesmo e seu passado. Ele também não é um estranho à psicanálise e é bem
consciente de si. Pelo que aprendi, isso é uma coisa rara em homens. Mesmo que
alguns deles sejam conscientes e confiantes de si mesmos assim, poucos
colocariam tudo para fora assim. Especialmente com um estranho.
“Posso te perguntar uma coisa?” Ele pergunta, ao que aceno afirmativamente
com a cabeça.
“Você já havia sido amarrada e algemada?”
“Não, nunca”, digo, balançando a cabeça.
“Mas você pareceu gostar bastante.”
Começo a pensar sobre isso enquanto mastigo minha salada. “Na verdade, gostei
mesmo. Alguma coisa sobre ficar amarrada e imóvel incrivelmente me deu uma
sensação de liberdade. Como se eu finalmente tivesse me libertado, sei lá.”
“Que bom.” O Sr. Black sorri. “Nem todo mundo gosta, mas quem realmente
gosta, geralmente tem ótimos orgasmos brincando assim.”
“Ah, você está falando de mim?” Pergunto, brincando.
“Sim, eu tive mesmo essa impressão de você.”
Bebendo um gole de vinho, começo a pensar no que ele acabou de me dizer. Eu
nunca tentei nada parecido antes. Foi definitivamente uma experiência nova.
Mas também foi uma experiência muito gostosa e erótica. Sensual.
Surpreendente. Era difícil pensar em todos os adjetivos que descreveriam sem
reviver as cenas. Havia algo sobre ser amarrada que realmente me excitou. Eu
tive que me entregar a esse homem e depositar muita confiança nele. Mas não
foi apenas a confiança. Surpreendentemente, a coisa mais libertadora de estar
presa foi o fato de que você pode, de repente, se sentir completamente livre para
ser você mesma. Você não vai fazer pose. Não vai fingir. Como mulher, você é,
muitas vezes, o entretenimento quando se trata do sexo. Você é quem está por
cima ou fazendo todo trabalho, tentando excitar o cara. Mas esta noite, eu é que
tinha que ficar perfeitamente imóvel. Eu não pude me mexer. E isso me forçou a
relaxar e realmente mergulhar em prazer, ao contrário de tudo que já tive antes.
Não há outra palavra para descrever isso: foi libertador.
“Então, o que você pretende fazer com todo esse dinheiro?” pergunta o Sr.
Black, abrindo outra garrafa de vinho. Já bebemos quase duas garrafas cada um
e quase me sinto flutuando.
“Realmente, não sei.” Dou de ombros. “Ainda não pensei muito nisso.”
“É muito dinheiro.”
“Sim, eu sei. Você quer ter certeza de que eu vou gastar conscientemente?”
“Conscientemente? Tá de brincadeira?” ele ri, jogando o cabelo para trás.
Consigo ver um pouco de seus músculos através do paletó, e começo a me
perguntar se irei vê-lo completamente nu essa noite.
“O que você quer dizer?”
“Bem, você pode ficar surpresa de descobrir isso sobre mim, Ellie, mas eu
realmente não me importo com dinheiro.”
“Deve ser porque você tem muito.” Respondo.
“Sim, é normal que você pense assim. Mas eu nunca me importei. Eu cresci
numa casinha de dois quartos com um banheiro, com meus pais e meu irmão
menor. Meus pais não eram exatamente pobres, mas eles também
definitivamente não eram ricos. E mesmo nessa época, dinheiro nunca me
interessou.”
“E então, como foi que você ficou tão rico?”
“Eu corri atrás dos meus interesses. Eu passava todo meu tempo com
computadores e comecei meu próprio negócio na faculdade. Não comecei para
ficar rico, mas porque eu estava muito interessado e apaixonado pelo que fazia, e
eu continuaria fazendo independente de aumentar a receita em cem mil dólares
ou um milhão.”
Mas ele não me ilude assim tão facilmente. Eu conheci muitos amigos do Mitch
e colegas dele que diziam as mesmas coisas enquanto pagavam as hipotecas de
seus apartamentos de três quartos na Park Avenue e de suas casas de praia de
sete quartos nos Hamptons. Pela minha experiência, ricos adoram fingir que não
dão a mínima para dinheiro, quando na verdade é só nisso que eles pensam.
“Certo, e isso aqui, então? Por que você tem um iate milionário se você não se
importa com dinheiro?”
“Bem, eu nunca disse que não gosto das vantagens que o dinheiro me traz. É
inútil ter muito dinheiro se ele só irá ficar guardado em uma conta bancária.
Afinal, a vida é curta e você nunca sabe quanto tempo você tem sobrando nesse
mundo, não é mesmo? Então, por que não aproveitar?”
Eu sorrio. “Então, deixa eu ver se entendi direito. Você não quer que eu gaste
conscientemente o dinheiro que ganhei do leilão?”
“Não, não quero; quero que você seja bem inconsequente, na verdade. Quero
que você vá lá e compre algo super extravagante, algo que você sempre quis,
mas nunca pôde pagar. Quero que você use o dinheiro pela sua real função, que é
a de ser algo que te dá prazer.”
Balanço a cabeça.
“O quê?” Ele pergunta, colocando uma mecha de cabelo que caíra em meu rosto
atrás da minha orelha. Calafrios percorrem minha espinha quando ele me toca e
estremeço.
“Não acho que posso fazer isso”, eu digo. “Eu decidi participar do leilão
justamente porque queria quitar minhas dívidas estudantis. Não queria ter que
pedir dinheiro para meu padrasto para quitar meus empréstimos, mas sim, pagá-
los por conta própria.”
“Quanto você deve?”
“Cento e cinquenta mil dólares”, digo. “Mas eu ganho menos de trinta mil e
moro na Baixa Manhattan. Então, sem o leilão, eu ainda ficaria pagando meus
empréstimos por muito, muito tempo.”
Ele começa a pensar sobre isso por um momento.
“Certo, mas o que você vai fazer com o restante do dinheiro?” Ele pergunta,
depois de um momento. “Você ainda fica com cem mil sobrando depois de
assinar um cheque para Yale.”
“Eu não devo para Yale, mas para Sallie Mae”, eu sorrio para ele. “Mas entendo
o que você quer dizer. Bem, eu realmente não sei o que farei com o restante.
Provavelmente juntar às minhas economias para momentos difíceis. Viver em
Nova Iorque implica em vários momentos de dificuldade, você sabe.”
“Você não quer nem viajar para algum lugar legal ou exótico? Não tem que ser
uma viagem cara. Você podia, sei lá, fazer um mochilão em Belize. Podia ir
morar uns meses em Barcelona ou Roma.”
“E ficar fazendo o que lá?” Pergunto.
“Você poderia aproveitar esse tempo para escrever.” Ele joga, sem pausas. Nesse
momento, percebo que nunca ninguém me viu como o Sr. Black me enxerga. Ele
consegue enxergar através de toda essa besteira que é meu exterior e parece
escavar profundamente para o cerne de quem eu realmente sou.
“Mas eu tenho um emprego aqui.” Eu resmungo em resposta.
“Mas aí você não precisaria dele, não é mesmo?”
Eu dou de ombros. Tive tanta sorte de conseguir esse emprego depois da
formatura, que me custa imaginar desistir, assim, só por dinheiro. Quero dizer,
eu quero escrever, quero muito, é claro. Eu quero escrever o que eu tenho
vontade, e esse dinheiro definitivamente me daria a liberdade para fazer
exatamente isso. Mas posso simplesmente sair e largar o melhor emprego que
poderia ter conseguido até aqui? Quero dizer, o que eu faria quando o dinheiro
acabasse?
“Me diga o que você está pensando.” disse o Sr. Black, colocando a mão em meu
queixo e levantando meu rosto.
Repito tudo o que acabou de passar pela minha cabeça. Eu conto a ele sobre toda
a insegurança que sinto só de pensar nisso, sem parar por um momento, sequer
para respirar.
"Bem, quando o dinheiro acabar, você já terá algo escrito, certo?" Pergunta ele.
Eu dou de ombros. "Eu não sei. Não é assim tão fácil. Quer dizer, eu ainda tenho
muitas dúvidas. Sobre mim. Sobre minha dedicação e sobre minha capacidade
de escrever.”
"Deixe-me te contar uma coisa, Ellie", diz ele. “Deixe-me te contar uma coisa
que aprendi quando cheguei onde cheguei. Há muitos empreendedores por aí
com suas startups. Somos aos milhares, e a grande maioria não tem jeito para a
coisa. É um negócio cruel, não muito diferente de escrever. Quando comecei,
também tive minhas dúvidas. Mas eu também sabia que não havia mais nada que
eu quisesse fazer. Francamente, não havia mais nada que eu pudesse fazer.
Então, eu tive que acreditar em mim mesmo, era minha única saída. Eu tinha que
tentar. E não apenas uma tentativa. Eu tive que continuar tentando até que eu
pudesse dizer a todas as pessoas que me disseram que eu precisava de um plano
B que elas estavam erradas, redondamente erradas. Se você tiver um plano B,
acabará seguindo seu plano B e não se comprometendo totalmente com o que de
fato precisa fazer para seu sonho dar certo. Para ter sucesso em qualquer coisa,
você tem que dar 100% de si naquilo. E para ter sucesso em uma carreira
criativa, você tem que fazer isso até…”
“Até o quê?” Pergunto.
“Você tem que fazer isso até eliminar seus concorrentes, todos os demais. Você
segue fazendo mais e por mais tempo do que qualquer outra pessoa. Você segue
fazendo apesar dos fracassos. Você segue fazendo apesar dos contratempos.
Falhas e contratempos são o que fazem os outros desistirem e isso é bom para
você. Porque você vai continuar fazendo, até que dê certo. Essa é a única
mentalidade que você pode ter.”
"Mas e se eu não for boa o suficiente?" Pergunto.
“Não importa. Se você curte escrever, você vai achar seu nicho. Pode ser
jornalismo, pode ser ficção, contos, romances ou suspenses. Bem, e o outro
ingrediente fundamental, além da determinação, é a confiança. Ninguém vai
acreditar em você a menos que antes você acredite em si mesma. Então, se você
começar seus dias com afirmações, dizendo a você mesma que você tem
potencial para se tornar uma escritora… ou, melhor ainda, que você já é uma
escritora, então você já tem meio caminho andado. O sucesso começa quando
você mentalizar que é capaz, e todo o resto segue daí com muito trabalho duro.”
Eu aceno com a cabeça e tento processar tudo isso. Eu sei, do fundo do meu
coração, que o que ele está dizendo é fato, mas minha mente está tendo
dificuldade em processar tudo isso. Em aceitar tudo isso.
De repente, como se ele pudesse ler meus pensamentos, o Sr. Black se inclina e
me cutuca no peito com o dedo indicador.
"Você tem que acreditar em si mesma aqui dentro", diz ele. "E o resto
funcionará."
15

ELLIE QUANDO O SR. BLACK FICA MENOS MISTERIOSO…

O que eu sinto pelo Sr. Black começa a mudar. O que antes foi apenas sexual,
de repente muda e se torna algo mais profundo e mais forte. O que é isso que
estou sentindo? Sem que eu consinta, meus pensamentos voltam para Tom. Eu
realmente não sei porque ele aparece na minha cabeça, exceto que eu estou
apaixonada por ele há muito tempo. Era sempre a certa distância e, como
resultado, sempre houve uma distância entre nós. Mas, pensando em Tom agora,
na presença do Sr. Black, quase sinto vontade de rir. Toda a excitação que eu
sentia ao pensar nele não é nada em comparação com o que estou sentindo
agora. Eu me sinto muito, muito atraída pelo Sr. Black. Como se eu tivesse que
tê-lo para mim e fosse gritar se não tivesse. Mas eu não falo apenas sobre tê-lo
sexualmente. Eu também o desejo emocionalmente. Merda. Isso não vai acabar
bem.
Eu o observo caminhando até o bar e se servindo de uma dose de uísque. Ele
pergunta se eu também quero uma, mas eu recuso.
Isso é muito, muito errado, Ellie. Você não pode se deixar levar por ele. Ele é um
homem que administra uma grande empresa multinacional e é dono de um iate e
sabe-se lá o que mais. Seja gentil consigo mesma e proteja seu coraçãozinho. Ele
provavelmente só quer você por uma noite e é isso.
"Por que você deu lances em mim?" Eu pergunto. Eu não sei o que me fez fazer
essa pergunta neste momento, exceto que talvez isso me dê uma ideia de como
ele realmente se sente sobre mim.
“Eu te vi quando você embarcou no iate pela primeira vez. E no coquetel. Você
não era como as outras garotas de lá. Eu me encantei por você imediatamente.”
Ele diz sem hesitar.
"É por isso que você me mandou usar esse vestido?”
“Sim”, ele acena com a cabeça. “Eu fico hipnotizado com a ideia de ordenar às
mulheres que vistam o que eu quero.”
Eu suspiro bem fundo. Lá vem, de novo. Mulheres. Ele não queria apenas me
vestir. Ele gosta de escolher as roupas para mulheres. Não, eu não consigo me
envolver mais com ele, emocionalmente falando, do que eu já o fiz. E seria
melhor, inclusive, me envolver um pouco menos. Este não é o tipo de homem
que pode me dar o que eu quero.
"O que há de errado, Ellie?" Pergunta ele.
Dou de ombros.
"Nada. Eu não sei”, eu digo. E então, antes que eu tenha a chance de fechar
minha boca, deixo escapar: “Eu me sinto diferente estando aqui com você.
Diferente de tudo que já senti.”
Cale a boca, Ellie. Mas que merda você está fazendo? O que vai vir em seguida?
Você vai falar para ele que acha que está apaixonada por ele? Você acabou de
conhecê-lo!
“Difetente como?” Ele pergunta.
“Um diferente bom. Mas, ao mesmo tempo, assustador, eu acho. Quero dizer, eu
não sei quase nada sobre você.”
“O que você gostaria de saber?” Pergunta o Sr. Black. Err, seu nome, talvez, é o
que penso em dizer - mas mordo a língua. Ele já deixou claro que não quer que
eu saiba seu nome.
“Você já foi casado?” Pergunto.
“Sim.”
Sou pega totalmente de surpresa com a sua franqueza. Eu definitivamente não
esperava por essa resposta. O Sr. Black não faz o tipo de homem casado. Ele
parece mais um eterno universitário, mas talvez não seja bem assim.
“E o que aconteceu?” Pergunto.
Ele pára por um momento, olha para a mesa e volta a olhar em meus olhos.
“Eu geralmente não falo sobre isso com ninguém.” Ele diz. Eu lanço um sorriso
para ele e espero.
“Eu me casei durante a faculdade. A gente namorou por dois anos e um dia eu
simplesmente a pedi em casamento. Foi bem espontâneo e romântico.”
“Parece mesmo. E aí, o que aconteceu?”
“Não sei direito. A gente estava caminhando pelo centro um dia, perto da
prefeitura, e simplesmente aconteceu. Mas aí as coisas começaram a dar errado.
Ela dizia se sentir culpada por não termos feito uma festa enorme para
convidarmos todos nossos amigos e familiares. Daí ela disse que precisava de
um tempo e foi para a casa dos pais em Ohio. Não muito tempo depois disso, ela
me liga e diz que quer o divórcio porque está grávida do namorado do ensino
médio.”
Consigo ver a dor expressa em sua face enquanto ele me conta a história toda.
Ele não consegue encontrar o meu olhar e, quando ele finalmente olha para cima
e para mim, ele limpa uma pequena lágrima que escorre da sua bochecha.
“Foi a experiência mais difícil que eu já tive”, ele diz. “E eu nunca tinha contado
isso para ninguém. Nem mesmo para meu terapeuta.”
Eu me curvo e envolvo seus ombros largos e fortes com meus braços. De fora,
ele parece um homem completamente forte, inabalável. Mas agora, consigo ver
um pouco da verdade. As pessoas têm tantas camadas e eu só quero começar a
descobrir todas as dele, uma a uma.
“E então, por que você me contou?” Pergunto. Ele dá de ombros e vira o rosto,
envergonhado.
“Não sei. Mas tem algo em você, Ellie. Eu sinto que posso te contar qualquer
coisa, meus mais profundos e obscuros segredos, e que vai ficar tudo bem.”
“Você pode”, eu sussurro em seu ouvido.
Eu examino seu rosto, cada ângulo, cada poro. Páro e admiro a angulação de
seus lábios e a força de sua mandíbula definida. Removo cuidadosamente as
duas mechas de cabelo que caem sobre seu olho direito.
“E você, já foi casada?” Ele pergunta.
Eu rio e balanço a cabeça.
“E já esteve perto disso?”
“Não, não mesmo. Há alguns anos, sou apaixonada por um amigo meu, mas ele
está noivo de outra pessoa agora.”
Merda. Soltei aquela palavra. Apaixonada. Pode até ser verdade, mas não sei por
que eu deixei isso escapar da minha boca e sair em voz alta. Falei logo para o Sr.
Black, dentre todas as pessoas para quem poderia ter dito. Não é algo que um
cara na posição dele queira ouvir.
“Isso pode ser difícil de lidar”, ele diz, depois de um momento. “Amor não
correspondido.”
“Bem, não sei se era ou não amor. Provavelmente só paixão, ou mesmo afeto.”
“Essa não é a parte engraçada do amor?” Ele pergunta. “Até você começar a
sentir algo mais forte, você não percebe que o que sentira antes definitivamente
não era amor.”
Eu nunca pensei dessa forma. Mas ele pode estar certo. A partir do momento que
você tem novas experiências é que você começa a perceber o que você realmente
sentia nas experiências prévias.
“Então, deixe eu te perguntar outra coisa, Ellie”, diz ele. “Qual o seu maior
medo?”
Eu não sei bem como responder a essa pergunta. Será que ele quer dizer algum
medo tipo de altura ou é mais para um medo do tipo nunca me tornar uma
escritora? Ou o medo de que eu nunca irei me apaixonar e ter a pessoa
correspondendo?
“Qualquer coisa”, diz ele. “Todos têm medos.”
“Por que a pergunta?”
“Porque eu tenho uma teoria. Eu acredito que aquilo de que mais sentimos medo
é justamente do que precisamos correr atrás na vida, pois nossos medos nos
fazem compreender quem realmente somos.”
“Então você acha que pessoas que têm medo de falar em público deveriam, sei
lá, virar apresentadores de TV?”
“Sim, provavelmente. Eles têm medo disso por alguma razão, e uma vez que eles
consigam identificar essa razão e se tornar maiores que seus medos, eles
provavelmente se tornarão pessoas melhores.”
Eu admito, é uma forma bem legal de se pensar sobre o assunto.
“Eu tenho medo de muitas coisas, na verdade”, respondo. “Mas eu não gosto
muito de falar dessas coisas.”
Ele acena com a cabeça, como dizendo que entende.
“Por que não?” ele pergunta.
“Não sei… Falar sobre elas me dá a sensação de estar pelada ou algo assim.”
Um sorriso tímido invade seu rosto.
“Tenho uma ideia”, ele continua. “Por que a gente não vai até a cama, você tira
sua camisola e começa a me contar do que você tem medo.”
Só de pensar nisso já sinto calafrios percorrendo minha espinha.
“Não, não posso fazer isso.”
“Você já fez bem mais do que isso”, ele ri.
“Eu sei, mas isso é… particular.”
“Não é particular… é só algo de que você tem medo. Por que ao menos não
tentamos?”
Eu o encaro profundamente. Há um tom de honestidade e verdade em seus olhos
que eu nunca vi antes em outro ser humano. Uma parte de mim acha que isso é
uma coisa maluca de se fazer e está resistindo completamente. Mas outras partes
apenas perguntam "e se...". E se eu fizesse isso? Seria tão horrível? De repente,
meu coração começa a bater mais rápido. O pensamento de fazer isso me deixa
ansiosa, mas de um jeito bom. Animada.
Vou até a cama e tiro minha camisola. Deixo-a cair no chão e subo na cama. Sr.
Black me segue e se deita do outro lado.
Estou deitada completamente nua em sua frente, enquanto ele ainda está em seu
terno sob medida e gravata. Ele nem mesmo tirou o paletó ou os sapatos. E,
apesar disso, algo sobre estar aqui deitada ao lado dele me tranquiliza. Não sinto
o peso do julgamento. Seus olhos são carregados apenas de adoração e amor.
Ele corre os dedos pelo meu braço, ao redor da minha clavícula e desce até meu
seio esquerdo, pausando brevemente para admirar meu mamilo.
Eu respiro fundo e solto o ar rápido.
“Do que você tem medo, Ellie?” Sussurra o Sr. Black.
Eu fecho os olhos.
“Eu tenho medo de tudo. Tenho tanto medo de cometer erros que vivo a vida
sem correr riscos. Quero me tornar uma escritora, mas tenho tanto medo de não
conseguir que passo meus dias escrevendo testes idiotas ao invés de fazer algo
que realmente me interesse.”
“E o que te interessa?” ele pergunta, e seus dedos seguem caminho até meu
umbigo.
“Bem, agora? Sexo.”
“E o que você acha de escrever sobre sexo?” Ele pergunta, me provocando.
“Nunca pensei nisso antes. Mas parece uma coisa um pouco assustadora de se
fazer. Quero dizer, e se pessoas que eu conheço pessoalmente lerem meus
livros?”
“E se escrever sobre isso satisfizesse todos os seus desejos e apagasse todo
medo? E se isso fizesse de você uma escritora? Você aproveitaria a chance?”
Eu aceno com a cabeça, abrindo meus olhos.
“Me diga como você gostaria de perder sua virgindade, Ellie”, diz o Sr. Black.
“O que você quer dizer com isso?”
“As histórias de como perdemos nossas virgindades são geralmente carregadas
de conflitos e são bem tristes, ao ponto que gostaríamos de mudá-las se
pudéssemos. Pelo menos, essa é a minha experiência. Então, quero que você me
diga como você gostaria de ter perdido a sua virgindade, caso pudesse fazê-lo de
novo. Me conte as suas fantasias, Ellie.”
Fecho os olhos e tento pensar na pergunta que ele acabara de me fazer. Nunca
pensei muito nisso, para dizer a verdade. Mas meus pensamentos pairam sobre o
que aconteceu no iate hoje. Foi uma das melhores experiências da minha vida, a
mais erótica e sensual, com certeza. Como seria se tivesse perdido minha
virgindade aqui?
“Acho que teria que ser num leilão.” Anuncio.
“Um leilão? Sério?” Ele fica bem surpreso com minha resposta.
“Bem, sim. Foi muito sexy a sensação de não saber quem iria me comprar, sabe?
O que me tranquilizou foi que a maioria dos caras no barco eram lindos.”
Respondo, rindo.
“Sério? E quanto aos caras velhos?”
“Certo, então nesse leilão da virgindade de mentirinha, só os caras gostosos iam
poder participar.”
“Ah, sim, claro. Caras gostosos com muito dinheiro”, ele diz. “Certo, continue,
quero saber mais sobre sua fantasia.”
“Bem, eu estou no palco do leilão e o leiloeiro me manda tirar as roupas. Eu
tenho que tirar todas as peças.”
“Huuum”, ele lambe os lábios.
“Os lances começam a subir. Há um frenesi de lances, porque todos os homens
me querem.”
“Entendo. E eles chegam a duzentos e cinquenta mil?”
“Sim, na verdade, passam disso. Eu sou uma virgem, lembra?” Eu digo.
“Uau, isso sim é de dar tesão. Explorar um território nunca antes explorado por
outro homem.”
“E aí um cara alto, moreno, muito bonito lá do fundo dá o lance vencedor. Eles
transferem o dinheiro para a minha conta e ele me leva para sua suíte e faz coisas
comigo.”
“Que tipo de coisas?”
“Nada que tenhamos feito, é claro. Quero dizer, eu sou virgem. Mas ele
realmente sabe me dar prazer. E eu também dou prazer a ele.”
“Gosto de como isso soa”, ele diz. De repente, ele se inclina e me beija. Seus
lábios são suaves, mas firmes, e forçam os meus para que se abram. Quando
nossas línguas se tocam, uma sensação morna percorre todo meu corpo.
Ele vem para cima de mim. Passa o braço ao redor de meu pescoço com suas
mãos enormes e envolve meu corpo com o seu, maior e poderoso. Quando ele
começa a se esfregar em mim, eu sinto aquele mesmo volume que já senti antes,
mas ainda não vi.
“Devagar”, eu sussurro. Ele me observa conforme vai se afastando da minha
boca devagar.
“Quero ver você se despir”, digo.
Eu sinto a dinâmica de poder entre nós mudar de repente. Não sou mais sua
servente, agora eu é que estou no comando, dando as ordens. Ele sorri para mim
e pisca.
“Certo”, ele diz, e pula para fora da cama.
Ele fica de pé com as pernas um pouco afastadas uma da outra e começa a tirar
suas roupas. Primeiro, ele desata a gravata e a joga sobre mim. De brincadeira,
eu coloco o colarinho na cabeça e deixo que ela caia entre meus peitos.
“Essa é uma cena deliciosa.”
“Continue”, eu ordeno.
Em seguida, o Sr. Black tira o paletó e vai desabotoando sua camisa branca.
Quando termina de desabotoar, eu tenho um leve vislumbre daqueles músculos
fortes que eu sentia através das roupas. Quando ele tira a camisa, eu admiro a
definição de cada músculo de seu peito. Sua pele é bronzeada e macia, sem um
pelo sequer. Seu abdome é definido mesmo quando só fica em pé e parado, sem
fazer esforço. Os músculos de seus ombros são tensionados, dando aos ombros
já largos uma impressão ainda mais ampla, me deixando ainda mais molhada do
que já estava.
Eu vejo como suas mãos se movem até suas calças e ele lentamente solta o cinto
e o botão da calça. Ele abre com facilidade o zíper. De repente, as calças caem
no chão, expondo seus músculos das coxas, fortes e poderosos.
“Alguém não faltou no treino de pernas”, eu brinco.
“Não mesmo”, ele balança a cabeça.
Uma vez que ele tira as calças e as meias, tudo o que resta é apertado, curto...
sua cueca. Ela é preta e veste seu corpo como uma luva, acentuando
perfeitamente a ereção enorme debaixo dela.
"Você gosta disso?" Ele pergunta.
Eu assinto e mordo os lábios. Quando ele tensiona os músculos do abdome para
tirar a cueca, um V definido se forma nas extremidades do abdome seguindo
para a pelve, apontando diretamente para seu pênis. Eu inalo profundamente,
incapaz de acreditar que estou prestes a ter tudo isso dentro de mim.
Seu corpo é tão perfeito que eu tenho que me beliscar apenas para me convencer
de que isso não é um sonho e que eu acidentalmente não morri e fui para o céu.
"Você está babando?" Ele pergunta, tirando a cueca.
Eu enxugo minha boca e percebo que sim, eu estava mesmo.
“Bem, não é todo dia que uma garota vê algo assim.”
Eu tenho que me forçar fisicamente a desviar o olhar de seu corpo e de seu rosto.
Mas assim que ele se levanta, eu sei que não sou capaz disso. Há um enorme e
lindo pênis ereto me encarando.
"Beije-me", ele sussurra.
"Eu pensei que você nunca fosse dizer isso", eu digo e agarro seu pau,
envolvendo meus lábios ao redor dele.
"Oh, uau, não foi bem isso que eu quis dizer..., mas tudo bem assim..." ele diz,
gemendo de prazer.
Eu não sou uma garota que curte muito boquetes. Na verdade, geralmente, nem
penso em fazer, a menos que o cara pergunte. Mas o Sr. Black é diferente.
Depois de tudo o que ele fez comigo hoje à noite, depois de toda a provocação e
do flerte, eu só tive que fazê-lo. Eu amo o jeito que seu pênis enche minha boca
e fico molhada só de imaginar como seria tê-lo dentro de mim. Eu quero tê-lo
como eu nunca desejei ter ninguém. Não, é mais do que querer. Eu preciso tê-lo.
Ele coloca as mãos em volta da minha cabeça e move seu corpo mais e mais
rápido dentro e fora da minha boca. Quando eu olho para ele, vejo que ele está
com a cabeça inclinada para trás e os olhos fechados de prazer. Mas então, de
repente, ele diminui a velocidade e sai de dentro de mim.
"Me beije", diz ele, levantando meu queixo para cima com as pontas dos dedos.
Eu me levanto, de forma que ficamos com os olhos quase no mesmo nível. Sua
voz soa tão desesperada, crua e carente que causa arrepios em meu corpo.
Eu pressiono meus lábios contra os dele. Seu lábio inferior é um pouco mais
carnudo que o superior, e meus lábios colidem suavemente com os dele. Nós
entramos num ritmo tão perfeito que parece uma dança muito bem ensaiada.
Primeiro, ele inclina minha cabeça para um lado, e depois, para o outro. De
alguma forma, ainda conseguimos respirar. Nossas línguas se entrelaçam e se
tornam uma só.
Eu me afasto um pouco, mas depois ele me puxa para mais perto. Ele coloca a
mão direita na minha mandíbula e, lentamente, a desliza até a minha nuca. Seus
dedos percorrem meus cabelos e os puxam levemente. A sensação é tão boa que
quase perco o controle. Seus lábios me sugam com mais força, mais e mais. É
como se eles tentassem me devorar. Tirar o máximo de mim. Eu me derreto na
suavidade do ar quente que escapa de seus lábios entre nossos beijos.
Silenciosamente, começo a gemer. Estou perdendo todo o controle, a começar
pelos sons que estão escapando da minha boca. Seu corpo se aproxima mais e
mais do meu. Eu sinto a espessura do seu pênis gigante perto do meu quadril, e
minhas pernas se abrem instantaneamente. Seu pênis começa a me cutucar entre
as minhas coxas, não realmente me penetrando, apenas me provocando. Só então
ele se afasta por um segundo e coloca um preservativo. É bom que ao menos um
de nós esteja preocupado com sexo seguro, porque estou tão perdida em seu
corpo que, no momento, sequer passou pela minha cabeça a ideia de sexo
seguro.
Alguns segundos depois, ele está novamente parado em minha frente. Forçando
seu corpo contra o meu. Me provocando com seus beijos. De repente, minhas
pernas cedem e caímos na cama. Mesmo que eu sinta que não aguento mais,
quero mais. Eu preciso de mais, mais de seu corpo, mais dele. Finalmente,
desliza para dentro de mim e grito de prazer. Ele está me dando tudo aquilo que
eu nunca soube que precisava ou queria. Eu nunca senti prazer assim. É como se
todas as moléculas do meu corpo estivessem subitamente excitadas e dançando,
coordenadas.
Ele continua a entrar e sair de mim e eu continuo a gemer a cada impulso. Eu
sinto que estou à beira do orgasmo, mas eu não quero chegar lá ainda. Preciso
que dure mais tempo. Porque eu quero ficar neste momento para sempre. De
repente, sem sair de mim, ele inclina a cabeça e coloca meu peito em sua boca.
"Você tem os seios mais perfeitos que eu já vi, Ellie", ele sussurra. "Eu quero tê-
los na minha boca para sempre."
Ele morde um pouco meu mamilo, enviando uma sensação de prazer misturado
com dor por todo o meu corpo. Qualquer espaço existente entre nós se enche de
prazer. Eu fecho os olhos e me permito sentir tudo, cada pedacinho delicioso de
seu corpo e desse momento.
"Meu Deus", eu gemo. Ele também geme, em cima de mim, penetrando-me
ainda mais fundo. De repente, perco todo o controle. Sou pura euforia e começo
a ver estrelas, tanto com os olhos fechados quanto abertos. Meus quadris o
circundam e seu calor percorre todo meu corpo. É tremendamente quente e
excitante. Eu começo a ter algo como pontadas de calor enquanto meu corpo
praticamente convulsiona debaixo do dele. Eu o desejo mais do que qualquer
coisa que já desejei em toda minha vida. Só a ideia de ele saindo de mim neste
momento é o suficiente para me fazer chorar. De repente, sem querer, lágrimas
começam a escorrer pelas minhas bochechas. Elas apenas vêm, como resultado
do prazer do orgasmo.
"Uau", ele sussurra no meu ouvido, enquanto continua a me penetrar, agora
muito mais lenta e suavemente. "Como foi?"
Enxugo minhas lágrimas e estico meus dedos dos pés. Não consigo sentir
minhas pernas e mal posso senti-lo dentro de mim.
“Maravilhoso”, eu sussurro.
"Eu meio que percebi isso", ele sorri.
Ele continua a me penetrar, mais e mais rápido. Suas mordidas ficam mais
apressadas e seus beijos se tornam mais leves. Ele está perdendo o controle,
posso ver isso acontecendo. Ele inclina a cabeça para trás de prazer. Ele também
se afasta do meu rosto, expondo seu peitoral esculpido. Enquanto ele me penetra
mais e mais profundamente, eu observo como cada músculo se tensiona e relaxa
repetidamente. Eu sinto um formigamento sobre o meu corpo novamente. Estou
começando a ficar excitada de novo. Quantos destes eu posso ter em uma noite?
"Ellie", ele sussurra, enquanto empurra seu pênis para dentro e fora de mim mais
e mais rápido. Sua respiração está muito acelerada e, então, ele finalmente goza.
Cada músculo em seu corpo tensiona, inclusive seu rosto, antes que uma enorme
sensação de alívio o atravesse. Ele dá mais algumas pequenas investidas, antes
de desmoronar em cima de mim, coberto de suor.
"Meu Deus, Ellie", ele diz, tentando recuperar o fôlego. "Isso foi incrível."
"Sim, foi", eu aceno com a cabeça, concordando.
O quarto fica em um silêncio mortal enquanto ambos pensamos no que acabou
de acontecer. A experiência foi além de qualquer coisa que eu já experimentei na
vida ou que irei experimentar, imagino.
“Parecia que estávamos dançando, não acha? Tipo, em sincronia total?” Ele
pergunta.
Eu concordo. “Parecia que éramos um só.”
Ele balança a cabeça e rola para o meu lado, depois tira o preservativo num
movimento rápido. Gotas de suor reluzem em seu abdome e preciso de toda a
minha força de vontade para não me inclinar e lambê-las.
Eu corro meu dedo para cima e para baixo em seu abdome tanquinho, parando a
cada relevo.
"Seu corpo é... surreal", eu digo. Ele sorri.
"Tenho só sete por cento de gordura corporal", ele se gaba.
"Uau. Deve ter se esforçado muito para chegar nesse nível.”
“No começo, sim", diz ele. “Mas virou um hábito, virou rotina. Eu amo me
exercitar. Eu começo a me sentir mal se ficar um ou dois dias sem exercício.”
“E então, isso que acabamos de fazer? Isso conta como exercício?” Pergunto,
com uma risada tímida.
"Dada o quanto estou suando, eu diria sim."
Ficamos lá deitados, olhando para o espaço por algum tempo. Demora alguns
minutos olhando para o teto e pensando sobre o que aconteceu para perceber o
quão confortável essa cama realmente é. Os lençóis são tão luxuosos que
provavelmente são de mil fios. Os travesseiros são macios o suficiente sem
perder a forma, moldando-se perfeitamente à forma da minha cabeça. Eu fecho
meus olhos para saborear o momento ao máximo.

M AIS TARDE , eu finalmente acordo. Não sei quanto tempo se passou, mas o Sr.
Black não está na cama ao meu lado. Eu me alongo, fico encantada novamente
com o conforto dos lençóis e, finalmente, junto forças para sair da cama. Quando
caminho até as janelas e abro as cortinas, vejo que o sol está brilhando bem alto
no céu. É a luz do amanhecer.
A noite de ontem parece um sonho. Nada além de um sonho. Aconteceu mesmo?
Será que aquilo tudo realmente aconteceu? Francamente, eu tenho dificuldade
em acreditar que o Sr. Black é mesmo real. Pessoas como ele existem mesmo?
Tão gentil e carinhoso, mas ao mesmo tempo exigente. Alguém que é, ao mesmo
tempo, um mistério tão grande e um livro aberto?
Eu olho em volta e, depois, de confirmar que ele não está lá, eu saio e caminho
em direção à minha própria cabine. Lá, eu corro para o chuveiro e lavo todo o
suor e o sexo da noite passada do meu corpo. Por um lado, o banho é refrescante,
mas por outro lado, me deixa triste. É muito bom sentir o cheiro do Sr. Black em
minhas mãos e em todo meu corpo, e agora parece que uma pequena parte dele
se foi.
Depois de colocar um pouco de delineador e rímel e preencher um pouco minhas
sobrancelhas, ouço uma batida na porta. É Lizbeth.
“Vim até aqui para ver como você está. Como foi a noite passada?” Ela
pergunta.
“Ótima”, respondo. “Na verdade, foi incrível.”
“E tudo certo com sua conta bancária?” Ela pergunta.
“Na verdade, não sei. Boa pergunta.”
“Bem, posso esperar enquanto você confere de novo, sem problema.”
Não era exatamente o que eu tinha em mente, mas tudo bem. Eu pego meu
celular e entro no aplicativo para checar minha conta bancária. 251.459,39. É
exatamente o valor do meu saldo. Os duzentos e cinquenta da noite passada,
mais uns trocados que eu usaria para sobreviver pelo resto do mês. Que, para
dizer a verdade, até agora não pareciam um trocadinho assim.
“Sim, tudo em ordem, Lizbeth.”
“Bom saber. De qualquer forma, vim também para te avisar que tem café da
manhã prontinho na sala de jantar. E um helicóptero à sua espera para te levar de
volta à Manhattan quando você desejar.”
Espere um pouco. O quê? Um helicóptero? Fico estarrecida.
“Eu preciso mesmo voltar agora?” Pergunto.
“Não, claro que não. Pode tomar um café e comer algo antes, se quiser.”
“Não, não foi isso que eu quis dizer”, respondo, hesitando um pouco. “O que eu
quis dizer, na verdade, foi que… eu achava que ficaria por todo o fim de semana.
Já estava achando que teria outra festa mais tarde…”
Lizbeth lança um sorriso misterioso em minha direção.
“Ah, então você realmente se divertiu noite passada”, ela diz. Minhas bochechas
se coram e eu devo ter ficado ainda mais vermelha só de pensar em ter ficado
envergonhada.
“O Sr. Black realmente é sensacional, não é mesmo?” Ela pergunta.
Pelo seu tom de voz, parece-me que ela não é uma estranha à cama dele. Pensar
nisso me deixa bem brava, mas tento me conter.
“Esqueça. Acho que fui informada errado.” Eu resmungo e me volto para a
minha mala, fingindo arrumar minhas coisas.
“Escute, a festa foi coisa de uma noite só. Quero dizer, a festa continua, mas
haverá outro leilão hoje à noite. Novas garotas. Os homens por aqui gostam de
carne nova, por assim dizer.”
“Sim, claro. Eu sou uma idiota.”
“Não, não é”, diz Lizbeth, passando o braço por trás de meus ombros. “Você só
não sabia.”
Há um certo carinho nesse momento. Sinto que ela sabe exatamente como eu me
sinto. Um sentimento de frustração e arrependimento misturado com raiva e
ciúme. Quero saber mais sobre ela.
“Então, como foi que você começou a trabalhar aqui?” Pergunto.
“Eu vim parar aqui pela primeira vez assim como você, há alguns anos. Alguém
me comprou e tivemos uma experiência maravilhosa. Então ele me pediu que
ficasse por mais uma semana. Depois, por mais um mês. Por fim, acabei ficando
para servi-lo o tempo todo.”
“O que você quer dizer com isso?” Pergunto.
“Bem, nós temos uma relação de dominância e submissão, por assim dizer.
Estou aqui para servi-lo e fazer qualquer coisa que ele queira. Por tempo
indeterminado.”
“E você gosta disso?”
“Sim, muito.” Ela acena com a cabeça. “Nunca na vida eu havia tido uma
relação assim, tão excitante. O fato de sermos tão compatíveis no sexo também
ajuda, é claro.”
“Então, quem é ele? Seu mestre, seu dominador?” Pergunto. Essas palavras
soam tão desconfortáveis saindo da minha boca que acabo me encolhendo um
pouco ao falar. Mas também há nelas algo de excitante.
“Ele é um amigo do Sr. Black. Nesse momento, ele está no exterior a negócios,
por isso estou aqui recebendo todo mundo no iate do Sr. Black. Se não, estaria
no iate dele.”
“Como ele se chama?” Pergunto.
“Sr. White.”
Eu solto uma gargalhada. “Eles todos têm nomes assim?”
“Sim, têm”, ela confirma com a cabeça. “Eles fazem parte de uma sociedade
chamada Clube dos Garotos Bilionários. Os membros são todos donos de iates.
Os outros homens que estavam no leilão no salão são candidatos a membros do
Clube.”
“Uau, eu nem fazia ideia.” Respondo.
“É uma espécie de sociedade secreta. Eles não gostam muito de falar sobre isso
abertamente porque vários administram multinacionais enormes com muitos
acionistas. São muitas pessoas a quem devem explicações.”
“Mas então, há quanto tempo você está com esse Sr. White?” Pergunto. “E vocês
estão juntos mesmo?”
“Sim, sim. Nosso relacionamento já é fechado há mais de dois anos. Ele até já
me pediu em casamento.”
“Uau, parabéns!” Digo.
Ela sorri. “Definitivamente não é a ideia de futuro que meus pais do Kentucky
têm para mim, mas eu o amo. Muito.”
E, com isso, Lizbeth se despede de mim. Antes de sair, ela me diz que, se o Sr.
Black quiser entrar em contato comigo de novo, ele irá. Do contrário,
provavelmente nunca mais o verei.
Decido pular o café da manhã e ir direto para o helicóptero. Se eu não fui
convidada para ficar aqui por mais tempo, tudo bem por mim. Eu tenho meus
duzentos e cinquenta mil dólares e várias memórias dessa noite maravilhosa.
Assim que chego ao heliporto, vejo que sou a única pessoa ali. Logo, piloto
acena para mim. Puxando minha mala atrás de mim, caminho até o helicóptero.
O piloto me pergunta o meu endereço e diz que ele vai pousar em cima de um
prédio a apenas alguns quarteirões de distância. Ele me ajuda com minha
bagagem e me entrega um fone de ouvido para usar. Eu subo e me sento no
banco de trás.
Um comando vem pelo rádio e o ordena que esperar. Acho que há mais meninas
que voltarão comigo, então eu me sento na minha poltrona e olho para o oceano
azul e profundo que ocupa todo o horizonte.
"Ei”, diz uma voz profunda e familiar. Quando me viro, vejo que não é ninguém
menos que o Sr. Black.
Arrepios percorrem minha espinha e um grande sorriso largo toma meu rosto.
"Você não achou mesmo que iria se livrar de mim tão cedo, achou?", diz ele
enquanto me ajuda a sair do helicóptero.
"O que você está fazendo aqui?" Pergunto.
“Só queria me despedir de você. Depois da noite que tivemos, precisamos de
uma despedida adequada, não acha?”
Eu assinto e pressiono meus lábios contra os dele devagar. Jogo os braços por
cima de seus ombros fortes e deixo que ele me segure e me beije de volta.
“Desculpe. Eu iria pedir para você passar mais uma noite aqui, mas tenho uma
reunião de trabalho em Nova Iorque.” Ele diz, finalmente afastando seu corpo do
meu.
"Tudo bem, eu entendo."
“Então, eu queria te desejar um bom passeio de helicóptero e dizer que quero
muito te ver novamente. Logo.”
Um sorriso enorme toma conta de meu rosto. Consigo sentir minhas pálpebras
piscarem de felicidade. Sei que não é uma boa ideia, mas algo parece me puxar
em sua direção. Só quero estar com ele. Sinto que preciso estar com ele de um
jeito quase indescritível.
“Eu adoraria”, respondo tímida, tentando não deixar transparecer tanta
ansiedade.
“Que bom”, ele diz. “Aqui, fique com meu cartão. Tem meu número privado.”
Olho para o cartão executivo muito elegante dele, feito de um papel com
gramatura grossa, parece caro. Pode até ser um cartão executivo, mas não o que
ele usa no trabalho. No cartão, está escrito Sr. Black.
“Você precisa do meu também?” Pergunto.
“Na verdade, Lizbeth já me deu o seu. Ela pegou junto com a papelada que você
preencheu para o leilão.”
Não sei o que dizer, então só o beijo mais uma vez. Ele corresponde com
carinho.
“Aliás, meu nome é Aiden.” Ele cochicha no meu ouvido e depois separa seu
corpo do meu. “Aiden Black.”
Subo de volta no helicóptero como se estivesse caminhando sobre nuvens. Antes
de fechar a porta, ele beija minha mão e me deseja um bom voo.
Mantenho meus olhos fixos em Aiden enquanto levantamos voo e continuo
observando-o, junto com o iate, até que desapareçam na imensidão do oceano.
Quando a selva de concreto de Nova Iorque surge em nossa frente no horizonte,
meu celular apita com uma notificação, e deslizo meu dedo sobre a tela para ler a
mensagem.
“Agora, você tem os 250 mil todinhos para ser inconsequente. Vá viver a vida ao
máximo. Corra atrás de seus sonhos. Nada no mundo vale mais do que eles.”
O número é exatamente o mesmo que consta no cartão que Aiden me deu. Levo
um tempo para processar o que ele quer dizer com ‘os 250 mil todinhos’. Mas
não consigo acreditar até ver com meus próprios olhos. Checo a conta do meu
débito estudantil. Ao invés dos $151.329 que o aplicativo mostrava que eu devia
no mês passado, a conta agora mostra $0.
“Você pagou meus empréstimos??” envio para Aiden.
“Sim.”
“Por quê?”
“Porque você merece os 250 mil para ser inconsequente.”
Balanço a cabeça, não conseguindo acreditar que nada disso é real. Quem diabos
é você, Aiden Black?
16

MR. BLACK QUANDO NÃO CONSIGO TIRÁ-LA DA CABEÇA…

N ão sou muito fã de ópera.


Bem, na verdade, dizer isso é um eufemismo. Eu odeio ópera, de verdade.
É um negócio tão pretensioso e cansativo.
A música é exagerada, assim como as encenações e gestos dos atores.
Algumas pessoas amam tanto esses lugares que chegam a chorar de tão tocadas
que ficam com a música.
Bem, eu não.
Eu só fico lá desejando colocar meus headphones e ouvir algo que eu gosto.
Tipo Stones.
Ou Led Zeppelin.
Adoro rock clássico.
Imagina se inventassem uma ópera de rock… aí está algo que eu pagaria para
assistir.
Bem, então, por que é mesmo que estou aqui?
No meu ramo, eu definitivamente não preciso estar aqui.
Apesar de todo mundo na área da tecnologia ser rico, não somos ricos típicos.
Então, dificilmente você encontraria algum de nós de terno e gravata, imagina
frequentando uma orquestra sinfônica ou uma ópera.
Ao contrário dos demais, que passam os dias de camiseta e jeans, eu adoro um
terno sob medida que custa o dobro da hipoteca da minha casa de infância.
Mas ópera?
Definitivamente não sou fã.
A única razão pela qual estou aqui é o convite de Kristina.
Kristina Taylor é uma mulher impressionante.
Eu a conheço há muito tempo.
Nos conhecemos em uma festa da Ivy League durante a faculdade, quando eu
estava em Yale e ela estudava em Brown.
Nunca namoramos.
Nosso apetite sexual e fetiches são bem parecidos.
Kristina não acredita em relacionamentos sérios e eu também não, se não contar
a pequena falha de julgamento que me fez me casar.
Eu encaro Kristina, que está profundamente entretida na produção Carmen, de
George Bizet, no The Metropolitan Opera.
Os ingressos para o evento não foram só absurdamente caros, mas também quase
impossíveis de conseguir por causa de Clementine Margaine, a meio-soprano
francesa que faz o papel da heroína Cigana Imortal.
“Eu vi Maria Agresta estrelar ano passado na temporada do La Boheme”,
sussurra Kristina, limpando uma lágrima depois de uma performance
aparentemente tocante.
“Sim, ela é ótima”, respondo sem muito entusiasmo.
Kristina volta a olhar para o palco e eu volto a olhar para ela.
Sua pele branca leitosa e seus dedos longos e magros a conferem um visual bem
delicado, mas eu sei bem que ela é capaz de coisas nada delicadas.
Veja bem, Kristina é uma das dominadoras mais bem pagas de toda Nova Iorque,
o que praticamente faz dela uma das melhores dominadoras do mundo.
Olhando para ela, você nunca adivinharia.
Não, olhando para ela, tudo o que se vê é uma atendente de livraria com uma
formação em Língua Inglesa que nunca quis trabalhar na área.
Mas, como você bem sabe, não se deve julgar um livro pela capa.
“Pare de olhar para mim”, ela cochicha, sem tirar os olhos do palco.
“É que não consigo parar de pensar em todas as coisas que farei com você essa
noite”, cochicho de volta.
Ela balança a cabeça, mas um sorriso tímido toma seus lábios, anunciando que
ela também está esperando.
Pelo que eu sei, Kristina e eu temos um relacionamento único.
Tudo que eu sei é que, enquanto eu continuo me divertindo com outras mulheres,
Kristina não o faz.
Kristina é dominante a trabalho, mas ela gosta de ser submissa quando está
comigo.
Ela gosta de ser amarrada e das coisas sujas que faço com ela para que atinja
orgasmos múltiplos.
“Se você continuar, eu não vou hoje à noite.” Ela diz, por fim.
Ela pode estar blefando, mas não consigo dizer se está de fato. Então, prefiro não
arriscar.

Q UANDO VOLTAMOS PARA MEU APARTAMENTO , já estou morrendo de ansiedade.


Minha mente fica divagando sobre toda a performance, todas as brincadeiras que
faremos juntos, e estou de pau duro desde o intervalo da ópera.
“Ei, gata.” Eu a jogo contra a ilha da cozinha e começo a beijar seu pescoço.
Ela joga a cabeça para trás e geme de leve. “Tenho umas surpresas que planejei
para você.”
“Mal posso esperar.”
Antes de entrar no quarto especial, dou mais uma olhada em seu vestido.
Por sorte, é um vestidinho curto sem alças, que posso simplesmente puxar para
baixo. Bom. Isso significa que seus braços podem se ocupar com outras coisas
enquanto irei despi-la.
Kristina caminha confiante até o quarto e dá uma olhada ao redor.
Ela já esteve aqui várias vezes antes.
Ela já até usou o lugar com seus clientes algumas vezes.
Eram clientes exclusivos, e ela obviamente ficou me devendo uma depois de
cada vez, porque eu não deixo que qualquer pessoa simplesmente venha até aqui
para se divertir.
Ela encara o balanço pendurado no teto e me dá uma piscadela.
Sei o que ela quer.
Ela quer que amarre suas mãos lá em cima e a levante.
Ela adora isso.
Sentir-se leve.
Flutuar pelo espaço enquanto eu a faço ter vários orgasmos, sem parar.
“Senhor, por favor, seja cuidadoso comigo.” Ela diz, flertando.
Ser chamado de senhor é o dialeto que mantém a relação de poder que há entre
nós.
É tão excitante para ela quanto para mim.
“Bem, veremos”, digo, prendendo suas mãos nas algemas que pairam acima de
sua cabeça.
Abro o zíper de seu vestido e deixo que caia no chão.
Ela dá um passo à frente, livrando-se dele.
Percebo que ela não está usando lingerie.
“Uau, por essa eu não esperava”, digo.
Sinto meu pau enrijecer tanto que parece uma pedra.
Abro suas pernas e as amarro com uma corda para que permaneçam assim.
Olho para ela e lambo os meus lábios.
Ela tenta fingir uma expressão de medo, mas não consegue muito bem.
Ao invés disso, parece que ela está usando toda sua energia para não ficar tão
excitada tão rápido.
E, de súbito, o fim de semana passado corre pela minha cabeça.
Não só o fim de semana, mas Ellie, para ser exato.
Seus lábios doces, seus seios esculpidos.
Ela me desafiando e gozando sem a minha permissão.
Tento me esgueirar das memórias e focar em Kristina, mas meus pensamentos
correm de volta para Ellie.
Só consigo enxergar Ellie em minha mente. Ellie é tudo o que eu quero.
“Por que está demorando tanto?” Kristina pergunta. “Vai começar logo ou não?”
Eu a encaro.
Sua pele pálida deve ser um ou dois tons mais clara que a de Ellie.
Seus olhos não têm o formato mais bonito.
Até seu corpo, de repente, parece magro demais.
Não, o problema não é esse. Não há nada de errado com Kristina.
O problema é que ela não é Ellie.
“Desculpe. Não consigo fazer isso”, eu digo e começo a desamarrar suas pernas.
Quando abaixo o balanço até o chão e desato seus braços, ela me dá um tapa na
cara.
“O que você quer dizer com isso, que você não consegue?” Diz Kristina. “Quem
diabos você pensa que é?”
“Desculpa, mas não estou muito no clima esta noite.”
“Bem, então entre no clima.”
Ela tenta me dar outro tapa, mas agarro sua mão antes que consiga alcançar meu
rosto.
“Por favor, não faça isso de novo. Nunca.” Eu digo a ela com uma voz séria.
“Você sabe que é um cuzão, né?” Ela grita, agarrando seu vestido do chão e
correndo para fora do quarto.
17

ELLIE QUANDO VOLTO E TOMO UM CAFÉ COM MINHA MELHOR


AMIGA…

A mo o outono em Nova Iorque.


Só faz uns dias desde que voltei do iate, mas parece que o outono veio para a
cidade com força nesse período.
As ruas estão úmidas e escorregadias e as árvores já estão mudando de cor.
Quando abro a janela do meu quarto, inalo aquele cheirinho fresco da chuva no
asfalto frio.
A grande árvore em frente ao nosso apartamento já está adquirindo tons
dourados.
Algo nessa estação do ano me faz querer comprar mimos de papelaria, embora
eu não vá mais à escola há bastante tempo.
Talvez eu possa simplesmente me entregar à vontade e comprar um caderno para
a escrita e algumas canetas.
Ainda na cama, me espreguiço e bocejo, esticando os dedos dos pés.
De repente, eu tenho um flashback dos orgasmos que tive com o Sr. Black há
apenas alguns dias.
Não sei se o verei novamente, mas sei que não vou esquecer daquela noite que
passei com ele por muito, muito tempo.
Arranjando forças para sair da cama, meu corpo tem arrepios lembrando do
prazer.
Não tenho medo de me rotular como feminista. Acredito firmemente que
homens e mulheres merecem salários iguais para o mesmo trabalho e também
direitos iguais. Bem, como feminista, eu provavelmente não fui a melhor
candidata para um leilão como aquele em que participei no último fim de
semana no iate.
Se alguém tivesse me dito isso antes, porém, eu provavelmente teria xingado a
pessoa pensar duas vezes.
Mas na hora pareceu uma coisa emocionante de se fazer.
Emocionante porque eu não sabia o que esperar ou quem iria me arrematar. Mas
nunca, nem nos meus sonhos mais loucos, pensaria conseguir alguém como o Sr.
Black.
"Ei, cadela!" Caroline abre com tudo a porta do meu quarto. São seis da manhã e
nós duas temos que trabalhar, mas ela acabou de chegar em casa.
“Outra noite fora se divertindo?” Pergunto, apontando para seu vestido curto e
saltos altíssimos, que combinam muito mais com uma balada do que com a
galeria de arte chique em que ela trabalha.
“Na verdade, eu conheci esse cara super gostoso. Ele trabalha na Wall Street.”
Ela diz, abrindo seu vestido e fazendo gestos para que a siga para o outro quarto.
“Não é assim com todos os caras que você conhece?” Pergunto.
“Não é culpa minha, eles estão aos milhares nessas baladas exclusivas daqui.”
Ela diz, se encolhendo. “Mas ele era bem bonitinho. E bom de cama. Ele estava
bêbado, então imagine só como seria se não tivesse bebido tanto.”
Balanço a cabeça e vou ao banheiro escovar os dentes.
“Ele queria que eu passasse a noite lá”, ela grita do outro quarto.
“Uau, aí a história muda”, resmungo, cheia de pasta de dente na boca.
“Não é mesmo?” diz Caroline enquanto passa pela porta. “Eu não ia, mas aí eu
peguei no sono. Embaraçoso demais, né?”
Dou de ombros. Não me parece muito embaraçoso, para dizer a verdade.
“Ah, fala sério. Não quero que ele ache que sou uma excluída qualquer. Eu
gostei mesmo desse cara. E homens gostam de desafios.”
Caroline tem muita experiência quando se trata de homens, mas toda sua
experiência de repente pareceu se manifestar na forma de um manual de como
você não deveria agir na frente deles.
Você logo pensaria que todas as teorias dela teriam um propósito. Por exemplo,
se ela estivesse procurando o cara certo, alguém com quem se casaria.
Mas não, Caroline não tem interesse algum nisso. Ela acha que as noites com
seus ficantes não passam de um jogo elaborado que ela sempre deve ganhar,
custe o que custar.
Ela desaparece em seu quarto por alguns instantes, dando a mim tempo
suficiente para lavar o rosto e passar um pouco de shampoo a seco nos cabelos.
Eu geralmente tomo banho à noite porque odeio banhos mornos, e água quente
deixa minha pele com manchas avermelhadas que demoram a sair.
Infelizmente, na maioria das vezes, meu cabelo fica oleoso só de dormir e requer
uma dose de shampoo a seco no dia seguinte.
“Ai meu Deus!” Caroline grita do fundo se seus pulmões, quase me fazendo ter
um ataque cardíaco. “Eu quase esqueci!”
Eu a encaro segurando meu cabelo em um rabo desajeitado com uma das mãos e
procurando algo para amarrá-lo com a outra.
Onde é que os rabicós acabam indo parar? Eu acabei de comprar um pacote
inteiro, semana passada, e agora quase metade deles já desapareceu!
“Você precisa me contar o que rolou no iate! E no leilão!” Caroline pula de
entusiasmo.
Uma parte de mim achou que ela estaria tão absorta no rescaldo do seu próprio
encontro que esqueceria completamente sobre o meu fim de semana.
Mas não tive essa sorte.
“Foi divertido”, digo. “Bem divertido.”
“Certo, já vi que não vou arrancar de você tão facilmente.”
“Tudo bem, eu conto. Mas só se você me pagar um café da manhã.” Eu digo. Ela
dá mais um grito e concorda.
Seguimos à cafeteria para uma omelete com abacate e torrada de brioche.
Apesar de alta e bem magra, com corpo de modelo, Caroline está de dieta,
evitando todo tipo de carboidrato como se fosse um veneno.
Com meu corpo muito mais cheio de curvas, que pesa uns 5 ou 7kg a mais do
que eu gostaria, eu sento e aprecio minha torrada. Quando o garçom retorna com
uma segunda xícara de chá para mim e um terceiro café para Caroline, eu
finalmente termino de contar a história.
De início, quando concordei em contar tudo, pensei em deixar de fora os
detalhes mais picantes.
Mas, conforme comecei a relatar tudo que me aconteceu no fim de semana,
percebi que não queria deixar nada de fora.
Só queria contar tudo, exatamente como aconteceu.
E se eu não posso compartilhar isso com Caroline, minha amiga mais próxima,
então para quem eu vou contar?
“Então quer dizer que você ganhou duzentos e cinquenta mil dólares para passar
uma só noite com ele?” Ela pergunta.
“Bem, na verdade, mais que isso. Ele deve ter gostado de mim, porque acabou
pagando todo meu débito estudantil de cento e cinquenta mil, então agora eu
tenho todo o dinheiro do leilão para gastar com o que eu bem entender.”
“Puta merda.” Ela balança a cabeça.
Ela ficou muito impressionada. A família de Caroline pode até ser dona de
metade de New England, mas todo esse dinheiro é demais até mesmo para ela.
“Está arrependida?” Pergunto.
“Sim, na verdade.” Ela concorda. “Eu honestamente até achei que eles iriam
subir os lances para uns quinze mil, mas não duzentos e cinquenta mil.”
“Bem, a maioria das garotas ganhou por volta de cem mil.” Explico. “O que
ainda é bom demais.”
“Caralho.” Ela balança a cabeça.
A família de Caroline tem muito dinheiro mesmo, mas como todas as crianças de
famílias ricas, ela sabe muito bem que dinheiro vem com certas restrições.
Ela só merece receber se seguir as regras.
Não são regras lá muito rigorosas, mas ainda assim, há regras.
“A questão é que, além do dinheiro, tudo foi maravilhoso. O Sr. Black… ele era
incrível. Ele era diferente de qualquer um que já conheci. Ele era tão, tão lindo.”
“Uau. Tão, tão lindo?” Ela ri, debochando do que acabei de dizer.
“Eu sei, pareço uma adolescente falando.” Respondo.
“Mas então, você acha que vai voltar a vê-lo?” Pergunta Caroline.
É uma pergunta difícil. Eu inspiro e expiro profundamente antes de responder.
“Primeiro eu achei que não. Quero dizer, era um lance de uma só noite. Mas aí
ele me deu seu cartão e pegou meu número.”
“Meu Deus, é sério?”
“Eu ainda não sei se ele vai ligar”, digo.
“Se ele te deu o cartão dele, você pode ligar para ele quando quiser”, diz
Caroline.
Claro, isso é verdade.
Mas não sei se conseguiria fazer isso.
Não sou Caroline.
Para dizer a verdade, eu nunca liguei para um cara ou chamei alguém para sair,
em toda minha vida.
E definitivamente não quero começar pelo Sr. Black.
Olho para o relógio. Merda, vou me atrasar.
“Preciso ir”, murmuro enquanto pego minha bolsa.
“E por que diabos você vai voltar para esse seu trabalho de merda?” Pede
Caroline, assinando um cheque.
Não tenho uma boa desculpa, exceto que é meu trabalho.
“Você sabe que é uma mulher rica agora, né?”
Eu assinto e dou um beijo em sua bochecha. “Preciso ir. Te vejo à noite.”
Quinze minutos depois, chego ao escritório pingando suor.
Apesar de estarmos no outono, ainda está relativamente quente lá fora e correr
todos esses quarteirões até o trabalho faz com que eu não fique muito
apresentável.
Quando entro no escritório, a primeira pessoa em que bato os olhos é Tom, um
dos meus melhores amigos e meu crush já há quase dois anos.
Sua mesa fica a algumas mesas de distância da minha, o que me permite ter uma
ótima visão de seus cabelos macios caindo em seu rosto enquanto ele trabalha.
Tom acena animado para mim e eu aceno de volta, mas não sinto as borboletas
no estômago que costumava sentir toda vez que o via.
Não mesmo. É difícil de acreditar.
Caminho até minha mesa e deixo a bolsa cair no chão.
“Você está atrasada”, diz Tom, vindo em direção à minha mesa. “Ela estava te
esperando há quinze minutos.”
“Atrasada para quê?”
Ele olha para mim como se eu tivesse perdido a cabeça.
“Carrie? Você tinha uma reunião com ela hoje de manhã.”
Ah, merda.
De repente, eu me lembro.
Carrie Warrenhouse. A editora maravilhosa e durona do BuzzPost e noiva de
Tom. Ela queria me ver hoje bem cedo.
Mas que merda.
Merda.
Merda.
“Você esqueceu?” Pergunta Tom. “Eu não acredito que você esqueceu.”
Bem, eu não acredito que você vai se casar com essa cadela, tenho vontade de
dizer, mas mantenho a boca fechada.
Em vez disso, dou uma olhada na bagunça da minha bolsa em busca de um
caderninho e uma caneta para fazer minhas anotações caso ela tenha algo
importante para mim.
Quando comecei a trabalhar aqui, aprendi da pior maneira que Carrie sempre faz
anotações e fica muito irritada se você não fizer o mesmo quando estiver em seu
escritório.
“Aqui, aqui,” diz Tom, pegando um bloquinho de sua mesa. “Você ao menos tem
uma caneta?”
Agarro uma caneta que repousa em frente ao meu computador e mostro para ele,
orgulhosa.
“Valeu,” digo para ele e sigo em direção ao escritório de Carrie.
18

ELLIE
QUANDO AS COISAS NO TRABALHO NÃO VÃO TÃO BEM...

C arrie Warrenhouse.
Ela é a atual editora do BuzzPost e filha de Edward Warrenhouse, o
proprietário do BuzzPost.
Seria um problema se ela fosse uma idiota incompetente, mas ela não é.
De forma alguma.
Ela é inteligente e muito forte.
Apesar de sua rica família, ela provavelmente teria conseguido entrar em
Harvard por conta própria, só com seu esforço.
Ela é cinco anos mais velha do que Tom e eu e, nos últimos anos, ela conseguiu
tornar o BuzzPost um concorrente real no mercado das notícias relevantes.
Ele deixou sua marca na internet com todos os vídeos malucos e testes
engraçados, mas nos últimos anos, desde que ela assumiu como editora-chefe, a
empresa realmente começou a transicionar para reportagens sobre pautas
políticas e internacionais importantes.
E, ao contrário de outras revistas e jornais on-line, eles continuam ganhando
dinheiro com isso.
Os anunciantes nos amam e o dinheiro continua vindo.
"Por favor, sente-se, Ellie", diz Carrie, apontando para a cadeira apeluciada à
frente de sua mesa.
Seu escritório tem janelas do chão ao teto pelas quais tenho uma bela vista do
horizonte.
"Desculpe o atraso", murmuro e me encolho na cadeira.
Não sei o que iremos discutir, mas reuniões assim sempre me deixam super
nervosa.
Sinto quase como se tivesse sido chamada à sala do diretor na escola, e agora ele
está prestes a ligar para minha mãe e contar tudo o que fiz de errado.
Carrie é a epítome da chiqueza.
O cabelo ela é todo estiloso, com um corte long bob curtinho, sem uma mecha
fora de lugar.
Em comparação, minhas madeixas despenteadas e compridas, que mais se
parecem com ondas de um mar turbulento, poderiam ser descritas como pouco
profissionais e fora de controle.
Eu giro uma mecha ao redor do meu dedo indicador, lamentando o fato de que
eu sequer me incomodei em passar um pente nelas hoje de manhã.
“Queria discutir um pouco com você o último artigo que você escreveu.” Ela
diz.
Esse lugar tem uns dez editores, mas Carrie é tão minimalista e viciada em
trabalho que ela consegue enxergar cada parte mínima do BuzzPost com uma
precisão extrema.
“Ah, sim.” Aceno com a cabeça.
Eu juro que sequer consigo me lembrar do tema do último artigo.
“É esse aqui, sobre as Kardashians e sua nova linha de maquiagem.” Diz ela.
Ah, sim, é claro.
Jornalismo sério: a gente vê por aqui.
“Dei uma lida nele e deu para perceber que você não estava muito interessada no
tema”, diz ela, apontando para o artigo impresso sobre sua mesa.
Dou uma olhada e percebo que está todo sublinhado em vermelho, com várias
anotações nos cantos do papel. Merda.
“Bem, é fofo.”
Merda. Merda, mais uma vez. Não podia ter dito isso.
“Fofo?” Carrie pergunta com uma expressão chocada. “Você está falando sério?”
“Não, o que eu quero dizer é que…” Tento voltar atrás, mas não vem nada à
minha mente. “Eu não quis dizer isso, na verdade.”
“Eu espero.” ela diz, cruzando os braços.
Que cachorra. Preciso me esforçar muito para não revirar os olhos.
“É só uma postagem patrocinada sobre a nova linha de maquiagem.” Eu digo.
“Exatamente. Uma postagem patrocinada, o que quer dizer que estamos sendo
pagos para publicá-la. E é por isso que um artigo assim precisa de uma autora
que consiga ao menos fingir um mínimo interesse sobre os produtos da linha que
está descrevendo.”
Sério?
Quero gritar.
Quero dizer que nós duas estudamos em universidades da Ivy League e agora ela
está me pedindo que mostre mais interesse pelas Kardashians?
Nada contra elas.
É só que não sei bulhufas sobre elas e não poderia me importar menos.
Mas, é claro, não posso dizer isso. Ao invés disso, mordo a língua e concordo
com ela. “Eu entendo.”
“O problema, Ellie, é que não foi algo pontual.” Continua Carrie. “Isso está
virando um hábito seu. Estive revisando alguns de seus outros trabalhos e,
francamente, você é muito melhor do que isso.”
Finjo concordar com ela.
Bem, não há nada a dizer, já que eles já publicaram meus outros artigos.
“Eu sei que o seu editor direto parece estar satisfeito, mas eu esperava mais de
você. Eu quero que o BuzzPost seja um dos maiores veículos mundo afora, e nós
não conseguiremos isso se os autores não derem seu máximo.”
“Certo, vou tentar”, resmungo.
Mas Carrie não fica satisfeita. Ela continua me dando puxões de orelha.
“Não preciso que você tente, Ellie. Preciso que você faça.”
Não aguento mais.
“Eu realmente não sei o que você quer que eu diga.” Respondo, após alguns
momentos de silêncio em que tentei me controlar. “Quero dizer, desculpe se você
não acha meu trabalho bom o suficiente, mas eu acho. Francamente, acho que eu
fiquei tão animada com a nova linha de maquiagem das Kardashians quanto
qualquer outra pessoa normal. Mas se você prefere contratar uma adolescente
obcecada por celebridades para escrever no meu lugar, vá em frente.”
Meu Deus.
Não acredito no que acabei de dizer.
Não sou uma pessoa extrovertida, e nunca banco a durona desse jeito.
Pelo olhar de Carrie, ela provavelmente não esperava por isso também.
Ela ajusta o casaco de seu terninho e se ajeita na cadeira.
De repente, uma mecha de seus cabelos perfeitamente escovados se desalinha do
restante, e ela não parece mais tão assustadora.
“Não sei o que dizer sobre isso, Ellie”, ela diz após um momento. “Exceto que
você não parece estar muito feliz aqui.”
“Na verdade, não estou mesmo. Definitivamente não estou. Não curto escrever
esses artigos fofos que fingem ser jornalismo, mas que na verdade são só
publicidade disfarçada e que sempre acabam sobrando para mim. Não é para isso
que eu trabalho aqui.”
“Então provavelmente esse não é o lugar certo para você.”
Paro e penso no que ela acabou de dizer.
Ela está certa.
Acho que, pela primeira vez, eu tenho que concordar com Caroline.
“Não, não é mesmo”, respondo, me levantando. “Considere isso como meu aviso
prévio.”
Antes de eu chegar à porta do escritório, ela anuncia: “Na verdade, não precisa
de aviso prévio. Temos estagiários para ocupar seu lugar.”
Uau, sério?
Eu trabalhei aqui por quase dois anos e agora ela me diz que colocará os
estagiários no meu lugar.
E não precisa pagar nada a eles.
Perfeito.
Eu nem preciso voltar e reconhecer que ela está fazendo a coisa certa.
Ao invés disso, eu saio de seu escritório e vou direto para minha mesa.
19

ELLIE
QUANDO NÃO SINTO MAIS O MESMO POR ELE…

“A onde você vai?” Tom vem em minha direção logo que chego à minha
mesa.
Junto minha bolsa do chão e começo a colocar coisas pessoais de cima da mesa
dentro dela.
“O que você está fazendo? O que está acontecendo, Ellie?”
Dou de ombros.
Não quero fazer uma cena agora, na frente de todo mundo.
Mas do jeito que conheço Tom, sei que ele não é um bom entendedor e precisa
de mais do que meia palavra.
“Eu acabo de me demitir.” Respondo.
Na verdade, levando em conta toda a situação, não tenho certeza se foi assim
mesmo.
Quero dizer, eu ia sair em duas semanas, mas Carrie disse que eu poderia ir logo
embora.
Isso conta como se demitir? Ou será que eu fui demitida?
Percebo que perdi o controle sobre tudo que se passa na minha cabeça nesse
momento.
E não tenho respostas.
“O quê? Por quê?” Tom suspira.
Dou de ombros novamente.
“Já estava esperando por isso. Quero dizer, eu já estava mesmo farta de escrever
publicidades disfarçadas de artigos. Ou testes idiotas.”
Tom sabe bem do que estou falando.
Ele fez Ciência Política na Yale.
Ele é aficionado por política e, apesar de ele ser muito talentoso e estar noivo da
editora-chefe, ele ainda passa seus dias criando testes do tipo “Escolha um
design para seu apartamento e diremos quem é você nessa série ou de qual casa
de Hogwarts você faria parte.”
Depois de enfiar quase todas as minhas coisas na bolsa, vou me despedir de
alguns colegas e sigo para o elevador.
Não sou amiga de ninguém aqui, exceto Tom, e moramos perto um do outro,
então não é como se eu não fosse esbarrar com ele por aí logo. Ele me segue.
“Ellie, o que está acontecendo?” Pergunta Tom, agarrando meu braço.
Eu o sacudo para que me solte.
“Nada. É que eu já estava pensando nisso há algum tempo. Quero dizer, esse
lugar é bem legal, mas não posso continuar trabalhando aqui.”
“Esse é um dos melhores lugares de Nova Iorque se você quer se tornar uma
escritora”, diz Tom. “Eu sei que a Carrie pode ser uma cadela às vezes. O que foi
que ela te disse?”
Ele realmente falou assim da noiva? Eu balanço a cabeça.
“Não é ela. É tudo. Eu quero escrever sobre o que eu quero escrever, Tom. E
estou cansada de estar aqui. Já tomei minha decisão.”
Pegamos o elevador juntos em silêncio.
“Mas e o dinheiro? Você vai querer ficar dependendo do Mitch para tudo de
novo?” Ele pergunta.
“Uau, é sério, Tom? Você quer mesmo entrar nesse assunto agora?”
Somos amigos de longa data.
E, como consequência disso, ele conhece bem meus dramas familiares
envolvendo meu padrasto.
Eu cresci numa família de classe média que sobrevivia do salário do mês, sem
rendas extras ou economias. Mas depois que meus pais se divorciaram, quando
eu tinha oito anos, minha mãe aceitou um emprego como professora da filha de
cinco anos de Mitch Willoughby.
Mitch era viúvo e vice-presidente de um dos principais bancos de ações de Nova
Iorque.
Eles se apaixonaram e se casaram logo depois disso, e são felizes juntos há
muitos anos.
Eu realmente não tenho qualquer problema com Mitch, exceto que ele quer fazer
um pouco demais por mim.
Ele quer pagar por tudo e, às vezes, até fica ofendido quando eu quero pagar por
minhas próprias coisas.
Uma das razões pelas quais eu arranjei esse trabalho depois da formatura era que
eu queria conseguir pagar pelas minhas coisas, nem que só parcialmente.
Ele ainda paga pela minha parte do aluguel que eu divido com Caroline, porque,
de outra maneira, eu não conseguiria pagar.
Como o pai do Tom também é bastante endinheirado e ele vive em péssimas
condições no seu apartamento de quarto andar e se recusa a pegar dinheiro
emprestado, pensei que, diferente de qualquer outra pessoa que conheçamos, ele
realmente entenderia a minha situação familiar.
"Eu simplesmente não entendo o que você está fazendo, Ellie. De repente,
quando as coisas ficam um pouco difíceis, você resolve desistir? Você sabe que,
sem o emprego, não será capaz de bancar suas coisas sem a ajuda do Mitch,
certo?”
É difícil acreditar que o orgulho é uma das coisas que eu realmente admirei nele
antes.
"Você realmente vai fazer eu me sentir culpada por isso?"
"Sim! Quer dizer, não, não quero que você se sinta culpada. Eu só quero que
você fique. Você é, tipo, minha única amiga aqui.”
"Você não está esquecendo de alguém?"
Ele olha para mim.
"Carrie? A editora-chefe? Sua noiva?”
“Sim, é claro. Mas você entende o que quero dizer. Ela não é do mesmo mundo
que nós. Você é a única que realmente entende.”
Me sinto insultada.
“A questão, Tom, é que você veio de uma família rica. Seu pai é um famoso
advogado em um dos escritórios mais prestigiados de Boston. Você passava
férias em Cape Cod. Você estudou em Yale. Você vai se casar com a herdeira da
família Warrenhouse, dona de metade de Nova Inglaterra. Mitch pode até ter
dinheiro, mas meu pai não tem. Ele é professor. Você pode simpatizar com os
pobres e querer viver como se fosse um, mas no fundo você sabe que é tudo
mentira.”
“Vá se foder, Ellie. Eu nem mesmo pego dinheiro do meu pai para você me dizer
essas coisas. Vivo do que ganho aqui. Desculpe se trinta mil não compram muita
coisa em Nova Iorque.”
"Não." eu concordo.
"E você não acha que eu não quero largar isso aqui? Você não acha que eu não
preferiria acompanhar a campanha presidencial e escrever sobre isso? Claro que
eu queria. Mas também quero sobreviver aqui. Sem ajuda dos outros.”
"Bem, talvez você não devesse pensar assim", eu digo. “Quero dizer, se seu pai
está disposto a pagar por você para começar uma carreira como jornalista
político, por que não o deixa? Ele te ama. Você não vai chegar a lugar algum
trabalhando aqui, escrevendo testes idiotas, fazendo o que você não gosta.”
“Eu não acredito que você está me dizendo isso”, diz Tom.
Para ser sincera, eu também não acredito.
Essa sequer era a minha opinião na semana passada.
Eu admirava Tom e o seu esforço.
Vivendo a vida por conta própria.
Mas agora, com duzentos e cinquenta mil dólares na conta, minha percepção
sobre o dinheiro é diferente.
Existe uma certa liberdade que vem com o dinheiro.
A liberdade de não fazer merda nenhuma que você não esteja a fim.
Eu posso escrever e ir atrás dos meus sonhos.
E ganhar todo esse dinheiro também não foi tão ruim.
Foi bem excitante, na verdade.
Um calafrio percorre minha espinha quando começo a pensar no fim de semana.
“Ellie? Você nem está me ouvindo”, diz Tom. Ele já estava falando há um
tempo, mas confesso que não prestei atenção a uma palavra do que ele disse.
“Escute, está feito. Eu vou para casa agora. Podemos conversar mais sobre isso
depois, se você quiser.” Eu digo, e caminho para longe dele.
Não sei se é por conta do dinheiro ou de ter conhecido o Sr. Black, mas não me
sinto mais como um cachorrinho carente buscando atenção perto de Tom.
Até a semana passada, eu passava os dias esperando que ele viesse à minha mesa
e conversasse comigo.
Eu vivia só esperando pelos momentos de papo furado que trocávamos durante o
almoço ou na hora do café.
Eu fiquei obcecada com sua relação com a Carrie e o noivado.
Mas agora, as coisas ficaram diferentes. Tom ainda é meu amigo, mas o que
sentia por ele parece ter se dissipado.
Como se fosse um balão que subitamente foi estourado, fazendo com que toda a
pressão em seu interior escapasse.
Quando chego em casa, nem me preocupo em tirar as coisas bolsa, só a derrubo
em um canto. Sento-me no sofá com meu laptop e abro um documento em
branco.
A história que eu começo ainda não está completa na minha cabeça, mas, bem, já
tenho um começo.
Eu não sei onde ela irá terminar, mas no momento eu só tenho uma vontade
insaciável de escrever sobre tudo o que aconteceu.
Não consigo decidir por onde começar: acabo começando com Caroline
recebendo o convite para a festa no iate.
Meus dedos correm pelo teclado e já tenho um título, “Leiloada para ele”, e
assim continuo.
E, assim, as palavras parecem saltar de dentro de mim e meus dedos não
conseguem acompanhar a velocidade das minhas ideias.
20

ELLIE
QUANDO EU OUÇO SUA VOZ DE NOVO…

E screvo por quase duas horas sem parar.


As palavras vêm como um jato. Nunca escrevi assim antes.
De repente, ouço meu telefone tocar.
Eu deveria tê-lo desligado antes de começar um fluxo de pensamentos assim,
penso.
Mas, quando olho para a tela, percebo que é uma ligação dele.
Sr. Black.
E não só uma ligação.
Ele está chamando no FaceTime.
Nem tenho tempo de me olhar no espelho, mas decido atender mesmo assim.
"Olá, linda", ele diz com sua voz sensual e profunda.
Eu quase esqueci como era sexy, mas ele conseguiu fazer com que me
lembrasse.
Esse cara realmente é de tirar o fôlego.
Seus olhos são profundos e largos, com longos e belos cílios.
Sua pele é bronzeada, e do jeito que a luz paira sobre ela, parece que ele está
brilhando.
"Olá", eu sussurro.
Infelizmente, olho para o meu próprio reflexo no canto inferior direito da tela.
Ao contrário dele, não estou bem apresentável.
A luz aqui incide diretamente acima de mim, fazendo com que eu fique com
algumas sombras esquisitas sobre o rosto.
Meu nariz parece ter o dobro do tamanho, e isso porque nem falei de como
minha testa está se parecendo durante a chamada.
É como se eu não fosse o suficiente.
"Estou ligando para dizer oi", ele diz.
"É muito bom ouvir sua voz", eu digo. E você, mas não acrescento essa parte.
"Você parece surpresa."
"Na verdade, eu estou." Ele não está errado sobre isso.
"Por quê?"
"Bem, você sabe." Eu dou de ombros. "Homens de Nova Iorque. Eles prometem
ligar, mas nunca ligam. Eu estou meio que me acostumando com isso."
Eu odeio como minha voz soa derrotada.
Parece que estou sentada aqui e esperando que eles me liguem.
Não é o caso.
Bem, não é assim em todos os casos.
Ah, definitivamente não estou causando uma boa impressão.
"Ellie, você nunca conheceu um homem como eu", diz ele com confiança.
Levo um momento para recuperar o fôlego.
Algo dentro de mim suspira e se rende, e meu corpo relaxa de prazer.
Eu anseio por sua presença.
Eu preciso que ele esteja aqui, ao meu lado.
Eu preciso pressionar meu corpo contra o dele.
Tremo só de pensar.
Nunca antes me senti assim.
Por fora, a sensação parece luxúria.
Mas eu senti luxúria antes, e nunca me senti assim.
"O que é isso?" Pergunta ele.
De repente, percebo que não falei nada por algum tempo.
"Nada. É que você me pegou de surpresa.” Murmuro.
Olho para o rosto dele mais de perto.
É de tirar o fôlego.
Seu cabelo escuro é brilhante e espesso, e só de me imaginar passando os dedos
através dos fios fico com os joelhos bambos.
"Então, a razão pela qual eu estou ligando é que eu quero te ver de novo, linda."
A maneira como ele diz linda faz minhas duas bochechas ficarem coradas.
"Certo. Tipo um encontro?”
"Algo do tipo. Mas por longa data.”
Eu realmente não sei o que ele quer dizer, então ele se explica.
“Quero que você seja minha por uma semana. Como você foi minha por uma
noite. Se você concordar, você teria que fazer tudo o que eu ordeno, como antes,
e largar qualquer outra coisa que você estaria fazendo para ficar só comigo.”
Eu tento esconder minha empolgação com a perspectiva disso, sem muito
sucesso.
Um largo sorriso começa a encher meu rosto.
“E, claro, você teria que me chamar de Sr. Black novamente. Senhor. Durante
todos os sete dias.”
Minha garganta se aperta e fica tão ressecada que parece que eu não tive uma
gota de líquido para beber por dias.
"O que você acha disso?"
"Eu não sei", eu digo, tentando manter a compostura. "O que eu ganho com
isso?"
"Bem, além do fato de que eu te pagaria generosamente, você iria se divertir
muito."
Eu não quero soar tão grosseira, mas quero saber o valor que ele pagaria por
mim novamente. Mal sabe ele, no entanto, que eu o desejo tanto que
provavelmente faria tudo de graça.
"Trezentos mil está bom para você?" Pergunta ele. "Eu sei que paguei duzentos e
cinquenta pela noite, mas foram circunstâncias extremas, não acha?"
Eu sinto a relação de poder entre nós mudando. Ele também me deseja. Muito.
“E quanto a quinhentos mil, está bom para você? Bem, isso ainda é um grande
desconto, considerando seu valor de apenas por uma noite.”
"Uau, Ellie." Sr. Black parece estar muito surpreso com minhas habilidades de
barganha. "Eu sinceramente não esperava por isso. Mas sabe o quê? Por que
não? É só dinheiro, certo?”
Acho que sim, penso em dizer.
“Certo, então. Fechado. Meio milhão de dólares. Vou te dar metade agora e
metade semana que vem.”
“Parece bom.”
“Mas terei que te deixar de castigo um pouco por exigir um preço tão alto,
certo?”
“Não esperaria nada além disso.” Digo, com um sorriso tímido.
Ele revira os olhos e deita a cabeça, como que demonstrando prazer.
Minha autoconfiança o está deixando louco.
Claro, é muito mais fácil ser confiante e extrovertida via vídeo.
Ele não está aqui comigo.
Ele não está aqui me deixando super molhada e fazendo meu corpo todo se
derreter com apenas um olhar.
Veremos se ele continuará tão impressionado quando estivermos juntos no
mesmo quarto novamente.
21

ELLIE QUANDO DECIDO SAIR COM MINHA AMIGA…

O Sr. Black transfere duzentos e cinquenta mil dólares para minha conta
apenas algumas horas após nossa chamada.
Agora, tenho meio milhão de dólares na conta.
A quantia me parece uma ilusão. Não pode ser de verdade.
Quando a semana começa? Não tenho ideia, o Sr. Black quer que seja uma
surpresa.
Meu trabalho, por ora, é viver meus dias normalmente, fazendo o que quer que
eu faça no dia-a-dia e, eventualmente, ele vai aparecer e me surpreender.
Ele vai me ligar e me pedir para encontrá-lo em algum lugar e eu devo cumprir
suas ordens imediatamente.
Só a ideia de ele me chamar, exigir que eu vá para algum lugar, já me deixa
excitada.
Claro, eu nunca iria concordar com algo do tipo em um relacionamento de
verdade.
Mas isso não é o que temos.
O que eu e ele temos está mais para um jogo. Ele me quer em certos termos, e eu
me entrego a ele em certos termos.
Assim que Caroline chega em casa, ela já está planejando como será sua noite.
Para ela, se arrumar é um longo processo que envolve um banho de uma hora e
uma escolha cuidadosa de roupas e sapatos.
Ela geralmente ouve música muito alto enquanto faz isso, e experimenta umas
dez roupas, me chama para pedir opinião e me diz que ela não tem nada para
vestir em seu closet inteiro antes de acabar decidindo pelo primeiro vestido que
experimentou.
“Por favor, saia hoje. Por favor, por favorzinho”, implora Caroline.
"Sério?" Eu rio. "Eu não ouvia alguém falando assim desde os anos noventa."
"Bem, você me conhece, eu sou vintage", diz ela, tirando um vestido vermelho
perfeitamente fino e trocando o sutiã e a calcinha antes de experimentar a
próxima roupa. “Mas, sério, vamos hoje à noite. Vai ser tão divertido!”
Após alguns minutos debatendo, finalmente decido me juntar a ela.
Não vou a uma balada há muito tempo.
Caroline sempre está indo, mas eu faço mais o tipo caseira.
Provavelmente porque a noite para ela não começa antes das onze, enquanto eu,
nesse horário, já estou de pijamas em minha cama lendo alguma coisa em meu
Kindle.
“Isso!” Caroline pula freneticamente e vem me abraçar. “Eu conheci umas
garotas hoje. Elas foram à galeria e compraram um quadro de cem mil dólares
para seu apartamento novo, na Park Avenue. Elas são podres de ricas, claro.”
Apesar de ter tanto dinheiro, Caroline ainda fica de queixo caído quando se
depara com outras pessoas ricas. Sinceramente, esperava que ela já estivesse
acostumada, nesse ponto.
Eu vou para o meu quarto e abro meu guarda-roupa bem menos luxuoso do que
o dela para procurar algo adequado para vestir.
Infelizmente, eu só tenho dois pares de sapatos de festa e dois vestidos
apropriados para a ocasião.
Eu acho que eu poderia colocar um par de jeans skinny, mas ainda está
relativamente quente e eu quero tentar aproveitar ao máximo o calor que ainda
está disponível para mim antes que o inverno frio e escuro desça sobre
Manhattan.
Enquanto olho minhas roupas, algo me ocorre.
Eu poderia ter comprado esse quadro de Caroline também.
Não que eu fosse gastar tanto em uma pintura.
Em algumas regiões do país, cem mil compram uma bela casa de dois quartos,
mas ainda é um pensamento interessante a considerar. Uau. Eu. Imagina só!
Por volta das dez e meia, Caroline finalmente está pronta.
Esperando por ela há uma eternidade, consegui ler quase metade de um novo
romance que está no topo das paradas da Amazon.
Como estudei Inglês na faculdade, romances são meu prazer secreto.
Adoro me perder pela complexidade das relações, e as cenas de sexo também
não são de todo mal.
Já Caroline não gosta muito deles.
Ela acha que são um lixo e limita suas leituras aos gêneros que os autores
tradicionais gostam de chamar de ficção.
O único problema nisso é que ela mal lê, enquanto eu consigo ler alguns livros
por semana.
Conhecemos as novas amigas de Caroline no fim da fila enorme e cheia de
meninas animadas vestidas em suas melhores roupas para a noite de sábado.
Ambos são loiras, bonitas e parecem ter nascido para andar em saltos stiletto de
dez centímetros.
Eu, por outro lado, sinto que vou cair a qualquer momento.
A fila é longa, mas parece estar andando rapidamente.
Os seguranças fazem seus julgamentos rapidamente e quem não tiver a altura
certa ou não estiver bem vestido não entra.
Homens solteiros basicamente não têm muita sorte.
Pessoalmente, duvido que eles me deixassem entrar se eu não estivesse com uma
companhia tão atraente.
A música dentro do lugar está bombando e a sala está quente e úmida.
O problema das boates em Nova Iorque é que você nunca pode trazer uma
jaqueta ou casaco com você, mesmo quando está dez graus do lado de fora,
porque nenhum lugar tem cabides na entrada e o interior sempre é muito quente
para usá-los, além de ser irritante ficar carregando casacos a noite toda.
Felizmente, as noites ainda estão quentes o suficiente nesse início do outono,
então isso não é um problema.
Caroline e as meninas vão direto para o bar e esperam alguma companhia
masculina vir até elas pagar-lhes uma bebida.
Estou prestes a comprar um drinque para mim, quando Caroline me pára.
“Ei, o que você está fazendo?” Ela pergunta. “Os coquetéis aqui são quinze
dólares.”
Definitivamente, é bem caro. Mas, a esse ponto, não sei se realmente estou a fim
de ficar conversando com um cara em troca de um drinque.
Minha conta bancária está cheia, e minha mente está ocupada pelo Sr. Black.
Já faz mais do que algumas horas desde que concordei em ser dele por uma
semana, e eu ainda não sei exatamente quando essa semana começará.
Seria eufemismo se dissesse que estou ansiosa.
“Tudo bem, de verdade.” Digo. “Quero um Old Fashioned, por favor.”
Isso é meio que um drinque de homem, mas o gosto de laranja amarga é bem
sedutor.
Caroline e suas amigas só balançam a cabeça.
Não importa que sejam ricas. Elas fazem o tipo que nem tentariam pagar por
algo quando um homem pode fazer isso por elas.
Quando meu drinque chega e Caroline está de papo com um cara bonito que faz
o tipo investidor ou banqueiro rico, sinto meu celular vibrando contra minha
coxa. Olho para a tela.
É o Sr. Black.
Me encontre na esquina da Avenida A com a East Second.
10 minutos.
Meu coração acelera.
Não sei onde fica, então procuro o endereço no celular.
Mas não aparece nada.
Estranho.
A única coisa que sei sobre o lugar é que o clube de comédia Upright Citizen’s
Brigade fica bem na esquina. Já estive lá algumas vezes e sempre me diverti
muito.
Cutuco Caroline no ombro e a digo que preciso ir.
“Ah, não, por quê?”
“Preciso me encontrar com o Sr. Black”, sussurro em seu ouvido.
“Sério? Sr. Black?”
Seus olhos se arregalam e um sorriso enorme invade seu rosto.
Claramente, minha intenção de manter a informação em segredo não funcionou.
“Quem é Sr. Black?” Pergunta de imediato uma das garotas.
“Depois eu te conto.” Diz Caroline.
“Não, não conta. Porque você prometeu, lembra?” Eu advirto. “Ele é um amigo
meu.”
“Certo, certo, não vou contar nada.” Caroline sinaliza. Não acredito muito nela,
mas deixo passar.
“Divirta-se!” As garotas dizem com entusiasmo.
Decido ir a pé até o endereço ao invés de chamar um táxi ou usar o Uber.
A noite está incrivelmente quente e Nova Iorque está maravilhosa.
Após alguns quarteirões, meus pés começam a doer dentro dos stilettos, mas a
essa altura, estou muito perto do lugar para me dar ao trabalho de pegar um táxi.
O Sr. Black está parado de pé na esquina, de costas para mim.
Meus olhos pousam em sua bunda, perfeitamente atrevida.
Quando ele se vira, vejo que seu belo corpo está em um terno de três peças sob
medida.
Observando-me enquanto me aproximo, seu olhar frio se derrete e um pequeno
sorriso que se forma nos cantos de sua boca.
Eu sinto um estalo no ar que se forma quando me aproximo mais e mais dele.
É quase como se nossos corpos estivessem exalando eletricidade. A ansiedade é
ensurdecedora.
Quando estou a mais ou menos um braço de distância dele, paramos um
momento para examinar um ao outro. O homem que está olhando para mim é
misterioso, perigoso e, o melhor, é meu por toda a semana.
Eu olho para o rosto dele e fico perdida, como se estivesse em transe. Suas
bochechas parecem ter sido esculpidas por Michelangelo, e suas sobrancelhas
escuras formam uma moldura perfeita para seus olhos profundos com cílios
longos.
Seu nariz é proeminente e forte, para combinar com sua mandíbula e aquela boca
carnuda.
Meus joelhos tremem só com as lembranças do que ele fez comigo no último fim
de semana.
O Sr. Black me pega pelos ombros e me puxa para mais perto dele.
Quando ele aperta seus lábios contra os meus, todo o meu corpo queima por ele.
"Ei, linda", ele sussurra.
Muitos homens usam essa frase, mas saindo de suas bocas ela parece banal e
chata.
Como uma mentira.
Mas quando é o Sr. Black que sussurra essas palavras para mim, sei que ele está
dizendo a verdade.
“Está pronta para hoje à noite?”
“Depende. O que você planejou para nós?” Pergunto.
“Algo muito emocionante”, ele diz devagar.
O tom de sua voz faz calafrios percorrerem meu corpo.
Não sou muito fã de surpresas, mas até agora o Sr. Black me proporcionou
apenas as mais agradáveis.
Ele me encara com tanta intensidade que acho que vou desmaiar.
Ainda não estou acostumada ao poder que tem seu olhar.
É distante, frio e, ao mesmo tempo, extremamente quente.
O Sr. Black pega minha mão e me leva a uma entrada sem placas, que parece
levar a um pequeno prédio de apartamentos.
Nós entramos no elevador de serviço e subimos. Quando saímos, um homem
alto com uma prancheta nos encontra. Ele pede nossos nomes e o Sr. Black dá a
ele o seu e diz que eu sou o seu par.
O homem sorri com aprovação, verifica-o e aponta para que sigamos para a
porta atrás dele.
"Que lugar é este?" Eu pergunto.
"É um clube privado."
22

ELLIE QUANDO AS COISAS ACABAM INDO LONGE DEMAIS…

E u entro no local de mãos dadas com o Sr. Black.


Minha mão fica bem suada e fico um pouco constrangida com isso.
Mas, por mais que eu tente me afastar dele, ele me segura firme.
O quarto em que entramos é romanticamente iluminado.
As paredes são acolchoadas e vermelhas, e os grandes candelabros que descem
do teto emitem uma luz suave e sensual que mais parece milhares de velas
acesas.
As pessoas nesta sala estão bem vestidas como as pessoas da boate.
As mulheres estão de saltos altos e vestidos curtos, sacudindo os longos cabelos
de um lado para o outro.
Os homens estão vestidos em ternos sob medida e parecem que acabaram de sair
de uma sala de reuniões.
Ninguém parece ter mais de quarenta ou quarenta e cinco anos.
No canto mais distante da sala está o bar e o sr. Black me leva direto para lá.
Ele pede um copo do uísque de primeira linha para ele e um Cosmopolitan para
mim.
A bebida rosa clara no elegante copo de martini me faz sentir muito sofisticada.
Andar de mãos dadas com Sr. Black também ajuda.
"Então, o que há de tão especial sobre este clube privado?" Eu pergunto,
tomando um gole e olhando em volta.
Eu já ouvi falar de clubes privados.
Caroline, por exemplo, está morrendo de vontade de entrar em um chamado
SoHo House. Além das pessoas exclusivas que estão lá e da piscina que você
pode usar nos dias quentes do verão nova-iorquino, eu não tenho certeza do
quanto ele realmente oferece.
O Sr. Black pisca para mim, mas não responde.
"É um daqueles clubes de campo super abafados?" Pergunto. “Como nos
Hamptons? Eu já estive lá e eles não são assim tão incríveis.”
Ele balança a cabeça e sorri.
"Tem uma vibe diferente", diz ele, apertando minha mão. Meu coração acelera.
"Me siga."
Agarrando minha bebida, eu o sigo para outro quarto. Quando entro, fico cara a
cara com outro mundo.
Há pessoas transando por todos os lados.
Nos sofás, nas mesas, no bar. Alguns estão em casais, mas a maioria, em grupos
de três. Encaro o Sr. Black com um olhar horrorizado, mas ele responde com um
sorriso e dá de ombros.
“É um clube de sexo”, ele sussura. “Nós não temos necessariamente que
participar, mas seria mais divertido.”
Eu largo sua mão. De repente, a pessoa que pensei ter conhecido se dissipa e eu
fico cara a cara com um estranho.
Sem dizer uma palavra, eu dou meia-volta e saio correndo.
Ele me segue.
Eu não páro no bar; em vez disso, vou até lá fora antes que ele consiga pegar
minha mão e me puxar de volta.
"O que há de errado?" Pergunta ele.
Seus olhos estão arregalados e perplexos.
Ele na verdade não faz ideia de que foi um erro me trazer para esse lugar.
"O que você achou que ia acontecer lá dentro?" Eu pergunto.
"Eu não sei. Pensei que nos divertiríamos um pouco.”
"Bem, essa não é a minha ideia de diversão."
"Eu não entendo", diz ele, balançando a cabeça. Eu posso ver em seus olhos que
ele realmente não está entendendo minha reação. Mas eu não me importo.
Continuo brava com ele.
"Eu preciso ir", eu digo.
"Mas e o nosso acordo?"
“Você está brincando? Pode ficar com seu dinheiro de volta. Eu não me importo.
Você não tinha o direito de me pedir para vir até aqui.”
"Qual a diferença disso para o show que assistimos no iate?"
"É completamente diferente... Nós não estávamos lá, por exemplo", eu digo. Eu
busco mais diferenças, mas além do fato de que havia um vidro nos separando
dos atores, não consigo pensar em nenhuma outra diferença. Merda.
“Não sei.” Eu adiciono. “Só é.”
Sinto vontade de chorar.
Tento manter meus sentimentos para mim, mas é muito difícil.
Aceno para um táxi que está passando e entro nele sem dizer uma palavra.
Assim que o táxi acelera, desabo em lágrimas.
Eu não sei o que aconteceu comigo, mas por alguma razão toda essa experiência
parece completamente diferente do que aconteceu no iate.
Ainda estou chorando quando o táxi pára em frente ao meu apartamento. Eu
entrego ao motorista meu cartão de crédito e mal vejo o que estou escrevendo
quando assino meu nome.
A noite não era para terminar assim.
Era para acontecer mais do que isso.
Enquanto lavo o rosto e limpo o delineador e o rímel dos meus olhos, finalmente
caio na real. A verdadeira razão pela qual fiquei tão chateada foi que eu estava
esperando muito mais.
Eu nem havia me dado conta ainda, mas agora eu tinha sentimentos pelo Sr.
Black. Não, eu nem deveria chamá-lo assim.
Seu nome verdadeiro é Aiden.
Quero dizer, eu realmente pensei que porque ele compartilhou seu nome comigo,
e porque ele queria me ver de novo, isso significaria que ele estava realmente a
fim de mim.
Quão estúpido é isso?
Eu me sinto uma tola.
Eu ando pelo meu apartamento, perdida em pensamentos.
Ligo a televisão para não me sentir tão sozinha, mas eu ainda não consigo lidar
com tudo que estou sentindo.
Continuo pensando no último fim de semana.
Foi uma aventura, ele brincou comigo e me deu prazer de uma maneira que eu
nunca tinha experimentado antes.
Ele deixou de lado seu próprio prazer para me agradar.
Ele me puniu por gozar antes e eu gostei disso.
Eu só queria tudo isso de novo.
E de novo.
Eu nunca conheci um homem assim antes. Não é só o fato de ele ser rico.
Ele também é misterioso e toma as rédeas.
Ele exala poder e isso é muito excitante.
Eu me sento com meu laptop e tento reviver o que aconteceu no iate.
Na história, já tenho cerca de dez mil palavras quando estou prestes a ser
leiloada.
Eu sento e encaro a tela por longos minutos, mas nenhuma palavra me vem à
mente.
Ao contrário de antes, quando as palavras fluíam livremente, agora,
simplesmente não conseguia escrever uma palavra sequer.
Quando penso no leilão, não estou mais animada.
Em vez disso, estou decepcionada e com raiva.
Estou com raiva do que aconteceu e que minhas expectativas em relação a Aiden
aparentemente não estavam de acordo com a realidade.
Eu fecho o laptop e vou para a cozinha.
No freezer, acho um pote de sorvete Ben & Jerry’s de Chocolate Cherry Garcia.
É meu sabor favorito do mundo inteiro.
Fico até surpresa de ainda não ter sido aberto, já que também é o sabor favorito
de Caroline.
Sigo me arrastando até a cama com o pote e uma colher.
A tensão que sinto na nuca não vai embora até que a primeira colherada toca
minha língua.
Algumas colheradas mais tarde, as lágrimas finalmente começam a escorrer.
Ligo a televisão do quarto e começo a focar minha atenção no The Real
Housewives.
Essa série e todos seus spinoffs são minhas favoritas já há muito tempo.
Sinto um conforto emocional, por assim dizer, ao assistir, de forma que não
importa quão ruim esteja minha vida, pelo menos eu não tenho os problemas
delas.
Quando estou na metade do episódio, quando já estou quase na metade do pote
de sorvete, escuto Caroline entrando em casa.
Ela está falando muito alto e rindo, claramente meio bêbada.
Estou prestes a ir falar com ela quando ouço uma voz masculina.
Desligo a televisão, mas, ainda assim, não consigo escutar o que estão dizendo,
mas ouço suas risadas.
Um deles desliga a televisão da sala e eles começam a se beijar.
Os sons de beijos se transformam rapidamente em sons de sexo quando Caroline
começa a gemer alto enquanto ela está sendo empurrada contra o que parece ser
a ilha da cozinha.
Nada disso é novo para mim.
Estou acostumada com isso, claro.
Nós nos conhecemos desde Yale e ela é bastante aberta comigo sobre sua vida
sexual há muitos anos.
Algumas pessoas, com quem eu nunca andaria, a chamariam de vadia.
Mas eu odeio essa palavra.
É sexista porque só se aplica a mulheres que fazem muito sexo.
Um homem na mesma posição é apenas um homem que gosta de sexo.
É qualquer homem solteiro de vinte e poucos anos.
Afinal, o que mais o mundo espera dele?
É isso que eu penso da vida sexual de Caroline também.
Ela é uma mulher moderna e empoderada, que transa quando e com quem quer.
Quando eles estão prestes a acabar, meu telefone toca.
Olho para a tela.
É Aiden.
Clico em ignorar e o jogo para longe sobre a cama.
Não quero ouvir nada que ele tenha a dizer.
Aparentemente, eu estava errada sobre nós, e tudo bem. Mas ele continua
ligando.
Mais uma vez, e outra e mais outra.
Quando meu telefone faz um barulho anunciando que tenho mensagem no
correio de voz, não consigo me segurar e ouço.
“Ellie, me desculpe. Eu não quis te aborrecer de forma alguma. Por favor, atenda
o telefone. Eu preciso muito me desculpar.”
Eu deleto a mensagem, mas uma segunda aparece.
“Ellie, por favor, atenda. Eu sei que você está aí. Eu fui muito idiota. Por favor,
me deixe explicar. Desculpe.”
Quatro outras mensagens se sucedem, dizendo basicamente a mesma coisa.
Uma parte de mim quer falar com ele.
Mas outra parte ainda está brava e machucada, apesar de eu não estar muito
machucada ou brava com ele.
Meus pensamentos clareiam quando acabo o pote de sorvete.
Estou machucada porque sou uma idiota.
Afinal de contas, fui eu que criei expectativas sobre ele que nem ele, nem
qualquer homem, poderia alcançar.
Quer dizer, que diabos eu estava pensando?
Eu o conheci há alguns dias num leilão de sexo, porra.
Por que diabos eu estava esperando que um cara que paga valores exorbitantes
para que garotas passem a noite com ele fosse sentir algo por mim?
E querer algo sério comigo, algo além do que há entre nós?
Que é basicamente sexo?
E por que diabos eu quero ter um relacionamento com ele?
Na verdade, eu não quero.
Não mesmo.
Quero dizer, eu adorei as coisas que ele fez comigo naquela noite, mas isso não
quer dizer que tenhamos nada em comum.
Ele é muito gostoso, tem um corpo de morrer, mas eu não sou assim tão
superficial, certo?
Eu não sou Caroline.
E falando de Caroline…
Por que eu não posso ser mais como ela?
Por que não posso só aproveitar os prazeres sexuais que a vida tem a oferecer
sem ficar parecendo uma garotinha apaixonada?
Há mais na vida do que relacionamentos e amor, afinal.
Há diversão, prazer…
E não tem nada de errado com isso.
E com todos esses pensamentos flutuando pela minha cabeça, eu desligo as luzes
e me deito para dormir antes que o coma induzido por açúcar de todo o sorvete
que acabei de tomar me atinja.
23

MR. BLACK QUANDO NÃO CONSIGO TIRÁ-LA DA CABEÇA...

C onfesso que ainda não processei direito o que aconteceu.


Por que Ellie ficou assim, tão assustada, lá no clube?
Como ela acha esse lugar tão diferente do que vimos no iate?
Havia pessoas fazendo sexo bem na nossa frente e ela estava totalmente excitada
e, como se fosse um jogo, ela também participava.
Talvez ela não seja a garota que eu pensei que fosse, afinal de contas.
E, no entanto, por alguma razão, parece que não consigo tirá-la da minha cabeça.
Merda.
Quer dizer, eu realmente não esperava que ela se juntasse a todos. Eu sei que foi
a primeira vez dela.
Mas eu pensei que nós poderíamos ao menos assistir a um pouco do espetáculo e
então seguir para um dos quartos privados para o nosso próprio jogo.
Ainda assim, acho que eu mereci isso, por assumir que tínhamos alguma coisa
quando ela é só alguém que acabei de conhecer.
A única coisa que eu deveria saber com certeza é que ela não é como todas as
outras garotas.
Ela é diferente.
Talvez seja por isso que estou tão atraído por ela.
Ela não está ansiosa para me agradar ou me fazer rir.
Ela tem suas próprias ideias e opiniões sobre as coisas e não tem medo de
compartilhar.
Ah, seria tão mais fácil ficar com qualquer uma dessas garotas que geralmente
fazem meu tipo.
Elas são tão menos… complicadas.
Depois de vê-la indo embora no táxi, me viro e volto para o clube.
Se ela não quer vir comigo, isso é problema dela. O lugar está lotado de garotas
cheias de tesão que fariam qualquer coisa para ficar comigo.
Peço um Old Fashioned no bar e dou uma circulada para examinar os tipos de
garotas que encontro.
O Clube Aura definitivamente não é como uma boate normal.
Não apenas o lugar é muito caro, mas também superexclusivo, e os donos são
muito bons em permitirem a entrada somente do tipo certo de pessoa para fazer
esse lugar brilhar.
Eu examino em volta em busca de algum flerte. Há uma loira de um metro e
oitenta no canto que agita seus cílios para mim. Ela tem seios grandes, que estão
extravasando para fora de seu espartilho e eles são definitivamente uma visão do
paraíso. Quando eu dou a ela um leve aceno, esse é todo o convite de que ela
precisa.
Para minha surpresa, no entanto, ela não vem até mim sozinha. Ela caminha com
uma morena, que é uns centímetros mais alta do que ela, com as pernas tão
longas que sobem todo o caminho até o meu peito.
"Olá, garotas", eu digo, mostrando-lhes meu famoso sorriso torto que faz as
mulheres desmaiarem.
"Oi, estranho", diz a morena.
Elas se apresentam e eu repito seus nomes na minha cabeça para não me
esquecer.
Mas sei que amanhã elas serão nada menos do que um borrão e a única forma de
diferenciá-las será a cor do cabelo.
“Nós estávamos pensando se você por acaso não gostaria de se juntar a nós num
quarto privado?” A loira sorri para mim, passando seus dedos com unhas longas
pelo meu braço. Meu pau reage quase imediatamente.
“Gostaria, é claro.”
Um quarto privado no clube não é lá tão privado, mas faz parte do conceito de
diversão daqui.
As portas sempre permanecem abertas, e cada quarto tem uma cama enorme do
tipo California King, na qual cabem três, quatro, ou até mesmo seis pessoas,
dependendo da sua vontade.
Há também sofás e poltronas ao redor, caso você realmente queira dar uma
festinha.
A anfitriã nos apresenta à enorme janela de vidro, que nos dá uma boa visão das
sete pessoas em uma orgia que acontece do outro lado.
As pessoas fazem uma corrente humana, lambendo as nádegas e os próprios
lábios.
A cena me deixa muito excitado e também faz meu coração doer um pouco.
Por que eu não poderia, ao invés disso, estar aqui com a Ellie?
Por que ela tem que ser contra isso aqui? O fato de existir uma mulher que eu
não posso ter me deixa irritado.
A morena começa a massagear o corpo da loira e a joga na cama.
Ela imediatamente parte para seus peitos enormes, tirando um após o outro de
dentro de seu espartilho. Enquanto ela beija seus mamilos, a loira estende o
braço até mim e me puxa pela minha calça.
“Não fique tímido”, ela diz enquanto começa a abrir meu zíper.
Fecho os olhos e tento entrar no clima.
Em geral, é fácil. Tenho duas garotas gostosas que estão loucas para transar em
minha frente e depois comigo.
Mas, nesse momento, o que eu sinto é diferente.
Meus pensamentos vão em várias direções, e não consigo me concentrar, não
importa o que faça.
Abro os olhos e vejo uma delas desabotoando minha camisa enquanto corre os
dedos pelo meu peito.
“Você gosta disso, querido?” ela sussurra, lambendo os lábios e ficando de
quatro. Estou de pau duro e meu corpo está pronto, mas não minha mente.
Só consigo pensar na Ellie.
Só consigo pensar no quanto queria que ela fosse a Ellie.
De repente, minha ereção começa a desaparecer. Antes de ficar completamente
mole, me afasto.
"O que há de errado?"
“Nada.”
“Ah, venha cá, eu faço você ficar duro de novo.” Diz ela, agarrando minhas
cuecas.
Balanço a cabeça e tiro suas mãos de mim.
“Desculpe, mas eu não consigo fazer isso. Desculpe.” Digo.
Estou tão surpreso com as palavras que acabaram de sair da minha boca quanto
as garotas.
Seus olhos parecem desacreditados. Elas ficam ao meu redor tentando me
convencer a ficar mais. Mas eu as empurro e saio.
Tudo que eu quero agora é Ellie.
Quero tocá-la. Beijá-la. Envolvê-la em meus braços.
Esperando pelo manobrista trazer meu carro, fico pensando no idiota que me
tornei.
Agora eu sou o cara que recusa um ménage com duas mulheres extremamente
atraentes por conta de uma garota que aparentemente nem quer nada comigo.
Mas que merda.
Quem diabos eu estou me tornando?
Quando meu carro chega e dou uma gorjeta gorda ao manobrista, pego o celular
e imediatamente ligo para Ellie.
Vai direto para o correio de voz.
Fico pensando se deveria deixar uma mensagem de voz e resolvo assim fazer.
Eu sei que ela deve estar com o celular e não quer atender.
Isso me deixa furioso, então ligo mais uma vez e deixo outra mensagem.
Quando ela não atende, quase exalo fumaça de tanta raiva.
Quero gritar com ela.
Por que diabos ela não aceita minhas desculpas?
Por que ela não consegue entender que foi apenas um erro?
Estou arrependido, ok?
Quero gritar ao telefone.
Mas me contenho.
Peço desculpas mais uma vez.
Em um tom mais grosseiro que das outras vezes, mas não deixo minha raiva
transparecer tanto.
De qualquer forma, não estou bravo com ela.
A pessoa com quem estou bravo sou eu mesmo.
Eu subestimei uma garota legal, uma garota de quem eu realmente estou
gostando.
Eu ultrapassei os limites dela.
O clube não é para qualquer um.
Por que diabos eu achei que seria legal levá-la até lá?
Subindo o elevador para a minha cobertura, me sinto ainda mais um idiota.
Um idiota confuso.
Quero dizer, por que Ellie é tão especial?
Por que eu me sinto tão atraído por ela?
Para ser bem honesto, a beleza dela é bem normal. O corpo também. Não é
magra demais, nem tão voluptuosa, nada muito especial.
Ela não é do tipo que vai sair na capa da Vogue. Tem um milhão de garotas
muito mais gostosas e que gostam de aventuras sexuais na cidade.
Eu realmente não sei nada sobre ela.
Que tipo de música ela ouve?
De quais filmes ela gosta?
A gente sequer tem algo em comum?
E apesar de tudo isso… não consigo tirá-la da cabeça.
24

ELLIE QUANDO SEU AMIGO VOLTA…

N a manhã seguinte, acordo com o barulho de batidas na porta.


Levei um momento para lembrar onde estou porque minha cabeça está
martelando depois de todo o açúcar que eu consumi na noite anterior.
Meus olhos estão secos e sinto como se estivessem sendo cortados com lâminas
de barbear. Minha boca parece um deserto, de tão seca. Eu lambo meus lábios
rachados e tropeço para fora da cama.
Na sala de estar, ouço as batidas na porta ficando mais fortes.
Quem diabos poderia ser, assim tão cedo?
Eu olho para o relógio.
Bem, já passou das dez, mas ainda assim.
Quem é que aparece na porta dos outros hoje em dia?
Eu olho pelo olho mágico e vejo que é Tom.
"O que você quer?" Eu pergunto, abrindo a porta.
"Eu preciso falar com você."
"Eu não quero falar com você", eu digo.
"Ouça, estou aqui para me desculpar. Eu realmente sinto muito sobre tudo o que
eu disse.”
Eu tento fechar a porta, mas ele coloca o pé no batente.
"Tudo bem", eu digo. "Mas eu não quero conversar agora."
"Eu quero", diz ele, dando de ombros. "Eu briguei com a Carrie."
Eu olho para ele e para baixo.
Ele parece patético.
Como um cachorrinho perdido.
Não posso deixar de ter empatia com ele, com a situação.
Apesar do que ele me disse, somos amigos há muito tempo.
E eu o odeio e amo por isso.
“Preciso falar com você, Ellie. Por favor,” ele diz, olhando direto nos meus
olhos.
Alguns fios de cabelo caem em seus olhos, dando-lhe um olhar misterioso e
sensual, o que sempre faz meu coração derreter.
Não, eu tenho que ser forte. Estou cansado de suas besteiras. Eu já o superei.
"Eu realmente sinto muito. Eu não quis dizer nada daquilo. Eu só... não queria
que você fosse embora. Com quem diabos eu vou conversar naquele lugar
agora?”
Argh, como posso dizer não àquele rostinho?
Seu olhar se volta para mim, aqueles olhinhos pidões.
"Tudo bem." Eu finalmente desmorono.
Eu me olho no espelho enquanto o deixo entrar.
Meu cabelo está uma bagunça.
Aquela febre da internet que é o coque soltinho faz parecer que não tomo banho
há três dias.
Estou completamente sem maquiagem, e tenho uma espinha enorme perto da
minha sobrancelha. Não é que eu queira tentar parecer ajeitada para o Tom.
É só que sempre me obrigo a passar ao menos um pouco de corretivo, rímel e
base antes de deixar que o mundo me veja. Isso me dá uma certa confiança,
como se a maquiagem fosse meu escudo.
Mas não terei esse luxo hoje de manhã.
Faço uma xícara de café para ele e espero.
Costumávamos passar horas conversando.
E agora, ele parece mais um estranho do que um amigo. Tento me lembrar
quando tudo mudou.
“Ouça, desculpe, certo? Eu fui um idiota, um idiota completo.” Diz ele, tomando
o primeiro gole. “Sua demissão me pegou de surpresa.”
“Sim, eu sei.” Dou de ombros.
“O que você vai fazer agora?”
“Estou escrevendo. Provavelmente um livro, mas ainda não sei.”
“De que gênero?”
Em Yale, Tom era sempre a pessoa que escutava meus problemas com a escrita.
Ele sempre foi a pessoa que acreditou em mim.
Era a ele que eu sempre corria quando era rejeitada pelos jornais universitários.
“Na verdade, é uma coisa um pouco diferente. Quero dizer, diferente de tudo que
já escrevi.”
“Sério? Fiquei curioso. Sobre o que é?”
Uma parte de mim não quer contar a ele.
Ele não sabe de nada sobre o Sr. Black ou o que aconteceu na festa no iate, só
sabe que eu fui à festa.
Francamente, não sei se deveria manter isso assim ou não.
“Te conto outra hora.” Digo, para ganhar tempo. “E então, o que aconteceu com
a Carrie?”
“Não sei direito. Toda essa coisa do casamento a está deixando louca.”
Aceno com a cabeça.
“Um casamento no Dia dos Namorados me parece bem legal.”
“Talvez. Mas é na metade de fevereiro, não é exatamente uma época de
casamentos. Os pais delas não estão muito contentes. E como são eles que estão
pagando por tudo… sei lá. É irritante. Tem drama familiar demais envolvido
para o meu gosto.”
Não sei bem como responder.
Não é surpresa que eu não gosto muito da Carrie, mas isso não significa nada.
“Mas você a ama, certo?” Pergunto.
“Sim, claro.” Ele responde um pouco rápido demais. “Mas estou começando a
achar que nos apressamos muito em tudo.”
“Sim, vocês começaram a namorar em janeiro do ano passado, não?”
Ele acena com a cabeça.
“Não me leve a mal, mas eu achei que você fosse dar mais tempo às coisas.
Quero dizer, você não teve muitos relacionamentos antes desse.”
“Eu sei. É que quando ficamos juntos, foi como um furacão de sentimentos. E
nos damos muito bem. Eu quis pedi-la em casamento simplesmente porque achei
que era a coisa certa no momento.”
Ah, o casamento predestinado.
Lembro-me tão bem daquela noite.
Foi uma surpresa tão grande para mim quanto foi para Carrie.
Foi a noite da sua formatura.
Carrie tinha se formado há dois anos, mas ela estava lá para ver Tom subir no
palco.
Depois, nos juntamos com vários amigos para comemorar com o que deveria ser
uma noite de muita devassidão e bebedeira.
Mas então, no meio da festa, Tom virou para Carrie e a pediu em casamento.
E ela disse sim.
Óbvio, teve muita devassidão e bebedeira da minha parte depois disso, mas não
para celebrar nada, é claro.
“Pensei em pedir ela em casamento e então teríamos um longo noivado. Tipo um
ano ou dois antes de começarmos a planejar o casamento. Mas ela ligou para
seus pais e a mãe dela contratou um organizador de eventos naquele fim de
semana mesmo.”
“Uau, não sabia dessa parte.”
“Sim, você não estava exatamente lá para saber.” Ele diz com um tom de
reprovação. “Por que mesmo?”
“O que você quer dizer?”
“Você foi minha melhor amiga durante a faculdade. Aí eu comecei a sair com a
Carrie e as coisas ficaram esquisitas entre nós.”
“Você realmente não sabe?”
Ele dá de ombros.
Bem, eu poderia falar para ele agora mesmo.
“Eu gostava de você, Tom. Eu achei que estivesse apaixonada por você durante
quase dois anos.”
“Sério? Mas você nunca me disse nada”
“Bem, eu ia dizer, mas aí você e a Carrie começaram a namorar.” Digo, tentando
evitar trazer à tona aquele beijo falho que ele me deu depois do meu término de
namoro, quando eu não estava preparada nem mesmo para ficantes, muito menos
um ficante que era meu melhor amigo.
“Eu não sei como diabos a vida foi ficando tão complicada, Ellie. Quero dizer, as
coisas pareciam tão mais fáceis na faculdade, não acha?”
“Sim, pareciam. Mas, de novo, era a faculdade. Não tínhamos um emprego ou
responsabilidades. Ou noivados.”
“Os pais da Carrie estão comprando um apartamento de dois quartos na Park
Avenue para a gente como presente de casamento.”
“Uau, deve ser bem legal.”
“É e não é. Quer dizer, gosto de onde eu moro.”
“Mas você não espera que ela se mude para seu estúdio de merda com seu ar-
condicionado quebrado que não funciona metade do tempo, né?” Digo. “Quero
dizer, os pais dela fazem seu pai parecer paupérrimo.”
Tom dá de ombros e olha para o outro lado.
“Escute, Tom, não fique assim. Ter bastante dinheiro não é tão ruim.” Eu digo,
abraçando-o. “A maioria das pessoas sonham com uma vida assim.”
“Eu sei, mas não eu.”
Eu sei exatamente com o que ele está preocupado. Eu o conheço há muito
tempo.
“Você não vai se vender a esse mundo só por ir morar na Park Avenue. Além do
mais, quem sabe isso não te dá o tempo e o espaço para focar na sua carreira de
escritor.”
“É, talvez.” Ele diz, não muito convencido.
“Você quer escrever sobre política, certo? Bem, casar-se com uma garota rica vai
te dar todo o dinheiro de que você precisa para seguir as campanhas e escrever
sobre tudo o que está acontecendo em tempo real.”
“Tirando o fato de que Carrie e o pai dela têm outros planos para mim. Eles
querem que eu vá para a área corporativa. O pai dela me quer debaixo da sua asa
e quer que eu assuma o BuzzPost.”
“Uau, isso é algo… grande.”
“Sim, é mesmo. Mas eu não quero ser um fantoche corporativo. Quero escrever
o que eu quero escrever. A única razão pela qual eu comecei a trabalhar no
BuzzPost foi ter uma chance de escrever os artigos sobre política.”
“Bem, você pode conversar com a Carrie sobre isso, certo? Ela é a editora,
afinal.”
Tom balança a cabeça.
“A decisão não é toda dela. Ela é filha única e não está interessada em assumir a
empresa no futuro. Então o pai dela está procurando alguém dentro da família.”
Não sei o que dizer, então vou fazer outra xícara de café.
Assim que estou prestes a me virar, sinto algo atrás de mim.
Tom se curva, levantando meu rosto até a altura do seu.
Então ele pressiona seus lábios contra os meus e inspira devagar.
Dois anos atrás, nosso primeiro beijo foi completamente errado, mas esse está
muito melhor.
Mas o momento parece totalmente forçado e errado.
“O que você está fazendo?” Eu me desvio imediatamente.
“Eu quero você, Ellie.” Ele sussurra, quase incapaz de conter as lágrimas.
“Você está noivo. E eu estou…”
“O quê?”
“Eu estou com alguém. Mais ou menos.”
É bem difícil explicar o que eu e o Sr. Black somo, exceto pelo fato de que eu
daria qualquer coisa para que ele estivesse aqui no lugar de Tom agora.
“Isso não é bom, Ellie. Nós devíamos estar juntos, você não percebe?”
“Tom, somos amigos. Você está noivo. Eu estou aqui para você, mas não posso
estar com você. Eu não quero. Primeiro, você precisa pensar no que você fará
quanto à Carrie.”
“E se eu terminar com ela?”
“O quê? Como você ousa dizer isso?”
“Eu tenho uma chance com você se eu terminar com ela?”
“Eu não acredito que você está me perguntando isso”, respondo. “Não, claro que
não. Eu não sinto mais o mesmo por você, Tom.”
“É mentira”, ele sussurra, e dá para ver que ele não está completamente
convencido.
“Eu já superei você, Tom. Você precisa descobrir o que você quer com a Carrie
sozinho. Mas não me leve em consideração nessa decisão.”
Apesar de eu já não sentir mais o mesmo em relação a ele, não tenho certeza de
que o que estou dizendo é completamente verdade.
O que tenho certeza é que não quero me envolver em todo o drama da Carrie
agora.
E também sei que quero ver o Sr. Black - também conhecido como Aiden - de
novo, apesar de tudo que aconteceu entre nós.
Tom se afasta de mim e enche outra xícara de café.
“Então, me conte como vai a escrita.”
Eu quero que ele vá embora, mas também quero virar a página sobre tudo o que
acabou de acontecer.
E se eu o mandar embora agora, a tentativa falha de beijo ficará sempre lá, como
um elefante gigante num quarto, nos perseguindo.
Talvez mudar de assunto agora não seja tão má ideia.
“Eu realmente não sei o que dizer”, dou de ombros. “Eu quero tirar um tempo do
trabalho e tentar ajeitar minha vida. Principalmente, o que quero escrever.”
“E o que você tem até agora?”
“É um pouco fora do convencional… É sobre sexo.”
“Sério?” Ele dá risada.
“O que tem de tão engraçado?”
“Você não faz o tipo, eu acho.” Diz ele, sorrindo.
“Como se você fizesse.”
“Bem, é só diferente dos seus outros temas, foi o que eu quis dizer.”
Tom é a única pessoa que já leu tudo que já escrevi.
Eu escrevo praticamente desde que me entendo por gente, desde criança.
Escrevi várias fanfics quando adolescente, na época em que adorava Harry Potter
e Crepúsculo. Só em Yale, porém comecei a escrever coisas mais sérias.
Nessa época, devorei revistas literárias com o entusiasmo de uma mulher
faminta e escrevi histórias que eu achava que cairiam bem lá.
Na maior parte, elas eram sobre coisas bem mundanas - você sabe, o tipo em que
não acontece muita coisa - mas tinha toda uma profundidade, algo metafísico.
Tom me ofereceu muitas críticas e sugestões, mas nenhuma delas resultou em
qualquer publicação, muito menos dinheiro.
“Não é só sobre sexo. É um romance sobre uma garota que se apaixona por um
homem atraente e rico”, eu digo.
"Um romance sobre um romance?"
"Sim. Eu tenho lido muito no meu Kindle recentemente e acho que seria a
melhor maneira de descrevê-lo.”.
"Sério?" Ele ri.
“Ouça, eu sei que não é bem o tipo intelectual das histórias em que trabalhei
antes. Mas essas histórias ainda não viram a luz do dia. Elas me tomaram um
mês de trabalho para duas mil palavras, e para quê? Ninguém as viu, muito
menos as leu ou pagou algum dinheiro por elas. Tudo o que tenho para mostrar
sobre elas é uma pilha de rejeições.”
"E você acha que essa sua nova história tem mais potencial?"
"Sim, acho. Está bem de acordo com o que tenho lido na Amazon. Além disso, é
bem divertido escrever sobre sexo. Todos esses detalhes suculentos. É realmente
indulgente.”
"Ok", diz Tom, balançando a cabeça e levantando as sobrancelhas. "Ei, você não
precisa da minha permissão, é claro."
"Não, não mesmo", eu confirmo. "O quê? Que cara é essa?”
"Nada. Eu acho que é preconceito de minha parte, mas eu nunca imaginei você
lendo, muito menos escrevendo esses romances inúteis.”
"Isso é meio elitista, não acha? E um pouco preconceituoso?”
"Por quê?"
“Bem, porque você nunca leu um romance na sua vida. E você está aqui fazendo
seu julgamento sobre eles e o público que os lê. Eles são feitos para se divertir.
São uma válvula de escape. Uma fantasia. Eles não são diferentes de histórias
fantasiosas ou aqueles thrillers incríveis. E o que você tem contra, de qualquer
forma, se eu estou me divertindo enquanto escrevo?”
Tom pondera por um momento e finalmente desmorona.
"Acho que você está certa. É sua escrita, afinal. Você pode escrever o que
quiser.”
"Sim, posso."
"Então, não querendo falar de dinheiro de novo, mas você vai pedir ajuda ao
Mitch agora?" Tom pergunta depois de um momento. Ah, merda. Lá vem o tema
dinheiro novamente. Para alguém que finge não se importar com dinheiro, Tom
com certeza se insinua em todas as conversas.
"Não, mas por que você se importa?"
"Sério? Você encontrou algum tipo de Santo Graal onde você pode escrever o
que quiser e ainda pagar suas próprias contas?”
"Escute, eu vou te dizer uma coisa, mas tem que prometer que não vai ficar
bravo, ok?" Eu digo. Ele concorda.
"Bem, na semana passada, na festa do iate, eu conheci uma pessoa", eu digo.
Eu escolho minhas palavras com cuidado, pois não tenho certeza se quero
revelar tudo o que aconteceu lá.
Ainda não, de qualquer forma. Tom não diz nada e apenas espera que eu
continue.
“Eles tinham esse tipo de jogo lá. Tipo um jogo sexual.”
"O quê?!" Ele suspira.
“Ouça, está tudo bem. Foi divertido, na verdade. Foi um leilão. As garotas foram
basicamente leiloadas por uma noite de... enfim. Mas você não precisava
participar, a menos que quisesse. Foi tudo muito divertido.”
Assim que as palavras escapam da minha boca, eu imediatamente me arrependo
de trazer o assunto à tona.
O olhar no rosto de Tom diz tudo.
“Espere, então deixe-me ver se entendi. Você se leiloou para o maior lance. Fez
sexo com algum cara bizarro a noite toda e agora você tem dinheiro suficiente
para não trabalhar e fazer o que quiser?”
“Foi apenas um jogo, Tom. Foi muito divertido. E ele não era bizarro, de jeito
nenhum."
“Qualquer homem que pague por uma mulher desse jeito é um canalha, Ellie.”
“Você acha isso? E o que isso faz de mim, então?” Pergunto.
“Ei, eu não tenho medo de dizer.”
“Você está me chamando de vadia? É sério?”
“Se a carapuça serve.”
“Vá se foder, Tom. Saia da minha casa! Já.”
“Escute, desculpe.” Ele começa a voltar atrás sobre o que acabou de dizer. Mas,
sinceramente, não estou a fim de ouvir.
“Quero que você saia agora.” Digo, abrindo a porta da frente e esperando que ele
vá embora.
25

ELLIE
QUANDO ELE LIGA DE NOVO...

E u bato a porta com toda minha força assim que Tom sai.
Eu o odeio pelo que disse.
Por que ele tem que ser tão idiota às vezes?
Eu sei que ele está enfrentando vários problemas, mas isso não significa que ele
tem o direito de fazer com que eu me sinta mal.
De repente, todas as coisas que eu poderia ter dito vêm à minha cabeça.
Esse é um dos meus problemas.
Quando me insultam, eu geralmente fico sem palavras. Fico tão chocada com o
que a pessoa acabou de falar que sequer respondo.
Eu o coloquei para fora, mas eu poderia ter dito tantas coisas para ele.
Por exemplo, ‘e quanto a você? você finge não se importar com dinheiro e vai se
casar com uma das mulheres mais ricas de Nova Iorque?’.
Ou então ‘ao menos eu gosto do Aiden. E você? Você está noivo mas, no fundo,
não aguenta mais a Carrie e tenta beijar sua melhor amiga’.
Ouço o toque do meu celular, de novo, estragando meu fluxo de pensamentos.
Olho para a tela.
É o Sr. Black.
De novo.
Deve ser a sétima chamada dele desde ontem à noite.
Penso em não atender, mas meu dedo aperta o botão antes mesmo de eu
conseguir me segurar.
“Alô?”
“Ellie, é você?”
Sua voz é apressada, frenética até.
Preocupada.
Este não é o Sr. Black chamando.
Este é o homem por trás de todo o mistério.
É Aiden.
"O que você quer, Aiden?" Eu pergunto.
"Eu não sei se você recebeu todas as minhas outras mensagens, mas eu só queria
me desculpar novamente. Me desculpe por ter levado você até lá. Eu
sinceramente não sabia que isso seria um problema. Mas eu deveria ter
imaginado.”
"Ok", eu digo devagar.
"Posso fazer as pazes com você?"
“Escute, Aiden, eu posso devolver seu dinheiro.”
"Eu não dou a mínima para dinheiro."
“Não acho que essa vida é para mim. O iate foi maravilhoso, mas acho que é
demais.”
“Eu entendo. Estamos indo rápido demais.”
“Eu não sei se quero fazer isso de novo. Acho que temos interesses diferentes.”
Há uma pausa do outro lado da linha.
“Ellie, eu só quero te conhecer melhor. Só isso. O clube foi demais para você, e
eu sei disso agora. Mas posso te levar para um encontro normal? Um jantar, e
nada mais? Só para nos conhecermos melhor.”
“Só um jantar?” Pergunto. “Sem compromissos. Sem Sr. Black?”
“Não, nada de Sr. Black. Só um encontro normal comigo, Aiden Black.”
Penso nisso por um momento.
Eu realmente gosto da ideia.
Há muita química entre Aiden e eu, mas a noite no iate me fez querer conhecê-lo
melhor.
Quem é Aiden Black de verdade?
“Tudo bem.” Eu digo após um momento. “Tudo bem.”
“Tudo bem mesmo? Ótimo. O que você acha de amanhã às sete? Passo na sua
casa te buscar.”
“Uau, vai ser um encontro bem tradicional, então?”
“É exatamente o que eu prometi. E eu sempre mantenho minhas promessas.”

O DIA PASSA VOANDO enquanto tento decidir o que irei vestir.


Meu guarda-roupas não é tão grande ou variado quanto o de Caroline, então
decido invadir o dela.
Como muitas amigas e colegas de quarto, nossos armários acabaram se
combinando e virando um, porém as minhas roupas geralmente são bem mais
baratas.
Eu experimento três vestidos pretos curtos e quatro sapatos. Nunca fui fã de
saltos, mas não vou mentir, amo como eles fazem minhas pernas parecerem mais
longas. Experimento também jeans skinny e algumas blusas. Sempre me sinto
muito mais confortável de calças do que com vestidos, e com um top legal, as
calças não cairão mal. Além do mais, elas fazem minha bunda ficar bem bonita.
Acabo escolhendo um par de jeans bem justo, saltos e uma blusa vermelha
brilhante que aumenta meus seios.
E agora, o que faço com meu cabelo?
Eu olho para o meu cabelo ondulado até o ombro com textura de palha, que
tende a cair ao redor do meu rosto. Lavei hoje mais cedo, deixei secar
naturalmente, o que fez com que alguns fios se separassem e se enrolassem de
forma esquisita. Eu corro uma escova através dos fios e pego a prancha.
Depois de aplicar um pouco de calor e enrolar as pontas um pouco para suavizar
o look, eu decido que estou farta de me preocupar com o meu cabelo.
Esse é o segredo de cabelos lisos.
Se você não mexer muito, as pessoas acham que você está com um look meio
praia, e gosto disso.
Depois de aplicar corretivo e base, delineador e preencher minhas sobrancelhas
com uma sombra, passo uma camada de rímel.
Checo no espelho.
Parece bom.
Bonita, mas não arrumada demais.
Caso tudo saia do controle, eu não coloquei tanto esforço em me arrumar.
Esse sempre foi o meu lema sobre me vestir. Eu nunca quero ser a pessoa mais
elegante do lugar.
Ao contrário de Caroline, que gosta de aproveitar qualquer oportunidade para
usar o mais extravagante dos vestidos, eu até prefiro parecer um pouco mal
vestida.
Odeio quando parece que estou tentando demais.
É a minha armadura contra o mundo - para ser sempre um pouco frágil.
Meu interfone toca às sete em ponto.
Eu abro e espero que ele suba.
De pé ao lado da porta, começo a tremer.
Fico petrificada.
Não estamos mais jogando.
Não é mais um estranho misterioso vindo me ver.
É Aiden, não o Sr. Black.
Por alguma razão, o personagem Sr. Black fazia eu me sentir segura.
Com ele, eu me sentia interpretando um papel, enquanto ele tinha outro papel e,
enquanto continuássemos interpretando, não nos machucaríamos.
Não de verdade.
Pois o mundo era nosso palco e nosso relacionamento era de mentirinha.
Uma peça elaborada na qual estrelávamos nossos papéis.
Abro a porta quando o ouço bater.
Minhas mãos estão geladas, e meu corpo treme embora esteja relativamente
quente no apartamento.
“Olá”, Aiden diz suavemente, abaixando um pouco o queixo e deixando que
algumas mechas de seu cabelo escuro caiam sobre seus olhos amendoados.
“Oi”, eu sussurro de volta.
Estou tão nervosa que sinto meu coração na boca.
“Você está pronta?”
Aceno, pego minha bolsa e tranco a porta.
Enquanto esperamos pelo elevador, Aiden pega minha mão e a aperta
gentilmente.
Quando eu olho para ele, ele responde com um sorriso.
Sua pele é bronzeada e o rosto é angulado, com uma mandíbula bem forte e
lábios carnudos.
Sinto arrepios sempre que ele os lambe.
“Não queria tocar de novo no assunto, mas sobre o que aconteceu… queria me
desculpar de novo. Pessoalmente.” Ele diz. “Saí da linha te levando para lá.”
“Tudo bem.” Eu resmungo e o sigo até o elevador. “Desculpe por ter ficado tão
chateada.”
“Você tinha todo o direito.”
Quando chegamos lá embaixo, ele me leva até seu Tesla, novinho em folha, e
abre a porta para mim.
O interior é o carro mais luxuoso em que já estive. O cheiro é de carro novo, e a
sensação também.
Enquanto nos afastamos da calçada, sinto as pessoas encarando.
Seria de se esperar que as pessoas nessa parte de Manhattan, e em Manhattan em
geral, estivessem acostumadas com carros de cem mil dólares por aí, mas ainda
assim eles atraem muitos olhares.
As janelas são escuras, então eu olho em volta sem me preocupar em encontrar
pessoas me fitando.
"Aonde estamos indo?" Eu pergunto.
"Você já vai ver", diz Aiden, piscando para mim.
Ele parece incrível ao volante.
Seu terno perfeitamente adaptado abraça todas as curvas e músculos sem subir
ou deixá-lo um pouco desajeitado enquanto dirige.
Por um momento, enquanto nós percorremos as ruas um tanto vazias e
completamente impermeáveis ao mundo ao nosso redor, parece que estamos em
um comercial de carros.
Tudo é perfeito e eu não quero fazer nenhum som para não quebrar a magia do
momento.
Viramos para a Quinta Avenida e paramos nos degraus de um prédio que
conheço muito bem.
É a Biblioteca Pública de Nova Iorque "O que estamos fazendo aqui?" Eu
pergunto.
É um lugar onde é proibido estacionar, mas Aiden desliga o motor e sai do carro.
Eu olho para fora da minha janela e vejo um tapete vermelho brilhante descendo
os degraus majestosos, que percorre todo o caminho até o carro. Aiden me dá a
mão para me ajudar a sair do carro.
"Não, sério", eu digo. "O que estamos fazendo aqui? Você tem um livro
atrasado?”
Ele sorri timidamente. "Vamos jantar aqui."
"Aqui?" Eu pergunto enquanto ele me leva pelo tapete vermelho até o topo das
escadas de mármore.
Ele me leva além dos dois enormes leões de pedra da entrada, apelidados de
Paciência e Fortaleza pelo ex-prefeito de Nova Iorque, Fiorello La Guardia. Eles
guardam a entrada principal com toda sua força.
"Este é o meu lugar favorito em Nova Iorque", eu digo.
“Mesmo?”
“Sim, sempre amei bibliotecas, e essa aqui merece o topo da minha lista. Já
estive aqui um milhão de vezes. Passei infinitas horas entre as prateleiras e nas
salas de leitura, especialmente quando estava enfrentando momentos difíceis.”
“Bem, é um dos meus lugares favoritos também”, diz ele, para minha surpresa.
Não pensei que um CEO de uma empresa de tecnologia teria muito tempo de ler
por prazer. “É bonito e majestoso, não é? Por isso quis te trazer aqui.”
“Não imaginava”, sussurro.
“A sala de leitura Rose Main é um dos meus lugares favoritos para me isolar de
tudo”, diz Aiden, apertando minha mão.
“É para lá que vamos agora?” Pergunto.
Ele balança a cabeça.
“Não. Tenho uma surpresinha para você.”
Eu caminho ao seu lado enquanto ele me leva até a sala Celeste Bartos, que está
completamente ornamentada com flores.
Não entendo nada sobre flores ou os diferentes tipos, mas a sala parece ter sido
enfeitada para um casamento.
Tem luzes roxas e rosas ao redor dos assentos, chamando atenção para o teto de
vidro de trinta metros de altura.
“Isso é maravilhoso”, eu digo.
Em meio aos sessenta e quatro mil metros quadrados há uma mesa para dois.
“Sinto como se estivéssemos invadindo uma festa alheia.”
“Não estamos. Isso é tudo para nós”, diz Aiden.
Balanço a cabeça.
Sinto uma pontada no peito e sei que as lágrimas não demorarão muito. Eu
respiro fundo e tento mantê-las longe.
"Você está bem?" Aiden olha diretamente em meus olhos.
"Não. Quero dizer, sim. É que nunca ninguém fez algo assim para mim antes.”
"Eu queria que nosso encontro fosse especial", diz ele.
"Eu pensei que íamos ir a algum restaurante chique, eu não achava que você
fosse reservar a Biblioteca Pública de Nova Iorque, meu Deus."
"Se você não gostar, podemos ir para outro lugar", diz ele rapidamente.
“Não, não é isso. Isso aqui é... isso é mais do que qualquer outra pessoa já fez
por mim. É perfeito. É... demais. Eu sinto que estou mal vestida.”
Aiden me olha de cima a baixo e balança a cabeça.
"Não, você está perfeita. Você é a mulher mais linda do mundo agora.”
Minhas bochechas se coram de vergonha e eu tenho que desviar o olhar.
Ele pega minha mão e me leva para a mesa.
Ele puxa a cadeira para mim e depois a desliza para baixo.
Quando ele se posiciona em frente a mim, eu vejo como os reflexos das velas
dançam em seus olhos profundos e me perco no momento.
O garçom, vestido com um impecável smoking branco, aparece com uma toalha
no braço.
Eu nunca soube para o que elas serviam, além de fazê-los parecerem muito
chiques.
Ele nos pergunta o que gostaríamos de beber e Aiden pede uma garrafa de vinho
para nós. Eu não entendo muito sobre o vinho, mas o garçom parece
impressionado com sua escolha.
"Tudo bem que eu pedi para você?", diz ele. “É que você precisa experimentar
este vinho. É incrível."
“Sim, tudo bem. Eu sou meio burra mesmo quando se trata de vinhos. É por isso
que eu costumo apenas pedir mojitos e margaritas nos bares.”
"Se você preferir, eu posso pedir isso."
"Ah, não, isso é perfeito", eu digo.
26

ELLIE
QUANDO ELE ME CHAMA PARA SUA CASA…

D urante o jantar, me perco totalmente nos olhos de Aiden.


Ele me olha como se eu fosse a única garota que importa no mundo.
Não consigo me lembrar da última vez que alguém me olhou assim.
Talvez ninguém nunca tenha me olhado assim.
De início, não conversamos sobre nada muito sério, mas então ele me pergunta
sobre o trabalho.
Não sei o que dizer e penso em mentir. Mas não quero mentir para ele.
Não sobre tudo.
“Não estou mais trabalhando lá.” Digo, pegando um pedaço de salmão, que foi
tão bem preparado que quase derrete em minha boca.
“Não?”
“Eu saí. Odiava minha chefe e quando ganhei seu dinheiro aquela noite… fiquei
pensando, por que continuar me sujeitando a isso?”
“Gosto disso”, ele diz, sorrindo.
“Você gosta de me ver desempregada?”
“Não, eu gosto de ver uma mulher correndo atrás de seus sonhos.”
Minhas bochechas se coram. “O que te faz pensar que é isso que estou fazendo?”
“Não sei, mas tenho esse pressentimento. Você ama escrever. E parece ser algo
que te devora se você não fizer.”
Como é que ele sabe tanto sobre mim? É como se ele tivesse hackeado a minha
alma e tido acesso a todos os meus segredos mais profundos e sombrios.
“Como você é espertinho.”
Ele dá de ombros. Aquele brilho sempre presente em seus olhos parece
desaparecer por um momento.
“O quê?” Eu pressiono.
“Eu identifico uma pessoa criativa quando vejo uma”, diz ele após um momento.
“Houve uma época, há muito tempo atrás, em que tive interesse por algo além de
computadores.”
“Sério?” Eu me ajusto na cadeira, mostrando interesse. “Como o quê?”
“Na verdade, eu gostava de pintar.” Diz ele. “Aquarelas principalmente, mas às
vezes tinta à óleo, também. Eu comecei desenhando, mas quis fazer uma
bagunça maior do que os lápis de cor me permitiam.”
“Uau, não fazia ideia.” Eu sussurro.
Isso me pegou de surpresa.
Por fora, Aiden Black é um homem forte, bilionário com uma empresa enorme
para dirigir. Ele é praticamente a última pessoa que você imaginaria pintando no
tempo livre.
“E você ainda pinta?” Pergunto.
“Às vezes, tarde da noite. Quando não consigo dormir. Infelizmente, não tenho
mais muito tempo para hobbies.”
“É o que eu pensava, também.” Digo. “Até um certo alguém me dizer que há
certas coisas na vida que são mais importantes do que trabalho e um emprego.”
Aiden joga a cabeça para trás enquanto ri.
“Qual o problema? Você não gosta quando alguém joga seus próprios conselhos
de volta para você?”
“Não, não é isso. É que eu não tenho um emprego simplesmente, para colocar
assim. Eu dirijo uma multinacional inteira. O principal concorrente da Owl é a
Amazon - então, não se trata de um peixe pequeno, também. E eu realmente amo
o que eu faço. Pintar também é uma paixão, mas não tanto quanto a Owl.”
Aceno com a cabeça. Seus olhos indicam que ele está dizendo a verdade.
Quando o garçom chega com o menu de sobremesas, sacudo a cabeça
negativamente e digo que já estou cheia.
“Certo, mas que tal pegarmos sobremesa para levar?” Pergunta Aiden. “O
mousse de chocolate deles é sensacional.”
“Tudo bem.” Eu desisto.
“Podemos levar e comer lá em casa.”
Meus olhos se arregalam com a ideia. “Sua casa?”
“Sim, quer dizer, se você quiser. Podemos tomar um café e sobremesa.”
“E é isso?”
“Eu sou um cavalheiro, Ellie” diz ele com uma piscadela.
Ah, sim, claro, eu sorrio.
Eu sei exatamente o tipo de cavalheiro que ele é.
Eu vi alguns de seus trabalhos na cama.

Mas isso só me deixa ainda mais animada para ir com ele para casa.

A IDEN ESTACIONA RENTE à calçada em frente ao seu apartamento na Park


Avenue.
Depois de dar uma gorjeta ao manobrista, ele diz olá ao porteiro que segura a
porta para nós e nos recebe lá dentro.
A portaria tem todo o charme de um prédio pré-guerra, mas também todas as
comodidades de um prédio contemporâneo. Há portaria 24 horas, um restaurante
requintado, serviço de quarto sob demanda e uma academia.
O apartamento de Aiden fica no vigésimo quarto andar da famosa Ritz Tower, de
Emery Roth, bem acima da Park Avenue.
Uma vez que entramos, a primeira coisa que noto é como o lugar é silencioso.
Nenhum dos ruídos da cidade lá fora penetram lá dentro.
É tão silencioso que parece que estamos em algum outro lugar do país, a
quilômetros de distância de Manhattan. Meus saltos fazem um som de
marteladas enquanto caminhamos ao longo do piso de madeira.
Olhando para cima, vejo molduras espessas e pés direitos duplos de cinco metros
por toda parte.
O elegante hall de entrada me dá as boas-vindas a essa cobertura sofisticada, que
leva à sala de estar ampla e ensolarada, com suas cinco janelas enormes.
Passamos pela cozinha supermoderna com armários planejados, bancadas de
mármore e eletrodomésticos metálicos reluzentes.
“Você cozinha muito?” Pergunto.
Ele dá de ombros. “Não tanto quanto eu gostaria.”
Um amante que também gosta de cozinhar? Parece perfeito.
“Eu não sei nem fazer ovos mexidos.” Confesso.
“Bem, acho que teremos que trabalhar nisso, não?”
Aiden abre uma cabine, que eu pensava ser a despensa, mas é na verdade uma
grande adega.
Ele leva alguns momentos para decidir o vinho que quer.
“Antes de bebermos, posso fazer um tour pelo resto da casa?” Pergunto.
"Mas é claro."
Aiden me leva para um corredor em direção aos quartos.
A suíte master está voltada para o lado oeste da Park Avenue e conta com uma
espaçosa banheira de mármore e closet, e o outro quarto também é uma suíte.
O terceiro quarto fica ao lado da sala de estar e é uma grande biblioteca com
estantes de carvalho embutidas.
"Você tem uma bela casa", eu digo quando voltamos para a sala de estar.
Eu olho pela janela, do chão ao teto, para a cidade abaixo. É difícil imaginar
alguém solteiro morando aqui.
"Obrigado", diz Aiden, dando um passo para mais perto de mim. Posso sentir
sua respiração lenta em meu pescoço, e isso causa calafrios na minha espinha.
Colocando o braço em volta da minha cintura, ele me vira para encará-lo.
Seus olhos se tornam um tom mais profundo de castanho, sem abrir mão da
qualidade inocente e misteriosa que me atraiu desde o início.
De repente, ele estende a mão e passa os dedos pelo meu lábio inferior. As
pontas dos dedos dele são ao mesmo tempo ásperas e macias. Ele se inclina para
mais perto de mim e eu o sinto respirando dentro e fora do meu rosto. Eu lambo
meus lábios em antecipação.
Aiden enterra os dedos no meu cabelo e inclina a cabeça ligeiramente para o
lado. Está prestes a acontecer. Eu fecho meus olhos e espero nossos lábios se
tocarem.
Seus lábios são macios, quase efervescentes. Ele inclina minha cabeça para trás.
Sua língua parece estranha e familiar ao mesmo tempo.
Seus beijos são tão suaves e lentos que o cabelo na parte de trás do meu pescoço
se eriça com cada toque. Lentamente, seus lábios se afastam dos meus e seguem
para meu pescoço.
As mãos de Aiden correm pelas minhas costas e depois voltam para os meus
ombros.
Ele pressiona seu corpo contra o meu.
Nossas pernas se tocam, me dando calafrios. Abro um pouco as pernas e ele
pressiona seu corpo ainda mais contra mim. Um momento depois, nos
entrelaçamos como se fôssemos um só.
“Aiden, espere.” Eu sussurro.
“O que foi?” Ele se afasta e olha em meus olhos.
Quando seu cabelo cai um pouco em seu rosto, uma mecha toca minha testa e a
sensação é como se borboletas estivessem me acariciando.
“Nada, nada.” Eu balanço a cabeça.
Eu nem sei no que estou pensando. Eu não quero parar. Só estou tendo
dificuldade em me perder no momento.
Se eu deixar isso acontecer, o que significa?
Como nós ficamos?
De repente, um milhão de pensamentos contraditórios percorrem minha mente.
Aiden continua a beijar meus lábios e meu pescoço, mas sem ir além disso sem
que eu permita. Posso senti-lo aguardando a minha permissão.
Você precisa se recompor, Ellie, eu digo silenciosamente a mim mesma.
Você quer muito isso.
Você o quer muito.
E sobre o futuro?
Quem diabos sabe o que o futuro guarda?
Entre os beijos, eu olho em seus olhos.
Apesar de esse homem forte não fazer bem o tipo, ele me faz sentir
incrivelmente segura e confortável.
Uma boa parte de mim sente que já o conhece por uma vida inteira. Como se
devêssemos ter ficado juntos bem antes desse fim de semana.
Como se eu pertencesse a ele, e ele, a mim.
“Não parece que eu acabei de te conhecer”, eu digo finalmente.
“Sério?”
“Sim, não sei bem como explicar. Eu só sinto que te conheço há uma vida
inteira.”
Ele sorri e lambe os lábios. O brilho em seus olhos dá a ele um olhar travesso.
“Certo, pode rir de mim”, digo. O sorriso desaparece.
“Não estou rindo de você. Eu sorri porque concordo com você.” Ele responde,
sério.
“Mesmo?”
“Acho que estou apaixonado por você, Ellie”, diz ele, calmamente. Nós olhamos
nos olhos até vermos as almas um do outro.
"Eu acho que estou me apaixonando por você também", digo depois de um
momento.
Aiden inclina meu pescoço para trás e me beija. Um minuto depois, ele se afasta,
pega minha mão e me leva para o quarto.
As luzes do quarto estão apagadas e ele pára por um segundo ao pé da cama.
"Por que você está me olhando assim?" Eu pergunto.
"Porque você é a mulher mais linda que eu já vi", sussurra Aiden sem perder o
ritmo. Minhas bochechas se coram e me afasto. Isso não pode estar acontecendo.
"Não, venha aqui, você tem que acreditar em mim", diz ele.
"Por quê?"
“Porque é verdade”, completa ele. “Eu sei que você não acredita em mim, mas
gostaria que acreditasse. Gostaria que você pudesse se ver através dos meus
olhos, como eu te vejo.”
Eu olho para ele e vejo um olhar de adoração me encarando.
Ele realmente acha que eu sou a mulher mais linda que ele já viu.
A confiança em sua voz me toca, e eu não posso deixar de corar de novo.
Aiden se inclina e me beija novamente. Ao contrário de antes, seus lábios são
agora mais fortes, mais poderosos. Enquanto ele pressiona seu corpo contra o
meu, tudo que sinto é a força de seus músculos.
Seus beijos se tornam mais ásperos e começam a chegar ao limite da dor, mas
são bons.
Do tipo que envia arrepios por todo seu corpo. Enquanto eu respondo da mesma
forma, eu o sinto subir um pouco acima de mim e, com um movimento rápido,
ele me joga na cama.
Depois que ele está em cima de mim, nossos corpos começam a se mover como
se fossem um só. Através de suas calças, eu posso sentir a circunferência e o
tamanho generoso de seu pênis.
Eu quero vê-lo e senti-lo na minha mão.
Preciso provar um pouco disso.
Suas mãos percorrem meu corpo com extrema precisão.
Rapidamente, lamento ter escolhido usar jeans.
Ao contrário de um vestido curto, que estaria perto da minha cintura agora,
jeans, especialmente esses apertados, exigem muito mais manobras para serem
retirados.
Mas eles não incomodam Aiden nem um pouco.
Ele desabotoa o primeiro botão, mostrando-me um sorriso e, em seguida, puxa o
zíper com os dentes. Eu coro novamente, mas espero ansiosa enquanto ele se
senta e, acima de mim, puxa minhas calças.
Uma vez que minhas pernas estão livres, Aiden desliza as mãos para trás, através
das curvas dos meus quadris e até meus ossos do quadril. Ele pára brevemente
em torno do meu umbigo, me provocando e me deixando ainda mais molhada.
De repente, ele me beija levemente ao redor do umbigo e, em seguida, passa a
língua até o topo da minha calcinha.
Meu corpo sobe e desce a cada beijo.
Eu fecho as pernas para tentar me impedir de ficar ainda mais excitada, sem
muito sucesso.
Enquanto Aiden continua me provocando, beijando-me ao longo da parte de
cima da calcinha, minha boca fica seca de repente, parecendo um deserto.
Quando ele retorna seu olhar para os meus olhos, eu posso ver que ele está
planejando alguma coisa.
Um momento depois, percebo que ele está decidido a tirar minha blusa. Eu me
entrego imediatamente.
Junto com a minha blusa, ele abre meu sutiã, deixando meus mamilos eretos
caírem quase diretamente em sua boca.
"Uau", ele sussurra, colocando a ponta do meu mamilo em sua boca e chupando-
a levemente.
“Seus seios… nossa, Ellie. Uau!” diz Aiden, passando um tempo entre meus
seios.
Eu me deito de volta e me entrego totalmente ao momento.
"Eu amo o jeito que você diz meu nome", eu confesso.
"É mesmo?"
“Sim. E quero ouvir você dizê-lo quando for gozar.”
Meu. Deus.
Eu realmente disse isso?
Acho que relaxei demais.
Não acredito que deixei isso escapar da minha boca.
Isso não é algo que eu deveria dizer, ou que qualquer pessoa deveria dizer, em
voz alta. Mas isso só faz Aiden rir.
"Eu digo, contanto que você prometa gritar meu nome quando eu fizer você
gozar."
Eu olho para ele como se tivesse perdido toda a capacidade de falar.
Uma parte de mim quer morrer de vergonha, e outra parte quer envolver minhas
pernas ao redor dele e forçá-lo para dentro de mim.
Aiden tira suas calças e cuecas, expondo seu membro enorme e muito sexy.
É bronzeado como o resto de seu corpo.
Ele sobe em cima de mim e eu envolvo minhas mãos em torno de sua bunda
forte e tonificada. A pele de sua bunda é macia e delicada, mas os músculos
volumosos por baixo são muito fortes.
Minhas pernas se abrem para ele e ele se esfrega em mim por alguns instantes.
Há apenas uma fina camada de calcinha de renda nos separando e eu o desejo
tanto que gostaria que ele simplesmente a rasgasse o mais rápido possível.
Um momento depois, como se tivesse lido minha mente, ele pula e puxa minha
calcinha, jogando-a no chão.
Toda a área entre as minhas pernas está implorando por ele. Eu não acho que já
fiquei tão molhada antes.
"Eu quero você", sussurra Aiden, empurrando-se para dentro de mim. Eu solto
um gemido de prazer.
"Eu também quero você", eu sussurro quando recupero a capacidade de falar.
Seus movimentos para dentro e para fora de mim são elegantes, mas fortes.
Rapidamente, começamos a nos mover como um só enquanto ele se move mais e
mais para dentro de mim.
Alguns momentos depois, minhas pernas começam a ficar dormentes e eu sei
que estou chegando perto. Eu estico os dedos dos pés enquanto meu corpo
treme. Uma sensação reconfortante começa a preencher todo o meu corpo e eu
chego cada vez mais perto da exaustão.
"Ah meu Deus, Aiden!" Eu gemo alto. Assim que ele me ouve, ele começa a se
mover mais e mais rápido, me deixando louca.
"Aiden!" Eu grito, enquanto nossos movimentos se aceleram, e então uma
sensação quente pulsa através do meu corpo inteiro. Eu me solto completamente.
"Ellie!" Ele grita, alguns momentos depois que meu corpo fica mole sob ele.
"Ellie!" Ele grita de novo e de novo em meu ouvido, movendo seus quadris cada
vez mais rápido.
"Aiden", eu sussurro quando finalmente retorno aos meus sentidos.
"Ellie", ele sussurra uma última vez, desmoronando em cima de mim.
27

ELLIE
O QUE ACONTECE DEPOIS…

F icar deitada na cama após fazer amor com Aiden me faz sentir viva e
revigorada.
É quase como se eu estivesse dormindo há muito tempo e, agora, estou
finalmente acordando.
Eu olho para Aiden e analiso a forma como os lençóis envolvem seu torso forte,
fazendo-o parecer ainda mais bronzeado e sexy.
"Ellie, você está olhando para mim?" Aiden pergunta, mantendo os olhos
fechados.
"Sim", eu digo, puxando levemente as cobertas. Eles facilmente expõem toda
sua masculinidade, expondo todos os pedaços gostosos de seu peito.
"Eu preciso de uma pausa, querida", ele murmura. "Você me esgotou."
Eu rio.
Enquanto me sinto cheio de energia, as atividades da noite passada claramente
drenaram as forças de Aiden.
Depois de alguns momentos, ele abre os olhos e me dá um daqueles olhares que
atravessam minha alma.
Se eu já não estivesse nua, me sentiria completamente nua. Exposta.
No entanto, o sentimento não é ameaçador, não mesmo.
Eu me sinto segura com ele.
Segura e bem cuidada.
"Já que você não parece estar nem um pouco cansada", diz Aiden, virando-se
para mim e apoiando a cabeça para cima com a mão. "Por que não
conversamos?"
"Eu gosto da ideia", eu digo. "Então, de onde você é? Como é a sua família?"
A expressão em seu rosto me diz que ele não estava pronto para minhas
perguntas rápidas, mas essas coisas estão em minha mente desde que nos
conhecemos. Quer dizer, eu mal sei uma ou duas coisas sobre ele.
"Eu acho que você ainda não me procurou no Google."
"Não, eu procurei", eu digo. “Mas, você sabe, artigos de jornal. Eles geralmente
estão cheios de baboseiras. Além disso, quero ouvir de você.”
“Certo… bem, eu cresci em uma família bem mediana. Meus pais brigavam
muito, mas se recusavam a se divorciar. Eu acho que eles não poderiam se dar ao
luxo de viver separados, então eles ficaram juntos e fizeram a vida de todos uma
merda.”
"Ah, sinto muito", eu digo.
"Tudo bem. Já superei isso. Minha maneira de lidar com isso era apenas gastar
todo o meu tempo mexendo com computadores.”
"Onde você cresceu?"
“Perto de Boston. Minha mãe era enfermeira em um hospital, muitas vezes
trabalhava no plantão noturno. Meu pai era lixeiro. Ele não trabalhava muito
durante o dia, então passava a maior parte do seu tempo livre bebendo.”
"Eu sinto muito."
Ele encolhe os ombros e olha para longe. “Eles me amavam do jeito deles, eu sei
disso. Mas eu sabia desde criança que a única maneira de eu não ter a mesma
vida que eles tinham era estudar muito e ir para a faculdade.”
"É por isso que você foi para Yale?"
"Aham. Era a faculdade dos meus sonhos, na verdade. E ainda me sinto mal por
desistir para começar a Owl.”
"Mesmo que você seja o fundador da Owl e que ela seja uma empresa tão grande
agora?"
"Sim, mesmo assim", diz ele. “Pensando agora, acho que não teria feito muita
diferença se eu tivesse acabado o curso, sabe? Quer dizer, o que é um ano,
analisando assim, no fim das contas?”
Eu nunca pensei nisso. Por mais que eu tenha gostado da minha experiência na
faculdade, não tenho certeza se gostaria de ficar por mais um ano.
“Como foi a faculdade para você?” Ele pergunta.
"Foi divertido. Teve seus momentos difíceis. Mas principalmente, foi
sensacional. Além disso, muito diferente do mundo real.”
"Conte-me mais sobre isso."
"Eu acho que o que eu mais gostei foi que me senti nesse intervalo entre o ensino
médio e a idade adulta. Quer dizer, somos adultos, mas não somos adultos. Não
de fato, sabe? Eu só penso em todas aquelas pessoas que não vão para a
faculdade e vão direto para o mercado de trabalho. Ou têm filhos muito cedo. Eu
realmente os admiro porque eu definitivamente não conseguiria fazer isso. Eu
nem estou madura o suficiente para muitas coisas hoje, imagina quando eu tinha
dezoito anos.”
Aiden balança a cabeça, concordando.
Nenhum de nós diz nada por alguns instantes e então outro pensamento me vem
à cabeça.
"Então, e sobre o seu casamento?" Eu pergunto.
"O que você quer saber?"
“Como foi? Para se casar tão jovem, quero dizer?
"Eu não sei o que me deu. Acho que eu estava apaixonado. Ela foi minha
primeira namorada de verdade e eu lembro de realmente querer se casar com ela.
Seus pais não ficaram satisfeitos com o pedido de casamento na prefeitura e as
coisas foram dando errado depois disso. Ela disse que nos apressamos e ela não
poderia realmente viver assim.”
"Você a conhecia da escola?" Eu pergunto.
"Não." Aiden balança a cabeça. "Ela era de uma família bem tradicional e antiga
de Ohio."
“Bem, você sabe que todas as famílias têm basicamente da mesma idade, né?
Não existe uma família antiga. Algumas apenas mantêm registros melhores”, eu
brinco. Ele força um sorriso.
“Ao contrário da minha família, a dela era muito conhecida na comunidade. Eles
tinham uma das maiores casas de todo o estado. E naquela época eu não tinha
muito dinheiro.”
Eu sei um pouco sobre os ricos de antigamente.
Não importa quanto dinheiro você tenha agora, eles não são do tipo que recebem
gente nova de braços abertos.
“Acho que o que estou tentando dizer é que éramos de dois mundos diferentes e
a família dela nunca me aceitou. Acho que ela perdeu a cabeça
momentaneamente casando comigo, mas depois recuperou quando nos
divorciamos.”
De repente, sinto uma pontada no peito.
"Parece que você ainda tem sentimentos por ela", eu digo.
"Não, não, de jeito nenhum", ele diz rapidamente. “Nós éramos muito bons
amigos e muito próximos, e acho que uma parte de mim ainda sente falta dessa
amizade.”
Eu aceno, me sentindo um pouco aliviada.
Na verdade, eu sei exatamente o que ele quer dizer.
Isso é praticamente o que sinto em relação ao Tom.
"E depois dela?" Eu pergunto.
"O que você quer dizer?"
"Algum relacionamento marcante?"
"Não, depois do meu casamento, estou bem acomodado na vida de solteiro."
“Sim, eu vi isso online. Muitos modelos e atrizes”, eu digo.
Eu tento não parecer com ciúmes, mas não consigo.
Estou com ciúmes.
Mesmo que elas estejam em seu passado. Claro, não tenho como saber com
certeza. Quero dizer, elas estão mesmo no passado dele?
"Mas ninguém especial?"
"Não até você", diz Aiden, tirando uma mecha de cabelo dos meus olhos.
"O quê?" Eu me sento na cama.
“Eu me sinto diferente em relação a você, Ellie. Diferente do que eu já senti
antes. E eu não sou do tipo que diz isso às mulheres. Na verdade, na maioria das
vezes eu não sinto absolutamente nada pelas mulheres com quem passo tempo. E
então você veio... e mudou tudo isso.”
Eu não posso deixar de corar. Eu viro meu rosto para esconder minhas
bochechas vermelhas.
"Você é tão bonita, Ellie." Ele me puxa para mais perto dele e me beija nos
lábios.
"Agora, é a sua vez", diz ele. "Diga-me algo que você nunca disse a ninguém
antes."
Eu tento pensar em algo que nunca compartilhei com ninguém. O problema é
que eu não sou uma garota com muitos segredos. Eu queria ser mais misteriosa,
mas não sou.
"Eu gosto dos seus jogos", eu digo depois de um momento. "Eu nunca fui
amarrada antes, mas me senti muito bem. Isso só me fez sentir muito livre, de
certa forma.”
"Sério?" Aiden sorri. "Isso é emocionante."
"Sim. Emocionante e assustador. Quero dizer, eu fiquei completamente imóvel e
ainda tinha algo muito libertador sobre aquilo tudo. Eu não sei o que.”
"Eu também não sei", diz ele. "Mas fico feliz que você esteja gostando."
"E você?" Eu pergunto.
"Você quer dizer que você quer que eu te diga uma coisa que eu nunca contei a
ninguém?"
Eu concordo.
"Temo que, se eu parar de trabalhar, voltarei a ser pobre. Pobre como quando
criança. Quero dizer, meus pais tinham uma casa de dois quartos, mas depois
perderam, e foi aí que começamos a nos mudar, passando por várias casas
alugadas. Eu sempre ficava preocupado com o lugar onde iríamos morar em
seguida. Proprietários irritados estavam sempre batendo na nossa porta porque
meus pais não pagavam o aluguel, ameaçando nos expulsar. Minha mãe dizia
que eram ameaças inúteis, mas não eram o tempo todo. Nós fomos despejados
algumas vezes e tivemos que viver nos sofás das pessoas.”
“Sinto muito. De verdade.”
“Eu nunca contei isso para ninguém, Ellie.”
“Obrigada por me contar.”
“E apesar de todo o dinheiro que tenho agora, tenho medo de viver assim de
novo. Não tendo dinheiro para comer ou pagar por um teto.”
“Bem, o teto que você tem agora custa uma fortuna.” Eu brinco. Ele sorri.
“Mas, de verdade, eu sinto muito”, adiciono. “Quero dizer, você passou por
muita coisa quando criança e deve ter sido assustador ter sido despejado.”
“Um dia, um caminhão parou em frente ao nosso prédio e eles entraram e
levaram todos os nossos móveis e a televisão. Aparentemente, minha mãe não
pagou as dívidas do aluguel, então elas pegaram tudo o que tínhamos. Eu tive
que dormir no chão com meu travesseiro e cobertor.”
Eu sacudo minha cabeça.
Não sei o que dizer.
Eu envolvo meus braços ao redor dele e digo a ele que tudo vai ficar bem.
Que estou aqui para ele, mas ainda assim, isso não soa suficiente.
Adormecemos nos braços um do outro e só acordamos quando o sol entra pela
janela.
Quando eu abro meus olhos, vejo Aiden de pé vestido em seu terno impecável
bem na minha frente.
"Eu sinto muito, mas eu tenho que ir trabalhar", ele diz, me dando um beijo na
testa.
"Tudo bem", murmuro com sono.
“Eu estava apenas pensando... você gostaria de ser minha por uma semana de
novo?” Aiden pergunta. "Eu prometo que sem clubes de sexo dessa vez."
Um sorriso se forma em meus lábios antes que eu tenha a chance de responder.
"Isso é um sim?"
"Sim, senhor, Sr. Black."
28

ELLIE QUANDO SOU NOVAMENTE PEGA DE SURPRESA...

P asso a manhã caminhando pelo Central Park.


É um belo dia de outono e as folhas estão adquirindo tons de ouro.
Eu amo o som crocante que eles fazem sob meus pés enquanto eu ando. Ainda
está relativamente quente, um pouco abaixo dos 15 graus, então aproveito a
oportunidade para me sentar no banco e observar as pessoas passando um pouco.
É incrível quanto tempo há no dia se você não precisa ir trabalhar.
Agora, parece haver tempo para quase tudo.
Sonhar acordada.
Leitura.
Andar pelo parque.
Posso pegar uma xícara de café e beber com calma, sem ter que correr para
algum lugar.
Meu trabalho não era particularmente estressante, mas agora que não estou mais
trabalhando lá, parece que um peso saiu dos meus ombros.
"Ellie?" Uma voz familiar chama, tocando meu ombro. Eu me viro e fico cara a
cara com Tom.
"Olá". Eu sorrio.
"O que você está fazendo aqui?"
“Hum, nada, na verdade. Só relaxando um pouco. Aproveitando o dia. E você?"
"Também". Ele encolhe os ombros. “Eu tirei o dia de folga. Preciso de um
tempo."
Ele se abaixa um pouco e olha para o chão.
Eu conheço Tom o suficiente para saber que ele está esperando que eu pergunte
o porquê.
Mas eu não quero entrar no assunto. Eu não quero vê-lo, na verdade, e estou um
pouco irritada por ele estar aqui interrompendo o meu tempo que pretendia
passar comigo mesma.
Sem convite, ele se senta ao meu lado no banco. Eu decido não dar corda.
Em vez disso, volto minha atenção para o aplicativo do Kindle no meu telefone.
"O que você está lendo?" Ele pergunta depois de alguns momentos de silêncio.
"Ah, você não ia gostar", eu digo.
"E por que você acha isso?"
"Porque você acha romances um lixo."
“Ah, pare com isso, me conte.” Ele insiste.
“É um romance de bilionários com cenas de sexo bem ardentes.” Digo.
“Hum. E a garota é a bilionária, ou o cara?”
“O cara.”
“Que original.” Diz Tom, sarcástico.
“Escute, eu não pedi a sua opinião, pedi? O sexo é ótimo e a escrita é bem
detalhada e lenta. É bom para relaxar e desestressar.”
Tom balança a cabeça para cima e para baixo, sem de fato concordar.
Estou prestes a mandá-lo embora quando meu celular toca. É Aiden.
“Olá”, eu atendo.
“Oi, estranha.” Diz Aiden. “Tenho uma surpresa para você. Hoje à noite.”
“Hoje à noite?”
“Mandei entregar um pacote na sua casa.”
“Um presente?” Pergunto. “Para mim?”
“Sim. Espero vê-la nele hoje à noite.”
“Você vai me buscar?”
“Não, o endereço onde quero te encontrar estarão no pacote”, diz ele.
“Mal posso esperar.”
Assim que eu desligo, meu coração está acelerado, mas então vejo Tom. Ele tem
uma expressão amarga no rosto que já diz tudo.
“Quem era?”
“Ninguém.”
“Ninguém?”
“É um cara com quem eu estou saindo. Mas não é da sua conta.” Digo,
levantando-me. “Escute, preciso voltar para casa agora. Tenho trabalho para
fazer.”
“Que trabalho? Você está desempregada.” Ele ri.
“Sabe, não sei como não percebi isso antes, mas você pode ser tão cuzão às
vezes.”

Q UANDO CHEGO EM CASA , o pacote de Aiden está me esperando com o porteiro.


É uma grande caixa branca com um laço rosa a envolvendo.
Subo com ela para o apartamento e desamarro o laço assim que passo pela porta.
Lá dentro, eu acho um vestido curto preto sem mangas, muito requintado. Eu
não sei do que ele é feito, mas o material definitivamente parece luxuoso e muito
caro.
Quando o visto, me sinto uma princesa.
Saio dando voltas pela sala e vejo como o tecido sobe e cai com meus
movimentos Como é um vestidinho preto, quase qualquer sapato combina com
ele. Então eu pego meu par de saltos pretos de cem dólares da DSW.
Ao contrário de Caroline, não sou louca por sapatos caros.
Chego ao bar no centro da cidade às oito horas. É um bar sofisticado onde todos
estão vestidos com ternos, gravatas e vestidos.
Eu nunca estive aqui antes e, no começo, estou um pouco apreensiva em
conseguir um lugar vazio no bar.
Eu nunca realmente me sentei no bar sozinha antes porque é um local
privilegiado para todos os tipos de esquisitões darem em cima de você.
Mas desta vez, decido ser corajosa.
Além disso, Aiden vai estar aqui em breve, certo?
Sento-me no outro extremo do bar e peço um mojito. Enquanto estou esperando,
Aiden vem até mim e me dá um beijo atrás da orelha.
"Olá, estranha."
"Oh, olá!" Eu digo e dou-lhe um breve abraço. Ele se senta ao meu lado e pede
um Old Fashioned.
“Muito obrigada pelo vestido.”
“Não, eu que agradeço por você usá-lo. Você está linda nele.”
“Como é que você pode escolher roupas para mim assim, tão facilmente? Quero
dizer, quando eu acho um vestido que eu gosto na loja, eu ainda tenho que
experimentar tamanhos diferentes antes de encontrar o que fique bom. E, no
entanto, você sempre acerta.”
"Ah, é uma habilidade minha, eu acho", diz ele, acenando para o barman quando
vê que sua bebida está pronta.
"Não, é sério, eu quero saber."
"De verdade? Então, eu tenho uma compradora. Ela viu como você é e tem um
olhar especialista para essas coisas.”
Eu tomo um gole do meu mojito quando ele chega. É incrivelmente refrescante e
a combinação de ácido e doce na minha língua me faz salivar e querer mais e
mais.
Por alguns minutos, nos perdemos em nossa conversa e nos olhos um do outro.
Tudo o que ele diz faz todo o sentido para mim e eu concordo plenamente com
ele.
E tudo o que eu digo também faz sentido para ele. Não há outra forma de
descrever o momento sem dizer que estamos em total sincronia.
"Olá" Eu ouço uma voz feminina desconhecida atrás de mim.
Quando me viro, vejo uma mulher alta com maçãs do rosto proeminentes e um
corte de cabelo agressivo e delineado.
Não me leve a mal.
Ela é maravilhosa. Mas o jeito que seus olhos piscam quando ela fala faz meu
estômago se revirar de medo.
"Alexis, o que você está fazendo aqui?" Pergunta Aiden. A expressão chocada
em seu rosto me convence de que isso não é parte da surpresa que ele planejou
para mim.
"Sua secretária me disse que você estaria aqui."
"Por que você foi perguntar a ela sobre mim?" Ele exige saber. "Você não vê que
eu estou em um encontro?"
"Eu estou perguntando sobre você porque você é meu marido."
"Ex-marido. Há muitos anos, lembre-se você. Por que você não fala com seu
atual marido sobre o que quer que seja que está te incomodando?”
De repente, a expressão no rosto de Alexis muda. A expressão previamente
durona desaparece quando as lágrimas começam a escorrer pelas suas
bochechas.
“Aiden, eu sinto muito. Eu não sabia a quem mais recorrer. Você sabe que eu não
tenho amigos além de você. E eu realmente precisava falar com você.”
Aiden balança a cabeça como quem já ouviu isso antes, mas não pede para ela
sair.
“O problema é que ele foi embora. Ele apenas virou as costas para Rory e para
mim. Você acredita nisso? Quero dizer, eu não tenho notícias dele há uma
semana. E eu estou começando a perder o sono novamente. Estou até precisando
de remédios para dormir de novo.”
“Não, Alexis! Não. Absolutamente não. Você não pode tomar nenhum remédio.
Você é uma viciada. Você quer voltar para a reabilitação?”
"Não", Alexis soluça, usando o meu guardanapo para enxugar os olhos. Quando
o local ao lado de Aiden fica vago, ela ocupa o assento com prazer.
"Não, você não vai sentar aqui, Alexis", diz Aiden severamente. "Estou em um
encontro."
"Eu sei. Mas eu não sei onde Tyler está; você sabe o que é isso? Quero dizer, ele
pode até estar morto.”
“Tyler não está morto, Alexis. Ele provavelmente está em Vegas apostando todas
as economias para a faculdade de Rory.”
Alexis abaixa a cabeça e continua a soluçar. De repente, sinto-me como uma
terceira pessoa, totalmente deslocada.
"Acho que já vou", eu sussurro para Aiden e me levanto.
Ele tenta me impedir, mas eu o ignoro e vou embora. O que quer que esteja
acontecendo ali não é da minha conta.
Ela claramente precisa dele e eu não quero me sentir como uma hóspede que não
foi convidada no meu próprio encontro.
Mas Aiden não me deixa fugir tão facilmente. Ele me alcança na metade da rua.
"Não, você não vai embora", diz ele, desafiadoramente. "Ela já tomou o bastante
da minha vida."
"Mas ela é sua ex e sua amiga."
"Eu não me importo. Você não a conhece, Ellie. Alexis é o tipo de mulher que
faz drama seguido de drama. Sua vida está sempre em cacos esperando que
alguém a recomponha. Bem, eu não posso mais ser essa pessoa. Por favor,
espere um segundo. Vou colocá-la em um táxi e mandá-la para casa. Não vou
lidar com ela hoje à noite.”
29

ELLIE QUANDO ELA FINALMENTE VAI EMBORA…

N ão vou mentir, uma parte de mim ficou muito curiosa sobre como era
Alexis quando Aiden me contou sobre ela pela primeira vez. Mas agora
que a vi… bem, eu não estava esperando que ela fosse tão bonita.
De pé do lado de fora do bar, ainda não consigo acreditar que ela estragou nosso
encontro.
E essa tal secretária do Aiden?
Ela realmente contou para Alexis onde estaríamos?
Já faz anos desde que eles foram casados e ainda... a relação entre os dois ainda
parece muito próxima. Eu quero sair e ir para casa, mas Aiden me pede para
ficar.
Ele me convence com o seu 'por favor'. Eu espero enquanto Aiden termina sua
conversa com Alexis e a coloca em um táxi.
Quando ele volta para mim, ele me convida de volta para dentro. Mas esse lugar
parece ter sido contaminado. Agora, tudo em que consigo pensar é em sua ex-
mulher e no quanto as pernas dela são mais longas e bonitas do que as minhas.
"Eu sinto muito, sinto muito por isso", diz Aiden. "Você tem que acreditar em
mim. Não há nada entre nós.”
“Então, por que ela ainda aparece por aí? Eu pensei que ela morasse em Ohio.
Por que ela está agindo como se você não fosse só um ex?”
Uma rajada de vento frio sopra e me arrependo por não ter trazido um casaco. As
noites quentes de verão estão desaparecendo rapidamente com a chegada do
outono.
“Não, agora ela mora em Nova Iorque com o marido e filha. Os pais dela estão
pagando pelo apartamento deles. A questão é que Alexis tem muitos problemas.
Depois que terminamos, ela engravidou imediatamente do namorado do colegial.
Eles se casaram porque seus pais insistiram, e o casamento deles não foi bom
para nenhum dos envolvidos, incluindo o bebê. Ela sofreu um acidente de carro
há alguns anos e ficou viciada em analgésicos, e ela vive entrando e saindo da
reabilitação desde então.”
“Mas o que você tem a ver com isso tudo?” Pergunto. Aiden tira o casaco e
coloca-o em volta dos meus ombros. Está quente com o calor do seu corpo e eu
me delicio com a sensação dele ali.
"Francamente, eu não sei." Ele encolhe os ombros. “Exceto que, de alguma
forma, nos tornamos amigos de novo ao longo dos anos e eu sempre estive lá
para ela entre as suas idas e vindas da reabilitação e todos os seus problemas. Eu
era a única pessoa a quem ela poderia confiar.”
"Vocês dois... já voltaram alguma vez?" Eu pergunto, escolhendo
cuidadosamente minhas palavras. Primeiros amores são difíceis de se superar e
tendem a viver com as pessoas por toda a vida, mesmo que só em memória. E
isso sem falar dos que foram casados.
"Não." Aiden balança a cabeça. "Absolutamente não. Eu a superei antes mesmo
de nos divorciamos oficialmente, Ellie. Ela é apenas esse aspecto complicado da
minha vida com o qual ainda preciso lidar. Eu sou um amigo. Eu me importo
com a filha dela. Eu quero que ela melhore e encontre um cara melhor. Mas eu
não quero, juro, não quero mesmo que esse homem seja eu.”
Aiden olha diretamente nos meus olhos quando ele diz isso. Há certeza no tom
de sua voz e a convicção com a qual ele fala me faz sentir um alívio. Ele está
dizendo a verdade. Eu sei isso.
"Se você não quiser voltar para o bar, você pelo menos quer ir para minha casa
para tomar uma bebida?" Pergunta Aiden.
"Uma saideira normalmente não é mais no fim da noite?" Eu pergunto, piscando-
lhe e dando um sorriso.
"Bem, esta noite não foi nada além de emocionante, você não acha?"

N A SEGUNDA VISITA ao seu belo apartamento, reparo em todos os detalhes que


passaram batidos da outra vez. O requintado corrimão, a magnífica moldura em
forma de coroa, os belos caixilhos em volta das janelas que iam do chão ao teto
em sua sala de estar.
Também há livros por todos os lados. Além da enorme biblioteca, há livros em
praticamente todas as mesas e no rack da televisão. Para minha surpresa, grande
parte deles são romances.
“Você já leu esse?” Ele aponta para Viúva por Um Ano, do John Irving.
“Na verdade, John Irving é um dos meus autores favoritos.” Digo. “Você já leu o
último dele, Em Uma Pessoa Só?”
“Sim, li. É sensacional.” Ele diz, correndo os dedos pelo meu antebraço
enquanto folheio seu exemplar de Viúva por Um Ano. “Que tipo de livros você
geralmente lê?”
“Todos os tipos, na verdade. Gosto de Irving, mas também gosto de Jane Austen
e Charles Dickens. E também de Anne Rice, e E. L. James, e Sylvia Day.”
Ele lança um sorriso tímido.
“O que foi? Você acha que alguns desses não combinam com o resto?”
“Não, definitivamente não é isso.” Ele balança a cabeça. “Eu gosto de vários
gêneros também. Mas se você pensar em como eu gosto de passar as noites,
também gosto muito de romances. Mais do que a maioria dos caras por aí, eu
diria.”
“Eu diria que sim”, concordo. “A maioria nem chega perto de ficção, tampouco
romances. E os que gostam de ficção geralmente chegam no máximo a
Hemingway.”
“Mas há tantas histórias maravilhosas para serem lidas. Quero dizer, e quanto a
Marquez, e De Sade, e Isabel Allende? Mas confesso que também aprecio
bastante uma narrativa masculina, como aquelas tecidas por Jin Harrison.”
Balanço minha cabeça, admirada.
Os autores que ele citou também constam entre meus favoritos. Mas após tantos
anos de desilusões, desisti de tentar convencer meus amigos amantes de
literatura de Yale de que Danielle Steel, E. L. James e Stephanie Meyer também
tinham seus méritos, já que, com suas atitudes esnobes, eles se mantinham
afastados de uma boa, divertida e sedutora ficção contemporânea.
E, no entanto, aqui estava esse homem que realmente me entendia. É como se
ele compreendesse onde eu queria chegar com base nesse nível inato que eu
ainda não tinha compartilhado com ele.
Ele me entendeu porque ele se sentia da mesma maneira.
“Eu simplesmente não acho que precisemos criar essas caixinhas entre os
clássicos e ficção popular. Eu acho que tudo depende do objetivo do livro. A
ficção popular existe para entreter e permitir que você tenha uma válvula de
escape, enquanto os clássicos estão lá para desafiar seu pensamento e mostrar
uma perspectiva diferente. Claro, o Santo Graal de qualquer escritor é criar um
trabalho que seja desafiador e importante, mas também, ao mesmo tempo,
relevante e popular. E se você perguntar a um milhão de críticos do que se trata
esse livro, todos eles terão um milhão de opiniões diferentes. Principalmente
porque o que é relevante e divertido para uma pessoa tende a ser algo diferente
para outra.”
Eu o alcanço e pressiono meus lábios contra os dele.
Não posso evitar.
Quando você ouve alguém dizer exatamente o que você pensa, mas de uma
forma muito melhor do que você poderia sequer conceituar em sua mente, você
só precisa mostrar a essa pessoa o quanto isso significa para você.
“Para que foi isso?” Pergunta Aiden.
“Você é incrível, sabia?” Pergunto.
“Não… acho que você vai ter de me mostrar.”
“Eu adoraria”, digo.
“É mesmo?” Ele levanta as sobrancelhas. “Bem, nesse caso, eu tenho uma
surpresa para você.”
Ele pega minha mão e me leva para sua suíte master. Lá, no meio do quarto, bem
em frente à sua cama espaçosa, vejo um balanço.
"O que é isso?" Eu pergunto, caminhando e puxando-o. Está preso ao teto e o
balanço em si é feito de um tecido macio, mas resistente, que parece um pouco
com seda.
"Isso não estava aqui antes", eu digo.
"Não, não estava mesmo." Ele balança a cabeça. “Eu só o trago em ocasiões
especiais. Como hoje à noite.”
"Huuuum", eu digo, lambendo os lábios. Eu não sei como isso funciona, mas eu
estaria mentindo se dissesse que não estou muito animada para descobrir.
"Você acha que gostaria de se balançar um pouco?" Pergunta Aiden.
Eu penso sobre isso por um momento. "Sim, eu adoraria, Sr. Black."
Uma expressão séria aparece em seu rosto. Ele me gira e abre o zíper do meu
vestido.
Eu gosto da força e do poder com que ele trabalha suas mãos pelo meu corpo.
Parece que eu sou uma boneca de pano sob suas mãos fortes e eu amo me sentir
como uma boneca de pano.
Ele desliza o vestido para baixo, deixando-me em um sutiã sem alças e calcinha.
Então ele coloca minhas mãos para cima e as amarra no topo do balanço.
As amarras são suaves, mas fortes. Eu as puxo, mas não consigo me libertar.
"Você foi uma menina muito má, Ellie", diz Aiden com toda a seriedade. De
repente, ele está completamente imerso em seu personagem de Sr. Black de
novo, o homem que eu conheci há o que parece ter sido um século atrás no iate.
Enquanto Aiden é complicado e profundo, o Sr. Black não é. Ele tem um foco
afiado como uma lança em apenas uma coisa - prazer - e é isso que mais desejo
nele.
“Sim, eu fui.” Digo.
“Sim, você foi, o quê?” Pergunta o Sr. Black.
“Sim, eu fui uma menina má, senhor”, eu me corrijo.
Eu sempre achei um pouco brega quando eu ouvi ou li sobre as mulheres
chamando homens de senhor num contexto sexual, mas algo sobre de fato fazer
isso, na vida real, é ridiculamente sexy.
Eu dei o controle a ele. Ele está no comando, pelo menos neste momento. Há
algo completamente libertador sobre isso.
"Assim é melhor. Agora, o que eu vou fazer com você?" O Sr. Black pergunta,
andando ao meu redor e olhando para o meu corpo.
Meu coração salta pela boca enquanto espero sua decisão. Lentamente, ele abre
meu sutiã e puxa minha calcinha. Então ele se abaixa e coloca um dos meus
seios em sua boca. Ele aperta levemente e eu sinto um pouco de choque, como
se eletricidade percorresse meu corpo.
Enquanto acaricia meus mamilos com a língua, ele alcança o espaço entre as
minhas pernas e as afasta. Então ele enfia o dedo em mim e começa a me
massagear. Meu clitóris começa a latejar.
Nunca fui tocada assim, enquanto eu estava em pé, e a sensação é irresistível.
Alguns momentos depois, ele pressiona algo contra a parte interna da minha
coxa. É um pequeno vibrador, que ele habilmente manobra no meu clitóris
enquanto empurra seus dedos para dentro de mim e não tira a boca dos meus
seios. Eu começo a gemer imediatamente.
Não sou capaz de mover minhas mãos e ser forçada a sentir prazer em um
ambiente tão contido faz todo o meu corpo pulsar com o sentimento
maravilhoso.
Minhas batatas da perna começam a ficar amortecidas e uma sensação calmante
e quente de dentro de mim está prestes a irromper para a superfície.
"Oh, não ainda, querida", diz o Sr. Black, afastando-se de mim e diminuindo a
velocidade. "Você não pode ter um orgasmo assim, tão facilmente. Qual seria a
graça disso?”
"Não posso?", eu imploro. "Mas eu quero. Eu realmente quero muito.”
“Eu sei, querida. Mas você não me chamou de senhor. E eu ainda não brinquei o
suficiente com você.”
Eu solto um pequeno suspiro quando ele pressiona o vibrador dentro de mim e
todo o meu corpo começa a tremer de prazer.
"Certo, vou tentar algo um pouco diferente agora. Vamos ver se você vai gostar.”
O Sr. Black anda em volta e amarra as pontas soltas do tecido em volta dos meus
seios e tronco. Ele coloca meus braços nas minhas costas e os amarra também.
Então ele me joga no chão e amarra as outras pontas soltas do balanço ao redor
da parte superior das minhas coxas, dobrando minhas pernas para trás e
amarrando meus tornozelos nas minhas coxas.
Finalmente, ele amarra todas as partes do meu corpo, conectando minhas coxas
aos meus tornozelos e aos meus braços e torso.
“Agora, eu vou te erguer até que você esteja paralela ao chão. Tudo bem?”
“Sim, senhor.” Eu concordo, meu corpo tremendo em antecipação.
O Sr. Black me puxa e, em um momento, estou suspensa no ar, paralelamente ao
chão. Minhas pernas estão abertas e minha vagina está completamente exposta.
Ele me gira um pouco para que eu fique no lugar exato que ele deseja. Então, ele
insere os dedos profundamente em mim. Quando ele os move um pouco, fico
completamente molhada.
“Ah, meu Deus”, eu gemo de prazer.
Eu o ouço se ajoelhando em algum lugar atrás de mim e pressionar os lábios em
mim.
Sua língua corre para cima e ao redor do meu clitóris e, em seguida, segue seu
caminho profundamente dentro de mim.
A sensação é diferente de tudo que eu já experimentei antes.
A sensação de leveza que o balanço me dá expõe e concentra toda a atenção no
meu centro de prazer, fazendo-me soltar gemidos diferentes do que estou
acostumada.
Alguns momentos depois, o Sr. Black me empurra para longe dele e, depois, de
volta para ele. Eu amo a sensação do toque do ar enquanto o empurro para fora
do meu caminho com o meu corpo.
Em uma das vezes que eu me volto para ele, ele me penetra, levando meu corpo
ao esgotamento. O Sr. Black segura o balanço enquanto ele entra e sai de dentro
de mim, fazendo meu corpo formigar.
“Ah, Aiden”, eu gemo.
“Você quer gozar?” Ele pergunta.
“Sim, quero. Eu quero muito, senhor”, eu digo enquanto solto grunhidos.
Não teria como impedir um orgasmo nem que eu quisesse. Uma sensação
relaxante e familiar começa a pulsar pelo meu corpo enquanto me entrego
completamente.
“Ellie!” Grita o Sr. Black após alguns momentos, enquanto me penetra e balança
seu corpo sobre o meu, mais e mais rápido.
Sinto meu corpo se fechando em torno de seu pau enorme, levando-o
profundamente para dentro de mim. Queria permanecer nesse momento para
sempre.
30

ELLIE QUANDO RECEBO OUTRO CONVITE…

P asso o dia seguinte escrevendo fervorosamente sobre minha personagem


principal estar sendo leiloada para um homem rico e gostoso em uma festa
chiquérrima no iate.
Me pego escrevendo tão rápido que meus dedos não acompanham meus
pensamentos. Em algum momento em meio à cena do leilão, me ocorre.
Eu mal posso esperar para chegar às cenas de sexo fogosas e suculentas. Como
todo o resto da história, eu quero contar a verdade quando escrevo sobre o que
acontece entre minha protagonista e seu par desconhecido e misterioso.
Por quê?
Porque a verdade nua e crua sobre o que aconteceu naquela noite é muito mais
excitante do que qualquer coisa que eu pudesse inventar.
Claro, escrever essa primeira cena de sexo faz minha mente voltar à experiência
no balanço de ontem à noite. Já faz vinte e quatro horas desde que o Sr. Black
virou meu mundo de cabeça para baixo e eu mal comecei a processar direito o
que aconteceu.
O balanço foi uma grande surpresa, mas o prazer que ele me proporcionou foi
uma surpresa maior ainda. As cordas e algemas que eu experimentei, apenas
sendo amarrada à cama, não eram nada parecidas com o que eu experimentei na
noite passada - sendo suspensa no ar com minhas pernas abertas para que ele
fizesse o que bem entendesse comigo.
E eu gostei, ou melhor, amei, tudo o que ele fez comigo.
De repente, uma batida na porta interrompe minha concentração.
"Meu Deus, você ainda está trabalhando?" Caroline pergunta, revirando os
olhos. "Eu juro, desde que você largou seu emprego, você parece estar
trabalhando 24/7."
Bem, isso não é totalmente mentira.
Desde que saí de um trabalho que odiava e comecei a fazer algo que amo, o
trabalho não parece mais trabalho. Eu realmente acordo ansiosa para escrever.
“Ouça, você pode fazer uma pausa por um segundo? Há um pacote que peguei lá
de fora para você.”
Eu a sigo para a cozinha.
Ela me entrega um pacote que parece da Amazon e eu tento me lembrar qual foi
a última coisa que eu comprei de lá.
Isso que é a coisa legal da Amazon, não é?
Você pede algo e depois esquece completamente. E quando chega, alguns dias
depois, é como uma pequena surpresa.
Quando abro a caixa de papelão sem descrições, encontro outra caixa menor
dentro dela. Parece familiar.
É banhado a ouro como a que Caroline tinha recebido antes, com círculos
extravagantes nas bordas.
Exceto que, desta vez, em vez do nome de Caroline, vejo o meu. Abaixo do meu
nome gravado está a data de amanhã. Oito horas.
A caixa tem o mesmo botão elegante com o mesmo monograma personalizado
feito de folha de ouro, com seda estampada no interior da tampa.
“Meu Deus, meu Deus!” Caroline solta gritinhos agudos com entusiasmo. “Isso
aí é outro convite para uma festa no iate?”
“Bem, parece que sim.”
Eu olho novamente para o convite, um pouco confusa.
Será que Aiden mandou isso?
Ele está dando outra festa?
Haverá outro leilão?
Não é que eu espero que ele pare de dar festas.
Quero dizer, festas têm de ser planejadas bem antes e essa já deveria estar
marcada no calendário bem antes de nos conhecermos.
Mas por que diabos estou recebendo outro convite?
“Ah meu Deus! Você precisa me levar. Eu levei você!” Exige Caroline.
“Você quer ir?” Eu pergunto. “Mas você nem curtiu da primeira vez. Você não
quis nada com aquele leilão.”
“Eu sei, eu sei”, ela abana as mãos para trás. “Mas é que eu me arrependi disso
depois. Quero dizer, você se divertiu. Você conheceu o Aiden. Quem sabe eu
possa conhecer alguém também…”
Eu balanço a cabeça.
Eu realmente não saquei.
Então, resolvo fazer a única coisa que me vem à mente.
Resolvo ligar para Aiden. Quando ele atende, eu pergunto sobre a festa.
“Eu te convidei porque achei que poderíamos nos divertir de novo. Essa festa já
está planejada há meses.” Ele diz com certa indiferença. Dessa vez, não consigo
decifrá-lo pelo tom de voz.
“Mas então, haverá outro leilão?” Eu sussurro ao telefone. Não sei por que estou
sussurrando, na verdade.
Caroline já sabe de tudo, mas eu ainda me sinto um pouco tímida ao falar sobre
o assunto.
“Bem, você terá que ir para descobrir”, diz ele, enigmaticamente. “Escute, eu
estou bem no meio de uma reunião. Não posso falar agora. Te vejo amanhã.”
Ele está assumindo que eu vou, mas, para dizer a verdade, não tenho certeza.
Quero dizer, qual a finalidade?
Não quero participar de outro leilão, e disso eu tenho certeza. Não quero que
outro homem me compre.
Só quero estar com Aiden. E até eu receber esse convite, eu achava que ele
também só queria ficar comigo.
De repente, meu telefone toca.
“Oi, sou eu de novo”, diz Aiden. “Acho que não acabei a conversa direito. Me
desculpe.”
“Tudo bem”, eu resmungo.
“Não, deixe-me explicar. Sim, haverá outra festa. Isso é verdade. E você recebeu
o convite porque quero muito que você vá. Muito mesmo. Não quero estar com
mais ninguém, só com você. E achei que poderíamos nos divertir lá.”
Penso no assunto por um momento.
“Por favor, vá. Vai ser só um evento elegante e meio exagerado como da última
vez. E não vai ser a mesma coisa sem você lá.”
“Você realmente quer que eu vá?” Pergunto.
“Sim.”
“Por quê?”
“Porque eu estou apaixonado por você, Ellie. E eu nunca me senti assim antes,
com ninguém.”
Meu coração acelera. “Também estou apaixonada por você”, eu sussurro.
Quando eu desligo, me viro para Caroline.
“Meu Deus, a gente vai, certo? Isso significa que nós vamos?” Ela pergunta,
pulando freneticamente.
Um sorriso enorme estampa meu rosto.
“Sim, sim, sim!” Ela grita do fundo de seus pulmões, me agarrando pelos
ombros.
“Certo, certo.” Eu a afasto. “Sim, nós vamos.”
M AL PODE ESPERAR POR MAIS ? Descubra o que acontece com Ellie quando ela
retorna ao iate... Leia Regras Proibidas agora mesmo com apenas um clique!
Não deveríamos ficar juntos.
Eu nunca deveria tê-lo visto de novo depois da
nossa primeira noite juntos. Mas eu o desejo. Muito.
Estou viciada nele. Ele é meu prazer proibido.
Sr. Black é Aiden. Aiden é Sr. Black. Os dois lados
de uma mesma pessoa.
Aiden é carinhoso e doce. Sr. Black é exigente e
regrado.
Quando ele me convida de volta para seu iate, não
posso recusar.
Mais um leilão.
Mais um lance.
Era para eu ser dele. Mas então, tudo dá errado...
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atualmente no sul da Califórnia com seu marido, filho e um agitado mini Pastor
Australiano. É uma amante de literatura, clima ameno e águas cristalinas.

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