Você está na página 1de 73

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez.

2019
XI. Simpósio de Iniciação Científica
Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto
08 e 09 de novembro de 2019

Apresentação

O Simpósio de Iniciação Científica do Centro Universitário Estácio de


Ribeirão Preto é um evento anual realizado pelo Centro Universitário de
Ribeirão Preto, envolvendo cursos presenciais e à distância.

O simpósio reúne trabalhos de iniciação científica provenientes de pesquisa


e trabalhos de conclusão de curso, desenvolvidos nas diferentes áreas de
conhecimento, apresentados à comunidade acadêmica para debate e
divulgação.

Na presente revista o Programa Institucional de Iniciação Científica do


Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto apresenta a produção
científica divulgada no XI Simpósio de Iniciação Científica, reforçando
assim seu compromisso com a Iniciação Científica, considerada essencial
para o desenvolvimento de seus estudantes.

Profa. Dra. Zumira Aparecida Carneiro


Programa de Iniciação Científica Estácio de Ribeirão Preto
Expediente
Paulo Henrique Barroso Menezes
Reitor

Cyllara Guadalupe Tavares Serrano


Pró-Reitora de Graduação

Zumira Aparecida Carneiro


Pró-Reitora de Pesquisa e Extensão

Viviane Souza Sanchez


Artes e Diagramação

Comissão Científica
Prof. Dr. Anderson Manzoli
Profa. Dra. Carla Duque Lopes
Profa. Dra. Catherine D’Andrea
Prof. Dr. Everton de Brito Oliveira Costa
Profa. Dra. Jessamine Thaize Sartorello Salvini
Profa. Dra. Juliana Issa Hori
Profa. Dra. Marilia Gomes Godinho
Profa. Dra. Pâmela Borges Nery
Profa. Dra. Patrícia Rossi Carraro
Prof. Dr. Renato Augusto Zorzo
Prof. Me. Saulo Valmor Batista
Realização:

Programa de Iniciação Científica Estácio de Ribeirão Preto


Núcleo de TCC e IC Estácio de Ribeirão Preto

Presidente do Evento:

Profª. Drª. Zumira Aparecida Carneiro

Apoio:

Reitoria Estácio de Ribeirão Preto


SUMÁRIO

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTIL: UMA


REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................................................5

A IMPORTÂNCIA DA NEUROCIÊNCIA PARA O PROCESSO DE ENSINO-


APRENDIZAGEM: UMA REVISÃO DE LITERATURA.........................................................17

A PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA, DA ESCOLA E OS EFEITOS DO BULLYING E DO


CYBERBULLYING PARA A COMPREENSÃO DA CONSTRUÇÃO DA INDISCIPLINA
ESCOLAR: UMA REVISÃO DE LITERATURA. .....................................................................27

ANÁLISE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA ACERCA DO BULLYING NAS ESCOLAS ......40

AS CONTRIBUIÇÕES DO PROFESSOR PESQUISADOR E REFLEXIVO PARA O


CONTEXTO ESCOLAR: UMA REVISÃO DE LITERATURA ...............................................52

FATORES DE RESILIÊNCIA E/OU VULNERABILIDADE EM ESTUDANTES


UNIVERSITÁRIOS: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA .....................................64
5

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTIL:


UMA REVISÃO DE LITERATURA

BISPO, Lilian Aparecida1; SANTOS, Ohrana Aparecida2; CARRARO, Patrícia Rossi3

Resumo: A partir de revisão de literatura, o objetivo desse estudo foi investigar a importância da família
para o desenvolvimento infantil. Realizou-se um levantamento bibliográfico, através dos sistemas
informatizados de busca: SciELO, PePSIC e no buscador Google Acadêmico, no período de 2008 a 2018,
cujos descritores foram: desenvolvimento infantil, família, parentalidade, estilos parentais. Os resultados
revelaram que o papel da família é de extrema importância para a educação e desenvolvimento da criança
e a partir da integração com as pessoas de convívio próximo, ela começa a aprender a lidar com a sociedade,
na qual está inserida. Os estilos parentais são relevantes no contexto da formação do indivíduo. Conclui-se
que a família e o ambiente são partes importantes para o desenvolvimento do ser.
Palavras-chave: Desenvolvimento infantil. Família. Parentalidade. Estilos parentais.

INTRODUÇÃO um fator fundamental que contribui


O desenvolvimento humano é um dos estudos mais significativamente para todo o processo de
complexos e mostra que os seres humanos estão desenvolvimento humano (RABELLO; PASSOS,
sempre em evolução, num processo contínuo. 2018).
Diversos são os aspectos que contribuem para um Nos primeiros anos de vida a criança vai se
desenvolvimento do indivíduo. desenvolver principalmente na sua interação com
Vários fatores influenciam o desenvolvimento o meio em que vive. Para Vygotsky (1991, p.18),
humano, como por exemplo, a hereditariedade, que só o aspecto biológico não é o suficiente para que
seria a carga genética que o indivíduo carrega com o indivíduo aprenda práticas específicas para seu
ele, que pode ou não desenvolver ao longo dos crescimento. Não se pode acreditar que a criança
anos. O crescimento orgânico, que seria o aspecto vai se desenvolver com o tempo, pois sozinha não
físico. A maturação neurofisiológica que tem instrumentos para continuar a percorrer o
determina o padrão de comportamento, e por fim, caminho do desenvolvimento. Ela dependerá das
o meio, as pessoas com as quais o indivíduo vive e interações e experiências que estará exposta.
as estimulações ambientais que pode alterar os Para Cypel et al. (2013, p. 34), a criança já nasce
padrões de comportamento do indivíduo (BOCK; com uma predisposição genética para alguns
FURTADO; TEIXEIRA, 2008). comportamentos. “Entretanto, essas tendências
Sendo assim, o desenvolvimento humano se irão receber as influências do entorno, e é dessa
constrói, além do fator biológico e genético, a composição que resultarão os comportamentos
partir do ambiente que o indivíduo vive, o qual é futuros do indivíduo”.

1 Graduanda em Psicologia pelo Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, lilianaparecida1@hotmail.


2 Graduanda em Psicologia pelo Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, ohrana.sis@gmail.com.
3 Psicóloga. Pós-Doutora pelo Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São

Paulo (USP). Docente do Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, patricia.carraro@live.estacio.br.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
6

Neste contexto, constata-se, o quanto é essencial a desenvolvimento da criança. Sendo assim, os


participação da família nesse processo desde o estilos parentais podem ser usados, quando
primeiro contato após o nascimento. Quanto mais otimizados, para influenciar positivamente no
cedo começar com os estímulos, maior será o comportamento da criança em vários aspectos do
retorno no desenvolvimento da criança. seu desenvolvimento.
Segundo Andrade et al. (2005), nos primeiros anos Os pais ainda ficam confusos em relação ao uso
de vida, os principais vínculos, como os cuidados desses estilos parentais. Todavia, com orientação
e estímulos necessários para o crescimento e correta e com estilos mais eficazes, seriam formas
desenvolvimento da criança, são necessariamente de contribuir para a educação e desenvolvimento
fornecidos pela família. A interação dessa criança saudável da criança. Nesse sentido, pode-se
com as pessoas ao seu redor é um dos mais encontrar um equilíbrio entre o controle e
importantes elementos para uma estimulação sensibilidade diante do filho. Uma falha aos
adequada no seu ambiente familiar. Além disso, a estímulos para o desenvolvimento, um mau uso
família tem um papel de mediador entre a criança desses estilos parentais podem causar marcas que
e a sua interação com a sociedade, possibilitando fazem com que a criança leve para a vida adulta
assim sua socialização como outros ambientes, (DARLING; STEINBERG, 1993).
diferentes daqueles na qual está inserida. Nesse sentido, a partir de revisão de literatura, esse
O desenvolvimento infantil está ligado também, ao estudo teve como objetivo geral investigar a
modo que a família irá educar essa criança. Isso importância da família para o desenvolvimento
será muito importante para o adulto que ela irá se infantil, e como objetivos específicos pretende
tornar futuramente. A forma que os pais tratam compreender os aspectos do desenvolvimento
seus filhos tem efeitos fundamentais nas humano e da primeira infância, bem como
personalidades deles. A família é o primeiro investigar o impacto da participação dos pais para
contato com o meio social que a criança vai ter em o desenvolvimento infantil. Além disso, este
suas experiências. Esse estilo de vida que eles terão estudo visa analisar os diversos modelos parentais
nesses primeiros anos, será importante para as e as influências que tais estilos exercem na
próximas experiências ao longo da sua vida como: formação da personalidade da criança.
na escola, amigos, trabalho e amor (BARROS,
MÉTODO
2008). Neste sentido, se buscou trabalhos de pesquisa nas
Uma das principais preocupações que a família seguintes bases: Scientific Eletrocnic Library
tem com a criança relaciona-se a melhor maneira Online (SciELO), Periódicos Eletrônicos em
de educá-la e desenvolvê-la. Nesse contexto Psicologia (PePSIC) e no buscador Google
surgem os estilos parentais. Para Baumrind (1963), Acadêmico - monografias, dissertações, teses e
a relação entre pais e filhos tem uma grande livros, no período de 2008 a 2018. A estratégia de
importância para várias esferas do busca foi elaborada por meio de consulta aos

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
7

descritores: desenvolvimento infantil, família, normativas, regimentos específicos, orientações e


parentalidade, estilos parentais. demais documentos.
A primeira etapa do levantamento consistiu na Nesta etapa foram encontrados 35 artigos, 2
reunião dos documentos que pudessem ser monografias e 18 livros. Mas, considerando-se os
incluídos nos critérios assumidos. Foram critérios citados, utilizou-se 18 artigos e 9 livros
descartados textos legislativos, normas, instruções (Cf. Quadro 1, abaixo).

Quadro 1: Caracterização do levantamento bibliográfico


Volume,
Título Ano Autores Periódico/Livro Número,
Páginas
1. Effects os authoritative parental v.37 n.4 p.887-
1966 BAUMRIND, Diana Child Development
control on child 907
2.Ciclo vital 1997 BEE, Helen Livro 656 p.
3. Variáveis da família e seu impacto CAPRETZ, Batista da Silva v.16 n.2 p.119-
2008 Temas em psicologia
sobre o desenvolvimento infantil Nancy; et al 134
4.Práticas educativas parentais e seus MONDIN, Elza Maria v.26 n.54
2008 Psicologia argumento
efeitos na criação dos filhos Canhetti p.233-244
5. A vida afetiva da criança 2008 ALMEIDA, Ana Rita Silva Livro 151p.
6. Teoria da aprendizagem na obra de MONTOYA, Adrian Oscar
2009 Livro 144p.
Jean Piaget Dongo.
7. Definições, dimensões e BARROSO, Ricardo G.;
2010 Psychologia v 52 p 211-229
determinantes da parentalidade MACHADO, Carla

8. Prática parentais: uma revisão da MAFIOLETTI, Samira Arquivos Brasileiros v.62 n.1 p.215-
2010
literatura brasileira Macarini; et al de Psicologia 229
9. Questionário de estilos parentais PIRES, Mônica; HIPÓLITO, Artigo apresentado
2010
para pais: validação preliminar João; JESUS, Saul Neves de em Conferencia
10. Cuidado paterno e BASSARDI, Carina Nunes; v.44 n.1 p.205-
2010 Ciências humanas
desenvolvimento infantil VIEIRA, Mauro Luís 221
11. Estimulação precoce: sinais de
Revista de educação
alerta e benefícios para o 2010 PERIN, Andréa Eugênia v.5 n.12
do IDEAU
desenvolvimento
12. A criança em desenvolvimento 2011 BEE, Helen; BOYD, Denise Livro 12. ed. 588p.
13. A criança em crescimento 2011 BEE, Helen; BOYD, Denise Livro 622p.
14. Psicologia do desenvolvimento
humano: tornando os seres humanos 2011 BRONFENBRENNER, Urie Livro 151p.
mais humanos
15. O desenvolvimento cognitivo na Artigo - apresentado
GOMES, Ruth Cristina Soares;
visão de Jean Piaget e suas 2011 no VIII Encontro 10 p.
GHEDIN, Evandro
implicações a educação científica Nacional de Pesquisa
16. Percepção materna em relação ao FROTA, Mirna de Revista Brasileira em v.24 n.3 p.245-
2011
cuidado e desenvolvimento infantil Alburquerque; et al promoção da saúde 250
VELUDO, Marcelo Batista;
17. Parentalidade e o desenvolvimento v.22 n.51
2012 VIANA, Terezinha de Paidéia
psíquico na criança p.111-118
Camargo
18. A importância das relações LEITE, Samuel de Castro
interpessoais satisfatória: uma revisão 2012 Bellini-; VARGAS, Pedrita CES revista v.26 n.1
da literatura sobre habilidades sociais. Reis; IRENO, Esther de Matias
19. Considerações sobre Publicações
2012 ROSSI, Francieli Santos v.1 n.1
psicomotricidade na educação infantil acadêmicas
20. Estímulo ao desenvolvimento
FALBO, Bruna Cristine Peres; Revista Brasileira de v.65 n.1 p.148-
infantil: produção do conhecimento 2012
et al enfermagem 154
em enfermagem
PAPALIA, Diane E.;
21. Desenvolvimento humano 2013 Livro 12 ed. 800p.
FELDMAN, Ruth Diskin

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
8

MARCOLAN, Marli da Luz


Revista de ciências
22. A importância da família no Padilha; FRIGHETTO,
2013 sociais do norte de v.2 n.1
processo de aprendizagem Alexandra Magalhães;
Mato Grosso
SANTOS, Juliano Ciebre
23. O impacto do desenvolvimento na
primeira infância sobre a 2014 Núcleo Ciência pela Infância Revista 16 p.
aprendizagem
24. Família e desenvolvimento na
primeira infância: processos de auto- LINHARES, Maria Beatriz
2015 Livro p.70-82
regulação, resiliência e socialização de Martins
crianças pequenas
SOUZA, Juliana Martins; Revista latino-
25. Desenvolvimento infantil: análise v. 23 n.6
2015 VERÍSSIMO, Maria de La Ó americana de
de um novo conceito p.1097-1104
Ramalho enfermagem
26. As contribuições da família para o Artigo apresentado no
RIBEIRO, Natálio Vieira;
desenvolvimento da criança na 2015 programa de iniciação 6 p.
BÉSSIA, Jovenilda Furtado de
educação infantil cientifica.
27. Subjetividade e constituição do
2017 MOLON, Susana Inês Livro 5 ed. 144p.
sujeito em Vygotsky

A segunda etapa caracteriza-se pela leitura e biológico. Existem traços hereditários e influências
análise dos materiais selecionados com o objetivo ambientais que circundam o desenvolvimento
de reunir informações relevantes que contribuam humano. Contudo, qual exerce mais influência? A
para o presente estudo, compreendê-las e cada estudo descobrem-se mais maneiras para
categorizá-las, da forma que serão apresentadas mensurar a influência exercida pelas experiências
neste artigo. e pela genética. “Teóricos e pesquisadores
contemporâneos estão mais interessados em
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A seguir, será apresentado o conceito de descobrir meios de explicar como genética e

desenvolvimento humano e infantil e os aspectos ambiente operam juntos do que argumentar sobre

que circundam tal assunto. Num segundo qual dos fatores é mais importante” (PAPALIA;

momento, a importância da família durante a FELDMAN, 2013, ).

primeira infância, e posteriormente a parentalidade Quando se trata de desenvolvimento humano,

e estilos parentais e sua influência para o nota-se que existe uma evolução contínua, que nem

desenvolvimento infantil. sempre é linear. Essa evolução se constrói em


vários campos da existência, tais como social,
Conceituando desenvolvimento humano e
infantil afetivo, motor e cognitivo. Além disso, temos
O desenvolvimento humano passa por diversas questões biológicas e genéticas que contribuem
mudanças, desde a concepção até a morte. para o processo, sem esquecer que o meio
Diversos fatores cooperam para esse fim. Os ambiente é outro fator muito importante que
teóricos defendem suas teses a respeito do assunto, envolve cultura e interações sociais (RABELLO;
que se diferem, mas se complementam em PASSOS, 2010, p. 1).
determinados momentos. Para Montoya (2009), a teoria de Jean Piaget
Inúmeros são fatores que contribuem e influenciam demonstra que o desenvolvimento está ligado
o desenvolvimento humano, tanto físico como diretamente à aprendizagem, ou seja, a adaptação

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
9

de um organismo ao meio que está inserido. Para que a natureza contribui para haver variações de
que isso aconteça é preciso que o indivíduo tenha um indivíduo para outro (BEE; BOYD, 2009).
capacidade de assimilar conteúdos, criando Bronfenbrenner (2011) ressalta que o
esquemas de aprendizagem, chamado de regulação desenvolvimento é mais do que mudança. É o
ativa, na qual o indivíduo estará sempre em estudo sobre diferenças individuais com
desenvolvimento. influências ambientais e genéticas. Ao mesmo
Já Molon (2017) defende a teoria de Vygotsky, e tempo percebe-se que os seres humanos estão em
considera que seria outro autor importante quando um mundo imenso e cheio de oportunidades,
se trata de desenvolvimento. Esta teoria se constrói podendo melhorar a sua própria vida e a dos que
dentro das relações e suas significações, sendo que estão juntos com eles nesta jornada. Nesse sentido,
o aspecto da linguagem traz em si toda a riqueza se dá a importância do estudo do desenvolvimento
do desenvolvimento social e o princípio humano, sempre com o foco nos seres humanos,
organizador de desenvolvimento da consciência a nos seus ambientes reais e suas interações. É
qual é inseparável da palavra. necessário estudar e observar os indivíduos da
Entender os processos do estudo de forma mais natural possível.
desenvolvimento humano é de extrema Souza e Veríssimo (2015, p. 2), “o
importância para encontrar formas de ajudar desenvolvimento infantil é parte fundamental do
professores, terapeutas, pais e profissionais que desenvolvimento humano, destacando-se que, nos
atuam nessa área, desenvolvendo teorias e primeiros anos, é moldada a arquitetura cerebral, a
conduzindo pesquisas, tendo sempre o foco em partir da interação entre herança genética e
prever, influenciar e descrever o desenvolvimento influências do meio em que a criança vive”.
(BEE; BOYD, 2009). Com relação ao desenvolvimento infantil, os
Bee e Boyd (2011) consideram que o campo da teóricos desta área ressaltam a importância dos
ciência do desenvolvimento humano utiliza teorias diferentes tipos de desenvolvimento, a saber:
e pesquisas de disciplinas e perspectivas diferentes, cognitivo, motor, emocional e social.
assim como: psicologia, antropologia, sociologia, Conforme Gomes e Ghedin (2011), o
medicina, biologia e economia. Ao se apropriar de desenvolvimento cognitivo considera que quanto
métodos científicos em seu estudo correlaciona mais interagimos com o mundo, mais a inteligência
mudanças de comportamento, emoção, se desenvolve. Além disso, o ser humano aprende
personalidade e pensamento. mais quando são estimulados a produzir e não
A ideia de tendências inatas tenta explicar os somente reproduzir um processo.
padrões e sequências do desenvolvimento. Para Rossi (2012), se o desenvolvimento
Consideram que todas as crianças passam pelo psicomotor for mal construído, pode acarretar
mesmo processo para se desenvolver e só se difere problemas em diversas áreas importantes para a
dentro do conceito de maturação, a qual se constata vida do ser humano, como por exemplo:

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
10

pensamento abstrato, leitura, diferenciação de A seguir apresentar-se-á os aspectos fundamentais


letras, escrita, entre outras. Tornando assim, da importância dos pais para o desenvolvimento
importante se estimular a criança para um bom infantil.
desenvolvimento motor desde os primeiros dias de Os pais são determinantes para o bom
vida. desenvolvimento da criança. É durante a primeira
Para Almeida (2008, p. 42), “as influências infância que o indivíduo cultiva processos
afetivas são determinantes para a evolução mental, determinantes para seu crescimento. A família é o
pois agem especialmente sobre os automatismos e, primeiro contato do indivíduo com o mundo fora
portanto, interferem nas reações mais íntimas e do útero e serão como base para a formação da
fundamentais”. personalidade da criança.
As relações sociais possuem sua importância no Silva et al. (2008, p.1), “modelos como o
campo do desenvolvimento humano, agindo bioecológico e a abordagem sistêmica orientam a
diretamente para a evolução cognitiva da criança. investigação da família e explicam como algumas
Torna-se importante ampliar as relações sociais na variáveis influenciam na dinâmica deste sistema,
primeira infância, para melhorar comportamentos, incluindo sua relação com o desenvolvimento
comunicação e resolução de problemas (LEITE; infantil”. A família movimenta as variáveis que são
VARGAS; IRENO, 2012). observadas no complexo sistema do
Objetivando-se oportunizar o bom desenvolvimento infantil.
desenvolvimento na infância, é necessário se Bossardi e Vieira (2010, p.205), “ao abordar temas
observar as alterações que ocorrem durante o referentes ao desenvolvimento humano deve-se
crescimento, viabilizando a utilização dos considerar os contextos históricos, sociais e
estímulos necessários. Entende-se que tais culturais que constituem os cenários em que tal
estímulos na primeira infância, refletem para toda desenvolvimento ocorre”. É necessário analisar o
a vida, concomitantemente, a falta de estímulos ambiente que circunda o desenvolvimento da
causa o mesmo efeito a longo prazo (FALBO; et criança e não somente os fatores biológicos.
al., 2011, p.2). A fase de 0 a 3 anos, conhecida como primeira
A partir das colocações dos autores citados infância, é quando se desenvolve circuitos neurais
anteriormente, considera-se relevante apontar que e estruturas cerebrais determinantes para o
o desenvolvimento humano não se completa na desenvolvimento de habilidades fundamentais
infância, mas os primeiros anos são de parte muito para o ser humano que serão necessárias para a
importante para as outras fases. O que se vive na vida adulta (NÚCLEO CIÊNCIA PELA
primeira infância acarreta resultados para o INFÂNCIA, 2014).
restante da vida do ser humano. Frota et al. (2012, p. 247), “ao longo do
desenvolvimento, portanto, a criança elabora
A importância da família durante a primeira
infância novas e diferentes competências, no contexto das

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
11

práticas sociais, que permitirão compreender e maior peso nessa equação.


atuar no mundo”. Sabendo-se que o primeiro Estudos apontam que é a família quem deve
contato social do ser humano é com a família, nota- começar a estimulação do bebê, bem como dar
se que é importante estabelecer uma rotina de continuidade na primeira infância e adolescência.
cuidado e ensino focado na estimulação do Tal comportamento resulta na completude do ser
crescimento, tanto intelectual quanto físico. humano e no desenvolvimento saudável, tanto
Nesse sentido, “considerando que a criança físico, cognitivo, social e emocional.
aprende o tempo todo, nas diversas instâncias que
Parentalidade e estilos parentais
a vida lhe apresenta, compreende-se que a família Serão apresentadas a seguir, as principais ideias
exerce papel fundamental no processo de acerca da parentalidade e os estilos parentais.
construção de conhecimentos significativos e de Verificar-se-á o quanto estes conceitos são
socialização da criança” (RIBEIRO; BÉSSIA, fundamentais para o desenvolvimento e formação
2015, p. 3). do indivíduo.
A família tem como responsabilidade principal, O estudo sobre estilos parentais é de grande
educar e estabelecer diretrizes que levam o ser importância para a psicologia, uma vez que
humano a desenvolver a moral e a ética aceitas pela envolve a família e também a sociedade em que
sociedade. É dentro de casa que a criança aprende essa está inserida. O que se espera dos progenitores
a respeitar e se desenvolve como ser social ou cuidadores é que eles possam facilitar o
(MARCOLAN; FRIGHETTO; SANTOS, 2013). desenvolvimento de seus filhos no que tange aos
Tendo em vista que a estimulação familiar desde a aspectos físico, mental e emocional. A partir desse
gravidez é necessária, se torna imprescindível o princípio, os cientistas abordam o conceito de
surgimento de programas que estimulem e “parentalidade”, que são conjuntos de funções e
orientem mães sobre a importância de tal vínculo, atividades exercidas e desenvolvidas pelos
visando minimizar futuros déficits de familiares com vistas ao desenvolvimento
desenvolvimento motor, cognitivo e emocional saudável e pleno da criança. (BARROSO;
(PEREIRA; et al., 2015). MACHADO, 2010).
Perin (2010, p. 9) “nos trabalhos de estimulação, Para Veludo e Viana (2010), conceito de
os pais aprendem com diversos profissionais de parentalidade tem como objetivo focar nos pais e
diferentes áreas a estimular a criança, pois, quanto filhos, bem como uma maneira de pesquisar alguns
mais cedo ocorrer o estímulo, mais ativa a criança determinados processos de subjetividade da
se tornará, conseguindo atingir suas capacidades”. criança.
A partir das colocações dos autores citados acima, Há também um termo de “parentalidade positiva”.
nota-se que a genética, o ambiente e estimulação Que pode ser definida quando o comportamento
fazem parte do desenvolvimento infantil. Porém, a dos pais é baseado sempre no interesse da criança,
família se torna a força de influência que possui que assegura suas satisfações em suas principais

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
12

necessidades, na qual envolve o cuidar, o guiar e questionar suas decisões. Valorizam a obediência
proteger a criança em todo seu caminho de como uma virtude para conter os impulsos e
amadurecimento, com compromisso e carinho desejos dos filhos. Acreditam que manter a criança
(BARROSO; MACHADO, 2010). em um lugar que possa restringir sua autonomia e
Mondin (2008) enfatiza que as complexidades atribuem mais atividades domésticas, para deixar
sociais em que as famílias estão inseridas e os claro o respeito que ela deve ter em relação ao
riscos novos que podem aparecer em decorrência trabalho (BAUMRIND, 1966).
do ambiente, vêem uma importância e atenção Já o estilo autoritativo é o mais aceitável em
maior ao papel dos pais em relação à educação e relação à educação da criança. É como se fosse
desenvolvimento do filho. Tanto a família como o uma junção dos estilos: autoritário e permissivo.
ambiente têm como proporcionar condições Os pais tentam direcionar as atividades das
estimuladoras para o desenvolvimento saudável da crianças de uma forma mais racional, quando ela
criança. Os relacionamentos nos contextos não quer obedecer. Eles trazem todo um raciocínio
familiares podem possibilitar quais político para entender o porquê a criança não quer
comportamentos à criança pode levar como obedecê-los e explicam o motivo que ela deve
adequado ou não adequado. obedecer. Tanto a autonomia da criança quanto a
Cada família tem uma forma de educar seus filhos, sua conformidade com a disciplina é considerada
conforme experiência de vida, a forma como os pelos pais. Eles sempre vão ressaltar as qualidades
pais ou cuidadores lidam com o dia a dia, trabalhos, da criança. Esse estilo é usado para resolver
relações conjugais entre outros aspectos. A partir algumas antíteses como: responsabilidade e
desses comportamentos foram definidos os estilos liberdade, prazer e dever (BAUMRIND, 1966).
parentais, que são considerados um componente Por fim, o estilo permissivo, o qual o pai tenta se
fundamental na dinâmica das relações familiares e comportar de uma maneira não punitiva, mais
no desenvolvimento infantil. Eles auxiliam os pais compreensível e aceitável em relação aos impulsos
ou cuidadores a educar a criança (PIRES; e desejos da criança. Ele está mais aberto para que
HIPOLITO; JESUS, 2010). a criança discuta com ele sobre as regras da família
São três estilos parentais apontados por Baumrind e está disposto a ouvi-la também. Além disso, não
(1966), os quais definem três modelos teóricos: faz muitas exigências, permite que a criança tenha
estilo autoritário, autoritativo e indulgente autonomia para realizar suas atividades. Nesse
(permissivo). São como protótipos de controle dos estilo, os pais tentam não controlar tanto a criança
adultos com a criança e sua educação. (BAUMRIND, 1966).
No estilo autoritário, os pais tentam moldar, Esses modelos parentais podem ser tanto positivos
modificar, controlar e avaliar cada passo que a quanto negativos. Com relação aos pontos
criança possa dar. Mostra-se para a criança como positivos, pode-se ressaltar que seriam quando os
uma autoridade superior, na qual ela não pode pais conseguem estabelecer regras para o convívio

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
13

social da criança e desenvolve comportamentos também que existem outros fatores que
através do afeto. Com isso conseguem que a influenciam a educação destes pais, suas práticas
criança tenha autonomia, autocontrole, parentais para com seus filhos, a saber, a sua
autoconfiança e mesmo com as regras passadas própria história de vida, o seu desenvolvimento,
pelos pais, saiba caminhar sozinha e lidar com a bem como as suas experiências atuais, como seu
sociedade fora do seu vínculo familiar. Já os pontos trabalho, escolaridade, renda e parte emocional
negativos, por outro lado, podem causar muitas (PIRES; HIPOLITO; JESUS, 2010).
consequências ruins para o desenvolvimento Por fim, a partir das colocações dos autores, pode-
infantil, a saber, a negligência, o abandono, a falta se ressaltar que os estilos parentais auxiliam muito
de afeto, abusos físicos e psicológicos, fazendo os pais na educação da criança e estimulam o
com que a criança não tenha autonomia suficiente. desenvolvimento dela. Todavia, cabe a eles
As consequências são quase que irreversíveis para conseguirem uma forma adequada de colocar em
o adulto que irá se tornar ao longo dos anos prática a sua educação e encontrar uma maneira de
(LINHARES, 2015). usar os pontos positivos de cada estilo para que não
Diante desses três estilos de autoridade parental, o prejudique o crescimento da criança.
autoritativo demonstra mais pontos positivos
CONSIDERAÇÕES FINAIS
quando usado na educação da criança, e que mostra A partir dos objetivos propostos neste estudo,
uma predominação maior nas famílias. A forma de pode-se contatar a complexidade do
ensinarem seus filhos mostra que elas trazem desenvolvimento infantil e do papel da família. Os
muito os valores culturais já adquiridos ao longo estudos apontam que as primeiras relações que o
da vida, tornando mais fácil o diálogo entre eles, e ser humano estabelece, acontece no seio familiar,
geram maior entendimento e disciplina nos filhos independente da sua vontade. É a família que
(PIRES; HIPOLITO; JESUS, 2010). determina o contexto social em que ela vai viver.
Contudo, para Mafioletti et al. (2010, p 30) A criança é um membro aceito por aquelas pessoas
Vale ressaltar a complexidade das relações e desde o nascimento já tem um espaço composto
familiares e das variáveis que influenciam
naquele meio. Ou seja, é o primeiro espaço, no qual
nas práticas dos pais em relação ao cuidado
dos filhos, como as características a criança irá desenvolver suas habilidades
específicas da criança e dos pais, a relação
comportamentais, sociais, morais e psicológicas da
estabelecida entre os cônjuges, a história de
criação e desenvolvimento dos progenitores, criança.
bem como o contexto sociocultural em que
As pesquisas revelam que as crianças aprendem
estão inseridos.
através de seus pais/progenitores, não só com o que
Além disso, os pais diante das características
eles ensinam e educam, mas com o que fazem e
específicas da criança, como por exemplo, a sua
como lidam com seus problemas. Outros estudos
personalidade, comportamento, forma de lidar com
apontam que o vínculo e o afeto que os
certos assuntos, podem ser obrigados a mudar
pais/progenitores oferecem, proporcionam uma
algumas dessas práticas parentais. Ressalta-se

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
14

influência diretamente no desenvolvimento da às informações que estão mandando para a criança,


criança e de como ela vai socializar com as outras e que todo comportamento familiar – sendo
pessoas. Para isso, é fundamental ter um bom favorável ou desfavorável – produz resultados
relacionamento, garantir sempre a melhor forma de significativos.
educar e mostrar o certo e errado. Nesse sentido, é Por fim, considera-se que os artigos encontrados,
preciso ter uma boa comunicação, saber escutar a especialmente aqueles que buscam discutir a
criança e estimular sua autonomia. relação que os pais/progenitores constroem com
Outro aspecto importante a ser considerado nos seus filhos diariamente ao longo dos anos, revelam
estudos relaciona-se ao fato que para que o ser que esta é de extrema importância para o
humano ter um desenvolvimento de forma desenvolvimento infantil em múltiplos sentidos.
completa e saudável, é necessário que haja Destacam-se nos estudos que os estilos parentais
estimulações da família e cuidadores, desde a podem auxiliar os pais/progenitores,
gravidez. É necessário ficar atento às mudanças principalmente o autoritativo, que equilibra a
subsequentes do ambiente e que podem causar disciplina, os limites e valoriza a qualidades da
interferências no desenvolvimento, cuidando para criança.
que os danos sejam mínimos. Com base na literatura revisada, considera-se
A família por ser o primeiro contato que a criança importante a produção de trabalhos que continuem
tem com o mundo, em que está inserida, de acordo a investigar a família, os estilos parentais e suas
com os autores estudados, é modelo para a criança influências no desenvolvimento infantil, ou seja na
seguir. Para tanto, é necessário que estejam atentos formação do indivíduo.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, R. S. A. A vida afetiva da criança. http://www.jstor.org/stable/1126611?origin=cross
Maceió: Uful, 2008. ref. Acesso: 19 abr. 2020
ANDRADE, S. A. et al. Ambiente familiar e BEE, H; BOYD, D. A criança em crescimento.
desenvolvimento cognitivo infantil: uma Tradução: Cristina Monteiro. Porto Alegre:
abordagem epidemiológica. Rev. Saúde Pública, Artmed, 2011.
v. 39, n. 4, p. 606-611. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M.
&pid=S0034- L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo de
89102005000400014&lng=en&nrm=iso. Acesso Psicologia. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.
em: 29 fev. 2020 BOSSARDI, C. N; VIEIRA, M. L. Cuidado
BARROSO, R. G., MACHADO. C. Definições, paterno e desenvolvimento infantil. Ciências
dimensões e determinantes da parentalidade. Humanas, Florianópolis. v. 44, n. 1, p. 205-221,
Psychologia, Portugal, v. 52 p. 211-229. 2010. 2010. Disponível em:
Disponível em: https://impactum- https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/arti
journals.uc.pt/psychologica/article/view/996. cle/view/2178-4582.2010v44n1p205/14442.
Acesso em: 19 fev. 2020 Acesso em: 24 mar. 2020

BAUMRIND, D. Effects of authoritative parental BRONFENBRENNER, U. Psicologia do


control on child behavior. Child Development, v. desenvolvimento humano: tornando os seres
37, n. 4, p. 88-97, 1966. Disponível em: humanos mais humanos. Porto Alegre: Artmed,
2011.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
15

CYPEL, et al. Fundamentos do desenvolvimento SANTOS, J.C. A importância da família no


infantil: da gestação aos 3 anos. São Paulo, processo de aprendizagem da criança. Revista de
Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, 2011. Ciências Sociais do Norte de Mato Grosso. Mato
Grosso. v. 2, n. 1, 2013. Disponível em:
DARLING, N.; STEINBERG, L. Parenting Style https://www.revistanativa.com.br/index.php/nativ
as Context Na aintegrative Model. Psychological a/article/view. Acesso em: 20 abr. 2020
Bulletin, v.113, n.3, 1993. p.487-496, Disponível
em: https://psycnet.apa.org/record/1993-29246- MOLON, S. I. Subjetividade e constituição do
001. Acesso em: 21 fev. 2020 sujeito em Vygotsky. 5. ed. Rio de Janeiro: Vozes.
2017.
FALBO, B. C. P. et al. Estímulo ao
desenvolvimento infantil: produção do MONDIN, E.M. Práticas educativas parentais e
conhecimento em enfermagem. Revista seus efeitos na criação dos filhos. Psicologia
Brasileira de Enfermagem, Brasília. v. 65, n1, argumento. 2008, v. 54, p. 233-244. Disponível
2012. p 148-154. Disponível em: em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S003471672 https://periodicos.pucpr.br/index.php/psicologiaar
012000100022&script=sci_arttext&tlng=pt. gumento/article/view/19885. Acesso: 20 fev. 2020
Acesso em: 02 abr. 2020.
MONTOYA, A.O.D. Teoria da aprendizagem
FROTA, M. A., et al. Percepção materna em na obra de Jean Piaget. Unesp. Rio de Janeiro.
relação ao cuidado e desenvolvimento infantil. 2009, p 13. Disponível em:
Revista Brasileira em Promoção da Saúde, https://books.google.com.br/books?hl=pt-
Fortaleza. v. 24, n.3, 2011. p. 245-250. Disponível PT&lr=&id=WuX2ejF9H5YC&oi=fnd&pg=PA1
em: 1&dq=teoria+piaget&ots=Er2LUcaFpw&sig=IjaJ
https://periodicos.unifor.br/RBPS/article/view/20 mZxNFVtVUXnys2jdosFKvpQ#v=onepage&q&
78/2371. Acesso em: 02 abr. 2020 f=false. Acesso em: 02 abr. 2020.
GOMES, R. C. S; GHEDIN, E. O NÚCLEO CIÊNCIA PELA INFÂNCIA. O
desenvolvimento cognitivo na visão de Jean impacto do desenvolvimento na primeira
Piaget e suas implicações a educação cientifica. infância sobre a aprendizagem. São Paulo:
2011 10 p. Disponível em: Insper, 2014. Disponível em:
http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/viiienpec/resum http://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/IMP
os/R1092-2.pdf. Acesso em: 12 mar. 2020 ACTO_DESENVOLVIMENTO_PRIMEIRA%2
0INFaNCIA_SOBRE_APRENDIZAGEM.pdf.
LEITE, S. C. B; VARGAS. P. R; IRENO, E. M. A Acesso em: 21 fev. 2020.
importância das relações interpessoais satisfatória:
uma revisão da literatura sobre habilidades sociais. PAPALIA, D. E.; FELDMAN, R. D.
CES Revista, Minas Gerais. v. 26, n. 1, 2012. Desenvolvimento humano. Tradução: Cristina
Disponível em: Monteiro. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
https://seer.cesjf.br/index.php/cesRevista/article/v
iew/403/290. Acesso em: 15 abr. 2020 PEREIRA, V. P. et al. Investigação de fatores
considerados de risco para o desenvolvimento
LINHARES, M. B. M. Fundamentos da família motor de lactentes até o terceiro mês. Pensando
como promotora do desenvolvimento infantil. famílias. Porto Alegre. v.19, n2, 2015. p73-89.
São Paulo: Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Disponível em:
2015. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_art
text&pid=S1679-494X2015000200007. Acesso
MAFIOLETTI, S. M, et al., Práticas parentais: em: 20 abr. 2020.
uma revisão da literatura brasileira. Arquivos
Brasileiros de Psicologia, Rio de Janeiro, 2010. PERIN, A. E. Estimulação precoce: sinais de alerta
v.62, n 1, p119-134. Disponível em: e benefícios para o desenvolvimento. Revista de
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_art Educação do IDEAU. Rio Grande do Sul. v. 5,
text&pid=S1809-52672010000100013 Acesso n.12, 2010. Disponível em:
em: 20 mar. 2020 https://www.bage.ideau.com.br/wpcontent/files_
mf/9af7bd640bd9eed114332220f6fbe43c161_1.p
MARCOLAN, M.L.P.; FRIGHETTO, A.M.; df. Acesso em: 01 mai. 2020

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
16

PIRES, M.; JESUS, S. N.; HIPÓLITO, J. http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/file


Questionário de Estilos Parentais para Pais (PAQ- s/2011/09/Considera%c3%a7%c3%b5es-sobre-a-
P) - Estudos de validação. In: Actas do VIII Psicomotricidade-na-Educa%c3%a7%c3%a3o-
Congresso Iberoamericano de Infantil.pdf. Acesso em: 02 abr. 2020
avaliação/evaluación Psicológica – XV
SILVA, N. C. B. S. et al. Variáveis da família e seu
Conferência Internacional de Avaliação
Psicológica, Lisboa, 2011. Disponível em: impacto sobre o desenvolvimento infantil. Temas
https://repositorio.ual.pt/handle/11144/2671. em Psicologia, v. 16, n. 2, p. 215-229, 2008.
Acesso: 18 fev. 2020 Disponível em:
https://www.redalyc.org/pdf/5137/513751432006.
RABELLO, E.T.; PASSOS, J. S. Vygotsky e o pdf. Acesso em: 16 abr. 2020
desenvolvimento humano. 2018. Disponível em:
https://s3.amazonaws.com/academia.edu.docume SOUZA, J. M; VERISSIMO, M. L. R.
nts/ Acesso: 18 mar. 2020 Desenvolvimento infantil: análise de um novo
conceito. Revista Latino-Americana de
RIBEIRO, N. V.; BÉSSIA, J. F. As contribuições Enfermagem, v. 23, n. 6, 2015. p. 1097-1104.
da família para o desenvolvimento da criança Disponível em: http://www.scielo.br. Acesso em:
na educação infantil. 2015. Disponível em: 24 mar. 2020
http://www.faacz.com.br/portal/conteudo/iniciaca
o_cientifica/2015/anais/as_contribuicoes_da_fami VELUDO, M. B., VIANA. T. C. Parentalidade e o
lia_para_o_desenvolvimento_da_crianca.pdf. desenvolvimento psíquico na criança. Paidéia, v.
Acesso em: 24 abr. 2010 22, n. 51, p. 111-118, 2012. Disponível em:
https://www.fmcsv.org.br/. Acesso: 19 fev. 2020
ROSSI, F. S. Considerações sobre
psicomotricidade na educação infantil. VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente.
Publicações acadêmicas, v. 1, n.1, 2012. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
Disponível em:

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
17

A IMPORTÂNCIA DA NEUROCIÊNCIA PARA O PROCESSO DE ENSINO-


APRENDIZAGEM: UMA REVISÃO DE LITERATURA

BRANDÃO, Letícia Fialho1; KISCHEL, Ariane da Silva2; CARRARO, Patrícia Rossi3

Resumo: A partir de revisão de literatura, o objetivo deste estudo foi compreender a importância da
neurociência para o processo de ensino-aprendizagem. Realizou-se um levantamento bibliográfico, através
dos sistemas informatizados de busca: SciELO, PePSIC e no buscador Google Acadêmico, no período de
2000 a 2019, cujos descritores foram: neurociência, aprendizagem e educação. Foram utilizados 14 artigos,
uma monografia, uma dissertação e 4 livros. Os resultados demonstraram que o conhecimento acerca do
funcionamento cerebral possibilita uma melhor compreensão da aprendizagem, bem como dos déficits
cognitivos. Conclui-se que no contexto escolar, a neurociência é um conhecimento fundamental para a
formação e para a prática docente.
Palavras-chave: Neurociência. Aprendizagem. Educação.

INTRODUÇÃO A aprendizagem é um processo gradual, na qual


A neurociência é a ciência do cérebro e, a cada criança tem seu próprio tempo e sua
educação, pode ser considerada a ciência do ensino individualidade para aprender. As dificuldades de
e da aprendizagem. Seguindo esse pressuposto, há aprendizagem podem ser geradas por dificuldades
alguns anos criou-se o termo “neuroeducadores”, de leitura e escrita já existentes. Se a criança não
com o argumento de que a partir do conhecimento aprende a ler e escrever, pode prejudicar a
do cérebro, a prática dos professores poderia ser aprendizagem em outras disciplinas, afetando seu
aprimorada. De acordo com os autores, tem-se conhecimento na linguagem tornando-se
investigado principalmente qual a influência da desatualizada e desorientada (DROUET, 2006).
neurociência sobre a Educação, bem como suas Para o sucesso no processo de ensino-
aplicações nesta área (RATO; CASTRO- aprendizagem é determinante conhecer como o
CALDAS, 2010). cérebro evolui, saber como ele funciona, conhecer
A aprendizagem é obtida através do estímulo das suas características únicas, pois o processo de
conexões neurais. A neurociência busca entender o aprendizagem é intencional e sistemático. Para que
cérebro estabelecendo métodos para identificar ocorra um aperfeiçoamento do ensino é
como esses estímulos da aprendizagem chegam até determinante entender os fundamentos
o cérebro. Esses estímulos podem ser fortalecidos, Neuropsicopedagógicos (FONSECA, 2014).
fazendo com que o cérebro se reorganize e As adaptações promovem uma evolução na
desenvolva uma cognição saudável (SOUSA; criança, gerando a capacidade de aprender, sendo
ALVES, 2017). entendida como uma mudança estrutural. A

1 Graduanda em Pedagogia pelo Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, leticiafialhosg@gmail.com.


2 Graduanda em Pedagogia pelo Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, arianekischel10@gmail.com.
3 Psicóloga. Pós-Doutora pelo Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto - Universidade de

São Paulo (USP). Docente do Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, patricia.carraro@live.estacio.br.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
18

criança só está pronta para ser alfabetizada quando MÉTODO


ela consegue compreender representações do Esta revisão de literatura se resume a um
mundo, através de habilidades psicomotoras, essas levantamento bibliográfico por meio das principais
habilidades acompanharam a criança da educação bases de dados disponíveis na literatura nacional,
infantil até a introdução do raciocínio matemático com o intuito de explorar o processo de ensino-
(MORAES; MALUF, 2015). aprendizagem de acordo com a neurociência.
Para atingir a aprendizagem deve-se compreender Foram pesquisados artigos científicos,
como o comportamento acontece, entender a monografias, dissertações, teses e livros nas bases
maturação nervosa, pois esta conduz ao SciELO (Scientific Eletronic Library Online),
desenvolvimento. A aprendizagem nada mais é PePSIC (Periódicos Eletrônicos e Psicologia), e no
que um processo global e, por meio dela que se buscador Google Acadêmico, no período de 2000
atingi o conhecimento, um processo permanente a 2019, cujos descritores foram neurociência,
(PAULA, et al., 2006). aprendizagem e educação.
O estudo de Bacaro, Sforni e Sant’Ana (2015) A primeira etapa do levantamento consistiu na
buscou entender o desenvolvimento psíquico e sua reunião de artigos que pudessem ser incluídos nos
relação com a aprendizagem. Após análises de critérios assumidos, a saber, terem como foco a
diversos artigos concluíram que existem poucos importância da neurociência no processo de
profissionais pesquisadores ligados à Neurociência ensino-aprendizagem. Foram descartados textos
e à Educação. As pesquisas existentes são mais na legislativos, normas, instruções normativas,
área da saúde e realizadas por médicos. Os autores regimentos específicos, orientações e demais
concluíram que há um déficit em pesquisas que documentos.
relacionam o cérebro e a aprendizagem. Nesta etapa foram encontrados 67 materiais, sendo
Dessa forma, através de revisão de literatura, o 42 artigos, 7 monografias, 6 dissertações, 2 teses e
objetivo deste estudo foi compreender a 10 livros. Contudo, considerando-se os critérios
importância da neurociência para o processo de citados, foram utilizados 14 artigos, 1 monografia,
ensino-aprendizagem. 1 dissertação e 4 livros (cf. quadro 1, abaixo).

Quadro 1: Caracterização do levantamento bibliográfico.


Periódico/Livro/ Volume,
Título Autores Ano Monografia/ Número, Páginas,
Dissertação Folhas
1. O cérebro como órgão pessoal: uma Trabalho, Educação e v. 8, n. 3, p. 563-
AZIZE, R. L. 2010
antropologia de discursos neurocientíficos. Saúde 74
2. Por um ensino e uma aprendizagem de BRITO, M. R.; v. 16, n. 1, p. 31-
2014 Revista Ensaio
acontecimento RAMOS, M. N. C. 47
3. Neurociência e Educação uma articulação CARVALHO, F. A. Trabalho Educação e v. 8, n. 3, p. 537-
2010
necessária na formação docente H. Saúde 50
CARVALHO, D.; Ensaio: avaliação,
4. Neurociência e formação de professores: v. 26, n. 98, p.
BOSAB, C. A 2018 política pública e
reflexos na educação e econômica 231-47
V. Educação.
5. Psicopedagogia, Educação e v. 24, n.75, p. 298
CHEDID, K. A. K. 2007 Rev. Psicopedag.,
Neurociências. - 300

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
19

6. Neurociência e Educação: como o cérebro COSENZA, R. M.;


2011 Livro 151 p.
aprende GUERRA, L. B
7. Neurociência e Educação: a estimulação
cognitiva como possibilidade de intervenção CUNHA, P. A. F. 2015 Monografia 50 p.
na educação inclusiva
8. Desenvolvimento e Aprendizagem: o que o
DOMINGUES, M. A. 2007 Livro 208 p.
cérebro tem a ver com isso?
9. Distúrbios da Aprendizagem: Uma
MORAIS, A. M. P. 2006 Livro 168 p.
abordagem Psicopedagógica.
10. Psicomotricidade no contexto da
MORAES, S., Revista v. 32, n. 97, p. 84-
neuroaprendizagem: contribuições à ação 2017
MALUF, M. F. de M. Psicopedagógica 92
psicopedagógica.
11. Neurociência e os processos educativos:
um saber necessário na formação de OLIVEIRA, G. G. 2011 Dissertação 146 f.
professores
12. Neurociência e os processos educativos:
v. 18, n. 1, p. 13-
um saber necessário na formação de OLIVEIRA, G. G. 2014 Educação Unisinos
24
professores
Revista v. 23, n. 72, p.
13. Neuropsicologia da Aprendizagem PAULA, G. R., et al. 2006
Psicopedagógica 224-31
14. Anatomia da Aprendizagem RIESGO, R. dos S. 2016 Livro 2. ed., 512 p.
SANTIAGO- Boletim Informativo
15. Neurociência Cognitiva é Educação
JÚNIOR, C. O. S.; 2017 Unimotrisaúde em v. 2, n.8, p. 49-59
Infantil: possibilidades de aprendizado.
BARBOSA, I. S. Sociogerontologia.
16. O processo de ensino-aprendizagem e a Caderno de Pesquisa
SANTOS, S. C. 2001 v. 8, n. 1
relação professor-aluno em Administração
17. Neurociência e o déficit intelectual: SOUZA, M. C.; Revista v. 32, n. 97, p.
2015
aportes para ação pedagógica GOMES, C. Psicopedagógica 104-14
18. A neurociência na formação dos
SOUSA, A. M. O. P.; Revista v. 34, n. 105, p.
educadores e sua contribuição no processo de 2017
ALVES., R. R. N. Psicopedagógica 320-31
aprendizagem.
19. Grupos de Consenso: uma proposta de TORRES, P. L.;
REVISTA Diálogo v. 4, n. 13, p. 129-
aprendizagem colaborativa para o processo de ALCANTARA , P. 2004
Educacional 45
ensino-aprendizagem R.; IRALA, E. A. F.
20. Um retrato da área de Neurociência e Psicologia: Teoria e v. 26, n. spe, p.
VENTURA, D. F. 2010
comportamento no Brasil Pesquisa, Brasília. 123-29

A segunda etapa caracteriza-se pela leitura e Através da neurociência, o docente adquire


análise dos materiais selecionados com o objetivo conhecimentos de diferentes esferas, que
de reunir informações relevantes que contribuam contribuem para o desenvolvimento integral de seu
para o presente estudo, compreendê-las e educando, como por exemplo: memória, atenção,
categorizá-las, da forma que serão apresentadas sentimentos (como medo e afeto), o
neste artigo. desenvolvimento infantil e as diferenças nos
processos cerebrais dos alunos. Dessa forma,
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A neurociência e a educação coadjuva ao fornecer subsídios para as ações

A seguir serão apresentados os principais aspectos psicopedagógicas (CHEDID, 2007).

da neurociência e da educação, bem como sua (...) elas não propõem uma nova pedagogia
função e quais os aportes que oferece a esta área. nem prometem soluções definitivas para as
dificuldades da aprendizagem. Podem,
A neurociência contribui na compreensão de como contudo, colaborar para fundamentar
as crianças apreendem o mundo, bem como seu práticas pedagógicas que já se realizam com
sucesso e sugerir ideias para intervenções,
desenvolvimento e representações mentais. demonstrando que as estratégias

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
20

pedagógicas que respeitam a forma como o indivíduo, auxiliadas pela educação oferecerá a
cérebro funciona tendem a ser mais
criança uma aprendizagem significativa. A
eficientes. Os avanços das neurociências
possibilitam uma abordagem mais científica neurociência cognitiva junto com a educação pode
do processo ensino-aprendizagem,
contribuir de maneira significativa no trabalho
fundamentada na compreensão dos
processos cognitivos envolvidos docente e na formação de possíveis estratégias
(COZENSA; GUERRA, 2011, p. 34).
pedagógicas (SANTIAGO-JÚNIOR; BARBOSA,
As neurociências passaram a ser estudadas a partir
2017).
da chamada Década do Cérebro (1990-1999).
A partir das colocações dos autores citados, nota-
Nesse sentido, várias áreas se dedicaram aos
se que a neurociência surgiu de modo a estudar o
estudos do Sistema Nervoso. As pesquisas
funcionamento do Cérebro e do Sistema Nervoso
apontam que ao nascer, o bebê já inicia as
Central e, no âmbito educacional atua como um
interações com diversos ambientes e apresenta
suporte as práticas docentes e possibilita ao
diversos comportamentos e, o cérebro junto ao
professor a compreensão do funcionamento
Sistema Nervoso processa esses estímulos,
cerebral e sua influencia para uma aprendizagem
fazendo com que o mesmo seja capaz de aprender
significativa.
de modo significativo, uma vez que nós seres
O cérebro e a aprendizagem
humanos aprendemos por prazer. O
A seguir serão descritas as ideias acerca da relação
comportamento humano, também está relacionado
do cérebro com a aprendizagem, bem como de que
às atividades do sistema nervoso (VENTURA,
forma esse órgão atua em tal processo.
2010).
O estudo do cérebro é um campo multidisciplinar O cérebro humano é um órgão complexo,
responsável por coordenar muitas
e as pesquisas ligadas à educação e à neurociência informações vindas dos sentidos, sistema
oferecem suporte para o entendimento do cérebro imunológico e também das emoções. Ele é o
centro de controle do movimento, sono,
e da mente, que se torna um alicerce para a fome, sede e quase todas as atividades vitais
realização de processos de ensino-aprendizagem. necessárias à sobrevivência. Emoções, como
o amor, o ódio, o medo, a ira, a alegria e a
A união da educação e da neurociência não obteve tristeza, também são controladas por esse
resultados no passado, porém na atualidade existe órgão, que ainda recebe e interpreta os
inúmeros sinais enviados pelo organismo e
grande interesse pelo assunto, e é o que causa cada pelo ambiente (SOUZA; GOMES, 2015, p.
vez mais a aproximação das duas áreas. Neste 107).
momento, a neurociência torna-se uma base para Com o surgimento da ciência moderna, tornou-se
as pesquisas teóricas sobre os processos cerebrais necessário a realização do estudo do cérebro que
durante a aprendizagem (OLIVEIRA, 2014). mesmo com toda sua complexidade, é capaz de
As pesquisas ressaltam que a Neurociência estruturar inúmeras informações e emoções (como
Cognitiva é responsável pelo estudo da fala, amor, ódio, medo e alegria). Este órgão também
linguagem, emoções e memória, as quais são pode ser considerado, o responsável pela maioria
fundamentais para o desenvolvimento do das atividades necessárias para a sobrevivência

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
21

humana. A plasticidade cerebral exerce uma mudança estrutural do SNC, ou seja, uma
importante influência às práticas docentes, realocação de informações e processos podendo
auxiliando os professores a encontrarem novas e ser consequências de experiências já vividas
inovadoras didáticas (SOUZA; ALVES, 2017). (MORAES; MALUF, 2015).
O cérebro continua sendo caracterizado como um No processo de aprendizagem, o cérebro assume
órgão do corpo humano, e por ser considerado o um papel importante, porém, o ambiente, o
“órgão pessoal”, no qual são armazenadas as aprendiz, o professor e, também o emocional, são
informações, a identidade de uma pessoa, bem componentes determinantes. A memória também é
como seus sentimentos e emoções, está longe de considerada outro fator importante da
ser transplantado. Nesse sentido, o cérebro passou aprendizagem, pois quando processada no cérebro
a ser o sinônimo de indivíduo, e um personagem gera uma lembrança do que já foi presenciado ou
central na definição da identidade de cada ser mencionado, e assim provoca uma mudança
humano (AZIZE, 2010). significativa. Todo esse processo de
O sistema nervoso funciona através dos neurônios, aprendizagem, emoções e memória ocorre no
os quais atuam no processamento e sistema nervoso centra e, este é defendido segundo
armazenamento das informações e, o cérebro é o ponto de vista dos Neurobiológicos (RIESGO,
responsável por interagir com os meios internos 2016).
recebendo informações de dentro do próprio corpo Segundo os Neurofisiológicos, a aprendizagem
e do meio, ao qual está inserido. O cérebro também não é abstrata, e sim algo que acontece e que possui
é responsável por externalizar respostas um alicerce orgânico, estrutural e químico e os
voluntárias ou involuntárias através do corpo, para estímulos que as crianças recebem são
interagir-se com o meio externo (COSENZA; determinantes na sua aprendizagem. Conforme a
GUERRA, 2011). criança é estimulada, cresce suas ramificações
A aprendizagem humana inclui alguns cerebrais, e suas conexões neurais aumentam e
procedimentos e habilidades que estão diretamente possibilita o amadurecimento. Uma forma de
relacionados à memória, que pode ser de curto ou provar que o estímulo é determinante seria
longo prazo. A aprendizagem escolar está comparar as ramificações de uma criança que teve
diretamente ligada a memória declarativa, que se um estímulo desde pequena e outra que não teve
encontra no consciente, já o hábito de estudar e quando foi abandonada (DOMINGUES, 2007).
aprender, faz parte da memória não-declarativa Durante toda a vida o docente experimenta várias
(BRITO; RAMOS, 2014). mudanças. Este está em constante formação
Compreender o processo de aprendizagem de uma buscando sempre inovar para melhorar suas
criança é a melhor maneira para se contribuir de estratégias educacionais. Nesse sentido, a
modo significativo em seu desenvolvimento. A neurociência traz importantes contribuições para
aprendizagem pode ser considerada como uma formação inicial e continuada do professor. Esta

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
22

mostra a educação como ciência da aprendizagem, x aluno, ou ainda questões pessoais e familiares.
uma arte em constante construção, e por estar Para que esta dificuldade possa ser sanada, a
sempre produzindo, o docente deve buscar pessoa principal seria o professor, que deve
entender como os sistemas neurais se reconhecer tais complicações e encaminhá-las à
desenvolvem, para que se houver algum tipo de profissionais capazes de determinar o real motivo
atraso ou dificuldade ele consiga compreender e de tal dificuldade (MORAIS, 2006).
intervir (OLIVEIRA, 2011) No processo de aprendizagem cabe ao professor se
Considera-se a partir dos autores citados preocupar mais com aprendizagem do que com o
anteriormente, que o cérebro é o principal órgão do conteúdo. O professor deve estimular o aluno com
sistema nervoso e apesar de ser complexo, é o seu planejamento e metodologia. A relação
responsável pela maior parte das atividades professor e aluno (um ponto importante na
necessárias para sobrevivência humana, bem como aprendizagem) deve ser uma base de colaboração,
o armazenamento de informações pessoais e pois as ações do professor em sala de aula servem
individuais caracterizando sua identidade, de influência para seus alunos, podendo ser
emoções e sentimentos, externalizando respostas negativa ou positiva no processo de aprendizagem,
voluntárias e involuntárias de modo a fazer com o o que pode tornar essa relação bem complexa. O
corpo se interaja com o meio externo. Nesse professor também deve procurar saber quais são os
sentido, é de suma importância este conhecimento interesses de seus alunos para que possa
para o professor em formação e para a sua prática desenvolver a eficácia no processo de ensino
auxiliando assim no processo ensino- (SANTOS, 2001).
aprendizagem. A aprendizagem colaborativa parte da ideia de que
a aprendizagem é um consenso realizado entre um
O processo de ensino-aprendizagem
A seguir apresentar-se-á o processo de ensino- determinado grupo. É algo construído em conjunto

aprendizagem da criança em idade escolar e de que e não algo que possa ser “passado de cabeça para

modo este processo ocorre. cabeça”. Essa forma de aprendizagem é composta

Todas as crianças são capazes de aprender e pelo encorajamento do aluno, fazendo com que ele

gostam deste processo, desde que tenham a seu construa seu conhecimento, que seja ativo no

alcance todas as condições necessárias para processo e que coopere de maneira afetiva com o

realização do mesmo. Contudo, quando não grupo. Essa aprendizagem em grupo de maneira

acontece, é evidente que há algo de errado, e os cooperativa proporciona aos alunos a troca de

profissionais ligados ao processo de ensino- informações, na qual cada aluno fica responsável

aprendizagem deste aluno devem se questionar pela sua própria aprendizagem, e de certa forma

sobre os motivos de tal problema, que podem ser contribui com a do outro devido a troca de

vários, a saber, questões culturais, sociais e informações realizadas em grupo (TORRES;

problemas emocionais ligados à relação professor ALCANTARA; IRALA, 2004).No processo de

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
23

aprendizagem, as crianças devem ser estimuladas teóricos para a ação docente, uma vez que a
a refletir, compreender, raciocinar e resolver compreensão de como o cérebro se organiza e
situações que lhe foram propostas e para uma funciona permite um melhor entendimento da
criança que apresenta algum tipo de deficiência aprendizagem e o conseqüente aprimoramento da
esses estímulos podem não dar resultados. A transposição didática. O autor aponta a
neurociência pode ser uma alternativa buscando necessidade de revisão curricular dos cursos de
estimular a cognição desse aluno, não só a formação de professores, principalmente as
cognição, como também a memória e a licenciaturas, orientando como alternativa a
aproximação da realidade em que essa criança está inserção de disciplinas, ou a reestruturação de
inserida, seja uma criança com dificuldade ou não. disciplinas já existentes, com intuito de propiciar a
Esta busca dá suporte para a realização de inter-relação entre neurociência, ensino e
estratégias pedagógicas durante o processo de aprendizagem.
aprendizagem (CUNHA, 2015). Carvalho e Boas (2018) realizaram uma pesquisa,
Considera-se a partir das colocações apontadas na qual relataram que a educação é um problema
anteriormente, que o processo de ensino- estrutural, ou seja, o problema está em como a
aprendizagem é um sistema composto e educação está organizada. Ressaltam que, para
influenciado pela interação do professor com o contornar essa situação deve haver mudanças
aluno. Cabe ao docente, a função de estimular esse importantes no currículo e na formação dos
aluno de forma que a aprendizagem possa ser professores e visualizar a educação como uma
significativa, aproveitando as experiências e o ciência que valoriza os mecanismos neurais da
conhecimento do mesmo. A neurociência vem aprendizagem. Assim, educadores poderão utilizar
nesse sentido oferecer subsídios para a prática esse conhecimento para adequar seus métodos de
docente. ensino considerando o funcionamento neural.
Nesse sentido, pensando na preocupação da
As pesquisas acerca da neurociência e da
educação formação dos professores foi criado um Centro
A seguir serão apresentadas pesquisas relacionadas para Pesquisa em Educação e Inovação (CEI). Este
à Neurociência e à Educação. Estas retratam a centro seria um mecanismo de auxílio para
importância da inserção da Neurociência na professores serem capazes de identificar
formação e na prática docente. habilidades e déficit de seus alunos. A mudança no
Carvalho (2010) em seus estudos buscou sistema educacional, que se inicia com a formação
compreender a importância da inserção da dos educadores, poderia aumentar a eficiência do
neurociência nos componentes curriculares das ensino e preparar melhor novos profissionais para
instituições que formam os futuros educadores. as necessidades do mercado de trabalho, gerando
Ressalta que esses saberes, que fundamentam um ganhos à economia e à equidade de uma região.
saber pedagógico, proporcionam pressupostos O estudo de Sousa e Alves (2017) visou investigar

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
24

como se processa a aprendizagem no cérebro, Concluiu-se que a educação apoiada na


buscando aprofundar conhecimentos teóricos neurociência pode apresentar intervenções
fundamentais. Além disso, teve o intuito de satisfatórias no processo de aprendizagem.
aprofundar conhecimentos teóricos e práticos da A partir das pesquisas elencadas acima, considera-
neurociência com relação aos processos mentais na se que a inserção da Neurociência na educação é
formação do indivíduo. Esta pesquisa partiu de necessária. Na prática docente oferece grandes
uma revisão de literatura científica em artigos benefícios para a prática docente, bem como para
publicados entre janeiro de 2004 a janeiro de 2014, a aprendizagem dos alunos. Esta será um grande
na base de dados Bireme (Biblioteca Virtual em desafio para o contexto escolar. A formação
Saúde), além de livros, para a estruturação docente precisa ser repensada. Os conhecimentos
conceitual e referencial teórico do artigo. O desta área precisam fazer parte dos cursos de
período do estudo transcorreu de dezembro de graduação.
2013 a fevereiro de 2014. Dessa forma, a pesquisa
CONSIDERAÇÕES FINAIS
buscou verificar a interferência do conhecimento A partir dos objetivos deste artigo, os estudos
da neurociência na formação dos educadores do revelaram que a Neurociência pode subsidiar as
sistema de ensino da educação básica. Os autores práticas docentes durante o processo de ensino-
concluíram que se faz necessário o estudo da aprendizagem através da compreensão dos
neurociência por parte dos educadores, pois esta aspectos neurológicos das crianças, bem como a
área considera o conhecimento das funções sua relação com a educação. O conhecimento nesta
cerebrais como peça chave para o estímulo de um área oferece ferramentas de auxílio no dia a dia
desenvolvimento cognitivo saudável. escolar para que os alunos possam ser
Cunha (2015) em sua pesquisa procurou desenvolvidos de forma ampla e significativa.
compreender as contribuições da neurociência para Constatou-se que, quando se trata da relação entre
os processos de ensino-aprendizagem na educação Neurociência e Educação, ainda é considerado um
inclusiva de jovens e adultos (EJA). Como assunto um tanto quanto recente, pouco discutido
instrumento metodológico realizou um estudo de nos cursos de formação para professores e no
caso com um estudante do EJA, de 40 anos que contexto escolar. Mesmo assim, encontraram-se
apresentava dificuldades cognitivas e frequentava diversas pesquisas sobre neurociência e o
o período de alfabetização por seis anos e sem entendimento do cérebro das crianças, bem como
apresentar avanços. O desafio deste estudo foi de que modo às informações recebidas por eles são
promover a intervenção correta. Foram inseridas armazenadas e transformadas em aprendizagem.
práticas pedagógicas apoiadas na Neurociência Ao refletir acerca da relevância dos estudos em
estimulando a cognição, pois as atividades com Neurociência e na importância do entendimento do
cunho cognitivo trazem ao aluno, o sentimento de cérebro para os processos de aprendizagem, faz-se
fazer parte do processo de aprendizagem. necessário que os docentes e os cursos de formação

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
25

de professores abordem tal assunto, para que seus sempre adquira novos conhecimentos durante toda
professores sejam preparados para identificar sua vida, e apresente interesse em buscá-los por
possíveis habilidades ou dificuldades de conta própria tornando-se autônomo.
aprendizagem. Por fim, os artigos e livros encontrados, no âmbito
Outro aspecto relevante a ser considerado nas educacional, consideram que a neurociência é
pesquisas é que a neurociência é uma vertente da fundamental para que os educadores compreendam
medicina que procura esclarecer o funcionamento o funcionamento do cérebro quando recebe novas
do cérebro para auxiliar diversas áreas do informações, bem como de que forma essas
conhecimento, a entender o desenvolvimento informações são armazenadas e transformadas em
humano de acordo com as bases neurais. A conhecimento, o que pode proporcionar a seus
plasticidade cerebral é apontada como algo educandos uma aprendizagem significativa e
fundamental que possibilita que a criança crie desenvolvimento integral de suas potencialidades.
diversas conexões com os neurônios, o que com o
intermédio do professor, faz com que o aluno

REFERÊNCIAS
AZIZE, Rogério Lópes. O cérebro como órgão Neurociência e Educação uma articulação
pessoal: uma antropologia de discursos necessária na formação docente. Trabalho
neurocientíficos. Trabalho, Educação e Saúde, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v. 8, n. 3, p.
2010, v. 8, n. 3, p. 563-74. Disponível em: 537-50, 2010. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1981- http://www.scielo.br/. Acesso em: 12 fev. 2019.
7746201lng=pt. Acesso em: 10 mar. 2019.
CHEDID, Kátia A. Kühn. Psicopedagogia,
BACARO, Bruna Lorena, SFORNI, Marta Sueli Educação e Neurociências. Rev. Psicopedag., São
de Faria; SANT’ANA, Débora de Melo Gonçales. Paulo, v. 24, n.75, p. 298 - 300, 2007. Disponível
Educação e Neurociência: O que diz a literatura em: http://pepsic.bvsalud.org. Acesso em: 25 fev.
cientifica? Um projeto virtual. 2015. 24° 2019.
Encontro Anual de Iniciação Cientifica (Centro de
Ciências Humanas Letras e Artes) - Universidade COSENZA, Ramon Moreira; GUERRA, Leonor
Estadual de Maringá, Maringá, 2015. Bezerra. Neurociência e Educação: como o
cérebro aprende. Belo Horizonte: Artmed, 2011.
BRITO, Maria dos Remédios; RAMOS, Maria
Neide Carneiro. Por um ensino e uma CUNHA, Pollyana. Aparecida Figueiredo.
aprendizagem-acontecimento. Revista Ensaio, Neurociência e Educação: a estimulação
Belo Horizonte, v. 16, n. 01, p. 31-47, 2014. cognitiva como possibilidade de intervenção na
Disponível em: educação inclusiva. 2015. 169 p. Trabalho de
http://www.scielo.br/pdf/epec/v16n1/00031.pdf Conclusão de Curso (Especialização em
Acesso em: 19 jan. 2019. Desenvolvimento Humano, Educação e Inclusão
Escolar) - Universidade de Brasília, Brasília, 2015.
CARVALHO, Diego; BOAS, Cyrus Antônio
Villas. Neurociência e formação de professores: DOMINGUES, Maria Aparecida.
reflexos na educação e econômica. Ensaio: Desenvolvimento e Aprendizagem: o que o
avaliação, política pública e Educação, Rio de cérebro tem a ver com isso? Canoas: ULBRA,
Janeiro, v. 26, n. 98, p. 231-47, 2018. Disponível 2007.
em: http://www.scielo.br/pdf/. Acesso em: 10 mar. DROUET, Ruth Caribé da Rocha. Distúrbios da
2019. Aprendizagem. 4. ed. São Paulo: Ática, 2006.
CARVALHO, Fernanda Antoniolo Hammes.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
26

FONSECA, Vitor. Papel das funções cognitivas, Santos. Transtornos da Aprendizagem:


conativas e executivas na aprendizagem: uma abordagem neurobiológica e multidisciplinar. 2.
abordagem neuropsicopedagógica. Revista ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
Psicopedagógica, Portugal Lisboa, v. 31, n. 96, p.
236-53, 2014. Disponível em: SANTIAGO-JÚNIOR, Clorijava de Oliveira;
http://www.abpp.com.br/. Acesso em: 15 set. BARBOSA, Ierecê dos Santos. Neurociência
2019. Cognitiva é Educação Infantil: possibilidades de
aprendizado. Boletim Informativo
MORAES, Sônia, MALUF, Maria Fernanda de Unimotrisaúde em Sociogerontologia (BIUS),
Matos. Psicomotricidade no contexto da Amazonas, v. 2, n. 8, p. 49-59, 2017.
neuroaprendizagem: contribuições à ação
psicopedagógica. Revista Psicopedagógica, São SANTOS, Sandra Carvalho. O processo de e
Paulo, v. 32, n. 97, p. 84-92, 2015. Disponível em: ensino-aprendizagem e a relação professor-aluno:
http://pepsic.bvsalud.org/. Acesso em: 20 jan. aplicação dos “sete princípios para boa prática na
2019. Educação de Ensino Superior”. Caderno de
Pesquisa em Administração, v. 8, n. 1, 2001.
MORAIS, Antônio Manuel Pamplona. Distúrbios Disponível em: https://www.academia.edu/.
da Aprendizagem: uma abordagem Acesso em: 10 ago. 2019.
Psicopedagógica. 12. ed. São Paulo: Edicon, 2006.
SOUSA, Anne Madeliny Oliveira Pereira de;
OLIVEIRA, Gilberto Gonçalves. Neurociência e ALVES, Ricardo Rilton Nogueira. A neurociência
os processos educativos: um saber necessário na na formação dos educadores e sua contribuição no
formação de professores. 2011. Dissertação processo de aprendizagem. Revista
(Mestrado em Educação) - Universidade de Psicopedagógica, Fortaleza, v. 34, n. 105, p. 320-
Uberaba, Uberaba, 2011. 31, 2017. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psicoped/v34n105/0
________. Neurociência e os processos 9.pdf. Acesso em: 17 mar. 2019.
educativos: um saber necessário na formação de
professores. Educação Unisinos, Uberaba, v. 18, SOUZA, Marlene Cabral; GOMES, Cláudia.
n. 1, p. 13-24, 2014. Disponível em: Neurociência e o déficit intelectual: aportes para a
http://revistas.unisinos.br/index.php/educacao/arti ação pedagógica. Revista Psicopedagógica, v. 32,
cle/. Acesso em: 12 set. 2019. n. 97, p. 104-14, 2015. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/. Acesso em: 13 jun.
PAULA, Giovana Romero; et al. Neuropsicologia 2019.
da Aprendizagem. Revista Psicopedagógico,
Santa Maria, v. 23, n. 72, p. 224-31, 2006. TORRES, Patrícia Lupion; ALCANTARA, Paulo
Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/. Acesso Roberto; IRALA, Esrom Adriano Freitas. Grupos
em: 07 jun. 2019. de Consenso: uma proposta de aprendizagem
colaborativa para o processo de ensino-
RATO, Joana; CASTRO-CALDAS, Alexandre. aprendizagem. Revista Diálogo Educacional,
Neurociências e educação: Realidade ou ficção? Curitiba, v. 4, n. 13, p. 129-45, 2004. Disponível
VII Simpósio Nacional de Investigação em em: https://periodicos.pucpr.br/index.php/. Acesso
Psicologia Universidade do Minho, Portugal, em: 12 jun. 2019.
2010. Disponível em: https://repositorio-
cientifico.pt/. Acesso em: 14 abr. 2019. VENTURA, Dora Fix. Um retrato da área de
Neurociência e comportamental no Brasil.
RIESGO, Rudimar dos Santos. Anatomia da Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 26, n.
Aprendizagem. In: ROTTA, Newra Tellechea; spe, p. 123-14, 2010. Disponível em:
OHLWELLER, Lygia; RIESGO, Rudimar dos http://www.scielo.br/. Acesso em: 07 jun. 2019.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
27

A PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA, DA ESCOLA E OS EFEITOS DO BULLYING E


DO CYBERBULLYING PARA A COMPREENSÃO DA CONSTRUÇÃO DA
INDISCIPLINA ESCOLAR: UMA REVISÃO DE LITERATURA.

SILVA, Adriel Douglas Oliveira Soares1; FOCHI, Leonardo Giovinazzo2; CARRARO, Patrícia Rossi3.

Resumo: Este estudo teve como objetivo, a partir de revisão de literatura, compreender a participação da
família, da escola e os efeitos do bullying e do cyberbullying para a compreensão da construção da
indisciplina escolar. Foi realizado um levantamento bibliográfico, através dos sistemas informatizados de
busca: SciELO, PePSIC, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e no Google Acadêmico, no período de 2008
a 2018. Os resultados apontaram que a indisciplina escolar relaciona-se a diversos fatores. A família em
primeiro lugar, pois inicia o indivíduo em suas experiências e relações interpessoais. Em segundo temos a
escola, que precisa estabelecer normas e regras respeitando a individualidade do aluno. Por fim, temos um
olhar contemporâneo sobre as relações estabelecidas através do mundo virtual que quebram barreiras e
estimulam um comportamento agressivo e sem limites. Conclui-se assim que quando se trata de indisciplina
escolar todos são responsáveis.
Palavras-chave: família, escola, bullying, cyberbullying, indisciplina.

INTRODUÇÃO consequentemente na relação social. Sendo assim,


A indisciplina escolar tem sido um grande desafio Carvalho (2016) considera que, a primeira relação
para os educadores desde quando as instituições de valores, cultura e aprendizado social vem da
escolares foram criadas. Discutem-se quais são os família, tornando-se a primeira escola do
fatores que causam e criam um aluno indivíduo, e a primeira relação com regras, das
indisciplinado. Existem influências que advêm da quais reforçam alguns comportamentos, incluindo
família, das escolas, bem como fatores sociais, atos indisciplinados.
culturais, subjetivos, dentre outros. Carvalho (2010) esclarece que, a relação sincera
Constata-se que a indisciplina se constrói junto com os filhos e com amor, é sem dúvida o caminho
com o indivíduo, nesse sentido, Siqueira (2017) para o controle da agressividade. Os pais devem
ressalta que a maneira que a pessoa é formada, é sempre estar presentes e buscar diálogos para que
um dos principais determinantes da indisciplina. O seu filho aprenda valores como companheirismo,
ambiente é regido por regras que ensinam desde respeito e fraternidade, pois sem isso estão
cedo o certo e o errado. perdidos e sem rumo, não só no ambiente escolar,
O primeiro contato que o indivíduo tem com mas em toda sociedade.
relações interpessoais se estabelece através da A escola aparece como outro ambiente muito
família, e é nessa relação que irá começar a importante na construção disciplinar do indivíduo.
construção de limites no comportamento e De acordo com o autor citado anteriormente, nela

1 Graduando em Psicologia pelo Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, adriel.dos.silva@outlook.com.


2 Graduando em Psicologia pelo Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, adriel.dos.silva@outlook.com.
3 Psicóloga. Pós-Doutora pelo Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto - Universidade de

São Paulo (USP). Docente do Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, patricia.carraro@live.estacio.br.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
28

surge interações sociais mais complexas, comportamento de todos que participam.


obrigando o convívio em um ambiente cultural O clima social é fator de extrema importância no
novo, com ideias e comportamentos diferentes, combate à indisciplina. De acordo com Arón e
com os quais o aluno não estava acostumado. Milicic (2012), para compreender melhor o seu
Nesse sentido, a escola tem um grande desafio no funcionamento, é preciso entender suas
processo de socialização e educação da criança e características, sendo assim existe uma divisão de
do jovem adulto, sendo o primeiro espaço de possibilidades dentro das características de clima
realização social, tendo a responsabilidade de social, podendo ser construído um clima social
construir novas relações com indivíduos de nutritivo ou um clima social tóxico.
diferentes culturas, crenças e valores. Outra característica recente da indisciplina é o
Pereira (2014) aponta que a violência esta se contato do aluno com o mundo virtual, Para
tornando comum nas instituições escolares, Boarini (2013), este novo tipo de indisciplina
ultrapassando limites da mera indisciplina. Esta virtual torna-se mais perigosa por não haver
pode ser atribuída às mudanças nas estruturas fronteiras, aumentando o número de conversas
sociais e na nova forma de concepção do modelo paralelas e agressões dentro e fora da escola. As
institucional escolar. O que não se pode é deixar de queixas sobre este tipo de comportamento têm
considerar que a escola tem sido palco de aumentado cada vez mais, causando um maior
violências. Os papéis e funções de instituições sentimento de estresse e ansiedade tanto para os
como a família e a escola estão invertidos, assim alunos quanto para todo o ambiente escolar.
como não são reconhecidos pelos jovens. A Nesse sentido, esse estudo teve como objetivo
aversão às normas e regras, bem como a compreender o que as pesquisas revelam sobre a
necessidade de auto-afirmação e os problemas de participação da família, da escola e os efeitos do
personalidade, tem influenciado diretamente neste bullying na escola e no mundo virtual para a
fenômeno. compreensão de como se constrói a indisciplina
Para diminuir os aspectos indisciplinares no escolar.
ambiente escolar Valarelli (2016) aponta que,
MÉTODO
deve-se existir um trabalho coletivo e A presente revisão da literatura se caracterizou por
interdisciplinar, ou seja, a família, a escola e a um levantamento nas principais bases de dados
sociedade precisam trabalhar juntas, disponíveis na literatura nacional. Esta escolha se
proporcionando um clima social escolar saudável e deve a que a meta desta pesquisa era uma análise
este se estabelece na relação pessoal e profissional, no que se vêm pensando sobre a construção do
com o foco na construção de mecanismos para aluno indisciplinado. Neste sentido, se buscou
sustentação, através das relações interpessoais trabalhos científicos no Scientific Eletronic
entre (pais, professores, gestores, funcionários e Library Online (Scielo), Periódicos Eletrônicos em
alunos), orientando o desempenho e o Psicologia (PePSIC), Portal Regional da Biblioteca

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
29

Virtual em Saúde (BVS), e no buscador Google textos legislativos, normas, instruções normativas,
Acadêmico, publicados no período de 2008 a 2018. regimentos específicos, orientações e demais
Neste sentido, a estratégia de busca foi elaborada documentos.
por meio de consulta aos descritores: indisciplina, Nesta etapa foram encontrados 40 artigos, 5
escola, família, bullying e o cyberbullying. monografias e 10 dissertações. Contudo,
A primeira etapa do levantamento consistiu na considerando-se os critérios citados, utilizou-se 15
reunião de artigos que pudessem ser incluídos nos artigos, 2 monografias e 2 dissertações (cf. Quadro
critérios assumidos acima. Foram descartados 1, abaixo).

Quadro 1: Caracterização do levantamento bibliográfico.


Periódico/
Volume, Número e
Título Ano Autores Dissertação/
Página/Folhas
Monografia
1. A motivação como prevenção da
2008 ECCHELI, Simone Deperon Educ. rev. n. 32, p. 199-213
indisciplina.
2. Interação da família com a escola: Desafios
2009 BELUCCI, Luciana Puccini Dissertação 87 f.
atuais.
3.Bullying nas Escolas: Comportamentos e MATOS, Margarida G. de; Psic., Saúde & v. 10, n. 1, p. 3-
2009
Percepções. GONCALVES, Sónia M. P. Doenças 15
4. A agressividade como resposta de um
indivíduo criado em uma família 2010 CARVALHO, Mônica Cabral Monografia 58 f.
desestruturada.
5. Agressão entre pares e vitimização no WENDT, Guilherme W.; CAMPOS,
Cad. v. 8, n. 14, p. 41-
contexto escolar: bullying, cyberbullying e os 2010 Débora M.; LISBOA, Carolina S.
Psicopedag. 52
desafios para a educação contemporânea. Macedo.
6. A falta de limites na relação pais e filhos RODRIGUES, Gabriela A; Revista da
2011 v. 4, n. 2
e o papel da escola TEIXEIRA, Rita C. Petrarca. Graduação
7. Fatores psicológicos e sociais associados ao Rev. Psicol. v. 12, n. 24, p.
2012 CROCHIK, José Leon.
bullying. Polít. 211-229
8. Clima Social Escolar: Escala de Avaliação - ARON, Ana M.; MILICIC, Neva; v. 11, n. 3,
2012 Univ. Psychol.
Escala de Clima Social Escolar, ECLIS. ARMIJO, Iván p. 803-813
9. Indisciplina escolar: uma construção
2013 BOARINI, Maria Lucia. Psicol Esc.Edu. n. 1, p. 123-131
coletiva.
10. Agressão entre pares no espaço virtual:
WENDT, Guilherme W; LISBOA, v. 25, n. 1, p. 73-
definições, impactos e desafios do 2013 Psicol. clin.
Carolina S Macedo. 87
cyberbullying.
ALCKMIN-CARVALHO, Felipe;
11. Problemas de comportamento segundo Estud. pesqui. v. 14, n. 3, p.
2014 IZBICKI, Sarah; MELO, Márcia H.
vítimas de bullying e seus professores. psicol. 834-853
da Silva.
12. Bullying escolar: indisciplina ou
2014 PEREIRA, Antonio José Lima Cadernos -
delinquência juvenil?
13. Cyberbullying: percepções acerca do SOUZA, Sidclay B; SIMAO, Ana Psicol. Reflex. v. 27, n. 3, p.
2014
fenômeno e das estratégias de enfrentamento. V.; CAETANO, Ana P. Crit. 582-590
14 .Investigação da Indisciplina em duas
2015 ROTHSTEIN, Ligia Homem. Monografia 60 f
escolas de ensino fundamental.
SCHREIBER, Fernando C. de Bol. - Acad. v. 35, n. 88, p.
15. Cyberbullying: do virtual ao psicológico. 2015
Castro; ANTUNES, Maria C. Paul. Psicol. 109-125
Revista Ibero-
16. Violência e indisciplina na escola: um KRAWCZUN, Natália B. L;
2015 Am. de Estudos p. 481-503
cotejo necessário PLATT, Adreana Dulcina.
em Educação
17. A indisciplina na sala de aula como Congresso N.
2016 CARVALHO, Silvânia B de 10f.
resultado da relação familiar. de Educaçã
18. Viver na escola: indisciplina, violência e v. 46, n. 161, p.
2016 ALVES, Mariana Gaio. Cad. Pesqui.
bullying como desafio educacional. 594-613
19. Indisciplina escolar: Contribuições da SIQUEIRA, Mônica de Souza
2017 Dissertação 276 f.
família e da gestão escolar. Carvalho.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
30

Posteriormente, procedeu-se a leitura e análise dos pais, por outro lado, em sua maioria entendem que
respectivos artigos buscando identificar o tipo de o âmbito escolar que seus filhos frequentam é
contribuição que propiciavam ao tema. Para em satisfatório, portanto não compreendem a
seguida sumarizá-los na forma em que será indisciplina de seus filhos. Os alunos por sua vez,
apresentada neste artigo. sentem-se deixado de lado, insatisfeitos por não
fazerem parte da construção das regras e por não
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Serão apresentadas, a seguir, pesquisas que se serem explicadas de forma mais compreensiva

propuseram a investigar a indisciplina escolar em proporciona um descompromisso com a escola. Já

vários aspectos, desde a família, como o ambiente os gestores, por sua vez concordam que as famílias

escolar, e por fim as influências sociais e culturais por estarem estremecidas e por não serem rígidas

relativas ao meio em que o jovem está inserido. com seus filhos, encontram dificuldade em como
conseguir apoio.
Pesquisas com o foco na Família
Para Carvalho (2010), desde sua infância, o
A família é vista pelos autores estudados como a
indivíduo tende a ter atitudes agressivas como,
primeira relação social do indivíduo. É através dela
morder, bater, chutar e etc., por isso é
que são construídas as primeiras noções do que é
indispensável para os pais à criação de estratégias
ou não permitido, sendo assim, as primeiras
para mudar esses comportamentos. O meio, no
impressões sobre limites dentro das relações
qual a criança está inserida é muito importante para
interpessoais se constrói a partir do convívio
a agressividade. Portanto, é de suma importância
familiar. A criança tende a usar os pais e a família
que os pais ajudem na construção da conduta dos
como espelho, por isso a importância da família
filhos. Atitudes como rejeitar a criança, não saber
estruturada para a construção de noções básicas de
impor limites, não parecer se importar, dentre
relações adequadas.
outras, são essenciais para que a criança não lide
Em seu estudo Siqueira (2017) investigou como a
bem com a sua agressividade e carregue esse tipo
família e as escolas poderiam cooperar para
de comportamento para a vida adulta.
combater a indisciplina. Realizou-se uma pesquisa
Carvalho (2016) destaca que, os atos praticados
em duas escolas de ensino fundamental da rede
pelos estudantes costumam ter grande influência
municipal no Município de Tacaratu-PE, com
de sua família. Muito antes da escola, a família já
alunos, pais e coordenadores e gestores. O método
lida e trabalha com a educação da criança, tendo
quali/quanti foi aplicado para ter uma maior
uma importante participação no processo de
compreensão da causa da indisciplina escolar.
construção de valores e padrões culturais da
Notou-se que os docentes acreditam que a família
sociedade. Os pais tendem a estabelecer limites e
contemporânea esteja estremecida, contribuindo
punições, definir regras e papéis que possam ser
para que seus filhos se transformem em pessoas
obedecidas ou quebradas, formando assim papéis
mais agressivas e reflete no âmbito escolar. Os
que nem sempre são bem definidos, além do fato

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
31

de que a criança passa a maior parte do seu tempo jovem deixando de perguntar o que seus pais
convivendo com a família, construindo acham de determinado assunto que é importante
comportamentos como, obediência, organização, para ele, e assim a opinião dos pais não tem mais a
timidez e apreensão no caso de famílias mais mesma importância. Os pais justificam essa
autoritárias, e diante disso, gera baixa autonomia e ausência de diálogo por ter a vida corrida e por
autoestima, assim como problemas de ansiedade. . estarem dando aos seus filhos o que não tiveram
Rodrigues e Teixeira (2011) entendem que se quando crianças, ao invés de instruir seus filhos
devem estabelecer limites, com afeto e cuidados. como devem ser, acabam trocando valores, e seus
Porém famílias pouco estruturadas e com baixa filhos compreendem como eles podem ter as
escolaridade não conseguem compreender a coisas.
relevância de se relacionar com a instituição de Constata-se ao observar os estudos apresentados
ensino, e assim não se preocupam com os que os autores citam que a família é a estrutura da
obstáculos que seus filhos possam estar pessoa, auxiliando na construção da maior parte
enfrentando, e consequentemente levam seus dos hábitos e modos que serão moldados durante a
filhos a serem alunos indisciplinados. Existem vida. A relação com a família é o primeiro contato
vários fatores que contribuem para os pais social e o berço de exemplo do comportamento.
deixarem de impor limites, falta de tempo, Esta é muito importante na sua formação.
demanda de trabalhos, desestruturação familiar,
Pesquisas com o foco na Escola
indecisão e receio de se equivocar. Portanto, A vida social escolar é um momento importante
muitos pais são complacentes e omissos. Se os pais para todas as pessoas, Depois da família é o
exercessem mais autoridade, estabeleceriam contexto social mais importante para uma criança.
limites através de afetos e cuidados, e seus filhos Segundo Aron, Milicic e Armijo (2012), o clima
não causariam indisciplina e não gerariam social escolar é um tema de extrema relevância
dificuldades na escola. quando se busca entender a construção da
Para Belucci (2009), a família é a formadora inicial indisciplina. Neste, pode-se constatar a percepção
das crianças, é com ela que a criança pode do aluno sobre seu contexto e como se estabelece
desenvolver sua própria personalidade, ser mais suas relações dentro da escola. Vários fatores
altruísta, entender o significado de amor, ou seja, influenciam a construção de um clima social
consegue ter uma relação interpessoal com pessoas escolar positivo, dentre eles pode-se citar: sensação
do seu convívio social. A falta de diálogo é outro de respeito e dignidade, reconhecimento,
problema atual. Os pais assistem aos programas de percepção de justiça e conhecimento de normas e
televisão enquanto seus filhos estão na internet, suas transgressões. Sendo assim, é importante
deixando assim o diálogo de lado, não buscam destacar que existem também fatores que facilitam
formas de interação para incentivar os sonhos dos a criação de um ambiente social escolar tóxico,
seus filhos e a consequência, disso é a criança e o dentre eles têm-se: foco somente nos erros,

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
32

percepção de injustiça, rigidez excessiva e encontrar um único culpado para os atos


ausência de reconhecimento. Dentro deste padrão indisciplinares, colocando de lado sua
de comportamento existe grande possibilidade da responsabilidade e as condições do ambiente
criação de um ambiente nocivo ao aluno e escolar que muitas vezes motivam a indisciplina.
consequentemente no ambiente escolar como um Diversos métodos dentro da escola tiram a
todo. É necessária uma avaliação do clima social humanização e a subjetividade dos alunos,
escolar que o aluno está inserido e para que isto buscando padronizar os comportamentos, gerando
ocorra, é preciso que haja troca entre professores e assim conflitos e atos indisciplinares, isso dificulta
gestores da instituição escolar, além de uma troca o trabalho do professor na fomentação de
entre família e escola, para que juntos criem uma conhecimento e consequentemente tira foco e a
atmosfera adequada, ou seja, um cenário em que as atenção do aluno do aprendizado. O professor
atividades ocorram de maneira sadia. precisa repensar seu trabalho reorganizando seu
Boarini (2013) ressalta que a indisciplina está espaço e tempo de acordo com as características
presente desde a educação infantil e a dos alunos. É preciso que a instituição escolar se
universidade, independente do poder aquisitivo ou organize para buscar um caminho onde seus alunos
classe social, podendo se manifestar tanto em não tenham a sensação que estão se tornando
países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Vários máquinas através de comportamentos repetitivos e
fatores precisam ser analisados, quando se pensa rigidez dentro da sala de aula. Destaca-se que os
na indisciplina, desde a família e a escola, como a próprios alunos também costumam se incomodar
sociedade, cultura e época. Analisando somente a com os episódios de indisciplina, e assim como os
escola, é preciso entender qual é o papel do adultos, buscam um diálogo e reflexões para a
professor dentro da instituição de ensino. Para a solução destes problemas.
construção de um ambiente saudável, o aluno deve Para Eccheli (2008), a indisciplina escolar pode
estar disposto e preparado para o aprendizado. O estar apontando que os alunos estejam
professor deve estabelecer regras e normas. A desmotivados por conta dos temas abordados em
escola deve estar atualizada nas transformações e sala de aula. O sistema de ensino que não agrada e
possibilidades contemporâneas, ou seja, introduzir não proporciona um aprendizado significativo,
no ambiente escolar a tecnologia, buscando novas dificulta o elo entre professor e aluno.
maneiras de expressão e diálogo e com isso Compreende-se que o professor é responsável pela
fortalecer a relação entre professor e aluno. motivação dos alunos, e sendo assim as atividades
Rotheinstein (2015) considera que a indisciplina propostas por ele quando organizadas por situações
escolar revela aspectos das relações sociais da de competição acaba tendo um efeito negativo, por
atualidade. Existe um grande processo de apontar um ganhador e um perdedor, mas quando
individualização nas relações, isso tem se essas atividades são propostas individualmente
mostrado na sala de aula, quando o professor tenta podem causar um efeito positivo. A subjetividade

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
33

de cada aluno com o relacionamento interpessoal psicológicas, que tem gerado atos criminosos,
em sala corrobora para que esse aluno enfrente suicídios e homicídios, com consequências
cada dia uma nova situação desafiadora, negativas à juventude e à sociedade. Embora o
conflituosa, porém cabe ao professor mediar, termo violência abrigue o conceito de indisciplina,
através de conversas abertas, entendendo o ponto de reação à ordem ou à disciplina, pois o ato de
de vista de cada aluno, respeitando e explicando violência é na verdade uma ruptura na ordem e de
que todos devem respeitar as diferenças e opiniões contrariedade das normas socialmente
mesmo quando são contrárias as suas crenças. estabelecidas, a indisciplina revela-se em atitudes
Constata-se a partir dos estudos, a relevância que a de transgressão, nem sempre com o objetivo de
escola tem para contribuir ou diminuir atitudes que causar danos. Enquanto a violência em seu cerne
levam a indisciplina. Dentro do ambiente escolar traz o uso da força e tem por resultado
os alunos estabelecem vários tipos de relações consequências negativas. Analisar a escola e a
como: aluno-instituição, aluno-professor e aluno- sociedade, com seus traços de indisciplina e de
aluno, e as questões de indisciplina podem violência, permite-nos retratar o fenômeno
acontecer em uma ou mais dessas relações. Saber bullying como fruto das mudanças causadas pela
diferenciar aonde está o problema do aluno dentro inversão dos papéis e valores sociais.
da instituição se torna o primeiro passo para Considerando que a escola apesar de ser uma
controlar atos de que fogem das normas instituição que reproduz mecanismos sociais,
estabelecidas. acaba por produzir suas formas de indisciplina e de
violência. O controle do bullying, seu combate no
Pesquisas com o foco no Bullying
A escola vem ocupando um espaço cada vez maior ambiente escolar conduz à redução das condutas

no cotidiano das crianças, como as redes sociais e desviantes, previne a formação de sujeitos

a tecnologia. Tudo que acontece no contexto violentos ou de personalidade doentia.

escolar tende a ter maior visibilidade social, assim Para Wendt, Campos e Lisboa (2010), o bullying é

acontece com a violência e o bullying. A partir uma intimidação que pode ter início de modo não

deste pensamento pode-se constatar que estes têm proposital e que o resultado é um indivíduo

sido termos recorrentes em debates públicos e vitimizado que passa por maus tratos recorrentes

políticos, dentro da mídia e também nas conversas do agressor e são reforçados pela agressão. A

do dia a dia. violência por conta do bullying pode ser

De acordo com Pereira (2014), o bullying é caracterizada pelo contexto social competitivo e

considerado como uma das formas de transgressão cultural egoísta, no qual o aluno esteja inserido, e

às normas, de reação ao disciplinamento entender a importância destes fenômenos, e os

institucional. Dentre as formas de violência, o riscos para promoção da clareza do aluno nos dias

bullying tem se destacado, por ser uma modalidade atuais. O aluno que é vítima desses atos pode ter o

de violência caracterizada por agressões físicas ou comportamento isolado, desinteressado e

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
34

desanimado, e pode não ser observado pelos categorias para especificar o bullying. Na primeira
professores, sendo assim, é necessário promover seria o bullying físico, na qual o agressor agride
um ambiente mais confiável, acolhedor, que haja através de pontapés, tapas e ameaças. Já na
um maior respeito entre todos e respeitando sua segunda categoria, o agressor utiliza de apelidos,
subjetividade de cada um. sarcasmo e caretas para oprimir e por fim, na
Segundo Alves (2016), o conceito de violência e terceira estão os comportamentos de exclusão e
de bullying se torna muito relativo aos indivíduos rejeição. Conclui-se que os agressores costumam
que estão vivenciando o ambiente escolar, pois é não ter empatia por suas vítimas, têm notas baixas,
preciso que se respeite a subjetividade do e geralmente uma constituição física mais
indivíduo, mas ao mesmo tempo também é preciso avantajada. Os oprimidos tendem a ser mais
que se estabeleçam regras e normas iguais, introvertidos e quietos, com problemas de
tornando assim o trabalho dos profissionais autoestima e porte físico fraco, geralmente assim
envolvidos na escola cada vez mais complexo. É como os agressores costumam tirar notas baixas.
preciso que a instituição tenha boa liderança e boa Carvalho, Izbich e Melo (2014) objetivaram
coordenação, aplicando estratégias de regulação e comparar os problemas de comportamentos
prevenção de situações de ofensas, com apoio aos relatados por adolescentes utilizando da Escala de
professores e também a individualidade dos Violência Escolar. Participaram desse
alunos. procedimento 50 adolescentes de duas turmas de
Matos e Gonçalves (2009) investigaram os Ensino Fundamental de uma escola pública
comportamentos do bullying entre alunos das paulista. Os testes utilizados para a maior parte
escolas públicas. Realizou-se uma pesquisa com dessas avaliações são o inventário de
6131 estudantes do 6°, 8° e 10° ano, que comportamento da criação e o inventário de auto-
responderam a um questionário sócio-demográfico avaliação para adolescentes além da lista de
e questões relacionadas à escola e à saúde. Notou- verificação comportamental para professores. Os
se que alunos usuários de álcool e drogas tendem a motivos pelos quais ocorrem o bullying são
ser com maior frequência praticantes ou vítimas de variados, desde a forma como o jovem interage
bullying, praticam violência dentro das escolas, e com as pessoas de sua convivência quanto as
também passam a ter uma insatisfação com a diferenças da perspectiva dos informantes das
percepção que tem sobre a segurança no ambiente ações do próprio jovem, professores e outros
escolar. Em muitos casos é importante que haja jovens. Essas observações estabelecem, se os
algum tipo de intervenção com a família ou mesmo comportamentos do outro são apropriados ou não.
de um trabalho mais específico como, por Constata-se assim que, segundo os testes
exemplo, um psicólogo ou um psicopedagogo. A aplicados, a maior parte dos problemas que torna
violência escolar acontece com mais frequência um aluno vítima ou opressor nos casos de bullying
entre os homens do com as mulheres, e existem três é de difícil acesso aos professores que lidam com

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
35

muitos indivíduos, e muitas vezes têm dificuldade disciplinares em seus alunos, visando estimular
de dar a atenção a todos. É preciso estudar os uma convivência pacifica por meio de normas
comportamentos dos jovens não apenas no coletivas. Quando se trata de ambiente escolar
ambiente escolar, mas no seu contexto familiar e notam-se algumas hierarquias impostas no
social. Não se pode conhecer e intervir sobre o ambiente, a saber: os que classificam os melhores
comportamento de um aluno sem saber o seu e os piores alunos segundo seu rendimento escolar,
repertório comportamental em todos os contextos. têm também as que classificam o indivíduo pelas
Para Krawczun e Platt (2015), muitos alunos não habilidades corporais, entre outras. O foco da
conseguem ver sentido em permanecer na escola instituição deve ser ao máximo diminuir as
por tantos anos, não entendem e não se identificam diferenças, evitar hierarquias e preconceitos com
com os métodos de ensino propostos, acabam por ajuda dos familiares e das políticas sociais, sempre
se sentir submissos a um sistema de normas. A prestando atenção para diferenciar autoridade de
partir deste contexto, o bullying se torna uma responsabilidade, estabelecendo normas e regras
forma do aluno que geralmente não gosta de justas que respeitem o livre arbítrio do aluno e ao
estudar e não se adaptou ao sistema escolar, mesmo tempo estabelecendo limites justo para
descontar suas frustrações em outros alunos. com todos.
Entende-se que a indisciplina sempre existiu A partir das colocações apontadas anteriormente,
durante a história, mas tem atingido proporções ressalta-se que o conceito de bullying se dá pela
alarmantes, pois na sociedade contemporânea a prática de atos violentos, intencionais e repetidos,
ideia de limites vem desaparecendo ao longo do podendo causar danos físicos e psicológicos. Pode
tempo e consequentemente as crianças também ser considerado como uma das formas de
têm acompanhado essas mudanças. Para que se transgredir as normas e uma reação a disciplina
volte a estabelecer um equilíbrio é preciso que as institucional.
instituições e os professores se adequem a nova Este tema vem se tornando cada vez mais presente
realidade, fugindo do excesso de autoritarismo, no ambiente escolar e muitos estudos investigam
buscando o diálogo e novas formas de ensinar e suas motivações, características, e principalmente
interagir, com ajuda de coordenações políticas e como pode ser evitado, pois vários jovens têm
públicas para aliar os interesses comuns. adquiridos patologias e traumas, a partir destes
Crochik (2012) aponta que, o bullying e a tipos de ato de violência dentro do ambiente
indisciplina estão envolvidos por esferas escolar.
psicológicas e políticas, com divisões hierárquicas
Pesquisas com o foco no Cyberbullying
escolares, estabelece-se presença ou ausência de A seguir serão apresentados alguns estudos acerca
autoridades e inúmeras contradições sociais. Sendo do cyberbullying. Pesquisas apontam que o
assim, a escola é uma instituição que tem como bullying considerado um fenômeno dentro dos
objetivo desenvolver as características limites da escola passa a acompanhar os alvos fora

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
36

dela, no contexto virtual, o chamado usem de forma discriminatória. Diante do


Cyberbullying. cyberbullying é preciso contextualizar e fazer com
Scheiber e Antunes (2015) entendem que, a que os alunos compreendam o quanto pode
internet quebrou paradigmas, e atualmente é prejudicial ao longo da sua vida. Destaca-se que
possível a pessoa se conectar com quem quiser em quanto mais o clima escolar for favorável melhor
qualquer lugar do mundo, proporcionando uma será o convívio entre alunos e educadores, portanto
maior interação entre pessoas, mas também a escola passa a ser mais confiante em tratar de
proporciona um espaço sem fronteiras ou qualquer assuntos como este, e assim consegue mediar ações
tipo de regra, onde qualquer um pode falar e fazer de intervenções para que tanto o bullying real
o que quiser ocasionando problemas interpessoais. quanto o virtual possam ser solucionados.
As ofensas são contínuas mesmo que a vítima não Wendt e Lisboa (2013) ressaltam que, a internet
esteja online ela pode receber mensagens por como forma de comunicação ficou mais rápido e
vários meios de comunicação, no seu telefone, e- prático conseguir contato com outra pessoa, e
mails ou nas redes sociais, ou seja, a agressão assim o jovem tem acesso mais facilmente a todo
nunca pode parar. O anonimato é um fator que tipo de informação, com isso os riscos de
pode causar o aumento nas práticas de agressões exposição são mais evidentes. O cyberbullying
virtuais, pois uma pessoa que nunca teve contato acontece quando o usuário usa essa ferramenta
com o bullying pode vir a realizar o cyberbullying, para enviar ameaças, ofensas ou assediar outro
já que o agressor passa a se sentir mais confiante usuário através de e-mails, redes de
em praticar as ofensas, pois entende que não será relacionamentos (bate papo) entre outros. Entre os
pego, e com isso as vítimas dos ataques passam a usuários mais atacados estão crianças, pois são
não saber quem ou a quantidade de pessoas que mais frágeis e vulneráveis, acabam se defrontando
estão por trás das ofensas causando-lhes uma com linguagem desagradável, de cunho sexual e
angustia ainda maior. A um aumento significativo ameaçador. Os usuários podem ser atacados a
nos casos de cyberbullying e precisa-se estar em qualquer momento, pois a internet permite que a
pauta na escola com mais intensidade, pois a escola ofensa chegue às vitimas de todas as formas. Ao
junto com as famílias são responsáveis pelos casos contrário do bullying que era feito apenas dentro
de bullying e cyberbullying, pois é na escola que da escola, e de certa forma o aluno já poderia estar
os comportamentos ofensivos se intensificam na esperando, o cyberbullying pode ser feito em
sua grande maioria. qualquer lugar, em qualquer contexto, não sabendo
Para Wendt, Campos e Lisboa (2010), casos de o que esperar e quando esperar. A capacidade do
agressividade no mundo virtual devem ser usuário de ter empatia pelo outro começa a ser mais
observados mais de perto. O acesso por parte dos difícil, pois antes o agressor e a vítima ficavam
alunos a internet devem ser supervisionados e frente a frente e poderiam modelar seus
limitados para que não fiquem vulneráveis e/ou comportamentos, agora o agressor passa a perder a

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
37

capacidade de desenvolver a empatia. Portanto, relacionando mesmo estando fisicamente


professores e pais devem estar cientes sobre os distantes, gerando pressão, estresse e também
fatores de riscos do mundo virtual e o impacto que depressão e outras patologias.
pode resultar desse contato com o cyberbullying,
CONSIDERAÇÕES FINAIS
sendo assim, é prejudicial a omissão e a A partir do objetivo deste estudo, constata-se que a
negligência dos pais e professores a não se indisciplina escolar se constrói a partir de inúmeros
envolver com o assunto, pois o desempenho por aspectos. Os teóricos e pesquisadores apontam a
parte do aluno pode ser influenciado de maneira família como responsável, pois a partir dela que se
negativa. estabelece a primeira noção do indivíduo sobre
Em seu estudo Souza, Simão e Caetano (2014) regras e limites, mas, entende-se também que a
realizaram um estudo exploratório e descritivo família é uma instituição fruto de uma sociedade
sobre o cyberbullying. Participaram 118 estudantes competitiva, sendo assim, observou-se durante os
do primeiro ano do ensino superior público que estudos que aspectos culturais e sociais têm uma
responderam a um questionário. Os resultados grande força sobre a família e acaba por dificultar
apontaram que 18,6% estavam envolvidos como a relação de disciplina entre os pais e os filhos,
vítimas, 59,3% estavam envolvidas como principalmente em relação à imposição de regras e
testemunhas e 39,8% nunca se envolveram em limites.
casos de cyberbullying. Para os estudantes existem Com relação aos estudos acerca das escolas,
diferentes percepções do que realmente significa o constatou-se que a sua função é a de
cyberbullying, alguns apontam como cruel, aprimoramento do aluno, produzindo
irresponsável, sem justificativa, algo que conhecimento e treinando para as relações sociais
dificilmente será resolvido e também que são que se estabelecerão quando saírem deste ambiente
apenas brincadeiras, uma forma de autopromoção, para o mercado de trabalho. Na opinião dos autores
de se afirmar e de estar no controle. Estratégias que estudados, as escolas são apontadas como um
os alunos apontaram para a diminuição dos ataques sistema educacional ultrapassado que se assemelha
feitos pelos agressores compreendem que todos a uma prisão e usa a mesma metodologia há
devem enfrentar os fatos, devem denunciar, pedir centenas de anos, porém não pode-se deixar de
ajuda de pessoas confiáveis e conversar com os ressaltar que assume um papel fundamental na vida
amigos, também excluir esse tipo de pessoa das das pessoas.
redes de relacionamentos, e por fim entrar em Outro aspecto importante a ser ressaltado nas
contato pessoas responsáveis pelos sites para que pesquisas, foi a compreensão da indisciplina sob o
haja uma intervenção. olhar do aluno e as suas relações. Nesse sentido, o
Os estudos revelam que o cyberbullying tem se bullying foi muito citado nos artigos como uma
tornado cada vez mais comum nos ambientes construção social que incita a competição, a
virtuais, onde o agressor e a vítima continuam se violência e a comparação, prejudicando assim os

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
38

menos adaptados. Este seria uma das formas de relações interpessoais satisfatórias.
transgressão às normas, de reação à disciplina Por fim considera-se que os materiais analisados
escolar. Uma de suas vertentes é o cyberbullying revelam que existem diversos fatores responsáveis
que se tornou um grande catalizador de problemas de alguma forma pela indisciplina escolar, seja por
psicopatológicos, pois as relações virtuais são frias meio do exemplo pessoal físico ou virtual, como
dificultando o aprendizado do jovem na criação de por meio da maneira que as pessoas se comportam
sentimentos de empatia e no desenvolvimento de coletivamente.

REFERÊNCIAS
ALCKMIN-CARVALHO, Felipe; IZBICKI, In: Congresso Nacional De Educação. 2016. III.
Sarah; MELO, Márcia Helena da Silva. Problemas ed. Disponível em:
de comportamento segundo vítimas de bullying e http://editorarealize.com.br/revistas/conedu/anais.
seus professores. Estud. pesqui. psicol., Rio de php/. Acesso em: 23 set. 2019.
Janeiro, v. 14, n. 3, p. 834-853, dez. 2014.
Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/. Acesso CROCHIK, José Leon. Fatores psicológicos e
em: 23 set. 2019. sociais associados ao bullying. Rev. psicol. polít.,
São Paulo, v. 12, n. 24, p. 211-229, ago. 2012.
ALVES, Mariana Gaio. Viver na escola: Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/. Acesso
indisciplina, violência e bullying como desafio em: 23 set. 2019.
educacional. Pesqui. São Paulo, v. 46, n. 161, p.
594-613, setembro de 2016. Disponível em: ECCHELI, Simone Deperon. A motivação como
http://www.scielo.br/. Acesso em: 23 set. 2019. prevenção da indisciplina. Educ. rev., Curitiba, n.
32, p. 19-21, 2008. Disponível em:
ARON, Ana María; MILICIC, Neva; ARMIJO, http://www.scielo.br. Acesso em: 23 set. 2019.
Iván. Clima Social Escolar: Escala de Avaliação -
Escala de Clima Social Escolar, ECLIS. Univ. KRAWCZUN, Natália Branco Lopes; PLATT,
Psychol. Bogotá, v. 11, n. 3, p. 803-813, 2012. Adreana Dulcina. Violência e indisciplina na
Disponível em: http://www.scielo.org. Acesso em: escola: um cotejo necessário. Revista Ibero-
23 set. 2019. Americana de Estudos em Educação, p. 481-
503, julho 2015. Disponível em:
BELUCCI, Luciana Puccini. Interação da família https://periodicos.fclar.unesp.br/. Acesso em: 23
com a escola: desafios atuais. 2009. 87 f. set. 2019.
Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) -
Universidade do Oeste Paulista, Presidente MATOS, Margarida Gaspar de; GONCALVES,
Prudente, 2009. Disponível em: Sónia M. Pedroso. Bullying nas Escolas:
http://bdtd.unoeste.br/. Acesso em: 23 set. 2019 Comportamentos e Percepções. Psic., Saúde &
Doenças, Lisboa, v. 10, n. 1, p. 3-15, 2009.
BOARINI, Maria Lucia. Indisciplina escolar: uma Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/. Acesso
construção coletiva. Psicol Esc. Educ. Maringá, v. em: 23 set. 2019.
17, n. 1, p. 123-131, junho de 2013. Disponível em:
http://www.scielo.br/. Acesso em: 23 set. 2019. PEREIRA, Antonio José Lima. Bullying escolar:
indisciplina ou delinquência juvenil? Uma análise
CARVALHO, Mônica Cabral de. A na perspectiva do direito penal e da criminologia,
agressividade como resposta de um indivíduo 2014. Disponível em:
criado em uma família desestruturada. (Pós- https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-
graduação “Latu Sensu”). 2010. Universidade penal/. Acesso em: 23 set. 2019.
Candido Mendes, Rio de Janeiro. Disponível em:
http://www.avm.edu.br/docpdf/. Acesso em: 23 RODRIGUES, Gabriela Adamatti; TEIXEIRA,
set. 2019. Rita de Cássia Petrarca. A falta de limites na
relação pais e filhos e o papel da escola. Revista
CARVALHO, Silvânia Barreto de. A indisciplina da Graduação, Porto Alegre, v. 42, n. 2, p. 223-
na sala de aula como resultado da relação familiar. 235, 2011. Disponível em:

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
39

http://revistaseletronicas.pucrs.br. Acesso em: 23 em: 23 set. 2019.


set. 2019.
SOUZA, Sidclay Bezerra; SIMAO, Ana
ROTHSTEIN, Ligia Homem. Investigação da Margarida Veiga; CAETANO, Ana Paula.
Indisciplina em duas escolas de ensino Cyberbullying: percepções acerca do fenômeno e
fundamental. 2015. TCC (Monografia de das estratégias de enfrentamento. Psicol. Reflex.
Conclusão do Programa Optativo de Bacharelado Crit., Porto Alegre, v. 27, n. 3, p. 582-590, 2014.
em Psicologia) - Faculdade de Filosofia, Ciências Disponível em: http://www.scielo.br. Acesso em:
e Letras, Universidade de São Paulo, Ribeirão 23 set. 2019.
Preto, 2015.
WENDT, Guilherme Welter; CAMPOS, Débora
SCHREIBER, Fernando Cesar de Castro; Martins de; LISBOA, Carolina Saraiva de
ANTUNES, Maria Cristina. Cyberbullying: do Macedo. Agressão entre pares e vitimização no
virtual ao psicológico. Bol. - Acad. Paul. Psicol., contexto escolar: bullying, cyberbullying e os
São Paulo, v. 35, n. 88, p. 109-125, jan. 2015. desafios para a educação contemporânea. Cad.
Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/. Acesso psicopedag., São Paulo, v. 8, n. 14, p. 41-52, 2010.
em: 23 set. 2019. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org. Acesso
em: 23 set. 2019.
SIQUEIRA, Mônica de Souza Carvalho.
Indisciplina escolar: Contribuições da família e WENDT, Guilherme Welter; LISBOA, Carolina
da gestão escolar. 2017. Dissertação (Mestrado em Saraiva de Macedo. Agressão entre pares no
Ciências da Educação) - Curso de Mestrado em espaço virtual: definições, impactos e desafios do
Ciências da Educação, Escola Superior de cyberbullying. Psicol. clin., Rio de Janeiro, v. 25,
Educação Almeida Garrett, Lisboa, 2017. n. 1, p. 73-87, jun. 2013. Disponível em: http:
Disponível em: https://docplayer.com.br/. Acesso www.scielo.br. Acesso em: 23 set. 2019.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
40

ANÁLISE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA ACERCA DO BULLYING NAS


ESCOLAS

OLIVEIRA, Yuri Messias de1; CARRARO, Patrícia Rossi2

Resumo: O objetivo do estudo foi analisar a produção científica sobre o bullynig nas escolas em periódicos.
Foi realizado um levantamento bibliográfico no SciELO e PePSIC, no período de 2009 a 2019, a partir dos
descritores: bullying e escolas. Elaborou-se uma ficha catalográfica para cada um dos trabalhos utilizados.
Os resultados revelaram que existe um crescimento significativo das pesquisas sobre o tema ao longo dos
anos. As pesquisas são em sua maioria, exploratório-descritiva, por 2 autores, e pesquisadores do sexo
feminino. Profissionais com Doutorado foram encontrados na maior parte dos artigos e o eixo temático que
se destacou foi causas do bullying, influência e a atuação da escola. A categoria professor ficou em
evidência. O estado de São Paulo foi o local de maior publicação. Conclui-se que as pesquisas nesta área
necessitam de maior empenho e ter continuidade.
Palavras-chave: Bullying. Escola. Produção Científica.

INTRODUÇÃO geral. De origem inglesa e sem tradução ainda no


O Bullying considerado um conjunto de atitudes Brasil, é utilizada para denominar comportamentos
agressivas, intencionais e repetitivas, que pode violentos no âmbito escolar, encontrados em
ocorrer sem motivação evidente, de forma velada meninos e meninas. Dentre esses comportamentos
ou explícita, que causa dor, sofrimento e angústia destacam-se agressões, os assédios e as ações
na vítima, vêm se tornando cada vez mais comum desrespeitosas, todos realizados de maneira
e presente em escolas da rede de ensino público e recorrente e intencional por parte dos agressores.
privado. Para Wendt, Campos e Lisboa (2010), o bullying
A partir dos vários estudos na área de educação, considerado também uma intimidação pode ter
considera-se que as pesquisas podem contribuir início de modo não proposital, cujo resultado é um
significativamente para as ações de professores e indivíduo vitimizado que passa por maus tratos
alunos que muitas vezes, por falta de compreensão recorrentes do agressor e são reforçados pela
do assunto não sabem quais posturas tomarem. agressão. O aluno vítima desses atos pode ter o
O bullying vem se tornando cada vez mais presente comportamento isolado, desinteressado e
no cotidiano de estudantes e diversos estudos desanimado, e pode não ser observado pelos
investigam suas motivações, características, e professores.
principalmente como pode ser evitado, pois vários O Bullying para Almeida e Lisboa (2014), é um
jovens têm adquirido patologias e traumas. tema importante a ser estudado, o qual vem
Silva (2010) afirma que o termo bullying ainda é aumentando significativamente ao longo dos
pouco conhecido entre as pessoas de um modo tempos, levando crianças e jovens a morte. Tanto

1Graduando em Pedagogia pelo Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, yuri.2012m@gmail.com.


2Psicóloga. Pós-Doutora pelo Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto - Universidade de
São Paulo (USP). Docente do Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, patricia.carraro@live.estacio.br.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
41

na verificação das variáveis individuais principais fatores para a causa da evasão escolar é
relacionadas a esse processo, assim como no bullying. Todavia, existe a despreparação do
desenvolvimento de intervenções que possam professor para enfrentar este problema escolar. Um
minimizar ou prevenir o sofrimento psíquico dos dos papéis do professor no mundo contemporâneo
envolvidos. Constata-se uma carência de pesquisas é lidar e mediar relações que causem o
que possibilitem um maior esclarecimento acerca desequilíbrio harmônico do ambiente escolar,
das habilidades sociais dos envolvidos no processo utilizando metodologias ativas que busca a
de bullying. integralidade escolar embasada no processo de
Segundo Pereira (2014), o fenômeno bullying respeito mútuo, causando um melhor desempenho
ocorre essencialmente no ambiente escolar. Apesar escolar.
de que se considera o ambiente familiar e o A partir das colocações acima, considera-se o
trabalho como suscetíveis da ocorrência deste tipo bullying um problema gravíssimo encontrado no
de violência, dada a sua constituição socialmente meio escolar, todavia, é urgente que deva existir
heterogênea. Este fator é condicionante para que o uma interligação entre escola/família/sociedade,
bullying ocorra, posto que são nas relações de buscando métodos que possibilite a amenização
poderes que o desequilíbrio social se estabelece e deste problema.
características de personalidade e condutas
Pesquisas acerca do bullying
desviantes se evidenciam.O bullying tem se O estudo de Oliveira-Menegotto, Pasini e
destacado como uma modalidade de violência Levandowski (2013) buscou investigar os artigos
caracterizada por agressões físicas ou psicológicas, científicos sobre bullying escolar, publicados em
que tem gerado atos criminosos, suicídios e revistas científicas nacionais até o final de 2011.
homicídios, com consequências negativas à Para isso, pesquisamos a expressão "bullying
juventude e à sociedade. escolar" nos bancos de dados do SciELO e Google
Maluf (2009) ressalta que as crianças estão se Acadêmico. Foram encontrados 37 artigos
tornando cada vez mais agressivas e neste científicos publicados entre 2009 e 2011. A revisão
contexto, estudos apontam que há grande número apontou que o fenômeno vem ganhando cada vez
de aspectos que aumentam o risco do aparecimento mais destaque nas publicações científicas,
de condutas violentas e de jovens envolvidos com despertando o interesse de diferentes áreas de
o bullying, a saber: ter vivido cenas violentas ou conhecimento, como a psicopedagogia, o direito, a
sofrido violência, abuso sexual, físico, excessiva educação física e a pedagogia, que desenvolveram
exposição à violência através de jogos, televisão, pesquisas a partir de diferentes métodos, objetivos
uso de drogas e álcool, fatores socioeconômicos e focos.
prejudicados, família desestruturada, problemas A pesquisa de Silva e Rosa (2013) procurou
psiquiátricos, entre outros. compreender o bullying na formação de
Para Silva, Gomes e Lima (2017), um dos professores, tendo como intuito refletir o que seria

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
42

este fenômeno, as ações que poderiam ser pesquisa realizada pelo autor teve como objetivo
realizadas, e as demandas para a formação docente. descrever as estratégias utilizadas para identificar
Foram entrevistados seis professores em uma situações de bullying no país e discutir o alcance e
escola municipal do Recife e seis licenciandos da limitações destas medidas de avaliação. Foram
Universidade Federal de Pernambuco. Os selecionados estudos publicados entre 2000 e
resultados revelaram que os participantes tiveram 2012, nas bases de dados Lilacs, PepSIC e
dificuldade em definir o bullying e de caracterizar SciELO, utilizando-se "bullying" como descritor.
sua abrangência na escola. Apontaram que o tema Foram encontrados 178 artigos e utilizados 25.
é relevante, embora apontem que está pouco Situações de bullying foram identificadas,
presente nos cursos de formação. Com relação às principalmente por meio de escalas e de
ações, propõem o diálogo e o envolvimento de pais questionários padronizados em outros países, sem
e de autoridades públicas. Conclui-se que o evidências de validade para a realidade brasileira,
bullying é reconhecido como problema e por meio de instrumentos criados pelos próprios
concernente às escolas e aos professores, porém pesquisadores. Verificou-se fragilidade
não se constitui num tópico de estudo sistemático metodológica na produção sobre rastreamento de
na formação de licenciados. bullying no Brasil. Espera-se que este estudo possa
Silva et al. (2013) realizaram um estudo, com contribuir para a elaboração e utilização de
intuito de verificar se os professores de 6º ano do medidas mais eficazes de identificação de
Ensino Fundamental compreendem o que seria o bullying.
bullying em sala de aula, e quais são suas atitudes O estudo de Coelho (2016) teve como objetivo
nessas situações. Os resultados indicaram que os analisar as pesquisas recentes publicadas no Brasil
participantes possuíam uma compreensão sobre o bullying no contexto escolar. Foi realizada
fragmentada do fenômeno e que as lacunas no uma revisão sistemática de literatura mediante uma
conhecimento incidiam na capacidade de busca eletrônica de artigos indexados nas bases
identificação e atuação nas agressões entre alunos. SciELO e PEPSIC, publicados no período de 2009
Denotou-se também que as ações empreendidas a 2014. Considerando critérios de
geralmente ficavam circunscritas ao espaço da sala inclusão/exclusão foram selecionadas 26
de aula ou consistiam em encaminhar a situação à publicações para análise. Tais publicações foram
direção da escola, sinalizando carência de um lidas na íntegra e analisadas com relação à autoria,
projeto escolar de combate à violência e ao ano de publicação, participantes da pesquisa,
articulação entre os profissionais. instrumento utilizado para a coleta dos dados,
De acordo com Alckmin-Carvalho (2015), os principais resultados, foco de análise e discussão.
estudos sobre bullying no Brasil, são recentes e não Os resultados indicam predominância de estudos
existe um acordo quanto aos métodos mais descritivos e correlacionais sobre a temática do
eficazes para a identificação do fenômeno. A bullying escolar publicados recentemente no

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
43

Brasil. Pode-se destacar que, no período entrevista com 8 diretores, 2, vice-diretores, 7


considerado de 2009 a 2014, foram poucas coordenadores e 20 professores, em 10 escolas,
publicações que focalizaram a dinâmica utilizando-se de roteiro de entrevista
interacional do bullying, embora se perceba um semiestruturado. Os resultados apontaram que a
crescimento de artigos com relatos de programas maioria dos entrevistados considera que a família
de intervenção antibullying. é a maior responsável. As possíveis causas seriam
Silva et al. (2017) realizou uma revisão sistemática a intolerância e as diferenças individuais. O
da literatura referente a intervenções planejadas e diálogo e o encaminhamento parecem ser as
avaliadas na diminuição do bullying escolar. O intervenções realizadas. Considera-se que não
levantamento dos artigos foi realizado nas bases de existe um programa especifico de intervenção ao
dados Lilacs, Psycinfo, Scielo e Web of Science - bullying, porém em algumas contém projetos que
orientado pela questão norteadora: Em relação ao abordam o tema. Detectou-se que não existem
bullying, quais são as intervenções empreendidas profissionais ligados ao combate do bullying,
para a sua redução nas escolas? Foram incluídos porém em algumas escolas possuem profissionais
somente estudos do tipo caso-controle, com foco que oferecem suporte. Constatou-se através de
específico no bullying escolar e sem recorte alguns relatos a necessidade de profissionais
temporal. A qualidade metodológica das específicos como o psicólogo e o assistente social
investigações foi avaliada por meio do check-list para orientar nesse processo de combate ao
sign. No total, 18 artigos compuseram o corpus de bullying. Concluiu-se que, os participantes da
análise da revisão e todos foram avaliados como de pesquisa têm uma visão superficial, imprecisa e até
alta qualidade metodológica. As intervenções equivocada acerca do bullying. Sentem-se
realizadas nos estudos revisados foram subdividas despreparados para lidarem com este fenômeno
em quatro categorias: multidimensionais ou em que requer muitos desafios. Necessitam de
toda a escola, treinamento de habilidades sociais, orientações e apoio da escola.
curriculares e informatizadas. A revisão sintetiza A partir dos estudos apontados anteriormente,
conhecimentos que podem ser utilizados para constata-se que os professores não sabem definir o
pensar práticas e programas de intervenção no bullying, nem como intervir. É necessário investir
Brasil, nas áreas da educação e da saúde, com na formação docente, envolver gestores, os pais e
caráter multiprofissional. os alunos, bem como um empenho de pesquisas
De natureza qualitativa, o estudo de Carniel e nesta área.
Carraro (2017) teve como objetivo compreender as Nesse sentido, este artigo tem como objetivo
concepções e intervenções dos gestores, analisar a produção científica acerca do “Bullying
coordenadores pedagógicos e professores da rede nas Escolas”.
pública e particular de ensino acerca do bullying,
MÉTODO
na cidade de Cravinhos/SP. Foi realizada uma Foi realizado um levantamento bibliográfico da

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
44

produção científica bullying nas escolas, através artigos em inglês, da área da saúde e
dos sistemas informatizado de busca: Scientific organizacional.
Electronic Library Online (SciELO) e Periódicos Foram encontrados ao todo 119 artigos (68 –
Eletrônicos em Psicologia (PePSIC). Os trabalhos SciELO e 51 – PePSIC). Contudo, a partir dos
compreenderam o período de 2009 a 2019, com os critérios citados foram analisados 32 artigos da
seguintes descritores: Bullying e Escolas. O tipo de base de dados SciELO e 12 na base de dados
Pesquisa realizada pode ser considerado de PePSIC.
natureza quantitativa e qualitativa. Posteriormente, procedeu-se a leitura e análise dos
O instrumento de coleta de dados elaborado foi respectivos artigos, o preenchimento das fichas
constituído por uma Ficha Catalográfica para cada catalograficas buscando identificar o tipo de
um dos trabalhos encontrados, contendo os contribuição que propiciavam ao tema. Após a
seguintes aspectos: número de artigos publicados realização das fichas realizou-se a elaboração das
por ano; tipo de pesquisa; a área de pesquisa tabelas e suas análises.
(saúde, educação e escola); localidade da
RESULTADOS E DISCUSSÃO
publicação, categoria profissional; titulação; Análise da Produção Científica acerca do
quantidade de profissionais envolvidos no bullying nas escolas de 2009 a 2019, no
SciELO e PePSIC.
trabalho; autores por gênero; o nome do periódico;
Nesta parte, serão apresentados a partir das tabelas,
eixo temático e tipo de instituição escolar.
os resultados dos quarenta e oito artigos analisados
A primeira etapa do levantamento consistiu na
sobre o bullying nas escolas.
reunião de artigos que pudessem ser incluídos nos
critérios assumidos acima. Foram descartados

Tabela 1: Distribuição de artigos publicados por ano, no período de 2009 a 2019.

A partir da Tabela 01, constatou-se que no Acredita-se que o aumento de publicações de


intervalo de 2009 a 2011 foram publicados 06 artigos nesse período deve-se ao fato do bullying
artigos. Já no período de 2012 a 2014 foram estar ocorrendo com mais freqüência nas escolas,
publicados 13, no período de 2015 a 2017 foram tornando-se assim foco de atenções e
publicados 20 e nos anos de 2018-2019 09 artigos preocupações.
foram publicados; entre o período de 2015 a 2017.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
45

Tabela 2: Distribuição de artigos segundo o tipo de pesquisa, no período de 2009 a 2019.

Ao analisar a Tabela 02, observa-se que os artigos publicados na abordagem exploratória (03).
em sua maioria foi realizado no tipo de pesquisa de Verifica-se que ocorreu um aumento significativo
natureza qualitativa (20). Já a pesquisa de natureza de pesquisas de natureza qualitativa. Ao longo dos
quantitativa encontrou-se 17 artigos, na tempos, constata-se que a pesquisa desta natureza
qualitativa/quantitativa e revisão de literatura (04). vem sendo cada vez mais valorizada no âmbito
Em uma proporção menor encontraram-se artigos educacional.

Tabela 3: Distribuição de artigos segundo o número de autores, no período de 2009 a 2019.

Na Tabela 3, destaca-se as pesquisas com o tema menor proporção encontraram-se artigos que
bullying realizadas por 2 autores (17), depois por 3 foram publicados por 7 autores ou 1 (03), 4 (04), e
(17), e posteriormente por 6 autores (09). Em por último 5 autores (2).

Tabela 4: Distribuição de artigos segundo o gênero, no período de 2009 a 2019.

Na tabela 4, constatou-se que as pesquisas em sua sexo feminino. Foram cento e dez mulheres (110)
maioria foram realizadas por pesquisadores do e somente cinquenta e oitos homens (58). Talvez,

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
46

esse fato esteja relacionado pelo fato que as trabalho. Já os homens buscam de imediato se
mulheres continuam os estudos tendo esse como inserir no mercado de trabalho, deixando os
seu primeiro plano. Além disso, as mulheres vêm estudos como segundo ou terceiro plano.
ocupando um espaço cada vez maior no mundo do

Tabela 5: Distribuição de artigos segundo a titulação, no período de 2009 a 2019.

A partir da tabela 5, verificou-se que a maior parte constatou-se que 91 pesquisadores não revelaram
dos profissionais envolvidos com as pesquisas sua titulação. Talvez estes dados revelem que, por
acerca do bullying tem Doutorado (29). estes profissionais trabalharem em Universidades
Posteriormente, pesquisadores com Mestrado (23). existe um interesse maior por publicações
Já Pós-Doutores e especialistas foram encontrados científicas, possibilitando se capacitarem melhor e
(9), e graduados (8). Nos artigos também manterem seu currículo atualizado.

Tabela 6: Distribuição de artigos segundo o Eixo Temático, no período de 2009 a 2019.

Na tabela 6, verificou-se que o eixo temático que sequência tem-se diversos papéis do bullying (05);
se destaca é “Consequência do bullying - gênero e Valorização do ser: vítima do bullying (03) e A
idade” (10). Posteriormente, Bullying na distribuição social do bullying entre os jovens (02).
contemporaneidade; A visão do professor sobre o Constata-se um grande interesse por parte dos
bullying; Saúde escolar para quem sofre bullying e pesquisadores em estudos na Consequência do
A importância da família contra o bullying (07). Na bullying, talvez pelo fato de buscar auxiliar e

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
47

conscientizar os educadores.

Tabela 7: Distribuição de artigos segundo a categoria profissional dos autores, no período de 2009 a 2019.

Na Tabela 7, destacou-se a categoria profissional profissionais que supostamente, não trabalham em


professor. Talvez esta informação esteja Universidades, porém estão envolvidos com
relacionada ao fato de o professor de universidade pesquisas acerca do bullying. Também foram
ter um maior interesse em desenvolver pesquisas e encontrados nos artigos, profissionais que não
publicá-las. Também se encontrou outros especificaram sua categoria profissional.

Tabela 8: Distribuição de artigos segundo o local de publicação, no período de 2009 a 2019.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
48

Na tabela 8, verificou-se que a cidade de São Paulo publicação. De um modo geral, nota-se que a
(17) destaca-se como o maior local de publicação, grande maioria das pesquisas foi publicada mais no
seguida da cidade de Maringá (07), Rio de Janeiro estado de São Paulo, em relação ao Estado do Sul,
e Ribeirão Preto (5). Constatou-se também que Centro-Oeste e Nordeste. Supõe-se que este
Porto Alegre (4) Belo Horizonte (2), Florianópolis resultado relaciona-e ao fato do estado de São
(2), Natal (2), Marília; Brasília; Recife e Itatiba (1) Paulo ser um grande centro de universidades
aparecem em menor proporção como local de públicas/particulares e de pesquisas.

Tabela 9: Distribuição de artigos segundo os periódicos, no período de 2009 a 2019.

Na Tabela 9, notou-se que os artigos encontram-se que parece haver um maior interesse dos
distribuídos em periódicos da área de Psicologia pesquisadores em publicar artigos em periódicos
(25), Saúde (15), Educação (8). Os dados mostram na área da psicologia e na área da saúde.

Tabela 10: Distribuição de artigos segundo a rede de ensino, no período de 2009 a 2019.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
49

Na Tabela 10, notou-se que os artigos analisados nos cursos de graduação e dar continuidade aos
em sua maioria relacionam-se as escolas públicas estudos.
(19), públicas/privadas (13), sem especificações Nos artigos analisados, verificou-se que a maioria
(11). Os dados revelam que parece haver um maior dos profissionais envolvidos com as pesquisas tem
interesse em pesquisar em escolas públicas. Doutorado, posteriormente encontram-se em
Talvez, pelo fato de estar ocorrendo um maior maior número pesquisadores com Mestrado.
índice nestes locais. Levando mais uma vez a Considera-se que estes dados revelem que, por
importância do estudo do tema bullying. O fato de estes profissionais trabalharem em Universidades,
não ter muitas pesquisas em escolas particulares existe certa “cobrança” das instituições, e um
pode estar relacionado ao fato do pesquisador não interesse maior dos profissionais buscarem a
conseguir realizar seus estudos nestes espaços. capacitação, com vistas a melhores posições nas
Nem sempre as escolas particulares mostram seus universidades.
problemas internos. Para a característica eixo temático, a que mais se
destacou foi: Consequência do Bullying - gênero e
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir do objetivo do estudo - analisar a produção idade, seguido por Bullying na

científica acerca do “Bullying nas Escolas” - nota- contemporaneidade; A visão do professor sobre o

se que ocorreu um aumento significativo das Bullying; Saúde escolar para quem sofre Bullying;

pesquisas relacionadas a este fenômeno. Nesse A importância da família contra o Bullying, tendo

sentido, esta informação é relevante, pois parece ainda: Diversos papéis do Bullying, valorização do

retratar uma preocupação com o que vem ser: vítima do bullying e A distribuição social do

acontecendo nas Escolas. Os gestores, professores Bullying entre jovens. Supõe-se com estes dados,

e alunos necessitam de apoio para poderem a necessidade de se ter um cuidado tanto

enfrentar esta situação. educacional quanto emocional com as crianças e

Com relação ao tipo de pesquisa, verificou-se que jovens.

os artigos foram mais realizados no tipo de A categoria profissional professor destacou-se

pesquisa de natureza qualitativa. Esta abordagem entre as demais. Talvez esta informação esteja

vem tendo espaço cada vez maior nos estudos. relacionada ao fato de o professor de universidade

Procura compreender as concepções, ideias e ter um maior interesse em desenvolver pesquisas e

visões dos envolvidos. publicá-las. Além disso, pode retratar que o tema

Para a característica número de autores envolvidos Bullying é algo de relevância para os

em cada artigo, verificou-se que as pesquisas pesquisadores na busca de orientações e soluções

foram mais realizadas por 2 autores, e para a escola.

pesquisadores do sexo feminino. Talvez, esse dado Com relação à localização da publicação,

esteja relacionado ao fato da mulher ser a maioria verificou-se que a cidade de São Paulo, destaca-se

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
50

como local de publicação, seguida de Maringá, Rio se que a preparação da escola e dos professores é
de Janeiro e Ribeirão Preto. De um modo geral, fundamental para identificar e intervir
nota-se que a grande maioria das pesquisas foi adequadamente nas situações de bullying no
publicada mais no estado de São Paulo, em relação contexto escolar. É preciso dar continuidade às
ao Estado do Sul, Centro-Oeste e Nordeste. pesquisas e aos programas antibullying.
Por fim, a partir dos estudos analisados considera-

REFERÊNCIAS
ALCKMIN-CARVALHO, Felipe et al . https://plataforma.bvirtual.com.br/. Acesso em: 05
Estratégias e instrumentos para a identificação de fev. 2020.
bullying em estudos nacionais. Aval. psicol.,
Itatiba, v. 13, n. 3, p. 343-350, dez. 2014. OLIVEIRA-MENEGOTTO, Lisiane Machado de;
Disponível em PASINI, Audri Inês; LEVANDOWSKI, Gabriel.
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_art O bullying escolar no Brasil: uma revisão de
text&pid=S1677- artigos científicos. Psicol. teor. prat., São Paulo,
04712014000300006&lng=pt&nrm=iso. Acesso v. 15, n. 2, p. 203-215, ago. 2013. Disponível em:
em 14 mai. 2019. http://pepsic.bvsalud.org/. Acesso em: 05 fev.
2020.
ALMEIDA, Lisete Silva; LISBOA, Carolina.
Habilidades sociais e bullying: uma revisão PEREIRA, Antonio José Lima. Bullying escolar:
sistemática. Contextos Clínic, São Leopoldo, v. 7, indisciplina ou delinquência juvenil? Uma análise
n. 1, p. 62-75, jun. 2014. Disponível em: na perspectiva do direito penal e da criminologia,
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_art 2014. Disponível em:
text&pid=S1983- https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-
34822014000100007&lng=pt&nrm=iso. Acesso: penal/. Acesso em: 23 set. 2019.
em 1 mai. 2019. SCHREIBER, Fernando Cesar de Castro;
CARNIEL, Gisele Patricia de Oliveira; ANTUNES, Maria Cristina. Cyberbullying: do
CARRARO, Patricia Rossi. Concepções e virtual ao psicológico. Bol. - Acad. Paul. Psicol.,
intervenções dos gestores, coordenadores São Paulo, v. 35, n. 88, p. 109-125, jan. 2015.
pedagógicos e professores da rede pública e Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/. Acesso
particular de ensino acerca do bullying. Revista em: 14 mai. 2019.
Multidisciplinar de Iniciação Científica, ano 9. SILVA, Ana Beatriz B. Bullying: mentes
n. 9, p. 21-42, dez. 2017. perigosas nas escolas. Rio de Janeiro: Objetiva,
COELHO, Maria Teresa Barros Falcão. Bullying 2010.
escolar: revisão sistemática da literatura do período SILVA, Elizângela Napoleão da; ROSA, Ester
de 2009 a 2014. Rev. psicopedag., São Paulo, v. Calland de S.. Professores sabem o que é
33, n. 102, p. 319-330, 2016. Disponível em bullying?: um tema para a formação docente.
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_art Psicol. Esc. Educ., Maringá, v. 17, n. 2, p. 329-
text&pid=S0103- 338, dez. 2013. Disponível em:
84862016000300010&lng=pt&nrm=iso. Acesso http://www.scielo.br/. Acesso em 25 mar. 2020.
em: 08 ago. 2020.
SILVA, Jorge Luiz da et al . Bullying na sala de
MALUF, Maria Irene. Bullying: O Triângulo da aula: percepção e intervenção de professores. Arq.
Agressividade. 2009. Disponível em: bras. psicol., Rio de Janeiro, v. 65, n. 1, p. 121-
http://www.nota10.com.br/novo/web/artigos_vie 137, jun. 2013. Disponível em:
w.php?id_artigos=420. Acesso em: 04 out. 2009. http://pepsic.bvsalud.org/. Acesso em 05 abr.
MEIER, Marcos; ROLLIN, Jeanine. Bullying 2020.
Sem blá-blá-blá, InterSaber, p. 121. 2013. SILVA, José Lindemberg Bernardo; GOMES,
Disponível em: Eridiany Bezerras; LIMA, Isaac de Souza.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
51

Bullying na escola: uma revisão literária. Revista SILVA, Marta Angélica Iossi et al. Revisão
de Pesquisa Interdisciplinar, Cajazeiras, n. 2, sistemática sobre bullying e família: uma análise a
suplementar, p.729-730, set. de 2017. Disponível partir dos sistemas bioecológicos, Rev. salud
em: pública, 2018. Disponível em:
http://revistas.ufcg.edu.br/cfp/index.php/pesquisai https://www.scielosp.org/article/rsap/2018.v20n3/
nterdisciplinar/article/view/236/pdf. Acesso em: 396-403/. Acesso em: 23 set. 2019.
05 fev. 2020.
WENDT, Guilherme Welter; CAMPOS, Débora
SILVA, Marta Angélica Iossi Silva. Revisão Martins de; LISBOA, Carolina Saraiva de
sistemática da literatura sobre intervenções Macedo. Agressão entre pares e vitimização no
antibullying em escolas, Ciência & Saúde contexto escolar: bullying, cyberbullying e os
Coletiva, v. 22, n 7, p. 2329-2340, 2017. desafios para a educação contemporânea. Cad.
Disponível em psicopedag., São Paulo, v. 8, n. 14, p. 41-52, 2010.
https://www.scielo.br/pdf/csc/v22n7/1413-8123- Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org. Acesso
csc-22-07-2329.pdf. Acesso em: 23 set. 2019. em: 23 set. 2019.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
52

AS CONTRIBUIÇÕES DO PROFESSOR PESQUISADOR E REFLEXIVO PARA O


CONTEXTO ESCOLAR: UMA REVISÃO DE LITERATURA

PRADO, Sandra Marta da S.1; CARRARO, Patrícia Rossi2

Resumo: A partir de revisão de literatura, este estudo teve como objetivo compreender a relevância do
professor pesquisador e do professor reflexivo no contexto escolar. Como instrumento metodológico foi
realizado um levantamento bibliográfico acerca do Professor Pesquisador, do Professor Reflexivo e da
Formação Continuada no SciELO e no Google Acadêmico, no período de 2000 a 2020. Além disso, foram
utilizados livros. Os resultados revelaram que as capacidades técnicas dos profissionais devem ser
superadas pela: reflexão, empatia, criatividade, humanização, curiosidade aguçada, criticidade e interação
com seu meio. Conclui-se que o profissional deve estar em constante e incansável aprendizado sempre
apoiado em bases teóricas, éticas e científicas.
Palavras-chave: Professor Pesquisador. Professor Reflexivo. Educação continuada.

INTRODUÇÃO reconstruídas junto a cada indivíduo nos processos


Ao aprimorar seus métodos de ensino, o professor educacionais (MALDANER, 1997).
busca por meio da reflexão focar no O professor é alguém que elabora planos de
aperfeiçoamento de sua prática docente e atribuir a atividades, aplica metodologias, reproduz
capacidade crítica centralizada com a qualidade. conteúdo, interpreta esses conteúdos, observa
Inovar de forma educativa na prática exige um comportamentos e avalia processos. Assim como o
processo produtivo com base nos princípios da cientista no laboratório, ele inventa e implementa
pesquisa. ações que produzem novos fenômenos cognitivos,
O exercício da pesquisa é uma qualidade, avalia os fenômenos observados, cria
eminentemente humana, desenvolvida na cultura e compreensões desses fenômenos. Ele põe à prova
na história. Através desta o ser humano criou conhecimentos existentes (BECKER;
instrumentos práticos e teóricos que lhe permitem MARQUES, 2007, p.7).
agir e pensar de forma sobre a natureza e obter Ludke (2001) ressalta que a pesquisa pode ser
respostas desejadas. Com ela mudaram as relações considerada “[...] como uma espécie facilitadora da
dos homens com a natureza, mudou o homem e prática reflexiva; pesquisa como um estágio
mudaram as relações entre os homens. Porém avançado de uma prática reflexiva como uma
como prática cultural e histórica, a pesquisa não é espécie de pesquisa” (p. 41).
uma herança biológica, assim como não são os “[...] o desenvolvimento da pesquisa implica o uso
conceitos científicos e toda a prática científica e de métodos específicos para que se possa
tecnológica. Elas devem ser construídas e ultrapassar o entendimento imediato de uma

1Graduanda em Pedagogia pelo Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, ardnasatram@gmail.com.


2Psicóloga. Pós-Doutora pelo Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto - Universidade de
São Paulo (USP). Docente do Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, patricia.carraro@live.estacio.br.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
53

pergunta problematizadora proporcionando um professor pesquisador e do professor reflexivo no


novo conhecimento à luz da teoria” (PESCE; contexto escolar. Como objetivos específicos, se
ANDRÉ, 2012, p. 49). propôs a investigar as contribuições do professor
“[...] à pesquisa bibliográfica como um pesquisador e reflexivo para o processo do ensinar
procedimento metodológico importante na e aprender, bem como o desenvolvimento do
produção do conhecimento científico capaz de professor como profissional reflexivo sobre sua
gerar, em temas pouco explorados, a hipóteses ou prática incluindo a formação continuada.
interpretações que servirão de ponto de partida
MÉTODO
para outras pesquisas” (LIMA; MIOTO, 2007, Esta revisão de literatura se resume a um
p.44). levantamento bibliográfico por meio de uma das
Zeichner (1993) aponta a importância da pesquisa principais bases de dados disponíveis na literatura
para o professor da educação, não como resultado nacional, com o intuito de explorar o Professor
do trabalho de pesquisadores de fora, mas como Pesquisador e do Professor Reflexivo e Formação
resultado do trabalho realizado pelo professor, a Continuada. Foram pesquisados artigos científicos
partir de uma postura de ação e reflexão. nas bases SciELO (Scientific Eletronic Library
O professor pesquisador não é usuário de Online) e no Google Acadêmico, no período de
conhecimento produzido por outros pesquisadores. 2000 a 2020, cujos descritores foram professor
Propõe-se a produzir conhecimentos sobre suas pesquisador, professor reflexivo e educação
dificuldades profissionais, com intuito de melhorar continuada.
a sua prática. O que o diferencia de um professor A primeira etapa do levantamento consistiu na
pesquisador dos demais professores é seu reunião de artigos que pudessem ser incluídos nos
compromisso de refletir a própria prática. Busca critérios assumidos, a saber, terem como foco no
desenvolver aspectos positivos e superar as professor pesquisador e reflexivo. Foram
próprias deficiências (BORTONI-RICARDO, descartados artigos de outras línguas estrangeiras,
2008). textos legislativos, normas, instruções normativas,
Na visão de Miranda (2006),“à reflexão é um regimentos específicos, orientações e demais
processo que ocorre antes, depois e durante a ação documentos.
do professor, constituindo um processo de reflexão Nesta etapa foram encontrados 48 artigos.
na ação e sobre a ação” (p. 134). Já para Nóvoa Contudo, considerando-se os critérios citados,
(1992), “[...] a formação deve ser encarada como foram selecionados e analisados 11. Além disso,
um processo permanente, integrado no dia a dia foram utilizados 24 livros (cf. quadro 1, abaixo).
dos professores e da escola” (p. 29).
A partir da revisão de literatura, o objetivo geral
deste estudo foi compreender a relevância do

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
54

Quadro 1: Caracterização do levantamento bibliográfico.


Título Ano Autores Periódico/ Vol, Núm,
Livro Pág, Folhas

1. O pensamento prático do professor: a formação do professor


1992 Goméz, A. P Livro 163 f.
como profissional reflexivo
2. Os Professores e a sua Formação. 1992 Nóvoa, A Livro 210f
Zeichner, M. K.
3. Formação Reflexiva de Professores Ideias e Práticas 1993 Livro 198 f.
A.
4. O pensamento e a ação do professor 1995 Pacheco, J. A Livro 219 f.
5. Pesquisa: subsídios à formação de professores 1996 Santos, L. L Livro 192 f.
Revista da
6. Reflexão crítica sobre o pensamento de D. Schön e os programas
1996 Alarcão, I. Faculdade de v. 22, n.2
de formação de professores.
Educação
7. Educando o Profissional Reflexivo 1998 Schön, D.A. Livro 307 f.
8. A prática educativa: como ensinar 1998 Zabala, A Livro 221 f.
9. Saberes pedagógicos e atividade docente 1999 Pimenta, S. G. Livro 248 f.
10. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática
2001 Freire, P. Livro 245 f.
educativa.
11. Pesquisa e Informação Qualitativa: aportes metodológicos 2001 Demo, P. Livro 160 f.
12. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática
2001 Freire, P. Livro 245 f.
educativa.
13. Gestão de Pessoas: Enfoque nos papéis profissionais 2001 Gil, A. C. Livro 307 f.
14. A prática reflexiva no ofício de professor: profissionalização e
2002 Perrenoud, P Livro 169 f.
razão pedagógica
15. A pesquisa no ensino, sobre o ensino e sobre a reflexão dos Carvalho, A. M. Educação e v.28, n.2, p.
2002
professores sobre seus ensinos P. Pesquisa 57
Minayo, M. C.
16. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 2002 Livro 25f
S.
17. Inovando em Educação Corporativa: Pesquisa, Material Didático e Objetos
Campos, G. H.
para Educação a Distância. In: BAYMA. F. Educação Corporativa: 2004 Livro 178f
Desenvolvimento e gerenciando competências. B.
18. Desafios Humanísticos e Éticos da Educação a Distância. In: BAYMA. F.
Educação Corporativa: Desenvolvimento e gerenciando competências.
2004 Boff, L. Livro 178f
Moraes, R.;
19. Pesquisa em sala de aula: tendências para a educação em novos
2004 Galiazzi, M. C. Livro p. 7-47
tempos.
Ramos, M. G.
20. Pensando a Educação no Município do Rio de Janeiro. In: BAYMA. F.
Educação Corporativa: Desenvolvimento e gerenciando competências.
2004 Mograbi, S. Livro 178 f
21. Educação, Comunicação, Saber. In: BAYMA. F. Educação Corporativa:
Desenvolvimento e gerenciando competências.
2004 Portella, E. Livro 178 f
22. Escola Reflexiva e nova Racionalidade. 2005 Alarcão, I. Livro 187 f.
Zeichner, M.
23. Pesquisa dos Educadores e Formação Docente Voltada para a Caderno de v. 35 n. 125,
2005 K.; Pereira. J. E.
Transformação Social. Caderno de Pesquisa. Pesquisa p. 63-80,
D.
Serviço Social & v. 17, n. 1, p.
24. Pesquisa Social 2008 Demo, P.
Realidade 11-36
Rev. Assoc. Bras.
25. Concepções docentes sobre o construtivismo e sua implantação Carraro, P. R; v. 13, n. 2, p.
2009 de Psic. Esc. e
na rede estadual de ensino fundamental Andrade, A.S. 261-268
Educ.
v. 31, n. 113,
26. Formação de Professores no Brasil: características e Problemas 2010 Gatti, B, A. Educ. Soc.
p. 1355-1379
27. Valorização e Formação dos Professores para a Educação
v. 31, n. 112,
Básica: Questões Desafiadoras para um Novo Plano Nacional de 2010 Scheibe, L. Educ. Soc.
p. 981-1000
Educação
28. Educação da Mente e do Corpo: Professor Pesquisador Silva, T.M.T; Rev. Bras. Ciênc. v. 33, n. 3, p.
2011
Reflexivo e a Ciência do Concreto Lovisolo, H. R. Esporte 605-621
29. Formação docente e profissional: formar-se para a mudança e a
2011 Imbernón, F. Livro 222 f.
incerteza.
v. 18, n. 3, p.
30. Professor Pesquisador-Educação Científica: O Estágio com Oliveira, C. B.;
2012 Ciência & Educação 689-702,
Pesquisa na formação de Professores para os Anos Iniciais. Gonzaga, A. M.
31. A Pesquisa na Prática Docente em Projeto de Formação Silva, F.K.M; v. 36, n. 133,
2015 Educ. Soc.
Continuada: ideias e práticas em debate. Compiani, M. p. 1099-1115
32. Educação para o Século XXI 2018 Assis, S. Livro 115 f.
33. A prática da pesquisa no ensino superior: conhecimento Severino, J.; v. 23, n. 02, p.
2018 Avaliação
pertencente na formação humana Soares. M. 372
34. Validade, Confiabilidade, Produtividade e Triangulação. 2020 Taquete, S. R. Livro 206 f.
35. Métodos Qualitativos e Quantitativos. 2020 Borges, L. Livro 206 f.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
55

A segunda etapa caracteriza-se pela leitura e passando-se ao largo das questões da relação
análise dos materiais selecionados com o objetivo pesquisa – produção de saber. A questão começa a
de reunir informações relevantes que contribuam ser posta como um dos desafios do ensino.
para o presente estudo, compreendê-las e A respeito do que aprendemos com essa
categorizá-las, da forma que serão apresentadas experiência, como professores
pesquisadores que tiveram como objeto de
neste artigo. estudo o estágio com pesquisa, e que
simultaneamente fizeram estágio com
RESULTADOS E DISCUSSÃO
pesquisa, tivemos a oportunidade de
A relevância do professor pesquisador constatar que essa prática, além de contribuir
Serão apresentados abaixo, os estudos para o amadurecimento como professor,
também ajuda compreender a sala de aula
relacionados à relevância de um professor como um espaço de construção da cidadania,
pesquisador. Freire (2001) afirma que “não há princípio básico da educação científica
(OLIVEIRA; GONZAGA, 2012, p.701).
ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino” (p.
O conhecimento científico tem grande poder
29). A pesquisa, como princípio educativo, exige
potencial, pois frequentemente é utilizado na
profunda competência e sua renovação contínua,
definição de políticas e estratégias em diversas
pois necessita diálogo crítico e criativo com a
áreas da sociedade. Portanto, este é um aspecto a
realidade, uma prática constante do “aprender a
ser considerado, pois num mundo onde a
aprender” (DEMO, 2001, p.64).
informação implica capacidade de modificar
A pesquisa em sala de aula é uma forma de
políticas, estratégias e ações, essa força potencial
envolver alunos e professores, questionar o
deve ser regulada de alguma forma, de tal maneira
discurso, as verdades nas formações discursivas,
que os julgamentos que são emitidos, baseados
propiciando dessa maneira a elaboração de
nesse conhecimento, sejam legítimos às fontes de
argumentos que levem a novas verdades. “A
onde eles surgiram. Uma investigação realizada
pesquisa em sala de aula pode representar um dos
sem o rigor necessário pode conduzir
modos de usufruir no fluxo do rio. Envolver-se
conhecimentos que não correspondem à realidade
nesse processo é acreditar que a realidade não é
e conduzir a sociedade a caminhos insertos
pronta, mas que se constitui a partir de uma
(TAQUETTE, 2020).
construção humana” (MORAES; GALIAZZI;
O que se denomina de pesquisa cientifica é a
RAMOS, 2004, p. 12).
atividade básica da ciência de indagação e
De acordo com Gatti (2003), a ideia de “professor
construção da realidade. As questões que se
pesquisador” é uma tarefa complexa, pois esse é
investigam têm suas origens direta ou
professor em determinada área de conhecimento.
indiretamente nos interesses da sociedade. Toda
Um longo e árduo caminho se abre, pois é tomado
pesquisa se inicia por meio de uma pergunta, uma
como suficiente para a docência em nível superior
questão, um problema que se quer responder ou
de algum domínio do conhecimento a ser ensinado,
resolver. Os conhecimentos anteriores servem

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
56

como base na busca da criação de novas respostas professores não ocorre num vazio, mas sim num
(BORGES, 2020). contexto psicossocial em um contexto ecológico
A partir das colocações dos autores citados acima, que os tornam sujeitos reflexivos, construtores do
constatam-se que estes validam com suas seu próprio conhecimento, de índole prática,
contribuições à relevância do professor adquirindo na dinâmica da realidade em que
pesquisador. Uma discussão que perdura até os intervêm, assumindo-se como profissionais que
dias atuais. tomam decisões perante situações complexas.
Alarcão (1996) revela que o professor é um
A relevância do professor reflexivo
A ação, tomada de decisão, atos espontâneos, profissional da ação cuja atividade implica um

comunicação baseadas na reflexão segue nesse conjunto de atos que envolvem seres humanos.

tópico com os seguintes estudos observando a Como tal, a racionalidade que impregna a sua ação

relevância do professor reflexivo. é uma racionalidade dialógica, interativa e

Zeichner (1993) descreve quatro tradições da reflexiva.

prática reflexiva: Acadêmica: que se refere à Perrenoud (2002) evidencia que o professor

reflexão sobre as disciplinas e a representação e a precisa aprender a reinventar seu plano de ação e

tradução do saber das disciplinas em compreensão reconhecer que esse reinventar é necessário para

do aluno; Eficiência social: que acentua a aplicação que ele possa entender que a aprendizagem é

de determinadas estratégias de ensino, sugeridas complexa e exige esforços. Nesse aspecto

pela investigação; Desenvolvimentista: na qual o reinventar significa avaliar e mudar ações feitas

professor reflete sobre os alunos (ensino voltado diversas vezes em sala de aula e ao longo de muitos

aos interesses dos alunos); Reconstrução social: anos, transformando-as em linguagem que pode

que acentua a reflexão sobre o contexto social e ser representada por recortar, organizar, excluir e

político da escolaridade. adicionar situações. Portanto, a prática reflexiva é

Segundo Schon (1998), uma das contribuições que uma forma complexa, mas altamente valiosa

se constitui em uma referência aos estudos, foi a Carraro e Andrade (2009) aponta para uma

proposta de programas de formação de professores metodologia de pesquisa e reflexão que é a fase da

com a utilização de momentos estruturados da entrevista propriamente dita, é nela que se

prática pedagógica, com base em três ideias aprofunda a investigação, muito além das palavras

centrais: o conhecimento na ação, a reflexão na e expressões registradas. A reflexão deve fazer

ação e a reflexão sobre a reflexão na ação. O parte constante das atividades grupais dos

docente que se opõe à racionalidade técnica, isto é, professores, bem como pertencer à formação

às ações submissas de aplicação de valores, normas continuada e em serviço.

e decisões político-curriculares, podem elaborar Santos (1996) ressalta a importância e a

seus saberes e sua prática de forma reflexiva. necessidade da formação de um docente reflexivo,

Pacheco (1995) salienta que o pensamento dos capaz de questionar suas ações e analisar a própria

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
57

prática educativa, encontrando novas alternativas Campos (2005) esclarece “[...] há evidencias de
para o processo de ensino. que os indivíduos com melhor formação geral
“[...] ao mesmo tempo, exige uma atitude adquirem competências para o trabalho de forma
observadora e indagadora por parte dos mais rápida, pois possuem habilidades básicas já
professores, que as impulsionem a analisar o que desenvolvidas” (p.110).
acontece e tomar decisões para reorientar a Gil (2001) justifica que para facilitar o processo de
situação quando for necessário” (ZABALA, 1998, aprendizagem pode se valer de alguns princípios
p. 220). da Psicologia da Aprendizagem: diferenças
Na resolução de problemas, na resiliência, a busca individuais, motivação, atenção, feedback,
do professor interessado em se especializar conta retenção, transferência, exposição, discução em
com a teoria a ajudar na prática. A partir das visões grupo,demonstração, estudo de caso,
dos autores, ressalta - se a relevância do professor dramatização...e também as estratégias como os
reflexivo. jogos, leituras e instrução programada entre outros
para proporcionar maior envolvimento.
As contribuições do professor pesquisador e
reflexivo no contexto escolar O pensamento crítico diminui essa deturpação e
A seguir serão apresentados estudos relacionados resgata a liberdade como capacidade de
com as contribuições do professor pesquisador e moldarmos nossa vida e o sentido da sociedade. A
reflexivo no contexto escolar. crítica boa é sempre também autocrítica. Só assim
Nóvoa (1992) transmite que o professor se abre espaço para um conhecimento que melhor
pesquisador e o professor reflexivo, no fundo, corresponde ao real sempre cambiante. Pensar
correspondem aos conceitos diferentes para dizer a criticamente é dar as boas razões para aquilo que
mesma coisa. São nomes distintos, maneiras queremos e também implica situar o ser humano e
diferentes dos teóricos da literatura pedagógica. A o mundo no quadro geral das coisas e do universo
realidade é que o professor pesquisador é aquele em evolução (BOFF, 2004).
que pesquisa ou que reflete sobre a sua prática. Através da prática da pesquisa é possível estimular
Portanto, aqui estamos dentro do paradigma do a melhoria do ensino-aprendizagem dos
professor reflexivo. É evidente que podemos estudantes. Levando os professores a refletir
encontrar dezenas de textos para explicar a maneiras relevantes de abordar as aulas
diferença entre esses conceitos, mas creio que, no desnaturalizando questões aparentemente
fundo, no fundo, eles fazem parte de um mesmo “normais”, como por exemplo, o fato dos alunos
movimento de preocupação com um professor que não aprenderem porque uma determinada matéria
é um professor indagador, que é um professor que seja difícil (SILVA; COMPIANI, 2015).
assume a sua própria realidade escolar como um “outra área em que o movimento de pesquisa-ação
objeto de pesquisa, como objeto de reflexão, como pode ser potencialmente catalisador de mudanças e
objeto de análise. em que ele tem dado uma contribuição

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
58

significativa para a implementação é a do controle reprogramar as divergências complementares,


do conhecimento educacional que informa o sepultar os antagonismos improdutivos. Por isso,
trabalho dos profissionais” (ZEICHNER; delimitar as áreas operacionais, os campos de
PEREIRA, 2005, p.70). competências ajudam-nos não a afastar, mas sim a
Assis (2018) evidencia que os professores aproximar a compreensão do fenômeno
precisam dar significado ao conhecimento dos (PORTELLA, 2004).
alunos, pois, se isso não ocorrer, não podemos “[...] o docente enquanto artista do material e do
afirmar que houve aprendizado significativo, conhecimento, com algo de cientista e de bricoleur,
apenas transmissão de conteúdo. No mundo forma uma imagem poderosa em termos de valor,
altamente tecnológico e informatizado do século de desafio e de prazer do agir” (SILVA;
XXI, praticamente todas as pessoas têm acesso à LOVISOLO, 2011, p. 618).
informação e podem, sim, com relativa facilidade, Por fim, considera-se que o professor estará
obter conhecimento. sempre refletindo e pesquisando sobre a melhor
“[...] as investigações na escola representam pratica a ser aplicada auxiliando seu
pesquisas que têm a finalidade de um desenvolvimento profissional, mediando a
desenvolvimento profissional e mostram uma construção do conhecimento, tendo como
relação mais direta entre ensino e aprendizagem” aproveitamento diário, valorizando o material que
(CARVALHO, 2002, p.65). os alunos trazem com suas experiências e visões de

Ninguém hoje ousa negar que toda ciência é mundos.


comprometida. Ela veicula interesses e
O desenvolvimento do professor como
visões de mundo historicamente construídas,
profissional reflexivo acerca da sua prática e
embora suas contribuições e seus efeitos
da sua formação continuada.
teóricos e técnicos ultrapassem as intenções
de seu desenvolvimento. No entanto, as As experiências e as reflexões sobre suas práticas
ciências físicas e biológicas participam de
e sua formação continuada os estudiosos abaixo
forma diferente do comprometimento social,
pela natureza mesma do objeto que coloca ao contribuem com os seguintes estudos.
investigador. Na investigação social, a
Para Zeichner (1993), na última década destaca-se
relação entre o pesquisador e seu campo de
estudo se estabelecem definitivamente em todos os setores da comunidade da formação de
(MINAYO, 2002, p.14).
professores temas como o ensino reflexivo, o
Conforme Pimenta (1999), o trabalho docente
prático reflexivo, a investigação-ação, os
contém múltiplos aspectos, sendo o seu dia a dia
professores-investigadores, que passaram a
permeado de situações de intencionalidade e
constituir lemas a que os formadores de
problematizações, de enfrentamento de atividades
professores aderiram em todo o mundo, em nome
de ensino complexas, que produzem um cenário de
da reforma da formação que ministram. Foram
tentativas sugestivas para renovar as estratégias
vários os esforços realizados para tornar a pesquisa
usadas e que podem levar a um ensino inovador.
reflexiva um componente central nas reformas dos
Devemos procurar sair das grades convencionais e
programas para formação de professores, em

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
59

diversos países nos Estados Unidos da América, no nós constrói a sua identidade profissional define
Canadá, na Austrália, na Holanda, na Noruega e na modos distintos de ser professor, marcados pela
Tailândia. definição de ideais educativos próprios, pela
Goméz (1992) aponta que a situação da formação adoção de métodos e práticas que cola melhor com
do professor faz diversas críticas em relação ao a nossa maneira de ser, pela escolha de estilos
modelo da racionalidade técnica e defende a pessoais de reflexão sobre a ação. É por isso que,
questão do professor como profissional reflexivo, em vez de identidade, prefiro falar de processo
no processo de formação de professores precisa ser identitário, um processo único e complexo graças
renovado e que o pensamento reflexivo precisa ser ao qual cada um de nós se apropria do sentido da
valorizado, levando o professor à conscientização sua história pessoal e profissional.
dos próprios atos, atividades e situações “as práticas da pesquisa fazem com que os alunos
problemáticas que envolvem o ensino, criando na consigam desenvolver suas próprias habilidades de
ação condições de possíveis soluções. aprender e de lidar com suas dificuldades, essa
A formação continuada não pode ser desvinculada experiência torna-se uma forma de aprendizagem
das ocorrências da escola. Ao contrário. Quanto significativa” (SEVERINO; SOARES , 2018, p.
mais o processo formativo estiver relacionado ao 372).
fazer diário do professor, à sua disciplina, aos seus A formação de professores profissionais para a
horários, às suas salas de aula, ao seu jeito de educação básica tem que partir de seu campo de
trabalhar junto aos alunos, maior é o impacto da prática e agregar a este os conhecimentos
atividade formativa (SILVA; COMPIANI, 2015). necessários selecionados como valorosos, em seus
“[...] na perspectiva de um ensino reflexivo que se fundamentos e com as mediações didáticas
apóia no pensamento prático do professor, a prática necessárias, sobretudo por se tratar de formação
e a figura do formador são a chave do currículo de para o trabalho educacional com crianças e
formação profissional dos professores” adolescentes (GATTI, 2010).
(SCHON,1998, p.113). “[...] formação terá como base uma reflexão dos

É preciso insistir que tudo quanto fazemos sujeitos sobre sua prática docente, de modo a
em aula, por menor que seja, incide em maior permitir que examinem suas teorias implícitas,
ou menor grau na formação de nossos
alunos. A maneira de organizar a aula, o tipo seus esquemas de funcionamento, suas atitudes,
de incentivos, as expectativas que realizando um processo constante de autoavaliação
depositamos, os materiais que utilizamos,
cada uma destas decisões veicula que oriente seu trabalho” (IMBERNÓN, 2011).
determinadas experiências educativas, e é É importante que os professores, alunos e suas
possível que nem sempre estejam em
consonância com o pensamento que temos a famílias se apropriem do conhecimento, das novas
respeito do sentido e do papel que hoje em tecnologias, que estejam capacitados para viver
dia tem a educação (ZABALA, 1998, p.
209). neste mundo. Entretanto, mais que isso, é

Segundo Nóvoa (1992), a forma como cada um de necessário um mundo melhor, um mundo mais

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
60

ético, com valores que promovam a solidariedade, profissional tende a descobrir o sentido de sua
o respeito ao próximo e a paz (MOGRABI, 2004). profissão e sobre isso foram usadas reflexões sobre

As demandas por formação adequada os saberes necessários para o uso didático e


necessitam do apoio do poder central para metodológico na atuação profissional
levá-las a bom termo. Saltam à vista tanto a
pertinência de adoção de uma estratégia de fundamentadas nas contribuições de estudiosos no
ação articulada entre as diferentes instâncias assunto.
que formam professores e as que os admitem
como docentes, como também a distribuição Outro ponto a ser destacado nos estudos relaciona-
desigual da oferta pública dos cursos se ao fato do professor pesquisador contribuir para
superiores de formação para a docência, no
interior de cada região do país (SCHEIBE, se tornar um docente com a obrigação de se
2010, p. 995). atualizar, produzir seu próprio texto, buscar
De acordo com Alarcão (2005), “os professores ferramentas que o auxiliam em estar conectado
têm de ser agentes ativos do seu próprio com a realidade dos dias atuais e usar de situações
desenvolvimento e do funcionamento das escolas de intencionalidade e problematizações diárias
como organização ao serviço do grande projeto tendo consciência de ser um gestor de suas ações.
social que é a formação dos educandos” (p. 177). As pesquisas encontradas apontam que o
A partir das colocações dos autores citados profissional pesquisador e reflexivo busca uma
anteriormente, constata-se o fato de refletir sobre a gestão eficaz em seus afazeres, visando sua
importância do desenvolvimento profissional qualidade de vida com seu trabalho de forma
consciente com a sua atualização constante e sua prazerosa e direcionando para um fazer com
preocupação em despertar o espírito científico nos excelência. Alem disso, visa contribuir com
alunos. O profissional que desempenha um papel propriedade para atuar na transformação do
por excelência está em harmonia com a ética conhecimento ao trazer para os alunos um
quebrando paradigmas e modificando a entendimento de sua responsabilidade com o
mentalidade humana nos vários âmbitos da mundo, respeitando o planeta e vivenciando de
educação. Sempre atentos no que acontece em seu modo a estabelecer o bem- estar de todos no
entorno e evoluindo com a velocidade que as sentido socializado.
coisas acontecem. Tornam-se gestores de sua Os diversos estudos na área da educação revelam
prática promovendo com significado a sua que o professor que não se propõe a ser crítico,
preocupação em estar se reciclando conforme o estar atualizado, buscar a criatividade, a incluir e
aprendizado que os alunos trazem do seu dia a dia, respeitar a diversidade e estar alicerçado
sendo assim o aluno estará com um exemplo a ser cientificamente, entre outras, será um professor
seguido, abastecidos de autonomia e criticidade. copiador e obediente de situações

CONSIDERAÇÕES FINAIS predeterminadas.


A partir dos objetivos propostos neste artigo, Destacam-se estudos que consideram que ao ter
constatou-se através das pesquisas que o uma visão como a de um professor pesquisador e

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
61

reflexivo, o docente conseguirá atingir seus aparecerão novas interpretações contribuindo para
objetivos no que tange ao processo de ensino- uma prática pedagógica sempre em transformação.
aprendizagem, compreendendo que faz parte de Ressalta-se que só se tornará um pedagogo
um processo, o qual ensina e aprende. Pesquisando comprometido com a educação, aquele que se
novas práticas pedagógicas, analisando os adequar a demanda formativa de maneira crítica,
processos positivos e negativos, buscando novas humanizada e em constante harmonia com a ética,
formas de aprendizagem, ocorrerá assim, à direcionando seu olhar para o ensinar e para o
educação continuada. aprender com significado.
Por fim, essa discussão sempre existirá e sempre

REFERÊNCIAS
ALARCÃO, I. Escola Reflexiva e nova gerenciando competências. São Paulo: Pearson
Racionalidade. Porto Alegre: Artmed. 2005. Prentice Hall, 2004.
Disponível em: https://books.google.com.br/.
Acesso em: 16 mai. 2020. CARRARO, P. R; ANDRADE, A. S. Concepções
docentes sobre o construtivismo e sua implantação
________. Reflexão crítica sobre o pensamento de na rede estadual de ensino fundamental. Revista
D. Schön e os programas de formação de da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e
professores, Revista da Faculdade de Educação, Educacional, v. 13, n. 2, 2009. p. 261-268.
v. 22, n. 2, 1996. Disponível em: Disponível em: https://www.scielo.br/. Acesso em:
http://www.revistas.usp.br/rfe/issue/view/2476. 02 mai. 2020.
Acesso em: 22 out. 2019.
CARVALHO, A. M. P. A pesquisa no ensino,
ASSIS, S. Educação para o século XXI: desafios sobre o ensino e sobre a reflexão dos professores
e oportunidades para uma transformação sobre seus ensinos. Educação e Pesquisa, São
Pedagógica. Rio de Janeiro: Albatroz, 2018. Paulo, v.28, n.2, p. 57, dez. 2002. Disponível em:
https://www.scielo.br/. Acesso em: 4 mai. 2020.
BECKER, F; MARQUES. T. Ser Professor é ser
Pesquisador. Porto Alegre: Editora Mediação. DEMO, P. Pesquisa e Informação Qualitativa:
2007. Disponível em: aportes metodológicos. São Paulo: Papirus, 2001.
file:///C:/Users/joaop/Desktop. Acesso em: 24 out.
2019. _______. Pesquisa Social, Serviço Social &
Realidade, v. 17, n. 1, p. 11-36, 2008. Disponível
BOFF, L. Desafios Humanísticos e Éticos da em:
Educação a Distância. In: BAYMA. F. Educação https://ojs.franca.unesp.br/index.php/SSR/article/
Corporativa: Desenvolvimento e gerenciando view/1/66. Acesso em: 12 out. 2019.
competências. São Paulo: Pearson Prentice Hall,
2004. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes
necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz
BORGES, L. Pesquisa Qualitativa para todos: e Terra, 2001. Disponível em:
métodos qualitativos e quantitativos. Petrópolis. https://www.apeoesp.org.br/. Acesso em: 28 abr.
RJ: Ed. Vozes, 2020. 2020.
BORTONI-RICARDO, S. M. O professor GATTI, B, A. Formação de Professores no Brasil:
pesquisador: introdução à pesquisa qualitativa. características e Problemas. Educ. Soc.,
São Paulo: Parábola Editorial. 2008. Campinas, v. 31, n. 113, p. 1355-1379, out. 2010.
Disponível em: https://www.scielo.br/. Acesso em:
CAMPOS, G. H. B. Inovando em Educação 12 out. 2018.
Corporativa: Pesquisa, Material Didático e Objetos
para Educação a Distância. In: BAYMA. F. GATTI, B, A. Formação do Professor Pesquisador
Educação Corporativa: Desenvolvimento e para o Ensino Superior: Desafios. Psic. da

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
62

Educação, São Paulo, v. 28 n.1, p. 73 2003. MORAES, R.; GALIAZZI, M. C. RAMOS, M. G.


Disponível em: Pesquisa em sala de aula: fundamentos e
https://www.seer.ufrgs.br/rbpae/article/view/3606 pressupostos. In: MORAES, Roque; LIMA,
6. Acesso em: 28 fev.. 2020. Valderez Marina do Rosário (org). Pesquisa em
sala de aula: tendências para a educação em novos
GIL, A. C. Gestão de Pessoas: enfoque nos papéis tempos. 3. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS,
profissionais. São Paulo: Atlas, 2001. 2004.p.7-47. Disponível em:
GOMÉZ, A. P. O pensamento prático do https://books.google.com.br. Acesso em: 16 mai.
professor: a formação do professor como 2019.
profissional reflexivo. In: NÓVOA, A. (Org.). Os NÓVOA, A. Formação de professores e profissão
professores e a sua formação. Tradução Graça docente. In: NÒVOA, A. (Org.). Os professores e
Cunha, Candida Hespanha, Conceição Afonso e a sua formação. Tradução Graça Cunha, Candida
José Antônio S. Tavares. 3 ed. Lisboa: Publicações Hespanha, Conceição Afonso e José Antônio S.
Dom Quixote, 1992. Tavares. 3. ed. Lisboa: Publicações Dom Quixote,
IMBERNÓN, F. Formação docente e 1992.
profissional: formar-se para a mudança e a OLIVEIRA, C. B.; GONZAGA, A. M. Professor
incerteza. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2011. Pesquisador-Educação Científica: O Estágio com
LIMA, T. C. S.; MIOTO, R. C. T. Procedimentos Pesquisa na formação de Professores para os Anos
metodológicos na construção do conhecimento Iniciais. Ciência & Educação, v. 18, n. 3, p. 689-
científico: a pesquisa bibliográfica. Rev. Katál. 702, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/.
Florianópolis. v. 10 n. esp. p. 37-45. 2007. Acesso em: 24 ago. 2019.
Disponível em: https://www.scielo.br/. Acesso em: PACHECO, J. A. O pensamento e a ação do
4 abr. 2020. professor. Porto: Ed. Porto, 1995.
LÜDKE, M. O professor, seu saber e sua pesquisa. PESCE, M. K; ANDRÉ, M. E. D. A. Formação do
Educação & Sociedade, ano XXII, n. 74, p. 77, professor pesquisador na perspectiva do professor
abril 2001. Disponível em: https://www.scielo.br/. formador. Form. Doc., Belo Horizonte, v. 04, n.
Acesso em: 24 fev. 2020. 07, p. 39-50, jul./dez. 2012. Disponível em:
MALDANER, O. A. A formação continuada de http://formacaodocente.autenticaeditora.com.br.
professores: ensino-pesquisa na escola. Acesso em: 15 mai. 2020.
Campinas: 1997. Tese de Doutorado - Faculdade PERRENOUD, P. A prática reflexiva no ofício
de Educação, Universidade Estadual de Campinas, de professor: profissionalização e razão
1997. Disponível em: pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2002.
http://repositorio.unicamp.br/. Acesso em 2 mai.
2020. PIMENTA, S. G. (Org). Saberes pedagógicos e
atividade docente. São Paulo: Cortez Editora,
MINAYO, M. C. de S. (org.). Pesquisa Social: 1999. Disponível em: file:///C:/Users/joaop/.
teoria, método e criatividade. 21 ed. Petrópolis: Acesso em: 12 set. 2019.
Vozes, 2002. Disponível em:
https://wp.ufpel.edu.br/. Acesso em: 15 mar. 2020. PORTELLA, E. Educação, Comunicação, Saber.
In: BAYMA. F. Educação Corporativa:
MIRANDA, M. G. de. O professor pesquisador e Desenvolvimento e gerenciando competências.
sua pretensão de resolver a relação entre a teoria e São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2004.
a prática na Formação de Professores. In: ANDRÉ,
M. O Papel da pesquisa na formação e na SANTOS, L. L. de C. P. Pesquisa: subsídios à
prática dos professores. 5 ed. p.129-143. formação de professores. In: REALI. A, M. de M.
Campinas: Papirus, 2006. R.; MIZUKANII, M. G. N. Formação de
professores: tendências atuais. São Carlos: Ed.
MOGRABI, S. Pensando a Educação no UFSCar, 1996. Disponivel em:
Município do Rio de Janeiro. In: BAYMA. F. https://www.edufscar.com.br/. Acesso em: 02 mar.
Educação Corporativa: Desenvolvimento e 2020.
gerenciando competências. São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2004. SEVERINO, J.; SOARES. M. A prática da

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
63

pesquisa no ensino superior: conhecimento http://www.scielo.br/. Acesso em: 02 mai. 2020.


pertencente na formação humana. Avaliação,
Campinas; Sorocaba, SP, v. 23, n. 02, p. 372, 2018. SCHON, D.A. Educando o Profissional
Disponível em: https://www.scielo.br/.pdf. Acesso Reflexivo. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas Sul
em: 18 ago. 2019. Ltda, 1998.

SILVA, T. M. T; LOVISOLO, H. R. Educação da TAQUETTE, S. R. Pesquisa Qualitativa para


Mente e do Corpo: Professor Pesquisador todos: validade, confiabilidade, produtividade e
Reflexivo e a Ciência do Concreto. Rev. Bras. triangulação. Petrópolis. RJ: Ed. Vozes, 2020.
Ciênc. Esporte, Florianópolis, v. 33, n. 3, p. 605- ZABALA, A. A prática educativa: como
621, jul. 2011. Disponível em: https: ensinar. Tradução: Ernani F. F. Rosa. Porto
//www.scielo.br/ . Acesso em: 15 mai. 2020. Alegre: Artmed, 1998. Disponível em:
SILVA, F. K. M; COMPIANI. M. A Pesquisa na file:///C:/Users/joaop/. Acesso em: 04 mar. 2020.
Prática Docente em Projeto de Formação ZEICHNER, M. K.; PEREIRA. J. E. D. Pesquisa
Continuada: ideias e práticas em debate. Educ. dos Educadores e Formação Docente Voltada para
Soc. Campinas, v. 36, n. 133, p. 1099-1115, out. a Transformação Social. Caderno de Pesquisa, v.
dez. 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/. 35 n. 125, p. 63-80, maio/ago. 2005. Disponível
Acesso em: 23 out. 2019. em: https://www.scielo.br/. Acesso em: 26 mai.
SCHEIBE, L. Valorização e Formação dos 2020.
Professores para a Educação Básica: Questões ZEICHNER, M. K. A Formação Reflexiva de
Desafiadoras para um Novo Plano Nacional de Professores Ideias e Práticas. Lisboa: EDUCA.
Educação. Educ. Soc., Campinas, v. 31, n. 112, p. 1993.
981-1000, jul. 2010. Disponível em:

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
64

FATORES DE RESILIÊNCIA E/OU VULNERABILIDADE EM ESTUDANTES


UNIVERSITÁRIOS: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA

SANCHEZ, Viviane Souza1; DONADON, Mariana Fortunata2

Resumo: O ingresso na graduação pode ser marcado por intensas transformações na vida do estudante e
fatores de resiliência ou vulnerabilidade podem ser fundamentais para a adaptação à vida universitária.
Nesse contexto o objetivo deste estudo foi verificar, por meio de uma revisão da literatura, a adaptação do
estudante á vida universitária sob a ótica dos fatores de resiliência e/ou vulnerabilidade, além de identificar
possíveis correlações entre resiliência e vulnerabilidade, verificar a prevalência de resiliência e/ou
transtornos mentais menores em estudantes universitários e analisar o ambiente acadêmico enquanto
facilitador para o desenvolvimento de transtornos mentais. Trata-se este estudo de pesquisa bibliográfica
de natureza básica com análise quali-quantitativa dos dados coletados nas bases de dados. Como resultados
principais encontrou-se que o ambiente acadêmico universitário é um possível deflagrador de transtornos
mentais menores em estudantes com baixa resiliência, e esta, por sua vez contribui com a boa adaptação do
universitário, havendo, portanto, relação inversamente proporcional entre resiliência e vulnerabilidade. Este
estudo corrobora com a literatura da área que aponta a vivência acadêmica pode colaborar com uma
vulnerabilidade psicossocial, porém é fundamental ainda identificar as facetas específicas do enfrentamento
de adversidades, do desenvolvimento e manutenção da resiliência e apontar estratégias de intervenção que
permitam que o estudante do ensino superior crie recursos para lidar com as demandas da vida acadêmica.
Palavras-chave: Resiliência; Vulnerabilidade; Adaptação; Graduação; Universitários.

INTRODUÇÃO começaram a tentar compreender o fenômeno


O conceito de resiliência ainda é envolto em então chamado de invulnerabilidade caracterizado
controvérsias, sendo que diferentes autores pela capacidade de determinados indivíduos de
possuem caracterizações divergentes acerca da manterem-se saudáveis mesmo quando submetidas
resiliência, porém caracterizando-a como a a adversidades. Já no Brasil o termo passou a ser
capacidade do indivíduo em responder conhecido no fim da década de 1990 em estudos de
positivamente às demandas do cotidiano (SILVA; psicologia. Segundo Taboada, Legal e Machado
LACHARITE, 2003). Neste contexto Taboada, (2006, p. 111) ainda há pouca conformidade acerca
Legal e Machado (2006, p. 105) alertam que é dos conceitos de resiliência, sendo encontrado na
fundamental atentar “com o emprego das palavras, literatura “um conceito de resiliência amplo
principalmente com a precisão dos conceitos demais, com definições operacionais igualmente
utilizados” uma vez que este constructo é amplas, que não permitem a delimitação do
relativamente novo e está ainda se desenvolvendo. fenômeno estudado”.
Brandão, Mahfoud e Gianordoli-Nascimento Conforme Brandão, Mahfoud e Gianordoli-
(2011) destacam que o termo tem sua origem no Nascimento (2011, p. 268) diferentes
final da década de 1970 quando pesquisadores pesquisadores “iniciaram seus estudos sobre a

1Graduanda em Psicologia pelo Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, vivianesanchez.bra@gmail.com.


2 Psicóloga. Doutora em Saúde Mental pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto na Universidade de São Paulo (USP),
marianadonadon@usp.br.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
65

resiliência em pontos de partida distintos” (POLETTO; KOLLER, 2008). Dessa maneira, a


acarretando também em diferentes concepções resiliência retrata um fenômeno complexo que diz
acerca do tema. relatam que enquanto ingleses e respeito à competência para se adaptar frente a
norte-americanos consideram resiliência estressores importantes, estando associada ao
puramente como “resistência ao estresse”, conjunto das estratégias utiliza das pelas pessoas
pesquisadores brasileiros e latino falantes para adaptarem-se a circunstâncias adversas,
ocasionalmente a associam a “processos de assim como à flexibilidade e demais competências
recuperação e superação de abalos emocionais associadas à força interior – subjetividade - desses
causados pelo estresse”. De maneira geral a indivíduos (VARA et al., 2016).
psicologia concebe resiliência como a aptidão que Assim, a resiliência refere-se à uma disposição
o ser humano possui ou desenvolve para se abrangente, que permite que o indivíduo, grupo ou
recompor de abalos se adaptando á situações e comunidade possa tomar precauções, reduzir ou
voltando ao que se era antes do abalo transpor as consequências negativas dos
(BRANDÃO; MAHFOUD; GIANORDOLI- acontecimentos e, embora não ilesa, se transforma
NASCIMENTO, 2011, p. 264). ou fortalece com as adversidades (MOTA et al.,
Fator constante nas conceituações de resiliência é 2006). Portanto, a resiliência vai além da
a adversidade. Toda expressão da resiliência está capacidade de se adaptar às adversidades da vida.
associada à existência de fatores de risco ou Ela representa uma antítese à ideia de que
condições adversas onde o indivíduo vivencia ambientes adversos necessariamente formam
situações estressoras e, diretamente exposto a elas, indivíduos com problemas, uma vez que
possui resistência e desenvolve habilidades de indivíduos resilientes desenvolvem - nesses
enfrentamento dessas situações. Para Vara et al. ambientes – habilidades que lhes permitem
(2016, p. 572) a resiliência pode ser considerada “o sobrepujar esses momentos, mantendo o auto
resultado do equilíbrio desenvolvimental entre cuidado e compromisso (SILVA; LACHARITE,
fatores de risco e fatores de proteção”. Além disso, 2003).
é primordial considerar que a percepção e Em contrapartida à resiliência está o conceito de
significação de situações estressoras dependem da vulnerabilidade, que segundo Hutz, Koller e
subjetividade do indivíduo. Bandeira (1996, p. 80) é a “predisposição
Ainda, a resiliência não é estática e inerente ao individual para o desenvolvimento de
indivíduo - tampouco inata, da mesma maneira que psicopatologias ou de comportamento ineficazes
não se trata de uma característica global, mas que em situações de crise”. Para Taboada, Legal e
pode despertar em ocasiões ou circunstâncias Machado (2006, p. 111) determinar a
específicas, a partir da interação dinâmica entre vulnerabilidade do indivíduo requer conhecer o
indivíduo e meio, considerando sua subjetividade contexto onde ele está inserido - suas
e as individualidades e complexidade do contexto particularidades, o meio onde vive e a que

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
66

circunstâncias protetivas e/ou de risco ele está sofrimento psíquico entre universitários é superior
exposto, pois, “o conceito de vulnerabilidade à mesma amostra de indivíduos que não frequenta
também está diretamente relacionado com a a universidade, indicando assim a urgência em se
situação de risco”. mapear esse fenômeno e criar estratégias de
Portanto, compreender a resiliência permite enfrentamento aos agentes fragilizantes destes
abranger fatores de vulnerabilidade, uma vez que sujeitos.
segundo Vara et al. (2016) o impacto das O estudo de Vara et al. (2016, p. 575) aponta que o
adversidades na vida do indivíduo é determinado “stress apresenta uma correlação significativa
“pela maneira como é percebido”, tornando negativa fraca com a dimensão competências
vulnerável ou resiliente. pessoais e moderada com a dimensão aceitação de
si e o total de resiliência”, tendo o valor preditivo
Resiliência e Vulnerabilidade em Estudantes
Universitários da resiliência ao stress atingido 31%.
O ensino superior traz diversos desafios, pois além
As correlações positivas encontradas com o
de representar um novo meio onde o indivíduo irá total de resiliência e a dimensão aceitação de
si e da vida são concordantes com a
se inserir e precisa se adaptar às novas demandas,
literatura, sugerindo que a resiliência pode
diz respeito à decisão profissional, à estudos mais aumentar na vida adulta, traduzindo, nesses
casos, o efeito dos sucessos anteriores em
técnicos e específicos, muitas vezes associado à
lidar com a adversidade (VARA et al., 2016,
distância familiar e adaptação de residência - p. 577).
quando o jovem cursa o ensino superior em Padovani et al. (2014, p. 4) procuraram identificar
indivíduo é que cidade diferente de sua origem fatores de bem-estar e vulnerabilidade em
(VARA et al., 2016). É importante ressaltar que estudantes universitários sendo que seu estudo
aspectos de resiliência interferem diretamente na apontou “elevadas taxas de prevalência para
percepção do meio e interpretação das situações, sintomas de ansiedade e depressão em estudantes
definindo-as como estressoras ou não, sendo o universitários, podendo ser, inclusive, superiores
desenvolvimento da resiliência e a forma como o às encontradas na população geral”. Já Vara et al.
indivíduo percebe e interpreta o meio influenciadas (2016, p. 577) também observaram que diversos
pela sua subjetividade (NORONHA et al., 2009). estudos permitiram observar que a conexão entre
Quando um indivíduo não possui ou desenvolve stress e resiliência / auto aceitação / auto eficácia é
resiliência fica vulnerável, sendo que de acordo inversamente proporcional sendo que a resiliência
com Padovani et al (2014) os estudantes atenua o stress, “refletindo-se positivamente no
universitários têm figurado diversos estudos decréscimo de sinais negativos como a ansiedade,
enquanto população com índices alarmantes de a depressão ou a raiva, ao mesmo tempo que
sofrimento psíquico e taxas elevadas de aumenta a saúde emocional”.
diagnóstico de transtornos mentais. Segundo A IV Pesquisa do Perfil socioeconômico e cultural
Benício e Machado (2018) esse alto percentual de dos estudantes de graduação das instituições

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
67

federais de ensino superior brasileiras 2016, p. 218). Neste contexto é possível anuir com
(FONAPRACE, 2016, p. 233) indicou que no ano Vara et al. (2016, p. 569) que concluem que a
de 2014 79,8% do total dos estudantes de resiliência “tem sido considerada um fator protetor
graduação passaram por dificuldades emocionais do stress e depressão, consistindo num processo de
nos últimos doze meses, sendo listadas algumas coping com a adversidade e numa capacidade para
dificuldades emocionais que podem ter interferido se ajustar positivamente a estressores
na vida acadêmica do graduando. Nacionalmente, importantes”.
das dificuldades relatadas destacaram-se ansiedade
OBJETIVOS
citada por 58,36% dos estudantes, desânimo/falta Este estudo procurou verificar, através de uma
de vontade de fazer as coisas por 44,72%, insônia revisão sistemática da literatura, a adaptação do
ou alterações significativas de sono por 32,57%, estudante à vida universitária sob a ótica dos
sensação de desamparo/desespero/desesperança fatores de resiliência e/ou vulnerabilidade, além de
por 22,55% e sentimento de solidão por 21,29% identificar correlações entre resiliência e
(FONAPRACE, 2016, p. 235). vulnerabilidade, verificar a prevalência de
Embora percentualmente os índices de estudantes Resiliência e/ou Transtornos mentais menores em
que reportaram “ideia de morte” (com 6,38%) e estudantes universitários e analisar o ambiente
“pensamento suicida” (com 4,13%) pareçam acadêmico enquanto facilitador para o
baixos, numericamente esses valores são desenvolvimento de transtornos mentais.
alarmantes, representando respectivamente 59.969
HIPÓTESES
e 38.838 dos estudantes analisados
As hipóteses iniciais de pesquisa foram de que
(FONAPRACE, 2016, p. 235).
estudantes universitários com baixa resiliência
Em torno de 20% dos estudantes também tendem a desenvolver transtornos mentais menores
marcaram “tristeza persistente” e “sensação
de desatenção/desorientação/confusão e o ambiente acadêmico de graduação é
mental”. [...] 13% respondeu que passou por deflagrador de transtornos mentais.
problemas alimentares, podendo ser
problemas com alterações de peso ou de MÉTODOS
apetite, bulimia ou anorexia (FONAPRACE,
2016, p. 235). O presente estudo trata-se de pesquisa

Além disso, 30,45% dos estudantes pesquisados já bibliográfica de revisão sistemática da literatura.

procuraram atendimento psicológico, dos quais Para desenvolvimento do estudo foram realizadas

6,86% procuraram esse tipo de atendimento nos pesquisas nas bases de dados Scielo, Psycoinfo e

últimos doze meses; 4,73% ainda fazem Pepsic, utilizando como descritores os termos

acompanhamento e 18,87% procuraram há mais de “Resiliência”, “Universitários”, “Estudantes” e

um ano. Quanto ao uso de medicação psiquiátrica “Vulnerabilidade”.

8,9% já tomaram, mas não tomam mais, e 3,67% Para inclusão no estudo foram considerados artigos

tomaram e continuam tomando (FONAPRACE, científicos originais redigidos em português ou


espanhol, sem data limite de publicação,

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
68

desenvolvidos com seres-humanos, com idade descritores nas bases de dados. Os artigos
superior a 17 anos. Foram excluídos estudos identificados nas plataformas de pesquisa foram
envolvendo universitários que não abordassem inicialmente triados segundo seus títulos e
fatores de resiliência e/ou vulnerabilidade a resumos, sel\ ecionando aqueles que se
doenças, bem como revisões de literatura, teses, enquadraram aos critérios de inclusão e exclusão
dissertações, livros, capítulos de livros, cartas ao deste estudo, resultando então em 232 artigos.
editor, estudos de caso, artigos teóricos, resumos Após a triagem, foram selecionados 65 artigos para
de trabalhos apresentados em congressos ou verificação de critérios, resultado em 14 artigos
protocolos de pesquisa. que foram analisados em sua totalidade permitindo
Com a pesquisa nas plataformas foram observar temas de maior incidência.
identificados 1435 estudos a partir da pesquisa dos

Figura 1: Fluxograma de inclusão e exclusão de artigos. Fonte: própria

Após a seleção dos artigos, o estudo foi (2018), Cerchiari, Caetano e Faccenda (2005),
desenvolvido a partir da análise quali-quantitativa Ferreira et al (2009), Barroso, Oliveira e Andrade
dos dados coletados seguindo a metodologia de (2019) e Soares et al. (2017) realizaram uma
diretrizes dos Principais Itens para Relatar análise exclusiva entre a correlação do transtorno
Revisões sistemáticas e Meta-análises (PRISMA), com o ambiente acadêmico; Bolsoni-Silva e
recomendada para estudos de revisão da literatura Loureito (2016); Soares et al. (2018; 2019);
(MOHER et al., 2015). Escobar-Castellanos et al (2019), Montes,
Lupércio e Gonzáles (2016), Siqueira e Canova
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos artigos selecionados permitiu dividir (2019) e Martinez et al (2016) estudaram o

o estudo de prevalência de transtornos mentais comportamento acadêmico como desencadeador

menores (TMM) a partir de dois grandes enfoques: dos TMM; Chau e Vilela (2017) analisaram ambos

Enquanto Gama et al. (2008), Ariño e Bardagi aspectos.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
69

Todos artigos analisados utilizaram escalas e vulnerabilidade ou confirmar a baixa resiliência


questionários estruturados para realização de seus enquanto facilitador para o desenvolvimento de
estudos, porém 64,3% deles observou os transtornos mentais nos estudantes. Ainda assim,
transtornos a partir do comportamento acadêmico em termos específicos do contexto algumas
utilizando escalas de habilidades sociais e descobertas apoiam a relevância da resiliência para
vivências acadêmicas, enquanto 42,9% deles a manutenção da saúde mental de universitários.
(GAMA et al., 2008; ARIÑO; BARDAGI, 2018; Nesse sentido, Chau e Vilela (2017) apontaram que
CERCHIARI; CAETANO; FACCENDA, 2005; as habilidades e vivências do estudante são
FERREIRA et al., 2009; CHAU; VILELA, 2017; preditores da sua saúde mental.
BARROSO; OLIVEIRA; ANDRADE, 2019) Os principais fatores/temas elencados nos estudos
direcionou o estudo a partir da análise dos foram: ansiedade (35,7%) onde Gama et al (2008),
transtornos observados, utilizando escalas de Ariño Bardagi (2018), Ferreira et al, (2009), Chau
sintomas de ansiedade, depressão e demais TMM. e Vilela (2017) e Bolsoni-Silva e Loureiro (2016)
Ariño e Bardagi (2018) no entanto utilizaram-se encontraram correlações positivas entre ansiedade
tanto de escalas de depressão, stress e ansiedade e ambiente acadêmico estressor; e Stress (35,7%),
quanto escala de vivências acadêmicas para onde Ariño Bardagi (2018), Cerchiari, Caetano e
procurar correlacionar o ambiente acadêmico ao Faccenda (2005), Ferreira et al, (2009), Siqueira e
transtornos mentais menores. Canova (2019) e Martinez et al (2016)
Nem todos estudos procuraram relacionar seus relacionaram a ansiedade a demais fatores
conteúdos ao sexo dos participantes, sendo preditores de transtornos mentais menores em
impossível determinar a prevalência de transtornos estudantes universitários. Bolsoni-Silva e Loureito
mentais menores de acordo com o sexo dos (2016) e Soares et al (2017; 2018; 2019)
participantes, porém, 92,9% dos estudos indicaram observaram a boa adaptação dos estudantes a partir
uma idade máxima de 30 anos para os participantes das habilidades sociais e concluíram que
que demonstraram correlação positiva entre a estudantes com maiores habilidades sociais se
saúde mental inadequada e o ambiente acadêmico. adaptam melhor ao ensino superior.
O estudo realizado por Siqueira e Canova (2019) Diversos autores estudaram a prevalência de
não declarou a idade dos participantes, informando depressão em estudantes da graduação (ARIÑO;
apenas que tratavam-se de estudantes maiores de BARDAGI, 2018; CHAU; VILELA, 2017;
18 anos, apontado correlação inversa entre BOLSONI-SILVA; LOUREIRO, 2016;
resiliência e vulnerabilidade, sendo a resiliência BARROSO; OLIVEIRA; ANDRADE, 2019) e
fruto das adversidades vividas pelo estudantes, procuraram a relacionar com fatores como
estando relacionada a forças e competências deles. estratégias de enfrentamento, habilidades sociais e
Não houveram resultados suficientes para estilo de vida. Já Soares et al. (2017), Montes,
determinar correlação entre resiliência e Lupércio e Gonzáles (2016) e Martinez et al (2016)

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
70

analisaram a resiliência entre estudantes resiliência e habilidades diversas despertam no


universitários e suas relações com a vivência universitário sentido de pertença e colaboram com
acadêmica e manifestação de transtornos mentais sua adaptação.
menores. Isso porque, conforme apontam diversos estudos
Além disso foram destacados fatores como coping (BARROSO; OLIVEIRA; ANDRADE, 2019;
(SOARES et al., 2019), expectativa acadêmica SOARES et al., 2017; SOARES et al., 2018;
(SOARES et al., 2017), sentido de coerência SOARES et al., 2019) alunos com comportamento
(ESCOBAR-CASTELLANOS et al., 2019) e acadêmico desadaptativo expostos às relações
solidão (BARROSO; OLIVEIRA; ANDRADE, sociais e a mudança de contexto que essa transição
2019). Em Consonância com diversos estudos impõe tornam-se academicamente vulneráveis, e
(BOLSONI-SILVA; LOUREIRO, 2016; têm maior dificuldade curricular, de adaptação
ESCOBAR-CASTELLANOS et al., 2019) os acadêmica e ficam mais suscetíveis ao
resultados gerais sugerem implicações para a desenvolvimento de transtornos.
maneira como ambiente acadêmico da graduação
CONSIDERAÇÕES FINAIS
têm o potencial de interferir nos aspectos O presente estudo procurou verificar a adaptação
vulneráveis do estudante e apoiam a hipótese de do estudante à vida universitária sob a ótica dos
que o ambiente acadêmico é preditor de sintomas fatores de resiliência e/ou vulnerabilidade e
que podem evoluir para transtornos mentais, verificar se os fatores associados ao ambiente
havendo correlação positiva entre expectativa influenciam respostas específicas no estudante
acadêmica, desempenho e habilidades sociais a universitário e deflagram o desenvolvimento de
sintomas como ansiedade e depressão. transtornos mentais.
Em contrapartida, comportamento acadêmico e Compreendendo o período da graduação enquanto
dificuldade de adaptação influenciam diretamente fase de intensas transformações e sendo o ambiente
no desenvolvimento de pontos de vulnerabilidade universitário ansiogênico, o resultado deste estudo
durante a transição para o ensino superior, assim permitiu apontar relações entre resiliência e
como determinado por Cerchiari, Caetano e vulnerabilidade a transtornos mentais e observar
Faccenda (2005), Soares et al (2019) e Martinez et que estudantes universitários com baixa resiliência
al. (2016). Alguns estudos como Chau e Vilela tendem a desenvolver transtornos mentais
(2017), Siqueira e Canova (2019) e Sores et al menores, visto que a resiliência é um fator crucial
(2017) indicaram que o stress, os estilos de para boa adaptação dos seres humanos diante de
enfrentamento, solidão, depressão e habilidades adversidades da vida, e.
sociais influenciam a saúde mental do graduando e Este estudo corrobora com a literatura da área que
interferem diretamente em seu desempenho aponta o ambiente acadêmico universitário como
acadêmico, sendo que expectativas mais realistas possível deflagrador de transtornos mentais
em relação ao ambiente acadêmico indicam que a menores, e que a vivência acadêmica é indutora de

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
71

vulnerabilidade psicossocial, porém é fundamental apontar estratégias de intervenção que permitam


ainda identificar as facetas específicas do que o estudante do ensino superior crie recursos
enfrentamento de adversidades, do para lidar com as demandas da vida acadêmica.
desenvolvimento e manutenção da resiliência e

REFERÊNCIAS
ARIÑO, D. O.; BARDAGI, M. P. Relação entre ansiogênico? Avaliação de traço e estado de
Fatores Acadêmicos e a Saúde Mental de ansiedade em estudantes do ciclo básico. Ciência
Estudantes Universitários. Psicologia em & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 14, n. 3, p.
Pesquisa, Juiz de Fora, v. 12, n. 3, p. 44-52, 973-981, Mai-Jun 2009.
Set_Dez 2018.
FONAPRACE. Associação Nacional dos
BARROSO, S. M.; OLIVEIRA, N. R.; Dirigentes das Instituições Federais de Ensino
ANDRADE, V. S. Solidão e Depressão: Relações Superior. Fórum Nacional de Pró-Reitores de
com Características Pessoais e Hábitos de Vida em Assuntos Comunitários e Estudantis. IV Pesquisa
Universitários. Psicologia: Teoria e Pesquisa, do Perfil sócioecnonômico e cultural dos
Brasília, v. 35, p. 112, Dez 2019. estudantes de graduação das instituições
federais de ensino superior brasileiras,
BENICIO, E. K. O.; MACHADO, Y. F. Educação Uberlândia, Jul 2016.
emocional e resiliência entre estudantes
universitários: Alguns apontamentos. V GAMA, M. M. A. et al. Ansiedade-traço em
Congresso Nacional de Educação. Recife: [s.n.]. estudantes universitários de Aracaju (SE). Revista
2018. de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, v. 30, n. 1, p. 19-24, Jan-Abr 2008.
BOLSONI-SILVA, A. T.; LOUREIRO, S. R. O
Impacto das Habilidades Sociais para a Depressão HULTZ, C. S.; KOLLER, S. H.; BANDEIRA, D.
em Estudantes Universitários. Psicologia: Teoria R. Resiliência e Vulnerabilidade em crianças em
e Pesquisa, Brasília, v. 32, n. 4, p. 1-8, Jun 2016. situação de risco. In: KOLLER, S. H. Aplicações
da psicologia na melhoria da qualidade de vida.
BRANDÃO, J. M.; MAHFOUD, M.; Porto Alegre: ANPEPP, 1996. p. 79-86.
GIANORDOLI-NASCIMENTO, I. F. A
construção do conceito de resiliência em MARTINEZ, J. E. et al. Resiliência em estudantes
psicologia: discutindo as origens. Paidéia, de medicina ao longo do curso de graduação.
Ribeirão Preto, v. 21, n. 49, p. 263-271, Mai/Ago Revista da Faculdade de Ciências Médicas de
2011. Sorocaba, Sorocaba, v. 18, n. 1, p. 15-18, Jan-Mar
2016.
CERCHIARI, E. A. N.; CAETANO, D.;
FACCENDA, O. Prevalência de transtornos MOHER, D. et al. Principais itens para relatar
mentais menores em estudantes universitários. previsões sistemáticas de meta-análises: A
Estudos de Psicologia, Natal, v. 10, n. 3, p. 413- recomendação PRISMA. Epidemiologia e
420, Set-Dec 2005. Serviços de Saúde, Brasília, v. 24, n. 2, p. 335-
342, Abr/Jun 2015.
CHAU, C.; VILELA, P. Determinantes de la salud
mental en estudiantes universitarios de Lima y MONTES, J. F. C.; LUPERCIO, B. I. A.;
Huánuco. Revista de Psicología, Lima, v. 35, n. 2, GONZÁLEZ, O. U. R. Resiliencia en estudiantes
p. 387-422, Jul-Dez 2017. universitarios. Un estudio comparado entre
carreras. Psicogente, Barranquilla, v. 19, n. 36, p.
ESCOBAR-CASTELLANOS, B. et al. Estilo de 227-239, Jul-Dez 2016.
vida promotor de salud e sentido de cherencia en
aultos jóvenes universitarios. Hacia la Promoción MOTA, D. C. G. D. et al. Estresse e resiliência em
de la Salud, Manizales, v. 24, n. 2, p. 107-122, jul- doença de Chagas. Aletheia, Canoas, n. 24, p. 57-
Dez 2019. 68, Dez 2006.
FERREIRA, C. L. et al. Universidade, contexto NORONHA, M. G. R. C. S. et al. Resiliência: nova

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019
72

perspectiva na Promoção da Saúde da Família? SOARES, A. B. et al. Expectativas acadêmicas e


Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 14, habilidades sociais na adaptação à universidade.
n. 2, p. 497-506, Mar/Abr 2009. Ciencias Psicológicas, Montevideo, v. 11, n. 1, p.
77-88, Jun 2017.
PADOVANI, R. C. et al. Vulnerabilidade e bem-
estar psicológicos do estudante universitário. SOARES, A. B. et al. Vivências, Habilidades
Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, Rio Sociais e Comportamentos Sociais de
de Janeiro, v. 10, n. 1, p. 02-10, Jun 2014. Universitários. Psicologia: Teoria e Pesquisa,
Brasília, v. 34, p. 1-11, Jan-Dez 2018.
POLETTO, M.; KOLLER, S. H. Contextos
ecológicos: promotores de resiliência, fatores de SOARES, A. B. et al. Situações Interpessoais
risco e de proteção. Estudos de Psicologia, São Difíceis: Relações entre Habilidades Sociais e
Paulo, v. 25, n. 3, p. 405-416, Jul/Set 2008. Coping na Adaptação Acadêmica. Psicologia:
Ciência e Profissão, Brasília, v. 39, p. 1-13, Jun
SILVA, M. R. S.; LACHARITE, C. Resiliência: 2019.
concepções, fatores associados e problemas
relativos à construção do conhecimento na área. TABOADA, N. G.; LEGAL, E. J.; MACHADO,
Paidéia, Ribeirão Preto, v. 13, n. 26, p. 147-156, N. Resiliência: Em busca de um conceito. Revista
Jul-Dez 2003. Brasileira de Crescimento Desenvolvimento
Humano, São Paulo, v. 16, n. 3, p. 104-113, Dez
SIQUEIRA, G. L.; CANOVA, F. B. A Resiliencia 2006.
em estudantes universitários: Variações entre as
áreas biológicas, humanas e exatas. Revista VARA, N. et al. Resiliência e stress em
Científica UMC, Mogi das Cruzes, v. 4, n. 3, p. 1- estudantes universitários. 3º Congresso da
4, Out 2019. Ordem dos Psicólogos Portugueses. Porto: [s.n.].
2016. p. 569-579.

Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica, Ribeirão Preto, v.11, n.11, Jan-Dez. 2019

Você também pode gostar