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HISTÓRIA DA GEOGRAFIA

Considerada por alguns como uma das mais antigas disciplinas académicas, a
geografia surgiu na Antiga Grécia, sendo no início chamada de história natural
ou filosofia natural.

Grande parte do mundo ocidental conhecido era dominada pelos gregos, em


especial o leste do Mediterrâneo. Sempre interessados em descobrir novos
territórios de domínio e actuação comercial, era fundamental que conhecessem
o ambiente físico e os fenómenos naturais. O céu claro do Mediterrâneo
facilitava a vida dos navegadores gregos, sempre atentos às características
dos ventos, importantes para a sua navegação em termos de velocidade e
segurança. Sobre tais experiências, os gregos deixaram para as futuras
gerações escritos que contavam a sua vivência geográfica. Estudos feitos
acerca do rio Nilo, no Egipto, detalhavam, entre outras coisas, o seu período de
cheia anual.

No século IV a.C., os gregos observavam o planeta como um todo. Através de


estudos filosóficos e observações astronómicas, Aristóteles foi o primeiro a
receber crédito ao conceituar a Terra como uma esfera. Na sua especulação
sobre o formato da Terra, Strabo acabou por escrever uma obra de 17
volumes, 'Geographicae', onde descrevia as suas próprias experiências do
mundo - da Galícia e Bretanha para a Índia, e do Mar Negro à Etiópia. Apesar
de alguns erros e omissões na sua obra, Strabo acabou por se tornar o pai da
geografia regional.

Com o colapso do Império Romano, os grandes herdeiros da geografia grega


foram os árabes. Muitos trabalhos foram traduzidos do grego para o árabe.
Ocorreram, no entanto, a partir daí, algumas regressões: após o ano de 900
d.C., as indicações de latitude e longitude já não apareciam nos mapas. De
qualquer modo, os árabes acabaram por recuperar e aprofundar o estudo da
geografia, e já no século XII, Al-Idrisi apresentaria um sofisticado sistema de
classificação climática. Nas suas viagens à África e à Ásia, outro explorador
árabe, Ibn Battuta, encontrou a evidência concreta de que, ao contrário do que
afirmara Aristóteles, as regiões quentes do mundo eram perfeitamente
habitáveis.

Já no século XV, viajantes como Bartolomeu Dias e Cristóvão Colombo


redescobririam o interesse pela exploração, pela descrição geográfica e pelo
mapeamento. A confirmação do formato global da Terra veio quinze anos mais
tarde, numa viagem de circum-navegação realizada pelo navegador português
Fernando Magalhães, permitindo uma maior precisão das medidas e
observações.

Grandes nomes empenharam-se no estudo das várias áreas da geografia. A


geografia social, por exemplo, recebeu a dedicação de nomes como Goethe,
Kant, e Montesquieu, preocupados em estabelecer no seu estudo a relação
entre a humanidade e o meio ambiente. A geografia recebeu novas
subdivisões, entre as quais, a geografia antropológica e a geografia política.

Por volta do século XIX, surgia a Escola Alemã, apresentando o determinismo,


que suportava a ideia de que o clima era capaz de estimular ou não a força
física e o desenvolvimento intelectual das pessoas. Assim, afirmava que nas
zonas temperadas a civilização teria um desenvolvimento mais elevado do que
nas quentes e húmidas zonas tropicais. Já nos anos 30, a Escola Francesa
lançava o possibilismo, que afirmava que as pessoas poderiam determinar o
seu desenvolvimento a partir de seu ambiente físico, ou seja, a sua escolha,
determinaria a extensão de seu avanço cultural.

Chegaram os anos 60 com todas as suas revoluções, e o desejo de fazer da


geografia um estudo mais científico, mais aceite como disciplina, levaram à
adopção da estatística como recurso de apoio. No final da década, duas novas
técnicas de suma importância para a geografia começavam a ser
desenvolvidas: o computador electrónico e o satélite, dando nova ênfase à
disciplina.

STRABO

Geógrafo e historiador grego, nasceu em Amaseia, Pontus (agora Amasya,


Turquia). Strabo começou os seus estudos com Aristodemus e em 44 a.C. foi
para Roma estudar com Tyrannion, ex-professor de Cícero. Antes de deixar
Roma ele concluiu a sua monumental obra de 43 volumes, intitulada 'Esboço
Histórico' da qual só sobraram pedaços.

Em 31 a.C. Strabo começou as suas viagens na Europa, Ásia e África, tendo


viajado quase todo o mundo conhecido da época, ele voltou a Roma em 17
d.C. e escreveu o seu mais importante trabalho de 17 volumes, intitulado
'Geographicae' (ou Geografia). Esta foi a primeira vez que surgiu a palavra
Geografia.

Os volumes parecem mais o que hoje conhecemos como guias e eram escritos
para uso militar. Esta obra é o principal documento daquela época conservado
inteiro (com excreção de partes do volume sete) até aos dias de hoje.
ERATOSTHENES

Matemático, astrónomo, geógrafo e poeta grego, nasceu em Cyrene (agora


Shahhat, Líbia). Em 240 a.C. ele tornou-se bibliotecário-chefe da Biblioteca de
Alexandria, ficando responsável, na sua época, pelo maior acervo sobre o
conhecimento humano até à sua data. Eratosthenes é mais conhecido hoje
pelo seu preciso cálculo da circunferência da Terra (erro de menos de 5%),
numa época aonde não se acreditava que a Terra seria redonda. Para chegar a
tais cálculos Eratosthenes empregou os seus conhecimentos de astronomia
para determinar a latitude de Assuã e Alexandria no Egipto, e mediu a distância
entre elas, tendo notado que a imagem da sombra de uma torre de igual altura
em Aswan e Alexandria tinha diferentes comprimentos numa mesma hora do
dia, ele chegou a conclusão que a Terra era redonda e calculou com os seus
dados a sua circunferência. O seu mais importante trabalho foi um tratado
sistemático sobre geografia; após ficar cego com quase 80 anos suicidou-se
por inanição.

PTOLOMEU

Astrónomo e matemático grego viveu em Alexandria, Egipto e era cidadão


romano. O seu primeiro trabalho e o mais importante foi o 'Almagesti' (Grande
Obra), traduzido para o árabe 500 anos depois. Nesta obra ele propunha o
sistema de geocentrismo, o qual descrevia a Terra no centro do universo com o
Sol, os planetas e as estrelas rodando em círculos ao seu redor. Este trabalho
de Ptolomeu influenciou o pensamento astronómico durante mais de mil e
quinhentos anos até ser substituído pela teoria heliocêntrica de Copérnico.
Para a geografia a sua mais importante obra foi 'A Geografia', uma tentativa de
mapear o mundo conhecido da época, que listava latitudes e longitudes de
locais importantes acompanhadas de mapas e uma descrição de técnicas de
mapeamento. Nesta compilação Ptolomeu pegou dados seus e de Hiparco,
Strabo e Marinus de Tiro. Mesmo com informações imprecisas este trabalho foi
a principal ferramenta de orientação geográfica até o fim da renascença.

HUMBOLDT, FRIEDRICH W. H. ALEXANDER VON

Geógrafo, naturalista e explorador alemão, nasceu em Berlim, mais conhecido


pelas suas contribuições para a geologia, climatologia e oceanografia. Ainda
jovem, Humboldt foi apresentado a um grupo de intelectuais (entre os quais
Moses Mendelssohn) pelo seu tutor. Em 1879 ele foi para a Universidade de
Gottingen, onde estudou arqueologia, física e filosofia. O seu interesse por
botânica e explorações foi intensificado ao conhecer Georg Forster, que
acabara de voltar de uma viagem ao redor do mundo com o famoso Capitão
James Cook. Após um ano, Humboldt largou Gottingen para estudar geologia
com A.G. Werner na escola de minas de Freiburg e depois veio a se tornar
inspector de minas do governo da Prússia. Uma farta herança da sua mãe
permitiu-lhe dedicar-se aos seus interesses por exploração científica.
Em 1799, Humboldt explorou durante 5 anos a América Latina, visitando países
como Equador, Colômbia, Venezuela, México e Peru, além de parte da bacia
amazónica. Durante esta viagem ele colectou muitos dados sobre clima, fauna,
flora, astronomia, geologia e sobre o campo magnético da Terra. Durante a sua
estada no Peru fez precisas medições sobre uma corrente fria descoberta por
ele que veio a ser chamada pelo seu nome e hoje é mais conhecida como
Corrente do Peru. Após uma breve estada nos Estados Unidos da América foi
morar em Paris onde ficou até 1827, período durante qual escreveu uma obra
de 23 volumes com as descobertas feitas na viagem. Em 1827 viajou para
Berlim e foi nomeado assessor do rei da Prússia. Em 1829 por convite do Czar
russo Nicolau I viajou aos Montes Urais e Sibéria para fazer estudos geológicos
e fisiográficos.

O resto da sua vida foi dedicada a escrever a sua principal obra, intitulada
'Kosmos' na tentativa abrangente de descrever o universo como um todo e
mostrar que tudo estava inter-relacionado. Humboldt foi o primeiro a mapear
pontos isotérmicos (linhas conectando pontos geográficos com a mesma
temperatura) e impulsionando assim o estudo da climatologia.

RITTER, KARL

Geógrafo alemão, conhecido como fundador da moderna ciência da geografia.


Ritter mostrou ao mundo o princípio da relação entre a superfície da Terra e a
natureza e os seres humanos, era defensor constante do uso de todas as
ciências para o estudo da geografia. Foi professor de geografia na
Universidade de Berlim de 1820 até sua morte; o seu mais importante trabalho,
'Die Erdkunde' (Ciência da Terra, 19 volumes, 1817-1859), enfatizava a
influência de fenómenos físicos na actividade humana.

RATZEL, FRIEDRICH

Geógrafo e etnólogo alemão fundador da geografia política moderna (ou


geopolítica), o estudo da influência do ambiente na política de uma nação ou
sociedade. Dele originou-se o conceito de 'espaço vivo' (Lebensraum), que se
preocupa com a relação de grupos humanos com os espaços do seu ambiente.
Ele leccionou na Universidade de Munique entre 1875 e 1886, e desta data até
à sua morte foi professor de geografia da Universidade de Leipzig. Seu
conceito de 'espaço vivo' foi depois usado pelo Partido Nacional Socialista
(Nazista) para justificar a expansão germânica e a anexação de territórios que
precedeu a segunda guerra mundial.

Adaptado de: www.iis.com.br


SISTEMATIZAÇÃO DA GEOGRAFIA: UMA ANÁLISE CRÍTICA

O estudo da geografia abrange, hoje, grande complexidade de aspectos. O


desenvolvimento dos meios de comunicação, o crescimento demográfico, a
descoberta de novos meios de exploração da superfície terrestre, a evolução
da técnica em geral, e a entrada do capitalismo trará profundas transformações
na geografia, no plano da realidade e no plano do saber.

A geografia começa a ser observada a partir do momento em que se necessita


de orientação com a ajuda da ciência às expedições que abrirão as portas das
civilizações. A articulação entre cientistas e exploradores compõe a espinha
dorsal dos trabalhos.

Há uma intensa controvérsia sobre a matéria tratada pela geografia, sendo


atribuídas múltiplas definições a esta ciência. Algumas delas são:

§ Estudo da superfície terrestre: esta definição apoia-se no significado


etimológico do termo Geografia - descrição da terra, por descrever todos os
fenómenos manifestados na superfície do planeta, sendo uma espécie de
síntese de todas as ciências.

§ Estudo da paisagem: mantendo a concepção da ciência de síntese, pois


associa múltiplos fenómenos, estando visíveis a aspectos visíveis do real.
Possui duas variantes: a morfológica que é descritiva, sendo objecto de estudo
os elementos e as formas; e a fisiológica que relaciona elementos e dinâmicas,
observando o funcionamento da paisagem, nessa perspectiva seria a ideia de
organismo com funções vitais e elementos que interagem;

§ Estudo da individualidade dos lugares: compreendendo o carácter singular de


cada porção do planeta, através da descrição, podendo ter uma visão
ecológica. Propõe-se o estudo de uma unidade espacial passível de ser
individualizada;

§ Estudo da diferenciação de áreas: através da individualização e comparação,


propondo uma perspectiva mais generalizada e explicativa. São procuradas as
regularidades da distribuição e das inter-relações dos fenómenos;

§ Estudo das relações entre o homem e a natureza: que podem ser as


influências da natureza sobre o desenvolvimento da humanidade, o estudo das
relações entre homem e natureza e com os dois tendo o mesmo peso,
trabalhando com os fenómenos naturais e humanos.

§ Estudo do espaço: que só seria aceite se fosse concebido como um ser


específico do real, com características e com uma dinâmica própria somente
depois de demonstrar a afirmação efectuada. A expressão espaço aparece
como vaga, ora estando associada a uma porção específica da
superfície da Terra identificada, seja pela natureza, seja por um modo particular
como o homem ali imprimiu as suas marcas, seja com referência à simples
localização.

Como ciência social a geografia tem como objecto de estudo a sociedade que,
no entanto, é objectivada via cinco conceitos-chave que guardam entre si forte
grau de parentesco, pois todos se referem à acção humana, modelando a
superfície terrestre: paisagem, região, espaço, lugar e território.

O percurso: busca de entendimento nas formas de análise

A Geografia actual é uma amálgama, mistura de elementos diversos que


contribuem para formar um todo.

Mesmo sendo um saber tão antigo quanto a própria história dos homens, o
actual discurso da geografia é o produto final dos embates que denominam as
relações entre os imperialismos alemão e francês ao longo do século XIX,
havendo uma luta entre concepções divergentes a respeito da forma como se
dá a relação entre o homem e o meio.

A Geografia nasce colada, de um lado, às lutas democráticas que se


desenrolam nas cidades gregas e atravessam praticamente toda a sua história.
A Geografia que se irá desenvolver será a que veremos servindo ao Estado,
concebida com relatos e mapas, e assim passará para a história como a
Geografia.

A relação feudalista /capitalista surge como questão do espaço, temas como


domínio e organização do espaço, apropriação do território, variação regional,
entre outros, estarão na ordem do dia na prática da sociedade alemã, e as
primeiras arrumações no sentido de uma Geografia sistematizada vão ser de
Humboldt e Ritter, que criam uma linha de continuidade no pensamento
geográfico.

Dos romanos à "idade da ciência" (século XVIII-XIX) a geografia terá a sua


imagem alinhada como um inventário sistemático de terras e povos. A história
da Geografia é um salto fantástico no tempo e no espaço, durante o decorrer
dos séculos, a Geografia não tem "escolas", então a partir do século XVIII
desenvolver-se-ão as "escolas".

A Escola Alemã

A "escola alemã" que surge em duas vias de discussões: a "Geografia político-


estatística" que define o papel da Geografia como sendo uma montagem do
painel mais amplo e sistemático possível de uma dada conjuntura e a
"Geografia pura" que assenta a tónica na unidade da base regional, sendo para
ela critério, os limites naturais do terreno. A Geografia não podia continuar
sendo um quadro descritivo de uma dada situação conjuntural. O capitalismo
alemão carecia de soluções práticas.

O Kantismo foi decisivo nesta etapa, para Kant o conhecimento deve ser
empírico havendo um "sentido interno" que revela o homem (Antropologia
pragmática) e um "sentido externo", que revela a natureza (Geografia física). A
Geografia é a localização do fenómeno no espaço.

Outros importantes teóricos foram Humboldt e Ritter, sendo os precursores da


Geografia moderna, eles vêem a Geografia como sendo a totalidade das coisas
naturais e humanas, na qual os homens vivem e sobrevivem. Com Ratzel que
o comprometimento da Geografia com os desígnios imperialistas da burguesia
alemã mostrar-se-á com maior transparência, e dirá que o homem é que
determina o seu meio natural (Determinismo).

Humboldt possui conteúdos normativos explícitos, justificando a explicitação


dos seus próprios procedimentos de análise. O objecto geográfico é a
contemplação da universalidade das coisas, de tudo que coexiste no espaço
concernente a substâncias e forças, da simultaneidade dos seres materiais que
coexistem na terra. O estudo reconhece a unidade na imensa variedade dos
fenómenos, descobrindo pelo livre exercício dos pensamentos e combinando
as observações a constância dos fenómenos em meio, as suas variações
aparentes. O seu método era o empirismo raciocinado (intuição a partir da
observação).

A obra de Ritter é metodológica, define o conceito de sistema natural como a


área delimitada dotada de uma individualidade. A Geografia deveria estudar
estes arranjos individuais e compará-los. O homem seria o principal elemento,
ele fazia um estudo dos lugares. A sua análise era empírica, como ele dizia era
necessário caminhar de "observação em observação". Procurava chegar a uma
harmonia entre a acção humana e os desígnios divinos, manifestos na variável
natureza dos meios. Possuía uma proposta antropocêntrica (homem é o sujeito
da natureza) e regional (estudo da individualidade), valorizando a relação
homem-natureza.

A importância maior da proposta de Ratzel reside no facto de ter trazido, para o


debate geográfico, os temas políticos e económicos, colocando o homem no
centro das análises. Mesmo que numa visão naturalizante, e para legitimar
interesses contrários ao humanismo. Da crítica a Ratzel sairá o elemento-
chave que é a teoria do possibilismo.

A Escola Francesa

A "escola francesa" propõe uma Geografia informativa e descritiva, ensinada


nas universidades como disciplina auxiliar do ensino da história, tendo também
uma feição informe e utilitária.
Um de seus expoentes foi La Blache que personificará a escola por espelhar
nas suas ideias, melhor que qualquer de seus companheiros, as aspirações do
Estado Francês. A escola apoiar-se-á no funcionalismo por via do qual absorve
o positivismo.

La Blache discute a relação homem-natureza, não abordando as relações entre


os homens. É por esta razão que a carga naturalista é mantida, apesar do
apelo à História, contida na sua proposta.

A geografia divide-se em Geografia Física (Humboldt) e em Geografia Humana


(Ritter). Haverá a separação entre Geografia Geral (Humboldt) e Geografia
Regional (Ritter). Há uma reciprocidade de influências entre o homem e o meio,
no interior da qual a vontade humana dota o homem de ampla possibilidade de
dominar o seu meio.

A Escola Anglo-saxónica

A "escola anglo-saxónica" apresenta a "Geografia quantitativa e teorética", e o


substrato que lhe dá substância é a mundialização do capital; possui base
neopositivista (positivismo lógico). O seu carácter revolucionário aplica o salto
para a fase explicativa. Falhando, pois era mais conhecido o "terreno"
pessoalmente, do que computadorizado.

Aprendemo-la e percebemo-la por força do próprio quotidiano, fazemos parte


do espaço geográfico. A Geografia é um saber vivido e apreendido pela própria
vivência. Mas nem sempre a aparência é o real. A realidade esconde-se por
trás da aparência, "a ciência seria desnecessária se toda a essência
coincidisse com a sua aparência". Pode sim, haver semelhanças formais, da
aparência fazem parte os aspectos visuais e a essência não é só o empírico,
mas também a realidade causal.

Os métodos da Geografia sendo usada como geometria do espaço, não


procura causas, consiste numa sucessão de passos, cujo fim é a inferência
causal: coligir dados, compará-los, classificá-los, estabelecer generalizações e
extrair explicação causal. Estes passos podem ser resumidos de forma
sucessiva: observação, formulação de hipóteses e inferência de leis; pela via
da comparação extraem-se as "leis" (generalizações) e pela via das
correlações extraem-se os "padrões".

Temas para a análise da geografia

Pela concepção do todo, Ritter diz que a Geografia deveria ser estudada em
partes individualizadas, mas interligadas por finalidades, formando um todo.
Humboldt diz que o todo é uma unidade de diversidade e a síntese era feita a
partir da relação existente entre a vida orgânica e a inorgânica. A Geografia
alemã usa sínteses sucessivas, usando uma temática dos métodos.
Na "escola francesa" a noção do todo ganha maior refinamento teórico, mas a
Geografia super-ramifica-se e terá de se conformar em ser uma "síntese das
ciências de análise". A síntese só se obterá ao nível da Geografia Regional que
Lacoste dirá que é um todo articulado segundo uma integração que só na sua
ordem escalar (escala geográfica) pode ser apreendido.

Na "escola anglo-saxónica" determinada faixa do todo será analisada através


de dados estatísticos e matemáticos, sendo que o resultado seria dado através
da perspectiva genérica e explicativa do pensamento geográfico.

A sociedade é o tema verdadeiro da Geografia. Ela estudá-la-á a partir daquilo


que é a expressão material visível da sociedade: o espaço.

A Geografia está na forma historicamente diferenciada de existência na relação


visivelmente distinta com as condições materiais de existência, na forma
específica da ligação orgânica entre o homem e a natureza de posse do
produto do trabalho, na articulação das relações de conjunto e nas
transfigurações espaços-formais.

Do aparecimento da crítica

O pensamento da Geografia tem origem na antiguidade clássica (Grécia). É um


período de dispersão do conhecimento geográfico, onde é impossível falar
dessa disciplina como um todo sistematizado e particularizado. Sodré
denomina-o de pré-história da Geografia.

A sistematização tem início no século XIX com pressupostos históricos que se


objectivam no processo do avanço e domínio das relações capitalistas de
produção. Os pressupostos baseiam-se na necessidade de que a terra toda
fosse conhecida para que fosse pensado de forma unitária o seu estudo; dados
referentes aos pontos mais diversificados da superfície deveriam estar
levantados e agrupados nalguns grandes arquivos.

Existem outros pressupostos relacionados com a evolução do pensamento,


como o movimento ideológico e a transição do feudalismo-capitalismo na
valorização de temas geográficos pela reflexão da época; afirmação das
possibilidades da razão humana, a aceitação pela existência de uma ordem,
manifestação de todos os fenómenos, passível de ser apreendida pelo
entendimento e enunciada em termos sistemáticos.

A efectivação da Geografia ocorria no período de decadência ideológica do


pensamento burguês, em que a prática dessa classe, então dominante, visava
a manutenção da ordem social existente.
Certamente, não se pode negar que a sistematização da Geografia,
representada pelas suas escolas colaborou de forma decisiva para se justificar
tanto o imperialismo alemão quanto o imperialismo francês.

Entretanto, a sistematização possibilitou uma melhor compreensão da


sociedade da qual fazemos parte e até de nós mesmos. Conhecimento este
que é aplicado até aos tempos actuais.

Como podemos observar, as escolas surgidas nesse contexto de formação do


pensamento geográfico estavam a realizar uma análise do espaço geográfico
de forma "acrítica". Os movimentos de renovação da geografia e a própria
geografia crítica, conforme o próprio nome diz, vieram com o intuito de
remodelar, revitalizar a forma de se fazer geografia e de se analisar o
pensamento geográfico como um todo. Este trabalho ocorreu por meio de
importantes geógrafos com Milton Santos e Hartshorne que fizeram pesadas
críticas ao sistema decadente, mas não se limitaram apenas a criticar como
também trouxeram novas teorias e formas de se trabalhar a geografia.

A geografia finalmente estava a voltar a ver o mundo de forma actualizada e


crítica como deveria ser. Iniciava-se uma nova forma de pensar...

Conclusão

Considerada por alguns como uma das mais antigas disciplinas académicas, a
Geografia surgiu na Antiga Grécia, sendo no início chamada de história natural
ou filosofia natural. A Geografia propõe-s a algo mais que descrever paisagens,
pois a simples descrição não nos fornece elementos suficientes para uma
compreensão global daquilo que pretendemos conhecer geograficamente.

Ir além das aparências significa considerar que por trás de toda a paisagem,
temos, necessariamente, uma dinâmica particular que a determina, que a
constrói, que a mantém com determinada aparência. Estudar geograficamente
o mundo, no todo ou em parte, é procurara entender como e por que as
paisagens apresentam as características que observamos. A geografia deve
propor-se a investigar, principalmente, o modo pelo qual a sociedade produz o
espaço geográfico. O espaço geográfico não se revela apenas na aparência
das coisas, mas, sobretudo na investigação das razões que determinam essa
aparência. Podemos compreender que o espaço geográfico inclui a Natureza e
o Homem.
O positivismo foi de fundamental importância para a Geografia, pois a sua
sistematização ocorreu de acordo com os princípios positivistas, como o
empirismo que deixou fortes influências na Geografia. Os principais autores
foram Humboldt que usou o método do raciocínio através do empirismo e da
observação; e Ritter que mostrou ao mundo o princípio da relação entre a
superfície da terra e a natureza e dos seres humanos, este era um defensor
constante do uso de todas as ciências para o estudo da geografia.
Já sabemos que só a partir deles a Geografia se tornou realmente uma ciência
e que a sua sistematização proporcionou que se tornasse numa ciência
académica que pudesse ajudar em questões actuais.
Impulsionada por um período de um acumular de arquivos e dados geográficos
referentes a novas terras, a sistematização torna-se necessária,
potencializando a síntese de informações e a formação de quadros e teorias
geográficas. Tal período ainda não fora totalmente racionalizado, ou seja, o seu
conteúdo possui alguns traços e marcas da irracionalidade característica de um
processo em iniciação. O processo geográfico não se encontra parado, pelo
contrário ele flui pelas correntes sucessivas a esse período procurando a sua
afirmação e aprimoramento.
A busca da articulação entre a natureza e a sociedade não foi tarefa fácil para
os geógrafos. Na verdade, construir uma ciência de articulação na época em
que surgiu oficialmente a Geografia pareceria ser como remar contra a maré,
pois nesse período a visão de ciência dominante privilegiava a divisão entre
ciências da natureza e da sociedade.
A fragmentação científica é sem dúvida a força que promove o primeiro
impacto na existência da Geografia.
"A geografia serve antes de mais para fazer a guerra". Esta frase de Yves
Lacoste aparentemente simples resume perfeitamente este trabalho. A guerra
aqui tratada, não é apenas uma guerra de armas e de dominação, mas
principalmente, uma guerra de ideias, de teorias, de ciência.

A Geografia na sua procura de novos caminhos e de novas interpretações do


mundo posiciona-se de uma forma crítica, direccionando a sua contribuição
para resgatar a importância do espaço no mundo actual. Anteriormente esse
papel era o de fonte de recursos, de fornecedor de condições que facilitassem
o processo de desenvolvimento. Actualmente busca-se o papel activo do
espaço na sociedade, como uma das instâncias sociais e não como um pano
de fundo onde as relações sociais ocorreriam. (SANTOS, 1978).

Adaptado de: www.igeo.uerj.br


Conceito de Geografia e as suas divisões

Etimologicamente, Geografia significa "descrição da Terra" mas, desde a


antiguidade, teve duas orientações diferentes: alguns geógrafos, mais
preocupados com a localização exacta dos lugares e com a sua representação
em mapas seguiram uma linha mais matemática; outros geógrafos, mais
preocupados com as particularidades dos lugares, seguiram uma linha mais
descritiva.

Mais recentemente, a Geografia, quanto ao seu campo de investigação, tem


sido dividida, em Geografia Regional e em Geografia Geral. Enquanto a
Geografia Geral procura o que há-de regular e com permanência nos factos
terrestres, explicando-os e relacionando-os entre si, a Geografia Regional
procura explicar esses mesmos relacionamentos mas ao nível local.

A Geografia pode ainda ser dividida em Geografia Física e Humana

Geografia Física

Estudo do clima, do relevo e a sua formação, da botânica e da zoologia;

Geografia Humana

Estudo da espécie humana e a sua distribuição e estudo dos habitat rurais e


habitat urbanos;

Objectivos da Geografia

A Geografia comporta três objectivos principais:

A compreensão das características particulares de determinada região,


realçando os relacionamentos e a integração de diversos fenómenos
(geológicos, climáticos, históricos, políticos, económicos, sociológicos, etc.)
num quadro de unidade local ou regional;

A compreensão da relação entre o Homem e o seu meio, enfatizando quer a


influência do meio sobre o Homem, quer o impacto deste sobre o meio
(Ecologia);
A explicação dos aspectos sistemáticos de localização e interacção espacial,
ou seja, a explicação de como se estrutura o espaço físico, de como o Homem
se organiza socialmente no espaço e de como muda a concepção do espaço e
a sua utilização.

Adaptado de: www.notapositiva.com

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