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E.I.E.

Caminhos da Tradição 1

Latim Intensivo

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E.I.E. Caminhos da Tradição 2

Introdução

Saber latim facilita na compreensão de muitos termos presentes em textos


científicos, teológicos, filosóficos e direito, além de ser o ponto de partida para muitas
línguas; como, por exemplo, português, italiano, francês, romeno, espanhol, dentre outros;
que são idiomas que tem sua origem no latim.

Os falantes do latim eram chamados latinos e isso se deve ao fato de eles morarem
na antiga região italiana de Lácio (Latium em latim). Vale ressaltar que este era dividido
em sermo urbanus e sermo vulgaris, respectivamente usados pela classe alta e baixa.

O Latim Popular – Vulgar não se apegava a regras gramaticais e era utilizado pelo
povo e, principalmente, pelos soldados romanos. Já o Latim Clássico era uma língua erudita
e estava presente entre as pessoas letradas. Como o primeiro era falado pela massa, foi ele
que se disseminou e se deixava influenciar pela língua dos que o adotavam; até porque as
classes inferiores da Sociedade Romana eram bastante numerosas. Enquanto o segundo
manteve-se estático, tendo em vista que escritores e outros poucos usufruíam deste, pois
fugia do cotidiano da maioria.

Além destes dois, ainda existe uma terceira classificação, que é o Latim
Eclesiástico, ou seja, a parte cristã da Língua Latina, aquela que reflete o período de
expansão do Cristianismo no Império Romano. Santo Agostinho foi e ainda é um grande
nome daqueles tempos e que representa tal fase.

Concluindo as variações do Latim, este não pode ser acrescido de dialetos, tendo em
vista que suas raízes foram acrescidas de diferenças linguísticas populares e particulares de
outras línguas e, a partir destas misturas e adições, outros idiomas autônomos foram criados
e transformados.

Quanto à sua evolução, a Língua Latina passou por muitas mudanças. Iniciando
pelo Latim pré-histórico, que vem antes dos registros escritos. Seguido pelo Latim proto-
histórico, que constava nos primeiros documentos da língua. Logo vem o Latim arcaico,
que não tem um vocabulário muito extenso e esteve presente em alguns textos literários. O
Latim Clássico é “pai” de grandes obras literárias e sua língua é bastante erudita. O Latim
Vulgar foi o falado pela maioria, ou seja, pelas classes mais baixas. Finalizando com o
Latim pós-clássico, uma junção do quarto e quinto.

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Pronúncia:

Os sons correspondentes às letras do alfabeto em latim têm a mesma característica


da pronúncia em português, com algumas pequenas diferenças, que apresentamos a seguir:
As vogais devem ser pronunciadas com o som original da letra, mesmo quando não
são tônicas. Por exemplo: em português, a palavra "belo" pronuncia-se ''bélu''; já em latim,
a palavra ''bello'' pronuncia-se ''bélo''. Em português, a palavra ''triste'' pronuncia-se ''trísti'';
já em latim, a palavra ''Christe'' pronuncia-se ''kríste''. A palavra ''objeto'' em português
pronuncia-se ''objetu''; em latim, a palavra ''objecto'' pronuncia-se ''obiékto''. Isto é, as
vogais são sempre pronunciadas com os seus sons originais. Note-se a existência dos
grupos vocálicos 'oe' e 'ae', que são pronunciados como 'e' aberto. Por exemplo, 'coelum'
pronuncia-se 'célum'; 'laetitia' pronuncia-se 'letícia'.
Convém observar que no português que se fala em Portugal, diferentemente do que
se fala no Brasil, as palavras ainda conservam a consoante que tinham na sua forma original
do latim, por exemplo, 'objecto', 'facto', 'acto', 'subjectivo', acontecendo o mesmo também
em espanhol. Isto significa que as mutações ocorridas na língua portuguesa no território
brasileiro findaram por criar uma variação linguística ainda mais distanciada da fonte latina
comum a todos nós.
Algumas consoantes assumem sons diferentes, conforme o caso:
 A letra ''t'' antes de ''i'' tem som de ''s'', quando a sílaba não é tônica. Ex.: ''gratia''
pronuncia-se ''grássia''; ''locutio'' pronuncia-se ''locússio''; ''fortiori'' pronuncia-se
''forsióri''.
 A letra ''j'' tem sempre som de ''i''. Ex.: ''jus'' pronuncia-se ''iús''; ''Jesus'' pronuncia-se
''iésus''; ''jacta'' pronuncia-se ''iácta''.
 O grupo consonantal ''ch'' tem som de ''k''. Ex.: ''machina'' pronuncia-se ''mákina'';
''charitas'' pronuncia-se ''káritas''; ''chorda'' pronuncia-se ''kórda''.
 O grupo consonantal ''gn'' tem som de ''nh''. Ex.: ''ignis'' pronuncia-se ''ínhis'';
''cognosco'' pronuncia-se ''conhósco''; ''regnum'' pronuncia-se ''rénhum''.
 O grupo consonantal ''ph'' tem som de ''f'', igual ao português arcaico.

Quanto à acentuação tônica, os Romanos faziam distinção entre vogais breves e


vogais longas, estas últimas com o dobro de duração das primeiras. Na prática, essa
diferença é perceptível apenas com o treino. Não insistiremos nesse ponto.

Mas para efeitos de acentuação tônica, os Romanos usavam a regra da penúltima:


se a penúltima vogal for longa, ela recebe o acento; se curta, o acento recua para a
antepenúltima, se for o caso.

Para a maioria das palavras a posição das vogais longas e breves deve ser
memorizada. Existem, contudo, algumas poucas regras que nos ajudam em alguns casos
como, por exemplo, as seguintes:

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1) vogal seguida de outra vogal é geralmente breve: filius (fílius; o i antes do u é breve;
portanto o acento recua);

2) vogal seguida de duas consoantes é geralmente longa: puella (o e vem antes de duas
consoantes; é longo e, portanto, acentuado). Note que só nos interessa saber a quantidade
(longa ou breve) da penúltima vogal. Atente também para o fato de que em latim não
existem palavras com acento na última sílaba (oxítonas).

Todas as vogais de uma palavra têm sua quantidade bem definida. Do seu conhecimento
depende a compreensão dos ritmos da poesia latina, matéria que não abordaremos neste
curso. Apenas quando for estritamente necessário à pronúncia, indicaremos a sílaba tônica
com o acento grave (`): ìmpleo. Adotaremos essa convenção somente neste curso. Atenção:
o acento grave que adotamos, por convenção, indica apenas a sílaba tônica, e nunca sua
quantidade, se longa ou breve! Não sendo dada nenhuma outra informação, as palavras
serão pronunciadas como se fossem escritas em português.

Algumas características da fraseologia latina:


 Não há artigos definidos e indefinidos.
 Em geral, não há palavras oxítonas.
 É usual ficarem palavras ocultas (subentendidas).
 Verbo geralmente fica no final da oração.
 A regência dos verbos nem sempre corresponde ao português.

O uso das consoantes 'j' e 'v' na língua latina:


Os romanos da época de Cícero (século I a.C.) não conheciam os sons
correspondentes às consoantes 'j' e 'v', utilizando as letras 'i' e 'u', respectivamente. Só a
partir do século XVI, nos dicionários e livros escolares começaram a aparecer estas
consoantes na grafia das palavras, todavia a pronúncia continuou sendo correspondente à
das vogais 'i' e 'u'. Isto quer dizer que estas consoantes não pertencem ao latim clássico, mas
foram já uma influência reversiva das línguas latinas sobre a língua mãe.
Esta alteração, porém, justamente por ser considerada uma influência das línguas
européias sobre o latim original, é rejeitada por alguns estudiosos mais puristas.
A disseminação da escrita do latim com as letras 'j ' e 'v' se deu, sobretudo, pela
atuação da Igreja Católica, tendo em vista que o latim é ainda hoje a sua língua oficial, e o
estudo do latim nas escolas sempre foi orientada pelo latim eclesiástico.

1. Declinações
O latim é uma língua declinável. Isto significa que a terminação ou desinência da
palavra se modifica de acordo com a sua função sintática na oração. Por exemplo, a palavra
''puella'' (garota) se escreve assim se for sujeito na frase. Se for objeto indireto, escreve-se

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''puellae'' e se for objeto direto, escreve-se ''puellam''. Outro exemplo: a palavra ''puer''
(garoto) será escrita assim, se for sujeito; ''puero'', se for objeto indireto e ''puerum'' se for
objeto direto.
A forma básica da palavra é sempre aquela que ela assume quando exerce a função
de sujeito. As demais são formas derivadas. O latim possui cinco declinações, que se
distinguem pela terminação da palavra na sua forma básica e primeira derivação. Ao
consultar uma palavra num dicionário latino, ela está geralmente na sua forma básica,
indicando-se logo a seguir a primeira derivação. Nos casos já citados acima, a palavra
''garota'' aparece assim: ''puella, ae'' e a palavra ''garoto'' aparece assim: ''puer, i''.

2. Classes das palavras


Em latim, as palavras podem ser de três gêneros: masculino, feminino ou neutro.
Não há uma regra geral para se reconhecer a classe de uma palavra. Às vezes, corresponde
ao gênero da palavra em português, quando se refere a pessoas, mas nem sempre. No caso
do neutro, geralmente se refere a um animal ou objeto. Tudo isto serve apenas como
indicação. Para ter certeza, consultar o dicionário.
Estas observações valem tanto para substantivos como para adjetivos e pronomes
possessivos e demonstrativos. Estes seguem as mesmas regras relativas às declinações
válidas para as palavras em geral. Quando um adjetivo qualifica um substantivo, deve ser
declinado na forma correspondente.
Exemplos: É uma garota bonita. Pulchra puella est.
 Voz de garota bonita. Vox pulchrae puellae.
Vejo a garota bonita. Pulchram puellam video.
Dei uma rosa à garota bonita. Pulchrae puellae rosam dedi.
3. Formas verbais.
A conjugação dos verbos é feita de modo similar ao português, três pessoas no
singular e três pessoas no plural, tendo cada uma sua terminação própria. São quatro as
conjugações: a primeira terminada em ''are'', a segunda e a terceira terminadas em ''ere'' e a
quarta terminada em ''ire''. A segunda e a terceira se distinguem pelas desinências das
pessoas e isto é bem visualizado em qualquer dicionário. Veja a tabela dos tempos básicos
das quatro conjugações.
A seguir, as formas básicas dos verbos ''ser'' (esse) e ''ter'' (habere) no presente do
indicativo:
Verbo SER: ESSE Verbo TER: HABERE
Eu sou Sum Eu tenho Habeo
Tu és Es Tu tens Habes
Ele/Ela é Est Ele/Ela tem Habet
Nós somos Sumus Nós temos Habemus
Vós sois Estis Vós tendes Habetis
Sunt Eles/Elas têm Habent
Eles/Elas são

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LIÇÃO 1

A. O sistema verbal

O português guarda muitas características em comum com o latim. Como


provavelmente já é de seu conhecimento, o português derivou-se de uma forma popular de
latim falado na região de Portugal, sendo uma de várias outras línguas neolatinas, como o
italiano, o espanhol e o francês, para citar as mais conhecidas.

Também o sistema verbal português guardou uma íntima relação com o latino, não
sendo os dois, no entanto, perfeitamente equivalentes. Durante este curso veremos
exatamente onde os dois divergem. As diferenças devem ser bem aprendidas para uma boa
tradução: nem sempre a forma latina terá uma tradução fixa, principalmente no caso do
subjuntivo.

O sistema verbal latino possui as seguintes características:

1. Pessoa: as formas verbais do latim indicam a pessoa que fala, se a primeira (eu, nós), a
segunda (tu, vós) ou a terceira (ele/ela, eles/elas), sem que necessariamente exijam a
presença do pronome para indicar qual seja. Assim, se dizemos em português “amas”,
sabemos que se trata da segunda pessoa (tu amas). Em latim ocorre o mesmo: “amas”
significa “tu amas”, ou simplesmente “amas”.

2. Número: as formas verbais latinas indicam se o sujeito é singular ou plural: “amas” (tu
amas, singular); “amatis” (vós amais, plural).

3. Tempo: as formas verbais latinas indicam se a ação se dá no passado, no presente ou no


futuro. Mas como existe a preocupação de se distinguir se a ação foi completada ou se está
em curso no momento pedido, o latim, como em português, vai dividir seus tempos
passado e futuro. Note as diferenças: “amavi”, eu amei; “amabam”, eu amava;
“amàveram”, eu amara (ou eu havia amado).

4. Voz: as formas verbais latinas distinguem dois tipos de voz: a ativa indica que o sujeito
realiza a ação, e a passiva indica que o sujeito de alguma forma recebe a ação. Note:
“amo”, eu amo; “amor”(pronuncie ámor), eu sou amado.

5. Modo: as formas verbais latinas distinguem três modos verbais. Por modo entendemos a
maneira como o sujeito concebe a ação verbal. O modo indicativo é o modo do fatual, e é
usado para se fazer afirmações e perguntas; o modo subjuntivo é usado para expressar
idéia, intenção, desejo, potencialidade ou suposição; e o modo imperativo é usado em
ordens.

B. Os tempos do indicativo

O indicativo quase não apresentará problemas na tradução, e a cada um de seus


tempos podemos atribuir uma forma equivalente em português.

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Os tempos são:

1. Presente: “amat”, traduzido em português pelo presente simples: “ele ama” (e às vezes
por “ele está amando”, já que o latim não faz distinção entre a forma simples e a
progressiva)

2. Imperfeito: “amabat”, traduzido em português pelo pretérito imperfeito: “ele amava” (e


às vezes por “ele estava amando”)

3. Futuro: “amàbit”, traduzido em português pelo futuro do presente simples: “ele amará”
(e às vezes por “ele estará amando”)

4. Perfeito: “amàvit”, traduzido em português pelo pretérito perfeito: “ele amou” (e às


vezes por “ele tem amado”)

5. Mais-que-perfeito: “amàverat”, traduzido em português pelo pretérito mais-que -


perfeito simples, “ele amara”, ou pelo composto, “ele havia amado”.

6. Futuro perfeito: “amàverit”, traduzido em português pelo futuro do presente composto:


“ele terá amado”.

Serão chamados de tempos primários os seguintes: presente, futuro e futuro perfeito; serão
chamados de tempos secundários os seguintes: imperfeito, perfeito e mais-que-perfeito.
Quando o perfeito representar uma ação começada no passado e que perdura no presente
(chamado de perfeito lógico), ele será considerado tempo primário. Por ora, basta saber o
seguinte: o presente e os futuros são primários, e todos os passados secundários.

Voltaremos a falar disso mais à frente, quando tocarmos na seqüência dos tempos, sem o
conhecimento perfeito da qual não serão possíveis traduções fiéis dos tempos do
subjuntivo.

C. O infinitivo

As formas do indicativo são chamadas de finitas, Em latim, “finis” significa “fronteira,


limite”, e podemos pensar que as formas finitas são limitadas por pessoa, número, tempo,
voz e modo. O infinitivo não é limitado por pessoa, número e modo, mas o é por tempo e
voz.

Daremos a seguir a tradução “padrão” para as formas do infinitivo. Nem sempre todo
infinitivo que você encontrar nos textos latinos deve ser necessariamente traduzido por uma
dessas formas, uma vez que existe uma construção muito importante em latim, chamada
oração infinitiva, onde o significado do infinitivo depende do tempo do verbo principal.

Eis as formas:

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ATIVO PASSIVO

PRESENTE amare amari


amar ser amado
PERFEITO amavisse amatus esse
ter amado ter sido amado
FUTURO amaturum esse amatum iri
haver de amar haver de ser amado
(forma rara)

D. As quatro conjugações

Com exceção do verbo ser, todos os verbos latinos pertencem a uma das quatro
conjugações abaixo:

1. Primeira: verbos com o presente do infinitivo em -àre: amàre


2. Segunda: verbos com o presente do infinitivo em -ère: implère
3. Terceira: verbos com o presente do infinitivo em -ere: incìpere
4. Quarta: verbos com o presente do infinitivo em -ìre: sentìre

Uma importante diferença entre a segunda e a terceira conjugações: na segunda o


penúltimo e é longo, e por isso recebe o acento tônico; na terceira, o e é sempre breve, e por
isso o acento tônico recua. Voltaremos a esse assunto quando tratarmos da segunda e da
terceira conjugações.

E. Os tempos primitivos

Tempos primitivos são os tempos fundamentais, de que derivam os demais tempos.


Com o seu conhecimento, todos os demais tempos podem ser formados. Por exemplo, o
verbo “amar” tem os seguintes tempos primitivos: amo, amavi, amatum, amare, que são,
respectivamente, a primeira pessoa do singular do presente do indicativo, “eu amo”; a
primeira pessoa do singular do perfeito, “eu amei”; o supino (veremos seu significado mais
à frente), “amado”; e o infinitivo presente, “amar”.

Cada um desses tempos primitivos é responsável pela formação de uma série de


outros tempos, cujo conjunto formará a conjugação completa do verbo. Costuma-se
recomendar que, juntamente com o verbo, sejam aprendidos seus tempos primitivos. Com a
prática, no entanto, isso se tornará automático, e não será necessário por ora que você se
preocupe com eles. Apenas guarde que esse fato: de apenas quatro tempos os outros todos
podem ser formados.

Em um dicionário você deverá procurar sempre pela primeira pessoa do presente do


indicativo, ou seja, em “amo”, e nunca em “amare”. É um costume diferente do nosso, que
costumamos sempre procurar o significado de um verbo pelo infinitivo.

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Outro fato interessante é que no dicionário você encontrará, para o verbo “amar”, a
enunciação de seus tempos primitivos de forma abreviada: amo, -as, -avi, -atum, -are, de
onde você formará amo, amas (a segunda pessoal do singular do presente do indicativo, “tu
amas”, embora não seja um tempo primitivo), amavi, amatum, amare. E assim com todos
outros verbos.

F. O sistema do presente do indicativo ativo das duas primeiras conjugações

Como vimos na seção B acima, seis são os tempos do indicativo, que listamos na
seguinte ordem: presente, imperfeito, futuro; perfeito, mais-que-perfeito, futuro perfeito.

Os três primeiros formam o chamado sistema do presente. Todos estes três tempos,
o presente, o imperfeito e o futuro, são formados de maneira semelhante. Primeiro, toma-se
o infinitivo presente, amare, e retira-se o -re do final. No que sobra, ama-, adicione:

1. Para o presente, as terminações

-o amao, que vira amo = eu amo


-s amas = tu amas
-t e forme amat = ele ama, ela ama
-mus amamus = nós amamos
-tis amatis = vós amais
-nt amant = eles amam, elas amam

2. Para o imperfeito, some -ba, formando amaba-, e as terminações:

-m (não -o) amabam = eu amava


-s amabas = tu amavas
-t e forme amabat = ele amava, ela amava
-mus amabàmus = nós amávamos
-tis amabàtis = vós amáveis
-nt amabant = eles amavam, elas amavam

Note que a única diferença nas terminações é que o -o virou -m na primeira pessoa do
singular.

3. Para o futuro, some -bi, formando amabi-, e as terminações:

-o amàbio, que vira amàbo = eu amarei


-s amàbis = tu amarás
-t e forme amàbit = ele amará, ela amará
-mus amàbimus = nós amaremos
-tis amàbitis = vós amareis
-nt amàbunt = eles/elas amarão

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Note que as terminações são as mesmas do presente. Na terceira pessoa do plural, o i virou
u.

Pare um pouco e note:

presente: ama- + terminações (na primeira amao vira amo)


imperfeito: ama- + -ba- + terminações (na primeira acrescente -m e não -o)
futuro: ama- + -bi- + term. (na primeira amabio vira amabo, e na última o i vira u).

Faça uso desse fato para formar os mesmos tempos da segunda conjugação. Use o
verbo ìmpleo, “encher”: tome o infinitivo presente, implère, tire o -re, e com o restante,
implè-, forme o presente, o imperfeito e o futuro do indicativo. Este é seu primeiro
exercício. A substituição de ama- por implè-, sistematicamente, lhe dará a nova
conjugação. Note que ìmpleo tem o e breve. Nas demais formas, é longo.

É bom guardar a lição: os três primeiros tempos do indicativo na primeira e na


segunda conjugações têm terminações idênticas.

G. O verbo ser

O verbo “ser”, assim como é irregular em português, o é também em latim. Não nos
resta outra alternativa senão decorar suas formas. Faça isso o quanto antes, uma vez que ele
é dos mais freqüentes, além de servir de base para uma série de outros verbos muito
importantes dele derivados.

Eis as formas:

PRESENTE IMPERFEITO FUTURO


sum sou eram era ero serei
es és eras eras eris serás
est é erat era erit será
sumus somos eràmus éramos èrimus seremos
estis sois eràtis éreis èritis sereis
sunt são erant eram erunt serão

Repare a acentuação de cada forma.

H. O sistema nominal

Substantivos, adjetivos e pronomes em latim sofrem variações no fim da palavra,


chamadas de flexões. Estas servem para mostrar qual é a relação da palavra em questão com
as outras da oração.

Em português, costumamos usar preposições para mostrar uma série de relações.


Por exemplo, quando dizemos “casa de Paulo”, usamos a preposição “de” para indicar de

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quem é a casa, em uma relação de posse, de pertença. Dois substantivos foram relacionados
pela preposição “de”.

Em latim isso também se dá. Os Romanos tinham várias preposições para indicar
variados tipos de relações e, além delas, usavam terminações especiais, no fim de cada
substantivo, adjetivo ou pronome, que variavam de acordo com a relação que queriam
estabelecer.

Cada tipo de relação é chamada de caso, e há seis casos em latim, que não esgotam
de forma alguma todos os tipos de relações que podem ser estabelecidas entre as palavras.
Na verdade, cada caso poderia ser substituído por uma preposição, e vice-versa. Os casos
“privilegiados” em latim, com uma terminação especial, são:

1. Nominativo: é o caso da palavra que desempenha a função de sujeito ou de predicativo:

Femina amat. A mulher ama.


Femina est regina. A mulher é uma rainha.

Nesses dois casos, a terminação -a indica o sujeito da primeira frase (Femina) e o


sujeito e o predicativo da segunda (Femina e regina). Note também que essa mesma
terminação indica o singular: trata-se de uma mulher, e não de duas ou mais.

Você pode reparar também que em latim não existe artigo, nem definido, nem
indefinido. Devemos supri-los, segundo o contexto da oração. É uma preocupação
constante na tradução, saber quando usar o definido ou o indefinido. É bom aqui, neste
momento, estudar um pouco o uso dos artigos em português, para que possamos ter uma
idéia mais clara de suas funções.

2. Genitivo: em geral, o genitivo é usado do mesmo jeito que usamos “de” em português:

patria feminae pátria da mulher


timor aquae medo de água
urna pecuniae urna de dinheiro

3. Acusativo: em geral, o acusativo é usado para indicar quem ou o quê é o objeto direto de
uma oração. Procure saber o que é um objeto direto. Além desse uso, o acusativo pode ser
usado após certas preposições.

Feminam videt. (Ele) vê a mulher.


Femina in aquam ambulàbit. A mulher andará para dentro da água.

Note que na primeira frase colocamos o pronome “ele” dentro de parênteses. Na


verdade, o verbo “videt” não indica se quem vê é homem ou mulher, como ocorre em
português. Por isso, tradicionalmente, o suprimos por “ele”.

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Em latim a liberdade de colocação dos termos na oração é bem mais livre que em
português. Isso é garantido pelos casos, impedindo uma palavra se “perca” de outra, se
colocada em outro lugar, e nem perde sua função sintática. Note também que são
equivalentes as orações “Feminam videt” e “Videt feminam”. O sujeito e o objeto são
sempre os mesmos.

4. Dativo: esse caso expressa a pessoa ou coisa em relação à qual a idéia ou ação do verbo
é relevante; é também o caso do objeto indireto:

Aquam feminae dat. Ele dá águas à mulher.


Bonum puellae optat. Ele deseja o bem à menina.

Se disséssemos apenas “Aquam dat”, “Ele dá água”, teríamos o direito de perguntar a quem
ele dá água. É justamente o dativo que vem mostrar a quem a ação se refere.

5. Ablativo: geralmente expressa noções que expressamos em português com as


preposições “com”, “em”, “por”, com a locução “de onde”, e outros. É o caso mais delicado
do latim:

Cum feminā ambulat Ele anda com a mulher


Femina est in aquā A mulher está na água
Nauta feminam taedā terret O marinheiro amedronta a mulher com uma tocha

A diferença da terminação do ablativo com o nominativo está apenas, no singular,


na quantidade da vogal final: no ablativo ela é sempre longa, o que mostramos com um
macro sobre as vogais (ver Introdução). Neste curso, como dito na introdução, não estamos
marcando a quantidade das vogais. Por isso, cuidado: na primeira conjugação o ablativo
singular tem o mesmo final do nominativo singular. Isso causará um pouco de confusão no
começo.

Note também que a terminação do genitivo é a mesma do dativo!

6. Vocativo: é o caso do chamamento, da evocação:

Femina, cave! Cuidado, mulher!

Voltaremos a esse caso mais tarde. É o mais simples de ser reconhecido, pois sempre vem
entre vírgulas.

I. A primeira declinação

Chamamos de declinação ao conjunto de finais dos seis casos acima, tanto no singular
quanto no plural.

Em latim, existem cinco conjuntos diferentes de terminações. As que mostramos acima


fazem a primeira declinação:

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Singular plural

nominativo fèmina fèminae


genitivo fèminae feminàrum
acusativo fèminam fèminas
dativo fèminae fèminis
ablativo fèminā fèminis
vocativo fèmina fèminae

Chamamos de radical de uma palavra a parte sobra quando retiramos a terminação


do genitivo singular. Na primeira declinação o genitivo singular é sempre -ae. Todas as
outras quatro têm terminações do genitivo singular diferentes umas das outras. Por isso, é
pelo genitivo que se fica sabendo se uma palavra pertence a essa ou àquela declinação.

Todas as palavras são também enunciadas no dicionário fazendo menção de seu


genitivo: femina, ae; aqua, -ae. Mais à frente veremos a utilidade dessa disposição.

Note na primeira declinação quais são os casos semelhantes, tanto no singular


quanto no plural. Freqüentemente surgem confusões entre eles. A regra talvez mais
importante nesse sentido será sempre: observe o verbo! É com o conhecimento do verbo
que se determinam facilmente o sujeito, os objetos, e os outros elementos de uma oração. É
em torno do verbo, em verdade, que todos os elementos se organizam. Comece sempre a
análise de uma oração em latim procurando o verbo. Muitas vezes você poderá ser
enganado pela ordem das palavras, mas, com a ajuda do verbo, toda dúvida pode ser
sanada. Não se esqueça de que o latim é econômico nos pronomes. Muitas vezes você terá
que preencher essa lacuna, principalmente se a oração não vier já acompanhada por uma
palavra no nominativo.

Exercícios de revisão - Lição 1

Vocabulário

ambulo (1)* ando [(1) indica que o verbo é regular, e segue amo]
aqua, -ae água
clamo (1) gritar, gritar por
corona, -ae coroa
cum (prep + ablat.) com
cura, -ae cuidado; preocupação
de (prep. + ablat.) sobre (acerca de); de (cima para baixo)
do, dedi, datus, dare dar; causar; oferecer; expor
dono presentear; perdoar
e, ex (prep. + ablat.) de; do interior de; a partir de; desde; por causa de
enim (conjunção) pois; logo, portanto
et (conjunção) e
et... et... tanto...quanto...
et (advérbio) até, mesmo, ainda
fama, -ae notícia; fama, reputação

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fèmina, -ae mulher


forma, -ae forma; figura; beleza
hàbeo, hàbui, hàbitus, -ère ter; conhecer; tomar por; considerar
ìmpleo, implèvi,
implètus, -ère encher
in (prep. + acusativo) para (movimento para dentro); contra
(prep. + ablativo) em (lugar onde)
ìnsula, -ae ilha
nauta, -ae marinheiro
-ne (enclítico) por acaso, por ventura (usado em perguntas)
non não
opto (1) desejar; optar, escolher
patria, -ae pátria, país
pecùnia, -ae F. (feminino) dinheiro
poena, -ae pena, punição, penalidade
poenas dare pagar uma pena
poeta, -ae poeta
porta, -ae passagem; porta
-que (enclítico) e
regina, -ae rainha
sed mas
sum, fui, futurus, esse ser; estar; existir
taeda, -ae tocha
tèrreo, tèrrui, tèrritus, -ère amedrontar, espantar
tìmeo, tìmui, ---, ère temer
turba, -ae multidão; vozerio
via, -ae via; caminho; trajeto; marcha; curso; maneira; meio
vìdeo, vìdi, vìsus, -ère ver

Faremos agora algumas breves observações sobre as palavras apresentadas.

A palavra enim nunca pode ser a primeira da frase. Em geral, é colocada no


segundo lugar dentro da oração. Na tradução, você deve colocá-la na frente.

A proposição ex se transforma em e quando a palavra seguinte começa por


consoante: “e porta” (da porta), e não “ex porta”.

Em perguntas, o latim costuma apender à primeira palavra a partícula -ne, que pode
ser traduzida por “por acaso...”, ou simplesmente se ignorada: “jamne vides? ” Pode ser
traduzido como “Por acaso tu vês agora? ”, ou simplesmente, “tu já vês? ”

O mesmo acontece com -que. Em vez de dizermos “femina et puella”, “mulher e


menina”, podemos dizer, igualmente, “femina puellaque”. É um uso muito comum em
latim. Tome cuidado: nem sempre um que no fim de uma palavra equivale a “e”.

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Tanto -ne quanto -que, por se ligarem ao fim de cada palavra e por não receberem
nunca o acento tônico, são chamados de partículas enclíticas. O latim possui uma série
extensa de partículas enclíticas.

EXERCÍCIOS

I. Traduza:

1. Feminae in via ambulant.


2. Feminaene in via ambulant?
3. Feminae in via non ambulant.
4. Estne regina in insula?
5. Regina in insula non erat, sed erit.
6. Pecuniam habetis? Non habemus.
7. Pecuniam habes? Non habeo.
8. Et pecuniam et famam habetis.
9. Pecuniam habebamus sed famam habebatis.
1O. Pecuniam non habebo sed famam habèbimus.
11. Turbamne terrebas? Non terrebam.
12. Aquam nautis dabitis?

II.

A) Decline:

porta, turba e regina (no singular e no plural)

B) Mude de singular para plural (pode haver mais de uma alternativa. Indique quais são.
Por exemplo: puella - no plural pode ser: puellae, nominativo; puellis, ablativo; puelae,
vocativo)

1. reginam 3. femina 5. nauta


2. famae 4. corona

III. Traduza em latim:

1. com as rainhas 6. gritaremos


2. ao poeta 7. temiam
3. da mulher 8. desejais
4. coroas (obj. dir.) 9. nas estradas
5. eu sou 1O. darás

IV.

A) Conjugue dono no imperfeito do indicativo


B) Conjugue tìmeo no futuro do indicativo

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C) Conjugue hàbeo no presente do indicativo


D) Dê a segunda pessoa do singular de clamo no presente, no imperfeito e no futuro
E) Dê a segunda pessoa do plural de vìdeo no presente, no imperfeito e no futuro

V.

A. Diga em que tempo e pessoa estão as seguintes formas, e depois traduza

1. videtis 6. es
2. videbas 7. erat
3. videbis 8. erit
4. clamatis 9. est
5. ambulabàtis 1O. habere

B) Mude do plural para o singular:

1. ambulant 6. impletis
2. coronamus 7. optatis
3. habetis 8. sumus
4. erunt 9. vident
5. sunt 1O. èrimus.

VI. Traduza:

1. Nauta in patria poenas reginae timet.


2. Poeta pecuniam famamque non optat.
3. Pecuniam poetarum habemus.
4. Poetisne regina pecuniam dabit?
5. Reginam insulae cum turba nautarum videre optabamus.
6. Feminae enim poetas coronis coronabunt.
7. Feminas in viis videbatis, sed de forma non clamabatis. Poenas dabitis.
8. Poetae reginam patriae e turba feminarum optant.
9. Est cura de poena poetae.
1O. Taedas in via videre timebo.
11. Taedamne in insula videtis?
12. Turbamne feminarum in insula vides (videbas)?
13. Cum poeta e portis in viam ambulo (ambulabam).
14. Poetae et poenam et famam timent.
15. Vias turba implebunt.
16. Nautae feminas taedis terrebant.
17. a) Et pecuniam et coronas poetis donabis.
b) Et pecuniā et coronis poetas donabis. (cuidado com o sentido de donabis!)
18. Erisne (eruntne, erantne, suntne) in insula cum regina?
19. Feminae est forma, fama nautae; feminis est forma, fama nautis.
2O. Poena nautarum erat cura reginae.
21. Reginaene coronam videre optabas?
22. Reginae de patria curam habent.

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23. Nauta enim poenas dare non optat.


24. Ex aqua ambulamus.
25. Patria poetae est insula.
26. Insulam esse patriam habebat.
27. Videre taedas patriae est nautis cura.

VII. Passe para o latim:

1. Os poetas coroarão uma rainha a partir das mulheres da ilha.


2. Estaremos na ilha com o poeta?
3. Os marinheiros gritavam sobre a punição das mulheres.
4. Tememos a reputação do poeta.
5. Davas dinheiro à multidão de marinheiros.

O sistema do perfeito do indicativo ativo de todas as conjugações

Lembremos quais são os seis tempos do indicativo ativo: presente, imperfeito e


futuro; perfeito, mais-que-perfeito e futuro perfeito. Os três primeiros você aprendeu a
construir para a primeira e a segunda conjugação. Trataremos agora dos três últimos.

Para a construção do perfeito, do mais-que-perfeito e do futuro perfeito, você


necessitará de um outro tempo primitivo. Por exemplo, do verbo "amar", enunciado em
latim pelos seus tempos primitivos, amo, amavi, amatum, amare, devemos tomar o
segundo deles, amavi, e retirarmos o -i, ficando, portanto, com amav-. Daí formamos:

O perfeito

Ao radical acrescentamos as seguintes terminações:

-i amàvi eu amei

-isti amàvisti tu amaste

amav- + -it obtendo amàvit ele amou

-imus amàvimus nós amamos

-istis amàvistis vós amastes

-èrunt amavèrunt eles amaram

O mais-que-perfeito

Ao radical adicionamos -era- mais as seguintes terminações:

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-m amàveram eu amara, tinha amado

-s amàveras tu amaras, tinhas amado

amav + era + -t obtendo amàverat ele amara, tinha amado

-mus amaveràmus nós amáramos, tínhamos amado

-tis amaveràtis vós amáreis, tínheis amado

-nt amàverant eles amaram, tinham amado

O futuro perfeito

Ao radical adicionamos -eri- mais as seguintes terminações:

-o amàvero eu terei amado

-s amàveris tu terás amado

amav + eri + -t obtendo amàverit ele terá amado

-mus amavèrimus nós teremos amado

-tis amavèritis vós tereis amado

-nt amàverint eles terão amado

Note que na primeira pessoa do singular do futuro perfeito, quando adicionamos -o,
temos amàvero, e não amaverio, como seria de se esperar, ou seja, o mesmo fenômeno que
encontramos com amabo, que não se torna amabio.

Repare que o perfeito ele tem terminações próprias, que devem ser aprendidas
isoladamente. O mais-que-perfeito e o futuro perfeito usam as mesmas terminações dos três
primeiros tempos do indicativo. Como lá, a primeira pessoa do singular termina ora em -m,
ora em -o.

Este sistema se aplica a todas as quatro conjugações do latim. Não existem


irregularidades no sistema do perfeito, mesmo para os verbos irregulares (verbo "ser", e
outros)!

Do que dissemos acima, podemos concluir que as quatro conjugações latinas só


existem para os tempos do sistema do presente. Ou seja, as quatro conjugações só existem
para uma parte do sistema verbal! Para os tempos do sistema do perfeito, existe apenas uma
conjugação. Em cada nova conjugação que estudarmos, preocupe-se apenas com o sistema
do presente!

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É muito importante agora que você conjugue, como exercício, o verbo opto, -avi, -
atus, -are, "desejar, optar, escolher", nos seis tempos estudados. Observe bem as
regularidades e as irregularidades que encontrar.

O mais difícil em latim é saber declinar e conjugar. Para isso existe até um célebre
provérbio: "Conjuga e declina, e saberás a língua latina".

***

Exercícios

1. Traduza as formas dadas:

1. celavi 6. clamavi 11. habui

2. celaverat 7. clamavèrunt 12. habuimus

3. celaverimus 8. clamavero 13. habuerat

4. celavisti 9. clamaveris 14. habueritis

5. celaveratis 1O. clamaveram 15. habuerint

celo, celavi, celatus, celare - esconder, guardar habeo, habui, hàbitus, habère - ter;
conhecer; tomar por

clamo, clamavi, clamatus, clamare - gritar, gritar por

2. Traduza as frases seguintes:

1. Feminam puella viderat. 6. Regina nautas damnavit.

2. Femina puellam viderit. 7. De gloria et fama cogitaverit.

3. Incolisne nautis donos dederant? 8. Noxas a puellis pepulerant.

4. Reginam de nautarum insidiis monuit. 9. Sub luna laboravistis.

5. Et feminas et puellas incolae de nautarum insidiis monuerint.

damno, -avi, -atus, -are - condenar, sentenciar luna, -ae - lua

gloria, -ae - glória, renome noxa, -ae - prejuízo,


dano; castigo

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incola, -ae - habitante pelo, pepuli, pulsus, -


ere - impelir, afastar

insidiae, arum (só no plural) - armadilha, cilada puella, -ae - menina

laboro, -avi, -atus, -are - trabalhar sub + abl. - debaixo de;


+ ac. - para debaixo de

moneo, monui, monitus, -ere - advertir, exortar, repreender

***

O Subjuntivo

O modo indicativo é usado para exprimir fatos reais, positivos, verdadeiros, além de
servir para fazer perguntas diretas. É o modo das orações coordenadas e das orações
principais.

O modo subjuntivo, por outro lado, é usado para exprimir fatos irreais, prováveis,
duvidosos. É o modo das orações subordinadas e das orações optativas, estas que exprimem
um desejo do locutor. E é ainda usado de outras formas, o que veremos mais à frente. Um
outro nome para o subjuntivo é conjuntivo.

A construção dos quatro tempos do subjuntivo é mais fácil que a dos tempos do
indicativo. No entanto, na tradução, nem sempre podemos atribuir uma correspondência
simples com os mesmos tempos do português. Em grande parte dos casos, nas orações
subordinadas, a tradução de um tempo do subjuntivo vai depender do tempo da oração
principal, em uma correlação precisa chamada de sequência dos tempos (consecutio
temporum).

Diferente do português, o subjuntivo não tem o tempo futuro. Em seu lugar deve ser
usado o futuro do indicativo.

Os quatro tempos que estudaremos agora serão: presente e imperfeito; perfeito e


mais-que-perfeito. Esses tempos não têm uma ligação direta com os tempos
correspondentes do indicativo.

Formação do subjuntivo

Na conjugação dos quatro tempos do subjuntivo você só deve se preocupar com o


presente. Para esse tempo existem quatro conjugações. Para todos os outros três tempos, o
imperfeito, o perfeito e o mais-que-perfeito, só existe uma conjugação, completamente
regular, até mesmo para os verbos irregulares! Também no subjuntivo, como no indicativo,
as conjugações só valem para uma parte dos tempos. Vejamos os tempos:

O presente do subjuntivo

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Na primeira conjugação é muito semelhante ao presente do indicativo. Como lá,


tome o infinitivo presente do verbo "amar", amare, retire a terminação -re e encontre o
radical ama-. Isto você já aprendeu a fazer. Mude no radical encontrado o -a final por -e,
e fique com ame-. Daí em diante, basta você acrescentar as mesmas terminações do
presente do indicativo para obter a conjugação completa:

-m amem (eu ame)

-s ames (tu ames)

ama > ame-+ -t obtendo amet (ele ame)

-mus amemus (nós amemos)

-tis ametis (vós ameis)

-nt ament (eles amem)

Colocamos entre parênteses o significado "cru" do verbo, quando usado em orações


independentes, o que corresponde ao presente do subjuntivo português. Logo na lição
seguinte você verá que esse significado pode variar. Não devemos pensar que sempre, na
presença de um presente do subjuntivo, ele deve ter essa tradução. Tome cuidado.

Como exercício, conjugue neste tempo e dê o significado "cru" dos verbos dubito, -
avi, -atus, -are (duvidar; hesitar), e muto, -avi, -atus, -are (mudar; transformar).

O imperfeito do subjuntivo

Obedece a regras de formação idênticas para as quatro conjugações. É o mais


simples de ser formado: basta tomar o presente do infinitivo, sem fazer qualquer alteração,
e adicionar as mesmas terminações do presente:

-m amarem (eu amasse/amaria)

-s amares (tu amasses/amarias)

amare + -t obtendo amaret (ele amasse/amaria)

-mus amarèmus (nós amássemos/amaríamos)

-tis amarètis (vós amásseis/amaríeis)

-nt amarent (eles amassem/amariam)

Entre parênteses, como acima, dois significados "crus" do verbo: o primeiro corresponde ao
imperfeito do subjuntivo português, e o segundo, ao futuro do pretérito.

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Conjugue, como exercício, o imperfeito do subjuntivo de teneo, tenui, tentus,


tenère (segurar, conter; possuir), e de capio, cepi, captus, càpere (pegar, capturar). Diga
seus significados.

O perfeito do subjuntivo

Também se forma regularmente nas quatro conjugações: tome o radical do perfeito,


ou seja, a segunda parte principal sem -i, amav-, acrescente -eri- e de novo as mesmas
terminações de antes:

-m amàverim (eu tenha amado)

-s amàveris (tu tenhas amado)

amav + eri + -t obtendo amàverit (ele tenha amado)

-mus amavèrimus (nós tenhamos amado)

-tis amavèritis (vós tenhais amado)

-nt amàverint (eles tenham amado)

O significado "cru" é pretérito perfeito composto do português. Conjugue como exercício o


perfeito do subjuntivo de incìpio, incèpi, incèptum, incìpere (começar), e de venio, veni,
ventus, -ire (vir; avançar, atacar). Dê seus significados "crus".

O mais-que-perfeito

É formado nas quatro conjugações tomando-se o radical do perfeito, amav-, acrescentado-


se -isse- mais as mesmas terminações:

-m amàvissem (eu tivesse/teria amado)

-s amàvisses (tu tivesses/terias amado)

amav + isse + -t obtendo amàvisset (ele tivesse/teria amado)

-mus amavissèmus (nós tivéssemos/teríamos amado)

-tis amavissètis (vós tivésseis/teríeis amado)

-nt amàvissent (eles tivessem/teriam amado)

Os significados "crus" são ora o pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo


português, ora o futuro de pretérito composto do indicativo. Como exercício, conjugue

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nesse tempo o verbo sentio, sensi, sensum, sentire (sentir, perceber, pensar), e expello,
expuli, expulsus, -ere (expelir, expulsar, repelir). Dê seus significados.

O presente do subjuntivo do verbo sum

Com radical irregular, mas com as mesmas terminações número-pessoais, o verbo sum tem
a seguinte conjugação no presente do subjuntivo:

sim (eu seja)

sis (tu sejas)

sit (ele seja)

simus (nós sejamos)

sitis (vós sejais)

sint (eles sejam)

O imperfeito, o perfeito e o mais-que-perfeito do subjuntivo de sum são formados


de acordo com as regras dadas em 2.3 acima. Devemos lembrar que as partes principais
desse verbo são sum, fui, futurus, esse.

***

Exercício:

Dada a grande importância que o verbo sum assume no discurso, conjugue-o por
inteiro nos outros tempos do subjuntivo, com cada pessoa acompanhada de sua respectiva
tradução "crua". Não se esqueça que o radical do perfeito desse verbo, ou seja, sua segunda
parte principal sem o -i final, é fu-.

***

Orações condicionais

Começamos aqui o estudo dos vários tipos de oração subordinada existentes em


latim. Uma oração subordinada depende de uma principal para fazer sentido. O tipo que
estudaremos agora pode bem explicar essa dependência.

Quando dizemos "Se ele trabalha, ele é feliz", proferimos duas sentenças, uma
dependente da outra. De fato, podemos dizer simplesmente "ele é feliz" que nosso
interlocutor terá com isso uma idéia completa do que queremos dizer. Mas se dissermos
apenas "se ele trabalha", notaremos que algo mais pode ser exigido, e cabe então uma

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pergunta do tipo "se ele trabalha, acontece o quê?". Pedimos com isso mais
esclarecimentos: a oração não subsiste por si só. Ela se subordina a outra oração.

O que chamamos de período hipotético é um conjunto de orações formado por uma


oração principal (também chamada de apódose), e de outra, a subordinada condicional
(também chamada de prótase).

Em latim as duas principais conjunções que introduzem orações subordinadas são


si, "se", e nisi, "senão, exceto se, a não ser que". São usadas com três tipos de hipótese:

Hipótese real

Quando há uma hipótese real, ou tida como real por quem fala, o verbo da
condicional fica no indicativo, e geralmente o da principal também:

Si laborat, pecuniam optat. Se ele trabalha, ele deseja dinheiro.

Si laborabat, pecuniam optabat. Se ele trabalhava, ele desejava dinheiro.

Si laboravit, pecuniam optavit. Se ele trabalhou, ele desejou dinheiro.

Esse tipo de condição é bem claro. Pode empregar também o imperativo na principal. Mas,
de qualquer forma, sua tradução é simples e imediata.

***

Exercício

Traduza:

1. Si neque laboras neque optas, pecuniam non habes.


2. Si feminam non vidit, non clamat.
3. Si nautae undas timent, in terra semper sunt.
4. Si taedam nautae dedis, viam vidit.
5. Si in cella sunt, naturam non vident.
6. Nil opto, nisi pecuniam habere.

cella, -ae - despensa, adega; pequeno quarto semper - sempre


clamo, -avi, -atus, -are - gritar taeda, -ae - tocha
do, dedi, datus, dare - dar terra, -ae - terra
natura, -ae - natureza timeo, timui, ---, -ère -
temer
neque (ou nec) - nem, e nem unda, -ae - onda
nil (ou nihil) - nada via, -ae - via, caminho,
trajeto, curso; maneir

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Hipótese possível

O nosso sentido de condição, em geral, não é aguçado o suficiente para que


distingamos com clareza um tipo de oração condicional da outra. Basta-nos saber que existe
aqui ou ali uma dada condição. Quando a hipótese era real, tínhamos quase que um fato se
realizando. Aqui, desejamos expressar um desejo, uma conjetura sobre algo que pode se
realizar, possível:

Si laboret, pecuniam optet. Se ele trabalhasse, ele desejaria dinheiro.

Esse tipo de condicional é bastante comum, e em latim usa o presente do subjuntivo


tanto na oração condicional quanto na principal. A tradução é como indicamos acima: na
condicional em português usamos o imperfeito do subjuntivo, e na principal o futuro do
pretérito. Para não se complicar com a nomenclatura, use a frase acima como exemplo para
as orações futuras.

Ocasionalmente o perfeito do subjuntivo é usado em ambas as orações, mas o seu


uso é raro, e não trataremos dele aqui.

O futuro do indicativo pode ser usado também se o desejo ou a conjetura do falante


se projetar no futuro:

Si laborabit, pecuniam optabit. Se ele trabalhar, ele desejará dinheiro.

Aqui vemos o uso do futuro do indicativo em latim quando usamos o futuro do


subjuntivo em português. A tradução não oferece problemas.

Exercício

Traduza:

1. Si in insula sis, navigare optes.


2. Si insidias videbunt, clamabunt.
3. Si in patria erit, felix erit.
4. Si de fama nautarum cogitem, invidiam habeam.
5. Si de gloria et fama poetarum audiet, poeta esse optabit.
6. Pecuniam non habebo, nisi laborare optabo.
7. Nihil optabo, nisi in patria ero.

cogito, -avi, -atus, -are - pensar, ponderar, considerar, cogitar navigo, -avi, -atus, -are -
navegar
felix, -icis - feliz, ditoso patria, -ae -
pátria, país
invidia, -ae - inveja

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Hipótese irreal

Aqui o falante enuncia algo que sente ser contrário aos fatos presentes ou passados.

a. No presente:

Si laboraret, pecuniam optaret.

Se ele trabalhasse (mas não pode), ele desejaria dinheiro.

Note que em latim os dois verbos estão no imperfeito do subjuntivo. A tradução em


português é a mesma de quando a hipótese era possível. Mas aqui o falante olha para as
condições atuais e vê que a pessoa de quem está falando não pode trabalhar, porque está
doente, porque faleceu, porque a pessoa é um personagem que não existe, etc.

b. No passado:

Si laboravisset, pecuniam optavisse.

Se ele tivesse trabalhado (mas não trabalhou), ele teria desejado dinheiro.

Note que ambos os verbos estão, em latim, no mais-que-perfeito do subjuntivo. O falante


olha para o passado e faz uma conjetura que é contrária aos fatos que aconteceram: neste
caso, a pessoa de quem fala, no passado, não realizou nenhum trabalho.

Em português usamos o pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo na condicional e o futuro


de pretérito composto do indicativo na principal. Para não se confundir com a
nomenclatura, use o exemplo acima como referência para orações futuras.

Existem ainda outras combinações possíveis de tempos para o período hipotético, mas são
apenas combinações das orações acima. Você pode ter mais esclarecimentos consultando
uma gramática de latim.

Exercício

Traduza:

1. Si ambularet, naturam videret.


2. Si gloriam famamque optavissem, laboravissem.
3. Felix non fuisset, nisi pecuniam non habuisset.
4. Ad patriam non navigavisset, nisi pecuniam ibi non fuisset.
5. In insula non incoluissetis, si aquam timuissetis.
6. Si sententiam mutaremus, inimicos superaremus.
7. Semper in província fuissemus, si tacuissemus.

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ad (prep. + acus.) - para, em direção de, até provincia, -ae - província


ibi - lá sententia, -ae - opinião,
sentença, pensamento; doutrina
incolo, -avi, -atus, -are - morar, habitar supero, -avi, -atus, -are - vencer,
conquistar
inimicus - inimigo taceo, tacui, tacitus, -ère - calar-
se

***

Genitivo de culpa e de penalidade

O genitivo também pode ser usado com verbos que indicam culpa, ou condenação:

Femina puellam invidiae culpat A mulher culpa a menina de inveja (pela inveja
dela)

Nautam pecuniae damnavit. Ele condenou o marinheiro de dinheiro

(condenou-o a pagar uma pena em dinheiro).

Sempre que a tradução parecer inusual, lembre-se de se certificar em um dicionário quanto


ao tipo de construção que o verbo exige. Em latim muitos verbos têm construções
diferentes das dos verbos portugueses. Começamos aqui a alertá-lo para alguns deles.

***

Use a seguinte tabela para você se lembrar dos verbos em latim:

PRESENTE (1) PRESENTE (1s)

IMPERFEITO (2) IMPERFEITO (2s)

FUTURO (3)

PERFEITO (4) PERFEITO (3s)

MAIS-QUE-PERFEITO (5) MAIS-QUE-PERFEITO (4s)

FUTURO PERFEITO (6)

Na esquerda fica o indicativo; na direita, o subjuntivo. O bloco de cima é o sistema


do presente; o de baixo, o do perfeito. Enumeramos os tempos para que possamos tratar
deles mais comodamente no futuro.

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Exercícios de revisão

I. Conjugue cada um dos verbos abaixo em todos os tempos que você conhece até agora,
mas apenas nas pessoas indicadas:

1. supero, na 2a. pessoa do singular; na 3a. pessoa do plural


2. dubito, na 3a. pessoa do singular; na 1a. pessoa do plural
3. muto, na 1a. pessoa do singular; na 2a. pessoa do plural.

II. Traduza

1. De lacrimis puellarum cogito. (lacrima, -ae - lágrima)


2. Mora feminarum nautas pepulit. (mora, -ae - demora)
3. Si nautae sententias non mutabunt, regina eos insidiarum damnabit. (eos - eles, no acus.)
4. Si nautae sententias non mutavissent, regina eos insidiarum non damnavisset.
5. Si nautae sententias non mutarent, regina eos insidiarum non damnaret.
6. Vita felix fuisset, si pecuniam habuisset.
7. Vita felix erit, si famam habebit.
8. Nautas regina monuit, sed nil timent.
9. Venirem ad insulam, si optarem. Sed non opto.
1O. Si Hannibal ad portas provinciae venisset, incolas terruisset. (porta, -ae - porta, portão)

Substantivos da segunda declinação

Já estudamos os substantivos da primeira declinação. Seria necessário adentrarmos


em uma série de particularidades antes de passarmos para o estudo da segunda. Mas iremos,
com o passar das lições, lhe alertando para uma ou outra pequena irregularidade, e alguma
possível exceção.

Assim como a primeira declinação é caracterizada pela terminação -ae no genitivo


singular de todos seus substantivos, a segunda declinação se caracteriza por ter o genitivo
singular terminado em -i, em todos seus substantivos. Enquanto a maioria dos substantivos
da primeira declinação era do gênero feminino, os da segunda são, em sua maioria,
masculinos ou neutros:

dominus, domini (M) senhor


puer, pùeri (M) menino
saxum, saxi (Neutro) rocha, pedra

As terminações variam: -us, -er, -um, mais a palavra vir, viri, “varão”.

Eis a declinação completa:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 29

Singular Plural

Nom. dominus puer saxum domini pùeri saxa


Gen. domini pùeri saxi dominorum puerorum saxorum
Acus. dominum pùerum saxum dominos pùeros saxa
Dat. domino pùero saxo dominis pùeris saxis
Abl. domino pùero saxo dominis pùeris saxis
Voc. domine pùer saxum domini pùeri saxa

Repare as seguintes características:

a) As terminações do dativo e do ablativo singular são iguais; no plural são as mesmas da


primeira declinação: -is

b) O vocativo é igual ao nominativo, no singular e no plural, exceto para substantivos


terminados em -us, quando se torna -e;

Existem duas regras importantes para os neutros, de qualquer declinação:

1. As formas do nominativo e do acusativo são sempre idênticas, sejam quais forem;


2. O nominativo e o acusativo plurais terminam sempre em -a.

Alguns substantivos terminados em -er, perdem o -e na declinação, como ager, que


se torna agri no genitivo (e não *ageri), e mantém o radical agr- em todos os outros casos.
Casos como esse serão notados no decorrer das lições

***

Exercícios:

1. Decline no singular campus, -i (M), “planície, campo”, líber, libri, “livro”


2. Decline no plural bellum, -i (N), “guerra”, vir, -i, “homem, varão”.

***

Adjetivos da primeira e da segunda declinações

Vistas as duas primeiras declinações, podemos agora tratar do primeiro grupo de


adjetivos do latim, os adjetivos que se declinam ou como os substantivos da primeira
declinação, ou como os da segunda.

Para cada adjetivo desse grupo, temos três terminações distintas, uma para o
masculino, outra para o feminino, e outra para o neutro: magnus, magna, magnum,
“grande”.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 30

Independente das terminações do substantivo com o qual concorda em gênero,


número e caso, os adjetivos desse grupo tomam a forma terminada:

em -us quando usados com substantivos masculinos:


magnus poeta - grande poeta

em -a quando usados com substantivos femininos:


magna insula - grande ilha

em -um quando usados com substantivos neutros:


magnum saxum - grande rochedo.

Como dissemos, os adjetivos concordam em número e caso com os substantivos a


que se referem:

magnae insulae - as grandes ilhas

e não se esqueça que as terminações não são necessariamente idênticas:

magnOrum poetArum - dos grandes poetas.

Eis a tabela completa da declinação de bonus, bona, bonum, “bom, boa”

Singular Plural

M. F. N. M. F. N.

Nom. bonus bona bonum boni bonae bona


Gen. boni bonae boni bonorum bonarum bonorum
Acus. bonum bonam bonum bonos bonas bona
Dat. bono bonae bono bonis bonis bonis
Abl. bono bona bono bonis bonis bonis
Voc. bone bona bonum bone bonae bona

Não é necessário que você estude essa tabela. Basta apenas observar que os
adjetivos masculinos seguem a declinação de dominus, -i; os femininos a declinação de
puella, - ae; e os neutros a declinação de saxum, -i.

Como aconteceu com ager, agri, assim também ocorre com alguns adjetivos, como
pulcher, pulchra, pulchrum, “belo, formoso”, que no genitivo masculino torna-se
pulchri. Daí a declinação segue normalmente, fazendo uso do radical pulchr-.

Como em português, os adjetivos podem ser usados como se fossem substantivos:

bonum amat Ele ama o bom (aquilo que é bom)


multum habet Ele tem muita coisa (muito)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 31

mala timet Ele teme coisas más (maus acontecimentos, etc.)


magna optat Ele deseja coisas grandes

Note que usamos com o neutro a palavra “coisa” para traduzir os adjetivos usados
substantivamente. Nem sempre ela deve aparecer em traduções, e uma opção é procurar
outra palavra mais conveniente em um dicionário.

***

Exercícios

1. Decline conjuntamente no singular:

a) pulcher capillus (capillus, -i, “cabelo”)


b) verbum acerbum (verbum, i, (N), “palavra”; acerbus, -a, -um, “severo; azedo”)

2. Decline conjuntamente no plural:

a) malus liber
b) validus vir (validus, -a, -um, “forte”)

***

Ablativo de instrumento ou meio

O ablativo sem preposição é usado para indicar o instrumento ou o meio com que algo é
feito:

Romani gladiis pugnabant. Os romanos lutavam com espadas.


Os romanos lutavam por meio de espadas.

Oculis videmus. Vemos com os olhos.


Vemos por meio dos olhos.

Puellas taeda terruit. Ele assustou as meninas com uma tocha.


Ele assustou as meninas por meio de uma tocha.

Ablativo de modo

O ablativo pode ser usado com ou sem a preposição cum para indicar o modo ou
maneira como as coisas são feitas:

Verba misera cum venia audivisti.


Tu ouviste palavras infelizes com indulgência.
Verba misera magna cum venia audivisti.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 32

Verba misera magna venia audivisti.


Tu ouviste palavras infelizes com grande indulgência.

A preposição cum é exigida nessa construção quando o substantivo não é modificado por
um adjetivo. Quando o é, cum é opcional, e pode ser colocada entre o adjetivo e o
substantivo. Este tipo de construção é muito comum em latim, e a veremos ainda com
outras preposições.

Exercício

Traduza

1. Si incolae saxis pugnavissent, inimicos non superavissent.


2. Nisi malos saxis gladiisque e insula pepulissemus, servi nunc essemus.
3. Magna cum laetitia bona verba audio.
4. Litteras cum gaudio scribo.
5. Verba poetarum magna cum invidia audivimus.
6. Bona magna diligentia peto.

diligentia, -ae - aplicação peto, -ivi, -itus, -ere - pedir; buscar; dirigir-
se a
gaudium, -i - prazer, regozijo pugno, -avi, -atus, -are - lutar, combater,
brigar
laetitia, -ae - alegria, felicidade servus, -i - escravo
nunc - agora

A sequência dos tempos

Um fato que nem sempre nos damos conta em português é que, em períodos
subordinados, não podemos usar livremente os tempos verbais. Por exemplo, não podemos
dizer coisas como “Quero que cantasses”, ou “Queria que cante”. O falante do português
sabe que deve dizer: “Quero que cante” e “Queria que cantasses”. Esse fato ocorre porque
o tempo do verbo da subordinada depende do tempo da principal. Isso é muito importante
na sintaxe da língua, essa dependência, essa correlação, essa concordância entre os tempos.
Em latim esse fenômeno também ocorre, e ainda com maior precisão.

Na primeira lição, fizemos uma distinção entre os tempos, chamando-os ora de


tempos primários, ora de tempos secundários. No indicativo, seriam chamados de tempos
primários o presente e os futuros, e de secundários todos os passados. Vamos estender essa
classificação ao subjuntivo: serão tempos primários o presente e o perfeito, e secundários o
imperfeito e o mais-que-perfeito.

Lembremo-nos da tabela que deixamos no fim da lição anterior:

PRESENTE (1) PRESENTE (1s)


IMPERFEITO (2) IMPERFEITO (2s)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 33

FUTURO (3)
PERFEITO (4) PERFEITO (3s)
MAIS-QUE-PERFEITO (5) MAIS-QUE-PERFEITO (4s)
FUTURO PERFEITO (6)

De uma outra forma, podemos dizer: os tempos 1, 3, 6 e 1s, 3s são primários; os tempos 2,
4, 5 e 2s, 4s são secundários.

Simplificando um pouco mais, podemos dizer: os tempos que têm os números 1, 3,


6 (tanto no indicativo quanto no subjuntivo) são primários, e os que têm 2, 4, 5 são
secundários:

PRIMÁRIOS 136

SECUNDÁRIOS 245

Essa classificação é fundamental em latim, pois, em períodos subordinados, o tampo


da oração subordinada deve ter mesma classificação do tempo da principal. Temos assim
uma seqüência primária de tempos, e uma seqüência secundária de tempos.

Duas outras distinções são importantes em latim:

1) na seqüência primária o presente do subjuntivo (1s) denota uma ação que ocorre ao
mesmo tempo que daquela do verbo da principal, e o perfeito do subjuntivo (3s) denota uma
ação que ocorreu antes do tempo da ação da principal:

Intelligo quid dicas Entendo o que dizes


(Entendo agora o que dizes agora)

Intelligo quid dixeris Entendo o que disseste


(Entendo agora o que você disse antes)

Preste atenção mais uma vez nos tempos em latim: 1 -> 1s, e 1 -> 3s, todos tempos
primários, com 1s denotando contemporaneidade com o tempo da oração principal, e o 3s
denotando anterioridade ao tempo da oração principal.

2) na seqüência secundária o imperfeito do subjuntivo (2s) denota uma ação que ocorre no
mesmo tempo que o daquela do verbo da principal, e o mais-que-perfeito do subjuntivo (4s)
denota uma ação que ocorreu antes do tempo da ação da principal:

Intelligebam quid diceres Entendia o que dizias


(Entendia então o que dizias então)

Intelligebam quid dixisses Entendia o que tinhas dito


(Entendia então o que você tinha dito antes)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 34

Preste atenção mais uma vez nos tempos em latim: 2 -> 2s, e 2 -> 4s, todos tempos
secundários, com 2s denotando contemporaneidade com o tempo da oração principal, e o
4s denotando anterioridade ao tempo da oração principal.

Observe também que, na tradução, não usamos a tradução “crua” dos tempos, mas
procuramos outra que denotasse ou contemporaneidade ou anterioridade das ações das
subordinadas. No caso, traduzimos os tempos do subjuntivo por tempos do indicativo (!).
Lembre-se disso em suas traduções futuras. Outras traduções com outros tempos poderão
ser possíveis, mas a relação de contemporaneidade ou de anterioridade das ações deve ser
mantida. Veremos mais exemplos disso no tópico seguinte.

Orações finais

Uma oração final denota o fim, o objetivo da ação que o sujeito da principal almeja:
“João trabalha para ter dinheiro”. Podemos perguntar: “Por que João trabalha?”, e
respondermos com o objetivo, o fim desejado por João ao trabalhar: “para ter dinheiro”.

Em latim, usamos, na maioria dos casos, as conjunções ut, “para, para que”, e ne,
“para não, para que não” para expressarmos nosso propósito.

Nas orações abaixo estudaremos orações finais em seqüências primárias e


secundárias.

Observe atentamente a aplicação da seqüência dos tempos nas orações abaixo.

Orações finais em seqüência primária

Laboro ut pecuniam habeam Trabalho para que eu tenha dinheiro.


Trabalho para ter dinheiro.

Laborabo ut pecuniam habeam Trabalharei para que eu tenha dinheiro.


Trabalharei para ter dinheiro.

Laboravero ut pecuniam habeam Terei trabalhado para que eu tenha dinheiro.


Terei trabalhado para ter dinheiro.

Orações finais em seqüência secundária

Laborabam ut pecuniam haberem Trabalhava para que eu tivesse dinheiro.


Trabalhava para ter dinheiro.

Laboravi ut pecuniam haberem Trabalhei para que eu tivesse dinheiro.


Trabalhei para ter dinheiro.

Laboraveram ut pecuniam haberem Tinha trabalhado para que eu tivesse dinheiro.


Tinha trabalhado para ter dinheiro.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 35

Note que em todas as orações é possível traduzir a subordinada por “para ter o
dinheiro”. Note também que basicamente traduzimos apenas o tempo da principal.

Exercício

Traduza:

1. Incolae pugnant ut nautas superent.


2. Incolae pugnabunt ut nautas superent.
3. Incolae liberi pugnaverint ut nautas superent.
4. Pecuniam femina celavit ne nautae viderent.
5. Pecuniam femina celabat ne nauta videret.
6. Pecuniam femina celaverat ne nautae bellum gererent.
7. Magna tristitia scripsi ne bellum gereres.

bellum gerere - fazer guerra scribo, scripsi, scriptum, scribere


- escrever
liber, libera, liberum - livre tristitia, -ae - tristeza

***

Exercícios de revisão –

I. Dê, para cada um dos substantivos abaixo, a forma de bonus, -a, -um, em concordância
de gênero, número e caso (para alguns há mais de uma alternativa):

vitarum bellis viro pueri


verba corona reginas poetam

II. Traduza. Mude a oração original do plural para o singular e traduza novamente.

1. Si verba mala nautarum audivissemus, bellum gessissemus.


2. Vela non damus ne pereamus.
3. Saxa portant ut pugnent.
4. Claros poetam magna cum laetitia audivistis ut laeti essetis.
5. Spectamus ad agros ut agricolas videamus.

agricola, -ae - lavrador, agricultor porto, -avi, -atus, -are - transportar, trazer,
conduzir
clarus, -a, -um - ilustre specto, -avi, -atus, -are - olhar, observar
laetus, -a, -um - alegre, feliz vela dare - dar velas, navegar
pereo, -ivi, -itum, -ire - perecer

III. Traduza. Mude a oração original do singular para o plural e traduza novamente.

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1. Magnum gladium viro bono do ut cum malis pugnet.


2. Servo donum dedit ut bene laboret.
3. Multam pecuniam viro non dedi ne miser esset.
4. Sententiam muto ne taceam.
5. A regina petit ne veniam malo det.

a, ab - de; por (com agente da passiva, que veremos na próxima lição).


bene - bem donum, -i - presente multus, -a, um
- muito, muita

IV. Traduza para o latim.

1. Os habitantes do país desejam ouvir as palavras do poeta para que sejam felizes.
2. Os homens fortes se calaram para não assustarem as meninas.
3. Para não perecer o marinheiro dá velas.
4. Os romanos venceram os habitantes da província para aterrorizar os homens da ilha.
5. Boas palavras ouviram para que não fizessem guerra.
6. Se tivessem ouvido a rainha, não teriam feito guerra para vencerem os romanos.

O sistema do presente ativo das quatro conjugações

Apresentaremos agora o sistema do presente de todas as quatro conjugações latinas.


Chamamos sua atenção para mais uma distinção entre os verbos latinos: o grupo formado
pela primeira e pela segunda conjugação, e o grupo formado pela terceira e pela quarta
conjugação. Este último forma os tempos do sistema do presente, em alguns casos, de
maneira diferente dos tempos da primeira e da segunda conjugação. É interessante que você
faça uma cuidadosa comparação entre cada um deles para não confundir, por exemplo, o
presente do subjuntivo da primeira conjugação com o futuro do indicativo da quarta. São
tempos muito parecidos, e podem causar confusão.

Usaremos nos exemplos os seguintes verbos:

1. opto, -avi, -atus, -are desejar


2. impleo, -evi, -etus, -ère encher
3. duco, duxi, ductus, -ere conduzir
4. sentio, sensi, sensus, -ire sentir, perceber

PRESENTE DO INDICATIVO

Daremos a conjugação completa. Antes de passarmos às observações, sugerimos


que você mesmo tente descobrir as regras de formação da terceira e da quarta conjugação.

1 2 3 4 terminações
opto impleo duco sentio -o

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E.I.E. Caminhos da Tradição 37

optas imples ducis sentis -s


optat implet ducit sentit -t
optamus implemus ducimus sentimus -mus
optatis impletis ducitis sentitis -tis
optant implent ducunt sentiunt -nt

Repare a terceira conjugação: logicamente, seguindo as mesmas regras que demos


para a formação da primeira e da segunda, deveríamos esperar um -e logo antes das
terminações costumeiras. No entanto, esse -e lá não se encontra, e em seu lugar temos um -
i. Além disso, a terceira pessoa do plural muda o -i para -u. Volte à tabela acima e confira
essas nossas observações.

Existe um grupo de verbos da terceira conjugação que se conjugam como se fossem


verbos da quarta: capio, cupio, facio, fugio, iacio, rapio, rupio e seus compostos. Não é
necessário que você os decore. Na tradução as coisas ficarão claras, e uma consulta ao
dicionário pode resolver qualquer dúvida.

PRESENTE DO SUBJUNTIVO

O sinal do presente do subjuntivo da primeira conjugação é a vogal -e. Para a


segunda, a terceira e a quarta conjugação, será a vogal -a, em alguns casos conjunta com
outra vogal, como o -i na quarta conjugação e nos verbos da terceira que se conjugam como
se fossem da quarta, listados acima.

Eis a conjugação:

1 2 3 4 terminações
optem impleam ducam sentiam -m
optes impleas ducas sentias -s
optet impleat ducat sentiat -t
optemus impleamus ducamus sentiamus -mus
optetis impleatis ducatis sentiatis -tis
optent impleant ducant sentiant -nt

Compare essas formas com as do presente do indicativo, notando suas diferenças e


peculiaridades. Essas diferenças devem ser bem aprendidas para um rápido reconhecimento
nos textos a serem lidos. É aconselhável também que você se lembre de como se forma os
mesmos tempos em português, para cada conjugação, o que pode ajudar bastante.

IMPERFEITO DO INDICATIVO

Já vimos a formação do imperfeito do indicativo para a primeira e a segunda conjugação.


Na terceira e na quarta, a sílaba -ba também é acrescentada ao radical da palavra.

1 2 3 4 terminações
optabam implebam ducebam sentiebam -m

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optabas implebas ducebas sentiebas -s


optabat implebat ducebat sentiebat -t
optabamus implebamus ducebamus sentiebamus -mus
optabatis implebatis ducebatis sentiebatis -tis
optabant implebant ducebant sentiebant -nt

IMPERFEITO DO SUBJUNTIVO

Já falamos dele para as quatro conjugações na Lição 2. Não oferece dificuldades.

FUTURO DO INDICATIVO

Pode ser confundido, principalmente na terceira e na quarta conjugação, com os


presentes, tanto do indicativo quanto do subjuntivo. É um cuidado que você deve tomar.
Sugerimos agora a comparação com esses tempos, para que sejam notadas as semelhanças.
A única forma de evitar confusões é procurar guardar a que conjugação pertence cada novo
verbo que você aprender, e também suas partes principais. Note também que o futuro do
indicativo da terceira e da quarta conjugação não tem o -b da primeira e da segunda!

1 2 3 4 terminações
optabo implebo ducam sentiam -m
optabis implebis duces senties -s
optabit implebit ducet sentiet -t
optabimus implebimus ducemus sentiemus -mus
optabitis implebitis ducetis sentietis -tis
optabunt implebunt ducent sentient -nt

***

Exercícios

I. Conjugue e traduza os verbos abaixo somente nas pessoas indicadas, em todos os tempos
do sistema do presente:

1. ago, egi, actus, -ere (agir) na 2a. e na 3a. pessoa do singular.


2. deleo, -evi, -etus, -ere (destruir) na 1a. pessoa do singular e na 2a. do plural.
3. facio, feci, factus, -ere (fazer) na 1a. e na 3a. pessoa do plural.

II. Traduza

1. Multa de diligentia honesti viri scribam.


2. Bonane de femina audiebatis?
3. Filii filiaeque de noxis non intelligent.
4. Carum amicum de periculo monebo ne pereat.
5. Legisne librum clari poetae?
6. Regina si in insula manebit regnum perdet.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 39

amicus, -i - amigo intelligo, intelexi, intelectus, -ere -


entender, discernir
carus, -a, -um - querido, caro lego, legi, lectus, -ere - ler
clarus, -a, -um - ilustre, distinto; evidente maneo, mansi, mansum, -ère - permanecer,
ficar
filia, -ae - filha perdo, perdidi, perditus, -ere - perder;
destruir
filius, -i - filho periculum, -i - perigo; experimento
honestus, -i - honrado, honesto regnum, -i - reino

O sistema do presente PASSIVO de todas as conjugações

Começaremos agora o estudo da voz passiva. Na Lição 1 demos um exemplo de voz


passiva, em contraste com a ativa. Daremos outros:

ATIVA PASSIVA

amo sou amado


amarei serei amado
amei fui amado
tinha amado tinha sido amado
tivesse amado tivesse sido amado
etc.

Podemos notar que na voz passiva temos o acréscimo do verbo ser, em uma de suas
formas, e a transformação do verbo principal para seu particípio passado, amado ou
amada, conforme a pessoa seja do sexo masculino ou feminino. A voz passiva em
português pode ser formada também com os verbos estar e ficar.

Existe ainda uma outra forma de a língua portuguesa formar a voz passiva, fazendo
uso do pronome se: comprou-se uma casa (= uma casa foi comprada). Em certas ocasiões
você deverá usar este tipo de voz passiva, chamada voz passiva sintética ou pronominal.

Em latim, nos tempos do sistema do presente, trocamos as terminações da voz ativa


por outras, características da passiva:

ATIVA PASSIVA

-o (-m) -or, -r
-s -ris (-re)
-t -tur
-mus -mur
-tis -mini
-nt -ntur

Mostraremos o uso dessas terminações em cada um dos verbos do sistema do presente.

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PRESENTE DO INDICATIVO

1a conjugação:

Voz ativa:

Voz passiva:

amo eu amo amor eu sou amado


amas tu amas amaris tu és amado
amat ele ama amatur ele é amado
amamus nós amamos amamur nós somos amados
amatis vós amais amàmini vós sois amados
amant eles amam amantur eles são amados

2a conjugação: 3a conjugação

Voz ativa Voz passiva Voz ativa Voz passiva

impleo impleor duco ducor


imples impleris ducis duceris (ducere)
implet impletur ducit ducitur
implemus implemur ducimus ducimur
impletis implemini ducitis ducimini
implent implentur ducunt ducuntur

Antes de passar à quarta conjugação, observe a segunda pessoa do singular da


terceira conjugação: duceris ou ducere. Esta segunda forma é muitas vezes empregada no
lugar da primeira. Note que, assim, ela se torna igual ao infinitivo, o que pode causar
alguma confusão. Isso também ocorre na 4a conjugação:

Voz ativa Voz passiva

sentio sentior
sentis sentiris (sentire)
sentit sentitur
sentimus sentimur
sentitis sentimini
sentiunt sentiuntur

Como exercício, conjugue no presente do indicativo passivo e traduza o verbo mitto, misi,
missus, -ere (enviar).

IMPERFEITO DO INDICATIVO

1a conjugação:

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Voz ativa: Voz passiva:

amabam eu amava amabar eu era amado


amabas tu amavas amabaris tu eras amado
amabat ele amava amabatur ele era amado
amabamus nós amávamos amabamur nós éramos amados
amabatis vós amáveis amabàmini vós éreis amados
amabant eles amavam amabantur eles eram amados

2a conjugação: 3a conjugação

Voz ativa Voz passiva Voz ativa Voz passiva

implebam implebar ducebam ducebar


implebas implebaris ducebas ducebaris (ducebare)
implebat implebatur ducebat ducebatur
implebamus implebamur ducebamus ducebamur
implebatis implebamini ducebatis ducebamini
implebant implebantur ducebant ducebantur

4a conjugação

Voz ativa Voz passiva

sentiebam eu sentiebar eu
sentiebas tu sentiebaris (sentiebare) tu
sentiebat ele sentiebatur ele
sentiebamus nós sentiebamur nós
sentiebatis vós sentiebamini vós
sentiebant eles sentiebantur eles

Como exercício, complete com a tradução adequada as formas deixadas em branco na 4a


conjugação acima.

FUTURO DO INDICATIVO

Como exercício, vá preenchendo os espaços em branco ou com a tradução ou com a forma


adequada para cada pessoa.

1a conjugação:

Voz ativa: Voz passiva:

amabo eu amabar eu
amabis tu amaberis (amabere) tu
amabit ele amabitur ele

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E.I.E. Caminhos da Tradição 42

amabimus nós amabimur nós


amabitis vós amabimini vós
amabunt eles amabuntur eles

2a conjugação: 3a conjugação

Voz ativa Voz passiva Voz ativa Voz passiva

implebo implebor ducam ducar


implebis impleberis (implebere)* duces ducèris (ducère)
implebit implebitur ducet ducetur
implebimus implebimur ducemus ducemur
implebitis implebimini ducetis ducemini
implebint implebintur ducent ducentur

*Note que o -i mudou para -e antes da terminação -ris.

4a conjugação

Voz ativa Voz passiva

sentiam sentiar eu
senties sentieris (sentière) tu
sentiet sentietur ele
sentiemus sentièmur nós
sentietis sentièmini vós
sentient sentientur eles

PRESENTE E IMPERFEITO DO SUBJUNTIVO

Como seria de se esperar, também o presente e o imperfeito do subjuntivo são


formados mecanicamente substituindo-se as terminações da voz ativa pelas terminações da
passiva.

Exercite-se formando e fornecendo a “tradução crua” para cada uma das formas das
quatro conjugações da voz passiva.

Embora os exercícios de conjugação sejam cansativos, eles serão feitos apenas desta vez.

Estes exercícios “secos” são de eficiência questionável, segundo a maioria dos


educadores. De fato, boa parte das formas não serão encontradas em textos reais ou, se o
forem, não serão de difícil reconhecimento e tradução. Segundo a nossa experiência,
porém, sentimos que muito tempo pode ser economizado se estivermos bem exercitados
nos verbos. Senão perderemos muito tempo procurando essa ou aquela forma em tábuas de
conjugação, e isso pode ser um grande empecilho para a leitura.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 43

A tabela que mostramos ao fim da Lição 2 pode ser um bom auxílio na memorização do
sistema verbal latino:

PRESE NTE PRESENTE


IMPERFEITO IMPERFEITO
FUTURO

PERFEITO PERFEITO
MAIS-QUE-PERFEITO MAIS-QUE-PERFEITO
FUTURO PERFEITO

Os verbos da parte superior pertencem ao sistema do presente, e os da parte inferior,


ao sistema do perfeito. À esquerda, o indicativo, à direita, o subjuntivo. Essa tabela vale
tanto para a voz ativa quanto para a passiva. As demais formas, infinitivos, particípios, etc.,
terão oportunamente a sua tabela.

O sistema do perfeito PASSIVO das quatro conjugações

Trataremos agora da parte em vermelho da tabela acima para a voz passiva.

Os tempos da voz passiva apresentam uma característica marcante: eles não têm
terminações próprias para assinalar sua passividade. Em seu lugar, usam particípios e
formas do verbo sum (“ser”). Vejamos:

PERFEITO PASSIVO DO INDICATIVO

O perfeito passivo do indicativo é composto da terceira parte principal do verbo e


uma forma do presente do indicativo ATIVO do verbo sum. Daremos a conjugação e a
tradução do verbo amo, amavi, amatus, amare para exemplificarmos:

amatus sum eu fui amado


amatus es tu foste amado
amatus est ele foi amado
amati sumus nós fomos amados
amati estis vós fostes amados
amati sunt eles foram amados

A primeira coisa que nos salta aos olhos é a tradução que demos ao verbo “ser”.
Não seria, por exemplo, amatus est = ele é amado, fazendo uma tradução “correta” de est?
Note: a forma em português “ele é amado” já tem sua correspondente em latim: amatur.
Isso poderá confundi-lo por um tempo.

Repare também que no lugar de amatus poderíamos ter amata, caso se tratasse de
uma mulher:

amatus est ele foi amado

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amata est ela foi amada

assim como poderíamos ter amatae se estivéssemos no plural:

amata est ela foi amada


amatae sunt elas foram amadas.

Enfim, o particípio funciona como um adjetivo: amatus, amata, amatum. O


mesmo se dá com todos os tempos restantes.

A partir dos tempos seguintes, daremos a tradução e a forma de apenas algumas pessoas.
Como exercício, forme e traduza cada uma das pessoas restantes, completando os espaços
em branco.

MAIS-QUE-PERFEITO PASSIVO DO INDICATIVO

Forma-se com o particípio mais o IMPERFEITO do verbo sum:

amatus, -a, um eram tinha sido amado


tinhas sido amado
amatus, -a, um erat
amati, -ae, -i eramus
tínheis sido amados
amati, -ae, -i

FUTURO PERFEITO PASSIVO DO INDICATIVO

Forma-se com o particípio mais o FUTURO do verbo sum:

amatus, -a, um ero


terás sido amado
sido amado
amati, -ae, -i erimus
amati, -ae, -i
teremos sido amados

PERFEITO PASSIVO DO SUBJUNTIVO

Forma-se com o particípio mais o PRESENTE do subjuntivo do verbo sum:

amatus, -a, -um sim tenha sido amado


amatus, -a, -um sis tenhas sido amado
amati, -ae, -i tenham sido amados

MAIS-QUE-PERFEITO PASSIVO DO SUBJUNTIVO

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Forma-se com o particípio mais o IMPERFEITO do subjuntivo do verbo sum:

amatus, -a, -um essem


amatus, -a, -um esses
amatus, -a, -um esset
tivéssemos sido ouvidos
tivésseis sido ouvidos
tivessem sido ouvidos

Volte àquela tabela de verbos que demos mais acima. Note agora que os verbos da
parte de baixo da tabela foram formados com o auxílio das formas da parte de cima,
correspondentes à voz ATIVA do verbo sum, “ser”. Em outras palavras, foi como se
tivéssemos feito uma superposição da parte de cima na voz ativa sobre a parte de baixo com
o particípio para formar a voz passiva. Essa simetria é muito útil no momento de se formar
a voz passiva.

Repare também que demos apenas os paradigmas da primeira conjugação. As três


restantes se formam analogamente, sem exceções.

Terminamos aqui uma parte importantíssima no aprendizado do latim. Esse


“núcleo” do sistema verbal latino, os seis verbos do indicativo e os quatro do subjuntivo,
nas vozes ativa e passiva, talvez sejam o que de mais complicado o latim oferece ao
iniciante. Tire um tempo para rever e sistematizar esses conhecimentos. Como sugestão,
faça uma sinopse completa de cada um dos verbos abaixo nas pessoas pedidas, na passiva:

supero, -avi, -atus, -are (vencer, conquistar) na terceira pessoa do singular;


dèleo, -èvi, -ètus, -ère (destruir) na primeira pessoa do plural;
duco, duxi, ductus, -ere (conduzir, levar; considerar) na segunda pessoa do singular;
audio, -ivi, -itus, -ire (ouvir) na terceira pessoa do plural.

Ablativo de agente da passiva

O agente que realiza a ação de um verbo na voz passiva é regularmente expresso pelo
ablativo sozinho ou com a preposição a, ab, quando o agente é uma pessoa:

Puella a regina terretur. A menina é amedrontada pela rainha.


Puella fama reginae terretur. A menina é amedrontada pela reputação da rainha
Regina ab incola auditur. A rainha é ouvida pelo habitante
Pueri ab amicis auditi erant. Os meninos haviam sido ouvidos pelos amigos.

O cuidado que você deve ter é não confundir a preposição a com o artigo definido
em português “a”. Mais uma vez, essa preposição se transforma em ab se a palavra
seguinte começa por vogal: ab incola, “pelo habitante”.

Como não marcamos aqui a quantidade das vogais, muitas vezes, em uma tradução,
o ablativo da primeira declinação pode ser confundido com o nominativo. Nesses casos, só

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uma atenta análise da frase pode resolver o problema. Em textos reais não ocorrem frases
soltas com as que até aqui encontramos, e por isso não será difícil deslindar cada caso.

***

Exercícios

Traduza:

1. Saxis pugnant, gladiis terrentur.


2. A malis oppidum deletus est.
3. A nauta pueris datus est donus.
4. A deo factus.*
5. Terra tecta umbra.*

* Foi omitido o verbo sum, como muitas vezes se faz em latim, e freqüentemente, alguma
forma do presente do indicativo, principalmente est e sunt. Esteja atento!

deus, -i - deus, divindade tego, texi, tectus, -ere - cobrir;


esconder
oppidum, -i - cidadela, fortaleza; cidadezinha umbra, -ae - sombra

***

Exercícios de Revisão

I. Escolha 1O formas abaixo, passe-as para a passiva e depois traduza:

1. spectas 8. capietis 15.damnabas


2. coronamus 9. capiatis 16. damnavisti
3. detis 1O. capitis 17. incepisset
4. donent 11. calabamus 18. incepissent
5. habeam 12. cogitaret 19. laboraverit (2 formas)
6. impleat 13. cogitet 2O. monueratis
7. videbitis 14. cogitat

II. Escolha 1O formas abaixo, passe-as para a ativa e depois traduza:

1. mutati sumus 8. pulsa essem 15. teneris


2. mutati simus 9. pulsae sumus 16. auditum sit
3. mutati erimus 1O. sentiamini 17. audiamur
4. mutati eramus 11. sentimini 18. audiebamur
5. pelleris 12. sentiemini 19. gesta sunt
6. pellaris 13. teneberis 2O. geruntur
7. pulsi sint 14. tenebaris

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III. Traduza:

1. Caelus a pueris monstratur.


2. Ne nautae inimicus essem donos dedi.
3. Donum nautae a me datur.
4. Via a poeta agricolae non monstratur, sed a femina.
5. In caelo stellas circum lunam videmus.
6. Sermo latinus traditur nunc.
7. Pro patria pugnatus est.
8. Facta verorum amicorum laudantur.
9. Nisi nautae ad aquam ducantur, vela non dent.

caelum, -i - céu laudo, -avi, -atus, -are - louvar sermo, -onis - língua
factum, -i - feito monstro, -avi, -atus, -are - mostrar tego, texi, tectus, -ere -
cobrir, esconder
luna, -ae - lua pro - (prep. + abl.) - em favor de verus, -a, -um -
verdadeiro, sincero

IV. Traduza para o latim:

1. Fui conduzido pelo amigo.


2. Sou conduzido pelo amigo.
3. Tinha sido conduzido pelo amigo.
4. Cartas teriam sido escritas pelo poeta, se ele tivesse desejado.
5. Cartas seriam escritas pelo poeta, se ele desejasse.

Particípios

Aprendemos que, em português, formas verbais do tipo “amado”, “vendido”,


“caído” são chamadas de particípios. São adjetivos formados a partir dos verbos “amar”,
“vender”, “cair”. Em latim vimos até agora que amatus é o particípio perfeito passivo de
amo, amare. É um particípio relacionado ao passado. Seria possível um particípio
relacionado ao presente ou ao futuro?

Em português, conhecemos adjetivos como minguante (Lua minguante), cadente


(estrela cadente), seguinte (página seguinte); agonizante (homem agonizante), corrente
(água corrente), contribuinte (sócio contribuinte), e muitos outros. Antigamente esses
adjetivos eram chamados de particípios presentes. Note que cada um deles é equivalente a
uma perífrase do tipo que + verbo: cadente = que cai; agonizante = que agoniza;
contribuinte = que contribui, etc.

Pois bem, em latim também existe tal tipo de adjetivo. Do verbo amo, amare temos
amans = amante, que ama; de incipio, incìpere temos incipiens = incipiente, que começa;

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de sentio, sentire temos sentiens = sentiente, que sente. São os particípios presentes
ativos.

Em português temos também adjetivos como nascituro (bebê nascituro), morituro


(homem morituro), vincituro (exército vincituro). Podem ser substituídos por perífrases do
tipo que está para + verbo: nascituro = que está para nascer; morituro = que está para
morrer; vincituro = que está para vencer.

Em latim tal tipo de adjetivo é chamado de particípio futuro ativo. Do verbo amo,
temos amaturus, a, um = que está para amar; de incipio temos incepturus, -a, -um = que
está para começar; de sentio temos sensurus, -a, -um = que está para sentir.

Todos esses três tipos de particípio são bastante usados em latim, em maneiras que
não conhecemos em português. Existe em latim um quarto tipo de particípio, o particípio
futuro passivo, que estudaremos mais abaixo, e traz consigo a idéia de obrigação, dever.
Comecemos estudando a formação de cada um deles.

PARTICÍPIO PRESENTE ATIVO

Forma-se adicionando -ns à raiz do presente de cada verbo:

opta/ns = que deseja


imple/ns = que enche
duce/ns = que conduz

Na quarta conjugação (e também nos verbos que seguem a quarta conjugação: ver 4.1.1)
adicionamos -ns à raiz do verbo acrescida de e:

audi/e/ns = que ouve


faci/e/ns = que faz

PARTICÍPIO PERFEITO PASSIVO

É o nosso conhecido particípio, formado com a terceira parte principal do verbo:

optatus, -a, -um = desejado, desejada


impletus, -a, -um = enchido, enchida
ductus, -a, -um = conduzido, conduzida
auditus, -a, -um = ouvido, ouvida

Como qualquer adjetivo em latim, concorda com o substantivo a que se refere em gênero,
número e caso.

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PARTICÍPIO FUTURO ATIVO

É formado também a partir da terceira parte principal do verbo, de onde retiramos -us e
adicionamos em seu lugar -ùrus. -a, -um:

optat/urus, -a, -um = que está para desejar


implet/urus, -a, -um = que está para encher
duct/urus, -a, -um = que está para conduzir
audit/urus, -a, -um = que está para ouvir

Também concorda com o substantivo a que se refere em gênero, número e caso.

PARTICÍPIO FUTURO PASSIVO

Esse particípio deixou pouquíssimas marcas em português, e seu sentido original


quase se perdeu. É encontrado em palavras como diminuendo, dividendo e despiciendo.
Note que não equivale ao gerúndio português, e podem ser esclarecidos fazendo-se udo da
expressão que deve ser + verbo: diminuendo = que deve se diminuído; dividendo = que
deve ser dividido; despiciendo = que deve ser desprezado.

Como você pode notar, existe em cada forma a noção de dever, obrigação. Esse
particípio é formado a partir do radical do presente mais a terminação -ndus, -a, -um.
Também nos verbos da quarta conjugação e os que a seguem, interpomos um -e:

opta/ndus, -a, -um = que deve ser desejado


imple/ndus, -a, -um = que deve ser cheio
duce/ndus, -a, -um = que deve ser conduzido
audi/e/ndus, -a, -um = que deve ser ouvido

Em resumo, temos a seguinte tabela de particípios:

Ativo Passivo

presente amans = que ama --------


perfeito -------- amatus = amado (que foi amado)
futuro amaturus = que está para amar amandus = que deve ser
amado

Estudaremos agora alguns dos usos de cada um deles.

Alguns usos dos particípios

Acima demos para cada particípio uma tradução “crua”, assim como o fizemos com
os tempos do subjuntivo. Na verdade, a tradução do particípio depende do tempo do verbo
da oração principal, do mesmo modo com aconteceu com o subjuntivo.

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Um particípio presente refere-se a uma ação contemporânea à ação do verbo


principal; um particípio perfeito a uma ação anterior à ação do verbo principal; e um
particípio futuro a uma ação posterior à do verbo principal.

Esse sistema encontra alguns problemas na prática, pois o latim não dispõe de dois
particípios, um presente passivo e um perfeito ativo. Essa deficiência pode ser superada na
tradução sem maiores problemas (uma outra língua que faz uso de um sistema semelhante,
porém mais preciso e simétrico, é o Esperanto, que possui os particípios que faltam ao
latim). Estudemos cada caso.

Particípio presente ativo

Observe a tradução da frase seguinte, fazendo-se uso da idéia de contemporaneidade:

Nauta clamans pugnavit. O marinheiro que gritava lutou.


O marinheiro lutou gritando.
Gritando, o marinheiro lutou.
Enquanto gritava, o marinheiro lutou.
Mesmo gritando, o marinheiro lutou.

Note que em cada caso o particípio se refere a uma ação que ocorre ao mesmo
tempo que a ação principal. A tradução vai depender do contexto em que estiver a frase.

Freqüentemente, quando queremos dar a idéia de concessão, inserimos tamen, “no


entanto”, na frase: Nauta clamans tamen pugnavit. “Embora gritando o nauta no entanto
lutou”. Quase sempre esse “no entanto” pode ser dispensado nas traduções para o
português.

Particípio perfeito passivo

Observe a tradução da frase seguinte, fazendo-se uso da idéia de anterioridade:

Nauta territus clamavit. O marinheiro aterrorizado gritou.


O marinheiro, tendo sido aterrorizado, gritou.
O marinheiro que havia sido aterrorizado gritou.
Como havia sido aterrorizado, o marinheiro gritou.

Note que em cada caso o particípio se refere a uma ação que ocorreu antes da do
verbo principal. A tradução vai depender do contexto em que estiver a frase.

Note também a característica passiva do particípio: o marinheiro não aterrorizou,


mas sim foi aterrorizado. Isso justifica o nome “particípio perfeito passivo”.

Particípio futuro ativo

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Observe a tradução da frase seguinte, fazendo-se uso da idéia de posteridade, ou


seja, o particípio expressa uma ação que se realizará logo após o início da ação do verbo
principal, o que sentimos como uma expectativa:

Nauta pugnaturus clamavit. O marinheiro que estava para lutar gritou.


Estando para lutar, o marinheiro gritou.

O marinheiro que ia lutar gritou.

Em todos esses casos, a ação de lutar é posterior à de gritar. Note que o marinheiro
gritou antes de ir lutar, ou ainda, vai lutar depois de ter gritado.

5.2.4. Particípio futuro passivo

O particípio passivo expressa uma ação que ocorrerá ou terá que ocorrer depois da
ação principal. Traz consigo uma noção de obrigatoriedade. Há casos em que esta noção
desaparece. Estudaremos mais à frente no curso.

Observe a tradução:

Libros legendos in mensa posuit. Ele pôs na mesa os livros que devem ser lidos.
Ele pôs na mesa os livros a serem lidos.

Exercícios:

I. Traduza:

1. a) liber lectus; b) liberorum lectorum


2. a) litterae missae; b) litteris missis
3. a) regnum perdendum; b) regna perdenda; c) regno perdendo
4. a) dona danda; b) donorum dandorum
5. a) femina visura; b) feminarum visurarum

II. Traduza:

1. Insula a nauta capta delebitur.


2. Nauta provinciam capiens pecuniam regni rapit.(rapuit).
3. Nauta provinciam capturus pecuniam regni rapit (rapuit). (rapio, rapui, ratum, rapere -
roubar)
4. Insula capta deletura.
5. Regnum capiendum est magnum.
6. Donum viris librum lecturis dedisti.
7. Sententia mutanda est.
8. Venia petenda erit.
9. Pecunia petenda est ne nautae insulam deleant.
1O. Si bellum gerendum, pecunia optanda. (Cuidado: o verbo sum foi omitido!)

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A conjugação perifrástica

Existe em latim um tipo de conjugação chamada de conjugação perifrástica, que faz


uso de um particípio futuro, tanto o ativo quanto o passivo, mais uma forma do verbo sum.
Não representa, em vista do que já vimos acima, uma dificuldade a mais a ser aprendida.
De fato, sua tradução é quase imediata, e a listaremos aqui aproveitando o que foi dito
sobre os particípios.

Não se preocupe em memorizar cada uma das formas: use esta seção apenas como
referência!

CONJUGAÇÃO PERIFRÁSTICA ATIVA

Pode ser traduzida por uma destas expressões: estar para, haver de, tencionar:

INDICATIVO

Pres.: amaturus, -a, -um sum Estou para amar


Hei de amar
Tenciono amar
Imp.: amaturus, -a, -um eram Eu estava para amar, etc.
Fut.: amaturus, -a, -um erit Eu estarei para amar, etc.
Perf.: amaturus, -a, -um fui Eu estive para amar, etc.
M.Q.Perf.: amaturus, -a, -um fueram Eu tinha estado para amar, etc.
Fut. Perf..: amaturus, -a, -um fuero Eu terei estado para amar, etc.

SUBJUNTIVO

Pres.: amaturus, -a, -um sim Que eu esteja para amar, etc.
Imp.: amaturus, -a, -um essem Se eu estivesse para amar, etc.
Perf.: amaturus, -a, -um fuerim Eu tenha estado para amar, etc.
M.Q.Perf.: amaturus, -a, -um fuissem Eu tivesse estado para amar, etc.

Como pode ser notado, a tradução dada para cada uma das formas não é muito
comum e, de fato, é pouco encontrada na prática.

Mais importante é a conjugação passiva:

CONJUGAÇÃO PERIFRÁSTICA PASSIVA

Com uma idéia de obrigação, pode ser traduzida por uma destas formas: dever ser,
sou digno de, ter que:

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INDICATIVO

Pres.: amandus, -a, -um sum Eu devo ser amado


Sou digno de ser amado
Tenho que ser amado
Imp.: amandus, -a, -um eram Eu tinha que ser amado, etc.
Fut.: amandus, -a, -um ter Eu terei que ser amado, etc.
Perf.: amandus, -a, -um fui Eu tive que ser amado, etc.
M.Q.Perf.: amandus, -a, -um fueram Eu tinha que ter sido amado, etc.
Fut. Perf..: amandus, -a, -um fuero Eu terei que ter siso amado, etc.

SUBJUNTIVO

Pres.: amandus, -a, -um sim Eu tenha que ser amado, etc.
Imp.: amandus, -a, -um essem Eu tivesse que ser amado, etc.
Perf.: amandus, -a, -um fuerim Eu tenha estado para ser amado, etc.
M.Q.Perf.: amandus, -a, -um fuissem Eu tivesse estado para ser amado, etc.

Dativo de agente com passivo perifrástico

Com a conjugação perifrástica passiva o agente não é expresso pelo ablativo, mas
pelo dativo! Na prática, no momento da análise de alguma oração em que se encontre a
conjugação perifrástica passiva, procure por um dativo. Ele pode ser o agente:

Puella poetae videnda est. A menina tem que ser vista pelo poeta.
O poeta tem que ver a menina.
Liber legendus erit feminae O livro terá que ser lido pela mulher.
A mulher terá que ler o livro.

Observe a tradução alternativa na segunda frase. Note também que, por ser um
adjetivo, o futuro perifrástico passivo deverá concordar com o sujeito, puella ou liber,
segundo a frase.

Exercício

I. Traduza:

1. Sententia mutanda est viro.


2. Venia petenda erit agricolis.
3. Pecunia petenda est nautis ne insulam deleant.
4. Si bellum gerendum est incolis, pecunia optanda.
5. Feminae liber legendus fuit.

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Dativo de posse

Construção muito comum em latim, o dativo pode ser usado com o verbo sum para
mostrar o possuidor de alguma coisa. Observe:

Corona est reginae A coroa é “à rainha” = A rainha tem uma coroa.


Liber amico est. O livro é “ao amigo” = O amigo tem um livro.

Como em muitas outras construções, o dativo serve de referência a alguma coisa.


Essa função referencial está quase sempre presente no dativo, como vimos aqui e na seção
anterior. O dativo nem sempre é objeto indireto. (Na verdade, o objeto indireto é um tipo de
referência...)

O verbo possum, “poder”

O verbo possum, potui, ----, posse, “poder, ser capaz de” é um composto do verbo
ser, e se conjuga como fazendo-se a junção de pos- ou pot- a uma forma do verbo ser, no
tempo que se quer.

Durante a conjugação, procure responder à seguinte pergunta: quando se usa pos- e


quando se usa pot-?

Vamos à conjugação. Complete as formas que faltam e traduza:

presente imperfeito futuro perfeito m.q.-perfeito futuro perfeito

INDICATIVO

possum poteram potero potui potueram potuero


potes poteris potueras
poterat potuerit
possumus poterimus potuimus
poteratis potuistis potueratis
possunt poterant potuerint

SUBJUNTIVO

possim possem potuerim potuissem


possis potuisses
possem potuerit
potuerimus potuissemus
possitis
possint possent potuissent

Quando se deve usar pos- e quando se deve usar pot-? Que particularidades você destacaria
na conjugação no modo subjuntivo?

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Exercício

I. Traduza

1. Possumne hic ambulare? (hic - aqui)


2. Nauta audiens vir bonus esse potest.
3. Nautis gladii sunt.
4. Filiae agricolae pluchri oculi erant. (oculus, -i - olho)
5. Reginae multa pecunia est, mihi nihil. (mihi - a mim)
6. Mihi est pecunia, tibi est terra (tibi - a ti)
7. Terraene agricolis sunt?
8. Neque hic neque ibi pecunia est populo. (ibi - lá, aí; populus, -i - povo)
9. Sine domo vivere non potest. (sine + abl. - sem; vivo, vixi, victus, -ere -viver)
1O. Ante portas pugnans interfectus est. (ante + acus. - diante; porta, -ae - portão, porta;
interficio, interfeci, interfectus, -ere - matar)

Infinitivo como objeto direto de verbos

Exatamente como em português, alguns verbos em latim podem ser seguidos de um


infinitivo:

Amicum videre opto. Desejo ver um amigo.


Feminam videre possum. Posso ver uma mulher.
Bonus esse videtur. Ele parece ser bom.

Essa construção é muito comum em latim, e na quase totalidade dos casos os dois
verbos vão para o fim da frase.

Uma particularidade muito importante do verbo video, “ver”, é que, na voz passiva,
ele adquire o significado de “parecer”, “ser semelhante a”: videor, “eu pareço”; videtur,
“ele parece”; videbatur, “ele parecia”, etc.

Note que, mesmo conjugado na passiva, esse verbo tem um significado ativo em
português. Encontraremos outros assim nas lições subseqüentes.

Exercícios de revisão

I. Complete e traduza cada uma das frases abaixo usando os particípios presente ativo,
perfeito passivo e futuro ativo dos verbos dados entre parentes:

1. Femina __________ puellam vidit. (discedo, -cessi, -cessus, -ere - partir, ir embora)
2. Nauta amicum __________ vela dedit. (voco, -avi, -atus, -are - chamar)
3. Magister pueros _______ ambulare non potest. (doceo, docui, doctus, -ère - ensinar)

II. Traduza para o latim, fazendo uso do dativo de posse:

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1. Os lavradores têm poucas terras.


2. As meninas não têm belos olhos.
3. Nada tenho, e nada desejo.
4. Ele não tem nem casa nem mesa.

III. Traduza:

1. Insula invadenda est inimicis reginae. (invado, invasi, invasus, -ere - invadir, atacar)
2. Delenda Carthago. (Carthago - Cartago, antiga cidade inimiga de Roma)
3. Arma canenda sunt. (arma, -orum - armas; cano, cecini, cantus, -ere - cantar)
4. Arma virumque cano. (Início da ENEIDA, de Virgílio)
5. Nec aurum nec argentum optandi sunt tibi. (aurum, -i - ouro; argentum, -i - prata)

IV. Passe para o latim:

1. Os livros devem ser lidos por poetas e marinheiros.


2. Sem dinheiro eles não podem viver.
3. Se os inimigos atacam, a ilha deve ser defendida.
4. Guerra não deve ser feita pelos habitantes da província.
5. Ainda que os marinheiros não queiram dar velas, devemos navegar. (quamquam - ainda
que; debeo, debui, debitum, debere - dever, ser obrigado a)
6. Ele pôs os novos livros que devem ser lidos na mesa. (novus, -a, -um - novo)

Revisão

1. Qual o som do “T” antes da letra “I”?


2. Qual a pronúncia da letra “J”?
3. Qual a pronúncia do grupo consonantal “CH”?
4. Qual a pronúncia do grupo consonantal “GN”?
5. Qual a pronúncia do grupo consonantal “PH”?
6. Como funciona a regra da penúltima?
7. Cite 5 características da fraseologia latina.
8. Qual o som das letras “J” e “V”?
9. O que é declinação?
10. Quanto à declinação, qual é considerada a forma básica do latim?
11. Fale sobre os gêneros em latim.
12. Quantas e quais são as conjugações verbais?
13. Quais as características do sistema verbal em latim?
14. Quais os tempos verbais do Indicativo e a que tempos correspondem em português?
15. Quais os tempos primários e quais os tempos secundários?
16. Fale sobre as formas “finitas”.
17. O que são tempos primitivos e quais são eles?
18. Fale sobre a construção do “sistema do presente”.
19. Usando a regra acima faça o mesmo com o verbo “vivere”.
20. Quais as formas do verbo ser correspondem ao português abaixo:

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a) sou
b) sois
c) eram
d) sereis
e) serei
f) és
g) é
h) são
i) era
j) éreis
k) seremos

21) O que são flexões?


22) O que é nominativo?
23) O que é genitivo?
24) O que é acusativo?
25) O que é dativo?
26) O que é ablativo?
27) O que é vocativo?
28) Qual a regra para a palavra Enim?
29) Que são partículas enclíticas? Cite exemplos.
3O) Traduza as seguintes palavras e escreva na frente o seu radical:
a) impletus
b) pecúnia
c) taeda
d) poena

1. Conjugue o verbo “Amar” nos seguintes tempos: Perfeito, mais que perfeito e
futuro perfeito.
2. Conjugue o verbo amar no presente do subjuntivo.
3. Conjugue o verbo Sum, no presente do subjuntivo e traduza.
4. O que é uma oração Condicional?
5. O que é período hipotético?
6. Traduza a seguinte frase: Si laboravit, pecuniam optavit.
7. Quando uma frase é considerada de hipótese irreal?
8. Cite exemplos de genitivo de culpa.
9. Qual a característica da segunda declinação?
10. Quais as terminações da segunda declinação?
11. Faça a segunda declinação completa.
12. Quais as 2 regras importantes para os neutros para quais declinações elas são
válidas?
13. Os adjetivos declinam?
14. Faça a declinação completa do seguinte adjetivo e explique porque seus 3 gêneros:
de bonus, bona, bonum
15. Qual a função do ablativo sem preposição?
16. Qual a função da preposição Cum no ablativo?

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17. Traduza a seguintes frases: Laboro ut pecuniam habeam. / Laborabo ut pecuniam


habeam / Laborabam ut pecuniam haberem / Laboravero ut pecuniam
habeam / Laboravi ut pecuniam haberem / Laboraveram ut pecuniam
haberem
18. Existe um grupo de verbos da terceira conjugação que se conjugam como se fossem
verbos da quarta, quais são?
19. O sinal do presente do subjuntivo da primeira conjugação é a vogal ..........
20. Para a segunda, a terceira e a quarta conjugação, será a vogal................ em alguns
casos conjunta com outra vogal, como ...........
21. Conjugue os seguintes verbos no presente do subjuntivo: opto, impleo, duco,
sentio.
22. Conjugue os mesmos verbos acima agora no Imperfeito do Indicativo.
23. Conjugue os mesmos verbos acima agora no Futuro do Indicativo.
24. Qual a característica da voz passiva?
25. Para que servem as preposições: a, ab?
26. O que é o ablativo de agente da voz passiva?

6.1. Substantivos da terceira declinação

À terceira declinação pertencem tanto substantivos quanto adjetivos. Ela é, de


longe, a declinação de maior número de vocábulos da língua latina. Estudaremos agora os
substantivos, que podem ser masculinos, femininos ou neutros.

Esta declinação se caracteriza pelo genitivo em –is para todas suas palavras.
Chamamos já a sua atenção para uma possível confusão desse genitivo singular com o
dativo e com o ablativo plurais da primeira e da segunda declinação. Além disso, é preciso
saber também que o nominativo de algumas palavras desta declinação também termina em
–is, o que pode ser confundido com o genitivo da mesma palavra. Essas e outras
dificuldades serão bem notadas neste curso. Vamos à declinação de alguns substantivos;
logo após faremos algumas observações. Vá reparando e anotando nas margens da folha
quais são as terminações para cada um dos casos:

Substantivo masculino: rumor, rumoris – rumor, fofoca

singular plural

Nom. rumor rumores


Gen. rumoris rumorum
Ac. rumorem rumores (rumoris)
Dat. rumori rumoribus
Abl. rumore rumoribus
Voc. rumor rumores

Substantivo feminino: nox, noctis – noite

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singular plural

Nom. nox noctes


Gen. noctis noctium
Ac. noctem noctes (noctis)
Dat. nocti noctibus
Abl. nocte noctibus
Voc. nox noctes

Substantivo neutro: sidus, sideris – estrela, constelação

singular plural

Nom. sidus sidera


Gen. sideris siderum
Ac. sidus sidera
Dat. sideri sideribus
Abl. sidere sideribus
Voc. sidus sidera

Observações:

1). Note que, além do genitivo em –is, existe, para os gêneros masculino e feminino, uma
forma alternativa também terminada em –is para o acusativo plural!

2). Uma boa parte dos substantivos nunca revela, já no nominativo, o seu radical, como em
nox, que tem o radical noct-, e em sidus, de radical sider-. Existem regras precisas para a
determinação do radical sendo dado o nominativo, ou o nominativo sendo dado o radical. A
prática da língua, porém, e a consulta a um dicionário quase sempre dispensa essas
complicações, e por isso não as comentaremos neste curso.

3). Relembramos aqui uma regra válida para todas as declinações: os substantivos neutros
têm formas idênticas no nominativo e no acusativo.

4). O que de mais importante podemos dizer desta declinação é que algumas palavras
interpõem um -i- entre o radical e a terminação -um do genitivo plural. Note que isso
ocorreu em noctium (e não *noctum). Esse fenômeno pode ocorrer com palavras de
qualquer gênero, como em mare, maris (N) – mar, que tem o genitivo plural marium, e
não *marum; e como em mons, montis – montanha, que faz montium, e não *montum.
Esse -i- também pode ocorrer no nominativo e no acusativo plurais. Também existem
regras para a determinação das palavras com essa característica. Todavia, basta por
enquanto saber que o genitivo plural acaba em –um, terminação esta que pode ou não ser
antecedida de -i-. Você será alertado assim que surgir uma palavra com essa característica.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 60

5). Alguns substantivos neutros com nominativo terminado em –ar, -e, -al têm um –i no
lugar de –e no ablativo singular, como animal, animalis – animal, que faz animali no
ablativo singular, e não *animale. Cuidado para não confundir com o dativo!
***
Exercícios
I. Concorde com a forma do adjetivo bonus, -a, -um, os substantivos dados (algumas
formas apresentam mais de uma possibilidade. Liste todas):
1. Com miles, militis – soldado: 3. Com corpus, corporis - corpo
a) (exemplo) boni -> boni militis a) bona ->
b) bono -> b) bonum ->
c) bonorum -> c) bonorum ->
d) bonis -> d) bonis ->
e) bonos -> e) bonos ->
2. Com soror, soròris – irmã: 4) Com mens, mentis, (-ium) - mente
a) bona -> a) bonas ->
b) bonas -> b) bonam ->
c) bonae -> c) bonarum ->
d) bona (abl.) -> d) bona ->
e) bonis -> e) bonae ->
II. Decline junto e traduza:
1. No singular:
a) bonum exemplar (exemplar, exemplaris (-ium) – modelo)
b) sanum animal (sanus, -a, -um – saudável; animal, animalis (-ium) – animal)
2. No plural:
a) altus mons (mons, montis (-ium) – montanha)
b) antiqua urbs (antiquus, -a, -um – antigo; urbs, urbis (-ium) – cidade)
***
6.2. Infinitivos

O latim possui seis infinitivos, com apenas um em comum com o português: o


infinitivo presente ativo.

Todos os infinitivos são usados de formas outras não equivalentes ao uso do


infinitivo português. Além disso, e como na seqüência dos tempos, sua tradução vai
depender fortemente do tempo do verbo da oração principal, o que explicaremos na seção
seguinte. Apresentaremos cinco dos seis infinitivos latinos, os que de fato são de uso amplo
e freqüente na literatura.

6.2.1. Infinitivo presente

O infinitivo presente se divide em dois: o ativo e o passivo. Já temos contato com o


ativo, e o passivo não oferece maiores dificuldades. Vejamos cada um deles:
a) Ativo: amare desejar
dùcere conduzir
etc.
b) Passivo: amari ser amado
impleri ser enchido

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duci ser conduzido


sentiri ser percebido
A formação do passivo é simples: tome a forma do ativo, e mude o –e final por um
–i. Na terceira conjugação, substitua toda a terminação –ere por –i. Observe novamente a
tradução “crua” do verbo.

6.2.2. Infinitivo perfeito

O infinitivo perfeito também se divide em ativo e passivo. O ativo é de uso mais


freqüente que o passivo. Aliás, o latim usa amplamente todos os infinitivos ativos, e faz uso
moderado dos passivos, exceto com os verbos chamados depoentes – verbos que se
conjugam na voz passiva, mas que têm significação ativa – que estudaremos em outra lição.
Neste primeiro contato, dê uma atenção especial aos infinitivos ativos:

a) Ativo: formado pela adição de –isse ao radical do perfeito de cada verbo, ou seja, sua
segunda parte principal:

amavisse ter amado


implevisse ter enchido
duxisse ter conduzido
sensisse ter percebido
b) Passivo: formado com a terceira parte principal do verbo mais esse, que é o infinitivo do
verbo sum:
amatus (-a, -um) esse ter sido amado
impletus esse ter sido enchido
ductus esse ter sido conduzido
sensus esse ter sido sentido

Em todas as formas, é possível escrever, por exemplo, amata esse, amatum esse, o
que fica na dependência do gênero do substantivo a que o infinitivo se refere.

6.2.3. Infinitivo futuro

Trataremos aqui do infinitivo futuro ativo apenas, uma vez que o passivo é uma forma
muito complicada e rara na literatura. Mesmo o ativo não é muito encontrado. Vale, porém,
conferir sua forma, uma vez que na seção seguinte explicaremos o sistema de uso de todos
os infinitivos.

a) Ativo: formado com o particípio futuro ativo, mais esse:


amaturus (-a, -um) esse irá amar
impleturus esse irá encher
ducturus esse irá conduzir
sensurus esse irá perceber
Além de seu uso independente, cujas traduções demos acima, os infinitivos são de
fundamental importância no tipo de construção que estudaremos abaixo, onde o sujeito da

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oração, que em geral está no nominativo, passa para o acusativo, e as formas do verbo -
qualquer uma delas - se reduz a um dos infinitivos acima.

6.3. Discurso indireto; orações com sujeito acusativo e infinitivo

O tipo de construção cujo sujeito passa para o acusativo e tem o verbo em uma das
formas do infinitivo é uma das que mais freqüentemente encontramos na literatura latina.
Diríamos até que esta seção faz parte do núcleo das principais seções deste curso.

Quando dizemos “Pedro passeia”, estamos fazendo uma afirmação em discurso


direto. Mas quando dizemos “Ele diz que Pedro passeia”, estamos fazendo uma afirmação
em discurso indireto: para afirmar algo de Pedro usamos um “intermediário”, no caso o
pronome “ele”. Quando relatamos algo que uma pessoa diz de outra, estamos usando o
discurso indireto. Não só quando relatamos, mas quando usamos verbos que exprimem
ações que ocorrem na cabeça, como dizer, pensar, ver, perceber, saber, e outros, podemos
usar o discurso indireto.

Em português usamos a conjunção “que” para introduzir o discurso indireto: “Ele


diz que Pedro passeia”. Em latim isso não ocorre. Como dissemos, nesse tipo de construção
usamos os infinitivos, e esses infinitivos se relacionam com o tempo do verbo da oração
principal da mesma forma que os particípios: o infinitivo presente indicando uma ação
simultânea à do verbo da oração principal; o perfeito uma ação anterior, e o futuro uma
ação posterior à ação do verbo principal. Não é necessário que você decore por enquanto
essas correlações. Use-as como referência quando for fazer exercícios, e aproveite para
meditar sobre a semelhança entre o uso dos infinitivos com o uso dos particípios, para que
lhe fique clara esse tipo de estrutura. Vejamos os exemplos, que podem ser tomados como
modelos para futuras traduções. Com o tempo você ganhará mais liberdade, e poderá variar
um pouco a tradução, usando, se preciso, alguns advérbios.

6.3.1. Infinitivo presente


Dicit Petrum ambulare Ele diz que Pedro passeia.
Dixit Petrum ambulare Ele disse que Pedro estava passeando (passeava).
Dicet Petrum ambulare Ele dirá que Pedro passeará (estará passeando).

Antes de passar para o estudo do infinitivo perfeito, observemos algumas


características fundamentais dessa construção:

1) Em todas as frases o verbo principal é dìcere – dizer, no presente, no perfeito ou no


futuro. É dele que dependerá a tradução da oração infinitiva.

2) Pedro, o sujeito da oração infinitiva, não está no nominativo, Petrus, como seria de se
esperar, mas no acusativo, Petrum.

3) Em todas as frases a oração infinitiva é a mesma. Mas note que a tradução variou
bastante. Quando o verbo estava no presente, dicit, a oração infinitiva teve que expressar
uma ação que ocorre juntamente com a ação de dizer: enquanto ele (o interlocutor) diz,
Pedro passeia. Quando no perfeito, dixit, a oração infinitiva teve que, novamente, expressar

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que no mesmo momento em que ele disse, Pedro estava passeando. E no futuro, quando ele
disser, Pedro estará passeando. Todas as alternativas de tradução têm sempre que passar a
idéia de simultaneidade, de duas ações que ocorrem ao mesmo tempo.

4) O infinitivo não corresponde à terceira pessoa do singular! Se a oração fosse “Dicit


Petrum Paulumque ambulare”, teríamos a tradução “Ele diz que Pedro e Paulo
passeiam”. E se fosse “Dicit te ambulare”, teríamos “Ele diz que tu passeias”. É você que
deve suprir no texto a forma correta!

6.3.2. Infinitivo perfeito

Dicit Petrum ambulavisse Ele diz que Pedro passeou.


Dixit Petrum ambulavisse Ele disse que Pedro havia passeado.
Dicet Petrum ambulavisse Ele dirá que Pedro passeou (terá passeado).

Note que, em todas a orações, tivemos que expressar o fato de que Pedro já havia
acabado de passear no momento da fala do interlocutor. Em outras palavras, quando ele
fala, Pedro já passeou; quando ele falou, Pedro já havia passeado; e quando ele falar, Pedro
terá passeado. Em todos os casos, a ação de estudar ocorreu antes da de falar.

6.3.3. Infinitivo futuro


Dicit Petrum ambulaturus esse Ele diz que Pedro passeará.
Dixit Petrum ambulaturus esse Ele disse que Pedro passearia (passeará).
Dicet Petrum ambulaturus esse Ele dirá que Pedro irá passear (passeará).

Em todas, devemos tentar dar a idéia que o passeio de Pedro ocorrerá depois da fala
do interlocutor. Na maioria dos casos, um simples futuro resolve o problema.

Quando estivermos estudando textos originais, dentro de poucas lições, notaremos


que o infinitivo, na maior parte dos casos, estará no fim da frase. Veremos também que,
para nos prevenirmos de erros, devemos, na análise das orações, observar sua última
palavra. Se for um infinitivo, é bem provável que o acusativo que encontramos no início da
oração seja, na verdade, um sujeito, e não um objeto direto. Isso por enquanto pode parecer
complicado, mas voltaremos a comentar sobre isso mais à frente.

Exercícios

I. Reescreva as orações seguintes em discurso indireto, usando putat – “ele pensa que”, e
depois traduza. (Lembre-se que, nas frases em que aparece o verbo em uma das formas da
passiva, você deve usar os infinitivos passivos!)
1. Puella incolas de periculo monet -> Putat puellam incolas de periculo monere.
2. Reginae sententias semper mutant.
3. Tecta in medio oppido flammis deleta sunt. (flamma, -ae – chama)

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4. Socii e terra discedere non potuerunt.


5. Amicus vitam sine culpa agit. (agit – leva)
6. Vita bona ab amico agitur.
7. Honesti in periculo non ponendi sunt. (pono, posui, positus, -ere – pôr)
8. Litterae ad magistrum mittebantur. (mitto, misi, missus, -ere – enviar)
9. Amico erit multa pecúnia.
1O. Sine cura reges vivere non possunt (rex, Regis – rei)

II. Reescreva novamente as frases acima usando putavit – “ele pensou que”, e traduza.

III. Omita o verbo no início de cada oração abaixo e as reescreva como discurso direto.
Faça o mesmo mudando o infinitivo original por cada um dos infinitivos entre parênteses.

1. Vidimus famam regis esse (fuisse, futuram esse) parvam. (parvus, a, um – pequeno)
2. Cognoveratis fratres patri multam pecuniam debere (debuisse). (frater, fratris – irmão;
pater, patris – pai).
3. Intellego homines villam perdidisse (perdere, perdituros esse) (homo, nominis – homem,
ser humano)
4. Sentiunt agricolas malum e terra pelere non posse (potuisse).
5. Intellexi domum a inimicis perditam esse (perdi).

6.4. Vis

O substantivo vis – “força, poder” é irregular, e tem características interessantes,


presentes também em outros substantivos da terceira declinação: o acusativo singular em –
im, e não em –em; o ablativo singular em –i, e não em –e; e o genitivo plural com um -i-
entre o radical e –um. Por isso daremos aqui sua declinação completa que, além do mais, é
defectiva: faltam alguns casos.
singular plural
Nom. vi vires
Gen. --- virium
Acus. vim vires
Dat. --- viribus
Abl. vi viribus
Voc. vis vires

Memorize a frase Vim vi repelere – Repelir a força por meio da força. Ela irá
ajudá-lo a se lembrar da declinação desse substantivo tão freqüente na literatura.

6.5. Ablativo de separação

O ablativo, primitivamente, era o caso em que se expressava o afastamento, uma


separação, uma privação, enfim, algo que se afastava de outro, fisicamente, como um
movimento, ou algo que perdíamos, ou sentimos como perdido. Em todos os casos, a idéia
de ablação está sempre presente.

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Muitos verbos em latim se constroem com o ablativo, principalmente os que


indicam esse afastamento de algo do sujeito. Em outros casos, o ablativo é usado com
verbos que em português são transitivos diretos, ou seja, que exigem um objeto direto, um
acusativo. Aliás, é importante que você sempre esteja atento para a regência dos verbos,
que nem sempre coincide com a regência do mesmo verbo em português. Isso quer dizer
que alguns verbos em latim exigirão dativo, por exemplo, onde o português exige
acusativo, e vice-versa, e ainda em todas as outras combinações possíveis.

O ablativo de separação é às vezes usado com as preposições a (ab), e (ex) e de,


significando mais ou menos “de, a partir de”. Mas na maioria dos casos usa-se o simple
ablativo:

Homines incolas insulae servitute liberaverunt


Os homens libertaram da servidão os habitantes da ilha.
Oedipus, quod liber (e) cura non erat, se oculis privavit.
Édipo, porque não estava livre de preocupação, privou-se dos (seus) olhos.
Afins com essa construção estão:

6.5.1. Ablativo de origem

Esse ablativo, com ou sem preposição, expressa a origem ou a ascendência de uma


pessoa:
Aeneas (a) dea natus est. Enéias nasceu de uma deusa.

6.5.2. Ablativo de lugar de onde

Usado com as preposições a (ab), e (ex), ou de, o ablativo é usado para expressar
“lugar de onde”. Mas com nomes de cidades e ilhas pequenas, e as palavras domus, “casa”,
e rus, “campo”, nenhuma preposição é usada:
Ab Itália venit Ele vem da Itália.
mas:
Roma venit Ele vem de Roma.

Mas uma vez alertamos que é muito comum confundir-se o ablativo com o
nominativo na primeira declinação. Não vá traduzir Roma venit por “Roma vem”!
6.6. Acusativo de lugar para onde
O acusativo também é usado para indicar “lugar para onde”, e faz uso da preposição ad –
para. Mas com nomes de cidades e ilhas pequenas, e as palavras domus - casa, e rus -
campo, essa preposição não é usada:
Ad Italiam venit Ele vem à Itália.
Ad urbem venit Ele vem à cidade.
mas
Romam venit Ele vem a Roma.
Domum venit Ele vem para casa, ele chega em casa.

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6.7. O caso locativo

Os nomes de cidades e pequenas ilhas, e as palavras domus e rus requerem um caso


especial para expressar lugar onde, ou lugar no qual, caso que com outros substantivos é
expresso pelo ablativo com a preposição in – em. Esse caso é chamado de locativo.

Para substantivos da primeira e da segunda declinação o locativo singular é idêntico


ao genitivo singular. No plural dessas duas declinações é idêntico em forma ao ablativo
plural.

Para substantivos da terceira declinação o locativo termina em –e ou em –i singular,


ou em –ibus no plural:
Romae em Roma (Roma, -ae)
Athenis em Atenas (Athenae, -arum)
domi em casa (domus, -i)
Carthagine em Cartago (Carthago, -inis)
ou Carthagini
ruri no campo (rus, ruris)

Exercícios

I. Traduza cada uma das orações abaixo:


1. Multos familia honesta natos ab oppido ad insulam misimus. (oppidum, i – cidadela)
2. Multos Syracusis Tarentum misimus (Syracusae, -arum – Siracusa, uma cidade da
Sicília; Tarentum, -i – Tarento, uma cidade no sul da Itália)
3. E via in cellam ambulaverunt.
4. Malos magna vi de saxo alto iactaverant. (iacto, -avi, -atus, -are – lançar)
5. Ruinae Syracusis videri potuerunt, sed neque Tarenti naque in patria.

Exercícios de revisão

I. Traduza:

1. Poeta dicit mentem sanam in corpore sano optandam esse.

2. Rumor est urbem a militibus oppugnatam vi deletam esse.

3. Pater materque audiverunt filios ante moenia Romae igni et ferro pugnavisse. (mater,
matris – mãe; moenia, moenium – muralhas; ignis, ignis, -ium – fogo)

4. Populus antiquus dicebat Iovem esse patrem deorum atque hominum regem et terram
esse matrem hominum animaliumque. (atque ou ac – e; Iuppiter, Iovis – Júpiter. É
irregular na declinação: seu radical é Iov-)

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5. Videmus novam auroram lumine mare, terram, et caelum spargere. (aurora, -ae –
aurora; lúmen; luminis – luz; spargo, sparsi, sparsus, -ere – espalhar, aspergir)

6. Milites in media urbe non mentis solum vigore sed etiam corporis viribus bellum
gesserunt. (non solum... sed etiam... – não só... mas também...; vigor, vigoris – vigor,
força)

7. Noctem ruere de montibus mox videre poterimus. (ruo, rui, rutum, -ere – precipitar-se,
cair; mox – logo)

8. Ut urbem timore liberemus, imperabimus militibus ut discedant. (timor, -is – temor,


medo; libero, -avi, -atus, -are – libertar, salvar)

9. Ruri atque in urbe incolis erant multa pecunia. (rus, ruris – campo)

1O. Rex regnum cum vigore et magna venia regit ut novis sit regibus exemplum. (rego,
rexi, rectus, -ere – reinar, reger)

11. Domum sine mora venient. (mora, -ae – demora)

12. Incolae sentiunt regem mala ex urbe pellere debere.

13. Respondisti nova pericula validis hominibus oppidi monstrata esse. (respondeo,
respondi, responsum, -ère – responder; monstro, -avi, -atus, are - mostrar)

14. Nox si terras mox umbris tegat, non solum moenia inimicorum sine periculo oppugnare
possimus sed etiam amicos servitute liberemus. (oppugno, -avi, -atus, -are - assaltar,
sitiar; servitus, servitutis – servidão, escravidão)

15. Si vera scivissemus, dixissemus incolas in multis insulis non solum aqua sed etiam
pecunia carere. (scio, -ivi, -itus, -ere – saber; careo, -ui, -itus, -ere – ter falta de. Este
verbo se contrói com ablativo. Por exemplo: carere virtute – ter falta de virtude. Tome
cuidado na tradução da frase acima!)

Nesta lição estudaremos pronomes de todo tipo: demonstrativos, pessoais,


interrogativos, possessivos e outros. Todos eles têm características próprias, e não
obedecem, em sua maioria, qualquer uma das declinações latinas.

É muito provável que você se confunda entre um tipo e outro no começo. Por isso,
aconselhamos fortemente que você faça fichas para cada um deles, para consulta
rápida em caso de dúvida. Não se preocupe em decorar todos de imediato.

7.1. Pronomes demonstrativos

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Os pronomes demonstrativos latinos guardam uma relação estreita com os


pronomes demonstrativos portugueses mais quanto ao uso do que quanto à forma. Optamos
por apresentar aqui apenas os três pronomes demonstrativos mais usados. Ainda nesta lição
trataremos de outros tipos de pronomes, mas sem nos aprofundarmos por enquanto em suas
sutilezas estilísticas.

Não se pode dizer que os pronomes demonstrativos pertencem a esta ou àquela


declinação. É necessário que você aprenda a decliná-los como se formassem uma
declinação à parte, com características roubadas ora de uma, ora de outra das cinco
declinações latinas. Nesse sentido, aconselhamos que você escreva em uma folha em
separado uma tabela com a declinação completa destes pronomes, para rápida consulta
quando necessário: ainda que consiga realizar com sucesso os exercícios de declinação
dados nesta seção, é possível que, com o tempo, você se esqueça de algumas formas, ou as
confunda entre si. Não se preocupe em dominar de imediato tudo o que for apresentado.
Mantenha fichas em separado para consulta.

Os pronomes que estudaremos são:

1) hic, haec, hoc - este, esta, isto


2) ille, illa, illud - aquele, aquela, aquilo
3) is, ea, id - esta, esta, isto; esse, essa, isso; aquele, aquela, aquilo; o, a (usado quando não
é necessária precisão ou quando não está em jogo uma oposição clara com outro pronome).

Dos três o último merece uma atenção especial. Vamos à declinação, e depois faremos
algumas observações sobre o uso de cada um.

hic, haec, hoc


singular plural
M. F. N. M. F. N.
Nom. hic haec hoc hi hae haec
Gen. huius huius huius horum harum horum
Acus. hunc hanc hoc hos has haec
Dat. huic huic huic his his his
Abl. hoc hac hoc his his his

Observe a semelhança de formas em cada caso e gênero, e repare também que o


nominativo feminino singular tem a mesma forma do nominativo e do acusativo neutros
plurais. Isso costuma confundir no princípio.

Como treino, decline juntos no singular e no plural hic homo (-inis) - este homem;
hac insula - esta ilha; hoc templum - este templo.

ille, illa, illud


singular plural
M. F. N. M. F. N.
Nom. ille illa illud illi illae illa
Gen. illius illius illius illorum illarum illorum

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Acus. illum illam illud illos illas illa


Dat. illi illi illi illis illis illis
Abl. illo illa illo illis illis illis

Note que não é possível se basear na declinação de hic, haec, hoc para formar esta.
Algumas terminações são iguais, não todas. Como sempre, o nominativo e o acusativo no
singular são iguais, assim como no plural. Decline junto, no singular e no plural: ille vir -
aquele homem; illa puella - aquela menina; illud corpus - aquele corpo.

is, ea, id
singular plural
M. F. N. M. F. N.
Nom. is ea id ii eae ea
Gen. eius eius eius eorum earum eorum
Acus. eum eam id eos eas ea
Dat. ei ei ei eis/iis eis/iis eis/iis
Abl. eo ea eo eis/iis eis/iis eis/iis

Também aqui não é possível formar esta declinação baseando-se nos antecedentes.
Note que, excetuando-se o nominativo, todos os outros casos começam com e-. Há também
uma forma alternativa para o dativo e o ablativo plurais, iis, nos três gêneros. Agora decline
junto: is miles (-itis) - esse soldado; ea virtus (-utis) - essa virtude; id vitium (-ii) - esse
defeito.

Veja como esses pronomes funcionam em alguns exemplos.

1) Hunc librum vides? Vês este livro?


2) Illum librum vides? Vês aquele livro?
3) Eum librum vides? Vês este/esse/aquele/o livro?

O uso de hic e ille como nos exemplos 1 e 2 mostra que em geral ele se opõe: se
falamos este pode ser que estejamos pressupondo outro livro mais afastado, aquele. O
latim guarda essa distinção com mais freqüência e precisão do que o português.

O uso de is como no exemplo 3 e suas várias traduções mostra que ele é um


pronome demonstrativo não-enfático, ou seja, quando não fazemos em princípio nenhuma
distinção quanto à proximidade ou o afastamento do objeto em questão. Esse pronome pode
às vezes ser traduzido como o artigo definido o, a do português, ou como o pronome
demonstrativo o, a (correspondendo a ele, ela), como na frase “Eum video” - “Eu o vejo”.
Também é usado em correlação com o pronome relativo, que estudaremos mais à frente.

Vejamos mais alguns exemplos do uso de is. Preste atenção nas traduções
apresentadas:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 70

Eum vides. Você o vê/ Vês este/aquele homem.


Cum eo ambulas. Passeias com ele.
Videsne id? Vês isto?/ Vês essa coisa?
Eius librum video. Vejo o livro dele/dela.
Patrem earum videmus. Vemos o pai delas.

7.2. Pronomes pessoais

Durante todo este curso temos visto que orações do tipo Lego librum tem sido
traduzida como Eu leio um livro. Sempre introduzimos o pronome pessoal eu, quando
bastaria apenas Leio um livro.

De fato, as duas traduções são corretas, mas a primeira, usando o pronome eu,
parece dar mais ênfase na pessoa que lê o livro, eu, do que a segunda. Mas essa distinção,
também o notamos, é muito tênue para ser percebida na conversação comum ou em textos
informais. Precisamos escrever algo mais além de um simples eu nessa oração para
ressaltarmos a pessoa que fala.

O latim, por outro lado, reservou o uso dos pronomes pessoais no nominativo
exclusivamente para dar ênfase ou precisão à fala. Note como traduziremos as duas orações
abaixo:

Clamo Eu grito
Ego clamo Sou eu quem grita/ Eu é que grito

Não bastaria traduzir Ego clamo por “Eu grito” apenas. Para isso já existe Clamo.
Temos, portanto, que suprir a forte ênfase que é dada na fala latina pela inclusão de ego
com algo mais em português. Nos outros casos, genitivo, acusativo, dativo e ablativo, a
tradução é como em português:

Librum mihi dat. Ele me dá um livro.


Me videt. Ele me vê.
Mecum ambulat. Ele passeia comigo.

Note na última oração que não dissemos “Cum me ambulat”. Com a preposição
cum sempre fazemos a inversão acima, para as primeiras e segundas pessoas, no singular e
no plural: mecum, tecum, nobiscum, vobiscum - comigo, contigo, conosco, convosco.

Vejamos a declinação completa:

1. Primeira pessoa
singular plural
Nom. ego eu nos nós
Gen. mei de mim nostrum* de nós*
nostri* de nós*
Acus. me me nos nos

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E.I.E. Caminhos da Tradição 71

Dat. mihi me/ a mim nobis a nós/nos


Abl. me mim/me/-migo nobis nos/-nosco

Repare:

1) Nostrum: multi nostrum - muitos de nós/dentre nós


2) Nostri: Odium nostri est magnum - o ódio de nós (contra nós) é grande.

Em 1 temos um genitivo partitivo: usamos para expressar uma parte que se retira do
todo; em 2 temos um genitivo objetivo: funcionam como que um objeto, como um objeto
direto, da palavra que dependem. No nosso caso, de odium. Esses dois usos serão tratados
com mais precisão nas lições seguintes.

2. Segunda pessoa
singular plural
Nom. tu tu vos vós
Gen. tui de você/de ti vestrum* de vós*
vestri* de vós*
Acus. te te vos vos
Dat. tibi te/ a ti vobis a vós/vos
Abl. te ti/te/-tigo vobis vos/-vosco

*Aqui acontece o mesmo que com nostrum, nostri.

3. Terceira pessoa

Não existe em latim um pronome específico para a terceira pessoa, nem do singular,
nem do plural. No entanto, encontramos is, ea, id em seu lugar, ou ainda ille, illa, illud.
Estes últimos deram origem ao artigo definido português, o, a.

Pertence ainda à terceira pessoa o pronome reflexivo:

4. Pronome reflexivo

O pronome reflexivo (reflecto, -flexi, - flectus, -ere - recurvar, refletir) refer-se ao


sujeito de sua própria oração. No pode ter, portanto, caso nominativo. Além disso, possui
uma só forma para o singular e o plural:

Singular e plural

Nom. --- ---


Gen. sui de si
Acus. se se
Dat. sibi a si/se
Abl. se si/se/-sigo

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E.I.E. Caminhos da Tradição 72

Se videt. Ele se vê.


Se vident. Eles se vêem.

Compare o uso nos pares de orações seguintes:

Eum videt. Ele o vê.


Se videt. Ele vê a si próprio/Ele se vê.
Eos vident. Eles os vêem.
Se vident. Eles vêem a si próprios/Eles se vêem.

7.3. Pronomes possessivos

Os pronomes possessivos latinos são declinados como adjetivos da primeira e da


segunda conjugação, e são, para a primeira pessoa do singular, meus, -a, -um - meu,
minha; para a primeira pessoa do plural, noster, nostra, nostrum - nosso, nossa. Para a
segunda pessoa do singular, tuus, -a, -um - teu, tua; para a segunda do plural, vester,
vestra, vestrum - vosso, vossa. Porque são adjetivos, devem concordar com o substantivo
a que se referem:

Tuum fratrem video. Eu vejo teu irmão.


Nostram matrem videmus. Nós vemos a nossa mãe.

Como os pronomes pessoais, os pronomes possessivos latinos são usados em caso


de ênfase ou quando a precisão o exige. Por exemplo:

Patrem video. Eu vejo (meu) pai.


mas
Patrem meum video. Eu vejo o meu pai (e não o seu).

É comum na tradução suprirmos em português alguns pronomes possessivos, caso o


contexto o permita ou o exija, como em Patrem video - Eu vejo o meu pai, ou como Amo
matrem - Eu amo a minha mãe.

Também existe em latim o pronome possessivo reflexivo suus, -a, -um - seu, sua. O
seu uso, porém, é mais restrito que o de seu semelhante português, e se relaciona apenas ao
sujeito da oração, sendo proibido seu uso em outros casos. Veja:

Suam vitam amat. Ele ama sua vida. (a própria vida)

Falando a outra pessoa, devemos sempre usar o pronome tu em latim. Não


podemos, como em português, nos dirigir ao nosso interlocutor pelo pronome seu/sua,
como em “Vi sua mãe ontem”.

7.4. O pronome relativo

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O pronome relativo latino qui (M), quae (F), quod (N) corresponde ao relativo
português quem/que/o qual e suas variações. É usado principalmente para subordinar uma
oração adjetiva a um antecedente. Por exemplo, em “O homem que você vê é meu amigo” a
parte em itálico “que você vê” é uma oração subordinada adjetiva, porque se refere a um
substantivo como se fosse um adjetivo: “O homem alto é meu amigo”.

Esse pronome que em latim varia mais do que em português, em irá, como veremos,
tanto concordar com o antecedente quanto assumir o caso exigido pela própria oração
subordinada. Antes de mais explicações, vamos à sua declinação:

Singular Plural
M. F. N. M. F. N.
Nom. qui quae quod - que qui quae quae
Gen. cuius cuius cuius - cujo(a)/de quem quorum quarum
quorum
Acus. quem quam quod - que quos quas quae
Dat. cui cui cui - a quem/ao(à) qual quibus quibus quibus
Abl. quo qua quo - (com, por, em) quem quibus quibus quibus

Voltemos ao nosso exemplo:

O homem que você vê é meu amigo


Vir quem vides amicus meus est.

Note que o antecedente é masculino, e por isso o pronome deve ser masculino; além
disso, note que o pronome está no caso acusativo na sua própria frase: você vê alguém.
Juntando essas duas características, só podemos escolher a forma quem para a tradução
latina.

Outro exemplo:

O poeta cujo amigo era cego ouvia o menino.


Poeta cuius amicus erat caecus puerum audiebat.

A oração subordinada é “cujo amigo era cego”, e funciona como um adjetivo de


“poeta”. Em latim é quase inequívoca a tradução por cuius, mas haverá casos em que será
necessário o plural:

O poeta cujos amigos eram cegos ouvia o menino.


Poeta quorum amici erant caeci puerum audiebat.

Muitas vezes você verá que a cuius e quorum serão melhor traduzidos por do qual e dos
quais.

Outro exemplo:

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Vemos as mulheres que passeiam na rua.


Feminas quae in via ambulant videmus.

A oração subordinada é “que passeia na rua”. O pronome que tem que concordar
em gênero e número com “mulheres”, e faz o papel de sujeito na oração subordinada, ou
seja, toma o nominativo. Juntando essas duas características, temos quae.

7.4.1. O pronome relativo no começo de uma oração

Muitas vezes o pronome relativo é usado no começo de uma oração latina onde
esperaríamos em português um pronome demonstrativo ou um pessoal:

Pater dixit urbem in periculo esse. Quae postquam audivi, vero timebam.
Meu pai disse que a cidade estava em perigo. Depois que ouvi isso fiquei realmente com
medo.

Miles me monuerat ut ex oppido discederem. Quem me interfecturum esse sensi.


O soldado me advertiu para que eu partisse da cidade. Notei que ele iria me matar.

Atente bem para esse fato, uma vez que o uso do relativo dessa forma é muito
freqüente em latim. Além disso, não vem merecendo a atenção devida nas gramáticas
portuguesas!

7.5. Pronome interrogativo adjetivo

O pronome interrogativo adjetivo é idêntico ao relativo:

Quem virum vides? Qual (que) homem você vê?


Cum quo viro ambulas? Com qual (que) homem você passeia?
Quod donum vides? Qual (que) presente você vê?

O pronome é interrogativo porque só é usado em interrogações, e é adjetivo porque


vem acompanhando um substantivo: quem virum, cum quo viro, quod donum.

Essa distinção é importante, porque veremos agora o pronome interrogativo


substantivo, que tem formas diferentes do adjetivo, mas apenas no singular, nominativo e
acusativo.

7.6. Pronome interrogativo substantivo

O pronome interrogativo substantivo é idêntico ao relativo no plural, e no singular


se declina da seguinte forma:
M.F. N.
Nom. quis quid
Gen. cuius cuius
Acus. quem quid

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Dat. cui cui


Abl. quo quo

Note que a diferença está apenas no nominativo e no acusativo. Compare e


confirme.

É substantivo porque toma o lugar de um substantivo em uma frase interrogativa,


sem exigir um outro substantivo com o qual concorde:

Quem vides? Quem vês?


Quocum ambulas? Com quem passeias?
Quid videmus? O que vemos?

Note na segunda oração a inversão cum quo -> quocum.

Compare as frases abaixo, uma fazendo uso do pronome adjetivo e a outra com o
substantivo:

Cui feminae donum dedisti? A qual (que) mulher deste o presente?


Cui donum dedisti? A quem deste o presente?
Quae femina taedam tibi dedit? Qual (que) mulher te deu a tocha?
Quis taedam tibi dedit? Quem te deu a tocha?

Exercícios

I. Traduza para o latim apenas o que está em itálico:

1. Este é seu livro? Ou é dele?


2. Com quem você estava andando naquele dia? Certamente não era com sua mãe, mas
com a dele.
3. O que você pensa sobre a roupa daquele homem?
4. Eu gosto dele, mas não dela.
5. Para quem você deu aquele presente que eu te trouxe daquela vez?
6. Este homem sabia que eu conhecia aquele outro.
7. Eu terminei o trabalho, não você.
8. De quem é este livro que você colocou naquela estante?
9. A mulher que nós vimos no neste mercado era a mãe daqueles meninos para quem
demos dinheiro.
1O. Em que tempo nós os veremos?
11. Seus amigos gostarão da mulher que ele ama.
12. Nós vivemos em seu país por muito tempo, e eles não nos consideraram inimigos.

II. Traduza:

1. Hunc librum legimus; illum librum non legimus.


2. Hoc scimus; illud non scimus.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 76

3. Nos patrem nostrum amamus, atque is nos amat. (ac, atque - e)


4. Matri eius placet; patri sui non placet. (placeo, placui, placitus, -ere + dativo - agradar)
5. Me scio; tene scis?
6. Eum scit; sene scit?
7. Se scit; sene sciunt?
8. His nobis salutem dixerunt. (salus, salutis - saúde; salutem dicere - cumprimentar)
9. Multi vestrum mortem timent. (mors, mortis, -ium - morte)
1O. Auctor opus suum confecit quamquam id odit. (auctor, -oris - autor; opus, operis -
obra, trabalho; conficio, confeci, confectus, -ere - completar; quamquam - ainda que; odi,
odisse - odiar: defectivo, sem o sistema do presente; as formas do perfeito têm significados
no presente).
11. Opus suum oderunt.
12. Opus nostrum odimus.
13. Opusne vestrum odistis?
14. Mors nos premit; mors eos oppremit. (premo, pressi, pressus, -ere - pressionar;
opprimo, -pressi, -pressus, -ere - oprimir)
15. Mors nobis non placet.
16. Eis multus amor nostri est. (amor, -oris - amor)
17. Mihi opus est voce magna. (opus est - é necessário; vox, vocis - voz)
18. Pecunia vobis opus est.
19. Pes matris tuae est parvus; pes meus est magnus. (pes, pedis - pé)
2O. Vocem earum audiverunt.
21. Vocem suam audiverum.
22. Operem suum perficit. (perficio, perfeci, perfectus, -ere - terminar, acabar)
23. Spero illum locum esse bonum. (spero, -avi, -atus, -are - esperar, ter esperança; locus,
-i - lugar, região)
24. Hostes eos invenerunt, sed non nos. (hostis, -is, -ium - inimigo; invenio, inveni,
inventus, -ire - encontrar, achar, descobrir).
25. Tempus valde eos premit. (tempus, -oris (N) - tempo, período, estação; valde - muito)
26. Mihi valde placet id genus. (genus, generis - gênero, povo).

7.7. Ablativo de companhia

Como temos visto durante o curso, o ablativo é usado com a preposição cum para denotar
companhia:

Ad urbem cum amico venit. Ele vem à cidade com (seu) amigo.
Ad urbem mecum venit. Ele vem à cidade comigo.

7.8. Ablativo de tempo quando ou dentro de

O ablativo é usado também para expressar tempo quando ou dentro de. A


preposição não é usada regularmente, mas pode aparecer.

Illo tempore miser erat. Naquele tempo ele era infeliz.


Quinque annis hoc opus perficiet. Dentro de cinco anos ele irá terminar esta obra.

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7.9. Acusativo de duração no tempo e de extensão no espaço

O acusativo, geralmente sem preposição, é usado para expressar duração no tempo


ou extensão no espaço. Responde à pergunta “Por quanto tempo? ” Ou “Que tamanho? Por
que extensão? ”

Quinque annos miser erat. Por cinco anos ele foi infeliz.
Quinque pedes ad dextram ambulavit. Ele andou cinco pés para a direita.

7.1O. Subjuntivo em orações subordinadas em discurso indireto

Desejamos aqui apenas chamar sua atenção para um fato simples, ao qual, no
entanto, não damos a devida atenção: uma oração pode se subordinar a outra oração
subordinada.

Vamos apresentar algumas orações desse tipo. Note que elas usam o subjuntivo, e
estão sujeitas às regras da seqüência dos tempos (aproveite para rever a seqüência dos
tempos, Lição 3, seção 3.5). Daremos antes uma oração em discurso direto, e depois a
transformaremos em indireto:

1. Rex quem vides pecuniam amat. O rei que vês ama o dinheiro.
a) Dico regem quem videas pecuniam amare. Eu digo que o rei que vês ama o
dinheiro.
(sequência primária, ação simultânea com dico: presente do subjuntivo)
b) Dixi regem quem videres pecuniam amat. Eu disse que o rei que vias amava o
dinheiro.
(Sequência secundária, ação simultânea com dixi: imperfeito do subjuntivo)

2. Rex quem vidisti pecuniam amat. O rei que viste ama o dinheiro.
a) Dico regem quem videris pecuniam amare. Eu digo que o rei que viste ama o
dinheiro.
(sequência primária, ação anterior a dico: perfeito do subjuntivo)
b) Dixi regem quem vidisses pecuniam amare. Eu disse que o rei que havias visto
ama o dinheiro.
(Sequência secundária, ação anterior a dixi: mais-que-perfeito do subjuntivo)

Exercícios de revisão

I. Traduza:

1. Ad quem misisti libros quos noster clarus auctor illo tempore scripsit ut populo tuo
placeret?
2. Hunc librum cuius auctos scitur a vestris civibus amamus, sed illum librum qui est in
mensa odimus.
3. Dicit feminas quas viderimus in illo loco esse matres eorum puerorum qui Romam ex
Asia venerunt ut sibi laetas vitas petant.

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4. Hi ab illa insula quae est in nostro mari venerunt, sed illi in hoc loco semper vixerunt.
5. Ego hunc librum legi, tune illum legisti?
6. Cui dedisti librum quem magister dixit mihi legendum esse?
7. Qui liber tibi legendum est?
8. Quid agis? Ego litteras scribo. Ego litteras meis scribo.
9. In quibus terris servitus videri potest?
1O. Quibuscum ambulavisti e villa in viam quae populo impleta est? Cum quibus feminis?
Cum quibus viris? Cum tuis?
11. Filius mei amici vidit vos, sed nos neque te neque tuos socios vidimus.
12. Odimus eos quibus patria non placet, sed nobis est amor honestorum piorumque.
13. Dicimus nos odisse eos quibus patria non placeat.
14. Libri quos ad nos misisti ab hominibus qui amant suum opus scripti sunt.
15. Scribisne in tuo libro de generibus animalium quae scis?
16. Isne est vir quem tua mater vidit?
17. Dixerunt dona quae petituri essemus pulchra futura esse.
18. Hic amat quod ille odit.
19. Cui feminae dona dedit quae optaveramus?
2O. Quis est haec? Quis nostrarum fuit?
21. Quem quinque horis videbo? Te et tuos.(quinque - cinco; hora, -ae - hora)
22. Qui locus est? Ad quem locum veni et quocum?
23. Dicam servitutem quae opprimat hos quos videritis malam esse.
24. Tempore careo ut perficiam opus quod scribo.
25. Quod opus ante tempus perfecisti? Quod opus eo tempore perfecisti?
26. Ille vir, cui patria salus est cara, pius habetur a populo qui eum scit, sed non se amat.
27. Cives illarum urbium quae habuerunt reges damnabatis.
28. Sensit cives illarum urbium quae reges haberent damnandos esse.
29. Rex cuius soror Romae vivit bene se gessit.
3O. Scimus regem cuius soror Romae vivat dene se gessisse.
31. Scimus regem cuius soror Romae diu vixerit bene se gerere.
32. Cuius liber quinque annos petitus est?
33. Mater filio dixit multam salutem quem multos annos non viderat.
34. Dicit illud opus tibi confectum a populo lectum esse.
35. Ut laeti nos simus, nobis amore opus est.
36. Sentis voces eorum qui clament ei homini non placere.
37. Quinque pedes ad dextram nos movimus ut verba magistri audiremus.
38. De hoc satis. (satis - bastante)

II. Reescreva as frases 11, 14 e 24 em discurso indireto usando dicit e depois dicebat.
Traduza as frases resultantes.

8.1. Adjetivos da terceira declinação

Os adjetivos latinos se dividem em dois grupos: um grupo dos que seguem a


declinação dos substantivos da primeira e segunda declinações, já estudados, e outro dos
que seguem a declinação dos substantivos da terceira declinação, que estudaremos agora.

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Os adjetivos da a terceira declinação se dividem em triformes, biformes e


uniformes, ou seja, em adjetivos que têm um nominativo diferente para cada caso,
masculino, feminino e neutro (triformes), os que têm um nominativo comum para o
masculino e o feminino e outro para o neutro (biformes), e os que têm um só nominativo
para os três gêneros. Vejamos os adjetivos triformes:

Singular Plural
M. F. N. M. F. N
Nom. acer acris acre acres acres acria
Gen. acris acris acris acrium acrium acrium
Acus. acrem acrem acre acres (-is) acres (-is) acria
Dat. acri acri acri acribus acribus acribus
Abl. acri acri acri acribus acribus acribus

Notemos as seguintes características:

1) todos têm ablativo singular em -i;


2) todos têm genitivo plural em -ium;
3) o acusativo plural é tanto -es quanto -is para o masculino e o feminino;
4) nominativo e acusativo em -ia para o neutro.

Os adjetivos biformes aparecem nos dicionários com sua forma para o masculino e
o feminino em primeiro lugar, depois a forma do neutro. Por exemplo, omnis, omne, “todo,
cada um”. Note que a única coisa que variava no masculino e no feminino dos triformes era
o nominativo singular. Aqui ele é o mesmo para os dois gêneros. Mas não se esqueça da
regra geral para os neutros de todas as declinações: o nominativo e o acusativo são sempre
iguais, tanto no singular quanto no plural.

Os adjetivos uniformes têm uma só forma para o nominativo singular dos três
gêneros. Por exemplo, ingens, -entis, “enorme”, que aparece nos dicionários com o
nominativo dos três gêneros seguido do genitivo, como se fosse um substantivo da terceira
declinação. Como não podemos nos esquecer da regra geral para os neutros, ingens tem
acusativo singular masculino e feminino em ingentem, mas no neutro em ingens (igual ao
nominativo). No plural temos, no nominativo masculino e feminino, ingentes, mas no
neutro ingentia, que se repete no acusativo.

Os particípios presentes como amans pertencem à terceira declinação, e são declinados


como adjetivos uniformes:

Singular Plural
Nom. amans amantes, amantia (N)
Gen. amantis amantium
Acus. amatem, amans (N) amantes (-is), amantia (N)
Dat. amanti amantibus
Abl. amanti (-e) amantibus

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Note que no ablativo singular apareceu uma terminação alternativa, -e. Ela só é
usada quando o adjetivo é usado como substantivo. Por exemplo, em vez de ab homini
amanti - “pelo homem amante”, escrevemos simplesmente ab amante - “pelo amante”.

8.2. A quarta declinação

O genitivo que caracteriza todos os nomes da quarta declinação é -us. O gênero da


maioria dos substantivos é masculino, uns poucos são femininos e raramente encontramos
algum neutro. Vamos à declinação de sensus, -us (M) - “sentido”:

Singular Plural
Nom. sensus sensus
Gen. sensus sensuum
Acus. sensum sensus
Dat. sensui sensibus
Abl. sensu sensibus
Voc. sensus sensus

Um substantivo neutro como genu, -us - “joelho”, difere de sensus no:

1) nominativo e acusativo singular, que termina em -u;


2) dativo singular em -u;
3) nominativo e acusativo plural em -ua.

Decline, então, genu, -us.

8.3. A quinta declinação

É a mais simples e a menor de todas as declinações: compreende apenas nomes femininos


(a maioria) e masculinos terminados em -es no nominativo singular, e com genitivo em -ei.
Declinemos res, rei (F) - “coisa”:

Singular Plural
Nom. res res
Gen. rei rerum
Acus. rem res
Dat. rei rebus
Abl. re rebus
Voc. res res

Terminamos aqui o nosso estudo das declinações. Aconselhamos que você consulte
uma gramática para se inteirar das inúmeras exceções que todas as declinações apresentam,
e que omitimos aqui por brevidade e simplicidade. Exceto se for de seu interesse escrever
em latim, não aconselhamos que você as decore todas. Prefira criar tabelas para consulta
em caso de necessidade.

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Não deixe de tomar conhecimento das exceções, pois em alguns casos elas podem criar
problemas e confusão.

Exercícios

I. Conjugue conjuntamente:

a) fortis manus (fortis, -e - forte; manus, -us (F)- mão; tropa)


b) ingens metus (metus, -us (M) - medo)

II. Para cada forma abaixo, dê a forma correspondente do adjetivo omnis, -e - todo, cada.
Pode haver, em alguns casos, mais de uma possibilidade.

a) carminibus (carmen, -inis (N) - poema)


b) carmine
c) manui
d) manuum
e) motibus (motus, -us (M) - movimento)
f) motu
g) nomini (nomen, -inis (N) - nome)
h) nomines
i) dies (dies, -ei (M) - dia)
j) dierum
k) die

***

8.4. Ablativo de limitação ou de especificação

Assim chamamos o ablativo que mostra em respeito, em relação a que afirmamos alguma
coisa:

Haec femina specie pulchra est. Esta mulher é bonita na aparência.


Mea sententia nihil perficient. Em minha opinião, eles não conseguirão nada.
Major natu. Maior de idade.
Homines sunt nomine, non re. São homens de nome, não de fato.
Mente captus. Privado de entendimento.
Omnibus numeris absolutus. Perfeitíssimo sob qualquer aspecto.

Obs.:A terceira e a sexta expressão são muito comuns. Note também na quarta como a
palavra res foi traduzida.

8.5. O verbo eo, ii (ou ivi), itus, ire - “ir”

Esse verbo muito importante é irregular no sistema do presente. Além disso, como
você notará, possui formas que podem ser facilmente confundidas com pronomes, o que

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causa certa dificuldade em seu reconhecimento. Por isso daremos aqui a conjugação do
sistema do presente, atentando também que esse verbo é regular no sistema do perfeito,
exceto pela segunda pessoa do singular do perfeito, que é isti (e não *iisti), e no infinitivo
perfeito ativo, que é isse (e não *iisse).

Como exercício, dê a tradução dos tempos que faltam, e conjugue o restante do


verbo no sistema do perfeito.

PRESENTE DO INDICATIVO: PRESENTE DO SUBJUNTIVO:


eo - vou imus - vamos eam eamus
is - vais itis - vais eas eatis
it - vai eunt - vão eat eant

IMPERFEITO DO INDICATIVO: FUTURO DO INDICATIVO:


ibam ibamus ibo ibimus
ibas ibatis íbis ibitis
ibat ibant ibit ibunt

PARTICÍPIO PRESENTE:
iens, euntis (cuidado aqui!)

Tenha muito cuidado com este verbo, pois existe uma profusão de verbos
compostos de eo, como adeo - ir ter com, aproximar; abeo - ir embora, partir; ineo - entrar;
exeo - sair; e muitos outros.

8.6. O imperativo presente

O imperativo, que indica ordem, mando, se divide em ativo e passivo, no singular e


no plural. Não é difícil de ser aprendido, e se conjuga da seguinte forma:

ATIVO:
singular plural
ama! ama! amate! amai!
vide! vê! videte! vede!
incipe! começa! incipete! começai!
audi! ouve! audite! ouvi!

PASSIVO:
singular plural
amare! sê amado! amamini! sede amados!
videre! sê visto! videmini! sede vistos!
incipere! sê começado! incipimini! sede começados!
audire! sê ouvido! audimini! sede ouvidos!

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Demos as formas para cada uma das conjugações. Note como podem ser
confundidas as formas do imperativo passivo: no singular com o infinitivo, e no plural com
o presente da voz passiva. Mas raramente o contexto da frase deixará dúvidas quanto a isso.

Se desejássemos formar o imperativo negativo, recorreríamos a outro expediente,


através de formas do verbo nolo - “não querer”:

Ativo: Noli amare! Não ama!


Passivo: Noli amari! Não seja amado!

Se fosse no plural, teríamos:

Ativo: Nolite amare! Não amais!


Passivo: Nolite amari! Não sejais amados!

Poderíamos também formar o imperativo negativo com ne e formas do subjuntivo:

Hoc ne feceris (perfeito do subjuntivo)! Não faças isto!


Hoc ne faciamus (presente do subjuntivo)! Não façamos isto!

Essas formas, contudo, são raras.

Existe ainda, na família dos imperativos, um imperativo futuro, extremamente raro,


que não trataremos aqui. Aconselhamos que você consulte uma gramática, caso seja de seu
interesse. Mas não se preocupe com ele.

7. O vocativo

O vocativo, geralmente igual ao nominativo, tem outra forma para os substantivos


terminados em -us ou -ius.

Os terminados em -us têm o vocativo em -e, como pudemos ver na segunda


declinação, e os terminados em -ius têm o vocativo em -i:

Marcus venit. Marcos vem.


Marce, veni! Marcos, venha!
Virgilius carmen scripsit. Virgílio escreve um poema.
Virgili, scribe carmen! Virgílio, escreve um poema!

O adjetivo meus, -a, -um tem o vocativo masculino em mi:

Mi fili, veni! Vem, meu filho!

Lembremos que todos os vocativos plurais são idênticos ao nominativo.

8.8. O duplo dativo: dativo de interesse + dativo de fim

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O duplo dativo é uma construção em que aparecem dois dativos na oração, um deles
chamado dativo de interesse, e outro chamado de dativo de fim. Vejamos em exemplos,
onde daremos uma tradução literal, e depois uma tradução mais adequada para essa
construção:

Hoc erit tibi dolori. Isto será para ti para dor


Isto te será motivo de dor.
Omnibus odio crudelitas est. Para todos para ódio é a crueldade.
Para todos a crueldade é motivo de ódio.
Todos odeiam a crueldade.

Nos dois casos acima, em latim, apresentamos um dativo de interesse, mostrando do


interesse de quem é o que vai ser afirmado, e depois um dativo de fim, mostrando para que
serve o que será afirmado.

Mais alguns exemplos:

Hoc mihi magnae curae est. Isto para mim existe para grande preocupação.
Isto me preocupa muito.
Opinio mali periculo erat civitati. A opinião do mau era para perigo para a cidade.
A opinião do mau era um perigo para a cidade.
Ad urbem saluti mihi venit. Veio à cidade para salvação para mim.
Veio à cidade para me salvar.

Exercícios

I. Traduza apenas as palavras em negrito:

1. Hic homo mente est validus.


2. Haec femina pulchra est forma.
3. Ille civis sanus est corpore.
4. Illi infelices sunt salute.
5. Superati milites vita et vigore sunt miseri.
6. Si Romam eat, amicis non careat.
7. Nisi milites urbi saluti ibunt, magnus erit timor.
8. Si ad insulam isset (iret), felix fuissem (essem).
9. Romam it; Athenas eunt; Eis impero ut Athenas eant; Ad urbem ibant.
1O. Homo ad provinciam iens erat intellegens.
11. Quae est filia hominis ad provinciam euntis?
12. Dico homini ad provinciam eunti esse filiam specie pulchram.
13. Discede e provincia.
14. Oppugnate urbem cum vigore!
15. Noli discedere e provincia! Ne discesseris (discedas) e provincia!
16. Nolite oppugnare urbem! Ne oppugnaveritis (oppugnetis) urbem!
17. Noli, amice, spectare montem; specta campum!
18. Mi fili, noli timore opprimi! Ne timore oppressus sis.

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19. Morsne erit bono fini vitae nostrae?


2O. Milites timori civibus missi sunt

Exercícios de revisão

I. Traduza:

1. Haec civitas infelix metu gravi deletur. (civitas, -atis - cidade; feliz, felicis - feliz;
infelix, infelicis - infeliz; gravis, -e - pesado, severo, importante)
2. Sensus omnis de libertate mutavimus. (libertas, libertatis - liberdade)
3. Quam ob rem infelices domum ire iussi sunt? (ob - por causa de; quam ob rem - por
quê, por que razão; domus, -us ou -i - casa; iubeo, iussi, iussus, -ere - mandar, ordenar)
4. Nobis est metus numinum omnium. (numen, numinis - (N) - divindade)
5. Mihi quaerenti opus est mente acri ut haec intellegam. (quaero, quaesivi, quaesitus, -
ere - procurar; perguntar; pedir).
6. Ille est homo sine re, sine fide, sine spe. (sine - sem; res, rei (F) - coisa, bens; fides, -ei
(F)- fé; spes, -ei (F) - esperança)
7. Libertas civium erat regi curae. Cui dicebas te auxilium futurum.(auxilium, - i - ajuda)
8. Deo scribe dulcia carmina! (dulcis, -e - doce, suave)

II. Traduza em latim, sabendo que em alguns casos você encontrará ablativos de
especificação e o duplo dativo:

1. Aquele homem de má aparência caminha pela praia. (aparência - species, -ei; praia -
litus, litoris (N)
2. Pedro, isso te será motivo de medo. (Pedro - Petrus, -i)
3. Meu filho, nada pode ser para ti motivo de dor.
4. Ao amanhecer, foi à cidade. (ao amanhecer - prima luce)
5. Indo à cidade, ele viu uma luz enorme. (luz - lux, lucis)

“Arquivo Frases O1” áudio 1

É uma garota bonita. Pulchra puella est.


Voz de garota bonita. Vox pulchrae puellae.
Vejo a garota bonita. Pulchram puellam video.
Dei uma rosa à garota bonita. Pulchrae puellae rosam dedi.

“Arquivo Palavras O1”

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Latim Português
Christe Triste
Objecto Objeto
Bello Belo
Laetitia Fecundidade, fertilidade, alegria
Gratia
Graças, reconhecimento, perdão,
agradecimento
Locútio Maneira de falar, discurso, linguagem
Fortiori Força, Fortaleza
Jesus Jesus
Regnum Reinado, Realeza
Fílius Filho
Puella Moça

9.1. O comparativo e o superlativo dos adjetivos

Todo adjetivo em latim, assim como em português, possui três graus: o normal ou
positivo, o comparativo e o superlativo. Apresentaremos o modo como se formam e se
declinam, e como são usados. Como exemplo, tomaremos altus, -a, -um - “alto” e fortis, -e
- “forte”.

1. COMPARATIVO

O grau comparativo se forma encontrando-se a raiz do adjetivo na forma positiva e


adicionando, para o masculino e o feminino, a terminação -ior, e para o neutro a terminação
-ius:

altus, -a, -um alt/i -> altior (M. e F.) significando “mais alto”.
altius (N)
fortis, -e fort/is -> fortior (M. e F.) significando “mais forte”.
fortius (N)

Sabendo disso podemos formar frases que comparam duas pessoas ou duas coisas, como:

Marcos é mais alto do que Pedro. Marcus est altior quam Petrus.
O irmão dele é mais forte do que o pai. Frater eius est fortior quam pater.

Note que para comparar usamos a palavra quam, que significa “do que”. (Cuidado
para não confundi com o acusativo de quae!)

Uma outra forma de comparar sem fazer o uso de quam e muito mais usada em
latim é usando o ablativo:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 87

Marcus est altior Petro.


Frater eius est fortior patre.

As duas formas têm o mesmo sentido. Além disso, o que está em comparação deve
ter o mesmo caso:

Dicit Marcum esse altiorem quam Petrum.

Você notou na oração anterior que altior se declinou como um adjetivo da terceira
declinação. De fato, todos os comparativos são adjetivos da terceira declinação, mas, no
plural, com genitivo em -um e no neutro com nominativo e acusativo em -a.

2. SUPERLATIVO

A maioria dos adjetivos forma o superlativo com adição de -issimus, -a, -um à raiz.
E, como se nota, são declinados como adjetivos de primeira e segunda declinação.

altus, -a, -um alt/i -> altissimus, significando “muito alto, o mais alto”.
fortis, -e fort/is -> fortissimus, significando “muito forte, o mais forte”.
Marcus est fortissimus. Marcos é muito forte.
Marcos é o mais forte.
Marcos é fortíssimo.
Marcus est fortissimus hominum. Marcos é o mais forte dos homens.

Note as formas que temos para traduzir um superlativo em latim.

Se o adjetivo terminar em -er, como em acer, acris, acre - “agudo, azedo”,


adicionamos -rimus, -a, -um diretamente ao nominativo masculino singular: acerrimus.

Se o adjetivo terminar em -lis, adicionamos -limus, -a, um à raiz: similis, -e -


“semelhante”, fica simillimus, -a, -um - “o mais semelhante”.

Todos esses casos podem ser guardados facilmente: basta se lembrar de como são
formados em português! Na prática eles são inconfundíveis.

O superlativo pode ser usado com quam, que vai significar “o mais possível”:

Marcus est quam fortissimus. Marcos é forte o mais possível.


Marcos é tão forte quanto é possível ser.

Exercício

I. Dê a forma correspondente do comparativo e do superlativo de cada um dos adjetivos


miser, misera, miserum - “miserável, infeliz”, saevus, -a, -um - “cruel” e humilis, -e -
“humilde” para cada uma das formas abaixo (pode haver mais de uma interpretação):

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E.I.E. Caminhos da Tradição 88

1. irae 6. domi
2. opinione 7. carmen
3. litoribus 8. civitati
4. re 9. manui
5. spes 1O. corpora

***

9.2. Comparativos irregulares

Como em português, o latim possui vários adjetivos cujas formas no comparativo e no


superlativo são irregulares. Ei-las:

bonus, -a, um melior, melius optimus, -a, um


bom, boa melhor ótimo; muito bom, o melhor
malus, -a, um peior, peius pessimus, -a, -um
mau, má pior péssimo; muito mau, o pior
magnus, -a, -um maior, maius maximus, -a, -um
grande maior máximo; muito grande, o maior
parvus, -a, -um minor, minus minimus, -a, -um
pequeno menor mínimo; muito pequeno, o menor
multus, -a, -um plus (só neutro) plurimus, -a, -um
muito plures, plura (pl.) muitíssimo; muito numeroso
mais

Uma nota: quando o plural de maior, ou seja, maiores, é usado, pode significar também
“ancestrais”.

***

Exercício

I. Traduza:

1. Hoc carmen melius est illo.


2. Hoc carmen melius est quam illud.
3. Hae feminae pulchriores sunt illis.
4. Hae feminae multo pulchriores sunt quam illae.
5. Dicimis has feminae multo pulchriores esse quam illas.
6. Hi milites fortiores plus pecuniae optant.
7. Studium nobis dulcius bello.
8. Pax optima, bellum pessimum.
9. Rex novus peior quam pater est.
1O. Hic frater maior illo est.
11. Sed ille maximus.

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12. Ubi maximum, ibi minimum. (ubi - onde; ibi - lá)


13. Dicunt maximum non meliorem esse.

***

9.3. Ablativo para expressar o quão diferente

É possível que em comparações você encontre essa construção, que indica


aproximadamente em que grau ou em que medida alguma coisa supera a outra:

Frater eius est pede altior quam pater


O irmão dele é mais alto que o pai por um pé.
O irmão dele é um pé mais alto que o pai.
Nunc multo felicior est. Agora ele é mais feliz por muito.
Agora ele é muito mais feliz.

Se esse ablativo for compreendido como todos os outros, ou seja, como um adjunto
adverbial, não vai oferecer dificuldades de tradução.

9.4. Advérbios e seus graus

A maioria dos advérbios é formada a partir de adjetivos. Os que se derivam de


adjetivos da primeira e segunda declinação recebem um -e na raiz do adjetivo:

miser, misera, miserum -> misere


miserável miseravelmente

Os formados a partir de adjetivos de terceira declinação recebem na maioria das


vezes a terminação -iter:

fortis, -e fortiter
forte fortemente

Muitos advérbios não se derivam de adjetivos, mas são simplesmente formas


cristalizadas de ablativos, como cito - “depressa, facilmente”. Esses devem ser aprendidos
como palavras comuns.

O grau comparativo de um advérbio é formado pela adição de -ius ao radical do


adjetivo:

fortiter fortius
fortemente mais fortemente
facile facilius
facilmente mais facilmente
misere miserius
miseravelmente mais miseravelmente

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E.I.E. Caminhos da Tradição 90

O superlativo é formado com a adição de -issime (ou -rime, -lime, deacordo com o
radical, como vimos acima) ao radical do adjetivo:

fortissime o mais fortemente


facilime o mais facilmente
miserrime o mais miseravelmente
quam miserrime o mais miseravelmente possível

9.5. Comparativos irregulares de advérbios

Como era de se esperar, temos também uma série de advérbios cujos graus
comparativo e superlativo são irregulares, mas formado à semelhança dos adjetivos:

bene melius optime


bem melhor otimamente
male peius pessime
mal pior pessimamente
magnopere magis maxime
grandemente mais muitissimamente; principalmente
parum minus minime
pouco menos minimamente
multum plus plurimum
muito mais em grande quantidade
diu diutius diutissime
por um longo tempo por mais tempo por muitíssimo tempo
saepe saepius saepissime
freqüentemente mais freqüentemente muitíssimo freqüente
--- prius primum
anterior, antes primeiro
prope propius proxime
perto mais perto muito perto, pertíssimo

Exercício

I. Traduza

1. Hic multo facilius quam ille legit.


2. Rex novus peior quam pater regit.
3. Honeste et feliciter vivamus.
4. Milites quam acerrime et fortissime pugnant.
5. Misere vivere non optamus.
6. Gracile ambulat, et humile. (gracilis, -e - simples; magro).
7. Diutius manet quam ille.
8. Mane propius!
9. Hic dux crudelius illo bella gessit. (dux, ducis - general; crudelis, -e - cruel).
1O. Tutior est velas dare quam manere. (tutus, -a, -um - seguro).
11. Dicit eos sereniores agere non posse. (serenus, -a, -um - calmo, sereno).

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9.6. Genitivo partitivo

O genitivo pode ser usado para expressar o todo do qual tiramos uma parte. Daí seu
nome, partitivo:

Fortissimus omnium militum est. Ele é o mais forte de todos os soldados.


Multi hominum sapientiam laudant. Muitos dos homens louvam a sabedoria.

Com numerais cardinais as preposições e (ex) ou de podem ser usadas:

Quinque ex militibus domum venerunt. Cinco dos soldados vieram pra casa.

Algumas palavras exigem o genitivo partitivo:

Satis pecuniae habet. Ele tem de dinheiro o suficiente.


Ele tem dinheiro o suficiente.
Plus pecuniae habet quam tu. Ele tem mais de dinheiro do que você.
Ele tem mais dinheiro do que você.

Note que neste caso podemos (e até devemos) omitir a preposição “de” para que a
frase ganhe mais do espírito da língua portuguesa.

Em todos os casos, traduza os genitivos com a preposição “de”. Depois, em uma


posterior elaboração da frase, você deve analisar se ela deve ou não ser mantida. Este
conselho vale para todos os outros casos.

Exercícios de revisão

I. Traduza:

1.Puer fratri est simillimus, nam est tam sapiens quam frater. (similis, -e - semelhante; nam
- pois; sapiens, -entis - sábio; tam - tão).
2. Puer est sororis dissimilis.
3. Hic hospes multo serenior est illo. (hospes, hospitis - hóspede).
4. Auctor clarior erat fratre claro. (clarus, -a, -um - famoso).
5. Dona cariora dari filio sapientissimo iussit.
6. Nihil est bello tam simile quam ruina.
7. Illa civitas multo pluris quam nostra casus mortis habet.(casus, -us - acidentes).
8. Hic est quinque manibus longior quam ille.
9. Multae urbes antiquae pulcherrimaeque casu crudelissimo deletae sunt.
1O. Sapientes aiunt amicitiam esse summum bonum. (aio (defectivo) - digo: aiunt - dizem;
amicitia, -ae - amizade; summus, -a, -um - sumo, o maior de todos).
11. Multo facilius est laudare amicum quam inimicum. (laudo, -avi, atus, -are - louvar,
elogiar).
12. Quid infelici servo dulcius curis solutis? (solvo, solvi, solutus, -ere - libertar, liberar
de).

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E.I.E. Caminhos da Tradição 92

13. Quamquam hoc templum tam antiquus est quam illud, tamen deterior est. (templum, -i
- templo; deterior, -ius - pior).
14. Incipit res melius ire quam speraveramus.
15. Plures tibi do, qui non amico, sed amicitia caruerunt. (não se esqueça de que careo se
constrói com ablativo!)
16. Facilius genus vitae hominibus quaerendum est.
17. Ait plus donorum pessimis servis non optandum esse quam optimis. (ait - diz, do verbo
aio).
18. Aiebat se facillime legisse libros quos misisse.
19. Mors animam carissimam corpore solvit.
2O. Amico bono nihil teneri melius potest. (teneo, tenui, tentum, -ere - reter)
21. Consiliis optimis vitam agere debebimus, si quam felicissime vivere optabimus.
(consilium, -ii - conselho).
22. Romae satis odii, laudis parum erat. (odium, -ii - ódio; laus, laudis (F) - louvor; parum
- pouco).
23. Regem saeviorem cives prius Roma, post et ex Italia pepulerunt. (prius - antes)

II. Traduza em latim:

1. Estes soldados são melhores do que aqueles em força.


2. O mais alto de todos não pode ser o melhor.
3. Ele disse que é pior ficar do que ir.
4. Se ficasse seria melhor?
5. Dizem que aquele homem é menor do que este, mas na verdade não é.
6. Muito freqüentemente passeio, mais freqüentemente do que você.
7. Cinco dos soldados ficaram pertíssimo, mais perto do que queríamos.

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Morfologia dos numerais

Os numerais em latim podem ser de quatro espécies: Cardinais (unus, duo, tres, etc),
ordinais (primus, secundus, tertius, etc.), dístributivos (singủli, ae, a = um por vez, bini, ae,
a = dois por vez, etc.) e advérbios (semel = uma vez, bis = duas vezes, etc.)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 94

Obs. - Um milhão e os múltiplos de um milhão formam-se com os advérbios


numerais unidos ao número cem mil (ou a um múltiplo de cem mil) : 1.OOO.OOO, card.:
decies centena (ou centum) milia, ord.: decies centies millesimus, distr.: decies centena
milia, adv.: decies centíes milies; 2.OOO,OOO vicies centena (ou centum) milia (vinte
vezes cem mil), vicies centies millesimus, vicies centena milia, vicies centies milies, etc.

1O.1. O ablativo absoluto

Construção freqüente em latim, o ablativo absoluto funciona, em um sentido amplo,


como um advérbio que mostra as circunstâncias nas quais a ação do verbo principal se
realiza.

Formando uma oração à parte, o ablativo absoluto se constitui, em geral, de um


particípio e de um sujeito, postos ambos no ablativo:

Rege veniente, regina discedet. Vindo o rei, a rainha partirá.


Quando o rei vier, a rainha partirá.
Assim que o rei vier, a rainha partirá.

Note que o sujeito do ablativo absoluto, rex, não é o mesmo do da oração principal,
regina. Essa é uma característica do ablativo absoluto: o seu sujeito não pode ser o mesmo
do da oração principal. Essa regra é raramente quebrada pelos autores latinos.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 95

O ablativo absoluto, se usado com um particípio presente, como na oração acima,


denota uma ação que ocorre ao mesmo tempo com a oração principal. Esse tipo de
correlação já é de seu conhecimento. Se usado com um particípio perfeito, denotará uma
ação que aconteceu antes da ação do verbo principal:

Rege viso, regina discessit. Visto o rei, a rainha partiu.


Depois de ter visto o rei, a rainha partiu.

Novamente, note que os sujeitos são independentes, e que o esforço de tradução, se


o ablativo absoluto tiver um particípio perfeito, deve mostrar anterioridade da ação.

Existe um tipo de ablativo absoluto que não faz uso de particípios:

Illa femina regina, incolae felices erant. Quando aquela mulher era rainha, os
habitantes eram felizes.
Enquanto aquela mulher era rainha, os
habitantes eram felizes.

Isso acontece porque, na verdade, o verbo sum não possui particípio presente, que
deveria fazer parte da construção. Por isso, encontraremos muitos ablativos absolutos sem
particípios em várias expressões:

Natura duce Tendo a natureza por guia.


Matre ignara, puer discessit. Sem a mãe saber, o menino partiu.
Invitis militibus, dux bella gessit. Contra a vontade dos soldados, o general
faz guerra.

O particípio é um adjetivo verbal, e conseqüentemente mantém sua função verbal,


ou seja, pode reger um objeto, como na frase abaixo:

Custode milites vocante, nautae fugerunt. Com o guardião chamando os soldados,


os marinheiros fugiram.
Quando o guardião chamou os soldados,
os marinheiros fugiram.

Note que milites é objeto direto de vocante, um particípio.

Exercícios

I. Reescreva as orações subordinadas na forma de ablativo absoluto:

1. Si Marcus erit dux, superabimus.


2. Postquam oppidum deletum est, milites discesserunt. (postquam - depois que)
3. Quamquam nox terras umbris tegit, socii tamen videre possunt.
4. Si pater sanus esset, mortem non timeremus.

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5. Incolae timebant quod urbs a sociis tradita erat. (quod - porque; trado, tradidi, traditus,
tradere - neste contexto: abandonar)

II. Traduza:

1. Illo domino, non timemus.


2. Hostibus pulsis, miles felix erat.
3. Bello confecto, diutius pugnatis?
4. Periculo remoto, incolae non timent.
5. Urbe a hostibus invasa et sociis interfectis, incolae fugiunt. (fugio, fugi, fugitus, -ere -
fugir)

1O.2. Adjetivos indefinidos com genitivo singular em -ius e dativo em -i

Existe uma série de adjetivos indefinidos que têm o genitivo em -ius e dativo em -i, no
singular. Nos outros casos do singular e em todos os casos do plural a declinação é a
mesma de magnus, -a, -um. O radical pode ser encontrado retirando o -a que se encontra
ou no fim ou no meio do adjetivo no nominativo feminino singular. Nenhum deles tem
vocativo, exceto unus, solus e totus.

Eles são:

alius, alia, aliud - outro. (genitivo: alius; dativo: alii)


alter, altera, alterum - o outro, o segundo (genitivo: alterius; dativo: alteri)
uter, utra, utrum - qual dos dois?
uterque, utraque, utrumque - um e outro.
alteruter, alterutra, alterutrum - um ou outro.
neuter, neutra, neutrum - nenhum nem outro, nenhum dos dois.
utervis, utravis, utrumvis - qualquer um dos dois.
uterlibet, utralibet, utrumlibet - qualquer um dos dois que você queira.
utercumque, utracumque, utrumcumque - qualquer que seja.
unus, uma, unum - um.
ullus, ulla, ullum - algum.
nullus, nulla, nullum - nenhum.
solus, sola, solum - só.
totus, tota, totum - todo.

Procure observar com cuidado a parte invariável de alguns desses indefinidos


apresentados. Ela aparecerá mais tarde em alguns pronomes. Não se preocupe em
memorizar tudo por enquanto. Mais uma vez, aconselhamos que você faça fichas com cada
um deles e sua respectiva tradução.

Como referência, decline alius, alia, aliud no singular e no plural.

Esses indefinidos tiveram tratamento especial não só pela sua forma de declinar,
mas também porque muito freqüentemente caímos na armadilha de pensar que alii é o

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genitivo de alius, e assim com os outros, por influência do genitivo da segunda declinação
que tem essa forma. Cuidado!

Exercício

I. Traduza:

1. Libro alio scripto, auctor alium scribere coepit. (---, coepi, coeptus, coepisse - começar.
Este verbo só é usado no sistema do perfeito)

2. Nullus homo qui apud nos vivit tanta gaudia quantos metus tulit. (apud - entre, do lado
de; gaudium, -i - alegria; tantus, -a, -um - tanto; quantus, -a, -um - quanto)

3. Itinere incerto et nullo signo a magistro dato, in neutram viam sine timore periculi ruere
iam possumus. (iter, itineris - rota, caminho; certus, -a, -um - certo; incetus, -a, -um -
incerto; signum, -i - sinal; ruo, rui, rutum, ruere - neste contexto: avançar para; iam - já;
então)

4. Audácia custodis solius auxilium genti toti tulit. (Audácia, -ae - coragem, audácia;
custos, custodis - guardião; auxilium, -i - ajuda; gens, gentis, gentium - raça, povo).

5. Sole auxilio, viis incertis fugimus ut nos sociis quam primum iungeremus. (iungo, iunxi,
iunctus, iungere - juntar-se, unir-se). ***

1O.3. O ablativo de causa

A tradução do adjunto adverbial de causa português, como em “Ele grita de alegria (por
causa da alegria)”, é traduzido pelo ablativo sem preposição:

Clamare gaudio coepit. Ele começou a gritar por causa da alegria.


Forma laudabantur. Eles eram elogiados por causa da beleza (deles).

Às vezes a causa é expressa pelas preposições ob ou propter seguidas de acusativo:

Ob iram, nautam interfecit. Ele matou o marinheiro por causa da raiva.


Propter metum, fugiunt. Eles fogem por causa do medo.

1O.4. Ablativo e genitivo de qualidade

Quando dizemos “Homem de grande sabedoria”, o adjunto “de grande sabedoria”


indica uma qualidade do homem. Essa qualidade pode ser expressa em latim pelo genitivo
se essa qualidade é permanente, essencial:

Vir magnae sapientiae.

E pelo ablativo se é uma qualidade temporária ou material, corporal:

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Vir magna sapientia.


Vir humili statura - Homem de baixa estatura.
Tristi animo est - Ele está triste.

1O.5. O verbo fero e seus compostos

Este verbo, fero, tuli, latus, ferre, que entre outros significados equivale a “levar,
trazer; sofrer, suportar”, tem algumas particularidades no presente do indicativo, no
infinitivo presente e no imperativo presente:

Presente do Indicativo Ativo: Presente do indicativo Passivo:


fero feror
fers ferris (ferre)
fert fertur
ferimus ferimur
fertis ferimini
ferunt feruntur

Imperativo presente:
singular: fer! plural: ferte!

Além disso, existem vários verbos compostos de fero, para os quais devemos dar
alguma atenção:

ad + fero = affero, attuli, allatus, afferre - levar; produzir; avançar


ab + fero = aufero, abstuli, ablatus, auferre - tirar, roubar; levar
com + fero = confero, contuli, collatus, conferre - amontoar; conferir; aplicar
de + fero = defero, detuli, delatus, deferre - derrubar; denunciar; vender
dis + fero = differo, distuli, dillatus, differre - dispersar, espalhar; difamar
ex + fero = effero, extuli, elatus, efferre - levar pra fora; exportar; manifestar
in + fero = infero, intuli, illatus, inferre - inferir; concluir; causar
ob + fero = offero, obtuli, oblatus, offerre - oferecer; apresentar; opor
re + fero = refero, rettuli, relatus, referre - referir; retirar; tornar a levar
sub + fero = suffero, sustuli, sublatus, sufferre - suportar; sofrer; agüentar

Observe como as proposições mudam quando prefixadas ao verbo. Esse mesmo


fenômeno acontece em compostos de outros verbos, e pelo estudo desses exemplos é
possível que você encontre a etimologia para muitas palavras da língua portuguesa.

Note também que nem sempre o significado do composto mantém ligações diretas
com suas partes. Em verdade, o significado original foi sofrendo transformações ao longo
dos tempos, e nem mesmo na época clássica da literatura romana eles eram usados segundo
seus significados originais.

O grande problema da tradução latina é justamente o fato de que os Romanos,


mesmo na época de ouro de sua literatura, tinham um vocabulário pobre, cerca de um terço

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da quantidade de palavras das quais se serviam os Gregos, e por isso precisaram dar vários
significados às mesmas palavras. O ideal seria que conhecêssemos pelo menos três dos
principais significados de cada palavra. Você verá isso em seus trabalhos futuros.

Exercício

I. Traduza

1. Puer fert libros.


2. Puer ferebat libros.
3. Is est puer qui ferebat libros.
4. Puer fertur esse bônus. (fertur - é dito. Este é um uso de fertur de significado
completamente diferente do esperado, e muito usado.)
5. Puer fertur libros ferre.
6. Puer fertur libros tulisse.
7. Libros non feram.
8. Libri a puero feruntur.
9. Libri a me non lati sunt.
1O. Dico puerum qui libros ferat bonum esse.
11. Dicebam puerum qui libros ferret bonum esse.
12. Dixi puerum qui libros tulisset bonum esse.
13. Intellegit libros fructui esse hominibus sapientibus.
14. Libri ad nos ferentur ut sapientiores simus.

**Exercícios de revisão

I. Traduza:

1. Quot homines, tot sententias. (quot... tot... - quantos... tantos...)

2. Illo discedente, res agi coepta est.

3. Pueros scribentes vidi.

4. Homines in bello superati discesserunt.

5. Miles erat pugnaturus.

6. Opere confecto, viri domum missi sunt.

7. His rebus gestis, omnes discesserunt.

8. Amicitia ex se et propter se petenda est.

9. Unus clamat, alter audit.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 100

1O. Patria libera, me ad mortem non offeram.

11. Amicus certus in re incerta cernitur. (cerno, crevi, cretum, -ere - discernir, identificar)

12. Pars gentis domum cum sapientia fugit; pars propter audaciam bellum gessit.

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COMPLEMENTOS:

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11.1. Verbos depoentes

Os verbos latinos se caracterizam por terem duas vozes, uma ativa e outra passiva,
cada uma com seu conjunto especial de terminações. Existem verbos, no entanto, que têm
apenas as formas da voz passiva que, e que, além disso, têm significado ativo. Esses verbos
são chamados de depoentes, do verbo depono - “deixar de lado”, ou seja, eles deixam de
lado suas formas ativas, ficando com as passivas.

Essa classe de verbos costuma confundir aquele que se inicia no estudo do latim. É
de se esperar que você, ao ver uma forma da voz passiva, queira traduzi-la por uma
correspondente passiva do português. Mas com esses verbos você deve ter cuidado. É
aconselhável que você vá sempre ao dicionário ao ver um verbo na voz passiva: ele pode
ser um verbo depoente, e então você deverá traduzi-lo por uma forma da voz ativa, e não
por uma da passiva.

Vamos a uma sinopse de utor, usus sum, uti - “usar, servir-se de” nas duas
primeiras pessoas do singular. Esse verbo se flexiona como um verbo na terceira
conjugação na voz passiva:

INDICATIVO:

Presente: Utor - uso


Uteris - usas
...
Imperfeito: Utebar - usava
Utebaris - usavas
...
Fut. imperfeito: Utar - usarei
Uteris - usarás
...
Perfeito: Usus sum - usei
Usus es - usaste
...
M. q. perfeito: Usus eram - eu tinha usado
Usus eras - tinhas usado
...
Fut. perfeito: Usus ero - terei usado
Usus eris - terás usado
...

IMPERATIVO:

Utere! - usa!
Utimini! - usai!

SUBJUNTIVO:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 104

Presente: Utar - use


Utaris - uses
...
Imperfeito: Uterer - usasse, usaria
Utereris - usasses, usarias
...
Perfeito: Usus sim - tenha usado
Usus sis - tenhas usado
...
M. q. perfeito: Usus essem - tivesse usado
Usus esses - tivesses usado
...

INFINITIVOS:

Presente ativo: Uti - usar


Perfeito ativo: Usum esse - ter usado
Futuro ativo: Usurum esse - haver de usar

PARTICÍPIOS:

Presente ativo: Utens - usando, que usa


Perfeito ativo: Usus - tendo usado, que usou
Futuro ativo: Usurus - havendo de usar, que usará
passivo: Utendus - que deve ser usado

Note o seguinte:

1) O particípio presente é ativo na forma e no significado;


2) Os verbos depoentes têm particípio perfeito ativo; os outros verbos só têm o particípio
perfeito passivo;
3) Os particípios futuros são ativos na forma e no significado.

É interessante saber que este verbo, juntamente com alguns outros depoentes, como fruor,
fructus, frui - “gozar de”, fungor, functus sum, fungi - “cumprir, desempenhar”, potior,
potitus sum, potiri - “apoderar-se, possuir” e vescor, ---, vesci - “alimentar-se” regem o
ablativo, e não o acusativo:

Uti speculo (e não Uti speculum) Servir-se de um espelho


Novis exemplis uti Fazer uso de novos exemplos.
Frui omnibus commodis Gozar de todas as vantagens.
Fungi voto cumprir um voto.
Vesci lacte alimentar-se com leite.

O que é importante você lembrar: depoentes têm formas da passiva, mas significados da
ativa.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 105

Exercícios

I. Dê a sinopse dos seguintes verbos depoentes, com a tradução:

1. conor, conatus sum, conari - tentar; na primeira pessoa do plural


2. ingredior, ingressus sum, ingredi - entrar, avançar; na terceira pessoa do singular
3. loquor, locutus sum, loqui - falar; na segunda pessoa do singular

II. Traduza:

1. Arbitror consulem mori. Arbitror consulem mortuum esse. Arbitror consulem moriturum
esse. (arbitror, arbitratus sum, arbitrari - pensae, julgar; consul, consulis - cônsul;
morior, mortuus sum, mori - morrer).
2. Duces navibus non usi erant. (navi, -is, -ium (F) - navio)
3. Noli arbitrari nostra scelera esse peiora tuis. (scelus, sceleris (N)- crime)
4. Imperator milites hortabatur ut progrederentur. (imperator, -oris - imperador; hortor,
hortatus sum - exortar, instigar; progredior, progressus sum, progredi - avançar)
5. Oratoremne loqui patiemini? (orato, oris - orador; patior, passus sum, pati - suportar,
tolerar).

11.2. Verbos semi-depoentes

Como se não bastassem os depoentes, o latim também possui uma classe de verbos
chamada de semi-depoentes: são os que têm forma e significado ativos no sistema do
presente, mas forma passiva e significado ativo no sistema do perfeito. Por isso são
chamados de semi-depoentes: apenas metade do sistema verbal é depoente, e justamente o
sistema do perfeito.

Esses verbos são de número reduzido em latim, e apresentaremos apenas a primeira pessoa
do singular de cada tempo do indicativo de audeo, ausus sum, ---, audere - “ousar,
atrever-se”:

audeo ouso
audebam ousava
audebo ousarei
ausus sum ousei
ausus eram tinha ousado
ausus ero terei ousado

Note bem o uso de formas da passiva com significados ativos no sistema do


perfeito.

Tendo em mãos os verbos depoentes e semi-depoentes, precisamos ter em mente


que ao avistar um verbo na forma passiva que não conhecemos, devemos ir ao dicionário
para saber se se trata de um verbo depoente ou semi-depoente. Caso isso não seja

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E.I.E. Caminhos da Tradição 106

verificado, e confiarmos apenas “no ouvido” ou na semelhança com o português,


poderemos cair no erro grave de traduzir com significado passivo um verbo depoente.

Exercícios

I. Dê a sinopse dos seguintes verbos semi-depoentes, com a tradução:

1. gaudeo, gavisus sum, gaudere - alegrar-se; na primeira pessoa do singular.


2. soleo, solitus sum, silere - costumar, soer; na terceira pessoa do singular.

11.3. Genitivo subjetivo e genitivo objetivo

Existe em geral uma idéia verbal subentendida em substantivos e adjetivos de


sentimentos e ações. O substantivo que é o objeto dessa idéia é chamado de genitivo
objetivo, e quando é o sujeito, toma do nome de genitivo subjetivo:

OBJETIVO:

amor patriae amor da pátria


(pátria é o objeto direto da ação de amar)
metus belli medo da guerra
(guerra é o objeto direto da ação de temer)
cupidus pecuniae desejoso de dinheiro
(dinheiro é o objeto direto de desejar)

SUBJETIVO:

feminae amor patriae o amor da mulher pela sua pátria


(a mulher é quem ama a pátria: é o sujeito do verbo amar)

Como em todos genitivos, basta que você traduza fazendo uso da preposição de
para descobrir o sentido da frase. É necessário apenas que você saiba que esse é mais um
uso do genitivo, nada mais.

11.4. Genitivo de característica

Quando dizemos “É próprio do sábio ler livros” ou, mais resumidamente, “É do


sábio ler livros”, estamos caracterizando o sábio, dando-lhe um sinal distintivo, uma marca.
Traduzimos essa idéia com o genitivo:

Sapientis est libros legere.

E ainda:

Boni est Deum laudare. É (característica) do bom homem louvar a Deus.

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É mais um uso do genitivo.

Exercício

I. Traduza:

1. Gentis crudelis est bellum genti amicae inferre.


2. Viri pessimi semper fuit patriam tradere. (trado, tradidi, traditum, tradere - trair).
3. Natos amorem virtutis docebant. (natus, -i - filho; doceo, docui, doctus, -ere - ensinar).
4. Est fortis viri neglegere pericula quae minantur. (neglego, neglexi, neglectus, -ere -
desprezar; minor, minatus sum, minari - ameaçar).
5. Amor patriae est boni civis.
6. Parentum maiorem est iuvenes neglegere. (parens, parentis - pais; iuvenis, -is - jovem).

11.5. Os verbos volo, nolo, malo

volo, volui, ---, velle - querer, desejar


nolo, nolui, ---, nolle - não querer, não desejar
malo, malui, ---, malle - preferir (é composto de magis + volo)

Pertencentes à terceira conjugação, esses verbos importantíssimos têm algumas


irregularidades no presente, além de possuírem infinitivos não usuais.

Daremos a conjugação de cada um deles apenas no presente do indicativo, no


presente do subjuntivo e no particípio presente:

indicativo subjuntivo particípio presente


volo
volo velim volens
vis velis
vult velit
volumus velimus
vultis velitis
volunt velint

nolo
nolo (=non volo) nolim nolens
non vis nolis
non vult nolit
nolumus nolimus
non vultis nolitis
nolunt nolint

malo
malo malim ---
mavis malis

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E.I.E. Caminhos da Tradição 108

mavult malit
malumus malimus
mavultis malitis
malunt malint

Note que é de nolo que vêm os imperativos noli! e nolite!

Esses três verbos merecem uma atenção especial pelas irregularidades que
apresenta. Todos os outros tempos se formam segundo as regras usuais para formação de
um verbo da terceira conjugação.

Exercícios de revisão

Traduza

1. Scelusne confiteri ausus es? (confiteor, confessis sum, confiteri - confessar).

2. Amorem coniugis amore feminae alterius maluerunt. (coniux, coniugis - esposo(a),


cônjuge).

3. Factumne crudele negare vis?

4. Viri infelicis est velle plus quam satis.

5. Custos templi fugere nolet.

6. Si iuvenes nobis noxam minentur, eos non vereamur. (noxa, ae - castigo; vereor, veritus
sum, vereri - temer)

7. Flumen secuti, ad oppidum amximum venimus. (flumen, fluminis, rio; sequor, secutus
sum, sequi - seguir).

8. Pauperes hortati sumus ne e provincia egredi conarentur. (pauper, pauperis - pobre;


egredior, egressi sum, egredi - sair, afastar-se).

9. Imperator sequentes hortatus est ne odium iuvenum vererentur.

1O. Dux fassus est sibi esse matum consulum. (dux, ducis - general, comandante)

11. Est consulis velle mori pro patria.

12. Bonum est velle pro amatis pati.

13. Sapientes credere ausi sunt hominem cupidum divitiarum saepe errare. (cupidus, - i -
desejoso; divitiae, -arum - riquezas; erro, erravi, erratus, -are - vagar; errar).

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E.I.E. Caminhos da Tradição 109

14. Fatebamur nos profisci conatos esse ut iungeremus manum hostium. (fateor, fassus
sum, fateri - confessar, reconhecer).

15. Fassus est se natum esse pauperibus parentibus quibus amor sui esset maximus.

16. Dulce est scire amicos mala non pati.

17. Non est pati meum.

18. Aude gradi cum virtute et audacia, omnibus curis neglectis.

19. Alii divitiis bene uti volunt, alii ob mores nolunt. (alii...alii... - uns...outros...; mos,
mores - costume; caráter)

2O. Saxa ingentia e flumine minantia periculo fuerunt navibus.

21. Quod vult habet qui velle quod satis est potest.

22. Quid tibi pecunia opus est, si uti non potes?

23. Qui superari se patitur pro tempore superat.

24. Tot mala sum passus quot in caelo sidera sunt.

25. Quam ob rem scelera illius generis ferre solebas?

26. Nos in hac familia neque tanta mala ferre soliti sumus neque feremus.

27. Si utamur navibus sociorum, quam primum fugere possimus.

Complementos

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Conjuração dos Quatro

 Verificar o áudio.

“Caput mortuum imperet tibi Dominus per vivum et devotum serpentem. Cherub,
imperet tibi Dominus per Adam Iot-Chavah! Aquila errans, imperet tibi Dominus per alas
Tauri. Serpens, imperet tibi Dominus tetragrammaton per angelum et leonem!
Michael, Gabriel, Raphael, anael!
FLUAT UDOR per spiritum ELOHIM.
MENEAT TERRA per Adam IOT –CHAVAH.
FIAT FIRMAMENTUM per IAHUVEHU-ZEBAOTH.
FIAT JUDICIUM per ignen in virtue MICHAEL.
Anjo dos olhos mortos, obedece ou escorre-te com esta santa Água. Touro alado, trabalha
ou volve a terra se não queres que te pique com esta espada.
Águia acorrentada, obedece a este signo ou retira-te ante este sopro. Serpente móvel,
arrasta-te aos meus pés ou sê atormentada pelo fogo sagrado e evapora-te com os perfumes
que nele queimo.
Que a água volte a água, que o fogo arda, que o ar circule, que a terra caia sobre a terra pela
virtude do pentagrama que é a estrela matutina, e em nome do tetragrama que está escrito
no centro da cruz luminosa. Amém. ”

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Estudo Complementar

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12.1. Usos independentes do subjuntivo

Como na língua portuguesa, o subjuntivo latino pode aparecer não só em orações


subordinadas, mas também em orações independentes. Quase sempre sua tradução é direta,
sem muita complicação.

Ainda que cada uso do subjuntivo receba um nome especial, como subjuntivo
potencial, deliberativo, optativo, e outros, não nos concentraremos aqui nessa classificação,
mas sim na tradução que cada um deve ou pode ter em português. Sabendo bem qual é a
tradução “crua” de cada tempo do subjuntivo, é possível traduzir quase todas as orações
independentes de subjuntivo:

Veniat! Que ele venha!

Ne hoc faciat! Que ele não faça isso!

Quid faciam? O que eu faça: O que eu devo fazer?

Quid facerem? O que eu faria: O que eu deveria ter feito?

Utinam veniat! Tomara que ele venha!

Utinam veniret! (Eu gostaria) que ele viesse!

Utinam venisset! (Eu gostaria) que ele tivesse vindo!

Se à primeira tradução “crua” a frase não fizer sentido, procure expressar a mesma
idéia com uma perífrase. Geralmente o contexto impõe uma ou outra tradução, já que essas
frases não aparecem isoladas, como costumamos vê-las nos exercícios.

Repare agora o uso do subjuntivo potencial:

Dicas eum hominem bonum esse. Você diria que ele é um bom homem.
Diceres eum hominem bonum esse. Você teria dito que ele é um bom homem.

Para evitar complicações, use as frases acima como modelos.

***

Exercício

I. Traduza:

1. Respondeamus!

2. Utinam domini respondeant!

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3. Ad quem locum accedamus?

4. Sine mora ille auctor librum conficiat!

5. Utinam scelus ne confitereris!

6. Periculum eo tempore neglegamus.

7. Domum hoc tempore ingrediantur?

8. Ne domi maneamus.

9. Parentum iuvenis occulte miserear? (occulte - secretamente; misereor, miseritus sum,


misereri - ter compaixão. Este verbo é usado com o genitivo)

1O. Utinam ne hoc audas; magnopere patiaris. (patior, passus sum, pati - sofrer)

***

12.2. Perguntas

Perguntas em latim freqüentemente começam com palavras interrogativas: quis? quem?;


quod? o quê?; quando? quando?; quo? quo modo? como?; cur? quam ob rem? por
quê?; unde? de onde?; e outras.

Quando nenhuma palavra interrogativa é usada, costuma-se por a partícula -ne no fim da
primeira palavra da oração, como já estamos acostumados:

Venisne mecum? Você vem comigo?

Quando é esperado um sim da parte do falante, a palavra nonne é usada:


Nonne venis mecum? Você não vem comigo? (espera-se um sim)

Quando é esperado um não, usa-se num:

Num venis mecum? Por acaso você vem comigo? (espera-se um não)

Quando a pergunta é dupla, usa-se utrum...an..., ou -ne...an..., ou simplesmente an:


Utrum mecum venis an cum eo manes? Você vem comigo ou fica com ele?
Venisne mecum an cum eo manes? Você vem comigo ou fica com ele?
Venis mecum an non? Você vem comigo ou não?

***

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Exercício

I. Traduza:

1. Utrum iubebis eum fortem esse an ego iubebo? (iubeo, iussi, iussum, iussere - mandar)

2. Opprimarne ab hostibus na in fugam me conferam?

3. Nonne tibi hoc opus placet? (placeo, placui, placere - agradar. Usado com dativo)

4. Num illud opus clarissimum tibi placet?

5. Scisne Marcum? Num cum eo venis?

6. Nonne cibum fers?

7. Utrum nostram patriam servare conaberis an non?

***

12.3. Interrogativas indiretas

As orações interrogativas indiretas têm o verbo no subjuntivo, e seguem a seqüência dos


tempos (é bom que você agora relembre todo o item 3.5).

Uma interrogativa direta é a que estamos acostumados a fazer: “O que você fará agora?”.
Já numa interrogativa indireta perguntamos como se a resposta não fosse obrigatória: “Eu
pergunto o que você fará agora”. Em latim teríamos:

DIRETA:

Quid agis? O que você está fazendo?

Quid egisti? O que você fez?

Quid ages? O que fazes?

INDIRETA:

Seqüência primária:

Rogo quid agas. Eu


pergunto o que você está fazendo.
Rogo quid egeris. Eu pergunto o que você fez.
Rogo quid acturus sis. Eu pergunto o que você fará.

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Seqüência secundária:
Rogavi quid ageres. Eu perguntei o que você está (estava) fazendo.
Rogavi quid egisses. Eu perguntei o que você fez (havia feito).
Rogavi quid acturus esses. Eu perguntei o que você fará.

Observe a mudança do verbo em latim, seguindo a seqüência dos tempos. Note


também que introduzimos agora a forma futura da seqüência dos tempos. Você pode usar
as orações acima como modelo.

***

Exercício

I. Traduza:

1. Non sentio eum scire quid agat.


2. Frater a nobis quaesivit quanta sidera in caelo essent?
3. Sciunt quam ob rem hic orator cupidissimum sit divitiarum.
4. Quaerimus utrum nostram patriam servare conatura sis necne. (necne - ou não. Mais
usado do que an non em interrogativas indiretas)
5. Omnes intellegere voluerunt quid homines illius temporis tanta mala passi essent.
6. Num negas te haec nescivisse? (nescio, nescivi, nescitus, nescire - não saber).

***

12.4. idem, eadem, idem - “o mesmo”

As formas são basicamente as de is, ea, id com o acréscimo do sufixo -dem.


Ocorrem com essa sufixação algumas pequenas alterações, como a ausência de -s no
nominativo masculino singular e a de -d no neutro, e a mudança de -m para -n no acusativo
singular.

Vejamos a declinação completa:

Singular: Plural:
M. F. N. M. F. N.
idem eadem idem eidem (idem) eaedem eadem
eiusdem eiusdem eiusdem eorundem earumdem eorumdem
eundem eandem idem eosdem easdem eadem
eidem eidem eidem eisdem eisdem eisdem
eodem eadem eodem eisdem eisdem eisdem

A ordem apresentada dos casos é a que estamos acostumados: nominativo, genitivo,


acusativo, dativo, ablativo. Existe uma forma alternativa para o dativo e o ablativo plurais:
idem, para todos os sexos.

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12.5. quidam, quaedam, quiddam - “um certo”

Este pronome adjetivo é um composto do pronome relativo adjetivo qui, quae,


quod com o acréscimo do sufixo -dam no final. Essa sufixação provoca pequenas
alterações, como a transformação do -m do acusativo em -n.

Singular: Plural:
M. F. N. M. F. N.
quidam quaedam quoddam quidam quaedam quaedam
cuiusdam cuiusdam cuiusdam quorumdam quarumdam quorumdam
quendam quandam quoddam quosdam quasdam quaedam
cuidam cuidam cuidam quibusdam quibusdam quibusdam
quodam quadam quodam quibusdam quibusdam quibusdam

Este pronome também pode ser usado substantivamente, e adquire a forma


quiddam no neutro singular nominativo e acusativo, como acontece com o pronome
relativo. Relembre os que falamos sobre o pronome interrogativo substantivo em 7.6 para
compreender melhor essa diferença.

12.6. ipse, ipsa, ipsum - “ele mesmo, ele próprio”

Esse pronome adjetivo (que pode ser usado também como substantivo) se declina
como ille, illa, illud exceto no neutro singular, onde tem -um no lugar de -ud:

Singular Plural
Masc. Fem. Neutro Masc. Fem. Neutro
Ipse Ipsa Ipsum Ipsi Ipsae Ipsa
Ipsius Ipisius Ipsius Ipsorum Ipsarum Ipsorum
Ipsum Ipsam Ipsum Ipsos Ipsas Ipsa
Ipsi Ipsi Ipsi Ipsis Ipsis Ipsis
Ipso Ipsa Ipso Ipsis Ipsis Ipsis

Ipse é usado para intensificar a palavra que modifica, se for usado adjetivamente,
ou a palavra que substitui, se for usado substantivamente:

Ipse veniam Eu mesmo virei/Eu próprio virei.


Virum ipsum vidit. Ele vê o próprio homem.
Exponam quid ipse sentiam. Explicarei o que eu mesmo penso.

Na primeira e terceira orações ipse foi usado substantivamente substituindo um pronome


pessoal, e na segunda adjetivamente, intensificando virum.

12.7. iste, ista, istud - “esse seu”

Declinado como ille, este pronome adjetivo significa “esse seu”, e é quase sempre
usado pejorativamente:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 120

Iste amicus venire non potest. Esse seu amigo não pode vir.
Esse seu desgraçado amigo não pode vir.
Quae tua est ista vita? Que vida infame é essa que levas?

***

Exercício

I. Traduza:

1. Iste amicum me odit.


2. Idem maicus me odit.
3. Amicus ipse me odit.
4. Istum fratrem vidi.
5. Eundem fratrem vidi.
6. Fratrem ipsum vidi.
7. Fratrem ipse vidi.

Exercícios de revisão

I. Traduza:

1. Rogavimus quaedamne cibum an pecuniam an auxilium posceret. (posco, poposci, --,


poscere - pedir, exigir).

2. Di immortales salutem, opes et imperium civibus comitibusque dent! (ops, opis - força.
No plural significa “riqueza”; comes, comitis - companheiro).

3. Quare iste tandem mei misereatur? (quare - por que; tandem - afinal).

4. Utrum melius est haec deligere an illa? (deligo, delegi, delectus, -ere - escolher).

5. Ne iuveni cupido divitiarum credant.

6. Omnia superat amor: et nos cedamus amori.

7. Utinam milites hostiles ne veniant ut oppidum deleant. (hostilis, -e - hostil).

8. Nesciverunt utrum manus militum superavisset na superata esset.

9. His tantis in rebus est tuum videre quid agatur.

1O. A vobis quaero utrum pecuniam acceperitis necne. (accipio, accepi, acceptus, -ere -
receber, aceitar; ouvir).
11. Quid dicam de servitute quae opprimit hos quos videmus?

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E.I.E. Caminhos da Tradição 121

12. Paucorum est intellegere quid donet Deus. (pauci, -a, -um - pouco).

13. Sapiens scit quid sorte sibi datum sit, quid non. (sors, sortis, -ium - destino, sorte).

14. Nonne intellegis quanto in periculo sis?

15. Nescio quo modo iste a civibus dux delectus sit. (quo modo - como).

16. Rogatis ut opibus bene utamur; rogamus num ipsi opibus bene utamini.

17. Unde quoddam donum de quo diu audivimus recipiemus? Scisne na non? (unde - de
onde).

18. Ubi estis? Quando veniam ut vos videam? (ubi - onde; quando - quando).

19. Nisi domi eritis, quo modo sciam quid mihi faciendum sit?

2O. “Moriemur sine culpam sed moriamus”, ait.

21. Eidem parentes iuvenes ipsos audentes loqui cum audacia oderint.

22. Ad te quid scribam nescio.

23. Omnibus modis miser sum. (modus, i - modo, maneira).

13.1. Os pronomes indefinidos aliquis, quisquam, quisque

Estudamos na lição passada o pronome indefinido quidam. Nesta continuaremos


nosso estudo dos pronomes indefinidos, com mais os três seguintes:
13.1.1. aliquis - alguém, algo, algum

Declinado como quis com a adição do prefixo ali-: aliquis, aliqua, aliquod, com a
única diferença que no feminino ele faz aliqua, e não *aliquae:

Aliquis ad me heri venit. Alguém veio à minha casa ontem.


Vidistine aliquem? Vistes alguém?
Non sine aliquo metu velas damus. Não sem algum medo velejamos.

Quando si, nisi, num ou ne vêm antes de aliquis, ele se torna quis:

Si quis veniat, felix sim. Se alguém viesse, seria feliz.


Nisi quem videas, felix non sis. Exceto se vires alguém, não serás feliz.
Num quem vides? Você vê alguém, não?

13.1.2. quisquam - alguém, algum, qualquer

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E.I.E. Caminhos da Tradição 122

Declinado como quis com a adição do sufixo -quam. Muito usado em orações
negativas:

Vix quisquam hoc negare potest. Dificilmente alguém pode negar isso.
Fortior fuit miles quam quisquam militum. O soldado foi mais forte do que qualquer
(outro) dos soldados.

13.1.3. quisque - cada um, todo

Declinado como quis mais o sufixo -que:

Haec quisque sentit. Cada um (todos) percebe(m) essas coisas.


Quique vir hanc puellam amat. Todo homem ama esta menina.
Cuique homini hic multa pecunia est. Todo homem aqui tem muito dinheiro.

Exercício

I. Traduza:

1. Cur aliqui adulescens per forum heri currere constituit? (cur - por que; forum, i - praça
pública; heri - ontem; curro, cucurri, cursus, -ere - correr; constituo, constitui,
constitutus, -ere - decidir, resolver).
2. Hoc difficilius est quidquam.
3. Aliqui amicus mihi donum aliquod misit.
4. Aliquisne te timet?
5. Illud flumen erat longius quam ullum in Graecia.
6. Marcus se esse sapientiorem quam quemquam amicorum arbitratus est.
7. Nescivi num quis per forum currere constitueret.
8. Vix quisquam virtutem illic monstrare voluit. (vix - dificilmente; illic - lá). 9. Plebi
quodque ius non datum est. (ius, iuris - direito, lei; plebs, plebis - plebe).
1O. Utinam quisque patriam amet!
11. Dixitne aliquid? Non dixit quicquam.

13.2. Dativo com certos verbos intransitivos

Assim como em português existem verbos que exigem objetos indiretos, o latim
possui verbos que regem o dativo. A maioria desses verbos que regem o dativo em latim
exige objeto indireto em português, e por isso não oferecem dificuldade de tradução. Os
mais importantes são (apenas para alguns daremos exemplos de uso):

faveo, favi, fautus, favère favorecer a: Nobis favent - Nos favorecem


ignosco, ignovi, ignotus, ignoscere perdoar a: Ignosce mihi! - Me perdoe!
noceo, nocui, nocitus, nocère ser prejudicial a
parco, peperci, parsus, parcere economizar
pareo, parui, paritus, parère obedecer a:
placeo, placui, placitus, placère agradar a: Placet mihi - Me agrada

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E.I.E. Caminhos da Tradição 123

persuadeo, persuasi, persuasus, persuadère persuadir a: Persuadeo tibi - Te persuado


studeo, studui, ---, studère desejar; estudar

13.3. Passiva impessoal

Verbos intransitivos não podem ser usados na voz passiva. Em latim isso se traduz
assim: verbos que não exigem objeto direto não podem formar a voz passiva. Por exemplo,
todos os verbos da seção anterior não podem ser usados na voz passiva, pois exigem dativo,
e não acusativo. Mas quando uma idéia de passividade é desejada, devemos usar uma
construção impessoal, com o verbo na terceira pessoa do singular e sem sujeito. Usamos o
pronome se na maioria das vezes:

Tibi parco Economizo para você. (voz ativa).


Tibi parcitur. Economiza-se para você. (passiva impessoal)
Algo é economizado para você.
Nobis parsum est. Economizou-se para nós.
Tibi a nobis parcendum est. Deve-se economizar para você por nós.
Nós devemos economizar para você.

Como no último exemplo, é possível transformar a passiva impessoal em voz ativa,


sem problemas estilísticos significantes.

A passiva impessoal é também muito usada quando se quer dar especial atenção à
ação verbal, em detrimento do sujeito. Em outras palavras, quando se quer realçar a ação e
não é importante saber quem a realiza. Ela pode ser usada com verbos que regem outros
casos, e não apenas com os que regem o dativo:

Domi pugnatur. Briga-se em casa.


Há briga em casa.
Acriter pugnatum est. Lutou-se fortemente.
Houve uma forte luta.
Ad villam curritur. Corre-se para a casa de campo.
Há pessoas correndo para a casa de campo.

Exercício

I. Traduza:

1. In foro clamatur.
2. Hic vivitur; illic nemini vita placet.
3. Mihi a quaque femina in urbe favetur.
4. Signo dato, Romam celeriter curritur.(celeriter - rapidamente).
5. Parva magnis conferantur.
6. In bello magnopere timetur.

***

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E.I.E. Caminhos da Tradição 124

13.4. Dativo com verbos compostos

Muitos verbos compostos com os prefixos abaixo passam a reger o caso dativo,
deixando de lado sua antiga regência:

ad- com- ob- pro-


ante- in- post- sub-
circum- inter- prae- super-

Um exemplo:

Militibus praesum Comando os soldados. (note que em português os


soldados está no acusativo, e em latim militibus, dativo).

Outros exemplos serão vistos nos exercícios.

Exercício

I. Traduza as frases seguintes, sabendo que em algumas o dativo é exigido pelo verbo, e em
outras não:

1. Amoremne iussis praeponis? (iussum, -i (N) - ordem; praepono - colocar diante,


preferir).
2. Vobis imperavimus ne iussa amori postponatis. (postpono - por em segundo plano).
3. Cuique persuaserunt ut quam honestissimus esset.
4. Cives duci malo non faverunt.
5. Pecunia amicitiae non praeferenda est. (preafero - preferir).
6. Hic mihi magno usui erit legatus, iste parvo. (usus, -us - vantagem, utilidade; legatus, -i
- legado, enviado).
7. Imperatori qui oppido praeerat parendum erat. (praesum - estar no comando).
8. Cui bono fuit? Nemini bono fuit.
9. Rogat num cui magnopere placuerit.
1O. Dixi imperatori qui oppido praeerat parendum erat.

13.5. O verbo fio - ser feito, acontecer, tornar-se

Fio, factus sum, fieri - este verbo, cujo significado principal é “tornar-se”, é usado como
se fosse a voz passiva de facio, feci, factus, facere - “fazer”.

No sistema do perfeito ele usa as formas de facio, e no sistema do presente se conjuga


como se fosse um verbo da terceira conjugação, só que suas formas ativas têm significado
passivo, exatamente o contrário de um depoente! Para ajudar a memória, lembre-se de Fiat
lux! Et lux facta est.- Faça-se luz! E a luz foi feita.

Algumas expressões importantes:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 125

Fieri potest... é possível que...


Ut fieri solet - Como costuma acontecer.

13.6. duo, duae, duo - dois

O adjetivo numeral duo, duae, duo tem seu conjunto próprio de terminações:

M. F. N.
Nom. duo duae duo
Gen. duorum duarum duorum
Acus. duos (-o) duas duo
Dat. duobus duabus duobus
Abl. duobus duabus duobus

As mesmas terminações são usadas por ambo, ambae, ambo - “ambos”.

Exercícios de revisão

I. Traduza

1. Duci placet moenia oppido circumponere. (circumpono - pôr à volta; moenia, -orum -
muralhas).

2. Ira fit ruina nostrorum bonorum. (ira, -ae - ira, raiva).

3. Credamus imperatori a regentibus honestis delecto.

4. Quisque pessimus poenas det!

5. Duobus imperativ ne cui maiori quam eis credant.

6. Per vias oppidi erratum est.

7. Tibi ab omnibus audientibus creditum est.

8. Quo quisque est sollertior, hoc docet facilies. (quo... hoc... - quanto mais... tanto mais...;
sollers, sollertis - esperto).

9. Quo maius animal, eo magis timendum est. (quo... eo... - quanto mais... tanto mais...).

1O. Si quisquam est iratus, is ego sum. (iratus, -a, -um - irado).

11. Vix ulli credit, nec quisquam ex omnibus gntibus ad eum accedere audet. (accedo -
aproximar-se).

12. Rogamus quid fiat.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 126

13. Qui amabant hunc, illi favebunt.

14. Si qua mihi virtus esse, in bellum sine metu ruerem.

15. Credo ego vos mirari quo ferat natura sua quemque. (miror, miratus sum, mirari -
admirar, espantar-se).

16. Mihi non ab istis noceri potest.

Gramática Latina

Revisão, resumo e conceitos para facilitar os estudos.

"Duas disciplinas são absolutamente necessárias para quem quiser possuir espírito
claro e penetrante: a geometria e o latim".

(Giácorno Albanese, grande matemático italiano, professor nas Universidades de


Pisa e S. Paulo)

Noções de Análise Sintática da Oração (1)

1. - Introdução

a) ORAÇÃO é uma palavra ou um conjunto de palavras com que se exprime um


pensamento: Trabalhas. O aluno chegou. Deus é justo. Trabalhai. João partirá? Oxalá os
meninos venham!

b) A palavra NOME pode corresponder a: Substantivo, adjetivo, numeral e


pronome.

c). Os principais verbos de LIGAÇÃO são os verbos SER e ESTAR, quando não
são usados como verbos auxiliares: Tiago é (verbo de ligação) bom. Os meninos estão (v.
de ligação) doentes. - Nestes exemplos: Tiago foi ferido; os meninos estão brincando, os
verbos "ser" e "estar" não são verbos de ligação, porque foram usados como auxiliares.

d) Os verbos que vão são de ligação, dividem-se em:

I. Transitivos diretos (O caçador matou o leão)


indiretos (Isso depende do Imperador)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 127

II. Intransitivos (O menino morreu)

(1) Estas noções de análise sintática devem ser estudadas DEVAGAR, com MUITOS
exercícios, e somente depois que os alunos conheçam BEM a análise morfológica.

Obs. - Para saber se um verbo é transitivo direto, transitivo indireto ou intransitivo,


consulte-se um bom dicionário da língua portuguesa e preste-se atenção ao seguinte:

a) É TRANSITIVO todo verbo que, ordinariamente, pede mais alguma palavra: O caçador
matou... o quê? Isso depende... de quem?

1. É transitivo DIRETO o verbo que pede alguma palavra sem nenhuma preposição: O raio
rachou o muro; o navio corta as ondas; Deus criou o mundo.

11. É transitivo INDIRETO o verbo que pede alguma palavra com preposição: Eu obedeço
a meus superiores; vós gostais de livros novos; os acusados recorreram ao juiz.

b) É INTRANSITIVO o verbo que não pede nenhuma palavra: A chuva passou; os meninos
não voltarão; as águias voam; os inimigos fogem; vós correis.

TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO

Os termos essenciais da oração são dois- o SUJEITO e o PREDICADO.

2. - Sujeito

SUJEITO é o termo da oração a respeito do qual se diz alguma cousa: O aluno


(sujeito) chegou. Deus (suj.) é justo.

NB. - Embora ainda não o tenhamos explicado, saiba o aluno que o sujeito se traduz em
latim com o caso NOMINATIVO.

3. - Predicado

PREDICADO é o termo da oração que indica aquilo que se diz acerca do sujeito:
Deus é justo; o professor estava triste; o menino morreu; o caçador matou o leão; os alunos
recorreram ao diretor.

4. - Predicativo, do sujeito

Quando o predicado for constituído por um verbo de ligação acompanhado por um


nome, daremos a esse nome a denominação de PREDICATIVO DO SUJEITO e o
traduziremos em latim com o mesmo caso do sujeito, como se vê por estes modelos de
análise

Sintática:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 128

Tu : sujeito, nominativo Os alunos: suj. nominat.

Foste : verbo de ligação, 2 ª pess. estão : v, de lig. 3.ª pess. pl.


sing. pret. perf. indir. pres. indir.
Um herói: predicativo do suj. nominat. contentes : predicat.do suj. nominat.

5. - Verbos transitivos e intransitivos

Quando o verbo do predicado não for de ligação, diremos sómente se esse verbo é
transitivo (direto ou indireto) ou intransitivo:

Os alunos: suj. nominat. Vós : suj. nominat.

chegaram : v. intrans. 3.a pess. pl. venceis: v. intrans. 2.a pess. pl. do
pret. perf. indic. pres. indic.

Obs. - a) Um verbo transitivo pode ser empregado intransitivamente, como aqui


aconteceu com o verbo "vencer".

b) Exemplos com verbos transitivos só aparecerão depois do n.° 8.

6. - Observações

à) Na análise sintática latina a conjunção e a interjeioo continuam a chamar-se assim


mesmo; o artigo e a preposição sempre se analisam juntamente com o nome ao qual estão
unidos; o advérbio recebe a denominação de "adjunto adverbial".

b) Numa oração pode haver mais de um sujeito (-sujeito composto) (2) :

Pedro : suj. nominat. Os soldados : suj. nominat.


e : conjunção e conj.
os chefes : suj. nominat,
Paulo : suj. nominat. combateram, : v. intrans., 3.a pesa.

são : v. de lig. 3° pess. pl. pl, pret. perf. do


pres. indic. indic.
porém,: conj.
fortes : predicat. do suj., nominat. morreram: v. intrans., 3ª pess.

e: conj. pl, pret. perf. indic.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 129

bravos : a predicat. do sui., nominat. logo: adjunto adverbial

C) O sujeito pode estar subentendido - Trabalhas; trabalhai.

O sujeito nessas orações está subentendido, e é respectivamente tu e vós.

Obs. - Há orações em que o sujeito é INDETERMINADO. Isso acontece principalmente


quando o verbo é acompanhado pelo pronome apassivador "se": Combateu-se
encarniçadamente. Nessa oração o sujeito não está subentendido, mas é indeterminado.

(2) Quando o sujeito da oração é um só, pode, chamar-se "sujeito SIMPLES".

d) O verbo e o predicativo do sujeito podem achar-se antes do sujeito:

Morrem : v. intrans., 3.a pess. pl. Os felizardos : predicat. do suj.


pres. indic. nominat.
também : coni. somos : v. de lig. 1ª Pess.
pl. pies. indic.
os maus : suj. nominat. nós: suj. nominat

e) O sujeito e o predicado são chamados termos essenciais porque, em geral, são


necessários para que haja uma oração.

Embora o sujeito seja termo essencial da oração, todavia há orações sem sujeito. Isso
acontece principalmente:

1. Com os verbos que indicam fenômenos da natureza: Chove, trovejou, anoitece, etc.

2. Com o verbo haver, quando significa "existir": Há muitas espécies de uva.

3. Com os verbos fazer e ser, quando indicam tempo e em alguns outros casos: Faz vinte
anos que cheguei aqui; aqui faz muito calor em novembro; hoje são 23 de junho, etc.

f) A expressão PREDICADO NOMINAL indica o verbo de ligação mais o predicativo do


sujeito: Deus é justo; os alunos estão contentes (ef. N° 3).

TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO

Os termos integrantes da oração são três: complemento verbal, complemento


nominal, agente da passiva.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 130

I. - COMPLEMENTO VERBAL

7. - COMPLEMENTO VERBAL é um substantivo que completa o sentido do verbo.

Nestas orações: "Nós estudamos latim; os alunos obedecem ao mestre", os termos "latim" e
"ao mestre" completam o sentido dos verbos "estudar" e "obedecer".

O complemento verbal subdivide-se em duas classes: OBJETO

DIRETO e OBJETO INDIRETO.

A. - Objeto direto

OBJETO DIRETO é um substantivo que, geralmente sem auxílio de nenhuma preposição,


completa o sentido de um verbo transitivo DIRETO.

O objeto direto traduz-se em latim com o caso acusativo:

Ele : suj. nominat. Os patriotas suj. nominat.

matou : v. trans. dir. 3ª pess. sing. venceram v. trans. dir. 3.' pess.
pret. perf. ind. pl. pret. perf. ind.

o leão : objeto direto, acusativo os inimigos obj. dir. acusat.

B Objeto indireto

OBJETO INDIRETO é um substantivo que, por meio de alguma preposição,


completa o sentido de um verbo transitivo DIRETO ou INDIRETO.

Há diversas espécies de objeto indireto, porém, aos estudantes de latim, por ora, só
interessa o objeto indireto precedido por uma destas preposições: a (ao, à, aos, às) e para.

Esse objeto indireto traduz-se em latim com o caso dativo:

O filho suj. nominat. Eu suj. nominat.

prepara v. trans. dir. 3.1 pess. obedeço v.trans. indir. 1.a pess.
sing. pres. indic. sing. pres. indic.

um presente obj. dir. acusat. somente adjunto adverbial

para o pai obj. indir. dat. a você obj. indir. dat.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 131

Obs. 1ª - O pronome oblíquo o (a, os, as) é ordinariamente, objeto direto, ao passo que o
pronome oblíquo lhe (lhes) nunca é objeto direto.

b) Os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, podem ser objeto direto ou indireto, conforme
o sentido: Ele me (obj. dir.) salvou; ele me (obj. indir.) salvou a vida.

Obs. 2ª - O PREDICADO VERBAL constitui-se de um verbo intransitivo, ou de um verbo


transitivo mais o seu objeto direto ou indireto: O trem partiu; os alunos estudaram a lição;
eu dei o livro ao professor; nós obedecemos às leis.

H - COMPLEMENTO NOMINAL

8. - Como os verbos transitivos pedem ordinariamente mais alguma palavra que lhes
complete o sentido, assim também há substantivos, adjetivos (e até alguns advérbios) que,
geralmente, exigem um complemento que lhes inteire a significação: A resposta ao
professor (completa o sentido de "resposta") foi arrogante; a fundação da cidade (completa:
o sentido de "fundação") foi solene; os deputados eram favoráveis ao projeto (completa o
sentido de "favoráveis") ; os vereadores responderam favoravelmente ao pedido (completa
o sentido de "favoravelmente").

Esse complemento exigido pela significação do substantivo, do adjetivo ou do advérbio,


chama-se COMPLEMENTO NOMINAL.

De todos os complementos nominais, aos estudantes de latim, por ora, só interessa o


complemento nominal precedido pelas preposições a (ao, à, aos, às) e para, o qual se traduz
em latim, geralmente, com o DATIVO, como o objeto indireto:

Os professores suj. nominat. Para mim compl. nominal, dat.


eram v. de lig. 3.1 pess. nada suj. nominat.
pl. pret. imperf. do é v. de lig. 3.a pess. sing.
indic. pres. indic.
contrários predicat. do suj. prejudicial predicat. do suj.
nominat. nominat.

à reforma compl. nominal, dat.

Obs. - Os substantivos, os adjetivos e os advérbios que ordinariamente, exigem um


complemento, estão muitas vezes relacionados com um verbo: Resposta com "responder";
fundação com "fundar"; favorável e favoravelmente com "favorecer", etc.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 132

III - AGENTE DA PASSIVA

9. - O AGENTE DA (VOZ) PASSIVA indica a pessoa, o animal ou a cousa, que realiza a


ação expressa por um verbo passivo: Tu serás premiado pelo mestre; o menino foi mordido
pelo cão; os muros foram derrubados pela enchente.

O agente da passiva traduz-se em latim geralmente com o caso ABLATIVO.

TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO

Os termos acessórios da oração são três: Adjunto adnominal, aposto, adjunto adverbial.

I - ADJUNTO ADNOMINAL

1O. - O adjunto adnominal pode ser expresso de quatro modos:

1º Por um adjetivo, por uni pronome adjetivo ou por um numeral, que NÃO sejam
predicativos: Belas flores; estes homens são bons; os meus meninos partiram; chegaram
cinco aviões. - Pelos gramáticos latinos este adjunto acInominal é chamado ATRIBUTO.
O atributo deve estar n ' o mesmo gênero, número e caso do substantivo por ele
modificado. Por isso o atributo que modificao sujeito, chamar-se-á atributo do sujeito; o
atributo que modificao predícativo do sujeito, chamar-se-á atributo do predicativo do
sujeito; o que modifica o obi. dir., chaniar-se-á atributo do obj. dir., etc.

Estes atr. do sui. nominat. Aos cônsules obj. indir. dat.

soldados suj. nominat. romanos atr. do obi. indir.


dat.
venceram v. trans. dir. 3ª Pess. Pl. obedeciam v. trans. indir. 3.a
pret. perf. indic. Pess. Pl.. Pret. imperf.
indic.
o inimigo obj. dir. acusat.
cinco atr. do suj. nominat.
feroz atr. do obj. dir. acusat. reis suj. nominat.

2° O adjunto adnominal pode também ser expresso por um substantivo precedido pela
preposição de (do, da, dos, das) indicando posse ou qualidade: Os livros de João são novos;
homem de cultura.

Este adjunto adnominal, que indica posse ou qualidade, pelos gramáticos latinos é
chamado ADJUNTO RESTRITIVO; traduz-se (em latim) com o caso GENITIVO:

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Os livros suj. nominat. Eu suj. nominat.

de Pedro adjunto restr. genitivo. tenho v. trans. dir. 1ª pess.


são v. de lig. 3ª pess. pl. sing. pres. indic.
pres. indic. um cacho obj. dir. acusat.

novos predicat. do sui. nominat. de uva adjunto restritivo, genit.

3° O adjunto adnominal pode também ser expresso por um substantivo precedido por uma
prep. que não seja de: Carteira sem dinheiro; ponte sobre o rio. - Este adjunto adnominal
será estudado mais tarde.

4° O adjunto adnominal. pode, em 4° lugar, ser expresso pelo artigo: Chamei o amigo; um
médico. - Este adjunto adnominal. não costuma ser analisa:do pelos gramáticos. latinos,
visto que em latim o artigo não existe.

II- APOSTO

11. - APOSTO é um substantivo que, sem auxílio de preposição, se junta a um outro


substantivo ou a um pronome para determinar-lhe o sentido.

O aposto traduz-se em latim com o mesmo, caso do substantivo ou do pronome ao


qual se une. Por isso traduzir-se-á com o genitivo o aposto que se junta ao adjunto
restritivo; com o dativo, o que se junta ao obj. indir., etc.:

Sócrates, : suj. norninat. Nós, : suj. nominat.

o filósofo, : aposto do suj. nominat. os senadores, : aposto do suj.,


é : v. de lig. 3.a pess. nominat.
sing. pres. indic. decretamos : v. trans. dir. 1.ª
pess. pl.
Imortal : predicat. do suj. pres. indic.
nominat. Isto : obj. dir. acusat.

Obs. - Um substantivo comum, ligado diretamente a um nome próprio, é, geralmente


aposto do nome próprio. Nestes exemplos: "O professor Fonseca é excelente; Alexandre foi
filho do rei Filipe", os substantivos "professor" e "ri,i" são respectivamente apostos de
"Fonseca" e "Filipe".

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E.I.E. Caminhos da Tradição 134

III - ADJUNTO ADVERBIAL

12. - O ADJUNTO ADVERBIAL pode ser representado:

a) Por um advérbio: Os nossos soldados combateram fortemente (adjunto adverbial, cf. n°


6, a).

b) Por uma expressão que indique uma circunstância que modifica o sentido do verbo,
como veremos examinando os adjuntos adverbiais mais comuns.

ADJUNTOS ADVERBIAIS MAIS COMUNS (1)

13. - O adjunto de COMPANHIA indica a pessoa, o animal ou a coisa juntamente com a


qual se faz alguma ação: Eu passeio com Antonio; os piratas vivem com as feras; o exército
partiu com todas as bagagens.

Esse adjunto responde às perguntas: com quem? com quê? com que cousa? e traduz-se com
o caso ablativo precedido pela preposição cum: Ego cum Antonio ambulo; piratæ cum
feris vivunt; exercitus abiit cum ómnibus impedimentis.

14. - O adjunto de MEIO indica a pessoa, o animal ou a cousa, pela qual (por meio da qual)
se faz alguma ação: Escrevo com a (por meio da) caneta; pela concórdia salvaremos a
pátria .

Esse adjunto responde às perguntas: por meio de quem? por meio de quê? e traduz-se,
geralmente, com o ablativo simples (isto é, com o ablativo sem preposição) : Scribo
cálamo; concórdiã patriam servabimus.

15. - O adjunto de MODO indica a maneira segundo a qual se faz alguma ação: Os
veteranos defendem a república com cuidado; os meninos brincavam com grande alegria.

Esse adjunto responde às perguntas: como? de que modo? e traduz-se como o adjunto de
companhia, isto é, com o ablativo precedido por cum: Veterani patriam cum curã
defendunt; pueri ludunt cum magno gaudio.

Obs. - Em geral é fácil distinguir o adjunto de modo do adjunto de companhia, porque só o


adjunto de modo pode, por regra, ser transformado num advérbio: Defendem com cuidado
ou cuidadosamente; brincam com muita alegria ou muito alegremente.

16. - O adjunto de CAUSA indica o motivo pelo qual se faz alguma ação: Os meninos
descuidam os deveres por preguiça; rimos por causa de vossa avareza.

Esse adjunto responde às perguntas: por quê? por causa de quê? e traduz-se com o ablativo
simples ou com o acusativo precedido pelas preposições ob ou propter: Puĕri officia

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E.I.E. Caminhos da Tradição 135

desĕrunt pigritia (ou ob pigritiam ou propter pigritiam); ridĕmus avaritia vestra (ou ob
avaritiam vestram ou propter avaritiam vestram).

17. - Os adjuntos de TEMPO são vários; os principais são: a) O que responde à pergunta:
quando? b) O que responde à pergunta: por quanto tempo?

a) O adjunto de tempo "QUANDO" indica o tempo em que se realiza alguma ação: No ano
vindouro estarei aqui; Júlio chegará no sétimo dia.

Traduz-se com o ablat. simples: Venturo anno hic ero; Iulius die septimo perveniet.

b) O adjunto de tempo "POR QUANTO TEMPO" indica o espaço (de tempo) que se
emprega para realizar uma ação: Lutei por quatro horas; Rômulo reinou muitos anos.

Traduz-se com o acusativo simples ou com o acusativo precedido pela preposição per: (per)
quattuor horas pugnāvi; Romŭlus (per) multos annos regnāvit.

18. - Os principais adjuntos de LUGAR são quatro:

a) O adjunto de lugar "ONDE" indica o lugar no qual alguém está ou faz alguma ação:
Estamos na aula; Cícero, combateu na Ásia.

Traduz-se com o ablat. precedido pela prep. in: Sumus in schola; Cicĕro, in Asia pugnāvit.

b) O adjunto de lugar "DONDE" indica o lugar do qual alguém se afasta: Antônio partiu da
Gália; a sabedoria afasta dos ânimos a tristeza.

Traduz-se com o abl. precedido por uma destas preposições: ab, ex, de: Antonius de Gallia
discessit; sapientia ex (ab) animo Iristitiam fugat.

Obs. 1ª - Diante de consoante que não seja h, as preposições ab e ex podem mudar-se


respectivamente em a e e: Ab legione ou a legione (da legião) ex Gallia ou e Gallia (da
Gália).

Obs. 2."- Preste-se atenção ao sentido da oração para não confundir o adjunto de lugar
donde com o adjunto restritivo.

e) O adjunto de lugar "POR ONDE" indica o lugar através do qual se passa. Esse adjunto,
em português, é geralmente precedido pela prep. por ou pela locução através de: Os
romanos passaram por bosques densos e escuros; os lobos correm através dos campos.

Traduz-se com o acusat. precedido pela prep. per: Romani per densas et obscuras silvas
transiērunt; lupi per agros currunt.

d) O adjunto de lugar "PARA ONDE" indica o lugar para o qual alguém se dirige: O aluno
entra na aula; César foi para a Espanha; a frota chegou ao porto; o cordeiro foi ao rio.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 136

Esse adjunto, em português, é geralmente precedido por uma destas preposições: em, para,
a.

Traduz-se em latim com, o acusat. precedido pela preposição in, (principalmente quando se
indica entrada num lugar) ou ad (quando não se indica entrada num lugar): Discipŭlus in
scholam intrat; Caesar in Hispaniam contendit; classis in portum venit; ad rivum agnits
venit.

Obs. 1ª - a) Para termos o adjunto de lugar para onde não basta que o verbo indique
movimento, mas é preciso que quem faz a ação, mude de lugar: Os meninos nadam na
piscina, pueri natant in piscina (adjunto de lugar onde e não para onde).

b) Desde que o adjunto de lugar para onde só pode ser encontrado após as palavras que
indicam movimento, não será difícil distingui-lo do obj. indir.

Obs. 2ª - Qualquer adjunto se traduz de acordo com as regras acima, ainda que exprima
uma circunstância figurada e não real. Nos exemplos "Vivo nas letras; mandei uma carta
para Pompeu" temos um adjunto de lugar onde e um adjunto de lugar para onde figurados,
mas a tradução é regular: In litteris vivo; ad Pompeium epistŭlam misi.

VOCATIVO

19. - O VOCATIVO indica a pessoa, o animal ou a cousa, à qual se dirige a palavra. Muitas
vezes é precedido pela interjeição 6 e é seguido por algum sinal de pontuação. Traduz-se
em latim pelo caso VOCATIVO:

Alunos, : vocativo Tu : suj. nominat.


és : v. de lig. 2.a pess. sing.
por que : conjunç. pres. indie.
partis? : v. intr. 2.a p pl. pres. indic. belo, : predicat. do suj. nominar.
ó : interjeição

sol. : Voc.

CONCLUSÃO - Numa oração podemos encontrar quatro espécies de elementos:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 137

"Língua do Lácio, língua do mundo".

(J. Marouzeau, grande filólogo francês)

A Língua Latina

O latim foi primeiramente o idioma falado numa pequena zona da Itália Central, à
margem esquerda do rio Tibre, não longe do Mar Tirreno. A cidade principal dessa
minúscula região, chamada Lácio, foi e é ROMA, fundada, segundo consta, por Rômulo nó
dia 21 de abril de 754 A. C.

Essa língua do Lácio, seguindo as conquistas dos exércitos de Roma, implantou-se


primeiramente na Itália Central, depois em toda a Itália, na Espanha, em PORTUGAL, no
Norte da África, nas Gálias (Franca, Suíça, Bélgica, regiões alemãs ao longo do Reno), na
Récia e no Nórico (Áustria), na Dácia (România) e, menos profundamente, na, (Grã
Bretanha, na Frísia (Holanda), na Dalmácia e na Ilíria (Iugoslávia) , e na Panônia
(Hungria).

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E.I.E. Caminhos da Tradição 138

O mais vetusto documento da Língua Latina é uma inscrição do 6° século A.C., mas
os mais antigos textos literários que chegaram até nós, pertencem ao 3° século antes de
nossa era. Nesses escritos a língua já é bem desenvolvida, mas apresenta ainda alguma
incerteza na ortografia e no emprego das formas.

Foi no 1° século da era Cristã e no século precedente que a Língua Latina teve seu
máximo esplendor. Pertencem a este período, chamado "idade de ouro", os maiores
escritores latinos (os clássicos) : Marco Túlio CÍCERO (1,6-43 A. C.), político, filósofo,
um dos maiores oradores de todos os tempos; Caio Júlio CÉSAR (1OO-44 A. C.), escritor
primoroso, um dos grandes generais da história; Caio Crispo SALÚSTIO (87-35 A. C.),
historiador; Públio VIRGILIO Marão (7O-19 A. C.), um dos mais excelsos poetas da
humanidade; Quinto HORÁCIO Flaco (65-8 A. C.) e Públio OVIDIO Nasão (43 A.C. - 17
D.C.), grandíssimos poetas líricos; Tito LÍVIO (59 A. C. - 17 D. C.), o maior dos
historiadores romanos.

Com a queda do Império Romano (476 D.C.) acaba a História Romana e um século
depois, mais ou menos, termina também a História da Literatura Latina, mas o latim
continua ainda por quase mil anos, sendo em toda a Idade Média a língua da Civilização
Ocidental, inspirando assim todas as obras primas das literaturas modernas da Europa (e da
América).

Em nossos dias o latim não é mais falado em parte alguma, mas é a língua oficial da
Igreja e é estudado nos cursos secundários de quase todas as nações do mundo, por ser, com
razão, considerado elemento precípuo e fator eficiente de cultura, instrumento
indispensável para o conhecimento profundo das línguas neo-latinas (PORTUGUÊS,
italiano, espanhol, francês, romeno, etc.) e meio incomparável para educação da
inteligência, disciplina do raciocínio e formação do caráter.

"Uma inscrição romana dos tempos de Augusto (63 a. C. - 14 d. C.) lê-se com a mesma
facilidade de um título de jornal, graças à incomparável clareza do alfabeto latino".

(Paul Crouzet, latinista francês)

Elementos de Fonética

Alfabeto

a) O alfabeto latino, por muito tempo, constou unicamente de 21 letras: a, b, e, d, e, f, g, h,


i, k, 1, m, n, o, p, q, r, s, t, u, x.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 139

b) Para transcrever certas palavras gregas foram, no 1.O século A.C., acrescentadas ao
alfabeto latino as letras y e z.

C) Como vemos, o alfabeto latino carece do j e do v.

A letra i servia como sinal para o i vogal e para o i consoante. Escrevia-se iam e não jam
(já).

A letra u servia para a consoante v e para a vogal u. Escrevia-se uinum e não vínum
(vinho).

O j (i consoante) e o v (u consoante) foram introduzidos no alfabeto latino no séc. XVI por


Pierre de Ia Raméc, humanista francês.

Seguindo o costume do Brasil, escreveremos com v o u consoante: vinum e nunca uinum.

d) O k é raríssimo e sempre pode ser substituído por c: Karthago ou Carthago (Cartago,


histórica cidade do Norte da África).

Pronúncia

É impossível determinar com exatidão qual fosse a pronúncia da língua latina no


tempo dos romanos. Por isso no Brasil algumas escolas adotaram a PRONÚNCIA
ROMANA, usada em Roma nos nossos dias, a qual, praticamente, já se tornou oficial na
liturgia católica; outras seguem a PRONÚNCIA TRADICIONAL, comum nas escolas de
Portugal e do Brasil; outras, enfim, adotaram a PRONÚNCIA RECONSTITUÍDA, a qual,
com boas bases científicas se esforça para imitar a pronúncia usada pelas pessoas cultas de
Roma na época de Marco Túlio Cícero.

Para evitar confusões, ensine-se uma só das três... praticamente, isto é à medida que
os sons que diferem do português, aparecerem nos exercícios.

"O professor que, pela vez primeira, abre a gramática na declinação de rosa, rosæ, não sabe
sobre que canteiros de flores abre a alma da jovem".

(Charles Péguy, primoroso romancista francês contemporâneo)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 140

Morfologia dos substantivos

INTRODUÇÃO ÀS DECLINAÇÕES

Gêneros

O latim, além do masculino e do feminino, tem também o gênero neutro, isto é, nem
masculino nem feminino (n." 75).

Terminação

O adjunto restritivo, o obj. indir., o obj. dir., etc., exprimem-se em português por
meio de artigos e preposições.

Em latim não há artigos (1); os adjuntos e os complementos se exprimem, em geral,


por meio de modificações na parte final das palavras.

(1) Por isso a palavra latina rosa pode, conforme os circunstancias, traduzir-se por "a rosa,
uma rosa" ou, simplesmente, "rosa".

À parte final variável de qualquer nome chamaremos TERMINAÇÃO.

Casos e declinações

a) DECLINAR (ou flexionar) quer dizer acrescentai à parte invariável de um nome as


terminações dos casos.

b) Os CASOS são seis: o nominativo para o sujeito e para o predicativo do sujeito; o


genitivo para o adjunto restritivo; o dativo para o obj. indin; o acusativo para o obi. dir; o
vocativo para o vocativo; o ablativo para o agente da passiva e para muitos adjuntos que
serão estudados mais tarde.

c) As DECLINAÇõES dos substantivos são cinco e distinguem-se pela terminação do


genitivo singular, a qual é -ae na primeira declinação, -i na segunda, Às na terceira, -us na
quarta, -ei na quinta.

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Por isso os dicionários registram os substantivos, dando por extenso o nominativo


sing. e acrescentando a terminação do genit. sing. : Nauta, ae marinheiro (1ª decl.) ; avus, i
avô (2° decl.) ; civis, is cidadão (3ª decl.) ; manus, us mão (4ª decl.) ; species, ēi espécie (5ª
decl.).

Obs. - 1. Os substantivos femininos SEMPRE se declinam como os substantivos


masculinos da mesma declinação.

2. Os substantivos neutros no nominativo, acusativo e vocativo são sempre idênticos.

A primeira e a quinta declinação não têm substantivos neutros.

3. O vocativo singular é, em geral, idêntico ao nominat. sing.; o vocativo plural é SEMPRE


idêntico ao nominativo plural.

O ablativo plural é também sempre idêntico ao dativo plural.

PRIMEIRA DECLINAÇÃO

(Genit. sing.: -ae)

28 - Todos os substantivos da 1.1 declinação se flexionam como rosa, rosac (f):


Casos Singular Plural

Nom. ros-ã a rosa Iros-W as rosas


Gen. ros-ee da rosa ros~ãrum das rosas
Dat. ros-2O à rosa ros-48 às rosas
Ac. ros-4m a rosa ros-ãs as rosas
Voe. ros-ã ó rosa ros-ge ó rosas
Abi. ros-a pela rosa ros-18 pelas roas

Da mesma forma se declinara os masculinos: agricõlae agricultor, coUéga, ae


colega, ae poeta, scriba, ae escrivão, etc. e os femininos: rasa, ae, choupatia, fabúla, ac
fábula, via, ac caminho, cura, ae Cuidado, ele. dativo para o obj. indin; o acusativo para o
obi. din; o vocativo para o vocativo; o ablatívo para o agente da passiva e para muitos
adjuntos que serão estudados mais tarde.

c) As DECLINAÇõES dos substantivos são cinco e distinguem-se pela terminação do


genitivo singular, a qual é -ae na primeira declinação, -i na segunda, Às na terceira, -us na
quarta, -ei na quinta.

Por isso os dicionários registram os substantivos, dando por extenso o nontinativo


sing. e acrescentando a terminação do genit. sing. : Nauta, ae marinheiro (1.1 deel.) ; avus, i
avô (2.1 deel.) ; civis, is cidadão (3.' deel.) ; manus, us mão (4.a deol.) ; species, éi espécie
(5.' deel.).

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Obs. - 1. Os substantivos femininos SEMPRE se declinam como os substantivos


masculinos da mesma declinação.

2. Os substantivos neutros no nominativo, acusativo e vocativo são sempre idênticos.

A primeira e a quinta declinação nio têm substantivos neutros.

3. O vocativo singular é, em geral, idêntico ao nominat. sing.; o vocativo plural é SEMPRE


idêntico ao nominativo plural.

O ablativo plural é também sempre idêntico ao dativo plural.

PRIMEIRA DECLINAÇÃO

(Genit. sing.: -ae)

Todos os substantivos da 1ª declinação se flexionam como rosa, rosae:

Da mesma forma se declinara os masculinos: agricŏla, ae agricultor, collēga, ae colega,


poëta, ae poeta, scriba, ae escrivão, etc. e os femininos: casa, ae, choupana, fabŭla, ae
fábula, via, ae caminho, cura, ae Cuidado, etc.

SEGUNDA DECLINAÇÃO

(Genit. sing.: -i)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 143

MÁSCULINOS E FEMININOS

os substantivos masculinos e femininos da 2ª declinação se flexionam como anŭtus:

Corno anŭlus se declinam os masculinos: domĭnus, i senhor, discipŭlus, ĭ discípulo, ocŭlus,


i olho, rivus, i regato, equus, i cavalo, Popŭlus, i povo, etc. e os femininos: malus, i
macieira, pirus, i pereira, abyssus, i abismo, periŏdus, i período, etc.

Vocativo singular

a) 1. Os nomes próprios de pessoas, cujo nominat. sing. termina em ius, tem o vocat. sing.
terminado por um só i: ó Caio Cai, de Caius; ó Virgílio Vergili, de Vergilius (1).

( 1 ) Se o i da terminação -ius for acentuado segue-se a regra geral. Portanto o vocat.


sing. De Darius será Darie; de Pius, Pii será Pie, etc.

2. O mesmo se dá com meus meu, filius filho, genius gênio (divindade tutelar), cujo vocat.
sing. é respectivamente: mi (raro meus), fili, geni.

h) 1. Os substantivos, cujo nominat. sing. termina em er ou ir (magister, magistri mestre,


ager, agri campo, liber, libri livro, aper, apri javali, arbĭter, arbĭtri testemunha, juiz, colŭber,
co1ŭbri cobra, etc. e puer, puĕri menino, socer, socĕri sogro, gener, genĕri, genro, armĭger,
armígĕri escudeiro, etc. e vir, viri varão, triumvir, triumviri triúnviro, etc.) têm o vocativo
singular IGUAL ao nominativo singular; nos outros casos (gen., dat., ete.) têm as
terminações de ánulus, i.

2. Também o vocat. sing. de Deus, Dei (Deus) é igual ao nominat. sing.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 144

NEUTROS

Os substantivos neutros da 2ª declinação se flexionam como bellum, i:

Como bellum se declinam donum, i presente, templum, i templo, gaudium, gaudii gozo,
verbum, i palavra, signum, i sinal, etc.

TERCEIRA DECLINAÇÃO

(Genit. sing.: -ís)

MASCULINOS E FEMININOS

Parissílabos e imparissílabos

São parissílabos os substantivos que no genit. sing. têm o mesmo número de sílabas
que no nominat. sing.: Nominat.: ovis, genit.: ovis (ovelha) ; vulpes, vulpis rapôsa, etc.

São imparissílabos os substantivos que no genit. sing. não têm o mesmo número de
sílabas que no nomina:t. sing.: Nominat.: virtus, genit. : virtútis (virtude) ; arbor, arb6ris
(árvore), etc.

Imparissílabos

Os substantivos imparissílabos têm estas terminações:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 145

Como sermo declinam-se os masculinos: amor, amōris amor, mos, moris costume,
hospes, hospĭtis hóspede, margo, margĭnis margem, ordo, ordĭnis ordem, papilio, papiliōnis
borboleta, Iuppĭter, Iovis (só no sing.) Júpiter, etc. e os femininos: lex, legis lei, virgo,
virgĭnis virgem, mulier, muliĕris mulher, merces, mercĕdis salário, virtus, virtūtis virtude,
etc.

Embora não sejam imparissílabos, declinam-se como sermo os seguintes substantivos:

accipĭter, accipitris: gavião iuveins, iuvems: jovem


pater, patris: pai senex, seni: velho
mater, matris: mãe canis, canis: cão
frater, fratris: irmão panis, panis: pão

Genitivo plural em IUM

Declinam-se como sermo, mas no genitivo plural têm a terminação Ium:

a) Os substantivos imparissílabos que têm duas consoantes imediatamente antes da


terminação do genit. sing.: Gens, gent-is

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gente, gen. pl.: gentium; pons, pontis (m) ponte, gen. pl.: pontium.

b) Os substantivos parissílabos: Caro, carnis, carne, gen. pl. carnium; navis,navis (f) navio,
gen. pl. navium; vulpes,vulpis rapôsa, gen. pl. vulpium.

e) Estes monossílabos: Dos, dotis (f) dote; glis,gliris arganaz; lis,litis (f) pleito; nix, nivis
neve.

Acusativo em -IM e abl. em -I

Têm no acus. sing. a terminação -im e no abl. sing. a terminação -i:

a) Os nomes próprios parissílabos de cidades e rios, cujo nominat. sing. termina em -is:
Neapŏlis, is Nápoles, ac.. Neapolim, abl.: Neapoli; Tibĕris, is Tibre, ae. Tiberim, abl.:
Tiberi. b) Estes substantivos parissílabos femininos:

amussis, is: régua sitis, is: sede


buris, is: rabiça do arado tussis, is: tosse
ravis, is: rouquidão vis: força

- Obs. - Vis no sing. carece do genit. e dat; supre-se nesses dois casos pelo genit. e dat. de
robur, róboris (n) ; o ac. sing. é vim; o abl. sing. é vi.

No pl.: Nom., ac. e voe.: vires; gen.: virium; dat. e abl.: viribus.

NEUTROS

Os neutros declinam-se como tempus, tempŏris:

Como tempus declinam-se litus, Litŏris praia, litoral; nomen, nomĭnis nome; caput,
capĭtis cabeça; iter, itinĕris viagem; rus, ruris (não tem gen. pl.) campo, etc. Como se vê,

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E.I.E. Caminhos da Tradição 147

também os neutros no nominat. sing. não têm uma terminação igual para todos os
substantivos.

Particularidades dos neutros

a) Cor, cordis coração, ius, iuris direito, os, ossis osso, têm -ium no genitivo pl.:
cordium, iurium, ossium.

b) Os substantivos (neutros), cujo nominat. sing. Termina em -ar, -e, -al, tên-r estas
três variantes:

1. Abl. sing. em -i;

2. Nom., acusat. e vocat. plural em -ia;

3. Gen. pl. em -ium, como se vê pela declinação de cubĭle, is (leito) :

Do mesmo modo se declinam ovile, is redil, monīle, is colar, calcar, calcaris espora,
cochlear, cochleāris colher, tribūnal, tribunālis tribunal, anĭmal, animālis animal, etc.

QUARTA DECLINAÇÃO (Gen. sing.: -us)

Masculinos e femininos

Os substantivos masculinos e femininos da 4ª declinação se flexionam. como cantus, us:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 148

Do mesmo modo se declinam os masculinos equitātŭs, ŭs, cavalaria, fluctus, us


onda, senātus, us senado, exercĭtus, us exército, spirĭtus, us espírito, gemĭtus, us.gemido,
etc. e os fernininos manus, us mão, nurus, us nora, socrus, us sogra, portícus, us pórtico,
etc.

Neutros

Os neutros da 4ª declinação flexionam-se como genu,us (joelho) :

Da mesma forma se declinam veru, verus espeto, cornu, us chifre, gelu, us (inusitado no
pl.) gelo, etc.

QUINTA DECLINAÇÃO

(Gen. sing.: -eí)

Os substantivos da 5ª declinação flexionam-se como dies:

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Da mesma forma se declinam rēs, rĕi cousa, plebēs, peblĕi plebe, spēs, Spĕi
esperança, fidēs, fidĕi fé, requiēs, requiĕi descanso, efligiēs, effigiĕi efígie, etc. - Note-se,
porém, que só dies e res têm todos os casos do plural; os outros substantivos (da 5ª decl.)
no plural só têm os casos terminados em -es e, assim mesmo, raramente.

Obs. - Na 5ª decl. só há dois substantivos masculinos: dies e meridies (meio-dia). Dies no


sing. pode ser também feminino

"O estudo do latim é uma preparação utilíssima para o estudo das matemáticas".

(H. Poincaré, grande matemático francês)

Apêndice à morfologia dos substantivos

PRIMEIRA DECLINAÇÃO

- A palavra família unida aos substantivos pater, mater, filius, filia, pode ter, no genitivo
sing., a terminação -as: Pai de família, pater familiae ou pater famílias.

- Na linguagem arcaica e em poesia pode-se encontrar a terminação -ai em vez de -ae:


Aulāi em vez de aulae, de aula, pátio.

- O genit. plural de amphŏra,ce (ânfora) pode ser também amphorum; o genit. plural dos
nomes compostos de -gena ou -cola, em poesia pode ter a terminação -um em vez de -arum:
Terrigĕnum em vez de terrigenarum, genit. pl. de terrigena (nascido na terra, mortal) ;
agricŏlum em vez de agricolarum.

O substantivo dea (deusa), quando, no dativo e ablat. plural, se encontra unido ao


substantivo deus, recebe a terminação -abus: Peço perdão aos deuses e às deusas imortais,
ab diís deabusque immortalibus veniam peto

Também os substantivos filia filha, liberta liberta, famŭla criada, asĭna jumenta, anĭma
alma, etc., mesmo quando não haja perigo de se confundirem com os correspondentes

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E.I.E. Caminhos da Tradição 150

masculinos (filius, libertus, famŭlus, etc.), podem ter a terminação –abus no dat. E
abl.plural: A Menor das duas filhas, minor ex duābus filiis ou filiābus.

SEGUNDA DECLINAÇÃO

Nos substantivos terminados em -ius ou -ium, os -ii do genit. sing. podem contrairse
num só: Filii ou fili; ingenii ou ingeni; Valerii ou Valeri, genitivos de filius, ingenium e
Valerius.

Obs. - Quando os ii se contraem num só, a palavra perde uma sílaba: a antepenúltima passa
a ser penúltima. Se essa for breve, o acento deveria recuar para a antepenúltima. Nigídio
Figulo, gramático romano dos tempos de César ensinava, que no genit. se devia conservar o
acento da palavra primitiva (ingéni, Valéri, Vergíli, etc.) apesar de a penúltima ser breve.
Queria, no entanto, que no vocativo se dissesse Váleri, Vérgili, etc., mas nisso nem todos
lhe obedecem .

Têm no genitivo plural a terminação -um (raramente -orum) :

a) Os substantivos que indicam medidas ou moedas: Modium, gen. pl. de modius, módio
(medida tendo a capacidade de quase, 9 litros) ; sestertium de sestertius, sestércio;
denarium de denarius, denário; nummum de nummus (m), moeda; talentum de talentum,
talento.
b) Os nomes de magistrados compostos de vir: Triumvirum. gen. pl. de triumvir (triúnviro),
etc.
c) Socius, faber, liberi principalinvitti, nas expressões: praefectus socium, comandante dos
aliados; praefectus fabrum, comandante dos operários militares; in liberum loco, em lugar
dos filhos.
d) O plural de Deus, Dei é assim: Nom. e voc.Gen. Dat. e Ablat. Acus.
Dii ou Di (raro Dei)
Deorum (raro Deum)
Diis ou Dis (raro Dei)
Deos
- Os neutros da 2ª decl. têm o nominat. sing. terminado em -um. Porém vírus veneno,
vulgus (ou volgus) vulgo, pelãgus mar, apesar de neutros, no nominat., acusat. e voe. sing.
terminam em -us.
Esses três substantivos não têm plural; virus só se encontra no nom. e acusat.;vulgus
foi, rarissimamente, considerado masculino .

TERCEIRA DECLINAÇÃO

- Acusativo e ablativo singular


a) Podem ter -im ou -em no acusat. sing., e -i ou -e no abl. sing. os seguintes substantivos
parissílabos femininos: bipennis: machado (de 2 gumes) febris: febre secúris: machado

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clavis: chave pelvis: bacia sermentis: sementeira cratis: grade puppis: popa strígilis:
raspadeira cutis: pele restis: corda turris: torre

b) No acusat. sing. têm a terminação -em, mas no abl. sing. podem ter -e ou -i:
1. Supéll-ex, -éctilis (sem plural) mobília, e cóntin-ens, -entis (f) continente.
2. Estes substantivos parissílabos: aiminis: rio civis: cidadão im-ber, -bris (m): chuva
anguis (m. e f.): cobra classis: frota navis (f): navio avis: ave ignis: fogo ovis: ovelha

c) Dos neutros em -ar, -e, -al têm o abl. sing. em -e:


1. Far, farris (farinha) e sal, salis (sal)
2. Os nomes em -ar proparoxítonos no genit. sing.: Iubar,iúbaris (estrela d'alva), nectar,
néctaris (néctar), etc.
3. Os nomes próprios de cidades terminados em -e no nominat. sing.: Prenest-e, -is
Palestrina (abl. sing.: Preneste).

GENITIVO PLURAL

- Têm no genitivo pl, n terminação -um (e menos comumente, -ium) os seguintes


substantivos:
anas, anikis (f): pato Laus, laudis (f): louvor
apis, apis: abelha lien, lienis: baço
calamít-as, Átis: calamidade mensis, mensis: mês
captivil-as, ãtis (f): cativeiro palus, paludis (f): pântano
cervix, cervicis: cerviz par-ens, -entis (m. e f.): pai, mãe
civitas, civitatis: cidade sedes, sedis: sede, assento
crux, crucis: cruz vates, vatis: adivinho
fornax, fornacis: fornalha virtus,virtutis: virtude
fraus, fraudis: fraude volucris, volucris ave
Têm a terminação -ium (e menos comumente -um) os seguintes substantivos:
adulese-ens, -entis: adolescente infans, infantis (m. e f): criança
cliens, clientis: cliente mas, maris: macho
fax, facis (f): facho mus, muris: rato

- Observações
a) Deixamos de mencionar os nomes que se usam quase unicamente no plural,visto que os
bons dicionários resolvem qual deva ser a terminação do genit. (Id.) :Quirítes, Quiritium
(raro Quiritum) romanos; Samnites, Samnitium (raroSamnitum) sanitas (povo da Itália
Central) ; optimaes, atium (raro -atum) osnobres; Lares, Larium (raro Larum) lares
(espíritos tutelares da casa) ; Penates,Penatium (raro Penatum) deuses penates (cuja
imagem se conservava no interior das casas) ; renes, renium (raro renum) rins; ambages,
ambagum (f) rodeios (depalavras) ; compages, compagum (f) encaixes, junturas; fauces,
faucium fauces, etc.
b) Saber se a terminação do genit. plural é -um ou -ium foi difícil também para osromanos.
Basta dizer que o genit. plural de panis para alguns era panum paraoutros paniuni, para
outros inexistente.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 152

c) Os substantivos (e adjetivos) que no genit. plural têm a terminaçio -ium, no acusat. plural
(masc. ou fem.) podem ter também a termin. is: Cives ou civis,acusat. pl. de civis (cidadão)
omnes ou omnis, acusat. pl. de omnis, e (todo).
- Alguns nomes neutros plurais terminados em -alia, podem ter no genit. aterminação -
orum: Sponsalia, sponsalium ou sponsaliorum (esponsais) ;Bacchanalia, Bacchanalium ou
Bacchanaliorum (festas em honra de Baco), etc.

GENITIVO, DATIVO E ABLATIVO PLURAL

Sus, suis (m. e f.) porco, porca, e bos, bovis (m. e f.) boi, vaca, no dat. e abl. plural
fazem respectivamente suibus ou subus, bobus ou bubus.
O genit. plural de bos é boum.

QUARTA DECLINAÇÃO

Os masculinos têm, por vêzes, no gen. e dat. sing. respectivamente as terminações -i


e -u: Senati em vez de senatus; exercitu em vez de exercitui. Domus, us (casa) no abl. sing.
e no gen. e ac. pl. prefere as terminações da 2ª decl.: domo, domorum, domos.
Artus, us membro, partus, us parto, tribus, us tribo, e os nomes dissílabos
terminados em -us ou -u, precedido de c (quercus, us, f . carvalho, lacus, us lago, acus, us
agulha, pecu, pecus gado, etc.) têm no dat. e abl. pl. a terminação -ubus: Artubus, partubus,
etc. Veru, us (espêto) e portus, us (pôrto) podem ter -ibus ou -ubus: Veribus ou verubus,
etc.
O santo nome de Jesus é Iesus no nominat., Iesum no acusat., Iesu nos outros casos.
Os neutros no sing. podem-se considerar indeclináveis, pois a terminação do gen. E dat.
pode ser simplesmente -u.

DECLINAÇÃO DOS NOMES GREGOS

- Primeira declinação

A 1.a declinação latina dos nomes gregos tem substantivos femininos, cujo nominat.
termina em –e, e masculinos, cujo nominat. termina em -as ou -es.

No SINGULAR os femininos se declinam como epitõ~ne (resumo); os masculinos


terminados em -as declinam-se como tiaras (tiara), e os terminados em -es, como sophistes
(sofista) :
Da mesma forma se declinam grammatice, es gramática, rhetorice, es retórica,
Niobe, es Níobe, etc.; Aeneas, ae Enéias, Cineas, æ Cinéias, Leonidas, æ Leônidas, Boreas,
æ Bóreas (vento do norte), etc.; Anchises, æ Anquises, Orestes, æ Orestes, anagnostes, æ
leitor, cometes, æ cometa, citharistes, æ tocador de citara, etc.
Muitos desses nomes gregos podem ter declinação inteiramente latina:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 153

Grammatica, æ; tiara, æ (f) citharista, æ - Os bons dicionários resolvem esses casos.


No pl. os nomes gregos da 1ª declinação se flexionam como o pl. de rosa, æ. Porém, no
genit. os substantivos derivados de nomes próprios, têm a terminação -um: Aenéadum,
Dardánidum.

- Segunda declinação grega

a) Pertencem à 2ª declinação -grega os substantivos masculinos e femininos, cujo nominat.


sing. termina em -os, ou em -os e -us (leucopetãlos,i, f. pedra preciosa [branca]; Delos,i ou
Delus,i, f. Delos; epodos,i ou epodus,i epodo, etc.) e os substantivos neutros terminados em
-on, ou em -um e -on (leucoion, leucoii violeta branca; Iium,ii ou Ilion,ii Tróia, etc.).
b) Para os masculinos e femininos terminados em -os, o acusat. será em –on (Leucopetalon)
para; os masculinos e femininos terminados em -os ou -us, o acusat. será em -on ou -um
(Delon ou Delum) ; o acusat. dos neutros, já se sabe, é igual ao nominat.

Nos demais casos do singular e em todos os casos do plural, os nomes gregos da


2.ª decl. terão respectivamente as terminações de ánulus e bellum.

Obs. - O genit. pl. tem, por vezes, a terminação -on em vez de -orurn: Geórgicon libri em
vez de Georgicórum libri (livros das Geórgicas).

A 2.ª decl. grega tem também uns nomes próprios terminados em –eus (Prometheus
Prometeu, Orpheus Orfeu, Androgeus Androgeu, etc.), os quais seguem este paradigma: N.
Orpheus; G.Orphei ou Orpheos; D. Orpheo; Ac. Orpheum ou Orpheã; V. Orpheu; Ab.
Orpheo.

Obs. - O grupo eu nesses nomes pode ser ditongo.

b)Androgeos (2.a iorma de Androgeus) no acusat. faz Androgeon; nos demais


casos Androgeo. Como Androgeos se declina Athos (o monte Atos).

- Terceira declinação grega

a) Os substantivos de origem grega que pertencem à 3.a declinação, têm o genit. sing.
terminado em -is, ou em -os, ou em -is e -os: Poesis, is poesia, Pan, Panos Pã (deus dos
pastores), crater, crateris ou crateros (m) taça, etc. Os bons dicionários indicam a
terminação do genit. sing.
b) Os parissílabos, cujo nominat. sing. termina em-is, (poesis; thesis tese, basis base, etc.),
têm o acusat. sing. terminado em im ou -in, o abl. sing. em -i, o gen. pl. em -eon ou, mais
raramente, em -ium: Poesim ou poesin; poesi; poeseon oupoesium (raro).
c) Os parissílabos, cujo nominat. sing. termina em -es (Aristidis, Miltiades etc.), no gen.,
acusat. e voc. sing. podem ter respectivamente as terminações is ou -i, -em ou-en, -es ou -e:
Aristidis ou Aristidi, Aristidem ou Aristiden, Aristides ou Aristide.

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d) Os imparissílabos (Aenêis, Aeneidos ou Aeneídis Eneida; aer, aeris ar; aether, aetheris
céu, parte superior do ar; Arcas, Arcadis, habitante da Arcádia; Allobrox, Allobrogis
alóbroge, povo da atual Sabóia, na França; Hector, Hectoris Heitor; gigas, gigantís gigante;
lampas, lampadis lâmpada; Macedo, Macedonis macedônio; Pallas, Palladis ou Pallados
Palas, Minerva; Salãmis, Salamínis ou Salaminos Salamina, ilha do mar Egeu; tyrannis,
tyrannidis tirania, etc.) seguem em geral a declinação de crater (m) taça:
e) Note-se o acusat. sing. de Paris, Paridis (Páris) : Paridem, Parida, Parim ou Parin; de
Dares, Darètis (Darete) Daretem, Dareta, Daren; de Pan, Panos (Pã) Pana raro Panem).
f ) Note-se o voc. de gigas, gigantis, gigante, de Simois, Simoentis Simoente (rio da Ásia
Menor), de Paris, Paridis Páris, que é respectivamente: Giga, Simoi, Pari.Observe-se que o
gen. pl. de gigas é gigantum.
g) Cete (N.Ae.V.), ceton (G), cetis (D.Abl) é o plural (neutro) (1O Substantivo, que no
sing. Pode ser masculino (cetus, ceti, ceto, cetum, etc.) ou neutro(cetos, ceti, ceto, etc.) e
siguinifica baleia ou qualquer peixe de tamanho descomunal.
h) Melos (N. Ae-V.). meli (G) , melo (D. Abl, é neutro; significa; melodia; no plural só tem
o nom. e o acusat.: mele Pelãge é o nominat. e, acusat. Plural (raríssimo) de pelagus.
i) Alguns neutros terminados em -ma (poema, poemãtis poema; drama, dramãtis drama;
epigramma, epigrammãtis epigrama, etc.) no gen. e dat. plural podem ter, mas raramente, as
terminações da 2ª decl.: Poemãtum (poematorum), poematíbus (poemãtis).
j) O genit. de Sappho (Safo, a poetisa) é Sapphus; os demais casos são iguais ao nominat.
Dido (Dido, a rainha) pode seguir a declinação de Sappho ou flexionar-se deste modo:
Dido, Didónis, Didoni, Didonem, Didone.

- Substantivos invariáveis

São chamados invariáveis ou indeclináveis os substantivos que têm sempre a mesma


forma em todos os casos em que são usados.

à) Tais são alguns substantivos de origem hebraica: Esău Esaú, Iaphet Jafé, etc.

Alguns desses nomes de origem hebraica têm também uma forma declinável: Iosēph
(indecl.) e losēphus, i José (1) ; Ierusclem (indeel.), Ierosólyma, ce (f. sing.) e Ierosólyma,
órum (n. pl.) Jerusalém.

h) São invariáveis também alguns outros substantivos:

1. Pondo (neutro plural) libras: Vinte mil libras de prata, argenti pondo viginti milia. - Há
casos em que pondo (ablat. sing.) significa do peso- O ditador colocou no Capitólio unia
coroa do peso de uma libra, dictator coronam librw pondo in Capitolio posuit.

2. Mane (n) manhã, pode ser nominat., acusat. ou abl.: Passava as noites vigiando até de
manhã e roncava durante o dia todo, noctes vigilabat ael ipsum mane, diem totum
stertebat; ao romper do dia, multo mane .

( 1 ) A forma Indeclinável costuma reservar-se para o santo esposo da Mãe de


Deus . E aos “Josés” do Antigo Testamento (de acordo com a Sagrada Escritura)

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3. Fas (n) lei divina, o lícito, e nefas (n) o ilícito, podem ser nominat. acusat. ou vocat.

SUBSTANTIVOS DEFECTIVOS

Têm somente um caso:

a) Nauci e flocci, genitivos das palavras arcaicas naucus,í (m) ou naucum, i (película de
noz) e floceus, i (m) (penugem), só se usam em orações negativas como non nauci facere,
non flocci facere = não avaliar em nada.

b) Nas expressões despectui esse ser desprezado; derisui esse ser alvo de zombaria; ostentui
esse servir de prova, e em poucas outras similares, encontramos o dativo de despectus,
derisus, ostentus, palavras inusitadas em outros casos

e) Pessum (para a ruína) e venum (para a venda), parecem acusativos, mas talvez sejam
supinos ou advérbios, e se usam em expressões como pessum ire ir para a ruína, arruinar-se,
pessúmdăre arruinar, venum ire ir para a venda, ser vendido, venum dare (ou venúmdăre)
vender.

Infitias (acusat. plural de infitia negação) usa-se na expressão infitias ire, negar.

d) Arbitrātu pelo parecer, hortātu por exortação, iussu por ordem, íniussu contra a ordem,
rogātu a pedido, natu por (de) idade (e muitos outros substantivos verbais terminados em -
u), sponte por (de) espontânea vontade, espontâneamente, etc., são ablativos (sing.) dos
substantivos desusados arbitrātus, hortātus, iussus, iniussus, rogātus, natus, spons, e
costumam ser acompanhados por genitivos ou possessivos: Iussu. consúlis, por ordem do
cônsul; iniussu Cœsăris, contra as ordens de César; maior natu, mais velho (maior quanto à
idade); minor natu, mais moço; maxĭmus natu, o mais velho; minĭmus natu, o mais moço;
tua sponte, por tua espontânea vontade; rogātu tuo, segundo o teu pedido. etc.

- Costumam ter mais de um caso:

a) Fors (nominat. sing. fem.: sorte) e o abl. forte (por acaso).

h) Dicio, diciónis, (poder) não tem plural, mas no sing. todos os casos são usados, exceto o
nominat. e o voc

C) Impetus, us (assalto) não tem genit., dat. e abl. plural; ímetu (não impétui) serve para o
dat. e abl. sing.

d) Vicis (G), vici, vicem, vice é a declinação no singular do subst. fem. vix (vez), inusitado
no nominat. sing. - No pl. há estas formas: vices, vicibus (D. e Ab.).

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e) Daps, dapi: iguaria, frux, frugis (f) fruto da terra, vida honesta, ops, opis (f) poder,
força, têm todos os casos; o nom. sing., porém, é raríssimo; é raríssimo também o dat. sing.
de ops.

f ) Faux, falucis fauce, goela, e prex, precis prece, têm todos os casos do plural (fauces,
faucium, etc.; preces, precum, etc.), mas no sing. só se encontram no abl.: fauce, prece.

g) Grates (f. pl.) agradecimento, é usado quase unicamente no acusat. pl. (Agradeço-te, ó
sumo Sol, grates tibi ago, summe Sol) ; encontra-se também no abl. pl. gratibus, mas
raramente.

h) Tónitrus,us (m) e tonítruum,i (n) trovão, no plural completam-se mutuamente:


Tonítrua (N. Ao. V.), tonítruum (G), tonítribrus (D. Ab.).

i) Argos (neutro) Argos (cidade do Peloponeso), usa-se unicamente no nominat. e acusat.


sing.

Só têm SINGULAR os substantivos exijo significado -em latim não pode ser
considerado múltiplo: Sanguis, sanguĭnis sangue, æs aliēnum, æris aliēni dívidas, supellex,
supelléctilis mobília, móveis, iustitia, æ justiça, etc.

b) Só têm PLURAL:

1. Alguns nomes próprios de cidades: Athēnac, arum (f. pl.) Atenas, Syracūsæ, arum (f. pl)
Siracusa, Susa, Susorum (n. pl.) Susa (cidade da Pérsia), etc.

2. Muitos substantivos:

anglastiae, arum, f. desfiladeiro manubiae, arurn, f. presa (de guerra)


bigae, arum, f. carro (puxado por 2 cavalos) núndinae, arum, f. mercado
cunae, arurn, berço scalae, arum, f. escada
deliciae, arum, f. delícia fides, ium, f. lira
divitiae, arum, f. riqueza fores, ium, f. porta
latomiae, arum, f. pedreira altaria, ium, n. altar
indutiae, arum, f. trégua hiberna, orum, n. quartel (de inverno)
reliquiae, arum, f. resto

Obs. - Omitimos os substantivos que, também em português, só se usam no plural:


Exsequiae, arum exéquias, etc.

PARTICULARIDADES NO PLURAL

No PLURAL têm mais um SENTIDO:


aedes, oedis (f) templo; oedes, oedium templos e casa (sing.)

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aqua, ae água; aquae, aquarum águas e banhos

auxilium, ii auxílio; auxilia, orum auxílios e tropas auxiliares

carcer, carcĕris (m) prisão; carcĕres, carcerum prisões e recinto (donde partiam os carros
nas corridas)

castrum, i fortaleza; castra, castrorum fortalezas e acampamento

facultas, facultātis (f) poder, licença; facultates,um licenças e bens de fortuna

finis, finis limite; fines, finium limites e território

hortus, i (m) horta; horti, orum hortas e jardins públicos

impedimentum, i impedimento; impedimenta, orum impedimentos e bagagens

llitlēra, ce letra (do alfabeto) ; litterae, arum letras (do alfabeto) e carta, cartas, literatura,
instrução, ciências

Ludus, i (m) jogo, divertimento, facécia, escola, exercício; no plural significa


principalmerite "jogos públicos".

pars, partis parte; partes, partium partes e papel (de teatro), partido

rostrum, i bico (de pássaro), esporão (de navio) ; rostra, orum bicos, esporões (de navios) e
tribuna dos oradores

Obs. - Aedes no sing. com o sentido de "casa" é raro.

- No PLURAL mudam de SENTIDO:

copia, ae abundância; copiae, arum tropas


]comitium,ii lugar (de reunião) do povo; comitia,orum reunião (do povo para as
eleições)
fortuna ae sorte; fortunae,arum bens materiais

sal,salis (masc. e neutro) sal; sales,salum (masc.) chistes

- No plural seguem OUTRA declinação:

a) Vas, vasis (n) vaso; pl.: vasa vasōrum , vasis.

b) Iúgerum, i jeira; pl.: ingera, iúgerum , miugéribus

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Obs. - a) Numerosos substantivos da 5ª declinação podem também pertencer à 1ª


Luxuries,êi ou luxuria,ae (f) luxo; materies,êi ou materia,ae, matéria, madeira; mollities, ĕi
ou mollitia, ae moleza, etc.

b) O subst. português plebe pode traduzir-se por plebs,plebis (gen. pl. plebium) ou por
plebes,plebĕi (sem pl.).

Descanso pode traduzir-se pelo subst. fem. requies,requiĕtis ou requies,requiĕi (ambos sem
pl.).

- No plural mudam de GÉNERO:

balnĕum, balnei (n) sala de banho; pl. balneae, arum (f)


epŭlum,i (n) banquete; pl. epulae,arum (f)
caelum, i (n) céu; pl.: (pós -clássico) caelí, orum (m)
carbăsus,i (f) linho (fino), vela de navio; pl.: carbasa, orum (n)
iocus,i (m) brincadeira; pl.: ioci, orum (m) ou ioca,orum (n).
locus,i (m) lugar; pl. loci,orum (m = trechos de livros) e loca, orum (n).

Nomes compostos

a) Se a palavra é composta de dois substantivos, dos quais, um só esteja no nominat.,


declina-se unicamente o que está no nominat.: Paterfamilias, patrisfamílias, patrifamilias,
etc; terraemotus, terraemotui, etc.

b) Se a palavra é composta de um substantivo e de um adjetivo, declinam-se os dois:


Iusiurandum (juramento), iurisiurandi, iuriiurando, etc. (sem pl.); respública (república),
reipublicae, etc.

Agora, vamos descansar nossa mente um pouquinho da Gramática do Latim, apesar


de termos ainda muito tempo para frente. Vamos mudar um pouquinho antes de retornar à
Gramática para não tornar nosso estudo exaustivo. Abaixo enviarei algumas orações em
Latim, são orações conhecidas que você poderá testar seus conhecimentos traduzindo-as
sozinho.

Bom trabalho!

Pater Noster

Pater noster, qui es in caelis,


Sanctificétur nomen tuum,
Advéniat regnum tuum,
Fiat volúntas tua,
sicut in caelo, et in terra.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 159

Panem nostrum quotidiánum da nobis hódie.


Et dimítte nobis débita nostra,
sicut et nos dimíttimus debitóribus nostris.

Et ne nos indúcas in tentatiónem.


Sed líbera nos a malo.

Amem.

Ave María

Ave María, grátia plena,


Dóminus tecum,
benedícta tu in muliéribus,
et benedíctus fructus ventris tui Jesus.

Sancta María, Mater Dei,


ora pro nobis peccatóribus,
nunc et in hora mortis nostrae.

Amem

Salve Regína

Salve Regína, Mater misericórdiae,


vita, dulcedo et spes nostra salve!
Ad te clamámus, éxsules filii Evae.

Ad te suspirámus geméntes et flentes


in hac lacrimárum valle.
Eia ergo, advocata nostra, illos tuos
misericórdes óculos ad nos convérte.
Et Jesum, benedíctum fructum ventris tui,
nobis post hoc exsílium, osténde.
O clemens, o pia, o dulcis
Virgo Maria!

V. Ora pro nobis, sancta Dei Génitrix.

R. Ut digni efficiámur promissiónibus Christi.

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Credo

Credo in Deum Patrem omnipotentem,


Creatorem caeli et terrae.
Et in Iesum Christum, Filium eius unicum, Dominum nostrum,
qui conceptus est de Spiritu Sancto,

natus ex Maria Virgine,


passus sub Pontio Pilato,
crucifixus, mortuus, et sepultus,
descendit ad infernos,
tertia die resurrexit a mortuis,
ascendit ad caelos, sedet ad dexteram Dei Patris omnipotentis,
inde venturus est iudicare vivos et mortuos.

Credo in Spiritum Sanctum,


sanctam Ecclesiam catholicam,
sanctorum communionem,
remissionem peccatorum,
carnis resurrectionem,
vitam aeternam.
Amen

Gênero dos Substantivos

a) Já se terá observado que, em geral deixamos de indicar se um substantivo é masc., fem.,


ou neutro quando o gênero é evidente pela terminação do nominativo singular ou é idêntico
nas duas línguas.

b) Freqüentemente Os substantivos masculinos em latim são também masculinos em


português; o mesmo se dá com os femininos.

e) Ter-se-á também notado que são NEUTROS os substantivos da 2.a. decl. terminados em
-um (no nominat. sing.) e os da 4.a terminados em -u.

Pertencem ainda ao NEUTRO o infinit. dos verbos e as orações: Dulce et decōrum


est pro patria mori é suave e glorioso morrer pela pátria; et fácere et pati fortia Romanum
est realizar grandes empresas e suportar grandes sofrimentos é romano (é próprio dos -
romanos).

- Gênero na 2.ª declinação

Na 2ª declinação são femininos:

a) Alvus, i ventre, colus, i roca, humus, i terra (sem pl.), vannus, i joeira.

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b) Alguns substantivos derivados do grego, os quais nessa língua são femininos: Antidŏtus,
i contraveneno, antídoto, Aretus, i constelação da Ursa, atŏmus, i átomo, methŏdus, i
método, periŏdus, i período, paragrăphus, i parágrafo, diamĕtrus, i diâmetro, eto.

e) Vários nomes de cidades e regiões terminados em -us: Aegyptus, i Egito, Epírus, i Epiro
(região correspondente à atual Albânia e norte da Grécia), Corinthus, i Corinto, Rhodus, i
Rodes (ilha), Chersonésus, i Quersoneso (península), Peloponnesus, i Peloponeso (atual
ilha da Grécia, chamada Moréia), etc.

d) Os nomes de árvores e arbustos terminados em -us: Pinus, i pinheiro, mălus, i macieira


(não mălus, a, um), cerăsus, i cerejeira, pōpŭlus, i choupo (não pŏpŭlus, i povo), persicus, i
pessegueiro, pirus, i pereira, etc.

São, porém, masculinos: Acanthus, i acanto, bolétus, i cogumelo, calamus, i cana,


cardus, i cardo, rubus, 1 sarça.

- Gênero na 3.ª declinação

a) São MASCULINAS as seguintes palavras:

1. Ligo, ligonis enxada, margo, margĭnis margem, ordo, ordinis, ordem, papilio, papiliŏnis
borboleta.

2. Anguis, anguis cobra, cassis, cassis rede, armadilha (raro no sing.), collis, collis colina,
crinis, crinis cabeleira, ensis, ensis espada, funis, funis corda, lapis, lapidis pedra, orbis,
orbis esfera (orbe), scrobis, scrob is cova, sentis, sentis (raro no sing.) sarça, vomis (ou
vomer), vômeris relha (do arado).

3. Cortex, cortícis cortiça, fornix, fornícis abóbada, grex, gregis grei, pulex, pulícis pulga.

4. Fons,fontis fonte, pons,pontis ponte, serpens,serpentis também fem.) serpente, torrens,


torrentis torrente.

5. Dolor, dolóris dor, color, coloris côr, flos, floris flor, ete.

b) São FEMININAS as seguintes palavras: Aestas, aestatis verão, cassis, cassídis capacete,
dos, dotis dote, laus, laudis louvor, merces, mercédis salário, nex,,necis homicídio, quies,
quietis (requies, requiétis) descanso.

e) Pertencem, em geral, ao gêncro NEUTRO os substantivos terminados em -us (N), -êris


(G) ou em -us (N), -oris (G) : Vulnus, vulnris ferida, viscus, visceris (raro no sing.)
entranhas, ulcus, ulceris ferida; tempus,temporis tempo, frigus,frigoris frio, etc. Porém,
lepus, lepóris lebre, é masc. ou friti.

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São NEUTROS também os nomes comuns da 3ª decl. terminados em -ar, -e, -al; em -men
(Carmem, carminis poesia, etc.); em -el (mel, mellis mel, etc.); em -ma (poёma, poёmătis
poema, etc.) e em -er (ver, veris primavera, iter, itineris caminho, etc.).

SUBSTANTIVOS MÓVEIS, COMUNS DE DOIS GÊNEROS E EPICENOS

Chama-se MÓVEL o substantivo, cujo feminino difere do masculino só na


terminação: Magister (m) e magistra (f) mestre e mestra; rex (m) e regina (f) rei e rainha;
dominus (m) e domina (f) senhor e senhora; puer (m) e puella (f) menino e menina, etc.

Chama-se COMUM DE DOIS GÊNEROS o substantivo que, tendo uma forma só,
pode ser masculino ou feminino: Civis (m) cidadão, civis (f) cidadã; sacerdos (m)
sacerdote, sacerdos (f) sacerdotisa, etc.

Chama-se EPICENO o substantivo que tem um só gênero sem distinção de sexo:


Áquila (águia) é sempre feminino, mesmo quando se quer indicar o macho; corvus (corvo)
é sempre masculino, mesmo quando se quer indicar a fêmea.

Sendo preciso distinguir o sexo, acrescente-se, mas, maris ou másculus, a, um, para
indicar o masculino, e fémina, w, para indicar o feminino: Corvus mas ou corvus masculus
corvo macho; coruus femina corvo fêmea; aquila mas OU aquila mascula águia macho,
aquila femina águia fêmea, etc.

"Antes de mais nada é preciso aprender a pensar; e, para pensar certo, eu creio no poder das
humanidades: latim e grego".

(Gal. Eisenhower, presidente dos Estados Unidos)

Morfologia dos Adjetivos

- Adjetivos da 1ª e 2.ªdeclinação

Esses adjetivos, chamados também adjetivos da 1.ª classe, declinam-se como anŭlus
no masculino, como rosa no feminino, como beltum, no neutro, conforme se vê pelo
paradigma de bonus, bona, bonum, (bom):

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Da mesma forma se declinam albus, a,um branco, dignu-s, a, um digno, doctus, a,


um douto, cándidus, a, um cândido, etc.

- O adjetivo satur, satúra, satúrum, (farto) e todos os adjetivos da 1ª classe, cujo nominat.
sing. masculino termina em -er (niger, nigra, nigrum, negro, piger, pigra, pigrum,
preguiçoso, pulcher, pulchra, pulchrum belo, sacer, sacra, sacrum, sagrado; liber, libêra,
liberum, livre, miser, misêra, misêrum infeliz, ten-er, -êra, -ĕrum tenro, etc.) declinam-se
como bonus, a, um, mas têm o voe. sing. masc. IGUAL ao nominat. sing. (masc.).

- Adjetivos da 3ª declinação

a) Os dicionários costumam apresentar os adjetivos da 3ª decl., chamados também adjetivos


da 2.ª classe, debaixo de um destes três aspectos:

1° Com três terminações, das quais a primeira corresponde ao masc., a segunda ao


feminino, a terceira ao neutro: Celer (m), céleris (f), célere (n) veloz; puter,putris, putre
podre, etc.

2° Com duas terminações, sendo a segunda -e. Neste caso a primeira terminação
corresponde ao masculino e ao feminino; a segunda ao neutro. Brevis, e (breve) quer dizer
que brevis é mascul. e fem., e que breve é neutro.

3° Com duas terminações, sendo a segunda -is. Neste caso a primeira terminação indica o
nominat. sing. masc., fera. e neutro; a segunda indica o genitivo singular para os três
gêneros: Simplex (m. f. n) símplicis (gen.) simples; felix (m. f. n.), felícis (gen.) feliz, etc.

h) Declinação do adjetivo de três terminações acer, acris, acre (agudo, azêdo) :

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Da mesma forma se declinam salúber, salubris, salubre salubre, céleber,celebris,


celebre célebre, campester, campestris, campestre campestre, etc.

e) A declinação dos adjetivos omnis (m. e L), omne (n) todo, e ferox (m. f. n.), ferōcis
(gen.) feroz, é muito semelhante à de acer:

Obs.: Só declimanos o singular, porque o plural é idêntico ao de acer.

Da mesma forma se declinam dulcis, Dulce, doce, símilis, simili, semelhante, turpis,
turpe, feio, etc. e audax, audácis audaz, par, paris, igual, lócuples, locuplétis rico, ardens,
ardentis ardente, etc.

IMPORTANTE: Como se vê os adjetivos da terceira declinação tem as variantes dos


substantivos em –ar, -e, -al:

A) Abl. Sing. em –i.


B) Os três casos iguais do neutro plural em –ia.
C) Genit. Pl. em – ium.

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“Adquiram (os seminaristas) tal conhecimento da língua latina, que lhes permita
entender e utilizar tantas fontes científicas e documentos eclesiásticos (Conc. Vat. II,
Optatam, Totíus, n.- 13; 1311)”.

Apêndice a morfologia dos adjetivos

- Os adjetivos imparissílabos proparoxítonos no gen. sing. (caelebs, caelíbis solteiro,


compos, compŏis possuidor, deses, desidis preguiçoso, dives, divĭtis rico, pauper, paupĕris
pobre, Princeps, princĭpis principal, etc.) têm o abl. sing. em -e, o gen. pl. em -um e não são
usados nos três casos iguais do neutro plural.

Obs. - a) Podem ter -i no abl. sing.: Cicur, cicúris doméstico, degĕner, degenĕris
degenerado, immĕmor, immemŏris esquecido, inops, inŏpis pobre, memor, Nemŏris
lembrado, supplex, supplícis suplicante, uber, ubéris fértil, Vigil, vigílis vigilante.

b) Anceps, ancipítis duvidoso, praeceps, praecipitis escarpado, quadrúpes, quadrupédis


quadrúpede, vetus, vetéris antigo, velho, no abl. sing. podem ter -i e são usados nos três
casos iguais do neutro pl.: Ancipitia, praecipitia, quadrupedia, vetêra.

c) Simplex, simplĭcis (simples) e todos os adjetivos multiplicativos formados com


-plex (duplex, duplĭcis duplo, etc.) seguem a decl. de ferox, ferŏcis

- Os particípios presentes e os adjetivos terminados em -ns têm:

a) O genitivo plural em -ium, mesmo quando sejam substantivados: Loquentium dos que
falam, gen..pI. de loquens, loquentis; sapientium dos sábios, gen. pl. de sapiem,sapientis .

b) Os três casos iguais de noutro pl em –ia: Constantia de constans, contantis, constante,


parentia de parens, parentis obediente, etc.

e)O abl. sing. em -e: Adventante clade chegando a ruína; patre usus est diligente teve um
pai cuidadoso; magnifica voz et magno ae sapiente viro digna sentença magnífica e digna
de um varão nobre e sábio.

Obs. - Têm, geralmente, -i no ablat. Sing., quando forem usados como adjetivos (não como
adjetivos subatantivados nem como particípios presentes) e não
modificarem nomes de pessoas: (In) urbe studiis adfluenti numa cidade cheia de estudos;
praestanti ingenio vir homem de grande talento. - "Por um sábio" traduzir-se-á “a
sapiente”(adi. substantivado); "soprando (o vento) Bóreas" traduzir-se- á por "Bórea flate”

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E.I.E. Caminhos da Tradição 166

Adjetivos declináveis e defectivos

a) Além dos adjetivos INDECLINÁVEIS frugi (honesto) e nequam (malvado), notaremos:

1. Necesse (necessário) que no encontra unicamente com esse e habere. Ex.: Necesse habeo
scríbere / preciso escrever .

2. Macte, que é vocat. do adjet. inisitado mactus, a, um (glorificado, honrado) e se usa


quase unicamente com substantivos em caso ablativo, assumindo vários sentidos: Macte,
animo = coragem; macte virtute = bravol

b) Quanto aos DEFECTIVOS é bom saber que:

1. Exspes (desesperado) só tem o nominat. ; exlex (sem lei) tem também o acusat.:
exlégem.

2. Alguns adjetivos só têm plural: os distributivos: complúr-es, -es, -a (muitos), etc.

Obs. - Pleríque, pleraeque, pléraque (= muitos) (dat. e abl.: plerisque; acusat.: plerosque,
plerasque, pléraque) não é usado no genit. pl.; no singular só tem estas formas: pléraque
(nominat. fem.) e plerunmque (nominat. e acusat. neutro; acusat. masc.).

“Os estudos clássicos são indispensáveis aos estudantes de medicina, não só porque o
grego e o latim lhes fornecem melhor conhecimento do vocabulário científico, mas,
sobretudo porque uma bem dirigida cultura clássica assegura aos candidatos uma
preparação mais sólida e forma-lhes melhor o espírito”.

(Declaração da classe médica de França)

Graus do Adjetivo

COMPARATIVO

- O comparativo de SUPERIORIDADE forma-se acrescentando à parte invariável do


adjetivo os sufixos -ior (masc. e fem.) e ius (neutro) :

Célebre clarus, a, um; parte invar. clar-, comparat. de superioridade (mais célebre);
clarior (masc. e fem.), clarius (neutro); atroz atrox, atrocis, comp. atrocior, atrocius;
delgado tenuis, e, comp, tenuior, tenuius; previdente providens, Providéntis, comp.
providentior, -iu~; belo pulcher, pulchra, pulchrum, comp. pulchrior, pulchrius, etc..

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E.I.E. Caminhos da Tradição 167

- O masc. e o fem. do comparat. seguem a declinação de sermo e o neutro a de tempus:

Casos M. e F. sing. Neutro sing. M. e F. pl. Neutro pl.

N.V. clarior clarius clariõr-es clarior-a


G. clarior-is clarior-is clarior-um elarior-um
D. clarior-i clarior-i clarior-lbus clarior-ibus
Ao. clarior-em claríus clarior-es clarior-a
Ab. clarior-e clarior-e clarior-ibus clarior-ibus

Da mesma forma se declina o comparativo de cálidus, a, um quente, de húmilis,e


humilde, de líber, libera, liberum livre, de felix, felícis, feliz, etc.

Segundo termo da comparação

SEGUNDO TERMO DA COMPARAÇÃO é um complemento que, por meio da


conjunção que ou do que, inteira o, sentido de um comparativo: Os homens são mais
prudentes (do) que os meninos; Epaminondas foi mais desejoso da glória que do dinheiro.

A palavra com a qual se compara o 2°termo chama-se PRIMEIRO TERMO.


Portanto, tios exemplos acima, "homens além de ser sujeito, é também primeiro termo da
comparação- "da glória" além de ser complemento do adjetivo "desejoso" é também
primeiro termo da comparação.

- Modo de traduzir

a) A conjunção que (ou do que) traduz-se por quam.

b) O 2° termo coloca-se no mesmo caso em que está o 1° termo: Viri sunt prudentiōres
quam puĕri; Epaminondas cupidior fuit gloriae quam pecuníae.

Obs. --- Quando o 1° termo estiver no nominal. Ou acusat., o 2° termo pode-se colocar no
ablativo (mas sem quam) : Viri sunt prudentiores pueris.

SUPERLATIVO

- O superlativo forma-se acrescentando à parte invariável do adjetivo os sufixos -


issimus, íssima, issimum: Alto altus, a, um, parte invariável: alt-, superlat.: altissimus,
altissima, altissimum (altíssimo) ; feroz ferox, ferōcis, superlat. : ferocissimus, a, um
(ferocíssimo) ; delgada tenuis, e, superlat.: tenuissimus, a, um (delgadíssimo), etc.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 168

Obs. - O superlativo declina-se como bonus, a, um.

- Particularidades na formação do superl.

a) Os adjetivos cujo nominat. masc. termina em -er, formam o superl. acrescentando os


sufixos –rimus ,-rima, -rimum, diretamente ao nominat. sing. masc.: Agudo acer, acris,
acre, superl.: acerrímus, a, um; tenro ten-er, -ĕra, ĕrum, superl.: tenerrĭmus, a, um, etc.

b) Os seis adjetivos seguintes formam o superl. mudando -ilis final em -illimus, a, um:

facilis, e fácil, faciffimus difficofis,e difícil, diflicillimus


simifis, e semelhante, simillimus dissimifis, e diferente, dissimillimus
humillis, e humilde, humillimus gracilis, e franzino, gracillimus

- Emprego do superlativo

a) O superlativo latino corresponde ao superlativo absoluto e ao superlativo relativo do


português; celeberrimus é igual a gloriosíssimo ou o mais glorioso.

(b) O superlativo relativo pode ter um complemento precedido pelas preposições entre,
dentre ou de (que tenha o sentido de entre ou dentre) : A vista é o mais agudo dos nossos
sentidos; o golfinho é o mais veloz de (dentre, entre) todos os peixes.

Este complemento chama-se, partitivo e pode traduzir-se com o genitivo ou com o abl.
precedido pelas preposições ex ou de: Visus nostrorum sensŭum (ex ou de nostris
sensibus) acerrimus est; delphínus omnium piscium (ex ou de omnibus piscibus)
celerrimus est.

- Comparativos e superlativos especiais

a) Os adjetivos cuja terminação -us é precedida de vogal, formam o comparativo e o


superlativo, antepondo ao grau normal respectivamente os advérbios magis e maxime:
Idôneo idonêus, comp. magis idoneus, superl. maxime idoneus; difícil ardúus, comp. magis
arduus, superl. maxime arduus, etc.

Deste modo se formam também o comparat. e o superl. de vários adjetivos como ferus, a,
um feroz, mirus, a, um admirável, satur, satúra, saturum farto, e de alguns outros que os
bons dicionários indicam.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 169

Obs. - 1. Os adjetivos terminados em q+uus seguem a regra geral: Antigo antiquus, antiqua,
antiquum, comp. antíquior, sup. antiquissimus; justo aequus, a, um, comp. æquior, sup.
æquissimus

2. Os graus do adjet. indeclinável néquam (malvado) são néquior e nequissimus.

b) Os adjetivos terminados em -dicus, -ficus, -volus, formam o comparat. e o superl.


acrescentando à parte invariável -entior e -entissímus: Maldizente maledicus, a, um, comp.
maledicentior, sup. maledicentissimus; benévolo benevolus, a, um, comp. benevolentior,
sup. benevolentissimus.

c) Estes quatro adjetivos têm comparat. e superl. irregulares:

Grau normal Comparativo Superlativo

bonus, a, um /bom melior, melius optimus, a, um


malus, a, um /mau peior, peius pessimus, a, um
magnus, a, um /grande maior, maius maximus, a, um
Parvus, a, um/pequeno minor, minus minimus, a, um

d) O superl. de multus, a, um (muito) é plurimus, a, um; o comparat. é plus (mais), que no


sing. à tem estas formas: Plus (Nom. e Ac. neutro) e pluris (G. neutro). No plural se declina
assim:

N. Ac. plures, plures, plura(l)

G. plurium, plurium, plurium

D. Ab. plurIbus, plurIbus, PlurIbus

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E.I.E. Caminhos da Tradição 170

(1) Encontra-se também pluria. - Como o plural de plus declina-se complúres, complúra
(muitos, Vários).

"Não pergunte o que o seu filho vai fazer do latim, mas sim, o que o latim vai fazer de seu
filho".

(Prof. Harold, senador -inglês)

Apêndice aos graus do adjetivo

-Estes quatro adjetivos são raros no grau normal, são regulares no comparativo e têm dois
superlativos (irregulares) :

Grau normal Comparativo Superlativo


Extĕrus (exter), a um externo Exterior Extrēmus (extimulus é raro)
extremo
Infĕrus, a, um, baixo Inferior Infĭmus, imus, ínfimo
Postĕrus, a, um, seguinte Posterior Postrēmus, postŭmus, ultimo
Supĕrus, a, um , alto Superior Suprēmus, summus,
supremo, sumo

- Os seguintes comparativos e superlativos têm como grau normal uma preposição:

ante ante, antes de anterior anterior mais aquém


citra aquém de Citerior citerior citímus o que está
intert entre interior interior intimus íntimo
propre perto de propior mais vizinho proximus próximo
ultra além de ulterior ulterior ultimus último
prae, ante, diante de prior primeiro primus primeiro

Obs.: Prior, prius significa primeiro (entre dois) ; primus, a, um significa primeiro (entre
mais de dois) : Recebi de ti duas cartas; responderei, portanto, antes à primeira, duas a te
accépi epístulas; respondébo ígitur prióri prius.

96. - Deterior e deterrimus, ocior e ocissimus, potior e potissimus provêm respectivamente


dos adjetivos inusitados: deter (mau, vil), ocys (veloz), potis (capaz).

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E.I.E. Caminhos da Tradição 171

97. - Adulescens jovem, iuvênis jovem, senex velho, não têm superlativo; o comparativo é
respectivamente adulescentíor, iunior (raro iuvenior), senior.

Obs. - 1. Pode-se dizer que, em geral, os romanos eram chamados pueri até os 17 anos;
adulescentes ou iuvenes dos 17 aos 4O; víri dos 4O aos 6O; senes depois dos 6O.

2. Iúnior e sénior às vezes, têm respectivamente o sentido de jovem e não de "mais jovem",
áe velho, ancião e não de "mais velho": Edícitur delectus: iuniores ad nómina respondent
manda-se fazer o alistamento; os jovens respondem ao chamado; vix ea fatus erat senior
mal o ancião acabara de pronunciar aquelas palavras...

98. - Novus, a, um (novo, recente) carece do comparativo e superlativo; novissimus


significa último: Hi novissimos adorti magnam multitudinem conciderunt tendo estes
atacado os últimos, mataram grande multidão.

Obs. - a) Em vez da terminação -imus, encontra-se especialmente nos escritos arcaicos, a


terminação -umus: Óptumus em vez de optimus veríssumus em vez de verissimus, etc.

b) Alguns adjetivos da 3ª declinação para o masc. sing., além da forma em -er, têm também
uma forma em -ris: Salúber ou salubris (m), salubris (f), salubre (n) ; celer ou céleris (m),
celeris (f), celere (n) , etc.; o superlativo, porém, será unicamente saluberrimus, celerrimus,
etc.

c) O superl. de vetus, véteris (antigo, velho) é vetérrimus; o de matúrus (maduro, oportuno)


é maturissimus ou matárrimus.

d) O comparat, e superl. de provídus próvido, previdente, egēnus necessitado e frugi


(indeclinável) sóbrio, é igual ao dos sinônimos provídens, providentis; egens, egentis;
frugalis (Frugalis não é usado no grau normal) providentior, providentissimus; egentior,
egentissimus; frugalior. frugalissimus.

- Superlativo relativo de inferioridade

Quando se fala simplesmente de superlativo relativo entende-se o superlativo


relativo de superioridade: O mais veloz.

O superlativo relativo de INFERIORIDADE traduz-se com miníme e o adjet. em


grau normal: O espetáculo menos agradável, minime gratum spectacúlum.

- Comparativo de inferioridade e de igualdade

Quando se fala simplesmente de comparativo, entende-se o comparativo de superioridade:


Mais forte.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 172

O comparativo de INFERIORIDADE traduz-se com minus e o adjetivo em grau


normal: Menos bom, minus bonus; menos instruído, minus doctus.

O comparativo de IGUALDADE traduz-se antepondo ao adjetivo em grau normal


os advérbios tam ou non minus: Tão estudioso, tam (ou non minus) dilígens.

O 2° termo da comparação no comparativo de inferioridade e de igualdade traduz-se


com quam e o caso do 1° termo: O ferro (suj. do 1° termo) é menos precioso do que a prata
(2° termo), ferrum minus pretiosum est quam argentum; a Sicília (suj. e 1° termo) é tão
salubre como a Itália (2° termo), Sicilia tam (ou non minus) salubris est quam Itália.

"Sem muito latim é impossível saber um pouco de português".


(A. Magne, um dos maiores filólogos do Brasil)

Morfologia dos numerais

- Os numerais em latim podem ser de quatro espécies: Cardinais (unus, duo, tres, etc),
ordinais (primus, secundus, tertius, etc.), distributivos (singŭli, ae, = um por vez, bini, ae, a
= dois por vez, etc.) e advérbios (semel = uma vez, bis = duas vezes, etc.):

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E.I.E. Caminhos da Tradição 173

Obs. - Um milhão e os múltiplos de um milhão formam-se com os advérbios


numerais unidos ao número cem mil (ou a um múltiplo de cem mil) : 1.OOO.OOO, card.:
decies centena (ou centum) milia, ord.: decies centies millesimus, distr.: decies centena
mília, adv.: decies centies milies; 2.OOO.OOO vicies centena (ou centum) milia (vinte
vezes cem mil), vicies centies millesimus, vicies centena milia, vicies centies milies, etc.

OBSERVAÇÕES A RESPEITO DOS CARDINAIS

- Os cardinais são indeclináveis, exceto os primeiros três, as centenas e os milhares.

- Declinação de UNUS (um) e de TRES (três)

Obs. -- Pode-se dizer, em geral, que "os numerais e os pronomes não têm vocativo. Une,
voc. sing. masc. de unus, é raro.

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- Notas a respeito de TRES e UNUS

a) Tres declina-se exatamente como o pl. de acer, acris, acre.


b) O plural de unus é idêntico ao plural de bonus, a, um; no sing. se distingue de bonus só
no genit. e dat.
c) Um, uma pode ser artigo indefinido ou numeral cardinal:

1. O artigo um,uma acompanha, direta ou indiretamente, um substantivo (um mestre, uma


boa professora) e, às vezes, pode ser substituído por qualquer; não se traduz em latim:
Procuro um homem, quœro hominem.

2. O card. um, uma nem sempre acompanha um substantivo; às vezes contrapõe-se a outro
ou a dois, três, etc.; outras vezes tem o sentido de um só, único, sozinho (somente); traduz-
se em latim por unas, una, unum: Tu tens três livros, eu tenho um, tu libros tres, ego unum
habeo; os helvécios confinam de um lado com o rio Reno, de outro lado com o monte Jura,
Helvetii continentur una ex parte flúmine Rheno, áltera ex parte monte Iura ; Pompeu
sozinho tem mais poder que todos os outros, Pompeius plus potest umus quam céteri
omnes; um homem só (um homem único), vir unus ; os úbios sozinhos (somente os úbios),
Ubii uni.

d) Como unus, a, um declinam-se totus, a, um todo, solus, a, um só, sozinho, nullus, a, um


nenhum, ullus, a, um algum, nonnullus, a, um algum.

- Declinação de DUO e de AMBO (ambos)

Obs. -- No acusat. pl. masc. pode-se também dizer duo e ambo: Inter duo entre dois.

- Centenas e milhares

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E.I.E. Caminhos da Tradição 175

a) Centum é invariável; as outras centenas (ducenti, ae, a, etc.) declinam-se, como o plural
de bonus, a, um; no genit. podem ter a terminação -um: ducentorum, ducentarum,
ducentorum ou raramente, ducentum, ducentum, ducentum.

b) Mille (mil) é indeclinável. – O plural de Mille é o substantivo neutro Milia, que se


declina assim: milia (N.Ac.), milium (G), milĭbus (D. Ab.)

Obs. - 1. Com mille os seres enumerados podem estar no genit.: Mil homens, mille
homines, ou, mais raramente, mille hominum .

2. Milia exige os seres enumerados no genit.: Dois mil soldados (dois milhares de
soldados), duo milia mílitum; a três mil cavaleiros, tribus milibus équitum; com vinte e um
mil infantes, cum viginti uno milibus Pédituni.

Se entre milia e os seres enumerados houver um outro numeral, os seres enumerados


colocam-se no caso devido, como se não dependessem de milia: 45.5OO infantes, 2.7OO
cavaleiros, quadraginta quinque mília quingenti pedites, duo milia septingenti equites.

Poder-se-ia também dizer quadraginta quinque milia equitum et quingenti, etc.

"O idioma latino, um dos mais formosos, como o grego, que se falaram jamais sobre a
terra".

(A. Magne)

Apêndice à morfologia dos numerais

- Cardinais e ordinais

a) Além de sedĕcim pode-se também dizer sexdĕcim e decem et sex; além de


septemdĕcim pode-se também dizer decem et septem.

b) Sescenti (ou sexcenti) seiscentos, é, por vezes, empregado com o sentido de


"inúmeros": Sescenta decreta proferre possum, eu poderia (posso) citar inúmeros decretos.

II. - a) Os ORDINAIS declinam-se todos como bonus, a, um.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 176

b) Nos números compostos, em vez de primus e secundus, pode-se usar respectivamente


unus e alter: 21° = vicesimus primus ou vicesimus unus; 22° = vicesimus secundus ou
vicesimus alter, etc.

e) Em latim nas sucessões usa-se o ordinal também acima de dez: João XXIII = Ioannes
vicesimus tertius; capítulo 57 = caput quinquagesimum, septimum.

d) Além de vicesimus e tricesimus pode-se também dizer vigesimus e trigesimus.

e) As formas decimus primus em vez de undecimus, decimus secundus em vez de


duodecimus, decimus tertius em vez de tertius decimus, etc. são menos usadas.

- Distributivos e advérbios

a) Os distributivos declinam-se como o plural de bonus, a, um, todavia a terminação do


genit. é -um: Binum, binum, binum (raro binorum, binarum, binórum). O genit. de singuli,
porém, é sómente singulorum, singularum, singulorum

b) Os distributivos usam-se para indicar que um número é tomado vez por vez ou se refere
a cada um dos seres mencionados: Cada ano se elegiam dois cônsules, -quotanuis bini (não
duo) consules creabantur; César e Ariovisto levaram cada um dez cavaleiros, Caesar et
Ariovistus denos equĭtes adduxērunt . Dizendo-se decem equites significar-se-ia que os dois
juntos levaram "dez" cavaleiros, e não "dez cada um".

e) Os advérbios numerais terminados em -es, podem também terminar em -ens: Vicies ou


viciens, etc.

- Observações gerais

a) Além de duodeviginti, duadevicesimus, duodeviceni, duodevicies pode-se também dizer


respectivamente octódecim e decem et octo, octavus decimus, octoni deni octies decies;
além de undeviginti, undevicesimus, etc. pode-se dizer novémdecim e decem et novem,
nonus decimus, noveni deni, novies decies. - O mesmo se pode dizer a respeito de 28, 29,
38, 39, etc.

b) De 2O a 1OO, nos números compostos, as unidades podem preceder as dezenas


geralmente com et: Quadraginta sex ou sex et quadraginta .

c) De 1OO a 1.OOO podemos encontrar combinações como estas: 1O8=centum octo,


centum et octo, octo et centum; 366=trecenti sexaginta sex, trecenti et sexaginta sex,
sexaginta sex et trecenti; 765°=septingentesimus sexagesimus quintus ou sexagesimus
quintus et septingentesimus; 46O talentos cada ano, quadringena (et) sexagena talenta
quotannis.

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d) De 1.OOO em diante para os cardinais pode-se usar et na frente das centenas:


1.597=mille (et) quingenti nonaginta septem, millesimus quingentesimus nonagesimus
septimus, (singula milia quingeni nonageni septeni, núlies quingenties nonagies septies).

"Considero um curso de estudos clássicos que abranja o grego e o latim, como o


fundamento essencial para se compreender e apreciar bem uma ciência qualquer".

(Mr. Trotter, biólogo norte-americano)

Morfologia dos pronomes

PRONOMES PESSOAIS

- Declinação dos pronomes de primeira (ego,) e segunda (tu) pessoa:

- As expressões de nós, de vós traduzem-se:

a) Por nostrum e vestrum, quando têm o sentido de "entre nós, entre vós" (sentido partitivo)
: Ninguém de nós (entre nós, dentre nós), nemo nostruni.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 178

b) Por nostri e vestri em outros casos: Atico estará sempre lembrado de vós, Atticus
memor vestri semper erit.

obs. - Com omnium usa-se quase sempre nostrum e vestrum Vou falar daqueles assuntos
que se referem à vida de todos nós, ad illa venio, quœ ad omnium nostrum vitam pértinent .

- O pronome de 3ª pessoa se declina assim:

Gen. sui de si
Dat. sibi a si
Acus. se se
Abl. (a)se por si

Neste pronome:

a) O plural, em latim e em português, é igual ao singular: O pai não pensa em si (síng.); os


pais não pensam em si (pl.).

b) O nominativo não existe em latim; supre-se com os pronomes demonstrativos ille, illa,
illud, e, menos freqüentemente, com is, ea, id ou ipse, ípsa, ipsum .
As locuções comigo, contigo, conosco, convosco, consigo, traduzem-se respectivamente
por mecum, tecum, nobiscum, vobiscum, secum.

PRONOMES POSSESSIVOS

- Dos pronomes possessivos (meus, a, um meu; tuus,a, um teu, noster, nostranostrum nosso;
vester,vestra,vestrum vosso; suus, a, um seu) basta dizer que se declinam como os adjetivos
da 1ª classe, mas tuus, vester e suus não têm vocativo .

- Observação importante

Já examinamos os pronomes pessoais e possessivos. Todos os outros pronomes


(demonstrativos, relativos, interrogativos e indefinidos) :

a) Têm ordinariamente, no genit. e dat. sing. respectivamente as terminações -ius e -i; as


terminações dos demais casos do sing. e de todos os casos do plural são, em geral, idênticas
às dos adjetivos da 1ªclasse.

b) O nominat. (e acusat.) plural neutro é SEMPRE idêntico ao nominat. sing. feminino.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 179

116. - O pronome ESTE traduz-se por hic, haec, hoc, que se declina assim:

- O pronome ESSE se traduz por iste, ista, istud (G. istíus; D. isti; Ac. istum, istam,
istud; Ab. isto, ista, isto, etc.)

118. - O pronome AQUELE traduz-se por ille, fila, illud (G. illíus; D. illi; Ac. Mum,
illam, illud; Ab. illo, illa, illo, etc.), ou por is, ea, id, que. se declina assim:

- O pronome MESMO traduz-se ora por ipse, a, um (G.ipsíus; D. ipsi; Ac. ipsum,
ipsam, ipsum; Ab. ipso, ipsa, ipso, etc.), ora por idem, que se declina assim:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 180

Obs. - Fora do nominativo (e acusat. neutro) sing., idem é (o pronome is, ea, id
unido ao sufixo -dem-; na declinação o m de is, ea, id muda-se geral. mente em n.

- O pronome MESMO:

a) Traduz-se por ipse, quando tem o valor de em pessoa, até, o próprio, exatamente: O
mesmo (o próprio, até, etc.) professor errou, ipse magister erravit; naquele tempo mesmo
(exatamente naquele tempo), illo ipso tempŏre; Tuberão fêz guerra contra o mesmo César
(contra César em pessoa), Tubĕro contra ipsum Caesarem bellum gessit.

b) Traduz-se por idem, quando indica identidade ou repetição: O cão e o lobo são animais
da mesma espécie, canis et Inpiís aninialia eiusdem genéris sunt; estes meninos cometem
sempre os mesmos erros, hi pueri semper eadem menda faciunt.

- O pronome pessoal FLE, ELA traduz-se por ille, illa, illud e, menos
freqüentemente, por is, ea, id, ou ipse, ipsa, ipsum .

Exs.: Eles entregaram terrenos aos aliados, sociis illi agros dedérunt; a fortuna
domina em tudo; ela eleva e envilece todas as coisas, fortuna in omni re dominatur; ea res
cunctas celĕbrat obscuratque ; desagradável a ele, invisus
ipsi ; entre eles e Ariovisto, inter ipsos ct Ariovistum

Obs. - Também os pronomes oblíquos lhe, lhes, o, a, os, as, traduzir-se-ão com ille,
is ou ipse no caso devido: Foi-lhe anunciado, nuntiatum est fili; repreendeu-os, eos
incusavit; César não os desprezasse, ne, ipsos (Caesar) despíceret .

Pronomes Relativos

Os relativos que, o qual traduzem-se por qui, quae, quod, que se declina assim.

Casos Singular Plural


N Qui Quae Quod Qui Quae Quae

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E.I.E. Caminhos da Tradição 181

G Cúius (para os 3 gêneros) Quorum Quarum Quorum


D Cúi (para os 3 gêneros) Quĭbus (para os 3 gêneros)
Ac Quem Quam Quod Quos Quas Quae
Ab Quō Quā Quō Quibus (para os 3 gêneros)

- O nome ao qual se refere o pronome relativo, chamase antecedente.

Em latim o relativo concorda com o seu antecedente era gênero e número; o caso do
relativo depende da função sintática por ele exercida na oração: Todos os campos que
aquele agricultor possui, são férteis, omnes agri (masc. pl. nom.), quos (masc. pl.
ACUSATIVO) ille agricola possídet, fertíles swnt; o senador leu a carta que chegou,
senãtor epistulam, quac venit, recitavit.

- Os pronomes (antecedentes) is, ille (aquele, aquela; o, a) podem, por regra, ser
omitidos só quando estiverem no mesmo
caso do pronome relativo: Viveu longamente aquêle que viveu bem, diu vixit (is), qui bene
vixit; premiarei os que são bons, cos, qui boni sunt, remunerabor.

Obs. - Os exemplos seguintes representam uma exceção não rara: Xerxes estabeleceu
um prêrnio para aquele que tivesse descoberto um novo prazer,
Xerxes proposuit prmmium qui (em vez de ei qui) invenisset novam voluptátem; quem é
mais rico, aquele ao qual falta, ou aquêle ao qual sobra? uter est divitior, cui (em vez de file
cui) deest an cui súperat ?

- Quando o relativo QUEM puder ser desdobrado em aquele que, deverá traduzir-se de
acordo com a regra antecedente: Darei o livro a quem (àquele que) chegar primeiro, librum
dabo ci, qui primus advenêril.

- O relativo cujo (cuja, cujos, cujas), antes de ser traduzido, deve ser desdobrado numa
das seguintes expressões correspondentes: do qual, da qual, dos quais, das quais: O pai,
cujos filhos morreram pela pátria, é glorioso. o pai, Os filhos do qual... pater, cuius filii pro
patriã cecidérunt, clarus est; as mestras, cujos alunos
são estudiosos, não sentem o peso da fa:diga: as mestras, os alunos das quais... magistrae,
quarum discipúli sedúli sunt, labõris pondus non sentiunt.

PRONOMES INTERROGATIVOS

a) O pronome interrogativo substantivo QUEM, pode ser masculino ou feminino:


1. Quando é masculino traduz-se por quis (cuius,cui, quem, etc): Quem é este? Quís
est híc? Alexandre de quem foi filho? Cuius ídius fuit Alexander? - Este
pronome, fora do nominat. sing., declina-se exatamente como o masculino do
pronome relativo.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 182

2. Quando o interrogativo QUEM for feminino traduzir-se-á por quae, que se declina
perfeitamente como o feminino do pron. relativo: Quem é esta que se adianta como a
aurora? Quac est ista quae progreditur quasi aurōra?

b) O pronome interrogativo substantivo QUÊ? (O QUÊ?) traduz-se por quid, o qual, fora
do nominat. e acusat. singular pode ser declinado como o neutro do pronome relativo (quid,
cuius, eui, QUID, quo, eto.): Que aconteceu? quid aecídit? .

- O pronome interrogativo adjetivo QUE, QUAL traduz-se por qui, quae, quod, o qual
se declina totalmente como o pronome relativo: Qual era o sentido das tuas armas? qui erat
sensus armorum tuorum ? Que desonra? quod dedêcus ?

Obs. - Em lugar de quí pode-se usar quis, quando o substantivo modificado for nome
(masculino) de pessoa: Que rei? qui-(ou quis) rex?

- Para maior clareza damos por extenso a declinação do pronome interrogativo quis,
substantivo e adjetivo, no singular e no plural:

Casos masc. fem. neutro mase. fem. neutro

N. quis, qui quac quid, quod qui quac quae


G. cúius (para os 3 gêneros) quorum qua-rum quorum
D. cui (para os 3 gêneros) quIbus (para os 3 gên.)
Ac. quem quam quid, quod quos quas quac
Ab. quõ quii quõ quibus (para os 3 gên.)

Observações

a) É fácil ver que o plural do interrogativo é idêntico ao plural do pronome relativo, e


que o singular do interrogativo difere do singular do pronome relativo só no nominat. masc.
e no nominat. e acusat. neutro.

b) IMPORTANTE - Quando um pronome tiver duas formas para um mesmo gênero, a


segunda forma (qui, quod) é usada quando o pronome for atributo (pronome adjetivo), e a
primeira (quis, quid) em outros casos (pronome substantivo). Quando houver uma forma
só, esta servirá para o pronome substan. tivo e adjetivo: Quac (= que-m, que e qual). - Esta
regra serve pará todos os campostw de quis (interrogativos e indefinidos).

C) O pronome interrogativo quis, qui, etc. pode-se usar também nas exclamações: Que
explendor! Qui fulgor.

Uter, utra, utrum

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E.I.E. Caminhos da Tradição 183

Os interrogativos quem, qual, que, o que, que (entre dois) traduzem-se pelo pronome
uter,utra,utrum : Que olho de teu companheiro feriste? utrum (não quem) tui sodãlis
ocúlum vulnerasti?

PRONOMES INDEFINIDOS

PRINCIPAIS COMPOSTOS DE quis, qui

- Afiquis; alíqua; aliquid, aliquod significa respectivamente, alguém, algum; alguma;


algo, algum, e se declina desta forma: G. alicúits; D. alicui; Ac. alíquem; aliquam; aliquid,
aliquod; Ab aUquo, aliqua, aliquo. Plural: Nom. alíqui, aliquae, aliqua; G. aUquõrum,
aliquãrum, aliquõrum; D. alíqu%s, ete.

Obs. - (a) Após si (se), nisí (sinão), ne (para que não), num (por acaso, porventura),
quanto, quo (quanto) e em vários outros casos que a prática indicará, esse pronome pode
perder o prefixo ali-: Se há alguém, si quis (mais comum do que si aliquis) est; se alguma
virtude, si qua (mais comum do que si aliqua) virtus; se não houver algo, nisi quid sit (mais
comum do que nisi aliquid sil) ; quanto mais alguém é sáhio, tanto mais é prudente, quo
quis est doctior, eo est prudentior.

b) O que se dá cúra o pronome aliquis, pode dar-se também com alguns


advérbios compostos com o prefixo ali-: Si quando é mais comum do que si aliquando (se
alguma vez) ; sícubi é mais do que si alícubi (se em algum lugar), etc.

- São sinônimos de aliquis:

a) Quispiam; quaepiam; quidpiam, quodpiam (G. euiuspiam; D. cuipiam, etc.) :


Quaepiam cohors, alguma coorte; aliud qitodpiam membrum, algum outro membro.

b) Quisquam; quidquam ou quicquam (G. cuiusquam; D. cuiquam, ete.): Homini


cuiquam, a algum homem; si quísquam, se alguém. - Esse pronome não tem feminino; no
nominat. e no acusat. (neutro) só pode ser usado como pronome substantivo.

NB. - Quispiam e quisquam não têm plural; suprem-se com o plural de ullus, a, um .

(2) OS COMPOSTOS declinam se como o simples, ficando o prefixo (ali ) e os sufixos


(-piam -quam, -dam, etc.) invariáveis. - O nominat. é dado pelo DICIONARIO.

Obs. - Cui, dativo do pronome relativo e interrogativo, nos tempos clássicos era
considerado ditongo, e, portanto, monossílabo; a partir do 4° século d.C. começou a ser
considerado dissílabo, sendo a vogal u breve e a vogal i longa. Por isso, quem quiser seguir
a quantidade dos clássicos, pronunciará álicui; quem não quiser, dirá alícui .

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E.I.E. Caminhos da Tradição 184

Essa observação há de servir também para a pronúncia do dativo de qualquer


outro pronome que encerre o grupo cui: Cuípiam ou cúipiam; cúiquam ou cuíquam, etc.

- CADA (UM) traduz-se por quisque; quacque; quidque, quodque (G. cuiusque; D.
cuique, etc.) ou por unusquisque; unaquacque; unumquidque, unumquodque (G.
uniuseuiusque; D. unicuique, etc.).

Obs. - Unusquisque não tem plural; quisque pode significar "alguém" .

- (UM) CERTO, (UM) TAL traduzem~se por quidam; quaedam; quiddam,


quoddam (G. e-uiusdam; D. cuidam; Ac. quendam; quandam; quiddam, quoddam; Ab.
quodam, quadam, quodam. Plural, N. quidam, quaedam, quaedam; G. qitorúndam, etc.).

Obs. - O m (de qui, quac, quod) perante -dam muda-se ordinariamente em -n: Quendam,
mais comum do que quemdam.

N. B. - Esse pronome em latim costuma pospor-se: Certo homem, homo quidam.

136. - Os indefinidos QUEM QUER QUE, QUALQUER UM (QUE), QUALQUER


(QUE) traduzem-se por quivis; quacvis; quidvis, quodvis (G. cuiusvis; D. cuivis, etc.), ou
por quilíbet; quaelibet; quidlibet, quodlibet (G. cuiuslibet; D. cuilíbet, etc.) ou por
quicumque; quaecumque; quodeumque (G. cuiuscumque; D. cuicumque, etc.).

Exs.: Em qualquer homem, in quovis homine; aqui no tempo dos nossos antepassados
se empregava um homem prático, agora qualquer um, hie apud maiores nostros
adhibebãtitr perítus, nunc quilibet; era-lhe lícito fazer tudo, o que ( qualquer coisa que)
queria, quodcumque, volebat, (ei) licebat facere; procurei aplacar com qualquer meio (com
todos os meios possíveis) todos aqueles que ouvi queixarem-se de ti, qitoscuniqite de te
queri audivi, quacumque ratione placavi.

Obs- 1ª- QUISQUIS é sinônimo de quivis, quilibet e quicumque, mas usa-se quase
unicamente no norninat. sing. masc. (quisquis=quem quer que), no nominat. e acusat. sing.
neutro (quidquid ou quicquid =qualquer coisa que, tudo aquilo que) e no abiat. sing. mase.
e neutro (quoquo =qualquer, qualquer que).

Como se vê, no nominat. (e acusat.) quisquis, é, por regra, pronome


substantivo; no abl. é, por regra, pronome adjetivo: Quisquis es quem quer que tu sejas;
quicquid est qualquer coisa que seja; quoquo modo sese illud habet de qualquer mudo que
esteja o assunto (esteja como estiver o assunto).

Obs. 2ª - Com quisquis e com os pronomes terminados em -cumque, em latim temos


geralmente o indicativo.

Obs. 3ª - Quisquis e quicumque podem ser também pronomes relativos: Non omnia
quaecumque lóquimur nem todas as coisas que falamos ...

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E.I.E. Caminhos da Tradição 185

COMPOSTOS DE uter

- Utervis, utrãvis, utriimvis; uterfibet, utralíbet, utrumlibet;


utercumque,utracumquet,utrumcuque significam "quem quer que, qualquer um (que),
qualquer, qualquer que", mas "entre dois": Qualquer um de vós dois, vestrum. utervis ;
será lícita qualquer uma das duas coisas, utrumvis licèbit
Obs. - Como uter se declinam todos os seus compostos: G. utriusvis, utriúslibet,
utriuscúmque, neutríus, utriúsque, alterutríus; D. utrívis, utrílibet, utricumque, neutri,
utríque, altérutri, etc. - Note-se a quantidade do abl. sing. fera, (utrãvis, ,tirãque) e do
nominat. e acusat. plural neutro (útrãvis, útrãque).

- Neuter, neutra, neutrum = ninguém (entre dois), nenhum (entre dois) : Nentram. in
partem, em nenhum dos dois sentidos; neuter illorum, nenhum dos dois (ninguém deles
dois).

- Uterque, utrăque, utruntque = um e outro, ambos: Ita, est utrãqite reg debibs assim
uma e outra coisa é ineficaz (ambas as coisas,são ineficazes) ; hi utrique estes dois.

- Alterfiler, alteriátra, alterútrum = um ou outro (dos dois) : Si in, allerŭtro peccare,


oportet, malo videri nimis timidus, quam, parum prudens, se é preciso faltar numa ou
noutra cousa, prefiro parecer demasiadamente tímido a parecer pouco prudente;
alteruter consul, um ou outro cônsul.

OUTROS INDEFINIDOS

- OUTRO (entre dois) traduz-se por alter, abêra, altêrum (G. alterUs ou alterius; D.
altéri, etc.) ; OUTRO (entre mais de dois) traduz-se por aflus, alia, aliud (G. alius e, mais
freqüentemente, alterius; D. alii; Ac. alium, aliam, aflud, etc.).

Obs. - Alter pode significar também um (dos dois) ou segundo (entre dois ou mais) :
Consulum alter um dos (dois) cônsules; próximo, altero, tertio, reliquis consecútis diebus
no dia imediato, no segundo, no terceiro e em todos os dias seguintes.

- NINGUÉM (entre dois) traduz-se por neuter; NINGUÉM (entre mais de dois) traduz-se
por nemo, que se declina assim: N.: Nemo; G.: nulUits; D.: nemini; Ao.: nemínem; Ab.:
nullo.

Obs. - a) Deve-se usar nemo (não nullus) para traduzir a palavra "nenhum", que
modifique um adjetivo substantivado: Nenhum mortal, mortalis nemo.

h) Pode-se usar nullus ou nemo para traduzir a palavra "nenhum" que modifique
um nome de pessoa: Nenhum tribuno, nulius tribunus ; nenhum homem eu vi, hominem
vidi neminera .

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E.I.E. Caminhos da Tradição 186

NADA traduz so. por nihil(n.), que se declina assim:

N. nihil nada
G. nullīus rei de nada
D. nullī rei nada
Ac. nihil nada
Ab. nulla re por nada

Obs. - a) Nil é forma poética de nihil.

h) Níhilum (nada) só tem estas formas: níhili (G), níhilum (Ac.), níhilo (Abl.).
PRONOMES NEUTROS

Todos os pronomes neutros substantivos (hoc, isto; istud, isso; id,illud, aquilo; idem, a
mesma coisa, o mesmo; quod, o que, aquilo que; quid? o quê? aliquid, quidpiam,
quidquam, algo, alguma coisa; quidque, unumquídque, cada coisa; quiddam certa coisa;
quídvis, quidlibet, quodeumque, qualquer cousa) podem declinar-se de maneira; análoga a
nihil isto é, unindo a palavra res (coisa) ao genit., dat. e abl. do pronome adjetivo cor-
respondente. Exs.:

N. aliquid = algo; G. alicuius rei (melhor do que simplesmente alicuius) = de algo; D.


alicui rei (melhor do que simplesmente alicui) = a algo; Ac. aliquid = algo; Ab. aliqua re
(melhor do que simplesmente aliquo) = por algo.

N. quid? o quê? G. cuius rei (melhor do que simplesmente cuius) - de quê ? D. cui rei
(melhor do que simplesmente cui) = a quê? Ac. quid? o quê? Ab. qua re (melhor do que
simplesmente quo) = por quê?

Obs. - "Tudo" traduz-se por omnia (neutro pl); "de tudo" (adjunto restritivo) por
omnium rerum; "a tudo" (obj. ind.) por omníbus rebus, etc.

A PALAVRA res (coisa)

- Muitas vezes para traduzir em português certos pronomes (ou adjetivos) neutros é
preciso recorrer à palavra cousa ou a outro substantivo conveniente. Isso é comum, quando
o pronome (ou o adjetivo) latino estiver no notuinat., acusat., ou vocat.; é raro em outros
casos:

Mucius multa de Laelio narrare solebat, Múcio soía contar muitas coisas (muitos
episódios) a respeito de Lélio; illa nimis anfiqua prae. Tereo, omito aquelas cousas por
demais antigas (os fatos por demais antigos); memoria practeritorum (raro, em vez de
pracieritarum rerum) lembrança das coisas passadas (dos acontecimentos passados).

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E.I.E. Caminhos da Tradição 187

"Há quase vinte anos que me ocupo de processos que têm por objeto questões de
eletricidade, de mecânica, de física, com suas aplicações industriais... ; minha opinião é
que a educação clássica, baseada no estudo do grego e do latim, prepara melhor para um
bom êxito neste ramo especial da profissão jurídica, do que um curso de estudos
principalmente científicos"!

(Mr. Cooper, notável advogado técnico americano)

Apêndice à morfologia dos pronomes

- Sufixos reforçativos

a) O pronome tu reforça-se com a partícula te: Tute, tu mesmo.

b) Os outros casos do pronome tu e muitas formas dos outros pronomes pessoais


(menos nostrum e vestrum) podem ser reforçadas pelo sufixo -met: Tibĭmet, a ti mesmo;
egŏmet, eu mesmo; suīmet, de si mesmo; meīmet, de mim mesmo, etc.

e) Às vezes acrescenta-se ipse: Egontet ipse ou egometipse, eu rnesmo; vobismetipsis,


a vós mesmos, etc.

d) Me, te, se reforçam-se, por vezes, duplicando-se: Meme, tete, sese.

- Os pronomes possessivos podem ser reforçados em todos os casos (exceto no genit.)


pelo sufixo -met: Suantet, tuismet, etc.

No abl. sitig. pode-se usar o sufixo -pte: Meapte matitia, por minha própria
maldáde.

- O pronome hie pode ser reforçado pelo sufixo -ce, especialmente nas formas
terminadas em s: Muiusce, deste (mesmo)
hosce, estes (mesmos), ete.

Obs. - Nem sempre o sufixo reforçativo deve ser traduzido em português: In montem
sese recéperant retiraram-se para o monte; hisce omínibus com êstes agouros.

- Formas especiais

a) 1. Quando for preciso acrescentar a partícula interrogativa -ne a uma forma do


pronome hie terminada em e, será bom inserir um i ou um ci: Porventura este? Meine ou
Mecine, (melhor do que hiene).

2. O nominat. fem. plural de hic pode ser também haec. b) Além de istudpode-se
encontrar também istue .

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E.I.E. Caminhos da Tradição 188

c) O nominat. plural masc. de is,ea,id e de idem,cadem,idem pode ser também


respectivamente ei ou i, eidem ou idem; o dat. e ald. plural nos três gêneros pode ser
também respectivamente eis ou is, eisdem ou isdem.

d) 1. No dat. e abl. plural de qui,qu~e,quod encontra-se também queis ou quis.

2. A prep. cum, qliándo unida ao pronome relativo, pode-se pospor: Cum quo ou
quocum; cuíà qua ou quacum, cum quibus ou quibuscum .

3. Em lugar de quocum encontra-se também quicum .

e) Às vezes se encontra quis em vez de quw (rrominat, sing. fem. do pronome


interrogat.: Quem é aquela? quis ea est ?

f) Em lugar de afiquis (pronome adjetivo) encontra-se também áliqui: aliqui terror


algum terror.

- Compostos de QUIS interrogativo

a) Quisnam, quinam; quaenam; quidnam, quodnam (G. euiusnam; D. cuinam, etc.)


é o pronome quis reforçado pelo sufixo -nam: Quisnam est iste tam demens quem é esse tão
insensato? Quovam animo com que disposição?

b) Ecquis (pron. subst. e adjetivo: porventura alguém, porventura algum), cequi (pron.
adjetivo: porventura algum) ; cequac (pron. subst. e adjet.: porventura alguma) ; ecqua
(pron. adjet.: porve,ntura alguma) ; ecquid (pron. subst.: porventura algo), ecquod (pron.
adjet. neutro: porventura algum) : Ecquis me vivit fortavatior por-ventura alguém -vive
mais feliz do que eu? Ecqui pudor est? ecquae religio, Verres, Verres, existe por acaso,
(em ti) algum pudor, algum escrúpulo? Ecquem Caesare aeriorem audisti por acaso
ouviste (falar de) alguém mais ativo do que César?

Obs. - a) Nas interrogações indiretas, esse pronome traduz-se por "Se alguém, se algum,
etc.": Prospectans ecquod auxilium ab dictatore apparéret, olhando de longe se o ditador
trazia algum auxílio.. .

b) Esse pronome se encontra somente nas formas em que o acento permanece na


silaba ec.

- Tanto e quanto

a) As expressões "tão grande" e "quão grande" traduzem-se por tantus, a, um e


quantus, a, um: Tão grande bondade, lenítas tanta ; quão grande autoridade, quanta
auctoritas .

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E.I.E. Caminhos da Tradição 189

Obs. - Por vezes quantus, correlacionado com tantus, não se traduz por "quão grande":
Amicitia tantas opportunitates habet, quantas vix queo dicere a amizade tem tão grandes
vantagens que (quantas) dificilmente posso dizer.

b) Os adjetivos plurais tantos (tantas) e quantas (quantas) traduzem-se


respectivamente por tot e quot (invariáveis) ou por tam multi, ae, a e quam multi, ae, a:
As causas (judiciais serão) tantas, quantos (forem) os indivíduos, quot homines, tot causae;
quantos poriam empecilhos à tua clemência, quam multi impedirent cIeMentiam tuam !

c) Os adjetivos tanto e quanto (no sing.) tornam-se substantivos neutros invariáveis


(tantunt. e quantunt) e o substantivo por eles modificado coloca-se no genit.: Tanto
desejo, tantum studii; disto se pode aquilatar quanto bem haja na amizade, ex quo, quantum
botti sit in amicitia, iudicarb potest; quanta autoridade, quantum auctoritatis !

Obs. - Poder-se-ia também traduzir literalmente: Tantum studium, quantum, bonum,


quanta auctoritas.

d) Os advérbios tanto (tão) e quanto (quão) traduzem-se respectivamente por:

1. Tam e quam, quando modificam adjetivos ou advérbios em grau normal: Tantas, tão
grandes e tão importantes cidades, tot et tantas et tam. graves civitates; disto se pode
compreender quanto sejam vagarosos os que ... quam sint morosi qui.. . ex hoe intélligi
potest ; tão facilmente tara fácile .

2. Tanto ou eo, quanto ou quo, quando modificam adjetivos ou advérbios em grau


comparativo: Quanto mais duro era o ataque, tanto mais freqüentes cartas eram enviadas,
quanto (ou quo) erat gravior oppugnatio, tanto (ou eo) crebrióres lítterac mittebantur;
quanto mais cedo, tanto melhor, quanto citius, tanto melius.

3. Tantum (raro Iam) e quantum (raro quam), quando modificam verbos: É inerível
quanto eu escreva, credíbile non est quantum scribam; o rei tanto se deixou persuadir pela
autoridade dele, que... rex tantum auctoritate cius motus est, ut... ; quanto eu desejaria que
tu te tivesses inclinado para os estóicos, quam vellem te ad Stoicos inclinavisses.

- Compostos de QUANTUS

a) Quantuseumque, quantacumque, quantumcumque; quantuslĭbet, quantalibet,


quantumlibet; quantusvis, quantãvis, quantumvis = ainda que grande, por grande que
(seja), tão grande (quanto possa ser) : Totum hoe quantumeumque est, est tuitm tudo isso,
ainda que grande (por grande que seja), é teu; cluantasvis copias Germanorum sustinēri
posse docebant - provavam que era possível resistir às tropas dos germanos ainda que
grandes (fôssem quantas fossem).
b) Quantuluseumque (ainda que pequeno, por pequeno que seja) é diminutivo de
quantuscumque; quantulus, (quão pequeno) é diminutivo de quantus: Sol quantulus nobis
vidētur - o sol quão pequeno nos parece!

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E.I.E. Caminhos da Tradição 190

- Qualis e qualiscumque

a) Qualis, e = qual, de que espécie: qualis esset natura montis, qui cognóscerent misit
mandou (exploradores) que indagassem qual era o aspecto da montanha.

b) Qualiscumque, qualecumque = qualquer (que), de qualquer espécie: Homines


benevolos, qualescumque sunt, grave est ínsequi contuméliā - é duro injuriar os homens
benévolos de qualquer espécie eles sejam (sejam eles quais forem).

- Quotus e quotusquisque

a) Quotus, a, um = qual, de que número, em que número (em que posição) : Quota
hora est? que hora é? quotus esse vis? qual queres ser (primeiro, segundo, etc.) ?

h) Quotusquisque; quotaquaeque; quotumquidque, quotumquodque (inusitado no


pl.; raro fora do nominat. sing.) quão poucos: Quotusquísque iuris peritits est - quão
poucos sãos os juristas!

- Compostos de QUOT

a) Quótquot e quoteumque (invariáveis) significam "todos os que": Si leges duae, aut


si plures, aut quotquot erunt - se duas leis, ou mais, ou todas as que houver (quantas
houver) ...

b) Aliquot (adjetivo invariável) é sinónimo do plural de aliquis - Accépi úliquot epístulas


recebi algumas cartas.

"Só o latim, esse latim de que os estudantes fogem como de uma coisa negregada, nos
garante uma boa sintaxe, nos permite evitar as impropriedades, conservar às palavras o
seu verdadeiro significado, aproximando-as de sua verdadeira significação etimológica,
como faziam os clássicos de nossa literatura que alimentaram o seu espírito com forte
seiva latina".

(Mário Barreto, notável filólogo brasileiro)

Morfologia dos verbos

- Generalidades

As conjugações em latim são quatro e se distinguem pela terminação do infinit.


presente, que é -āre (amāre) para a 1ª conjugação; -ēre (delēre) para a 2ª -ěre (legěre) para
a 3ª; īre (audīre) para a 4ª.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 191

Obs. - Aconselhamos que se decore com a maior exatidão todo o verbo amare; depois
estude a teoria das formas primitivas e da formação dos tempos; em seguida, por meio do
exame das desinências e terminações note a grande semelhança entre as quatro
conjugações.

Antes de iniciar o verbo delere, estudem-se os principais verbos irregulares da 1ª


conjugação e com eles se faça o maior número possível de exercícios de flexão.

Primeira Conjugação Ativa:

Primeira Conjugação Passiva

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E.I.E. Caminhos da Tradição 192

Segunda Conjugação Ativa

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E.I.E. Caminhos da Tradição 193

Segunda Conjugação Passiva

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Terceira Conjugação Ativa

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E.I.E. Caminhos da Tradição 195

Terceira Conjugação Passiva

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E.I.E. Caminhos da Tradição 196

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Quarta Conjugação Passiva

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E.I.E. Caminhos da Tradição 198

MODOS E TEMPOS

O indicativo, o subjuntivo e o imperativo chamam-se modos finitos; os infinitivos, os


particípios, o gerúndio e os supinos chamam-se modos indefinidos ou formas nominais do
verbo.

Obs. 1.* - a) Em latim não há condicional; o condicional simples futuro do pretérito


simples) traduz-se, em geral, pelo imperf. do subjuntivo (Amarias = amares), e o
condicional composto (= futuro do pretérito composto) traduz-se, em geral, pelo mais que
perfeito do subjuntivo (Terias sido amado = amatus esses).

h) O imperativo futuro latino, nas segundas pessoas, traduz-se em geral, pelo


imperat. presente; nas terceiras pessoas traduz-se pelo subjuntivo presente, mas indica
urna ordem que se deve executar no futuro.

Obs. 2ª - O emprego exato dos modos indefinidos só poderá ser explicado na sintaxe.

Os TEMPOS em latim são seis: Presente, imperfeito (ou pretérito imperfeito), futuro 1°
(ou fut. do presente simples), perfeito (ou pret. perf.), mais que perfeito (ou pret. mais que
perf.), futuro 2.1 (ou futuro do presente composto).

obs. - a) O perfeito e o mais que perfeito latinos correspondem. Também


respectivamente ao perf. e ao mais que perf. compostos do português: Amavi amei ou tenho
amado; arnaveras = amaras ou tinhas amado.

b) Os futuros 1° e 2° (= fut. do pres. simples e composto) do subjuntivo,


traduzem-se em latim, geralmente, pelo futuro 1° e 2° do indicativo: Se me amares, si me
amabis; se me tiveres amado, si me amaveris.

IMPORTANTE - O presente, o imperfeito e o futuro 1° chamam-se tempos do


"INFECTUM", isto é, tempos da ação incompleta; o.perf., o mais que perf. e o fut. 2°
chamam-se tempos do "PERFECTUM", isto é, tempos da ação completa.

Formas primitivas

a) O infinit. presente, o perfeito do indicativo e o supino chamam-se FORMAS


PRIMITIVAS, porque da parte invariável deles derivam todos os tempos.

Por isso os dicionários para cada verbo, além da 1ª e 2ª pessoa singular do presente do
indicativo, costumam acrescentar também à 1ª pess. sing. do perfeito do indicat., o supino e
o infinit. presente: Domo, domas, domŭi, domĭtum, domare amansar; veto, vetas, vetŭi,
vetĭtum, vetare proibir, etc.

b) Para conhecer a parte invariável do infinit. presente, tira-se (do infinit. pres.) a
terminação -āre, ou -ēre, ou -ĕre, ou -ĭre .

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E.I.E. Caminhos da Tradição 199

Para conhecer a parte invariável do perfeito do indicat., tira-se da 1ª pessoa (do perf .) a
terminação -i. Assim domu será a parte invariável do perf. do verbo domare; vetu- será a
parte invariável do perf. do verbo vetare, etc.

Para conhecer a parte invariável do supino, tira-se (do supino) a terminação -um. Assim
domit- será a parte invariável do supino de domare, vetit- de vetare, etc.

Formação dos tempos

a) Da parte invariável do INFINIT. PRESENTE formam-se:

1. O presente, o imperfeito e o futuro 1° do indicativo (ativo e passivo) : Vet-o e vet-or,


vet-abam e vet-abar, vet-abo e vet-abor, etc.

2. O presente e o imperfeito do subjuntivo (ativo e passivo) : Vet-em e vet-er, vet-a,rem


e vet-arer, etc.

3. O presente e o futuro do imperativo (ativo e passivo) : Vet-a e vet-are, vet-ato, etc.

4. O próprio infinit. presente (ativo e passivo:) Vet-are e vet-ari.

5. O particípio presente, o gerúndio e o particípio futuro passivo (o qual se pode


chamar também GERUNDIVO): Vet-ans, vet-andi, tet-andus.

b) Da parte invariável do PERFEITO do indicativo formam-se:

1. O próprio perfeito, o mais que perf. e o futuro 2° do indicativo ATIVO: Vetu-i,


vetú-erain, vetú-ero.

2. O perf. e o mais que perf. do subjuntivo ATIVO: Vetúerim, vetu -issem.

3. O infinit. perfeito ATIVO: Vetu-isse.

e) Da parte invariável do SUPINO formam-se todos os outros tempos, isto é:

1. O supino passivo.

2. O particípio perfeito (ou particípio passado) e todos os tempos que constam do part.
perf. unido ao verbo ESSE (Perf., mais que perf. e futuro 2° do indicat. PASSIVO; perf. e
mais que perf. do subjuntivo PASSIVO; infinit. perf. PASSIVO).

3. O infinit. futuro PASSIVO, que consta do supino ativo e da forma invariável iri.

4. O part. futuro ATIVO e o infinif. futuro ATIVO, que consta do particípio futuro
ativo unido ao verbo esse.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 200

Obs. - Alguns particípios futuros ativos se formam irregularmente* Adnuiturus, de


adnuere (recusar), supino: adnutum; invaturus de iuvare (ajudar), supino: iutum; secaturus
de secare (cortar), supino: sectam, etc.

O infinit. futuro ativo depende do part. fut. ativo; deveremos, portanto, dizer
iuvaturum esse e não iuturum esse, etc.

- Desinências

Note-se que em latim as várias pessoas do verbo têm desinências quase sempre
IDÊNTICAS, EM TODAS as conjugações, no INDICATIVO E SUBJUNTIVO:
SINGULAR PLURAL
ATIVO PASSIVO ATIVO PASSIVO

1.a pessoa -m -r -mus -mur


2.a pessoa -s -ris -tis -mini
3.1 pessoa -t -tur -nt -ntur

Obs. - a) A desinência da 1ª pessoa sing. é sempre -o no presente do indicativo; na 1ª


pessoa sing. do futuro 1° do indicativo ativo a desinência é -O somente na 1ª. 2ª
conjugação: Amabo, delebo.

b) O perfeito do indicat. ativo e o imperativo ativo e passivo têm desinências


especiais.

c) A 2ª pessoa sing. do imperativo PASSIVO é idêntica ao infinit. presente


ATIVO; a 2.a pessoa sing. do imperat. pres. ATIVO é igual ao infinit. presente ativo sem a
desinência. -re.

d) Para formar o imperf. do subj. ativo e passivo basta acrescentar, ao infinit.


pres. ativo as desinências -m, -s, -t, etc.

e) Fora da 1.' pess. sing., o perf. do subj. é idêntico ao fut. 2° do indicativo.

Desinências e terminações nos verbos (1)

a) Nos tempos derivados do INFINIT. PRESENTE as desinências, em geral, são


idênticas nas quatro conjugacões; as terminações, porém, costumam ser diferentes:
Am-ant, del-ent, leg-unt, aud-iunt. Todas essas formas têm a desinência -nt, mas as
terminações são -ant, -ent, -unt, -.iunt.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 201

b) Nos tempos derivados do PERFEITO e do SUPINO, não só as desinências mas


também as terminações de uma mesma: pessoa num determinado tempo são SEMPRE
absolutamente IDÊNTICAS em TODAS as conjugações: Amav-isti, delev-isti, leg-isti,
audiv-isti, etc.

Posto isso, podemos dizer que, para os tempos derivados do INFINIT. PRESENTE, em
1atim há quatro conjugações semelhantes; para os tempos derivados do PERFEITO e do
SUPINO há UMA CONJUGAÇÃO só.

LISTA DOS PRINCIPAIS VERBOS

QUE TEM O PERFEITO E O SUPINO IRREGULARES (2)

- Os verbos irregulares latinos dividem-se em quatro classes:

a) Verbos que têm o perfeito e o supino diferentes do perfeito e do supino do


paradigma. Assim pertencerão a esta classe os verbos da 1ª conjugação, cujos perfeitos e
supinos hão terminarem respectivamente em -avi e -atum.

b) Verbos irregulares propriamente ditos


c) Verbos defectivos
d) Verbos impessoais

(1) Por terminação entendemos o conjunto das LETRAS MÓVEIS que se acren-
centam A parte invariável do uma forma primitiva para obter os tempos e as pessoas; por
desinência entendemos as letras finais que distinguem urna pessoa da outra.
(2) a) Nesta lista de verbos irregulares simples colocaremos também algum verbo
composto, especialmente quando isto servir para salientar a quantidade da penúltima sílaba
do verbo simples.
b) Os verbos não estão agrupados em ordem alfabética, mas de acordo com as letras
finais do perf. e do supino.
C) A tradução portuguesa será quase sempre no infinit., embora o verbo latino
esteja no pres. do indicat.
r,-go.q v"r ~>oR f(;rnf,j coloendro; principalmente para crercírio fio fleirAO P
pnra (,onh2< itin-ii r o do I.,xico atino,

Terceira conjugação (1)

a) Perf. em –si, supino em -tum

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E.I.E. Caminhos da Tradição 202

carpo, is, carpsi, carptam, carpere - colher, pastar


cingo, is, cinxi, cinetum, cingere - cingir
como, is, compsi, comptum, comere - pentear
contemno, is, contempsi, contemptum, comtemnere - desprezar, de termno (desusado)
coquo, is, coxi, coetum, coquere - cozinhar
cóncoquo, cóncoquis, concoxi, concoctum, concóquere cozinhar; digerir (2)
demo, is, dempsi, demptum, démere - tirar
dico, is, dixi, dietum, dicere - dizer
indíco, is, indixi, indictum, indicer e- intimar
duco, is, duxi, ductum, dúcere - conduzir; avaliar
conduo, is, conduxi, conductum, conducere - alugar
extínguo, is, extinxi, extinctum, extinguere - apagar (2)
fingo, is, finxi, fictum (sem n), fingere - formar, forjar
gero, is, gessi, gestum, gerere - levar, executar
congéro, is, congéssi, congestum, congerere - amontoar

OBS.:

(1) Costuma-se dizer que os verbos desta conjugação são todos


IRREGULARES.
(2) Composto de stinguo (inusitado); o u, depois do ng e antes de vogal, é
consoante por isso pronunciamos Extínguere e não extingúere, etc.

infligo, is, inflixi, inflictum, infligere - infligir (3)


iungo, is, iunxi, iunetum, iungere - juntar
nubo, is, nupsi, nuptum, núbere - casar-se (4)
pingo, is, pinxi, pictum (sem n), pingere - pintar
plango, is, planxi, planetum, plangere, bater (no peito em sinal de dor),planger promo, is,
prompsi, promptum, promere - tirar
depromo, is, deprompsi, depromptum, depromere - extrair
rego is, rexi, rectum, régere - reger
dirígo, is, dirêxi, directum, dirigere - dirigir
surgo (de surrigo), is, surrexi, surrectum, surgere surgir, levantar-se r
epo, is, repsi, reptum, répere - rastejar
irrépo, is, irrepsi, irreptum, irrepere - introduzir-se (sorrateiramente)
scalpo, is, sealpsi, sealptum, sealpere - raspar, esculpir
sculpo, is, seulpsi, seuiptum, seulpere - esculpir
seribo, is, seripsi, seripturn, seribere - escrever
inscrilbo, is, inscripsi, inscriptum, inscribere escrever (em), intitular
stringo, is, strinxi, strictum (sem n), stringere - apertar
struo, struis, struxi, struetum, struere - construir
instrúo, instruis, instruxi, instructum, instruere - pôr em ordem; instruir
sugo, is, suxi, suctum, súgere - sugar, chupar
tego, is, texi, tectum, tégere - cobrir
protégo, is, protéxi, protectum, protegere - proteger

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E.I.E. Caminhos da Tradição 203

tingo, is, tinxi, tinctum, tingere - tingir


traho, trahis, traxi, tractum, trahere, arrastar
contraho, contrahis, contraxi contractum, contrahere - recolher, contrair
ungo, is, unxi, unetum, ungere ungir
uro, is, ussi, ustum, úrere queimar
comburo, is, combussi, combustum, comburere queimar (tr. dir.)
veho, vehis, vexi, vectum, vehere levar, carregar
inveho, invehis, invexi, invectum, invehere arrastar; invectivar
vivo, is, vixi, victum, vívere viver

OBS.:

(3) São assim as formas primitivas de todos os compostos do verbo inusitado fligere; porém
proflígare (desbaratar) é regular da primeira.

(4) Nubere, apesar de tr. indir., tem part. perf.: Nupta Coesari = casada com César. - Nubere
traduz-se mais propriamente Por "receber como esposo"; "receber como esposa" se diz
uxorem ducere: Cícero cascu-se com Terência (recebeu, T. como esposa) = Cicero
Terentiam uxorem duxit.

b) Perf. em -si, supino em -sum

cedo, is, cessi, cessum, cédere - retirar-se; ceder


concédo, is, concessi, concessum, concedere - conceder
claudo, is, clausi, clausum, claudere - fechar
reclúdo, is, reclúsi, reclúsum, recludere - abrir
divido, is, divisi, diviisum, dividere - dividir
evado, is, evasi, evasum, evadere - evadir-se; vir a ser
figo, is, fixi, fixum, fligere - cravar, fixar
transfigo, is, transfixi, transfixum, transfigere – transpassar
flecto, ís, flexi, flexum, flectere - dobrar
fluo, fluis, fluxi, fluxum, fluere - escorrer, manar, fluir
influo, inflúis, inflúxi, influxum, influere - correr para, desaguar
laedo, is, laesi, laesuni, laedere, ferir, lesar
elido, is, elisi, elisum, elidere - elidir
ludo, is, lusi, lusum, lúdere - brincar, jogar
illudo, is, illusi, illusum, illudere - zombar de, iludir
mergo, is, mersi, mersum, mergere - mergulhar (tr.)
mitto, is, misi, missum, mittere - enviar, meter
necto, is, nexi (ou nexui), nexum, nectere, ligar
pecto, is, pexi, pexum, pectere - pentear
plaudo, is, plausi, plausum, plandere - aplaudir
plecto, is, plexi, plexum, plectere - entrelaçar
premo, is, pressi, pressilirri, prémere - comprimir
comprímo, is, compressi, compressum, comprimere - comprimir
rado, is, rasi, rasum, radere – raspar

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E.I.E. Caminhos da Tradição 204

rodo, is, rasi, rasum, radere - roer


spargo, is, sparsi, sparsum, spargere espalhar
dispergo, is, dispersi, dispersum, dispergere dispersar
trudo, is, trusi, trusum, trudere - impelir
detrudo, is, detrusi, detrusum, detrudere - precipitar

c) Perf. em -i, supino em -tum

ago, is, egi, actum, ágere - impelir; tratar de (sobre)


perãgo, is, perégi, peractum, peragere - executar
subígo, is, subégi, subactum, subigere - submeter
cogo (de co-ago), is, coegi, coactum, cogere - reunir; constranger
bibo, is, bibi, bibítum (raro), bíbere - beber
imbíbo. is, imbibi, (sem sup.). imbibere - embeber
emo, is, emi, emptum, emere - comprar
coemo, is, coemi, coemptum, coemere - comprar (juntamente)
redímo, is, redémi, redemptum, redimere - redimir (comprar de novo)
frango, is, frégi, fractum, frangere - quebrar
confringo, is, confrégi, confractum, confringere - quebrar
ico, icis, ici, ictum, icere - bater, ferir
lego, is, legi, lectum, lègere recolher, escolher, ler
relego, is, relegi, relectum, relegere recolher de novo, reler
delígo, deligis, delegi, dilectum, deligere - escolher, recrutar
diligo, diligis, dilexi, dilectum, diligere - amar
intellego, (ou intelligo), is, intellexi, intellectum, intellegere - compreender
linquo, is, liqui (sem n), lictum, línquere - deixar
relinquo, is, reliqui, relictum, relínquere -
abandonar rumpo, is, rupi (sem m), ruptum, rampere - romper, quebrar, rasgar corrumpo, is,
corrupi, corruptum, corrumpere - corromper
vinco, is, vici (sem n), victum, vincere - vencer

d) Perf. em -i, supino em -sum

accendo, is, accendi, accensum, accendere - acender


defendo, is, defendi, defensum, defendere - defender
edo, is, edi, esum, edere - comer
comedo, is, comedi, comesum, comedere - comer
Obs. - Este verbo, além da conjugação comum, tem umas formas sincopadas,
semelhantes (não iguais) às do verbo esse: ēs além de edis; est além de edit; estis além de
éditis; es, este, esto, além de ede, édite, édito; esse além de edere; essem, esses, esset,
essémus, essétis, essent, além de éderem, ederes, etc.; estur além de éditur; essetur além de
ederetur. - De comedere temos também comest (cómedit), comesset (comederet), comesse
(comedere).
cudo, is, (cudi, cusum), cudere - cunhar
excudo, is, excudi, excusum, excudere - tirar de (fabricando)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 205

findo, is, fídi (sem n), fissum, findere - fender


diffindo, is, diffidi (note-se a quantidade), diffissum, diffindere fender
fundo, ia, fidi (sem n), fusum, fundere derramar - fundir
mando, is, mandi, mansum, mandere - mastigar
pando, is, pandi, pansum ou passum, pandere - estender, abrir; revelar
percello, is, perculli, perculsum, percellere - bater, derrubar
prehendo, is, prehendi, prebensum, prehendere - prender
scando, is, scandi, scansum, seandere - subir; escandir
descendo, is, descendi, descensum, descendere - descer
seindo, is, scidi, scissum, scindere - cindir, rasgar
rescindo, is, rescidi, (quantidade!), rescissum, rescindere rescindir, cortar
vello, is, velli (ou vulsi), vulsum, vellere arrancar
verro, is, verri, versum, verrere - varrer
verto, is, verti, versum, vertere - verter, virar
viso, is, vísi, visum, visere - visitar
reviso, is, revisi, revisum, revisere visitar (de novo)

e) Perf. em -ŭi, supino em -tum

accumbo, is, accubui (sem m), accubítum, accumbere (composto de cubare) deitar-se (junto
de)
alo, is, alui, altum, aere, alimentar
colo, is, colui, cultum, colere - cultivar, cultuar
recolo, is, recolui, recultum, recolere - cultivar de novo; recordar
consulo, is, consului, consultum, consulere - consultar
fremo, is, fremui, fremitum, fremere, /remir, fazer ruído
infrémo, is, infremui, infremítum,,infremere bramir, enfurecer-se
gemo, is, gemui, gemitum, gemere - gemer
ingemo, is, ingemui, (sem supino), ingemere gemer
gigno, is, genui, genitum, gignere - gerar, produzir
molo, is, molui, molítum, melere - moer
occúlo, is, occului, occultum, occulere - ocultar
pono, is, posui, positum, ponere - pôr
dispono, is, dísposui, dispositum, disponere - dispor
sero, is, serui, sertum, sérere - entrelaçar
dissêro, is, disserui, dissertum, disserere - dissertar
strepo, is, strepui, strepitum, strepere - fazer estrépito
bstrepo, is, obstrepui, obstrepítum, obstrepere fazer estrépito (diante de)
texo, is, texui, textam, texere - tecer
vomo, is, vomui, vomitum, vomere - vomitar
evomo, is, evomui, evomitum, evomere - vomitar

f) Perf. em -vi, supino em -tum

arcesso, is, arcessivi, arcessitum, arcessere - chamar, mandar vir


incesso, is, incessivi, (sem supino), incessere – atacar
cerno, is, crevi, crétum, cernere - separar, ver claramente

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E.I.E. Caminhos da Tradição 206

decerno, is, decrevi, decrétum, decernere decretar - combater


peto, is, petivi, petitum, petere, pedir; atacar; dirigir-se para
appeto, is, appetívi, appetítum, appetere desejar
lino, is, livi ou levi, ríturn, línere (poético) – untar
oblíno, is, oblévi, oblítunI, oblinere - untar
quaero, is, quaesivi, quaesítum, quaerere - procurar, perguntar
inquiro, is, inquisívi, inquisitum, inquirere - inquirir, investigar
sero, is, sevi, satum, serere semear, plantar
conséro, is, consevi, consitum, conserere - semear, plantar
sino, is, sivi, sítum (raro), sínere - permitir
desino, is, desívi (ou desíi), desítum, desinere - cessar (de)
sperno, is, sprevi, spretum, spernere - desprezar
sterno, is, stravi, straturn, sternere – estender derrubar
prosterno, is, prostrúvi, prostratum, prosternere - prostrar, derrubar
tero, is, trivi, tritum terere - esfregar, esmagar
contero, is, contrivi, contritum, conterere - triturar

g) Perf. com reduplicação e supino em -sum (1)

cado, is, cecidi, casum, cadere - cair


concido, is, concídi, (sem sup.) concidere - cair
occido, is, occidi, occasum, occidere - pôr-se (com relação aos astros)
caedo, is, cecídi, (notar a quantidade e o desaparecimento do ditongo), caesum, caedere -
cortar, matar
concido, is, concidi, concisum, concidere - cortar
occido, is, occídi, occasum, occidere - matar
curro, is, cucurri, cursum, currere - correr
decurro, is, decurri (ou decucurri), decursum, decurrere correr (descendo)
fallo, is, fefelli, falsum, fallere - enganar
refello, is, (sem perf. nem sup.), refellere - refutar
parco, is, peperci, parsum (raro), parcere - poupar, perdoar
pello, is, pepúli, pulsum, pellere - repelir
appello, is, appúli, appulsum, appellere - dirigir (para)
pendo, is, pependi, pensum, pendere - pesar, pagar
impendo, is, impendi, impensum, impendere - gastar
tendo, is, tetendi, tensum ou tentum, tendere - estender
attendo, is, attendi, attentum, attendere - prestar atenção a
ostendo, is, ostendi, ostentum ou ostensum, ostendere - mostrar
tundo, is, tutudi, tunsum ou tusum, tundere - bater
contundo, is, contúdi (quantidade!), contúsum, contundere - esmagar, contundir

(1) Os verbos compostos, em geral, NÃO têm reduplicação.

h) Perf. com reduplicação e supino em -tum

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E.I.E. Caminhos da Tradição 207

abdo, is, abdidi, abdituim, abdere (composto de dare) – esconder


cano, is, cecini, cantum, canere - cantar, tocar
concino, is, concinui, concentum (raro), concinere - cantar (juntamente)
pango, is, pepigi, pactum, pangere espetar; celebrar
compingo, is, compegi, compactum, compingere - juntar, compor
pango, is, pupúgi, punctum, pungere picar, pungir
dispungo, is, dispunxi, dispunctum, dispungere - distinguir (por meio de pontos) tango, is,
tetigi, tacturn, tangere - tocar
attingo, is, attigi (quantidade!), attactum, attingere - tocar, atingir

i) Perf. com reduplicação, sem supino

disco, discis, didici, discere - aprender


dedisco, dediscis, dedídici, dediscere - degaprender
posco, poscis, poposci, poscere - pedir
Reposco, reposcis, (sem perf.), reposcere - exigir
sisto, sistis, steti ou stiti, sistere - impedir de avançar, parar (tr. dir.)
consisto, is, constiti (quantidade!), consistere - parar (intr), consistir

j) Pres. em -sco, perf. em -vi, supino em -tum

cresco, crescis, crévi, (créturn), crescere - crescer


nosco, noscis, novi, notum, noscere - começar a conhecer
agnosco, agnoscis, agnovi, agnitum (quantidade!), agnoscere - reconhecer cognosco,
cognoscis, cognovi, cognitum, cognoscere - conhecer
ignosco, ignoscis, ignovi, ignotum, ignoscere - perdoar
pasco, pascis, pavi, pastum, pascere - apascentar
quiesco, quiescis, quievi, quietum, quiescere - descansar
scisco, seiscis, seivi, scitum, seiscere – procurar, saber
adscisco, adsciscis, adscivi, adscitum, adsciscere - chamar a si, admitir
suesco, suescis, suevi, suetum, suescere - acostumar-se

Obs. - Os verbos, cujo presente do indicat. termina em sco, são chamados


incoativos, porque, em geral, indicam comêço de ação (Inchoare = começar). Muitos desses
incoativos derivam de verbos da 2ª conjug. (exardesco de ardeo, illucesco de luceo, etc.) ou
de algum nome (inveterasco de vetas, induresco de durus, etc.) e, em geral, carecem do
supino: Adolesco, adolevi, tornar-se adolescente, crescer; coalesco, coalui crescer
juntamente; compesco, compescui reprimir; consenesco, consenui envelhecer; conticesco,
conticui calar-se; convalesco, convalui convalescer; crebresco ou crebesco, crebui tornar-se
freqüente; eflloresco, efflorui florescer; evanesco, evanui – esvair-se horresco, horrui
ter horror (de); íngemisco, ingemui gemer; inveterasco, inveteravi, envelhecer; langúesco,
langui tornar-se lânguido; maturesco, maturui amadurecer; obdormisco, obdormivi
adormecer; obmutesco, obmutui emudecer; obsolesco, obsolevi cair em desuso; pertimesco,
pertimui recear (muito) ; revivisco, revixi, reviver, etc.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 208

l) Pres. em -uo, perf. em -ui, supino em -utum.

acuo, is, acui, acutum, acuere (1) - aguçar


adnuo, is, adnui, adnútum (adnuiturus), adnuere anuir (composto de nuo, inusitado)
arguo, arguis, argui, argutum, (raro; usa-se accusatum), argúere - acusar, provar ruo, ruis,
rui, rutum (ruiturus), ruere - precipitar-se
diruo, diruis, dirui, dirutum, diruere - arruinar
spuo, spuis, sputum, spuere - cuspir
conspuo, conspuis, conspui (raro), consputum, conspuere - escarrar
statuo, is, statui, statutum, statuere – estabelecer
tribuo, tribuis, tribui, tributum, tribuere - atribuir
solvo, is, solvi, solutum, solvere - desatar; pagar
volvo, is, volvi, volutum, volvere - rolar; meditar

Obs. - Estes dois últimos verbos foram colocados aqui, porque os antigos romanos
escreviam soluo, solui; voluo, volui, etc.

m) Verbos que carecem do supino.


ango, is, anxi (raro), angere angustiar, afligir
luo, luis, lui, (luiturus), lucre - expiar
metuo, metuis (notar metúimus), metui, metúere temer
serpo, is, serpsi, serpere - serpear
sido, is, sedi, sidere - sentar-se, estabelecer-se, parar (2)
tremo, is, tremui, tremere - tremer
contrêmo, is, contremui, contremere - tremer

Obs. - Os seguintes verbos carecem do perf. e do supino: Antecellere e excellere ser


superior; degere (composto de agere) passar (o tempo, a vida) ; furere estar doido; hiscere
abrir-se fender-se; tambere lamber; plectere castigar ; stertere roncar; tollere levantar,
suprimir vadere ir; vergere pender, estar voltado para, etc.

(1) Note-se o acento na 1ª e 2ª pess. plural: acúimus, acuitis; argúimus, argúitis;


dirúimus, dirúitis; conspuimus, conspuitis, tribúimus etc.

(2) Os compostos têm o supino: Consído, is, consédi, consessum, considere tomar
posição.

Quarta conjugação

a) Perf. em -si, supino em -tum

farcio, farcis, farei, fartum, farcire - encher


confercio, confercis, confersi, confertum, confercire - acumular
fulcio, fulcis, fulsi, fultum, fulcire - suster
haurio, hauris, hausi, haustuin, haurire haurir, esgotar, tirar
sancio, sancis, sanxi, sancitum, sancire sancionar

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E.I.E. Caminhos da Tradição 209

sarcio, sarcis, sarsi, sartum, sarcire consertar, remendar


saepio, saepis, saepsi, saeptum, saepire, cercar
vincio, vincis, vinxi, vinctum, vincire - amarrar, vincular

Obs. - Sepelio, sépelis (sepultar) tem o supino em -tum (sepultum), mas o perf. é regular:
sepelivi; sentio (sentir, perceber) tem o perf. em -si (sensi), mas o supino termina em – sum
(sensum).

b) Perf. em -i, supino em -tum

comperio, compéris, compéri, compertum, comperire - descobrir, vir a saber


reperio, reperis, reperi ou reppéri, repertum, reperire - descobrir
venio, venis, vêni, ventam, vénire, vir, ir
ínvenio, invénis, inveni, inventum. invenire - achar

c) Perf. em -úi, supino em -tum

amicio, amícis, amicui (ou amixi), amictum, amicire - cobrir, vestir


aperio, apéris, aperui, apertum, aperire - abrir
operio, operis, operui, opertum, operire - cobrir
salio, salis, salui, saItum, salire - saltar, dançar
desilio, desilis, desilui, desultum, desilire - saltar (de)

VERBOS DEPOENTES

a) Chamam-se depoentes os verbos que têm conjugação PASSIVA e significado AT1VO:


Imítor - imito, imitaris - imitas, imitātus sum imitei, imitari imitar.

b) Entre as formas primitivas dos verbos depoentes não se dá o supino por estar implícito
no perfeito.

c) Pertencem à 1ª conjugação os verbos depoentes que no infinit. presente têm a terminação


-āri (hortāri exortar) e conjugam-se como o passivo de amare; pertencem à 2ª os verbos que
têm a terminação -ēri (verēri - temer) e conjugam-se como o passivo, de delēre; pertencem
à 4ª os que têm a terminação -īri (largīri doar) e conjugam-se como o passivo de audīre;
pertencem à 3ª todos os outros verbos depoentes e conjugam-se como o passivo de legĕre
(uti usar, quĕri queixar-se, conquĕri queixar-se, etc.).

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SUPINO ativo

para exortar para merecer para usar para doar

Hortatum meritum usum largitum

SUPINO passivo

para ser exortado para ser merecido para ser usado para ser doado
hortatu merĭtu usu largitu

- Examinando as quatro conjugações depoentes notar-se-á:

a) O gerundivo e o supino em -u têm significação passiva.

b) O infinit. futuro, o gerúndio, o particípio presente, o particípio futuro ATIVO e o


supino em -um, têm conjugação ATIVA.

c) O part. perfeito tem sentido de GERÚNDIO COMPOSTO ATIVO.

PRINCIPAIS VERBOS IRREGULARES depoentes

- Segunda conjugação (1)

fateor, fateris, fassus sum, fateri - reconhecer (as próprias faltas), proclamar
confiteor, confitéris, confessus sum, confiteri - confessar
medeor, mederis, mederi - medicar
misereor, miserēris, misertus sum, mĭsĕrēri compadecer-se
rĕor, rēris, rātus sum, rĕri - pensar
tuĕor, tuēris, tuitus sum, tuēri - olhar, proteger
vereor, verēris, veritus sum, veréri - respeitar

- Terceira conjugação

a) Verbos em -scor:

adipiscor, adipiscèris, adeptus sum, adípisci - alcançar


comminiscor, comminisceris, commentus sum, comminisci - imaginar, inventar
expergiscor, expergisce ris, experrectus sum, expergisci - acordar
irascor, irasceris, irasci - encolerizar-se

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Obs. - Irátus é adjetivo; para substituir os tempos derivados do supino no verbo irasci,
pode-se recorrer a succenseo, es, succensui, succensum, succensere (encolerizar-se, irar-se)
.

(1) Os depoentes da 1ª conjugação são TODOS regulares.

nanciscor, nancisceris, nanctus (ou nactus) sum, nancisci - alcançar


nascor, nasceris, natus sum (nasciturus), nasci - nascer
obliviscor, oblívisceris, oblitus sum, oblisvisci - esquecer
paciscor, pacisceris, pactus sum, pacisci - pactuar, contratar
proficiscor, proficisceris, profectus sum, proficisci partir, afastar-se
ulciscor, ulcisceris, ultus sum, ulcisci -vingar-se, vingar

b) Verbos em -scor, sem supino:

reminiscor, reminisceris, reminisci - recordar, recordar-se


vescor, vesceris, vesci - alimentar-se

c) Supino em TUM:

fruor, frueris, (fruitus sum), frui - usufruir


fungor, fungeris, functus sum, fungi - cumprir
loquor, loqueris, locutus sum, loqui - falar
alloquor, allóqueris, allocútus sum, álloqui - falar a, exortar
queror, quereris, questus sum, queri - lamentar, queixar-se
conqueror, conqueréris, conquestus sum, conquéri - deplorar, queixar-se muito
sequor, sequeris, secutus sum, sequi - seguir
conséquor, consequéris, consecútus sum, consequi - seguir, acompanhar

d) Supino em -sum:

amplector, amplecteris, amplexus sum, amplecti - abraçar, abranger labor, labéris, lapsus
sum, labi – deslizar
illabor, illaberis, illapsus sum, illabi - cair em, escorregar para
nitor, niteris, nisus (ou nixus) sum, níti apoiar-se em
innitor, inniteris, innísus (uu. innixus) sum, inniti apoiar-se em
utor, utéris, usus sum, úti - usar
abutor, abuteris, abusus sum, abuti -abusar; aproveitar

- Quarta conjugação

a) Supino em -tum:

experior, experiris, expertus sum experiri - experimentar


opperior, opperíris, oppertus sum, opperiri - aguardar

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b) Supino em -sum

assentior, assentiris, assensus sum, assentiri - concordar com


metior, metíris, mensus num, metiri - medir
ordior, ordíris, orsus sum, ordiri - começar

VERBOS SEMIDEPOENTES

- São chamados semidepoentes os verbos que têm conjugação ativa Só nos tempos
derivados do infinit. presente:

audeo, audes, ausus sum, audere - ousar

gandeo, gaudes, gavisus surn, gaudere - regozijar-se

soleo, soles, solítus sum, solere soer - costumar

fido, fidis, fisus sum, fidere - confiar

confído, confidis, confisus sum, confidere confiar

diffido, diffidis, diffisus sum, diffidére - desconfiar

Obs. - O verbo revertor, revérteris, reverti (perf.), reversum, reverti (inf.) (retornar) é
semidepoente em sentido especial: tem conjugação passiva nos tempos derivados do inf.
presente : Revertor, revertébar, revertar; reverti, reverteram, revertero; revertar, revérterer;
revérterim, revertissem; revértere, revértitor; reverti; revertisse; reversurum esse; revertens,
reversurus, reversus (tendo retornado) ; revertendi; reversurn: Voltarei a mim, ad me
revertar ; Diviciaco voltara, Divitiacus reverterat .

VERBOS EM -io DA TERCEIRA CONJUGAÇÃO

- Pertencem à 3ª conjugação estes verbos em -io (e seus compostos) a) ativos:

allicio, allícis, allexi, allectum, allicere aliciar - atrair (1)


aspicio, aspicis, aspexi, aspectum, aspicere - olhar (2)
capio, capis, cepi, capturn, capere tomar, prender, aprisionar
accipio, accipis, accepi, acceptum, accipere - receber
concutio, concutis, concussi, concussum, concutere - sacudir (3)
cupio, cupis, cupivi, cupitum, cúpere - desejar
concupio, concúpis, concupivi, concupítum, concupere - desejar

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(1) Assim também são as formas primitivas dos outros compostos do verbo inusitado
LACIO (illicio, úllicis, illexis, illectum, illícere seduzir; pellício, etc.), exceto elicio (fazer
sair, excitar), cujos perfeito e supino são elicui, elícitum.

(2) Aspicio é composto do verbo inusitado SPECERE.

(3) Assim também são as formas primitivas dos outros compostos (excutio sacudir, etc.)
do verbo QUATIO (sacudir), que carece de perf. o do supino.

facio, facio, feci, factum, facere - fazer


fodio, fodis, fodi, fossum, fodere - cavar, escavar
perfodio, perfodis, perfodi, perfossum - perfodere -furar
fugio, fugis, fugi, fugítum (raro), fugere - fugir
aufugio, aufúgis, aufúgi, aufugere - fugir
iacio, iacis, ieci, iactum, iácere - atirar, jogar, lançar
adicio, adicis, adiéci, adiectum, adicere - acrescentar
pario, paris, peperi, partum (pariturus), parere - gerar
rapio, rapis, rapui, raptum, rapere - roubar
diripio, diripis, diripui, direptum, diripere - saquear

b) depoentes:

gradior, graderis, gressus sum, (gradi) (raro) marchar


aggredior, aggrederis, aggressus sum, aggredi - agredir
morior, moreris, mortuus sum (moriturus), mori - morrer
emorior, emoreris, emoriuus sum, emori - morrer
patior, pateris, passus sum, pati padecer, permitir
perpetior, perpeteris, perpessus sum, perpeti - padecer

Conjugação dos verbos em -IO

a) Voz ativa:

Ind. pres.: cap-i-o, cap-is, cap-it, cap-ímus, cap-itis, cap-i-unt


Ind. imperf.: cap-i-ebam, cap-i-ebas, cap-i-ebat, cap-i-ebamus, etc.
Ind. fut. 1°: cap-i-am, cap-i-es, cap-i-et, cap-í-emus, etc.
Subj. pres.: cap-i-am, cap-i-as, cap-i-at, cap-i-amus, etc.
Subj. imperf.: cap-erem, cap-eres, cap-eret, cap-eremus, cap-eretis, etc.
Imperativo : cap-e, cap-ite. - Cap-ito; cap-itote, cap-i-unto
Part. pres. cap-i-ens, cap-i-entis
Gerúndio cap-i-endi, cap-i-endo, etc.

b) Voz passiva:

Ind. pres.: cap-i-or, cap-eris, cap-itur, cap-imur, cap-imini, cap-i-untur


Ind. imperf.: cap-i-ebar, cap-i-ebaris, cap-i-ebatur, cap-i-ebamur, etc.

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Ind. fut. 1°: cap-i-ar, cap-i-eris, cap-i-etur, cap-i-emur, etc.


Subj. pres.: cap-i-ar, cap-i-aris, cap-i-atur, cap-i-amur, cap-i-amini, etc.
Subj. imperf.: cap-erer, cap-ereris, cap-eretur, cap-eremur, cap-eremini, etc.
Imperativo : cap-ere, cap-imini.
Inf. pres. : cap-i
Part. fut : cap-i-endus, a, um.

Obs.
a) Só registramos os tempos derivados do inf. Presente.
b) Os verbos em -io da 3ª se conjugam como lego, mas inserem
diante da terminação a Vogal i; esta vogal, porém, se perde todas as vezes que
a terminação começar por i ou por -er, e na 2ª pess. sing. do imperat. pres. ativo.

- O verbo orior

Orior, oreris, ortus sum (oriturus), oriri (nascer, originar-se) conjuga-se como o
passivo de capio (exceto no infinit. pres.).

O imperf. do subj. pode ser também orirer, oriréris, oriretur, oriremur, oriremini,
orirentur, além de orerer, orereris, oreretur, etc.

O part. fut. pass. é oriundus, a, um, mas tem sómente valor de adjetivo e significa:
oriundo, descendente.

Obs. - Os compostos (Coorior, coóreris, coortus sum, cooríri nascer, e


outros) conjugam-se como orior; porém, adorior, adoríris, adortus sum, adoriri (assaltar) é
da 4ª conjugação.

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Notas sobre o verbo ESSE

a) O verbo esse carece de todos os tempos não registrados no item anterior.

b) O singular e a 3ª pessoa plural do imperf. do subjuntivo podem ser também: forem,


fores, foret; forent.

C) O complemento do verbo haver impessoal, em latim se torna sujeito; o verbo haver


traduz-se com esse, o qual concordará com o novo sujeito em número e pessoa: Haverá
grandes dificuldades = magnae difficultates erunt.

Compostos de ESSE

Conjugam-se como esse (vide possum) os seguintes verbos:

ab-sum, ab-es, ab-fui ou a-fui, ab-esse (inf. fut. abfore ou affore e abfuturum ou afuturum
esse) - estar ausente

ad-sum, ad-es, ad-fui ou af-fui, ad-esse (inf. fut. ad-fore ou adfuturum esse) - estar presente

de-sum, de-es, de-fui, de-esse (iní. fut. defore ou defuturum esse) - faltar

intér-sum, ínteres, intérfui, inter-esse (inf. fut. interfuturum esse) - estar presente.

ob-sum, ob-es, ob-fui, ob-esse (inf. fut. obfuturum esse) opor-se, prejudicar

prae-sum, prae-es, prae-fui, prae-esse estar à testa, presidir

pro-sum, prod-es, pro-fui, prod-esse (inf. fut. profore ou profuturum esse) ser útil

supér-sum, súper-es, supér-fui, super-esse (inf. fut. superfuturum esse) sobrar, sobreviver

in-sum, in-es, in-esse - estar em

sub-sum, sub-es, sub-esse - estar debaixo

pos-sum, pot-es, potui, posse (poder), que nos tempos derivados do inf. presente se conjuga
assim:

Ind. pres. : possum, potes, potest, possumus, potestis, possunt


Ind. Imperf.: poteram, potéras, potérat, poteramus, poteratis, poterant
Ind. fut. I : potero, poteris, poterit, poterimus, poteritis, poterunt
Subj. pres.: possim, possis, possit, possimus, possitis, possint
Subj. imperf. : possem, posses, posset, possemus, possétis, possent

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Os compostos de ESSE:

a) Se têm inf. fut., têm também part. futuro.

b) Carecem da voz passiva, do gerúndio e do part. pres. - Encontram-se porém, absens,


absentis (de absum) ausente, e praesens, praesentis (de praesum), presente - O verbo
posse carece também do imperativo.

c) No verbo prodesse a preposição pro recebe um d perante e: prodes,


prodeste, prodestis, etc.

- Fêro, fers, túli, Utum, ferre levar, trazer

Conjuga-se, em geral, como legere; a:presenta dificuldades no:

a) Ind. pres. ativo : fero, fers, fert, ferimus, fertis, ferunt


Ind. Pres. passivo : feror, ferris, fertur, ferimur, ferimini, feruntur
b) Subj. imperf. ativo: ferrem, ferres, ferret, ferremus, ferretis, ferrent
Subj. Imper. pass. : ferrer, ferreris, ferretur, ferremur, ferremini ferrentur
c) Imperativo ativo : fer, ferte; ferto, fertote, ferunto
Imp. passivo : ferre, ferimini
d)Inf. pres. at. e pass.: ferre; ferri

Outros tempos derivados do infinit. pres.: ferebam, leram (fut. 1° e subj. pres.), ferens;
ferendi; ferebar; ferar; ferendus.

- Compostos de FERRE

affero, affers, attúli, allatum, afferre - trazer, levar


aufero, aufers, abstuli, ablatum, auferre - levar, tirar
confero, confers, contúli, collatum, conferre - reunir, conferir, comparar
differo, differs, distúli, dilatum, differre -dispersar, diferir
effero, effers, extuli, elatum, efferre- levar para fora, levar para a cova, produzir
infero, infers, intúli, illatum, inferre - levar, trazer, inferir
offéro, offers, obtuli, oblatum, offerre - oferecer
refero, refers, retúli ou rettúli, relatum, referre - trazer de novo, referir.

Obs. 1ª - A sílaba fe de fero é breve; portanto nos compostos a mencionada sílaba, sendo
penúltima, costuma ser acentuada só quando é seguida de duas consoantes. Portanto se dirá
áffero, áffers, affert, afférimus, affértis, áfferunt; afferébam, etc.
Obs. 2ª - O perf. e o supino de súffero, suffers, suflerre (suportar, sofrer) têm, em geral, o
sentido de "levantar"; usam-se, por isso, como perf. e supino de tóllere (levantar), cujas
formas primitivas passam a ser: Tollo, is, sústuli, sublátum, tóllere.

As formas primitivas de sufferre serão: Súffero, suffers, sustínui (de sustinére), sustentátum
(de sustentare), sufferre.

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VŏIo, nōlo, mālo

Estes três verbos da 3ª conj. (volo, vis, volui, velle, querer; nolo, non vis, nolui, nolle,
não querer; malo, mavis, malui, malle, preferir) nos tempos derivados do inf. pres. se
conjugam assim:

Obs. 1ª - Não é difícil ver que nolo proveio de non volo e mala de magis volo.

Obs. 2ª - Volo e malo não podem ter imperativo; malo não tem particípio presente; o part.
pres. de volo e nolo (volens e nolens) é raro; os três carecem de gerúndio e da voz passiva. -
Os tempos derivados do perf. não oferecem dificuldade; note-se, porém, o acento:
Volúimus, volúeram, etc.

- Fio, fis, factus sum, fieri ser feito, tornar-se, acontecer

Esse verbo, que é o passivo (1) de facere pode considerar-se como um semidepoente da 4ª
conjugação.

Nos tempos derivados do inf. pres. conjuga-se deste modo:

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Ind. pres - fio, fis, fit, fimus (raro), fitis (raro), fiunt
Ind. imperf. : fiebam, fiebas, fiebat, fiebamus, fiebatis, fiebant
Ind. fut. I fiam, fies, fiet, fiemus, fietis, fient
Subj. pres. fiam, fias, flat, fitimus, fiãtis, fiant
Subj. imperf.: fierem, fieres, fieret, fieremus, fieretis, fiêeent
Imporativn . (raro) fi, fite; não há imperativo futuro
Infinit. pres.: fièri

Obs. - O inf. fut. passivo de facere é factum iri (haver de ser feito) e o part. fut. passivo é
faciendus, a, um (havendo de ser feito) ; porém, quando fieri liver o sentido de tornar-se ou
acontecer, o inf. fut. será fore ou futurum esse (haver de tornar-se, haver de acontecer) e o
part. fut será futurus, a, um (havendo de tornar-se, havendo de acontecer).

- Compostos de FACIO

a) Os compostos de facio terminados em -ficio, como afficio, afficis, affeci, affecturn,


afficére afetar; interficio, interficís, interféci, interfectum, interficère, matar; officio, officis,
offeci, offectum, officire opor-se; perficio, perficis, perféci, perfectum, perficére acabar,
aperfeiçoar, elc., no passivo se conjugam como os verbos em -io da 3ª conj. interficior,
interficéris, etc.

b) Os compostos terminados em -facio, como calefacio, calefacis, caleféci, celefacturn,


calefacere aquecer; patefacio, patefacis. paleféci, patefactum, patefacere manifestar;
satisfacio, satisfacis, satisféci, satisfactum, satisfacere satisfazer, etc., têm passivo análogo a
FIO: patefio, patefis, patéfit, palefimus, palefítis, Patefiunt; pattefiebam etc.; palefiam, etc.;
palefiérem, etc.; patéfi, patefite; patefieri; patefaciendus.

(1) Sendo passivo, não pode ter nem gerúndio nem part. Pres.

Eo, is, ii, itum, ire, ir

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Compostos de IRE

(1) O i do inf. Pres. Se muda em e diante de a, o, u


(2) Diante de s os dois i do perf. E dos tempos que dele derivam, em geral se contraem
num só. – Encontra também, masraramente, a forma ivi em vez de ii, ivisti em vez
de iisti ou isti, etc.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 223

Obs. - Perdere (perder, arruinar) e vendere (vender) no passivo só têm as formas pérditur,
pérditus, e vénditus, vendendus. Para suprir o passivo de perdo usa-se pereo e para suprir o
de vendo usa-se veneo: Fui arruinado pelo meu aluno, perii a discipulo meo; os escravos
eram vendidos, mancipia venibant. - Perire (ser arruinado), venire (ser vendido), fieri (ser
feito) são verbos ativos com significação passiva. A êles pode acrescentar-se vapulare (ser
acoitado) e licére (ser exposto à venda).

- Conjugação dos compostos de IRE

à) Ambire (rodear, ambicionar) é um composto de ire, que segue em tudo o verbo audire.

b) Os outros compostos seguem em tudo o verbo ire: Praetereo, praeterís, praeterit,


practerímus, praeterítis, praetéreunt; praeteribam, etc.; praeteribo, etc.; praeterii, praeteristi,
etc.; praeterieram, etc., practeriero, etc.; practeream, etc.; praterirem, etc.; prateríerim, etc.;
praeterissem, etc.; praetêri, praeterite; praeteríto, praeteritote, praetereunto (raro) ;
praeterire, praeterisse, praeteriturum, am, um esse; praeteriens, praetereuntis; praeteriturus,
a, um; praetereundi, praetereundo, etc.

c) Os compostos de ire, que sejam transitivos diretos, podem ter o passivo em todas as
pessoas: Praetéreor, praeteríris, praeterítur, praeterímur, praeterimini, praetereúntur;
praeteribar, praeteribáris, etc.; praeteribor, praeteriberis, etc.; praetéritus, a, um sum, eram,
ero; praeterear, etc.; praeterírer, etc.; praetéritits, a, um sim, essem; practerire. praeterímini,-
praeteriri, praetéritum, am, um esse, praetéritum iri; praetéritus, a, um; praetereundus, a,
um; praetéritu.

"Como esquecer que as línguas latina e grega, longe de serem para nós mundos diferentes,
longínquos, como o inglês e o alemão, são nossas verdadeiras pátrias?"

(J. Chevalier, professor de filosofia na universidade de Grenoble)

Apêndice à morfologia dos verbos

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VERBOS DEFECTIVOS

Queo posso, nequĕo não posso

a) No presente (ind., subj., infinit. e particípio) e no supino, conjugam-se como praetereo:


nequeo, nequis, etc.; vequeam, nequeas, etc.; nequíre; nequiens, nequeuntis (raro);
nequítum.

b) Nos tempos derivados do perf. conjugam-se como áudio: nequívi ou nequĭi; nequivisti,
nequiisti ou nequisti, etc.

C) Carecem do imperat., do infin. fut., do part. fut., do gerúndio e de toda a voz passiva.

d) No imperf. há estas formas:

Indic.: (ne)quibam, (ne)quibat, nequíbant

Subj.: (ne)quirem, (ne)quíret, nequirémus, (ne)quírent

e) No fut. 1° encontra-se quibo e (ne) quíbunt

f) Em vez de nequeo, nequis, etc. pode-se dizer non queo, non quis, etc.

- For, faris, fatus sum, fari (falar)

Esse verbo nos bons escritores só tem estas formas: Farí (Suet., fatur; fando; fandus, a, um.

- inquam (digo)

Esse verbo tem quase unicamente estas formas do indicat.:

Pres. : inquam, inquis, inquit, ínquimus (raro), ínquitis (raro), inquiunt

Imperf. : inquiébat

Fut. 1.o : inquies, inquiet

Perf. : iúquisti, inquit.

- Aio (digo, afirmo)

Só tem estas formas:

Ind. pres. : áio, ais, ait; áiunt

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E.I.E. Caminhos da Tradição 225

Ind. imperf. : aiébam, aiébas, aiébat, aiebáraus, aiebátis, aiebant


Ind. perf. : ait
Sub. pres. : aias, aiat; aiant
Part. pres : aiens, aientis

obs. - Encontra-se ain? em vez de aisne? e ambos significam "deveras"?

- Emprego de INQUAM e AIO

a) Inquam só se usa intercalado ou posposto no discurso direto (isto é, quando se referem às


mesmas palavras empregadas por quem as pronunciou) : Crasso então sorrindo disse: Que
pensas ó Cota, tum Crassus arrídens: Quid censes, inquit, Cotta? Dirás: Mas eu não peço
isso, ego vero id non póstulo, inquies .

b) Aio pode-se usar como inquam; nesse caso é freqüentemente precedido pela conj. ut
(como) : Eu gosto de Ênio, diz alguém; eu de Pacilvio, diz outro, Ennio delector, ait
quispiam; Pacuvio, inquit alius; diz o nosso poeta Estácio: Êle planta árvores que sirvam
para a geração seguinte, “serit arbores, quac alteri saeculo prosint" ut ait Statius noster.

- Coepi, memíni, odi

a) Estes três verbos: coepi (comecei), coepisti, coepisse; memini (lembro, lembro-me),
meministí, meminisse e odi (odeio), odistí, odisse, em geral, só se usam no perf. e nos
tempos que dele derivam (coeperam, coepero, coeperim, etc.), porém:

1. de coepi temos coepturus, a, um (havendo de começar) e coeptus, a, um.

2. de odi temos osurus, a, um (havendo de odiar).

b) Memini e odi no perf., mais que perf. e fut. 2º, têm respectivamente sentido de presente,
imperf., e flituro 1°: Meministi lembras; oderas odiavas; meminero lembrarei; oderim (eu)
odeie; odisse odiar, etc.

Obs. Coepí conserva, em geral, o sentido próprio de cada tempo: Coeperunt começaram,
etc.

c) Coepi, memini, odi nos tempos de que carecem, podem ser substituídos respectivamente
por incipio, incípis, incepi, inceptum, incipere; memoria tenére; odium habere (in aliquem
= contra: alguém)

Obs. - O perf., o mais que perf. e o fut. 2° (ativos) de nosco, noscis, novi, notam, noscere
(conhecer, saber) podem ter respectivamente sentido de pres., imperf. e fut. U: Virtutem tu
ne de Jacie quidem nosti (por novisti) tu não conheces a virtude nem sequer de vista.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 226

FORMAS ISOLADAS

- A expressão "por favor" pode-se traduzir por:

a) Quaeso ou amabo, quando quem pede é um só - Tu, quaeso, crebro ad me seribe = por
favor, escreve-me freqüentemente; id agite, amabo fazei isso (1), por favor.

b) Por quaesumus, quando o favor é pedido por mais pessoas: Aggredere, quaesumus
começa, por favor (Atico pede em nome dos outros).

c) Por sis (que está, em lugar de si vis), sodes (em vez de si audes) quando se pede a um só:
Refer animum sis ad veritatem (Cic. R. Am 16.48) transporta, por favor, o teu espírito para:
a realidade.

d) Por sultis (em vez de si vultis), quando se pede a mais pessoas: Facite, sultis, nitídae ut
aedes meae sint = por favor, que minha: casa seja bela.

- Ave, salve, te salvére iubeo = bom dia, salve (quando se quer saudar uma pessoa só) ;
avéte, salvéte, vos salvere iubeo = bom dia, salve (quando se quer saldar mais pessoas).

-Vale, te valére iubeo = adens (quando alguém se despede de uma pessoa só) ; valéte, vos
valere iubeo = adeus (quando alguém se despede de mais pessoas.)

a) Cedo (em vez de cédito) =-dize, dá: (em, vez de cédite)= dizei. dai: Cedo rationem
cárceris = dá me o registro do cárcere; cette manus vestras measque acapi = dai as vossas
mãos, eis as minhas.

(1) Quaeso pode ter outro sentido: Quaeso a vobis veniam = peço vos licença.

b) Age, ágedum, agite = ânimo, coragem, sus, eia, vamos. - Age e agedurn podem-se usar
também quando a exortação se dirige a mais pessoas: Agedum, conferte nunc cum Autronii
vita Sullae = vamos, (juizes), comparai com a vida de Autrônio a de Sula. - Agite usa-se
unicamente quando nos dirigimos a mais pessoas.

c)- Ápage, ou ápage te = afasta-te, para fora (para uma pessoa só).

VERBOS IMPESSOAIS

- Em geral são impessoais em latim os mesmos verbos que são impessoais em


português.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 227

Quando empregados no sentido próprio, os verbos impessoais só se usam na 3ª pess. sing. e


no infinit. Assim tonare, quando empregado no sentido de trovejar, só tem estas formas:
Tonat, tonabat, tonabit, tonuit, etc. Quando empregado no sentido figurado de "proclamar
em altas vozes", usa-se em todas as pessoas.

- Há alguns verbos que podem ser usados, com sentido próprio, pessoalmente e
impessoalmente:

accídere, pess.: cair; impess.: acontecer


convenire, pess.: reunir-se; impess.: ser conveniente
praestare, pess.: superar, mostrar; impess.: ser mais conveniente. expedire, pess.:
desimpedir; impess.: ser conveniente
fieri, pess.: tornar-se, ser feito; impess.: acontece
iuvare, pess.: ajudar; impess.: agradar

- Passivo dos verbos intr. e trans. indir.

a) Os verbos intransitivos e trans. indiretos, não depoentes, pedem ter o passivo na 3ª


pessoa sing. (neutra): Deste modo se vai para os astros, sir itur ud astra, correu-se logo para
junto dele, ad eum stutim concursum est; combateu-se, pugnatuni est.

OBS - O mesmo se dá com os verbos transitivos diretos, usados impessoalmente (no


passivo) como se disse acima, ut supra dictum est.

b) Os verbos intransitivos e trans. indir., DEPOENTES podem ter o passivo só quando a 3ª


pessoa sing. do verbo, esse se encontra unida, ao neutro sing do gerundivo: Moriendum est,
deve-se morrer.

CONJUGAÇÕES PERIFRÁSTICAS

- Unindo-se o verbo esse ao particípio futuro ativo (no genero, número e caso devidos)
obtém-se a conjugação perifrástica nova, a qual indica, geralmente, que alguém tem
intenção (ou está no ponto) de realizar a ação: Profecturus sum, tenho intenção (estou no
ponto) de partir; magistrae venturae erant, as mestras tinham intenção de (estavam para)
vir.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 228

Obs. - Emprega-se freqüentemente a conjugação perifrástica ativa para traduzir o


condicional (= fut. do pretérito) português que indique ação futura: Então vi o que teria
feito (depois), tunc, quid facturus fuisset vidi.

- Chama-se perifrástica passiva a conjugação que se obtém unindo o verbo esse ao


gerundivo: Laudandus sum, devo ser louvado, pueri laudandi erunt, os meninos deverão ser
louvados, etc.

OBSERVAÇõES FINAIS

- Nos perfeitos terminados em -avi ou -evi (e nos tempos derivados do perf.) pode-se omitir
a sílaba vi diante de s, e a sílaba ve diante de r: Amasti por amavístí, delerat por deleverat,
etc. Porém:

a) Os verbos lavo (perf. lavi) e foveo (perf. fovi) não admitem formas sincopadas Lavisti
(nunca lasti) ; foverunt (nunca forunt).

b) As formas sincopadas nos verbos, cujo perfeito termina em -ovi ou -uvi, são raras. Assim
de novi temos nosti além de novisti, nosse, além de novisse, e outras, mas não se pode dizer
noro, em vez de novero; de adiuvi temos uma forma sincopada só: adíuro cm vez de
adiúvero.

- Nos perfeitos terminados em -ivi (e nos tempos derivados perf.) SEMPRE se pode omitir
a letra v: Audívi ou audĭi, audiuverunt ou audierunt; quaesívit ou quaesĭit, etc.

Se omitindo o v, houver encontro de dois i, os dois i, perante S podem contrair-se num só:
Audivisti, audiisti ou audisti.

- Na 3ª pess. plural do perf. do indicativo pode-se usar a terminação -ere: Fuére além de
fuerunt, coniuravere além de coniuraverunt - Neste caso, não se pode suprimir- a sílaba ve,
e dizer coniurare em vez coniuravere.

- Com os verbos scio (sei) e memini (lembro-me) usa-se o imperat. Fut em vez do
imperativo pres. Scito, Scitote, memento, mementote.

- Na 2ª pess. sing. do pres. do imperat. . ativo dos verbos dicere, ducere, facere e de seus
compostos, suprime-se o e final- Dic dize, duc conduze, fac faze; benedie (de benedicere)
abençoa, educ (de educere) faze sair, calefac (de calefacere) aquece, etc.

Os compostos de facere, que terminam em -ficere, conservam o e final: Éffice (de eflicere)
faze, intérfice (de interficere) mata, etc.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 229

- Na conjugação passiva (ou depoente) a terminação -ris da 2ª pess. sing. pode sempre
mudar-se em -re, exceto no presente do indicat. Amabaris ou amabare, amaberis ou
amabere, abutéris ou abutére, etc.

- No perf., no mais que perf. e no fut. 2° passivos em lugar de sum, es, etc., eram, eras, etc.,
ero, eris, etc., sim, sis, etc., essem, esses, etc., esse, pode-se encontrar respectivamente fui,
fuisti, etc., fueram, fueras, etc., fuero~ fueris, etc., fuerim, fueris, etc., fuissem, fuisses, etc.,
fuisse, mas isso não se deve imitar, embora Cícero tenha escrito institutos fuisse em vez de
institutos esse (terem sido instruídos) e em Lívio se leia qui remissi ad suos fuerant em vez
de remissi erant (que tinham sido devolvidos aos seus).

- Na terminação do gerúndio e do gerundivo encontra-se por vezes, u em vez de e: Faciundi


(1) em vez Faciendi; vendundis em vez de vendendis.

- A terminação -ier no inf. pres. passivo (ou depoente) é raríssima: Admíttier em vez de
admitti (ser admitido).

- Pelos bons escritores sempre foi considerado erro vulgar escrever-se audíbat em vez de
audiebat, largíbar em vez de largiebar, aperíbo em vez de aperiam, amicíbor em vez de
amiciar, tránsiet em vez de transíbit, etc.

- 1. Notem-se estas formas antiquadas de futuro 2º do indic. e perf. do subjuntivo: Amasso


por amavero, amassim. por amaverim, curassínt por curaverint, etc.

- 2. As formas faxo em vez de fecero, faxis em vez de feceris, etc., são menos raras e,
freqüentemente, têm sentido de pres. do subj.: Dii faxint, ut tali genero mihi frui liceat (Cic.
fam 14.3.3) façam os deuses que eu possa ter tal genro.

3. As formas ausim, ausis, ausit em vez de ausus sim, sis, sit (ou em vez das formas
inusitadas áuserim, auseris, auserit) e duim, duis, duit, duint em vez de dem, des, det, dent,
ou dederim, dederis, etc., são também muito raras: Nec si sciam, dicere ausim e se
soubesse, não ousaria dizer; útinam tibi istam, mentem di immortales duint = oxalá os
deuses imortais te dêem esse pensamento.

(1) Para o verbo potiri (apoderar-se) a forma com u (potiundi) é mais comum doq eu a
forma com e (potiendi)

"Aos estudos do latim e do grego foi dado o nome de humanidades, porque transformam os
que a eles se dedicam, em homens educados, afáveis, lhanos, acessíveís e trataveís .

(J. Pontano, o maior escritor latino do século XV)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 230

Morfologia das partículas (1)

ADVÉRBIOS

- A maior parte dos advérbios provém de adjetivos e particípios.

Somente alguns advérbios derivam de pronomes ou de substantivos: Quo (para onde), qua
(por onde), derivam de qui, quae, quod; caelítus (do alto do céu) deriva de caelum (céu) ,
radícitus (desde as raízes), de radix (raiz) ; vulgo (por toda a parte), de vulgus (povo) ; rite
(conforme os ritos), de ritus (rito, costume), etc.

FORMAÇÃO DOS ADVÉRBIOS

- Advérbios derivados de adjetivos da 1ª classe

Os adjetivos da 1ª classe formam, em geral, o advérbio correspondente, acrescentando à


parte invariável a terminação -e: Fraternus, a, um, parte invariável: fratern-, adv.: fraterne =
fraternamente; miser, misera, míserum mísero, adv.: misere = míseramente, etc..

- Irregularidades

a) Note-se que de bonus temos bene; de alius (outro), aliter (diversamente); de opulentus
(rico), opulenter (ricamente) ; de violentus (violento), violenter (violentamente) ; de navus
(ativo), naviter (ativamente); de humanus (bondoso), humane e humaniter (bondosamente) ;
de largus (largo), large e largíter (largamente) ; de firmus (firme), firme e firmíter
(firmemente) ; de necessarius (necessário), necessari . e e necessário (necessariamente) ; de
certus (certo), certe e certo; de verus (verdadeiro), vere, vero e verum.

(1) os antigos dividiam as categorias gramaticais do latim em 3 classes: NOMES (


substantivo, adjetivo, numeral, pronome), VERBOS E PARTÍCULAS
(advérbio, preposição, conjunção, interjeição).

Obs. - a) Certo é usado, quase unicamente, com scire: Certo scio sei com certeza; certe é
mais freqüente e tem, por vezes, o sentido de "pelo menos". Certe sciebat sabia com
certeza; quamvís nou fueris suásor profectionis meae, approbátor certe Juisti embora não
tenhas aconselhado a minha partida, pelo menos a aprovaste.

b) Vero e verum, são, geralmente, usados como conjunções .

b) 1. Os seguintes advérbios formam-se acrescentando à parte invariável do adjetivo (ou do


particípio) a terminação -o, não e: Cito depressa, de citus; crebro amiúde, de creber, crebra,

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E.I.E. Caminhos da Tradição 231

crebrum; continuo imediatamente, de continuus; falso falsamente, de falsus; mérito


merecidamente, de meritus; sero tarde, de serus; tuto e tute seguramente, de futus.

2. De postrémus temos postremo e postremum (em fim) de ultimus temos ultimo (por fim)
e ultimum (pela última vez).

Obs. - Em geral, para os advérbios derivados dos ordinais, a forma em -o tem sentido
diverso da forma em -um: Primo em primeiro lugar, primum. pela primeira vez ou
primeiramente; secundo em segundo lugar, íterum (não secundum) pela segunda vez; tertio
em terceiro lugar, tertium pela terceira vez, etc.

C) Os advérbios seguintes são iguais ao neutro singular do adjetivo correspondente:


Céterum (de mais a mais), neutro de ceterus, a, um; multum (muito), neutro de multus;
nimium (demais), neutro de nimius- paulum (pouco), neutro de paulus (adj.arcaico);
potíssimum (principalmente), neutro de potissimus; solum (somente), neutro de solus.

Obs. – Parum (pouco demais) está em lugar de parvum, que não é usado como advérbio.

- Advérbios derivados de adjetivos da 2ª classe

a) Os adjetivos da 2ª classe, cuja parte invariável termina em -nt, formam o advérbio


correspondente, acrescentando (à parte invariável) a terminação -er: Prudens, prudentis,
adv.: prudenter (prudentemente).

b) Os outros adjetivos (da 2ª classe) formam o advérbio acrescentando à parte invariável a


terminação -iter: Fortis, forte, parte invar.: fort-, adv.: fortiter; humilis, e, parte invar.-
humil-, adv.: humiliter.

- Notem-se estes advérbios:

a) De formação irregular: Audacter (audazmente) de audax, audacis;


difficile, difficulter e difficífiter (dificilmente) de difficilis, e; facile (fàcilmente) de jarilis,
e; impúne (impunemente) de impunis, e (desusado) ; néquiter (perversamente) de nequam;
recens (recentemente) de recens, recentis; sollerter (habilmente) de sollers, sollertis; témere
(imprudentemente) de témeris (desusado).

b) Terminados em -itus e ito: Antíquitus outrora, divínitus por vontade de Deus (dos
deuses), fúnditus desde os alicerces, pénitus totalmente, gratuito gratuitamente, fortuito
fortuitamente, etc.

c) Terminados em -im: Certátim à porfia, catervátim aos bandos, gradátim gradativamente,


partim em parte, passim aqui e acolá, tribútim por tribo, vicissim alternadamente, virítim
por cabeça, etc.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 232

(1) Terminados em -sum: Deorsum para baixo, dextrorsum para direita. introrsum para
dentro, sursum para cima, rursum de novo, etc.

GRAUS DO ADVÉRBIO

- Pode-se dizer que, em geral, têm comparativo e superl. somente os advérbios derivados de
adjetivos que têm esses graus. Portanto, se os graus do adjet. pius são magis pius e máxime
pius, os graus do adv. pie (piedosamente) serão também magis pie e maxime pie.

- O comparativo do advérbio é igual ao nominat. neutro singular do comparat. do adjet.


correspondente; o superlativo é igual ao vocat. sing. masc. do superl. do adjet.
Correspondente Docte doutamente, doctius mais doutamente, doctissime doutissimamente;
bene bem, melius melhor, optime otimamente; male mal, peius pior, pessime
pessimamente.

- Comparativos e superlativos especiais

díu por Milito tempo diutius por mais tempo


diutissime por muitíssimo
tempo magnópere
grandemente magis mais máxime maximamente
multu muito plus mais plúrimum muitíssimo
non multum pouco minus menos mínime pouquíssimo

Obs. - 1. Nuper (recentemente) e mérito (justamente) só tem superlativo, nuperrime e


meritíssimo.

2. O estudo dos advérbios e das outras partírulas será completado na sintaxe.

PREPOSIÇõES (1)

As preposições latinas acompanham o ablativo ou o acusativo.

- As preposições que acompanham o ablativo são doze: ab, a (de, por), absque (sem),
coram (na presença de), de (de); palam (diante de), clam (às escondidas de), cum (com),
ex, e (de) sine (sem), tenus (até), pro (em favor de) e prae (por causa de)

- As preposições que acompanham o acusat. são vinte e nove:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 233

ante (perante), apud (perto de), ad (a, para), adversus (contra) circa (2), circum (ao redor
de), citra, cis (aquém de); contra (contra), erga (para com), extra (fora de), infra (abaixo
de) inter, intra (entre), iuxta (junto de), ob (por causa de) ; penes (em poder de), pone
(atrás de), post (depois de) e praeter (além de) prope (perto de), propter (por causa de),
per (através de), secundum (conforme) ; supra (em cima de), versus (em direção de),
ultra, trans (além de).

- As preposições in e sub (sob, debaixo de) acompanham o abl. no adjunto de lugar onde, e
o acusat. no adjunto de lugar para onde: Habitar debaixo da terra, sub terra habitare;
aquelas inclinações da natureza caem debaixo do juízo do sábio, illa naturae sub iudicium
sapientis cadunt.

- Subter (sob, debaixo de) acompanha o acusat. na prosa; na poesia também o abl.: Platão
localizou a (sede da) concupiscência debaixo do peito, Plato capidítatem subter praecordia
(acusat. pl.) locavit; debaixo da espessa tartaruga, subter densa testúdine.

- Super (sobre) acompanha o acusat., exceto quando se indica argumento. Assentar-se


sobre uma áspide, super aspidem assídere ; eu quisera que me escrevesses a respeito da
legação votiva, velim ad me scribas super legatione voliva.

(1) Decorem-se linha por linha em LATIM; o ritmo ajudará a memória.

(2) Aqui deve-se acrescentar CIRCITER, que significa "cerca de".

"Os grandes clássicos de Roma e Grécia são os maiores artistas da palavra".

(Leonel Franca, grande escritor brasileiro)

Concordância

- As regras de concordância em latim são, ordinariamente, análogas às do português. Aqui,


deixando algumas questões para a sintaxe figurada em geral só assinalaremos os casos em
que as duas línguas seguem regras diversas.

- Concordância do verbo e do predicativo do sujeito (ADJETIVO) (1)

a) Havendo numa oração vários sujeitos que indiquem seres animados (= pessoas ou
animais), se forem de gêneros diferentes, o predicat. do suj. (adjetivo) colocar-se-á no
masculino, e se forem de pessoas diferentes, o verbo concordará com a pessoa que tem
precedência, exatamente como em português: A águia e o javali foram medrosos, aquila et
aper tímidi fuerunt; se tu e Túlia passais bem, eu e o amabilíssimo Cícero estamos passando
bem, si tu et Tullia valetis, ego et suavissimus Cícero valemus.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 234

b) Se os sujeitos indicarem seres inanimados (=plantas, cousas, ou seres abstratos) do


mesmo gênero ou de gêneros diferentes, o verbo se coloca na 3ª pessoa plural e o predicat.
do suj. (adjetivo) no neutro plural: A insensatez, a imprudência, a injustiça e a
intemperança devem ser evitadas, stultitia et temeritas et iniustitia et intemperantia sunt
fugienda; as honras, os cargos públicos (e) as vitórias são casuais, honores, imperia,
victoriae sunt fortuita .

(1) Sob a denominação de predicat. do suj. (adjetivo) incluímos todos os particípios que, na
conjugação, se costumam unir ao verbo esse.

- Muitas vezes o verbo e o predicat. do suj. (adjetivo) concordam com o sujeito mais
próximo ou com o sujeito que se quer fazer sobressair: A filha de Orgetorige e um de (seus)
filhos foram aprisionados, Orgelorigis filia et unus e filiis captus est; Zosipo e Ismênias
afirmaram isso na vossa presença, dixit hoe apitd vos Zosippits et Ismenias; a hora e o dia
tinham sido determinados, tempus et dies erat datus ; por esta vitória não só ficou livre
Atenas, mas também toda a Grécia, qita vietorid non solum Athenae (pl.) sed etiani cuncta
Graecia liberata est; eu e o povo romano declaramos guerra, ego popitlusque Romanus
bellum indico.

Essa construção é preferível:

1 . Quando o verbo (ou o predicativo do suj. adjetivo) forem precedidos por um só dos
sujeitos: Homero e Hesíodo viveram antes da fundação de Roma, Homerus fuit et Hesiodus
ante Roman cónditam.

2. Quando os sujeitos operam separadamente ou são unidos por nec, neqite (nem), sive, aut,
vel, -ve (ou) : De lá os cônsules partiram em direção oposta: Fúlvio para o território de
Cumas, Cláudio para a Lucânia, inde consules diversi, Fulvius in agrum Cumánum,
Claudius in Lucaniam abiit; como tu (quiseste) ou como (teu) irmão quis, ut tu sive frater
voluit; costuma-se olhar ou os costumes ou a fortuna, aut mores aut fortuna spectari solet.

- O predicat. do suj. (adjetivo) em grau superlativo, acompanhado por um complemento


partitivo, pode concordar em gênero com o sujeito ou com o compl. partitivo: O Indo é o
maior de todos os rios, Indus... est omnium fluminum (neutro) maximus; a escravidão é o
pior de todos os males, servitus (est) malorum omnium postremum.

- Concordância do predicat. do sujeito

(SUBSTANTIVO)

a) O predicat. do suj. (substantivo) concorda com o sujeito somente em caso: A razão é o


vínculo do gênero humano, generis humani vinculum est ratio.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 235

b) Se o predicat. do suj. for substant. móvel, concordará com o sujeito também em gênero e
número: Atenas será vencedora, Athenae vietríces erunt .

- Notas sobre a concordância do predicat. do suj. (adjet. e subst.)

a) Além de SER e ESTAR são considerados de LIGAÇÃO outros verbos, como andar,
permanecer, continuar, tornar-se: Eu ando (v. de lig.) doente (predicat. do suj. nominat.) ;
continuas (v. de lig.) triste (predicat. do suj. nominat.) ; os alunos tornam-se(v.de lig.)
doutos (predicat. do suj. nominat.) - pueri doeti fiunt.

b) O predicat. pode ligar-se ao sujeito por meio de verbos intransitivos (no ativo) e por
meio de verbos transitivos (no passivo) : (1) Aníbal partiu (v. intrans.) vencedor (predicat.
do suj. nominat.), Hánnibal superior discessit; Aníbal foi feito rei, Hannibal rex factus est;
Sócrates foi julgado sapientíssimo, Socrates sapientissimus est habitus (2).

e) Muitas vezes exercem função de predicativo do suj.:

1. Alguns substantivos que indicam épocas da vida (puer, iuvenis, senex, etc.),
cargo ou profissão (consul, praetor, eques, magister, etc.), os quais costumam traduzir-se
em português com expressões adverbiais (quando, como, no tempo em que, etc.) : Pater
meits in Hispaniam imperator projectus est,meu pai partiu para a Espanha como chefe
supremo; Cato senex historias seribere instituit, Catão, quandx) já velho, começou a
escrever obras históricas.

2. Alguns adjetivos que indicam posição ou série (primus, ultimus, etc.), um estado de
ânimo, uma virtude (laetus, maestus, prudens, etc.), os quais, também, costumam traduzir-
se em português com expressões adverbiais: Superior stabat lupus, o lobo estava mais para
cima (mais alto); Catilina naiser tabescit, Catilina definha miseramente; excedebat ultimus,
afastava-se por último (em último lugar).

- Concordância do Atributo

O atributo concorda em gênero, número e caso com o substantivo ao qual se refere; quando,
porém, se refere a vários substantivos, concorda, geralmente, com o mais próximo: Todos
os mares; (todas as) terras estavam livres, cuncta maria terraeque patebant; guardam os
outros comestíveis e as (outras) provisões, réliquas merces commeatusque reservant;
abster-se do ouro e das riquezas reais, ab auro gazaque regia animum cohibere.

(1) Esses verbos transit. Geralmente sinônimos de “chamar, julgar, eleger, fazer”, e
alguns outros similares no ATIVO podem ter DOIS ACUSATIVOS.
(2) À JUNÇÃO DO PREDICATIVO COM UM VERBO INTRANSITIVO ATIVO
(Partiu vencedor) ou transitivo passivo (foi feito rei, foi julgado sapientíssimo, etc.)
dá-se o nome de PREDICADO VERBO NOMINAL.

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- Concordância do Aposto

a) O aposto concorda com o substantivo ao qual se junta, como o predicat. do sujeito


substantivo concorda com o sujeito: Dicearco, minha delícia, falou contra esta imortalidade,
delicíae meae (nominat. pl. fem.) Dicearchus (nominat. sing. masc.) contra hanc
immortalitatem disseruit; para omitir Atenas, inventora de todas as artes, ut omittam
omnium doctrinarum inventríces (ac. pl. fem.) Athenas (ao. pl. fem.).

b) O aposto conserva a caso do substantivo por ele modificado, também quando ao mesmo
está unido por meio de id est, hoc est (isto é) ; ceu, quasi, ut, iamquam, velut (como) ; dico,
inquam (digo) :

Eu concordo com Cneu Pompeu, isto é, com Tito Pompônio, assentior Onaeo
Pompeio, id est Tito Pomponia valho-me de toda a influência e de todos os recursos de
César, como (se fossem) meus, omni et gratia et opibus (Caesaris) sic fruor, ut meis;
Calvêncio serve-se destes como de intendentes de suas paixões, Calventius his utitur quasi
praefectis Uídinum suarum; Catilina tinha ao redor de si bandos de criminosos a maneira de
satélites, Catilina facínorum circum se, tamquam stipatórum, catervas habebat; que pode ser
mais confortador do que o sossego que se desfruta nos estudos? aqueles estudos, digo, por
meio dos quais podemos conhecer a infinidade das coisas da natureza, quid est dulcius otio
litterato? iis dico (1) litteris, quibus infinitatem rerum et naturae cognoscimus.

- Os substantivos "cidade, província, ilha, cadeia (de montes) "são, em geral, considerados
apostos, quando unidos a um nome próprio pela preposição de: Os troianos fundaram a
cidade de Roma, urbem Romam (não Romae) condidere Troiani; a província da Gália,
Gallia provincia; a ilha de Delos, insúla Delos; a cadeia do Jura, mons Iura .

Obs. - Para não confundir esses apostos com o adjunto restritivo, repare se é
possível substituir a prep. de pela circunlocução “que se chama": Os troianos fundaram a
cidade, que se, chama Roma; a província que se chama Gália, etc. Nos seguintes exemplos
"Os reis de Roma, os homens da Gália, etc. "não é possível a substituição acima, logo, aqui,
as palavras "Roma" e "Gália", não são apostos.

(1) DICO exige o ACUSATIVO, quando o substantivo ao qual o aposto se refere,


estive no nominativo: estas paixões, isto é (digo), a tristeza e o medo, hae
perturbationes, aegritudinem dico et metum.

- Concordância do pronome relativo

O CASO do pronome relativo depende da função por ele exercida na oração; quanto
ao GÊNERO e ao NÉMERO, o pronome relativo concorda com o seu antecedente, como o
predicat. do suj. (ADJETIVO) concorda com o sujeito: Os meninos e as meninas que ves...
pueri et puellae, quos vides; a alegria e a jovialidade, que a paz tinha proporcionado,

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E.I.E. Caminhos da Tradição 237

laetitía et lasecivia, quae pax pepererat; as searas e os frutos, que a terra produz, fruges
(fem. pl.) atque fructus (masc. pl.), quos terra gignit.

- Freqüentemente o pronome relativo que inicia a oração traduz-se em português por um


pronome pessoal ou demonstrativo, às vezes precedido por uma conjunção coordenativa
conveniente: Perutiles Xenophontis libri sunt; quos legite, quaeso, studiose, os livros de
Xenofonte são utilíssimos; lede-os, peço-vos, com atenção; soletis admirari meam
sapientiam, (Útinam quac esset digna vestra opinione); costumais admirar a minha
sabedoria, (oxalá ela fosse digna da vossa estima); Atticus incitabat ozanes studio suo, quo
in numero Juerunt Torquatus, Marius, Cícero; Ático com sua aplicação estimulava a todos e
neste número estiveram Torquato, Mário (e) Cícero.

"O estudo do latim não é mero luxo, dele se formou, por ele cresceu e se poliu o português;
por ele se pode ainda enriquecer e curar-se dos maus humores que o vão contaminando
cada vez mais".

(Antônio Feliciano de Castilho, um dos maiores vultos da literatura portuguesa)

Sintaxe dos Substantivos

- A sintaxe dos substantivos se reduz quase inteiramente ao estudo dos adjuntos e dos
complementos.

Dividiremos esse estudo conforme os casos isto é, colocaremos sob o título de


ab!ativo os adjuntos e complementos que mais comumente se traduzem com o ablativo; sob
o título de acusativo, os que mais comumente se traduzem com o acusat., etc.

Subdividiremos o estudo de alguns casos em duas partes - Adjuntos e


complementos que dependem, geralmente, de verbos; adjuntos e complementos que
dependem, geralmente, de nomes.

Começaremos pelo ablativo por ser o caso que encerra o maior número de adjuntos.

ABLATIVO

A. - ABLATIVO COM OS VERBOS

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E.I.E. Caminhos da Tradição 238

- Adjunto de companhia

a) Regra geral: Abl. com cum.

b) Com os nomes que se referem a entidades militares, não acompanhados de numeral, o


cum é facultativo:

Cimão foi mandado como comandante a Chipre com 2OO navios, Cimon Cyprum
cum ducentis navibus imperator missus est; César parte para Llerda com todas as tropas,
Caesar onunibus copiis ad Llerdam proficiscitur; Ariovisto se aproxima com todas as suas
tropas, Ariovistus cum suis omnibus copiis contendit.

ABLATIVO e acusativo

- Adjunto de modo

a) Regra geral: Abl. com cum.

b) Quando o adjunto de modo for precedido por um atributo, o cum pode-se antepor,
interpor ou omitir: Com grande alegria, cum magno gaudio, magno cum gaudio, magno
gaudio.
c) O cum DEVE-SE omitir:

1. Com as palavras que já indicam modo (modus, mos, ratio, ritus, etc.) Névio fez tudo na
maneira devida, modo (1) et ratione omnia Naevius fecit; de acordo com a praxe romana,
Romano more; devia viver à maneira dos ladrões, erat ei vivendum latronum ritu; com
método, ratione et via.

2. Com as partes do corpo: Os séquanos com a cabeça baixa olhavam o chão, Sequani
capite demisso terram intuebantur.

3. Com nullus, animus, mens, consilium, lex: De nenhuma forma isso pode ser agradável,
id esse gratum nullo pacto potest ; de má vontade, com mágoa, animo iniquo.

4. Em expressões como: ágmine em fila, clamore gritando, dolo dolosamente, fraude


fraudulentamente, iure com razão, iniuria, injustamente, órdine em ordem, plausu com a
aprovação, silentio em silêncio, vitio ilegalmente, etc.

- Adjunto de meio

a) Regra geral: Abl. simples.

b) Traduz-se com per e o acusat., quando for pessoa: As cidades decidiram vingar as
injúrias deste por meio de vós, civitates statuerunt istius iniurias per vos ulcisci (2).

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E.I.E. Caminhos da Tradição 239

Obs. - Usa-se o abl. simples, também para pessoas, quando se trata de entidades
militares (milites, legio, classis, equites, pedites, etc.) : César por meio daquela legião que
tinha consigo, e por meio dos soldados que se tinham reunido da província, manda fazer um
muro, Caesar ea legione, quam secum habebat, militibusque, qui ex provincia convenerant,
murum perdúcit.

c) Notem-se as seguintes expressões construídas com per e o acusat.: Per iocum, por
brincadeira; per contumeliam, por desprezo; per summum scelus, por meio de um delito
monstruoso; per vim à força; per litteras, por carta; per ira, por ira; per ambitionem, por
ambição; per ludum; por brincadeira; per malitiam... per imprudentiam, por maldade... por
imprudência, etc.

(1) Com a palavra modus, acompanhada de um atributo, encontra-se também ín ou ad e o


acusativo: Deste modo, ad huno modum; de maneira admirável, mirum in modum.

(2) Notem-se as expressões: operā, benefício, auxílio, alicuius, por obra de alguém, por
meio do alguém.

Numidae lacte et carne ferīnā vescebantur.

- Os verbos fruor gozo, desfruto, fungor cumpro, potior apodero-me, utor uso, sirvo-me,
vescor como, alimento-me, e seus compostos, exigem o complemento, que deles depende,
no ablativo (como se fosse adjunto de meio) : Os bens que usamos, a luz de que gozamos,
commoda, quibus utimur, lux qua fruimur; ele cumpria aquela mesma tarefa, eódem illo
múnere fungebatur; Ático tinha muita familiaridade com Hortensio (servia-se de Hortênsio
familiarmente), Atticus utebatur intime Hortensio; os númidas se alimentavam de leite e
carne selvagem, Numidae lacte et carne ferina vescebantur; abusar da paciência, abúti
patientia apoderar-se do governo, potiri imperio.

Obs. - a) Potior admite também o genit.: Apoderar-se da Gália, potiri Galliae.

b) Note-se a expressão potiri rerum (não rebus) = apoderar-se do governo.

Vivere piscibus

- Note-se o ablat. de meio nas expressões seguintes:

a) viver de peixe, vivere piscibus

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E.I.E. Caminhos da Tradição 240

b) provocar os inimigos ao combate, hostes proelio lacéssere


c) falar em latim, loqui linguā Latinā
d) jogar dados, bola, ludere aleā, pilā
e) ir a pé, a cavalo, ire pedibus, équo
f) tocar lira, flauta, cítara, canere fídibus, libiā, citharā
g) receber alguém um casa, recipere aliquem tecto
h) buscar a salvação na fuga, fugā salutem petere.
i) apoiar-se em alguma cousa, niti aliquā re
j) instruir alguém nas ciências, erudire (imbuere, informare, instituere, instruere) aliquem,
artibus (raro in artibus)
l) beneficiar, premiar, alegrar, castigar, injuriar, etc. alguém, affícere aliquem.

(3) beneficio, praemio, laetitia, poenā, iniuriā, etc.

m) ser beneficiado (premiado, alegrado, castigado, injuriado, etc.) por alguém, áffici (4)
ab aliquo beneficio (praemio, lactitia, poena, iniuria., etc.).

- Adjunto de causa

a) Regra geral: Abl simples ou acusat. com ob ou propter.

b) Quando a causa for impediente, pode-se usar prae e o ablat.: Não vereis o sol por causa
da multidão dos dardos, Solem prae iaculorum mullitudine non videbitis.

c) Com os verbos e adjetivos que indicam sentimentos (gaudere, laetari alegrar-se; dolere,
maerore afligir-se, superbire orgulhar-se, delectari deleitar-se, etc.; contentus contente,
laetus alegre, tristis triste, fessus cansado, etc.) usa-se em geral, o abl. simples, e não o
acusat. com ob ou propter: Gloriar-se da vitória, gloriari victoriā; é preciso afligir-se pela
falta (e) alegrar-se pela correção, oportet delicto dolere, correctione gaudere; a natureza
fica contente com pouco cuidado, parvo cultu natura contenta est .

Obs. - O adjunto de causa expressa-se, às vezes, pelo abl. com de (especialmente com a
palavra causa), com ex e ab (especialmente com o verbo laborare) : Por causa disto, qua,
de causa; ambos choravam, (mas) não por causa do seu próprio suplício: o pai chorava pela
morte do filho e o filho, pela do pai, flebat uterque non suo supplicio, sed pater de filii
morte, de patris filius; ter dor de rins (sofrer por causa dos rins), laborare ex rénibus; ser
atormentado pelas dívidas (sofrer por causa das dívidas), ex acre alieno laborare; achavam-
se em dificuldades com relação ao trigo (por causa do trigo), a re frumentaria laborabant;
não estou menos preocupado com meu irmão Quinto do que comigo mesmo, de Quinto
fratre meo non minus labóro quam de me ipso.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 241

- Adjunto de limitação

Indica uma espécie de restrição do que se afirmou: Os helvécios superam os outros gauleses
no valor.

Traduz-se com o abl. simples: Helvetii reliquos Gallos virtute praecedunt; os helvécios
incendeiam todas as suas cidades, (que eram) mais ou menos doze quanto ao número,
Helvetii oppida sua omnia numero ad duodecim incendunt; homens semelhantes entre si
tanto no aspecto quanto nos costumes, homines inter se cum forma tum moribus similes.

(3) Literalmente "atingir alguém por meio do benefício". etc.

(4) Literalmente "ser atingido por alguém por meio do benefícip, por meio do prêmio",
etc.

Obs. - a) O compl. de dignus e indignus coloca-se no abl. (de limitação): Todas essas
cousas são julgadas dignas de louvor, quae omnia laude digna ducuntur .

b) Em poesia o adjunto de limit. encontra-se freqüentemente no acusat.: Enéias brilhou


semelhante a um deus no rosto e no corpo, Aeneas refulsit os humerosque deo similis.

Adjuntos de tempo

- Dos adjuntos de tempo uns se traduzem com o ablat. (I), outros em o ablat. e acusat. (II),
outros somente com o acusat. (III).

-I-

- Quando?

a) Regra geral: Abl. simples.

b) Os nomes genéricos de tempo (puerícia, mocidade, velhice, consulado, batalha, guerra,


paz, etc.) quando não acompanhados de um atributo ou de um genit. exigem, em geral, a
prep, in: Não só na guerra, mas também na paz, non solum in bello, sed etiam in pace; no
seu consulado, consulatu suo; à chegada de César, adventit Caesaris.

c) A palavra tempus exige, em geral, a prep. in, quando indica "circunstâncias, condições":
Nas circunstâncias presentes, in hoc témpore - As expressões "em tempo, a tempo",
traduzem-se por tempore, in tempore ou tempori .

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E.I.E. Caminhos da Tradição 242

d) Nesse adjunto o número cardinal deve ser traduzido com ordinal correspondente no
singular: Em 1957 = anno millesimo nongentésimo qüinquagésimo septimo - Em exemplos
como esse, em palavras ano, dia, hora, em latim nunca se podem subentender.

- De quanto em quanto tempo?

Para traduzir esse adjunto, o cardinal português aumenta-se de uma unidade e se


transforma no ordinal correspondente; entre esse ordinal e o substantivo insere-se o
pronome, quisque, e põe-se tudo no abl. SINGULAR: De três em três horas, quarta quaque
hora; de quatro em quatro anos recenseia-se toda a Sicília, quinto quoque anno Sicília tota
censetur.

Obs. - Expressões como "um ano sim, um ano não; uma hora sim, uma hora não" e outras
similares, traduzem-se por altero quoque anno ou alternis annis, altera quaque hora ou
alternis horis.

- Quantas vezes por... ?

Esse adjunto traduz-se, geralmente, com in e o abl.: Duas vêzes por dia, bis in die; uma vez
só na vida, semel in vita .

- Em quanto tempo?

Traduz-se, em geral, pelo abl. simples; raramente pelo abl. com in ou pelo acusat. com inter
(ou intra) :

Os helvécios fizeram em vinte dias o que César realizara num so, Helvetii diebus viginti
confecerant, quod Caesar uno dic fecerat; o senado decretou que os embaixadores de
Jugurta partissem da Itália nos próximos dez dias, senatus decrevit ut in diebus proximis
decem legati lugurthae Itália decederent; em dez anos, inter decem annos, o cônsul
Lucrécio morre dentro de poucos dias, Lucretius consul intra paucos dies móritur .

- Por quanto tempo?

a) Regra geral: Acusat. com ou sem per .

b) Pode-se também usar o abl. simples: Combateu-se por cinco horas sem cessar, pugnatum
est continenter horis quinque .

e) Quando se indica que os efeitos de uma ação perdurarão no futuro, deve-se usar in e o
acusat.: Fizeram a paz por trinta anos, pacem ínierunt in triginta annos.

- Quanto tempo antes (depois)?

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a) Quando o adjunto de tempo que responde à pergunta “quanto tempo antes (depois)”, for
acompanhado por um nome, traduz-se com o abl. seguido por ante (ou post) : Poucos dias
depois da morte do Africano, paucis diebus post mortem Africani .

b) Quando esse mesmo adjunto for acompanhado por uma oração (Aristides morreu quatro
anos depois que Temístodes fora expulso) ou completar simplesmente o sentido de verbo
(Aristides morreu quatro anos depois), pode-se traduzir:

1. pelo ABLATIVO com a preposição ante (ou post) interposta ou posposta;

2. pelo ACUSATIVO com a preposição interposta ou (raro) anteposta:

Aristides decessit quattuor post annis (ou quattuor armis post, ou quattuor post annos, ou
Post quattuor annos) quam Themistoeles erat expulsus.

Obs. - Em lugar do cardinal pode-se usar o ordinal correspondente no singular: Ápio fez
estas cousas 17 anos depois do 2° consulado, haec Appius egit septemdecim annis (ou
septimo decimo anno) post alterum consulatum; Aristides decessit quarto post anno (ou
quarto auno post, etc.) quam Them. erat expulsus.

- Há quanto tempo?

a) -1. O adjunto de tempo que responde à pergunta "há quanto tempo", traduz-se com o
acusativo, quando indica que a ação ainda perdura: Árquias já há muitos anos tem
domicílio em Rom, Archías domicilium Romae multos iam annos habet.

2. Havendo um cardinal, muda-se, geralmente, no ordinal imediatamente superior (no


singular) : Já há 19 dias permitimos que se embote a força da autoridade destes, nos
vicesimum iam diem patimur hebescere aciem horum auctoritatis .

b) - 1. Esse mesmo adjunto, quando indica que a ação já decorreu, traduz-se pelo abl. com
hie, haec, hoe, ou pelo acusat. (raro ablativo) acompanhado por abhine: Havia em Roma um
rei 4OO anos atrás? his annis quadringentis Romae rex erat?
Fôste questor há 14 anos (14 anos atrás),quaestor fuisti ahhine annos quattuordecim ou
annis.

2. Notem-se estes outros modos de exprimir a mesma idéia: Quattuordecim anni sunt, cum
(ou ex quo) quaestor fuisti.

Obs. - - Neste adjunto a conj. que, os verbos fazer e haver impessoais, e o adv. Atrás não
se traduzem.

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- Para quando?

Traduz-se com in e o acusat.: Catilina pedia o consulado para o ano seguinte, Catilina in
proxumum annum consulatum petebat; os helvécios marcam por meio de uma decisão
pública a partida para o terceiro ano, Helvetii in tertium annum prof ectionem. lege
confirmant.

- Daqui a quanto tempo?

Traduz-se com ad e o acusat.: Irei daqui a dez anos, veniam ad decem annos .

Obs. - Expressões como "de dia para dia, de uma hora para outra, etc." traduzem-se com in
e o acusat. plural, acompanhado, às vezes, por singuli: O número dos inimigos cresce de dia
para dia, crescit in dies hostium numerus ; envio-te cartas cada dia mais curtas, in dies
singulos breviores litteras ad te mitto .

ABLATIVO, acusatívo e genitivo

Adjuntos de lugar

- Lugar onde

a) Regra geral: Abl. com in.

b) Pode-se omitir o in com a palavra locus e com os nomes de países, regiões (lugares em
geral), quando unidos a sinônimos de todo e meio: No lugar, in loco ou loco; Destes
lugares, in his locis ou his locis; em toda a Itália, in tota Italia ou tota Italia; no meio da
cidade in media urbe ou media urbe.

c) DEVE-SE omitir o in diante dos nomes próprios de cidades: Em Cartago, Carthagine;


em Atenas, Athenis

Obs. - 1. Com os nomes próprios de cidades e ilhas pequenas (1) da 1ª ou da 2ª decl.,


singulares, usa-se o genitivo (2): Em Roma, Romae; em Hadrumeto, Hadrumeti; Conão
viveu em Chipre (ilha), Conon vixit Cypri.

2. O mesmo acontece com domus, humus, rus, cujo genit. locativo é respectivamente domi,
humi, ruri: Ficam em casa, domi rémanent; estar deitado no chão, iacére humi; morar no
campo, ruri habitare.

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3. Notem-se as expressões dom! bellique e domi militiaeque (na paz e na guerra), que são
genitivos locativos com valor temporal.

- Lugar donde

a) Regra geral: Abl. com ab, ex, de.

b) Omite-se a preposição diante dos nomes próprios de cidades e de ilhas pequenas; com
domus, humus e rus: Pompeu parte de Lucéria (cidade), Pompeius Luceria proficiscitur.
para os que partem de Atenas, Athenis proficiscentibus; Dolabela parte de Delos (ilha),
Dolabella Delo proficíscitur; não sairam de casa, se domo non commoverunt; o vento
levanta a areia do chão, ventus arenam humo excítat; perguntas se voltei do campo, rure an
redierim quaeris.

C) Os verbos abesse, distare (estar ausente, distar), consídere (acampar-se) e os advérbios


longe e procul (longe) exigem, em geral, a prep. ab diante do adjunto de lugar donde, ainda
que seja nome próprio de cidade: Então Bruto estava ausente de Roma, tum Brutus ab
Roma aberat ; Bide é uma cidade não longe de Siracusa, Bidis oppidum est ... non longe a
Syracusis; no dia seguinte os inimigos tomaram posição nos outeiros longe do
acampamento, postero die procul a castris hostes in collibus constiterunt.

Quaesivit a me

- Os verbos petere (pedir), quaerere, sciscitari (perguntar), exigem a pessoa, à qual se pede
(ou pergunta) alguma cousa, no ablat. com ab, ex ou de, como se fosse lugar donde
(figurado) : Pedir-lhe, ab eo petere; perguntou-me, quaesivit a me (ibidem); Messala
perguntou a Pompeu, Messa1a de Pompeio.

(1) Pede-se dizer que os clássicos, latinos consideravam PEQUENAS todas as ilhas por eles
conhecidas, exceto Britannia, Córsica, Hibernia (Irlanda), Sardinia, Sicília, Euboea.

(2) Chama-se genitivo locativo.

quaesivít; pergunta a Domício onde ele esteja, de Domitio sciscitare, ubi sit.

Obs. - Petere pode ter também o sentido de "atacar" e "dirigir-se para"; em ambos
esses casos exigem seu complemento no acusat. sem preposição: Atacas a república, rem
publicam petis; a frota inimiga dirige-se para a Itália, hostium. classis Italiam (não in
Italiam) petit.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 246

Magno me metu liberabis

- Com os verbos sinônimos de "afastar" (pello, expello, depello, eicio, deicio,


deturbo, amoveo, avoco, arceo, prohibeo, etc.), de "abster-se" (abstineo, etc.), de "livrar"
(libero, solvo, absolvo, etc.), de "aliviar" (levo, etc.) e com os adjetivos: alienus alheio,
immúnis isento, imune, liber livre, nudus despido, orbus destituído, purus purificado,
vacuus vazio, etc., o adjunto de lugar donde (que neste caso, costuma chamar-se de
afastamento ou separação), se indicar seres inanimados pode dispensar a preposição:

Livraram-se destes males pelo dinheiro, ex his incommodis pecunia se liberaverunt;


livrar-me-ás de grande medo, magno me metu libeTabis afastai a pátria deste perigo, a quo
periculo rempublicam prohibete os helvécios afastam (mantêm afastados) os germanos do
seu território, Helvetii suis finibus Germanos próhibent; a própria Messina está vazia e
destituída destes objetos, ipsa Messana ab his rebus vacua atque nuda est; os epicureus
afirmam que nenhuma hora deve ser privada de prazer, Epicuréi dísputant horam nullam
vacuam voluptate esse debere.

Amplissimā familiā nati

- Com os verbos sinônimos, de "nascer" (nasci, gigni, generari, oriri) e com os


adjetivos relacionados com "nascer" (oriundus, prognatus, etc.), o adjunto de lugar donde
(que, neste caso, pode chamar-se também adjunto de ORIGEM) traduz-se regularmente
com ab, ex, de e o ablat.: O Reno nasce da região dos lepôncios, Rhenus oritur ex
Leponflis; nascidos em Cartago, mas originários de Siracusa, vati Carthagine sed oriundi
ab Syracusis; os aduátucos eram descendentes (descenúiam) dos cimbros e dos teutões,
Adualitei eravt ex Cimbris Teutonisque prognati.

Porém os substantivos sinônimos de "família" (familia, genus, gens, locus, stirps),


quando unidos a um sinônimo de "nascer", ou a um adjet. relacionado, repelem, em geral, a
preposição: MOÇOS nascidos de família nobilíssima, amplissima familia nati adulescentes;
Critognato, oriundo de família ilustre ... Critognatus, summo loco ortus.

Obs. - O nome próprio do lugar de origem de uma pessoa traduz-se pelo adjetivo
correspondente ou, menos freqüentemente, pelo abl. com ab ou ex: Temístocles de Atenas,
Thermistocles Atheniensis; Turno de Arícia, Turnus ab Aricia; certo espanhol (chamado)
Quinto Júnio, Quintus Iunius ex Hispania quidam.

Obs. - Com os nomes próprios de cidades pode-se omitir a preposição: Mágio de


Cremona, Magius Cremona.

- Lugar para onde

a) Regra geral: Acusat. com in (entrada num lugar) ou ad.

b) Omite-se a preposição diante dos nomes próprios de cidades, ilhas pequenas, domus e
rus: Foram embaixadores de Roma para Cartago, Roma legati Carthaginem venerunt;

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E.I.E. Caminhos da Tradição 247

Cimão foi mandado como comandante para Chipre (ilha), Cimon Cyprum imperator
missus est; fugir da cidade para o campo, rus ex urbe evolare; retorno para casa, reditio (1)
domum.

Obs. - Humi, genit. locat., serve também para o adjunto de lugar para onde:
Tremens procumbit humi bos; o boi vacilando cai no chão.

(1) Os substantivos VERBAIS têm a mesma regência que o verbo do qual derivam.
(2) A palavra DOMUS, acompanhada por ALIENUS, por um GENITIVO ou por um
POSSESSIVO, pode dispensar a preposição: In aliena domo ou alienas domi

- Notas sobre os adjuntos de lugar: onde, donde e para onde

a) Os nomes próprios de cidades e de ilhas pequenas, domus e rus exigem a preposição


conveniente, quando forem acompanhados de atributo ou de aposto: Cimão faleceu na
cidade de Cício, Cimon in oppido Citio est mortuus; Da própria Alexandria, in ipsa
Alexandrea; todos se dirigiram para aquela casa, na qual esse residia, omnes ad eam
domum (2), in qua iste deversabatur, profecti sunt ; de meu campo vizinho, ex meo
propinquo rure.

b) Quando, nos casos acima, o aposto de um nome próprio de cidade for modificado por um
atributo ou por um genitivo somente o aposto pode receber ou dispensar a preposição
conveniente: Pararam em Alba, cidade muito bem situada, Albae constiterunt, (in) urbe
opportuna; Jugurta chegou a Tala, cidade grande e rica, Iugurtha... Thalam pervenit, (in)
oppidum magnum atque opulentum; (partindo) do célebre município de Túsculo, Tusculo,
(ex) claríssimo município.

Caesar a Gergovia discessit.

a) As preposições ab e ex, usadas diante dos nomes próprios de cidades, indicam


geralmente afastamento dos arredores da cidade mencionada: Caesar a Gergovia discessit,
César partiu dos arredores de Gergóvia.

b) A prep. ad, diante de um nome próprio de cidade, indica geralmente vizinhança ou


direção: Caesar poucos dies ad Vesontionem moratur, César demora-se uns dias perto de
Besançon; tres viae sunt ad Mutinam há três caminhos para (em direção de) Módena.

Obs. - O lugar, perto do qual acontece algum fato, traduz-se com ad ou apud e o acusat. ou
com o adjet. Correspondente: Batalha de Canas, pugna ad (apud) Cannas ou pugna
Cannensis (ef. Liv 22.5O.1 e 4).

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- Lugar por onde

a) Regra geral: Acusat. com per: Fébidas, passando por Tebas (cidade), ocupou a fortaleza,
Phoebídas, cum iter faceret per Thebas, arcem occupavit.

b) Usa-se quase sempre o abl. simples com os nomes próprios de rios; com terra, mare; iter,
via; pars, pons; porta, regio e sinônimos:

O exército através do Pó foi conduzido a Cremona, exercitus Pado traiectus (est)


Cremonam; Alcibíades foi general habilíssimo por terra e por mar, Alcibiades imperator
fuit summus et terra et mari ou terra marique dirigiram-se para Placência pelo caminho
mais curto, Placentiam recto itinere perrexere. Catilina partiu pela via Aurélia, Catilina via
Aurélia projectus est.

- Principais advérbios de lugar

- Adjunto de distância

Indica o espaço que há entre dois lugares e traduz-se:

1. com o ablat.;

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2. com o acusat.;

3. com o genit. acompanhado por spatio (ou intevallo):

César colocou a legião a duzentos passos daquele outeiro, legionem Caesar passibus
ducentis ab eo tumúlo constituit; as torres distavam entre si oitenta pés, turres pedes
octoginta inter se distabant ; Sulmona dista sete milhas de Corfínio, Sulmo a Corfinio VII
milium intervallo (ou spatio) abest.

Obs. - Notem-se as expressões- castra aberant bidui, o acampamento distava (uma


viagem) de dois dias, isto é, dois dias de viagem; Zama quinque dierum iter a Carthagine
abest, Zama dista cinco dias de caminho (um caminho de cinco dias) de Cartago.

ABLATIVO e dativo

- Agente da passiva

Traduz-se pelo abl. com ab, se for ser animado; pelo abl. simples, se for inanimado:
Catilina não foi recebido por Lepido, Catilina a Lepido non est receptus ; ser impedido pelo
povo romano, a populo Romano impediri ; César foi abalado por estas circunstâncias,
Caesar his rebus commotus est.

Obs. 1ª - Os seres personificados exigem em geral, a preposição, embora não sejam


animais nem pessoas: Os nossos eram abandonados pelo chefe e pela sorte, nostri ab duce
et a fortuna deserebantur.

Obs. 2ª - Com probari (ser louvado, ser aprovado) e com verbos formados com o
part. perf., o agente da passiva pode-se encontrar no dativo: Pompeu julga que aqueles
planos são aprovados por mim, Pompeius iudicat ea mihi probari; todos os ex-cônsules, que
foram por ti muitíssimas vezes destinados à morte, omnes consulares, qui tibi persaepe ad
caedem constituti fuerunt.

ABLATIVO e genitivo

- Adjunto de avaliação (ou apreciação)

Indica quanto uma coisa vale ou se julga valer; acompanha os verbos sinônimos de
"valer" (esse) e "avaliar" (ducere, habere, pendere, putare, aestimare, existimare, facere,
etc.).

Se é um substantivo, traduz-se pelo abl. simples; se é uni advérbio de intensidade


(tanto, quanto, pouco, muito, mais, menos, etc.),traduz-se pelo genit. sing. neutro do

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E.I.E. Caminhos da Tradição 250

adjetivo correspondente: Um módio de trigo valia cinco dinheiros, trifici modius denariis
quinque erat; Antônio avaliara o trigo tanto quanto Sacerdote, Antonius tantídem
aestimarat frumentum quanti Sacerdos (ibidern); um homem só valeu mais do que uma
inteira cidade, unus homo pluris quam civitas fuit; cada qual seja estimado pelos amigos,
tanto quanto ele mesmo se estima, quanti quisque se facit, tanti fiat ab amicis .

Obs.
a) Neste adjunto "pouco" traduz-se por parvi (não pauci), "muito" por magni (não multí) :
Lélio pouco apreciava isso, Laelius parvi id ducebat; sua obra foi muito apreciada, magni
opera eius existimata est.

b) Notem-se as expressões pro nihilo ducere, não avaliar em nada.

Adjunto de preço

Indica, em geral, o custo de alguma coisa; acompanha quase sempre, os verbos:


vendere vender, emere comprar, locare alugar (a outrem), conducere alugar (de
outrem), stare constare custar, habitare pagar o aluguel. Licere expor à venda, licere
ser exposto à venda.
Traduz-se com o abl. simples: Vender alguma cousa por muito dinheiro, vendere
aliquid pecunia grandi; pergunto porque os bens de Róscio tenham sido vendidos por
tão pouco, quaero cur bona Roscii tantulo venirint; aquela vitória custou aos
cartagineses muito sangue e muitas feridas, multo (1) sanguine ae vulneribus ea
Poenis victoria stetit .
Obs. - Os advérbios tanto, quanto, mais, menos, neste adjunto, traduzem-se pelo genit.
neutro do adjetivo correspondente: tanti, quanti, pluris, minóris: Vendo o meu
(produto) não mais (caro) do que os outros, talvez até mais barato (por menos), vendo
meum non pluris quam céteri, fartasse etiam minoris.

- Adjunto de culpa

Indica a falta pela qual alguém é condenado ou da qual é acusado, absolvido, etc.

a) Quando a falta é expressa por palavras genéricas (crime, delito, etc.) traduz-se pelo
ablativo simples: Os colegas dele eram acusados deste crime, collegae eius hoc crimine
accusabantur; os que Gélio e Lêntulo acusaram (do crime) de furto, voltaram para o
senado, quos Gellius et Lentulus furti nomine notaverunt, ei in senatum redierunt.

b) Quando a falta é expressa por palavras determinadas (roubo, homicídio, traição,


etc.), traduz-se pelo genitivo: Milcíades foi acusado de traição, Miltiades acutsatus est
proditionis; Célio absolveu das injúrias aquele que ofendera a Lucílio, Caelius absolvit
iniuriarum eum, qui Lucilium laeserat ambos, foram condenados por peculato, ambal
peculatus damnati sunt.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 251

Obs.
- a) Em vez do genitivo pode-se encontrar o abl. com de: Accusare aliquem de
negligentia, acusar alguém de negligência; damnatus de repetundis, condenado por
concussão.

b) Notem-se as seguintes construções: Accusare aliquem propter iniurias, inter


sicários, acusar alguém de (por causa de) injúrias, de assassínio; absolvere aliquem
regni suspicione, absolver alguém da suspeita de (aspirar ao) reino.

(1) Os advérbios (não os adjetivos) muito e pouco, no adjunto de preço sempre se


traduzem por MAGNO e PARVO: Célio alugou por pouco uma casa no
Palatino, Caelius conduxit in Palatio non magno domum.

- Adjunto de pena

Indica o castigo com o qual alguém é punido; encontra-se com os verbos damnare,
condemnare (condenar), multare (multar, condenar) e semelhantes.

Traduz-se com o abl. simples: Milcíades foi condenado (a pagar uma quantia de)
dinheiro, Miltiades pecunia multatus est; (os homens fraudulentos) são condenados à
prisão, às varas, ao exílio, à morte, fraudes vinculis, verbéribus, exsiliis, morte damnantur.

Obs. –
a) Usa-se o genitivo, quando se trata de uma pena indeterminada (mais, menos, dobro, etc.)
: Desejo que Aprônio seja condenado (a pagar) oito vezes (mais), cupia óctupli damnari
Apronium ; um ex-pretor não pode ser condenado (a pagar) menos, minoris praetorius
homo non potest damnari.

b) Notem-se as seguintes versões: Condenar à morte, damnare capite ou capitis, morte


multare; condenar a trabalhar nas minas, a ser devorado pelas feras, damnare ad metalla, ad
bestias.

ABLATIVO, genitivo e nominativo

- Adjunto de abundância ou falta (2)

a) Traduz-se geralmente com o abl. simples, quando completar o sentido de um destes


verbos ou adjetivos:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 252

abundare - abundar onerare – carregar spoliare - despojar


carere - carecer orbare - privar vestire - vestir
locupletare – enriquecer privare - privar gravis - carregado
cumúlare - cumular replere - encher (3) onustus - carregado
nudare - despir scatere - estar cheio praeditus - dotado

Exs.: Mário carrega os navios de armas, Maríus armis naves onerat; a pátria foi
privada de muitos varões ilustres, Patria multis CIaris viris orbata est; homem dotado de
virtude especial, vir singulari virtute praeditus; navios carregados com os despojos dos
inimigos, naves hostium spoliis graves.

b) Com os verbos egere, indigere precisar, carecer, implere, complere encher, e com os
adjetivos affluens abundante, egenus necessitado, expers isento, ferax, fertílis fértil, inanis
vazio, inops pobre, plenus cheio, refertus repleto, e poucos outros, além do ablativo,
encontra-se também o genitivo.

Exs.: Não preciso de remédio, non egeo medicina ou medicinae; precisar de


dinheiro, indigere pecunia; preciso de um conselho teu, indigeo, tui consilii; pobre de
palavras, inops verbis; pobres em amigos, ínopes amicorum; casa cheia de enfeites, plena
domus ornamentis; vemos todos os atos públicos cheios de conselhos, vazios de palavras,
omnia plena consiliorum, inania verborum videmus .

(2) O adjunto de abundância participa da idéia do adjunto de meio; o de falta participa da


idéia do adjunto de lugar donde (afastamento).

(3) Têm a mesma regência todos os verbos sinônimos de "encher" (explére, inficere,
refercire, etc.), exceto implére o complére .

Sparsi rorabant sanguine vepres

- Os verbos manare, manar, deitar, pluere chover, rorare orvalhar, gotejar, sudare
suar, stillare gotejar, pingar, exigem no ablativo a matéria que mana, que goteja, etc.: Os
espinheiros aqui e acolá gotejavam sangue, sparsi rorabant sanguine vepres; as quatro
estátuas suaram (deitaram) muito sangue, quattuor signa sanguine multo sudavere
Obs. - Com manare encontra-se também o nominat.: Muitas coisas promanam da
lua, multa a luna manant.

Nobis exempla permulta opus sunt

- A expressão OPUS ESSE (ser preciso, ser necessário) pode ter construção pessoal
ou impessoal. Em ambas as construções a palavra opus fica invariável e a pessoa, à qual
algo é necessário, coloca-se no dativo.

A construção pessoal consiste em se tornar sujeito do verbo esse, aquilo de que se


precisa: Nós precisamos de muitíssimos exemplos, nobis exempla permulta opus sunt.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 253

A construção impessoal consiste em colocar no ablativo aquilo de que se precisa, e


em deixar o verbo esse na 3ª pessoa sing.: Nobis exemplis permultis opus est.

Obs. 1ª -
a) As duas construções são, em geral, usadas indiferentemente; deve-se, porém, usar a
constr. pessoal, quando aquilo de que se precisa, for um pronome (ou adjet.) neutro: O dono
providenciará as coisas que são necessárias, quae opus sunt dominus Praebebit; preparam-
se de noite todas as cousas que são necessárias para o assalto do dia seguinte, quaecumpre
ad proximi diei oppugnationem opus sunt noctu comparantur.

b) Quando o "não" se traduz por "nihil" e nas interrogativas precedidas por "quid" sempre
se usa a constr. impessoal: Não houve necessidade de tantas palavras, nihil opus fuit tam
muItis verbis; que necessidade há de carrasco? quid opus est tortére?

Obs. 2ª-
a) O verbo que indica aquilo de que se precisa, coloca-se no infinit. ou no part. passado: É
preciso que se faça isso, hoc fieri opus est; é preciso começar, incepto opus est (Sal. C
2O.1O).

b) Se o verbo, que quisermos traduzir com o part. passado, tiver obj. dir. expresso,
deveremos colocar esse obj. dir. no abl. e com ele fazer concordar o part. pass.: Eu não
preciso (não tenho interesse em) arruinar a república, mihi perdita republica opus non est.

- Adjunto de argumento

Indica o assunto de que se trata e costuma acompanhar os sinônimos de falar,


escrever, dissertar, etc.

Traduz-se com de (raramente super) e o ablat.: Discutir a respeito de tudo, disputare


de omni re; alusão ao dinheiro, mentia de pecunia; a respeito deste assunto (já se falou)
demais, hac super re nimis.

Obs.
a) Com admonére, commonere e sinônimos, e em alguns outros casos, encontra-se também
o genit.: A carta, na qual me chamas atenção a respeito do pórtico de Cátulo, epistula in qua
de porticu Catuli me ádmones; Catilina chamava a atenção de muitos a respeito do perigo,
Catilino. admonebat complures periculi; alusão ao dinheiro, mentio pecuniae.

b) Nos títulos pode-se encontrar também o nominativo: O orador, orator ou de oratore.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 254

- ABLATIVO COM OS NOMES

- Adjunto de matéria

A matéria de que algo é feito, traduz-se com ex ou de e o abl. ou com o adjet.


correspondente (se existir) : Anel de ouro, annúlus ex auro ou annulus aureus; torre de
tijolos, turris ex látere.

- Adjunto de qualidade

O substantivo que indica a qualidade, traduz-se com o ablativo simples ou, menos
freqüentemente, com o genitivo: Dátames, revestiu de uma belíssima veste a Túis, homem
de corpo enorme e de aspecto terrível, pois era de cabelo longo e barba comprida, Thuyn,
hominem maximi corporis terribilíque facie, quod capillo longo barbáque promissa erat,
optima veste texit.

Obs. 1ª- Este adjunto em latim deve ser acompanhado por um adjetivo conveniente:
Homem de prudência, vir praestanti prudentia.

Obs. 2ª- Tratando-se de qualidades não atribuídas a pessoas, ou de medidas, usa-se


unicamente o genitivo: Ninguém tem um campo melhor ou de mais valor, agrum meliorem
neque maioris pretii nemo habet; uma pausa de três dias, tridui mora; são mandados
preparar mantimentos de (para) alguns dias, cibaria dierum aliquot parare iubentur; uma
fossa de quinze pés, fossa pedum quindecim .

VOCATIVO

- A respeito deste caso só resta dizer que algumas vezes, também na: prosa, se encontra o
nominativo em vez do vocativo: Audi tu, populus Albanus, ouve, tu, ó povo albano

ACUSATIVO

OBJETO DIRETO

- A preposição "a" no obj. dir.

Já sabemos que o obj. dir. é um complemento que recebe a ação do verbo transitivo direto
sem auxílio de preposição.

Porém, quando for um nome de pessoa ou animal, ou preceder o verbo, ou assim a clareza
exigir, o objeto direto, em português, pode ser precedido pela preposição a: Bruto
assassinou a César; ele subjugou ao tigre; somente ao tronco, que devassa os ares, o raio
ofende , à noite vence o dia; esta é a fé que vence ao mundo.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 255

Em latim o obj. dir. sempre se traduz com o acusat.: Arníbal afugentou a Minúcio,
Hannibal Minucium fugavit.
Obs. - Nos casos acima a prep. a pode encontrar-se também diante do sujeito: Com razão
honra-se muito a Cícero = com razão Cícero, é muito honrado.

- Verbos transitivos diretos em latim

Em latim são transitivos diretos (e, portanto podem ter obi. dir.) os seguintes verbos, os
quais em português são geralmente transitivos indiretos:

1. Adiuvare e iuvare, também no sentido de "ser útil, agradar": O fato de tu estares alegre
muito agrada a mim, te hilari animo esse valde me iuvat

2. Appellare, não só no sentido de "chamar", mas também no sentido de "apelar para": O


procurador apelou para os tribunos, procurator tribunos appellavit.

3. Deficere no sentido de "faltar"-. Aos nossos soldados faltavam também as armasi. etiam
tela nostros deficiebant.

No sentido de "passar-se para, bandear-se para" é intransitivo: Bandearam-se para os


cartagineses estes povos, defecere ad Poenos hi populi.

4. Decere (convir) e dedecére (não convir) : Ao (homem) pequeno convêm coisas


pequenas, parvum parva decent.

5. Horrére, reformidare (ter horror de, ter medo de): Tenho medo da guerra, bellum
reformído; tinham horror da crueldade de Ariovisto, Aríovisti crudelitatem horrebant.

6. Inridére, deridére, ridére (zombar de) - Zombai de todos esses, istos omnes deridete;
zombando dos deuses por brincadeira, per iocum deos inrídens

7. Olére, redolére (ter cheiro de) ; sapere, resipere (ter sabor de) : Tem cheiro de vinho,
vinum redolet; uva que tem sabor de piche, uva picem resipiens .

8. Sitire (ter sede) : Não tenho sede de cargos públicos, non sitio honores

9. Miserari (ter compaixão, queixar-se) : Queixavam-se do perigo comum, commune


periculum miserabantur; tinham compaixão de seus filhinhos, miserari parvos líberos.

1O. Queri, conqueri (queixar-se) : Queixavam-se de sua sorte, suum fatum querebantur ou
de suo fato.

11. Desperare (desesperar): Desesperar da salvação, desperare salutem ou saluti ou de


salute.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 256

- Transitivos diretos compostos de intrans. e de trans. indir.

Muitos verbos intransitivos e trans. indir. (currere, íre, venire, loqui, etc.) podem tornar-se
transitivos diretos, quando unidos a uma preposição que acompanhe o acusat.:
Circumvenire hostes rodear os inimigos; circumveniri ab hoste, ser rodeado pelo inimigo;
alloqui (ad-loqui) Oppianicum, falar com Opiânico; Caesarern convenire, encontrar-se com
César.

Tridui viam progressi

- Alguns verbos intransitivos e trans. indir. podem tornar-se trans. diretos, quando o seu
complem. tenha a mesma raiz ou o mesmo significado que o verbo: Creio que os vossos
pais vivem (ainda) e (vivem) aquela vida, a qual somente merece este nome, ego árbitror
vestros patres vivere et (vivere) cam vitam quae sola est nomivanda; Zenão dizia que os
sábios são reis, ainda que sejam escravos, Zenon dicere solebat sapientes, si servitutem
serviant, esse reges; tendo percorrido uma distância de três dias de caminho, tridui viam
progressi...

Verbos transitivos diretos sem obj. dir.

Há verbos transitivos diretos que aparecem, às vezes, sem obj. dir. expresso, porque
este facilmente pode ser deduzido:

Conscendere navem ou, simplesmente, conscendere = subir no navio; movere castra


ou movere = levantar o acampamento, sair com o exército; mortem obire ou obire =
morrer; absolvêre rem ou absolvere = explicar alguma coisa, resolver um assunto; merere
stipendia ou simplesmente merere = merecer o soldo (ser militar).

DUPLO ACUSATIVO

- Os verbos sinônimos de "chamar" (dicere, appellare, nominare, vocare, etc.), de


"julgar, pensar" (arbítrari, ducere, habere, iudícare, facere, etc.), de "eleger" (creare,
elígere, etc.), de "mostrar-se" (se praebere, etc.) e outros similares, costumam ter dois
acusativos: o da pessoa, animal ou coisa, que se chama, julga, etc. (obj. dir.), e o da
qualidade que se atribui a essa pessoa, animal ou coisa (predicativo do obj. dir.) :

Platáo chama o prazer alimento de males, Plate escam malorum appellat


voluptatem; os que não entendem isso muito bem, julgam a sabedoria (ser) maldade, quod
qui parum perspiciunt... malitiam sapientiam iudicant; Sócrates julgava-se cidadão de todo
o mundo, Socrates totias mundi se civem arbitrabatur, T. Barbato elege consules a Papírío e
Semprônio, Titus Barbatus consules creat Papirium (et) Sempronium; mostrar-me-ei
severo, me severum praebebo.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 257

Quis docuit musicam Epaminondam?

- Os verbos docore e edõocere (ensinar), celare (ocultar), interrõgõre, percontari ou


percunetari (perguntar), orare, rogare (perguntar, pedir), poscere, resposcere, Flagitare,
postúlare (pedir), usados ativamente, exigem no acusativo a pessoa (à qual algo se ensina,
oculta, pergunta ou pede) e a coisa (que se ensina, oculta, etc.):

Quem ensinou música a Epaminondas? quis docuit musicam, Epaminondam?


Catilina instruía os jovens no crime, Catilina inventutem mala facinora edocebat. Êumenes
oculta a todos o caminho, Eumenes iter omnes celat. Sócrates pergunta umas questões de
geometria a certo rapazinho, pusionem quendam Socrates interrogat quaedam geometrica;
Aselo perguntou ao cônsul se era lícito combater, Asellus consulem percunctatus est,
liceretne pugnare; pediam auxílios ao rei, auxilia regem orabant; Racílio perguntou a mim
(meu) parecer, Racilius me sententiam rogavit; Verres pedia aos pais dinheiro para a
sepultura dos filhos, Verres parentes pretium pro sepultura liberum poscebat; os
embaixadores de Hena pedem-lhe a estátua de Ceres, legati Hennenses cum simulacrum
Céreris reposcunt; César pedia trigo aos éduos, Caesar Haeduos frumentum flagitabat;
pedes a mim duas orações, orationes me duas postulas.

- Notas sôbre celo e doceo

a) Com celare a cousa ocultada pode achar-se também no abl. com de: Nosso amigo Basso
ocultou-me este livro, Bassus noster celavit me hunc librum ou de hoc.

b) Se o verbo celare está no passivo, o abl. com de é preferível ao acusativo: A Basso


nostro celatus sum de hoc libro, melhor que hune librum.

Obs.
1ª - Docere aliquem de aliquare significa "informar, avisar alguém a respeito de alguma
coisa": Caesar praemittit ad Boios, qui de suo adventu doceant. César manda aos bóios
(embaixadores), que (os) informem de sua chegada.

2ª Doctus,a,um, exige no abl. simples a coisa de que alguém é conhecedor: Instruída na


literatura grega e latina, litteris Graceis et Latinis docta.

3ª - O passivo de "instruir" traduz-se por erudiri, imbui, etc.

- Notas sobre percontor, posco, reposco, fiagito e postúlo

Com esses verbos o nome da pessoa, à qual algo se pede ou pergunta, encontra-se
também no abl. com ab, e, mais raramente, com ex: Perguntando a homens experimentados,
in percontando a peritis; perguntando a certa velhinha ... cum, percunetaretur ex anicúla
quadam; peco-te os registros, abs; te litteras posco; pedir-te-ão conta, abs te rationem

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E.I.E. Caminhos da Tradição 258

reposcent; (o poeta) pede-lhes uma recompensa de glória, mercedem gloriae flagitat ab


iis...; pedir-lhe, ab co postulare .

Obs.
1ª Posco, reposco e flagita no passivo são pouco usados.

2ª Note-se a construção "percontari (rogare, interrogare) aliquem de aliquare" que significa


"interrogar alguém a respeito de alguma coisa".

3ª Note-se a expressão "rogatus sententiam" = interrogado a respeito de seu parecer.

4ª IMPORTANTE - A coisa ensinada, ocultada, perguntada, etc. coloca-se no acusat., se


for pronome (ou adjet.) NEUTRO: Aquilo que te peço, illud, quod te rogo.

- Verbos compostos de TRANS

Com os verbos transitivos diretos compostos com a prep. trans, o lugar além do qual se
passa, coloca-se no acusat. simples, raramente no acusat. com trans.: César faz passar além
do rio uma parte da cavalaria, Caesar equitum partem flumen traicit; transportar o exército
além do Reno, exercitum Rhenum transportare; César pediu a Ariovisto que não
transportasse mais nenhum contingente de homens além do Reno, Caesar ab Ariovisto
postulavit ne quam hominum multitudinem amplius trans Rhenum traduceret.

VERBOS IMPESSOAIS

- Os verbos impessoais:

miseret, misertum est, miserere - compadecer-se, ter compaixão;


paenitet, paenituit, paenitére - arrepender-se;
piget, Piguit ou Pigitum est, pigere - sentir pesar, enfadar-se;
pudet, puduit ou pudítum est, pudere – envergonhar-se;
taedet, taeduit ou taesum est, taedére - enfastiar-se, ter nojo;

a) Usam-se unicamente na 3ª pess. sing.

b) O sujeito (português) dos mencionados verbos coloca-se no ACUSATIVO.

c) O pronome oblíquo que acompanha esses verbos em português, NÃO se traduz.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 259

Exs.: Os outros se envergonhem, ceteros pudeat; tenho pena e tenho nojo dos costumes da
cidade, me civitatis morum piget taedetque.

- Aquilo de que alguém se compadece, arrepende, etc. traduz-se :

a) Pelo acusat., se é um pronome (ou adjet.) neutro: Eu me arrependo disto, hoc me paenitet
.

b) Pelo genit., se é um pronome (não neutro) ou um substantivo: Envergonho-me não de ti,


mas de Crisipo, pudet me non tui quidem, sed Chrisippi; eu também me arrependo do meu
erro, me quoque erroris mei paenitet.

c) Pelo infintivo, se for um verbo: Quem dentre os romanos se envergonha de levar sua
esposa para um banquete? quem Romanorum. pudet uxorem ducere in convivium?
envergonho-me de servir (ser escravo), pudet (1) servire.

Obs. - Com paenitet encontra-se também quod e o subj.: An paenitet vos, quod nulla nave
desiderata exercitum traduxeriin? não estais satisfeitos por ter eu transportado o exército
sem ter perdido nenhum navio?

- a) O verbo servil (2) que acompanha os sobreditos verbos impessoais, coloca-se na 3ª


pess. singular: Começamos (a) nos arrepender, nos paenitere coepi.

b) O imperat. dos mencionados verbos impessoais verte-se pelo subj. pres.: Compadece-te
dos outros, te aliorum misereat.

(1) com esses verbos impessoais o.sujeito pronominal português pode-se omitir em latim.

(2) Chamam-se SERVIS aqueles verbos que, em latim, costumam ser acompanhados pelo
infinitivo. Tais são: Posse poder, debere dever, audére ousar, ággredi, incípere, coepisse
começar (a), conari tentar, pergere continuar (a), festinare, properare apressar-se (em),
solere, consuevisse costumar, desistere, desínere, cessare cessar (de), mittere, omittere
abster-se de, discere aprender a, parare preparar-se para, etc.

Obs.:
- Nao se confunda miseret (miserere) com miserari nem com miseréri, que não são
impessoais: Tende compaixão dos aliados, miseremini sociorum.

Num me fefellit dies?

- Os verbos fallere, fugere, latere, praeteríre, quando significam "não saber, ignorar,
esquecer", exigem que o sujeito português em latim se torne obj. dir. e vice-versa: Por
acaso eu não soube o dia? num me fefellit dies ? esqueci-me de te escrever, fugit me ad te
scribere ; tu sabes quanto é difícil renunciar às próprias idéias em política, te non practerit

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E.I.E. Caminhos da Tradição 260

quam sit difficile sensum in republica deponere; muitos não sabem, latet plerosque ; e
Dionísio não ignorava: essas cousas, neque haec Dionysium fugiehant.

DONARE

Donare afiquid aficui ou donare aliquem aliquā re

- O verbo donare (doar, presentear) tem em latim duas construções, que correspondem às
construções portuguesas de doar e presentear- Doar alguma coisa a alguém, donare afiquid
alicui; presentear alguém por meio de alguma coisa, donare afiquem aliquā rē

Obs. - No passivo pode-se dizer: mihi donatur aliquid (a mim é doado algo) ou ego donor
aliqua re (eu sou presenteado por meio de alguma coisa).

- As mesmas construções de donare se encontram com os verbos admiscére,


miscére misturar, aspérgere aspergir, augére aumentar, circúmdare rodear, exúere
despir, indúere vestir, revestir, interclúdere impedir, interceptar:

Misturar o pranto com o sangue, miscere fletum cruóri ou fletum cruore; além de
fletum cum cruore; cercar a cidade por meio de uma trincheira, circumdare oppido valium
ou oppidum vallo; Dejanira revestiu Hércules com uma túnica, Dejanira induit Herculi
tunicam ou Herculem tunica; aspergir o altar de sangue, aspergere sanguinem arae ou
sanguine aram; aumentar a alguém as riquezas, augere alicui divitias ou aliquem divitiis;
impedir a estes o acesso, hisce áditum intercludere ; interceptar os víveres aos nossos,
nostros commeatibus ínterctudere.

ADJUNTOS

- Adjunto de fim

Indica o escopo de alguma ação e traduz-se com ad (raramente in) e o acusat, com pro e o
ablat, com causā (ou gratiā) precedido pelo genit, ou com o dativo:

Não se votem verbas para os jogos, ne ad Judos pecuniae decernantur; nós combatemos
pela pátria, pela liberdade, pela vida, nos pro patria, pro libertate, pro vita pugnamus; César
demora-se uns dias perto de Besançon para (abastecer-se de) trigo, Caesar paucos dies ad
Vesontionem rei frumentariae cansa moratur; para (dar um) exemplo, verbi gratia ; parece-
me que nasceste, não para ti mas para a pátria, non tibi, sed patriae natus esse vidéris.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 261

- Adjunto de relação

Chama-se adjunto de relação o acusativo da palavra pars usado adverbialmente, e o


acusativo NEUTRO de alguns pronomes e adjetivos, que não sejam obj. direto e, em latim,
não sejam acompanhados de preposição:

Os suevos vivem principalmente de leite, Suebi maximam partem lacte vivunt;


quanto ao mais concordo com Crasso, cetera assentior Crasso; eu quereria poder gloriar-me
da mesma coisa que Ciro, vellem posse gloriari idem quod Cyrus ; alegro-me por uma e
outra coisa, utrumque laetor; aviso-os disto, eos hoe moneo ; eu acuso daquilo não a ti, mas
a ela, filud accuso non te, sed illam; homens dessa idade, homines id aetatis ; Cícero
informado de tudo, Cicero cuneta edoctus .

IMPORTANTE - O adjunto de relação desempenha o papel de quase todos os adjuntos e


principalmente do de limitação, argumento e causa.

- Adjunto de medida

O substantivo que indica quanto algum ser é comprido, largo, alto ou fundo, coloca-
se no acusativo: Fizeram um aterro largo (1), 33O pés,aggerem latum pedes trecentos
triginta extruxerunt.

(1) Neste adjunto os substantivos largura, altura, comprimento, etc. devem-se transformar
no adjet. correspondente: Fizeram um aterro da largura de 33O pés: Fizeram um aterro
largo...

Obs.
a) O adjunto de medida coloca-se no ablativo, quando for acompanhado por um
comparativo: As torres eram (cada qual) dez pés mais altas do que o muro, turres denis
pedíbus quam, murus altiores erant.

b) Notem-se as seguintes expressões: Fines in longitudinem milia (acus.) passuum CCXL,


in latitudinem C1= patebant; o território (deles) tinha o comprimento de 24O.OOO passos e
a largura de 18O.OOO; patebat turris quoquoversus pedes triginta, sed paríetum crassitudo
pedes quinque; a torre tinha o comprimento de 3O pés em todos os lados, mas a espessura
das paredes era de 5 pés.

- Adjunto de idade

A idade pode-se exprimir:

a) Com agere e o cardinal transformado em ordinal (aumentado de um) no sing.: Eles têm
79 anos, agunt annum octogesimum; tenho 83 anos, quartum ago annum et octogesimum.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 262

b) Com natus, a, um e o acusativo (da idade): Naquele tempo Bruto tinha 19 anos (naquele
tempo Br. tinha nascido há 19 anos), Brutus undeviginti annos natus erat eo tempore ;
Dionísio ocupou o governo tendo 25 anos de idade (D. ocupou- o governo tendo nascido há
25 anos), Dionysius quinque et viginti natus annos domiatum occupavit .

c) Com habere ou complere: Crasso tinha então 34 anos, (Crassus) quattuor et triginta tum
habebat annos; tendo Ático (completado) 77 anos... cum septem et septuaginta annos
Atticus eomplesset.

d) Com o genitivo: Aníbal na idade de mais ou menos 9 anos, Hannibal annorum ferme
novem.

DATIVO

A. - DATIVO COM OS VERBOS

- Os seguintes verbos exigem no dativo o complemento que deles depende:

Exs.: Auxiliar os seus, auxiliari suis; os homens têm inveja principalmente dos
iguais e dos inferiores, ínvident homines Maxime paribus et inferioribus; o prazer alicia os
sentidos, voluptas sensibus blanditur; Congratulo-me contigo, gratulor tibi; eu queria que
perdoasses esta minha pressa, velim ignoscas huic festinationi meac; ficar ressentido contra
os inimigos, irasei inimicís ; Verres nunca ameaçou ninguém mediocremente, nunquam
Verres est cuiquam mediocriter minatus; Alcibíades suplicava (a) Sócrates, Alcibiades
Socrati supplex; erat.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 263

Obs.
a) Quando os sobreditos verbos, em português têm obj. dir. e indireto, costumam traduzir-
se regularmente: Lisímaco ameaçou a cruz a Teodoro, Theodoro Lysimachus crucem
minatus est; perdoa-lhes as faltas, eis delicta ignoscas.

b) O verbo suadere usado ativamente, no sentido de "aconselhar, falar em favor de" exige
no acusat. a coisa que se aconselha, etc.: Aconselhar a paz, suadere pacem.

c) O verbo interdicere exige no dat. a pessoa à qual algo se proíbe, e no abl. a coisa que se
proíbe: Proibir à juventude os prazeres, deliefis interdicere iuventuti; desterrar alguém
(proibir a alguém a água e o fogo), aqua et igni interdicere alícui.

d) Notem-se estas construções de gratulari: Gratúlor tibi vietoriam tuam, de (in, pro)
vietoria tua congratulo-me contigo pela tua vitória.

Hostibus

- O passivo dos verbos que exigem o seu complemento no dativo, só existe na 3ª pess.
singular neutra; o sujeito português coloca-se no dativo: Os inimigos eram prejudicados,
hostibus nocebatur ; aquela idade não só não é invejada, mas é também favorecida, non
modo non ínvidetur illi aetati, verum etiam favetur; fui persuadido, mihi persuasum est;
quero ser perdoado, mihi volo ignosei .

Obs. - Neste caso os verbos servis tornam-se também impessoais: Os ricos costumam ser
invejados, divitibus invideri solet.

Vacare philosophiae; vacare culpā

- Alguns verbos têm várias construções e mudam de sentido conforme as mesmas:

a) Consúlere sibi prover a si; consulere aliquem de aliqua re - consultar alguém a respeito
de alguma coisa.

b) Quid mihi manet - que resta para mim? te triste manebit supplicium - um suplício
tremendo te aguardará.

c) Prospicere saluti - cuidar da salvação; prospicere futuros casus - prever os


acontecimentos futuros.

d) Vacare philosophiae - dedicar-se à filosofia; vacare culpa - estar livre de culpa.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 264

e) Timere alicui - temer por alguém; timere alicui rei ou de aliqua re - temer por alguma
cousa; timere afiquem, aliquid - ter medo de alguém, de alguma cousa.

f) Temperare alicui, alicui rei - moderar alguém, alguma cousa; temperare rempublicam -
governar a república; temperare ah iniuria - absterse de (algum) agravo.

g) Cavere alicui - cuidar de alguém; cavere aliquem ou ab aliquo – guardar -se de alguém.

Obs.
Notem as construções: quid huic homini (ou hoc homine ou de hoc homine) facies? que
farás com este homem? Isto é, em que utilizarás este homem?

Parum iuventuti fidebant

- O compl. que depende de fidere e confidre coloca-se no dativo; pode-se colocar no ablat.,
se for um ser inanimado: Confiavam pouco na mocidade (nos jovens), parum íuventuti
fidebant; confiando (eles) em si mesmos, sibi confísi; os vênetos confiavam na
configuração do lugar, Venéti natura loci covfídebant.

Obs. - O compl. de diffidere está sempre no dativo, e o do adjet. fretus, sempre no ablat.:
Pompeu, desconfiando do êxito definitivo, retirou-se na tenda, Pompeius se in, praetoriuni
cóntulit, summae rei diffidens; confiando na vossa inteligência, fretus inlefligentia vestra.

Huic convivio puer tuus defuit.

- O compl, que depende dos compostos de esse, exceto abesse, coloca-se geralmente no
dativo: Teu filho não tomou parte neste banquete, huic, convivio puer tuus defuit.

Obs.
a) Adesse, deesse, interesse, inesse podem ter também o abl. com in; superesse pode ter o
abl. com ex: No seu aspecto estava (retratada) a sua maldade, in facie voltuque vecordia
inerat; 13O.OOO homens sobreviveram àquela batalha, ex eo proelio milia hominum
centum et triginta superfuerunt.

b) Com o verbo posse podemos ter unicamente o acusat.: O que este pode (o poder, que
este tem), quod hic potest.

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Sulpicius anteibat sapientia omnibus

- Com os verbos compostos de ante e prae, que indiquem superioridade, a pessoa (ou
coisa) superada coloca-se mais freqüentemente no dativo que no acusat.: Sulpício
superava a todos na sabedoria, Sulpicius anteibat sapientia; omnibus; Árquias
começou a superar a todos, Archias antecellere omnibus coepit; superar os outros
animais, praestare ceteris affimalibus; superaram os demais, ceteros praestiterunt.

Obs.
- Com praecedere temos sempre o acusat.. Os helvécios superam no valor os outros
gauleses, Helvetii reliquos Gallos virtute praecedunt.

- Muitos verbos compostos com ad, ante, cum, in, inter, ob, post, prae, sub, super,
constroem-se com o dativo ou com o caso exigido pela preposicão, se esta for repetida
diante do adjunto:

Atirar o tumulto na cidade (revolucionar a cidade), inicere tumultum civitati; atirar-


se no meio dos inimigos, se in medios hostes inicere; tentaram levar o fogo sacrílego contra
os templos, delúbris nejarios ignes inferre conati sunt; levar a guerra contra a província,
inferre bellum in provinciam; às suas obras faltou a derradeira mão, manus extrema non
accessit operibus eius; a escrita de Aléxis é muito parecida com a tua, manus Aléxidis
prope aceedit ad similitudinem tuae litterae, comparar coisas pequenas com grandes, parva
magnis conferre; vamos, comparai com a vida dele a de Sila, ágedum conferte cum illius
vita Sullae; aproximaram-se dos inimigos, hostibus (ou ad hostes) appropinquarunt.

Litteras, quas ad Pompeium seripsi, tibi misi

- Com os verbos dare, ferre, mittere, respondere, seribere, rescribere e outros de


sentido afim, o obj. indireto pode traduzir-se também com ad e o acusat.: Enviei-te (uma
cópia da) carta que escrevi a Pompeu, litteras, quas ad Pompeium scripsi, tibi misi; mandei-
te este livro, misimus ad te hunc librum; responderei àquela carta, ad eam epistulam (ou ei
epistulae) rescríbam.

- Dativo possessivo

O verbo ter (possuir), especialmente quando tem como obj. dir. um nome abstrato,
costuma ser traduzido pelo verbo esse; nesse caso o sujeito português, se houver, torna-se
em latim, obj. indír. ; o obj. dir. se torna sujeito e com este (sujeito) concordará o verbo
esse: Sei estas coisas por causa das relações que tenho com Tuberão, haec ego novi propter
necessitudines, quae mihi sunt cum Tuberone; tens amizade com (aqueles) homens fortes,
tibi cum viris fortibus est amicitia .

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E.I.E. Caminhos da Tradição 266

- Duplo dativo

Alguns verbos se constroem com dois dativos: um da pessoa, a respeito ou em favor


da qual se faz a ação, e outro que indica o efeito (da ação).

Essa construção é freqüente com verbos como esse, fieri (ser, tornar-se), dare,
tribuere, ducere, accipere (dar, atribuir, receber), mittere, venire, etc.:

Para os gauleses a nossa pequena estatura é (motivo) de desprezo, hominibus Gallis


brévitas nostra contemptui est; Timoleão tinha sido mandado em auxílio aos (dos)
Siracusanos, Timoleon Syracusanis auxilio missus erat; Aníbal ficava num castelo que lhe
tinha sido dado de presente pelo rei, Hannibal se tenebat in castello, quod ei a rege datam
erat muneri.

- Dativo ético e dativo absoluto

a) Por vezes em português usamos um pronome oblíquo para indicar o interesse que nos
desperta um assunto: O que (me) está fazendo meu caro Celso? - O mesmo se dá em latim:
Quid mihi (dat. ético) Celsus agit?

b) Por dativo absoluto entendemos o adjunto que indica a pessoa, para a qual aquilo que
afirmamos é verdadeiro: César chegou a Gonfos, que é a primeira cidade da Tessália para
os que vêm do Epiro, Caesar Gomphos pervenit, quod est oppidum primum Thessâliae
venientibus ab Epíro .

- Dativo e ablativo

Com os verbos sinônimos de "tirar" (adímère, auferre, eripere, etc.) a pessoa à qual (ou da
qual) algo se tira, coloca-se, geralmente, no dat.; a cousa (da qual algo se tira) coloca-se,
geralmente, no abl., como se fosse adjunto de separação: Tira-me esta dor, eripe mihi hunc
dolorem; de nenhuma forma pode livrar-se daquele infortúnio, nulla ratione ab illa miseria
se eripere potuit.

B. - DATIVO COM OS NOMES (E COM OS ADVÉRBIOS)

Aegritudini finitimus est metus

- O complemento que depende de adversus inimigo, carus querido, cognatus


parente, finitímus vizinho, impar incapaz, infensus, infestus inimigo, hostil, ignotus,
incognitus desconhecido, notus conhecido, coloca-se no dativo:

Aquela atividade de espírito não desconhecida de ti, ille tibi non ignotus cursus
animi; o medo é vizinho da doença, aegritúdini finitimus est metus; os ânimos de todos os
maus são maximamente hostis e inimigos de mim sómente, omnium mentes improborum
mihi uni maxime sunt infensae et adversae.

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Helvetiis amicus; populi Romani amicus

- Coloca-se no dativo (ou no genitivo) o complemento que depende destes nomes:


Aequalis contemporâneo, affinis parente, participante, cúmplice, amicus amigo, inimicus
inimigo (pessoal), hostis inimigo (público), communis comum, contrarius contrário,
familiaris amigo, necessarius amigo, par igual, dispar diferente, propinquus vizinho,
proprius próprio, sacer sagrado, consagrado, similis semelhante, dissimilis diferente,
superstes supérstite, sobrevivente, vicinus vizinho:

Dumnorige era amigo dos helvécios, Dúmnorix Helvetiis erat amicus; o pai dele
fora chamado amigo do povo romano, eius pater populi Romani amicus appellatus erat; a
morte é comum a toda idade, mors onmi actati est communis; isso é comum a (todos) os
povos livres, hoc commune est liberorum populorum; a covardia é contrária à fortaleza,
fortitudini ignavía contraria est; os vícios são contrárins às virtudes, vitia sunt virtutum
contraria; tornou-se-me amigo (intimo), factus est mihi familiaris; Marcelo foi apunhalado
por Cilão, amigo íntimo déle, MarcelIus a Cilone, Jamiliare cius, pugione percussus est.

Obs.
a) O pronome que depende de similis ou dissimilis, coloca-se, geralmente, no genit.:
Semelhante a ti, similis tui; muito diferente de ti, dissimillimus tui.

b) Com sacer o dat. não é classico: Ilha consagrada àqueles deuses, insúla corum deorum
sacra .

- Os adjetivos que indicam inclinação, aptidão (ou falta de aptidão), como


propensus, aptus, idoneus, utilis, inutilis, etc., têm, ordinariamente o seu complemento no
dat., se for pessoa, e no acusat. com ad, se for coisa: Lei útil para vós, lex utilis vobis ;
homem bom para coisa nenhuma, homo ad nullam rem utilis

Com prepior (adj.) mais perto, prepius (adv.) mais perto, proximus próximo
(imediatamente posterior ou anterior) e proxime muito perto, podem-se encontrar várias
constuções: Muito perto da cidade, proximus urbi, urbem, ad urbem, ab urbe, ex urbe.

Genitivo

Genitivo com os verbos

Obliviscĕre caedis atque incendiorum

a) O complemento dos verbos meminisse, reminisci, recordari (lembrar-se) e oblivisci


(esquecer-se) coloca-se no genitivo ou acusativo, se não for nome de pessoa; coloca-se no
acusativo, se for pronome (ou adjet.) neutro: Esquece-te da: matança e dos incêndios,

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E.I.E. Caminhos da Tradição 268

obtiviscere caedis atque incendiorum; lembrar-se-á de suas desonestidades, fiagitiorum


suorum recordabitur; esqueço-me das injúrias, obliviscor iniurias; lembra-te daquelas coisas
que são dignas de teu. caráter, ea reminiscêre, quae digna tua persona sunt.

b) Se o compl. dos sobreditos verbos for um nome (ou pronome) de pessoa, meminisse
pode ter o genit., o acusat. e o abl. com de; reminisci só o acusat.; recordari só o abl. com
de; oblivisei só o genit.: Lembro-me dos vivos, mas não(me) é permitido esquecer-me de
Epicuro, vivorum memini nec tamen Epicuri licet oblívisei; lembrava-me de Paulo, Paulum
memineram; lembrar-me-ei de Metio, de Mettio meminero; lembro-me dos amigos,
reminiscor amicos; se quiserdes lembrar-vos dos homens novos, si recordari volueritis de
novis hominibus .

Obs. - Com a expressão "VENIRE IN MENTEM" (vir à mente, lembrar):


a) O nome da pessoa "que lembra", coloca-se no dativo.

b) 1. A "coisa lembrada" coloca-se no genit. e deixa-se o verbo venire na 3ª pess. sing.

2. A "coisa lembrada", porém, coloca-se no nominat., se for expressa por um pron. (ou
adjet.) neutro; neste caso o verbo venire concorda com esse pron. (ou adjet.) neutro:

Exs.: Não duvido que te lembres dos teus crimes, non dubito quin tuorum libi scelerum
veniat in mentem; eu me lembrava destas coisas = estas coisas me vinham à mente, hace
mihi veniebant in mentem.

- Interest e refert

a) O verbo INTERESSE usado unicamente na 3ª pess. sing. com o sentido de "interessar,


importar", exige a pessoa à qual algo interessa, no genit. e a coisa (para a qual algo
interessa) no genit. ou acusat. com ad: Que importava a ele, quid eius intererat? Interessa
muito ao teu patrimônio, multum interest rei familiaris tuae ; julgo que isso interessa muito
à honra e glória da nação, id existímo magni interesse ad decus et laudem civitatis.

b) Quando a pessoa à qual algo importa, for expressa por um pronome de 1ª ou 2ª pessoa,
usar-se-ão, respectivamente, as formas: med (a mim), tud (a ti), nostrá (a nós), vestra (a
vós) :

Muito me interessa ver-te, meamagni interest ut te videam.

obs. Uma expressão como "a nós (vós) todos importa" traduz-se por "nosstrum (vestrum)
omnium interest".

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E.I.E. Caminhos da Tradição 269

c) Quando a pessoa à qual algo importa:, é expressa por mea, tua, nostra, vestra, ou NÃO é
expressa, em lugar de interest pode-se usar refert, o qual é a junção de abl. sing. de res, rei,
com o verbo ferre usado unicamente na 3ª pess. sing.: Omiti aquilo que não te interessava,
von adscripsi id, quod tua nihil referebat; não interessa ver o que se deva dizer, non réfert
videre quid dicendum sit .

d) Com ivterest e com refert:

1 . O verbo que indica quanto algo importa, traduz-se pelo infinitivo ou pelo subjuntivo
com ut: Importa à salvação comum que haja dois cônsules, salutis comunis interest
duosconsules esse; meã magni interest ut te videam.

2. O advérbio que exprime quanto uma coisa interessa, pode-se traduzir literalmente ou
pelo genit. de apreciação: Interessa muito, interest multum ou magni .

3. O apôsto (ou atributo) da pessoa ou coisa, à qual algo importa, deve ser desdobrado
numa oração adjetiva: A mim, primogênito, isso não interessa, id mea, mínume refert, qui
sum natu maxumus.

e) Interest e refert, em geral, têm como sujeito um pronome neutro sing. ou um verbo, e não
um substantivo. Portanto uma expressão como "muito interessa a tua vinda" traduz-se como
se fosse "muito interessa que tu venhas": multum interest te venire.

Obs. - Interest no sentido de "ser diferente, haver diferença" constrói-se com inter e o
acusat.: Entre o homem e o bruto há esta diferença, inter hominem et hestiam hoc interest. -
No sentido de "estar presente" .

- GENITIVO COM OS NOMES

- Genitivo subjetivo e objetivo

O genitivo pode representar o sujeito ou o objeto (= complemento) da ação. Assim


"metus inimicorum" pode significar "o temor que os inimigos têm de nós" (inimici metuunt
nos) ou "o temor que nós temos dos inimigos" (nos metúimus inimicos).

O genit. dos pronomes pessoais (mei, tui, sui, nostri, vestri) tem geralmente sentido
objetivo; os adjetivos possessivos têm geralmente, sentido subjetivo: Amor mei Mus, o teu
amor para comigo (tu me amas); amor tui meus, o meu amor para contigo (eu te amo);
Nicias vehementer tua sui memoria, delectatur, Nícias muito se alegra pela lembrança que
tu tens dele.

Obs. - Notem-se os seguintes exemplos em que o substantivo explicativo português


se traduz em latim pelo genit. (genit. explicativo): A palavra "paz" é suave, dulce est
nomem pacis ; a palavra "prazer", vox voluptatis; a própria palavra "carecer" é triste, triste
est nomem ipsum carendi

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E.I.E. Caminhos da Tradição 270

- Genitivo possessivo

a) 1. Genit. possessivo é o que indica o ser, concreto ou abstrato, ao qual, de algum modo,
alguma cousa pertence: A casa do rei, domus regis; rios da Itália, Italiae flumina.

2. Por vezes o genit. poss. se transforma no adjet. correspondente: Comédias de Plauto,


fabulae Plauti ou fabulae Plautínae .

3. As expressões de mim, de ti, de si, etc., quando tiverem valor possessivo (não subjetivo,
nem objetivo, nem partitivo), costumam transformar-se no adjet. correspondente: Origem
de nós, orígo nostra (não origo nostri).

b) 1. Na tradução das expressões "ser dever de, ser próprio de" podem-se omitir as palavras
"dever" e "próprio": É dever do jovem respeitar os velhos, adolescentis est maiores natu
verori; a arrogância é mais própria dos jovens que dos velhos, petulantia est magis
adulescen,tium quam senum ; é próprio dos estultos ver os defeitos dos outros (e) esquecer-
se dos seus, est proprium stultitiae aliorum. vitia cernere, oblivisci suorum; é dever do
sábio, officium est sapientis.

2. Notem-se as expressões moris est e mos est, consuetudinis est e consuetudo est, que
significam "é costume"

c) Os possessivos têm valor de genit. (cf letra a, obs. – Meus = meu ou de mim, tuus = teu
ou de ti, etc.) ; por isso acrescentando-se a um possessivo um nome que o determine, esse
nome deve-se colocar no genit.: Por obra de mim sozinho (unicamente por meu mérito),
med unius opera.

- Genitivo partitivo

Por genitivo partitivo (ou compl. partitivo) entendemos um todo, do qual nomeamos
uma parte: Uma daquelas pontes; o mais agudo de todos os nossos sentidos; nenhum de nós
sobressaia sozinho; o mais sábio dos sete; o mais nobre dos seus.

Traduz-se com o genit.; com ex, de ou in. e o abl., e, mais raramente, com inter e o
acusat.: Unus corum pontium; acerrimus ex omnibus nostris sensibus; nemo de nobis unus
excellat; sapientissimus in septem; honestissimus inter suos .

Obs. - O partitivo que depende de unus, a, um, traduz-se, em geral, com ex (de) e o
abl., a não ser que (o partitivo) seja (ou tenha) um pronome Um dentre muitos, unus e
multis ou de multís , e não "multorum".

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E.I.E. Caminhos da Tradição 271

Plerique nostrorum oratorum

- O subst. que acompanha plerique, pode estar no genit. ou no mesmo caso de plerique: A
maior parte dos nossos oradores, plerique nostrorum oratorum; Antônio manda para a Itália
a maioria dos navios, Antonius plerasque naves in Italiam remittit.

Obs. - a) O pronome substantivo que acompanha plerique, deve-se colocar sempre no


genit.: A maior parte de vós, pleríque vestrum.

b) Os exemplos com o singular de plerique são raros: A maior parte da juventude favorecia
os ideais de Catilina, iuventus pléraque Catilinae inceptis Javebat; Metelo manda a maior
parte do exército esperar, Metellus exercitum plerumque opperiri iubet.

Cum utroque vestrum loquar. Utra lex?

- Uter e seus compostos exigem no genit. o pronome que os acompanha, ainda que esse
pronome seja unido a um substant.: Falarei com vocês dois (com um e outro de vocês), cum
utroque vestrum loquar ; ambas estas duas coisas (uma e outra destas duas coisas), utraque
harum rerum a nenhum deles dois, neutri filorum .

Obs. Uter e seus compostos concordam, porém, com o substantivo e com o pronome
NEUTRO que os acompanha: Qual das duas leis? utra lex e não: utra duarum legum; para
nenhuma das duas partes, neutram in partem; uma e outra daquelas duas cousas, Xud
utrumque; uma e outra destas duas cousas, haec útraque.

Nihil novum; nihil novi

- O adjetivo concorda com o pronome neutro por ele modificado: Algo de memorável,
aliquid memorabile; nada de melhor, nihil melius.

Obs. - Os adjetivos da 1ª classe podem ficar também no genit.: Nada de novo, nihil novum
ou novi.

Dux belli imperitus

- O compl. que depende de perítus hábil, impermis inábil, prudens conhecedor, imprúdens
desconhecedor, insuétus não acostumado, ou do part. presente de um verbo transit. dir.,
coloca-se ordinariamente no genit.: Temístocles tornou os atenienses habilíssimos na guerra
naval, Themislocles peritissimos belli navafis fecit Athenienses; general inábil para a
guerra, dux belli imperitus; homens não acostumados à fadiga, homines insueti laboris;
bons cidadãos amantes da pátria, boni cives amantes patriae .

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E.I.E. Caminhos da Tradição 272

Obs. - Os mencionados particípios presentes podem também ter o acusativo:


Epaminondas suportava as (era tolerante das) injúrias, Epaminondas crat ferens iniurias .

NOTAS SOBRE O USO DE ALGUNS SUBSTANTIVOS

Os substantivos de número singular, que se referem a vários indivíduos, em latim


colocam-se geralmente no plural: Os pitagoreus descansavam o seu espírito com o canto,
Pythagoréi mentes suas cantu ad tranquillitalem traducebant; admiro a inteligência e a
virtude dos nossos homens, nostrorum hominum ingenia virtutesque soleo mirari .

Notem-se, porém, estes exemplos: Eques usque ad castra pávidos egit - os


cavaleiros perseguiram (os inimigos) aterrorizados até o acampamento; pugnandi arte
Remanus excellit os romanos sobressaem-se na arte da guerra; faba vesci - alimentar-se de
favas; villa; abundat porco, hacdo, agno, gallina - a granja tem abundância de porcos,
cabritos, ovelhas e galinhas.

- É comum em latim substituir-se o nome do povo ao do país. O rio Garona divide a


Gália da Aquitânia, Gallos ab Aquitanis Garumna flumen divídit . - Poder-se-ia dizer
também "Galliam ab Aquitania" .

Note-se, porém, que nunca se diz Roma em vez de Romani e, contrariamente, nunca
se diz Graeci em vez de Graecia, nem Itali em vez Italia.

"Se ambicionardes deixar à posteridade cousa que lhe mereça aplausos de clássica, se
quereis sacar maravilhas desta mal avaliada harpa, chamada língua portuguesa, se
quereis que o nosso povo readquira, e melhorado, o que maus administradores lhe têm
perdido por incúria, e se lhe restaure um pouco de brio fecundo, voltemo-nos ao latim".

(Antônio Feliciano de Castilho)

Sintaxe dos adjetivos

Particularidades

a) Em latim um adjetivo que indique defeitos ou dotes, em geral, não se une


diretamente a um nome próprio ou a um adjetivo substantivado; costuma-se ajuntar um
aposto conveniente ou um pronome: Ao fortíssimo Marcelo, fortíssimo viro, Marcello; a
belíssima Siracusa, urbs pulcherrima Syracusae, um tebano instruído, homo Thebanus
eruditus; o sábio Sócrates, sapiens ille Socrates.

b) Os adjetivos extremus, imus, medius, primus, réliquus, summus e outros, quando


são atributos, devem, às vezes, ser traduzidos (em português) por meio do substantivo

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E.I.E. Caminhos da Tradição 273

correspondente seguido pela prep. de: Extrema apueritia no fim da puerícia; prima luce no
começo do dia; reliquus exercitus o resto do exército; summus mons o tope da montanha;
ad imam. quercum para a parte inferior do carvalho; bellum Pompeius extrema híeme
adparavit, media aestate confecit Pompeu preparou a guerra no fim do inverno (e a)
terminou no meio do verão.

Obs. - Nesta construção o adjetivo precede quase sempre o subst. e ambos - é claro!
- estão no mesmo gênero, número e caso: No fundo do mar, in imo mari (não imo maris) ;
no meio da cidade, in media urbe, raro in medio urbis

COMPARATIVO

- Segundo termo da comparação

O 2º termo da comparação está obrigatoriamente no ablat. sem quam, quando for pronome
relativo: Tum est Cato locutus. quo erat nemo senior temporibus iffis, nemo pruelentior,
naquele momento falou Catão em confronto do qual não havia ninguém mais velho,
ninguém mais sábio naquele tempo; ou mais elegantemente: "naquele, momento falou
Catão, talvez o mais sábio (e) o mais prudente daquele tempo"; sequamur Polybium, quo
nemo fuit diligentior , sigamos a Políbio, em comparação do qual ninguém foi mais
diligente; ou "sigamos a Políbio, o mais diligente de todos".

Longior quam latior acies erat,

- Quando a comparação se dá entre dois adjetivos (ou advérbios), pode-se deixar ambos os
adjetivos (ou advérbios) no grau normal, unindo magis ao primeiro e colocando quam
diante do segundo: Mais célebres do que honrados, (homines) clari magis quam honesti; de
maneira mais sutil do que clara, subtiliter magis quam dilucide.

Obs. - Pode-se também colocar ambos os adjetivos (ou advérbios) no comparativo,


conservando o quam diante do segundo: A linha (de batalha) era mais longa do que larga,
longior quara latior acies erat.

Caesar non amplitís CC milites desideravit.

- As expressões que contenham um número e dependam dos advérbios amplius, longius,


plus, minus, ou dos adjetivos maior e minor, traduzem-se, freqüentemente, sem quam,
como se não dependessem dos sobreditos comparativos: César não perdeu mais de 2OO
soldados, Caesar non amplius ducentos milites desideravit; meninos com mais de 15 anos,
pueri maiores XV annos nati; um espaço de não mais de 6OO pês, spatium non amptius
pedum sescentorum.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 274

Obs. - Se o complemento que depende dos mencionados comparativos, estiver no nominat.


ou acusat., pode-se também colocá-lo no ablativo sem quam: C. non amplius ducentis
militibus desideravit; pueri maiores XV annis nati.

Quaeritur ex duobus uter dignior sit.

- O superlativo relativo “entre dois" traduz-se em latim pelo comparativo: Pergunta-se qual
dos dois é o mais digno, quaeritur ex duobus uter dignior sit.

Haec ad te seripsi liberius.

- Quando não se exprime em latim o 2° termo da comparação, o comparativo indica,


geralmente, um aumento ou uma diminuição do grau normal e se traduz juntando (ao grau
normal) uma expressão como "um tanto, um pouco, demais": Haec ad te scripsi liberius eu
te escrevi estas cousas um tanto livremente; censorium nomem asperius videbatur, o título
de censor parecia por demais rigoroso.

Est Hibernia dimidio minor quam Britannia.

- O substantivo dimidium (metade) e os advérbios terminados em -um (exceto parum)


tomam a terminação -o, quando modificam:

1. Um comparativo;

2. As partículas ante, post, infra, ultra;

3. Um verbo que indique superioridade (excello, praesto, etc.).

Exs.: A Irlanda é a metade menor do que a Grã-Bretanha, est Hibernia dimidio, minor quani
Britannia; muito mais cuidadosamente, multo studiosius ; um pouco antes do amanhecer,
paulo ante lucem; Filipe e Alexandre foram muito superiores aos demais, Philippus et
Alexander multo ceteros antecesserunt.

Obs. - Nesses casos a terminação -um é rara.

SUPERLATIVO

- Reforçativos do superlativo

O superlativo adquire força especial quando precedido pela locução ut quam, ou pela
partícula quam acompanhada de qui, quac, quod no caso devido:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 275

Te semper sie colam ac tuebor, ut quam diligentissime - sempre te honrarei e


protegerei com o maior zelo possível, literalmente: sempre te honrarei e protegerei como
aquele que (te honra e protege) diligentissimamente; tam gratum id mihi erit, quam quod
gratissimura - isso me será muitíssimo agradável; literalmente: isso me será tão agradável
como aquilo que (me) é agradabilíssimo; tom sum mitis, quam qui lenissimus - sou
muitíssimo bondoso; literalm.: sou tão bondoso como aquele que é o mais bondoso.

Longe nobilissimus

- O superlativo pode ser reforçado também por vel, quam, longe, multo e (unus, a, um)
omnium: Adulescens vel potentissimus nostrae civitatis - um jovem potentíssimo (talvez o
mais poderoso da nossa cidade; educ tecum omnes tuos, si minus quam phurimos - leva
contigo todos, os teus, ou, pelo menos, o maior número possível; apiu1 Helvetios longe
nobilissimus fuit et ditissimus Orgetorix - entre os helvécios Orgetorige foi sem dúvida o
mais nobre, e o mais rico; multo maxima pars corum - a maioria esmagadora deles; ab
homine omnium gravíssimo - de um homem de seriedade excepcional; eloquentiam
confirmaverim rem unam omnium dificilliman - eu ousaria dizer que a eloqüência é a coisa
mais difícil que existe.

obs. 1ª - O superlativo reforçado por quam, é, por vezes, acompanhado pelo verbo posse, o
qual concorda com o sujeito da oração: Em poucas palavras vou tratar o mais verazmente
possível (que puder) da conjuração de Catilina, de Catilinae coniuratione, quam verissume
potero, paucis absolvam.

Obs. 2ª - Os clássicos usam o superlativo com certa facilidade; por isso quando o sentido
permitir, será bom traduzir em português o superlativo reforçado, pelo simples superlativo,
e o simples superlativo pelo grau normal: Homo omnium sceleratissumus - o homem mais
celerado; duo viri fortissimi - dois valorosos guerreiros.

- A expressão cum maxime (ou ut cum maxime) é usada para dar força especial aos verbos:
Nune cum maxime fililim iliterfectum Cupit - agora deseja muitíssimo (mais do que nunca)
o filho assassinado; domus celebratur ut cum maxime a (minha) casa é muitíssimo
freqüentada, literalmente: é freqüentada, como quando (foi) muitíssimo (freqüentada).

Capítulo XX

"O latim, língua antiga, não morta! Os anfiteatros desfeitos, os foros gloriosos e os
templos dos Césares estão mudos, mas falam as basílicas de Jesus Cristo, onde os
sacerdotes do Evangelho e os herdeiros dos mártires repetem e cantam as salmodias e os
hinos dos primeiros séculos na língua - consagrada - dos romanos".

(Pio XII)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 276

Sintaxe dos numerais

Distributivos

Os distributivos empregam-se também:

a) Nas multiplicações, para traduzir o multiplicando: 2.6 são 12, bis sena (1) sunt
duódecim; 9.9 são 81, novies novena sunt octoginta unum.

b) Para traduzir o cardinal português que modifica aqueles substantivos os quais só se usam
no plural ou que no plural têm sentido diferente do singular. Assim Ibinac litterae significa
"duas cartas" e duac litterae significa "duas letras (do alfabeto)"; bina castra significa "dois
acampamentos" e duo castra significa "duas fortalezas"; binae aedes significa "duas casas"
e duac aedes significa "dois templos".

Trini e terni

a) O cardinal três, quando modifica esses substantivos que só têm plural ou que no
plural mudaram de sentido, traduz-se por trini, ae, a: Túlia entregou-me três cartas,
Tullia mihi litteras reddidit trinas; os soldados apoderam-se de três acampamentos,
milites trinis castris potiuntur; César resolveu passar o inverno com três legiões em
três quartéis (de inverno), Caesar cum tribus legionibus trinis hibernis hiemare
constituit.

O mencionado cardinal três, quando usado no sentido distributivo, traduz-se. por


terni: Mário podia trazer três cidadãos romanos para cada colônia, Marius in singulas
colônias ternos cives Romanos facere poterat; todas, as vezes que duas ou três naus
(nossas) cercavam uma (nau inimiga), os nossos (soldados) procuravam subir nas (naus)
inimigas, cum singulas binae ac ternae naves circumsteterant, milites transcendere in
hostium naves contendebant.

Obs. - a) Uma expressão como quina castra pode-se traduzir por "cinco
acampamentos" ou "cinco acampamentos por vez" ou "cinco fortalezas por vez". Somente
do contexto é que se poderá auferir o sentido exato.

b) b) Encontra-se por vezes o distributivo em vez do cardinal: Mandei a Roma as


cartas por meio de dois portadores, per binos tabellarios misi Romam epistulas.

(1) Temos o neutro, porque está subentendida a palavra "coisa"

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E.I.E. Caminhos da Tradição 277

- Frações

a) As frações exprimem-se por meio do substantivo pars: 1/4 = quarta pars; 2/5
= duae quintac partes. No plural a palavra partes pode-se omitir: 2/5 = duae
quintae.

b) Se o denominador superar o numerador de uma só unidade, expressa-se


unicamente o numerador: 9/1O = novent partes; 3/4 = tres partes. Neste caso
a palavra partes não se pode omitir.

Obs.
a) A palavra meio (metade) pode-se traduzir por semis (indeclinável) - Dois pés e meio,
duo semis pedes. - A conj. e não se traduz; semis precede o subst. Modificado.
b) "A metade" (1/2) traduz-se, porém, mais comumente por dimidia pars ou dimidium: A
metade da terra, dimidia pars terrae a metade dos soldados. dimídium militum.

"Sempre o, latim ligado aos surtos mais nobres da minha adolescência".

(D. Aquino Corrêa, da Academia Brasileira de Letras)

Sintaxe dos pronomes

PESSOAIS E POSSESSIVOS
- Eius e suus

Os possessivos dele, dela, deles, delas; seu, sua, seus, suas, traduzem-se por suits, a,
um, quando se referem ao sujeito da oração em que se acham; traduzem-se pelo genit. de is
(raramente pelo genitivo de ille, iste ou ipse) em outros casos:

Pisístrato não foi útil aos concidadãos dele, non Juit Pisistratus civibus suis utilis.
Conheces a Deus pelas suas (1) obras, Deum agnoseis ex operibus eius ; Dião tomava parte
em todos os negócios de importância e o tirano deixava-se guiar pelos seus conselhos, se
não havia de permeio alguma sua (do tirano) paixão mais forte, aderat Dion in magnis rebus
eiusque consilio multum movebatur tyrannus, nisi qua in re maior ipsius cupiditas
incesserat.

Suus cuique erat locus definffus.

- Os sobreditos possessivos, embora não se refiram ao sujeito da oração em que se


acham, traduzem-se por suus, a, um:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 278

a) Quando se referirem a quisque ou unusquisque: Para cada um tinha sido designado o


(seu) lugar, suus cuique, erat lucus definitus.

b)Quando tiverem força especial: Os seus próprios cidadãos expulsaram a Affibal da


cidade, Hannibalem sui cives e civitate eiecerunt.

(1) Quando se deve usar o genit. de ís (de ille, iste ou ipso), é bom, antes de traduzir,
transformar o possessivo "seu" nos correspondentes "dele, dela, etc.".

c) Com a preposição Cum: Omitamos Dicearco com seu condiscípulo Aristóxeno,


omittamus Dicaearchum cum Arístoxceno, condiscípulo suo.

d) Quando assim exigir o sentido: Se tivesse chegado aos cem anos, arrepender-se-ia da sua
velhice? num si ad centesimum annum vixisset, senectutis eum suae paeniteret? os romanos
ouviram as queixas dos habitantes da Tessália a respeito de suas cidades, Thessalorum
querelas de urbibus suis Romani audierunt.

Nestes dois exemplos os possessivx) suae e suis referem-se respectivamente a eum e


a Thessalorum, que não são sujeitos gramaticais, mas desempenham de certo modo, o papel
de sujeito: Os rom. ouviram as queixas, que os habitantes da T. faziam a respeito de suas
cidades.

Obs. - A palavra "seu" quando significa "o que é de alguém, a propriedade de


alguém" traduz-se por suum; a palavra "seus", quando significa "seus soldados, seus
amigos, seus parentes, seus concidadãos, etc." traduz-se por sui: A mim agradava o meu, a
ele o seu, meum milti placebat, illi suum; isto foi doloroso para os seus (parentes), fuit hoe
luctuosum suis.

Notas. –
1. Fora destes casos o uso de suus é raro. - NUNCA se usa suus, a, um para traduzir
os sobreditos possessivos quando se ligam ao sujeito por meio de uma conjunção
coordenativa: Sifas e seu reino já estavam em poder dos romanos, Syphax eiusque regnum
iam in Rontanorum erant potestate.

2. Não tratamos aqui do caso em que o pronome "ele" se refere ao sujeito da oração
em que se acha (Os oradores trouxeram com eles grande número de amigos), porque, em
português se diz mais comumente "os oradores trouxeram consigo...", exatamente como em
latim. - Pelo mesmo motivo "entre eles" quando for igual a "entre si" traduz-se por inter se;
"por causa deles" igual a "por causa de si" traduz-se por propter se; "por eles" igual a "por
si" traduz-se por per se.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 279

Romani a Prusia petebant ne inimicissimum suum secum haberet (3).

Os sobreditos possessivos e os pronomes pessoais ele, ela, si, se, o, a, lhe, estando na
oração subordinada podem referir-se ao sujeito da subordinante.

a) Neste caso, se as duas oracões tiverem o mesmo sujeito, só se pode usar suus, a, um
e sui, sibi, se, se: Os éduos mandaram embaixadores a César, pois não podiam
defender-se nem a si nem às suas coisas, Haedui, cum se suaque defendere non
possent, legatos ad Caesarem mittunt.

(2) Deixe-se este parágrafo para quando os alunos tenham noções claras a respeito das
orações subordinadas.

b) Se porém os sujeitos das duas orações não forem idênticos pode-se usar, a, um e sui,
sibi, se, ou, mais raramente, também is (ou ipse) no caso devido: Os romanos
pediam a Prúsias que não retivesse consigo o maior inimigo deles, Roman, a Prusia
petebant ne inimicissimum suum secum haberet; Aníbal pediu ao menino que lhe
dissesse se (ele) estava cercado, Hannibal imperavit puero ut sibi nuntiaret num
obsideretur. Os belgas receavam que o nosso exército fosse levado contra eles,
Belgae verebantur ne ad eos exercitus noster adduceretur; os éduos se queixavam de
que os harudes lhes (deles) assolavam o território, Haedui querebantur quod
Harúdes fines corum popularentur; César repreendeu os centuriões. porque
desesperavam de seu (deles) valor ou de sua (dele) diligência, Caesar centuriones
increpavit quod de sua virtute, aut de ipsius diligentia desperarent.

Obs. - Nas orações consecutivas e temporais sempre se usa is (ou ipse) no caso devido
(se os sujeitos não forem idênticos) : Epaminondas serviu-se de tal modo do (seu)
prestígio, que se pode dizer que todas as cousas eram comuns entre ele e os amigos,
Epaminondas fide sic usus est, ut iudicari possit omnia ei (não sibi) cum amicis fuisse
conimunia; Aleibíades, tendo-lhe sido enviado um mensageiro, não quis desobedecer,
Alcibiades, cum ei (não sibi) nuntius míssus esset, non parére noluit.

Aetateni, consumpsi

- Os pronomes pessoais em caso nominativo e os possessivos, quando não sejam exigidos


pela clareza ou para dar força à expressão, podem-se omitir: Os livros, que eu lera, libri,
quos legeram; gastei a (minha) vida, aetatem consumpsi.

Dir-se-á, entretanto, para bem da clareza: Septem sapientes civitatibus suis praefuerunt os
sete sábios governaram as suas cidades; num dubitas id me imperante facere, quod iam tua
sponte faciebas? Hesitas, por acaso, em fazer por minha ordem aquilo que já estavas
fazendo por tua espontânea vontade

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E.I.E. Caminhos da Tradição 280

Ação recíproca

Chama-se RECÍPROCA a ação que é praticada por vários sujeitos e é por todos eles
recebida; em português exprime-se pelos advérbios mutuamente, reciprocamente, ou pelas
expressões um a outro, entre nós, entre vós, entre si, etc.; em latim traduz-se.

a) Com inter vos, inter nos, inter se: Aristides e Temístocles hostilizaram-se mutuamente,
Aristides et Themistocles obtrectaverunt inter se; nós conversamos entre nós, colloquimur
inter nos; os jovens amam-se reciprocamente, pueri amant inter se e não se amant inter se,
porque na ação recíproca o reflexivo português NÃO se traduz em latim. NÃO há ação
recíproca no seguinte exemplo: O interesse público nos une entre nós, respublica nos inter
nos coniungit.

b) Repetindo-se o nome, uma vez como sujeito e outra como complemento: Os homens
podem ser muito úteis uns aos outros, homines hominibus maxime utiles esse possunt.

c ) Com alter ou alius (conforme se trate de dois ou mais), usados como sujeito e como
complemento do verbo: Uma mentira puxa outra, fallacia alia aliam trudit; os romanos
exortavam-se mutuamente, Romani alius alium hortari; entre o milhano e o corvo há uma
espécie de guerra natural: um quebra os ovos do outro, milvo est quoddam bellum quasi
naturale cum corvo: alter allerius ova frangit.

Obs. - Fora do caso de AÇÃO RECÍPROCA, alius acompanhado de outro alius (ambos no
caso devido) ou por um advérbio derivado de alius, indicará DIVERSIDADE: Alii Sullânis,
alii Cinnánis fabevant partibus - uns favoreciam o partido de Sila, outros o de Cida; alii alio
more vivebant - cada qual vivia de acordo com suas tradições; Catilina dimisit alium alio
Catilina mandou um para um lugar, outro para outro.

DEMONSTRATIVOS

Conferre vitam Trebonii cum Dolabellae.

Os demonstrativos o, a (aquele, aquela) omitem-se ordinariamente:

a) Quando seguidos por um genitivo possessivo: Comparar a vida de Trebônio com a de


Dolabela, conferre vitam Trebonii cum Dolabellae.

b) Quando representam o objeto direto de dois ou mais verbos transitivos diretos: A virtude
granjeia as amizades e as conserva, virtus et conciliat amicitias et conservat.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 281

Obs. - O pronome omitido pode ser substituído pelo substantivo que ele
representa; portanto poder-se-ia dizer "cum vita Dolabellae" Poder-se-ia também
dizer "cum Dolabella", por atração da preposição; chama-se isto "comparatio
compendiaria" (= comparação resumida) : Não vedes, ó soldados, que o modo de
falar dos prisioneiros concorda com o dos desertores? videtisne, milites, captivorum
orationem cum pérfugis convenire ?

Cincinnatus ille

- O pronome ille serve, as vezes, para indicar algo de célebre ou conhecido: Cincinnatus ille
aquele famoso Cincinato.

- Is unido a um adjet. por meio de uma conjunção como et , atque, -que, empresta-lhe maior
força: Antonius cum una legione, et ca vacillante, Lucium fratrem expectat - Antônio com
uma legião só e bem desmoralizada, aguarda seu irmão Lúcio.

Me ipse condemno

- Ipse indica, em geral, contraposição; pode substituir os pronomes pessoais e pode ter
outros sentidos: Tu dormis, ipse vígilo, tu dormes, eu, porém, estou vigiando; quam
(orationem) si ipse exsequi nequeas, possis tamen Scipioni praecipere , se tu não pudesses
pronunciar este discurso, todavia poderias dar preceitos a Cipião; triginta dies erant ipsi
eram exatamente trinta dias, etc.

Obs. - Ipse, unido a um pronome pessoal, concorda com esse pronome, ou, mais
freqüentemente, com o sujeito da oração: Todos se amam a si mesmos
naturalmente, se ipsos omnes natura diligunt; condeno-me a mim mesmo, me ipse
condemno.

Ego vir fortis idemque philosophus.

- Idem, usado para unir duas ou mais qualidades semelhantes ou diferentes, traduz-
se por "também, ao mesmo tempo, todavia": Ego, vir fortis idemque philosophus vivere
pulcherrimum duxi - eu, homem corajoso e, ao mesmo tempo, filósofo, julguei que não há
nada melhor que a vida; quidam nimis multam operam in res obscuras conferunt
casdemque non necessarias - alguns põem demasiado empenho em assuntos difíceis e
todavia não necessários.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 282

INDEFINIDOS

a) UM, nas indicações de tempo e nas medidas, geralmente, não se traduz: Um ano antes,
de morrer, anno ante quam est mortus; um dedo mais grosso (mais, grosso de um dedo),
digito crassior.

b) UM, com o sentido de "um certo, um tal" traduz-se por quidam. - Note-se que quidam é
também usado em vez de alíquis, para indicar uma pessoa ou coisa conhecida, mas que não
se quer nomear: Vídeo enim esse hic in senatu quosdam, qui tecum una fuerunt- vejo que
aqui no senado há alguns (que eu bem conheço!), os quais estiveram contigo.

c) UM (dos dois) traduz-se por alter ou por unus: É preciso que se admita uma das duas
condições, necesse est sit alterum de duobus; uns combatem, outros têm medo do vencedor,
alteri dimicant, alteri vietorem timent; havia ao todo dois caminhos, um através dos
séquanos, outro pela nossa província, erant omnino ítinera duo; unum per Sequano, alterum
per provinciam nostram .

- Alii, ceteri, refiqui

De modo geral podemos dizer que alii significa "outros" (diversos dos que foram
mencionados); ceteri e refiqui significam "todos os outros": Caesar quaerit ex Lisco quae in
conventu dixerat. Eadem ab aliis quaerit - César pergunta a Lisco o que dissera na reunião;
pergunta o mesmo aos outros; quod mihi consuevit in ceteris causis esse adiumento, id
quoque in hae deficit - o que costumava ser-me de auxílio nas demais (em todas as outras)
causas, falta-me nesta; reliqua prívata aedificia incendunt - incendeiam os demais edifícios
particulares.

Note-se que "todos os outros" pode traduzir-se por reliqui omnes e ceteri omnes (Sal.
C 2O.7).

Iustitia numquam nocet cuiquam

Nas orações negativas e interrogativas alguém, algo e algum traduzem-se, em geral,


respectivamente por quisquam, quicquam (ou quidquam) e ullus: A justiça nunca prejudica
alguém (ninguém), iustitia numquan nocet cuiquam - por acaso (há) algo de novo? flum
quicquam novi - sem prejuízo algum, sine ullo, malefício; há alguma coisa de tanto valor?
est ulia res tanti ?

Metellus edixit ne quisquam panem venderet.

- Nemo, nihil, nullus, nunquam, nusquam, precedidos por et ou ut, em geral, modificam-se
deste modo:

nec qitisqitam, e ninguém ne quis (ou quisquam), para que ninguém

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E.I.E. Caminhos da Tradição 283

nec quidquam, e nada ne quid (ou quidquain), para que nada

neque ullus, e nenhum ne ullus, para que nenhum


neque umquam, e nunca ne umquam, para que minca
neque usquam, e em nenhum lugar - ne usquam, para que em nenhum lugar

Obs. - Seria menos correto dizer-se et nemo, ut nemo; et nihil, ut nihil, etc.: Metelo
ordenou (para) que ninguém vendesse pão, Metellus edixit ne quisquam panem
venderet.

Nemo non videl.

- Note-se a diferença de sentido causada pela deslocação da partícula negativa:

non nemo: alguém nemo non: todos


non nihil (1): algo nihil non: tudo
non nuIlus: algum nullus non: todos
non numquam: alguma vez nunquam non: sempre
non nusquam: em algum lugar nusquam non:em todo lugar

Ex-.: Video abesse non neminem - vejo que falta alguém; nemo non videt -todos
vêem; nonnumquam interdiu - algumas vezes durante o dia; dicere nunquam est non
ineptum, nisi cum est necessarium - falar é sempre uma coisa ridícula, a não ser quando for
necessário.

IMPORTANTE - Do que ficou dito podemos deduzir que em latim ditas negações,
usadas na mesma oração, afirmam.

Todavia uma negação seguida de neque ... neque; nec.. nec ou ne ... quidem, NÃO
perde o seu valor negativo: Nihil tam tutum nec fieri nec cogitari potest - nada se pode
fazer nem pensar tão seguro; Atticus nullius rei neque praes neque.

(1) Pode-se escrever também nónnihil, nonnullus, nonnumquam, nonnusquam.


manceps factus est - Ático não foi nem fiador nem arrematador de nenhuma coisa; nullius
umquam consilium, non modo antelatum est, sed ne comparatum quidem - não só nunca foi
preferido o conselho de algum outro (ao de Timoleão), mas nem sequer comparado.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 284

Doctissimus quisque

- Em latim não é comum unir-se ao superlativo o adjetivo omnis; prefere-se quisque, mais
freqüentemente no singular: Doetissimus quisque contemnit Epicuréos. A tradução literal
dessa oração é "cada sapientíssimo" ou "todos os mais sábios" ... porém basta dizer: Todos
os sábios desprezam os epicureus

Obs. - a) Primum quidque significa "antes de tudo, logo que for possível": Primum
quidque consideremus quale sit) antes de tudo examinemos qual seja.

b) Quotusquisque ou quotus quisque (quota quacque, quotum quodque) é usado quase


únicamente no nominat. sing. masc.; o substant. por ele modificado coloca-se no genit.
plural ou no nomínat. sing.: Quão poucos filósofos se encontram que sejam tão
morigerados como a razão pede, quotus (enim) quisque philosophorum invenítur, qui ita sit
moratus ut ratio póstulat.

"Salve augusta língua do Lácio! Língua latina, língua dos Césares e dos Imperadores!
língua da majestade e da soberania!"

(D. Aquino Corrêa)

Sintaxe do verbo

VOZES

- Notas sobre a voz reflexiva

A voz reflexiva traduz-se literalmente ou com o passivo: Exercito-me na caça, me exerceo


(ou exerceor in venatido).

Há, porém, muitos exemplos em que somente uma das traduções é possível; a prática e os
bons dicionários resolverão esses casos.

- Notas sobre a voz passiva

Para suprir a voz passiva nos verbos que não a têm, pode-se:

a) Recorrer a uma circunlocução ou a um verbo sinônimo: Esquecer, oblivisci; ser


esquecido (por alguém), in oblivionem addúci ou oblivione delori; odiar, odisse; ser odiado

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E.I.E. Caminhos da Tradição 285

por alguém (ser de ódio para alguém), odio esse alicui; assaltar, aggredi; ser assaltado,
oppugnari, peti; usar, úti; ser usado, adhiberi, usurpari, etc.

b) Mudar a oração de passiva em ativa, isto é, transformar o sujeito em obj. direto e o


agente, se houver, em sujeito: Cícero era odiado por Catilina: Cat. odiava a Cic. : Catilina,
Ciceronem oderat; os soldados foram exortados por César, Caesar mihtes hortatus est.

Obs. – 1ª e a 2ª pessoa sing. pode dar à oração sentido passivo: Memoria minuitur,
nisi, eam exerceas - a memória diminui, se não se exercita (literalmente: se não a
exercitas). - Esta 2ª pessoa, nesses casos, é chamada "tu genérico”.
2ª Preste-se atenção para não confundir o pronome apassivador "se" com "se"
pronome oblíquo. "Viu-se o ladrão no jardim" (o ladrão foi visto no jardim) é
diferente de "O ladrão viu-se preso" (o ladrão viu a si mesmo preso).

Non dici potest

Os verbos servis em geral, não se apassivam; apassiva-se o verbo, que os acompanha: Não
se pode dizer, non dici potest; costuma-se expor aqueles argumentos, illa dici solent; deveu-
se (foi preciso) ir, iri debuit.

Athenienses premi sunt coepti.

- Em lugar de coepi, coepisti, etc. e desii, etc. usam-se, em geral, as formas passivas
correspondentes (coeptus, a, um sum, es, est, etc. e desitus, a, um sum, es, est, etc.), quando
os sobreditos verbos acompanharem um verbo passivo: Os atenienses começaram a ser
oprimidos, Athenienses premi SUNT COEPTI, melhor do que "coeperunt"; deixou-se de
ler (cessaram de ser lidas) as orações antigas, veteres orationes legi SUNT DESITAE ,
melhor do que "desierunt"; cessou-se de discutir, desitum est disputari.

MODOS (FINITOS)

INDICATIVO

Com as expressões que indicam poder, dever, conveniência ou necessidade,


encontra-se, por vezes, em português, o condicional (= fut. do pret.), ainda que não haja
nenhuma condição: Poderíamos relatar muitíssimos exemplos; se alguém é assim como
todos deveriam ser; teria sido preciso ha muito tempo que fosses levado à morte; fui um
pouco mais violento do que teria devido, etc.

Nestes casos o condicional simples (= fut. do pret. simples) traduz-se pelo presente
(e, às vezes, pelo imperfeito) do indicativo, e o condicional composto (= fut. do pret.
composto) traduz-se pelo imperfeito ou perfeito, e, mais raramente, pelo mais que perfeito

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E.I.E. Caminhos da Tradição 286

do INDICATIVO: Plurima proferre possumus; si quis est talis, quales esse omnes
oportebat; ad mortem te duei iam pridem oportebat; fui paulo intemperantior quam debui.

Obs. -- Essas mesmas regras se aplicam, em geral, também:

a) Às expressões em que o verbo "ser" ' se une a um adjet. neutro., Seria longo
enumerar as vantagens dos burros, longum est mulorum persequi utilitates; quanto
melhor (não) teria sido que a promessa do pai não tivesse sido mantida, quanto
melius fuerat promissum patris non esse servatum.

b) Aos verbos sinônimos de crer, pensar (puto, árbitror, opínor, etc.): Quem teria
pensado que Filipe poderia ser vencido por M. Herênio? Quis Philipp,um a M.
Herennío superari posse arbitratus est?

Quoquo modo sese illud habet, querela vestra quid valet?

As partículas sive... sive (ou... ou, quer ... quer), os pronomes, conjunções e advérbios
terminados em -cumque (quicumque, qualquer que, utcumque de qualquer maneira que,
ubicumque onde quer que, etc.) ou reduplicados (quisquis quem quer que, quotquot todos
os que, utut de qualquer maneira que, etc.) exigem em latim o INDICATIVO: Quer tenhas
alguma notícia, quer não, escreve todavia alguma coisa, sive babes quid, sive wil habes,
scribe tamen aliquid; como quer que esteja: a questão, que valor tem a vossa queixa?
quoquo modo sese illud habet, querela vestra quid vale ? onde quer que estejam, ubicumque
terrarum sunt ; para onde quer que (nos) agrade ir, o caminho deve ser aberto com a espada,
quocumque ire placet, ferro iter aperiendum est.

Obs. - Também ubíque requer o indicat.: Onde quer que estejam, ubique sunt.

SUBJUNTIVO

- Subjuntivo potencial

O subjuntivo potencial indica uma possibilidade.

Uma possibilidade presente (ou futura), que em português se exprime, geralmente


pelo futuro 1° (=fut. do pres. Simples do indicativo ou pelo condicional simples (=fut. do
pret. simples), traduz-se pelo SUBJUNTIVO presente ou perfeito: Poderias perguntar-me
(pode ser que me perguntes), roges me; alguém dirá (pode ser que alguém diga), dixerit
quispiam.

Uma possibilidade passada, que em português se exprime geralmente pelo


condicional composto (= fut. do pret. composto), traduz-se com o SUBJUNTIVO
imPerfeito ou, raramente, pelo SUBJUNTIVO mais que perf.: Terias podido ver, cerneres;
teria podido querer, voluisset.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 287

Obs. - a) Como se vê, no subj. POTENCIAL o verbo servil poder, em geral, não
se traduz.

b) O subjunt. potenc. é também usado para afirmar ou negar modestamente alguma coisa:
Quase diria, paene dicam .

c) Em português o condicional simples (= fut. do pret. simples) pode ter valor de


condicional composto (- fut. do pret. composto), e representar um fato passado: Terias
podido ver (ontem) ou poderias ver (ontem).

Subjuntivo dubitativo

O subjuntivo dubitativo exprime uma duvida por meio de uma interrogação.

Uma dúvida presente (ou futura), que em português se exprime ordinariamente pelo
futuro 1° (= fut. do pres. simples) do indicativo, ou pelo condicional simples (= fut. do pret.
simples), traduz-se, em geral, pelo presevte do SUBJ.: Para onde deveria eu ir? ou quem
deveria chamar? Quo accédam? aut quos appellem?

Unia dúvida passada, que em português se exprime geralmente pelo condicional


composto (= fut. do pret. composto) traduz-se pelo imperf do SUBJ.: Por que César teria
devido permitir (ou deveria ter permitido) que os soldados fossem feridos? cur (Caesar)
vulnerari pateretur milites?

Obs. - a) No subj. dubitat., como no potencial, o verbo servil (dever, poder, etc.)
não se costuma traduzir.

b) Em português, por vezes, a dúvida se exprime por meio de um infinit.; em latim, porém,
se usa o subjuntivo presente ou imperf., conforme o sentido do infinit.: Para que recordar
(agora) as horríveis matanças? quid mémorem infandas caedes ?

Subjuntivo optativo

O subj. optativo exprime um desejo, o qual pode ser considerado possível ou


impossível (1) no Presente, possível ou impossível no passado, e que se traduz
respectivamente pelo presente, imperfeito, perfeito e mais que perfeito do SUBJUNTIVO:

a) Oxalá (Deus queira que, tomara que, praza aos céus que) meu pai venha (eu acho agora
possível que ele venha), utinam (2) pater veniat.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 288

b) Oxalá meu pai viesse (eu acho agora impossível que ele venha), utinam pater veniret.

c) Oxalá meu pai tenha vindo (acho possível que tenha vindo), utinam pater venerit.

d) Oxalá meu pai tivesse vindo (eu acho impossível que tenha vindo), utinam pater
venisset.

Obs. - 1. Velim, nolim, malim, indicam um desejo que se julga possível, ao passio que
vellem, nollem, mallem indicam um desejo que se julga impossível.

2. Com esses verbos a partícula "que", em geral, NÃO se traduz, e o "que não"
traduz-se por ne (raramente por non) . Eu quereria que afastasses de mim o teu
pensamento (e acho possível isso), velim a me animum avertas; eu quereria que não
interrompesses, velim ne intermittas; eu quisera (3) que Panécio pudesse estar presente
(mas é impossível, porque já morreu), vellem adesse posset Panaetius; eu queria (3)
não ter prometido ir hoje à minha quinta de Túsculo (mas agora é impossível voltar
atrás), vellem non constituissem in Tusculanum me hodie venturum esse.

3. como é fácil ver, o verbo que acompanha velim, etc, acha-se, em geral, no
subjuntivo, raramente no infinit.: Eu quereria ser persuadido, veliní, mihi persuaderi.

IMPERATIVO E SUBJUNTIVO EXORTATIVO

O imperativo FUTURO é também usado nas terceiras pessoas: Regio imperio duo
sunto; milítiae sumnium, ius habento - haja dois (homens revestidos) de poder real;
tenham o supremo poder militar.

1) Para saber se um desejo é considerado possível ou impossível, deve-se examinar o


contexto; numa oração isolada nem sempre se pode.
2) OXALÁ NÃO se traduz com utinam non ou utinam ne
3) Em português o imperfeito e o mais que perfeito do INDICATIVO podem ter sentido
de condicional (=futuro do pretérito): Queria e quisera podem ter o mesmo valor que
quereria.
Isso acontece principalmente nas leis e nas disposições testamentárias; fora desses
casos, nas terceiras pessoas usa-se, em geral, o subjuntivo presente, como em português.

Obs. - Quando, mais do que uma ordem se manifesta um conselho ou uma


exortação, o imperativo português pode-se traduzir pelo subjuntivo presente: Pede
auxílio a todos, auxilium petas ab omnibus.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 289

- O imperativo NEGATIVO traduz-se:

a) Com noli (sing.) ou nolíte (plur.) e o infinit. Presente Não creias, noli putare; não
permitais, nolite pati.

h) Com ne ou outras negações (nemo, nullits, nihil, nuniquam, etc.) e o perfeito do


subjuntivo: Não temais a morte, ne mortem tintueritis; não escrevas absolutamente nada,
nihil omnino scripseris.

C) Com cave (sing.), cavete (plur.) e o presente do subjuntivo, ordináriamente sem ne: Não
perdoes, cave ignoscas; não percais a vida sem vos vingardes, cavete inulti avimant
antittatis).

d) Com fac ve, vide ne (sing.), facite ne, vidote ne (plur.) e o subj. pres.: Neste tempo não
cuides de outro assunto, fac ne atiud cures hoe tempore; não erreis, videte ne erretis.

Obs. - a) Ne e o imperat. presente (ou futuro) é poético ou arcaico: Ingentem


luctum ne quaere tuorum - não procures (saber) o grande luto dos teus; hominem,
mortuun in urbe ne sepelíto neve úrito - não sepultes nem queimes um cadáver dentro
da cidade.

b) Ne e o presente do subj. usa-se com o "tu genérico; raramente em outros casos:


Aproveite-se este bem, enquanto existe; quando não existir mais, não o procures (não
se procure), isto bono utare (utaris), dum adsit, cum absit, ne requiras.

- O subjuntivo EXORTATIVO traduz-se literalmente: Amemos a pátria, patriam amemus;


cada qual conheça a sua índole, situm quisque noscat ingenium.

A negativa não traduz-se por ne (raramente por non) : Não desejemos coisas difíceis, ne
difficilia optemus .

Presente

Pode-se usar o presente do indicativo em vez do perfeito, especialmente nas


descrições, quando se quer representar, como atual, uma ação passada (presente histórico):
Copias suas Caesar in proximmum collem subdúcit (pres.) equilatumque qui sustineret
hostium impetum, misit (perf.) César leva (ou levou) o exército para um outeiro vizinho e
enviou a cavalaria para que sustentasse o choque dos inimigos.

Por este exemplo se vê que a substituição do presente histórico pelo perf, ainda que
seja no mesmo período, não constitui imperfeição.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 290

Imperfeito e perfeito

a) Nas descrições, para dar mais vivacidade ao estilo, usa-se, por vezes, o infinit. presente
(tendo o sujeito no nominat.) em vez do imper. do indicativo: Nihil Sequani respondére, sed
terram intuéri - os séquanos nada respondiam, mas olhavam o chão.

b) Em orações enunciadas à maneira de provérbio, o perfeito latino se traduz, quase


sempre, com um presente: Ludus genuit iram - a brincadeira produz (a) ira.

e) Notem-se umas expressões, cujo perfeito costuma traduzir-se em português pelo


imperfeito: lphícrates fuit magno corpore If. era de grande estatura; ut supra diximus -
como dizíamos acima; Pompeius mare transiit cum omnibus militibus quos secum habuit.
Pompeu atravessou o mar com todos os soldados que tinha.

d) O part. PASSADO unido ao perfeito do verbo esse indica, em geral, que algo esteve por
algum tempo em uma determinada: posição: Lex promulgata est - a lei foi afixada; lex
promulgata fuit - a lei ficou afixada .

Futuro

a) Por vezes o futuro 1° latino indica um conselho; traduz-se, então, pelo imperativo:
Valebis meaque negotia videbis - passa bem e cuida dos meus negócios,
b) O futuro 2°, às vezes, indica o efeito pronto e seguro de uma ação e se traduz em
português pelo futuro 1° (=fut. do pres. simples) : Multum ad ea quae quaerimus, explicalio
tua ista profecerit - essa tua explicação muito adiantará para aquilo que procuramos; legi
Bruti epistulam non prudenter rescriptam. Sed ipse viderit - li a carta de Bruto redigida com
pouca sagacidade. Mas ele verá (isso é da conta dele).

Tempos anteriores

a) Em latim, tempo anterior do presente é o perfeito, do imperfeito é o mais que perfeito, do


futuro 1° é o futuro 2º.

b) I. Em português, exprimem-se amiúde ações subseqüentes por meio de verbos


contemporâneos (dois presentes, dois imperfeitos, etc.): Todas as vezes que venho
(presente) para o campo, até o "nada fazer" me agrada (pres.); os inimigos quando viam
(todas as vezes que viam) (imperf.), alguns saírem do navio, atacavam-nos (imperf.) ; se eu
te mandar matar, ficará (fut.) na república a restante multidão dos conspiradores; os olhos
aonde quer que se dirijam, procuram o antigo costume do foro; os comandantes mandaram
proclamar que ficava reservado a eles, tudo o que os romanos deixassem.

II. Em latim traduz-se, em geral, com um tempo anterior, a ação que se dá antes.

III. Isso acontece principalmente:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 291

1. após cum no sentido de "todas as vezes que, sempre que" (cum iterativo);

2. após as conjunções que significam "logo que, quando" (ubi, ut, simul, etc., especialmente
quando indicam ação repetida);

3. após a conjunção si;

4. após os pronomes e advérbios terminados em cumque.

Exs.: Cum in villam veni, hoe ipsum nihil agere me delectat; hostes ubi aliquos ex navi
egredientes conspexerant, adoriebantur ; si te interfíci iussero, residébit in republica reliqua
coniuratorum manus; ocúli, quocuinque inciderunt, veterem consuetudinem fori requirunt;
duces pronuntiari iusserunt illis reservari, quaceumque, Romani reliquissent.

Obs. - Podem-se encontrar também os mesmos tempos do português, especialmente


quando não se indica "ação repetida": ld ubi vident, mutant consilium quando vêem
aquilo, mudam de parecer; respirabo, si te videbo descansarei, se te vir.

- Tempos no estilo epistolar

a) Nas cartas latinas encontramos geralmente os mesmos tempos que em português: Nada
tenho para te escrever a respeito da situação política, de republica quod tibi seribam nihil
habeo.

b) No entanto, algumas vezes os clássicos faziam a suposição de escrever no momento em


que o destinatário ia ler a carta. Por isso, quando referiam fatos relacionados com o tempo
em que escreviam, usavam: o imperfeito (ou o perfeito) em vez do presente; o mais que
perfeito em vez do imperfeito (ou perfeito); o particípio futuro ativo com o imperf. do
verbo esse em vez do futuro 1º: Embora não haja nada de novo para te escrever... etsi nihil
crat novi quod ad te seriberem; é preciso que eu te escreva alguma coisa, scribendum
atiquid ad te fuit - respondi a todas as tuas (cartas), ad tuas omnes (epistulas) rescripseram;
jantarei na casa de Pompônio, apud Pomponium eram cenaturus .

Nesse caso os advérbios hodie, heri, eras mudam-se respectivamente em eo die


(naquele dia), pridie (no dia: anterior), postridie (no dia seguinte): Respondi ontem,
rescripseram pridie; hoje vou jantar na casa de Pompôrtio, co die apud Pomponium eram
cenaturus; amanhã entregarei a carta, litteras eram daturus postridie.

Obs. - 1.O tratamento em latim é sempre na 2ª pessoa: O sr. é feliz, ta beatus es; os
srs. são felizes, vos beati estis.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 292

2. Os clássicos iniciavam suas cartas com o nome do remetente, seguido pelo do


destinatário no dativo, com o acréscimo das letras s.d (salutem dicit) ou s.p.d. (salutem
plurimam dicit) ou simplesmente por s. ou sal. (salutem) ou outras de sentido análogo: M.
Tullius s. d. Titio (fam 5.16) Marco Túlio saúda Tício.

3. A data coloca-se no fim, precedida, geralmente pelas palavras scripsi ou scribebam, misi
ou mittebam, dedi ou dabam, ou pela letra D., que significa data, dedi ou dabant.;
acrescenta-se depois o nome do lugar donde a carta se envia, em caso ablat. (raramente no
genit. locat.) :

Dabam Calendis lanitarlis Athenis Atenas, nas calendas (= dia primeiro) de janeiro.

CONJUNÇÕES

A - COORDENATIVAS

- Aditivas (simples)

São aditivas (simples): et, -que, atque, ac (e); etiam, quoque (também); nec, negue
(e não); ne...quidem (nem.. .sequer).

Obs. –
a) Et pode ter o sentido de também e todavia: Locri urbs desciverat et ipsa ad Poenos -
também a cidade de Locres tinha-se bandeado para os cartagineses; canorum illud adhuc
non amisi, et videtis annos - ainda não perdi aquela sonoridade (de voz) e todavia vedes os
meus anos.
b) que, é enclítica e, em geral, marca uma união mais íntima do que et: Senatus populusque
Romanas.
Não se costuma unir a hic, haec, hoc, nane, tunc.
c) 1. Atque e ac têm emprego análogo; prefere-se, porém, atque diante de vogal ou h: Atque
huic, atque id; regere ac gubernare.
2. Atque pode ter o sentido de mas: Atque ex hoc quoque intellegi poterit - mas disso
também se poderá deduzir...
d) Quoque sempre se pospõe à palavra que une.
e) 1. Et non, e ac non usam-se em lugar de nec e neque, quando se quer negar um termo só
e não toda a oração: Sobre este assunto todo há uma regra breve e não difícil, huius generis
totius breve et non difficile prae-ceptum est.
2. Nesse caso costuma-se também usar et (ac) nemo, et (ac) nullus, etc. em vez de nec
quisquam, nec alias, etc.: Que pode haver mais conforme à polidez do que uma
conversação amável e não grosseira? Quid esse potest magis proprium humanitatis, quam
sermo facétus ac nulla in ré rudis?
3. Por vezes em lugar de et non, encontra-se simplesmente non: Armorum ista et victoriae
sunt facta, non Caesaris - estes fatos são próprios das armas e da vitória, e não de César.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 293

4. Com enim, etiam, tamen, vero, em vez de non, usa-se geralmente neque ou nec: Na
verdade não houve ninguém melhor do que o Africano, nec enim melior vir fuit Africano
quisquam; todavia não cessas de tentar, neque tamen conari desistis.
5. Com enim pode-se usar também non: Non enim .
f) Ne... quidem ficam sempre separados: Nem sequer a morte é um mal, ne mors quidem
malum est.

- Aditivas (correlativas)

a) Et. . .et, cum. . ,tum, quã. . .quã, non modo (non solum) . . .sed etiam (sed verum),
significam tanto.. .quanto, não só.. .mas também:
Et mari et terra - tanto por mar, quanto por terra; erat in Miltiade cum summa humanitas,
tum mira cómitas - havia em Milc. não só grandíssima bondade, mas também maravilhosa
afabilidade; intellego te distentissimum esse qua de Buthrotiis, qua de Bruto vejo que estás
atarefadíssimo tanto com o assunto dos bütrócios, quanto com o de Bruto; Caesar non
solum publicas, sed etiam privatas iniurias ültus est César vingou não só as ofensas
públicas mas também as injurias pessoais.
b) Tum. . .tum, modo. . .modo, significam ora.. .ora:
Dissera in utramque partem, tum Graece, tum Latine - trato dos prós e dos contras, ora em
grego, ora em latim; modo huc, modo üluc - ora aqui, ora lá.
c) Nec. . .nec, neque. . .neque traduzem-se por nem. . .nem:
Nulla vitae pars neque publicis neque privatis neque forensibus neque domesticis in rebus
vacare ofjicio potest - nenhum tempo da nossa vida, nem nas questões públicas, nem nas
particulares, nem nas forenses, nem nas domésticas, pode dispensar o dever; mors nec ad
vivos pértinet nec ad mortuos - a morte não pertence nem aos vivos nem aos mortos.

- Alternativas

a) Aut (ou) separa, geralmente, palavras ou orações incompatíveis : Aut esse aut non
esse - ou ser ou não ser; verum aut falsum (ibidem), ou verdadeiro ou falso.

Obs. - Há casos em que aut perde muito de sua força disjuntiva: Quo accedam? aut quos
appellem?

b) Vel, sive, seu (ou) separam palavras ou orações não incompatíveis: Vel imperatore
vel milite me utimini - servi-vos de mim ou como de general ou como de soldado
(tanto faz); matri seu novercae - à mãe ou à madrasta; quia perturbatius hoc ab urbe
diseessu sive potius turpissima fuga - o que pode ser mais desastrado do que esta
saída da cidade, ou antes, vergonhosíssima fuga ?

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E.I.E. Caminhos da Tradição 294

Obs. –
1. Sive e seu podem indicar a explicação ou a tradução de alguma
palavra, e significar isto é: Vocabulum sive appellatio - vocábulo,
isto é, denominação; Theotócos seu Deípara ("Theotócos" -palavra
grega- que significa "mãe de Deus").
2. A enclítica -vê tem o sentido de vel, mas, em geral, só une
palavras e não orações: Plus minusve - mais ou menos.

-Adversativas

a) ADVERSATIVAS (FORTES): At (ast é raro), sed, verum (mas, porém), imo ou immo,
vero, inimo vero etiam
(mas, antes, pelo contrário).

Obs. - 1. At e sed nunca se pospõem; podem servir para passar de um pensamento para
outro; neste caso pode-se traduzir por uma conj. aditiva (ou não traduzir): At si hoc idem
dixissem - (e) se tivesse dito isso mesmo...; sed projecto fortuna in omni ré dominatur - a
fortuna, sem dúvida, domina em todas as cousas.
2. Verum pode ser reforçado por enimvéro, e então indica oposição muito forte: Verum
enimvéro victoria in manu vobis est - muito pelo contrário, a vitória vos está nas mãos.
b) ADVERSATIVAS (FRACAS): autem, vero, as quais sempre se pospõem; traduzem-se,
geralmente, por: mas, porém, pois; às vezes não se traduzem: Pariëtes urbis manent, rem
vero publicam penïtus amisimus as paredes estão firmes, mas a república está
completamente perdida; nihil scribo, lego autem liben-tissime - não escrevo nada, mas leio
apaixonadamente; magna aignïtas, summa autem gratia - grande dignidade (e) grande
prestígio.

Obs. - VERO pode significar seguramente, sim; neste caso pode antepor-se: In sententia
permaneto. Vero, nisi sententia alia vicerit melior permanece neste parecer. Sim, enquanto
outro parecer melhor não vença.

c) ADVERSATIVAS (que, geralmente, indicam uma CONCESSÃO) : Atqui, nihilomïnus


(ou nihilo minus), nihilosetius (ou nihilo secius ou nihilo setius), tamen (todavia), quidem.

Obs. - 1. Atqui (todavia, e todavia), quando se usa nas argumentações, costuma traduzir-se
por "mas, ora": Si virtutes pares sunt, paria esse etiam vitia necesse est. Atqui pares sunt
virtutes. Sequitur igitur ut etiam vitia sint paria se as virtudes são iguais, também os vícios
devem ser iguais. Mas (ora) as virtudes são iguais. Logo segue-se que os vícios também
devem ser iguais. - ATQUI serve também para continuar o assunto como atque: Atqui si
tempus est ullum - e se há alguma ocasião...
2. Quidem traduz-se por certamente, na verdade, pelo menos; às vezes serve somente para
dar proporção à oração latina e não se traduz em português; sempre se pospõe: Libri scriptí
ab optimis quidem illis viris, sed non satis eruditis - livros escritos por aqueles homens,

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E.I.E. Caminhos da Tradição 295

ótimos na verdade, mas não suficientemente instruídos; hoc quidem tempore - ao menos
por ora; beluarum hoc quidem extremum - esta ultima cousa (é) própria dos animais.
3. Note-se este exemplo no qual nihilo setius é reforçado por tamen: Massilienses tamen
nihilo setius ad defensionem urbis reliqua apparare coeperunt. - apesar disso os marselheses
começaram a preparar tudo o mais para a defesa da cidade.

- Explicativas

Enim, etenim, nam, namque, quippe (na verdade, coix efeito, pois) : Libidinosa enim
adulescentia effétum corpus tradtt senectuti - na verdade uma juventude licenciosa entrega
à velhice um corpo desfeito; movet me quippe lumen curiae - move-me, com efeito, este
luminar do senado.

Obs. - Enim sempre se pospõe; etenim pode-se pospor; nam e namque geralmente
se antepõem.

- Conclusivas

Ergo, igitur, ideo (raro eo), itaque, proinde, quamobrem, quapropter, quare, quocirca,
(portanto, por isso).

B. - SUBORDINATIVAS

-As conjunções SUBORDINATIVAS podem ser, INTEGRANTES e NÃO


INTEGRANTES.

I. - INTEGRANTES

a) INTEGRANTES (simples): quod, ut (que, o fato de, etc.); ne, ut ne (que não, o fato de
não, etc.); quin, quomínus (que não, que, etc.) : Accidit perincommode quod eum nusquam
vidisti - acontece infelizmente que tu não o viste em parte alguma; Histiaeus, ne res
conficeretur, obstítit; neque abest suspicio quin ipse sibi mortem consciverit; nec aetas
impèdit quominus agri colendi studia teneamus.

b) INTEGRANTES (interrogativas): -ne, num, nonne, an, etc. (se, se não, etc.): Publitius
iturusue sit in Africam, ex Aledio seire poteris - poderás saber de Alédio se Publílio irá para
a Ãfrica; Hannibal puero imperavit ut sibi nuntiaret num undique obsideretur; ex Socrate
quaesitum est nonne Archeldum beatum putaret; haud seio an quiequam melius homini
datum sit amicitid - não sei se foi dado ao homem algo melhor do que a amizade.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 296

II. – NÃO INTEGRANTES

1. FINAIS: ut, uti, quo (para que) ; ne (para que não).

2. CONSECUTIVAS: ut (de sorte que, que); utnon (de sorte que não, que não).
3. CAUSAIS: cum, quippe cum, quod, quia, ubi, quando, quandóquidem, quamobrem (ou
quam ob rem), quapropter (porque, pois que, visto que).
4. CONDICIONAIS: si (se); nísi (se não); si minus, sin minus (senão).
5. CONCESSIVAS: tametsi, tamenetsi, etsi, quamquam, quamvis, etíamsi (ou etiam si), ut,
cum, licet (embora, ainda que, posto que, apesar de); dummodo (contanto que) ; dummodo
ne (contanto que não).
6. COMPARATIVAS: ut, uti, sicut, sicüti, velut, velüti, céu (como, assim como).
7. TEMPORAIS: cum, ubi (quando); dum, donec, quoad (enquanto, até que); antëquam,
priusquam (antes que); postquam, posteaquam (depois que); ut, ut primum, simul ut, simul
ai que (logo que, apenas).

Obs. - Em latim as comparativas abrangem também as conjunções proporcionais e


conformativas.

INTERJEIÇÕES

- Algumas interjeições são nomes que se afastaram de seu sentido primitivo.


Exs.: Ecastor, mecastor, por Castor; édepol ou aedepol, por Pólux; Equirine, por Quirino;
Hercules, hercule, herde, mehercules, mehercule, meher-cle, por Hércules, certamente;
malum, ó vergonha; nejas, ó infâmia; índignum (poét.), horror; pax, caluda, basta; scelus,
infame; medias fidius (isto é me deus Fidius iuvet: o deus Fídio me ajude), por minha fé,
palavra de honra!

- Outras interjeições são sons imitativos que indicam comoções da alma.

a) Há sons imitativos que não acompanham nenhum adjunto, como em português.

Exs.: Eia, coragem; euge, bravo; ío, ai, hurra (pode indicar dor ou alegria); heus olá
(expressão de quem chama); oh, oh, ah (expressão de dor, de alegria, de admiração); ohe,
olá (expressão de impaciência; serve também para chamar); oho, oh (expressão de
admiração).
b) Há sons imitativos que podem acompanhar vários casos:

1. En, ecce (eis) acompanha o nominativo, raramente o acusat.: En causa; en causa; ecce
tuae litterae, ecce miserum hominem .

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E.I.E. Caminhos da Tradição 297

2. Eheu, heu acompanham o acusat. ou o nominal. Eheu me miserum - ai de mim! Heu


prisca fides - ó antiga fidelidade!
3. Pro (menos bem proh) acompanha o acusat. ou o vocat : Pro deum atque hominum fidem
- ó grandes deuses; pro sanete Iuppiter - ó santo Júpiter.

4. Vae acompanha o dativo: Vae vietis - ai dos vencidos!

Hei tem o mesmo emprego que vae, mas só se une a mihi: Hei mihi - ai de mim!

5. Bene (viva, à saúde de) acompanha o dativo e o acusat.: A vossa saúde, bene vobis; à tua
saúde, bene te.

6. A interj. "o" serve para chamar a atenção de alguém e então acompanha o vocativo e se
traduz por ó: O mi Furni.

Pode indicar também admiração, dor, indignação, mofa, alegria; nestes casos acompanha o
acusativo e, raramente, o nominat.: O fallacem hominum spem - oh, como é enganadora a
esperança dos homens! o vir fortis atque amicus - que homem forte e amigo!

Obs. - Por vezes se omite a interj. "o" diante do acusativo: Meam stultam
verecundiam - como foi estulta a minha vergonha!

Costumam alguns chamar a esta construção de ACUSATIVO EXCLAMATIVO.

Tempus Vernum Tempo de Primavera


Enya
autor: Desconhecido Então
Oceano, mar;
Então
Crepúsculo, aurora;
Ergo, oceanus, maritimus Então
ergo, opacare, matutinus Norte, sul;
ergo, septentrio, meridies Então
ergo, occidens et orientis Ocidente e oriente;
Então
Ergo, oceanus, maritimus Oceano, mar;
opacare, matutinus Crepúsculo, aurora;
septentrio, meredines Norte, sul;
occidens et orientis Ocidente e oriente;

Ergo, terra, stella, hiems et aestas, Então


ergo, autumnus et, tempus vernum, Terra, estrela;
ergo, radius solis, et umbra, Inverno e verão;
ignis, aqua, caelum, luna

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E.I.E. Caminhos da Tradição 298

terra, stella, hiems et aestas Então


autumnus et, tempus vernum... Outono e época de primavera;
tempus vernum....
Então
Raio de sol
E sombra;
Fogo, água;
Céu, lua;
Terra, estrela;
Inverno e verão;
Outono e época de primavera;

Época de primavera...

"Salve, gloriosa língua latina! Tu, a quem é tão natural a fórmula breve do império e do
comando, a imperatoria brevitas de Tácito, tu, que tens a concisão lapidar das inscrições
em ouros, mármores e bronzes, a par da grandiosidade imponente e sonora dos períodos
oratórios, a trovejarem na tempestade dos rostros populares, batidos pelas vagas da
liberdade!"

(D. Aquino Corrêa)

Introdução à sintaxe das orações subordinadas

- O período

a) PERÍODO é uma ou mais orações que formam sentido completo.

O ponto final indica o fim do período. O mesmo indica, em geral, o ponto de interrogação e
o de exclamação: Cícero ficou em Roma e Catilina foi para Marselha. Quando César foi
apunhalado onde estava Marco Antônio? Que belo espetáculo estamos vendo!

b) Num período há tantas orações, quantos são os verbos: Ditas estas palavras, retirou-se.

Os verbos auxiliares, os verbos de desejo (seguidos pelo infinit.) e os verbos servis não se
contam: Estou indo para Lorena (uma oração só) ; queremos viajar (só uma oração) ; se
podeis ficar, não deveis partir (só duas orações).

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E.I.E. Caminhos da Tradição 299

c) As orações de um período chamam-se COORDENADAS, quando se unem por meio de


conjunções coordenativas (Nasceu rico e morreu pobre, isto é, viveu pelos outros) ou estão
simplesmente justapostas (Nasceu rico, morreu pobre, viveu pelos outros).

d) Chama-se SUBORDINADA a oração que se liga a outra por meio de:

1. Uma conjunção subordinativa: Choro, porque não tenho amigos. Se és bom, serás
premiado. Quando chegou o general, os soldados já tinham partido, etc.

2. Um pronome (ou um advérbio) relativo: O homem com o qual falo é meu primo. O
pai, cujos filhos morreram pela pátria, é glorioso. - O lugar onde (em que) nascestes, será
famoso.

e) A oração à qual a subordinada se liga, chama-se subordinante.

f) A oração subordinada que se liga à subordinante por meio de:

1° Uma conjunção subordinativa integrante, chamar-se-á SUBSTANTIVA.

2° Um pronome (ou advérbio) relativo, chamar-se-á ADJETIVA.

3° Uma conjunção subordinativa NÃO integrante, chamar-se-á ADVERBIAL.

Obs. - As subordinadas adverbiais recebem também o nome da conjunção que as liga à


subordinante.

Exs.: Compreendeis (principal) que sou vosso amigo (subordinada substantiva); contemplei
as estradas (principal) por onde (=pelas quais) passou Júlio César (subordinada adjetiva);
somos escravos das leis (principal) para que possamos ser livres (subordinada adverbial
final, ou simplesmente, "final").

IMPORTANTE - Chamam-se REDUZIDAS as orações subordinadas cujo


verbo NÃO está num modo finito: Não é possível voltarmos hoje; vi um
menino chorando de alegria; cumprindo o tem dever, serás feliz; tendo-se
deitado, o menino começou a chorar.

Essas orações reduzidas não se ligam à subordinante por meio de conjunções,


pronomes ou advérbios; por isso a fim de se ver melhor se são substantivas, adjetivas ou
adverbiais, será bom transformar os seus verbos num modo finito precedido pela
conjunção, pronome ou advérbio conveniente: Não é possível que voltemos hoje
(substantiva); vi um menino, o qual chorava de alegria (adjetiva); se cumprires o teu dever
(adverbial condicional), serás feliz; depois que se deitou (adverbial temporal), o menino
começou a chorar.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 300

g) A oração subordinada que depende diretamente da oração principal (1), costuma chamar-
se subordinada de 1° grau; a oração que depende da subordinada de 1° grau, costuma
chamar-se subordinada de 2° grau, etc.: Peço (principal) que venhas (subordinada de ° grau:
substantiva) para ver (subordinada de 2° grau: final) como cresceram os lírios (subordinada
de 3° grau: comparativa) que plantei no jardim (subordinada de 4° grau: adjetiva).

(1) Todos sabem que é PRINCIPAL a oração, a qual, sem estar subordinada,
subordina a si alguma outra (oração).

OBS.: 1. Como se vê, uma oração subordinada pode ser ao mesmo tempo
subordinante e vice-versa. A oração "que venhas" é subordinada a "peço" e
subordina a si "para ver". - Toda oração principal é também subordinante, mas
nem toda subordinante é também principal.

2. Chama-se "absoluta" a oração que é única no período: César partiu.

CONSECUTIO TEMPORUM

- Introdução

a) As regras da DEPENDÊNCIA DOS TEMPOS (consecutio temporum) ensinam


qual é o tempo que se deve empregar nas orações subordinadas, cujo verbo esteja
no SUBJUNTIVO.
Obs. - Não estranhe o aluno se encontrar, nos exemplos a seguir, o indicativo em
português e o subjuntivo em latim; tudo será explicado a seu tempo.

b) O presente e os futuros são chamados tempos PRINCIPAIS; os tempos passados


(imperfeito, perfeito e mais que perfeito) são chamados tempos SECUNDÁRIOS (ou
históricos).

- Regras fundamentais da "consecutio"

A - Examine-se a versão latina dos seguintes exemplos:


a) Não sei agora o que dizes agora = Nescio nunc quid dicas nune.
b) Não sabia ontem o que dizias ontem = vesciebam heri quid diceres heri.

1ª conclusão: O presente e o imperf. do subjuntivo na subordinada indicam geralmente


ações CONTEMPORÂNEAS à ação da subordinante.

II. - a) Não sei agora o que dizias (ou disseste) ontem Nescio nunc quid dixeris heri.

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b) Não sabia ontem o que tinhas dito anteontem = nesciebam heri quid dixisses nudius
tertíus.

2ª conclusão: O perfeito e o mais que perf. do subjuntivo na subordinada indicam


geralmente ações ANTERIORES (=passadas) à ação da subordinante.

a) Não sei agora o que dirás amanhã = nescio nune quid eras dicturus sis .

b) Não sabia ontem o que dirias hoje = nesciebam heri

quid dicturus esses hodíe.

3ª conclusão: O particípio futuro ativo com sim, sis, ele. Ou com essem, esses, etc. na
subordinada indica SEMPRE ações POSTERIORES (= futuras) à ação da subordinante.

Obs - O PRESENTE da subordinada traduz-se em latim com o PRESENTE (do


subjuntivo), se o verbo da subordinante estiver num tempo PRINCIPAL: Amanhã
saberás quem eu sou, quis SIM oras cognosces.

B - Considerando o perfeito do subjuntivo como tempo PRINCIPAL, segue-se que


"TEMPOS PRINCIPAIS na subordinante exigem TEMPOS PRINCIPAIS na subordinada"
e que "TEMPOS SECUNDÁRIOS na subordinante exigem TEMPOS SECUNDÁRIOS na
subordinada".

- Notas a respeito do modo de traduzir as ações posteriores

1ª NOTA - Para traduzir em latim, com o subjuntivo, o verbo da subordinada que indique
uma ação posterior à subordinante:

a) Usa-se sempre o presente do subjuntivo, se o verbo da subordinada não tiver supino ou


for passivo: Não duvido que vos arrependereis, -non dubito quin vos paeniteat; quem
duvida que novos comandos serão instituídos? quis dubitat quin nova imperia instituantur?

b) Usa-se quase sempre o presente do subjunt. nas subordinadas precedidas por ut, ne,
quominus, quo (= ut), ou pelo pronome relativo: Exorto-te para que leias (= no futuro)
atentamente estes livros, te hortor ut hos libros studiose legas; temo que amanhã chova,
timeo ne eras pluat; a dor me impede de te escrever mais, interelúdor dolore quominus ad te
plura scribam; Sila tinha acostumado o exército ao luxo para torná-lo (= no futuro) fiel a si,
Sulla exercitum luxuriose habuerat, quo (= ut) sibi fidum, faceret; escolheste os que irias
deixar (= no futuro) em Roma, delegisti quos Romae relinqueres.

b) Após quin e nas orações interrogativas indiretas o part. fut. ativo com sim, sis, etc.
(ou essem, esses, etc.)é muito mais comum do que o presente (ou imperfeito) do
subjuntivo: -Estou certo que pensarás a mesma coisa, non dubito quin tu idem
existimaturus sis (menos bem "existimes"); era incerto aonde mandariam a frota,
incertum erat quo missuri elassem essent (menos bem "mitterent").

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2ª NOTA. - A ação Posterior (como na NOTA 1ª) que indica um fato acontecido ANTES
de outra ação futura, traduz-se pelo perfeito (ou mais que perfeito) do subjuntivo: Escrever-
te-ei qual for (ou tiver sido) a conversa e o que for (ou tiver sido) feito, quando souber com
certeza, qui sermo fuerit et quid actum sit scribam ad te, cum certe sciam.

Obs. - Nesse caso, se o verbo da subordinada for passivo, pode-se inserir no perfeito
(ou mais que perfeito) futurus, a, um: Não duvido que, quando leres esta carta, o
assunto já terá sido resolvido, non dubito quin, legente te has litteras, confecta iam res
FUTURA sit.

- Presente histórico e perfeito lógico

I. - O presente HISTÓRICO pode ser considerado como tempo principal ou secundário: Os


helvécios, convencem os ráuracos a que partam juntamente com eles, Helvetíi persuõdent
(pres. histórico) Raurãcis uti una cum iis proficiscantur; Pompeu parte daquele lugar para
que não seja rodeado por dois exércitos, Pompeius, ne duobus eircumeluderetur (tempo
secund.) exereitibus, ex eo loco discidit.

II. - O perfeito do indicativo é, em geral, considerado tempo secundário. É, porém,


considerado tempo PRINCIPAL (e neste caso se chama perfeito LÓGICO), quando indica
uma ação, passada, cujos efeitos permanecem no presente: Venistis (perf. lóg.) ut
cemdemnetis (t. principal) Roscium, viestes (isto é, estais presentes) a fim de que condeneis
a Róscio.
obs. - Consideram-se LÓGICOS também:

a) Os perfeitos que têm sentido de presente: Mémini; novi, cognóvi conheci, logo "sei";
dídici aprendi, logo "sei"; consuévi acostumei-me, logo "estou habituado” etc.: Id... an casu
acciderit parum cognovi - não sei bem se isso aconteceu por acaso.

b) Os perfeitos das expressões: Exploratum est, descobriu-se, logo "sabese"; tráditum est,
próditum est, foi transmitido, logo "é tradição, conta-se"; datum est, foi concedido, logo
"alguém tem”, etc.: Tauris datum est ut pro vítutis contra leones decernant - aos touros foi
concedido (os touros têm) que possam combater contra os leões pelos novilhos.

CONSECUTIO TEMPORUM nas subordinadas que NÃO dependem diretamente da


principal:

a) Uma subordinada pode depender de outra subordinada cujo verbo esteja num modo
FINITO: Dize-me, por favor, o nome daquele assassino (oração principal) que chegou até
aqui (subordinada de 1° grau) para me matar (subordinada de 2° grau, dependente de
"chegou") ; pergunto (principal) o que devia ter feito César (subordinada de 1° grau) para
salvar a Pompeu (subord. de 2° grau, dependente de "devia ter feito").

Neste caso a subordinada de 2° grau conformará (1) o tempo de seu verbo com o
tempo da subordinada de 1° grau; a subordinada de 3° grau conformará o tempo de seu

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verbo com o tempo da subordinada de 2° grau, etc.: Nomen dic mihi, quaeso, sicarii illius
qui, ut me necaret, huc aecessit; quacro quid faceret (= subjunt. dubitat.) Caesar ut
Ponipeium servaret.

b) Uma subordinada que dependa de outra subordinada cujo verbo esteja num modo
INDEFINIDO, conformará o tempo de seu verbo com o tempo da principal: Temístocles
avisou Xerxes (princ.), temendo (subordinada de 1° grau) que ele continuasse a combater
(subord. de 2° grau), Themislocles verens ve brIlare perseverarei, certiorem Xerxem fécit ;
é difícil (prine.) de dizer (subord. de 1° grau) quanto sejamos odiados difficile dictu est
quanto in odio simus.

Note-se, porém, que se coloca geralmente num tempo histórico, o verbo de uma
subordinada que dependa de outra subordinada cujo verbo esteja no infinit. perfeito:
Responderão terem-se oposto a ti para que não entrasse em casa, respondebunt (oração
princ.; tempo principal) se tibi obstitisse (subord. de 1° grau: inf. perf.), ne in aedis
aecederes (subord. de 2° grau, cujo verbo está num tempo histórico por causa de depender
de um inf. Perf.)

Obs. - Há exemplos nos quais a subordinada conforma seus tempos, não com a
principal nem com outra subordinante, mas com alguma oração parentética
inserida no período: Sérvio Túlio procurou (o que aliás sempre se deve procurar
num estado) que o poder não dependesse do número, curavit Servius Tullius,
quod semper ia republica tenendum est, ne plurimum valeant (depende de
"tenendum est") plurimi.

(1) Os tempos de duas ou mais orações estão conformes, quando


TODOS são principais ou TODOS são secundários.

- Perfeito do subjuntivo

O perfeito do subjuntivo, quando for potencial ou proibitivo, é considerado


unicamente como tempo principal: Quem poderia chamar rico aquele que precisasse pedir
esmola? quis divitent hunc dixeril (subj. potencial), cui qitaesíto opus sit? Dão perguntes
quem eu sou, quis sim, n.e quaesierís.

Fora desses casos, o perf. do subj. pode também ser considerado como tempo
secundário. Portanto pode estar subordinado a tempos secundários ou subordinar a si
tempos secundários: Uma admração evidente demonstrava qual foi a autoridade de Pompeu
Tio seu discurso, perspicuo admiratione declarari videbatur (oração princ.; tempo
secundário) quae fuerit (perf. do subj., considerado tempo secund. porque depende de
"videbatur") Pompêi gravitas in dicendo (; é grande a culpa de Pélope, o qual não ensinou a

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seu filho quanto cada coisa deva ser cuidada, magna culpa Pelopis (est), qui non erudierit
filium, quaténus esset (tempo secund. que depende de "erudierit") quidque curandum.

OBSERVAÇÕES GERAIS

- Ás vezes não se segue as regras da consecutio para não se sacrificar o sentido: Aqui se
pode conhecer quanto possa na guerra a fortuna, hic quantum ia bello fortuna possit,
cognosci potuit; pergunto-te porque eu não deveria ter defendido (subj. dubitativo) a
Cornélio, quaero a te cur Cornelium non defenderem.

- As regras da consecutio também em português costumam ser seguidas, não, porém, com
o mesmo rigor que em latim. Por isso, exemplos como "Quem não sabe quão doutos fossem
os gregos? Recomendo-te a coisa como se fosse minha; não sabemos o que fazer; não sabes
como começar", etc., traduzem-se como se os verbos das subordinadas fossem
respectivamente: Tenham sido, seja, façamos, comeces, etc.

- Divisão das orações subordinadas

As subordinadas dividem-se em três classes: substantivas, adverbiais e adjetivas.

"Salve, formosa língua latina, que tanto esplendes na gravidade venerável das sentenças,
dos preceitos e dos brocardos, como no estilo brincado e lépido dos teus vaies líricos,
satíricos e comediógrafos!"

(D. Aquino Corrêa)

Sintaxe das orações substantivas

- As orações substantivas receberam êsse nome porque em geral representam um


substantivo: É, provável (principal) que venhas (subordinada substantiva: "a tua vinda");
digo (principal) que venceste (subordinada substantiva: "a tua vitória").

As orações substantivas em latim podem ser: a) Infinitivas; b) Precediãas por quod, ut, ne,
quominus, quin; e) Interrogativas (indiretas).

a) ORAÇÕES SUBSTANTIVAS INFINITIVAS


I. - ACUSATIVO COM O INFINITIVO

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- Usa-se, em geral, a construção do ACUSATIVO COM O INFINIT. para traduzir as


orações substantivas; que dependem de:

a) Verbos impessoais, como oportet é preciso, decet, expedit convém, constat consta,
apparet, elúcet é claro, interest, réfert importa, etc.

b) Expressões formadas pelo verbo esse acompanhado por um adjetivo (ou particípio)
neutro ou por um substantivo: Utile est é útil, veritin est é verdade, tradítum est é tradição,
proditum est conta-ise, tempus est é tempo, fas est é lícito, fama est corre voz, etc. e)
Verbos que indiquem:

1 . Sensação, opinião, afirmação (verba sentiendi et declarandi): Vejo, percebo, ouço, etc.;
penso, julgo, etc.; digo, afirmo, etc.

2. Vontade, desejo, ordem (verba voluntatis): Quero, desejo, mando, etc.

3. Sentimentos (verba affectuum): Alegrar-se, entristecer-se, queixar-se, gloriar-se, ele.

- Para traduzir as orações substantivas que dependem das expressões ou dos verbos
sobreditos, usa-se, como vimos, a construção do ACUSATIVO com o INFINITIVO, Isto é:

à) Suprime-se a conjunção integrante que, se houver.

b) O sujeito (da oração substantiva) coloca-se no ACUSATIVO e com ele se fazem


concordar os predicativos (do sujeito), se houver.

C) O verbo (da oração substantiva), se já não estiver no infinitivo, coloca-se no infinit.

Exs.: Sei que os meninos são bons: sei os meninos serem bons, seio pueros esse bonos;
é difícil que o rei veja tudo com os seus olhos, diffiede est regem omnia suis oculis
videre; o cônsul manda que o inimigo saia da cidade, exire ex urbe iubet consul
hostem; a quem importa que esta lei permaneça? cuius interest hane leggem mancre?

Obs. - O sujeito da oração que se traduz pelo acusat. com o infinit. NÃO se pode
subentender: Percebes que vigio, intellegis me vigilare .

- Quando o sujeito da oração infinitiva for um pronome de 3ª pessoa, traduz-se:

a) Com o acusat. de is ou ille, se for diferente do sujeito da subordinante: Sei que eles são
bons, scio eos (ou illos) esse bonos.

b) Com se, se for idêntico ao sujeito da subordinante: Os meninos dizem que eles (= os
meninos) são bons, pueri dicunt se esse bonos.

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Obs. - I. Com os verbos impessoais miseret, paenitet, etc. o sujeito, quando for
pronome de 1ª pessoa, traduz-se pelo acusat. do pronome demonstrativo (eum, eam,
cos, eas ou illum, etc.) : Eles se arrependem, eos paenitet. - Traduz-se por se
unicamente no caso da letra b: Quinto diz que (ele) está arrependido, Quintus ait se
paenitere.

2. Com interest e refert o pronome de 3ª pessoa que indica a quem algo importa,
traduz-se pelo genit. do pronome demonstrativo. - Traduz-se por sua, quando a
pessoa à qual algo importa se acha na subordinada e é idêntica ao sujeito da
subordinante: Névio diz que isso não importa a ele (= Névio) Naevius negat id sua
referre ; o povo pode deliberar o que lhe (= ao povo) interesse, deliberare plebes
potest quid sua intersit.

Tempos do Infinitivo

Os infinitivos PRESENTE, PASSADO e FUTURO nas orações subordinadas, indicam


respectivamente fatos CONTEMPORANEOS,
ANTER1ORES e POSTERIORES à ação da subordinante. Exs.:

a) Dizias que estavas contente com a nossa morte, nostrã caede te contentum esse diceba;
foi anunciado a César que Ariovisto se dirigia para ocupar Besançon, nuntiatum est Caesari
Ariovistum ad occupandum Vesontionem contendere.

b) Conta-se que naquele tempo vivia a mãe de Pausânias, dicitur eo tempare matrem
Pausaniae vixisse; digo que foste à casa de Leoa, dico te venisse in Laecae domum; os
tréviros diziam que cem aldeias de suevos se tinham estabelecido às margens do Reno,
Treveri dicebant pagos centum. Sueborum ad ripas Rheni consedisse; não percebeste que
aquela colônia tinha sido fortificada por minha ordem? sensistin illam coloniam meo iussu
esse, munitam?

C) Dizes que obedecerás, obtemperaturum te esse dicis; alguns disseram a César que os
soldados não levariam (ou teriam levado) as insignias nonnulli Caesari nuntiaverunt milites
non laturos (esse) signa; Ariovisto diz que não devolverá os reféns, Ariouistus respondet se
obsides redditurum non esse; Aspar diz que aquele personagem não será deixado em poder
dos inimigos Aspar nuntiat hominem nobilem in hostium potestate non relictum iri.

IMPORTANTE - No infinit. futuro ativo e no infinit. perf. passivo (ou depoente)


prefere-se omitir o esse: Laturos melhor do que laturos esse; latos melhor do que
latos esse.

- Notas sobre o infinit. futuro

a) Em lugar do infinit. futuro encontra-se muitas vezes a circunlocução fore ut (ou futurun
esse ut) com o subjuntivo:

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1 – Presente, se o verbo da subordinante está num tempo principal.


2 – Imperfeito, se o verbo da subordinante está num tempo secundário.

disse que todas as simpatias dos gauleses se afastariam dele (Div.), Divitiacus ait
totius Galliae animos a se aversum iri, ou D. ait fore (futurum esse) ut totius Galliae animi a
se averterentur; nunca pensei que eu deveria favores a um homem particular, nuniquain
ratus sum me debiturum, esse, gratiam privato homini, ou numquam ratus sum fore
(futurum esse) uti (= ut) privato homini gratiam deberem.

Obs. - Quando se usa a circunlocução Jore (futurum ésse) ut, o sujeito da


subordinada traduz-se com o nominativo; coloca-se, em geral, depois de ut e, se
for pronome pessoal, pode-se omitir.

b) Se o verbo que se deve traduzir com o infinit. futuro, for passivo ou depoente, pode-se
também usar fore acompanhado pelo particípio perfeito, o qual concordará com o sujeito
(em caso acusativo) : Espero que a obra de Dífilo será (terá sido) acabada dentro de poucos
meses, spero paucis mensibus opus Diphili perfectum fore; espero que serão unidos, eos
spero copulatos fore; posso dizer que terei alcançado bastante. . . possum dicere me satis
adeptum fore.

c) Posse, velle, nolle, malle são infinitivos presentes que podem ter sentido de infinit.
futuro: Totius Galliae sese potiri posse sperant - julgam que poderão apoderar-se de toda a
Gália.

d) O infinit. presente que depende de verbos sinônimos de esperar, prometer, ameaçar,


jurar, traduz-se, em geral, pelo infinit futuro: Dois cavaleiros prometeram matar-me, duo
equites sese. . . me interfecturos esse pofficiti sunt.

- Observações

a) Quando o verbo subordinante for sinônimo de lembrar, usa-se, por vezes, na


subordinada, o infinit. presente em vez do infinit. perfeito: Lembras-te que eu disse no
senado? meministine me dicere in senatu?

b) O predicat. do sujeito que acompanha um infinit. unido a um verbo (1) servil, coloca-se
no nominativo: Posso ser feliz, possum non miser esse. Porém:

(1) Os verbos scire o neseire quando significam, “saber que”, "não saber
que", não são mais verbos servis: Aníbal sabes vencer; não sabes aproveitar a
vitória, vincere scis, Hannibal; victoria uti nescis; sabemos que Atílio foi
chamado sábio, scimus Atilium appellatum esse sapientem.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 308

I. Se o infinit. não for acompanhado por um verbo servil, o predicat. do suj. coloca-se no
acusativo, no gênero e número conveniente: Não ser cobiçoso é riqueza, non esse cupidum
pecunia est.

2. Se o infinit. for acompanhado por um verbo de desejo (volo, volo, vialo, cupio, etc.),
pode-se usar a construção do acusat. com o infinit., Se os sujeitos da subordinada e dá
subordinante forem Idênticos, e deve-se, se esses sujeitos forem diferentes: Desejo ser
clemente, cupio esse clemens ou cupio me esse clementem; desejo que sejas clemente,
cupio te esse clementem.

Obs. - Na dependência de oportet ou de um verbo de desejo, pode encontrar-se o


infinit. perfeito passivo (freqüentemente sem esse) em vez do infinit. presente
passivo: Teria sido necessário que isso fosse feito há muito tempo, hoc iam pridem
factum esse oportuit ou fieri oportuit; queres que a pátria seja destruída, patriam
deletara vis ou deleri.

c) Após licet (é lícito) e necesse est (é necessário) temos freqüentemente o infinit.; neste
caso a pessoa, à qual algo é lícito ou necessário, coloca-se no dativo ou no acusativo; o
predicativo do suj. pode concordar com essa pessoa ou ficar sempre no acusativo :

A quem observa estes preceitos é lícito viver honrosamente, haec praecepta servantem licet
magnifice vivere; teria sido lícito a Temístocles ser ocioso (ficar longe dos cargos
públicos), ticuit esse otioso Themistocli; a vós é permitido serdes riquíssimos, vobis licei
esse fortunatíssimos; é possível que seja infeliz quem tem abundância destes bens, quibus
abundantem licet esse miserrimum; é necessário que Cipíão morra, necesse est mori
Scipioni, ou Seipionem; é necessario que sejais varões fortes, vobis necesse est fortibus
viris esse ou vobis necesse est fortes viris esse.

d) Temos o acusativo com o infinit. em certas exclamações: Te nunc, mea Terentia, sic
vexari, sic iacére in lacrimis et sordibus! Idque fieri meā culpā (que tristeza), Terência,
minha esposa, seres assim atormentada, assim viveres na dor e na abjeção! E tudo isso
acontece (aconteceu) por minha culpa...

(1) Videri (parecer) é o passivo de video (vejo); SER VISTO traduz-se por conspici,

por cerni e, raramente por videri

NOMINATIVO COM O INFINITIVO

- Videor (pareço)

a) Usa-se, em geral, a construção do nominativo com o infinit. para traduzir as orações que
dependem do verbo videor.

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b) Essa construção de videor (ou do nominat. com o infinit.) consiste:

1. Em tornar sujeito do verbo parecer o sujeito da oração que dele depende (2). Este sujeito
coloca-se no nominativo; com ele concordarão o verbo videor e todos os predicativos do
sujeito.

2. Em eliminar a conjunção que, se houver, e em colocar no infinit. o verbo da oração que


depende de parecer.

(2) É por isso que esta construção do verbo videor se chama PESSOAL.

Exs.: Parece-vos que estou doente, (eu) pareço a vós estar doente, vobis videor
esse aeger; pareceu-nos que Lívia morresse, Livia nobis visa est morí; parece-
me que as batalhas antigamente eram mais duras, pugnac videntur mihi olim
fuisse magis arduae; a alguns parece que fui feliz, quibusdam videor felix
fuisse; parece-me que nem os animais suportarão estes male, ista ne pécudes
quidem mihi passurac esse videntur; parecia-vos que os soldados partiriam,
vobis milites videbantur profecturi.

- PASSIVO de iubeo, sino, veto (prohibeo)

Têm a construção de videor também os seguintes verbos no PASSIVO: Iubeo mando,


ordeno, sino permito, veto (prohibeo) proíbo. - A pessoa, à qual se manda, permite ou
proíbe alguma coisa, torna-se sujeito de "mandar, permitir, proibir":

Não se, permitiu a Séstio que acusasse (a) Milão: S. não foi permitido acusar. Sestius
Milonem aceusare non est situs - manda-se aos cônsules que alistem um exército: os
cônsules são mandados alistar. iubentur consules seribere exercitum; proibiu-se-me (de) ir:
fui proibido ir, prohíbitus sum aceedere.

- ATIVO de iubeo, sino, veto (prohibeo)

Esses verbos (e mais o verbo patior = permito) no ativo têm a construção do acusat. (da
pessoa à qual algo se manda, proíbe ou permite) e o infinit.: César mandou que eles
esperassem a sua chegada naquele lugar, Caesar eos in eo loco suum adventum expectare
iussit; César proibira a seus lugar-tenentes que se afastassem dos trabalhos, ab opere legatos
Caesar discedere vetuerat; nós permitimos que seja vã a força da autoridade destes, patímur
bebescere aciem horum auctoritatis.

Obs. - Se não for expressa a pessoa à qual algo se manda, Proíbe ou permite, o
verbo dependente coloca-se, em geral, no infinit. passivo: Ele mesmo mandava

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matar, ipse iubebat oecídi; não permitem de forma alguma. importar vinho,
vinum omníno importari non sinunt ; se eu te mandar inatar... si te intérfici
iussero...

III. - NOMINATIVO E ACUSATIVO COM O INFINIT.

(Construção pessoal e impessoal do verbo subordinante)

- PASSIVO de dico, narro, etc.

Com o PASSIVO dos sinônimos de dizer, narrar, julqar, etc., podemos ter a
construção (pessoal) de videor, e menos frequentemente, a construção impessoal (3) do
acutsat. com o infin.: Diz-se que todos eles se levantaram, consurrexisse ornnes illi dicuntur
ou consurrexisse omnes illos dicitur; conta-se que Temístocles respondeu a certo Serífio,
Themistocles fertur Seriphio cuidam respondisse ou Themistocles fertur... ; encontra-se
(escrito) que Pitágoras veio para a Itá1ia durante o reinado de Tarquínio, regnante
Tarquinio, in Italiam Pythagoras venisse reperítur, ainda não se sabia que Bíbulo estivesse
na Síria, Bíbulus nondum audichatur esse in Syria; conta-se que os irmãos foram
mensageiros, fratres nuntii fuisse perhibentur; contava-se que eu voltaria triunfante, cum
gloria dicebar esse rediturus.

Obs. - Usa-se ordinariamente a construção impessoal do acusat. com o infin.:

a) Quando o verbo (sinônimo de dizer, narrar, etc.) da subordinante resultar composto de


esse e um particípio;

b) Quando o verbo videor (na subordinante) tiver o sentido de "parecer certo, parecer
oportuno";

C) Quando o verbo da subordinada:

1. For impessoal;

2. For o infinit. fut. de um verbo que não tenha supino;

3. For precedido por um adjetivo neutro.

(3) Chama-se IMPESSOAL, porque o verbo da subordinante não tem como


sujeito um nome, mas uma oração, e por isso sempre se coloca na 3ª peasoa sing.
neutra: DICITUR, TRADITUM EST, PUTANDUM EST.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 311

Exe.: Conta-se que também Homero, era cego, traditum est etiam Homerum
caecum fuisse; pareceu-me oportuno escrever a respeito da velhice, visum est mihi
de senectute conscribere; parece-me que não estais arrependidos, mihi videtar vos
non paenitere; parece-me que assim aprendereis a língua latina, mihi videtur
futurum esse ut sic Latinum sermonem discatis; parece-te útil que eu vá, tibi utile
videtur me ire.

b) ORAÇõES SUBSTANTIVAS PRECEDIDAS DE

quod, ut, ne, quominus, quin.

I. - ORAÇÕES SUBSTANTIVAS PRECEDIDAS DE quod

- Pode-se encontrar a conjunção integrante quod, com o sentido de "que, pelo fato de, o fato
de, etc.", seguida geralmente pelo indicativo (4), com muitos verbos, e principalmente:

a) Com as expressões bene (male, gratum, pergratum) facere; gratum, (molestum,


iucundum) est; huc accodit (a isto se acrescenta); adde (acrescenta); omitto, praetereo,
praetermitto (deixo, deixo de dizer); bene (opportune, male) fit, (evenit, accidit), etc.: Bene
facis quod me adiúvas -fazes bem em me ajudar (pelo fato de me ajudares) ; hue aceedebat
(5) quod Sulla exercitum nimis liberaliter habuerat - a isto se acrescentava que Sila tinha
comandado o seu exército com pouca disciplina; praetereo quod Servilius Maelium manu
sua oceidit - deixo de dizer que Servílio com suas próprias mãos matou a Mélio.

b) Quando se quer explicar algum nome: Mihi videntur homines hae re maxime bestiis
praestare, quod loqui possunt - parece-me que os homens são superiores aos animais
principalmente pelo fato de poderem falar (principalmente nisto, que podem falar) ; quanta
benignitas naturae, quod (explica benignitas) tam multa ad vescendum gignit - quão
gorande (é) a benevolência da natureza pelo fato de ela produzir tantos alimentos!

(4) Como o verbo dessas orações, em português, se acha freqüentemente no


infinit. é bom, antes de traduzir, colocar (esse verbo) no TEMPO DO
INDICATIVO exigido pelo contexto:. Como julgas dever suportar o fato de
esses assentos terem sido, abandonados (que esses assentos foram
abandonados) ? quo aninzo tibi terciidum putas quad ista Bubsellia vacuefacta
sunt.

(5) Com accedere encontra-se também UT E O SUBJUNT. : À velhice de Ápio


Claudio acrescentava-se que era cego, ad Appii Claudii senectutmn aecedebat
ut caecus esset.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 312

Obs. - 1 . Quod no início do período pode ter o sentido de "quanto a, quanto ao fato
de, etc.": Quod existimas meam causam coniunctam esse cun, tua... quanto ao fato de
tu pensares que a minha sorte está ligada à tua...

2. QUOD pode ser conjunção coordenativa: Quod si curam fugimus, vita fugienda
est, e se fugimos as preocupações, devemos (=deve-se) fugir a vida.

II. - ORAÇOES SUBSTANTIVAS PRECEDIDAS DE

ut, ne, quominus.


- Verba timendi

A oração substantiva subordinada a um sinônimo de "temer" (timeo, vereor, metus est,


periculum est, etc.), traduz-se com o SUBJUNTIVO, precedido por:

a) ut ou ne non, quando se teme que a ação não se realize (a subordinada é geralmente


negativa em português);

b) ne, quando se teme que a ação se realize (a subordinada é geralmente afirmativa em


português).

Exs.: Temo que o próprio Dolabela não possa ajudar-nos suficientemente,


vercor ut Dolabella ipse satis nobis prodesse possil; Labieno, receando não
poder (que não pudesse) agüentar o ataque dos inimigos, manda uma carta a
César, Labienus, véritus, ne hostium impetum sustinere non posset, litteras
Caesari remittit; César tinha medo de magoar o ânimo de Diviciaco, Caesar ne
Divitiáci animum offenderet verebatur.

Obs. - 1. Quando o sinônimo de "temer" for negativo, em vez de ut, costuma


usar-se ne non: Não tenho medo que a tua virtude não corresponda à
expectativa dos homens (=deles), non vereor ne tua virtus opinioni hominum
non respondeat.

2. Timeo, vereor, etc. acompanhados pelo infinit., costumam traduzir-se por


"hesitar, não ousar, não atrever-se a, etc.": Verètur lacere... não ousa fazer...

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E.I.E. Caminhos da Tradição 313

- Verba impediendi

A oração substantiva subordinada a um sinônimo de "impedir" (impedire, prohibére,


tenore, detinore, retinore: transitivos diretos; obstare, obsistire, offt-cere, temperare, : trans.
indiretos com o dat.),
etc., ou de "recusar" (recúsare), traduz-se com o SUBJUNTIVO, precedido por quominus:
(E) a idade não impede que conservemos o gosto da agricultura, nec aetas impedit
quominus agri colendi studia teneamus.

Obs. - a) Se a oração subordinante for positiva, além de quominus, pode-se usar ne; se for
negativa, além de quominus, pode-se usar quin: Histieu se opôs a que se realizasse o
projeto, IIistiaeus, ne res conficeretur, obstítit; Régulo recusou manifestar a sua opinião,
Regulus sententiam ne diceret recusavit; os germanos não recusam lutar com armas,
Germani non recusant, quin armis contendant.

b) 1. A pessoa (o animal ou a coisa), à qual algo se impede, costuma tornar-se sujeito da


subordinada, mas pode ser também complemento do verbo "impedir": Que impede a um
deus ser feliz, quid obstat quominus deus sit beatus? O medo impede que tantos homens
queiram advogar uma causa, formido tot viros impedit quo minus causam velint dicere.

2. Com tenere, detinere, e retinere a 2ª construção é de regra: A doença impediu que (tu)
viesses, te infirmitas tenuit quominus venires e não infirmitas tenuit quominus tu venires.

c) Na oração que depende de impedire, prohibere e recusare encontra-se também o infinit.:


E ainda não se achou ninguém que recusasse morrer, neque repertus est quisquam qui imori
recusaret; (fazem) mal os que impedem aos estrangeiros morarem nas cidades, male (agunt)
qui peregrinos urbibus uti prohibent.

d) 1. A oração que depende de interdicere (impedir, proibir) constrói-se com ne ou ut ne e o


subj.: César proíbe a Cassivelauno que prejudique a Mandubrácio, Caesar interdicit. . .
Cassivelauno, ne Mandubracio noceat; não foi proibido aos homens aplicarem-se a várias
ciências simultaneamente, neque enim, est interdictum ut singulis hominibus ne amplius
quam singulas artes nosse liceat.

2. Interdicere alicui ut significa "mandar que alguém": Familiae interdixisti, ut uni dicto
audiens esset - tu mandaste que teus escravos obedecessem às ordens de um só.

e) Notem-se estas expressões: Per me stat (ou fit) quominus exeas depende de mim que
não saias, impeço que saias; relígio Mário non fuerat quominus Glauciam occideret - Mário
não tivera escrúpulo de matar a Gláucia.

- ORAÇÕES SUBSTANTIVAS PRECEDIDAS POR quin

Traduzem-se com quin e o subjuntvo as orações substantivas que dependem de


expressões como: Non dubito, não duvido, estou certo; dubium non est, não há dúvida;
nulla causa est, não há motivo; suspicio non abest, suspeita-se; paulum (non multun) abest,

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E.I.E. Caminhos da Tradição 314

falta pouco; nihil abest, não falta nada; quid causae est? Que motivo há? ficri non potest,
não pode ser (que) praeterire von possum, não posso deixar de mencionar (que) temperare
sibi, conter-se (ele) ; retinèri non possum, não posso conter-me (de) ; vix abstíneo, com
dificuldade me abstenho (de) ; quis ignorat? Quem é que não sabe? E outras similares:

Estou certo de que preferes a salvação à vitória, non dubito quin salutem anteponas
victoriae; não há dúvida de que os helvécios são os mais poderosos de toda a Gália, non est
dubium, quin totius Galliae plurimum Helvetii possint; e suspeita-se que ele se tenha
suicidado, neque abest suspicio, quin ipse sibi mortem consciverit; nada falta para eu ser
infelicíssimo, nihil abest quin sim miserrimus; e César não julgava que aqueles homens se
absteriam (deixariam) de entrar na província, neque (Caesar) sibi homines temperaturos
existimabat, quin in Provinciam exírent; os germanos não podiam conter-se de atirar dardos
contra os nossos, Germani retineri non poterant, quin in nostros tela conicerent; quem é que
não sabe que há três estirpes de gregos? Quis ignorat quin tria Graecorum genera sint?

Obs. – 1ª Com quis ignorat? Encontra-se também o acusat. com o infinit.: Quis ignorabat
Pompeium fecisse foedus? Quem é que não sabia que Pompeu tinha concluído (essa)
aliança?

2ª Non est dubíum quín legiones venturae non sint - significa "não há dúvida (é certo) que
as legiões não virão".

3ª O verbo dubitare no sentido de "hesitar" é geralmente seguido pelo infinit., raramente


pelo subjuntivo com quin: Múcio não hesitava em chamar a Léfio de sábio, Mucius non
dubitabat Laelium appellare sapientem; hesitareis, ó juizes, em libertardes um cidadão
ilustre? dubitabitis iudices, quin nobilissimum civem vindicetis?

- QUIN, pronome relativo

Após as expressões nemo (nullus, nihil) est e depois das interrogações que começam
com quis est? quid est? em lugar de qui non (sing.) e quod non (1) pode-se encontrar quin:
Não há ninguém tão forte que não se perturbe com a novidade do acontecimento,
nemo est tam fortis quin (em vez de qui non) rei novitate perturbetur; não há nenhuma
cousa, que, mal relatada, não possa ser mal entendida, nihil est quin (em vez de quoel non)
male narrando possit depravarier.

(1) Em lugar de outras formas do pron. relat. seguido de non, o quin é raro: Não houve
nenhuma cidade da Tessália que não obedecesse a César, nulla Thessaliae fuit civitas,
quin (em vez de quac non) Caesari paréret.

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c) ORAÇÕES SUBSTANTIVAS INTERROGATIVAS

- Introdução

As orações interrogativas podem ser diretas ou indiretas, simples ou disjuntivas.

As interrogativas diretas enunciam sem mais a pergunta: Quem és? Teu pai chegou?

As interrogativas indiretas fazem, geralmente, depender a pergunta de um sinônimo de


perguntar, dizer, saber, pensar, etc.: Pergunto quem és; dize-me se teu pai chegou.

As interrogativas disjuntivas têm dois ou mais membros: Isto é verdadeiro ou falso?


(disjuntiva direta); dize-me se isto é verdadeiro ou falso (disjuntiva indireta).

IMPORTANTE - Nas interrogativas diretas (simples ou disjuntivas) usa-se o indicativo;


nas indiretas (simples ou disjuntivas) o SUBJUNTIVO (em latim).

Obs. - Encontra-se por vezes o indicativo após dic, vides, audis e similares:
Vides in quo cursu sumus vês em que carreira estamos.

- Interrogativas DIRETAS, simples (2)

Usam-se as seguintes partículas interrogativas:

a) Nonne (menos freqüentemente an; -ne, que se liga à palavra mais importante da oração;
ecquid), quando se espera resposta afirmativa: O cão não é semelhante ao lobo? canis
nonne similis lupo? (tendo sido) estimulados por um benefício, que devemos fazer? Não
devemos imitar os campos férteis, os quais produzem muito mais do que receberam?
quidnam beneficio provocati facere debemus? an imitari agros fertiles, qui multo plus
afferunt quam acceperunt? Não percebeste que aquela colônia tinha sido fortificada?
sensistin (3) illam coloniam, esse munitam? não notas o silêncio destes? ecquid
animadvertis horum silentium?

(2) É escusado dizer que as interrogativas DIRETAS (simples ou disjuntivas)


NAO são orações subordinadas.

(3) Por vezes a partícula -NE se reduz a -n. Note-se viden= videsne, vin= visne,
satin= satisne, ain= aisne.

(4) NONNE usa-se unicamente com o verbo quaerere.

b) num (menos freqüentemente numquid, an, -ne), quando se espera resposta negativa:
Ousas por acaso negar? num negare audes? Tendes por acaso duas pátrias? munquid duas
habetis patrias? Temes por acaso o ódio dos pósteros? an invidiam posteritatis times?

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E.I.E. Caminhos da Tradição 316

Porventura, Catilina, pode ser-te agradável o ar deste céu? potestne tibi, Catilina, huius
caeli spiritus esse iucundus?

c) -ne, quando quem faz a pergunta ignora absolutamente se a resposta será afirmativa ou
negativa: Interpreto bem o teu pensamento? rectene interpretor sententiam tuam?

- Observações

a) Em geral não se repete a partícula numa série de interrogações: Porventura


nada te comoveram a guarda noturna do Palatino, nada as sentinelas da cidade,
nada o temor do povo, nada o concurso de todos os honestos, nada este recanto
fortemente defendido, em que se reúne o senado? nihilne te nocturnum
praesidium Palati, nihil urbis vigiliae, nihil timor populi, nihil concursas
bonorum omnium, nihil hic munitissimus habendi senatus locus ?

b) Os casos em que não se usa nenhuma partícula ou se usa non (nec ou neque), são
menos comuns: Esperas a exceração das palavras? Vocis expectas contumeliam? Não
acatarás a autoridade da pátria. Não seguirás seu parecer, não temerás sua punição?
(patriae) tu neque auctoritatem verébere nec iudicium sequére nec vim pertimesces?

- Interrogativas INDIRETAS simples

Usam-se as seguintes partículas:

a) Nonne (4) ou -ne, para traduzir a locução se não, a qual geralmente indica que quem fez
a pergunta espera uma resposta afirmativa:

Tendo-se perguntado a Sócrates se não julgava feliz a Arquelau, respondeu: Não sei, cum
esset e Socrate quaesítum Archelaum nonne beatum putaret, haud scio, inquit; vou-lhes
perguntar se não devem um navio ao povo romano. Não poderão negar: sum rogaturus,
navem populo Romano debeantne. Fatebuntur.

b) Num ou -ne, para traduzir a partícula portuguesa se:

Os lacedeniônios perguntaram a Filipe se lhes impediria também de morrer, Lacedoemonii


(a Philippo) quaesierunt num se esset etiam mori prohibiturus; vou-lhes perguntar se Verres
recebeu deles trigo para enviar ao povo romano. Dirão que não: (Sum. rogaturus)
frumentum ab Ús sumpseritne Verres, quod populo Romano mitteret, Negabunt.

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- Notas sobre as interrogativas indiretas simples

a) As interrogativas indiretas que dependem de verbos sinônimos de tentar, aguardar,


ver (1), são geralmente precedidas pela conjunção si: Os helvécios tendo tentado se podiam
abrir uma passagem, desistiram dessa empresa, Helvetii, si perrumpere possent, conáti, hoc
conátu destiterunt; resolvi (dever-se) aguardar se algo de mais certo (tios) fosse transmitido,
statui expectandum esse, si quid certíus adferretur.

b) Com as interrogativas indiretas que dependem de expressões sinônimas de "duvidar" e


"não saber" (dubito, dubium est, incertum est, nescio, haud seio, ete.), usam-se estas
partículas:

1. an (se), principalmente quando, na dúvida, se manifesta certa propensão para o "sim";

2. an non (se), quando se manifesta certa propensão para o “não”.

Exs.: Não sei (acho que sim) se posso dar a isso o nome de paciência, vescio an patientiam
possim (hoc) dícere; estou em dúvida se (devo) colocar a este em primeiro lugar, dubito an
hune prímuin ponam. - O homem justo duvida se isto seja honesto (talvez não seja), vir
bonus dubitat an turpe non sit.

Obs. - As partículas -ne, quin, num, na dependência desses verbos são raras.

- Pronomes, advérbios e conjunções INTERROGATIVAS

a) Quando na oração interrogativa (direta ou indireta) já houver alguma palavra


interrogativa (pronome, advérbio ou conjunção), NÃO SE USA MAIS NENHUMA
PARTICULA (interrogativa): Quem de nós julgas tu que ignore o que fizeste, onde
estiveste, que cúmplices convocaste, que resolveste! quid egeris, ubi fueris, quos
convocaveris, quid consilii ceperis, quem nostrum ignorare arbítraris?

(1) Após outros verbos a partícula si, em vez de num ou -ne, é RARA.

b) Note-se a tradução destas partículas interrogativas:

1. COMO se traduz por quomodo, quemádmodum, qui (por ut só nas ínterrogativas


indiretas): Como pode um deus ser enganado? Deus falli qui potuit?

2. PORQUE (por que) se traduz por cur, quáre, quámobrem, quid (não quia, nem quod):
Por que enganas a cidade? quid frustraris civitatem ?

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E.I.E. Caminhos da Tradição 318

POR QUE NÃO se traduz por cur non; por quin só nas interr. diretas: Por que não
acordais? quin expergiscimini?

3. QUANDO se traduz por quando, não cum nem ubi.

- Partículas para as orações DISJUNTIVAS (diretas e indiretas)

O 1° membro pode ter as partículas utrum ou -ne, ou não ter partícula nenhuma; o 2°
membro e os seguintes, se os houver, têm a partícula an:

Isto, afinal, é uma lei ou uma negação de todas as leis? haec utrum tandem lex est an
omnium legum dissolutio? A morte me parece um mal. Para aqueles que morreram ou para
aqueles que devem morrer? malum mihi videtur esse mors. lisne qui mortui sunt, an iis,
quibus moriendum est ? Levaste o exército contra eles pelo caminho direto ou por todas as
curvas? itinere duxisti exercitum ad eos, an per omnes anfractus viarum? - Indagava se
devia ir para Roma, ou ocupar a cidade de Cápua ou partir para as legiões da Macedônia,
consultabat uirum Romam proficisceretur, an Capuam, teneret an iret ad legiones
Macedônicas; não sei bem se isso aconteceu por preguiça ou por acaso, id socordidne an
casu acciderit parum, cognovi; discute-se a respeito (da cidade) de Avárico, se seja bom
queimá-la ou conservá-la, deliberatur de Avárico, incendi placeret an defendi.

- Notas a respeito das disjuntivas

a) Nas disjuntivas indiretas encontra-se também o caso de haver somente a partícula -ne no
2º membro: Não sei se é do ar ou do fogo, anímue (do ar) sit ignisne nescio.

b) Anne substitui, às vezes, a partícula na no 2° membro:


Quando se pergunta. se três são poucos ou muitos. . . quum interrogetur tria pauca sint anne
multa.

C) Se o 2° membro for representado simplesmente por "ou não", traduz-se por necne ou,
mais raramente, por an non (annon) : Antígono ainda não tinha: decidido se devia poupá-lo
ou não, Antigonus nondum statuerat conservaret eum necne; pergunta-se se devemos
declarar guerra a Corinto ou não, quacrihir Corinthiis bellum indicantus an non.

RESPOSTA LATINA

- A resposta afirmativa traduz-se:

a:) Repetindo-se com as modificações devidas, a, palavra mais importante da oração


anterior: Sois embaixadores? Sim. Estisne vos legati? Sumus.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 319

b) Com ita, ita est, ita vero est, ita plane, ita prorsus, sane, sane quidem, utique, certe,
omnino: Queres que continuemos o assunto estando sentados? Pois não. Visene sermoni
reliquo demus operam sedentes? Sane quidem.

- A resposta negativa traduz-se:

a) Repetindo-se em forma negativa e com as modificações, devidas, a palavra: mais


importante da oração anterior: Propõe (isso) ao senado. De nenhuma forma. Refer ad
senatum. Non referam.

b) Por meio de partículas negativas: minínie, mininie vero, non ita, etc.: Quereis que seja
aumentado o exército de Catilina? Não queremos absolutamente. Placet augeri exercitum
Catilivae? Minime.

Obs. - Usa-se immo (immo vero), quin (quin etiam) para corrigir ou contradizer uma
pergunta ou afirmação: (A) que homem? a um leviano? pelo contrário, a um homem
muito sério, (ad) quem, hominem? Levem? Immo gravissimum.

"Salve, majestosa língua, em que Cícero culminou na defesa do direito e da justiça,


tornando-se o rei da tribuna forense, celeste orador e uma como personificação da própria
eloquencia! ”.

Sintaxe das orações adverbiais

As orações adverbiais dividem-se em: Finais, consecutivas, causais, condicionais,


concessivas, comparativas e temporais.

- ORAÇÕES FINAIS

Traduz-se pelo SUBJUNTIVO presente ou imperf. com ut ou uti, se forem positivas; com
ne, se forem negativas: Somos escravos das leis para podermos ser livres, legum servi
sumus, ut liberi esse possimus; Ar. manda embaixadores a C. a fim de que marque um dia
para um encontro, Ariovistus ad Caesarem legatos mittit, uti diem colloquio constitueret;
não quero ser louvador para não parecer adulador, nolo esse laudator. ne videar adulator.

Para facilitar o emprego da consecutio, se o verbo da oração final estiver no infinit., ES


bom transformá-lo num tempo, do subjuntivo, antepondo-lhe as locuções "a fim de que ---
ou ---para que".

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E.I.E. Caminhos da Tradição 320

Regras especiais

a) Em lugar de ut encontra-se, às vezes, quo, principalmente se na oração final houver um


comparativo: Para que se possa entender mais facilmente, quo facilius intellegi possit; para
tornar o exército fiel a si, quo sibi exercitum fidum faceret.

b) Ut ne, em lugar de ne, é raro: Tudo isso eu omito para não cansar teus pacientíssimos
ouvidos, hoe totum omitto ut ne offendam tuas patientíssimas aures.

c) Quando se quer negar um só termo e não toda a oração final, usa-se ut non em vez de ne.
Vai ter com Mânlio, ó Cat., afim de que pareças teres sido por mim não mandado entre
estranhos mas convidado (a ir) entre os teus confer te ad Malium ut a me non eíectus ad
alienos, sed invitatus ad tuos videaris.

d) 1. Numa seqüência de orações finais, a 1ª traduz-se regularmente; diante das outras, se


forem negativas, usa-se geralmente a partícula neve ou neu - César pedia a Ariovisto que
não transportasse mais nenhum grupo de homens, não atormentasse mais os éduos e não
lhes fizesse guerra, ab Ariovisto Caesar postulabat, ret neve Aeduos muititudinem
hominum amplius traduceret neve, iniuria lacesseret, neve his belIum inferret – César
exortou os soldados afim de que se lembrassem de seu valor e não desanimassem. Caesar
cohortatus (est) milites uti suae virtutis memoriam tenerent neu perturborentur
animo.

2. Traduz-se sem ut a oração final positiva precedida por uma final negativa: Peço que não
desanimes, mas aguentes, te rogo ne dimittas animum, contraque resistas.

e) 1. As regras, expostas na letra d servem também para traduzir os exemplos em que


aparecem em forma negativa, diversos subjuntivos exortativos ou imperativos.

Não desejemos coisas difíceis nem vamos atrás de cousas vãs, ne dificilia optemus neve
inania consectemur, hominem mortíuum in urbe ne sepelito neve urito.

2. Note-seporém, que nesses casos (de subj. exortativo e mperat.), quando a 1.a oração for
posita,.pode-se encontrar neque (ou nec) em vez de neve (ou neu) - Continuems a nossa
marcha e não demos ouvidos às trombetas que tocam a retirada, teneamus eum cursum
neque ea signa audiamus quac receptui canunt.
Se o sujeito (ou o objeto direto) do verbo subordinante for idêntico ao sujeito da final, essa
(=final), se não estiver no passivo, pode-se traduzir também:

1. Com ad e o gerúndio no acusat.;

2. Com causa ou gratia e o gerundivo no genit.;

3. Com qui, quae, quod e o subjuntivo;


4. Com o supino ativo, se o verbo da subordinante indicar movimento;
5.Com o part. futuro ativo.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 321

Exs.: Os embaixadores foram pedir auxílio, legati venerunt ad auxiliurn


petendum (1°); auxilii petendi causa (2°); auxilium qui peterent (3°) ; auxilium
petitum (4°) ; auxilium petituri (forma rara: 5°). César mandou soldados para
ceifar trigo, Caesar milites misit ad triticum metendum; tritiol metendi gratia;
triticum qui meterent; triticum messum; triticum messuros (forma rara).

- Orações substantivas "finais"

Seguem as regras das finais as orações substantivas que dependem de sinônimos:

a) de "cuidar, fazer com que" (curo, caveo, prospicio, video, facio, efficio, operam do,
contendo, laboro, enítor, etc.).

b) de "pedir, exortar, persuadir" (oro, exoro, precor, postúlo, obtestor, rogo, flagíto, obtineo,
impetro, hortor, incito, impello, moveo, persuadeo, etc.).

C) de "decidir" (1) (statuo, constituo, edico, placet, etc.).

Exs.: Cuidemos que aquelas coisas que pertencem à dignidade sejam moderadas,
caveamus ut ea, quae pertinent ad dignitatem, moderata sin; fiz com que ninguém
tivesse medo de Catilina, curavi ne quis metueret Catilinam.
Orgetorige pesuadiu a população a sair de sua terra, Orgetorix eivitati persuasit, ut
de finibus suis exirent; decidem que sejam enviados dez mil homens, statuunt ut
decem milia hominum mittantur.

Obs. - Seguem as regras das finais também as orações substantivas que explicam
algum nome e indicarn alguma intenção: Os helvécios, como vissem que ele tinha feito
em um só dia o que eles fizeram em vinte (dias), (isto é) passarem o rio... Helvetii cum
id, quod ipsi diebus viginti confecerant, ut flumen transirent, uno illum die fecisse
intellegerent...

- Observações:

As orações substantivas que dependem de volo, nolo, malo, oportet, necesse


est, lex est, fac (faze), sine (permite), decerno (decretar), etc., podem traduzir-
se pelo subjuntivo sem ut (raramente com ut; ou pelo acusat. com o infinit.) :
Eu quereria que cuidasses disto, hoc velim, cures; eu quisera que Sila tivesse
podido ... vellem ut Sulla potuisset; quererias que aquilo fosse salvo, id esse
salvum velis.

(1) os sinônimos de DECIDIR e poucos outros (contendo, laboro, enitor, etc.) são
geralmente verbos servis. Quando o sujeito da subordinada é idêntico ao da
subordinante: Resolvi escrever, etatui seribere.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 322

Obs. - Se a oração subordinada fosse negativa, o ne não se poderia omitir:


Decretaram que não saísse, ne exiret decreverunt.
b) Algumas orações substantivas traduzem-se conforme o sentido do verbo subordinante.
Em geral constroem-se com o subjuntivo, quando indicam exortação, finalidade, intenção,
etc, e têm o acusativo com o infinit., quando indicam um fato: Te moveo ut in rempublicam
incumbas - eu te exorto para que te ocupes seriamente da república; res ipsa monebat finem
fieri tempus esse - as circunstancias por si mesmas indicavam que era tempo de acabar.
As subordinadas destes períodos "Digo a Catão que venha" e "Digo que Catão é severo"
traduzem-se respectivamente pelo subj. com ut e pelo acusat. com o infinit.

O mesmo pode acontecer com os verbos escrever, falar, etc.

ORAÇÕES CONSECUTIVAS
Indicam o resultado de alguma ação e dependem de uma subordinante a qual
contém, geralmente, expressões como tanto, tal, assim, etc.: Quem é tão louco de se afligir
(que se aflija) voluntariamente? Epaminondas foi também eloqüente, a tal ponto, que
nenhum tebano lhe era igual na eloquência , : Verres tanto maltratou a Sicilia, que agora
não pode ser recuperada.

Traduzem-se pelo subjuntivo com ut, se forem positivas; com ut non (ut nemo, ut
nullus, ut nihil, etc.), se forem negativas: Quis (est) tam demens ut sua voluntate maercat?
(Epaminondas) fuit etiam disertus, ut nemo ei Thebanus par esset eloquentia; (Verres
Siciliam) ita vexavit ut ea restitui in antiquum, statum nulto modo possit.

Obs. - Nas orações consecutivas (e nas que dependem de sinônimos de “acontecer”) o


mais que perf. do subjuntivo é raríssimo e, em vez do perfeito (do subj.) usa-se
freqüentemente o imperf. (do subj.): O escravo tinha sido tão açoitado que morreu
durante a flagelação, (servos) eo usque virgis caesus erat, ut inter verbera expiraret.

Orações substantivas "consecutivas"

a) Seguem as regras das consecutivas as orações, substantivas que dependem de sinônimos


de "acontecer", "restar" (restat, reliquum est) e de expressões como mos est, moris est, é
costume; rarum est, é, raro; inusitatum est, não se costuma; in eo est, está no ponto (de) ;
prope est, está perto, falta pouco; est, é um fato, etc. : Aconteceu por um acaso que Málio,
anunciasse o que tinha ouvido? an casu accidit ut Mallius id, quod audierat, nuntiaret? Não
é costume dos gregos que as mulheres estejam à mesa nos banquetes dos homens, moris
(non) est Graecorum, ut in convivio virorunt aceumbant mulieres; é um fato que muitos
filósofos não dão preceitos de oratória, est ut plerique philosophi nulla tradant praecepta
dicendi. Pela honestidade de Aristides aconteceu que a supremacia naval foi transferida dos
espartanos para os atenienses, Aristidis acquitate factum est ut summa imperii maritimi ab
Lacedaemoniis transferretur ad Athenienses.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 323

b) Podem seguir as regras das consecutivas ou as do acusat. com o infin. as orações


substantivas que dependem de expressões como: sequitur, segue-se; consuetudo (ou
consuetudinis) est, é costume; mirim est, é admirável; verum est, é verdade; uerosimile est,
é verossímil, etc.: Se é verdade que o povo romano superou todas as gentes no valor ... Si
verum est, ut populus Romanus omnes gentes virtute superarit ; é verdade que o sábio não
costuma descer a se ocupar dos interesses do estado, verum est sapientem descendere ad
rationes civitatis von solere.

Obs. - O verbo abesse, que se usa para traduzir a expressão figurada “estar tão
longe de”, coloca-se geralmente na 3ª pess. sing.: Estou tão longe de elogíar essas
pessoas, que não posso não odiá-las, ego istos tantum abest ut ornem, ut elfici
non possit quin cos oderim.

- ORAÇÕES CAUSAIS

- Traduzem-se, geralmente, con-i quod, eo quod, ideo, quod, propterea quod, quia (porque);
quando, quandoquidem, quoniam (visto que, pois) e o INDICATIVO :

De todos esses os mais fortes são os belgas, porque estão muito afastados da civilização da
província, horum omnium fortissimi sunt Belgae, propterea quod a cultu atque humanitate
provinciae longissime absunt; sitiemos Esparta, pois assim (nos) agrada, obsideamus
Lacedaemonem, quando ita placet; (admitamos que isto) seja um benefício, visto que de um
ladrão não se pôde receber (benefício) maior. sit beneficium, quandoquidem maius áccipi a
latrone nullum potuit.

- Causais no indicativo, subjuntivo e infinit.

Encontra-se, em geral, quod e o indicativo (e menos comumente quod e o subjunt.


ou o acusat. com o infínit.) nas causais que dependem de verbos que indicam sentimentos,
louvor, agradecimento, repreensão, acusação e similares (angor, doleo, gaudeo, glorior,
irascor, indignor, miror, queror, laudo, gratios ago, virtupero, accúso, etc.):

Alegro-me por ter-te interrogado, gaudeo quod te interpellavi; alegro-me por me


aconselhares aquilo que eu (já) tinha feito espontaneamente, gaudeo id te mihi suadère,
quod ego mea sponte feceram; entristecemo-nos, porque já não podemos gozar de sua
presença, id dolemus quod co iam frui nobis non licet; os inferiores não devem entristecer-
se por serem superados por seus amigos, inferiores non dolere (debent) se a suis (amicis)
superari; César queixou-se por (lhe) terem declarado guerra, Caesar questus (est) quod
bellum intulissent.

Causais no subjuntivo

Usa-se o subjuntivo (geralmente com quod):

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E.I.E. Caminhos da Tradição 324

a) Quando a causa mencionada representa não o pensamento do autor da oração, mas de


outrem: Aristides nonne pulsus est patria, quod praeter modum iustus esset? Não foi
Aristides exilado, porque (opinião de algum ignorante, não de Cícero) era excessivamente
justo?

b) Para traduzir um motivo vão verdadeiro oposto a um verdadeiro: Os atletas gemem, não
porque sofrem (sofram), mas porque o seu corpo se entesa, pugíles ingemiscunt, von quod
doleant, sed quia corpus intenditur; sou julgado lento, não porque eu gosto (goste) de ouvir
falar mal de mim, mas porque não gosto de perder a causa de vista, non quo libenter male
andiam, sed quia causam non libenter relinquo, lentus existimor.

Obs. - 1. Após a conjunção cum, o subjuntivo é mais freqüente que o indicativo: Devia
combater com a astúcia, porque não era igual (aos inimigos) nas armas, dolo erat
pugnandum, cum par non. esset armis; congratulo-me contigo porque gozas de tanto
prestígio junto de Dolabela, gratulor tibi, cum tantum vales apud Dolabellam.

2. Não é preciso traduzir as partículas quippe e útpote, que às vezes acompanham as


conjunções causais: Nihil est virtute amabilius, quippe cum propter virtutem etiam eos
quos numquam vidimus, quodámniodo diligamus, nada existe mais amável do que a
virtude, visto que por causa da virtude, de algum modo, amamos também os que não
conhecemos; utpote cum sine lebri laborassem - porque eu tinha ficado doente sem
febre...
(1) Encontra-se às vezes non quo, em vez de non quod e quin em vez de quod von.

- ORAÇÕES CONDICIONAIS

- Período hipotético:

Uma oração condicional unida à sua subordinante forma o período hipotético: Se


amas a pátria, trabalharás com ardor.

A condicional costuma chamar-se prótase (Se amas a pátria); a sua subordinante


costuma chamar-se apódose (trabalharás com ardor).

O período hipotético pode ser de três tipos, isto é, pode indicar: realidade,
possibilidade, impossibilidade (ou irrealidade).

Quando o verbo da apódose não está no condicional (=fut. do pret.), o período


hipotético é considerado do 1° tipo (realidade) : Se meus filhos forem semelhantes a mim,
este campozinho há de sustentá-los; se me amas, recomeça os teus estudos.

Quando o verbo da apódose está no condicional (=fut. do pret.), o período hipotético


pode ser considerado do 2° tipo (possibilidade) ou do 3° tipo (impossibílidade), de acordo
com o contexto ou de acordo com a intenção de quem o pronunciou.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 325

Por, isso, nem sempre é possível determinar se um período isolado pertença ao 2°


ou ao 3° tipo. Assim o período: "Se, fosses estudioso, não perderias tempo" pode ser
considerado possível ou impossível, se quem o pronunciou não manifestar de alguma outra
forma o seu pensamento.

PERIODO HIPOTÉTICO INDEPENDENTE

- Primeiro tipo: realidade

Usam-se em latim, geralmente, os mesmos tempos e modos do portugués (1) : Si (libĕri)


mei similes erunt, idem hic agellus (campozinho) illos alet; si me diligis, excita (recomeça)
litteras tuas.

Obs. - Usa-se, em geral, o subjuntivo na prótase, quando tiver como sujeito o "tu
genérico": A memória diminui, se não se exercita, memoria minuitur, nisi cam
exerceas.

(1) Já notamos que o FUTURO DO SUBJUNTIVO português se traduz


comumente pelo futuro do indicativo.

- Segundo tipo: possibilidade

Se o período hipotético for considerado (2) possível, traduzir-se-a, com o subjuntivo


presente, a oração (do período hipot.) que indicar uma possibilidade presente; tra:duzir-se-
á, com o subjuntivo perfeito, a oração que indicar uma possibilidade passada:

Se eu dissesse (agora) que não sinto saudades de Cipião, mentiria, ego si Scipionis
desiderio me moveri negem, mentiar; se um homem. em juízo perfeito te tivesse entregue
uma espada e (agora) num acesso de loucura a pedisse, seria um crime restituir-lha, si
gladium quis apud te sand mente deposucrit, repêtat insaniens, reddere peccatum sit.

- Terceiro tipo: impossibilidade

Se o período hipotético for considerado (2) impossível (ou irreal), traduzir-se-á com o
imperfeito do subjuntivo a oração (do período hipot.) que indicar uma impossibilidade no
presente; traduzir-se-á pelo mais que perfeito (do subj.) a oração que indicar uma
impossibilidade no passado (3):

Eu escreveria mais, se pudesse, plura seriberem, si ipse possem; o meu auxílio à tua honra
não teria faltado, se (eu) tivesse podido ir ao senado com segurança, meum studium honori
tuo _non defuisset, si tuto in senatum venire potuissem; se nos velhos não houvesse

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E.I.E. Caminhos da Tradição 326

cordura, tino e inteligência, os nossos maiores não teriam chamado "senado" o supremo
conselho, consilium, ratio, sententia nisi essent in senibus, non suminum consilium maiores
appellavissent senatum.

- Indicativo e subjuntivo

O verbo da APÓDOSE traduz-se mais comumente de acordo com as regras do que segundo
as do período hipotético:

a) Se indicar poder, dever, conveniência ou necessidade;

b) Se for esse acompanhado por um partic. futuro ou por um adjet. neutro;

e) Se for acompanhado por paene.

(2) Note-se a expressão "é considerado", pois um período pode indicar uma
impossibilidade e ser considerado possível, e vice-versa. O seguinte período: "Se a pátria
falasse isso, não deveria alcançar?", encerra uma impossibilidade "porque a pátria não
fala"; Cícero, porém, talvez para dar maior vivacidade a sua descrição, considerou-o
possível, o escreveu: Hace si patria loquatur, nonne impetrare debeat?

(3) Há, todavia, algum exemplo em que o imperf. do subj. indica uma impossibilidade
PASSADA: Tum si DICEREM, non AUDIRER se então eu tivesse falado, não teria sido
ouvido.
Exs.:
a) Eu poderia dizer que cidades fortificadas o povo romano tenha expugnado, se isso irão
me levasse, fora do assunto, memorare possum quas urbis populus Romanus ceperit, ni ea
res nos ab incepto traheret; se os soldados não estivessem cansados, todas as tropas dos
inimigos poderiam ter sido (= teriam podido ser) aniquiladas, nisi milites essent defessi,
omnes hostium copiae deleri potuissent.

b) Se os inimigos aparecessem diante de Roma, que farícis? Quid, si hostes ad urbem


veniant, facturi estis? Se Pompeu estivesse em Roma sem nenhum cargo público, ele
deveria ser eleito para esta guerra, si Romae Pompeius privatus esset, ad tantum bellum is
erat eligendus; se ele tivesse conseguido apoderar-se de Roma, todos os melhores deveriam
morrer, si ille opprimere urbem potuisset, optimo cuique percundum erat; se assim tivesse
pensado Milão, teria sido melhor para ele deixar-se jugular por Clodio, si ita putasset, certe
optabilius Miloni fuit dare iugulum Clodio.

C) Ele quase teria feito aquilo, se tu não tivesses estado alerta, quod paene fecit, nisi tua
malitia affuísset.

Obs. - Encontram-se outros exemplos em que o indicativo da apódose se


contrapõe ao subjuntivo da prótase e vice-versa, sem que se possa estabelecer
uma regra: Praeclare viceramus, nisi Lepidus recepisset Antonium. Teríamos tido

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E.I.E. Caminhos da Tradição 327

uma vitória esmagadora, se Lépido não tivesse recebido a Antônio; si meis


incommodis laetabantur, urbis tamen, periculo cominoverentur. Se se alegrassem
com a minha desgraça, contudo seriam abalados pelo perigo da cidade.

PERIODO HIPOTÉTICO SUBORDINADO

A. - Período hipotético subordinado a uma expressão que não exija a apodose no infinit.

- Realidade e possibilidade

Nesses casos os verbos da prótase e da apódose colocam-se, em geral, no tempo do


subjuntivo exigido pela consecutio: Catilina dá a Umbreno a incumbência de atrair os
alóbroges para uma aliança, se puder (1) (se pode), Catilina Umbrén negotium dat uti
Allbroges, si possit, impellat ad societatem; César conservou suas tropas dispostas em
ordem de batalha para que, se Ariovisto quisesse combater, não lhe (a César) faltasse
possibilidade (de resistir), Caesar aciem instructam habuit ut, si vellet Ariovistus proelio
contefidere, ei potestas non deesset.

(1) IMPORTANTE - O fut. 1° 2° (fut. do pres. simples o composto) do subjuntivo


português, na prótase do período hipot. subordinado traduzem-se, em geral, como se
fossem, respectivamente, presente e perfeito (do subjuntivo).

Impossibilidade

Neste caso seguem-se as regras do período hipotético independente (imperf. e mais


que perf. do subj.) : Não se deve duvidar que César chamaria muitos mortos à vida, se fosse
possível, dubitare debet nemo, quin multos, si ficri posset, Caesar ab ínferis revocaret.
Duvidais que não teria sido empregada a força contra ele, se tivesse recusado? Si
repudiasset, dubitatis, quin ci vis esset allata?

Obs. - a) Em vez do mais que perf. do subjuntivo ativo, na APÓDOSE pode-se encontrar
o part. fut. ativo com fuerim, fueris, etc., embora o verbo subordinante esteja num tempo
secundário: Pode alguém duvidar que, se Ligário tivesse podido permanecer na Itália,
teria continuado na mesma opinião (política)? A quisquam dubitare potest quin, si
Ligarius in, Italia esse potuisset, in eaem sententia fuerit futurus? Elas correram tão
precipitadamente que, se alguma passagem tivesse estado aberta, teriam enchido a
cidade com seu tumulto, se proripuerunt ut, si effugium patuisset, impleturae urbem
tumultu fuerint.
b) Com os verbos que significam poder, dever, conveniência ou necessidade e com o verbo
esse unido ao part. fut. passivo, em vez do mais que perfeito do subj. na APÓDOSE, usa-
se, em geral, o perfeito (do subj.) : Não houve dúvida que, se não tivesse havido aquela
demora, ter-se-ia podido tomar o acampamento, haud dubia res juit quin, nisi ea mora
intervenisset, castra capi potuerint; combateu-se com forças tão iguais que, se os etruscos
tivessem estado presentes, teria sido necessário receber a derrota (a derrota teria sido

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E.I.E. Caminhos da Tradição 328

inevitável), adeo aequis viribus gesta res est ut, si adjuissent Etrusci, accipienda clades
fuerit.

B. - Período hipotético subordinado a uma expressão que exija a apódose no infinit.

Realidade e possibilidade

Nesses casos o verbo da prótase coloca-se no subjuntivo, geralmente no tempo


exigido pela consecutio; o verbo da apódose coloca-se no infinit. de acordo com as regras
dar, infinitivas:

César diz que (lhes) embargará a passagem, se tentam fazer violência, si vim facere
conentur, Caesar ostendit se prohibiturum (esse); César diz que, se ninguém (o)
acompanha, irá com a décima legião, ait Caesar, si nemo sequatur, se cum decima legione
iturum (esse); César disse que, se fosse necessário ser cumprida a deliberação do senado, a
Gália devia ser livre, ait Caesar, si iudicium, senatus observari oporteret, liberam debere
esse Galliam.

- Impossibilidade

Neste caso a prótase segue as regras do período hipotético independente (imperf. e


mais que perfeito do subj.) ; a apódose traduz-se sempre pelo infinit. futuro com fuisse:

Ariovisto respondeu que, se precisasse de alguma coisa por parte de César, iria ter
com ele (César), Ariovistus respondit, si quid ipsi a Caesare opus esset, sese ad eum
venturum fuisse; naquela circuntância ficou claro que, se Agesilau não tivesse estado
presente, Esparta não teria (mais) existido, eo tempore apparuit nisi Agesilaus fuissei,
Spartam futuram non fuisse .

Obs. - Se o verbo da apódose neste caso de impossibilidade:

a) Indicar poder, dever, conveniência ou necessidade, em vez do infinit. futuro com fuisse,
usa-se o infinit. perfeito, se referir ao passado, e o inf. pres., se referir ao presente ou ao
futuro: Julgo que, se Platão tivesse desejado tratar de eloqüência forense, teria podido falar
muito acertadamente, Platonem existimo, si genus forense dicendi tractare voluisset,
gravissime potuisse dicere; creio que se quisesses, poderias (agora), credo te posse, si
velles.

b) For passivo, usa-se futurum fuisse ut e o imperf. do subj. PASSIVO: Muitos julgavam.
que a cidade teria sido perdida, se não tivessem sido trazidas notícias da vitória de César,
nisi nuntii de Caesaris victoria essent adlati, existimabant plerique futurum fuisse uti
oppidum amitteretur.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 329

- Nisi e si non

a) Nisi afeta a oração toda; si non afeta somente algum membro: Divitiācus dicit
Ariovistum in eos omnia: exempla cruciatusque edere, si qua res non ad voluntatem, cius
facta sit. Div. diz que Ar. lhes inflige toda espécie de castigos, se alguma coisa não foi (for)
feita de acordo com a vontade dele. Pelo sentido se vê que si ... non afeta somente ad
voluntatem.

b) Costuma-se usar si non, quando se repete, sob forma negativa, uma condição já
enunciada sob forma positiva, e quando na apódose haja at, tamen ou áttamen: Se fizeres o
que prometes, muito grato; se não fizeres, perdoarei, si feceris id, quod ostendis, magnam,
habebo gratiam, si non feceris, ignoscam; se não me for possível ter um bom governo, pelo
menos estarei livre de um govemo mau, si mihi bona republica frui nort licuerit, at carebo
mala .

c) A expressão “se não” se traduz por si minus, sin minus ou si non, quando o verbo for
subtendido: Se alcancei isso alegro-me; se não consolo-me (por isso) que depois virás para
os jogos, quod si adsecutus sum, gaudeo; sin minus hoc me consólor, quod posthac ad
ludos venies.

d) Nisi pode significar "a não ser que, salvo, exceto": luravit se nisi victorem in castra non
reversurum - jurou que não voltaria para o acampamento a não ser como vencedor.

e) Nisi si tem praticamente o mesmo sentido que nisi.

Subjuntivo supositivo

Por vezes a prótase não tem nenhuma conjunção condicional: Dares hane vim Crasso, in
foro saltaret - se entregasses a Crasso esse poder, ele dançaria na praça.

Essa oração condicional sem conjunção, é chamada por alguns por "subjuntivo supositivo".

Observação geral.
- Encontram-se exemplos de períodos hipotéticos, cuja prótase está subentendida:
Apparuit quantam exeitatura molem, vera fuisset elades, cum vanus rumor tantas
procellas excivisset. Viu-se então que multidão (de males) teria suscitado (apódose)
uma desgraça verdadeira (se de fato tivesse acontecido), tendo um simples boato
excitado tantas tempestades.

- ORAÇÕES CONCESSIVAS-

- Traduzem-se com:

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E.I.E. Caminhos da Tradição 330

a) Tametsi ou tamenetsi (embora, ainda que) e o indicativo: Embora (os nossos soldados)
fossem abandonados pela sorte, todavia punham toda a esperança no valor, tamelsi a
fortuna desere. bantur, tamen omnem spem in virtute ponebant .

b) Etsi, quamquam (embora, ainda que) e o indicativo (raramente o subjuntivo): Embora


falte maturidade... etsi abest maturitas aetatis; embora Aristides sobressaísse por seu
desinteresse, contudo foi condenado a um desterro de dez anos, quamquam excellebat
Aristides abstinentia, tomem exsilio decem annorum multatus est. Ainda que tivésseis
arrebatado a Sila nada mais do que o consulado... etsi nihil aliud Sullae nisi consulatum
abstulissetis.

c) Quamvis, etiamsi ou etiam si (embora, ainda que) e o subjuntivo (raramente o indicativo)


Embora ele seja: feliz... quamvis ille felix sit não teria podido alcançar aquilo, ainda que
tivesse desejado, id assēqui non potuisset, etiamsi cupissed. Embora nunca tivesse visto a
seu pai, quamvis patrem suum nunquam viderat.

d) Ut, cuiti, licet (embora, ainda que) ; dum, dummodo, dum modo, modo (contanto que) e
o subjuntivo: Embora faltem as forças, todavia deve-se elogiar a boa: vontade, ut desint
vires, lamen laudanda voluntas; Sócrates, embora pudesse facilmente ser levado para fora
(do cárcere), não quis, Socrates cum focile posset educit, noluit; direi o que penso, ainda
que todos protestem, fremant onives licet, dicam quod sentio; (ele) desejava ser atirado aos
tormentos, contanto que se instituísse um processo a respeito da morte do pai, ipse sese in
cruciatum dari (cupiebat), dion de patris morte quaereretur .

Obs. - Após dum, dummodo e modo usa-se ne em vez de non: É preciso afastar-
se do caminho, contanto que daí não se origine (uma) grande desonra,
declinandum de via est, modo ne summa turpitudo sequatur.

- Observações

a) Quando, após as conjunções etsi e etiamsi, se usar o subjuntivo, dever-se-ão seguir as


regras do período hipotético.

b) Elsi e quamquam podem-se usar como conjunções coordenativas e podem significar


"mas, entretanto, etc.": Etsi, quamvis non fueris suasor profectionis meae, adprobator certe
fuisti - entretanto, embora não tenhas aconselhado a minha partida, todavia a aprovaste;
quamquam quid loquor ? Mas por que falo?

c) Por vezes a conjunção concessiva se omite; nesses casos o verbo da oração "concessiva"
se encontra sempre no subjuntivo: Embora tenham sido ávidos de poder, embora tenham
sido obstinados, todavia estiveram isentos do crime de traição da pátria, fuerint cupidi,
fuerint pertinaces, parricidii vero crimine caruerunt; embora a dor não seja um mal sumo,
todavia é um mal, ne (1) sit sane summum malum dolor, malum certe est.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 331

Essa oração sem conjunção é chamada "subjuntivo concessivo".

- ORAÇÕES COMPARATIVAS

Traduz-se ordinariamente pelo indicativo, usando-se, quase sempre, os mesmos


tempos do português: Colherás assim como tiveres semeado, ut sementem feceris, ita
metes; referiram todas essas circunstâncias a Pompeu, conforme exigia a índole ou a
ambição de cada um deles, prout cuiusque eorum aut vatura aut studium ferebat, haec
ad Pompeium detulerunt.

Obs.: Nos casos em que a conjunção comparativa for acompanhada pela


conjunção adicional si (ut si, velut si, tamquam si, proinde ac si, perinde ac si,
aeque ac si, quasi, etc.), seguem-se, geralmente, as regras do período hipotético
subordinado: Os séquanos receavam a crueldade de Ariovisto ausente, como
seestivesse presente, Sequani Ariovisti absentis crudelitaten, velut si (2) coram
adesset, horrebant; trataremos 9 de um último assunto) como se todos os
interesses da justiça estivessem encerrados nesta questão, perind ac si in hanc
formulam omnia iudicia legitima conclusa sint, dicemus. Deveis estar
preparados como se ele estivesse presente, sit animat esse debetis, ut si ille
adesset; perguntas me o que pesno, como se eu soubesse alguma coisa; ex me
quaeris quid putem, quase quicquam sciam.

(1). Também no subjuntivo concessivo se usa NE em vez de non.

- Regras especiais

a) Os adjetivos e os advérbios que indicam semelhança ou diferença (similis, aequus, par,


idem; símiliter, pariter, perinde, proinde, aeque, iuxta; dissimilis, allius, contrarius; aliter,
secus, contra, etc.) unem-se à oração seguinte por meio de ac ou atque, e, menos
freqüentemente, por meio de et ou quam: Possa eu morrer se falo diferentemente do que
escrevo, ne sim salvus, si aliter loquor ac scribo; agirei diferentemente do que se costuma
fazer nas outras causas, faciam contra atque in ceteris caitsis fieri solet; pergunta-se se a
obstinação é a mesma cousa que a perseverança, quaeritur idemne sit pertivacia et
perseverantia; terei o maior cuidado para que nada aconteça diferentemente do que
queremos, mihi erit maximae curae ne quid fiat secus quam volunms.

Obs. - Idem pode ligar-se à oração seguinte também por meio de qui, quae,
quod, no caso devido: Os escravos eram dos mesmos costumes que o patrão,
servi moribus iísdem (erant), quibus dominus.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 332

b) Após a locução potius quam, ou potiusquam (preferívelmente a, antes que) o subjuntivo


é mais comum que o indicativo: Zenâo sofreu todos os tormentos antes que revelar os seus
cúmplices, Zeno perpessus est omnia potiusquam conscios indicaret; por que antes que (em
vez de) me abandonarem, me acompanharam chorando? cur me flentes potius prosecúti
sunt quam reliquerunt ?

(2) Rarissimamente Pode-se não traduzir a conjunção, "se" em latim: Como se


quisessem, proinde ac vellent.

Obs. - Se o verbo subordinante está no gerundivo ou no infinit., o verbo que depende


de potiusquam, estará também respectivamente no gerundivo ou no infinit.: Quae
condicio non accipienda fuit, potiusquam relinquenda patria? Que condição não se
devia aceitar antes que abandonar a pátria? affirmavi quidvis me potius passurum
(esse) quam. ad bellam civile exiturum, falei que me submeteria a qualquer vexame,
antes que partir para a guerra civil; potius periclitari volui, quam nimis cautus videri,
preferi arriscar a parecer demasiadamente cauto.

- A expressão "DEMAIS (modificando -um adjetivo ou advérbio) EM COMPARAÇÃO


DE" traduz-se pelo comparativo seguido de quam, pro e o ablativo:

A matança foi pequena demais em comparação de tão grande vitória, iminor, caedes
Juit quam pro tanta vietoria; trava-se um combate por demais sanguinoso em comparação
do número dos guerreiros, proelium atrocius, quam pro numero pugnantium éditur.

ORAÇÕES TEMPORAIS

- Depois que (de), desde que

As locuções "depois que, depois de, desde que" traduzem-se por postquam ou
posteaquam, e o indicativo (raramente o subjuntivo), podendo-se usar em latim os mesmos
tempos que se costumam usar em português após a locução "depois que": Parece-me que
estou desterrado desde que me acho na (minha) quinta de Fórmias, relegatus mihi videor,
postquam, in Formiano sum; Amílear depois de ter passado (depois que passou) o mar,
realizou grandes empresas, Hamilear, posteaquam, mare transiit, magnas res gessit; a
façanha se realizou três dias depois que Clódio a anunciara, post diem, tertium, gesta est
res, quani Clodius dixerat.

Obs. - 1. Quando as sobreditas locuções em português forem acompanhadas por


um futuro, será melhor traduzi-Ias com cum e o fut. 1° ou 2°: Meu desejo é de
poder renunciar ao ofício de acusador, depois que tiver cumprido os meus
compromissos com os sicilianos, mihi optatum illud est finem accusandi facere,
cum receptum olficium Sículis cril persolutum .

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E.I.E. Caminhos da Tradição 333

2. O imperf. do indicativo não é comum; usa-se unicamente quando se quer indicar que um
modo de ser perdurou no passado; nesses casos o "postquam" encerra um sentido causal:
Postquam (Nabdalsa) non venit metasque rem impediebat - depois que (visto que) Nabdalsa
não chegou (tinha chegado) e o medo impedia a façanha...

Quando, logo que, apenas

"Quando" traduz-se por ubi, cum, e, mais raramente, por quando; "logo que, apenas"
traduzem-se por ubi primum, ut, ut primum, cum primum, simuI, simul ac, simul ac
primum, simul atque, simul ut, statim ut.

O modo é geralmente o indicativo e os tempos são quase sempre os mesmos do


português: Serás morto, quando não houver mais ninguém que diga ter sido isso feito
ilegalmente, tum interficière, cum nemo inveniri poterit quí id non iure factum esse
fateatur; logo que te assentaste, deixaram vazia essa parte de cadeiras, simul atque
adsedisti, portem istam subselliorum nudam reliquerunt.

Obs. - 1. Para os casos de ação repetida.

2. Com cum é muito usado também o subjuntivo, e especialmente:

a) Após expressões como tempus est cum: houve um tempo no qual (quando) os gauleses
superavam os germanos no valor, fuit tempus cum Germanos Galli virtute superarent (bg
6.24.1) ou superabant (ef. fam 11.27.4).

h) Nas narrações (n.' 479), quando cum tem também sentido causal (n.' 445, obs. 1) ou
concessivo (n.' 457, d).

464. - Enquanto, até que

Dum, donce, quoad acompanham o indicativo (raramente o subjuntivo), quando


significam "enquanto" (isto é, indicam simplesmente a duração da ação da subordinante) ;
acompanham o subjuntivo (raramente o indicativo), quando significam "até que" (isto é,
ind~cam uma intencão ou expectativa)

Catão enquanto viveu, cresceu na glória das virtudes, Cato, quoad vixit, virtutum
laude crevit (Nep 24.2.4) ; enquanto fores feliz, terás muitos amigos, donec cris felix,
mult(,s numerabis amicos (Ov.- trist 1.9.5). - Penso em ficar aqui até me restabelecer, ego
hic cogito commorari, quoad me neficiam (fam 7.2O.2) ; espera, por favor, até que eu possa
falar com Ático, expecta, amabo te, dum Atticum conveniam (At 7.1.4).

Obs. - Após dum (enquanto), o imperf. português pode se traduzir também pelo
presente (do ind~c.) : Enquanto eu queria agradar aos moços, esqueci-me que eu era velho,

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E.I.E. Caminhos da Tradição 334

dum óbsequor adulescentibus, me senem esse s~ oblitus (de or 2.4.15) ou dum obsequebar
(ef. Nep 23.2.4).

465. - Antes de, antes que

Após antêq~ii, anteãquam e priusquam (antes de, antes que) temos, em latim, o
presente do indical. ou do subjuntivo, se o verbo da subordinante está num tempo principal;
temos o, perfeito do indicat. ou o imperf. (ou mais que perfeito) do subjunt., se o verbo da
subordinante está num tempo secundário:

Antes de voltar à sentença, direi algo a meu respeito, antequam ad sententiam redeo,
de me pauca dicam (Cat 4.1O.2O) ; antes de chegar ao Ponto, mandará uma carta a
Pompeu, antequam veniat in Pontum, litteras ad Pompeium mittet (agr 2.2O.53) ; César me
restituiu à pátria antes de me ver, Caesar me antequam vidit, reipublicae reddidit (Lig 3.7) ;
antes que fosse dado o sinal da batalha, Aníbal mandou um mensageiro, priusquam signum
pugnae daretur, Hannibal tabellarium mittit (presente hist.: Nep 23.11.1) ; Epaminondas
nunca se afastou de uma reunião, antes de o assunto ter sido terminado, Epaminondas
nunquam e círculo prius discessit, quam ad finem sermo esset adductus (Nep 15.3.3; cf.
Gramat. Lat. Seminários do Brasil, n.' 332).

Obs.. - Em lugar do presente (do indic. ou do subj.) usa-se o fut. 2.O (raro o fut.
1.O), se o verbo da subordinante estiver no futuro: Não descansarei antes de aprender os
métodos dêles, nunquam conquiescam ante, quam illorum vias rationesque percepero (de or
3.36.145, cf. Tescári, n.O 523).

Observação geral. - Os principais sentidos de ut são: 1.' Temporal; 2.' Final (para
que, afim de que: n.I 437) ; 3? Consecutivo (que, de tal modo que: n.' 441) ; 4.' Concessivo
(embora, ainda que: n.' 457, d) 5.1 Comparativo (como: n.o 459) ; 6.' Integrante (que, isto é:
n.I 422, a ~ 7.' Restritivo-causal: Diógenes, ut eynicus, próiei se iussit inhumatum (tu
1.43.1O4) D., visto que era cínico (de acordo com sua condição de cínico), mandou que o
jogassem sem sepultura; Epaminondas habuit obtrectatorem Meneclídem quendam, satis
exercitatum iTL dicendo, ut Thebanum scílicet: namque illi genti plus inest viriu,m quam
ingenii (Nep 15.5.2) Ep. teve como detrator certo Meneclides, bastante adestrado na
eloqüência, quanto podia ser um tebano, pois há naquele povo mais fórça do que engenho.

"Desse grupo (ítalo-céltico) de línguas grosseiras e ásperas, sairia, muito mais tarde o
formoso idioma do Lácio, que havia de dominar o mundo com sua força, maravilhá-lo com
seu esplendor, e através de evoluções sucessivas, eterno, jamais calar-se nos lábios dos
homens".

(Serafim da Silva Neto, um dos grandes filólogos do Brasil)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 335

Sintaxe das orações adjetivas

466 - Chamam-se adjetivas as orações subordinadas que se ligam à subordinante por meio
de pronomes ou advérbios relativos: O qual, que, quem, quem quer que seja; onde, etc.

467. - Orações adjetivas no SUBJUNTIVO

As orações adjetivas traduzem-se com o subjuntivo:

a) Quândo encerrarem alguma idéia final, consecutiva, causal, condicional ou concessiva:

Caesar prernittit (milites) qui (em vez de ut final) videant, quas in partes hostes iter faciant
(bg 1.15.1) C. manda na frente (soldados), que (para que) vejam em que direção marchem
os inimigos; est innocentia affectio talis animi quae (em vez de ut consecutivo) noceat
nemini (tu 3.8.16) a inocência é tal disposição da alma que não prejudica ninguém; neque is
sum, qui (em vez de ut consecutivo) mortis periculo terrear (bg 5.3O.2) nem sou tal que
possa ser atemorizado pelo perigo da morte; maluimus iter facere pedibus, qui (em vez de
quod causal) incommodissime navigavissemus (At 5.9) preferimos viajar a pé, pois
tínhamos navegado muito mal; haec et innumerabilia ex eodem genere qui (em vez de si
quis condic.) videat, nonne cogatur confiteri deos esse (nd 2.4.12) ? quem (se alguém) visse
estas e outras cousas maravilhosas do mesmo gênero, não seria obrigado a admitir que os
deuses existem? hi miserrimo exercitu (cf. n.o 56) Caesaris luxuriem obiciebant, cui
(quamvis ei: concess.) semper omnia ad necessariunb usum defuissent (be 3.96.2)
acusavam de (viver no) luxo ao paupérrimo exército de César, ao qual (embora a esse
exército) tinham faltado até as cousas necessárias.

b) Quando, por meio de uma espécie de parêntese, limitam o conceito expresso pela
subordinante; nestes casos o pron. relat. É acompanhado pelas partíciflas (11à(Uni, ou
modo: Dos oradores áticos, daqueles ao nienos dos quais restam obras escritas, Péricles e
Aleibíades foram os mais antigos, ex oratoribus Atticis, quorum quidem seripta constent,
Pericles alque Alcibiades antiquissimi sunt (ef. de or 2.22.93). (1)

e) Após as expressões est qui, sunt qui, non desunt qui, existunt (inveniuntur, reperiuntur)
qui, wihil est qitod, quis est quif quid est quod? est ubi (há um lugar no qual), est quátenus
(há um ponto até o qual), habeo quod e outras similares: Que há que te pode (possa)
agradar, quid est quod te delectare possit (Cat 1.7.14) ? aebaram-se dois cavaleiros romanos
que te deviam livra:r dessa preocupação, reperti' sunt duo equites Romani, qui ie ista cura
liberarent (Cat 1.4.9) ; há um ponto até o qual é lícito ceder à amizade, est quátenus
amieitiae venia dari possit (am 17.61).

d) Encontra-se o subjuntivo ainda em outros casos, especialmente quando se, quer


manifestar que o ação é indeterminada ou sèmente possível: Cui tu adulescentulo, quem
corruptelarum illecêbr~s irretisses (indica indeterminacão ou possibilida:de), non ad
audaciam ferrum praetulisti (Cat 1.6.13) ? a que jovem, que tu tivesses enredado (= podido
enredar) com atrativos de corrul) Leão, não levaste lia frente o ferro (= a espada) para a
ousadia?

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E.I.E. Caminhos da Tradição 336

Obs. 1.1 - Podem-se considerar adjetivas consecutivas as orações que dependem de


dignos, indignus, aptus, idoncus, as quais se traduzem com ut ou qui, quae, quod (no caso
devido) e o subjuntivo: Digno de mandar, dignus qui imperei (leg 2.3.5) ; nenhuma
personagem parecia mais digna de falar da velhice, nulla videbatur aptior persona, quac de
senectute loqueretur (am 1.4) ; talvez não tenha havido ninguém digno de imitares, tibi
fortasse idoneus fuit nemo quem imitarére (Ver 2.3.16.41) ou ut cum imitarere (ef. Liv
22.59.17).

Obs. 2.' - Expressões como esta: "Sou grande demais para que a fortuna me possa
prejudicar", traduzem-se com o comparativo (ou cúm nimis e o adjet. em grau normal),
seguido de quam e o pronome relativo no caso devido (ou quam ut) ; o modo é o
subjuntivo: Maior som quam cui fortuna nocere possit (Ov. met 6.195) ; a Aníbal a empresa
-pareceu agradável demais e por demais grandiosa para a poder (para que a pudesse) aceitar
imediatamente, Hannibali nimis lacta res est visa maiorque quaim ut com statim capere
animo. posset (Liv 22.51.3).

(1) Nessas orações adjetivas "limitativas" encontra-se também o indica,tivo: Os


outros escritores gregos e latinos, aqueles pelo menos cujos anais ~e ler, dizem que Vílio
não fez nada de. memorável, ceteri Graeci Lalinique scriptores, quorum quidem ego LEGr
anvales, niU znemorabile a Villio actum tradunt (Liv 32.6.8).

468 - Orações adjet'vas no INDICATIVO

As orações adjetivas traduzem-se com o indicativo:

a) Quando -não encerram nenhuma idéia de fim, de conseqüência, etc.: César mandou os
helvéelos voltarem pa:ra as suas terras, das quais tinham saído, Caesar Helvetios in fines
suos, unde erant profecti, reverti iussit (bg 1.28.3) ; no eâreere há um lugar que se chama
Tuliano, est in carecre tocus, quod Tullianum appellatur (Sal. C 55.3).

b) Quando explicam ou substituem um nome: Quae homines arant (Sal. C 2.7) os campos
(as cousas, que os homens aram)

quae terra gignit (nd 1.2) os produtos da terra.

e) Para traduzir ora:~ões como esta: "Prudentes como sois", qw7e vestra prudentia, est
(Cael 19,453). - Em lugar de q~iae vestra pn(dentia. est, pode-se dizer simplesmente: pro
vestra prudentia (ef. fa:m 13.16.4) em vista de vossa priid~ncia (ef. li.O 387, 9.b).

d) Encontra-se unicamente o indicativo nas expressoes seguintes: Quantum in me est, quoti


iii, me est (por quanto depende de mim), quod potes, quoti poteris (por quanto puderes),
quantum possum (por quanto eu puder).

Obs. - Suprime-se, em latim, a oração adjetiva que se encontra em certas expressões


redundantes formadas com o verbo ser: Foi Esculápio quem primeiro enfaixou as feridas
(Esc. foi o 1.' que ... ; Esc. foi o 1.' a enfaixar... ) , A esculapius primus vulnus obligavit (cf.
nd 3.22.57) ; tu és o único que se queixa, (tu) unus quereris (cf. fam 15.4.15)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 337

ATRAÇÃO MODAL

469. - Quando o verbo (Ia subordinante está tio SUBJUNTIVO ou num modo
INDEFINIDO (li.' 166), o verbo da oração ADJETIVA coloca-se mais frequentemente no
subjuntivo que no indicativo:

Entre os bárbaros divulgou-se tanta fama desta guerra, que (até) por aquelas gentes,
as quais moravam além do Reno. eram mandados a César embaixadores, tanta huius belli
ad barbaros opinio perlata est, uti ab iis nationibus, quac trans Rhenum incolerent (porque
depende de mitterentur), mitterentur legati ad Caesarem (l)g 2.25.1) ; Fábio ousou dizer que
se empreendia contra os auspícios, tudo o que se empreendia contra a pátria, Fabius dicere
ausus est, quac contra rem publicam, gererentur (porque depende de ferri), contra auspicia
ferri (sen 4.11).
- Vide exemplos com o indicat. no r).' 468, a ffig 1.28.3), no n.' 439, c (cfof 1.39.141), ele.

IMPORTANTE - Essa regra da ATRAÇÃO MODAL aplica-se freqüentemente


também a todas as oraçoes subordinadas que se poderiam traduzir com o indicativo
(substantivas, causais, concessivas, compárativas, temporais; após sive ... sive, quicumque,
n.O 371 e 37O):

Catão dizia estranhar que um adivinho não risse, todas as vezes que via outro, Cato
mirari se dicebat, quod non rideret haruspex harúspicem cum vidisset (div 2.24,51) ; serve-
te deste bem, enquanto existe, isto bano utare, dum adsit (sen 1O.33) ; sabeis haver um
atentado contra a liberdade, onde quer que tenha sido conculcado o direito dos cidadãos,
ubicumque terrarum violatum ius civium sit, statuitis id pertincre ad communem causam
libertatis (Ver 25.55.15O) ; quem é que não sabe quão grandes sofrimentos tenham que
suportar os nossos exércitos, aonde quer que se tenha chegado? quantas calamitates,
quocumque ventum sit, nosrri exercitus adferant, quis ignorat (Man 13.37) ?

47O. - Observações finaís

Em períodos isolados nem sempre e possivel distinguir uma interrogativa indireta de uma
oração causal, comparativa, temporal ou adjetiwi. Neste período: "Dize-me porque vieste,
como chegaste, quando partiste, o que trouxeste", as subordinadas podem ser todas
consideradas como interrogativas indiretas ou, respectivamente, como causal, comparativa,
temporal, adjetiva.

Em casos como esse, deve-se examinar atentamente o contexto e ter em mente que a
interrogativa indireta é sempre uma transformação de interrogativa direta.

Capítulo XXVIII

"O latim... a bela, a rica, a pomposa língua, esplêndidamente vestida como uma rainha".

(Carneiro Ribeiro, o mestre de Rui Barbosa)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 338

Sintaxe das formas nominais do verbo

I. - SINTAXE DOS PARTICIPIOS

471. - Generalidades

a) Os particípios (presente, passado e futuros) concordam em gênero, número e caso com o


substantivo (ou pronome) por eles modificado: Plato scribens, Platão escrevendo; litterae
redditae, carta entregue; urbs peritura, cidade que há de perecer; opus faciendum, trabalho
que deve ser feito.

b) Os particípios usam-se também como substantivos; nesse caso podem-se traduzir em


port. com uma oração subordinada (489,d) ou com um nome substantivado: Ave, Caesar,
morituri te salútant, salve, César, os que vão morrer te saúdam; expertus potest credere,
quem experimentou, pode acreditar; quid est Iam commune quam spiritus vivis, terra
mortuis (R. Am 26.72) ? que há mais comum do que o ar para os vivos, a terra para os
mortos?

1. - PARTIMIO PRESENTE

472. - O particípio presente latino:

a) Traduz-se em português com o gerúndio simples ou, conforme o sentido , com uma
oração subordinada (ef. 489, e e d) : Catilinam orbem terrae vastare cupientem perferemus?
ha:veremoR de suportar a Cat. desejando (que deseja) destruir o mundo? Piso iter faciens
oceisus est (Sal. C 19.3) Pisão foi morto viajando (enquanto viajava).

b) Ilidica 11111 1,111O à w:ão expr(-ss,1 pelo voriw

dJL Servilius Macliiiiii, vovis rebus studentem oc(-7dil


(Citt, 1.1.3) Svrvílio matou a Mélio, que desejáva (não: que deseju)
mudwiças políticas.

Obs. - Os sinôiiimos de "ver" (aspicio, cerno, conspicio, animadverlo, video, ete.) e "ouvir"
(audio, etc.) exigem, em geral, a oração que deles (bpende, tio acusat. com o infinit.; é
comum o part. pres., em vez do infinit., quan(l,. se quer indicar uma atenção especial
prestada a quem realiza a ação: Umbrei),. vê, que èles se queixam da avidez dos
magistrados, Umbrenus illos videt queri dr, avaritia magistratuum (Sal. C 4O.3) ; não o
vedes voltar do banquete? non illuni, a cena redeuntern videtis (R. Are 35.98) ?

2. - PARTICIPIO PASSADO

473. - O particípio ~ado (ou perfeito)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 339

a) dos verbos transitivos ativos traduz-se em português pelo part. passado ou, conforme o
sentido, por uma ora:ção subordinada (n.O 489 e e d), cujo verbo (passivo) indique um fato
anterior à ação expressa pelo verbo da subordinante: A Lepido non receptus, ad me venirc
ausus es (Cat 1.8.9) não recebido (Dão tendo sido recebido, visto que não foste recebido)
por Lépido, ousaste recorrer ti mini.

b) dos verbos depoentes traduz-se em português com o gerúndio composto ativo, ou,
conforme o sentido, com uma subordinada (li.' 489 e e d), cujo verbo (ativo) indique um
fato anterior à ação expressa pelo verbo da subordinante (como acima) : Labienus castris
hostiuni potitus, decimali? legionem subsidio nostris mísit (li,- 2.26.4) Labieno, tendo-se
apoderado (após ter-se apodera:do) do"acampamento inimilgo, mandou a décima legião em
auxílio aos nossos. - Note-se, porein:

1 . O particípio passado dos verbos depoentes abaixo elencados tem sentido dv I)articípío
passado (sentido PASSIVO, como na letra a) além do sentido de yerúndio composto
ATIVO (como na letra b) :

adrplum (de adipisci) alcançado ou tendo alcançado

-comitalus (de coniltári) acompariliado ou tendo acoiopanhado

(de complecti) abraçado ou tendo abraçado

experimentado ou tendo experimentado

(d, inetiri) e cliluensus (de tlinLetiri) joedido ou, tendo medido . mt!ntítus (de inentiri) e
ementítus (de ementiri) falsificado ou tendo falsificado pactus (de pacisci) estipulado ou
tendo estipulado partítus (de partiri) dividido ou tendo dividido poputatus (de popúlári)
assolado ou tendo assolado sortitus (de sortiri) sorteado ow tendo sorteado uitus (de ulcisci)
vingado ou tendo vingado (1)

O mesmo se deve dizer a respeito destes dois particípios passados de verbos ativos: luratus
(de iurare) _= jurado ou tendo jurado; polus (de potare) bebido ou tendo bebido.

2. Certatus (part. pass. de cenare) e pransus (p. p. de prandére) têm únicamente sentido de
gerúndio composto ATIVO: Tendo ceado e tendo almoçado.

3. Tem geralmente sentido de gerúndio SIMPLES ativo, o pürt. passado dos verbos
semidep entes (fisus co fiando, diffisus desconfiando O, etc.) e de alguns
verbos depoentes (ratus pensando, usus usando, véritus temendo, etc.)

474. - Observações

a) Os particípios perfeitos substawtivados, em latim, são

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E.I.E. Caminhos da Tradição 340

modificados mais freqüentemente por advérbios do que por adjetivos: Feitos ilustres,
pracelare facta (Nep 13.1.2), mais comum do que "pracelara facta" (ef. fi 1.16.51) ;
respostas agudas, acute respo~isa (am 2.6) ; bons preceitos, bène praecepta (inv 2.2.4).

b) O -part. perf., acompanhado pelos verbos habeo e teneo,

indica maior energia e persistência da ação: Duninõrix quam pli(rimas civitales habere
constrietas volebat (bg 1.9.3) Duninorige queria manter sob o seu contrôle (subordinadas a
si) o maior número possível de cidades; nuve, Quirítes, belli, duces captos et comprehensos
tenetis (Cat. 3.7.16) romanos, agora tendes, prisioneiros os chefes da guerra.

e) Ilavendo em portugomês dois ou mais verbos coordenados, que iidiquem ações


subseqüentes e tenham sujeito e obj. dir. idênticos, pode-se: suprimi . r a conjunção
coordenativa, transformar o 1.1 verbo em part. passado e fazê~lo concordar com o obj. dir.
-. Os helvécios recebem e juntam a si os bóios, Helvetzi Boios receptos sibi adsciscunt (bg
1.5.4).

d) É comum encontrar-se em latim uma expressão formada com o part. pass., quando em
português temos um substantivo verbal: Depois da fundação de Roma, post urbeni
conditam (ef.

(1) Poder-se-á, portanto, dizer- Civitates ADEPTAE libertatem er,,,verunt (as cida

des, tendo ftIcançado a liberdade, cresceram) e libertas ADEPTA ciritatibus utilís fuit (a
liberdade alcançada - que foi alcauçada - foi útil às cidades), etc.

b) Indica um fato contemporâneo à açao expressa pelo verbo da subordinante: Servilúis


Maelium novis rebus studentem oeMit (Cat 1.1.3) Servílio matou a Mélio, que desejava
(não: que deseja) mudanças políticas.

Obs. - Os sinônimos de "ver" (aspicio, cerno, conspicio, animadverto, video, etc.) e


"ouvir" (audio, etc.) exigem, em geral, a oração que deles depende, no acusat. com o
infinit.; é comum o part. pres., em vez do infinit., quando " quer indicar uma atenção
especial prestada a quem realiza a ação: Umbreno ve que eles se queixam da avidez
dos magistrados, Umbrenus illos videt queri de avaritia magistratuum; não o vedes
voltar do banquete? non Ulum a cena redeuntem videtis ?

O particípio futuro ativo:

a) Indica a iminência de algum fato e, em geral, se traduz com uma subordinada, cujo verbo
tenha sentido futuro: Urbs mature peritura cidade que em breve perecerá; quum Hamilcar
exercitum in Hispaniam traiccturum sacrificaret - realizando Amílcar um sacrifício, lia hora
de levar o exército para a Espanha...; Servilius adest de te sententiam laturus está presente
Servílio para pronunciar a sua sentença a teu respeito.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 341

b) Unido ao verbo esse forma a conjugação perifrástica ativa, que, em português, se traduz
geralmente com o infinit. presente precedido por haver de, ter de, estar para, ter a intenção
de, estar disposto a, estar no ponto de, etc. e, às vezes, simplesmente com o futuro ou com o
condicional (= com o fut do pres. ou do pret.) : Quid futurum est? que há: de acontecer?
que acontecerá? Allobroges Umbrenum orare uti sui miscreretur; nihil tam difficile esse,
queid non cupidissime facturi essent, dum ea res civitatem acre alieno liberaret - os
alóbroges suplicavam Umbreno que tivesse piedade deles, (dizendo) que não havia nada tão
difícil, que eles não estivessem dispostos a fazer com entusiasmo, contanto que isso livrasse
das dívidas a sua nação; quid, si hostes ad urbem veniant, facturi estis?

PARTICÍPIO FUTURO PASSIVO

O part. fut. passivo (ou GERUNDIVO) unido ao verbo esse, forma a conjugação
perifrástica passiva, que se traduz em português com o verbo dever ou sinônimos, como
veremos.

Encontrando-se em português o verbo dever (ou um sinônimo), acompanhado por


um infinit. (1), podemos traduzir literalmente: Nenhum cansaço deve impedir o dever, nulla
lassitudo impedire
officium debet; foi preciso (deveu-se) combater, pugnari debuit; eu, na verdade, não preciso
nomear ninguém, nec vero necesse est queinquam a me nominari .
Há, porém, outro modo de traduzir, de acordo com os dois números seguintes.

(1) O verbo dever NÃO seguido por um infinit. Traduz-se sempre por
DEBERE:
A ti não é devida nenhuma compaixão, misericordia tibi nulla DEBETUR.

O verbo que acompanha o verbo DEVER, não tem obj. dir. EXPRESSO em latim (2)

Neste caso:

a) O verbo dever traduz-se pelo verbo esse na 3ª pessoa sing., no mesmo tempo e modo em
que está o verbo dever.

b) O verbo que acompanha o verbo dever, coloca-se no gerundivo neutro singular.

C) O sujeito português, se houver, coloca-se no dativo (ou no ablat., como se fosse agente
da passiva). (3)

Exs.: Deverei temer, erit verendum mihi; não se deve suportar, non est ferendum; não se
deve prejudicar (a) ninguém, nulli nocendum est .

O verbo que acompanha o verbo DEVER, em obj. dir. EXPRESSO em latim


(2)

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E.I.E. Caminhos da Tradição 342

Neste caso:

a) Se a oração é ativa, muda-se em passiva: Deveis amar a pátria: a pátria deve ser amada
por vós.

b) Na oração apassivada:

1 . O verbo dever substitui-se pelo verbo esse na mesma: pessoa, modo e tempo (do verbo
dever).

2. O infinit. passivo (ser amada) traduz-se pelo gerundivo no gênero, numero e caso do
sujeito da oração apassivada (a pátria).

3. O agente da oração apassivada, se houver, traduz-se com o dativo (ou com o ablat., como
se fosso agente da passiva). (4).

(2) O "ter ou não ter obj. dir. expresso em latim" deve-se referir ao caso em que o
verbo dever se traduza pelo verbo debere: Deverei temer, vereri debebo

(3 ) O DATIVO é muito mais comum; DFVE-SE, porém, usar o ablat. do agente,


quando o dativo causar ambilcuidade: Devem obedecer aos pais, parére debes parentibus ou
parentibus A TE (não tibi) parendum est.

Exs.: Os séquanos deviam suportar todos os vexames: todos os vexames deviam ser
suportados pelos séquanos, Sequanis omnes cruciatus erant perferendi; dever-se-á
empregar todo o cuidado, omnis adhibenda erit cura; foi dito que se levem imitar os
antigos: foi dito os antigos deverem ser imitados, dictum est imitandos esse
maiores.

Obs. - O infinit. do verbo esse, com o gerundivo, subentende-se freqüentemente:


Ariovisto não parecia dever ser suportado, Ariovistus non videbatur ferendus, além
de ferendus esse.

"CUM" HISTÓRICO

O gerúndio em português pode ser SIMPLES, ativo ou passivo (amando, sendo


amado) e COMPOSTO, ativo ou passivo (tendo amado, tendo sido amado).

Gerúndio simples (ativo e passivo)

O gerúndio simples traduz-se em latim com cum (1) e o subjuntivo presente, se o


verbo da subordinante for presente ou futuro (tempos principais) ; traduz-se com cum e o
subj. imperf., se o verbo da subordinante for passado (imperf., perf., mais que perf.: tempos
secundários) :

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E.I.E. Caminhos da Tradição 343

Lendo, aprenderás muitas coisas, cum legas, multa disces; o menino, sendo
atormentado por esta doença, não pode partir, puer, cum hac vaietudine pirematur,
proficisci non potest; querendo eu escrever mais coisas, foi anunciado que se prepara contra
mim a força, plura cum scribere vellem, nuntiatum est vim mihi parari; o escravo
atravessou o circo, sendo açoitado com varas, servus per circum, cum virgis caederetur,
ductus est.

(4) O dat. é MUITO MAIS COMUM, porém, NÃO se pode usar, quando o agente da
passiva for um ser inanimado: A inexperiência da idade incipiente deve ser orientada pela
prudência dos velhos, incuntis aetatis inscitia senum regenda PRUDENTIA est.

(1) a) DUM em lugar de cum é raro. Em vez de cum alguns escrevem quum; esse cum
(quum) que, unido ao subjuntivo, corresponde ao gerúndio português, é chamado cum
narrativo ou HISTÓRICO, por ser muito usado nas narrações.

b) Os principais sentidos da conj. CUM são: 1º TEMPORAL; 2º CAUSAL: 3º


INTERATIVO; 4º CONCESSIVO; 5º NARRATIVO; 6º CORRELATIVO.

Dimitius Caesari venienti occurrit.

- Quando entre a subordinante e a oração na qual está o gerúndio, houver relação


gramatical (2), o gerúndio SIMPLES ATIVO pode-se também traduzir em latim com o
part. presente.

a) Se a relação gramatical for causada pela identidade de sujeitos, o part. presente


concordará com o sujeito: Hoe petímus fidentes Caesaris humanitati.

b) Se a relação gramatical for causada por algum pronome, esse pronome não se traduz; o
particípio e o seu sujeito colocam-se no caso que o mencionado pronome exigiria, se
usássemos cum e o subjuntivo: Chegando César, Domício foi-lhe ao encontro, cum Caesar
veniret, Domitius occurrit ei ou Domitius Caesari venienti occurrit.

- Observações

a) Quando as duas orações têm o mesmo sujeito, o gerúndio simples ativo português, se
indicar modo ou meio, pode-se traduzir também com o ablativo do gerúndio latino. De
nenhum modo os homens mais se aproximam dos deuses do que dando a salvação aos
homens, homines nulla re ad deos propius aceedunt quam salutem hominibus dando.

b) Em latim as formas chamadas "progressivas" são raríssimas; por isso uma expressão
como "estou vendo" traduz-se por video.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 344

- Gerúndio composto (ativo e passivo)

O gerúndio composto traduz-se em latim com cum e o subjuntivo perfeito, se o


verbo da subordinante for presente ou futuro; com cum e o subjuntivo mais que perf., se o
verbo da subordinante for passado.

Não tendo Flaco degenerado da virtude dos antepassados, nada temerei, cum a
virtute maiorum non degenerarít Flaceus, nihil pertimescam ; tendo recebido de mim aquela
resposta, recorreste a Metelo, cum a me id responsum tulísses, ad Metellum venisti; tendo
sido reunidas as tropas num só lugar, César esperou o ataque dos inimigos, cum copiae in
unum locum contraetae essent, Caesar impetum hostium expectavit.

(2) Costuma se dizer que há RELAÇÃO GRAMATICAL entre a subordinante e a


subordinada, quando:

a) As duas orações têm o mesmo sujeito: Nós pedimos isto confiando na bondade
de César.

b) Na SUBORDINANTE há algum pronome que se refere ao sujeito da


SUBORDINADA: Chegando César, Domício foi-lhe ao encontro; saindo
Catilina, os seus amigos (os amigos dele) continuaram a trabalhar.

- Gerúndio composto PASSIVO

Se usarmos em latim um verbo transitivo direto ativo (ou um verbo depoente que tenha
também sentido de part. passado), poderemos traduzir o gerúndio composto passivo com o
particípio passado, se houver relação gramatical (3) : Não tendo sido recebido por Lépido,
ousaste recorrer a mim, a Lepido non. receptus (além de cum receptus non esses) ad me
venire ausus es; frequentastes aquelas ruas tendo sido acompanhados por homens, eam
viam viris comitati celebrastis .

- Gerúndio composto ATIVO

Se usarmos em latim um verbo depoente, poderemos traduzir o gerúndio composto


ATIVO pelo part. passado, se houver relação gramatical (3) : Labieno tendo-se apoderado
do acampamento inimigo, mandou a décima legião em auxílio aos nossos, Labienus castris
hostium potitus (além de cum potitus esset), decimam tegionem auxilio nostris misit; tendo
eles prometido a sua cooperação, mandou-os para casa, cum ii polliciti essent operam suam,
eos domum dimittit ou eos pollicitos operam suam domum dimittit.

Obs. - O mesmo se pode dar com aqueles particípios que por exceção, têm sentido
de gerúndio composto ativo: Tendo Régulo feito o juramento, foi mandado ao senado,
Regulus iuratus (ou cum iuravisset) ad senatum missus est; tendo eu ceado, foi-me entregue
aquela carta, cum cenavissem, epistula illa mihi est reddita ou cenato mihi epistula est illa
reddíta.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 345

III. - ABLATIVO ABSOLUTO

- Ablativo absoluto com o part. PRESENTE

Quando a oração subordinada não tiver relação gramatical com a subordinante e o seu
verbo for um gerúndio simples ativo (ou puder ser transformado em gerúndio simples
ativo), poderemos ter a construção do ABLATIVO ABSOLUTO com o particípio presente,
a qual consiste em:

a) Colocar o sujeito da subordinada no ablativo e em fazer concordar com ele o predicat. do


sujeito, os atributos e os apostos, se os houver.

b) Traduzir o verbo da subordinada pelo part. presente, concordando em gênero, número e


caso caso (ablat.) corri o sujeito da subordinada.

c) Em omitir, se as houver, as conjunções que acompanhem o verbo da subordinada,


contanto que não sejam exigidas pelo sentido.

(3) Dever-se-ão aplicar ao part. passado as MESMAS normas aplicadas ao


particípio presente.

Exs.: Reinando Tarquínio (enquanto T. reinava, durante o reinado de T.), Pitágoras


chegou à Itália, regnante Tarquinio, Pythagoras in Italiam venit; dominando o prazer (si, o
prazer domina), é necessário que as virtudes definhem, virtutes íacére necesse est voluptate
dominant. exortando, tu (porque tu exortavas), retornei aos estudos, rettuli me, te hortante,
ad studia; pensando eles (enquanto eles pensavam) estas coisas, venceu finalmente a
fortuna da república, haec filis volventibus, tandem vicit fortima rei publicae .

Obs. - Quando o verbo da subordinada for ser ou estar, omitir-se-á na construção do


Abl Abs.: Sendo cônsules Tulo e Lépido (durante o consulado de T. e L), Tullo et Lepido
consulibus; aquilo que prometeres, sendo Deus testemunha, deve ser cumprido, quod, Deo
teste, promiseris, id tenendum est; os troianos vagueavam por lugares incertos, sendo
Enéias chefe (sob a chefia de Enéias), Troiani, Aenea duce, sedibus incertis vagabantur.

- Ablativo absoluto com o part. PERFEITO

Para podermos ter a construção do Abl. Abs. com o particípio perfeito, é preciso que
o verbo da subordinada possa ser transformado em "particípio perfeito": Tendo ocupado os
lugares mais altos, os graiócelos tentavam impedir a passagem ao nosso exército =
ocupados os lugares (sujeito) mais altos, os graiócelos tentavam ...; tendo juntado umas
jangadas e umas barcas, os helvécios passavam o rio = juntadas umas jangadas e umas
barcas, os helvécios... ; após ter dado essa resposta, César partiu = dada essa resposta,
C.partiu; se fizeres a paz, hás de voltar = feita a paz, hás de voltar.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 346

Se, após ter sido feita essa transformação, a subordinada não tiver relação
gramatical com a subordinante, poderemos ter a construção do Abl. Abs. com o part. perf.,
a qual consiste em se colocar o sujeito da subordinada no ablat. e com ele fazerem-se
concordar o part. pass., o predicat., etc.: Graioceli, locis superioribus occupatis, itínere
exercitum nostrum prohibere conantur; Helvetii, ratibus el fintribus iunctis, (flumen)
transibant; hoc responso dato, Coesar discessit; facta pace, vevies.

- Notas sobre o ABL. ABS. com o part. perf.

a) NÃO se pode usar a construção do Abl. Abs. com o part. perf., se o verbo da
subordinada, em latim, for transitiva direto, mas depoente: César, exortados os soldados,
deu o sinal da batalha, Caesar hortatus milites (ou cum hortatus esset milites, não "hortatis
militibus") signum pugnae dedit.

Excetuam-se, porém, os particípios perfeitos: Depois de alcançada a liberdade, a


nação cresceu em pouco tempo, adepta libertate civitas brevi crevit; os cônsules, tendo
concluído a sua aliança, aprovaram tudo aquilo, consules pacto iam foedére, illa omnia
comprobaverunt.

b) NÃO se pode usar a construção do Abl. Abs. com o part. perf., se o verbo da
subordinada em latim for ativo, mas intransitívo ou transit. indir., porque esses verbos (em
latim) não têm part. perf.: Tendo chegado César, os soldados recomeçaram o combate, cum
Caesar venisset (e não "vento Caesare"), milites proelium redintegraverunt.

Excetuam-se, porém, os verbos que em latim são intransitivos, mas depoentes:


Nascido o sol, César viu a Bretanha, orta luce, Caesar Britanniam conspexit; tendo-se
levantado uma tempestade, quase todas as naus foram lançadas à praia, coorta tempestale,
prope omnes naves in litus eiectae sunt.

C) Alguns particípios perfeitos no abl. sing. (audíto tendo-se ouvido, nuntiato tendo-se
anunciado, edicto tendo-se decretado, comperto tendo-se descoberto, e poucos outros)
podem ter como sujeito uma oração: Consul edicto ut, quícumque ad vallum tenderet pro
hoste haberectur, obstitit - o cônsul parou, tendo decretado que fosse considerado como
inimigo, quem quer que se aproximasse da trincheira.

Note-se o part. perf. no abl. PLURAL tendo como sujeito uma oração adjetiva:
Hiberum copias traiecit praemissis qui Gallorum animas conciliarent - mandou o exército
atravessar o Ebro, após ter enviado na frente quem captasse as simpatias dos gauleses.

d) Alguns particípios perfeitos usam-se com valor de uma oração: Romulus auspicato
urbem covelidit - Rômulo, após ter tomado os auspícios, fundou a cidade; Romulus
augurato regnum adeptys est - R., tendo consultado os áugures, obteve o poder real;
debellato acabada a guerra.

e) Note-se que há algum exemplo de construção do Abl. Abs. Em Orações que tem relação
gramatical: Caesar principibus Treverorum od se convocatis, hos singilatim Cingetorígi

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E.I.E. Caminhos da Tradição 347

conciliavit - Cêsar, reimidos os cidadãos mais influentes dentre os tréviros, reconciliou-os


um a um com Cingetorige.

Observações GERAIS sobre os particípios

a) O Abl. Abs. com o part. futuro ativo é raro: Nec Etruscis pugnam inituris não estando os
etruscos com intenção de travar combate ...

b) A construção do Abl. Abs. não é obrigatória, e pode ser substituída por outras de valor
eqüivalente, por exemplo, por cum e o subj.: Epaminondas, vencidos os lacedemônios,
perguntou se o escudo estava salvo, Epaminondas, victis Lacedaemoniis, (ou cum vicisset
Lacedaemonios), quaesivit salvusne esset clipeus.

C) O Abl. Abs. pode estar no lugar de uma oração temporal, causal, condicional,
concessiva: Perdítis rebus omnibus, lamen ipsa vírtus se sustentare potest- ainda que tudo
estria perdido, todavia a virtude pode sustentar-se a si mesma.

d) 1. Além desses quatro sentidos da letra c., os particípios (presente, passado o faturo),
fora da construção do Abl. Abs., podem também estar em lugar de uma oração adjetiva:
Dies albo signanda lapillo dia, que deve ser marcado com pedra branca (= dia feliz),

2. O part. fut. ativo pode ter também sentido final.

3. O part. futuro passivo pode ter sentido final somente quando concorda com o obj. dir. de
um verbo sinônimo de "dar, receber, etc.": Antigonus Eumenem mortuum propinquis eius
sepeliendum tradidit - Antígono entregou o cadáver de Êumenes aos parentes dele para que
o sepultassem; Diomédon Epaminondam corrumpendum susceperat - Diomedonte se
encarregara de corromper a Epam. (tinha recebido Epam. para o corromper).

Obs. - Em casos análogos se encontra também o acusat. do gerúndio:


Apresentarás à república exemplos para imitar (para serem imitados), propones
rei publirae exempla ad imitandum.

e) os particípios, na construção do Abl. Abs. e em outros casos, devem, às vezes, ser


acompanhados por alguma conjunção causal (quippe, útpote porque, visto que), condicional
(nisi se não), comparativa (quam, quasi, tomquam, ut, velut, sicut), concessiva (etsi,
quamvis, quamquam):

Puérido me, utpote non amplius novem annos nato - sendo eu meninozinho, pois não tinha
mais de nove anos; legatos Caesar discedele, nisi munitis castris vetuerat - César proibira a
seus lugar-tenentes que se afastassem, a não ser depois de ter sido fortificado o
acampamento; ut re conjecta, omnes curam et diligentiam remittunt - todos afrouxam sua
preocupação e empenho, como se o trabalho tivesse sido terminado; Cato senex litteras
Graecas didicit sic avide, quasi diuturnam sitim explere cupiens - Catáo já velho aprendeu o
grego com tanta avidez, como se quisesse apagar uma sede diuturna; etsi aliquo accepto

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E.I.E. Caminhos da Tradição 348

detrimento, tamen focus capi poterit - embora se sofra algum dano, todavia aquela posição
poderá ser tomada.

- SINTAXE DO GERÚNDIO (LATINO)

- Quando o verbo que se deve traduzir em latim com o gerúndio (amandi, amando, ad (1)
amandum, amando), tiver objeto direto expresso (Capaz do governar o estado = perítus
regendi rem publicam) costuma-se:

a) Colocar o obj. dir. no caso do gerúndio (rei publicae).

b) Mudar o gerúndio em gerundivo e fazê-lo concordar com o obj. dir. transformado


(regendae).

Exs.: Tiveste força para conculcar as leis, ad neglegendas (não: ad neglegendum) leges
valuísti; (em) exortando os soldados, in cobortandis militibus (não: in cohortando milites);
fulgiram para inutilizar teus planos, tuorum consiliorum reprimendorum causa (não: Tua
consilia, reprimendi causa) profugerunt.

- Observações

a) A transformação acima não é obrigatória, quando o gerúndio (que tem obj. dir. expresso)
esteja no abl. sem preposição ou no genit. sem causa ou gratia: Sou levado pelo desejo de
ver vossos pais, efiéror studio patres vestros videndi - ou patrum vestrorum videndorum;
dando a salvação, salutem dando ou salute danda .

b) Os verbos fruor, fungor, potior, utor, vescor têm quase sempre a transformação acima,
como se o complemento que deles depende, fosse obj. dir.: Para gozar da justiça, iustítiae
fruendac causa; esperança de apoderar-se do acampamento, spes potiundorun castrorum .

c) Com o genit. dos pronomes pessoais, o gerundivo tem sempre a terminação -di: Muitos
cidadãos ilustres fugiram de Roma para se salvarem, multi príncipes civitatis Romã sui
conservandi (não: conservandorum) causa profugerunt.

d) O verbo esse, unido ao dativo do gerúndio ou gerundivo, tem sentido de "ser capaz":
Solvendo aeri alieno non, erit - não será capaz de pagar as dívidas.

- SINTAXE DO SUPINO

- Usa-se o supino ATIVO principalmente para traduzir o infinit. presente que acompanha
verbos de movimento (real ou figurado) :

Fomos dormir, cúbitum discessimus; Diviciaco tinha ido a Roma (para) pedir auxílio.
Divitiacus Romam venerat auxilium positulatum; Aníbal foi chamado Dara defender a
pátria, Hannibal revocatus (est) patriam defensum; não irei servir, non servítum. ibo.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 349

- Usa-se o supino PASSIVO para traduzir o infinit. presente português (que tenha
significado passivo, embora a forma possa ser ativa), dependente de algum adjetivo: É
incrível de dizer (de dizer-se) quanto a cidade tenha crescido, civitas incredibile dictu est,
quantum.

Obs. - Em lugar do supino passivo, encontra-se freqüentemente ad e o acusat. do


gerúndio: Palavras agradáveis de ouvir, verba ad audiendum iucunda.

OBSERVAÇÕES GERAIS

- A prep. SEM diante de um verbo pode-se exprimir em latim:

a) Com sine e o ablat. de um substantivo sinônimo do verbo: Sem duvidar, sine dubitatione.

b) Com particípios precedidos de negação: Os romanos mandaram auxílios sem serem


rogados, Romani non rogati obtulerunt auxilium.
César partiu de Roma sem ter realizado os projetos que planejara, infectis us, quae facere
destinaverat, Caesar ab urbe proficiscitur - sem eles saberem, inacientibus ipsis.

c) Com uma oração coordenada à precedente por meio de neque ou nec: Continuemos a
nossa marcha sem darmos ouvidos às trombetas que tocam a retirada. teneamus eum
cursum neque ca signa audiamus, quae receptui canunt.
d) Com quin e o subj., se a subordinante for negativa: Não deixava passar nenhum dia sem
falar (sem que falasse) no foro, nullum, patiebatur esse diem quin in foro diceret.

Os verbos MANDAR e FAZER seguidos de um infinit., podem-se exprimir em latim:

a) Traduzindo simplesmente o infinit. no tempo e pessoa do verbo mandar (ou fazer) :


Dario mandou fazer uma ponte, Darius pontem fecit.

b) Com curo e o gerundivo concordando com o nome daquilo que se manda fazer": César
manda construir uma ponte sobre o Árar, Caesar pontem in Arari faciendum curat

c) Com iubeo e o acusat. com o infinit. ou com impero, praecípio, praescríbo, mando, edíco
e o subjuntivo com ut (ne), colocando-se no dativo a: pessoa à qual algo se manda: Estas
cartas me fazem voltar, hae me litterae iubent reverti; César mandou os lugar-tenentes
reconduzirem os fugitivos, Caesar legatis ut transfúgas reducerent, imperavit; se Heraclio
tivesse sido mandado comprar, teria comprado, si erat - Heracho mandatum, ut emeret,
entisset; César mandou não consentirdes (que não consentísseis), Caesar praecepit, ne
adsentiremini.

Obs, - 1. Iubeo pode ter ut e o subj.: O povo mandou que as estátuas de Verres fossem
destruídas, populus iussit nt statuae Verris delerentur.

2. Impero pode ter o acusat. com o inf., quando o verbo que dele depende, for passivo:
Porventura não mandarás que este seja morto? nonne hunc mactari imperabis?

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E.I.E. Caminhos da Tradição 350

O verbo que acompanha imperare, pode ser omitido, se for sinônimo de "dar" e tiver
obj. dir. expresso: Pompeu mandou que os cretenses (lhe) entregassem reféns. Pompeius
Cretensibus obsides imperavit.

3. Note-se a tradução destas expressões, em que o verbo "fazer" é, em português,


geralmente seguido por um infinit.: O sol faz florescer tudo, sol efficit ut omnia floreant;
isto me faz pensar, hoc aflert mihi curam; isto me faz encolerizar, hoc mihi stómachum,
movet; isto me faz temer, hoc mihi metum ínicit.
4. Note-se o sentido dos verbos facere e inducere, seguidos pelo part. presente: Homerus
Polyphemum cum. aríete colloquentem facit - Homero faz Polifemo falar (representa P.
falando) com um carneiro; Tiresiam. inducunt deploran.tem caecitatem. suam (ibidem),
fazem Tirésias deplorar (representam T. deplorando) a sua cegueira.

Discurso Indireto

- Numa oração introduzida por sinônimos de dizer, crer, responder, perguntar, etc.:

a) Temos o discurso direto (oratio recta), quando se reproduzem textualmente as palavras


pronunciadas por alguém: César disse: "O dado foi lançado"; Cícero perguntou a Catilina:
"Por que não partes?"

b) Temos o discurso indireto (oratio obliqua), quando das palavras pronunciadas, se


reproduz somente o sentido: César disse que a dado tinha sido lançado; Cícero perguntou a
Catilina porque, não partia.

- Como se terá notado, as línguas modernas preferem períodos curtos; portanto nelas é mais
comum o discurso direto; em latim é mais comum o discurso indireto. Por isso muitas
vezes, para imitar o gosto dos clássicos, será conveniente transformar o discurso direto em
indireto. Nessa transformação realizam-se algumas modificações nos verbos, nos pronomes
e nos advérbios.

- Modificações nos verbos:

a) As orações que, no discurso direto, contêm simplesmente uma afirmação ou negação, no


discurso indireto se traduzem pelo acusativo com o infinit.: Vivi bastante, disse Epam.,
satis, inquit. Epaminondas, vixi; refere Cornélio que Epam disse ter vivido bastante, narrat
Cornelius Epaminondam dixisse se vixisse satis.

b) As que exprimem uma ordem, um desejo, uma súplica, etc., traduzem-se pelo
subjuntivo, geralmente sem ut, se positivas; com ne, se negativas: Estas eram as coisas que
César pedia a Ariovisto: primeiro, que não transportasse mais nenhum grupo de homens
para a Gália, depois que devolvesse os reféns que tinha (1), haec erant quae Caesar ab
Ariovisto postulabat: prámon, ve quam hominum multitudinem amplius in Galham
traduceret; deinde absides, quos haberet, refíderet.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 351

c) Tôdas as outras orações subordinadas (finais, consecutivas, causais, etc.) traduzem-se


com as conjunções indicadas na sintaxe das subordinadas, tendo em vista a atração modal e
a consecutio temporum, embora, no discurso indireto, haja exemplos em que a regra não é
seguida: Ariovistus respondit: ... si iterum experiri velint, se iterum paratum esse decertare
... Cur in suas possessiones veniret? Ar. respondeu: ... se quisessem experimentar mais uma
vez, ele estaria disposto a combater... Por que (César) entrava nas suas possessões?

Obs. - Encontram-se alguns exemplos de orações interrogativas e adjetivas. nos


quais, em vez do subjuntivo, foi usado o infinit.: César respondeu que, se
quisesse esquecer-se daquelas antigas ofensas, poderia por acaso esquecer-se
das injúrias recentes? Caesar respondit, si veteris contumeliae oblivisci vellet,
nuni etiam recentium iniuriarum memoriam deponere posse? Em vez de posset.
Tem. declarou que a cidade deles (atenienses), perto da qual as frotas do rei já
tinham naufragado duas vezes, era para os bárbaros um como baluarte,
Themistocles professus est illorum urbem, ut propugnaculum oppositum esse
barbaris, apud quain iam bis classes regias fecisse (em vez de fecissent)
naufragium.

- Modificações nos pronomes:

a) Ego (mei,mihi, etc.), nos (nostri, nobis, etc.) no disc. dir., passam a ser no disc. indir.
respectivamente ipse e ipsi rio nominat.; nos outros casos pode-se usar sui, sibi, se, se, além
de ipsius, ipsi, etc. Analogamente meus e noster passam a ser suus:

Ar. respondeu: Se eu precisasse de alguma cousa por parte de César, (eu) iria ter
com ele, Ariovistus respondit: Si quid mihi opus esset a Caesare, ego ad eum venirem; disc.
indir.: Ariovistus respondit: Si quid ipsi a Caesare opus esset, sese ad eum venturum fuisse;
Ar. respondeu: Eu passei o Reno não por minha vontade, Aríoristus respondit: Rhenum ego
transii non mea sponte; disc. ind.: Ariovistus respondit transisse Rhenum sese non sua
sponte .

(1) No disc. DIRETO o português poderia ser assim: "César pediu a Ar. o
seguinte: 1º: não tragas mais nenhum grupo de homens, para a Gália; 2º:
devolve os reféns que possuis.

b) Tu e vos passam a ser respectivamente ille e illi (is e ii) , análogamente tuus e vester
mudam-se em suus ou passam a ser respectivamente illius e illorum (eius e coruin) :

Divicão assim falou com César: Se continuas a perseguir(-nos) por meio da guerra,
lembra-te do antigo valor dós helvécios; não dês muita importância à tua estratégia nem nos
desprezes; Nós aprendemos a guerrear mais com a coragem do que com as ciladas, Dívico
ita cum Caesare egit: Si (tu) bello (nos) pérsequi persevéras, reminiscere pristinae virtutis
Helvetiorum, ne aut tuae virtuti magnopere tribueris, aut nos despexeris; nos ita didicimus,
ut magis virtute contendamus quam insidás; disc. indir.: Divico ita cum Caesare egit: Si
(file) bello, persequi (ipsos) perseveraret, reminisceretur pristinae virtutis Helvetiarum; ne

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E.I.E. Caminhos da Tradição 352

aut suac virtuti magnopere tribueret aut ipsos despiceret; se ita didicisse, ut magis virtute
contenderent quam insidiis.

C) Hic e iste passam a ser ille ou is, geralmente:

Divicão assim falou com César: Não permitas que este lugar receba o nome da desgraça
dos romanos, Divico ita cum Caesare egit: Ne commiseris ut hie locus ex calamitate populi
Romani nomen capial; dise. indir.: Divico ita, cum Caesare egit: Ne committeret, ut is locus
ex calamitate populi Romani nomen caperet.

- Os advérbios de tempo: bodie, eras, heri, adhue, nune no discurso direto, passam a ser no
discurso indireto, respectivamente eo die (ou illo die), postero die, pridie, ad id tempus, tum
(ou tunc), quando assim exigir o contexto:

Jugurta inflama o ânimo de Boco, dizendo (2): Agora sou eu o inimigo dos romanos,
Iugurtha Bocchi animum accendit: nune ego sum Romanis hostis; disc. indir.: Iugurtha
Bocchi animum accendit: tum sese Rornanis hostem esse.

(2) Muitas vezes será conveniente acrescentar uma expressão como


"DIZENDO, PENSANDO, etc." para facilitar a tradução portuguesa do
discurso direto e indir.

"Salve, língua católica, eclesiástica, litúrgica e universal! Precioso vínculo de unidade


para o cristianismo! Glória dos sacerdotes, a quem deparas incomparável tesouro nos
escritos magníficos dos Santos Padres, nos altíssimos mistérios da liturgia, no estilo
sagrado da Missa e do Breviádo! Infeliz do Padre, que te menospreza, que te ignora e
permanece no lamentável esqualor dessa ignorância! Feliz o que te sabe ler e falar
correntemente! E mais felizes ainda os que têm a honra de escrever-te com precisão, e
elegância!"

(Pio XII aos Carmelitas em 24-9-1951 - Tradução de D. Aquino Corrêa)

Sintaxe figurada

FIGURAS são modos de dizer que se afastam um pouco da simplicidade e propriedade da


linguagem e, às vezes, contrariam as próprias normas da sintaxe, assim mesmo, empregadas
com parcimônia e bom gosto, emprestam ao estilo variedade, vivacidade e colorido.

Aqui só trataremos das figuras mais comuns.

- Atração

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E.I.E. Caminhos da Tradição 353

ATRAÇÃO é a figura pela qual uma palavra, em vez de concordar com o termo devido,
concorda com outro. Em força desta figura:

a) O verbo, o pronome relativo e demonstrativo concordam, às vezes, com o predicat. do


suj.:

Toda a nação foi chamada vênetos, gens universa (suj.) Veneti (predicat. do suj.)
apellati sunt; Ar. partiu para ocupar Besançon, que e a maior cidade dos séquanos,
Ariovistus ad occupandum Vesontioneri (masc.), quel (neutro) est oppidum marimum
sequanorum contendit; aquilo que nos outros se chama iracúndia, nos chefes se chama
crueldade, quae (em vez de quod) apud, alios iracunrdia dicitur, ea (1) (em vez de id) in
imperio crudelitas appeliatur.

b) Nas expressões est mihi nomen (cognomem), nomen mihi inditun est, mihi dederunt
nomen, e outras similares que significam: “Chamo-me, sou apelidado, tenho o nome
de...”, etc a denominação recebida pela pessoa ou coisa, pode ser aposto de nomen ou por
atração concordar com mihi, tibi, etc.

Aquela doença se chama avareza, ei morbo nomen est avaritia .

Masinissa (foi) admitido na nossa amizade por Cipião, que teve depois pelo seu valor, o
sobrenome de Africano, Masinissa ia amicitiam receptus (est) a Scipione, cui postea
Africano cognomen ex virtute fuit.

c) O pronome relativo e o predicat. do sujeito podem concordar com o aposto do nome,


com o qual deveriam (concordar): Ao rio Sábis que mencionamos acima, ad flumen
(neutro) Sabim (masc.), quod supra nominavimus; Corinto, luz da Grécia, apagou-se,
Corinthus (fem.), Graeciae lumen extinctum est.

Obs. - Quando o aposto for um sinônimo de cidade, a concordância faz-se,


quase sempre com o aposto: A cidade de Coríolos foi tomada, Corioli (masc.
pl.) oppidum captum est.

d) Quando a oração adjetiva precede a subordinante, o antecedente pode ser inserido na


oração adjetiva e tomar o caso do pronome relativo:

Cada qual se exercite naquela arte que aprendeu, quisque se exerceat in hac arte,
quam norit, ou quam, quisque norit artem, in hac se exerceat: tendo eu voltado para o
projeto e para a inclinação da qual uma ambição maléfica me tinha afastado, resolvi
escrever a história do povo romano, regressus ad inceptum et studium, a quo ambitio mala
me detinuerat, statui res gestas populi Romani perscribere, ou a quo incepto studioque me
ambitio mala detinuerat, codem. (para o mesmo lugar: ao projeto e à inclinação) regressus,
statui...

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E.I.E. Caminhos da Tradição 354

Obs. - Não havendo essa inversão, poucos são os exemplos em que:

1. O antecedente toma o caso do relativo: Urbem, quant statuo vestra est, em


vez de urbs, quam statuo vestra est, a cidade, que eu fundo, é vossa.

2. O relativo torna o caso do antecedente: Cum aliquid agas corum, quorum (em
vez de quae) consuesti quando fizeres alguma daquelas coisas que costumas
fazer.

(1) Note-se que os pronomes RELATIVOS E DEMONSTRATIVOS, usados


como sujeito no singular, em latim preferem tomar o gênero do predicativo do suj.
a ficarem no neutro: "EA in imperio erudelitas appellatur" é melhor do que "ID
crudelitas appellatur". Portanto, neste caso, a sintaxe figurada é mais comum do
que a sintaxe regular.

Silepse

SILEPSE é a figura pela qual a concordância se faz mais de acordo com o sentido
(constructio ad sensum) das palavras do que pelo gênero ou número das mesmas.

a) Costuma haver a silepse do gênero com certos nomes abstratos ou de coisas, usados
figuradamente para indicar pessoas:

Os chefes da conjuração foram decapitado, capita (neutro) coniurationis securi percussi


(masc.) sunt; aquele louco alcançou, a impunidade illa furia (fera.) impunitatem, assecutus
(masc.) est. O Lácio e Cápua (os habitantes do L. e de C.) foram punidos com a perda de
parte de seu território, Latium Capuaque agro multati sunt.

b) Podemos ter a silepse do número (e às vezes do gênero):

1. Quando o sujeito singular for acompanhado por um adjunto de companhia: Consídio é


mandado na frente com os exploradores, Considius curti exploratoribus praemittitur ou
praemittuntur.

2. Com os coletivos, com milia, uterque, quisque: O senado entende isto senatus haec
intelligit ou (raro) intelligunt; foram mortos mais de oito mil homens, plus octo milia
hominum caesa sunt ou caesa sunt; tendo um e outro os olhos fitos em mim, cum uterque
rire intueretur ou intuerentur.

- Assíndeto e polissíndeto

a) ASSINDETO é, a figura pela qual se omite a conjuncão. Isso acontece mais


freqüentemente:

1. Nas expressões que indicam grande vivacidade: At Romani festinare, parare, alius aliam
hortari, hostibus obviam ire - os romanos se apressavam, preparavam-se, encorajavam-se
mátuamente, marchavam contra os inimigos.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 355

2. Em expressões feitas: luppiter optimus maximus - Júpiter. otimo e máximo; velit nolit
scire difficile est - é difícil saber se quer ou não quer; Cn. Pompeio, M. Crasso constilibus -
durante o consulado de Cneu Pompeu e Marco Crasso.

b) O POLISSINDETO consiste ma usar mais conjunções do que seria necessário:


Numquam apud iudices, aut dolorem, aut misericordiam, aut invidiam aut odiun excitare
volui jamais eu quis irspirar aos juízes dor, piedade, indiguinação ou ódio.

obs. Havendo três termos; coordenados, temos: o assíndeto, o polissinteto


ou o 3º termo ligado ao 2º por qui : Vitia inertis, ignavae, somniculosae
senectutis - os defeitos próprios de uma velhice inerte, preguiçosa e entregue ao
sono; Cetego atque Lentulo celerisque mandat - (Catilina) ordena a Cetego, a
Lêntulo e a todos os demais; Meteduri, et ud custodiendun te diligentissimun, et
ad suspicandum Sagacissimum, te ad vindicandum fotissimum fore putasti -
julgaste que Metelo havia de ser muito diligente para te guardar, muito sagaz
para te vigiar e muito forte para te castigar; Caesar satis habebat hostem
rapínis, pabulationibus populationibusque prohibere - César julgava suficiente
impedir ao inimigo as rapinas, as forragens e os saques.

- Elipse

ELIPSE é a figura pela qual se omite alguma palavra ou oração, que facilmente se pode
compreender:

Ventum erat ad Vestae (ad acéles Vestae) chegara-se ao templo de Vesta; Héctoris
Andrómache - Andrômaca, (esposa) de Heitor; portus ab Africo tegebatur - o porto era
defendido do (vento) africano; Tusculano (em vez de Tusculano praedio) delectamur -
deleitamo-nos com a quinta de Usculo. - Ne hostem ignoretis, cum his est vobis
pugnandum - para que não ignoreis o inimigo, ficai sabendo que deveis combater contra
estes; si volumus iudicare, multae res extiterunt urbanae maiores quam bellicae - se
queremos julgar, é preciso saber que houve muitos assuntos civis mais importantes do que
os militares; Hánnibal Africam accessit, si forte Carthaginienses ad bellum possent induci -
Aníbal aproximou-se da Africa para ver se (por acaso) os cartagineses podiam ser
induzidos à guerra.

a) Quando na 1ª de duas orações houver um termo negativo (nolle, nescire, negare, etc.;
nemo, uiltil, etc.), pode-se não exprimir, na 2ª oração, o correspondente afirmativo (velle,
seire, dicere, etc.; omnes, omnia, aliquis, etc.) :

Os nossos quase que não sabem grego, nem os gregos sabem latim, nostri Graece
fere nesciunt, nec Graeci Latine; quando viram que ninguém descia para o lugar plano, mas
todos se espalhavam ao longo das muralhas, atacaram os pontos extremos da cidade, ubi
neminem in aequum locum sese dimittere, sed toto muro circumfundi viderunt, ultimas
oppidi partes petiverunt.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 356

b) Costuma-se omitir o verbo em locuções "proverbiais" e em algumas outras que a prática


há de ensinar:

Fortuna fortes - a fortuna ajuda os fortes; summum ius summa iniuria - a justiça
rigorosa demais chega a ser injustiça; minima de malis - dos males deve-se escolher o
menor; quid mirum? que há para estranhar? inde irae et lacrimae - daí nasceram as iras e as
lágrimas; sed de hoc alias - mas disso falaremos outras vezes.

c) costuma-se não repetir a preposição já mencionada:

1. Quando dois substantivos exprimem idéias muito ligadas: In labore et dolore - no


sofrimento e na dor.

2. Diante do aposto explicativo - Cum duobus ducibus de imperio in Italia decertatum est,
Pyrro et Hannibale - combateu-se pela supremacia na Itália contra dois chefes, isto é, contra
Pirro e contra Aníbal.

3. Nas perguntas e respostas: Tradúcis cogitationes meas ad voluptates. Quas? Corporis


credo - levas os meus pensamentos para os prazeres. Para que prazeres? Para os do corpo,
creio.

4. Quando o pronome relativo é compl. do mesmo verbo, que o demonstrativo antecende:


In eadem brevitate qua illae bestíolae repetiemur - achar-nos-emos na mesma brevidade de
existência em que aqueles animaizinhos se acham.

Obs. - Com nihil aliud nisi e si nihil aliud pode-se subentender o verbo facere: Nihil
aliud nisi meum nomen causanque sustinuit - não fez outra cousa, senão sustentar o
meu nome e a minha causa; venit in iudicium, si nihil aliud, ut eum videret - foi ao
tribunal, se não para fazer outra coisa, ao menos para vê-lo.

Hendíadis

A HENDIADIS consiste em coordenar por meio de et, -que, Oque, duas palavras, das quais
a segunda deveria ser complemento da primeira:

Periculo atque negotiis compertum est in bello plurimum ingenium posse -


reconheceu-se à prova (periculo) dos fatos (atque negotiis) que na guerra a inteligência tem
um poder grandíssimo; prorsus in facie voltuque vecordia inerat - na expressão de seu rosto
estava impressa a maldade; scientia et usu - por meio de um conhecimento prático; illos
obnoxios fidosque sibi faciebat - tornava-os sujeitos e fiéis (fiéis a toda prova) a si; pacem
foedusque facere - realizar uma paz e uma aliança (um tratado de paz) ; limae labor et mora
- o trabalho moroso da lima .

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E.I.E. Caminhos da Tradição 357

Metáfora

A METÁFORA consiste em usar, em vez do nome verdadeiro, um outro que com o mesmo
tenha semelhança: Nero foi muito cruel: Nero foi uma fera.

Obs. - Como nem todas as metáforas das línguas modernas se usam em latim, e
vice-versa, antes de traduzir é preciso ter certeza se tal metáfora foi de fato
empregada por algum bom escritor romano. Não tendo essa certeza, é bom
antepor à metáfora uma expressão como "ut ita dicam" (por assim dizer), "quasi,
tamquam, quidam", como já faziam os próprios clássicos, quando a metáfora que
iam usar não era freqüente: Todas as ciências têm vínculo comum e estão ligadas
por (certo) parentesco, omnes artes habent quoddam commune vinculum et qumi
cognatione quadam inter se coniunguntur; os amigos são o mais belo enfeite da
vida, amici, pulcherrima vitae, ut ita dicam, supellex.

- Pleonasmo e repetição

a) PLEONASMO é um termo supérfluo que serve para realçar uma idéia: Id ipsum
honestum quod amplecti vult, id efficit turpe - (essa teoria) desonra a própria honestidade,
que quer praticar.

b) A REPETIÇÃO de certos termos, especialmente se precedidos pelo pron. relat., em latím


não é vício: Havia somente dois caminhos, pelos quais podiam sair de sua terra, erant
omnino itinera duo, quibus itineribus domo exire possent.

- Tmese e zeugma

a) TMESE é a figura que resulta do corte de alguma palavra: Cuius rei lubet simulator - em
vez de cuiuslibet rei simulator, simulador de tudo.

b) ZEUGMA é a figura pela qual um verbo rege mais de um complemento, embora, pelo
sentido se refira a um só deles: Foi divulgada uma tradição dupla a respeito da morte de
Magão, pois uns deixaram escrito que ele (pereceu) num naufrágio, outros que foi
assassinado pelos escravos, de Magonis interitu duplex memoria prodita est: namque alii
naufragio (sem verbo), alii a servulis ipsius interfectum eum scriptum reliquerunt.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 358

Para ler um livro moderno basta abrir o dicionário. No latim tudo está para ser
descoberto: função da palavra, relação entre as partes do discurso, concatenação de
idéias. Mas a criança é ventoinha, passa de uma coisa para outra. Semelhante instinto será
corrigido pelo estudo do latim. O latim não só trava as idéias, mas as ordena conforme a
sua importância. Se essa importância for secundária, a sintaxe a mandará para um lugar
secundário. - As línguas modernas igualam tudo. Sem o latim a criança não sabe distinguir
entre o principal e o secundário. O latim há de corrigi-la".

(François Charmot, S. J.)

Regras gerais do estilo

1. - PUREZA E PROPRIEDADE

Obtém-se a PUREZA da linguagem evitando principalmente os arcaísmos, os


barbarismos, os neologismos, os vulgarismos e os termos poéticos. Portanto:

a) Não se deve escrever maxumus, lubet, ipsits, captundi, etc., que são formas anteriores a
Cícero (arcaismos), mas maximus, libet, ipse, capiendi, etc.; não absque, mas sine; não ast,
mas at; não auffimáre, mas dicere; não abdúce, mas abditc; não audibam, mas audiebam;
não admittier, mas admitti, etc.

b) Não se deverá escrever praxis (que é um barbarismo, um helenismo), mas usus (prática) ;
não systema, mas ratio; não eclipsis, mas defectio solis; não chronologia, mas ratio
temporum, etc.

e ) Não se deverá escrever breviarium resumo (que é uma palavra posterior a Cícero, um
neologismo), mas summarium; não primogenitiís, mas natu maximus; não prolongare, mas
producere; não prosa, mas oratio solata; não kalendarium, mas compositio anni, etc.

Note-se, porém, que o próprio Cícero, por motivos especiais, se serviu de formas arcaicas,
inseriu nos seus melhores escritos um número notável de palavras gregas (bibliotheca,
philosophia, poeta, poesis, poema, historia, epitome, palaestra etc.) e chegou mesmo a
cunhar termos novos: Compotatio (reunião para beber), concenatio (reunião pata jantar).

d) Não se deverá escrever rivalis (rival), que é um vulgarismo, mas aemúlus; não se deverá
usar cuius, cuia, cuium em vez do genit. de quis, etc.

e) Não se escreva pontus, nem pelagus nem aequor, que são termos poéticos, mas mare; não
letum, mas mors; não aevum, mas vita ou actas; não natus, mas filius, etc.

A leitura dos clássicos e o uso de bons dicionários hão de ajudar o jovem latinista
na escolha dos termos puramente latinos e dos não latinos, aceitos, porém, pelos

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E.I.E. Caminhos da Tradição 359

grandes escritores da idade de ouro; com esses meios há de alcançar também a


propriedade.

- Têm o dote da PROPRIEDADE as palavras que são empregadas no mesmo sentido no


qual foram usadas pelos clássicos.

Há umas palavras vernáculas derivadas do latim, as quais nos bons escritores


romanos têm sentido diferente do português: Supportare levar; continuo logo; altus alto e
profundo; auctor aconselhador; capax. espacoso; creare eleger; humanitas bondade; intentio
esforço; liberi filhos; momentum pêso, importância; persoma máscara, personagem de
teatro; probabilis digno de louvor; prolixus benévolo; publice em nome do povo, a
expensas públicas; recitare, ler; reparare reconstituir; seducere conduzir; stilus
estilete;tIraditio entrega; usurpare usar, etc.

Há também algumas palavras portuguesas, derivadas do latim, as quais nos bons


escritores têm um emprego diferente (do português): Amoenus agradável, aplica-se a
lugares, não a pessoas (suavis); celeber célebre, só se aplica à lugares, não a pessoas
(clarris); declarare declarar, manifestar, mas “declarar guerra" se diz bellum indicere;
éloquens só se aplica a pessoas; "um discurso eloqüente" se diz cratio copiosa; volumen
significa, -volume, livro; para indicar "quantidade" se usa magnitudo, etc.

ORDEM DAS PALAVRAS NA ORAÇÃO

Construção comum

a) Geralmente o sujeito coloca-se no começo da oração, o verbo no fim, os outros termos da


oração entre o sujeito e o verbo: Eu, porém, não peço isso, ego vero id non postúlo; na
verdade tu não queres privar Ligário da pátria, mas da vida, non tu ergo Ligarium patria
privare, sed vita vis.

b) O vocativo, geralmente, não se coloca no início da oração: Tuberão, tens uni réu
confesso, habes, Tubero, confitentem, reum.

C) O aposto coloca-se geralmente depois do substantivo por ele modificado: O nobre


Quinto Pisão, Q. Piso, adulescens nobilis, os rios Isara e Ródano, Isara Rhoelanusque
amnes, o poeta Estesícoro, Stesichorus poeta.

Obs. - O aposto encontra-se Frequentemente antes do substantivo por ele


modificado, quando (ao aposto) se quer dar mais importância ou quando for dux, rex, mare,
flumen, urbs, oppidum, e alguns outros que a prática há de ensinar: Apio Atílio e seu filho
Lúcio Atílio, A. Atilius et eius filius L. Atilius; a cidade de Roma, urbs Roma; a cadeia do
jura e o rio Ródano, mons Iura et flumen Rhodanus.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 360

d) Não é possível determinar com regras absolutas a posição do atributo; costuma-se


antepor, se é adjetivo numeral, demonstrativo ou interrogativo; costuma-se pospor, se é
possessivo: Caesar eum tribus legionibus trinis hibernis hiemare constituit; de illa actate;
quomim animo? Romani a Prusia petebant ne inimicissimum suum secum haberet.

e) O pronome relativo precede o seu antecedente, quando a oração adjetiva completa um


aposto: Os santões não estão muito longe dos tolosates, população que está na província,
(Santõnes) non longe a Tolosatium finibus absunt, quae civitas est in Provincia.
Obs. - As expressões "a maneira como, a maneira segundo a qual", "os meios
com que" traduziu-se respectivamente por quo modo e não modo quo, quibus
rationibus e não rationibus quibus.

Construção de realce

Quando se quer salientar um termo, pode-se:

a) Colocá-lo em 1º ou último lugar: C. César, -meu parente Quinto Tuberão denunciou a ti


um crime novo e até agora inaudito, novum crimen, Gai Caesar, et aute hunc diem
inaudítum propinquus meus ad te Quintus Tubero detúlit; antes de ti ninguém fez isso, hoc
egit ante te nemo.

b) Colocá-lo perto de uma palavra de sentido análogo: Sublato- tyranno tyrannida manere
video - embora tenha sido suprimido o tirano, vejo que a tirania continua.

c) Usar o hipérbato, figura que consiste em separar o termo que se quer salientar, da palavra
à qual deveria estar unido: Até agora, César, não tens em Ligário nenhum sinal de má
disposição para contigo, nullum igitur habes, Caesar, adhuc in Ligario signum alienae, a te
voluntatis.

d) Usar o quiasmo, figura que consiste em dispor as palavras em sucessões contrárias


(substant. e adjet". contraposto a "adjet. e substant."; "sujeito e verbo" contraposto a "verbo
e sujeito", etc.) : Non video quo modo sedare possint mala praesentia praetéritae voluptates
- não vejo como os prazeres passados possam mitigar os males presentes; ratio consentit,
pugnat oratio - a razão concorda, as palavras discordam; aliud est errare Caesarem nofie,
aliud noRe miscreri - uma cousa é não querer que César erre, outra é não querer que se
compadeça.

- Coloca-se geralmente no começo do período o termo que pertence à principal e à


subordinada: Hamilcar, posteáquam, mare transiit in Hispaniamque venit, magnas res
secunda gessit fortuna - Amilcar, depois de ter passado o mar e ter chegado à Espanha,
realizou prosperamente grandes empresas.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 361

- ORDEM DAS ORAÇÕES NO PERIODO

- As orações adjetivas colocam-se, em geral, após o seu antecedente; é, porém,


muito comum a antecipação (prolepse), quando o antecedente seja um pronome: Quos ferro
trucidari oportebat, coe nondum, voce vulnero - ainda não fulmino com a minha voz os que
fora preciso trucidar com a espada.

- Quanto às outras orações podemos dizer que o período latino para conservar a
unidade, respeita freqüentemente esta ordem:

1º: Orações causais, condicionais, concessivas, comparativas, temporais.

2º: Oração principal.

3º: Orações substantivas, finais, consecutivas.

Exs.: Saguntini ut a proclas quietem habuerant (temporal), non cessaverant ab opere


(principal), ut novum murum. ab ea parte, quii patefactum oppidum ruinis erat
(adjetiva), reficerent - os saguntinos, apenas tiveram um pouco de descanso das
batalhas, não cessaram de trabalhar para levantar um muro novo onde, pelas ruínas,
a cidade tinha sido aberta.

O PERIODO LATINO

Erraria quem afirmasse que o período latino devesse necessariamente ser longo, e
que as orações coordenadas não agradassem aos clássicos, pois, é de, Cícero o seguinte
vivavíssimo tópico: Sed hoe quaero; quis putat esse crimem fiuísse in Africa? Nempe is,
qui et ipse in eadem Africa esse voluit et prohibitum se a Ligario queritur (e queixa-se por
ter sido impedido -- de entrar na: África - por Ligário) et certe contra ipsum Caesarem est
congressus (combateu) armatus. Quid enim, Tubero, tuus ille, districtus gIadius agebat?
enius latus ille mucro petebat? qui sensus erat armorum tuorum? quac tua mens, oculi,
manus, ardor animi? quid optabas? Nimis urgeo, commoveri videtur adulescens (o próprio
Tuberão) ; ad me revertar; iisdem in armis fui (estive no mesmo partido).

Todavia é certo que os períodos amplos com uma principal, acompanhada de uma
ou mais subordinadas, são muito mais comuns nos clássicos romanos do que nos escritores
dos nossos dias. Por isso, escrevendo em latim, os humanistas modernos devem ter diante
dos olhos o seguinte: Os grandes prosadores de Roma nos seus arrazoados procuravam
primeiramente distinguir o essencial do secundário, depois exprimiam o essencial por meio
de uma oração principal, e o secundário por meio de orações subordinadas, tão bem unidas
que sempre era evidente a unidade do conjunto, não era prejudicada a variedade, era visível
certa simetria e se percebia algum ritmo.

- Variedade

Seria, de obstáculo à variedade a sucessão de vários sons idênticos ou de numerosas


construções iguais.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 362

Quintiliano, escritor do 1º séc. depois de Cristo, critica esta expressão de Cícero: O


fortunatam natam, me comule Romam (feliz de Roma, que nasceu durante o meu
consulado). Costuma-se também censurar o seguinte período de César, por causa da
seqüência de ablativos absolutos: Prima luce, produictis omnibus copiis, duplici acie
instituta, auxiliis ín mediam aciem coniectis, quid hostes consilii caperent, expectabat ao
romper do dia, depois de ter feito sair do acampamento todas as tropas e de as ter disposto
em duas linhas, tendo colocado no centro as tropas auxiliares, (Crasso) esperava que
resolução tomariam os inimigos.

Obs. - Note-se, porém, que, segundo nos diz o próprio Cícero: uma sucessão
de palavras, que comecem ou terminem com o mesmo som, pode, às vezes
servir para obter maior expressividade: Quo quid míserius, quid acerbius, quid
luctuosius vidimus? Sedem ab universo populo concessam uni ordini
inflammari, exscindi, funestari - que vimos nós mais cruel, mais doloroso,
mais lamentável do que isso? Este edifício entregue Pelo povo romano
unicamente para a ordem dos senadores, nós o vimos entregue às chamas
destruído e poluído.

- Simetria

Tem simetria (concinnitas) o período cujos membros tenham aproximadamente a


mesma extensão:
Scipio / consulatum petiuit numquam, / factus est consul bis, / primum ante tempus,
/ iterum sibi suo tempore, / rei publicae paene sero. / Quid dicam de moribus facillimis, / de
pietate in matrem, / liberalitate in sorores, / bonitate in suos, / iustitia omnes? Cipião nunca
pediu o consulado, (mas) foi feito cônsul duas vezes; a primeira, antes da idade legal;
depois tendo a idade exigida pelas leis, mas já um pouco tarde para a sua pátria. Que direi
da doçura de seu caráter, do amor para sua mãe, da generosidade para com as irmãs, da
bondade para com os seus, da justiça com relação a todos?

- Ritmo

Cícero aconselha os oradores a se esforçarem para falar ritmicamente. Isto se obtém


principalmente concluindo os períodos, não por meio de palavras demasiadamente longas
nem por meio de monossílabos, mas com expressões que contenham, por quanto possível:

a) um crético, isto é, uma longa, uma breve e uma longa: Ullo pacto potest.

b) um crético e um dátilo- Vita laudabilís.

c) um crético e um espondeu: Actum esse praeclare.

d) dois troqueus: Firmitatis.

e) um peão (isto é uma longa e três breves) e um troquen: esse videtur; adferúnt
repudientur.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 363

"Cursus"

Hoje em dia é quase impossível saborearmos o ritmo dos clássicos, o qual se baseia
na quantidade das sílabas. No entanto, é fácil deleitarmo-nos com o cursus, tão evidente e
harmonioso em cada um dos membros de muitas orações litúrgicas da Igreja -Romana.

O Cursus baseia-se no acento das palavras e em geral obedece aos quatro esquemas
seguintes:

a) Cursus planus (acento na 2ª e 5ª sílaba a partir do fim)

b) Cursus tardus (acento na 3ª e 6ª)

c) Cursus velox (acento na 2ª e 7ª) ;

d) Cursus "dispondaico" (acento na 2ª e 6ª)

Éxcita, quaesumus, Domine, potentiam túam et véni, ut ab imminentibus


peccatorum nostrórum perículis (e. tardus), te mereamur protegénte éripi (idem), te
miseránte salvári. Qui vivis et regnas ... per omnia saecula saeculórum; servíre mereámur .

"Latina lingua... thesaurus est incomparandae praestantiae; quare sacrorum administer


qui cam ignorat, retinendus est lamentabili mentis laborare squalore. Latina lingua, gloria
sacerdotum ... Quid digne celebret hunc imperialem sermónem - "basilikè glossa" a
Graecis appellabatur - quae vera non enuntiat sed sculpit, quae in edictis et sententiis
peculiari splendet gravitate, quae in, Latina Ecclesia liturgico frúitur usu, quae dénique
Latinae Ecclesiae est magni pretii vinculum? Nullus sit sacerdos, qui eam nesciat facile et
expediu legere, et loqui! Praeter haec utinam oriantur inter vos haud parvi et pauci qui
etiam presso et eleganti dicendi genere eam scribere valeant!"

Pio XII

Apêndices finais

FORMAÇÃO DAS PALAVRAS

- Radical

a) Por radical entendemos o elemento que dá origem a uma palavra ou a uma


família de palavras, e indica o sentido geral comum a todas elas. Assim nas palavras amo,
amor, amicus amicitia, inimicus o radical é am-; em lego, lectio, coffigo, etc. o radical é -
leg (1).

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E.I.E. Caminhos da Tradição 364

b) De um radical formam-se, em geral, muitas palavras e formam-se por derivação


ou por composição (2).

c) Dizemos que uma palavra se forma por DERIVAÇÃO, quando ao radical se


acrescenta algum sufixo. Assim as palavras rex, regína, regnum, regnare, regalis, regalítas,
regere, regimen, rectus são palavras derivadas do radical reg-.

d) Uma palavra é formada por COMPOSIÇÃO, quando além de se acrescentar ao


radical um sufixo, antepõe-se-lhe também algum prefixo. Assim de reg- temos estas
palavras formadas por composição: Cor-rec-tus, in-cor-rec-tus, etc.

(1) Não confunda RADICAL com tema.


(2) Somente a pratica ou a consulta de dicionários especiais podem indicar qual
seja o radical de toda e qualquer palavra. - Também não é possível explicar aqui
as leis que regulam. as modificações do radical quando recebe algum sufixo. -
São poucas as palavras que são iguais ao seu radical: Sal, sol, etc.

DERIVAÇÃO

Substantivos derivados

Os sufixos mais comuns nos substantivos derivados são:

a) -tor, -trix, -sor, -arius, que indicam geralmente o autor de alguma ação: Victor vencedor,
victrix vencedora, tonsor barbeiro, statuarius estatuário.

b) -tio, -sio, -tus, -sus, que indicam ação: Oppugnatio assédio, defensio defesa, adventus
chegada, cursus corrida.

c) -men, -mentum, -bulum, -culum, que indicam meio: Nomen nome (meio para conhecer);
medictímen e medicamentum medicamento (meio para curar); venabulum venábulo (meio
para caçar) vinculum vínculo (meio para amarrar).

d) -rium e -etum, que indicam lugar; Ile, que indica lugar para animais: Vivarium viveiro,
olivelum olival, ovile redil.

e) -itia, -ia, -ítas, -túdo, que indicam alguma qualidade: Pigritia preguiça, audacia audácia ,
verbositas verbosidade, valetudo saúde.

f) -lus, a, um, -culus, a, um, que indicam pequenez (diminutivos): Filiolus filhinho, cistella
cestinha, flosculus florzinha, muliercula mulherzinha, opusculum obrazinha.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 365

- Adjetivos derivados

Os sufixos mais comuns nos adjetivos derivados são:

a) -ídus, -inus, -itus, -bundus, -cundus, os quais indicam modo de ser ou de agir: Pallidus
pálido, peregrinus estrangeiro, crinitus cabeludo, errabundus errante, iracundus irascível.

b) -ax, -ox, -ilís, -bílis, que indicam capacidade ativa ou passiva: Perspícax perspicaz, ferox
feroz, felix feliz, facilis fácil, credibilis crível.

c) -osus, que indica plenitude: Copiosus abundante.

d) -eus, -aceus, alis, -aris, inus, que indicam matéria, propriedade ou semelhança : Aeneus
de bronze, herbaceus semelhante à erva, herbáceo, letalis mortal, consularis próprio do
cônsul, consular, ovinus próprio de ovelhas, ovino.
c) – ellus, ulus, que indicam pequenez (diminutivos): Novellus novinho, parvulus
pequenino.

- Verbos derivados

Os sufixos mais comuns são os que se usam para formar os verbos:

Clamitare (gritar repetidamente) de clamare (gritar); cantitare (cantar amiúde) de cantare


(cantar).

Há frequentativos que derivam do SUPINO: missitare (mandar várias vezes) de


missum, sup. de míttere.

Desiderativos, que, em geral, indicam o desejo de fazer alguma coisa; derivam da


parte invariável do supino de algum verbo por meio do sufixo -úrio: Esurio quero comer, de
es-um, sup. de edo; empturio quero comprar, de empt-um, sup. de emo.

COMPOSIÇÃO

- Nas palavras formadas por composição o último termo encerra sempre o sentido
fundamental. Em signífer (porta-bandeira), o termo fer contém a idéia principal de "levar,
trazer`, signi encerra a idéia secundária de "insígnia"; em submitto a idéia fundamental está
em mitto, a secundária em sub.

Obs. - 1. Na formação dessas palavras compostas temos três casos: Palavras


formadas por prefixos inseparáveis (1°), por prefixos separáveis (2°), por nomes,
verbos ou partículas (3°).

2. Por "prefixos inseparáveis" entendemos principalmente as partículas amb-, dis-,


in-, re-, se-, ve-, as quais não se usam sozinhas.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 366

3. Por "prefixos separáveis” entendemos principalmente as preposições ale, ad,


cum, de, ex, ob, per, prae, sub, trans.

- Composição com prefixos inseparáveis

a) Amb, que pode mudar-se em am-, encerra a idéia de "ao redor": Ambio (amb-eo), vou ao
redor; amputare (amb-putare), podar (cortar ao redor).

b) Dis-, que pode mudar-se em dir, dif, di-, indica separação: Disiungere (dis-iungere),
dividir; dirímere (dis-emere), dirimir; differre (dis-ferre), diferir; dilatum (dis-latum),
diferido.

c) (Não confunda esse prefixo negativo com a prep. in; pode mudar-se em im- diante de b e
p, ou assimilar-se: Ingratus, não grato; impius (in-pius) impiedoso; irrítus (in-ratus), não
ratificado, nulo; illepídus (in-lepidus), não agradável.

d) Re pode indicar repetição ou antônimo: Reficio (re-facio), refaço; recludo (re-claudo),


abro (contrário de claudo = fecho).

e) Se - indica separação: Seduco, levo embora.

f) Ve (diferente da enclítica -vê.) indica negação: Vesanus, insensato.

- Composição com prefixos separáveis

Só mencionaremos as partículas que, na composição, podem sofrer alterações:

a) Ab, a, abs, (as, af, au) indicam afastamento: Absum estou longe, averto desvio, abstuli
tirei, asportare (abs-portare) levar embora, aufero (ab-fero) levo embora.

b) Ad (pode assimilar-se) : Adeo ir, aceedo (adcedo) aproximar-se, appello (adpello)


impelir, arrideo (adrideo) rir, assídeo (adsideo) estar sentado, attendo (adtendo) atender.

c) Ex pode mudar-se em e, cf, e indica afastamento: _Excedo afastar-se, emitto deixar sair,
effero levar para fora.

d) In (diante de b e p sói mudar-se em im; pode assimilar-se) Invenio, encontrar; impono,


impor; immitto, enviar'.

e) Ob (pode assimilar-se): Obeo encontrar, oecido matar, offero oferecer.

f) Trans (pode mudar-se em trã) : Transmilto transportar, tradúco transportar.

Per, prae, sub

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a) Per indica "passagem através, perfeição" e, diante de adjetivos ou advérbios em grau


normal, pode dar-lhes o sentido de superlativo absoluto: Percurrere, atravessar; perdomare,
dominar completamente; perfacile, facílimo; perraro, raríssimamente.

b) Prae indica precedência e, unido a adjetivos ou advérbios em grau normal, pode dar-lhes
o sentido de superlativo absoluto, como acima: Praeesse, presidir; praemittere, mandar na
frente; praeacútus, agudíssimo.

c) Sub pode assimilar-se; indica posição inferior ou diminuição: Subco, meter-se debaixo;
succédo (sub-cedo), suceder; suffero (sub-fero), suportar; submarus, um pouco amargo;
subaccúsare, acusar levemente; subarroganter, um pouco insolentemente.

Obs. - Somente a prática e o uso de bons dicionários poderão ensinar o emprego


exato desses prefixos.

- Permutações de vogais

Nas palavras compostas por prefixos é possível notar que no termo que encerra o
sentido fundamental, freqüentemente:

a) O ă mudou-se em ĭ: Decído (caio) de de-cado; o a seguido de duas consoantes mudou-se


em e: Ineptus (incapaz) de in-aptus, o ae em i: Occido (mato) de ob-caedo; o au em u:
Reclúdo (abro) de re-claudo.

b) O e mudou-se, em í: Coffigo (junto) de cum-lego.

e) O ŏ e o ŭ mudaram-se em ĭ (raramente) : Illíco (imediatamente) de in loco; manica,


(manga) de manú (tema de manus = mão)

- Palavras formadas por nomes, verbos ou partículas:

a) A 1ª palavra do composto terminará geralmente em i, se for um nome: Fratricída (frater e


caedo), fratricida; tibícen (tibia e cano), tocador de flauta. aequinoctium (de aequus, a, um e
nox), equinócio.

b) Quando as duas palavras do composto são inteiras e têm flexão própria, podem-se
escrever separadas. - Respública ou res publica; iusiurandum ou ius iurandum.

O mesmo se dá com antequam ou ante quam, priusquam ou prius quam, etsi ou et sí,
etiamsi ou etiam si, dúmmodo ou dum modo, quámobrem ou quam ob rem, quemádmodum
ou quem ad modum, quóminus ou quo minus, satisfacere ou satis facere, etc.

- NOÇÕES COMPLEMENTARES DE FONÉTICA

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- Alfabeto

a) O i pode ser vogal ou consoante; no segundo caso alguns o substituem por j.

1. Quando no início das palavras simples é seguido de vogal (iam ou iam, iurare ou jurare,
coniuratio ou conjuratio, etc.), exceto em algumas formas do verbo ire (iens, íeram,
adieram, etc.) e nas palavras gregas (iambus, etc.).

2. No corpo das palavras entre duas vogais (peior ou pejor, maior ou major, Pompeius ou
Pompejus, Troia ou Troja, etc.), exceto em tenúia, tenúior, adsidúior, exigúior e Troius.

Obs - O i consoante e o i vogal, unidos, podem-se escrever com um i. Aquilo que


alguns escrevem abjício, ábjicis, abjícere, etc., nas edições críticas está escrito:
abiício, ábiicis, abiícere ou, mais freqüentemente, abício, óbicis, abícere.

b) Nesta gramática o u consoante foi representado pela letra v (1). Por isso aqui o u é
sempre vogal, a não ser (ef. n.o 174r, a, obs. 1.a) quando for seguido de vogal e precedido
por q ou ng (2). Em antiquior, pinguior, lingua, ete. o u é consoante. - Note-se que o grupo
q + u é considerado uma consoante só.

- Maiúsculas e minúsculas

a) Até o século IX d.C. escrevia-se unicamente com letras maiúsculas. A partir dessa época
usam-se as maiúsculas só como letras iniciais dos nomes próprios e das palavras deles
derivadas: Romani os romanos, populus Romanus o povo romano, Romane romanamente.

b) O sistema de pontuação usado nas edições críticas desenvolveu-se na Idade Média e se


fixou no século XVI. Nas inscrições romanas encontra-se tão só o ponto, gravado na
metade da altura das letras, tendo como único fim separar uma palavra de outra. (inscrição
do templo de Ancira na Galácia, Turquia: Fotocópia apud Res Gestac Diví Augusti, E.
Malcovati, Roma, 1938).

(1) A isto fomos induzidos pelo critério adotado nas edições críticas do CORPUS
SCRIPTORUM LATINORUM PARAVIANUM de Turim, da BIBLIOTHECA
SCRIPTORUM GRAECORUM ET ROMANORUM TEUBNERIANA de
Leipzig e dos SCRIPTORES GRAECI ET LATINI IUSSU BENITI MUSS.,
CONSILIO R. ACADEMIAE LYNCEORUM EDITI de Roma.

(2) Entre a inicial e uma vogal, o u é CONSOANTE nas palavras, em cuja flexão
o mencionado u nunca recebe o acento: Suavis, suesco, suadeo, etc. - Considerar
vogal o u de silva (silua) e consoante o de genua (genva) é uma licença poética
chamada diérese.

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- Ditongos e consoantes

a) Os DITONGOS mais comuns são ae, oe, au; os grupos eu, ei, oi, ui são considerados
ditongos somente em algumas palavras: Ceu, cheu, heu, neu, neuter, neutiquam, seu; dein
(pode ser dissílabo), hei, queis; proin (pode ser dissílabo); cui, huic.

b) As, CONSOANTES dividem-se em DUPLAS ("x", que corresponde a cs, gs e qs, e "z
que corresponde a ds e ts) e SIMPLES (todas as outras).

Obs. - 1. As consoantes simples subdividem-se em líquidas (l, r), nasais (m, n),
sibilante (s) e mudas (todas as outras, isto é as oclusivas p, b, t, d, e, k, q, e as
fricativas f e v).

2. O h é um sinal de aspiração; não é uma consoante verdadeira. Por isso os


grupos, ch, ph, th consideram-se como uma consoante só (consoante muda)

- Divisão silábica

As letras do uma sílaba não podem pertencer a palavras diferentes; por isso os
vocábulos compostos, antes de serem divididos em sílabas, devem ser desmembrados nas
palavras componentes: Amb-io, dir-imere, ex-eo, trans-mitto, prae-acutus, aequi-noctium,
magn-animus, pusill-animis, propter-ea, in-iquus, dis-tribuere, sus-cipio.

Feito isso, seguem-se em latim leis análogas às do português.

a) Duas vogais que não formem ditongo, pertencem a, sílabas diferentes: Vi-a, De-us.

b) Uma consoante única entre vogais, pertence à sílaba seguinte: Lo-cus, ma-xi-mus, a-zy-
mus.

c) Duas consoantes, entre vogais, pertencem a sílabas diferentes: ag-men; rep-si, fes-tum,
dis-cis, dis-co, co-lum-ba, am-nis, mag-nus, men-sis, as-sis, an-nus, er-ror. - Porém, duas
consoantes das quais a 1ª seja muda e a: 2ª líquida, pertencem ambas à sílaba seguinte: Te-
ne-brae, a-trum, lo-cu-ples.

d) Havendo, entre vogais, três consoantes,` somente a 3ª pertence à sílaba seguinte: Promp-
tus, ins-tar. - Porém, se a 2ª e a 3ª consoantes forem respectivamente muda e líquida, ambas
pertencerão à sílaba seguinte: Claus-trum, am-plus.

Obs. - Além dessas leis depreendidas das melhores inscrições do tempo de


Augusto (43 a.C. - 14 d.C.), existe uma outra regra muito respeitável,
estabelecida pelos gramáticos romanos do IV século d.C., segundo a qual as
consoantes intervocálicas pertencem à sílaba seguinte, se existir em latim
alguma palavra que comece por tais consoantes. Portanto, conforme essa norma,

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podem-se encontrar as seguintes divisões: A-ptus e prom-ptus, fa-ctum, re-psi,


fe-stum, in-star, di-scis, clau-strum, a-mnis, ma-gnus, porque existe Plolemaeus,
Ctésiphon, psíttacus (papagaio), stare, scire, strúere, Mnéstheus, gnatus (filho).

- Enclíticas e acento

As enclíticas (-quĕ, -vĕ, -nĕ, etc.) exigem o acento na última sílaba da palavra à qual
se unem: Alia + que (e outra) pronuncia-se aliáque; rosa + que (e pela rosa), pronuncia-se
rosaque.

A essa regra costuma-se acrescentar que a palavra à qual se une a enclítica, conserva
o próprio acento, se for paroxítona e sua última sílaba for breve: Rosa+que (e a rosa)
pronuncia-se rosaque.

- NOÇÕES DE PROSÓDIA

- Prosódia é a parte da gramática que ensina a quantidade das sílabas.

REGRAS GERAIS

- Longas

a) É longa toda sílaba que contenha um ditongo ou uma vogal resultante de contração:
aurum, poena, praeda; cogo (de co-ago), nil (de nihil).

É, porém, breve o prefixo prae, quando seguido de vogal: Praeest.

b) 1. É geralmente longa toda vogal seguida de duas ou mais consoantes, de x, z ou i


(consoante) : ostium, lux, gaza, éius, Pompéius, Gaius.

2. Uma das duas consoantes pode ser a 1ª da palavra seguinte: Per me. A sílaba per é breve
por natureza, mas longa por causa da posição.

3. Se as consoantes estiverem todas na palavra seguinte, a vogal conserva ordinariamente


inalterada a sua quantidade: Verba stulta,

Obs. - 1. É geralmente breve na prosa e ancípite (= longa ou breve) na poesia toda vogal
seguida de duas consoantes, das quais a 1ª seja muda e a 2ª líquida: Volúcris, na poesia
também volúcris; tenebrae, na poesia também tenebrae.

2. Notem-se, porém: lavacrum, aratrum, involúcrum, safubris, matris e poucos outros, nos
quais as sílabas assinaladas são longas por natureza.

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3. Se as duas consoantes (muda e líquida) não pertencerem ambas à sílaba seguinte, a vogal
anterior é longa: ab-latus, sub-lustris.

- Breves

Vogal seguida de vogal é breve, ainda que se interponha um h: Meus, puer, rei, attraho.

Obs. - Têm quantidade longa:

1. O e entre dois i na 5ª declinação: Diéi.

2. A penúltima vogal do vocat. (ou genit.) sing. dos nomes próprios terminados em aius e
eius: Gai, Pompei.

3. Em dius (divino), Meu, e em algumas palavras de origem grega: der, Nicolaus, etc.

4. O i de fio e compostos, nas formas sem r: Fío, madefio, fiam, etc., mas fierem. - Note-se
ftt.

- É ancípite o i nos genitivos em ius: Alterius ou alterius.

- Sílabas radicais

a) As sílabas radicais, em geral, conservam nas palavras derivadas a mesma quantidade que
tinham na palavra primitiva: ămor, amicitia, amicus de ãmo.

Notem-se, porém, sédes (subst.) e sedeo; régina e rego; vox, vocis e voco; dico e
maledicus; lúceo e lúcerna; núbo (casar-se) e prontúbus (nupcial), fido e fídes; duco, e
dúcis (genit. de dux), etc.

Notem-se também estes perfeitos: Fidi de findo, posui de pono, scidi de scindo, etc.

b) Nas palavras compostas conserva-se, em geral, a quantidade das palavras componentes:


par, portanto dispar, impar; és (verbo esse), portanto abes, potes; duc, portanto conduc, etc.;
sis,portanto absís, possís, etc.; vis (queres), portanto mavís (preferes), quamvis (ainda que),
etc.

Regras Especiais

Monossílabos

a) São longos todos os monossílabos terminados em vogal: Si, tú, mó, ne (não enclítico), ā,
ē etc.

Excetuam-se as enclíticas: -cé, -ne, -que, -psé, -pte, té -ve.

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b) Os monossílabos terminados em consoante são:

1. LONGOS, se forem substantivos; Bos (bovis), jus, mas (maris), os (oris), pes
(pedis), sa1 (salis), sol, sus (suis), etc.
2.
Excetuam-se: vir, mel fel, cor os (ossis), rem, spem.

2. BREVES, se não forem substantivos: ad, ut, scit es, etc.

Excetuam-se: Em, quin, non, eras, cur, sic, oc, hoc, hac, huc, és (contração de edis), dic,
düc, par, plus, nos, vos.

- Sílabas finais dos polissílabos terminados em VOGAL (1)

a) As vogais finais a, e, y são geralmente BREVES: Porta, templa, altare, lege (abl. de lex e
imperat. de legere), moly (uma espécie de alho).

Obs. - 1. O a final é LONGO no ablativo (rosa), no imperativo (ama) e nas palavras


indeclináveis (triginta, quadraginta, antea, postea, etc.), exceto eiá, ita, quia.

2. O e final é LONGO no ablat. da 5ª decl. (die) (2), na 2ª pessoa sing. do pres. do imperat.
ativo da 2ª conj. (dele) e nos advérbios derivados de adjetivos da 1ª classe (docté, altê, etc),
exceto bene, male, superne, inferne.

b) As vogais finais i, o, u são geralmente LONGAS: Dei, amari, tempori; Deo, lecto; manu,
amatu, etc.

Obs. - 1 . O i final é breve em nisi e quasí, e é ancípite em mihi tibi, sibi, ibi, ubi. - Note-se
a quantidade do i nestes compostos de ubi e ibi: Ubinam, ubivis, ubique, utrobíque, ibidem.

2. O final é breve em ego, duo, octo, cito, modo (adv.) e é, ordinariamente, ancípite no
nominativo de 3ª declinação (virgo, sermo, leo, etc.) e na primeira pessoa dos verbos (amo.
volo, nescio, dixero, etc.) .

(1) POLISSíLABO aqui indica qualquer vocábulo que NÃO seja monossílabo.

(2) Note-se que também o GENIT. E DAT. SING. dos nomes da 5ª decl. podem terminar
em e longo, além de -ei.

- Sílabas finais dos polissílabos terminados em consoante única

a) A última sílaba dos polissílabos que terminam em consoante que não seja s, é geralmente
BREVE: Apúd, illud, magister, laudat, veniãm, donec (conj.), etc.

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Excetuam-se os advérbios terminados em c: Illuc, istúc, istac, illac, adhuc, etc.

b) As sílabas finais -as, -es, -õg, são geralmente LONGAS: Rosas, flos, dominos, septies,
consulés, leges (verbo e subst.).

Excetuam-se penes e o nominat. sing. dos nomes da 3ª declinação, que no


genit. sing. tem a penúltima breve: Lampas, lampadis; hospes, hospitis; campos, compotis,
etc. - Note-se, porém, abies, abietis; aries, arietis; paries, parietis...

C) As sílabas finais -is e -us são geralmente BREVES: leges (subst. e verbo), bonus,
tempus.

Excetuam-se:

1. Todos os nomes plurais em -is: Dominis, vobis, omnis (por omnes) e foris, gratis
(advérbios que antigamente eram ablativos plurais).

2. A 2ª pessoa sing. dos verbos da quarta: Audis.

3. A 2ª pessoa sing. do subjuntivo: Velis, malis, nolis, sis e também dís (rico).

4. O -us do genit. (não do nominat. nem do voc.) singular e do nominal., acusativo e vocat.
plural na 4ª decl. (manūs, sensūs) e do nominat. dos nomes da 3ª decl. que conservam o u
(longo) no genitivo: Virtus, virtútis; iuventus, ínventutis.

- Observações

a) Para conhecer a quantidade das sílabas finais dos nomes gregos, recorra a declinação
grega ou a gramáticas gregas.

b) Para lembrar a quantidade da Penúltima nas palavras de mais de duas sílabas, é muito
útil a reta pronúncia - Assim se sei que devo pronunciar óccidit (descamba), sei também
que a sílaba ci é breve; se pronuncio occídit (ele mata), sei que a sílaba ci é longa.

Em outros casos recorra-se a bons dicionários (Cretella Jr. e Ulhoa Cintra, Torrinha,
N. Firmino, Quicherat-Saraiva, Sousa, Marques Leite, Faria, etc.) .

NOÇÕES DE MÉTRICA

- Métrica é a ciência da versificação.

O verso latino baseia-se na quantidade das sílabas e não no número das mesmas.
Para os clássicos o verso resulta de combinações especiais de sílabas breves e longas, de
cuja sucessão ordenada se obtém um ritmo

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E.I.E. Caminhos da Tradição 374

Essas combinações de sílabas chamam-se PÉS, dos quais os mais usados na poesia
são os seguintes:

Espondeu = duas longas: dono

Pirríquio contrário do espondeu: mălĕ

Troqueu ou coreu = uma longa e uma breve: mēnsă

Iambo = contrário do troqueu: dŏcē

Coriambo (= coreu + iambo) - cōnfŏdĭŭnt.

Dátilo = uma longa e duas breves: cŏndĕrĕ


Anapesto = contrário do dátilo: rĕnŏvānt

Molosso. = três longas: fēcērūnt

Tríbraco = contrário do Molosso: dŏmĭnŭs.

- Ársis e tésis

A sílaba longa de um pé sói pronunciar-se com uma elevação da voz e costuma


chamar-se ársis; as outras sílabas formam a tésis.

Em condere, con- é arsis, -dere é tesis; em sonitu, soni- é tésis, -tu é ársis.

- Substituição de pés

Para os clássicos uma sílaba longa tinha o valor de duas breves: Longam esse
duorum temporum, brevem unius etiam pueri sciunt. Por isso o dátilo (copia) tinha a
mesma duração que o espondeu (omnes) ; o troqueu (arma) tinha a mesma duração que o
iambo (viros).

Não existe em latim nenhum verso formado unicamente por pés de sílabas iguais
(espondeus, tríbacos, etc.).

Os pés de sílabas iguais servem para substituir pés que tenham a mesma duração,
embora formados por sílabas diferentes. Assim um espondeu pode substituir um dátilo.

Obs. - Não é possível determinar com exatidão como os clássicos lessem os seus versos; é
também duvidoso o sentido de ársis e tésis - Costuma-se admitir que nos pés de sílabas
iguais, a tésis se acha na sílaba que corresponde às sílabas breves do pé substituído. Assim
quando o espondeu. substitui um dátilo, a tésis (do espondeu) está na 2ª sílaba; quando
substitui um anapesto, a tésis (do espondeu) está na 1ª sílaba.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 375

- Nome dos versos

A denominação dos versos latinos faz-se ordinariamente pelo número dos pés
(chamados com palavra grega "metros") que o verso tem, acrescentando-se como adjetivo o
nome dos pés que predominam. Assim "hexâmetro datílico" indica: um verso de seis (hexa)
pés, dentre os quais predomina o dátilo; "senário iâmbico" indica um -verso de seis pés,
dentre os quais predomina o iambo, etc.

PRINCIPAIS ESPÉCIES DE VERSOS

- Hexâmetro, datífico

O hexâmetro consta de seis dátilos, os quais podem ser substituídos por espondeus.
O 5º pé deve ser sempre dátilo (2) e o 6ºpode ser troqueu (3), como se vê pela escansão (4)
dos seguintes versos :

āllŏquõr/ ēxtrē/mūm maes/tōs ăbĭ/tūrŭs ă/mīcos (5)

īnfān/dūm, rē/gīnă, iŭ/bēs rĕnŏ/vārĕ dŏ/lōrem (6).

(2) Somente em casos raríssimos o 5º pé é um ESPONDEU.

(3) Em vez de dizer que o ÚLTIMO pé pode ser troquem, costuma-se generalizar
regra om estas palavras do Pe. Álvares: Ultima versus syllaba communis (ancípite)
est.

(4) “ESCANDIR" significa dividir o verso nos seus pés.


(5) Estando para partir falo pela Última vez a meus amigos chorosos.
(6) Oh rainha obrigas me a relembrar uma dor indizível .

- Pentâmetro

O pentâmetro é, praticamente, um hexâmetro, no qual o 3º e o 6º pés carecem da: tésis:

Este sa/luta/ti tempus in omne mi/hi

O pentâmetro não é usado sozinho, mas alterna-se com o hexámetro dando origem ao
dístico elegíaco:

Si licet/ exem/plis in parvis/ grandibus/ uti:


Haec faci/es Tro/iae/ cum cape/retur e/rat (8).

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E.I.E. Caminhos da Tradição 376

- Cesura

Cesura é uma pausa que o sentido convida a fazer dentro do verso.


No hexâmetro e no pentâmetro a cesura cai, geralmente, após a ársis do
3º ou, mais raramente, do 4º pé (9) :

Si licet exemplis // in parvis grandibus uti:

Haec facies Troiae // cum caperetur erat.

- Versos iâmbicos

a) O senário iânibico consta de seis iambos:

Peram/búlo/bis as/tra // si/dus au/reum (1O).

Obs. - A cesura neste verso é também geralmente, pentermímera ou heftemímera.

b) O quaternário iâmbico consta de quatro iambos: Inter/ mino/ra si/dera. Vení/


crea/tor spi/ritus (11).

(7) Adeus para sempre.

(8) Se é lícito, nos acontecimentos sem importância, servir-se de comparações grandiosas,


(acho que) era assim o aspecto de Tróia, quando estava sendo expugnada .

(9) Estas cesuras podem chamar-se respectivamente pentemímera (= após 5 metades "de
pé") e heftemínera (= após 7 metades "de pé").

(1O) Percorrerás os astros (como) uma estrela de ouro.

(11) Vem, ó Espírito criador (Hino litúrgico da festa de Pentecostes).

Obs. - Nos versos iâmbicos pode-se encontrar, em vês de iâmbos, espondeus, troqueus,
dátilos, anapestos, tríbracos e, até, proceleusmáticos (quatro breves: ănĭmŭlă) :

- Sáfico e adônio

O verso sáfico consta de um troqueu seguido por um espondeu, um dátilo e dois troqueus
(onze sílabas) ; o adônio consta de um dátilo seguido por um espondeu (cinco sílabas). Três
sáficos e um adônio formam a harmoníosíssima estrofe sáfica (menor).
Constam de estrofes sáficas (menores) os hinos litúrgicos: Iste confessor (Comum dos
confessores), Ut queant laxis (Festa de S. João Batista), Saepe dum Christi (Festa de N. Sra.
Auxiliadora, 24 de maio), etc.

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E.I.E. Caminhos da Tradição 377

(12) Eu apresentei em versos senários estes assuntos elaborados por Esopo.

- Asclepiadeu. e glicônico

O asclepiadeu (menor) consta de um espondeu, seguido por um dátilo,uma sílaba


longa com cesura e mais dois dátilos: o glicônico consta de um espordeu (ou troqueu) e
de dois dátilos. Três asclepiadeus e um glicônio formam uma das mais comuns estrofes
asclepiadéias:

Quis de/siderti/o // sít pudor/ aut modus


Tam ca/ri capi/tis? // Praecípe/ lugubres
Cantus/, Melpome/ne, // cui liquí/dam pater
Vocem/ cum citha/ra dedit (13).

Constam de estrofes asclepiadéias (menores) os hinos litúrgicos: te Ioseph Celebrent


(Festa de são josé- 1O de março) Festivis resonent ( Preciosíssimo sangue. 1º de julho no
breviário antigo).

15 – Que comedimento e que moderação poderá haver para a saudade da pessoa


tão querida? Inspira-me cantos lúgubres, ó Melpomenes, à qual Júpiter (pater)
concedeu juntamente com a cítara, uma voz límpida.

- MEDIDAS E MOEDAS

- Medidas lineares

A unidade das medidas lineares era o pé (pes), que correspondia a O.3O m. (mais
exatamente a O.296 m.).

Submúltiplos do pés eram o digítus ou dedo (1/16 do pé: O.O18 m.) e o palmus ou
palmo (1/12 do pé, O.O7 m.).Múltiplos do pés eram o cubítus ou côvado (6 palmos, O.44
m.),

O passus ou passo (5 pés, 1.48 m.), o stadium ou estádio (125 passos, 184.37 m.), e
miliarium ou mille passus, que corresponde a 1.475 m.

Obs. - As expressões ad tertium lapidem (ab Urbe), ad tertium míliarium


significam "A três milhas de Roma".

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Ao longo das estradas romanas havia, a cada mil passos, pequenas colunas
(lapis miliarius) que indicavam a distância da capital.

- Outras medidas

a) Unidade das medidas de SUPERFICIE era o iúgerum (jeira), que correspondia a 24.68
m2 .

b) Dentre as medidas de CAPACIDADE a mais comum era o modius (módio), que servia
para medir os sólidos e correspondia a 8.75 litros. - Para os líquidos era muito usada a
amphora (ânfora), que correspondia a cerca de 26 litros e o cadus (cado), equivalente a
cerca de 39.OO litros.

c) Entre os PESOS a libra (ou pondo) era a unidade e correspondia a 327 gramas.

Os principais submúltiplos da libra eram a uncia ou onça (1/12 da libra,17.26


gramas), o sextans (2 onças, 54.53 gramas), o quadrans (3 onças), o friens, trientis (4
onças), o quincunx, quincuncis (5 onças), o semissis (6 onças), o septunx (7 onças), o
dodrans (9 onças), o dextans (1O onças), o deunx (11 onças).

Os principais múltiplos da libra eram o dipondo (2 libras), o trepondo (3 libras), o


talentum (8O libras), etc.

- Moedas

A mais antiga das moedas romanas foi o asse (as, assis); era de cobre e tinha mais o
menos o peso de uma libra.
No ano 268 a.C. foram introduzidas estas moedas de prata o denarius ou denário (1)
que valia 1O asses; o quinarius que valia 5 asses; o sestertius ou sestércio, chamado
também nummus, que valia dois asses e meio, e se escrevia HS (2).

Obs. - 1. "Mil sestércios" se dizia mítle sestertium, (sendo sestertium, gen. pl.). -
Parece que este genit. plural (sestertium) foi tomado por um neutro singular e
chegou a significar “mil sestércios": Cem mil sestércios = sestertia centum.

2. Uma lei promulgada por César instituiu o aureus, que valia 1OO sestércios.

(1) Para que se