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Ética e Moral

Prof. Paulo Júnior


Ética

• A ética é uma área da filosofia, também


chamada de Filosofia Moral.
• são estudados os princípios fundamentais das
ações e do comportamento humano.
Semelhanças
• Alguns autores tratam ética e moral como sinônimos. Isso se dá porque as
raízes etimológicas das palavras são semelhantes.

• Ética vem do grego ethos, que significa “costumes”, “hábitos” e, em última


instância, “o lugar em que se habita”.
• Moral tem origem no latim mores, que significa “costumes”, “hábitos” e é raiz
também de nossa palavra “morada”, o lugar em que se mora (do verbo morar).
Definição
• A ética é o estudo sobre as bases da moral.

• No texto Ética a Nicômaco, de Aristóteles, o filósofo define a ética como uma


disciplina da filosofia e busca definir a relação entre os comportamentos
humanos, a virtude e a felicidade.

• Atualmente, a ética se ocupa da teorização e construção de princípios que


fundamentem diversas atividades.
• A deontologia
• A Bioética
Moral
• A moral é uma construção social formada pelo conjunto dessas ações e
comportamentos através do entendimento sobre quais são bons e quais são
maus, visando criar normas que orientem as ações dos indivíduos pertencentes
a um mesmo grupo.
• É prática e normativa

• Enquanto a ética propõe questões como: "O que é o bem?", "O que é a
justiça?", "O que é a virtude?"; a moral se desenvolve a partir da aprovação ou
reprovação de uma conduta. "Esta ação é justa?", "É correto agir de
determinada maneira?"
Moral cristã
• Serviu de base para a construção da cultura
ocidental
• Considera a liberdade humana em sua relação
com o livre-arbítrio. Mas, a liberdade para
agir vai estar condicionada aos valores
descritos nos textos sagrados.
• Novo Testamento, nos ensinamentos de Cristo e
em todo o seu desdobramento histórico e
cultural.
• A construção do pensamento de uma vida
virtuosa toma como base os bons exemplos e a
formação de um hábito social.
O que são valores morais?

• Representam o que uma sociedade compreende


como sendo o correto em um determinado período
histórico.

• Servem como uma bússola moral para a orientação


das ações, o chamado senso moral - um sentido
capaz de gerar sentimentos positivos (admiração,
felicidade, orgulho) e negativos (culpa, vergonha,
tristeza).
Dos juízos de fato aos juízos morais
• Os juízos estão fundamentados na capacidade humana de julgar e atribuir valor
às ações.

• Os juízos de fatos são meras definições acerca da realidade, sem atribuição de


valor. Ex: “essa casa é verde” ou que “hoje faz sol”.

• “Esta casa é linda", "os dias de sol são mais agradáveis" ou "está um calor
insuportável", fundamentam-se na capacidade humana de julgar uma coisa
positiva ou negativamente, como desejável ou indesejável.
A importância dos valores morais na
construção de uma sociedade

• Os valores morais estão diretamente


relacionados com a ideia do dever, ou seja, de
que modo os indivíduos devem agir e os
comportamentos inaceitáveis que não devem
praticar.
• Comportamentos imorais ou amorais.
• As leis surgem dos valores desenvolvidos dentro de
uma sociedade.
Diferenças
ÉTICA MORAL

Reflexão filosófica acerca dos Código cultural de normas que


princípios motores das ações orientam as ações dos indivíduos
Definição
humanas: certo e errado; justo e inseridos em um determinado
injusto; bem e mal. contexto.

Caráter Universal Particular (cultural/pessoal)

Fundamenta-se na teoria Fundamenta-se nos costumes e


Fundamentação
(princípios) hábitos (comportamentos)

•Deontologia •Moral cristã


Exemplo
•Bioética •Moral grega
Ética Aristotélica
• Primeiro filósofo a tratar da ética como uma área própria do conhecimento,
sendo considerado o fundador da ética como uma disciplina da filosofia.

• Está diretamente relacionada com a ideia de virtude (areté) e da felicidade


(eudaimonia).

• O ser humano, dotado de razão e capacidade de realizar escolhas, é capaz de


perceber a relação de causa e efeito de suas ações e orientá-las para o bem.
A virtude na ética de Aristóteles

• Deliberações da natureza x ações humanas


• O ser humano não pode modificar as leis da natureza.
• Ação guiada pela razão um princípio fundamental da
existência ética.

• A virtude é o "bem agir" baseado na capacidade


humana de deliberar, escolher e agir.
A prudência como condição de todas as
virtudes
• Aristóteles afirma que entre todas as
virtudes, a prudência é uma delas e a
base de todas as outras.

• A prudência encontra-se na capacidade


humana de deliberar sobre as ações e
escolher, baseado na razão, a prática mais
adequada à finalidade ética, ao que é bom
para si e para os outros.
A prudência como o justo meio
• A sabedoria prática baseada na razão é o que
torna possível o controle dos impulsos pelos
seres humanos.

• No livro Ética a Nicômaco, Aristóteles mostra Falta Justo meio Excesso


que a virtude está relacionada com o "justo Covardia Coragem Temeridade
meio", a mediana entre os vícios por falta e por Humildade Orgulho Vaidade
excesso.

• A virtude pode ser treinada e exercitada


conduzindo o indivíduo mais efetivamente para
o bem comum e a felicidade.
Maquiavel
• Considerado o "Pai do Pensamento Político
Moderno", nasceu em Florença, Itália, no dia 03
de maio de 1469.

• Em 1498, com 29 anos, entra para a política,


exercendo o cargo de "Secretário da Segunda
Chancelaria". Teve uma vasta carreira política, o
qual ocupou alguns cargos sendo, muitas vezes,
indicado para realizar missões diplomáticas.
Maquiavel
• Defensor dos ideais republicanos, sua teoria estava pautada nos princípios
morais e éticos para a Política.

• Foi o primeiro a separar a Política da Ética com o intuito de estudar a cultura


política como ela é realmente e não como ela deveria ser.

• Em 1520, Maquiavel recebe o título de mais importante historiador de


Florença. Em 1527, com a queda dos Médici, foi considerado um tirano e
morre nesse ano no dia 21 de junho de 1527.
Principal obra
• "O Príncipe", escrita em 1513, publicada
postumamente em 1532, no qual propõe a unificação da
Itália por meio da figura de um Príncipe.

• Responsável pela dissociação da ética dos indivíduos da


ética do Estado.

• O estado é organizado e opera a partir de uma lógica


própria. Assim, o autor cria uma distinção entre a
virtude moral e a virtude política.
Atividade
• 1. O que é virtude no pensamento de Aristóteles?

• 2. Explique o que é o justo meio na ética de Aristóteles.


A Ética de Kant e o Imperativo Categórico

• Immanuel Kant (1724-1804) buscou criar um


modelo ético que fosse independente de
qualquer tipo de justificação moral religiosa e se
baseasse apenas na capacidade de julgar inerente
ao ser humano.
A Ética de Kant e o Imperativo Categórico

• Kant elaborou um imperativo, uma ordem, de forma


que o indivíduo pudesse utilizar como uma bússola
moral: o Imperativo Categórico.
• É uma lei moral interior ao indivíduo
• É baseada apenas na razão humana
• Não possui nenhuma ligação com causas sobrenaturais
• Não está relacionada com a autoridade do Estado ou
religiosa.
Moral Cristã e a Moral Kantiana
• A ética kantiana está desenvolvida, sobretudo, no
livro Fundamentação da Metafísica dos
Costumes (1785). Nele, o autor busca estabelecer
um embasamento racional para o dever.

• Kant foi influenciado pelos ideais do Iluminismo,


fundamentalmente laico.
• O Iluminismo rompeu com toda o conhecimento
baseado na autoridade.
• O pensamento deveria ser uma faculdade autônoma e
livre.
Moral Cristã e a Moral Kantiana
• Kant reforça essa ideia ao afirmar que somente o
pensamento autônomo poderia conduzir os indivíduos ao
esclarecimento e a maioridade.
• A moral kantiana se opõe à moral cristã.
• Ética cristã: o dever é entendido como uma heteronomia.
Regras de fora para dentro.
• Ética de kant: fundamenta-se na razão. As regras são
estabelecidas de dentro para fora.
• Garante a laicidade: independência da religião.
• Garante a autonomia: independência de normas e leis, da
moral kantiana.
• Kant buscou substituir a autoridade imposta pela Igreja pela
autoridade da Razão.
1. Age como se a máxima de tua ação devesse ser erigida por tua
vontade em lei universal da Natureza.

• A ação individual deve ter como princípio a


ideia de poder se tornar uma lei da
Natureza.
• As leis da Natureza são universais e necessárias

• A razão humana é capaz de julgar,


independentemente de determinações
externas (religião ou leis civis), se uma ação
é correta para todos.
2. Age de tal maneira que trates a humanidade, tanto na tua
pessoa como na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca
como um meio.

• Kant reforça a ideia de que a humanidade deve ser


sempre o objetivo da ética.

• Representada tanto na pessoa do agente, aquele que


pratica a ação, como nas pessoas que sofrem a ação
direta ou indiretamente.

• Um ser humano jamais pode ser entendido como um


instrumento para se alcançar qualquer tipo de
objetivos. A humanidade é o fim das ações e nunca um
meio.
3. Age como se a máxima de tua ação devesse servir de lei
universal para todos os seres racionais.

• A terceira e última formulação dá conta da racionalidade humana, da


capacidade de julgar e de agir determinado por um fim.

• A Natureza age determinada pelas causas, isso causa aquilo. Enquanto os seres
racionais determinam sua vontade de acordo com os fins

• O agente deve tomar como princípio a ideia de que sua ação possa servir como
lei para todas as pessoas. Com base na razão, a boa ação é a que está em
conformidade com o dever.
A Ação por Dever
• Para Kant, a vontade boa é aquela que quer aquilo que deve. Ou seja, a boa
vontade orientada pela razão está de acordo com o dever e quer o bem.
• O ser humano pode escolher agir em de acordo com esse dever ou não.
• A ação moral será sempre a ação por dever.

• Vontade livre e vontade submetida a leis morais são uma e a mesma coisa.

• A ética de Kant apresenta-se fundamentada na ideia do dever. A ética que se


baseia no dever é chamada de ética deontológica.
A Mentira como Problema Ético
• A mentira não pode ser tomada como uma lei.

• Quando se conta uma mentira, o agente não respeita a


humanidade em si mesmo, usando um meio injusto para
ter algum tipo de benefício.

• Por outro lado, não respeita a humanidade no outro,


negando-lhe o direito à verdade e utilizando-o como um
instrumento, que por sua boa-fé, acredita em algo falso
e será conduzido a agir de determinada maneira.
A Mentira como Problema Ético
• A mentira, qualquer que seja sua motivação, jamais
passaria pelo crivo do Imperativo Categórico.
• O exemplo do assassino dado por Benjamin Constant
(1767-1830), político francês.

• Kant afirma que o Imperativo Categórico não


impede ninguém de mentir e a pessoa que atendeu
a porta poderia mentir ao assassino, mas deveria
estar claro que essa não foi uma ação moral,
podendo ser passível de algum tipo de punição.

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