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Celestin Freinet (15 de outubro de 1896- outubro de 1966)

foi um pedagogo francês, um importante reformador da Pedagogia de


sua época, cujas propostas continuam uma grande referência para a
Educação nos dias atuais.

Proposta pedagógica
Para Freinet, que iniciou a carreira docente em 1920, a educação
deveria proporcionar ao aluno a realização de um trabalho real. Sua
carreira docente teve início construindo os princípios educativos de
sua prática, onde enfocava que "ninguém avança sozinho em sua
aprendizagem, a cooperação é fundamental". Ele propunha uma
mudança da escola, pois a considerava teórica e portanto desligada
da vida.
Suas propostas de ensino estão baseadas em investigações a respeito
da maneira de pensar da criança e de como ela construía seu
conhecimento. “A sala de aula deve ser prazerosa e bastante ativa,
pois o trabalho é o grande motor da pedagogia”. Através da
observação constante ele percebia onde e quando tinha que intervir e
como despertar a vontade de aprender do aluno. A aprendizagem
através da experiência se faz mais eficaz, porque se o aluno faz um
experimento e dá certo, ele o repetirá e avançará no procedimento;
porém não avançará sozinho, precisará da cooperação do professor.
Fica claro que a interação professor-aluno é essencial para a
aprendizagem. Para que ocorra esta sintonia é necessário que o
professor considere o conhecimento do aluno já existente, e que é o
fruto do meio em que vive. Estar em contato com a realidade em que
vive o aluno é fundamental. As práticas atuais de jornal escolar, troca
de correspondência, trabalhos em grupo, aula-passeio são idéias
defendidas e aplicadas por Freinet, desde os anos 20 do século
passado. Fica claro, porém, que o professor que pratica as atividades
acima citadas, mas que ignorou os aspectos políticos e sociais ao
redor da escola, não está de acordo com a proposta do educador. Isto
porque sua pedagogia traz em seu bojo a preocupação com a
formação de um ser social que atua no presente. “O Educador deve
ter a sensibilidade de atualizar sua prática”, provavelmente isto faz
com que Freinet, seja hoje tão atual.
O professor deve mesclar seu trabalho com a vida em comunidade,
criando as associações, os conselhos, eleições, enfim as várias formas
de participação e colaboração de tudo na formação do aluno,
direcionando o movimento pedagógico em defesa da fraternidade,
respeito e crescimento de uma sociedade cooperativa e feliz. Há
princípios no saber Pedagógico que C.Freinet considerava invariáveis,
ou seja, independente do local ou período histórico, certos
pressupostos deveriam sempre ser levados em conta na prática
educacional. Desta forma, postulou as chamadas "Invariantes
Pedagógicas",consideradas como pilares de sua proposta Pedagógica.
Jean Piaget fala sobre a importância da "célebre idéia" da imprensa
escolar de Freinet, que, instrui a criança a fazer pequenos textos,
chegando a ler, escrever e ortografar de maneira diferente daquela
que não tem idéia. Desde sua origem, o movimento sempre se
manteve aberto a todas as experiências pedagógicas através de
documentos, revistas, circulares, cartas e boletins. Freinet buscava
formas alternativas de ensino, pois não conseguia se adaptar a forma
tradicional, fazia também relatórios diários de cada criança. Ao que
se refere às cartilhas, ele questiona seu valor, pois os conteúdos nada
tinham a ver com a realidade da criança, portanto, não traziam
nenhum estímulo à aprendizagem da leitura. Célestin dava muita
importância ao trabalho, pois este, deveria ser o centro de toda
atividade escolar enfatizando-o como forma do ser humano ascender,
exercer seu poder. Ele não desvalorizava o aprender, mas achava que
tudo deveria passar pela experiência de vida, para que o aprendizado
fosse integrado ao que se aprendia, e isso só é possível pela ação,
através do trabalho. O trabalho desenvolve o pensamento, até o
pensamento lógico e inteligente, que se faz a partir de preocupações
materiais, sendo que esta, é um degrau para abstração , sendo que
no, e pelo trabalho, o ser humano se exprime e se realiza
eficazmente. Lembrando-se que, quando o autor exalta o trabalho,
não está referindo-se forçosamente ao trabalho manual, pois para
ele, o trabalho engloba toda pesquisa, documentação e
experimentação. Com relação à intervenção do professor, só se dava
para organizar o trabalho, sem precisar de imposições ou ameaças.
Para ele, a disciplina escolar se resume no seguinte: executando uma
atividade que a envolve, a criança automaticamente se torna
disciplinada. Freinet apresenta meios para crescer e ascender: a
liberdade. Sendo que esta é relativa e não pode existir fora da vida e
do trabalho de cada um. Para ele, a liberdade é a possibilidade do ser
humano vencer obstáculos. Célestin buscou técnicas pedagógicas que
pudessem envolver todas as crianças no processo de aprendizagem,
independentemente da diferença de caráter, inteligência ou meio
social, (lembrando-se mais uma vez que ele afirmava que o conteúdo
estudado no meio escolar deveria estar relacionado às condições
reais de seus alunos). Ao estudar o problema da educação, ele
propunha que ao mesmo tempo em que o professor almejasse a
escola ideal, criativa e libertadora, deveria também estudar as
condições concretas que estariam impedindo a sua realização.

Técnicas desenvolvidas por Freinet


• Aula das descobertas: aulas de campo, voltadas para os
interesses do estudantes.
• Auto-avaliação: fichas criadas por Freinet, preenchidas pelos
alunos, como forma de registrar a própria aprendizagem.
• Auto-correção: modalidade de correção de textos feita pelos
próprios autores, no caso os alunos, sob a orientação do
educador.
• Correspondência Interescolar: atividade largamente
utilizada por Freinet, na qual os alunos se comunicavam com
outros estudantes de escolas diferentes.
• Fichário de consulta: fichas criadas por alunos e professores,
para suprir as lacunas deixadas pelos livros didáticos
convencionais.
• Imprensa escolar: os textos escritos pelos alunos tinham uma
função social real, já que não serviam meramente como forma
avaliativa, já que eram publicados e lidos pelos colegas.
• Livro da vida: caderno no qual os alunos registram suas
impressões, sentimentos, pensamentos em formas variadas, o
qual fica como um registro de todo o ano escolar de cada
classe.
• Plano de trabalho: atividade realizada em pequenos grupos
que sob a orientação do educador, com base em um dado
tema, desenvolvem um plano a ser realizado num certo
intervalo de tempo.