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FRANKENSTEIN: UMA OBRA QUE ATRAVESSA GERAÇÕES

COM TEMÁTICAS ATUAIS E CONTEXTUALIZADAS

Maria Domingas de Souza (PPGL/UNEMAT) – maria.domingas@unemat.br


Luanara Dianne Araújo (UAB/UNEMAT) - luanaradiannearaujo@hotmail.com
Rosângela Antonini (PPGL-UNEMAT) – rosangela_antonini@hotmail.com

Resumo
O presente trabalho realiza um estudo sobre o livro Frankenstein de Mary Shelley (1818),
relacionando o preconceito tematizado nele com o preconceito presente na sociedade, em que
se percebe que mesmo tendo sido escrito há dois séculos, Frankenstein mostra que, a ambição
humana vai além da ética e da moral imposta pela sociedade, que dita e molda padrões de
beleza, desde tempos remotos à contemporaneidade. Isso posto, o que se pretende mostrar é
que Frankenstein continua atual; a sociedade ainda molda o caráter do homem por sua
aparência, uma ficção em choque com a realidade, e uma sociedade capaz de adaptar-se com
tanta coisa, mas tem dificuldade de aceitar a diferença do outro. A metodologia aqui utilizada
exterioriza-se através de abordagens qualitativas bibliográficas, dialogando com alguns
estudiosos que serviram de base para o presente estudo como Schmidt, Shelley e Nazário.
entre outros.

Palavras-chave: Frankenstein, Sociedade, Ficção, Realidade.

Abstract:

The present work consists of making a study about the work Frankenstein by Mary Shelley
(1818), in relation to the fiction addressed in the work and the reality of the current society,
where the prejudice of the different comes from many generations, the ambition of man goes
far beyond of ethics and morals imposed by society, which created and creates standards of
beauty until today, excluding those who do not fit into it, taking man to the limit of love and
hate. The objective of this work is to show that even after 200 years that Frankenstein was
published the society still shapes the character of man by his appearance, a fiction in clash
with reality, and a society capable of adapting with so much new thing, but has a lot of
difficulty accepting the difference from the other. to achieve the objectives elucidated in the
present work, the methodology used here is expressed through qualitative bibliographic
approaches and with that some scholars will be cited that will serve as the basis for the present
study as Schmidt, Shelley, Nazário among others.

Keywords: Frankenstein, Society, Fiction, Reality.

1. Introdução
Quando pensamos em ficção muitas coisas nos vem a mente, como algo que não
existe, uma invenção criada por alguém para nos fazer viajar no imaginário em busca de uma
aventura fora da nossa realidade que nos traga diversos tipos de sentimentos, e quanto a
realidade é o que de fato existe Frankenstein é uma obra de Mary Shelley, visto como uma
ficção cientifica, de terror e até mesmo um romance gótico, onde um monstro é criado atrás
da ambição de um cientista que após anos de estudos e tentativas consegue dar vida então a
sua criatura, e quando de fato conseguiu não foi capaz de lidar com tal aberração e o
abandonou, o monstro então tentou se encaixar na sociedade, mas não foi aceito por sua
aparência.
Frankenstein é uma obra com mais de 200 anos, e até em dias atuais a sociedade
ainda molda o caráter do homem através de seus atos, os limites do homem e principalmente
na falta de ética e moral, a sociedade viveu e vive transformações constantes através dos
séculos em muitos aspectos, mas o homem ainda se vê capaz de tudo por suas ambições, por
mais que estamos sempre em busca de extinguir o preconceito da sociedade ainda excluímos
o diferente e temos medo do desconhecido, aterrorizados pela morte e obcecados pela
juventude essa obra não é sobre a ciência da criação e sim sobre a moralidade de quem se
apropria dela para uso moral é a ficção mais real que a sociedade insiste em não ver, podemos
então dizer que esse é um assunto que ainda vai persistir por muito tempo, pois esta obra tão
antiga nos traz uma reflexão sobre a humanidade, uma sociedade essa que deveria ser
acolhedora e ao invés disso é preconceituosa.
Frankenstein: entre o limiar da ficção e a realidade contemporânea fala sobre uma
sociedade crítica, egoísta e preconceituosa, e mesmo 2 séculos após a publicação de
Frankenstein a sociedade daquele século e a atual ainda tem aspectos muito parecidos quando
o assunto é o diferente, isso trata de uma reação humana perante as diferenças e isso continua
a existir até hoje.
A sociedade é elitista, cada um pensa muito em si e estão constantemente de olhos
fechados para os problemas que ela mesma causou trazendo para si danos irreparáveis,
notamos cada dia mais as dificuldades que as pessoas encontram tentando se encaixar em
padrões impostos pela sociedade para a aceitação ou não do outro enquanto indivíduo social,
padrões esses caracterizados pelo apreço a aparência estética.
O objetivo desse estudo é mostrar que a não aceitação do diferente existe desde
sempre. Na sociedade, existem vários tipos de discriminação, o racial, o da estatura física,
beleza entre outros.
Ao analisarmos a obra Frankenstein percebemos que a criatura ´´monstro`` não
nasceu má, ela se tornou pelo fato de não ser aceito, nem pelo seu criador e nem pela
sociedade, e aos poucos percebeu que o problema estava em sua aparência e perante a sua
diferença foi rejeitado e desprezado, Dr. Frankenstein era um jovem cientista tomado pela
obsessão de dar vida a um ser através da eletricidade, sem pensar nas consequências que
seus atos traria para si e para sua criatura, mas esse jovem cientista é mais monstro que sua
própria criação pois o mostro foi criado sem uma ambição ou maldade em si, achou que seria
aceito e amado por seu criador e no fim viu que tanto Frankenstein quanto a sociedade não
passavam de hipócritas, e isso se arrastou para o homem da atualidade que ainda cria seus
próprios monstros, não o monstro da obra, mas sim o mostro do ego, do egoísmo e da ética, e
no fim não conseguem lidar com suas consequências.
Essa pesquisa foi realizada através da internet, com o intuito de mostrar o quanto a
sociedade se diz evoluída, mas não é, pois ainda hoje vemos relatos da sociedade se igualando
aos séculos passados onde ser diferente não é normal, essa pesquisa se fez importante devido
ao fato da sociedade estar diante dessa transformação através dos séculos, e de que forma esse
homem de 200 anos atrás se identifica com esse homem atual.

2. Frankenstein
Frankenstein é uma obra que causa vários tipos de emoções, ódio, medo, raiva e até
tristeza, pois ela mostra o quão ambicioso o homem pode ser, ultrapassando todos os limites
da moral e da ética por querer fazer o papel de Deus e criar uma nova espécie, e ao conseguir
por fim dar vida a sua criatura o rejeita, o fazendo então questionar o motivo de sua
existência, e o porque não ser digno de afeto, tanto por parte do seu criador como da
sociedade, com tamanho desgosto e desprezo, a criatura por fim decide tornar a vida do seu
criador tão solitária e sombria quanto a sua, destruindo tudo o que ele mais amava.
Segundo Silva (2019) a criatura em seu estado natural tinha bons sentimentos, queria
ajudar o próximo, tinha afeição com as pessoas, precisava apenas de carinho e atenção
daquele que tinha lhe dado a vida. Porem esse foi o primeiro a repudiá-lo. Em seguida vem a
não aceitação da sociedade.
O monstro de Mary Shelley não é um homem e sim uma criatura sem identidade, ou
espécie abandonado no mundo por seu criador, privado de carinho e atenção, condenado a
nunca fazer parte da sociedade, tal essa que vive de aparência e ainda sim se vê no direito de
condenar, julgar e discriminar o diferente.
Quando pensamos na criatura, podemos notar que ela não era má e nunca quis ser,
todos os acontecimentos a tornou rancorosa e amarga, pois em todo lugar onde era vista era
repudiada, taxada como monstro, miserável entre outros, não ser aceito é um peso muito
grande, ninguém gosta de ser isolado da sociedade do ambiente social, o ser humano é
sociável e a criatura ao notar isso sentia a necessidade de ser sociável também.

2.1 Monstro ou vitima

O monstro de Frankenstein como é conhecido nos mostra os dois lados do homem, o


bem e o mal, e de que forma o ambiente influencia nessas modificações. De acordo com
Andreza (2019), o monstro de Frankenstein ameaça a visão do bem e do mal e de mundo que
nos faz questionar sobre a origem do mal: sendo intrínseca ao ser ou sendo imposta a ele por
uma sociedade que também não se mostra, mas que vai da extrema doçura ao ódio em questão
de segundos. Em muitas passagens da obra foi possível observar também que o monstro
justificava seus atos.
Chicana (2007, p.44) reproduziu o que o monstro diz ao seu criador ´´[...] eu era bom
e minha alma transbordava de amor. Mas a intolerância dos outros me ensinou a odiar. Agora,
meu destino está em suas mãos: faça-me feliz e voltarei a ter virtude ``.
O bem e o mal estão sempre relacionados a figura do monstro pois ele transpareceu
esses dois lados na obra, tinha em si várias ´´virtudes`` que se perderam ao longo dos
acontecimentos, a criatura ao longo de obra mostra o seu lado de vítima em vários aspectos,
foi vitima quando foi abandonado, quando rejeitaram sua aparência, quando o isolaram do
convívio social, fazendo assim nascer um monstro dentro de si, então a criatura foi uma
vítima transformada em monstro, por um criador egoísta e uma sociedade obcecada por
padrões.

2.2 O Verdadeiro monstro

Existem várias visões a respeito de monstros, o humano, o da imaginação, o animal, mas no


fim das contas quais desses temos realmente medo, anseios, cada ser vê a figura de monstro
de forma diferente, para muitos monstros são pessoas capazes de fazer várias atrocidades,
para outros é relacionado a animais, e assim por diante.
(...)Sou mau porque sou miserável. A caso não sou evitado e detestado por toda a
humanidade? Você, meu criador, seria capaz de reduzir-me a frangalhos e exultar
com isso. Considere isso e diga-me por que devo usar de mais piedade com o
homem do que ele comigo. Para você, não seria crime jogar-me numa dessas fendas
de gelo e destruir minha estrutura, a obra de suas próprias mãos. Por que devo eu
respeitar o homem se ele me despreza? Que ele viva em paz comigo e deixe-me
viver. Então, em vez de maléficos, derramei o bem sobre sua cabeça, agradecendo
por ter me aceitado. Mas isso não é possível. Os sentimentos humanos são barreiras
intransponíveis à nossa união. Todavia não terei submissão de escravo. Vingar-me-
ei das ofensas. Se não posso inspirar amor, causarei medo, e principalmente a você,
meu arqui-inimigo, que por ser meu criador, juro odiar sem trégua. (SHELLEY,
2007, p.138).

As pessoas são capazes de muitas coisas quando se sentem recriminadas, isoladas,


por não serem aceitas sendo assim podemos notar diariamente os monstros humanos em nossa
sociedade. Gente capaz de fazer o mal a outro semelhante sem nenhum tipo de remorso sendo
assim incapaz de viver em sociedade, mas acaba passando despercebido, pois tem uma
aparência normal que se enquadra nas exigências da sociedade, então quem é o monstro de
verdade.

2.3 Mary Shelley a criadora da criatura

Mary Shelley foi uma escritora Inglesa do período romântico. Tornou-se conhecida
pela obra Frankenstein, esta publicada em 1818, quando Shelley tinha 21 anos, porém ela
escreveu com apenas 19 anos. Hoje, esta obra é conhecida por crianças e adultos, ainda que a
maioria só tenham assistidos aos filmes lançados.
Soares (2015, p.74), lembra que ´´[...] o romance de Mary Shelley está inserido em
uma fase em que os romances góticos de modelos clássicos de início do século dezoito não
aqueciam mais os corações dos leitores[...]`` e por causa da obra Frankenstein as histórias
góticas tomaram outro rumo, para assim poder discutir problemas característicos do ser
humano.
Ela teve boa influência para iniciar sua escrita, era filha de dois escritores muito
respeitados na época, Willian Godwin e Mary Wellstonecraft e casada com escritor Percy
Bysshe Shelley, segundo Giassone (1999) em 1814, devido à impossibilidade de ficarem
juntos na Inglaterra, Mary e Percy fugiram para o continente europeu, iniciando um período
de suas vidas que a própria Mary chamou de ´´um romance materializado``.
Viúva aos 24 anos Shelley teve que se sustentar através da escrita, ainda muito nova
aprendeu como a vida poderia ser difícil, assim já se via uma que uma treva rondava sua
própria vida, gerando assim material essencial para suas histórias, mesmo tendo escrito outras
obras Frankenstein é sua maior obra. Sabemos que Frankenstein é uma obra carregada de
denúncias sociais, conta a história de um personagem que foi privado da generosidade e
afeição e, sendo jogado para o ´´isolamento social``.

Ficção vs Realidade

2.2.1 A realidade da ficção

A ficção abordada na obra Frankenstein de Mary Shelley, escrita há 200 anos não
parecia que seria algo tão presente no futuro da sociedade, tratamos a ficção somente como
algo da nossa imaginação que não poderia acontecer, mas podemos identificar na obra muitos
acontecimentos que pela visão da autora já eram presentes na época. Segundo Lima(1983), a
ficção e à configuração apta para o uso do imaginário por que cria possibilidades dele se
organizar. A ficção é a configuração contra factual da realidade existente; ela ultrapassa os
limites dos dois panos, imaginário e real.
A criatura produzida por Victor acabou se tornando um modelo clássico de criaturas
que se voltam contra seu criador. Tavares (1992) diz que decifrar e denominar a natureza são
desafios que o homem tentou vencer primeiro através da magia, e depois através da ciência.
Desafiar a natureza sempre reserva surpresas desagradáveis.
O homem está constantemente tentando ultrapassar a natureza, querendo desvendar
os mistérios criados por Deus e isso acontece desde os primórdios da humanidade, a ambição
da humanidade nunca teve limites, o homem brinca de ser Deus o tempo todo, estando assim
constantemente em busca do impossível, afinal aos olhos do homem quase nada é impossível,
mas como tudo tem uma consequência a sociedade mesmo julga e condena os atos do homem.
Na obra de Shelley notamos isso quando Victor dá vida a sua criatura, empolgado
com tamanha criação, achando que era o início de uma nova raça de humanos criada por ele,
mas quando percebeu a aberração a quem ele deu vida, com anos de estudos ficou
decepcionado, e assim foi capaz de rejeitar sua própria criação, e por consequência acaba
sendo vítima da sua própria criatura, o desprezo faz nascer sentimentos mais ardilosos no
coração do ser.

2.2.2 Sociedade vs Monstro


A sociedade tem uma influência muito grande em relação ao homem, ela consegue
unir e ao mesmo tempo afastar quem não se enquadra em um padrão imposto por ela mesma
de ´´normalidade`` e boa aparência, deixando isolado quem não faz parte desse grupo, o
monstro foi condenado a solidão e ao esquecimento e, por fim, a sua destruição, então se
nasce monstro ou torna-se.
Confirma Schmidt (1999, p.33) que o homem é bom por natureza, a sociedade é que
o corrompe. Ao notarmos esse questionamento, nos faz pensar que foi assim que o monstro de
Frankenstein se corrompeu, pois ele tinha vários pensamentos bons em relação as pessoas,
gostava de ajudar, mas quando foi rejeitado principalmente pelo seu criador tudo mudou,
todos sentimentos de bondade morreram dentro dele.
Para Nazário (1998, p.11) ´´monstro define-se, em primeiro lugar, em oposição a
humanidade ``. A criatura de Frankenstein é visto de forma horrorosa desde o início de sua
criação, desafiando a própria afeição do homem apenas pelo que ele aparenta, uma forma um
tanto quanto artificial, um corpo subjugado, causando arrependimento em seu criador, então a
criatura de Frankenstein não pode ser vista como um monstro já que ele tem muito mais da
humanidade quanto se imagina, uma criatura indecifrável. Rousseau (1762) defende o
contrato social interno, é contra o que vem de fora, o homem nasce bom e a sociedade por ser
egoísta e elitista acaba atrapalhando, ou seja, a socialização é culpada pela deturpação do
mesmo. A construção do homem não se faz apenas do intelecto, pois as emoções primitivas
como as emoções, os sentidos, os instintos e os sentimentos são mais dignas de confiança do
que os hábitos de pensamento que foram forjados pela sociedade e imposta aos indivíduos.

3. Procedimento Metodológico

A metodologia utilizada nesta pesquisa foi a pesquisa qualitativa bibliográfica, que


consiste em fazer um estudo sobre os materiais já analisados e publicados, seja por meio de
leituras de livros e artigos impressos ou de sites e fontes eletrônicas que tratam sobre o tema
pesquisado. Utilizou-se o método indutivo, levando em consideração que foi partido de algo
especifico para poder chegar em uma conclusão geral.
O procedimentos realizado para a coleta de dados consistiram em pesquisas
reflexivas em livros, textos online, artigos tais como: “A relação homem e sociedade em
Frankenstein de Mary Shelley”, “Frankenstein e a construção de um mito moderno:
Manufaturando monstros a partir de corpos subjugados”, “Frankenstein de Mary Shelley,
Frankenstein: O precursor dos mortos-vivos na Literatura fantástica”, “Sociedade
Frankenstein”.

4. Apresentação dos Resultados e Análise dos Dados

Esta pesquisa foi realizada através de artigos, livros e publicações da internet. O


objetivo central deste trabalho é mostrar que a sociedade tem dificuldade de aceitar o
diferente, o que não se encaixa nos padrões impostos por ela, e que há muito tempo isso
acontece. Tendo tendo em vista este objetivo, “Frankenstein entre o limiar da ficção e a
realidade contemporânea”, reporta através da ficção uma realidade ainda hoje presente na
sociedade; na obra Frankenstein pode-se notar claramente essa realidade vista e imposta ainda
hoje pela sociedade onde tudo se baseia em “padrões”. À medida que foi feita esta
investigação, evidenciou-se que a nossa sociedade vive em constante transformação, mas
ainda se tem muito a ser alcançado, pois a aparência nesta “agoridade” é considerada
importante, tem quer bonito aos olhos, às vezes, só ser bom não é o suficiente, ´´monstros``
não são as criaturas, são pessoas que criam exigências para o outro ser aceito em uma
sociedade que quer ser agradada pela aparência; as pessoas vivem em busca de suas ambições,
fazem coisas que vão contra a moral e a ética da sociedade, cobram valores, reconhecimentos
ricos de saberes e leigos de compaixão e aceitação. Por isso Silva, Chicana e Schmidt relatam
que a criatura era boa por natureza, queria ajudar, ser aceita, mas a sociedade a corrompeu
quando se enojaram ao ver a aparência da criatura, ficando com medo e excluindo-o da
convivência social, sendo assim podemos dizer que o homem nasce bom, a transformação
para a maldade ocorre devido vários fatores, mas a sociedade com certeza influencia o
indivíduo.

5. Considerações finais

Ao chegarmos ao final deste trabalho, vimos como a sociedade de hoje tem uma
relação muito próxima a sociedade citada na obra Frankenstein, cheia de regras e padrões,
onde o indivíduo tem que ter uma aprovação da sociedade para ser aceito, na obra fala se
muito sobre o monstro, o feio, estranho, que não poderia se enquadrar, mas desde os
primórdios da sociedade existem mais monstros homem do que qualquer outra criatura,
chegamos construímos, destruímos, ocupamos espaço e ainda exigimos padrões para aceitar o
outro, o homem se vê acima de tudo, Frankenstein entre o limiar da ficção e a realidade
contemporânea remete a ficção relacionada a realidade (atualidade), onde notamos na obra de
Mary Shelley que mesmo depois de 200 anos ainda hoje encaramos muitas diversidades e
dificuldade da aceitação ao novo.
Sabemos que a pesquisa apresenta algumas lacunas que podem e devem ser
preenchidas por meio de outras reflexões sobre o tema, pondera se que esta pesquisa
apresenta muitos aspectos relativos ao tema, mas consideramos que os objetivos propostos
para a realização desta pesquisa bem como analisar a obra Frankenstein, com uma leitura
minuciosa da obra conhecendo seus personagens, a importância de cada um e a influência
deles na construção monstruosa da criatura, ao relacionar o Dr. Frankenstein, com a criatura e
o homem atual, foi possível compreender que estão todos numa mesma ligação, só veem a
criatura como monstro por causa de sua aparência e seus crimes, mas esqueceram que o seu
criador foi mais abominável que ele pois deu vida a criatura e a renegou, quis brincar de Deus
e não soube lidar com sua própria criação, e o homem atual com muitas ambições e ganância,
se vê no centro do universo, preconceituoso, destruidor, e mesmo assim se acha no direito de
editar padrões de aceitação, mas também foi possível constatar que a realidade que vivemos
hoje tem muito a ver com a ficção da obra Frankenstein, obra está tratada como ficção mas
com uma grande realidade atual retratada em suas linhas, sociedade manipuladora, o homem
no centro de tudo, e o diferente excluído do meio social, podemos dizer que a questão que
norteou o trabalho foram alcançadas e contempladas, mas a possibilidade de entendimento
não foram esgotadas.
Por fim concluímos que Frankenstein é uma obra complicada de analisar, há muitas
bibliografias a respeito do romance, que nos obriga a escolher caminhos e muitas vezes voltar
a discutir o que aparentemente havíamos superados sobre a obra, ao fazermos isso
percebemos o quanto de dialogo ainda há com o livro e as várias teorias a seu respeito.

6. Referências

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Manufaturando monstros a partir de corpos subjugados. São Paulo, 2019. Disponível
em:http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/334308/1/Andreuzzi_ThiagoLeonello_
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SILVA, Jéssica, Frankenstein: O precursor dos mortos-vivos na Literatura fantástica.


Rio Grande do Sul, 2015. Disponível em:
https://repositorio.unisc.br/jspui/bitstream/11624/944/1/J%C3%A9ssica.pdf/Acesso em 10 de
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SILVA, Jacilene, A relação homem e sociedade em Frankenstein de Mary


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https://semanaacademica.com.br/system/files/artigos/um_estudo_sobre_a_literatura_gotica_.p
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Disponível em: https://blog.saraiva.com.br/mary-shelley-criadora-de-frankenstein-o-
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Disponível em: https://minhasatividades.com/frankenstein-resenha-completa/Acesso em 26 de
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em: http://www.filologia.org.br/viiicnlf/anais/caderno12-10.html/Acesso em 28 de Abril de
2021

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Disponível em: https://facetasculturais.com.br/2020/09/06/frankenstein-a-obra-prima-de-
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Disponível em: https://www.terratreva.com/post/criadora-e-criatura-o-poder-de-mary-shelley-
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