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GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO

SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA


UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO
PRÓ-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO
LICENCIATURA EM LETRAS - HABILITAÇÃO EM LÍNGUA E LITERATURAS DE
LÍNGUA PORTUGUESA E LÍNGUA ESPANHOLA

O PRECONCEITO LINGUISTICO NO FALAR CACERENSE

PREJUICIO LINGÜÍSTICO AL HABLAR CACERENSE

NASCIMENTO, Maiara Ferreira do1


SOUZA. Maria Domingas de2

Resumo
Esta pesquisa concentra-se na área da Sociolinguística e tem como objetivo investigar usos e
atitudes relacionadas ao falar dos moradores de Cáceres localizada na área urbana e rural da
cidade e, é constituída exclusivamente por informantes nativos. Para tanto, optamos por uma
metodologia descritiva. O trabalho descreve aspectos linguísticos e culturais da cidade, vícios
de linguagem, uso de termos arcaicos, preconceito linguístico identificam o falar da
comunidade. Como apoio teórico utilizamos Bagno (2007), Cagliari (1991), Câmara Jr,
(1997), Dubois (1993), Possenti (1996), entre outros da mesma importância. Os resultados
obtidos mostram que a relação dos fatores socioculturais influencia na língua falada em
Cáceres, visto que é marcada pela tradição, ou seja, observou-se que os moradores das duas
regiões seja urbana ou rural possui variantes linguísticas que estão marcadas no seu falar que
são utilizadas desde os antepassados. Que as palavras estrangeiras advindas de outros países
são assimiladas ao falar mesmo com escrita considerada incorreta, porém carregada de
sentidos. Que os dois entrevistados embora morem em lugares diferentes zona urbana e zona
rural da mesma cidade, carregam muitos traços linguísticos semelhantes. Que o preconceito
linguístico existe, mas que é superado pelos cacerenses pela valorização do seu próprio falar e
cultura.

Palavras-chave: Sociolinguística; Cáceres-MT; Variantes linguísticas, Preconceito linguístico.

1
Acadêmica do curso de Letras com habilitação em Língua e Literaturas de Língua Portuguesa e Língua
Espanhola, da instituição Universidade do Estado do Mato Grosso (UNEMAT) - Contato:
ferreira_2012@hotmail.com .
2
Professora orientadora do curso de Letras com habilitação em Língua e Literaturas de Língua Portuguesa e
Língua Espanhola, da instituição Universidade do Estado do Mato Grosso (UNEMAT) - Formação: Mestrado
em Estudos de Linguagem/UFMT. Contato: mariads.moraes@gmail.com / maria.domingas@unemat.br
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Resumen
Esta investigación se centra en el área de la Sociolingüística y tiene como objetivo investigar
usos y actitudes relacionados con el habla de los habitantes de Cáceres ubicados en el área
urbana y rural de la ciudad, y está formada exclusivamente por informantes nativos. Para eso,
optamos por una metodología descriptiva. El trabajo describe los aspectos lingüísticos y
culturales de la ciudad, los vicios del lenguaje, el uso de términos arcaicos, los prejuicios
lingüísticos identifican el habla de la comunidad. Como soporte teórico se utilizó a Bagno
(2007), Cagliari (1991), Câmara Jr, (1997), Dubois (1993), Possenti (1996), entre otros de la
misma importancia. Los resultados obtenidos muestran que la relación de factores
socioculturales influye en la lengua hablada en Cáceres, ya que está marcada por la tradición,
es decir, se observó que los vecinos de ambas regiones, ya sean urbanos o rurales, presentan
variantes lingüísticas que se marcan en su habla que se utilizan de los antepasados. Que las
palabras extranjeras provenientes de otros países se asimilen al hablar incluso con una
escritura considerada incorrecta, pero cargada de significados. Que los dos entrevistados,
aunque viven en lugares diferentes en las áreas urbana y rural de la misma ciudad, tienen
muchos rasgos lingüísticos similares. Que el prejuicio lingüístico existe, pero que los cáceres
lo superan valorando su propio habla y cultura.

Palabras llave: Sociolingüística; Cáceres-MT; Variantes lingüísticas, Prejuicio lingüístico.

1. Introdução

Este artigo é o resultado de um estudo que tem por objetivo descrever usos
linguísticos da população de Cáceres-MT, zona urbana e rural. Onde pretende- se descrever a
variedade da língua local a partir de entrevistas. Visto que devido à covid-19, os participantes
da pesquisa exigiram que fosse dessa forma, pelo medo do contágio. Mediante solicitação e
pela falta de tempo para outra pesquisa tivemos que mexer na metodologia para chegarmos
aos objetivos desta.
A escolha desse tema justifica-se pelo fato de ela contar com moradores nativos de
Cáceres de duas regiões o que facilitou a nossa análise. Além de produzir material para
futuras investigações. Para tanto utilizamos do apoio teórico de Bagno (2007), Cagliari
(1991), Câmara Jr, (1997), Dubois (1993), Possenti (1996), entre outros da mesma
importância.
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Nele aborda-se sobre o preconceito linguístico e seus significados. Aborda também


sobre o pensamento o politicamente correto no ensino da língua, como também a influência
da invasão de outras línguas vindas do estrangeiro. Traz ainda um breve e histórico sobre a
cidade de Cáceres que é riquíssima em história, visto que despertou interesse em vários povos
de outras nações. Dentre elas a Espanha e Portugal. Mas foi Luiz Albuquerque de Melo
Pereira e Cáceres que manifestou grande interesse pela região que apenas tinha a condição de
fazenda, tornando-a um município que hoje é conhecida como Cáceres. Atualmente Cáceres
se desponta enquanto polo estudantil por ter uma como a Universidade do Estado de Mato
Grosso-UNEMAT, e várias outras Faculdades como FAPAN-Faculdade do Pantanal,
UNOPAR-Faculdades Integradas Norte do Paraná, entre outras.
Além de um Hospital Regional que atende Cáceres e região. No setor da
agropecuária Cáceres também se destaca devido as grandes fazendas de gados e o
agronegócio, além de ser considerada a Princesinha do Paraguai, pelas belezas naturais e a
pescaria que ajuda alavancar o município com o seu potencial turístico.
Nele apresenta ainda, os percursos metodológicos adotados para a realização dessa
pesquisa como delimitação do campo de pesquisa, o método utilizado, técnicas de coleta de
dados, procedimentos e análise de dados. O terceiro e último capítulo apresentaremos
resultados das discussões de dados acerca do falar do povo cacerense.
Finaliza com as considerações finais, conclui que a língua falada em Cáceres é
marcada pela tradição, que os moradores entrevistados das duas regiões sejam urbana ou rural
possui variantes linguísticas que estão marcadas no seu falar que são utilizadas desde os
antepassados. Que as palavras estrangeiras advindas de outros países são assimiladas ao falar
mesmo com escrita considerada incorreta, porém carregada de sentidos. Que os dois
entrevistas embora morem em lugares diferentes zona urbana e zona rural da mesma cidade,
carregam muitos traços linguísticos semelhantes. Que o preconceito linguístico existe, mas
que é superado pelos cacerenses pela valorização do seu próprio falar e cultura.

2.Fundamentação Teórica
Para fundamentar essa pesquisa trouxemos algumas discussões acerca do preconceito
linguístico, Câmara Jr.(1997, p159) que define linguagem com sendo faculdade que tem o
homem de exprimir seus estados mentais por meio de um sistema de sons vocais chamados
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língua, que os organiza numa representação compreensiva em face do mundo exterior


objetivo e do mundo subjetivo interior.
Enquanto que Saussure (1949, p.25) o conceito língua, é ao mesmo tempo um
produto social da faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas
pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos.
De acordo com Dúbios (1993):
A fala é uma função não instintiva, mas adquirido, uma função de cultura. Se
o indivíduo fala, comunicam suas experiências, suas ideias, suas emoções,
ele deve esta faculdade ao fato de ter nascido no seio de uma sociedade.
Eliminemos a sociedade, e o homem terá todas as responsabilidades de
andar; ele jamais aprenderá a falar. [...] A fala é um ato individual de
vontade e inteligência (DUBOI, 1993, p.261).

Nesse sentido, Dubai confere a fala como um ato de vontade e inteligência, pelo qual
o falante realiza o código da língua através de combinações que se exteriorizam.
Quanto ao preconceito linguístico, buscamos em Bagno (2007, p.09) que acredita
que o preconceito linguístico está ligado, em boa medida, à confusão que foi criada, no curso
da história, entre língua e gramática normativa. Nossa tarefa mais urgente é desfazer essa
confusão. Uma receita de bolo não é um bolo, o molde de um vestido não é um vestido, um
mapa-múndi não é o mundo... Também a gramática não é a língua.
Mas, que Infelizmente também é um julgamento que não aceita e menospreza as
variantes linguísticas e que de certa forma é fomentado diariamente na mídia televisiva, nas
gramáticas normativas, na maioria dos livros didáticos, na comunicação das rádios, enfim, em
todos os veículos de comunicação que insistem em afirmar que existe o certo e o errado na
nossa língua.
Sobre isso, Bagno (2007, p.166,167)fala que é preciso “conscientizar-se de que todo
falante nativo de uma língua é um usuário competente dessa língua, por isso, ele sabe essa
língua”.
Enquanto que Ricardo Bortoni (1984, p.17), a ideia de que somos um país
privilegiado, pois do ponto de vista linguístico tudo nos une e nada nos separa, parece-me,
contudo, ser apenas mais um dos grandes mitos arraigados em nossa cultura. Um mito, por
sinal, de consequências danosas, pois na medida em que não se reconhecem os problemas de
comunicação entre falantes de diferentes variedades da língua, nada se faz também para
resolvê-los. Ou seja, os danos causados pelo preconceito linguísticos, nos deixa em alerta
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sobre os mitos que criamos e alimentamos quando nos distanciamos uns dos outros pela
afirmação daqueles que se acham privilegiados em relação à língua.
É preciso dizer que o conhecimento do falante sobre sua própria língua é inerente a
sua própria vivência. Ou seja, todo falante conhece sua língua desde que nasce e faz uso dela
em seu meio social independente de norma culta ou padrão. Para Bagno (2007, p.149) “[...]
qualquer criança entre os quatro e cinco anos de idade já domina plenamente a gramática de
sua língua”.
Enquanto que, para Perini (1999, p.13) qualquer falante de português possui um
conhecimento implícito altamente elaborado da língua, muito embora não seja capaz de
explicitar esse conhecimento. E esse conhecimento não é fruto de instrução recebida na
escola, mas foi adquirida de maneira tão natural e espontânea quanto a nossa habilidade de
andar.
Nesse Contexto, a língua é carregada de conhecimento implícito, principalmente
aqueles que são adquiridos no convívio, ou seja, com as pessoas do seu meio social desde o
seu nascimento. Enquanto que a escola padroniza esse conhecimento, principalmente pela
necessidade do seu uso na língua escrita.
É importante frisar que a modalidade falada da língua tende a deixar marcas que
estão condicionadas a uma variação de fatores culturais, sociais, que são propriamente
linguísticos que de certa forma acaba interferindo na língua. Fatores estes como: a faixa
etária, o gênero, a situação socioeconômica, o grau de escolarização, etc. (TARALLO, 1994,
p.11-12).
É preciso, portanto, que a escola tenha um olhar mais refinado ou apurado em
relação ao ensino da língua e reconheça a importância e a existência das muitas variedades
linguísticas, visto que nenhuma língua é falada da mesma forma em todos os lugares e nem
todas as pessoas não falam igual.
Embora aquele grupo de pessoas que se sentem privilegiadas tende a julgar quem não
utiliza a variante linguística não padrão como errado.
É nesse aspecto que o papel da escola deve ser mais preciso no que se refere ao
preconceito linguístico, tendo em vista sua relação e importância para a sociedade. Nesse
aspecto, é preciso que haja uma mudança de atitude em relação o ensino da língua, visto que
ainda é através de práticas de leitura e escrita descontextualizadas, o que acaba por confundir
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ainda mais a sociedade em não saber fazer distinção categórica entre classes econômicas,
sociais e culturais.
Sobre isso Sírio Possenti (1996):

O preconceito é mais grave e profundo no que se refere às variedades de


uma mesma língua do que na comparação de uma língua com outras. As
razões são históricas, culturais e sociais. Aceitamos que os outros falem
diferentes. Mas, não aceitamos praticamente que os que falam ou deveriam
falar a mesma língua falem de maneira diferente (SÍRIO POSSENTI, 1996,
p.24).
Para o autor isso ocorre porque geralmente são poucas pessoas que dominam outros
idiomas que não o nosso (português brasileiro) e como tal não são competentes em julgar ou
apontar erros em seus falantes. No entanto, quando se fala de uma mesma língua aqueles que
se dizem mais favorecidos economicamente e cultos tendem a julgar as variantes de outras
regiões brasileiras e até mesmo da zona rural de onde mora.
É perceptível em várias situações linguística onde se faz uso da oralidade e isso
geralmente acontece diariamente através do comercio local, nos textos jurídicos, na própria
mídia televisiva e até em locais de trabalho onde as sociais e culturais são diferentes. Além
disso, é importante frisar que independente da região, dialeto quando nos comunicamos nas
mesmas línguas geralmente compreenderam um ao outro, mesmo com as inúmeras variantes
linguísticas.

3. Procedimento Metodológico
Os percursos metodológicos adotados para a realização dessa pesquisa foram: delimitação
do campo de pesquisa, o método utilizado, técnicas de coleta de dados, procedimentos e análise de
dados. Embora tivesse havido algumas exigências dos participantes da pesquisa, visto o medo de se
contaminar com o vírus da Covid-19 que tem assolado o mundo nosso país e região. O que nos
obrigou fazer algumas mudanças em nossa abordagem.
Para tanto foram entrevistados 02 (dois) participantes/ moradores nativos da cidade de
Cáceres e região. Assim, Este trabalho foi realizado mediante pesquisas em livros, revistas, internet
e entrevista com os participantes da pesquisa. Inclui o estudo das variações linguísticas na
sociedade de cacerense, a partir da metodologia descritiva quantitativa. Para tanto foram
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entrevistados 02 (dois) participantes/ moradores nativos da cidade de Cáceres e região Para tanto
foram entrevistados 02 (dois) participantes/ moradores nativos da cidade de Cáceres e região.

4. Apresentação dos resultados e Análise dos Resultados


Os resultados das discussões de dados acerca do falar do povo cacerense. Dados que
sofreram algumas modificações visto que os participantes não se sentiram seguros de serem
entrevistados de forma presencial devido à covid-19. Nesse sentido, entregamos a entrevista
digitada para que respondessem, fazendo transcrição das respostas na íntegra.

4.1 Entrevista

a) Perguntas e respostas, primeiro entrevistado:

Questão 01-Você é natural de Cáceres?


M-1. Sim.
M2-Sim

Quadro 01

Questão 02- Qual a sua idade?


M1-Sessenta e cinco anos.
M2- 25 anos

Quadro02

Questão 03 - O que você pensa sobre o jeito do falar das pessoas de Cáceres?

M1-Eu acho que normal que normal né! Cada município tem seu sotaque, seu jeito de falar né,
num pode mudar seu jeito de falar, sua identidade né!

M2- O jeito das pessoas de Cáceres é um jeito diferenciado, é uma fala típica de região
devido os costumes como foram nascidos, criados ai eles vão puxando a identidade do pai e
da mãe então eles falam um jeito mais diferente de outras falas das outras região.
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Quadro 03

Questão 04- Seu jeito de falar já fez você sofrer algum tipo de preconceito?

M1-Sim e não né, porque as vezes o, alguém fala, caçoa de você, mais isso pra mim não é
nada porque, há...o preconceito só funciona quando a pessoa reage o preconceito, si não,
quando você não reage, você ajuda, você dá uma palavra você dá uma paulada no pé do
outro acabou o preconceituoso.

M2- Sinto que alguns casos algum tipo de buli, como as vezes em conversar assim né, com
amigos, e as vezes você falava uma palavra errada sempre tinha aquelas risadas caçoando
assim...achando graça né! É do jeito como você se fala, ai você se senti um pouco assim
meio como você não soubesse falar né, meio envergonhada do seu jeito de falar. E na sala de
aula as vezes assim o professor, algum professores chamava atenção, mais não assim... por
causa, caçoando ou algum buli mas assim...tentando ensinar o certo mesmo o jeito de falar.

Quadro 04

Questão 05- Sabe-se que o povo cacerense é um povo festeiro, sendo assim,
quais as festas que você mais gosta na cidade e região?
M1- A festa de ano como a exposição, a festa de santo né como acontece todo ano, é isso
ai...
M2- Na cidade de Cáceres na região urbana é um povo que gosta muito de festa onde tem
lambadão. Então uma das festas mais conhecida que tem já...acho que vai ser o vigésimo,
acho que o vigésimo quinto por ai é o festival de pesca né!
Que é uma festa típica da região que é o rio Paraguai que o que chama mais atenção em
Cáceres ponto turístico e tem a Expoagro que é a festa de rodeio que tem todos os anos. E
tem as festa típicas de santo né, São Pedro, São João, São Sebastião, Nossa Senhora do
Carmo, Nossa Senhora Aparecida. Inclusive na região onde eu morava né, região do sítio,
meu pai, e minha mãe sempre faz a festa de todos os santos, é uma festa que foi passado de
família pra família, minha bisavô fazia, passou pra minha vó e ai passou pro irmão do meu
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pai e agora
quem continua é o meu pai. e uma festa onde tem muita comida típica né, tem a dança do
cururu, tem lambadão e doces caseiros.

Quadro 05

Questão 06- Sabe-se também, que as festas de Cáceres são regadas de


comidas típicas, cite algumas que você conhece.

M1-Arrois carretero, farofa de banana, feijoada...

M2- É sempre tem, vou falar as mais típicas, é a farofa de banana né, é costela com mandioca,
costela com banana verde, agora surgiu a macarronada, mais as mais típicas são essas ai os caldão
de mandioca e banana verde e ai tem as bebidas né, que são o quentão o aluar e doce, doce de leite
doce de abobora e também sempre tem a festa da pamonha, festa da banana, ai tem vários tipos
de bolos, doces feito de milho de banana, são alguns tipos são esses.

Quadro 06

Questão 7- Para finalizar o que você diria às pessoas que são nascidas e criadas em Cáceres,
mas não gostam do falar cacerense.

M1- Eu acho que isso burrice né ingnorança né! Cada município tem...cada Estado têm seu
sotaque, seu jeito de falar, é isso eu penso né! Tem que corrigir por você mesmo não os
zotros nè! As vezes alguém vai corrigir você faz de conta que não iscutou.

M2- Eu acho assim que eles não gosta de admitir né, que eles são nascidos, que eles falam
cacerense porque as vezes eles sentem um pouco de vergonha né, devido os bulis, ai eles
acham que eles falam errado. Na escrita é dado sim na minha opinião como errada, mais na
atualidade assim, na fala não é errado, Porque é uma fala que surgiu daquela região é que foi
surgida através da identidade de com eles foram...escutaram desde que nasceram, por isso
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eles falam assim do jeito que foram ensinado eles aprenderam, mais ai como eles sofrem
buli né, e as pessoas caçoa algumas pessoas, ai eles não admitem que são nascido lá e são
cacerense.

Quadro 07

Analisando a escrita do M1 com a do M2 pode-se observar que os dois trazem traços


de vicio de linguagem como NÉ e muitas palavras escritas do mesmo modo como são faladas:
M1: os zotros ao invés de os outros, escutou ao invés de escutou, arrois carretero, ao invés de
arroz carreteiro, ingnorança ao invés de ignorância. Enquanto que M2 embora menos palavras
também usa vicio de linguagem como NÉ e palavras escritas do mesmo modo que são faladas
como sobesse ao invés de soubesse, buli ao invés de bullying, nacidos ao invés de nascidos.
Para Camara Junior(1977, p. 159) Linguagem é a faculdade que tem o homem de
exprimir seus estados mentais por meio de um sistema de sons vocais chamado língua que os
organiza numa representação compreensiva em face do mundo exterior objetivo e do mundo
subjetivo interior. Portanto, a linguagem pode ser considerada um fenômeno natural para
todos os homens mesmo que se manifeste historicamente de forma desigual.
Na questão 04(quatro) perguntou-se sobre se os entrevistados já tinham sofrido
algum tipo de preconceito. O M1 respondeu sim e não, para ele o preconceito só pega se você
liga muito. Enquanto que o M2 respondeu que sofreu em forma de bullying, principalmente
em rodas de amigos ao falar alguma palavra errada.
Nessa questão observamos a inserção da palavra bullying no vocabulário dos
entrevistados tendo em vista, que ela é uma palavra nova e americanizada, não está
geograficamente delimitada. Segundo Cagliari(1991) [...] ela é encontrada também no
comportamento linguístico de um indivíduo, em diferentes circunstancias de sua vida,
independentemente da classe social ou região a que pertença.
A pergunta 03(três) foi sobre o jeito do falar cacerense, os dois entrevistados
concordaram que as pessoas falam como aprenderam desde o nascimento, puxando a
identidade do pai e da mãe, para eles cada um tem seu sotaque, não pode mudar.
Conforme Terra (2002,p.13) o caráter da língua é facilmente percebido quando
levamos em conta que ela existe antes mesmo de nós nascermos: cada um de nós já encontra a
língua formada e em funcionamento, pronta para ser usada. e mesmo quando deixarmos de
existir, a língua subsistirá independente de nós. Portanto, a língua é considerada exterior ao
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indivíduo e, por isso não pode ser modificada ou criada apenas para satisfazer a vontade de
um deles, ela é uma espécie de contrato coletivo em que todos aderiram, (BARTHES, 1999).
Pôde-se observar também, que os dois entrevistados embora morem em Cáceres
sendo o primeiro zona rural e o segundo zona urbana, trazem traços do falar cacerense
advindo do falar antepassado dos portugueses que aqui estiveram, como a palavra Cassoando
(correto caçoando) que é muito utilizada nos textos acima e que significar zombar, causar
risos com a intenção de debochar. Caçoar vem do latim BACULUS, “bastão, pau, cajado”.
(DICIONÁRIO ELETRONICO).
Para Dubois(1993, p.126) a fala é uma função não instintiva, mas adquirida, uma
função de cultura. Se o indivíduo, fala, comunica sua experiência, suas ideia, suas emoções,
ele esta faculdade ao fato de ter nascido nomeio de uma sociedade [...]. Nesse contexto, pode-
se considerar a fala como uma função da cultura de uma sociedade visto ser através da fala
que o falante realiza o código da língua.
A ligação dos dois com Cáceres está representada pela cultura popular da região
como as festas, as comidas e costumes com foi observado que nas falas dos dois existe
marcas de variedades ou dialetos etários, ou seja, grupo de idade. Visto que o primeiro
entrevistado tem 66 anos e o segundo 25 anos. Isso é perceptível quando observado que M1
usa mais termos da linguagem popular como “dá uma paulada no pé do outro”, segundo ele,
para dizer que uma palavra bem dita pode calar a boca do preconceituoso, ou seja, para falar
sobre preconceito. Enquanto que M2 utiliza-se de mais termos da linguagem coloquial sem se
preocupar com os termos gramaticais para explicar que sofreu bullying, principalmente
segundo ela por acharem que ela fala errado. “Pegamos “como exemplo a própria palavra
Bullying que foi escrita de duas formas por ela: ” bulis e buli”. No entanto, o considerado erro
na escrita é audível e compreensível na fala visto que ninguém fala Bullying mas buli, diante
disso é compreensível para ela escrever como se fala.

5. Considerações Finais
Os entrevistados não demonstram vergonha do seu falar, julga o seu falar importante e
considera a tradição familiar como a principal identidade do falar. Mostram também
satisfação em relação a sua maneira de falar. Além disso, demonstram gostar de ser
cacerenses; mostraram acreditar na crença nas rezas, apreciam as festas, as danças como o
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siriri e cururu, a comida, a bebida tradicional como o aluar e a música denominada de “


Lambadão” .
Observamos que o falar cacerense é marcado de tradição, visto que mesmo com a
diferença de idade e região os dois trazem traços da cultura para sua língua, usam
praticamente as mesmas palavras. Indicando que a permanência da variante do falar cacerense
ainda permanece na atualidade, mesmo diante de tantas mudanças e mistura de outras línguas
vindas de regiões brasileiras diferentes ou até mesmo estrangeiras.
Quanto às diferenças linguísticas entre o falar do morador urbano em relação ao falar
do morador da zona rural os resultados apontaram que o cacerense nativo ainda conserva sua
língua e seus costumes. Os entrevistados conservam termos trazidos pelos portugueses no
inicio da fundação de Cáceres como “caçoar” que é amplamente usado pela população de
Cáceres até os dias atuais. Além disso, observamos que muitas palavras estão escritas como se
fala. Mesmo assim os entrevistados não demonstraram sentir preconceito. No entanto
deixaram claro que já sofreram preconceito mas não ligaram, visto que acreditam que faz
parte da identidade de cada um e da região em que moram.
Os resultados obtidos mostram que a relação dos fatores socioculturais influencia na
língua falada em Cáceres, visto que é marcada pela tradição, ou seja, observou-se que os
moradores das duas regiões seja urbana ou rural possui variantes linguísticas que estão
marcadas no seu falar que são utilizadas desde os antepassados. Que as palavras estrangeiras
advindas de outros países são assimiladas ao falar mesmo com escrita considerada incorreta,
porém carregada de sentidos. Que os dois entrevistados embora morem em lugares diferentes
zona urbana e zona rural da mesma cidade, carregam muitos traços linguísticos semelhantes.
Que o preconceito linguístico existe, mas que é superado pelos cacerenses pela valorização do
seu próprio falar e cultura.

Referências

ALMEIDA, Veridiana. Fundamentos e metodologia do ensino de língua portuguesa.


Curitiba: Ed. Fael. 2010.

BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é como se faz? 49. Ed. São Paulo: Loyola,
2007.
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BARTHES, R. Elementos de semiologia. São Paulo: Cultrix, 1999.

BORTONI-RICARDO, S. M. (1984): “Problemas de comunicação Inter dialetal”, in


Sociolinguística" e ensino do vernáculo (Revista Tempo Brasileiro, n° 78/79)..
http://www.tempobrasileiro.com.br/extrato11.htm. Acesso em 8/12/20.

CAMARA, Jr. J.M. Estrutura da língua português.4.ed.Petrópolis :Vozes,1977.

CAGLIARI, L.C. Alfabetização e linguística. 3.ed.São Paulo: Scipione, 1991.

DICIONÁRIO ELETRONICO. www.dicio.com.br- Acesso: 07/02/2020.

DUBOIS, J.et al. Dicionário da linguística. São Paulo:Cultrix,1993.

GIL, Antonio Carlos, Como elaborar projetos de pesquisa, 4º edição. São Paulo: Atlas,
2009.
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