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GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO

SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA


UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO
PRÓ-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO
LICENCIATURA EM LETRAS - HABILITAÇÃO EM LÍNGUA E LITERATURAS DE
LÍNGUA PORTUGUESA E LÍNGUA ESPANHOLA

O PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM DA LÍNGUA MATERNA NO


CONTEXTO DA EDUCAÇAO DE JOVENS E ADULTOS

EL PROCESO DE ENSEÑANZA DE APRENDIZAJE DEL LENGUAJE MATERNO


EN EL CONTEXTO DE LA EDUCACIÓN DE JÓVENES Y ADULTOS

GOMES, Malucia de Souza Santos1

SILVA, Francinete Maria da2

SOUZA, Maria Domingas de3

Resumo:
O presente trabalho apresenta como tema, o processo de ensino aprendizagem da língua
materna no contexto da educação de jovens e adultos. O objetivo é reforçar que o
conhecimento sobre a língua materna tem grande valia na vida do indivíduo desde criança
estendendo a fase adulta. O material se baseia na importância da busca por conhecimento
linguístico, através de pesquisa qualitativa apoiada em levantamento de dados de várias
fontes: internet, periódicos e livros em levantamento bibliográfico de autores como Miranda,
Brandão, Pinto, Freire, dentre outros. Sabendo-se que esse conhecimento influencia no meio
social, político, econômico e cultural, enfim, participar do processo educativo é um direito de
todos, e a modalidade de ensino EJA tem uma longa história nesse processo, estendendo a
oportunidade de aprendizado a aqueles que não a tiveram quando crianças. Com base na
fundamentação teórica, o ensino na Educação de jovens e Adultos ocorre relacionado com a
cultura de cada um compartilhando saberes através do diálogo. O ensino da língua materna
destina-se a preparar o aluno para lidar com a linguagem e suas diversas situações de uso e
manifestações inclusive estética, porque após o seu domínio revela-se fundamental acesso as
demais áreas do conhecimento. Por fim chegou-se à conclusão que a aprendizagem da língua
é construída e influenciada na construção social do indivíduo.

Palavras-chave: Língua materna, Educação de jovens e Adultos, Ensino aprendizagem

Resumen:
1
Acadêmica do curso de Letras com habilitação em Língua e Literaturas de Língua Portuguesa e Língua
Espanhola, da instituição Universidade do Estado do Mato Grosso (UNEMAT) - Contato:
marlucia.souza0191@gmail.com
2
Acadêmica do curso de Letras com habilitação em Língua e Literaturas de Língua Portuguesa e Língua
Espanhola, da instituição Universidade do Estado do Mato Grosso (UNEMAT) - Contato:
fs501510@gmail.com
3
Professora orientadora do curso de Letras com habilitação em Língua e Literaturas de Língua Portuguesa e
Língua Espanhola, da instituição Universidade do Estado do Mato Grosso (UNEMAT) - Formação: Mestrado
em Estudos de Linguagem/UFMT. Contato: mariads.moraes@gmail.com
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La obra actual presenta como tema, el proceso de enseñanza del aprendizaje de la


lengua materna en el contexto de la educación de jóvenes y adultos. El objetivo es
reforzar que el conocimiento sobre la lengua materna tiene un gran valor en la vida del
individuo desde la infancia que se extiende hasta la edad adulta. El material se basa en
la importancia de la búsqueda del conocimiento lingüístico, a través de investigación
cualitativa apoyada en la recopilación de datos de diversas fuentes: internet, revistas y
libros en encuestas bibliográficas de autores como Miranda, Brandão, Pinto, Freire,
entre otros. Sabiendo que este conocimiento influye en el entorno social, político,
económico y cultural, por último, participar en el proceso educativo es un derecho de
todos, y la modalidad de La enseñanza de EJA tiene una larga historia en este proceso,
extendiendo la oportunidad de aprendizaje a aquellos que no la tenían cuando eran
niños. Sobre la base de la base teórica, la enseñanza en la educación de los jóvenes y
adultos está relacionada con la cultura de cada uno compartiendo conocimientos a
través del diálogo. La enseñanza de la lengua materna está destinada a preparar al
estudiante para con el lenguaje y sus diversas situaciones de uso y manifestaciones
incluyendo la estética, porque después de su dominio es el acceso fundamental a otras
áreas del conocimiento. Por último, se concluyó que el aprendizaje de idiomas está
construido e influenciado por la construcción social del individuo.

Palabras clave: Lengua materna, Educación para jóvenes y adultos, Enseñanza del
aprendizaje

1. Introdução:

A abordagem da Língua materna no processo de aprendizagem na Educação de


Jovens e Adultos (EJA) despertou-se o interesse das acadêmicas e tornou-se objeto de estudo,
pois a comunidade acadêmica de Letras se interessa como cada indivíduo articula e
desenvolve a língua, incluindo também no contexto da educação de jovens e adultos.
Segundo Gorski (2010, p. 09) A definição de língua materna remete a ideia de nacionalidade,
pois o falante se identifica cultural e social ao local aonde nasceu, é também natural ao
indivíduo já que não exige intervenção pedagógica ou reflexão. Sabemos que a Língua
Materna, é a primeira língua que uma criança aprende e que geralmente corresponde ao grupo
étnico-linguístico com que o indivíduo se identifica culturalmente, então podemos dizer que a
língua modifica, transforma e muda condicionada por fatores linguísticos e extralinguísticos,
políticos, históricos e culturais. A expressão língua materna vem do costume que as mães
antigamente eram as únicas a educar os seus filhos na primeira infância, afinal elas não
tinham acesso à escola e seus afazeres eram do lar, a alfabetização das crianças eram sua
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responsabilidade. Desse modo é uma atividade social, um trabalho coletivo produzido por
todos os seus falantes, cada vez que eles se interagem por meio da fala ou da escrita.
O objetivo dessa pesquisa é conhecer sobre o fenômeno do aprender a primeira
língua e como isso influencia no meio social e no processo de ensino aprendizagem no
contexto da EJA.
Outro objetivo é o de fomentar a importância da aprendizagem para construção
linguística, social e cultural, demonstrando a importante relevância da linguagem, da língua
portuguesa como instrumento de comunicação e também assim reconhecer a modalidade de
ensino da EJA que promove uma fonte de oportunidade de conhecimento e direito a
educação, evidenciando a importância do ensino da língua materna para jovens e adultos.
Para atingir esses objetivos é preciso considerar as formas variadas da linguagem na
poesia e na prosa, no cinema, no teatro, no jornalismo, nas obras didático-científicos, na
internet e no cotidiano de todos nós, é necessário também ter conhecimento dos processos
sincrônicos e diacrônicos da língua, para que o aluno possa ter conhecimento do processo de
transformação da língua ao longo do tempo.
Para que a pesquisa atingisse a sua meta usou-se os conceitos relatados pelos
linguistas Chomsky, Bakhtin, Freire, Pinto, Barreto e outros, considerando o referencial
teórico de cada um para ter suporte no desenvolvimento de todo o trabalho
Ao longo da pesquisa algumas questões foram alavancadas, uma delas era se no
processo de ensino aprendizagem da língua materna no contexto da Educação de Jovens e
Adultos (EJA) é uma ferramenta necessária na vida de cada indivíduo? Freire responde esse
questionamento comentando:

...uma alfabetização de adultos que, em lugar de propor a discussão da realidade


nacional e das suas dificuldades, em lugar de colocar o problema da participação
política do povo na reinvenção da sua sociedade, estivesse gerando em volta dos ba-
be- bi- bo- bu, a que juntasse falsos discursos sobre o país, como tem sido tão
comum em tantas campanhas, estaria contribuindo para que o povo fosse puramente
representado na sua História. (1989, p. 24.)

A alfabetização de jovens e adultos foi o campo de pratica teórica de Paulo Freire


nos anos 60 através de Educação popular e cultura popular, onde teve grande destaque a
alfabetização de adultos como objetivo. Freire tinha como visão de que o indivíduo na qual
dominasse a leitura e num contexto amplo deixava de ser “cego” e “incapaz” afirmando que a
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realidade concreta era aliada a leitura e escrita devendo ser práticas inseparáveis. Segundo
Freire, sobre a alfabetização (1989, p.13) define: “a alfabetização é a criação ou a montagem
da expressão escrita da expressão oral. Esta montagem não pode ser feita pelo educador para
ou sobre o alfabetizando”.
Segundo fontes do IBGE, (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o Brasil
tinha altas taxas de analfabetismo em 1940, a mesma quantidade de analfabetos que no ano
de 2000- 16,4 milhões de pessoas eram contados como analfabetos, com objetivo de levar o
povo a participar de eleições, já que quem votava era somente os homens e era necessário ser
alfabetizado, adotou-se os métodos de Paulo Freire, trazendo como novidade para
alfabetização recursos audiovisuais, associação de imagens impressas em papel. Já que o
método Paulo Freire partia do pressuposto que ninguém educa ninguém e ninguém se educa
sozinho, e é necessário participar do universo do educando, em suas falas, frases e que no
trabalho de pesquisa dos educadores iam sendo registrados, escritos e gravados para que
depois nos círculos de cultura houvesse uma troca de ensino coletivo se construindo na
realidade local das pessoas que irão ser alfabetizadas. Novidades também como a
participação dos educandos, estabelecendo diálogos entre educando e educadores e o objetivo
do conhecimento.
Nesse sentido, analisando a nossa própria sociedade e os dados do IBGE podemos
concluir que o ato de escrever pertence a poucos, uma vez que grande parte da população é
constituída por analfabetos e que mesmo os que tiveram acesso à escola não a usam muito.
Segundo Barreto (1998, p. 127), confirma que “a educação na visão de Paulo Freire,
que nasceu e se fortaleceu fora da escola oficial, tem hoje uma significativa entrada na escola
pública, principalmente entre jovens e adultos’’. Isso se deve a função que a escola pública
executa possibilitando as pessoas a terem acesso a transformação social através da
transmissão de saberes.
Nos dias atuais ainda se nota um alto índice de analfabetismo entre jovens e adultos,
um dos motivos que nos levou escolher o tema. Segundo o IBGE – (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística) em 2019, ao menos 11 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais
não são capazes de ler e escrever.
A EJA exige luta do profissional da educação assim também como por parte do
aluno que evadiu da escola ou que foi limitado a não conclusão na idade adequada. Sabendo
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das dificuldades de quem retorna a vida escolar resolve-se explorar essa temática em na
pesquisa em questão.
Como hipótese da pesquisa admite-se que, na Modalidade de Ensino EJA, o ensino
da língua está atrelado a cultura, considerando que cada aluno já possui uma visão de mundo
influenciado por seus traços culturais.
Nessa pesquisa, temos como base a teoria freireana que afirma que qualquer
disciplina que seja trabalhada nas turmas da EJA, é de fundamental importância que essa
traga a realidade e os valores para dentro da sala de aula e, dessa forma que se trabalhe com
os dois ao mesmo tempo. Paulo Freire dava ênfase também ao diálogo, aos debates realizados
durante as aulas, assim como ele ressalta ao afirmar que:

para ser um ato de conhecimento o processo de alfabetização de adultos demanda,


entre educadores e educandos uma relação de autêntico diálogo.[...] Nesta
perspectiva , portanto os alfabetizandos assumem , desde o começo mesmo da ação,
o papel de sujeitos criadores. Aprender a ler e escrever já não é, pois, memorizar
sílabas, palavras ou frases, para refletir criticamente sobre o próprio processo de ler
e escrever e sobre o profundo significado da linguagem (FREIRE, 2002, p. 58).

Barreto em sua obra “Paulo Freire para educadores”, deu destaque ao resgate da
extensão social do analfabetismo, com novos métodos de aprendizagem através de recursos
audiovisuais e diálogo entre educando e educador com base nos conhecimentos já vividos por
esses indivíduos.
Segundo Barreto, confirma dizendo:

O processo de alfabetização proposto por Paulo Freire partia do pressuposto de que


toda pessoa, alfabetizada ou não, trazia conhecimentos nascidos das diferentes
relações travadas por esta pessoa durante a sua vida. Estes conhecimentos
constituíam a matéria prima para o aprendizado da escrita. Assim, era necessário
saber qual o universo de conhecimentos dos alfabetizandos”. (BARRETO, 1998, p.
99).

Um exemplo claro sobre conhecimento, é que ele não nasce do vazio e sim das
experiências que acumulamos em nossa vida cotidiana, através de experiências, dos
relacionamentos interpessoais, das leituras dos livros e artigos diversos, isso é o conhecer, de
modo que, o conhecimento sempre implica uma dualidade de realidade: de um lado o
cognoscente e, de outro o objetivo conhecido.
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Percebe-se, então, que através dessa abordagem pedagógica no ensino de Língua


Portuguesa na EJA, o aluno terá oportunidade de construir sentidos, de ser sujeito do seu
aprendizado, de desenvolver competências sociais e, assim tornar-se um cidadão apto para as
exigências da sociedade moderna.

2. A historicidade da EJA e seus marcos normativos


A Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino de acordo com a Lei
Federal nº 9.394/96 (LDB) criada com o objetivo de oportunizar a escolarização do no ensino
fundamental e médio.
O direito de todos terem acesso à educação foi afirmado com a publicação da
Constituição Federal de 1988, no artigo 205 “A educação, direito de todos e dever do estado e
da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para
o trabalho”. Sendo assim um importante momento da instauração da democracia no país. A
educação para as pessoas que não tiveram acesso ou conseguiram continuar seus estudos
ganhou a denominação de Educação de Jovens e Adultos com a publicação da Lei n°
9.394/96, que, no artigo 37, destaca que: “A educação de jovens e adultos será destinada
àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio
na idade própria. ’’
Sendo assim, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) necessita se adequar de acordo
com as particularidades de cada aluno, desde o planejar das aulas, dando ao aluno a
oportunidade de se se inteirar compartilhando o conhecimento mútuo. Não basta só dar
acesso a esses alunos à escola: é preciso ofertar um ensino de qualidade e formação crítica,
em um ambiente no qual o aluno tenha prazer de permanecer.
A escola para os alunos da EJA “[ ...] representa para eles um espaço ao mesmo
tempo de recolocação social, de sociabilidade, de formalização do saber e de
desenvolvimento pessoal, nesse sentido, os alunos jovens e adultos diferem, em muitos
aspectos, das crianças, e isso deve ser sempre considerado. ” (BRASIL, 2006, p. 8).
Segundo Miranda et al. (2016) na modalidade de ensino EJA tem sua história ainda
remontada na colonização, onde os jesuítas tinham o objetivo de “alfabetizar (catequizar)
tanto crianças indígenas como índios adultos em uma intensa ação cultural e educacional, a
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fim de propagar a fé católica juntamente com o trabalho educativo.” Com a chegada da


família real os jesuítas são expulso do território brasileiro e a educação fica sendo
responsabilidade do império. Dessa maneira os únicos privilegiados de acesso à educação era
os de classe alta, enquanto os mais pobres não tinham acesso. A primeira Constituição
brasileira em 1824 outorgada por dom Pedro I, instituiu pelo artigo 179 a instrução primária
gratuita a todos os cidadãos, porém, ainda não favorecia os menos favorecidos. Nas
constituições seguintes a educação popular continuou em segundo plano, na reflexão política
um pouco sem instrução se tornava maleável a aceitar tudo.
Segundo o site “Pedagogia ao Pé da Letra” (2013 -
https://pedagogiaaopedaletra.com/) o único interesse era a capacitação dos jovens e adultos
para o trabalho nas indústrias. As escolas noturnas era o meio para quem tinha um dia árduo
nas fabricas, nesse tempo a população da zona rural migrou para a cidade em busca de
oportunidade de melhorar a vida e as industrias necessitando de jovens e adultos capacitados
criou-se mais escolas. A base eleitoral necessitava de aumento e isso favoreceu ainda mais o
número de escolas EJA, pois o voto era apenas para homens alfabetizados. Na década, de 30,
segundo Miranda et al. (2016), começou a ser efetivado a modalidade destacando -se no
cenário nacional, na qual o governo cria em 1934 o Plano Nacional de educação que
estabeleceu o ensino primário integral, gratuito, de frequência obrigatória e extensiva para
adultos como direito constitucional.
O regime militar (1964-1985) favoreceu a criação da alfabetização de jovens e
adultos. Segundo Belo (1993) o movimento brasileiro de alfabetização (MOBRAL) com o
objetivo de ler e escrever, usava por meio de metodologia de Paulo freire com codificações
através de cartazes, famílias silábicas, quadros e fichas, porém não havia diálogo entre
educador e educando, pois, a formação crítica não é o interesse do regime. O trabalho do
filosofo Paulo freire foi visto como uma ameaça ao regime militar, desse modo foi condenado
e exilado. No decorrer das décadas o governo se desobriga a garantir a modalidade de ensino,
porem os estados e municípios uniram-se para programas MOVA´S (movimentos de
alfabetização) com princípios de Paulo Freire. Desde então, o caminho da EJA no Brasil
demonstrou ser uma jornada de reconhecimento, uma busca por direito constitucional, muitos
outros marcos com a lei de diretrizes curriculares para educação de jovens e adultos
CNE/CEB11/2000
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De acordo com o parecer n° 11/2000 do Conselho Nacional de Educação (Brasil,


2000), a modalidade EJA faz atribuição a 03 funções: reparadora, equalizadora e
qualificadora. A função reparadora está ligada ao fato de dar acesso à educação para as
pessoas que não tiveram a oportunidade de continuar na “idade certa’’ no ensino fundamental
e médio da educação básica. Já a função equalizadora está relacionada a oportunidade de
todos terem acesso à educação um dever do Estado garantido na publicação da Constituição
Federal de 1988. E a função qualificadora tem o objetivo de ofertar uma educação
permanente. (SIQUEIRA, R.; GUIDOTTI, 2017, p.44).
Para termos uma educação a altura desejada é necessário a descentralização de
investimentos e um trabalho constante em prol de uma sociedade que depende do poder
público para prosperar.
Assim afirma Pinto:
A educação tem que ser popular por sua origem, por seu fim e por seu conteúdo. O
país é atrasado em virtude do modo de vida de suas massas (não de suas elites). Por
isso a transformação da existência do povo é que constitui a substancia da mudança
na realidade da nação. (PINTO, 1993, p.49).

Os alunos da EJA precisam ser reconhecidos como um ser histórico constituído de


vivencias e experiências, pois segundo o MEC (Ministério da Educação):

“[ ...] a cada realidade corresponde um tipo de aluno e não poderia ser de outra
forma, são pessoas que vivem no mundo adulto do trabalho, com responsabilidades
sociais e familiares com valores éticos e morais formados a partir da experiência, do
ambiente e da realidade cultural em que estão inseridos. ’’ (BRASIL, 2006, p. 4).

Ainda segundo Guidotte (2017, p.45). “Na Educação de Jovens e Adultos, o


professor precisa compreender a importância do reconhecimento da diversidade cultural na
escola, a partir das diferenças que podem ser: sociais, culturais, étnicas, de gênero, orientação
sexual, religiosa, econômicas, entre outras. ” Porém, surge levantou-se uma dúvida: a
valorização da cultura dos jovens e adultos interferem na aprendizagem? Sim, ao dar
importância a cultura dos alunos, o professor passa a reconhecer esse sujeito como um ser
social e histórico na medida em que pensa junto com os alunos as relações entre os saberes
por eles já construídos e os conteúdos que serão abordados na escola.
Freire propõe uma reflexão sobre o respeito aos saberes dos educandos pelos
educadores:
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Por que não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deve associar a
disciplina cujo conteúdo se ensina, a realidade agressiva em que a violência é a
constante e a convivência das pessoas é muito maior com a morte do que com a
vida? [...]Por que não estabelecer uma “intimidade’’entre os saberes curriculares
fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos?
(Freire, 1996, p.33-34)

Dessa forma, é possível entender que os aspectos culturais dos alunos estão
estreitamente ligados ao processo de ensino e aprendizagem.

3. Como está sendo a EJA, atualmente, em Mato Grosso

Em 2020, o governo do estado de Mato Grosso junto com a Secretaria de Estado de


Educação SEDUC anunciou a ampliação dos centros de educação de jovens e adultos
(CEJA), ofertando a modalidade de ensino de educação básica e ensino regular. O intuito é
transformar esses centros de educação em escolas de Desenvolvimento Integral de Educação
Básica(Ediebbs) segundo o site da SEDUC a informação do possível fechamento do CEJA
que o governador Mauro Mendes havia deliberado em todo o Estado de Mato Grosso, não era
verídica, o secretário executivo de Educação Amauri Fernandes confirmou em nota a
informação que a Secretaria de Estado de Educação (SEDUC), ampliaria a modalidade da
Educação de Jovens e Adultos (EJA) de Mato Grosso e também do ensino regular,
transformando dez CEJAs em Escolas de Desenvolvimento Integral de Educação Básica.
(Ediebbs) que passariam a ofertar não só a EJA, mas também o Ensino fundamental e médio
regulares.

4. A importância do conhecimento da língua materna na vida do indivíduo

Ao chegar às escolas, o aluno já tem a língua materna internalizada sabendo se


comunicar através dela de forma coerente, o que ele vai aprender na escola é um sistema de
representação que é a língua escrita, como também a leitura da mesma.

De alguma maneira, porém, podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra
não é apenas precedida pela leitura do mundo, mas por uma certa forma de
“escrevê-lo” ou de “reescreve-lo”, quer dizer, de transformá-lo através de nossa
prática consciente. (FREIRE, 1989, p.13)
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Então, é na escola através do processo de alfabetização que o aluno vai desenvolver


o seu conhecimento, conhecimento esse que vai além da leitura de um livro, ele terá que ter
condição de interpretá-lo, ser crítico capaz de compreender de maneira clara. Sabemos que a
língua a cada geração sofre alteração das quais não altera a importância que ela possui no
sentido de valorização e conservação da nossa cultura, também em grande parte nas nossas
tradições orais e escritas, além disso, ela representa a identidade enquanto nação de um
indivíduo, sem contar que após dominar a sua língua materna ele também poderá aprender
outras línguas, para adquirir mais liberdade de comunicação. Segundo Freire.

Desde muito pequenos aprendemos a entender o mundo que nos rodeia. Por isso,
antes mesmo de aprender a ler e a escrever palavras e frases, já estamos “ lendo, ”
bem ou mal, o mundo que nos cerca. Mas este conhecimento que ganhamos de
nossa prática não basta. Precisamos de ir além dele. Precisamos de conhecer melhor
as coisas que já conhecemos e conhecer outras que ainda não conhecemos.
( FREIRE, 1989, p. 40)
É a partir da conquista do conhecimento também que o indivíduo adquire um
sucesso profissional, e para as pessoas que por algum motivo deixaram de buscar por esse
conhecimento quando criança ou adolescente, aí está a EJA, para somar esforços e tornar um
indivíduo apto para o convívio social e consequentemente uma brilhante carreira profissional.

5. Resultados Esperados

Somando os dados alcançados, ficou claro que, o Processo de Ensino aprendizagem


da Língua Materna EJA é o melhor caminho no sentido de buscar acabar com o
analfabetismo, tendo a função de alicerce na construção linguística, social e cultural na vida
de cada indivíduo. Levando em consideração os fundamentos teóricos adquiridos que visam
incentivar o processo de ensino, notou-se também, que a Educação de Jovens e Adultos não é
algo novo, ela tem uma longa história de luta e transformação dentro da história da educação
até os dias atuais, onde essa luta em prol a defesa da Educação de Jovens e Adultos, continua
com o intuito de resgatar o aluno que se evadiu da escola. Ainda com base na fundamentação
teórica, a função do educando não é somente buscar conhecimento, mas também compartilhar
os conhecimentos que ele possui e que o trabalho do educador deve ser voltado as
especificidades de cada aluno para que haja esse compartilhamento através do diálogo,
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estabelecendo relações entre os novos conhecimentos e os conhecimentos que o aluno já


possui.

6. Considerações Finais

Considera-se a linguagem como instrumento de comunicação, pois sabe-se que ela


sempre influenciou e continuará influenciando no meio cultural, social e econômico
refletindo na vida de cada ser, visto que um indivíduo que possui o domínio da língua no
quesito de letramento, ele encontra facilidade para conhecer os seus direitos e deveres, passa
a enxergar um pouco além do que os olhos veem devido à capacidade de raciocínio que
adquire, consegue também se relacionar melhor com as pessoas de todos os níveis sociais,
tudo isso se torna possível através da busca pelo aprendizado da língua materna que sempre
deve estar em primeiro plano.
Sabe-se que a educação é um direito assegurado pelas leis que regem a Republica
Federativa do Brasil, sugere-se que a necessidade de traçar um caminho efetivo para fazer
uma nova história no contexto educacional brasileiro, a fim de que essas leis prevaleçam e
sejam cumpridas, em especial na modalidade EJA com a perspectiva de acabar com o
analfabetismo e também sanar a problemática de crianças e adolescentes que não conseguem
terminar o ensino regular na idade certa, é necessário formar parcerias, pois somente o
trabalho da escola e do educador não é suficiente para alcançar êxito sem real apoio político e
econômico.

7. Referências

BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método


sociológico na ciência da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1986.

_______. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

BELLO, P. José Luiz. Movimento brasileiro de alfabetização. Mobral. História da educação


no brasil. Período do regime militar. Pedagogia em foco, Vitoria, 1993. Disponível em < http:
www.pedagogia em foco.pro.br. >Acesso em 03 de maio 2010.
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BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é método do Paulo Freire. 2. ed. São Paulo:
Brasiliense, 1981.

BRASIL, lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de diretrizes e bases da educação


nacional. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil-03/leis19394.h. Acesso em 11
de mai. de 2021.

CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. ART. 208. Senado, [s. d]


disponível em: < https// www.senado.org.br. Acesso em 09 de mai. de 2021

COSTA, M, A. Estruturalismo. Manual da linguística in; MARTELOTTA; M, E (org). et


al. São Paulo: Contexto. 2011.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. Coleção
Polêmicas do nosso tempo. 4. ed. Cortez, 1989.

_______. Pedagogia do oprimido. Rio de janeiro: Paz e Terra, 1983.

IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas. Histórico da Eja no Brasil.


Pedagogia ao pé da letra. 2013. Disponível em: <https://
pedagogiaaopedaletra.com/histórico-da-eja-no-Brasil>. Acesso em: 6 de Maio de 2021.
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