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Direito Administrativo I

Prof. Me. Jean Carlos Nunes Pereira


Monitora: Layani Jansen

AULA 1
Para arejar
Em riba do carro se junta a famia;
Chegou o triste dia,
Já vai viajá.
A seca terrive, que tudo devora,
Lhe bota pra fora
Da terra natá.
O carro já corre no topo da serra.
Oiando pra terra,
Seu berço, seu lá,
Aquele nortista, partido de pena,
De longe inda acena:
Adeus, Ceará![…]”
Patativa do Assaré

1 Noções Introdutórias

O direito administrativo é um direito do Estado por excelência. Apenas


quando há a presença direta ou indireta do Estado numa relação jurídica é que
se justifica a incidência das normas de direito administrativo no caso concreto. A
definição do que seja o Estado, portanto, é particularmente útil à compreensão
do direito administrativo e de seus institutos. Infelizmente, a teoria tradicional do
direito pouco contribui para elucidação do fenômeno social Estado. A seguir,
iniciaremos a análise acerca do Estado. No tópico subsequente, veremos as
funções desempenhadas pelo Estado.

1.1 Natureza do Estado

Para a teoria normativista, amparada nos ensinos de Kelsen, o Estado


cria o direito e é, por sua vez, por ele criado. Essa perspectiva de identificação
(Estado e norma) resulta, em grande medida, da proposta metodológica
desenvolvida por Georg Jellinek (BOBBIO, 2007, p. 56) pela qual a análise
jurídica do Estado deveria se prender à norma, abstraindo considerações de

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ordem sociológica, o que, em certo sentido, coincide com a perspectiva


desenvolvida na Teoria Pura do Direito de Kelsen1. A realidade sócio-econômico-
política em que se insere o Estado deveria ser abstraída do âmbito de análise do
jurista, porque afeta a outros ramos do conhecimento. Como na perspectiva
kelseniana o direito é exclusivamente o proveniente de fontes políticas oficiais,
a teoria jurídica do Estado não avançou no sentido de investigar a sua natureza
e nem o seu papel num contexto de relações sociais historicamente construídas.
O resultado foi uma teoria superficial, pouco esclarecedora e que atende
perfeitamente à ocultação da dominação do Estado pelo mercado 2 3.
Sustento, ao contrário, que o Estado é um ser histórico-social. É
histórico porque tem início e sofre as transformações decorrentes das mudanças
na estrutura social de que faça parte. É o que Flavio Farias (2001, p.32)
denominou de genealogia do Estado4. O seu advento, conforme entendimento
assente inclusive na tradicional teoria geral do Estado, marca o surgimento do
processo civilizatório, em superação às formas tribais e familiares de constituição
social5.
Assim, a raiz mais profunda de sua origem deve ser buscada, não
num ordenamento jurídico pressuposto como pretende a teoria tradicional do
direito, mas no acirramento das contradições e dos conflitos resultantes do
surgimento histórico de dois fatores essenciais: a propriedade privada e a divisão

1 Esclarece Bobbio (2007, p. 56): “Além da distinção dos dois campos denominados
convencionalmente de "filosofia" e "ciência" da política, o tema do Estado pode ser abordado
de diferentes pontos de vista. Com a Doutrina geral do Estado [1910], de Georg Jellinek,
entrou por muito tempo em uso nas teorias do Estado a distinção entre doutrina sociológica
e doutrina jurídica do Estado. Esta distinção tornara-se necessária em seguida à tecnicização
do direito público e à consideração do Estado como pessoa jurídica, que dela derivara”.
2 A este respeito, na vertente marxista, posiciona-se Farias (2001, p. 24): “Rejeita-se aqui a
ideologia formalista que pretende apreender todos os papéis instrumentais do Estado como
se o jurídico pudesse ser a expressão verdadeira, justa e plena dos fatos da existência dessa
forma”.
3 Do mesmo modo, reduzir o Estado ao direito assim como o fazem os positivistas (H. Kelsen) é
desprezar a história. Considerar o Estado tão-somente como fenômeno da ordem jurídica
significa conceber igualmente o homem somente como sujeito de direito. Decerto o Estado e
o direito estão intimamente ligados. No entanto, a história já nos ensinou suficientemente que
ele é mais do que o Direito (FLEINER-GERSTER, 2006, p.182).
4
Para este autor, corroborando a tese marxista condensada em O Estado e a Revolução (LENIN,
2010, p. 103), o Estado nasce, desenvolve-se e morre, isto é, é extinto.
5
Em Bobbio (2007, p. 73), lê-se: “Uma tese recorrente percorre com extraordinária continuidade
toda a história do pensamento político: o Estado, entendido como ordenamento político de
uma comunidade, nasce da dissolução da comunidade primitiva fundada sobre os laços de
parentesco e da formação de comunidades mais amplas derivadas da união de vários grupos
familiares por razões de sobrevivência interna (o sustento) e externas (a defesa)”.

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do trabalho. O primeiro dos fatores propiciou uma busca desenfreada pela


acumulação de bens – entre estes, a terra – que não tardariam a revelar sua
finitude, e o segundo fez brotar uma relação de interdependência entre os seres
humanos que os obrigou à convivência6. É justamente em razão dessas
contradições, das desigualdades características da chamada civilização, que
surge a forma Estado, daí a pertinência dessa análise numa discussão acerca
do conflito pela terra. Sua existência, portanto, precede o surgimento do
ordenamento jurídico, embora a ele se encontre diretamente atrelada; não se
podendo falar em coincidência entre o jurídico e o político.
Embora formas sociais políticas tenham existido em diversas culturas
e desde o advento do que se denominou civilização, com a superação das
formações sociais familiares, a forma política estatal, pelo menos na
complexidade em que hoje se apresenta, é um fenômeno essencialmente
recente e intrinsecamente ligado à emergência do capitalismo. À medida que o
capitalismo tornou-se hegemônico, as relações comerciais adquiriram grande
complexidade e exigiram a ampliação cada vez maior de normas e do aparato
administrativo correspondente capazes de permitir a perpetuação do sistema de
livre concorrência7. Eis a gênese mais imediata do Estado moderno e onde
radica sua natureza capitalista. Santos (2011a, p. 145-146) identifica esse
fenômeno com a formação do capitalismo liberal: “[...] sociedade civil e, acima
de tudo, as relações de mercado eram concebidas como auto-reguladas, e era
ao Estado que cabia garantir essa autonomia”.
A forma Estado, portanto, não resultou do interesse imediato deste ou
daquele capitalista, deste ou daquele grupo, mas, isto sim de uma articulação

6
Afirma Marx (2012, p. 56) que “desde o início manifesta-se, pois, uma dependência material
dos homens entre si, dependência material dos homens que é tão antiga como eles próprios,
e a qual assume sempre novas formas e apresenta, pois, uma ‘história’, mesmo sem que
exista, ainda, nenhum absurdo político ou religioso que também mantenha os homens [seres
humanos] unidos”.
7
Para Karl Polanyi (2000, p. 172), o sistema laissez-faire consolida-se em meio a paradoxos,
porquanto embora tenha como eixo central o discurso do livre comércio resulta, em última
instância, de forte intervenção estatal: “Esse paradoxo [o de que para garantir um sistema
livre da intervenção do Estado necessário fortaleceu-se o caráter interventivo deste] foi
sobrepujado por um outro. Enquanto a economia laissez-faire foi o produto da ação deliberada
do Estado, as restrições subsequentes ao laissez-faire se iniciaram de maneira espontânea.
O laissez-faire foi planejado; o planejamento não. A primeira metade desta afirmativa é
verdadeira, como mostramos acima. Se alguma vez já se fez uso consciente do executivo, a
serviço de uma política deliberadamente controlada pelo governo, isto ocorreu com os
benthamitas no período heroico do laissez-faire”.

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histórica e dialeticamente construída com o capital. É ela o resultado efetivado e


concreto de um sistema de expansão das relações comerciais e que não se
consolidou senão permeada por ajustes e acoplamentos contraditórios e
complexos.
Se a burguesia criou um mundo à sua imagem e semelhança, como
afirmou Marx e Engels (2013, p. 43), é preciso acrescentar – o capital criou o
Estado à sua imagem e semelhança. A sua natureza, portanto, é capitalista. A
apreensão desse fenômeno, estritamente ligado ao desenvolvimento do próprio
direito, é didaticamente apreendido por Mascaro (2013, p. 18):

Devido à circulação mercantil e à posterior estruturação de toda a


sociedade sobre parâmetros de troca, exsurge o Estado como terceiro
em relação à dinâmica entre capital e trabalho. Este terceiro não é um
adendo nem um complemento, mas uma parte necessária da própria
reprodução capitalista. Sem ele, o domínio do capital sobre o trabalho
assalariado seria domínio direto – portanto, escravidão ou servidão. [...]
A sua separação em face de todas as classes e indivíduos constitui a
chave da possibilidade da própria reprodução do capital: o aparato
estatal é a garantia da mercadoria, da propriedade privada e dos
vínculos jurídicos de exploração que jungem o capital e o trabalho.

Dois fatores, entretanto, são distintivos da forma estatal num contexto


capitalista em relação às expressões políticas anteriores. O primeiro consiste na
mutação que o Estado sofre (FARIAS, 2001, p. 33), com a superação do
feudalismo e em decorrência do desenvolvimento das relações comerciais e das
mudanças na lógica das relações de produção, projetando-se a partir de então
como ser relativamente autônomo em relação à denominada “sociedade civil” e
ao mercado. Santos (2011a, p. 151) localiza esse processo na passagem do que
ele designa de capitalismo liberal para capitalismo organizado: “À medida que o
Estado se transformava num recurso político para grupos e classes sociais mais
vastas, o transclassismo e a autonomia do Estado ganharam credibilidade
ideológica”. Se, como dito, a dominação em formas políticas anteriores era
direta, agora passa a ser mediada pelo Estado capitalista, daí porque tão
impregnado no direito dogmas como o da imparcialidade e neutralidade da
jurisdição8.

8
Escapa evidentemente aos objetivos deste trabalho percorrer os processos pelos quais as
trocas comerciais, em seu desenvolvimento, exigiram o fortalecimento do Estado. A respeito
elucidativas são as obras de Mascaro e de Polanyi adrede citadas.

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O segundo fator distintivo consiste na necessidade permanente do


uso de artifícios discursivos legitimadores pelo Estado para tornar “naturais” as
relações capitalistas que lhe são subjacentes 9. Bloch (2011, p. 451-452),
ancorado em Marx e Engels (2011), afirma

La desigualdad de La propriedad em lós médios de producción, y no


otra cosa, lleva, por eso, de manera econômico-inmanente a la
destrucción de la solidaridad tribal, a la constitución de um poder
político de clase. Em su consecuencia, el Estado es em tan escasa
medida em cuerpo extraño en el capitalismo, que puede decirse incluso
que culmina en él. Y de igual manera se cumple también aquí de una
de sus más importantes funciones ideológicas: no ser simplesmente
instrumento, sino enmascaramiento de la dominación clasista. El
Estado se nos presenta como poder general, situado aparentemente
sobre la sociedad y ciudando de su equilíbio”.

Se a dominação não é mais imediata e direta, para que o Estado se


legitime, necessita projetar-se como a encarnação do “interesse público”, isto é,
de um interesse que esteja acima dos conflitos sociais, que fica doravante, em
tese, relegados para o plano do direito privado. A afirmação de Marx e Engels
(2012, p. 60, grifos do autor), embora se refira ao momento primeiro de
surgimento do Estado, revela-se pertinente ao que aqui se analisa:

É justamente nessa contradição entre o interesse particular e o


coletivo, que o interesse coletivo toma, na qualidade de Estado, uma
forma independente, distinta dos reais interesses particulares e gerais
e, sempre sobre a base real das conexões existentes em cada
conglomerado familiar e tribal [...] e principalmente, como veremos
adiante, baseada nas classes, já condicionadas pela divisão do
trabalho, que produz isolamento em cada um desses conglomerados
humanos, e entre as quais há uma que domina todas as demais. Grifos
do autor.

Embora o uso da violência permaneça, mecanismos outros, como a


religião e o direito, legitimam sua existência. O famoso discurso mencionado por
Rousseau, que teria sido proferido por um rico para o surgimento do Estado, faz
mais sentido com o advento do Estado capitalista do que em formas estatais
anteriores10. No mesmo rumo, a observação de Farias (2001, p. 31):

9
No mesmo sentido Mascaro (2008a, p. 171).
10
Rousseau (2010, p. 130-131): “Unamo-nos, diz-lhes ele [o rico], para defendermos da opressão
os fracos, contermos os ambiciosos e assegurarmos a cada qual a posse do que lhe pertence.
Instituamos normas de justiça e de paz a que todos sejam obrigados a se conformar, que não
façam acepção de pessoa e reparem de algum modo os caprichos da fortuna, submetendo
igualmente o poderoso e o fraco a deveres mútuos. Em suma, em vez de voltarmos nossas

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Como gestor dos objetos sociais mediadores das contradições do


capitalismo, o governo é o resultado de um longo processo que o
constitui, ao mesmo tempo, nos aparelhos e na legitimação do Estado.
Uma vez que este processo toma um aspecto acabado, faz esquecer
que resulta, na sua essência, da evolução da divisão capitalista do
trabalho e da luta de classes correspondente. Trata-se de um
esquecimento em proveito de uma conformidade com a falsa aparência
do Estado, caso em que tem por tarefa representar o interesse geral,
sob a forma tanto da reificação (coisificação) como da personificação
do Estado.

A tradicional teoria do direito, atada às manifestações mais externas


do fenômeno Estado, tem-se prendido às análises de seu aparato, e
negligenciado o aprofundamento de sua incursão investigativa para indagar de
sua natureza e de sua relação com o sistema capitalista. É exatamente quando
se avança no processo investigativo para além da concepção jurídico-formal do
Estado que se percebe a relação dinâmica e interacionista com o capital. Neste
sentido, o Estado e os aparelhos que lhe são correspondentes, em especial o
direito, cumprem papel central na perpetuação e reprodução do sistema
capitalista.
A seguir, trato da natureza jurídica do Estado conforme compreensão
aceita na doutrina tradicional.
O Estado, como entidade, é pessoa jurídica. Por pessoa deve-se
compreender tudo o que na ordem jurídica seja capaz de titularizar direitos e
deveres e contrair obrigações. O termo “pessoa”, em direito, não possui sentido
único. Ele tanto expressa o sentido comum e corrente da palavra, ser humano,
pessoa física, também chamada de pessoa natural, quanto uma ficção criada
pelo ordenamento denominada de “jurídica”. O ser humano tem sua existência
jurídica confirmada com o nascimento com vida. Nasceu, respirou, viveu, tem
direito a um assento de nascimento e de óbito. É mesmo possível afirmar a
existência de direitos assegurados desde a concepção ao nascituro, como se
verifica, por exemplo, com a ação de alimentos gravídicos que visa a assegurar
ao feto e à mãe uma gestação adequada.

forças contra nós mesmos, unamo-las num poder supremo que nos governe segundo sábias
leis, que proteja e defenda todos os membros da associação, repila os inimigos comuns e nos
mantenha numa concórdia eterna”.

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Historicamente, porém, os seres humanos se uniram, sob as diversas


justificativas e formas, sob a pretensão de desenvolver objetivos comuns. Sentiu-
se a necessidade de que os direitos e obrigações titularizados por essa
coletividade fossem distintos dos direitos e obrigações de cada um de seus
membros – nascia, na prática e, posteriormente, com o reconhecimento do
direito, a pessoa jurídica. No cotidiano da vida moderna, é tranquila a
compreensão de que as dívidas de uma sociedade, empresarial ou não, por
exemplo, não se confundem e nem se identificam, pelo menos, não
necessariamente, com as dívidas dos sócios que a integram. Por outro lado, há
um campo de atuação dos sócios que vinculam a sociedade e outro que não lhe
alcança.
O Estado, neste sentido, é uma pessoa jurídica, já que possui direitos,
obrigações e deveres que não se confundem com os das pessoas físicas que o
integram. Um professor da Uema, por exemplo, integra o Estado. Se age em
sala de aula, no horário e em razão de seu trabalho como professor, sua conduta
vincula o Estado e constitui uma expressão, uma emanação. Diz-se que a
conduta do professor é imputada, isto é, atribuída ao Estado. Diversamente, se
esse mesmo professor se encontra no fim de semana, na praia, celebrando um
acordo com sua futura consorte esse fato em nada, pelo menos não a princípio,
alcança ou diz respeito ao Estado. Na teoria tradicional, dir-se-ia que, no primeiro
caso, tem-se uma atuação do Estado; no segundo, da sociedade civil.
Além disso, o Estado é pessoa jurídica de direito público. Segundo o
paradigma normativista, a sociedade civil é o espaço do interesse privado e o
Estado, a encarnação do interesse público. Por ela, o espaço público é o
destinado às relações entre o cidadão e o Estado, regidas pelo direito público. O
espaço privado é o destinado às relações entre os cidadãos, considerados
particulares, regidas pelo direito privado. O Estado, nessa perspectiva, não
intervém nas relações que se travam no seio da sociedade civil. Inseridas na
esfera da autonomia privada, parte-se do pressuposto de que se trata de
relações entre “sujeitos de direitos”, em igualdades de condições. A experiência
tem demonstrado que essa perspectiva mais constitui um recurso discursivo que
esconde uma atuação interessada e deliberada do Estado em favor de interesse
reputados privados que propriamente uma “verdade”. A própria noção do que é
interesse público e do que é interesse privado, como veremos, não é de simples

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e nem de segura constatação. Os noticiários dos últimos anos revelaram de


forma clara como, a pretexto de salvaguarda do “interesse público”, diversas
práticas escusas tornaram evidente o que Raimundo Faoro já denunciava ao
tratar, em sua obra mais conhecida, das promíscuas relações, entre o público e
o privado no Brasil, a exemplo das medidas provisória encomendadas por
determinados setores de mercado, como se o Congresso Nacional, um dos
centros de poder do Estado, estivesse reduzido a mero balcão de negócios. Pelo
menos no discurso, o Estado, por ser pessoa jurídica de direito público, deve
perseguir o interesse público, e não interesses privados. Adiante, aprofundo a
discussão acerca do que é interesse público e como ele se distingue do privado
e se ainda é possível o uso dessa categoria para fins de análise do fenômeno
jurídico.

1.2 FUNÇÕES DO ESTADO

As funções desempenhadas pelo Estado são múltiplas e complexas. Para


fins didáticos, apresento a seguir, ainda com base na teoria tradicional, capitaneada no
Brasil por Hely Lopes Meirelles, as funções desempenhadas pelo Estado. Essas
funções estão ancoradas na teoria da tripartição dos poderes. Segundo essa visão,
existem três funções estatais, que são a executiva, a legislativa e a jurisdicional.
A função que interessa mais particularmente ao direito administrativo é a
função executiva. Ela não está, como o nome poderia sugerir, restrita ao âmbito do
Poder Executivo. Todos os Poderes da República a exercem. Se um servidor público,
que integra na condição de analista administrativo o Poder Judiciário, solicita seu
período de férias para o mês de março de determinado ano, o ato que lhe concede ou
nega o pedido, embora expedido por uma autoridade judicial, é, em essência, um ato
administrativo, e não jurisdicional. O mesmo raciocínio é aplicado ao Legislativo e aos
órgãos e funções essenciais não integrantes de outros poderes, como a Defensoria
Pública, o Ministério Público e o Tribunal de Contas.
Por outro lado, o próprio Poder Executivo não exerce apenas a função
administrativa. Além dela, exerce também a função governo, que se ocupa das decisões
políticas fundamentais, via de regra, transformadas em lei (em sentido amplo). A
distinção entre ambas as funções é razoavelmente simples. Um exemplo ajudará na
compreensão. Suponha que no Brasil não houvesse previdência social e que Estado
brasileiro entendesse por bem cria-la. Com quantos anos a pessoa se aposentaria?

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Haveria variação de homem para mulher? Pessoas que trabalhassem em condições


insalubres e perigosas teriam algum benefício? Haveria redução para os que exercem
o magistério fundamental e o trabalhador rural? Essas e outras questões, relativas todas
à estrutura do sistema de previdência em vias de construção, seriam definidas pela
função governo, através de decisões políticas fundamentais, via de regra, convertidas
em normas gerais, como as Emendas à Constituição e as Lei Complementares.
Evidentemente, a criação da norma geral, conquanto formalize e reconheça
publicamente a existência do direito, não assegura, por si só, a fruição de benefícios e
direitos. Há a necessidade de execução propriamente dita da política pública prevista
na norma. É exatamente neste campo que entra em cena a função da Administração
Pública, encarregada de cumprir as determinações legais, permitindo-lhe execução
concreta. Ainda me valendo do mesmo exemplo, o Instituto Nacional de Seguro Social
– INSS não é uma instituição do governo ou, pelo menos, não exerce a função governo.
É, isto sim, uma entidade integrante da função administrativa. Não se nega, possa o
INSS tomar decisões, muitas inclusive de grave repercussão. Afirma-se, porém, que,
essencialmente, é da função administrativa que se encarrega essa entidade. Mais que
decidir, o INSS existe para pôr em prática as decisões políticas fundamentais adotadas
pelo governo através da lei (sentido amplo).
Seabra Fagundes (Referenciar) define que administrar é aplicar a lei de
ofício. Em essência a lição ainda é atual, muito embora ela precise ser temperada com
os estudos mais recentes, especialmente no campo de neoconstitucionalismo, para
afirmar que administrar é aplicar o ordenamento jurídico de ofício. É também útil por
descortinar a natureza subserviente da função administrativa à função governo; do ato
administrativo à lei (sentido amplo).
Pois bem, a função governo constitui um dos objetos essenciais da disciplina
direito constitucional; ao passo que da administração pública se ocupa o direito
administrativo. A divisão, claro, possui natureza didática e não pode ser considerada
estanque ou rígida, posto que o direito constitucional assume uma dimensão difusa que
alcança todos os demais ramos do direito. Além disso, a vida prática se processa em
diversos ramos do direito de forma simultânea sem respeitar as divisões que a didática
possa recomendar para assimilação do conteúdo teórico. A seguir, tratarei
especificamente da função administrativa.

1.2.1 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A expressão administração pública, no âmbito do direito administrativo,


possui, pelo menos, dois sentidos. O primeiro é estático e estrutural. Por meio dele,

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alude-se ao conjunto de entidades, órgãos e agentes públicos que integral o aparelho


estatal desempenhando função administrativa. O segundo é dinâmico e se materializa
nas atividades administrativas desempenhadas pelo Estado. A doutrina tem utilizado,
para distinguir ambos os conceitos, as expressões Administração Pública em sentido
subjetivo, formal ou orgânico; e administração pública em sentido objetivo, material ou
funcional. Para fins didáticos, utilizo a seguinte figura: pelo primeiro, responde-se à
pergunta – Quem faz? Pelo segundo, responde-se à pergunta – O que está sendo feito?
Neste sentido, o INSS é uma instituição pública, pessoa jurídica, logo expressa uma
entidade que integra o conceito de Administração Pública, em seu sentido subjetivo,
formal ou orgânico. O serviço público de seguridade social, prestado pelo INSS, por sua
vez, expressa o sentido objetivo, material ou funcional, da expressão administração
pública.

e a jurisdição. O Executivo exerce tipicamente a Função Administrativa,


objeto de estudo do D. Administrativo, também desempenhada de forma atípica
pelos demais Poderes.

- Executivo (tipicamente)
Função
- Legislativo
Administrativa (atipicamente)
- Judiciário

A Administração Pública pode ser vista de duas formas:


 Sentido Orgânico/Subjetivo/Formal: abarca as pessoas que fazem
parte do Estado. Conjunto de pessoas que fazem parte da estrutura do
Estado e exercem a função administrativa. Entes da Administração
Pública Direta e Indireta.
 Sentido Objetivo/Material: aqui, representa as funções da atividade
pública. Abarca a função administrativa propriamente diTa, divide-se em
quatro funções: ordenadora (poder de polícia), prestacional,
regulatória (fomento) e de controle (autotutela).

1. Critérios para o conceito da Função Administrativa:


1.1. Corrente Legalista/Exegética: para essa corrente, a função administrativa
está limitada ao conjunto de normas existentes no país acerca da matéria.
O Direito Administrativo não se limita a um conjunto de normas jurídicas em
razão da força que os precedentes têm ganhado e pela existência do mérito
administrativo.

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1.2. Critério do Poder Executivo: estabelecia que a função administrativa era


exercida pelo Executivo, o que não é possível, pois os poderes constituídos exercem
as três funções estatais, em um sistema de controles recíprocos de Freios e
Contrapesos, que na doutrina norte-americana foi nomeada de Check and Balances.
1.3. Critério das Relações Jurídicas: buscou estabelecer que o Direito
Administrativo trataria das relações jurídicas travadas entre o Estado e particulares.
Contudo, algumas relações não são regidas pelo D. Administrativo e sim pelo Direito
Privado.
1.4. Critério do Serviço Público: baseava-se na ideia de que a função
administrativa se limitava ao estudo das prestações de serviços públicos. Porém, o
Estado exerce outras funções além da prestacional.
1.5. Critério Teleológico: diz respeito à finalidade. O D. Administrativo seria toda
atuação do Estado com finalidade pública. Toda atividade do Estado busca atender
ao interesse público, inclusive a Legislativa e Judiciária, por isso esse critério não é o
suficiente para conceituar a função administrativa.
1.6. Critério Residual: (negativista). Estabelece uma visão do D. Administrativo
de forma simples. A função administrativa seria aquela que não se configura função
política, legislativa ou jurisdicional. Contudo, não se deve conceituar algo com base
no que ele não é, deve-se buscar características.
1.7. Critério Funcional: acabou sendo adotada no Brasil por Hely Lopes
Meireles e abraçado pela maioria da doutrina. Esse critério descreve o D. Administrativo
como um “conjunto harmônico de princípios que regem os órgãos, agentes e atividades
públicas para atingir os fins almejados pelo Estado de forma concreta, direta e
imediata”.

Notas Doutrinárias:
A função administrativa do Estado consiste na manifestação do poder político orientada a
conformar a autonomia dos particulares e a promover a satisfação das necessidades coletivas
comuns, esta se desenvolve mediante a produção de atos jurídicos de natureza normativa ou
puramente executiva e por meio de atividades materiais.

JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de Direito Administrativo. 4ª ed. em e-book baseada na 12ª ed.
impressa. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016.
A forma concreta de atuar busca distinguir a função administrativa da
função legislativa, que é geral e abstrata; é uma função direta, diferente da função
jurisdicional, que atua mediante provocação; também é uma função imediata,
distinguindo-se da função política, que busca o interesse público de forma mediata, pois
busca atender as necessidades do Estado e não as necessidades públicas que são
buscadas de forma mediata.

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2. Interpretação do Direito Administrativo:


Obs: o D. Adm.
O D. Administrativo deve ser interpretado com também deve se
base em três critérios essenciais: valer de todos os
métodos de interpre-
2.1. Desigualdade Jurídica: por este critério não há a tação advindas da
Teoria Geral do
preocupação de garantir a isonomia nas relações jurídicas. Direito.
Aqui, o Estado representa toda sociedade e, por isso, poderá
limitar direitos de particulares para atender ao interesse público e portanto, essa
desigualdade é razoável, pois há prerrogativas e supremacia dadas ao Estado, atuando
acima do particular. Portanto, a interpretação do D. Administrativo se dá em prol do
Estado.
2.2. Discricionariedade: a lei norteia a atividade estatal, mas ela não é absoluta
e objetiva, então mesmo diante de uma lei que descreva como a Adm. Pública deve
atuar, a própria lei pode deixar ao agente público uma margem de escolha em cada
caso concreto. Esse espaço dado pela lei é indispensável para que o agente público
concretize a norma geral e abstrata.
2.3. Presunção de Legitimidade: essa presunção refere-se aos atos praticados
pela Adm. Pública. A atuação do Estado deve respeitar diversos critérios, então no
momento em que o ato é praticado, o ato é presumido legítimo, essa presunção é
relativa. A atuação administrativa é uma atuação com eficácia, pois produzem
imediatamente seus efeitos até que se prove sua ilegitimidade.

3. Fontes do Direito Administrativo:


3.1. Lei: fonte primordial do Direito Administrativo. Leis são normas gerais e
abstratas com poder de inovar no ordenamento jurídico. Sem lei não há atuação da
Administração Pública, em decorrência do Princípio da Legalidade Administrativa;
3.2. Jurisprudência: hoje, ela pode ser enxergada, em algumas situações, como
fonte primária. Vive-se a “Era dos Precedentes”, a exemplo das súmulas vinculantes,
que vinculam a Adm. Pública e o Judiciário. Outros precedentes funcionam de forma
orientadora da atividade estatal;
3.3. Doutrina: os estudiosos auxiliam na interpretação do D. Administrativo. Fonte
secundária, pois não cria direitos e obrigações. Contudo, é relevante até para embasar
decisões administrativas quando a lei permite uma margem de escolha;
3.4. Costumes: são fontes secundárias e indiretas. Os costumes exercem
grande papel no momento da elaboração das leis;
3.5. Princípios Gerais do Direito: são vetores gerais. Fontes secundárias e
auxiliam na elaboração das leis. Exemplo: ninguém poderá se valer da própria torpeza.

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4. Sistemas Administrativos:
No Direito comparado os sistemas de controle da atuação administrativa
dividem-se em dois:
4.1. Sistema do Contencioso Administrativo: até hoje em vigor na França
(sistema francês). O Judiciário não julga as controvérsias que envolvam a Adm. Pública,
pois o sistema francês enxerga a separação de poderes de forma absoluta, ou seja, o
Judiciário não pode se sobrepor ao Executivo proferindo sentenças contra ele.
No sistema do contencioso tem-se uma “Jurisdição Administrativa”, que,
na França, é o Conselho de Estado, órgão da Adm. Pública que tem a função de julgar
a própria Administração, suas decisões formam coisa julgada material (com caráter
de definitividade), não sujeita a controle jurisdicional posterior. Esse sistema
compromete a imparcialidade, pois é julgado e julgador. Sistema também chamado de
Dualidade de Jurisdição.
4.2. Sistema de Jurisdição Única (Unidade de Jurisdição/Sistema Inglês):
somente o Poder Judiciário pode proferir decisões com caráter de definitividade. A coisa
julgada material só se forma de decisão judicial irrecorrível, sendo possível as decisões
administrativas serem revistas judicialmente. Sistema adotado pelo Direito brasileiro
(art. 5º, XXXV, CRFB).

Iniciação científica
O link abaixo remete a um texto assinado por Ricardo Marcondes Martins. Após lê-lo
atentamente, responda de forma fundamentada em que consiste para o autor o direito
adquirido, segundo o ordenamento jurídico brasileiro e se há direito adquirido ao
regime jurídico administrativo e ao regime jurídico previdenciário.
http://www.direitodoestado.com.br/colunistas/ricardo-marcondes-martins/-regime-
proprio-de-previdencia-e-direito-adquirido

Fixação do conteúdo:

1 – Princípios são:
a) regras
b) normas jurídicas
c) cláusulas pétreas

13
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2 – Integra o núcleo do regime jurídico administrativo, segundo Celso Antonio Bandeira


de Mello: Decorre do ensinamento de Celso Antônio Bandeira de Mello que o regime de direito público resulta da caracterização normativa de
determinados interesses como pertinentes à sociedade e não aos particulares considerados em sua individuada singularidade. Juridicamente
a) legalidade esta caracterização consiste, no Direito Administrativo, segundo nosso modo de ver, na atribuição de uma disciplina normativa peculiar que,
fundamentalmente se delineia em função da consagração de dois princípios: a) supremacia do interesse público sobre o privado; b)
b) moralidade indisponibilidade, pela Administração, dos interesses públicos[3].
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 19º edição. Editora Malheiros. São Paulo, 2005, pag. 55.
c) indisponibilidade do interesse público

3 – Para doutrina mais recente, o conceito de interesse público


a) integra a base do regime jurídico administrativo um interesse que esteja acima dos conflitos sociais, que fica doravante, em
tese, relegados para o plano do direito privado
b) inexiste no ordenamento jurídico
c) resulta da incidência no caso concreto das circunstancias fáticas e jurídicas
A expressão administração pública, no âmbito do direito administrativo,
4 – Administração Pública é: possui, pelo menos, dois sentidos. O primeiro é estático e estrutural. Por meio dele,alude-se ao conjunto de
entidades, órgãos e agentes públicos que integral o aparelho
a) a estrutura do Poder Executivo estatal desempenhando função administrativa. O segundo é dinâmico e se materializa
nas atividades administrativas desempenhadas pelo Estado. A doutrina tem utilizado,
b) um conjunto de órgãos, entidades e agentes públicos para distinguir ambos os conceitos, as expressões Administração Pública em sentido
subjetivo, formal ou orgânico; e administração pública em sentido objetivo, material ou
funcional.
Acredito que todas as alternativas estejam incorretas
no ano de 2004, a partir de uma mudança feita na Constituição Federal de 1988, surgiram
5 – A súmula vinculante obriga: súmulas mais especiais, agora chamadas de vinculantes.

a) o Poder Legislativo, inclusive no exercício da função típica Como o nome já evidencia, as súmulas vinculantes representam uma categoria diferenciada,
dotada de teor obrigatório: obrigam a Administração Pública e todos os demais Juízes e
b) o Poder Judiciário, inclusive o STF Tribunais a seguir o conteúdo da Súmula, sendo possível encontrar vários exemplos no site
do STF.
c) somente o Executivo Federal Caso não o façam, a decisão violadora da súmula é passível de ser questionada diante do
próprio Supremo, por meio de um instrumento chamado de reclamação constitucional, como
prevê o § 3º do artigo 103-A da Constituição Federal de 1988.
6 – No direito administrativo:
a) são idênticos os conceitos de função administrativa e política do Estado;
b) a função administrativa é conjunto de atividades desempenhadas pelo Estado;
É também útil por
é o ato jurídico praticado pela descortinar a natureza subserviente da função administrativa à função governo; do ato
Administração Pública; é todo o
ato lícito, que tenha por fim 7 – O ato administrativo: administrativo à lei (sentido amplo).
Pois bem, a função governo constitui um dos objetos essenciais da disciplina
imediato adquirir, resguardar,
transferir, modificar ou extinguir a) inova no ordenamento jurídico direito constitucional; ao passo que da administração pública se ocupa o direito
administrativo.
direitos; Só pode ser praticado
por agente público competente; b) executa a lei
O Instituto Nacional do Seguro Social – INSS foi criado em 27 de junho de 1990, por meio do Decreto n° 99.350, a partir da fusão do Instituto de

8 – O INSS: Administração Financeira da Previdência e Assistência Social – IAPAS com o Instituto Nacional de Previdência Social – INPS, como autarquia vinculada ao
Ministério da Previdência e Assistência Social – MPAS.O INSS caracteriza-se, portanto, como uma organização pública prestadora de serviços
previdenciários para a sociedade brasileira.
a) é um órgão federal;
b) resulta da descentralização por outorga. Desconcentração: é a distribuição interna de competências dentro de uma mesma pessoa jurídica. Criação de
órgãos públicos que fazem parte de uma estrutura hierarquizada. Tem o objetivo de tornar mais eficiênte a
execução das finalidades administrativas previstas em lei. Exemplo: a criação de um departamento dentro de
uma pessoa jurídica já existente, sem necessariamente criar uma outra pessoa jurídica. Já a descentralização
9 – A concessionária de serviço público expressa: se trata da situação de um ente estatal (uniao, Estados, DF e Municípios) transfere a outra pessoa, pública ou
privada, o exercício de uma determinada atividade administrativa. Podendo se da por dois tipos: Outorga
a) uma desconcentração administrativa (transferencia por meio de lei), como exemplo temos a atuação por meio de administração indireta
(autarquias, fundações, sociedade de economia mista e empresas públicas). Ou por delegação, na qual se
b) uma delegação contratual transfere por meio de ato/contrato. como exemplo temos a concessão e permissão de serviço público.

10 – O mais novo princípio da administração pública, expresso na Constituição Federal de


1988 é:
a) moralidade Princípio da Eficiência
O administrador tem o dever de fazer uma boa gestão. É o que esse princípio afirma. O representante deve trazer as melhores saídas, sob a legalidade da lei, bem como mais efetiva. Com
b) eficiência esse princípio, o administrador obtém a resposta do interesse público e o Estado possui maior eficácia na elaboração de suas ações. Esse princípio anteriormente não estava previsto na
Constituição e foi inserido após a Emenda Constitucional nº 19/98, relativo a Reforma Administrativa do Estado.

Pratique um pouco mais:


1. (2017 – IESES) Sobre a Administração Pública na Constituição Federal, é correto afirmar:
a) É garantido a todos os servidores públicos o direito à livre associação sindical, sendo que o
seu direito de greve será exercido nos termos e limites definidos em lei específica.
b) As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado
o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
c) A vedação à acumulação remunerada de cargos públicos, ressalvadas as exceções
constitucionais e a situação da compatibilidade de horários, não se estende aos empregos e
funções públicas.
Art 37 da CF: A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
a) VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical;
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica;
Art 142, §3 IV - ao militar são proibidas a sindicalização e a greve;
~> b) § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de
dolo ou culpa.
c) XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:
a) a de dois cargos de professor; 14
b) a de um cargo de professor com outro, técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas;
c) A vedação à acumulação remunerada de cargos públicos, ressalvadas as exceções constitucionais e a situação da compatibilidade de horários, não se estende aos empregos e funções públicas. -------XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e
funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público;
d) I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;
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a) INCORRETA. Segundo o STF,
a simples fixação de condições
formais para a concessão de d) Os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os
benefício fiscal não exime o
instrumento normativo de
resguardar o tratamento isonômico
requisitos estabelecidos em lei, vedado o acesso aos estrangeiros, ressalvados os casos
no que se refere aos concidadãos.
ADI 4259/2016.
previstos em tratados internacionais, casos em que fica dispensada a regulamentação em lei
b) INCORRETA. Para o STJ, é
específica.
licito à concessionária interromper
o fornecimento de energia elétrica
se, após aviso prévio, o
consumidor de energia elétrica
2. (2017 – CESPE – Juiz federal) Acerca dos princípios constitucionais e legais que regem a
permanecer inadimplente no
pagamento da conta, o que não
administração pública, assinale a opção correta.
implica o corte de energia em
serviços básicos essenciais, como
a) Situação hipotética: Lei de determinado estado da Federação estipula programa de incentivo
hospitais. Ex: Resp 721119 RS e
Resp 1244385/BA. fiscal exclusivamente para atletas nascidos no estado e que tenham a melhor classificação no
c) CORRETA. Aplica-se a teoria campeonato estadual. Assertiva: Nessa situação, para o STF, a fixação de condições formais
da aparência, momento em que se
preserva a confiança e a boa-fé do para a concessão de benefício fiscal exime a lei estadual de resguardar o tratamento isonômico
destinatário.
no que se refere aos concidadãos.
d) INCORRETA. Segundo
determina a Súmula Vinculante nº b) Conforme o STJ, o princípio da continuidade dos serviços públicos não impede a interrupção
13: A nomeação de cônjuge,
companheiro ou parente em linha do fornecimento de energia elétrica destinada à iluminação pública de hospital municipal
reta, colateral ou por afinidade, até
o terceiro grau, inclusive, da inadimplente.
autoridade nomeante ou de
servidor da mesma pessoa jurídica c) Situação hipotética: Uma autarquia federal constatou, a partir de denúncia, que servidor efetivo
investido em cargo de direção,
chefia, assessoramento, para o com dois anos de exercício no cargo havia apresentado documentação falsa para a investidura
exercício de cargo em comissão
ou de confiança ou, ainda, de
função gratificada na
no cargo. Assertiva: Nessa situação, conforme o STF, os atos praticados pelo servidor até o
administração pública direta e
indireta em qualquer dos poderes
momento são válidos, em razão dos princípios da proteção à confiança e da segurança jurídica.
da União, dos Estados, do Distrito d) Não configura ofensa ao princípio da moralidade a nomeação de esposa de magistrado,
Federal e dos Municípios,
compreendido o ajuste mediante devidamente concursada, para função de confiança diretamente subordinada ao juiz cônjuge.
designações recíprocas, viola a
Constituição Federal. É caso de
nepotismo.
e) Todo ato administrativo emitido por agente público submete-se ao princípio da legalidade;
e) INCORRETA. A
quando o ato atende exclusivamente à legalidade, exclui-se do controle judicial o juízo de
discricionariedade não se
confunde com arbitrariedade, deve
conveniência e oportunidade.
observar o disposto em lei.

Gabarito do professor: letra C


3. (2017 – IBADE – Delegado de Polícia)
Acerca dos princípios que informam o Direito Administrativo Brasileiro, é correto afirmar que a(o):
a) Errado: a) nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até
o quarto grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica
A presente alternativa reproduz, quase em sua totalidade, o texto da Súmula Vinculante n.º 13 do STF, que trata da vedação ao nepotismo na Administração Pública. Contudo, insere equívoco no que tange ao grau de parentesco, porquanto a norma não fala em quarto grau, mas sim até o terceiro grau, inclusive. Confira-se:

"A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal."

Logo, incorreta esta opção "a". investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em
b) Errado:
comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e
É bem verdade que o STF posicionou-se razoavelmente em linha com a presente afirmativa, vale dizer, no sentido de que, em se tratando de cargos políticos (caso, por exemplo, de Ministros e Secretários de Estado), não incidiria a vedação ao nepotismo de que trata sua Súmula Vinculante n.º 13. Assim, por todos: Rcl 6.650/PR, julgado em 16.10.2008 e RE 579.951/RN, DJe de 24.10.2008.

indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
Sem embargo, em decisões monocráticas posteriores (Rcl 12.478/RJ), o então Ministro Joaquim Barbosa fez ressalvas a esta posição, a sustentar, sim, a possibilidade de controle jurisdicional sobre a nomeação de parentes para cargos políticos, desde que se verificasse que o motivo da nomeação tenha sido, exclusivamente, a relação de parentesco, notadamente nas hipóteses em que reste patenteada a absoluta falta de qualificação
do nomeado para o exercício da respectiva função pública.

compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.


No caso acima citado, o Ministro Joaquim Barbosa deferiu medida cautelar para afastar do cargo de secretário municipal de educação de Queimados/RJ, o irmão do então prefeito. Referido processo recebeu, posteriomente, parecer do MPF, e aguarda julgamento, sob a relatoria, atual, do Ministro Roberto Barroso.

Diante deste panorama, não me parece correto aduzir que O STF possui jurisprudência pacífica sobre o tema, bem como que tais nomeações seriam insuscetíveis de controle jurisdicional.

b) Supremo Tribunal Federal já possui pacífica jurisprudência no sentido de que o Chefe do


Eis aí, portanto, em que repousa o equívoco da presente assertiva.

c) Errado:
Poder Executivo Estadual pode nomear parentes em linha reta, a exemplo de uma filha, para o
Embora a publicação do ato administrativo em diário oficial, como regra, satisfaça o princípio da publicidade, nem sempre assim o será. Em relação, por exemplo, a determinados atos que possuam destinatários certos, como a imposição de uma multa de trânsito, faz-se necessária a efetivação de notificação pessoal, em ordem a permitir que o particular afetado exerça, se o quiser, os instrumentos de defesa postos à sua disposição,
dentro do prazo legal. Afinal, não é razoável exigir que todos façam a leitura assídua de publicações oficiais em D.O, para fins de apurar se existe algum ato de seu interesse direto, como o do exemplo acima.

cargo de Secretária de Estado, porque se trata de uma escolha política e o fato do cargo de
Em complemento, Matheus Carvalho oferece outro exemplo em que seria necessária outra providência, por parte da Administração Pública, sem a qual o ato respectivo não adquiriria eficácia, por inobservância do princípio da publicidade. Confira-se:

"Portanto, no momento em que o gestor público assina determinado ato na repartição proibindo, por exemplo, que se estacione em determinada via, tal ato, quando de sua assinatura, é perfeito e válido, mas sua eficácia depende de sua publicação, para que se torne de conhecimento dos particulares sujeitos à referida norma. Sendo assim, enquanto não for colocada uma placa que sinalize a vedação do estacionamento, os cidadãos
poderão estacionar livremente."
Secretário de Estado ser de natureza política torna esta nomeação insuscetível de controle.
A colocação da placa, portanto, constituiria providência imprescindível, a fim de satisfazer a devida publicidade do ato administrativo proibitivo.

d) Errado:
c) princípio da publicidade considera-se atendido sempre que houver a publicação de atos no
Diário Oficial, sendo, por conseguinte, desnecessária qualquer medida adicional por parte da
É de trivial conhecimento que o princípio da legalidade, quando direcionado à Administração Pública, apresente conteudo diverso daquele aplicável aos particulares. Em relação a estes, tudo o que não for proibido em lei é, automaticamente, permitido. Já para a Administração, a ausência de vedação expressa não é suficiente para legitimar sua atuação. É preciso, na verdade, que a lei expressamente permita ou exija a conduta em
questão.

e) Certo:
Administração Pública.
A assertiva ora analisada revela-se em sintonia com a decisão proferida nos autos da Rcl 25565 MC, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 14/12/2016, publicado em PROCESSO ELETRÔNICO DJe-268 DIVULG 16/12/2016 PUBLIC 19/12/2016, cujo trecho essencial abaixo reproduzo:

d) princípio da legalidade tem idêntica aplicação para os particulares e para a Administração


"(...)Em outras palavras, a incompatibilidade da prática enunciada na Súmula Vinculante nº 13 com o art. 37, caput, da CF/88 não decorre diretamente da existência de relação de parentesco entre pessoa designada e um servidor público, mas da presunção de que a escolha de pessoa para ocupar cargo de direção, chefia ou assessoramento tenha sido direcionada a pessoa com relação matrimonial, de união estável ou de parentesco
com quem tenha potencial de interferir no processo de seleção. É imprescindível, para fins de configuração objetiva de nepotismo, a perquirição de projeção funcional do servidor de referência no processo de seleção para cargo de direção, chefia ou assessoramento. Dessa perspectiva, tem-se que a vedação objetiva do nepotismo tem o condão de resguardar a isenção do processo de seleção para provimento de cargo ou função pública
de livre nomeação e exoneração, afastando eventual influência do vínculo de parentesco no processo de escolha. Em outras palavras, a incompatibilidade da prática enunciada na Súmula Vinculante nº 13 com o art. 37, caput, da CF/88 não decorre diretamente da existência de relação de parentesco entre pessoa designada e um servidor público, mas da presunção de que a escolha de pessoa para ocupar cargo de direção, chefia ou

Pública, significando a possibilidade de realização de atos que não sejam vedados pelo
assessoramento tenha sido direcionada a pessoa com relação de parentesco com quem tenha potencial de interferir no processo de seleção. Vedar o acesso de qualquer cidadão a cargo público tão somente em razão da existência de relação de parentesco com servidor público que não tenha competência para selecionar ou nomear para o cargo de chefia, direção ou assessoramento pleiteado ou exercer ascendência hierárquica sobre
aquele que possua essa competência é negar um dos princípios constitucionais a que se pretendeu conferir efetividade com a edição da Súmula Vinculante nº 13, qual seja, o princípio da impessoalidade."

Correta, portanto, esta última opção.


ordenamento jurídico.
e) Supremo Tribunal Federal possui entendimento no sentido de que vedar o acesso de qualquer
cidadão a cargo público tão somente em razão da existência de relação de parentesco com
servidor público que não tenha competência para o selecionar ou o nomear para o cargo de
chefia, direção ou assessoramento, ou que não exerça ascendência hierárquica sobre aquele
que possua essa competência é, em alguma medida, negar um dos princípios constitucionais a
que se pretendeu conferir efetividade com a edição da Súmula Vinculante n° 13, qual seja, o
princípio da impessoalidade.

4. (2017 – FCC - DPE-PR – Defensor Público) Sobre Agentes Públicos e Princípios e Regime
Jurídico Administrativo, é correto afirmar:
a) O princípio da impessoalidade destina-se a proteger simultaneamente o interesse público e o
interesse privado, pautando-se pela igualdade de tratamento a todos administrados,
independentemente de quaisquer preferências pessoais.
b) São entes da Administração Indireta as autarquias, as fundações públicas, as empresas
públicas, as sociedades de economia mista, e as subsidiárias destas duas últimas. As
subsidiárias não dependem de autorização legislativa justamente por integrarem a Administração
Pública Indireta.

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c) As contas bancárias de entes públicos que contenham recursos de origem pública prescindem
de autorização específica para fins do exercício do controle externo.
d) Os atos punitivos são os atos por meio dos quais o Poder Público aplica sanções por infrações
administrativas pelos servidores públicos. Trata-se de exercício de Poder de Polícia com base
na hierarquia.
e) A licença não é classificada como ato negocial, pois se trata de ato vinculado, concedida desde
que cumpridos os requisitos objetivamente definidos em lei.

5. (2017 – CESPE – Delegado de Polícia) Em relação aos princípios expressos e implícitos da


administração pública, assinale a opção correta.
a) O princípio da legalidade, quando aplicável ao direito privado, institui um critério de
subordinação à lei, a denominada regra da reserva legal.
b) O princípio da legalidade, previsto na Constituição Federal de 1988 (CF), não possui quaisquer
restrições excepcionais.

1.b 2.c 3.e 4.c 5.b


c) Respeitado o que predispuser a intentio legis (vontade da lei), compete ao órgão da
administração pública a livre interpretação do que seja interesse público.
d) A proibição da atuação do administrado de forma despropositada ou tresloucada é também

Gabarito:
conhecida doutrinariamente como princípio da proibição dos excessos.
e) A prerrogativa da administração pública de desapropriar ou estabelecer restrição a alguma
atividade individual decorre do princípio da autotutela.

Pesquise:
Sobre o interesse público pesquise a posição do autor Gustavo Binenbojm, bem como
busque o ponto de vista de Humberto Ávila, Luís Roberto Barroso e Marçal Justen Filho.
Nesse sentido, também distinga interesse público primário e secundário presente nas
lições de Celso Antônio Bandeira de Mello.

Aplicação:
A Empresa Pública Brasileira de Correios e Telégrafos – EBCT possui agências próprias
e agência franqueadas, transferidas à iniciativa privada. A lei de n. 11.668/2008
estabeleceu a necessidade de realização de licitação para formação de contratos de
franquia com particulares. Eis o inteiro teor de seu art. 7º:
Art. 7o Até que entrem em vigor os contratos de franquia postal
celebrados de acordo com o estabelecido nesta Lei, continuarão com
eficácia aqueles firmados com as Agências de Correios Franqueadas
que estiverem em vigor em 27 de novembro de 2007.
Parágrafo único. A ECT deverá concluir as contratações a que se
refere este artigo até 30 de setembro de 2012. (Redação dada pela Lei
nº 12.400, de 2011).

Essa lei foi regulamentada pelo Decreto de n. 6.639/2008. O seu art. 9º dispõe
que:
Art. 9o A ECT terá o prazo máximo de vinte e quatro meses, a contar
da data da publicação deste Decreto, para concluir todas as
contratações previstas no art. 7o da Lei no 11.668, de 2008, observadas
as disposições deste Decreto.
§1o Na data em que as AGFs contratadas mediante procedimento
licitatório iniciarem suas operações, extinguir-se-ão, de pleno direito,
os contratos firmados pela ECT com as Agências de Correios
Franqueadas, a que se refere o caput do art. 7º da Lei nº 11.668, de

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2008, cujas instalações se encontrem nas áreas de atuação das


primeiras.
§2o Após o prazo fixado no parágrafo único do art. 7º da Lei nº 11.668,
de 2008, serão considerados extintos, de pleno direito, todos os
contratos firmados sem prévio procedimento licitatório pela ECT com
as Agências de Correios Franqueadas. (Redação dada pelo Decreto nº
6.805, de 2009)

Fulano de Tal, aluno da UEMA, ao almoçar em família, recebeu de seu pai


a preocupação com a iminente extinção do contrato de franquia que ele possui com a
EBCT, em razão da disposição prevista no aludido decreto. Considerando o estágio de
seu desenvolvimento acadêmico, emita parecer quanto à viabilidade ou não da extinção
do contrato de franquia em cumprimento à disposição do Decreto de nº 6.639/2008.

Solucione:
José e Maria são alunos do 6º período do curso de direito da Universidade Federal de
Upaon-Açu. Ambos estão aprovados no concurso da PMMA, cujo edital foi publicado
em novembro de 2017. José está com o braço quebrado e Maria, grávida de 4 meses.
O teste de aptidão física está agendado para depois do carnaval de 2018. Ambos
procuram você, aluno do décimo período recém aprovado no Exame de Ordem para
requerer uma orientação jurídica quanto à possibilidade de uma ação judicial para
assegurar a realização do TAF após a integral recuperação de José e o término da
licença maternidade Maria. Qual a sua orientação?

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