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CARACTERIZAÇÃO MAGNÉTICA DE LÂMINAS DE AÇO SILÍCIO E

AVALIAÇÃO DAS PERDAS NO FERRO SOB VÁRIOS REGIMES DE


INDUÇÃO

Nelson J. Batistela∗ Nelson Sadowski∗


jhoe@grucad.ufsc.br nelson@grucad.ufsc.br

Renato Carlson Jean V. Leite∗
rcarlson@ieee.org jean@grucad.ufsc.br


Grucad, Depto. de Eng. Elétrica, Universidade Federal de Santa Catarina, P. 0. Box 476, 88049-900
Florianópolis, SC, BRASIL

ABSTRACT nestes ensaios e explorar as perdas no ferro sob regimes


de fluxo magnético nas formas senoidal e não-senoidal,
The iron losses are evaluated, measured and analyzed. em função da variação da freqüência de operação.
The Si-Fe sheets are magnetically characterized under
a sinusoidal induction waveform and at one frequency. PALAVRAS-CHAVE: Separação das perdas no ferro, ca-
In this study, the iron losses are predicted with the racterização magnética, medida da perda por histerese,
magnetic core working in a non-sinusoidal regime and perdas no ferro sob regimes não-senoidais.
other frequencies and we present a novel magnetic ma-
terial characterization methodology in function of the 1 INTRODUÇÃO
flux density variation in the material, trying to denote
some problems in the characterization analysis and to Os materiais ferromagnéticos exercem um papel impor-
explore the iron losses under magnetic flux regimes with tante na confecção de um dispositivo eletromagnético,
sinusoidal and non-sinusoidal waveforms. pois são os responsáveis pela ordenação das linhas de
fluxo no circuito magnético e têm uma importância na
KEYWORDS: Iron losses separation, magnetic charac-
medida que os mesmos podem determinar a eficiência,
terization, hysteresis losses measurement, pulse wave-
o custo e o tamanho dos dispositivos. Os usuários de lâ-
form excitation.
minas de aço silı́cio percebem um aumento sensı́vel das
perdas magnéticas em relação às perdas especificadas
RESUMO nos catálogos dos fabricantes, obtidas conforme os mé-
todos NBR 5161, JIS 2550/86, Din 50462, ASTM A34
Este estudo se refere a caracterização, medição e análise (Acesita). Além disso, cada método fornece valores di-
das perdas no ferro. Apresenta-se uma metodologia de ferentes de perdas. A deterioração do desempenho das
caracterização dos materiais magnéticos em função da mesmas foi inicialmente atribuı́da somente à geometria
variação da indução no material, procurando apontar, do circuito magnético, ao corte das lâminas, à prensa-
na medida do possı́vel, algumas questões que existem gem mecânica e à anisotropia magnética. Na evolução
Artigo submetido em 20/12/00
dos estudos, percebeu-se a existência de outras formas
1a. Revisão em 29/05/01 de perdas além das conhecidas até então. Aparecem va-
Aceito sob recomendação do Ed. Assoc. Prof. Edson H. Watanabe lores medidos superiores ao esperado, que foram chama-

156 Revista Controle & Automação/Vol.13 no.2/Maio, Jun., Jul. e Agosto 2002
dos de “perdas por excesso” (Berttoti, 1983, 1984, 1985, 2 EQUAÇÕES DE ESTIMAÇÃO DAS
1988). PERDAS NO FERRO
Os circuitos magnéticos eram percorridos por um fluxo As perdas totais no ferro Wtot , por perı́odo e por uni-
de forma geral senoidal, pois um dispositivo eletromag- dade de massa, em lâminas de aço silı́cio submetidas a
nético era projetado para operar na faixa linear da curva uma indução periódica alternada são dadas pela soma
B-H, garantindo que o valor da indução magnética esti- das perdas por histerese Wh , por correntes de Foucault
vesse bem aquém da região chamada “joelho”(por isso os calculadas pelo modelo clássico Wf e por excesso We .
motores antigos eram mais robustos e volumosos). Hoje, De acordo com o estudo realizado por Bertotti e Fio-
os aparelhos são projetados e otimizados para operarem rillo, elas são obtidas através da equação (1), onde f é a
o mais próximo possı́vel do joelho da curva de magne- freqüência de operação, de perı́odo T, com lâminas de
tização, onde acaba a relação linear entre fluxo mag- espessura d, condutividade elétrica σ e densidade espe-
nético e sua força magnetomotriz para criá-lo. Mesmo cı́fica mv . S é a seção magnética efetiva. A equação
com uma alimentação puramente senoidal, em razão da (1) é função da variação da indução no tempo dB/dt, e
especificidade do circuito magnético, o fluxo local pode válida para qualquer forma de onda.
ser distorcido em algumas regiões de um circuito magné-
tico de uma máquina elétrica (Basak et alii, 1982). Isto T  2
σd2 1 dB(t)
é causado pela saturação local provocada pela não ho- W (t)tot =W (t)h + dt+ (1)
mogeneidade do caminho magnético (por exemplo nas 12f mv T dt
0
máquinas girantes há o efeito provocado pelas ranhu- √ T  
ras) e pela variação da anisotropia magnética (Moses et σGVo S 1  dB(t) 1,5
+  
alii, 1989). Nestas regiões, as perdas no ferro são, em f mv T  dt  dt [J/Kg]
geral, maiores que a média das perdas no resto do cir- 0

cuito. Além disso, com a introdução da alimentação por


meio de conversores estáticos, a forma de onda do fluxo O segundo termo aditivo da equação (1) representa as
passou a ser diferente da senoidal (Allano et alii, 1987). perdas por correntes de Foucault Wf , as quais provêm
Esses regimes têm conseqüências sobre o desempenho das correntes induzidas no núcleo quando percorrido por
das lâminas: as perdas no ferro aumentam geralmente um fluxo variável. A perda por histerese, equação (2),
em proporções mais ou menos importantes, dependendo corresponde ao valor da área da curva de histerese e
da taxa de distorção do fluxo magnético. A meta per- dos seus laços menores, se existirem. O emprego e a
seguida pelos construtores de ferramentas destinadas ao solução da equação (2) não é tão fácil. Um dos mé-
projeto de dispositivos eletromagnéticos é modelar os todos mais utilizados no cálculo deste tipo de perda é
fenômenos magnéticos nos materiais e conhecer a distri- a equação empı́rica (3) encontrada por Steinmetz em
buição local do fluxo (Ferreira da Luz et alii, 2000). 1892. A constante kh depende do material e do sistema
de unidades utilizado, e o expoente α depende apenas do
Até o passado recente, a abordagem fı́sica sobre as per- material. No processo de caracterização magnética do
das no ferro chegou a um formalismo microscópico muito material apresentado neste artigo, utiliza-se o modelo de
complexo e de difı́cil utilização pelo engenheiro. A escola Steinmetz da evolução da perda por histerese em função
italiana de eletromagnetismo, o “Instituto Elettrotecnico da indução máxima.
Nazionale Galileo Ferraris” de Torino, desenvolveu uma
teoria fı́sica da quantificação e separação das perdas nas B|T
lâminas magnéticas, possuindo a vantagem de deduzir, 1
Wh = H(t)dB(t) [J / Kg] (2)
dos parâmetros microscópicos, uma modelagem macros- mv
B|0
cópica global sob regime de indução na forma senoidal.
A presente abordagem do material se apoia sobre esta Wh = kh (Bm )α [J / Kg] (3)
modelagem matemática do fenômeno fı́sico. A vantagem
da análise fı́sica é a compreensão do mecanismo de gera-
Pesquisadores constataram que a perda por histerese
ção das perdas durante o processo de magnetização do
medida obedece à fórmula de Steinmetz até certos va-
material. O método de separação das perdas (Fiorillo et
lores de indução máxima Bm . Landgraf et alii (1999,
alii, 1990) explorado neste artigo e o método de predição
2000) propõe separar as perdas de histerese em dois
das perdas formulado por Amar e Protat (1994) carecem
componentes: em “baixas induções” e em “altas indu-
ainda de um modelo satisfatório para a perda por histe-
ções”. Richter (Liwschitz) propõe a equação (4) para o
rese, como por exemplo o de Jiles-Atherton (Hernandez
cálculo da perda por histerese Ph . Os coeficientes “a” e
et alii, 2000).
“b” são constantes dependentes do material. O resultado

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apresentado na figura 6 também confirma a mudança da inverte. A noção dos OMs se justifica pelo fato de que
tendência da perda por histerese nas altas induções. o deslocamento de uma parede de um domı́nio, ou seg-
mento de parede, a qual é a origem da variação da mag-
Ph = af(Bm ) + bf(Bm )2 [W / Kg] (4)
netização no material, não pode ser feito de forma iso-
lada. O deslocamento de uma parede pode provocar um
A evolução das perdas por histerese conduz a algumas deslocamento de outros segmentos da mesma parede e
reflexões: a) por definição, a perda por histerese é de- de várias. Neste caso, diz-se que os diferentes segmentos
limitada em seu valor máximo pela curva de histerese, de uma mesma parede ou conjunto delas são correlacio-
mostrada na figura 1. Na região de saturação ao se au- nados. Supõe-se que inicialmente apenas um OM esteja
mentar a indução, a área correspondente a este aumento ativo. Quando dB(t)/dt cresce, um campo de excesso
da indução B e de sua correspondente intensidade de He (t) é necessário para contrabalançar a frenagem au-
campo H não é tão significativa. Assim, a uma dada mentada pelas correntes induzidas em excesso. Uma vez
indução B, a evolução da perda por histerese deveria que ele seja suficientemente grande, este campo exerce
apresentar uma certa saturação. b) A fórmula de Stein- sobre os outros OMs uma pressão para torná-los ati-
metz tem seu expoente variando para lâminas de aço vos, os quais vão agir da mesma maneira sobre os outros
silı́cio entre os valores 1,4 a 1,8. Ora, a tendência dada OMs passivos, progressivamente aumentando o número
por este modelo é sempre crescer “ad infinitum” de ma- de OMs ativos e tornando a magnetização homogênea.
neira exponencial. Algumas questões podem ser levanta- A experiência mostra que a relação entre o número de
das: os ensaios estão medindo realmente só a perda por OMs ativos e o campo He (t) é linear em numerosos ma-
histerese? Os modelos são adquados? É um problema teriais cristalinos, e também no Fe-Si (Bertotti, 1983).
oriundo de outros fenômenos que foram negligenciados Esta relação é traduzida pelo parâmetro Vo , eqüivalente
(mudança do caminho magnético médio, as juntas no a um campo coercitivo e caracteriza a oposição dos OMs
quadro de Epstein, direção e corte das lâminas,...)? Ou em se ativar. A determinação do parâmetro Vo neces-
é o efeito de um outro fenômeno de perda ainda não sita da medida do número de OMs ativos e do campo
discutido pela comunidade técnico-cientı́fica? He (t). G é uma constante que representa o coeficiente
de atrito de um OM. A determinação destes parâme-
No processo de magnetização, o fenômeno de histerese é
tros exige alta tecnologia e conhecimento adequado para
provocado por dois mecanismos conhecidos: movimen-
medi-los. No meio industrial como no acadêmico na área
tação das paredes e rotação de domı́nios. Na região de
da engenharia elétrica, a determinação dos parâmetros
deslocamento das paredes de domı́nio, a energia utili-
referente às caracterı́sticas micro-estruturais é evitada
zada no processo é dissipada, enquanto na rotação seria
ao máximo. A equação (1) apresenta a primeira formu-
conservada. Mas mesmo onde predomina a magneti-
lação fı́sica das perdas por excesso, sendo coerente com
zação por rotação ocorre energia dissipada, pois o ramo
conclusões de outros pesquisadores (Haller et alii, 1970).
descendente não volta sobre o ramo ascendente da curva
de histerese. Esta perda pode ser devida a uma par- 9000
B [T] Região com predominância
µ
8000
B
cela de energia dissipada em rotações irreversı́veis, e/ou 7000
6000 µr = = de rotação dos domínios
5000 µo µoH 1,4
à movimentação de paredes de domı́nio durante a ani- 4000
3000
2000 Br
quilação de domı́nios (ramo ascendente) e/ou durante a 1000
0
H [A/m]
0,9 Curva de
0 500 1000 1500 2000 2500

nucleação de domı́nios (ramo descendente). magnetização


Região com predominância de

inicial
deslocamento dos domínios

0,4
A figura 1 mostra medidas sob tensão senoidal no secun- Hc H [A/m]
dário do quadro de Epstein à 1Hz. A permeabilidade -600 -400 -200 -0,1 0 200 400 600
relativa µr em função de H, obtida da curva de magne-
Curva de
tização inicial, está apresentada na figura 1 (µ e µo são histerese -0,6
medida
as permeabilidades magnéticas do material e do vácuo,
respectivamente). Região com predominância -1,1
Valores medidos para a curva de
de rotação dos domínios
magnetização inicial em função dos valores
máximos de corrente e tensão no aparelho
O terceiro termo aditivo da equação (1) é a “perda por -1,6 de Epstein. Material: E-170 Acesita

excesso”. A sua suposta origem é decorrência do excesso


de correntes induzidas (além das calculadas pelo modelo Figura 1: Curva representativa da histerese medida à
clássico) devido ao fenômeno de deslocamento das pare- 1Hz.
des dos domı́nios magnéticos. Bertotti abordou de uma
forma estatı́stica o processo de magnetização dinâmica As equações (1) e (2) mostram que a variação da indu-
e as perdas por excesso. Ele definiu uma entidade fı́sica, ção magnética no material ao longo do tempo é o que
o “objeto magnético” OM, pela qual a magnetização se provoca as perdas, sendo um fato coerente com a natu-

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reza do processo de magnetização do material. Tendo Fr 2 1 1
Fc = = √ √ e
em vista a necessidade do controle da indução magnética Fs π f τ
√ 
no material, isto é, não existir distorções (harmônicos) FP M W 2 2
1
na forma do fluxo, obriga-se que a forma de onda da Fc = =
n (9)
Fs π

indução seja senoidal. Isto proporciona uma maneira 2f τi


1
simples de separar as perdas no ferro. Nos ensaios de
caracterização, esta exigência é atendida pelo modo de  
se alimentar o dispositivo que aloja as amostras (Batis- α 2 2 f
Wtot = kh Bm + (Fc) (kf ) Bm +
tela et alii, 2000). fo

Para uma forma de onda senoidal, a perda total Wstot 1,5
+ Fc (ke ) Bm
f
[J/Kg] (10)
em uma freqüência base fo é dada pela equação (5) em fo
função da indução máxima Bm . Pode-se escrever a equa-
ção (5) como a equação (6) em função das constantes kh , 3 METODOLOGIA PROPOSTA PARA A
α, kf e ke . Na caracterização experimental, determina-
se estas quatro constantes. A perda pelo fenômeno de
SEPARAÇÃO DOS TIPOS DE PERDA
histerese é invariável com a freqüência. Entretanto, as NO MATERIAL
constantes das perdas dinâmicas, kf e ke , podem ser cor-
Neste trabalho, levanta-se os coeficientes relativos a cada
rigidas para uma outra freqüência f diferente da freqüên-
tipo de perda da equação (6), em uma freqüência base
cia base fo , conforme a equação (7) (Fiorillo e Novikov,
fo , em função da variação da indução máxima Bm no
1990).
regime senoidal puro. A metodologia aqui proposta de
2 separação das perdas como curvas em função da indu-
s σ (πd)
Wtot = k h Bα
m+ fo B2m + ção máxima obriga que os coeficientes de cada tipo de
6mv perda e os expoentes da indução máxima sejam con-
8, 763   forme o modelo dado pela equação (6), exemplificados
σGVo S fo B1,5
m [J/Kg] (5)
mv na caracterização da figura 6. Conforme a modelagem
teórica, estes coeficientes e expoentes devem ser cons-
s
Wtot = k h Bα 2 1,5
m + kf Bm + ke Bm [ J / kg ] (6) tantes para toda a variação da indução em um material.
 A curva da perda por histerese Wsh é medida em uma
f f freqüência baixı́ssima, chamada de operação quase está-
kf |f = kf |fo e ke |f = ke |fo (7)
fo fo tica (f << fo ). Na figura 2, constata-se que a energia
perdida em uma amostra do material A, para freqüên-
Amar e Protat (1994) propõem um modelo de previsão cias menores que 1Hz tende ao valor nulo. Isso parece
analı́tica da evolução das perdas para regimes de tensão ser coerente, pois no regime contı́nuo não existe perda
para formas de onda pulsadas, incluindo a do tipo PWM pelo fenômeno de histerese. Porém para uma amostra
a três nı́veis. Baseiam-se nos trabalhos de Bertotti, de B, este fenômeno não foi constatado, vide figura 2. As-
Fiorillo (intervalo de tempo de subida τ da indução na sim, julga-se necessário fazer uma varredura da perda
forma trapezoidal) e de Nakata (1989) (coeficiente do nas baixas freqüências para cada amostra a ser carac-
fator de forma Fc ). Utilizando a idéia sobre o coefici- terizada e que avaliar a perda por histerese através do
ente Fc , eles formulam uma previsão da evolução das método tradicional de prolongamento da tendência das
perdas para os regimes com tensões pulsadas, dada pela perdas para um regime estático (f=0 [Hz]) pode levar a
equação (10), a qual provém da equação (1). O coefici- erros. Nos ensaios apresentados foi utilizado o material
ente de fator de forma Fc é definido pela relação entre A e a freqüência escolhida foi de 1Hz.
os fatores de forma F (equação (8)) das ondas distorci-
das pela senoidal, de freqüências f. O parâmetro τ é a A curva da perda por correntes de Foucault Wsf em fun-
duração do impulso para forma de ondas retangulares ção de Bm é calculada em uma freqüência base bem
e τi é o somatório das larguras até o iésimo impulso, em maior que a freqüência utilizada na medida da perda
meio perı́odo, para as do tipo PWM. por histerese. Mede-se a perda total Wstot , na mesma
 freqüência base, variando a amplitude da indução. Pelo
to+T balanço energético se obtém a curva da perda excedente
1
T v2 (t)dt Wse , dada pela equação (11).
to
F= ˆ  (8) s
 
 to +T
2 
/2 
 We (Bm ) = Wtot (Bm ) − Whs (Bm ) + Wfs (Bm ) (11)
T v(t)dt
 to 

Revista Controle & Automação/Vol.13 no.2/Maio, Jun., Jul. e Agosto 2002 159
0,017
0,0165
Wtot [J/kg] 0,08 Wtot [J/kg] LabView, respectivamente calculadas pelas relações (12)
0,07
0,016
0,0155 Bm=1 [T]
e (13). A integração é realizada pela equação (14), onde
Material A 0,06
0,015 Bm = 1 [T]] n é o número de pontos, ∆t é o intervalo de tempo entre
0,0145 Pfe ≈ 1,5W/kg a 1T e 50Hz 0,05 Material B
0,014
0,0135
Pfe ≈ 8 W/kg a 1T e 50Hz dois pontos e yi é o valor pontual integrado do vetor X
0,04
0,013 valores medidos f [Hz] contendo os pontos medidos em função do tempo.
0,0125 0,03
0,012
f [Hz]
0 1 2 3 4 5
0 1 2 3 4 5 6


1
Figura 2: Energia dissipada no ferro em baixas freqüên- B(t) = vs (t)dt [T] (12)
Ns S
cias para dois materiais.
Np
H(t) = ip (t) [A/m] (13)
lm

4 BANCADA PROTÓTIPO DE ENSAIO: 


1
i=0,1,2,...
 ,n−1
CARACTERIZAÇÃO DO MATERIAL E F (t) = f (t)dt → yi = (xj−1 + 4xj + xj+1 )∆t
6 j=0
DETERMINAÇÃO DAS PERDAS (14)

Desenvolveu-se uma bancada protótipo de ensaios para a


determinação das perdas conforme a metodologia apre- Para atingir as metas adequadas à alimentação, seguir a
sentada. Além da dificuldade inerente ao processo de referência e ter a evolução livre da corrente no primário,
medida, há o grande desafio de separar com satisfató- o inversor de tensão monofásico em ponte completa, co-
ria precisão os três tipos de perdas e/ou os seus efeitos, mutando à 30kHz, com um filtro LC em sua saı́da, vide
bem como alimentar adequadamente o quadro de Eps- figura 3, possui uma das malha de realimentação com
tein (tipo padrão 25cm, Yokogawa, com 700 espiras para o Controle por Modo Deslizante (Sliding Mode Control
os enrolamentos primário Np e secundário Ns , tendo um - SMC) (Batistela e Perin, 1995). Havendo energia su-
caminho magnético médio lm de 0,94m e uma resistência ficiente no sistema, juntamente com nenhum controle
da bobina primária Rcu de 0,691Ω), onde são alojadas pragmático da corrente (como é no modo tradicional do
as amostras de aço silı́cio formando o núcleo magnético. SMC), o controle impõe indiretamente a força magne-
No processo de caracterização, a forma de onda do fluxo tomotriz para manter a tensão desejada no secundário.
precisa ter a forma senoidal, necessitando-se impor esta Esta estratégia de controle torna a saı́da do inversor com
forma de onda na tensão induzida no secundário. A ali- baixa impedância, além de dar robustez ao sistema. Pelo
mentação é realizada por um inversor de onda senoidal lado da planta, o filtro LC e as impedâncias parasitas en-
variável em amplitude e freqüência, possı́vel também de volvidas limitam a evolução rápida da corrente drenada
operar com um conteúdo harmônico ou com formas de ip (t) da fonte de tensão contı́nua E. Intuitivamente, o
onda pulsadas. Na literatura, a maneira utilizada para capacitor do filtro Co tem um valor elevado para ar-
o acionamento é feita através de amplificadores linea- mazenar energia, principalmente na operação em bai-
res de áudio, os quais possuem uma banda passante de xas freqüências, e o indutor de filtro Lo possui o valor
20Hz a 20kHz. Para freqüências inferiores à 20Hz, ele menor possı́vel para não dificultar a evolução da cor-
precisa ser adaptado. Para medir as grandezas elétricas rente. A estratégia do SMC utilizada por Batistela e
e gerar os sinais de referência, utiliza-se o software Lab- Perin (1995) gera resultados satisfatórios em termos da
View da National Instruments residente em um micro- amplitude para um ponto de operação fixo. Porém, va-
computador comunicável com um osciloscópio 2430A da riando as amplitudes do sinal de referência, aparece um
Tektronix. Mede-se simultaneamente tensão e corrente erro. Ora, nos ensaios de caracterização e de determina-
nos dois canais do osciloscópio. O sinal de referência é ção das perdas no ferro, necessita-se variar a amplitude
gerado por uma placa PCI-6110E da National Instru- do sinal de referência para impor os valores de Bm . As-
ments. A determinação das perdas nas lâminas e das sim, acrescenta-se na malha do controle da tensão no
demais grandezas é realizada por cálculo numérico no secundário um compensador do tipo PI (Proporcional e
ambiente do software LabView em função da corrente e Integral), sendo seu pólo sintonizado em uma freqüên-
tensão medidas, válida para formas de ondas com con- cia superior à do filtro LC do inversor. Há um incon-
teúdo harmônico (os instrumentos convencionais não são veniente: como o nı́vel contı́nuo não é transferido para
adequados a estes ensaios, pois a corrente facilmente não o secundário, necessita-se de uma malha para compen-
tem a forma senoidal). A corrente no primário é a ima- sar o nı́vel de tensão contı́nua na entrada. Do contrário,
gem do campo H. A integral da tensão no secundário é como há um curto circuito magnético, facilmente se está
proporcional à indução B. As grandezas B e H são obti- na região de saturação do material. Esta malha é imple-
das por meio de um “instrumento virtual” no ambiente mentada por um compensador com duplo integrador. O

160 Revista Controle & Automação/Vol.13 no.2/Maio, Jun., Jul. e Agosto 2002
v s (t)
esquema funcional do sistema está apresentado na figura
3. Transformador
de Epstein

Ip(t)
Filtro LC Transformador
vp(t)
do inversor de Epstein
Pc Isntrumentos de medida: osciloscópio e
Sc ponteira de corrente com o respectivo
Inversor ip(t)
Lo amplificador
de tensão

LabView
PWM vp(t) vs(t) vp(t) e ip(t)
E em ponte Co Pcu(t)=Rcu*ip(t) *ip(t) [W]
completa
(IGBT) S(t)=vp (t)*ip(t) [VA]
Po
So

Cálculocomo programa
Malha de Amostras de Sepstein(t)=S(t)-Pcu(t) [VA]
controle DC Fe-Si

Circuito de
comando dos Malha de
1T
IGBTs Circuito de controle: controle AC Pfe = ∫ Sepstein( t )dt [W]
SMC + duplo integrador+PI T0

Saída de
Grandezas elétricas PC gerenciador para: Resultados:
medidas: gerar sinais e efetuar cáculos gráficos, arquivos
e valores lidos na
Figura 4: O processo de medida da perda no ferro.
Tensão e Corrente com as grandezas medidas
tela do video

Figura 3: Esquema funcional da bancada protótipo de é superior. Observa-se que na saturação e na região de
ensaios. baixa indução o erro relativo tende a aumentar. Pro-
vavelmente, o aumento na região de saturação se deve
ao aumento da potência dissipada no cobre ocasionado
Errard (1993) utiliza a maneira expressa na equação (15) pelo crescimento da corrente na saturação.
para a determinação da perda por histerese. A medida
da corrente no primário é realizada através de um resis- 30 ValorErrard − ValorGrucad
e relativo [%] = 100
ValorGrucad
tor padrão Rshunt (vR =Rshunt ip ). É o método utilizado 25
20
normalmente, e provém da definição (2). A equação
15 Material: E-170 Acesita
(15) apresenta um inconveniente: a corrente medida no 10
primário contém parcelas de perda no resistor “shunt” 5
Bm [T]
e na resistência do enrolamento primário. Para solucio- 0
0 0,5 1 1,5 2
nar este problema, optou-se por medir simultaneamente
a tensão e a corrente no primário do quadro de Epstein,
obtendo-se a evolução da tensão e da corrente em um Figura 5: Diferença relativa entre os métodos à 1Hz.
perı́odo. Calcula-se a potência fornecida no tempo ao
aparelho de Epstein em um perı́odo. Subtrai-se da curva
da potência aparente consumida a parcela de perda no 5 RESULTADOS
resistor equivalente à resistência elétrica do primário,
restando uma curva de potência aparente magnética, a A caracterização de uma amostra de lâminas, não tra-
qual contém uma parcela de energia magnética armaze- tadas, 466-50TP (especificação conforme a ABNT NBR
nada e uma parcela dissipada nas amostras de Fe-Si. O 9025) ou E-170 0,5mm Acesita, está mostrada na figura
processo de determinação da perda no ferro é mostrado 6 (os resultados experimentais são obtidos todos com o
na figura 4. material A). Para induções máximas maiores que 1,4T
  (região de saturação), o modelo e a experimentação co-
T meçam a divergir, confirmando o discorrido (Landgraf
Np Kcor  1
Wh = vR (t)vs (t)dt [W/Kg] (15) et alii,1999,2000; Liwschitz).
Ns mv T
0
A figura 7 mostra o ensaio realizado a 1,2T utilizando
a metodologia das equações (6) e (7), ou a equação
A figura 5 mostra a diferença entre os dois métodos na (10). Pode-se avaliar o comportamento de cada tipo de
medida da perda pelo fenômeno de histerese em função perda em função da variação da freqüência. Por exem-
da variação de Bm , à 1Hz. A medição da corrente é feita plo, acima de 130Hz, a perda por correntes de Foucault
através de uma ponteira de corrente. A comparação en- passa a ser maior que a perda por histerese, para esta
tre os resultados obtidos com o método proposto neste amostra.
trabalho e aquele com o método de Errard (não descon-
tando o efeito instantâneo de Rcu =0,691Ω), mostra que Mantendo o Fc na unidade e com Bm em 0,8T, realizou-
a perda medida nesta amostra pelo método de Errard se os ensaios para formas de onda de tensão senoidal

Revista Controle & Automação/Vol.13 no.2/Maio, Jun., Jul. e Agosto 2002 161
0,08 Energia dissipada no s 1,7239
ferro por ciclo [J/kg] W tot = 0,0255Bm
0,07 0,025 Energia perdida no ferro
por ciclo [J/kg]
0,06 Valores s 1,6737 0,020
W h = 0,0168Bm
0,05 medidos Wtot (τ)
0,015 equação (10) de
s 2
0,04 Wf = 0,0062Bm previsão das perdas
0,010
0,03 Valores medidos: retangular
s 1,5 Valores medidos: senoidal
We = 0,0024Bm 0,005
0,02 f [Hz]
0,01 Bm [T] 0,000
0 20 40 60 80 100 120
0
0 0,3 0,6 0,9 1,2 1,5 1,8
Figura 9: Energia dissipada no ferro. (Formas de onda
Figura 6: Caracterização do ferro: energia dissipada por de tensão no secundário do quadro de Epstein senoidal
ciclo [J/Kg] total e de suas componentes para f0 = 50Hz. e retangular Bm =0,8T e Fc =1).

(figura 8), quadrada (figura 8), retangular (figura 9) e 0,3


v(t)/2 no secundário [V]
PWM a três nı́veis (figura 13). A figura 10 apresenta 0,2

0,1

0,0
0,060 Wtot [J/kg] equação (10) de
-0,1
τ [s]
previsão das perdas
0,050
-0,2
Medida: forma de onda senoidal
0,040 -0,3
tempo [s]

0,030 0,000 0,100


Wh =22,796 [mJ/kg]
0,020
Wf =9,080(f/fo) [mJ/kg] 1/2
We =3,188 (f/fo) [mJ/kg]
0,010 Figura 10: Forma de onda de tensão retangular secun-
f [Hz]
0,000 dário do quadro de Epstein, atenuada por um fator 2,
0 50 100 150
f= 10Hz.
Figura 7: Energia dissipada para Bm =1,2T para uma
forma de onda de indução senoidal.
100,0

75,0 H [A/m]
50,0

25,0

0,0
0,030 Wtot [J/kg]
-25,0
0,025
-50,0 o
n de pontos
0,020 -75,0
0 100 200 300 400 500
0,015 equação (10) de
0,010 previsão das perdas

0,005 Medida p/ forma de onda senoidal Figura 11: Forma de onda de H [A/m] relativa à figura
Medida p/ forma de onda quadrada f [Hz] 10.
0,000
0 50 100 150

Figura 8: Energia dissipada no ferro. (Formas de onda 0,6

de tensão no secundário senoidal e quadrada, Bm =0,8T 0,4 v(t)/2 no secundário [V]


e Fc =1). 0,2

0,0

-0,2
a forma de onda de tensão retangular induzida no se- -0,4
tempo [s]
cundário do Epstein, para f=10Hz. Na figura 11, está -0,6

apresentada a forma de onda de H, imagem de ip (t), em 0,000 0,100

função do número de pontos adquiridos, para a mesma


forma e ponto de operação. A tensão PWM à três nı́veis Figura 12: Forma de onda de tensão PWM no secundá-
induzida no secundário do Epstein, para uma freqüência rio do quadro de Epstein, atenuada por um fator 2, com
fundamental de 10Hz com 30 pulsos por perı́odo, está f=10Hz.
mostrada na figura 12.

162 Revista Controle & Automação/Vol.13 no.2/Maio, Jun., Jul. e Agosto 2002
0,020 Energia dissipada no
ferro por ciclo [J/kg]
Estimation of Power Losses in Silicon Iron Sheets
0,018
0,016 under Alternating Pulse Voltage Excitation. IEEE
0,014
0,012
Transactions on Magnetics, Vol 30,no 2. pp. 942-
Wtot (Στi)
0,010
equação (9) de
944.
0,008
Valores medidos: senoidal previsão das perdas
0,006
Valores medidos: PWM
0,004
0,002 f [Hz]
Basak, A. & C. R. G. Higgs(1982). Flux Distribution
0,000 in Three Phase Transformer Cores With Various
0 10 20 30 40 50
T-Joint Geometries, IEEE Transactions on Magne-
tics, vol. 18, no 2, pp. 670 – 673.
Figura 13: Energia dissipada: formas de onda de tensão
no secundário senoidal e PWM (Bm =0,8T e Fc =1). Batistela, N.J., A. J. Perin (1995). A Fixed Frequency
Sliding Mode Control For Voltage Souce Inverter.
III Brazilian Power Electronics Conference - CO-
6 CONCLUSÃO BEP’95, pp 229-234.
Existem muitos parâmetros que influenciam as perdas Batistela, N.J., N. Sadowski, R. Carlson, J.V. Leite
magnéticas, tanto na sua natureza como no processo de (2000). A Caracterização Magnética de Lâminas de
medida. Quando se realiza a modelagem, a medição e Aço Silı́cio e a Evolução das Perdas no Ferro Sob
a análise, deve-se atuar com critérios rigorosos quando Vários Regimes de Indução. CBA Congresso Brasi-
da influência de parâmetros e fenômenos supostamente leiro de Automática, Florianópolis, pp. 961-966.
possı́veis de serem negligenciados. Sabe-se que há o pro-
blema dos cantos do quadro de Epstein, tanto no que se Bertotti, G. (1983). Space-Time Correlation Properties
refere a fenômenos magnéticos como em relação ao valor of the Magnetization Process and Eddy Current
da massa efetiva de aço utilizada no valor quantitativo Losses: Theory. J. Appl. Phys., vol. 54, no 9 , pp.
da perda medida. Estes fatores, e outros aqui não men- 5293 – 5305.
cionados por sua complexidade ou por fugirem do es-
copo deste trabalho, não foram abordados neste artigo, Bertotti, G. (1984). Space-Time Correlation Properties
os quais também podem gerar imprecisões. Na amostra of the Magnetization Process and Eddy Current
de material utilizado, juntamente com outros fenôme- Losses: Applications. I. Fine wall Spacing. J. Appl.
nos, eles podem ser as causas da não conformidade do Phys., vol.55, no 12, pp. 4339–4355.
modelo com os valores medidos na caracterização para
induções superiores a 1,4T. Bertotti, G. (1985). Physical Interpretation of Eddy
Current Losses in Ferromagnetic Materials. I. The-
A contribuição deste trabalho é a metodologia utilizada oretical considerations. J. Appl. Phys., vol. 57, no
para a determinação das perdas no ferro e o modo de 6, pp. 2110 - 2126.
alimentação do quadro de Epstein. A maneira de ca-
racterização em função da variação da indução máxima Bertotti, G. (1988). General Properties of Power Los-
proposta neste trabalho parece ser de grande efetividade ses in Soft Ferromagnetic Materials. IEEE Trans.
em tornar evidente possı́veis imprecisões, tanto de cará- Magn., vol. 24, no 1, 1988, pp. 621 – 630.
ter experimental como nos modelos dos fenômenos em
questão. A formulação para a estimação das perdas em Errard, Serge. (1993). Determination et Analyse des
aço silı́cio proposta por Amar e Protat (1994) se mos- Pertes Supplementaires Developpees dans les Toles
tra eficaz e simples, carecendo ainda de um modelo para des Machines Alimentees par Convertisseur Stati-
perda por histerese. que. Tese de doutorado, L’Institut National Poly-
technique de Grenoble.
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Circuits Magnétiques: une Modélisation Complexe. Fiorillo, F., A. Novikov (1990). An Improved Appro-
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