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ANTIGO TESTAMENTO II

RESUMO GERAL DA DISCIPLINA

Introdução

O propósito deste resumo é apresentar de forma sistemática os principais conceitos normalmente


estudados em Antigo Testamento II na forma de perguntas e respostas para facilitar o estudo do aluno.

É importante observar que apenas alguns tópicos foram selecionados neste estudo dirigido para
possibilitar direcionamento ao processo de avaliação, mas nada pode substituir a leitura e estudo
diligente dos materiais didáticos que têm sido disponibilizados ao longo do curso.

Lembrete Importante: para efeito de avaliação da disciplina, somente as questões marcadas com duplo
asterisco (**) devem ser contadas, porém entenda que este resumo abrange todo o material estudado
em classe e o restante dos materiais didáticos complementares fornecidos para estudo dos alunos via e-
mail.

1. O que são as narrativas bíblicas?**

As narrativas são histórias que podem ser simples ou complexas, com personagens e tramas
específicas, e, no caso bíblico, verídicas. Elas nos contam acerca de coisas que aconteceram
mostrando-nos Deus operando no dia-a-dia do Seu povo, glorificam-no e nos ajudam a compreendê-lo
melhor e dar o devido valor a Ele, como também, nos dão um quadro de Sua providência e proteção. Por
outro lado nos fornecem ilustrações vívidas de muitas outras lições que nos são importantes para nossas
vidas. (No processo da revelação progressiva é, literalmente, Deus “andando e vivendo” no meio dos
homens, onde, as narrativas ensinam por meio da experiência de outros com Deus).

2. O que NÃO são ou NÃO fazem as narrativas bíblicas?**

a. Não são apenas histórias acerca de pessoas que viveram, mas, o que Deus operou para e por
meio daquelas pessoas.

b. Não são alegorias ou histórias cheias de significados ocultos

c. Nem sempre informam todas as coisas que aconteceram, como, para quê ou porquê
aconteceram.

d. Não respondem a todas as perguntas nem tratam e todos os assuntos referentes à vida dos
seres humanos ou do próprio Deus.

e. Não são generalizantes, mas limitadas àquilo que está sendo enfocado especificamente pelo
contexto.

f. Nem sempre ensinam de modo direto, portanto, repassar seus ensinamentos de forma pura e
simples como se fossem leis pode nos levar muito distante do propósito de Deus e de seu autor
humano.

g. Não possui necessariamente uma lição moral individual como se cada citação, evento ou
declaração tivesse uma mensagem especial para o leitor.

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3. Quais são os três níveis das narrativas bíblicas? Explique.**

a. O nível superior (1º): é aquele do plano universal inteiro de Deus englobando toda a humanidade
em Seu eterno propósito através da Sua criação.

b. O nível intermediário (2º): centralizando-se em Israel como meio de revelação de Deus aos
homens, e, fique-se claro este Seu propósito no que tange à escolha de Israel como nação
separada das demais “por um tempo”.

c. O nível inferior (3º): onde se acham as centenas de narrativas individuais que juntas perfazem os
dois outros níveis.

4. Como os níveis das narrativas bíblicas se interrelacionam?

Cada narrativa individual é, pelo menos parte da narrativa no nível intermediário, isto é, a história de
Israel em relação ao mundo, que por sua vez, faz parte da narrativa ulterior, ou superior da criação de
Deus e Sua luta pela redenção dos homens. Esta narrativa superior vai além dos limites do Antigo
Testamento através do Novo Testamento pelo qual pode se confirmar a palavra apostólica que diz que a
revelação anterior era a sombra do que haveria de vir, e, o que veio foi Cristo como revelação plena da
vontade de Deus.

5. Quais são os princípios de interpretação das narrativas bíblicas?**

a. Geralmente uma narrativa do A.T. não ensina diretamente uma doutrina, mas ilustram doutrinas
ensinadas de modo proposicional em outros lugares. (entenda-se propósito)

b. Elas registram o que aconteceu, não necessariamente o que deveria ter acontecido.

c. As personagens das narrativas estão longe de ser perfeitas bem como suas ações.

d. Nem sempre a narrativa nos informa se aquilo que aconteceu foi bom ou mau (descritivamente).

e. Todas as narrativas são seletivas e incompletas aparecendo apenas o que o autor inspirado
considerou relevante para que soubéssemos.

f. As narrativas não respondem a todas às nossas perguntas. Têm propósitos limitados,


específicos e particulares.

g. As narrativas podem ensinar de modo explícito, declarando algo de modo claro, ou implícito, ao
subentender alguma coisa sem declará-la abertamente.

h. Deus é o herói – protagonista de todas as narrativas bíblicas.

6. Quais são os principais erros na interpretação das narrativas bíblicas? Explique.**

a. Alegorização: não se ater ao significado claro do texto, procurando nas entrelinhas palavras ou
mensagens ocultas que imaginam existir relegando ao texto outro significado que não o apoiado
pelo contexto natural do mesmo.

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b. Descontextualização: provocado pela falta do conhecimento dos contextos integrais históricos e


literários fazendo com que um texto signifique qualquer coisa que se queira.

c. Seletividade: atenção excessiva a detalhes, escolha de palavras e frases para concentrar seu
estudo sem prestar a devida atenção ao restante do documento perdendo assim o alcance
global da passagem.

d. Combinação falsa: a famosa colcha de retalhos na formação de uma pregação ou mensagem


catando aqui e ali pequenos trechos desconexos a fim de apoiar uma determinada idéia.

e. Redefinição: a tentativa de fornecer emoção ou mais espiritualidade a um texto com dificuldades


de compreensão. É muito complicado tentar transformar Davi em um perfeito modelo de
cristianismo.

f. Autoridade extracanônica: busca de contra - provas utilizando outras fontes que não a própria
Bíblia sem as quais, alega-se não alcançar o verdadeiro significado da mensagem divina
(seitas).

g. Erro de alvo: nenhuma narrativa da Bíblia foi escrita acerca do leitor, mas da personagem
esperando que seus erros e acertos dêem lições úteis para nossas vidas.

7. O que é o conceito da “Crítica da Narrativa”?

Trata-se da leitura de narrativas bíblicas, trechos maiores, livros inteiros ou até um conjunto de livros, à
luz de conceitos tirados da moderna crítica literária. Na crítica ou análise da narrativa, o texto bíblico é
visto como um fim em si, e não como um meio para outros fins. É vitral e não janela. Em segundo lugar,
o objeto de análise é o texto em sua forma final. Pouco importa como o texto veio a existir, se o autor
real se valeu de fontes ou não, etc. O enfoque é sincrónico, em contraposição ao aspecto diacrónico ou
genético que é privilegiado pelo método histórico. Por fim, a ênfase recai sobre a unidade do texto como
um todo. Leva-se em conta toda a narrativa, e não apenas um ou dois parágrafos.

8. O que é um enredo de uma narrativa?

Uma narrativa é feita de eventos, que são os acontecimentos da história. Aqui entra, não apenas o que
se faz (ações), mas também o que se diz (discursos) e pensa (idéias). O enredo é a estrutura ou o
arranjo dos eventos. O enredo interpreta os eventos, colocando-os numa seqüência (temporal e causal),
num contexto, num mundo narrativo, que interpretam seu significado. Todo enredo tem começo, meio e
fim. Uma seqüência de eventos ainda não constitui um enredo unificado. Importante, neste caso, é a
relação de causa e efeito. Alguém disse que a simples seqüência, "o rei morreu e então a rainha
morreu", ainda não forma um enredo (E.M. Forster).

9. Cite alguns tipos de enredo comuns na literatura histórica bíblica.

Enredos podem ser de vários tipos, dependendo do seu desenlace. Existem enredos trágicos, em que
um personagem essencialmente bom acaba se dando mal por um deslize de sua parte. É o caso das
histórias de Adão, Jefté (Jz 11), Sansão, e Saul. A parábola do Filho Pródigo (Lc 15.11-32) termina sem

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que o conflito entre o pai e o filho mais velho esteja resolvido. Tem um final aberto e, num certo sentido,
o enredo é trágico. O Evangelho de Marcos, terminando em 16.8, tem um final "trágico", pois o conflito
entre Jesus e seus discípulos (traição, negação, fuga) ainda não foi resolvido. Uma variação desse
enredo é o enredo punitivo, em que o vilão é castigado. Exemplos são as histórias de Jezabel, Acabe e
Absalão. No enredo cômico, o personagem com o qual o leitor simpatiza passa de uma situação difícil ou
infeliz para a felicidade ou a realização. É aquele em que tudo termina bem, como, por exemplo, as
histórias de Abraão, José, Rute e Ester. O livro de Amós, que termina com um oráculo de salvação, tem
um final "cômico", ou seja, um final feliz.

10. O que são os “cenários” de uma narrativa ou literatura histórica? Exemplifique.

O lugar onde se passa uma história é chamado de cenário. Um cenário pode ser ao mesmo tempo físico,
temporal e cultural. Os livros de Ester e Daniel têm um cenário físico palaciano. O livro de Rute se passa
num ambiente cultural de hostilidade entre israelitas e moabitas.

Que conhecimento do contexto cultural o escritor espera do seu leitor implícito ou ideal? Qual o cenário
espacial (monte, templo, etc), temporal e social desse episódio e como isto contribui para o tom da
narrativa? Os cenários são peculiares a este texto? Como se descreve o ambiente físico e essa
descrição é característica da narrativa como um todo? Em termos de cenários temporais, que tipos de
referências cronológicas aparecem nesse episódio? Quanto aos cenários sociais, qual o contexto cultural
daquilo que se passa nesse episódio? O que se espera que o leitor saiba a respeito de instituições
políticas, classes sociais, sistemas econômicos, costumes, etc? De que modo esta informação influencia
a interpretação deste episódio no contexto da narrativa como um todo?

11. Como se caracterizam os personagens nas narrativas bíblicas?

Descritivos: Os atores da história, aqueles que executam as diferentes atividades que fazem parte do
enredo, são os personagens. Personagens podem ser caracterizados de diferentes maneiras. Podem ser
descritos, isto é, o narrador diz como eles são ou fala a respeito deles. Na Bíblia, isto não é muito
comum. No entanto, exemplos aparecem em Gn 39.6: "José era um belo tipo de homem e simpático"; Et
2.7: "Ester, uma moça bonita e formosa"; Mt 1.19: "José... sempre fazia o que era direito"; e Lc 1.6:
"ambos eram justos diante de Deus".

Auto-apresentados: O narrador pode deixar que o personagem se apresente. No AT, Jó fala de Sl,
insistindo ser inocente. Paulo fala de Sl em seus discursos, em Atos. Mas o grande exemplo é Jesus,
que explica quem ele é e o que veio fazer.

Mostrados em ação: Personagens podem também ser mostrados, ou seja, o narrador apresenta o
personagem em ação e cabe ao leitor decidir quanto às características do mesmo. Assim, Jacó aparece
como um trapaceiro; Rute, como uma mulher gentil; Jesus, como aquele que tem autoridade e
compaixão. Aliás, os evangelistas preferem este método, ou seja, preferem mostrar a descrever. Nas
parábolas, que são histórias (mais breves) dentre da história (maior), é muito raro o personagem que é
descrito.

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Apresentados por terceiros: Por fim, o leitor pode ser informado a respeito dos personagens pelo que
outros personagens fazem, dizem, pensam ou crêem a respeito deles. Saul, por exemplo, diz a Davi:
"Você está certo, e eu estou errado" (ISm 24.17).

12. O que dizer dos milagres na literatura histórica do Antigo Testamento?**

Uma vez que nos relatam a história do plano redentor de Deus, não admira que os livros históricos do
Velho Testamento contenham um certo número de milagres, especialmente o Pentateuco e outros livros
posteriores. Sirvam de exemplo a travessia do rio Jordão, a queda dos muros de Jericó relatados em
Josué, as façanhas de Sansão descritas no livro dos Juízes, e os milagres dos profetas Elias e Eliseu tão
pormenorizadamente narrados nos livros dos Reis. Ainda que muitos críticos ponham em dúvida a
historicidade de tais narrações, não passa de subjetiva a argumentação que apresentam. O Senhor é um
Deus que "opera maravilhas", sem que por isso vá de encontro às leis da Natureza. Já que a redenção
da humanidade é o Seu maior milagre, não seriam de esperar outros milagres para que se realizasse
essa magnífica obra? Nada melhor para conhecermos Deus que esses sinais e manifestações do Seu
poder, que se faz sentir, sobretudo, nas grandes crises da história do Seu povo. Em muitos casos, é
possível que os acontecimentos resultassem de causas naturais; efetivamente, assim por vezes o indica
a Bíblia. Mas, supondo que se apresentassem semelhantes explicações, há sempre a considerar o
milagre da precisão do acontecimento.

13. O que caracteriza a presença do elemento humano nas narrativas do AT?

Um traço característico desta literatura histórica é o fato de não incluir qualquer alusão ao culto dos
heróis, à divinização das criaturas. Os homens e as mulheres, desempenhando o simples papel de
testemunhas (#Hb 12.1), são apresentados tal como eram, com suas virtudes e seus defeitos, a sua fé e
as suas dúvidas, a sua justiça e os seus pecados. Abraão é retratado não só como o homem que
acreditou no Senhor (cfr. #Gn 15.6), mas também como o homem que duvidou (cfr. #Gn 17.17). Embora
Davi fosse o homem "segundo o coração de Deus", não deixa de narrar-se o seu comportamento
escandaloso com a esposa de Urias, (adultério e homicídio) que, sendo notório, desagradou aos homens
e "pareceu mal aos olhos do Senhor" (#2Sm 11.27). O objetivo principal é dar-nos a entender, que a fé
destas "testemunhas" não é fruto de méritos próprios, mas exclusivamente um dom de Deus. E assim
como o Senhor fez destas criaturas arautos infatigáveis da fé, o mesmo fará conosco, não obstante a
nossa fraqueza de espírito. Não há, pois, motivo para desespero

14. O que se pode afirmar das fontes documentais da literatura histórica do AT?

Os livros históricos abrangem um período muito mais extenso do que a vida normal dum homem. Não
admira que tenha de admitir-se a tradição oral ao lado de documentos escritos. Sabemos que foram
várias estas fontes. Nos livros de Josué e de Samuel alude-se ao "livro do Reto" (#Js 10.13; 2Sm 1.18).
Os livros dos Reis referem-se uma vez a um "livro dos sucessos de Salomão" (#1Rs 11.41), e
freqüentemente ao "livro das Crônicas dos reis de Judá" ou "dos reis de Israel". Não se confundam estas
obras com os livros bíblicos das Crônicas, podendo considerar-se aquelas como uma espécie de anais
da corte. O cronista cita um grande número de fontes, como, por exemplo, "as Crônicas do Rei Davi"

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(#1Cr 27.24); "as Crônicas de Samuel, o vidente" (#1Cr 29.29), que não se devem confundir com os
livros de Samuel; "as Crônicas do profeta Natã" e "as Crônicas de Gade, o vidente" (#1Cr 29.29); "as
profecias de Aías, o silonita" (#2Cr 9.29); "as visões de Ido, o vidente" (#2Cr 9.29 e #2Cr 12.15) ou "a
história do profeta Ido" (#2Cr 13.22); "os livros de Semaías, o profeta" (#2Cr 12.15); e, finalmente, uma
obra do profeta Isaías, filho de Amós (#2Cr 26.22), diferente do livro bíblico de Isaías. São ainda
freqüentes as alusões ao "livro dos reis de Judá e Israel", que não é o mesmo que o nosso livro bíblico
dos Reis, mas pode ser a mesma fonte a que o autor dos Reis se refere freqüentemente, isto é, aos
anais da corte.

15. Cite alguns valores práticos dos livros históricos para os tempos atuais.**

A finalidade dos livros históricos não é apenas a de demonstrar como Deus levou a cabo a Sua obra
redentora. Esses acontecimentos não passavam de "figuras... escritas para aviso nosso" (#1Co 10.11). A
oração de Elias, por exemplo, é sinal de que "a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos"
(#Tg 5.16); e os castigos de Israel aconselham-nos a fugir do pecado (cfr. #1Co 10.7-10). Em conclusão,
os livros históricos são a Palavra de Deus, que nos estimula através de exemplos edificantes a seguir o
caminho do bem.

16. Como a narrativa bíblica transmite a verdade de Deus como revelação?**

As histórias bíblicas não são meras ilustrações de algo maior, como, por exemplo, uma idéia ou um
conceito; elas mesmas são a mensagem. Nenhum escritor bíblico faz pausa para dizer: "Vou contar uma
história, para ilustrar o que estou querendo dizer". O que ele está querendo dizer, a revelação,
freqüentemente vem na forma de histórias. Existe o que se chama "história da salvação". Dito de outra
forma, a história ou narrativa é um gênero que também transmite a verdade. A pergunta é: Como ela faz
isso? Resposta: Ela faz isso do seu jeito. Ela ensina de forma indireta. Em vez de afirmar uma verdade
em forma de tese, o contador de histórias apresenta exemplos que ensinam este ou aquele princípio,
este ou aquele aspecto da realidade. Cabe ao leitor a tarefa de deduzir do que se trata.

17. Qual a posição do Novo Testamento referente às narrativas do Antigo Testamento?

Os personagens bíblicos do Novo Testamento aceitam como autênticos o entrecho histórico do Velho
Testamento. Jesus Cristo, por exemplo, alia Moisés à Lei e atribui a Davi o #Sl 110. Os apóstolos
aceitaram todos os acontecimentos de vulto do Velho Testamento desde Adão e da queda (#1Tm 2.13-
14) até à travessia do Mar Vermelho (#1Co 10.1), desde a história de Balaão (#2Pe 2.16) e da queda de
Jericó (#Hb 11.30) à libertação sob os Juízes (#Hb 11.32) e aos milagres de Elias (#Tg 5.17)..

18. Qual foi a tese suportada pelos reformadores quanto à interpretação da Bíblia?

Foi a tese do auto-testemunho da Bíblia que os Reformadores arquitetaram a sua teoria da Sagrada
Escritura, precisamente porque antes e acima de tudo a sua teologia era uma teologia de fé-uma
teologia revelada. Daí, o ponto de partida: a resposta da fé ao problema da mensagem bíblica, que
aceitaram ipsis verbis e, em obediência à mesma, procuraram compreender a Bíblia, tal como a Bíblia se
compreendia a si própria. Em suma, a máxima dos reformadores era de que a Bíblia explica a si mesma.

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Os Reformadores acreditavam, pois, que a Bíblia fora outorgada por Deus, e nessas condições pelo
mesmo Deus inspirada, tanto no conteúdo como na forma.

19. Como os reformadores harmonizaram o Espírito e a Letra?

Os Reformadores acentuaram a importância da letra da Bíblia, mas não à custa da soberania do Espírito
Santo na aplicação e no uso da sua mensagem. Na opinião dos Reformadores o Espírito Santo não era
apenas o autor da Escritura, pois também determinou a aplicação da mesma àquele duplo fim, e deu ao
crente uma persuasão interior da autoridade daquela mensagem como verdade revelada. Quanto ao
primeiro destes pontos nada há a acrescentar, a não ser o seguinte: enquanto se admite a clareza dum
texto bíblico, de fácil compreensão, portanto, por outro lado, para uma compreensão mais profunda, mais
íntima, algo mais é necessário que a simples inteligência racional. Para bem se apreender a Escritura,
requer-se aquela luz do Espírito Santo, que é para o indivíduo o complemento indispensável da
revelação exterior de Deus.

20. O que diz a teoria do Protestantismo Liberal sobre a autoridade das Escrituras?

Trata-se dum movimento moderno em todo o sentido, de grande projeção no mundo protestante, não só
por parte dos teólogos, mas também dos ministros, que sem dúvida, dão diferentes aspectos ao assunto.
Roma ataca e destrói a autoridade da Bíblia, não pelo fato de lhe negar inspiração divina, mas por
admitir outra autoridade, que a priva da que lhe é devida. O liberalismo histórico nada sabe destes
métodos sutis de penetração pacífica, pois ataca a Bíblia de frente, ao negar em absoluto a divina
natureza da sua autoridade, concedendo apenas uma autoridade limitada e relativa, de caráter
meramente humano.

21. Cite as principais teorias da teologia liberal e explique:

a. O Racionalismo que, com o Neologismo alemão, pensou reduzir o Cristianismo revelado ao nível
duma religião racional, ou então, como Voltaire, supor a religião de Cristo contrária à razão.

b. O Empirismo ou Historicismo, cujo principal objetivo foi estudar o Cristianismo e todos os seus
fenômenos apenas à luz da observação histórica.

c. O Poetismo, com Herder e outros críticos, que vêem na Bíblia um livro de poesia primitiva em
que as verdades religiosas, em parte racionais, em parte emocionais, são apresentadas sob uma
forma estética.

d. O Pietismo sentimental, com Schleiermacher à frente, a admitir as doutrinas do Cristianismo


(incluindo a da Sagrada Escritura) como interpretáveis à luz da experiência sentimental do
indivíduo, e não à luz da razão, da história ou da poesia.

e. O Idealismo filosófico, representado por Hegel, que admitiu uma nova interpretação baseada
numa filosofia diferente: a filosofia do "eu" pensante.

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22. Qual o resultado final da teologia liberal protestante?

Primeiramente na negação da Divindade transcendente e dos atos sobrenaturais de Deus, o que quer
dizer que a Bíblia deve ser interpretada como razão, história, poesia, religião, mas não como Palavra de
Deus. A Bíblia é reduzida à condição de simples livro de caráter humano, embora fora do vulgar, mas
não superior a qualquer outro livro. Como tal, a Bíblia deve ser estudada à luz de outros livros de
religião, de poesia, de história ou mesmo da verdade racional. Inspirada? Sim, mas do mesmo modo que
o são todos os outros livros, pelo Deus imanente em todas as coisas. Como tudo o que é humano a
Bíblia está sujeita a erro; portanto não pode ser apreciada como mensagem divina, como Palavra da
salvação, mas apenas como obra da inteligência humana. Ao investigá-la, interessam mais as questões
da autoria, da data, das circunstâncias, do estilo, do desenvolvimento do pensamento, que a questão
fundamental, a do conteúdo da revelação do Criador, Nosso Senhor e Salvador.

23. Qual a visão racionalista da produção dos livros históricos?**

Os autores defendem que boa parte do Pentateuco é uma criação da monarquia da época de Josias,
elaborada para defender a ideologia e as necessidades do reino de Judá. E que a Obra Histórica
Deuteronomista foi igualmente compilada, em sua maior parte, no tempo do rei Josias, para fornecer
suporte ideológico para sua reforma política e religiosa. Ou seja, na verdade, tanto o Pentateuco quanto
a literatura histórica fazem parte de uma grande fraude documental não havendo qualquer historicidade
nos personagens deste período.

24. O que é o modelo da Retribalização proposto por Gottwald?

Gottwald propõe um modelo social para o Israel primitivo que segue as seguintes linhas: "O Israel
primitivo era um agrupamento de povos cananeus rebeldes e dissidentes, que lentamente se ajuntavam
e se firmavam caracterizando-se por uma forma antiestatal de organização social com liderança
descentralizada. Esse se desligar da forma de organização social da cidade-estado tomou a forma de
um movimento de 'retribalização' entre agricultores e pastores organizados em famílias ampliadas
economicamente auto-suficientes com acesso igual aos recursos básicos”.

25. Quem era Israel quando Deus os “tomou” da história para “fazer deles uma grande
nação”?**

a. Socialmente eles eram pobres, não tinham escolas nem governo e um sistema social
subdesenvolvido

b. Economicamente eles não tinham terra, indústria, agricultura.

c. Politicamente eles não tinham representatividade e não tinham exércitos.

d. Espiritualmente eles não tinham uma religião e aprenderam a opressão da idolatria sob o poder
da maior nação de sua época.

e. Historicamente eles tinham sido oprimidos e feitos reféns de uma situação tornando-se uma
etnia de escravos

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f. Naquele momento, de modo estático, eles eram, sem dúvida, o maior e mais subdesenvolvido
povo que já existiu na face da Terra.

26. Qual era a visão religiosa dos povos antigos nos tempos do Êxodo?**

Os povos antigos achavam necessário ter algum tipo de religião. Um agnóstico ou "livre-pensador" teria
passado por maus momentos entre os egípcios, os heteus, ou até entre os gregos e os romanos. A
religião estava por toda a parte. Era o âmago da sociedade antiga. O indivíduo adorava as divindades de
seu vilarejo, cidade ou civilização. Se ele se mudava para uma nova casa ou viajava por um país
estrangeiro, o dever obrigava-o a mostrar respeito pelas divindades do lugar. Todas elas participavam da
mesma visão do mundo, que se centrava na localidade e seu prestígio. As diferenças entre as religiões
dos sumérios e dos assírio-babilônios ou entre as religiões dos gregos e dos romanos eram muito
pequenas.

27. Quais eram as principais características das religiões dos povos antigos?**

Em sua maioria, essas religiões eram politeístas, o que significa que reconheciam muitos deuses e
demônios. Cada cultura herdava idéias religiosas de seus predecessores ou as adquiria na guerra. Em
outras palavras, a idéia que se tinha do deus era a mesma; apenas o invólucro cultural era diferente.
Outro traço comum da religião pagã era a iconografia religiosa (fabricação de imagens ou totens para
adoração) e a maioria das religiões pagãs retratava seus deuses de maneira antropomórfica (isto é,
como seres humanos). A maioria das religiões pagãs sacrificava animais para acalmar seus deuses, e
algumas até sacrificavam seres humanos.

28. Como eram os deuses do mundo antigo?**

Os principais deuses muitas vezes estavam associados a algum fenômeno natural. As culturas pagãs
não faziam distinção alguma entre um elemento da natureza e a força por trás desse elemento. Os
deuses eram considerados como caprichosos e excêntricos, capazes de fazer o bem ou o mal onde os
deuses tinham a mesma sorte de problemas e frustrações que os seres humanos. Este conceito chama-
se monismo. A crença nestes deuses proclamava a auto-salvação, pois a importância da representação
dos deuses como seres humanos é que os deuses pagãos eram meramente seres humanos ampliados
extrapolando o conceito de “Imagem e Semelhança”.

29. O que deveria significar o monoteísmo para Israel?**

No mundo antigo, só Israel era totalmente monoteísta. Mas não é simplesmente uma questão de
número. Segundo W. F. Albright, o monoteísmo é "a crença na existência de um único Deus, que é o
Criador do mundo e o doador de toda vida. . . .[é] tão superior a todos os seres criados. . . que
permanece absolutamente único". Isso fazia que Israel fosse radicalmente diferente de seus vizinhos
pagãos e o colocasse na contramão de direção de todos eles. Por outro lado Israel tinha a missão de
apresentar o único e verdadeiro através da forma externa de sua religião, suas práticas, sua
honestidade, sua justiça, seu testemunho, seu poder e sua prosperidade. Assim todas as nações
saberiam que “Deus” é o Senhor!

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30. O que era a adivinhação no mundo antigo?

Segundo a interpretação dos povos antigos, adivinhação é uma tentativa para interpretar a vontade dos
deuses mediante o uso de técnicas mágicas. Os pagãos criam poder utilizar a perícia e a engenhosidade
humanas para conseguir que os deuses lhes transmitissem conhecimento acerca de determinadas
situações.

31. Quais eram os principais métodos de adivinhação adotados pelos povos antigos?

Em geral, a adivinhação adotava o método indutivo ou intuitivo.

No primeiro caso, o adivinhador observa os eventos e através deles tira suas conclusões. O método
mais comum era observar os órgãos internos de ovelhas ou bodes. Havia também a lecanomancia
(deixar cair gotas de azeite num copo d'água e observar os desenhos que aparecem) ou a libanomancia
(observar as várias formas da fumaça do incenso).

Na adivinhação intuitiva a atividade do adivinhador é mais de observador e intérprete. O tipo mais


divulgado de adivinhação intuitiva era a interpretação dos sonhos (oniromancia), as menologias e
hemerologias. O primeiro arrolava os meses do ano e dizia quais os favoráveis para determinadas
atividades. O segundo arrolava ações que a pessoa devia executar, ou evitar, para cada dia do mês. A
astrologia nasceu como resultado de tudo isso.

32. Que acesso tinha o homem comum aos deuses? Como isto se diferencia na Bíblia?**

A vasta maioria dos textos religiosos pagãos, ao falarem de templos, ofertas, sacrifícios e clero pagãos,
estão descrevendo a religião do rei. Geralmente não se aplicam ao homem comum. "O homem comum. .
. permanece incógnito, o mais importante elemento desconhecido da religião da Mesopotâmia."6 Por
certo poderia dizer-se o mesmo quanto ao Egito. Era inimaginável que o "homem da rua" recebesse
revelações divinas. Isso era prerrogativa dos reis. O abismo entre as Escrituras cristãs e as religiões
pagãs é enorme neste ponto. No Antigo Testamento, Deus fala não só a líderes como Moisés e Davi,
mas também a prostitutas, párias, pecadores e outros. Por exemplo, note-se que a primeira pessoa de
quem a Escritura diz que estava "cheio do Espírito de Deus" era um homem por nome Bezalel (Êxodo
31:1, 2), feitor encarregado da construção do tabernáculo.

33. Qual o significado dos templos nas religiões pagãs?**

Quer no Egito, quer na Mesopotâmia, os pagãos criam que seus deuses moravam nos templos para eles
construídos. Assim sendo, consideravam o templo como um lugar sacrossanto. Hinos aos templos são
muito comuns na literatura pagã.

Neste aspecto, a oração de dedicação que Salomão fez no templo de Jerusalém revela uma ênfase
antipagã muito clara. Consideremos este versículo: "Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os
céus, e até o céu dos céus, não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei" (1 Reis
8:27).

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34. Como era a “mediação” sacerdotal e profética entre os deuses e os homens no mundo
antigo?

O rei pagão administrava o templo e executava os serviços sacer-dotais para seus deuses. Ele era tido
na conta de mediador entre o homem e os deuses. Reinava para os deuses (como na Mesopotâmia), ou
em lugar do deus (como no Egito).

Incidentalmente, aqui encontramos um dos característicos mais distintivos da fé bíblica. As religiões


pagãs nunca produziram porta-vozes que se aventuravam a contraditar o rei, como o faziam os profetas
bíblicos. Os pagãos não tinham conceito algum de "imunidade profética". Somente em Israel podia um
rei ser censurado por um profeta com as palavras: “Tu és o homem" (2 Samuel 12:7). Afinal de contas,
se o rei é soberano, divino, e dérigo principal, quem pode dizer-lhe que ele está errado? Foi por isso que
Jezabel, de origem fenícia, não conseguia entender por que seu marido israelita se humilhou diante do
profeta Elias (cf. 1 Reis 16:31; 21:6, 20-27). Este conceito foi, de certa forma, reerguido na Idade Média.

35. O que consistia a prática da prostituição sagrada em Canaã?**

Em Canaã, o mistério da fertilidade no homem, nos animais e na terra explicava-se mitologicamente por
uma coabitação divina; assim, a prostituição sagrada, tanto do macho como da fêmea, era considerada o
meio de promover a fertilidade e tornou-se uma parte integrante da religião. A natureza bissexual da
divindade era proclamada em todos os santuários cananeus pela presença do mazebá e do ascra (ver
#1Rs 14.23 nota) os quais representavam, respectivamente, o aspecto viril e o aspecto feminino da
divindade (a mudança de gênero em #Jr 2.27 é provavelmente irônica). É de somenos importância saber
se a última representava Asera, a deusa mãe dos cananeus (cfr. #1Rs 15.13 nota) e o primeiro algum
deus especifico do sexo masculino ou se ambos representavam o reconhecimento geral da
universalidade do sexo.

36. Qual era o papel do Rei-Divino na Mesopotãmia?**

Na Mesopotâmia, o homem mais importante do estado era o rei. Não era um deus, como no Egito, mas
era, de maneira especial, o representante dos deuses e podia guindar-se à divindade; o título que hoje
lhe dá-o de "rei divino" não é, portanto, inadequado. Não era apenas a mais alta autoridade civil do
estado, mas também o seu chefe religioso. Nos grandes festivais, havia certos ritos que só ele podia
executar ou só na sua presença eram executáveis; embora, de uma maneira geral não reclamasse, para
si, poderes proféticos, ele era, em última análise, aquele a quem os deuses tornavam conhecida a sua
vontade. Quando vemos Saul se dispondo a oferecer sacrifícios para obter o favor de Deus devido ao
suposto atraso de Samuel, encontramos claros sinais desta crença em seu tempo (1 Samuel 13). O
apaziguamento de demônios (cfr. #2Cr 11.15 nota), o culto dos mortos etc. eram de importância.

37. Quais são as principais características do Deus de Israel revelado no Sinai contraposto
com os deuses “ocupantes” de Canaã.

Jeová, que Se revelou no Sinai, (1) não era um deus da natureza. Situava-se para lá dela e era seu
Criador. A constância da natureza não era uma necessidade que lhe fosse imposta, antes dependia da

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Sua vontade (#Gn 8.22). (2) Era supra-natural e por isso não havia imagens ou concepções humanas
capazes de o expressar. (3) O tributo que exigia dos homens, embora racional, jamais poderia ter sido
deduzido pelo homem natural. Ele de nada precisava, nada os homens Lhe podiam oferecer; a religião e
o culto de Israel eram não tanto ofertas do povo a Deus ou meios pelos quais ele colaborava na Sua
obra, como dádivas de Deus ao seu povo. (4) O poder sobrenatural de Jeová revelou-se no êxodo. Aí Se
revelou como Senhor da história e da natureza. A experiência humana não é, pois, para a Bíblia, um
ciclo infindo e desprovido de significado, mas um progresso e um caminho cujo objetivo é fixado, pelo
próprio Jeová.

38. Quais foram algumas marcas da “Cananeização” do culto a IEHOVAH?

Os israelitas comum deram a Jeová uma interpretação cananéia tomando-o como o maior dos deuses e
não como Deus único, fazê-Lo descer ao nível da, natureza e, por conseqüência, considerá-Lo natural e,
num plano igualmente natural, interpretar os Seus mandamentos.

Salomão muito contribuiu para criar uma atmosfera favorável a essa religião "cananeizada", revestindo
de suntuoso esplendor um templo que, para o homem simples, era a própria habitação de Jeová e,
sobretudo, facilitando a adoração de outros deuses (#1Rs 11.1-8).

Jeroboão, aceitando o princípio de "realeza divina", tornando a festa do Outono a mais importante não só
no conceito do povo mas, por direito e sobretudo, escolhendo o touro para pedestal de Jeová e símbolo
da Sua presença (#1Rs 12.28 nota), consumou a progressiva cananeização da religião de Israel.

A freqüente descoberta em todos ou quase todos os centros Israelitas de pequenas figuras de deusas-
mães e a freqüente alusão a Asera, como símbolo e como deusa, dão-nos praticamente a certeza de
que a mente popular atribuía uma esposa a Jeová, embora nada faça supor que se Lhe atribuíssem
filhos.

39. Quais eram os tipos de “lugares altos” no culto cananeizado a IEOVAH?

Os santuários locais ou "altos" (#1Rs 3.2-3 nota; 15.14 nota) eram de dois tipos. Uns representavam a
continuação ou ressurgimento dos velhos santuários cananeus, nos quais, se perpetuavam as tradições
cananéias. Estes desapareceram com a reforma de Asa (#2Cr 14.3 nota), mas tudo indica que
ressurgissem no reinado de Jorão. Outros eram santuários de Jeová, legítimos ou ilegítimos de acordo
com a interpretação que se der à legislação do livro do Deuteronômio. Mas como na maior parte
representavam idéias religiosas de caráter popular, tornavam-se um perigo cada vez maior; foi o
reconhecimento deste fato que levou Ezequias e Josias a considerarem necessária a sua destruição

40. Quais eram as implicações religiosas das alianças políticas firmadas entre os povos?

No mundo antigo nada havia de puramente secular e consideravam-se os deuses dos diferentes países
tão envolvidos nas questões internacionais como os próprios cidadãos desses países. É o que se verifica
claramente no discurso do Rabsaqué (#2Rs 18.33 e segs.) em que a conquista de cidades equivale a
uma conquista dos respectivos deuses. Nos tratados egípcios e heteus ainda existentes, os deuses dos
países são invocados como testemunhas. Segue-se, pois, que ao entrar Israel em alianças

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internacionais, Jeová, na concepção popular, entrava também em negociações com os deuses dos
países em questão. No tipo de aliança feita entre Salomão e Hirão de Tiro ou entre Asa e Ben-Hadade
de Damasco, Jeová era essencialmente colocado ao mesmo nível dos deuses destes países. A situação
acarretava, por seu turno, a decadência religiosa descrita nos livros históricos e proféticos da Bíblia.

41. Que papel Israel desempenhava nas alianças firmadas com as outras nações?

Ao entrar em alianças políticas com a Assíria e o Egito, Israel desempenhava o papel do aliado mais
novo, o que implicava, na esfera religiosa, uma posição igualmente inferior para Jeová. No primeiro tipo
de aliança, as implicações religiosas poderiam passar despercebidas a todos, exceto aos profetas; mas
no último, eram por demasiado óbvias. Considerar Jeová como mera deidade da natureza era simples
lógica religiosa para Acaz e Manassés; e não a deidade mais importante, antes uma das muitas
existentes na vasta família de deuses e inferior às deidades da Assíria. Seria necessária a visão de
Isaías (#Is 10.5-27) para reconciliar a vassalagem de Judá com a deidade única de Jeová. Outras
possíveis implicações de alianças políticas são as que nos demonstram os resultados do casamento
político de Acabe e Jezabel. Esse casamento legalizou o culto do Baal Tírio em terras de Israel. Tais
casamentos políticos eram particularmente indesejáveis pela influência exercida pela rainha mãe sobre o
filho

42. Qual o caráter determinante da literatura histórica do Antigo Testamento?

O caráter da literatura histórica é determinado pelo lugar que ocupa nos planos da revelação de Deus
para a redenção da humanidade. A finalidade é, portanto, revelar o que o Senhor, na Sua misericórdia
determinou para salvar o homem. É deste modo que ao Pentateuco se pode chamar a base da
revelação, desde a criação do mundo até ao estabelecimento duma aliança com Israel, em que se
expõem as condições dessa aliança. O livro de Josué mostra como o Senhor leva o povo escolhido à
Terra Prometida, em conformidade com aquela aliança. A história que se segue, todavia, vai dizer-nos
que só pela Lei não é possível a salvação. Como então? A redenção dos pecadores só poderia ser
efetuada pelo Filho de Deus encarnado. Os livros dos Juízes, de Samuel e dos Reis lembram a
apostasia de Israel, a que já os últimos versículos de Josué fazem referência: "Serviu, pois, Israel ao
Senhor todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que ainda viveram muito depois de Josué, e
sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel" (#Js 24.31). Nestas palavras se resume a história
da religião de Israel, que assim abandonava o seu Deus.

43. Qual é a base conceitual para todos os temas desenvolvidos nos livros históricos?**

A base conceitual para a literatura narrativa do Antigo Testamento encontra-se no Pentateuco. Deus
firmou uma aliança com o povo de Israel, os filhos de Abraão e dando-lhes a promessa de fazê-los
numerosos como as estrelas do céu, lhes prometeu uma terra que mana leite e mel, terra das
peregrinações de seus pais, disse que seriam uma grande e poderosa nação e que, por meio da
consolidação destas bênçãos como prova viva da presença do Deus único e verdadeiro dentre eles, por
meio deles todas as nações da Terra seriam benditas. Os livros históricos simplesmente apresentam o

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desenvolvimento do processo de apresentação de Deus a este povo para que eles se tornassem
referência mundial para todo aquele que anseia por se aproximar deste Deus.

44. Como se explicam as guerras de extermínio dos cananitas pelos Israelitas?**

A destruição dos cananeus foi, em princípio, um benefício de caráter religioso, conforme no-lo afirma
insistentemente o texto sagrado, sendo o povo israelita o instrumento pelo qual Deus castigava os
perversos habitantes da terra. Assim como destruíra Sodoma e Gomorra pela mesma espécie de
corrupção sem necessidade de recorrer a instrumentos humanos, agora se serviu dos israelitas para
punir e desarraigar severamente a depravação cancerosa dos cananeus. Se na realidade o mundo é
governado por uma superior lei moral, não podemos deixar de admitir que a justiça se cumpra, quando
necessária (ver Isaías 24.5-6).

Note-se ainda que o extermínio, como necessidade religiosa, impunha restrições morais (roubo,
despojos), que seriam de admitir noutros casos. Não era o prazer do sangue e da chacina; apenas uma
ordem divina a cumprir.

Havia também um caráter preventivo. Se a religião dos hebreus devia conservar-se pura e imaculada,
toda e qualquer possibilidade de impureza tinha de ser afastada. Como? Só com medidas drásticas. Mas
se os hebreus tinham por missão transmitir ao mundo a Revelação divina, como explicar essa atitude
perante os outros povos? E se Israel também transgrediu, por que não sofreu idêntico castigo? Uma
coisa é certa: Para que Deus pudesse manter o Seu governo moral e para que Israel transmitisse a
mensagem divina ao mundo, convinha que se eliminassem os povos contrários a essa mensagem.

45. Fale sobre o Livro de Josué.**

O livro é universalmente designado pelo nome do seu herói maior, que domina o cenário do começo ao
fim do conteúdo. O nome no original significa "Salvação de Iavé" ou "Iavé é Salvador". Eqüivale ao nome
"Jesus", proveniente do grego (através do latim) que dependia do aramaico, que por sua vez dependia
do hebraico. Tanto na Bíblia Hebraica como na Septuaginta o nome do livro é o mesmo, Josué. O autor
de Josué é desconhecido. O texto em 24.26 diz, "Josué escreveu estas palavras no livro da lei de Deus",
o que na superfície poderia ser tomado como indicação do autor do livro todo. Torna-se claro, contudo,
que a referência aponta para a aliança registrada em 24.2-25. Como é claro no caso do Pentateuco é
também evidente que alguém registrava os acontecimentos principais da história de Israel enquanto
aconteciam. Não pode restar dúvida de que o tema do livro é "A conquista e a Divisão da Terra
Prometida". Ver 1.2; 12.7,24; e 13.7 como versículos chaves neste sentido. As ênfases no texto do livro
que são percebidas por uma leitura do livro todo também levam à esta conclusão.

46. Cite evidências que apontam para Josué como autor de, pelo menos, parte do livro que
tomou seu nome.

O uso da primeira pessoa no texto hebraico em 5.1: "... até que passássemos..." e 5.6: "... prometera a
seus pais nos daria...", embora no primeiro caso alguns manuscritos leiam "passassem".

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O pronome "vosso" em 15.4 sugere escrito autobiográfico, pois o autor se apresenta como encarregado
se dirigindo aos homens de Judá na segunda pessoa do plural.

Referências à "grande Sidom" em 11.8 e 19.28 e aos fenícios pela designação "os sidônios" em 13.4-6
sugerem uma data anterior ao século XII a.C.

O fato de os Filisteus não serem mencionados no livro como uma grande ameaça aos hebreus indica
uma data anterior a 1200 a.C.

47. Quais são os três aspectos principais da relação de Deus com os homens em Josué?

A fidelidade de Deus - Já há muito se falava na promessa feita a Israel de que um dia viria a ser senhor
da Terra Prometida. Mas o homem desobedecera e pecara. Iria porventura ser privado daquele
privilégio? Não. Os planos de Deus são infalíveis. E a promessa cumpriu-se em Josué.

A santidade de Deus - Podemos admirá-la no castigo infligido aos primitivos habitantes da terra. A
iniqüidade dos amorreus atingira o ponto culminante e Israel foi escolhido para castigar os seus crimes.
Mas a santidade de Deus exige que seja santo também o Seu instrumento. A guerra é também santa,
pois só pretende salvaguardar a santidade do instrumento e, no fim de contas, honrar a santidade da
mão que o orienta.

A salvação de Deus - A palavra Josué significa "Jeová é a salvação" e é a forma hebraica de Jesus, o
nome que está acima de todos os nomes. Será de surpreender que Josué tenha sido uma "figura" ou um
"símbolo" de Cristo? Por certo que não! E o livro não simbolizará também a nossa vitória em Cristo? A
travessia do Jordão era a morte; mas, para além dele, raiava uma aurora de plenitude, de felicidade e de
bênção, que também a nós está prometida. "Temamos, pois, que porventura, deixada a promessa de
entrar no Seu repouso, pareça que algum de vós fica para trás" (#Hb 4.1)

48. Do que trata o Livro dos Juízes?**

A isto se pode resumir o livro dos Juízes: "Os filhos de Israel deixaram ao Senhor, Deus de seus pais, e
prestaram culto aos deuses pagãos de Canaã, Baal e Astarote. Pelo que a ira do Senhor se acendeu
contra Israel, e os deu na mão dos seus inimigos. Todavia levantou o Senhor juízes que os livraram
desses inimigos. Mas quando morreu o juiz, voltaram à idolatria e de novo foram castigados e oprimidos"
(cfr., por exemplo, #Jz 2.11-23). Assim, até #Jz 15 sucedem-se com mais ou menos pormenores
diferentes narrações da atividade dos doze juízes. Os últimos capítulos limitam-se a registrar o estado
deplorável durante este período da história de Israel.

49. Quais foram algumas das conseqüências da ocupação parcial da terra pelos Israelitas?

A ocupação parcial da terra deixou Israel em permanentes dificuldades. Mediante a fraternização com os
habitantes, os israelitas participaram no culto a Baal, conforme apostatavam do culto a Deus. Os povos
particularmente mencionados de serem os culpados de que Israel se afastasse de Deus, foram os
cananeus, os heteus, os amorreus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. Durante este período de
apostasia, os matrimônios mistos conduziram a maiores abandonos no serviço e verdadeiro culto a
Deus. no curso de uma geração, o populacho de Israel chegou a ser tão idólatra que as bênçãos

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prometidas por Deus através de Moisés e Josué foram retiradas. Ao renderem culto a Baal, os israelitas
romperam com o primeiro mandamento do Decálogo.

50. Do que trata o Livro de Rute?**

A nossa Bíblia interrompe agora a história com o pequeno livro de Rute, e bem que a Bíblia hebraica o
apresente na terceira e última parte do Velho Testamento, num grupo separado, a que os judeus dão o
nome de "Escritos". O livro conta a história da moabita Rute, casada com um rico proprietário, de nome
Boaz, um dos antepassados de Davi. A introdução duma gentia na sagrada descendência de Davi, de
quem havia de nascer o Messias, vem demonstrar que a eleição de Israel não exclui os pagãos da
salvação do Senhor. Donde se infere, que o Salvador será o grande Redentor não só de Israel, mas de
todas as nações. Fato relevante é que as ações da família que levaram á esta inclusão de uma moabita
na linhagem futura da família real e posteriormente a semente messiânica não estavam necessariamente
alinhadas com as diretrizes alinhadas com Deus acerca de não sair da terra ou de se envolver
matrimonialmente com os estrangeiros. Mais uma prova de que Deus “abre mão de Seus direitos” por
amor dos seus eleitos apesar deles ainda pagarem o preço por sua desobediência.

51. Fale sobre os livros de Samuel, Reis e Crônicas.**

Os livros de Samuel e dos Reis contam o ressurgimento do país, sobretudo nos reinados de Davi e
Salomão, e por fim o seu declínio após a morte deste último. Na divisão do país sob Roboão e Jeroboão,
apresenta-se a história paralela dos reis de Judá e de Israel, terminando com a apostasia que levou à
destruição do norte do país e depois à catástrofe final do exílio no ano 586 a.C. O cronista resume toda a
história desde Adão em diante. Até à morte de Saul é, por assim dizer, uma breve genealogia; mas a
partir daí segue quase a par e passo os livros de Samuel e dos Reis. Após a divisão do reino, limita-se
quase só a descrever os acontecimentos relativos ao reino de Judá. Quando os livros das Crônicas,
porém, se cingem a relatar os mesmos acontecimentos que os livros de Samuel e dos Reis, não os
reproduzem literalmente. É o que se verifica com as narrações da vida de Jesus Cristo pelos quatro
evangelistas. A "crítica" nem sempre é favorável ao autor das Crônicas. Mas o fato de mencionar certos
acontecimentos que Samuel e os Reis passam em silêncio, ou então omitir outros que aqueles livros
registram, leva-nos a colocá-los ao lado dos evangelistas, de cuja probidade ninguém duvida. Dum modo
especial note-se como o cronista se interessa principalmente por tudo o que se relaciona com as
cerimônias do culto, deliciando-nos com inúmeros pormenores interessantes, que os outros livros
passam em silêncio.

52. Como Samuel provavelmente era visto entre os judeus?

O fato de os livros terem o nome de Samuel é suficiente para demonstrar a estima em que ele era tido.
Assim, entre os judeus era considerado um chefe nacional, um segundo Moisés. Se este libertou Israel
das garras dos egípcios, dando-lhes uma lei e levando-os até à vista da Terra da Promissão, Samuel foi
por Deus enviado para libertar também Israel, quando já as esperanças pareciam perdidas. Sob o ponto
de vista espiritual e político a nação parecia virtualmente perdida, quando Eli estava prestes a deixar

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esta vida (cfr. #1Sm 4.12-22; #Sl 78.59-64; #Jr 26.6). Com Samuel surgiu uma maravilhosa renovação
espiritual e uma nova esperança inundou os corações (#1Sm 7).

Julgam muitos ser Samuel o fundador das escolas dos profetas, que durante séculos tão profunda
influência exerceram na vida da nação. À volta destas escolas não só se respirava o ambiente da vida
espiritual de Israel, mas ainda o de sua vida cultural e educativa. Se Moisés promulgou a Lei, foi Samuel
quem garantiu que ela fosse propagada juntamente com outras revelações de Deus

53. O que foi o Reino Unido? E o Reino Dividido?**

O reino unido foi o tempo em que Israel foi governado por um único monarca em toda a sua extensão
territorial e seus principais representantes reais forma Saul, Davi e Salomão.

O reino dividido trata-se dois reinos que surgiram após a morte de Salomão sendo que Judá, ou reino de
Sul designa o estado menor, governado pela dinastia de Davi desde sua capital em Jerusalém até 586
a.C., consistia nas tribos de Judá e Benjamim, as que apoiaram a Roboão com um exército quando o
resto das tribos se levantaram em rebelião contra as opressivas medidas de Salomão e seu filho (1 Rs
12.21). O Reino do Norte, ou às vezes designado simplesmente por Israel ou Efraim designa as tribos
dissidentes, que fizeram a Jeroboão seu rei. Este reino durou até 722 a.C., com sua capital
sucessivamente em Siquem, Tirsá e Samaria.

54. Porque se afirma que os livros dos Reis têm caráter espiritual e não político?**

Como se disse já, o livro dos Reis, é no cânon hebraico, um livro profético; existem, além disso, razões
para crer que os seus autores foram profetas. Deus não falava apenas por intermédio dos seus servos
profetas mas também através da história; ora, parte da tarefa profética consistia, precisamente, em
interpretar as lições dadas pela história. Eis a razão por que certos reis cujo reinado foi de grande
importância para os seus contemporâneos, como Onri (#1Rs 16.23-28), Azarias ou Uzias (#2Rs 15.1-7),
Jerobão II (#2Rs 14.23-29), se passam praticamente em claro. As lições a aprender são de caráter
espiritual e não político. É esta a razão por que se descrevem extensivamente os dois períodos de crise-
o reino de Acabe ao Norte e o de Ezequias ao Sul. Não nos deve pois surpreender que os arqueólogos,
em obediência a conceitos diferentes, apresentem freqüentemente os reis e, as suas ações a uma luz
um tanto diferente. Mas as suas descobertas, se bem que muitas vezes confirmando a exatidão do livro
dos Reis, não aprofundam a nossa compreensão espiritual do período.

55. Qual o ponto de vista dominante dos livros das Crônicas?**

O livro de Crônicas representa o ponto de vista sacerdotal, preocupando-se com a realização do que
Deus determinara e não, ao contrário de Samuel e Reis, com o ponto de vista profético, de como Deus
tratou o Seu povo e Se revelou. Não é difícil descortinar os motivos que levaram à feitura do livro de
Crônicas. A comunidade posterior ao exílio tinha de compreender como surgira, que era uma verdadeira
continuação do reino anterior ao exílio (o que explica na presença das genealogias), e qual o papel do
dom de Deus-o templo e seus atos de culto-que lhe fora confiado. Da omissão de tantas cenas familiares

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de Samuel e Reis ressalta que, embora fossem poucos os que haviam regressado do exílio, Deus
sempre eliminara da história do Seu povo os elementos que contra Ele se revoltavam.

56. Quais foram as principais fontes documentais dos livros da Crônicas?

É evidente que a fonte principal do livro de Crônicas se encontra em Samuel e Reis. Além disso, faz-se
referência a várias outras fontes-vinte ao todo-a saber: Registros da Genealogia, Livro dos Reis de
Israel, as últimas palavras de Davi, a história do rei Davi, Crônicas de Samuel, Crônicas de Natã e
Crônicas de Gade, Livro da história de Natã, Profecia de Aías e nas Visões de Ido, o vidente, História de
Semaias, o profeta (#1Cr 5.17; #1Cr 9.1; #1Cr 23.27; #1Cr 27.24; #1Cr 29.29; #2Cr 9.29; #2Cr 12.15;
#2Cr 13.22; #2Cr 24.27; #2Cr 26.22; #2Cr 27.7; #2Cr 33.19; #2Cr 35.25) etc. Embora não haja
necessidade de pôr em dúvida a existência destas fontes, não se segue que o cronista tenha
necessariamente feito uso direto delas, pois pode ter-se servido de um ou mais documentos nelas
baseados.

57. Cite e explique alguns dos erros (pecados) comuns dos reinos do Norte e Sul que
deflagraram os juízos de Deus através do exílio.**

Eles se rebelaram contra os “instrumentos” escolhidos por Deus em suas épocas para os disciplinarem
(Assíria e Babilônia), endureceram a cerviz recusando-se a se arrependerem de seus pecados e
voltarem ao Senhor, os chefes dos sacerdotes e o próprio povo aumentavam mais e mais as suas
transgressões conforme os costumes e abominações dos gentios, andaram nos estatutos das nações
que o Senhor lançara de diante dos filhos de Israel, adoraram e serviram aos deuses das nações
vizinhas, edificaram para si altos, colunas e postes-ídolos, queimaram incenso, fizeram imagens de
escultura, queimaram seus filhos como sacrifício, contaminaram a casa do Senhor que ele tinha
santificado em Jerusalém, zombavam dos mensageiros de Deus, os profetas, desprezando as palavras
de Deus.

58. Fale sobre os livros de Esdras e Neemias.**

A tomada de Jerusalém e o cativeiro dos seus habitantes em Babilônia, de modo algum frustrou o plano
redentor de Deus; pois a nação, da qual havia de nascer o Salvador, não podia ser completamente
abandonada. Dá-se então o regresso do exílio, como lembra o cronista no seu último capítulo, referindo-
se ao decreto do rei da Pérsia, Ciro, que autoriza os cativos a voltarem à terra de seus pais, se assim o
desejassem e a reconstruírem o templo do Senhor em Jerusalém. É o que podemos constatar nos livros
de Esdras e Neemias, que vão ao ponto de relatar minuciosamente todos esses trabalhos, sem esquecer
as dificuldades que tiveram de vencer os filhos de Israel, há pouco vindos do exílio. Estes livros
demonstram claramente que, apesar dos revezes da ruína de Jerusalém e do que sofreram no exílio, os
filhos de Israel não prestaram o devido culto ao Senhor. Por isso aguardam a "plenitude dos tempos" em
que Deus enviará o Seu Filho (#Gl 4.4-5).

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59. Quais foram as principais fontes documentais dos livros de Esdras e Neemias?

Estes livros parecem ter sido compilados a partir de várias fontes. Há recordações pessoais de Esdras e
Neemias escritas na primeira pessoa do singular; incidentes acerca de Esdras, Neemias e outros,
escritos na terceira pessoa; cartas, decretos, genealogias e outros documentos. Duas seções de Esdras
(#Ed 4.8-6.18 e #Ed 7.12-26) vêm escritas em aramaico, sendo quase inteiramente constituídas por
cartas e decretos. O aramaico, uma língua originalmente falada a leste e nordeste da Palestina (ver, por
exemplo, #Gn 31.47), veio a ser o idioma diplomático do Próximo Oriente. Havia uma forma
convencional desta língua que se empregava nas comunicações escritas. Existem todos os motivos para
crer que o compilador destes livros, que contêm quase tudo quanto se sabe acerca da história dos
judeus entre 538 e cerca de 430 A.C., transcreveu neles as cartas originais.

60. Fale sobre o Livro de Ester.**

Trata-se duma maravilhosa exposição, habilmente descrita, do que parece ter sido a mais perigosa
ameaça ao futuro de Israel-a sua exterminação total, levada a efeito pelo monstruoso plano de Hamã. O
Senhor, porém, preserva o Seu povo, assegurando assim o cumprimento da promessa Messiânica feita
aos nossos primeiros pais no jardim do Éden. Muitos comentadores têm dúvidas da historicidade e do
caráter religioso do livro, embora não haja motivo para duvidar dos fatos que nele são descritos. Há um
pormenor, observado pelos entendidos, a salientar neste livro: é que o autor mostra um perfeito
conhecimento dos costumes persas. Quanto ao crime hediondo planeado por Hamã, não nos parece
incrível, se pensarmos nos massacres perpetrados durante a última guerra mundial pelos nazistas
alemães contra os indefesos judeus. Embora não se cite o nome de Deus, não se pode negar que o livro
proclama a intervenção providencial do Altíssimo. Quanto a estar o livro eivado dum nacionalismo
exagerado, vingativo e fanático, o que se descreve é a pura verdade. Os fatos são relatados
objetivamente, e a atitude dos judeus, que não quiseram tocar nos despojos dos inimigos, embora o
pudessem fazer, fala por si. Quem, pois, ousará censurar o autor, por exprimir a sua satisfação no dia
em que viu os inimigos opressores passarem a oprimidos?

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Que Deus te abençoe e te guarde

Prof. Julio C Brasileiro

FATES – Abril/2011

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