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DOS FATOS E ATOS PROCESSUAIS:

LÉXICO:
FATO: 1. Coisa ou ação feita; sucesso, caso, feito. 2. Aquilo que realmente
existe, que é real.

ATO: 1. Aquilo que se fez; feito. 2. O que se está fazendo; ação. 3. Modo
de proceder. 4. Cerimônia, solenidade. 5. Documento redigido segundo
determinada fórmula, e capaz de produzir conseqüências jurídicas. 6. Cada
uma das partes em que se divide uma ação teatral.

NOÇÕES GERAIS:
Fatos são todos os acontecimentos naturais. Tudo que acontece provocado
ou não pelo homem, é um fato. Por exemplo: o choque de um veículo, a
chuva, neblina, a fabricação de um veículo, a queda de uma fruta, enfim,
tudo.
Os fatos que são relevantes para o direito são chamados de fatos jurídicos,
os que não são relevantes para o direito, serão chamados fatos naturais.
O nascimento de uma criança é um fato relevante para o direito, portanto
será considerado fato jurídico.
Fato jurídico ou fato jurídico natural, portanto, é o acontecimento que cria,
modifica ou extingue uma situação jurídica. Isto em virtude da projeção
dos seus efeitos no campo do Direito.
Se o fato estender seu direito até o mundo processual, teremos um fato
processual, pois este fato tem relevância para o processo.
Quando o fato jurídico for praticado por uma ação humana, através de
declaração de vontade destinada a provocar uma conseqüência jurídica,
estamos diante de um ato jurídico. Quando este ato é praticado para criar,
modificar ou extinguir direitos processuais é denominado ato processual.

O ATO PROCESSUAL:

CONCEITO: O ato processual é o ato jurídico praticado no processo, pelos


sujeitos da relação processual ou por terceiros, capazes de produzir efeitos
processuais.
Processo é um conjunto de atos processuais praticados de acordo com seu
procedimento.

CLASSIFICAÇÃO:
Existem vários critérios de classificação, mas vamos considerar os atos em
relação aos sujeitos que os praticam.

Atos das partes:

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Postulatórios: são os atos que visam obter um pronunciamento judicial
sobre o mérito ou uma resolução de conteúdo processual, como exemplo,
denúncia, queixa, pedido de liberdade provisória, pedido de relaxamento de
prisão em flagrante.
Instrutórios: são os atos destinados a convencer o juiz do que é alegado,
procurando demonstrar a verdade da alegação, por exemplo, pedido de
acareação, apresentação de rol de testemunhas, algumas diligências pedidas
no artigo 402, do CPP.
Reais: são os atos que se caracterizam por se manifestarem pelo fato, pela
coisa, pelo objeto e não por palavras, exemplo exibição de coisa
apreendida, prestação de fiança, apresentação à prisão (parte da doutrina
entende se tratar de fato jurídico processual).
Dispositivos: são os atos que consistem na declaração de vontade da parte
destinada a dispensar a tutela jurisdicional, dando-lhe existência ou
modificando as condições, como o perdão do ofendido, a renúncia do
direito de queixa, transação penal.

Atos dos auxiliares de justiça:


Atos de Movimentação: são os atos destinados ao andamento do processo.
Exemplo: quando o escrivão faz os autos conclusos ao juiz, faz carga às
partes, cobra os autos.
Atos de Documentação: são aqueles atos pelos quais o auxiliar dá a sua fé
de que foi realizado determinado ato determinado pelo juiz, como por
exemplo, certidão de citação do réu, certidão de intimação das partes.
Atos de Execução: são aqueles pelos quais os Auxiliares de Justiça
cumprem as determinações do juiz. Exemplos: intimação do defensor,
notificação de testemunha, elaboração de uma ata ou termo, faz expedir um
mandado.

Atos de terceiro:
São os atos praticados por terceiros, interessados ou desinteressados.
O testemunho é um ato processual praticado por um terceiro
desinteressado, como também o de prestar fiança em favor de um
determinado réu. Há quem entenda que peritos, tradutores e intérpretes são
terceiros desinteressados, mas predomina o entendimento de que estes
praticam atos instrutórios e agem como auxiliares do juiz.

Atos do Juiz:

Segundo Guilherme da Silva Nucci,


Despachos: são decisões do magistrado, sem abordar questão controvertida,
com a finalidade de dar andamento ao processo, como por exemplo, marcar

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uma audiência, determinar intimação das partes, deferir juntada de
documento.
Decisões interlocutórias: são aquelas decisões dadas pelo juiz acerca de
qualquer questão controversa, envolvendo a contraposição de interesses das
partes, podendo ou não colocar fim ao processo.
As interlocutórias simples são as que dirimem uma controvérsia, sem
colocar fim ao processo ou a um estágio do procedimento, por exemplo,
decretação de uma prisão preventiva, quebra de sigilo telefônico,
determinar busca e apreensão.
As interlocutórias mistas (ou decisões com força de definitiva) são as que
resolvem uma controvérsia, colocando fim ao processo ou a uma fase dele,
exemplo: pronúncia ou acolhimento de exceção de coisa julgada.
Decisões definitivas: são as tomadas pelo juiz, colocando fim ao processo,
julgando o mérito em sentido lato, ou seja, decidindo acerca da pretensão
punitiva do estado, mas sem atingir a procedência ou improcedência, como
por exemplo, a decisão que reconhece a prescrição.
Sentença é a decisão terminativa do processo e definitiva quanto ao mérito,
quando julga procedente ou improcedente a condenação, condenando ou
absolvendo o réu.

Segundo Fernando da Costa Tourinho Filho.


Decisórios (ou jurisdicionais próprios) que se dividem em decisões e
despachos de mero expediente. Decisões são os atos que solucionam,
decidem questões do processo. As decisões podem ser interlocutórias
simples, interlocutórias mistas ou sentenças.
As decisões interlocutórias simples são as que resolvem questões
emergentes relativas à regularidade ou marcha processual, como por
exemplo, recebimento da denúncia, decretação de prisão preventiva, etc.
Em regra são atacadas pelo recurso em sentido estrito. Distinguem dos
despachos de mero expediente porque estes conduzem para o
desenvolvimento normal do processo, como por exemplo, designar uma
audiência. O recurso previsto é o da correição parcial.
As decisões interlocutórias mistas, também chamadas com força de
definitiva, são as que encerram uma etapa do procedimento ou até a relação
processual. Elas podem ser: terminativas, como por exemplo, os casos de
rejeição da denúncia, ilegitimidade de parte, que encerram o feito sem a
solução da lide. Não terminativas, como a decisão de pronúncia, que
encerre uma etapa, remetendo aos autos ao Tribunal do Júri.
Decisão definitiva, ou sentença em sentido próprio, são as que solucionam
a lide, julgando o mérito da causa.

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Instrutórios: são os atos destinados a esclarecer a verdade dos fatos, ou
seja, são os atos probatórios, como exemplo, o interrogatório, oitiva de
testemunha, fazer uma acareação.

E de Documentação: são aqueles que visam somente documentar uma


situação fática, como por exemplo, subscrever um termo de audiência.

Outros atos do juiz: de coerção, por exemplo, conduzir a testemunha faltosa


embaixo de vara, ato administrativo, por exemplo, alistamento de jurados,
entre outros.