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CENTRO UNIVERSITÁRIO CLARETIANO

BRINCAR É COISA SÉRIA

Texto desenvolvido por: Laila Rezende


Prof. Edson Renato Nardi

Goiânia – GO
Novembro/2020
Brincar É Coisa Séria

As atividades infantis somam qualidades e benefícios de extensão motora,


emocional, cognitiva e afetiva, com elementos que precisam ser considerados
pelas instituições educativas, sociedade e igualmente na atmosfera familiar, que
pretendam desenvolver, incentivar ou potencializar a promoção de uma infância
rica e equilibrada.

Segundo Ginsburg (2007, p. 183) “Brincar possibilita à criança usar a sua


criatividade enquanto desenvolve a sua imaginação, destreza, e forças física,
cognitiva e emocional. Brincar é importante para o desenvolvimento cerebral. É
através do jogo que a criança ainda muito cedo engaja-se e interage com o mundo
ao seu redor. Brincar possibilita à criança criar e explorar o mundo que eles podem
controlar, vencendo seus medos enquanto pratica as regras do mundo adulto [...] o
brincar ajuda a criança a desenvolver novas competências que a levam a
desenvolver confiança e resiliência que irão necessitar para fazer face aos futuros
desafios. Jogos não dirigidos possibilitam à criança a aprender como trabalhar em
grupo, tomar parte, negociar, resolver conflitos e aprender habilidades de auto-
defesa.”

De acordo com o Referencial Curricular Nacional (p. 22) para a Educação


Infantil brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da
identidade e da autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo, poder se
comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel
na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras as
crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a
atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas
capacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e
experimentação de regras e papéis sociais.

Brincar proporciona interação com o mundo. Isso porque a brincadeira é


uma linguagem infantil que mantém um vínculo essencial com aquilo que é o "não-
brincar". Se a brincadeira é uma ação que ocorre no plano da imaginação isto
implica que aquele que brinca tenha o domínio da linguagem simbólica. Isto quer
dizer que é preciso haver consciência da diferença existente entre a brincadeira e
a realidade imediata que lhe forneceu conteúdo para realizar-se. Nesse sentido,
para brincar é preciso apropriar-se de elementos da realidade imediata de tal
forma a atribuir-lhes novos significados. Essa peculiaridade da brincadeira ocorre
por meio da articulação entre a imaginação e a imitação da realidade. Toda
brincadeira é uma imitação transformada, no plano das emoções e das ideias, de
uma realidade anteriormente vivenciada (BRASIL, 1998, p. 27).

Quando a criança brinca, ela faz uma espécie de "fuga da realidade", se


afastando de tudo que a cerca, se desvinculando da realidade e exercitando a
fantasia. Por outro lado, à medida que brinca, a criança leva para o plano
fantasioso, as experiências e vivências que adquiriu em seu cotidiano e as usa
construindo e reconstruindo experiências, fazendo uso dos elementos que adquiriu
no contato com a realidade.

Nas brincadeiras, as crianças transformam os conhecimentos que já


possuíam anteriormente em conceitos gerais com os quais brinca. Por exemplo,
para assumir um determinado papel numa brincadeira, a criança deve conhecer
alguma de suas
características. Seus conhecimentos provêm da imitação de alguém ou de algo
conhecido, de uma experiência vivida na família ou em outros ambientes, do relato
de um colega ou de um adulto, de cenas assistidas na televisão, no cinema ou
narradas
em livros etc. A fonte de seus conhecimentos é múltipla, mas estes encontram-se,
ainda, fragmentados. É no ato de brincar que a criança estabelece os diferentes
vínculos entre as características do papel assumido, suas competências e as
relações que possuem com outros papéis, tomando consciência disto e
generalizando para outras situações (BRASIL, 1998 p. 27-28).

A "função" da criança é brincar, pois assim ela participa da realidade do


mundo adulto, do seu modo, operacionalizando-o e realizando experiências
criativas a partir desta operacionalização.

Outro aspecto relevante se refere à importância que o brincar tem para o


desenvolvimento físico da criança que envolvem: Flexibilidade, Força,
Velocidade e Resistência. À medida que a criança brinca, ela está
constantemente melhorando suas capacidades físicas, perceptivas e motoras e,
além disso, cria, para si mesma, uma série de desafios físicos.

Segundo Harris (2004, p. 3) em autores tais como Sigmund Freud, Anna


Freud e Erik Erikson temos manifestado a importância do brincar enquanto
elemento importante para o desenvolvimento emocional. Para Piaget, a prática do
jogo/brincar, é um mecanismo pelo qual nós capturamos novas informações aos
esquemas já existentes em nossa mente. Já segundo a concepção de
desenvolvimento proposta por Vygotsy, o meio social e cultural em que a criança
se encontra são importantes para o fornecimento de elementos mediadores para
que ela se aproprie de novos conhecimentos.

Problemas comuns e que precisam ser evitados:


1) Agir como se a criança fosse um adulto;
2) Dar explicações exageradas sobre o que a criança precisa fazer;
3) Criar altas expectativas em relação à criança;
4) Ignorar a atividade que a criança realiza;
5) Ser excessivamente rápido na explicação e execução das brincadeiras.

Ações a serem adotadas:


1) Proporcione à criança a chance de liderar;
2) Faça uso de elogios e apreço;
3) Seja flexível quanto ao tempo e os tipos de brincadeiras;
4) Não dê atenção para “maus comportamentos” e erros de pequeno valor;
5) Faça uso de demonstrações de afeto;
6) Faça uso de brincadeiras com perfis variados;
7) Gerencie o término da atividade;
8) Crie um ambiente rico e variado.

Conforme conteúdo explanado, podemos dizer que é através


das brincadeiras que as crianças entram em contato com o mundo, se
desenvolvem, estimulando sua criatividade, adquirindo novas habilidades,
socializando, se expressando e se comunicando. As brincadeiras são uma forma
prazerosa que contribuem com a evolução psíquica, social e física das crianças.

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