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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 3

2 ATENÇÃO A SAÚDE DA MULHER ............................................................ 4

3 SISTEMA REPRODUTOR FEMININO ....................................................... 5

3.1 Vagina .................................................................................................. 6

3.2 Ovários ................................................................................................. 6

3.3 Tuba uterina ......................................................................................... 7

3.4 Útero..................................................................................................... 8

4 A MULHER NAS DIFERENTES FASES GINECOLÓGICAS DO CICLO


VITAL 9

4.1 Adolescência ........................................................................................ 9

4.2 Fase reprodutiva ................................................................................ 10

4.3 Climatério/ Menopausa....................................................................... 13

5 ALTERAÇÕES DO ORGANISMO MATERNO ......................................... 15

5.1 Durante a gestação ............................................................................ 15

Aparelho respiratório ................................................................................... 16

5.2 Puerpério ............................................................................................ 19

6 QUESTÕES ÉTICAS, BIOÉTICAS E LEGAIS NA SAÚDE DA MULHER. 20

6.1 Abortamento ....................................................................................... 21

6.2 Planejamento familiar ......................................................................... 21

6.3 Violência contra a mulher: doméstica, sexual e simbólica.................. 23

7 COMPLICAÇÕES CLÍNICAS PREVALENTES NAS MULHERES ........... 27

7.1 Vulvovaginite/ vulvite/ vaginoses ........................................................ 27

7.2 Neoplasias cervico-uterina ................................................................. 28

7.3 Neoplasia mamária ............................................................................ 31

8 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA GESTAÇÃO ............................... 34

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8.1 Pré-natal ............................................................................................. 35

8.2 Caderno de Atenção Básica do Ministério da Saúde nº 32 ................ 36

8.3 Avaliação ............................................................................................ 38

8.4 Fatores de riscos ................................................................................ 39

8.5 Vacinas............................................................................................... 40

8.6 Métodos contraceptivos/ planejamento familiar .................................. 42

8.7 Na preparação para o parto e o parto ................................................ 43

8.8 Na amamentação ............................................................................... 44

8.9 No abortamento .................................................................................. 45

9 EPIDEMIOLOGIA DA SAÚDE DA MULHER ............................................ 46

9.1 Indicadores de morbimortalidade da mulher ...................................... 46

10 POLÍTICAS DE ATENÇÃO À SAÚDE DA MULHER ............................. 47

10.1 Enfoque na atenção básica e na prevenção ................................... 48

10.2 PNAISM (Programa Nacional de Assistência Integral à Saúde da


Mulher) 49

10.3 PHPN (Programa de Humanização no Pré Natal e Nascimento). ... 50

11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................... 52

12 BIBLIOGRAFIAS SUGERIDAS ............................................................. 58

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1 INTRODUÇÃO

Prezado aluno!

O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante


ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula é raro – quase improvável - um
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é
que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em
tempo hábil.
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora
que lhe convier para isso.
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser
seguida e prazos definidos para as atividades.

Bons estudos!

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2 ATENÇÃO A SAÚDE DA MULHER

Fonte: vozdoplanalto.com.br

A saúde da mulher foi integrada às políticas nacionais de saúde nas primeiras


décadas do século XX, sendo limitada apenas, às questões relacionadas à gestação
e ao parto. Os programas materno-infantis, elaborados nas décadas de 30, 50 e 70,
traduziram uma visão restrita sobre a mulher, baseada em sua especificidade
biológica e no seu papel social de mãe e doméstica, responsável pela criação,
educação e pelo cuidado com a saúde dos filhos e demais familiares de acordo com
QUERINO, 2017.
Na década de 70 houve um enfoque maior às questões relacionadas à
equidade, que foi tema na Conferência do Ano Internacional da Mulher (1975) e do
Plano da Década da Mulher (1976 – 1985). Os objetivos da citada conferência eram
integrar as mulheres no processo de desenvolvimento, preocupando-se com sua
autonomia política e econômica e com a redução da desigualdade com os homens.
Na década de 80, por sua vez, no auge do movimento feminista brasileiro, os
programas iniciais destinados à saúde mulher foram fortemente criticados, uma vez
que a mulher tinha acesso apenas a alguns cuidados de saúde no ciclo gravídico-
puerperal, ficando sem assistência na maior parte de sua vida.
Nesse sentido, o Ministério da Saúde criou em 1984, o Programa de
Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), marcando, especialmente, uma

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ruptura conceitual com os princípios norteadores da política de saúde das mulheres e
os critérios para escolha de prioridades neste campo.
No ano de 2004, mais precisamente em 28 de maio de 2004, o Ministério da
Saúde propõe diretrizes para a humanização e a qualidade do atendimento. Toma
como base os dados epidemiológicos e as reivindicações de diversos segmentos
sociais para apresentar os princípios e diretrizes da Política Nacional de Atenção
Integral à Saúde da Mulher.
No ano de 2011, o Ministério da Saúde, em parceria com diversos setores da
sociedade, em especial com o movimento de mulheres, o movimento negro e o de
trabalhadoras rurais, sociedades científicas, pesquisadores e estudiosos da área,
organizações não governamentais, gestores do SUS e agências de cooperação
internacionais, elabora o documento com a 2ª reimpressão desta política que traz uma
série de diretrizes e objetivos gerais e específicos, tais como: Promover a melhoria
das condições de vida e saúde das mulheres brasileiras, mediante a garantia de
direitos legalmente constituídos e ampliação do acesso aos meios e serviços de
promoção, prevenção, assistência e recuperação da saúde em todo território
brasileiro; contribuir para a redução da morbidade e mortalidade feminina no Brasil,
especialmente por causas evitáveis, em todos os ciclos de vida e nos diversos grupos
populacionais, sem discriminação de qualquer espécie; ampliar, qualificar e humanizar
a atenção integral à saúde da mulher no Sistema Único de Saúde.

3 SISTEMA REPRODUTOR FEMININO

Fonte: todamateria.com.br

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O sistema reprodutor feminino é constituído por dois ovários, duas tubas
uterinas (trompas de Falópio), um útero, uma vagina, uma vulva. Ele está localizado
no interior da cavidade pélvica. A pelve constitui um marco ósseo forte que realiza
uma função protetora.

3.1 Vagina

A vagina é um canal de 8 a 10 cm de comprimento, de paredes elásticas, que


liga o colo do útero aos genitais externos. Contém de cada lado de sua abertura,
porém internamente, duas glândulas denominadas glândulas de Bartholin, que
secretam um muco lubrificante. A entrada é protegida por uma membrana circular, o
hímen, que fecha parcialmente o orifício vulvovaginal e é quase sempre perfurado no
centro, podendo ter formas diversas. Geralmente, essa membrana se rompe nas
primeiras relações sexuais. Além de possibilitar a penetração do pênis, possibilita a
expulsão da menstruação e, na hora do parto, a saída do bebê de acordo com
NETTER, 2000.
A genitália externa ou vulva é delimitada e protegida por duas pregas
cutaneomucosas intensamente irrigadas e inervadas, os grandes lábios. Na mulher
reprodutivamente madura, os grandes lábios são recobertos por pelos pubianos. Mais
internamente, outra prega cutaneomucosa envolve a abertura da vagina, os pequenos
lábios, que protegem a abertura da uretra e da vagina. Na vulva também está o clitóris,
formado por tecido esponjoso erétil, homólogo ao pênis do homem.

3.2 Ovários

Exemplifica NETTER, 2000 que os ovários são as gônadas femininas.


Produzem estrógeno e progesterona, hormônios sexuais femininos. No final do
desenvolvimento embrionário de uma menina, ela já tem todas as células que irão
transformar-se em gametas nos seus dois ovários. Estas células (os ovócitos
primários) encontram-se dentro de estruturas denominadas folículos de Graaf ou
folículos ovarianos. A partir da adolescência, sob ação hormonal, os folículos
ovarianos começam a crescer e a desenvolver. Os folículos em desenvolvimento
secretam o hormônio estrógeno. Mensalmente, apenas um folículo geralmente

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completa o desenvolvimento e a maturação, rompendo-se e liberando o ovócito
secundário (gameta feminino): fenômeno conhecido como ovulação. Após seu
rompimento, a massa celular resultante transforma-se em corpo lúteo ou amarelo, que
passa a secretar os hormônios progesterona e estrógeno. Com o tempo, o corpo lúteo
regride e converte-se em corpo albicans ou corpo branco, uma pequena cicatriz
fibrosa que irá permanecer no ovário. O gameta feminino liberado na superfície de um
dos ovários é recolhido por finas terminações das tubas uterinas, denominadas
fímbrias.

3.3 Tuba uterina

Ovidutos ou trompas de Falópio: são dois ductos que unem o ovário ao útero.
Seu epitélio de revestimento é formado por células ciliadas. Os batimentos dos cílios
microscópicos e os movimentos peristálticos das tubas uterinas impelem o gameta
feminino até o útero. A parte Uterina é a porção intramural, isto é, constitui o segmento
do tubo que se situa na parede do útero.
No início desta porção da tuba, encontramos um orifício denominado óstio
uterino da tuba, que estabelece sua comunicação com a cavidade uterina. O istmo é
a porção menos calibrosa, situada junto ao útero, enquanto a ampola é a dilatação
que se segue ao istmo. A Ampola é considerada o local onde normalmente se
processa a fecundação do óvulo pelo espermatozoide. A porção mais distal da tuba é
o Infundíbulo, que pode ser comparado a um funil cuja boca apresenta um rebordo
muito irregular, tomando o aspecto de franjas. Essas franjas têm o nome de fímbrias
da tuba e das quais uma se destaca por ser mais longa, denominada fimbria ovárica.
O infundíbulo abre-se livremente na cavidade do peritônio por intermédio de um
forame conhecido por óstio abdominal da tuba uterina.
Estruturalmente a tuba uterina é constituída por quatro camadas concêntricas
de tecidos que são, da periferia para a profundidade, a túnica serosa, tela subserosa,
túnica muscular e túnica mucosa. A túnica muscular, representada por fibras
musculares lisas, permite movimentos peristálticos à tuba, auxiliando a migração do
óvulo em direção ao útero. A túnica mucosa é formada por células ciliadas e apresenta
numerosas pregas paralelas longitudinais, denominadas pregas tubais. Possui como

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funções: O transporte do óvulo do ovário ao útero; local onde ocorre a fertilização do
óvulo pelo espermatozoide.

3.4 Útero

Órgão oco situado na cavidade pélvica anteriormente à bexiga e


posteriormente ao reto, de parede muscular espessa (miométrio) e com formato de
pera invertida. É revestido internamente por um tecido vascularizado rico em
glândulas - o endométrio. (CAMARA, 2014).
Anatomicamente o útero é dividido em três partes: Corpo, Istmo e colo.
Corpo: Porção principal, a sua região superior é chamada de fundo do útero;
Istmo: Pequeno segmento estreito situado entre o colo e o corpo do útero;
Colo do útero ou cérvix: Porção mais estreita que faz ligação com a vagina.
Quanto à histologia, o útero é revestido por três camadas de tecidos,
denominadas de: perimétrio, miométrio e endométrio.
Perimétrio: Camada mais externa, constituída por tecido conjuntivo.
Miométrio: Camada intermediária, constituída de musculatura lisa. O
miométrio possibilita as contrações no momento do parto. Durante a gestação as
fibras lisas aumentam de número e tamanho.
Endométrio: Camada mais interna formada de tecido epitelial altamente
vascularizado. Ele reveste toda a cavidade uterina.

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4 A MULHER NAS DIFERENTES FASES GINECOLÓGICAS DO CICLO VITAL

-
Fonte: fotosearch.com.br

4.1 Adolescência

A puberdade corresponde ao período de modificações fisiológicas e biológicas


do corpo que marca a transição da infância para a adolescência. As modificações
começam a ser evidentes a partir dos doze anos, mas pode variar de acordo com o
histórico familiar e hábitos de alimentação da criança. No início da puberdade, o
hipotálamo libera um hormônio chamado gonadotrofina (GnRH), que vai até a
glândula hipófise. Ali, dispara-se a produção de dois outros hormônios: o luteinizante
(LH) e o folículo-estimulante (FSH), que estimulam os ovários a fabricarem estrogênio
e progesterona.
Assim como os homens, as mulheres produzem testosterona, porém em menor
quantidade. É esse hormônio que faz a cartilagem da laringe, onde estão as pregas
vocais, aumentar em torno de quatro milímetros, deixando a voz menos aguda.
O corpo da adolescente ganha contornos, na presença do estrogênio, células
do tecido adiposo na região das coxas, das nádegas e da barriga crescem e se
multiplicam. Os locais em que a gordura se deposita variam muito de acordo com o
biótipo de cada garota. Nos dois primeiros anos do período menstrual, o eixo
hipotálamo-hipófise-ovários ainda não está amadurecido. Por isso, os ciclos são bem
irregulares, apresentando períodos com fluxo e frequência variados, algumas vezes

9
sem ovulação. A testosterona é um dos principais responsáveis pelo estímulo nas
glândulas sebáceas, que secretam a gordura natural da pele. Esse sebo se acumula
nos poros e serve de alimento para bactérias, provocando uma inflamação purulenta
(espinha). Quando a testosterona, liberada pelas glândulas suprarrenais e ovários, cai
na circulação sanguínea, começam a crescer os primeiros pelos nas axilas, nas
pernas e na região pubiana. É que os folículos capilares são incitados por este
hormônio.
O primeiro sinal da puberdade não é a menstruação, mas, sim, o surgimento
do broto mamário, com elevação da aréola e da papila. O estrogênio, o hormônio
ovariano, é o maestro que rege essa transformação, em geral entre 8 e 10 anos. Os
hormônios sexuais ativam as glândulas sudoríparas, que passam a produzir mais
suor. Como o líquido é um alimento rico para bactérias, elas se proliferam nas axilas
e nos pés exalando odores desagradáveis.
Na infância, a velocidade média de crescimento das meninas é de cinco a sete
centímetros por ano. Antes da primeira menstruação, chega a doze centímetros por
ano. Depois da menstruação, elas continuam crescendo num ritmo menor. É o
resultado da soma dos hormônios sexuais e do GH, hormônio do crescimento, que
multiplica as células e aumenta a síntese de proteínas nas mesmas.
Óvulo maduro: O hormônio FSH provoca o crescimento dos folículos, as
células que guardam os óvulos. Um deles se desenvolve, se rompe e lança o óvulo
na trompa.
Crescimento do endométrio: O folículo produz estrogênio e o corpo lúteo, que
libera a progesterona. Os hormônios deixam o endométrio, o revestimento interno do
útero, cheio de vasos e espesso.
Sangramento: Caso não ocorra a gravidez, e se o ciclo for de 28 dias, 14 dias
após a ovulação o corpo lúteo se degenera e deixa de produzir os hormônios. Com
isso, ocorre a descamação do endométrio.

4.2 Fase reprodutiva

Desenvolvimento folicular ovariano: A mulher nasce com um número limitado


de óvulos precursores (células germinativas). As células germinativas se iniciam como
oogônios primordiais que proliferam marcadamente por meio de mitoses até o 4º mês

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de gestação. Durante o 3º mês de gestação, alguns oogônios começam a entrar em
meiose, reduzindo-se o número de cromossomos à metade. No 7º mês, todas as
células germinativas viáveis desenvolvem uma cobertura de células granulares,
formando um folículo primordial e param no estágio da prófase da meiose (essas
células são os oócitos primários). Após o início do 4º mês de gestação, os oogônios
(e posteriormente os oócitos) se perdem espontaneamente em um processo chamado
de atresia; eventualmente, 99,9% se perdem. Em mães com idade mais avançada, o
longo tempo que os oócitos estão presos na prófase meiótica pode ser o responsável
pelo aumento da incidência de gestações geneticamente anormais.
FSH induz o crescimento folicular nos ovários. Durante cada ciclo menstrual,
de 3 a 30 folículos são recrutados para crescimento acelerado. Geralmente, em cada
ciclo, apenas um folículo alcança a ovulação. Esse folículo dominante libera o oócito
na ovulação e promove a atresia dos outros folículos recrutados.
Ciclo menstrual: A menstruação é a perda periódica de sangue e de
endométrio descolado (coletivamente chamado de menstruação ou período
menstrual) do útero pela vagina. É causada pelo rápido declínio na
produção progesterona e estrogênio pelo ovário que ocorre a cada ciclo na ausência
de gestação. A menstruação ocorre ao longo da vida reprodutiva da mulher na
ausência de gestação. A extensão de um ciclo menstrual médio é de 28 dias (a
variação normal é de cerca de 25 a 36 dias). Em geral, a variação é máxima e os
intervalos intermenstruais são mais longos logo após a menarca e logo antes da
menopausa, quando a ovulação ocorre com menor frequência. O ciclo menstrual pode
ser dividido em fases, geralmente com base no estado ovariano.
O ciclo ovariano ocorre nas seguintes fases: Folicular (pré-ovulatório),
Ovulatória e Lútea (pós-ovulatória).
Fase folicular: A duração dessa fase varia mais que as outras. Na fase folicular
precoce (primeira metade da fase folicular), o evento primário é o crescimento de
folículos recrutados. Nesse ponto, os gonadótropos na hipófise anterior contêm pouco
LH e FSH e a produção de estrogênio e progesterona é baixa. Como resultado, a
secreção de FSH aumenta ligeiramente, estimulando o crescimento dos folículos
recrutados. Os níveis circulantes de LH sobem lentamente, começando 1 a 2 dias
após o aumento no FSH. Os folículos ovarianos recrutados logo aumentam a
produção de estradiol, que estimula a síntese de LH e FSH, mas inibem sua secreção.

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Durante a fase folicular tardia (2ª metade da fase folicular), os folículos
selecionados para a ovulação amadurecem e acumulam células granulares secretoras
de hormônios. Seus antros aumentam com o líquido folicular, atingindo 18 a 20 mm
antes da ovulação. Os níveis de FSH diminuem; os níveis de LH são menos afetados.
Os níveis de FSH e LH divergem em parte, pois o estradiol inibe a secreção de FSH
mais do que a de LH. Além disso, os folículos em desenvolvimento produzem o
hormônio inibina, que inibe a secreção de FSH, mas não de LH. Outros fatores
contribuintes podem incluir meia-vida diferentes (20 a 30 min para o LH; 2 a 3 h para
FSH) e fatores desconhecidos. Os níveis de estrogênio, em particular
de estradiol aumentam de modo exponencial.
Fase ovulatória: Ocorre a ovulação (liberação do óvulo). Os níveis
de estradiol atingem o pico assim que se inicia a fase ovulatória. Os níveis
de progesterona também começam a aumentar.
O LH armazenado é liberado em quantidades maciças (pico de LH), em geral
em 36 a 48 h, com aumentos menores de FSH. O pico de LH ocorre, pois nesse
momento os altos níveis de estradiol desencadeiam a secreção de LH pelos
gonadótropos (feedback positivo). O pico de LH também é estimulado pelo GnRH e
pela progesterona. Durante o pico de LH, os níveis de estradiol diminuem, mas os
níveis de progesterona continuam a aumentar. O pico de LH estimula enzimas que
iniciam a ruptura da parede do folículo e a liberação do óvulo, agora maduro, dentro
de 16 a 32 horas e também desencadeia o complemento da primeira divisão meiótica
do oócito em cerca de 36 h.
Fase lútea: O folículo dominante se transforma em um corpo lúteo depois de
liberar o óvulo. A duração dessa fase é a mais constante, (com uma média de 14 dias),
depois da qual, na ausência de gestação, o corpo lúteo se degenera. O corpo lúteo
por sua vez, secreta primariamente progesterona em quantidades aumentadas,
atingindo cerca de 25 mg/dia, 6 a 8 dias após a ovulação. A progesterona estimula o
desenvolvimento do endométrio secretório, necessário para a implantação
embrionária. Como a progesterona é termogênica, a temperatura corporal basal
aumenta em 0,5°C durante essa fase.
Em razão dos altos níveis circulantes de estradiol, progesterona e inibina
durante a maior parte da fase lútea, os níveis de LH e FSH diminuem. Quando a
gestação não ocorre, os níveis de estradiol e progesterona diminuem no final dessa

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fase, e o corpo lúteo se degenera em corpo albicans. Se houver implantação, o corpo
lúteo não se degenera, mas permanece funcional na gestação precoce e se mantém
sustentado pela gonadotropina coriônica produzida pelo embrião em
desenvolvimento.

4.3 Climatério/ Menopausa

Climatério: É o período de transição do período fértil para o período não


reprodutivo. É o período que abrange toda a fase em que os hormônios produzidos
pelos ovários (estrogênio e progesterona) vão progressivamente diminuindo. O
Climatério é a fase da vida da mulher em que ocorre a transição do período reprodutivo
ao não reprodutivo. Cada mulher pode iniciar seu climatério de forma diferente, tanto
em cronologia quanto em sintomatologia é importante ressaltar que nem sempre o
climatério é sintomático.
O Ministério da Saúde estabelece o limite etário para o Climatério o período
entre 40 a 65 anos de idade dividido em: Pré-menopausa inicia, em geral, após os 40
anos, com diminuição da fertilidade em mulheres com ciclos menstruais regulares;
Perimenopausa inicia dois anos antes da última menstruação e vai até um ano após
(com ciclos menstruais irregulares e alterações endócrinas); Pós-menopausa inicia
um ano após o último período menstrual.
A primeira fase do climatério ocorre a partir dos 40 anos, quando o ciclo
menstrual reduz, embora o fluxo possa ser abundante. A segunda fase ocorre por
volta dos 50 anos. Nessa etapa, o ciclo fica mais longo, e o fluxo menor. Ocorre
também nesta fase o aparecimento das ondas de calor e a irritabilidade.
Ou seja, o climatério não é uma doença e sim uma fase da vida da mulher,
onde a maioria das mulheres passa por ela sem apresentar queixas e sem necessitar
de intervenções medicamentosas. Porém outras mulheres podem apresentar
sintomas de intensidade variável e que são, geralmente, transitórios. Entre os
sintomas que podem ocorrer no climatério, alguns são devido ao brusco desequilíbrio
entre os hormônios (estrogênio), diminuição da elasticidade ou hipotrofia do músculo
ligamentar e outros estão ligados ao estado geral da mulher e ao estilo de vida
adotado até então. A autoimagem, o papel e as relações sociais, as expectativas e

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projetos de vida também contribuem para o aparecimento e a intensidade dos
sintomas.
Alguns sintomas: Ondas de calor repentinas; Diminuição da libido; Dispareunia
(dor durante a relação sexual); fluxo menstrual irregular; Alterações frequentes de
humor; Insônia; Sudorese de leve a intensa; Irritabilidade; Cansaço; Ansiedade; algias
musculares e articulares
O aumento da expectativa de vida e seu impacto sobre a saúde da população
feminina tornam imperiosa a necessidade da adoção de medidas visando à obtenção
de melhor qualidade de vida durante e após o climatério. Nesse sentido, o combate
ao sedentarismo ocupa lugar de destaque por ser um fator facilitador de doenças
crônico-degenerativas, de elevada morbiletalidade.
Na fase do climatério, ocorrem ciclos menstruais irregulares, por isso existe
uma pequena chance de engravidar. Exemplo: Até os 35 anos de idade, as chances
de gravidez são de 85% por ano. Dos 40 aos 44 anos, após o início do climatério,
esse índice pode cair para 10% a 15%.
Perimenopausa (45-50 anos): Ocorre de dois a três anos antes da última
menstruação. Nessa fase surgem ondas de calor, transpiração intensa, insônia e
irritabilidade, são queixas constantes.
Menopausa: Menopausa é a interrupção permanente da menstruação. A
duração média do fluxo menstrual é de cinco dias. A perda sanguínea por ciclo é em
média de 30 ml (variação de 13 a 80 ml), sendo em geral maior no 2º dia.
A menopausa é definida pela última menstruação e por isso é conhecida
retrospectivamente, depois de 12 meses.
Pós-menopausa (48-65 anos): Desencadeia alterações significativas no
organismo da mulher, como perda da libido, maior propensão a infecções urinárias,
aumento do risco de câncer de mama, osteoporose, doenças cardíacas e depressão.
Muitas mulheres optam pela reposição hormonal para suprir a falta do
estrogênio e diminuir os efeitos dessa ausência brusca no corpo. Entretanto, é
fundamental procurar a orientação de um ginecologista para verificar as melhores
condições da terapia hormonal durante o climatério e a menopausa.

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5 ALTERAÇÕES DO ORGANISMO MATERNO

Fonte: gravidaseantenadas.com

5.1 Durante a gestação

De acordo com Ministério da saúde, 2011 durante a gestação ocorrem


alterações no organismo da mulher e que desaparecem após o parto. São alterações
fisiológicas inevitáveis, temporárias e presentes em todas as gestações, tais como:
Aparelho cardiovascular: Volume sanguíneo aumenta de 30% a 50%.
Aumento da capacidade cardíaca; aumento da pressão venosa dos membros
inferiores (femural), pela compressão parcial da veia cava, pelo útero aumentado de
volume e em parte também devido ao aumento da resistência que o fluxo sanguíneo
encontra nas extremidades inferiores ao juntar-se ao fluxo proveniente do útero. É
sempre bom orientar a gestante deitar-se em decúbito lateral esquerdo para evitar
compressão da veia cava inferior, facilitando o retorno sanguíneo e assim obtendo
uma melhora significativa no quadro respiratório. (MS, 2011)
Outras alterações: Frequência cardíaca em repouso aumenta cerca de 10 bpm;
Aumento do volume sanguíneo, o coração tem que circular maior quantidade de
sangue através da aorta, cerca de 50% a mais por minuto; Ao final do segundo
trimestre ocorre o trabalho máximo do coração, diminuindo nas últimas semanas de
gestação e aumentando novamente imediatamente após o parto; O coração é

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deslocado para cima e para esquerda, devido ao volume do útero, que resulta em
alteração da frequência cardíaca em determinados decúbitos, aumentando
ligeiramente de volume, bem como a capacidade cardíaca, débito cardíaco, ritmo
cardíaco e volume sistólico; Pode haver palpitações nos primeiros meses de gestação
devido aos transtornos no sistema simpático, e ao final da gravidez, devido à pressão
intra-abdominal do útero extremamente aumentado. (MS, 2011)
Síndrome da hipotensão supina: quando é comprimida a veia cava inferior pelo
útero gravídico, reduzindo o retorno venoso, consequentemente reduzindo a
capacidade cardíaca. Se for por tempo prolongado, a gestante pode apresentar sinais
de choque, como tontura, desfalecimento, pulso acelerado, pele úmida e pegajosa,
náuseas, vômitos e queda na pressão arterial sistêmica.
Hipotensão ortostática: quando a gestante sai de uma posição horizontal para
vertical; O reservatório venoso aumenta várias vezes com dilatação fácil dos vasos
sanguíneos periféricos, aumentando a capacidade das veias para reter sangue,
contribuindo para problemas circulatórios como edema, trombose, varizes.
Aparelho respiratório: Há uma elevação do diafragma pelo útero aumentado
de volume, a respiração fica dificultada (dispneia). Ocorre aumento da frequência
respiratória e da quantidade de ar movimentada em cada ciclo respiratório; ocorre
hiperventilação (aumento da frequência respiratória, volume corrente, volume minuto)
provavelmente devido ao maior consumo de oxigênio e gás carbônico pelo feto;
Epistaxe (pela vascularização elevada, estrogênio).
Aparelho gastrointestinal: Há diminuição do peristaltismo (pelo efeito da
progesterona na musculatura lisa); Retardo do esvaziamento gástrico e no trânsito
intestinal, que pode provocar náuseas e constipação (pela redução do peristaltismo);
Pirose, provocada pelo refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, também devido
à diminuição do peristaltismo; Tendência ao aparecimento de hemorroidas.
Aparelho urinário: Aumento do fluxo sanguíneo nos rins (de 30 a 50%),
obrigando os rins a filtrar maior quantidade de sangue, aumentando a eliminação de
urina. A musculatura lisa dos ureteres sofre ação da progesterona, diminuindo o
peristaltismo e dilatando-se, bem como a pelve renal e ureteres, levando a estagnação
da urina no sistema coletor (aumentando o risco de infecção urinária).
Pele e mucosas: Aparecimento de estrias nas mamas, abdome e nádegas;
devido principalmente pelo estiramento da pele e falta de hidratação da mesma.

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Aumento de depósito de tecido adiposo também na região mamária, abdome e
nádegas. Hiperpigmentação da pele (Aparecimento da linha negra que vai do monte
pubiano até a cicatriz umbilical (línea Nigris)); Cloasmas, manchas de coloração
castanha no rosto que geralmente desaparecem após o parto; Estas alterações
podem estar relacionadas com a hipertrofia da córtex das glândulas suprarrenais;
Hiperatividade das glândulas sudoríparas, sebáceas e dos folículos pilosos; Aumento
do fluxo sanguíneo causada pelo estrogênio, que podem originar hemangiomas; Este
aumento pode levar a sangramentos da mucosa oral, epílide; O pH da mucosa oral
tende a aumentar, colaborando para a deterioração dentária; Produção de saliva
aumenta (ptialismo).
Alterações hematológicas: Os leucócitos se elevam, variando de 6.000 e
12.000/mm, chegando a 25.000 durante o trabalho de parto (normal e não grávidas =
5000 a 10000). Protege contra infecções; O nível de fibrinogênio aumenta em 50%,
por influência do estrogênio e da progesterona; Aumento no volume sanguíneo de 1
a 1,5 litros durante a gravidez; ocorre aumento do volume plasmático; Aumento do
número de eritrócitos de 250 para 450ml de hemácias.
Glândulas endócrinas e suas alterações: A produção de gonadotrofina
coriônica humana (HCG) estimula a produção de progesterona e estrogênio pelo
corpo lúteo, para a manutenção da gestação até que a placenta se desenvolva
totalmente para assumir essa posição;
Produção de somatotropina coriônica humana (HCS); Produção de lactogênio
placentário humano (HPL): torna disponível maior porcentagem de proteína para
necessidades da mãe e do feto; Aumento generalizado e gradual da produção de
todos os hormônios;
Hormônio melanócito estimulante: hormônio hipofisário causa o escurecimento
na pigmentação da pele em certas áreas do corpo da mulher;
Aumento da aldosterona: estimula os glomérulos do rim a reabsorver sódio e
água;
Aumento da produção de estrogênio: estimula o desenvolvimento uterino,
auxilia no desenvolvimento do sistema de ductos mamários, preparando-os para
lactação e, participa no desenvolvimento de estrias gravídicas. Seu nível elevado
causa rubor e eritema na pele, e o corpo da mulher torna-se mais vascularizado,

17
aumentando o fluxo de sangue para o feto e a chance de sangramentos como
epistaxe.
Estrógeno e seus efeitos: Estimula o aumento do útero, das mamas e dos
genitais; participar no desenvolvimento das estrias gravídicas; ocasiona modificações
vasculares; promover a utilização de nutrientes; estimula o hormônio melanócito
estimulante, responsável pelo aumento da pigmentação.
Progesterona e seus efeitos: Proporciona o desenvolvimento do endométrio
uterino; Auxilia na implantação do ovo; proporciona o desenvolvimento dos ductos
secretores das mamas para lactação; estimula a secreção de sódio; reduzi tônus dos
músculos lisos causando redução da contratilidade uterina, constipação, azia e
varicosidades; Auxiliar a mulher a eliminar produtos do metabolismo fetal.
Alterações no peso corporal: Aumento do peso total na 40º semana de
gravidez considerado normal e médio é de 10 a 12,5kg; Curva ascendente de aumento
do peso; O aumento do peso de apenas 1kg por mês não é considerado adequado;
O aumento de peso de três quilos por mês pode ser excessivo; Ocorre aumento da
deposição de gordura no corpo; Edema, pode estar presente somente nas
extremidades inferiores; A retenção de líquido e o edema podem representar dois a
quatro quilos de peso adicionais.
Alterações no sistema musculoesquelético: Amolecimento das cartilagens
pélvicas provocando tropeços, quedas e lombalgias; Mobilidade aumentada nas
articulações pélvicas (marcha anserina); Relaxamento dos ligamentos por ação da
relaxina (aumenta a preparação para o parto vaginal); os músculos abdominais
relaxam aumentando assim a diástase neste músculo. Modificações na postura
(centro de gravidade muda para frente); Lordose aumentada.
Alterações no aparelho ginecológico: Nos órgãos genitais: Aumento
acentuado no tamanho; Útero aumenta quatro vezes em comprimento e cerca de um
quilo no peso devido ao alongamento e hipertrofia das fibras musculares, empurrando
o intestino e outros órgãos para cima e para os lados; O suprimento sanguíneo
aumenta 20 a 40 vezes para o útero; As contrações musculares tornam-se mais
acentuadas à medida que a gravidez avança: Contrações de Braxton-Hicks
estimulada pela ocitocina (contrações irregulares e arrítmicas que auxiliam a
passagem de sangue para o feto, com o avanço da gestação causam apagamento e
a pequena dilatação da cérvix); Aumento da vascularização e edema do colo uterino;

18
Aumento da vascularização da vagina; A secreção vaginal é abundante; Aumento de
glicogênio no epitélio vaginal, promovendo o desenvolvimento de lactobacilo e
consequentemente, aumento da acidez vaginal (pH fica entre 3,5 e 6); Edema e
vascularização aumentada na vulva e períneo; Podem surgir varizes vulvares;
Aumento da vascularização, a coloração do aparelho genital passa de rosada para
violácea (sinal de Chadwick).
Mamas: Aumento considerável no volume, na firmeza e na vascularização
desde o início da gestação que se continua progressivamente; Tornam-se sensíveis,
pruriginosas e pesadas; As aréolas alargam-se e ficam mais pigmentadas, surgindo
pequenas elevações (Tubérculos de Montgomery, que são glândulas sebáceas
hipertrofiadas); Ocorre hipertrofia dos alvéolos mamários por volta do 2º mês de
gestação; Há presença de colostro por volta do 2º mês; O colostro enche os alvéolos
e canais lactíferos no 3º trimestre de gravidez.

5.2 Puerpério

Puerpério é o período em que as modificações locais e sistêmicas, provocadas


pela gravidez e parto no organismo da mulher, retornam à situação do estado pré-
gravídico.
O puerpério, tempo de seis a oito semanas após o parto,
didaticamente, pode ser dividido em três períodos, sendo: imediato (1º ao 10º
dia), tardio (11º ao 45º dia) e remoto (a partir do 45º dia). No puerpério
ocorrem modificações internas e externas, configurando-se como um período
carregado de transformações psíquicas, onde a mulher continua a precisar
de cuidado e proteção. (BRASIL, 2006, apud ANDRADE, 2015).

Logo depois o parto, é normal que seja expelida uma secreção de cor
avermelhada. Outras pequenas hemorragias podem ocorrer no processo de
recuperação do útero, que se contrai quando o bebê nasce. Com o tempo, no entanto,
esses sangramentos ficam mais espessos e desaparecem. O retorno do útero ao
tamanho normal é uma das mudanças do pós-parto que precisam ser listadas. Nesse
processo, ele também recompõe os vasos sanguíneos que se rompem durante o
parto.
Ocorre vazamentos involuntários da bexiga, quando a mesma retorna para sua
posição anatômica. A perda de peso é outra alteração encontrada, tal como a
19
diminuição da lubrificação natural da vagina. Todas as mudanças citadas no puerpério
são transitórias. Porém caso não desapareçam, é necessário que a puérpera procure
um médico para o tratamento das mesmas.
Outro sintoma ao qual as mães devem ficar atentas depois do parto é à tristeza
profunda. A depressão pós-parto é bastante comum e deve ser acompanhada de
perto.
Ao se examinar uma mulher no puerpério, deve-se inicialmente, fazer uma
breve avaliação do seu estado psíquico, e entender o que representa para ela a
chegada de uma nova criança. O estabelecimento de uma adequada empatia entre o
examinador e sua cliente proporcionará uma melhor compreensão dos sintomas e
sinais apresentados. É comum que neste momento a mulher experimente sentimentos
contraditórios e sinta-se insegura.

6 QUESTÕES ÉTICAS, BIOÉTICAS E LEGAIS NA SAÚDE DA MULHER

Fonte: gospelprime.com.br

Afirma ZOBOLI, 2001 que a fim de viabilizar a convivência a sociedade e/ou os


grupos têm traçado, ao longo da história da humanidade, diferentes balizamentos. A
ética é um deles. A palavra ética, vem do grego éthos, e refere-se aos costumes, à
conduta de vida e às regras de comportamento. Circunscreve-se ao agir humano, aos
comportamentos cotidianos e às opções existenciais. Etimologicamente, significa o

20
mesmo que moral (do latim mos, moris), sendo usual o emprego destas palavras uma
pela outra, quase como sinônimos.
A ética da saúde ocupa lugar de destaque no conjunto das reflexões éticas,
pois enfoca questões relacionadas à manutenção e à qualidade de vida das pessoas.
Leopoldo, 1998, considera a ética da saúde profundamente enraizada no terreno dos
direitos humanos, pois a vida é o primeiro dos direitos. Segue o autor afirmando que
a ética da saúde implica “compromisso com a realização histórica de valores que
encarnem nas condições determinadas de situações sociais e políticas diferenciadas,
o direito de que todo ser humano deveria primordialmente usufruir”

6.1 Abortamento

Embora a palavra “aborto” seja comumente utilizada para indicar interrupção


da gravidez, do ponto de vista técnico, há que diferenciá-la de “abortamento”:
enquanto esse é o ato de abortar, aquele que é o produto do abortamento. Assim,
segundo critério da Organização Mundial da Saúde adotado pelo Brasil, o
abortamento caracteriza-se pela interrupção da gravidez até a 22ª semana, desde que
o produto da concepção, o próprio aborto, tenha peso inferior a 500 gramas. São
variadas as causas que desencadeiam o abortamento “natural”, as quais, na maioria
das vezes, permanecem indeterminadas. No entanto, inúmeras gestações são
interrompidas por decisão pessoal da mulher, incluindo casos em que a gravidez
decorre de violência sexual. (BRASIL, 2011).

Na tentativa de garantir os direitos reprodutivos e sexuais das mulheres,


definidos em acordos internacionais e firmados na legislação nacional
vigente, o Brasil, por intermédio do Ministério da Saúde, editou em 1999 a
norma técnica “Prevenção e tratamento dos agravos resultantes da violência
sexual contra mulheres e adolescentes”, a fim de assegurar o direito à
interrupção da gestação legal por meio do SUS. (BRASIL, 2012, apud DA
ROCHA, 2015).

6.2 Planejamento familiar

Embora seja difícil definir família, devido as diversidades de modelos


encontrados nas diferentes sociedades, podemos compreendê-la como grupo social
que exerce, no mínimo, as funções sexuais, pro criativas, educativas e econômicas.
Sendo assim, ter filhos e exercer a função pro criativa, é algo a ser planejado, o que
21
em nossos dias pode inclusive ser pensado na forma negativa: não ter filhos. Como
criação humana mutável, família corresponde a uma multiplicidade de modelos que
variam em graduação acentuada, podendo seu desenho apresentar semelhanças
com inúmeras sociedades sem que, com isso, se padronize um figurino a ser seguido.
Depende de cada cultura o esboço do modelo. As circunstâncias diversificam-se e,
com elas, as famílias também.
Como cita Carvalho, 2003, essas modificações evidenciam a diversidade do
modelo, o que não implica que a família seja instituição desnecessária, ou em via de
extinção nas sociedades contemporâneas, haja vista que uma leitura mais acurada
da instituição, deixa patente sua plasticidade e sua enorme capacidade de mudança
e de adaptação às transformações econômicas, sociais e culturais mais amplas.
Efetivamente, a família, não importa a configuração que assuma, continuará a existir,
pois é o que pode assegurar à criança, aos novos sujeitos que se apresentam ao
mundo, o direito ao amor, ao acolhimento no mundo humano e à palavra.
O planejamento familiar é direito de todo cidadão, conforme estabelece a Lei
n° 9.263, de 12 de janeiro de 1996, que regula o § 7º, do artigo 226 da Constituição
Federal. De acordo com a lei, o planejamento é orientado por ações preventivas e
educativas, que garantem acesso igualitário a informações e métodos disponíveis
para a regulação da fecundidade.
De acordo com Osis, 2000, o planejamento familiar surge imerso nas
contradições teórico-ideológicas associadas à crise do crescimento populacional.
Nesse período, os estudiosos da demografia, previam impactos expressivos no
desenvolvimento socioeconômico dos países subdesenvolvidos, como eram
considerados na época.
Os dados atuais das taxas de fecundidades sugerem que o Brasil se caracteriza
por uma sociedade com baixa fecundidade. Entretanto, esses dados devem ser
analisados por região. As reduzidas taxas de fecundidade das regiões mais
desenvolvidas do país mascaram os problemas presentes em regiões como o
Nordeste brasileiro. A comparação das taxas de fecundidade exemplifica as
controvérsias regionais presentes na sociedade brasileira.

A taxa de fecundidade brasileira em 2006 se reduziu para dois filhos


por mulher e já é uma das menores da América Latina, próxima à de países
desenvolvidos como França (1,9) e Suécia (1,7), e igual à dos Estados
22
Unidos. Mas se forem comparadas regiões, classe social e grau de estudo,
os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) 2006,
divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam
que as mães pobres têm o dobro - ou mais - de filhos que as de classe média
ou alta. O IBGE demonstra uma queda mais significativa nas regiões Sul e
Sudeste e menor no Nordeste e no Centro-Oeste do país. (CARVALHO,
2005)

A comparação entre as taxas de fecundidade foi baseada em dados da


Organização Mundial da Saúde (OMS) e da PNAD 2005. De acordo com o IBGE, a
taxa de fecundidade em 2005 era de 2,1 filhos por mulher, e o número vem declinando
desde os anos 60, quando as brasileiras tinham em média seis filhos - na década de
80, a média já era de quatro filhos.

6.3 Violência contra a mulher: doméstica, sexual e simbólica

Para Soares, 2013 a violência doméstica contra a mulher (VDCM) tem ganhado
maior visibilidade na última década, tanto no cenário nacional quanto internacional. As
discussões não se limitam aos agravos à saúde da mulher, incluem o impacto da
violência na vida dos filhos, na família, abordam a credibilidade da população na
legislação protetiva brasileira, bem como enfocam os gastos com a assistência
policial, judicial e de saúde nesse contexto.
A violência contra a mulher é condição que requer abordagem intersetorial e
interdisciplinar, com importante interface com questões de direitos humanos, questões
policiais, de segurança pública e de justiça. Nesse sentido, a Lei Maria da Penha,
precisa ser problematizada entre os profissionais, pois apregoa as atribuições cabíveis
à equipe multidisciplinar, incluindo a área psicossocial e da saúde. Cabe destacar que
a exigência de boletim de ocorrência na unidade básica ou hospitalar, para o
atendimento das vítimas, é incorreta.
Violência sexual e ou doméstica: A violência sexual contra a mulher é uma
agressão cruel e persistente, considerada uma violência de gênero, uma
demonstração extrema de poder do homem sobre a mulher, na subjugação do seu
corpo tornado objeto.

A violência sexual causa danos que podem durar a vida inteira e estar
relacionados ao bem-estar físico, a questões sexuais, reprodutivas,
23
emocionais, mentais e sociais das mulheres agredidas. Entre as
consequências desta agressão, incluem-se gravidez e infecções
sexualmente transmissíveis (IST), incluindo HIV/Aids. (OMS, 2012, apud
DELZIOVO, 2018).

É um dos principais indicadores da discriminação de gênero contra a mulher.


Pesquisa coordenada pela OMS (2002), em oito países, retrata o perfil da violência
sofrida pelas mulheres na faixa etária de 15 a 49 anos. No Brasil, o estudo foi realizado
em São Paulo e na zona da mata de Pernambuco. Nesses municípios, 29% das
mulheres relataram violência física e/ou sexual por parte do companheiro. Dentre as
mulheres agredidas, foram relatados problemas de saúde, como: dores ou
desconforto severo, problemas de concentração e tontura. Nesse grupo também foi
mais comum a tentativa de suicídio e maior frequência do uso do álcool. Os dados
dessa pesquisa confirmam que a violência sexual e/ou doméstica é um grave
problema de saúde pública. Porém, entre as mulheres que relataram violência, apenas
16% em São Paulo e 11% em Pernambuco buscaram hospitais ou centros de saúde
(OMS, 2002). Considerando-se que São Paulo concentra a maior parte dos serviços
de referência no Brasil, esses percentuais indicam pouca divulgação e dificuldades de
acesso aos serviços explica, Brasil, 2002.

No Brasil, o estupro é definido juridicamente como sendo o ato de


“constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção
carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”.
(BRASIL, 2012, apud NUNES, 2017).

Portanto, as profissionais da enfermagem precisam conhecer a rede de apoio


à vítima do município, a fim de encaminharem e orientarem quanto aos serviços,
respaldo oferecido pela lei Maria da Penha, auxiliando-as no enfrentamento e na
superação dos traumas físicos e psicológicos. Muitas vezes a dor da “alma”,
associada à desqualificação das corporeidades femininas, é aquela que mais gera
sofrimento, sendo a enfermagem um guia para o tratamento das marcas invisíveis,
através do cuidado holístico e humanizado

Em relação à violência sexual, recentemente foi sancionada a Lei n. 12.845,


que torna obrigatório e integral o atendimento, pelo Sistema Único de Saúde,
às vítimas. Discorre sobre o atendimento imediato, o diagnóstico, o
tratamento das lesões no aparelho genital, a profilaxia de doenças e de
gravidez, bem como o amparo de equipe multidisciplinar. (BRASIL, 2013,
apud ACOSTA, 2017).

24
LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006: Art. 1º Esta Lei cria mecanismos
para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do §
8º do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas
as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir,
Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais
ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados
de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de
assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
Art. 2º Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação
sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos
fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades
e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu
aperfeiçoamento moral, intelectual e social.

Segundo o 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados


47.646 casos de estupro no Brasil em 2014. Isso significa um estupro a cada
11 minutos. Porém, considera- se que em média apenas 35% dos crimes
sexuais são notificados. (FÓRUM, 2015, apud DE SOUZA, 2019).

Violência simbólica: De acordo com Silva, 2017 em um de seus artigos cita


que o significado e a definição do termo violência simbólica é altamente discutível nas
ciências sociais. Um ponto de vista sobre o termo vem do trabalho de Randall Collins,
que argumenta que "a violência simbólica é um mero jogo de palavras teóricas e levá-
lo literalmente mal, interpreta a natureza da violência real". Para Collins (2008), a
violência simbólica é uma "queixa retórica" e não tem nenhum valor real em explicar
o que realmente acontece na vida. Collins adota uma perspectiva sobre a violência
quando argumenta que as pessoas não são inerentemente violentas, em vez disso,
as situações produzem momentos de violência.
Para Pierre Bourdieu, sociólogo francês, os seres humanos possuem quatro
tipos de capitais, são eles: o capital econômico (a renda financeira), o capital social,
(suas redes de amizade e convívio), o cultural, aquele que é constituído pela
educação, diplomas e envolvimento com a arte e o capital simbólico, que está ligado
à honra, o prestígio e o reconhecimento. É através desse último capital que
determinadas diferenças de poder são definidas socialmente. Por meio do capital
simbólico, é que instituições e indivíduos podem tentar persuadir outros com suas
ideias.
25
A violência simbólica se dá justamente pela falta de equivalência desse capital
entre as pessoas ou instituições. O conceito foi definido por Bourdieu como uma
violência que é cometida com a cumplicidade entre quem sofre e quem a pratica, sem
que, frequentemente, os envolvidos tenham consciência do que estão sofrendo ou
exercendo.
Lei nº 13.931 de 10 de dezembro de 2019: Altera a Lei nº 10.778, de 24 de
novembro de 2003, para dispor sobre a notificação compulsória dos casos de suspeita
de violência contra a mulher.
Lei nº 13.894, de 29 de outubro de 2019 – Altera a Lei nº 11.340, de 7 de
agosto de 2006 (Lei Maria da Penha), para prever a competência dos Juizados de
Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher para a ação de divórcio, separação,
anulação de casamento ou dissolução de união estável nos casos de violência e para
tornar obrigatória a informação às vítimas acerca da possibilidade de os serviços de
assistência judiciária ajuizarem as ações mencionadas; e altera a Lei nº 13.105, de 16
de março de 2015 (Código de Processo Civil), para prever a competência do foro do
domicílio da vítima de violência doméstica e familiar para a ação de divórcio,
separação judicial, anulação de casamento e reconhecimento da união estável a ser
dissolvida, para determinar a intervenção obrigatória do Ministério Público nas ações
de família em que figure como parte vítima de violência doméstica e familiar, e para
estabelecer a prioridade de tramitação dos procedimentos judiciais em que figure
como parte vítima de violência doméstica e familiar.
Art. 2º Esta Lei entra em vigor após decorridos 90 (noventa) dias de sua
publicação oficial. Brasília, 10 de dezembro de 2019.

Na obra de Pierre Bourdieu, a violência simbólica denota mais do que uma


forma de violência que opera simbolicamente. É "a violência exercida sobre
um agente social com a sua cumplicidade" (BOURDIEU; WACQUANT, 2002,
apud SILVA, 2017).

26
7 COMPLICAÇÕES CLÍNICAS PREVALENTES NAS MULHERES

Fonte: bbmundo.com

As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são definidas como um grupo


de doenças multifatoriais com longo período de incubação e diferentes fatores de
risco, como hipertensão arterial, diabetes e obesidade, que podem interferir no
aparecimento ou agravamento de doenças ginecológicas, como disfunção sexual,
Síndrome metabólica e síndrome dos ovários policísticos.
Para bem receber a população nos estabelecimentos de saúde, o
Ministério da Saúde atualmente tem buscado padronizar o processo de
acolhimento, com classificação de risco por meio da adoção de medidas que
uniformizem esse processo em todo o território nacional. Após a classificação
de risco e avaliação médica, é definida a conduta e destino do usuário: alta
externa (domicílio/referência) ou interna (observação/internação). (TOLEDO,
2009, apud PRATES, 2016).

7.1 Vulvovaginite/ vulvite/ vaginoses

Vulvovaginite e vulvite: A vulvite é a irritação da vulva, e a vulvovaginite, da


vulva e da vagina. São provocadas, principalmente, por diversos micro-organismos,
que causam corrimento. As mesmas bactérias que originam a Candidíase, a
Tricomoníase e Clamídia podem causar a vulvite e a vulvovaginite. Podem ser
causadas pelo uso de produtos alergênicos, como calcinhas de tecido sintético,

27
amaciantes, papel higiênico colorido ou perfumado, sabonetes perfumados, e também
pelo hábito diário, como o uso do chuveirinho e ducha vaginal. Mulheres grávidas
podem desenvolver vulvites crônicas após o parto, devido a sua sensibilidade com
determinados produtos químicos, o látex da camisinha, tampões vaginais e sabonetes
íntimos. A imunidade baixa desencadeia o desenvolvimento das infecções.
A candidíase surge quando há a proliferação excessiva da Cândida albicans ou
glabrata em relação aos outros micro-organismos presentes.
A Cândida albicans pode ser classificada como microrganismo comensal
(permanece no organismo sem produzir a doença), já que é encontrada em
aproximadamente 20% das mulheres saudáveis. Entre os principais sintomas
podemos citar: Coceira vaginal; Corrimento esbranquiçado e espesso; Ardência na
região da vulva; Leve inchaço dos lábios vaginais; ardência ao urinar; Pele rachada
(ressecada) próxima à vulva; dispareunia.
Vaginose bacteriana: Infecção genital causada por bactérias, principalmente
pela Gardnerella Vaginalis. A transmissão ocorre pelo contato íntimo ou relação
sexual. É a causa mais comum de corrimento genital e a segunda causa de
candidíase. Essa infecção ocasiona um desequilíbrio da flora vaginal fazendo com
que a concentração de determinadas bactérias aumente. Atualmente, é considerada
uma proliferação maciça de uma flora mista, que inclui Gardnella Vaginallis,
Peptoestreptococcus e Micoplasma hominis. Durante a menstruação, a Vaginose
causa um odor fétido, pois nesse período acontece com certo aumento na proliferação
das bactérias. Ocorre principalmente em mulheres na idade reprodutiva.

7.2 Neoplasias cervico-uterina

De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer cervical (Câncer do colo do


útero) é frequentemente um carcinoma de células escamosas causado por infecção
por HPV. A neoplasia cervical é assintomática. Na maioria das vezes a infecção
cervical pelo HPV é transitória e regride espontaneamente, entre seis meses a dois
anos após a exposição (IARC, 2007). No pequeno número de casos nos quais a
infecção persiste e, especialmente, é causada por um tipo viral oncogênico, pode
ocorrer o desenvolvimento de lesões precursoras, cuja identificação e tratamento

28
adequado possibilita a prevenção da progressão para o carcinoma cervical invasivo
(WHO, 2008).
Além de aspectos relacionados à própria infecção pelo HPV (tipo e carga viral,
infecção única ou múltipla), outros fatores ligados à imunidade, à genética e ao
comportamento sexual parecem influenciar os mecanismos ainda incertos que
determinam a regressão ou a persistência da infecção e também a progressão para
lesões precursoras ou câncer. A idade também interfere nesse processo, sendo que
a maioria das infecções por HPV em mulheres com menos de 30 anos regride
espontaneamente, ao passo que acima dessa idade a persistência é mais frequente
(IARC, 2007). O tabagismo aumenta o risco para o desenvolvimento do câncer do colo
do útero, proporcionalmente ao número de cigarros fumados por dia e ao início em
idade precoce conforme INTERNATIONAL, 2006.
Para o controle do câncer do colo do útero, o melhor acesso aos serviços de
saúde e à informação são questões centrais. Isso demanda mudanças nos serviços
de saúde, com ampliação da cobertura e mudanças dos processos de trabalho, e
também articulação intersetorial, com setores do setor público e sociedade civil
organizada.
De acordo com Brasil, 2010 o amplo acesso da população a informações
claras, consistentes e culturalmente apropriadas a cada região deve ser uma iniciativa
dos serviços de saúde em todos os níveis do atendimento. O controle do tabagismo
pode ajudar a minimizar o risco de câncer do colo do útero e é também uma das
prioridades da Política Nacional de Promoção da Saúde.
A realização periódica do exame citopatológico continua sendo a estratégia
mais adotada para o rastreamento do câncer do colo do útero conforme WHO, 2010.
O diagnóstico é realizado através de exame cervical com Papanicolau e
biópsia. O estadiamento é clínico. O tratamento normalmente inclui ressecção
cirúrgica para doença em estágio inicial ou radioterapia mais quimioterapia para
doença localmente avançada e quimioterapia é utilizada isoladamente. O câncer
cervical inicial pode ser assintomático. Quando há sintomas, frequentemente ocorre
sangramento vaginal irregular, (mais comum pós-coito, mas pode ocorrer
espontaneamente entre as menstruações). As neoplasias maiores têm mais
probabilidade de sangrar espontaneamente e podem causar corrimento vaginal fétido

29
ou dor pélvica. Câncer mais disseminado pode causar uropatia obstrutiva, dor lombar
e edema nas pernas decorrentes de obstrução venosa ou linfática.
A Linha de Cuidado do Câncer do Colo do Útero tem a finalidade de assegurar
à mulher o acesso humanizado e integral às ações e aos serviços qualificados para
promover a prevenção do câncer do colo do útero, acesso ao rastreamento das lesões
precursoras, ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado, qualificado e em
tempo oportuno.
Algumas diretrizes da Linha de Cuidado do Câncer do Colo do Útero:
1. Prevenção e detecção precoce
• Fortalecer e ampliar o acesso às informações sobre o câncer do colo do
útero para todas as mulheres, ressaltando que o câncer do colo do útero é prevenível
pela detecção e pelo tratamento das lesões precursoras que antecedem, em muitos
anos, o câncer.
• Estruturar os serviços de saúde para rastrear todas as mulheres de 25 a
64 anos a cada três anos, além de atender todas as mulheres que apresentam sinais
de alerta.
• Acompanhar e tratar todas as mulheres positivas, segundo as Diretrizes
Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (INCA, 2011a).
2. Programa Nacional de Qualidade da Citologia
• Garantia de citologias de alto padrão.
• Garantir referência para cito e histopatologia.
3. Acesso à confirmação diagnóstica
• Garantia do acesso ao tratamento adequado da lesão precursora em
tempo oportuno.
• Definir e pactuar que a unidade de referência deve realizar todos os
procedimentos: colposcopia, biópsia, EZT e utilizar o método “ver e tratar”.
• Implantar centros qualificadores de ginecologistas para atuarem na
unidade de referência para diagnóstico e tratamento da lesão precursora.
4. Tratamento adequado e em tempo oportuno
• Definir e pactuar serviços terciários para procedimentos especializados,
como conização, quimioterapia e radioterapia.
• Garantir que todas as mulheres iniciem seu tratamento o mais breve
possível.

30
• Permitir que as mulheres com câncer do colo de útero sejam
acompanhadas por uma equipe multidisciplinar especializada.
• Garantir que toda mulher com câncer do colo de útero receba cuidados
em um ambiente hospitalar que acolha suas expectativas e respeite sua autonomia,
dignidade e confidencialidade.
• Garantir que todo hospital que trata câncer do colo do útero tenha
Registro Hospitalar de Câncer em atividade.
• Garantir que toda mulher com câncer do colo do útero tenha direito aos
cuidados paliativos para o adequado controle dos sintomas e suporte social, espiritual
e psicológico.

7.3 Neoplasia mamária

O câncer de mama, assim como outras neoplasias malignas, resulta de uma


proliferação incontrolável de células anormais, que surgem em função de alterações
genéticas, sejam elas hereditárias ou adquiridas por exposição a fatores ambientais
ou fisiológicos. Tais alterações genéticas podem provocar mudanças no crescimento
celular ou na morte celular programada, levando ao surgimento do tumor.
Considerado problema de saúde pública, o câncer de mama é um grupo
heterogêneo de doenças, com comportamentos distintos. A heterogeneidade do
câncer de mama se manifesta pelas diferentes apresentações clínicas e morfológicas,
variadas assinaturas genéticas e consequente variação nas respostas terapêuticas.
Para o MS, 2013 O processo de carcinogênese é, em geral, lento, podendo
levar vários anos para que uma célula prolifere e dê origem a um tumor palpável. Esse
processo apresenta os seguintes estágios: iniciação, fase em que os genes sofrem
ação de fatores cancerígenos; promoção, fase em que os agentes oncopromotores
atuam na célula já alterada; e progressão, caracterizada pela multiplicação
descontrolada e irreversível da célula.
O câncer de mama é o mais incidente em mulheres, representando 23% do
total de casos de câncer no mundo, em 2008, com aproximadamente 1,4 milhão de
casos novos naquele ano. É a quinta causa de morte por câncer em geral (458 mil
óbitos) e a causa mais frequente de morte por câncer em mulheres exemplifica WHO,
2008. Raro antes dos 35 anos, e acima desta idade sua incidência cresce

31
progressivamente, especialmente após os 50 anos. Estatísticas indicam aumento da
sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em
desenvolvimento. Existem vários tipos de câncer de mama. Alguns evoluem de forma
rápida, outros, não.
Cita, KÖSTERS, 2008 o sintoma mais comum de câncer de mama é o
aparecimento de um nódulo, geralmente indolor, duro e irregular, mas há tumores que
são de consistência branda, globosos e bem definidos. Alguns estudos apontam que
os nódulos representam 90% da apresentação inicial dos casos sintomáticos
confirmados de câncer e que cerca de 10% dos nódulos suspeitos tem diagnóstico de
câncer confirmado posteriormente. Outros sinais de câncer de mama incluem: saída
de secreção pelo mamilo especialmente quando é unilateral e espontânea, coloração
avermelhada da pele da mama, edema cutâneo semelhante à casca de laranja,
retração cutânea, dor ou inversão no mamilo, descamação ou ulceração do mamilo.
A secreção papilar associada ao câncer geralmente é transparente, podendo também
ser rosada ou avermelhada devido à presença de hemácias. Não deve ser confundido
com as descargas fisiológicas ou associado a processos benignos, que costumam ser
bilaterais, turvas, algumas vezes amareladas ou esverdeadas, e se exteriorizam na
maioria das vezes mediante manobras de compressão do mamilo. Podem também
surgir linfonodos palpáveis na axila.
A Linha de Cuidado do Câncer da Mama tem a finalidade de assegurar à mulher
o acesso humanizado e integral às ações e serviços qualificados para promover a
prevenção do câncer de mama, acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento
adequado, qualificado e em tempo oportuno. Segue abaixo algumas diretrizes
seguintes diretrizes:
1. Prevenção e detecção precoce
• Fortalecer e ampliar o acesso às informações relativas à prevenção do
câncer da mama, enfatizando que o controle do peso e da ingestão de álcool, além
da amamentação e da prática de atividades físicas, são formas de preveni-lo.
• Alertar médicos e população sobre os riscos associados à terapia de
reposição hormonal.
• Fortalecer e ampliar o acesso às informações sobre a detecção precoce
do câncer da mama para todas as mulheres, ressaltando o alerta para os primeiros
sinais e sintomas do câncer da mama.

32
• Realizar o diagnóstico precoce de lesões sugestivas de câncer de mama
e encaminhá-las com prioridade para atenção especializada.
• Organizar o rastreamento das mulheres de 50 a 69 anos em áreas cuja
elevada ocorrência deste tipo de câncer justifique esta iniciativa.
2. Programa Nacional de Qualidade da Mamografia (PNQM)
• Garantir imagens radiográficas de alto padrão com doses mínimas de
radiação.
• Incluir todos os serviços de mamografia no Programa Nacional de
Qualidade em Mamografia.
3. Acesso à confirmação diagnóstica
• Definir e pactuar serviços de referência para confirmação diagnóstica
dos casos suspeitos.
• Regular o acesso à confirmação diagnóstica, propiciando que casos
referenciados pela atenção primária com lesão palpável, ou outros sinais e sintomas
suspeitos tenham prioridade.
4. Tratamento adequado e em tempo oportuno
• Definir e pactuar com unidade terciária de referência para tratamento dos
casos confirmados.
• Garantir que todas as mulheres, com diagnóstico de câncer de mama
confirmado, iniciem seu tratamento o mais breve possível.
• Garantir que toda mulher com câncer da mama tenha seu diagnóstico
complementado com a avaliação do receptor de estrogênio e progesterona.
• Permitir que as mulheres com câncer da mama sejam acompanhadas
por uma equipe multidisciplinar especializada, que inclua médicos (cirurgião,
oncologista clínico e radioterapeuta), enfermeiros, psicólogos, nutricionistas,
assistentes sociais e fisioterapeutas.
• Garantir que toda mulher com câncer da mama receba cuidados em um
ambiente hospitalar que acolha suas expectativas e respeite sua autonomia,
dignidade e confidencialidade.
• Garantir que todo hospital que trate câncer da mama tenha Registro
Hospitalar de Câncer em atividade.

33
• Garantir que toda mulher com câncer da mama tenha direito aos
cuidados paliativos para o adequado controle dos sintomas e suporte social, espiritual
e psicológico.

8 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA GESTAÇÃO

Fonte: manualdamamae.com.br

Como a atenção básica é considerada a porta de entrada dos serviços de


saúde, a excelência no acolhimento e nas consultas primárias confere agilidade aos
fluxos de atendimento. Ou seja, todo o ciclo do serviço de saúde torna-se mais fluido
quando o profissional de enfermagem está qualificado para realizar o pré-natal.
Em linhas gerais, pode-se dizer que a enfermagem realiza uma espécie de
gestão dos cuidados na gravidez em todas as suas fases. E cabe à equipe otimizar
os atendimentos de referência e contra referência que compõem o sistema de saúde.
Se as condições de saúde da gestante forem de risco, a mulher é referenciada
para unidades com maior complexidade. Após esse atendimento, ela é contra
referenciada à unidade de atenção básica a fim de dar continuidade ao pré-natal. Os
cuidados também orientam a mulher sobre a diferença entre sensações, dores e
inseguranças comuns à gestação e, ainda, aquelas que podem oferecer maiores
riscos.

34
8.1 Pré-natal

O pré-natal é o acompanhamento voltado as gestantes. Conceituado como um


conjunto de ações que antecedem ao parto, tendo por finalidade atender as
necessidades da mulher, promovendo a qualidade de vida e prevenido intercorrências
de conforme cita Rocha, 2017.
Durante o pré-natal, a gestante deve ser acompanhada por um médico obstetra
e pela equipe do PSF (enfermeiros, fisioterapeutas, dentista, entre outros
profissionais). A assistência ao pré-natal tem como objetivo o acolhimento da gestante
desde o diagnóstico da gestação, visando acolher a mulher em um momento de
transição e modificações físicas e emocionais de forma individualizada.
Segundo ROCHA (2017), vai depender do enfermeiro que a consulta tenha
nuances diferentes, para atender as expectativas da paciente, fazendo com que
ocorra uma relação de confiança e troca entre o profissional e paciente, preconizando
uma assistência de qualidade humanitária. Cabe também ao enfermeiro orientar a
gestante em relação ao: não uso de analgésicos e antitérmicos, pois as mesmas só
deverão fazer uso de medicamentos recomendados pelo obstetra; evitar uso de
cremes dermatológicos contendo ácido retinóico na sua fórmula. (Suspenda o uso,
pois essa substância pode causar malformações no feto); evitar exposição
desnecessária a radiação (radiografias); Gestantes fumantes e que fazem uso de
bebidas alcóolicas, devem abandonar o vício ou pelo menos reduzir o consumo;
diminuir ou eliminar significativamente o consumo de cafeína; prevenir-se contra a
toxoplasmose. Não comer carne cruas ou malpassadas e lavar muito bem frutas e
verduras.
Segue abaixo alguns exames que devem solicitados durante o pré-natal;

35
Cartilha estratificação de risco gestacional.

Cartilha estratificação de risco gestacional.

8.2 Caderno de Atenção Básica do Ministério da Saúde nº 32

Este caderno está inserido no âmbito do componente pré-natal da Rede


Cegonha como uma das ofertas que objetivam apoiar as equipes de atenção básica

36
(EAB) na qualificação do cuidado e na articulação em rede. Constitui-se de uma
ferramenta que, somada à capacidade das equipes e dos gestores, pode contribuir
para a contínua melhoria do acesso e da qualidade na atenção básica (AB).
Para tanto, o Caderno de Atenção Básica (CAB) Pré-Natal aborda desde a
organização do processo de trabalho, do serviço de saúde e aspectos do
planejamento, além de questões relacionadas ao acompanhamento da gravidez de
risco habitual e de suas possíveis intercorrências, promoção da saúde, gestação em
situações especiais, assistência ao parto, até as questões legais relacionadas
à gestação, ao parto/nascimento e ao puerpério.
Dez passos para o Pré-Natal de Qualidade na Atenção Básica de acordo com
o CAB:
1° PASSO: Iniciar o pré-natal na Atenção Primária à Saúde até a 12ª semana
de gestação (captação precoce);
2° PASSO: Garantir os recursos humanos, físicos, materiais e técnicos
necessários à atenção pré-natal;
3° PASSO: Toda gestante deve ter assegurado a solicitação, realização e
avaliação em termo oportuno do resultado dos exames preconizados no atendimento
pré-natal;
4° PASSO: Promover a escuta ativa da gestante e de seus(suas)
acompanhantes, considerando aspectos intelectuais, emocionais, sociais e culturais
e não somente um cuidado biológico: "rodas de gestantes";
5° PASSO: Garantir o transporte público gratuito da gestante para o
atendimento pré-natal, quando necessário;
6° PASSO: É direito do(a) parceiro(a) ser cuidado (realização de consultas,
exames e ter acesso a informações) antes, durante e depois da gestação: "pré-natal
do(a) parceiro(a)";
7° PASSO: Garantir o acesso à unidade de referência especializada, caso seja
necessário;
8° PASSO: Estimular e informar sobre os benefícios do parto fisiológico,
incluindo a elaboração do "Plano de Parto";
9° PASSO: Toda gestante tem direito de conhecer e visitar previamente o
serviço de saúde no qual irá dar à luz (vinculação);

37
10° PASSO: As mulheres devem conhecer e exercer os direitos garantidos por
lei no período gravídico-puerperal.

8.3 Avaliação

A avaliação da gestante é de extrema importância. Entre os tipos de avaliação


podemos citar a manobra de Leopold Zweifel, palpação obstétrica, entre outras. A
técnica de Leopold visa a identificação da apresentação, posição e situação fetal.
Temos a apresentação cefálica, pélvica ou córmica. Situação transversal oblíqua ou
longitudinal. Posição direita ou esquerda. Variedade de posição (anterior, posterior e
transversa).
Palpação obstétrica constitui-se de quatro tempos:
1ª: Delimita- se o fundo do útero com ambas as mãos. Apalpa- se o fundo do
útero materno, podendo- se encontrar uma região irredutível, dura e contínua. É o polo
cefálico ou cabeça. Se for uma massa irregular, mole, redutível é o polo pélvico ou a
região sacral;
2ª: Na segunda manobra procura- se espalmar as mãos sobre os lados do
útero: Uma fica fixa e a outra desliza. Encontrando uma superfície dura e contínua
temos o dorso. Verificam -se os batimentos cardiofetais no lado do dorso. Observa-
se também a espessura uterina;
3ª: A terceira manobra consiste na exploração da mobilidade cefálica. Aprende-
se a cabeça ou nádega do bebê. Quando alta e móvel a apresentação o polo se
movimenta de um lado para o outro. Caso contrário, fica fixo;
4ª: A quarta manobra é a exploração as escava: Para realizar a quarta
manobra, o enfermeiro coloca- se do lado contrário, volta as suas costas para a
grávida e palpa a porção inferior do útero. Comumente é detectado o polo cefálico.
Contração de Braxton Hicks: Nomeado em homenagem ao primeiro cientista
a descobri-las, as contrações de Braxton Hicks são normalmente indolores e curtas,
durando apenas um minuto ou dois. Elas podem ocorrer em toda a sua gravidez, mas
geralmente aumentam no último trimestre. Elas tendem a ocorrer de maneira irregular
e, embora desconfortável, elas não devem incomodá-la muito. O início pode acontecer
a partir da 28 ª semana. Entretanto, as contrações de Braxton Hicks podem começar
durante o segundo mês em algumas mulheres. Podem ser desencadeadas devido:

38
atividade física ou esforço; relação sexual; desidratação, deslocamento do bebê
dentro do útero. Em caso de contrações muito fortes, a gestante poderá entrar em
trabalho de parto, fazendo com que o cuidado com a mesma seja redobrado.

No âmbito da saúde da mulher, especificamente tratando-se da prática


obstétrica, o enfermeiro exerce um papel importante no que concerne à
humanização da assistência, tendo em vista que o processo gestatório e o
período pós-parto sejam permeados por sentimentos de medo e insegurança.
Na maioria das vezes, esses sentimentos, aliados à desinformação e
assistência pré-natal inadequada, são responsáveis pela opção da mulher
pela cesárea. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, os partos
cesáreos continuam em ascensão. Em 2009, a proporção de partos cesáreos
do setor público, de acordo com o Sistema de Informações de Internações
Hospitalares (SIH) foi de 36,2%. (BRASIL, 2011, apud GUERREIRO, 2012).

8.4 Fatores de riscos

Os fatores de risco também devem ser avaliados, Entre eles podem ser citados:
O Diabetes Mellitus, Hipertensão arterial, anemia, entre outros.
Diabetes gestacional: São considerados fatores de risco para o diabetes
gestacional: Idade materna mais avançada, ganho de peso excessivo durante a
gestação, sobrepeso ou obesidade, Síndrome do ovário policístico, história prévia de
bebês grandes (maiores de 4 kg) ou de diabetes gestacional, história familiar de
diabetes em parentes de 1º grau , história de diabetes gestacional na mãe da gestante,
hipertensão arterial sistêmica na gestação e gestação múltipla (gravidez de gêmeos).
O controle do diabetes gestacional é realizado na maioria das vezes através de
uma orientação nutricional adequada. A gestante necessita ajustar para cada período
da gravidez as quantidades dos nutrientes necessárias para ela e para o bebê. A
prática de atividade física é uma medida de grande eficácia para redução dos níveis
glicêmicos. A atividade deve ser feita somente após avaliação de um profissão
competente e liberação médica.
Hipertensão arterial sistêmica: De acordo com a 7ª Diretriz brasileira de
Hipertensão Arterial, Hipertensão é caracterizada pela PA sistólica variando de 140 –
159 e PA diastólica variando entre 90 – 99, sendo caracterizada durante a gestação
como:
Crônica: Quando a PA se encontra elevada antes da gestação ou antes de
20 semanas de gestação. A hipertensão crônica complica aproximadamente 1 a 5%
de todas as gestações.

39
Gestacional: Desenvolve-se após 20 semanas de gestação (tipicamente
depois das 37 semanas) e persiste até 6 semanas pós-parto; acontece em
aproximadamente 5 a 10% de todas as gestações, com mais frequência em casos de
gestação múltipla.
Os dois tipos de hipertensão aumentam o risco de pré-eclâmpsia e eclampsia e
de outras causas da morbidade ou mortalidade materna, incluindo encefalopatia
hipertensiva, AVC, insuficiência renal, insuficiência ventricular esquerda e síndrome
HELLP (hemólise, enzimas hepáticas elevadas, baixa contagem de plaquetas).
A morbidade e a mortalidade fetal aumentam em razão da diminuição do fluxo
sanguíneo uteroplacentário, que pode causar vasoespasmo, restrição de crescimento,
hipóxia e descolamento prematuro da placenta. Os resultados são piores se a
hipertensão é grave (PA sistólica ≥ 160, PA diastólica ≥ 110 mmHg) ou acompanhada
por insuficiência renal (por exemplo: clearance de creatinina < 60 ml/min, creatinina
sérica > 2 mg/dL > 180 μmol/L).
Com base nos níveis elevados de pressão arterial, considera-se os
seguintes fatores de risco: Gestação após os 35 anos e antes dos 18 anos;
Hipertensão arterial sistêmica crônica; Diabetes; lúpus; obesidade; primeira gestação.
Anemia: A anemia é uma das doenças na gravidez mais comum entre as
gestantes, que precisam de uma dieta especial rica em ferro (agrião, lentilha,
espinafre, feijão, fígado, abacate, espinafre, frutas secas entre outras).
O organismo começa a trabalhar dobrado e precisa de reforço nutricional.
Quando há deficiência de ferro ocorre a anemia, que costuma ser transitória, mas
mesmo assim, pode afetar o desenvolvimento do feto.
Além de um plano alimentar específico, o médico ou nutricionista pode receitar
suplementos e vitaminas para reequilibrar os níveis de vitamina no organismo da
gestante.

8.5 Vacinas

Vacina Hepatite B: Caso a gestante não tenha o esquema de vacinação


completo para Hepatite B ou nunca tomou nenhuma dose, ela deve ser vacinada
durante a gestação preferencialmente durante o segundo ou terceiro trimestre. O
esquema completo consiste em 3 doses (0-1-6 meses). Se a gestante já tiver recebido

40
1 ou 2 doses, deverá completar as doses durante a gestação, não sendo necessário
tomar novamente a(s) dose(s) recebidas.
Os recém-nascidos podem ser infectados ao nascerem de mães portadoras do
vírus B da hepatite. O risco de infecção crônica é mais elevado, quando a exposição
ocorre no período perinatal. Cerca de 25% das crianças que desenvolvem a infecção
crônica morrem de carcinoma hepatocelular ou cirrose décadas após a infecção
inicial.
Vacina dTpa: A vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular do adulto) tem o
objetivo específico na gestação de proteger o recém-nascido contra tétano neonatal e
coqueluche. O objetivo da vacinação da gestante é diminuir a transmissão da mãe
para o recém-nascido após o parto e a proteção relativa do mesmo através dos
anticorpos maternos via transplacentária. A efetividade de proteção dos anticorpos
transplacentários para o feto não é totalmente conhecida, mas certamente modifica a
severidade da doença. Após a vacinação na gestação, os anticorpos maternos
atingem o pico em algumas semanas e caem em poucos meses.
A vacinação da gestante deve ser com idade gestacional acima de 20 semanas
(preferencialmente entre 27 e 36 semanas). A mulher deve ser vacinada em todas as
gestações, independente de quando tomou a última dose da vacina dT (dupla
bacteriana, disponível nos postos de saúde, porém, confere proteção apenas para
Difteria e Tétano).
Vacina Influenza: A gripe durante a gestação ou puerpério pode levar a
formas clínicas graves, como a pneumonia e até mesmo a morte. O risco de
complicações é muito alto, principalmente no terceiro trimestre de gestação,
mantendo-se elevado no primeiro mês após o parto. As puérperas apresentam risco
semelhante ou maior que as gestantes de ter complicações em decorrência da
Influenza.
A vacinação contra o vírus influenza em gestantes é uma estratégia eficaz de
proteção para a mãe e para o lactente. Estudo realizado demonstrou que os lactentes
de mães vacinadas contra a influenza, apresentaram menos casos da doença.
Todas as gestantes devem tomar a vacina Influenza, em qualquer fase da
gestação. Ela é gratuita para gestantes (qualquer idade gestacional, não precisa
comprovação de gestação) e puérperas até 45 dias (levar certidão de nascimento do
recém-nascido ou cartão da gestante ou documento do hospital).

41
Observação: Apesar de evidências científicas demonstrarem que vacinas
como febre amarela e tríplice viral não causam danos fetal, por precaução, não se
recomenda a vacinação durante a gestação. Mas, em situação de surto da doença,
as gestantes, independentemente da idade gestacional, não vacinadas ou sem
comprovante de vacinação deve considerar o risco de adquirir a doença e, por causa
disso, se vacinar. É o serviço de saúde quem deve avaliar, caso a caso, o
risco/benefício da vacinação.

8.6 Métodos contraceptivos/ planejamento familiar

O planejamento familiar consiste em ações de regulação da fecundidade,


garantindo direitos iguais a homens e mulheres em relação à prole. Portanto, permite
a escolha do casal acerca da melhor hora da concepção e envolve o conhecimento
sobre a eficácia, as condições, as indicações e as contraindicações dos métodos
existentes. A liberdade de escolha do método deve ser um direito assegurado ao casal
e envolve o acesso às informações acerca do uso e características. Para tanto, é
preciso informação profissional para que essa escolha aconteça da forma mais
saudável, mantendo a autonomia do cliente.
Segundo MINISTÉRIO DA SAÚDE (2006), uma das ações básicas do PSF no
programa de atenção à saúde reprodutiva é a orientação quanto ao planejamento
familiar. Este é definido como um conjunto de ações que oferece recursos
cientificamente comprovados para concepção ou contracepção. É um direito sexual e
reprodutivo que deve ser garantido pelo Governo.
A recomendação em relação ao uso de preservativo (feminino ou masculino),
previne não somente uma gravidez indesejável, bem como doenças sexualmente
transmissíveis, como o cancro, gonorreia e até mesmo a sífilis. Outros métodos
contraceptivos que podem ser sugeridos à mulher, é a implantação do DIU
(Dispositivo Intrauterino), o uso do método de Ogino-Knaus
(tabelinha), Contraceptivos orais; Contraceptivos injetáveis; anel vaginal; Adesivos
cutâneos; Contracepção de emergência (pílula do dia seguinte) e as Contracepção
cirúrgica, como a Vasectomia e a Laqueadura.

A assistência ao planejamento familiar no Brasil é oferecida pela rede de


atenção primária à saúde como parte integrante do modelo de
descentralização do Sistema Único de Saúde, sendo uma das sete áreas
42
prioritárias de intervenção na atenção primária definida na Norma
Operacional da Assistência. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001, apud
DOMBROWSKI, 2013).

Segundo a Lei do Exercício Profissional do Enfermeiro 7.498/1986 e a


Resolução COFEN nº 271/2001, o enfermeiro pode prescrever os anticoncepcionais
hormonais orais; todavia, os hormonais injetáveis, quando utilizados pela primeira vez,
seriam transcrição da prescrição, já que a cliente deve passar necessariamente por
uma consulta médica.
Porém para a prescrição dos medicamentos anticoncepcionais, o enfermeiro
deve estar ciente sobre a escolha da cliente, respeitando o Artigo 226, Parágrafo 7,
da Constituição da República Federativa do Brasil, em relação ao direito de livre
escolha dos indivíduos e/ou casais, além de utilizarem outras clínicas como
anamnese, idade da cliente e disponibilidade do medicamento anticoncepcional na
unidade.
Considera-se como direito reprodutivo segundo PARREIRA (2010) o: Direito
das pessoas de decidirem, de forma livre e responsável, se querem ou não ter filhos,
quantos filhos desejam ter e em que momento de suas vidas; Direito a informações,
meios, métodos e técnicas para ter ou não ter filhos; Direito de exercer a sexualidade
e a reprodução livre de discriminação, imposição e violência. Os profissionais de
saúde devem oferecer subsídios para a efetivação destes direitos.

8.7 Na preparação para o parto e o parto

O processo de parto, compreendido como o trabalho de parto e o parto, é


complexo e envolve a equipe de saúde com a mulher e sua família, em um momento
intenso de transformações em suas vidas.
O cuidar, ato intrínseco ao fazer em Enfermagem, se faz necessário durante
todo o processo do parto. Compreende-se o cuidado como repleto de significados,
englobando o estar próximo da pessoa cuidada, correspondendo às suas
necessidades, respeitando suas particularidades e privacidade. Para que essa
independência seja respeitada, a interação entre enfermeiro e mulher no processo,
desde a gravidez, o parto e até o puerpério, necessita se fundamentar no "diálogo,
sensibilidade, afetividade, no prazer de estar com o outro e na atenção do bem-estar
físico, mental, social e espiritual.
43
A busca por um cuidado mais humanizado, isto é, que permita vivenciar a
gestação, trabalho de parto e parto de forma plena e natural é iniciativa das próprias
mulheres, dado o significado cultural do processo do nascimento. Humanizar o
cuidado à mulher e sua família, na situação de trabalho de parto e parto, consiste em
“respeitar o tempo da mulher no processo de parturição; evitar intervenções
desnecessárias impostas pelas rotinas hospitalares e reconhecer os aspectos
culturais próprios da mulher, dentro de seu contexto de vida.
Frente ao processo de mudança do paradigma do cuidado no trabalho de parto
e parto, a equipe de enfermagem possui papel decisivo já que são os profissionais
que estão mais próximos da parturiente. É necessário então, que a equipe de
enfermagem desenvolva, amparada por instrumentos pertinentes e educação
permanente, um modo de cuidar próprio, caracterizando-o como uma prática
autônoma e consciente do seu papel como agente de mudança.
É também necessário, que os profissionais de Enfermagem, além de possuir
competência técnica, estejam envolvidos com os aspectos psicológicos e sejam
capazes de compreendê-los, oferecendo assim, necessário suporte emocional à
mulher, respeitando sua autonomia, direito de um acompanhante de escolha e
garantia de que serão informadas sobre todos os procedimentos a que serão
submetidas.

Para que o enfermeiro desenvolva um cuidado de enfermagem eficiente,


legítimo e de qualidade, é indispensável considerar em suas ações aspectos
essenciais, como o diálogo, o saber ouvir, o toque, a troca de ideias, a
demonstração de preocupação e a expressão de afeto, além de outros
aspectos holísticos do cuidado. (SOUZA, 2010, apud FERREIRA, 2017).

8.8 Na amamentação

A prática do aleitamento materno está relacionada a fatores de ordem física,


psicológica e social, sendo reconhecida a influência dos profissionais de saúde
envolvidos neste processo.
O enfermeiro é o profissional que deve ser capaz de identificar e oportunizar
momentos educativos, facilitando a amamentação, o diagnóstico e o tratamento
adequados, considerando ser ele capacitado em aleitamento materno, e que poderá
atuar junto à população, não somente prestando assistência, mas também na
promoção e educação continuada, de forma efetiva.

44
O aleitamento materno é considerado como principal fonte de alimento para
o crescimento e o desenvolvimento saudável dos lactentes, sendo o único
alimento capaz de atender as necessidades fisiológicas do metabolismo das
crianças menores de seis meses. Sendo a forma de alimentação mais antiga
e eficiente da espécie humana, o leite materno é extremamente importante
para a saúde materno-infantil e deve ser continuado até o segundo ano de
vida da criança, pois traz inúmeros benefícios para mãe, bebê e toda família.
(PEREIRA, 2010, apud MARINHO, 2016).

Dentre as atribuições do(a) enfermeiro(a) no processo de promoção, incentivo


e apoio ao aleitamento, destaca-se o acolhimento, a comunicação e o processo
educativo em saúde, como ferramentas utilizadas na intenção de promover o estímulo
e a adesão das mães à amamentação.

8.9 No abortamento

O aborto realizado em condições de risco frequentemente é acompanhado de


complicações severas, agravadas pelo desconhecimento desses sinais pela maioria
das mulheres e da demora em procurar os serviços de saúde, que na sua maioria não
está capacitado para esse tipo de atendimento de acordo com Oliveira, 2003. As
complicações imediatas mais frequentes são a perfuração do útero, a hemorragia e a
infecção, que podem levar a graus distintos de morbidade e mortalidade (LANGER,
2001). Pesquisa realizada no Brasil, por HARDY E COSTA, estimou que 20% dos
abortos clandestinos, realizados por profissional médico em clínicas, e 50% dos
abortos domiciliares, realizados pela própria mulher ou por curiosas, apresentam
complicações.
O aborto realizado em condições inseguras figura entre as principais causas de
morte materna e é causa de discriminação e violência institucional contra as mulheres
nos serviços de saúde.

Para garantir uma assistência de qualidade às mulheres que sofrem violência,


é preciso conhecimento e capacitação daqueles que as assistem, com vistas
ao alcance de ações resolutivas e efetivas. As mulheres precisam ser ouvidas
e acompanhadas nos serviços de referência até que estejam preparadas para
retomarem as suas vidas sem o sentimento de culpa pela exposição ao ato
violento. (REIS, 2016, apud ACOSTA, 2017).

Violência que pode traduzir-se no retardo do atendimento, na falta de interesse


das equipes em escutar e orientar as mulheres ou mesmo na discriminação explícita
com palavras e atitudes condenatórias e preconceituosas. Pela representação

45
simbólica da maternidade, como essência da condição idealizada do ser mulher e da
realização feminina, o aborto pode sugerir uma recusa da maternidade e por isso pode
ser recebido com muitas restrições por parte dos profissionais de saúde. No entanto,
pouco se faz para evitar que o aborto se repita, haja vista que as mulheres que tiveram
complicações de aborto estão entre as pacientes mais negligenciadas quanto aos
cuidados de promoção da saúde reprodutiva e, via de regra, nem são encaminhadas
a serviços e profissionais capacitados exemplifica HUNTINGTON, 1999.

9 EPIDEMIOLOGIA DA SAÚDE DA MULHER

As mulheres são a maioria da população brasileira (50,77%) e as principais


usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS). Frequentam os serviços de saúde para
o seu próprio atendimento, mas, sobretudo, acompanhando crianças e outros
familiares, pessoas idosas, com deficiência, vizinhos, amigos. São também
cuidadoras, não só das crianças ou outros membros da família, mas também de
pessoas da vizinhança e da comunidade. A situação de saúde envolve diversos
aspectos da vida, como a relação com o meio ambiente, o lazer, a alimentação e as
condições de trabalho, moradia e renda.
No caso das mulheres, os problemas são agravados pela discriminação nas
relações de trabalho e a sobrecarga com as responsabilidades com o trabalho
doméstico. Outras variáveis como raça, etnia e situação de pobreza realçam ainda
mais as desigualdades. As mulheres vivem mais do que os homens, porém adoecem
mais frequentemente. A vulnerabilidade feminina frente a certas doenças e causas de
morte está mais relacionada com a situação de discriminação na sociedade do que
com fatores biológicos. (BRASIL, 2004).

9.1 Indicadores de morbimortalidade da mulher

A mortalidade materna é um bom indicador para avaliar as condições de saúde


de uma população. A partir de análises das condições em que e como morrem as
mulheres, pode-se avaliar o grau de desenvolvimento de uma determinada sociedade.
Razões de Mortalidade Materna (RMM) elevadas são indicativas de precárias
condições socioeconômicas, baixo grau de informação e escolaridade, dinâmicas

46
familiares em que a violência está presente e, sobretudo, dificuldades de acesso a
serviços de saúde de boa qualidade. Estudo realizado pela OMS estimou que, em
1990, aproximadamente 585.000 mulheres em todo o mundo morreram vítimas de
complicações ligadas ao ciclo gravídico-puerperal. Apenas 5% delas viviam em países
desenvolvidos segundo COELHO, 2003.
Nas capitais brasileiras, para o ano de 2001, a RMM foi de 74,5 óbitos maternos
por 100 mil nascidos vivos. As principais causas da mortalidade materna são a
hipertensão arterial, as hemorragias, a infecção puerperal e o aborto, todas evitáveis
de acordo com BRASIL, 2003.
Houve uma queda significativa em relação a mortalidade feminina entre 1999 a
2001. Esta queda pode estar associada a uma melhoria na qualidade da atenção
obstétrica e ao planejamento familiar. Nesse período, a mortalidade materna foi
considerada uma prioridade do governo federal e vários processos estaduais e
municipais foram deflagrados para reduzi-la. A partir do ano de 1998, diminuíram os
óbitos em internações obstétricas no SUS, passando de 34,8 óbitos por 100.000
internações em 1997, para 28,6 óbitos por 100.000 internações em 2001. Nesse
período, também caiu o número de mulheres que morreram no parto em relação ao
número de partos realizados, passando de 32,48 para 24 óbitos em 100.000 partos
em 2001 conforme BRASIL, 2003.

10 POLÍTICAS DE ATENÇÃO À SAÚDE DA MULHER

Fonte:ibam.org.br

47
O SUS corresponde à constitucionalização das principais bandeiras do
Movimento pela Reforma Sanitária que, iniciado na década de 70 com a mobilização
de diversos segmentos da sociedade que arriscavam denunciar o descalabro do
sistema de saúde, defendia o fortalecimento do setor público nesta área como um
direito de cidadania (COHN 1999).
As desigualdades sociais, econômicas e culturais se revelam no processo de
adoecer e morrer das populações e de cada pessoa em particular, de maneira
diferenciada. De acordo com os indicadores de saúde, as populações expostas a
precárias condições de vida estão mais vulneráveis e vivem menos.
O relatório sobre a situação da População Mundial (2002) demonstra que o
número de mulheres que vivem em situação de pobreza é superior ao de homens,
que as mulheres trabalham durante mais horas do que os homens e que, pelo menos,
metade do seu tempo é gasto em atividades não remuneradas, o que diminui o seu
acesso aos bens sociais, inclusive aos serviços de saúde. Levando em consideração
que as históricas desigualdades de poder entre homens e mulheres implicam num
forte impacto nas condições de saúde destas últimas (ARAÚJO, 1998), as questões
de gênero devem ser consideradas como um dos determinantes da saúde na
formulação das políticas públicas.
Segundo CORRAL, 2000, as dificuldades enfrentadas pelas mulheres podem
ser demonstradas pela diferenciação dos salários entre elas e os homens, mesmo
quando realizam trabalhos idênticos, e também pelo crescimento do número de
famílias pobres chefiadas exclusivamente por mulheres.

10.1 Enfoque na atenção básica e na prevenção

Programa “Assistência Integral à Saúde da Mulher: bases de ação


programática” (PAISM) foi elaborado pelo Ministério da Saúde e apresentado na
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da explosão demográfica em 1983.
A discussão se pautava predominantemente sobre o controle da natalidade. O
Ministério da Saúde teve papel fundamental, pois influenciou no âmbito do Governo
Federal e este, por sua vez, se posicionou e defendeu o livre arbítrio das pessoas e
das famílias brasileiras em relação a quando, quantos e qual o espaçamento entre
os/as filhos/as.

48
Em 2003, foi elaborado pela área técnica de saúde da mulher, o Programa
Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PANAISM), que reflete o
compromisso do Governo Federal na implementação de políticas públicas
para garantir os direitos das mulheres. Um dos eixos de trabalho dessa área
técnica é a atenção ao planejamento familiar, cujo objetivo é melhorar a
informação e o acesso aos métodos contraceptivos. (OLIVEIRA, 2005, apud
LOPES, 2010).

10.2 PNAISM (Programa Nacional de Assistência Integral à Saúde da Mulher)

O PNAISM, enquanto diretriz filosófica e política, incorporou também princípios


norteadores da reforma sanitária, a ideia de descentralização, hierarquização,
regionalização, equidade na atenção, bem como de participação social. Além disso,
propôs formas mais simétricas de relacionamento entre os profissionais de saúde e
as mulheres, apontando para a apropriação, autonomia e maior controle sobre a
saúde, o corpo e a vida. Assistência, em todas as fases da vida, clínico ginecológica,
no campo da reprodução (planejamento reprodutivo, gestação, parto e puerpério)
como nos casos de doenças crônicas ou agudas.

Em relação às políticas nacionais de Atenção à Mulher e à Criança, observa-


se que foi a partir da criação do PAISM, que o puerpério foi incluído para
assistência da atenção básica. Atualmente, com a instituição da Rede
Cegonha, estratégia que busca organizar e estruturar a rede de atenção à
saúde materna e infantil no Brasil, reafirmou-se a necessidade de uma
assistência humanizada e resolutiva no puerpério. (BRASIL, 2011, apud
ANDRADE, 2015).

O conceito de assistência reconhece o cuidado médico e o de toda a equipe de


saúde com alto valor às práticas educativas, entendidas como estratégia para a
capacidade crítica e a autonomia das mulheres.
Em 2003, teve início a construção da Política Nacional de Atenção Integral à
Saúde da Mulher: Princípios e Diretrizes, quando a equipe técnica de Saúde da
Mulher avaliou os avanços e retrocessos alcançados na gestão anterior.
Em maio de 2004, o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Atenção
Integral à Saúde da Mulher: Princípios e Diretrizes, construída a partir da proposição
do SUS e respeitando as características da nova política de saúde.
Em julho de 2005, foram operacionalizadas as ações previstas no Plano de
Ação construído e legitimado por diversos setores da sociedade e pelas instâncias de
controle social do SUS.

49
Destacamos que o SUS tem três esferas de atuação: federal, estadual e
municipal. O nível federal tem principalmente, as atribuições de formular, avaliar e
apoiar políticas; normalizar ações; prestar cooperação técnica aos Estados, ao Distrito
Federal e municípios; e controlar, avaliar as ações e os serviços, respeitadas as
competências dos demais níveis.
A direção estadual tem como principais atribuições promover a
descentralização de serviços; executar ações e procedimentos de forma
complementar aos municípios; prestar apoio técnico e financeiro aos municípios. À
direção municipal compete, principalmente, a execução, controle, avaliação das ações
e serviços das ações de saúde.

10.3 PHPN (Programa de Humanização no Pré Natal e Nascimento).

Diretrizes da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher:


O SUS deve estar orientado e capacitado para a atenção integral à saúde da
mulher, numa perspectiva que contemple a promoção da saúde, as necessidades de
saúde da população feminina, o controle de patologias mais prevalentes nesse grupo
e a garantia do direito à saúde. A Política de Atenção à Saúde da Mulher deverá atingir
as mulheres em todos os ciclos de vida, resguardadas as especificidades das
diferentes faixas etárias e dos distintos grupos populacionais (mulheres negras,
indígenas, residentes em áreas urbanas e rurais, residentes em locais de difícil
acesso, em situação de risco, presidiárias, de orientação homossexual, com
deficiência, dentre outras).
A elaboração, a execução e a avaliação das políticas de saúde da mulher
deverão nortear-se pela perspectiva de gênero, de raça e de etnia, e pela ampliação
do enfoque, rompendo-se as fronteiras da saúde sexual e da saúde reprodutiva, para
alcançar todos os aspectos da saúde da mulher. A gestão da Política de Atenção à
Saúde deverá estabelecer uma dinâmica inclusiva, para atender às demandas
emergentes ou demandas antigas, em todos os níveis assistenciais. As políticas de
saúde da mulher deverão ser compreendidas em sua dimensão mais ampla,
objetivando a criação e ampliação das condições necessárias ao exercício dos direitos
da mulher, seja no âmbito do SUS, seja na atuação em parceria do setor saúde com

50
outros setores governamentais, com destaque para a segurança, a justiça, trabalho,
previdência social e educação.
A atenção integral à saúde da mulher refere-se ao conjunto de ações de
promoção, proteção, assistência e recuperação da saúde, executadas nos diferentes
níveis de atenção à saúde (da básica à alta complexidade). O SUS deverá garantir o
acesso das mulheres a todos os níveis de atenção à saúde, no contexto da
descentralização, hierarquização e integração das ações e serviços. Sendo
responsabilidade dos três níveis gestores, de acordo com as competências de cada
um, garantir as condições para a execução da Política de Atenção à Saúde da Mulher.
A atenção integral à saúde da mulher compreende o atendimento à mulher a
partir de uma percepção ampliada de seu contexto de vida, do momento em que
apresenta determinada demanda, assim como de sua singularidade e de suas
condições enquanto sujeito capaz e responsável por suas escolhas. A atenção integral
à saúde da mulher implica, para os prestadores de serviço, no estabelecimento de
relações com pessoas singulares, seja por razões econômicas, culturais, religiosas,
raciais, de diferentes orientações sexuais, entre outras.
O atendimento deverá nortear-se pelo respeito a todas as diferenças, sem
discriminação de qualquer espécie e sem imposição de valores e crenças pessoais.
Esse enfoque deverá ser incorporado aos processos de sensibilização e capacitação
para humanização das práticas em saúde.
As práticas em saúde deverão nortear-se pelo princípio da humanização, aqui
compreendido como atitudes e comportamentos do profissional de saúde que
contribuam para reforçar o caráter da atenção à saúde como direito, que melhorem o
grau de informação das mulheres em relação ao seu corpo e suas condições de
saúde, ampliando sua capacidade de fazer escolhas adequadas ao seu contexto e
momento de vida; que promovam o acolhimento das demandas conhecidas ou não
pelas equipes de saúde; que busquem o uso de tecnologia apropriada a cada caso e
que demonstrem o interesse em resolver problemas e diminuir o sofrimento associado
ao processo de adoecimento e morte da clientela e seus familiares.
No processo de elaboração, execução e avaliação das Política de Atenção à
Saúde da Mulher deverá ser estimulada e apoiada a participação da sociedade civil
organizada, em particular do movimento de mulheres, pelo reconhecimento de sua
contribuição técnica e política no campo dos direitos e da saúde da mulher.

51
Compreende-se que a participação da sociedade civil na implementação das ações
de saúde da mulher, no âmbito federal, estadual e municipal requer cabendo, portanto,
às instâncias gestoras melhorar e qualificar os mecanismos de repasse de
informações sobre as políticas de saúde da mulher e sobre os instrumentos de gestão
e regulação do SUS.
No âmbito do setor Saúde, a execução de ações será pautada entre todos os
níveis hierárquicos, visando a uma atuação mais abrangente e horizontal, além de
permitir o ajuste às diferentes realidades regionais. As ações voltadas à melhoria das
condições de vida e saúde das mulheres deverão ser executadas de forma articulada
com setores governamentais e não-governamentais; condição básica para a
configuração de redes integradas de atenção à saúde e para a obtenção dos
resultados esperados.

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